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A abordagem pedagógica de Reggio Emilia também está presente no

Brasil que, com cerca de 207,7 milhões de habitantes, possui 178 escolas
reconhecidas pelo MEC como inovadora, este valor representa apenas 0,093%
de 190.706 mil organizações educacionais de todo o território nacional.

Nos critérios avaliados, está o reconhecimento das linguagens da


criança a partir da experiência humana – afeto, social, ética, cultural e
intelectual -, a produção de conhecimento e cultura vinda a partir do contato do
aluno com o meio educacional, as estratégias voltadas para a conexão dos
interesses dos estudantes, da comunidade e do conhecimento acadêmico no
ambiente socioambiental que está inserida a escola, assim como meios de
transformar num local humanizado, potenciador de criatividade e, sobretudo, a
promoção de equidade, reconhecendo o estudante como protagonista de sua
própria aprendizagem.

Em dados fornecidos pelo QEdu – site do governo que reúne dados


educacionais do país -, o Brasil possui cerca de 116,5 mil escolas voltadas
para a educação infantil; estas não possuem mecanismos físicos para fornecer
uma educação inovadora, visto que apenas 29,6% possuem área verde
destinada para os alunos e 54,3% possuem bibliotecas ou salas de leitura que
proporcionam a imaginação e o conhecimento da linguagem para o estudante.

As escolas em Reggio Emilia são espaços que proporcionam os


diferentes imaginar da criança, estimulando a criatividade dela por diferentes
experiências. A falta de estrutura adequada acaba criando métodos repetitivos
e monótonos, que tornam a educação um obstáculo para o desenvolvimento do
país.

Como resultado disso, a Prova Brasil – método criado para avaliar o


aprendizado realizado pelo aluno ao longo de sua vida escolar, sendo relativos
aos anos anteriores ao que está matriculado e posteriores -, demonstrou que,
cerca de 50% dos estudantes matriculados no 5° ano obtiveram um
conhecimento satisfatório de leitura e interpretação de texto, em relação à
grade curricular proposta para este período. No mesmo ano, apenas 39%
aprenderam o adequado em matemática na questão de resolução de
problemas. No 9° ano, nível educacional anterior ao ensino médio, apenas 30%
obteve aprendizagem satisfatória em português e 14% em matemática.

Estes dados exemplificam a questão educativa do país, que possui um


método não eficaz para fazer a conexão da escola com o estudante. No
entanto, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB 9394/96),
assegura educação de qualidade para a população, segundo o art. 3° do LDB:
“garantia de padrão de qualidade” (BRASIL, 1996). Nela também está impressa
as abordagens de Reggio Emilia, visto que, no mesmo artigo, o ensino é,
teoricamente, ministrado nos seguintes princípios: “respeito à liberdade e
apreço à tolerância; valorização da experiência extra-escolar; vinculação entre
a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; pluralismo de idéias e de
concepções pedagógicas; consideração com a diversidade étnico-racial.”
(BRASIL, 1996). Os dados citados demonstram que essa abordagem não é
possível, visto que a maior parte das escolas espalhadas pelo país não possui
estrutura que possibilite uma maior interação da criança com o espaço
educacional.

As escolas inovadoras, que, em sua maioria, são de redes privadas,


tentam suprir a necessidade educacional que o país tem trazendo a abordagem
italiana para as salas de aula. É o caso do colégio Amplação, localizado na
cidade de Curitiba: a proposta pedagógica é voltada para a criação de um
conhecimento lúcido, coletivo e compartilhado. Suas atividades
complementares variam de artes, balé, culinária a futsal, judô, música e teatro.

Com um olhar sensível para a infância, acreditamos que cada criança é


protagonista de seu desenvolvimento e o constrói a partir das relações
com o meio em que vive e com o ambiente. Pensando nisso, nossos
espaços são divididos entre sala de aula e salas ambientes,
proporcionando uma dinâmica de troca enriquecedora e aprendizagem
constante. Em todos os cantos da escola, as crianças podem se
expressar das mais criativas maneiras, sendo o diálogo considerado
aspecto fundamental para ampliação do conhecimento.
Site do Colégio Amplação

A mensalidade para estudar neste colégio varia de 700 a 1100 reais,


possuindo uma taxa de matrícula de 450 reais. Estes valores representam
cerca de 73,4% a 115% do salário mínimo atual, que, segundo dados
fornecidos pelo IBGE em 2017, cerca da metade da população sobrevive com
menos de um salário mínimo mensalmente.

Outrossim, no Brasil há uma rede de educadores denominada


RedSOLARE, sem fins lucrativos. Segundo o site da organização, o objetivo
desta rede é difundir as ideias reggianas para a infância, reunir profissionais da
educação para a progressão de novos conhecimentos na área de educação:
“Ser uma rede, no Brasil, de articulação e difusão das ideias da prática
educativa da Reggio Emilia em defesa de uma cultura mundial de infância
numa perspectiva integral e integrada”. (RedSOLARE, 2014). Sua proposta
ocorre a partir de intercâmbios voltados para a comunidade que tem interesse
em aprender mais sobre o sistema educacional de Reggio Emilia, realizando
intercâmbios de toda a América Latina para a pequena cidade da Itália. Os
interessados podem participar de palestras, cursos de capacitação,
conferências e visitações voltadas para a educação.
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