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Impacto da Geração Distribuída no Sistema


Elétrico de Distribuição da RGE
I. L. Holsbach, R. D. Ruaro,
D. O. Lima, N. A. Cabral
RGE – Rio Grande Energia S.A.

J. A. B. Falleiros, M. A. A. Melo, M. A. Silva,


P. Shinzato, W. Maurício, Y. M. B. M. Oliveira,
S. T. Maurício, K. Kestel, R. F. N. Vasconcelos
Universidade Presbiteriana Mackenzie

Resumo – Este artigo tem como objetivo mostrar o estudo de conexão de PCH’s, tendo como base as informações do
feito, sobre o impacto da geração distribuída no Sistema proponente da conexão de geradores distribuídos ao
Elétrico da RGE, com ênfase no que diz respeito à qualidade Sistema de Distribuição da Concessionária, de modo que
do Sistema Elétrico de Distribuição, contemplando: não provoque perda de confiabilidade e nem deterioração
Desenvolvimento de um sistema computacional para
avaliação do impacto da Geração Distribuida do tipo PCH, na
da qualidade do fornecimento.
qualidade do fornecimento de energia pelo sistema elétrico da Tais procedimentos de análise, aplicados em conjunto
RGE, Capacitação do pessoal da RGE, participante deste com as ferramentas computacionais desenvolvidas nesta
projeto, para utilização do Sistema Computacional pesquisa, permitem a avaliação do Impacto da Geração
desenvolvido, pesquisa das características de parâmetros dos Distribuída no Sistema Elétrico de Distribuição da RGE.
Sistemas de Proteção e Controle, limitando-se, neste projeto, Durante todo o desenvolvimento da pesquisa, houve a
apenas à fontes de geração, para uso no modelo do Sistema participação efetiva de profissionais da RGE, garantindo-
Elétrico de Distribuição da RGE. se, assim da capacitação dos mesmos, para a utilização da
metodologia desenvolvida. A pesquisa foi iniciada por uma
Palavras-chave – Geração Distribuída, Pequenas Centrais
revisão da literatura técnica e da legislação brasileira e
Hidrelétricas (PCH's), Modelamento de Geração Distribuída, internacional pertinentes, destacando-se a pesquisa de
Simulações Dinâmicas . normas de operação, além da legislação relativa à conexão
ao Sistema Elétrico de Potência. Foram definidos modelos
de simulação do sistema elétrico de distribuição, em regime
I. INTRODUÇÃO normal e transitório, com foco principal no comportamento
dinâmico dos geradores quando submetidos à variações de
Após o racionamento de energia, os Clientes passaram a
carga e suas perturbações.
dispor da capacidade de geração ociosa em suas
Através de uma análise do sistema elétrico real da RGE,
instalações.
S/E Vacaria, foi definido um circuito típico, eleito para
Por outro lado, há situações onde pode ocorrer cogeração
estudo da alocação de várias fontes geradoras (geração
associada à oferta de outras fontes de energia, como, por
distribuída).
exemplo: gás natural, biomassa, eólica, células
A seguir, foi simulada matematicamente a conexão de
combustíveis, e outros.
geradores, utilizando-se, para tanto, o modelo matemático
Tudo isso, associado a outros fatores, como incentivos
desenvolvido e os parâmetros do sistema de controle desses
governamentais, faz com que se considere a hipótese de
geradores, obtidos através de levantamentos, realizados em
oferta da geração própria desses consumidores, às
parceria com fabricantes, A equipe Mackenzie atuou,
Concessionárias. Para tanto, será necessário um
assim, de forma coordenada com a equipe da RGE, e
conhecimento prévio e aprofundado dos impactos da
contou com o apoio de empresas fabricantes de
conexão de geradores distribuídos ao Sistema Elétrico de
equipamentos, para possibilitar o levantamento das
Distribuição. Obviamente, para a análise desses impactos
características dos parâmetros do sistema de controle.
(qualidade do fornecimento e comportamento dinâmico) é
Através de reuniões mensais foram avaliados o
fundamental que se definam metodologias que considerem,
andamento e os resultados até então obtidos, além de
detalhadamente, os parâmetros desses geradores e de seus
propiciar a capacitação da equipe da RGE, participante dos
sistemas de controle, bem como a configuração do Sistema
trabalhos, para a utilização do sistema computacional
de Distribuição, em termos da topologia e do estado
desenvolvido nos estudos de sistema elétrico. Deste modo,
elétrico (carregamento) para estudos de avaliação da
os trabalhos de P&D se iniciaram em maio de 2006 e se
qualidade de fornecimento, comportamento dinâmico.
prolongaram, sem interrupção, até maio de 2007.
O objetivo final é garantir aos responsáveis da
O quadro I mostra a seqüência cronológica das
Concessionária RGE , uma análise quantitativa da proposta
atividades desenvolvidas.
2
QUADRO I Relatório final -
CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES Metodologia e
Recomendações.
DESENVOLVIDAS
Sistema
Computacional
Relatório Final e
Etapas Meses Produto contendo o modelo
Disponibilização do
para uso na
Relatório 1: Relatório Sistema Computacional
para uso na simulação
6 simulação da Geração
sobre a revisão da Distribuída no
literatura. da GD no Sistema
Sistema Elétrico da
Revisão da literatura Relatório 2: Relatório Elétrico RGE.
RGE.
atual, e análise de sobre modelos de Relatório Final a ser
modelos para estudo de 1 estudo de encaminhado a
comportamento comportamento ANEEL.
dinâmico e análise da dinâmico. Artigo Técnico.
proteção. Relatório 3: Análise do
Sistema de Proteção da
RGE considerando a
Geração
Relatório 1:
II. MODELAGEM MATEMÁTICA DO SISTEMA.
Conceituação da
modelagem
A modelagem adequada de todos os componentes é
matemática para
estudos dinâmicos. fundamental para as simulações destinadas à avaliação do
Relatório 2: Pesquisa comportamento das unidades geradoras em sua interação
dos parâmetros do com a rede elétrica à qual as mesmas estão conectadas,
sistema de controle". sendo também uma importante ferramenta para a
e do comportamento
determinação dos parâmetros e ajustes dos sistemas de
da proteção em
Aspectos legais e controle.
diferentes estágios da
Conceituação e No caso específico das pequenas centrais hidrelétricas,
2 utilização da geração
Desenvolvimento de
equacionamento
distribuída. objeto do presente estudo, o porte de cada unidade geradora
Relatório 3: Pesquisa não é suficiente para que a mesma afete consideravelmente
matemático
da Legislação o sistema elétrico como um todo. Entretanto, condições
brasileira pertinente
Relatório 4: Pesquisa
locais da rede podem, sim, ser afetadas, principalmente em
das exigências do situações de redes frágeis e/ou nas quais diversas gerações
sistema elétrico para estejam conectadas. Neste caso, tornam-se mais
que a geração importantes os cuidados que se deve tomar nas
distribuída não degrade especificações e nos ajustes das unidades geradoras, sendo
a qualidade do
fornecimento de energia
as simulações ferramentas úteis para este fim. O primeiro
elétrica. passo é o estabelecimento de modelagem adequada.
Relatório 1: Diretrizes Nos itens que se seguem, são apresentados os subsídios
e exigências do básicos para esta modelagem, cujo detalhamento e
sistema elétrico aplicação nos processamentos é mostrado a seguir neste
quanto à qualidade.
trabalho. O modelamento foi baseado nas referências [2]
Relatório 2: Pesquisa
dos requisitos da [4], [6], [7].
Pesquisa de circuito proteção e controle
típico para uso na 3 da GD; A. Modelo do Sistema Gerador com Carga
simulação com Relatório 3:
aplicação de GD Consolidação de O modelo Gerador com Carga é baseado no esquema é
metodologia para
aceitação da GD, sob o
mostrado na figura 1.
ponto de vista da
qualidade de
fornecimento de energia
elétrica.
Pesquisa de campo
para obtenção dos Relatório: Parâmetros
parâmetros dos 4 de reguladores de
Figura 1. Esquema de um gerador alimentando uma carga isolada. [2].
reguladores de velocidade e tensão de
velocidade e tensão de conjunto de geração.
conjunto de geração Onde:
Relatório da Jornada Tm = Torque mecânico
Transferência de
Tecnologia e
Técnica - Conclusões Pm = Potência mecânica
e Recomendações. Pe = Potência elétrica
Capacitação dos
Workshop - Capacitação
Profissionais da RGE PL = Potência da carga
para utilização da
5 dos profissionais da
RGE, para utilização dos
Metodologia e do A Função de Transferência do Gerador com Carga é
recursos então
Sistema Computacional
desenvolvido.
disponíveis, resultantes mostrada abaixo e está na referência [2], as funções de
dessa pesquisa. transferência são definidas pela relação da Transformada de
Laplace da saída pela entrada do sistema.
3

B. Modelo da Turbina

O modelo mecânico da Turbina é baseado no esquema de


uma usina Hidroelétrica mostrada abaixo.

Figura 2. Modelo do Gerador mais Carga.[2].

Onde:
M = Constante de inércia do Gerador
D = Constante de amortecimento de carga
Δωr = Taxa de variação de freqüência
ΔPm = Variação de potência mecânica
ΔPL = Variação de potência da carga

O uso do símbolo Δ é para indicar pequenas variações da


grandeza física.
Rearranjando o modelo do gerador mais carga mostrado Figura 4. Esquema de uma usina Hidroelétrica [2].
na figura 2, obtemos o sistema equivalente mostrado na
figura 3, com a respectiva função de transferência do Onde:
gerador mais carga. H = Altura da Coluna da Água
U = Velocidade da Água
L = Comprimento do Duto

A potência mecânica da Turbina é proporcional ao


produto da pressão e Fluxo, sendo calculado como

Pm = KpHU (3)
Figura 3. Modelo do Gerador mais Carga equivalente a figura 2.[2].
Onde:
A Função de Transferência do Gerador mais Carga é Kp = Constante de proporcionalidade
mostrada abaixo.
1 A Função de Transferência da turbina é mostrada abaixo
Grg = (1) e está na referência [2].
( Ms + D)
ΔPm 1 − TW s
Onde: = (4)
Grg = Gerador mais carga ΔG 1 + 1 T s
W
2
Em geral, as cargas de sistema de potência são
dependentes da diversidade dos equipamentos elétricos.
Onde:
Para cargas passivas (impedância constante, por exemplo),
Tw = Tempo de partida da água
a potência elétrica independe da freqüência. No caso de
ΔG = Variação de abertura do Gate
motores, a potência elétrica muda com a freqüência de
acordo com a velocidade do motor. A característica da
dependência de freqüência de um arranjo de carga pode ser 1 − TW s
Gt = (5)
expressa por: 1
1 + TW s
2
Onde:
ΔPe = ΔPL + DΔωr (2)
ΔPm
Gt =
Onde: ΔG
ΔPe = Mudança de carga não sensível à freqüência Sendo Tw calculado como mostrado pela equação 6.
DΔωr = Mudança de carga sensível à freqüência
Lr U r
A constante de amortecimento é expressa como uma TW = (6)
mudança percentual em carga para 1% na mudança de
aH r
freqüência. Valores típico de D são de 1% até 2%.
Um valor de D=2 significa que 1% na variação da Onde:
freqüência pode causar uma variação de 2% na carga. a = Aceleração da gravidade
r - Indica valor nominal (“rating”)
4
Onde:
C. Modelamento do Controlador para Turbinas TM = Tempo de partida mecânica
Hidráulicas TM = 2Hg
Hg = constante de inércia do Gerador
A função básica de um controlador para Turbinas
Hidráulicas é controlar a velocidade e/ou carga. Os Obs: Usa-se o símbolo M ao invés de TM
princípios gerais de controle de carga/freqüência estão nas
referências [2], [1] [3]. São tratados aqui os requisitos O resultado obtido por este controlador é de desvios
especiais de controle de turbinas hidráulicas, suas rápidos de velocidade, e um normal low droop em resposta
realizações físicas e estudos de modelagem no sistema. de estado estacionário. Em geral os controladores
A primeira função de controle de velocidade/carga apresentam uma constante de tempo (resultando em um
envolve feedback do erro de velocidade para controlar a atraso na resposta) que é representada pela função Função
posição de gate. de Transferência mostrada abaixo.
Para uma qualificação satisfatória e operação paralela
estável de múltiplas unidades, o controlador de velocidade 1
é provido com uma característica de perda Gct = (9)
(“droop”=estatismo). 1 + TG s
O propósito do droop é assegurar o compartilhamento
de cargas entre unidades geradoras. Tipicamente a perda ou
de estado estacionário é aproximadamente de 5%. Isso Onde:
significa que um desvio de velocidade de 5% causa 100% Gct = Função de tranferência do atraso do controlador
de mudança na posição do gate. A posição do gate está TG = Constante de Tempo do controlador
diretamente relacionada com a potência de saída. Para um
estável desempenho de controle, na presença de grandes D. Modelo completo: Turbina, Gerador e Controlador
transitórios temporários, um compensador tem que ser
incorporado ao controlador. O modelo completo do sistema formado por turbina -
O esquema completo do controlador para abertura do controlador - gerador , é mostrado na figura abaixo.
gate (g) é mostrado na figura na figura 5 abaixo.

Figura 6. Diagrama de Blocos da unidade Hidráulica PCH. [4].

Figura 5. Controlador com compensador de Droop. [2]. E. Modelo do Escitador

Há uma variedade de tipos diferentes de modelos de


Onde:
excitação. Entretanto, os sistemas modernos de excitação
usam a fonte de potência C.A. através dos retificadores de
R p = estatismo (droop) permanente
estado sólido tais como o SCR. A tensão da saída do
R t = estatismo temporário
excitador é uma função não-linear da tensão do campo por
T r = tempo de reset
causa dos efeitos de saturação do circuito magnético, assim,
g = abertura do gate
não há nenhum relacionamento simples entre a tensão
terminal e a tensão do campo do excitador.
Cálculo de droop permanente Muitos modelos com vários graus de sofisticação foram
desenvolvidos e estão disponíveis nas publicações de
Para um droop (queda) de 5% em estado estacionário o recomendações do IEEE. Um modelo razoável de um
parâmetro Rp vale 0,05 excitador moderno é um modelo liberalizado, que ignore a
saturação ou outros efeitos não lineares.
Cálculo do droop temporário De uma forma mais simples, a função de transferência de
um excitador moderno pode ser representada por uma única
TW constante do tempo TE e um ganho KE, isto é:
Rt = [2,3 − (TW − 1)0,15] (7)
TM
VF ( s ) KE
Tr = [5 − (TW − 1)0,5]TW (8) = (10)
VR ( s ) 1 + TE s
5
Onde:
VF = Tensão de campo III. PESQUISA EM CAMPO PARA CONFIRMAÇÃO
VR = Tensão de regulação DOS PARÂMETROS DA MÁQUINA
KE = Ganho de exitação
TE = Constante de tempo do exitador Esta atividade teve um redirecionamento, no sentido de
que a pesquisa em campo fez parte de entendimentos
A constante do tempo de excitadores modernos é muito técnicos com fabricante, sendo que em várias reuniões
pequena. A tensão de excitação é detectada através de um realizadas durante o período de realização do estudo, foram
transformador de potencial e retificada através de um obtidos parâmetros e resultados de ensaios previamente
retificador tipo ponte. O sensor é modelado por uma função realizados. Os modelos obtidos foram então implantados
de transferência simples de primeira ordem, dada por: diretamente no Matlab/Simulink. [5]

IV. SIMULAÇÃO DO SISTEMA


VS ( s ) KR Além dos modelos mencionados, foram utilizados
= (11) modelos já contidos no pacote do Simulink, cujos detalhes
Vt ( s ) 1 + TR s
e resultados de simulações efetuadas estão expostos em
outros tópicos do presente trabalho.
O valor de TR varia entre 0.01 a 0.06.
A. Simulações para Definição dos Parâmetros para
Onde: Proteção e Controle do Conjunto Gerador-turbina
VS = Tensão do sensor
VT = Tensão terminal do gerador Como já mencionado, as simulações aqui apresentadas
KR = Ganho do sensor não pretendem, e nem devem, esgotar o assunto da
TR = Constante de tempo do sensor definição de parâmetros, já que cada situação futura deverá
ser estudada “de per si”. O objetivo deste estudo foi, na
A figura 7, abaixo, mostra o diagrama de blocos do verdade, traçar diretrizes de procedimentos para tratar as
sistema completo de excitação operando em malha fechada, solicitações de conexão de novas unidades de PCH no
objetivo é manter a tensão proveniente do gerador Vt(s) sistema da RGE.
regulada a partir da tensão de referência Vref(s), onde o Assim sendo, tomou-se como caso base um sistema
sinal de erro Ve(s) é aplicado no amplificador de tensão do montado a partir de dados do alimentador VAC-201 –
excitador, produzindo a tensão de regulação Vr(s) do 23 kV, ao qual está conectada a PCH Saltinho, de 1 MVA.
excitador. Foram necessárias, entretanto, várias modificações, para
que fosse possível efetuar as simulações com os modelos
disponíveis, resultando numa rede de 13,8 kV (ao invés de
23 kV), à qual se conectou uma unidade geradora de
9 MVA, cujos dados foram obtidos junto ao fabricante.
Devido à grande extensão do alimentador, foi necessário
adotar uma representação simplificada do mesmo,
reduzindo-o a quatro trechos interligados radialmente, com
cargas na extremidade de cada um, calculadas pela
Figura 7. Diagrama de Bloco do sistema exitador da PCH. [4]. concentração, em blocos, das cargas originais.
Com isto, foram mantidas as distâncias elétricas
A função de transferência em malha aberta, é definida principais, modelo este considerado suficiente para as
por: simulações efetuadas.
K A K E KG K R (12) Neste sistema, foram simuladas ocorrências de alívio de
KG ( s ) H ( s ) =
(1 + TA s )(1 + TE s )(1 + TG s )(1 + TR s ) carga e de seccionamento do alimentador, gerando assim
várias perturbações que permitiram uma avaliação do
comportamento das máquinas, inclusive em situações de
A função de transferência em malha fechada que ilhamento, e para as hipóteses de uma ou duas PCH’s
relaciona a tensão do terminal do gerador Vt(s) à tensão da conectada(s) ao alimentador.
referência Vref(s) é: Cabe aqui salientar que em todos os estudos desta
natureza o objetivo principal é evitar ao máximo o
K A K E K G K R (1 + T R s ) (13) desligamento da PCH como conseqüência de uma
KG ( s) H ( s) = perturbação. Isto porque pelas normas atualmente vigentes
(1 + T A s )(1 + T E s )(1 + TG s )(1 + T R s ) + K A K E K G K R
este desligamento é feito de forma automática em todas as
situações anormais.
Então, a única forma de se buscar um aprimoramento
será a modificação destas normas de forma que se obtenha
o máximo de proveito, para o sistema como um todo, com a
PCH conectada ao alimentador pelo maior tempo possível.
6
consumidos localmente e 1 MW excedente supre as cargas
B.Diretrizes para as Simulações e Consolidação da do alimentador, havendo ainda um excedente que alimenta
Metodologia o sistema a montante, via SE Vacaria.
Visando gerar uma situação em que um ilhamento
Procurou-se, nesta etapa, selecionar e processar um resultaria em sobrecarga da PCH, foi reduzida a geração da
“estudo de caso” que mostre de forma clara o contexto PCH para o valor de 1 MW, mais próximo à efetiva
técnico do processo de aceitação de uma PCH. geração de Saltinho. Entretanto, foi mantida a carga de 8
De modo geral, o roteiro é iniciado pela análise dos MW junto à PCH.
dados e informações recebidos do cliente e prossegue com
análises das várias condições de regime permanente e D. Simulações de Comportamento Dinâmico
simulações das ocorrências que possam por em risco a
confiabilidade do sistema e que requeiram eventuais Para estas simulações, foi utilizado o modelo completo,
providências preventivas visando assegurar o formado por turbina, controlador, gerador, (modelo este
comportamento adequado das unidades geradoras bem mostrado na figura 6), juntamente com os modelos de
como a segurança operativa delas próprias. máquina e reguladores. O modelo completo, implementado
no Simulink, é mostrado na figura 8.
Quanto a possíveis situações pós perturbação, inúmeras
C . Simulações em Regime Permanente hipóteses poderiam ser formuladas, das quais foram
selecionadas as seguintes:
O fluxo de potência das condições iniciais (antes da Alívio de carga sem ilhamento (Disjuntor da SE sempre
perturbação) é obtido a partir de processamentos feitos fechado); Alívio de carga com ilhamento (Abertura do
regularmente na RGE. Nesta situação, a PCH estaria a disjuntor da SE, seguida de alívio de carga).
plena carga, gerando 9 MW, dos quais 8 MW são

Figura 8. Sistema implementado usando o Simulink.


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A esta mesma rede, foi também acrescentada uma


segunda PCH, para se verificar a interação entre as duas
fontes, numa situação de ilhamento.
Os resultados, tanto para os casos de ilhamento com
uma única PCH como com duas PCH’s são mostrados nas
figuras 9, 10 e 11, havendo indicação de tendências de
perda de sincronismo. Neste caso, a manutenção do
sincronismo pode ser tentada recorrendo-se a ajustes nos
sistemas de controle. Caso isto não seja possível, a solução
é o desligamento temporário da(s) PCH(’s), seguido de
ressincronização da(s) mesma(s). Mesmo nesta última Figura 11. Velocidade do rotor – PCH-2.
hipótese, poderá haver algum ganho em termos de
confiabilidade, caso a ocorrência que causou o Observamos que as operações de alívio de carga, com e
desligamento do alimentador tenha ocasionado um sem ilhamento bem como o acréscimo de uma outra PCH
impedimento parcial do mesmo por um tempo na linha afeta a resposta do sistema, sendo necessário o uso
razoavelmente longo. de controladores com mencionados anteriormente neste
Esta e outras situações poderão ser passíveis de serem trabalho, para obter a resposta desejada. Foi feita a sintonia
analisadas, dependendo das características do sistema ao destes controladores de modo a corrigir os problemas.
qual se fará a conexão da PCH. O tipo de controlador encontrado nos equipamentos reais
instalados em campo é do tipo PID (Controlador
Proporcional Integral e Derivativo). Alterando o
controlador PID do sistema, podemos alterar a velocidade
de resposta do sistema, bem como a estabilidade do
mesmo. As figuras 12 e 13 abaixo, mostram as respostas de
velocidade em pu para um degrau de velocidade na entrada.
Nestas simulações o PID foi sintonizado a partir dos dados
fornecidos pelo fabricante.
A figura 12 mostra uma resposta lenta do controle de
velocidade, porém estável e pouco acima dos limites
permitidos, observamos na figura a velocidade do rotor de
1.08 pu. Já na figura 13 observamos uma resposta rápida do
controle de velocidade, porém estável e dentro dos limites
permitidos.

Figura 9. Velocidade do rotor – Ilhamento de uma PCH.

Figura 12. Resposta lenta de velocidade do rotor (servo do Gate com


Controlador PID, ligados a turbina).

Figura 10. Velocidade do rotor – PCH-1.


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VI. BIBLIOGRAFIA

[1] NISE, Norman S. Engenharia de sistemas de controle. 3. ed. Rio de


Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2004.

[2] KUNDUR, Prabha. Power System Stability and Control, Electric


Power Research
Institute, Power System Engineering Series, McGraw-Hill Inc., 1994

[3] OGATA, Katsuhiko. Engenharia de controle moderno. 4. ed. São


Paulo: Prentice-Hall do Brasil, 2003.

[4] SAADAT, Hadi. Power system analysis. 2nd ed. Boston: McGraw-
Hill, 2002.
Figura 13. Resposta rápida da velocidade do rotor (servo do Gate com
Controlador PID, ligados a turbina). [5] MATSUMOTO, Élia Yathie. Simulink 5. São Paulo: Érica, 2003.

[6] H. Weber, V. Fustik, F. Prillwitz, A. Iliev, Practically oriented


simulation model for the Hydro Power Plant “Vrutok” in Macedonia,
V. CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS. Balkan Power Conference, 19. – 21.06.2002, Belgrade.

Com o contido no presente trabalho e demais resultados [7] Working Group on Prime Mover and Energy Supply
Models for System Dynamic Performance Studies, Hydraulic Turbine And
obtidos no estudo realizado, foram estabelecidas as bases Turbine Control Models For System Pynamic Studies, Transactions on
necessárias à metodologia para a análise expedita Power Systems, Vol. 7, NO. 1, February 1992.
necessária à aceitação de novas conexões de PCH’s.
Cabe ressaltar que sempre que esta análise não for
suficientemente conclusiva quanto à certeza da viabilidade
da aceitação desta nova conexão, estudos detalhados
deverão ser conduzidos, seja pela RGE, seja pelo solicitante
(ou mesmo num trabalho conjunto), lançando-se mão, para
tanto, de recursos computacionais disponíveis no setor
elétrico, os quais em geral são de uso corrente nos estudos
dinâmicos dos sistemas interligados brasileiros.
Ao final do projeto, foi realizada a Jornada Técnica, onde
os resultados obtidos neste projeto: Metodologia e Sistema
Computacional foram apresentados e discutidos pela
equipe Mackenzie e da RGE.
Em seguida ocorreu o Workshop, previsto para o
treinamento prático usando as ferramentas que foram
desenvolvidas, permitindo a capacitação dos profissionais
da RGE na utilização dos produtos desta pesquisa:
Metodologia e Sistema Computacional, para a avaliação da
adequação dos Sistemas de Controle e dos Impactos da
Geração Distribuída no Sistema Elétrico de Distribuição da
RGE.
Os resultados obtidos nesta pesquisa estabeleceram as
bases necessárias à Metodologia para análise expedita
necessária à aceitação de novas conexões de PCH's. Porém,
sempre que essa avaliação não for suficientemente
conclusiva quanto à certeza da viabilidade de aceitação
desta nova conexão, serão necessários estudos mais
detalhados, seja pela RGE, seja pelo solicitante (ou mesmo
num trabalho conjunto). Para tanto, poderão ser utilizados
recursos computacionais disponíveis no setor elétrico, de
uso corrente nos estudos dinâmicos dos sistemas
interligados brasileiros.
Este projeto deverá ter continuidade, para que sejam
agregados outros tipo de fontes de geração e turbinas,
como: Gás Natural, Biomassa, Eólica, Célula Combustível,
etc.
Foram aplicados os resultados da pesquisa no
aprimoramento dos profissionais da RGE, com benefício
direto na melhoria da qualidade do atendimento a seus
consumidores.