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NACIONAIS-ACHERON
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NACIONAIS-ACHERON
PERIGOSAS

Copyright © 2017 Evilane Oliveira

Inesperado
2ª Edição
Capa: Evilane Oliveira
Diagramação digital: April Kroes

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos


que aqui serão descritos, são produtos da imaginação da autora.
Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é
mera coincidência. Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da
Língua Portuguesa. É proibido o armazenamento e/ou a reprodução
de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios, sem o
consentimento escrito da autora. A violação dos direitos autorais é
crime estabelecido pela lei nº. 9.610./98 e punido pelo artigo 184
do Código Penal.

Todos os direitos reservados.

Edição Digital | Criado no Brasil.

NACIONAIS-ACHERON
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Índice
Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Sete
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
Capítulo Doze
Capítulo Treze
Capítulo Quatorze
Capítulo Quinze
Capítulo Dezesseis
Capítulo Dezessete
Capítulo Dezoito
Capítulo Dezenove
Capítulo Vinte
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Capítulo Vinte e Um
Capítulo Vinte e Dois
Capítulo Vinte e Três
Capítulo Vinte e Quatro
Capítulo Vinte e Cinco
Capítulo Vinte e Seis
Capítulo Vinte e Sete
Capítulo Vinte e Oito
Capítulo Vinte e Nove
Capítulo Trinta
Capítulo Trinta e Um
Capítulo Trinta e Dois
Capítulo Trinta e Três
Capítulo Trinta e Quatro
Capítulo Trinta e Cinco
Epílogo

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SINOPSE
Melissa conheceu o amor cedo e antes que pudesse imaginar também
o perdeu. Mel é dedicada e sonhadora. Tyler foi seu primeiro e único amor,
chegou a Seattle pronta para esquecê-lo, mas ela sabe que não vai ser nada
fácil.

Pietro é o cara que todos rotulam como lindo, calmo e compreensivo.


E é a mais pura verdade. Perdeu seu primeiro amor ainda na adolescência e
até então não a tinha esquecido. Chegou à faculdade com o intuito de tê-la de
volta ou esquecê-la para sempre, mas, mais uma vez, nada é como
planejamos.

Melissa e Pietro só têm uma coisa em comum, amores não


correspondidos. Eles se conheceram pelos irmãos e logo se tornaram amigos.
Em uma noite que descobrem que os donos dos seus corações irão ter um
herdeiro, dormem juntos.

Durante um ano depois dessa noite, eles se afastaram, não são mais
amigos e muito menos colegas. Mel mascarou o sentimento que sentia por
Pietro sempre que o via e Pietro sempre deixou seu desejo por ela no escuro.
Mas então bastaram se aproximar novamente para verem que um está sob a
pele do outro. E nada vai ser uma barreira para o amor e o desejo dos dois.
Nada.

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Capítulo Um
Melissa

Um ano e dois meses antes...


Acordo sentindo uma dor forte em minha cabeça. Merda. O que fiz
ontem? Levanto minha cabeça e a dor parece multiplicar. Santo inferno, o
que eu bebi?
Tento me levantar, mas uma mão grande e pálida, que por sinal não é
minha, me prende na cama pela cintura. Merda. O que é isso?
Levanto-me de uma vez, e minha visão escurece. Respiro fundo e aos
poucos, meus olhos voltam a enxergar normalmente. Olho para o indivíduo
deitado na cama, que agora sim, eu tenho certeza que não é minha. Caramba
onde estou?
Depois de sair dos meus devaneios volto a olhar para o cara. Ele é nada
mais e nada menos que o irmão da minha cunhada. Não acredito nisso. Não
acredito que transei com ele. Caramba... Eu lembro. De tudo.
Os lábios de Pietro se apossam dos meus, suas mãos agarram minha
cintura me fazendo sentar em seu colo. Sinto sua rigidez e engulo em seco.
Sua língua entra em minha boca e juntos nos perdermos em nosso beijo.
Depois de mais alguns beijos, caímos na cama. Não tem mais uma peça de
roupa nos separando, pois Pietro tirou tudo, então ele me preenche. E isso é
bom. Seus movimentos são sutis, pois ele é o primeiro cara depois... De
algum tempo e claro, ele sabe disso.
Juntos, passamos a noite fazendo loucuras e a certeza disso juntando
com as lembranças, é pelo incômodo que estou sentindo no meio das minhas
pernas. Como transei com o meu amigo? O pior, como transei com um cara,
alcoolizada?
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Minha mãe me daria uma bofetada bem forte se soubesse disso.


Pietro se mexe na cama e depois seus olhos se abrem e me fitam. Seus
cabelos estão desgrenhados e sua bochecha tem marcas do travesseiro. Ele é
bonito quando acorda. Seus olhos descem por minhas pernas e me lembro
que estou somente com uma calcinha minúscula e a blusa de Pietro que mal
cobre minhas coxas.
— Merda... — Ele senta devagar e me olha. — Que porra nós fizemos?
— Ele fala calmamente e eu me retraio.
— Eu... Jesus eu tenho que ir embora. — Digo passando minhas mãos
em meus cabelos numa tentativa falha de arrumá-los.
— Mel... Como assim? — Ele se levanta da cama e eu pego minhas
roupas que estavam numa cadeira perto da cama.
— Eu tenho que ir. Desculpe-me. Eu... Não sei. — Suspiro e entro no
banheiro me vestindo rapidamente.
Tudo consequência de uma notícia.
Uma notícia maravilhosa, mas que ainda sim me machucou. Ontem
Tyler me contou que vai ser pai. Na hora eu me segurei e reprimir minhas
lágrimas, mas a dor que eu sentia no meu peito era horrível. Eu tento parar
com essa merda. Caramba! Acabou há muito tempo, eu já devia ter
esquecido, mas esse coração não entende. Ele fica pressionando na mesma
tecla, todos os dias. E isso é uma droga.
Lembro-me que sai de casa e fui à boate, a mesma que fui quando
cheguei aqui em Seattle. Eu o vi no bar. Pietro estava bebendo e quando me
viu revirou os olhos. Filho da mãe.
— Hey... Veio encher a cara por causa do idiota? — Ele insulta.
— Pietro... — Semicerro os olhos em sua direção.
— Pois é, somente isso que você vem fazendo ultimamente…. — O
interrompo revirando os olhos.
— Você não é muito diferente... olha onde está? No bar bebendo para
esquecer. — Digo me sentando ao seu lado.
— Ok... Eu me rendo. — Ele sorri e eu o observo.
Pietro é bonito. Muito, na verdade. Seus olhos claros demonstram
simpatia e humildade. Seu rosto é um pouco quadrado, ele aparenta ser mais
velho do que realmente é. Seu corpo grande é de fazer qualquer mulher
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chorar, mas além de tudo isso sei que ele é um homem muito bom. Sorrio
com meus pensamentos.
Depois de quase seis doses de tequila eu estou chorando. Sim.
Chorando. Pietro me olha e sorri me puxando para seus braços.
— Sabe... eu gosto da Clara, sempre gostei. Mas eu nunca a vi tão feliz
como vejo agora, grávida e com ele ao seu lado. Eu gosto de ver seu sorriso.
Eu me sinto bem sabendo que ela encontrou a felicidade. — Ele sussurra e
depois beija minha cabeça.
Suspiro e limpo minhas lágrimas. Pietro está tão certo. Nunca vi Ty tão
feliz como hoje quando ele me contou do bebê. Seus olhos brilhavam e eu
entendi. É difícil? Sim, muito, mas... eu só quero vê-lo feliz. E se ela é sua
felicidade, que eles fiquem juntos.
Depois de Pietro pagar nossas bebidas — ele não deixou eu pagar as
minhas — saímos da boate e entramos em um táxi.
— Primeiro vou te deixar em casa, ok? — Ele diz me puxando para
seus braços novamente.
— Não. — Digo rapidamente. — É... eu posso dormir na sua casa?
Digo... eu... Só não quero que Connor me veja assim sabe? — Falo
suspirando.
— Tudo bem. Vamos para casa. — Ele acena. Aninho-me em seus
braços e respiro seu cheiro de sabonete. É muito bom!
Depois disso eu transei com ele e vim parar aqui no seu banheiro.
Minha santa protetora, das bêbadas e apaixonadas, me dê força para sair
desse banheiro sem surtar no quarto ao ver Pietro novamente. Como pude
pedir para vir para sua casa?
Olho-me no espelho e faço um coque alto nos cabelos. Não sei o que eu
fiz para merecer acordar descabelada e saciada sexualmente falando. Uma
coisa eu tenho que admitir, Pietro é muito bom na cama.
O que eu estou falando? Cala a boca, Melissa!
Preciso de água. Muita na verdade.
Ligo a torneira e molho meu rosto e pescoço tentando me aliviar do
calor que senti ao reviver nossa noite. Não pense nisso!
Saio do banheiro dez minutos depois vestida com minhas roupas e com
o coque horrível que fiz. Dou graças a Deus quando não vejo Pietro na cama.
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A cama!
Como transei com meu amigo? Questiono-me novamente. Como fui
capaz de tentar mascarar minha dor fazendo sexo com outra pessoa que está
sofrendo tanto quanto eu, pela mulher que é dona do cara que sou apaixonada
desde a adolescência?
Burra. Burra. Burra.
Pego minha bolsa e as chaves, de cima da cadeira de sua escrivaninha.
Saio na ponta dos pés de seu apartamento, mas ainda escuto o barulho da
água no quarto ao lado do que eu estava.
É melhor assim! Menos constrangimento para nós dois.
Quando chego a minha casa corro para o banheiro. Tomo um banho
rápido e vou tomar café com minha família. Todos estão cansados então logo
voltamos para nossos quartos. Mais tarde quando saio do banheiro Nicole
está entrando no meu quarto. Como não pensei nela? Minha cunhada.
Caramba isso está fora de controle.
Depois de ela sair me deixando ainda mais culpada, eu me jogo na
cama tentando esquecer os beijos que troquei com o cunhado do meu irmão.
Que família nós formamos.
Dias atuais...
— Porque eu fiz escolhas ruins que te magoaram. Sim, eu preferia
morrer a ser humano, preferia morrer agora a passar vários anos com você,
para perdê-la quando estiver velho e você ainda ser você. Preferia morrer
agora a passar meus últimos anos, lembrando como era bom e como eu era
feliz. Porque eu sou assim, Elena, e eu não vou mudar. E não há desculpas
no mundo que englobe todas as razões de eu não ser o cara certo para você.
— Tudo bem. Mas eu não lamento. Não lamento ter te conhecido. Nem
que isso tenha me feito questionar tudo. E na morte é você quem mais faz
com que eu me sinta viva. Você tem sido uma pessoa horrível. Você fez todas
as escolhas erradas. E de todas as que eu já fiz, esta deve ser a pior, mas não
lamento estar apaixonada por você. Eu amo você, Damon "
Olho mais uma vez para minha cunhada e limpo as lágrimas que
desceram depois de uma sequência de The Vampire Diaries. Nicole
simplesmente me convocou para assistir, eu não queria, mas eu estou
completamente apaixonada por Damon. Eu e Nick soluçamos ao mesmo
tempo e desligamos a TV.
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— Eu disse que você ia gostar. — Ela fala se levantando e indo para a


cozinha da casa. Eu vou atrás e a vejo alisar a barriga que já está imensa.
— Eu não gosto de chorar Nicole, e essa série mexeu com minhas
emoções, mas não vou dizer que não gostei. Eu simplesmente estou
apaixonada. Literalmente apaixonada por um cara que não existe! — Faço
um pequeno drama. Ela revira os olhos e me entrega um copo com suco de
laranja.
— Seu irmão está me fazendo comer essas coisas ruins o dia todo. Eu
detesto isso. — Ela se queixa olhando para o sanduíche de salada. Não sei
que outro nome dar, pois só tem um pequeno pedaço de presunto e o resto é
mato dentro do pão.
— Connor está exagerando. Pelo amor de Deus, como consegue engolir
isso? — Digo fazendo uma careta. Ela dá de ombros e come o sanduíche
calada. — Eu vou tomar banho enquanto Dylan chega. Combinei de ir comer
algo com Kyara no Shopping. — Digo e lhe dou um beijo na testa.
— Ok... Você sabe que não precisa, eu sei me virar sozinha. Posso ir
para casa sem problema algum. — Ela reclama.
— Não vou correr o risco de Connor me matar quando chegar e não me
ver ao seu lado. Então muito obrigada, mas dispenso. — Falo me levantando.
Ela suspira se dando por derrotada.
— Tudo bem... tome cuidado. A cidade anda muito perigosa. — Ela diz
séria e eu aceno confirmando.
Nicole está com seis meses de gravidez e a cada momento está mais
perto da minha princesa chegar. Estou ansiosa e lógico Connor está uma pilha
de nervos, por isso esse cuidado extremo com ela. Não o culpo, mas tudo é
demasiado para ela que sempre teve o controle da sua vida.
Depois de uma hora saio de casa arrumada. Vejo Kyara andando em
minha direção e sorrio. Depois que cheguei aqui a única que me “acolheu”
foi ela. Não que eu precisasse, mas tudo que esse Campus tem são vadias
invejosas que querem usar você como ponte de acesso a seus irmãos. E isso
nunca vai acontecer com Kya, pois ela é apaixonada por outro cara! Ela
nunca me disse quem é o sortudo, mas eu sei que é paixão.
— Que cara é essa? — Pergunta me dando um abraço. Acho que ela é
bruxa, pois sempre quando estou mal, ela chega me perguntando o porquê
sem eu nem mesmo ter comentado com ela.
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— O de sempre. — Digo cansada. Tyler nos meus pensamentos. Eu sei


que ele está casado, que tem um filho perfeito, mas não consigo tirá-lo da
cabeça. Isso é uma droga.
— Ainda? — Ela suspira enquanto nós sentamos na praça de
alimentação. — Melissa acorda. Ele não gosta de você! Aquele homem é
louco pela mulher e você aí pensando nele. Como você pode ser tão burra? —
Encolho-me com suas palavras, mas ela está falando a verdade. Somente isso.
Mas machuca.
— Eu sei! Eu os vejo juntos todos os dias, mas não consigo. Eu não
consigo esquecer ele. — Digo envergonhada. Isso mesmo. Vergonha é o que
sinto por gostar de alguém que nunca gostou e nunca gostará de mim como
mulher.
— Eu acho que você não gosta dele. — Levanto minha cabeça lhe
encarando incrédula. O que ela falou? — Isso é acomodação. Você quer algo
fácil. Isso você teve sempre. “Há eu sou apaixonada pelo melhor amigo do
meu irmão. ” Mas não! Você não o ama e isso você só vai enxergar quando o
seu verdadeiro amor chegar. — Ela fala convicta. Tenho vontade de bater
nela, mas o que faço é gargalhar. Eu sorrio, pois o que ela falou é uma grande
idiotice.
Eu sofro há anos pelo mesmo homem e ela acha que eu faço isso
porque é fácil? Ela está totalmente enganada.
— De tudo o que já ouvi na vida isso é a pior coisa de todas. Eu sempre
o amei, e eu o amo e isso não é fácil e muito menos cômodo. Isso é a merda
que todos os dias faz meu coração se quebrar mais um pouco. — Digo
sentindo minha bile subir.
Eu sei que amo Tyler. Eu sempre gostei dele. Eu o conheci por meu
irmão, eles eram e ainda são inseparáveis. Tyler nunca me notou de verdade.
Fomos nos conhecendo e ficando as escondidas e eu entreguei minha
virgindade a ele, depois disso ele teve que vir para a faculdade e eu fiquei em
nossa cidade natal. Quando ele voltou estava namorando Clara, e ele a
amava. Eu vi nos olhos dele. Desde que me entendo por gente sinto meu
coração bater mais forte quando ele está por perto. Mas...
Kyara plantou sementes em minha cabeça, e logo ele me vem à cabeça.
Não quero pensar nele.
Não me faça pensar nele!
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Depois do que aconteceu nós não nos falamos, mas somente ele me
vem à cabeça quando a palavra apaixonada surge.
Pietro.
Lógico que eu não sou apaixonada por ele. É óbvio que não, mas
ultimamente nós nos esquecemos e eu sinto saudade. Somente isso. Saudades
da nossa amizade. Minha cabeça que gosta de pensar demais. Não existe isso.
Depois da noite “M” (M de maravilhosa), não conversamos sobre ela,
ele veio até mim e quis conversar, mas não respondi nada, somente disse que
deveríamos esquecê-la. Para sempre. E ele seguiu meu conselho.
Hoje ele está namorando. Kimberley é o nome da garota. Ela é legal,
mas... Ainda não me acostumei vê-la sempre com ele e sei que ela não gosta
de mim. Uma vez Nicole deixou escapar e eu já sentia então..., Mas com o
tempo vou acostumar a vê-los juntos e claro, ignorar ela. Com certeza.
— Tudo bem. Não vou te perturbar mais..., mas quando o outro cara
chegar você vai me dizer se eu não estava certa. — Kyara fala e eu suspiro
revirando os olhos.
Besteira!

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Capítulo Dois
Melissa

Entro em minha sala de aula atrasada. O professor olha feio para mim,
mas dou meu melhor sorriso e me esquivo das cadeiras tentando chegar a
minha. Odeio estar atrasada. Odeio ter toda a atenção da sala voltada para
mim.
Deslizo pela minha cadeira e tento me concentrar em tudo que deixa a
boca do professor. É difícil, mas depois que relaxo, absorvo tudo com mais
facilidade.
Escolhi literatura inglesa, pois gosto de ler tudo e claro, também gosto
de escrever. Desde pequena sempre quis ler todos os livros da minha casa, e
escrever meus pensamentos em diários ou qualquer caderno que estivesse por
perto. Comecei a me aventurar de verdade no mundo da escrita quando eu
tinha dezesseis anos, eu tenho um livro já completo, mas nunca tive coragem
suficiente para apostar nesse “sonho”.
O livro é um romance e por incrível que pareça eu adoro ler trechos
dele quando estou livre. Às vezes só abro na página e começo a absorver
tudo, e em poucos segundos já sei o que vai acontecer em seguida e o que
aconteceu anteriormente. Algumas vezes acho que é algum tipo de loucura,
mas é apaixonante e eu me envolvo. Então só me deixo apreciar o
romantismo dos personagens principais e depois já estou sorrindo feito uma
boba por aquelas palavras terem saído de mim.
É, acho que é loucura mesmo.
Saio da sala depois de mais de trinta minutos. Encontro Kyara
conversando com meu irmão, Dylan, e estranho já que eles nunca conversam.
Chego devagar e pulo na frente deles.
— Melissa! — Dylan leva a mão ao coração, surpreso, e eu gargalho.
— Oi gente. — Digo depois de me recuperar do ataque de risos. — O
que estavam conversando? — Olho para minha amiga. Ela suspira sorrindo
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tensa.
— Nada. Só perguntei por você a Dylan. — Ela responde e Dylan
franze as sobrancelhas. — Não foi, Dylan? — Ela o olha questionando.
— Foi. E eu já ia responder que não tinha te visto. — Ele responde e
depois olha para Kya. — Agora tenho que ir. Tenho um encontro com uma
gatinha do segundo ano. — Ele pisca e sai na direção oposta.
— Seu irmão é tão idiota! — Ela fala com um suspiro e eu a olho
estranho. Mas não pergunto nada. Vai saber, né?
— Você já devia saber disso. Agora vamos, pois estou com fome. —
Pego sua mão e saímos em direção ao refeitório.
Chego a minha casa exausta, então só me deito e apago pelo resto da
tarde. Acordo com batidas na porta e me pergunto por que Dylan não leva a
porra da chave dele. Cara chato.
Abro a porta e logo volto para me jogar no sofá.
— Gostaria que você levasse a chave para eu não ter que me levantar,
sabe? Fizemos cópias para isso. E só para você saber eu estava dormindo e
adivinha? Você me acordou! — Digo colocando uma almofada no rosto.
Espero ele falar alguma merda, mas o que escuto é bem pior.
Muito pior, na verdade.
— É... Hum... desculpe lhe acordar, mas eu acabei de chegar ao
prédio... — Eu pulo do sofá e puxo minha blusa para cobrir minhas pernas.
— É... Então eu não tenho açúcar em minha casa e então pensei em
pedir ao vizinho... Meu Deus me desculpa mesmo. Eu... já vou indo.
Desculpa-me mesmo. — Ele me dá as costas indo em direção a porta da
frente, mas corro atrás dele.
— Não. Perdoe-me, é que pensei que era meu irmão... eu tenho
açúcar... Então se quiser só espera um minuto que trago para você! Ok? —
Pergunto e ele sorri relaxado. Paro e o observo constatando que ele é lindo.
Ele deve ser mais alto que eu, uns trinta centímetros. Meu vizinho veste
uma calça jeans e uma blusa cinza apertada. Ele tem os braços enormes e
cheios de tatuagens. E eu acho que acabei de me apaixonar.
— Ok! — Saio do meu transe e ele me olha estranho. Claro, eu estava o
secando na cara de pau.
Suspiro e corro para a cozinha. Pego o açúcar no armário e volto para a
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sala. Ele está no mesmo lugar onde o deixei; porta. Que mal-educada
Melissa! Mas se já o assustei quando olhava para seu corpo, lógico que não
vou chamar para entrar, ele vai pensar que eu quero transar com ele.
E você quer, Melissa?
Pensamento estúpido. Lógico que não. Eu também não convidaria um
estranho para entrar. Não estou louca.
— É... Está aqui. — Entrego em suas mãos e ele arregala os olhos.
— Hey... Não precisava ser um pacote. Vou fazer compras em breve...
— O corto.
— Não tem problema. Entenda como um presente de boas-vindas ao
prédio! — Digo e ele sorri abertamente. Esse sorriso. Que lindo!
— Muito obrigado! É... Nos vemos por aí! — Ele fala e começa a andar
para trás coçando seu pescoço.
— Ok!
Depois que fecho a porta começo a me estapear. Como me transformei
nessa vadia? Volto para meu quarto e tomo banho. Depois que saio enrolada
na toalha, começo a conversar com Kyara pelo celular.
— Ele era bonito mesmo?
— Bonito? Ele era muito lindo.
— Mas vocês ficaram? Tipo, não rolou nem um beijinho?
— Você é louca? Só de comer ele com os olhos estou me sentindo
diferente!
— Mas...
— Nada de “mas”.
— Tudo bem... Vamos sair? Estava pensando em ir aquele bar que
inaugurou semana passada. O que acha?
— Tudo bem. Passo aí em uma hora.
— Beleza! Pegue sua roupa mais sexy, pois vamos encontrar um boy
magia hoje.
— Ok...
Desligo revirando os olhos e pulo da cama. Pego o primeiro jeans que
vejo no guarda-roupa e o visto. Kyara parece que é louca. “Roupa sexy”? Eu
não tenho isso. Escolho uma lingerie preta e uma blusa curta de manga longa.
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Término de secar o cabelo e faço alguns cachos nas pontas. Ficou lindo,
meu cabelo não é longo, mas também não é tão curto, eu gosto. Pego meu
coturno preto e passo um pouco de batom, delineador e rímel. E estou pronta!
Até que fiquei apresentável.
Sorrio com o pensamento.
Entro no bar vinte minutos depois com Kyara ao meu lado. Seus olhos
vagueiam pelas pessoas que estão sentadas em algumas mesas e depois volta
para o bar.
Saio na sua frente e me sento. Peço uma cerveja ao barman, mas o filho
da mãe me pede a identidade. Suspiro e dou meu sorriso mais perfeito tirando
minha “id” falsa e esfregando na cara desse pé no saco. Cara chato.
Depois de pegar minha bebida Kyara chega.
— Hey... Você me deixou sozinha. — Ela diz me empurrando devagar.
— Eu? Foi você que não estava prestando atenção em mim. Estava
procurando alguém? — Pergunto e ela sacode a cabeça.
— Não.
Depois de mais duas rodadas de cerveja, Kyara me arrasta para a pista
de dança. Tem poucas pessoas, mas como o lugar é pequeno ficamos todos
apertados.
Balanço meu quadril ao som de alguma música muito legal que não
faço ideia do nome. Arregalo os olhos, surpresa, ao ver Kyara se beijando
com um cara. Não que ela seja lésbica, só que ela não fica assim do nada com
um estranho. Eu acho idiota, mas ela sempre me dizia isso então a deixava de
vela me vendo ficar com alguém.
Volto a dançar e logo sinto duas mãos em minha cintura. Viro-me e dou
de cara com um homem. Ele tem minha altura e é um pouco magro demais.
Coloco meu sorriso mais falso e tiro suas mãos de mim. Dou graças a Deus
que ele entende e vai embora. Ele não fazia meu tipo e hoje não estou a fim
de ficar com ninguém.
Volto para o bar depois de avisar a Kyara visualmente que vinha para
cá. Relaxo, sentada, e olho para o lado. Meu corpo fica tenso e antes que eu
pudesse fingir que não a vi, ela sorri falsamente para mim e carrega ele até
onde estou.
— Hey... — Digo estranha. O que eu digo para ela?

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— Oi. Está sozinha? — Kimberley pergunta e eu sorrio falsa também.


Não me julguem! Eu sei muito bem que ela não gosta de mim, e o
sentimento é recíproco! Ponto.
— Não... É... Estou com uma amiga. — Digo incerta e ela sorri.
Não olho para ele, mas sei que ele me olha. Seus olhos perfuram minha
pele. Isso é fato.
— Mel. — Quando escuto sua voz eu sorrio. Seu tom é grave, mas
ainda sim delicado.
— Pevi... — Digo sorrindo tensa e ele revira os olhos para o apelido
que coloquei nele quando nos conhecemos.
Vejo Kimberley franzir a testa e transformar seu belo rosto em uma
carranca. Não sei se ele contou algo sobre a noite “M” para ela, mas eu vejo
que sente ciúmes.
Ela não é feia. Não é mesmo. Seus olhos são verdes e sua pele
branquinha. Mas o que mais acho lindo são seus cabelos loiros e cacheados
até a cintura. Não é um cacho volumoso, é um cacho baixinho e muito bonito.
— Ainda lembra? — Ele pergunta e eu me permito o observar. Seus
cabelos estão espetados com o auxílio de algum produto e suas roupas são
casuais. Calça jeans e camiseta.
— Claro. Fui eu quem inventou então... — Ele sorri concordando. —
Eu acho que vou procurar minha amiga. Tenho aula amanhã e já bebi o
suficiente. — Digo e ele acena arqueando a sobrancelha.
Desço do banco e passo por Kimberley. Seus olhos passeiam por meu
corpo e eu reviro os olhos.
— Tchau, Kimberley.
— Tchau, Melissa.
Depois disso fui embora com Kyara. Não sou uma vadia sem noção,
então a deixei passar mais um tempo com o gatinho e só depois fui chamá-la.
Enquanto isso fiquei olhando para Pietro e Kimberley. Percebi que estavam
discutindo e que ele já estava sem paciência. Depois disso os dois foram
embora também.

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Acordo sentindo dor de cabeça, então logo me levanto atrás de remédio,


porém me arrependo ao ver Connor sentado na mesa.
— Bom dia! — Digo, mas ele não responde. Finjo que ele não existe
também.
Pego meus comprimidos no armário e uma xícara de café que acho que
foi ele quem fez. Quando já estou voltando para o quarto ele me chama.
Estava bom demais para ser verdade.
— Oi?
— Senta. Precisamos conversar. — Seu tom de voz está tenso e eu já
fico em alerta. Aí vem merda.
— Aconteceu alguma coisa? — Pergunto e ele aponta para a cadeira.
Sento-me e espero ele continuar.
— Onde foi ontem? — O olho incrédula.
— Como assim? Eu pensei que era outra coisa, Connor! — Digo com
raiva. Seus olhos azuis perfuram minha pele com reprovação.
— Ontem você saiu e não avisou a ninguém, Melissa. Dylan estava
preocupado e eu também quando ele ligou. — Ele passa a mão no cabelo e
me olha nos olhos. — Vocês dois estão morando aqui sozinhos e pensam que
podem ir para onde quiserem, mas não é assim. Dona Samantha fica me
ligando e enchendo o meu saco. Não o de vocês, então se querem mesmo
morar aqui terão que aprenderem a serem adultos. Entendam de uma vez.
Vocês cresceram! — Ele fala tenso e eu suspiro.
— Eu entendi, ok? Mas se eu cresci, eu não preciso ficar avisando a
ninguém nada que faço... — Tento dizer, mas ele me interrompe.
— Você ainda não entendeu... se não agirem como tal, voltarão para
casa. Eu já tenho uma mulher grávida para me preocupar. Não preciso da
minha irmã mais nova para somar só porque não quer deixar a porra de um
bilhete avisando onde foi. — Ele suspira novamente. — Eu não quero bancar
o irmão chato, mas, por favor, faça isso quando sair. Eu não quero mamãe me
ligando para perguntar por vocês. — Ele termina e eu aceno confirmando.
— Ok, desculpe. — Digo e ele acena e se levanta para me abraçar.
— Não tem problema. Agora vá se arrumar para ir à faculdade. — Ele
acena e eu volto para o quarto.
Até a dor de cabeça foi embora.
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Sinto uma mão puxando o meu braço e quase caio, mas antes a outra
mão me segura pela cintura. Pietro. Seu cheiro invade meu espaço pessoal e
merda. É ele.
— Precisamos conversar. — Sua voz chega aos meus ouvidos e
memórias da noite “M” preenchem minha mente.
— Melissa... — Meu nome saía grave de sua boca enquanto ele
empurrava dentro de mim. — Goze para mim... — Depois que ele fala, eu me
desfiz em pedaços ao seu redor. Tudo escureceu em minha mente. Só o
prazer ficou.
— Hey... Eu disse que precisamos conversar. Você ouviu? — Ele me
tira dos meus pensamentos e eu aceno envergonhada.
— Hã... O que é? — Pergunto e olho em seus olhos castanhos. Afasto-
me dele.
— Por que foi embora, ontem? Digo, assim que cheguei você foi. Eu
não entendi. — Ele diz e começa a bater o pé direito no chão.
— Todos sabem que sua namorada não gosta de mim, Pietro... eu só
não queria briga para você. — Digo e ele revira os olhos pronto para falar
algo.
— Você sabe...
— Estou atrapalhando alguma coisa? — Kimberley fala aparecendo do
nada. Ela sorri ao abraçar Pietro e eu desvio os olhos.
— Nenhum pouco. Já estou de saída... Tchau Pietro, Tchau Kimberley.
— Afasto-me e entro na minha sala.
De onde essa louca saiu?

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Capítulo Três
Melissa

— Hey! — Viro e vejo Kyara andar em minha direção com outra garota
ao seu lado. Essa eu não conhecia.
— Queria te apresentar Hilary. Ela é caloura como nós, mas ela é ainda
mais caloura que a gente, entende? — Kya fala sorrindo enquanto mexe no
cabelo.
— Não, eu não entendi. — Digo rindo de Kyara. — Meu nome é
Melissa e seja muito bem-vinda. — Digo sorrindo. Hilary é mais baixinha
que eu e é morena. Seus olhos são da cor de Whisky e seus cabelos são lisos
e retos até a altura dos ombros.
— Obrigada, Melissa. Kyara só quis dizer que cheguei agora aqui.
Vocês já estão com o que? Um ano? Eu cheguei agora literalmente. — Ela
explica e eu sorrio já gostando de seu jeito simpático.
— Sim, estamos. Então... — Kyara começa a falar, mas deixa no ar ao
olhar para frente.
Eu e Hilary viramos e vejo Pietro e Kimberley andando em nossa
direção. Sorrio forçado. Por que eles não me esquecem?
— Hey, Mel... — Ele me cumprimenta e eu aceno.
— Oi, Pietro. — Ele fica mudando o peso do pé de um lado para o
outro enquanto Kimberley fica revirando os olhos. Chata.
— É que Nicole me ligou e pediu para avisar que ela está em casa te
esperando. Ela tentou te ligar, mas estava indo para caixa postal. — Pietro
termina de falar e eu pego minha bolsa procurando meu celular.
— É... Eu me esqueci de ligá-lo depois que sai da aula. Obrigada. —
Digo depois que acho o celular e o olho.
— De nada. Vou passar lá agora... Você quer carona? — Ele pergunta.
Kimberley e eu olhamos chocadas para ele. — E aí? — Ele pergunta
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novamente.
— Amor... Nós vamos encontrar minha irmã agora. — Kimberley fala
segurando a mão dele.
— Você pode ir sozinha, Kim. É que eu preciso conversar com minha
irmã. Depois que sai da casa dela eu te pego ok? — Ele fala ainda sem a
olhar.
— Ok... Tudo bem! — Ela pega o rosto dele o fazendo olhá-la e depois
o beija. Não um selinho. Um beijo de verdade.
Sinto um incômodo em meu peito, mas deixo passar. Depois do beijo,
ela se despede e vai embora. Ele fica aqui me olhando envergonhado, mas ajo
naturalmente, então ele logo relaxa.
— É... Pietro, eu acho melhor eu ir com a... — Ele interrompe minha
fala.
— Não. — Ele só fala isso enquanto me olha sério. Merda. Suspiro e
me viro para as meninas.
— É... Eu vou indo. Seja bem-vinda a faculdade Hilary, e ao clube das
solitárias. No caso, eu e Kyara. — Digo e ela sorri.
— Hey... Você é solitária quando quer e eu não sou de modo algum.
Até parece que você não me arrastou do bar ontem e deixou meu boy lá. —
Kyara reclama.
— Ok, ok. Deixa de ser chata e, por favor, não tente arruinar a pessoa
linda e simpática que Hilary é. — digo e elas saem em direção ao
estacionamento com Kya bufando.
— Amiga nova? — Pietro pergunta.
— Acabei de conhecer. — Digo e ele acena.
Ficamos em um silêncio chato até entrarmos em seu carro. Acho que
não estou me sentindo bem, não sei o que estou sentindo exatamente, mas é
um incômodo em minha barriga. Respiro fundo tentando disfarçar a dorzinha.
— Você está bem? — Pietro pergunta e coloca sua mão em minha
coxa. Pulo com seu toque e ele me olha alarmado.
— É... Estou. — Digo e ele continua me olhando e seus olhos estão
completamente questionadores. — É só um incômodo, vai passar logo, logo...
— Digo e suspiro.
— Sim, mas estava falando se está bem com essa situação? Tipo... você
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entendeu. — Ele fala e começa a bater o pé direito no chão do carro.


— É... — Olho em seus olhos e falo de uma vez. — Só não entendo
como faz isso. Você sabe que ela não gosta de mim e está me dando carona.
— Digo e viro o rosto olhando a paisagem pela janela do carro. A coragem
foi embora.
— Olha para mim. — Ele pede e pega minha mão. Eu o olho e seus
olhos estão atentos em cada movimento meu. — Antes daquela noite...
éramos amigos, Mel. E eu gosto da sua amizade. Se Kim não gosta de você,
eu não ligo. Eu adoro minha namorada, mas ela não tem motivos para não
gostar de você. Ela tem ciúmes, pois ela diz que só ela vê o clima entre a
gente. Eu já falei que é besteira, mas ela não escuta. — Ele fala e eu suspiro.
— Você não vê? Tipo, eu acho que nós dois somos adultos o suficiente
para saber quando há uma tensão entre duas pessoas. — Digo com vontade
de bater nele.
— Eu sei que tem, mas essa tensão é nosso incômodo em falar da nossa
noite juntos. Mel já faz tanto tempo. Já passou um ano. Nós deveríamos
seguir nossa amizade. Como antes. — Ele explica e eu suspiro novamente, só
que agora mais aliviada.
Não existe tensão sexual. É a nossa ignorância diante de uma noite que
pode acontecer com qualquer casal de amigos. Eu entendo isso.
— Ok, tudo bem. Eu sei que já propus isso, mas vamos esquecer, ok?
— Digo e tento sentar mais ereta.
— Não estou falando que devemos esquecer, Melissa. Eu quero superar
e seguir nossa amizade. Você é minha melhor amiga. Você sabe disso. — Ele
fala e eu sorrio.
— Tudo bem. Vamos tentar, ok? Vai ser fácil, pois nos tornamos
amigos assim que nos olhamos então... — Digo e ele sorri concordando.
Depois disso ficamos calados até chegar à casa de Nicole e Connor, e
em breve, de Abby. Minha princesa.
Saímos do carro e andamos até a entrada da casa. Antes mesmo de
chegarmos à porta, Nicole a abre e pula nos braços do irmão.
— Estava com saudades. — Ela fala com os olhos cheios de lágrimas
depois de se afastar. Ela está tão sensível por causa da gravidez, Connor diz
que ela chora e fica com raiva por tudo.

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— Também Pimentinha. Desculpe ter demorado a vir, é que estava com


Kim na casa da irmã dela. — Ele explica afagando os cabelos lisos e longos
de sua irmã mais velha.
— Você só tem tempo para essa garota? E nós? Sua sobrinha e sua
irmã? — Ela pergunta se afastando e cruzando os braços. — E Melissa? Você
também não tem mais tempo para ela. Eu sei. Vocês sabiam que eu percebo?
— Ela complementa e eu arregalo os olhos.
— Nicole! Eu estou aqui! Pare com isso! — Digo sentindo meu rosto
esquentar.
— Tudo bem. Desculpe, mas é verdade e todos perceberam, vocês
viviam juntos e do nada…. — Ela fala olhando para mim, mas seu irmão a
interrompe.
— Ok... Agora está falando como se eu não estivesse aqui. Desculpe-
me novamente, Nicole. Isso não irá mais acontecer e agora eu vou passar
mais tempo com Melissa. Não se preocupe. — Ele pisca para mim e eu sorrio
balançando a cabeça. — Agora e, a minha princesa? — Ele se ajoelha e passa
a mão na barriga de Nicole.
— Ela está ótima, mas ainda vou para a consulta logo à tarde. Por isso
Mel veio. Ela vai comigo. — Nicole explica e eu sorrio.
— Sim. Agora morra de inveja, pois eu irei ver Abby e você não. —
Digo rindo e entrando na casa do meu irmão.
— Hoje é uma ultrassonografia? — Escuto ele perguntar também
entrando com sua irmã.
— Sim. Connor vai tentar chegar a tempo, mas não estou tão confiante.
Ele foi com Tyler, comprar o resto dos equipamentos da academia. Ela
inaugura depois que Abby nascer. — Nicole fala enquanto nós sentamos no
sofá, que ela trouxe da casa do irmão.
Sim, o antigo. Connor até tentou convencê-la a comprar um novo, mas
ela não quis. Vai saber, não é? A garota é louca pelo sofá.
— Eu vou com vocês. Nunca fui a uma de suas ultrassonografias, então
quero ir nessa. — Pietro fala colocando as mãos atrás da cabeça.
— É... Eu não queria cortar sua animação, mas você disse para sua
namorada que iria pegá-la na casa da irmã. Não que eu estivesse atrás de
escutar conversa, mas vocês estavam falando alto e... — Ele interrompe
sorrindo.
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— Eu entendi, Mel. Respira, ok? — Assinto suspirando e ele sorri. —


Vou ligar para avisar a Kim. Com licença senhoras. — Ele sai da sala rindo.
Bobo.
Olho para ele até que o vejo sumir para dentro de outra sala.
— Vocês conversaram? — Nicole pergunta quando tem certeza que
estamos sozinhas.
— Sim. É... Nós conversamos sobre... Nossa amizade... — Começo a
gaguejar e me penalizo por isso. Que merda é essa? — Digo. Nós
conversamos sobre o quanto nos afastamos. Essas coisas. — Consigo falar e
sorrio me sentindo vitoriosa.
— É... Foi o que pensei. — Ela responde e passa a mão pela barriga. —
Mas e você? Como está? — Ela levanta e senta ao meu lado.
— Estou bem. — Sorrio e falo novamente. — Muito bem. — Nicole
ergue as sobrancelhas e ri.
— Estou falando de meninos, Mel. De quem foi à última boca que
beijou? Pelo amor de Deus, Melissa. — Ela revira os olhos e sorrio divertida.
— Hey! Eu fiquei com Greg há um mês e posso dizer que não ficamos
apenas nos beijos. — Digo e levanto a sobrancelha a desafiando.
— Você já me falou sobre isso, mas não se viram mais? Tipo nem uma
ligação? — Ela pergunta.
— Ele me ligou há duas semanas, mas não quero relacionamentos. Por
favor, ele é... Tudo bem, ele é lindo e um cara muito legal, mas não é para
mim. Ponto. — Digo cruzando os braços.
— Tudo bem não querer relacionamento, mas você tem que se divertir.
Mel você é jovem... — Ela suspira parando de falar. — E depois dele, mais
ninguém? — Ela insiste. Reviro os olhos e lembro-me do meu vizinho.
— Hey. Tem sim, é o meu vizinho que não sei o nome, mas ele é tão
lindo e grande. Você deveria ver. Retiro o que eu disse. Connor o mataria e
ele é meu... Vizinho então... O ponto é que ele é muito lindo e educado,
simpático. — Digo suspirando e Nicole se anima me fazendo falar como o
conheci.
— Vocês ficaram? Tipo nenhum beijinho? — Ela pergunta e eu sorrio
lembrando que Kya perguntou isso com as mesmas palavras.
— Não. Eu não fiquei com ele, mas vontade não faltou. — Gargalho de
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sua cara.
— Eu preciso conhecer ele. Tipo eu vou te empurrar para ele. Vocês
vão se casar e terão gêmeos. Já planejei tudo. — Arregalo os olhos com o que
fala.
— Sai daí Nicole. Não quero bebês agora e muito menos dois deles. A
ajuda para dar uns beijinhos e até algo mais, eu gostaria. — Digo rindo e me
dá uma tapinha de brincadeira.
— Você não presta. Fica com essa pose de fodona, mas não teria
coragem de fazer realmente... — Ela diz, mas não termina, pois Pietro entra
na sala vermelho de raiva.
— É... Está tudo bem? — Pergunto, mas ele não responde apenas fica
olhando para mim e para sua irmã.
— Pietro Victor, Melissa lhe fez uma pergunta. — Ela o olha com
repreensão.
— Não foi nada. Agora podemos almoçar e ir para a clínica? — Ele
pergunta sem olhar para nenhuma de nós duas.
— Claro. Vamos. — Nicole é a primeira a sair da sala e ir para a
cozinha ver o almoço.
— Vamos? — Ele pergunta e eu aceno confirmando.
Depois do almoço fomos para a clínica. No final Connor apareceu e foi
uma briga por que Pietro queria entrar em seu lugar. Mas Nicole escolheu o
irmão para entrar, depois ele saiu todo emocionado ao lado da irmã que
também estava. Disseram que Abby estava chupando o dedinho e foi a coisa
mais linda que eles dois viram. Meu irmão ficou emburrado, mas Nicole
pediu ao médico para tirar uma foto e deu para ele, que também se
emocionou olhando.
Minha Abby está grande e muito linda. Às vezes fico tentando formar
sua fisionomia e me perco em tanta fofura. Imagino os olhos de Connor e os
cabelos de Nicole. A única certeza que tenho é que ela será linda.
Pietro está me dando carona para casa, pois Nicole e Connor iriam a
outro lugar depois daqui e estavam atrasados. O silêncio reina no carro e eu já
estou inquieta.
— Como foi com Kimberley? Ela se chateou por que veio na ultra de
Abby? — Pergunto e o escuto suspirando.

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— Não. Ela entendeu super bem, até. — Ele diz e continua olhando
para frente segurando o volante com força.
— Então por que estava irritado quando entrou na sala depois de falar
com ela? — Insisto.
— Quem é Greg? — Arregalo os olhos surpresa. — Quero dizer... eu
ouvi, ok? Tudo. Eu não sei... Me desculpa. Não deveria perguntar nada.
Desculpa. — Ele fala tudo rápido demais e por impulso, para o acalmar,
coloco minha mão em cima da sua.
— Se ouviu a conversa toda, você sabe quem é. E não precisa se
desculpar, nós somos amigos. Você pode me perguntar. — Digo e ele relaxa
seu corpo que ficou tenso quando o toquei, mas sua mandíbula ainda está
apertada.
— Só se cuide, beleza? Nem todos os caras da faculdade são legais
como você falou. Só estou te avisando. — Ele encerra a conversa. Simples
assim.
Suspiro retirando minha mão da sua e me concentrando nas paisagens
pela janela.

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Capítulo Quatro
Melissa

Uma semana depois...


Saio do banheiro e me visto casualmente, jeans e regata. Escuto
baterem na porta da frente e estranho, pois ainda é cedo. Não passa das oito e
eu tenho que estar na faculdade às oito e meia. Acordei cedo, posso dizer.
Encaminho-me para a sala e vejo que um milagre divino aconteceu,
Dylan está acordado e claro, já abriu a porta.
— Hey, o que aconteceu? Caiu da cama? — Pergunto entrando na sala.
Paro ao ver quem está na porta.
— Para você. E não, eu só tenho compromisso agora. Beijo maninha.
— Ele fala e eu reviro os olhos empurrando sua mão, que vinha para meus
cabelos, para longe de mim.
— Tchau, Dylan. — Digo e ele vai embora fechando a porta atrás dele.
— É... Aconteceu alguma coisa? Ainda é bem cedo. — Digo para o
convidado.
— É... Só vim para irmos tomar café juntos... você sabe... A coisa de
reatar nossa amizade. — Pietro explica e eu sorrio confirmando.
— Claro! Me dá dois minutos para pegar minha bolsa e minhas chaves.
— Digo e ele acena.
Volto no quarto e em menos de dois minutos estou novamente em sua
frente. Saímos do meu apartamento e seguimos em silêncio até seu carro.
— Está sendo difícil morar só vocês dois?... Digo você e Dylan? —
Pietro quebra o silêncio e eu olho assustada para ele. Não esperava que ele
fosse falar comigo.
— É... Não que esteja difícil, é só que ainda não crescemos o suficiente
sabe? Vivemos brigando e... Eu não sei. — Digo enquanto olho pela janela
do carro dele.
— Entendo. Mas quem é o mais velho dos dois? — Ele pergunta e eu
olho para ele como se ele tivesse duas cabeças.
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— Nós somos gêmeos, Pietro. Você como meu amigo deveria saber. —
Digo revirando os olhos.
— Eu sei Mel, mas quem nasceu primeiro? Não me diga que saíram na
mesma hora? — Ele faz cara de incredulidade e soco seu braço rindo.
— Idiota. Eu nasci primeiro, mas não venha com a história de que “eu
sou mais velha então eu tenho que cuidar e blábláblá. ” — Digo agora o
olhando.
Seus olhos estão na estrada, mas ele sorri balançando a cabeça. Seus
olhos pousam em mim e seu sorriso se desfaz.
— Não diria isso. — Ele responde e eu semicerro os olhos
questionando a verdade. — Tudo bem eu iria, mas não diria necessariamente
que é você. Tipo, Nicole é mais velha que eu, mas eu me sinto com dever de
cuidar dela. Eu sempre meio que me senti assim com a Pimentinha, então não
sei agir de outra maneira. — Ele dá de ombros. Sorrio do apelido que ele a
chama.
— Tudo bem. Eu entendo, mas Dylan já se sente adulto e eu muitas
vezes me sinto a mesma menininha que fui há alguns anos atrás. Não sei me
portar como a mais racional na frente dele. — Suspiro e olho para longe dele.
— Na verdade, eu acho que preciso de alguém ao meu lado para me proteger
sempre e isso é uma coisa que me irrita muito. — Confesso.
Acho que nunca falei isso para alguém, mas é a verdade nua e crua.
Sinto-me uma criança que não consegue andar com as próprias pernas.
Isso ainda é muito maluco e eu não me acostumo. Sempre me senti assim,
acho que desde que Connor saiu de casa eu fiquei um pouco sozinha. Ele é o
mais próximo de mim e mesmo Dylan, que é meu gêmeo, nós nunca nos
aproximamos muito. Eu sempre soube que Connor e Erick não eram filhos do
meu pai e eu me sentia no dever de mostrar para Connor, já que é o que
morava comigo, que isso não fazia diferença para mim e eu o amava desse
jeito, mas agora eu entendi perfeitamente que no fundo não era isso que eu
queria mostrar, eu que precisava dele e morria de medo que ele um dia me
deixasse.
E isso aconteceu quando ele veio para a faculdade.
Eu o perdi e me perdi no processo. Mas hoje entendo que mesmo que
sejamos irmãos, um dia temos que seguir caminhos diferentes e eu me
conformei.
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— Nossa Mel. Eu não sei o que dizer, mas acho que você sabe muito
bem andar com suas próprias pernas e claro que precisamos de alguém nas
nossas vidas, mas você sabe se virar sozinha e eu admiro muito esse seu lado.
— Ele fala acariciando minha mão.
Quando olho para ele, sua cabeça já havia virado e agora estava
olhando para frente.
Sempre para frente.
Entramos no café e logo fazemos nosso pedido. Enquanto Pietro está
pagando, procuro uma mesa e logo me sento em uma vazia perto da janela.
— Então... O que anda fazendo? — Ele pergunta depois de sentar.
— Nada de importante. — Digo e ele revira os olhos. — Tudo bem. Eu
vou para a faculdade, volto, durmo e me alimento. Às vezes nas sextas eu
saio com Kyara. Satisfeito? Minha vida se resume a isso. — Digo sorrindo
para seu rosto.
— Ok, tudo bem. Acho até que sua vida é bem movimentada. — Ele
ironiza e eu lhe dou uma tapa no braço.
— Mas e você? Não me diga que tudo que faz coloca sua namorada no
meio. — Digo olhando pela janela e ele gargalha.
— Não. Por favor, eu só namoro com ela, nós não somos casados. —
Ele fala e eu sorrio.
— Então pretendem se casar? — Pergunto fingindo desinteresse e no
fundo me questiono o porquê de eu de repente me sentir estranha esperando
sua resposta. Ignoro esse sentimento.
— Eu não penso muito sobre isso, mas Kimberley ultimamente quer
puxar assunto. — Ele diz sem dar importância.
Eu apenas aceno sorrindo.
— Nunca cheguei a pensar sobre isso, mas só casarei quando eu sentir
que é a pessoa certa. — Ele continua e eu volto meus olhos para encará-lo.
— Como assim? Kimberley não é a pessoa certa? Quero dizer, você não
sente que ela é? — Pergunto e dou um gole no meu café. Fiquei confusa com
sua fala, porque ele gosta de Kim. Eu sei que sim.
— Não é isso. Quero dizer, é isso. Eu a adoro, mas ainda não sei se
quero dividir minha vida inteira com ela. Casamento tem que envolver amor.
Nada, além disso. — Pietro diz e eu sorrio concordando.
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— Concordo com você... quero dizer, acho que concordo. — Digo


olhando em seus olhos castanhos.
— Como assim, acho que concordo? — Ele me questiona.
— É que... eu não sei. Eu acho que você deveria deixá-la e encontrar
alguém, tipo que esteja disposto a amar e casar com ela. — Digo de uma vez,
mas logo depois me arrependo.
O que você tem na cabeça, Melissa? Merda. Com certeza.
— Você está dizendo que tenho que terminar com minha namorada? —
Ele pergunta sério.
— Para de me responder com perguntas... — Reviro os olhos e logo
depois o observo. Ele continua me questionando, mas agora só pelo olhar.
Suspiro. — Me desculpa, okay? Esquece o que falei. Eu sou idiota e só digo
besteira. — Falo rapidamente me levantando. Tenho que sair daqui.
— Espera Melissa. — Ele chama, mas já sai da mesa e começo a andar
em direção a saída.
Eu devo estar ficando louca. Como digo para meu ex amigo que transou
comigo que ele deve terminar com a namorada dele? Deus! Eu sou burra.
— Melissa! — Merda. Ele deve estar vindo atrás.
Depois de uma corrida, que eu definitivamente não precisava, chego ao
Campus. Ando apressadamente para minha aula e por quase uma hora tento
esquecer a grande merda que fiz.
Inutilmente.

Sento-me ao lado de Hilary no refeitório, e ela me olha estranha. Vai


saber. Minha cabeça desaba na mesa e eu abraço a minha bolsa para me dar
mais conforto. Estou exausta.
— Você está péssima. — Kya fala ao sentar na minha frente.
— Obrigada! — Digo sorrindo ironicamente.
— Ei sua ingrata. Só estou te dando um toque. — Ela diz e eu levanto
minha cabeça para olhar seu rosto.
— Sutilmente. — Reviro os olhos.
— O que aconteceu? Alguém te mordeu? — Kya insiste.
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— Antes fosse. — Digo rindo. Sento-me direito na cadeira. —


Desculpas meninas. Só acordei cedo hoje. — Digo e elas concordam.
— Pensei que era sobre aquele problema... — Kya fala deixando no ar.
A fuzilo com os olhos.
— Não. Comece.
Não quero falar sobre Tyler, quero dizer eu nem me lembrei dele na
última semana. Admiro meu esquecimento em relação a ele. Sorrio vitoriosa
e me dou duas tapinhas nas costas em pensamento.
— Tudo bem. Mas e você Hilary já conheceu alguém além de nós? —
Kyara muda seu foco. Graças a Deus.
— Sim. Conheci seu irmão, Mel. — Ela sorri para mim e eu retribuo.
— Ele é lindo. — Ela diz sonhadora.
— Amiga, ele é meu irmão. E ainda mais gêmeo. Você acha que ele iria
ser feio? — Pergunto rindo.
Hilary gargalha e empurra meu braço na brincadeira. Olho para Kyara e
seu semblante é neutro. Não entendo muito seu comportamento, mas depois
falarei com ela. Algo deve ter acontecido.
— Você ficaria chateada se eu... Tipo saísse com ele. — Hilary
pergunta remexendo as mãos, nervosa.
— Lógico que sim... quero dizer, Melissa não gosta que suas amigas se
relacionem com seus irmãos. Não é, Mel? — Ela me olha esperando que eu
fale algo, mas estou tensa olhando Greg se aproximar.
— Não é que eu goste. Eu só quero protegê-las. Dylan não presta,
Hilary. Ele usa as garotas e eu não quero ter que ficar entre mágoas de um
casal, que nem sequer existe. — Digo sinceramente. — Mas eu não posso
proibir ninguém. Se quiser, faça, mas depois, por favor, não me coloque no
meio disso, ok? — Digo suspirando.
Pode ser idiotice da minha parte, mas imagina eu no meio de um casal
onde a garota é minha amiga e o cara é meu irmão? Não daria certo. Além do
que, já discuto o suficiente com Dylan.
— Hey. Vocês estão falando como se eu fosse me apaixonar por ele no
minuto seguinte. Gente, eu quero curtição. Somente. — Ela fala e sua voz
demonstra um pouco de irritação.
— Entendo. Desculpe-me. Se for assim, aproveite. Ele também só está
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atrás de curtição. — Digo apertando a mão dela. Hilary sorri para mim e a
conversa morre ali.
Greg chega e eu sorrio para ele. Eu gosto dele, ele é um cara legal, mas
não me sinto tão atraída a ponto de ir fundo. E é isso que ele quer.
Compromisso.
— Oi meninas. — Ele sorri para minhas amigas e elas logo tratam de
retribuir, mas já se levantando.
E me deixando sozinha. Vacas.
— É... Melissa, você está livre hoje? É... Eu queria te chamar para
jantar. — Ele está nervoso. Posso ver pelo modo que me olha e por sua fala.
— Greg... — Suspiro tentando encontrar a coragem para falar a
verdade.
Eu não quero sair com ele. Não como um casal.
— Te pego as sete, ok? — Ele pergunta e se levanta. — Não esquece.
— Ele fala já se virando.
— Ok... As sete. — Digo suspirando e o vendo sair do refeitório.
Ótimo.

Entro em casa sentindo um cheiro delicioso de comida. Acho que é


macarronada. Só agora percebi que estou com fome. Jogo minha bolsa no
sofá e corro para a cozinha. Nick.
— Hey. Você por aqui? Onde Connor esta? — Pergunto a abraçando.
— Ele saiu para comprar alguma coisa. Acho que é cerveja. Eu vim
porque vocês não vão me visitar. Dylan principalmente. — Ela se queixa e eu
sorrio.
Nicole anda muito sentimental ultimamente, lógico é a gravidez.
— A faculdade está me arruinando. Como você aguentou até a
formatura? — Pergunto e ela revira os olhos.
— Eu estudava, Melissa. Faça isso que ela não lhe arruinará. — Ela fala
séria e eu aceno confirmando.
— Mas e ai? Como você está? — Pergunto e ela senta na banqueta
perto do balcão.
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— Estou ótima. Abby está crescendo saudável e eu tenho um marido


perfeito. O que eu desejo mais? — Ela se gaba e eu jogo um pano nela.
— Sim. Você é muito sortuda amiga. — Falo revirando os olhos.
— Mas e você? O vizinho? — Ela pergunta interessada.
— Deus! Para com isso. Eu nunca mais o vi..., Mas hoje irei para um
encontro. Com Greg. — Digo sem ânimo.
— Acho que não deveria ir. — Ela fala olhando para meus olhos.
— Por quê? — Pergunto confusa.
— Você não quer ir. Somente. Não faça o que não quer. Pense em você,
não nele. — Ela diz e se levanta me deixando sozinha com meus
pensamentos.
Escuto a porta da sala abrir e bater avisando que Connor chegou.
— Como você está? — Ele me abraça por trás e sussurra em meu
ouvido.
— Ótima. O que vai fazer com cervejas? Nicole falou que foi comprar.
— Pergunto o vendo abrir a geladeira e pegando um copo de água.
— Shirley vai dar uma festa na casa dela. Ficamos de levar bebidas. —
Ele explica. Shirley é uma amiga de Connor e Nicole. Ano passado ela
descobriu que o namorado a traiu e ainda engravidou outra garota. Coitada.
Mas não entendo a parte do “ficamos”.
— Como assim, “ficamos”? — Pergunto.
— Eu, Pietro e Tyler. — Ele fala e eu paro de respirar.
O nome de Pietro e Tyler na mesma frase é demais para mim. Demais.

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Capítulo Cinco
Melissa

Greg é pontual. Às sete horas da noite ele está na minha porta para
irmos a um restaurante italiano. Eu adoro massas então gostei da escolha
dele. Como lá é um restaurante um pouco elegante, optei por um vestido na
cor prata com lantejoulas pequenas que vai até acima dos meus joelhos e é
colado no meu corpo. Prendi meu cabelo em um coque arrumado e a minha
maquiagem é simples. Meu sapato é de salto e eu já estou me sentindo
desconfortável com ele. Odeio saltos.
— Você está linda, Melissa. — Ele me elogia quando saímos do carro e
entramos no restaurante.
— Obrigada, Greg. Você também está muito bonito. — Digo sorrindo.
E é verdade. Ele está de calça jeans com blazer e camisa branca. Casual, mas
muito elegante.
Nos sentamos em uma mesa afastada de todos. Ficamos ao lado de uma
janela, onde podemos ver os carros e o chuvisco caindo do céu. Depois de
fazer nossos pedidos começamos a conversar.
— Você não retornou minhas ligações, Mel. Digo, tudo bem…. Talvez
você só estivesse ocupada. — Ele fala e acaricia minha mão.
Olho em seus olhos verdes brilhantes e me pergunto do porque não me
entrego. Ele está aqui para mim, e eu não quero nada. Nada com ele ou com
ninguém que não seja Tyler. Eu me divirto com os outros caras, mas
compromisso eu não consigo.
— Desculpa Greg. Eu só... Estava ocupada. É, eu estava ocupada. —
Digo suspirando e olhando pela janela. Vejo um casal andando na rua de
mãos dadas. Eles estão agasalhados e sorriem um para o outro timidamente.
— Eu não quero te pressionar. Longe de mim fazer isso, Melissa, mas
eu gosto de você entende? Por que não nos tornamos oficiais? — Ele
pergunta e eu engulo em seco. Ele está me pedindo em namoro?
— Você... está me pedindo em namoro? — Pergunto e puxo minha mão
da sua. Não acredito nisso.
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— Sim. Nós já nos conhecemos há um ano e já ficamos por bastante


tempo. Por que não namorar? — Ele me questiona e pega minha mão
novamente.
— Eu não sei... eu não quero namorar agora. — Suspiro criando
coragem para explicar tudo. — Eu adoro você. De verdade, mas não estou
pronta para namorar. Ainda não. — Digo e ele suspira relaxando na cadeira.
— Acho que entendi. Eu ouvi falar, mas não acreditei. Mas agora eu
acho que faz sentido. Eu acho que entendo. — Ele fala olhando para cima e
eu fico rígida.
— Ouviu falar o quê? — Pergunto temendo sua resposta.
— Nada. Deixa para lá. Não quero que se preocupe.
— Não! Eu quero saber. Se você não me disser alguém vai, então para
que prolongar? — Digo sentindo minhas mãos suadas.
— Estão dizendo que você gosta de um cara comprometido. Desculpe-
me eu não quero lhe ofender. Só estou dizendo o que os outros estão falando.
Mas eu não consigo falar e muito menos me mexer. Como isso
aconteceu? Que merda de homem comprometido? Quem espalhou esse
boato? Essas questões estão rodeando minha cabeça.
Eu não posso acreditar nisso.
— Como assim? Isso é mentira! — Digo sentindo a queimação nos
olhos para as lágrimas se acumularem. Não vou chorar. Não posso. Mas
agora entendo os olhares na minha direção essa semana que passou. As
pessoas ficavam me encarando e eu não conseguia entender o porquê.
— Tudo bem. Eu não acredito nisso. Não se preocupe. — Ele fala
acariciando minha mão. Eu me afasto. Eu não entendo, mas eu me sinto suja.
Muito suja.
— Quem falou isso? E quem é o cara comprometido que estão dizendo
que eu supostamente gosto? — Pergunto sentindo minha bile subir.
Eu quero vomitar.
— Eu não sei quem começou o boato, mas o cara é Pietro, namorado de
Kimberley William. — Ele responde e eu me sinto tonta. Muito tonta.
Pietro.
Será que foi ele? Eu não acredito que tenha sido ele. Eu não posso
acreditar que ele espalhou isso. Mas se não foi ele, quem foi? Ninguém sabe
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da nossa noite juntos. Ele deve ter dito a alguém. Merda, não! Ele não pode
ter feito isso.
— Eu preciso ir embora. Desculpa-me, Gregory. Eu não estou me
sentindo bem. — Digo me levantando. Ele também se levanta.
— Não. Vamos comer, Melissa. Depois eu te levo para casa. Me
desculpe, eu não deveria ter falado isso. Só... por favor, fica. Só vamos comer
e saímos. Eu prometo. — Ele pede me segurando pela mão. Eu respiro fundo
para me acalmar e me sento.
— Tudo bem. Não precisa se desculpar. Você não tem culpa de nada.
— Digo. O garçom chega logo em seguida com nossos pratos.
Comemos em silêncio. Quero dizer, Greg come. Eu só fiz uma bagunça
no prato. Devo ter comido três colheradas no máximo. Não mais que isso.
Depois disso comemos a sobremesa, pelo menos essa eu comi mais um
pouco. Minha cabeça está girando ainda. Eu não consigo entender como eu
fui me meter num boato. Será que Connor já ouviu falar? Acho que não, pois
ele teria conversado comigo hoje de manhã.
Eu preciso falar com Pietro. Ele vai ter que me explicar que merda é
essa. Ah vai.
— Podemos ir agora? — Pergunto depois que ele pede a conta.
— Claro. Vamos lá. — Ele pega minha mão e me encaminha para fora
do restaurante.
Depois de quinze minutos eu entro em casa. Greg se desculpou mais
uma vez e vai embora. Estou cansada, mas não o tanto que me faria esquecer
isso e me deitar. Por isso pego meu celular na minha bolsa e mando SMS
para Pietro.
— Onde está?
Ele responde logo em seguida.
— Na Shirley e você?
— Estou indo.
— Para onde? Aconteceu alguma coisa?
— Para casa da Shirley. Preciso falar com você.
— Ok...
Depois disso ele não manda mais nada. Pego minhas chaves e saio de
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casa. Eu preciso falar com ele.


Quando chego a casa da mulher me pergunto que merda Nicole está
fazendo aqui. Essa casa está cheia de gente. Pensei que era para poucas
pessoas. Como uma mulher grávida está no meio desse povo todo?
— Hey! — Shirley fala ao me ver. Ela me abraça e eu estranho já que
não somos muito próximas.
— Hey! — Respondo sorrindo e depois entendo o porquê do abraço.
Ela está bêbada. — Você viu o Pietro? — Pergunto e depois que ela diz que
sim, ela me arrasta pelo meio da multidão de corpos na sala.
Quando o avisto me arrependo imediatamente de ter vindo. Kimberley
está com ele. O beijando. Mas respiro fundo e sigo em frente. O que eu
pensei? Que ele estava aqui sozinho?
— Pietro. — Grito por cima da música e ele se afasta dela para me
olhar. Seus olhos passeiam por minhas pernas e eu lembro que ainda estou
com aquela roupa pomposa. Todas as garotas estão com jeans e top com
moletom. Me sinto mais estranha agora.
— Hey, Mel. — Ele fala e Kimberley se vira. Acho que ela não sabia
que era eu que estava o chamando.
— Podemos conversar? É urgente. — Digo a ele. Kimberley me olha
com a sobrancelha levantada e eu bufo. Que menina idiota.
— Claro... — Ela o interrompe.
— Que não! — Ela grita e depois se finge calma. — Melissa, eu estou
com meu namorado me divertindo. Você não pode ir atrás de outro cara? —
Ela sai dos braços dele e vem para minha frente. — Esqueça o Pietro, Mel.
Ele não quer nada com você. Ele é meu. — Ela sussurra para que somente eu
possa ouvi-la.
— Antes de você, eu já estava aqui, Kim. — Digo fervendo de ódio. —
Eu sou somente amiga do seu namorado, Kimberley. Não precisa ter ciúmes.
— Digo e vejo fogo nos olhos dela.
— Que merda. Para, Kimberley! Nós já tivemos essa conversa. —
Pietro rosna na direção da namorada. — Vá ficar com suas amigas enquanto
converso com Melissa. — Ele diz e ela se vira para o olhar.
— Você acha que eu comprei essa conversa de amizade, Pietro? Você
não percebe que essa garota quer tirar você de mim? — Ela fala para ele

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chamando a atenção do resto das pessoas.


Agora sim todos irão pensar que eu quero um cara comprometido.
— Para de loucura...
Eu não escuto mais, pois corro de lá. Não vou ficar ouvindo essa louca
me humilhar na frente dos outros. Na frente das pessoas que já acham que
sou uma vagabunda.
— Mel... — Nicole me para e olha em meus olhos quando alcanço o
jardim, eu tento reprimir essas lágrimas idiotas que querem sair.
— Você já ouviu o boato? Eles espalharam por aí, Nicole. — Digo me
encostando-se à parede de frente a casa. Aqui fora também tem várias
pessoas, mas elas não estão prestando atenção em mim.
— Que conversa é essa? Do que você está falando? — Ela pergunta
preocupada.
— Depois eu explico. Não fique preocupada. Eu estou indo, ok? Eu
estou cansada. — Digo e ela suspira concordando.
Saio em direção ao estacionamento e quando alcanço meu carro entro e
relaxo no meu banco.
Dirijo até minha casa apertando o maxilar. Eu não acredito que estou
passando por isso. Minha mãe me deu educação suficiente para eu não pensar
no homem dos outros. Deus, o que Kimberley pensa que está fazendo? Ela
mesma está desgastando o namoro dela. Garota estúpida!
Quando estaciono é que percebo as lágrimas em meu rosto. Estou tão
mortificada que nem percebi que tinha começado a chorar. Entro em casa e
vou direto para meu quarto. Deito-me na minha cama e nem a roupa eu troco
ou tomo banho. Fico deitada em formato fetal chorando mais e mais.
Batidas irrompem na porta da frente e eu escuto meu próprio gemido de
desagrado. Levanto-me e corro para a porta.
— É açúcar novamente? — Pergunto limpando meus olhos e olhando
para meu vizinho.
— Não. É que eu vi você chorando quando entrou e só vim saber se
está bem. Você está? — Ele pergunta mexendo as mãos freneticamente.
— Obrigada, mas sim, eu estou bem. — Digo tentando sorrir.
— Humm... Então, ok? — Ele pergunta.

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— Ok! — Digo e antes que ele saia, Pietro está do seu lado olhando
para ele com os braços cruzados.
— É então, boa noite! — Ele olha para Pietro e acena. — Quero dizer,
como é o seu nome? — Ele pergunta franzindo a testa e eu sorrio.
— Melissa. — Digo olhando tensa para Pietro.
— Ok! O meu é Brandon. — Ele diz e dá um passo para trás.
— Prazer, Brandon. Conversamos depois, tudo bem? — Digo e ele
acena e entra no apartamento ao lado do meu.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto quando Pietro entra na
minha casa, sem ser convidado.
— Você queria conversar, então estou aqui. — Ele diz sério.
— E sua namorada? Cadê ela? — Pergunto ainda na porta.
— A deixei na festa.
— Pietro...
— É só falar. O que aconteceu? O cara que você saiu não era legal? Ou
você quer trocar ele por esse outro e me chamou para te ajudar a escolher? —
Ele fala e sem perceber eu lhe dou uma tapa. Ele se cala e eu aperto meus
lábios juntos.
— Não fale o que não sabe. Não basta sua namorada me chamar de puta
na frente de mais de setenta pessoas? — Digo fervendo de ódio. Como ele
pode falar isso?
— Me desculpa. — Ele suspira. — Kimberley estava com ciúmes,
Melissa...
— Eu já falei que a gente não tem nada. Por que ela simplesmente não
pode colocar essa merda na cabeça? — Pergunto com raiva. Essa é a pergunta
do ano. Por que ela não entende?
— Por que é mentira. Você sabe disso e eu também sei. — Ele grita e
eu suspiro.
— Não. Nós não temos e nunca tivemos nada... — Ele me interrompe.
— Se transar a noite inteira não é ter nada, então sim. Você está certa.
— Ele fala e eu vou para perto de seu rosto.
— Nós já conversamos sobre isso. Você disse que iríamos esquecer. —
Digo sentindo as lágrimas chegarem novamente.
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— Não. Você disse isso. Eu queria tentar. No dia seguinte que te


procurei por que eu queria tentar, mas você já veio me dizendo para esquecer.
Eu fiz, Melissa! Eu segui minha vida! — Ele diz com raiva.
— E o que está fazendo aqui? Vá atrás daquela nojenta da sua
namorada. — Digo me virando para abrir a porta. Como assim tentar? Que
merda.
— O que aconteceu Melissa? Você queria conversar. Eu estou aqui,
então diz. — Ele fala tentando se acalmar.
— Você contou para alguém? Da noite em que estávamos juntos? —
Pergunto séria cruzando os braços.
— Por quê? O que aconteceu? — Ele está confuso.
— Me responde primeiro.
— Sim. Eu contei a minha namorada, ela já desconfiava. Eu tive que
falar. — Ele diz e as lágrimas saem dos meus olhos.
— Você não tinha o direito! Eu te disse para esquecer, não espalhar por
aí. — Digo sufocando um soluço.
— Mel, me conta o que está acontecendo...
— Hoje, Greg me disse que estão falando que gosto de homem
comprometido. Ele disse que o cara é você. As pessoas estavam me olhando
estranho a semana toda e eu percebi, mas só hoje eu tive a resposta do
porquê. — Digo e me sento no sofá tentando me acalmar.
— Mel, eu sinto muito. Eu... eu vou saber quem espalhou isso. Eu juro.
— Ele diz e se ajoelha na minha frente.
— Foi sua namorada, Pietro. É lógico que foi ela. — Digo e ele se
levanta de repente.
— Não. Ela não faria isso, Melissa. Eu conheço Kimberley. — Ele diz
andando de um lado para o outro.
— Você está cego. Ela me odeia, por que ela não faria isso? —
Pergunto. Limpo minhas lágrimas e me levanto.
— Eu não sei, Mel. Eu simplesmente não posso acreditar que ela...
— Só vai embora, Pietro. — Abro a porta e me encosto esperando ele
sair.
— Melissa...

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— Sai. Agora. — Mando e ele abaixa a cabeça indo embora.

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Capítulo Seis
Melissa

Quando cheguei há um ano, não pensei que Seattle fosse tão úmida.
Aqui chove demais! Não que eu esteja reclamando. Nunca reclamaria da
chuva. Eu a amo. Fico hipnotizada com a água caindo do céu, mas o que mais
gosto na chuva é o som das gotas, o som que elas fazem ao tocar o chão
depois da caída é fantástico e é por isso que estou nesse momento olhando
para ela e toda sua beleza.
Ao terminar minhas aulas corri para o Starbucks para tomar café e
assistir o balanço da chuva. Procurei a mesa mais afastada de todas as
pessoas. Eles não estão prestando atenção em mim, pois com o frio todos
querem algo quente. Eles estão focados nisso. Em café.
Mais um motivo para eu agradecer a chuva. Os olhares diminuirão, mas
ainda não cessaram. Pergunto-me o porquê de Kimberley ter espalhado essa
conversa por aí. Ela não vê que ela mesma está desgastando seu próprio
relacionamento? Ela é doente.
Hoje quando acordei me arrumei devagar por não querer ir ao Campus.
Desde que cheguei aqui não me lembro de um dia que eu não quisesse ir
assistir aula. É estranho, mas quando estava no quarto imaginando as pessoas
comentando sobre o boato, eu me convenci de que eu não fiz nada errado e
que não posso me esconder.
— Escondida? — Kya desliza pela cadeira a minha frente e eu finjo um
sorriso.
— Mais ou menos. — Respondo suspirando.
— Fiquei sabendo...
— Todos estão sabendo, Kya. — Digo olhando para minhas mãos.
— Não precisa se preocupar, Mel. Todos sabem que você e Pietro são
amigos. No começo não entendi o porquê de vocês terem se afastado, mas

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Pietro estava namorando, então eu acho que foi normal. — Ela fala
segurando minhas mãos. Engulo em seco quando a escuto falar do nosso
distanciamento.
Não contei a Kyara sobre nossa noite. Primeiro, por que eu queria
esquecer e segundo, por que eu não queria falar sobre isso com ninguém. Mas
isso está indo mudar em breve.
— Espero. — Digo desejando isso mesmo, que esse povo se esqueça de
mim. — Eu não quero nem imaginar se meus irmãos ficarem sabendo. — Só
o pensamento me faz estremecer.
— É... Quanto a isso... — Kya deixa a frase no ar e eu fico em alerta.
— O quê? — Pergunto.
— Connor e Dylan estavam indo falar com Pietro quando os encontrei.
— Ela fala e eu pego meu celular para ligar para eles.
Dylan e Connor não atendem ao telefone. Eu tento mais umas cinco
vezes, mas nada. Só vai para caixa postal.
— Merda. — Falo pegando minha bolsa. — Eles não me atendem, Kya.
Eu vou atrás deles. — Digo já me levantando.
— Melissa... — Kyara me chama, mas já estou longe o suficiente para
responder.
Tomara que eles não tenham feito nenhuma merda.
Atravesso o Campus tão rápido que eu mesma me surpreendi, pois aqui
é enorme. Calouros podem muito bem se perder nesse lugar. Entro no prédio
de Medicina e procuro por meus irmãos ou Pietro, mas não encontro nenhum
deles. Começo a andar por entre as salas, mas ainda assim, nada.
— Hey! Você viu o Pietro por aqui? — Pergunto a um cara que já vi ao
lado de Pietro no refeitório.
— Sim. Ele está com seus irmãos na sala 13. — Ele fala com uma
carranca. Reviro os olhos e murmuro uma obrigada sem vontade. Que idiota.
Quando entro na sala suspiro aliviada. Connor e Dylan estão sentados
em frente a Pietro. Não que eu pensasse que eles iriam estar brigando, já que
Pietro é cunhado do meu irmão, mas sei lá. Fiquei nervosa.
— Por que não atendem minhas ligações? — Grito para os dois e eles
olham assustados para mim.
— Vamos conversar em casa, Melissa. — Connor responde
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entredentes.
— Então era para estarem em casa me esperando chegar da faculdade e
não aqui. — Suspiro e olho para Connor. — Vamos. Embora. — Digo e ele
assente com a cabeça.
Enquanto meus dois irmãos passam por mim para saírem, continuo sem
olhar para Pietro. Eu me lembro de ontem, eu não quero ele perto de mim.
Não quando ele não acredita em mim. E principalmente por essa louca da
namorada dele.
Vou atrás dos meus irmãos e andamos em silêncio até o
estacionamento.
— Hey! Melissa é verdade que você gosta de homem comprometido?
Eu estou em relacionamento sério, se desejar... — Escuto um cara falar, mas
não olho para trás. As risadas irrompem ao meu redor, mas ainda assim não
dou atenção.
— Que porra você falou? — Escuto a voz de Connor e me viro para ver
ele indo para cima do cara.
— Responde seu filho da puta. — Dylan grita na cara dele e eu corro
para perto deles.
— Vamos... por favor. — Digo segurando a mão de Dylan. O cara está
tão apavorado, que acho que ele não tinha visto meus irmãos à minha frente.
— Desculpa cara. Eu... eu... — Ele gagueja e Connor se aproxima mais
ainda.
— O que eu vou dizer para ele vai servir para todos vocês, seus fodidos.
— Connor gesticula apontando para as pessoas que estão olhando para nós,
surpresos. — Se eu ficar sabendo que mais alguém anda falando da minha
irmã, eu venho quebrar o rosto dessa pessoa. E se for mulher eu pago alguém
para fazer. — Ele está com tanta raiva. O cara acena com a cabeça, mas antes
dele sair Connor o empurra para o chão. — Estejam avisados.
Depois disso ele e Dylan me levaram de lá. Nem o meu carro peguei no
estacionamento, pois vim no carro de Connor com Dylan e também porque
iríamos para a casa dele e Nicole.
— Olha para mim. — Meu irmão mais velho pede enquanto entramos
na sala de sua casa. — Isso não é culpa sua. Essa mentira que inventaram não
passa disso. Uma mentira. E quando alguém te incomodar novamente,
Melissa, você vai me contar. Eu não quero que você se retraia por causa
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desses idiotas, estamos bem até aqui? — Connor segura minha cabeça entre
as mãos e eu aceno.
— Tudo bem. Eu vou contar. — Digo suspirando. — O que vocês
estavam conversando com Pietro? — Pergunto me sentando mais
confortavelmente no sofá da casa de Connor.
— Só perguntei que porra de conversa é essa. — Dylan responde. —
De onde saiu isso, mas aquele cuzão não soube responder. — Ele dá um pulo
quando Nicole acerta uma almofada nele.
— Não fale assim dele. — Ela rosna e se senta ao meu lado. — Não se
preocupe, Mel. Eles irão esquecer rapidamente. — Ela fala e me abraça.
— Vou começar a acreditar nisso, já ouvi isso o dia todo. — Digo
quando me afasto dela.
— Você quer ficar aqui hoje? — Dylan pergunta se sentando.
Nunca vi Dylan com tanta raiva como hoje. Ele nunca me defendeu
daquele jeito, mas eu nunca me envolvi em nada com o que fizessem me
defender. Eu gostei dele se preocupando comigo. Eu só o tenho comigo
dentro de casa e eu o amo além da vida. Afinal é meu irmão.
— Não. Vamos para casa? — Pergunto o abraçando. Ele estranha, mas
com um ou dois segundos também me abraça.
— Claro... — Ele suspira e passa a mão no meu cabelo. — Não se
esqueça do que Connor falou, se alguém falar o que for...
— Eu vou contar. Eu juro. — Digo me afastando dele.
— Ok! Então vamos...
— Vocês podem ficar para o almoço? — Nicole pergunta ainda
sentada.
— Claro. Estou com muita fome. — Dylan fala já se encaminhando
para a cozinha.
— Folgado. — Connor fala indo atrás dele.
Depois que os perdemos de vista, Nicole olha para mim. Sua
sobrancelha se eleva e eu sorrio.
— O quê? — Pergunto.
— Você tem alguma ideia de quem possa ter espalhado isso? — Ela
pergunta calmamente. Eu desvio meus olhos dos dela e foco minha atenção

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em minhas unhas.
— Nicole...
— Só fala, Melissa. Não minta para mim. Eu sou sua amiga. — Ela diz
pegando minhas mãos.
— Eu sei que é, mas... Tudo bem. — Suspiro. — Eu acho que foi
Kimberley. A sua cunhada. — Digo de uma vez e olho para seus olhos.
— Kimberley? Mas por quê? — Ela pergunta confusa.
— Ela é louca. Ontem, na festa, ela não quis deixar Pietro falar comigo.
Eu falaria sobre isso. Sobre o boato, mas ela me disse coisas horríveis e eu só
queria sair de lá. — Digo me lembrando de suas palavras.
Esqueça o Pietro, Mel. Ele não quer nada com você. Ele é meu!
— Deus, Mel! Eu nunca gostei muito dela, mas nunca cheguei a
imaginar isso. Então você não conversou com Pietro? É que Connor disse que
ele já sabia e que se seus irmãos quisessem poderiam ir falar com ele. —
Nicole explica e eu engulo em seco.
Não sei o porquê do nervosismo em falar que ele foi a minha casa
ontem, deixando sua namorada na festa, e a gente conversou. Enfim, resolvo
falar a verdade. Uma parte dela pelo menos.
— Ele foi lá em casa ontem. Depois que sai da festa. — Digo sentindo
dor na garganta. Até parece vidro me cortando.
— Oh! — Ela fala surpresa e pigarreia depois. — É, mas e aí o que ele
falou? — Ela questiona depois de um tempinho em silêncio.
— Ele não acreditou em mim, disse que Kimberley não era capaz de
fazer isso e blábláblá. — Respondo revirando os olhos.
Nicole acenou e quando ia falar mais alguma coisa Connor gritou para
irmos comer. Dei graças a Deus por isso.

Acordo com o toque estridente do meu celular. Deus, que toque


irritante. O procuro com a mão no criado-mudo, mas não o encontro.
Levanto-me e o pego na minha bolsa.
Papai.
— Oi, pai.
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— Oi Melissa! Como você está?


— Estou bem. Onde mamãe está?
— Na empresa. Eu estou mais cedo em casa.
— Oh. Aconteceu alguma coisa?
— Não. Só uma dor de cabeça chata.
— Entendi. Queria falar com Erick, nunca mais nos falamos. Às vezes
penso que ele se esqueceu de mim.
— Que nada, Mel. Seu irmão está cuidando da mulher dele. Estava
com uns enjoos, eu acho que já sei o que é.
— Gravidez? Dois sobrinhos. Nem estou acreditando.
— Hey, eu só estou achando.
— Ok! Mas já estou feliz.
— Humm... E você?
— O que tenho eu pai?
— Nenhum garoto?
— Não. Eu não quero namorar por enquanto.
— Está certíssima. Prolongue essa vontade até voltar para casa, ok?
— Pai... Nós podemos falar disso outra hora? Acabei de acordar e
quero tomar um banho.
— Ok! Tudo bem. Beijos meu amor. Eu te amo.
— Beijos, papai. Também te amo!

Solto um gemido quando desligo o celular. Meu pai é demais, mas


quando não quer uma coisa... Ele não quer e ponto. Ele fica perguntando de
mansinho se estou com alguém, mas se eu confirmasse ele surtaria e pegaria
o primeiro avião para Seattle, dizendo “querer conhecer o cara”.
Sorrio com meus pensamentos. Sr. Rodolfo é ciumento e acha que vive
no século 19. Ele não pode estar mais enganado. Mamãe já é bem à frente de
seu tempo e na maioria das vezes que brigam, é por esse motivo.
Levanto-me e começo a arrumar meu quarto. Não sou muito de fazer
coisas do lar, mas se não for eu, não é ninguém. Dylan não faz nada

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relacionado a isso, somente comida quando a fome bate forte.


— Vou dar uma saída. Quer ir comigo? — Dylan grita por cima da
música que coloquei para ouvir.
— Vai onde? — Pergunto diminuindo o volume do som.
— No bar com uns amigos. — Ele diz dando de ombros.
— Ok... Vou me arrumar. — Não quero ficar em casa sem fazer nada.
Vou sair e curtir para esquecer esses dias que tive.
— Não demora. — Eu reviro os olhos. — Sabia que eu tinha que ter
avisado com uma hora de antecedência. — Ele resmunga e sai do meu quarto.
— Chato. — Digo correndo para meu guarda-roupa.
Depois de tomar banho e secar meu cabelo, visto uma calça jeans e uma
blusa coral com decote. Meus seios estão a ponto de pular para fora, adorei.
Passo camadas generosas de rímel em meus cílios e por último o batom. Saio
do quarto e encontro Dylan andando de um lado para o outro.
— Graças a Deus. — Ele murmura e abre a porta.
Quando estamos saindo, o vizinho sai da casa dele com vários rapazes.
Dylan olha para eles e de volta para mim sorrindo. Que merda?
— Cara, pensei que não ia mais. — Um dos caras fala com meu irmão e
eu fico os encarando sem entender.
— Melissa estava se arrumando. — Ele responde sorrindo e eu lhe dou
um beliscão. — Ei. — Ele dá um pulo para longe de mim e eu o encaro com
raiva.
Por que ele não me avisou?
— Hey, Melissa. Como vai? — Brandon pergunta e eu sorrio.
— Estou bem. É... Não sabia que vocês eram os amigos de Dylan. —
Digo enquanto descemos pelo elevador.
— Pois é. Meus amigos são amigos do seu irmão, então ficamos
amigos. Você entendeu? — Ele pergunta rindo.
— Sim. Obrigada. — Digo o olhando.
Brandon está vestindo uma calça cáqui e uma camiseta que define mais
ainda seus músculos. Seus olhos passeiam pelo meu corpo e eu desvio o
olhar. Tenho que admitir, ele é quente.
Muito quente.
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Capítulo Sete
Melissa

— Não está se divertindo? — Escuto falarem atrás de mim e me viro


para me afastar.
— É... — Começo a rir e não entendo bem o porquê, mas não consigo
me controlar. Respiro fundo, mas começo novamente.
— Você está bêbada? — Brandon pergunta e eu sorrio me recuperando.
— Não. Desculpe, acho que não estou me divertindo muito. — Digo
enquanto ele bebe sua bebida.
— Por quê? — Ele pergunta confuso.
— Acho que nunca sai só com homens. Eu gosto mais das minhas
amigas. — Digo sinceramente. Dou de ombros e ele sorri.
— Ah... entendi, mas posso tentar mudar essa opinião? — Ele pergunta
chegando perto de mim. Seus olhos verdes se estreitam e eu sorrio gostando
de seu jeito sutil de chegar perto de uma garota.
— Ok tente mudar. — Digo séria.
Seus dedos deslizam pela minha mão para depois me puxar em direção
a pista de dança. Brandon segura minha cintura e começamos a nós balançar
no ritmo da música.
— Alguém já te falou o quanto você é linda? — Ele pergunta e eu
sorrio revirando os olhos.
— Sim. Desculpe lhe decepcionar, mas já me falaram que sou linda. —
Respondo batendo meus cílios e ele gargalha. Sinto seu hálito quente na pele
do meu pescoço e eu suspiro.
— Oh. Estou realmente decepcionado. Queria ter sido o primeiro. —
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Ele fala sorrindo maliciosamente.


— Sinto muito. — Digo e sorrio quando ele se aproxima.
Quando seus lábios estão a centímetros dos meus eu suspiro e me
afasto. Seus olhos se suavizam e ele me puxa para sua direção.
— Não vou te pressionar, Melissa, mas eu quero ficar com você. Só
para você ficar sabendo. — Ele avisa em meu ouvido e eu respiro fundo.
— Eu... eu... desculpe. Nós podemos voltar para a mesa? — Questiono
sem conseguir encará-lo e ele acena.
Não é que eu não queira ficar com ele. Deus! Eu quero, mas não agora.
Não com meu irmão me observando. É essa desculpa que estou tentado
acreditar.
— Ela chegou e jogou o abajur em mim. Foi uma loucura. — Walter,
um dos amigos do meu irmão fala gargalhando.
— Ela enlouqueceu mais ainda, quando viu que ele estava rindo. Cara
foi hilário. — Felipe ou Filip fala morrendo de rir.
Olho para Brandon e ele sorri também.
— Ele está contando da menina que ele ficou uma vez. Ela acordou e
ele estava atrasado para sair então ele deu um fora nela, dizendo para ir
embora. Ela enlouqueceu. — Ele fala e os amigos dele começam a rir. Até
Dylan.
— Que coisa horrível. Por que estão rindo? E se fossem uma irmã de
vocês? — Pergunto olhando para Dylan e Brandon.
— Não fica nervosa, Mel. A garota deveria ser uma vadia, qual é
menina que dorme com um cara assim que se conhecem que não quer ser
chamada assim? — Dylan pergunta sério. Engulo em seco.
Isso é tão machista, mas fico quieta.
Depois disso os meninos começaram a fazer piadas. Uma mais idiota
que a outra, mas eu me diverti com eles. Brandon ficou comigo o tempo todo.
Eu achei fofo, mas era claro que eu estava empatando sua noite.
Fomos para casa já passava de duas da madrugada. Não pensei que me
divertiria tanto com os garotos, mas eu gostei de estar com eles. Mesmo eles
sendo incrivelmente idiotas.
Escuto meu celular tocar e rolo na cama para atendê-lo. Olho no visor e
vejo o nome de Connor. Deus!
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— Bom dia!
— Boa tarde. Já passa do meio-dia, Melissa. Presumo que não foi à
faculdade hoje.
— Presumo que hoje é sábado e não tem aula.
— Okay... Não tinha me tocado.
— Tudo bem. Aconteceu algo para me ligar?
— Aconteceu. Mas eu não preciso de motivos para ligar para você.
— Connor. Foco. O que foi?
— Nicole quer falar com você.
— Ok, passa para ela.
— Não, irmãzinha. Ela quer você aqui.
— Oh meu Deus... tudo bem. Estou indo. Em uma hora chego aí.
— Meia hora.
— Connor!
— Agora você tem vinte e nove minutos.
— Idiota.
Desligo e pulo da cama.
Depois de quarenta minutos estou entrando na casa deles. Connor olha
para mim e bufa.
— Que? Eu tinha acabado de acordar. — Digo o seguindo para a
cozinha.
— Graças a mim. — Ele diz.
Eu reviro os olhos e congelo ao passar pela porta.
Clara, mulher de Tyler, está sentada a mesa com Aaron, seu bebê, e
Nicole está ao seu lado. Mesmo depois da gravidez, ela continua linda. Claro
que ela está com mais peso. É normal, mas nem isso a faz ficar feia. Seus
olhos me fitam com simpatia. A verdade é que ela é uma pessoa boa.
Uma amiga que toda mulher deve ter, menos eu. Não que eu não goste
dela. Eu gosto de verdade, mas ela tem o homem que amo. Isso não é algo
fácil de lidar. Quando a conheci há um ano e meio, mais ou menos, desejei
que ela fosse uma cadela. Queria que ela fosse desprezível.
Um desejo que claramente não se realizou. A melhor amiga da minha
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cunhada é a melhor mulher que Tyler poderia ter encontrado. Do fundo do


meu coração eu agradeço por ela ser boa o suficiente para ele.
— Hey... Venha, Mel. — Nicole bate a mão na cadeira a sua frente e eu
me sento.
— Oi. — Digo sorrindo para Clara e ela responde sorrindo. — Como
está Aaron? — Pergunto para ela.
— Está ótimo. E você como tem passado? — Ela pergunta enquanto
Aaron bate com as mãozinhas na mesa.
— Estou bem. Só a faculdade... — Nicole me interrompe.
— Que a está arruinando. — Ela revira os olhos e eu sorrio.
— Hey! É verdade. — Digo e elas começam a gargalhar.
Presto atenção em Aaron e me perco em seus olhos azuis. São idênticos
aos de Clara. Ele sorri para mim e seus pequenos dentinhos aparecem. Como
uma criança pode ser tão fofa?
— Você quer pegar ele? — Saio do meu transe com Clara falando.
— Como? — Pergunto para ter certeza de que ela falou isso.
— Perguntei se quer pegar Aaron. É que você estava o olhando e...
— Quero. — Digo antes de ela terminar de falar.
Clara o coloca em meus braços e ele sorri mais ainda. Suas mãozinhas
se juntam e ele começa a bater palmas.
— Acho que ele gostou de você. — Nicole diz sorrindo.
— Também acho. — Clara concorda.
Depois de mais conversas com as meninas e de brincadeiras com
Aaron, pergunto a Nicole o que ela queria conversar comigo.
— Nada. É que você saiu ontem e Dylan disse que estava com um dos
amigos dele. — Ela fala dando de ombros.
— Aí você quer saber quem era. Não é mesmo? — Digo sorrindo.
— Mel. Só fiquei curiosa. — Diz fingindo estar desinteressada.
— Ele é o vizinho. O que te falei no outro dia. — digo me lembrando
de Brandon.
— Humm... E vocês ficaram? — Ela pergunta e vejo Clara olhar para
mim.

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— Não. — Digo. — Quero dizer ainda não. — Apresso-me ao corrigir.


Não quero que Clara pense que não fiquei com ele por causa de Tyler.
Verdade seja dita, nem penso tanto nele mais.
— Por que não ficaram ontem? — Nicole pergunta.
— Por que Dylan estava lá. Eu achei estranho. Só isso. — Digo e elas
sorriem confirmando.
— Oportunidade não vai faltar! Ele mora ao lado do seu apartamento.
— Nicole fala e elas gargalham e eu sorrio junto.
— Verdade.
Oportunidade não há de faltar. Eu nem mesmo sei se minha desculpa
foi o verdadeiro motivo de eu não ter o beijado de volta. Brandon é lindo e eu
me sinto atraída por ele, mas... Balanço a cabeça para afastar os pensamentos
da minha mente. Não preciso de mais problema na minha vida.
— Que tal irmos ao Shopping? Preciso comprar alguns artigos para a
decoração do quarto de Abby. — Nicole chama enquanto almoçamos a mesa.
— Mais? — Connor pergunta arregalando os olhos.
— Sim. Ainda cabe bastante coisa lá. Não se preocupe. — Nicole o
responde com uma carranca.
— Aquele quarto vai caber tudo menos minha boneca. — Ele diz se
levantando.
— Para de exagero. — Ela o responde chateada.
Connor olha para ela cerrando os olhos. Reviro os olhos.
— Por mim, está ótimo. Preciso comprar algumas roupas. — Digo
limpando meus lábios com o guardanapo.
— Eu não vou poder ir. Me desculpem, mas a mãe de Tyler está
chegando. — Ela faz uma expressão de nojo ao falar de Mia.
— Que pena. Ainda bem que minha sogra me ama. — Minha cunhada
fala e eu sorrio confirmando. Mamãe é apaixonada por Nicole.
— Mia não gosta de você, Clara? — Pergunto estranhando. A mãe de
Tyler é uma pessoa maravilhosa.
— Digamos que ela preferia que ele ainda estivesse com você. —
Depois que ela termina seus olhos se arregalam em surpresa.
— Clara... — Nicole a repreende.
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— Me desculpe. Eu não quis te ofender. Desculpe-me de verdade. —


Ela pede segurando a mão de Aaron que está sentado na sua cadeirinha.
— Imagina. Não precisa se desculpar. Tenho certeza que ela gosta de
você. Dê um tempo a ela. — Digo e bebo um pouco de água.
Não me ofendi, claro que não, mas ela deixou bem claro o que pensa de
mim ao pronunciar aquelas palavras com desgosto. Esqueço isso e me
concentro na minha comida.
— Melissa, tenho certeza que Clara não falou isso por mal. — Nicole
explica e eu respiro fundo.
— Não precisa se preocupar. Não estou chateada. Agora podemos parar
de falar sobre isso? — Pergunto olhando entre as duas.
Elas acenam e eu relaxo.
Depois de terminarmos de comer Clara foi embora com Aaron e Nicole
foi se arrumar. Fiquei na sala olhando a rua, vendo os carros passarem, as
crianças correrem e seus pais rindo delas. Suspiro e me sento na poltrona de
Connor.
— Ela só tem ciúmes, Mel. — Escuto a voz do meu irmão e respiro
fundo.
— Eu não estou...
— Está. Eu sei. — Ele me interrompe e eu abaixo a cabeça.
— Não é por mal. Eu só não pensava que ela não gostasse de mim. Eu
entendo que... ela não goste, mas hoje ficou tão visível e eu consegui
enxergar. — Digo ainda olhando a rua.
— Não é que ela não goste. Ela só tem ciúmes e seus medos. Mas ela
gosta de você. — Ele diz acariciando meu ombro. — Quem não gosta de um
Jones? Nós somos demais. — Ele fala me fazendo sorrir um pouco.
— Pois é. Quem não gosta?

— Hilary, para onde vamos? — Kyara pergunta sorrindo.


— Também quero saber. Estou morrendo de fome. — Digo enquanto
entramos no carro de Hilary.
Hoje decidimos sair. Hilary ficou de escolher o lugar, mas não estou
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muito confiante. Ela chegou agora, como vai saber o que é bom e o que é
ruim?
Já passa das quatro horas da tarde e eu ainda não almocei. Estou
imaginando a comida que comi ontem na casa de Nicole e Connor. Nós
fomos ao Shopping e voltamos bem tarde posso dizer. Só caí na cama e
dormi o resto da noite. A quantidade de enfeite que Nicole comprou para
Abby foi extremamente a mais do que Connor queria. Ele quase teve um
treco ao ver sua conta bancária quase nua.
— Nós vamos a uma lanchonete. Não tenham preconceito. La é ótimo,
fui ontem com seu irmão, Melissa! Eu adorei o lugar. — Ela fala enquanto
dirige pela cidade.
— Vocês o quê? — Kyara pergunta chocada.
— Pois é. Nos encontramos com amigos em comum e fomos para essa
lanchonete. É ótima, você vai gostar, Kyara. — Diz Hilary sorrindo
carinhosamente.
Ao chegarmos à lanchonete, nos sentamos e fazemos nossos pedidos
enquanto, Kya e Hilary falavam animadamente sobre moda e cabelos. Eu
gosto disso, mas não sou obcecada. Kyara ama tudo isso. Demais.
— Qual o nome? — Hilary interrompe meus devaneios.
— O quê? — Questiono sem entender o que me pergunta.
— Do cara. Você está aí olhando para o nada. Deve estar pensando em
alguém. — Ela responde como se sua explicação fosse óbvia.
— Que nada. Não estou pensando em nada. — Digo e elas sorriem.
O sino da porta bate e nós nos viramos para ver quem está entrando.
Vários homens entram no Jack's sorrindo e olhando para todos. Os olhos de
um deles me encontram e seu sorriso se desfaz. Não o conheço, mas sinto
algo estranho ao vê-lo. Balanço a cabeça e viro para encarar minhas amigas.
Kyara tem os olhos arregalados para um deles, mas Hilary também se
virou.
— Quem são esses caras? — Hilary pergunta e eu balanço a cabeça
negando saber.
— Não sei... ainda. — Diz Kyara ainda olhando na direção deles.
Escuto o sino bater novamente, mas dessa vez não me viro. Minhas
amigas fazem por mim. Kyara me cutuca com o braço e disfarçadamente
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aponta para quem entrou.


Ao olhar na direção da porta, meus olhos cruzam com os de Pietro e ele
sorri. Eu suspiro e sorrio de volta. Olho para seu lado e vejo que está com
seus amigos. Eles caminham ao nosso encontro e eu me ajeito na cadeira.
— Podemos sentar com vocês? — Pietro pergunta sorrindo e mordo
meu lábio inferior. Por que ele tem que ser tão bonito?
— Claro. — Digo e me afasto dando passagem a eles.
— O que está fazendo aqui? — Pergunto. Parece que está tudo
esquecido com Kimberley e o boato. Pelo menos por enquanto.
— Vim te ver e comer. — Ele diz e pisca o olho para mim. Engulo em
seco e bebo um pouco da minha água.
Merda, a tarde vai ser longa.

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Capítulo Oito
Melissa

Todos se acomodaram e se apresentaram. Conheci Oliver, um


grandalhão superengraçado e Kevin, o sério da turma. Parece que ele e Hilary
não se deram tão bem. Já voaram farpas dos dois lados, no decorrer da noite.
Já Kyara e Oli, ele disse para chamá-lo assim, já se acham melhores amigos.
— É impressão minha ou aquele cara não para de te encarar? — Pietro
pergunta com o cenho franzido.
— O quê? — Pergunto e me viro para encontrar o mesmo cara que
olhou para mim quando entrou.
Seus olhos são pretos e estão cravados em meu rosto, seu cabelo é
longo quase do tamanho do cabelo da Kyara. Ele é bonito e quando me pega
o olhando, também, sorri convencido.
— Você o conhece? — Pietro pergunta ainda olhando para o homem.
— Não. Não conheço, mas vamos fingir que não o vimos. — Digo e me
viro para ver minhas amigas e os amigos dele conversando animadamente.
Menos Kevin, é claro.
— Qual o curso de vocês? — Oliver pergunta enquanto bebe sua
cerveja.
— O de Melissa é literatura inglesa, o meu é moda e o de Hilary é
psicologia. — Kyara responde enquanto digita algo no celular. Mal-educada.
— Psicóloga? Humm... interessante. — Kevin fala olhando por entre as
pessoas como se não tivesse falado de Hilary.
— O quê? — Ela pergunta.
— Nada. Só achei interessante você estudar para cuidar das doidices

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das pessoas. — Diz ele e sorri quando uma batata do prato de Hilary pega
nele.
— Cala a boca. Você mal me conhece, então não fale de mim como tal
e só para sua informação ninguém é doido. — Ela fala com raiva.
Oli e Pietro tentam esconder os seus sorrisos que escapam durante as
várias discussões deles que se sucederam durante o resto da tarde e começo
da noite. Quando todos já estavam sem fome e só pedimos bebidas me
levantei para ir ao banheiro. Passei três horas sem fazer xixi, como eu
consigo? Também não sei, a vontade não vem e eu não me lembro. Mas
quando sinto ela vem com força e eu tenho que correr.
Entro na cabine do banheiro e abaixo minha calça jeans com minha
calcinha e me alivio. Respiro fundo sentindo minha bexiga esvaziar. Escuto
baterem na porta e reviro os olhos.
— Está ocupado. — Digo chateada enquanto me limpo e me visto.
— Eu sei. — Uma voz de homem fala e meus pelos se arrepiam de
medo.
Que merda? Como um cara entrou aqui? E o mais importante o que ele
quer comigo? Tento encontrar meu celular na bolsa e dígito um SMS rápido
para Pietro.
Tem um cara aqui no banheiro! Vem me buscar!
— O que você quer comigo? — Pergunto me afastando da porta.
— Só quero te conhecer. Você parece com uma pessoa que... foi minha
há muito tempo. — Ele diz calmo. Não vejo mal algum no que ele fala, mas
por que no banheiro?
— Ok eu vou sair, mas... Só... — respiro fundo e abro a porta. Congelo
no lugar quando vejo o mesmo cara que estava me olhando. Seus olhos estão
afiados, mas suavizam quando encontram os meus.
— Você não é ela. — Ele fala para si mesmo e logo após seus olhos
começam a lacrimejar. Não entendo nada, mas meu peito aperta por ele.
— Você pensou que eu era quem? — Pergunto. As lágrimas descem
por seu rosto enquanto ele prende o cabelo com um elástico.
— Minha namorada. Pensei que você fosse ela. — Suas palavras saem
arrastadas e eu presumo que esteja bêbado.
— Desculpe, mas não sou e... Você precisa de algo? — Pergunto
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mordendo minha bochecha.


— Acho que só preciso ir embora. Só isso. — Diz e passa por mim em
direção a porta.
Ele para na minha frente e olha em meus olhos. Fico tensa quando ele
beija minha cabeça e desliza suas mãos por meus braços.
— Você é bem mais bonita que ela. — Ele diz.
— Obrigada.
De repente a porta é aberta e Pietro entra com o rosto vermelho de
raiva. Antes que eu diga algo ele empurra o cara.
— Pietro não! Não faça isso. — Digo e o agarro pela cintura. Empurro
seu peito e ele me olha.
— Não? O que ele está fazendo aqui? E com você? O SMS que me
mandou? — Ele começa a questionar várias coisas enquanto eu continuo
empurrando seu peito.
— Desculpe, eu só não sabia quem estava aqui. Mas ele só me
confundiu com a namorada, não aconteceu nada. Eu juro. — Explico e ele
volta a olhar para o rapaz que agora olha raivosamente para Pietro.
— Não chegue perto dela novamente. Eu termino de quebrar sua cara se
fizer isso. — Pietro o ameaça e eu lhe bato. Seus olhos estão afiados e me
olham com reprovação.
— Não fale isso. Deixe o cara em paz. Vamos. Agora. — Digo e me
viro para olhar o outro. — Mil desculpas, meu amigo é muito protetor.
Desculpe novamente e desejo que encontre sua namorada. — Digo e ele
suspira e acena enquanto sai do banheiro.
— Vamos. — Pietro pega minha mão e me puxa pelo meio do bar.
Quando vejo estamos no estacionamento.
— Hey! Eu vim com Hilary. Cadê ela? — Pergunto cruzando os braços.
— Mas vai voltar comigo. Vamos, Melissa. — Ele fala enquanto abre a
porta do seu carro.
— Onde ela está? Não vou sair sem me despedir. — Digo batendo o pé.
— Ela teve que ir. Algum problema na casa dela, eu não sei. Kyara foi
com ela. — Ele responde já perdendo a paciência.
— Elas me deixaram aqui sozinha? Não estou acreditando nisso. —

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Digo com raiva. Pego minha bolsa e procuro por meu celular, mas quando o
acho, Pietro me levanta e me coloca sobre seu ombro até o carro. — Pietro,
seu idiota. Não faça mais isso. Você me ouviu? — Ele me deixa sentada no
banco e bate à porta do carro com força.
— Você é muito teimosa. Da próxima vez não me faça perder a
paciência, então. — Diz apertando o volante com suas mãos.
— Você não é meu pai para mandar em mim. — Digo raivosa e me viro
para olhar pela janela.
Ele fica calado o resto do caminho. Agradeço, pois quero esganar seu
pescoço. Saio do carro após ele parar em frente meu prédio. Ele fica lá dentro
sentado e eu respiro fundo e ando até sua janela.
— Obrigada pela carona. — Mordo minha bochecha indecisa. — Você
quer subir? Digo para tomar algo, eu não sei. Só ofereci por educação. —
Falo cruzando os braços.
— Acho melhor não. Já está tarde e eu... você sabe. — Ele suspira
passando a mão pelo cabelo.
— Ok... Até mais então. — Respondo e ando até o hall do meu
condomínio. Ele ia dizer que não pode. Eu sei que é por causa da namorada.
Sorte dela.
— Mel? — Escuto a voz de Brandon e me viro. Ele está parado
sorrindo.
— Hey! O que está fazendo aí, parado? — Pergunto estranhando.
— Não. Acabei de chegar. Sai com umas amigas. — Ele fala sorrindo e
dá de ombros.
— Tudo bem... então, boa noite. — Digo sorrindo e me viro para subir.
— Vamos. Vou subir com você. — Ele diz me acompanhando. Sorrio e
entramos no elevador.
Quando as portas estão fechando um pé às impedem, fazendo com que
abram novamente. Quando olho para o dono do pé meu peito acelera.
Pietro.
— Mudei de ideia. Vou subir e tomar algo. — Ele diz parando na
minha frente. Seus olhos passeiam de mim para Brandon e eu o fuzilo com
meus olhos.
— Brandon esse é Pietro, meu amigo, e Pietro, esse é Brandon meu
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vizinho e mais novo amigo. — Digo os apresentando. Brandon só acena e


Pietro nem isso faz.
Quando o elevador para no nosso andar eu saio de dentro correndo.
Parecia uma briga de quem urina mais longe. Reviro os olhos em
pensamento.
— Tchau, Brandon. Até amanhã. — Digo da minha porta com Pietro
atrás de mim.
— Até, Mel. — Ele diz antes de desaparecer dentro do seu apê.
— Como você teve coragem de fazer isso? Ele deve estar pensando que
vamos ficar. Você não podia fazer isso comigo, Pietro. — Digo enquanto
jogo meus sapatos pela sala.
Olho para Pietro e seu maxilar está trincado e seus braços estão
cruzados.
— Por que você se importa com o que ele pensa? — Ele pergunta vindo
em minha direção.
Enquanto ele anda para frente eu vou andando para trás com o coração
batendo a mil por hora. Quando sinto a parede fria, Pietro está a centímetros
de mim. Minha respiração fica irregular e minha excitação corre a mil. Puta
que pariu, o que ele está fazendo?
— Responde a minha pergunta, Melissa. — Sua voz calma faz os pelos
da minha nuca se arrepiarem.
— Eu vou ficar com ele. Eu não quero... que ele pense que fico com
vários. — Digo quando encontro minha voz.
— Você vai o quê? — Ele se afasta de mim e me olha com raiva.
— Você já ouviu. — Digo e me viro não querendo o olhar.
— Desculpe estragar sua noite então. Talvez ele estivesse aqui agora se
eu não tivesse subido não é mesmo? Desculpe novamente, Melissa. — Ele
fala e sinto meu peito apertar. Não quero que ele tenha raiva de mim. Por que
ele está tão magoado?
— Pietro…
— Quer que eu passe na casa dele e o chame? Eu faço isso. Nós somos
amigos, não é mesmo? Amigos são para isso. — Ele fala dando passos para
trás.
— Pietro pare. Não fale assim de mim. — Digo sentindo minha
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garganta apertar.
— Você não quer ficar com ele? Fique então. Não vou te impedir
ficando aqui. — Ele se vira, mas antes que vá eu grito.
— O que quer de mim? Diga. Por que essa raiva? Se você me quer, seja
homem e me fale, Pietro. Assuma. — Grito enquanto ele respira com
dificuldade. Ando até suas costas e espero até ele se virar. — Me responde.
Você me quer, Pietro? — Sussurro depois que encontro coragem.
Ele se vira e me fita com os olhos ferozes. Sua boca cobre a minha
enquanto sua mão puxa meu cabelo me fazendo curvar para que nossos lábios
se juntem. Mesmo surpresa eu o beijo de volta, sua língua invade minha boca
e eu gemo descaradamente me deliciando com o gosto da sua. Pietro me
levanta e eu enlaço sua cintura com minhas pernas.
— Você quer ouvir, Mel? — Ele fala com a boca ainda na minha e eu
beijo sua boca o calando. Eu não quero falar nada, eu só preciso dele na
minha cama. Só isso. Mas ele pensa diferente. — Eu quero você. Desde o dia
que fizemos amor pela primeira vez. — Quando ele termina me coloca no
chão beijando a minha boca. Nossas línguas brincam uma com a outra
enquanto Pietro acaricia meus cabelos.
— Pietro...
— Mas não podemos fazer isso... — ele fala e eu abro os meus olhos.
Meu peito é esmagado quando lembro que ele tem namorada e que o que
estamos fazendo é errado. Muito errado.
— Oh meu Deus... — Afasto-me dele ando de um lado para o outro.
— Mel...
— Vai embora. Pietro, você é comprometido... Só vai, por favor, eu
quero que vá para sua casa…. — Digo respirando fundo.
— Desculpa, Mel. — Essas foram as últimas palavras que ouvi dele nos
próximos dois meses.

Dois meses depois…

Embarco no avião de volta para Seattle e me sento no meu lugar.


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Suspiro enquanto Dylan se joga no acento ao meu lado. Ele começa a mexer
no celular, mas, de repente, ele para e me olha.
— Passei dois meses vendo você suspirando triste pela casa, Melissa.
Eu não te questionei nada, para te dar privacidade, mas você não acha que
está na hora de me contar? — Arregalo meus olhos olhando para meu irmão
gêmeo.
— Dylan, é complicado. — Digo desviando minha atenção dele.
— Eu sou inteligente o suficiente para entender. Então... — Ele
pergunta novamente. — O que está acontecendo?
— Ok... tudo bem... — E assim começo a contar minha história com
Pietro.
Quando nos vimos à primeira vez na boate e a segunda, no café. Os
passos da nossa amizade, o nosso encontro no mesmo bar no dia que
descobrimos que Clara e Tyler estavam à espera de Aaron. Nossa primeira e
única transa, claro que não entrei em detalhes. Minha persistência em fingir
que nada aconteceu. Na amizade fictícia que fingimos ter na frente dos
outros.
Meu irmão então presumi que quem espalhou o boato de que eu gostava
de homem comprometido foi mesmo, Kimberley. Ela tinha ciúmes e queria
se vingar de mim. Eu já sabia disso. Falei também da última vez que nos
vimos e que quase tínhamos ido para cama com ele comprometido com ela.
Dylan disse que Pietro foi corajoso em me deixar naquele dia, poucos
homens fazem o que ele fez, eu também tive orgulho dele ter parado naquela
hora, ele é um homem bom e nunca irei querer enganar alguém. Nunca.
Muito menos sua namorada. Dylan me escutou como ninguém até hoje.
Ele me entendeu e me apoiou, me deu colo e enxugou as lágrimas que
derramei por isso.
Eu amo meu irmão mais ainda depois de toda essa confissão.
— A verdade é que me apaixonei pela pessoa errada. — Digo quando
me conformo de que estou apaixonada por Pietro, o cunhado do meu irmão.

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Capítulo Nove
Melissa

Passei três dias em casa, mamãe pediu que fossemos, pois estava com
saudades e queria conversar. Achei estranho, mas na mesma semana Dylan
recebeu nossas passagens. Então viajamos.
— Você acha que ela vai mesmo tirar nosso dinheiro? — Pergunto a
Dylan.
— Ela só quer que tenhamos responsabilidade, logo após, ela vai liberar
de novo. Não se preocupe. — Ele responde enquanto senta à mesa na nossa
cozinha.
— Vou falar com Hilary, ela começou a trabalhar no café da faculdade
quando chegou aqui, então ela deve saber de alguma vaga. — Digo me
sentando.
Mamãe impôs que eu e Dylan trabalhássemos, ela quer que tenhamos
autonomia e sejamos responsáveis com o dinheiro. Eu a entendo, mas papai
não entendeu e vai continuar ajudando. Eles brigaram por isso, mas eu não
me preocupo, eles se amam e sempre voltam um para o outro. Então eu e
Dylan temos que arrumar um trabalho. Rápido.
— Eu não tenho a mínima ideia de onde vou procurar emprego. —
Dylan fala bufando.
— Talvez Connor precise de alguém na academia. Ela vai inaugurar no
próximo mês. — Digo enquanto bebo meu café preto.
— Pode ser. Vou falar com ele, quer ir comigo? Nicole está perto de ter
Abby, faz três dias que não a vemos. — Ele argumenta e eu confirmo.
Depois de tomar banho e me arrumar saímos em direção a casa de
Connor. Nick está com oito meses, quase nove, então temos que estar perto
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dela. Eu não vejo a hora de pegar Abby nos braços.


Não vejo a hora.
— Os ingratos chegaram? — Escuto a voz dela enquanto desce as
escadas com Connor a acompanhando.
— Muito engraçado, Sra. Nicole. — Dylan fala andando em sua
direção. Meu irmão beija seu rosto e se ajoelha para conversar com nossa
sobrinha.
— Desculpe não ter vindo antes. Chegamos ontem e só fomos dormir.
— Digo enquanto ela franze o cenho para mim.
— Nós precisamos conversar, Melissa. — Ela só diz isso. Seu rosto é
uma mistura de decepção e mágoa. Eu não sei do que ela pode estar
magoada.
— Eu fiz algo? — Pergunto andando até a sua frente.
— Não. Você só não confiou em mim. — Quando ela termina de falar a
realidade me bate.
Pietro contou a ela da gente. Como ele pôde? Ele não podia ter feito
isso.
— Nicole... — Ela me interrompe.
— Nós vamos conversar a sós, tudo bem? — Ela pergunta e eu aceno
confirmando.
— Não brigue com minha cunhada, Mel. Ela não pode se estressar. —
Dylan fala brincando.
— Ninguém vai brigar com Nicole e ninguém além de mim vai brigar
com Melissa. — Escuto a voz do meu irmão do meio e respiro fundo.
— Ninguém vai brigar comigo. Eu sou adulta e não vou ouvir sermão
de ninguém. — Digo cruzando meus braços.
— Lógico que vai ouvir. Eu sou seu irmão. Depois de tudo eu sou o
último, a saber. Essa é minha casa Melissa. Então, sim, você vai me escutar.
— Connor fala rápido. Olho em seus olhos e raiva me define.
— Se não sou bem recebida aqui, não se preocupem eu já estou indo.
— Dizendo isso pego minha bolsa e ando até a porta. Não vou ouvir ninguém
me dizer o que fazer. Merda.
— Não faça isso, Mel. Você sempre vai ser bem-vinda a minha casa.

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Você é minha irmã. — Essas palavras não saem da boca de Connor, elas
saem da boca de Nicole e eu arfo. — Não saía. Fique, por favor. — Sinto em
suas palavras que ela está chorando e quero me socar por isso.
Quando me viro e a vejo meus olhos enchem de lágrimas. A gravidez a
está fazendo ficar mais sensível, eu não queria magoá-la, Nick é uma pessoa
maravilhosa, mas quando escuto ou vejo sublinhando na conversa o nome de
seu irmão eu já sinto dor. Muita dor e vergonha.
— Desculpe. Mas... — Mordo meu lábio inferior para tentar parar as
lágrimas, em vão.
Nicole me abraça e acaricia meus cabelos devagar. Eu a envolvo em
meus braços com cuidado por causa da sua barriga.
— Não fique na defensiva. — Ela fala e nos afastamos.
— Ele não podia ter feito isso. Ele não tinha o direito. — Digo
respirando fundo.
— Ele só estava confuso. Ele não tinha ninguém a não ser a mim,
Melissa. Você acha que nós não percebemos ou que um dia iríamos? — Ela
pergunta enquanto nos sentamos no sofá.
Meus irmãos saíram da sala e nos deixaram sozinhas.
— Eu não sei. Fiquei tão confusa, eu me apaixonei por um cara
comprometido. Que tipo de pessoa eu sou? — Pergunto abraçando minhas
pernas.
— Uma pessoa normal. E ele não era comprometido quando ficaram.
Vocês eram livres. — Ela diz tentando se sentar mais confortável. — Eu amo
meu irmão, Melissa. E eu o conheço como ninguém. Ele está gostando de
você também. — Ela fala se sentando confortavelmente no sofá.
— E daí? Ele tem namorada. Mesmo gostando de outra ele está com
ela. — Digo limpando minhas lágrimas.
— Ele gosta dela também, Mel. Eles estão juntos há um ano. Ele está
acostumado e tem medo de sair. Todos têm medo de sair da nossa zona de
conforto. — Nicole fala e eu reprimo uma risada.
Queria rir de suas palavras, mas não faço, ela é irmã dele. Tem mais
que o defender mesmo.
— Eu entendo. — Suspirando me levanto e me ajoelhou na sua frente.
— Me desculpe. Eu sei que deveria ter falado, mas eu estava confusa. Foi só
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uma noite que mudou tudo. Depois disso nos afastamos, eu sentia saudades
dele, mas ele já estava namorando. Eu não queria incomodar ninguém com
minhas divagações. — Confesso acariciando sua barriga. Abby dá um chute
na minha mão e eu sorrio.
Ela me entende.
— Eu entendo, meu amor. Haja o que houver siga seu coração. Se ele
pede por Pietro? Lute por ele. Se não? Siga sua vida. — Ela diz sorrindo por
Abby está se mexendo.
— Tudo bem. Agora eu tenho que falar com meu irmão. Tudo bem? —
Digo me levantando.
— Ok, ele só está chateado por não saber de nada. Ele disse que na sua
vida ele sempre está às escuras. Sempre é o último a saber, sobre ela. — Ela
diz sorrindo triste.
Depois que escuto isso começo a pensar que eu agiria da mesma forma
e me culpo por causar esse sentimento nele. Saio a procura dele e o encontro
no escritório conversando com Dylan.
— Lógico que pode. Tyler já estava pensando em procurar alguém... —
ele para de falar quando me vê na porta. — Pode dar um tempo para mim? —
Ele pergunta a Dylan e ele acena se levantando.
O escritório de Connor é amplo, arrojado e bem claro. Eu adorei. Nicole
fez tudo com muito amor. E quando entramos percebemos isso. Essa casa é
de uma família que se ama.
Eu adoro estar aqui.
— Queria me desculpar. Eu... não queria falar daquele jeito com você.
Desculpe-me. — Digo me sentando a sua frente.
— Você gosta dele? — Ele pergunta encostando-se à cadeira.
— Eu acho que sim. — Respondo olhando minhas mãos.
— Ele é um idiota então. Você é linda e se ele gostar de você, logo,
vem atrás de você. Não se preocupe. — Ele diz pegando minhas mãos por
cima da mesa.
— Acho que ele não gosta de mim. Ele tem a namorada dele e bem...
estamos a mais de dois meses sem nós ver. Isso quer dizer que ele... —
suspiro. — Eu não sei. Só não vou esperar por ele. Nunca mais vou esperar
por outra pessoa. — Digo determinada.
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Lembro de Tyler e de todo o tempo que fiquei o esperando voltar. Ele


nunca voltou. Eu me levanto da cadeira.
— Você faz bem. Não espere por ninguém, faça da sua vida totalmente
sua. — Meu irmão diz me abraçando. Suas palavras são cravadas em meu
coração.
Sai da casa de Connor depois de comermos o bolo que Nicole fez.
Estava delicioso. Connor disse que ela quer saber fazer muitas sobremesas
para Abby. Só minha cunhada mesmo.
Estaciono o meu carro e saio. Quando chego ao elevador vejo Brandon
correr para pegar e eu coloco minha mão para as portas não fecharem. Sorrio
quando vejo as várias sacolas em suas mãos.
— Hey! — Digo sorrindo quando ele se encosta à parede do elevador.
— Muito obrigado.
— Por que um dos garotos não foi com você ao supermercado? —
Pergunto ainda olhando as sacolas. Ele sorri.
— Que nada. Eles são impacientes. Não conseguem estar em um
supermercado. O único que vai sou eu. — Ele diz revirando os olhos.
— Sorte deles, então. — Digo sorrindo. Ele revira os olhos.
— Você viajou? Bati a sua porta anteontem, mas ninguém respondeu.
— Ele diz.
— Sim. Fui ver meus pais.
— É... Hoje tem um aniversário de um cara para eu ir. Você gostaria de
ir? Os meninos também vão. — Ele fala sem interrupção e eu sorrio de seu
jeito.
As portas do elevador se abrem e nós saímos.
— Desculpe. Mas não estou com ânimo. — Digo enquanto ele anda até
sua porta.
— Aconteceu algo? — Ele pergunta preocupado.
— Não. Quero dizer, sim, mas não quero falar. Desculpe.
— Não se preocupe, Mel. Tudo vai se ajustar. Tchau. — Dizendo isso
ele entra em seu apartamento.
Viro-me para entrar no meu, mas paro. Meus olhos se arregalam e meu
corpo congela. O que ela está fazendo aqui?
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— Kimberley? — Digo confusa.


— Oi, Melissa. Podemos conversar? — Ela pergunta calma e eu saio do
meu transe.
— Lógico. Só um momento. — Digo e abro minha porta.
Depois de entrarmos Kimberley inspecionou meu apartamento inteiro e
me olhou. Seus olhos queimaram minha pele. Não entendo o que veio fazer
aqui. E não estou gostando do seu olhar em minha direção.
— Você achou que eu desistiria? — Ela suspira. — Que eu abriria mão
dele? Assim, de bandeja para você? — Ela fala e eu engulo em seco.
— Não sei do que está falando... — tento dizer, mas ela me interrompe.
— Não se faça de desentendida, Melissa! —Seu grito me assusta e eu
me afasto. — Você jogou direitinho e ele está caindo no seu jogo, sua vadia!
— Ela grita e começa a andar em minha direção. Cerro meus olhos
entendendo o que veio fazer.
— Não me chame de vadia, Kimberley! Eu não sou. E eu não estou
entendendo mesmo o que você está falando. — Grito na sua cara. Ela aperta
o maxilar.
— Você acha que eu vou deixar vocês ficarem juntos? Pietro é meu.
Nunca vai tê-lo. Nunca. — Ela fala descontrolada.
— Eu não quero seu namorado. O que a gente teve foi antes de você.
Por que não entende? Ele está com você agora. — Digo me descontrolado
também.
— Ele terminou comigo. Foi você. Você o fez terminar comigo. Eu
soube que ele esteve na sua casa. Você transou com ele, Melissa? Enquanto
eu estava em casa o esperando, ele fodeu você? — Kimberley grita com
lágrimas nos olhos.
— Não. Pelo amor de Deus. Ele nunca ia fazer isso com você. — Digo
sentindo por ela está assim.
— Nem beijo? Você vai mentir sobre isso? Ele me disse, Melissa. —
Ele pergunta, fria.
— Nós estávamos bêbados. Não foi querendo te magoar. — Digo e ela
corre e me derruba no chão.
— Ele terminou por isso. Sua vagabunda. Você quer tirar meu
namorado de mim, mas eu não vou deixar. Pietro é meu, Melissa. Se
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acostume. — Ela grita enquanto tenta me bater. Seguro seus braços e a jogo
no chão. Levanto-me rapidamente.
— Você é louca. Eu não tenho culpa se ele não gosta de você o
suficiente. Saia da minha casa agora Kimberley. Ou vou arrastar você pelos
cabelos. — Falo com ódio em minhas veias. Essa idiota pensa o que em me
bater desse jeito? Eu vou matá-la se ela se aproximar de mim de novo.
— Não acabou. Eu vou arruinar sua vida. O boato que espalharei vai ser
mil vezes pior do que o primeiro. — Minha mão encontra seu rosto a fazendo
calar-se.
Eu sempre soube que foi ela. Essa idiota psicótica.
— Saia, sua doente. Vá embora da minha casa. — Grito abrindo a
porta.
Quando ela passa por mim e sai da minha casa tenho vontade de
quebrar tudo. Tudo que tem dentro dela. Mas não faço. Respiro fundo e vou
para minha cozinha.
Pietro terminou o namoro? Por quê? Várias questões rondam minha
cabeça enquanto faço meu almoço e depois como. Dylan chegou em casa a
poucos minutos e veio se sentar comigo.
— O que foi que aconteceu com você? — Quando ele pergunta isso eu
o olho, confusa. — Sua roupa, esses arranhões na sua pele. Que merda
aconteceu? Você brigou? — Ele se levanta e vem para meu lado.
— Ela veio aqui. Kimberley veio me enlouquecer. Ela me bateu e eu
bati nela. Foi uma confusão. — Digo enquanto passo a mão pelos
machucados.
— Essa garota é louca? Eu vou matar essa puta. — Ele ruge e pega seu
celular ligando para alguém.
— Você está ligando para quem? Dylan? — Pergunto e me levanto.
— Olha seu idiota segure essa louca da sua namorada entendeu? O que
aconteceu foi que ela veio na minha casa bater na minha irmã. Da próxima
vez eu mesmo pego ela pelos cabelos e a jogo na rua. Você me ouviu, Pietro?
— Dylan grita ao telefone.
Quando percebo o que está fazendo começo a gritar com ele.
— Não era para ter ligado. Eu já sou uma mulher. Não preciso de
nenhum de vocês. — Digo sentindo ódio.
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— Mel... Ninguém vai vir a minha casa e bater na minha irmã.


Ninguém. Agora venha aqui que limparei esses arranhões. — Ele me puxa
pelo braço e vamos para meu quarto.
Passo a tarde dormindo e quando me acordo tem alguém batendo na
porta. Merda. Levanto-me e sigo para abri-la. Os arranhões estão ardendo
menos, graças a Dylan e seus cuidados. Quando vejo que é Pietro volto a
fechar a porta, mas ele a empurra.
— Saia daqui. Agora. — Digo apertando meu maxilar.

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Capítulo Dez
Pietro

Um ano e dois meses atrás...

Às vezes me pergunto por que a vida me odeia tanto. Se bem que se


isso fosse possível, muitas pessoas pensariam assim. Meu peito está apertado.
Eu só senti esse sentimento uma vez e foi a mais de um ano. Eu estava na
frente da garota que eu mais amei na minha vida e ela me disse que amava
outro.
Agora eu estou sentado em casa e Clara se sentou comigo mais uma
vez. Sinto seus dedos trêmulos pegarem minha mão. Então ela falou as
palavras que iriam me acompanhar a vida inteira, todos os dias como se fosse
hoje.
— Eu vou ser mãe. — Engulo em seco e tento me sentar
confortavelmente.
— Como? — Eu pergunto pateticamente.
— Eu estou grávida. — Ela suspira e sorri. — Queria ser eu a te falar.
Desculpe-me qualquer coisa... — Seus olhos estavam cheios de lágrimas
enquanto me olhava, mas não eram de tristeza, era de alegria.
No fundo deles tinha uma felicidade sem tamanho e naquele momento
eu deixei minha própria dor de lado e eu a parabenizei abraçando seu corpo
pequeno.
— Parabéns, Clarinha! — Digo sorrindo e com lágrimas nos olhos. —
Você vai ser uma mãe incrível. Pode ter certeza. — Digo e ela me abraça
mais apertado.
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— Eu nunca. Nunca quis te magoar. Me desculpe se isso aconteceu


alguma vez. Eu não tive a intenção. — Ela soluça e eu limpo suas lágrimas.
— Eu me magoei sozinho, Clara. Você não tem nada com o que se
preocupar. — Digo limpando minhas lágrimas. — Só quero te dizer que
quando você me pegou com aquela garota...
— Eu não quero falar sobre isso, Pietro. Ainda dói muito. — Ela fala
puxando sua mão de mim.
— Mais eu preciso. Por favor. — Peço e ela suspira acenando. — Nada
aconteceu. Ela armou tudo, Clara. Eu não consegui te explicar, pois estava
tão sem entender o que aquela garota tinha feito. Como ela pôde fazer isso só
para nos separar sabe? — Digo e respiro fundo. — Você pode não acreditar,
mas...
— Eu acredito, Pietro. Eu... me desculpe por fugir de você, mas eu era
uma menina. Não conseguia entender nada. Me desculpe. — Ela fala e eu
choro.
Choro pelo tempo que ela passou longe de casa. Pelo momento em que
ela me deixou e principalmente por que nada disso importa mais. Nada disso
importa quando ela ama outro e ainda carrega um filho dele no seu ventre.
Saio de casa logo depois de Clara e me sento no bar mais próximo.
Melissa chegou e nós conversamos, bebemos e choramos. Eu quero ter raiva
de Tyler por ter duas mulheres amando ele, mas eu não consigo. Ele é um
bom homem e eu tenho certeza de que ele fará Clara muito feliz.
Depois disso levei Melissa para minha casa e fizemos a maior loucura
que um dia pensei em fazer. Eu fiz amor com ela. Eu passei a noite com a
cunhada da minha irmã. E o pior de tudo... eu me apaixonei, claro que não foi
de uma hora para outra, não foi de repente. Eu já estava me sentindo atraído
por ela desde o momento em que a conheci naquele café com Nicole.
A noite que passamos juntos só me fez ter certeza, mas como a vida me
odeia, ela não quis nada comigo. Muito pelo contrário. Ela fugiu de mim.
Mais uma vez, a garota por quem eu me apaixonei, fingiu de mim.
Melissa pediu que eu esquecesse tudo. Que eu esquecesse o que nós
dois fizemos.
Da nossa noite juntos.

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Dias atuais...

Kimberley senta na cama e me olha com lágrimas não derramadas.


Sinto-me um filho da puta, mas eu não posso continuar a enganar meu
coração desse jeito. Sentir os lábios de Melissa foi como se meu peito
estivesse sendo partido e se colado ao mesmo tempo. Eu tentei, eu juro que
tentei seguir com esse namoro, mas quando eu via Melissa no Campus eu me
penalizava a olhando, admirando seus cabelos escuros e suas pernas curtas e
bonitas.
Ficava olhando o jeito que ela sorria de algo que Kyara falava e meu
peito apertava. Eu queria fazê-la sorrir. Eu quero aquela menina, eu queria
fazer amor com ela ali mesmo na sala da sua casa dias atrás. Seu cheiro de
flor me faz procurá-la em todos os lugares quando sinto a fragrância me
rodear.
Eu estou ficando louco.
Eu estou apaixonado por ela.
— Pietro? Você está terminando nosso namoro? — Kim pergunta
enquanto me sento na minha cama.
— Kimberley... Não podemos continuar assim... Eu não posso. — Digo
sentindo dor em meu coração. Ver a dor que estou lhe proporcionando
machuca mais do que eu gostaria.
— É por causa dela, não é? Aquela vadia... ela está tentando tirar você
de mim. — Kim se descontrola e agora ela está gritando e chorando ao
mesmo tempo.
— Não é isso, Kim. Melissa... ela não... — Ela me interrompe.
— Pietro, pare de mentir para mim. Vocês ficaram? Você me traiu com
ela? — Ela anda até mim olhando em meus olhos torturados. — Você transou
com ela! Eu não acredito. — Ela empurra meu peito e eu me levanto.
— Não. Eu não transei com ela. A gente se beijou... — Paro de falar
quando sinto sua mão em meu rosto. Sinto uma queimação e percebo que
seus dedos ficaram marcados. Olho para Kim e vejo seus olhos com chamas,

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ela está furiosa.


— Você a beijou. — Seu queixo treme enquanto ela pega sua bolsa e
vai em direção a porta.
— Desculpa, Kim. Eu nunca quis te magoar. — Digo e ando atrás dela.
— Você não quis, mas magoou. — Ela respira fundo enquanto seu
queixo treme. — Como nunca alguém foi capaz de me magoar. — Ela sai e
me deixa parado no meio do meu quarto.

Sento ao lado de Oliver e ele suspira revirando os olhos.


— O quê? — Pergunto sem paciência.
— Faz dias que está nessa fossa. Vai atrás da Kim, cara. Tenho certeza
que ela volta. — Ele diz e eu o encaro. — Ela é louca por você. — Completa.
— Você acha que eu quero voltar? Deixa de ser idiota. Fui eu quem
terminou. Eu estou gostando de outra garota, cara. — Digo respirando fundo.
Pergunto-me o que Mel está fazendo. Minha irmã falou que ela tinha
viajado para casa, mas que voltaria hoje. Queria ver ela, mas tenho medo de
ela não querer. Na verdade, eu tenho medo de mim mesmo. Não faz tanto
tempo que terminei com Kim. Três ou quatro dias no máximo e eu não acho
que seja certo ir atrás de Melissa agora.
Meu celular toca fazendo Oliver se calar antes mesmo de abrir a boca.
O nome de Dylan pisca na tela.
— Hey cara!
— Olha seu idiota segure essa louca da sua namorada entendeu?
— O que? Está louco, Dylan? O que foi que aconteceu?
— O que aconteceu foi que Kimberley veio na minha casa bater na
minha irmã. Da próxima vez eu mesmo pego ela pelos cabelos e a jogo na
rua. Você me ouviu, Pietro? — Dylan grita ao telefone.
Sinto-me tonto. Levanto-me, mas quando ia responder ele desligou na
minha cara. Porém, não antes de eu ouvir Melissa gritar com ele.
Quando percebo já estou no estacionamento e Oliver está gritando por
mim. Entro em meu carro e vou até a casa dela, mas o trânsito está pesado.
Não sei o que está acontecendo, mas levo quase uma hora para chegar até a
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casa dela. Quando passei vi que era um acidente envolvendo dois carros.
Todos morreram.
Quando chego a sua porta, suas mãos a empurram não querendo que eu
entre. Que merda.
— Precisamos conversar. Como ela pôde vir aqui? Ela te machucou? —
Pergunto vendo alguns arranhões na sua pele.
— Por que ela é louca, como pode namorar com aquela desequilibrada?
Idiota. Você não tinha o direito de dizer que nos beijamos para sua irmã
também. Não tinha. — Ela fala e vejo quando as lágrimas inundam seus
olhos.
Lembro que disse para Nicole e a merda me bate. Ela está com raiva
por eu ter falado. Mas por quê?
— Melissa abra a porta. Eu vou empurrar. — Digo e ela semicerra os
olhos e bufa abrindo a porta.
— Mel? — Quando escuto seu apelido me viro. — Você precisa de
ajuda? Digo, ele está te perturbando? — Ele anda em nossa direção e eu tento
me segurar para não dar um murro na sua cara.
Eu me lembro dele. É o mesmo cara que ela falou que sairia. Que
ficaria com ele.
Aperto meu maxilar com o pensamento.
— É, Brandon... não precisa. Ele é meu amigo. — Melissa responde,
mas eu não a vejo. Estou olhando para ele. Ele tem um sorriso presunçoso no
rosto e eu quero tirar de lá. O mais rápido possível.
— Tudo bem. Se mudar de ideia sobre sair comigo mais tarde. Me liga
ok? — Ele diz e eu dou um passo em sua direção. Ela ia sair com ele?
— Cai fora. — Digo pausadamente andando em sua direção. — Ela não
vai sair com você. Por isso vá.
— Pietro volte aqui. — Sua voz é uma mistura de irritação com
diversão. — Desculpe Brandon. Se eu mudar de ideia te ligo, sim. Pode
deixar. — Sua voz suaviza para falar com ele.
— Ok, até mais, Mel. — Ele diz isso olhando para mim. Olhando no
fundo dos meus olhos.
Filho da puta.

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Entro em sua casa e me sento no sofá. Que merda está acontecendo


comigo? Eu não gosto de briga. Eu odeio, mas quando ela está envolvida eu
perco o juízo. Ela me faz ficar maluco.
— Ela te machucou? — Pergunto quando vejo que ela se sentou.
— Não mais do que você. — Quando essas palavras deixam sua boca
eu engulo em seco.
É verdade.
Eu a machuquei.
— Desculpe. Eu sei que eu deveria ter falado com você antes de contar
a Nicole, mas eu não consegui. Eu precisava desabafar com alguém. — Digo
olhando para seus olhos.
— Pietro... Eu entendo. Só... fui pega de surpresa tanto por isso como
com Kimberley. — Ela diz abraçando suas pernas. Ela faz muito isso.
— Me desculpe por Kimberley. Ela nunca mais vai te ferir. Eu juro. —
Digo enquanto olho para suas pernas.
Eu amo suas pernas.
— Não tem problema. Ela estava descontrolada... — Ela suspira e me
olha nos olhos. — Você terminou? Ela falou. — Ela diz mordendo sua
bochecha.
— Foi. Não gosto de enganar ninguém. Ela não merece isso. — Digo
enquanto ela suspira. Seus olhos se focam na parede e ela se cala por um
tempo.
— Você está enganando ela? Digo você está ficando com outra garota?
— Sua voz falha no final.
Eu sorrio triste.
— Não. Ficando, não. Mas pensando em outra. Eu estou. Eu acho que
sempre estive. — Digo e ela acena entendendo. — Você vai sair com esse
cara? Esse vizinho? — Pergunto sentindo um gosto ruim na boca.
— Não sei. — Ela diz dando de ombros e eu já estou de pé.
— Não vou tomar seu tempo então. Só vim me desculpar e saber como
estava. — Respiro sentindo a raiva flutuar pelas minhas veias. — Eu acho
que você está ótima já vai até sair com um cara. — Digo sorrindo sozinho.
Idiota.

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Filho da puta.
— Não, faça isso. — Ela diz e se levanta ficando na minha frente. Ela é
tão pequena. Para olhar em meus olhos ela tem que levantar a cabeça.
— O quê? Dizer a verdade? — Pergunto e ela grita frustrada.
— Não faça isso. Eu não sou nenhuma vagabunda para você estar
falando assim. — Ela diz agora com ódio.
— Eu não lhe chamei de vagabunda. Só disse que você está bem se vai
sair com esse idiota. — Falo perdendo a paciência. Seus olhos estão
vermelhos e suas mãos em punhos.
Caminho para a porta, mas ela começa a socar minhas costas. Eu não
sinto nada. Ela é pequena e bate sem força. Eu paro e me viro. Mesmo assim
ela continua.
— Eu saio com quem eu quiser. Ele gosta de mim. Diferente de você.
— Ela fala ainda me batendo.
Pego seus braços e a coloco no balcão da cozinha. Entro no meio de
suas pernas ficando na sua altura. Seus olhos estão arregalados olhando para
minha boca.
— Você não sabe o que fala. Eu adoro você, Melissa. Esse idiota só
quer te foder. Só isso. — Digo imaginando essa merda. Só o pensamento me
faz querer quebrar a casa inteira.
— Se ele quiser me foder, eu acho ótimo. Pois eu também quero. —
Quando essas palavras deixam sua boca eu me afasto. Saio de perto dela e
ando pela cozinha como um louco.
— Mentira. Sua mentirosa. — Grito e ela estremece. — Se dormir com
ele eu nunca mais olho na sua cara. Nunca mais quero te ver. — Digo e ando
para a sala. Abro a porta e saio depois de fechá-la e deixar Melissa.
Eu não entendo como pude começar a gostar dela tão de repente. Como
pude me apaixonar por outra garota namorando Kimberley. Eu sou um idiota
desrespeitoso.
Verdade.
— Ela está acordada? — Viro-me quando escuto sua voz. Aperto meu
maxilar e me aproximo dele.
— Não. Está dormindo. Sabe, não é? Ficou cansada depois de a gente
fazer algumas coisinhas. — Digo com um sorriso presunçoso no rosto. Ele
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fica branco, mas depois disfarça. — Tchau, cara. — Viro-me e vou embora.

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Capítulo Onze
Melissa

Ando apressadamente em direção a minha sala de aula depois de


acordar atrasada. Falar com Pietro ontem me esgotou. Fiquei remoendo na
minha cabeça seu jeito explosivo quando falou comigo. Vi claramente o
ciúme em seus olhos e falar que eu me senti bem é um eufemismo.
Eu me senti ótima.
Eu queria que ele sentisse ciúmes de mim. Não sei o que diabos estou
fazendo com minha vida e com meu coração, mas eu gostei de ver que ele
tem ciúmes de mim. Depois de vê-lo ir embora eu fiquei com ódio.
Por que ele foi? Não sei o que eu queria que acontecesse, mas na hora
da raiva fui até o apartamento de Brandon, chamá-lo para irmos ao
aniversário do amigo, mas, como o destino estava contra mim, alguém da
família da namorada do aniversariante morreu e a festa foi remarcada para o
final de semana.
Depois disso eu me convenci de que não estou com nenhuma razão. O
que eu queria? Que ele ficasse comigo? Na minha cama? Depois de eu ter
dito aquela coisa horrorosa? Deus, eu sou tão idiota.
— Bom dia! — Cumprimento ao ver Hilary depois da aula.
— Bom dia. — Hilary diz ao sentar na minha frente. — Como está?
— Ótima. — Minto. — Você que o diga. Fiquei sabendo que está
namorando... — Digo sorrindo e apertando sua mão.
— Mais ou menos. — Diz ficando vermelha. Sorrio da sua doçura.
— Como assim mais ou menos? Kevin não te faz feliz? — Pergunto
preocupada.

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Desde o dia que nos encontramos com Pietro e seus amigos no Jack’s
percebi a tensão que irradiava de Kevin e Hilary. Odiaram-se assim que se
viram, mas o que parece é que essa raiva se transformou em algo maior. Eles
se encontraram por aí e começaram a sair. Sei que parece clichê, mas foi
assim que aconteceu.
— Faz. — Ela suspira. — Muito sabe? Mas ele é uma pessoa muito
difícil de lidar. A gente briga o tempo todo. — Eu assinto querendo a
entender.
— Faz parte. Nada é fácil para quem quer a felicidade. — Digo e ela
sorri.
— Você sabe me dizer se o café está precisando de alguém? —
Pergunto lembrando que tenho que arrumar um emprego.
— Por quê? — Questiona franzino as sobrancelhas.
— Mamãe quer que tenhamos responsabilidade e tal. Para encurtar a
história, eu e Dylan temos que arrumar um emprego. — Digo sorrindo ainda
tensa.
Eu sei que mamãe fez bem e eu verdadeiramente aprecio sua
imposição, mas estou apavorada.
— E como você está se sentindo diante disso? Digo por que você nunca
trabalhou. — Ela fazendo careta. Não a culpo por pensar assim.
— Estou sentindo que pela primeira vez na minha vida estou por mim
mesma, sabe? Não que meus pais não me ajudarão se algo ocorrer, mas eu
estou gostando. Eu quero cuidar da própria vida. Eu já sou adulta. — Digo e
Hilary aperta minhas mãos em apoio.
— É bonito ver você falando assim. Mas voltando para o café, parece
que uma das garçonetes saiu ontem, mas só vou ter certeza hoje. Então eu te
ligo para falar se era verdade ou mentira. — Ela explica e eu a puxo para um
abraço.
— Obrigada! Você me ajuda muito se fizer. — Digo e ela dá de
ombros. — Onde está Kyara? — Pergunto percebendo que ela ainda não
chegou.
— Eu não sei. — Hilary balbucia nervosamente.
— Não sabe? — Ela engole em seco e balança a cabeça. — Mm. ok,
depois vou perguntar a ela. — Hilary acena suspirando.

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Depois de voltar para minha sala de aula encontro Kyara sentada na sua
cadeira despreocupadamente.
— Onde estava mais cedo? Te esperei no refeitório, mas você não
apareceu. — Digo calma enquanto deslizo pela cadeira ao lado dela.
— Estava ocupada. É... Tive que sair. — Diz suspirando e sem me
olhar nos olhos.
— Kya? — Ela levanta a cabeça engolindo em seco. — Está
acontecendo algo? Você está estranha. — Constato e ela balança a cabeça
freneticamente. — Ok...
O professor entra na sala e eu deixo a conversa morrer.
Conheço Kyara há um ano, pode parecer pouco tempo para algumas
pessoas, mas é como se eu a conhecesse a vida inteira. Seu jeito atualmente
não condiz com a garota que conheci há um ano. Kya está se esquivando de
mim, nesses dois meses que passaram nós quase não nos vimos e agora, seus
sumiços.
Sinceramente espero que não seja nada com sua família. Kya tem vários
problemas com os pais. O pai é um vagabundo traidor que ajudou a mãe dela
se tornar uma alcoólatra, por suas várias mulheres. A mulher encontrou o
consolo que o marido não lhe dava na bebida, se esquecendo completamente
da sua filha. Não entendo como uma pessoa como Kyara, boa e generosa,
saiu de duas pessoas tão terríveis.
— Espero que não esteja passando por problemas... sei que não gosta
de comentar, mas eu fico preocupada. — Murmuro depois de um tempo em
silêncio.
Não olho para ela, continuo olhando o professor explicar sua matéria,
não por medo, mas sim por receio de ver seu sofrimento.
— Não está acontecendo nada, Miles. Desculpe-me se te preocupei. —
Ela fala enquanto enrola uma mexa do seu cabelo. Sorrio quando me chama
pelo apelido que me deu.
— Ok... Tudo bem. — Depois disso não falamos mais nada.
Não era o silêncio confortável que sempre pairava entre nós, o silêncio
desse momento é sufocante. Eu não suporto ficar assim.
Depois da aula eu fui para casa e esperei a ligação de Hilary. Eu preciso
desse emprego, não quero mais depender da minha mãe e meu pai para

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comprar minhas coisas. Preciso de independência. Ponto.


Depois da conversa com minha mãe, eu vi que ser responsável por suas
próprias contas não é algo para se temer, mas sim, algo para se orgulhar. Com
esse pensamento entro em meu carro e dirijo para o endereço do café que
Hilary passou por telefone na hora que ligou para dizer que sim, uma
garçonete se demitiu. Então me disse que eu fosse lá para ela poder me
apresentar ao dono do café para uma contratação. Deus! Eu espero que tudo
dê certo.
Entro no lugar e logo sorrio. O espaço é grande e bem arejado, as mesas
são redondas e de madeira enquanto o acento é estofado e de couro, eles
quase se fecham fazendo com que as mesas fiquem quase como “cabines”.
Em uma das paredes tem uma lousa de cima ao meio da parede e nela
tem várias frases. É simplesmente lindo e acolhedor. Ao olhar para esse café,
já me imagino sentada no fundo com meu notebook para escrever sobre meu
novo livro.
Ultimamente várias ideias para livros estão vindo na minha cabeça e eu
estou as escrevendo para, quem sabe, um livro novo. Ainda não as organizei,
mas estou fascinada com algumas delas.
Paro de divagar quando Hilary entra no meu campo de visão com um
sorriso de compreensão no rosto. Acho que tanto eu quanto ela somos
apaixonadas por lugares calmos e cheios de beleza referente a livros.
— Se você já está abobalhada olhando só aqui, você vai desmaiar
quando ver a sala secreta. — Hilary pega minha mão e me puxa em direção
ao balcão.
— O que é a sala secreta? Tem todos os nossos crushs fictícios? —
Pergunto e ela para sorrindo cúmplice. — Não acredito! Tem! Vamos logo
para lá. — Digo enquanto ela gargalha.
— Eu também desejaria isso, Mel. Mas não. Você vai ver quando
chegar lá. — Com isso ela se vira.
— Joseph! — Viro quando escuto a voz dela chamando alguém. —
Essa é Melissa. A garçonete que você vai contratar. — Ela fala e eu a olho de
olhos arregalados.
Ela acabou de dar uma ordem para o cara?
É. Foi. Isso.

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Quando me viro um sorriso lento e gentil surge no meu rosto. Joseph


tem cabelos grisalhos e uma barriga imensa, mas seu rosto é de alguém bom e
muito generoso. Sinto paz ao olhar seus olhos cinza cansados do tempo.
— Sua peste! Não me dê ordens! Eu sou seu patrão e não ao contrário.
— Joseph grita e eu me assusto e acabo me afastando do balcão.
Retiro tudo o que falei. Joseph é mal. Muito mal. Olho para Hilary e ela
está sorrindo satisfeita. Que merda é essa?
— Desculpe... A Hilary... Só estava alegre com a possibilidade. Ela não
quis dar ordem no senhor. Por favor, desculpe-a. — Digo engolindo seco.
Olho ao redor no café e me sinto triste pela possibilidade de eu não ser
admitida, mas não quero que esse homem grite comigo. Mordo meu lábio
inferior e olho para Joseph.
— Baixinha... — Ele falaria algo, mas Hilary caiu na gargalhada o
levando junto. Cruzo os braços olhando para o ataque de riso dos dois.
— Desculpe amiga. Fala Joseph... eu não consigo. — Ela diz ainda
rindo. Vou matar a Hilary.
— Baixinha... estamos apenas brincando. O emprego é seu. Seja bem-
vinda. — O senhor explica e me dá a mão. Aperto-a e depois me afasto com
um sorriso grande no rosto.
— Obrigada. Eu vou me esforçar bastante. Mesmo que eu não tenha
nenhuma experiência, eu aprendo rápido. Muito obrigada, de... — paro de
falar quando ele olha para Hilary com a sobrancelha levantada.
— Você me disse que ela tinha experiência, Hil. — Ele acusa e ela
cruza os braços.
— Ela vai ter daqui a duas horas. Não precisa se preocupar. — Diz
segurando minha mão. — Vou ensinar tudo. — Ela fala sorrindo.
Joseph suspira e dá de ombros.
— Tanto faz. Fale para ela também o salário, os dias e o horário dela.
Você mal chegou e já quer meu lugar, então faça jus o papel. — Diz virando-
se para entrar no que acho ser a cozinha.
— Eu quero fazer jus ao contracheque, também! — Ela grita séria
enquanto ele gargalha lhe dizendo para sonhar.
Pelo visto vou me divertir bastante aqui.

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A semana passou sem maiores mudanças. Comecei no emprego e já


estou bem-adaptada. Aprendi os horários de maior movimento no café e antes
que comece já me preparo psicologicamente para as próximas horas. A
maioria são estudantes e empresários que não tiveram tempo de comer ou
beber algo em casa.
Hilary me ensinou o básico e no primeiro dia, eu juro que pensei em me
matar. Demorei mais de um minuto para levar o cappuccino para uma mesa e
quando eu cheguei a garota quase me esfaqueou apenas com o olhar. Pedi
desculpas com fel na boca e me afastei.
Eu passei a semana repetindo para mim mesma que isso era preciso e
que eu estava por conta própria agora. Depois disso relaxei e desenrolei os
próximos dias. Agora encaro meu irmão sorrindo enquanto entra no meu
trabalho com sua esposa grávida, preste a dar à luz.
Nicole sorri quando senta em uma das cabines ao lado de Connor que
faz carinho em sua mão. Quando olho para os dois, meu coração se enche de
melancolia por não ter alguém para estar por mim como Nicole está para meu
irmão.
Mas acima de tudo eu sinto uma felicidade imensa por ele ter ela ao seu
lado. Por Nicole dar uma princesa para meu irmão chamar de filha. Estamos
na reta final da gravidez de Nicole e claro estamos todos eufóricos com a
possibilidade de nossa menina chegar a algum momento.
— Hey! Vocês vieram. — Digo me aproximando da mesa dele.
— Claro. Eu falei que a gente viria. — Nick fala alegre. — Estou tão
orgulhosa de você, Mel. — Sua voz demonstra simpatia e eu me derreto.
— Obrigada! — Pisco para ela e anoto os seus pedidos. Quando já
estou saindo Connor segura minha mão.
— Também estou, Melissa! Muito, mas se precisar de algo me fale. —
Ele ordena e eu bato continência sorrindo.
Volto para a mesa deles com seus pedidos e sorrio ao ver Nicole
cruzando os braços quando ver Connor conversar com uma mulher. Acho que
ele foi ao banheiro.
— Calma. Pense em Abby. — Digo enquanto meu irmão volta.

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— Nick, era somente uma garota perguntando sobre a academia. Não se


preocupe ok? — Ele fala calmo deslizando ao seu lado.
Ela permaneceu em silêncio até saírem. Nicole é fogo! Sinto meu
celular vibrar e o pego rapidamente.
Te pego às sete; Brandon.
Merda. Esqueci do aniversário do amigo dele. Penalizo-me por ter ido
até sua casa aquela noite em que Pietro saiu da minha. Oh!
Pietro!
Não o vi e nem ouvi falar dele essa semana. Mas Kimberley mandou
um SMS dizendo estar com ele novamente. Não dei importância e somente
apaguei, mas agora sinto os pedaços do meu coração caindo lentamente em
uma poça ao seu redor. Merda.

Enquanto danço ao som da música que sai pelos alto-falantes da casa do


tal amigo de Brandon, observo tudo girar ao meu redor. Sinto que minhas
pernas estão suadas e isso é legal. Remexo meu quadril de encontro a
Brandon e ele segura minha cintura com carinho. Dançamos até eu me sentir
tonta e querer ir ao banheiro.
Brandon tentou me segurar na pista de dança, mas me soltei e vim até o
corredor que dá acesso ao banheiro. Enquanto giro a maçaneta da porta olho
para um casal se beijando, mas eles são diferentes dos outros que estão ao
redor. Eles são apaixonados. Os lábios deles se provam sem demora, parece
até que é apenas um carinho.
Um carinho que eles trocam sem malícia ou promessas. Quando
percebo as lágrimas estão descendo por meu rosto, então entro no banheiro e
deslizo pela parede ainda chorando.
Eu o quero para mim.
Eu quero esse beijo.
Eu quero Pietro.
Eu gosto de Pietro.
Procuro meu celular e rapidamente disco seu número. Não detenho
meus movimentos, pois quero que ele saiba. Ele atende no segundo toque.
Sua voz calma do sono preenche o espaço da minha cabeça e coração.
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— Mel?
— Eu quero você.
— Melissa? O que está falando?
— Eu acho que estou apaixonada por você, Pietro.
— Onde está? Você está bêbada? Merda.
— Eu... você também está apaixonado por mim?
— Mel! Deus! Responda-me onde você está!
— Eu não lembro. Eu vim para um aniversário de algum conhecido de
Brandon.
— Você o que? Não precisa responder. Estou indo te buscar, ok? Vai
para o lado de fora.
— Você gosta dela, não é? Eu sei. Ela me mandou um SMS dizendo que
estava com ela novamente.
— Melissa...
— Eu odeio você, Pietro!
— Não. Você não odeia.
— Fique com ela e eu fico com Brandon. Odeio estar apaixonada por
você.

Desligo e meu choro se torna mais forte. Saber que eles voltaram desfaz
qualquer chance de ele ser meu. Limpo minhas lágrimas e suspiro.

Odeio ser apaixonada por você, Pietro.

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Capítulo Doze
Melissa

Saio do banheiro depois de molhar o rosto e fazer um coque no cabelo.


Apresso-me para voltar ao mesmo lugar onde Brandon estava. Tento focar
em algo, mas ainda estou um pouco tonta. Fecho os olhos por um momento e
depois os abro devagar.
Parece que melhora já que consigo ver Brandon em pé com o celular na
orelha. Chego mais perto e vejo que seu olhar é calmo e que ele fala
casualmente com a pessoa do outro lado. Quando chego a sua frente um
sorriso chega aos seus lábios e ele desliga a chamada.
Nós nos olhamos por um tempo e eu me aproximo dele devagarzinho.
Quando estou a um passo de beijá-lo a imagem de Pietro na minha cozinha
me para. Tento focar em Brandon, no cara gentil e simpático que me faz
alegre e que não tem uma namorada psicótica. Tento focar em seus lábios
quando esmago sua boca com a minha.
Suas mãos enlaçam minha cintura e eu respiro fundo quando minhas
mãos entram em seus cabelos sedosos. Assim que penso em aprofundar o
beijo com danças sensuais de nossas línguas, a cena dos lábios da garota e
garoto do banheiro me faz ficar tensa e me afastar. Não quero um beijo sem
sentido como os que os casais ao lado do casal apaixonado estavam dando.
Eu quero o beijo do casal apaixonado.
— Desculpa... eu quero ir embora. — Digo suspirando enquanto pego
uma nova bebida que o garçom colocou no balcão. Viro-a dê uma vez e
engulo o líquido quente e forte. Olho para Brandon e ele acena sorrindo.
— Vem. Ele já deve ter chegado. — Ele resmunga enquanto pega
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minha mão e me carrega para fora da festa.


Respiro fundo e uma lufada de ar frio queima meu nariz. Merda. Visto
meu casaco que estava pendurado em um espaço para guardarmos nossas
coisas e logo me sinto bem aquecida.
— Quem deve estar chegando? — Pergunto seguindo Brandon até o
estacionamento.
— Seu namorado. — Diz enquanto desliza a mão por meu cabelo.
— Eu não tenho namorado, Brandon! — Exclamo, de repente, irritada.
— Eu nunca tive um namorado. — Digo enquanto sinto uma queimação em
meu peito.
Merda. Eu vou chorar.
Eu nunca namorei ninguém.
— Quando eu te vi pela primeira vez... foi algo estranho, posso dizer.
Seu jeito despreocupado de atender a porta e sua generosidade ao me dar o
pacote de açúcar... — Ele suspira e eu sorrio lembrando-me do dia em que
nos conhecemos. — Eu fui vendo que você é diferente das outras garotas e eu
queria me apaixonar por você e fazer você se apaixonar por mim. — Ele ri
sem humor e eu limpo minhas bochechas molhadas.
— Brand... — Um soluço me escapa e ele me abraça.
— Mas assim que eu vi seu "cara" dois meses atrás e agora nessa última
semana, eu entendi que seu coração já é dele. Você é dele, Mel. E por mais
que lute contra isso. Vocês estão destinados... talvez o que eu esteja falando é
uma grande besteira, já que não sei muito bem a história de vocês, mas eu
vejo quando olho para vocês juntos. Não deixe nada te impedir de ser feliz.
Você merece tudo que a felicidade quiser te proporcionar. — Ele diz e sela
nossos lábios como um selinho casto.
Um adeus.
— Você conseguiu? — Pergunto quando saio de seus braços.
— O quê? — Ele cruza os braços e levanta uma sobrancelha em forma
de brincadeira.
— Se apaixonar por mim. — Respondo o olhando intensamente.
— Desculpe lhe decepcionar, mas não. — Ele ri e eu também.
Ficamos calados enquanto esperamos Pietro chegar.

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Depois dessa conversa eu passei a gostar mais de Brandon. Ele foi tão
sincero, me deixou sem palavras. Eu gostaria de ter me apaixonado por ele.
Eu gostaria de não gostar de Pietro, de não pensar nele nos momentos de
solidão, mas eu penso. Eu gosto dele. Isso é tão injusto. Ele tem uma
namorada. Ele voltou com Kimberley. Pergunto-me se tudo que me falou em
nosso último encontro era mentira.
Quando ele salta de seu carro, seus passos são duros e seu maxilar estar
apertado. Seus olhos estão fixos em Brandon e antes que ele faça alguma
idiotice eu vou ao seu encontro.
— Você veio me buscar? — Ele agora está me olhando enquanto acena.
— Sim, Melissa. — Ele range os dentes ao falar.
— Então ótimo eu estou no carro. — Digo e caminho para o lado do
passageiro.
Olho para Pietro, mas ele está falando com Brandon. Longe um do
outro. Agradeço por isso. Não quero que Pietro pense que tem qualquer
domínio sobre mim. Ele não tem. Respiro fundo quando entra no lado do
motorista e sai do estacionamento.
— Como você está? — Depois de um longo silêncio ele pergunta sem
me olhar.
— Estou bem. Só quero ir para casa. — Encaro a janela do seu carro e
suspiro ao ver os pequenos respingos de chuva cair no asfalto.
— Como você sai com alguém que não conhece? — Ele pergunta
calmo.
— Do mesmo jeito que estou agora no seu carro. — Digo firme.
Acho que a bebida que estava no meu sistema se foram com as
lágrimas. Não me sinto bêbada. Espero que amanhã eu também não sinta as
consequências do álcool.
Ele fica calado o resto do caminho, apenas apertando o volante com
suas mãos. Não sei como e nem em qual momento, mas adormeci. Acordo
nos braços de Pietro quando ele entra no meu quarto. Suspiro enquanto ele
me coloca na cama.
— Obrigada. Desculpe se te incomodei...
— Você nunca me incomoda. — Ele diz cansado. Viro-me para não ter
que ver seu rosto. Enrolo-me em formato fetal e suspiro.
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— Diga a sua namorada que já a entendi. Não quero mais saber de SMS
dela no meu celular. — Digo me lembrando de suas mensagens.
— Ela não é mais minha namorada, Mel. Você sabe disso. — Sinto a
cama afundar e sei que ele deitou comigo.
— Então eu acho que ela não está sabendo disso. — Digo ficando tensa
quando ele me puxa para seu peito.
Sua mão descansa em minha barriga e eu me lembro da nossa noite
juntos. Foi assim que acordei. Olhando para sua mão.
— Ela sabe disso. Desculpa se ela anda te incomodando. Vou falar com
ela. — Ele diz e sua respiração quente entra em contato com a pele do meu
pescoço me fazendo arrepiar.
— Ela não me incomoda. Na verdade, nunca me incomodou. — Digo
sincera. — A única coisa que me incomodava era ver vocês juntos. —
Confesso sentindo meu coração correr acelerado.
Ele me vira e eu encontro seus olhos castanhos. Sua boca suspira e eu
relaxo em seus braços.
— Isso não vai mais te incomodar. Acabou. É sério. — Ele afirma
enquanto enrola uma mecha do meu cabelo no seu dedo.
— Não vi você essa semana... — Divago e ele sorri.
— Tive que ir ao hospital. Meu pai estava com alguns problemas e
queria que eu estivesse lá para aprender como proceder diante disso. — Ele
revira os olhos quando fala.
— Eu senti sua falta, Pietro. — Digo e ele sorri como se estivesse
conquistado o mundo.
— Eu também, Mel. Demais, mesmo. — Ele me aperta mais em seus
braços e eu sorrio.
— Você ficou com esse cara, Mel? — Depois de um tempo só
abraçados ele pergunta.
— Não. — Digo e ele semicerra os olhos, sério. — A gente só se
beijou, mas não... — Paro de falar quando ele se afasta de mim e senta na
cama.
— Não sei o que estou fazendo. Deus! Você me disse que queria ele.
Não sei por que ainda penso em você, Melissa. — Ele se levanta e começa a
calçar os sapatos que eu nem tinha o visto tirar.
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— Pietro... Eu não o quero. Juro. — Digo me sentando e olhando para


ele.
— Então por que o beijou? — Questiona enquanto abre e fecha seus
punhos.
— Porque eu queria tirar você da cabeça. Kim disse na mensagem que
você estava com ela novamente. Porque eu vou pensar em você se voltou
com ela? Eu não posso, Pietro. — Digo sincera.
— Eu não sei, Mel. Eu estou vendo você beijando ele. Nesse momento.
— Ele diz com a voz sofrida e eu me aproximo dele.
— Você se lembra do que falei pelo celular? — Pergunto na frente dele.
Levanto minha cabeça e encaro seus olhos.
— Você disse que é apaixonada por mim... que me queria. Não foi
isso? — Ele pergunta me olhando. Seus olhos passam dos meus olhos para
minha boca enquanto eu umedeço meus lábios.
— Sim. Foi isso. E é verdade. Eu estou apaixonada, Pietro. Eu quero
você. Deus, eu quero demais. — Traço seu rosto com meus dedos e fecho os
olhos sentindo meu peito apertar. — E você Pietro? Você está? — Pergunto
quando abro meus olhos.
— Sim. Sim, eu quero você e sim, Melissa, eu estou apaixonado. Tanto
que só o pensamento de te perder para outro me destrói. — Ele passa a língua
pelos lábios e sorri triste. — O que estou falando? Você não é minha para eu
te perder. — Ele se afasta e começa a andar de um lado para o outro.
— Eu sou sua, Pietro. De ninguém mais. — Digo e paro em sua frente
de novo.
Quando seus olhos se conectam com os meus, sua boca está na minha.
Suas mãos estão no meu corpo e no meu cabelo. Eu estou nele e ele em mim.
Delicio-me sem pressa de seu lábio inferior e passo minha mão por seus
cabelos o trazendo para mim.
Levanto e passo minhas pernas por sua cintura enquanto Pietro me
segura pela bunda. Sua língua entra na minha boca e devagar fazemos nosso
ritmo de dança. Parece que tudo ao nosso redor se perdeu e ficou apenas nós
dois, eu e ele.
Melissa e Pietro.
Minha barriga se contorce de prazer e felicidade por ele está aqui e não

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com Kimberley. Por não ter voltado para ela. Deus, eu quero esse homem só
para mim.
— Mmm... Você é doce. — Pietro fala sorrindo. Reviro os olhos e ele
me coloca no colchão.
— Obrigada? — Pergunto e ele sorri enquanto me dá um selinho.
— De nada. — Diz e me beija de novo. Gargalho e empurro seu braço.
— Eu vou tomar banho e tomar um analgésico para que amanhã eu não
esteja sofrendo com dores de cabeça. — Digo e me levanto.
Pietro se deita na cama e fica me olhando pegar uma camisola com
calcinha e toalha. Vou para o banheiro e em pouco tempo tomo banho,
escovado os dentes e saio do banheiro vestida.
Olho para Pietro deitado na cama e sorrio ao vê-lo olhando minhas
molduras com fotos da minha família. Deito-me ao seu lado e ele os coloca
no lugar.
— Sua mãe é linda. — Ele fala e eu sorrio.
— Sim. Ela é. — Digo olhando para sua foto. Seus olhos verdes
azulados se sobressaem de seus cabelos castanhos e eu sorrio.
— Você é muito parecida com ela. Principalmente seus cabelos. — Diz
e eu reviro os olhos.
— Só não ganhei os olhos perfeitos. Connor foi o único. — Digo com
uma carranca.
— Os seus são lindos. Não precisa dos olhos daquele pé no saco. — Ele
diz e eu bato em seu braço.
— Hey! Ele é meu irmão. — Digo e ele me puxa para seus braços.
— Eu sei. Quero ver quando ele souber que peguei a irmã dele. — Ele
gargalha e eu me sento tentando ficar séria.
— Isso é algum tipo de troco que você quer dar em Connor por ficar
com Nicole? — Pergunto levantando a sobrancelha.
— É lógico que sim. Mas o melhor é estar com você, meu anjo. — Diz
sorrindo e me puxa novamente.
Depois de estarmos deitados e debaixo das cobertas olho para seu rosto
e me pergunto como vai ser... Será que manhã estaremos juntos? Quero dizer,
nós estamos juntos? Dúvidas rondam minha cabeça, mas não quero pensar na

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possibilidade de não está com ele. Deus, estou tão apaixonada por esse
homem.
— Eu sei o que está pensando. A gente vai dar um jeito, ok? Mas eu
não posso ficar sem você, Mel. Não posso. — Ele fala e roça seus lábios nos
meus. Derreto-me debaixo dele, mas ainda estou preocupada.
— E Kimberley? Ela não vai me deixar em paz, Pietro. — Digo
sentindo um balde de água fria em cima de mim.
— Lógico que vai. Eu já falei com ela, Mel. No dia que terminamos eu
expliquei e se ela ainda não entendeu eu explico de novo. Não importa. —
Ele me assegura e eu suspiro acenando.
— Agora dorme, anjo. Eu vou estar aqui quando acordar. Juro. — Ele
beija meus lábios e eu sorrio.
— Você também. Desculpe ter te acordado. — Digo bocejando.
— Não se desculpe. Se você não tivesse feito, nós não estaríamos aqui.
Juntos. — Ele explica e eu aceno confirmando.
Verdade.
Acordo com o som de dois celulares tocando e eu quero morrer agora
mesmo. Quando me viro vejo Pietro deitado tentando pegar o seu celular.
Depois que ele atende eu me levanto e vou atrás do meu.
— Alô?
— Nicole entrou em trabalho de parto.
— O que? Merda.
— Eu estou apavorado. Caralho. Estou com medo de perdê-la.
— Que merda de conversa é essa, Connor? Ela está ótima. Saudável e
nada além do nascimento da sua filha vai acontecer.
— Eu fui pesquisar no Google e apareceram várias coisas. Você vem
para cá, não é?
— Óbvio. Estou chegando. Deixa esse seu celular no lixo mais próximo
que estiver de você.
— Ok. Tudo bem. Tudo bem.
Desligo e olho para Pietro que está vestindo sua calça.
— Ela está bem? Mamãe ligou e disse que está vindo, mas ela não
soube falar ao certo como Nick está. — Ele fala rapidamente com o rosto
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apavorado.
— Ela está ótima. Não se preocupe. Agora vamos. — Digo e me visto
rapidamente.
Entro no carro e rezo para que o que falei para Pietro seja verdade.
Deus permita que sim!

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Capítulo Treze
Melissa

Encontro Connor sentado na sala de espera e corro até ele. No caminho


liguei para mamãe e papai, eles disseram que Connor já havia ligado e que
estariam no próximo voo para Seattle.
— Hey! Cheguei. — Digo e me sento ao seu lado. Ele olha para mim e
seus olhos estão repletos de medo. — Ela ainda está lá dentro, não é? —
Pergunto calma e ele acena.
— Ela acordou e a bolsa tinha se rompido. — Ele explica mexendo as
mãos no colo. — Nós viemos para cá, mas ela chorava tanto, ela se contorcia
e gritava. Melissa... eu estou apavorado. — Ele sussurra e eu sorrio.
— Olha... é normal ok? Você só está preocupado por que foi pesquisar
no Google. O parto é algo normal. Lógico que ela vai sentir dor, mas é uma
dor que nós mulheres nascemos já prontas para aguentar. Não sabemos ainda,
mas estamos prontas. — Digo e ele suspira relaxando na cadeira.
— Cadê Dylan? Não veio com você? — Ele pergunta e eu nego com a
cabeça.
— Não. Ele não dormiu em casa. — Digo e ele suspira.
— Eu já liguei então ele deve vir logo. — Ele fala e eu aceno. — Ele
deve ter dormido na casa da nova namorada dele.
— Que? Que namorada? — Pergunto confusa. Dylan é igual ao Connor
antes de Nicole. Não namora, apenas fica.
— Não sei quem é. Ele só deixou escapar isso. Que estava ficando
sério. — Meu irmão fala dando de ombros. Suspiro e deixo essa conversa de
lado. Depois converso com ele.

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— Papai e mamãe já estão estacionando. Passei na recepção e disseram


que daqui a pouco um médico vem falar alguma informação. — Pietro fala
quando chega e senta ao meu lado. Sorrio e concordo.
— O que está fazendo com minha irmã? — Connor pergunta franzino
as sobrancelhas.
— Hoje não, Connor. Depois conversamos sobre isso. — Pietro fala
com raiva.
— Eu espero mesmo. Pois se eu não estou ficando louco, ela estava
chorando há um tempo por causa da sua idiotice. — Connor fala com os
dentes apertados.
— Por favor... — começo a falar, mas a chegada dos pais de Pietro e
Nicole acaba me poupando de um discurso apaziguador.
— Como ela está? — O pai de Pietro pergunta com sua mãe nos braços.
— Não sabemos ainda. O médico vai vir daqui a pouco com
informações. — Connor responde se levantando.
— Ela está bem, meu amor. — Sr. Victor fala beijando a cabeça da
esposa. — Pietro. — Ele sorri alegre e Cláudia abraça seu filho.
— Estava com saudades, meu amor. — Ela sorri enquanto beija seu
rosto com carinho.
— Mãe... Até parece que não nos vimos ontem. — Ele diz sorrindo
enquanto ela bate em seu braço.
— Ingrato. — Ela resmunga fazendo careta e Pietro abraça seu pai.
— Não ligue para ela. Você sabe que ela está ficando velha. — Ele
sussurra no ouvido de Pietro e Cláudia lhe dá uma tapa no braço também.
Olho para meu irmão e sorrio quando o vejo relaxado rindo da família
de sua mulher.
— Familiares de Nicole Jones? — Um médico moreno e muito bonito
chama.
— Não me conformo de nossa menina ter mudado seu nome. — Victor
resmunga e Connor sorri.
— Ela não é mais uma menina. Ela é minha mulher. — Ele diz e dá
duas tapinhas no ombro do seu sogro.
— Besteira. — Victor se afasta com uma carranca.

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— Sou marido dela. — Connor estufa o peito para responder.


— Eu sei... — o médico sorri balançando a cabeça. Deve achar
engraçado o jeito ciumento do meu irmão. — Pois bem. Nicole está ótima e a
pequena Abby nasceu linda e muito saudável. — Ele diz e Connor acena
enquanto nós rimos alegres.
Suspiro, aliviada, por elas estarem bem. Não que eu pensasse que algo
ruim ocorreria, mas Connor me passou um pouco do seu medo. Ponto.
— Eu posso entrar? Quero ver as duas. — Connor fala sorrindo
também aliviado.
— Lógico. Elas estão no quarto 102. Podem seguir por esse corredor.
Só peço que se dividam em dois grupos. São muitas pessoas para entrarem de
uma vez. — ele explica e nós acenamos entendendo.
— Vá Connor. Quando você voltar os pais de Nick e Pietro entram. Eu
quero ser a última. — Digo e eles acenam confirmando.
— Obrigada. De verdade. — Ele sorri e eu o abraço.
Vejo-o desaparecer pelo corredor ao lado do médico e suspiro contente.
Nunca vi meu irmão tão feliz assim na vida. Tudo fruto da pequena Abby.
— E quem é essa menina linda? — Cláudia pergunta quando Pietro me
puxa para sentar.
— Sou irmã de Connor. Acho que no casamento não chegamos a
sermos apresentadas. — Digo sorrindo tensa. Não sei por que mais estou
nervosa. Ela conhecia e parecia gostar de Kimberley, não quero que ela seja
minha inimiga. Não.
— Oh... — ela olha para Pietro e ele acena confirmando. — Eu me
lembro de você, menina bonita. — Ela diz e acaricia meu rosto. — Meu filho
gosta de você. De verdade. — Ela fala piscando o olho e eu arregalo os olhos.
— Mãe! — Pietro a repreende e eu o olho. — Desculpa, Mel. Ela saca
tudo... — ele suspira e passa a mão no cabelo.
— Seja bem-vinda a família, Melissa. — Dr. Victor fala passando a
mão pela cabeça de Pietro.
— É... Obrigada? — Suspiro. — Desculpa é que nós não estamos
namorando. — Digo baixinho e Pietro suspira me olhando sério.
— Não, pai. Nós somos apenas amigos. — Ele diz cruzando os braços.
Ele está chateado?
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— Não tem problema. Você vai resolver isso em breve. — Ele dá


batidas no ombro de Pietro e sorri.
Quando me sento mais confortável Clara e Tyler entram pela porta.
Ainda me sinto estranha quando Clara está por perto. Depois do dia na casa
de Nicole, eu não tentei mais ser amiga dela. Para ser sincera, acho que isso
nunca vai acontecer.
— Mel... — Tyler para e encara eu e Pietro. Ele franze as sobrancelhas
e se aproxima. — Onde está Connor? — Ele pergunta.
— Ele entrou no quarto para ver Abby e Nicole. — Digo sorrindo. Olho
para Clara, mas ela está olhando Pietro.
— Você está bem? Tentamos chegar antes, mas minha mãe demorou a
chegar e ficar com Aaron. — Ela explica e segura sua mão.
— Estou bem, Clarinha. Só estou esperando Connor sair para entrar
com minha mãe e meu pai. — Ele diz e tenta sorrir para ela.
Sinto um incômodo na barriga ao o ver olhando para ela assim. Será
que ele ainda a ama? Será que ele ainda se sente atraído por ela? Não pode
ser.
— Mel? — Tyler me chama e eu desvio meus olhos. — Você está
pálida. Já comeu hoje? — Ele questiona e eu nego com a cabeça.
— Ainda não. Connor ligou assim que acordei. — Digo e me levanto.
— Mas vou agora. Obrigada. — Agradeço e olho para Pietro. — Você vem
comigo? — Pergunto olhando para seu rosto.
— Claro. Não comemos nada mesmo. — Ele diz e Tyler me olha
interrogativamente. Balanço a cabeça dizendo que conversamos depois.
— Você dormiu na casa de Melissa? — O pai de Pietro pergunta e eu
fecho meus olhos.
Clara e Tyler parecem confusos, mas não vou dar nenhuma explicação.
Eles não têm nada a ver com isso.
— Sim, pai. — Ele suspira e segura minha mão. — Nós voltamos daqui
a pouco. — Com isso viramos e saímos.
Entramos na lanchonete do hospital e me sento. Fazemos nossos
pedidos e esperamos em silêncio. Quando olho para ele seu rosto está
apertado.
— Por que não queria falar para eles? — Ele questiona.
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— Não é da conta de ninguém que dormimos juntos. — Digo e ele faz


um gesto de desdém.
— Você não queria que Tyler soubesse. Isso sim. — Ele fala e eu me
calo. Calo-me para olhar em seus olhos, para ver se ele está brincando.
— Não, Pietro. Eu não queria falar por que não é algo para espalhar. Só
isso. — Digo com raiva por ele pensar assim.
— E quando disse para papai que não estamos juntos? Foi para quê? —
Ele pergunta se apoiando nos cotovelos.
— Eu só falei a verdade. Você me pediu em namoro? Não. O que
queria que eu dissesse? — Pergunto e ele engole em seco.
— Para mim o que aconteceu ontem vale mais do que um rótulo
estúpido. Eu não sei o que eu queria que dissesse... talvez só um obrigado?
Eles aceitaram nosso relacionamento e... Melissa, eu não sei. — Ele divaga
suspirando e eu pego sua mão por cima da mesa.
— Nós estamos juntos, Pietro? Eu sou sua? Você é meu? — Pergunto e
ele segura minha cabeça entre as mãos.
— Sim, nós estamos juntos. Sim, você é minha e sim, eu sou seu, Mel.
— Ele afirma sério e me beija. Eu me derreto inteira virando uma poça de
líquida rosa.
Sua língua invade minha boca e se delícia com meus lábios. Quando
escutamos uma tosse nos afastamos. Ao olhar para o lado vejo Tyler e Clara
nos olhando.
Sorrio e os chamo para sentarem conosco.
— Vocês estão juntos? — Clara pergunta olhando para Pietro.
— Sim, Clarinha. Eu e Melissa estamos juntos. — Ele sorri por cima da
mesa e eu também.
Meu peito se enche de felicidade ao ouvi-lo dizer para outra pessoa que
não seja eu.
— Mas e Kimberley? Tudo bem, ela é uma vaca, mas... quero dizer...
Não importa. — Ela sorri e olha para mim. — Estou muito feliz. Muito
mesmo. — Ela fala e eu olho para Tyler.
Seus olhos ainda estão travados nos meus e eu suspiro.
— Eu também estou feliz. Você merece o melhor, Melissa. Sempre. —
Ele felicita e se vira para sua esposa. — Vou ao banheiro. — E sai. Eu sorrio
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tranquilizando quem precise.


O garçom chega com nossos pedidos e comemos em silêncio. Clara
pediu um café e comeu conosco. Tyler voltou depois de alguns minutos e
sentou com a gente também. Não parei para pensar em sua reação ao ter
certeza de que Pietro e eu estamos juntos. Na verdade, eu entendo, ele se
preocupa comigo. Antes eu inventava uma loucura na cabeça pensando que
eram ciúmes, mas não. É apenas proteção. Agora eu entendo.
Entro no quarto de Nicole e sorrio ao ver que Connor não saiu do
quarto. Depois que pegou Abby nos braços não quis mais sair. Até o seu
sogro quis botar ele para correr, mas Nicole o defendeu e ele ficou.
— Melissa... — Nicole chama e eu me aproximo para beijar o seu rosto.
— Como está? — Pergunto sorrindo e olhando para um pacotinho rosa
nos braços de Connor.
— Arruinada. — Ela fala e nós gargalhamos lembrando as minhas
lamentações sobre a faculdade. Depois do ataque, vou para perto do meu
irmão.
A primeira coisa que vejo me faz ficar ofegante. Merda.
Garota sortuda.
Seus olhos são azuis iguais de Connor e mamãe. Seu rosto está inchado
e vermelho, a fazendo parecer ainda mais indefesa. Seus cabelos são lisos,
cheios e castanhos como os de Nick.
— Garota! Você é muito linda. — Digo e enxugo uma lágrima que
desce por meu rosto. — Me dá ela um pouco? — Peço a Connor e ele olha
para Nick como se pedisse permissão.
— Lógico, meu amor. Dê ela a sua irmã. — Nick diz suavemente.
— Ok — ele diz e coloca Abby nos meus braços. — Cuidado... ela é
toda molinha. — Ele diz e eu sorrio de seu jeito de falar.
— Ok! — Seguro ela mais confortavelmente em meus braços.
Ela sorri preguiçosamente e eu mostro a Nicole e Connor. Eles sorriem
cúmplices e meu irmão beija os lábios de sua mulher. Sorrio ao vê-los tão
felizes. Abby se remexe nos meus braços e eu a olho sorrindo.
Seus olhos brilham e ela começa a chupar seu dedinho.
— Ela está com fome? — Pergunto e Nicole sorri.

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— Sim. Me passa ela, vou dar sua mamada. — Ela diz se sentando mais
ereta.
Coloco Abby em seus braços e me viro para olhar meu irmão.
— Só o que ela herdou de você foi os olhos. — Digo enquanto ele se
senta ao lado da cama.
— Sim. Quando olho para ela parece que estou olhando para um
espelho. Não sei dizer, mas é como se os olhos dela refletissem os meus. A
minha vida. Eu adoro. — Diz com um sorriso largo nos lábios e eu o olho
com simpatia.
Connor vai ser um pai incrível!
Sem dúvida alguma.
— Você vai comigo? — Pietro pergunta e eu me viro para vê-lo
encostado na porta do quarto.
Ele tinha entrado com seus pais e depois saiu. Entrei aqui e perdi a hora
do tempo. Sorrio e aceno.
— Eu já vou. — digo e me viro para Nicole. — Quando chegar em casa
estarei lá para te receber. — Aviso sorrindo. Nicole olha para nós dois e
depois sorri para Connor. Ele revira os olhos e se concentra em Abby.
— Vocês estão juntos? — Ela pergunta nos olhando atentamente.
— Sim. — Sorrimos ao falar ao mesmo tempo. — Sim. Nós estamos
juntos. — Digo e ela dá um gritinho de alegria.
— Estou tão feliz! — Ela fala e bate em Connor quando revira
novamente os olhos. — Deixe de ser ranzinza. — Ela resmunga.
Pietro sorri e me puxa pela mão para sairmos. Quando a porta se abre,
nossos sorrisos morrem e estancamos na porta, surpresos.
Seus olhos estão em nossas mãos juntas. Minha e de Pietro. Ele me
solta e dá um passo em sua direção enquanto ela dá um para trás.
— Kimberley...

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Capítulo Quatorze
Melissa

Ela olha para mim e sorri forçadamente. Depois muda seus olhos para
Nicole e agora sim, ela sorri de verdade. Kimberley passa por Pietro e vai
para perto de sua irmã que está amamentando Abby.
— É... Só trouxe uma lembrança para sua bebê, Nicole. — Ela diz e
olha para minha sobrinha com um sorriso nos lábios. — Parabéns! Ela é
linda.
Nicole sorrir, orgulhosa.
— Obrigada, Kim. Pelo presente e por vir me visitar. — Minha cunhada
fala sendo gentil.
Quando ela se vira para Pietro e eu, ela coloca o sorriso falso no rosto.
— Parabéns, Melissa. Você conseguiu. — Ela acena e eu engulo em
seco. Merda. — Eu preciso falar com você, Pietro. — Ela avisa ficando séria.
— Agora não. Vou deixar Melissa em casa. Outro dia te ligo. — Ele
fala calmo e ela sorri dando de ombros.
— Não importa. Eu tenho a vida toda para falar o que quero. — Diz e
se vira novamente para Nicole. — Fique com Deus, Nicole. — Depois disso,
ela sai e vai embora.
Respiro fundo e saio também. Ando ao lado de Pietro até o
estacionamento e juntos vamos embora. Eu entendo a raiva e até a decepção
de Kimberley por ver que nós dois estamos juntos. Não sei como, mas eu
entendo. Sinto-me mal por ela pensar que eu maquinei tudo isso. Que me
apaixonei e fiz Pietro se separar dela intencionalmente. Suspiro e olho para
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Pietro.
— Você vai conversar com ela? — Pergunto e olho pela janela. Não
quero que ele pense que sou uma neurótica ciumenta, mas ela é a ex dele.
Pelo amor de Deus.
— Vou. — ele diz e me olha. — Por quê? Você acha que eu não
deveria? — Questiona sereno enquanto alterna seu olhar do trânsito para
mim.
— Claro que sim. Vocês dois têm uma história. Só estava perguntando
por que... na verdade nem sei por quê. — Digo e ele segura minha mão na
sua.
— Não vai ser hoje e eu não sei quando vai ser, mas eu vou conversar
com ela. Eu preciso. Ela doou uma parte da vida dela ao meu lado e ela não é
uma pessoa má. — Reviro os olhos. — Não estou brincando, Mel. Ela não é
uma pessoa ruim, ela só viu você como uma ameaça para nosso namoro. —
Ele diz e eu concordo.
Claro que ela não é má. Só é um pouco desequilibrada. Só isso.
— Ok, tudo bem. — Sorrio e lhe dou um selinho. Depois disso ficamos
calados o resto do caminho.
— Seus pais já chegaram? — Ele pergunta enquanto estaciona o carro.
— Ainda não. Mas eles vão do aeroporto direto para o hospital. Mamãe
está eufórica por ter uma neta. — Digo e ele sorri acenando.
— Abby é a primeira, não é? — Ele pergunta quando saímos do carro e
entramos no hall.
— Sim. Há algum tempo atrás, Letícia, a mulher de Erick, estava com
suspeita, mas não era. — Digo e ele acena enquanto entramos no elevador.
Ao sairmos vemos Brandon trancando sua porta com Filip ou Filipe e
Walter.
— Hey gatinha. — Walter fala e eu balanço a cabeça o abraçando.
— Como vai? — Pergunto educadamente e seguro a mão de Pietro.
— Vou bem. Depois marcamos de sair todos outra vez. Vai ser mais
legal. Prometo.
— Vou pensar... — Digo me afastando. — Oi Brandon, oi Filip. —
Cumprimento e eles sorriem e acenam enquanto entram no elevador.

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Pietro entra na sala e bufando se senta no sofá. Suspirando entro na


cozinha e pego um copo de água. Volto para a sala e Pietro ainda está com a
cara amarrada.
— Pietro? O que foi? — Questiono cruzando os braços.
— Não é nada. Só estou com raiva por ele morar do outro lado. Ao lado
de você. — Diz calmamente e cruza as mãos atrás da cabeça.
— Que bom que ele mora ao lado. — Ele ergue a cabeça para me fitar.
— Ele é meu amigo. Ele conversou comigo e nós deixamos isso bem claro.
Não tem porque estar com ciúmes. — Digo e me sento em seu colo.
— Não estou com ciúmes... — ele para de falar quando vê minha cara.
— Ok eu estou, mas você quer o quê? Eu ouvi da sua boca que queria transar
com ele, Melissa. — Ele fala e eu respiro fundo.
Merda por que eu tinha que ter falado aquilo?
— Isso é passado. Eu não quero ninguém que não seja você, estamos
bem até aqui? — Questiono e ele respira fundo acenando.
— Tudo bem. — Diz e me coloca no sofá ao seu lado. — Agora tenho
que ir, Kevin ligou mais cedo dizendo precisar de mim. — Ele fala revirando
os olhos e eu sorrio.
— Ok hoje vou provavelmente jantar com meus pais, então a gente se
vê amanhã, tudo bem? — Pergunto. Pietro abraça meu corpo e o faz deitar no
sofá.
— Eu ainda tenho cinco minutos. — Ele sorri e cobre meus lábios com
os seus. Minha barriga dá cambalhotas quando sua mão desce por meu corpo.
Um pequeno gemido sai dos meus lábios e Pietro passa a me beijar
mais devagar. Calmo e sem esperar nada. O beijo do casal apaixonado que vi
no banheiro.
Eu tenho esse beijo.
Depois que ele vai embora me pego sorrindo boba. Não consigo
acreditar que ele está comigo. Que estamos juntos. Depois de quase um ano
sem nos tocar e sem nos olhar nos olhos por mais de dois segundos.
Vou para a cozinha e começo a preparar o almoço. É tarde, quase duas
horas, mas estou com fome e ainda não almocei. Faço uma salada e frito um
filé de frango. Aqueço o arroz que fiz ontem e como tudo junto.
Quando termino já passa das três. Tomo banho e visto uma roupa mais
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larga. Quero dormir. Agradeço pela ressaca não ter batido em minha porta
hoje. Ontem bebi tanto.
— Você viu aquela garota? Puta que pariu. — Dylan entra no meu
quarto com um sorriso gigante e eu retribuo.
— Linda, não é? E os olhos? — Pergunto e me sento na cadeira da
escrivaninha.
— Sortuda. — Ele suspira e senta na cama. — Nunca vi Connor tão
feliz. Ele nunca passa muito tempo sorrindo, mas quando a garota está no
lugar ele não consegue tirar. Eu achei fantástico. — ele fala super animado e
eu sorrio.
— Você quer ter filhos? — Não sei por que perguntei, mas agora que
fiz eu quero saber.
— Sim. Muitos. — Ele diz e seu sorriso fica enorme quando pensa em
algo. — Quero ter uma princesa primeiro depois quero um time de futebol.
— Ele fala sério e eu gargalho.
— Seu louco. Tenho pena da sua esposa então. — Digo rindo e seu
sorriso morre. Seu rosto se contrai e ele evita olhar para mim — O que está
acontecendo, Dylan? — Pergunto preocupada.
— Nada. Eu ainda não tenho uma possível esposa. — Ele mente e eu
suspiro não querendo prolongar sua mentira.
— Connor disse que está namorando. — Digo e ele arregala os olhos.
— Ele disse que não sabe quem ela é, mas eu queria que você me dissesse.
Eu sei que não somos os irmãos mais unidos e que gostam de conversar, mas
eu... eu... — desvio meus olhos dos dele e engulo em seco.
Ele não vai falar.
— Desculpa, Mel. A gente pode falar sobre isso depois? — Pergunta e
eu aceno confirmando.
Viro-me para meu computador e começo a ler as ideias que tive para
meu segundo livro. Agora estou mais confiante, acho que a faculdade me deu
mais força. Escuto Dylan bater à porta quando sai e eu respiro fundo e foco
minha atenção na tela a minha frente. Começo a digitar e devagar as palavras
dão vida a uma nova jornada e um novo mundo do qual somente eu farei
parte. Pelo menos por enquanto.

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Abro meus olhos e me concentro no céu límpido e cheios de estrelas.


Pergunto-me onde eu poderia estar. Será que alguém sentiria minha
falta se eu sumisse?
Será que eles lembrariam que existe uma pessoa no meio de toda a sua
confusão?
No meio de todas as suas decisões? Que existe uma adolescente de
quinze anos assistindo suas brigas dia e noite?
O piso abaixo de mim treme e eu me forço a sorrir. Ele veio. Ele
sempre vem.

Depois de uma hora escrevendo sobre Bianca e Cameron sorrio para as


palavras que agora fazem parte da vida deles. Cada palavra que escrevi é um
tijolo para construção de suas vidas.
Meu celular toca em algum lugar no quarto e eu corro para encontrá-lo.
Talvez seja mamãe ou Pietro. Meu sorriso se alarga quando vejo o nome de
Kyara.
— Hey!
— Oi. Como está a titia mais linda do Campus?
— Estou em êxtase. Ela é tão linda, Kya. Você vai amar olhar em seus
olhos.
— São azuis.
— Como você sabe?
— É... Eu deduzi. Connor é o pai dela, então é fácil... deduzi com você
falando assim também.
— É mesmo.
— O que vai fazer hoje?
— Vou jantar com meus pais. Por quê? Você queria sair?
— Ah. Só estou perguntando mesmo. Vim ver mamãe hoje.
— É... Como ela está?
— Ainda se nega a se tratar. Eu estou tão triste.
— Kya... Você sabe que te amo. Eu nunca vou te abandonar. Mas você
não acha que está na hora de deixá-la fazer suas próprias escolhas?
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— Melissa...
— Eu sei que ela é sua mãe. Mas ela ainda é uma pessoa, Kyara. Ela
deveria cuidar de você e não o contrário.
— É tudo culpa dele, Mel. Tudo.
— Eu sei. E eu o odeio por isso, mas você não pode cuidar dela. Você
tem que viver sua vida. Ela não quer ajuda, Kya. Quantas vezes a gente foi aí
para levá-la a reabilitação e ela não fez nada mais que te bater?
— Melissa, ela ainda é minha mãe.
— Eu só quero seu bem, meu amor. Somente isso. São suas escolhas
então eu só tenho que respeitar, mas não fazer parte. Eu abro mão, Kyara.
— Desculpa. Te envolvi nisso e nem sabia que te magoava tanto.
— Somente uma coisa me magoa, Kyara. É ver ela se desintegrar e te
levar junto. Eu não posso mais, ok?
— Eu te amo. Deus, tanto. Obrigada.
— Eu te amo, mais.
Depois de desligar o celular me pego olhando o teto do meu quarto.
Como uma mãe pode abandonar sua filha por um vício que a destrói? Por um
homem que nunca a amou e nunca vai amar? Penélope bebe e é manipulada
pelo marido de formas horríveis. Eu a detesto tanto. Eu a detesto por usar
minha amiga para conseguir tudo que quer.
Suspiro e recebo um SMS de mamãe.
Jantar às sete horas.
Te amo,
Mamãe.

Entro no restaurante e me pergunto o que diabos Dylan foi fazer que


não está aqui comigo. Filho da mãe. Suspiro e encontro meus pais sorrindo e
acenando para mim.
Os olhos verdes de meu pai se enchem de brilho quando me vê andar
em sua direção. Sorrio e me jogo em seus braços. Deus, eu estava com
saudades.
— Melissa... Como está? — Ele pergunta quando me solto de seu
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abraço.
— Estou ótima. — Sorrio e me viro para mamãe. — Mamãe... estava
com saudades. — Digo e ela me aperta com seus braços pequenos.
— Nós também. — Ela beija minha bochecha. — Vamos nos sentar. —
Diz e eu me sento ao seu lado.
— Vocês viram os olhos de Abby? — Pergunto e mamãe sorri
confirmando. — Que garota sortuda. — Digo e eles riem.
— Ela é tão linda. — Mamãe fala e eu aceno confirmando.
— Connor estava radiante. — Papai diz com um sussurro e eu respiro
fundo.
O relacionamento deles nunca foi o mais amistoso. Eu sei que papai
ama Connor e Erick como se fossem seus filhos, mas meus irmãos não veem
assim. Eles sempre foram arredios com uma possível relação com outra
figura paterna. Connor sempre foi o mais sofrido. Nunca soube o que de fato
aconteceu em sua infância e acho que nunca vou me arriscar para perguntar a
mamãe ou até mesmo a ele.
— Nunca vi meu filho tão feliz. — Mamãe fala sorrindo. — Nicole foi
um anjo que agradeço todos os dias por ter entrado na vida de Connor. — Ela
segura a mão de papai e ele suspira e acena.
— Com certeza. — Digo e o garçom chega para anotar nossos pedidos.
— Como está no emprego? — Papai pergunta enquanto corta sua
comida.
— Só tenho uma semana lá, mas eu já estou adorando. — Digo
sorrindo. — Vocês acreditam que lá tem uma sala secreta? — Pergunto e eles
sorriem negando. — Pois tem. Ainda não me deixaram entrar lá e eu também
não tive tempo, mas minha amiga disse que lá é tudo de bom. — Digo com
um sorriso enorme.
— Que bom, querida. Nós estamos muito orgulhosos de você. —
Mamãe fala e papai acena confirmando. Meu peito se enche de alegria ao
ouvir isso deles.
Eles são tudo para mim.
Entro no meu carro depois de me despedir dos meus pais em frente ao
restaurante. Eles acenam para mim e eu sorrio saindo do estacionamento. Em
menos de quinze minutos estou saindo do meu carro. Meu celular vibra e eu
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vejo que é um SMS de Pietro. Um sorriso puxa meus lábios e eu abro a


mensagem.
Estou com saudades... onde está?
P.
Dígito rapidamente uma resposta enquanto ando pelo estacionamento
do meu prédio.
Acabei de chegar à minha casa. Também estou com saudades...
M.
Continuo andando até ouvir uma risada familiar. Viro-me para enxergar
a pessoa que riu, mas o que vejo faz todos os pelos do meu corpo se
arrepiarem e meus olhos queimarem.
— Kya? — Quando digo seu nome seu sorriso some.
Ela se afasta do meu irmão como se ele fosse uma doença. Não acredito
que isso está acontecendo de novo.
— Por quê? — Pergunto e ela começa a chorar. Suas lágrimas se
acumulam por seu rosto, mas eu não consigo sentir pena dela. Eu me sinto
tão traída.
— Desculpa. — Sua voz se quebra.
— Quanto tempo? — Pergunto e ela começa a vir em minha direção.
— Melissa... — ela implora enquanto Dylan fica parado me olhando.
Ele também mente.
Ele sempre me engana.
— Não precisa se explicar. Você conseguiu, então... — digo e me sinto
fria. Por dentro e por fora.
Minha melhor amiga só se aproximou de mim para ter meu irmão.
Mais uma vez, a história se repete.

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Capítulo Quinze
Melissa

Seu corpo treme enquanto o choro sai de sua boca e lágrimas de seus
olhos. Eu não sinto nada. Estou parada olhando Dylan acalentar Kyara e não
consigo sentir dó da garota que dividi meus segredos, da garota que eu tinha
como minha melhor amiga. A verdade é que estou assustada, eu não consigo
acreditar que Kyara tenha feito isso comigo.
— Mel, me desculpa, mas não é isso que está pensando. — Ela fala e
começa a vir para mais perto de mim.
— O quê? O que eu estou pensando, Kyara? — Grito e Dylan vem para
meu lado.
— Melissa, você está sendo dramática. — Ele diz e eu lhe dou um
empurrão. Meu irmão me encara surpreso e eu o olho com raiva.
— Você não sabe de porra nenhuma. Você só pensa em si mesmo e
esquece que eu sempre estive aqui ao seu lado. — Continuo gritando e ele
tenta me tocar. Saio de perto dele e continuo falando.
— No ensino médio minha melhor amiga... Veja a coincidência. —
Sorrio para Kyara e ela soluça contra sua mão. — Ela me usou... ela se
aproximou de mim e disse que queria que fossemos amigas, eu fiquei em
êxtase, claro eu era sozinha naquela escola. Com o passar do tempo ela estava
perto de conseguir o que queria... ela só queria ficar com o irmão popular da
garota idiota que era sozinha em pleno ensino médio, da garota que não tinha
um amigo na escola. Um belo dia “eis” que ela consegue, depois disso ela
nunca mais falou comigo. Não, mentira, sim, ela falou. Ela disse que eu era
patética e que nunca gostou de mim. Me fez passar a maior vergonha da
minha vida na frente da escola inteira. — Sinto minhas lágrimas descerem e
as limpo. — Mas adivinha onde o meu irmão gêmeo estava? Fodendo ela. O
meu irmão, a pessoa que era para me proteger ficou com o demônio que me
fez fraca, que me fez temer amizades. — Digo e Dylan pisca os cílios
completamente chocado. O brilho de lágrimas lá me faz fazer careta. Sua mão
toca minha pele e eu me afasto novamente.

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— Mel, eu não sabia disso. Desculpa-me. — Ele pede e eu sorrio.


— Não me diga. Você não falou para ele, Kyara? Você não disse para
ele que assim que cheguei a faculdade encontrei várias garotas querendo
fazer o mesmo e que quando te conheci contei toda essa história para você?
Que contei, pois eu não queria que fosse igual a elas? — Pergunto a ela e ela
nega com a cabeça.
— Melissa, eu nunca me aproximei de você querendo Dylan. Por favor,
eu nunca faria isso. — Ela diz limpando suas lágrimas e se acalmando mais.
— Não? — Pergunto e ela balança a cabeça. — Então o que estava
fazendo com ele quando cheguei? Poupe-me, Kyara. Não fale mais comigo.
— Digo entre dentes e ela nega novamente.
— Mel... — Dylan começa e eu o interrompo.
— Sabe o que, Dylan? — Pergunto e ele nega. — Eu não vou mais
deixar ninguém me fazer fraca. Kyara não vai me fazer fraca. Se quiser ficar
com ela, o problema é seu. Mas eu não vou fazer parte disso. — Digo e
coloco minha bolsa em meu ombro.
— O que você está querendo dizer? — Ele pergunta me encarando.
— Só vou pegar minhas coisas. — Digo e me viro para entrar em casa.
— Não. Você não vai pegar nada. — Ele corre para me alcançar. —
Você não pode me abandonar. Não pode, Mel. — Ele grita.
— Você que me abandonou primeiro. Muitos anos atrás. — Respondo e
entro no hall do meu prédio.
Jogo-me em minha cama e pego meu celular para ligar para Connor.
Não tenho para onde ir. Eu sou sozinha nessa merda de vida. Minha melhor
amiga só queria meu irmão. Ela nunca gostou de mim. Dylan. Só por Dylan.
Por que tenho que passar por isso de novo?
— Alô.
Olho para meu celular e vejo que atendi a chamada de alguém. Merda.
— Alô.
— Por que não respondeu logo?
— Desculpa, Pietro. Eu não tinha visto.
— O que aconteceu?
— Briguei com Dylan. Eu vou embora de casa.
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— O que? Brigou por quê?


— Kyara. Eles estão namorando.
— Como assim?
— Eles namoram há meses pelas minhas costas. Eles esconderam de
mim o tempo todo.
— Mel... talvez ela só estivesse com medo da sua reação.
— Era para estar mesmo. Eu contei a ela do por que não fiz amizade
assim que cheguei aqui. Deus, eu disse todo o meu sofrimento causado por
uma garota que se dizia minha amiga, mas só queria ele. Sempre ele.
— Mel... eu sinto muito.
— Eu sempre fui sua sombra. Tudo era o Dylan, depois Melissa. Eu
odeio me importar com o fato de que eles estão juntos. Ela era minha amiga,
Pietro. Agora ela só é a namorada dele.
— Quem sabe vocês ainda são amigas, pequena? Conversa com ela.
— Eu não quero. E eu não vou mais olhar na cara dela.
— Você vai sair de casa mesmo?
— Vou. Vou arrumar minhas coisas agora.
— Você pode vir aqui para casa... digo, aqui tem dois quartos. Você
dorme em um e eu em outro.
— Obrigada. Mas não posso. Connor vai me matar se eu for para aí.
— Eu resolvo com ele. Não se preocupe. Atende a porta.
— O quê?
— Eu vim te ver.
— Meu Deus.
Abro a porta e ele está ali todo sorriso para mim. Merda, quero que
alguém me belisque. Esse cara é tudo de bom.
— Venha. Ainda vou arrumar minhas roupas. — Digo e ele entra.
Arrumo algumas das minhas roupas em uma mala e pego meus
produtos de higiene. Quando volto para o quarto vejo um porta-retratos com
uma foto minha e de Dylan. Seu sorriso é contagioso e eu passo os dedos por
seu rosto. Não acredito que o perdi mais uma vez. Não acredito que Kyara
tomou meu irmão de mim.

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Coloco nossa foto dentro da minha mala e a fecho. Sinto algumas


lágrimas descerem por meu rosto e eu as limpo.
— Vamos? — Pietro pergunta e eu sorrio acenando.
Pego meu notebook e saio arrastando minha mala. Olho para meu
quarto e meus olhos se enchem de lágrimas novamente. Deus, vou sentir falta
daqui.
Entro na sala quando a porta se abre e Dylan entra. Seus olhos vão para
Pietro e depois para minha mala.
— Coloque essa mala em cima do guarda-roupa, Melissa. Não vai sair
daqui para lugar nenhum. — Ele tenta ficar sério, mas sua voz se quebra no
meio das frases.
— Vou. Não quero ficar mais aqui, Dylan. — Falo e ele vem para
minha frente.
— Mel, para onde você vai? Nós só temos um ao outro e Connor. —
Ele diz e olha para Pietro. — Você nem pense em levar minha irmã para sua
casa. Ela não vai. — Ele diz com o maxilar tenso e eu o toco.
— Vou sim. — Digo e ele arregala os olhos. — É só por um tempo...
— Ok você vai, não é? — Ele pega seu telefone e eu me assusto. —
Quero ver você falar com essa precisão quando papai e Connor estiverem
aqui. — Ele diz e eu corro para pegar seu celular.
— Não faça isso. — Digo e ele sorri aliviado.
— Volte para seu quarto, Melissa. — Ele diz e eu suspiro. Merda.
— Cadê sua namorada? — Pergunto tentando mudar de assunto.
— Está em casa, mas Kyara não é minha namorada. — Ele fala e eu
dou de ombros.
— Não me importa. — Digo e suspiro. — Vou para casa de Connor.
Não vai ser para sempre. Eu só quero um tempo. — Digo e ele balança a
cabeça.
— Por que faz isso? Como vou ficar aqui sem você? Eu preciso de
você, Mel. — Ele fala e eu balanço a cabeça.
— Nem sempre é sobre você, Dy. Hoje é sobre mim. — Digo e lhe dou
um beijo na bochecha. — Eu te amo. — Digo e puxo a mão de Pietro.
— Okay. Vamos vou te deixar. — Ele diz e eu suspiro não querendo

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prolongar a conversa.
Talvez eu esteja sendo precipitada na decisão de sair de casa. Talvez,
mas eu sofri na primeira vez que isso aconteceu. Eu sofri demais e não
conseguia confiar em nenhuma garota que tentava se aproximar. As únicas
que deixei entrar depois de Renata foram Nicole e Megg, minha prima.
Assim que vi Nicole no dia que chegou para meu aniversário de dezoito
anos senti que podia confiar nela. Pela primeira vez eu não tive receio de
deixar uma garota se aproximar de mim. Até porque ela já namorava Connor,
mas não foi somente por isso. A verdade é que Nick é uma pessoa tão
iluminada, a confiança que ela tem em si mesma me fez ter confiança nela. Já
Megg é minha prima, fomos criadas juntas. Nascemos amigas. Mesmo ela
sendo uma louca, sinto falta dela.
Entro na casa de Connor e ele arregala os olhos quando vê minha mala.
Pietro foi para casa depois de me fazer prometer lhe ligar caso algo aconteça.
— O que você fez, Dylan? — Ele pergunta se levantando e vindo em
minha direção.
— A gente pode falar sobre isso amanhã? — Ele suspira e acena. — Eu
posso ficar um tempo aqui? — Pergunto olhando para minhas mãos.
— Lógico que pode. Essa casa é sua também. — Ele diz. — Fique no
quarto de hóspedes. Ele é ao lado do de Abby. — Ele diz e eu aceno e subo
as escadas.
Entro no quarto e me sento na cama. Olho para a decoração e sorrio
admirando o trabalho de Nicole. Tenho certeza que se ela não fosse
fisioterapeuta, seria decoradora. Sim, ela seria.
Deito-me na cama e com pouco tempo depois adormeço.
Acordo com o barulho de batidas na porta. Abro meus olhos devagar e
os arregalo quando vejo que não estou em meu quarto. Depois de um tempo
suspiro e lembro que estou na casa de Connor.
— Já estou indo. — Grito e abro a porta. Hilary sorrir e beija minha
bochecha.
— Hey! O que aconteceu para vir morar aqui? — Ela pergunta
enquanto se joga na “minha” cama.
— Quem te avisou sobre eu morar aqui? — Pergunto estranhando e me
sento na cadeira de frente para ela.

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— Fui à sua casa e Dylan falou. — Diz dando de ombros. Suspiro.


— Briguei com ele. — Digo e ela se senta franzino as sobrancelhas —
Ele namora Kyara. — Digo e ela engole em seco. Talvez ela soubesse de
algo. Não. Claro que não.
— Co... Como? — Ela me questiona.
— Eles namoram nas minhas costas. Eu os flagrei se pegando no
estacionamento do prédio. Foi horrível. Como eles puderam esconder isso de
mim? — Pergunto lembrando-me deles juntos.
— Eu desconfiava... — eu arregalo os olhos surpresa. — Sim, eu
percebia. Quando comecei a andar com vocês ela sempre dava piti quando eu
dizia que tinha saído com ele. Essas coisas..., mas nunca tive certeza. Eu não
podia falar algo que eu não tinha certeza. — Diz apressadamente e eu fecho
os olhos. Merda. Como não percebi? Kyara sempre ficava em alerta. Ciúmes.
Sempre foram ciúmes.
— Okay. Não quero mais falar sobre eles. — Digo e ela acena. —
Então... O que veio fazer aqui?
— Obrigada pela gentileza, Melissa. — Ela fala revirando os olhos.
— Desculpa. Você entendeu o que eu quis dizer. — Digo e Hilary sorri
balançando a cabeça.
— Sim. E o que vim fazer aqui foi... — ela tem um sorriso enorme no
rosto e eu me sento melhor para olhar seu rosto. — Vamos ver a sala secreta.
— Ela mostra a chave do café e eu sorrio.
— Mas já está tarde, louca. — Falo olhando para o relógio, que marca
meia-noite.
— Isso não é um problema, Mel. — Eu balanço a cabeça. Levanto da
cadeira e pego meu casaco e minhas chaves.
— Okay! Vamos lá. — Digo e ela sorri batendo palmas. — La é bom
para escrever? — Pergunto de repente e paro. Merda.
— Por quê? Você escreve? — Ela pergunta feliz.
— Mais ou menos. — Digo arredia. Ninguém nunca leu nada escrito
por mim. Ainda não me sinto segura para mostrar.
— Ok... Sim. Lá é ótimo para ler e escrever. — Responde e se levanta
da cama. Pego meu notebook para caso eu for escrever algo.
Saímos de casa sem Connor me ver, mas o avisei por mensagem. Não
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quero que ele fique preocupado. Ele deve estar dormindo já que a mãe de
Nicole ficou com ela no hospital.
Entramos no café e me arrepio inteira. Tudo está escuro, parece até
cena de filme. Para de pensar besteiras, Melissa. Suspiro quando Hilary
acende a luz. Tudo do mesmo jeito que deixei quando sai daqui há dois dias,
na sexta.
— Vem! — Ela chama e eu a acompanho. — Você vai adorar. Lá é
legal e bem calmo.
Entramos em uma sala e eu quase desmaio. Merda. Um sorriso enorme
chega a meu rosto e Hil concorda com um aceno.
O espaço tem livros do teto ao chão em prateleiras que ficam em todas
as paredes. No meio da sala tem pufes redondos, quadrados, baixos e altos.
Tem um sofá-cama e eu me jogo nele. Deus, que lugar perfeito. Quero fazer
um espaço na minha casa desse jeito. Do mesmo jeito.
— Vamos escrever?! — Hilary pergunta e afirma. Ela tira um notebook
da bolsa e se senta em um pufe. Minha boca está tão aberta que não sei se sou
capaz de fechá-la.
— Você também escreve?
— De vez em quando. — Ela fala dando de ombros.
Nos esquecemos e focamos em nossos notebooks e em nossas histórias.

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Capítulo Dezesseis
Melissa

Mamãe me olha e suspira, como se adoece me olhar. Como se só minha


visão fosse capaz de fazê-la mal.
Seus olhos estão com bolsas negras e seus cabelos desgrenhados. Sua
pele está seca e os brilhos que seus olhos refletiam não existem mais.
Sinto sua dor, eu estou me sobrecarregando com a sua e com a minha.
Ela não sabe o quanto estou me sentindo abandonada e sozinha.
O quanto ele magoou não só a ela, mas a mim também. Ele me deixou
aqui para viver e olhar em seus olhos o ódio que sente por mim, todos os
dias, desde que me deixou.
Papai foi embora. Faz uma semana que ele saiu pela porta da sala e
me esqueceu. Faz uma semana que eu fico olhando pela minha janela o
espero voltar.
Faz uma semana que minha mãe me olha como se quisesse me matar.
Como se eu fosse a culpada de tudo. E talvez eu seja. Eu não sei.
Não entendo seu ódio para comigo. Eu sou sua filha, por que ela não
me ama? Porque ela não me dá carinho e estabilidade como os pais de
Anna?
Eu estou começando a odiá-la também, mas estou me sentindo mal. Eu
não deveria ter esse sentimento por ela.
Nós duas deveríamos nos amar antes de qualquer outra pessoa. Mas
minha mãe, não. Minha mãe ama meu pai, antes de todos, inclusive antes de
mim.
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Ainda sou uma adolescente, mas sei que isso não é saudável. Sei que
amar é um sentimento puro e sincero, e o que ela sente é obsessão. E isso é
uma doença.
Minha mãe é doente.
Suspiro quando coloco os pensamentos de Bianca no livro. Sinto sua
dor e ela chega a quase me sufocar. Tenho dó dela, mas antes de tudo odeio
sua mãe. Eu odeio o quanto àquela mulher a faz sofrer. Odeio o quanto um
amor doentio pode fazer mal não só a pessoa que o carrega, mas também
quem está a seu redor.
— Você escreve sobre o que? — Hilary pergunta enquanto entramos
em meu carro para ir para casa.
Ela dormirá comigo hoje. Até porque está tarde para ela voltar sozinha
para o Campus.
— Romance. — Ela sorri e revira os olhos. — Hey! É legal. E você
sobre o que escreve? — Pergunto e ela coloca um sorriso enorme no rosto.
Hoje ela está bem sorridente.
— Terror histórico. — Ela sorri arqueando a sobrancelha e eu balanço a
cabeça. — Quê? É legal. — Ela imita minha voz e eu a dou um empurrão.
— Tenho medo. Nunca li nada perto de terror. — Digo e só o
pensamento me faz estremecer. Hilary gargalha e eu me junto a ela.
— Ok... Quando terminarmos nós duas trocamos de livros e vamos ler
os gêneros que menos gostamos. — Ela fala e me dá a mão para apertar.
— Acho que irei me arrepender... — Dou a mão e as apertamos
enquanto gargalhamos.
Essa leitura vai ser verdadeiramente histórica.

— Melissa! Segure a cabeça dela. — Nicole fala mais uma vez


enquanto entramos em casa.
Hoje fomos buscar ela e Abby no hospital. Estou morando na sua casa
há três dias. Dylan fica aqui o tempo inteiro, então, ainda não tenho espaço
para sentir saudades dele. Ele e Connor não tocaram mais no assunto e Nicole
ainda não sabe o porquê. Meu irmão só falou que estou passando um tempo
aqui e que conversaremos quando, ela e Abby chegassem em casa. Então de
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hoje não passa.


Coloco Abby em seu berço e acaricio sua mãozinha pequena. Deus, ela
é tão linda. Perco-me na suavidade de sua pele e em seus olhos fechados
pacificamente. Abby quebrará tantos corações. Sorrio com o pensamento.
— Está rindo de quê? — Nicole pergunta enquanto se senta na poltrona
ao lado do berço de Abby.
— Do quanto sua filha vai quebrar muitos corações por aí quando
crescer. — Digo e ela balança a cabeça rindo.
— Não fale isso para Connor. Ele vai enlouquecer. — Diz rindo e eu
me junto a ela.
— Não direi. Juro. — prometo cruzando os dedos.
— Acho que Clara vem aqui. Tyler ligou para Connor e avisou. — ela
fala me olhando e eu engulo em seco.
Tyler.
Meus pensamentos voam de encontro a ele e eu suspiro. Tyler nunca foi
para mim, hoje eu sei disso.
— Que bom, então... vou para meu quarto. — começo e ela nega com a
cabeça. — O quê? — Pergunto relaxando os ombros.
— Precisamos conversar, Mel. — Ela suaviza a voz e eu suspiro.
Merda.
— Eu sei. — Olho em seus olhos e me sento na cadeira a sua frente.
— O que aconteceu, Melissa? — Pergunta e eu desvio meus olhos dela.
Não sei o que está acontecendo mais agora me bateu uma vergonha de
falar o porquê sai de casa. Vergonha de ter deixado meu irmão sozinho por
meus medos.
— Dylan e Kyara estão namorando. — Digo e olho para Nicole.
— Sério? — Ela arregala os olhos e eu aceno confirmando. — Okay.
Tudo bem. Mas qual é o problema de eles estarem namorando? — Ela
questiona.
— Eu descobri por acaso. Eles namoravam escondidos de mim. —
Digo e respiro fundo. — Algum tempo atrás uma garota se aproximou de
mim e nos tornamos amigas. Depois de um tempo descobri por ela, que só
era minha amiga para ficar com Dylan. Ela falou na frente das suas amigas

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que nunca seria amiga de alguém solitário como eu. A partir desse dia eu não
confiei mais em nenhuma garota, Nicole. Eu me transformei em algo mais
solitário ainda por medo de todas elas só quererem ficar com meus irmãos. —
Digo e afasto uma lágrima que desceu pelo meu rosto. Falar faz a dor doer
mais ainda. Eu me sinto sufocada.
— Oh, minha querida. — Nicole se levanta e me embala em seus
braços. — Eu sinto muito. — Ela diz e eu continuo limpando meu rosto.
— Quando cheguei aqui eu disse para mim mesma que iria ser
diferente. Que eu tentaria dar chances para as garotas que se aproximassem
de mim. As primeiras eram sempre como Renata. Todas elas queriam Dylan
ou Connor. — Ela se afasta e me olha com uma carranca. — Pois é. Até
Connor que já estava com você elas queriam. Depois de algumas semanas,
conheci Kyara. Ela era tão divertida e eu queria ser amiga dela. Então resolvi
dar uma chance. Eu contei tudo isso para ela. Eu disse que temia amizades e
etc... Ela disse olhando em meus olhos que nunca faria isso. Que ela é minha
melhor amiga... — Sorrio triste. — Eu a peguei com Dylan no
estacionamento do nosso prédio há três dias. Ela me jurou que não era a
intenção dela, mas como posso confiar em suas palavras se ela me escondeu
esse namoro todo esse tempo? Se ela tivesse me falado. Se ela tivesse
conversado comigo, eu... eu não sei se seria diferente, mas eu gostaria que
tivesse ocorrido assim. — Digo sentindo meu peito apertar.
Eu estou com saudades de Kyara. Eu sinto tanto a sua falta.
— Eu sei que você queria que tivesse sido assim, mas não foi, Mel. —
Ela acaricia meus cabelos enquanto fala. — A paixão não é algo que
escolhemos, Melissa. Ela é forte e nos consome. Eu acho que Kyara se
apaixonou por Dylan e ele por ela, e também acho que não foi com a intenção
de te magoar. Eu me apaixonei por seu irmão de repente. Foi tão rápido e tão
intenso e mesmo que tivesse alguém para nos impedir, não conseguiriam
porque o amor é assim. Ele derruba as barreiras e vence qualquer obstáculo.
— ela suspira e eu me lembro de Pietro.
Eu me apaixonei por ele tão de repente. Enquanto eu pensava ainda
amar Tyler, eu estava me escondendo dos meus verdadeiros sentimentos.
Estava me escondendo da paixão que sinto por Pietro.
— Você acha que eu devo ir atrás dela? — pergunto mordendo meu
lábio inferior.

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— Sim. Eu acho. Ela continua sendo sua melhor amiga. Mesmo com
Dylan como namorado, Kyara sempre vai ser sua amiga. — Suas palavras
sábias entram em meu coração.
— Obrigada. — Digo e a abraço apertado.
— Agora vamos descer um pouco? Quero saber como foi sua noite com
meu irmão. — Ela fala e eu arregalo os olhos.
— Connor seu fofoqueiro! — Xingo ele enquanto descemos a escada,
devagar por causa de Nicole.
— Você o esfregou na cara de todo mundo, Melissa. Queria que eu não
dissesse a minha mulher? — Ele pergunta sentado no sofá ao lado de Dylan.
— Meu Deus! Eu amo quando você me chama assim. — Nicole fala e
beija sua bochecha.
Sorrio e Dylan revira os olhos. Chato. Meu gêmeo se levanta e fica
passando seu peso de um lado para o outro. Acho que ele está nervoso.
— Mel... — Ele suspira e passa a mão pelo cabelo. Com certeza ele está
nervoso. Os homens Jones sempre quando estão nervosos passam a mão pelo
cabelo repetidamente.
— Dylan, não. — Connor fala e eu não entendo o que está acontecendo.
— Não o quê? — pergunto olhando para Connor.
— É que Dylan quer que volte para casa. Ainda não é hora, então, não
Dylan. Não vá pedir isso a ela. — Meu irmão do meio me diz e eu arfo.
— Eu estou sentindo falta dela, porra. Ela não se encaixa aqui. Aqui é a
casa de vocês. Eu e Mel nos completamos. Nós somos gêmeos. — Ele
explica como se isso fosse a coisa mais difícil de nós, Connor, Nicole e eu
entendermos.
Eu sorrio. De verdade, eu sorrio, porque ele parece um peixe fora
d'água. Ele está nervoso e parece até um pouco desesperado.
— Eu vou. — digo e eles me olham com os olhos arregalados. Eu quero
voltar para casa, como ele falou, meu lugar é lá. Ao lado dele.
— Você vai? — Dylan pergunta e eu suspiro. — Vai mesmo, né? Tipo
você vai pegar suas coisas e nós vamos para casa. — Ele fala balançando as
mãos.
— Sim. Mas antes eu queria que você me levasse para um lugar. —
Digo e ele sorri. Nicole pisca para mim e eu sorrio aliviada. Tenho que
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consertar a merda com Kyara.


— Okay. Onde quer ir? — Ele pergunta e anda até mim.
— Primeiro no meu quarto. Quero conversar com você. — Digo e ele
engole em seco.
— Tudo bem. — Ele se vira para Connor e Nicole. — Nós voltamos
daqui a pouco. — Diz e me puxa pela mão para subir a escada.
Entramos em meu quarto e eu me sento na cama e peço para ele se
sentar ao meu lado. Sua mão está suando e eu a aperto querendo passar calma
para ele.
— Você gosta de Kyara? Digo... — eu suspiro. — De verdade? Tipo
para namorar? — pergunto e ele se vira para frente olhando para o guarda-
roupa.
— Sim. Eu a adoro. — Ele suspira e pega minha mão. — Mas eu já
conversei com ela. Você pode ficar tranquila, nós não vamos mais nos ver. —
quando ele diz isso eu me levanto assustada e balanço a cabeça.
— Não. Lógico que não. Você pode namorar quem quiser e... — Mordo
meu lábio inferior. — Kyara precisa de você. Não sei se ela já falou sobre a
família dela com você. Mas Kya está quebrada, Dy. Ela precisa tanto da
gente. — digo sentindo meu coração doer. Dylan tem um rosto preocupado.
— Como assim quebrada? — Ele pergunta e eu balanço a cabeça.
Merda falei demais.
— Só ela pode falar isso para você. Eu não tenho o direito. — Falo
enquanto ele acena me olha preocupado.
Depois de um tempo, calados, ele quebra o silêncio.
— Você tem certeza que... que eu e ela? Digo... te incomoda? Porque se
sim, eu não vou ficar com ela. Não mesmo. — Ele diz com uma certeza e eu
sorrio o confortando.
— Com certeza. Podem namorar e até me dar um sobrinho. Eu vou
adorar. — Digo e ele gargalha.
— Sem sobrinhos. — Ele ri e me puxa para seus braços.
— Como vocês começaram a ficar? E por que esconderam de mim? Faz
quanto tempo? — O bombardeio de perguntas e ele se senta novamente.
— Quando a vi a primeira vez, não sabia que ela era sua amiga. — Ele
sorri lembrando-se do momento. — Estávamos em um bar e ficamos apenas
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conversando. Depois de um tempo eu a conheci por você. Ela sempre ficava


nervosa quando eu chegava e sempre fugia de mim. Um dia eu a pressionei e
ficamos pela primeira vez. Depois disso sempre ficávamos. Um dia eu exigi
saber por que ela nunca quis que você nos visse juntos. Ela me disse que não
queria e não iria falar. Sempre era isso. Eu tinha raiva dela por isso. Eu ficava
com ódio e descontava ficando com outras na frente dela. Numa das vezes
que fiz isso ela enlouqueceu e começou a me bater e empurrou a garota. Eu a
confrontei novamente e ele me disse que iria te magoar. Eu não conseguia
entender, mas ela só me pediu para não fazer mais isso, não ficar mais com
outras garotas e que eu tivesse paciência que ela iria contar para você. Eu
esperei. Ela sempre desistia. Sempre. Até o dia que você pegou nós dois.
Quando fui deixá-la em casa ela chorava e dizia que era culpa dela. Eu estava
tão aéreo que não desmenti. Eu a deixei pensando que era culpa dela. — Ele
suspira e eu limpo uma lágrima que desceu por meu olho.
Meu coração está doendo por Kya. Deus, eu sou tão injusta. Como fiz
minha amiga passar por isso, como não deixei minha melhor amiga me
explicar a situação?
— Eu sinto muito. Eu deveria ter escutado ela. — Digo com um caroço
na garganta.
— Me desculpe. Por tudo, Melissa. Pela dor que causei em você no
ensino médio e por sempre pensar em mim e não em você. Desculpa-me. —
Ele fala e eu o abraço.
Deus, eu o amo tanto!
— Está desculpado. Eu até já esqueci tudo. — Digo e beijo sua
bochecha. — Nós podemos agora ir pegar sua namorada? — Pergunto e ele
sorri alegre.
Deus permita que ela ainda seja minha amiga.

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Capítulo Dezessete
Melissa

Dylan bate na porta do quarto de Kyara e eu espero ela atender roendo


as unhas. Ainda me sinto estranha, eu sinto como se ela não fosse me
desculpar e isso é tão idiota, pois ela que escondeu as coisas de mim. Foi ela
que mentiu, não eu. Quando a porta se abre eu perco o ar. Meu Deus!
Seus cabelos estão desgrenhados, seus olhos fundos e seu hálito é
cerveja pura. Penélope está pior do que a última vez que a vi. Vejo a raiva em
seus olhos e levanto a cabeça.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto dando um passo para
entrar no quarto.
— Eu que faço essa pergunta. Eu já disse isso para você, Melissa. Se
afaste dela. Você a deixa mal. — Penélope fala me fuzilando com os olhos.
Nós nunca tivemos uma relação tolerável, eu a detesto e ela também.
Tudo começou quando fui com Kyara tentar fazê-la se internar, Penélope
enlouqueceu e disse que eu era má influência para sua filha.
— Ninguém além de você mesma a deixa mal, Penélope. Você é a pior
coisa que Deus colocou na vida da sua própria filha. — Digo e a empurro
entrando no quarto.
Vejo Kyara sair do quarto dela e entrar na sala. Seus braços estão
arranhados e eu corro para seu lado.
— O que ela fez? — Pergunto e Kya treme com meu toque.
Seus olhos estão neutros e é isso que me dá medo. É a entrega dela. Ela
se entrega por inteira para os abusos da mãe.
Ela nunca luta.
— Você está aqui. — Ela fala e toca meus braços. — Eu senti sua falta.
— Kyara fala e eu a abraço.
Deus, eu também senti.
— Kyara mande essa cachorra embora e pegue logo o que pedi a você.
— Penélope fala com autoridade e eu tenho vontade de dar nela. Desde
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quando ela tem moral para falar desse jeito?


Vaca egoísta.
— Não a chame assim! — Kya grita se desvencilhando de mim.
— Deixe de ser estúpida. Eu quero meu dinheiro. — Ela suspira e
aperta as mãos. — Ele está me pedindo, Kya. Ele vai me deixar se eu não der
a ele. — A mãe de Kyara começa a chorar e a olha como se estivesse
implorando.
Penélope mudou totalmente sua postura. A raiva que fluía dela não
existe mais. Agora eu só vejo uma pobre mulher que não tem amor-próprio e
nem pela filha.
— Kyara... — a chamo e Penélope me olha implorando para eu não
fazer o que vou. Mas eu faço. Ela sabe que sempre faço.
— Não dê nada a ela. Você só vai estar alimentando sua doença. Você
só vai deixá-la pior...
— Cale sua boca. Ela sabe que eu não posso perder ele. Ela sabe. —
Penélope grita e chora ao mesmo tempo.
— Penélope, você pode. Ele não gosta de você. Ele só te usa para
conseguir dinheiro. Todas às vezes são assim. — Quando término de falar ela
corre e me derruba no chão.
Suas mãos tentam me acertar, mas antes que ela faça outro movimento
Dylan entra e a tira de cima de mim.
— Não toque na minha irmã. — Ele grita e Kyara começa a chorar.
— Ele gosta de mim. Filha? Seu pai gosta de mim. Eu tenho certeza.
Ela não sabe do que está falando. — Penélope continua implorando e
chorando ao mesmo tempo.
— Mãe... Vamos lá. Deixa eu te levar para o tio Zac? — Kyara limpa as
lágrimas e se aproxima da sua mãe.
— Eu não sou doente, Kyara! — Ela grita e depois empurra sua própria
filha, a deixando cair no chão.
— Não toque nela, porra! — Dylan ajuda Kyara a se levantar e a
abraça.
— Mãe... Vamos lá. — Kyara sai dos braços de Dylan e se aproxima de
novo.

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— Não. Eu odeio você, Kyara. Odeio o quanto você é uma filha ingrata.
— Ela dá um passo à frente e dá um tapa no rosto de Kyara.
— Kyara! — Grito e a tiro de perto de sua mãe.
O pior de tudo é que minha amiga não se afasta. É como se ela quisesse
se penalizar. É como se fosse seu castigo. Ele permite que a mãe a faça
sofrer.
— Saia daqui. Agora, porra! — Dylan fala pausadamente andando na
direção de Penélope.
Ela sai sem olhar para trás. Ela sai e leva com ela mais um pedaço da
minha melhor amiga. Todas às vezes ela leva mais um pedaço de Kyara com
ela.
— Kyara? Você está bem? — Pergunto e ela me abraça chorando.
Nos sentamos no sofá e eu a embalo nos meus braços. Meus olhos se
enchem de lágrimas olhando para seus braços com marcas das unhas de
Penélope.
Deus, eu a odeio tanto.
— Está tudo bem. — Ela sai dos meus braços e olha para Dylan que
está do outro lado do cômodo com os braços cruzados e sua mandíbula
apertada.
— Dylan... — ela se levanta e vai para sua frente. — Eu... me desculpa
não ter contado nada antes. — Ela fala e limpa as lágrimas.
— Não precisa pedir desculpas. — Ele suspira e coloca as mãos nos
bolsos. — Você sempre foi boa em esconder as coisas de mim. Eu sou um
idiota. — Diz e se vira para me olhar. — Vou te esperar no carro. — ele diz e
se vira.
— Me perdoa. Amor... por favor. Eu só não podia deixar que ela ou ele
quisesse me afastar de você. — Ela dá um passo à frente e sussurra como se
estivesse compartilhando um segredo. — Dylan... Eu te amo. — Ela chora e
continua andando atrás dele.
— Eu também te amo, Kyara. — Ele suspira e olha em seus olhos. —
Eu só não consigo entender como você faz isso. Como você deixou ela te
bater. Responda-me. — Ele fala e ela suspira e chega mais perto dele.
— Ela é minha mãe, Dylan. — Ela fala em forma de súplica.
— Não. Nenhuma mãe faria isso com sua própria filha. — Ele grita e
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eu me encolho.
Por mais estúpido que possa ser, ele está certo. Nenhuma mãe de
verdade faria seu filho sofrer a base de tapas.
— Ela está doente, Dylan. Ele é o culpado de tudo. Meu pai a usa. —
Ela fala e ele suspira.
— Tudo bem. Vamos conversar sobre isso depois, ok? — Ele diz e
acena para mim. — Melissa quer falar com você. Depois nós vamos deixá-la
e voltar. — Ela acena e ele sai deixando nós duas sozinhas.
Depois de um tempo, caladas eu a olho. Seus olhos estão focados na
porta e eu suspiro.
— Eu vim aqui para me desculpar, Kyara. Conversei com Nicole e ela
me fez enxergar que talvez não fosse sua intenção me magoar. Eu vim aqui
para ter certeza de que eu fiz uma escolha ruim. De que me afastar de você
foi horrível. Eu só quero que me fale. — eu digo olhando para seus olhos.
Ela sorri e pega minhas mãos na sua. Kyara pega uma mecha do meu
cabelo e fica o enrolando.
— Sabe, Miles…. Quando conheci Dylan eu o odiei. — Ela sorri
recordando. — Você acredita que ele estava conversando comigo em um
minuto e no outro estava atracado com outra garota? Eu o detestei. — Ela diz
e eu sorrio imaginando.
— Depois disso nos tornamos amigas e eu o conheci como seu irmão.
Depois que você me falou toda a sua história com a garota, Renata. Eu não
queria magoar você. Mas eu não consegui resistir a ele. Ele foi insistente. Ele
ainda é. Eu me apaixonei por ele, Mel, e isso foi tão surreal. Eu nunca gostei
de nenhum garoto, com Dylan foi tudo tão repentino, eu senti aquele
sentimento tomar conta de mim sempre que nos aproximarmos. O ciúme
doentio que sinto dele com as outras garotas... eu juro que não queria te
magoar, mas eu não consegui evitar. Eu não consegui evitar me apaixonar
por ele. — Ela fala e limpa as lágrimas de suas bochechas.
— Eu sei. Agora eu sei. — Digo e a puxo para um abraço. — Eu super
apoio vocês dois. Dylan também te ama, Kyara. Ele é louco por você. — Falo
e ela sorri de orelha a orelha.
— Me desculpe por mamãe. Ela estava bêbada. Ele a pediu dinheiro e
ela não tinha, por isso veio me pedir. — Ela diz e suspira.
— Você já pensou em interná-la, Kyara? — Pergunto e ela acena
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confirmando.
— Eu conversei com meu tio Zac. Ele é amigo do dono de uma clínica
de reabilitação e está fazendo todos os processos para isso acontecer. Talvez
até a semana que vem ela já tenha se internado. — Ela diz e seus olhos
transparecem dor.
— Eu sei que é difícil, Kyara. Mas isso é para o bem dela. — Digo. Ela
acena e me abraça.
— Obrigada. — Ela diz e sorri. — Fiquei sabendo que está trabalhando
com Hilary no café. — Ela divaga e eu sorrio.
— Sim e... — Ela me olha com expectativa e eu explodo em um
sorriso. — Eu e Pietro estamos juntos. — Digo e ela dá um grito agudo.
— Não acredito, sua vaca! Você me fez pensar que estava louca ao
pensar em vocês juntos. — Ela sorri e grita novamente. — Você o ama? —
Ela pergunta enquanto eu tiro o sorriso do rosto e a olho sem entender.
— Como assim? Deixa de ser louca. Ainda não, quero dizer... eu não
sei. Eu pareço o amar? — Pergunto franzino as sobrancelhas. Eu não sei.
— Parece. E eu te dou a certeza... — ela pega minha mão e sorri. —
Você o ama. Está totalmente amando Pietro. — Ela fala e eu sorrio cúmplice.
— Eu o amo. — Digo e ela sorri e me abraça.
— Depois vamos para um encontro de casais. Eu e Dylan, Você e
Pietro e Hilary e Kevin. — Ela diz e eu sorrio.
— Combinado. Vou avisar a Hilary amanhã. — Digo e ela acena.
A abraço e eu posso sentir todos os sentimentos ruins que estavam
comigo irem embora. Eu sinto meu coração se renovando.
Depois de chegar em casa meu celular toca e eu sorrio ao ver o nome de
Pietro na tela.
— Hey!
— Está em casa?
— Sim, acabei de chegar.
— Onde foi?
— No Campus. Fui conversar com Kyara.
— Que bom, Mel. Se resolveram?
— Sim. Graças a Nicole.
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— Tinha que ser. Aquela mulher é fogo.


— Não posso discordar disso.
— Vou te buscar às sete horas para irmos a um encontro.
— Um encontro?
— Sim. Vamos começar certo dessa vez. Como um casal normal.
— Humm. Que bom. Então vou me arrumar. Estou em casa e não na
casa de Nicole, ok?
— Ok. Te vejo às sete, linda.
— Beijo.
— Beijo.

Desligo e sorrio. Eu vou a um encontro. Com Pietro. Pulo da minha


cadeira e vou para meu guarda-roupa. Pego um vestido com alças finas que
termina no meio das minhas coxas.
Coloco-o em cima da cama e vou para o banheiro. Depois de tomar
banho, me hidratar e me depilar saio com cheiro de rosas. Eu adoro o cheiro
do meu shampoo.
Seco o meu cabelo e depois o enrolo nas pontas. Faço uma maquiagem
leve e coloco meu vestido. Paro em frente meu espelho e sorrio. Fiquei
bonita.
Estou nervosa. Nunca fui a um encontro. Pietro é o primeiro cara que
vai me levar em um como namorado (Ou quase isso). Greg não conta como
um encontro, já que eu fui mais por sua amizade. O que não deu certo no
final.
Pego meus sapatos bege e os coloco. Escolhi esse, pois o azul do
vestido já chama atenção demais. Escuto a porta bater e corro para a sala.
— Hey gatinha. — Reviro os olhos quando Dylan e Kyara me veem
entrar na sala.
— Amiga. Você está linda. — Kya fala e eu sorrio.
— Obrigada. Vou sair com Pietro. — Digo e Dylan revira os olhos.
— Que bom. — Ela fala e me abraça. — Você está nervosa. — Ela se
afasta e eu sorrio ficando mais nervosa ainda.
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— Sim, muito. — Digo remexendo minhas mãos.


A campainha toca e eu corro para abrir a porta. Pietro me olha da
cabeça aos pés e eu fico vermelha. Merda.
— Vou ter problemas hoje. — Ele ri e entra me abraçando.
— Você também está lindo se foi isso que quis dizer! — Digo e ele
sorri abertamente.
— Cuidado com minha irmã, Pietro. — Dylan fala e vai para seu quarto
com Kyara piscando para mim.
Pietro revira os olhos e beija meus lábios.
— Eu sempre cuido.
Entramos em um restaurante vinte minutos depois. Pietro está nervoso,
posso dizer por sua mão suando e seu jeito de ficar batendo o pé. Mudando o
peso do corpo de um lado para o outro.
— Está acontecendo alguma coisa, Pietro? — Pergunto e ele sorri para
me acalmar.
— Nada. Deixa para lá. — Depois disso a noite correu bem. Comemos,
sorrimos e nos beijamos.
Entramos em seu carro depois de jantarmos e fomos para sua casa.
Quando entro em seu apartamento meu coração perde uma batida.
Caramba. Olho para seu rosto e ele sorri dando de ombros.
A sala do apartamento dele está com pétalas de rosas vermelhas pelo
chão. E velas faz um corredor até seu quarto. As velas são aromatizadas com
cheiro de rosas e eu sorrio. Ele gosta do meu cheiro.
— Eu quero que você se lembre de tudo que vai acontecer esta noite.
De todos os beijos e de todas as carícias, mas acima de tudo isso, eu quero
que lembre o quanto vou amar seu corpo e sua alma. — Pietro fala me
olhando nos olhos e é nesse momento que eu sei.
Eu totalmente amo esse cara.
Limpo a única lágrima que saiu do meu olho e o beijo. O beijo com
todo o amor que sinto e o beijo para lembrá-lo que eu também quero que ele
não esqueça de mim, que ele não esqueça da nossa noite.

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Capítulo Dezoito
Melissa

Enquanto caminhamos para seu quarto aos tropeços sinto seu sorriso
em meus lábios. Eu sinto a alegria irradiando dele e instantaneamente eu me
sinto feliz. Eu sinto que pela primeira vez desde que cheguei a Seattle, eu
estou no lugar certo. Meu lugar é ao lado dele.
Ao lado de Pietro.
Quando chegamos ao quarto ele se senta na cama e começa a tirar seus
sapatos às pressas, eu sorrio diante disso e continuo o admirando. Ele tira sua
blusa e em seguida sua calça e sua cueca. Eu arfo quando o vejo
completamente nu. Merda, ele é lindo. Pietro sorri de mim e me dá a mão.
Sem pensar em nada eu a pego. Eu seguro e deixo ele me levar para onde ele
quiser, e nesse momento ele me quer na sua frente.
Pietro abraça minha cintura e beija minha barriga ainda coberta pelo
meu vestido. Sua cabeça levanta e ele me olha. Não tem nada mais bonito no
mundo, em minha opinião, do que seu olhar agora. Esse é o meu olhar. O
olhar que diz que ele me vê e independentemente de qualquer coisa, ele me
quer.
Eu o amo.
— Você é linda daqui. — ele fala rindo e eu o empurro. — Estou
falando sério.
— Ok — digo sorrindo e revirando os olhos. Perco o sorriso quando ele
me afasta devagar.
— Tira. — Ele aponta para o vestido e eu sinto o sangue subir para
minhas bochechas. — Não tenha vergonha, Mel. Eu só quero te ver. — ele
complementa e eu suspiro devagar.
Viro-me e o peço para descer o zíper do vestido. As pontas dos seus
dedos descem pela minha pele deixando um rastro de arrepios. Estremeço
quando sua mão toca minha calcinha. Merda.
Volto a olhá-lo e deixo o vestido cair ao redor dos meus pés. Sinto-me

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exposta, mas só de olhar para ele, eu sei que não preciso de vergonha. Pietro
morde seu lábio inferior ao olhar para meus seios desnudos. Deus, isso é
sexy. Sinto seus olhos subirem para meu rosto e ele sorri.
Ele malditamente sorri!
Dou um passo para frente e saio do vestido caído no chão. Quando paro
e olho ao redor de seu quarto meu peito se enche de felicidade novamente. As
mesmas pétalas que estão na sala estão também pelo chão do quarto. Ele
pensou em tudo.
Sinto suas mãos pegarem meu rosto e ele me beija. Sem motivo ou
permissão. Ele somente toma meus lábios nos seus e me faz gemer baixinho
em sua boca quente. Sua língua invade meus lábios e ele se delicia com meu
gosto. Em minha cabeça passa todos os nossos movimentos da noite que
passamos juntos. Flashes dos seus movimentos ao entrar e sair de mim. Dos
sons que saiam da sua boca ao me ouvir gemer seu nome. Tudo.
Pietro cai na cama e me leva junto dele. Sento-me em seu colo e ele
continua a me beijar fervorosamente. Suas mãos entram nos lados da minha
calcinha e antes que eu perceba, ele a rasgou. Simples assim. Minha calcinha
cai em seu colo e ele me levanta para pegá-la e poder jogar perto do meu
vestido.
Depois do susto eu relaxo e me afasto um pouco. Ele está sorrindo
enquanto olha onde a calcinha caiu. Dou uma tapa em seu braço e ele sorri
mais ainda. Em um movimento rápido ele me preenche. Sufoco um grito na
minha garganta e ele para e me olha preocupado.
— Te machuquei? — Ele pergunta arregalando os olhos e eu sorrio o
reconfortando.
— Só foi de repente. Eu me assustei com a rapidez. — Digo e ele
suspira aliviado.
Sento-me devagar novamente enquanto seguro seus ombros para me dar
estabilidade. Pietro fecha seus olhos enquanto morde seu lábio e eu me
aproximo e pego ele com minha boca. Chupo devagar seu lábio e depois ele
me segura forte me virando na cama. Eu fico embaixo dele e devagar o sinto
entrar em mim novamente.
Quando chegamos ao ápice, me sinto flutuando e flutuando. Não
consigo sentir meu corpo ou qualquer matéria no espaço, eu só o sinto
suspirando e gemendo. Nós dois. Somente isso.
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Acordo, sobressaltada, e não reconheço o quarto que dormi. Quando


olho para baixo vejo uma mão me segurando com força perto dele. Sua mão
está espalmada em minha barriga e eu sorrio. Sorrio por eu saber de quem ela
é, sorrio por saber que o que fizemos não foi errado e nem um pouco
vergonhoso. Nós fizemos amor. Poucos casais têm essa conexão. Poucos
casais sabem o que é fazer amor de verdade.
— Bom dia! — Suspiro ao escutar sua voz rouca.
— Bom dia! — Digo e me viro para o olhar.
Seus olhos castanhos estão inchados e quando sorri eles desaparecem.
Não sei por que estou rindo igual uma doida por isso, mas acho que é
somente o reflexo de uma pessoa feliz.
O reflexo de uma pessoa completa.
— Do que está rindo? — Ele pergunta franzindo as sobrancelhas e
fazendo seus olhos desaparecerem de novo.
— Nada. Só estou feliz que estamos juntos. — Digo depois do meu
excesso de alegria passar.
— Eu também. Muito. — Pietro fala e beija meus lábios de repente.
Pulo da cama e corro para o banheiro. — Hey! O que foi?
— Tenho que escovar os dentes. — Digo e ele revira os olhos.
Depois de achar uma escova lacrada dentro do armário no banheiro eu
escovo os dentes sorrindo por ele ter se lembrado de comprar uma escova de
dente para mim. Faço um rabo de cavalo em meu cabelo e saio do banheiro
vestida com meu vestido de ontem.
— Cara o que diabos está fazendo que não atende essa porta? — Escuto
a voz de alguém e ando até a sala para encontrar o dono da voz.
— Não te interessa... — Pietro não termina de falar, pois entro na sala.
Ele sorri e eu olho para Kevin e Oliver que estão esparramados no sofá e
ligando a TV.
— É claro... Melissa. — Oliver troca olhares com Pietro e ele revira os
olhos. — Olá Mel! — Ele diz sorrindo e Pietro joga um travesseiro nele.
— Olá meninos. — Viro-me para Pietro e sorrio. — Eu já vou. Tenho
que estudar e a tarde vou para o café. — Digo e ele acena confirmando. Olho
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para seus amigos e os dois olham para a gente como se assistissem uma
novela.
— Vou deixar Melissa. Daqui a pouco volto. — Ele fala empurrando os
dois e indo pegar sua camiseta.
— Melissa, você viu a Hilary ontem? — Kevin pergunta olhando para a
TV.
— Não. Por quê? Vocês brigaram? — Pergunto calmamente e ele
balança a cabeça confirmando. — Vou conversar com ela quando a ver no
café hoje. — Digo.
— Ok — ele suspira e Oliver o olha revirando os olhos.
— Você deveria tratá-la melhor. Quem sabe as brigas diminuiriam? —
Oliver fala sério e Kevin o olha com os olhos apertados.
— Não se atreva. Ela é minha namorada e eu pensei que já tivesse
superado. — Kevin diz e Oliver aperta sua mandíbula.
— Você sabe que nunca mais olhei para ela assim. Não depois que
vocês começarem a namorar. — Ele aperta a mandíbula e se afasta de Kevin.
Quando me lembro de recolher meu queixo no chão, Pietro entra na
sala.
— Kevin, vocês já conversaram sobre isso, não foi? — Pietro fala e eles
suspiraram. Kevin acena e se desculpa com Oliver com um “foi mal aí”.
Entro em seu carro ainda tentando digerir o que acabei de descobrir.
Oliver e Kevin gostavam de Hilary ao mesmo tempo.
Será que ela sabe?
— Não. Ela não sabe. — Pietro responde meus pensamentos enquanto
sai do estacionamento.
— Ah. — Digo e sorrio. — Só estou abobalhada ainda. Tipo eles são
amigos e gostavam da mesma garota. Sei lá. É estranho. — Digo e ele pega
minha mão na sua.
— Pode crer, eles ainda se bicavam bastante, mas Oliver viu que Hilary
gostava de verdade de Kevin. Ele só aceitou. — Ele diz dando de ombros e
eu sorrio. Oliver foi um bom homem.
— Mas Kevin tem ciúmes. Ficou bem claro lá na sala. — Digo olhando
para seu rosto enquanto dirige. Ele sorri.

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— Lógico que ele tem ciúmes. Se fosse eu, também teria. — Ele
murmura e eu sorrio cúmplice.
— Você sente ciúmes, Pietro? — Pergunto brincando e ele revira os
olhos.
— De você, até demais. — Ele diz e eu me aproximo beijando seu
rosto.
— Não sou ciumenta. Nenhum pouco. — Digo séria e ele gargalha.
— Nunca te dei motivos para ter ciúmes, Melissa. — Ele diz e pisca o
olho. Reviro os olhos.
— Eu também nunca dei motivos a você. — Digo e ele fecha a cara.
— Não. Somente ficou com seu vizinho, saiu com Greg... — o
interrompo.
— Antes de você. Tudo isso. — Digo e ele me olha sério depois volta
sua atenção para a estrada.
Ficamos calados o resto do caminho. Não sei se ele está chateado ou se
só ficou calado de repente. Ele estaciona ao lado do meu carro e eu suspiro.
— Obrigada pela carona. — Digo e pego minha bolsa no banco de trás.
— Não precisa agradecer. — Ele diz e pega minha mão na sua. — A
gente se vê mais tarde? — ele pergunta e eu relaxo. Ele não está chateado.
— Com certeza. — Digo e beijo seus lábios com um selinho.
Quando pego na porta para abri-la ele me puxa de novo e beija meus
lábios profundamente. Sua língua entra em minha boca provando meu gosto.
Logo depois ele começa a chupar meu lábio inferior fortemente e eu sorrio.
Merda. Ele sabe beijar.
— Eu tenho ciúmes porque você é minha. — Ele fala pausadamente e
eu arregalo os olhos surpresa quando ele diz “minha”.
Acabei de me apaixonar novamente.

Entro no café a tarde e vejo Hilary servir uma mesa com dois casais.
Quando um dos casais começa a se beijar na sua frente ela revira os olhos e
se afasta.
— Hey! — Digo ao me aproximar. Ela sorri largamente.
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— Hey. Acabei de chegar também. — Ela diz enquanto enche um copo


com cappuccino.
— Ok. Vou só me trocar e volto. — Digo e me afasto soltando beijos
pelo ar.
Troco minha camiseta branca pelo uniforme do Café. Pego o avental
marrom estampado com xícaras de café pequenas do meu armário e o coloco
pela cabeça. Saio dos vestiários depois de fazer um coque no cabelo e
começo a trabalhar no automático.
Depois de três horas Hilary e eu nos sentamos na sala secreta para uma
parada com café. Olho para seu rosto e a vejo dispersa. Ela sorri triste e eu
pego sua mão.
— Por que brigaram? — Pergunto e ela suspira.
— Como sabe que brigamos? — Ela questiona e aperta minha mão.
— Ele me disse hoje de manhã. — Digo e ela franziu as sobrancelhas
sem entender. — Ele chegou ao apartamento do Pietro hoje de manhã e
perguntou por você. — Digo e ela sorri triste.
— Por besteira na verdade. Estudo com um cara e ele me chamou para
sair. Kevin escutou e não deixou ninguém explicar nada. Porque primeiro, o
garoto não sabia que estávamos juntos. E ele não me deixou responder, só
ficou gritando com o cara e esqueceu que eu estava ali. — Ela diz e eu
suspiro. No seu lugar eu também estaria chateada.
— Eu sinto muito. — Digo e seu rosto se ilumina de repente. Estranho.
— Mas Oliver chegou e resolveu a situação. Kevin se acalmou, mas
ainda sim me ofendeu. Perguntou-me o porquê de eu não ter falado para o
cara que estávamos juntos. Como eu ia falar? Ele não deixou. — Ela morde
seu lábio querendo reprimir as lágrimas que logo após fluem molhando seu
rosto.
— Hill... — me aproximo e a embalo em meus braços.
— Eu sei que ele gosta de mim sabe? Eu sei, mas eu estou ficando
exausta. Brigas e brigas para se aguentar tem que ser baseadas em muito
amor. E eu não o amo. — Ela confessa e eu me afasto.
— Como assim? Porque está com ele, Hill? — Pergunto confusa.
— Eu ainda não o amo, Mel. Amor é construído com o tempo. Não
existe essa besteira de paixão à primeira vista. Eu gosto dele e sim, eu estou
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perto de amá-lo. Mas para mim é muito. Muito mais do que eu suporto em
uma relação. — Ela fala enquanto limpa suas lágrimas e eu aceno
confirmando.
Na verdade, eu concordo com tudo que falou. Ninguém é saco de
pancadas para aguentar tanta merda sem amar a outra pessoa o suficiente. É
pouco tempo para ela o amar. No meu caso o tempo só foi uma barreira
contra meus sentimentos por Pietro.
— Você tem total razão. Se não aguenta, termina Hilary. Quem sabe
quando ele ver que vai te perder ele mude. — Digo e ela sorri confirmando.
— Suas pestes! Venham trabalhar. — Damos um pulo ao ouvir a voz de
Joseph pela porta.
Sorrimos e nos levantamos e vamos terminar nosso turno.

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Capítulo Dezenove
Melissa

Olho para o painel do carro e grito, frustrada, quando vejo que estou
quase sem gasolina. Merda. Olho para os lados e não vejo nenhum posto
então resolvo parar em uma oficina de carros. Talvez eles saibam onde fica o
mais próximo. Ainda não aprendi direito onde ficam as coisas aqui, mesmo
depois de um ano morando nesta cidade.
Saio do carro e me aproximo da entrada. Olho para os lados e não vejo
ninguém. Quando já estou quase saindo do lugar, um homem sai debaixo de
um carro. Pulo no susto e ele sorri balançando a cabeça.
Quando olho em seus olhos me vejo sorrindo. É o cara do restaurante.
O que me confundiu com sua namorada. Seus olhos azuis me fitam e surpresa
lhe define.
— Hey! O que está fazendo por aqui? — Ele pergunta e levanta do
chão.
— Meu carro está quase sem gasolina e não achei nenhum posto por
perto. Você sabe me dizer onde tem um? — Pergunto e sorrindo ele
confirma.
— Claro. Sei onde tem um a menos de cinco minutos daqui... meu
nome é Rodrigo e eu não me lembro do seu, desculpa. — Ele fala e eu sorrio
lembrando que Pietro o fez correr de mim.
— Melissa. Eu espero que tenha encontrado sua namorada. — Seu
rosto cai quando toco nesse assunto. Merda. — Desculpa, Rodrigo. Desculpa-
me. — Digo e ele suspira.
— Só não gosto de falar sobre isso. Ela... ela só foi embora e não deu
explicação. Aquele dia eu estava um pouco bêbado e por isso fui lá te ver.
Desculpe-me pelo incidente. — Ele fala enquanto veste uma camisa e não me
olha diretamente.
— Não tenho o que desculpar. Sinto muito por ela. — Digo e ele
agradece com um aceno de cabeça.

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Ele me ensina onde encontrar o posto de gasolina mais próximo e eu


agradeço novamente.
— De nada. E seu amigo lá, como está? — Ele questiona me
entregando o papel com o endereço certo.
— Está ótimo. O seu nome é Pietro e ele é meu... — paro de falar
quando penso sobre isso. Devo chamar ele de quê? — Quero dizer, nós
estamos juntos. Tipo juntos mesmo sabe? — Pergunto e afirmo ao mesmo
tempo. Que chatice.
— Que bom. Eu percebi que ele gostava de você. — Ele diz e eu sorrio
alegre.
Ouvir que alguém percebe os sentimentos de Pietro por mim me enche
de felicidade.
— Obrigada. Nos vemos por aí, Rodrigo. — Digo e ele sorri acenando.
Entro em meu carro e saio do estacionamento. Olho para o Rodrigo
pelo retrovisor e vejo que novamente seu rosto é uma tristeza sem fim.
Pergunto-me o porquê de sua namorada ter o deixado assim, sem nenhuma
explicação. Sinto sua tristeza me consumir e balanço a cabeça para afastar
seus problemas amorosos da minha mente.
Chego em casa depois de trinta minutos no trânsito caótico de Seattle.
Minha aula foi um saco, não sei se é pelo meu sono ou se estou perto de
menstruar, mas eu contei os minutos para vir para casa.
— Dylan? — Chamo ao entrar em casa e o escuto no quarto.
— No quarto. — Diz e eu caminho para lá.
— Não foi à faculdade hoje? — Pergunto enquanto ele está deitado na
cama.
— Fui. Acabei de chegar. — Ele diz e se senta. — Estou morrendo de
fome. Você vai fazer almoço? — Meu irmão pergunta desviando os olhos de
mim. Como se não quisesse nada.
— Deixa de ser folgado. — Digo e me viro para sair. — Vamos comer
fora, pois não vou cozinhar nada. E é você quem vai pagar. — Digo e ele
geme em desagrado.
Saímos depois de tomarmos banho e trocar de roupa. Vamos em seu
carro já que iríamos juntos.
— Kyara falou de um encontro de casais. Que viadagem é essa? — Ele
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pergunta depois de termos pedido comida.


— É um encontro de casais. Só vão casais. — Ele me olha franzino as
sobrancelhas e eu bufo sem paciência. — Já estou sendo bem explícita,
Dylan. Saímos com outros casais. Ponto, é isso. — Digo e ele revira os olhos.
— Oliver disse que quer ir também. Mas ele não tem namorada, vocês
vão o proibir de ir conosco? — Ele questiona ainda sério e eu suspiro. Deus,
porque me destes um irmão tão lento?
— Lógico que não proibiremos, pelo amor de Deus, Dylan. Ele pode ir
sem problema algum. — Digo e ele revira os olhos.
— Okay. Vou avisar a ele então, mas acho que ele vai levar a irmã para
que a gente a conheça. Parece que ela vai chegar de viajem na sexta. — Ele
explica e eu sorrio agradecida dele não estar me pedindo qualquer explicação.
Comemos e fomos para casa. Depois de falar com Pietro no celular
dormi até a hora de ir para o café.
No sábado à noite me arrumo com uma calça jeans preta, uma blusa
rosa com alças e uma sandália alta de tiras também preta. Pego meu casaco
enquanto a campainha toca com, provavelmente, Pietro do outro lado. Hoje é
o encontro de casais. Sorrio quando sinto sua boca na minha, antes mesmo de
ver seu corpo depois de eu ter aberto a porta.
— Que saudade eu estava de você. — Ele fala em minha boca e eu
beijo seu pescoço. — Vamos ficar aqui mesmo. — Ele diz e começa a fechar
a porta.
— Não! Depois do encontro de casais, eu prometo te recompensar. —
Sussurro em seu ouvido e ele respira fortemente.
— Você é mal. — Ele diz e eu sorrio. — E você está linda. — Ele
elogia depois de me soltar.
Dou uma voltinha de brincadeira e ele sorri. Olho para sua roupa e
suspiro. Deus ele está lindo. Sua calça cáqui se ajusta a suas pernas e bunda.
Sua camisa é branca e apertada e eu quero muito concordar com ele, quando
disse para ficarmos em casa.
— Você está quente. — Digo e ele sorri revirando os olhos.
— Vamos, pois quero voltar rápido. Bem rápido. — Ele reforça e eu
pego minha bolsa o acompanhando para fora.
Quando entramos no elevador Brandon, Filip e Walter saem do
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apartamento.
— Segura para a gente? — Filip grita e Pietro suspira ao colocar a mão
para as portas não se fecharem.
Pego sua mão na minha e ele me puxa pela cintura me deixando em
seus braços. Beijo seus lábios com um selinho e os meninos entram no
elevador.
— Hey, Mel! — Brandon me saúda e a cena para Pietro. — Pietro. —
Ele diz e desvia os olhos da gente.
— Oi Brandon. — digo sorrindo e Pietro murmura um “oi” sem
vontade. Os meninos também cumprimentam a gente e depois o silêncio se
faz presente.
Brandon e eu não nos falamos mais como antes. Eu não me sinto mais à
vontade para me aproximar e ele, bem ele também não. Eu acho.
Entramos no carro e Pietro fica calado. Eu conto até dez para me
acalmar. Eu conto, pois estou ficando exausta desse ciúme chato dele em
relação a Brandon e eu não quero começar uma discussão.
— Sabe, eu estou sendo infantil. Verdade. — Ele começa a falar e eu
quase quebro o pescoço na hora de o olhar de tão surpresa que estou. — Eu
tenho ciúmes desse idiota. Eu tenho e você não me dá motivos para isso,
Melissa, mas toda a vez que eu o vejo eu me lembro de você me dizendo que
queria... — coloco meus dedos em seus lábios e o calo.
— Nunca mais. Nunca mais você vai repetir isso. Acabou, ok? Vamos
esquecer isso. Até por que nós dois sabemos que eu não queria dizer aquilo.
Eu já gostava de você naquele momento, Pietro. Eu estava querendo te irritar,
então quando você o ver e lembrar-se disso, eu quero que lembre do que eu
vou te falar... eu adoro você, Pietro. E em nenhum lugar no mundo tem um
homem que eu queira mais que você. — Digo e ele me olha por um instante
calado. Quando penso que ele vai me responder, ele encosta o carro e me
puxa para seu colo. De repente ele me beija. Sua boca toma a minha com
urgência e prazer e eu me derreto em seus braços. Sua mão pega meus
cabelos e me faz olhar em seus olhos.
— Todas as vezes que eu o ver, eu me lembrarei de suas palavras e
desse beijo. Sempre. — Ele diz e devagar volta a me beijar.
Entramos na boate e logo avisto Kyara dançando com Dylan na pista de
dança. Minha amiga se esfrega em meu irmão parecendo que estão transando
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e eu reviro os olhos enquanto sigo Pietro para a mesa onde Kevin, Hilary,
Oliver e outra garota estão. Assusto-me quando a vejo. Merda, parece que
estou me olhando no espelho.
Pietro chega e a abraça como se fossem velhos amigos e eu fico os
observando. Sei que eles não ficaram, pois Pietro namorava Kimberley, mas
a intimidade deles me irrita. Me irrita de verdade.
— Helena, essa é Melissa. Minha... — ele para de falar e eu o encaro.
Vamos lá Pietro! Eu sou o que sua?
— Prazer, Melissa. Eu e Pietro nos conhecemos na faculdade. — Ela
diz, mas ainda estou olhando para Pietro. Ele balança a cabeça e eu suspiro.
Vamos, Melissa. Não se apague a isso. Nada de rótulos.
— Prazer, Helena. — Digo e me viro para ir ao bar. — Volto em um
minuto. — Digo para Pietro, mas não espero sua resposta, apenas saio na
direção do bar.
Enquanto peço minha bebida vejo um cara sentar ao meu lado. Afasto-
me e encaro minhas mãos na bancada, tudo que eu não preciso no momento é
um cara para Pietro brigar.
— Não acredito. Duas vezes na semana é muito. — Escuto falarem e
me viro. Rodrigo é o cara que está sentado ao meu lado.
— Também acho. — Digo e rimos juntos. Minha bebida chega e
Rodrigo pede uma para ele.
— Então, cadê seu namorado? — ele pergunta e eu sorrio fraco.
— Ele não é meu namorado, Rodrigo... — sou interrompida pela voz de
Pietro.
— Estou aqui, cara. — Ele diz e me puxa gentilmente pela cintura em
sua direção. — Como você está? — Ele pergunta com a voz neutra.
— Estou ótimo. Melissa me falou no começo da semana que se
acertaram. Fico feliz que estejam juntos. — Rodrigo fala educadamente e eu
sorrio para ele.
— No começo da semana? — Pietro pergunta e eu me viro para ele.
— Sim. Quando eu voltava do Campus meu carro ficou sem gasolina e
eu parei na oficina que Rodrigo trabalha... Ou é dono? — pergunta quando a
dúvida chega.

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— Sou o dono. Mas foi isso mesmo. Só ensinei a ela o posto mais
próximo. — Ele diz sorrindo para Pietro.
— Que bom. Fico feliz que tenha a ajudado. Obrigado. — Pietro diz
sorrindo e eu lhe dou um selinho.
Bebo o resto da minha bebida e me despeço de Rodrigo dizendo onde
minha mesa está.
— Está vendo aquela garota em frente de vermelho? É nessa mesa. —
Digo apontando para a mesa e ele fica branco.
Rodrigo desce da cadeira e começa a andar na direção da nossa mesa,
mas não fala nada e não responde minha pergunta. Pietro me olha
interrogativo e eu dou de ombros sem saber o que está acontecendo.
Quando chegamos à mesa Rodrigo para e fica olhando Helena sem
piscar. Pietro coloca a mão em seu ombro enquanto questiona: — Você está
bem, Rodrigo? — Ao ouvir o nome de Rodrigo, Helena levanta a cabeça e o
olha alarmada. Seus olhos estão arregalados e Oliver segue seu olhar.
— Helena... — Rodrigo fala como se ela fosse uma miragem. Seus
olhos estão como estavam no dia que o conheci.
— Rodrigo... — ela fala e seus olhos enchem de lágrimas. Deus, não
estou entendendo nada.
Ela é sua ex, a que fugiu dele?
— Como... por quê? — Rodrigo balança a cabeça e fecha os olhos. —
Ela não está aqui, Melissa. Tudo é loucura da minha cabeça. Melissa! — Ele
começa a gritar e eu me aproximo dele. Coloco minha mão em suas costas e
o conforto.
Com os olhos peço ajuda para Pietro e ele se aproxima também.
— Rodrigo, essa é Helena. Ela é a ex que me falou? — Pergunto e ele
abre os olhos. Vejo sua tristeza se multiplicar e meu peito aperta.
— Helena... Por quê? — Ele pergunta e depois balança a cabeça
negando.
— Rodrigo, por favor... — Helena se levanta e tenta falar algo.
— Não precisa dizer nada. — Ele fala e depois se vira e vai embora.
Vejo-o ir embora e uma raiva sem tamanho cresce dentro de mim. Olho
para Helena e ela está chorando.

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— Por que está chorando? Responde! Foi você que o deixou. Você. —
Digo frustrada a fazendo chorar mais um pouco.
— Melissa... Não! — Pietro fala sério e eu aperto meus olhos em sua
direção.
— Sim! Ele é um cara legal e vem sofrendo por ela há um tempão. Ela
não consegue nem se levantar e dar uma explicação convincente para ele.
Pelo amor de Deus. — Digo e me viro frustrada.
Helena e Oliver vão embora e eu também. Pietro me acompanha, mas
não conversamos. Apenas um silêncio chato fica entre nós. Encosto-me na
janela do carro e espero.

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Capítulo Vinte
Pietro

Entramos em meu apartamento ainda em silêncio. Melissa vai para o


quarto e eu para a cozinha. Ainda estou confuso com a história de Rodrigo e
Helena. Eles namoravam? Eu nem sabia que ela tinha namorado.
Conheci Helena assim que cheguei à faculdade. Ela e Oliver sempre
estavam juntos então ela também fazia parte de nosso círculo de amizades.
Todos os caras a respeitavam e nunca nenhum de nós ficamos com ela, até
porque eu estava com Kimberley.
Kimberley...
Ela me ligou outra vez, quero dizer, ela vem me ligando bastante, mas
não quero falar com ela. Pelo menos ainda não. Não quero dar motivos para
Melissa ter ciúmes. Voltando a Helena, no meio do ano passado ela teve que
ir embora. Não entendi direito, ela sequer se despediu. Só ficamos sabendo
por Oliver no outro dia.
Bebo água e volto para o quarto. Melissa está na cama, vejo seu corpo
tremer e escuto seus fungados. Ela está chorando?
— Mel? — A chamo e me sento perto dela. Pego seu corpo e o trago
para meu peito. — Por que está chorando, Melissa? — Pergunto a olhando e
ela limpa suas lágrimas.
— A tristeza que vi nos olhos dele... Ele estava sofrendo tanto, Pietro.
— Ela diz e se senta na minha frente. Sei que fala de Rodrigo. Eu também
concordo com ela, ele estava sofrendo. Muito. Vi a dor nua e crua em seus
olhos.
— Eu sei, meu amor. Eu sei. Mas você não pode se apossar da dor dele.
Depois de eles conversarem, acho que irão se acertar. Vi que Helena também
ficou balançada quando o viu. — Digo e ela sorri triste.
— Talvez. Eu espero que sim! Depois irei me desculpar com ela. Não
foi legal falar aquilo para ela. — Ela diz e eu confirmo sorrindo.
— Fico feliz em ouvir você falar isso. — Digo e ela beija meus lábios

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devagar.
Depois de Melissa trocar sua roupa por uma camiseta minha e eu tirar
minha roupa ficando só de cueca deitamos de conchinha na cama.
— Ainda está com saudades, Pietro? — Escuto sua voz sexy no escuro
do quarto e sorriu. Merda.
Ela vai ser minha morte.
— Pode ter certeza que sim. — Digo e viro seu corpo para baixo de
mim.
Vejo seus olhos brilharem e beijo seus lábios. Sua língua macia entra
em minha boca e já me sinto duro feito uma rocha. Puxo sua blusa e a tiro do
seu corpo. Seus seios ficam a menos de três centímetros da minha boca e eu
suspiro deixando um sopro em seu bico endurecido. Melissa se contorce e eu
sorrio. Pego seu seio entre meus lábios e chuto devagar.
Melissa tira minha cueca e também sua calcinha pequena. Merda. Ela é
muito gostosa.
Deslizo entre suas pernas e aos poucos sinto sua quentura me rodear.
Começo a fazer meu ritmo e em pouco tempo Mel está se contorcendo ao
meu redor.

— Esquecemos a camisinha. — Digo depois que estamos deitados e seu


rosto cai. Merda. — Não precisa se preocupar, eu estou limpo e podemos
comprar uma pílula amanhã. — Digo me virando para pegar seu rosto em
minhas mãos.
— Ok... Tudo bem. E eu também estou limpa. — Ela fala e eu reviro os
olhos como se eu precisasse dessa resposta. Olho em seus olhos e sinto sua
voz distante. Como se ela não se preocupasse de verdade com o que estou
falando.
Puxo seu corpo para meus braços e beijo seus cabelos. Ela suspira e em
pouco tempo adormece em meus braços. A deixo deitada na cama e vou ao
banheiro me limpar. Pego um pano e o molho com água na torneira.
Volto para o quarto e limpo Melissa devagar para ela não acordar.
Coloco sua calcinha e puxo as cobertas para seu peito desnudo. Pego uma
cueca e volto para a cama.
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Puxo Melissa para meus braços e dormimos abraçados.

Dois meses depois…

Abro a porta do apartamento de Melissa e entro devagar. Ela me ligou,


mas não conseguia falar direito. Só gemia e eu fiquei apavorado. Entro em
seu quarto e a vejo em sua cama segurando a barriga com força. Seus olhos
estão apertados e ela ainda está com sua roupa de dormir. Aproximo-me dela
e passo a mão por seu cabelo, tirando ele do seu rosto.
— Amor, o que está sentindo? — Pergunto pegando sua mão e a
apertando.
— Pietro, eu estou sentindo cólica. Muita. Muita dor. — Ela geme e eu
estremeço. Nunca parei para pensar no grau de dor que as mulheres aguentam
todos os meses pela menstruação, mas acho que a dela está demais.
— Vem aqui. Vou te levar ao médico, ok? Isso não é normal. — Digo e
ela abre os olhos. Seu castanho está opaco e é de lá que tiro a certeza de que a
dor está demais.
— Ok. Eu só... Deus... — ela começa a chorar e eu quero me bater por
não poder fazer nada. Porra!
Pego ela em meus braços depois de trocar sua roupa por um vestido
longo. Entro no elevador e logo estamos no hall de entrada.
— Que porra? Melissa? — Dylan corre em minha direção e começa a
olhar apavorado para Mel.
— Cara eu cheguei e ela estava com dor de cólica. Ela se sente assim
todo mês? — Pergunto e coloco-a no banco do passageiro.
— Eu fui comprar comprimidos para ela, mas não pensei que estava tão
mal. Ela se sente assim desde que menstruou pela primeira vez. — Ele diz e
eu balanço a cabeça. Nunca seria capaz de vê-la sofrendo desse jeito de novo.
Nunca.
— Vou levar ela para o hospital. Lá darão a ela um remédio mais forte
e voltaremos para casa. — Digo e ele acena entrando no meu carro.
— Vou também. Não vou ficar longe dela. — Ele diz e eu sorrio grato
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por ele cuidar dela tão bem.


Depois de dez minutos entramos no hospital com ela. Melissa consegue
andar, mas eu estou a ponto de colocá-la nos meus braços novamente.
Dylan preenche uma ficha para ela e nós somos levados para uma sala.
É médico de Nicole que está na sala e eu o cumprimento.
— O que a moça tem? — Ele pergunta sorrindo e Melissa suspira.
— Ela está com cólicas fortes. Vem tendo desde a primeira
menstruação na verdade. — Digo e ele acena enquanto Melissa me olha
interrogativamente. — Dylan me disse. — Digo dando de ombros.
— Melissa, preciso que me responda algumas perguntas, ok? — Ela
acena confirmando e ele prossegue. — De 5 a 10, quanto é sua dor? — Ele
questiona enquanto rabisca um papel.
— De 5 a 10, eu sinto oito. — ela responde sem sequer pensar. Deus,
ela está com muita dor.
— Nas relações sexuais você sente desconforto? — Ele pergunta e ela
cora envergonhada.
— Um pouco. — Ela fala e eu a olho estranhando. Ela nunca me falou
isso.
— Ok. E quando faz suas necessidades fisiológicas, como xixi e... —
Ela o interrompe.
— Um pouco. — Ela diz mordendo seu lábio inferior. Tiro ele dos seus
dentes e ela suspira.
— Melissa... Tudo que vou falar agora é uma suposição, ok? — Ele
pergunta calmamente e ela acena o olhando alarmada. — Eu fiz essas
perguntas, pois você deu um valor muito alto para sua cólica. Oito é
preocupante. Minha suposição é que tenha endometriose. Não se assuste,
pode ser que não seja. Mas temos que marcar alguns exames para termos
certeza. — Ele explica pausadamente tentando não assustar Melissa, mas,
mesmo assim, ela começa a chorar.
— Doutor, me desculpa. Mas o senhor pode explicar o que é
endometriose? — Pergunto o olhando confuso e abraço Melissa. Nunca ouvi
falar dessa doença.
— A endometriose é uma doença que acontece nas mulheres em idade
reprodutiva e que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero.
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O endométrio é a camada interna do útero, que se renova mensalmente pela


menstruação. Sua função é preparar o órgão para receber o embrião. Quando
a gravidez não acontece, o tecido descama e sai pela vagina: isso é a
menstruação. — Ele fala e eu aceno para que continue.
— A doença aparece no período menstrual quando parte do sangue
eliminado passa pelas trompas e cai dentro da barriga. Esse sangue contém
células que têm a capacidade de crescer em outros locais. Quando o sistema
imunológico responsável pela defesa do organismo não consegue eliminar
essas células, a doença se estabelece. — ele termina sua explicação e eu
engulo em seco.
— Eu não vou poder ter bebê... — Escuto Melissa afirmar chorando e
eu a olho confuso. Como assim não vai poder?
— Melissa, você pode ter bebês. A endometriose não tira isso de você,
ainda mais por você ser nova. Dependendo do grau dela você pode sim fazer
um tratamento específico para a gravidez. — Ele diz sorrindo tentando
tranquilizar Melissa.
Eu sorrio e olho para ela.
— Amor... E pode ser, como o doutor mesmo falou, que seja apenas
uma suposição. Não vamos nos alarmar, ok? — Pergunto e ela suspirando
balançando a cabeça.
— Eu poderia tomar algum medicamento? Ainda estou com dores. —
Ela diz e eu olho para o médico.
— Sim. Você poderia ir pegar na farmácia do hospital? Vou explicar
outras coisas a Melissa. — Ele me pede e eu aceno confirmando.
— Eu volto logo, ok? — Falo e beijo seus lábios com um selinho.
Depois de o médico me dar à receita eu saio da sala. Encontro a
farmácia e peço o remédio que o doutor passou. Enquanto espero a mulher
pegar me sento na cadeira.
Pego meu celular e olho a foto que Melissa tirou de nós dois no nosso
encontro algumas semanas atrás. Ela estava alegre. Estávamos completando
dois meses de namoro e eu a levei para o parque no centro da cidade.
Passamos a tarde, sentados, comendo sanduíches e olhando as pessoas
passarem por nós. Melissa brincava tentando adivinhar a vida de cada um
deles enquanto eu só dizia se concordava com sua suposição. Meu peito
aperta ao lembrar seus olhos agora a pouco, não se pareciam com essa garota
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aqui da foto. Nenhum pouco.


— Com licença. — Escuto a voz de Kimberley e levanto minha cabeça.
Ela está de costas para mim e chama a mulher da farmácia para atendê-
la. Quando me levanto para me aproximar ela se vira. O sangue drena do meu
rosto para meus pés. Eu não me movo, eu não falo nada, eu só a olho. Seus
olhos estão arregalados e ela tenta cobrir o que estou vendo.
Ela tenta cobrir sua barriga.
Uma barriga de grávida com pelo menos quatro meses. Tento falar algo,
mas não consigo. Fecho os olhos por um instante e quando volto a abri-los
ela está correndo para fora da sala.
Corro atrás dela e consigo alcançá-la. Seus olhos estão cheios de
lágrimas e os meus também. Por que eu sei que é meu. Eu sinto em meu peito
que o bebê que ela carrega é meu. É meu filho.
— Pietro... — ela tenta se solta de mim, mas eu ainda estou olhando
para sua barriga.
Sua barriga.
— Por que não me contou? — pergunto aterrorizado e ela suspira
chorando.
— Eu tentei. Eu liguei para você, mas você não me atendeu. Nunca. —
Ela diz e sinto em sua voz a mágoa. Ela está magoada comigo.
— Deus, me desculpa. Kim, você está grávida. — Eu sussurro e me
lembro de Melissa.
Como vou contar para ela?
— Estou, Pietro. Desculpe-me por não ter ido à sua casa ou ter te
procurado mais, mas eu não podia sabe? Não depois de você ter me deixado
por ela. — Ela chora e eu a abraço.
Meu peito está apertado. Merda. Eu não posso perder Melissa, mas
também não posso deixar Kimberley cuidar da sua gravidez sozinha. Eu vou
contar a Mel. Ela vai entender, ela me ama. Eu sei que ama.
Eu a amo. Nós dois nos amamos. Eu sinto.
— Você está com quantos meses? — Pergunto voltando para a farmácia
com ela ao meu lado.
— Com cinco meses. — Ela diz sorrindo e eu sorrio junto. — E eu já

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sei o sexo dele. Quero dizer, acabei de descobrir. — Ela explode em um


sorriso maior e eu arregalo os olhos, curioso.
— Mentira... desculpe-me por não estar lá com você. — Digo quando
uma tristeza imensa bate em meu coração. Eu queria ter visto. — Mas qual é?
Será uma princesa ou um jogador? — Pergunto e ela revira os olhos.
— Vai ser um excelente rapaz. Um rapaz tão bom quanto o pai dele. —
Ela fala e eu sorrio enquanto meus olhos se enchem de lágrimas.
É um garoto.
Eu vou ser pai.
Eu vou ser pai de um garoto.

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Capítulo Vinte e Um
Melissa

Mais uma vez limpo as lágrimas do meu rosto. Olho para meu relógio e
estranho a demora de Pietro. Já faz mais de dez minutos que ele foi à
farmácia do hospital. Suspiro e o doutor sorri para mim.
— Não se preocupe, Melissa. Muitas mulheres chegam aqui como você
e eu digo tudo que falei hoje, elas choram e quando os exames chegam não é
nada além de um descontrole menstrual. — Ele fala e eu suspiro querendo
acreditar.
Ainda não passou o pânico em mim, mas estou o segurando. Eu quero
ir para casa e gritar. Quero ligar para minha mãe e chorar em seus ouvidos.
Quero que meu pai me diga que isso é um sonho idiota e que eu sou saudável
e que vou ter um bebê quando eu estiver pronta. Quero ter essa liberdade
sobre a maternidade. Não quero depender de um exame ou de tratamento
médico para ter meu filho.
Quando a porta se abre suspiro quando vejo que é Pietro. Seu rosto está
branco e seus olhos vermelhos. Levanto-me da cadeira e corro para sua
frente. Passo a mão por seu rosto e o olho.
— O que aconteceu, amor? — Pergunto e ele beija minhas mãos.
— Podemos falar sobre isso quando chegarmos em casa? Tenho uma
coisa para te contar. — Ele fala engolindo em seco e eu o olho sem entender,
mas balanço a cabeça aceitando.
Saímos do hospital depois de eu ter feito os exames que o médico
pediu. Daqui a uma semana o resultado irá sair. Eu estou ansiosa. Quero que
a semana passe em um passe de mágica. Dylan veio o tempo inteiro
perguntando o que eu tinha e a verdade é que não consegui pronunciar. Eu só
falei que fiz um exame e que o resultado só sairia daqui a uma semana. Ele
suspirou e ficou calado o resto do caminho.
Quando entro em casa meu celular toca. Mamãe ligando.
— Mel... Podemos falar agora? — Pietro pergunta e eu peço um minuto
enquanto atendo meu celular.
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— Oi, mamãe.
— Deus, Melissa. Dylan ligou e me disse sobre você. Meu amor, como
está? — Olho para Pietro e digo que vou para o quarto falar com mamãe. Ele
suspira e senta no sofá.
— Estou melhor, mãe. Mas o médico disse que... — mordo meu lábio
inferior para segurar o choro, mas é inevitável e logo começo a chorar de
novo.
— Melissa Jones! O que aconteceu? Rodolfo! Vou para Seattle.
— Mãe. Não precisa. É só uma suposição. Ele disse que tenho que
esperar sair o resultado do exame.
— Qual é essa suposição, Melissa? Você está me preocupando tanto,
minha filha. — Ela chora e eu quero me bater por isso.
— Endometriose. Ele supôs que estou com endometriose.
— Filha... eu sinto muito. Quero dizer, não é uma doença que mate ou
algo do tipo, ela tem tratamento.
— Eu tenho medo de não poder dar bebês para Pietro.
— Quem é Pietro, Melissa?
— Pai... Por favor.
— Ok! Desculpe. Mas depois conversaremos.
— Melissa, qualquer mulher pode ter bebês estando com endometriose.
Eu tive logo depois de Erick e Connor nascer. E olha você e Dylan. Gêmeos.
Então tire esses pensamentos da sua cabeça, ok? — Mamãe fala calmamente
e eu suspiro.
— Ok. Muito obrigada. Estou com saudades, mãe.
— Também meu amor. Talvez iremos aí nesse final de semana.
— Ok. Avisem-me que peço a Connor para organizarmos um almoço
para todos.
— Ok. Te amo.
— Também, mamãe.
Desligo o celular e vejo Pietro encostado na porta do quarto. Seus olhos
estão cheios de lágrimas novamente e eu franzo minhas sobrancelhas. Por
que ele está triste? Será que ele... será que está com medo de eu não poder dar
um bebê a ele?
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— Pietro... O que aconteceu? Eu fiz algo? — Pergunto e me levanto da


cama para andar em sua direção.
— Não, Melissa. — Ele suspira e desvia os olhos dos meus. — Mas eu
quero que pense em sua saúde e não em me dar um bebê. Nós somos jovens e
temos toda a vida pela frente. — Ele fala e me abraça.
Sinto um vazio se abrir em meu peito. Não consigo identificar o que
está me fazendo me sentir assim, mas eu apenas sinto. E é sufocante.
— Você queria conversar, Pietro. Vamos. — Digo e puxo sua mão em
direção a cama. — Eu juro que se estiver com essa doença vou fazer todo o
tratamento para podermos ter bebês. Não falamos sobre filhos ainda, mas eu
quero ser mãe. Você quer ser pai, não é? — Pergunto e ele sorri triste para
mim.
— Lógico que quero, meu amor. Quero filhos com seus olhos. Eu te
amo tanto, Melissa. — Ele diz pensativo e eu o olho calada por um tempo.
Espero ele retirar as palavras, mas ele não retira. Ele beija meus lábios e
eu suspiro feliz.
— Você disse que me ama? — Pergunto ainda confusa. Não esperava
que ele falasse isso para mim.
— Sim. Com a força do universo inteiro. — Ele diz olhando em meus
olhos e eu vejo a certeza lá. Pietro me ama. Beijo calmamente seus lábios.
Sua língua entra em minha boca e, juntos, fazemos um ritmo sensual e
erótico. Puxo-o para deitarmos enquanto aperto minhas pernas juntas, mas
Pietro se afasta sorrindo.
— Ainda não. Você disse que sente incômodo quando transamos,
Melissa. Então só faremos amor de novo depois desse incômodo passar. —
Ele diz suavemente e eu sorrio em sua boca.
Deus, Pietro não pode ser de verdade.
— Ok, tudo bem. — Digo e me sento na sua frente. — Você demorou
quando foi pegar o remédio lá no hospital. O que aconteceu? — Pergunto
enquanto pego meu notebook na minha escrivaninha.
— É... Nada. Só a mulher que não estava lá. Eu esperei ela voltar. —
Ele diz gaguejando e eu me viro para o olhar. Pietro não me olha nos olhos.
Só fica olhando para todos os lugares do quarto menos para mim.
— Há... está tudo bem, Pietro? — Pergunto e ele acena confirmando.
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Suspiro e não lhe pressiono.


Quando ele estiver pronto, ele vai falar.
Volto para a cama e Pietro pega meu notebook. Pulo no susto e tento
pegá-lo de volta. Pietro me olha franzino às sobrancelhas e eu sorrio tensa.
— Devolve. — Digo e ele sorri balançando a cabeça.
— O que tem aqui? Fotos de homens pelados ou algo assim? — Ele
sorri e eu balanço a cabeça negando. — Então... O que tem? — Ele pergunta
e liga o notebook.
— Meu livro. Na verdade, meus livros. — Digo envergonhada e ele
sorri de orelha a orelha.
— Você é escritora. — Ele afirma e eu sorrio. — Depois você me deixa
ler algo? — Ele pergunta e eu gargalho da sua empolgação.
— Claro, amor. Mas só quando eu o finalizar, ok? — Pergunto e ele
acena confirmando e me devolve o notebook.
— Então... — Pietro divaga e eu o olho.
— O quê? — O olho e ele sorri convencido.
— Queria te levar para minha cidade. Em um final de semana. — Ele
fala devagar e eu sorrio me aproximando dele.
— É mesmo? — Pergunto e ele revira os olhos gargalhando.
— Sim. Quero te mostrar minha casa e onde nasci. Quero que conheça
meus amigos. O que você acha? — Ele diz pegando minhas mãos.
— Acho ótimo. Lógico que quero conhecer as pessoas que você gosta.
Nós vamos quando? — Pergunto alegre e ele gargalha novamente.
— Podemos ir no próximo fim de semana. Saímos daqui na sexta à
noite e voltamos no domingo. — Ele diz e eu balanço a cabeça negando.
— Meus pais vêm para Seattle nesse fim de semana. — Digo e suspiro.
— Mas podemos ir na semana. Sei lá. — Digo e ele me abraça.
— Para mim está ótimo. — Ele pega meus cabelos e cheira devagar. —
Eu adoro seu cheiro. — Divaga me olhando nos olhos e eu sorrio.
— Obrigada. Você sabe... — começo a falar, mas seu celular começa a
tocar.
— Só um momento. — Ele diz e atende. — Alô?
Saio do quarto para lhe dar privacidade e ando até a cozinha. Dylan está
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saindo de casa quando o vejo.


— Hey! Vai sair? — Pergunto e ele acena confirmando.
— Vou buscar Kyara. Ela quer te ver. — ele diz.
— Que bom. Vou fazer chá para nós duas. — Digo e me viro para
pegar os ingredientes.
— Você sabe... Ninguém além de você gosta desses chás. — Ele grita e
quando me viro, surpresa, para o responder ele bate à porta rindo.
Filho da mãe!
Claro que eles gostam... eu acho.
Pietro sai do meu quarto e me abraça apertado envolvendo minha
cintura. Suspiro e ligo o fogão com ele ainda agarrado a mim.
— Preciso ir. — Ele diz tão baixo que quase não o escuto. Viro-me e
olho para seus olhos.
— Ok — digo e mordo meu lábio. Pietro continua olhando para mim
como se fosse para me guardar em seus pensamentos. Não gosto disso.
— Eu volto à noite para te levar para minha casa. — Ele diz e beija
minha boca. — Você está se sentindo melhor? — Questiona preocupado.
— Estou. Não se preocupe. — Digo e ele sorri revirando os olhos.
— Ok. Esteja pronta às sete. — Ele diz e é a minha vez de revirar os
olhos.
— Certo, capitão. — Digo e bato continência. Ele gargalha e eu sorrio
leve.
Ele me deixa na cozinha enquanto caminha para a porta.
— Te amo. — Pietro para de repente e fala. Quando o olho eu vejo seus
olhos angustiados. E é nesse momento que eu sei que algo está errado. É
nesse momento que eu sei que vou perdê-lo.
Quando a porta bate fechada sinto lágrimas descerem por meu rosto.
Não sei o porquê do choro, mas esse sentimento de perda está impregnado
em meu coração. Eu não posso perder o Pietro. Deus, não o tire de mim.

Saio de seu carro quando chegamos à faculdade. Pietro pega minha mão
e eu viro meu rosto para outro lugar que não seja seu olhar. Não posso ver
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aquele sentimento lá novamente. Não posso pensar que ele está escondendo
algo. Mas eu sei que está. Eu sinto.
Ontem ele me buscou como o combinado. Ele estava alegre, mas
contido. Ele me beijava, mas eu sentia em todos os seus movimentos uma
despedida. Como se fosse à última vez e tudo isso é louco já que iremos para
sua casa no final de semana.
Mamãe ligou e disse que teve um imprevisto. Não vai poder vir para
Seattle. Não vou negar que fiquei um pouco feliz. Estar com Pietro em outro
local pode fazer ele se abrir, ou talvez isso seja da minha cabeça louca
fazendo mil e uma, junções.
— Helena voltou à faculdade. — Ele quebra o silêncio enquanto está
indo me deixar na sala.
— Hum. — Digo sem dar importância.
— Só falei porque você disse que queria falar com ela sobre pedir
desculpas. — Pietro fala e eu aceno confirmando.
— Verdade. Ela senta com as amigas ou com Oli? — Pergunto
enquanto passamos por um grupo de caras.
— Com Oliver e conosco. — Ele diz e eu paro para o olhar. — Ela
sempre sentou com a gente. Ela fazia parte do grupo. — Ele explica e eu
suspiro acenando. Verdade.
— Ok. No intervalo irei ao refeitório. — Digo e beijo seus lábios
devagar.
— Ok. Te vejo mais tarde. — O vejo caminhar pelo corredor e suspiro.
Depois da aula vou para o refeitório com Kyara falando comigo sobre
algumas festas que se aproximam. Já falei que Kyara é a louca das festas?
Agora imagina nós duas?
As loucas das festas.
— O tema vai ser... Normal. — Ela fala e eu gargalho da sua cara ao ler
o panfleto/convite. — Como assim normal? Pelo amor de Deus! Ninguém
teve criatividade para colocar um tema? — Ela fala chocada e eu sorrio.
— Pelo menos vai ser uma festa. E nós vamos com certeza. — Digo
sorrindo e ela começa a rebolar.
— Com certeza. — sorrimos quando somos abraçadas pelas costas.
— Posso saber para onde as senhoras vão com essa certeza toda? —
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Dylan pergunta e nós rimos.


— A uma festa normal. — Digo e Pietro cheira meus cabelos.
— Vamos lá, gatinha. Quero ver você sair da minha casa. — Ele fala e
eu me viro para o olhar.
— Gatinha? Por acaso você está falando com uma garota em uma festa,
Pietro? — Pergunto devagar e com um sorriso nos lábios.
— Não. Estou falando com a minha garota. — Ele sorri e eu reviro os
olhos alegre.
Entramos no refeitório e logo avisto Hilary conversando com Kevin.
Ela tem lágrimas nos olhos enquanto ele balbucia várias coisas para ela.
— Ela terminou com ele. — Kyara diz e eu aceno.
— Eu conversei com ela. Hilary não está aguentando as brigas, então
ela achou melhor decidir por isso. — digo.
— Ele estava louco hoje na aula. É normal. Eu ficaria pior se perdesse
Melissa. — Pietro divaga olhando para eles sem falar para alguém específico.
Sinto o sentimento de perda retornar e me sinto doente.
— Você nunca vai me perder. — Digo e o abraço. — Nunca, Pietro.
Depois nos sentamos e comemos em silêncio. Kevin e Hilary também
sentam conosco, mas não se falam. É, acho que acabou mesmo. Falei com
Helena. Pedi desculpas, mas logo sai a deixando. Não gosto dela. Só de
lembrar os olhos de Rodrigo ao vê-la e seu grito ao imaginar ser sua
imaginação corta meu coração em pedaços.
Eu não o conheço direito, mas sinto como se eu tivesse que o proteger.
Isso é tão louco.

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Capítulo Vinte e Dois


Melissa

Pietro desliza sua mão pela minha e a aperta. Eu sei que quer me passar
conforto ou sei lá o que, mas eu gosto. Encarar seus sogros, por mais que
sejam uns amores de pessoa, deixa qualquer ser humano nervoso.
— Aiden vem aqui mais tarde, podemos sair para a boate do meu primo
ou ir a um restaurante. O que você acha? — Pietro pergunta e eu aceno
confirmando.
— Por mim, tudo bem. — Digo em um sussurro e ele sorri para mim.
— Ok — ele concorda e abre a porta de sua casa.
Quando vi a casa por fora, primeiro pensei que eles eram ricos e agora
aqui dentro tenho certeza. A casa não é maior que a minha, mas ainda assim é
grande.
Entramos na sala e Pietro joga sua mochila no chão. O olho
repreendendo sua atitude.
— Não a jogue. Dê-me ela. — Digo e ele a pega do chão e segura sem
me passar. Chato.
— Já estamos acostumados, Melissa. Quando se casarem você vai ver o
que sofro com esse garoto. — Escuto a voz de Cláudia e me viro assustada.
Sorrio quando a vejo e também pelo que ela falou. Quero casar, e
lógico, quero realizar isso com Pietro.
— Mamãe... — Pietro a repreende balançando a cabeça e me abraça
apertado.
— Olá Sra. Cláudia. — Digo com um sorriso e ela me abraça. A aperto
e suspiro quando ela se afasta.
— Sem Senhora, somos da mesma família. — Ela sorri e eu aceno
confirmando.
Somos da mesma família.
É bom ouvir isso. É ótimo.

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— Obrigada. — Agradeço e ela sorri balançando a cabeça.


Depois dela dizer que fiquemos à vontade, subimos para o quarto de
Pietro. Não é nada fora do normal. Uma cama grande, paredes azuis escuras e
um guarda-roupa embutido que é um charme. Adorei seu quarto.
— Vou pegar algo para comermos. — Pietro fala e beija minha cabeça
carinhosamente. Seus olhos me fitam e por alguns segundos ele me olha. O
mesmo olhar dos últimos dias. O olhar que me memoriza em sua cabeça.
— Você quer me falar algo, Pietro? — pergunto de repente. Ele engole
em seco e beija meus lábios antes de me responder.
— Sim. Mas não agora e não em nosso final de semana, ok? — Ele diz
e eu balanço a cabeça confirmando.
Não vou pedir que me conte. Até porque se ele faz questão de não
contar nesse fim de semana é porque é algo que não vou gostar. E tudo que
eu não quero é algo para me incomodar e fazer a gente brigar.
Depois de ele sair para ir à cozinha, eu me jogo na cama e olho seus
porta-retratos. Em um deles Pietro está sozinho em uma floresta sem camisa.
Suspiro quando olho para seu sorriso. Ele estava lindo e feliz.
Percebesse só de olhar em seus olhos. Em outra foto ele está com
Nicole, os dois estão agarrados. Parece que era a formatura de Nick. Ela
estava linda e Pietro o olhava abobalhado. Deus, como eles são lindos juntos.
Em uma terceira foto ele está com Clara ao seu lado. Perco o sorriso ao
ver eles juntos, a alegria foi aniquilada ao olhar o modo como Pietro a
observa. Do mesmo modo como foi nítido perceber a felicidade dele na foto
na floresta, essa deixa clara o quanto ele a amava.
Pergunto-me se ele ainda sente algo por ela. E por um momento me
permito pensar que ele também se faz essa mesma pergunta relacionada à
Tyler e a mim. Mas eu não amo mais Tyler. Talvez eu nunca o tivesse
amado, ou quem sabe, era um amor diferente.
Saio dos meus pensamentos quando ele entra em seu quarto. Seus olhos
fogem de mim para minha mão, onde está o porta-retratos dele com Clara.
— Esqueci de retirar daí. Vou tirar agora. — Ele diz e deixa a bandeja
na cômoda. Sento-me na cama lentamente.
— Não precisa ser agora. Só não sabia que ainda guardava coisas dela.
— Digo e ele suspira. Ele não me responde. Pietro pega o porta-retratos e tira

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a foto deles de lá.


— Não guardava. É que depois que fui para a faculdade quase não
vinha em casa. E nas vezes que vim trouxe Kimberley, então a gente ficava
na casa da avó dela que mora perto. — Ele explica e eu me levanto andando
em sua direção.
— ok. Agora podemos conversar um pouco? — Pergunto e ele sorri
tenso. — Não é algo realmente muito importante mais acho que temos que
esclarecer isso de uma vez. — Falo e nos sentamos na cama.
— Tudo bem. O que é que está acontecendo? — Ele questiona e segura
minhas mãos.
— Quando vi essa foto de vocês dois juntos me perguntei se ainda
gostava de Clara. — Ele faz menção de falar, mas continuo. — Então pensei
que, talvez, você também se questionava sobre isso em algum momento.
Digo em relação a Tyler. — Suspiro e volto a olhar para ele.
— Se já me perguntei se ainda sentia algo por Tyler? Lógico que já me
questionei isso. Eu ainda me pergunto, às vezes. — Ele suspira e se aproxima
de mim. — Agora se gosto de Clara, a resposta é não, Mel. Eu não gosto
mais de Clara como você pode pensar às vezes. Eu a amo como alguém que
pertenceu a minha vida, como uma amiga e até como uma irmã. Você
entendeu, meu amor? — Ele fala e segura meus cabelos gentilmente.
— Entendi. E respondendo sua pergunta, eu também amo Tyler como
um amigo. Eu o amo por sua proteção comigo e só. Não existe outro homem
em meu coração, a não ser você, Pietro Victor! — Digo firme e ele me puxa
beijando minha boca devagar.
Depois de namorarmos mais um pouco, fomos comer.
Ainda não conversamos sobre nossos sonhos ou até sobre nossas visões
para um futuro. Ser médico é uma coisa que tenho curiosidade em questionar.
Não sinto que ele seja “obrigado” a cursar medicina.
Às vezes o pego estudando e é tão simples o modo que ele lê os livros.
Ele gosta. O pego sorrindo ao ver documentários sobre alguma doença. Então
sim, eu voto que ele ama a medicina tanto quanto eu amo a literatura.
Uma hora mais tarde estávamos saindo de casa. Pietro segurou minha
mão enquanto a outra descia meu vestido para cobrir melhor, minhas coxas.
— Eu juro que vou rasgar esse vestido, Melissa. — Ele rosna e eu
sorrio me aproximando dele.
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— Vou esperar ansiosa. — Digo sussurrando e Pietro agarra minha


bunda com sua mão.
— Pode esperar. — Ele me solta e entramos em seu carro.
O caminho para a boate foi rápido. A cidade não é tão grande, então
deu super certo sairmos de casa um pouco mais tarde. Ao entrar na boate
Pietro nos guiou até uma mesa onde havia três caras e duas garotas. Suas
namoradas. Quero dizer, eu acho.
— Hey! Saiu da tumba, cara! — Um cara moreno grita por cima da
música alta.
Eles se abraçam como caras, tapinhas nas costas e quase não se
encostando, e logo ele se vira para mim.
— Essa é Melissa, minha garota e Mel, esse é André meu amigo. — Ele
me apresenta e eu reviro os olhos para seu jeito de falar.
— Não acredito! Deixou a caracolada? — André faz uma cara
engraçada e Pietro o empurra. — Prazer Mel. Seja bem-vinda a família. —
Ele brinca reverenciando seus amigos.
— Não vai apresentar a garota, Pietro? — Uma garota se levantou e
abraçou André possessivamente. Quase ri da sua cara de mal. Sério, ela se
enroscou no cara.
— Minha garota, Sophia. Não precisa ficar aí marcando território. —
Pietro revira os olhos enquanto ela empurra seu namorado para o lado.
— Não sou cachorra para marcar território, seu idiota. — Sophia grita
irônica para Pietro. — Jesus, garota você é linda. Vamos lá, vou te dar crédito
por sempre pegar as mais lindas. — Ela diz e me puxa para um abraço.
Logo a abraço de volta e fazemos uma dancinha louca. Tipo, já nos
tornamos melhores amigas. Sorrio com meu pensamento.
— Tudo bem. Agora deixe-me apresentá-la a Laura, Travis e Jude. —
Ele revira os olhos e eu sorrio o acompanhando enquanto Sophia solta
beijinhos no ar para nós dois.
Gostei dela.
Pietro abraça os seus amigos e Laura fica sentada sem nos olhar.
Quando me aproximo dela vejo que olha fixamente para sua bolsa e tem algo
dentro que ilumina seu rosto, literalmente.
— Ela está lendo. — Jude fala beijando sua cabeça. Eles namoram,
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Pietro me falou quando apresentou Jude.


— Como? — pergunto olhando de um para o outro. Jude gargalha e
cutuca sua namorada.
— Amor... Essa é Melissa. Namorada de Pietro. — Ele diz e ela levanta
a cabeça me fitando.
— Prazer, Melissa. — dizendo isso ela voltou para seu e-Reader.
E assim passou a maior parte da noite. Puxei Pietro pela mão para
dançarmos e ele gargalhou dizendo não saber.
— Eu te ensino, se for o caso, mas sei que sabe sim. — Digo e ele
suspira me seguindo.
Uma música começa e eu me enrosco em Pietro. Seus braços me
prendem e um sorriso se faz presente em seu rosto lindo. Sua mão sobe por
meu corpo parando quando ele pega um tufo dos meus cabelos. Ele puxa um
pouco me fazendo arquear e lhe dar passagem direta para meu pescoço.
Sinto seus lábios molhados em minha pele e fecho meus olhos me
distanciando de todas as pessoas e direcionando minha atenção a ele. Viro-
me devagar e fico de costas para ele.
Suas mãos agarram minha cintura e me puxam em direção a seu
membro duro. Suspiro e me remexo devagar ao som da voz de Fifth
Harmony, Work From Home. Pietro beija meu ombro nu e me vira de
repente. Seus lábios estão nos meus antes que eu processe seu ato. Sua língua
invade minha boca e solto um gemido quase inaudível quando ele me aperta
mais perto. Sua boca desliza pelo meu pescoço e depois se afasta deixando
um beijo em minha bochecha, sorrindo.
Olho em seus olhos e me perco em tanta luxúria. Queria estar em casa
para o deixar fazer o que está pensando. Ah como eu queria.
— Eu te amo, Melissa Jones. — Ele sussurra em meu ouvido. Eu me
arrepio inteira e suspiro quando as lágrimas ameaçam cair. Mas é em vão.
Elas estão nos meus olhos. — Eu te amo e nada e nem ninguém irá te tirar de
mim. Eu não vou deixar.
É tão bom o ouvir falando assim. Sinto que pela primeira vez em minha
vida sou amada e desejada por alguém que amo.
— Eu... — ele me cala com seus lábios. O beijo de volta e, juntos,
limpamos minhas lágrimas. Pietro sorri e me puxa para o bar.

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— Você quer algo? — Ele pergunta e me puxa para seus braços.


— Quero você. — Digo séria e ele morde o canto da boca tentando não
sorrir.
— Você já me tem, Melissa. — Ele brinca e eu mordo sua orelha
devagar e chupo lentamente. — Tudo bem. Vamos embora. — Ele diz
suspirando e me puxa para sair.
Quando estamos na mesa vemos que Sophia está chorando igual uma
louca. Tipo bem louca. Chego mais perto e percebo que discute com André.
— Você acha que sou otária, André? Eu vi, porra. Ela veio por você.
Ela sempre vem não é mesmo? — Ela grita e limpa suas lágrimas.
— Caramba, Sophia! Para de briga. Eu não tenho nada com essa garota.
Nada. Quando vai entender isso? — Ele levanta do sofá e anda de um lado
para o outro.
— Estou saindo, André e acho melhor para ambos, você me seguir. —
Ela diz firme e eu quase sorrio.
Se fosse outra mulher diria o contrário.
— Merda. Porra. Caralho. — Ele pega sua jaqueta, xingando, e a segue.
Sorrimos e vamos embora juntos com Jude, Laura e Travis.
Ao chegarmos ao quarto de Pietro tirei sua blusa e beijei seus lábios.
Não quero saber de incômodo, eu o quero dentro de mim. Rápido.
Ele me deixa sozinha e vai até seu armário. Quando volta não vejo nada
que foi buscar e voltamos a nos beijar. Deixo meus saltos no final da cama e
quando penso em tirar meu vestido. Escuto algo se rasgando.
Quando olho para cima Pietro tem o vestido em suas mãos. Meu
vestido é... Quero dizer, era sem mangas o que facilitou a sua saída do meu
corpo. Agora consigo ver claramente o que foi buscar. Tesoura.
Merda.
— Eu avisei. — Ele fala firme e segura meus seios em suas mãos.
Aí vamos nós.

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Capítulo Vinte e Três


Melissa

Vejo o sol emergir das nuvens e sorrio diante de tanta beleza. As mãos
de Pietro apertam minha cintura e eu apoio minha cabeça em seu peito. Estou
sentada no meio de suas pernas no telhado da sua casa. Pietro me acordou
cedinho para me mostrar o seu lugar na casa. E eu amei.
— Eu vinha para cá quando todos ainda estavam dormindo. Ficava
olhando o sol nascer e eu me perguntava como somos pequenos diante de
tudo isso, sabe? Como às vezes nos achamos tão importantes, só que não
somos nada comparados a tudo à nossa volta. Eu amo olhar o céu, porque me
lembro de que sou apenas mais uma pessoa no mundo. Eu não sou o centro
do universo. — Ele sussurra em meu ouvido devagar enquanto continua
olhando o sol.
— Ouvindo você falar assim me sinto fútil. Não que eu seja uma garota
sem nada na cabeça, mas eu nunca parei para pensar nessas coisas. — digo e
me viro para o olhar. — Sou estranha por isso? — Pergunto sincera.
Pietro sorri e me puxa para seu colo. Sento-me e passo meus braços por
seu pescoço.
— Você não é estranha. Só falei às coisas que estão na minha cabeça.
Você é linda e é o centro do meu universo. Ponto. — Ele fala me olhando
sério e eu sorrio diante da imensidão dos seus olhos.
— Você também é o centro do meu. — Digo e beijo seus lábios.
Paramos de nos beijar quando ouvimos a mãe de Pietro subir no
telhado. Ela sorri envergonhada por ter nos vistos nos beijando.
— Trouxe o café da manhã para vocês. Beatriz colocou tudo que você
gosta, Pietro. Não sabia bem o que Mel gosta. — Ela se desculpa e eu sorrio.
— Como de tudo um pouco. Mas obrigada pela preocupação. — Digo e
pego a bandeja das suas mãos. — Muito obrigada. — Digo e ela sorri.
Volto e me sento agora ao seu lado. Pietro agradece sua mãe e pega os
bolinhos para comer.

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— Eu amo essa mulher. — Pietro fala e eu gargalho de sua cara de


desejo ao comer.
Comemos em silêncio e logo deitamos. Pietro deitou com a cabeça lado
a lado com a minha, mas com suas pernas opostas as minhas.
Quando olho para seu rosto seus lábios estão na altura dos meus olhos.
Sorrio e ele beija minha cabeça.
— Queria te perguntar uma coisa. — Digo. Ele sorri e concorda. —
Você sempre sonhou em ser médico? — Questiono.
— Sempre. Papai quase enlouqueceu pensando que eu não queria. Ele
não iria me forçar caso eu não quisesse, mas ele ficou um pouco assustado
com a possibilidade. É explicável já que ele é dono de um hospital e eu serei
seu herdeiro. Mas não foi por isso que eu decidi por Medicina. Eu amo a
profissão. — Ele diz sério e eu beijo seus lábios devagar.
— Que bom, meu amor. — Digo. — Você tem algum sonho? —
Pergunto curiosa. Nunca chegamos a conversar assim. Nem quando éramos
apenas amigos.
— Eu sonho em conhecer a África. Não só pela beleza que o país tem,
muitas pessoas nem sabem o quanto àquele lugar é fantástico, mas pelas
dificuldades também. Eu queria ir e ajudar um pouco sabe? — Ele divaga e
eu sorrio.
Pietro tem o coração tão bondoso. São nessas horas que eu tenho
certeza que me apaixonei pelo cara certo.
— E você? Tem algum? — Questiona.
— Tenho, mas não é nada lindo assim como o seu... eu sonho em ser
feliz e construir uma família linda e saudável. — Digo sincera e mordo meu
lábio ao imaginar os exames que irei pegar na segunda-feira.
Estou ansiosa e um pouco assustada. Agradeço a Pietro por me trazer
para sua casa. Em Seattle eu iria enlouquecer.
— Esse sonho eu vou realizar com você e para você. — Ele sussurra e
tira meu lábio dos meus dentes. — Nós vamos ser tão felizes Melissa. — Ele
promete e eu sorrio.
— Tenho certeza que sim. — Digo e beijo seus lábios.
— Você quer conhecer algum lugar? — Ele questiona enquanto brinca
com meus anéis.
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— Quero conhecer a Inglaterra. Não tenho um, por que bonito quanto o
seu, só tenho esse desejo. — Digo e ele confirma.
— Entendi. Quem sabe não vamos passar a nossa lua de mel lá? — Ele
pergunta e eu quase quebro o pescoço ao querer olhar para ele.
— O quê? — Abro e fecho a boca mil vezes tentando formar uma frase
coerente, mas não consigo. Pietro ri de mim e começa a mexer em meus
cabelos.
— Você não pensa em se casar? Comigo, é lógico. — Ele questiona e
nos sentamos de frente um para o outro.
— Eu... quero dizer... — suspiro e sorrio. — Lógico que quero. Mas é
que ainda somos muito jovens. Primeiro quero terminar minha faculdade e
conseguir me estabelecer financeiramente. — Digo e ele balança a cabeça
confirmando.
— Eu também quero isso. Daqui um ano terminamos a faculdade e
esperamos mais um para casar. — Ele diz tão casualmente que eu quero
gargalhar. Mas, lógico, não faço.
— Ok, tudo bem. Vamos falar sobre isso novamente daqui um ano, ok?
— Pergunto e ele sorri me abraçando.
Entramos no quarto de Pietro depois de descer do telhado. Conversar
com ele foi ótimo para mim. Acho que passei a conhecê-lo mais. Sorrio
quando me lembro de suas palavras sobre casamento. Escuto seu celular tocar
e o pego para entregar a ele, já que está no banheiro.
Kimberley.
O que ela quer?
— Pietro, Kimberley está ligando. — Digo perto da porta com o celular
na mão.
— Já vai. — Ele grita e sai do banheiro apressado. Afasto-me no susto
e ele pega o celular de mim. — Obrigado. — Ele diz e seu semblante é
preocupado.
Não entendo nada. Não sei o porquê de ele estar tão preocupado. Quero
dizer, eles terminaram. Não acho que a ligação de um ex seja ainda tão
importante ao ponto de preocupação. Afasto-me dele e vou para a cama. Pego
meu notebook e começo escrever. Pietro entra no banheiro novamente e eu
suspiro.

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Depois de escrever um monte de palavras idiotas, fecho o computador.


Pietro ainda está no banheiro falando com Kim. Não entendo o que está
falando. Penso em chegar mais próximo a porta, mas logo balanço a cabeça
para minhas idiotices.
Não vou vigiar meu namorado. Pelo amor de Deus!
Quando ele sai do banheiro já vem vestido e arrumado. Ele sorri para
mim e se deita ao meu lado.
— André ligou dizendo que Sophia quer te ver. — ele fala e eu sorrio
sem vontade.
Não que eu não queira ver Sophia. Eu quero. Só que Pietro não está me
explicando o porquê de Kimberley estar lhe ligando. Muito pelo contrário, ele
está tentando me despistar.
— Eu disse que eles poderiam vir aqui. Podemos ir para a piscina. —
Ele diz e passa a mão pelos cabelos molhados.
— É mesmo? Não vi a piscina ainda. — Digo fria enquanto rodo meus
anéis.
— Sim. Tem uma no Jardim. Quando eles chegarem nós vamos, ok? —
Concordo com um aceno e mordo meu lábio tentando me privar de fazer
perguntas.
Ficamos calados por um tempo. Sinto Pietro me olhando. Eu sinto seus
dedos passearem por minha coxa. Estou sentindo seu hálito quente em minha
pele. Eu sinto sua aflição em não querer falar o que sua ex queria. Isso me
mata mais do que eu queira admitir.
— Não era nada, Melissa. — Ele suspira e puxa minha cabeça para o
olhar.
— Tudo bem. — Digo e volto a olhar para os móveis do quarto — Não,
não está tudo bem, Mel. — Ele afirma e eu o olho.
— Sabe por que não está? — Questiono e ele se senta em minha frente.
— Não. Eu não sei. — Ele responde e pega minha mão na sua.
— Porque você está mentindo. Eu conheço você o suficiente para saber
isso. — Digo firme e ele desvia os olhos dos meus.
— Eu... eu juro que vamos conversar sobre isso. — Ele respira fundo.
— Mas só quando chegarmos em casa, ok? — Ele implora com os olhos.
Levanto-me da cama e ando pelo quarto.
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— O que é? Eu estou ficando louca com isso, Pietro. Você só fala que
vamos conversar quando chegarmos em casa. Por que não me fala logo? —
Pergunto aflita. Eu sei que é algo grande. Eu sinto.
— Melissa...
— Eu estou me sentindo sufocada. Eu... meu peito está apertado, Pietro.
Desde a minha ida para o hospital eu vejo em seus olhos... eu vejo despedida.
Eu vejo que estou te perdendo. É loucura? Talvez. Mas eu não posso te
perder. Eu não posso. — Falo freneticamente. Ele se levanta e me abraça.
Sinto minhas lágrimas descendo por meu rosto e me afasto dele.
— É por causa da doença? Eu já falei que se eu estiver... eu vou me
tratar. Eu juro. Eu vou te dar bebês, amor. — Falo enquanto olho em seus
olhos. Limpo minhas lágrimas e me aproximo. — Eu juro. — Reforço e ele
balança a cabeça negando.
— Mel... Não é nada disso. Pelo amor de Deus. Eu te amo. Não é uma
doença que iria me fazer te deixar...
— Então por quê? Porque você quer me deixar, Pietro? — O
interrompo soluçando.
— Eu não quero te deixar. Você está se ouvindo, Melissa? Faz menos
de uma hora que eu estava falando de casamento com você. Há pouco tempo
eu estava dizendo que você é o centro do meu universo. Eu não vou te deixar.
Nunca, Melissa. Mas eu não tenho certeza de que você não vá, entende? —
Ele se aproxima e eu engulo em seco.
— Eu não vou te deixar, Pietro. Mas pelo jeito que está falando parece
ser algo muito sério. E eu quero que me fale. Por favor, me fala. — Imploro.
Ele vai para a janela do outro lado do quarto e suspira.
— Amanhã vamos conversar. Eu juro por tudo que é mais importante
para mim. — Ele insiste e eu balanço a cabeça sem acreditar nisso. Sem
acreditar que o que ele esconde vai fazer eu deixá-lo.
O que pode ser, meu Deus?
— Ok — digo e suspiro. — Tudo bem. Amanhã vamos conversar.
Agora eu vou me arrumar para esperar Sophia. Se puder me esperar lá
embaixo, eu agradeço. — Digo. Ele fica parado me olhando. — Por favor. —
Falo e me viro para não olhar em seus olhos. Depois de segundos ele sai do
quarto me deixando sozinha.
Troco minha roupa por um biquíni branco e um short jeans. Penteio
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meu cabelo enquanto as palavras de Pietro voltam para meus pensamentos.


Mas eu não tenho certeza de que você não vá, entende?
Eu não vou deixar ele. Eu preciso saber o que ele me esconde. Eu vou
enlouquecer se eu não souber.
Desço depois de alguns minutos e encontro André correndo da sala de
estar para o quintal da casa aos gritos animados com Sophia revirando os
olhos logo atrás.
— Deixe de ser idiota, André. Parece uma criança que nunca entrou
numa piscina. — Ela resmunga e depois me abraça sorrindo.
— Hey! Ele está bem alegre. — Digo e ela revira os olhos. Vamos para
o quintal atrás de André.
— Ele tem uma piscina nos fundos da casa dele, mas como ele é
exibido... — ela se cala quando André se joga na piscina e a água respinga
em nós. — André! — Ela grita e ele gargalha.
— Você está tão ranzinza, Sophia. Pelo amor de Deus! — André se
queixa e mergulha. Ela rosna irritada e nós nos sentamos em espreguiçadeiras
na sombra.
— Não entendi nada ontem. Vocês saíram de repente. — Digo curiosa,
mas não a olho. Se ela não quiser falar, vou respeitar seu desejo.
— Tinha uma garota na boate ontem... ela é prima do André, mas ela é
do tipo prima puta, entende? — Suspirando aceno. — Ela gosta dele. De
verdade, mas ele é um idiota. Ele não entendeu ainda que ela é sim uma
ameaça para nosso namoro. — Ela morde sua unha e eu pego seu braço
afastando sua mão da boca.
— Ela não merece que você estrague suas unhas por isso. — Digo com
um sorriso e ela me puxa para um abraço.
— Ela me deixa louca, sabe? Ela é toda linda, tem uma bunda enorme
enquanto eu nem sequer tenho. Eu odeio isso. — Ela fala choramingando.
— Mas ele está com você e não com ela. Ele não quer a bunda enorme
dela. Ele quer a sua, que, diga-se de passagem, é um pouco grande sim. —
Digo divertida e ela revira os olhos.
— Ele me ama. — Ela fala de repente. A olho sem entender porque
falou isso agora. — Ele disse ontem enquanto a gente brigava. Eu... não
respondi. Eu sou idiota, né? Porque a gente está namorando há três meses e
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eu acho pouco tempo, mas eu já o amo. Eu o amo e eu não consigo sequer


explicar como. — a interrompo.
— O amor não se explica, Sophia. Ele é forte e chega de repente.
Quando a gente menos espera. Tenho certeza que você terá outra
oportunidade para respondê-lo corretamente. — Digo rindo e ela balança a
cabeça confirmando.
Ela tira o short e a blusa rapidamente, ficando somente com seu biquíni
vermelho sangue. André sorri largamente quando a vê entrar na água.
Suspiro e tiro minha roupa também. Vejo Pietro do outro lado, dentro
da piscina, me observando. Sorrio ainda tensa pela briga de mais cedo e entro
na água.
Nado até ele e subo próximo ao seu peito deixando minhas mãos em
seus braços. Ele segura minha cintura firmemente e eu suspiro.
— Não se afaste de mim, Mel. — Ele sussurra acariciando meu rosto.
— Eu não vou. — digo por fim e beijo seus lábios.
Permito-me afastar os pensamentos, os segredos e principalmente suas
palavras ditas pela manhã.
Eu afasto tudo.

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Capítulo Vinte e Quatro


Melissa

Depois de um tempo, saio da piscina um pouco. Enquanto Pietro passa


protetor solar em mim observo que Sophia ainda está namorando André
dentro da água. Depois da nossa conversa parece até que ela se soltou mais.
Eles formam um casal lindo.
— André está louco por Sophia. Nunca vi meu amigo assim. É
estranho... — Pietro sussurra e eu quero lhe perguntar o porquê de estar
falando baixo já que o casal está longe da gente, mas não o faço.
— Ela é muito legal. Acho que eles vão dar certo. — Digo sorrindo.
— Eu acho que já deram. — Ele gargalha e aponta para os dois. Sigo
seu olhar e balanço a cabeça rindo.
Sophia está pendurada no pescoço de André enquanto ele beija o vale
entre seus seios. Eca!
— Vão para um quarto! — Jude grita ao sair da casa com Laura em seu
encalço.
— Hey cara! — Pietro grita para ele e juntos caminham para nós. —
Vocês demoraram. — Ele se queixa quando eles dois se sentam.
— Laura estava terminando de ler seu livro. — Ele fala tranquilamente.
Ela sorri me cumprimentando e eu retribuo. Seus olhos cinzentos olham para
Jude e ela sorri apaixonada.
— Melissa também gosta de livros. Mas não de ler. — Pietro informa e
eu lhe dou um empurrão devagar.
— Eu gosto de ler também. Você que não vê. — digo cruzando os
braços fingindo irritação.
— Você gosta de escrever, Mel? — a voz de Laura chega a meus
ouvidos e sorri. Ela é tão suave.
— Sim. Digo, eu tenho um livro completo e estou escrevendo outro.
Mas nada tão bom quanto os que já leu. Tenho certeza. — Digo e Pietro sorri
me abraçando.
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— Adoraria ler algo seu. Meu pai é dono de uma editora... se quiser que
eu leve seu original para avaliação... Quem sabe dá certo? — Laura fala
sorrindo e eu arregalo os olhos, surpresa.
Ela coloca seu cabelo loiro atrás de sua orelha esperando que eu lhe
responda, mas está difícil.
— Eu... digo... eu fico muito feliz que você se dispõe em me ajudar
nessa parte, mas ainda não me sinto preparada. Mas se quiser ler, eu adoraria
te mandar. Pietro vai começar ler também. — digo sorrindo e ela balança a
cabeça confirmando.
— Fico muito feliz. — diz e Jude beija sua bochecha.
Sorrio ao olhar para os dois. Eles são tão legais juntos. Ela lê em todos
os lugares e ele admirar isso, quero dizer, não se opor, é muito bonito.
Depois de alguns minutos eles dois entram na piscina e vão conversar
com Sophia e André. Ainda bem que eles pararam de fazer safadeza. Pelo
amor de Deus!
Pietro me abraça por atrás e eu apoio meu corpo em seu peito.
— Desculpe ainda não termos visto meu pai depois que chegamos, é
que aconteceu um acidente com um ônibus e dois carros na cidade, então ele
está no hospital cuidando para nada dar errado. — Pietro explica e eu me viro
para olhar em seu rosto.
— Não tem problema. Espero que todos estejam bem. — Digo ainda
surpresa por saber do acidente. — Quem sabe tudo se resolva até à hora do
almoço? — pergunto tentando o acalmar.
— Espero. Ele se dá muito para esse hospital. Não estou reclamando,
muito pelo contrário. Eu tenho orgulho por ele se preocupar tanto com os
outros, mas ele traz os problemas consigo para casa. Não acho que seja bom
para ele. — Ele fala enquanto olha para sua casa. Seu rosto é um misto de
angústia com preocupação e eu balanço a cabeça afirmando.
— Hey! Está tudo bem. Seu pai é um homem forte. Não vai ser alguns
problemas que o faça ficar fraco ou doente. — Digo acariciando seu rosto.
Pietro suspira e me puxa para seu colo. Suas mãos entram em meus
cabelos e sua boca toma a minha como sua. Nossas línguas duelam pelo
poder de saborear um ao outro. Pietro desce beijos pelo meu pescoço e segura
minha cintura firmemente em direção a sua ereção. Merda.

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— Procurem um quarto! — Sophia grita enquanto Jude e André jogam


água em nós. Filhos de uma...
— Vão se foder! — Pietro grita enquanto saio de cima dele.
Passamos a manhã com eles na piscina, na hora do almoço Pietro até
que tentou os fazer ficarem, mas disseram que não. Sophia principalmente,
acho que ela vai responder "corretamente" André.
Subo para lavar o cabelo e secar. Odeio cabelo molhado sem estar na
praia ou piscina, então sempre recorro ao secador. Visto um short jeans e uma
regata preta. Pietro está no banho, então me sento na cama e espero ele se
arrumar.

— Vocês irão pegar a estrada que horas? — Cláudia pergunta enquanto


se serve de mais salada.
— Às 16 horas, mãe. Por quê? — Pietro pergunta franzino às
sobrancelhas.
— Nada. Só terei que ir com seu pai para o hospital. Ainda está um
caos e eu quero ajudar um pouco. — Ela responde dando de ombros.
Sorrio para ela me sentindo orgulhosa e agradecida por Pietro ter
pessoas tão maravilhosas ao seu lado desde criança.
— Então Melissa, como não tivemos tempo de conversar muito e eu
peço desculpas por isso, gostaria de saber qual curso está cursando. — Victor
dá de ombros se desculpando.
— Não tem problema. Eu curso literatura inglesa. — Digo sorrindo
enquanto ele balança a cabeça confirmando.
— Que bom. Você quer ser professora, editora... Algo do tipo? — Ele
pergunta novamente.
— Quero editorar, mas também quero ser escritora. — Respondo e
Pietro sorri pegando minha mão por baixo da mesa.
— Humm... Não quero ser inconveniente, mas Pietro irá voltar para
cidade depois da faculdade... Você pensa em vir para cá quando se casarem?
— O suco que eu ia beber foi parar na cadeira da minha frente ao ouvir as
palavras de Victor.
Deus, eu cuspi o suco, literalmente! Que vergonha!
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— Pai! — Pietro ruge o repreendendo.


— Pietro, é a verdade. — Ele fala dando de ombros. — Desculpe,
Melissa. Não quis lhe importunar. — Ele me olha, sincero.
— Tudo bem, Pietro. — O acalmo e me volto para seu pai. — E Sr.
Victor eu já presumi a vinda de Pietro para cá, pois ele cursa Medicina. E se a
gente se casar, o que de verdade eu espero que aconteça, não verei problema
nenhum em vir morar onde ele nasceu. — Digo calmamente com um sorriso
nos lábios.
— Isso é muito gentil da sua parte, Melissa! — Cláudia sorri e pega
minha mão por cima da mesa. — Eu sei que faz pouco tempo que estão
juntos, mas eu não escolheria nora melhor para meu bebê. — Ela diz e Pietro
bufa ao meu lado. Quase não presto atenção, pois suas palavras ainda ecoam
em meus pensamentos.
— O discurso estava ótimo até me chamar de bebê. — Meu namorado
reclama.
O almoço segue sem maiores informações. Os pais de Pietro
perguntaram por Nicole e Connor e eu na verdade, não tinha muito que falar
já que tem um tempo que não vou à casa dos dois.
Mas isso está indo mudar amanhã, depois de receber meus exames vou
falar com eles. Tenho que conversar com minha família. Acho que eles
sabendo sobre a possibilidade da doença, seja melhor para meu emocional.
As 16horas estamos saindo de casa. Despedimo-nos de Victor e Cláudia
logo depois do almoço, pois, como ela falou, iriam para o hospital. Andamos
lado a lado para o estacionamento, mas logo paramos ao ver um carro entrar
pelo portão.
Sophia, André, Laura, Jude e outra garota descem do carro e eu sorrio.
A garota tem cabelos enrolados e olhos verdes brilhantes, sua pele é clara e
eu a acho muito bonita.
— Hey! Não acredito que iriam embora sem se despedir. — Sophia faz
cara de brava e eu balanço a cabeça sorrindo. Faz menos de doze horas que a
vimos. Dramática!
— Sophia... Poupe-me. — Pietro reclama colocando nossas malas no
carro sem olhar para trás.
— Pietro... Não vai me apresentar a sua garota? — A garota que chegou
com eles fala cruzando os braços.
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— April, não! — Laura fala, rudemente, como nunca imaginei ela ser
capaz de falar.
— Que? Só estou pedindo que ele a apresente. — Ela me olha da
cabeça aos pés e Pietro se vira com o rosto impassível.
— April... Como está? Essa é Melissa, minha namorada. — Ele aperta o
maxilar ao falar. — Mel, essa é April, uma velha amiga. — Diz a apontando.
— Íntima. — Ela conclui. Aperto meus olhos me aproximando dela. —
Bem íntima.
— Está tentando fazer com que eu fique com ciúmes? — Pergunto
séria. Coloco minhas mãos na cintura. Ela sorri debochada. — Desculpe lhe
decepcionar, querida. A ex dele é ainda melhor que você e mesmo assim ele
está comigo. Então algo eu devo ter, não é mesmo? — digo dando de ombros.
— Desculpe, aqui não vai funcionar. — Seu sorriso se vai e fica uma
carranca rude.
Vadia.
— Estamos indo já, galera. Nos vemos de novo em breve. — Pietro se
despede deles me puxando pela cintura. Abraço minhas novas amigas,
começando por Laura.
— Adorei te conhecer. Vou mandar o manuscrito para você ler ainda
essa semana. — Digo sorrindo e pisco o olho.
— Não ligue para minha prima. Ela sempre esperou ele voltar para seus
braços. — Ela sorri triste e eu balanço a cabeço num gesto de desdém.
Afasto-me e abraço Sophia.
— Espero que você tenha feito o correto. — Digo sorrindo e ela me dá
um sorrisinho de lado.
— Eu fiz. Eu me entreguei para ele. — Ela sussurra e eu a abraço de
novo. — Obrigada. E não se preocupe com a prima puta da Laura, pois essa
já come na minha mão. — nós gargalhamos.
— Tudo bem. Espero vê-la em breve. — Beijo seu rosto.
Depois disso saímos em direção a Seattle. Em direção a nossa casa.
— Desculpe pela April. Ela não sabe quando se calar. — Pietro
resmunga no carro e eu lhe dou a mão.
— Não precisa se estressar. Eu cuidei de tudo, você não viu? —
Pergunto tentando ficar séria.
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— Sim. Muito bem, moça bonita. — Ele beija meus dedos e se


concentra no trânsito.
Entramos em seu apartamento, cansados. A primeira coisa que faço é
chutar meus sapatos. Deus, estou com minha coluna pinicando e meus pés
dormentes.
Pietro fecha a porta suspirando e me abraça por trás. Meus músculos
relaxam imediatamente. Sei que ainda temos que conversar, mas, mesmo
assim, não estou tão animada para isso.
Só quero descansar um pouco.
— Você quer dormir? Acho que minha cama está te chamando. — sua
voz chega aos meus ouvidos, arrastadas.
— Então eu vou lá. Sem problema algum. — Digo rindo e puxando
Pietro pela mão. — Tenho certeza que não é só eu que ela está chamando. O
que você acha? — Questiono brincalhona.
— Eu acho que antes de hibernarmos deveríamos fazer algo realmente
bom. — ele tira sua blusa enquanto eu me sento na cama.
— É mesmo?
— Com certeza. Então se você puder, tire essas roupas e fique nua para
mim. — Engulo em seco e sinto meu corpo aquecer.
Jesus!
— Vamos lá, Melissa! Ou quer que eu te ajude? — ele fala ao tirar sua
calça jeans.
— Ok.
Sob seus olhos começo a tirar minha roupa. Pietro sorrir sem tirar os
olhos de mim. Quando olho para ele novamente ele está nu apenas me
olhando. Merda. Merda. Merda.
Termino de tirar minhas roupas ficando apenas de lingerie. Pietro
suspira e se aproxima de mim devagar. Seus passos são cheios de certeza e eu
respiro fundo.
Não sei por que estou nervosa. Já fizemos isso, uma pá de vezes. Mas...
Pietro me abraça e desce seus lábios pela minha pele. Suas mãos me
circulam e desfecham o meu sutiã. Depois que ele desce por meus braços
Pietro suspira pegando meus seios firmemente.

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— Eu amo seus seios. — ele sussurra fazendo o seu hálito deixar meus
bicos duros. Meus pensamentos se desfazem quando seus lábios o chupam
com vontade e ele me levanta fazendo eu circular sua cintura com minhas
pernas.
Deitamo-nos na cama com Pietro ainda mordiscando meus seios. Seus
lábios descem por minha barriga enquanto ele tira minha calcinha devagar.
Seus dedos entram em contato com minha carne molhada e meu gemido
ecoa pelo quarto. Ele sorri e beija minha boca parando de me tocar. Quero
reclamar, mas logo ele me preenche em um movimento rápido e fugaz. Grito
enquanto seus movimentos vão se intensificando.
Meu ventre aperta com o prazer futuro enquanto o suor desliza por
minha pele. Pietro ruge alto enquanto começo a me mexer junto com ele. Em
um movimento brusco ele me vira e faz-me estar por cima. Enquanto desço
por seu colo me sinto preenchida inteiramente. O prazer parece que
multiplicou. Enquanto continuo subindo e descendo em seu colo, Pietro
brinca com meus seios me deixando cada vez mais perto da borda.
Juntos, encontramos o prazer de maneira intensa. Como nunca
encontrei nas vezes que fizemos amor.
Caio exausta em seu peito e nos enrolamos abraçados, então dormimos
pacificamente.

Acordo com batidas na porta. Olho para meu lado e Pietro dorme com
os lábios entreabertos. Passo a mão por seu cabelo e beijo sua boca
carinhosamente. Eu o amo tanto. Nunca pensei que eu poderia amar mais do
que cheguei a amar Tyler, mas eu estava tão enganada.
Eu nunca gostei de Ty um terço do que gosto de Pietro. Com ele tudo é
tão intenso. Saio dos meus devaneios com mais batidas na porta. Espero que
não seja Kevin ou Oliver, porque sinceramente... eles não têm o que fazer?
Visto minha calcinha e sutiã. Pego a blusa que Pietro jogou no chão e a
deslizo por meu corpo. Ando para a sala apressadamente, pois as batidas
começaram novamente. Suspiro e abro a porta.
A primeira coisa que vejo são seus olhos verdes arregalados, depois são
seus cabelos loiros e encaracolados. Ainda bonita como sempre, mas nada
disso resultou o que estou sentindo agora.
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Sua barriga fez!


Apenas isso foi capaz de fazer meu corpo inteiro virar gelatina.
Somente isso fez minhas pernas cederem e eu precisar segurar a porta com a
força que não tenho.
Quando penso que irei cair, Pietro me segura. Não sei de onde saiu. Só
sei que estou em seus braços.
— Kimberley... Você ... — eu não consigo dizer. Tem algo em minha
boca que não me deixa falar.
— Estou grávida, Melissa.
É nesse momento que eu escuto.
Meu coração quebrando.

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Capítulo Vinte e Cinco


Melissa

Quando eu era criança meu pai me dizia que tudo na vida tem um
propósito. Sendo elas boas ou ruins. Eu olhava admirada para ele, mas a
verdade é que nunca entendi o que queria falar.
Acho que naquelas horas ele estava querendo me preparar para
momentos como esse. Para momentos em que, certamente, me deixaria
desapontada ou triste.
Puxo a blusa de Pietro para me cobrir, mas não adianta muita coisa. Me
solto de seus braços como se eles fossem fogo ardente. Não consigo desviar
os olhos da barriga de Kimberley. Não consigo pensar em nada a não ser, que
ela vai dar um bebê a ele.
Ela vai realizar o que tanto eu estava me preocupando em dar a ele. Ela
vai lhe dar um filho.
Meus olhos querem se encher de lágrimas por isso, mas eu não permito.
A vinda de uma criança não é motivo para chorar. É motivo para celebrar. Eu
não me permito derramar lágrimas tristes por um bebê que nem nasceu ainda.
Mesmo ele sendo de outra mulher com o homem que eu amo.
— Kimberley... O que está fazendo aqui? — Escuto a voz dele distante.
Minhas mãos estão suando, remexo meus dedos tentando dissipar o
nervosismo, mas é em vão, cada vez que olho para sua barriga é um lembrete
certo de que ela está grávida do meu namorado. Eles vão ter um bebê juntos.
Minha respiração está pesada. Eu respiro fundo, tentando, mais uma vez, me
acalmar.
— Você disse que chegava hoje... eu não pensei que Melissa estaria
aqui. Desculpe. — Ela fala enquanto olha entre nós dois. Não vejo falsidade
ou qualquer outro sentimento ruim em seus olhos. O único sentimento que ela
sente em relação a mim é pesar.
Ela pensou que ele já tinha me contado? Pietro já sabia? É lógico, era
isso que ele queria me dizer. Por Deus, como fui idiota. Como ele pôde me
esconder isso?
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— Quando vier aqui eu peço, por favor, que me avise. — Ele diz
suspirando. Distancio-me deles e fico um pouco atrás. Estou por um fio, eu
espero eles me explicarem algo. Eu espero. Mas eles não fazem.
— Desculpe. — Sua voz sai arrastada.
Então, eu quebro.
Eu perco o controle total.
— Vocês estão me vendo aqui? — Grito de repente os fazendo saltar.
— Parem de conversar como se eu soubesse da gravidez de vocês. Parem de
ignorar o fato que acabei de ver que meu namorado vai ser pai do filho de sua
ex... — Continuo gritando enquanto Pietro vem em minha direção.
— Mel... — ele começa. — Me desculpe. Eu ia falar hoje. Eu tinha
dito, não era? — Seus olhos estão cheios de lágrimas enquanto ele repete essa
pergunta diversas vezes. — Eu tinha dito. Não é? Você se lembra. Não é? —
Sua voz me causa mais e mais lágrimas.
— Eu... vou embora. Desculpem-me novamente. — Escuto a voz de
Kim, mas não a olho.
Olhar para ela traz a certeza de que isso não é um sonho. Traz a certeza
de que ela vai dar a ele o que eu não posso. Pelo menos não até saber o
resultado dos exames amanhã.
Depois que ela sai, eu viro as costas para Pietro e caminho para o
quarto. Eu me abraço tentando de algum jeito me consolar, é idiota, mas não
tenho muita escolha no momento. Tenho que ir embora daqui. Eu não
consigo sequer olhar para ele. Só de vê-lo meu corpo dói. Tudo dói.
— Mel... Por favor. Amor... — ele me acompanha e eu deixo minhas
lágrimas descerem.
Não por Kimberley está grávida. Mas por saber o que vem a seguir. Eu
vou perdê-lo. Eu sempre perco. Eu deveria está acostumada, mas se tratando
dele, eu sempre viro uma bagunça.
— Como você pôde, Pietro? Como você foi capaz de me esconder uma
coisa dessas? — Questiono de repente irritada. — Deus, nós passamos o final
de semana inteiro, juntos, e você não me falou. Você não falou uma maldita
palavra. Como você pôde me fazer de idiota assim? — Tento gritar entre os
soluços. Meu peito está doendo. Todo meu corpo está.
Meu coração passou o final de semana inteiro apertado, mas hoje ele é

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nada mais que pó. Um simples e fino pó que é levado pelo mais fraco vento.
— Eu disse... nós iríamos conversar quando chegássemos em casa. Eu
juro que não iria esconder isso. — Ele pega minhas mãos e me abraça.
Remexo-me em seus braços tentando me soltar, mas ele me aperta mais
ainda. Não chega a me machucar, mas é como se ele estivesse tentando me
prender dentro de si mesmo.
— Eu te amo. Você sabe disso, Melissa. Não me deixe. Por favor... —
sua voz se quebra ao meio e eu fecho meus olhos.
Como de um final de semana de amor chegamos a isso? A esse medo
absurdo. A essa sensação de perda que se apoderou de mim? E dele?
— Pietro, por favor, me solte. Você está me fazendo sofrer. — No
momento em que essas palavras saem da minha boca ele me deixa ir.
Em silêncio ele se senta na cama. Seu rosto está molhado e sua
respiração irregular. Pego minhas roupas no chão do quarto respirando
fortemente. Tiro sua camiseta e começo a me vestir no automático. Seus
olhos estão cravados em mim. Tem tanta dor lá que eu não sou capaz de olhar
para ele.
Mas eu não posso ir adiante. Eu não posso ver e acompanhar sua
interação com Kimberley. A mãe do seu filho.
— Mel. Por favor... vamos conversar. — Ele volta a falar enquanto
estou colocando minha bota.
— Tudo bem. Vamos lá... — digo tentando soar fria, mas em vão.
Sento-me na sua frente e em questão de segundos as lágrimas começam a
jorrar novamente. — O que vai me falar, Pietro? Que nada vai mudar? —
Questiono chorando, mas ele fica calado. — Me responde, Pietro. —
Sussurro.
— Nós podemos. Eu sei que as coisas vão mudar, mas eu não vou te
deixar para casar com ela. Eu nunca faria isso, Melissa. — Ele pega minhas
mãos e me puxa para seu colo. Eu deixo. Eu não posso o privar disso. — Eu
te amo tanto. — Ele soluça.
— Eu... — engulo minha fragilidade e começo a falar de novo. —
Talvez você esteja certo. Mas eu preciso de um tempo, Pietro. Eu preciso
pensar nisso com calma... você me enganar, omitir a gravidez dela me
machucou de uma maneira horrível. — Digo enquanto ele me aperta mais
forte em seu peito.
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— Não faz isso comigo, linda. Eu só estava com medo. Eu ainda


estou... não me deixa, Melissa. — Soluço em seu pescoço e o abraço. Passo
meus braços por seus ombros e o aperto junto de mim. Quando vejo que de
nada vai adiantar, eu selo nossos lábios juntos.
Beijo sua boca com paixão. Diferente de todas as outras vezes, hoje
nosso beijo é cheio de dor. É cheio de despedida.
— Eu te amo, Pietro. E eu vou voltar. — Beijo sua bochecha e limpo
minhas lágrimas. — Na primeira vez, nós encontramos o caminho de volta
um para o outro. Dessa vez... não vai ser diferente. — Digo por fim e saio de
seus braços.
Levanto-me e pego minha mala no canto do quarto. Limpo minhas
lágrimas e saio de seu apartamento e da sua vida.
O caminho para o apartamento parece torturante. Eu me pego soluçando
tão alto que quando o sinal fecha, eu fico com vergonha de olhar para o lado.
Para que no caso de ter alguém me olhando com pena, eu não possa ver e
sentir. Eu não quero que tenham pena de mim. Eu só quero meu namorado de
volta.
Eu só quero a minha felicidade de volta.
Ao entrar em meu apartamento a primeira pessoa que vejo é meu irmão.
Tento disfarçar minhas lágrimas, mas quando seus olhos encontram os meus
eu desmorono. Eu caio no chão da sala e choro como uma criança.
— Melissa! Porra! — ele me abraça enquanto eu choro mais e mais em
seus braços. — O que? Meu Deus. Porra! Porra! — ele amaldiçoa o vento
enquanto me carrega para meu quarto.
Depois de ser colocada na cama, nos deitamos juntos, Dylan não fala
nada. Ele só me abraça e acaricia meus cabelos. Coloco minha cabeça em seu
peito e suspiro profundamente. Um sorriso triste e saudoso toma conta do
meu rosto ao ouvir sua voz em meio ao meu choro baixinho.
— Era uma vez uma princesa que vivia trancada em um castelo gigante.
Ela era criada por uma mulher muito má que não a deixava sair e nem fazer
amigos. Seu nome era...
— Rapunzel. — O interrompo e ele sorri piscando o olho esquerdo. E
assim ele começa a contar à história que mamãe e papai me contavam todas
as noites antes de eu dormir.
— Você chorava quando nossos pais não contavam essa história. — Ele
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relembra. — E enquanto eles não começavam você me perguntava a todo


minuto se eles estavam perto de vir. Eu sempre achei bobo. Mas eu te amava
tanto que eu queria fazer parte daquele momento por você. Então hoje eu
contei a história e eu quero que você durma como quando era apenas uma
menina boba que eu amava tanto a ponto de ouvir histórias de princesas. —
Dylan termina seu discurso que me emociona de uma maneira inexplicável e
eu beijo sua bochecha sorrindo, por um momento esquecendo o quanto minha
vida desmoronou.
— Eu te amo, irmão gêmeo! — digo e por fim, me entrego ao sono.
Ao acordar a primeira pessoa que vejo é Nicole. Sorrindo me sento na
cama e daí posso ver que meu quarto está cheio. Dylan está sentado na minha
escrivaninha com Kyara em seu colo, Connor escorado na porta e Nicole está
sentada na cama.
— Oi. — Digo e minha garganta arranha. Consequências de um choro
compulsivo. — O que estão fazendo aqui? — Pergunto e faço um coque no
meu cabelo.
— Hey! Como você está? — Connor pergunta e se aproxima da cama.
— Estou bem. Digo... daqui a pouco vou receber meu exame. Então só
estou um pouco nervosa. — Digo e Dylan sorri cúmplice.
— Mamãe me explicou. Mas vai sair tudo bem. Você é linda e muito
saudável. — Meu irmão diz e eu engulo em seco, ansiosa. Eu quero que seja
verdade. Eu quero ser saudável.
— Pietro foi lá em casa ontem. Ele nos falou sobre a gravidez. —
Nicole diz baixinho como se pudesse me quebrar ao ouvir sua voz mais
elevada.
Gravidez.
Isso sim, me quebra.
— Vocês têm certeza de que o bebê é dele? — Escuto Kya e olho em
seus olhos. Ela se levanta e senta na minha frente. — Não olhe assim. Parece
que a vida está se esvaindo de você, porra! Está me assustando. — Ela
começa a chorar e eu continuo olhando para ela do mesmo jeito. Dylan a
abraça a acalentando.
Não sei o que ela quis dizer, mas eu não consigo mudar meu jeito de
olhar. Eu suspiro e a puxo de Dylan para meus braços.

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— Eu quebrei Kyara. — Sussurro, mas todos no quarto escutam. Meus


irmãos se aproximam e Nicole começa a chorar. — Eu o perdi, e eu não sinto
nada, a não ser um vazio imenso em meu peito. Vocês conseguem me
entender? — Começo a chorar e Kya limpa minhas lágrimas.
— Você é tão forte, Melissa! Você é o meu porto seguro, amiga. Não se
deixe levar por isso. Ele te ama, não vai ser um filho que vai fazer ele te
esquecer. São amores diferentes. — Kyara fala enquanto gira meus anéis.
— Eu sei. Mas é muito para mim. Ainda mais com ela. Com
Kimberley. A garota que me detesta. — Digo limpando minhas lágrimas.
— Eu sei. Bem, ele tem alguma dúvida, Nicole? De que o bebê possa
ser de outro? — Kya questiona ao olhar para minha cunhada.
— Não. É dele. Ela lhe mostrou todos os exames. Tudo relacionado à
gravidez. É dele. — Nick fala convicta e eu suspiro.
— Que merda. — Kyara suspira e me abraça de novo.
— Onde está Abby? — Pergunto tentando tirar a atenção de mim.
Um movimento na porta me faz arregalar os olhos. Não acredito que
essa garota já está assim? Engatinhando, sério?
— Meu Deus! Você já está engatinhando, meu amor? — Afino minha
voz e desço da cama para pegá-la nos braços.
Ela sorri alegre quando faço cosquinhas em sua barriga.
— Deus! Olhar para você é o mesmo que olhar para o papai bundão! —
Digo quando seus olhos encontram os meus.
— Melissa! Não fale isso. Ela aprende. — Nicole fala vindo em minha
direção.
Sorrio vitoriosa pela atenção ter saído de mim.
Depois de todos eles irem embora, me arrumo para ir ao hospital. Achei
estranho que nenhum deles quisera me acompanhar, talvez estejam ocupados.
Não sei.
— Melissa Jones. — Digo quando a enfermeira solicita meu nome.
Pego meus exames e minhas mãos pesam. Meu peito aperta e começo a
caminhar para a sala de espera para o doutor. Sento-me em uma cadeira de
plástico e olho para meus exames remexendo-os em minhas mãos. Respiro
fundo e levanto meu olhar para a porta.

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Em um movimento rápido vejo alguém sentar ao meu lado. Arrisco


olhar em sua direção e meu coração perde uma batida.
Pietro.
— O que está fazendo aqui? — Pergunto e engulo em seco. Eu o vi
ontem, mas parece que faz anos. Deus, eu senti sua falta.
— Você é meu centro, Melissa. Eu vim acompanhá-la. — Ele responde
baixinho enquanto coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Água.
Sim, eu virei uma poça de água nesse momento.

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Capítulo Vinte e Seis


Melissa

Umedeço meus lábios e suspiro me virando para não o olhar. É difícil,


quando você está com saudades da outra pessoa. O que ele fez vindo aqui me
alegra de maneiras que não consigo colocar em palavras.
Meu peito se encheu de felicidade ao ouvir sua voz reafirmando que
sou o centro do seu universo. Mordo meu lábio inferior tentando não deixar
as lágrimas me inundarem. Quando sinto o gosto de sangue e vejo que
mesmo assim não pude impedir, desabo em lágrimas.
— Shhhhh... — ele passa os braços por mim e me leva para seu peito.
— Está tudo bem. Não vai ser nada além de um descontrole menstrual como
o médico falou. Não chore, Melissa. Por favor. — Escuto sua voz e saio dos
seus braços.
— Não estou chorando por isso, Pietro. Eu... estou nervosa. Muito.
Mas... você aqui me deixa... confusa. Deixa-me saudosa e eu não sei se estou
pronta para estar assim com você. Tão perto. — Explico enquanto ele limpa
minhas lágrimas.
— Eu sei..., mas eu não acho certo você estar aqui sozinha, sem mim.
Eu quero estar com você, então, por favor, só por hoje, me deixe ficar ao seu
lado, ok? — Seus dedos tocam meus cabelos os afastando do meu rosto. —
Me deixe cuidar de você, baby. — Ele termina e beija meus cabelos.
— Melissa Jones? — Escuto a voz da enfermeira e me viro levantando
a mão. Ela me chama e eu olho para Pietro.
— Tudo bem. Vamos lá! — Digo e ele sorri. Seu sorriso é alegre e com
um alívio gigante que aperta meu coração.
Ele queria muito que eu o deixasse entrar comigo.
— Bom dia, Casal! — O doutor fala nos saudando e eu me remexo
desconfortável. Nós não somos mais um casal, pensar nisso me dá vontade de
voltar tudo. Voltar para seus braços, para onde eu deveria estar. Sempre.
— Olá, doutor — Pietro fala e puxa a cadeira para mim. Agradeço e me

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sento.
— Como você está Melissa? — Ele questiona e eu suspiro.
— Estou bem. — Sussurro e ele acena confirmando. Seus olhos vão de
Pietro para mim e eu sei que ele percebeu.
— E suas dores? Melhoraram? — Ele pega os exames de
ultrassonografia que estavam em minhas mãos e começa a ler.
— Um pouco. Hoje eu senti, mas não foi tão intenso. — Digo e Pietro
se vira para me olhar.
— Porque não me chamou? — Ele questiona preocupado e irritado ao
mesmo tempo.
Suspiro e dou um sorriso amarelo para o doutor que fica olhando de um
para o outro.
— Você sabe o porquê. — Digo e ele balança a cabeça mordendo sua
boca. — Além do mais, meus irmãos estavam lá com as meninas. Nem
prestei atenção em minhas dores. — Digo e volta minha atenção para o
doutor.
Ele tosse e arranha sua garganta desconfortável. Só o que me faltava.
— Vamos lá, Melissa! — ele suspira e coloca o exame aberto na minha
frente. — Eu sinto muito dizer isso, mas sim, você tem endometriose. —
Quando escuto sua voz, eu engulo em seco.
Finco minhas unhas em meu braço para parar a vontade de chorar. E
realmente funciona. Dor para matar outra dor. Vou me acostumar.
— Qual vai ser o tratamento doutor? Como vai ser? É algum remédio,
que ela vai ter que tomar? Eu pesquisei algumas coisas, mas é tudo muito
confuso. — Pietro fala calmamente enquanto pega minha mão a afastando do
braço onde deixei marcas fundas das minhas unhas.
Ele vê e franzino às sobrancelhas passa os dedos pelas marcas. Ele faz,
literalmente, carinho nelas.
— Tudo bem. No caso de Melissa vamos optar pela Laparoscopia, ela é
um procedimento cirúrgico menor que permite identificar tamanho, extensão
e local onde às lesões estão e iniciar imediatamente o tratamento adequado.
No primeiro momento pensei em optar por contraceptivos hormonais; as
pílulas iram controlar os hormônios responsáveis pelo crescimento mensal do
tecido endometrial. As mulheres muitas vezes apresentam um fluxo
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menstrual pequeno e de menor duração. A utilização das pílulas de forma


continua pode sim, reduzir e até eliminar a dor causada pela endometriose. —
Ele fala sério olhando em meus olhos. Eu suspiro e olho para Pietro.
Ele está acenando e continua acariciando minha pele marcada.
— Entendemos. Melissa vai ter que tomar anticoncepcional
permanentemente? É isso que o senhor quis dizer? — Questiona e eu olho
para o médico.
— Não permanentemente. Isso só é o primeiro tratamento que estou
dizendo. Caso a cirurgia for um sucesso, que tenho certeza que será, nem isso
precisaremos. Mas caso ocorra de Melissa ter que tomar os anticoncepcionais
não vai ser preciso ser permanente. Caso vocês pensem em ter bebês, como
eu expliquei para você, Melissa, é possível. Então nós teríamos que deixar as
pílulas por um tempo e escolhermos um método que mais se adeque a
Melissa para uma possível gravidez. — Ele explica ainda sério e eu sorrio
irônica.
— Não quero ter filho por enquanto doutor. Pietro já tem o bebê dele e
eu, sinceramente, não sei. — Digo amarga e me distancio de Pietro.
Ele respira fortemente e puxa minha mão para seu colo. Eu a retiro
novamente.
— Melissa, não! Aqui não! — Ele ruge e eu o olho com raiva.
— Acabou Pietro. Pode voltar para a mãe dos seus filhos. — Digo com
raiva e novamente finco minhas unhas na minha pele.
Não chore, porra!
Pare de ser criança, Melissa!
— Gente... — o doutor chama nossa atenção e eu me viro para ele. —
Melissa, eu proponho a você que se acalme, pois temos que terminar sua
consulta. Vamos marcar sua cirurgia e suas consultas que serão periódicas,
ok? — Ele fala firme, mas calmo.
Balanço minha cabeça e me distancio de Pietro.
— Pietro, eu sei que você quer fazer o melhor para Melissa, mas eu
gostaria que esperasse lá fora. Eu preciso conversar com Melissa e no
momento você está a fazendo ficar nervosa. — Pietro suspira e se levanta.
Quando ele vai sair da sala ele volta e beija meus cabelos.
— Vou esperar aqui fora, ok? — Avisa e eu aceno mordendo meu lábio
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inferior.
— Ok.
Depois de ele sair volto minha atenção para o médico. Ele suspira e
sorri gentil.
— Não quero me intrometer na vida amorosa dos meus pacientes, mas
nesse momento sua vida amorosa está te desequilibrando emocionalmente. A
gravidez é um assunto delicado para você por causa da endometriose. E eu
estou vendo você se machucar com suas unhas tentando driblar a vontade de
chorar, não faça isso. Você pode sim, chorar. Você pode fazer o que quiser.
Mas a endometriose não precisa te trazer lágrimas, então se acalme, ok? —
Enquanto sua voz entra em minha cabeça eu retiro minhas unhas da pele.
Sinto as lágrimas encher meus olhos e suspiro querendo me parar.
Deus, por que sou tão fraca? Estúpida!
— Pietro vai ter um bebê? — Questiona pensativo.
— Sim. A ex dele está grávida. — Digo e limpo minhas lágrimas
respirando devagar.
— Você sabe, não é culpa dele. Foi um acaso. Ele estava com você
quando a engravidou? — Faço não com a cabeça. — Então? É isso. Ele não
tem culpa. Eu sei que o momento traz um pouco de tristeza, pois a
endometriose pode sim, deixar a mulher infértil. Mas não no seu caso. Você é
jovem e saudável. Não precisa se preocupar. Quando vocês quiserem ter um
filho de vocês dois, me digam. Farei o possível para realizar esse sonho, ok?
— Pego sua mão pela mesa e a aperto.
— Eu... eu só estou com medo. Ela vai dar um bebê a ele. Ele é louco
por criança, eu acho que fiquei com ciúmes. Tanto do bebê como da ex. —
digo sorrindo e suspiro. — Eu sei que a culpa não é dele, mas... Ele me
escondeu. Eu descobri sozinha, então eu acho que estou magoada. —
Termino de falar e solto sua mão.
— É normal estar magoada. Mas você tem certeza que quer o deixar
sozinho? Ele pode mudar o pensamento e querer criar o bebê com ela. Tenho
certeza que ele precisa de você. Dar para ver que ele gosta de você, então
cuide dele e de você. Não se apague a gravidez da garota. Se apague a você, a
vocês dois. — Aceno entendendo e me sento mais confortavelmente na
cadeira.
Depois da nossa conversa ele explicou direitinho a cirurgia, marcou a
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data da mesma e para, no caso, de dor ele prescreveu umas pílulas. Sai de sua
sala mais leve. Gostei do médico. Ele me faz me sentir confortável.
Encontro Pietro sentado em uma cadeira na sala de espera. Aproximo-
me e ele se levanta.
— Podemos ir? — Ele pergunta mudando seu peso de uma perna para a
outra.
— Sim. Só tenho que pegar meus remédios. — Ele acena e me guia até
a saída da sala.
Caminhamos lado a lado até o estacionamento depois de irmos à
farmácia. Pietro abre a porta do seu carro e eu entro sem brigar.
Vim de táxi, pois ainda estava com dores então não podia dirigir. Não
vou teimar com ele dizendo pegar um táxi, pois sei que ele vai fazer um
escândalo.
Ficamos calados a maior parte do tempo. Quando olho para ele sua
mandíbula está apertada. Não sei por que está irritado, mas também não
pergunto.
— O que ele queria com você? — Ele questiona de repente.
— Nada demais. — Respondo olhando pela janela sabendo que ele se
refere ao médico.
— Com certeza teve um motivo. Ele pediu para eu sair da sala então
alguma coisa ele queria. — Ele diz apertando o volante com as mãos.
Sorrio triste quando constato que ele está com ciúmes. Pietro Victor
com ciúmes é novidade para mim.
— Está com ciúmes? — Pergunto o olhando.
— É óbvio. Quem ele pensa que é para te paquerar na minha frente? —
Ele explode me olhando firme.
— Ele não estava me paquerando. Pare com isso. — Digo franzino às
sobrancelhas. Lógico que ele não estava. Pelo amor de Deus! De onde Pietro
tirou isso?
— E porque pediu para eu sair? Diga-me. — Ele questiona.
— Ele explicou a você. Eu estava ficando nervosa e aquele lugar é seu
trabalho. Não podemos estar discutindo nossa relação na frente do meu
médico. — Digo chateada. Que merda esse menino tem?

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— Eu sei... eu só estou com ciúmes. Pronto. Somente isso. — Ele diz


suspirando e pega minha mão na sua.
— Eu entendo. — Digo suspirando. — Vocês já sabem o sexo do bebê?
— Pergunto de repente. Coloco a mão em minha boca, assustada. Eu
perguntei, literalmente, sem querer.
— Eu sei que esse assunto não é o melhor para nós dois. Desculpe-me,
mas é um menino. — Ele diz sorrindo para mim.
Meu peito se enche de felicidade. A primor não entendo esse
sentimento, mas eu apenas sinto. Sinto-me muito feliz por ele e por seu bebê
ser um garoto.
— Que bom. Parabéns! Eu tenho certeza que ele vai ser tão lindo
quanto você. — Digo sorrindo e minha visão embaça com lágrimas que eu
nem percebi que tinha em meus olhos.
— Não chora, Mel. Eu... é egoísmo meu pensar que você ficaria feliz.
Mas eu... me desculpa. — Ele encosta o carro e me puxa para seu colo.
Eu deixo.
Eu deixo porque eu o amo tanto e ele está tão enganado.
— Não estou triste. Deus, eu nunca ficaria triste por seu bebê. Saber
que ele vai ser um menino me alegrou muito. Tenho certeza que você será um
pai incrível. — Digo e beijo sua testa. Passo minha mão por seu cabelo, o
acariciando.
— Obrigado. Muito obrigado. Eu... eu fiquei feliz por ter um bebê,
desculpe se isso te magoa, mas eu fiquei feliz. Eu também quero ter filhos
com você. Eu quero filhos com seus olhos e seus lábios perfeitos. Eu te amo,
Melissa. E eu poderia muito bem escolher você como mãe dos meus filhos,
mas Deus não quis assim. Kyle vai ser nosso também. Tenho certeza que ele
vai te amar. — Ele fala enquanto sua mão desce e sobe pela minha coluna.
— O nome dele vai ser Kyle? — Pergunto com um sorriso terno em
meus lábios.
— Sim. Kimberley mandou SMS dizendo hoje. — Ele sorri gigante. —
Achei um nome bonito. O que você achou? — Ele pergunta e beija minha
bochecha.
— Eu achei lindo. — Digo e provo o nome em meus lábios. — Kyle...
Achei muito perfeito mesmo. Kimberley soube escolher. — Sorrio e abraço

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Pietro. — Parabéns! — Digo baixinho em seu ouvido.


— Obrigado... A gente... — o interrompo voltando a minha posição
para o olhar nos olhos.
— Ainda não. Dê-me algum tempo, eu juro que vou organizar meus
pensamentos. Eu ainda não te perdoei por esconder Kyle de mim. Então, me
deixe digerir e tentar te entender, ok? — Viro minha cabeça e beijo seus
lábios com um selinho. — Eu te amo.
Volto para o banco do passageiro e ele suspira sorrindo.
— Tudo bem. Eu sou paciente. — Ele diz piscando para mim e eu
suspiro feliz.
Ao chegar em casa vejo Helena parada na porta. Confusa, me
aproximo.
— O que está fazendo aqui, Helena? — pergunto vendo que está
chorando. Entramos em casa e eu tranco a porta preocupada.
— Eu preciso de você. Eu... — ele suspira e dá um passo em minha
direção. — Eu preciso dele, Melissa. Mas não sei como vou dizer às coisas
que fiz. Tudo aconteceu por culpa minha. Eu o perdi, e a culpa é toda minha.
— Ela chora enquanto treme e eu a abraço.
O que mais eu poderia fazer?
Seus olhos estão cheios de dor e eu não sei o que fazer. Eu não sei o
que ela fez para se sentir assim. Mas eu sei que é muito sério.
Aos poucos ela se acalma e nos sentamos no sofá. Pego suas mãos nas
minhas e aperto.
— O que aconteceu, Helena? Eu posso te ajudar, mas antes eu preciso
entender o que está acontecendo aqui. — Explico e ela acena confirmando.
Enquanto ela limpa suas lágrimas, eu espero.
— Eu perdi nosso bebê. Eu matei nosso filho.

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Capítulo Vinte e Sete


Melissa

Abraço Helena apertado e aos poucos, seu choro vai cessando.


— Eu... eu descobri que estava grávida e meus pais me mandaram para
minha tia numa cidade um pouco distante. — Ela começa a falar enquanto
suas mãos se agitam. Pego elas nas minhas e as aperto tentando passar algum
conforto.
— Como você perdeu? Digo... O bebê, como você o perdeu? —
Encontro palavras e a questiono.
— Foi um aborto espontâneo. Eu estava em casa e de repente comecei a
sangrar. Eu me desesperei e minha tia me levou ao médico. Eu passei mais de
dois meses tentando superar a perda, mas eu não conseguia. Eu não falava
com ninguém, eu só queria vir embora. Eu só queria que Rodrigo ainda me
amasse, me perdoasse por meus erros. Por ter matado nosso bebê. — Ela
volta a chorar e eu também.
Por que... eu mesma estou sentindo dor. A dor dela de perder um filho.
O pensamento de não poder ter bebês já me magoa de maneiras inexplicáveis,
mas perder um já concebido, eu não teria estruturas para tal sentimento.
— Helena, você não tem culpa de nada, ok? Foi um aborto espontâneo.
Eu não tenho palavras para te confortar. Eu nunca teria, mas, por favor, não
se culpe. — Digo e limpo as lágrimas que se formaram em meus olhos.
Depois de um tempo caladas ela se vira e fica bem de frente para mim.
— Ele gosta de você, não é? — Ela de repente questiona. Viro para
olhá-la melhor quando a escuto.
— Ele quem? Pietro? — Questiono. Não entendo o que quis perguntar.
— Rodrigo... — balanço a cabeça incrédula. — É que ele chamou por
você como se fossem...
— Amigos. — A interrompo. — Nós somos amigos. Meu namorado,
quero dizer, meu ex-namorado é o Pietro. Só ele. — Explico e ela morde seu
lábio inferior.
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Seus olhos buscam todos os objetos da sala menos meus olhos.


— Hey! Eu estou falando sério. Ele não gosta de mim. Quando nós
conhecemos, ele me confundiu com você. — Olho para minhas unhas e volto
a fitá-la. — Ele estava desesperado. A dor em seus olhos era crua. Eu nunca
tinha visto alguém com tanta dor em minha vida. Seus olhos azuis eram gelo.
Secos e sem vida. — Digo baixinho e ela volta a chorar baixinho.
— Eu o fiz sofrer tanto. Ele nunca vai me perdoar. Nunca. — Ela
lamenta e eu suspiro.
Não posso consolar seus argumentos. Eu sei que ela falou que foi seus
pais que a fizeram ir embora, mas ela já era adulta. Poderia muito bem ter
dito não.
Talvez ela só estivesse com medo.
Meu subconsciente me alerta. Talvez. Suspiro e resolvo falar
novamente.
— Olha, você está cansada e emocionalmente exausta então vou te
colocar na cama. Você dorme um pouco e depois conversamos mais. Tudo
bem? — Digo enquanto a puxo pela mão.
Ela não diz nada. Só me acompanha. Depois dela estar deitada e
suspirando tranquila, saio do quarto com meu celular na mão.
Disco seu número e no terceiro toque ele atende. Graças a Deus.
— Oi.
— Oi, Rodrigo. É a Melissa.
— Hey, Melissa! Desculpe ter ido embora daquele jeito no dia da
boate...
— Não tem problema, quero dizer, esquece. Agora eu preciso da sua
ajuda.
— Humm... Para que?
— Ela está aqui. Na minha casa.
— Quem? Helena?
— Sim.
— O... O que ela está fazendo aí?
— Eu... ela estava descontrolada. Pediu que eu a ajudasse. A verdade é
que eu queria que você viesse aqui.
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— Melissa... eu... não... Só...


— Eu entendo que dói. Mas ela precisa de você, Rodrigo. Eu não te
pediria se eu não tivesse visto o quanto essa garota está quebrada.
— Como... como assim quebrada?
— Eu não posso falar isso por telefone.
— Tudo bem... estou saindo da Oficina. Passa o endereço por SMS.
— Tudo bem. Muito obrigada.
Mando o endereço e me jogo no sofá. Deus! Por que isso só acontece
comigo?
Estranho quando batem na porta. Como Rodrigo chegou aqui tão
rápido? Ando até a porta e a abro devagar. Sorrio quando vejo que é Brandon
do outro lado.
— Você poderia me dar um pouco de açúcar? — Ele pergunta sorrindo
e eu gargalho.
Pulo em seus braços e o abraço. Eu nem sabia, mas estava com tanta
saudade dele. Seus braços me rodeiam e apertam.
— Hey! Estava com saudades? — Ele questiona e eu sorrio.
— Bastante. — Digo e saio de seus braços.
— Que bom. Eu também. Agora pega meu açúcar que eu quero te
apresentar alguém. — Ele fala misterioso.
Levanto uma sobrancelha questionando mais ele não deixa nada
escapar. Bufando sigo para a cozinha. Pego o açúcar e levo para ele.
— Vamos lá. — Ele acena para sua casa e eu aceno confirmando.
Bato minha porta, mas deixo-a um pouco aberta, caso Helena acorde ou
Rodrigo chegue.
Ao entrarmos em sua casa sorrio quando vejo Walter e Filip
esparramado no sofá.
— Hey, gatinha! — Walter acena me cumprimentando.
— Oi meninos. — Digo e olho para Brandon. — Cadê a pessoa que
quer me apresentar? — Questiono ao mesmo tempo em que uma garota entra
na sala.
Seus olhos são verdes esmeraldas e eu sufoco a vontade de arrancá-los
dela. Sorrio com os meus pensamentos. Louca.
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— Tracy, essa é Melissa. Uma amiga e vizinha. Mel, essa é minha


namorada. Tracy. — Sorrio e me aproximo dela.
— Prazer, Tracy. Espero que meu amigo esteja lhe tratando como uma
princesa. — Digo rindo da cara que Brandon faz. Ele revira os olhos.
— Ele tenta. — Ela gargalha enquanto ele a abraça. — Prazer Melissa.
— Ela sorri me dando a mão. A aperto e me afasto.
— Agora eu tenho que voltar. Estou esperando visita. — Digo sorrindo.
— Só vim, pois Brandon queria nos apresentar. Seja bem-vinda a loucura. —
Sorrindo digo.
— Pietro? — Brandon questiona.
— Não. Não estamos mais juntos. — Deixo escapar e suspiro. —
Tchau.
Saio de lá rápido e acabo batendo em alguém. Merda.
— Hey! Voltei porque queria ver como você estava... — Pietro.
Sua voz está questionando. Seus olhos estão no apartamento atrás de
mim e eu quero me bater. Burra.
— Eu... estou bem, não precisava se preocupar. Brandon me chamou
para apresentar sua namorada. Ela é linda... Ele namora agora... — me
explico rapidamente para ele não ter motivos para ciúmes.
O que estou falando? Nós terminamos.
— Ele está namorando? — Ele pergunta soltando um suspiro de alívio.
Sorrio diante disso.
— Sim... — abro a porta e vejo Rodrigo sentando no sofá com suas
mãos tremendo.
Merda tripla!
— O que esse cara está fazendo em sua casa, Melissa? — Pietro
pergunta, irritado. Viro-me para o olhar e cruzo meus braços.
— Não se atreva a pensar isso. Eu não tenho que te dar explicações,
mas eu vou. Então se acalme que eu já converso com sua pessoa. — Digo e
me viro para andar até Rodrigo.
— Hey! Desculpe-me, fui conhecer a namorada do meu vizinho. —
Digo e suspiro. — Você já foi vê-la? — Questiono.
— Já. Ela está dormindo. — Ele suspira e me olha. — O que aconteceu
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com ela, Melissa? — Escuto sua voz derrotada e mordo meu lábio inferior.
— Eu posso falar por mim mesma, Rodrigo. — Helena fala ao lado da
porta do quarto. Seu rosto está inchado do choro, mas ainda sim continua
linda, como eu!
A gente se parece... vocês entenderam.
— Então... — ele respira fundo e levanta. — Vamos para casa.
Conversaremos lá. — Ele fala firme. Helena me olha e eu dou de ombros.
— Lá não é minha casa. Nunca foi. — Ela fala de repente triste.
— Por que foi embora! Ela iria ser sua um par de meses, mas você foi
embora e me deixou. Então pare de discutir, pois você não merece nem que
eu te escute. — Ele ruge irritado.
Tento falar algo para ele se acalmar, pois o modo como fala me faz
querer batê-lo, mas Pietro faz que não com a cabeça e me puxa para seu lado.
— Eu te amo, Rodrigo. Pare de me tratar assim, por favor. — Ela
começa a chorar e ele já está saindo pela porta.
— Você não está sofrendo um terço do que eu sofri ao acordar de
manhã sem nada seu. Telefone não existia mais, sua família me disse coisas
horríveis. Então, sim, eu vou tratar você como eu quiser. — Ele sai pela porta
sem dizer mais nada.
Eu tenho dó de quando ele descobrir o que ela passou. Deus, vai doer
tanto.
Helena o segue depois de me agradecer e dar tchau para Pietro.
— O que aconteceu? — Pietro se senta no sofá e me puxa com ele.
— Ela estava aqui na minha porta quando cheguei. — Suspiro e cruzo
minhas pernas. — Ela estava chorando e falando nada com nada. O principal
é que... ela estava grávida quando deixou Rodrigo para trás. Os pais
obrigaram, e depois de um tempo ela teve um aborto espontâneo e decidiu
voltar. Só sei que essa garota está quebrada. E nem mesmo a dor que sinto ao
pensar em não poder ter bebês, se iguala a dela. — Digo pensativa.
Seus olhos estão em mim. Suas mãos estão em meus cabelos e em
questão de segundos ele me coloca em seu colo. Uma mania que ele tem.
— Tudo tem um jeito, meu amor. E nós vamos encontrar um para
termos bebê. Não se preocupe. — Ele beija meu rosto devagar. Primeiro,
minha testa, depois, bochecha, olhos, nariz e boca. Sim, ele a beija.
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— Você não entende que estamos dando um tempo, não é? —


Questiono séria enquanto seus lábios pairavam sobre os meus.
— Não existe essa coisa de "dar tempo", quando se existe amor. — Ele
fala pausadamente e logo depois toma meus lábios cheios nos seus.
Sua língua invade minha boca a reivindicando. Eu quero me afastar,
quero dizer, eu acho melhor para minha sanidade, me afastar. Mas ao mesmo
tempo quero ficar em seus braços, eu quero acordar neles de manhã e ver sua
mão grande e máscula pousada em minha barriga plana.
Ao longe escuto algum celular tocar. Mas Pietro não me solta. Suas
mãos entram por minha blusa e logo a retira me deixando somente de sutiã.
Em um rápido movimento estou debaixo dele. Sua blusa é jogada no meio da
sala e logo sinto sua pele quente na minha.
Passo meus braços por seu pescoço e o aproximo mais ainda de mim.
Seus lábios descem por meu pescoço beijando e mordendo, quando eles
chegam à base do meu sutiã, ele beija delicadamente meu seio por cima da
peça. Um gemido baixo sai pela minha garganta e logo Pietro trata de se
livrar dele. Suas mãos vão para minha coluna fazendo eu me arquear lhe
dando espaço para abrir o fecho da lingerie.
Meus seios pulam livres e logo os bicos estão entorpecidos. Pietro
suspiro e logo está com a boca ao redor. Merda.
O celular volta a tocar e eu gemo enquanto Pietro empurra em mim
firmemente. O som do toque do telefone me tira dos meus pensamentos nada
pecaminosos. É o celular de Pietro.
— Porra! — Ele pragueja enquanto nos sentamos. Pego meu sutiã e o
visto rapidamente.
O que estava pensando, hein Melissa? Sua idiota! Vocês terminaram.
— Alô? — Ele atende o celular e pede um minuto para mim. —
Aconteceu alguma coisa? — sua voz sai preocupada e logo me levanto para
me aproximar. — Olha eu estou indo, ok? Chego aí em quinze minutos no
máximo. — Ele desliga depois de se despedir.
— Aconteceu algo? — Pergunto receosa.
— Não... quero dizer... Kimberley está indo para uma consulta e bem...
ela quer que eu vá. Me desculpe, Mel. — Quando ele termina de falar a
realidade me bate como uma tapa.

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Essa seria a nossa rotina caso voltássemos. Ele sempre vai me deixar
sozinha para ir de encontro a seu filho, não que eu seja a favor dele ficar aqui
comigo e deixando ele, mas é essa a verdade.
— Não... precisa se desculpar. — Engulo em seco e volto a falar. —
Eu... você pode ir, sem problema. Ela está carregando seu filho, é
compreensível. — Digo nervosa. Minhas mãos começam a suar e eu as
esfrego na calça jeans para secá-las.
— Mel... — sua mão tenta me tocar, mas me afasto rapidamente. —
Melissa? Nós vamos conversar em breve, não é? Você me falou no carro... —
ele não termina e seus olhos estão cheios de dor.
Não vou prolongar a sua dor e muito menos a minha. Preciso fazer isso.
Melissa não seja fraca! Fale. Fale agora.
— Eu... acho melhor não! — Digo determinada e pego minha blusa no
sofá. — Isso não vai se repetir. — Aponto para o sofá enquanto olho em seus
olhos marrons claros. — Nós dois... não vai voltar a acontecer. — Digo por
fim e mordo meus lábios dissipando as lágrimas que querem me fazer mais
fraca.
— Melissa... Você só pode estar brincando. — Ele me encara incrédulo.
— Nunca falei tão sério em minha vida. — Digo e caminho para a porta
da sala. — Agora... vá para a consulta. — Olho para meus pés descalços e
espero.
Abro a porta e espero ele ir embora. Demora. Ele ainda insiste em ficar
no meio da sala me olhando, mas quando vê que estou falando a verdade, ele
sai.
Ele vai embora e junto dele, meu coração.

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Capítulo Vinte e Oito


Melissa

Três meses depois...


Deslizo minha calça jeans pelas pernas e suspira aliviada. Estava me
sentindo sufocada pelo aperto da mesma. Eu engordei um pouco nos últimos
meses, mas não foi minha culpa. É que eu comecei a tomar remédios para
minha menstruação ficar regular e eu não voltar a sentir dores, então engordei
um pouco.
Minha cirurgia foi um sucesso, agradeço todos os dias por isso. Fiquei
apenas com uma cicatriz perto do umbigo de lembrança e claro, da minha
determinação diante de uma doença tão devastadora. Nos dois meses que
fiquei em tratamento conheci outras mulheres que tinham endometriose.
Confesso que naqueles momentos eu não me sentia sozinha e até agradecia
por ter companhia, mas agora vejo o quanto fui egoísta em pensar assim.
Algumas delas estão inférteis para sempre. Algumas não possuem a mínima
possibilidade de reverter o que a doença causou.
Suspiro e entro no banheiro. Ligo o chuveiro e deixo a água correr
lentamente por meu corpo desnudo. Sinto-me mais leve diante da vida depois
da doença. Eu... quero ter bebês e Thiago me falou que eu poderia começar a
tentar engravidar, mas eu expliquei que no momento minha cabeça está em
outras coisas. Nos estudos principalmente. Terminei o livro de Bianca e
Cameron hoje de manhã e até agora ainda estou nas nuvens. Concretizar um
sonho sempre deixa você mais radiante. Eu sinto isso.
Desligo a água depois de passar shampoo e enxaguar os cabelos. Pego
minha toalha e corro para meu quarto atrás do meu celular que está tocando.
Onde ele se meteu?
O acho debaixo dos meus livros na escrivaninha. O nome do Thiago
aparece na tela do celular e eu abro um sorriso tenso.
A verdade é que saímos algumas vezes, mas ainda como amigos. Eu sei
do seu interesse por mim, e ele sabe que tenho sentimentos por outra pessoa,
mas, mesmo assim, ele resolveu que devíamos sair. Curtir nossa solteirice.
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Sorrio quando lembro suas palavras.


— Hey!
— Oi, Melissa! Estou a cinco minutos da sua casa, poderíamos tomar
um café? — Ele questiona apressado.
— Um café? — Pergunto confusa.
— Sim. Por quê? Você não gosta de café?
— Sim. Eu gosto, mas eu já passei a tarde em um, talvez eu não queira
ir para outro, entende?
— É óbvio. Desculpe-me pelo pedido idiota.
— Que nada. Talvez devêssemos ficar em casa hoje. Descansar...
— Não. Vamos a um bar. Eu conheço um pertinho da sua casa.
— Ok. Mas eu volto logo. Estou um pouco cansada.
— Tudo bem. Só quero te ver.
— Humrum.
Desligo depois de nos despedir. Sorrindo busco um vestido justo e logo
acima dos meus joelhos para vestir. Sua cor é preta e seu tecido é grosso, não
me deixando passar frio na noite. Prendo meus cabelos em um rabo de cavalo
alto e logo passo um pouco de maquiagem.
Quando batem na porta do meu apartamento corro em sua direção.
Depois de abri-la bufo, irritada. Tracy e Brandon estão do outro lado rindo da
minha cara.
— Para onde a senhora vai? — Tracy questiona entrando no
apartamento enquanto Brandon entra no deles.
Não sei por que de entrar, eles sempre batem aqui e correm, como se
fossem crianças, para sua casa. Idiotas.
— Sair com Thiago. — Respondo enquanto bebo um pouco de chá
verde.
— Alguém já falou o quanto esse chá deixa sua casa fedida? — Ela
senta numa banqueta a minha frente.
— Tracy! Isso é mentira. — Defendo-me sem saber se está falando
sério.
Eu não sinto.

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— Ok. Tudo bem! — Ela levanta as mãos em rendição. — Então... quer


dizer que a senhora já está em outra? — Ela pergunta olhando para suas
unhas. Suspiro e quando vou responder ela levanta a cabeça. — Brand falou
que você está o esquecendo..., mas eu sei que você ainda o ama, Melissa. Eu
vejo em seus olhos quando ele vem aqui te ver. — ela afirma e eu derrubo
minha xícara com meu chá.
— Tracy... Não! — Digo com a voz trêmula.
Sempre é assim. Sempre tem alguém para me lembrar da sua existência.
Para me fazer lembrar que ainda o amo.
— Você está se enganando. — Ela desdenha com um gesto de mão. —
O médico até que é gostoso, mas não vale o sofrimento. Por que ficar com ele
se você tem Pietro? O homem que você ama? — Ela volta a questionar.
— Eu não o amo mais. — Grito a assustando por um minuto, mas ela
logo se recupera.
— Melhore suas mentiras, quando for para falar com outras pessoas,
Melissa. Essa não me convenceu. — Ela fala firme.
Luto contra as lágrimas e em um embate elas são derrotadas. Não vou
chorar. Eu não choro mais. Por nada.
— O que quer que eu faça? Que eu vá atrás dele? Eu não vou! Ele tem a
família dele. Você o ouviu enquanto ele falava sobre a obra no quarto de
Kyle. Eles vão morar juntos. — Digo a encarando.
— Sabe o quê? Você não sabe de nada! Você prefere escutar essa sua
cabeça fodida a seu coração... — a interrompo.
— Que está quebrado! Ele o quebrou! — Grito.
— Ele não quebrou nada! Você alimentou tanto esse sentimento dentro
de você que ele quebrou por culpa sua! Acorde, Melissa! Você não está nada
bem. Você não chora. Você não pergunta por ele, você só está passando pela
vida. Sem perspectiva. — Ela grita.
— Eu não sou você. Que vive às custas do namorado e que não tem
sonhos e nenhum plano para o futuro... — quando as palavras deixam minha
boca logo às quero engolir de volta.
Tracy tem o rosto magoado. Eu quero chorar por magoá-la. Nos
tornamos amigas rapidamente. Sempre estou com ela e Brandon, e eu sei que
ela não está estudando ou trabalhando por que cuida do irmão mais novo,

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Mike.
— Me desculpe. Eu não...
— Sim. Você quis. — Ela suspira e pega sua bolsa no balcão. — Nem
todas as pessoas, Melissa, têm o privilégio de nascer numa família rica que
pode custear sua faculdade e pagar uma babá para alguém que depende de
você. — Ela sorri triste. — Eu espero que você acorde da sua bolha alegre e
perceba o quanto está ficando seca e sem vida. — Com isso ela me deixa
sozinha.
Olhando para seu banco, agora vazio, sinto a mesma queimação de
lágrimas voltarem. Mas diferente das outras vezes, eu não causo dor em mim
mesma para afastar elas. Eu as deixo transbordar. Eu as deixo correrem livres
por meu rosto inundando meu vestido bonito.
Levanto-me e ando até meu quarto. Tiro toda minha roupa e pego uma
tesoura. Aos poucos vou cortando minhas unhas grandes e afiadas deixando
elas curtas. Pego-me falando sozinha que isso vai ajudar. Que isso vai me
fazer parar de tentar causar uma dor física para afastar uma emocional.
Meus soluços estão altos e logo estou uma bagunça estúpida de mim
mesma! Pego meu celular e vejo o SMS de Thiago dizendo que chegou e que
me espera no estacionamento, me desculpo com ele e digo que não poderei
sair hoje. Desligo meu celular e o jogo na mesa ao lado da minha cama.
Lembro das palavras de Tracy e logo meus pensamentos voam até o dia
em que Pietro veio me visitar...
Quatro semanas atrás...
Seus ombros largos logo entraram em meu campo de visão depois de
Nicole me avisar que ele estava aqui.
— Hey! — Ele se aproxima e seu sorriso gentil toma conta do seu rosto
bonito. — Como está? — Ele se senta na cama.
— Bem. — Digo sorrindo tensa.
Já nos vimos depois do dia em que terminamos para valer, foi horrível.
Depois de dez minutos eu corri para longe e não o vi até algumas semanas
depois. Dói. E eu não me deixo mais sentir dor.
Ver que ele está do mesmo jeito que há semanas atrás me alegra. Me
traz felicidade e prazer, um sentimento que não sinto desde o dia que o perdi.
— Como está o bebê e Kimberley? — Questiono e me sento para poder
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o olhar.
— Estão bem! Quero dizer Kyle sim, mas descobrimos que ela está com
pré-eclâmpsia, então estamos um pouco preocupados. — Ele fala e pega
minha mão na sua.
— Eu sinto muito. Digo, se tiver algo que eu possa ajudar, ficarei feliz.
— Digo sincera. Ele sorri triste e desvia os olhos dos meus.
— Obrigada. Mas e você? Como está a doença? — ele volta a me olhar
e tira uma mecha dos meus cabelos do meu rosto.
— Está normalizando. A doença ainda estava no estágio inicial então
não foi difícil de contê-la. — Explico e mordo meus lábios. Seus olhos
descem por eles e logo voltam para meus olhos.
— Estava com saudades de você...
— Eu também. — Digo e me remexo no colchão.
— Mel, o doutor está aqui. — Escuto a voz de Kyara e reviro os olhos
para o modo como chama Thiago.
Mas logo paro ao olhar em direção a Pietro. Seus olhos estão duros
quando Thiago entra no quarto.
— Mel... Desculpe, não me avisaram que estava com visitas. — Ele fala
e dá a mão a Pietro. — Prazer te rever, Pietro. Espero que esteja bem. — Ele
fala enquanto sua mão fica sozinha, pois Pietro não devolve o gesto.
Meu rosto fica em um vermelho fogo ao ver isso. Ele vai pensar que
menti na vez que nos falamos sobre o médico está dando em cima de mim, ou
pior deve estar pensando que estou saindo com Thiago. Deus! Não tem como
ficar pior.
— Eu acho que vou embora. Pelo visto sobrei aqui...
— Pietro, por favor...
— Tchau, Melissa. — Ele sai sem mais nenhuma palavra.
Meu peito aperta e eu quero chorar, então como de costume afinco
minhas unhas na minha pele. Agora nas coxas, pois é onde ninguém pode
ver.

Depois desse dia só o vi algumas vezes em jantares de família ou


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almoços. Não nos falamos e muito menos nos olhamos. Uma das vezes ele
levou Kimberley até a casa de Nicole. Seus pais estavam na cidade e queriam
conhecê-la. Não foi surpresa nenhuma ver que todos a rodearam e elogiaram
o tamanho da sua barriga ou o quanto ela estava bonita. Me senti uma intrusa,
uma estúpida.
Cláudia e Victor tentaram conversar comigo nesse dia, mas logo
inventei uma desculpa esfarrapada e vim embora. Não vou assistir a
felicidade de outra mulher com o homem que eu amo. Nunca!
— Melissa? — Escuto a voz de Kyara e finjo dormir. Escuto seus
suspiros e logo sua mão está em minha cabeça. — Ah sua maluca! Não se
destrua assim. Lute pelo que ama. Lute por você mesma, meu amor. — Ela
sussurra acariciando meus cabelos.
Ainda fico quieta e logo ela sai trancando a porta do quarto. Sento-me
na cama e respiro fundo. Guardo a tesoura e olho minhas unhas curtas. É
melhor assim.
Chego ao café ainda dormindo. Hoje não teve aulas para mim, então
Joseph chamou para vir ao café. Como eu não tinha o que fazer, eu vim.
— Bom dia! — Hill grita e corre para me abraçar. — Parabéns!
Parabéns! — Ela grita alegre e eu me dou conta de que hoje é meu
aniversário.
Em que mundo eu vivo, pelo amor de Deus?
Sorrio alegre e abraço de volta.
— Obrigada. Que bom que lembrou, Hill. — Digo e volto a abraçá-la.
— Eu te amo viu? Agora me deixa pegar seu presente. — Ela corre até
seu armário e eu sorrio ansiosa.
— O que é? — Pergunto apalpando o presente envolto com papel
colorido.
Ela dá de ombros e eu abro o presente. Dentro de uma caixa pequena
tem uma fotografia minha e dela impressa em um porta-retratos e também um
colar em ouro com um pingente de asas. Meus olhos se enchem de lágrimas.
Eu amei.
— Obrigada. Deus, eu amei! — Digo e abraço.
— As asas simbolizam sua liberdade. Você é livre para fazer o que
quiser, inclusive conquistar sua felicidade. — Fala emocionada enquanto
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mexe em meu cabelo.


Abraço seu corpo pequeno e sorrio feliz, Hilary está mais alegre depois
do fim do namoro com Kevin. A verdade é que os dois não eram para ser.
Agradeço por eles ainda serem amigos, confesso que no começo eu duvidei
que se tornariam, mas sim, eles conseguiram.
Depois de agradecer mais vezes vamos trabalhar. Joseph está calmo
hoje, e eu não gosto nada disso. Ele é sempre rabugento e às vezes brinca
conosco, mas hoje ele está sério. Não fala nada.
Pergunto a Hill se ela sabe o porquê de ele estar assim.
— Parece que brigou com a esposa. — Ela respondeu.
Afastamo-nos e logo volto para atender as mesas. Ando apressadamente
para a próxima mesa e paro de repente ao ver quem é meu próximo cliente.
— Oi Melissa! — Kimberley fala ao lado de uma garota muito parecida
com ela. Deve ser sua irmã.
— Oi Kim. Como está? Pietro me falou que estava com pré-eclâmpsia.
Eu sinto muito. — Digo e ela tem a testa franzida.
— Obrigada. Vocês estão se vendo? — Ela questiona interessada.
— Às vezes. — Digo sorrindo. Não vou dizer a ela que não estamos
nos vendo. Principalmente depois daquele dia fatídico que ele encontrou
Thiago.
— Que bom, Mel... — Ela sorri alegremente. — Ultimamente ele está
muito aéreo. Está magro e não sai. Eu, sinceramente, estou preocupada com
ele. — Ela diz com o rosto sério.
— Ele não..., mas ele está bem, não está? — Pergunto preocupada.
— Sim. Eu sempre estou tentando levar ele para sair, mas na minha
condição, não posso sair muito. — Ela diz dando de ombros.
— Entendo... — suspiro e faço o pedido delas.
Quando ela está indo embora me chama e eu vou até ela. Mas meus
pensamentos ainda estão em Pietro. Como ele está? Será que está comendo
direito? Balanço a cabeça e me concentro em Kim.
— Parabéns! Ele me disse que hoje é seu aniversário. Desejo muita
saúde. — Ela fala e me puxa para um abraço.
Ainda estranhando sua atitude a envolvo em meus braços cuidando para

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não machucar sua barriga.


— Obrigada. Desejo o mesmo para você e Kyle. — Digo e ela sorri
passando a mão por sua barriga.
— Eu... — Ela olha para os lados, nervosa. — Só quero te dizer que ele
está sofrendo. Esses meses estão sendo difíceis para ele. Se você puder
conversar com ele... — Ela divaga com lágrimas nos olhos.
— Mas... pensei que vocês... — ela me interrompe.
— Eu nunca ficaria com Pietro, por Kyle. Ele não me ama. Por que eu iria
querer um homem que não me ama, Melissa? — Ela questiona e eu dou de
ombros suspirando aliviada. — Ele só é o pai de Kyle. Nada mais. — depois
de dizer isso, ela sai do café me deixando parada e sem saber o que dizer ou
fazer.

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Capítulo Vinte e Nove


Melissa

Ao chegar em casa naquela mesma noite, Dylan me convoca a ir para a


casa de Nicole. Parece que Abby está gripada e Nick não pode vir aqui nos
ver.
Dylan me parabenizou e me deu um vestido lindo que dizendo ele,
Kyara escolheu. Eu amei. Eles estão mais sérios agora, Kya sempre está aqui
em casa com Dylan. Eu amo o jeito que ela cuida dele.
Lógico, depois que ele me deu o presente, pedi desculpas a ele dizendo
que tinha esquecido nosso aniversário, mas que eu compraria seu presente
amanhã. Deus eu sou tão idiota. Esquecer de mim, tudo bem, mas esquecer
do meu irmão?
Arrumo-me devagar e logo escuto sua voz impaciente na sala me
chamando. Pego minha bolsa e corro para a sala.
Vamos em seu carro, pois eu não quero dirigir e Dylan achou ótimo.
Ele não gosta de dirigir sozinho, quer sempre estar falando com a outra
pessoa.
Então conversamos sobre a gente. Sobre nossa infância e sobre o
quanto nos amamos. Sei, foi piegas falar isso, mas é verdade.
Ele estaciona no meio fio e sai rápido do carro. Eu o sigo.
— Será que Abby está muito doentinha? — Ele questiona e eu dou de
ombros sem saber. — Só eu achei estranho Connor não ligar para a gente? —
Ele pergunta desconfiado.
— Talvez esteja preocupado com ela. Dylan, ela é sua primeira filha.
Temos que entender. — Digo o olhando. Ele suspira e acena confirmando.
— Deve ser.
Abrimos a porta e logo uma luz branca é acesa fazendo a gente ver
todos na sala. Abro a boca surpresa e sorrio.
Festa surpresa. Eu abraço Dylan sorrindo. Não esperava por festa, ainda
mais que eu me esqueci do nosso aniversário.
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Eles cantam o famoso "parabéns para você" e logo me sinto ser


esmagada por Hill e Kyara.
— Parabéns! — Elas sorriem alegres.
— Vocês são loucos. — Digo e gargalhamos. — Cadê, a minha
princesa? — Pergunto vendo Nicole com meu bebê nos braços. Abby está em
com um balão azul muito lindo. Ela sorri e eu aperto sua bochecha gorda.
— Parabéns cunhadinha. — Nick diz e me entrega meu presente.
Coloco todos os presentes no sofá e pego Abby em meu colo.
— Obrigada. — Digo sorrindo. Beijo na bochecha gorda de Abby e a
entrego de volta a Nicole.
Levanto-me e abraço todos os convidados da festa. Tyler e Clara
estavam com Aaron e eu o beijei no rosto. Ele está lindo e muito grande.
Agradeço e abro os presentes dos demais. Brandon, Tracy, Walter e Filip
estão aqui também. Abracei Tracy apertado e peço desculpa mais uma vez.
— Eu já te desculpei. Só quero sua felicidade. — Ela diz e eu beijo seus
cabelos a trazendo mais para perto.
Eu sei que a magoei. E eu não quero de modo algum voltar a magoá-la.
Aprendi a amar Tracy, ela faz Brandon feliz e sempre que pode fica comigo
quando preciso. Não posso abrir mão de sua amizade.
Beijo o rosto de Mike e fico surpresa quando vejo Thiago. Pergunto-me
quem o convidou, não que eu não quisesse sua presença, só fiquei curiosa.
Caminho até ficar a sua frente. Ele sorri e me puxa para seus braços. O
abraço e agradeço sua presença.
— Que nada. Ontem fiquei preocupado. Você está bem? — Ele segura
meu braço e eu gentilmente me afasto.
— Sim. Só discuti com minha amiga, então não estava com cabeça para
sair. — Digo sorrindo tensa. Ele coloca suas mãos dentro de seu jeans e sorri
concordando.
— Haaa. Tudo bem. Marcamos para outro dia... — O interrompo sem
graça.
— Acho melhor não. Eu não quero me envolver com ninguém no
momento, Thiago. Eu ainda amo Pietro e eu sei que você espera mais do que
eu posso dar. — Remexo minhas mãos, nervosa. Mordo meu lábio enquanto
um sorriso terno surge em seus lábios.
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— Eu entendo. — Ele olha em volta e eu sigo seu olhar, prestando


atenção na casa do meu irmão. Logo depois sua voz surge. — Acho que
chegou a hora de vocês voltarem... O que acha? — Ele aponta para trás de
mim com a cabeça e devagar eu me viro.
Pietro está parado a um metro de mim. Seu rosto é neutro e logo um
sorriso lindo nasce em seus lábios. Alegre, me viro para agradecer a Thiago,
mas ele já não está mais aqui. Suspiro e ando até Pietro, paro quando estamos
a um passo de nos tocar.
— Parabéns, moça bonita. — Ele fala e eu sorrio quando fala esse
apelido.
— Obrigada. — Respondo e ele fecha o espaço entre nós. — É... —
Engulo em seco diante da sua aproximação.
— Como está? — Ele preenche sua mão com meus cabelos enquanto
aproxima sua boca do meu ouvido.
— Bem. Quero dizer, estou ótima. — Digo nervosa e mordo meu lábio
inferior. — E você? — Pergunto quando encontro minha voz e ele se afasta
um pouco. Olho para seu rosto definido e estranho sua barba por fazer, Pietro
não costuma ficar com ela grande.
— Indo... — ele suspira e eu toco seu rosto. Os pelos fazem atrito com
meus dedos e sorrindo me afasto.
— Está de barba? — Só depois que falo vejo o quanto a pergunta foi
idiota.
— Não tive tempo para tirar. — Ele faz uma careta e eu gargalho. —
Trouxe seu presente. — Ele me entrega uma caixinha pequena e eu sorrio.
— O que é? — Pergunto enquanto abro a caixa.
Meu coração para, literalmente. Minhas mãos suam mais e mais e
minha garganta seca. Eu abro a boca algumas vezes, mas não sai nada. Deus,
eu não acredito que ele está fazendo isso. Eu não posso acreditar.
Dentro está uma aliança de ouro branco com um diamante pequeno a
enfeitando e ao lado tem mais dois pequenos. Levo minha mão à boca e meus
olhos se enchem de lágrimas.
— Pietro... — começo a falar, mas ele me interrompe com sua voz
cheia de certeza.
— Quando eu ver você o usando... — ele engole em seco e seca minhas
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lagrimas. — Vou saber que aceitou e que vai ser minha. Até lá o guarde. Eu
te amo, pequena. — Ele sussurra e eu o abraço.
— Eu também te amo. — Digo e olho novamente o anel de noivado na
caixinha. — E eu... vou o usar um dia... — Seu rosto cai e eu fecho meus
olhos tentando parar de chorar. — No dia que eu poder carregar tudo que
vem com você. Eu estou passando um inferno sem você. Mas, nossa vida não
seria de felicidade... — soluço enquanto o choro sai cru de mim. — Eu ainda
não estou pronta para as mudanças que ocorreram na sua vida, mas eu sei que
um dia eu vou estar. Por você, eu sei que vou. — digo por fim enquanto
escuto ao longe, eu quebrando seu coração e os pedaços caindo ao chão.
Pietro aperta as mãos ao seu lado e respira fundo. Sua mão direita vai
para seu cabelo e ele acena mordendo sua boca. Sinto um sentimento de
perda me enrolar e fazer minha respiração engatar. Desço minha mão para
meu braço e tento fincar minhas unhas na minha pele, mas logo me dou conta
de que as cortei ontem.
— Eu entendo. — Depois de um tempo ele se pronuncia.
Olho as pessoas ao meu redor e vejo que todas estão voltadas para seu
próprio mundo, alheia ao meu sofrimento. Alheia ao amor de nós dois se
quebrando.
— Você sabe onde me encontrar... quando estiver pronta. — Ele fala
devagar, e logo depois suas mãos pegam meu rosto, de repente e se aproxima
de mim. — Nós só amamos uma vez na vida, Melissa. Não me deixe sozinho
nesse caminho tão longo. — Sinto seus lábios em minha testa e logo depois
ele se vai. Ele se vira e vai embora.
Nicole tenta o parar para questioná-lo, mas ele não diminui o ritmo e sai
da casa. Ela volta seu olhar para mim e eu corro para o banheiro, tentando
fugir de toda essa confusão que me rodeia. Olho novamente para o anel e
choro me sentando no vaso sanitário.
Meus soluços podem ser ouvidos por todos no banheiro, mas não ligo.
Eu só quero crescer e deixar de ser essa garota assustada. Essa garota
estúpida que não pode encarar a gravidez de outra mulher.
Eu o amo tanto, por que não posso ir em frente? Por que não posso
tentar fazer isso por ele?
Pergunto-me se ele vai tentar voltar para Kim... se ele vai querer criar
Kyle com ela, mas logo me lembro das palavras dela hoje no café.
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Kimberley não o aceita porque ele me ama. Isso quer dizer que ele
tentou voltar? Eu acho que não. Mas as dúvidas rondam meus pensamentos.
Escuto baterem na porta e limpo minhas lágrimas com o dorso da minha mão.
— Melissa? — Hilary me chama enquanto vejo seus sapatos pelo final
da porta.
— Estou bem. — Digo e logo um soluço sai da minha garganta. Merda.
— Não acho que esteja. — A voz de Kyara invade o espaço. — Saia
por favor. — Pede.
Levanto-me e abro a porta. Elas cruzam os braços e esperam eu sair do
pequeno local. Atravesso o banheiro e fico em frente a pia. Molho minhas
mãos e tento fazer minha maquiagem parecer mais apresentável.
— O que você fez, Melissa? — Kyara pergunta sem julgamento algum
na voz.
— Ele me pediu em casamento... — solto rapidamente e o silêncio
preenche o banheiro da casa.
— O quê? — Kyara grita com o rosto alarmado. Seus olhos estão
arregalados e sua boca aberta.
— Ele me deu isso de presente. — Falo enquanto abro a pequena caixa
e o anel com o diamante aparece roubando a atenção das minhas amigas.
— Puta que pariu! — Hilary grita e pula ao mesmo tempo. — Não
acredito! — ela cobre a boca com sua mão e seus olhos brilham enquanto
Kyara pega o anel.
— Mel... Que lindo! — Ela fala e volta a me olhar. — Você não
aceitou? — Ela se aproxima e me devolve o anel dentro da caixa.
— Foi um presente. Ele disse que se eu o usasse eu aceitaria ser sua.
Aceitaria viver com ele para sempre. — Explico enquanto faço um coque nos
cabelos. — Mas eu... eu não podia aceitar assim, gente! Kimberley está
grávida. Eu ainda não consigo aceitar isso assim. Eu o amo, mas ainda é
difícil para mim. — Exclamo gesticulando com meus braços freneticamente.
— Tudo bem... — Elas me abraçam e eu choro em seus cabelos. — Na
hora certa vocês vão ficar juntos. Se ainda não se sente pronta, Melissa, dê
tempo ao tempo. Tenho certeza que ele vai te esperar. — Kyara fala enquanto
me olha nos olhos.
Eu quero acreditar que sim. Quero pensar que vou aceitar tudo
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facilmente.
Depois de retocar minha maquiagem saímos do banheiro. Sorrio ao ver
Rodrigo entrando pela porta da sala. Ele traz uma sacola e um presente
enfeitado grande. Sorrindo ele se aproxima quando me ver.
— Hey! Parabéns! —Ele fala sorrindo e me abraça. — Esse é para você
e esse para seu irmão. — Ele me entrega o maior e começa a procurar por
Dylan.
— Vem... Ele está na cozinha. — Digo e puxo-o pela mão. Ele entrega
a Dylan o seu e logo voltamos para a sala.
— Muito obrigada pelo presente... apalpando eu diria que é um urso de
pelúcia. — Franzo minhas sobrancelhas e ele sorri balançando a cabeça.
— Acertou uma parte... — ele faz mistério e aponta para o saco. Abro-o
e espio o que tem.
Dentro está um urso de pelúcia e... Um GPS. Sorrio fraco e o abraço.
— Obrigada. Eu já comprei um depois daquele dia, mas outro nunca é
demais. — Digo sincera e me afasto. Passo as mãos por meus braços e me
abraço ainda com o presente em mãos.
— O que aconteceu? — Ele fala com seu rosto franzido. — Você está
triste... — o interrompo fingindo tranquilidade.
— Que nada... — agora é a vez de ele me interromper.
— Eu sei que tem. Foi algo haver com Pietro? Eu o vi quando estava
estacionando... Ele não parecia mais alegre que você. — Ele avisa.
Suspirando olho para o teto tentando encontrar palavras para explicar. É
difícil dizer que você não aceitou um pedido de casamento da pessoa que
você ama.
— Vamos para o jardim. — Digo e ele me segue.
Ao sentarmos no banco de frente para a piscina da casa, eu começo a
falar.
— Ele me pediu em casamento. — Remexo minhas mãos enquanto
olho para a água límpida.
— Como? — Ele surta confuso.
— Ele me deu uma aliança de presente e me pediu que a colocasse
quando eu quisesse ser dele. Para sempre. — Explico e encosto minha cabeça

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no banco.
— Você não aceitou... por quê? — Questiona arrancando algumas
plantinhas do jardim com as pontas dos dedos.
— Você sabe... Kimberley grávida. Ela já está bem perto de ter Kyle e
eu me sinto tão insegura com isso. Eu tenho medo de não poder aguentar a
barra de ver ele com um filho de outra. Um filho dela. — Desabafo e meus
olhos queimam com lágrimas reprimidas.
— Sabe... uma vez, quando eu estava no ensino médio e eu queria pedir
uma garota para sair comigo, mas eu estava com medo, minha mãe disse para
mim que eu nunca saberia o que me esperava lá na frente se eu não fosse
primeiramente. Na hora eu não entendi nada do que ela falou, mas depois eu
parei para pensar e vi que, se eu não for corajoso eu nunca vou saber o quanto
eu posso ir, o quanto de felicidade eu posso ter. — ele divaga olhando o céu e
eu sorrio admirada com suas palavras. — Então, Melissa, vá em frente. Você
só vai suportar o que pode. Nada mais e nada menos. — Ele aperta minha
mão entre a sua.
— Pietro te ama, Melissa. Um filho é algo... — ele para emocionado.
Presumo que pensando no filho que perdeu com Helena. Os dois não
voltaram ainda, mas sei que em breve isso vai acontecer. — Sagrado. Você
vai o amar tanto quanto Pietro. Pode ter certeza. — Ele afirma e vira sua
cabeça para mim.
Seus olhos azuis me passam tanta certeza e determinação. Eu sorrio e
beijo sua bochecha.
— Eu acho que posso tentar. — Digo limpando minhas lágrimas. Pego
minha bolsa e ando em direção ao estacionamento para encontrar um táxi.

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Capítulo Trinta
Pietro

— Eu disse a ela... eu a pedi em casamento e ela não aceitou. Como


você quer que eu fique? — Questiono, irritado, à Kimberley enquanto a levo
para casa.
— Que lute. Ela ainda deve estar presa ao fato de que estou grávida.
Mostre que isso não vai ser um empecilho. — Ela responde calmamente
enquanto alisa sua barriga grande.
Levo minha mão para a sua barriga e faço carinho em Kyle. Ela sorri
orgulhosa quando ele começa a chutar contra minha mão. A minha irritação
passa só de o sentir contra mim.
É quase mágico.
— Ele vai ser a coisa mais importante do mundo para nós dois, Pietro,
mas tenho certeza que ele não quer ver a gente sofrer. — Explica ainda
sorrindo para sua barriga.
— Eu sei, mas Melissa é tão teimosa. Eu já dei mil palavras e ações,
mas não adianta. Nada. Numa hora ela quer ir fundo e em outra ela se retrai.
Ela tem tanto medo que não consegue ir em frente. — Falo olhando para seu
rosto enquanto o sinal fecha. Kim suspira impaciente.
As ruas estão cheias. Todos querendo curtir a sexta-feira. Eu só me
sinto exausto. Só isso.
— Eu posso falar minha opinião? — Escuto a voz de Kevin e suspiro
acenando. — Eu acho que nós deveríamos parar de falar dela. Ela não
aceitou? Cara, é ela que está perdendo. Vamos a uma boate curtir e... —
Kimberley o interrompe.
— Cala essa boca, Kevin! Como você tem um amigo assim, hein? —
Ela se vira irritada e me pergunta.
Também não sei.
— Ok. Se ele quer curti a fossa dele, eu também vou. Hilary está saindo
com Oliver. Que merda ela tem na cabeça? Eu dei um soco bem grande na
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cara dele por pegar minha ex. Cara isso não se faz. — Ele resmunga
balançando a cabeça e eu viro para o olhar.
— Você bateu nele, Kevin? — Pergunto assustado. Que merda meus
amigos estão fazendo com a sua amizade?
— Cara, ele teve a cara de pau de ir me contar. Dei mesmo e ainda bem
que ele não apareceu nesse aniversário, porque eu ia bater mais. — Ele fala
com os punhos cerrados.
— Posso dar minha opinião? — Kimberley pergunta o olhando
inocentemente. — Perdeu idiota! Supere. — Ela fala sorrindo.
Eu levo minha mão para a boca tentando me parar para não rir, mas é
inútil. Gargalho tanto que Kevin fica vermelho de raiva.
— Só não vou te responder, por que está grávida, sua buchuda. — Ele
resmunga e some no banco de trás.
— Voltando para nossa vida... O quarto de Kyle já está pronto? — Ela
questiona interessada. Volto para o trânsito e a respondo.
— Sim. Montei os móveis ontem com a ajuda do meu amigo, Kevin.
Ficou perfeito. — Digo irônico e ele bufa ainda chateado.
— Ótimo. O da minha casa também está pronto. Ficou muito bonito. —
Sorrindo ela diz.
— Que ótimo. Amanhã passo lá para ver e te trago para ver o da minha
casa. Pode ser? — Questiono estacionando em frente seu prédio.
— Pode. — Ela sorri alegre.
Kim está mudada. Não parece em nada com a pessoa que conheci
depois do nosso término. Ela está mais amável e me compreende tão bem.
Quando me falou da gravidez pensei que iria me obrigar a casar com ela e
tudo mais, mas ao contrário, ela disse que nunca iria viver com um homem
que não a amasse por inteiro. Ela disse que se fosse só por Kyle, ela nunca
iria me pedir isso. Eu a admiro. Eu a amo e tenho certeza que será uma ótima
mãe.
Saímos do carro e deixo Kevin lá dentro. Não posso deixar Kimberley
ir até o andar dela sozinha. Eu tenho medo que algo aconteça. Principalmente
por causa da pré-eclâmpsia.
Quando o médico contou para nós dois, ficamos neutros. Não sabíamos
o quanto essa doença é perigosa. Kimberley não pode nem sair de casa, pois
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sua pressão sobe. Hoje depois de muita conversa eu permiti que fosse a casa
de uma amiga, mas ainda sim, eu a deixei na casa da garota e agora estou
trazendo ela de volta.
Enquanto esperamos o elevador chegar Kimberley começa a roer as
unhas. Ela criou essa mania depois da gravidez. Antes suas unhas eram
sempre longas e muito bem pintadas. Agora ela fica ansiosa para tudo. É
agonizante ver.
— Você pode ir daqui. Não precisa subir. — Ela diz quando o elevador
chega.
Ela entra e eu vou logo atrás.
— Eu quero subir. — Digo enquanto ela bufa irritada.
Subimos sem conversar e logo ela está entrando em sua casa se
despedindo de mim.
— Boa noite, Pietro.
— Boa noite, Kim... qualquer coisa... — digo nervoso.
— Eu te ligo. Não se preocupe. — Ela sorri e lentamente fecha a porta.
Sigo para o meu apartamento. Entro e suspiro enquanto me jogo no
sofá. Kevin vem logo atrás e se senta ao meu lado.
— Olha cara, Oliver gosta dela de verdade. Acho que você pode viver
com isso. Pelo menos pela amizade que têm há tanto tempo. — Digo sincero
enquanto ele olha para o nada.
— Eu sei. E eu vou tentar. — Ele diz e se levanta. — Onde está o
whisky? Preciso beber. — Ele vai até a cozinha e volta com uma garrafa e
dois copos.
— Não vou beber, cara. Vai que Kim entra em trabalho de parto? E eu
aqui bêbado? Deus me livre. — Explico devagar e ele sorri revirando os
olhos.
— Você que sabe. Pode beber só um copinho não tem nada demais. —
Ele sugere e eu aceno confirmando.
Receber um fora da garota que você ama merece um pouco de bebida,
sim eu posso viver com isso. Bebo dois copos e logo me sinto dormente.
Kevin vira mais uma dose e faz careta diante do gosto.
— Vou tomar banho. Se quiser pode tomar banho no quarto de Kyle,
mas lá não tem cama. Então volte para a sala e durma aí no sofá. — Digo me
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levantando e tirando minha camiseta.


— Ok. Mas ainda vou beber aqui mais um pouco. — Fala virando o
copo cheio de whisky. Faço uma careta e vou para meu quarto.
Tomo banho devagar e logo estou saindo do banheiro. Sento-me na
cama secando meu cabelo com a toalha e lembro-me de Melissa. Eu achei
que minha ideia era demais quando a tinha concebido, mas pensando agora
me pergunto se foi certo lhe pressionar daquela forma. Como posso amar
tanto aquela mulher?
Ver ela depois de um tempo me deixou feliz. Mas mais feliz ainda
fiquei quando a ouvi dispensar aquele “mané” do médico dela. Porra, eu falei
para ela que ele estava dando em cima dela quando fomos lá para suas
consultas, mas ela como a teimosa que é, disse que não. Há semanas eles
viam se vendo, eu sei por que Nicole me falava. Não era querendo tripudiar,
pelo contrário, ela queria que eu reagisse. Mas como eu iria reagir se não
estávamos mais juntos?
Então fiquei na minha. Nicole também me disse que Mel ainda não
tinha feito nada com o que eu devesse me preocupar. Ainda. Ela mesma
frisou.
Eu meio que me senti magoado quando a fui visitar e ele chegou lá, mas
a verdade é que ela não me deve nada. Nós terminamos. É isso.
Só eu mesmo para propor casamento a minha ex-namorada.
Pego uma cueca boxer e a visto. Vou para a sala ver como Kevin está,
mas estanco ao entrar no cômodo.
Melissa está no meio da sala mordendo seu lábio inferior. Ela me vê e
logo sua boca se abre e seus olhos piscam. Acho que está surpresa, mas por
quê? É minha casa, lógico que eu estaria aqui.
Seus olhos seguem para meu tronco e cueca. Sorrio diante disso. Ela
está envergonhada pela minha nudez. Ela engole em seco e se aproxima de
mim.
— É... O Kevin abriu a porta. Ele disse que já ia embora... Então... Ele
foi. — Ela fala gaguejando, me deixando saber que está nervosa.
— Tudo bem. Acho que ele pegou um táxi. Você me espera aqui? —
Ela me olha sem entender e eu explico. — Vou vestir uma roupa. — Ela volta
seu olhar para minha cueca e suspira acenando.

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Vou para meu quarto e mordo meu lábio nervoso. Será que ela... não.
Talvez ela só queira se explicar mais uma vez. Melissa é tão imprevisível que
eu não consigo nem fazer um palpite de merda.
Visto uma calça de moletom e uma camiseta fina branca. Quando volto
para a sala ela ainda está em pé no meio da sala.
— Pode se sentar, Melissa. — Digo e ela pula no susto. Sorrindo me
sento e a chamo para meu lado.
— Ok. — Ela se senta e começa a morder sua boca. Porque ela tem que
fazer isso? — Por que foi colocar a roupa? — Ela questiona e logo depois
seus olhos se arregalam percebendo o que falou. Eu sorrio divertido.
— Você queria que eu ficasse só de cueca? — Questiono tentando ficar
sério.
— Sim. — Ela responde sussurrando sem me olhar.
— Ok. — Suspiro e encosto-me ao meu sofá.
Não vou tirar minha roupa agora que estou vestido. Eu quero que fale o
que veio fazer aqui. Ela, pelo contrário, só fica olhando para suas unhas bem
cortadas. Estranho já que elas sempre foram grandes.
Minha boca se abre ao perceber o anel que dei em seu dedo. Tento falar
algo, mas não consigo nada. Toco seu braço e ela se vira para mim. Respiro
fundo, mas antes que eu a questione ela começa a falar.
— Eu... eu percebi que nunca vou saber ao certo se aguento ou não o
que vem com você se eu não tentar. Eu te amo, Pietro. Te amo tanto. E eu
não quero de modo algum outro cara. Eu... Só quero você. — Ela fala com
lágrimas nos olhos e eu suspiro aliviado.
— Você está falando sério, não é? Porque eu disse que quando você
colocasse esse anel em seu dedo, você seria minha. Para sempre. — Digo
firme e ela se aproxima de mim.
— Eu sei. E eu nunca deixei de ser sua. Nunca. — Ela afirma ainda
chorando e eu a trago para meu colo.
Limpo suas lágrimas devagar e beijo sua têmpora. Seus cabelos
castanhos estão por todo lado e aos poucos eu o ajeito atrás de sua orelha.
Seus olhos estão em mim. Analisando-me. Questionando-me.
— Fala algo. Você não quer mais, é isso? — Ela chora enquanto
pergunta. Volto a limpar suas lágrimas, mas ela se afasta. — Pietro... Me
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responde. — Ela implora.


— Você quer que eu responda o quê? — Pergunto brincando. — Eu
que te pedi em casamento, Melissa. Você aceitou. E eu estou muito feliz. Mas
agora, a única coisa que quero é que você me beije. Você pode fazer isso por
mim? — Um sorriso esperto nasce em seus lábios antes dela os esmagar nos
meus.
Puxo sua cabeça em minha direção com seus cabelos presos a minha
mão. Melissa geme em minha boca e eu logo trato de tirar sua blusa bonita.
Desfaço os fechos do seu sutiã e seus seios pairam em frente de mim.
Seu bico rosa logo está duro e pronto para mim. Chupo seus seios a olhando.
Melissa revira os olhos e me puxa em sua direção.
Depois de levá-la para o quarto, tiro sua calça jeans e sua calcinha fina.
Logo depois também tiro minhas roupas e vou para cima dela. Seus lábios
estão vermelhos e ela suspira pesadamente enquanto me encaixo dentro dela.
Porra, ela é quente!
— Eu te amo. — Melissa diz entre gemidos enquanto invisto contra ela.
— Deus, Oh. — Sua boca se abre e ela se desfaz ao meu redor.
Acelero meus movimentos e logo caio em cima dela exausto. Minha
respiração pesada se mistura com a dela. O quarto está em silêncio e só seus
suspiros de satisfação me são ouvidos. Deito-me ao seu lado e trago seu
corpo despido para cima de mim.
— Eu te amo, moça bonita. — Beijo seu olho direito e coloco sua
cabeça em meu peito. — Eu te amo. — Reafirmo.
Dormimos abraçados e emocionalmente muito felizes. Só espero que
essa felicidade dure.
Ao longe escuto meu celular tocar e aos poucos, acordo lento. Procuro
meu celular e o encontro no chão do quarto. Levanto-me devagar e vou até
ele.
Número desconhecido.
Franzino o cenho atendo. Não tenho ideia de quem possa estar ligando
em plena madrugada.
— Alô. — Digo rouco e olho para Melissa que acorda devagar.
— Pietro? É a irmã de Kimberley... — Meus olhos se arregalam. Porra,
ela está chorando.
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— Por que está chorando? Vamos porra. Fale! — Corro pelo quarto
pegando minhas roupas e as vestindo. — Vamos! O que aconteceu,
Giovanna? Ela está bem, não está? Kyle? Kyle está bem também? —
Começo a gritar quando vejo que ela só chora e não consegue falar nada.
— Eu a trouxe para o hospital...
Essas palavras mais seu choro... eu desmorono. Não escuto mais nada.
Não pode ser, porra! Não pode ser.

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Capítulo Trinta e Um
Melissa

Levanto da cama rapidamente ao olhar para Pietro. Ele está com os


olhos cheios de lágrimas e acaba derrubando seu celular no chão quando
tenta responder a pessoa do outro lado da linha. Eu o pego enquanto abraço
seu corpo.
— Alô? É a namorada dele. Você pode me dizer o que está
acontecendo? — Pergunto irritada. O que ela falou para ele?
— Eu sou irmã de Kimberley, Giovanna. Ela deu entrada no hospital
agora em trabalho de parto. Eu só quero o avisar para vir para cá. Eu o
assustei, pois... O médico quer os familiares aqui caso algo... ocorra. Ela está
doente. O parto é de risco, tanto para ela quanto para Kyle... eu só quero
alguém aqui comigo. Eu estou assustada. — Ela volta a chorar e eu começo
também. Como assim de risco?
— Olha, nós estamos indo. Não se preocupe. Se sente e se acalme que
já estamos a caminho.
— Tudo bem.
Desligo e faço Pietro se sentar. Ajoelhou-me a sua frente e pego seu
rosto.
— Eles estão bem, querido. Ela entrou em trabalho de parto então
temos que ir para lá. — Falo calmamente e ele acena suspirando
pesadamente. — Você tem que parar de chorar, ok? Eles estão bem e Kyle
vai estar em seus braços daqui a algumas horas. Vamos? — O puxo pela mão
enquanto pego minhas roupas no chão do quarto.
Visto-me rapidamente e pego as chaves do seu carro. Por que essas
coisas acontecem sempre depois de um momento tão bom? Voltar para Pietro
me fez me sentir viva, amada e desejada como só ele um dia foi capaz de
fazer.
Ao entrar no táxi depois que sai da casa de Nicole coloquei o anel que
ele me deu de presente no dedo direito deixando na visão de quem me
olhasse e logo iriam constatar que eu era noiva. Noiva. Tento sorrir enquanto
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lembro-me disso e olho para meu anel, que ainda descansa onde o coloquei,
mas logo o sorriso vai embora ao olhar para Pietro. Seus olhos estão
angustiados, eu pego sua mão na minha e a aperto passando conforto.
— Por que ela estava chorando? — Ele pergunta depois de um tempo
calados indo em direção ao hospital.
— Por que é normal, meu amor. Ela ainda é uma adolescente. Não sabe
bem como se situar nesses momentos. — Digo sorrindo e tentando aliviar sua
tensão.
Eu espero que dê tempo chegarmos lá. Quero que Pietro veja seu bebê
nascer. Ele vai ficar muito feliz.
Estaciono e saímos do carro. Pego sua mão na minha e andamos até a
recepção. Digo o nome de Kimberley completo depois que Pietro fala para
mim. Somos orientados a ir para a sala de espera. No caminho liguei para
seus pais e para Nicole. Eles já estão a caminho. Eu me sinto aliviada depois
de ouvir isso da boca deles. Eu não acho que eu seja capaz de aguentar a dor
e o medo de Pietro sozinha.
Quando chegamos, ele me solta e abraça a garota que estava com
Kimberley no café de Joseph. Sorrindo me aproximo e a abraço também.
— Ela vai ficar bem, não é Pietro? — Ela o questiona, mas ele não
consegue responder.
Eu a puxo para sentar ao meu lado e a abraço.
— Não se preocupe com isso agora, okay, meu amor? — Falo
carinhosamente e ela chora mais ainda. Não entendo o porquê, mas ela faz.
— Eu só a tenho. Eu não posso a perder. Eu não posso. Eu não quero
ficar sozinha no mundo. — Ela fala nervosamente enquanto suas lágrimas
molham sua camiseta vermelha.
Eu não entendo o que quis dizer com sozinha, pois eu pensava que elas
moravam com os pais, mas não questiono, deixo isso de lado.
— Shiiii. — A abraço e Pietro respira fundo olhando para ela.
— Você não vai ficar sozinha, Giovanna. Você tem a mim. — Ele diz
cansado e ela acena confirmando.
Um médico entra na sala e pergunta por parentes de Kimberley
William. Pietro e Giovanna se levantam.
— Eu sinto muito. Mas antes de qualquer decisão que eu tome, preciso
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conversar com vocês. — Ele explica olhando diretamente para eles dois. —
A gravidez de Kimberley está em alto risco. Ela progrediu de pré-eclâmpsia
para eclampsia. Sua pressão está alta demais e se tentarmos fazer o parto do
bebê, ela pode não aguentar. Eu falei com ela, disse que o mais sensato a
fazer é causar um aborto, o que seria permitido pelo risco de vida que ela
corre, mas ela não quer. Ela está consciente e disse com todas as letras que
quer o parto. — Enquanto ele vai falando eu me derramo em lágrimas.
Uma tristeza tão grande se apossa de mim. Eu olho para Pietro e ele
está chorando também e eu tento ser forte para ele, mas agora até eu estou
precisando de apoio. Gio cai sentada e suas mãos vão para a cabeça
soluçando.
— Ela... eu quero falar com ela. — Pietro fala enquanto enxuga suas
lágrimas.
Eu vejo o quanto ele está tentando ser forte. Ele está segurando suas
emoções. Vejo em seus olhos a dor de escolher entre Kyle e Kimberley.
— Entendo, mas ela prefere falar primeiro com Melissa Jones. — Ele lê
o meu nome em um papel e eu o olho alarmada. — Ela está aqui? Ou teremos
que ligar para ela? — ele questiona e eu levanto minha mão sinalizando que
estou.
Estou confusa. O que ela quer de mim nessa ocasião? Ver-me?
— Por quê? — Encontro minha voz e questiono ainda confusa.
— Querida, eu não sei, mas eu sugiro que tenha calma e não a faça ficar
nervosa. E seja rápida, pois já vamos levá-la ao centro cirúrgico. — Ele diz
sério e aponta para um corredor me encorajando a ir.
Olho para Pietro e Giovanna pedindo permissão. Eu acho que estou os
desrespeitando. É para eles falarem com ela, não eu. No momento eles estão
mais assustados que eu, muito mais. Eles dois logo acenam e eu me levanto
da cadeira.
— Eu volto logo, ok? Cuida dela, tudo bem? — Peço a Pietro
apontando para Gio, que ainda chora, e ele acena confirmando. Beijo seus
lábios e me afasto seguindo o médico.
Ele para em uma sala branca e logo a porta se abre com uma enfermeira
saindo. Vejo Kimberley deitada na cama e logo seus olhos verdes param em
mim. Um suspiro aliviado sai dela e eu me aproximo devagar. O médico sai
nos deixando a sós.
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— Oi. — Sua voz sai arrastada. — Você deve estar se perguntando o


porquê preferi falar com você primeiro. Antes até da minha irmã adolescente
que deve está assustada... — ela sorri fraca e me chama com a mão. Eu me
aproximo mais. — Talvez, o que eu vá te pedir seja demais... quem sabe?
Não temos tanta aproximação... — ela dá de ombros e faz cara de dor ao
respirar profundamente. — Só quero te pedir desculpas por tudo que fiz você
passar. — Ela engole em seco. — Se algo acontecer comigo... eu quero que
cuide de Kyle. — Seus olhos se enchem de lágrimas ao pronunciar o nome de
seu bebê.
— Eu já tenho cravado em meus pensamentos o quanto ele vai ser um
homem bom. O quanto você vai o amar e educar ele. — Ela chora e pega
minha mão e a aperta devagar. — Não deixe meus pais o pegarem... não
deixe eles arruinarem meu pequeno anjo, como fizeram comigo e com
Giovanna. Por favor, cuide deles dois para mim. Eu quero ir para a sala de
cirurgia com essa certeza. A certeza de que você vai cuidar deles dois. — Ela
chora e eu a abraço deixando minhas lágrimas correrem livres.
Eu sei nunca fomos próximas, quero dizer, alguns meses atrás nos
detestávamos e agora eu me sinto fraca por ela... Deus, como posso aguentar
essa dor em mim? Não deixe que nada de mal aconteça com ela Senhor, por
favor. Eu peço, chorando.
— Kim, eu desculpo tudo o que fez. Por que foi por amor a Pietro. Ele
sempre frisou o quanto você era uma pessoa boa, nos momentos eu não
acreditava, mas hoje, eu penso da mesma forma. Você é uma pessoa linda e
tão iluminada. Por isso não se preocupe, nada disso vai acontecer. Amanhã
você vai acordar e ver seu bebê em seus braços. Não se preocupe, ok? —
Digo tudo sorrindo enquanto ela ainda segura minha mão.
— Tudo bem..., mas você pode me prometer? Só quero ir tranquila.
Pelo amor que sente por Pietro, me prometa que vai ajudá-lo cuidar de Kyle e
Giovanna. — Ela implora.
— Eu prometo, querida. Agora descanse, pois ele quer te ver. — digo
carinhosamente e ela acena confirmando.
Seu sorriso branco aos poucos vai aparecendo e ela me agradece mais
uma vez.
Saio do quarto e Pietro já estava na porta. O deixo entrar e encosto-me à
parede oposta a seu quarto. Enquanto as lágrimas tristes saem de mim, me

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pergunto o porquê de isso acontecer. Porque Kimberley tem que passar por
essa provação. Porque que para Kyle ter que nascer, precisamos temer a
morte de Kimberley? Ou porquê de deixar uma adolescente sozinha no
mundo, como Gio mesmo falou?
Choro mais um pouco e logo me lembro de Giovanna. Levanto-me e
vou até a sala de espera. Ela está sentada como a deixei. No chão. Aproximo-
me e sento ao seu lado.
—Como ela está? — Ela questiona limpando seu rosto molhado.
— Sorrindo. — Digo e suspiro. — Daqui a pouco você vai entrar e falar
com ela. Tente ser rápida, ok? Ela não pode se cansar e logo a levarão para a
cirurgia. — Falo e a trago para meus braços.
Ficamos assim até Pietro voltar e ela ir. Levanto-me e o abraço. Ele
passa seus braços por minha cintura me segurando fortemente. Ele baixa sua
cabeça e a coloca em meu ombro. Os seus tremem devido ao choro
compulsivo que sai dele. Sinto-me fraca diante de tanta dor: a minha dor, a
dor dele, a de Giovanna e principalmente a de Kimberley.
— Eu não quero que ela morra, Mel. Eu quero que Kyle a conheça. Eu
quero que ela me ajude a criá-lo. — Ele fala entre seus soluços me fazendo
chorar mais e mais. — Eu não vou conseguir sozinho. Sem ela. Eu não posso,
Porra! — Ele grita e se senta ao chão. Suas mãos vão para sua cabeça
enquanto ele chora descontroladamente.
— Isso não vai acontecer, Pietro. Ela é forte. Você vai ver. — digo
tentando, em vão, acalmá-lo.
Afasto-me ao ver Nicole correr em sua direção. Ela arregala os olhos ao
ver seu irmão enquanto Connor me puxa para seus braços. Eu me afundo
neles. Por que o que eu mais quero nesse momento é alguém para me
acalentar. Eu quero que meu irmão possa tirar essa dor do meu peito. Do meu
coração.
— Oi meu amor... — Nick sussurra em seu ouvido o abraçando e ele a
abraça de volta. — O que está acontecendo, Melissa? — Ela pergunta com a
voz trêmula.
— Kimberley pode não aguentar o parto. O médico disse que o mais
sensato a fazer é causar um aborto, mas ela não quis. Nem sequer o deixou
falar da possibilidade. — Falo enquanto me sinto ser abraçada por meu
irmão, mais e mais.
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— Meu Deus... — Ela volta a abraçar Pietro enquanto ele chora. — Vai
ficar tudo bem. — Ela promete sussurrando.
Giovanna volta chorando e eu volto a trazê-la para meus braços.
— Como ela pode querer me deixar aqui? — Ela questiona e seus olhos
refletem tanta perda. — Sozinha Melissa? Eu nunca vou perdoar ela. — Gio
fala gesticulando.
Eu peço que ela se acalme e logo depois ela se senta respirando fundo.
Limpo suas lágrimas enquanto Nicole faz Pietro se sentar em uma das
cadeiras e Connor o ajuda.
Gio falou isso agora. Na hora da raiva, mas tenho certeza que depois ela
vai relevar. É compreensível já que ela é apenas uma adolescente.
Avisam-nos que Kimberley foi para o centro cirúrgico. Eu peço licença
a Nicole e Connor, e levo Pietro e Giovanna para a lanchonete do hospital.
Cada um de nós nos sentamos e eu peço café da manhã para a gente.
Comemos devagar, a verdade é que nenhum de nós comeu muito. Logo
voltamos para a sala de espera.
Assim que nos sentamos os pais de Pietro chegam. Nicole e Connor
ainda estão aqui, também sentados. Pietro se levanta e sua mãe o abraça. Ele
se acalmou bastante. Eu agradeço por isso.
Comprimento os seus pais e eles sorriem ao ver que Pietro e eu
voltamos. Eu também tento ficar alegre, mas no momento é muito difícil.
Ficamos todos sentados em silêncio enquanto a mãe de Pietro reza baixinho
pedindo pela saúde de Kimberley.
Depois de uma hora e meia as portas voltam a ser abertas, só que
diferente das outras quem sai por ela é o médico que estava dando
informações para nós quando chegamos. Pietro se levanta rápido e anda até
ele. Levantamo-nos também e o seguimos até o berçário.
Ele mostra Kyle para nós e eu me pego sorrindo ao olhar seu rosto
vermelho. Pietro tem lágrimas e se aproxima do vidro mais e mais, como se
pudesse o ultrapassar.
— E a minha irmã, doutor? — Escuto a voz triste de Giovanna e vou
para seu lado.
— Como Kimberley está? — Pietro o questiona voltando a olhar para o
médico.

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Capítulo Trinta e Dois


Melissa

Seattle é uma cidade chuvosa. Não tem quem diga ao contrário, mas
especialmente hoje parece que alguém disse que não era para cair uma gota
sequer. O sol está brilhante. Parece que ele quer nos dizer o quanto esse dia é
especial. O quanto hoje é um dia para celebrar e agradecer.
Ao olhar para a grama verde abaixo das minhas botas marrons eu vejo o
quanto esse lugar ficou bonito depois de recebê-la. O quanto algumas das
coisas desse lugar lembram ela. A grama verde clara lembra seus olhos vivos,
as plantas trepadeiras caindo pelo muro lembram seus cachos dourados. E
principalmente o quanto Kyle nos faz lembrar ela.
Em letras bem trabalhadas e de caligrafia, foram gravadas a seguinte
frase em sua memória.
“Uma irmã dedicada, uma jovem sonhadora, uma namorada amorosa
e principalmente, uma mãe maravilhosa. ”
Hoje faz seis meses que estamos sem ela. Seis meses que Kyle nasceu.
Seis meses que minha vida se resume a cuidar dele, de Pietro e de Giovanna.
Meus olhos fogem para onde Pietro está e ele sorri tentando dizer para mim
que está bem. Eu sei que não. Ele sofre por ela. Ele sofre por Kyle. Pela dor
que ele ainda vai sentir quando se tornar um rapaz e souber de tudo.
— Gio? — A chamo e ela vem até mim com lágrimas nos olhos. —
Você já sabe o que fazer, não é? — digo sorrindo tentando encorajá-la a fazer
o que todos os meses depois da morte de Kimberley fazemos.
Conversar.
— Ela deve estar com saudades da sua voz. — digo sorrindo e ela
acena.
Em passos curtos ela se senta de frente para a lápide. E como todas as
outras vezes me afasto e a deixo falar com privacidade. Seguro a mão de
Pietro enquanto Kyle está em seus braços.
Ele já está um rapaz, sorrindo para tudo e todos e cada vez mais

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inteligente. Com seis meses ele já se senta, o que acho um absurdo muito
grande. Brinca com Abby e detesta Aaron. Não me pergunte o porquê, eles só
não se dão bem. Aaron até tenta brincar, mas Kyle se afasta.
— Obrigado.
Escuto a voz de Pietro e me viro para o olhar. Seus olhos estão em Gio
e depois se voltam para meu rosto.
— Por tudo, Melissa. Por estar comigo diante de tanta dificuldade. Por
cuidar de Gio como se fosse sua irmã mais nova e principalmente por cuidar
de Kyle com tanto carinho. — Ele respira fundo e abraça minha cintura. —
Eu nunca conseguiria sem você, anjo. Nunca. — Ele afirma e eu abraço seu
corpo segurando a mão de Kyle para não puxar meus cabelos.
— Eu te amo. Eu amo eles. E não há nada no mundo que eu gostaria
mais de estar fazendo do que estar aqui com vocês. Estar na vida de vocês.
Nós quatro vamos ser muito felizes. Seremos uma família mais linda do que a
que já somos. — Digo sorrindo emocionada.
Depois de Gio voltar com lágrimas nos olhos, a abraço apertado e a
deixo se acalmar. Logo depois pego Kyle de Pietro o deixando livre para ir
até lá. Ele caminha devagar e logo depois começa a chutar pedrinhas que
ficam no chão. Vejo sua boca se movimentar e sei que ele começou a
conversar com ela.
Kyle bate palmas dessincronizadas e eu sorrio quando mostra seu
pequeno dentinho branco. Beijo sua bochecha gorda e o abraço. Gio fica em
minha frente e admirada, fica olhando para seu sobrinho.
— Ele está cada dia mais parecido com ela. — Ela sussurra com seus
olhos se enchendo de lágrimas.
— Ainda bem, não é meu amor? Ele vai sempre nos fazer lembrar-se da
beleza dela. Nunca a esqueceremos. — Falo carinhosamente, mas a
encarando com firmeza.
Quero que Gio se sinta feliz conosco, ela foi morar na casa de Pietro
logo depois da morte da sua irmã. Ele vendeu o apartamento dele e ela o que
morava com Kimberley. Então, ele logo depois comprou uma casa no mesmo
condomínio dos seus pais, eles ajudaram Pietro a comprar a casa, ainda não
temos dinheiro suficiente para comprar sem a ajuda deles. O dinheiro do
apartamento de Gio, colocamos em uma conta para ela. Eu achei melhor
assim, já que ela já é quase uma adulta, ela precisa do seu próprio dinheiro.
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Mudamo-nos para lá depois de três meses que Kyle nasceu. Não nos
mudamos antes, pois estávamos terminando a faculdade e claro, Giovanna
também ainda estava no ensino médio. Ela entrou na faculdade perto da nossa
casa. Depois de conversarmos, eu e Pietro achamos melhor ela ficar por
perto.
E ainda bem, ela não se opôs.
Nós dois não falamos mais sobre casamento ou qualquer coisa
relacionada a nosso futuro, mas eu não quero o pressionar e também ainda
acho a morte de Kimberley muito recente para festejar algo.
— É verdade. — Ela afirma depois de minutos calada.
Espero Pietro voltar e antes que ele chegue eu vou em direção onde ele
estava. Ele sorri limpando suas lágrimas quando passo por ele. Kyle dá seus
braços para ele, mas não o entrego. Na minha vez, ele sempre tem que estar
comigo. Eu preciso dele para me dar força e para eu poder dizer tudo sobre
ele a ela. Tenho que falar todos os desenvolvimentos dele, tudo que aprendeu.
Sento-me em um banco perto de sua lápide e pego meu celular, aperto
play e a música preferida dela, segundo Gio, começa a tocar. Em meio à
melodia da canção eu começo a falar.
— Hoje Kyle faz seis meses. Passou rápido, não é? Ele está com um
dentinho e já bate palmas. Ainda não estão bem sincronizadas, mas eu adoro
vê-lo fazer isso. — Sorrio e suspiro olhando sua foto. — Ele está cada dia
mais parecido com você, Gio falou isso quase nesse instante. E é verdade. Ele
tem seus cachos loiros e seus olhos verdes brilhantes. Eu sinto muito que
você não possa estar vendo o quanto bonito ele está. Acho que ele vai ter
bastante namoradas. — Gargalho um pouco pensando nisso.
— Eu nunca vou deixá-lo esquecer a quão bonita você foi. — Engulo
em seco e limpo uma lágrima fujona que me escapou. — Eu estou fazendo o
que prometi a você, Kim. Eu cuido deles dois. Giovanna é uma garota linda e
tão amável. Eu me orgulho dela cada dia mais. Você sabe que ela vai cursar
moda, não é? Acho que ela já te falou. — Sorrio pensando nisso.
— Eu espero muito que você esteja feliz com a minha, digamos,
atuação em cuidar das pessoas que mais amava no mundo. Eu agradeço por
ter me dado a oportunidade de amar eles dois. A oportunidade de conhecê-los
e cuidar de cada um. Pietro também está sendo tão forte. Ele passa a manhã
na faculdade e a tarde no hospital, mas, ainda assim, depois que ele chega se
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senta para brincar com Kyle e para conversar com Gio sobre tudo que ela
gosta. Você ficaria orgulhosa dele... Eu estou. — Afirmo e Kyle se levanta
em meus braços. Suas pernas grossas o mantém em pé durante alguns
segundos enquanto suas mãos pequenas seguram em meus ombros. Deus! Eu
o amo tanto.
— Eu acho que contei tudo, não é? Nós voltamos em breve, querida.
Estamos com saudades. — Digo pôr fim ao deixar uma rosa vermelha logo
acima de sua foto sorridente. — Fique com Deus!
Andamos lado a lado para o estacionamento. Cada um com seus
próprios pensamentos. O único que não entende o momento é Kyle. Ele está
sorrindo e olhando para os lados estranhando, mas gostando do lugar.
Giovanna está calada e séria. Faz tão pouco tempo que a conheço, mas eu
aprendi a gostar tanto dela. Seus cabelos enrolados a irritam quando acorda
pela manhã, suas unhas são sempre bem feitas e ela se veste como uma
modelo. Ela é linda, pelo menos é isso que Kevin fala escondido de Pietro.
Eles não estão namorando, não que ele já não tenha tentando a convencer, é
que ele é amigo do Pietro. Ela diz que se sente estranha. Eu a respondi
dizendo que se eles se gostassem de verdade, nunca seria estranho.
Mas ela ainda não está convencida disso.
Coloco Kyle em sua cadeirinha e depois volto para o banco do
passageiro. Giovanna senta ao seu lado e o caminho até em casa eles vão
brincando um com o outro.
Ao entrar em casa levo Kyle para seu quarto e lhe dou banho. Depois de
limpo faço sua papinha e a dou devagar. Kyle é chatinho para comer, e eu
sempre peço ao Senhor mais paciência para lhe dar comida.
Pietro entra na cozinha enquanto Kyle franze os lábios para a colher.
— Kyle, não! — Digo firme. Ele sorri e olha para seu pai.
— Pode deixar que eu tento. — Pietro fala e eu me levanto deixando o
lugar para ele se sentar.
Enquanto ele dá de comer a Kyle, coloco a mesa para a gente almoçar.
Kyle come quietinho e eu o encaro fingindo bravura. Ele sorri mais ainda e
Pietro me olha dando de ombros.
— Vocês estão juntos contra mim? — Questiono cruzando os braços.
Pietro faz sinal de rendição e eu balanço a cabeça incrédula.
Giovanna desce as escadas e logo está na cozinha conosco. Ela me
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ajuda a terminar de colocar a mesa e logo depois pega seu sobrinho o levando
para dormir.
Sorrio ao vê-los juntos.
Pietro me abraça por trás e apoia sua cabeça em meu ombro. Encosto-
me em seu peito e juntos ficamos assim. Sem dizer nada. Só nossas
respirações se fundindo.
— Eu te amo, moça bonita. — Ele sussurra acariciando meus cabelos.
— Eu te amo. — Respondo me virando para o olhar. — Você está
sendo muito forte viu? Estou muito orgulhosa de você. — Afirmo enquanto
ele me aperta junto a seu peito.
— Eu também estou de você. — Ele fala baixinho e beija meus lábios
devagar.
Uma tosse nos faz saltar e logo Giovanna entra na cozinha rindo.
— Hey! — Faço cara de brava. Ela sorri ainda mais e eu me sinto
aliviada por ela não ter ficado triste depois de visitar sua irmã.
Sentamo-nos sorrindo e juntos comemos em silêncio. Ela fica me
olhando como se pedindo ajuda e eu não sei para quê. Franzo as sobrancelhas
e balanço a cabeça dizendo não entender o que quer.
— Vocês podem parar com essa conversa por meio dos olhos? —
Pietro pergunta com um sorriso debochado na cara.
— Ok. Parece que Gio quer falar algo. — Digo e a encorajo a falar. Ela
suspira e acena confirmando.
— É que hoje marquei um encontro. E eu queria que soubessem. —
Nervosa, ela fala sem nos olhar.
— Que ótimo! — Digo sorrindo alegre. — Espero que se divirta muito.
— Digo enquanto Pietro sorri.
— E com quem vai ser esse encontro? — Ele pergunta olhando para seu
prato.
— É... — Ela arregala os olhos me pedindo ajuda novamente. Merda. É
com Kevin. — Com um amigo. — Ela responde simplesmente.
— Esse amigo por um acaso tem o nome de Kevin? — Ele questiona
novamente agora a olhando.
— É... Eu sei que ele é seu amigo, mas... — ela para de falar quando ele

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começa a rir. De verdade. Ele ri sem parar.


— Pietro! — O repreendo.
— Desculpa... Ele conversou comigo, Gio. Não precisa se preocupar.
Ele disse que gosta de você de verdade, então eu confio no meu amigo. —
Ele explica e o rosto dela se alegra imediatamente.
— Ele disse que gostava de mim? — Ela pergunta nervosa.
— Sim. — Pietro afirma.
Depois de ela subir para se arrumar, ficamos a sós. Vamos para nosso
quarto e no caminho paro para ver como Kyle está. Ainda dorme
tranquilamente.
— Sophia disse alguma coisa para você no dia que veio te ver? —
Pietro pergunta olhando para seu celular.
— Por que a pergunta? — Pergunto. Ele revira os olhos para minha
falta de resposta.
— André está preocupado. Ele disse que ela está distante e que anda
passando mal o tempo todo. — Ele fala enquanto dá de ombros.
— Ela descobriu que está grávida. — Digo mordendo meu lábio. —
Não fale para ele e nem pense em dizer que te contei algo. — Digo séria
enquanto ele sorri alegre.
— Que bom. Fico feliz por eles. Mas por que ela não falou para ele? —
Ele estranha.
— Ela está com medo da sua reação. Eu já falei que é idiotice. Mas ela
é uma mula. — Respondo.
Descemos juntos para a sala e logo batem na porta. Pietro vai para a
cozinha e eu estranho já que não temos amigos no bairro e meus sogros estão
no hospital.
Ao abrir a porta eu estranho sua visita. Ela é uma mera desconhecida
tanto para Kyle quanto para Giovanna. Só a vi uma vez, no velório de Kim, e
desde então nunca gostei de seu olhar superior e o jeito que ousou falar com
Giovanna. Agradeço por ela já ter ido encontrar Kevin, não quero que ela se
perturbe diante de alguém tão ruim quanto essa mulher.
— O que a senhora faz na minha casa? — Pergunto cruzando os braços
ao olhar para os olhos frios da mãe de Kimberley.
— Ora... vim buscar meu neto. — Sua fala sai afiada e todos os pelos
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do meu corpo se eriçam.

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Capítulo Trinta e Três


Melissa

— O que falou? — Pergunto tremendo. Minha garganta seca e tenho


dificuldade de falar.
— Você ouviu. Vim buscar meu neto. Não deixarei vocês ficarem com
ele. Nunca. — Sua voz sai firme e eu começo a tremer. — Então, saía da
minha frente e o traga. — Saio do meu transe quando escuto sua voz me
exigindo algo que não tem direito.
— Não levará ele para lugar algum! — Grito descontrolada. Respiro
fundo e volto a falar. — Antes de seu parto o que mais Kimberley me pediu
foi que nunca o deixasse a mercê da senhora e eu prometi a ela que isso não
iria acontecer. — Afirmo falando séria e ela engole em seco. — Sugiro que
saía da minha casa. Agora. — Digo com as mãos, ainda, tremendo.
Pietro pergunta quem está à porta e eu me afasto fazendo com que dê
para ele a ver.
— Katrina... O que veio fazer aqui? — Ele se aproxima lentamente com
a testa enrugada.
— Me poupe, Victor. — Zomba. — Eu vim buscar Kyle. Ele tem que
ficar comigo. Sou a sua avó materna! — Ela diz tirando os cabelos pretos do
rosto e empurra meu peito, entrando na casa.
Pietro segura seu braço a impedindo de entrar mais ainda em nossa sala.
— Você não soube ser mãe, Katrina. Não venha fazer papel de avó
amorosa com meu filho, pois você não me engana. Saia da minha casa agora!
— Ele ruge irritado apertando o braço da mãe de Giovanna.
Nunca o vi com tanta raiva. Seus olhos estão arregalados e vermelhos.
Dou um passo para trás deixando a porta aberta para facilitar a saída dela,
mas parece que ela não tem intenção de ir, sem antes lhe falar algo.
— Eu entrarei na justiça pela guarda dele, Victor. — Ela debocha. —
Você acha que permitirão que Giovanna e Kyle morem com a mulher que fez
minha filha morrer? — Veneno escorre de sua boca e eu me encolho diante

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de suas palavras.
Eu não fiz Kimberley morrer! Eu não fiz nada.
— Cale sua maldita boca, Katrina! Você não sabe de nada. Enquanto
estava em Dubai brincando de casinha com seu novo marido, Kimberley teve
pré-eclâmpsia. Quando ela precisou da mãe só o que chegava para ela era um
cheque com dinheiro suficiente para ela se sustentar e cuidar da sua filha
mais nova. Quem você pensa que é? — Questiona com o maxilar cerrado. —
Não tente tirar meu filho de mim, Katrina. Você vai se dar mal. — Ele a pega
pelo braço novamente e a coloca na calçada em frente nossa casa.
— Eu entrarei, sim, na justiça e você, Victor, verá o dia em que eu levar
Kyle comigo para Cancun. — Com isso ela se vira e caminha até um carro
preto parado na rua.
Pietro fecha a porta com um baque e eu pulo assustada. Ele anda de um
lado para o outro suspirando pesadamente. Eu quero o confortar, mas no
momento eu só tenho medo. Medo de que ela tire Kyle de mim, de que eu
não possa cumprir minha promessa para com Kimberley.
— Ela pode o tirar da gente, Pietro? — Minha voz sai triste. Fraca e
medrosa.
— Eu não sei, amor. — Ele responde com a mão nos cabelos.
Aproximo-me dele e o abraço. Sinto, aos poucos, o medo se misturar
com o cansaço me fazendo chorar. Ela não pode o tirar de mim. Kyle é meu!
Ele é meu bebê, a criança que mais amo no mundo.
Meus pensamentos voam para meu pai. Ele é o melhor advogado que
conheço. Tenho certeza que ele ganharia a causa em um piscar de olhos. Me
solto de Pietro e corro ao encontro do meu celular.
— Melissa? O que está fazendo? — Questiona vindo atrás de mim.
— Vou ligar para papai. Tenho certeza que se ela entrar na justiça pela
guarda de Kyle ele ganha a causa, amor. Ele é o melhor. — Digo firme e
disco o número dele em meu telefone.
— Melissa... Você acha que ele vai nos ajudar? — Imediatamente eu
paro o que estou fazendo e me viro para o olhar.
— Como assim? — Pergunto.
— Ele não aceita nosso relacionamento, Melissa. Ele te pediu diversas
vezes para me deixar. O que ele mais querer é ver você sem Kyle e a mim.
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Ele deixou isso claro na última vez que nos viu. Ele disse com todas as letras
que você está carregando uma responsabilidade que não é sua. Você acha que
ele vai lutar pela guarda do nosso bebê? Do bebê que ele acha que é uma
responsabilidade muito grande para você? — Ele indaga com os olhos
angustiados.
Deixo meu celular cair no chão ao constatar que ele está certo. Meu pai
nunca iria me ajudar nisso. Meus olhos se enchem de lágrimas ao ter a
certeza de que eu não falo com meu pai há mais de dois meses somente por
que ele não aceita que eu cuide de Kyle. Ele acha que cuidar do meu bebê é
um peso muito elevado para mim, mas não é.
Eu tenho que mostrar para meu pai que não é. Que ele está equivocado.
Eu tenho que fazê-lo enxergar o quanto eles me fazem feliz. O quanto cuidar
de Giovanna, Kyle e Pietro me mantém viva e completa.
— Você está certo. Mas eu tenho que tentar, não é? — Minha voz
novamente sai triste. — Eu não posso perder Kyle, Pietro. Eu prometi a
Kimberley que eu cuidaria dele e de Giovanna. — Explico e caio sentada em
meu sofá.
— Tudo bem. Eles vêm para o aniversário de Connor, não é? Então
falamos com ele pessoalmente. — Sua voz está firme e nada parecida com a
minha.
Enxugo minhas bochechas molhadas e subo as escadas indo direto para
o quarto de Kyle. Seus cachos dourados estão repousando em seu travesseiro
pequeno. Enquanto o observo, seus lábios formam um belo sorriso e eu
acaricio sua mão.
Quando escutava que amar não tem nada a ver com sangue eu achava
que talvez, pudesse ser verdade, mas não tinha certeza. Então parei para
pensar e vi que quando adotamos uma criança o amor que sentimos por ela é
maior que tudo. Ser filho não tem diferença perante o amor, ele não classifica
ninguém pela genética. Só amamos. Simples como uma flor. Não tem
explicação para isso.
Sinto os braços de Pietro me rodearam e suspiro aliviada por ter ele ao
meu lado. Nunca pensei que um dia eu pudesse amar tanto como amo esse
homem. Ele é meu tudo. Ele me manteve em pé diante das brigas que tive
com meu pai.
Diante dos meus medos. Faz dois meses que fechei contrato com a
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editora do pai de Laura. Ela adorou o manuscrito que a enviei e sem me dizer
pediu que o pai lesse. Ele imediatamente ligou para mim. Disse que queria
editar o livro e que seria um sucesso. Eu ainda arredia pedi um tempo para
pensar. No outro dia falei para Pietro, ele sorriu tão grande que naquele
momento percebi o quanto os meus objetivos, as coisas que me faz feliz,
também são dele. Ele torce por mim.
Então, liguei de volta e aceitei. Estamos nos preparativos para tudo
relacionado ao livro e estou adorando esse mundo de editoração. Como passo
bastante tempo lá, acabei sendo contratada para ser editora. Eu amei.
— Não se preocupe, meu amor. — Pietro sussurra em meus cabelos. —
Nós vamos lutar por ele. — Afirma enquanto me puxa em direção nosso
quarto.
Deito-me na cama ao seu lado e logo estamos abraçados. Pietro suspira
e se ajeita para me olhar.
— Não pense que me esqueci do nosso casamento. Eu lembro e você
pode começar os preparativos. Marcaremos a data essa semana. — Ele diz
calmo e eu pulo sentada.
— O quê? — Um sorriso lento surge em meus lábios. — Está falando
sério?
— Lógico. Eu te amo pequena. Não tem porque adiarmos um momento
tão único para nós dois. — Ele explica e eu esmago seus lábios com os meus.
— Eu te amo. — Digo enquanto tiro sua camiseta. Suas mãos apertam
minha bunda por cima da calça e eu solto um gemido baixo em seu ouvido.
— Eu te amo mais, moça bonita. — Ele suga o meu lábio inferior
enquanto suas mãos sobem minha blusa.
Quando estamos nus e preste a fazer amor, Kyle começa a chorar.
— Não estou acreditando nisso. — Pietro reclama enquanto coloco
minhas roupas de volta.
— Querido, tome um banho gelado. — Digo soltando um beijinho
enquanto saio do quarto.

Ele me olha com os olhos indecifráveis. Eu tento respirar


profundamente, mas o nervosismo não deixa. Eu estou tremendo enquanto
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olho para meu pai.


— Você está me pedindo para ser seu advogado no processo de guarda
de Kyle? — Ele questiona sem acreditar.
— Se não fosse importante eu não pediria papai. Você é o melhor.
Tenho certeza que ganha a causa. — Falo em um fio de voz.
— Melissa, por que não deixam esse bebê com a avó dele? Ela tem
mais experiência que você e Pietro... — ele se cala quando escuta minha voz
fria.
— Ela é má. Eu nunca darei meu filho a ela. Kimberley me pediu que
cuidasse dele. Eu prometi a ela que nunca deixaria ficar com essa mulher.
Para você entender, a própria filha não queria. Ela não suportava pensar que
um dia Kyle ficaria com essa mulher.
— Filho? Kyle é seu filho? — Ele se apega somente a essa parte do que
falei.
— Sim. Ele é meu filho. Eu que cuido dele desde que nasceu. Ele é
meu. E ninguém vai me afastar dele. — Grito enquanto me levanto do sofá da
casa de Nicole.
— Melissa... Você é apenas uma criança. Essa responsabilidade é
demais para você meu amor...
— Eu não sou uma criança, papai. Eu cresci. E cuidar dele me faz sentir
viva. Fazer parte da família deles me faz se sentir amada, querida e
principalmente desejada por eles. — Digo chorando enquanto papai suspira
olhando pela janela.
— Eu... — Ele se cala e suspira.
— Tudo bem. Eu já deveria saber. — Sorrio triste e volto a olhá-lo. —
Me desculpe. Você não entende. Nunca vai. — Saio de lá o mais rápido
possível.
Entro em meu carro e dirijo sozinha até minha casa. Pietro não pode vir
comigo, pois tinha que apresentar um trabalho importante na faculdade. Eu
entendo. Lágrimas descem por meu rosto enquanto saio de Seattle.
Ao chegar à minha casa vejo um homem parado em frente minha casa.
Desço do carro e me aproximo.
— Boa tarde. O que deseja? — Questiono o olhando. Ele está de terno e
parece ser um advogado ou algo do tipo.
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— Boa tarde. Sou um promotor da justiça. Gostaria de falar com Pietro


Victor Mitchell.
Depois disso eu caí. Não no chão, mas cai com minhas esperanças. O
homem veio nos avisar de que Katrina entrou com o pedido de guarda de
Kyle. Depois que eu disse que Pietro não estava e que eu era sua noiva, ele se
foi.
Subo as escadas da casa e procuro Kyle pelos cômodos com Giovanna
ou Nancy, a babá dele.
Encontro eles na área ao redor da piscina brincando. Aproximo-me
enquanto Nancy faz Kyle gargalhar com cosquinhas. Giovanna ri enquanto
Kevin a beija na orelha.
— Kevin você não deveria estar no trabalho ou algo assim? —
Pergunto limpando minhas lágrimas que ainda estavam em minhas
bochechas.
Giovanna se levanta depressa e me olha com a testa enrugada. Ela se
aproxima e me abraça.
— O que houve? — Questiona.
— Temos que conversar, querida. — Digo e Kevin se despede dizendo
ir para casa. Giovanna o beija e ele se vai.
Sento-me na borda da piscina com as pernas na água. Gio imita meus
movimentos e logo começo a falar.
— Sua mãe quer levar Kyle. — Digo enquanto ela arregala os olhos.
— Como? Por quê? Quando a viu? — Sua voz sai confusa e eu me
sinto culpada por não ter dividido com ela a visita de Katrina.
— No dia que você saiu à primeira vez com Kevin. Katrina veio aqui.
Ela queria o levar, mas Pietro não deixou. Então, ela disse que entraria com o
pedido de guarda dele e hoje, bem, ela entrou. — Digo e ela começa a chorar.
— Ela não pode o levar, Mel. Ela é má. Nunca gostou de mim ou de
Kimberley. Minha irmã sempre tentou fazer o papel dela. Kim sempre quis
que eu não sentisse falta da nossa mãe, então ela dava tudo de si para mim.
— Eu a abraço enquanto seus ombros tremem.
— Eu sinto muito meu amor. Mas eu não sei o que fazer. Eu pedi ao
meu pai para lutar pela guarda, mas ele não... Ele não quer. Perdoe-me. —
Digo enquanto seus ombros tremem.
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E logo mais à noite a última pessoa que esperei ver na minha frente
estava.
Papai.

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Capítulo Trinta e Quatro


Melissa

Entramos na sala que será a audiência e me sento entre papai e Pietro. A


sala que estamos é pequena e uma mesa retangular separa de nós, Katrina e
seu advogado.
Seu rosto é um misto de superioridade e raiva. Não entendo o porquê de
querer tirar Kyle da gente. Ela nunca gostou de suas próprias filhas, porque
quer pegar Kyle?
Talvez seja consciência pesada por não ter se dedicado às filhas.
Eu chego a entender, mas ele é filho de Pietro. Ninguém além dele tem
direito a sua guarda.
Depois de alguns minutos de audiência com Katrina tentando persuadir
a juíza, ela pede que esperemos um momento, pois ela já voltará com a sua
decisão.
Ficamos do lado de fora esperando a juíza voltar. Mordo minhas unhas
enquanto Pietro anda de um lado para o outro. Estou com tanto medo que eu
não me reconheço. Como posso ter tanto medo de perder alguém que faz
parte da minha vida a menos de um ano? Como posso o amar assim, tão
grandemente?
— Melissa, se acalme. Ela não tem motivos para tirar a guarda de Kyle
de Pietro. Além de tudo, nós vimos o quanto essa mulher é desequilibrada. —
Papai me abraça.
No dia que papai chegou a minha casa eu logo comecei a chorar,
porque eu já sabia que ele iria me ajudar. Eu sentia. Apeguei-me ao seu corpo
e agradeci chorando.
— Tudo bem. — Digo e coloco minhas mãos no colo.
Logo a audiência volta a acontecer e eu agradeço por não ter demorado
tanto. Estou um poço de nervos. Nos sentamos e a juíza começa a falar.
— Sra. Katrina William eu não vejo um motivo plausível para seu
pedido de guarda. Pietro como pai da criança é um homem trabalhador e não
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maltrata o filho. Minha decisão é que a senhora pode visitar seu neto, aos
finais de semana, mas a guarda de Kyle William Mitchell fica com o pai,
Pietro Victor Mitchell. — Ela bate o malhete e dá por encerrada a audiência.
Um sorriso gigante aparece nos meus lábios e nos de Pietro. O abraço e ali
agradeço a Deus por não ter tirado meu pequeno anjo de nós.
Sinto-me leve. Eu me sinto quase transbordando. Quando saímos da
sala abraço meu pai e o agradeço mais e mais por ter vindo ficar comigo, ele
sorri e diz que me ama e faria qualquer coisa por mim.
Katrina passa por nós chorando e eu a paro entrando em sua frente. Não
vou espernear. Só quero deixar claro que nós nunca vamos afastar Kyle dela.
— Saia da minha frente. Não bastou me deixar sozinha? Eu não tenho
ninguém na vida por sua culpa. Minha filha não quer me ver e eu ainda perdi
meu neto. — Ela grita me empurrando.
— Quando você mudar seu jeito torto de pensar, talvez Giovanna lhe
perdoe. Mas enquanto for assim, nem eu a quero se aproximando de você. —
Digo firme e me afasto.
Chego a minha casa e logo pego Kyle dos braços de Nancy. Deus, eu
tive tanto medo de perdê-lo.
— Dylan e Kyara estão aqui. — Giovanna diz enquanto passa por mim.
A puxo para meus braços e ela sorri alegre.
— Ainda bem que ela não conseguiu tirá-lo de nós. Eu nunca iria
perdoá-la. — Diz firme. Orgulha-me ver que nada que Katrina já fez em sua
vida lhe deixou uma pessoa amarga. Não lhe fez uma pessoa ruim.
Afasto-me dela quando Dylan entra na sala. Seu rosto tem um sorriso
tão grande que prevejo que esconde algo. Eles viajaram esses últimos meses,
então a saudade está machucando.
— Que saudade, Dylan. — Digo e o abraço apertado. — Como foram
de viajem? — pergunto e abraço minha amiga.
— Foi ótimo. E eu tenho uma novidade... — Kyara começa a falar, mas
Dylan interrompe gritando.
— Estou grávida! — Todos olham estranho para meu irmão e eu sufoco
uma risada. — Quero dizer, Kyara está grávida. — Ele fala sem jeito. Sorrio
balançando a cabeça.
Abraço minha amiga a parabenizando. Dylan está tão feliz que eu
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instantaneamente, também fico. O abraço enquanto Pietro abraça Kyara lhe


parabenizando também.
— Que bom. Todo mundo está ficando grávida. — Brinco sorrindo.
— Quem mais está? — Dylan questiona e seus olhos se arregalam. —
Você está grávida, Mel?
Sorrio triste e balanço a cabeça negando. Não que eu não queira, mas
não estamos tentando e mesmo assim temos Kyle. Não precisamos de outro
bebê por enquanto.
— Okay... — meu irmão muda de assunto e logo estamos embalados na
conversa.
Logo à noite Pietro me chamou até o quarto. Não entendi o chamado já
que já estamos indo nos deitar, mas deixei Kyle dormindo no quarto e
Giovanna tinha saído com Kevin.
Ao chegar no nosso quarto o vejo sentado olhando para o céu pela
janela. Aproximo-me e sento ao seu lado, mas ele logo me coloca em seu
colo para olharmos o céu juntos.
Em meio à escuridão da noite sua voz preenche nosso quarto me
fazendo suspirar apaixonada.
— Você ficou triste depois que seu irmão fez aquela pergunta. — Ele
sussurra em meus cabelos. Não é uma pergunta, é somente uma afirmação.
— Não é isso que está pensando. — Digo me sentindo estranha.
— Talvez não. Mas... eu quero que me diga. Eu sei que quer um bebê
só seu. Eu até entendo... — sua voz se perde.
— Não. Você está falando como se Kyle não fosse nada para mim.
Como se não fosse meu filho também. — Digo com a voz embargada. Ele me
vira para nos olharmos nos olhos.
— Me desculpe, não quis falar isso. Você é uma mãe incrível para ele.
Mas eu quero que seja sincera comigo, amor. Você quer ter outro bebê? —
Questiona.
Eu começo a chorar porque eu penso está traindo Kyle de algum modo.
Eu penso que de algum jeito eu estou lhe menosprezando.
— Eu quero ter outro bebê. Mas não quero que pense que menosprezo
Kyle. Ele é meu também. Eu só quero ver minha barriga crescer, como das
minhas amigas... eu quero sentir meu bebê chutar. Eu só quero sentir que eu
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posso ter um assim. Naturalmente. — Digo enquanto Pietro limpa minhas


lágrimas.
— Não se sinta assim, Melissa. Você não está menosprezando nosso
filho. É normal querer ter outros bebês. Eu também quero outro. Então como
nos dois queremos ter outro, podemos ir até aquele pé no saco do Thiago. —
Ele fala sério e eu sorrio ao escutar seu insulto.
— Você está falando sério? — Pergunto ansiosa.
— Lógico. Podemos fazer isso assim que nos casarmos, ou antes. Você
decide. — Ele beija meu pescoço e eu sorrio.
— Eu quero antes. É melhor fazermos o quanto antes. — Digo e beijo
seus lábios. — Não chame Thiago assim e quando formos lá não o trate mal.
— Aviso e ele fecha a cara.
— Não o defenda. — Fala com o maxilar cerrado. — Ele queria te tirar
de mim. — Ele me lembra.
— Tudo bem, okay? Vamos nos focar em engravidar. Eu te amo. —
Volto a beijar sua boca.
Suas mãos descem por meu corpo e logo puxa meu vestido florido pelo
pescoço. Meus seios pairam em seu rosto enquanto sua mão entra em minha
calcinha de renda. Seus dedos tocam minha intimidade eu gemo baixinho em
seu ouvido.
Sua boca se fecha ao redor do meu mamilo me fazendo arquear de
prazer. Depois de retirar minha calcinha, Pietro me preenche. Ele volta a
chupar meus seios e logo estamos nos contorcendo pelo prazer alcançado.

— Olá casal. — Thiago nos cumprimenta. Pietro finge que não ouviu e
se senta ao meu lado.
— Bom dia, Thiago. — Digo com um sorriso tenso. Pietro está desse
jeito não ajuda em nada meu nervosismo.
— Como vai, Mel... — Pietro o interrompe.
— Melissa. O nome dela é Melissa. — O olho, alarmada, mas ele não
volta atrás e muito menos pede desculpas. Deus, que menino ciumento.
— Okay... — Thiago suspira tentando manter a compostura. — Voltou
a sentir algo, Melissa? — Ele pergunta me olhando.
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— Não. É que Pietro e eu decidimos engravidar. Sei que talvez seja


difícil, mas eu quero tentar. — Digo firme pegando a mão de Pietro.
— Que bom. Fico feliz por vocês. Para isso teremos que voltar as
consultas periodicamente e claro, fazer alguns exames. — Ele explica e eu
aceno confirmando.
— Thiago, eu sei que vai me entender já que também é homem. —
Pietro começa e eu me viro para saber aonde quer chegar. — Eu gostaria de
saber se você pode nos indicar outra pessoa. — Quando ele termina de falar
meu rosto está vermelho.
— Pietro! — Repreendo. — Pelo amor de Deus. — Lamento. Mas é em
vão. Ele ainda olha para Thiago.
— Eu sei que me entende. Há alguns meses você queria tirar Melissa de
mim, desculpe, mas não vai acontecer. Ela é minha. — Sua voz sai firme.
— Pietro, por favor. — Digo enquanto Thiago olha para ele
indecifrável.
— Eu não estou mentindo. — Ele me lembra.
— Pietro, eu entendo seus ciúmes, mas eu quero que Melissa diga que
quer outro profissional. O que está em jogo é o conforto dela para com o
médico. — Ele explica e se vira para mim. — O que acha Melissa? Não estou
dizendo que não irei te indicar. Eu vou. Mas é o seu conforto, okay? — Ele
diz e eu aceno confirmando.
— Aqui está o número do consultório de uma amiga que confio. Ela
cuidará de você muito bem. E aqui os papéis para marcar sua consulta
comigo. Caso queira. — Ele volta a explicar. Pego o cartão e os papéis e me
despeço dele.
Ando a frente de Pietro e ele me segue bufando. Até em casa não nos
falamos, mas ao passar da porta do nosso quarto eu lhe enfrento.
— O que foi que deu em você? — Pergunto chateada. Cruzo meus
braços enquanto o vejo andar pelo quarto. Como Pietro pôde fazer isso?
— Não. Pelo amor de Deus, Melissa. O cara é doido por você e quer
que eu o deixe fazer exames em seu corpo? Não! — Ele começa a gritar e eu
bufo irritada.
— Então por que não me falou antes Pietro? — Indago tremendo. —
Era simples. Me falava, nós dois conversávamos e eu entenderia, mas no

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meio da consulta? Você foi um ciumento sem noção. — Grito me sentindo


envergonhada.
— Eu tenho ciúmes. Você sabe disso. Ele ficou com você enquanto
estávamos separados...
— Não fiquei nada. Eu nunca sequer o beijei. Eu te amava. Como é que
eu ficaria com outra pessoa? — Questiono me aproximando.
— Eu só não quero que seja ele. Eu... tenho medo de te perder. Então
não. — Ele suspira e eu mordo meu lábio tentando me acalmar.
— Não tem nenhum problema. Amanhã eu ligo para a doutora. Vamos
fazer os exames e tudo o que for com ela. — Digo suspirando e me sento na
nossa cama. — Eu te amo. Ninguém vai me tirar de você. Você nunca vai me
perder. — Digo enquanto algumas lágrimas descem por minhas bochechas.
Depois do que parece horas escuto sua voz.
— Me desculpe. Eu deveria ter falado com você antes, mas isso não
tinha passado pela minha cabeça antes de o ver sorrindo para você. — Ele
lamenta se ajoelhando a minha frente.
— Tudo certo. Vamos esquecer tudo por hoje, ok? — Digo e ele limpa
minhas lágrimas.
— Eu te amo, moça bonita.
Abraçamo-nos e logo Kyle entra no quarto engatinhando.
Deitamos lado a lado e o colocamos no meio. Ele sorri brincando em
meus cabelos e eu beijo sua bochecha gorda.
Pietro me olha e sorri envergonhado. Eu acho que posso o entender. Eu
também tenho um medo fora do comum de perdê-lo. De perder os dois.
Kyle e ele.

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Capítulo Trinta e Cinco


Melissa

Pulo no susto ao ouvir Abby estourando um dos balões azuis dos


muitos por meio da sala de estar da minha casa. Seus cabelos longos se
balançando enquanto ela corre para os braços de Connor no seu próprio susto.
Kyle corre em direção a mim e não entendo o porquê do desespero. O
pego em meus braços e ele logo se acalma. Sorrio o olhando.
— Mãe... Kyle me machucou. — Aaron fala pronunciando as palavras
direitinhas. Olho para Kyle e ele logo trata de se esconder por entre meus
cabelos.
— Ele é apenas um bebê, Aaron. — Clara diz beijando seu machucado.
Sorrio para a careta dele ao ouvi-la. — Você é um rapazinho então você pode
relevar, ok? — Ele suspira e acena confirmando.
— Por que machucou Aaron, Kyle? — Pergunto tentando ficar séria.
Ele balança a cabeça fazendo não e eu suspiro. Okay!
Dou Kyle para Nancy e término de juntar os balões para sua mesa de
aniversário. É simples, mas eu gostei e ele principalmente.
Hoje ele está fazendo dois aninhos. Já sabe andar e fala algumas coisas,
como mamãe e papai e alguns nomes. Quase enfartei ao ouvi-lo me chamar
assim pela primeira vez. Foi mágico.
Ele apenas me deu os braços e com seus lábios finos falou "mamã".
Meus olhos se encheram de lágrimas e Pietro me abraçou apertado sem falar
nada. Mesmo sem dizer uma palavra eu sabia que ele estava feliz por Kyle ter
me chamado assim. Era um momento nosso. Único.
— Sophia! Vem. — Escuto a voz de André e pulo no susto. Filho da
mãe!
— Eu já disse que não! — Ela faz cara de nojo e passa a mão pela
barriga de nove meses de gravidez. — André, eu já falei que não preciso mais
tomar essas vitaminas. Acabou. Fernanda já vai nascer, a médica me liberou.
— Ela fala tudo com os dentes cerrados. Sophia está tão impaciente. Eu tenho
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pena de André.
— Mas... E se precisar? Não... — ele se cala quando Jude o puxa pelo
braço para irem para o lado de fora.
Sophia suspira satisfeita e se volta para Kyle.
— Deus, a titia estava com saudades. Como você está, Gabriel? — ela o
chama pelo nome que deu ao meu filho.
— É Kyle, Sophia! — Digo revirando os olhos, cansada.
— Para a titia é Gabriel. — Ela o beija e volta a olhar para seus olhos.
— Pergunto-me como alguém pode o chamar de Kyle se ele tem a cara do
anjo Gabriel. Até os cabelos são iguais. — Ela resmunga. Enrugo a testa para
sua ousadia.
Depois de tudo arrumado subo para meu quarto e me arrumo. Pego um
vestido rosa bebê e um salto preto. Deixei Kyle com Nancy e ela o está
vestindo.
Gio passa por meu quarto e sorrio ao vê-la tão bonita. Seu vestido é
vinho e seus sapatos prateados. Seu cabelo encaracolado está para o lado
direito e uma presilha de flores está enfeitando seus cachos.
— Estou descendo. Você quer que eu leve Kyle para a festa ou você o
leva? — Ela questiona se olhando no espelho.
— Eu o levo. Pietro já desceu então se puder faça companhia para ele.
ok? — Ela acena e logo depois desce.
Passo no quarto de Kyle depois de fazer alguns cachos nas pontas dos
meus cabelos. Sorrio quando vejo sua roupa. Ele está de smoking e eu tenho
vontade de mordê-lo. Deus, ele vai ser um problema quando crescer.
— Pronto, Melissa. Você precisa de mais alguma coisa? — Nancy
pergunta e eu a observo ainda desarrumada.
— Sim. Que vá se arrumar. Vou esperá-la no salão. — Digo e seu rosto
é um misto de surpresa com incompreensão. — Vamos, Nancy. Pensou que
eu iria te deixar de fora? Você que cuida dele. Acho justo sua presença. —
Digo e ela sorri alegre. Agradecendo ela vai em direção seu quarto.
— Mamãe. — Kyle me chama e o pego nos braços.
— Oi querido. — Digo enquanto descemos as escadas.
— Aby. Ab? — Ele fala e eu sorrio para suas palavras sem nexo.

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— A Abby está te esperando lá em baixo. Então vamos logo, ok? — Eu


beijo sua bochecha e ele sorri.
Encontro Pietro na sala e ele me abraça tirando Kyle de mim.
— Hey, Campeão. — Kyle gargalha enquanto Pietro faz cosquinhas em
suas costelas.
Posicionamo-nos na entrada e recebemos os nossos convidados. Depois
de meia hora, resolvo que é hora de cantar parabéns, mas antes estanco na
porta ao ver Katrina.
— O que está fazendo aqui? — Pergunto entredentes. Eu não confio
nessa mulher.
— Eu a convidei. — Gio fala e me olha nos olhos. — Eu espero que
não seja um incômodo, mas eu achei que... desculpe eu deveria ter te falado.
— Sua voz some.
— Não tem problema. Tudo bem. — Digo engolindo em seco. Ela é
avô de Kyle. Eu tenho que aceitar isso. — Já vamos cantar para ele, então...
Viro-me e levo Kyle até a mesa. Pietro me segue, mas não fala nada.
Depois de contarmos o famoso “parabéns para você" e Kyle tentar
inutilmente apagar as velas minha família se aproxima dele.
— Hey garoto. Vovô está aqui. — Papai fala enquanto meus olhos se
enchem de lágrimas. Ainda é emocionante para eu ver o quanto minha
família aceitou Kyle como se fosse família deles. Eu sou grata por isso.
— A vovó também. — Kyle logo estica seus braços para mamãe. Ela o
beija e antes que consiga mais tempo os pais de Pietro chegam.
— Mas os melhores estão aqui. — Victor fala sorrindo enquanto papai
revira os olhos em desdém.
Os deixo com Kyle e puxo a mão de Pietro para irmos para o Jardim.
Sorrio ao ver Laura e Jude sentados em uma das mesas no jardim.
Em seus braços tem um livro e ela lê com atenção enquanto Jude beija
seus cabelos. Ao me ver um sorriso nasce em seus lábios e fecha o livro.
— A festa está linda, Melissa. Tenho certeza que o lançamento do seu
segundo livro vai ser tão bonito quanto à festa de Kyle. — Ela me lembra.
Falta menos de um mês para meu lançamento e estou eufórica.
— Estou nos preparativos. Tenho certeza que vai ser muito legal
mesmo. — Um sorriso enorme fica em meus lábios.
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Pietro os cumprimenta e me puxa para os balanços em frente nossa


casa. Sento-me em um e ele sorri me puxando para seu colo. Já me acostumei
com seu gesto.
— Meu peito está apertado. — Ele sussurra em meio à noite e eu o olho
alarmada. — Não é isso. Estou tão feliz, que eu me sinto sufocado. E tudo
por causa de você, querida. — Ele acaricia meu rosto enquanto sorrio. —
Tudo porque eu não pude esquecer uma noite de amor entre nós dois. Eu não
pude esquecer o quanto você me fez sentir bem. Eu te amei a partir daquele
momento, Melissa. Eu demorei um ano inteiro para ver que o que eu tentava
sufocar não era só desejo por você, era amor. Era algo tão mais forte que só
de pensar que você poderia partilhar uma noite como a nossa com outro
homem me matava. E hoje, amor, diante de todas essas estrelas, diante de
toda a imensidão do céu, eu quero dizer que vou passar o resto da minha vida
amando e desejando você. Tentando ser o homem que você merece. E o mais
importante, moça bonita, o homem por quem você se apaixonou. — Limpo as
lágrimas de seus olhos enquanto ele limpa as minhas. — Eu te amo pequena.
Eu nunca vou deixar de te amar.
— Pietro... Você me mata com isso, sabe? Esse seu jeito todo lindo de
ser e ainda mais com essas palavras bonitas. Vou morrer! — Sorrio e ele
gargalha. — Eu que quero ser a mulher que você merece. Você é meu tudo,
Pietro. É a parte vital de eu ter crescido tanto. De eu ser essa mulher que te
ama além dos meus medos. De eu enfrentar os obstáculos que se ergueram
para nós separar. Eu te amo, querido. — Beijo seus lábios cheios enquanto
minhas mãos entram por seus cabelos aparados. Sua mão entra por meu
vestido para apertar minha coxa me trazendo para mais perto do seu peito.
— Mamã. Papa. — Nos separamos rapidamente ao ver Kyle andando
em nossa direção com Abby ao seu lado.
Eles sorriem um para o outro e eu pisco para Kyle que logo a abraça.
Eu acho que meu filho está se apaixonando...
Sorrindo abraço os dois e sinto um beijo de Pietro em minha bochecha.
Pensei ter conhecido o amor cedo, pensei que nada no mundo seria maior que
o amor que eu senti por Tyler, mas eu estava tão enganada. Tão equivocada.
Amor para ser amor, tem que ser correspondido. Não existe sentimento
quando um não sente na mesma intensidade que o outro. Amor é a troca
mútua de prazer ao estar ao lado de quem se gosta. Minha vida se resumia a
brincar de ser feliz, a planejar momentos com um alguém que nunca me
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amou. Perdi muito tempo. Mas hoje agradeço por ter Pietro me amando e me
respeitando. E acima de tudo me completando.
E para minha felicidade ser completa, preciso lhe mostrar uma
novidade.
Fim.

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Epílogo

Cinco anos depois...


Lavo minhas mãos na cozinha enquanto Pietro entra e se acomoda na
banqueta. Sorrio e me aproximo.
— Oi meu amor. Como foi no hospital? — Pergunto beijando seus
lábios enquanto ele abraça minha cintura.
— Bem. E você como passou o dia? — Questiona beijando meu
pescoço e descendo sua mão para minha bunda.
— Não melhor do que nesse momento. — Sorrio na sua boca. Ele
gargalha e logo passos ressoam pela cozinha.
Perdi.
— Papai! — Luce corre quando o vê.
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Pietro se afasta e a pega nos braços.


— Oi minha menina. Como foi na escola hoje? — Ele se levanta com
ela e juntos saem da cozinha.
Deixo o jantar pronto e procuro pela casa a presença de Kyle. Não
acredito que já foi para a casa de Sophia.
Bato em sua porta e logo ela a abre com Priscila em seus braços.
— Oi amiga. — Ela me deixa entrar e eu a abraço.
Logo avisto meu filho brincando com Fernanda. Ela é a mais velha de
Sophia e André e eu tenho uma nítida percepção de que meu filho e ela irão
namorar quando forem maiores.
— Kyle, querido, o jantar já vai ser servido. Vamos? — Aproximo-me
e seu rosto cai triste. Meu peito aperta, não gosto de privá-lo de momentos,
que para ele, são prazerosos.
— Mamãe... eu posso jantar aqui na tia Sophia? — Ele questiona
olhando para Fernanda.
— Eu acho melhor não. Tio André vai chegar a qualquer momento e
você sabe que ele briga quando está paquerando sua filha. — Digo sorrindo e
ele se levanta rapidamente com o rosto vermelho.
— Não estou paquerando a Nanda! — Sua voz ruge e eu o repreendo
com os olhos. — Desculpe, mamãe, mas não estou paquerando a Nanda. —
Sua voz sai baixa e eu o pego nos braços. Beijo seus cachos e ele me abraça.
— Okay, meu amor. Tudo bem, mas você sabe que papai quer todos à
mesa na hora do jantar. — Digo e ele suspira se dando por vencido.
Voltamos para casa e nos sentamos à mesa. Kyle ainda tem uma
carranca em seu rosto e logo estou ao seu lado.
— Não precisa ficar assim comigo, Kyle. Desculpe por falar que estava
paquerando. — Digo e ele suspira me abraçando.
— Eu não sei paquerar mamãe. Como faz isso? — Ele questiona e eu
sorrio para sua ingenuidade.
— Mamãe vai ensinar depois do jantar, ok? — Ele acena sorrindo e eu
volto para meu lugar.
Pietro e Luce logo entram e se acomodam. Pietro beija o cabelo de Kyle
e esse sorri alegre por sua atenção.

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— Kyle... Tia Nicole quer que você vá passar o final de semana em sua
casa. — Pietro fala e eu o olho sem saber por que não falou para mim. — Ela
acabou de ligar. — Explica e eu suspiro.
— Eu não gosto de ir para a casa da Tia Nicole, pai. — Kyle fala rude e
eu o olho questionando.
— Por que não, querido? — Enrugo a testa sem entender. Kyle é louco
por Abby, pelo menos até o verão passado ele era.
— Abby não brinca comigo. Ela faz tudo com Aaron e ele não gosta de
mim. — Ele explica tirando seus cachos longos dos olhos verdes iguais aos
de Kim.
— Tenho certeza que ele não vai estar lá esse fim de semana. — Pietro
tenta novamente.
— E eu também não. — Ele dá de ombros e minha boca se abre em
choque. Quando ele aprendeu isso? — Vou ficar em casa e se vocês deixarem
vou com Fernanda a praia. Tia Sophia me chamou. — Ele diz nos olhando.
— Então... Okay. — Digo suspirando ainda sem entender de onde saiu
esse Kyle genioso, me viro para Pietro. Ele tem o cenho franzido e eu sorrio.
— Mamãe? — Luce me chama e eu a olho. — Posso comer um pouco
de sorvete? — Fala piscando os olhos sem querer me olhar diretamente.
— Depois do jantar, querida. — Digo voltando a comer e ela se vira
para olhar seu pai.
Três... dois... um...
Espero sua intervenção e logo está ali na minha cara. Minha vontade é
de bater nele.
— Só um pouco. — Ele pega o pote na geladeira e eu bufo nas minhas
mãos.
Pietro coloca uma colher de sorvete na taça dela e de Kyle, o mesmo
sorri alegre.
— Mamãe, a senhora quer um pouco? — Luce pergunta tentando
apaziguar a situação. Seus olhos verdes estão claros e eu me pego sorrindo.
Ela quebra qualquer barreira que eu tenha erguido diante do
atrevimento do seu pai. A gravidez de Luce foi muito complicada, então às
vezes que Pietro pensa em dizer não, ele lembra o quanto sofremos para ela
vir ao mundo. Foi muito difícil, eu tomei tantos remédios que até hoje tenho
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alguns guardados. Pietro foi muito importante nesse momento, ele me


apoiava e sempre me animava quando via que eu estava perto de me
estressar. Kyle foi um anjo, parecia que ele sabia que eu não podia me
estressar, seu comportamento ficou perfeito. Eu os amo mais que tudo em
minha vida. Suspirando respondo Luce.
— Obrigada querida. — Digo e logo depois pego um pouco do sorvete.
Depois do jantar colocamos cada um em sua cama e logo que eles têm
dormido voltamos para nosso quarto.
— Você poderia uma vez na vida, dizer não para Luce? — Questiono
irritada enquanto passo hidratante em minhas pernas.
— Eu não quero vê-la chorar, Pequena. — Ele insiste me abraçando por
trás. — Nós lutamos tanto por ela. — Ele me lembra.
— Eu sei, Pietro. Mas ela já é uma mocinha, tem que aprender ter
limite. Você dificulta agindo assim. — Levanto-me, mas logo ele me puxa
para seu colo.
— Por que está irritada? — Ele questiona enquanto massageia meus
seios. Merda.
— Ela vai ser mimada. A culpa será sua e eu não vou fazer nada para
mudar. — Digo firme e engulo em seco quando sua mão sobe meu vestido.
Os pelos do meu corpo eriçam e logo estou quase gemendo.
Passos ressoam pelo quarto e eu já sei o que vem a seguir. Suspiro.
— Estou com medo, papai. Posso dormir com vocês? — Luce levanta
os bracinhos para Pietro e ele geme frustrado.
Ele vai aprender dizer não.
Em breve!

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