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AULA 2

MACROECONOMIA

PROFª DRª JULIANA SCRIPTORE


AULA PASSADA
 As três formas de medir o Produto de uma
economia:

 Ótica da Despesa;

 Ótica do Produto;

 Ótica da Renda;
PIB 2015 SOB AS TRÊS ÓTICAS

Ótica R$ Ótica do R$ Ótica da R$


Produto milhões Dispêndi milhões Renda milhões
o
Valor 10.226.869 Consumo 5.020.969 Remune 2.672.020
Bruto da (C + G) ração
Produção (salários)
Impostos 840.186 FBCF 1.043.964 EOB + 2.424.832
sobre os RMB
produtos (lucros)
(-) Exporta 355.672 Impostos 898.935
Subsídios ções sobre a
a produção
produtos
(-) (-) (-) (-) 842.614 (-) (-) 5.818
Consumo 5.071.268 Importaçõ Subsídiosà
Intermedi es de bens a
ário e serviços produção
PIB 5.995.787 PIB 5.995.787 PIB 5.995.787

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Nacionais.


ECONOMIA FECHADA
E SEM GOVERNO
POUPANÇA (S)
 POUPANÇA = RENDA NÃO
CONSUMIDA PELAS FAMÍLIAS →
ofertam recursos não consumidos no
mercado financeiro
 Empresas são demandantes de recursos
no mercado financeiro → juros
 Mercado de bens de investimento →
empresas demandam máquinas e
equipamentos.
 Temos que PRODUTO = C + I
 POUPANÇA = INVESTIMENTO
FLUXO CIRCULAR DE RENDA - AMPLIADO

Mercado de
Bens de Mercado de
Investimento bens e serviços
Demanda de
Máquinas e Receitas de
equipamentos vendas de Despesa com
bens e bens e serviços
serviços

Mercado
Empresas financeiro Famílias
Demanda Oferta
de recursos de recursos

Contratam a
força de Oferecem sua
trabalho das força de
famílias Mercado de trabalho

trabalho

*Vazamentos (Investimento) = Injeções (Poupança)


OS ELEMENTOS DO PIB → Y = C + I + G + X - M

 Consumo (C):
 É a despesa das famílias com bens e serviços que visam à
satisfação pessoal dos indivíduos. Por exemplo: automóveis,
roupas e alimentação, com exceção das compras de novas
moradias.
 Investimento (I):
 Despesas com equipamentos de capital, estoques e
construção civil, incluindo as aquisições de novas moradias
pelas famílias. → acréscimo de estoque físico de capital que
vise ao aumento da produção futura.
 Formação bruta de capital físico (ou investimento bruto,
que considera a depreciação - FBCF) → FBCF/PIB
 Variação de estoques
 Depreciação (D): destina-se a repor os equipamentos e
instalações desgastados ou obsoletos
Investimento líquido = investimento bruto – depreciação
POUPANÇA E INVESTIMENTO
 ECONOMIA FECHADA E SEM GOVERNO
I=S
I=Y–C
Y=C+I
o que é verdade em uma economia
fechada e sem governo
FLUXO E ESTOQUE
 Distinção fundamental em
economia!
 Ativos físicos e ativos
Fluxo de investimento
financeiros
(1)
 Fluxo de novos investimentos
(1)
▪ Compra de bens de Estoque de capital
investimento (fluxo) aumenta (2)
o estoque de capital (2)
 Depreciação pelo uso ao longo Depreciação
do tempo (3) (3)

*Catástrofes naturais → aumenta o PIB (aumento de obras de reconstrução –


Variável fluxo) + diminui estoque de riqueza (queda do patrimônio – variável estoque)
*Quando há um déficit público (fluxo) o governo precisa aumentar a dívida pública
(estoque) para financia-lo.
RENDA (R) → RENDA NACIONAL BRUTA
(RNB)
 Conceito: renda é remuneração de fator de produção
 Fatores de produção
 Terra
 Capital
 Trabalho
 Tipos de Renda
 Salários (renda do trabalho)
 Juros (renda do capital financeiro)
 Aluguel (renda do capital físico)
 Renda de arrendamentos (renda da terra)
 Lucros (renda do capital dos acionistas)
 RNB = é o agregado referente às remunerações dos
fatores de produção de propriedade de residentes. O
conceito de nacional se aplica à distribuição de renda.
 A produção de estrangeiros no Brasil, conta no
conceito de interno, mas não no conceito de nacional.
Renda Enviada: 30

RLEE = R_ENV – R_REC País B


RLEE = 30 – 20 = 10
P=170
L=40
Renda Recebida: 20
País A
P=30
País A L=20
P=50
L = 10 B

PIB (B) = 70+30 =100

País B
RLEE = R_ENV – R_REC
P=100 RLEE = 20 – 30 = -10
L=30

A
PIB (A) = 50+100 =150 PIB – RLEE = 100 – (-10)
PNB (B) = 110
PIB – RLEE = 150 – 10 = 140
PNB (A) = 140
ECONOMIA FECHADA
E COM GOVERNO
GOVERNO
 Administração pública federal, estadual e municipal +
autarquias (repartições públicas, universidades e
hospitais) + empresas estatais dependentes;
 Produzir serviços não mercantis (prestados de forma
gratuita ou semi-gratuita) destinados à coletividade
e/ou efetuar operações de repartição da renda e de
patrimônio
 Bens e serviços privados: rivalidade e exclusão no consumo;
 Bens e serviços públicos: não rival e não exclusão no
consumo
 Bens e serviços semi-públicos: podem ser submetidos ao
princípio da exclusão, mas geram elevados benefícios
sociais.
MAIS UM POUCO SOBRE G (GASTOS DO
GOVERNO)
 O produto gerado pelo governo é medido por suas despesas
correntes e de custeio (salários e compras de materiais
para a manutenção da máquina administrativa) → G
 Despesas de capital são investimento público (aquisição de
equipamentos, construção de estradas, hospitais, escolas,
prisões, entre outros) e não são contabilizados.
 Empresas estatais não dependentes (Petrobrás,
Eletrobrás, BNDES e outras sociedades de economia
mista) como a receita advêm da venda de bens e serviços
no mercado são consideradas dentro do setor de produção
privado. Não entra na conta do Governo das Contas
Nacionais.
 O valor da produção dos bens e serviços públicos e semi-
públicos, oferecidos pelo governo (justiça, educação e
planejamento), não tem preço de venda de mercado.
GOVERNO (+)
 (+) Impostos Diretos → Incidem sobre a renda ou a
propriedade e são pagos como impostos (ao governo .
 IR (Imposto de renda).
 IPVA (Imposto de Propriedade de Veículos Automotores).
 IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
 (+) Impostos Indiretos → Incidem sobre transações
com bens e serviços e são pagos como parte dos preços
das mercadorias.
 Imposto sobre Produto Industrializado (IPI).
 Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS).
 (+) Taxas;
 (+) Contribuições sociais: exemplo contribuição
previdenciária com o objetivo exclusivo de financiar
gastos de seguridade social.
 (+) Outras receitas: multas e pedágios.
GOVERNO (-)
 (-) Transferências → aposentadorias, donativos e
pensões;
 (-) Subsídios → governo abdica de parte de uma
receita à qual teria direito
 Altera no sentido contrário o preços das mercadorias
relativamente aos preços que seriam observados se tais
operações não existissem.
“O subsídio à oferta de energia elétrica: para que as distribuidoras
possam oferecer energia a preços mais baixos às indústrias sem
incorrer em prejuízos, o governo repassa um certo montante de
recursos para as distribuidoras”
“(...) o governo pode intervir na economia ofertando: crédito público,
seguro subsidiado para cobrir quebra de safra, subsídios às
mensalidades escolares (como no Programa PROUNI) ou educação
pública gratuita.”
GASTOS DO GOVERNO, G (-)
 Despesas com bens e serviços pelos governos federal,
estadual e local (oferecimento de bens e serviços
públicos e semi-públicos: saúde, educação e segurança
pública– despesas correntes e de custeio) → G;
 T = ID + II + CS + TX + OR – TR – SUB
 G
 T-G = Poupança do Governo
Se T>G → Superávit Fiscal nas contas públicas
Se T<G → Déficit Fiscal nas contas públicas →
Necessidades de financiamento do setor público
Diferente do conceito de dívida pública → Saldo
(estoque) acumulado até determinado instante do
tempo.
DEFINIÇÕES
 ECONOMIA FECHADA E COM GOVERNO

T: receita do Governo com tributos


T – G: superávit fiscal ou poupança
pública (Sg)
Y – T: renda disponível após a
tributação
Y – T – C: poupança privada (Sp)
S = Sg + Sp
POUPANÇA E INVESTIMENTO
ECONOMIA FECHADA E COM
GOVERNO
Então:
I=S
I = Sp + Sg
I=Y–T–C+T–G
I=Y–C–G
Y=C+G+I
o que é verdade em uma economia
fechada e com governo
MAIS DOIS CONCEITOS
 Para resolver o problema de que as transferências
do governo (de caráter monetário) não tem
contrapartida em relação ao aumento da produção
foram criados dois conceitos de produto: o produto
a preços de mercado (Produtopm), que inclui o
valor dos impostos indiretos compensados dos
subsídios, e o produto a custo de fatores
(Produtocf), que não considera esse valor
adicional.

 PIBpm = PIBcf + Impostos Indiretos - Subsídios

 PIBcf = PIBpm – Impostos Indiretos + Subsídios


PIB A PREÇOS DE MERCADO
 Resultado final do esforço (produto) da economia
num determinado ano deve-se considerar:
 A RLEE, contribuição prestada pelos fatores de
produção de propriedade de não residentes
(interno)
 Produto bruto → produção de valores para repor
o capital desgastado também gerou produção de
valores.
 Preço de mercado → atuação do governo (compra
de bens e serviços privados) também adiciona
valor ao sistema econômico.
ECONOMIA ABERTA
E COM GOVERNO
OS ELEMENTOS DO PIB: Y = C + I + G + X - M
 Exportações Líquidas (EL) → SETOR EXTERNO
 Exportações (X) menos importações (M): (X – M)
 X = bens e serviços não fatores produzidos em um
país e vendidos ao exterior;
 M = bens e serviços não fatores que um país
compra do exterior;
 Serviços não fatores = fretes, seguros, viagens
internacionais;
 Serviços fatores = envolvem fatores de produção
(capital e trabalho) tais como juros pagos ao exterior,
os royalties, aluguéis de equipamentos, as rendas do
trabalho, os lucros e dividendos → RLEE
 Inserção da economia no setor externo → BP
DEFINIÇÃO BALANÇO DE PAGAMENTOS
 Registro de todas as transações entre residentes
e não-residentes em um determinado período de
tempo;
 Residentes: pessoas, físicas ou jurídicas, que
tenham esse país como seu principal centro de
interesse, que têm nele sua residência fixa,
empresas sediadas no país, governo.
 Fluxos de bens, serviços, doações e ativos entre
residentes e não-residentes em um determinado
período (reais e financeiros).
 Transações de crédito (receita, entrada) +
 Transações de débito (despesa, saída) –
Conta Corrente
1 – Balança Comercial (transações envolvendo mercadorias tangíveis)
1.1 Exportações
1.2 Importações
2 – Balança de Serviços (transações envolvendo mercadorias intangíveis)
2.1 Turismo
2.2 Fretes e Transportes
2.3 Seguros
2.4 Royalties
2.5 Outros
3 – Balança de Rendas (transações envolvendo fatores de produção)
3.1 Lucros
3.2 Juros
BALANÇO 3.3 Salários
4 – Transferências Unilaterais Correntes
DE 5 – Saldo do BP em transações correntes (ou simplesmente saldo da conta
PAGAMEN corrente do BP) - (5 = 1 + 2 + 3 + 4)
Conta Capital e Financeira
TOS 6 – Conta Capital
7 – Conta Financeira
7.1 Investimentos Diretos (inclui reinvestimentos e empréstimos inter-companhia)
7.2 Investimentos em Carteira
7.3 Investimentos em Derivativos
7.4 Outros
7.4.1 Empréstimos e Financiamentos (inclui empréstimos de regularização e
amortizações)
7.4.2 Crédito Comercial
7.4.3 Moeda e Depósitos
7.4.4 Outros
8 – Erros e Omissões
9 – Saldo do Balanço de Pagamentos (9 = 5 + 6 + 7 + 8)
10 – Haveres da Autoridade Monetária - variação
(haveres estrangeiros líquidos e sob o controle da autoridade monetária)
10.1 Reservas em Moeda Estrangeira (inclui títulos de alta liquidez)
10.2 Reservas no FMI
10.3 Direitos Especiais de Saque (DES); 10.4 Ouro
10.5 Outros Haveres (qualquer outro ativo líquido em moeda estrangeira)
CONTA CORRENTE DO BP
 Balança Comercial: registra a movimentação de
mercadorias, ou seja, de bens tangíveis.
 Vendas ao exterior: X*

 Compras do exterior: M*

 *ambas registradas a preços Fob

 Duas maneiras de contabilizar: Fob (valor de


embarque da mercadoria – free on board) e Cif
(valor que inclui além do custo das mercadorias,
os fretes e seguros relacionados ao seu
transporte).
CONTA CORRENTE DO BP
 Balança de Serviços (serviços não fatores):
 empresa brasileira compra um serviço de transporte
de uma empresa estrangeira → mercadoria
intangível (não é possível percebê-la com nossos cinco
sentidos).
 transportes e fretes, turismo, viagens internacionais
em geral, serviços financeiros e de comunicação,
 Balança de Rendas (serviços fatores):
 pagamentos ou recebimentos que se dão em função da
utilização desses fatores: lucros, dividendos ou o
recebimento de juros (ex: fator capital).
 empresa brasileira pode utilizar força de trabalho de
não residentes, de modo que terá de remeter recursos
ao exterior para o pagamento de salários.
CONTA CORRENTE DO BP
 Transferências unilaterais correntes: envolvem
pagamentos ou recebimentos, tanto em moeda quanto
em bens, sem contrapartida, tais como as remessas de
recursos realizadas por pessoas que trabalham em
outro país aos seus familiares no país de origem ou as
doações de um país a outro a título de ajuda
humanitária ou reparação de guerra
 Balança comercial + Balança Serviços + Balança de
Rendas + Transferências Unilaterais = Saldo do
Balanço de Pagamentos em Transações
Correntes do BP.
 Déficit TC: o Brasil “produziu” quantidade de divisas
(*moeda internacional) insuficiente para pagar as
despesas em divisas contraídas no mesmo período.
(analogamente em relação ao superávit)
QUESTÃO
 Como o país financia o déficit em TC?
 Empresa → empréstimo
 Família → cheque especial
 País → conta financeira e haveres da autoridade
monetária. Ou seja, país pode ter recebido moeda em
função de investimentos externos diretos (IDE) que tenham
sido feitos no país (não residentes compraram ativos de
residentes), ou ainda de empréstimos que residentes
tenham obtido junto a não residentes.
 Porém esse tipo de moeda não é corrente e sim é um ativo
que lida com estoques de riqueza (ex, economia doméstica).
 Se o valor das contas em transações de capital for
suficiente para compensar o déficit em transações
correntes → Superávit no BP. Se isso não ocorrer o
país tem que abrir mão de parte de suas reservas
(haveres).
CONTA DE CAPITAL DO BP
 Conta Capital: patrimônio de imigrantes e aquisições ou
alienações de bens não financeiros, tais como a cessão de
patentes e marcas
 Conta Financeira: registra as transações envolvendo
investimentos de qualquer tipo, empréstimos e
financiamentos entre países.
 Investimentos externos diretos (IED), como é mais
conhecida (item 7.1), contabilizam-se todas as aquisições e
vendas de capital produtivo entre residentes e não
residentes num determinado período. Incluem-se aí,
portanto, as compras e vendas de empresas nacionais,
privadas ou estatais, as aquisições ou vendas de
participações societárias e a ampliação e/ou criação de
capacidade produtiva nova no país por iniciativa de
empresas ou grupos estrangeiros.
 Geralmente + para países importadores líquidos de capital
(processo de privatização – década de 90).
 Reinvestimentos (rendimentos proporcionados pelas empresas de capital
estrangeiro que, ao invés de serem remetidos para fora, permanecem no país,
sendo reinvestidos nas empresas) e empréstimos inter-companhias
(uma empresa de propriedade de não residentes operando no país recebe
recursos de sua matriz no exterior).
CONTA DE CAPITAL DO BP
 Conta Financeira:
 Investimentos em carteira: transações que envolvem ativos
financeiros propriamente ditos: títulos públicos, títulos de
dívida privados e ações. Constituem obrigações e direitos
(capitais) a curto prazo, porque existem para esses ativos
mercados secundários onde eles podem ser comprados e
vendidos a qualquer momento (x IDE – prazo mais longo).
 Investimentos em derivativos: aplicações financeiras cujos
valores dependem dos valores de outros ativos.
 Mercado a termo: duas partes assumem um compromisso de compra ou
venda para negociação de um determinado ativo financeiro em uma
data futura. As partes estão vinculadas até a liquidação do contrato.
 Mercado futuro: mesmo conceito, mas as partes não estão vinculadas.
 Opções: o investidor compra o direito, mas não a obrigação, de compra
ou de venda de um ativo financeiro, com preços e prazos de exercícios
determinados.
 Empréstimos e financiamentos: todos os empréstimos
contraídos no exterior e todos os financiamentos externos
obtidos por residentes, com exceção do crédito comercial.
CONTA DE CAPITAL DO BP
 Empréstimos e financiamentos
 Empréstimos de regularização: divisas que entram no país em função
de acordos efetuados entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou
outras instituições financeiras multilaterais.
 Amortizações: pagamentos de parcelas referentes ao principal dos
empréstimos e financiamentos externos contraídos ou concedidos.
 Atrasados, ou seja, o não pagamento de qualquer obrigação em moeda
estrangeira (o país não dispõe das reservas necessárias para honrar
tal obrigação, nem da ajuda dos organismos internacionais →
moratória).
 Créditos comerciais → importações ou exportações de bens ou serviços
que não são integralmente pagas à vista, sendo ao menos uma parte
de seu valor parcelada (financiamento de operações correntes).
 Moedas e depósitos → possibilidade de que residentes mantenham
legalmente recursos em divisas fora do país e/ou que não internalizem
recursos provenientes de vendas realizadas a não residentes.
 Erros e omissões → calculado para tornar nula, no balanço de
pagamentos, a somatória de débitos e créditos (diversas fontes
de informação e diversas origens dos dados utilizados).
EM SÍNTESE,
A conta capital e financeira registra os
investimentos, empréstimos, financiamentos e
demais capitais financeiros entre países. Somando
o seu saldo ao saldo do balanço de pagamentos
em transações correntes e considerando
eventuais erros e omissões, chega-se ao saldo
total do balanço de pagamentos. A variação
apresentada pela conta haveres das autoridades
monetárias demonstra esse resultado, ou seja,
mostra seu impacto sobre o nível de reservas.
SALDO BP
 O saldo do balanço de pagamentos (BP) deve ser idêntico à
variação da conta haveres da autoridade monetária*.
 Se chamarmos o saldo do balanço de pagamentos de BP e o
valor resultante das variações de haveres de R (de
reservas), diremos que:
 BP = -R → BP + R =0
Saldo -R → elevação das reservas do país e saldo
superavitário do BP.
 TC+TK+R=0
 TC = - (TK+R)
 Explica como o país resolveu seu problema de déficit em
transações correntes ou, no caso de um superávit em conta
corrente, vai explicar que destino o país deu aos recursos
adicionais obtidos no período em questão (*reservas em
moeda estrangeira, títulos de alta liquidez, reservas no
FMI e DES – Direitos Especiais de Saques, ouro e outros
haveres).
BP Fatores que contribuem para o saldo negativo em TC
1) Balança • perda de vigor das exportações (crise mundial);
Comercial (bens • crescimento acelerado das importações;
não fatores)
• maior gasto dos brasileiros com viagens ao exterior;
X = 100 • o aumento das remessas de lucros e dividendos pelas
empresas multinacionais instaladas no Brasil;
- M = -80
• maiores gastos com transporte para o exterior (fretes e
passagens).
2) Balança de
serviços (não RLEE: Renda líquida enviada ao exterior é composta
fatores) pela soma das remunerações dos serviços fatores (BR) e
Turismo, viagens das transferências unilaterais (TU)
internacionais,
fretes.
3) Balança de
rendas (serviços
fatores) Saldo Balança de
lucros, juros, Rendas
aluguéis)
- R_Enviada (sinal RLEE
+
negativo) = -200 Renda Líquida
+ R_Recebida (sinal Enviada ao Exterior
positivo) = 70 Remessa de
4) Transf. Uni. = 50 renda de
residentes em
1 + 2 + 3= 4) outros países Sem contrapartida (unilateral)
Transações
BP
1) Balança
Comercial (bens Saldo da Balança
não fatores) Comercial
TRLE:
X = 100 Transferência
+ Líquida
- M = -80
Recebida
Do Exterior
2) Balança de Saldo da Balança
serviços (não
fatores) de Serviços
Turismo, viagens
internacionais,
fretes.
3) Balança de
rendas (serviços
fatores)
lucros, juros,
aluguéis)
- R_Enviada (sinal
negativo) = -200
+ R_Recebida (sinal
positivo) = 70
4) Transf. Uni. = 50

1 + 2 + 3= 4)
Transações
BP
1) Balança
Comercial (bens
não fatores)
X = 100 Superávit Comercial = 20

- M = -80
Logo, temos um saldo
2) Balança de de -60 (20 -80) que
serviços (não
fatores) equivale a um déficit
Turismo, viagens em transações correntes
Remessas de juros (serviço da
internacionais, dívida externa ou remuneração
fretes. do investimento)
3) Balança de
rendas (serviços
fatores) Saldo Balança de
lucros, juros, Rendas = -130
aluguéis)
- R_Enviada (sinal RLEE = -80
negativo) = -200
+ R_Recebida (sinal
positivo) = 70 Remessa de
4) Transf. Uni. = 50 renda de
residentes em
1 + 2 + 3= 4) outros países = 50 Sem contrapartida (unilateral)
Transações
Balanço de pagamentos
US$ milhões
Discriminação 2011

Balança comercial (FOB) 29 807


Exportações 256 040
Importações 226 233
Serviços -37 952
Rendas -47 319
Transferências unilaterais correntes (líquido)
2 984
Transações correntes -52 480
SALDO EM TRANSAÇÕES CORRENTES DO BP - BRASIL

➢ O déficit em transações correntes, que era


de US$ 33,4 bilhões em 1998, transformou-
se em superávit no período 2003 - 2007 e a
trajetória é de déficit a partir de 2008 .
POUPANÇA E INVESTIMENTO A PREÇOS CORRENTES (% DO PIB)
1971-80 1981-90 Média 1995 1998 2001 2003 2005 2007 2008 2009 2010 2011
91/94

1. Investimento 21,8 20,8 19,1 18,0 17,0 17,0 15,3 15,9 17,4 19,1 18,1 19,5 19,3

2. Poupança Doméstica 17,9 19,3 19,3 15,5 13,0 13,5 16,0 17,3 18,1 18,8 15,9 17,5 17,2

3. Poupança Externa (+) 3,9 1,5 -0,2 2,5 4,0 3,5 -0,6 -1,4 -0,7 0,3 2,2 2,0 2,1
CONCEITOS
Poupança externa equivale a um saldo negativo em Transações Correntes: Sext = -
TC
 TC = B_Comercial + B_Serviços + Transferências Unilaterais
BS = BS_NF + BS_F Déficit em TC → Sext positiva →
TRLE = BC + BS_NF “Importamos” poupança do exterior
RLEE = BS_F + TU
TC = TRLE + RLEE (assume valor negativo)
TC = (X-M) - BS_NF – BS_F + TUR Superávit em TC → Sext negativa →
TC = X’ – M’ – RLEE “Exportamos” poupança do exterior
Tomando o sinal negativo e considerando BS=0
Sext = -TC = (M’ – X’) + RLEE
2. Fazendo uma analogia à poupança privada e poupança do governo (com BS=0)
 Sp = Y – T – C; Sg = T – G; Sext = (M+ RLEE) – X
→ I=S
→ I = Sp + Sg + Sext → Iint = Sint + Sext → Se Iint for maior que Sint o país
geralmente se apropria de poupança externa para financiar o
investimento.
→ I = Ip + Igov
SEM POUPANÇA FORTE, BRASIL DEVERIA FOCAR MENOS
NA INDÚSTRIA, DIZEM ECONOMISTAS

Com uma taxa de poupança interna cronicamente baixa e grande


propensão ao consumo, talvez o Brasil devesse esquecer a ideia de ter
uma indústria local heterogênea e adotar um modelo mais próximo ao
australiano: grande produtor de commodities, o país tem um déficit em
transações correntes de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) segundo
dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2013, e uma
indústria com pouca representatividade no PIB.
Em meio aos esforços da indústria para se reerguer de um cenário de
queda na produção e de baixos níveis de produtividade, a polêmica
recomendação é defendida por um grupo de economistas que enxerga
uma correlação importante entre poupança e indústria. E que, na falta
da primeira, busca apontar alternativas ao crescimento econômico que
não sejam necessariamente ancoradas em setor manufatureiro amplo e
forte.
Em linhas gerais, um país com uma baixa taxa de poupança, como o
Brasil, se torna um importador de poupança externa via bens e serviços
vindos de fora. Nessa dinâmica, o câmbio é a variável a ajustar essa
necessidade de poupança externa, o que significa que a tendência da
moeda local é de valorização - algo mortal para a indústria de
manufatura. "A queda da participação da indústria no PIB é meio
inexorável, mas há países em que parece que essa desindustrialização é
mais forte", afirma Silvia Matos, economista do Instituto Brasileiro de
Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV). O Brasil seria um
deles. (...)
SEM POUPANÇA FORTE, BRASIL DEVERIA FOCAR
MENOS NA INDÚSTRIA, DIZEM ECONOMISTAS
A visão, no entanto, tem os seus críticos. "Discordo que a melhor forma
de aumentar a taxa de investimento do Brasil é aumentar a poupança
externa", diz o professor emérito da FGV, Luiz Carlos Bresser-Pereira.
Segundo o ex-ministro da administração federal no primeiro governo de
FHC, a ideia de crescer com poupança externa foi adotada em 1994, com
a estabilização da moeda. Os efeitos, diz ele, foram o desincentivo ao
investimento e o estímulo ao consumo, impulsionado pelo aumento do
salário real e da propensão aos gastos da sociedade brasileira.
Bresser-Pereira admite que a elevação do déficit para 4% ou 5% até
poderia impulsionar o investimento em alguma medida, mas a um custo
bastante elevado. "É o que chamo de populismo cambial ortodoxo, já que
aumenta salário e consumo, deixando todo mundo feliz". Mas,
complementa, é caro, expõe a economia a uma fragilidade financeira
internacional, além de levá-la mais facilmente a uma crise cambial,
como a de 1998.

Leia mais em:


 http://www.valor.com.br/brasil/3140870/sem-poupanca-forte-brasil-
deveria-focar-menos-na-industria-dizem-economistas#ixzz2UcPAd9xn
POUPANÇA EXTERNA POSITIVA
 Significa que, em termos reais (não financeiros),
estamos absorvendo recursos reais do resto do
mundo que permitem o financiamento do
consumo e dos investimentos do país. Isto implica
que o país deve se desfazer de ativos estrangeiros
e/ou aumentar sua dívida externa para fazer face
ao excesso de despesa.
 Intuição: quando os estrangeiros nos fornecem
mais bens e serviços do que recebem de nós é
como se eles tivessem poupando aqui, pois essa
diferença será devolvida no futuro acrescida de
juros (endividamento) ou o país perderá parte de
seu patrimônio em forma de pagamento da
entrada desse fluxo.
DE RNB A RDB.
 O sistema de contas construído a partir das determinações
do SNA 93, e seguido pelo Brasil desde 1996, não utiliza
mais a terminologia PNB ou PNL, pois parte do princípio
de que “nacional” é uma qualificação que aplica-se apenas à
renda gerada, já que tem que ver com a nacionalidade dos
proprietários de fatores de produção.
1) RNB = PIB – RLEE, onde
RLEE = renda líquida enviada ao exterior
RNB = Renda Nacional Disponível Bruta
 A renda efetivamente disponível para os residentes de um
país (incluindo o governo) decidirem entre consumir ou
poupar tem de incluir também as transferências recebidas
do exterior, bem como descontar as transferências
enviadas. Logo,
 2) RDB = RNB + TUR, onde
RDB = Renda Nacional Disponível Bruta
TUR = Transferências Unilaterais Líquidas Recebidas
De acordo com o sistema de contas nacionais, calcule o
consumo final do governo com base nas seguintes
informações:

Descrição Valores em R$
Formação bruta de capital fixo..................................... 40
Transferências do governo .......................................... 15
Déficit em transações correntes ................................... 10
Subsídios ..................................................................... 25
Impostos diretos........................................................... 20
Impostos indiretos........................................................ 50
Poupança do setor privado .......................................... 20
Variação dos estoques ................................................. 10
Outras receitas líquidas do governo ............................ 60
ABSORÇÃO
 Economia Aberta com governo
 Defina como anteriormente,
Cd = consumo das famílias em bens domésticos
C* = consumo das famílias em bens importados
 C = Cd + C*
Gd = consumo do Governo em bens domésticos
G* = consumo do Governo em bens importados
 G = Gd + G*
Id = bens domésticos utilizados como Investimento
I* = bens importados utilizados como Investimento
 I = Id + I*
Absorção (A) = C + I + G
Produção (Y) = Cd + Id + Gd + X → produzido
dentro dos limites geográficos do país
ABSORÇÃO
 Economia fechada (não transaciona com o
exterior): absorção coincide com o produto → A
igual a Y.
 Economia aberta → A diferente de Y.

 O excesso (positivo ou negativo) do produto sobre


a absorção coincide com o saldo das exportações
sobre importações de bens e serviços.
 O produto depende diretamente do sinal do saldo
comercial do país, só coincidindo com a absorção
caso o saldo comercial seja zero.
VERDADEIRO OU FALSO?
FLUXO CIRCULAR DE RENDA – COMPLETO
BIBLIOGRAFIA
 1. Blanchard, O. Macroeconomia, 5.ed. Pearson.
2011 → capítulo 1 e 2
 2. Alem, A. Macroeconomia. Campus, 2010 →
capitulo 1
 3. PAULANI, L. M. e BRAGA, M. B. A Nova
Contabilidade Social. Saraiva. 3. Ed. São Paulo:
Ed. Saraiva, 2007 → capítulos 1, 2 e o capítulo de
Balanço de Pagamentos