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ÉLISSON MIESSA

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REFORMA
TRABALHISTA'
Lei 13.467, de 13.07.2017

2018

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1f JusPODNM
www.editorajuspodivm.com.br
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Rua Mato Grosso, 164, Ed. Marfina, 1° Andar- Pituba, CEP: 41830-151 - Salvador- Bahia
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Copyright: Edições JusPODIVM

Conselho Editorial: Dirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie Didier Jr., José Henrique Mouta, José
Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Távora, Robério Nunes Filho, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo
Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha.

Capa: Marcelo S. Brandão (santibrando@gmail.com)

Diagramação: Llnotec Fotocomposição e Fotolito Ltda. (www.linotec.com.br)

ISBN: 978-85-442-1690-3.

Todos os direitos desta edição reservados à Edições Jl/sP.ODIVM.


É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer melo ou processo, sem a
expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais caracteriza crime descrito
na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
A você, Luiza, por tudo
que representa na minha vida.
(Élisson)
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO

o objetivo da coleção é a preparação direcionada para os concursos de Técnico


e Analista do TRT, TRE, TRF e Tribunais Superiores. Em todos os livros o candidato irá
encontrar teoria específica prevista nos editais, questões recentes comentadas e
questões de concurso com gabarito fundamentado.
A ideia da coleção surgiu em virtude das reivindicações dos estudantes, que
almejavam por obras direcionadas para os concursos de Técnico e Analista dos
Tribunais. As apostilas específicas mostram-se, na maioria das vezes, insuficientes
para o preparo adequado dos candidatos diante do alto grau de exigência das atu-
ais provas, o que ocorre também com as obras clássicas do direito, por abordarem
inúmeras matérias diferentes ao concurso.
Nesta coleção, o candidato encontrará desde as cinco matérias básicas exigidas
em todos os concursos, como português, raciocínio lógico ou matemática, informática,
direito constitucional e administrativo, até as matérias específicas de outras áreas
(arquivologia e administração pública) e todas as matérias dos diferentes ramos do
direito. Portanto, com os livros da coleção o candidato conseguirá uma preparação
direcionada e completa para os concursos de Técnico e Analista do TRT, TRE, TRF e
Tribunais Superiores.
o livro de Processo do Trabalho para Analista é direcionado para a preparação
dos candidatos para o cargo de Analista do TRT e do TST e, também, pode ser usado
por todos os interessados nos diversos institutos do direito processual do trabalho.
Além da linguagem clara utilizada, os quadrinhos de resumo, esquemas e gráficos
estão presentes em todos os livros da coleção, possibilitando ao leitor a memorização
mais rápida da matéria. Temos certeza de que esta coleção irá ajudá-lo a alcançar
o tão sonhado cargo público de Analista dos Tribunais.

Henrique Correia
Site: www.henriquecorreia.com.br
Twitter: @profcorreia
lnstagram: Prof_correia
Periscope: @henrique_correia

7
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NOTA À 7ª EDIÇÃO
Inicialmente, gostaríamos de reiterar os agradecimentos da receptividade da
obra pelo leitor, fazendo surgir esta nova edição.
As principais atualizações realizadas nesta edição correspondem às modifica-
ções provocadas pela Lei n° 13.467/17, também denominada de Reforma Trabalhista.
Referida lei altera mais de 100 artigos da CLT e da legislação esparsa, dos quais,
aproximadamente, 40 artigos promovem verdadeira revolução no direito processual
do trabalho, a saber:
- Art. 11-A: prescrição intercorrente;
- Art. 507-A: possibilidade de estabelecimento de cláusula compromissória de
ar-bitragem em contratos individuais de trabalho;
- Art. 611-A, § 5°: litisconsórcio necessário dos sindicatos em ações que tenham
como objeto a anulação de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho;
- Art. 652, "f": competência das Varas do Trabalho na homologação de acordo
extrajudicial;
- Art. 702: restrição na criação e alteração de súmulas e orientações jurispru-
denciais no âmbito do TST e dos TRTs;
- Art. 775: contagem dos prazos processuais;
- Art. 789: custas processuais;
Art. 790: benefício da justiça gratuita;
- Art. 790-B: honorários periciais;
- Art. 791-A: honorários advocatícios;
Arts. 793-A a 793-C: litigância de má-fé;
- Art. 793-D: multa por falso testemunho;
- Art. 800: exceção de incompetência territorial;
- Art. 818: ônus da prova;
- Art. 840: requisitos da reclamação trabalhista;

Art. 841, § 3°: desistência da ação;

- Art. 843, § 3°: preposto;


- Art. 844: comparecimento à audiência;
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

- Art. 847: apresentação de defesa escrita;

- Art. 855-A: incidente de desconsideração da personalidade jurídica;

- Arts. 855-B a 855-E: processo de jurisdição voluntária para homologação de


acordo extrajudicial;

- Art. 876, parágrafo único: execução das contribuições sociais;

- Art. 878: legitimidade ativa para a execução;

- Art. 879, § 2°: impugnação da decisão de liquidação da sentença;


- Art. 879, § 7°: atualização monetária;
- Art. 882: garantia da execução;

- Art. 883-A: protesto, inscrição do nome do executado em órgãos de proteção


ao cré-dito e no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT);

- Art. 884, § 6°: garantia ou penhora nos embargos à execução;


- Art. 896: prequestionamento e poderes do relator no recurso de revista;

- Art. 896-A: transcendência no recurso de revista;

- Art. 899: depósito recursai.

Esses dispositivos foram atualizados nesta edição, sendo que muitas vezes
apontamos, as divergências doutrinárias que poderão surgir a respeito dos temas
alterados. Também inserimos, em diversos tópicos, Enunciados da 2• Jornada de
direito material e processual do trabalho.

Aliás, diante do expressivo impacto provocado pela Lei n° 13.467/17 (Reforma


Trabalhista) na seara processual do trabalho, no capítulo I incluímos um tópico es-
pecífico sobre o direito intertemporal da Lei n° 13.467/17.
Ademais, para facilitar os estudos, acrescentamos, ao final dos tópicos modifi-
cados, quadros que denominados de "Impactos da Reforma Trabalhista", trazendo
de forma sistematizada as alterações provocadas pela Lei n° 13.467/17 (Reforma
Trabalhista), comparando-as com a disciplina anterior.

Esta edição também está atualizada com as principais Resoluções expedidas pelo
C. TST no ano de 2017, quais sejam: Resolução n° 217; Resolução n° 218, Resolução
n° 219 e Resolução n° 220.

Assim, foram modificadas e comentadas as súmulas: 337, 368, 385, 398, 402, 412,
414, 418 e 459. Além disso, foram alteradas as orientações jurisprudenciais da SDI-I:
140, 269 e 318, bem como as orientações jurisprudenciais da SDHI: 70, 76, 84, 93, 134
e 153. Acrescentamos tam-bém a Súmula n° 463 do TST e excluímos as orientações
jurisprudenciais da SDI-I que foram can-celadas: 284, 285, 287, 304 e 363 e a orientação
jurisprudencial n° 113 da SDI-II.

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NOTA A7• EDIÇÃO

Devido às exigências dos editais para os concursos de analista, incluímos no


capítulo XX, tópicos referentes às temáticas da consignação em pagamento e da
ação monitória.

Em decorrência da revogação da Resolução n° 136/2014 pela Resolução n° 185/2017


do CSJT, o capítulo de Informatização do Processo Judicial também foi totalmente
atualizado.

A propósito, revisamos todas as questões objetivas constantes ao final dos capítu-


los, excluindo as que sofreram alterações com a Lei n° 13.467/17 e com as Resoluções
e modificações jurisprudenciais do TST no ano de 2017. Aliás, para que o candidato já
possa treinar questões que abordem os temas alterados, quando possível, modifica-
mos as questões, adaptando-as à Lei n° 13.467/17. Ademais, excluímos as questões
mais antigas, além de incluirmos novos estudos de casos e questões dissertativas.
Enfim, trata-se de obra que foi totalmente reformulada.
Assim, como ressaltado nas edições anteriores, considerando as grandes alte-
rações que o direito processual do trabalho sofreu, primeiro com o CPC/15 e, agora,
com a Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista), as críticas são de extrema importância
para o aprimoramento da obra, de modo que ficamos abertos a recebê-las. Espe-
ramos que, nesta nova edição, possamos continuar orientando-o e alcançar nosso
objetivo que é ajudá-lo a obter o tão sonhado cargo público de analista judiciário.
Bons estudos e até a posse.

Élisson Miessa

~ No momento do fechamento desta edição, havia sido aprovado o Projeto de Lei da Câmara
(PLC) n° 100/2017, aguardando sanção presidencial, que altera a contagem de prazos processuais
na Justiça trabalhista estabelecida pelo art. 775 da CLT. A nova redação, com o projeto, passará a ser
a seguinte:
Art. 775. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se~ão soe
mente os dias úteis, excluído o dia do começo e incluído o dia do vencimento.
Parágrafo único. Os prazos podem ser prorrogados pelo tempo estritamente necessário pelo
juiz oü tribUnál;oo em virtude de força maior comprovada:
Art. 775-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de de-
zembro e 20 de janeiro, inclusive.
§ 1° Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei; os juízes, ós membros do
Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública e os auxiliares da Justiça exercerão
suas atribuições durante o período previsto no caput deste artigo.
§ 2° Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem sessões de julgamento.

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NOTA À 6ª EDIÇÃO
Inicialmente, gostaríamos de, novamente, agradecer ao leitor pela confiança na
obra, tendo a 5ª edição a mesma aceitação das edições anteriores, esgotando-se
rapidamente.
o destaque da 6• edição corresponde à inclusão, ao final de cada capítulo, de
questões dissertativas e/ou estudos de caso, com as respectivas respostas sugeridas,
devido às exigências realizadas nos últimos concursos para Analista dos Tribunais
Regionais do Trabalho, com o objetivo de treinar o leitor para a resolução da parte
prática dos concursos.
Além disso, atualizamos a obra com todas as alterações realizadas nas súmulas
e orientações jurisprudenciais do TST realizadas no ano de 2016, as quais, em regra,
tiveram como objetivo adequar a jurisprudência do TST à disciplina trazida pelo Novo
Código de Processo Civil. Destacamos as mudanças realizadas pelas Resoluções n°
209, 210, 211, 212 e 214 do TST nas seguintes súmulas: 192, 299, 303, 383, 395, 404, 413,
417, 419 e 456. Além disso, foram alteradas as seguintes orientações jurisprudenciais
da SDI-I do TST: 120, 130, 142, 237, 389, 409 e 412. Da SDI-II do TST, foram modificadas
as seguintes orientações jurisprudenciais: 25, 59, 66, 150, 151. Foram ainda acrescen-
tadas no livro as súmulas n° 460 e 461 do TST e excluídas as referências à súmula n°
164 do TST e às orientações jurisprudenciais da SDI-I do TST n° 110, n° 331 e n° 338.
Principalmente em decorrência da modificação das súmulas e orientações juris-
prudenciais do e. TST mencionadas, diversos tópicos foram reescritos e atualizados.
Inserimos também os seguintes temas: ônus da prova do vale-transporte; ônus da
prova do recolhimento do FGTS; agravo de petição no incidente de desconsideração
da personalidade jurídica; efeito do julgamento do recurso de revista de causas re-
petitivas para os processos futuros; desistência da ação em curso no primeiro grau,
além de outras alterações pontuais inseridas na obra. Destacamos que os tópicos
de incidente de resolução de demandas repetitivas; de incidente de assunção de
competência e de reclamação tiveram grandes alterações.
A propósito, acrescentamos novas questões com gabarito comentado e questões
objetivas de concursos realizadas no ano de 2016.
Assim como ressaltado nas edições anteriores, considerando o atual momento de
transição, decorrente das alterações promovidas pelo Novo CPC e das modificações
jurisprudenciais do e. TST, as críticas são de extrema importância para o crescimento
da obra, de modo que ficamos abertos a recebê-las. Esperamos que, nessa nova
edição, possamos continuar orientando-o e alcançar nosso objetivo que é ajudá-lo
a obter o tão sonhado cargo público de analista judiciário.

Bons estudos e até a posse.

Élisson Miessa

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NOTA À 5ª EDIÇÃO

Inicialmente, gostaríamos de agradecer ao leitor pela confiança na obra, tendo


a 4ª edição a mesma aceitação das edições anteriores, esgotando-se rapidamente.
A 5ª edição nasce alguns meses após a publicação da 4ª edição, em razão das
grandes alterações provocadas pelo TST por meio da Instrução Normativa n° 39 que
versa sobre as normas do NCPC que são aplicáveis e inaplicáveis .ao processo do
trabalho, bem como pelo advento da Instrução Normativa n° 40 e resoluções edi-
tadas pelo e. TST.
Nesse contexto, a presente edição atualizou os temas impactados pelo Novo
Código de Processo Civil de acordo com a Instrução Normativa n° 39/2016 .do TST.
Destaca-se que referida instrução normativa não é exaustiva. Desse modo, nos temas
nos quais ainda não há posicionamento do e. TST, trouxemos nosso entendimento,
sempre fundamentado e, quando existentes, inserimos o posicionamento de outros
doutrinadores.
Dessa forma, foram atualizados diversos temas, dentre outros, os que seguem:
fontes e integração, princípio do contraditório e da ampla defesa, vedação de de-
cisões surpresa, princípio da conciliação, irrecorribilidade imediata das decisões
interlocutórias, foro de eleição, regularização da representação processual, formas
de intimação, contagem dos prazos processuais, negócio processual; requisitos
da petição inicial, impugnação do valor da causa, juízo de retratação, audiências,
distribuição dinâmica do ônus da prova, procedimento da prova testemunhal, re-
quisitos da sentença, tutela provisória, juízo de admissibilidade, prazo dos agravos
interno e regimental, custas processuais, juntada de documentos na fase recursai,
efeito devolutivo, efeito translativo, reexame necessário, embargos de declaração,
embargos de divergência, incidente de resolução de demandas repetitivas, inci-
dente de assunção de competência, reclamação, títulos executivos extrajudiciais,
responsabilidade patrimonial na fase de execução, incidente de desconsideração da
personalidade jurídica, fraude à execução, nomeação de bens à penhora, penhora,
bloqueio de contas bancárias (penhora on-line), bens impenhoráveis, embargos à
execução, prescrição intercorrente, meios de impugnação da expropriação, execução
de título judicial e ação rescisória.
Em razão da IN n° 39/2016 do TST foram inseridos ainda os seguintes temas:
deveres e poderes do juiz, improcedência liminar do pedido, fundamentação
das decisões, julgamento antecipado (total e parcial), efeitos anexos da sentença
(hipoteca judiciária, protesto e inclusão do nome do executado em cadastro de
inadimplentes), pronunciamentos recorríveis por meio dos embargos de declaração,
pagamento parcelado (proposta de pagamento parcelado do bem arrematado pelo
interessado e requerimento de pagamento parcelado do débito pelo executado).

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PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

A presente edição também foi atualizada com a Instrução Normativa n° 40/2016


do TST, que dispõe sobre o cabimento de agravo de instrumento em caso de admis-
sibilidade parcial de recurso de revista no Tribunal Regional do Trabalho.
Aliás, foram atualizadas as súmulas e orientações jurisprudenciais alteradas no
ano de 2016, muitas das quais em razão da necessidade de atualização e compa-
tibilização com o Novo Código de Processo Civil. Com efeito, foram atualizadas as
súmulas n° 74, 219, 263, 285, 353, 387, 393, 394, 397, 400, 405, 407, 408, 415, 421 e 435
do TST e as 0Js n° 255, 310, 371, 378, 392, 421 da SDH e 12, 34, 41, 54, 78, 101, 107, 124,
136, 146 e 157 da SDHI do TST.
Dessa forma, a 5• edição representa uma adequação da obra ao posicionamento
do e. TST em relação à aplicação do NCPC ao processo do trabalho.
Assim como ressaltado na edição anterior, não podemos deixar de dizer que as
alteraçoes promovidas pelo Novo CPC estão su·rgindo na doutrina nesse moniénto,
não existindo ainda, evidentemente, posicionamentos judiciais. Com efeito, em
diversos tópicos da obra trouxemos nosso entendimento sobre os temas, sempre
de forma fundamentada e com o posicionamento de outros doutrinadores. Assim,
considerando o atual momento de transição, as críticas são de extrema importância
para o crescimento da obra, de modo que ficamos abertos a recebê-las. Esperamos
que, nesta nova edição, possamos continuar orientando-o e alcançar nosso objetivo
que é ajudá-lo a obter o tão sonhado cargo público de analista judiciário.

Bons .estudos e até a posse.

Êlisson Miessa

16
NOTA À 4ª EDIÇÃO

Inicialmente, gostaríamos de agradecer ao leitor pela confiança na obra, tendo


a 3ª edição a mesma aceitação das edições anteriores.
A 4ª edição, sem sombra de dúvida, é a que mais sofreu alterações desde
o nascedouro desta obra. E isso se dá especialmente pela promulgação da Lei
13.105/2015, que instituiu o Novo Código de Processo Civil.
Considerando que o novel código é aplicável ao processo do trabalho, de
forma supletiva é subsidiária (CLT, art. 769; CPC/15, art. 15), a referida lei provocou
diversos reflexos no direito processual do trabalho.
Nesse contexto, a presente edição atualizou todos os dispositivos que faziam
referência ao CPC/73, além de analisar diversos temas impactados, citando, entre
outros, os que seguem: princípio da primazia da decisão de mérito, princípio da
cooperação, princípio da boa-fé, exclusão do princípio da identidade física do juiz,
forma de alegação da incompetência relativa, conexão e continência, representa-
ção das pessoas jurídicas, atuação momentânea sem o instrumento de mandato,
regularização da representação, benefício da justiça gratuita, litisconsórcio, deveres
das partes e daqueles que participam do processo, litigância de má-fé, carta arbi-
tral, citação e intimação, inclusive eletrônica, prazos processuais, negócio jurídico
processual, impugnação do valor da causa, cumulação de pedidos, aditamento,
emenda e indeferimento da inicial, contestação, incompetência relativa, impedi-
mento e suspeição, distribuição dinâmica do ônus da prova, depoimento pessoal,
incapazes, suspeitos e impedidos de depor, prova pericial, juízo de retratação,
tutela provisória,
'
juízo de admissibilidade recursai, poderes
'
do relator, desistência .
' ,

do recurso, intempestividade ante tem pus, efeitos devolutivo, translativo e regres-


sivo dos recursos, meio de concessão de efeito suspensivo, reexame ne'cessário,
embargos de declaração, teoria da causa madura, agravo de instrumento, agravo
interno, recurso extraordinário, incidente de resolução de demandas repetitivas,
incidente de assunção de competência, reclamação, execução provisória, des-
consideração da personalidade jurídica, ordem da nomeação de bens, penhora,
embargos à execução, embargos de terceiros, prescrição intercorrente, adjudica-
ção, arrematação, execução de obrigação de fazer e não fazer e ação rescisória.
Ademais, quando necessário indicamos o CPC de 1973 e as alterações provo-
cadas pelo Novo CPC, a fim de facilitar a evolução dos institutos e a memorização
da matéria.
Embora aludida lei tenha sido a principal responsável pelas alterações desta
edição, também incluímos outras, com o objetivo de atualizá-la e completá-la.
Desse modo, tratamos dos seguintes temas, dentre outros: princípio do devido

17
PROCESSO DO TRABALHO - Éfisson Miessa

processo legal, princípio do juiz natural, princípio da igualdade processual, princípio


da inafastabilidade da jurisdição, princípio do contraditório e da ampla defesa,
princípio da motivação das decisões judiciais, princípio da publicidade, princípio
da duração razoável do processo, princípio dispositivo, princípio inquisitivo,
princípio do duplo grau de jurisdição, princípio da instrumentalidade das formas,
princípio da preclusão, atribuições do Ministério Público do Trabalho, competência
originária e derivada, competência exclusiva e competência concorrente, critérios
de modificação da competência, competência para julgar os empregados contrata-
dos sem concurso público antes da CF/88 que tiveram regime celetista convertido
para o estatutário, competência para julgar as centrais sindicais, alterações da
Lei 13.146/2015 quanto aos relativamente e absolutamente incapazes, divergências
sobre a representação do empregado por outro empregado que pertença à mesma
profissão, procuração de pessoa não alfabetizada, custas em recurso na fase de
execução, recurso da decisão qu.~jncJef~reJJminarm5!nt~ a p~tição inicial, cJes.is-.
tência da reclamação, ônus da prova na equiparação salarial em cadeia, prova
emprestada, pronunciamentos judiciais, princípio da dialeticidade, reembolso das
custas à parte vencedora, Instruções Normativas do TST n° 37 e 38, juros e correção
monetária nos débitos da Fazenda Pública, correção monetária pela taxa TR dos
débitos dos particulares, fraude contra credores e fraude à execução e efeito dos
embargos à execução.
Aliás, atualizamos as súmulas alteradas no ano de 2015 e inserimos as questões
das provas dos concursos de analista realizados no ano de 2015.
Diante das expressivas alterações promovidas nesta edição, percebe-se que
ela foi integralmente reescrita, nascendo assim um novo livro.
Antes de finalizar não podemos deixar de dizer que as alterações promovidas
pelo Novo CPC estão surgindo na doutrina nesse momento, não existindo, eviden-
temente, posicionamentos judiciais. Com efeito, em diversos pontos trouxemos
nosso entendimento sobre os temas, sempre fundamentado e, quando existente,
inserimos o pOsicionamento de outros doutrinadores. Nesse momento de transição,
por óbvio, a obra não está imune a críticas. Pelo contrário, elas são de extrema
importância para seu crescimento, de modo que ficamos abertos a recebê-las.
Esperamos que, nesta nova edição, possamos continuar orientando-o e alcançar nosso
objetivo que é ajudá-lo a obter o tão sonhado cargo público de analista judiciário.

Bons estudos e até a posse.

Élisson Miessa

18
SUMÁRIO
Edital sistematizado (para facilitar a pesquisa e otimizar seu estudo)......................... 39

Capítulo 1
FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO ..................... ,...................... 43
1. Fontes e integração..................................................................................................... 43
2. Eficácia da Norma Processual no Tempo e no Espaço ............................................... 46
2.1. Eficácia no tempo.............................................................................................. 46
2.1.1. Eficácia temporal da Lei n° 13.467/ 17 (Reforma Trabalhista)............... 47
2.1.1.1. Honorários Periciais................................................................ 48
2.1.1.2. Honorários Advocatícios......................................................... 49
2.1.1.3. Recursos................................................................................. 51
2.2. Eficácia no espaço............................................................................................. 52
3. Princípios..................................................................................................................... 52
3.1. Introdução ............................................................................................. ,........... 52
3-2. Princípios constitucionais do processo .......................................•.................... 53
3.2.1. Devido processo legal .......................................................................... 53
3.2.2. Princípio do juiz natural ....................................................................... 54
3-2.3. Princípio da igualdade processual....................................................... 54
3.2.4. Princípio da inafastabilidade da jurisdição......................................... 55
3.2.5. Princípio do contraditório e da ampla defesa.................................... 56
3-2.6. Princípio da motivação das decisões judiciais .................................... 58
3.2.7. Princípio da publicidade....................................................................... 58
3-2.8. Princípio da duração razoável do processo........................................ 59
3.3. Princípios do novo CPC ..................................................................................... 60
3.3.1. Princípio da primazia da decisão de mérito ....................................... 61
3.3.2. Princípio da cooperação....................................................................... 62
3.3.3. Princípio da boa-fé............................................................................... 63
3.4. Outros princípios processuais........................................................................... 64
3.4.1. Princípio dispositivo ............................................................................. 64
3.4.2. Princípio inquisitivo .............................................................................. 65
3.4.3. Princípio do duplo grau de jurisdição.................................................. 66
3.4.4. Princípio da instrumentalidade das formas......................................... 66
3.4.5. Princípio da preclusão .......................................................................... 67
3.5. Princípios do processo do trabalho................................................................. 67
3.5.1. Princípio da proteção........................................................................... 67
3.5.2. Princípio da conciliação........................................................................ 68
3.5.3. Princípio do jus postulandi.................................................................... 69
3.5.4. Princípio da oralidade.......................................................................... 69
3.5.5. Princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias 70
3.5.6. Princípio da extrapetição ..................................................................... 70
3.5.7. Princípio da simplicidade..................................................................... 71

19
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

4. Questões dissertativas ................................................................................................ 72


5. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 74

Capítulo li
ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO............................................................................... 79
1. Introdução ................................................................................................................... 79
2. Tribunal Superior do Trabalho.................................................................................... 80
2.1. Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho...................................................... 83
3. Tribunais Regionais do Trabalho................................................................................. 84
4. Juízes do trabalho .................................................... ,.................................................. 86
5. Ingresso na carreira.................................................................................................... 87
6. Garantias dos juízes.................................................................................................... 87
7. Vedações dos juízes.................................................................................................... 88
8. DEVERES E PODERES DOS JUÍZES..................................................................................... 89
9. Serviços auxiliares da Justiça do Trabalho .................. ;.............................................. 89
9.1. Secretarias das varas do trabalho................................................................... 90
9.2. Secretarias dos tribunais.................................................................................. 92
9.3. Serviços de distribuição de feitos.................................................................... 92
9.4. Oficiais de justiça avaliadores.......................................................................... 93
10. Questões disserta tivas................................................................................................ 95
11. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 97

Questões
CAPÍTULOS I E 11.................................................................................................................... 103
1. Questões com gabarito comentado............................................................................ 103
2. Questões de concursos ............................................................................................... 120
3. Gabarito....................................................................................................................... 120

Capítulo Ili
MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO....................................................................................... 121
1. Conceito....................................................................................................................... 121
2. Organizaçã_o ................................................................................................................. 121
3. Princípios institucionais.............................................................................................. 124
3.1. Unidade............................................................................................................. 124
3.2. Indivisibilidade.................................................................................................. 125
3.3. Independência funcional .................................................................................. 125
3.4. Promotor natural .............................................................................................. 125
4. Atribuições do ministério público do trabalho........................................................... 125
5. Interesses e direitos metaindividuais tutelados pelo ministério público................. 127
6. Questão dissertativa..................................................................................................... 128
7. Legislação r_elacionada ao capítulo............................................................................. 130

Capítulo IV
FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E JURISDIÇÃO................................................................. 133
i; Formas de solução de conflitos ............................. ,........................................... ,........ 133
2. Formas consensuais de solução de conflitos (autocomposição)............................... 134

20
SUMARIO

2.1. Mediação e Conciliação ................................................................ ,................... 134


2.2. Comissão.de Conciliação Prévia ................................ ,...................................... 135
2.2.1. Introdução............................................................................................. 135
2.2.2. Composição da Comissão de Conciliação Prévia Criada em Âmbito
da Empresa........................................................................................... 136
2.2.3. Necessidade de Submeter a Demanda à Comissão de Conciliação
Prévia.................................................................................................... 137
2.2.4. Consequências da Conciliação Firmada Perante a CCP ....................... 137
2.3. Processo de jurisdição voluntária de homologação de acordo extrajudicial. 139
3. Arbitragem................................................................................................................... 140
4. · Jurisdição .........................................·............................................................................ 141
4.1. Jurisdição voluntária......................................................................................... 141
4.2. Jurisdição voluntária no processo do trabalho................................................ 142
4.3. Procedimento da homologação de acordo extrajudicial................................. 142
4.3.1. Petição conjunta :.................................................................................. 143
4.3.2. Representação por advogado.............................................................. 143
4.3.3. Prazo para analisar o acordo extrajudicial ......................................... 143
4.3.4. Realização de audiência....................................................................... 143
4.3.5. Sentença................................................................................................ 144
4.3.6. Requisitos do acordo extrajudicial....................................................... 144
4.3..6.1. Transação ............................................................................... 144
4.3.6.2. Observância prazo para pagamento das verbas rescisórias 145
4.3.6.3. Parcelas alcançadas pelo acordo. extrajudicial..................... 146
4.3.7. Suspensão e retorno da contagem do prazo prescricional................ 146
5. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 147
6. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 150

Capítulo V
COMPET~NCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO............................................................................... 153
1. Competência................................................................................................................ 153
1.1. Introdução......................................................................................................... 153
1.2. Classificação...................................................................................................... 154
1.2.1. Competência originária e derivada ..................................................... 154
1.2.1.1. Ação acessória....................................................................... 155
1.2.2. Competência exclusiva e competência concorrente............................ 155
1.2.3. Competência absoluta e relativa ......................................................... 156
1.2.3.1. Competência absoluta ........................................................... 156
1.2.3.2. Competência relativa............................................................. 156
2.2.3.3, Diferenças entre a competência absoluta e relativa............ 158
2.3. Critérios de modificação da competência ....................................................... 158
2.3.1. Conexão e continência.......................................................................... 159
3. Competência em razão da matéria e da pessoa....................................................... 160
3-1. Ações oriundas da relação do trabalho........................................................... 161
3-2. Entes de direito público externo...................................................................... 163
3.2.1. Estados estrangeiros............................................................................ 164
3.2.2. Organismos ou organizações internacionais........................................ 165
3.2.3. Esquema................................................................................................ 165

21
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3.3.
Servidores da administração pública............................................................... 166
3.3.1. Relação empregatícia ........................................................................... 166
3.3.2. Relação estatutária............................................................................... 166
3.3.3. Relação de caráter jurídico-administrativa.......................................... 167
3.3.4. Cargo em comissão............................................................................... 168
3.3.5. Empregados contratados antes da CF/88, sem submissão do concur-
so público.............................................................................................. 168
3.4. Competência trabalhista perante a greve....................................................... 168
3.4.1. Dissídio coletivo de greve de servidor público................................... 170
3.5. Ações envolvendo sindicatos............................................................................ 171
3.6. Mandado de segurança, habeas corpus e habeas data ................................. 172
3.6.1. Mandado de segurança........................................................................ 172
3.6.2. Habeas Corpus...................................................................................... 173
3.6.3. Habeas Data.......................................................................................... 17 4
3.7. Ações de indenização por dano moral ou patrimonial................................... 175
·3.7:i:· Ação de indenização por danos ocorridos nas fases pré e pós con-
tratual ................................................................................................... 176
3.8. Ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregado-
res pelos órgãos de fiscalização do trabalho.................................................. 176
3.9. Execução, de ofício, das contribuições sociais das sentenças que proferir... 177
3.10. Outras competências da Justiça do Trabalho................................................... 179
3.10.1. Complementação de aposentadoria.................................................... 180
3.11. Ações envolvendo o meio ambiente do trabalho............................................ 182
3.12. Competência normativa.................................................................................... 183
4. Competência funcional................................................................................................ 184
5. Competência em razão do lugar (territorial)............................................................. 184
5.1. Local da prestação dos serviços...................................................................... 185
5.2. Agente ou viajante comercial........................................................................... 186
5.3. Empregado brasileiro que trabalha no exterior.............................................. 186
5.4. Empregador que promove a prestação dos serviços fora do lugar da cele-
bração do contrato........................................................................................... 187
5.5. Competência Territorial na Ação Civil Pública.................................................. 188
5.6. Foro de eleição................................................................................................. 190
5.7. Competência territorial para homologação do acordo extrajudicial.............. 190
6. Conflitos de competência............................................................................................ 192
7. Questões dissertativas e estudos de caso53.............................................................. 194
8. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 197
9. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 200

Questões
CAPÍTULOS Ili A V.................................................................................................................. 205
1. Questões com gabarito comentado ...................................-:.':-...................................... 205
2. Questões de concursos ............................................................................................... 226
3. Gabarito....................................................................................................................... 228
-··· ---·-- ++ ·- ----·-

Capítulo VI
PARTES E PROCURADORES NO PROCESSO DO TRABALHO ......................................................... 229
1. Conceito....................................................................................................................... 229
2. Capacidade de ser parte............................................................................................ 230

22
SUMARIO

3. Capacidade processual............................................................................................... 230


3.1. Representação .................................................................................................. 231
3.1.1. Incapazes.............................................................................................. 231
3.1.2. Representação das pessoas jurídicas.................................................. 232
3.1.3. Representação em audiência............................................................... 233
4. Capacidade postulatória e o jus postulandi ............................................................... 237
5. Representação por advogado ................................. ,.................................................. 239
5.1. Substabelecimento ............................................................................................ 240
5.2. Condições de validade do mandato e do substabelecimento ........................ 241
5.3. Mandato tácito.................................................................................................. 242
5.4. Estagiário........................................................................................................... 243
5.5. Atuação momentânea sem o instrumento de mandato.................................. 244
5.6. Regularização da representação...................................................................... 246
6. Honorários advocatícios.............................................................................................. 248
7. Benefício da justiça gratuita........................................................................................ 252
7.1. Conceito............................................................................................................. 252
7-2. Benefício da Justiça gratuita x Assistência Judiciária Gratuita.......................... 252
7.3. Características do benefício da justiça gratuita ..... :.. :...................................... 254
7.4. Sujeitos beneficiários........................................................................................ 257
7.5. Abrangência da gratuidade .......................................... :................................... 258
7.6. Concessão parcial da gratuidade e parcelamento.......................................... 259
8. Litisconsórcio ............................................................................................................... 260
8.1. Esquema das classificações dos litisconsórcios ............................................... 264
9. Substituição processual............................................................................................... 264
10. Deveres das partes e daqueles que participam do processo................................... 266
11. Litigância de má-fé...................................................................................................... 267
11.1. Beneficiário da justiça gratuita......................................................................... 268
12. Assédio processual...................................................................................................... 269
13. Questões dissertativas e estudos de caso39.............................................................. 270
14. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 274
15. Legislação relacionada ao capítulo ............................................... :............................. 279

Capítulo VII
ATOS PROCESSUAIS ............................................................................................................... 285
1. Introdução ................................................................................................................... 285
2. Comunicação dos atos processuais............................................................................ 286
2.1. Formas de citação .............................. ,.............................................................. 287
2.2. Formas de intimação ........................................................................................ 291
3. Prazos processuais ........................... ,............................................... ,........................... 292
3.1. Princípios dos prazos processuais................................................................... 294
3.2. Contagem dos prazos processuais................................................................... 295
3.2.1. Contagem em dias úteis....................................................................... 296
3.2.2. Início da contagem quando marcada audiência de julgamento......... 297
3.2.3. Contagem dos prazos no processo eletrônico .................................... 298
3.2.4. Interrupção e suspensão...................................................................... 299
3.2.4.1. Recesso forense e o novo CPC............................................... 300

23
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3.3. Prazos diferenciados........................................................................................ 302


3.4. Principais prazos processuais .......................................................................... 303
4. Despesas processuais................................................................................................. 304
4.1. Custas processuais............................................................................................ 305
4.1.1. Valor das custas processuais ........................................................ ::..... 305
4.1.2. Responsabilidade pelo pagamento das custas ................................... 307
4.1.3. Momento do recolhimento das custas................................................. 308
4.1.4. Isentos do pagamento das custas........................................................ 308
4.2. Valor dos emolumentos ...,................................................................................. 310
4.3. Honorários periciais.......................................................................................... 310
5. Negócio JURÍDICO processual....................................................................................... 312
6. Questões dissertativas e estudos d.e caso20.............................................................. 315
7. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 317
8. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 321

Questões
CAPÍTULOS V E VI.................................................................................................................. 329
1. Questões com gabarito comentado ........................................ ,................................... 329
2. Questões de concursos ....................·........................................................................... 360
3. Gabarito ........ :.............................................................................................................. 361

Capítulo VIII
NULIDADES PROCESSUAIS...................................................................................................... 363
1. Vícios processuais: classificação................................................................................. 363
2. Princípios das nulidades processuais......................................................................... 364
2.1. Princípio da transcendência (prejuízo)............................................................ 364
2.2. Princípio da convalidação ou preclusão .............. ,........................................... 365
2.3. Princípio da economia processual .............................................. ,.................... 366
2.4. Princípio do interesse ................................................................ ,...................... 366
2.5. Princípio da utilidade ...................................................................·..................... 366
2.6. Princípio da instrumentalidade das to'rmas..................................................... 367
3. Quadro resumido .................................................................................. '...................... 367
4. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 368
5. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 371

Capítulo IX
PETIÇÃO INICIAL.................................................................................................................... 373
1. Formas de reclamação ............................... :......... :...................................................... 373
2. Requisitos da petição ·inicial ..................... ,.. ,.............................................................. 37 4
2.1. Valor da causa ................................................. ,................................................ 375
2.2. Causa de pedir (breve exposição dos fatos) .............. :.................................... 375
2.3. Pedido .......... ,.......................... ,......................................................................... 376
2.3.-l.·· .. Requisitos ·do- pedido .......................·.........................·.•·•......•...........•...... 377
2.3.2. Cumulação de pedidos......................................................................... 378
3. Aditamento e emenda da petição inicial.................................................................... 380
4. Indeferimento da petição inicial................................................................................. 382
4.1. Recurso da decisão que indefere liminarmente a petição inicial................... 383

24
SUMÁRIO

5. Improcedência liminar do pedido.............................................................................. 384


6. Desistência"da .reclamação .................................................. ,........•...................... ,....... 386
6.1. Desistência de questão idêntica à resolvida pelo recurso representativo da
controvérsia .......................................... ,........................................................... 387
7. Questões dissertativas e estud"os de caso................................................................. 388
8. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 390

Questões
CAPÍTULOS"Vll"A IX .................................................... ,.......................................................... 393
1. Questões com gabarito comentado ........... .'......................... ;..... ;... :.. ,......................... 393
2. Questões de concursos .............•...............•................... ,............................................. 399
3. Gabarito....................................................................................................................... 399

Capítulo X
AUDltNCIAS.......................................................................................................................... 401
1. Generalidades ............................................................................................................. 401
2. Atraso na audiência .................................................................................................... 404
3. Fracionamento da audiência....................................................................................... 404
4. Comparecimento das partes....................................................................................... 405
4.1. Representação do empregador pelo gerente ou preposto............................ 406
4.2. Ausência do reclamante ................................................................................... 407
4.3. Ausência do reclamado .................................................................................... 409
4.3-1. Pessoa jurídica de direito público ....................................................... 410
4.3-2. Presença do advogado em audiência e ausência da reclamada........ 411
5. Suspensão da audiência .... ,........................................................................................ 413
6. Acordo judicial .............. ,................................................ ,............................................. 414
7. Questões dissertativas e estudos de caso16 ......................,........................................ 417
8. Súmulas, e orientações jurisprudenciais do TST.. ,.............. ,.... ,................................... 418
9. Legislação relacionada ao capítulo ...... ,...................................................................... 419

Capítulo XI
RESPOSTA DO RÉU .................................................................................................... ; ......... 421
1. Introdução................................................................................................................... 421
2. Contestação ............................................................................... ,................................. 423
2.1. Defesas processuais.......................................................................................... 423
2.1.1. Incompetência relativa ................................. ,................... ,................... 424
2.1.2. Legitimidade.......................................................................................... 425
2.2. Defesas de mérito............................................................................................. 426
2.2.1. Compensação x dedução x retenção................................................... 427
2.3. Princípios........................................................................................................... 429
2.3.1. Princípio da impugnação específica .................. ;.. ;;.............................. 429
2.3-2. Princípio da eventualidade .................................................................. 429
2.4. Revelia............................................................................................................... 429
2.4.1. Não produção dos efeitos da revelia.................................................. 430
2.4.2. Presença do advogado em audiência e ausência da reclamada........ 431
3. Exceções ..................................................................... ;................................................ 434
3.1. Exceção de impedimento e suspeição............................................................. 435

25
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

3.1.1. Momento de Alegação.......................................................................... 437


3.1.2. Procedimento ................................................................................'........ 438
3,2. Exceção de incompetência (relativa) ............................................................... 440
3.2.1. Prazo para apresentação..................................................................... 441
3.2.2. Necessidade de indicação do juízo competente................................. 442
3.2.3. Suspensão do processo........................................................................ 442
3.2.4. Contraditório......................................................................................... 442
3.2.5. Produção de prova oral....................................................................... 443
3.2.6. Decisão da exceção de incompetência................................................ 443
3-2.7. _Recorribilidade da decisão proferida na execução............................ 444
3.2.8. Fluxograma............................................................................................ 445
4. Reconvenção................................................................................................................ 446
5. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 447
6. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 449
7. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 450

Questões
CAPÍTULOS X E XI ......................................... _........................................................................ 455
1. Questões com gabarito comentado............................................................................ 455
2. Questões de concurso................................................................................................. 471
3. Gabarito....................................................................................................................... 472

Capítulo XII
PROVAS................................................................................................................................ 473
1. Introdução ................................................................................................................... 473
2. Princípios da prova..................................................................................................... 474
2.1. Contraditório e ampla defesa.......................................................................... 474
2.2. Necessidade...................................................................................................... 476
2.3. Oralidade........................................................................................................... 476
2.4. Imediação.......................................................................................................... 477
2.5. Aquisição processual da prova ou comunhão da prova................................. 478
3. Classificação ................................................................................................................ 478
4. ônus da prova............................................................................................................. 479
4.1. Distribuição do ônus da prova (Teorias estática, dinâmica e convencional).. 480
4.1.1. Teoria Estática do ônus da prova......................................................... 480
4.1.2. Teoria dinâmica do ônus da .prova...................................................... 481
4.1.2.1. Momento de aplicação da teoria dinâmica do ônus da
prova................................................................................... 482
4.1.2.2. Fundamentação da decisão................................................... 482
4.1.2.3. Prova impossível ou excessivamente difícil.......................... 483
4.1.3. Distribuição convencional do ônus da prova....................................... 483
4.2. Casos específicos na jurisprudência do TST ..................................................... 485
4.2.1. Equiparação salarial ............................................................................ ; · 485
4.2.2. Recebimento da notificação................................................................. 486
4.2.3. Vínculo de emprego e término do contrato de trabalho.................... 486
4.2.4. Horas extraordinárias........................................................................... 487
4.2.5. Dispensa discriminatória de portador de doença grave.................... 489

26
SUMARIO

Vale-transporte.....................................................................................
4.2.6. 489
Diferenças no recolhimento do FGTS ....................................................
4.2.7. 490
5. Prova emprestada....................................................................................................... 491
6. Meios de prova........................................................................................................... 493
6.1. Interrogatório e depoimento pessoal.............................................................. 493
6.1.1. Confissão............................................................................................... 496
6.2. Prova testemunhal............................................................................................ 498
6.2.1. Generalidades....................................................................................... 498
6.2.2. Quem pode testemunhar?.................................................................... 498
6.2.3. Número máximo de testemunhas........................................................ 500
6.2.4. Procedimento........................................................................................ 501
6.2.5. Multa aplicada à testemunha............................................................... 503
6.3. Prova documental............................................................................................. 504
6.3.1. Falsidade de documento...................................................................... 506
6.4. Prova pericial.................................................................................................... 506
6.5. Inspeção judicial ................................................................................................ 511
7. Encerramento da instrução......................................................................................... 512
8. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 512
9. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 514
10. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 517

Capítulo XIII
SENTENÇA E COISA JULGADA ......................................... ,........................................................ 527
1. Pronunciamentos judiciais............................................................................ :.............. 527
1.1. Sentença ................................................................................... ,........................ 527
1.2. Decisão lnterlocutória ........................ ::............................................................. 528
1.3. Despacho ........................................................................................................ :.. 528
1.4. Acórdão............................................................................................................. 529
2. Requisitos da sentença ............................................................................................... 529
2.1. Fundamentação................................................................................................. 530
3. Classificação ................................................................................................................ 536
4. Princípio da congruência, ................................ ,............................. ,............................... 537
5. Publicação e intimação ............................................................... ,................................ 540
6. Juízo. de retratação...................................................................................................... 540
7. Julgamento Antecipado............................................................................................... 541
7,1. Julgamento Antecipado Total ............................................................................ 541
7,2. Julgamento Parcial do Mérito ........................................................................... 541
8. Efeitos anexos da sentença......................................................................................... 543
8.i:· .. Hipoteca· Judldária ............................................................................................ 543
9. Coisa Julgada ............................................................................................................... 545
10. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 546
11. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 548

Capítulo XIV
TUTELA PROVISÓRIA.............................................................................................................. 551
1. Tutela provisória ......................................................................................................... 551
1.1. Distinção: Tutela de urgência e tutela de evidência........................................ 552

27
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

2. Tutelas de urgência..................................................................................................... 554


2.1. Requisitos para concessão............................................................................... 556
2.2. Formas de requerimento.................................................................................. 558
2.2.1. Tutela antecipada requerida em caráter antecedente ....................... 558
2.2.1.1. Estabilização da tutela antecipada........................................ 559
2.2.2. Tutela cautelar requerida em caráter antecedente............................ 560
3. Tutela de evidência..................................................................................................... 560
3.1. Requisitos para a concessão da tutela de evidência...................................... 561
4. Momento de concessão e meios de impugnação...................................................... 561
5. Questões dissertativas ................................................................................................ 563
6. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 564

Capítulo XV
PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO E PROCEDIMENTO SUMÁRIO.................................................... 567
1: Procedimento-Sumaríssimo,::,:::::,,,,,,,,,,,:,,,,,,,,,,,,,,,,,.::::.:::::::::::::::::.. ;::: .....:..:.. ;.:.: .... :. 567
1.1. Incidência ...................................................................... :................................... 567
1.2. Petição inicial e prazo para apreciação........................................................... 568
1.3. Audiência ............................ ,.............................................................................. 568
1.4. Sentença............................................................................................................ 569
1.5. Recursos............................................................................................................ 570
1.5.1. Recurso ordinário................................................................................. 570
1.5.2. Recurso de revista................................................................................ 570
1.5.3. Embargos para a SDI (embargos de divergência)................................ 571
2. Procedimento Sumário................................................................................................ 571
3. Procedimento ordinário.............................................................................................. 572
4. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 572
5. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 573
6. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 575

Questões
CAPÍTULOS XII A XV............................................................................................................... 577
1. Questões com gabarito comentado............................................................................ 577
2. Questões de concursos ............................................................................................... 600
3. Gabarito....................................................................................................................... 602

Capítulo XVI
RECURSOS TRABALHISTAS...................................................................................................... 603
1. Teoria geral dos recursos............................................................................................ 604
1.1. Meios de impugnação....................................................................................... 604
1.2. Conceito de recurso.......................................................................................... 604
1.3. Classificação...................................................................................................... 606
1.3.1. Quanto ao objeto imediato do recurso ............................................... 606
1.3.2. Quanto à fundamentação..................................................................... 606
1.3.3. Quanto à extensão da matéria impugnada ......................................... 607
1.3.4. Quanto à independência ...................................................................... 607
1.3.5. Resumo das classificações.................................................................... 610
1.4. Princípios recursais ......................... :................................................................. 610

28
SUMARIO

1.4.1. Princípio do duplo grau de jurisdição.................................................. 610


1.4.2. Princípio da taxatividade (tipicidade).................................................. 611
1.4.3. Princípio da unirrecorribilidade (singularidade) ....... ,......................... 611
1.4.4. Princípio da consumação...................................................................... 611
1.4.5. Princípio da fungibilidade (conversibilidade) ............ ,... :..................... 612
1.4.6. Princípio da dialeticidade..................................................................... 614
1.4.7. Princípio da voluntariedade................................................................. 615
1.4.8. Princípio da proibição da reformatio in pejus...................................... 615
1.4.9. Princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias 616
1.4.10. Princípio da primazia da decisão de mérito....................................... 617
1.5. Juízo de admissibilidade e juízo de mérito ..................................................... 618
1.5.1. Juízo de admissibilidade parcial no recurso de revista...................... 621
1.5.1.1. Omissão no juízo de admissibilidade parcial........................ 622
1.5.2. Poderes do relator............................................................................... 623
1.6. Pressupostos recursais ................................................................•. :.................. 625
1.6.1. Introdução ............................................................•........•.......... .'............ 625
1.6.2. Cabimento............................................................................................. 626
1.6.3. Legitimidade para recorrer.................................................................. 627
1.6.4. Interesse em recorrer ............................................. ;........ ;:.................. 628
1.6.5. Inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer... 628
1.6.5.1. Aceitação da decisão............................................................. 628
1.6.5.2. Renúncia ...........................................................,..................... 628
1.6.5.3.· Desistência ....... ,.................•.....•..................• ,......................... 629
1.6.6. Tempestividade..................................................................................... 630
1.6.6.1. Intempestividade ................................................................... 632
1.6.7. Representação...................................................................................... 633
1.6.8. Preparo ...................................................................... ,.......................... 637
1.6.8.1. Custas processuais ......................................... :....................... 638
1.6.8.2. Depósito recursai................................................................... 641
1.6.8.2.1. Generalidades........................................................ 641
1.6.8.2.2. Prazo para recolhimento e comprovação............. 642
1.6.8.2.3. Depósito em conta vinculada ao juízo .................. 642
1.6.8.2.4. Correção monetária............................................... 642
1.6.8.2.5. Substituição do depósito em dinheiro por fiança
bancária ou seguro garantia judicial..................... 642
1.6.8.2.6. Valor do depósito recursai..................................... 643
1.6.8.2.7. Redução do valor do depósito recursai pela me-
tade........................................................................ 645
1.6.8.2.8. Recursos que exigem o depósito recLJrsal ............ 646
1.6.8.2.9. Diferença no recolhimento do depósito recursai . 647
1.6.8.2.10.lsenção do depósito recursai................................ 647
1.6.9. Regularidade formal .............................•....•. ,........................................ 649
1.7. Juntada de documentos.................................................................................... 650
1.8. Efeitos recursais................................................................................................ 650
1.8.1. Efeito obstativo..................................................................................... 650
1.8.2. Efeito devolutivo................................................................................... 650
1.8.3. Efeito suspensivo.................................................................................. 653
1.8.4. Efeito translativo................................................................................... 654

29
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

1.8.5. Efeito regressivo................................................................................... 656


1.8.6. Efeito expansivo.................................................................................... 656
1.8.7. Efeito substitutivo................................................................................. 657
1.9. Remessa Necessária.......................................................................................... 658
2. Recursos em espécie................................................................................................... 660
2.1. Embargos de declaração................................................................................... 660
2.1.1. Introdução ............................................................................................. ' 660
2.1.2. Competência......................................................................................... 660
2.1.3. Prazo para interposição....................................................................... 661
2.1.4. Hipóteses de cabimento....................................................................... 661
2.1.5. Pronunciamentos recorríveis................................................................ 663
2.1.6. Embargos de declaração com efeito modificativo............................... 664
2.1.7. Embargos de declaração contra decisão monocrática do relator...... 665
2.1.8. Embargos de declaração protelatórios................................................ 667
2.1.9. Embargos de declaração com efeitos prequestionatórios.................. 667
2.2. Recurso ordinário............................................................................................. 668
2.2.1. Introdução............................................................................................. 668
2.2.2. Hipóteses de cabimento....................................................................... 669
2.2.3. Juízo de retratação............................................................................... 670
2.2.4. Julgamento do mérito diretamente pelo tribunal................................ 670
2.2.5. Recurso ordinário no rito sumaríssimo................................................ 671
2.3. Agravo de petição............................................................................................. 672
2.3-1. Agravo de petição no incidente de desconsideração da personali-
dade jurídica.......................................................................................... 675
2.4. Recurso de revista............................................................................................ 676
2.4.1. Introdução............................................................................................. 676
2.4.2. Prazo ..................................................................................................... 676
2.4.3. Competência para julgamento ............................................................. 677
2.4.4. Pressupostos específicos de admissibilidade...................................... 677
2.4.4.1. Prequestionamento ................................................................ 678
2.4.4.2. Transcendência....................................................................... 680
2.4.5. Hipóteses de cabimento....................................................................... 682
2.4.5.1. Divergência jurisprudencial ................................................... 682
2.4.5.1.1. Incidente de uniformização trabalhista................. 685
2.4.5-2. Violação literal de disposição de lei federal ou afronta
direta e literal à Constituição Federal................................... 687
2.4.6. Rito sumaríssimo................................................................................... 689
2.4.7. Fase de execução................................................................................. 689
2.4.8. Quadro resumido das hipóteses de cabimento do recurso de re-
vista................................................................................................... 689
2.4.9. Recurso de revista de causas repetitivas............................................ 690
2.4.9.1. Introdução.............................................................................. 690
2.4.9.2. Requisitos............................................................................... 690
2.4.9.3. Processamento .............................................. ;;.,..................... 691
2.4.9.3.1. Competência........................................................... 691
2.4.9.3.2. Proposta de afetação............................................. 691
2.4.9.3.3. Decisão de afetação............................................... 692
2.4.9.3.4. Suspensão de outros recursos.............................. 693

30
SUMARIO

2.4.9.3.4.1. Requerimento de não suspensão e


prosseguimento do recurso ................ 694
2.4.9.3.5. Colheita de informações e parecer do Ministério
Público do Trabalho................................................ 695
2.4-.9.3.6. Julgamento.............................................................. 696
2.4.9.3.7. Efeito do julgamento para os processos futuros-.. 698
2.4.9.3.8. Desistência da ação em curso no primeiro grau .. 698
2.4.9.4. Questão constitucional no julgamento dos recursos repeti-
tivos ......................................................................... :... .-.......... 699
2.5. Embargos no TST ............................................................................................... 699
2.5.1. Introdução .................................................................................. ;:......... 699
2.5.2. Embargos infringentes.......................................................................... 700
2.5.3. Embargos de divergência (embargos à SOi) ........................................ 701
2.5.3.1. Introdução.............................................................................. 701
2.5.3.2. Prazo .................................................................................... ;. 701
2.5.3.3. Competência para julgamento ........•................................... ,.. 701
2.5.3.4. Prequestionamento ................................................................ 702
2.5.3.5. Hipóteses de cabimento........................................................ 702
2.5.3.6. Embargos de divergência de decisão proferida em agravo 703
2.5.3.7. Embargos de divergência no rito sumaríssimo..................... 704
2.5.3.8. Embargos de divergência na fase executiva......................... 704
2.5.3.9. Antigo recurso de embargos de nulidade............................. 705
2.6. Agravo de instrumento ...................................•....................................... :....... :. 705
2.6.1. Cabimento............................................................................................. 705
2.6.2. Prazo ..................................................................................................... 707
2.6.3. Competência .................................................................................... :.... 707
2.6.4. Pressupostos recursais......................................................................... 708
2.6.4.1. Formação do instrumento...................................................... 708
2.6.5. Juízo de retratação............................................................................... 709
2.7. Agravo interno e regimental............................................................................. 710
2.7.1. Multa no agravo interno....................................................................... 711
2.8. Recurso extraordinário..................................................................................... 713
2.8.1. Recurso extraordinário repetitivo .................. ,..................................... 715
3. Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas.................................................... 717
3.1. Microssistema de julgamentos de causas repetitivas..................................... 717
3.2. Natureza Jurídica............................................................................................... 718
3.3. Cabimento e requisitos..................................................................................... 718
3.4. Competência ..................................................................................................... 719
3.5... Legitimidade...................................................................................................... 720
3.5.1. Desistência ou abandono..................................................................... 720
3.6. Procedimento ....................................................... ,............................................ 721
3.7. Meios de impugnação do julgamento do IRDR................................................. 723
4. Incidente de Assunção de Competência..................................................................... 724
4.1. Introdução......................................................................................................... 724
4.2. Cabimento......................................................................................................... 725
4.3. Competência ..................................................................................................... 725
4.4. Legitimidade ................................................................................. :... :................ 726
4.5. Objetivos............................................................................................................ 726

31
PROCESSO DO TRABALHO - É!isson Miessa

4.6. Requisitos .. ,....................................................................................................... 726


4.7. Procedimento.................................................................................................... 727
4.8. Meios de impugnação do julgamento do incidente de assunção de compe-
tência................................................................................................................. 728
4.9. Diferenças entre o IRDR e o incidente de assunção de competência............. 728
4.10. Assunção de competência no TST ..................................................................... 729
5. Reclamação ................................... ,.............................................................................. 731
5.1. Introdução ................. ;....................................................................................... 731
5.2. Natureza Jurídica .......................................................... ·..................................... 731
5.3.. Cabimento......................................................................................................... 732
5.4. Legitimidade...................................................................................................... 733
5.5. Procedimento.................................................................................................... 733
5.6. Recursos da decisão da reclamação ................•.. ,............................................ 734
6. Reclamação correicional ............................................................................................. 734
7. Questõ~s disserta,tivas e.estudos de caso ... ,., ............ ,.............................................. 736
8. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 739
9. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 755

Questões
CAPÍTULO XVI .................................................... ·.............................. ................................... 769
1. Questões com gabarito comentado............................................................................ 769
2. Questões de concursos ............................................................................................... 791
3. Gabarito....................................................................................................................... 795

Capítulo XVII
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA.............................•.•..•..•....................•••.....:.................................. 797
1. Introdução................................................................................................................... 797
2. Modificação, inovação e discussão quanto à parte principal ................................... 798
3. Modalidades de liquidação ........................................................................................ 798
3.1. Liquidação por cálculos.................................................................................... 798
3.1.1. Procedimento........................................................................................ 799
3.1.2. Juros e correção monetária.................................................................. 800
3.1.2.1. Condenação em face da Fazenda Pública............................. 802
3.1.2.1.1. Juros........................................................................ 802
3.1.2.1.2. Correção Monetária............................................... 804
3-2. Liquidação por arbitramento............................................................................ 805
3.3. Liquidação por artigos...................................................................................... 806
4. Impugnação da decisão de liquidação....................................................................... 807
5. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 809
6. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 809
7. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 812

Capítulo XVIII
EXECUÇÃO TRABALHISTA ................................................................................;....................... 815
1. Introdução ................................................................................................... ;............... 815
2. Título executivo............................................................................................................ 816
2.1. Títulos judiciais.................................................................................................. 816
2.2. Títulos .extrajudiciais ......................................................................................... 817

32
SUMARIO

3. Execução provisória e definitiva ............................................. ,................................... 818


4. Competência................................................................................................................ 820
5. Legitimidade ........................................................................ :....................................... 821
5.1. Legitimidade ativa ................................................................. ,........................... 821
5.1.1. Execução de .ofício ...................................... ,......................................... 821
5.2. Legitimidade passiva ........................................................................................ 824
6. Responsabilidade patrimonial.................................................................................... 824
6.1. Responsabilidade do sucessor ..................................... ,................................... 827
6.2. Responsabilidade decorrente da terceirização ............................................... 828
6.3. Responsabilidade do sócio .......... .;................................................................... 830
6.3.1. Desconsideração da personalidade jurídica ....................................... 830
6.3,2. Responsabilidade do ex-sócio.............................................................. 834
7. Fraude contra credores e fraude à execução............................................................ 835
7.1. Fraude contra credores.................................................................................... 835
7.2. Fraude à execução ........................ ;................................................................... 836
7-2.i. Bens sujeitos a registro ............. :... ,...................................................... 838
7.3. Principais diferenças......................................................................................... 839
8. Execução por quantia certa contra devedor solvente............................................... 839
8.1. Introdução ........................ :....................... :......................................... ::.; ......... :. 839
8.2. Citação ..................................................................................................:..........·:. 840
8.3. Medidas executivas indiretas para cumprimento voluntário da sentença
condenatória..................................................................................................... 840
8.3.1. Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas .............. :..... '...................... 842
8.3.2. Protesto .................................................,............................................... 843
8.3.3. Inclusão do nome do executado em cadastro de inadimplentes....... 844
8.4. Nomeação de bens........................................................................................... 844
8.5. Penhora............................................................................................................. 845
8.5.1. Depositário............................................................................................ 848
8.5.2. Penhora em dinheiro............................................................................ 849
8.5.2.1. Bloqueio de contas bancárias (penhora on-line) ................. 850
8.5.2.2. Seguro-garantia judicial e fiança bancária ............................ , 852
8.5.3. Penhora sobre parte da renda de estabelecimento comercial .......... · 853
8.5.4. Penhora anterior à sucessão pela administração pública direta....... 854
8.5.5. Bens impenhoráveis ............................................................................. 855
8.5.1. lmpenhoràbilidade da remuneração do executado............................ 856
8.5.6.1. lmpenhorabilidade do bem de família ................................. 859
8.6. Defesa na execução.......................................................................................... 860
8.6.1. Embargos à execução........................................................................... 860
8.6.1.1. Natureza Jurídica .................................................................... · 860
8.6.1.2. Prazo ...................................................................................... 861
8.6.1.3. Competência::: .................................. :.... :................................ 862
8.6.1.4. Matérias passíveis de alegação (objeto).............................. 863
8.6.1.5. Efeito Suspensivo dos embargos........................................... 864
8.6.1.6. Procedimento......................................................................... 864
8.6.2. Exceção de pré-executividade.............................................................. 865
8.6.3. Impugnação à decisão de liquidação................................................... 866
8.6.4. Embargos de terceiros.......................................................................... 866

33
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

8.6.4.1. Generalidades........................................................................ 866


8.6.4.2. Prazo ...................................................................................... 867
8.6.4.3. Competência .................................................................... ,...... 867
8.7. Prescrição intercorrente ................................................................................... 868
8.8. Expropriação de bens....................................................................................... 870
8.8.1. Adjudicação........................................................................................... 870
8.8.2. Arrematação ......................................................................................... 871
8.8.2.1. Introdução .................................................................... ,......... 871
8.8.2.2. Legitimidade........................................................................... 872
8.8.2.3. Publicidade............................................................................. 873
8.8.2.4. Lance ...................................................................................... 873
8.8.2.5. Pagamento.............................................................................. 874
8.8.2.6. Pagamento parcelado............................................................ 875
8.8.2.6.1. Proposta de pagamento parcelado do bem arre-
matado pelo interessado....................................... 875
8.8.2.6.2. Requerimento de pagamento parcelado do débi-
to pelo executado.................................................. 877
8.8.3. Meios de impugnação da expropriação··········································'.··· 878
8.9. Esquema da execução contra devedor solvente............................................. 880
8.10. Remição da execução ....................................................................................... 880
8.11. Execução de prestações sucessivas ................................. ,............................... 882
9. Execução de obrigação de fazer e de não fazer....................................................... 882
9.1. Título judicial..................................................................................................... 882
9.2. Título extrajudicial............................................................................................. 884
10. Execução de contribuições previdenciárias ............................................................... 885
11. Execução contra a massa falida.................................................................................. 889
12. Execução contra a fazenda pública ............................................................................ 890
12.1. Introdução......................................................................................................... 890
12.2. Precatório.......................................................................................................... 893
12.2.1. Ordem preferencial............................................................................... 894
12.2.2. Preterição e não inclusão no orçamento............................................. 895
12.3. Requisição de pequeno valor........................................................................... 896
14. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 898
15. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 899
16. Legislação relacionada ao capítulo ............................................................... :············· 903

Questões .
CAPÍTULOS XVII E XVIII.......................................................................................................... 925
1. Questões com gabarito comentado............................................................................ 925
2. Questões de concursos............................................................................................... 944
3. Gabarito....................................................................................................................... 945

Capítulo XIX
DISSÍDIO .COLETIVO................................................................................................................ 947
1. Conceito....................................................................................................................... 947
2. Classificação ................................................................................................................ 948
3. Poder normativo ......................................................................................................... 949

34
SUMÁRIO

3.1. Limites............................................................................................................... 949


3.1.1. Limite mínimo........................................................................................ 949
3.1.2. Limite máximo....................................................................................... 950
4. Competência................................................................................................................ 951
4.1. Dissídio coletivo de greve de servidor público................................... 951
5. Legitimidade................................................................................................................ 952
6. Pressupostos processuais específicos........................................................................ 953
6.1. Negociação prévia............................................................................................. 953
6.2. Autorização em assembleia.............................................................................. 954
6.3. Comum acordo.................................................................................................. 954
6.4. Época própria para ajuizamento...................................................................... 955
6.5. Fundamentação das cláusulas reivindicadas................................................... 955
6.6. Cumprimento do estatuto do sindicato........................................................... 956
7. Procedimento.............................................................................................................. 956
8. Sentença normativa..................................................................................................... 957
8.1. Conceito e natureza jurídica............................................................................. 957
8.2. Início da vigência .............................................................................................. 958
8.3. Prazo de vigência.............................................................................................. 958
8.4. Extensão .................................... :....................................................................... 958
9. Coisa julgada .................................. ;............................................................................ 959
10. Recursos ...................................................................................................................... 960
10.1. Efeito suspensivo.............................................................................................. 960
11. Dissídio revisionai ...................................................................................................... : 961
12. Dissídio coletivo na administração pública................................................................ 961
13. Ação de cumprimento................................................................................................. 962
13.1. Natureza jurídica............................................................................................... 962
13.2. Cabimento......................................................................................................... 963
13.3. Competência..................................................................................................... 963
13.4. Legitimidade...................................................................................................... 963
13.5. Momento do ajuizamento................................................................................. 963
13.6. Prescrição.......................................................................................................... 963
13.7. Objeto................................................................................................................ 964
13.8. Coisa julgada..................................................................................................... 964
14. Questões dissertativas e estudos de caso................................................................. 965
15. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST.......................................................... 966
16. Legislação relacionada ao capítulo............................................................................. 968

Questões
CAPÍTULO XIX........................................................................................................................ 971
1. Questões com gabarito comentado............................................................................ 971
2. Questões de concursos ............................................................................................... 975
3. Gabarito....................................................................................................................... 976

Capítulo XX
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS................................................................................................... 977
1. Inquérito para apuração de falta grave..................................................................... 977
1.1. Cabimento......................................................................................................... 977

35
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

1.2. Prazo para propositura.................................................................................... 978


1.3. Procedimento.................................................................................................... 979
1.4. Efeitos da sentença........................................................................................... 979
2. Ação Civil Pública......................................................................................................... 980
2.1. Introdução......................................................................................................... 980
2.2. Cabimento......................................................................................................... 980
2.3. Interesses ou direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos.............. 981
2.4. Competência .................................................... ,................................................ 983
2.5. Legitimidade...................................................................................................... 985
2.6. Litisconsórcio ....................................................... ,............................................. 986
2.7. Objeto................................................................................................................ 986
2.8. Tutelas de urgência........................................................................................... 988
2.9. Prescrição.......................................................................................................... 989
2.10. Litispendência ................................................................................................... 990
2.11. Instrução............................................................................................................ 990
2.12. Sentença............................................................................................................ 991
2.13. Coisa julgada..................................................................................................... 992
2.13.1. Interesses ou direitos difusos e coletivos........................................... 993
2.13.2. Interesses ou direitos individuais homogêneos ................................. 994
2.13.3. Esquema................................................................................................ 995
2.14. Despesas processuais e honorários advocatícios ........................................... 996
3. Ação rescisória............................................................................................................ 996
3.1. Introdução......................................................................................................... 996
3.2. Competência ..................................................................................................... 997
3.3. Legitimidade...................................................................................................... 999
3.4. Pressuposto da ação rescisória ...............................................................•....... 1001
3.4.1. Trânsito em julgado ............................................................................. : 1001
3.4.2. Decisão de mérito ou decisão que, embora rião seja de mérito,
impeça nova propositura da demanda ou a admissibilidade do re-
curso correspondente .......................................................................... 1002
3.5. Prazo para ajuizamento ........................................................................... ,........ 1005
3.5.1. Recurso parcial..................................................................................... 1006
3.5.2. Acordo homologado judicialmente ............................................ ,......... 1007
3.6. Hipóteses de cabimento................................................................................... 1008
3.6.1. Prevaricação, concussão ou corrupção do juiz................................... 1010
3.6.2. Impedimento do juiz ou incompetência absoluta do juízo................. 1011
3.6.3. Dolo ou coáção da parte vencedora em detrimento da parte venci-
da e simulação ou colusão entre as partes para fraudar a lei.......... 1011
3.6.4. Ofensa à coisa julgada.......................................................................... 1013
3.6.5. Violação manifesta de norma jurídica ................................................. 1015
3.6.6. Prova falsa ............................................................................................ 1018
3.6.7. Obtenção de prova nova...................................................................... 1018
3.6.8. Erro de fato........................................................................................... 1019
3.7. Juízo rescindendo e juízo rescisório................................................................ 1021
3.8. Valor da causa .................................................................................................. 1022
3.9. Depósito prévio ................................................................................................ 1022
3.10. Procedimento.................................................................................................... 1023
3.11. Honorários advocatícios ................................................................................... 1024

36
SUMÁRIO

3.12. Recurso.............................................................................................................. 1024


3,13. Ação rescisória de ação rescisória ....................... :........................................... 1025
3.14. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST ............................................... 1025
4. Mandado de segurança .............................................................................................. 1038
4.1. Conceito .................................................................................. :.... .-......... :........... 1038
4.2. Legitimidade...................................................................................................... 1038
4.2.1. Legitimidade ativa ................................................................................ 1038
4.2.2. Legitimidade passiva............................................................................ 1039
4.3. Competência ..................................... ,............................................................... 1040
4.4. Modalidades ......................................... ,......... ,.•........................ ;...................... 1040
4.5. Cabimento ......................................... :..............................................•.... ,........... 1040
4.6. Ato ilegal ou abuso de poder........................................................................... 1041
4.7. Direito líquido e certo ................................................................... :................... 1042
4.8. Prazo para impetração..................................................................................... 1044
4.9. Petição inicial.................................................................................................... 1045
4.10. Despacho da petição inicial.............................................................................. 1046
4.11. Informações da autoridade coatora................................................................ 1046
4.12. Parecer do Ministério Público ....................... ,.......................... ,........................ 1046
4.13. Jus postu/andi..................................................................................................... 1046
4.14. Honorários advocatícios ......................'. ...... ;;;................................................... 1047
4.15. Recurso.............................................................................................................. 1047
4.16. Reexame necessário.......................................................................................... 1047
4.17. Mandado de segurança coletivo ............... ,...................................................... 1048
4.18. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST ............................................... 1049
5. Consignação em Pagamento ...................................................... .-................................ 1053
5.1. Cabimento ............................................................................ ,............................. 1053
5.2. Objeto ................................ ,............................................ ,:.;............................... 1054
5.3. Competência ......................................................................................... :;;.,....... 1054
5.4. Legitimidade ........................................................................................ ;.; ............' 1054
5.5. Procedimento ........................................ ,..................................... ,:.................... 1054_
6. Ação monitória .................................................................................... :....................... 1055
6.1. Conceito .............. ,.............................................................................................. 1055
6.2. Aplicação ao processo do trabalho .................................... ::.:::........................ 1056
6.3. Procedimento ............................................ ,..................... ,,................................ 1056
7. Questões dissertativas e estudos de caso .............................................. ,.................. 1059
8. Legislação relacionada ao capítulo ............... ;, ........ ,......... ,....................... ,................. 1062
8.1. Inquérito para apuração de falta grave.......................................................... 1062
8.2. Ação Civil Pública ............................................................................................... 1062
8.3. Ação r~scisória ...._.......................................... ,........................................ ,....,.•. ,... , ,1065
8.4. Mandado de segurança .............. ,..................................................................... 1067
8.5. Consignação em pagamento............................................................................. 1070
8.6: Ação monitória .................................................................................................. 1071

Questões
CAPÍTULO XX ....................................................................................................................... . 1073
1. Questões com gabarito comentado .......................................................................... .. 1073
2. Questões de concursos ............................................................................................. .. 1085
3. Gabarito ...................................................................................................................... . 1086

37
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Capítulo XXI
INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL.............................................................................. 1087
1. Introdução................................................................................................................... 1087
2. Sistema de peticionamento eletrônico ....................................................................... · 1089
3. Processo judicial eletrônico........................................................................................ 1091
3.1. Introdução......................................................................................................... 1091
3.2. Assinatura digital............................................................................................... 1092
3.3. Usuários ...................... :...................................................................................... 1093
3.3-1. Responsabilidade do usuário .............................................................. 1096
3.3.2. Uso inadequado do sistema ...................................................... ;.......... 1096
3.4. Disponibilidade e indisponibilidade do sistema.............................................. 1096
3.5. Recebimento de arquivos................................................................................. 1098
3.6. Documentos....................................................................................................... 1100
3.6.1. Prazo de preservação dos originais dos documentos digitalizados... 1101
. 3.7. Consulta .............................................................................................................. 1101
3.7-1. Segredo de Justiça e do Sigilo.............................................................. 1101
3.8. Atos processuais............................................................................................... 1102
3.8.1. Intimação, citação ou notificação......................................................... 1102
3.8.2. Prazos processuais............................................................................... 1103
3.8.2.1. Data da intimação e contagem dos prazos processuais...... 1104
3.8.2.2. Suspensão .............................................................................. 1104
3.8.3. Juntada de petições.............................................................................. 1104
3.8.3.1. Petição inicial ............... ,......................................................... 1105
3.8.3.2. Resposta do réu..................................................................... 1106
3.8.4. Audiência............................................................................................... 1107
3.8.5. Carta precatória.................................................................................... 1108
3.8.6. Autos suplementares no segundo grau................................................ 1108
3.9. Implantação do PJe-JT nas fases de liquidação e execução............................ 1109
3.10. Administração do sistema ................................................................................ 1110
3.10.1. Comitê gestor nacional do PJe (CGNPJe) instalado na Justiça do Tra-
balho..................................................................................................... 1110
3-10.1.1. Coordenação Nacional Executiva do PJ e (CNEPJe) ................. 1111
3.10.2. Comitês gestores regionais (CGRPJe).................................................... 1112
3.10.3. Administrador do sistema.................................................................... 1114
3.10.4. Equipe de teste..................................................................................... 1115
4. Questões Dissertativas e Estudos de Caso................................................................. 1116

Questões
CAPÍTULO XXI.. ..................................................................................................... ·................ 1119
1. Questões com gabarito comentado ................................ :........................................... 1119
BIBLIOGRAFIA........................................................................................................................ 1121

38
EDITAL SISTEMA' o
(Para facilitar a pesquisa e otimizar seu estudo)

Com a finalidade de facilitar a pesquisa e otimizar o estudo do candidato ao


cargo de Analista Judiciário, verificamos os últimos editais desse concurso e fizemos
uma comparação dos editais com os tópicos estudados nesta obra, criando assim
este edital esquematizado.

1. Formas de solução de conflitos trabalhistas. Capítulo IV 133-147


2. Fontes do Direito Processual do Trabalho. Capítulo 1, 43-52
Itens 1 e 2
3. Justiça do Trabalho: organização e competência (EC Capítulo li e V 79-95
45/2004). 153-194
4. Varas do Trabalho, Tribunais Regionais do Trabalho e Capítulo li, 80-87
Tribunal Superior do Trabalho: jurisdição e competência. Itens 2 a 4
Composição do Tribunal Superior do Trabalho.
5. Do juiz do Trabalho: poderes do Juiz do Trabalho; impe- Capítulo li, 1
86-89
dimento e suspeição. Itens 4 a 8

Capítulo XI, 1 434-440


Item 3-1
6. Serviços auxiliares da justiça do trabalho: secretarias das Capítulo 11, · 1 89-95
Varas do Trabalho; distribuidores; oficiais de justiça e oficiais Item 9
de justiça avaliadores.
7. Ministério Público do Trabalho: organização. Capítulo Ili, 1 121-124
Item 2
8. Processo judiciário do trabalho: princípios específicos Capítulo 1, 1 52-72
do processo do trabalho; princípios gerais do processo Item 3
aplicáveis ao processo do trabalho (aplicação subsidiária e
supletiva do CPC ao processo do trabalho).
9. Atos, termos e prazos processuais. Capítulo VII, 1 285-304
Itens 1 a 3
10. Distribuição. Capítulo li, 92-93
1
Item 9,3
11. custas e emolumentos. 1 Capítulo VII, 1 305-310
Itens 4.1 e 4.2

39
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

12. Partes e procuradores; jus postulandi; substituição e repre-1 Capítulo VI, 1 229-248
sentação processuais; capacidade postulatória no processo Itens 1 a 7
do trabalho; assistência judiciária; honorários de advogado.
13. Nulidades no processo do trabalho: princípio informador; Capítulo VIII 1 363-367
momento de arguição, preclusão.
14. Exceções. 1 Capítulo XI 1 434-445
Item 3
--
15. Audiências: de conciliação, de instrução e de julgamento; Capítulo X 401-414
notificação das partes; arquivamento do processo; revelia
Capítulo VII, 286-292
e confissão.
Item 2
Capítulo XI, 1 429-434
Item 2.4
Capítulo XII, 1 493-498
Item 6.1.1
16. Da prova teste.munhal: quantidade de testemunhas ~ Capítulo XII, 1 , 498-504
causas de impedimento e suspeição. Item 6.2
17. Prova documental: falsidade documental. Capítulo VII 1 504-506
Item 4.3
Capítulo XII,
Item 6.3
18. Prova pericial. Honorários periciais: responsabilidade Capítulo VII 310-312
pelo pagamento. Item 4.3 1 506-511
Capítulo XII,
Item 6.4
19. Dissídios individuais: forma de reclamação e notificação; Capítulo IX 373-388
reclamação escrita e verbal; requisitos da petição inicial no
Capítulo XI, 230-237
processo do trabalho; legitimidade para ajuizar.
Item 2.1.2 425-426
Capítulo VI
Item 3
20. Procedimento ordinário e sumaríssimo. Capítulo XV 567-572
21. Procedimentos especiais: inquérito para apuração d~ Capítulo XX, 977-980
falta grave, homologação de Acordo Extrajudicial, consig- lte ns 1, 3, 4, 996-1056
nação em pagamento, ação monitória, ação rescisória e 5e6
mandado de segurança.
Capítulo IV, 1 142-147
Item 4.3
22. Sentença e coisa julgada. Capítulo XIII 527-546
23. Liquidação da sentença: por cálculo, por artigos e por Capítulo XVII 797-809
arbitramento.

40
EDITAL SISTEMATIZADO

24. Dissídios coletivos: competência para julgamento, legiti- 1 Capítulo XIX 1 947-965
midade para propositura, extensão, cumprimento e revisão
da sentença normativa; efeito suspensivo.
25. Da ação civil pública: legitimidade e cabimento no pro- Capítulo XX, 1 980-996
cesso do trabalho. Item 2
26. Execução: iniciativa da execução; do incidente de descon- Capítulo XVIII, 818-820
sideração da personalidade jurídica; execução provisória; Itens 3, 5, 821-824
execução por prestações sucessivas; execução contra a 6.3.1, 8.11, 11 830-834
fazenda pública; execução contra a massa falida. e 12 882
889-898
27. Execução: citação; depósito da condenação e da nome- Capítulo VII, 286-292
ação de bens; mandado e penhora; bens penhoráveis e Item 2
impenhoráveis. Capítulo XVIII, 1 839-882
Item 8

28. Embargos à execução; impugnação à sentença; embargos Capítulo XVIII, 1 860-868


de terceiro. Item 8.6
29. Praça e leilão; arrematação; remição; custas na execução. Capítulo XVIII, 1 870-880
Item 8.8
---
Capítulo VII, 1 305-307
Item 4.1.1
30. Recursos no processo do trabalho: princípios gerais, 1 Capítulo XVI 1 603-736
prazos, pressupostos, requisitos e efeitos; recursos em
espécie: recurso ordinário, agravo de petição, agravo de
instrumento, recurso de revista, embargos no TST, embargos
de declaração, embargos infringentes e agravo regimental.
31. Reclamação Correcional. 1 Capítulo XVI, 1 734-736
Item 6
--
32. Do incidente de uniformização de jurisprudência. 1 Capítulo XVI, 1 682-689
Item 2.4.5.1.1.
33. Do Incidente de Recursos de Revista e Embargos Repe- Capítulo XVI, 1 690-699
titivos (IN 38/TST). Item 2.4.9
34. Do Processo Judicial Eletrônico Capítulo XXI 1087-1116
35. Súmulas do TST. No final de
cada capítulo

41
CAPÍTULO 1

FONTES E INTEGRAÇÃO.
PRINCÍPIOS DO PROCESSO
DO TRABALHO

Sumário • 1. Fontes e integração; 2. Eficácia da Norma Processual no Tempo e no Espaço; 2.1. Eficácia
no tempo; 2.1.1. Eficácia temporal da Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista); 2.1.1.1. Honorários Periciais;
2.1.1.2. Honorários Advocatícios; 2.1.1.3. Recursos; 2.2. Eficácia no espaço; 3. Princípios; 3-1. Introdução; 3-2.
Princípios constitucionais do processo; 3.2.1. Devido processo legal; 3.2.2. Princípio do juiz natural; 3.2.3.
Princípio da igualdade processual; 3-2.4. Princípio da inafastabilidade da jurisdição; 3.2.5. Princípio do
contraditório e da ampla defesa; 3-2.6. Princípio da motivação das decisões judiciais; 3.2.7. Princípio da
publicidade; 3-2.8. Princípio da duração razoável do processo; 3.3. Princípios do novo CPC; 3.3.1. Princípio
da primazia da decisão de mérito; 3.3-2. Princípio da cooperação; 3.3.3. Princípio da boa-fé; 3.4. Outros
princípios processuais; 3.4.1. Princípio dispositivo ; 3.4.2. Princípio inquisitivo; 3.4.3. Princípio do duplo grau
de jurisdição; 3.4.4. Princípio da instrumentalidade das formas; 3.4.5. Princípio da preclusão; 3.5. Princípios
do processo do trabalho; 3.5.1. Princípio da proteção; 3.5.2. Princípio da conciliação; 3.5.3. Princípio do
jus postulandi; 3.5.4. Princípio da oralidade; 3.5.5. Princípio da irrecorribilidade imediata das decisões
interlocutórias; 3.5.6. Princípio da extrapetição; 3.5.7. Princípio da simplicidade; 3. Questões dissertativas;
4. Legislação relacionada ao capítulo

1. FONTES E INTEGRAÇÃO

o direito processual do trabalho tem como objetivo regular os processos indi-


viduais e coletivos submetidos à Justiça do Trabalho.
Sua regulamentação vem estabelecida na Consolidação das Leis do Trabalho,
bem como em leis esparsas.
Pode ocorrer, no entanto, de a CLT e leis esparsas não versarem sobre determi-
nado tema. Nessa hipótese, aplica-se o processo comum (CPC), desde que compatível
com o processo do trabalho. Noutras palavras, o processo comum é fonte subsidiária
no processo do trabalho, exigindo, para sua aplicação, dois requisitos cumulativos:
--------·--------------·-----------------·-··-----·-- ·----------···----- ___________________.. _________________
omissão +· compatibilidade

--·-------- ---------·--···-------------------"--·--·----·-- ---- - -- ------ ----- -------· --- ---- ------------------~-------------

43
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

É o que declina o art. 769 da CLT:


Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte
subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que
for incompatível com as normas deste Título.

Atente-se, porém, para o fato de que na fase de execução, antes de se aplicar


o processo comum, primeiramente, deve-se invocar a Lei de Execuções Fiscais (Lei
n° 6.830/80), como dispõe o art. 889 da CLT:
Art. 889-Aos trâmites e incidentes do processo da execução são aplicá-
veis, naquilo em que não contravierem ao presente Título, os preceitos
que regem o processo dos executivos fiscais para a cobrança judicial
da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.

Essa ordem, porém, não será observada quando a própria norma celetista
impuser qua:I a norma a ser aplicada como ocorre; por exemplo, na ordem prefe:
rendai de bens à penhora, na qual deve incidir diretamente o art. 835 do CPC/2015,
segundo previsão expressa no art. 882 da CLT. o CPC/2015 passa a tratar do tema no
art. 15, que assim vaticina:
Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, tra-
balhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão
aplicadas supletiva e subsidiariamente.

Embora referido dispositivo seja semelhante aos artigos celetista, especialmente


ao art. 769 da CLT, observa-se que ele possui duas diferenças essenciais em relação
à CLT.
• primeira: permite a aplicação do CPC/2015, quando houver omissão na CLT,
nada versando sobre a necessidade de compatibilidade.

Contudo, acreditamos que toda norma inserida em um microssistema, neces-


sariamente, deve ser compatível com ele, sob pena de quebrar a identidade e
ideologia do sistema que está integrando a norma. Desse modo, não podemos
afastar a necessidade de compatibilização com o processo do trabalho das normas
do processo civil que lhe serão aplicadas.

• segunda: permite a aplicação do CPC/2015 em caráter supletivo e subsidiário


à legislação trabalhista, enquanto a CLT trata apenas da subsidiariedade.
A subsidiariedade corresponde à aplicação do direito comum quando a legislação
trabalhista não disciplina determinado instituto ou situação. Exemplos: as tutelas de
provisórias, o rol de bens impenhoráveis, a inspeção judicial, dentre outros.

Por sua vez, a supletividade corresponde à aplicação do CPC/2015 quando,


apesar de a legislação trabalhista disciplinar determinado instituto, não o faz de
modo completo. Exemplo: nas hipóteses de suspeição e impedimento, a CLT, em seu
artigo 801, disciplina apenas a suspeição, pois foi baseada no CPC de 1939, que não
previa o instituto do impedimento de forma separada, sendo necessária, portanto,

44
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

a aplicação supletiva da disciplina processual civil. Outros exemplos consistem nas


matérias que podem ser alegadas nos embargos à execução (art. 917 do CPC/2015
c/c art. 884, § 1°, da CLT), nas regras do ônus da prova (art. 373 do CPC/2015 c/c art.
818 da CLT), dentre outros.
Diante dessas diferenças, é possível indagar: existe conflito entre o art. 15 do
CPC/2015 e os arts. 769 e 889 da CLT?
0 Primeira corrente: existe o conflito, de modo que deve ser solucionado
pelo critério da especialidade, ou seja, deve ser aplicada a norma mais
específica. Assim, sendo a CLT norma especial, prevalece em detrimento da
norma geral (CPC);
• Segunda corrente: existe o conflito, deve ser aplicado o Novo CPC. Justifica-se
que o art. 15 é norma de sobredireito, não podendo, por isso, falar-se no
critério da especialidade. Desse modo, sendo o CPC/2015 norma mais nova,
pelo critério cronológico ele deve prevalecer, revogando os arts. 769 e 889
da CLT;
• Terceira corrente: não existe conflito entre esses dispositivos, havendo ne-
cessidade de harmonização entre as normas do ordenamento jurídico e não
de sua exclusão. É o que se chama de "diálogo das fontes", possibilitando
uma aplicação "simultânea, coerente e coordenada das plúrimas fontes
legislativas convergentes."'
Conquanto o tema seja novo, a nosso juízo, a razão está com a terceira corrente,
devendo os arts. 15 do CPC/2015 e 769 e 889 da CLT conviverem harmoniosamente e
serem aplicados de forma coordenada e simultânea. No mesmo sentido, declina o
art. 1° da Instrução Normativa n° 39 do TST:
Art. 1° Aplica-se o Código de Processo Civil, subsidiária e supletivamen-
te, ao Processo do Trabalho, em caso de omissão e desde que haja
compatibilidade com as normas e princípios do Direito Processual do
Trabalho, na forma dos. arts. 769 e 889 da CLT e do art. 15 da Lei n°
13.105, de 17.03.2015.
Desse modo, o que muda com a chegada do Novo CPC é simplesmente o fato
de que, a partir de agora, de forma expressa, passa a ser admitida a aplicação
supletiva (complementar) do CPC, mantendo-se intactos os requisitos dos arts. 769
e 889 da CLT. Noutras palavras, o Novo CPC será aplicado ao processo do trabalho
de forma subsidiária e supletiva, desde que presentes dois requisitos: omissão e
compatibilidade.
Com efeito, podemos esquematizar as regras aplicáveis ao processo do trabalho
da seguinte forma:

1. MARQUES, Cláudia Lima. Diálogo entre o Código de Defesa do Consumidor e o Novo Código Civil: do
"Diálogo das fontes" no combate às cláusulas abusivas. Revista de Direito do Consumidor n. 45. São
Paulo, p. 71-99, jan.-mar. 2003.

45
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

·, 0 (fónte principal) 1 CLT e legislação esparsa CLT e legislação esparsa


2° (fonte subsidiária) 1 CPC (processo comum) Lei de Execuções Fiscais
3°(fonte subsidiária) CPC (processo comum)

Por fim, cabe fazer uma observação quanto à omissão.


A doutrina clássica entende que haverá omissão quando existir lacuna normativa,
ou seja, ausência de lei.
Já a doutrina moderna descreve que temos três espécies de lacunas: a) nor-
mativa; b) ontológica e c) axiológica. A lacuna normativa ocorre quando não se tem
norma para determinado caso. Haverá lacuna ontológica quando existe a norma,
mas ela não corresponde à realidade social, como, por exemplo, uma norma que se
torna obsoleta diante da evÓluç·~o tecnológica. Por outro Íado, teráÍacuna axiológica
quando existir uma norma, mas, se for aplicada, a solução do caso será injusta.
Na realidade, a doutrina moderna aproxima-se do conceito de supletividade
indicado no CPC/2015.

2. EFICÁCIA DA NORMA PROCESSUAL NO TEMPO E NO ESPAÇO

2.1. Eficácia no tempo


Com a chegada da nova lei, questiona-se a partir de qual momento ela deve ser
aplicada, ganhando relevância o estudo relacionado à sua eficácia temporal, a fim de
definir quais casos serão solucionados pela lei velha e em quais incidirão a lei nova.
A eficácia temporal das leis é solucionada pela Lei de Introdução às Normas do
Direito Brasileiro (LINDB), que é aplicada a todas as leis, inclusive no campo processual.
Referida lei, em seu art. 1°, declina que as regras começam a vigorar em todo
o país 45 dias depois de publicadas, salvo disposição em contrário.

A Lei de Introdução estabelece ainda que "a Lei em vigor terá efeito imediato e
geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada" (art.
6°). Impõe, portanto, a aplicação imediata da nova legislação, vedando-se, porém,
a sua retroatividade.
Considerando, entretanto, que o processo, em seu aspecto exterior, é um comple-
xo coordenado de atos processuais, discute-se como se dá a aplicação imediata da
norma processual, idealizando a doutrina três sistemas para a solução do problema:

a) sistema da unidade processual: indica que o processo, embora possua


diversos atos, é um corpo uno e indivisível, de modo que somente pode
ser regulado por uma única lei. Assim, para que não haja retroatividade,
aplica-se a lei antiga para todo o processo.

46
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

b) sistema das fases processuais: informa que o processo, embora uno, é di-
vidido em fases processuais autônomas (postulatória, instrutória, decisória
e recursai), devendo a lei nova disciplinar as fases ainda não iniciadas.

c) sistema do isolamento dos atos processuais: reconhece a unidade processual,


mas admite que o complexo de atos do processo possa ser visto de forma
isolada para efeito de aplicação da nova lei. Dessa forma, a lei nova tem
aplicação perante o ato a ser iniciado. Essa teoria é a incidente em nosso
ordenamento, estando disciplinada no art. 14 do CPC/2015 2, aplicável ao
processo trabalhista.

~ ATENÇÃO:
No que se refere às ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes
do acidente de trabalho, por questão de política judidária, o STF aplicou parâmetro
diferente, de modo que a alteração da competência somente incidiria nos processos
que ainda não possuíam sentença de mérito em 1° grau quando da promulgaçã9 da EC
n° 45/04 (Súmula Vinculante n° 22 do STF3).

2.1.1. Eficácia temporal da Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista)


O art. 6° da Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista) dispôs norma específica no
tocante à sua aplicação, pois estabelece que a lei entrará em vigor após decorridos
120 dias de sua publicação oficial, sendo vigente, portanto, a partir do dia 11 de
novembro de 2017.
Considerando que nosso ordenamento adotou a teoria do isolamento dos atos
processuais, a Lei n° 13.467/17 será aplicada, em regra, aos atos processuais a serem
realizados a partir da data de sua vigência.
Assim, já serão aplicados, imediatamente, os seguintes dispositivos:

art. 789, caput: limite máximo para as custas processuais;

art. 790, §§ 3 e 4°: benefício da justiça gratuita;

arts. 793-A a 793-D: responsabilidade por dano processual;


art. 818: ônus da prova, especialmente porque já era aplicado o art. 373 do
CPC ao processo do trabalho;

2. Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso,
respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da
norma revogada.
3. Súmula vinculante n° 22 do STF: "A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações
de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por
empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em
primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional n° 45/04''.

47
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

art. 840: requisito da petição inicial, para a ação ajuizada após entrada em
vigor da lei;
art. 840, § 3°: desistência da ação
art. 843, § 3°: preposto não empregado, observando que é aplicado para as
audiências realizadas após a entrada em vigor da lei;
. art. 844: não comparecimento na audiência
art. 847, parágrafo único: defesa escrita;
art. 855-A: incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
art. 855-B: processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo
extrajudicial;
art. 876, parágrafo único: execução das contribuições sociais;
art. 878: restrição da execução de ofício;
art. 878, § 7°: atualização monetária pela taxa TR;
art. 882: indicação do seguro-garantia judicial.
Em alguns casos deverão ser observadas regras específicas:
art. 775: contagem dos prazos em dias úteis, deverá ser observada a lei da
data da intimação para a prática do ato;
art. 800: exceção de incompetência, aplicando-se a lei da data da citação;
art. 883-A: protesto, inscrição do nome do executado em órgãos de proteção
ao crédito e BNDT, observando a lei da data da citação do executado; ·
art. 884, § 6°: não exigência de garantia do juízo para as entidades filantró-
picas e seus diretores, observada a lei da data da citação para pagamento.
Ademais em três hipóteses é necessário que aprofundemos os comentários no
tocante ao direito intertemporal: honorários periciais (CLT, art. 790-B), honorários
advocatícios (CLT, art. 791-A) e recursos, diante das particularidades de cada tema,
comentados a seguir.

2.1.1.1. Honorários Periciais


Na hipótese dos honorários periciais o ato que lhe dá origem é a prova pericial,
de modo que, se já iniciada tal prova antes da Lei n° 13.467/17, esta não incidirá.
Na realidade, o CPC/2015, atento às peculiaridades probatórias, estabeleceu em
seu art. 1.047 o que segue:
Art. 1.047. As disposições de direito probatório adotadas neste Código
aplicam-se apenas às provas requeridas ou determinadas de ofício a
partir da data de início de sua vigência.

48
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

Trata-se de regra aplicável ao processo do trabalho, ante a omissão da CLT e


compatibilidade com esse ramo processual, além de afastar a instabilidade na inter-
pretação das regras de direito intertemporal relacionadas aos honorários periciais.
Com efeito, a sistemática dos honorários periciais descrita na Lei 13.467/2017
somente será aplicada para as provas periciais requeridas ou determinadas de ofício
depois de 11.11.2017, data da entrada em vigor da referida lei.
De qualquer maneira, havendo protesto genérico por provas realizado na inicial
ou na contestação, não se trata de requerimento de provas para fins do art. 1.047
do CPC (Enunciado 366, FPPC).

2.1.1.2. Honorários Advocatícios


A Lei n° 13.467/17 promove verdadeira revolução sobre os honorários,advocatícios
no direito processual do trabalho.
Diante disso, haverá divergência acerca da aplicação do art. 791-A da CLT para os
processos em curso, ou seja, os processos iniciados antes da referida lei e julgados
já na vigência da lei.
Pelo menos duas teses serão formadas com argumentos fortes para ambos os
lados.
• primeira corrente: os honorários advocatícios irão incidir nos processos em
curso, sob o fundamento de que os honorários sucumbenciais têm nature-
za processual, aplicando-se a teoria do isolamento dos atos processuais,
segundo a qual, o processo, embora uno, deriva de um complexo de atos
processuais que podem ser vistos de forma isolada para efeito de aplicação
da nova lei. Assim, a lei nova terá aplicação perante o ato a ser iniciado
(CPC/2015, arts. 144), de modo que sendo proferida a decisão sob a égide
da Lei n° 13.467/117, já deverão constar os honorários sucumbenciais.
• segunda corrente: as novas regras incidirão apenas para os processos ini-
ciados após a entrada em vigor da Lei n° 13.467/17, sob o argumento de que
os honorários têm natureza híbrida, não podendo gerar surpresa às partes
litigantes e impor algo não existente no início da demanda.
Na realidade, o pressuposto básico para a definição do direito intertemporal
dos honorários sucumbenciais é delimitar sua natureza jurídica.
É sabido que os honorários sucumbenciais vêm regulados no Código de Proces-
so Civil e, agora, na CLT, impondo a existência de uma relação proéessual. Isso nos
levaria a definir sua natureza como processual.

4. Art. 14. Anorma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso,
respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da
norma revogada.

49
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

Tais honorários são, no entanto, de titularidade do advogado, tendo natureza


alimentar e sendo destinados a remunerar a prestação de serviços do advogado.
Além disso, criam dever patrimonial para as partes, tendo, pois, reflexos materiais
(substanciais), ou seja, geram direito subjetivo de crédito ao advogado em relação
à parte vencida ou a que deu causa indevida à movimentação do processo. Têm,
portanto, contornos de direito material, tanto que a própria decisão será de mérito
no capítulo acessório dos honorários.

Disso resulta que os honorários advocatícios têm natureza híbrida: são instituto
de direito processual material.

Essa afirmação afasta o entendimento da primeira corrente no sentido de se


aplicar tão somente a teoria do isolamento dos atos processuais, obstando a inci-
dência imediata do art. 791-A da CLT.
Qual, no entanto, o marco temporal para a aplicação dos honorários de
sucumbência?
o E. STJ entende que o marco temporal é a prolação da sentença, uma vez que é
dela que decorre a sucumbência e, consequentemente, é ela que faz surgir o direito
aos honorários de sucumbência. Nesse contexto, antes da sentença o advogado tem
mera expectativa de direito de receber a verba sucumbencial, nascendo seu direito
no momento da prolação da sentença 5•

Pensamos, contudo, que no direito processual do trabalho não havia expectativa


de direito ao recebimento e condenação aos honorários sucumbenciais, pois, como
regra, eles não eram devidos. Assim, diante da expressiva alteração na sistemática
dos honorários sucumbenciais, acreditamos que o marco temporal deve ser o ajuiza-
mento da reclamação trabalhista ou o aditamento desta para incluir os honorários,
sob pena de causar surpresa às partes.
Queremos dizer: os riscos e os ônus decorrentes do ajuizamento da reclamação
devem ser delimitados nesse momento, pois, como dito, os honorários também
atuam no âmbito do direito material.
Pensar de forma diversa é gerar surpresa para o reclamante e violar o devido
processo legal para o reclamado que, a depender do estágio do processo, não terá
oportunidade para impugnar a incidência ou não dos honorários.
Aliás, a sucumbência não é o único fato gerador dos honorários, podendo decor-
rer do princípio da causalidade, como ocorre, por exemplo, na desistência, renúncia
ou reconhecimento jurídico do pedido. Desse modo, a definição do marco temporal
como sendo a sentença não é capaz de justificar os honorários advocatícios nesses
casos, vez que não se fala em sucumbência.

5. STJ - REsp n° 1.465.535-SP. Rei. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO. Julgado: 21.6.2016.

50
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

Com efeito, pensamos que um único marco temporal deve ser utilizado, seja
pàra os honorários decorrentes da sucumbência, seja para os honorários derivados
da causalidade: a data do ajuizamento da reclamação, de modo que sendo ajuizada
antes da Lei n° 13.467/17, não há que se aplicar o art. 791-A da CLT. Nesse sentido, o
enunciado n° 98 da 2• Jornada de direito material e processual do trabalho, in verbis:
Enunciado n° 98 - Honorários de sucumbência. Inaplicabilidade aos
processos em curso

Em razão da natureza híbrida das normas que regem honorários advo-


catícios (material e processual), a condenação à verba sucumbencial só
poderá ser imposta nos processos iniciados após a entrada em vigor
da Lei 13.467/2017, haja vista a garantia de não surpresa, bem como
em razão do princípio da causalidade, uma vez que a expectativa de
custos e riscos é aferida no momento da propositura da ação.

2.1.1.3. Recursos
No que tange aos recursos,' a lei a ser aplicada é aquela que estava em vigor
na data em que foi publicada a decisão recorrida 6•
O processamento e o julgamento do recurso, o que inclui a competência, ocor-
rerão, no entanto, com base na lei nova.
Queremos dizer, todos os pressupostos do recurso, inclusive o cabimento, se-
rão analisados à luz da lei velha (vigente na data da publicação da decisão), mas
os trâmites processuais posteriores de processamento e julgamento seguirão a lei
nova, em decorrência da aplicação imediata da norma.
É importante fazer uma observação quanto ao direito intertemporal na hipótese
de interposição de embargos de declaração. Nesse caso, o e. TST entende que deverá
ser observada a data da publicação da sentença ou do acórdão embargados e não
da decisão proferida nos embargos, quando estes não tiverem efeito modificativo.
Por outro lado, sendo acolhidos os embargos de declaração com efeito modificativo,
entende o Tribunal Superior do Trabalho que deve incidir a.norma vigente na data
da publicação da decisão dos embargos 7•
Dessa forma, no tocante aos pressupostos recursais alterados pela Lei n° 13.467/17
(transcendência e depósito recursai), ela será aplicada para os recursos interpostos
das decisões publicadas a partir de 11 de novembro de 2017. Contudo; em relação

6. MOREIRA, José carlos Barbosa. Comentários ao código de processo civil. 15. ed. Rio de Janeiro: Forense,
5, p. 269,
2010. V.
7. TST-E-ED-Ag-RR-36200-18.2014.5.13.0005, SBDI-1, rei. Min. Aloysio Corrêa da Veiga,
28.4.2016 (Informativo 134 do TST); TST- AIRR ~21177-85.2013.5.04.0791, Relator Mi-
nistro: Cláudio Mascarenhas Brandão, Data de Julgamento: 13/04/2016, 7ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 22.4.2016.

51
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

ao processamento e o julgamento do recurso (p.ex., art. 896, § 14, da CLT), serão


aplicadas as normas da Lei n° 13.467/17 de forma imediata a partir de sua vigência.

2.2. Eficácia no espaço


Quanto à eficácia no espaço da norma processual, ela o tem em todo o terri-
tório nacional (princípio da territorialidade), independentemente de ser aplicada
aos brasileiros ou aos estrangeiros residentes no País, conforme declina o art. 763
da CLT:
Art. 763 - o processo da Justiça do Trabalho, no que concerne aos dis-
sídios individuais e coletivos e à aplicação de penalidades, reger-se-á,
em todo o território nacional, pelas normas estabelecidas neste Título.
A propósito, o art. 651, § 2°, da CLT permite o julgamento pela Justiça do Trabalho
brasileira de fatos ocorridos no exterior. Nesse caso, mesmo que seja aplicado o
direito material estrangeiro, por ser mais favorável, no campo processual incidirá
a regulamentação brasileira. No entanto, nos termos do art. 13 da LINDB, "a prova
dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto
ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas
que a lei brasileira desconheça".

3. PRINCÍPIOS

3.1. Introdução
Os princípios representam a base do ordenamento jurídico. Prevalece, na dou-
trina, 3 funções para os princípios:
1) função interpretativa: auxiliam os operadores do direito na compreensão
e aplicação do sistema jurídico.

2) função informadora: inspiraram o legislador na elaboração das leis.


3) função integrativa: na concepção positivista (legalista), os princípios po_s-
suíam função meramente subsidiária e supletiva da ordem jurídica, tendo
a finalidade de completar as lacunas deixadas pelo legislador. É o que se
verifica inclusive nos arts. 8° da CLT e 4º da Lei de introdução às normas do
direito brasileiro.

Atualmente, o pós-positivismo concedeu aos princípios o status de norma jurídica,


conferindo-lhe força normativa, como se dá com as regras jurídicas (por exemplo, a
lei). Noutras palavras, os princípios deixam de ter atuação apenas supletiva nessa
nova concepção, para agir de forma autônoma, podendo inclusive contrariar uma
regra jurídica. Tem-se, pois, que, na atualidade, as normas jurídicas (gênero) englo-
bam as regras jurídicas e os princípios.

52
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

3.2. Princípios constitucionais do processo


i2~1. Devido processo legal
O princípio do devido processo legal é previsto no artigo 5°, LIV, da Constituição
Federal que estabelece: "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal".
Trata-se, pois, do direito de que os cidadãos serão processados pelas regras já
existentes no ordenamento jurídico.
Referido princípio consiste no "postulado fundamental do direito (gênero)" do
qual derivam todos os demais princípios constitucionais do processo 8, podendo ser
compreendido em duas dimensões:
• dimensão formal (devido processo legal formal ou procedimental): confere
a todo sujeito o direito a um processo que observe as demais garantias es-
tabelecidas na Constituição ou em leis infraconstitucionais, ou seja, garante
"o direito fundamental a um processo devido", que respeite o contraditório
e a ampla defesa, o tratamento paritário entre as partes do processo, a
publicidade, dentre outros princípios processuais. Tem como foco, portanto,
o aspecto formal do processo.
• dimensão substancial ou material (devido processo legal substancial ou subs-
tantivo): a noção de devido processo legal deve levar em conta não somente
a observância de exigências formais, mas também o compromisso de que
as decisões jurídicas estarão em conformidade com o acesso à justiça, com
a efetividade e com a duração razoável do processo. Em outras palavras,
"devido é o processo que gera decisões jurídicas substancialmente devidas"9•
A concretização do devido processo legal substancial na jurisprudência do
STF é relacionada aos postulados da proporcionalidade e da razoabilidade'º.
Destacamos que as duas dimensões do devido processo legal (formal e subs-
tancial) devem ser avaliadas de forma conjunta, mesmo porque são os próprios
deveres de proporcionalidade e de razoabilidade que definem o que é um processo
justo/adequado aos demais princípios processuais. Assim, o devido processo legal
substancial deve ser utilizado como parâmetro na definição do devido processo
legal formal".
É importante destacar que o devido processo legal deve ser observado no
processo judicial, administrativo e legislativo.

8. NERY JUNIOR, Nelson apud SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito processual do trabalho: de acordo com o
novo CPC. 9. ed. São Paulo: LTr, 2015. p. 88.
9. DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito processual civil. 15. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2013. p. 50.
10. DIDIER JR., Fredie. curso de Direto processual civil. 17. ed. Salvador: Editora JusPODIVM, 2015. p. 71.
11. ÁVILA, Humberto apud DIDIER JR., Fredie. Curso de Direto processual civil. 17. ed. Salvador: Editora
JusPODIVM, 2015. p. 71.

53
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Nesse último caso (legislativo), a dimensão substancial é de extrema relevância,


de modo que o Estado, no processo de elaboração das leis, deve pautar-se pelos
princípios da razoabilidade e proporcionalidade, vendando-se excessos normativos
e preceitos não razoáveis.
Portanto, o devido processo legal é uma garantia contra o abuso de poder (ju-
dicial, administrativo e legislativo).

3.2.2. Princípio do juiz natural


O princípio do juiz natural deve ser analisado sob três dimensões, significando
que:
1) não haverá juízo ou tribunal de exceção (ad hoc), nos termos do art. 5°,
XXXVII, da CF/88;

2) todos têm direito de se submeter a um juízo competente previamente cons-


tituído na forma da lei.
3) o juiz competente deve ser imparcial.
É interessante destacar que juiz imparcial não é sinônimo de neutralidade. o
caráter publicista do processo impõe atuação ativa do juiz para assegurar igualdades
reais de oportunidades para as partes.

3.2.3. Princípio da igualdade processual


O princípio da igualdade processual decorre do artigo 5°, caput, da CF/88 e se
relaciona à ideia de paridade de armas ao longo do processo.
Nesse sentido, o art. 7° do CPC/2015 estabelece:
Art. 7°. É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao
exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos
ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo
ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.

A igualdade processual também é prevista no art. 139, 1, do CPC/2015:


Art. 139. o juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Có-
digo, incumbindo-lhe:

1 - assegurar às partes igualdade de tratamento.

De acordo com a doutrina 12, o princípio da igualdade deve ser observado desde
o acesso à justiça que deve ocorrer sem discriminações até à forma de condução
do processo pelo juiz, que deverá ser imparcial. A igualdade processual deve ser

12. DIDIER JR., Fredie. Curso de Direto processual civil. 17. ed. Salvador: Editora JusPODIVM, 2015. p. 97.

54
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

observada na garantia aos direitos do contraditório e da ampla defesa, permitindo


que a parte tenha acesso às informações necessárias para sua defesa.
O princípio da igualdade encontra-se, pois, intrinsecamente relacionado ao
princípio do contraditório, uma vez que as partes devem ter garantidas as mesmas
oportunidades ao longo do processo, valorando-se não somente o direito de ação,
como também o direito à defesa.
Cabe destacar que a igualdade prevista na Constituição Federal e no CPC/2015
é relacionada à ideia de isonomia, de igualdade substancial (real ou material).
Assim, "o juiz deve tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na
exata medida de suas desigualdades". 13 É por isso que não fere referido princípio a
prerrogativa de prazos processuais diferenciados concedidos à Fazenda Pública, ao
Ministério Público e à Defensoria Pública (CPC/2015, arts. 180, 183 e 186). Do mesmo
modo, decorre da igualdade substancial a distribuição dinâmica do ônus da prova
(CLT, art. 818, § 1°).

3.2.4. Princípio da inafastabilidade da jurisdição


'i

A inafastabilidade da jurisdição está consagrada no art. 5°, XXXV, da CF/88 que


declina que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça
a direito". Referido princípio também é denominado pela doutrina de princípio do
acesso à justiça 14• O CPC/2015 reproduziu o princípio da inafastabilidade da jurisdição
em seu art. 30 1 s.

Esse princípio representa a garantia de que qualquer cidadão poderá buscar a


efetivação de seus direitos pelo acesso ao Poder Judiciário. Essa garantia, contudo,
não abrange apenas o direito de movimentação da máquina judiciária por meio do
processo, mas também a possibilidade que a parte terá na obtenção de uma efetiva
tutela jurisdicional. Em outras palavras, "o acesso à justiça não se resume ao direito
de ser ouvido em juízo e de obter uma resposta qualquer do órgão jurisdicional.
Por acesso à Justiça hoje se compreende o direito a uma tutela efetiva e justa para
todos os interesses dos particulares agasalhados pelo ordenamento jurídico" 16 •
Aliás, uma vez provocado, o Poder Judiciário tem o dever de se manifestar
acerca da tutela jurisdicional pleiteada, sob pena de proferir decisão citra petita.
De qualquer modo, a inafastabilidade da jurisdição não implica, necessariamen-
te, que os pedidos formulados pelo autor na petição inicial deverão receber uma
decisão de mérito. Ao analisar o pedido, caso o juiz entenda que faltam ao processo

13, NERY JUNIOR., Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2015. p. 583.
14. SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito processual do trabalho. 9. ed. São Paulo: LTr, 2015, p. 92.
15. CPC/2015, art. 3°. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
16. THEODORO JÚNIOR.' Humberto. Curso de Direito Processual Civil, vo/. 1. 56. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2015, p. 74.

55
PROCESSO DO TRABALHO - É!isson Miessa

as condições e os requisitos mínimos de admissibilidade, poderá extingui-lo sem


julgamento de mérito, sem que isso signifique obstáculo ao acesso à justiça.

3.2.5. Princípio do contraditório e da ampla defesa


A Constituição Federal de 1988 estabelece no art. 5°, LV, o direito à observância do
princípio do contraditório e da ampla defesa nos processos judiciais e administrativos.

o princípio do contraditório pode ser analisado sob dois enfoques:


a) contraditório formal: consiste no binômio informação + possibilidade de
reação. Preocupa-se em dar ciência às partes do ocorrido nos autos, per-
mitindo sua manifestação.
b) contraditório substancial. (dinâmico): amplia o .conceito . do contraditório,
tornando-se um trinômio: informação + possibilidade de reação + poder de
influenciar o julgador. Com efeito, não basta a mera permissão de que as
partes se manifestem, sendo necessária que essa permissão ocorra antes
da decisão judicial, a fim de que possam influenciar o convencimento do
julgador, impedindo ainda o proferimento de decisões-surpresa. Trata-se do
denominado contraditório efetivo.

A ideia de contraditório substancial veio contemplada no


. CPC/2015,
. aplicável
subsidiariamente ao processo do trabalho, como se pode observar em seu artigo 7°:
Art. 7° É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao
exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos
ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo
ao juiz zelar pelo efetivo contraditório (Grifo Nosso).

Ademais, o Novo CPC impede que o juiz profira suas decisões sem que antes
possibilite a participação das partes, vedando, pois, a prolação de decisões-surpresa,
como se verifica pelos artigos 9° e 10°, aplicáveis subsidiariamente ao processo do
trabalho (TST-IN n° 39/2016, art. 4°), in verbis:
Art. 9°. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela
seja previamente ouvida.

Parágrafo único. o disposto no caput não se aplica:

1- à tutela provisória de urgência;

li - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos li e 111;

Ili - à decisão prevista no art. 701.


Art. 10. o juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com
base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a
qual deva decidir de ofício.

56
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

Observa-se pelos supracitados dispositivos que, apesar de mantida a possibili-


dade de o juiz reconhecer de ofício determinadas matérias, antes de reconhecê-las
deverá dar à parte a oportunidade de se manifestar, com o objetivo de influenciar
o julgador sobre o tema. Percebe-se, assim, que o princípio do contraditório não
representa apenas uma garantia às. partes, mas serve também como limitador dos
poderes do juiz.

De acordo com entendimento de Humberto Theodoro Junior, "o contraditório mo-


derno constitui uma verdadeira garantia de não surpresa que impõe ao juiz o dever
de provocar o debate acerca de todas as questões, inclusive as de conhecimento
oficioso, impedindo que, em 'solitária onipotência', aplique normas ou embase a
decisão sobre fatos completamente estranhos à dialética defensiva de uma ou de
ambas as partes"'7•
Contudo, é importante destacar que, para o e. TST, decisão surpresa corres-
ponde à decisão que, "no julgamento final do mérito da causa, em qualquer grau
de jurisdição, aplicar fundamento jurídico ou embasar-se em fato não submetido
à audiência prévia de uma ou de ambas as partes" (TST-IN n° 39/2016, art. 4°, § 1°).
Por outro lado, o C. TST não considera como surpresa a decisão que "à luz do
ordenamento jurídico nacional e dos princípios que informam o Direito Processual
do Trabalho, as partes tinham obrigação de prever, concernente às condições da
ação, aos pressupostos de admissibilidade de recurso e aos pressupostos proces-
suais, salvo disposição legal expressa em contrário" (TST-IN n°39/2016, art. 4°, § 2°).
Portanto, o C. TST restringe a ideia de decisões surpresas, aplicando-a apenas
quando se tratar de decisão de mérito, afastando sua incidência quando a decisão
estiver ligada às condições da ação, aos pressupostos de admissibilidade de recur-
so e aos pressupostos processuais, salvo disposição legal expressa em contrário.

Cabe registrar ainda que há situações nas quais o CPC/2015 permite que o juiz
profira decisão sem que antes seja ouvida a parte contrária (art. 9°), como, por
exemplo, as decisões que concedem tutela provisória de urgência; as decisões que
concedem tutela provisória de evidência e a expedição de mandado de pagamento
nos casos de ação monitória, quando se mostrar evidente o direito do autor (art. 701).

Por fim, antigamente, a doutrina distinguia os conceitos do contraditório e da


ampla defesa, entendendo aquele como o contraditório formal e a ampla defesa
como a possibilidade de a parte se valer de todos os meios legais e moralmente
legítimos para demonstrar suas alegações. Todavia, a ampliação do conceito e da
aplicação do princípio do contraditório substancial fez com que a doutrina passasse
a integrar a ampla defesa no conceito de contraditório.

17. THEOD0R0 JR, Humberto. Processo justo e contraditório dinâmico. Revista de Estudos Constitucionais,
Hermenêutica e Teoria do Direito jan.-jun 2010, p. 69.

57
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3.2.6. Princípio da motivação dos decisões judiciais


O princípio da motivação das decisões judiciais é previsto no art. 93, IX, da CF/88,
que estabelece que todas as decisões do Poder Judiciário deverão ser fundamen-
tadas, sob pena de nulidade. O CPC/2015 praticamente reproduz referida previsão
constitucional em seu art. 1118 e disciplina o seu alcance no art. 489, § 1°'9 •
A doutrina destaca dois principais aspectos da fundamentação das decisões
judiciais:
1) possibilidade de que as partes saibam as razões utilizadas na decisão judicial;
2) facilidade que o litigante terá ao acessar as instâncias superiores, uma vez
que saberá exatamente quais argumentos deverá contrapor2 º. Nesse ponto,
a motivação mostra-se essencial também para que os tribunais analisem se
a decisão impugnada foi ou não correta.
Como efeito externo da necessidade de fundamentação das decisões judiciais,
a motivação também serve como forma de controle público da legitimidade das
decisões judiciais 21 e da imparcialidade do julgador.

3.2.7. Princípio da publicidade


A Constituição Federal a prevê a necessidade de publicidade dos atos judiciais
em seu art. 93, inciso IX:
IX- todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos;
e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo
a lei limitar a presença, em determ.inados atos, às próprias partes e a
seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preserva-
ção do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o
interesse público à informação.

18. Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas
todas as decisões, sob pena de nulidade. Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode
ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do
Ministério Público.
19. § 1° Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou
acórdão, que: 1- se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar
sua relação com a causa ou a questão decidida; li - empregar conceitos jurídicos indeterminados,
sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; Ili - invocar motivos que se prestariam
a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo
capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente
ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o
caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula,
jurisprudência ou precedenteTrivocàéio peia parte, sem demónstrar ã existênéià de distlnçãó nõ
caso em julgamento ou a superação do entendimento.
20. SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito processual do trabalho. 9. ed. São Paulo: LTr, 2015, p. 99.
21. ASSIS, Araken de. Processo Civil Brasileiro, volume /: parte geral: fundamentação e distribuição de con-
flitos. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015. p. 443.

58
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

A publicidade está intimamente ligada à fundamentação das decisões, pois ga-


rante que as razões utilizadas pelo juiz na resolução do caso sejam conhecidas pelas
partes e pela sociedade 22 • Ademais, o princípio mostra-se essencial ao contraditório,
pois permite que as partes tenham ciência da fundamentação dos atos processuais
e possam, a partir disso, apresentar suas respostas.
Observa-se que o princípio da publicidade possui duas dimensões:

1) interna: determina que os atos processuais devem ser públicos para que
se proteja as partes de decisões secretas.

2) externa: tem como objetivo o controle da atividade jurisdicionàl pela socie-


dade (dimensão externa), evitando, por exemplo, a arbitrariedade do juiz23 •

Os arts. 8° e 11°
do CPC/2015 reforçam a exigência da observância do princípio
da publicidade nos julgamentos.

Destaca-se que referido princípio não é absoluto e pode ser afastado quando
a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem, conforme previsto pelo
próprio texto constitucional (art. 5°, LX):
LX- a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando
a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.

Nesse mesmo sentido, estabelece o art. 770 da CLT: "os atos processuais serão
públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-ão
nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas".

3.2.8. Princípio da duração razoável do processo


O princípio da duração razoável do processo foi acrescentado pela Emenda
Constitucional n° 45/04 ao artigo 5° da Constituição Federal de 1988, que passou a
prever em seu inciso LXXVIII, in verbis:
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados
a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade
de sua tramitação.

Além da expressa previsão no artigo 5°, inciso LXXVIII, a Constituição Federal


ainda conta com outros mecanismos que garantem a c.eleridade processual, tais
como a previsão de ininterrupção da atividade jurisdicional (art. 93, XII), a delegação
de atos de administração aos servidores (art. 93, XIV) e a distribuição imediata dos
processos (art. 93, XV).

22. De acordo com Fredie Didier Jr., "a publicidade é instrumento de eficácia da garantia da motivação".
(DIDIER JR., Fredie. curso de Direto processual civil. 17. ed. Salvador: Editora JusP0DIVM, 2015. p. 88)
23. DIDIER JR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil: vol. 1. /ntrodução ao Direito Processual Civil e Processo
de Conhecimento. 15. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2013, p. 61.

59
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

o princípio da duração razoável do processo também passou a ser disciplinado


pelo CPC/2015 e aplicado, de forma .expressa, à fase executiva, conforme se observa
em seu art. 4°: "as partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral
do mérito, incluída a atividade satisfativa". O princípio também foi incluído no rol
dos deveres do juiz, conforme se depreende do artigo 139, li: que "o juiz dirigirá o
processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: ( ... ) li - velar pela
duração razoável do processo."
De modo especial, no processo do trabalho há a necessidade do rápido anda-
mento dos processos, considerando a natureza alimentar da maior parte das verbas
postuladas na Justiça do Trabalho e a hipossuficiência do trabalhador. Nesse sentido,
o art. 765 da CLT dispõe:
Art. 765 - Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na
direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas,.
podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento
delas (Grifo Nosso).

Assim, devem ser utilizados todos os meios necessários à maior efetividade e


celeridade dos processos inclusive com a utilização da legislação processual civil
quando esta for compatível com a concretização dos valores norteaqores do direito
processual do trabalho (acesso à justiça e efetividade).
o princípio da duração razoável do processo corresponde, pois, a um "princípio
fundamental que deve nortear toda a atividade jurisdicional, seja na interpretação
da legislação, seja para o próprio legislador ao editar normas" 24 •
Ressaltamos que o conceito de "duração razoável do processo" é indeterminado
e, por isso, deve levar em conta características próprias de cada caso concreto, tais
como a complexidade dos casos, o comportamento das partes, a atuação do órgão
jurisdicional e a estrutura do órgão judiciário 25 • O princípio da duração razoável
deve ainda ser aplicado de forma conjunta com outros princípios constitucionais do
processo, como o acesso à justiça e o contraditório e ampla defesa.

3.3. Princípios do novo CPC


O CPC/2015 inovou ao disciplinar nos arts. 1° ao 12, as chamadas "normas fun-
damentais do processo civil". Apesar da denominação, acreditamos que referidos
princípios deverão ser aplicados também ao processo do trabalho, considerando
sua compatibilidade com os preceitos da seara trabalhista.
A maior parte dos princípios disciplinados pelo CPC/2015 nada mais.são do que a
reprodução de garantias previstas na Constituição Federal de 1988, o que demonstra

24. SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. 8. ed. São Paulo: LTr, 2015, p. 103.
25. DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: vai. 1-lntrodução ao Direito Processual Civil e Processo
de Conhecimento. 15. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2013, p. 95.

60
Cap.1- FONTES EINTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

de forma expressa a "constitucionalização do direito processual". Por essa razão,


o art. 1° do CPC/2015 declina:
Art. 1°. o processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado
conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Consti-
tuição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições
deste Código.

Apesar da obviedade de referida norma, acreditamos que esse reforço possui


importante caráter simbólico e representa "uma tomada de posição do legislador
no sentido de reconhecimento da força normativa da Constituição" 26 •
Conforme mencionamos, grande parte dos princípios abordados pelo CPC/2015 já
eram disciplinados pela Constituição Federal e, consequentemente já foram aborda-
dos no tópico anterior (contraditório e ampla defesa, inafastabilidade da jurisdição,
duração razoável do processo, igualdade e publicidade). Desse modo, iremos neste
momento analisar apenas os princípios considerados como inovações do CPC/2015.

3.3.1. Princípio da primazia da decisão de mérito


O princípio da primazia da decisão de mérito é consagrado em diversos dispo-
sitivos do CPC/2015, dentre os quais destaca-se o art. 4°:
Art. 4° As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução
integral do mérito, incluída a atividade satisfativa (Grifo nosso).

Referido princípio determina que o órgão julgador deverá sempre ter como obje-
tivo a decisão de mérito, não se contentando com decisões meramente processuais
que extinguem o processo sem resolução do mérito.
Com a finalidade de concretizar aludido princípio, o Novo CPC em diversas oca-
siões o exalta, impondo que o julgador deverá promover o saneamento dos vícios
processuais (art. ·139, IX), permitir que a parte corrija o vício, antes da extinção do
processo sem resolução de mérito (art. 317), resolver do mérito quando a decisão
for favorável à parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento sem resolução
de mérito (art. 488), possibilitar o saneamento do vício ou de complementação da
documentação exigida antes de considerar o recurso inadmissível (art. 932, pará-
grafo único), dentre outros momentos nos quais se valoriza a decisão de mérito em
detrimento de vícios processuais.
Tal princípio tem campo fértil de aplicação no âmbito recursai, afastando a cha-
mada jurisprudência defensiva dos tribunais. Noutras palavras, é sabido que, na fase
recursai, o juízo de mérito só é alcançado se ultrapassado o juízo de admissibilidade,
quando se verifica a presença dos pressupostos recursais. Contudo, embora não se
possa admitir recursos sem a presença dos pressupostos processuais, sob pena de

26. DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: vol. 1-lntrodução ao Direito Processual Civil e Processo
de Conhecimento. 15. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2013, p. 47.

61
PROCESSO DO TRABALHO - É!isson Miessa

gerar insegurança jurídica (p. ex: recurso fora do prazo; recurso por qualquer sujeito,
mesmo sem estar presente a legitimidade recursai etc.), o fim natural e pretendido
pela sociedade é o julgamento do recurso.
Nesse contexto, sendo sanável o vício, o referido princípio impõe que se per-
mita o saneamento ou complementação (CPC/2015, arts. 932, parágrafo único 27 , 938,
§ 1028 e 1.007, § 20 29, dentre outros) ou até mesmo a sua desconsideração passando
imediatamente ao julgamento do mérito do recurso (CLT, art. 896, § 113º).
Essa nova ideologia, inserida na teoria geral do processo, impõe uma releitura
dos vícios processuais, mormente quando ligados aos pressupostos recursais.
O princípio da primazia da decisão de mérito previsto no CPC/2015 deverá ser
aplicado no processo do trabalho ante compatibilidade com outros princípios essen-
ciais à seara trabalhista, dentre os quais se destaca a duração razoável do processo,
simplicidade e efetividade; uma vez que "não há decisão mais frustrante para o
jurisdicionado que buscar a tutela de sua pretensão, e também, para a parte que
resiste à pretensão do autor, receber como resposta jurisdicional uma decisão sem
apreciação do mérito quando for possível ao juiz apreciá-lo" 3'.

3.3.2. Princípio da cooperação


O direito processual possuía dois principais modelos de organização:
1) o modelo adversaria!: baseado na ideia de que o processo é um espaço de
conflito entre duas partes antagônicas, no qual o juiz representa um papel
passivo, devendo apenas decidir o caso.
2) inquisitorial: concede o papel de destaque ao juiz, concentrando as ativi-
dades processuais no julgador.
Como alternativa a esses dois modelos de organização processual, o CPC/2015
traz uma nova forma de organização do processo: o modelo cooperativo.

27. CPC/2015, art. 932. Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o
prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação
exigível.
28. CPC/2015, art. 938. § 1° Constatada a ocorrência de vício sanável, inclusive aquele que possa ser co-
nhecido de ofício, o relator determinará a realização ou a renovação do ato processual, no próprio
tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, intimadas as partes.
29. CPC/2015, art. 1.007. § 2° A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno,
implicará deserção se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no
prazo de 5 (cinco) dias.
30. CLT, art. 896. § 11. Quando o recurso tempestivo êontiver defeito formal que não se repute grave, o
Tribunal Superior do Trabalho poderá desconsiderar o vício ou mandar saná-lo, julgando o mérito.
31. SCHIAVI, Mauro. Os pressupostos processuais e as condições da ação no Novo CPC e suas repercussões
no Processo do Trabalho. ln: LEITE, Carlos Henrique Bezerra (Org.). Novo CPC: repercussões no Processo
do Trabalho. São Paulo: Saraiva, 2015. p. 90.

62
Cap.1-FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

Assim, de acordo com o art. 6° do CPC/2015, "todos os sujeitos do processo de-


vem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito
justa e efetiva".
Observa-se que o princípio da cooperação tem como destinatários todas as
partes envolvidas no processo: os integrantes do polo ativo, do polo passivo, seus
respectivos advogados/procuradores e o órgão jurisdicional.
Referido princípio encontra substrato no objetivo fundamental da solidariedade,
previsto no artigo 3°, 1 da Constituição Federal de 1988, servindo como meio na con-
secução do Estado Democrático de Direito, uma vez que este possui como principal
característica a prévia participação de todos.
O dever de cooperação não se constitui apenas como faculdade das partes,
mas, conforme se observa pela própria redação do art. 6° do CPC/2015, configura-se
como ônus e dever, fazendo com que todos os sujeitos processuais ocupem posições
simétricas durante o processo. Destacamos, contudo, que apenas no momento da
decisão, o juiz ocupará uma posição assimétrica, pois o julgamento corresponde
a uma função exclusiva do magistrado 32 • Todavia, essa decisão será baseada nas
informações obtidas durante a condução do processo, daí a importância de o juiz,
como .instrumento da aplicação do direito, cooperar com as partes para que seja
alcançada a melhor solução ao litígio.
Nas outras fases do processo, porém, deverá haver a cooperação das partes
entre si, das partes com o juiz e vice-versa, com o objetivo de maior democratização
na construção do processo, sem que qualquer um dos sujeitos seja considerado
como protagonista.

3.3.3. Princípio da boa-fé


O princípio da boa-fé processual é previsto no artigo 5° do CPC/2015, in verbis:
Art. 5° Aquele que de qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé.

O princípio, que já era previsto no artigo 14, li do CPC/73, consiste na boa-fé


objetiva, não se relacionando, portanto, às intenções dos participantes do processo,
mas assumindo o caráter de uma norma de conduta (standard de comportamento).
Dessa forma, é mais amplo do que a previsão do art. 77 do CPC/2015 que estabelece
os deveres processuais das partes, dos procuradores e de todos que de alguma
forma participam do processo.
O princípio da boa-fé processual possui como destinatários todos que de alguma
forma participam do processo, incluindo-se não só as partes, mas também o próprio
órgão jurisdicional e os auxiliares da Justiça.

32. Nesse sentido: DIDIER JR., Fredie. curso de Direito Processual Civil: vol. 1-lntrodução ao Direito Processual
Civil e Processo de Conhecimento. 15. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2013, p. 125.

63
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Referido princípio tem como origem a boa-fé objetiva consagrada no direito


material civil e possui como objetivo coibir os abusos do direito processual, preser-
vando, desse modo, a lealdade entre os participantes do processo. Observa-se que
o legislador optou pela técnica da cláusula geral processual ao invés de enumerar
todas as condutas desleais, o que possibilita maior abrangência e mobilidade no
alcance da boa-fé objetiva no processo.
Conforme salie.nta Carreira Alvim, a utilização do princípio da boa-fé na seara
processual seguiu o entendimento já consolidado pelo STJ: "o princípio da boa-fé ob-
jetiva proíbe que a parte assuma comportamentos contraditórios no desenvolvimento
da relação processual, o que resulta na vedação do venire contra factum proprium,
aplicável também ao direito processual (AgRg no REsp. 1280482/SC)"33 •
o fundamento constitucional do princípio da boa-fé processual é considerado,
por muitos au,tort'.s, com.o o;:in:._3°, da_ CF/8.8, uma vez_que, ao esta.b_el(:'.cer_ a soJi-
_1

dariedade como objetivo da República Federativa Brasileira, decorreu o dever de


confiança e lealdade. Há ainda autores que sustentam como base constitucional da
boa-fé processual, o princípio da igualdade, da dignidade da pessoa humana ou o
contraditório. A doutrina majoritária, contudo, na mesma linha do Supremo Tribunal
Federal, acredita que a boa-fé processual decorre do devido processo legal, como
forma de proteção às garantias processuais de eticidade e lealdade. 34
Para a concretização do princípio da boa-fé processual, o CPC/2015 inovou ao
estabelecer que a interpretação do pedido deve considerar o conjunto da postulação
e deve observar o princípio da boa-fé (art. 322, § 2°).
Do mesmo modo, o CPC/2015 indica que "a decisão judicial deve ser interpre-
tada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o
princípio da boa-fé" (art. 489, § 3°).

3.4. Outros princípios processuais


3.4.1. Princípio dispositivo
o princípio dispositivo, também denominado princípio da demanda ou inércia
d_a jurisdição, consiste na liberdade concedida às partes de provocar o judiciário,
seja para praticar um ato que lhe seja facultado (ex. interpor recurso), seja para
apresentar sua pretensão em juízo. Nesse contexto, o art. 2° do CPC/2015 estabelece
que o processo começa por iniciativa da parte.
Esse princípio aplica-se ao processo do trabalho, embora nessa seara a inqui-
sitoriedade seja exaltada no art. 765 da CLT.

33. ALVIM, J.E. Carreira. Comentários ao Novo Código de Processo Civil: Lei n 13.105/15: v. 1. Curitiba: Juruá,
2015, p. 47.
34. DIDIER JR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil: Introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e
Processo de Conhecimento, v. 1. 17. ed. Salvador: Editora JusP0DIVM, 2015, p. 107.

64
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

Aliás, na fase de execução trabalhista, o princípio da demanda não era adota-


do, vez que se possibilitava a execução, de ofício, pelo juiz (princípio inquisitivo),
sendo esta uma das maiores particularidades desse ramo processual. Contudo, com
o advento da Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista), o art. 878 da CLT, se interpre-
tado gramaticalmente 35, adota o princípio da demanda (dispositivo) na execução,
possibilitando que a execução de ofício seja realizada apenas nos casos em que as
partes não estiverem representadas por advogado, ou seja, quando for o caso de
jus postulandi.

li>- IMPACTOS DA REFORMA TRABALHISTA


• Execução de ofício. A Lein°13.467/17 (Reforma Trabalhista) modificou oart. 878
da CLT, aplicandb o princípio da demanda na fase executiva, casb o dispositivo
seja interpretado gramaticalmente. Permitiu a incidência da execução de ofício .
apenas nos casos em que as·partes nãó estiverem representadas po/ advogado ...· ·
• Antes da Reforma Trabalhista: a execução de ofício era autorizada de todos ós pro-
cessos; incidindoo princípio inquisitivo, inclusive para o início da execução;

3.4.2. Princípio inquisitivo


o princípio inquisitivo centra-se na figura do órgão julgador, concedendo-lhe po-
deres para dar continuidade ao processo, a fim de se chegar ao seu resultado final.

Desse modo, iniciado o processo (princípio dispositivo), ele se desenvolve por


impulso oficial (princípio inquisitivo), nos termos do art. 2° do CPC/2015.
No processo do trabalho, esse princípio ganha relevância, ante as diretrizes do
art. 765 que assim vaticina:
Art. 765. Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na dire-
ção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo
determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.

É importante destacar que a nova ideologia processual não se contenta apenas


com os modelos dispositivos (adversais) e inquisitivos, passando a consagrar o
modelo cooperativo, como estudado anteriormente.

Com efeito, atualmente, iniciado o processo (princípio dispositivo), ele será


impulsionado oficialmente (inquisitivo), devem todos os sujeitos cooperarem entre
si para que se obtenham, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva
(princípio cooperativo).

35. Vide mais comentários no capítulo de Execução trabalhista.

65
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3.4.3. Princípio do duplo grau de jurisdição


o princípio do duplo grau de jurisdição consiste na possibilidade de reexame
da decisão, buscando outra opinião sobre a decisão da causa.
Há divergência na doutrina acerca de tal princípio ser garantia constitucional
ou infraconstitucional.
Essa divergência existe porque a Constituição Federal de 1988 estabeleceu como
direito fundamental dos litigantes "o contraditório e ampla defesa, com os meios e
recursos a ela inerentes" (art. 5°, LV).
Da análise desse dispositivo, alguns julgados e doutrinadores passaram a en-
tender que a Constituição Federal previa o direito ao duplo grau de jurisdição, de
modo que a norma infraconstitucional não poderia restringi-lo, como é o caso do
rito Sumário (art. 2°, § 4°, da Lei 5.584/70). Além do art. 5°, LV, tais autores sustentam
que o princípio do duplo grau de jurisdição decorre da redação dos arts. 102 e 105
da CF/88 que regulam os recursos extraordinário e especial, respectivamente.
Por outro lado, a tese majoritária, à qual nos filiamos, defende que a Constitui-
ção Federal não reconheceu o duplo grau de jurisdição como garantia ou princípio
constitucional, colocando-o como regra de organização judiciária.
Isso ocorre porque o dispositivo constitucional supramencionado utilizou-se da
expressão "recursos" não em sentido técnico, mas como garantia dos princípios do
contraditório e da ampla defesa, que podem ser exercidos em uma única instância.
Não se confunde, portanto, com o princípio do duplo grau de jurisdição, que é dis-
ciplinado pela legislação ordinária, podendo inclusive ser afastado ou mitigado em
casos específicos como, por exemplo, no art. 1.013, § 3°, do CPC/2015.
Não podemos, entretanto, ignorar a importância do duplo grau de jurisdição,
pois ele possibilita que os órgãos superiores controlem e aperfeiçoem as decisões
proferidas pelos órgãos inferiores. Todavia, por não ser um princípio absoluto, o
duplo grau poderá ser afastado pelo legislador em determinados casos concretos.

3.4.4. Princípio da instrumentalidade das formas


Em regra, os atos e termos processuais não dependem de forma determinada
(CPC/2015, art. 188). Em certos casos, porém, a legislação exige determinadas for-
malidades para a realização do ato. No entanto, mesmo que haja determinação
legal, pode o ato ser reputado válido, se, realizado de outro modo, preencher sua
finalidade essencial.
Trata-se do chamado princípio da instrumentalidade das formas, o qual impõe
que a forma não pode ser vista como um fim em si mesmo, mas como meio para
se alcançar o objetivo do ato processual. Desse modo, mesmo o ato que não tenha
observado a forma prescrita em lei, mas, atingiu sua finalidade, será considerado
válido.

66
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

3.4.5. Princípio da µreclusão


A preclusão consiste na perda da faculdade de praticar um ato procéssual.
Trata-se de instituto que busca impor que o processo sempre caminhe para frente,
impedindo retornos indesejados. Tem como foco, portanto, o princípio da efetividade
e celeridade processual.
A preclusão pode ser:
a) temporal: quando a perda decorre da não realização do ato em determinado
prazo;
b) consumativa: realizado o ato (consumado), não se admite que seja nova-
mente realizado;
c) lógica: não se permite que a parte pratique um ato posterior incompatível
com um ato anterior.
d) pro iudicato: quando a preclusão é para o juiz;
e) ordinatória: quando a validade de um ato pressupõe a existência de um
anterior. Exemplo: os embargos à execução somente podem ser recebidos
depois de garantido o juízo pela penhora;
f) máxima: quando ocorre a coisa julgada.
A preclusão temporal vem estampada no art. 795 da CLT, caput, que declina:
Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provo-
cação das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que
tiverem de falar em audiência ou nos autos.

Desse modo, a nulidade deve ser alegada na primeira oportunidade em que a


parte tiver que se manifestar nos autos, sob pena de preclusão. Ultrapassado esse
momento, o ato será convalidado, ou seja, a parte perde a oportunidade de alegar
a nulidade, sendo o ato considerado válido.
Consigna-se que tal princípio aplica-se tão somente às nulidades relativas, já que
as nulidades absolutas devem ser declaradas de ofício pelo magistrado (CPC/2015,
art. 278, parágrafo único).

3.5. Princípios do processo do trabalho


Considerando os objetivos dessa obra, nos ateremos aos princípios específicos
do processo do trabalho, a saber:

3.5.1. Princípio da proteção


o direito do trabalho tem como base o princípio da proteção. Considerando que
o processo do trabalho é instrumento de realização do direito material, aplica-se
no campo processual, o princípio da proteção.

67
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

No entanto, tal princípio deve ser bem analisado na seara processual, para que
não se criem desigualdades entre as partes.
O princípio da proteção, no processo do trabalho, tem incidência na função
informadora, ou seja, inspira o legislador na criação da norma. Exemplo: a ausên-
cia do reclamante na audiência inaugural provoca o arquivamento da reclamação,
enquanto a ausência do reclamado implica a revelia e a consequente confissão fleta
(CLT, art. 844); o depósito recursai é exigido apenas do empregador.
Frisa-se, porém, que a doutrina não tem feito essa restrição, admitindo a apli-
cação desse princípio nas demais funções, especialmente na função interpretativa.
De qualquer modo, ele não poderá ser utilizado no campo probatório, inclusive
para suprir deficiência probatória, observando-se, nessa hipótese, as regras perti-
nentes ao ônus da prova .

3.5.2. Princípio da conciliação


O processo do trabalho dá ênfase à solução do conflito por meio da conciliação.
É nesse contexto que o caput do art. 764 da CLT impõe que os "dissídios individuais
ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos
à conciliação". A propósito, o§ 1° do referido artigo prevê que "os juízes e Tribunais
do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de
uma solução conciliatória dos conflitos".
Ademais, no rito sumaríssimo, o art. 852-E da CLT descreve que "aberta a sessão,
o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os
meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer
fase da audiência".
Já no rito ordinário, a CLT prevê dois momentos obrigatórios de tentativa de
conciliação a ser conduzida pelo juiz:
1° momento: na abertura da audiência inicial e antes da apresentação da
defesa (CLT, art. 846);

2° momento: depois das razões finais e antes da sentença, como declina o art.
850 da CLT.

É importante observar que a obrigatoriedade está na tentativa da conciliação


e não, necessariamente, na sua celebração. Ademais, o juiz não está obrigado a
homologar o acordo judicial apresentado pelas partes (Súmula n° 418 do TST).

ii,:· ATENÇÃO:
,Por ~.a ver r,egra própria na.m no tocante. à, concjliação, o art. 165, do CPC/2015 26 n~ose
.. aplica ao. processo do trabalho, .exceto. nos .conflitos. coletivos de natureza. econôQJica
1
(TST~IN 11° 39/2016, art: 14). • ' , • •. • • • • • ,

' f' '

68
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

3.5.3. Princípio do jus postulandi


No processo do trabalho, admite-se que o empregado e o emprégador postu-
lem em juízo pessoalmente, ou seja, sem a necessidade de advogado. É o que se
denomina de jus postulandi das partes (CLT, art. 791 da CLT). 36
Consigna-se que o Tribunal Superior do Trabalho não permite o jus postulandi
em alguns casos, exigindo, nessas hipóteses, que a parte seja representada por
advogado, como se verifica pela Súmula n° 425 do TST, a seguir:
Súmula n° 425 do TST. Jus postulandi na: Justiça do Trabalho. Alcance
Ojus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às
Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançan-
do a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os
recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.

3.5.4. Princípio da oralidade


Embora o princípio da oralidade não seja próprio do processo do trabalho, ele
tem maior incidência nessa seara processual. Isso porque, em regra, os atos prati-
cados no processo trabalhistas são orais (verbais).
+ Exemplo: reclamação verbal {CLT, art. 840}, defesa oral {CLT, art. 847}, razões
finais orais {CLT, art. 850} etc.
É interessante observar que o princípio da oralidade se subdivide em três
princípios: ·

• identidade física do juiz, que consiste na vinculação do órgão julgador àquele


que concluiu a audiência de instrução (art. 132 do CPC/73). Antigamente, o
TST não aplicava esse princípio na seara trabalhista, criando a Súmula n° 136,
em razão da existência, na época, dos juízes classistas. Posteriormente, o e.
TST cancelou referida súmula, ante as diretrizes. do.art. 132 do CPC/73- Com o
CPC/2015, o posicionamento do TST deverá ser novamente alterado, uma vez que
o novel código não reproduziu o teor do art. 132 do CPC/73, o qual disciplinava
o princípio da identidade física do juiz. Com essa alteração, acreditamos que

36. Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis
pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelô desenvolvimento de
programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição.
§ 1° A composição e a organização dos centros serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas
as normas do Conselho Nacional de Justiça.
§ 2° O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre
as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de
constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem.
§ 3• o mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as
partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo
que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções éon-
sensuais que gerem benefícios mútuos. · ·

69
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

nas provas de analista deverá ser adotada a tese de que referido princípio não
é mais aplicado na seara processual, tanto civil, como trabalhista.
• concentração dos atos processuais, isto é, em uma ou em poucas audiências
próximas devem ser realizados os atos processuais;
• irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, que analisaremos
a seguir.
3.5.5. Princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias
Com o intuito de alcançar, de forma mais célere e efetiva, a resolução da pre-
tensão colocada em juízo, a CLT, em seu art. 893, § 1°, estabeleceu que as decisões
interlocutórias são irrecorríveis de imediato.
Isso significa que, no processo do trabalho, tais decisões não serão recorríveis
imediatamente, mas tão somente no momento da impugnação da decisão final (que
resolve ou não o mérito).
Há de se consignar que o e. TST criou algumas exceções quanto ao referido
princípio, como se verifica pela Súmula n° 214 do TST:
Súmula n° 214 do TST. Decisão interlocutória. lrrecorribilidade
Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1°, da CLT, as decisões
interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de
decisão:

a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação


Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho;

b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal;

c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos


autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo
excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2°, da CLT.

Portanto, nas hipóteses das alíneas "a" a "c" da referida súmula, cabe recurso,
imediatamente, da decisão interlocutória. Destaca-se que o e. TST reafirmou a apli-
cação da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias no processo traba-
lhista no art. io, § 1°, da IN n° 39/2016, ao declinar que referido princípio deverá ser
observado na aplicação supletiva e/ou subsidiária do CPC/2015 à seara trabalhista.
É interessante observar, ainda, que na hipótese de declaração de incompetência
em razão da matéria, com o encaminhamento dos autos a outra Justiça (Federal ou
Estadual), é cabível o recurso de imediato. Isso ocorre porque, embora se trate de
decisão interlocutória, no caso o processo termina na Justiça do Trabalho, motivo
pelo qual o art. 799, § 2° da CLT admite a interposição de recurso.

3.5.6. Princípio da exfrapetição


A jurisdição tem como característica essencial a inércia, de modo que o Judicíário
somente atuará quando provocado. É o que se denomina de princípio dispositivo
ou princípio da demanda. Excepcionalmente, admite-se a atuação sem provocação.

70
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

É o que ocorre com o princípio da extrapetição, o qual "permite que o juiz, nos
casos expressamente previstos em lei, condene o réu em pedidos não contidos na
petição inicial, ou seja, autoriza o julgador a conceder mais do que o pleiteado, ou
mesmo vantagem diversa da que foi requerida" 37 •
Na realidade, o princípio da extrapetição, inicialmente, foi criado como princípio
ideal do processo do trabalho, pois revelaria tendências sedimentadas ou propostas
pela doutrina para, no futuro, serem capazes de aprimorar a seara trabalhista 38 •
Nos dias atuais, a nosso juízo, ele foi sedimentado na figura do pedido implíci-
to, que autoriza a atuação jurisdicional sem que haja pedido. Noutras palavras, o
princípio da extrapetição é sinônimo de pedidos implícitos, permitindo a atuação
sem pedido expresso, desde que autorizado por lei.
Assim, o juiz somente poderá agir de ofício nos casos expressos em lei. Cita-se
como exemplo:
• os juros de mora e a correção monetária que se incluem na liquidação, ainda
que omisso o pedido inicial ou a condenação (Súmula na 211 do TST);
• concessão do adicional de horas extras de, no mínimo, 50% quando houver
pedido de pagamento das horas extraordinárias, mas não houver pedido ex-
presso do pagamento do adicional;
• deferimento do adicional de 1/3 de férias, quando houver apenas pedido do
pagamento das férias, sem previsão expressa ao adicional constitucional;
• anotação da CTPS - Carteira de Trabalho e Previdência Social - quando houver
pedido de reconhecimento de vínculo, sem que haja pedido expresso da ano-
tação da carteira do empregado;
• decisão que deferir salário quando o pedido for de reintegração, dados os
termos do art. 496 da CLT (Súmula na 396, li, do TST).

3.5.7. Princípio da simplicidade


o princípio da simplicidade permite que o processo do trabalho tenha maior
flexibilidade, buscando a facilidade no acesso à justiça, bem como na prestação
jurisdicional. Desse modo, esse ramo processual preza pelo não formalismo. É o
que se verifica, por exemplo, na petição inicial trabalhista quando exige a breve
exposição dos fatos (CLT, art. 840).

37. SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. 3. ed. São Paulo: Método, 2006. p. 50-51.
38. GIGLIO, Wagner O; CORRÊA, Cláudia Gilio veltri. Direito Processual do trabalho. 16. ed. São Paulo: Saraiva,
2007. p. 86.

71
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

4. QUESTÕES DISSERTATIVAS39 compatibilidade com outros princípios


essenciais à seara trabalhista, dentre
Questão 1 os quais se destacam a duração razo-
ável do processo, a simplicidade e a
Disserte sobre o princípio da primazia efetividade.
da decisão de mérito e sua aplicação Contudo, o art. 840 da CLT e, mais es-
no processo do trabalho. A Lei 13.467/17 pecificamente o seu parágrafo 3°, al-
observou esse princípio na petição ini- terados pela Lei n° 13.467/17 (Reforma
cial? Trabalhista)· declina que se os pedidos
Resposta sugerida pelo autor realizados na petição inicial trabalhista
o princípio da primazia da decisão não atenderem às exigências do pará-
de mérito é consagrado no art. 4° do grafo 1°, quais sejam, certeza, deter-
CPC/2015, refletindo em diversos outros minação e indicação de seu valor, eles
dispositivos. serão julgados extintos sem resolução
Ele determina que o órgão julgador de- do mérito. Pela análise literal do dispo-
verá sempre ter como objetivo a deci- sitivo, haverá extinção imediata.
são de mérito, não se contentando com Acreditamos, contudo, que o dispositi-
decisões meramente processuais que vo deve ser interpretado em consonân-
extinguem o processo sem resolução cia com o princípio da primazia da de-
do mérito. cisão de mérito e com a possibilidade
Com a finalidade de concretizar aludido de emenda da petição inicial no caso
princípio, o Novo CPC em diversas oca- de ausência dos requisitos essenciais
siões o exalta, impondo que o julgador da petição, prevista no artigo 321 do
deverá promover o saneamento dos CPC/2015. Desse modo, por força do
vícios processuais (art. 139, IX), permi- art. 321 do CPC/2015, o juiz deverá con-
tir que a parte corrija o vício, antes da ceder prazo para que o autor emende
extinção do processo sem resolução de a inicial, e não indeferi-la liminarmente
mérito (art. 317), resolver do mérito como impõe aparentemente o art. 840,
quando a decisão for favorável à parte § 3º, da CLT.
a quem aproveitaria eventual pronun- Questão 2
ciamento sem resolução de mérito (art.
488), possibilitar o saneamento do vício Disserte sobre o princípio do contradi-
ou de complementação da documenta- tório substancial e as decisões-surpre-
ção exigida antes de considerar o re- sa no processo do trabalho.
curso inadmissível (art. 932, parágrafo Resposta sugerida pelo autor
único), dentre outros momentos nos A Constituição Federal de 1988 estabele-
quais se valoriza a decisão de mérito ce no artigo 5°, LV, o direito à observân-
em detrimento de vícios processuais. cia do princípio do contraditório e da
Aludido princípio deverá ser aplica- ampla defesa nos processos judiciais
do no processo do trabalho ante a e administrativos. Referido princípio
pode ser analisado sob dois enfoques:
o contraditório formal, que consiste no
39. Indicamos o curso de Questões Dissertativas e binômio informação e possibilidade de
Estudos de caso do CERS on line. Nesse curso, reação e o contraditório substancial,
em 6 aulas - 3 de Direito do Trabalho (Prof.
o qual amplia o conceito do contradi-
Henrique Correia) e 3 de Processo do Trabalho
(Prof. Élisson Miessa) - são dadas diversas
tório, tornando-o no trinômio: infor-
técnicas para redação de temas trabalhistas, mação, possibilidade de reação e po-
além de propiciarem uma revisão ampla der de influenciar o julgador. Trata-se
dessas duas disciplinas. do denominado contraditório efetivo,

72
Cap.1- FONTES EINTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

previsto no artigo 7° do CPC/2015, apli- Resposta sugerida pelo autor


cável subsidiariamente ao processo do Com o intuito de alcançar, de forma
trabalho. mais célere e efetiva, a resolução da
Dessa forma, não basta a mera permis- pretensão colocada em juízo, a CLT, em
são de que as partes se manifestem, seu artigo 893, § 1°, estabeleceu que as
sendo necessária que essa permissão decisões interlocutórias são irrecorrí-
ocorra antes da decisão judicial, a veis de imediato.
fim de que possam influenciar o con-
Isso significa que, no processo do tra-
vencimento do julgador, impedindo o
balho, tais decisões não serão recorrí-
proferimento de decisões~surpresas,
veis imediatamente, mas tão somente
conforme dispõem os artigos 9° e 10,
no momento da impugnação da decisão
CPC/2015, aplicáveis subsidiariamente
ao processo do trabalho (IN n° 39/2016, final (que resolve ou não o mérito).
artigo 4°). O C. TST criou algumas exceções quanto
De acordo com o e. TST, a decisão sur- ao referido princípio, como se verifica
presa é a que, no julgamento final do na Súmula n° 214, a qual declina que
mérito da causa, em qualquer grau de as decisões interlocutórias na Justiça
jurisdição, aplicar fundamento jurídico do Trabalho apenas ensejarão recurso
ou embasar-se em fato não submetido imediato nas hipóteses de decisão a)
à audiência prévia de uma ou de am- de Tribunal Regional do Trabalho con-
bas as partei (TST-IN n° 39/2016, artigo trária à Súmula ou Orientação Jurispru-
4º, § 10). dencial do TST; b) suscetível de impug-
Por outro lado, o e. TST não conside-
nação mediante recurso para o mesmo
ra decisão-surpresa "a que, à luz do
Tribunal e c) que acolhe exceção de
ordenamento jurídico nacional e dos
incompetência territorial, com a remes-
princípios que informam o Direito Pro-
sa dos autos para Tribunal Regional dis-
cessual do Trabalho, as partes tinham
obrigação de prever, concernente às tinto daquele a que se vincula o juízo
condições da ação, aos pressupostos excepcionado, consoante o disposto no
de admissibilidade de recurso e aos artigo 799, § 2°, da CLT.
pressupostos processuais, salvo dispo- o e. TST reafirmou a aplicação da irrecor-
sição legal expressa em contrário" (TST- ribilidade imediata das decisões interlo-
·IN n° 39/2016, artigo 4º, § 2°). cutórias no processo trabalhista no artigo
É importante registrar que há situações 1°, § 1°, da IN n° 39/2016, ao declinar que
nas quais o CPC/2015 permite que o juiz referido princípio deverá ser observado
profira decisão sem que antes seja ou- na aplicação supletiva e/ou subsidiária
vida a parte contrária (artigo 9°), como do CPC/2015 à seara trabalhista.
é o caso das decisões que concedem
É interessante observar, ainda, que na
tutela provisória de urgência; das de-
hipótese de declaração de incompetên-
cisões que concedem tutela provisória
cia em razão da matéria, com o encami-
de evidência e da expedição de man-
nhamento dos autos a outra Justiça (Fe-
dado de pagamento nos casos de ação
monitória, quando se mostrar evidente deral ou Estadual), é cabível o recurso
o direito do autor (artigo 701). de imediato. Isso ocorre porque, em-
bora se trate de decisão interlocutória,
Questão 3 no caso o processo termina na Justiça
Disserte sobre o princípio da irrecorri- do Trabalho, motivo pelo qual o artigo
bilidade imediata das decisões interlo- 799, § 2° da CLT admite a interposição
cutórias. de recurso.

73
PROCESSO DO TRABALHO- Élisson Miessa

5. LEGISLAÇÃO RELACIONADA AO CAPÍTULO

» CLT Ili - a natureza e a importância da causa;


Art. 764, CLT- Os dissídios individuais ou coleti- IV - o trabalho realizado pelo advogado e o
vos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho tempo exigido para o seu serviço.
serão sempre sujeitos à conciliação. § 3° Na hipótese de procedência parcial, o juízo
§ 1° - Para os efeitos deste artigo, os juízes e arbitrará honorários de sucumbência recíproca,
Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus vedada a compensação entre os honorários.
bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução § 4° Vencido o beneficiário da justfça gratuita,
conciliatória dos conflitos. desde que não tenha obtido em juízo, ainda que
§ 2° - Não havendo acordo, o juízo conciliató- em outro processo, créditos capazes de suportar
rio converter-se-á obrigatoriamente em arbitral, a despesa, as obrigações decorrentes de sua
proferindo decisão na forma prescrita neste Título. sucumbência ficarão sob condição suspensiva de
§ 3° - É lícito às partes celebrar acordo que exigibilidade e somente poderão ser executadas se,
ponha termo ao processo, ainda mesmo depois nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado
de encerrado o juízo conciliatório. da decisão que as certificou, o credor demonstrar
que deixou de existir a situação de insuficiência de
Art. 769, CLT - Nos casos omissos, o direito
recursos que justificou a concessão de gratuidade,
processual comum será fonte subsidiária do direito
extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações
processual do trabalho, exceto naquilo em que for
do beneficiário.
incompatível com as normas deste Título.
§ 5° São devidos honorários de sucumbência
Art. 791, CLT - Os empregados e os emprega-
dores poderão reclamar pessoalmente perante a na reconvenção
Justiça do Trabalho e acompanhar as suas recla- Art. 799, CLT - Nas causas da jurisdição da Justiça
mações até o final. do Trabalho, somente podem ser opostas, com
§ 1° - Nos dissídios individuais os empregados
suspensão do feito, as exceções de suspeição ou
e empregadores poderão fazer-se representar por incompetência.
intermédio do sindicato, advogado, solicitador, ou § 1° -As demais exceções serão alegadas como
provisionado, inscrito na Ordem dos Advogados matéria de defesa.
do Brasil. § 2° - Das decisões sobre exceções de suspeição
§ 2° - Nos dissídios coletivos é facultada aos e incompetência, salvo, quanto a estas, se termi-
interessados a assistência por advogado. nativas do feito, não caberá recurso, podendo, no
§ 3° - A constituição de procurador com pode-
entanto, as partes alegá-las novamente no recurso
res para o foro em geral poderá ser efetivada, que couber da decisão final.
mediante simples registro em ata de audiência, Art. 840, CLT - A reclamação poderá ser escrita
a requerimento verbal do advogado interessado, ou verbal.
com anuência da parte representada. § 1° Sendo escrita, a reclamação deverá conter
Art. 791-A, CLT - Ao advogado, ainda que atue a designação do juízo, a qualificação das partes, a
em causa própria, serão devidos honorários de su- breve exposição dos fatos de que resulte o dissí-
cumbência, fixados entre o mínimo de 5°b (cinco por dio, o pedido, que deverá ser certo, determinado
cento) e o máximo de 15°b (quinze por cento) sobre e com indicação de seu valor, a data e a assinatura
o valor que resultar da liquidação da sentença, do do reclamante ou de seu representante.
proveito econômico obtido ou, não sendo possível § 2° Se verbal, a reclamação será reduzida
mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. a termo, em duas vias datadas e assinadas pelo
§ 1° os honorários são devidos também nas escrivão ou secretário, observado, no que couber,
ações contra a Fazenda Pública e nas ações em o disposto no § 10 deste artigo.
que a parte estiver assistida -ou substituída pelo
§ 3° Os pedidos que não atendam ao disposto
sindicato de sua categoria.
no § 10 deste artigo serão julgados extintos sem
§ 2° Ao fixar os honorários, o juízo observará: resolução do mérito.
1- o grau de zelo do profissional; Art. 846, CLT - Aberta a audiência, o juiz ou
li - o lugar de prestação do serviço; presidente proporá a conciliação.

74
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

§ 1° - Se houver acordo lavrar-se-á termo, Art. 3°•CPC/2015- Não se excluirá da apreciação


assinado pelo presidente e pelos litigantes, jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
consignando-se o prazo e demais condições para § 1° É permitida a arbitragem, na forma da lei.
seu cumprimento.
§ 2° o Estado promoverá, sempre que possível,
§ 2° Entre as condições a que se refere o a solução consensual dos conflitos.
parágrafo anterior, poderá ser estabelecida a de § 3º A conciliação, a mediação e outros métodos
ficar a parte que não cumprir o acordo obrigada de solução consensual de conflitos deverão ser
a satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma estimulados por juízes, advogados, defensores
indenização convencionada, sem prejuízo do cum- públicos e membros do Ministério Público, inclusive
primento do acordo. no curso do processo judicial.
Art. 850, CLT - Terminada a instrução, poderão Art. 4°•CPC/2015 - As partes têm o direito de
as partes aduzir razões finais, em prazo não e.x- obter em prazo razoável a solução integral .do
cedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em mérito, incluída a atividade satisfativa.
seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta Art. 50mCPC/2015 -Aquele que de qualquer forma
de conciliação, e não se realizando esta, será participa do processo deve comportar-se de acordo
proferida a decisão. com a boa-fé.
Parágrafo único - O Presidente da Vara, após Art. 6°•CPC/2015 - Todos os sujeitos do processo
propor a solução do dissídio, tomará os votos dos devem cooperar entre si para que se obtenha, em
vogais e, havendo divergência entre estes, poderá tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
desempatar ou proferir decisão que melhor atenda
Art. 7°•CPC/2015 - É assegurada às partes pa-
ao cumprimento da lei e ao justo equilíbrio entre ridade de tratamento em relação ao exercício de
os votos divergentes e ao interesse social. direitos e faculdades processuais, aos meios de
Art. 852-E, CLT - Aberta a sessão, o juiz escla- defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de
recerá as partes presentes sobre as vantagens sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo
da conciliação e usará os meios adequados de efetivo contraditório.
persuasão para a solução conciliatória do litígio, Art. 8°•CPC/2015 - Ao aplicar o ordenamento
em qualquer fase da audiência. jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigên-
Art. 893, CLT - Das decisões são admissíveis os cias do bem comum, resguardando e promovendo
seguintes recursos: a dignidade da pessoa humana e observando a
proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade,
( ... )
a publicidade e a eficiência.
§ 1° - Os incidentes do processo são resolvidos
Art. 9°-CPC/2015 - Não se proferirá decisão
pelo próprio Juízo ou Tribunal, admitindo-se a apre- contra uma das partes sem que ela seja previa-
ciação do merecimento das decisões interlocutórias mente ouvida.
somente em recursos da decisão definitiva.
Parágrafo único. o disposto no caput não se
§ 2° - A interposição de recurso para o supre- aplica:
mo Tribunal Federal não prejudicará a execução
1- à tutela provisória de urgência;
do julgado.
li- às hipóteses de tutela da evidência previstas
Art. 889, CLT - Aos trâmites e incidentes do pro-
no art. 311, incisos li e 111;
cesso da execução são aplicáveis, naquilo em que
Ili - à decisão prevista no art. 701.
não contravierem ao presente Título, os preceitos
que regem o processo dos executivos fiscais para Art. 10, CPC/2015 - o juiz não pode decidir, em
a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda grau algum de jurisdição, com base em fundamento
Pública Federal. a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate
» Novo Código de Processo Civil de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
Art. 1°•CPC/2015 - o processo civil será orde- Art. 11, CPC/2015 - Todos os julgamentos dos
nado, disciplinado e interpretado conforme os órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e funda-
valores e as normas fundamentais estabelecidos mentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.
na Constituição da República Federativa do Brasil, Parágrafo único. Nos casos de segredo de jus-
observando-se as disposições deste Código. tiça, pode ser autorizada a presença somente das

75
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

partes, de seus advogados, de defensores públicos Ili - em que constem dados protegidos pelo
ou do Ministério Público. direito constitucional à intimidade;
Art. 14, CPC/2015 - A norma processual não IV - que versem sobre arbitragem, inclusive
retroagirá e será aplicável imediatamente aos pro- sobre cumprimento de carta arbitral, desde que
cessos em curso, respeitados os atos processuais a confidencialidade estipulada na arbitragem seja
praticados e as situações jurídicas consolidadas comprovada perante o juízo.
sob a vigência da norma revogada.
§ 1° o direito de consultar os autos de proces-
Art. 15, CPC/2015 - Na ausência de normas que so que tramite em segredo de justiça e de pedir
regulem proce~sos eleitorais, trabalhistas ou admi-
certidões de seus atos é restrito às partes e aos
nistrativos, as disposições deste Código lhes serão
seus procuradores.
aplicadas supletiva e subsidiariamente.
'§ 2° o terceiro que demonstrar interesse jurídico
Art. 165, CPC/2015 - Os tribunais criarão centros
judiciários de solução consensual de conflitos, res- pode requerer ao juiz certidão do dispositivo da
ponsáveis pela realização de sessões e audiências sentença, bem como de inventário e de partilha
de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento resultantes de divórcio ou separação.
de programas destinados a auxiliar, orientar e Art. 322, CPC/2015 - O pedido deve ser certo.
estimular a autocomposição.
(. ..)
§ 1• A composição e a organização dos centros
§ 2° A interpretação do pedido considerará o
serão definidas pelo respectivo tribunal, obser-
vadas as normas do Conselho Nacional de Justiça. conjunto da postulação e observará o princípio
da boa-fé.
§ 2° o conciliador, que atuará preferencialmente
nos casos em que não houver vínculo anterior Art. 489, CPC/2015 - São elementos essenciais
entre as partes, poderá sugerir soluções para o da sentença:
litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo (...)
de constrangimento ou intimidação para que as
§ 3° A decisão judicial deve ser interpretada a
partes conciliem.
partir da conjugação de todos os seus elementos
§ 3° o mediador, que atuará preferencialmente
e em conformidade 'com o princípio da boa-fé.
nos casos em que houver vínculo anterior entre
as partes, auxiliará aos interessados a compre- » Constituição Federal
ender as questões e os interesses em conflito, de
modo que eles possam, pelo restabelecimento da Art. 5°, XXXV, CF/88 - a lei não excluirá da
comunicação, identificar, por si próprios, soluções apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça
consensuais que gerem benefícios mútuos. a direito.
Art. 174, CPC/2015 - A União, os Estados, O Dis- Art. 5•, LIV, CF/88 - ninguém será privado da
trito Federal e os Municípios criarão câmaras de liberdade ou de seus bens sem o devido processo
mediação e conciliação, com atribuições relaciona- legal.
das à solução consensual de conflitos no âmbito Art. 5º, LV, CF/88 - aos litigantes, em processo
administrativo, tais como: judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
1 - dirimir conflitos envolvendo órgãos e enti- são assegurados o contraditório e ampla defesa,
dades da administração pública; com os meios e recursos a ela inerentes.
li - avaliar a admissibilidade dos pedidos de Art. 5•, LXXVIII, CF/88 - a todos, no âmbito judi-
resolução de conflitos, por meio de conciliação, cial e administrativo, são assegurados a razoável
no âmbito da administração pública; duração do processo e os meios que garantam a
Ili - promover, quando couber, a celebração de celeridade de sua tramitação.
termo de ajustamento de conduta.
Art. 93, IX, CF/88 - todos os julgamentos dos
Art. 189, CPC/2015 - Os atos processuais são órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e funda-
públicos, todavia tramitam em segredo de justiça mentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
os processos:
podendo a lei limitar a presença, em determinados
1- em que o exija o interesse público ou social; atos, às próprias partes e a seus advogados, ou
li - que versem sobre casamento, separação de somente a estes, em casos nos quais a preservação
corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, do direito à intimidade do interessado no sigilo
alimentos e guarda de crianças e adolescentes; não prejudique o interesse público à informação.

76
Cap.1- FONTES E INTEGRAÇÃO. PRINCÍPIOS DO PROCESSO DO TRABALHO

Art. 93, XII, CF/88- a atividade jurisdicional será Art. 93, XV, CF/88 - a distribuição de processos
ininterrupta, sendo vedado férias coletivas nos será imediata, em todos os graus de jurisdição.
juízos e tribunais de segundo grau, funcionando,
» Lei nº 6.830/80 - Lei de Execuções Fiscais
nos dias em que não houver expediente forense
normal, juízes em plantão permanente. Art. 889, Lei 6.830/80 -Aos trâmites e incidentes
do processo da execução são aplicáveis, naquilo
Art. 93, XIV, CF/88 - os servidores receberão em que não contravierem ao presente Título, os
delegação para a prática de atos de adminis- preceitos que regem o processo dos executivos
tração e atos de mero expediente sem caráter fiscais para a cobrança judicial da dívida ativa da
decisório. Fazenda Pública Federal.

77
CAPÍTULO II

ORGANIZAÇÃO DA
JUSTIÇA DO TRABALHO

Sumário • 1. Introdução; 2. Tribunal Superior do Trabalho; 2.1. Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho;


3. Tribunais Regionais do Trabalho; 4. Juízes do trabalho; 5. Ingresso na carreira; 6. Garantias dos juízes;
7. Vedações dos juízes; 8. Deveres e poderes dos juízes; 9. Serviços auxiliares da Justiça do Trabalho; 9.1.
Secretarias das varas do trabalho; 9.2. Secretarias dos tribunais; 9.3. Serviços de distribuição de feitos;
9.4. Oficiais de justiça avaliadores; 10. Questões dissertativas; 1.1. Legislação relacionada ao capítulo

1. INTRODUÇÃO
A Justiça nacional é dividida em: Justiça comum e especial.
A Justiça comum, por sua vez, subdivide-se em Justiça Federal e Justiça Estatual.
Já a Justiça especializada possui três divisões: Justiça do Trabalho, Justiça Militar e
Justiça Eleitoral.
Nesse capítulo, analisaremos a Justiça do Trabalho, que, nos termos do art. 111
da CF/88, possui os seguintes órgãos:
1- o Tribunal Superior do Trabalho;
li - os Tribunais Regionais do Trabalho;
Ili - Juízes do Trabalho.

Percebe-se, portanto, que a Justiça do Trabalho é hierarquizada em três escalas:


1) Corte superior- representada pelo Tribunal Superior do Trabalho e composta
por Ministros.
2) segundo grau de jurisdição - representado pelos Tribunais Regionais do
Trabalho e compostos por juízes dos TRTs,

~ IMPORTANTE:
Alguns regimentos internos de. tribunais utilizam a nomenclatura desembargadores,
para representar os juízes dos tribunais. No entanto, a Constituição Federal de 1988, em
seu art. 115, declina a expressão juízes. Consigna-se que está em trâmite, no Congresso
Nacional, projeto de lei que altera a nomenclatura de juízes dos TRTs para desembar-
gadores dos TRTs.

79
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

3) primeiro grau de jurisdição - representado pelos juízes do trabalho, que


atuam nas Varas do Trabalho.

li>- ATENÇÃO:
A Constituição Federalindica que os próprios juízes do trabalho são órgãos da Justiça
do Trabalho, embora estejà correto dizer que a Vara do Trabalho representa o primeiro
grau de jurisdição.

Tribunal Superior do Trabalho

t
Tribunal Regional do Trabalho

t
Juízes do Trabalho

Os órgãos da Justiça do Trabalho funcionarão perfeitamente coordenados, em


regime de mútua colaboração, sob a orientação do presidente do Tribunal Superior
do Trabalho (CLT, art. 646).

2. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO


O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de cúpula do Poder Judiciário Tra-
balhista, com jurisdição em todo o território nacional, sediado na capital do País,
Brasília. Ele confere a palavra final em matéria trabalhista infraconstitucional, tendo
a função de uniformizar a interpretação da legislação trabalhista no âmbito de sua
competência. Dispõe o art. 111-A da Constituição Federal:
Art. :u1-A. OTribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete
Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos
e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação
ilibada, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela
maioria absoluta do Senado Federal, sendo:
1- um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva ati-
vidade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com
mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94;
li - os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos
da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior.
§ 1° A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho.

§ 2° Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho:

1- a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do


Trabalho, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos
oficiais para o ingresso e promoção na carreira;

80
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

li - o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer,


na forma da lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira
e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus,
como órgão central do sistema, cujas decisões terão efeito vinculante.

§ 3° Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, ori-


ginariamente, a reclamação para a preservação de sua competência e
garantia da autoridade de suas decisões.

Pelo aludido dispositivo, verifica-se que o TST possui a seguinte composição:


--·-"---~-·-- -·-~------- -· ---···--··-~·-·-----·---------

• 27 Ministros;
• escolhidos dentre brasileiros com mais de 35 anos e menos e 65 anos;
• nomeados pelo Presidente da República;
• de notável saber jurídico e reputação ilibada;
• após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal (sabatina).
-·-; ~---' . ,-

o preenchimento das vagas de Ministros do TST ocorre de .duas formas:

1) 1/5 dos lugares é reservado aos advogados, com mais de dez.anos de efetiva
atividade profissional, e membros do Ministério Público do Trabalho, com
mais de dez anos de efetivo exercício.

Éinteressante anotar que a Constituição Federal utilizou para o TST a mesma regra
que é aplicada aos Tribunais Regionais, ou seja, impôs a participação de pelo menos
1/5 dos lugares aos membros do MP e aos advogados. Já no STJ foi reservado aos
integrantes do Ministério Público e da advocacia 1/3 dos lugares (CF/88, art. 104, 11).

Para a escolha do membro do MP e do advogado é formada uma lista sêxtupla


pelos órgãos de representação das respectivas classes. Em seguida, "o tribunal for-
mará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subsequentes,
escolherá um de seus integrantes para nomeação" (CF/88, art. 94, parágrafo único).

2) os demais, dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da


magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior.
Atenta-se para o fato de que apenas os juízes dos TRTs, oriundos da magistratu-
ra da carreira, podem ser indicados pelo TST. Isso significa que, se o integrante do
MPT ingressa no TRT por meio do quinto constitucional, não poderá, posteriormente,
integrar o TST pela lista dos juízes dos tribunais, uma vez que não é oriundo da
magistratura de carreira.

A Constituição Federal, em seu art. 96, 1, a, declina que compete, privativamente,


aos tribunais elaborar seus regimentos internos, buscando disciplinar sua compe-
tência e funcionamento de seus órgãos.

Nesse contexto, o Tribunal Superior do Trabalho, por meio de seu regimento


interno (art. 59), estabeleceu que esse tribunal possui os seguintes órgãos:

81
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

• Tribunal Pleno;
• Órgão Especial;
• Seção Especializada em Dissídios Coletivos;
• Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI), dividida em duas sub-
seções: Subseção de Dissídios Individuais 1(SBDH) e Subseção de Dissídios
Individuais li (SBDI-II); e

• Turmas (atualmente, 8 Turmas).


Os atos praticados pelos Ministros do TST decorrem de um colegiado, especialmen-
te, as decisões que, em regra, são proferidas em conjunto. Desse modo, as Turmas
são a composição mínima do colegiado, participando em cada uma delas 3 Ministros.

É interessante destacar que o art. 702, 1, "f", e § 3°, da CLT estabelece que, para
a edição ou alteração de súmulas e outros enunciados de jurisprudência no âmbito
do TST, devem estar presentes os seguintes requisitos cumulativos:

a) voto de pelo menos 2/3 dos membros do tribunal pleno;


b) a matéria já tiver sido decidida de forma idêntica por unanimidade em, no
mínimo, 2/ 3 das turmas em pelo menos 10 sessões diferentes em cada uma
delas;
e) sessão pública, divulgada com, no mínimo, 30 dias de antecedência;
d) deverão possibilitar a sustentação oral pelo Procurador-Geral do Trabalho,
pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, pelo Advogado-
-Geral da União e por confederações sindicais ou entidades de classe de
âmbito nacional (§ 3°).
Além disso, por maioria de 2/ 3 de seus membros, o Tribunal Pleno também pode
restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir
de sua publicação no Diário Oficial.

li> ATENÇÃO:
O estabelecimento ou a alteração de súmulas e outros enunciados de jurispru-
dência pelos Tribunais Regionais do Trabalho deverá observar o disposto na
alínea f do inciso I e no § 32 deste artigo, com rol equivalente de legitima,dos
para sustentação oral, observad.a a abrangência de sua circunscrição judiciária
( CLT, art. 702, § 4º) . .

Por fim, consigna-se que, depois da Emenda Constitucional n° 45/04, também


passaram a funcionar junto ao TST:
-
• a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Tra-
balho (ENAMAT), cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos
oficiais para o ingresso e promoção na carreira e;

82
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

0 o Conselho Superior da Justiça do Trabalho - CSJT -, cabendo-lhe exercer,


na forma da lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e pa-
trimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão
central do sistema, cujas decisões terão efeito vinculante.

ll> IMPORTANTE:
O Conselho .Superior da Justiça do Trabalho atua .apenas no âmbito administrativo, or-
çamentário, financeiro e patrimonial da Justiça do Trabalho, não exercendo atividade
jurisdicional. Atenta-se, ainda, que, nesses casos, a decisão do conselho terá efeito
vinculante, ou seja, sua observância é obrigatória.

o Conselho Superior da Justiça do Trabalho é composto da seguinte forma: 1- o


Presidente e o Vice-Presidente do TST e o Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho,
como membros natos; li - três Ministros do TST, eleitos pelo Tribunal Pleno; Ili - cinco
presidentes de Tribunais Regionais do Trabalho, eleito cada um deles por região
geográfica do País. (art. 2°, do Regimento interno do Conselho Superior da Justiça
do Trabalho).

2.1. Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho


A Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho é órgão do TST, tendo a função
de fiscalizar, disciplinar e orientar administrativamente os tribunais regionais do
trabalho, seus juízes e serviços judiciários.
o Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho é eleito dentre os Ministros mais anti-
gos do TST, para um mandato de 2 anos, em sessão extraordinária do Tribunal Pleno,
que deve se realizar nos 60 dias antecedentes ao término dos mandatos anteriores,
mediante escrutínio secreto e pelo voto da maioria absoluta.

Nos termos dos artigos 709 da CLT e 6° do Regimento Interno da CGJT, compete ao
Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho exercer, dentre outras funções, a inspeção
permanente ou periódica, ordinária ou extraordinária, geral ou parcial sobre os ser-
viços judiciários de segundo grau da Justiça do Trabalho, além de decidir pedidos de
providência e correições parciais contra atos atentatórios à boa ordem processuais
praticados por magistrados dos Tribunais Regionais do Trabalho.

Nas correições ordinárias, são examinados autos, registros e documentos


das secretarias e seções judiciárias e, ainda; se os magistrados apresentam bom
comportamento público e são assíduos e diligentes na administração da justiça, se
excedem os prazos legais e regimentais sem razoável justificativa ou cometem erros
de ofício que denotem incapacidade ou desídia, além de outros atos considerados
necessários ou convenientes pelo Corregedor-Geral.

Estão submetidos à ação fiscalizadora do Corregedor-Geral os Tribunais Regio-


nais do Trabalho, abrangendo todos os seus órgãos, presidentes, juízes titulares e
convocados, além das seções e serviços judiciários respectivos.

83
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3. TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO


Os Tribunais Regionais do Trabalho estão situados no segundo grau de jurisdição.
Assim como o TST, seus atos, em regra, decorrem de órgão colegiado. Nos termos
do art. 115 da Constituição Federal:
Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no míni-
mo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e
nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais
de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo:

1- um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva ati-


vidade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho. com
mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94;

li - os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade


e merecimento, alternadamente.

§ 1° Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante,


com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdi-
cional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de
equipamentos públicos e comunitários.

§ 2° Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentrali-


zadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno
acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.

Pelo dispositivo mencionado anteriormente, percebe-se que os TRTs possuem


a seguinte composição:

• no mínimo, 7 juízes;
• recrutados, quando possível, na respectiva região;
• nomeados pelo Presidente da República;
• dentre brasileiros. com mais de 30 anos e menos de 65 anos.

Consigna-se que, para a composição do TRT, impõem-se, no mínimo, 7 juízes. No


entanto, os tribunais maiores são compostos por mais juízes. Assim, é importante.
que o candidato analise o regimento interno do tribunal para saber, com exatidão,
a quantidade de juízes que compõe o tribunal.

É interessante observar, ainda, que os juízes do TRTs devem ter 30 anos e não
35 anos, como no TST. Além disso, a nomeação para os TRTs não se submete à apro-
vação pelo Senado Federal (sabatina).

No preenchimento das vagas dos juízes dos TRTs também se observa o quinto
constitucional. Assim, tais vagas são preenchidas da seguinte forma:

1) 1/5 dos lugares é reservado aos advogados, com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional, e membros do Ministério Público do Trabalho, com
mais de dez anos de efetivo exercício.

84
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Para a escolha do membro do MP e do advogado é formada uma lista sêxtupla


pelos órgãos de representação das respectivas classes. Em seguida, "o tribunal for-
mará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subsequentes,
escolherá um de seus integrantes para nomeação" (CF/88, art. 94, parágrafo único).

2) os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antiguidade e


merecimento, alternadamente.

É interessante notar que a promoção por merecimento e antiguidade somente


tem incidência no TRT, ou seja, no TST há mera indicação pelo próprio Tribunal, não
havendo necessidade da referida alternância (CF/88, art. 111-A, li).

Em síntese, é possível observar as seguintes diferenças entre a composição do


TST e dos TRTs:

27 ministros I No mínimo, 7 juízes


Escolhidos dentre brasileiros com mais de 351 Escolhidos dentre brasileiros com mais de 30
anos e menos de 65 anos anos e menos de 65 anos
I
Necessidade de notável saber jurídico e Não há previsão de notável saber jurídico e
reputação ilibada reputação ilibada
Necessidade de aprovação pela maioria ab- , A nomeação não se submete à aprovação
soluta do Senado Federal (sabatina) pelo Senado Federal (sabatina)
• 1/5 reservadó aos advogados, com mais • 1/5 reservado aos advogados, com mais
de 10 anos de efetiva atividade profissio- de 10 anos de efetiva atividade profissio-
nal, e membros do Ministério Público do nal, e membros do Ministério Público do
Trabalho, com mais de dez anos de efetivo Trabalho, com mais de dez anos de efetivo
exercício; exercício;
• demais escolhidos dentre juízes dos Tri- 1 • demais decorrentes de promoção de juízes
bunais Regionais do Trabalho, oriundos da do trabalho por antiguidade e merecimen-
magistratura da carreira, indicados pelo to, alternadamente
próprio Tribunal Superior

Existem, atualmente, 24 Tribunais Regionais no território nacional. Apenas os


estados. do Acre, Tocantins, Roraima e Amapá não possuem Tribunal Regional isolado,
sendo agregados a outros tribunais. Além disso, o estado de São Paulo é o único
estado que possui 2 Tribunais Regionais, um sediado na capital, São Paulo, e outro
no interior, Campinas.

A Emenda Constitucional n° 45/04 trouxe duas importantes novidades:


1) determinou que os Tribunais Regionais instalem justiça itinerante, com a
realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos
limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos
públicos e comunitários. Trata-se da possibilidade de levar a Justiça do

85
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Trabalho a locais que não possuem Vara do Trabalho, ou seja, admite-se a


existência de "justiça móvel";
2) permitiu que os Tribunais Regionais do Trabalho possam funcionar descen-
tralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno
acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. Noutras
palavras, permitiu que os Tribunais criem Câmaras que serão instaladas fora
da sede do Tribunal.
Por fim, consigna-se que compete privativamente aos Tribunais, nos termos do
art. 96 da CF/88:
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com ob-
servância das normas de. processo e das garantias processuais das partes,
dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos
jurisdicionais e administrativos;
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem
vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva;
e) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira
da respectiva jurisdição;
d) propor a criação de novas varas judiciárias;
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o
disposto no art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à administração
da Justiça, exceto os de confiança assim definidos em lei;
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes
e servidores que lhes forem imediatamente vinculados.

4. JUÍZES DO TRABALHO
Os juízes do trabalho integram o primeiro grau de jurisdição, exercendo suas
funções nas denominadas Varas do Trabalho.
É interessante registrar, que, antes da EC n° 24/99, a Justiça do Trabalho possuía
juízes classistas. Na ocasião, tínhamos um juiz togado e dois juízes classistas, um
representando os empregadores e outro, os trabalhadores. Denominava-se, assim,
Junta de Conciliação e Julgamento. Com o advento da aludida Emenda Constitucional,
foram excluídos os juízes classistas. Dessa forma, nos dias atuais, não se diz Junta
de Conciliação e Julgamento, mas Vara do Trabalho, sendo a jurisdição exercida por
um juiz singular (CF/88, art. 116).
Em regra, a competência trabalhista é conferida aos juízes do trabalho. No en-
tanto, nas localidades não compreendidas na jurisdição das Varas do Trabalho, o
juiz de direito poderá exercer a competência trabalhista. Nesse caso, atente-se para
o fato de que havendo recurso (ordinário), ele será encaminhado ao TRT e não ao
Tribunal de Justiça. É o que disciplina o art. 112 da CF:

86
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas
não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com
recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho.

Consigna-se que, uma vez criada a Vara dó Trabalho, cessa a competência do


juiz de direito quanto à matéria trabalhista. Nesse sentido, a Súmula n° 10 do STJ:

Instalada a Junta de Conciliação e Julgamento, cessa a competência do


Juiz de Direito em matéria trabalhista, inclusive para a execução das
sentenças por ele proferidas.

Assim, a competência do juiz de direito, quanto à matéria trabalhista, existe


enquanto não houver juiz do trabalho para aquela localidade.

5. INGRESSO NA CARREIRA
Estabelece o art. 93, 1, da Constituição Federal:
1 - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto,
mediante concurso público de provas e títulos, com a participação
da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se
do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e
obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação.

Percebe-se, pelo referido artigo, que o ingresso na Magistratura, no primeiro


grau de jurisdição (juiz substituto do trabalho), depende do preenchimento, cumu-
lativo, dos seguintes requisitos:

• concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos


Advogados do Brasil em todas as fases;
• bacharel em direito;
• no mínimo, três anos de atividade jurídica. ·

6. GARANTIAS DOS JUÍZES


Para que os juízes possam exercer suas funções institucionais com independência
e imparcialidade, a Constituição Federal, em seu art. 95, confere-lhes as seguintes
garantias:

1 - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois


anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de
deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais
casos, de sentença judicial transitada em julgado;

li - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma


do art. 93, VIII;
Ili - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X
e XI, 39, § 4°, 150, li, 153, Ili, e 153, § 2°, 1. (grifo nosso)

87
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

A vitaliciedade é adquirida depois de 2 anos de exercício, de modo que, após


esse período, o juiz somente poderá perder o cargo mediante sentença judicial
transitada em julgado. No entanto, ántes de•se tornar vitalício, o juiz poderá perder
o cargo por deliberação do tri.bunal a que o juiz estiver. vinculado.

~··osSÊRvÁçÀô' 1:'
ovitaliciamento ocorre depois i 1ânós de exJrcíciÓ enão fanas, comó éo cdso da estabíli-
dade dos séniidóres públiêós.' · · ·• · ·

I>; OBSEij.Y"ÇÃO 2:.


Ovitaliciamento depois .dos f anos somente. tem apli~ação para osjuízes que ingressam n.a
carreira por meio do concurso público. Isso quer dizer que aqueles que entram na magistratura
por meio do quinto constitucional adquirem a vitaliciedade no ato da posse.

A inamovibilidade confere ao juiz .o direito de não ser removido da comarca


em que é titular, salvo:
• a requerimento, ou. seja, por vontade do próprio juiz;
• por interesse público, mediante decisão fundada no voto da maioria abso-
luta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça, assegurada
ampla defesa (CF/88, art. 93, VIII).
Por fim, os juízes têm garantia à irredutibilidade do subsídio, que é o salário
do magistrado. Tal garantia, porém, não afasta a possibilidade de descontos fiscais
e previdenciários.

7. VEDAÇÕES DOS JUÍZES


Embora os juízes possuam garantias, a Constituição impôs vedações aos membros
da magistratura. De acordo com o artigo 95, parágrafo único, da CF/88:
Aos juízes é vedado:
1- exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo
uma de magistério;
li - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em
processo;
Ili - dedicar-se à atividade político-partidária.
IV - receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições
de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as
exceções previstas em lei;
V- exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes
de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria
ou exoneração.

88
Cap.11-0RGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Além de tais vedações, o juiz titular deverá residir na respectiva comarca, salvo
autorização do tribunal (CF/88, art. 93, VII).

8. DEVERES E PODERES DOS JUÍZES


Os deveres e poderes do juiz estão elencados no art. 139 do CPC/2015, aplicável
subsidiariamente ao processo do trabalho, exceto quanto à parte final do inciso V
(TST-IN n° 39/2016, art. 3°, Ili). Dessa forma, incumbe ao juiz:

1- assegurar às partes igualdade de tratamento;


li - velar pela duração razoável do processo;

Ili - prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça


e indeferir postulações meramente protelatórias;

IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais


ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem
judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária;

V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente


com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais•º;

. VI - dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos


meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo
a conferir maior efetividade à tutela do direito;

VII - exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força


policial, além da segurança interna dos fóruns e tribunais;

VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das


partes, para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não
incidirá a pena de confesso;

IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o sanea-


mento de outros vícios processuais;

X - quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas,


oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possí-
vel, outros legitimados a que se referem o art. 50 da Lei n° 7.347, de 24
de julho de 1985, e o art. 82 da Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990,
para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva.

Parágrafo único. A dilação de prazos prevista no inciso VI somente pode


ser determinada antes de encerrado o prazo regular.

9. SERVIÇOS AUXILIARES DA JUSTIÇA DO TRABALHO

40. De acordo com o art. 32, Ili, da IN-TST n9 39/2016, a parte final do inciso V, não se aplica ao processo
trabalhista, uma vez que na Justiça do Trabalho não há conciliadores ou mediadores, sendo a conciliação
realizada pelo próprio Juiz do Trabalho.

89
PROCESSO DO TRABALHO '- Élisson Miessa

Para que exista eficiência na prestação jurisdicional, os magistrados necessitam


de órgãos auxiliares, encarregados de dar cumprimento às decisões judiciais, reali-
zando atos processuais e serviços burocráticos da Justiça do Trabalho.
Nesse contexto, temos as secretarias das varas do trabalho, as secretarias dos
tribunais e o serviço de distribuição de feitos.

9.1. Secretarias das varas do trabalho


A secretaria das varas do trabalho é órgão auxiliar e permanente da primeira
instância, destinado a manter e conservar os autos judiciais e realizar todos os
serviços burocráticos, por meio de servidores nela lotados.
Cada vara do trabalho possui uma secretaria, que é chefiada pelo diretor da
secretaria, antigamente denominado de chefe de secretaria ou secretário. Nos
termos do art. 710 da CLT:
Art. 710 - Cada Vara terá 1 (uma) secretaria, sob a direção de funcio-
nário que o Presidente designar, para exercer a função de chefe de
secretaria, e que receberá, além dos vencimentos correspondentes ao
seu padrão, a gratificação de função fixada em lei.
O diretor de secretaria é indicado, de forma discricionária, pelo juiz titular,
preferencialmente entre bacharéis em direito, salvo impossibilidade de atender ao
requisito. Após a indicação pelo juiz titular, cabe ao presidente do Tribunal Regional
do Trabalho realizar a nomeação, o qual somente poderá deixar de realizar a no-
meação diante da falta de elementos objetivos ou desatendimento dos requisitos
legais (arts. 1°, 2° e 3°, Resolução n° 147 do CNJ).
O diretor tem a função principal de dirigir os demais servidores, sob a super-
visão do juiz. Além disso, o art. 712 da CLT declina que compete especialmente aos
diretores da secretaria (secretário):
a) superintender os trabalhos da secretaria, velando pela boa ordem
do serviço;
b) cumprir e fazer cumprir as ordens emanadas do Presidente e das
autoridades superiores;
c) submeter a despacho e assinatura do Presidente o expediente e os
papéis que devam ser por ele despachados e assinados;
d) abrir a correspondência oficial dirigida à Junta e ao seu Presidente,
a cuja deliberação será submetida;
e) tomar por termo as reclamações verbais nos casos de dissídios
individuais;
f) promover o rápido andamento dos processos, especialmente na fase
de execução, e a pronta realização dos atos e diligências deprecadas
pelas autoridades superiores;
g) secretariar as audiências da Junta, lavrando as respectivas atas;

90
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

h) subscrever as certidões e os termos processuais;

i) dar aos litigantes ciência das reclamações e demais atos processuais


de que devam ter conhecimento, assinando as respectivas notificações;

j) executar os demais trabalhos que lhe forem atribuídos pelo Presi-


dente da Junta.

Parágrafo único - Os serventuários que, sem motivo justificado, não


realizarem os atos, dentro dos prazos fixados, serão descontados em
seus vencimentos, em tantos dias quantos os do excesso. (grifo nosso)

Por sua vez, o art. 711 da CLT proclama as atribuições das secretarias:
Art. 711 - Compete à secretaria das Juntas:

a) o recebimento, a autuação, o andamento, a guarda e a conservação


dos processos e outros papéis que lhe forem encaminhados;

b) a manutenção do protocolo de entrada e saída dos processos e


demais papéis;

c) o registro das decisões;

d) a informação, às partes interessadas e seus procuradores, do anda-


mento dos respectivos processos, cuja consulta lhes facilitará;

e) a abertura de vista dos processos às partes, na própria secretaria;

f) a contagem das custas devidas pelas partes, nos respectivos


processos;

g) o fornecimento de certidões sobre o que constar dos livros ou do


arquivamento da secretaria;

h) a realização das penhoras e demais diligências processuais;

i) o desempenho dos demais trabalhos que lhe forem cometidos pelo Pre-
sidente da Junta, para melhor execução dos serviços que lhe estão afetos.

li>- IMPORTANTE:
Além das atribuições, anteriormente, elencadas, os servidores podem praticar atos de
administração e de mero expédiente sem conteúdo decisório, desde que. autorizados pelo
juiz a que estão vinculados, nos termos do art. 93, XIV, da CF* e art. 203, § 4°; do CPC/2015**.
* "XIV - os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e
atos de mero expediente sem caráter decisório."
** "§ 4° Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, indepen-
dem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz
quando necessário."

Por fim, consigna-se que, quando a jurisdição trabalhista é exercida por juiz de
direito, os cartórios ficam incumbidos das mesmas obrigações e atribuições estabe-
lecidas para as varas do trabalho (CLT, arts. 716 e 717).

91
PROCESSO DO TRABALHO É/isson Miessa

9.2. Secretarias dos tribunais


As secretarias dos tribunais são órgãos auxiliares e permanentes dos Tribunais
Regionais do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho. Nos termos do art. 719
da CLT:
Art. 719 - Competem à Secretaria dos Tribunais, além das atribuições
estabelecidas no art. 711, para a secretaria das Juntas, mais as seguintes:
a) a conclusão dos processos ao Presidente e sua remessa, depois de
despachados, aos respectivos relatores;
b) a organização e a manutenção de um fichário de jurisprudência do
Conselho, para consulta dos interessados.
Parágrafo único - No regimento interno dos Tribunais Regionais serão
estabelecidas as demais atribuições, o funcionamento e a ordem dos
trabalhos de suas secretarias. (grifo nosso)

É interessante anotar, ainda, que o art. 718 da CLT declina existir apenas uma
secretaria nos tribunais. No entanto, a depender do tamanho do TRT, podem existir
diversas secretarias, tais como: secretaria do Tribunal Pleno, secretaria do Órgão
Especial, secretaria das Turmas etc.
As secretarias dos tribunais são chefiadas por diretores, com as mesmas atri-
buições dos diretores das varas do trabalho, previstas no art. 712 da CLT, além de
outros que lhe forem fixadas nos regimentos internos dos tribunais (CLT, art. 720).

9.3. Serviços de distribuição de feitos


Nas localidades onde há mais de uma vara do trabalho é necessário o setor de
distribuição de feitos, que tem a incumbência, como o próprio nome já indica, de
distribuir os processos, de forma igual, entre as varas do trabalho local, conforme
declina o art. 713 da CLT:
Art. 713 - Nas localidades em que existir mais de uma Junta de Conci-
liação e Julgamento haverá um distribuidor.

+ Exemplo: na cidade de Ribeirão Preto, existem 6 varas do trabalho. Desse


modo, a petição inicial será protocolada no setor de distribuição, oportunidade em
que os processos serão separados entre as varas do trabalho de Ribeirão Preto.

li>- ATENÇÃO:
Se houver apenas uma vara do trabalho, não há necessidade, do setor de distribuição,
vez que os processos serão distribuídos para a própria vara.

A distribuição será feita pela ordem rigorosa de sua apresentação ao distribuidor


(CLT, art. 783). As reclamações serão registradas em livro próprio, rubricado em todas
as folhas pela autoridade a que estiver subordinado o distribuidor (CLT, art; 784).
Além disso, o distribuidor fornecerá ao interessado um recibo do qual constarão,

92
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

essencialmente, o nome do reclamante e do reclamado, a data da distribuição, o


objeto da reclamação e o Juízo a que coube a distribuição (CLT, art. 785). Há de se
observartambém que, na hipótese de reclamação verbal, esta será distribuída antes
de sua redução a termo (CLT, art. 786).
Após a realização da distribuição, a reclamação será remetida pelo distribuidor
ao Juízo competente, acompanhada do bilhete de distribuição (CLT, art. 788).

A CLT estabelece, ainda, as atribuições do setor de distribuições de feitos, como


se verifica pelo art. 714, in verbis:
Art. 714 - Compete ao distribuidor:

a) a distribuição, pela ordem rigorosa de entrada, e sucessivamente


a cada Junta, dos feitos que, para esse fim, lhe forem apresentados
pelos interessados;

b) o fornecimento, aos interessados, do recibo correspondente a cada


feito distribuído;

c) a manutenção de 2 (dois) fichários dos feitos distribuídos, sendo um


organizado pelos nomes dos reclamantes e o outro dos reclamados,
ambos por ordem alfabética;

d) o fornecimento a qualquer pessoa que o solicite, verbalmente ou


por certidão, de informações sobre os feitos distribuídos;

e) a baixa na distribuição dos feitos, quando isto lhe for determinado


pelos Presidentes das Juntas, formando, com as fichas correspondentes,
fichários à parte, cujos dados poderão ser consultados pelos interes-
sados, mas não serão mencionados em certidões.

Consigna-se que, nos termos do art. 715 da CLT, a designação dos distribuidores
é feita pela presidente do tribunal dentre os funcionários das varas e .do tribunal
regional, existentes na mesma localidade, e diretamente subordinados ao mesmo
presidente. Atualmente, tem-se admitido que o regimento interno do tribunal esta-
beleça a referida designação.

Observe-se, ainda, que a distribuição dos processos deverá ser imediata, em


todos os graus de jurisdição, conforme impõe o art. 93, XV, da CF.

9.4. Oficiais de justiça àvaliadores


Os oficiais de justiça têm a incumbência de realizar os atos fora da sede da
vara do trabalho ou dos tribunais. Em regra, na Justiça do Trabalho, suas atribuições
estão ligadas à fase de execução como, por exemplo, realizar a penhora de bens.
Estabelece o art. 721 da CLT:
Art. 721 - Incumbe aos Oficiais de Justiça e Oficiais de Justiça Avaliadores
da Justiça do Trabalho a realização dos atos decorrentes da execução
dos julgados das Juntas de Conciliação e Julgamento e dos Tribunais

93
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Regionais do Trabalho, que lhes forem cometidos pelos respectivos


Presidentes.
§ 1° Para efeito de distribuição dos referidos atos, cada Oficial de
Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador funcionará perante uma Junta de
Conciliação e Julgamento, salvo quando da existência, nos Tribunais
Regionais do Trabalho, de órgão específico, destinado à distribuição
de mandados judiciais.
§ 2° Nas localidades onde houver mais de uma Junta, respeitado o
disposto no parágrafo anterior, a atribuição para o cumprimento do
ato deprecado ao Oficial de Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador será
transferida a outro Oficial, sempre que, após o decurso de 9 (nove)
dias, sem razões que o justifiquem, não tiver sido cumprido o ato,
sujeitando-se o serventuário às penalidades da lei.
§3° No caso de avaliação, terá o Oficial de Justiça Avaliador, para cum-
primento do ato, o prazo previsto no art. 888.
§ 4° É facultado aos Presidentes dos Tribunais Regionais do Trabalho
cometer a qualquer Oficial de Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador a
realização dos atos de execução das decisões desses Tribunais.
§ 5° Na falta ou impedimento do Oficial de Justiça ou Oficial de Justiça
Avaliador, o Presidente da Junta poderá atribuir a realização do ato a
qualquer serventuário.

Na Justiça do Trabalho, o oficial, além das funções inerentes ao seu cargo, acumula
a função de avaliador, sendo denominado, por isso, de oficial de justiça avaliador.
Portanto, na hipótese de penhora de bens, o oficial também terá a incumbência de
delimitar o valor do bem penhorado, não sendo mais aplicado o art. 887 da CLT.

Verifica-se, pelo referido dispositivo, que o oficial possui dois prazos para cum-
prir suas atribuições:

1) regra: 9 dias;
2) para a avaliação do bem penhorado: 10 dias.

Por fim, consigna-se que, não havendo oficial na localidade, o juiz do trabalho
poderá designar qualquer outro serventuário para realizar suas atribuições.

94
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

10. QUESTÕES DISSERTATIVAS41 Tribunais Regionais do Trabalho com-


põem-se de, no mínimo, sete juízes, re-
Questão 1 crutados, quando possível, na respecti-
va região, e nomeados pelo Presidente
Disserte sobre os órgãos da Justiça do da República dentre brasileiros com
Trabalho. mais de trinta e menos de sessenta e
Resposta sugerida pelo autor cinco anos".
A Justiça do Trabalho, conforme esta- A Emenda Constitucional n° 45/04 trouxe
belece o art. 111 da CF, tem como ór- duas importantes novidades: a instala-
gãos: o Tribunal Superior do Trabalho, ção da justiça itinerante, com realiza-
os Tribunais Regionais do Trabalho e os ção de audiências e demais funções
Juízes do Trabalho. de atividade jurisdicional, nos limites
o TST é o órgão de cúpula do Poder Ju- territoriais da respectiva jurisdição; e,
diciário Trabalhista, com jurisdição em permitiu que os Tribunais Regionais do
todo o território nacional, sediado na Trabalho possam funcionar descentra-
capital do país (Brasília). Ele confere lizadamente, constituindo as Câmaras
a palavra final em matéria trabalhista Regionais.
infraconstitucional, tendo a função de Os juízes do trabalho integram o pri-
uniformizar a interpretação da legisla- meiro grau de jurisdição, exercendo
ção trabalhista no âmbito de sua com- suas funções nas Varas do Trabalho. Em
petência. Segundo o art. 111-A da CF: "o regra, a competência trabalhista é con-
Tribunal Superior do Trabalho compor- ferida aos juízes do trabalho, no entan-
-se-á de vinte e sete Ministros, esco- to, nas localidades não compreendidas
lhidos dentre brasileiros com mais de na jurisdição das Varas do Trabalho, o
trinta e cinco anos e menos de sessenta juiz de direito poderá exercer a com-
e cinco anos, de notável saber jurídi- petência trabalhista. Nesse caso, cabe
co e reputação ilibada, nomeados pelo ressaltar que, havendo interposição
Presidente da República após aprova- de recurso (ordinário), ele será enca-
ção pela maioria absoluta do Senado minhado ao TRT e não ao Tribunal de
Federal". Justiça (art. 112 da CF).
Após a Emenda Constitucional n° 45/04,
Questão 2
passaram a funcionar junto ao TST, a
Escola de Formação e Aperfeiçoamento Como ocorre o preenchimento de vagas
de Magistratura do Trabalho (ENAMAT) e de Ministros do TST?
o Conselho Superior da Justiça do Tra- Resposta sugerida pelo autor
balho (CSJT). Conforme o artigo 111-A da Constituição
o TRT's estão situados no segundo grau Federal, o Tribunal Superior do Traba-
de jurisdição, e, assim como o TST, seus lho é composto de 27 ministros. O pre-
atos, em regra, dependem de órgão enchimento das vagas de Ministros do
colegiado, conforme art. 115 d.a CF: "os TST ocorre de duas formas: 1) 1/5 dos
lugares é reservado aos advogados,
com mais de dez anos de efetiva ati-
41. Indicamos o Curso de Questões Dissertativas e vidade profissional, e membros do Mi-
Estudos de caso do CERS on fine. Nesse curso, nistério Público do Trabalho, com mais
em 6 aulas - 3 de Direito do Trabalho (Prof.
de dez anos de efetivo exercício e 2)
Henrique Correia) e 3 de Processo do Trabalho
(Prof. Élisson Miessa) - são dadas diversas téc- os demais, dentre juízes dos Tribunais
nicas para redação de temas trabalhistas, além Regionais do Trabalho, oriundos da ma-
de propiciarem uma revisão ampla dessas gistratura da carreira, indicados pelo
duas disciplinas. próprio Tribunal Superior.

95
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

No primeiro caso, é interessante anotar direito quanto à matéria trabalhista, in-


que a Constituição Federal utilizou para clusive para a execução das sentenças
o TST a mesma regra que é aplicada aos por ele proferidas (Súmula n° 10 do STJ).
Tribunais Regionais, ou seja, impôs a par- Assim, a competência do juiz de direi-
ticipação de pelo menos 1/5 dos lugares to, quanto à matéria trabalhista, existe
aos membros do MP e aos advogados. Já enquanto não houver juiz do trabalho
no STJ foi reservado aos integrantes do com competência para a localidade.
Ministério Público e da advocacia 1/3 dos
Questão 4
lugares (CF/88, artigo 104, 11).
Para a escolha do membro do MP e do Discorra sobre a distribuição de feitos
advogado é formada uma lista sêxtu- na Justiça do Trabalho.
pla pelos órgãos de representação das Resposta sugerida pelo autor
respectivas classes. Em seguida, "o tri- Nas localidades onde há mais de uma
bunal formará lista tríplice, enviando-a vara do trabalho é necessário o setor de
ao Poder Executivo, que, nos vinte dias distribuição de feitos, que tem a incum-
subsequentes, escolherá um de seus bência, como o próprio nome já indica,
integrantes para nomeação" (CF/88, ar- de distribuir os processos, de forma
tigo 94, parágrafo único). igual, entre as varas do trabalho local,
Já no segundo caso, apenas os juízes conforme declina o artigo 713 da CLT.
dos TRTs, oriundos da magistratura da Se houver apenas uma vara do traba-
carreira, podem ser indicados pelo TST. lho, não' há necessidade do setor de
Isso significa que, se o integrante do distribuição, pois os processos serão
MPT ingressa no TRT por meio do quinto distribuídos para a própria vara.
constitucional, não poderá, posterior- A distribuição será feita pela ordem ri-
mente, integrar o TST pela lista dos ju- gorosa de sua apresentação ao distri-
buidor (CLT, artigo 783). As reclamações
ízes dos tribunais, uma vez que não é
serão registradas em livro próprio,
oriundo da magistratura de carreira.
rubricado em todas as folhas pela au-
Questão :1 toridade a que estiver subordinado o
distribuidor (CLT, artigo 784).
Nas localidades em que não for com- Além disso, o distribuidor fornecerá ao
preendida por jurisdição das Varas do interessado um recibo do qual consta-
Trabalho como são resolvidos os confli- rão, essencialmente, o nome do recla-
tos trabalhistas? mante e do reclamado, a data da dis-
Resposta sugerida pelo autor tribuição, o objeto da reclamação e o
Os juízes do trabalho integram o pri- Juízo a que coube a distribuição (CLT,
meiro grau de jurisdição, exercendo artigo 785). Há de se observar também
suas funções nas denominadas Varas que, na hipótese de reclamação verbal,
do Trabalho. esta será distribuída antes de sua redu-
Em regra, a competência trabalhista é ção a termo (CLT, artigo 786).
conferida aós juízes do trabalho. No Após a realização da distribuição, a re-
entanto, nas localidades não compre- clamação será remetida pelo distribuidor
endidas na jurisdição das Varas do Tra- ao Juízo competente, acompanhada do
balho, o juiz de direito poderá exercer bilhete de distribuição (CLT, artigo 788).
a competência trabalhista. Nesse caso, Observe-se, ainda, que a distribuição
havendo recurso (ordinário), ele será dos processos deverá ser imediata, em
éntaininhaâéf ào TRT ê "não ao Tribunal todos os graus de jurisdição, conforme
de Justiça, nos termos do artigo 112 da impõe o artigo 93, XV, da CF.
Constituição Federal. Por fim, ressalta-se que a distribuição
Todavia, uma vez criada Vara do Tra- torna o juízo prevento, nos termos do
balho, cessa a competência do juiz de artigo 59 do CPC/2015.

96
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

11. LEGISLAÇÃO RELACIONADA AO CAPÍTULO

» CLT d) julgar os agràvos de despachos denegatórios


Art. 646, CLT: Os órgãos da Justiça do Traba- dos presidentes de turmas, em matéria de embar-
lho funcionarão perfeitamente coordenados, em gos na forma estabelecida no regimento interno;
regime de mútua colaboração, sob a orientação e) julgar os embargos de declaração opostos
do presidente do Tribunal Superior do Trabalho. aos seus acórdãos.
Art. 702, CLT: Ao Tribunal Pleno compete: § 1• Q.uando adotada pela maioria de dois
terços dos juízes do Tribunal Pleno, a decisão
1 - em única instância:
proferida nos embargos de que trata o inciso li,
a) decidir sobre matéria constitucional, quando alínea "c", deste artigo, terá força de prejulgado,
arguido, para invalidar lei ou ato do poder público; nos termos dos§§ 2• e 3°, do art. 902.
b) conciliar e julgar os dissídios coletivos que § 2° Éda competência de cada uma das turmas
excedam a jurisdição dos Tribunais Regionais do do Tribunal:
Trabalho, bem como estender ou rever suas
a) julgar, em única instância, os conflitos de ju-
próprias decisões normativas, nos casos previs-
risdição entre Tribunais Regionais do Trabalho e os
tos em lei;
que se suscitarem entre juízes de direito ou juntas
c) homologar os acordos celebrados em dissí- de conciliação e julgamento de regiões diferentes;
dios de que trata a alínea anterior; b) julgar, em última instância, os recursos de
d) julgar os agravos dos despachos do presi- revista interpostos de decisões dos Tribunais Re-
dente, nos casos previstos em lei; gionais e das Juntas de Conciliação e julgamento
e) julgar as suspeições arguidas contra o ou juízes de direito, nos casos previstos em lei;
presidente e demais juízes do Tribunal, nos feitos c) julgar os agravos de instrumento dos despa-
pendentes de sua decisão; chos que denegarem a interposição de recursos
ordinários ou de revista;
f) estabelecer ou. alterar súmulas e outros
enunciados de jurisprudência uniforme, pelo voto d) julgar os embargos de declaração opostos
de pelo menos dois terços de seus membros, caso aos seus acórdãos;
a mesma matéria já tenha sido decidida de forma e) julgar as habilitações incidentes e arguições
idêntica por unanimidade em, no mínimo, dois de falsidade, suspeição e outras nos casos pen-
terços das turmas em pelo menos dez sessões dentes de sua decisão.
diferentes em cada uma delas, podendo, ainda, § 3• As sessões de julgamento sobre estabele-
por maioria de dois terços de seus membros, cimento ou alteração de súmulas e outros enun-
restringir os efeitos daquela declaração ou decidir ciados de jurisprudência deverão ser públicas,
que ela só tenha eficácia a partir de sua publicação divulgadas com, no mínimo, trinta dias de antece-
no Diário Oficial; dência, e deverão possibilitar a sustentação oral
g) aprovar tabelas de custas emolumentos, pelo Procurador-Geral do Trabalho, pelo Conselho
nos termos da lei; Federal da Ordem dos advogados do Brasil, pelo
advogado-Geral da União e por confederações sin-
h) elaborar o Regimento Interno do Tribunal e
dicais ou entidades de classe de âmbito nacional.
exercer as atribuições administrativas previstas
em lei, ou decorrentes da Constituição Federal. § 4• O estabelecimento ou a alteração de sú-
mulas e outros enunciados de jurisprudência pelos
li - em última instância:
Tribunais Regionais do Trabalho deverão observar
a) julgar os recursos ordinários das decisões o disposto na alínea f do inciso I e no § 3• deste
proferidas pelos Tribunais Regionais em processos artigo, com rol equivalente de legitimados para
de sua competência originária; sustentação oral, observada a abrangência de sua
b) julgar os embargos opostos às decisões de circunscrição judiciária.
que tratam as alíneas "b" e "c" do inciso I deste Art. 709, CLT - Compete ao Corregedor, eleito
artigo: dentre os Ministros togados do Tribunal Superior
c) julgar embargos das decisões das Turmas, do Trabalho:
quando esta divirjam entre si ou de decisão pro- 1 - Exercer funções de inspeção e correição
ferida pelo próprio Tribunal Pleno, ou que forem permanente com relação aos Tribunais Regionais
contrárias à letra de lei federal: e seus presidentes;

97
PROCESSO DO TRABALHO - É!isson Miessa

li - Decidir reclamações contra os atos atenta- c) submeter a despacho e assinatura do Pre-


tórios da boa ordem processual praticados pelos sidente o expediente e os papéis que devam ser
Tribunais Regionais e seus presidentes, quando por ele despachados e assinados;
inexistir recurso específico; d) abrir a correspondência oficial dirigida à
Ili - REVOGADO Vara e ao seu Presidente, a cuja deliberação será
submetida;
§ 1° - Das decisões proferidas pelo Corregedor,
nos casos do artigo, caberá o agravo regimental, e) tomar por termo as reclamações verbais nos
para o Tribunal Pleno. casos de dissídios individuais;
§ 20 - o Corregedor não integrará as Turmas do f) promover o rápido andamento dos processos,
Tribunal, mas participará, com voto, das sessões especialmente na fase de execução, e a pronta
do Tribunal Pleno, quando não se encontrar em realização dos atos e diligências deprecadas pelas
correição ou em férias, embora não relate nem autoridades superiores;
revise processos, cabendo-lhe, outrossim, votar em g) secretariar as audiências da Vara, lavrando
incidente de inconstitucionalidade, nos processos as respectivas atas;
administrativos e nos feitos em que estiver vincula-
h) subscrever as certidões e os termos
do por visto anterior à sua posse na Corregedoria. processuais;
Art. 710, CLT - Cada Vara terá 1 (uma) secretaria, i) dar aos litigantes ciência das reclamações
sob a direção de funcionário que o Presidente e demais atos processuais de que devam ter co-
designar, para exercer a função de secretário, e nhecimento, assinando as respectivas notificações
que receberá, além dos vencimentos correspon-
j) executar os demais trabalhos que lhe forem
dentes ao seu padrão, a gratificação de função
atribuídos pelo Presidente da Vara.
fixada em lei.
Parágrafo único - Os serventuários que, sem
Art. 711, CLT - Compete à secretaria das Varas:
motivo justificado, não realizarem os atos, dentro
a) o recebimento, a autuação, o andamento, dos prazos fixados, serão descontados em seus
a guarda e a conservação dos processos e outros vencimentos, em tantos dias quantos os do excesso.
papéis que lhe forem encaminhados;
Art. 713, CLT - Nas localidades em que exis-
b) a manutenção do protocolo de entrada e tir mais de uma Vara do Trabalho haverá um
saída dos processos e demais papéis; distribuidor.
c) o registro das decisões; Art. 714, CLT - Compete ao distribuidor:
d) a informação, às partes interessadas e seus a) a distribuição, pela ordem rigorosa de en-
procuradores, do andamento dos respectivos trada, e sucessivamente a cada Vara, dos feitos
processos, cuja consulta lhes facilitará; que, para esse fim, lhe forem apresentados pelos
e) a abertura de vista dos processos às partes, interessados;
na própria secretaria; b) o fornecimento, aos interessados, do recibo
f) a contagem das custas devidas pelas partes, correspondente a cada feito distribuído;
nos respectivos processos; c) a manutenção de 2 (dois) fichários dos feitos
g) o fornecimento de certidões sobre o que distribuídos, sendo um organizado pelos nomes dos
constar dos livros ou do arquivamento da secretaria; reclamantes e o outro dos reclamados, ambos por
ordem alfabética;
h) a realização das penhoras e demais diligên-
cias processuais; d) o fornecimento a qualquer pessoa que o so-
licite, verbalmente ou por certidão, de informações
i) o desempenho dos demais trabalhos que lhe sobre os feitos distribuídos;
forem cometidos pelo Presidente da Vara, para
e) a baixa na distribuição dos feitos, quando isto
melhor execução dos serviços que lhe estão afetos.
lhe for determinado pelos Presidentes das Varas,
Art. 712, CLT Compete especialmente aos se- formando, com as fichas correspondentes, fichários
cretários das Varas do Trabalho: à parte, cujos dados poderão ser consultados
a) superintender os trabalhos da secretaria, pelos interessados, mas não serão mencionados
velando pela boa ordem do serviço; em certidões.
b) cumprir e fazer cumprir as ordens emanadas Art. 715, CLT - Os distribuidores são designados
do Presidente e das autoridades superiores; pelo Presidente do Tribunal Regional dentre os

98
Cap.11- ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

funcionários das Varas e do Tribunal Regional, § 2° Nas localidades onde houver mais de uma
existentes na mesma localidade, e ao mesmo Vara, respeitado o disposto no parágrafo anterior,
Presidente diretamente subordinados. a atribuição para o cumprimento do ato deprecado
Art. 716, CLT - Os cartórios dos Juízos de Direito, ao Oficial de Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador
investidos na administração da Justiça do Trabalho, será transferida a outro Oficial, sempre que, após o
têm, para esse fim, as mesmas atribuições e obri- decurso de 9 (nove) dias, sem razões que o justifi-
gações conferidas na Seção I às secretarias das quem, não tiver sido cumprido o ato, sujeitando-se
Varas do Trabalho. o serventuário às penalidades da lei.
Parágrafo único - Nos Juízos em que houver mais § 3° No caso de avaliação, terá o Oficial de Jus-
de um cartório, far-se-á entre eles a distribuição tiça Avaliador, para cumprimento do ato, o prazo
alternada e sucessiva das reclamações. previsto no art. 888.
Art. 717, CLT - Aos escrivães dos Juízos de § 4° É facultado aos Presidentes dos Tribunais
Direito, investidos na administração da Justiça do Regionais do Trabalho cometer a qualquer Oficial de
Trabalho, competem especialmente as atribuições Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador a realização
e obrigações dos secretários das Varas; e aos de- dos atos de execução das decisões desses Tribunais.
mais funcionários dos cartórios, as que couberem § 5° Na falta ou impedimento do Oficial de Justiça
nas respectivas funções, dentre as que competem ou Oficial de Justiça Avaliador, o Presidente da Vara
às secretarias das Varas, enumeradas no art. 711. poderá atribuir a realização do ato a qualquer
Art. 718, CLT - Cada Tribunal Regional tem 1 (uma) serventuário.
secretaria, sob a direção do funcionário designado
Art. 783, CLT - A distribuição das reclamações
para exercer a função de secretário, com a grati-
será feita entre as Varas do Trabalho, ou os Juízes
ficação de função fixada em lei.
de Direito do Cível, nos casos previstos no art. 669,
Art. 719, CLT - Competem à Secretaria dos Tri- § 1°, pela ordem rigorosa de sua apresentação ao
bunais, além das atribuições estabelecidas no art. distribuidor, quando o houver.
711, para a secretaria das Varas, mais as seguintes:
Art. 784, CLT -As reclamações serão registradas
a) a conclusão dos processos ao Presidente. e em livro próprio, rubricado em todas as folhas
sua remessa, depois de despachados, aos respec- pela autoridade a que estiver subordinado o
tivos relatores; distribuidor.
b) a organização e a manutenção de um fichário Art. 785, CLT - O distribuidor fornecerá ao inte-
de jurisprudência do Conselho, para consulta dos ressado um recibo do qual constarão, essencial-
interessados.
mente, o nome do reclamante e do reclamado, a
Parágrafo único - No regimento interno dos data da distribuição, o objeto da reclamação e a
Tribunais Regionais serão estabelecidas as demais Vara ou o Juízo a que coube a distribuição.
atribuições, o funcionamento e a ordem dos traba-
Art. 786, CLT - A reclamação verbal será distri-
lhos de suas secretarias.
buída antes de sua redução a termo.
Art. 720, CLT - Competem aos secretários dos
Parágrafo único - Distribuída a reclamação ver-
Tribunais Regionais as mesmas atribuições confe-
bal, o reclamante deverá, salvo motivo de força
ridas no art. 712 aos secretários das Varas, além
maior, apresentar-se no prazo de s (cinco) dias, ao
das que lhes forem fixadas no regimento interno
dos Conselhos. cartório ou à secretaria, para reduzi-la a termo,
sob a pena estabelecida no art. 731.
Art. 721, CLT - - Incumbe aos Oficiais de Justiça e
Oficiais de Justiça Avaliadores da Justiça do Trabalho Art. 787, CLT - A reclamação escrita devérá ser
a realização dos atos decorrentes da execução dos formulada em 2 (duas) vias e desde logo acompa-
julgados das Varas do Trabalho e dos Tribunais nhada dos documentos em que se fundar.
Regionais do Trabalho, que lhes forem cometidos Art. 788, CLT - Feita a distribuição, a reclamação
pelos respectivos Presidentes. será remetida pelo distribuidor à Vara ou Juízo com-
§ 1° Para efeito de distribuição dos referidos petente, acompanhada do bilhete de distribuição.
atos, cada Oficial de Justiça ou Oficial de Justiça Ava-
liador funcionará perante uma Vara do Trabalho, » Novo Código de Processo Civil
salvo quando da existência, nos Tribunais Regionais Art. 203, CPC/2015: Os pronunciamentos do juiz
do Trabalho, de órgão específico, destinado à dis- consistirão em sentenças, decisões interlocutórias
tribuição de mandados judiciais. e despachos.

99
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

§ 1° Ressalvadas as disposições expressas dos a) é obrigatória a promoção do juiz que figure


procedimentos especiais, sentença é o pronuncia- por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em
mento por meio do qual o juiz, com fundamento lista de merecimento;
nos arts .. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do pro- b) a promoção por merecimento pressupõe
cedimento comum, bem como extingue a execução dois anos de exercício na respectiva entrância e
§ 20 Decisão interlocutória é todo pronuncia- integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de
mento judicial de natureza decisória que não se antigüidade desta, salvo se não houver com tais
enquadre no § 10. requisitos quem aceite o lugar vago;
§ 3° São despachos todos os demais pronuncia- c) aferição do merecimento conforme o desem-
mentos do juiz praticados no processo, de ofício penho e pelos critérios objetivos de produtividade
ou a requerimento da parte. e presteza no exercício da jurisdição e pela fre-
§ 4° Os atos meramente ordinatórios, como
qüência e aproveitamento em cursos oficiais ou
a juntada e a vista obrigatória, independem de reconhecidos de aperfeiçoamento;
despacho, devendo ser praticados de ofício pelo d) na apuração de antigüidade, o tribunal so-
servidor e revistos pelo juiz quando necessário . mente poderá recusar o juiz mais antigo pelo voto
fundamentado de dois terços de seus membros,
» Constituição Federal conforme procedimento próprio, e assegurada
Art. 92, CF - São órgãos do Poder Judiciário: ampla defesa, repetindo-se a votação até fixar-se
a indicação;
1- o Supremo Tribunal Federal;
e) não será promovido o juiz que, injustificada-
1-A o Conselho Nacional de Justiça;
mente, retiver autos em seu poder além do prazo
li - o Superior Tribunal de Justiça; legal, não podendo devolvê-los ao cartório sem o
li-A - o Tribunal Superior do Trabalho devido despacho ou decisão;
Ili - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Ili- o acesso aos tribunáis de segundo grau
Federais; far-se-á por antigüidade e merecimento, alterna-
damente, apurados na última ou única entrância;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
IV- previsão de cursos oficiais de preparação,
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
aperfeiçoamento e promoção de magistrados,
VI - os Tribunais e Juízes Militares; constituindo etapa obrigatória do processo de
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do vitaliciamento a participação em curso oficial ou
Distrito Federal e Territórios. reconhecido por escola nacional de formação e
§ 1° o Supremo Tribunal Federal, o Conselho aperfeiçoamento de magistrados;
Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores têm (...)
sede na Capital Federal. IX- todos os julgamentos dos órgãos do Poder
§ 2° o Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas
Superiores têm jurisdição em todo o território as decisões, sob pena de nulidade, podendo a
nacional. lei limitar a presença, em determinados atos, às
Art. 93, CF - Lei complementar, de iniciativa próprias partes e a seus advogados, ou somente a
do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o estes, erh casos nos quais a preservação do direito
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes à intimidade do interessado no sigilo não prejudi-
princípios: que o interesse público à informação;

.1- ingresso na carreira, cujo cargo inicial será (...)


o de juiz substituto, mediante concurso público de XV- a distribuição de processos será imediata,
provas e títulos, com a participação da Ordem dos em todos os graus de jurisdição.
Advogados do Brasil, em todas as fases, exigindo-se Art. 94, CF - Um quinto dos lugares dos Tribunais
do bacharel em direito, no mínimo, três anos de Regionais Federais,dos Tribunais dos Estados, e
ãtividáde jurídica e obedecendo-se, nas nomea- cto Distrito Federal e rerritórios será composto de
ções, à ordem de classificação; - membros, do Ministério Público, com mais de dez
, 1.1 - promoção de, entrância para entrância, anos de carreira, e de advogados de notório saber
alternadamente, por antigüidade e merecimento, jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez
atendidas as seguintes normas: anos de efetiva atividade profissional, indicados

100
Cap.11-ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

em lista sêxtupla pelos órgãos de representação e) prover, por concurso público de provas,
das respectivas classes. ou de provas e títulos, obedecido o disposto no
Parágrafo único. Recebidas as indicações, o art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à
tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Po- administração da Justiça, exceto os de confiança
der Executivo, que, nos vinte dias subsequentes, assim definidos em lei;
escolherá um de seus integrantes para nomeação. f) conceder licença, férias e outros afastamentos
a seus membros e aos juízes e servidores que lhes
Art. 95, CF - Os juízes gozam das seguintes
forem imediatamente vinculados;
garantias:
li - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais
1- vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será
Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao
adquirida após dois anos de exercício, dependendo
Poder Legislativo respectivo, observado o disposto
a perda do cargo, nesse período, de deliberação
no art. 169:
do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos
demais casos, de sentença judicial transitada em a) a alteração do número de membros dos
julgado; · tribunais inferiores;

li - inamovibilidade, salvo por motivo de inte- b) a criação e a extinção de cargos e a remu-


resse público, na forma qo art. 93, VIII; neração dos seus serviços auxiHares e dos juízos
que lhes forem vinculados, bem como a fixação do
Ili - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o
subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive
disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4°, 150, li, 153,
dos tribunais inferiores, onde houver;
111, e 153, § 2°, 1.
e) a criação ou. extinção dos tribunais inferiores;
Parágrafo único. Aos juízes é vedado:
d) a alteração da organização e da divisão
1- exercer, ainda que em disponibilidade, outro
judiciárias;
cargo ou função, salvo uma de magistério;·
Ili - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes
a
IÍ- receber, qualquer título ou pretexto, custas estaduais e do Distrito Fede.ral e Territórios, bem
ou participação em processo; como os membros. do Ministério Público, nos cri-
111 - dedicar-se à atividade político-partiçlária. m~s comuns e de responsabilidade, ressalvada a
IV receber, a qualquer título ou pretexto, auxí- competência da Justiça Eleitoral.
lios ou contribuições de pessoas físicas, entidades Art. 104, CF - o Superior Tribunal de Justiça
públicas ou privadas, ressalvadas as exceções compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros.
previstas em lei; Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tri-
V exercer a advocacia no juízo ou tribunal do bunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente
qual se afastou, antes de decorridos três anos da República, dentre brasileiros com mais de trinta
do afastamento do cargo por aposentadoria ou e cinco e menos de sessenta e cinco anos, de
exoneração. notável saber jurídico e reputação ilibada, depois
de aprovada a escolha pela maioria absoluta do
Art. 96, CF - Compete privativamente:
Senado Federal, sendo:
1- aos tribunais:
1- um terço dentre juízes dos Tribunais Regio-
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar nais Federais e um terço dentre desembargadores
seus regimentos internos, com observância das dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice
normas de processo e das garantias processuais elaborada pelo próprio Tribunal;
das partes, dispondo sobre a competência e o fun-
li - um terço, em partes iguais, dentre advo-
cionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais
gados e membros do Ministério Público Federal,
e administrativos;
Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alterna-
b) organizar suas secretarias e serviços auxi- damente, indicados na forma do art. 94.
liares e os dos juízos que lhes forem vinculados,
Art. 111, CF - São órgãos da Justiça do Trabalho:
velando pelo exercício da atividade correicional
respectiva; 1- o Tribunal Superior do Trabalho;

c) prover, na forma prevista nesta Constitui- li - os Tribunais Regionais do Trabalho;


ção, os cargos de juiz de carreira da respectiva Ili - Juízes do Trabalho.
jurisdição; Art. 111-A, CF - o Tribunal Superior do Trabalho
d) propor a criação de novas varas judiciárias; compor-se-á de vinte e sete Ministros, escolhidos

101
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miesso

dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos e Art. 112, CF - A lei criará varas da Justiça do
menos de sessenta e cinco anos, de notável saber Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas
jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Pre- por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito,
sidente da República após aprovação pela maioria com recurso para o respectivo Tribunal Regional
absoluta do Senado Federal, sendo: do Trabalho.
1 um quinto dentre advogados com mais de dez Art. 115, CF- Os Tribunais Regionais do Trabalho
anos de efetiva atividade profissional e membros compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recru-
do Ministério Público do Trabalho com mais de dez tados, quando possível, na respectiva região, e
anos de efetivo exercício, observado o disposto nomeados pelo Presidente da República dentre
no art. 94; brasileiros com mais de trinta e menos de ses-
senta e cinco anos, sendo:
li os demais dentre juízes dos Tribunais Re-
gionais do Trabalho, oriundos da magistratura da 1 - um quinto dentre advogados com mais

carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. de dez anos de efetiva atividade profissional e
membros do Ministério Público do Trabalho com
§ 10 A lei disporá sobre a competência do Tri-
mais de dez anos de efetivo exercício, observado
bunal Superior do Trabalho. o disposto no art. 94;
§ 2•· Fúlii:iohàrãb junto ao Tribunal Superior do li - os demais, mecifante prÓmoção dé juízes
Trabalho do trabalho por antiguidade e merecimento,
1- a Escola Nacional de Formação e Aperfeiço- alternadamente.
amento de Magistrados do Trabalho, cabendo-lhe, § 1° Os Tribunais Regionais do Trabalho ins-
dentre outras funções, regulamentar os cursos talarão a justiça itinerante, com a realização
oficiais para o ingresso e promoção na carreira; de audiências e demais funções de atividade
li - o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva
cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a super- jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos
visão administrativa, orçamentária, financeira e e comunitários.
patrimonial da Justiça do Trabalho d.e primeiro e § 2° Os Tribunais Regionais do Trabalho pode-
segundo graus, como órgão central do sistema, rão funcionar descentralizadamente, constituindo
cujas decisões terão efeito vinculante. Câmaras regionais,- a fim de assegurar o pleno
§ 3° Compete ao Tribunal Superior do Trabalho acesso do jurisdicionado à justiça em todas as
processar e julgar, originariamente, a reclamação fases do processo.
para a preservação de sua competência e garantia An. 116, CF - Nas Varas do Trabalho, a jurisdição
da autoridade de suas decisões. será exercida por um juiz singular.

102
QUESTÕES

CAPÍTULOS I E II

sumário • 1. Questões com gabarito comentado; 2. Questões de concursos; 3. Gabarito

1. QUESTÕES COM GABARITO COMENTADO naquilo em que for incompatível com as


normas contidas na Consolidação das
Leis do Trabalho.
01. (FCC - TRT24/2017 - Oficial de Justiça (E) não caberia tal medida nesta fase
Avaliador -Área Judiciária) O advogado processual porque somente é possí-
da empresa Vênus de Millus Produções vel aplicar supletivamente norma do
Artísticas apresentou uma reconvenção Código Processual Civil que não esteja
na audiência UNA em que a reclamada prevista na lei trabalhista na fase de
foi notificada para apresentação de execução.
sua contestação em reclamação traba-
lhista. Provocado a se manifestar sobre COMENTÁRIOS
a peça processual apresentada pela Alternativa "d" - Correta: O direito processu-
empresa ré, o advogado do reclamante al do trabalho tem como objetivo regular os
Hércules impugnou a juntada da recon- processos individuais e coletivos submetidos
venção sem justificar o motivo. Confor- à Justiça do Trabalho. Sua regulamentação
vem estabelecida na Consolidação das Leis do
me teoria dos princípios gerais do Pro-
Trabalho, bem como em leis esparsas. Pode
cesso do Trabalho, ocorrer, no entanto, de a CLT e leis esparsas
(A) não se admite em ação trabalhista ne- não versarem sobre determinado tema. Nessa
nhuma medida processual que não te- hipótese, aplica-se o processo comum (CPC),
nha previsão expressa contida na Con- desde que compatível com o processo do tra-
solidação das Leis do Trabalho e que balho. Nesse sentido, o art. 769 da CLT: "Nos
casos omissos, o direito processual comum
seja contrária ao trabalhador.
será fonte subsidiária do direito processual do
(B) caberia a medida desde que houvesse trabalho, exceto naquilo em que for incompa-
concordância da parte contrária e que tível com as normas deste Título". Aliás, o art.
a mesma fosse apresentada antes da 15 do CPC/201S estabelece que "na ausência
data da audiência para possibilitar o de normas que regulem processos eleitorais,
contra ditó ri o. trabalhistas ou administrativos, as disposições
(C) embora haja omissão da norma pro- deste Código lhes serão aplicadas supletiva e
cessual trabalhista em relação à recon- subsidiaria mente".
venção; há súmula do Tribunal Superior
do Trabalho interpretando pela sua ab- 02. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Jus-
soluta incompatibilidade com o direito tiça Avaliador - TRT 2/2014) No tocante
processual do trabalho. aos princípios do processo do trabalho,
(D) nos casos omissos, o direito proces- considere:
sual comum será fonte subsidiária do 1. O princípio protetor se caracteriza
direito processual do trabalho, exceto como o mais importante nas relações

103
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

de trabalho, uma vez que possibilita· julgador a aquele que concluiu a audiência
equilibrar a desigualdade natural exis- de instrução. Antigamente, o TST não aplica-
tente nos contratos de emprego, em va esse princípio na seara trabalhista, criando
a Súmula nº 136, em razão da existência, na
que o empregador detém o poder eco-
época, dos juízes classistas. No entanto, o C.
nômico em detrimento do trabalhador, TST cancelou referida Súmula, razão pela qual
que necessita do emprego. Assim, é uti- passou a aplicar o princípio da identidade físi-
lizado amplamente pelo julgador, tanto ca do juiz na Justiça do Trabalho. Com o adven-
no direito material, quanto no processo to do Novo CPC, o art. 132 do CPC/73, que pre-
do trabalho, quando não houver pro- via tal princípio, não foi reproduzido, de modo
vas a respeito dos fatos alegados. que, atualmente, não existe no ordenamento
li. O juiz tem ampla liberdade na condu- norma prevendo o princípio da identidade fí-
sica do juiz, seja no processo civil, seja no pro-
ção do processo, na busca de elemen-
cesso do trabalho. Assim, provavelmente, o C.
tos probatórios que formem o seu con- TST modificará novamente seu entendimento,
vencimento, baseando-se no princípio no sentido de não aplicar referido princípio.
da busca da verdade real e da primazia
da realidade. 03. (FCC - TRT24/2017 - Oficial de Justiça Ava-
Ili. O princípio do impulso oficial nas exe- liador - Área Judiciária) Dentre os ser-
cuções é aplicável apenas às ações viços auxiliares da Justiça do Trabalho
trabalhistas em que foi deferida justiça descritos na Consolidação das Leis do
gratuita ao reclamante. Trabalho há o órgão denominado dis-
IV. Segundo a jurisprudência consolidada tribuidor nas localidades em que exista
do TST, o princípio da identidade física · mais de uma Vara do Trabalho. A desig-
do juiz é aplicável na Justiça do Traba- nação dos distribuidores se dará pelo
lho, mesmo após o advento da EC no
(A) Presidente do Tribunal Superior do Tra-
24/99, que extinguiu a representação
balho, dentre os funcionários do Tribu-
classista.
nal Regional do Trabalho, existentes na
Está correto o que afirma APENAS em
mesma localidade, e diretamente su-
a) Ili e IV.
bordinados ao mesmo Presidente.
b) li e IV.
(B) Presidente do Tribunal Regional do Tra-
c) 1, li e IV.
balho, dentre os funcionários das Varas
d) li e Ili.
do Trabalho, existentes na mesma loca-
e) 1e Ili. lidade, e diretamente subordinados ao
COMENTÁRIOS Juiz mais antigo de cada comarca.
Alternativa correta: B. Item li:Os Juízos e Tri- (C) Presidente do Tribunal Regional do Tra-
bunais do Trabalho terão ampla liberdade na balho, dentre os funcionários das Varas
direção do processo e velarão pelo andamento do Trabalho e do Tribunal Regional do
rápido das causas, podendo determinar qual- Trabalho, existentes na mesma locali-
quer diligência necessária ao esclarecimento dade, e diretamente subordinados ao
delas (art. 765, CLT). Ademais, o juiz dirigirá mesmo Presidente.
o processo com liberdade para determinar (D) Juiz Titular mais antigo do Fórum, den-
as provas a serem produzidas, considerado o
tre os funcionários das Varas do Traba-
ônus probatório de cada litigante, podendo li-
mitar ou excluir as que considerar excessivas, lho existentes na mesma localidade, e
impertinentes ou protelatórias, bem como diretamente subordinados a este Juiz.
para apreciá:làs e dar espeêiãr valor às regr'às (E) Juiz Diretor do Fórum dentre os funcio-
de experiência comum ou técnica (art. 852-D, nários das Varas do Trabalho existentes
CLT). na mesma localidade, e diretamente
Item IV - correto: o princípio da identidade subordinados ao Presidente do Tribunal
física do juiz consiste na vinculação do órgão Regional do Trabalho.

104
Questões-CAPÍTULOS I E li

COMENTÁRIOS 1- o Tribunal Superior do Trabalho;


Alternativa "e" '" Correta: _Para· que exista li - os Tribunais Regionais do Trabalho;
eficiência na prestação jurisdícional, os ma- Ili -Juízes do Trabalho.
gistrados necessitam de órgãos auxiliares, en-
carregados de dar cumprimento às decisões
05. (TRT20/2016 - FCC - Técnico Judiciário-
judicias, realizan~o atos process_uais e serviços
Área Administrativa) Conforme normas
burocráticos da Justiça do Trabalho. Nesse
contekto, temos as secretarias das. varas do relativas à jurisdição e competência
trabalho, as secretarias dos tribunais e o ser- das Varas do Trabalho e dos Tribunais
viço de distríblJição de feitos: Segundo o art. Regionais do Trabalho:
715 da CLT, "os distribuidores são designados (A) A EC 45/2004 previu a obrigatorieda-
pelo Presidente do Tribunal Regional dentre os
de da criação de apenas um Tribunal
funcionários das Juntas e do Tribunal Regional,
Regional do Trabalho em cada Estado
existentes na mesma localidade, e ao mesmo
Presidente diretamente subordinados". membro da Federação, bem como no
Distrito _Federal.
(B) Os Tribunais Regionais do Trabalho se-
04. (FCC - TRT24/2017 - Técnico Judiciário -
rão compostos de juízes nomeados
Área Administrativa) Com a Constitui-
ção Federal de 1988, o Poder Judiciário pelo Presidente do Tribunal Superior
passa a ser o guardião da Constituição, do Trabalho e serão compostos, no mí-
nimo, de oito juízes recrutados, neces-
cuja finalidade ·repousa, basicamente,
na preservação dos valores e princí- sariamente, dentro da própria região.
(C) Os Tribunais Regionais do Trabalho po-
pios que fundamentam o novo Estado
derão funcionar descentralizadamente,
Democrático de Direito. A Constituição
constituindo Câmaras regionais, a fim
Federal prevê, expressamente, que são
de assegurar o pleno acesso dos juris-
órgãos que integram a organização da
dicionados à justiça em todas as fases
Justiça do Trabalho:
do processo.
(A) Supremo Tfibunal Federal, Tribunal Su- (D) Nas Varas do Trabalho, a jurisdição
perior do Trabalho, Tribunais Regionais será, necessariamente, exercida por
do Trabalho e Varas do Trabalho. um juiz singular titular e outro substitu-
(B) Supremo Tribunal Federal, Tribunal Su- to, além de um membro do Ministério
perior do Trabalho e Juízes do Trabalho. Público do Trabalho que atuará junto à
(C) Tribunal Superior do Trabalho, Tribunais Vara.
Regionais do Trabalho e Juízes do Tra- (E) As ações entre trabalhadores portuá-
balho. rios e os operadores portuários ou o
(D) Tribunal Superior do Trabalho, Tribunais órgão Gestor de Mão de Obra.- OGMO
Regionais do Trabalho, Varas do Traba- decorrentes da relação de trabalho são
lho e Conselho Superior da Justiça do de competência originária dos Tribunais
Trabalho. Regionais do Trabalho.
(E) Tribunal Superior do Trabalho, Tribunais
Estaduais do Trabalho, Varas do Tra- COMENTÁRIOS

balho, Conselho Superior da Justiça do Alternativa "e" - Correta: Segundo o §22 do


Trabalho e Escola Nacional de Formação art. 115, CF/88, "os Tribunais Regionais do Tra-
e Aperfeiçoamento de Magistrados do balho poderão funcionar descentralizadamen-
Trabalho. te, constituindo Câmaras regionais, a fim de
assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à
COMENTÁRIOS justiça em todas as fases do processo".
Alternativa "e" - Correta: Nos termos do art.
111 da CF/88, a Justiça do Trabalho possui os 06. (TRT20/2016 - FCC - Analista Judiciário -
seguintes órgãos: Área Judiciária) A Constituição Federal

105
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

expressamente prevê regras que orga- 07. (FCC - Analista Judiciário - Área Admi-
nizam a estrutura da Justiça do Traba- nistrativa - TRT 16/2014) Com relação à
lho, e tratam da sua competência. Con- organização da Justiça do Trabalho, é
forme tal regramento, correto afirmar que
(A) os juízes dos Tribunais Regionais do Tra- a) é composta pelos Juízes do Trabalho,
balho, oriundos da magistratura da car- pelos Tribunais Regionais do Trabalho,
reira, que comporão o Tribunal Supe- bem como pelo Tribunal Superior do
rior do Trabalho serão indicados pelos Trabalho, além dos chamados órgãos
próprios Regionais, alternativamente, e auxiliares da Justiça do Trabalho, tais
escolhidos pelo Congresso Nacional. como, Secretarias das Varas, Secreta-
(B) os Tribunais Regionais do Trabalho ins- rias dos.Tribunais e Cartórios dos Juízos
talarão a justiça itinerante, com a rea- de Direito.
lização de audiência e demais funções b) o Tribunal Superior do Trabalho é com-
de atividade jurisdicional, nos limites posto de, no mínimo, 17 Ministros, no-
territoriais da respectiva jurisdição, meados pelo Presidente da República,
servindo-se de equipamentos. públicos após aprovação pela maioria absoluta
e comunitários. do Senado Federal.
(C) haverá pelo menos um Tribunal Regio- c) os Tribunais Regionais do Trabalho com-
nal do Trabalho em cada Estado e no põem-se de, no mínimo, sete juízes, no-
Distrito Federal, e a lei instituirá as Va- meado~ pelo presidente do Tribunal su-
ras do Trabalho, podendo, nas comar- perior do Trabalho, escolhidos dentre
cas onde não forem instituídas, atribuir brasileiros com mais de trinta e menos
sua jurisdição a Vara do Trabalho mais de sessenta e cinco anos.
próxima. d) a lei criará varas da Justiça do Trabalho,
(D) os mandados de segurança, habeas sendo que nas comarcas não abrangi-
corpus e habeas data, quando o ato das por sua jurisdição, as ações traba-
questionado envolver matéria sujeita à lhistas serão endereçadas aos juízes
jurisdiçao da Justiça do Trabalho serão de direito, com recurso cabível para o
julgados e processados na Justiça Fede- respectivo Tribunal de Justiça.
ral, por se tratar de remédios jurídicos e) a Emenda Constitucional no 45/2004 in-
de natureza constitucional. cluiu dois novos organismos de funcio-
(E) os Tribunais Regionais do Trabalho com- namento junto ao TST que são a Escola
põem-se de, no mínimo, nove juízes, Nacional de Formação e Aperfeiçoa-
que serão recrutados na respectiva re- mento de Magistrados do Trabalho e o
gião, e nomeados pelo Presidente do Conselho Nacional de Justiça.
Tribunal Superior do Trabalho dentre COMENTÁRIOS
brasileiros com mais de trinta e menos Alternativa correta: A. A justiça do trabalho
de sessenta e cinco anos. possui como órgãos: o Tribunal Superior do
COMENTÁRIOS Trabalho, os Tribunais Regionais do Trabalho
e Juízes do Trabalho (art. 111, CF). Para que
Alternativa "b" - Correta: Os Tribunais Re- exista eficiência na prestação jurisdicional, os
gionais do Trabalho estão situados no segun- magistrados necessitam de órgãos auxiliares,
do grau de jurisdição e seus atos, em regra, que se subdividem em: secretarias das varas
decorrem de órgão colegiado. Segundo a art. do trabalho (art. 711, CLT), as secretarias dos
115, § 12 da CF/88, "os Tribunais Regionais do tribunais (art. 719, CLT) e o serviço de distri-
Trabalho instãlàrão a justiça itinerante, com a buição de feitos (art. 713, CLT). Os cartórios
realização de audiências e demais funções de dos Juízos de Direito, investidos de jurisdição
atividade jurisdicional, nos limites territoriais trabalhista, têm as mesmas atribuições e obri-
da respectiva jurisdição, servindo-se de equi- gações atribuídas às secretarias das varas do
pamentos públicos e comunitários". trabalho (art. 716, CLT)

106
Questões - CAPÍTULOS I E li

os. (FCC - Técnico Judiciário - Área Adminis- processual do trabalho, exceto naquilo
trativa - TRT 16/2014). Considere a se- em que for incompatível com as normas
guinte hipótese: Reclamação trabalhis- no texto consolidado.
ta ajuizada perante o Juiz de Direito, (C) somente será aceita a reconvenção
tendo em vista que aquela localidade caso haja a expressa concordância da
não estava abrangida por jurisdição de parte contrária, que terá prazo para
Vara do Trabalho, sendo pelo mesmo exercer o contraditório.
processada e julgada. Inconformadas (D) deve ser aceita a reconvenção em ra-
as partes com o teor da sentença, de- zão de estar expressamente prevista na
vem interpor recurso Consolidação das Leis do Trabalho, como
a) de apelação para o Tribunal de Justiça modalidade de defesa da reclamada.
do Estado. (E) não deve ser aceita a reconvenção, vis-
b) de apelação para o Tribunal Regional to que somente poderia ser proposta
do Trabalho. ação possessória no foro cível, compe-
tente para a matéria.
c) ordinário para o Tribunal de Justiça do
Estado. COMENTÁRIOS
d) ordinário para o Tribunal Regional do Alternativa correta: Letra B.
Trabalho.
O direito processual do trabalho tem como
e) especial para o Superior Tribunal de objetivo regular os processos individuais e co-
Justiça. letivos submetidos à Justiça do Trabalho. Sua
regulamentação vem estabelecia na CLT, bem
COMENTÁRIOS
como em leis esparsas. Pode ocorrer, no en-
Alternativa correta D. Nas localidades não tanto, de a CLT não versar sobre determinado,
compreendidas na jurisdição das Varas do como ocorre com a reconvenção. Neste caso,
Trabalho, o juiz de direito poderá exercer a aplica-se o art. 769 da CLT, que declina: "nos
competência trabalhista. Nesse caso, havendo casos omissos, o direito processual comum
recurso (ordinário), ele será encaminhado ao será fonte subsidiária do direito processual do
TRT e não ao Tribunal de Justiça (CF/88, art. trabalho, exceto naquilo em que for incompa-
112). É o que ocorre no presente caso. tível com as normas deste Título" (TST-IN nº
39/2016, art. 1º; CPC/2015, art. 15).
09. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Jus-
tiça Avaliador - TRT 23/2016) O advoga- 10. (TRT 14° Região/2016 - Analista Judici-
do da reclamada Fênix Produtora, por ário - OJA) Em relação aos princípios
ocasião da audiência UNA, apresentou gerais do processo trabalhista, não ha-
a contestação da ré, bem como recon- vendo norma trabalhista para a prática
venção, por meio da qual pretendeu a de determinado ato processual
devolução de ferramentas de trabalho
(A) aplica-se subsidiariamente a Lei de Exe-
da empresa que ficaram em posse do cuções Fiscais seja qual for a fase pro-
empregado após a rescisão contratual. cessual.
Nessa situação, (B) a Consolidação das Leis do Trabalho
(A) não deve ser aceita a reconvenção, por não prevê nenhuma norma específica
falta de previsão desse ato processual sobre o tema, cabendo ao magistrado
na legislação trabalhista, não podendo escolher a norma processual que me-
ser aplicada outra legislação processu- lhor se aplica ao caso.
al para o caso. (C) será aplicado o Código de Processo Ci-
(B) a Consolidação das Leis do Trabalho vil para solucionar o caso, exceto nas
expressamente prevê que nos ca- fases recursai e de execução, pois nes-
sos omissos, o direito processual co- sas fases se aplica a Lei de Execuções
mum será fonte subsidiária do direito Fiscais.

107
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

(D) .nos casos omissos, o direito proces- COMENTÁRIOS


sual comum será fonte subsidiária do Alternativa correta: Letra E.
direito processual do trabalho, exceto O processo comum é fonte subsidiária e su-
quando houver incompatibilidade com pletiva no processo do trabalho, exigindo para
as normas do processo judiciário do sua aplicação, dois requisitos cumulativos:
trabalho. omissão na CLT e compatibilidade com o pro-
(E) poderá ser aplicado de forma supletiva cesso do trabalho. É o que declina o art. 769
o direito processual comum, seja qual da CLT: "Nos casos omissos, o direito proces-
sual comum será fonte subsidiária do direito
for a fase processual, bastando apenas
processual do trabalho, exceto naquilo em que
que haja omissão da norma trabalhista.
for incompatível com as normas deste Título."
COMENTÁRIOS Nesse sentido, também declinam o art. 15 do
CPC/2015 e o art. 1º da IN nº 39/2016 do TST.
Alternativa correta: Letra D.
Nos termos do art. 769 da CLT "nos casos omis- 12. (Fundação Carlos Chagas. TRT da 9ª
sos, o direito processual comum será fonte
Região/2~15 .. Analista Judiciário.-, .Área.
subsidiária do direito processual do trabalho,
Judiciária. Especialidade Execução de
exceto naquilo em que for incompatível com
as normas deste Título". Noutras palavras, o Mandados) O advogado da empresa
processo comum é fonte subsidiária e supleti- reclamada Ostes Produções Ltda., em
va no processo do trabalho, exigindo para sua defesa de seu constituinte, pretende
aplicação, dois requisitos cumulativos: omis- utilizar determinada medida processu-
são e compatibilidade (TST-IN nº 39/2016, art. al prevista apenas no Código de Pro-
1º; CPC/2015, art. 15) cesso Civil - CPC e não contemplada na
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.
11. (FCC - Analista Judiciário - Área Judiciá- Na situação,
ria - TRT 4/2015) A empresa Sinais dos a) a pretensão deve ser rejeitada por ab-
Tempos, na qualidade de reclamada em soluta falta de previsão legal, tanto da
dissídio individual trabalhista, preten- CLT quanto do CPC.
de utilizar em sua defesa um instituto b) a medida não deve ser aceita, pois a
jurídico previsto apenas na legislação CLT contém regramento próprio e exau-
processual civil. Tal situação riente para todas as situações proces-
a) será sempre possível tão somente suais do Processo Judiciário Trabalhista.
c) na fase de conhecimento do processo
diante da lacuna da legislação proces-
não poderá ser utilizada norma pro-
sual trabalhista.
cessual supletiva, possibilidade cabível
b) não será possível em nenhuma hipóte-
apenas em fase de execução e tão so-
se diante da inflexibilidade das normas
mente com aplicação da Lei de Execu-
processuais trabalhistas.
ções Fiscais.
c) será possível apenas em caso de ex-
d) o direito processual comum será fon-
pressa concordância da parte contrária. te subsidiária do direito processual do
d) será possível somente se fosse utiliza- trabalho nos casos omissos, exceto na-
da pelo empregado em razão do princí- quilo em que for incompatível com as
pio da norma mais favorável ao traba- normas do Processo Judiciário do Tra-
lhador. balho.
e) será possível nos casos omissos, em e) havendo qualquer omissão da CLT, em
que o direito processual comum será. seu Título do Processo Judiciário Traba-
fonte subsidiária do direito processual lhista, poderá a parte subsidiariamente
do trabalho, exceto naquilo em que for aplicar normas do CPC, não havendo o
incompatível com as normas do sistema que se questionar sobre compatibilida-
trabalhista. de de normas.

108
Questões-' CAPÍTULOS I E li

COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS
Alternativa correta: Letra D. Alternativa correta: A. Nos termos do art. 769,
Nos casos em que a CLT não versar sobre de- CLT, havendo omissão na CLT, o direito proces-
terminado tema, aplica-se o processo comum sual comum será fonte subsidiária do direito
(CPC/2015). Noutras palavras, o processo co- processual do Trabalho, exceto naquilo em que
mum é fonte subsidiária no processo do tra- for incompatível com as normas deste título.
balho, exigindo para sua aplicação, dois requi- Exige, portanto, a cumulação de dois requisi-
sitos cumulativos: omissão e compatibilidade. tos: omissão da CLT + compatibilidade com o
É o que declina o art. 769 da CLT: "Nos casos processo do trabalho. Nesse sentido, também
declinam o art. 15 do CPC/2015 e o art. lQ da
omissos, o direito processual comum será fon-
IN n2 39/2016 do TST.
te subsidiária do direito processual do traba-
lho, exceto naquilo em que for incompatível
com as normas deste Título." 14. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju-
O Novo CPC passa a estabelecer que, na au- diciário - Judiciária - Oficial de Justiça
sência de normas que regulem processos elei- Avaliador - TRT 18/2013) Para analisar e
torais, trabalhistas ou administrativos, as dis- julgar os litígios individuais de natureza
posições do CPC lhes serão aplicadas supletiva trabalhista, o Juiz do Trabalho e os Tri-
e subsidiariamente ·(art. 15).• Nesse sentido, bunais do Trabalho devem valer-se de
declina o art. 12 da IN n2 39/2016 do TST. normas processuais
a) contidas na Consolidação das Leis do
13. (Fundação Carlos Chagas - Analista Judi-
Trabalho, na fase de conhecimento do
ciário - Judiciária -TRT 18/2013) Para pro-
processo, e do Código de Processo Civil
cessar e julgar uma ação reclamatória
na fase de execução.
trabalhista ou um dissídio coletivo, tanto
b) do Código de Processo Civil e, de forma
o magistrado do trabalho como o desem-
subsidiária, das regras contidas na Con-
bargador do Tribunal Regional deverão
solidação das Leis do Trabalho.
reger-se pelas normas estabelecidas
c) do Código de Processo Civil, na fase de
a) na Consolidação das Leis do Trabalho conhecimento do processo, e das re-
e, nos casos omissos, o direito proces- gras contidas na Lei de Execuções Fis-
sual comum será fonte subsidiária do cais na fase de execução da sentença.
direito processual do trabalho, exceto d) previstas na Consolidação das Leis do
naquilo em que for incompatível com Trabalho e, nos casos omissos, o direi-
essas normas. to processual comum será aplicado de
b) no Código de Processo Civil e, de forma forma subsidiária, exceto naquilo em
subsidiária, por normas gerais previstas que houver incompatibilidade.
na Consolidação das Leis do Trabalho. e) previstas na Consolidação das Leis do
c) na Constituição Federal e no direito Trabalho até a sentença, utilizando toda
processual comum, diante da ausência a matéria recursai prevista no Código
de regras específicas na Consolidação de Processo Civil e, por fim, das regras
das Leis do Trabalho. contidas na Lei de Execuções Fiscais na
d) somente no Código Processual Civil, fase de execução da sentença.
conforme o poder de direção geral do
. COMENTÁRIOS
processo determinado aos Juízos e Tri-
bunais do Trabalho. Alternativa correta: D. Atente-se para o fato
de ser muito recorrente a presente questão
e) na Consolidação das Leis do Trabalho
nas provas para analista do TRT. Assim, nos
ou na Lei de Execuções Fiscais, ou ainda, termos do art. 769, CLT, havendo omissão na
no Código Processual Civil, cabendo a CLT, o direito processual comum será fonte
escolha às partes, conforme a situação, subsidiária do direito processual do Trabalho,
e de acordo com a fase processual. exceto naquilo em que for incompatível com

109
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Míessa

as normas deste título. De acordo com o art. b) suscetível de impugnação mediante recurso
15 do CPC/2015, aplicável ao processo do tra- para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção
balho (TST-IN n939/2016, art. 19), o processo de incompetência territorial, com a remessa
comum é aplicado supletiva e subsidiariamen- dos autos para Tribunal Regional distinto da-
te ao processo do trabalho. quele a que se vincula o juízo excepcionado,
consoante o disposto no art. 799, § 29, da CLT.
15. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju-
diciário - Judiciária - TRT 1/2013) Consi- 16. (CESPE - Analista Judiciário - Área: Judi-
derando-se os princípios gerais do pro- ciária -TRT 8/2013) No que se refere aos
cesso aplicáveis ao processo judiciário princípios gerais do processo trabalhis-
trabalhista é correto afirmar: ta, assinale a opção correta.

a) A irrecorribilidade das decisões interlo- a) A verdade real, derivada do direito


cutórias é um dos aspectos da oralida- material do trabalho, não tem aplica-
de, plenamente identificado no proces- ção no campo processual, pois o que
so trabalhista. importa para o julgamento é a prova
b) Não se aplica o princípio da concentra- .do.c~fTl~ntal apresentatjc1 nQs autos pe-
ção dos atos processuais em audiência, las partes.
como ocorre no processo comum. b) o princípio do dispositivo, segundo o
qual o juiz está impedido de prestar
c) Não há omissão das normas processu-
ais na Consolidação das Leis do Traba- a tutela jurisdicional sem que a parte
lho que justifique a aplicação subsidiá- interessada a requeira, não é aplicado
ria do processo comum. no processo do trabalho, instância na
d) Havendo omissão das normas pro- qual impera a instauração processual
por impulso oficial em favorecimento
cessuais na Consolidação das Leis do
ao trabalhador.
Trabalho fica a critério de cada Juiz a
aplicação do direito processual comum, c) Não se aplica ao processo do trabalho
cujo critério para adoção é a concor- o princípio da oralidade, devendo os
dância das partes. atos processuais ser expressamente
e) A execução trabalhista poderá ser pro- formalizados para que a parte possa
impugná-los quando viciados.
movida apenas pelas partes interessa-
das, não havendo o impulso oficial "ex
d) o princípio da proteção, claramente
evidenciado no direito material do tra-
officio" pelo próprio Juiz competente.
balho, é também aplicável ao processo
COMENTÁRIOS do trabalho e com base nele o juiz do
Alternativa correta: A. Vale recapitular que trabalho pode instituir privilégios pro-
o princípio da oralidade se subdivide em três cessuais ao trabalhador, conferindo tra-
princípios: 1) identidade física do juiz; 2) con- tamento não isonômico entre as partes.
centração dos atos processuais e; 3) irrecor- e) A inclusão na liquidação de sentença
ribilidade das decisões interlocutórias. Este
de juros de mora e de correção mo-
último princípio está previsto no art. 893, §
netária, ainda que a petição inicial e
19, da CLT que estabelece: "Os incidentes do
processo são resolvidos pelo próprio juízo ou
a condenação tenham sido omissas a
tribunal, admitindo-se a apreciação do mere- tal respeito, exemplifica o princípio da
cimento das decisões interlocutórias somente extrapetição, aplicável ao processo do
em recurso da decisão definitiva.'' Cabe ressal- trabalho.
tar que existem 3 exceções a esse princípio,
COMENTÁRIOS
previstas na Súmula 214 do TST, sendo, por-
tanto, cabível recurso imediato das decisões Alternativa correta: E. Esta questão exige do
interlocutórias: a) de Tribunal Regional do Tra- candidato o conhecimento acerca do princípio
balho contrária à Súmula ou Orientação Juris- da extrapetição e sobre o teor da Súmula n9
prudencial do Tribunal Superior do Trabalho; 211 do TST. Assim, relembre-se que o princípio

110
Questões - CAPÍTULOS I E li

da extrapetição permite que o juiz, nos casos Regionais, oriundos da magistratura,


expressamente previstos em lei, condene o indicados pelo colégio de Presidentes
réu em pedidos não contidos na petição inicial, e Corregedores dos Tribunais Regionais,
ou seja, autoriza o julgador a conceder mais do
além de 1/5 oriundo da advocacia e Mi-
que o pleiteado, ou mesmo vantagem diversa
nistério Público do Trabalho e 1/5 indi-
da que foi requerida. Nesse sentido, a.Súmula
211 do TST preceitua que: "Os juros de mora
cados pelas confederações sindicais.
e a correção monetária incluem-se na liqui- (B) a lei criará varas da Justiça do Trabalho,
dação, ainda que omisso o pedido inicial ou a podendo, nas comarcas não abrangidas
condenação." por sua jurisdição, atribuí-la aos Juízes
Federais, com recurso para o respecti-
17. (Fundação Carlos Chagas. TRT da 9• vo Tribunal Regional Federal.
Região/2015. Analista Judiciário - Área (C) são órgãos da Justiça do Trabalho as
Judiciária. Especialidade Execução de Comissões de Conciliação Prévia, as Va-
Mandados) Conforme determinações ras do Trabalho, os Tribunais Regionais
contidas na Consolidação das Leis do do Trabalho e o Tribunal Superior do
Trabalho, as propostas de conciliação Trabalho.
no Processo Judiciário do Trabalho de- (D) o Tribunal Superior do Trabalho compor-
vem ser realizadas · -se-á de 27 Ministros, escolhidos dentre
brasileiros com mais de 35 e menos de
a) após a apresentação da defesa e reno-
65 anos, nomeados pelo Presidente da
vadas após as razões finais.
República após aprovação pela maioria
b) antes da apresentação da defesa e re-
absoluta do Senado Federal.
novadas após as razões finais.
(E) a Escola Nacional de Formação e Aper-
c) somente nos processos que tramitam
feiçoamento de Magistrados do Traba-
pelo rito sumaríssimo em razão do va-
lho e o Conselho Superior da Justiça do
lor atribuído à causa.
Trabalho funcionarão junto ao Conselho
d) após o depoimento das partes e antes
Nacional de Justiça, vinculado ao Supre-
do término da instrução processual.
mo Tribunal Federal.
e) após a oitiva das partes e quando do
encerramento da instrução processual. COMENTÁRIOS

COMENTÁRIOS Alternativa correta: Letra D.


O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de
Alternativa correta: Letra B.
cúpula do Poder Judiciário Trabalhista, com
O processo do trabalho dá ênfase à solução do jurisdição em todo o território nacional, sedia-
conflito por meio da conciliação, nesse sentido do na capital do País, Brasília. Sua composição
o art. 764 da CLT. No rito ordinário, a CLT prevê vem descrita no art. 111-A da Constituição Fe-
dois momentos obrigatórios de tentativa de deral que dispõe:
conciliação a ser conduzida pelo juiz. 1• - na
Art. 111-A. O Tribunal Superior do
abertura da audiência inicial e antes da apre-
Trabalho compor-se-á de vinte e sete
sentação da defesa {art. 846 da CLT); 2• - de-
Ministros, escolhidos dentre brasilei-
pois das razões finais e antes da sentença {art. ros com mais de trinta e cinco anos
850 da CLT). e menos de sessenta e cinco anos,
de notável saber jurídico e reputação
18. (FCC - Analista Judiciário - Área Judiciá- ilibada, nomeados pelo Presidente da
ria - TRT 23/ 2016) Em consonância com República após aprovação pela maio-
ria absoluta do Senado Federal{ ... )
os ditames constitucionais quanto à or-
ganização e competência da Justiça do Ressaltamos que a questão é anterior à Emenda
Constitucional nº 92, de 12 de julho de 2016, a
Trabalho,
qual passou a exigir um novo requisito: notável
(A) o Tribunal Superior do Trabalho será saber jurídico e reputação ilibada. Portanto,
composto por juízes dos Tribunais atualmente a alternativa está incompleta.

111
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

19, (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Justi- da magistratura de carreira, indicados


ça Avaliador -TRT 3/2015) Quanto à orga- pelos Tribunais Regionais.
nização da Justiça do Trabalho, o Tribunal d) 25 (vinte e cinco) Ministros, escolhidos
Superior' do Trabalho compor-se-á de dentre brasileiros com mais de 35 (trin-
a) 27 (vinte e sete) Ministros, escolhidos ta e cinco) e menos de 65 (sessenta e
cinco) anos, nomeados pelo Presiden-
dentre brasileiros com mais de 35 (trin-
te da República após aprovação pela
ta e cinco) e menos de 65 (sessenta e
maioria absoluta do Senado Federal e
cinco) anos, nomeados pelo Presiden-
da Câmara dos Deputados, sendo um
te. da República após aprovação pela
quinto dentre advogados com mais de
maioria absoluta do Senado Federal,
dez anos de efetiva atividade profis-
sendo um quinto dentre advogados
sional e membros do Ministério Público
com mais de dez anos de efetiva ati- do Trabalho com mais de dez anos de
vidade profissional e membros do Mi- efetivo exercício, sendo os demais den-
nistério Público do Trabalho com mais tre juízes dos Tribunais Regionais do
de dez anos de efetivo exercício, sendo Trabalho oriundos da magistratura de
os demais dentre juízes dos Tribunais carreira, indicados pelo próprio Tribu-
Regionais do Trabalho oriundos da ma- nal Superior.
gistratura de carreira, indicados pelo e) 20 (vinte) Ministros, escolhidos dentre
próprio Tribunal Superior. brasileiros natos com mais de 30 (trin-
b) 25 (vinte e cinco) Ministros, escolhidos ta) e menos de 60 (sessenta) anos, no-
dentre brasileiros natos ou naturaliza- meados pelo Presidente da República
dos com mais de 30 (trinta) e menos após aprovação pela maioria simples
de 60 (sessenta) anos, nomeados pelo do Senado Federal, sendo metade den-
Presidente da República após aprova- tre advogados com mais de dez anos
ção pela maioria simples do Senado de efetiva atividade profissional e
Federal, sendo um terço dentre advo- membros do Ministério Público do Tra-
gados com mais de quinze anos de efe- balho com mais de dez anos de efetivo
tiva atividade profissional e membros exercício, e a outra metade dentre juí-
do Ministério Público do Trabalho com zes dos Tribunais Regionais do Trabalho
mais de dez anos de efetivo exercício, oriundos da magistratura de carreira,
sendo os demais dentre juízes dos Tri- indicados pelos Tribunais Regionais.
bunais Regionais do Trabalho oriundos COMENTÁRIOS
da magistratura de carreira, indicados
Alternativa correta: Letra A.
pelo próprio Tribunal Superior.
O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de
c) 27 (vinte e sete) Ministros, escolhidos
cúpula do Poder Judiciário Trabalhista, com
dentre brasileiros natos ou naturaliza- jurisdição em todo o território nacional, sedia-
dos com mais de 35 (trinta e cinco) e do na capital do País, Brasília. Sua composição
menos de 75 (setenta e cinco) anos, no- vem descrita no art. 111-A da Constituição Fe-
meados pelo Presidente da República deral que dispõe:
após aprovação pela maioria absoluta Art. 111-A. O Tribunal Superior do
do Senado Federal e da Câmara dos De- Trabalho compor-se-á de vinte e sete
putados, sendo um terço dentre advo- Ministros, escolhidos dentre brasilei-
gados com mais de cinco anos de efe- ros com mais de trinta e cinco anos
e menos de sessenta e cinco anos,
tiva atividade profissional e membros
de notável saber jurídico e reputação
do Ministério Público do Trabalho com ilibada, nomeados pelo Presidente
mais de cinco anos de efetivo exercício, da República após aprovação pela
sendo os demais dentre juízes dos Tri- maioria absoluta do Senado Federal,
bunais Regionais do Trabalho oriundos sendo:

112
Questões - CAPÍTULOS I E li

1 - um quinto dentre advogados com (E) o Conselho Superior da Justiça do Tra-


mais de dez anos de efetiva atividade balho é o órgão máximo do sistema,
profissional e membros do Ministério mas não funciona junto ao Tribunal Su-
Público do Trabalho com mais de dez
perior do Trabalho, cabendo-lhe exer-
anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;
cer apenas a supervisão administrativa
da Justiça do Trabalho, com decisões de
li - os demais dentre juízes dos Tribu-
caráter consultivo e não vinculante.
nais Regi_onais do Trabalho, oriundos
da magistratura da carreira, indicados COMENTÁRIOS
pelo próprio Tribunal Superior. (... )
Alternativa correta: C.
Ressaltamos que a questão ·é anterior à Emen-
Nos termos do art. 115, § 22, da CF "os Tribu-
da Constitucional nº 92, de 12 de julho de
nais Regionais do Trabalho poderão fun-
2016, a qual passou a exigir um novo requisi-
cionar descentralizadamente, constituindo
to: notável. saber jurídico e reputação ilibada.
Câmaras regionais, a fim de assegurar o
Portanto, atualmente a alternativa está incom-
pleno acesso do jurisdicionado à justiça
pleta.
em todas as fases do processo.
20. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Jus-
tiça Avaliador - TRT 23/2016) Conforme 21. (Fundação Carlos Chagas ...: Analista
previsão constitucional, a Justiça do Tra- Judiciário - Judiciária - TRT 1/2013) A
balho é um órgão do Poder Judiciário. A Constituição da República Federativa
respeito da sua organização, da jurisdi- do Brasil apresenta normas relativas à
ção e da competência, organização e competência da Justiça
do Trabalho. Segundo tais normas, é IN-
(A) a maior corte é o Tribunal Superior do
CORRETO afirmar que
Trabalho, com sede em Brasília e ju-
risdição nacional, composto por trinta a) o Tribunal Superior do Trabalho com-
e três ministros, sendo 2/3 dentre de- por-se-á de vinte e sete Ministros, es-
sembargadores dos Tribunais Regionais colhidos dentre brasileiros com mais de
e 1/3 dentre advogados e Ministério Pú- trinta e cinco e menos de sessenta e
blico do Trabalho. cinco anos, nomeados pelo Presiden-
(B) cada estado membro deverá ter, pelo te da República após aprovação pela
menos, um Tribunal Regional do Traba- maioria absoluta do Senado Federal.
lho, composto de, no mínimo, os de- b) funcionará junto ao Tribunal Superior
sembargadores da própria região que do Trabalho o Conselho Superior da
formarão 3/5 da corte, além de 1/5 da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exer-
advocacia e 1/5 do Ministério Público cer, na forma da lei, a supervisão ad-
do Trabalho. ministrativa, orçamentária, financeira e
(C) os Tribunais Regionais do Trabalho po- patrimonial da Justiça do Trabalho de
derão funcionar de forma descentrali- primeiro e segundo graus, como órgão
zada, constituindo Câmaras regionais, a central do sistema, cujas decisões terão
fim de assegurar pleno acesso do juris-. efeito vinculante.
dicionado à justiça em todas as fases c) haverá pelo menos um Tribunal Regional
do processo. do Trabalho em cada Estado e no Distri-
(D) nas Varas do Trabalho a jurisdição será to Federal, e a lei instituirá as Varas do
exercida por um juiz singular togado, Trabalho, podendo, nas comarcas onde
auxiliado por dois representantes dos não forem instituídas, atribuir jurisdição
sindicatos das categorias profissional e aos juízes de direito, com recurso para
econômica, coma participação de um o respectivo Tribunal de Justiça.
membro do Ministério Público do Tra- d) compete à Justiça do Trabalho pro-
balho. cessar e julgar as ações relativas às

113
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

penalidades administrativas impostas e o Tribunal Superior do Trabalho são


aos empregadores pelos órgãos de órgãos da Justiça do Trabalho.
fiscalização das relações de trabalho. b) o Tribunal Superior do Trabalho será
e) os Tribunais Regionais do Trabalho com- composto de dezessete Ministros, to-
põem-se de, no mínimo, sete juízes, re- gados e vitalícios, dos quais treze es-
crutados, quando possível, na respecti- colhidos dentre juízes dos Tribunais
va região, e nomeados pelo Presidente Regionais do Trabalho, dois dentre ad-
da República dentre brasileiros com vogados e dois dentre membros do Mi-
mais de trinta e menos de sessenta e nistério Público do Trabalho.
cinco anos. c) O Conselho Superior da Justiça do Tra-
COMENTÁRIOS balho funcionará junto ao Tribunal Su-
perior do Trabalho, cabendo-lhe exer-
Alternativa correta: C. Antes da Emenda Cons-
titucional nº 45/04, o art. 112 da CF exigia a cer, na forma da lei, a supervisão ad-
existência de pelo menos 1 tribunal em cada ministrativa, orçamentária, financeira e
estado e. no DF. Contudo, após o advento da patrimonial da Justiça do Trabalho de
referida emenda, a Constituição Federal não faz primeiro e segundo graus, como órgão
tal exigência, permitindo, inclusive, que os TRTs central do sistema, cujas decisões terão
existentes instalem a justiça itinerante (justiça
efeito vinculante.
móvel) e que funcionem descentralizada mente,
d) A Escola Nacional de Formação e Aper-
nos termos do art. 115, § § 1.º e 22, da CF:
feiçoamento de Magistrados do Traba-
"§ 1º Os Tribunais Regionais do Traba-
lho, não funcionará junto ao Tribunal
lho instalarão a justiça itinerante, com
a realização de audiências e demais Superior do Trabalho por se tratar de
funções de atividade jurisdicional, nos órgão administrativo e consultivo, sem
limites territoriais da respectiva juris- funções jurisdicionais, cabendo-lhe ape-
dição, servindo-se de equipamentos nas regulamentar os cursos oficiais para
públicos e comunitários"; o ingresso e promoção na carreira.
"§ 2º Os Tribunais Regionais do Traba- e) A competência da Justiça do Trabalho
lho poderão funcionar descentraliza- não abrange nenhum dos entes ou or-
damente, constituindo Câmaras regio-
ganismos de direito público externo,
nais, a fim de assegurar o pleno acesso
do jurisdicionado à justiça em todas as
ainda que se trate de relação de em-
fases do processo." prego, visto que em razão da pessoa
Além disso, vale mencionar que a redação atu-
litigante a competência será da Justiça
al do art. 112 da CF declina que "a lei criará Federal Comum.
varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas co- COMENTÁRIOS
marcas não abrangidas por sua jurisdição, atri-
buí-la aos juízes de direito, com recurso para o Alternativa correta: Letra C.
respectivo Tribunal Regional do Trabalho". Com a EC nº 45/04, passou a funcionar jun-
to ao TST, conforme o art. 111-A, § 22, li da
22. (Fundação Carlos Chagas. TRT da 9• CF/88: "o Conselho Superior da Justiça do Tra-
Região/2015. Analista Judiciário - Área balho, cabendo-lhe exercer, na forma da lei,
. Judiciária) Sobre organização e compe- a supervisão administrativa, orçamentária,
financeira e patrimonial da Justiça do Traba-
tência da Justiça do Trabalho, conforme
lho de primeiro e segundo graus, como órgão
ditames insculpidos na Constituição Fe-
central do sistema, cujas decisões terão efei-
deral do Brasil é correto afirmar: to vinéulante".
a) Os Juizados Especiais Acidentários Tra- Assim, o CSJT atua apenas no âmbito adminis-
balhistas, as Varas do Trabalho, os trativo, orçamentário, financeiro e patrimonial
Tribunais Regionais do Trabalho, os Tri- da Justiça do Trabalho, não exercendo ativida-
bunais Arbitrais Coletivos do Trabalho de jurisdicional.

114
Questões - CAPÍTULOS I E li

23. (FCC - Analista Judiciário - Área Judiciá- termos da legislação vigente, é correto
ria - TRT 3/2015) Em relação às Varas afirmar que
do Trabalho e aos Tribunais Regionais a) a Justiça do Trabalho não é competente
do Trabalho, para processar e julgar as ações entre
a) a lei criará Varas da Justiça do Trabalho, trabalhadores portuários e os opera-
podendo, nas comarcas não abrangidas dores portuários ou o Órgão Gestor de
por sua jurisdição, atribuí-la aos Juízes Mão de Obra decorrentes da relação de
de Direito, com Recurso para o respec- trabalho, visto que por envolver traba-
tivo Tribunal Regional do Trabalho. lho marítimo a competência é da Justiça
b) a lei criará Varas da Justiça do Trabalho, Federal.
não podendo, nas comarcas não abran- b) a competência das Varas do Trabalho
gidas por sua jurisdição, atribuí-la aos é determinada pela localidade onde o
Juízes de Direito, com Recurso para o empregado, reclamante ou reclamado,
respectivo Tribunal Regional do Trabalho. foi contratado, independentemente do
c) a lei criará Varas da Justiça do Trabalho, local onde prestou seus serviços ao
podendo, nas comarcas não abrangidas empregador.
por sua jurisdição, atribuí-la aos Juízes c) a lei criará Varas da Justiça do Trabalho,
de Direito, com Recurso para o respec- podendo, nas comarcas não abrangidas
tivo Tribunal de Justiça. por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes
d) há, atualmente, no Brasil, 22 Tribunais de direito, com recurso para o respec-
Regionais do Trabalho, sendo um em tivo Tribunal Regional do Trabalho.
cada Estado, exceto no Estado de São d) o Tribunal Superior do Trabalho com-
Paulo que possui dois Tribunais Re- por-se-á de vinte e sete Ministros, es-
gionais do Trabalho. colhidos dentre brasileiros com mais de
e) compete aos Tribunais Regionais do trinta e cinco e menos de sessenta e
Trabalho, julgar os recursos ordinários cinco anos, nomeados pelo Presiden-
interpostos em face das decisões das te da República após aprovação pela
Varas e também, originariamente, as maioria simples do Congresso Nacional.
ações envolvendo relação de trabalho. e) a Justiça do Trabalho tem competência
COMENTÁRIOS para processar e julgar a execução, de
ofício, das contribuições sociais previ-
Alternativa correta: Letra A.
denciárias e de imposto de renda, de-
Em regra, a competência trabalhista é confe-
correntes das sentenças que proferir.
rida aos juízes do trabalho. No entanto, nas
localidades não compreendidas na jurisdição COMENTÁRIOS
das Varas do Trabalho, o juiz de direito poderá
exercer a competência trabalhista. Nesse caso, Alternativa correta: C. Trata-se de questão
atente-se para o fato de que havendo recur- recorrente. Assim, conforme se depreende do
so (ordinário), ele será encaminhado ao TRT e art. 112, da CF: "a lei criará varas da Justiça do
não ao Tribunal de Justiça. É o que disciplina o Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangi-
art. 112 da CF: "A lei criará varas da Justiça do das por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de
Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangi- direito, com recurso para o respectivo Tribunal
das por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de Regional do Trabalho".
direito, com recurso para o respectivo Tribunal
Regional do Trabalho." 25. (Fundação Carlos Chagas. TRT da 9• Re-
gião/2015. Analista Judiciário - Área Ju-
24. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju- diciária) A Consolidação das Leis do Tra-
diciário - Exec. Mandados - TRT 1/2013) balho, em seu Título VIII, apresenta uma
Sobre a organização, jurisdição e com- série de normas que disciplina a orga-
petência da Justiça do Trabalho, nos nização, funcionamento e competência

115
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

da Justiça do Trabalho e dos seus servi- Direito Processual do Trabalho à luz da


ços auxiliares. Em consonância com tais Consolidação das Leis do Trabalho.
dispositivos, é INCORRETO afirmar: 1. Compete ao distribuidor a contagem
a) Os distribuidores são designados pelo das custas devidas pelas partes, nos
Juiz Diretor do Foro, dentre os funcio- respectivos processos e a realização
nários das Varas do Tribunal Regional, de penhoras.
existentes na mesma localidade, fi- li. Os serventuários que, sem motivo justi-
cando diretamente subordinados ao ficado, não realizarem os atos, dentro
Corregedor ou Vice Administrativo do dos prazos fixados, serão descontados
Tribunal. em seus vencimentos, em tantos dias
b) A Justiça do Trabalho é competente, ain- quantos os do excesso.
da, para processar e julgar as ações en- Ili. Os distribuidores são designados pelo
tre trabalhadores portuários e os ope- Juiz da Vara mais antiga, dentre os
radores portuários ou o Órgão Gestor funcionários das Varas e do Tribunal
de Mão de Obra OGMO; decorrentes Regional, existentes na mesma loca-
da relação de trabalho. lidade, e ao mesmo Juiz diretamente
c) O serviço da Justiça do Trabalho é re- subordinados.
levante e obrigatório, ninguém dele IV. Na falta ou impedimento do Oficial de
podendo eximir-se, salvo motivo justi- Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador, o
ficado. Juiz da Vara poderá atribuir a realiza-
d) Nas localidades não compreendidas na ção do ato a qualquer serventuário.
jurisdição das Varas do Trabalho, os Está correto o que se afirma APENAS em
Juízos de Direito são os órgãos de ad- a) 1 e li.
ministração da Justiça do Trabalho, com b) Ili e IV.
a jurisdição que lhes for determinada c) li e IV.
pela lei de organização judiciária local. d) li e Ili.
e) Compete à Secretaria da Vara a informa- e) 1 e IV.
ção, às partes interessadas e seus pro- COMENTÁRIOS
curadores, do andamento dos respecti-
Alternativa correta: C.
vos processos, cuja consulta lhes facilita-
Item 1. Incorreto. O erro da afirmativa está na
rá, e a abertura de vista dos processos
competência para tal atividade, uma vez que
às partes na própria Secretaria.
está é da secretaria das varas do trabalho,
COMENTÁRIOS conforme art. 711, alínea "f" e "h", da CLT que
seguem: "Art. 711: Compete à secretaria das
Alternativa correta: Letra A. Varas: (... ) f) a contagem das custas devidas
Nos termos do art. 715 da CLT: "Os distribuido- pelas partes, nos respectivos processos;( ... ) h)
res são designados pelo Presidente do Tribunal a realização das penhoras e demais diligências
Regional dentre os funcionários das Juntas e processuais; (... )"
do Tribunal Regional, existentes na mesma lo- Item li. Correto. A afirmativa tem como base o
calidade, e ao mesmo Presidente diretamente parágrafo único do art. 712 da CLT: "( ... ) Pará-
subordinados". Atualmente, tem-se admitido grafo único. Os serventuários que, sem motivo
que o regimento interno do tribunal estabe- justificado, não realizarem os atos, dentro dos
leça a referida designação, no entanto, para prazos fixados, serão descontados em seus
provas objetivas o candidato deve memorizar vencimentos, em tanto dias quanto os do ex-
o texto da lei. cesso."
Item Ili. Incorreto. Conforme dispõe do art.
26. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju- 715 da CLT: "Os distribuidores são designados
diciário - -~dministrativa - mr 1/2013) pelo presidente do Tribunal Regional, den-
Analise as assertivas abaixo sobre tre os funcionários das Varas e do Tribunal

116
Questões - CAPÍTULOS I E li

Regional, existentes na mesma localidade, e erro da alternativa está na negação da compe-


ao mesmo presidente diretamente subordina- tência, segundo o art. 711, "f", compete as se-
dos." Assim, a designação será realizada pelo cretarias da Varas: "a contagem das custas de-
presidente do Tribunal Regional e não pelo Juiz vidas pelas partes, nos respectivos processos".
da Vara mais antiga como afirma o item.
Item IV. Correto. De acordo com o § 5º do art. 28. (Fundação Carlos Chagas - Analista
721 da CLT: "( ... )§ Sº Na falta ou impedimento Judiciário - Judiciária - TRT 18/2013) A
do Oficial de Justiça ou Oficial de Justiça Ava- Consolidação das Leis do Trabalho dis-
liador, o Presidente da Junta poderá atribuir a ciplina os serviços auxiliares da Justiça
realização do ato a qualquer serventuário.'' do Trabalho, prevendo que
a) o Juiz da Vara do Trabalho, na falta
27. (FCC -Analista Judiciário - Oficial de Jus-
ou impedimento do Oficial de Justiça
tiça Avaliador - TRT 23/2016) Conforme
ou Oficial de Justiça Avaliador, deverá
normas contidas na Consolidação das
requisitar ao advogado da parte inte-
Leis do Trabalho sobre os serviços auxi-
ressada ou a agente policial militar a
liares da Justiça do Trabalho, incluindo
realização do ato.
os distribuidores e os oficiais de justiça,
b) haverá um distribuidor em todas as lo-
é INCORRETO afirmar que
calidades incluindo aquelas que possu-
(A) não compete à Secretaria das Varas a am apenas uma Vara do Trabalho.
contagem das custas devidas pelas par- c) os distribuidores serão designados e
tes, nos respectivos processos, mas sim diretamente subordinados ao Juiz Di-
ao órgão distribuidor. retor do Fórum, escolhidos entre os
(B) compete especialmente aos chefes de funcionários. das Varas do Trabalho de
secretaria das Varas promover o rápi- qualquer localidade da circunscrição do
do andamento dos processos, especial- Tribunal.
mente na fase de execução, e a pronta d) o prazo previsto para o cumprimento
realização dos atos e diligências depre- do ato de avaliação pelo Oficial de Jus-
cadas pelas autoridades superiores. tiça Avaliador será de 05 dias, contados
(C) compete ao distribuidor a distribuição, da data da sua nomeação.
pela ordem rigorosa de entrada, e su- e) compete à Secretaria das Varas do Tra-
cessivamente a cada Vara, dos feitos balho a contagem das custas devidas
que, para esse fim, lhe forem apresen- pelas partes, nos respectivos proces-
tados pelos interessados. sos.
(D) os distribuidores são designados pelo
COMENTÁRIOS
Presidente do Tribunal Regional, dentre
os funcionários das Varas e do Tribunal Alternativa correta: E: Conforme· preceitua o
Regional, existentes na mesma localida- art. 711, "f", da CLT, compete as varas do tra-
balho: a contagem das custas devidas pelas
de, e ao mesmo Presidente diretamen-
partes, nos respectivos processos.
te subordinados.
(E) é facultado aos Presidentes dos Tribu-
29. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju-
nais Regionais do Trabalho cometer a
diciário - Exec. Mandados - TRT 6/2012)
qualquer Oficial de Justiça ou Oficial de
Quanto aos serviços auxiliares da Jus-
Justiça Avaliador a realização dos atos de
tiça do Trabalho, é INCORRETO afirmar:
execução das decisões desses Tribunais.
a) Compete à secretaria das Varas do
COMENTÁRIOS Trabalho o recebimento, a autuação, o
Alternativa correta: A. andamento, a guarda e a conservação
O candidato deveriaestar atento que o exami- dos processos e outros papéis que lhe
nador questionou a alternativa INCORRETA. O forem encaminhados.

117
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

b) Nas localidades em que existir mais COMENTÁRIOS


de uma Vara do Trabalho compete ao Certo. A Justiça Trabalhista é parte integrante
distribuidor a distribuição, pela ordem do Poder Jurisdicional brasileiro, estando su-
rigorosa de entrada, e sucessivamente jeita às suas regras de caráter geral, como é
a cada Vara, dos feitos que, para esse o caso das exigências para o ingresso na ma-
fim, lhe forem apresentados pelos inte- gistratura, presentes no art. 93, 1, da CF/88:
ingresso na carreira como juiz substituto, por
ressados.
meio de concurso público de provas e títulos,
c) Compete à secretaria das Varas do Tra-
com a participação da OAB em todas as fa-
balho a realização das penhoras e de- ses, devendo o ingressante ser bacharel em
mais diligências processuais. direito com o período mínimo de três anos de
d) Na falta ou impedimento do Oficial de atividade jurídica, sendo respeitada a ordem
Justiça ou Oficial de Justiça Avaliador, o de classificação.
Juiz poderá atribuir a realização do ato
a qualquer serventuário. 31. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17ª Região.
e) No caso de avaliação, terá o Oficial de _. Analista Judiciário = Área Administrati-
Justiça Avaliador, para cumprimento do
va) Entre os deveres precípuos do juiz
titular da vara do trabalho, estão o de
ato, o prazo de 15 (quinze) dias.
residir dentro dos limites de sua juris-
COMENTÁRIOS dição e o de não poder ausentar-se
Alternativa correta: E. Conforme preceitua o sem a licença do presidente do respec-
32 art. 721 da CLT: "§ 32 No caso de avaliação, tivo TRT.
terá o Oficial de Justiça Avaliador, para cum-
primento do ato, o prazo previsto no art. 888." COMENTÁRIOS
Este artigo dispõe que o prazo para a conclu- Certo. Todo juiz titular deverá residir em sua
são da avaliação do bem penhorado será de 10 respectiva comarca, salvo autorização do tri-
dias. Assim, dispõe o art. 888, caput, da CLT: bunal (art. 93, VII, CF/88).
"Concluída a avaliação, dentro de dez dias,
contados da data da nomeação do avaliador Com base na jurisdição e na competên-
(... }". cia das varas do trabalho, dos TRTs e do
As demais alternativas estão corretas, por for- TST, julgue os itens subsequentes.
ça dos seguintes artigos da CLT: letra a (art.
711, a); letra b (arts. 713 e 714, a}; letra c (art. 32. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17• Região.
711, h); letra d (art. 721, § 52). Analista Judiciário - Área Administrati-
va) É da competência da Seção de Dissí-
Considerando a organização e a com- dios Coletivos do TST aprovar os prece-
petência da justiça do trabalho, julgue dentes da jurisprudência predominante
os itens: em dissídios coletivos.

30. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17• Região. COMENTÁRIOS


Analista Judiciário - Área Administrati- Errado. A Seção Especializada em Dissídios Co-
va) o juiz do trabalho ingressa na car- letivos é um órgão do Tribunal Superior do Tra-
reira como substituto, mediante con- balho (art. 59, Ili, Regimento Interno do TST}.
curso público de provas e títulos, com a Tem competência para julgar, portanto, os dis-
participação da Ordem dos Advogados sídios coletivos. Havendo decisões reiteradas
sobre determinado tema, e com o objetivo de
do Brasil em todas as fases, no qual se
agilizar a prestação jurisdicional, criam-se as
exige do bacharel em direito no míni-
orientações jurisprudenciais e os precedentes
mo três anos de atividade jurídica e se normativos. Estes últimos são aprovados pelo
obedece, nas nomeações, à ordem de Tribunal pleno do TST. (art. 68, VII, Regimento
classificação. Interno do TST).

118
Questões - CAPÍTULOS I E li

33. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17• Região. 1uIzes, recrutados, quando possível, na res-
Analista Judiciário - Área Administrati- pectiva região (art. 115, caput, primeira parte,
CF/88).
va) Inexiste possibilidade de juízes de
direito atuarem na área trabalhista, Assertiva li. Incorreta. Os Tribunais Regionais
do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete
considerando-se ser a justiça do traba-
juízes, recrutados, quando possível, na res-
lho especializada. pectiva região, e nomeados pelo Presidente
da República dentre brasileiros com mais de
COMENTÁRIOS
trinta e menos de sessenta e cinco anos (art.
Errado. Nos locais não compreendidos na 115, caput, CF/88).
jurisdição de juiz de primeira instância traba- Assertiva Ili. Correta. Um quinto de cada TRT
lhista, os juízes de Direito são os órgãos de será composto por advogados com mais de
administração da Justiça do Trabalho, com a dez anos de efetiva atividade profissional e
jurisdição que lhes for determinada pela lei de membros do Ministério Público do Trabalho
organização judiciária local (art. 112 da CF/88 com mais de dez anos de efetivo exercício (art.
e art. 668, CLT). 115, 1, CF/88).
Assertiva IV. Incorreta. Um quinto de cada
34. (FCC - TRT 7ª Região. 2009 - Analista Ju- TRT será composto por advogados com mais
diciário -Área Administrativa) Conside- de dez anos de efetiva atividade profissional
e membros do Ministério Público do Trabalho
re as assertivas abaixo a respeito da
com mais de dez anos de efetivo exercício (art.
composição dos Tribunais Regionais do
115, 1, CF/88).
Trabalho.
1. Os Tribunais Regionais do Trabalho com- Acerca da distribuição, julgue os
põem-se de, no mínimo, onze juízes, re- itens que se seguem.
crutados, quando possível, na respecti-
va região. 35. (CESPE - UnB. TRT da 17• Região/ 2009.
li. Os membros dos Tribunais Regionais do Analista Judiciário - Área Judiciária. Es-
Trabalho serão nomeados pelo Presi- pecialidade Execução de Mandados) A
dente do Tribunal Superior do Trabalho distribuição das reclamações deve ser
dentre brasileiros com mais de trinta e feita entre as varas do trabalho ou os
menos de sessenta e cinco anos. juízes de direito do cível, quando in-
Ili. Um quinto dos membros dos Tribunais vestidos na administração da justiça do
Regionais do Trabalho serão nomeados trabalho, pela ordem rigorosa de sua
dentre advogados com mais de dez apresentação ao distribuidor, quando
anos de efetiva atividade profissional. o houver.
IV. Um quinto dos membros dos Tribunais
Regionais do Trabalho serão nomeados COMENTÁRIOS
dentre membros do Ministério Público Certo. A distribuição das reclamações será fei-
do Trabalho com mais de cinco anos de ta entre as varas trabalhistas, ou os juízes de
efetivo exercício. Direito do Cível, quando investidos na função
É correto o que se afirma APENAS em jurisdicional trabalhista, pela ordem rigorosa
a) I, Ili e IV. de sua apresentação ao distribuidor, quando o
houver (art. 783, CLT).
b) 1 e Ili.
c) Ili.
d) li e Ili. 36. (CESPE - UnB. TRT da 17• Região/ 2009.
e) 1. Analista Judiciário - Área Judiciária. Es-
pecialidade Execução de Mandados).
COMENTÁRIOS Feita a distribuição, a reclamação deve
Alternativa correta: c. ser remetida pelo distribuidor à vara
Assertiva 1. Incorreta. Os Tribunais Regionais ou ao juízo competente, acompanhada
do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete do bilhete de distribuição.

119
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

COMENTÁRIOS 02. (CESPE - UnB. lRT da 5ª Região - 2008. Ana-


Certo. Feita a distribuição, a reclamação será lista Judiciário - Área Judiciária. Especiali-
remetida pelo distribuidor à vara competente, dade Execução de Mandados) Julgue os
acompanhada do bilhete de distribuição (art. itens subsequentes com relação à orga-
788, CLT). nização e à competência da justiça do
trabalho.
2. QUESTÕES DE CONCURSOS Compete ao presidente do TRT dar pos-
se aos servidores da secretaria da vara
do trabalho.
01. (Fundação Carlos Chagas. 2008. lRT da 2ª
Região. Analista Judiciário .,. Área Admi- 03. (Fundação Carlos Chagas. TRT da 18•
nistrativa). A respeito da composição do Região - 2008. Analista Judiciário - Área
Tribunal Superior do Trabalho, é correto Judiciária) Os Ministros do Tribunal Supe-
afirmar: rior do Trabalho serão nomeados pelo
a) ClJui_z que integrar JJor trê 2 vezes con- Presidente
secutivas, ou cinco alternadas, a lista a) da República, após aprovação pela
de promoção não será obrigatoriamen- maioria absoluta do Senado Federal.
te promovido e nomeado para o Tribu- b) da República, após aprovação pela
nal Superior do Trabalho. maioria absoluta do Congresso Nacional.
b) É composto por 17 Ministros, nomeados c) da República, após aprovação pela
pelo Presidente da República entre ma- maioria relativa do Conselho Nacional
gistrados da Justiça do Trabalho, mem- de Justiça.
bros do Ministério Público do Trabalho d) do Supremo Tribunal Federal, após
e advogados. aprovação pela maioria relativa do Se-
c) Um quinto dos Ministros serão escolhidos nado Federal.
entre advogados, um quinto entre mem- e) do Conselho Nacional de Justiça, após
bros do Ministério Público do Trabalho e a aprovação pela maioria absoluta do
três quintos entre juízes do trabalho. Senado Federal.
d) A escolha dos Ministros da carreira de
juiz do trabalho pode recair em juízes
3. GABARITO
oriundos do Ministério Público do Tra-
balho ou de advogados já integrantes
·11uestão Respos~a·' 'r Fundamentação '•
dos Tribunais Regionais do Trabalho. ,,,, ~ - -, 1 ''

e) O Presidente do Tribunal Superior do 01 A Art. 111-A, CF/88.


Trabalho será nomeado pelo Presi-
dente da República, com mandato de 02 Errado Art. 659, Ili, CLT.
2 (dois) anos, dentre os integrantes do
03 A Art. 111-A, caput, CF/88.
Supremo Tribunal Federal.

120
CAPÍTULO III

MINISTÉRIO PÚBLICO
DO TRABALHO

sumário • 1. Conceito; 2. Organização; 3. Princípios institucionais; 3.1. Unidade; 3-2. Indivisibilidade; 3.3.
Independência funcional; 3.4. Promotor natural; 4. Atribuições do ministério público do .trabalho; 5. Inte-
resses e direitos metaindividuais tutelados pelo ministério público; 6. Questão dissertativa; 7. Legislação
relacionada ao capítulo

1. CONCEITO
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 127, caput, declina expressamente o
conceito do Ministério Público, como se verifica a seguir:
Art. 127. o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do
regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

O Ministério Público é órgão independente, não estando vinculado a nenhum


dos demais poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário). Tem autonomia funcional,
administrativa e financeira (CF, art. 127, § 2°).

2. ORGANIZAÇÃO
Com a finalidade de agilizar e dar efetividade às funções do Ministério Público, a
Constituição ramificou a instituição em Ministérios Públicos dos Estados e Ministério
Público da União, compreendendo neste o Ministério Público do Trabalho, o Ministério
Público Federal, o Ministério Público Militar e o Ministério Público do Distrito Federal
e Territórios (CF/88, art .. 128).

,-- - Ministério Público do Trabalho (MPT)


- Ministério Público Federal (MPF)
1- Ministério Público da União - Ministério Público Militar (MPM)
- Ministério Público do Distrito Federal e Territó-
. - -•-- rios MPDF
11- Ministérios Públicos dos Estados

• MPT: A carreira do Ministério Público do Trabalho será constituída pelos


cargos de Subprocurador-Geral do Trabalho, Procurador Regional do
Trabalho e Procurador do Trabalho. o cargo inicial da carreira é o de

121
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Procurador do Trabalho e o do último nível o de Subprocurador-Geral do


Trabalho (LC n° 75/93, art. 86).
• MPF: A carreira do MPF é constituída pelos cargos de Subprocurador-Geral
da República, Procurador Regional da República e Procurador da República.
O cargo inicial da carreira é o de Procurador da República e o do último
nível o de Subprocurador-Geral da República (LC n° 75/93, art. 44).
• MPM: A carreira do Ministério Público Militar é constituída pelos cargos de
Subprocurador-Geral da Justiça Militar, Procurador da Justiça Militar e Promo-
tor da Justiça Militar. O cargo inicial da carreira é o de Promotor da Justiça
Militar e o do último nível é o de Subprocurador-Geral da Justiça Militar (LC
no 75/93, art. 119).
• MPDFT: A carreira do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios é
constituída pelos cargos de Procurador de Justiça, Promotor de Justiça e
Promotor de Justiça Adjunto. o cargo inicial da carreira é o de Promotor de
Justiça Adjunto e o último o de Procurador de Justiça (LC n° 75/ 93, art. 154).
O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República,
nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de 35
anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado
Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução (CF/88, art. 128, § 1°).
O Ministério Público do Trabalho (MPT), objeto do presente estudo, é ramo do
Ministério Público da União, incumbido de tutelar os direitos difusos, coletivos, in-
dividuais homogêneos e individuais indisponíveis, quando pautados na relação de
trabalho. Em regra, as atribuições do Ministério Público do Trabalho estão ligadas
às matérias de competência da Justiça do Trabalho.
Esse ramo do Ministério Público tem como chefe o Procurador-Geral do Trabalho,
nomeado pelo Procurador-Geral da República, dentre integrantes da instituição, com
mais de 35 anos de idade e de 5 anos na carreira, integrante de lista tríplice escolhi-
da mediante voto plurinominal, facultativo e secreto, pelo colégio de procuradores
para um mandato de dois anos, permitida uma recondução, observado o mesmo
processo (art. 88 da LC 75/93).
Aliás, o art. 85 da LC 75/93 estabelece que são órgãos do Ministério Público do
Trabalho:
• o Procurador-Geral do Trabalho;
• o Colégio de Procuradores do Trabalho;
• o Conselho Superior do Ministério Público do Trabalho;
• a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público do Trabalho;
• a Corregedoria do Ministério Público do Trabalho;
• os Subprocuradores-Gerais do Trabalho;

122
Cap.111- MINISTÉRIO PÜBLICO DO TRABALHO

• os Procuradores Regionais do Trabalho; e


• os Procuradores do Trabalho.
O MPT tem como foco principal a tutela coletiva, ou seja, age para defender
diversos trabalhadores a um só tempo. Além disso, a atuação desse ramo ministerial
busca despersonalizar o empregado, já que não age em nome do empregado X ou
Y, mas para garantir o direito de diversos trabalhadores.
+ Exemplo: MPT entra com ação civil pública para que a empresa conceda
equipamentos de proteção individual a todos seus empregados.

Excepcionalmente, o MPT poderá tutelar interesses individuais, quando busca a


defesa dos .direitos e interesses dos menores, incapazes e índios, decorrentes das
relações de trabalho.
o Ministério Público do Trabalho possui as seguintes metas institucionais:
a) combater as fraudes na relação de trabalho;
b) preservar o meio ambiente do trabalho adequado;
c) erradicar o trabalho infantil;
d) combater as práticas discriminatórias;
e) erradicar o trabalho escravo e degradante;
f) eliminar as irregularidades trabalhistas na administração pública;
g) garantir a liberdade sindical e buscar a pacificação dos conflitos coletivos
de trabalho.
Sua atuação pode ser extrajudicial (fora do Judiciário) e judicial.
No campo extrajudicial, utiliza-se, basicamente, do Inquérito Civil (IC) e do Termo
de Ajustamento de Conduta (TAC), além de outros mecanismos eficazes a assegurar
a observância dos direitos sociais.
Por meio do Inquérito Civil, o MPT investiga determinados fatos, com o objetivo
de colher elementos de convicção para verificar se existem lesões ou ameaças de
lesões aos direitos dos trabalhadores. Verificando a existência de lesões ou ame-
aças de lesões, o MPT poderá firmar Termo de Ajustamento de Conduta, que é um
mecanismo extrajudicial em que o infrator da lei se compromete a se ajustar aos
comandos legais.
+ Exemplo: fica constatado no /C que o empregador não realiza o programa de
prevenção de riscos ambientais (PPRA). Nessa hipótese, o MPT poderá firmar um
TAC com a empresa para que ela se comprometa a realizar referido programa.

Caso a empresa não tenha interesse em firmar o TAC, o Ministério Público do


Trabalho pode se utilizar do âmbito judicial. Nesse caso, vale-se, em regra, da ação
civil pública, ação civil coletiva, ação rescisória, dissídio coletivo de greve etc.

123
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

+ Exemplo: o Ministério Público do Trabalho ajuíza ação civil pública para que
a empresa cesse discriminações de gênero na contratação de seus empregados.

Além disso, em alguns casos, o MPT atua na reclamação trabalhista como fiscal
da ordem jurídica.
+ Exemplo: quando existem crianças ou adolescentes no processo, o MPT
deverá participar.

Atenta-se para o fato de que o IC e o TAC são facultativos, de modo que o Minis-
tério Público, tomando ciência de lesão ou ameaça de lesão a direitos trabalhistas,
poderá, imediatamente, ajuizar a ação civil pública.
Por fim, consigna-se que a carreira do MPT é constituída pelos cargos de:
a) subprocurador-geral do trabalho, que oficia junto ao Tribunal Superior do
Trabalho e nos ofícios na Câmara de Coordenação e Revisão.
+ Exemplo: sessões no TST;
b) procurador regional do trabalho, que atua nos processos junto aos Tribunais
Regionais do Trabalho.
+ Exemplo: sessões no TRTs, ajuizamento de ação rescisória etc.;
c) procurador do trabalho, que atua, em regra, nas causas de competência das
Varas do Trabalho, utilizando o Inquérito Civil, TAC, ação civil pública etc.
Assim, o cargo inicial da carreira é o de procurador do trabalho e último nível o
de subprocurador-geral do trabalho (art. 86, parágrafo único, LC n° 75/93).

3. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS
Estabelece o art. 127, § 1°, da CF/88:
1° - São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a
indivisibilidade e a independência funcional.

Com base nesse dispositivo, passamos a analisar os princípios institucionais do


Ministério Público.

3.1. Unidade
o princípio da unidade significa que todo o Ministério Público possui a mesma
finalidade, qual seja defender os interesses da coletividade. Noutras palavras, o
Ministério Público é um único órgão que tem como objetivo a tutela do interesse
público primário. Tem, portanto, unidade de finalidade.
A unidade, no entanto, não impede a divisão administrativa, como verificamos
no item anterior, vez que essa divisão tem como alvo distribuir as atividades do
Ministério Público, para dar efetividade na sua atuação.

124
Cap.111- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

3.2. Indivisibilidade
o princípio da indivisibiÍidade permite que os membros de um mesmo ramo do
Ministério Público possam ser substituídos na sua atuação, sem que haja alteração
subjetiva na relação jurídica processual, seja no âmbito judicial seja no extrajudicial.
+ Exemplo: o procurador do trabalho X ajuíza ação civil pública em face da
empresa Z. No curso do processo, ele poderá ser substituído pelo procurador
Y, sem que haja necessidade de se juntar substabelecimento.

3.3. Independência funcional


o princípio da independência funcional significa que o membro do Ministério
Público é independente no exercício de suas funções, isto é, não existe hierarquia
funcional no Ministério Público. Desse modo, os pronunciamentos dos membros
não dependem de anuência da chefia da instituição. Além disso, o chefe não pode
determinar que o procurador do trabalho, por exemplo, investigue determinada
empresa. Nesse caso, o procurador tem independência funcional para verificar se
os fatos devem ou não ser investigados.
Isso não impede, porém, que exista a hierarquia administrativa, como é o caso,
por exemplo, da aplicação de medidas disciplinares pela extrapolação de prazos legais.

3.4. Promotor natural


Embora o art. 127, § 1°, da CF/88 não estabeleça o princípio do promotor natural,
a doutrina admite sua existência como princípio implícito, diante da interpretação
sistemática (conjunta) dos arts. 5°, XXXVI e Lili, 127 e 129, 1, todos da CF.
O princípio do promotor natural determina que o jurisdicionado (ex.: empresa)
tenha a garantia de ser processado e investigado por autoridades previamente de-
signadas pela legislação. Isso significa que não se pode designar, para determinados
casos, esse ou aquele membro do Ministério Público.

4. ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO


O art. 83 1, da LC n° 75/93, prevê as seguintes atribuições do Ministério Público
do Trabalho:
1- promover as ações que lhe sejam atribuídas pela Constituição Federal
e pelas leis trabalhistas;

li manifestar-se em qualquer fase do processo trabalhista, acolhendo


solicitação do juiz ou por sua iniciativa, quando entender existente
interesse público que justifique a intervenção;

1. Esse artigo é, frequentemente, questionado nas provas objetivas, devendo o candidato memorizá-lo.

125
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Ili - promover a ação civil pública no âmbito da Justiça do Trabalho,


para defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos
sociais constitucionalmente garantidos;

IV - propor as ações cabíveis para declaração de nulidade de cláusula


de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva que viole as liber-
dades individuais ou coletivas ou os direitos individuais indisponíveis
dos trabalhadores;

V - propor as ações necessárias à defesa dos direitos e interesses dos


menores, incapazes e índios, decorrentes das relações de trabalho;

VI - recorrer das decisões da Justiça do Trabalho, quando entender


necessário, tanto nos processos em que for parte, como naqueles em
que oficiar como fiscal da lei, bem como pedir revisão dos Enunciados
da s.úm.ula de Jurisprudência do Tribunal ~uperior do Traba_lh();

VII - funcionar nas sessões dos Tribunais Trabalhistas, manifestando-


-se verbalmente sobre a matéria em debate, sempre que entender
necessário, sendo-lhe assegurado o direito de vista dos processos em
julgamento, podendo solicitar as requisições e diligências que julgar
convenientes;

VIII - instaurar instância em caso de greve, quando a defesa da ordem


jurídica ou o interesse público assim o exigir;

~ ATENÇÃO:
O art.. 114, § 3°, da CF/88 estabelece que o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar
dissídio coletivo, em caso de greve em atividade essencial'. com possibiHdade de lesão.
do interesse público, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito.

IX - promover ou participar da instrução e conciliação em dissídios


decorrentes da paralisação de serviços de qualquer natureza, oficiando
obrigatoriamente nos processos, manifestando sua concordância ou
discordância, em eventuais acordos firmados antes da homologação,
resguardado o direito de recorrer em caso de violação à lei e à Cons-
~
tituição Federal;

X - promover mandado de injunção, quando a competência for da


Justiça do Trabalho;

XI - atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas partes, nos dissídios
de competência da Justiça do Trabalho;

XII - requerer as diligências que julgar convenientes para o correto an-


damento dos processos e para a melhor solução das lides trabalhistas;

XIII - intervir obrigatoriamente em todos os feitos nos segundo e ter~


ceiro graus de jurisdição da Justiça do Trabalho, quando a parte for
pessoa jurídica de Direito Público, Estado estrangeiro ou organismo
internacional.

126
Cap.111- MINISTÉRIO PÜBLICO DO TRABALHO

5. INTERESSES E DIREITOS METAINDIVIDUAIS TUTELADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO


Conforme anunciado anteriormente, o Ministério Público do Trabalho (MPT)
tem como foco principal a tutela coletiva, sendo incumbido, portanto, de tutelar os
direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, quando pautados na relação
de trabalho.
o art. 81, parágrafo único, do CDC, define tais direitos da seguinte forma:
1- interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos des-
te código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam
titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;

li - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste


código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular
grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte
contrária por uma relação jurídica base;

Ili interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos


os decorrentes de origem comum.

Para melhor compreensão do tema, explicamos em forma de exemplo:


Interesses difusos: MPT ajuíza ação civil pública para que determinada
empresa pública contrate os trabalhadores somente por meio de concurso
público.

Nesse caso, o MPT tutela o interesse de todas as pessoas que poderão prestar
o concurso público. Noutras palavras, o direito é transindividual, por ultrapassar a
esfera particular de uma pessoa, sendo um direito de toda a coletividade: o direito
de ingressar na administração pública por meio de concurso público.
Indeterminado, porque não se pode delimitar quantos candidatos farão o con-
curso ou estão sendo prejudicados pela contratação sem concurso público.
É indivisível, porque a decisão judicial vai atingir, de forma uniforme (igual), a
todos os futuros candidatos.
Além disso, a relação entre os candidatos é meramente fática, ou seja, decorre
do simples fato de eles irem prestar o mesmo concurso público.
lntere.sses coletivos: MPT ajuíza ação civil pública para impor obrigação de
fazer à determinada empresa para que insta/e equipamento de proteção
coletivo na empresa (por exemplo, exaustor, proteção de maquinário etc.).

Nesse caso, a instalação do exaustor é um único ato que extrapola a esfera


privada de um empregado, atingindo a todos os empregados da empresa ou pelo
menos de um determinado setor. Atinge, portanto, um grupo. É indivisível, porque
beneficia, igualmente, diversos trabalhadores. No entanto, nesse caso, existe uma
relação jurídica-base entre os empregados e a empresa: o contrato de trabalho. A
doutrina diz que, nessa hipótese, quando ocorre a lesão, a relação jurídica já existia,
ou seja, o contrato de trabalho já estava em vigor. Já nos interesses difusos, a relação

127
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

nasce no momento da lesão ou ameaça de lesão, porque ela decorre exatamente


do fato de ter existido a lesão ou ameaça de lesão.
Individuais homogêneos: MPT ajuíza ação civil coletiva requerendo a
condenação da empresa ao pagamento do adicional de insalubridade a
todos os trabalhadores do setor X.

Essa hipótese é muito diferente das anteriores. Isso porque aqui o próprio tra-
balhador poderia entrar com sua reclamação trabalhista postulando o pagamento
do adicional de insalubridade. Contudo, como a empresa não paga o adicional para
todos os trabalhadores do setor X (origem comum), o ordenamento permite que ele
possa ser tutelado em um único processo, dando maior celeridade e efetividade na
prestação jurisdicional. Percebam, porém, que aqui o direito é individual e divisível
(cada trabalhador vai receber um valor), mas o processo é coletivo. Nos interesses
difusos e coletivos, o próprio direito é coletivo, assim como o processo.
Assim, podemos esquematizar do seguinte modo a definição desses direitos:

transindividuais transindividuais individuais


indivisíveis indivisíveis divisíveis
pessoas indeterminadas classe, categoria ou grupo origem comum
ligadas por circunstância 1) ligadas entre si ou desnecessária ligação
de fato 2) com a parte contrária por
uma relação jurídica-base

6. QUESTÃO DISSERTATIVA

Questão 1 o princípio da indivisibilidade permite


que os membros de um mesmo ramo
Discorra sobre os princípios institucio-
do Ministério Público possam ser subs-
nais do Ministério Público do Trabalho.
tituídos na sua atuação, sem que haja
Resposta sugerida pelo autor alteração subjetiva na relação jurídi-
De acordo com o artigo 127, § 1°, da ca processual, seja no âmbito judicial
Constituição Federal de 1988, são prin- como no extrajudicial.
cípios institucionais do Ministério Públi- Por sua vez, o princípio da independên-
co a unidade, indivisibilidade e inde- cia funcional significa que o membro do
pendência funcional. Ministério Público é independente no
o princípio da unidade significa que exercício de suas funções, isto é, não
todo o Ministério Público possui a mes- existe hierarquia funcional no Ministério
ma finalidade, qual seja defender os Público. Desse modo, os pronunciamen-
interesses da coletividade. Noutras pa=· tos dos membros não dependem de
lavras, o Ministério Público é um único anuência da chefia da instituição. Além
órgão que tem como objetivo a tutela disso, o chefe não pode determinar que
do interesse público primário. Tem, o procurador do trabalho, por exemplo,
portanto, unidade de finalidade. investigue determinada empresa. Nesse

128
Cap.111- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

caso, o procurador tem independência coletiva, sendo incumbido de tutelar


funcional para verificar se os fatos de- os direitos difusos, coletivos e indivi-
vem ou não ser investigados. duais homogêneos, quando pautados
Isso não impede, porém, que exista na relação de trabalho.
a hierarquia administrativa, como é o Esses direitos sãp definidos pelo art.
caso, por exemplo, da aplicação de me- 81, parágrafo único, do CDC. Assim, os
didas disciplinares pela extrapolação interesses ou direitos difusos são aque-
de prazos legais. les transindividuais, de natureza indivi-
Enfim, os princípios institucionais do Minis- sível, de que sejam titulares pessoas
tério Público têm como finalidade conceder indeterminadas e ligadas por circuns-
aos seus membros autonomia e indepen- tâncias de fato.
dência no exercício de suas atribuições. Os interesses ou direitos coletivos são
os transindividuais, de natureza indivi-.
Questão 2
sível de que seja titular grupo, catego-
Na tutela coletiva, quais os interesses
ria ou classe .de pessoas ligadas entre
que podem sertutelados pelo Ministé-
si ou com a parte contrária por uma
rio Público do Trabalho?
relação jurídica base.
Resposta sugerida pelo- autor Por fim, os interesses ou direitos indivi-
O Ministério Público do Trabalho (MPT) duais homogêneos são aqueles decor-
tem como foco principal a tutela rentes de origem comum.

129
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

7. LEGISLAÇÃO RELACIONADA AO CAPÍTULO

» Constituição Federal d) o Ministério Público do Distrito Federal e


Art. 5º, CF - Territórios;

( ...) LIii- ninguém será processado nem senten- li - os Ministérios Públicos dos Estados.
ciado senão pela autoridade competente; § 1° o Ministério Público da União tem por
Art. 127, CF - o Ministério Público é instituição chefe o Procurador-Geral da República, nomeado
permanente, essencial à função jurisdicional do pelo Presidente da República dentre integrantes
Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, da carreira, maiores de trinta e cinco anos, após
do regime democrático e dos interesses sociais e a aprovação de seu nome pela maioria absoluta
individuais indisponíveis. dos membros do Senado Federal, para mandato
§ 1° - São princípios institucionais do Ministério de dois anos, permitida a recondução.
Público a unidade, a indivisibilidade e a indepen- § 2° A destituição do Procurador-Geral da Re-
dência funcional. pública, por iniciativa do Presidente da República,
§ 2° Ao Ministério Público é assegurada au- deverá ser precedida de autorização da maioria
tonomia funcional e administrativa, podendo, ãbiiolútã do Senado Federal.··
observado o disposto no art. 169, propor ao Poder § 3° Os Ministérios Públicos dos Estados e o do
Legislativo a criação e extinção de seus cargos e Distrito Federal e Territórios formarão lista tríplice
serviços auxiliares, provendo-os por concurso pú- dentre integrantes da carreira, na forma da lei res-
blico de provas ou de provas e títulos, a política pectiva, para escolha de seu Procurador-Geral, que
remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para
sobre sua organização e funcionamento. mandato de dois anos, permitida uma recondução.
§ 3° - o Ministério Público elaborará sua propos- § 4° Os Procuradores-Gerais nos Estados e no
ta orçamentária dentro dos limites estabelecidos Distrito Federal e Territórios poderão ser desti-
na lei de diretrizes orçamentárias. tuídos por deliberação da maioria absoluta do
§ 4° Se o Ministério Público não encaminhar Poder Legislativo, na forma da lei complementar
a respectiva proposta orçamentária dentro do respectiva.
prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamen-
§ 5° Leis complementares da União e dos Es-
tárias, o Poder Executivo considerará, para fins
tados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos
de consolidação da proposta orçamentária anual,
Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização,
os valores aprovados na lei orçamentária vigente,
as atribuições e o estatuto de cada Ministério Pú-
ajustados de acordo com os limites estipulados
blico, observadas, relativamente a seus membros:
na forma do § 3°.
1- as seguintes garantias:
§ 5° Se a proposta orçamentária de que trata
este artigo for encaminhada em desacordo com os a) vitaliciedade, após dois anos de exercício,
limites estipulados na forma do § 3°, o Poder Exe- não podendo perder o cargo senão por sentença
cutivo procederá aos ajustes necessários para fins judicial transitada em julgado;
de consolidação da proposta orçamentária anual. b) inamovibilidade, salvo por motivo de interes-
§ 6° Durante a execução orçamentária do exercí- se público, mediante decisão do órgão colegiado
cio, não poderá haver a realização de despesas ou competente do Ministério Público, pelo voto da
a assunção de obrigações que extrapolem os limites maioria absoluta de seus membros, assegurada
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, ampla defesa;
exceto se previamente autorizadas, mediante a
c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma
abertura de créditos suplementares ou especiais.
do art. 39, § 4°, e ressalvado o disposto nos arts.
Art. 128, CF - O Ministério Público abrange: 37, X e XI, 150, 11, 153, 111, 153, § 2°, I;
1 - o Ministério Público da União, que li - as seguintes vedações:
compreende:
a) receber, a qualquer título e sob qualquer
a) o Ministério Público Federal; pretexto, honorários, percentagens ou custas
b) o Ministério Público do Trabalho; processuais;
c) o Ministério Público Militar; b) exercer a advocacia;

130
Cap.111- MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

c) participar de sociedade comercial, na forma deverão residir na comarca da respectiva lotação,


da lei; salvo autorização do chefe da instituição.
d) exercer, ainda que em disponibilidade, qual- § 3° o ingresso na carreira do Ministério Público
quer outra função pública, salvo uma de magistério; far-se-á mediante concurso público de provas e
títulos, assegurada a participação da Ordem dos
e) exercer atividade político-partidária;
Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se
f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxí- do bacharel em direito, no mínimo, três anos de
lios ou contribuições de pessoas físicas, entidades atividade jurídica e observando-se, nas nomeações,
públicas ou privadas, ressalvadas as exceções a ordem de classificação.
previstas em lei.
§ 4° Aplica-se ao Ministério Público, no que
§ 6° Aplica-se aos membros do Ministério Público couber, o disposto no art. 93.
o disposto no ah. 95, parágrafo único, V.
§ 5° A distribuição de processos no Ministério
Art. 129, CF - São funções institucionais do Público será imediata.
Ministério Público:
1 - promover, privativamente, a ação penal » Código de Defesa do Consumidor
pública, na forma da lei; Art. 81, coe -A defesa dos interesses e direitos
li - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes dos consumidores e das vítimas poderá ser exer-
Públicos e dos serviços de relevância pública aos cida em juízo individualmente, ou a título coletivo.
direitos assegurados nesta Constituição, promoven- Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida
do as medidas necessárias a sua garantia; quando se tratar de:
Ili - promover o inquérito civil e a ação civil 1- interesses ou direitos difusos, assim entendi-
pública, para a proteção do patrimônio público e dos, para efeitos deste código, os transindividuais,
social, do meio ambiente e de outros interesses de natureza indivisível, de que sejam titulares
difusos e coletivos; pessoas indeterminadas e ligadas por circunstân-
IV - promover a ação de incons.titucionalidade cias de fato;
ou representação para fins de intervenção da li - interesses ou direitos coletivos, assim en-
União e dos Estados, nos casos previstos nesta tendidos, para efeitos deste código, os transindi-
Constituição; viduais, de natureza indivisível de que seja titular
V - defender judicialmente os direitos e inte- grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas
resses das populações indígenas; entre si ou com a parte contrária por uma relação
jurídica base;
VI - expedir notificações nos procedimentos
administrativos de sua competência, requisitando Ili - interesses ou direitos individuais homogê-
informações e documentos para instruí-los, na neos, assim entendidos os decorrentes de origem
forma da lei complementar respectiva; comum.

VII - exercer o controle externo da atividade Art. 82, coe -Para os fins do art. 81, parágrafo
policial, na forma da lei complementar mencionada único, são legitimados concorrentemente:
no artigo anterior; 1- o Ministério Público,
VIII - requisitar diligências investigatórias e li - a União, os Estados, os Municípios e o
a instauração de inquérito policial, indicados os Distrito Federal;
fundamentos jurídicos de suas manifestações Ili - as entidades e órgãos da Administração
processuais; Pública, direta ou indireta, ainda que sem perso-
IX - exercer outras funções que lhe forem con- nalidade jurídica, especificamente destinados à
feridas, desde que compatíveis com sua finalidade, defesa dos interesses e direitos protegidos por
sendo-lhe vedada a representação judicial e a este código;
consultoria jurídica de entidades públicas. IV - as associações legalmente constituídas há
§ 1• A legitimação do Ministério Público para pelo menos um ano e que incluam entre seus fins
as ações civis previstas neste artigo não impede institucionais a defesa dos interesses e direitos
a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o protegidos por este código, dispensada a autori-
disposto nesta Constituição e na lei. zação assemblear.
§ 2° As funções do Ministério Público só podem § 1° o requisito da pré-constituição pode ser
ser exercidas por integrantes da carreira, que dispensado pelo juiz, nas ações previstas nos arts.

131
PROCESSO DO TRABALHO - Élísson Miessa

91 e seguintes, quando haja manifesto interesse X - promover mandado de injunção, quando a


social evidenciado pela dimensão ou característica competência for da Justiça do Trabalho;
do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser XI - atuar como árbitro, se assim for solicitado
protegido. pelas partes, nos dissídios de competência da
Justiça do Trabalho;
» Lei Complementar n• 75/93
XII - requerer as diligências que julgar conve-
Art. 83, LC n• 75/93 - Compete ao Ministério nientes para o correto andam.ento dos processos
Público do Trabalho o exercício das seguintes atri- e para a melhor solução das lides trabalhistas;
buições junto aos órgãos da Justiça do Trabalho:
XIII - intervir obrigatoriamente em todos os
1- promover as ações que lhe sejam atribuídas feitos nos seg~ndo e terceiro graus de jurisdição
pela Constituição Federal e pelas leis trabalhistas; da Justiça do Trabalho, quando a parte for pessoa
li - manifestar-se em qualquer fase do processo jurídica de Direito Público, Estado estrangeiro ou
trabalhista, acolhendo solicitação do juiz ou por organismo internacional.
sua iniciativa, quando entender existente interesse
Art. 86. A carreira do Ministério Público do
público que justifique a intervenção;
Trabalho será constituída pelos cargos de Subpro-
Ili - promover a ação civil pública no âmbito da curador-Geral do Trabalho, Procurador Regional do
Justiça do Trabalho, para defesa de interesses co- Trabalho e Procurador do Trabalho.
letivos, quando desrespeitados os direitos sociais
Parágrafo único. o cargo inicial da carreira é o
constitucionalmente garantidos;
de Prócurador do Trabalho e o do último nível o
IV - propor as ações cabíveis para declaração de Subprocurador-Geral do Trabalho.
de nulidade de cláusula de contrato, acordo cole-
Art. 87. o Procurador-Geral do Trabalho é o
tivo ou convenção coletiva que viole as liberdades
Chefe do Ministério Público do Trabalho.
individuais ou coletivas ou os direitos individuais
indisponíveis dos trabalhadores; Art. 88. o Procurador-Geral do Trabalho será
V - propor as ações necessárias à defesa dos nomeado pelo Procurador-Geral da República,
direitos e interesses dos menores, incapazes e dentre integrantes da instituição, com mais de trinta
índios, decorrentes das relações de trabalho; e cinco anos de idade e de cinco anos na carreira,
integrante de lista tríplice escolhida mediante voto
VI - recorrer das decisões da Justiça do Trabalho,
plurinominal, facultativo e secreto, pelo Colégio
quando entender necessário, tanto nos processos
de Procuradores para um mandato de dois anos,
em que for parte, como naqueles em que oficiar
permitida uma recondução, observado o mesmo
como fiscal da lei, bem como pedir revisão dos
processo. Caso não haja número suficiente de
Enunciados da Súmula de Jurisprudência do Tribunal
candidatos com mais de cinco anos na carreira,
Superior do Trabalho;
poderá concorrer à lista tríplice quem contar mais
VII - funcionar nas sessões dos Tribunais Tra- de dois anos na carreira.
balhistas, manifestando-se verbalmente sobre a
Parágrafo único. A exoneração do Procurador-
matéria em debate, sempre que entender neces-
-Geral do Trabalho, antes do término do mandato,
sário, sendo-lhe assegurado o direito de vista dos
processos em julgamento, podendo solicitar as será proposta ao Procurador-Geral da República
requisições e diligências que julgar convenientes; pelo Conselho Superior, mediante deliberação
obtida com base em voto secreto de dois terços
VIII - instaurar instância em caso de greve,
de seus integrantes.
quando a defesa da ordem jurídica ou o interesse
público assim o exigir; Art. 112 - Os Procuradores do Trabalho serão
designados para funcionar junto aos Tribunais
IX - promover ou participar da instrução e
Regionais do Trabalho e, na forma das leis pro-
conciliação em dissídios decorrentes da paralisa-
cessuais, nos litígios trabalhistas que envolvam,
ção de serviços de qualquer natureza, oficiando
especialmente, interesses de menores e incapazes.
obrigatoriamente nos processos, manifestando sua
concordância ou discordância, em eventuais acor- Parágrafo único. A designação de Procurador do
dos firmados antes da homologação, resguardado Trabalho para oficiar em órgãos jurisdicionais dife,.
o direito de recorrer em caso de violação à lei e rentes· dos prey~s~os para a categoria dependerá
à Constituição Federal; de autorização do Conselho Superior.

132
CAPÍTULO IV

FORMAS DESOLUÇÃO DE
CONFLITOS E JURISDIÇÃO

Sumário• 1. Formas de solução de conflitos; 2. Formas consensuais de solução de conflitos (autocomposi-


ção); 2.1. Mediação e Conciliação; 2.2. Comissão de Conciliação Prévia; 2.2.1. Introdução; 2.2.2. Composição
da Comissão de Conciliação Prévia Criada em Âmbito da Empresa; 2.2.3. Necessidade de Submeter a De-
manda d Comissão de Conciliação Prévia; 2.2-4. Consequências da Conciliação Firmada Perante a CCP; 2.3.
4.
Processo de jurisdição voluntária de homologação de acordo extrajudicial; 3. Arbitragem; Jurisdição; 4.1.
Jurisdição voluntária; 4.3. Procedimento da homologação de acordo extrajudicial; 4.3.1. Petição conjunta;
4.3.2. Representação por advogado; 4.3.3. Prazo para analisar o acordo extrajudicial; 4.3.4. Realização de
audiência; 4.3.4. Sentença; 4.3.5. Requisitos do acordo extrajudicial; 4.3.5-1. Transação. 4.3.5.2. Observância
prazo para pagamento das verbas rescisórias; 4.3.5.3. Parcelas alcançadas pelo acordo extrajudicial; 4.3.6.
Suspensão e retorno da contagem do prazo prescricional; 5. Questões dissertativas e estudos de caso;
6. Legislação relacionada ao capítulo

1. FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

Os conflitos existentes na sociedade podem ser solucionados de três formas


distintas:
• pela autotutela;
• pela autocomposição; e
• pela heterocomposição.
A autotutela é a mais antiga forma de solucionar conflitos. Antigamente, admitia-se
que o ofendido, com suas próprias forçàs, impusesse sua vontade sobre a pessoa
que estivesse em conflito, ou seja, por meio da autotutela. Nos dias atuais, em regra,
não se permite, a autotutela, sendo considerado, inclusive, crime de exercício arbi-
trário das próprias razões (CP, art. 345). Excepcionalmente, o ordenamento admite a
autotutela, como é o caso, no direito do trabalho, do exe.rcício do direito de greve.
A autocomposição, por sua vez, é a forma mais civilizada de solucionar con-
flitos. Nesse caso, as próprias partes em conflito resolvem solucioná-lo sem que
haja decisão de um terceiro. No direito do trabalho, pode-se citar, como exemplo,
a Comissão de Conciliação Prévia.
A heterocomposição é a forma de solução do conflito por meio de terceira pessoa,
que decide de modo obrigatório para as partes. A terceira pessoa pode ser investida:
• pelas partes (Lei n° 9.307/96) ou
• pela lei (CPC/2015, art. 16 - juiz).

133
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Quando investida pelas partes, tem-se a arbitragem, em que as partes esco-


lhem um terceiro imparcial para solucionar o conflito. Trata-se de meio alternativo
e facultativo de solução do conflito.
Por outro lado, se aquele que vai decidir o conflito é investido pela lei (juiz),
tem-se a denominada jurisdição', a qual confere ao juiz o poder-dever de solucionar
os conflitos de interesses com definitividade. Com efeito, foi conferido ao Poder
Judiciário, como função típica, o exercício da jurisdição.
De qualquer maneira, é possível que a heterocomposição seja finalizada por
meio de autocomposição como ocorre, p.e., com o acordo judicial. Aliás, a jurisdição
pode ser utilizada tão somente para homologar autocomposição, como é o caso da
jurisdição voluntária para homologação de acordo extrajudicial.

2. FÓRIVIAS CONSENSUAIS DÊ SOLUÇÃO DÉ CONFLITOS (AOTOCOMPOSIÇÃO)


2.1. Mediação e Conciliação
Na Justiça do Trabalho, a Resolução n° 174/2016 do CSJT instituiu a política ju-
diciária nacional de tratamento adequado das disputas de interesses, sendo esta
implementada pelos Tribunais Regionais do Trabalho por meio da instituição de um
Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (NUPEMEC-JT)
e de Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (CEJUSC-JT)
(art. 2°, parágrafo único).
A mencionada Resolução do CSJT tem como objetivo estimular a prática da
conciliação e da mediação na Justiça do Trabalho, definindo-as da seguinte forma;
a) Conciliação: "meio alternativo de resolução de disputas2 em que as partes
confiam a uma terceira pessoa - magistrado ou servidor público por este
sempre supervisionado-, a função de aproximá-las, empoderá-las e orientá-
-las na construção de um acordo quando a lide já está instaurada, com a
criação ou proposta de opções para composição do litígio" (art. 1°, 1).
b) Mediação: "meio alternativo de resolução de disputas em que as partes
confiam a uma terceira pessoa - magistrado ou servidor público por este
sempre supervisionado-, a função de aproximá-las, em poderá-las e orientá-
-las na construção de um acordo quando a lide já está instaurada, sem a
criação ou proposta de opções para composição do litígio" (art. 1°, 11).

1. Alguns doutrinadores entendem que a Jurisdição não é monopólio do Estado, podendo ser exercida
pelo particular na hipótese da arbitragem. ___ . _ .
2. A Resolução n• 17 4 do CSJT também diferencia os seguintes termos: questão jurídica, conflito e disputa.
Assim, a questão jurídica "é a parte da lide que envolve direitos e recursos que podem ser deferidos
ou negados em Juízo", o conflito "é a parte da lide que não envolve direitos e recursos que podem
ser deferidos ou negados em Juízo" e disputa "é a soma da questão jurídica e do conflito, assim
considerada a partir da judicialização da lide" (art. 1°, Ili, IV e V).

134
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E JURISDIÇÃO

Além disso, estabelece que ambas as formas de resolução de disputas ape-


nas terão validade nas hipóteses previstas na CLT, incluindo-se a homologação
pelo magistrado que supervisionou a audiência e a mediação pré-processual
de conflitos coletivos, sendo inaplicáveis à Justiça do Trabalho as disposições
referentes às Câmaras Privadas de Conciliação, Mediação e Arbitragem, e normas
atinentes à conciliação e mediação extrajudicial e pré-processual previstas no
CPC/2015 (art. 7º, § 6° ).

Observa-se, portanto, que a conciliação e a mediação somente são permitidas


no processo trabalhista quando realizadas de forma judicial (quando já houver a
instauração de processo) e nos termos previstos pela CLT, exigindo-se a homologa-
ção pelo magistrado trabalhista. Apenas se admite a mediação pré-processual nos
casos dos conflitos coletivos (art. 7°, § 7°). Essa exceção quanto aos conflitos coletivos
também está prevista no art. 14 da Instrução Normativa n° 39 do TST:
Art. 14. Não se aplica ao Processo do Trabalho o art. 165 do CPC, salvo
nos conflitos coletivos de natureza econômica (Constituição Federal,
art. 114, §§ 10 e 2°).

A exceção decorre do art. 114, §§ 1° e 2°, da Constituição Federal, o qual determina


que, frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. Recusando-se
qualquer das partes a negociação coletiva ou a arbitragem, é facultado, de comum
acordo, o ajuizamento de dissídio coletivo de natureza econômica.

Por fim, pensamos que, com o advento do art. 507-A da CLT, que autorizou a
arbitragem para os empregados que possuem remuneração superior a duas vezes
o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência
Social, também viabilizará a conciliação e a mediação de forma extrajudicial para
tais empregados.

2.2. Comissão de Conciliação Prévia

2.2.1. Introdução
A Comissão de Conciliação Prévia tem como principal objetivo tentar a solução
dos conflitos de forma extrajudicial (fora do Poder Judiciário). Como não há presença
do Estado nessa pacificação, pois o conflito é resolvido na própria empresa ou no
sindicato, tem-se um mecanismo de autocomposição.

Essa comissão poderá conciliar apenas conflitos individuais de trabalho,


havendo a possibilidade, segundo a CLT, de o empregado transacionar direitos
trabalhistas.

Por outro lado, a comissão não tem atribuição para resolver conflitos coletivos,
que serão solucionados por mediação, arbitragem, acordo ou convenção coletiva,
ou ainda por dissídio coletivo.

135
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

. Em resumo, as Comissões de Conciliação Prévia foram criadas como forma de


tentar solucionar os conflitos existentes entre empregados e empregadores. Poderão 3
ser criadas pelas empresas ou pelós sindicatos e, caso existam, na mesma localidade
e para a mesma categoria, Comissão de Empresas e Comissão Sindical, o interessado
deve optar por uma delas. De acordo com o art. 625-A da CLT:
As empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação
Prévia, de composição paritária, com representantes dos empregados
e dos empregadores, com a atribuição de tentar conciliar os conflitos
individuais do trabalho.

Composição da Comissão de Conciliação Prévia Criada em.Âmbito da


2.2.2.
Empresa
A composição dos ineníbrôs éfa Comissão de Conciliação Prévia nO ânibitci da
empresa será paritária, ou seja, o mesmo número de representantes dos traba-
lhadores e de representantes do empregador. O número de membros será de, no
mínimo, 2 e, no máximo, 10 membros. O mandato, tanto de titulares como suplentes,
é de 1 ano, permitida uma recondução (mandato com prazo máximo de 2 anos).

Importante destacar que os representantes dos trabalhadores serão eleitos


em votação secreta 4• Em razão disso, para que não haja perseguição, titulares e
suplentes possuirão garantia provisória de emprego (estabilidade), até 1 ano após
o fim do mandato, salvo se cometerem falta grave 5• A propósito, o art. 625-B, § 1°,
da CLT não prevê o termo inicial dessa garantia provisória, declinando o doutrinàdor
Sérgio Pinto Martins o que segue:
A garantia de emprego não se inicia com a candidatura, mas desde
a posse, pois a lei nada menciona nesse sentido, como ocorre, por
exemplo, com o parágrafo 3° do artigo 543 da CLT, no que diz respeito
aos dirigentes sindicais 6•

Cabe destacar que os membros da comissão que forem representantes dos


empregadores não gozam de estabilidade. Eles serão diretamente indicados pelo
empregador.

Outro ponto relevante diz respeito ao período que o membro for convocado para
atuar como conciliador. Nesse caso, durante a atuação na comissão, será computado
como tempo de trabalho efetivo, configurando, portanto, hipótese de interrupção
do contrato de trabalho.

3. Importante destacar que o empregador não está obrigado a criar essas comissões. Trata-se de uma
opção/faculdade.
4. O art. 625-B da CLT prevê escrutínio secreto, ou seja, forma de votação secreta.
5. Para as provas objetivas, deve-se adotar o posicionamento no sentido de que não há necessidade
de prévio Inquérito para apuração de falta grave (art. 853 a 855 da CLT) para os membros da CCP.
6. MARTINS, Sérgio Pinto. Comentários à CLT. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 686.

136
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS EJURISDIÇÃO

A composição da comissão em âmbito sindical terá sua constituição e normas


definidas em acordo ou convenção coletiva. Logo, as regras anteriores, como número
de membros, eleição secreta etc., serão decididas em negociação coletiva.

2.2.3. Necessidade de Submeter a Demanda à Comissão de Conciliação Prévia


Nas localidades onde houver comissão de Conciliação Prévia, a demanda será
submetida à tentativa de conciliação antes de se ingressar com a reclamação tra-
balhista na Justiça do Trabalho ..
Havia discussão sobre a obrigatoriedade de submeter a demanda à Comissão
de Conciliação Prévia, antes de ingressar na Justiça do Trabalho.
Para uns, caso o empregado ingressasse diretamente na Justiça sem a prévia
tentativa de conciliação, se existisse a Comissão de Conciliação Prévia na empresa,
o juiz extinguiria o processo sem resolução de mérito, com base no art. 485, VI, do
CPC/2015. Nesse caso, o empregado não teria atendidO a uma das condições da ação
expressamente previstas em lei (art. 625-D da CLT).
No entanto, nos dias atuais esse entendimento está superado, uma vez que
o Supremo Tribunal Federal - STP - decidiu no sentido de que é faculdade do tra-
balhador a tentativa de conciliação perante a CCP, ou seja, ele poderá ingressar
diretamente na Justiça do Trabalho.
Diante dessa faculdade, reduziu-se consideravelmente a utilização das Comis-
sões de Conciliação Prévia. Ademais, com o advento da Lei n° 13.467/17, que criou
o processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo extrajudicial,
diminuir-se-á ainda mais a utilização das Comissões de Conciliação Prévia, correndo
o risco de cair totalmente no desuso.
De qualquer modo, caso as partes pretendam se submeter à CCP, elas não pre-
cisam de representação de advogado. Aliás, nos termos do art. 625-D da CLT, não há
obrigatoriedade de selar o acordo, mas apenas a tentativa:
Qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à Comissão
de Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver
sido instituída a Comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da
categoria. (Grifos acrescidos)

2.2.4. Consequências da Conciliação Firmada Perante a CCP


Ao submeter a demanda à comissão, há um prazo de 10 dias para realizar a
sessão de tentativa de conciliação. Durante esse prazo, a prescrição ficará suspensa.
Se não houver conciliação, será fornecida às partes declaração da tentativa conci-
liatória frustrada, que deverá ser juntada à futura reclamação trabalhista.

7. ADIN 2139-DF, Relator Ministro Marco Aurélio.

137
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Se as partes aceitarem a conciliação, será lavrado termo de conciliação. Esse


termo apresenta duas características de extrema importância para o Direito do
Trabalho:
a) Terá eficácia liberatória geral, ou seja, havendo acordo na CCP o emprega-
do não poderá rediscutir perante a Justiça do Trabalho nenhuma matéria
relacionada ao contrato de trabalho extinto, salvo se expressamente fizer
ressalva no momento do acordoª.
b) Será título executivo extrajudicial9, podendo ser executado diretamente na
Justiça do Trabalho (CLT, art. 876). Desse modo, o empregado já ajuizará a
ação de execução extrajudicial, não havendo necessidade de um processo
de conhecimento, pois a dívida já está reconhecida no termo da CCP.
Na área trabalhista, são raros os casos de título executivo extrajudicial. Diante
o
da importância dessa matéria, pará que candidato lembre as oüfràs hipóteses de
títulos extrajudiciais, apresentamos a seguir:
1. TAC - Termo de Ajustamento de Conduta firmado no Ministério Público do
Trabalho
2. Termo firmado na Comissão de Conciliação Prévia (art. 625-E da CLT)
3. Multa lavrada pelos Auditores Fiscais do Trabalho (art. 114, VII, da CF/88)
4. Cheque e nota promissória emitidos em reconhecimento de dívida inequi-
vocamente de natureza trabalhista (Arts. 784, 1, do CPC/2015 e 13 da IN n°
39/2016 do TST).1°

8. Nesse sentido: Comissão de Conciliação Prévia. Acordo firmado sem ressalvas. Eficácia liberatória
geral. Parágrafo único do art. 625-E da CLT.
Nos termos do parágrafo único do art. 625-E da CLT, o termo de conciliação, lavrado perante a
Comissão de Conciliação Prévia regularmente constituída, possui eficácia liberatória geral, exceto
quanto às parcelas ressalvadas expressamente. Em outras palavras, não há limitação dos efeitos
liberatórios do acordo firmado sem ressalvas, pois o termo de conciliação constitui título executivo
extrajudicial, com força de coisa julgada entre as partes, equivalendo a uma transação e abrangendo
todas as parcelas oriundas do vínculo de emprego. Com esse posicionamento, a SBDl-I, em sua
composição plena, por unanimidade, conheceu dos embargos, por divergência jurisprudencial, e,
no mérito, pelo voto prevalente da Presidência, deu-lhes provimento para julgar extinto o processo
sem resolução de mérito, na forma do art. 267, IV, do CPC. Vencidos os Ministros Horácio Raymundo
de Senna Pires, Rosa Maria Weber, Lelio Sentes Corrêa, Luiz Philippe Vieira de Melo Filho, Augusto
César Leite de Carvalho, José Roberto Freire Pimenta e Delaíde Miranda Arantes, por entenderem
que.a .quitação passada.perante. a.. Comissão.de..Conciliação.Prévia.não.pode abranger parcela.não
inserida no correlato recibo. TSH-RR-17400-43.2006.5.01.0073, S8D1-1, rei. Min. Aloysio Corrêa da Veiga,
8.11.2012 (Informativo n• 29 do TST) ...
9. O procedimento para impugnar o termo de conciliação na CCP é ação anulatória e não ação rescisória.
10. Essa composição refere-se às Comissões de Conciliação Prévia em âmbito da empresa. A composição
da comissão em âmbito sindical é definida em acordo ou convenção coletiva.

138
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS EJURISDIÇÃO

Composição da CCPª:
Representantes
dos empregados
composição paritária{
Representante
dos empregadores
Comissão - mínimo 2 e máximo 10
de Conciliação Prévia - eleição: representantes dos empregados
- estabilidade titulares e suplentes (representantes
- Objetivo de solucionar dos empregados)
conflitos entre empre- - mandato de 1 ano permitida uma recondução
gados e empregadores
Submeter a demanda à CCP:
- Podemsercriadasemâm-
Art. 625-D: demanda "será submetida"
bito empresarial ou sindi-
- Posicionamento do STF: opção do trabalhador
cal
- Prazo de 10 dias: tentativa de conciliação
- Termo de conciliação:
a) Eficácia liberatória geral
b) Título executivo extrajudicial

2.3. Processo de jurisdição voluntária de homologação de acordo extrajudicial


Como forma de implementar a solução de conflitos extrajudiciais, a Lei n°
13.467/2017incluiu os arts. 855-B a 855-E da CLT, disciplinando o processo de jurisdi-
ção voluntária para homologação de acordo extrajudicial, como se verifica a seguir:
Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá
início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das
partes por advogado.

§ 1° As partes não poderão ser representadas por advogado comum.

§ 2° Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato


de sua categoria.'

Art. 855-C. O disposto neste Capítulo não prejudica o prazo estabelecido


no§ 6° do art. 477 desta Consolidação e não afasta a aplicação da multa
prevista no § 8° art. 477 desta Consolidação.'

Art. 855-D. No prazo de quinze dias a contar da distribuição da petição,


o juiz analisará o acordo, designará audiência se entender necessário
e proferirá sentença.'

Art. 855-E. A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende


o prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados.

Parágrafo único. o prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte ao


do trânsito em julgado da decisão que negar a homologação do acordo

Embora seja forma de autocomposição, é uma modalidade de jurisdição vo-


luntária criada pelo legislador, razão pela qual trataremos do tema .no tópico de
jurisdição voluntária para onde remetemos o leitor.

139
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3. ARBITRAGEM
Como já anunciado, a heterocomposição é a forma de solução do conflito por
meio de terceira pessoa, que decide de modo obrigatório para as partes.
Quando a terceira pessoa é indicada pelas partes, temos a arbitragem. Caso
seja investida pela lei, fala-se em jurisdição.
No processo do trabalho, a arbitragem era prevista tão somente para os conflitos
coletivos, conforme prevê o art. 114,.§ 1°, da CF/88:
Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.
Já nos conflitos individuais, a doutrina e a jurisprudência", majoritariamente,
não permitiam a utilização da arbitragem, sob os seguintes fundamentos:
• os direitos dos trabalhadores são irrenunciáveis;
• a hipossuficiência do trabalhador;
0 o estado de subordinação do trabalhador faz presumir viciada sua vontade
em aderir a cláusula compromissária.
No entanto, o art. 507-A da CLT, introduzido pela Lei n° 13.467/2017 (Reforma
Trabalhista), passa a admitir a arbitragem.para os empregados que possuem remu-
neração superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do
Regime Geral de Previdência Social. ·
Cria-se, nesse caso, a presunção de que tais trabalhadores, embora subordi-
nados, têlJl capacidade de manifestar sua vontade de forma livre, ante seu padrão
remuneratório. São, pois, hipersuficientes.

li>- ATENÇÃO:
Oart. 444, parágrafo único, da CLT também prevê a figú'ta do- empregact'o hipersuficiente,
permitindo a livre negociação entre empregado e empregadof: Nesse éaso, aÍém de re-
ceber salário mensal igual ou súperior ai duas Vezes o limite máximo dos benefícios do
Regime Geral de Previdência Social, deve ter' dipÍbiTia de nível superior. '

A conclusão que se extrai a contrario sensu, é que a arbitragem para os dissídios


individuais só será admitida nos casos do art. 507-A da CLT, vedando-se sua utilização
para os demais contratos de trabalho.
Nos casos em que é permitida, a arbitragem observará as diretrizes da Lei
9.307/1996, de modo que pressupõe a existência de pessoa capaz de contratar e
somente servirá para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis
(art. 1°, caput). Considera'ndo que o contrato de trabalho tem diversos objetos e

11. TST-E-ED-RR-25900-67 .2008.5.03.0075, SBDl-1, rei. Min. João Oreste Dalazen, 16.4.2015 (Informativo n• 104).

140
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E JURISDIÇÃO

especialmente efeitos anexos, algumas matérias estarão excluídas da arbitragem,


como é o caso, por exemplo, de direitos da personalidade.
Além disso, a arbitragem decorre de ato voluntário da parte, isto é, não pode
ser compulsória, já que decorre de ato contratual. Como descreve o art. 507-A da
CLT, o compromisso arbitral pressupõe "iniciativa do empregado ou mediante a sua
concordância expressa, nos termos previstos na Lei n° 9.307, de 23 de setembro de
1996".

li> IMPACTOS DA REFORMA TRABALHISTA


• Cláusula conípromissória de arbitragem. A Lei n° 13,467/17 (Reforma Trabàlhista) in-
. é:luiu o art. 507-A na CLT, permitindo o estabelecimento de cláusula compromissária de
arbitragem, ou seja, a previsão expressa nos Contratos de trabalho de que, havendo
conflito, ele será resolvido pela arbitragem. o dispositivo restringe o estabelecim.ento
da cláusula compromissária aos contratos de trabalho cuja remuneração seja supe-
rior a duas vezes o limite máximo estabelecido para ~sbenefícios cio Regime Geral
da Previdência Social e desde que líaja iríiciativa<do emptegado ou sua concordância
expressá, como previsto na Lei n° 9.307/96 (Cei de arbitragem).
0 Antes da Reforma Trabalhista: nô processo do trabalho, a arbitragem era prevista
tã.o-somente Pé\ra os conflitos coletivo.s, ~onforme prevê o a.rt. 114, §. 1°, da CF/88. Nos
conflitos individuais, a doutrina e a jurisprudência não admitiam sua utilizaç~o, devido
à irrenunciabilidade dos direitos dos trabalhadores; à hipossuficiência do trabalhado
e à presunção de vício de vontade na adesão da cláusula compromissária.

4. JURISDIÇÃO
A jurisdição confere ao juiz o poder-dever de solucionar os conflitos de inte-
resses com definitividade. Ela pode ser entendida "como a atuação estatal visando
à aplicação do direito objetivo ao caso concreto, resolvendo-se com definitividade
uma situação de crise jurídica e gerando com tal solução a pacificação social" 12 •

4.1. Jurisdição voluntária


Tradicionalmente, a jurisdição é dividida em duas espécies:
o jurisdição contenciosa; e

• jurisdição voluntária.

12. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil - volume único. 8. ed. Salvador:
Ed. JusPodivm, 2016. p. 1.

141
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

A jurisdição contenciosa corresponde à "jurisdição propriamente dita", ' 3 ou seja,


à função jurisdicional desempenhada pelo Estado na pacificação ou composição dos
litígios que envolvem, necessariamente, um conflito .de interesses.
A jurisdição voluntária, por sua vez, é excepcional provocando discussões na
doutrina acerca de sua natureza: se consistente em atividade jurisdicional ou em
atividade meramente administrativa praticada pelo Poder Judiciário.

4.2. Jurisdição voluntária no processo do trabalho


A Lei n° 13.467/17 (Reforma trabalhista) passa a prever a jurisdição voluntária no
processo do trabalho nos arts. 855-B a 855-E da CLT, que versam sobre o processo
de homologação de acordo extrajudicial.
Essa ·homologação tem como fonte os arts. 515, 111, c/c o art. 725, VIII, do CPC,
tendo os seguintes objetivos:
• conceder efeitos jurídicos ao acordo extrajudicial, transformando-o em
título judicial. É interessante que, nessa seara, o acordo extrajudicial não
homologado em juízo não é considerado nem mesmo como título extrajudicial;
• formação de coisa julgada para tornar indiscutível as verbas contempladas
no acordo homologado.

4.3. Procedimento da homologação de àcordo extrajudicial


Os arts. 855-B e 855-D estabelecem o procedimento para a homologação do
acordo extrajudicial, com as seguintes diretrizes:

Petição conjunta
(representação obrigatória por advogado)
~

Distribuição
~ 15 dias
Juiz analisa acordo

/
Homologa ~
aud!ncia ~
~ não homologa

13. THEODORO JÚNIOR. Humberto. curso de Direito Processual Civil, vol. 1. 56. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2015, p. 117.

142
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E JURISDIÇÃO

4.3.1. Petição conjunta


De acordo com o art. 855-B da CLT, incluído pela Lei n° 13.467/2017, o processo
de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta.

Esse pressuposto é exigido para que se demonstre que o acordo é pré-processual.


Noutras palavras, empregado e empregador já negociaram e fizeram as concessões
recíprocas antes do ajuizamento da ação.

Cria-se, pois, um pressuposto negativo para o ajuizamento desse processo,


de modo que, não havendo petição conjunta, o processo poderá ser extinto sem
resolução do mérito.

4.3.2. Representação por advogado


o art. 855-B da CLT declina que é obrigatória a representação das partes por
advogado, nos casos de processo de homologação de acordo extrajudicial.

Impede, assim, a utilização do jus postu/andi.

O art. 855-B da CLT ainda faz duas observações:


1) as partes não poderão ser representadas por advogado comum (§ 1°). A
utilização de advogado comum presume a lide simulada, obstando a homo-
logação do acordo. Aliás, pelo objetivo da norma também não se admite que
os advogados, ainda que distintos, sejam integrantes do mesmo escritório
de advocacia.
2) o trabalhador poderá ser assistido pelo advogado do sindicato de sua
categoria.

4.3.3. Prazo para analisar o acordo extrajudicial


O art. 855-D da CLT estabelece que o juiz analisará o acordo no prazo de 15 dias
contados a partir da distribuição da petição em conjunto, designando audiência se
entender necessário, e proferirá sentença.

Trata-se de prazo impróprio, de modo que, se descumprido, não provocará


efeitos processuais.

4.3.4. Realização de audiência


Na análise do acordo, o juiz, se entender necessário, poderá ouvir as partes
para obter maiores esclarecimentos. Não é momento, pois, de ouvir testemunhas.
O juiz buscará analisar se a ação homologatória ajuizada possui ou não os
requisitos legais e se o acordo proposto não tem nenhum vício (prejuízo iminente
para o empregado, lide simulada, coação, etc.).

143
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

4.3.5. Sentença
Analisado o acordo, o juiz poderá:

• homologá-lo: extinguindo o processo com resolução do mérito (CPC/2015,


art. 487, Ili, b);
• não homologar o acordo: extinguindo o processo sem resolução do mérito
(CPC/2015, art. 485, VI).
Em ambos os casos, a decisão do juiz terá natureza de sentença.

Na hipótese de homologação, a decisão somente poderá ser atacada. para o e.


TST, por meio de ação rescisória (Súmula n° 259 do TST).

Já no caso de não homologação, a decisão poderá ser impugnada pelo recurso


ordinário.

Nesse ponto, é importante destacar que existe uma diferença essencial na natu-
reza da decisão que não homologa o acordo em processo contencioso da proferida
no processo de jurisdição voluntária.

No processo contencioso, o juiz profere decisão interlocutória, tendo em vista


que o processo prosseguirá normalmente, impedindo assim a interposição de re-
curso imediatamente (CLT, art. 893, § 1°), bem como o mandado de segurança, por
força da Súmula n° 418 do TST

Por sua vez, no processo de jurisdição voluntária de homologação de acordo


extrajudicial, como o objetivo do processo é efetivamente homologar o acordo, caso
não seja homologado, será proferida sentença extinguindo o processo sem resolução
do mérito, sendo, portanto, cabível a interposição do recurso ordinário (CLT, art. 895).

4.3.6. Requisitos do acordo extrajudicial


São requisitos do acordo extrajudicial:

• Existência de transação;

• Observância do prazo para pagamento das verbas rescisórias;

• Direitos limitados aos que estiverem especificados na petição do acordo.

4.3.6.1. Transação
Ao tratar da transação, o art. 840 do CC/02 estabelece que "é lícito aos interes-
sados prevenirêm ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas".
Impõe, pois, dúvida sobre o direito controvertido, havendo concessões recíprocas
entre as partes. Portanto, o acordo a ser homologado não pode servir como mera
renúncia de direitos por uma das partes.

144
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E JURISDIÇÃO

Ademais, para a formalização do acordo extrajudicial é necessário:


• agente capaz (CC, art. 1d4, I);
0 objeto lícito, possível, determinado ou determinável (CC, art. 104, li). No que
tange ao objeto do acordo extrajudicial, o legislador criou duas restrições
específicas: ' ,

1) prazo para pagamento das verbas rescisórias (CLT, art. 855-C);


2) o acordo só atingirá os direitos elencados na petição (CLT, art. 855:E).
• forma prescrita ou não defesa em lei (CC, art. 104, 111);
• não haja dolo, coação, ou erro essencial quanto à pessoa ou coisa contro-
versa (CC/02, art. 849).
Cumpre destacar ainda que a transação só atinge direitos patrimoniais de caráter
privado (CC, art. 841) e deve ser interpretada restritivamente (art. 843).

4.3.6.2. Observância prazo para pagamento das verbas rescisórias


O art. 855-C da CLT descreve o que segue:
Art. 855-C. o disposto neste Capítulo não prejudica o prazo estabelecido ,
no§ 6° do art. 477 desta Consolidação e não afasta a aplicação da multa ,
prevista no § 8° art. 477 desta ConsoHdação.

O art. 477, § 6°, da CLT, alterado pela Lei n° 13.467/17, declina que, em até 10 dias
contados a partir do término do contrato, o empregador devera:
• entregar ao empregado os documentos que comprovem a comunicação da
extinção contratual aos órgãos competentes;
• realizar o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou
recibo de quitação.
Havendo o descumprimento de tais obrigações, haverá a fixação de multa no
valor equivalente ao salário do empregado, salvo quando, comprovadamente, o
trabalhador tiver dado causa ao atraso do pagamento, nos termos do art. 477, §
8°, da CLT. Essa multa também se mantém na homologação do acordo extrajudicial.
Embora a interpretação do art. 855-C da CLT não seja das mais simples; a nosso
juízo deve ser no sentido de criar restrição ao objeto do acordo extrajudicial, im-
pedindo a negociação do prazo de pagamento das verbas constantes na rescisão
e especialmente seu parcelamento.
Isso porque, ao exigir o cumprimento do§ 6° do art. 477 da CLT, o legislador não
deixa dúvida de que as verbas constantes no termo de rescisão devem ser pagas
em até 10 dias contados do término do contrato. Cria-se, pois, verdadeira restrição
ao magistrado, que não poderá autorizar o pagamento após esse prazo e, conse-
quentemente, parcelar o pagamento das verbas rescisórias.

145
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Ademais, como a homologação judicial será posterior aos 10 dias do término


do contrato, se as verbas rescisórias estiverem no acordo seu pagamento deverá
ser anterior à homologação judicial, observando o prazo do art. 477, § 6°, da CLT,
devendo comprová-lo em juízo, sob pena de obstar sua homologação.
De qualquer modo, pode acontecer de o acordo extrajudicial ser formalizado
após o prazo de 10 dias e ser submetido ao judiciário. Nessa hipótese, incidirá a
multa do § 8° do art. 477 da CLT, mas ainda assim não se admitirá o parcelamento
das verbas rescisórias.
Essa interpretação tem como objetivo afastar a ideia de que o judiciário será mero
órgão homologar de rescisão contratual para parcelamento de verbas rescisórias.

4.3.6.3. Parcelas alcançadas pelo acordo extrajudicial


O art. 855-E da CLT, introduzido pela Lei n° 13.467/17, descreve que o ajuizamento
do processo de homologação extrajudicial "suspende o prazo prescricional da ação
quanto aos direitos nela especificados" (grifo nosso).
O referido artigo não deixa dúvida: o acordo atingirá apenas os direitos es-
pecificados na petição do processo de homologação extrajudicial, não aplicando o
entendimento da OJ n° 132 da. SDl-11 do TST. Como bem adverte Rafael Lara Martins:
a quitação havida no acordo extrajudicial jamais poderá ser feita pelo "extinto
contrato de trabalho", mas sim sobre o que foi detalhado na petição conjunta'•.
Assim, os direitos decorrentes do contrato de trabalho que não forem expres-
samente objeto da petição de homologação do acordo extrajudicial não serão àtin-
gidos, podendo, consequentemente, ser objeto de reclamação trabalhista. Noutras
palavras, alcançará somente as parcelas previstas na petição, não exigindo nenhuma
ressalva no tocante aos demais direitos não descritos na petição.

4.3.7. Suspensão e retorno da contagem do prazo prescricional


O art. 855-E da CLT estabelece que "a petição de homologação de acordo extraju-
dicial suspende o prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados"
e "voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão que negar
a homologação do acordo".
Desse modo, ajuizado o processo de homologação do acordo extrajudicial,
suspende-se a prescrição tão somente dos direitos especificados na petição conjunta.
É importante destacar que a suspensão atinge a contagem do prazo da pres-
crição bienal, bem como da quinquenal.

14. MARTINS, Rafael Lara. ln: RODRIGUES, Deusmar José (coord.) Lei da Reforma Trabalhista: comentada
artigo por artigo. Leme (SP): JH Mizuno, 2017. p. 311.

146
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E JURISDIÇÃO

li> IMPACTOS DA REFORMA TRABALHISTA


• Processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo extrajudicial. Os arts.
855-B a 855-E, acrescentados pela Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista), passaram
a estabelecer o processo. de jurisdição voluntária para a homologação de acordos
extrajudiciais, com as seguintes diretrizes:
- petição conjunta das partes, obrigatoriamente, representadas por advogados, que
devem s.er distintos, facultando ainda a assistência do trabalhador pelo advogado
do sindicato de sua categoria;
esse processo não prejudica o prazo estabelecido no art. 477, § 6°, da CLT e não
afasta a aplicação da multa do art. 477, § 8°, da CLT em caso de descumprimento;
- análise da petição pelo juiz no prazo de 15. dias, podendo designar audiência se
entender necessário; ·
- suspensão do prazo prescricional dos direitos especificados na petição, entre o
ajuizamentO do processo e seu trânsito em julgado,
• Antes da Reforma Trabalhista: Não havia a previsão de que a Justiça do. Trabalho po-
deria homologar acordos extrajudiciais por meio de processo de jurisdição voluntária.

5. QUESTÕES DISSERTATIVAS E ESTUDOS DE CAS0 16

Questão 1 No entanto, o art. 507-A da CLT, intro-


duzido pela Lei n° 13.467/2017 (Reforma
É possível a realização da arbitragem
Trabalhista), passou a admitir a arbitra-
como forma de solução de conflitos na
gem para os empregados que possuem
Justiça do Trabalho?
remuneração superior a duas vezes o
Resposta sugerida pelo autor limite máximo estabelecido para os be-
nefícios do Regime Geral de Previdência
A heterocomposição é a forma de so-
Social. Criou-se, nesse caso, a presun-
lução do conflito por meio de terceira
ção de que tais trabalhadores, embo-
pessoa, que decide de modo obrigató-
ra subordinados, têm capacidade de
rio para as partes. Quando a terceira
manifestar sua vontade de forma livre,
pessoa é indicada pelas partes, temos
ante seu padrão remuneratório. São,
a arbitragem. Caso seja investida pela
pois, hiperssuficientes.
lei, fala-se em jurisdição.
De qualquer maneira, a arbitragem de-
No processo do trabalho, a arbitragem
corre de ato voluntário da parte, isto é,
era prevista tão somente para os con-
não pode ser compulsória, já que de-
flitos coletivos, conforme prevê o art.
corre de ato contratual, como impõe o
114, § 1°, da CF/88.
art. 507-A da CLT.

Questão 2
Quais as consequências da conciliação
15. Indicamos o Curso de Questões Dissertativas e
Estudos de caso do CERS on fine. Nesse curso, firmada perante a Comissão de i::onci~
em 6 aulas - 3 de Direito do Trabalho (Prof. liação Prévia?
Henrique Correia) e 3 de Processo do Trabalho
Resposta sugerida pelo autor
(Prof. Élisson Miessa) - são dadas diversas
técnicas para redação de temas trabalhistas, Caso as partes obtenham a conciliação
além de propiciarem uma revisão ampla perante a Comissão de Conciliação Pré-
dessas duas disciplinas. via, será lavrado termo de conciliação.

147
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Esse termo apresenta duas caracterís- extras realizadas nos dois últimos meses
ticas de extrema importância para o do contrato de trabalho e o pagamento
Direito do Trabalho. do adicional de insalubridade durante
A primeira corresponde ao fato de ter todo o período e seus reflexos. Acordou-
eficácia liberatória geral, ou seja, ha- -se ainda que os valores constantes no
vendo acordo na CCP o empregado não instrumento de rescisão do contrato
poderá rediscutir perante a Justiça do apenas seriam pagos após a homologa-
Trabalho nenhuma· matéria relacionada ção em juízo do acordo extrajudicial.
ao contrato de trabalho extinto, salvo
Diante do caso, responda:
se expressamente fizer ressalva no mo-
mento do acordo. A) Quais os requisitos para a homologação
A segunda consiste na formação de tí- judicial do acordo realizado?
tulo executivo extrajudicial, isto é, po-
derá ser executado diretamente na Jus- B) A previsão relacionada ao pagamento
tiça do Trabalho (CLT, artigo 876). Desse das verbas rescisórias afasta a aplica-
modo, o empregado já ajuizará a ação ção da multa constante no art. 477, § 8°,
de execução extrajudicial, não haven- da CLT?
do necessidade de um processo de C) Os direitos não especificados no acordo
conhecimento, já que a dívida já está extrajudicial terão o prazo prescricional
reconhecida no termo da Comissão de suspenso?
Conciliação Prévia.
Resposta sugerida pelo autor
Questão 3 A) De acordo com o art. 855-B, da CLT, in-
Questão dissertativa cluído pela Lei n° 13.467/2017, o proces-
Qual é a composição da Comissão de so de homologação de acordo extraju-
Conciliação· Prévia? dicial terá início por petição conjunta.
Além disso, o dispositivo exige que
Resposta sugerida pelo autor
as partes estejam representadas por
A composição dos membros da Comis-
advogado, não podendo ser comum
são de Conciliação Prévia no âmbito
às duas partes (CLT, art. 855-8, § 1°).
da empresa será paritária, ou seja, o
Permite-se que o trabalhador seja as-
mesmo número de representantes dos
sistido pelo sindicato de sua categoria
trabalhadores e de representantes do
(CLT, art. 855-B, § 2°). Aliás, o acordo
empregador. o número de membros
extrajudicial deve observar os seguin-
será de no mínimo, 2, e, no máximo, 10
tes requisitos: existência de transação;
membros. O mandato, tanto para titu-
observância do prazo para pagamento
lares como para suplentes é de 1 ano,
das verbas rescisórias e limitação às
permitida uma recondução.
verbas contempladas no acordo.
Em âmbito sindical, a composição da
B) O processo de jurisdição voluntária para
comissão terá sua constituição e nor-
homologação de acordo extrajudicial não
mas definidas em acordo ou convenção
prejudica o prazo estabelecido no§ 6° do
coletiva.
art. 477 da CLT e não afasta a aplicação da
Estudo de caso 1 multa prevista no § 8° art. 477 da CLT. Isso
Após ser demitido sem justa causa, o em- quer dizer que em até 10 dias contados a
pregado José foi chamado pela empresa partir do término do contrato, o empre-
"W" para a realização de um acordo ex- gador deverá entregar ao empregado os
trajudicial, devido ao cónflito em relação documentos que comprovem a comuni-
às verbas que eram devidas. No acordo, cação da extinção contratual aos órgãos
ficou especificado o pagamento de horas competentes e realizar o pagamento dos

148
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS EJURISDIÇÃO

valores constantes do instrumento de empregados "x". João, ex-empregado


rescisão ou recibo de quitação. da empresa e pertencente à categoria
Havendo o descumprimento de tais "x", deseja ajuizar ação postulando o
obrigações, haverá a fixação de multa recebimento das férias e de seu 13°
no valor equivalente ao salário do em- salário, os quais não foram pagos no
pregado, salvo quando, comprovada- último ano em que trabalhou na em-
mente, o trabalhador tiver dado causa presa. Nesse caso, João poderá in-
ao atraso do pagamento, nos termos gressar com ação diretamente na Jus-
do art. 477, § 8°, da CLT. Essa multa tam- tiça do Trabalho?
bém se mantém na homologação do
acordo extrajudicial. Resposta sugerida pelo autor
Desse modo, o prazo do pagamento As Comissões de Conciliação Prévia foram
das verbas constantes na rescisão não criadas como forma de tentar solucionar
pode ser negociado por meio de acor- os conflitos existentes entre empregados
do extrajudicial. e empregadores, podendo ser criadas
C) O art. 855-E da CLT estabelece que "a pe- pelas empresas ou pelos sindicatos.
tição de homologação de acordo extraju- No caso em análise, como há Comissão
dicial suspende o prazo prescricional da de Empresa e Comissão Sindical, João
ação quanto aos direitos nela especifica- poderia optar por uma delas para a
dos", e "voltará a fluir no dia útil seguin- solução de seu conflito, nos termos do
te ao do trânsito em julgado da decisão artigo 625-A da CLT.
que negar a homologação do acordo". Além disso, João poderá optar pelo
Desse modo, ajuizado • o prncesso de ajuizamento direto de reclamação tfa'.'
homologação do acordo extrajudicial, balhista na Justiça do Trabalho. Isso
suspende-se a prescrição tão somente porque, apesar de o artÍgo 625-D da
dos direitos especificados na petição CLT estabelecer que a demanda "será
conjunta. submetida" à Comissão de Conciliação
Estudo de caso 2 Prévia, o Supremo Tribunal Federal pro-
Em determinada localidade, há uma feriu decisão no sentido de que é fa-
Comissão de Conciliação Prévia cria- cultativo ao trabalhador a tentativa de
da pela empresa "ZZ". Há ainda. a conciliação perante a CCP, ou seja, João
Comissão de Conciliação Prévia cria- poderá ingressar diretamente· na Justi-
da pelo. ,Sindicato da categoria dos ça do Trabalho.

149
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

6. LEGISLAÇÃO RELACIONADA AO CAPÍTULO

» CLT de suas atividades apenas quando convocado


Art. 477, § 6°·, CLT - A entrega ao empregado para atuar como conciliador, sendo computado
de documentos que comprovem a comunicação como tempo de trabalho efetivo o despendido
da extinção contratual aos órgãos competentes nessa atividade.
bem como o pagamento dos valores constantes Art. 625-C, CLT. A Comissão instituída no âmbito
do instrumento de rescisão ou recibo de quitação do. sind.icato terá sua constituição e normas de
deverão ser efetuados até dez dias contados a funcionamento definidas em convenção ou acordo
partir do término do contrato. coletivo.
Art. 477, § 8°, CLT - A inobservância do disposto Art. 625-D, CLT. Qualquer demanda de natureza
no § 6° deste artigo sujeitará o infrator à multa trabalhista será submetida à Comissão de Conci-
de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao paga- liação Prévia se, na loéalidade da prestação de
mento da multa a favor do empregado, em valor serviços, houver sido instituída a Comissão no
equivalente ao seu salário, devidamente corrigido âmbito da empresa ou do sindicato da categoria.
pelo índice de variação do BTN, salvo quando, com-
provadamente, o trabalhador der causa à mora. § 1°. A demanda será formulada por escrito ou
reduzida a tempo por qualquer dos membros da
Art. 507-A, CLT. Nos contratos individuais de
Comissão, sendo entregue cópia datada e assinada
trabalho cuja remuneração seja superior a duas
pelo membro aos interessados.
vezes o limite máximo estabelecido para os be-
nefícios do Regime Geral de Previdência Social, § 2°. Não prosperando a conciliação, será
poderá ser pactuada cláusula compromissória de fornecida ao empregado e ao empregador decla-
arbitragem, desde que por iniciativa do empre- ração da tentativa conciliatória frustrada com a
gado ou mediante a sua concordância expressa, descrição de seu objeto, firmada pelos membros
nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de da Comissão, que devera ser juntada à eventual
setembro de 1996. reclamação trabalhista.
Art. 625-A, CLT - As empresas e os sindicatos § 3°. Em caso de motivo relevante que impossi-
podem instituir Comissões de Conciliação Prévia, de bilite a observância do procedimento previsto no
composição paritária, com representante dos em- caput deste artigo, será a circunstância declarada
pregados e dos empregadores, com a atribuição de na petição da ação intentada perante a Justiça
tentar conciliar os conflitos individuais do trabalho. do Trabalho.
Parágrafo único. As Comissões referidas no § 4°. Caso exista, na mesma localidade e para a
caput deste artigo poderão ser constituídas por mesma categoria, Comissão de empresa e Comissão
grupos de empresas ou ter caráter intersindical. sindical, o interessado optará por uma delas sub-
Art. 625-B, CLT -A Comissão instituída no âmbito meter a sua demanda, sendo competente aquela
da empresa será composta de, no mínimo, dois que primeiro conhecer do pedido.
e, no máximo, dez membros, e observará as se- Art. 625-E, CLT -Aceita a conciliação, será lavrado
guintes normas: termo assinado pelo empregado, pelo empregador
1 - a metade de seus membros será indicada ou seu proposto e pelos membros da Comissão,
pelo empregador e outra metade eleita pelos em- fornecendo-se cópia às partes.
pregados, em escrutínio, secreto, fiscalizado pelo Parágrafo único. O termo de conciliação é título
sindicato de categoria profissional; executivo extrajudicial e terá eficácia liberatória
li - haverá na Comissão tantos suplentes quan- geral, exceto quanto às parcelas expressamente
tos forem os representantes titulares; ressalvadas.
Ili - o mandato dos seus membros, titulares e Art. 625-F, CLT. As Comissões de Conciliação
suplentes, é de um ano, permitida uma recondução. Prévia têm prazo de dez dias para a realização
da sessão de tentativa de conciliação a partir da
§ 1°. É vedada a dispensa dos representantes
provocação do interessado.
dos empregados membros da Comissão de Con-
ciliação Prévia, titulares e suplentes, até um ano Parágrafo único. Esgotado o prazo sem a realiza-
após o final do mandato, salvo se cometerem falta ção da sessão, será fornecida, no último dia do pra-
grave, nos termos da lei. zo, a declaração a que se refere o§ 2° do art. 625-D.
§ 20. orepresentante dos empregados desenvol- Art. 625-G, CLT. O prazo prescricional será
verá seu trabalho normal na empresa afastando-se suspenso a partir da provocação da Comissão

150
Cap. IV - FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS EJURISDIÇÃO

de Conciliação Prévia, recomeçando a fluir, pelo Art. 16, CPC/2015. A jurisdição civil é exercida
que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de pelos juízes e pelos tribunais em todo o território
conciliação ou do esgotamento do prâzo previsto nacional, conforme as disposições deste Código.
no art. 625-F. Art. 61, CPC/2015. A ação acessória será proposta
Art. 625-H, CLT. Aplicam-se aos Núcleos lntersin- no juízo competente para a ação principal.
dicais de Conciliação Trabalhista em funcionamento Art. 88, CPC/2015. Nos procedimentos de juris-
ou que vierem a ser criados, no que couber, as dição voluntária, as despesas serão adiantadas
disposições previstas neste Título, desde que ob- pelo requerente e rateadas entre os interessados.
servados os princípios da paridade e da negociação
Art. 142, CPC/2015. Convencendo-se, pelas cir-
coletiva na sua constituição.
cunstâncias, de que autor e ré.u se serviram do
Art. 831, CLT - A decisão será proferida depois processo para praticar ato simulado ou conseguir
de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. fim vedado por lei, o juiz proferirá decisão que im-
Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo peça os objetivos das partes, aplicando, de ofício,
que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, as penalidades da litigância de má-fé.
salvo para a Previdência Social quanto às contri- Art. 165, CPC/2015. Os tribunais criarão centros
buições que lhe forem devidas. judiciários de solução consensual de conflitos, res-
Art. 855-B, CLT. O processo de homologação de ponsáveis pela realização de sessões e audiências
acordo extrajudicial terá início por petição conjun- de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento
ta, sendo obrigatória a representação das partes de programas destinados a auxiliar, orientar e
por advogado. estimular a autocomposição.

§ 1° As partes não poderão ser representadas § 1º A composição e a organização dos centros


por advogado comum. serão definidas pelo respectivo tribunal, obser-
vadas as normas do Conselho Nacional de Justiça.
§ 2° Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo
advogado do sindicato de sua categoria. § 2º o conciliador, que atuará preferencialmente
nos casos em que não houver vínculo anterior
Art. 855-C, CLT. O disposto neste Capítulo não
entre as partes, poderá sugerir soluções para o
prejudica o prazo estabelecido no § 6° do art. 477
litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo
desta Consolidação e não afasta a aplicação da
de constrangimento ou intimidação para que as
multa prevista no§ 80 art. 477 desta Consolidação.
partes conciliem.
Art. 855-D, CLT. No prazo de quinze dias a contar
§ 3º o mediador, que atuará preferencialmente
da distribuição da petição, o juiz analisará o acor-
nos casos em que houver vínculo anterior entre
do, designará audiência se entender necessário e as partes, auxiliará aos interessados a compre-
proferirá sentença.
ender as questões e os interesses em conflito, de
Art. 855-E, CLT. A petição de homologação de modo que eles possam, pelo restabelecimento da
acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional comunicação, identificar, por si próprios, soluções
da ação quanto aos direitos nela especificados. consensuais que gerem benefícios mútuos.
Parágrafo único. O prazo prescricional voltará a Art. 174, CPC/2015. A União, os Estados, o Distrito
fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado Federal e os Municípios criarão câmaras de media-
da decisão que negar a homologação do acordo. ção e conciliação, com atribuições relacionadas à
solução consensual de conflitos no âmbito admi-
» CPC/2015 nistrativo, tais como:
Art. 3º, CPC/2015 - Não se excluirá da apreciação 1 - dirimir conflitos envolvendo órgãos e enti-
jurisdicional ameaça ou lesão a direito. dades da administração pública;
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. li - avaliar a admissibilidade dos pedidos de
§ 2º O Estado promoverá, sempre que possível, resolução de conflitos, por meio de conciliação,
a solução consensual dos conflitos. no âmbito da administração pública;

§ 3º A conciliação, a mediação e outros métodos Ili - promover, quando couber, a celebração de


de solução consensual de conflitos deverão ser termo de ajustamento de conduta.
estimulados por juízes, advogados, defensores Art. 515, CPC/2015. São títulos executivos judi-
públicos e membros do Ministério Público, inclusive ciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com
no curso do processo judicial. os artigos previstos neste Título:

151
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa .

(...) » LEI N• 9.307/96


Ili - a decisão homologatória de autocomposição Art. 1°, Lei 9.307 /96. As pessoas capazes de con-
extrajudicial de qualquer natureza; tratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir
(...) litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
§ 2° A autocomposição judicial pode envolver § 1° A administração pública direta e indireta
sujeito estranho ao processo e versar sobre relação poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir con-
jurídica que não tenha sido deduzida em juízo. flitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
Art. 719, CPC/2015. Quando este Código não § 2º A autoridade ou. o órgão competente da
estabelecer procedimento especial, regem os pro- administração pública direta para a celebração
cedimentos de jurisdição voluntária as disposições de convenção de arbitragem é a mesma para a
constantes desta Seção. realização de acordos ou transações.
Art. 720, ·CPC/2015. O procedimento terá início Árt. 2°, Lei 9.307/96. A arbitragem poderá ser
por provocação do interessado, do Ministério de direito ou de eqüidade, a critério das partes.
Público ou da Defensoria Pública, cabendo-lhes § 1° Poderão as partes· escolher, livremente,
formular o pedido devidamente instruído com as regras de direito que serão aplicadas na ar-
os documentos·necessáriose com a indicação da bitragem, desde que não haja violação aos bons
providência judicial. costumes e à ordem pública.
Art .. 721, CPC/2015. Serão citados todos os inte- § 2° Poderão, também, as partes convencionar
ressados, bem como intimado o Ministério Público, que a arbitragem se realize com base nos princípios
nos casos do art. 178, para 'que se manifestem, gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras
querendo, no prazo de 15 (quinze) dias. internacionais de comércio.
Art. 72Í, CPC/2015. A Fazenda Pública será § 3º Aarbitragem que envo'lva a administração
sempre ouvida nos casos em que tiver interesse. pública será sempre de direito e respeitará o
Art. p3, CPC/2015. O juiz decidirá o pedido no princípio da publicidade.
prazo de 10 (dez) dias. Art. 4°, Lei 9.307/96. A cláusula compromissória
Parágrafo único. o juiz .não é obrigado a obser- é a convenção através da qual as partes em um
var critério de legalidade estrita, podendo adotar contrato comprometem-se a submeter à arbitragem
em cada caso a solução que considerar mais con- os litígios que possam vir a surgir, relativamente
veniente ou oportuna. a tal contrato.
Art. 725, CPC/2015. Processar-se-á na forma § 1° A cláusula compromissória deve ser es-
estabelecida nesta Seção o pedido de: tipulada por escrito, podendo estar inserta no
(...) próprio contrato ou em documento apartado que
a ele se refira.
VIII - homologação de autocomposição extraju-
dicial, de qualquer natureza ou valor. § 2° Nos contratos de adesão, a cláusula com-
promissória só terá eficácia se o aderente tomar
Parágrafo único. As normas desta Seção aplicam- a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar,
-se, no que couber, aos procedimentos regulados expressamente, com a sua instituição, desde que
nas seções seguintes. por escrito em documento anexo ou em negrito,
Art. 966, § 4º, CPC/2015. Os atos de disposição com a assinatura ou visto especialmente para
de direitos, praticados pelas partes ou por outros essa cláusula.
participantes do processo e homologados pelo § 3° VETADO (Incluído pela Lei n~ 13.129, de 2015)
juízo, bem como os atos homologatórios praticados
no curso da execução, estão sujeitos à anulação, § 4º VETADO (Incluído pela Lei n° 13.129, de 2015)
nos termos da lei. (...)

152
CAPÍTULO V

COMPETÊNCIA
JUSTIÇA Do 11MBALHO

sumário • 1. Competência; 1.1. Introdução; 1.2. Classificação; 1.2.1. Competência originária e derivada;
1.2.1.1. Ação acessória; 1.2.2. Competência exclusiva e competência concorrente; 1.2.3. Competência
absoluta e relativa; 1.2.3.1. Competência absoluta; 1.2.3.2. Competência relativa; 2.2.3.3. Diferenças entre
a competência absoluta e relativa; 2.3. Critérios de modificação da competência; 2.3,1. Conexão e conti-
nência; 3. Competência em razão da matéria e da pessoa; 3,1. Ações oriundas da relação do trabalho;
3.2. Entes de direito público externo; 3.2.1. Estados estrangeiros; 3.2.2. Organismos ou organizações
internacionais; 3-2.3., Esquema; 3.3. Servidores da administração pública; 3.3,1. Relação empregatícia;
3.3-2. Relação estatutária. 3.3.3. Relação de caráter jurídico-administrativa; 3.3.4. Cargo em comissão;
3.3.5. Empregados contratados antes da CF/88, sem submissão do concurso público; 3.4. Competência
trabalhista perante a greve; 3.4.1. Dissídio coletivo de greve de servidor público; 3.5. Ações envolvendo
sindicatos; 3.6. Mandado de segurança, habeas corpus e habeas data; 3.6.1. Mandado de segurança;
3.6.2. Habeas Corpus; 3.6.3. Habeas Data; 3.7. Ações de indenização por dano moral ou patrimonial;
3.7-1. Ação de indenização por danos ocorridos nas fases pré e pós contratual; 3.8. Ações relativas às
penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização do trabalho; 3.9.
Execução, de ofício, das contribuições sociais das sentenças que proferir. 3.10. Outras competências da
Justiça do Trabalho; 3,10.1. Complementação de aposentadoria; 3.11. Ações envolvendo o meio ambiente
do trabalho; 3.12. Competência normativa; 4. Competência funcional; 5. Competência em razão do lugar
(territorial); 5.1. Local da prestação dos serviços; 5.2. Agente ou viajante comercial; 5.3. Empregado
brasileiro que trabalha no exterior; 5.4. Empregador que promove a prestação dos serviços fora do
lugar da celebração do contrato; 5.5. Competência Territorial na Ação Civil Pública; 5.6. Foro de eleição;
6. conflitos de competência; 7. Questões dissertativas e estudos de caso; 8. Súmulas e orientações
jurisprudenciais do TST; 9. Legislação relacionada ao capítulo

1. COMPETÊNCIA
1.1. Introdução
A jurisdição é una (indivisível). No entanto, para que ela possa ser exercida
efetivamente, é necessário racionalizar os trabalhos e organizar as tarefas, o que
dá origem à competência, que é a delimitação do exercício legítimo da jurisdição'.
Isso quer dizer que todos os juízes possuem jurisdição dentro do território
nacional, mas somente atuarão de forma legítima se tiverem competência. A com-
petência, portanto, é uma divisão artificial do Poder Judiciário, a fim de facilitar a
estrutura material e organizacional de seus órgãos.

1. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: Método, 2010. p. 110.

153
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Desse modo, se, por exemplo, o caso versar sobre reconhecimento de vínculo
empregatício, qualquer juiz terá jurisdição para a causa, mas somente o juiz do
trabalho poderá julgá-la, pois apenas ele tem competência para esse caso.
A definição de qual juízo é competente ocorre por meio de cinco critérios:
1) em razão da matéria;
2) em razão da pessoa;
3) em razão da função (funcional);
4) em razão do lugar (territorial);
5) em razão do valor da causa.

1>-... IMPORTANTE:

No processo do trabalho, o valor da causa. não é critério para delimitação da competência,


mas serve tão somente para definir o rito processual (Sumário, sumaríssimo ou ordinário).

Consigna-se que os critérios de competência declinados anteriormente devem


conviver em um determinado caso, não sendo, portanto, excludentes. Desse modo,
em um processo deverá, por exemplo, ser analisada a competência material, fun-
cional e territorial. Exemplificamos para melhor compreensão:
+ Pedro ajuíza reclamação trabalhista, na Vara do Trabalho do Rio de Janeiro,
em face da empresa Z, alegando que trabalhou durante 2 anos para a empresa,
sem que tenha havido anotação de sua CTPS e pagamento do 139 salário. Dian-
te do caso colocado, a competência deverá ser analisada da seguinte forma:
1) Inicialmente, cabe analisar os fatos discutidos em juízo. No caso, eles dizem
respeito à relação de emprego, o que atrai a competência da Justiça do
Trabalho, em razão da matéria.
2) Definida a "justiça" competente, passamos a analisar se a matéria é de
competência originária do TRT (competência funcional). Não sendo, como é
o caso, a competência é, portanto, de uma Vara do Trabalho;
3) Cabe analisar agora qual a Vara do Trabalho competente (competência ter-
ritorial). Na hipótese, a competência será de uma das Varas do Trabalho do
Rio do Janeiro, vez que a prestação dos serviços ocorreu naquela cidade.
No exemplo posto, vislumbra-se que foram utilizados os critérios de competência
material, funcional e territorial.

1.2. Classificação
1.2.1. Competência originária e derivada
A competência originária corresponde à competência atribuída ao órgão que irá
analisar a causa em primeiro lugar.

154
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Em regra, a competência originária pertence aos juízos de primeiro grau (vara


do trabalho). Todavia, em alguns casos como, por exemplo, na ação rescisória e
no dissídio coletivo, a competência originária será de um tribunal (TRT ou TST). A
competência originária do tribunal é excepcional, dependendo de legislação para
sua definição. Isso significa que a competência da vara do trabalho é residual, ou
seja, não havendo norma indicando que o processo é de competência originária do
tribunal, a competência será da vara do trabalho.

A competência derivada (recursai ou hierárquica) é atribuída ao órgão jurisdi-


cional com a função de reanalisar a decisão proferida pelo órgão de competência
originária. Em regra, a competência derivada é dos Tribunais.

1.2.1.1. Ação acessória


A ação acessória corresponde à "demanda secundária destinada a complemen-
tar ação mais importante do ponto de vista do interesse do autor, denominada de
principal"'.

Nesses casos, a competência para o julgamento da ação acessória será definida


pela competência para a ação principal, nos termos do art. 61 do CPC/2015:
Art. 61. A ação acessória será proposta no juízo competente para a
ação principal.

+ Como exemplo de ação acessória no direito processual do trabalho, podemos


citar a ação anulatório que possui como competência originária o mesmo juízo
em que praticado o ato eivado de vício, ou seja, o mesmo juízo competente
para a ação principal {OJ n9 129 da 50/-1/ do TST).

1.2.2. Competência exclusiva e competência concorrente


Competência exclusiva é aquela que não dá alternativa para o reclamante, in-
dicando um único órgão jurisdicional para seu ajuizamento.

Já a competência concorrente é aquela que a própria lei confere ao reclamante


a opção de escolher dentre dois ou mais juízos. É o que acontece, por exemplo,
nos § 1° e 3°, do art. 651 da CLT, bem· como na ação civil pública. Nessa hipótese,
é importante destacar que, escolhido o juízo em que será ajuizada a ação, sendo
distribuída fixa-se competência, não podendo posteriormente ser alterada, salvo
se houver supressão do órgão jurisdicional ou alteração da competência absoluta
(CPC/2015, art. 43).

2. NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2015. p. 347.

155
PROCESSO DO TRABALHO -' Élissori Miessa

1:2.3. Competência absoluta e relativa


1.2. .3.1. Competência absoluta
A competência absoluta é aquela criada em razão do interesse público. Diante
disso, as partes não têm liberdade entre aplicá-la ou não(CPC/2015, art. 62). Noutras
palavras, a competência absoluta tem natureza cogente (obrigatória).
Em razão dessa natureza obrigatória, a incompetência absoluta pode ser alegada
por todos os sujeitos do processo, podendo inclusive ser conhecida ex officio 3 pelo juiz.
Além dissó, ela pode ser alegada a qualquer tempo e grau de jurisdição
(CPC/2015, art. 64, § 1°). No entanto, para o C. TST não se admite a alegação da incom-
petência absoluta nas instâncias superiores, em que é exigido o prequestionamento,
conforme prevê a OJ n° 62 da SDH do TST:
É necessário o prequestionamento como pressuposto de admissibili-
dade em recurso de natureza extraordinária, ainda que se trate de
incompetência absoluta.

Ademais, a incompetência absoluta gera nulidade absoluta do processo, podendo


até mesmo ser alegada na ação rescisória (CPC/2015, art. 966, li).
Reconhecida a incompetência absoluta, os autos serão encaminhados ao juízo
competente e, salvo decisão judicial em sentido contrário, os efeitos de decisão
proferida pelo juízo incompetente serão conservados até que outra seja proferida,
se for o caso, pelo juízo competente (CPC/2015, art. 64, § 4°).

São espécies de competência absoluta:


competência em razão da matéria;
competência em razão da pessoa;
competência em razão da função (funcional).

Portanto, se a causa é, por exemplo, da competência da Justiça do Trabalho em


razão da matéria (ex., vínculo de emprego), não poderá ser julgada por um juiz da
Justiça Comum. Nesse caso, o juiz da Justiça Comum deve conhecer ex officio sua
incompetência ou qualquer sujeito do processo poderá alegá-la, devendo os autos
ser encaminhados à Justiça do Trabalho para julgamento.

1.2 . .3.2. Competência relativa


A competência relativa é aquela que privilegia a vontade das partes. Assim, as
próprias partes podem aplicá-la ou não no caso concreto, sem que haja qualquer
vício processual.

3. Independe de provocação das partes.

156
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Isso não quer dizer que a lei não vai definir a competência relativa. o que ocorre
nesse caso é que a lei define um juízo competente, mas, se as partes quiserem,
poderão modificá-lo.
Por se tratar de opção concedida às partes, a incompetência relativa não
pode ser conhecida ex offlcio, dependendo, obrigatoriamente, de provocação
do réu (OJ n° 149 da SDl-11 do TST) 4• A propósito, incompetência relativa pode
ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar (CPC/2015, art. 65,
parágrafo único).

A exceção de incompetência relativa deverá ser apresentada em peça que si-


nalize a existência da exceção, ou seja, em peça autônoma, como impõe o art. 800
da CLT, modificado pela Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista) 5•
Não sendo alegada a incompetência, o juiz que era, inicialmente, incompetente
passa a ser competente para a causa, ocorrendo o fenômeno denominado prorro-
gação de competência.
+ Exemplificamos:
João ajuíza, na Vara do Trabalho de São Paulo, reclamação trabalhista
em face da empresa X, alegando ter trabalhado, em Ribeirão Preto,
durante 1 ano sem receber horas extras. A empresa, no prazo de 5
dias a contar de sua notificação, apresenta exceção de incompetência
alegando que o juízo competente é o da Vara do Trabalho de Ribeirão
Preto. Sendo reconhecida a incompetência, os autos deverão ser en-
caminhados para a Vara do Trabalho de Ribeirão Preto. No entanto,
caso a empresa não apresente a exceção de incompetência, o juiz do
trabalho da Vara do Trabalho de São Paulo, inicialmente incompetente,
passa a ser competente para a causa, ocorrendo a prorrogação de
competência.

Desse modo, sendo alegada a incompetência relativa, o juiz incompetente


encaminhará os autos ao juízo competente e, salvo decisão judicial em sentido
contrário, os efeitos da decisão serão conservados até qUe outra seja proferida,
se for o caso, pelo juízo competente, assim como ocorre. nos casos de incompe-
tência absoluta.
É espécie de competência relativa, no processo do trabalho, a competência em
razão do lugar (territorial).

4. Orientação Jurisprudencial n° 149 da SDl-11 do TST. Conflito de competência. Incompetência territorial.


Hipótese do art. 651, § 3°, da CLT. Impossibilidade de declaração de ofício de incompetência relativa.
Não cabe declaração de ofício de incompetência territorial no caso do uso, pelo trabalhador, da
faculdade prevista no art. 651, § 3°, da CLT. Nessa hipótese, resolve-se o conflito pelo reconhecimento
da competência do juízo do local onde a ação foi proposta.
5. No mesmo sentido, SCHIAVI, Mauro. A reforma trabalhista e o processo do trabalho. São Paulo: LTr, 2017.
p. 93.

157
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

~ IMPACTOS DA REFORMA TRABALHISTA


. . . ' ' ' '
• Exceção de incompetência. A Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista) modificou o art. 800
da CLT passando a prever que a alegação da incompetência territorial será por meio
de exceção em peça apartada, devendo ser apresentada no prazo de 5 dias a contar
da notificação e antes da.audiência
• Antes da Reforma Trabalhista: Com o adven.to do Novo CPC, aplicável ao processo
d.o trabalho subsidiariamente, a alegação da incompetência territorialse .dava como
preliminar da contestação (CPC/2m5, art. 64 e 337, 11). , .

~ ATENÇÃO:
Como já anunciado anteriormente, no processo do trabalho, o valor da causa não é critério
para delimitação da competência, mas serve tão. somente para definir o rito processual
(Sumário,.sumaríssimo ou ordinário). · ' '

2.2.3.3. Diferenças entre a competência absoluta e relativa


Podemos esquematizar da seguinte forma as diferenças entre a competência
absoluta e a competência relativa.

Espécies
I
Competência material; compet~nc!a competência territorial; competên-
em razão da pessoa; competencia eia em razão do valor da causa
funcional

Momento de Qualquer tempo e grau de _iurisdi· 1 dias a contar da notificação e


5
alegação ção, exceto instância superior que antes da audiência
depende do prequestionamento

Conhecimento , Pode ser conhecida ex officio Não pode ser conhecida ex officio
exofflcio

Forma de
petição e até mesmo oralmente na art.
I
Preliminar de contestação, qualquer Exceção de incompetência (CLT,
)
alegação 800
audiência
Pode ser modificada pela: a) prorro-
Modificação Não pode ser modificada
gação; b) conexão; ou c) continência.
Nulidade Gera nulidade absoluta Gera nulidade relativa
Ação Poderáserobjetodeaçãorescisória I Não_ ~~de ser objeto de ação
rescisória rescisona

2.3. Critérios de modificação da competência


A modificação da competência ocorre quando há ampliação da esfera de compe-
tência de determinado órgão jurisdicional, apesar de este não ser, ordinariamente,
competente para conhecer referida demanda. Somente haverá modificação na
competência relativa.

158
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A modificação da competência poderá ocorrer em três situações:


• Prorrogação da competência: conforme mencionado em tópico anterior, a
prorrogação da competência ocorre quando a incompetência relativa não
é alegada pelo réu na exceção de incompetência (CLT, art. 800). Nesse caso,
inicialmente, o juízo era incompetente para o caso, mas não havendo ale-
gação, ele passa a ser competente.
• Foro de eleição: conforme será analisado em tópico posterior, o foro de
eleição consiste na possibilidade de as próprias partes, de comum acordo,
elegerem um local para dirimir futuras questões judiciais.
• Conexão e Continência: a seguir analisada.

2.3.1. Conexão e continência


A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou continência
(CPC/2015, art. 54).
Haverá conexão quando duas ou mais ações tiverem em comum o pedido ou
a causa de pedir (CPC/2015, art. 55). Além disso, são consideradas como conexas a
execução de título extrajudicial e a ação de conhecimento relativa ao mesmo ato
jurídico, bem como as execuções fundadas no mesmo título executivo (CPC/2015,
art. 55, § 2°).
Verificada a conexão, os processos serão reunidos, a fim de que sejam decididos
simultaneamente, exceto nos casos em que um deles já houver sido sentenciado
(CPC/2015, art. 55, § 1°).
Atente-se para o fato de que, mesmo não havendo conexão, o Novo CPC também
determina a reunião dos processos que possam gerar risco de prolação de decisões
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente (CPC/2015, art. 55, § 3°).
Por outro lado, há continência quando duas ou mais ações forem idênticas quanto
às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange
o das outras (CPC/2015, art. 56).

(1• ação) Pedido A + B

Denomina-se ação continente aquela que tem o pedido mais abrangente (no
exemplo, a ia ação) e ação contida a que tem o pedido menos abrangente (no
exemplo, a 2• ação)

159
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Quando houver continência, se a ação continente (pedido mais abrangente) tiver


sido proposta em momento anterior à ação contida (pedido menos abrangente), o
processo relacionado à ação contida deverá ser extinto sem resolução do mérito.
Caso se verifique o inverso, ou seja, a ação continente for proposta posteriormente
à ação contida, as demandas deverão ser reunidas (CPC/2015, art. 57).
Havendo necessidade de reunião das ações, tem-se a modificação da compe-
tência, tornando-se competente apenas um juízo para todos os processos, o qual
denominamos de juízo prevento.
Prevenção significa chegar antes. Com efeito, aquele que chegar antes na ação
passa a ter competência para a causa, tornando-se os demais incompetentes.
No processo do trabalho (e agora também no processo civil - CPC/2015, art. 59),
considera-se prevento o juízo em que foi distribuída a primeira ação. Desse modo,
todos os demais autos serão enviados para o juízo em que foi distribuída a primeira
reclamação trabalhista.

3. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA E DA PESSOA


A Justiça do Trabalho teve considerável alteração na sua competência após o
advento da EC n° 45/04. Nesse contexto, o art. 114 CF/88, principal dispositivo que
declina a competência dessa Justiça Especializada, estabelece:
Art.. 114. Compete à Justiça do Trabaltio processar e julgar:
1 - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de
direito público externo e da administração pública direta e indireta da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

li - as ações que envolvam exercício do direito de greve;

Ili - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sin-


dicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores;

IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando


o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição;

V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista,


ressalvado o disposto no art. 102, I, o;

VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes


da relação de trabalho;

VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos


empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho;

VIII - a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art.


195, I, a, e li, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que
proferir;

IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma


da lei.

160
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

§ 1° - Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.


§ 2° Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à
arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio
coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir
o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao
trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.
§ 3° Em caso de greve ein atividade essencial, com possibilidade de lesão
do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar
dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito.
Considerando que referido artigo versa sobre a competência material e também
em razão da pessoa, analisaremos em conjunto tais critérios para fins didáticos.
Desse modo, a competência em razão da matéria é identificada pela causa
de pedir (fatos e fundamentos jurídicos) e pelo pedido deduzidos em juízo. Nessa
hipótese, o processo poderá ser de competência da Justiça Especializada (Justiça
do Trabalho, Eleitoral ou Militar) ou da Justiça Comum (Justiça Federal ou Estadual).
Assim, se, por exemplo, um trabalhador ajuíza reclamação trabalhista
alegando ter trabalhado no período noturno e não ter recebido adicional
noturno, postulando seu pagamento, verifica-se que os fatos, os funda-
mentos jurídicos e os pedidos dizem respeito à relação de emprego, o
que atrai a competência da Justiça do Trabalho.
Já a competência em razão da pessoa é definida levando-se em conta a quali-
dade das partes envolvidas na relação jurídico-processual.
Com efeito, para melhor compreensão do tema, passamos a analisar detidamente
cada um dos itens do artigo supramencionado.

3.1. Ações oriundas da relação do trabalho


Antes do advento da EC n° 45/04, a Justiça do Trabalho era competente, em
regra, para julgar as ações oriundas das relações entre empregados e empregado-
res. Nesse contexto, priorizava-se a competência em razão da pessoa (empregado
e empregador).

Depois da entrada em vigor da aludida Emenda Constitucional, a competência


da Justiça do Trabalho teve significativa ampliação, pois passou a ter competência
para julgar as ações referentes à relação de trabalho.
Relação de trabalho pode ser conceituada como "qualquer vínculo jurídico por
meio do qual uma pessoa natural executa obra ou serviços para outrem, mediante
o pagamento de uma contraprestação" 6 • Trata-se, pois, de gênero, nele incluindo:
relação de emprego; trabalho autônomo; trabalho eventual; trabalho avulso; trabalho

6. SARAIVA, Renato. Processo do Trabalho. 5. ed. Rio do Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2009. p. 29

161
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

voluntário; estágio etc. Aliás, o art. 643, § 3°, da CLT declina que a Justiça do Trabalho
é competente para processar e julgar as ações entre trabalhadores portuários e os
operadores portuários ou o órgão Gestor de Mão de Obra OGMO decorrentes da
relação de trabalho.

Relação de trabalho

A relação de emprego é, portanto, espécie de relação de trabalho, existindo


quando estiverem presentes os requisitos descritos no art. 3 da CLT, quais sejam
pessoalidade, pessoa física, não eventualidade, onerosidade e subordinação.
Com efeito, nos dias atuais, são integradas, na competência da Justiça do Traba-
lho, as relações de trabalho e não somente as relações de emprego.

No entanto, cabe fazer três observações quanto à competência da Justiça do


Trabalho referente às seguintes lides:

• relações de consumo;

• ações penais; e
• representantes comerciais
Quanto à relação de consumo existem três correntes a respeito da competência
da Justiça do Trabalho.
• 1•tese - a relação de consumo é uma relação bifronte: do ângulo do consu-
midor (destinatário do serviço) há uma relação consumerista a ser julgada
pela Justiça Comum. Agora, do ângulo do prestador do serviço há relação
de trabalho, sendo de competência da Justiça do Trabalho.
+ Exemplo: encanador que presta serviços em uma residência. Se o consumi-
dor for reclamar dos serviços do encanador, a relação será de consumo. Por
outro lado, se a reclamação é do encanador (por exemplo, não pagamento}, a
relação será de trabalho.

162
Cap. V -COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

• 2ªtese - a Justiça do Trabalho é competente para julgar as ações propostas


pelo prestador de serviços, assim como aquelas propostas pelo consumidor
em face do prestador do serviço.
+ Exemplo: reconvenção do cliente, em ação ajuizada pelo prestador do serviço
na Justiça do Trabalho.
• 3ª tese - a relação de consumo não é de competência da Justiça do Traba-
lho. Para essa tese há distinção entre consumidor e tomador dos serviços.
O consumidor é a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza o produto
ou serviço como destinatário final (CDC, art. 2°). Já o tomador dos serviços
não é destinatário final, mas intermediário.
+ Exemplo: médico de determinada clínica que presta serviço a um paciente.
A relação entre o médico e o paciente (cliente) é de consumo, sendo de com-
petência da Justiça Comum. Agora, a relação do médico com a clínica é de
trabalho, atraindo a competência da Justiça do Trabalho.

I>-IMPORTANTE:
Esse é o entendimento majoritário, sendo acompanhado pela Súmula n° 363 do STJ que
assim vaticina: "Compete à Justiça Estadual processar e julgar a ação de cobrança ajuizada
por profissional liberal contra cliente".

Do mesmo modo, é o entendimento majoritário quanto à cobrança dos honorários


advocatícios contratuais, estabelecendo-se que a Justiça Estadual é a. competente
para tal demanda.
No que se refere às ações penais, o Supremo Tribunal Federal deferiu liminar
na ADIN 3.684, para afastar da competência da Justiça do Trabalho o julgamento das
ações de natureza penal, ou seja, no âmbito dessa Justiça Especializada, não está
incluída a competência para processar e julgar ações penais.
Por fim, quanto às ações referentes aos representantes comerciais, o entendi-
mento do C. TST é de que, após a EC n° 45/04, as demandas oriundas do contrato de
representação comercial são de competência da Justiça do Trabalho, ressalvadas
as controvérsias ocorridas entre duas pessoas jurídicas (Lei n° 4.886/65, art. 39)7. O
tema, contudo, foi considerado como de repercussão geral no Recurso extraordinário
606.003 pelo STF, não tendo ainda sido proferido o julgamento.

3.2. Entes de direito público externo


O art. 114, 1, da CF/88 indica que a Justiça do Trabalho é competente para pro-
cessar e julgar "as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de
direito público externo".

7. TST; AIRR 0210311-20.2014.5.21.0017; Quinta Turma; Rei. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos; DEJT
11/03/2016; Pág. 1560; TST; RR 0001102-23.2010.5.12.0010; Oitava Turma; Rei. Min. Mareio Eurico Vitral
Amaro; DEJT 24/06/2016; Pág. 2283; TST; RR 0124700-38.2006.5.02.0008; Sétima Turma; Rei. Min. Vieira de
Mello Filho; DEJT 06/12/2013; Pág. 1590.

163
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Entes de direito público externo.são os sujeitos de Direito Internacional Público,


ou seja:
• os Estados estrangeiros, abrangendo as embaixadas e as repartições con-
sulares; e
• os organismos internacionais (ONU, OIT etc.).

3.2.1. Estados estrangeiros


Quanto aos Estados estrangeiros, alguns doutrinadores entendiam que eles não
poderiam se submeter à jurisdição brasileira, ou seja, havia imunidade de jurisdição.
No entanto, o Supremo Tribunal Federal analisou os atos dos Estados estrangeiros
em dois aspectos:
1) atos de império; entendidos como aqueles praticados no exercício de suas
prerrogativas soberanas. Ex.: concessão de visto, atos legislativos do estado
estrangeiro. Nesse caso, há imunidade absoluta de jurisdiçãoª.
2) atos de gestão sendo aqueles erri que o Estado estrangeiro atua em matéria
de ordem estritamente privada, equiparando-se ao particular, como é o caso
da aquisição de bens, contratação de empregados etc. Nessa hipótese, não
há imunidade de jurisdição.
Com efeito, declinou o e. STF que, nas causas de natureza trabalhista, o Estado
estrangeiro se submete à jurisdição brasileira e, consequentemente, à competência
da Justiça do Trabalho, uma vez que se trata de atos de gestão.
Contudo, a Corte Suprema reconheceu a imunidade de execução dos entes de
direito público externo, sob pena de indevida invasão no Estado estrangeiro. Noutras
palavras, a Justiça do Trabalho poderá, na fase de conhecimento, reconhecer que o
trabalhador laborou para o ente estrangeiro e condená-lo, por exemplo, ao paga-
mento das verbas rescisórias e das horas extras. No entanto, não poderá penhorar
bens ou dinheiro .de tais entes, devendo se valer da denominada carta rogatória.
Existem, porém, duas exceções em que não incidirá a imunidade de execução:
ia) quando o Estado estrangeiro renunciar à intangibilidade de seus próprios
bens;
2•) quando houver no território brasileiro bens que, embora pertencentes ao
ente externo, não tenham nenhuma vinculação com as finalidades essenciais

8. Nessa hipótese, o STJ entende que, caso seja ajuizada a ação no Estado brasileiro, o processo não
será de plano extinto sem resolução do mérito, devendo ser determinada a citação do Estado es-
trangeiro para que se manifestasse em relação ao tema e, eventualmente, renuncie a sua imunidade
de jurisdição, caso tenha interesse (RO 64/SP, Rei. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado
em 13.05.2008, DJe 23.06.2008). Não renunciando, o processo será extinto sem resolução do mérito.

164
Cap. V- COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

inerentes às relações diplomáticas ou representações consultes mantidas


em nosso País (STF - RE n° 222.368-4).

3.2,2.. Organismos ou organizações internacionais


Quando se tratar, porém, de organização ou organismos internacionais, há imu-
nidade absoluta de jurisdição, nos termos da OJ n° 416 da SDI-I do TST:
Orientação Jurisprudencial n° 416 da SDI-I do TST. Imunidade de juris-
dição. Organização ou organismo internacional

As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade


absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional
incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a
regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados.
Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de
renúncia expressa à cláusula de imunidade jurisdicional.

Nessa hipótese, tendo imunidade de jurisdição, consequentemente, também terá


imunidade de execução, vez que não existirá nem mesmo condenação.

A Corte Trabalhista justifica seu posicionamento nos seguintes fundamentos.


o tema das imunidades das organizações internacionais, em regra, decorre
do direito convencional, ao contrário da imunidade dos Estados estrangeiros que
se embasa no direito consuetudinário 9• Em outros termos, as imunidades dessas
organizações vêm estabelecidas em tratados internacionais, os quais, depois de
ratificados, integram o ordenamento interno brasileiro.
Em decorrência disso, o Estado brasileiro tem obrigação de cumprir os tratados
firmados, vez que são pactuados livremente pelo Brasil, sendo compromissos inter-
nacionais de caráter vinculante. Ademais, o descumprimento dos tratados firmados
pelo Brasil sujeita o Estado brasileiro à responsabilização internacional.

Com efeito, estando a imunidade de jurisdição prevista em tratado internacio-


nal, para o TST o organismo internacional não se submete à jurisdição brasileira.
Excepciona-se, porem, o caso do organismo internacional, expressamente, renunciar
a imunidade a ele conferida.

3.2.3. Esquema
Em suma, para o e. TST, tratando-se de Estado estrangeiro, não há imunidade de
jurisdição nas lides trabalhistas. Por outro lado, sendo organizações (organismos)
internacionais, tais entidades têm o privilégio da imunidade de jurisdição.

9. PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional público e privado. 3. ed. Salvador: JusPodivm,
2011.p. 189.

165
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Regra: Têm imunidade de execução

3.3. Servidores da administração pública


A administração pública abrange a União, os Estados, os Municípios, as autarquias,
as fundações, as sociedades de economia mista e as empresas públicas.
No que se refere às empresas públicas e às sociedades de economia mista, o
art. 173, 11, da CF/88 submete-as ao regime próprio das empresas privadas, inclusive
quanto aos direitos e obrigações trabalhistas. Nesse contexto, não há dúvida de que a
Justiça do Trabalho é competente para julgar as ações oriundas de seus empregados.
Quanto à União, aos Estados, aos Municípios, às autarquias e às fundações
públicas, a questão não é pacífica. Isso porque a relação de trabalho, nesses entes,
conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, pode ser de três espécies:
ia) relação empregatícia (regime celetista);
2•) relação estatutária;
3•) relação de caráter jurídico-administrativa (temporária).

3.3.1. Relação empregatícia


De acordo com o entendimento do STF e do TST, a competência da Justiça do
Trabalho está limitada às ações oriundas da relação de emprego, ou seja, quando o
ente público adotar o regime celetista para seus servidores (empregados públicos).
No entanto, o STF entende que, mesmo sendo empregado público, a discussão
sobre a exoneração de empregado em estágio probatório é da Justiça Comum,
por se tratar de validade de ato administrativo, sendo considerado de natureza
constitucional-administrativa'º.

3.3.2. Relação estatutária


Fica a cargo da Justiça Comum a competência para julgar as relações estatutárias.
Nesse sentido, a Súmula n° 137 do STJ:
Súmula n° 137 do STJ. Competência - Processo e Julgamento - Servidor
Público Municipal - Direitos Relativos ao Vínculo Estatutário

10. STF-ARE 809482 AgR, Relator(a): Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 17.3.2017, Acórdão
eletrônico DJe-062 Divulg. 28.3-2017 Public. 29.3.2017.

166
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar ação de servidor


público municipal, pleiteando direitos relativos ao vínculo estatutário.

Assim, cabe à Justiça Federal julgar os servidores públicos estatutários federais


e à Justiça Estadual, os servidores públicos estatutários estaduais ou municipais.

I> ATENÇÃO:
Na hipótese de o ente público alterar o regime celetista para estatutário, a compe-
tência da Justiça do Trabalho fica limitada ao período do regime celetista, inclusive
restringindo a execução àquele períodon. Ademais, o TST entende que "a transferência
do regime jurídico de celetista para estatutário implica extinção do contrato de tra-
balho, fluindo o prazo da prescrição bienal a partir da. mudança de regime''. (Súmula
n° 382 do TST).
* Nesse sentido, a O/ n• 138 da 50/-1 do TST: Competência residual. Regime jurídico único. limitação
da execução. Compete à Justiça do Trabalho julgar pedidos. de direitos e vantagens previstos na
legislação trabalhista referente a período anterior à Lei n• 8.112/90, mesmo que a ação tenha sido
ajuizâdã após a edição da referida lei. A superveniência de regime estatútário em substituição ao
ce/etista, mesmo após a sentença, /imita a execução ao período ce/etista.

3.3.3. Relação de caráter jurídico-administrativa


É de competência da Justiça Comum o julgamento das ações relacionadas aos
servidores temporários (relação de caráter jurídico-administrativa), que são con-
tratados para "atender a necessidade temporária de excepcional interesse público"
(CF/88, art. 37, IX).
Em resumo, é possível esquematizar a competência para julgar as ações envol-
vendo os servidores públicos da seguinte forma:

Servidor temporário

11. Nesse sentido, a OJ n• 138 da SDI-I do TST: Competência residual. Regime jurídico único. Limitação
da execução. Compete à Justiça do Trabalho julgar pedidos de direitos e vantagens previstos na
legislação trabalhista referente a período anterior à Lei n• 8.112/90, mesmo que a ação tenha sido
ajuizada após a edição da referida lei. A superveniência de regime estatutário em substituição ao
celetista, mesmo após a sentença, limita a execução ao período celetista.
O STF também entende que, havendo alteração do regime jurídico, a competência da Justiça do
Trabalho fica restrita para processar e julgar ações relativas às verbas trabalhistas referentes
ao período em que o servidor mantinha vínculo celetista com a Administração, antes da trans-
posição para regime estatutário (ARE 1001075 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em
08/12/2016, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-017 DIVULG 31-01-2017 PUBLIC
01-02-2017).

167
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3.3.4. Cargo em comissão


No que tange aos trabalhadores submetidos ao cargo em comissão, a competência
depende do regime adotado pela administração pública. Sendo o regime celetista
a competência é da Justiça do trabalho 12, enquanto na hipótese de adotar o regime
estatutário a competência será da Justiça estadual'3•

3.3.5. Empregados contratados antes da CF/88, sem submissão do concurso


público
Como visto, é possível que o ente público altere seu regime de contratação,
ficando limitada a competência da Justiça Laboral ao período celetista (OJ n° 138 da
SDI-I do TST).

No entanto, na hipótese dos empregados contratados antes da Constituição


Federal de 1988, sem submissão ao concurso público, não é permitida a conversão
automática de regime jurídico, de celetista para estatutário, permanecendo sua re-
gência pela CLT. Noutras palavras, ele continua sendo regido pelo regime celetista,
mesmo que venha norma estadual ou municipal estabelecendo a conversão deste
regime para o estatutário, já que essa conversão é inválida.

Com efeito, a competência é da Justiça do Trabalho para julgar o caso' 4•

3.4. Competência trabalhista perante a greve


A greve pode ser conceituada como "a suspensão coletiva, temporária e pacífica,
total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empi:-egador" (Lei rí 0 7-783/89).
Trata-se de um direito fundamental utilizado pelos trabalhadores, para pressionar
o empregador a atender a suas reivindicações.

Nos termos do art. 114, li, da CF/88, todas "as ações que envolvam exercício do
direito de greve" são de competência da Justiça do Trabalho. Nesse contexto, passou
a ser de competência dessa Justiça Trabalhista:
as ações possessórias (reintegração de posse, manutenção de posse e
interdito proibitório).

12. TST; RR 0000227-35.2013.5.15.0149; Terceira Turma; Rei. Min. Alberto Bresciani; DEJT 13/03/2015; TST; ARR
0000415-58.2013.5.15.0042; Terceira Turma; Rei. Min. Maurício Godinho Delgado; DEJT 12/02/2016; Pág.
1081; TST; RR 0000099-92.2013.5.03.0102; Sétima Turma; Rei. Min. Vieira de Mello. Filho; DEJT 17/04/2015;
Pág. 2411.
13. Súmula n• 218 do _STJ. Competência - Ação de Servidor Estadual - Processo e Julgamento - Direitos e
Vantagens Estatutárias-Cargo em Comissão. Compete à Justiça dos Estados processar e julgar ação de
servidor estadual decorrente de direitos e vantagens estatutárias no exercício de cargo em comissão.
14. STF - Repercussão geral no .recurso extraordinário com agravo n• 906.491 Distrito Federal. Rei. Min.
Teori Zavascki. DJE 7,10.2015; STF-ADl,1150/RS. Tribunal Pleno. Rei. Min. Moreira Alves. DJ 17.4.1998;
TST-RR-1308-02-2012-5-22-0103. 2• Turma. Rei. Min. José Roberto Freire Pimenta. DEJT 8.11.2013.

168
Cap. V - COMPETÊNCIA DÁ JUSTIÇA DO TRABALHO

+ Exemplo: Banco Z ajuíza interdito proibitório para evitar protestos dentro


ou na porta do banco;

as ações indenizatórias decorrentes do exercício do direito de greve.


+ Exemplo: trabalhadores quebram maquinários da empresa durante o mo-
vimento grevista;

as ações de obrigação de fazer, a fim de garantir, durante a greve, a presta-


ção dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis
da. comunidade etc.
+ Exemplo: MPT ajuíza ação civil pública para que 50% dos ônibus coletivos
mantenham 0 se em funcionamento durante o movimento grevista.

Quanto às ações possessórias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula


vinculante n° 23, a quàl declina:
Súmula Vinculante n° 23.
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação pos-
.sessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos
trabalhadores da iniciativa privada.

1J,. OBSERVAÇÃO 1:
Asúmula vinculante restringiu.a competência da Jústiça do Trabalho apenas à iniciativa
pr,ivada, o. que significa que. as ações decorrentes do. exercício de greve .dos. servidores .•
. públicos estatutários são de competência da Justiça Comum. (ADI 3395): ·

1J,. OBSERVAÇÃO 2:
Também não é de competência da Justiça do Trabalho as ações penais deq)rrentes do
exercício do direito de greve (ADI 3684). ·

Há de se consignar, ainda, que as ações envolvendo o direito de greve podem


gerar dissídios individuais ou dissídio de greve.
As ações individuais são as especificadas anteriormente, devendo ser ajuizadas
na Vara do Trabalho.

Já o dissídio de greve vem estabeleci.do no § 3° do art. 114 da CF/88, tendo a


finalidade de declarar a abusividade ou não do movimento grevista. Essa ação é
de competência originária dos Tribunais (TRT ou TST), considerando a sua extensão
territorial.

Assim, atingindo a greve apenas um Tribunal Regional, é dele a competência


para solucioná-la, como se depreende do art. 677 da CLT. Por outro lado, atingindo
mais de um Tribunal Regional, a competência será do TST, nos termos do art. 2°, 1,
"a", da Lei n° 7-701/88.

169
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

li>- ATENÇÃO:
Existe uma exceção quando a extensão do dissídio de greve atinge mais d~ um tribunal. É
no caso de a greve atingir as circunscrições dos TRTs da 2• e 15• Região (todo o Estado de
São Paulo). Nessa hipótese, a competência será do TRT da 2• Região, conforme estabelece
ó art. 12 da Lei n° 7.520/86, alterado pela Lei 9.254/96.

3.4.1. Dissídio coletivo de greve de servidor público


Inicialmente, entendia-se que a competência da justiça do trabalho para o
julgamento do dissídio coletivo de greve dos servidores públicos seguia a mesma
interpretação do art. 114, 1, da CF/88, ou seja, os celetistas de competência da justiça
do trabalho e os estatutários de competência da justiça comum.

No entanto, o STF fixou tese no sentido de que "a justiça comum, federal ou
estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos
celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas" 15 •
Portanto, sendo pessoa jurídica de direito público, para o E. STF a competência
para julgar o dissídio coletivo de greve é da justiça comum, sendo de competência
da justiça do trabalho apenas as pessoas jurídicas de direito privado, inclusive as
empresas públicas e as sociedades de economia mista.

No caso de dissídio de greve ajuizado na justiça comum, o STF decidiu que "até a
devida disciplina legislativa, devem-se definir as situações provisórias de competên-
cia constitucional para a apreciação desses dissídios no contexto nacional, regional,
estadual e municipal" 16, aplicando-se analogicamente a Lei n° 7.701/88.

Desse modo, o STJ tem competência nos seguintes casos:

1) movimento de âmbito nacional;


2) movimento que atinja mais de uma região da justiça federal;
3) movimento que compreenda mais de uma unidade da federação (art. 2°, 1,
"a", da Lei n° 7-701/1988).

Por outro lado, o Tribunal Regional Federal será competente se a controvérsia


estiver ligada a servidor público federal e adstrita:

a) · a uma única região da justiça federal (aplicação analógica do art. 6° da Lei


no 7-701/1988);

b) ao âmbito local.

15. STF- RE 846854. Tese fixada pelo plenário do STF em 01.8.2017.


16. STF - MI 708/DF, Rei. Min. GILMAR MENDES, Dje 25.10.07.

170
Cap. V- COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Já o Tribunal de Justiça será competente para os servidores públicos estaduais


e municipais quando a controvérsia estiver restrita:
a) a uma unidade da federação (aplicação analógica do art. 6° da Lei n° 7-701/
1988);
b) ao âmbito local.

3.5. Ações envolvendo sindicatos


Pela análise do art. 114, 111, da CF/88 é possível extrair que a Justiça do Trabalho
tem competência para processar e julgar todas as ações que envolvam os sindicatos
e ou discutam questões sindicais' 7• Nesse contexto, a Justiça do Trabalho é compe-
tente para as ações:
1) as ações sobre representação sindical.
+ Exemplo: quando dois ou mais sindicatos disputarem a representação da
categoria;
2) as ações entre sindicatos.
+ Exemplos: cobrança de multa do sindicato patronal pelo sindicato dos em-
pregados, em decorrência do não cumprimento de obrigações assumidas na
convenção coletiva; repartição das contribuições sindicais etc.;
3) as ações entre sindicatos e empregados.
+ Exemplos: descontos indevidos de contribuições assistenciais e confederati-
vas; vícios nas eleições sindicais; direito de filiação ou desfiliação;
4) as ações entre sindicatos e empregadores.
+ Exemplos: ações visando. acabar com atos antissindicais praticados pelo
empregador; consignação de pagamento de contribuição sindical ajuizada
pelo empregador.
Ressalta-se que, como já dito, o art. 114, 111, da CF/88 atrai para a Justiça do
Trabalho todas as questões relacionadas aos sindicatos, sejam as intersindicais
(entre sindicatos, como é o caso, p. e, da disputa de representação sindical), sejam
as intrasindicais.
No último caso, "envolvem todas as questões do Sindicato considerado em si
mesmo e não em conflito com outro sindicato"'ª. Assim, são abrangidas, por exem-
plo, as questões relacionadas à legalidade de criação dos sindicatos (inclusive no
tocante ao registro sindical e aos atos constitutivos em cartório), a convocação de

17. SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. 9. ed. São Paulo: LTr, 2015. p. 258.
18. SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 11. ed. São Paulo: LTr, 2016. p. 266 e 267.

171
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Assembleias, as eleições sindicais' 9 e também sobre os cargos de direção, registro


de candidatura e a ação do dirigente sindical para pagamento de seus créditos e
honorários junto à entidade sindical 2º.

,._ OBSERVAÇÃO 1:
Embora o art. 114, Ili, da CF/88 utilize apenas sindicatos, ele deve ser interpretado exten-
sivamente, incluindo, assim, as federações, as confederações e até mesmo as centrais
sindicais.

'li> OBSERVAÇÃO 2:
a
A'jurisprud,ência ní~jÔritária é no ~E!ritic:lo de'que Jüstiça do Tràbalho nãÓ te~ êompe-
têricia para as ações decorrentes de sindicatos de servidores estatutários. . .

,._ OBSERVAÇÃO 3:
··. Com-o advento da ECr1° 45/04, a Súmula n° 222 do STJ 2º é considerada éomo superada
pela doutrina e jurisprudência, sendo, atualmente, competência da Justiça, do Trabalho
julgar as ações relacionadas à contribuição sindical. Registra-se que referida súmula
permanece aplicável aos processos já sentenciados na data das alterações realizadas
pela emenda (Súmu!a n°. 397 do STf') ... ·

3.6. Mandado de segurança, habeas corpus e habeas data


3.6.1. Mandado de segurança
O art. 114, IV, da CF/88 declina que é da competência da Justiça do Trabalho pro-
cessar e julgar "os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando
o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição". (grifo nosso)
O mandado de segurança é um remédio constitucional concedido "para proteger
direito líquido e certo, não amparado por 'habeas-corpus' ou 'habeas-data', quando
o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente
de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público" (CF/88, art. 5°, LXIX).
Atualmente, sua regulamentação faz-se por meio da Lei n° 12.oi6/09, que revogou
a Lei n° 1.533/51.

19. Nesse sindicato, a doutrina majoritária defende o cancelamento da Súmula n• 4 do STJ: "Compete
a Justiça Estadual julgar causa decorrente do processo eleitoral sindical". (LEITE, Carlos Henrique
Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 308). '
20. SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 11. ed. São Paulo: LTr, 2016. p. 266 e 267.
21. súmula n• 222 do STJ: Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações relativas à contribuição
sindical prevista no art. 578 da CLT.
22. súmula n• 367 do STJ: A competência estabelecida pela EC n. 45/2004 não alcança os processos já
sentenciados. No mesmo sentido, Resp 71:2984/PR. Rei.: Min. Luiz Fux. ia Turma. DJ 4.10.2007.

172
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Antes do advento da EC n° 45/04, o mandado de segurança na Justiça do Traba-


lho tinha cabimento reservado a atos jurisdicionais (ex., atos do juiz do trabalho).
Desse modo, somente os tribunais tinham competência para julgá-lo. No entanto,
após a introdução dessa Emenda Constitucional, os.juízes de primeiro grau também
passaram a ter competência para julgar mandado de segurança como ocorre, por
exemplo, contra ato do auditor fiscal do trabalho ou do superintendente regional
do trabalho na interdição de estabelecimento (CLT, art. 161).
Portanto, nos dias atuais, tanto os tribunais como as varas do trabalho têm
competência para o julgamento do mandad.o de segurança, sendo definida funcio-
nalmente pela autoridade coatora envolvida, como se verifica no quadro a seguir:

Atos dos juízes da Vara do Trabalho'3 ou do TRT (desembargadores)


TRT
e seus servidores
Atos de autoridades que não façam parte do Judiciário trabalhista
Vara do Trabalho
(ex., superintendente regional do trabalho)

Já a competência territorial é da sede funcional da autoridade apontada como


coatora. É interessante observar que, embora seja territorial, essa competência tem
natureza absoluta.

3.6.2. Habeas Corpus


O habeas corpus é um remédio constitucional previsto no art. 5°, LXVIII, da CF/88,
sendo cabível "sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência
ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder".
Na seara trabalhista, o habeas corpus era utilizado, frequentemente, na hipótese
do depositário infiel, ou seja, quando o depositário não guardava os .bens subme-
tidos à. sua custódia.
Ocorre, no entanto, que o STF entende que, nos dias atuais, a prisão civil somente
será permitida no caso de inadimplemento voluntário e inescusável de. obrigação
alimentícia, isto é, veda a possibilidade de prisão do depositário infiel, dando origem
inclusive à Súmula vinculante n° 25 do STF, a qual vaticina:
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a moda-
lidade do depósito.

Portanto, atualmente é vedada a prisão civil do depositário infiel, o que significa


que dificultou a utilização do habeas corpus na seara trabalhista.

23. Ou juiz de direito investido de jurisdição trabalhista.

173
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

De qualquer maneira, parte da doutrina entende que ele será cabível no caso de
determinação de prisão, pelo juiz do trabalho, em outras hipóteses que não seja a
do depositário infiel, assim como nos atos de restrição de liberdade praticados por
particulares (empregador ou tomador dos serviços) 24, como é o caso, por exemplo,
do empregador que mantém empregado no ambiente de trabalho durante o movi-
mento grevista ou, também, no caso de trabalho escravo.

Aliás, o e. TST amplia consideravelmente as hipóteses de cabimento do habeas


corpus, autoriza-o para a proteção da autonomia da vontade contra ilegalidade ou
abuso de poder praticado nas relações de trabalho, objetivando assegurar o livre
exercício do trabalho 25 •

A competência funcional para o julgamento do habeas corpus dependerá da


autoridade coatora. Caso a autoridade coatora seja juiz da Vara do Trabalho, a com-
petência para o-julgamento-do habeas corpus será do TRT: Se a autoridade coatora
for juiz do TRT ou mesmo órgão colegiado fracionário de TRT, a competência será
do TST26 • Por outro lado, sendo ato praticado por quem não faça parte do Judiciário
trabalhista, a competência será da Vara do trabalho.

3.6.3. Habeas Data


o habeas dataé um remédio constitucional previsto no art. 5°, LXVII, da CF/88,
e regulamentado pela Lei n° 9.507/97, podendo ser utilizado para três finalidades:
ia) assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante,
constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou
de caráter público;

2•) retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso,
judicial ou administrativo;

3•) anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação


sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial
ou amigável.

No processo do trabalho, o habeas data é de difícil utilização, podendo citar,


como exemplo, o ajuizado pelo empregador em face do órgão de fiscalização do
trabalho que nega informações sobre processo administrativo em que o empregador
está sofrendo penalidade administrativa.

24. SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 200.
25. TST- HC-3981-95.2ou:5:oo:oooo~rel:Min. Guilherm·e caputo Bàstos: DE]T27.4.2b12. No mesmo sentido,
TST-AgR-HC-5451-88.2017.5.oo.oooo, SBDl-11, rei. Min. Delaíde Miranda Arantes, 8.8.2017 (Informativo
n• 162).
26. JORGE NETO, Francisco Ferreira; CAVALCANTE, Jouberto de Quadros Pessoa. Direito processual do trabalho.
7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. p. 1234.

174
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A competência funcional para o julgamento do habeas data na Justiça do Trabalho


é, em regra, das Varas do Trabalho, exceto quando o ato da autoridade implicar a
competência funcional dos TRTs ou do TST2 7•

3.7. Ações de indenização por dano moral ou patrimonial


Com a inclusão do art. 114, VI, da CF/88, por meio da Emenda Constitucional n°
45/04, terminou a divergência acerca da competência da Justiça Trabalhista para
processar e julgar "as ações de indenização por dano moral. ou patrimonial, decor-
rentes da relação de trabalho". Definiu-se, pois, que tais ações são de competência
dessa Justiça Especializada.
=Assim, se determinado empregado alega que sofreu dano moral por ato praticado
pelo empregador, durante a relação de emprego, o pedido de indenização deverá
ser postulado na Justiça do Trabalho. ·
Cabe consignar que as ações de indenização por danos morais e patrimoniais
decorrentes do acidente de trabalho também são de competência da Justiça do
Trabalho, conforme dispõe a Súmula vinculante n° 22 do STF:
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de
indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente
de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive
aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau
quando da promulgação da Emenda Constitucional n° 45/04.

I>- ATENÇÃO:
A competência estabelecida pela EC n. 45/2004 não alcança os processos já sentenciados
na Justiça Comum (Súmula n° 367 do STJ). Ressaltamos que, diferentemente do STJ que
exige apenas sentença (de mérito ou não), o STF exige qµe a sentença deverá ser de
mérito, conforme se depreende da Súmula vinculante n° 22.

É importante observar que as ações acidentárias, que derivam do acidente de


trabalho, podem dar origem a, pelo menos, duas ações diferentes:
1) promovida pelo trabalhador em face do INSS, para recebimento de benefício
previdenciário. Nesse caso, embora a entidade autárquica seja integrante do
polo da ação, a competência é da Justiça Comum Estadual, uma vez que o
art. 109, 1, da CF expressamente exclui essa ação da competência da Justiça
Federal28;

27. LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva,
2016. p. 1701.
28. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 1 - as causas em que a União, entidade
autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes
ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e
à Justiça do Trabalho; (. ..) - grifo nosso. O Novo CPC reproduz essa diretriz no art. 45, inciso 1.

175
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miesso

2) ajuizada pelo trabalhador em face do empregador, postulando indeniza-


ção por danos morais ou patrimoniais. Aqui, a competência é da Justiça .do
Trabalho.
+ Exemplo: empregado sofre acidente do trabalho, tendo que amputar uma
perna. Nesse caso, ele poderá ajuizar reclamação .trabalhista postulando
indenização pelo dano moral e materiais em face do empregador na Justiça
do Trabalho. Além disso, poderá ajuizar ação previdenciária em face do INSS
postulando benefício previdenciário, a qual será de competência da Justiça
Comum Estadúal.
Ademais, inserem-se na competência da Justiça do Trabalho as doenças equipara-
das ao acidente do trabalho (Súmula n° 392 do TST), ou seja, as doenças ocupacionais.
Doença ocupacional é gênero que tem como espécies a doença profissional e a'doença
de trabalho. Doença profissional é a doença típica .de, determi~ada profis~~(),. po~
exemplo, empregado de mineradora que contrai silicose, pois trabalha exposto ao
pó de sílica. Já a doença de trabalho, embora tenha origem no trabalho do obreiro,
não está vinculada a determinada profissão, como é o caso da LER/DORT.
Por fim, salienta-se que os sucessores ou herdeiros podem ajuizar ação indeni-
zatória por danos morais em face do empregador, com base no acidente de trabalho,
depois da morte do trabalhador (dano em ricochete, reflexo ou indireto). Nesse
caso, a competência também será da Justiça do Trabalho (Súmula n° 392 do TST) 29 •

3.7-1. Ação de indenização por danos ocorridos nas fases pré e pós contratual
A competência da Justiça Especializada subsiste para as lesões pré 30 e pós-con-
tratuais, desde que a causa de pedir esteja embasada na relação de trabalho, ou
seja, ainda que o contrato de trabalho não tenha se firmado ou já tenha sido extinto.
Noutras palavras; tratando o art. 114, VI, da CF/88 de competência material, o que
lhe dá suporte é a ação decorrente da relação de trabalho, independentemente de
estar firmado ou não o contrato de trabalho. Assim, ocorrendo um dano (moral ou
patrimonial) nas fases pré e pós contratual a competência será da Justiça do Trabalho.

3.8. Ações relativas às penalidades administrativas impostas aos emprega-


dores pelos órgãos de fiscalização do trabalho
A fiscalização administrativa, na seara trabalhista, é exercida pelo Ministério do
Trabalho e Emprego. Desse modo, se tal órgão aplica multa a determinada empre-
sa, caso esta tenha interesse de anular o auto de infração, deverá ajuizar ação na
Justiça do Trabalho, nos termos do art. 114, VII, da CF. Da mesma forma, a execução

29. No mesmo sentido, STF - CC n° 7.545-7.


30. Em sentido contrário: Sérgio Pinto Martins. Comentários às súmulas do TST. 8.ed. São Paulo: Atlas, 2010.
p. 296.

176
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

da multa também será de competência da Justiça especializada. Em resumo; após


o advento da Emenda Constitucional n° 45/04, todas as discussões relacionadas às
penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização
do trabalho são de competência da Justiça do Trabalho.

É interessante observar que a multa imposta pelo órgão de fiscalização tam-


bém pode ser discutida no âmbito administrativo. Nessa hipótese, havendo recurso
administrativo, o art. 636, § 1°, da CLT exigia o depósito integral da multa para sua
interposição. Contudo, o STF declinou que o referido artigo não foi recepcionado pela
atual Constituição, editando a Súmula vinculante n° 21 que assim vaticina:
É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
No mesmo sentido, estabeleceu o TST na Súmula n° 424:
Súmula n° 424 do TST. Recurso administrativo. Pressuposto de admissi-
bilidade. Depósito prévio da multa administrativa. Não recepção pela .
Constituição Federal do§ 1° do art. 636 da CLT
O§ 1° do art. 636 da CLT, que estabelece a exigência de prova do depósito
prévio do valor da multa cominada em razão de autuação administra-
tiva como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo,
não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, ante a sua
incompatibilidade com o inciso LV do art. 5°.

Portanto, atualmente, não há necessidade de depósito prévio para a interposição


do recurso administrativo.

Por fim, registra-se que as penalidades administrativas lavradas por órgão de


fiscalização de profissões regulamentadas (ex., CREA, OAB etc.).não são de competên-
cia da Justiça do Trabalho, estando afastadas do art. 114, inciso VII, da Constituição
Federal 31. Do mesmo modo, não são de competência da Justiça do Trabalho lides
em que se discute sanção aplicada por infração à legislação trabalhista a município
que mantém vínculo de natureza estatutária com servidores admitidos em caráter
temporário 3'.

3.9. Execução, de ofício, das contribuições sociais das sentenças que proferir
A sentença trabalhista pode deferir verbas indenizatórias e salariai_s.
As verbas de natureza indenizatória (ex., indenização por danos morais, multa
do art. 477 da CLT etc.) não se sujeitam à incidência de contribuições sociais. Já
as verbas de natureza salarial (ex., salário, horas extras etc.) estão submetidas

31. SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, 2013. p. 272..
32. TST-R0-456-38.2013.5.12.oooo, SB0HI, rei. Min. Douglas Alencar Rodrigues, 7.4.2015 (Informativo execução
no 13)

177
PROCESSO DO TRABALHO Élisson Miessa

à incidência das contribuições sociais, que servem, entre outros objetivos, para o
custeio da previdência social.
No caso de ajuizamento de reclamação trabalhista, tais verbas também sofre-
rão incidência das contribuições sociais, as quais poderão ser executadas de ofício
(independente de provocação). É o que estabelece o artigo o art. 114, VIII, CF:
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:

( ...)
VIII- a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art.
195, 1, a, e li, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que
proferir; ( ... )

Assim, havendo condenação, por exemplo, ao pagamento do 13° salário e das


horas extras, o juiz deverá executar de ofício as contribuições sociais incidentes
sobre tais verbas.
Dúvida existia acerca da competência da Justiça do Trabalho para a execução
das contribuições sociais, quando a reclamação trabalhista tivesse cunho meramente
declaratório.
+ Exemplo: empregado ajuíza reclamação trabalhista postulando tão somente
o reconhecimento do vínculo empregatício, do período de 1.2.07 a 1.3.10. Nessa
hipótese, indaga-se: o Juiz do trabalho, reconhecendo o vínculo empregatício,
poderá executar de ofício as contribuições sociais do período?
O Supremo Tribunal Federal decidiu que a Justiça do Trabalho somente é compe-
tente para executar as contribuições sociais decorrentes de sentença condenatória
em pecúnia que proferir ou objeto de acordo judicial homologado 33, ou seja, não
tem competência na hipótese de sentença meramente declaratória, dando origem
à Súmula Vinculante n° 53 do STF:
A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da
Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições
previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sen-
tenças que proferir e acordos por ela homologados.

Nesse sentido, a Súmula 368, item 1, do TST:


Súmula n• 368 do TST. Descontos previdenciários. Imposto de renda.
Competência. Responsabilidade pelo recolhimento. Forma de cálculo.
Fato gerador.

1- A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento


das contribuições fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto
à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às sentenças
condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo
homologado, que integrem o salário de contribuição. ( ...)

33. STF - RE 569.056-3/PA. Rei. Min. Menezes Direito. Pleno. DJ. 12.9.2008.

178
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Aliás, a Lei n° 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) alterou o parágrafo único do


art. 876 da CLT, reproduzindo o art. 114, VIII, da CF/88 e ratificando o entendimento
sedimentado na Súmula Vinculante n° 53 do STF e na Súmula n° 368, 1, do TST, como
se verifica a seguir:
Parágrafo único. A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contri-
buições sociais previstas na alínea a do inciso I e no inciso li do caput
do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais, relativas
ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos
acordos que homologar.

Portanto, a Justiça do Trabalho tem competência para executar apenas as con-


tribuições sociais decorrentes de sentença condenatória em pecúnia que proferir
ou objeto de acordo judicial homologado, o que não inclui o caso de decisões
meramente declaratórias.
Consigna-se que a Justiça do Trabalho também é competente para executar as
contribuições sociais referentes ao seguro de acidente de trabalho (Súmula n° 454 do
TSP 4). Além disso, tem competência ainda para executar as contribuições previdenci-
árias decorrentes dos acordos firmados perante a Comissão de Conciliação Prévia 35 •

li>- ATENÇÃO:
A competência da Justiça do Trabalho para executàr as contribuições sociais não inclui as
contribuições devidas a terceiros dó sistema s (Sesi, Sesc, Sénai etc.)

3.10. Outras competências da Justiça do Trabalho


Nesse tópico, traremos alguns temas de competência da Justiça do Trabalho, já
pacificados na jurisprudência, conforme Súmulas do TST a seguir transcritas:
Súmula n° 19 do TST: A Justiça do Trabalho é competente para apreciar
reclamação de empregado que tenha por objeto direito fundado em
quadro de carreira. (grifo nosso)
Súmula n° 300 do TST: Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
ações ajuizadas por empregados em face de empregadores relativas
ao cadastramento no Programa de Integração Social (PIS). (grifo nosso)
Súmula n° 389 do TST: ! - Inscreve-se na competência material da Justiça
do Trabalho a lide entre empregado e empregador tendo por objeto
indenização pelo não-fornecimento das guias do seguro-desemprego.
(. .. ) (grifo nosso) ·

34. Súmula n° 454 do TST. Competência da Justiça do Trabalho. Execução de ofício. Contribuição social
referente ao seguro de acidente de trabalho (SAT). Arts. 114, VIII, e 195, 1, "K', da Constituição da
República. Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, da contribuição referente ao Seguro
de Acidente de Trabalho (SAT), que tem natureza de contribuição para a seguridade social (arts. 114,
VIII, e 195, 1, "a", da CF), pois se destina ao financiamento de benefícios relativos à incapacidade do
empregado decorrente de infortúnio no trabalho (arts. 11 e 22 da Lei n° 8.212/1991).
35. TSH-RR-40600-80.2009.5.09.0096, SBDH, rei. Min. José Roberto Freire Pimenta, 24.5.2012 (informativo
n° 10 do TST).

179
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

3.10.1. Complementação de aposentadoria


Inicialmente, cabe frisar que não há previsão na CLT sobre complementação de
aposentadoria, devendo ser estabelecida em acordo coletivo, co,nvenção ou_ regu-
lamento de empresa. A complementação de aposentadoria consiste em vantagem
concedida pelo empregador ao empregado como forma de complementar a aposen-
tadoria paga pelo INSS36 • Não se confunde, portanto, com benefício previdenciário
da Lei n° 8.213/91.
Em um primeiro momento, o e. TST, pacificou o entendimento de que a competên-
cia para dirimir os conflitos relacionados à complementação de aposentadoria era
da Justiça do Trabalho, por entender que decorria da relação de trabalho, mesmo
em se tratando de viúva ou dependentes de ex-empregado.
No entanto, o Supremo Tribunal Federal foi provocado nos recursos extraor-
dinários n° 586453 e 583050 a se manifestar acerca da competência da Justiça do
trabalho para julgar tais ações quando ajuizadas em face de entidade privada de
previdência complementar.
Depois de amplo debate sobre o tema, o STF decidiu que a competência para
o julgamento de tais processos é da Justiça Comum, quando se tratar de entidade
privada de previdência complementar, sob o fundamento de que a complementação
de aposentadoria deriva de uma relação previdenciária autônoma, não. sendo, por-
tanto, decorrente da relação de trabalho a legitimar a competência da Justiça Laboral.
Argumentou o Exmo. Ministro Dias Toffoli, em seu voto, que o art. 202, § 2°, da
CF, declara expressamente que a previdência complementar não integra o contato
de trabalho. Ademais, o art. 14, 11, da LC n° 109/01 permite a portabilidade do direito
acumulado pelo participante para outro plano, o que significa que o trabalhador
poderá migrar de um fundo para outro, independentemente da relação de trabalho
firmada.
Decidiu, portanto, que a competência para julgar as ações de complementação
de aposentadoria é da Justiça Comum, quando se tratar de discussão com a enti-
dade de privada de previdência complementar.
Contudo, a Suprema Corte modulou os efeitos da decisão (eficácia prospectiva
da decisão) em prol da segurança jurídica, declinando que manterá, na Justiça do
Trabalho, até final execução, todos os processos dessa espécie em que já tenha
sido proferida ·

36. "A complementação de aposentadoria é benesse pactuada durante o contrato de trabalho, entre o
empregado e o empregaçlor.o.u entre empregado e .empresa, qp_grupo econômico do empregador,
com a anuência deste, para surtir efeitos após a aposentadoria do trabalhador. Tem o objetivo de
-garantir, a partir da aposentadoria, vantagens financeiras e/ou patrimoniais para complementar os
proventos da aposentadoria pagos pelo INSS. Normalmente o complemento é feito por empresa de
previdência privada, criada, mantida, patrocinada ou gerida pelo empregador."CASSAR, Vólia Bonfim.
Direito do Trabalho. 4. ed. rev. e ampl. Niterói: lmpetus, 2010. p. 813.

180
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

sentença de mérito, até o dia 20.2.13 (data conclusão do julgamento do


recurso), enquanto os processos que não tinham
sentença de mérito nessa data deverão ser remetidos à Justiça Comurn 37 •
A decisão do, E.. STF, embora aparentemente tenha solucionado a controvérsia,
há de ser bem interpretada.
Isso porque as ações de complementação de aposentadoria podem decorrer de:
.. 1) plan~ instituído, regulamentado e pago pelo empregador;
2) plano por entidade privada de previdência complementar.
Na primeira hipótese, trata-se de direito inserido no contrato de trabalho, inci-
dindo inclusive o art. 468 da CLT, quê'veda a alteração lesiva ao empregado, como
descreve o item I da Súmula 288 do TSP 8 • Nesse caso, a competência é da Justiça
do Trabalho 39
Na segunda hipótese, é possível pelo menos duas modalidades de ações:
- uma em face do empregador requerendo o pagamento de diferenças na
complementação de aposentadoria que não foram corretamente quitadas
pelo empregador; e ·
ol.ltra em face da entidade de p'revidência privada para discutir o próprio
benefício da aposentadoria complementar como, por exemplo, se as regras
para sua concessão são as estabelecidas no momento da contratação ou as
instituídas na época em que preenchidos todos os requisitos para a aquisição
do benefício.
A ação em face do empregador continua sendo de competência da Justiça do
Trabalho, porque decorrentes da relação do trabalho (CF/ 114, 1) .
Já a ação em face da entidade de previdência privada é de competência (ia
Justiça Comum, o que significa que a decisão do E. STF atinge tão somente essa
última hipótese.: Portanto, a competência da Justiça Comum não é definida apenas
pela matéria a ser julgada, mas também pela parte 4º, ou seja, quando a entidad.e
de previdência complementar estiver no polo passivo.

37. RE n° 586.453-7 RG/SE. Rei. Min. Ellen Grade. julg. 10.9.2009. Dje 02.10.2009; RE n° 594.435-2 RG/SP. Rei.
Min. Marco Aurélio. julg. ·13-2.2009. Dje 6.11.2009,
38. Súmula 288 do TST. 1- A complementação dos proventos de aposentadoria, instituída, regulamentada
. e paga diretamente pelo empregador, sem vínculo com as entidades de previdência privada fechada,
é regida pelas normas em vigor na data de admissão do empregado, ressalvadas as alterações que
forem mais benéficas (art. 468 da CLT).
39. STF. Segunda Turma, AgR-AI 699.063, Relator: Ministro Teori Zavasclíi, DJe n° 125, publicado em
01/07/2013; STJ. CC 134.542; Proc. 2014/0152494-0; SP; Primeira Seção; Rei. Min. Mauro Campbell Mar-
ques; TST-RR-341-36.2013.5.02.0019, Relator Ministro José Roberto Freire Pimenta, 2• Turma, publicado
no DEJT de 20/03/2015.
40. TST-RR -107000-90.2004.5.02.0017,• Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento:
15/04/2015, 6• Turma, Data de Publicação: DEJT 17.4.2015.

181
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

De qualquer modo, é importante destacar que, como anunciado acima, as ações


ajuizadas em face da entidade de previdência privada que tinham sentença de mé-
rito no dia 20.2.13, continuaram na Justiça do Trabalho. Queremos dizer, a ação é de
competência da Justiça comum, mas em decorrência da modulação dos efeitos da
decisão do STF, se já tinha sentença de mérito será julgada em grau recursai pela
Justiça do Trabalho. Nesse caso, como se trata de relação previdenciária e não tra-
balhista, o e. TST entendeu que, nessa hipótese, os julgamentos devem ocorrer com
base na sistemática previdenciária e não com regras do direito do trabalho, afastando
especialmente a aplicação do princípio da inalterabilidade lesiva. É por isso que o
C. TST alterou seu entendimento na Súmula n° 288, inserindo o item Ili, observada a
modulação descrita no item IV4'. Desse modo, o item Ili somente tem relevância para
esses casos residuais que ainda não foram julgados pelos tribunais trabalhistas.
Em resumo, podemos esquematizar da seguinte forma a competência para
julgar tais ações:

Plano por entidade privada de previdên-


cia complementar com ação em face da
Plano instituído, regulamentado e pago pelo
entidade de previdência privada para dis-
empregador
cutir o próprio benefício da aposentadoria
complementar
Plano por entidade privada de previdên-
cia complementar com ação em face .do
empregador

3.11. Ações envolvendo o meio ambiente do trabalho


Meio ambiente do trabalho é "o local onde as pessoas desempenham suas
atividades laborais, sejam remuneradas ou não, cujo equilíbrio está baseado na
salubridade do meio e na ausência de agentes que comprometam a incolumidade
físico-psíquica dos trabalhadores, independentemente da condição que ostentem
(homens ou mulheres, maiores ou menores de idade, celetistas, servidores públicos,
autônomos, etc.)" 42 •

41. Súmula n° 288 do TST. Ili Após a entrada em vigor das Leis Complementares n°s 108 e 109, de
29/05/2001, reger-se-á a complementação dos proventos de aposentadoria pelas normas vigentes na
data da implementação dos requisitos para obtenção do benefício, ressalvados o direito adquirido
do participante que anteriormente implementara os requisitos para o benefício e o direito acumulado
do empregado que até então não preenchera tais requisitos.
IV- O entendimento da_primeira par:te do.itemJU aplica:se aos processos.em curso noJribunal Superior
do Trabalho em que, em 12/04/2016, ainda não haja sido proferida decisão de mérito por suas
Turmas e Seções.
42. FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. ln: Melo, Raimundo Simão de. Direito ambiental do trabalho e a saúde
do trabalhador: responsabilidades legais, dano material, dano moral, dano estético, perda de uma chance.
2. ed. São Paulo: LTr, 2006. p. 24-25.

182
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

O meio ambiente do trabalho ecologicamente equilibrado é um direito funda-


mental de todos os trabalhadores, visando à sua saúde, segurança e bem-estar,
Desse modo, podem existir ações destinadas à preservação deste ambiente
como, por exemplo, o ajuizamento de ação civil pública pelo MPT impondo que
determinada empresa substitua uma máquina que espalha gás prejudicial aos
trabalhadores.
Nesse caso, o Supremo Tribunal Federal estabelece que a competência para
processamento e julgamento da causa é da Justiça do Trabalho, conforme se depre-
ende da Súmula n° 736:
Súmula n° 736 do STF: Compete à justiça do trabalho julgar as ações que
tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas
relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores.

Portanto, as ações relacionadas ao meio ambiente do trabalho são de compe-


tência da Justiça do Trabalho.

3.12. Competência normativa


No direito do trabalho, admite-se a criação de normas jurídicas pelas próprias
partes envolvidas no conflito. É o caso, por exemplo, de o sindicato. dos empregados
e a empresa, após negociação, firmarem um acordo coletivo.
Pode ocorrer, no entanto, de as partes não chegarem a um consenso, submeten-
do ao Judiciário a criação da norma jurídica (ex., obrigar o empregador a fornecer
cestas básicas). Nesse ponto, cabe esclarecer que a Justiça do Trabalho é o único
ramo do Judiciário que tem competência para criar normas gerais e abstratas. Trata-
-se, pois, de função legislativa (função atípica) conferida ao Judiciário trabalhista,
denominada de Poder Normativo.
Percebe-se que não se trata de aplicação do direito já existente, mas de própria
criação da norma jurídica (ex.,fornecer cestas básicas).
A criação de tais normas ocorre por meio do dissídio coletivo. Nos termos do
art. 114, § 2°, da CF:
§ 2° Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à ar-
bitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio
coletivo de naturez.a econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir
o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao
trabalho, bem como as Convencionadas anteriormente. (grifo nosso)

Consigna-se que o dissídio coleti~o sempre será de éompetência originária


dos tribunais (TST ou TRT), a depender da abrangência do conflito e da represen-
tação das categorias envolvidas. Desse modo, se a abrangência estiver limitada
a um TRT, é dele a competência (CLT, art. 677). Por outro lado, se ultrapassar a
base territorial de mais de um TRT, a competência será do TST (art. 2°, 1, a, da
Lei n° 7-701/88).

183
PROCESSO DO TRABALHO - tlisson Miessa

j;i
1>· ATENÇÃO:
Existe uma exceção quando a extensão do dissídio coletivo abranger mais d~ um tribunaL
· É o caso de.atingir as circunscrições'·dosTRTs dai• e 15•.Região(todo o estado de São
Paulo). Nessa hipótese, a :competência será do TRT da 2• Região, .conforme ·estabele.ce o ..·
:art124?da Lei n° 17,.520/86, altera(\() pela Lei.[1° 9,254/96,•

4. COMPETÊNCIA FUNCIONAL
A competência funcional é aquela fixada em decorrência da distribuição interna
de atribuições (funções) dos órgãos judiciais, no caso, da Justiça do Trabalho.

Nesse tópico, é interessante notar que a competência poderá ser da Vara do


Trabalho, do TRT ou do TST.

A competência dos Tribunais (TRT e TST) pode ser subdividida em:

a) competência recursai; e
b) competência originária.
A competência recursai é a relacionada aos recursos, ou seja,· a Constituição
Federal, a lei ou os regimentos internos dos tribunais definem o órgão que será
competente para o julgamento de determinado recurso.

+ Exemplo: o TRT, em regra, terá competência para julgar o recurso ordinário;


o TST será competente para o julgamento dos recursos de revista.

Já a competência originária ocorre quando a legislação suprime do primeiro


grau de jurisdição o julgamento da causa, delimitando como competente ,um tribu-
nal. Repete-se, quando se fala em competência originária, estamo!'i nos referindo à
competência iniciada diretamente em um tribunal.

+ Exemplo: a ação rescisória e o dissídio coletivo são de competência originária


dos tribunais. Isso significa que a Vara do Trabalho jamais vai julgar essas ações.

5. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO LUGAR (TERRITORIAL)


A competência em razão do lugar é aquela delimitada com base nos limites
geográficos (territorial) de cada órgão do Poder Judiciário. Portanto; divide-se a
competência considerando cada parte do território nacional.

Conforme já estudado anteriormente, essa modalidade de competência é relativa,


o que significa que depende de provocação da parte interessada, a ser alegada em

43. Art. 12: "Compete exclusivamente ao Tribunal Regional do Trabalho da 2• Região processar, conciliar
e julgar os dissídios coletivos nos quais a decisão a ser proferida deva produf'.ir efeitos em área
territorial alcançada, em parte, pela jurisdição desse mesmo Tribunal e, em outra ·parte, pe.la juris-
dição do Tribunal Regional do Trabalho da 15• Região".

184
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

exceção de incompetência (CLT, art. 800), sob pena de prorrogação da competência,


ou seja, o juiz, inicialmente incompetente, passa a ser competente.
A competência territorial, no processo do trabalho, vem descrita no art. 651 da
CLT que estabelece:
Art. 651 - A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento 44 é
determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou recla-
mado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado
noutro local ou no estrangeiro.

§ 1° - Quando for parte de dissídio agente ou viajante comercial, a


competência será da Junta da localidade em que a empresa tenha
agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta,
será competente a Junta da localização em que o empregado tenha
domicílio ou a localidade mais próxima.

§ 2° A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento, estabe-


lecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou
filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja
convenção internacional dispondo em contrário.

§ 3° - Em se tratando de empregador que promova realização de


atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao
empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato
ou no da prestação dos respectivos serviços.

Pela análise desse dispositivo, é possível estabelecera seguinte estrutura para


a competência territorial da Justiça do Trabalho:

Regra: local da prestação dos serviços (caput);


• ia exceção: agente ou viajante comercial;
• 2• exceção: empregado brasileiro que trabalha no exterior;

• 3ª exceção: empregador que promove a prestação dos serviços fora do lugar


da celebração do contrato.

5.1. Local da prestação dos serviços


Como visto, a regra é o ajuizamento da reclamação trabalhista no local da pres-
tação dos serviços (CLT, art. 651, caput).
Consigna-se que, nos termos do caput do aludido artigo, mesmo que a contratação
tenha ocorrido em outro local ou no estrangeiro, a competência será do juízo do
local da prestação dos serviços. Esta regra se aplica na hipótese de o empregado
ser reclamante ou reclamado.

44. Leia-se Vara do Trabalho.

185
PROCESSO DO TRABALHO - É/isson Miessa

Ademais, a competência do local da prestação dos serviços também será utilizada


nas causas de relação de trabalho, pois o art. 1° da Instrução Normativa n° 27/2005
do TST determina que estas ações seguirão o rito previsto na CLT.

Dúvida surge quando o empregado prestou serviços em mais de uma localidade.

+ Exemplo: empregado trabalhou 5 anos em São Paulo e depois foi transferido


para Fortaleza, onde foi dispensado após 2 anos.
Nesse caso, qual o juízo competente para a reclamação trabalhista?

• ia tese (majoritária - adotada para as provas): último local da prestação


dos serviços. No exemplo, Fortaleza.
• 2• tese (minoritária): competência concorrente entre as varas do Trabalho, ou
seja, o empregado poderá escolher qual o lugar da prestação dos serviços
em que pretende ajuizar a reclamação trabalhista. No exemplo, poderia
optar entre a cidade de São Paulo e de Fortaleza.

5.2. Agente ou viajante comercial


A primeira exceção da competência territorial trabalhista é a reclamação do
agente ou viajante comercial, disposta no § 1° do art. 651 da CLT.
Nessa hipótese, definiram-se duas regras sucessivas:

• Regra principal: competência da Vara do Trabalho em que a empresa tenha


agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado.
• Regra secundária (subsidiária): na falta de agência ou filial ou se o empre-
gado não estiver subordinado a nenhuma delas, ele poderá optar entre
ajuizar a ação no seu domicílio ou na localidade mais próxima.

li-- ATENÇÃO:
A regra principal exige a cumulação de dois requisitos:
/ ' ~ ~
{ empresa tenha )' 1 empregado subordinado l
\" agência ou filial _ \ _ a essa agência ou filial_)

5.3. Empregado brasileiro que trabalha no exterior


A segunda exceção é do empregado brasileiro que trabalha no exterior, de modo
que, embora a prestação do serviço tenha ocorrido em outro país, a reclamação
poderá ser ajuizada na Justiça brasileira.
Desse modo, o § 2° do art. 651 da CLT prevê a competência internacional, es-
tabelecendo que a Vara do Trabalho é competente, na hipótese de prestação dos

186
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

serviços em agência ou filial no exterior, desde que o empregado seja brasileiro


(nato ou naturalizado) e não haja convenção internacional dispondo em contrário.
É o caso, por exemplo, de um brasileiro ser contratado para prestar ser-
viços na Alemanha. Nesse caso, admite-se que a reclamação seja ajuizada
na Justiça do Trabalho brasileira.
Quanto à Vara do Trabalho competente, a doutrina e jurisprudência divergem
entre o local da sede ou filial da empresa, o local da contratação ou do domicílio
do empregado, prevalecendo, de certo modo, que a competência será do local em
que empresa tenha sede ou filial no Brasil.
Atente-se para o fato de que, havendo convenção internacional estabelecendo
o foro competente, não se aplicará a regra do § 2°, do art. 651 da CLT.
Destaca-se ainda que, enquanto o caput do art. 651 é aplicado aos brasileiros
e estrangeiros, a exceção descrita no § 2° tem incidência apenas ao empregado
brasileiro, nato ou naturalizado.
Por fim, é importante observar que o referido parágrafo trata de regra de com-
petência e, portanto, de direito processual, nada versando sobre direito material.
Isso significa que, embora a Justiça do Trabalho possa ser competente, o direito
material aplicável será aquele que é mais favorável ao trabalhador no conjunto de
normas em relação a cada matéria, incidindo, assim, a teoria do conglobamento
mitigado ou por institutos (Lei n° 7.064/82, art. 3°).

5.4. Empregador que promove a prestação dos serviços fora do lugar da


celebração do contrato
O § 3° do art. 651 da CLT estabelece a competência no caso de o empregador
promover atividades fora do local da contratação.
A doutrina não é pacífica acerca da interpretação deste dispositivo.
A tese clássica declina que tratando o § 3° de exceção, deve ser interpretado
restritivamente. Nesse contexto, esse parágrafo somente terá aplicação quando o
empregador exercer atividades em locais incertos, transitórios ou eventuais 45 • É o
que acontece, por exemplo, com as atividades circenses, artísticas, feiras etc., que
acabam desenvolvendo suas atividades em diversos locais.
Nessa hipótese, a legislação confere a opção de o empregado escolher entre:
a Vara do Trabalho da celebração do contrato ou;
a Vara do Trabalho do local de prestação dos serviços.
Já a tese moderna, que vem sendo observada pela jurisprudência, impõe que
o § 3° deve ser interpretado, não sob o aspecto da transitoriedade das atividades

45. MARTINS, Sérgio Pinto. Comentários à CLT. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 744.

187
PROCESSO DO TRABALHO Élisson Miessa

da empresa, mas sim com o objetivo de alargar o acesso ao judiciário. Desse modo,
ampliam a interpretação dessa exceção, permitindo sua incidência quando a empresa
realiza suas atividades em local diverso da contratação.
Embora a tese moderna acabe criando um confronto com o caput do art. 651,
vez que este não se preocupa com o local da contratação impondo, simplesmente, a
regra da prestação dos serviços, ela tem a virtude de facilitar o acesso ao judiciário,
especialmente nos casos em que o trabalhador é contratado para prestar serviços em
localidades muito distantes do local da contratação (ou domicílio), de modo que sendo
observado o caput do artigo em análise acabaria por inviabilizar o acesso ao judiciário.
É o que se verifica com frequência na arregimentação de trabalhadores, con-
tratados em uma região do país para prestarem serviços em outra região muito
distante. Com a extinção do contrato, retornam para seus lares, o que poderia
inviabilizar o ajuizamento da reclamação trabalh.ista caso tivessem que propor a
ação e acompanhar as audiências no local da prestação dos serviços. Ademais, na
hipótese, o princípio da inafastabilidade da jurisdição previsto no art. 5°, XXXV, da
CF/88 deve se sobrepor à restrição imposta pelo caput do art. 651 da CLT46, permi-
tindo o ajuizamento da reclamação trabalhista no local da prestação dos serviços,
local da contratação ou até mesmo no domicílio do trabalhador. Nesse sentido, a 1•
Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho, no Enunciado n° 7, estabeleceu:
Enunciado n° 7. ACESSO À JUSTIÇA. CLT, ART. 651, § 3°. INTERPRETAÇÃO
CONFORME A CONSTITUIÇÃO. ART. 5°, INC. XXXV, DA CONSTITUIÇÃO DA RE-
PÚBLICA. Em se tratando de empregador que arregimente empregado
domiciliado em outro município ou outro Estado da federação, poderá
o trabalhador optar por ingressar com a reclamatória na vara do Tra-
balho de seu domicílio, na do local da contratação ou na do local da
prestação dos serviços47.

5.5. Competência Territorial na Ação Civil Pública


Tratando-se de ação civil pública, a competência territorial é definida de modo
diverso. Nesse caso, deve-se observar a extensão do dano, que pode ser de 4 tipos:
1) dano local: ocorrido dentro da circunscrição da Vara do Trabalho;
2) dano regional: atinge localidades com Varas do Trabalho diversas dentro de
um estado ou TRT e Varas do Trabalho limítrofes, ainda que em estados ou
TRTs diferentes; ·

+ Exemplo: Imagine uma lesão que tenha ocorrido nas cidades de Juazeiro
(BA) e Petrolina (PE), ligadas por uma ponte (aproximadamente 800 metros)

46. SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. 8. ed. São Paulo: Método, 2011. p. 115.
47. Em regra, esse entendimento não é exigido nas provas objetivas de analista, de modo que, estando
na dúvida, aplique a regra do caput do art. 651 da CLT. Contudo, havendo questionamento, especial-
mente nas provas subjetivas, deve o candidato ter conhecimento da existência dessa tese.

188
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

que atravessa o rio São Francisco. Nesse caso, embora elas sejam vinculadas a
TRTs diferentes {5!! e 6!! Região, respectivamente), não se justifica definir como
competente as Varas do Trabalho de Salvador ou Recife, que não possuem
nenhuma relação com a lesão, sendo mais adequada a competência de um
dos juízos das Varas do Trabalho envolvidas48, ou seja, Juazeiro ou Petrolina.

3) dano suprarregional: ocorrido dentro de uma mesma região do País

+ Exemplo: região Sul, Sudeste etc.;


. 4) dano nacional: atinge mais de uma região do País ou a maioria dos estados.
Definida a extensão do dano, passa-se a estabelecer o juízo competente, con-
forme dispõe a OJ n° 130 da SOi-ii do TST:
1-A competência para a Ação Civil Pública fixa-se pela extensão do dano.
li - Em caso de dano abrangência regional, que atinge cidades sujeitas
à jurisdição de mais de uma Vara do Trabalho, a competência será de
qualquer das varas das localidades atingidas, ainda que vinculadas a
Tribunais Regionais do Trabalho distintos.
Ili - Em caso de dano de abrangência suprarregional ou nacional, há
competência concorrente para a ação civil pública das varas do trabalho
das sedes dos Tribunais Regionais do Trabalho.
IV - Estará prevento o juízo a que a primeira ação houver sido
distribuída.
Em resumo, podemos esquematizar a competência da ação civil pública da
seguinte forma:

Qualquer das Varas das localidades atingidas, ainda que vin-


Dano regional
culadas a Tribunais Regionais do Trabalho distintos
Dano suprarregional ou. Competência concorrente para a ação civil pública das Varas
náêional do Trabalho das sedes dos TRTs

Atente-se para o fato de que a competência é sempre de uma Vara do Trabalho,


ou seja, jamais será de competência originária de um Tribunal.
Por fim, é necessário esclarecer que referida competência tem natureza abso-
luta, pois não se trata de mera competência territorial, mas, sim, de competência
funcional-territorial, porquanto o escopo da lei é de tutelar interesse público e
não meramente particular, como ocorre na competência relativa. Modernamente,

48. DIDIER JR. Fredie; ZANETI JR., Hermes. Curso de direito processual civil: Processo coletivo. 5. ed. Bahia:
JusPODIVM, 2010. V. 4, p. 142.

189
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

a doutrina 49 busca designá-la apenas de competência territorial absoluta, como já


prevê o art. 209 do ECA e o art. 80 do Estatuto do Idoso.

5.6. Foro de eleição


o foro de eleição é a possibilidade de as próprias partes, de comum acordo,
elegerem um local para dirimir futuras questões judiciais. É o que acontece, por
exemplo, no contrato de locação, em que as partes estipulam determinado foro (ex.,
São Paulo) que será o competente para discutir aquele contrato.
A previsão do foro de eleição vem declinada no art. 63 do CPC/2015, tendo aplica-
ção tão somente nos casos de competência relativa (territorial ou em razão do valor).
No processo do trabalho, é majoritário o entendimento de que o foro de eleição
é inaplicável, por ser incompatível com a ideologia desse ramo processual, sendo
este, inclusive, o posicionamento do e. TST, conforme dispõe o art. 2°, 1, da Instrução
Normativa n° 39/2016:
Art. 2° Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao Processo do Traba-
lho, em razão de inexistência de omissão ou por incompatibilidade, os
seguintes preceitos do Código de Processo Civil:
1 art. 63 (modificação da competência territorial e eleição de foro);
(. ..).
Contudo, considerando que a competência territorial, no processo do trabalho, é
definida de modo a facilitar o acesso do trabalhador ao judiciário, parte da doutrina
passa a admitir o foro de eleição na relação de emprego, desde que facilite, para
o trabalhador, o acesso à justiça 5º.
Ademais, na relação de trabalho lato sensu (excluída a relação de emprego),
permite-se o foro de eleição.
De qualquer modo, admitindo-se o foro de eleição, é necessário esclarecer que
é permitida a declaração ex officio da nulidade da cláusula de eleição de foro, nos
termos do art. 63, § 3°, do CPC/2015 51.

5.7. Competência territorial para homologação do acordo extrajudicial


O art. 652, f, da CLT, incluído pela Lei n° 13.467/17, estabelece que a competência
funcional para a homologação do acordo extrajudicial é da Vara do Trabalho.
Já sobre competência territorial, o legislador reformador nada versou, deven-
do ser aplicado o art. 651 da CLT. De qualquer maneira essa competência deve ser
analisada com muita cautela. Explico.

49. DIDIER JR. Fredie; ZANETI JR., Hermes. Curso de direito processual civil: Processo coletivo. 5. ed. Bahia:
JusPODIVM, 2010. V. 4; p. 137.
50. ALMEIDA, Cleber Lúcio de Almeida. Direito processual do trabalho. 4. ed., rev., atual. e ampl. Belo
Horizonte: Dei Rey, 2012. p. 210.
51. § 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício
pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.

190
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

É sabido que no processo do trabalho a competência territorial é definida pelo


art. 651 da CLT. Trata-se de competência relativa, que não pode ser çonhec;ida de
ofício, dependendo obrigatoriamente de provocação do réu (OJ n° 149 da SDI li do
TST). Pressupõe, portanto, exceção de incompetência para sua declaração.
No caso do processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo exs
trajudicial, como as partes irão formular petição conjunta, evidentemente, não há
espaço para a exceção de incompetência. Além disso, por se tratar de competência
territorial, o juízo não poderá conhecê-la de ofício.
Isso nos leva à conclusão de que as partes escolherão o juízo que irá homologar o
acordo, inserindo implicitamente no acordo extrajudicial a cláusula de eleição de foro.
É majoritário na doutrina e na jurisprudência, porém, que o foro de eleição
não é aplicável ao processo do trabalho, especialmente em razão da disparidade
existente entre empregado e empregador. Nesse sentido, o e. TST no art. 2°, 1, da
Instrução Normativa n° 39/2016, estabeleceu expressamente que o foro de eleição
não é aplicável à seara laboral.
Desse modo, pensamos que, no caso, deve ser incidir analogicamente o art. 63,
§ 3°, do CPC 52, de modo que o juiz poderá reputar ineficaz de ofício a eleição de
foro diverso do art. 651 da CLT, remetendo os autos para o juízo competente terri-
torialmente, observando as regras do artigo celetista. No mesmo sentido, Enunciado
apresentado pelo autor desta obra e acolhido na 2• Jornada de direito material e
processual do trabalho, in verbis:
Enunciado n° 125 - Processo de jurisdição voluntária. Homologação de
acordo extrajudicial. Competência territorial
I-A competência territorial do processo de jurisdição voluntária para ho-
mologação de acordo extrajudicial segue a sistemática do art. 651 da CLT.
li - Aplica-se analogicamente o art. 63, § 3°, do CPC, permitindo que o
juiz repute ineficaz de ofício a eleição de foro diferente do estabe-
lecido no art. 651 da CLT, remetendo os autos para o juízo natural e
territorialmente competente.

li> IMPACTOS DA REFORMA TRABALHISTA


• Processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo extrajudicial. Os arts.
a
855-B 855-E, acrescentados pela Lei n° 13.467/17 (Reforma Trabalhista), passaram
a estabelecer o processo de jurisdição voluntária para a homologação de acordos
extrajudiciais, o qual analisamos no capítulo anterior.
• Antes da Reforma Trabalhista: Não havia a previsão de que .a Justiça do Trabalho po- ,
deria homologar acordos extrajudiciais por meio de processo de jurisdição voluntária.

52. CPC, art. 63, § 3°. Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada
ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio
do réu.

191
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

6. CONFLITOS DE COMPETÊNCIA
Conforme anunciado anteriormente, a jurisdição é una e, portanto, indivisível.
No entanto, para que ela possa ser exercida efetivamente, é necessário racionalizar
o trabalho e organizar as tarefas, surgindo assim a competência. Nessa distribuição
de tarefas, pode acontecer de dois ou mais juízes se darem por competentes ou
por incompetentes para processar e julgar determinado processo. Surge, aqui, o
conflito de competência.

Portanto, nos termos do art. 804 da CLT c/c o art. 66 do CPC/2015, ocorrerá o
conflito de competência quando:

1) 2 ou mais juízes se considerarem competentes (conflito positivo);


2) 2 ou mais juízes se considerem incompetentes (conflito negativo);
3) entre 2 ou mais juízes surgir controvérsia acerca da reunião ou separação
de processos.

Tal conflito, no âmbito trabalhista, poderá ser suscitado pelos juízes e tribunais
do trabalho, pelo Ministério Público do Trabalho e pela parte interessada ou seu
representante (CLT, art. 805).

Consigna-se que, se a parte interessada alegar a incompetência, estará proibida


de suscitar o conflito (CLT, art. 806).

+ Exemplo: empregado ajuíza reclamação trabalhista em São Paulo. A empresa


exceção de incompetência alegando que a prestação dos serviços ocorreu em
Vitória, devendo o processo ser encaminhado para aquele local. Sendo acolhido
o pedido e enviados os autos para Vitória, não poderá a empresa suscitar, por
exemplo, conflito negativo, ou seja, que a Vara do Trabalho de Vitória também
não é competente para o caso.

Contudo, o conflito não impede que a parte que não o arguiu suscite a incom-
petência (CPC/2015, art. 952, parágrafo único). No exemplo anterior, seria admitido
que, ao chegar os autos à Vara do Trabalho de Vitória, o empregado arguisse in-
competência daquela Vara para o caso.

suscitado o conflito de competência, o art. 114, V, da CF/88 estabelece que a


Justiça do Trabalho terá competência para processar e julgar os "conflitos de com-
petência entre órgãos com jurisdição trabalhista". Excepciona, porém, o disposto
no art. 102, 1, "o", da CF, que disciplina a competência do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, cabe observar ainda o disposto no art. 105, 1, "d", da CF, que dispõe
sobre a competência do Superior Tribunal de Justiça.

Desse modo, a competência para julgamento do conflito de competência nas


causas trabalhistas pode ser esquematizado da seguinte forma:

192
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

·-----···--·-- ------·.
TRT
(art. 808, a, CLT)

Vara do Trabalho x Vara do TraJ:lho ou juiz de direito investido


de jurisdição trabalhista (vinculados ao mesmo Tribunal)

·--'·<------.e..... _

~; TST ~~.
~ ,art. 8ot b, CLT) -~

TRT x TRT .TRT x Vara do Trabalho Vara do Trabalho x Vara do


vinculada a outro TRT Trabalhá ou juiz de direito com
jurisdição trabalhista (vincula-
dos a Tribunais diferentes)

STJ

. t
(art. 105, 1, d, CF/88)

TRT ou Vara do Trabalho x juiz de direito, TJ, juiz federal ou TRF

STF
(art. 102, l, o, CR/88)

'f
TST.x TJ, TRF, juiz de direito ou juiz federal
------- --·······--- --·-----------------..----------- ---·-···-----··"·---·"'··----·----. --·-------------~' ----·,---·-----

li>' ATENÇÃO:
•Não existe conflito de c:ompetêncik entre TRT e Vara do Trabáltió ã ele vinculada. Isso
··•portjue, nesse caso, há hiêrartjúiâ entre os órgãos, devendo a. vàra acatara décisãoc!o
TRT (Súmula li~ 420 do TST)'. .
*. Súmula rió 420 cio TST. Competência fúni:ional. Conflito negativo. TRT e Vara doTrabalho de idêntica
região. Não configuração. Não se configura conflito de icompetência entre Tribi.mal Régio na Ido
··• Trabalho ..e Vara do Trabalho a ele.vinculada.

193
PROCESSO DO TRABALHO.., Élisson Miessa

7. QUESTÕES DISSERTATIVAS E ESTUDOS DE CAS053

Q.uestão 1 indevida invasão no Estado estrangei-


ro. Noutras palavras, a Justiça do Traba-
A Justiça do Trabalho tem competência
lho poderá, na fase de conhecimento,
para o julgamento das;ações que envol-
reconhecer que o trabalhador laborou
vam os Estados estrarigeiros?
para o ente estrangeiro e condená-lo,
Resposta sugérida pelo autor por exemplo, ao pagamento das ver-
o art. 114, I, da CF/88 indica que a Justi- bas rescisórias e das horas extras. No
ça do Trabalho é competente para pro- entanto, não poderá penhorar bens ou
cessar e julgar "as ações oriundas da dinheiro de tais entes, devendo se va-
relação de trabalho, abrangidos os en- ler da denominada carta rogatória.
tes de direito público externo ( ... )", os Existem, porém, duas exceções em que
quais compreendem os Estados estran- não incidirá a imunidade de execução:
geiros e os organismos internacionais. ia) quando o Estado estrangeiro renun-
Quanto aos Estados estrangeiros, o ciar à intangibilidade de seus próprios
Supremo Tribunal Federal analisa seus bens e 2•) quando houver no território
atos dos em dois aspectos: os atos de brasileiro bens que, embora perten-
império e os atos de gestão. centes ao ente externo, não tenham
Os primeiros são aqueles praticados no nenhuma vinculação com as finalidades
exercício das prerrogativas soberanas essenciais inerentes às relações diplo-
do Estado. Nesses casos, há imunidade máticas ou representações consultes
absoluta de jurisdição. mantidas em nosso País.
Os atos de gestão, por sua vez, são
aqueles em que o Estado estrangeiro questão 2

atua em matéria de ordem estritamen- É possível haver conflito de competên-


te privada, equiparando-se ao parti- cia entre TRT e Vara do Trabalho a ele
cular, como é o caso da aquisição de vinculada? Em caso positivo, qual órgão
bens, contratação de empregados etc. terá a competência para dirimir o refe-
Nessa hipótese, não há imunidade de rido conflito de competência?
jurisdição.
De acordo com o STF, nas causas de na- Resposta sugerida pelo autor
tureza trabalhista, o Estado estrangeiro Nos termos do artigo 804 da CLT c/c o
se submete à jurisdição brasileira e, artigo 66 do CPC/2015, ocorrerá o confli-
consequentemente, à competência da to de competência quando: 1) 2 ou mais
Justiça do Trabalho, uma vez que se tra- juízes se considerarem competentes
ta de atos de gestão. (conflito positivo); 2) 2 ou mais juízes
Contudo, a Corte Suprema reconheceu se considerem incompetentes (conflito
a imunidade de execução dos entes de negativo) ou 3) entre 2 ou mais juízes
direito público externo, sob pena de surgir controvérsia acerca da reunião
ou separação de processos.
Tal conflito, no âmbito trabalhista, po-
53. Indicamos o curso de Questões Dissertativas e derá ser suscitado pelos juízes e tribu-
Estudos de caso do CERS on llne. Nesse curso, nais do trabalho, pelo Ministério Públi-
em 6 aulas - 3 de Direito do Trabalho (Prof.
co do Trabalho e pela parte interessada
Henrique Correia) e 3 de Processo do Trabalho
(Prof. Êlisson Miessa) - são dadas diversas ou seu representante (CLT, artigo 805).
técnicas para redação de temas trabalhistas, Contudo, para que ocorra conflito de
além de propiciarem uma revisão ampla competência não pode existir hierar-
dessas duas disciplinas. quia entre os órgãos envolvidos.

194
Cap. V- COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Desse modo, havendo hierarquia entre é permitida a declaração ex officio da


o TRT e a Vara d9 Trabalho a ele vin- nulidade da cláusula de eleição de foro,
culada, não há conflito de competência nos termos do art. 63, § 3°, do CPC/2015.
(Súmula n° 420 do TST), devendo a Vara
Estudo de caso 1
acatar a decisão do TRT.
Plínio foi empregado da sociedade
Questão 3 empresária Marca Alimentos S/A. Ele
prestou serviços no Rio de Janeiro, São
No que consiste o foro de eleição? Seu
estabelecimento é válido na Justiça do Paulo e Belo Horizonte, residindo hoje
Trabalho? neste último. Ao ser dispensado, ajui-
zou reclamação trabalhista em face da
Resposta sugerida pelo autor sociedade empresária, a qual foi distri-
o foro de eleição é a possibilidade de buída a 99ª Vara do Trabalho de Belo
as próprias partes, de comum acordo, Horizonte/MG. A sociedade empresária
elegerem um local para dirimir futuras apresentou exceção de incompetência
questões judiciais. É o que acontece, territorial aduzindo que a ação deveria
por exemplo, no contrato de locação, ter sido ajuizada em São Paulo, local da
em que as partes estipulam determina- contratação, prestação dos serviços e
do foro (ex., São Paulo) que será o com- sede da ré. Diante disso, responda aos
petente para .discutir aquele contrato. itens a seguir.
A previsão do foro de eleição vem de- A) Observadas as regras de competência
clinada no art. 63 do CPC/2015, tendo territorial, onde Plínio deveria ajuizar a
aplicação tão somente nos casos de
ação?
competência relativa (territorial ou em
B) No caso de acolhimento da alegação de
razão do valor).
incompetência pelo juiz, encaminhando
No processo do trabalho, é majoritário
os autos da Vara do Trabalho de Belo
o entendimento de que o foro de elei-
Horizonte (TRT 3ª Região) para São Pau-
ção é inaplicável, por ser incompatível
lo (TRT da 2ª Região), qual a medida ca-
com a ideologia desse ramo processu-
bível?
al, sendo este, inclusive, o posiciona-
mento do e. TST, conforme dispõe o art. Resposta sugerida pelo autor
2°, 1, da Instrução Normativa n° 39/2016. A) A competência territorial da Justiça do
Contudo, considerando que a compe- Trabalho vem descrita no artigo 651 da
tência territorial, no processo do tra- CLT e tem como regra o local da presta-
balho, é definida de modo a facilitar ção de serviços.
o acesso do trabalhador ao judiciário, Na hipótese em que o trabalhador
parte da doutrina passa a admitir o presta serviços em mais de uma loca-
foro de eleição na relação de emprego, lidade, como o caso descrito (Rio de
desde que facilite, para o trabalhador, Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte), a
o acesso à justiça54 • tese majoritária é no sentido de que a
Ademais, na relação de trabalho lato ação deve ser ajuizada no último local
sensu (excluída a relação de emprego), da prestação de serviços.
permite-se o foro de eleição.
Desse modo, competente a 99ª Vara
De qualquer modo, admitindo-se o foro
do Trabalho de Belo Horizonte, pois se
de eleição, é necessário esclarecer que
trata do último local da prestação dos
serviços.
54. ALMEIDA, Cleber Lúcio de Almeida. Direito pro- B) A decisão que reconhece a incompe-
cessual do trabalho. 4. ed., rev., atual. e ampl. tência relativa terá sempre a natureza
Belo Horizonte: Dei Rey, 2012. p. 210. de decisão interlocutória. Desse modo,

195
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

como regra, será irrecorrível imedia- B) Caso Márcio ajuíze a ação em local di-
tamente, nos termos do disposto no verso, o juiz poderá declinar sua com-
artigo 893, §1°, da CLT (princípio da ir- petência de ofício?
recorribilidade imediata das decisões
interlocutórias). Resposta sugerida pelo autor
o e. TST, contudo, traz uma exceção à Na justiça do trabalho, o art. 651, caput,
regra, permitindo que, da decisão que da CLT estabelece que, em regra, a
acolher a incompetência territorial, com competência será delimitada onde o
a remessa dos autos a Tribunal' Regional reclamante prestar serviços. No entan-
distinto daquele a que se vincula o juí- to, na situação apresentada, trata-se
zo excepcionado (Súmula n° 214, "c", do da exceção prevista no art. 651, § 3° da
TST), caberá recurso. Dessa forma, será CLT, que estabelece a competência no
cabível o recurso ordinário da decisão caso de o empregador promover ativi-
que acolher a incompetência, pois re- dades fora do local de contratação .
meterá os autos do Tribunal Regional do . Embora não seja pacífico,. a tese mo-
Trabalho da 3ª Região (99• VÚa··ao Tra- derna entende que o art. 651, § 3° da
balho de Belo Horizonte) para o Tribunal CLT dispõe sobre competência territo-
Regional do Trabalho da 2• Região.
rial concorrente, pois o trabalhador
Estudo de caso 2 poderá optar por ajuizar a sua recla-
Márcio foi empregado da sociedade mação trabalhista no local da prestação
empresária Marca Alimentos S/A. Ele dos serviços ou da contratação e, ain-
prestou serviços nos estados do Mato da, por força da inafastabilidade da ju-
Grosso, Bahia e São Paulo (Sorocaba), risdição, também poderá ajuizar no seu
residindo hoje neste último. Ao ser dis- próprio domicílio, conforme a situação
pensado, ajuizou reclamação trabalhis- exposta na questão.
ta em face da sociedade empresária, A) A incompetência relativa corresponde
a qual foi distribuída a 9• Vara do Tra- a regra de competência relativa, de
balho de Sorocaba / SP. Na audiência,
modo que não pode ser reconhecida
a sociedade empresária apresentou
de ofício. Deve, portanto, ser alegada
exceção de incompetência, alegando
pela parte em exceção de incompe-
que a ação deveria ter sido ajuizada
tência territorial, sob pena de pror-
em Mato Grosso, local da contratação e
sede da ré. Diante disso, responda aos rogação da competência, ou seja, o
itens a seguir. juiz, inicialmente incompetente, passa
A) Observadas as regras de competência a ser competente. Nesse sentido, in-
territorial, onde Márcio deveria ajuizar clusive, estabelece a 0J n° 149 da SDl-11
a ação? do TST.

196
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

8. SÚMULAS E ORIENTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS DO TST

Imunidade de Jurisdição. Organização o~ organismo intemacionaf.


Orientação Jurisprudencial n° 416 da SDI - 1 do TST. Imunidade de jurisdição. Organização
ou organismo internacional
As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de jurisdição
quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento jurídico brasilei-
ro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos
praticados. Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia
expressa à cláusula de imunidade jurisdicional.
Competência em razão .da m.atér.ia
Súmula n° 392 do TST: Dano moral e material. Relação de trabalho. Competência da justiça
do trabalho.
Nos termos do art. 114, inc. VI, da Constituição da República, a Justiça do Trabalho é compe-
tente para processar e julgar ações de indenização por dano moral e material decorrentes
da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equi-
paradas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido.
Súmula n° 189 do TST. Greve. Competência da Justiça do Trabalho. Abusividade
A Justiça do Trabalho é competente para declarar a abusividade, ou não, da greve.
Súmula n° 300 do TST. Competência da Justiça do Trabalho. Cadastramento no PIS
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ações ajuizadas por empregados em
face de empregadores relativas ao cadastramento no Programa de Integração Social (PIS).
Súmula n° 389 do TST. Seguro-desemprego. Competência da Justiça do Trabalho. Direito à
indenização por não liberação de guias
1 - Inscreve-se na competência material da Justiça do Trabalho a lide entre emprega-
do e empregador tendo por objeto indenização pelo não fornecimento das guias do
seguro-desemprego.
li -O não fornecimento pelo empregador da guia necessária para o recebimento do seguro-
-desemprego dá origem ao direito à indenização.
Súmula n° 368 do TST. Descontos previdenciários. Imposto de renda. Competência. Respon-
sabilidade pelo recolhimento. Forma de cálculo. Fato gerador.
1- A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições
fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previ-
denciárias, limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores,
objeto de acordo homologado, que integrem o salário de contribuição.
li - É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previden-
ciárias e fiscais, resultantes de crédito do empregado oriundo de condenação judicial. A
culpa do empregador pelo inadimplemento das verbas remuneratórias, contudo, não exime
a responsabilidade do empregado. pelos pagamentos do imposto de renda devido e da
contribuição previdenciária que recaia sobre sua quota-parte.
Ili - Os descontos previdenciários relativos à contribuição do empregado, no caso de ações
trabalhistas, devem ser calculados mês a mês, de conformidade com o art. 276, § 4º, do
Decreto n• 3.048/1999 que regulamentou a Lei n° 8.212/1991, aplicando-se as alíquotas pre-
vistas no art. 198, observado o limite máximo do salário de contribuição.

197
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

IV - Considera-se fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes de créditos


trabalhistas reconhecidos ou homologados em juízo, para os serviços prestados até 4.3.2009,
inclusive, o efetivo pagamento das verbas, configurando-se a mora a partir do dia dois do
mês seguinte ao da liquidação (art. 276, "caput", do Decreto n° 3.048/1999). Eficácia não
retroativa da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória n° 449/2008, posterior-
mente convertida na Lei n° 11.941/2009, que deu nova redação ao art. 43 da Lei n° 8.212/91.
V - Para o labor realizado a partir de 5.3.2009, considera-se fato gerador das contribuições
previdenciárias decorrentes de créditos trabalhistas reconhecidos ou homologados em
juízo a data da efetiva prestação dos serviços. Sobre as contribuições previdenciárias não
recolhidas a partir da prestação dos serviços incidem juros de mora e, uma vez apurados
os créditos previdenciários, aplica-se multa a partir do exaurimento do prazo de citação
para pagamento, se descumprida a obrigação, observado o limite legal de 20°/o (art. 61,
§ 2°, da Lei n° 9.460/96).
VI - O imposto de renda decorrente de crédito do empregado recebido acumuladamente
deve ser calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de
tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram
os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente
ao mês do recebimento ou crédito, nos termos do art. 12-A da Lei n° 7.713, de 22/12/1988,
com a redação conferida pela Lei n° 13-149/2015, observado o procedimento previsto nas
Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil.
Súmula n° 454 do TST. Competência da justiça do trabalho. Execução de ofício. Contribuição
social referente ao seguro de acidente de trabalho (SAT). Arts. 114, VIII, e 195, 1, "a", da
Constituição da República
Compete à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, da contribuição referente ao Seguro de
Acidente de Trabalho (SAT), que tem natureza de contribuição para a seguridade social (arts.
114, VIII, e 195, 1, "a", da CF), pois se destina ao financiamento de benefícios relativos à incapa-
cidade do empregado decorrente de infortúnio no trabalho (arts. 11 e 22 da Lei n° 8.212/1991).
Orientação Jurisprudencial n° 26 da SDI - 1 do TST. Competência da Justiça do Trabalho.
Complementação de pensão requerida por viúva de ex-empregado
A Justiça do Trabalho é competente para apreciar pedido de complementação de pensão
postulada por viúva de ex-empregado, por se tratar de pedido que deriva do contrato
de trabalho.
Súmula n° 19 do TST. Quadro de carreira
A Justiça do Trabalho é competente para apreciar reclamação de empregado que tenha
por objeto direito fundado em quadro de carreira.
Orientação Jurisprudencial n° 138 da SDI - 1 do TST. Competência residual. Regime jurídico
único. Limitação da execução
Compete à Justiça do Trabalho julgar pedidos de direitos e vantagens previstos na legis-
lação trabalhista referente a período anterior à Lei n° 8.112/90, mesmo que a ação tenha
sido ajuizada após a edição da referida lei. A superveniência de regime estatutário em
substituição ao celetista, mesmo após a sentença, limita a execução ao período celetista.
· Competência F.unciona1··
Orientação Jurisprudencial n° 129 da SDI - li do TST. Ação anulatória. Competência originária
Em se tratando de ação anulatória, a competência originária se dá no mesmo juízo em que
praticado o ato supostamente eivado de vício.

198
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Orientação Jurisprudencial n° 68 da SDI - li do TST. Antecipação de tutela. Competência


Nos Tribunais, compete ao relator decidir sobre o pedido de antecipação de tutela, sub-
metendo sua decisão ao Colegiado respectivo, independentemente de pauta, na sessão
imediatamente subsequente.
Competência territorial-funcional
Orientação Jurisprudencial n° 130 da SDI - li do TST. Ação civil pública. Competência. Local
do dano. Lei 7.347/1985, art. 2°. Código de Defesa do Consumidor, artigo 93.
1 - A competência para a Ação Civil Pública fixa-se pela extensão do dano.
li - Em caso de dano de abrangência regional, que atinge cidades sujeitas à jurisdição de
mais de uma Vara do Trabalho, a competência será de qualquer das varas das localidades
atingidas, ainda que vinculadas a Tribunais Regionais do Trabalho distintos.
Ili - Em caso de dano de abrangência suprarregional ou nacional, há competência concor-
rente para a ação civil pública das varas do trabalho das sedes dos Tribunais Regionais
do Trabalho.
IV - Estará prevento o juízo a que a primeira ação houver sido distribuída.
Conflito de Competência
Súmula n° 420 do TST. Competência funcional. Conflito negativo. TRT e Vara do Trabalho de
idêntica região. Não configuração
Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do
Trabalho a ele vinculada.
Orientação Jurisprudencial n° 149 da SDI - li do TST. Conflito de competência. Incompetência
territorial. Hipótese do art. 651, § 3°, da CLT. Impossibilidade de declaração de ofício de
incompetência relativa
Não cabe declaração de ofício de incompetência territorial no caso do uso, pelo trabalhador,
da faculdade prevista no art. 651, § 3°, da CLT. Nessa hipótese, resolve-se o conflito pelo
reconhecimento da competência do juízo do local onde a ação foi proposta.

199
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

9. LEGISLAÇÃO RELACIONADA AO CAPÍTULO

» Constituição Federal dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho


Art. 109, CF - Aos juízes federais compete pro- decidir o conflito.
cessar e julgar:
» CLT
1- as causas em que a União, entidade autár-
quica ou empresa pública federal forem interes- Art. 651, CLT - A competência das Varas do
sadas na condição de autoras, rés, assistentes ou Trabalho é determinada pela localidade onde o
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes empregado, reclamante ou reclamado, prestar
de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à serviços ao empregador, ainda que tenha sido
Justiça do Trabalho; contratado noutro local ou no estrangeiro.

Art. 114, CF - Compete à Justiça do Trabalho § 1° - Quando for parte de dissídio agente ou
processar e julgar: viajante comercial, a competência será da Vara da
localidade em que a empresa tenha agência ou
1 - as ações oriundas da relação de trabalho,
filial e a esta o empregado esteja subordinado e,
abrangidos os entes de direito público externo e da
. na falta, ser~ comp~tente a Va~a çla loçalização em.
administração pública direta e indireta da União,
que o empregado tenha domicílio ou a localidade
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
mais próxima.
li - as ações que envolvam exercício do direito
§ 2° - A competência das Varas do Trabalho,
de greve;
estabelecida neste artigo, estende-se aos dissí-
Ili - as ações sobre representação sindical, entre dios ocorridos em agência ou filial no estrangeiro,
sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre desde que o empregado seja brasileiro e não haja
sindicatos e empregadores; convenção internacional dispondo em contrário.
IV - os mandados de segurança, habeas corpus § 3° - Em se tratando de empregador que pro-
e habeas data, quando o ato questionado envolver mova realização de atividades fora do lugar do
matéria sujeita à sua jurisdição; contrato de trabalho, é assegurado ao empregado
V - os conflitos de competência entre órgãos apresentar reclamação no foro da celebração,
com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto do contrato ou no da prestação dos respectivos
~o art. 102, 1, o; serviços.
VI-as ações de indenização por dano moral ou Art. 652, CLT- Compete às Juntas de Conciliação
patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; e Julgamento
VII - as ações relativas às penalidades adminis- a) conciliar e julgar:
trativas impostas aos empregadores pelos órgãos 1 - os dissídios em que se pretenda o reconhe-
de fiscalização das relações de trabalho; cimento da estabilidade de empregado;
VIII - a execução, de ofício, das contribuições li - os dissídios concernentes a remuneração,
sociais previstas no art. 195, 1, a, e 11, e seus acrésci- férias e indenizações por motivo de rescisão do
mos legais, decorrentes das sentenças que proferir; contrato individual de trabalho;
IX- outras controvérsias decorrentes da relação Ili - os dissídios resultantes de contratos de
de trabalho, na forma da lei. empreitadas em que o empreiteiro seja operário
§ 1° - Frustrada a negociação coletiva, as partes ou artífice;
poderão eleger árbitros. IV - os demais dissídios concernentes ao con-
§ 2° - Recusando-se qualquer das partes à ne- trato individual de trabalho;
gociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às b) processar e julgar os inquéritos para apura-
mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo ção de falta grave;
de natureza econômica, podendo a Justiça do Tra-
balho decidir o conflito, respeitadas as disposições c) julgar os embargos opostos às suas próprias
mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como decisões;
as convencionadas anteriormente. d) impor multas e demais penalidades relativas
§ 3° - Em caso de greve em atividade essencial, aos atos de sua competência;
com possibilidade de lesão do interesse público, e) (Suprimida pelo Decreto-lei n° 6.353, de
o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar 20.3-1944)

200
Cap. V - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

f) decidir quanto à homologação de acordo » Novo Código de Processo Civil


extrajudicial em matéria de competência da Justiça Art. 16, CPC/2015 - A jurisdição civil é exercida
do Trabalho · pelos juízes e pelos tribunais em todo o território
V - as ações entre trabalhadores portuários e nacional, conforme as disposições deste Código.
os operadores portuários ou o Órgão Gestor de Art. 54, CPC/2015-A competência relativa pode-
Mão-de-Obra - OGMO decorrentes da relação de rá modificar-se pela conexão ou pela continência,
trabalho; observado o disposto nesta Seção.
Parágrafo único - Terão preferência para jul- Art. 55, CPC/2015 - Reputam-se conexas 2 (duas)
gamento os dissídios sobre pagamento de salário ou mais ações quando lhes for comum o pedido
e aqueles que derivarem da falência do empre- ou a causa de pedir.
gador, podendo o Presidente da Junta, a pedido
§ 1° Os processos de ações conexas serão reu-
do interessado, constituir processo em separado, nidos para decisão conjunta, salvo se um deles já
sempre que a reclamação também versar sobre houver sido sentenciado.
outros assuntos.
§ 2° Aplica-se o disposto no caput:
Art. 677, CLT - A competência dos Tribunais
1 - à execução de título extrajudicial e à ação
Regionais determina-se pela forma indicada no
de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
art. 651 e seus parágrafos e, nos caso.s de dissídio
coletivo, pelo local onde este ocorrer. li - às execuções fundadas no mesmo título
executivo. § 3° Serão reunidos para julgamento
Art. 804, CLT - Dar-se-á conflito de jurisdição:
conjunto os processos que possam gerar risco de
a) quando ambas as autoridades se considera- prolação de decisões conflitantes ou contraditó-
rem competentes; rias caso decididos separadamente, mesmo sem
b) quando ambas as autoridades se considera- conexão entre eles.
rem incompetentes. Art. 56, CPC/2015 - Dá-se a continência entre 2
Art. 805, CLT - Os conflitos de jurisdição podem (duas) ou mais ações quando houver identidade
ser suscitados: quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido
de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.
a) pelos Juízes e Tribunais do Trabalho;
Art. 62, CPC/2015 -A competência determinada
b) pelo procurador-geral e pelos procuradores
em razão da matéria, da pessoa ou da função é
regionais da Justiça do Trabalho;
inderrogável por convenção das partes.
c) pela parte interessada, ou o seu
Art. 63, CPC/2015 - As partes podem modificar
representante.
a competência em razão do valor e do território,
Art. 806, CLT - É vedado à parte interessada elegendo foro onde será proposta ação oriunda
suscitar conflitos de jurisdição quando já houver de direitos e obrigações.
oposto na causa exceção de incompetência.
§ 1° A eleição de foro só produz efeito quando
Art. 876, CLT - As decisões passadas em julgado constar de instrumento escrito e aludir expressa-
ou das quais não tenha havido recurso com efeito mente a determinado negócio jurídico
suspensivo; os acordos, quando não cumpridos;
§ 2° O foro contratual obriga os. herdeiros e
os termos de ajuste de conduta firmados perante
sucessores das partes.
o Ministério Público do Trabalho e os termos de
§ 3° Antes da citação, a cláusula de eleição de
conciliação firmados perante as Comissões de
Conciliação Prévia serão executada pela forma foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de
estabelecida neste Capítulo. ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos
autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
Parágrafo único. A Justiça do Trabalho execu-
§ 4° Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade
tará, de ofício, as contribuições sociais previstas
da cláusula de eleição de foro na contestação, sob
na alínea a do inciso I e no inciso li do caput do
pena de preclusão
art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos
legais, relativas ao objeto da condenação constante Art. 64, CPC/2015 - A incompetência, absoluta
das sentenças que proferir e dos acordos que ou relativa, será alegada como questão preliminar
homologar. 55 • de contestação.
§ 1° A incompetência absoluta pode ser alegada
em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve
55. Vide Súmula n° 368, 1, do TST ser declarada de ofício

201
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

§ 2° Após manifestação da parte contrária, li - em última instância julgar:


o juiz decidirá imediatamente a alegação de a) os recursos ordinários interpostos contra
incompetência. as decisões proferidas pelos Tribunais Regionais
§ 3° Caso a alegação de incompetência seja do Trabalho em dissídios coletivos de natureza
acolhida, os autos serão remetidos ao juízo econômica ou jurídica;
competente. b) os recursos ordinários interpostos contra
§ 4° Salvo decisão judicial em sentido contrário, as decisões proferidas pelos Tribunais Regionais
conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida do Trabalho em ações rescisórias e mandados de
pelo juízo incompetente até que outra seja profe- segurança pertinentes a dissídios coletivos;
rida, se for o caso, pelo juízo competente. c) os embargos infringentes interpostos contra
Art. 65, CPC/2015- Prorrogar-se-á a competência decisão não unânime proferida em processo de dis-
relativa se o réu não alegar a incompetência em sídio coletivo de sua competência originária, salvo se
preliminar de contestação. a decisão atacada estiver em consonância com proce-
dente jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho
Parágrafo único. A incompetência relativa pode
ou da súmula de sua jurisprudência predominante;
ser alegada pelo Ministério Público nas causas em
que, atuar. d) os embargos de declaração opostos aos seus
acórdãos e os agravos regimentais pertinentes aos
Art. 66, CPC/2015 - Há conflito de competência
dissídios coletivos;
quando:
e) as suspeições argLiidas contra o Presidente e
1 - 2 (dois) ou mais juízes se declaram demais Ministros que integram a seção, nos feitos
competentes; pendentes de sua decisão; e
li - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incom- f) os agravos de instrumento interpostos contra
petentes, atribuindo um ao outro a competência; despacho denegatório de recurso ordinário nos
Ili - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvér- processos de sua competência.
sia acerca da reunião ou separação de processos. Art. 3°, Lei 7.701/88 - Compete à Seção de Dis-
Parágrafo único. o juiz que não acolher a com- sídios Individuais julgar:
petência declinada deverá suscitar o conflito, salvo 1- originariamente:
se a atribuir a outro juízo.
a) as ações rescisórias propostas contra deci-
Art. 966, CPC/2015 - A decisão de mérito, tran- sões das Turmas do Tribunal Superior do Trabalho
sitada em julgado, pode ser rescindida quando: e suas próprias, inclusive as anteriores à especia-
(. ..)li - for proferida por juiz impedido ou por lização em seções; e
juízo absolutamente incompetente; ( ...) b) os mandados de segurança de sua compe-
tência originária, na forma da lei.
» Lei n° 7.701/88
li - em única instância:
Art. 2°, Lei 7.701/88 - Compete à seção especia-
a) os agravos regimentais interpostos em dis-
lizada em dissídios coletivos, ou seção normativa:
sídios individuais; e
1- originariamente:
b) os conflitos de competência entre Tribunais
a) conciliar e julgar os dissídios coletivos que Regionais e aqueles que envolvem Juízes de Direito
excedam a jurisdição dos Tribunais Regionais investidos da jurisdição trabalhista e Juntas de
do Trabalho e estender ou rever suas próprias Conciliação e Julgamento em processos de dissídio
sentenças normativas, nos casos previstos em lei; individual.
b) homologar as conciliações celebradas nos Ili - em última instância:
dissídios coletivos de que trata a alínea anterior; a) os recursos ordinários interpostos contra
c) julgar as ações rescisórias propostas contra decisões dos Tribunais Regionais em processos de
suas sentenças normativas; dissídio individual de sua competência originária;
d) julgar os mandados de segurança contra os b) os embargos das decisões das Turmas que
atos praticados pelo Presidente do Tribunal ou divergirem entre si, ou das decisões proferidas
por qualquer dos Ministros integrantes da seção pela Seção de Dissídios Individuais;
especializada em processo de dissídio coletivo; e c) os agravos regimentais de despachos
e) julgar os conflitos de competência entre denegatórios dos Presidentes das Turmas, em
Tribunais Regionais do Trabalho em processos de matéria de embargos, na forma estabelecida no
dissídio coletivo. Regimento Interno;

202
Cap. V -COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

d) os embargos de declaração opostos aos Art. 5°, Lei 7.701/88 - As Turmas do Tribunal
seus acórdãos; Superior do Trabalho terão, cada uma, a seguinte
e) as suspeições argLiidas contra o Presidente e competência:
demais Ministros que integram a seção, nos feitos a) julgar os recursos de revista interpostos de
pendentes de julgamento; e decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho, nos
casos previstos em lei;
f) os agravos de instrumento interpostos contra
despacho denegatório de recurso ordinário em b) julgar, em última instância, os agravos de ins-
processo de sua competência. trumento dos despachos de Presidente de Tribunal
Regional que denegarem seguimento a recurso de
Art. 4º, Lei 7.701/88 - É da competência do
revista, explicitando em que efeito a revista deve
Tribunal Pleno do Tribunal Superior do Trabalho:
ser processada, caso providos;
a) a declaração de inconstitucionalidade ou c) julgar, em última instância, os agravos regi-
não de lei ou de ato normativo do Poder Público; mentais; e
b) aprovar os enunciados da Súmula da juris- d) julgar os embargos de declaração opostos
prudência predominante em dissídios individuais; aos seus acórdãos.
c) julgar os incidentes de uniformização da
jurisprudência em dissídios individuais; » Lei n° 7.520/86

d) aprovar os precedentes da jurisprudência Art. 12, Lei 7.520/86 - Compete exclusivamente


predominante em dissídios coletivos; ao Tribunal Regional do Trabalho da 2• Região
processar, conciliar e julgar os dissídios coletivos
e) aprovar as tabelas de custas e emolumentos, nos quais a decisão a ser proferida deva produzir
nos termos da lei; e efeitos em área territorial alcançada, em parte,
f) elaborar o Regimento Interno do Tribunal e pela jurisdição desse mesmo Tribunal e, em outra
exercer as atribuições administrativas previstas em parte, pela jurisdição do Tribunal Regional do Tra-
lei ou na Constituição Federal. balho da 15• Região.

203
QUESTÕES

CAPÍTULOS Ili A V
Sumário • 1. Questões com gabarito comentado - 2. Questões de concursos - 3. Gàbarito.

1. QUESTÕES COM GABARITO COMENTADO COMENTÁRIOS


Alternativa "e" ".'; Correta
01. (TRT20/2016 - FCC - Analista Judiciário -
O art. 85 da LC 75/93 estabelece que são ór-
Área Judiciária) O Ministério Público da
gãos do Ministério Público do Trabalho: o
União, organizado por Lei Complemen-
Procurador-Geral do Trabalho; o Colégio de
tar1 é instituição permanente, essencial à Procuradores do Trabalho; o Conselho Superior
função jurisdicional do Estado, compre- do Ministério Público do Trabalho; a Câmara de
endendo em sua estrutura o Ministério Coordenação e Revisão do Ministério Público
Público do Trabalho. Sobre a organização do Trabalho; a Corregedoria do Ministér.io Pú-
desse último, é correto afirmar que blico do Trabalho; os Subprocuradores-Gerais
(A) os Procuradores Regionais do Trabalho do Trabalho; os Procuradores Regionais do Tra-
poderão atuar tanto nos Tribunai.s Re- balho e os Procuradores do Trabalho.

gionais do Trabalho quanto nas Varas


do Trabalho, de forma residual. 02. (FCC - Analista Judiciário - Área Judici-
(B) o chefe do Ministério Público do Traba- ária - TRT 3/2015) Em relação à compe-
lho é o Procurador-Geral da República tência e às formas de atuação, compete
indicado em lista tríplice pelos seus pa- ao Ministério Público do Trabalho
res e nomeado pelo Congresso Nacional. a) promover ação civil pública no âmbito
(C) dentre os órgãos do Ministério Público da Justiça do Trabalho, para defesa de
do Trabalho estão o Colégio de Procura- interesses individuais e coletivos, quan-
dores do Trabalho, a Câmara de Coor- do desrespeitados os direitos sociais
denação e Revisão do Ministério Público
constitucionalmente garantidos.
do Trabalho e a Corregedoria do Minis-
b) promover ação civil pública no âmbito
tério Público do Trabalho. ·
da Justiça do Trabalho, para defesa de
(D) os Subprocuradores-Gerais do Trabalho
interesses coletivos, quando desrespei-
serão designados para oficiar junto ao
Tribunal Regional do Trabalho da 10• tados os direitos sociais constitucional-
Região - Distrito Federal, com sede em mente garantidos.
Brasília. c) promover ação civil pública no âmbito
(E) o Conselho Superior do Ministério Pú- da Justiça Comum, para defesa de in-
blico do Trabalho será composto pelo teresses coletivos, quando desrespei-
Procurador-Geral do Trabalho, o Vice- tados os direitos sociais constitucional-
-Procurador-Geral do Trabalho, quatro mente garantidos.
Subprocuradores-Gerais do Trabalho e d) promover ação civil pública no âmbito da
quatro procuradores regionais do traba- Justiça do Trabalho, para defesa de inte-
lho, todos eleitos pelos seus pares. resses individuais e coletivos, quando

205
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

desrespeitadas os normas previstas na trinta e cinco anos de idade e de dez


Consolidação das Leis do Trabalho. anos na carreira, integrante de lista trí-
e) instaurar instância em caso de greve, plice escolhida mediante voto plurinomi-
desde que provocado pelo sindicato nal, obrigatório e secreto, pelos Subpro-
patronal. curadores para um mandato de quatro
anos, permitida uma recondução.
COMENTÁRIOS
e) Colégio de Procuradores da República,
Alternativa correta: Letra 8. dentre integrantes da instituição, com
O art. 83 da LC nº 75/93 é, frequentemente, mais de trinta e cinco anos de idade e
questionado nas provas objetivas, portanto, o de dez anos na carreira, integrante de
candidato deve memorizá-lo. O artigo mencio-
lista tríplice escolhida mediante voto
nado prevê as atribuições do Ministério Públi-
nominal, facultativo e aberto, pelos Sub-
co do Trabalho, e, em seu inciso Ili, estabelece
que compete ao Ministério Público do Traba- procuradores para um mandato de dois
lho "promover a ação civil pública no âmbito anos, permitidas duas reconduções.
__ daJustiça.do.Trabalho, para defesa.de interes- COMENTÁRIOS
ses coletivos, quando desrespeitados os direi-
tos sociais constitucionalmente garantidos". Alternativa correta: Letra B.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) é ramo
03. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Jus- do Ministério Público da União, incumbido de
tutelar os direitos difusos, coletivos, individu-
tiça Avaliador - mT 3/2015) o Chefe do
ais homogêneos e individuais indisponíveis,
Ministério Público do Trabalho é o Procu-
quando pautados na relação de trabalho. Em
rador-Geral do Trabalho, nomeado pelo regra, as atribuições do Ministério Público do
a) Presidente da República, dentre in- Trabalho estão ligadas às matérias de compe-
tegrantes da instituição, com mais de tência da Justiça do Trabalho. Esse ramo do
trinta anos de idade e de dez anos na Ministério Público tem como chefe o Procura-
dor-Geral do Trabalho, nomeado pelo Procura-
carreira, integrante de lista tríplice es-
dor-Geral da República, dentre integrantes da
colhida mediante voto nominal, obriga-
instituição, com mais de 35 anos de idade e de
tório e secreto, pelo Colégio dos Procu- 5 anos na carreira, integrante de lista tríplice
radores para um mandato de três anos, escolhida mediante voto plurinominal, facul-
permitida uma recondução. tativo e secreto, pelo colégio de procuradores
b) Procurador-Geral da República, dentre para um mandato de dois anos, permitida uma
integrantes da instituição, com mais de recondução, observado o mesmo processo
trinta e cinco anos de idade e de cin- (art. 88 da LC 75/93).
co anos na carreira, integrante de lista
tríplice escolhida mediante voto plurino- 04. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju-
minal, facultativo e secreto, pelo Colégio diciário - Área Jud. Of. Just. Avaliador
dos Procuradores para um mandato de Federal - mT12/2013) No tocante à Or-
dois anos, permitida uma recondução. ganização do Ministério Público do Tra-
c) Procurador-Geral da República, dentre balho, considere:
integrantes da instituição, com mais de
1. Subprocuradores-Gerais do Trabalho
trinta anos de idade e de cinco anos na
são órgãos designados para oficiar jun-
carreira, integrante de lista tríplice es-
to ao Tribunal Superior do Trabalho e
colhida mediante voto nominal, obriga-
nos ofícios na Câmara de Coordenação
tório e aberto, pelos Subprocuradores
e Revisão.
para um mandato de quatro anos, sem
direito à recondução. li. o chefe do Ministério Público do Traba-
d) Presidente da República, dentre inte- lho é o Procurador-Geral do Trabalho
grantes da instituição, com mais de nomeado pelo Presidente da República.

206
Questões-CAPÍTULOS Ili AV

Ili. o Procurador-Geral do Trabalho deverá COMENTÁRIOS


ser membro da instituição com mais de Errado. O Ministério Público é uno, indivisível
trinta e cinco anos de idade e dez anos e independente (art. 127, § 12, CF/88). Ele é
de carreira e terá mandato de dois composto pelo Ministério Público da União e
anos, vedada a recondução. pelos Ministérios Públicos dos Estados (art.
128, 1 e li, CF/88). O Ministério Público da
Está correto o que se afirma APENAS em União, por sua vez, compreende o: a) Minis-
a) Ili. tério Público Federal, b) Ministério Público
b) 1. do Trabalho, c) Ministério Público Militar e d)
c) 1 e li. Ministério Público do Distrito Federal e Terri-
d) Ili e IV. tórios (art. 128, 1e alíneas).
e) 1 e Ili.
06. (Fundação Carlos Chagas. mr da 7ª Re-
COMENTÁRIOS
gião/ 2009. Analista Judiciário - Área
Alternativa correta: B. Judiciária. Especialidade Execução de
Item 1. Correto. Ccirifoi-me dispõe o art. 107 da Mandados) o Procurador-Geral do Tra-
Lei 75/93: "Os Subprocuradores-Gerais do Tra- balho, terá mais de trinta e cinco anos
balho serão designados para oficiar junto ao
de idade e cinco anos na carreira, e
Tribunal Superior do Trabalho e nos ofícios na
será nomeado pelo
Câmara de Coordenação e Revisão."
Item li. Incorreto. Échefe do Ministério Público a) Procurador-Geral da República, e esco-
do Trabalho o Procurador-Geral do Trabalho, lhido entre membros da instituição, in-
que será nomeado pelo Procurador-Geral da tegrantes de lista tríplice escolhida me-
República, nos termos do art. 88 da Lei 75/93 diante voto plurinominal, facultativo e
que estabelece: "O Procurado.r-Geral do Tra- secreto, pelo Colégio de Procuradores.
balho será nomeado pelo Procurador-Geral da
b) Procurador-Geral da República, e es-
República (... )."
colhido entre membros da instituição,
Item Ili. Incorreto. De acordo com o mesmo
integrantes de lista tríplice escolhida
art. 88 da Lei 75/93: "ó Procurador-Geral do
mediante voto individual, obrigatório e
Trabalho será nomeado pelo Procurador-Geral
da República, dentre integrantes da institui- secreto, pelo Colégio de Procuradores.
ção, com mais de trinta e cinco ·anos de idade c) Procurador-Geral da República, e esco-
e de cinco anos na carreira, integrantes de lista lhido entre membros da instituição, in-
tríplice escolhida mediante voto plurinominal, tegrantes de lista tríplice escolhida me-
facultativo e secreto, pelo Colégio de 'Procu- diante voto plurinominal, obrigatório e
radores para um mandato de dois anos, per-
aberto, pelo Colégio de Procuradores.
mitida uma recondução, observado o mesmo
processo. Caso não haja número suficiente de
d) Presidente da República, e escolhido
candidatos com mais de cinco anos na carreira, entre membros da instituição, integran-
poderá concorrer à lista tríplice quem contar tes de lista tríplice escolhida mediante
mais de dois anos na carreira." voto plurinominal, facultativo e secreto,
Julgue os itens que se seguem, a respeito do pelo Colégio de Procuradores.
Poder Judiciário e do Ministério Público. e) · Presidente da República, e escolhido
entre membros da instituição, integran-
05. (CESPE - UnB. 2009. mT da 17• Região. tes de lista tríplice escolhida mediante
Analista Judiciário - Área Administra- voto plurinominal, obrigatório e aberto,
tiva) O Ministério Público brasileiro é pelo Colégio de Procuradores.
composto pelo Ministério Público Fede-
COMENTÁRIOS
ral e pelo Ministério Público dos Esta-
dos e do Distrito Federal. O Ministério Alternativa correta: a.
Público do Trabalho é um dos ramos do A Lei Complementar n9 75/1993 dispõe dobre
Ministério Público Federal. o Ministério Público da União.

207
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

De acordo com o seu art. 26, IV, é atribuição garantias reservados aos membros do Ministé-
do Procurador-Geral da República, como Chefe rio Público (art. 128, § 5º, 1, CF/88) e aos magis-
do Ministério Público da União, nomear e dar trados (art. 95, CF/88).
posse ao Procurador-Geral do Trabalho A respeito das condições da ação, das partes,
Ademais, nos termos do art. 88, caput dessa da competência e dos atos processuais, julgue
Lei: "O Procurador-Geral do Trabalho será no- os itens que se seguem.
meado pelo Procurador-Geral da República,
dentre integrantes da instituição, com mais de
09. (FCC - TRT 9 - Analista Judiciário/2010)
trinta e cinco anos de idade e de cinco anos na
De acordo com a Consolidação das Leis
carreira, integrante de lista tríplice escolhida
mediante voto plurinominal, facultativo e se- do Trabalho, as Comissões de Concilia-
creto, pelo Colégio de Procuradores para um ção Prévia
mandato de dois anos, permitida uma recon- a) instituídas no âmbito da empresa terão
dução, observado o mesmo processo".
1/3 de seus membros indicados pelo
Com base na organização do Ministério Públi- empregador, em escrutínio, secreto,
co do Trabalho, julgue os itens subsequentes. fiscalizado pelo sindicato da categoria
profissiônal.
07. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17ª Região. b) instituídas no âmbito da empresa serão
Analista Judiciário - Área Judiciária. Es- compostas de, no mínimo, dois e, no
pecialidade Execução de Mandados) A máximo, dez membros, com mandato
carreira do Ministério Público do Tra- de um ano, permitida uma recondução.
balho será constituída pelos cargos de c) têm prazo de quinze dias para a reali-
subprocurador-geral do trabalho, pro- zação da sessão de tentativa de conci-
curador regional do trabalho e procu- liação, a partir da provocação do inte-
rador do trabalho, sendo que o cargo ressado. ·
inicial da carreira é o de procurador d) devem possuir caráter intersindical,
do trabalho e o do último nível, o de sendo vedada a constituição por gru-
subprocurador-geral do trabalho. pos de empresas.
e) são órgãos administrativos cujo obje-
COMENTÁRIOS
tivo é a tentativa de conciliação entre
Certo. A carreira do Ministério Público do Tra- empregados e empregadores, sendo
balho será constituída pelos cargos de subpro-
que o seu termo de conciliação não·
curador-geral do trabalho, procurador regional
··:possui caráter de título executivo extra-
do trabalho e procurador do trabalho (art. 86,
cdput, Lei Complementar nº 75/1993 - Lei do judicial.
MPU). COMENTÁRIOS
Ainda, de acordo com parágrafo único desse
Alternativa correta: b.
artigo: "O cargo inicial da carreira é o de pro-
curador do trabalho e o do último nível o de Em âmbito empresarial, o número de membros
subprocurador-geral do trabalho". da Comissão de Conciliação Prévia será de, no
mínimo, 2 membros, e, no máximo, 10 membros.
O mandato de cada membro é de 1 ano, sendo
08. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17• Região. permitida a recondução (Art. 625-B, Ili, da CLT).
Analista Judiciário - Área Judiciária. Es- Em âmbito sindical, a Comissão de Conciliação
pecialidade Execução de Mandados) Prévia terá sua constituição e normas de funcio-
Aos membros do Ministério Público do namento definidas em convenção ou acordo co-
Trabalho são .conferidas garantias idên- .letivo, conforme prevê o art. 625-C da CLT.
ticas às asseguradas aos magistrados. Alternativa "a".
A composição da CCP deve ser paritária, ou
COMENTÁRIOS
seja, deve possuir o mesmo número de repre-
Certo. A vitaliciedade no cargo, a inamovi- sentantes dos trabalhadores e dos represen-
bilidade e a irredutibilidade de subsídios são tantes do empregador, e os representantes dos

208
Questões- CAPÍTULOS Ili AV

trabalhadores deverão ser eleitos em votação imposta em auto de infração lavrado


secreta. Somente os Jepresentantes dos traba- por auditor fiscal do trabàlho, por ino-
lhadores gozam .de estabilidade. . bservância da cota de contratação de
Alternativa "c". pessoas com deficiência.
o, prazo para a realização da sessão de ten- (B) o Supremo Tribunal. Federal, em sede
tativa de conciliação é de :10 dias, contados a de ação direta de inconstitucionalida-
partir da submissão da demanda à comissão. de, interpretou ser da competência da
. Alternativa "d". Justiça do Trabalho a apreciação de de-
As comissões poderão ser constituídas por mandas entre o Poder Público e seus
grupos de empresas ou ter caráter ,intersindi- servidores, a ele vinculados por típica
cal, conforme previsto no art. 625-A da CLT. relação de ordem estatutária, ou de ca-
Alternativa "e". ráter jurídico-administrativo ...
Caso as partes aceitem a conciliação; SEjrá la- (C) o Tribunal Superior do Trabalho com~
vrado um t.ermo de conciliação, que,.além de por-se-á de dezessete Ministros, esco-
possuir eficácia liberatória geral, também é tí- lhidos dentre brasileiros com mais de
tulo executivo extrajudicial, permitir1do a exe- trinta anos e menos de sessenta e cinco
cução direta na Justi~a do Trabalho.
· anos, de notável saber jurídico e repu-
tação ilibada, nomeados pelo Presiden-
10. (CESPE-Analista Processual- MPU/2010) te da República após aprovação pela
É facultadoao empregador dispensar maioria simpl~s do Senado Federa\.
empregado membro da comissão de
(D) os Tribunaii Regionais do Trabalho. com-
conciliação prévia.
põem-se de, nó mínimo, nove juízes, re-
COMENTÁRIOS crutados exclusivamente na respectiva
região, e nomeados pelo Presidente da
Questão erràda. À estabilidade provisória dos
República dentre brasileiros com mais de
membros das Comissões de Conciliação Prévia
refere-se apenas aos representantes dos empre- trinta e menos de sessenta e cinco anos.
gados (art. 625-B, § 1º, CLT). Dessa forma, é pos- (E) a Justiça do Trabalho passou a ser com-
sível a dispensa dos empregados representantes petente para julgar as ações de indeni-
do empregador. Mesmo quanto aos represen- zação por dano moral decorrentes da
tantes dos trabalhadores, o direito à estabilida- . relação de emprego somente a partir
de não é absoluto, pois também é possível adis- da Emenda Constitucional no 45/2004,
pensa em caso de falta grave, nos termos da lei
visto que o texto original da Constitui-
(art. 625-B, § 1º, CLT): Ocorre que a questão está
incompleta, não trouxe dados suficientes para ção Federal de 1988 e a jurisprudência
análise completa do caso. Dessa forma, como a do Tribunal Superior do Trabalho não
afirmativa não faz menção ao em·pregado e ao admitiam o processamento de tais
fato, em regra, não caberá ao empregador adis- ações na Justiça Especializada.
pensa do trabalhador sem justa causá:
COMENTÁRIOS

11. (FCC - TRT24/2017- Oficial de Justiça Ava- Alternativa "a" - Correta: A fiscalização ad-
liador - Área Judiciária) AC::onstituição ministrativa, na seara trabalhista, é· exercida
pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Desse
Federal do Brasil e a Consolidação das
modo, se tal órgão aplica multa a determinada
Leis do Trabalho instituíram regras so-
empresa, caso esta tenha interesse de anular o
bre organização e competência da Justi- auto de infração, deverá ajuizar ação da Justiça
ça do Trabalho e dos órgãos que a com- do Trabalho, nos termos do art. 114, VII, da CF.
põem. Em observância a tais normas,
(A) é competência da Justiça do Trabalho 12. (FCC - TRT24/2017 - Técnico Judiciário
a apreciação de ação proposta por - Área Administrativa) A Constituição
empresa para anulação de penalidade Federal de 1988 dispõe expressamente

209
PROCESSO DO TRABALHO .,, Élisson Miessa

sobre a competência material da Justiça Saúde do Estado de Sergipe, pelo regi-


do Trabalho e, entre essas disposições, me jurídico estatutário. Decorridos de-
NÃO prevê a competência da Justiça do zoito meses de serviço, houve atraso
Trabalho para processar e julgar no pagamento de salários e a inadim-
(A) as ações sobre representação sindical, plência da verba denominada adicional
entre sindicatos, entre sindicatos e tra- de insalubridade. Inconformado com
balhadores, e entre sindicatos e em- a situação, Poseidon pretende ajuizar
pregadores. ação cobrando seus direitos, sendo
(B) os mandados de segurança, habeas competente para processar e julgar a
corpus e habeas data, quando o ato (A) Justiça Federal, porque embora o ser-
questionado envolver matéria sujeita à vidor seja estadual, a matéria envolve
sua jurisdição. questão de natureza sanitária de re-
(C) as ações de indenização por dano mo- percussão nacional, relacionada à epi-
ral ou patrimonial, decorrentes da rela-
demia do "mosquito da dengue".
ção de trabalho.
(B) Justiça Comum Estadual, porque envol-
(o) 'as açi'fés rêíativas às penalidades admi- ve todo servidor público estadual, in-
nistrativas impostas aos empregadores
dependente do seu regime jurídico de
pelos órgãos de fiscalização das rela-
contratação.
ções de trabalho.
(C) Justiça do Trabalho, porque se trata de
(E) os. crimes contra a organização do tra-
balho e as causas acidentárias em face ação oriunda da relação de trabalho,
do Instituto Nacional .do Seguro Social. abrangido ente de direito público da
Administração pública direta estadual.
COMENTÁRIOS (D) Justiça do Trabalho, porque indepen-
O Nota do autor: Alternativa "e" - Incorreta: dente do ente envolvido, a matéria
A Justiça do Trabalho teve considerável altera- discutida relaciona-se com salários e
ção na sua competência após o advento da EC adicional de insalubridade, portanto
nº 45/04. Nesse contexto, o art. 114, CF/88 é
direitos de natureza trabalhista.
o pri~cipal dispositivo que declina a compe-
(E) Justiça Comum Estadual, porque a rela-
tência dessa Justiça Especializada. No que se
refere às ações penais, o STF deferiu liminar na ção de trabalho prevista no artigo 114,
)\DIN nº 3.684, para afastar a competência da 1 da CF, não abrange as causas entre
Justiça do Trabalho o julgamento das ações de o Poder Público e servidor regido por
natureza penal. relação jurídica estatutária.
Ademais, as ações acidentárias, que derivam
COMENTÁRIOS
de acidente de trabalho, podem dar origem
a pelo menos duas ações: 1- promovida pelo Alternativa "e" - Correta: De acordo com o
trabalhador em face do INSS, para recebimen- entendimento do STF e TST, a competência
to do benefício previdenciário. Nesse caso, a da Justiça do Trabalho está limitada às ações
competência será da Justiça Comum Estadual oriundas da relação de emprego, ou seja,
(art. 109, 1, CF/88); 2- ajuizada pelo emprega- quando o ente público adotar o regime ceie-
do em face do empregador, postulando inde- . tista para seus servidores. Por outro lado, fica
nização de danos morais ou matérias. Aqui, a 'a cargo da Justiça Comum a competência para
competência será da Justiça do Trabalho. as relações estatutárias, como a apresentada
na questão. Nesse sentido, a Súmula nº 137 do
STJ: "compete a Justiça Comum Estadual pro-
13. (mT20/2016 - FCC - Técnico Judiciário-
cessi3r e ju)gar__ação de s.e.rvidor público muni-
Área Administrativa) Poseidon prestou cipal, pleiteando direitos relativos ao vínculo
concurso público e foi aprovado toman- estatutário". Além disso, também é de com-
do posse como agente de fiscalização petência da Justiça Comum o julgamento das
sanitária no combate ao "mosquito ações relacionadas aos servidores temporários
da dengue", vinculado à Secretaria de (art. 37, IX, CF/88).

210
Questões - CAPÍTULOS Ili A V

14. (FCC - TRT24/2017 - Analista Judiciário Brasília, contratou empregado brasilei-


- Área Judiciária) Asclépio, residente e ro através,de sua.sucursalem,São Pau-
domiciliado em Manaus, participou de lo, para gerenciar as obras existentes
processo seletivo e foi contratado na na Turquia, lugar onde prestou serviços
cidade de Brasília, onde se localiza a durante dois anos. Rescindido o contra-
sede da empresa Orfheu Informática to o empregado retorna ao Brasil, pre-
S/A, para trabalhar como programa- tendendo acionar. o seu empregador
dor, na filial da empresa no Município em razão de créditos trabalhistas que
de Campo Grande. No contrato de tra- entend,t! devidos. Nessa situação, con-
balho as partes convencionaram como forme regra prevista na Consolidação
foro de eleição a comarca de São Pau- das Leis do Trabalho,,
lo. Após dois anos de contrato, Asclépio (A) é incompetente a autoridade judiciária
foi dispensado por justa causa sem re- brasileira, para conhecer da reclama-
ceber nenhuma verba rescisória, retor- ção trabalhista, que deveria ser ajuiza-
nando para Manaus. Não concordando da na Turquia, local da prestação dos
com o motivo da sua rescisão, o traba- serviços,
lhador resolveu ajuizar reclamação tra- (B) se houver foro de eleição, expressa-
balhista em face da sua ex-empregado- .. mente previsto no contrato, será este o
ra. Conforme a regra de competência competente para conhecer da. reclama-
territorial prevista na lei trabalhista a ção trabalhista.
ação deverá ser. proposta na Vara do (C) será competente para conhecer da.
Trabalho de ação trabalhista o foro de opção con-
(A) Brasília, por ser a sede da empresa re- tratual do empregado, podendo ser o
clamada. da contratação, da prestação de servi-
(B) Brasília, por ser o local da contratação. ços ou o da demissão.
(C) Manaus, local de seu domicílio. (D) a autoridade judiciária brasileira é in-
(D) Campo Grande, local da prestação dos competente, devendo a ação ,ser pro-
serviços. posta no País em que o empregado foi
(E) São Paulo, foro de eleição contratual. contratado.
COMENTÁRIOS (E) a autoridade judiciária trabalhista. bra-
sileira é competente para conhecer da
Alternaµva "d" - .Correta: A competência em
reclamação trabalhista, salvo se houver
razão. do lugar (territorial) é aquela delimitada
com base nos limites geográficos (territorial) Convenção Internacional .dispondo em
de cada órgão do Poder Judiciário. Portanto, contrário.
divide-se a competência considerando cada
COMENTÁRIOS
parte do território nacional. Essa competência
vem descrita no art. 651 da CLT. A regra é o Alternativa "e" - Correta: O §2º do art. 651
ajuizamento da reclamação trabalhista no lo- da CLT prevê a competência internacional, es-
cal da prestação de serviço, conforme estabe- tabelecendo que a Vara do Trabalho é compe-
lece o art. 651, caput, da CLT: "A cómpetência tente, na hipótese de prestáção dos- sérviços
das Juntas de Conciliaçãó e Julgamento é de- em agência ou filial no exterior, desde que ·o
terminada pela localidade onde o empregado, empregado seja brasileiro (nato ou naturali-
reclamante ou reclamado, prestar serviços ao zado) e não haja convenção internacional em
empregador, ainda ·que tenha sido contratado sentido contrário.
noutro local ou no estrangeiro",
16. (TRT20/2016 - FCC - Técnico Judiciário-
15. (FCC - TRT24/2017 - 'oficial de Justiça Área Administrativa) Péricles. pretende
Avaliador - Área Judiciária) A empresa ingressar com reclamação trabalhista
Olimpos Construções S/A, com sede em para receber indenização por danos

211
PROCESSO DO TRABALHO Élisson Miessa

morais em face do Banco Horizonte S/A COMENTÁRIOS


em razão da alegação de assédio mo- 'Alternativa "a" - Correta: A competência das
ral. Conforme previsão legal contida na Varas do Trabalho é determinada pela localida-
Consolidação das Leis do Trabalho, a de onde o empregado, reclamante ou reclama-
, ação deverá ser proposta na Vara do do, prestar serviços ao seu empregador, ainda
Trabalho do local que tenha sido contratado noutro local ou no
estrangeiro (art. 651, "caput", CLT).
(A) da sua contratação;
(B) dO seu domicílio.
18. (TRT20/2016 - FCC - Analista Judiciário -
(C) da matriz do Banco empregador.
OJA) Zeus é estivador inscrito e atuando
(D) da prestação dos serviços.
como trabalhador avulso no Porto do
(E) escolhido pelas partes na celebração
Rio de Janeiro. Há alguns meses ele não
do contrato.
tem concordado com os repasses que
COMENTÁRIOS estão sendo efetuados pelos trabalhos
' '
Alternativa "d" - Correta: A competência das realizados, entendendo ser credor de
V~r~~ d; T~~balho é d~terminada pela localida- diferenças. Consultou um Advogado
de onde o empregado, reclamante ou reclama- para ajuizar ação em face do Órgão
do, prestar serviços ao seu empregador, ainda Gestor de Mão de Obra e o operador
que tenha sido contratado noutro local ou no portuário, demanda esta que deverá
estrangeiro (art. 651, "caput", CLT).
ser proposta perante a
(A) Justiça Comum Estadual, porque o tra-
17, (TRT20/2016 - FCC - Analista Judiciá-
balhador avulso é considerado autô-
rio "" Área Judiciária) Hera participou
nomo sem vínculo de emprego com o
de processo seletivo e foi contratada
órgão de mão de obra.
como música instrumentista da Orques-
(B) Justiça do Trabalho, ainda que o pedido
tra do Banco Ultra S/A, no Município de
seja somente de diferenças de repasses.
Itabaiana/SE; onde tem o seu domicílio.
(C) Justiça do Trabalho, desde que formule
No contrato de trabalho foi estipulado
pedido principal de reconhecimento de
como foro de eleição para propositura
de demanda trabalhista o Município de vínculo de emprego e, acessoriamente
Aracàju/SE. o banco possui agências em de diferenças de repasses.
todos estados do Brasil e a sua sede está (D) Justiça Federal, porque a matéria por-
localizada em Brasília/DE Durante os oito tuária é de segurança do Estado Fede-
meses em que foi empregada do Ban- rativo e, portanto, de ordem nacional.
co, Hera exerceu suas funções apenas (E) Justiça Comum Estadual ou Justiça do
no Município de Aracaju/SE. Caso decida Trabalho, visto que se tratando de ma-
ajuizar reclamação trabalhista em face de téria de relação de trabalho em sentido
seu ex-empregador; deverá propor em amplo, cabe ao trabalhador a opção.

(A) (\racajy, porque foi o local da prestação COMENTÁRIOS


dos serviços. Alternativa "b" -Correta: Relação de trabalho
(B) Aracaju, por ser o foro de eleição pre- pode ser conceituada como "qualquer vínculo
visto em contrato de trabalho. jurídico por meio do qual uma pessoa natural
(C) Itabaiana, porque é o foro do seu do- executa obra ou serviços para outrem, me-
micílio. diante o pagamento de uma contraprestação";
Trata-se, pois, de gênero, nele incluindo: rela-
(D) Brasília, por estar situada a sede do
ção de emprego; trabalho autônomo; trabalho
Banco reclamado.
eventual; trabalho avulso; trabalho voluntário;
(E) Aracaju, Itabaiana ou Brasília, depen- estági~ etc. Nesse sentido, o art. 643, § 3º, da
déndo da sua própria conveniência CLT declina que a Justiça do Trabalho é com-
como reclamante. petente para processar e julgar as ações entre

212
Questões - CAPÍTULOS Ili A V

trabalhadores portuários e os operadores por- retenção dolosa de salários e contribui-


tuários ou o Órgão Gestor de Mão-de-Obra - ções previdenciárias.
OGMO decorrentes da relação de trabalho. (D) as ações oriundas da. relação de traba-
lho, abrangidos os entes de _direito pú-
19. (TRT20/2016 - FCC - Analista Judiciário - blico externo e da administração pública
OJA) O Sindicato dos Trabalhadores em direta e indireta da União, dos Estados,
Empresas de Transportes de Brasília e do Distrito Federal e dos Municípios.
demais cidades-satélite do Distrito Fe- (E) as ações sobre representaçãó sindical,
deral resolve interpor dissídio col_etivo
entre sindicatos, entre sindicatos e tra-
de greve, sendo que a competência
balhadores, e entre sindicatos e em-
para conhecê-lo será .
pregadores.
(A) da Vara do Trabalho situada na área do
dissídio coletivo. COMENTÁRIOS
(B) da Seção de Dissídios Coletivos do Tri- Alternativa correta: Letra C.

.. bunal Superior.do Trabalho. No que ·se refere às. ações pe·nais, o STF, na
(C) do Ministério PúbHco do}rabalho, junto ADIN 3,684, afastou da competência dá JUstiça
à Procuradoria• Geral .do Trabalho.-. do Trabalho o julgamento das ações de natu-
(D) da Comissão de Conciliação Prévia. inter- . reza penal, ou seja, no âmbito dessa Justiça
sindical da categoria no Di_strito Federal. .Especializada, não está incluída a competência
(E) do Tribunal Regional do Trabalho..da 10• para proces~ar e julg~r ações penais, inc.lusive
Região, Distrito Federal, com sede em os crimes. contra a o_rganização do trabalho e
envolvendo retenção dolosa de salários e con-
Brasília.
tribuições previdenciárias:
1COMENTÁRIOS 1.}
Alternativa "e" - Correta: O dissídio coletivo 21. (TRT 14• Região/2016 - Analista Judiciá-
sempre será de competência originária dos tri- rio - Área Judiciária)· Conforme norma
bunais (TST ou TRT), a depender da abrangên- constitucional é competência da Justiça
eia do conflito e da representação das catego- do Trabalho processar e julgar
rias envolvidas. Desse modo, se a abrangência
estiver limitada a um TRT, é dele a competên- (A) ação de reparação por dano material
eia (CLT, art; 677). Na questão apresentada, em face do · órgão previdenciá~io em
·• as cidades-satélites abrangem o mesmo TRT. razão de não concessão de aposenta-
Assim, a competência será do TRT da 10ª Re- daria por invalidez.
gião (DF). (B) · demanda possessôria env.olvendo um
sindicato de categoria profissional que
20. (FCC -- Analist~ Judiciária - Área Judiei- alega ser proprietário do prédio onde
ária - TRT 23/2016) Os normativos cons- está estabelecido o Sindicato da res-
titucionais NÃO atribuem competência
.. pectiva categoria econômica.
material à Justiça do Trabalho para pro- (C) ações relativas às penalidades 'àdmi-
cessar e julgar. nistrativas impostas aos empregadores
(A) as ações relativas às penalidades admi- pelos órgãos de fiscalizaçãp das rela~
nistrativas impostas aos empregadores ções de t_rabalho.
pelos órgãos de fiscalização, das rela- (D) execuções, de ofício, de imposto de. ren-
ções de trabalho. da dos diretores não empregados de
(B) o dissídio coletivo ajuizado pelo Ministé- sociedades anônimas que mantém rela-
rio Público do Trabalho no caso de greve ção de trabalho com essas empresas.
em atividade essencial, com.possibilida- (E) ação ordinária de trabalhador _em face
de de lesão do interesse público. ·· · da Caixa Econômica Federal em razão
(C) as ações que apuram os crimes contra a de não ter sido autorizada movimenta-
organização do trabalho e envolvendo ção de sua conta vinculada do FGTS.

213
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

. COMENTÁRIOS às penalidades administrativas impostas aos


empregadores pelos órgãos de fiscalização das
Alternativa correta: Letra C.
relações de trabalho."
Afiscalização administrativa, na seara trabalhis-
ta, é exercida pelo Ministério do Trabalho e Em-
23. (FCC - Analista Judiciário - Área Judi-
prego. Desse modo, qualquer discussão acerca
da penalidade imposta será de competência da ciária - TRT 4/2015) A competência em
Justiça do trabalho, como prevê o disposto no razão da matéria dos órgãos da Justiça
art. 114, VII, da CF, in verbis: "Compete à Justiça do Trabalho abrange
do Trabalho processar e julgar: (... )VII as ações a) dissídios envolvendo revisão de pen-
relativas às penalidades administrativas impos- são por morte de segurado do Instituto
tas aos empregadores pelos órgãos de fiscaliza-
Nacional de Seguridade Social.
ção das relações de trabalho."
b) ação coletiva objetivando indenização
por danos coletivos, envolvendo servi-
22. (FCC - Analista Judiciário - Área Judici-
dor público estatutário e o município.
ária - TRT 3/2015) Em relação à compe-
c) ações relativas à penaHdade adminis~
tência material da Justiça do Trabalho: trativa imposta por agente de fiscaliza-
a) As ações relativas às penalidades admi- ção das relações de trabalho ao em-
nistrativas impostas aos empregadores pregador.
pelos órgãos de fiscalização das rela- d) lides relativas a acidentes de trabalho
ções de trabalho devem ser julgadas envolvendo o trabalhador e o Instituto
·pela Justiça Federal, nos termos do arti- Nacional de Seguridade Social.
go 109 da CF/88. e) litígios relativos à recuperação judicial
b) Desde a promulgação da CF/88, a Justi- ou falência de empresas privadas ou
ça do Trabalho é competente para jul- sociedades de economia mista.
gar ações impostas pelos órgãos de fis-
COMENTÁRIOS
~alização, em matéria trabalhista, aos
empregadores. Alternativa correta: Letra C.
c) A Emenda Constitucional n° 45/04, deu A fiscalização administrativa, na seara traba-
nova redação ao artigo 114 da CF/88, lhista, é exercida pelo Ministério do Trabalho
,e Emprego. Desse modo, qualquer discussão
estabelecendo que cabe à Justiça do
acerca da penalidade imposta será de com-
Trabalho processar e julgar as ações petência da Justiça do trabalho, como prevê
relativas às penalidades administrati- o disposto no art. 114, VII, da CF, in verbis:
vas impostas aos empregadores pelos "Compete à Justiça do Trabalho processar e
órgãos de fiscalização das relações de Julgar: (... )VII as ações relativas às penalidades
trabalho. · administrativas impostas aos empregadores
d) Impõe multas administrativas ao em- pelos órgãos de fiscalização das relações de
trabalho."
pregador em processos trabalhistas,
ros quais foi constatada a ocorrência
ôe infração aos dispositivos da CLT. 24. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de
e) Não é competente, de ofício, para exe- Justiça Avaliador - TRT 4/2015) A Consti-
cutar as contribuições previdenciárias tuição Federal do Brasil elenca normas
· das sentenças que proferir. relativas à competência material dos
diversos órgãos do Poder Judiciário. O
COMENTÁRIOS artigo 114, com redação determinada
Alternativa correta: Letra ·c. pela Emenda Constitucional no 45/2004
Com o advento da Erriehdá Constitucional n2· .aumentou as hipóteses originalmente
45/04, foi inserido no art. 114, o inciso VII, que previstas para a Justiça do Trabalho. En-
assim vaticina "Compete ii Justiça do Trabalho tretanto, mesmo com essa ampliação,
processar e julgar: (... ) VII as ações relativas NÃO estão abrangidas as ações

214
Questões - CAPÍTULOS Ili A V

a) oriundas das relações de . trabalho, d) do Trabalho da comarca onde. houve a


abrangidos entes de direito público ex- prestação dos serviços ..
terno. e) Acidentária da Justiça Estadual ou do
b) relativas a benefício previdenciário do Trabalho da comarca ,em que se situa
trabalhador previsto no Regime Geral a sede da empresa, a critério do autor
da Previdência Social. · interessado .
c) indenizações por danos morais e pa-
. COMENTÁRIOS
trimoniais, decorrentes da relação de
trabalho. Alternativa correta: Letra D.
d) sobre representação sindical entre sin- A Justiça do Trabalho teve considerável alte-
dicatos e empregadores. ração na sua competência após o advento da
e) de execução, de ofício, de contribuições EC nº 45/04. Nesse contexto, o art. 114 da
sociais previdenciárias decorrentes das CF/88 estabelece em seu inciso VI que compe-
condenações dos dissídios individuais te à Justiça do Trabalho processar e julgar "as
trabalhistas. ações de indenização por dano moral ou pa-
trimonial, decorrentes da relação de trabalho".
COMENTÁRIOS Da mesma forma, terá competência a Justiça
Alternativa correta: i.etra B. do Trabalho quando a ação for ajuizada pelo
empregado em face do empregador no caso
A Justiça do Trabalho teve considerável am-
de acidente do trabalho (Súmula vinculante nº
pliação de competência após o advento da EC
22 do STF), como ocorre na presente questão.
nº 45/04. Nesse contexto, b candidato deveria
Ademais, a competência territorial, no proces-
ter em mente o art. 114 da CF, respondendo
so do trabalho, vem descrita no art. 651 da
a questão por exclusão, ou seja, levando em
conta o tema não descrito no referido disposi- CLT, que estabelece, .em seu caput, a regra a
tivo. Desse modo, não é competente a Justiça ser aplicada: "A comj:ietêr,cia das Varas do Tra-
do Trabalho para ações relativas a benefício balho é determinada pela loca.lidade onde o
previdenciário do trabal~ador. previsto no empregado, reclamante ou reclamado, prestar
Regime Geral da Previdência Social. Nessa hi- serviços ao empregador, ainda que tenha sido
pótese, cohio um dos polos é uma autarquia contratado noutro local ou no estrangeiro".
federal (INSS) a competência é da Justiça Fe-
deral (CF/88, art. 109), salvo se o benefício 26. (Fundação Carlos Chagas. mr da 9ª
for relacionado a acidente de trabalho que a Região/2015. Analista Judiciário - Área
competência será da Justiça. Estadual (CF/88,
Judiciária. Especialidade Execução de
art. 109, 1).
Mandados) Conforme normas conti-
das na Constituição Federal brasileira,
25. (Fundação Carlos Chagas. mr da 9ª Re-
a competência da Justiça do Trabalho
giãô/2oi5. Analista. Judiciário ... ·Área Ju-
abrange
diciária) Conforme previsão legal, uma
ação de indenização por danos mate- a) os conflitos de atribuições entre auto-
riais e morais em razão de acidente de ridades administrativas e judiciárias da
trabalho sofrido pelo empregado, por União, ou entre autoridades judiciárias
negligência do empregador, que tenha de um Estado e administrativas de ou-
lhe ocasionado sequelas, deve ser pro- tro, ou do Distrito Federal, ou entre as
posta na Vara deste e da União.
a) Acidentária da Jústiça Estadúal da comar- b) a homologação de sentenças estran-
ca em que o autor tem o seu domicílio. geiras e a concessão de exequatur às
b) Acidentária da Justiça Federal da co- cartas rogatórias.
marca em que a empresa tem a sua c) as ações relativas às penalidades admi-
sede. nistrativas impostas aos empregadores
c) do Trabalho da comarca em que foi ce- pelos órgãos de fiscalização das rela-
lebrado o contrato de trabalho. ções de trabalho.

215
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

d) os crimes contra a organização do tra- sua dispensa. Entretanto, o local em


balho e, nos casos determinados por que prestou serviços foi em São Luís.
lei, contra o sistema financeiro e a or- A empresa, regularmente notificada,
dem econômico-financeira que possam não compareceu à audiência, tendo
interferir nas relações de trabalho. sido decretada sua revelia e confissão
e) as ações que visam dirimir conflitos quanto à matéria de fato. No tocante
fundiários, por meio de Varas especia- à alegação de incompetência em razão
lizadas com competência exclusiva que do lugar, é correto afirmar que:
serão criadas pelo Tribunal competente a) tendo em vista se tratar de matéria de
COMENTÁRIOS ordem, deverá ser declarada ex officio
pelo juiz, que se declarará incompeten-
Alternativa correta: Letra C.
te para conhecer e julgar a reclamação.
A Justiça do Trabalho teve considerável alte- b) tendo em vista que a incompetência é
ração na sua competência após o advento da
relàtiva, poderá ser alegada em qual-
EC n2 45/04.. Nesse contexto, o art. 114 da
· CF/88 estabelece em seu inciso VII que compe- quer fase do processo, mesmo após a
te à Justiça do Trabalho processar e julgar "as prolação da sentença, até a interposi-
ações relativas às penalidades administrativas ção de recurso ordinário.
impostas aos empregadores pelos órgãos de c) tendo em vista que a incompetência
fiscalização das relações de trabalho". é relativa e nã,o alegada nó momen-
to oportuno, ou seja, com a defesa,
27. (FCC-Analista Judiciário - Oficial de Jus- prorroga-se a competência do juízo de
tiça Avaliador - TRT 16/2014) A Emenda Salvador, tornando-se competente para
Constitucional 45/ 2004 incorporou as conhecer e julgar o feito, havendo pre-
seguintes matérias à competência da clusão da matéria.
Justiça do Trabalho, EXCETO: d) a empresa somente poderá alegar a ex-
a) quanto aos funcionários públicos esta- ceção de incompetência em razão do lu-
tutários. gar em preliminar de recurso ordinário.
b) que envolvam exercício do direito de e) deverá a empresa interpor agravo de
greve. instrumento para conhecimento ime-
c) sobre representação sindical. diato da exceção.
d) alusivas a eleições sindicais. COMENTÁRIOS
e) · execução, de ofício, de contribuições
Alternativa correta e. A incompetência relati-
sociais, decor.rentes das. decisões pro- .va não pode ser conhecida ex officio, depen-
feridas pelos Juízes do Trabalho. dendo, obrigatoriamente, de µ,rovocação do
COMENTÁRIOS réu (OJ nº 149 da SDl-11, TST). Não send.o ale-
gada a exceção de incompetência, o juiz que
Alternativa correta A. De acordo com o en- era, inicialmente, incompetente, passa a ser
tendimento do STF e do TST, tratando-se de competente para a causa, ocor'rendo fenôme-
servidor público a competência da Justiça do no denominado prorrogação de competência.
Trabalho está limitada àqueles contratados no
regime celetista. Por outrn lado, fica a cargo da
Justiça comum a competência para julgar as 29. ·(TRT 14° Região/2016 - Analista Judiciá-
relações estatutárias, inclusive os cargos em rio - OJA) Há previsão legal atribuindo
comissão, conforme estabelecem as Súmulas aos órgãos judiciais as questões que
nQ 137 e 218, ambas do STJ. devem estar afetas ao seu julgamen-
to; assim-como os órgãos judiciais tra,
28. (FCC - Técnico Judiciãrio - Área Admi- balhistas têm traçados em lei os seus
nistrativa - TRT 16/2014) A empregada poderes para conhecer e solucionar as
"A" ajuizou reclamação trabalhista em lides. Sobre o tema, conforme ordena-
Salvador, local em que se mudou após mento jurídico é INCORRETO afirmar:

216
Questões.:.. CAPÍTULOS Ili A V

.(A) Como regra, a competência das Varas (A) pelo local onde foi realizada a contra-
do Trabalho é determinada pela loca- tação.
lidade onde o empregado, reclamante (B) pelo domicílio eleitoral do empregado.
ou reclamado, prestar serviços ao em- (C) pelo domicílio civil do e[llpregador,
pregador, ainda que tenha sido contra- quando esse for pessoa física.
tado noutro local ou no estrangeiro. (D) pela matriz da empresa pública, na ca-
(B) Compete às. Varas Cíveis da Justiça Fe- pital do Estado onde é a sede do Tribu-
deral julgar as .ações ~nvolv.endo tra- nal Regional.
balhadores portuários e os operadores (E) pela localidade onde o empregado, re-
portuários ou órgão Gestor de Mão de clamante ou reclamado, prestar servi-
Obra .-, OGMO, de.correntes da relação ços ao empregador.
d.e trabalho,, por, envolver. questão es-
tratégica nacional. . , COMENTÁRIOS
(C) A Justiça do Trabalho. tem competência Alternativa correta E
' ' 'para analisar e decidir' sobre as ações A regra da competência territorial, no pro-
relativás às penalidades ad~inistrati- cesso do trabalho, vem descrita no art. 651
vas impostás aos empregadores pelos "caput" da CLT que estabelece': ''.a competên-
órgãos de fiscalização ,das 'relações de cia das Varas do Trabalho é determinada pela
trabalho. · ··· · localidacle onde o empregado, .reclamante ou
(D) Comp~te à Justiça do Trabalho proces- reclamado, prestar serviços ao empregador,
ainda que tenha sido contratado noutro local
sar e julgar as ações de indenização
-ou no estrangeiro."
por dáno moral ou patrimonial, decor-
rentes' da relação de trabalho.··
(E) 31. (Fundação Carlos Chagas. ·TRT da 9ª
É da competência das' Varas do Traba-
lho conhecer e julgar os dissídios re- Região/2015. Analista Judiciário - Área
sultantes de contratos de empreitada Judiciária. Especialidade Execução de
em que o empreiteiro seja operário ou Mandados) O 'viajante comercial Odin
artífice. pretende mover ação trabalhista em
face da sua empregadora Empresa
COMENTÁRIOS Pública Delta S/A, por entender que o
Alternativa correta B. seu gerente cometeu ato ilícito que lhe
O candidato deveria estar atento que a ques- feriu a honra e boa fama, postulando
tão solicitava a alternativa INCORRETA. O art. indenização por danos morais no valor
643, § .3º da CLT. cleclina que a Justiça do Tra- de RS 100.000, oo; cúmúlada com pedido
balh,o é. competente para processar e julgar de pagamento de diferenças de comis-
as ,ações entre trabalhadores portuários e os sões ajustadas no valor de RS 5.000, 00.
operadores portuários .ou o Órgão Gestor de
Segundo regras contidas em·. legislação
· Mão-de~O.bra - OGMO dec.orrentes da relação
de trabalho. própria quanto à competência territo-
rial, a ação deve ser proposta na Vara
Assim, oi erro da questão,está ao afirmar que
a competência será das Varas Cíveis da Justiça a) do local onde foi celebrada-a sua con-
Federal. tratação.
b) da localidade em que a empresa tenha
30. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Jus- agência ou filial e a esta o empregado
tiça Avaliador - TRT 23/2016) A compe- esteja subordinado.
tência é considerada como medida da c) do foro de eleição previsto no contrato
jurisdição. Em se tratando de compe- de trabalho firmado entre as partes.
tência territorial das Varas do Trabalho, d) da Justiça Federal da Capital do Estado
a regra geral prevista na Consolidação onde a ré tenha sede, por se tratar de
das Leis do Trabalho é fixada empresa pública.

217
PROCESSO DO TRABALHO-' tlisson Miessa

e) do foro de celebração do contrato ou ·empregador, ainda que tenha sido contratado


no foro de domicílio do gerente que lhe noutro local ou no estrangeiro".
ofendeu, em razão de ser esse o prin-
cipal pedido do autor. 33. (FCC - Analista Judiciário - Área Judiciá-
ria - TRT 4/2015) Fênix, residente em
COMENTÁRIOS
curitiba, participou de processo seleti-
Alternativa correta: Letra B. vo em uma· agência de empregos situa-
A competência territorial, na Justiça do Trabalho, da no município de Caxias do Sul, local
vem descrita no art. 651 da CLT e estabelece que, onde firmou contrato de trabalho para
'e'm regra, a competência será do juízo do local
o cargo de secretária junto à empresa
da prestação de serviços. No entanto, a questão
aborda a exceção prevista no§ lº'di::J art. 651 da
pública Atlas. Durante o contrato de tra-
CLT, que prevê: "Quando for parte de dissídio balho somente prestou serviços na sede
agente ou viajante comercial, a competência da empregadora na cidade de ·Carlos
será da Junta da localidade em que a empresa Barbosa. Após dois anos foi dispensada
tenha agência ou filial e a esta o empregado es- sem receber verbas contratuais e resci-
teja subordinado e, na falta, será competente a sórias. Segundo regra estabelecida pela
Junta da localização em que o empregado tenha
Consolidação das Leis do Trabalho, será
domicílio ou a localidade mais próxima".
territorialmente competente para pro-
Portanto, na hipótese de agente ou viajante
cessar e julgar a ação trabalhista movi-
comercial, definiram-se duas regras sucessivas:
Regra principal-competência da Vara do Traba-
da por Fênix em face da empresa Atlas
lho em que a empresa tenha agência ou filial e a Vara do Trabalho do município de
a esta o empregado esteja subordinado. Regra a) Curitiba, local da resid,ência da, autora.
secundária - na falta de agência ou filial ou se b) Porto Alegre, capital do Estado, por se
o empregado não estiver subordinado a nenhu-
tratar de empresa pública.
ma delas, ele poderá optar entre ajuizar a ação
no seu domicílio ou na localidad,e mais próxima.
c) Caxias do Sul, local da contratação.
d) Carlos Barbosa, local da prestação dos
32. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de Jus- serviços.
tiça Avaliador-TRT 3/2015) É competen- e) Porto Alegre ou Curitiba, sendo opção
te para julgar a reclamação trabalhista legal conferida à trabalhadora.
a Vara da localidade COMENTÁRIOS
a) eleita pelas partes interessadas no con- Alternativa correta: Letra D.
trato de trabalho.
A competência territorial, na Justiça do Traba-
b) em que o empregado foi contratado.
e
lho, vem descrita no art. 651 da CLT estabe-
c) em que o empregado tem seu domicílio. lece, que, em regra: "A competência das Varas
d) em que o empregado presta serviços. do Trabalho é determinada pela localidade
e) em que a empresa está localizada. onde o empregado, reclamante ou reclama-
do, prestar serviços ao empregador, ainda que
COMENTÁRIOS
tenha sido contratado noutro local ou no es-
Alternativa correta: Letra D. trangeiro". No caso, o local da prestação dos
A competência em razão do lugar (territorial) serviços foi a cidade de Carlos Barbosa, sendo,
é aquela delimitada com base nos limites ge- portanto, competente para a ação.
ográficos de cada órgão do Poder Judiciário,
tratando-se de competência relativa. A com- 34. (FCC - Analista Judiciário - Oficial de
petência territorial, no processo do trabalho,
Justiça ·Avaliador -' TRT 4/2015) Hades,
vem descrita no art. 651 da CLT, que estabe-
residente em Florianópolis, foi contra-
lece, em seu caput, a regra â ser áplicada: "A
competência das Varas do Trabalho é deter- tado pela empresa de bebidas Cacha-
minada pela localidade onde o empregado, ça Real em sua sede na cidade de São
reclamante ou reclamado, prestar serviços ao Paulo, para trabalhar como viajante

218
Questões..: CAPÍTULOS Ili A V

comercial. Durante o contrato esteve residente na cidade de São Bernardo


subordinado a filial. sul. da_ empresa, do Campo, foi contratad_o em Diadema
situada no município de Gramado, la- para trabalhar como Auxiliar Adminis-
borando em vários municípios da Serra trativo da Empresa Tudo Azul Ltda., cuja
Gaúcha. Para reivindicar direitos traba- matriz está sediada em São Caetano do
lhistas inadimplidos pela empregadora, Sul. Após dois anos de contrato presta-
será competente a Vara de. Trabalho do na filial da empresa em São Paulo,
a) somente em Florianópolis, foro de do- foi dispensado, mesmo .tendo informa-
mismo do autor. .- .... do ao empregador que está em vias de
b) em qUalquer município 9a Serra Gaú- se aposentar. Mateus .decidiu ajuizar
cha, onde. laborou ou em .São Paulo, lo- reclamação trabalhista requerendo sua
cal da contratação. reintegração ao emprego por estabili-
c) em uma das Capitais dos três .estados dade pré aposentadoria. No presente
envolvidos: Santa Catarina, São Paulo e caso, a Vara do Trabalho competente
Rio Grande do Sul. para processélr e julgar a demanda é a
d) apenas em São Paulo, local da contra- do município de
tação. a) Diadema, porque foi o local da contra-
e) · somente em Gramado, local em que a tação do trabalhador.
empregadora tem filial e o empregado b) São Paulo, por ser o local da prestação
esteve subordinado. de serviços.
COMENTÁRIOS c) São Caetano do Sul, em razão de ser a
matriz da empresa empregadora. ·
Alternativa correta: Letra E.
d) São Paulo, porque, nest.e caso, a .comar-
A competência territorial, na Justiça do Trabalho, ca competente é a Capital do Estado.
vem descrita no art. 651 da CLT, que estabelece
e) São Bernardo do Campo, por ser o local
que, em regra, a competência será do juízo do lo-
cal da prestação de serviços. No entanto, a ques-
da residência do trabalhador..
tão aborda a exceção prevista no§ 12 do art. 651 COMENTÁRIOS
da CLT, que prevê: "Quando for parte de dissídio
agente ou viajante comercial, a competência Alternativa correta B. A competência das Va-
será da Junta da localidade .em quE! a empresa ras do Trabalho é determinada pela localidade
tenha agência ou filial e a esta o empregado es- onde o empregado, reclamante ou reclamado,
teja subordinado e, na. falta, será competente a prestar serviços ao empregador, ainda que te-
Junta da localização em que o empregado tenha nha sido contratado noutro local ou no estran-
domicílio ou a localidade mais próxima". geiro (art. 651, caput, CLT).

Portanto, na hipótese de agente ou viajante


co·mercial, definiram~se duas ·regras· sucessi- 36. (TRT 14° Região/2016 - Analista Judiciá-
vas: 1) Regra principal: competência da Vara rio - Área Judiciária) Apolo; auditor
do Trabalho em que ·a empresa tenhà agência empregado da empresa de auditoria
ou filial e a esta o empregado esteja subordi- externa Fenix S/A; foi dispensado por
nado. 2) Regra secundária: na falta de agência . justa causa diante da alegação de desí-
ou filial ou se o empregado não estiver.subor-
dia no desempenho das suas funções. o
dinado a nenhuma delas, ele. poderá optar
trabalhador pretende ajuizar recl.ama-
entre ajuizar a ação no s.eu domicílio ou na
'localidade mais próxima. No caso da, questão tória trabalhista questionando o motivo
incide a regra principal, sendo competente a da rescisão e postulando o pagamento
cidade de Gramado, vez que o empregado está de verbas rescisórias e horas extraordi-
subordinado a esta filial. nárias não remuneradas. No caso, tra-
ta-se de empregador que promove rea-
35. (FCC ,.. Analista Judiciário - Oficial de lização de atividades fora do lugar do
Justiça Avaliador - TRT 2/2014) Mateus, contrato de trabalho. De acordo com as

219
PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

regras de competência territorial Apolo a) obrigatoriamente em Marechal Deodoro.


deverá ingressar com a ação: b) ,obrigatoriamente em Maceió.
(A) Somente no local da prestação de ser- c)' obrigatoriamente no local em que pres-
viços. tou serviços em último lugar.
(B) · No foro de celebração do contrato ou d) em Maceió ou Marechal Deodoro.
no da prestação dos respectivos servi- e) em Maceió ou no local da prestação
ços. dos respectivos serviços.
(C) Não havendo regras na Consolidação COMENTÁRIOS
dás Leis do Trabalho sobre a matéria,
Alternativa correta E. ·Em se tratando de em-
poderá escolher qualquer comarca do pregador que prorriova realização de ativida-
Estado em que tem seu domicílio. des feira do lugar do contrato de trabalho, é
(D) No foro de eleição previsto no contrato assegurado ao empregado apresentar recla-
de trabalho firmado entre as partes. mação no foro da celebração do contrato ou
(E) Na sede da empresa ou na capital do no da prestação dos respectivos serviços (art.
Estado em que ocorreu a contratação. 651, § 32, CLT).

COMENTÁRIOS
38. (CESPE - UnB. 2010. TRT da 21' Região.
Alternativa correta B Analista Judiciário - Área Administrati-
A competência territorial, no processo do tra- va) Se for ajuizada ação .de separação
balho, vem descrita no art. 651 da CLT que judicial perante.vara do trabalho, o juiz
f!Stabelece: "a competência das Varas do Tra- deverá conhecer da incompetência de
. balho. é determinada pela localidade onde o ofício.
empregado, reclamante ou reclamado, prestar
serviços ao empregador, ainda que tenha sido COMENTÁRIOS
tbritratado noutro local ou no estrangeiro". No
, entanto, há três exceções estabelecidas em Certo. A Justiça do Trabalho é o órgão jurisdi-
cional que possui competência material em re-
seus parágrafos. No caso em tese, o examina-
dor questionou a literalidade do §32 do art. lação às relações de trabalho e questões delas
651, que declina: "em se tratando de emprega- decorrentes (art. 114 e incisos, CF/88), não al-
cançando, portanto, a separação judicial, que
dor que promova realização de atividades fora
é matéria de natureza civil.
do lugar do contrato de trabalho, é assegurado
ao empregado apresentar reclamação no foro Como a competência material é absoluta e,
da celebração do contrato ou no da prestação portánto, improrrogável (não sujeita à modi-
dos respectivos serviços". ficação), ela deveria ser reconhecida de oficio
pelo juiz.
37. (FCC -Técnico Judiciário -Área Adminis-
trativa - TRT 19/2014) Ricardo foi con- 39. (Fundação Carlos Chagas - Analista Judi-
tratado pela empresa "Fazenda Ltda.", ciário - Judiciária -TRT 18/2013) A empre-
para exercer a função de montador de sa Delta Participações sofreu fiscalização
estande em feiras agropecuárias. Con- de natureza trabalhista, ocasião em que
siderando que Ricardo reside em Ma- .o agente fiscal da.Delegacia Regional do
rechal Deodoro e que a sede da em- Trabalho verificou irregularidade e la-
presa é em Maceió, local da celebração vrou auto de infração com aplicação de
do contrato, bem como que as feiras multa administrativa. A empresa resol-
agropecuárias não ocorrem na referida veu questionar judicialmente essa pena-
capital e sim em diversas cidades inte- lidade administrativa, sendo da compe-
rioranas, segundo a . Consolidação das tência material da Justiça
Leis do Trabalho, eventual reclamação a) Comum Estadual, por cuidar de questio-
. trabalhista, no tocante à competência namento de ato de Delegacia Regional
territorial deverá ser ajuizada do Trabalho.

220
Questões-CAPÍTULOS Ili A V

b) Federal, por se tratar de discussão so- e) As Varas do Trabalho são competentes


bre ato. d.e autoridade fed,er_al,yincula- para processar e julgar os dissídios re-
da ao Ministério do Trabalho. sultantes de contratos de empreitadas
c) do Trabalho, por força de Emenda em que o empreiteiro seja operário ou
Constitucional que lhe _atribuiu. novas artífice.
competências e criou dispositivo espe-
COMENTÁRIOS' ·
cífico prevendo essa matéria.
d) Federal, porque não se discute relação Alternativa correta: C. Esta assertiva está in-
de emprego entre empregador e em- correta porque a ·competência dos:TRTs, nos
casos de dissídio coletivo, determina-se pela
pregado.
localidade onde este ocorrer, como se verifica
e) Estaduàl ·em Vara Especializada da Fa-
pela redação do art: 677, CLT: "A competência
zenda Pública, por se tra.tar de discus- dos Tribunais Regionais determina-se pela for-
são de ato de agente público. ma indicada no art .. 651 e seus parágrafos e,
COMENTÁRIOS nos casos. de dissídio coletivo, pelo local onde
este ocorrer."
Alternàtiva correta: C. Com a Emenda Cons- Ademais, cabível mencionar. que a c01;npetên:
titucional nº 45/04, compete a Justiça do Tra-
eia funcional é originária dos .tribunais, sendo
balho processar e julgar "as ações relativas
definida pela extensão territorial do conflito.
às penalidades administrativas impostas aos
· Assim, se a abrangência estiver limitada a um
empregadores pelos órgãos de fiscalização das
TRT, é deste· a competênéia (art. 677 da CLT).
.relações de trabalho". (art. 114, VII, da CF)
Por outro· lado, se extrapolar a base territorial
de mais de um TRT, a competência será do TST
40. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju- (art. 2º, 1/'a", da Lei 7.701/88).
diciário - Judiciária - TRT 18/2013) Se- Por fim, as demais alternativas estão corretas,
. gundo normas legais contidas na Con- porque embasadas nos seguintes artigos: letra
solidação das Leis do. Trabalho sobre a (art. 652, a, V, da CLT); letra b (art. 651, § 3º,
competência das Varas e dos Tribunais da CLT); letra d (art. 650, caput, da CLT1); letra
do Trabalho é INCORRETO afirmar: e (art. 652, a, Ili, da CLT). •,
a) A Justiça do Trabalho é competente
para processar e julgar as ações entre 41. (CESPE - Analista Judiciário - Área: Judi-
trabalhadores portuários e os opera- ciária - TRT 8/2013) Acerca da compe-
dores portuários ou o Órgão Gestor de tência da justiça do trabalho, assinale a
Mão de Obra - OGMO decorrentes da opção correta.
relação de trabalho. a) Quando há conflito. de competência en-
b) . o empregado poderá apresentar recla- tre TRTs e varas do trabalho·e juízes de
mação no foro da celebração do con- direito investidos. na jurisdição traba-
trato ou no da prestação dos. respec- lhista, o conflito é resolVidci pelc.iSTJ.
tivos serviços quando o empregador b) Conforme prevê a CLT, a competência
promover a realização de atividades da vara trabalhista é determinada pela
fora do lugar do contrato de trabalho. localidade onde o empregado tenha
c) A competência dos Tribunais Regionais
nos casos de dissídio coletivo determi-
na-se pelo local onde este ocorrer ou 1. É importante observar que a. Lei n• 10.770/03,
pela sede da empresa envolvida no en:i seu art. 28, passou .a dispor que: "cabe
a cada Tribunal Regional do Trabalho, no
conflito, cabendo a escolha ao sindicato
âmbito de sua Região, mediante. ato próprio,
da categoria econômica.
alterar e estabelecer a jurisdição das Varas
d) A jurisdição de cada Vara do. Trabalho do Trabalho, bem'cOmo transferir0 1hes a sede
abrange todo o território da Comarca de um Município para outro, de acordo com
em que tem. sede, só podendo .ser es- a necessidade de agilização da prestação
tendida ou restringida por lei .federal. jurisdicional trabalhista".

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PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

sido contratado, ainda que preste ser- COMENTÁRIOS


viço ao empregador em outro local. Alternativa correta: A. Como estudado no
c) A relação entre· os trabalhadores e tópico de competência da justiça do trabalho
os titulares de cartórios extrajudiciais nas ações de indenização por dano moral ou
é tipicamente de emprego, sendo da patrimonial, as ações acidentárias (previden-
justiça do trabalho a competência ciárias), que derivam do acidente de trabalho,
para dirimir conflito que envolva tais promovidas pelo trabalhador em face do INSS,
são de competência da Justiça Comum Estadu-
empregados e os cartórios não oficia-
al, nos termos do art. 109, 1, da CF, ficando na
lizados. competência da Justiça do Trabalho apenas as
d) Conforme entendimento recente do TST, ações promovidas pelo trabalhador em face
ajustiça do trabalho é competente para do empregador em decorrência do acidente
processar e julgar causa relacionada a do trabalho.
pensão alimentícia de ex-esposa quan-
do a pensão é paga por meio de des- 43. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju-
conto do salário de ex-empregado. .djciário. - Juqiciá_riª ~.TRT }/2013) Miner-
e) Embora a CF atribua competência à jus- va, domiciliada no município de Duque
tiça do trabalho para processar e julgar de Caxias, foi contratada no município
ações sobre representação sindical, de Resende para trabalhar na empre-
entre sindicatos, entre sindicatos e tra- sa Olimpo Empreendimentos. Durante
balhadores e entre sindicatos e empre- todo o contrato de trabalho trabalhou
gadores, o TST interpreta que o termo no município de Friburgo, sede da sua
sindicato não abarca as federações e empregadora. Após três anos de labor,
confederações. Minerva foi dispensada. Para receber
as verbas rescisórias que não foram
COMENTÁRIOS pagas, a comarca competente para o
Alternativa correta: C. Os empregados dos ajuizamento de reclamação trabalhista
cartórios extrajudiciais são contratados pelo é a do município de
regime celetista. Assim, a competência para di-
a) Resende, porque é o local onde foi fir-
rimir seus litígios será ~a competência da jus-
tiça do trabalho, por força do art. 114, 1, da CF. mado o contrato de trabalho.
b) Friburgo, porque é o local da prestação
dos serviços da trabalhadora.
42. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju-
c) Duque de Caxias, porque é o local do
diciário - Judiciária - Oficial de Justiça
domicílio da reclamante .
Avaliador ..: TRT 18/2013) A competên-
d) Rio de Janeiro, porque, além de ser a
cia da Justiça do Trabalho foi ampliada
Capital do Estado, é a sede do Tribunal
pela Emenda Constitucional no 45/2004.
Regional do Trabalho da 1a Região.
Entretanto, NÃO compreende as ações
e) Duque de Caxias, Resende ou Friburgo,
a) de i:iatureza previdenciária envolvendo pois não há regra na CLT - Consolidação
empregado e o INSS. das Leis do Trabalho regulando a com-
b) habeas corpus e habeas data, quando . petência territorial.
o ato questionado envolver matéria su-
COMENTÁRIOS
jeita à jurisdição da justiça do trabalho.
c) envolvendo o exercício do direito de Alternativa correta: B. Atente-se para o fato
greve. desta questão ser recorrente nas provas. As-
si~, conforme_ o "caput" do art. 651, da CLT:
d) de indenizações por dano moral ou
"A competência das Varas do Trabalho é de-
reparação patrimonial,.decorrentes da terminada ·pela localidade onde o empregadó,
relação de emprego. reclamante ou reclamado, prestar serviços ao
e) que versam sobre representação sindi- empregador, ainda que tenha sido contratado
cal entre sindicatos. noutro local ou no estrangeiro".

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Questões-CAPÍTULOS Ili A V

44. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju- b) os Tribunais Regionais do Trabalho com-
diciário - Exec. Mandados - mT 6/2012) põem-se de, no mínimo, sete juízes, no-
Quanto às regras aplicáveis a jurisdição meados pelo Presidente da República,
e competência, é INCORRETO afirmar: após aprovação pela maioria absoluta
a) Para efeito de jurisdição dos Tribunais do Senado Federal.
Regionais do Trabalho, o território na- c) não compete à Justiça do Trabalho pro-
cional é dividido em 24 (vinte e quatro) cessar e julgar as ações relativas às pe-
regiões. nalidades administrativas impostas às
b) A Justiça do Trabalho é competente empresas pelos órgãos de fiscalização
para processar e julga.r'as ações entre das relações de trabalho.
trabalhadores portuários e os opera- d) não compete à Vara do. Trabalho pro-
dores portuários ou o órgão Gestor de cessar e julgar os conflitos resultantes
Mão de Obra - OGMO decorrentes da de contratos de empreitadas em que ,o
relação de trabalho. empreiteiro seja operário ou. artífice e
c) Compete às Varas do Trabalho conciliar não
'
discuta verbas ' da ' relação
.
ele' em-
e julgar os dissídios resultantes de con- prego.
tratos de empreitadas em que o em- e) em se tratando de empregador que
preiteiro seja operário ou artífice. promova realização de atividades fora
d) Compete aos Tribunais Regionais do do lugar do contrato de trabalho, é
Trabalho determinar às Varas do Traba- assegurado ao empregado, apresentar
lho a realização dos atos processuais reclamação no foro de celebração do
e. diligências necessárias ao julgamento contrato ou naquela da prestação dos
dos feitos sob sua apreciação: respectivos set'viços.
e) A competência das Vqras. do Trabalho COMENTÁRIOS
é determinada pela localidacle da con-
Aiternativa correta: E. Conforme dispõe o art.
tratação do empregado, reclamante ou 651, § 39, da CLT: "Em se tratando de emprega-
reclamado, independente d.o local da dor que promova realização de atividades fora
prestação dos serviços ao empregador. do lugar do contrato de trabalho, é assegurado.
COMENTÁRIOS ao empregado apresentar reclamação no foro
da celebração do contrato ou no da prestação
Alternativa correta: E. Trata-se de questão dos respectivos serviços". Nessa hipótese, a
rec6rrente. A competência das Varas do Tra- legislação confere ao empregado a faculdade
balho é determinada pela localidade onde o de escolher entre o ajuizamento da reclama-
empregado, reclamante oú reclamado, prestar ção perante a vara do trabalho da celebração
serviços ao empregador, ainda que tenha sido do contrato ou perante a vara ão Trabalho do
contratado noutro local ou no estrangeiro (art. local de prestação de serviços;<
651, caput, da CLT).
46; (Fundação Carlos Chagas -' Técnico Ju-
45. (Fundação Carlos Chagas - Analista Ju- diciário - Administrativa -: mT 18/2013)
diciário - Administrativa - mT 1/2013) Lucas, residente em Brasília, foi contra-
Quanto à organização e competência tado pela empresa Thor Industrial, em
· · da Justiça do Trabalho, conforme previ- sua filial da cidade de Catalão, para
sões contidas na Constituição Federal e trabalhar como viajante comercial. Du-
na Consolidação das Leis do Trabalho, é rante o contrato de trabalho prestou
correto afirmar que serviços em várias cidades do Estado
a) compete ao Tribunal Superior do Traba- de Goiás e no Distrito Federal, sempre
lho processar e julgar originalmente o subordinado à diretoria come~cial re-
pedido de medida cautelar das ações gional de Catalão. A sede da. empresa
diretas de inconstitucionalidade. está localizada na cidade de Goiânia.

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PROCESSO DO TRABALHO - Élisson Miessa

Após quatro anos, foi dispensado sem temporário, mantendo-se na seara trabalhista
receber saldo salarial, férias vencidas e o julgamento dos vínculos empregatícios.
verbas rescisórias. A competência terri- · Considerando a organização e a competência
torial para o ,ajuizamento da reclama- da Justiça do Trabalho, julgue os itens:
ção trabalhista é de
a) Catalão, por ser a cidade da filial em 48,. (CESPE - UnB. 2009. TRT da 17• Região.
Analista Judiciário - Área Administra-
que ele esteve subordinado.
tiva) A ação de indenização de dano
b) 'qualquer cidade onde ele tenha traba-
moral decorrente de acidente do tra-
lhado, exceto Brasília por pertencer ao
. balho não é de competência da justiça
Distrito Federal.
.do trabalho, considerando-se integrar,
c) BrasíÍia, por ser a Capital Federal do
obrigatoriamente, no polo passivo, a
Brasil.
previdência social.
d) Goiânia, por ser a sede da empresa
empregadora. COMENTÁRIOS
e) Goiânia, Catalão ou Brasília, sendo que a