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Administração

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO Financeira e


Orçamentária I

www.esab.edu.br
Administração
Financeira e
Orçamentária I

Vila Velha (ES)


2014
Escola Superior Aberta do Brasil

Diretor Geral
Nildo Ferreira
Diretora Acadêmica
Beatriz Christo Gobbi
Coordenadora do Núcleo de Educação a Distância
Beatriz Christo Gobbi
Coordenadora do Curso de Administração EAD
Rosemary Riguetti
Coordenador do Curso de Pedagogia EAD
Claudio David Cari
Coordenador do Curso de Sistemas de Informação EAD
David Gomes Barboza

Produção do Material Didático-Pedagógico


Delinea Tecnologia Educacional / Escola Superior Aberta do Brasil

Diretoria Executiva Designer Educacional


Charlie Anderson Olsen Aline Batista
Larissa Kleis Pereira Revisão Gramatical
Margarete Lazzaris Kleis Paula Ribeiro
Conteudista Designer Gráfico
Juliana Tatiane Vital Laura Rodrigues
Coordenação de Projeto Neri Gonçalves Ribeiro
Andreza Regina Lopes da Silva Diagramação
Supervisão de conteúdo Dilsonir José Martins Junior
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Liderança Técnica Revisão Gramatical Docentes dos Cursos
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Laís Gonçalves Natalino

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CEP 29102-040
Apresentação
Caro estudante,

Seja bem-vindo à disciplina de Administração Financeira e Orçamentária I.

O objetivo desta disciplina é lhe inserir no campo de estudos da Administração


Financeira nas organizações e, para isso, iremos oferecer a base necessária para que
você compreenda o importante papel do administrador no contexto econômico-
financeiro. Nesta disciplina, você utilizará os conhecimentos adquiridos na
Contabilidade para analisar as empresas do ponto de vista financeiro, explorando
indicadores econômicos que darão suporte para a realização de planejamento e
controle das finanças de curto e de longo prazo.

Para isso, utilizamos importantes autores da área financeira, como Gitman (2010),
Groppelli e Nikbakht (2010), que destacam os principais conceitos e problemas
envolvendo a Administração Financeira de curto e longo prazo. Ao tratar da análise
das demonstrações financeiras, destacamos Camargo (2007) e Seleme (2010). Além
disso, ao falar de planejamento e controle financeiro, utilizamos conceitos de Lunkes
(2011) e a abordagem gerencial é conferida a Gitman e Madura (2003).

Assim, cada unidade foi preparada com o objetivo de criar um entendimento lógico
a fim de facilitar o estudo da Administração Financeira e Orçamentária I. Para
organizar a distribuição e facilitar a leitura, dividimos a disciplina em 48 unidades.
As unidades, por sua vez, estão divididas em: Fundamentos das finanças (unidades
1, 2 e 3), Demonstrações financeiras (unidades 4 e 5), Análise das demonstrações
financeiras (unidades 6 a 10), gestão do capital de giro (unidades 11 a 21),
Alavancagem Operacional (unidades 22 a 24), Política de dividendos (unidade 25),
Orçamento empresarial (unidades 26 a 39) e Orçamento e análise de investimentos
(unidades 40 a 48).

Preparamos para você este material didático com uma linguagem clara e objetiva:
os assuntos são apresentados em uma ordem sequencial que possibilita um
aprendizado eficiente. Para que você obtenha um bom rendimento em seus estudos,
o convidamos a participar ativamente das atividades que programamos. Esperamos
que você siga em busca desse conhecimento!
Objetivo
Conhecer e compreender o campo de atuação do administrador financeiro, os
conceitos fundamentais da teoria das finanças e as técnicas e ferramentas básicas
da gestão de ativos, passivos, administração de capital de giro e de orçamento
empresarial.

Habilidades e competências
• Compreender o papel da Administração Financeira nas organizações empresariais.
• Identificar os principais instrumentos de elaboração do planejamento e controle
financeiro.
• Relacionar as principais interdependências entre a Administração Financeira e as
demais áreas da empresa.
• Identificar os objetivos de curto e longo prazo da Administração Financeira em seu
contexto.
• Analisar a situação econômico-financeira de uma empresa.
• Aplicar técnicas de planejamento e avaliação de investimento.

Ementa
Introdução aos conceitos da Administração Financeira. Os relatórios contábeis e a
Administração Financeira e Orçamentária. Estudo dos índices financeiros. O capital
de giro. Pontos de equilíbrio: contábil, financeiro e econômico. Relacionamento
entre estoques e finanças. Orçamento e fluxo de caixa.
Sumário
1. Introdução à Administração Financeira............................................................................7
2. Objetivos e funções financeiras na empresa...................................................................11
3. Risco e retorno...............................................................................................................17
4. Revisitando o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício...........21
5. Revisitando a Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração dos Lucros e Prejuízos
acumulados...................................................................................................................26
6. Análise das demonstrações financeiras..........................................................................32
7. Análise dos índices de liquidez e endividamento...........................................................42
8. Os indicadores de rentabilidade.....................................................................................47
9. Indicadores de mercado.................................................................................................53
10. Problema resolvido........................................................................................................58
11. Administração do capital de giro....................................................................................67
12. Ciclo de conversão de caixa............................................................................................73
13. Problema resolvido........................................................................................................79
14. Administração de contas a receber.................................................................................85
15. Problema resolvido........................................................................................................90
16. Administração de estoques............................................................................................97
17. Problema resolvido......................................................................................................102
18. Administração de recebimentos e pagamentos............................................................107
19. Administração do passivo circulante............................................................................112
20. Indicadores de atividade..............................................................................................118
21. Análise prática da gestão do capital de giro.................................................................122
22. Análise de custo volume e lucro...................................................................................127
23. Alavancagem operacional............................................................................................132
24. Análise do Custo/Volume/Lucro e alavancagem operacional na prática.......................137
25. Política de dividendos..................................................................................................143
26. Planejamento e controle financeiro.............................................................................147
27. Introdução ao orçamento.............................................................................................153
28. Estrutura e processo orçamentário...............................................................................158
29. Orçamento de vendas..................................................................................................164
30. Orçamento de produção...............................................................................................169
31. Problema resolvido......................................................................................................176
32. Orçamento dos custos dos produtos.............................................................................182
33. Problema resolvido......................................................................................................187
34. Orçamento das despesas de vendas e administrativas.................................................194
35. Orçamento de caixa.....................................................................................................199
36. Problema resolvido......................................................................................................204
37. Projeção dos Demonstrativos Contábeis.......................................................................210
38. Exemplo de projeção das demonstrações financeiras...................................................216
39. Outras formas orçamentárias.......................................................................................222
40. Orçamento de capital...................................................................................................228
41. Fluxo de caixa relevante...............................................................................................232
42. Investimento inicial.....................................................................................................237
43. Exercício resolvido........................................................................................................242
44. Payback........................................................................................................................248
45. Valor presente líquido..................................................................................................252
46. Taxa interna de retorno................................................................................................257
47. Análise prática das técnicas de avaliação de investimento...........................................261
48. Orçamento de capital com risco...................................................................................268
Glossário.............................................................................................................................274
Referências.........................................................................................................................280
Introdução à Administração
1 Financeira
Objetivo
Compreender os principais conceitos das finanças empresariais.

Para ser um administrador financeiro é importante que você conheça


os fundamentos das finanças das empresas. Nesta unidade, vamos
abordar alguns conceitos financeiros do ambiente organizacional, bem
como a sua importância no desenvolvimento empresarial e a sua relação
com as demais áreas funcionais da empresa. Para isso, utilizaremos
os fundamentos encontrados nos livros de Gitman (2010), Gitman e
Madura (2003) e Groppelli e Nikbakht (2010). Vamos lá?

1.1 O que são finanças?


De uma forma ou outra, todos nós administramos recursos financeiros.
Pode ser nas nossas finanças pessoais, planejando nossos gastos para
que eles não ultrapassem nossos ganhos; pode ser na nossa casa, na qual
a renda de todos os membros da família serve para cobrir as despesas
domésticas; pode ser em organizações públicas, como no seu município,
no seu estado ou no seu país – os gestores precisam arrecadar verbas
junto aos contribuintes para pagar despesas públicas, como a limpeza e a
conservação da cidade, e fazer investimentos em espaços públicos, como
nas estradas e nas tecnologias implantadas.

Também pode ser na administração das finanças de uma empresa, na


qual os recursos financeiros têm um destaque ainda maior, porque se
vende produtos, mercadorias ou presta-se serviços e é preciso arcar
com todos os gastos despendidos dessas atividades (a matéria-prima,
o salário dos funcionários, o aluguel, a compra de máquinas, móveis e
equipamentos, entre inúmeros outros). Além do recebimento das vendas
e do pagamento das dívidas, normalmente, nesse tipo de organização,
espera-se um ganho ou um retorno financeiro.

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Nas palavras de Gitman, “[...] o termo finanças pode ser definido como
‘a arte e a ciência de administrar o dinheiro’” (2010, p. 3, grifo do autor).
Para Groppelli e Nikbakht (2010, p. 3), “[...] finanças são a aplicação
de uma série de princípios econômicos e financeiros para maximizar a
riqueza ou o valor total de um negócio.”

Gitman (2010) diz que a Administração Financeira refere-se


às atribuições dos administradores financeiros nas empresas. Os
administradores financeiros são os responsáveis pela gestão dos
negócios financeiros de organizações de vários tipos: organizações
empresariais, públicas, não governamentais, com ou sem fins lucrativos.
Todas elas precisam de gestão financeira para alcançar seus objetivos.
Aqui trataremos de finanças de organizações empresariais.

Nas empresas, é isso que o administrador financeiro faz: administra o


dinheiro da organização para aumentar a riqueza do negócio. Ele planeja
e controla os recursos financeiros para assegurar que ela tenha capacidade
de saldar suas obrigações em dia e gerar um retorno financeiro. A seguir,
veremos a importância da Administração Financeira nas empresas.

1.2 A importância da Administração Financeira nas


empresas
Um dos mais conhecidos motivos pelo qual as empresas não obtêm
sucesso é a falta de planejamento e controle financeiro. Ter uma ideia clara
do negócio, do mercado no qual se está inserido e um plano de controle
financeiro poderia fazer com que inúmeras empresas obtivessem melhor
desempenho nas suas atividades. A Administração Financeira influencia
todo o processo pelo qual a organização produz e vende seus produtos ou
presta seus serviços, uma vez que trata da captação e alocação dos recursos
financeiros que dão fluxo às atividades operacionais.

Além disso, Gitman e Madura (2003) acrescentam que as


decisões financeiras influenciam no valor da empresa, afetando,
consequentemente, o quanto os investidores ganham com suas
aplicações. Empresas com uma saúde financeira sólida são bem vistas no
mercado, atraindo mais investidores e maiores quantidades de recursos.

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Groppelli e Nikbakht (2010) concordam quando dizem que um
administrador emite sinais favoráveis aos investidores ao estabelecer um
registro de demonstrativos financeiros seguros, mostrando retornos com
um crescimento rápido e contínuo, com um nível mínimo de risco.

Por que os sinais corretos são necessários? Porque são os acionistas


(investidores) que determinam, fundamentalmente, o valor de mercado da
empresa a partir dos preços das ações que ela emite. Se a empresa tiver um
bom resultado e as pessoas acreditarem que tal resultado irá se manter, a
valorização irá aumentar. Ao contrário, um mau resultado, com expectativas
de retornos desfavoráveis e altos níveis de riscos, reduzirá o valor das ações.

Portanto, entender sobre finanças não apenas lhe prepara para a carreira
de administradores financeiros, mas também lhes dá condições para
tomarem decisões como investidores. Independentemente de quanto
você tem para investir, o conhecimento de finanças pode ajudá-lo a
decidir em que tipo de investimento financeiro aplicar seu dinheiro,
quanto deve ser investido e como os recursos devem ser distribuídos
entre diferentes investimentos (GITMAN; MADURA, 2003).

Ou seja, o conhecimento da Administração Financeira faz com que


possamos planejar e controlar nosso dinheiro para que ele tenha o
melhor desempenho possível.

1.3 A relação da área financeira com outros


subcampos da administração
A Administração Financeira relaciona-se com todas as áreas da
organização. Fazendo uma analogia ao corpo humano, ela representa o
coração da empresa; o coração tem a função de bombear o sangue para
todo o corpo. Do modo similar, a Administração Financeira distribui os
recursos financeiros em toda a organização, fazendo com que a atividade
operacional aconteça.

Com o marketing ela relaciona-se, principalmente, no preço de venda


dos produtos, projeções de vendas e recebimentos dessas vendas.
Qualquer ação da área de Recursos Humanos precisa ser representada

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em termos financeiros (pagamento de pessoal, benefícios concedidos,
quantidade de pessoas que trabalham, treinamentos proporcionados). A
Produção precisa realizar os orçamentos quanto ao custo da produção
e o custo de cada produto. Além disso, o campo das finanças está
intimamente relacionado com a Economia e a Contabilidade.

Os administradores financeiros precisam entender o arcabouço da economia e


estar alertas para as consequências de níveis variáveis de atividade econômica e de
mudanças de política econômica. (GITMAN, 2010, p. 9)

Taxas de juros, taxas de câmbio e toda a política econômica adotada pelo


Estado influenciam as finanças das empresas.

Além da Economia, muitas vezes é difícil distinguir a Administração


Financeira da Contabilidade. Elas estão intimamente relacionadas e,
via de regra, se sobrepõem (GITMAN, 2010). As finanças utilizam
os relatórios contábeis para tomar decisões e o contador conta com as
informações do administrador financeiro para construir esses relatórios,
como o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do
Exercício, a Demonstração de Fluxo de Caixa, entre outras.

Estudo complementar
Caro estudante, o artigo intitulado “Recriando a
função financeira no contexto da globalização”
mostra a importância da gestão financeira no
mundo globalizado. Acesse aqui.

Vimos, nesta primeira unidade, que as finanças podem ser definidas


como a arte e a ciência de administrar o dinheiro, utilizando uma série de
princípios econômicos e relatórios contábeis para maximizar a riqueza ou
o valor total de um negócio. O administrador financeiro emite, através dos
resultados financeiros, sinais favoráveis ou desfavoráveis ao mercado, o que
pode atrair ou repelir investidores. Esses sinais favoráveis também estão
relacionados com o planejamento e o controle que esse administrador é
capaz de elaborar. Na próxima unidade vamos estudar, com mais detalhes,
qual a função financeira na empresa e seus principais objetivos.

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Objetivos e funções financeiras na
2 empresa
Objetivo
Descrever os objetivos e as funções da Administração Financeira nas
organizações empresariais.

Depois de conhecer o conceito de finanças, a sua importância dentro das


empresas e a sua relação com as demais áreas, agora vamos estudar qual a
função da gestão financeira e quais os objetivos que ela busca alcançar. É
importante destacar que a função financeira requer uma postura ética do
seu gestor. Para isso, vamos nos embasar nas ideias de Gitman (2010) e
Gitman e Madura (2003).

1.1 A função da Administração Financeira na empresa


De acordo com Gitmam e Madura (2003, p. 237, grifo do autor),

[...] a atividade básica do gerente financeiro é tomar decisões de investimento


e de financiamento. As decisões de investimento determinam a composição e o
tipo de ativos mantidos pela empresa. As decisões de financiamento determinam a
composição e o tipo de financiamento usado pela empresa.

É possível relacionar as decisões de investimento e financiamento com o


Balanço Patrimonial de uma empresa, conforme a Figura 1. Você viu o
Balanço Patrimonial na disciplina de Contabilidade e vamos revê-lo na
unidade 4.

Balanço Patrimonial
financiamento
investimento
Decisões de

Decisões de

Ativos circulantes Passivos circulantes

Ativos permanentes Recursos permanentes

Figura 1 – Decisões financeiras.


Fonte: Elaborada pela autora (2013).

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Como podemos observar, as decisões de investimento estão relacionadas
à composição dos ativos da empresa: como será a aplicação desses
recursos? Por exemplo: ao tomar esse tipo de decisão, o administrador
financeiro pode optar entre comprar uma máquina nova ou investir em
mais estoques. As decisões de financiamento estão relacionadas ao passivo
e Patrimônio Líquido (PL) e dizem respeito às origens dos recursos da
empresa: virá de capital próprio (capital dos sócios representado pelo
Patrimônio Líquido) ou de dívidas (empréstimos, financiamentos). Tanto
a decisão de investimento quanto a decisão de financiamento devem ser
guiadas por um objetivo.

Para sua reflexão


Você sabe qual o objetivo da Administração
Financeira? Antes de seguir seus estudos, pare e
reflita a respeito!
A resposta a essa reflexão forma parte de sua
aprendizagem e é individual, não precisando ser
comunicada ou enviada aos tutores. .

1.2 Qual o objetivo das finanças nas empresas?


É muito comum encontrar a gestão financeira da empresa feita por
pessoas que não são necessariamente seus proprietários. Porém, as ações
e decisões tomadas pelo administrador financeiro devem estar de acordo
com os objetivos dos proprietários. Dessa forma, é importante pensar:
quais os objetivos dos proprietários da empresa?

Maximizar os lucros

“Há quem acredite que o objetivo da empresa é sempre maximizar o


lucro” (GITMAN, 2010, p. 12). Para isso, o administrador financeiro
tomaria decisões de investimento e financiamento que contribuíssem
para os lucros da empresa. “Dentre cada conjunto de alternativas
considerado, o administrador financeiro escolheria o que devesse resultar
em maior resultado monetário” (GITMAN, 2010, p. 12).

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Porém, conforme o que você estudou na disciplina de Contabilidade, o
lucro é visualizado a partir da Demonstração do Resultado do Exercício,
feita pelo regime de competência. Esse regime reconhece as receitas,
os custos e as despesas no momento da venda dos produtos, ou seja,
não se preocupa com as entradas e saídas de caixa. Dessa forma, “[...]
os lucros não resultam necessariamente em fluxos de caixa disponíveis
para os acionistas” (GITMAN, 2010, p. 13). Quando as finanças têm
como objetivo a maximização do lucro, elas ignoram os fluxos de caixa,
apresentando o primeiro problema ao estabelecer esse objetivo como
sendo o principal.

Outro problema em relação ao objetivo da maximização do lucro é


que ele também ignora o risco dos investimentos (GITMAN, 2010).
Além disso, sabemos que a redução de custos e despesas, a curto prazo,
aumenta o lucro da empresa, o que pode não estar de acordo com o que
querem os proprietários. Por exemplo, ao cortar gastos com pesquisa e
o desenvolvimento de novos produtos ou de novas tecnologias, a curto
prazo, o administrador financeiro aumenta o lucro. Porém, a longo
prazo, pode desvalorizar a empresa.

Dica
Qualquer redução de custos ou despesas aumenta
o lucro, isso porque Receita - Custos - Despesas =
Lucro. Dependendo do tipo de custo ou despesa,
essa redução pode refletir no valor da empresa
a longo prazo. Por exemplo: cortes em pesquisa
e desenvolvimento, cortes de treinamento e
desenvolvimento de funcionários, despesas
com o marketing da empresa, entre outros,
podem fazer com que a organização perca a sua
competitividade.

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Maximizar a riqueza do investidor!

Como você pode notar, o objetivo de maximizar o lucro pode gerar


conflito de interesses entre o administrador financeiro e o proprietário.
Dessa forma, conforme destaca Gitman (2010, p. 13), “[...] o objetivo
da empresa e, portanto, de todos os seus administradores e funcionários,
consiste em maximizar a riqueza dos proprietários em cujo nome é
operada.”. A riqueza dos proprietários se mede pelo valor de mercado da
empresa. Por exemplo, o valor de mercado das sociedades anônimas S/As
é identificado pelo preço de suas ações. Quanto maior o valor da empresa,
mais valerão suas ações no mercado! O valor da empresa reflete uma
expectativa futura que o mercado tem dela, com base nos fluxos de caixa:
seu momento de ocorrência, na sua magnitude e no risco dos retornos.

“Embora a maximização da riqueza do acionista seja o principal objetivo,


muitas empresas ampliam seu foco para que contemple outros grupos
de interesses” (GITMAN, 2010, p. 13), além dos investidores. Essas
partes interessadas são compostas por funcionários, clientes, fornecedores,
credores e outros que têm ligação econômica direta com o negócio.
Como a empresa influencia e é influenciada por esse conjunto de partes
interessadas, é essencial que o administrador financeiro tenha uma postura
ética e responsável frente aos negócios, tema que veremos a seguir.

1.3 O papel da ética empresarial


Conforme Gitman (2010, p. 15), “[...] ética empresarial se refere aos
padrões de conduta ou julgamento moral aplicáveis a quem se dedica
a atividades comerciais.” Nas finanças, a violação desses padrões pode
assumir muitas formas: fraudes, projeções financeiras enganosas (para
obtenção de financiamentos, por exemplo), corrupção, remuneração
excessiva dos executivos e desvios de recursos, como podemos ver nos
noticiários e jornais.

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Robert A. Cooke (1991 apud GITMAN, 2010, p. 15) recomenda que as
perguntas a seguir sejam utilizadas para avaliar a viabilidade ética de um
ato qualquer, inclusive um ato financeiro:

• A ação é arbitrária ou caprichosa? Concentra-se injustamente em um indivíduo ou


grupo?
• A ação viola os direitos morais ou legais de algum indivíduo ou grupo?
• A ação está de acordo com os padrões morais aceitos?
• Existem alternativas que tenderiam a causar menos danos efetivos e potenciais?
Alguns atos podem ser legais do ponto de vista jurídico, porém,
considerados antiéticos do ponto de vista dos valores humanos. Você,
como administrador financeiro, investiria na qualidade de vida, na
segurança e no bem-estar dos funcionários mesmo comprometendo
os resultados financeiros? Esse também é um dos desafios que o gestor
financeiro terá que encarar nas suas atividades, questões ambíguas que
requerem reflexão e responsabilidade em relação a tomada de decisões.

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Para sua reflexão
O objetivo da empresa e, consequentemente,
do gestor financeiro, deveria estar voltado a
maximizar a riqueza dos proprietários ou deveria
atender a um objetivo que incorpora o bem-estar
de toda a sociedade? Poderíamos aliar o bem-
estar da sociedade ao retorno financeiro?
A resposta a essa reflexão forma parte de sua
aprendizagem e é individual, não precisando ser
comunicada ou enviada aos tutores.

Nesta unidade, você conheceu algumas funções do administrador


financeiro, bem como as principais decisões financeiras: as de
investimento e as de financiamento. Essas decisões, no ambiente
empresarial, envolvem duas variáveis bastante comuns: risco e retorno.
Porém, o que isso significa? A resposta está na próxima unidade.

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3 Risco e retorno

Objetivo
Conhecer os conceitos de risco e retorno da análise financeira.

Na unidade 2 você viu que o administrador financeiro toma duas grandes


decisões, a de investimento e a de financiamento, e que ambas envolvem
tanto risco quanto retorno. Agora, vamos estudar o que isso significa
em termos financeiros e, para tanto, teremos o auxilio do trabalho de
Gitman (2010). Iniciaremos estudando a relação entre risco e retorno.
Vamos lá?

3.1 Relação entre risco e retorno


Em todas as decisões financeiras, existe um binômio bastante conhecido:
a relação entre o risco e o retorno dos investimentos. Primeiramente,
vamos analisar o significado destes termos para a teoria financeira.

Em sua acepção mais simples, risco é a chance de perda financeira. Ativos que
apresentam maior chance de perda são considerados mais arriscados do que os
que trazem uma chance menor. Em termos mais formais, risco é usado de forma
intercambiável com incerteza em referência à variabilidade dos retornos associados a
um determinado ativo. [...] Quanto mais próximo da certeza estiver o retorno de um
ativo, menor sua variabilidade e, em consequência, menor seu risco. (GITMAN, 2010,
p. 203, grifo do autor)

Alguns riscos afetam diretamente os administradores financeiros, assim


como os investidores das empresas. O Quadro 1 descreve as fontes mais
comuns de risco que afetam tanto as empresas quanto seus investidores.
Vamos conferir:

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Fonte de risco Descrição
Riscos específicos da empresa
Possibilidade de que a empresa não seja capaz de cobrir seus custos
operacionais. Seu nível é determinado pela estabilidade das receitas
Risco operacional
da empresa e pela estrutura de seus custos operacionais (fixos versus
variáveis).
Possibilidade de que a empresa não seja capaz de fazer frente às suas
obrigações financeiras. Seu nível é determinado pela previsibilidade dos
Risco financeiro
fluxos de caixa operacionais da empresa e por suas obrigações financeiras
de custos fixos.
Riscos específicos do acionista
Possibilidade de que mudanças nas taxas de juros afetem negativamente
Risco da taxa de
o valor de um investimento. A maioria dos investimentos perde valor
juros
quando a taxa de juros aumenta e ganha valor quando a taxa cai.
Possibilidade de que um investimento não possa ser facilmente liquidado
a um preço razoável. A liquidez é afetada de modo significativo pela
Risco de liquidez
extensão e profundidade do mercado em que um investimento costuma
ser negociado.
Possibilidade de que um investimento caia devido a fatores de mercado
que independem do investimento em si (como acontecimentos
Risco de Mercado econômicos, políticos e sociais). De modo geral, quanto mais o valor de
investimento reage ao mercado, maior o seu risco e, quanto menos reage,
menor o risco.
Riscos da empresa e do acionista
Possibilidade de que algum evento inteiramente imprevisto exerça
efeito significativo sobre o valor de uma empresa ou de um investimento
Risco do evento específico. Esses acontecimentos raros, como uma ordem governamental
para a retirada do mercado de um medicamento popular, costumam
afetar grupos pequenos de empresas ou investimentos.
Exposição de fluxos de caixa esperados futuros a flutuações da taxa de
câmbio. Quanto maior a chance de flutuações indesejadas da taxa de
Risco do câmbio
câmbio, maior o risco dos fluxos de caixa e, portanto, menor o valor da
empresa e do investimento.
Possibilidade de que uma mudança nos níveis de preços causada pela
inflação ou deflação possa afetar negativamente os fluxos de caixa
e o valor da empresa ou investimento. Normalmente, empresa ou
Risco de poder
investimentos cujos fluxos de caixa se movam de maneira semelhante
aquisitivo
aos níveis gerais de preços apresentam baixo risco de poder aquisitivo,
enquanto aqueles cujos fluxos de caixa não acompanhem os níveis gerais
de preços apresentam elevado risco de poder aquisitivo.
Possibilidade de que sobrevenham mudanças desfavoráveis na legislação
Risco tributário tributária. Empresas e investimentos cujo valor seja sensível a mudanças
da legislação tributária são mais arriscados.

Quadro 1 – Principais fontes de risco que afetam os administradores financeiros e os acionistas.


Fonte: Gitman (2010, p. 204).

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Como você pode ter notado no Quadro 1, são inúmeros os riscos que
uma organização empresarial acarreta. Muitas vezes, os riscos da empresa
e do acionista se confundem, isso porque os interesses da empresa
refletem o interesse dos acionistas.

O risco tem relação bastante intima com o retorno de um investimento.


“Retorno é o ganho ou prejuízo total que se tem com um investimento
ao longo de um determinado período” (GITMAN, 2010, p. 204,
grifo do autor). Quanto maior o risco de um investimento, maior a
expectativa de retorno sobre ele. Por exemplo, ao investir na poupança,
você corre baixíssimo risco ou quase nenhum. Dessa forma, o retorno
desse tipo de investimento pode ser pouco significante. Veremos agora
a diferença do risco quando falamos de um ativo individual ou na
formação de uma carteira diversificada.

3.2. Risco de um ativo individual


Você já deve ter ouvido falar que não se deve colocar todos os ovos em
uma só cesta. Por que esse conselho é bastante difundido nas finanças?
O risco de um investimento individual aumenta uma vez que a sua
carteira de investimentos não está diversificada. Por exemplo, se você
investe todas as suas finanças em uma única empresa, qualquer evento
que interfira no desempenho desta faz com que seu investimento o
acompanhe, para mais ou para menos. O risco deriva dessa amplitude
encontrada entre ganhos exorbitantes ou perdas significativas.

Para Gitman (2010), o risco de um ativo individual pode ser analisado


pela:

• Análise de cenários - considera diversos cenários alternativos


possíveis para obter um senso da variabilidade dos retornos;
• Distribuição de probabilidades - fornece uma visão mais quantitativa
do risco de um ativo. A probabilidade de um dado resultado é a
chance de que ele ocorra;
• Desvio-padrão - mede a dispersão do valor esperado; e

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• Coeficiente de variação - consiste em uma medida de dispersão
relativa que é útil na comparação dos riscos de ativos com diferentes
retornos esperados.

Estudo complementar
Para conhecer mais sobre o fator risco, leia o
texto “A gestão do risco em empreendimentos”
de autoria de Paulo Yazigi Sabbag na Revista de
Administração de Empresas da FGV,
disponível aqui.

3.3 Risco de uma carteira


Ao contrário do investimento em um ativo individual, ao construir uma
carteira de investimentos você distribui o risco dos seus ativos. Ou seja,
perdas significativas em um item são compensadas pelos ganhos em
outro – se um ativo tiver desempenho negativo, ela não representa todos
os seus investimentos.

Assim, ao diversificar a sua carteira de investimentos, o risco diminui


pelo fato de que os ativos não são influenciados da mesma forma pelos
eventos econômicos.

Conforme Gitman (2010) “[...] o objetivo do administrador financeiro


é criar uma carteira eficiente, que maximize o retorno para um dado
nível de risco, ou minimize o risco para um dado nível de retorno”
(GITMAN, 2010, p. 214, grifo do autor ).

O risco e o retorno esperados de uma empresa afetam diretamente o


seu valor de mercado. Assim, cabe ao administrador financeiro avaliar
cuidadosamente o risco e o retorno de suas decisões de investimento e
financiamento para garantir que os retornos esperados justifiquem o nível
de risco introduzido. O risco e o retorno podem ser medidos em termos
de indicadores financeiros. Antes de conhecê-los, na unidade 4 vamos
revisitar as principais demonstrações financeiras, de onde os indicadores
são calculados.

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Revisitando o Balanço Patrimonial
4 e a Demonstração do Resultado do
Exercício
Objetivo
Revisar as demonstrações financeiras: Balanço Patrimonial e
Demonstração do Resultado do Exercício.

Na unidade 3 você estudou sobre o risco e o retorno das decisões do


administrador financeiro. Na presente unidade, através dos trabalhos de
Camargo (2007) e Seleme (2010), você poderá visualizar estas decisões
nas demonstrações financeiras. É muito importante entender a estrutura
de tais demonstrações, para que adiante nós possamos analisá-las de uma
forma bastante clara.

4.1 A utilização das demonstrações financeiras para


as finanças
Segundo Camargo (2007), as demonstrações financeiras são relatórios
que contêm dados sobre o patrimônio de uma entidade e formam o seu
sistema contábil. Esses dados servem de base para informar, a usuários
internos e externos à organização, sobre a situação econômico-financeira
da entidade. Servem, assim, como canais de informação, e devem
subsidiar a tomada de decisão dos administradores financeiros.

Você viu anteriormente que o administrador financeiro toma decisões


de investimento e de financiamento com base no Balanço Patrimonial
e decisões operacionais com base na Demonstração do Resultado do
Exercício. A seguir vamos relembrar esses dois demonstrativos contábeis,
tão importantes na atividade financeira da empresa.

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Saiba mais
No Art. 176 da Seção II da Lei 6.604/76 você
encontrará as Demonstrações Financeiras
obrigatórias para as Sociedades Anônimas
brasileiras. Acesse aqui.

4.2 Balanço Patrimonial


O Balanço Patrimonial é um relatório que apresenta, de forma
equilibrada, toda a estrutura de patrimônio de uma organização, sendo
este composto por seus bens (representa tudo o que a empresa possui),
direitos (tudo o que ela tem a receber), e obrigações (tudo o que ela deve)
(CAMARGO, 2007).

O Balanço Patrimonial tem como objetivo apresentar um retrato


financeiro da empresa em uma data específica: de um lado demonstra o
que ela tem (ativo) e, por outro, o quanto ela deve (passivo). A diferença
entre o ativo e o passivo resulta no Patrimônio Líquido ou na sua riqueza
depois das dívidas.

Segundo as alterações feitas pela Lei 11.638/07, o Balanço Patrimonial


das empresas brasileiras passa a apresentar a seguinte estrutura:

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Balanço Patrimonial da empresa Sai de Baixo em 31 de agosto de 2013
Ativos Passivo e PL
Circulante Circulante
Disponível Fornecedores
Duplicatas a receber Ativos que serão Salários Dívidas com terceiros
transformados em caixa no que serão pgas no
curto prazo. Impostos curto prazo.
Estoque
Empréstimos
Não circulante Não circulante
Ativos que serão
transformados em caixa Dívidas com terceiros
Realizável a longo Exigível a longo
no longo prazo. Exemplo: que serão pagas no
prazo prazo
empréstimos que a empresa longo prazo.
concedeu as suas coligadas.
Patrimônio Líquido
Investimentos que não têm
relação com a atividade da Recursos aplicados
Investimentos diretamente pelos
empresa. Exemplo: ações de Capital social
outras companhias. proprietários da
empresa.
Investimentos relacionados
diretamente com a atividade Recursos aplicados
Imobilizado
da empresa. Exemplo: Lucros pelos proprietários na
máquinas e equipamentos. acumulados empresa por meio da
Seu objeto é incorpóreo. geração de lucro.
Intangível
Exemplo: marcas e patentes.

Quadro 2 – Estrutura do Balanço Patrimonial.


Fonte: Adaptado de Camargo (2007).

Para as finanças, as decisões de investimento do administrador financeiro


podem ser visualizadas no ativo da empresa, sendo que o ativo
representa as escolhas em relação à alocação dos recursos. As decisões
de financiamento são visualizadas no lado dos passivos e o Patrimônio
Líquido, que refletem as escolhas sobre a origem dos recursos.

Assim, o Balanço Patrimonial apresenta estes dois lados balanceados, ou


seja, ativo = passivo + PL, isso porque os passivos e o PL dizem respeito
às fontes de financiamento para os investimentos feitos no ativo.

Veremos, a seguir, o demonstrativo financeiro que apresenta informações


sobre o lucro ou o prejuízo da empresa.

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4.3 Demonstração do Resultado do Exercício
Enquanto o Balanço Patrimonial mostra a estrutura patrimonial de uma
empresa, ou seja, o seu conjunto de bens e direitos e as suas obrigações,
a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um método de
apuração do resultado, ou seja, confere se a empresa apresentou lucro ou
prejuízo ao final de um exercício social.

O Quadro 3 mostra a estrutura básica apresentada pela DRE:

Modelo
Demonstração do Resultado do Exercício
Receita bruta Valores
(–) Dedução da receita
= Receita líquida
(–) Custos das vendas
= Lucro bruto
(–) Despesas operacionais
= Lucro operacional
(–) Despesas não operacionais
+ Receitas não operacionais
= Lucro antes do Imposto de Renda (LAIR)
(–) Provisão para Imposto de Renda
= Lucro depois do Imposto de Renda

Quadro 3 – Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício.


Fonte: Seleme (2010, p. 149).

Perceba, a partir do Quadro 3, que a DRE, para apurar o lucro ou o


prejuízo de um período, precisa deduzir das suas Receitas os custos e as
despesas incorridos na atividade operacional.

Nesse sentido, a DRE apresenta decisões operacionais realizadas pelo


administrador financeiro como, por exemplo, o preço de venda (receita),
os gastos na fabricação dos produtos (custo dos produtos vendidos), os
gastos na administração da empresa, na venda dos produtos e os juros
pagos pelos empréstimos (despesas operacionais).

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Outra decisão muito importante no ambiente financeiro diz respeito ao
Lucro Líquido do Exercício: reter ou distribuir? Ao optar pela retenção,
os lucros voltam ao Balanço Patrimonial como “Lucros acumulados” e
representam uma fonte de financiamento para novos investimentos. Ao
escolher pela distribuição, o administrador financeiro deve atentar-se aos
saldos de caixa: há saldo disponível para o pagamento dos lucros? Ele
nunca pode supor que a empresa, ao apresentar lucro, dispõe desse valor
no caixa da empresa.

Dessa forma, Hoji (2003 apud SELEME, 2010), apresenta uma síntese
da relação entre as decisões financeiras e os relatórios contábeis. Veja o
Quadro 4:

Investimento Operações Financiamentos


Ativo Demonstração patrimonial Passivo

Ativo Circulante Receitas Passivo circulante

Ativo realizável a LP Custo de vendas Exigível a longo prazo

Ativo permanente Margem bruta Patrimônio líquido

Despesas operacionais

Lucro (prejuízo) operacional


Ativo total Passivo total
Imposto de Renda

Lucro (prejuízo) líquido

Quadro 4 – Demonstrativos contábeis e decisões gerenciais.


Fonte: Adaptado de Hoji (2003 apud SELEME, 2010).

Note que as decisões de Investimento estão relacionadas ao ativo do


Balanço Patrimonial, as decisões operacionais às informações da DRE e
as decisões de financiamentos s do passivo do Balanço Patrimonial.

Viu como a Contabilidade e a Administração Financeira estão


relacionadas? O administrador financeiro toma as suas decisões
baseando-se nos relatórios emitidos pelo setor contábil e, na presente
unidade, vimos essa relação bastante próxima das decisões financeiras
com os dois principais relatórios contábeis. Na unidade 5 veremos outras
duas importantes demonstrações: Demonstração do Fluxo de Caixa e
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.
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Revisitando a Demonstração do
5 Fluxo de Caixa e a Demonstração
dos Lucros e Prejuízos acumulados
Objetivo
Revisar as demonstrações financeiras: Demonstração do Fluxo de
Caixa e a Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados.

Vamos continuar a revisar algumas demonstrações financeiras que são


muito importantes na atividade da administração. Depois de revisitar
o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício na
unidade 4, agora vamos estudar a Demonstração do Fluxo de Caixa e a
Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados. Tomamos como base
os livros de Seleme (2010), Gitman e Madura (2003) e Camargo (2007).
Você perceberá, ao longo da unidade, como é importante conhecer as
demonstrações financeiras para ser um bom administrador! Iniciaremos
os estudos com a Demonstração do Fluxo de Caixa. Vamos em frente?

5.1 Demonstração do Fluxo de Caixa


O Caixa representa a conta da empresa na qual são registrados os
créditos e os débitos ou, de maneira mais usual, as entradas e as saídas
de caixa. Seleme (2010, p. 170) define fluxo de caixa como um “[...]
conjunto de movimentações de entradas e saídas de dinheiro de um
período determinado, que ocorrem para possibilitar as operações, os
investimentos e os financiamentos empresariais.”

Para Gitman e Madura (2003), tal demonstração fornece uma visão


esclarecedora dos fluxos de caixas operacionais, de investimento e de
financiamento e reconcilia-os com as mudanças ocorridas na referida
conta. Além disso, a demonstração do fluxo de caixa possibilita que o
administrador visualize os saldos de caixa, podendo prever possível faltas
de recursos para pagamentos futuros.

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Como vimos, são três os tipos de fluxos de caixa: operacional, de
investimento e de financiamento. No entanto, eles acabam formando um
painel, no qual se interligam e formam o fluxo de caixa propriamente dito.

O fluxo de caixa de investimentos trata dos gastos da empresa para a


aquisição de ativos fixos (máquinas, equipamentos, imóveis), bem como
do valor recebido pela venda de algum deles (SELEME, 2010). Observe
um exemplo de informações que são encontradas em um fluxo de caixa
de investimentos na Tabela 1.

Tabela 1 – Fluxo de caixa de investimentos


Descrição 1º mês 2º mês 3º mês 4º mês 5º mês
Saldo inicial 0,00 $ (210.000,00) $ (345.000,00) $ (480.000,00) $ (615.000,00)
(+) Entradas
Total de
0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
entradas
(–) Saídas
Compra de
$ 150.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00
veículo
Compra de
$ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00
equipamento
Total de
$ 210.000,00 $ 135.000,00 $ 135.000,00 $ 135.000,00 $ 60.000,00
saídas
Saldo final
(Saldo inicial $
$ (345.000,00) $ (480.000,00) $ (615.000,00) $ (675.000,00)
+ entradas (210.000,00)
– saídas)

Fonte: Adaptado de Seleme (2010).

Como você pode notar, no fluxo de caixa apresentado na Tabela 1 não


houve entradas (recebimento pela venda de algum ativo fixo), apenas
saídas (aquisições de ativos fixos), as quais foram deduzidas do saldo
inicial (que, no exemplo, era zero). Para encontrarmos o saldo final de
caixa basta calcular :

Saldo Final de Caixa = Saldo Inicial + Entradas - Saídas

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Já no fluxo de caixa de financiamento, de acordo com Seleme (2010),
estão as seguintes operações: entrada de capital próprio (dinheiro dos
sócios e representado pelo Capital Social no Patrimônio Líquido),
entrada de capital de terceiros (empréstimos e financiamentos), entrada
de caixa decorrente das aplicações financeiras realizadas, saídas de caixa
para pagamento dos empréstimos e juros neles incorridos, saídas de caixa
para pagamento de dividendos aos sócios e saídas de caixa para devolução
do capital aos sócios. Observe agora, na Tabela 2, um exemplo de um
fluxo de caixa que contém as informações de investimentos da Tabela 1
acrescentado de informações sobre financiamentos (em destaque).

Tabela 2 – Fluxo de caixa de investimentos e financiamentos


Descrição 1º mês 2º mês 3º mês 4º mês 5º mês
Saldo inicial 0,00 $ 90.000,00 $ 30.000,00 $ 30.000,00 $ (90.000,00)
(+) Entradas
Capital dos
$ 300.000,00
sócios
Empréstimos $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00
Total de entradas $ 300.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00
(–) Saídas
Compra de
$ 150.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00
veículo
Compra de
$ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00
equipamento
Total de saídas $ 210.000,00 $ 135.000,00 $ 135.000,00 $ 135.000,00 $ 60.000,00
Saldo final (Saldo
inicial + entradas $ 90.000,00 $ 30.000,00 $ (30.000,00) $ (90.000,00) $ (75.000,00)
– saídas)

Fonte: Adaptado de Seleme (2010).

Observamos o retrato de uma situação financeira na qual as entradas


advêm de capital próprio e de empréstimos e servem para cobrir os gastos
advindos de compras, aqui representados pelos ativos fixos.

O fluxo de caixa operacional compreende, segundo Seleme (2010),


as seguintes movimentações: saídas de caixa para aquisição de estoques,
saídas de caixa para pagamento das despesas operacionais, saídas de
caixa para pagamentos de impostos e entradas de caixa pelas receitas

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das vendas. Por fim, observe um exemplo de informações de um
fluxo de caixa de investimentos (vindos da Tabela 1), informações
de financiamentos (vindos da Tabela 2), acrescido de informações
operacionais na Tabela 3.

Tabela 3 – Fluxo de caixa de investimento, financiamento e operacional


Descrição 1º mês 2º mês 3º mês 4º mês 5º mês
Saldo inicial 0,00 $ 53.166,00 $ 44.832,00 $ 57.498,00 $ 83.664,00
(+) Entradas
Capital dos sócios $ 300.000,00
Empréstimos $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00
Vendas $ 90.000,00 $ 112.500,00 $ 135.000,00 $ 180.000,00
Total de entradas $ 300.000,00 $ 165.000,00 $ 187.500,00 $ 210.000,00 $ 155.000,00
(–) Saídas
Compra de veículo $ 150.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00 $ 75.000,00
Compra de
$ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00 $ 60.000,00
equipamento
Aluguel $ 15.000,00 $ 15.000,00 $ 15.000,00 $ 15.000,00 $ 15.000,00
Luz $ 1.665,00 $ 1.665,00 $ 1.665,00 $ 1.665,00 $ 1.665,00
Água $ 369,00 $ 369,00 $ 369,00 $ 369,00 $ 369,00
Estoques $ 6.000,00 $ 7.500,00 $ 9.000,00 $ 18.000,00 $ 15.000,00
Mão de obra $ 13.800,00 $ 13.800,00 $ 13.800,00 $ 13.800,00 $ 13.800,00
Total de saídas $ 246.834,00 $ 173.334,00 $ 174.834,00 $ 183.834,00 $ 105.834,00
Saldo final (Saldo
inicial + entradas $ 53.166,00 $ 44.832,00 $ 57.498,00 $ 83.664,00 $ 232.830,00
– saídas)

Fonte: Adaptado de Seleme (2010).

Você pode notar que na Tabela 3 estão presentes, além dos fluxos de
caixa de investimento (aquisição de ativos fixos) e financiamentos (com
capital próprio e de terceiros), as entradas e saídas operacionais. Note que
os fluxos de caixa de investimento e financiamento vistos na Tabela 1 e 2
estão destacados. As entradas operacionais são oriundas das vendas e as
saídas operacionais são oriundas dos custos dos produtos e das despesas
operacionais.

www.esab.edu.br 29
Depois de estudar a Demonstração do Fluxo de Caixa, importante na
decisão sobre as entradas e as saídas de dinheiro na empresa, vamos agora
relembrar a Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados.

5.2 Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados


A Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados evidencia os saldos
inicial e final da conta de Lucros e Prejuízos Acumulados do Balanço
Patrimonial em um determinado período de tempo, bem como as
variações que levaram a essa mudança de saldo (CAMARGO, 2007).

Um exemplo dessa demonstração está contida na Tabela 4, referente ao


ano encerrado em 31 de dezembro de 2012. Acompanhe:

Tabela 4 – Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados


Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados em 31 de dezembro de 2012
Saldo de lucros acumulados (1 de janeiro de 2012) R$ 1.012.000,00
Mais: Lucros líquidos após o imposto de renda (para 2012) R$ 231.000,00
Menos: Dividendos em dinheiro (pagos durante 2012) – R$ 108.000,00
Saldo dos lucros acumulados (31 de dezembro de 2012) R$ 1.135.000,00

Fonte: Adaptado de Gitman e Madura (2003).

A demonstração indica que a empresa começou o ano de 2012 com


R$ 1.012.000,00 em lucros acumulados e teve lucros líquidos, após o
imposto de renda, de R$ 231.000,00, dos quais pagou um total de R$
108.000,00 em dividendos, resultando em lucros acumulados, no final
do ano, de R$ 1.135.000,00. Assim, o aumento líquido para a empresa
foi de R$ 123.000,00 durante 2012 (R$ 231.000,00 em lucros líquidos
após o imposto de renda menos R$ 108.000,00 em dividendos).

Dica
Para uma revisão completa das Demonstrações
Financeiras, revisite o material da disciplina de
Contabilidade, que você estudou na unidade 1.

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Agora que você já fez uma revisão sobre as principais demonstrações
financeiras – Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do
Exercício, Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração dos
Lucros e Prejuízos Acumulados – é hora de saber como o administrador
financeiro utiliza essas demonstrações para a tomada de decisão. O
primeiro passo é fazer uma análise desses demonstrativos, que você verá
na unidade 6.

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Análise das demonstrações
6 financeiras
Objetivo
Entender quem utiliza a análise das demonstrações financeiras das
empresas.

Depois de revisitar as quatro principais demonstrações financeiras nas


unidades 4 e 5, vamos estudar os aspectos que dizem respeito à sua
análise. Para isso, iremos nos embasar nas ideias de Seleme (2010) e de
Gitman (2010).

De acordo com Seleme (2010), a realização periódica de uma análise


financeira é de extrema importância para os administradores que
monitoram o desempenho financeiro e, normalmente, trabalham com
metas financeiras, assim como é de grande valia e transparência para os
proprietários, que analisam os retornos obtidos pelos seus investimentos.

A seguir, vamos conhecer alguns aspectos da análise das demonstrações


financeiras, qual a sua função e o seu objetivo.

6.1 Aspectos básicos da análise das demonstrações


financeiras
O uso da informação contábil tem como finalidade principal o controle
e o planejamento financeiro. Seleme (2010) apresenta um quadro que
compara essas finalidades nas duas funções administrativas.

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Controle Planejamento
Como meio de comunicação Ter um objetivo
Como meio de motivação Analisar as alternativas
Como meio de verificação Verificar recursos disponíveis
Tomar decisões

Quadro 5 – Comparativo das finalidades do uso da informação contábil em uma organização.


Fonte: Seleme (2010, p. 136).

Conforme apresentado no Quadro 5, podemos utilizar a análise das


demonstrações financeiras para comunicar a situação financeira da
empresa, motivar funcionários, investidores e fornecedores no alcance
de metas e verificar cumprimento de orçamentos, entre outras formas
de comunicação. Além disso, embasa o administrador financeiro na sua
função de planejamento, fornecendo objetivos financeiros concretos,
como, o retorno esperado dos investimentos e alternativas de ação para
concretizá-los, evidenciado em um plano financeiro que contenha os
recursos disponíveis e a sua utilização eficiente.

Ao fazermos uma análise financeira de uma empresa buscamos, de acordo


com Seleme (2010):

• uma visão geral da situação financeira da empresa;


• avaliar a evolução financeira da empresa no tempo; e
• informações que permitam algumas conclusões preliminares.
Os principais tipos de análise que podem ser realizados com base nos
demonstrativos financeiros são: análise vertical e análise horizontal – que
veremos a seguir – e análise por meio de indicadores, que será objeto de
estudo nas unidades seguintes.

Análise vertical

A análise vertical oferece subsídios para a compreensão da estrutura geral da


empresa. Esse tipo de análise pode ser empregado tanto para o balanço patrimonial
como para o demonstrativo do resultado do exercício. (SELEME, 2010, p. 150)

www.esab.edu.br 33
A análise vertical em um Balanço Patrimonial tem como objetivo avaliar
como está a estrutura do ativo, do passivo e do Patrimônio Líquido. Para
calcular o percentual de cada item do ativo e do passivo, devemos dividir
cada um deles pelo ativo ou passivo total, respectivamente.

Considere o seguinte Balanço Patrimonial da empresa Futura em


31/12/2012, apresentado na Tabela 5:

Tabela 5 – Balanço Patrimonial da empresa Futura de 31/12/2012


Balanço Patrimonial da empresa Futura em 31/12/2012
Ativo circulante R$ 150.000,00 Passivo circulante R$ 80.000,00
Ativo realizável a LP R$ 40.000,00 Passivo exigível a LP R$ 120.000,00
Imobilizado R$ 1.200.000,00 Patrimônio Líquido R$ 1.190.000,00
Ativo total R$ 1.390.000,00 Passivo total R$ 1.390.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Em sua estrutura de ativos, a empresa Futura investe 10,79% dos seus


recursos em ativo circulante. Ou seja, de todos os ativos investidos na
empresa (R$ 1.390.000), 10,79% são aplicados no Ativo Circulante (R$
150.000,00). Calculamos essa relação da seguinte forma:
Ativo circulante 150.000, 00
= = 0,1079 x 100 = 10, 79% .
Ativo total 1.390.000, 00

Além disso, 86,33% de todo o ativo investido na empresa (R$


1.390.000) encontra-se no imobilizado (R$ 1.200.000,00). Calculamos
assim:
Imobilizado 1.200.000, 00
= = 0,8633 x 100 = 86, 33% .
Ativo total 1.390.000, 00

A estrutura de financiamento da empresa é composta por 5,76% de


dívidas de curto prazo, ou seja, de toda sua estrutura de financiamento,
representada pelo Passivo Total (R$ 1.390.000,00), 5,76% advém das
dívidas de curto prazo (R$ 80.000,00). A relação é feita da seguinte
forma:
Passivo Circulante 80.000, 00
= = 0, 0576 x 100 = 5, 76% .
Passivo total 1.390.000, 00

www.esab.edu.br 34
Temos também que 8,63% são dívidas de longo prazo, que calculamos
fazendo a relação entre o Passivo exigível a longo prazo (R$ 120.000,00)
e o Passivo total (R$ 1.390.000,00):
Passivo exigível a LP 120.000,00
= = 0,0863 x 100 = 8,63% .
Passivo total 1.390.000,00

Já o Patrimônio Líquido (R$ 1.190.000,00) representa 85,61% do


Passivo total (R$ 1.390.000,00), calculado da seguinte forma:
Patrimômio Líquido 1.190.000, 00
= = 0,8561x 100 = 85, 61% .
Passivo total 1.390.000, 00

Na demonstração do resultado do exercício, a análise vertical permite


identificar as principais fontes de resultado da empresa, bem como
a relevância de cada um dos diversos elementos de componentes do
resultado, como receita operacional, custo dos produtos vendidos,
despesas etc. A análise vertical da demonstração é calculada pela divisão
de cada item pelo valor da receita líquida (SELEME, 2010).

Tabela 6 – Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Futura de 2012


DRE da empresa Futura do ano de 2012
(+) Receita líquida R$ 500.000,00
(–) Custo dos produtos vendidos – R$ 300.000,00
(=) Lucro bruto R$ 200.000,00
(–) Despesas operacionais – R$ 100.000,00
(=) Lucro operacional R$ 100.000,00
(–) Provisão IR – R$ 27.000,00
(=) Lucro líquido do exercício R$ 73.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Na Tabela 6 podemos analisar, na DRE de 2012 da empresa Futura, que


o Custo dos produtos vendidos (R$ 300.000,00) representa 60,00%
da receita líquida (R$ 500.000,00). Podemos encontrar essa relação da
seguinte forma:

Custo dos produtos vendidos 300.000, 00


= = 60, 00% .
= 0, 6000 ×100
Receita líquida 500.000, 00

Isso significa que, de toda a receita gerada pela empresa, representada


pelas vendas, os custos dos produtos vendidos consomem 60% desta.

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As despesas operacionais (R$ 100.000,00) consomem 20,00%
da receita líquida (R$ 500.000,00), para calcular essa relação:
Despesas operacionais 100.000, 00
= = 20, 00% ).
= 0, 2000 ×100 Ou seja, de
Receita líquida 500.000, 00
toda a receita gerada pela empresa, as despesas com a administração, com
vendas e despesas financeiras gastam 20% dela.

Por fim, o Lucro Líquido do exercício (R$ 73.000,00)


representa 14,60% da mesma receita (R$ 500.000,00).
Para encontrarmos essa relação, devemos calcular:
Lucro líquido do exercício 73.000, 00
= = 14, 60% .
= 0,1460 × 100 Isso significa
Receita líquida 500.000, 00
que de toda venda realizada nesta empresa, ou toda receita gerada,
14,60% transforma-se em Lucro Líquido.

Análise horizontal

“O objetivo desse tipo de análise é avaliar a evolução dos itens das


demonstrações contábeis [...]” (SELEME, 2010, p. 151), comparando
um período ao outro. Por exemplo, considere as informações do Balanço
Patrimonial da empresa Futura nos anos de 2011 e 2012:

Tabela 7 – Comparação do Balanço Patrimonial da empresa Futura (de 31/12/ 2011 e 2012)
BP Empresa Futura 31/12/2011 31/12/2012
Ativo circulante R$ 125.000,00 R$ 150.000,00
Ativo realizável a LP R$ 55.000,00 R$ 40.000,00
Imobilizado R$ 980.000,00 R$ 1.200.000,00
Ativo total R$ 1.160.000,00 R$ 1.390.000,00
Passivo circulante R$ 70.000,00 R$ 80.000,00
Passivo exigível a LP R$ 75.000,00 R$ 120.000,00
Patrimônio Líquido R$ 1.015.000,00 R$ 1.190.000,00
Passivo total R$ 1.160.000,00 R$ 1.390.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

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Na Tabela 7 é possível verificar, pela análise horizontal (ao longo do
tempo), que o ativo total teve um crescimento de 19,83% do ano de
2011 para 2012, ou seja, passou de R$ 1.160.000,00 em 2011 para
R$ 1.390.000,00 em 2012. O aumento de R$ 230.000,00 no ativo
total (R$ 1.390.000,00 – R$ 1.160.000,00) representa um aumento de
19,80%. Para encontrarmos essa porcentagem basta dividir o aumento
(R$ 230.000,00) pelo ativo total inicial (R$ 1.160.000,00) e multiplicar
por 100. Acompanhe: 230.000, 00 ×100 =
19,83% .
1.160.000, 00

O ativo circulante, de um ano para o outro, cresceu 16,70%, ou seja,


passou de R$ 125.000,00 em 2011 para R$ 150.000,00 em 2012. O
aumento de R$ 25.000,00 no ativo circulante (R$ 150.000,00 – R$
125.000,00) representa um aumento de 20,00%. Para encontrarmos
essa porcentagem basta dividir o aumento pelo ativo circulante inicial e
multiplicar por 100. Acompanhe: 25.000, 00 ×100 =
20, 00% .
125.000, 00

O ativo realizável a longo prazo diminuiu 27,2%, ou seja, passou de


R$ 55.000,00 para R$ 40.000,00. A diminuição de R$ 15.000,00 no
ativo realizável a longo prazo (R$ 55.000,00 – R$ 40.000,00) representa
um decréscimo de 27,27%. Para encontrarmos essa porcentagem
basta dividir a diminuição pelo ativo realizável a longo prazo inicial e
multiplicar por 100. Veja: 15.000, 00 ×100 =
27, 27% .
55.000, 00

O Patrimônio Líquido da empresa cresceu em 14,7%, passando de R$


1.015.000,00 para R$ 1.190.000,00. O aumento de R$ 175.000,00 no
Patrimônio Líquido (R$ 1.190.000,00 – R$ 1.015.000,00) representa
um aumento de 17,24%. Para encontrarmos essa porcentagem basta
dividir o aumento pelo patrimônio líquido inicial e multiplicar por 100.
Da seguinte forma: 175.000, 00 ×100 =
17, 24% .
1.015.000, 00

A análise vertical aplicada à DRE apresenta o mesmo princípio:


comparar a evolução dos valores ao longo do tempo. Vejamos o exemplo
da empresa Futura.

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Tabela 8 – Comparação da Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Futura (2011 e 2012)
DRE da empresa Futura 2011 2012
(+) Receita líquida R$ 420.000,00 R$ 500.000,00
(–) Custo dos produtos vendidos – R$ 230.000,00 – R$ 300.000,00
(=) Lucro bruto R$ 190.000,00 R$ 200.000,00
(–) Despesas operacionais – R$ 80.000,00 – R$ 100.000,00
(=) Lucro operacional R$ 110.000,00 R$ 100.000,00
(–) Provisão IR – R$ 29.700,00 – R$ 27.000,00
(=) Lucro líquido do exercício R$ 80.300,00 R$ 73.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

A receita líquida da empresa Futura aumentou entre os dois anos em


19,05% (era de R$ 420.000,00 em 2011 e passou para R$ 500.000,00
em 2012). O aumento de R$ 80.000,00 na receita líquida (R$
500.000,00 – R$ 420.000,00) representa um aumento de 19,05%.
Para encontrarmos essa porcentagem basta dividir o aumento pela
receita líquida inicial e multiplicar por 100. Da seguinte forma:
80.000, 00
19, 05% .
×100 =
420.000, 00

Porém, seus custos aumentaram em 30,44% (passou de R$ 230.000,00


em 2011 para R$ 300.000,00 em 2012). O aumento de R$ 70.000,00
no custo dos produtos vendidos (R$ 300.000,00 – R$ 230.000,00)
representa um aumento de 30,44%. Para encontrarmos essa porcentagem
basta dividir o aumento pelo custo do produto vendido inicial e
multiplicar por 100. Acompanhe: 70.000, 00 ×100 =
30, 44% .
230.000, 00

As despesas aumentaram em 25% (eram de R$ 80.000 em 2011 e


passaram para R$ 100.000,00 em 2012). O aumento de R$ 20.000,00
nas despesas operacionais (R$ 100.000,00 – R$ 80.000,00) representa
um aumento de 25%. Para encontrarmos essa porcentagem basta dividir
o aumento pelas despesas operacionais iniciais e multiplicar por 100. Ou
seja, 20.000, 00 ×100 =
25, 00% .
80.000, 00

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Isso pode explicar porque, apesar do aumento das receitas, o lucro do ano
de 2012 é inferior a 2011 em 9,09% (de R$ 80.300,00 em 2011 para
R$ 73.000,00 em 2012). A diminuição de R$ 7.300,00 no lucro (R$
80.300,00 – R$ 73.000,00) representa um decréscimo de 9,09%. Para
encontrarmos essa porcentagem basta dividir a diminuição pelo lucro
inicial e multiplicar por 100. Da seguinte forma: 7.300, 00 ×100 =
9, 09% .
80.300, 00

Além das análises vertical e horizontal, que você acabou de ver, é possível
analisar as empresas através dos indicadores financeiros que serão
apresentados nas unidades 7, 8 e 9. A seguir vamos conhecer quem e para
que utiliza a análise das demonstrações financeiras.

6.2 Usuários da análise financeira


A análise extraída das demonstrações financeiras, conforme Gitman
(2010), interessa aos proprietários, aos credores e aos administradores
da empresa. Proprietários existentes e em potencial estão levam em
consideração os níveis atuais e futuros de retorno e risco da empresa,
que afetam diretamente o valor de mercado. Os credores se interessam,
principalmente, pela liquidez de curto prazo da empresa e em sua
capacidade de pagamentos de juros e amortizações dos empréstimos
concedidos. Uma preocupação secundária dos credores é a lucratividade;
eles querem garantias que o negócio é sólido financeiramente. Os
administradores, assim como os proprietários, se debruçam sobre
todos os aspectos da situação financeira da empresa e buscam produzir
indicadores que sejam considerados favoráveis tanto pelos proprietários
quanto pelos credores. Além disso, a administração utiliza a análise para
monitorar o desempenho empresarial de um período para outro.

Agora você já conhece alguns fundamentos da análise das demonstrações


financeiras e retomou as análises vertical e horizontal. Nas próximas
unidades vamos analisar as demonstrações financeiras com indicadores
financeiros. Preparado? Vamos em frente!

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Fórum
Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de
Aprendizagem da instituição e participe do nosso
Fórum de discussão. Lá você poderá interagir com
seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar,
por meio da interação, a construção do seu
conhecimento. Vamos lá?

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Resumo

Nesta primeira etapa da disciplina conhecemos alguns conceitos


principais da teoria financeira; o termo finanças pode ser definido
como a arte ou a ciência de administrar o dinheiro (GITMAN, 2010).
Essa atividade é essencial nas organizações empresariais que buscam
um resultado positivo das suas atividades operacionais. Além disso,
estabelecemos relações entre a Administração Financeira e as demais
áreas funcionais da empresa, e pudemos conhecer algumas funções
do administrador financeiro e as principais decisões tomadas por ele:
decisões de investimento, financiamento e operacionais. Estudamos
também que o principal objetivo da Administração Financeira nesse
ambiente é maximizar a riqueza dos proprietários. Porém, fundamental
foi discutir o papel ético requerido por essa atividade de gestão.

Um binômio muito importante nas finanças foi colocado na discussão


sobre o risco e o retorno dos investimentos. Aprendemos que, quanto
maior o risco que um investimento apresenta, mais altas são as
expectativas de retorno sobre ele e vice-versa.

Revisitamos quatro importantes demonstrações financeiras: o


Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício, a
Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração dos Lucros ou
Prejuízos Acumulados, e estabelecemos uma relação entre as decisões
financeiras e tais demonstrações.

Por fim, iniciamos o processo de análise das demonstrações financeiras.


Conhecemos os principais interessados nessa análise (proprietários,
credores e administradores) e pudemos fazer uma análise vertical e
horizontal das demonstrações, apresentando proporções das contas e
evolução ao longo do tempo.

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Análise dos índices de liquidez e
7 endividamento
Objetivo
Analisar os indicadores de liquidez e endividamento.

Na unidade 6, você estudou sobre a análise das demonstrações


financeiras e a sua importância. Nesta unidade vamos dar início à análise
das demonstrações financeiras a partir de índices. Aqui, vamos estudar
dois importantes indicadores de avaliação das empresas: o indicador
de liquidez e o indicador de endividamento. Para isso, utilizaremos
conceitos de Groppelli e Nikbakht (2010).

A análise de índices é um instrumento utilizado por administradores


financeiros e investidores de empresas e auxilia na verificação do
desempenho e crescimento da empresa ao longo do tempo. Além disso,
conforme destacam Groppelli e Nikbakht (2010), ajuda a determinar se a
empresa encontra-se em situação de insolvência. Ainda segundo os autores,
se os índices não apontarem um bom desempenho financeiro, a empresa
está sujeita a custos mais elevados de financiamentos, enquanto que bons
índices muitas vezes significam que os investidores estarão dispostos a
colocar recursos à disposição da empresa com custos mais razoáveis.

7.1 Indicadores de liquidez


O grau de liquidez de um investimento depende da capacidade com que
ele é transformado em dinheiro sem incorrer em perdas significativas
(GROPPELLI; NIKBAKHT, 2010). Ou seja, quanto maior for a
capacidade de um ativo transformar-se em dinheiro, maior é sua
liquidez. Por exemplo, quando você investe seu dinheiro na caderneta de
poupança, este é considerado um investimento com alta liquidez.

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Para Groppelli e Nikbakht (2010), a administração da liquidez consiste
em equiparar os prazos das dívidas com os prazos com que os ativos
serão transformados em caixa, a fim de evitar a insolvência. Dessa
forma, a questão central que o indicador de liquidez ajuda a visualizar
é: a empresa tem capacidade de gerar caixa suficiente para pagar seus
fornecedores e credores? São os indicadores de liquidez que nos ajudam a
responder a essa questão, pois eles testam o grau de solvência da empresa.

Para isso, vamos conhecer dois indicadores de liquidez:

• Índice de Liquidez Corrente (ILC); e


• Índice de Liquidez Seca (ILS).
Os dois tipos de índices de liquidez levam em consideração as contas
do Balanço Patrimonial: Ativo Circulante e Passivo Circulante.
Lembrando que o Ativo Circulante é o investimento que irá se
transformar em caixa no curto prazo. Alguns exemplos: disponíveis
(caixa, bancos, aplicações financeiras de curto prazo), contas a receber
e estoques. Já o Passivo Circulante são as dívidas com data de
vencimento em até um ano. Exemplos: salários a pagar, fornecedores a
pagar, impostos a pagar e empréstimos.

Vamos estudar detalhadamente cada um dos índices de liquidez. Vamos lá?

Índice de Liquidez Corrente (ILC)

Segundo Groppelli e Nikbakht (2010), o Índice de liquidez corrente é a


relação entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante.

Ativo circulante
Índice de Liquidez Corrente (ILC)=
Passivo circulante

O resultado dessa equação é um número índice, que indica o quão


solvente a empresa é em relação à sua capacidade de saldar suas dívidas.

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Exemplo 1:

Podemos dizer que uma empresa com R$ 20 milhões de ativos


circulantes e R$ 10 milhões de passivos circulantes tem um índice de
liquidez corrente de 2 vezes.
R$ 20.000.000,00
=ILC = 2
R$10.000.000,00

Isso significa dizer que a empresa em questão disponibiliza 2 vezes mais


ativos circulantes do que passivos circulantes (dívidas). Ou seja, para cada
R$ 1,00 de dívidas no Passivo Circulante, ela dispõe de R$ 2,00 para
realização do pagamento.

No entanto, um alto índice de liquidez não significa necessariamente


uma boa saúde financeira. Isso porque investimentos que apresentam
alta liquidez normalmente são pouco rentáveis. Pense na sua poupança:
esse tipo de investimento é altamente líquido, porém, pouco rentável.
O mesmo pode ser aplicado ao ambiente empresarial. Na unidade 8
falaremos sobre a rentabilidade.

Índice de liquidez seca

O índice de liquidez seca também é um indicador que apresenta


a situação financeira da empresa em relação às suas obrigações.
Porém, nesse cálculo, desconsideramos os estoques constantes no
Ativo Circulante. Diminuindo os ativos circulantes menos líquidos
(representado pelos estoques) e concentrando-se em ativos mais
facilmente conversíveis em caixa (disponíveis e contas a receber), o
índice de liquidez seca determina se uma empresa pode cumprir com
suas obrigações de curto prazo, se as vendas diminuírem drasticamente
(GROPPELLI; NIKBAKHT, 2010).

Ativo circulante - Estoques


Índice de Liquidez Seca (ILS) =
Passivo circulante
O resultado dessa relação é em um número índice que indica o quão
solvente a empresa é em relação à sua capacidade de saldar suas dívidas,
caso não venda nenhum estoque.

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Exemplo 2:

No exemplo 1, os ativos circulantes somavam o montante de R$ 20


milhões. Qual a consequência para a liquidez da empresa se R$ 5
milhões estivessem comprometidos em estoques? Considerando ainda R$
10 milhões de passivos circulantes, o índice de liquidez seca indicaria o
representado na fórmula a seguir:
R$ 20.000.000,00 − R$ 5.000.000,00
ILS = = 1,5
R$10.000.000,00

Ou seja, para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo, a empresa


disponibilizaria R$ 1,50 para pagamento. Ou, ainda, mesmo se nenhum
estoque a mais fosse vendido, ainda assim a empresa apresentaria
capacidade de saldar suas obrigações.

Conforme esses conceitos e exemplos, podemos concluir que um indicador


de liquidez (corrente ou seca) menor que 1, indica que a empresa não
possui capacidade para saldar com suas obrigações no curto prazo.

Depois de analisar a capacidade de pagamento das dívidas, o próximo


índice a ser estudado é o indicador de endividamento.

7.2 Indicadores de endividamento


O índice de endividamento apresenta o percentual dos ativos totais que
é financiado através das dívidas (capital de terceiros) (GROPPELLI;
NIKBAKHT, 2010). Quanto menor o índice de endividamento, menor
é o montante de ativos comprometidos com dívidas de curto e de longo
prazo. Sob um ponto de vista da capacidade de saldar as dívidas, isso
confere à empresa uma maior segurança financeira.

Lembre-se que as dívidas da empresa podem ser visualizadas no Balanço


Patrimonial nas contas Passivo Circulante (dívidas de curto prazo) e
Passivo Exigível a Longo Prazo (dívidas de longo prazo).

Passivo circulante+Passivo Exigível a Longo Prazo


Índice de Endividamento (IE)=
Ativo total

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O resultado encontrado do índice de endividamento indica, em
termos percentuais, a parte dos investimentos (ativo) que estão sendo
financiados por meio das dívidas.

Exemplo 3:

Se o Balanço Patrimonial de uma empresa mostrar dívidas de curto prazo


de R$ 300.000,00, dívidas de longo prazo de R$ 700.000,00 e um ativo
total no valor de R$ 5.000.000,00, então o índice de endividamento será
o apresentado na fórmula a seguir.

R$ 300.000,00 + R$ 700.000,00
IE = = 0,2
R$ 5.000.000,00
ou 0,2 × 100%= 20%

Para encontrar o valor em porcentagem, basta multiplicar o número índice


encontrado por 100 – esse resultado indica que a empresa deve 20% dos
seus ativos. Um índice alto pode comprometer a capacidade de pagamento
das dívidas da empresa, porém, um baixo índice significa que a organização
não utiliza o crédito disponível no mercado, o que pode gerar benefícios
financeiros, como a alavancagem financeira. A alavancagem financeira é
um conceito utilizado quando se toma recursos emprestados a custo baixo
(juros baixos) e estes são aplicados na empresa. Se a organização for capaz
de fazer tal recurso financeiro render mais que a taxa de juros paga por ele,
diz-se que ela está alavancando financeiramente.

Nesta unidade, você iniciou o processo de análise das demonstrações


financeiras com dois indicadores: os de liquidez e os de endividamento.
Na unidade 8 daremos continuidade ao estudo dos índices, analisando os
indicadores de rentabilidade.

Dica
Acesse a revista Valor Econômico clicando aqui para
ficar por dentro das principais notícias de finanças.

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8 Os indicadores de rentabilidade

Objetivo
Analisar os indicadores de rentabilidade.

Na unidade 7 analisamos os indicadores de liquidez corrente, o índice


de liquidez seco e o índice de endividamento. Nesta unidade, vamos
conhecer três tipos de indicadores de rentabilidade: Retorno sobre o
Ativo, Retorno sobre o Capital Próprio (ou Patrimônio Líquido) e a
Margem de Lucro, utilizando conceitos de Gitman (2010).

Para uma melhor visualização dos cálculos de rentabilidade, vamos


ilustrar com exemplos da empresa Bem Viver. A empresa Bem Viver
apresenta um Balanço Patrimonial e uma Demonstração do Resultado do
Exercício, conforme as Tabelas 9 e 10, respectivamente.

Tabela 9 – Balanço Patrimonial da empresa Bem Viver em 01/01/2012


BP Empresa Bem Viver em 01/01/2012
Ativo circulante R$ 60,000.00 Passivo circulante R$ 40,000.00
Ativo realizável a longo prazo R$ 100,000.00 Passivo exigível a longo prazo R$ 160,000.00
Ativo imobilizado R$ 240,000.00 Patrimônio Líquido R$ 200,000.00
Ativo total R$ 400,000.00 Passivo total R$ 400,000.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

A empresa Bem Viver possui um investimento total de R$ 400.000,00,


distribuídos em Ativo Circulante, Ativo Realizável a Longo Prazo e
Ativo Imobilizado. Esses investimentos são financiados pelo Patrimônio
Líquido de R$ 200.000,00 e as dívidas (Passivo Circulante e Passivo
Exigível a Longo Prazo).

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Tabela 10 – Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Bem Viver de 2012
DRE da empresa Bem Viver 2012
(+) Receita líquida R$ 100,000.00
(-) Custo dos produtos vendidos - R$ 45,000.00
(=) Lucro bruto R$ 55,000.00
(-) Despesas operacionais - R$ 25,000.00
(=) Lucro operacional R$ 30,000.00
(-) Juros - R$ 2,000.00
(=) Lucro antes do Imposto de Renda R$ 28,000.00
(-) Provisão IR (30%) - R$ 8,400.00
(=) Lucro líquido do exercício R$ 47,600.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

A empresa apresenta vendas de R$ 100.000,00 e um lucro de R$


19.600,00 no período.

Agora vamos conhecer os tipos de rentabilidade e aplicá-los na empresa


Bem Viver. Vamos lá?

8.1 Retorno sobre o ativo


O Retorno Sobre o Ativo (RSA) – também chamado de Retorno Sobre o
Investimento – mede a eficiência geral da administração em gerar lucros
com seus ativos (investimentos) disponíveis. De acordo com Gitman
(2010), quanto maior o retorno sobre o ativo total da empresa, melhor.
O retorno sobre o ativo é calculado a partir de uma relação do lucro
gerado com o investimento realizado, conforme a fórmula a seguir.

Lucro líquido do exercício


Retorno sobre o ativo (RSA) =
Ativo total

Qual o retorno sobre o ativo da empresa Bem Viver?

A Tabela 10 mostra que o lucro líquido do exercício é R$ 19.600,00 e


na Tabela 9 podemos ver que o ativo total é de R$ 400.000,00. Desse
modo, chega-se à fórmula a seguir.

www.esab.edu.br 48
Para conhecermos o retorno sobre o ativo em termos percentuais, basta
multiplicar o resultado de 0,049 por 100 (4,9%). O resultado de 4,9%
deve vir acompanhado de um período, ou seja, o retorno sobre o ativo da
empresa Bem Viver foi de 4,9% ao ano, uma vez que o lucro utilizado no
cálculo foi gerado durante um ano (no ano de 2012).

O retorno sobre o ativo mede o desempenho da empresa no período


analisado. O próximo indicador de rentabilidade, o retorno sobre o
capital próprio, mede o desempenho do investimento dos proprietários.

8.2 Retorno sobre o capital próprio


O retorno sobre o capital próprio é também conhecido como Retorno
Sobre o Patrimônio Líquido (RSPL). Esse indicador mede o retorno
ganho sobre o investimento dos proprietários na empresa (GITMAN,
2010). Em geral, quanto mais alto esse retorno, melhor a situação
econômica dos proprietários. O retorno sobre o patrimônio líquido é
calculado da seguinte forma:
Lucro líquido do exercício
Retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) =
Patrimônio líquido

A Tabela 10 mostra que, na empresa Bem Viver, o lucro líquido do exercício


foi de R$ 19.600,00 e, a Tabela 9, mostra o patrimônio líquido de R$
200.000,00. Portanto, o retorno sobre o patrimônio líquido é o seguinte:

R$19.600,00
RSPL = =0,098ou 9,8% ao ano
R$ 200.000,00

Para conhecermos o retorno sobre o patrimônio líquido em termos


percentuais, basta multiplicar 0,98 por 100 (9,8%). O resultado de
9,8% deve vir acompanhado de um período, ou seja, o retorno sobre o
patrimônio líquido da empresa Bem Viver foi de 9,8% ao ano, uma vez que
o lucro utilizado no cálculo foi gerado durante um ano (no ano de 2012).

O próximo indicador a ser analisado está relacionado à capacidade da


empresa em obter lucro a partir das vendas, ou seja, a margem de lucro.

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8.3 Margem de lucro
A demonstração financeira utilizada para avaliar a lucratividade em
relação às vendas é a Demonstração do Resultado do Exercício. Cada
conta desse relatório é expressa em termos percentuais das vendas e são
úteis na comparação do desempenho ao longo dos anos. Três índices
de lucratividade, apresentados por Gitman (2010), podem ser tirados
diretamente da demonstração do resultado: (1) a margem bruta do lucro;
(2) a margem operacional de lucro; e (3) a margem líquida de lucro.

Para ilustrar essas três margens de lucros, a seguir vamos utilizar a


Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Bem Viver do ano
de 2012.

8.3.1 Margem bruta de lucro

Para calcular a margem bruta de lucro, vamos utilizar o Lucro Bruto da


Demonstração do Resultado do Exercício. Como você pode visualizar
na Tabela 10, o lucro bruto vem depois do custo dos produtos vendidos
da empresa, ou seja, os custos da produção. Segundo Gitman (2010),
a margem bruta de lucro mede a porcentagem de cada venda (receita)
restante depois de descontar o custo dos produtos vendidos. Quanto
maior a margem bruta de lucro, melhor (ou seja, menor será o custo
relativo dos produtos vendidos). A margem bruta de lucros é calculada
por meio da fórmula a seguir.
Lucro Bruto
Margem Bruta de Lucro(MBL) =
Receita Líquida

Segundo a Tabela 10, o lucro bruto da empresa Bem Viver é de R$


55.000,00 e a sua receita líquida é de R$ 100.000,00. A margem bruta
de lucro da empresa Bem Viver é, portanto:
R$55.000,00
MBL = =0,55ou 55%
R$100.000,00

Para conhecermos a margem bruta de lucro em termos percentuais, basta


multiplicar o resultado de 0,55 por 100 (55%).

www.esab.edu.br 50
8.3.2 Margem operacional de lucro

Para calcular a margem operacional de lucro, vamos utilizar o Lucro


Operacional da Demonstração do Resultado do Exercício. Como
você pode visualizar na Tabela 10, o lucro operacional vem depois
de se descontar o custo dos produtos vendidos e também as despesas
operacionais. Segundo Gitman (2010), a margem operacional de lucro
mede a porcentagem de cada venda (receita) restante, depois que todos
os custos e despesas (que não sejam os juros, impostos e dividendos)
forem deduzidos. É preferível uma alta margem de lucro operacional. A
margem operacional de lucro é calculada da seguinte maneira:
Lucro Operacional
Margem Operacional de Lucro(MOL) =
Receita Líquida

Segundo a Tabela 10, o lucro operacional da empresa Bem Viver é de R$


30.000,00 e a receita líquida é de R$ 100.000,00. Portanto, a margem
operacional de lucro da empresa Bem Viver é:

R$ 30.000,00
MOL = =0,30 ou 30%
R$100.000,00

Para conhecermos a margem operacional de lucro em termos percentuais,


basta multiplicar o resultado de 0,30 por 100 (30%).

8.3.3 Margem líquida de lucro

Para calcular a margem líquida de lucro, vamos utilizar o lucro líquido


da Demonstração do Resultado do Exercício. Como você pode
visualizar na Tabela 10, o lucro líquido vem depois de se descontar o
custo dos produtos vendidos, as despesas operacionais, os juros e os
impostos. Segundo Gitman (2010), a margem líquida de lucro mede a
porcentagem de cada venda (receita) restante, depois que todos os custos,
despesas, juros e impostos forem deduzidos. Quanto mais alta a margem
líquida de lucro, melhor. A margem operacional de lucro é calculada da
seguinte maneira:
Lucro Líquido
Margem Líquida de Lucro(MLL) =
Receita Líquida

www.esab.edu.br 51
Conforme a Tabela 10, o lucro líquido da empresa Bem Viver é R$
19.600,00 e a receita líquida é de R$ 100.000,000. A margem líquida de
lucro da empresa Bem Viver é:
R$19.600,00
MLL = =0,196 ou19,6%
R$100.000,00

Para conhecermos a margem líquida de lucro em termos percentuais,


basta multiplicar o resultado de 0,196 por 100 (19,6%).

Como você pôde observar, os cálculos de rentabilidade têm por


finalidade apresentar o desempenho da empresa em um período; assim,
de uma maneira geral, mostram a capacidade que a organização tem de
gerar lucros. Esses índices devem ser acompanhados ao longo do tempo
pela empresa, auferindo a função do controle financeiro – tratam-se de
índices internos à organização.

Na próxima unidade vamos conhecer alguns indicadores de mercado,


que também são importantes para os administradores financeiros, mas
que estão disponíveis ao público externo.

Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a
tarefa dissertativa.

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9 Indicadores de mercado

Objetivo
Conhecer os principais indicadores de mercado das empresas.

Nas unidades anteriores estudamos índices financeiros que avaliam o


desempenho financeiro da empresa. Esses índices são bastante utilizados
pelos gestores financeiros para o planejamento e o controle das finanças
organizacionais. Nesta unidade, veremos indicadores de mercado da
empresa, embasados nas ideias de Gitman (2010) e Camargo (2007).

Segundo Gitman (2010), os índices de valor de mercado relacionam o


valor de mercado da empresa (medido pelo preço atual de suas ações) a
alguns valores contábeis. Ainda de acordo com o autor, esses índices trazem
informações sobre como os analistas de mercado avaliam o desempenho
da empresa em termos de risco e retorno. Tendem a refletir, em termos
relativos, a avaliação que os proprietários fazem de todos os aspectos do
passado da empresa e do desempenho futuro esperado (GITMAN, 2010).
Iniciaremos os estudos desta unidade com o índice preço/lucro e, em
seguida, veremos o índice de valor de mercado/valor patrimonial.

9.1 Índice preço/lucro


O Índice Preço/Lucro (P/L), segundo Gitman (2010), é muito usado
para avaliar a maneira como os proprietários enxergam o preço da ação.
O índice P/L mede o montante que os investidores estão dispostos a
pagar por cada unidade monetária de lucro de uma empresa. O nível
desse índice indica o grau de confiança que os investidores depositam no
desempenho futuro da organização. Dessa forma, quanto maior o índice
preço/lucro, maior a confiança.

www.esab.edu.br 53
Antes de encontrar o indice preço/lucro, vamos falar sobre o que é
o Lucro por ação (LPA). O LPA representa o número de unidades
monetárias ganhas durante um período para cada ação (GITMAN,
2010). O lucro por ação é calculado da seguinte forma:
Lucro líquido do exercício
Lucro por ação(LPA)=
Número de ações da empresa

Supondo que a empresa Bem Viver disponibilizasse 100.000 ações no


mercado, qual seria o seu lucro por ação? Precisamos voltar à Tabela 10,
na unidade 8, que apresenta o lucro líquido da empresa Bem Viver como
sendo de R$ 19.600,00. Dessa forma:

19.600,00
LPA= = 0,196
100.000
O LPA de R$ 0,196 representa o valor ganho por cada ação da empresa
Bem Viver. Se você investisse nessa organização e tivesse 10 ações dela, ao
final do período que corresponde ao lucro da empresa Bem Viver (ano de
2012), você teria R$ 1,96 de lucro (10 x R$ 0,196).

Agora podemos calcular o índice preço/lucro, que é feito da seguinte


maneira:

Preço de mercado por ação


Índice Preço/Lucro(P/L)=
Lucro por ação

Agora que já conhecemos o lucro por ação da empresa Bem Viver,


podemos calcular o seu índice preço/lucro. Se as ações dessa organização
estivessem sendo negociadas no mercado a R$ 18,00 cada, no final do
período analisado, o índice preço lucro seria de:

18,00
P/L= = 91,84
0,196

O índice preço/lucro é uma medida que informa a relação entre o que


os investidores estão dispostos a pagar nas ações e o que eles obtêm de
lucro. Ou seja, o resultado de 91,84 mostra uma relação de 91,84 para 1,
indicando que os investidores estão pagando R$ 91,84 para cada R$ 1,00

www.esab.edu.br 54
de lucro que conseguem obter na empresa. Ou seja, essa supervalorização
do Preço/Lucro da empresa Bem Viver mostra que os investidores estão
otimistas em relação ao futuro – quanto maior esse indicador, mais bem
avaliada a empresa no mercado.

Outro indicador relacionado à avaliação da empresa no mercado é a


relação entre o valor que ela possui no mercado e o valor que ela tem nos
seus registros contábeis. Vamos ver?

9.2 Índice de valor de mercado/valor patrimonial


O Índice de Valor de Mercado/Valor Patrimonial (VM/VP), segundo
Gitman (2010), avalia como os investidores encaram o desempenho
da empresa, relacionando o valor das ações da organização ao seu valor
patrimonial (o valor contábil). Para calcular o VM/VP precisamos, antes,
identificar o valor patrimonial por ação da empresa.
Patrimônio líquido
Valor patrimonial por ação=
Número de ações da empresa

Substituindo os valores referentes à empresa Bem Viver, encontrados em


seu Balanço Patrimonial, na Tabela 9 da unidade 8 (Patrimônio líquido =
R$ 200.000,00), temos:

R$ 200.000,00
Valor patrimonial por ação= =2
100.000

Para encontrarmos o índice valor mercado/valor patrimonial, usamos a


seguinte fórmula:
Preço de mercado por ação
VM/VP=
Valor patrimonial por ação

Inserindo o preço de mercado por ação da empresa Bem Viver de R$


18,00 e o valor patrimonial por ação de R$ 2,00, que encontramos
anteriormente, temos:
R$ 18,00
VM/VP= =9,00
R$ 2,00

www.esab.edu.br 55
Essa relação VM/VP significa que os investidores estão pagando R$ 9,00
por R$ 1,00 de valor patrimonial da empresa Bem Viver.

De acordo com Gitman (2010), as ações de empresas das quais se


espera um bom desempenho – aumento dos lucros ou da participação
de mercado ou lançamento de produtos bem-sucedidos – costumam
ser vendidas a índices VM/VP mais elevados do que daquelas com
perspectivas menos atraentes. Para simplificar, organizações das quais
se espera retorno elevado em relação ao risco costumam ser vendidas a
múltiplos altos de VM/VP. Evidentemente, os investidores veem com
bons olhos as perspectivas da empresa Bem Viver, já que estão dispostos a
pagar por suas ações 9 vezes mais que seu valor patrimonial (contábil).

Como podemos utilizar esses indicadores para uma avaliação da empresa?


É o que veremos a seguir.

9.3 Outros indicadores de mercado


De acordo com Camargo (2007), uma das formas de analisar a empresa
é comparar o índice calculado com os de outras organizações de tamanho
semelhante, do mesmo ramo industrial e que atuem em uma mesma
região. Tal paralelo nos permite analisar a situação relativa da organização
em seu setor de atuação.

Essa comparação pode ser realizada por meio da utilização de índices-


padrão, os quais refletem os indicadores alcançados com maior
frequência por empresas de determinado setor. Esse indicador mostra se
a organização encontra-se enquadrada no padrão do setor, se está pior ou
melhor do que os concorrentes.

A análise dos indicadores de mercado também pode ser feita pelo padrão
histórico que, segundo Camargo (2007), visa à comparação de dados
atuais com o desempenho passado. Assim, a empresa pode perceber
possíveis tendências de crescimento ou decréscimo nos indicadores
financeiros, o que deve revelar se a situação empresarial tem apresentado
melhoria ou agravamento.

www.esab.edu.br 56
Dessa forma, é possível emitir uma opinião sobre a posição recente em
relação às passadas. A identificação das tendências deve ajudar a empresa
no planejamento das atividades futuras.

Saiba mais
Para conhecer outros índices financeiros, acesse
o site da BMF&Bovespa clicando aqui, clique em
Mercados > Ações > Índices e conheça outros
índices do mercado.

Nesta unidade, você pôde identificar que os indicadores de mercado


auxiliam o gestor financeiro na visualização da empresa em relação ao
seu desempenho, mercado e concorrentes. Na próxima unidade vamos
aplicar indicadores a uma empresa para saber como se analisa na prática.
Preparado?

Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos
em relação às unidades 1 a 9. Para isso, dirija-se ao
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda
às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará
se preparando para a prova. Bom trabalho!

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10 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Nas unidades 7, 8 e 9 estudamos alguns indicadores financeiros e,


agora, vamos resolver o caso da empresa Polis S/A por meio desses
indicadores. Você foi convidado a analisar os indicadores financeiros da
empresa Polis S/A do ano de 2012. Para isso, você dispõe de um Balanço
Patrimonial do dia 31 de dezembro de 2012. Além disso, terá acesso ao
Demonstrativo de Resultados do mesmo ano.

10.1 Apresentar demonstrações financeiras de uma


empresa
A empresa Polis S/A produz e comercializa garrafas plásticas para a
indústria de bebidas. Sua sede está localizada em São Paulo e a principal
matéria-prima utilizada no seu processo produtivo é o plástico. Na Tabela
11 você pode visualizar o Balanço Patrimonial da Polis S/A do final do
período analisado.

www.esab.edu.br 58
Tabela 11 – Balanço Patrimonial da empresa Polis S.A. em 31 de dezembro de 2012
BP Empresa Polis S/A em 31/12/2012
Ativo Circulante Passivo Circulante
Caixa $ 15,000.00 Salários $ 310,000.00
Bancos R$ 56,000.00 Fornecedores R$ 640,000.00
Aplicações financeiras R$ 85,000.00 Impostos R$ 280,000.00
Contas a Receber R$ 520,000.00 Outras contas a pagar R$ 130,000.00
Estoques de matérias-primas R$ 1,100,000.00 Empréstimos R$ 160,000.00
Estoques de produtos R$ 900,000.00 Financiamentos R$ 166,500.00
acabados
Ativo realizável a longo prazo Passivo exigível a longo prazo
Ações em outras cias R$ 102,000.00 Financiamentos R$ 2,200,000.00
Ativo Imobilizado
Máquinas R$ 1,700,000.00
Equipamentos R$ 600,000.00 Patrimônio Líquido
Móveis R$ 430,000.00
Veículos R$ 720,000.00 Capital social R$ 4,000,000.00
Imóvel R$ 3,000,000.00 Lucros acumulados R$ 1,341,500.00
Ativo total R$ 9,228,000.00 Passivo total R$ 9,228,000.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Seu capital social é formado por 1.000.000 de ações que estão sendo
comercializadas na Bolsa de Valores de São Paulo por R$ 11,45 cada.

Na Tabela 12 você tem acesso ao demonstrativo de resultado da empresa


no ano de 2012. Nele você pode observar as vendas realizadas (receita), o
custo dos produtos vendidos, as despesas da empresa, os juros, o imposto
de renda e o lucro do ano.

www.esab.edu.br 59
Tabela 12 – Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Polis S/A do ano de 2012
DRE da empresa Bem Viver 2012
(+) Receita bruta R$ 1,200,000.00
(-) Abatimomentos e devoluções - R$ 130,000.00
(=) Receita Líquida R$ 1,070,000.00
(-) Custo dos produtos vendidos - R$ 550,000.00
(=) Lucro bruto R$ 520,000.00
(-) Despesas administrativas - R$ 150,000.00
(-) Despesas com vendas - R$ 50,000.00
(-) Outras despesas operacionais - R$ 10,000.00
(=) Lucro operacional R$ 310,000.00
(-) Juros - R$ 25,000.00
(=) Lucro antes do Imposto de Renda R$ 285,000.00
(-) Provisão IR (30%) - R$ 85,500.00
(=) Lucro líquido do exercício R$ 484,500.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Agora, vamos aplicar os índices financeiros.

10.2 Aplicar os índices financeiros


Depois de conhecer o Balanço Patrimonial e a Demonstração do
Resultado do Exercício da empresa Polis S/A, vamos aplicar e analisar os
indicadores financeiros que já conhecemos. Começaremos com o cálculo
do índice de liquidez corrente.

• Índice de liquidez corrente


Ativo Circulante
ILC=
Passivo Circulante

Para calcularmos o ILC, precisamos, inicialmente, encontrar o Ativo


Circulante (AC) e o Passivo Circulante (PC) no Balanço Patrimonial da
empresa. Os valores necessários são encontrados na Tabela 11. Veja:

Ativo Circulante = Caixa + Bancos + Aplicações Financeiras + Contas a


Receber + Estoques de matérias primas + Estoques de produtos acabados
= R$ 15.000,00 + R$ 56.000,00 + R$ 85.000,00 + R$ 520.000,00 + R$
1.100.000,00 + R$ 900.000,00 = R$ 2.676.000,00.

www.esab.edu.br 60
Passivo Circulante = Salários + Fornecedores + Impostos + Outras
contas a pagar + Empréstimos + Financiamento = R$ 310.000,00 + R$
640.000,00 + R$ 280.000,00 + R$ 130.000,00 + R$ 160.000,00 + R$
166.500,00 = R$ 1.686.500,00.
R$ 2.676.000,00
ILC= =1,59
R$1.686.500,00

Ou seja, para cada R$ 1,00 das dívidas de curto prazo, a empresa


dispõe de R$ 1,59 no seu Ativo Circulante. Isso significa que ela possui
capacidade de saldar suas dívidas de curto prazo. Calcularemos agora o
índice de liquidez seca. Acompanhe:

• Índice de liquidez seca


Ativo circulante - Estoques
ILS=
Passivo circulante
Já sabemos que o Ativo Circulante da empresa Polis S/A é de R$
2.676.000,00. Através da Tabela 11 sabemos que o Estoque (de
matérias primas R$ 1.100.000,00 e produtos acabados R$ 900.000,00)
totalizam R$ 2.000,000,00. Portanto, Ativo Circulante - Estoques = R$
2.676.000,00 - R$ 1.100.000,00 - R$ 900.000,00 = R$ 676.000,00.

Assim:
R$ 676.000,00
ILS= = 0, 40
R$1.686.500,00

Se a empresa Polis S/A não vender seus estoques, ela perde a sua
capacidade de saldar as dívidas. Ou seja, para cada R$ 1,00 de dívidas de
curto prazo, ela dispõe de somente R$ 0,40, sem considerar os estoques.

A seguir vamos calcular o índice de endividamento da empresa.

• Índice de endividamento

Passivo circulante+Passivo Exigível a Longo Prazo


ÍE=
Ativo total

www.esab.edu.br 61
Já calculamos, no início da unidade, que o Passivo Circulante é de R$
1.686.500,00 – podemos verificar no Balanço Patrimonial que o passivo
exigível a longo prazo é de R$ 2.200.000,00. Na Tabela 11 temos que o
ativo total é de R$ 9.228.000,00. Portanto, o índice de endividamento
pode ser calculado da seguinte forma:

R$ 1.686.500,00 + R$ 2.200.000,00 R$3.886.500,00


ÍE= = = 0, 421ou 42,1%
R$9.228.000,00 R$9.228.000,00

Ou seja, dos investimentos (ativos) da empresa, 42,1% são financiados


por capital de terceiros (dívidas de curto ou longo prazo).

Agora, vamos calcular o retorno sobre o ativo. Acompanhe:

• Retorno sobre o ativo


Lucro líquido do exercício
RSA =
Ativo total
O lucro líquido do exercício da empresa é encontrado na Tabela 12 e é
de R$ 199.500,00, e o ativo total, apresentado na Tabela 11, é de R$
9.228.000,00. Para chegarmos ao RSA, basta que se faça a seguinte
relação:

R$199.500,00
RSA = =0,0216 ou 2,16% a.a.
R$9228.000,00

A rentabilidade dos investimentos da empresa é de 2,16% ao ano, ou


seja, para cada R$ 100,00 investidos na Polis S.A., ela gera R$ 2,16 de
lucro ao final de um ano. Veremos, a seguir, o retorno sobre o patrimônio
líquido.

• Retorno sobre o capital próprio ou patrimônio líquido

Lucro líquido do exercício


RSPL =
Patrimônio líquido

www.esab.edu.br 62
O patrimônio líquido da empresa está no Balanço Patrimonial e
corresponde à conta Capital Social e aos Lucros Acumulados (R$
4.000.000,00 + R$ 1.341.500,00 = R$ 5.341.500,00)
R$199.500,00
RSPL = =0,0373 ou 3,73% a.a.
R$5.341.500,00

A rentabilidade dos investimentos dos proprietários é de 3,73% ao ano,


ou seja, para cada R$ 100,00 investidos pelos proprietários na empresa,
ela fornece a eles R$ 3,73 de lucro ao final de um ano. Vamos seguir com
a análise da Polis S.A com o cálculo da margem bruta de lucro. Margem
bruta de lucro.

Lucro Bruto
MBL=
Receita Líquida

Todas as informações podem ser obtidas na Demonstração do Resultado


do Exercício, na Tabela 12.

R$520.000,00
MBL= = 0, 486 ou 48,6%
R$1.070.000,00

A margem bruta de lucro indica que, da receita líquida total, 48,6%


transforma-se em lucro bruto ou no lucro depois de descontado os custos
dos produtos vendidos. Vamos, agora, ao cálculo da margem operacional
de lucro.

• Margem operacional de lucro


Lucro Operacional
MOL=
Receita Líquida

O valor do lucro operacional (R$ 310.000,00) e da receita líquida (R$


1.070.000,00) podem ser encontrados na Tabela 12.

R$310.000,00
MOL= = 0,2897 ou 28,79%
R$1.070.000,00

www.esab.edu.br 63
A margem operacional de lucro indica que, da receita líquida total,
28,79% transforma-se em lucro operacional ou no lucro depois de
descontados os custos dos produtos vendidos e as despesas operacionais.
Vamos então à margem líquida de lucro.

• Margem líquida de lucro


Lucro Líquido
MLL =
Receita Líquida

Os valores do lucro líquido (R$ 199.500,00) e da receita líquida (R$


1.070.000,00) podem ser encontrados na Tabela 12.

R$ 199.500,00
MLL = = 0,1864 ou18,64%
R$1.070.000,00

A margem líquida de lucro indica que, da receita líquida total, 18,64%


transforma-se em lucro líquido ou no lucro depois de descontado os
custos dos produtos vendidos, as despesas operacionais, os juros e o
imposto de renda. Veremos agora o lucro por ação.

• Lucro por ação

Lucro líquido do exercício


LPA=
Número de ações da empresa
Como você pode conferir no enunciado, a empresa Polis S/A possui
1.000.000 de ações. Assim,

R$199.500,00
LPA= = 0,1995, aproximandamente 0,20
1.000.000

O LPA de R$ 0,1195, que arredondando temos R$ 0,20, representa


o valor ganho por cada ação da empresa Polis S/A A seguir, vamos
acompanhar o cálculo do índice preço/lucro.

• Índice preço/lucro
Preço de mercado por ação
P/L=
Lucro por ação

www.esab.edu.br 64
Como você pode conferir no enunciado, o valor de mercado da ação da
empresa Polis S/A é de R$ 11,45. Calculamos anteriormente o lucro por
ação (LPA) e ele corresponde a R$ 0,20. Assim,
R$11,45
P/L= = R$57,25
R$0,20

Esse resultado indica que os investidores estão pagando R$ 57,25 para cada
R$ 1,00 de lucro. O valor patrimonial por ação será calculado a seguir.

• Valor patrimonial por ação


Patrimônio líquido
Valor patrimonial por ação=
Número de ações da empresa

O valor do patrimônio líquido pode ser encontrado na Tabela 11,


somando o capital social com os lucros acumulados (R$ 4.000.000,00 +
R$ 1.341.500,00).

Vimos no enunciado que o número de ações da empresa Polis S/A é


1.000.000. Então:

R$5.341.500,00
Valor patrimonial por ação= = R$5,34
1.000.000

Com o valor patrimonial por ação, podemos calcular o índice de valor de


mercado/valor patrimonial.

• Índice de valor de mercado/valor patrimonial


Preço de mercado por ação
VM/VP=
Valor patrimonial por ação

Já sabemos que o preço de mercado por ação é de R$ 11,45 (conforme


fornecido no enunciado) e que o valor patrimonial por ação é de $ 5,34.

R$ 11,45
VM/VP= = 2,14
R$5,34

www.esab.edu.br 65
Essa relação VM/VP significa que os investidores estão pagando R$ 2,14
por R$ 1,00 de valor patrimonial da empresa Polis S/A.

Nesta unidade, você teve a oportunidade de conhecer a aplicação


dos índices financeiros na empresa Polis S/A. O gestor financeiro irá
comparar esses índices com o histórico da organização a fim de traçar
tendências das finanças. Além disso, ele poderá comparar os resultados
obtidos com os de outras empresas do mesmo setor, ou seja, seus
concorrentes, com o objetivo de averiguar a sua posição no mercado.

Na próxima unidade vamos iniciar nossos estudos acerca das finanças de


curto prazo da empresa, ou seja, do capital de giro.

Dica
Os índices financeiros fornecem uma visão
quantitativa em relação ao desempenho das
empresas. Outras variáveis de cunho qualitativo
também devem ser levadas em consideração
para essa avaliação: satisfação dos funcionários,
satisfação dos clientes e contribuição social, entre
outros indicadores que não podem ser captados
pelos índices financeiros.

www.esab.edu.br 66
11 Administração do capital de giro
Objetivo
Compreender a Administração Financeira no curto prazo e o capital
de giro.

Depois de estudar os índices a fim de avaliar o desempenho financeiro


de uma empresa, agora vamos adentrar em um dos principais temas da
área das finanças: a administração do capital de giro. Especificadamente,
a administração do capital de giro preocupa-se com as finanças de curto
prazo ou com as finanças operacionais da empresa. Ou seja, vamos voltar
a nossa atenção para os ativos e passivos circulantes que constam no
Balanço Patrimonial. Para isso, vamos nos apoiar em Gitman (2010) e
em Groppelli e Nikbakht (2010). Vamos lá?

11.1 Fundamentos da Administração Financeira de


curto prazo
A Administração Financeira de curto prazo nas organizações empresariais
refere-se à administração do Ativo e do Passivo Circulante, também
conhecido como capital de giro. O capital de giro está relacionado
aos ativos circulantes do Balanço Patrimonial, no qual encontramos,
basicamente, caixa, bancos, aplicações financeiras de curto prazo, contas
a receber e estoques, bem como as dívidas que vencerão no prazo de um
ano (Passivo Circulante).

A gestão do capital de giro é uma das mais importantes área das


finanças empresariais. Gitman (2010) indica que um terço do tempo do
administrador financeiro é dedicado à gestão do Ativo Circulante e cerca
de um quarto à gestão do Passivo Circulante.

www.esab.edu.br 67
Pelo fato de o capital de giro gerar capacidade financeira de sustentação
e crescimento dos negócios, uma gestão baseada em técnicas e controles
internos eficientes torna-se essencial para dar suporte às decisões
financeiras referentes a aspectos estratégicos e operacionais das empresas.

O objetivo da Administração Financeira de curto prazo é gerenciar


cada conta do Ativo Circulante (caixa, bancos, aplicações financeiras,
contas a receber e estoques) e de seu Passivo Circulante (contas a pagar,
empréstimos a pagar etc.) para, assim, atingir um equilíbrio financeiro
entre rentabilidade e risco dos investimentos que aumentem o valor da
empresa (GITMAN, 2010). Um dos principais tópicos a ser analisado
nas finanças de curto prazo é o capital de giro líquido. Podemos entendê-
lo como uma medida de eficiência do planejamento financeiro das
empresas. Vamos ver?

11.2 Capital de giro líquido


O Ativo Circulante, também chamado de capital de giro, representa
os investimentos que circulam, de uma forma para outra, na condução
normal dos negócios (GITMAN, 2010). Para Gitman (2010), esse
conceito abrange a transição recorrente do caixa para os estoques, dos
estoques para as contas a receber e de volta para o caixa.

Já o Passivo Circulante, segundo Gitman (2010), representa o


financiamento de curto prazo de uma empresa, uma vez que inclui todas as
dívidas a pagar no prazo de um ano. Essas dívidas normalmente abrangem
valores devidos a fornecedores (contas a pagar), funcionários e governo
(despesas a pagar), além de bancos (empréstimos a pagar), entre outros.

De acordo com Groppelli e Nikbakht (2010), capital de giro líquido


é o montante de dinheiro que sobra após os passivos circulantes serem
subtraídos dos ativos circulantes.

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Capital de giro líquido (CGL) = Ativos circulantes - Passivos circulantes

Quando o Ativo Circulante supera o Passivo Circulante, a empresa tem


capital de giro líquido positivo, como pode ser observado na Tabela 13.

Tabela 13 – Capital de giro líquido positivo


Balanço Patrimonial
Ativos Passivos

Ativo circulante R$ 100,000.00 Passivo circulante R$ 50,000.00

Ativos permanentes R$ 200,000.00 Patrimônio líquido R$ 250,000.00


Ativo total R$ 300,000.00 Passivo total R$ 300,000.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Podemos perceber na Tabela 13 que o Ativo Circulante (R$ 100.000,00)


é maior que o Passivo Circulante (R$ 50.000,00). Dessa forma, há uma
sobra positiva da equação CGL=AC - PC.

Quando o Ativo Circulante é menor que o Passivo Circulante, tem-se o


capital de giro líquido negativo, como pode ser observado no Tabela 14.

Tabela 14 – Capital de giro líquido negativo


Balanço Patrimonial
Ativos Passivos

Ativo circulante R$ 50,000.00 Passivo circulante R$ 100,000.00

Ativos permanentes R$ 300,000.00 Patrimônio líquido R$ 250,000.00


Ativo total R$ 350,000.00 Passivo total R$ 350,000.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Veja que na Tabela 14, o Ativo Circulante (R$ 50.000,00) é menor que o
Passivo Circulante (R$ 100.000,00). Dessa forma, há uma sobra negativa
da equação CGL=AC - PC.

Finalmente, quando o Ativo Circulante é igual ao Passivo Circulante,


tem-se o que se chama de capital circulante nulo. A Tabela 15 apresenta
essa situação.

www.esab.edu.br 69
Tabela 15 – Capital de giro líquido nulo
Balanço Patrimonial
Ativos Passivos

Ativo circulante R$ 100,000.00 Passivo circulante R$ 100,000.00

Ativos permanentes R$ 250,000.00 Patrimônio líquido R$ 250,000.00


Ativo total R$ 350,000.00 Passivo total R$ 350,000.00

Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Na Tabela 15 o Ativo Circulante (R$ 100.000,00) é igual ao Passivo


Circulante (R$ 100.000,00). Dessa forma, não há sobras na equação
CGL=AC - PC.

Por essa composição idêntica de investimentos e financiamentos de curto


prazo, a empresa não apresenta folga financeira.

O capital de giro líquido pode ser entendido como uma margem de


segurança para a empresa, isto é, descontando todas as dívidas, mostra a
sobra ou folga financeira que a organização possui no Ativo Circulante.

Assim, o capital de giro líquido pode também ser pensado como a


parcela dos ativos circulantes que deve ser financiada por meio do passivo
exigível a logo prazo ou do patrimônio líquido. O Quadro 6 mostra uma
relação do financiamento do Ativo Circulante. Vamos ver?

Balanço Patrimonial
Passivo circulante

Ativos
Passível exigível a longo prazo
Ativo realizável a longo prazo + Patrimônio Líquido
+ Ativo Imobilizado

Quadro 6 – Financiamento do Ativo Circulante.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

www.esab.edu.br 70
O Passivo Circulante financia a parte destacada do Ativo Circulante.
Quem financia o capital de giro líquido (a parcela do Ativo Circulante
em branco)? Esses recursos vêm do Passivo Exigível a Longo prazo ou
do Patrimônio Líquido. Lembrando que financiamentos a longo prazo
(passivo exigível a longo prazo e patrimônio líquido) geralmente são
mais onerosos à organização e investimentos em ativos circulantes são
menos rentáveis. Essa situação não otimiza os recursos financeiros.
Em contrapartida, confere segurança à empresa para saldar os seus
compromissos em dia.

Segundo Gitman (2010), a conversão dos estoques para contas a receber


e destas para o caixa, fornece os recursos para que se pague o Passivo
Circulante. As saídas de caixa para pagamento do Passivo Circulante são
relativamente previsíveis. Ao incorrer em uma obrigação, a empresa sabe
quando será devido o pagamento correspondente. Mais difíceis de prever
são as entradas de caixa (a conversão do Ativo Circulante em formas em
caixa, pela venda do estoque, por exemplo). Quanto mais previsíveis as
entradas de caixa, menor o capital de giro líquido necessário. Isso porque o
capital de giro líquido, por representar uma sobra, depois de pagar todas as
dívidas, também representa uma ociosidade dos recursos financeiros.

Como a maioria das empresas é incapaz de conciliar com certeza as


entradas e as saídas de caixa, costumam manter um Ativo Circulante
mais do que suficiente para cobrir as saídas associadas ao Passivo
Circulante. De modo geral, quanto maior a margem pela qual o Ativo
Circulante supera o Passivo Circulante de uma empresa, maior a sua
capacidade de pagar as contas. Porém, manter um Ativo Circulante
maior que o Passivo Circulante também indica alto investimento em
ativos circulantes que, como já mencionamos, são menos rentáveis.

Nesta unidade, vimos alguns conceitos fundamentais na gestão do capital


de giro. Na próxima unidade vamos continuar nossos estudos sobre as
finanças de curto prazo, apresentando o ciclo de conversão de caixa de
uma empresa.

www.esab.edu.br 71
Estudo complementar
Para saber mais sobre a gestão do capital de
giro, acesse o artigo “Necessidade de capital
de giro e nível de vendas”, de José Paulo Alves
Fusco, na Revista de Administração de Empresas.
Disponível clicando aqui. No link, clique em “pdf
em português”.

www.esab.edu.br 72
12 Ciclo de conversão de caixa
Objetivo
Descrever o ciclo de conversão de caixa, suas necessidades de
financiamento e as principais estratégias para geri-lo.

Na unidade 11 você estudou o capital de giro e as suas implicações na


gestão financeira da empresa. Agora, vamos desdobrar um pouco mais as
questões relacionadas ao tema, abordando o ciclo que o capital de giro
percorre na organização, o que nos permitirá agir mais pontualmente nos
problemas financeiros.

O ciclo de conversão de caixa trabalha com as finanças operacionais


da empresa, que têm como características a curta duração e a rápida
conversão das suas contas em outras do mesmo grupo do Ativo
Circulante. Por exemplo, ao realizar uma venda a prazo, a conta
Estoque é convertida em Contas a Receber e, ao ter o recebimento
efetivado, as Contas a Receber é convertido em Caixa. E, já que as
contas que compõem o capital de giro não costumam apresentar
sincronização em seus níveis de atividades (compras, produção, vendas,
recebimentos e pagamentos), é importante um conhecimento integrado
de seu desenvolvimento como forma de alocar mais adequadamente o
investimento necessário em capital de giro e realizar o seu controle.

Entender o ciclo de conversão de caixa de uma empresa é essencial


para a Administração Financeira de curto prazo (GITMAN, 2010).
Estudaremos esse assunto a partir de agora e, para isso, vamos utilizar
Gitman (2010) e Gitman e Madura (2003).

www.esab.edu.br 73
12.1 O Ciclo Operacional e Ciclo de Conversão de Caixa
Para entendermos o ciclo de conversão de caixa, é essencial que,
primeiro, identifiquemos o Ciclo Operacional de uma empresa.

O Ciclo Operacional (CO) de uma empresa, segundo Gitman e


Madura (2003), é o período de tempo desde o início do processo de
produção até a data de recebimento do dinheiro da venda do produto
acabado. O Ciclo Operacional abrange duas importantes categorias de
ativos de curto prazo: estoques e contas a receber. É medido em tempo
decorrido, somando-se o Período Médio de Estocagem (PME) –
período médio de estoque de matérias-primas, produtos em processo e
produtos acabados – e o Período Médio de Cobrança (PMC) – quanto
tempo os clientes levam para efetuar o pagamento.

CO = PME + PMC

Entretanto, ainda de acordo com Gitman e Madura (2003), o processo


de elaborar e vender um produto também inclui na conta a compra dos
insumos de produção (matérias-primas), o que resulta em contas a pagar.
As contas a pagar reduzem o número de dias em que os fundos de uma
empresa estão parados no ciclo operacional. O tempo que a empresa
leva para pagar uma conta, medido em dias, é o Período Médio de
Pagamento (PMP). O Ciclo Operacional menos o período médio de
pagamento é chamado de Ciclo de Caixa (CC) e representa o tempo que
os fundos da empresa estão parados. A fórmula para o ciclo de caixa é:

CC = CO - PMP

A empresa Byte, fabricante de equipamentos eletrônicos, por exemplo,


tem um Período Médio de Estocagem (PME) de 60 dias, um Período
Médio de Cobrança (PMC) de 40 dias e um Período Médio de
Pagamento (PMP) de 35 dias. Assim, o Ciclo de Conversão de Caixa
(CC) da empresa Byte é de 65 dias. Acompanhe:

www.esab.edu.br 74
CO = PME + PMC
CO = 60 + 40
CO = 100 dias

CC = CO - PMP
CC = 100 - 35
CC = 65 dias

A Figura 2 apresenta o ciclo de caixa da Byte como uma linha do tempo.


Tempo = 0 100 dias
Ciclo Operacional (CO)

Compra de Venda de produtos Cobrança


matérias-primas acabados a prazo de contas
a prazo a receber
Período Médio de Estocagem (PME) Período Médio de Cobrança (PMC)
60 dias 40 dias

Pagamento
de contas
a pagar
Período médio
de pagamento(PMP) Ciclo de Caixa (CC)
35 dias 65 dias
Tempo

Figura 2 – Linha do tempo para ciclo de caixa.


Fonte: Gitman e Madura (2003, p. 401).

Como você pode visualizar na Figura 2, o Ciclo de Caixa é um intervalo


de tempo que compreende o ciclo operacional menos o período médio
de pagamento de fornecedores. O Ciclo de Caixa de 65 dias corresponde
a uma necessidade de financiamento da sua atividade operacional, uma
vez que o desembolso acontece antes do recebimento. Dessa forma,
a gestão financeira buscará diminuir ao máximo o Ciclo de Caixa da
empresa, a fim de necessitar de menos fontes de financiamento para o
seu negócio. Esse financiamento do Ciclo de Caixa será desenvolvido no
próximo tópico.

www.esab.edu.br 75
12.2 Necessidades de financiamento do ciclo de
conversão de caixa
De acordo com Gitman (2010), se as vendas de uma empresa forem
constantes, o seu investimento em ativos operacionais também deverá ser
constante e ela terá apenas necessidade de financiamento permanente. Se
as vendas forem cíclicas, o investimento em ativos operacionais variará ao
longo do tempo conforme os ciclos de vendas e a empresa terá necessidade
de financiamento sazonal, além do financiamento permanente necessário
para um investimento mínimo em ativos operacionais.

Segundo Gitman (2010), os fundos de curto prazo costumam ser


mais baratos do que os de longo prazo. Entretanto, os de longo
prazo permitem que a empresa “congele” o custo dos fundos por um
determinado tempo e, dessa forma, evite o risco de aumento de juros.
Além disso, o financiamento de longo prazo garante a disponibilidade de
fundos no momento em que a empresa necessita, enquanto o de curto
prazo a expõe ao risco de não obter os fundos necessários para cobrir seus
picos sazonais.

Dessa forma, quanto maior for a participação de financiamentos de curto


prazo, mais agressiva é a estratégia de financiamento da empresa (custo
menor, porém, com maior risco); e, quanto maior for a participação
de financiamentos de longo prazo, mais conservadora é a estratégia
de financiamento da empresa (custo maior, porém, com menor risco).
No entanto, para ter menores necessidades de financiamento, algumas
estratégias financeiras serão descritas a seguir.

www.esab.edu.br 76
12.3 Estratégias de gestão do ciclo de conversão de
caixa
Um ciclo de caixa positivo, como vimos para a empresa Byte no exemplo
anterior, significa que a empresa deve usar obrigações negociáveis (como
empréstimos bancários) para financiar os seus ativos operacionais. Isso
porque o desembolso das matérias-primas acontece antes do recebimento
pelos produtos. As obrigações negociáveis têm um custo explícito (como
os juros), de modo que a organização se beneficia ao minimizar seu uso
para financiar seus ativos operacionais. Minimizar as obrigações com
custos pode ser concretizado, segundo Gitman e Madura (2003), por
meio da aplicação das seguintes estratégias:

• girar o estoque o mais rápido possível, sem gerar falta de estoque que
resulte em perda das vendas – isso significa que o período médio de
estocagem deve ser o mínimo. Um bom planejamento de compras de
matérias-primas e programação da produção auxiliam nesse processo;
• cobrar as contas a receber o mais rápido possível, sem perder vendas
com técnicas de cobranças que apelem muito para a pressão aos
clientes. Planejar a política de crédito da empresa de acordo com suas
necessidades e com o perfil dos seus clientes é uma boa estratégia;
• gerenciar o tempo de correio, de processamento e de compensação
de cheques para reduzi-los ao cobrar os clientes e aumentá-los ao
pagar os fornecedores; e
• protelar ao máximo o pagamento das contas, sem prejudicar a
situação de crédito da empresa. Ter um bom relacionamento com
os fornecedores para aumentar o período médio de pagamento, é
interessante para a administração.
Conforme você estudou nesta unidade, o ciclo de conversão de caixa é um
tema central nos problemas relacionados ao capital de giro da empresa.
Questões como a sincronização de entradas e saídas de caixa, políticas
de crédito e planejamento de compra e armazenamento de estoques são
essenciais nos estudos das finanças de curto prazo. Na próxima unidade
resolveremos um problema relacionando o ciclo de conversão de caixa e a
utilização de estratégias para resolução dos problemas.

www.esab.edu.br 77
Resumo

Na unidade 7 você teve a oportunidade de iniciar seus estudos


referentes aos índices financeiros na empresa para acompanhamento
do desempenho da atividade. Os índices de liquidez medem a
capacidade que a empresa tem de saldar suas dívidas de curto prazo.
Já o índice de endividamento indica o percentual, dos ativos totais,
que é financiado por capital de terceiros (dívidas). Na unidade 8
conhecemos os indicadores de rentabilidade e margem de lucro. Os
primeiros verificam, em termos percentuais, os retornos obtidos a partir
de investimentos realizados, seja o investimento total da empresa ou
somente o investimento realizado pelos proprietários. A margem de
lucro é uma medida de eficiência dos gastos que a empresa tem, ou seja,
verifica a capacidade da empresa em transformar sua receita em lucro.
Ainda relacionado a indicadores, na unidade 9 estudamos indicadores de
mercado, como o índice preço/lucro –que é usado para avaliar a maneira
como os proprietários enxergam o preço da ação – e o índice de valor
de mercado/valor patrimonial – que fornece uma avaliação de como os
investidores encaram o desempenho da empresa, relacionando o valor das
ações da organização ao seu valor patrimonial. Todos os conceitos foram
aplicados e analisados em um exemplo da unidade 10.

Depois de conhecer a avaliação da empresa por meio de índices, iniciamos


nossos estudos das finanças de curto prazo na unidade 11, com o tema do
capital de giro. Identificamos que o objetivo da Administração Financeira
de curto prazo é gerenciar cada elemento do ativo e do Passivo Circulante,
para atingir um equilíbrio financeiro entre rentabilidade e risco que
contribua positivamente para o valor da empresa. Por fim, estudamos
na unidade 12 o ciclo de conversão de caixa e aprendemos que a
Administração Financeira objetiva diminuir ao máximo esse ciclo, uma vez
que ele representa uma necessidade de financiamento em capital de giro.

www.esab.edu.br 78
13 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Na unidade 12 estudamos conceitos relacionados ao caixa das empresas;


nesta unidade, vamos aprender a calcular o Ciclo de Conversão de Caixa,
bem como as implicações em relação aos custos desse ciclo e estratégias
para reduzi-lo. Para isso, vamos acompanhar o caso da empresa Café do
Brasil S/A. Os fundamentos dos cálculos terão o apoio teórico de Gitman
(2010) e Gitman e Madura (2003). Vamos lá?

13.1 Contextualizar uma organização e seus dados de


caixa
Conforme estudamos nas unidades anteriores, analisar o capital de giro
das empresas e, consequentemente, o Ciclo de Conversão de Caixa, é
uma das atividades mais importantes envolvendo as finanças. Para a
análise do Ciclo de Conversão de Caixa precisamos conhecer o processo
produtivo e operacional das empresas. Vamos supor que a empresa Café
do Brasil S/A fabrica e vende dois produtos aos seus clientes espalhados
por todo o território nacional: latas de café e latas de cappuccino. A
empresa utiliza como matéria-prima na fabricação dos seus produtos:

• café (grãos de café, açúcar e embalagem); e


• cappuccino (café em grão, açúcar, leite em pó e embalagem).

As matérias-primas permanecem estocadas na empresa por um período


médio de 10 dias até que entrem no processo produtivo.

O processo produtivo do café e do cappuccino é artesanal e a fabricação


ocorre em 20 dias.

www.esab.edu.br 79
Quando os produtos estão prontos, eles são despachados para uma
central distribuidora em um período médio de dois dias. Da central
distribuidora, a empresa leva mais três dias para entregá-los nos
supermercados para a venda. Analisando os estoques dos supermercados,
a empresa Café do Brasil S.A. estima que o café e o cappuccino levam, em
períodos médios, cerca de cinco dias para serem vendidos.

O prazo de cobrança dos produtos vendidos apresenta o seguinte


comportamento: 50% são vendas à vista e 50% em 30 dias, acarretando
um período médio de recebimento de 15 dias.

Os fornecedores das matérias-primas concedem à empresa Café do Brasil


S/A um prazo para pagamento de 25 dias.

Para que todo o processo aconteça (desde a compra da matéria-prima


até o recebimento dos produtos vendidos), a empresa precisa de um
investimento de R$ 1.000.000,00 em capital de giro. Fontes externas de
financiamento de capital de giro custam, para a empresa Café do Brasil
S.A., 3% ao mês.

Com essas informações, vamos calcular o ciclo de conversão de caixa e


suas necessidades de financiamento.

13.2 Calcular o ciclo de conversão em caixa e suas


necessidades de financiamento
Antes de calcular o ciclo de conversão de caixa, é importante analisarmos
o ciclo operacional da empresa Café do Brasil S/A. Vale lembrar que
o ciclo operacional da empresa é o período de tempo desde a compra
da matéria-prima até o recebimento pelos produtos vendidos. O ciclo
operacional da empresa Café do Brasil S/A está representado na Figura 3.

www.esab.edu.br 80
Compra das matérias-primas

Início da fabricação

Final da fabricação

Recebimento
PMV ou
PME (mp) PMF ou PME (pp) PME (pa) PMC
10 dias 20 dias 10 dias 15 dias

Ciclo operacional = 55 dias


Figura 3 – Ciclo operacional da empresa Café do Brasil S/A.
Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Como você pode observar, o ciclo operacional inicia-se com a compra


das matérias-primas. Essas matérias-primas ficam estocadas na empresa
por 10 dias, o que é representado pelo Período Médio de Estoques de
matérias- primas – PME(mp).

Após esse período, inicia-se a fabricação dos produtos e esse processo


leva 20 dias para ser concluído, representando o Período Médio de
Fabricação – PMF (ou também chamado de Período Médio de Estoques
de produtos em processo).

Ao final da fabricação, inicia-se o Período Médio de Vendas – PMV –


que, na empresa Café do Brasil S/A, tem duração de 10 dias (incluindo
os dois dias para levar até a distribuidora, mais três dias para levar aos
supermercados, mais cinco dias para serem vendidos). O Período Médio
de Vendas também é conhecido como Período Médio de Estoques de
produtos acabados.

Ao serem vendidos, a empresa demora em média 15 dias para o


recebimento dos produtos, completando assim o seu Ciclo Operacional.

www.esab.edu.br 81
A soma de todos os períodos resulta no tempo do Ciclo Operacional da
empresa, ou seja:

CO = PME + PMC

Em que:

CO = Ciclo Operacional

PME = Período Médio de Estocagem. No caso da empresa Café do Brasil


S/A, inclui PME(mp) + PME(pp) + PME(pa)

PMC = Período Médio de Cobrança

Dessa forma:

CO = 10 + 20 + 10 + 15
CO = 55 dias

Agora, vamos juntar outra informação a essa análise: o Prazo Médio de


Pagamento dos Fornecedores. Esse prazo serve para calcularmos o ciclo
de conversão de caixa. Vamos ver como fica no gráfico?

www.esab.edu.br 82
Compra das matérias-primas

Início da fabricação

Final da fabricação

Recebimento
PMV ou
PME (mp) PMF ou PME (pp) PME (pa) PMC
10 dias 20 dias 10 dias 15 dias

Ciclo Operacional = 55 dias


PMP Ciclo de Caixa
25 dias 30 dias
Figura 4 – Ciclo de conversão de caixa.
Fonte: Elaborada pela autora (2013).

Como você pode observar na Figura 4, o Período Médio de Pagamento


(PMP) é de 25 dias. Ou seja, em 25 dias, a empresa precisa desembolsar
o pagamento para o fornecedor. Porém, ela receberá dos seus clientes
somente no final do ciclo operacional. Isso significa que ela tem um
Ciclo de Conversão de Caixa ou, simplesmente, um Ciclo de Caixa (CC)
de 30 dias. Veja:

CC = CO - PMP
CC = 55 dias – 25 dias = 30 dias

O Ciclo de Caixa representa o tempo que a empresa necessitará de


financiamentos para o seu capital de giro. Se a empresa Café do Brasil
S/A precisa de um financiamento de R$ 1.000.000,00 ao custo de 3%
a.m., significa dizer que ela pagará juros de R$ 30.000,00 ao final do
período (R$ 1.000.000,00 × R$ 30.000,00).

No próximo tópico vamos apontar algumas alternativas para a empresa Café


do Brasil S/A diminuir o seu Ciclo de Caixa, a fim de evitar necessidades de
fontes de financiamentos externas que geram juros para a empresa.

www.esab.edu.br 83
13.3 Apontar estratégias para a gestão do ciclo
Você pôde perceber que, quanto maior for o Ciclo de Caixa da empresa
Café do Brasil S/A, mais juros ela pagará pelas fontes de financiamentos
externas. Dessa forma, o nosso objetivo é diminuir o máximo possível
o Ciclo de Caixa. Como podemos fazer isso? Gitman (2010) e Gitman
e Madura (2003) sugerem a diminuição dos períodos médios que
compõem o Ciclo Operacional (Período Médio de Estoque e Período
Médio de Recebimento) da empresa ou o aumento do Período Médio de
Pagamento aos fornecedores. Alguns exemplos podem ser citados:

• a empresa Café do Brasil S/A poderia planejar melhor as suas


compras, para que as matérias-primas não ficassem tanto tempo
estocadas na empresa;
• investimentos em tecnologias da produção diminuem o período de
fabricação;
• a logística de distribuição dos produtos poderia ser revista, com
distribuidoras mais próximas dos supermercados ou se utilizando de
outros meios de transporte;
• a empresa poderia estimular promoções nos supermercados, para
que o estoque girasse mais rápido; e
• poderia haver negociações com os fornecedores para esticar o prazo
de pagamento.
Todas essas ações contribuem para a diminuição do Ciclo de Conversão
de Caixa da empresa e, consequentemente, para a diminuição das
necessidades de financiamento em capital de giro que geram juros à
organização.

Nesta unidade, tivemos a oportunidade de acompanhar um caso de uma


empresa e a aplicação do Ciclo de Conversão de Caixa, percebendo os
custos que esse ciclo pode acarretar.

Na unidade 14 vamos desdobrar o Período Médio de Cobrança através


da política de crédito das empresas.

www.esab.edu.br 84
14 Administração de contas a receber
Objetivo
Explicar o processo de seleção de crédito e o procedimento
quantitativo na sua avaliação.

Nas unidades anteriores estudamos aspectos gerais do capital de giro,


bem como do ciclo operacional e de caixa. Agora vamos focar em um
item do capital de giro muito importante nas finanças empresariais: o
Contas a Receber. O Contas a Receber reflete a política de crédito de
uma empresa e seus parâmetros em termos de vendas a prazo. No ciclo
operacional, ela representa o Período Médio de Cobrança, ou seja, o
volume e o prazo que os clientes dispõem para efetuarem o pagamento.
Para discutirmos tal tema, vamos nos embasar nas ideias de Groppelli
e Nikbakht (2010) e Gitman e Madura (2003). Groppelli e Nikbakht
(2010, p. 337) afirmam que o

[...] volume de contas a receber é, basicamente, determinado pelos padrões de crédito


da companhia. Se esses padrões forem rigorosos, muitos poucos clientes estarão
qualificados ao crédito, as vendas irão declinar e, como resultado, as contas a receber
diminuirão. Por outro lado, se os padrões de crédito forem mais flexíveis, a empresa
atrairá mais clientes, as vendas crescerão, e haverá mais contas a receber.

Dessa forma, concluímos que flexibilizar a política de crédito para


aumentar o Contas a Receber tem vantagens e desvantagens. As
vantagens são os aumentos nas vendas e, consequentemente, um
aumento nos lucros, além da maior participação de mercado e clientes
mais satisfeitos. As desvantagens são representadas por inúmeros custos
que a política de crédito gera: a análise do crédito dos potenciais clientes,
custos com instrumentos de cobranças, o aumento da probabilidade de
contas incobráveis e custo do financiamento do Contas a Receber.

www.esab.edu.br 85
Para Groppelli e Nikbakht (2010), o Contas a Receber é como se fossem
empréstimos sem juros aos clientes, uma vez que a empresa paga as
despesas de juros enquanto seu capital está parado no Contas a Receber.
Dessa forma, a organização deve ter uma política de acompanhamento
dos padrões de crédito para assegurar a sua saúde financeira. A seguir
vamos estudar um pouco mais sobre essa política, começando com a
seleção de crédito.

14.1 Seleção de crédito


A política de crédito de uma empresa fixa os parâmetros em relação às
vendas a prazo, identificadas no Contas a Receber. Um dos principais
itens dessa política diz respeito à seleção de quais clientes devem receber
o crédito.

Uma técnica usada para seleção de crédito é a dos cinco Cs do crédito,


conforme Gitman e Madura (2003, p. 408):

1. Caráter: o registro do solicitante em satisfazer às obrigações anteriores.

2. Capacidade: a capacidade do solicitante de pagar o crédito solicitado, julgada


em termos da análise da demonstração financeira concentrada nos fluxos de caixa
disponíveis para pagamentos de obrigações.

3. Capital: a dívida do solicitante em relação ao patrimônio líquido.

4. Colateral (garantia): o montante de ativos que o solicitante tem disponíveis para


usar como garantia ao crédito.

5. Condições: condições econômicas atuais, gerais e específicas ao setor e quaisquer


condições exclusivas envolvendo uma transação mais específica.

Analisar os cinco Cs de cada solicitante de crédito ajuda a empresa


selecionar os clientes que apresentam maior probabilidade de pagamento
da dívida adquirida dentro das condições concedidas. Com base nos
cinco Cs do crédito, a empresa tem condições de classificar os seus
clientes, concedendo ou não o crédito.

www.esab.edu.br 86
14.2 Termos de crédito
Uma vez selecionado o cliente, a política de crédito da empresa deve
conter os temos de crédito que, segundo Gitman e Madura (2003),
representam as condições da venda. Os termos de crédito incluem
basicamente o limite que o cliente recebeu de crédito e o prazo que terá
para efetuar o pagamento.

É comum também as empresas oferecerem descontos para pagamento


à vista, que são deduções do preço pelo pagamento antecipado
(GITMAN; MADURA, 2003).

Os termos de crédito de uma empresa são influenciados pelo tipo de


negócio. Para Gitman e Madura (2003), uma organização que vende
itens perecíveis terá termos de crédito mais curtos, porque seus itens têm
pouco valor de garantia em longo prazo; ou, ainda, uma empresa que
tenha um negócio sazonal pode adaptar seus termos para atender aos
ciclos do setor.

Lembre-se: se os termos de crédito de uma empresa forem mais


restritivos que as de seus concorrentes, ela perderá vendas; se os termos
forem menos restritivos que os dos concorrentes, ela atrairá clientes que
provavelmente não poderiam pagar de acordo com os padrões de crédito
do setor (GITMAN; MADURA, 2003).

Ao fixar a política de crédito, é sempre importante um monitoramento


a fim de verificar se os clientes estão pagando de acordo com os termos
estabelecidos. Essa avaliação do crédito é o que veremos no próximo
tópico.

www.esab.edu.br 87
14.3 Avaliação do crédito
A política de crédito de uma empresa é elaborada com dois principais
objetivos: aumento nas vendas (e consequente aumento nos lucros)
e diminuição da inadimplência (falta de pagamento por parte dos
compradores). A avaliação do crédito leva em consideração um
monitoramento do Contas a Receber “[...] para determinar se os clientes
estão pagando de acordo com as condições de crédito estabelecidas”
(GITMAN; MADURA, 2003, p. 414). Se eles estiverem com os
pagamentos atrasados, a monitoração do crédito alertará a empresa dessas
condições.

Duas técnicas utilizadas para monitorar o Contas a Receber são o


Período Médio de Cobrança e a Organização Cronológica do Contas a
Receber. Vamos ver?

Período Médio de Recebimento

O Período Médio de Recebimento (PMR) é um dos períodos que


compõem o Ciclo Operacional e, consequentemente, o Ciclo de
Conversão de Caixa, conforme visto na unidade 12. Ele representa o
número médio de dias em que o cliente efetiva o pagamento, podendo
ser calculado da seguinte forma:

Saldo Médio em Contas a Receber


Período Médio de Recebimento = × período
Vendas

Por exemplo, consultando o Balanço Patrimonial de uma empresa,


constatamos que ela mantém, em média, R$ 20.000,00 no Contas a
Receber durante um ano. Suas vendas anuais somam o montante de R$
100.000,00, ou seja:

R$ 20.000,00
Período Médio de Recebimento = × 360 dias =
72 dias
R$ 100.000,00

Assim, o período médio no qual os clientes estão pagando é de 72 dias.


A empresa deve acompanhar esse prazo com o período estipulado na sua
política de crédito para verificar se há atrasos no pagamento.

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Organização Cronológica do Contas a Receber

A Organização Cronológica do Contas a Receber exige que as contas a


receber da empresa estejam divididas em grupos, com base na data de
origem e vencimento das dívidas. Segundo Gitman e Madura (2003, p.
415), “[...] o resultado é uma programação que indica as porcentagens
do saldo total das contas a receber que estão em processo em períodos
específicos de tempo”. Ou seja, apresenta uma ordenação cronológica
dos recebimentos que estão por vencer. Essa organização do Contas a
Receber auxilia na visualização dos clientes que estão dentro do prazo de
pagamento e dos que estão atrasados ou se tornaram inadimplentes.

Nesta unidade, vimos os parâmetros para elaborar uma política de


crédito. Antes da decisão de reduzir os padrões de crédito, deve-se
comparar o custo de contas a receber adicionais e os benefícios pelo
aumento das vendas. Se o resultado dessa análise de custo/benefício for
um lucro líquido, a empresa deve relaxar os padrões de crédito, segundo
Groppelli e Nikbakht (2010). Na próxima unidade vamos analisar um
caso de política de crédito envolvendo as vantagens e desvantagens da
concessão de crédito a fim de analisar o incremento nos ganhos.

Saiba mais
A inadimplência é a principal preocupação da
política de crédito das empresas. Para saber
mais sobre o assunto, assista ao vídeo “Sebrae
– SP – Direto ao Ponto – Versão Completa –
Inadimplência” clicando aqui.

www.esab.edu.br 89
15 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Como você estudou na unidade 14, a política de crédito determina os


parâmetros de uma empresa em termos de vendas a prazo. Uma das
estratégias utilizadas pelas organizações com o objetivo de aumentar o
volume de vendas é esticar o prazo de pagamento para os seus clientes.
Porém, conforme apontam Gitman e Madura (2003), alguns custos são
incorridos em função da política de crédito da empresa. Alguns exemplos
desses custos são:

• custo da análise de crédito: está relacionado ao gasto da empresa


em analisar o perfil do solicitante de crédito, a sua capacidade de
pagamento e o seu histórico de pagamento em bancos de dados de
crédito;
• custo com devedores duvidosos: diz respeito à falta de pagamento
de alguns compradores;
• custo com instrumentos de cobrança: está relacionado aos
instrumentos que a empresa fornece aos clientes para o pagamento
da dívida;
• custo com cobrança: o custo com cobrança refere-se ao gasto da
empresa para cobrar os clientes inadimplentes;
• custo do financiamento do Contas a Receber: quanto maior for
o crédito concedido pela empresa, maior será seu investimento em
Contas a Receber ou o Saldo Médio em Contas a Receber (SMCR);
dessa forma, um aumento no investimento requer uma fonte de
financiamento correspondente.

www.esab.edu.br 90
O Saldo Médio em Contas a Receber é o montante de recursos, em
média, que a empresa investe no Contas a Receber. Para encontrar
o SMCR, basta dividir o total de vendas pelo período que estamos
analisando (se for um ano, divide-se por 360 dias, por exemplo) e
multiplica-se pelo Período Médio de Recebimento (PMR), conforme a
fórmula a seguir:
Total de vendas
SMCR = × PMR
Período de análise (em dias)
O resultado do SMCR mostra o montante de recursos investidos em
Contas a Receber.

É importante verificar o custo/benefício de uma política de crédito a fim


de analisar qual incremento no lucro que ela provoca. Nesta unidade,
vamos observar o caso da empresa Doce Lar e iniciaremos apresentando
os dados da organização quanto à sua política de crédito. Acompanhe!

15.1 Apresentar os dados de uma empresa quanto à


sua política de crédito
A empresa Doce Lar comercializa artigos de luxo para decoração de casas
e, atualmente, apresenta vendas no valor de R$ 1.800.000,00 anuais.
Os custos de fabricação e venda dos produtos consomem 70% do total
de vendas. A empresa Doce Lar oferece aos seus clientes um prazo de
pagamento de 90 dias. Alguns custos são contabilizados em função da
política de crédito da organização:

• custo da análise de crédito: 2% das vendas;


• custo com devedores duvidosos: 5% das vendas;
• custo com instrumentos de cobrança: 1% das vendas;
• custo com cobrança: 3% das vendas;
• custo do financiamento do Contas a Receber: 7% do Saldo Médio
Investido em Contas a Receber.

A fim de aumentar as vendas, a empresa Doce Lar buscará, no crédito,


uma vantagem competitiva no mercado. Isso significa que ela irá afrouxar
a sua política de crédito, concedendo mais prazo para o pagamento.
Vamos simular alguns cenários dessas novas políticas?

www.esab.edu.br 91
15.2 Simular cenários de política de crédito
Vamos apresentar outro cenário para a política de crédito da empresa
Doce Lar.

Política de crédito proposta: na política de crédito proposta, a empresa


Doce Lar daria 180 dias para o pagamento e suas vendas aumentariam
para R$ 2.000.000,00. Os custos de fabricação e venda dos produtos
consomem 70% do total de vendas. Os custos dessa política de crédito
seriam:

• custo da análise de crédito: 2% das vendas;


• custo com devedores duvidosos: 7% das vendas. Esse custo aumenta
em função do afrouxamento da política;
• custo com instrumentos de cobrança: 1% das vendas;
• custo com cobrança: 5% das vendas. Esse custo aumenta em função
do afrouxamento da política;
• custo do financiamento do Contas a Receber: 7% do Saldo Médio
Investido em Contas a Receber.
Com o cenário de política de crédito da empresa Doce Lar estipulado,
vamos calcular o incremento no lucro que a política atual e a proposta
geram?

15.3 Avaliar as alternativas apresentadas


Agora que já temos uma alternativa para a política de crédito da empresa
Doce Lar, vamos calcular os custos para saber qual delas incrementa mais
os lucros da organização. Você pode comparar os valores observando o
Quadro 7 de análise da política de crédito.

www.esab.edu.br 92
Quadro de análise da política de crédito Atual Proposta
1. Vendas anuais R$ 1.800.000,00 R$ 2.000.000,00
2. Custos de fabricação e venda R$ 1.260.000,00 R$ 1.400.000,00
3. Margem de lucro (1 – 2) R$ 540.000,00 R$ 600.000,00
4. Período Médio de Recebimento 90 180
5. Saldo Médio em Contas a Receber R$ 450.000,00 R$ 1.000.000,00
6. Custo da análise do crédito R$ 36.000,00 R$ 40.000,00
7. Custo com devedores duvidosos R$ 90.000,00 R$ 140.000,00
8. Custo com instrumentos de cobrança R$ 18.000,00 R$ 20.000,00
9. Custo com cobrança R$ 54.000,00 R$ 100.000,00
10. Custo do financiamento em contas a receber R$ 31.500,00 R$ 70.000,00
11. Total dos custos da política de crédito (6 +7 +8 +9 +10) R$ 229.500,00 R$ 370.000,00
12. Incremento no lucro (3 – 11) R$ 310.500,00 R$ 230.000,00

Quadro 7 – Quadro de análise da política de crédito da empresa Doce Lar.


Fonte: Elaborado pelo autora (2013).

Vamos identificar todos os valores da Política Atual (PA) e da Política


Proposta (PP):

1. Vendas anuais: total de vendas realizadas pela empresa durante 1 ano


(na teoria financeira, um ano corresponde a 360 dias).

Vendas anuais (PA) = R$ 1.800.000,00

Vendas anuais (PP) = R$ 2.000.000,00

2. Custos de fabricação e venda: esses custos não estão relacionados à


política de crédito da empresa, ou seja, independentemente do prazo
de pagamento, a empresa Doce Lar gasta 70% do valor com matérias-
primas, mão de obra, gastos com vendas etc.

Custos fabr. e venda (PA) = R$ 1.800.000,00 x 0,07 = R$ 126.000,00

Custos fabr. e venda (PP) = R$ 2.000.000,00 x 0,07 = R$ 140.000,00

www.esab.edu.br 93
3. Margem de Lucro = Total de vendas – Custos de fabricação e venda.
Dessa forma,

Margem de lucro (PA) = R$ 1.800.000,00 – R$ 1.260.000,00 = R$


540.000,00

Margem de lucro (PP) = R$ 2.000.000,00 – R$ 1.400.000,00 = R$


600.000,00

4. Período Médio de Recebimento = na política atual há 90 dias para


pagamento e na política proposta, 180 dias.

5. Saldo Médio em Contas a Receber (SMCR) =

R$ 1.800.000,00
SMCR (PA)= × 90 dias = R$ 450.000,00
360 dias
R$ 2.000.000,00
SMCR (PP)= × 180 dias = R$ 1.000.000,00
360 dias
6. Custo com análise do crédito = 2% do total das vendas.

Custo com análise do crédito (PA) = R$ 1.800.000,00 x 0,02 = R$


36.000,00

Custo com análise do crédito (PP) = R$ 2.000.000,00 x 0,02 = R$


40.000,00

7. Custo com devedores duvidosos = para a política atual é de 5% e para


a política proposta, de 7% (afrouxar a política de crédito aumenta a
inadimplência).

Custo com devedores duvidosos (PA) = R$ 1.800.000,00x0,05 = R$


90.000,00

Custo com devedores duvidosos (PP) = R$ 2.000.000,00 x 0,07 = R$


140.000,00

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8. Custo com instrumento de cobrança = 1% do total das vendas.

Custo com instrumento de cobrança (PA) = R$ 1.800.000,00 x 0,01 =


R$ 18.000,00

Custo com instrumento de cobrança (PP) = R$ 2.000.000,00 x 0,01 =


R$ 20.000,00

9. Custo com cobrança = para a política atual é de 3% e para a política


proposta, de 5% (afrouxar a política de crédito aumenta os custos com
cobrança).

Custo com cobrança (PA) = R$ 1.800.000,00 x 0,03 = R$ 54.000,00

Custo com cobrança (PP) = R$ 2.000.000,00 x 0,05 = R$ 100.000,00

10. Custo do financiamento do Contas a Receber = 7% do Saldo Médio


em Contas a Receber

Custo do financiamento (PA) = R$ 450.000,00 x 0,07 = R$ 31.500,00

Custo do financiamento (PP) = R$ 1.000.000,00 x 0,07 = R$ 70.000,00

11. Total de custos da política de crédito = Custo da análise do crédito +


Custo com devedores duvidosos + Custo com instrumentos de cobrança
+ Custo com cobrança + Custo do financiamento em contas a receber.

Total de custos (PA) = R$ 36.000,00 + R$ 90.000,00 + R$ 18.000,00 +


R$ 54.000,00 + R$ 31.500,00 = R$ 229.500,00.

Total de custos (PP) = R$ 40.000,00 + R$ 140.000,00 + R$ 20.000,00 +


R$ 100.000,00 + R$ 70.000,00 = R$ 370.000,00.

www.esab.edu.br 95
12. Incremento no Lucro = Margem de Lucro – Total de custos da
política de crédito.

Incremento no lucro (PA) = R$ 540.000,00 – R$ 229.500,00 = R$


310.500,00

Incremento no lucro (PP) = R$ 600.000,00 – R$ 370.000,00 = R$


230.000,00

Como podemos observar, apesar do aumento do volume de vendas, a


política de crédito proposta não supera o incremento no lucro da política
atual em função dos custos que gera.

Nesta unidade, analisamos o caso da empresa Doce Lar em relação à sua


política de crédito e calculamos os custos dessa política. Uma política
de crédito ideal é aquela que gera o maior incremento dos lucros da
empresa. Depois de ter estudado o Contas a Receber, na unidade 16
vamos estudar outra importante conta do capital de giro: os Estoques.

www.esab.edu.br 96
16 Administração de estoques

Objetivo
Discutir a administração de estoques na ótica financeira.

O estudo do capital de giro envolve contas como o Caixa, o Contas a


Receber e os Estoques. Nas unidades anteriores estudamos o Contas a
Receber e a política de crédito da empresa. Nesta unidade, vamos estudar
a conta com menor liquidez do capital de giro: os Estoques. Para tanto,
vamos utilizar Groppelli e Nikbakht (2010) e Gitman (2010).

16.1 Objetivo da gestão do estoque


Segundo Groppelli e Nikbakht (2010, p. 339), o objetivo da
administração de estoques “[...] é determinar e manter um nível de
estoque que assegure o atendimento pontual dos pedidos dos clientes em
quantidade satisfatória”.

Basicamente há três tipos de estoques nas empresas: estoques de


matérias-primas, estoques de produtos em processo e estoques de
produtos acabados. Conforme estudamos na unidade 12, os Períodos
Médios de Estoques são responsáveis por três períodos do Ciclo
Operacional de uma empresa: Período Médio de Estoques de Matérias-
primas, Período Médio de Estoques de Produtos em Processo e Período
Médio de Estoque de Produtos Acabados. Dessa forma, o tempo do ciclo
operacional é bastante influenciado pelos estoques da empresa.

Groppelli e Nikbakht (2010) ainda afirmam que é oneroso para uma


empresa manter níveis elevados de estoque, principalmente porque
imobiliza um dinheiro que não rende juros, ou seja, o investimento
fica “parado” em estoques até que os materiais sejam transformados e
vendidos.

www.esab.edu.br 97
Em outras palavras, o custo do estoque impede o aproveitamento de outras
oportunidades lucrativas. Se houver uma oportunidade de obter 15% de lucro
sobre o investimento, a manutenção de um nível de estoque de $ 10.000 custa $
1.500 anualmente. Visto de outro ângulo, a empresa obteria um lucro de $ 1.500 se
pudesse investir $ 10.000, em vez de usá-lo na compra de estoques. O entendimento
desse conceito é fundamental na solução de problemas na área de administração de
estoques. (GROPPELLI; NIKBAKHT, 2010, p. 339)

O volume de estoques só deve ser aumentado se os benefícios gerados


forem maiores do que os custos para se manter estoques adicionais.
A administração de estoque apresenta algumas ferramentas utilizadas
na gestão da empresa, que têm como objetivo principal manter
níveis adequados dessa conta: um nível baixo pode acarretar no
interrompimento da produção ou na perda de vendas; um nível muito
alto acarreta custos de manutenção, perdas de estoques (principalmente
quando se trata de produtos perecíveis) e custo de oportunidade do
investimento parado.

Aqui vamos estudar duas dessas ferramentas para controlar os níveis


adequados do estoque: o Sistema ABC e o Lote Econômico de Compra.

16.2 Sistema ABC


De acordo com Gitman (2010, p. 553), as empresas que utilizam o sistema
ABC de estoques classificam seu estoque em três grupos: A, B e C.

O grupo A compreende os itens do estoque que exigem maior investimento


monetário; normalmente, compreende 20% dos itens mantidos em estoque, mas
requer 80% do investimento. O grupo B inclui os itens que respondem pelo segundo
maior investimento do estoque. Já o grupo C consiste em grande número de itens que
exigem um investimento relativamente pequeno.

Esse sistema de classificação é utilizado para monitorar o nível de


cada um dos grupos de estoque. Segundo Gitman (2010), os estoques
pertencentes ao grupo A costumam ser monitorados com maior
intensidade devido ao elevado investimento monetário. “Normalmente,
esses itens são acompanhados por meio de um sistema de estoque

www.esab.edu.br 98
permanente que permite verificação diária do nível de cada um deles”
(GITMAN, 2010, p. 553). Os itens de estoque do grupo B são
controlados por meio de verificações periódicas de seus níveis, podendo
ser semanais ou até mensais. Já os do grupo C,

[...] esses são monitorados com técnicas rudimentares, como o método das duas
gavetas, segundo o qual o item é estocado em suas gavetas: quando há necessidade
dele, utiliza-se o estoque da primeira gaveta; quando ele esvazia, é feito um pedido
para reabastecê-lo enquanto o estoque passa a ser retirado da segunda gaveta que é
usada até se esvaziar, e assim por diante. (GITMAN, 2010, p. 553)

O alto investimento feito nos estoques do grupo A e B sugere a


necessidade de um método de administração mais sofisticado. O modelo
do Lote Econômico de Compra, discutido a seguir, é apropriado para a
gestão desses itens.

16.3 Lote Econômico de Compra e o Estoque de


Segurança
Umas das técnicas utilizadas na administração de estoques que requerem
maior monitoramento é o modelo do Lote Econômico de Compra
(LEC). Segundo Gitman (2010), esse modelo considera diversos custos
para determinar qual o volume de pedido que minimiza o custo total do
estoque.

O LEC supõe que os custos podem ser divididos em custos de pedido


e custos de manutenção dos estoques. Cada um tem determinados
componentes e características:

Os custos de pedido

[...] incluem os custos administrativos fixos de colocação e recebimento de pedidos: o


custo de preenchimento de uma ordem de compra, de processamento da documentação
resultantes, de recebimento de um pedido e de sua conferência com a fatura. Eles são
estabelecidos em valores monetários por pedido. (GITMAN, 2010, p. 553)

www.esab.edu.br 99
Os custos de manutenção abrangem os custos de armazenagem, seguro,
deterioração e obsolescência, além do custo de oportunidade de investir
fundos em estoque (GITMAN, 2010). “Esses custos são estabelecidos em
valores monetários por unidade, por período” (GITMAN, 2010, p. 553).

Esses dois custos apresentam comportamento diferentes: os custos de


pedido diminuem com o tamanho do pedido, uma vez que se diluem em
função do volume; os custos de manutenção aumentam com o tamanho
dos pedidos, ou seja, quanto maior o pedido, maior será o custo de
mantê-los. O modelo do LEC analisa a compensação entre custos de
pedido e custos de manutenção para determinar o tamanho do pedido
que minimiza o custo total do estoque (GITMAN, 2010).

De acordo com Gitman (2010), podemos desenvolver uma fórmula para


determinar o LEC de uma empresa para um dado item do estoque, veja:

2×S×O
LEC=
C

Em que:

S = consumo em unidades do item do estoque por período;

O = custo de pedido, por pedido;

C = custo de armazenamento por unidade, por período.

Exemplo

A empresa Veloz Companhia utiliza um item em seu processo de


fabricação de automóveis que é fundamental: placas de aço. O custo de
cada placa de aço é de R$ 1.000,00 e seu consumo é de 5.000 unidades
por ano. A Veloz Companhia deseja determinar a estratégia ideal de
pedido do item. Para calcular o LEC, solicitamos os seguintes dados:

• custo do pedido, por pedido = R$ 120,00,00;


• custo de manutenção, por unidade, por ano = R$ 240,00,00.

www.esab.edu.br 100
Utilizando a fórmula do LEC, temos:

2×S×O
LEC=
C
2 × 5.000 × 120
LEC= ≅ 71 unidades
240
Ou seja, para minimizar os seus custos totais de pedido, a empresa Veloz
Companhia deverá solicitar, aproximadamente, 71 unidades de placas
de aço por pedido. Além do pedido de 71 unidades, é importante para
algumas empresas determinar o estoque de segurança, para prevenir
qualquer imprevisto na entrega e conservação dos estoques.

Nesta unidade, estudamos o comportamento dos estoques como um


investimento do capital de giro e duas técnicas de administração: o
sistema ABC e o Lote Econômico de Compra (LEC). Na unidade 17
vamos utilizar esses conceitos aplicados na empresa Alfinetes. Preparados?

Estudo complementar
O artigo intitulado “Administração de Estoques”,
de Kurt E. Weil, publicado na Revista de
Administração de Empresas (vol. 19, n° 4, São
Paulo, out./dez. 1979) apresenta uma resenha
bibliográfica com um panorama do tema.
Acesse aqui

www.esab.edu.br 101
17 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

O sistema ABC, abordado na unidade 16, é uma ferramenta para


monitorar os níveis de estoque. Sob esse processo a empresa estabelece
uma hierarquia dos produtos em estoque. Em qualquer estoque que
possua vários itens, alguns serão mais importantes do que outros. A
empresa pode analisar a importância de cada item do estoque com
base em seu investimento, frequência e importância de uso, risco de
esgotamento do estoque ou tempo de entrega de um novo pedido.

Além disso, estudamos na unidade anterior que o Lote Econômico de


Compra (LEC) é uma metodologia utilizada para calcular o número de
itens do pedido para minimizar seus custos de pedido e manutenção dos
estoques.

Agora, com o apoio teórico de Groppelli e Nikbakht (2010) e de Gitman


(2010), vamos analisar o caso da empresa Alfinetes em termos de
estoques.

17.1 Apresentar os dados de uma empresa quanto à


sua política de estoque
A empresa Alfinetes é fabricante de roupas sob medida e tem como
principal matéria-prima o tecido importado da Índia. Além disso, utiliza
outros dois tipos de materiais nacionais: linha e botões.

Analisando o Balanço Patrimonial da empresa Alfinetes, os estoques estão


distribuídos da seguinte forma:

www.esab.edu.br 102
Estoques (Balanço Patrimonial da Alfinetes)
Tecido R$ 80.000,00
Botões R$ 15.000,00
Linha R$ 5.000,00
Total dos Estoques R$ 100.000,00

Quadro 8 – Estoques da empresa Alfinetes.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Tecido: o tecido vem da Índia, portanto, a empresa precisa se


preocupar com a gestão do nível de estoque para que não falte tecido.
O investimento é de R$ 80.000,00, que representa 160 metros de
R$ 500,00 cada. O consumo anual desse item é de 600 metros. O
custo de pedido é R$ 1.500,00 e os custos de manutenção (inclusive o
financiamento desse estoque), por metro, é de R$ 3,00/metro.

Botões: os botões são comprados em outro estado, portanto, a empresa


Alfinetes tem facilidade de acesso relativa, uma vez que podem ser
substituídos por botões locais. O investimento é de R$ 15.000,00, o
que representa 3.000 botões de R$ 5,00 cada. O consumo anual desse
item é de 7.000 botões. O custo de pedido é R$ 500,00 e os custos de
manutenção (inclusive o financiamento desse estoque), por botão, é R$
0,50/botão.

Linha: as linhas são compradas na mesma cidade da Alfinetes, portanto,


não há preocupação com o nível de estoque. O investimento é de R$
5.000,00, o que representa 5.000 metros de R$ 1,00 cada. O consumo
anual desse item é de 10.000 metros. O custo de pedido é R$ 50,00 e
os custos de manutenção (inclusive o financiamento desse estoque), por
metro, é R$ 0,15/metro.

Conhecendo todas essas informações, vamos analisar os estoques da


empresa Alfinetes.

www.esab.edu.br 103
17.2 Avaliar as políticas de estoque do ponto de vista
financeiro
Com base em todas as informações apresentadas pela empresa Alfinetes,
vamos classificar seus estoques de acordo com o Sistema ABC e depois
calcular o Lote Econômico de Compra dos seus itens.

Sistema ABC

Podemos classificar os estoques da empresa Alfinetes de acordo com os


critérios do sistema ABC, apresentados na unidade anterior, segundo
Gitman (2010):

• estoque A – podemos considerar os tecidos como estoques do


grupo A por três motivos principais: (1) é a principal matéria-prima
dos produtos da empresa; (2) representa 80% do investimento
em estoque; e (3) seus fornecedores encontram-se distantes da
empresa Alfinetes, ou seja, qualquer falta de estoque não pode ser
rapidamente suprida;
• estoque B – podemos considerar os botões como estoques do
grupo B por três motivos principais: (1) é a segunda matéria-prima
mais importante dos produtos da empresa; (2) representa 15% do
investimento em estoque; e (3) seus fornecedores encontram-se
relativamente distantes da empresa Alfinetes, porém, na falta deles,
podem ser substituídos por botões locais;
• estoque C – podemos considerar as linhas como estoques do
grupo C por três motivos principais: (1) é a matéria-prima menos
importante dos produtos da empresa; (2) representa somente 5%
do investimento em estoque; e (3) seus fornecedores encontram-se
perto da empresa Alfinetes, ou seja, na falta de estoques, a reposição
é rápida.

www.esab.edu.br 104
Lote Econômico de Compra (LEC)

Vamos calcular o LEC somente para os itens dos estoques do grupo


A e B, isso porque o estoque do grupo C não necessita de um
acompanhamento muito rigoroso por demandar baixo investimento e
pelos fornecedores estarem acessíveis à empresa.

Vimos na unidade 16 que a fórmula do LEC é:

2×S×O
LEC=
C
Em que:

S = consumo em unidades do item do estoque por período;

O = custo de pedido, por pedido;

C = custo de manutenção por unidade, por período.

No grupo A temos os tecidos. Seu consumo anual é de 600 metros, o


custo de pedir, por pedido, é de R$ 1.500,00, e o custo de manutenção
somam R$ 3,00 por metro. Assim:

2×600×1.500
LEC= ≅ 775 metros
3
Isso significa que para a Alfinetes minimizar o custo do estoque de
tecido, a cada pedido ela deve solicitar, aproximadamente, 775 metros de
tecido.

No grupo B temos os botões. Seu consumo anual é de 7.000 botões, o


custo de pedir, por pedido, é de R$ 500,00 e o custo de manutenção
soma R$ 0,50 por metro. Assim:

2×7.000×500
LEC= ≅ 3.742 botões
0,5

www.esab.edu.br 105
Isso significa que para a Alfinetes minimizar o custo do estoque de
botões, a cada pedido ela deve solicitar, aproximadamente, 3.742 botões
do fornecedor.

Nesta unidade, estudamos o último elemento que compõe o capital


de giro: os Estoques. A seguir, vamos analisar algumas estratégias
das empresas na principal objetivo da Conversão de Caixa: acelerar
recebimentos e retardar pagamentos.

Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a
tarefa dissertativa.

www.esab.edu.br 106
Administração de recebimentos e
18 pagamentos
Objetivo
Compreender a administração de recebimentos e pagamento,
incluindo float, aceleração da cobrança, retardamento dos
pagamentos e concentração de caixa.

Conforme estudamos na unidade 12, que tratava do Ciclo de Conversão


de Caixa, o Prazo Médio de Recebimento (PMR) tem dois componentes:
(1) o intervalo entre a venda e o momento em que o cliente efetua
o pagamento e (2) o intervalo necessário para receber, processar e
transformar o pagamento em caixa. Além disso, o Prazo Médio de
Pagamento (PMP) também se divide em duas partes: (1) o intervalo de
tempo entre a compra a crédito de bens e o momento em que a empresa
efetua o pagamento e (2) o tempo necessário para que o fornecedor da
empresa receba, processe e transforme o pagamento em caixa.

Em consonância com a ideia do Ciclo de Conversão de Caixa, a qual


tem como objetivo acelerar o processo de recebimento e alargar os prazos
de pagamento, a administração de recebimento e pagamentos utilizará
meios para que isso aconteça. Vamos estudar esse tema com base em
Gitman (2010) e um das principais estratégias é a utilização do float.
Vamos acompanhar?

18.1 Float
De acordo com Gitman (2010, p. 566), o float diz respeito “[...] a
fundos que foram enviados pelo pagante, mas ainda não estão disponíveis
ao recebedor”. Ele constitui em um intervalo importante para o ciclo de
conversão de caixa, porque sua presença estende tanto os prazos médios
de pagamento quanto de recebimento das empresas. Como vimos nas
unidades anteriores, o objetivo da Administração Financeira é diminuir
o prazo médio de recebimento e alongar o prazo médio de pagamento.
Para Gitman (2010, p. 566), essas metas podem ser realizadas por meio
da gestão do float, que se divide em três componentes:

www.esab.edu.br 107
1. Float de postagem é o intervalo entre a postagem do pagamento e seu
recebimento pelo destinatário.

2. Float de processamento é o intervalo entre o recebimento do pagamento e seu


depósito em conta da empresa.

3. Float de compensação é o intervalo entre o depósito do pagamento e o momento


em que os fundos tornam-se disponíveis para a empresa. Este componente é atribuído
ao prazo necessário para que um cheque seja compensado pelo sistema bancário.

Esses componentes, quando bem utilizados, auxiliam no aceleramento


dos recebimentos ou no retardamento dos pagamentos. No próximo
tópico descreveremos algumas técnicas de gestão dos componentes do
float para acelerar os recebimentos e retardar os pagamentos.

18.2 Aceleração da cobrança e retardamento dos


pagamentos
A aceleração da cobrança reduz o tempo do float de cobrança e,
consequentemente, o prazo médio de recebimento da empresa, o que
acarreta em uma diminuição da necessidade de financiamento do capital
de giro da empresa.

Segundo Gitman (2010, p. 566), uma técnica popular de aceleração da


cobrança é o sistema de caixa postal, que funciona da seguinte maneira:

[...] em vez de remeter os pagamentos à empresa, os clientes fazem a remessa a


uma caixa postal. O banco da empresa esvazia regularmente a caixa, processa os
pagamentos e deposita-os na conta dela. Os comprovantes de depósito, com os
envelopes dos pagamentos, são enviados (ou transmitidos eletronicamente) à
empresa para que ela efetue a devida baixa nas contas dos clientes. As caixas postais
são geograficamente dispersas para corresponder com a localização dos clientes.
Esse sistema afeta os três componentes do float: reduz o prazo de postagem e,
frequentemente, o de compensação, pela proximidade com os clientes. Também
reduz o prazo de processamento a praticamente zero porque o banco deposita os
pagamentos antes do processamento pela empresa. Evidentemente, o sistema de
caixa postal reduz o float, mas isso tem um custo; por isso, deve-se realizar uma
análise econômica antes de optar por essa implementação.

www.esab.edu.br 108
Os sistemas de caixa postal são bastante utilizados por empresas de maior
porte com clientes geograficamente dispersos. No entanto, não é preciso ser
uma grande organização para se beneficiar do sistema; empresas menores
também podem extrair vantagens dele. Os benefícios para pequenas
empresas muitas vezes decorrem, principalmente, da transferência do
processamento de pagamento para o banco (GITMAN, 2010).

Além da preocupação em acelerar os recebimentos, o float também é


um dos componentes do prazo médio de pagamento da empresa. Nesse
caso, ele a beneficia. Para Gitman (2010, p. 567, grifo nosso), a empresa
pode beneficiar-se do aumento dos três componentes de seu float de
pagamentos:

Uma técnica popular de extensão do float de pagamento é o controle


de pagamentos, que envolve o uso estratégico de pontos de postagem e
contas bancárias para alongar, respectivamente, o float de postagem e o
de compensação. As empresas devem ter cautela ao usar essa abordagem,
uma vez que prazos de pagamento mais longos podem desgastar a relação
com os fornecedores.

Resumindo, uma política de gestão do float envolve receber os


pagamentos o mais rápido possível e atrasar o pagamento aos
fornecedores. Isso faz com que a empresa necessite de menor
financiamento externo possível para capital de giro. E, caso haja sobras
de recursos, no próximo tópico abordaremos o processo de concentração
de caixa e aplicações dos recursos financeiros ociosos.

18.3 Concentração de caixa e aplicações financeiras


A concentração de caixa, segundo Gitman (2010), é um processo
utilizado para reunir os depósitos em um só banco, frequentemente
chamado de banco de concentração. Ainda segundo o autor, ela
apresenta três vantagens principais:

• cria um grande volume de fundos, que pode ser usado na realização


de investimentos de curto prazo. Como há um componente fixo no
custo de transação associado a esses investimentos, investir um só

www.esab.edu.br 109
grupo de fundos reduz esse custo. Além disso, um maior volume de
fundos também permite à empresa optar entre uma maior gama de
investimentos de curto prazo;
• concentrar o caixa em uma só conta melhora o acompanhamento e
o controle interno de caixa; e
• contar com um banco de concentração permite que a empresa adote
estratégias de pagamento que reduzam os saldos de caixa ociosos.
Enquanto os saldos de caixa estão ociosos, a empresa pode realizar
investimentos por meio de títulos negociáveis. Conforme apresenta
Gitman (2010, p. 569), “[...] títulos negociáveis são instrumentos
remunerados e de curto prazo do mercado monetário que podem ser
facilmente convertidos em caixa”. Ainda segundo o autor, os títulos
negociáveis são parte do ativo líquido das empresas, que os utilizam para
obter um retorno sobre recursos financeiros temporariamente ociosos.
Para ser efetivamente negociável, Gitman (2010) diz que um título
precisa contar com um mercado que minimize o prazo necessário para a
sua conversão em caixa e segurança no investimento.

Nesta unidade, estudamos o float como instrumento para aceleração


dos recebimento e retardamento dos pagamentos, a fim de minimizar a
necessidade de financiamento da empresa, além da concentração de caixa
e investimentos de curto prazo. Na próxima unidade continuaremos a
abordar a gestão do capital de giro falando do Passivo Circulante ou das
dívidas de curto prazo das empresas.

Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos
em relação às unidades 10 a 18. Para isso, dirija-
se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e
responda às questões. Além de revisar o conteúdo,
você estará se preparando para a prova. Bom
trabalho!

www.esab.edu.br 110
Resumo

Na unidade 13 estudamos os conceitos de Ciclo de Conversão de Caixa


aplicados na empresa Café Brasil S/A. Calculamos o Ciclo Operacional
e o Ciclo de Conversão de Caixa, que representa a necessidade de
financiamento de capital de giro da empresa.

Na unidade 14 abordamos o Contas a Receber, que faz parte do capital


de giro das empresas, bem como a formação da política de crédito
e modos de monitorar o efetivo recebimento dessa conta através do
Período Médio de Recebimento e a Organização Cronológica do Contas
a Receber. Assim pudemos resolver o caso da empresa Doce Lar na
unidade 15, bem como todos os custos envolvidos na política de crédito
e a avaliação em termos de incremento no lucro.

Na unidade 16 estudamos o último elemento que compõe o capital de


giro das empresas: os Estoques. Vimos que o objetivo da Administração
Financeira é manter níveis adequados de estoques e os custos gerados
pela sua manutenção. Duas técnicas foram analisadas para gestão dos
estoques: o sistema ABC e o Lote Econômico de Compra (LEC). Com
base nos conceitos apresentados, resolvemos o caso da empresa Alfinetes
na unidade 17, classificando os estoques e calculando o LEC.

Por fim, na unidade 18, vimos a administração de recebimentos


e pagamentos e a utilização do float com o objetivo de acelerar os
recebimentos e retardar os pagamentos. Além disso, vimos a importância
da concentração de caixa e as aplicações dos recursos financeiros ociosos.

www.esab.edu.br 111
19 Administração do passivo circulante
Objetivo
Estudar as contas a pagar, os principais componentes dos termos e
fontes de crédito.

Dando continuidade aos nossos estudos sobre as finanças de curto


prazo, vamos agora estudar a administração do passivo circulante. Na
unidade anterior você viu algumas estratégias de administração dos
recebimentos e dos pagamentos. Aqui, nosso foco é nos pagamentos: os
Passivos Circulantes. No Balanço patrimonial, o financiamento de curto
prazo da empresa é representado pelos Passivos Circulantes. Para nos
aprofundarmos no tema, vamos utilizar autores como Gitman (2010) e
Gitman e Madura (2003). Há diversos tipos de passivos circulantes ou
fontes de financiamentos de curto prazo. Vamos iniciar nossas atividades
falando dos passivos espontâneos. Bons estudos.

19.1 Passivos espontâneos


Uma das fontes de financiamento de curto prazo das empresas, que
consta no Balanço Patrimonial no grupo Passivo Circulante, diz respeito
aos passivos espontâneos. Os passivos espontâneos, segundo Gitman
(2010), originam-se das atividades rotineiras da empresa. As duas fontes
de financiamento espontâneas mais significativas, de acordo com Gitman
e Madura (2003), são:

• Provisões – costumam ser os salários a pagar aos funcionários


da empresa e impostos a pagar. As provisões não devem ser
administradas ativamente como fontes de recursos e, portanto, não
são abordadas como fontes de recursos no ciclo de conversão de
caixa; e

www.esab.edu.br 112
• Contas a Pagar – constituem uma fonte importante de
financiamento de curto prazo e são um componente-chave do ciclo
de conversão de caixa. Segundo Gitman (2010), elas resultam de
transações nas quais se compram mercadorias e a empresa obtém um
prazo para o pagamento.
Nesta unidade, iremos focar em Contas a Pagar como uma fonte de
financiamento que beneficia o Ciclo de Conversão de Caixa da empresa.
Gitman (2010) lembra que o objetivo da empresa deve ser prolongar o
pagamento ao máximo, sem prejudicar o seu crédito no mercado. Isso
significa que as contas devem ser pagas no último dia possível, dados
os termos de crédito anunciados pelo vendedor. Isso permite o uso
máximo do empréstimo sem juros concedido pelo fornecedor. A seguir,
veremos os termos de crédito concedidos pelo fornecedor que devem ser
utilizados ao máximo pela empresa.

19.2 Análise dos termos de crédito


Os termos de crédito referem-se aos padrões de crédito que o fornecedor
oferece aos seus clientes. Nossa preocupação aqui é estudar esse assunto
sob o ponto de vista do comprador, ou seja, aquele que recebe o crédito
e o prazo para o pagamento. Dessa forma, o fornecedor transforma-se
em uma fonte de financiamento de curto prazo. De acordo com Gitman
(2010), os termos de crédito que os fornecedores oferecem a uma
empresa permitem a ela postergar o pagamento das compras realizadas.
Como o custo do fornecedor de ficar com os recursos empatados em
mercadorias após a venda provavelmente já está refletido no preço de
compra, o comprador paga indiretamente por esse benefício. Dessa
forma, o solicitante do crédito deve analisar detalhadamente os termos
de crédito para determinar a melhor estratégia de crédito mercantil.
Isso porque, em muitos casos, no pagamento à vista é concedido um
desconto ao cliente.

Uma situação na qual o pagamento no último dia não é interessante


é quando os fornecedores da empresa concedem descontos para
pagamento à vista, incentivando a empresa a pagar antes, conforme
lembram Gitman e Madura (2003). Aproveitar o desconto é uma
decisão financeira. Gitman e Madura (2003) abordam quando a empresa

www.esab.edu.br 113
deve aproveitar um desconto para pagamento à vista: a organização
que precisa de recursos de curto prazo deve comparar a taxa de juros
cobrada por seu fornecedor com as taxas cobradas por outras fontes de
financiamento de curto prazo e escolher a opção de custo mais baixo.
Para Gitman e Madura (2003), essa comparação é importante porque,
se a empresa aproveita o desconto para pagamento à vista, ela reduz o
seu Período Médio de Pagamento, o que exigirá financiamento de curto
prazo adicional, não espontâneo.

A fórmula para calcular a taxa de juros associada a não aproveitar o


desconto para pagamento à vista, de acordo com Gitman e Madura
(2003, p. 420), é:
d 360
K desconto = ×
(1 - d) (CP - DP)
Em que:

K desconto = custo dos juros anuais por não aproveitar o desconto para
pagamento à vista;

d = desconto percentual (na forma decimal. Por exemplo, 2% = 0,02);

CP = período de crédito;

DP = período de desconto para pagamento à vista;

360 = representa um ano. Ao utilizar 360, a taxa de juros calculada é anual.


Para calcular a taxa de juros mensal, basta substituir os 360 por 30 dias.

Vamos acompanhar um exemplo para melhor compreender o cálculo da


taxa de juros associada a não aproveitar o desconto para pagamento à vista.

www.esab.edu.br 114
Exemplo

Suponha que o fornecedor da empresa Bicos tenha os seguintes


termos de crédito: 30 dias para o pagamento ou 2% de desconto para
pagamento em até 10 dias. A empresa Bicos possui à sua disposição uma
linha de crédito bancário com juros de 10% ao ano. A empresa deveria
aproveitar o desconto para pagamento à vista ou continuar a usar os 30
dias de crédito do seu fornecedor? A taxa de juros efetivamente cobrada
pelo fornecedor ao receber em 30 dias é calculada da seguinte forma:
d 360
K desconto = ×
(1 - d) (CP - DP)
Em que:

O desconto percentual é 0,02 (2%), o período de crédito é de 30 dias e o


período de desconto para pagamento à vista é de 10 dias. Portanto:

0,02 360
K desconto = × =
0,367 ou 36,7%
(1 - 0,02) (30 - 10)

Dessa forma, a taxa anual cobrada pelo fornecedor por não aproveitar o
desconto para pagamento à vista é de 36,7% ao ano, enquanto o banco
cobra 10% pelo uso dos recursos. Ao não aproveitar o desconto, é como
se a empresa Bicos pagasse uma taxa de juros de 36,7% ao ano para o
fornecedor. Dessa forma, ela deve aproveitar o desconto e pagar à vista.

Para sua reflexão


Com base no que estudamos até aqui reflita sobre
a seguinte pergunta: e se a empresa necessitar
de empréstimos de curto prazo? A seguir
estudaremos sobre isso.
A resposta a essa reflexão forma parte de sua
aprendizagem e é individual, não precisando ser
comunicada ou enviada aos tutores.

www.esab.edu.br 115
19.3 Fontes de empréstimos de curto prazo
Ao optar por fontes de empréstimos de curto prazo, o administrador tem
algumas possibilidades no mercado. De acordo com Gitman (2010), são elas:

• empréstimos bancários – os bancos representam uma importante


fonte de empréstimo de curto prazo às empresas. O principal
tipo é o empréstimo autoliquidável de curto prazo, que tem por
objetivo simplesmente ajudar as empresas a superar picos sazonais
de necessidade de financiamento, principalmente pelo acúmulo de
estoques e contas a receber. À medida que os estoques e o Contas
a Receber vão sendo vendidos e recebidos, geram-se os recursos
necessários para liquidar esses empréstimos;
• commercial papers – é uma forma de financiamento emitida por
empresas de elevada qualidade de crédito. De maneira geral, somente
empresas de grande porte e solidez financeira conseguem emitir esses
títulos;
• desconto de duplicatas a receber – é frequentemente usado para
garantir empréstimos de curto prazo. Como o Contas a Receber
costuma ter um alto nível de liquidez, representa uma forma atraente
de garantia de empréstimos de curto prazo;
• factoring – envolve a venda, pura e simples, das contas a receber,
com deságio, a uma instituição financeira.
É importante lembrar que todas as fontes de financiamento envolvem um
custo. Cabe ao administrador financeiro comparar o custo das alternativas
disponíveis para escolher a que envolva um maior custo-benefício.

Saiba mais
Assista ao vídeo do Sebrae “Você sabe por que e
como fazer um empréstimo bancário?”, disponível
clicando aqui. O vídeo traz algumas dicas para os
administradores financeiros.

www.esab.edu.br 116
Nesta unidade, estudamos sobre as fontes de financiamento de curto
prazo das empresas e as alternativas disponíveis no mercado para
o administrador financeiro. Na unidade 20 vamos reunir nossos
conhecimentos adquiridos sobre a gestão financeira de curto prazo
(ativos e passivos circulantes) para calcularmos indicadores financeiros.
Bons estudos!

Fórum
Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de
Aprendizagem da instituição e participe do nosso
Fórum de discussão. Lá você poderá interagir com
seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar,
por meio da interação, a construção do seu
conhecimento. Vamos lá?

www.esab.edu.br 117
20 Indicadores de atividade

Objetivo
Utilizar os índices para análise da atividade operacional da empresa.

Prezado aluno, desde a unidade 11 estamos estudando o capital de giro,


bem como o Ciclo Operacional, o Ciclo de Conversão de Caixa, o
Contas a Receber, os Estoques, os Recebimentos e os Pagamentos. Agora
é hora de aprender alguns indicadores que avaliam todas essas atividades.
Vamos nos basear na metodologia adotada por Gitman e Madura (2003).

Os indicadores de atividades, de acordo com Gitman e Madura (2003, p.


195), “[...] medem a rapidez com a qual várias contas são convertidas em
vendas ou em caixa”. Existem alguns indicadores para medir a atividade
das contas dos ativos e passivos circulantes mais importantes, que
incluem Estoques, Contas a Receber e Contas a Pagar. O próximo tópico
aborda essas três principais contas da administração do capital de giro.

20.1 Prazos médios de estocagem, recebimento e


pagamento
Os prazos médios de estocagem, recebimento e pagamento são os mesmos
prazos médios que utilizamos para quantificar o Ciclo Operacional e
o Ciclo de Conversão de Caixa na unidade 12. Agora, como podemos
calcular esses prazos médios? Vamos estudar cada um deles.

Período Médio de Estocagem

Primeiro, vamos calcular o Prazo Médio de Estocagem, ou seja, qual


o tempo médio que os estoques permanecem na empresa. Podemos
encontrar esse valor a partir da seguinte fórmula, considerando a análise
de um ano da empresa:

www.esab.edu.br 118
Estoque Médio
Prazo Médio de Estocagem (PME) = × 360
Custo da Mercadoria Vendida

Em que:

Estoque Médio: representa qual o valor médio investido na empresa em


estoques durante um ano, ou o Estoque inicial + Estoque final .
2
Custo da Mercadoria Vendida: encontramos esse valor na
Demonstração de Resultado do Exercício da Empresa.

Período Médio de Cobrança

Agora, vamos calcular o Prazo Médio de Cobrança, ou seja, qual o prazo


médio que os clientes dispõem para pagamento. Podemos encontrar esse
valor a partir da seguinte fórmula, considerando a análise de um ano da
empresa:
Contas a Receber Médio
Prazo Médio de Cobrança (PMC) = × 360
Vendas
Em que:

Contas a Receber Médio: representa qual o valor médio investido na


empresa em clientes durante um ano, ou o
Contas a Receber inicial + Contas a Receber final
2
Vendas: encontramos esse valor na Demonstração de Resultado do
Exercício da empresa e é representado pela Receita.

Período Médio de Pagamento

Por fim, vamos calcular o Prazo Médio de Pagamento, ou seja, qual


o tempo médio que a empresa demora para pagar seus fornecedores.
Podemos encontrar esse valor a partir da seguinte fórmula, considerando
a análise de um ano da empresa:

www.esab.edu.br 119
Contas a Pagar Médio
Prazo Médio de Pagamento (PMP) = × 360
Compras

Em que:

Contas a Pagar Médio: representa qual o valor médio que a empresa


tem no seu Passivo Circulante durante um ano, ou o
Contas a Pagar inicial + Contas a Pagar final
2
Compras: representa o quanto a empresa comprou no ano. Gitman e
Madura (2003, p. 54) advertem para

[...] a dificuldade de encontrar o valor das compras anuais, uma vez que é uma
informação que não consta nas demonstrações financeiras. Normalmente, as compras
são estimadas como uma dada porcentagem do Custo dos Produtos Vendidos.

Dica
Note que a construção do cálculo dos Prazos
Médios é similar para as três situações, bastando
adaptar as contas requeridas.

Agora que já sabemos como calcular os prazos médios, vamos utilizá-los


para calcular o giro do capital de giro.

20.2 Indicadores de giro


Os indicadores de giro nos mostram quanto cada item do capital de giro
se renova no capital de giro. Um alto giro desses itens demonstra uma boa
situação financeira. Um baixo giro nos diz que os elementos do capital de
giro permanecem parados por muito tempo. Vamos conhecê-los?

www.esab.edu.br 120
Giro do Estoque

O Giro do Estoque mede a liquidez do estoque de uma empresa


(GITMAN; MADURA, 2003). Pode ser calculado da seguinte forma,
considerando uma análise anual:
360
Giro do Estoque =
PME
O resultado final representa quantas vezes o Estoque gira ou se renova
dentro da empresa. Quanto maior o giro dos estoques, melhor. Um alto giro
nos Estoques significa que o processo de armazenagem de matérias-primas,
produção e vendas é rápido, enquanto que um giro baixo significa que os
Estoques estão parados dentro da empresa, ou seja, giram lentamente.

Giro do Contas a Receber

O Giro do Contas a Receber mede a liquidez do Contas a Receber de


uma empresa (GITMAN; MADURA, 2003). Pode ser calculado da
seguinte forma, considerando uma análise anual:
360
Giro do Contas a Receber =
PMC
O resultado final representa quantas vezes o Contas a Receber gira ou
se renova dentro da empresa. O alto giro do Contas a Receber significa
que os clientes pagam rápido. É importante lembrar que um alto giro
do Contas a Receber, apesar de ser financeiramente atraente, diminui o
Período Médio de Cobrança, ou seja, o tempo que os clientes dispõem
para pagamento. Quanto menor o Período Médio de Cobrança, menor
serão as vendas da empresa, conforme estudamos na política de crédito.
Assim, ter um alto giro do Contas a Receber não pode sacrificar as
vendas da empresa.

Nesta unidade, aprendemos o cálculo dos Períodos Médios que


compõem o Ciclo Operacional e o Giro dos Estoques e do Contas a
Receber. Na unidade 21 vamos aplicar esses conceitos e cálculos para a
empresa Leitura Impressa e interpretar os resultados. Vamos lá?

www.esab.edu.br 121
Análise prática da gestão do
21 capital de giro
Objetivo
Analisar a gestão de capital de giro de uma organização empresarial.

Desde a unidade 11 você vem acompanhando os estudos sobre o


capital de giro das empresas. Calculamos o Ciclo Operacional, o
Ciclo de Conversão de Caixa, os Períodos Médios e o Cálculo do
Giro dos elementos que compõem o capital de giro. Nesta unidade,
apresentaremos o caso da empresa Leitura Impressa para análise do
capital de giro. Para isso, utilizaremos os conceitos apresentados nas
unidades anteriores, nos baseando em Gitman (2010) e Gitman e
Madura (2003)

21.1 Apresentação de um estudo de caso referente ao


capital de giro da Empresa Leitura Impressa
Vamos analisar o caso da empresa Leitura Impressa. A empresa Leitura
Impressa trabalha com a produção de livros e revistas para todo o Brasil.
Sua principal atividade está relacionada à impressão e à distribuição dos
dois produtos para todo o Brasil. Os principais fornecedores da Leitura
Impressa são Papel e Cia, que fornece os papéis, e a empresa Tinta
Colors, que fornece as tintas para a impressão.

No ano de 2012, a empresa Leitura Impressa apresentou as seguintes


informações no seu Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado
do Exercício. Veja:

www.esab.edu.br 122
BP Empresa
R$ 40,909.00 R$ 31/12/2012
Leitura impressa
ATIVO CIRCULANTE
Caixa R$ 10,000.00 R$ 12,000.00
Contas a Receber R$ 130,000.00 R$ 150,000.00
Estoques R$ 80,000.00 R$ 100,000.00
ATIVO IMOBILIZADO
Impressoras R$ 200,000.00 R$ 190,000.00
Equipamentos R$ 50,000.00 R$ 45,000.00
Imóvel R$ 350,000.00 R$ 350,000.00
Ativo total R$ 820,000.00 R$ 847,000.00
PASSIVO CIRCULANTE
Contas a Pagar R$ 80,000.00 R$ 120,000.00
PASSÍVEL EXIGÍVEL A LP R$ 340,000.00 R$ 327,000.00
PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ 400,000.00 R$ 400,000.00
Passivo total R$ 820,000.00 R$ 847,000.00

Quadro 9 – Balanço Patrimonial da empresa Leitura Impressa em 01/01/2012 e 31/12/2012.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

No Quadro 9 temos o Balanço Patrimonial da empresa Leitura Impressa


no primeiro e no último dia do ano de 2012. Agora, vamos ver a
Demonstração de Resultado do Exercício de 2012. Acompanhe.

DRE da empresa Leitura Impressa em 2012


(+) Receita líquida R$ 1,200,000.00
(-) Custo dos produtos vendidos - R$ 900,000.00
(=) Lucro bruto R$ 300,000.00
(-) Desepesas operacionais - R$ 200,000.00
(=) Lucro operacional R$ 100,000.00
(-) Provisão IR (30%) - R$ 30,000.00
(-) Lucro líquido do exercício R$ 70,000.00

Quadro 10 – Demonstração do Resultado do Exercício de 2012 da empresa Leitura Impressa.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Como podemos observar, o Quadro 10 traz as informações referentes aos


resultados que a empresa teve no ano: Receitas, Custos, Despesas e Lucro.
Agora já temos todas as informações para analisar o Ciclo Operacional e o
Ciclo de Conversão de Caixa dessa empresa. Vamos em frente?

www.esab.edu.br 123
21.2 Analisar o Ciclo Operacional e o Ciclo de
Conversão de Caixa e suas necessidades de
financiamento
Para que possamos analisar o Ciclo Operacional e o Ciclo de Conversão
de Caixa, precisamos de três informações: o Período Médio de
Estocagem, o Período Médio de Recebimento e o Período Médio de
Pagamento. Vamos buscar as fórmulas na unidade 20 para calcular esses
períodos médios? Vamos começar com o Prazo Médio de Estocagem.

Prazo Médio de Estocagem (PME) =


Estoque Médio
= × 360
Custo da Mercadoria Vendida

Lembrando que, para encontrar o Estoque Médio, basta somar o Estoque


Inicial (01/01/2012) ao Estoque Final (31/12/2012) e dividir por dois.

R$ 80.000,00 + R$ 100.000,00
PME = 2 × 360 =
R$ 900.000,00
R$ 90.000,00
= × 360 = 36 dias
R$ 900.000,00

Agora, vamos calcular o Prazo Médio de Cobrança:


Contas a Receber Médio
Prazo Médio de Cobrança (PMC) = × 360
Vendas
Lembrando que, para encontrar o Contas a Receber Médio, basta somar
o Contas a Receber Inicial (01/01/2012) ao Contas a Receber Final
(31/12/2012) e dividir por dois.

R$ 130.000,00 + R$ 150.000,00
PMC = 2 × 360 =
R$ 1.200.000,00
R$ 140.000,00
= × 360 =42 dias
R$ 1.200.000,00

www.esab.edu.br 124
Por fim, vamos calcular o Prazo Médio de Pagamento. Considere que as
Compras do ano representam 80% do Custo dos produtos vendidos.
Contas a Pagar Médio
Prazo Médio de Pagamento (PMP) = × 360
Compras
Lembrando que, para encontrar o Contas a Pagar Médio, basta
somar o Contas a Pagar Inicial (01/01/2012) ao Contas a Pagar Final
(31/12/2012) e dividir por dois.

R$ 80.000,00 + R$ 120.000,00
PMP = 2 × 360 =
R$ 900.000,00 × 0,8
R$ 100.000,00
= × 360 = 50 dias
R$ 720.000,00
Com os prazos médios em mãos, podemos fazer uma representação
gráfica do Ciclo Operacional e do Ciclo de Conversão de Caixa, veja:

Recebimento
Compra

Venda

Período Médio de Estocagem Período Médio de Cobrança


36 dias 42 dias

Ciclo Operacional = 78 dias

Período Médio Pagamento Ciclo de Conversão de Caixa


50 dias 42 dias
Figura 5 – Ciclo Operacional e Ciclo de Conversão de Caixa da empresa Leitura Impressa.
Fonte: Elaborada pela autora (2013).

De acordo com a Figura 5, podemos analisar que o Ciclo Operacional


da empresa Leitura Impressa é de 78 dias, enquanto que o Ciclo de
Conversão de Caixa é de 28 dias. Isso significa que a empresa paga
os seus fornecedores antes de receber dos clientes; logo, precisará de
financiamentos externos, que contêm juros, por 28 dias.

Agora, é hora de calcular o giro dos ativos da empresa. Preparado?

www.esab.edu.br 125
21.3 Calcular o giro dos ativos
Conforme estudamos na unidade 20, o cálculo dos giros permite verificar
quantas vezes cada um dos elementos do capital de giro se renova
durante um período de tempo. Aqui, nossa análise é de um ano. A alta
rotação (giro) dos elementos indica que o Ciclo Operacional da empresa
é eficiente e que, portanto, as matérias-primas se transformam em
recebimento pelos produtos vendidos.

Vamos iniciar pelo cálculo do giro dos estoques:


360 360
Giro do Estoque = = = 10 vezes
PME 36
O resultado final representa que o Estoque gira, ou se renova, 10 vezes
durante o ano.

Agora, vamos ao cálculo do giro do Contas a Receber:


360 360
Giro do Contas a Receber = = = 8,57 vezes
PME 42
O resultado final mostra que o Contas a Receber gira dentro da empresa,
ou se renova, 8,57 vezes. O alto giro do Contas a Receber significa que os
clientes pagam rápido.

Nesta unidade, analisamos o caso da empresa Leitura Impressa em


termos do capital de giro, fechando, assim, nossos estudos sobre as
finanças de curto prazo da empresa. Nas próximas unidades você
estudará alguns conceitos e técnicas gerais da Administração Financeira
para, enfim, estudar o planejamento financeiro. Espero que você esteja
tirando um bom proveito dos estudos das finanças empresariais.

www.esab.edu.br 126
22 Análise de custo volume e lucro
Objetivo
Definir o cálculo do Custo/Volume/Lucro e o ponto de equilíbrio
empresarial.

Depois de ter estudado o capital de giro das empresas, agora vamos


abordar outros temas da Administração Financeira. Nesta unidade,
falaremos sobre a análise Custo/Volume/Lucro, também conhecido como
ponto de equilíbrio. Para isso, vamos utilizar a metodologia apresentada
por Gitman (2010).

22.1 Análise Custo/Volume/Lucro


A análise Custo/Volume/Lucro, também conhecida como ponto de
equilíbrio, tem como objetivo principal, segundo Gitman (2010):

a. determinar o nível de operações necessário para cobrir a totalidade


de custos; e
b. avaliar a lucratividade associada a diferentes níveis de venda.
Por exemplo: qual o volume de vendas necessário para cobrir todos os
custos da empresa? Qual o nível de vendas necessário para que a empresa
tenha uma lucratividade de R$ 100.000,00? Essas respostas são obtidas
por meio da análise Custo/Volume/Lucro.

O primeiro passo para analisar o Custo/Volume/Lucro das operações de


uma empresa é classificar todos os custos e despesas em fixos e variáveis.
Você sabe a diferença entre eles?

c. Custo fixo – é um gasto gerado para a elaboração dos produtos


ou prestação dos serviços que não estão relacionados ao volume de
atividades. Por exemplo, o aluguel da fábrica caracteriza-se por um
custo que independe de quantos produtos serão fabricados; logo,

www.esab.edu.br 127
esse é um custo fixo. Outro exemplo pode ser conferido: o salário do
supervisor de produção.
d. Custo variável – é um gasto gerado devido à elaboração dos
produtos ou prestação dos serviços que estão diretamente
relacionados ao volume de atividades. Por exemplo, o gasto com
matérias-primas caracteriza-se por um custo que depende de quantos
produtos serão gerados; logo, é um custo variável.
e. Despesa fixa – é um gasto gerado pela venda dos produtos ou
administração da empresa e que não está relacionado ao volume de
atividades. Por exemplo, o salário do administrador financeiro pode
ser um custo fixo por independer do volume de produtos fabricados.
f. Despesa variável – é um gasto gerado pela venda dos produtos
ou administração da empresa que está relacionado ao volume de
atividades. Por exemplo, a comissão dos vendedores depende do
volume de produtos vendidos; logo, é uma despesa variável.
Ficou mais fácil identificar custos ou despesas fixos e custos ou despesas
variáveis? Se houver um número maior de fabricação e vendas de
produtos, o gasto também será maior. Portanto, o curto ou despesa será
variável. Porém, se o gasto não se alterar em função de um número maior
de fabricação e vendas dos produtos, o custo ou despesa será fixo.

Com base nesses conceitos, vamos construir nossa Demonstração do


Resultado do Exercício. Vejam:

Demonstração do Resultado do
Exercício pelo custeio variável
(+) Receita líquida
(-) Custo variáveis
(-) Despesas variáveis
(=) Margem de contribuição
(-) Custos fixos
(=) Despesas fixas
(=) Lucro operacional

Quadro 11 – Demonstração do Resultado do Exercício pelo custeio variável.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

www.esab.edu.br 128
Percebam que essa nova forma de construir a Demonstração do
Resultado do Exercício se chama custeio variável. Ela classifica e divide
as contas em fixas e variáveis, ou seja, da receita descontamos todas
as contas variáveis (custos ou despesas) e encontramos a Margem de
Contribuição. Da Margem de Contribuição, descontamos todas as
contas fixas (custos ou despesas) e encontramos o Lucro Operacional.

Dica
Independentemente da forma como a
Demonstração do Resultado do Exercício é
construída, seja pelo custeio por absorção
(separados por Custos dos Produtos Vendidos e
Despesas) ou pelo custeio variável (separados por
Custos/Despesas variáveis e Custos/Despesas fixos),
o Lucro Operacional é exatamente o mesmo.

Agora que já sabemos disso, vamos ao cálculo do Ponto de Equilíbrio.

22.2 O ponto de equilíbrio operacional e financeiro


O ponto de equilíbrio operacional, segundo Gitman (2010), é o nível
de vendas necessário para cobrir todos os custos e despesas operacionais.
Podemos encontrar o ponto de equilíbrio operacional por meio da
seguinte equação:

CF
Q=
P - CVun

Em que:

Q = representa a quantidade a ser vendida;

CF = custos fixos;

P = preço de venda;

CVun = custo variável unitário.

www.esab.edu.br 129
Por exemplo, suponha que na empresa Lata’s os custos fixos mensais
somam o montante de R$ 10.000,00. Além disso, sabemos que a
empresa vende seu produto a um preço de R$ 80,00 cada e gasta, para
elaborá-lo, R$ 60,00. Quantos produtos a empresa Lata’s precisa vender
por mês para atingir o seu ponto de equilíbrio?

R$ 10.000,00
Q= = 500 unidades
R$ 80,00 - R$ 60,00

A empresa Lata’s precisaria vender 500 unidades para cobrir todos os seus
custos e despesas. Porém, ao vender 500 unidades, a empresa não teria
lucro e nem prejuízo, ou seja, seu resultado seria zero.

Para calcular o nível de vendas necessário para se atingir um lucro mínimo,


calculamos o ponto de equilíbrio financeiro a partir da seguinte fórmula:
CF + Lucro mínimo
Q=
P - CVun
Assim, se a empresa Lata’s espera ter um lucro de R$ 5.000,00 no mês,
qual deverá ser a quantidade vendida?
R$ 10.000,00 + R$ 5.000,00
Q= = 750 unidades
R$ 80,00 - R$ 60,00
Para obter um lucro de R$ 5.000,00, a empresa precisará vender 750
unidades ao mês.

www.esab.edu.br 130
Estudo complementar
O cálculo do ponto de equilíbrio está bastante
relacionado à formação do preço de venda para
obtenção de lucratividade. Sobre esse tema,
assista a palestra do SEBRAE clicando aqui.

Nesta unidade, aprendemos a análise custo/volume/lucro ou ponto de


equilíbrio. Esse cálculo é importante para se analisar a viabilidade de
vendas e lucros de uma empresa, além de fornecer um parâmetro ao
administrador financeiro em termos de lucratividade de cada nível de
venda. Na unidade 23, analisaremos o grau de alavancagem operacional
que está relacionado diretamente ao ponto de equilíbrio das empresas.

www.esab.edu.br 131
23 Alavancagem operacional

Objetivo
Calcular, interpretar e avaliar a alavancagem operacional.

Na unidade 22 distinguimos os custos/despesas fixos e variáveis das


empresas e conhecemos a Demonstração do Resultado do Exercício
através do método do custeio variável. Nesta unidade, vamos utilizar
esses conceitos para analisar a alavancagem operacional da empresa.
Para isso, iremos fundamentar nosso estudo no livro de Gitman (2010).
Vamos lá?

23.1 Grau de alavancagem operacional


Qual a capacidade de cada empresa em transformar suas vendas em
lucro? A resposta depende diretamente de sua estrutura de custos/
despesas fixos e variáveis, conforme estudamos na unidade 22.
Quanto mais a empresa tem essa capacidade, maior é sua alavancagem
operacional.

“A alavancagem operacional resulta da existência de custos operacionais


fixos na estrutura de resultados da empresa” (GITMAN, 2010, p. 472).
Essa alavancagem operacional é traduzida, em termos numéricos, por
meio do Grau de Alavancagem Operacional (GAO).

Podemos calcular o GAO a partir da seguinte equação:


Variação percentual do Lucro
Grau de Alavancagem Operacional (GAO) =
Variação percentual das Vendas
De acordo com Gitman (2010), sempre que a variação percentual do lucro
resultante de uma variação percentual das vendas é superior à variação
percentual das vendas, ocorre alavancagem operacional. Isso significa que,
desde que o GAO seja superior a 1, haverá alavancagem operacional.

www.esab.edu.br 132
Por exemplo, considere a empresa Alfa, sua estrutura de resultados e um
aumento de 10% no volume de vendas:

DRE Alfa Aumento 10%


Receita R$ 20,000.00 R$ 22,000.00
Custos/Despesas Variáveis - R$ 12,000.00 - R$ 13,200.00
Margem de contribuição R$ 8,000.00 R$ 8,800.00
Custos/Despesas Fixos - R$ 5,000.00 - R$ 5,000.00
Lucro Operacional R$ 3,000.00 R$ 3,800.00

Quadro 12 – Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Alfa com aumento de 10% nas vendas.
Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Ao aumentar em 10% o volume de vendas (passando de R$ 20.000,00


para R$ 22.000,00 ou R$ 20.000,00 x 1,1), os custos e as despesas
variáveis também aumentaram (passando de R$ 12.000,00 para R$
13.200,00 ou R$ 12.000,00 x 1,1), enquanto que os custos fixos não se
alteraram. Dessa forma, o lucro aumenta em 26,67%, passando de R$
R$ 800,00
3.000,00 para R$ 3.800,00 ( × 100 =
26,67% ). Assim, o
R$ 3.000,00
GAO da empresa Alfa é:
26,67%
GAO = = 2,67
10%

Isso significa dizer que a empresa aumenta as vendas e os lucros na


proporção de 1:2,67 (1 para 2,67), ou seja, para cada aumento de 1%
no volume de vendas, seu lucro aumenta em 2,67%. Esse é o grau de
alavancagem operacional da empresa Alfa.

Você sabe quem é o principal responsável pela alavancagem da empresa


Alfa? A existência de custos fixos nos seus gastos. Esse é o tema do
próximo tópico.

www.esab.edu.br 133
23.2 Custos fixos e alavancagem operacional
Segundo Gitman (2010), as variações dos custos operacionais fixos
afetam de modo significativo a alavancagem operacional. Suponha que as
empresas X e Y apresentem o mesmo volume de vendas e o mesmo lucro
operacional; sua diferença está basicamente na estrutura de custos, veja:

DRE X Y

Receita R$ 1,000.00 R$ 1,000.00


Custos/Despesas Variáveis - R$ 700.00 - R$ 200.00
Margem de contribuição R$ 300.00 R$ 800.00
Custos/Despesas Fixos - R$ 200.00 - R$ 700.00
Lucro Operacional R$ 100.00 R$ 100.00

Quadro 13 – Demonstração do Resultado do Exercício pelo custeio variável da empresa X e Y.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Como você pode observar no Quadro 13, a empresa X tem mais custos
variáveis e menos custos fixos, e a empresa Y apresenta menos custos
variáveis e mais custos fixos na sua estrutura de custos.

Agora, vamos aplicar uma variação no volume de vendas: considere que


as vendas aumentaram em 20%, tanto para a empresa X quanto para a
empresa Y. O que acontecerá com o lucro das duas? Vamos acompanhar.

Lembre-se, para um aumento de 20% basta multiplicar o valor por 1,2.

DRE X Aumento 20%


Receita R$ 1,000.00 R$ 1,200.00
Custos/Despesas Variáveis - R$ 700.00 - R$ 840.00
Margem de contribuição R$ 300.00 R$ 360.00
Custos/Despesas Fixos - R$ 200.00 - R$ 200.00
Lucro Operacional R$ 100.00 R$ 160.00

Quadro 14 – Variação de 20% nas vendas da empresa X.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

www.esab.edu.br 134
De acordo com o Quadro 14, as vendas da empresa X aumentaram em
20% (passando de R$ 1.000,00 para R$ 1.200,00). Assim, os custos e
as despesas variáveis também aumentaram em 20% (passando de R$
700,00 para R$ 840,00). A nova Margem de Contribuição agora é de
R$ 360,00. Os custos fixos não se alteram em função do volume de
atividade; dessa forma, permaneceram em R$ 200,00. O novo lucro
operacional passou de R$ 100,00 para R$ 160,00, ou seja, aumentou em
60% (R$ 60,00/R$ 100,00 x 100). Assim, a o GAO da empresa X é de:
Variação percentual do Lucro 60%
GAO = = = 3
Variação percentual das Vendas 20%
Vamos ver como os números se comportaram na empresa Y, que possui
mais custos fixos?

DRE Y Aumento 20%


Receita R$ 1,000.00 R$ 1,200.00
Custos/Despesas Variáveis - R$ 200.00 - R$ 240.00
Margem de contribuição R$ 800.00 R$ 960.00
Custos/Despesas Fixos - R$ 700.00 - R$ 700.00
Lucro Operacional R$ 100.00 R$ 260.00

Quadro 15 – Variação de 20% nas vendas da empresa Y.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

De acordo com o Quadro 15, as vendas da empresa Y também


aumentaram em 20% (passando de R$ 1.000,00 para R$ 1.200,00).
Assim, os custos e as despesas variáveis aumentaram em 20% (passando
de R$ 200,00 para R$ 240,00). A nova Margem de Contribuição agora
é R$ 960,00. Os custos fixos não se alteraram em função do volume
de atividade; dessa forma, permaneceram em R$ 700,00. O novo lucro
operacional passou de R$ 100,00 para R$ 260,00, ou seja, aumentou em
160% (R$ 160,00/R$ 100,00 x 100). Assim, a o GAO da empresa Y é de:
Variação percentual do Lucro 160%
GAO = = = 8
Variação percentual das Vendas 20%

www.esab.edu.br 135
O GAO da empresa X foi de 3, enquanto que o GAO da empresa Y foi
de 8, com a mesma variação no volume de vendas, por quê? Porque a
empresa Y apresenta muito mais custos fixos na sua estrutura de custos,
o que possibilita a ela essa alavancagem das vendas em termos de lucro.
Porém, ao alavancar operacionalmente a empresa a partir dos custos
fixos, o administrador financeiro deve levar em consideração o risco
assumido. Vamos estudar mais sobre isso a seguir.

23.3 Riscos da alavancagem operacional


É importante lembrar que a alavancagem operacional se dá pela existência
de custos fixos. Porém, uma diminuição do volume de vendas acarreta
um prejuízo maior para a empresa em comparação às organizações que
possuem mais custos/despesas variáveis em sua estrutura. Essa maior
probabilidade de perda, caso aconteça um decréscimo no volume de
vendas, representa o risco da alavancagem operacional.

Nesta unidade, calculamos o grau de alavancagem operacional e


pudemos perceber que a sua causa está na existência dos custos fixos.
Estes, por sua vez, podem apresentar um risco, caso as vendas diminuam.
Na unidade 24, vamos resolver o caso da empresa Goiabeira aplicando os
conceitos aprendidos nas unidades 22 e 23.

www.esab.edu.br 136
Análise do Custo/Volume/Lucro
24 e alavancagem operacional na
prática
Objetivo
Analisar a alavancagem operacional de uma empresa.

Nas unidades 22 e 23 estudamos sobre a estrutura de custos de uma


empresa, estruturamos essas informações com base na metodologia
do custeio variável, calculamos o ponto de equilíbrio operacional
e financeiro e aprendemos sobre a alavancagem operacional. Nesta
unidade, vamos aplicar esses conceitos na empresa Goiabeira. Vamos
utilizar a metodologia apresentada por Gitman (2010).

24.1 Apresentar um caso referente à análise do Custo/


Volume/Lucro
A empresa Goiabeira fabrica e vende sucos de goiaba em embalagens de
caixa de papel. Analisando as finanças dessa organização, obtivemos os
seguintes preços dos produtos, dos custos e das despesas:

www.esab.edu.br 137
Preço de venda de cada caixa de suco R$ 6,80
Custo do suco de cada caixa R$ 1,20
Embalagem R$ 0,80
Aluguel R$ 3.500,00 mensais
Energia elétrica R$ 0,10 por caixa de suco produzida
(essa conta é dividida em dois grupos) R$ 700,00 mensais para o restante do consumo
Mão de obra da produção R$ 1,40 por caixa de suco produzida
(essa conta é dividida em dois grupos) R$ 800,00 mensais fixos
Salário do administrador R$ 4.500,00 mensais
Salário do vendedor R$ 0,30 por caixa de suco vendida (comissão)
(essa conta é dividida em dois grupos) R$ 1.000,00 mensais fixos

Quadro 16 – Preços dos produtos, dos custos e das despesas.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Com base nessas informações, podemos dividir as contas em fixas e


variáveis, veja:

Preço unitário
R$ 6,80
de venda
Custo do suco de cada caixa R$ 1,20
Embalagem R$ 0,80
Custo/ Energia elétrica por caixa produzida R$ 0,10
despesas
variáveis Mão de obra da produção por caixa de suco produzida R$ 1,40
Salário do vendedor por caixa de suco vendida (comissão) R$ 0,30
Total De Custos/Despesas Variáveis por unidade R$ 3,80
Aluguel R$ 3.500,00
Energia elétrica R$ 700,00
Custo/
despesas Mão de obra da produção R$ 800,00
fixos Salário do administrador R$ 4.500,00
(mensais)
Salário do vendedor R$ 1.000,00
Total De Custos/Despesas Fixos (mensais) R$ 10.500,00

Quadro 17 – Contas fixas e variáveis.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Agora que já conhecemos melhor os custos da empresa Goiabeira, vamos


ao próximo passo: calcular o ponto de equilíbrio.

www.esab.edu.br 138
24.2 Calcular o ponto de equilíbrio operacional e
financeiro
Quantas caixas de suco a empresa Goiabeira precisa vender para alcançar
seu ponto de equilíbrio operacional? Conforme estudamos na unidade
22, o cálculo do ponto de equilíbrio operacional se dá da seguinte forma:
CF R$ 10.500,00
=
Q= = 3.500 unidades
P - CVun R$ 6,80 - R$ 3,80
Vamos construir uma Demonstração do Resultado do Exercício pelo
método do custeio variável para conferir esse resultado. Considerando a
venda de 3.500 caixas de suco, temos:

DRE Goiabeira Unitário 3.500 uni.


(+) Receita R$ 6,80 R$ 23.800,00
(-) Custos/Despesas Variáveis - R$ 3,80 - R$ 13.300,00
(=) Margem de contribuição R$ 3,00 R$ 10.500,00
(-) Custos/Despesas Fixos - R$ 10.500,00
(=) Lucro Operacional R$ -

Quadro 18 – Demonstração do Resultado do Exercício no ponto de equilíbrio operacional da empresa Goiabeira.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Como podemos verificar no Quadro 18, ao vender 3.500 unidades a


empresa Goiabeira cobre todos os seus custos e despesas e seu lucro
é zero. Mas e se a meta da empresa fosse um lucro de R$ 4.500,00,
quantas unidades precisaria vender?

Conforme estudamos, o cálculo se dá a partir do ponto de equilíbrio


financeiro. Veja:
CF + Lucro mínimo R$ 10.500,00 + R$ 4.500,00
=
Q= = 5.000 unidades
P - CVun R$ 6,80 - R$ 3,80
Vamos conferir?

www.esab.edu.br 139
DRE Goiabeira Unitário 5.000 uni.
(+) Receita R$ 6,80 R$ 34.000,00
(-) Custos/Despesas Variáveis - R$ 3,80 - R$ 19.000,00
(=) Margem de contribuição R$ 3,00 R$ 15.000,00
(-) Custos/Despesas Fixos - R$ 10.500,00
(=) Lucro Operacional R$ 4.500,00

Quadro 19 – Demonstração do Resultado do Exercício no ponto de equilíbrio financeiro da empresa Goiabeira.


Fonte: Elaborado pela autora (2013).

Percebemos que, ao vender 5.000 unidades, a empresa Goiabeira atinge


um lucro de R$ 4.500,00.

A seguir, vamos analisar o cálculo do grau de alavancagem operacional da


empresa. Preparado?

24.3 Expor a formulação do grau de alavancagem


operacional
O grau de alavancagem operacional mede a capacidade que a empresa tem
de transformar suas vendas em lucro. Para calcular o grau de alavancagem
operacional da empresa Goiabeira, vamos considerar sua Demonstração
do Resultado do Exercício quando ela vende 5.000 unidades e aplicar um
aumento de 50% nas vendas. Confira no Quadro 20. Lembre-se, para um
aumento de 50% basta multiplicar o valor por 1,5.

DRE Goiabeira 5.000 uni. Aumento 50%


(+) Receita R$ 31.000,00 R$ 51.000,00
(-) Custos/Despesas Variáveis - R$ 19.000,00 - R$ 28.500,00
(=) Margem de contribuição R$ 15.000,00 R$ 22.500,00
(-) Custos/Despesas Fixos - R$ 10.500,00 - R$ 10.500,00
(=) Lucro Operacional R$ 4.500,00 R$ 12.000,00

Quadro 20 – Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Goiabeira com aumento de 50% nas vendas.
Fonte: Elaborado pela autora (2013).

www.esab.edu.br 140
Perceba que as vendas aumentaram em 50% (R$ 34.000,00 x 1,5),
conforme o enunciado. O lucro aumentou em R$ 7.500,00 ou 166,67%
R$ 7.500,00
( × 100)
R$ 4.500,00 . Dessa forma, podemos calcular o GAO da
empresa:
Variação percentual do Lucro 166,6%
GAO = = = 3,33
Variação percentual das Vendas 50%
Isso significa dizer que a empresa aumenta as vendas e os lucros na
proporção de 1:3,33 (1 para 3,33), ou seja, para cada aumento de 1%
no volume de vendas, seu lucro aumenta em 3,33%. Esse é o grau de
alavancagem operacional da empresa Goiabeira.

Essa foi a aplicação prática dos conceitos relacionados ao tema Custo/


Volume/Lucro e alavancagem operacional. Espero que você esteja pronto
para aplicá-los na empresa que trabalha. Na próxima unidade, vamos
estudar a política de dividendos da empresa. Você sabe o que é isso?
Então, vamos em frente.

Bons estudos.

www.esab.edu.br 141
Resumo

Na unidade 19 estudamos a administração do passivo circulante,


abrangendo os passivos espontâneos das empresas, os termos de crédito
concedidos pelos fornecedores de crédito, bem como algumas alternativas
de fontes de financiamento de curto prazo para as empresas.

Na unidade 20 calculamos os indicadores de atividades do capital de


giro, abordando os prazos médios de estocagem, de recebimento e de
pagamento. Depois, calculamos o giro dos estoques e o giro das contas a
receber, que mostram quantas vezes tais contas se renovam na empresa,
para que, na unidade 21, pudéssemos resolver um caso prático aplicando
todos esses conceitos assimilados e finalizando nossos estudos sobre o
capital de giro.

Na unidade 22 estudamos o conceito de Custo/Volume/Lucro, também


conhecido como ponto de equilíbrio operacional da empresa. Construímos
a Demonstração do Resultado do Exercício pelo método do custeio
variável e entendemos que, no ponto de equilíbrio operacional, as vendas
conseguem cobrir todos os custos e despesas e o lucro é zero. Para adicionar
um lucro mínimo esperado, calculamos o ponto de equilíbrio financeiro.

Na unidade 23 aprendemos sobre a alavancagem operacional e sua


principal causa: a existência de custos fixos na estrutura de custos das
empresas. Além disso, calculamos o grau de alavancagem operacional,
que mede a capacidade da empresa transformar suas vendas em lucro.

Por fim, com base nesses conceitos, na unidade 24 resolvemos um caso


prático, analisando custos e despesas fixos e variáveis, calculando o
ponto de equilíbrio operacional e financeiro e identificando o grau de
alavancagem operacional da empresa.

www.esab.edu.br 142
25 Política de dividendos
Objetivo
Entender a importância da política de dividendos nas decisões
financeiras.

Uma organização de produção, comercialização ou prestação de serviços,


normalmente, está voltada para a busca de resultados financeiros,
traduzidos pelos lucros. Esses lucros pertencem aos proprietários, os
quais investiram recursos financeiros na empresa e assumiram um risco
em relação a ela. Porém, os proprietários devem retirar todo o lucro que
a empresa gerou? É sobre essa questão que trata a política de dividendos
da empresa, ou seja, é a política para a distribuição dos lucros aos
proprietários de cada organização. Na unidade 24 encerramos o tema que
trata da análise custo-volume-lucro e da alavancagem operacional. Agora,
vamos discutir sobre a distribuição dos lucros gerados na alavancagem
de cada empresa. Nesta unidade, vamos conhecer, com base em Gitman
(2010) e Groppelli e Nikbakht (2010), os fundamentos dos dividendos,
os argumentos quanto à sua relevância e os fatores que afetam a política
de dividendos.

25.1 Fundamentos dos dividendos


Ao gerar lucros em uma empresa, o administrador financeiro tem duas
alternativas sobre o destino desses recursos:

• retenção dos lucros – reinvesti-los na empresa, com novos projetos


de investimento ou aperfeiçoamento dos já existentes. Ao reinvestir
os lucros, estes passam a ser uma nova fonte de financiamento para
a empresa;
• distribuição dos lucros – distribuí-los aos proprietários em forma
de dinheiro. Ao distribuir aos proprietários, acontece uma saída de
caixa na empresa.

www.esab.edu.br 143
De acordo com Gitman (2010, p. 514), “[...] os dividendos esperados
em dinheiro constituem a principal variável com a qual os proprietários
e os investidores determinam o valor da ação”. Segundo Gitman (2010),
a distribuição dos lucros representa uma fonte de fluxo de caixa para
os proprietários e fornece informações sobre o desempenho atual e
futuro da empresa. Já a retenção – o lucro que não é distribuído aos
proprietários sob a forma de dividendos – representa um financiamento
interno; assim, a decisão de pagar dividendos afeta as necessidades de
financiamento externo da empresa de maneira significativa.

Em reuniões trimestrais ou semestrais, o conselho de administração decide sobre o


pagamento ou não, e o montante a ser desembolsado. O desempenho financeiro do
exercício encerrado e o panorama futuro, além dos dividendos pagos recentemente,
são dados cruciais para essa tomada de decisão. A data de pagamento dos dividendos,
caso sejam anunciados, também precisa ser estabelecida. (GITMAN, 2010, p. 514)

Como você pode notar, decidir sobre a política de dividendos tem


um importante impacto sobre as finanças da empresa, principalmente
em termos de caixa. Veremos, a seguir, a importância da política de
dividendos. Acompanhe!

25.2 Importância da política de dividendos


Você sabe por que devemos estudar a política de dividendos na
administração financeira? Porque a política de dividendos de uma
empresa exerce uma influência significativa na determinação do valor
dessa empresa. Os proprietários visualizam os dividendos como um
sinal da capacidade da empresa na geração de lucros (GROPPELLI;
NIKBAKHT, 2010).

Groppelli e Nikbakht (2010) afirmam que, embora alguns acadêmicos


defendam que a decisão de distribuir dividendos independe das decisões
de investimento, os dividendos podem, indiretamente, influenciar os
planos de financiamento externos dos administradores financeiros. Por
exemplo, decidir sobre distribuir dividendos elevados reduzirá os recursos
internos que poderiam ser reinvestidos na empresa, além de requerer caixa
suficiente da organização para esse pagamento. Isso pode forçar a empresa

www.esab.edu.br 144
a necessitar de fontes de financiamentos externas que possuem um custo
normalmente exemplificado pelos juros pagos. Assim, para Groppelli
e Nikbakht (2010), os administradores financeiros buscam manter o
equilíbrio entre pagar um dividendo razoável aos proprietários – para
que estes mantenham a lealdade – e reinvestir os lucros – para assegurar o
futuro crescimento e maximizar o preço das ações da empresa.

Dessa forma, com o objetivo de manter um equilíbrio entre a


distribuição e a retenção dos lucros, é importante que o administrador
financeiro analise alguns fatores que influenciam nessa decisão. No
próximo tópico vamos ver quais são eles.

Saiba mais
Você sabia que as Sociedades Anônimas, ou as S/
As, são obrigadas a distribuir, no mínimo, 25% do
seu lucro? Para saber mais sobre a interferência
dessa legislação na política de dividendos das
empresas brasileiras acesse o link clicando aqui, do
Valor Econômico.

25.3 Fatores que afetam a política de dividendos


Geralmente, os dividendos são pagos trimestralmente. Esses pagamentos
podem ser em montantes elevados ou pequenos, dependendo das
condições da economia, de cada setor e da própria empresa.

Segundo Groppelli e Nikbakht (2010), algumas empresas são incluídas


em setores que, normalmente, pagam dividendos baixos – no caso,
tratam-se de empresas que estão mais estáveis no mercado –, enquanto
outras são incluídas em setores nos quais se costuma pagar altos valores
em dividendos devido às suas características, como empresas que
desenvolvem tecnologias de ponta e que assumem grandes riscos nos
seus investimentos. No geral, as organizações com crescimento estável de
lucros pagam maiores dividendos que as de crescimento de lucros cíclicos
e instáveis.

www.esab.edu.br 145
Cada empresa tem a sua própria política de dividendo determinada
pelos dirigentes, que avaliam a situação financeira da organização e
analisam suas necessidades de investimento. Os gestores projetam os
lucros futuros, bem como o fluxo de caixa da empresa e, com base nessas
informações e em outras considerações, declaram um determinado
montante de dividendos em dinheiro por ação.

Dica
Ao acessar o site de qualquer Sociedade Anônima
com o capital aberto na Bolsa de Valores de São
Paulo, você pode consultar, no link relacionado
aos investidores, o Estatuto Social da empresa e
conferir sua política de dividendos.

Há quem diga que o valor de uma empresa não é afetado pelo


pagamento dos dividendos ou pelas mudanças em sua política. Segundo
Groppelli e Nikbakht (2010), os principais defensores dessa teoria,
Modigliani e Miller,

[...] apresentaram um argumento teórico baseado nos pressupostos da existência


de mercados de capitais perfeitos e da inexistência de impostos. Naturalmente, eles
perceberam que impostos e outros fatores são condições do mundo real que podem
tornar os dividendos um aspecto significativo de avaliação. O argumento deles,
contudo, é valioso, pois produz um diálogo frutífero sobre um assunto importante.
(GROPPELLI; NIKBAKHT, 2010, p. 223-224)

Dessa forma, considerando as limitações dos estudos de Modigliani


e Miller, podemos considerar que a política de dividendos é
um importante fator que atrai ou repele novos investidores e,
consequentemente, influencia no valor da empresa no mercado.

Nesta unidade, estudamos sobre uma importante decisão financeira: reter


ou distribuir os lucros, ou seja, a política de dividendos da empresa que,
por sua vez, interfere nas decisões de financiamento do administrador
financeiro. A partir da unidade 26 vamos iniciar nossos estudos sobre o
processo de planejamento e controle financeiro.

www.esab.edu.br 146
Planejamento e controle
26 financeiro
Objetivo
Conceituar o planejamento e controle financeiro.

Quantas vezes já ouvimos falar que as empresas fecham suas portas


por falta de planejamento financeiro? Muitas, certo? Os problemas
financeiros decorrentes dessas organizações provêm, em muitos casos,
da falta de conhecimento do gestor em relação à sua situação financeira.
Todos os elementos estudados até aqui servem de base para planejar as
finanças da empresa. Na unidade 25 vimos a política de dividendos da
empresa, que, por exemplo, deve estar prevista no plano financeiro, pois
gera saídas de caixa. Nesta unidade, vamos conceituar o planejamento e o
controle financeiro e discutir sua importância nas organizações, com base
em Gitman (2010) e Groppelli e Nickbaht (2010).

26.1 Planejamento financeiro de longo e curto prazo


O planejamento financeiro pode ser abordado de acordo com sua projeção
no tempo e o impacto que causa a toda empresa. Dessa forma, vamos
analisar dois tipos de planejamento financeiro: de longo e de curto prazo.

Os planos financeiros de longo prazo (estratégicos) expressam as ações financeiras


planejadas por uma empresa e o impacto previsto dessas ações ao longo de períodos
que vão de dois a dez anos. São comuns planos estratégicos de cinco anos, revistos
à medida que novas informações relevantes tornam-se disponíveis. De modo geral,
as empresas sujeitas a alto grau de incerteza operacional, a ciclos de produção
relativamente breves, ou a ambos, tender a usar horizontes de planejamento mais
curtos. (GITMAN, 2010, p. 106)

www.esab.edu.br 147
Gitman (2010, p. 106) indica que

[...] os planos financeiros de longo prazo fazem parte da estratégia da empresa que,
juntamente com os planos de produção e marketing, orientam a empresa [e seus
funcionários] em direção a suas metas estratégicas”.

Esses planos podem abordar propostas de investimento em ativo


imobilizado, atividades de pesquisa e desenvolvimento, ações de
marketing e desenvolvimento de produtos, estrutura de capital e
principais fontes de financiamento. Além disso, podem abordar
encerramento de projetos, linhas de produto, de negócios existentes ou
até outros mercados, amortização de dívidas, entre outras decisões que
impactam na empresa no longo prazo.

Os planos financeiros de curto prazo (operacionais) especificam ações


financeiras de curto prazo e o impacto previsto. Esses planos geralmente
cobrem períodos de um ou dois anos. As principais informações usadas
são a previsão de vendas e diversos dados operacionais e financeiros
(GITMAN, 2010, p. 107).

Ou seja, os planos financeiros operacionais têm como objetivo informar


aos gestores as metas e os planos para o próximo ano, por exemplo.
O processo de planejamento financeiro de curto prazo encontra-se
representado na Figura 6.

www.esab.edu.br 148
Previsão Informações necessárias
de vendas Resultado para análise

Plano de
Planos de financiamento
produçao de longo prazo

Demonstração Plano de
Orçamento
Balanço do resultado investimento em
de caixa
patrimonial pró-forma ativo imobilizado
do período
corrente
Balanço
Patrimonial
pró-forma

Figura 6 – Planejamento financeiro de curto prazo.


Fonte: Gitman (2010, p. 107).

Note, na Figura 6, que o planejamento de curto prazo começa com


a projeção das vendas (estimativa de vendas futuras). A partir daí, as
empresas desenvolvem planos de produção que levam em conta os prazos
de fabricação e incluem estimativas das necessidades de matérias-primas.
Os planos de produção permitem à empresa estimar as despesas de
custo fixo, as referentes à folha de pagamento e as despesas operacionais.
Depois de realizadas essas estimativas, a organização pode elaborar uma
demonstração do resultado do exercício pró-forma e um orçamento de
caixa. Com essas informações básicas, pode, finalmente, desenvolver
um balanço patrimonial pró-forma, ou seja, um balanço patrimonial
projetado para que o gestor financeiro tenha uma visualização clara de
como ficará a empresa caso o plano se concretize.

Agora que já sabemos que o planejamento financeiro se dá no curto e no


longo prazo, vamos discutir a importância de elaborá-lo.

www.esab.edu.br 149
26.2 A importância do planejamento financeiro
Segundo Groppelli e Nikbakht (2010), o planejamento financeiro é o
processo que permite calcular o financiamento que uma empresa necessita
para dar continuidade às suas operações e que decide quando e como
a necessidade de recursos será financiada. Os autores, ao referirem-se
ao planejamento financeiro, argumentam que sem um procedimento
confiável para estimar as necessidades de financiamento uma empresa
pode acabar não tendo recursos financeiros suficientes para saldar os
seus compromissos, tais como salários a pagar, fornecedores, despesas
de aluguel, impostos e taxas de serviços públicos. Uma empresa que
não cumpre com as suas obrigações financeiras tem sérios problemas de
crédito no mercado, prejudicando ainda mais a situação. Assim, os autores
afirmam que a falta de um planejamento financeiro sólido e confiável
pode causar a falta de liquidez e, por conseguinte, a falência da empresa.

É importante entender claramente que o aumento de vendas e


investimentos rentáveis não garantem o sucesso e a solvência de uma
organização. Para Groppelli e Nickbakht (2010), a crise de liquidez,
ou seja, a falta de dinheiro para cumprir com as obrigações financeiras,
sempre representa perigo para uma empresa. Esse problema pode ainda
ser agravado quando o crédito é restringido, como para as pequenas
empresas, já que, normalmente, grandes corporações possuem amplas
alternativas de financiamento. Porém, isso não significa que as grandes
empresas não enfrentem esse tipo de problema.

Mesmo as contas a receber, provenientes das vendas a prazo, não têm


liquidez, a menos que sejam prontamente transformadas em caixa.
Inclusive, um aumento extraordinário no índice de vendas da empresa
não a protege de uma possível falência. O administrador financeiro
precisa fazer um planejamento financeiro metódico para analisar as
necessidades futuras de financiamento. Além disso, a época dos diferentes
tipos de financiamento também é crucial para o plano financeiro.
Por exemplo, em um momento de elevação das taxas de juros, um
empréstimo com juro fixo de longo prazo é preferível a um empréstimo
de curto prazo. Quando se espera que as taxas de juros diminuam, um
administrador financeiro preferirá captar no curto prazo e refinanciar o
empréstimo a uma taxa de juros inferior, no momento em que as taxas
tenham caído (GROPPELLI; NICKBAHT, 2010).

www.esab.edu.br 150
Já sabemos que elaborar um planejamento financeiro é importante para
manter o funcionamento e a liquidez da empresa. Porém, o planejamento
não é eficaz se não tiver o devido acompanhamento, ou seja, o controle,
que será estudado a seguir.

Estudo complementar
O plano de negócios é um instrumento bastante
utilizado na elaboração do planejamento
financeiro. Além de projeção de vendas, custos e
despesas, ele traz um panorama da empresa no
mercado e um diagnóstico da sua situação. Para
conhecer esse instrumento, o SEBRAE disponibiliza
um manual prático para construí-lo. Acesse o site
clicando aqui e desfrute de todas as dicas.

26.3 O controle financeiro


O controle financeiro está intimamente relacionado ao seu planejamento.
Depois de estimar e projetar vendas, custos, despesas e demonstrações
financeiras, o administrador deve acompanhar esse plano, isto é, deve
controlá-lo.

Um acompanhamento permitirá que haja uma visualização clara das


metas estipuladas no planejamento. Caso as vendas estejam abaixo das
estimativas programadas, é preciso rever todo o processo orçamentário, o
que também ocorre quando as vendas ultrapassam as metas estabelecidas.
Além disso, qualquer mudança no ambiente externo da empresa requer
alterações no processo de planejamento.

A utilização de indicadores financeiros, que você estudou nas unidades 6 a 9,


também auxilia na avaliação financeira da empresa frente ao plano seguido.

Nesta unidade, introduzimos o tema referente ao planejamento e


controle financeiro. Nas próximas unidades vamos adentrar nossos
estudos no instrumento que realiza esse planejamento: o orçamento.

www.esab.edu.br 151
Você já ouviu falar no processo orçamentário de uma empresa? Então
vamos descobrir do que esse tema trata.

Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a
tarefa dissertativa.

www.esab.edu.br 152
27 Introdução ao orçamento
Objetivo
Conhecer o orçamento, seu conceito, seus objetivos, suas
características e ciclo orçamentário.

Após a elaboração do planejamento estratégico (de longo prazo), passa-


se à elaboração de planos de ação (curto prazo), conforme estudamos
na unidade 26. Cada área funcional da empresa, como produção,
vendas e recursos humanos, refletirá seu papel no futuro da organização,
materializando-se em ações, as quais se pretende desenvolver, para
alcançar objetivos no curto e no longo prazo. O componente final do
plano de ação é o orçamento; estudaremos os seus principais conceitos
nesta unidade com base em Lunkes (2011).

27.1 O que é o orçamento?


O orçamento refere-se ao componente final do planejamento estratégico
da empresa. Na Figura 7 você pode observar como se dá o processo do
planejamento estratégico até a elaboração do orçamento.

www.esab.edu.br 153
1. Identificação dos objetos

Processo de 2. Identificação do potencial e curso de ação (estratégias)


planejamento
estratégico
3. Avaliação das alternativas e opções estratégicas

4. Seleção das alternativas e curso de ação

5. Implementação dos planos de longo prazo


na forma de orçamento anual
Processo
orçamentário
anual 6. Monitoração dos resultados obtidos

7. Correção de divergências do plano


Figura 7 – Passos na elaboração e implementação do planejamento estratégico.
Fonte: Adaptado de Drury (1996, p. 464 apud LUNKES, 2011).

Como você pode observar na Figura 7, o processo de planejamento


estratégico envolve desde a identificação dos objetivos da organização, a
identificação do potencial e curso de ação, a avaliação das alternativas e
opções estratégicas, até a seleção de qual alternativa e curso de ação serão
desenvolvidos na empresa. A partir daí, o planejamento foca-se em um
aspecto operacional, ou seja, de curto prazo. O processo orçamentário anual
envolve a implementação dos planos de longo prazo na forma de orçamento
anual (previsão de receitas e gastos gerais), de monitoração (controle) dos
resultados obtidos e de correção de divergências do que foi planejado.

Porém, o que é necessariamente um orçamento? Temos alguns conceitos


retirados de Lunkes (2011, p. 38):

[...] Welsch (1973, p. 27) define o orçamento como um plano administrativo que
abrange todas as fases das operações para um período futuro definido. É a expressão
formal das políticas, planos, objetivos e metas estabelecidas pela alta administração
para a empresa como um todo, bem como para uma de suas subdivisões. [...]
Zdanowicz (1983, p. 20) também define orçamento como um instrumento que
descreve um plano geral de operações e/ou de investimentos por determinado
período, orientado pelos objetivos e metas propostas pela alta administração.

www.esab.edu.br 154
Podemos observar que o orçamento, para os autores citados, diz respeito
a um plano financeiro. A seguir vamos estudar quais os objetivos e as
características necessárias a um processo orçamentário.

27.2 Os objetivos e características do orçamento


Os orçamentos são essenciais para o planejamento e o controle das
empresas. Brookson (2000 apud LUNKES, 2011) lista seis objetivos
que são cumpridos pelo orçamento quando aplicados em organizações.
Podemos acompanhar esses objetivos no Quadro 21.

Objetivos Descrição
Auxiliar a programar atividades de um modo lógico e sistemático
PLANEJAMENTO
que corresponda à estratégia de longo prazo da empresa.
Ajudar a coordenar as atividades das diversas partes da organização
COORDENAÇÃO
e garantir a consistência dessas ações.
Informar, mais facilmente, os objetivos, oportunidades e planos da
COMUNICAÇÃO
empresa aos diversos gerentes de equipes.
Fornecer estímulo aos diversos gerentes para que atinjam metas
MOTIVAÇÃO
pessoais e da empresa.
Controlar as atividades da empresa por comparação com os planos
CONTROLE
originais, fazendo ajustes onde necessário.
Fornecer bases para a avaliação de cada gerente, tendo em vista
AVALIAÇÃO
suas metas pessoais e as de seu departamento.

Quadro 21 – Os seis objetivos do orçamento.


Fonte: Brookson (2000, p. 9 apud LUNKES, 2011, p. 41).

Os objetivos de planejamento, coordenação, comunicação, motivação,


controle e avaliação ajudam a coordenar as ações dos gestores de diferentes
áreas, estabelecendo um compromisso com os objetivos da empresa.

Além dos seus objetivos listados, Zdanowicz (1983 apud LUNKES,


2011) enfatiza que o processo orçamentário deve, necessariamente,
apresentar as seguintes características:

• projeção de futuro – o orçamento visa um período futuro. O


objetivo é pensar as finanças e programa-las;

www.esab.edu.br 155
• flexibilidade na aplicação – deve-se evitar a falta de flexibilidade
no processo orçamento devido às mudanças ocorridas tanto no
ambiente interno e externo da empresa ao longo do tempo; e
• participação direta dos responsáveis – implementar um orçamento
requer envolvimento e compromisso de todos os participantes do
processo.
Tung (1994 apud LUNKES, 2011) complementa, citando outras
caraterísticas do orçamento: um grau de acerto razoável, a adaptabilidade
ao ciclo operacional da empresa e a capacidade de demonstrar com
rapidez pontos críticos e indicar soluções por meio de relatórios emitidos
à direção da empresa.

Todos esses objetivos e características do orçamento devem ser elaborados


e revistos sucessivamente. É o que chamamos de ciclo orçamentário,
tema que será estudado a seguir.

27.3 Ciclo orçamentário


De acordo com Horngren, Foster e Datar (1997 apud LUNKES, 2011,
p. 41), as empresas bem administradas normalmente têm o seguinte ciclo
orçamentário:

• Planejamento do desempenho da empresa como um todo, assim como as


respectivas subunidades. Todos os gestores concordam com o que é esperado deles;
• Estabelecimento de um parâmetro de referência, isto é, um conjunto de expectativas
específicas com relação às quais os resultados reais possam ser comparados;
• Análise das variações dos planos, seguida, se necessário, das respectivas ações
corretivas;
• Replanejamento, levando em consideração o feedback e a mudança das condições.
O ciclo orçamentário indica que o orçamento não é um processo estático,
ou seja, o ciclo orçamentário deve ser realizado ininterruptamente: a
empresa deve sempre planejar e controlar, acompanhando as variações e
reprogramando as suas finanças de acordo com as mudanças ocorridas.

www.esab.edu.br 156
Nesta unidade, pudemos conhecer os principais conceitos, objetivos,
características e o ciclo do orçamento. Com essa introdução, vamos nos
aprofundar no tema na unidade 28, identificando a estrutura e as etapas
do processo orçamentário.

Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos
em relação às unidades 19 a 27. Para isso, dirija-se ao
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda
às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará
se preparando para a prova. Bom trabalho!

www.esab.edu.br 157
28 Estrutura e processo orçamentário

Objetivo
Definir a estrutura de um processo orçamentário e suas etapas.

Na unidade 27 pudemos entender um pouco mais sobre o processo


orçamentário como um plano financeiro que busca dar liquidez à
empresa, necessitando de comprometimento de todos os responsáveis para
que as metas propostas possam ser cumpridas. Além disso, estudamos
que o processo orçamentário não é estático, ou seja, ele precisa ser revisto
periodicamente para se adequar às mudanças ocorridas no mercado e
na empresa. Nesta unidade, vamos prosseguir nossos estudos acerca do
orçamento, discutindo a respeito da estrutura e do processo orçamentário.
Esse tema é importante para iniciar o processo de construção do
orçamento. Para isso, vamos começar discutindo a estrutura básica do
orçamento, nos fundamentando nas ideias de Lunkes (2011).

28.1 Estrutura básica do orçamento


Em relação à estrutura básica do orçamento, segundo Lunkes (2011),
ela é formada pelas projeções financeiras dos orçamentos individuais
de cada unidade da empresa, podendo ser dividida por departamento,
por produto ou por mercado, e de um conjunto de orçamentos para
determinado período futuro, normalmente um ano, abrangendo o
impacto tanto das decisões operacionais quanto das decisões financeiras.
Na Figura 8 podemos visualizar um exemplo de orçamento global.

www.esab.edu.br 158
Orçamento de vendas/receitas

Orçamento do
Orçamento de fabricação
estoque final

Orçamento dos Orçamento dos Orçamento dos


custos dos custos de mão custos indiretos
materiais diretos de obra direta de fabricação

Orçamento do custo dos produtos vendidos


Orçamento
peracional Orçamento das despesas:
• Pesquisa de desenvolvimento
• Vendas e marketing
• Distribuição
• Administraçao
• Outros

Demonstração do resultado orçada


Orçamento
financeiro Balanço
Orçamento Orçamento
patrimonial
de capital de caixa
orçado

Figura 8 – Exemplo de orçamento global.


Fonte: Lunkes (2011, p. 43).

Como pode ser observado no esquema da Figura 8 e de acordo


com Lunkes (2011), o orçamento operacional possui relação com
o orçamento global, aparecendo em primeiro plano. O orçamento
operacional é constituído por: orçamento dos custos indiretos de
fabricação, orçamento de vendas, orçamento de fabricação, orçamento
da mão de obra direta, orçamento de custos dos materiais, orçamento do
estoque final e orçamento das despesas departamentais.

www.esab.edu.br 159
Já o orçamento financeiro fica em segundo plano, sendo composto
por: orçamento de capital, orçamento de caixa, Balanço Patrimonial
e Demonstração do Resultado projetado. Se por um lado as decisões
operacionais têm por objetivo a aquisição e a utilização de recursos escassos,
as decisões financeiras procuram conquistar meios para adquiri-los.

O orçamento global, ilustrado na Figura 8, é um resumo geral de toda


a estrutura orçamentária. Após a elaboração dessa estrutura, que será
desmembrada ao longo das próximas unidades, é necessário implementar
o orçamento. Esse é o tema do próximo tópico.

28.2 Implementação do orçamento


Implementar um orçamento é uma das partes mais importantes do
processo orçamentário e, por isso, exige atenção e comprometimento
de todos os agentes que serão envolvidos com os dados operacionais e
financeiros no processo. Outro elemento fundamental na implementação
do orçamento é um sistema de informação normalmente informatizado.
Welsch (1883 apud LUNKES, 2011) concorda com isso ao dizer que
o processo orçamentário exige da empresa um sistema de informação,
com dados contábeis e históricos adequados, apropriados e confiáveis.
Para Zdanowicz (1983 apud LUNKES, 2011), na implementação do
orçamento a empresa deve ter, no mínimo, estrutura organizacional
definida, contabilidade aberta e informatizada e fixação de objetivos,
como mostra a Figura 9.

www.esab.edu.br 160
Objetivos operacionais
• Taxa interna de retorno;
• Participação no mercado global;
• Controle ambiental;
• Maximização do lucro etc.
Análise dos fatores
macroeconômicos
Contabilidade aberta • Situação geral da economia;
e informatizada
• Tendência da política
• Voltada para o governamental;
aspecto gerencial; Condições para • Evolução do setor em
• Possibilitar o controle implementação que atua a empresa;
orçamentário; • Evolução da taxa de inflação;
• Atender além dos aspectos • Evolução do real em relação
gerenciais, legais, ao dólar;
acionistas etc; • Mercado de trabalho;
• Tendência dos preços dos
produtos, tendências da MP
Estrutura organizacional (preços, qualidade, riscos
de fornecimento);
• Níveis hierárquicos existentes; • Taxa de juros, entre outras.
• Interdependência dos órgãos
subordinados;
• Linhas de comunicação
ascendentes e descendentes;
• Delegação de autoridades e
cobrança de responsabilidade.

Figura 9 – Condições para implementação do orçamento.


Fonte: Zdanowicz (1983, p. 22 apud LUNKES, 2011, p. 45).

Como você pode notar na Figura 9, Zdanowicz (1983, apud LUNKES,


2011) desdobra cada um dos quatro elementos que julga essenciais na
empresa para a implementação do orçamento.

Isso significa que, na implementação do orçamento, a empresa necessita,


no mínimo, de organização e estrutura. Essa condição é essencial para
que o processo orçamentário tenha bases para ser executado. A seguir
vamos discutir as vantagens e as desvantagens de se implementar essa
ferramenta de gestão.

www.esab.edu.br 161
Para sua reflexão
As micro e pequenas empresas, normalmente
com recursos financeiros limitados, dificilmente
apresentam estruturados os quatro elementos
apresentados por Zdanowicz (apud LUNKES,
2011). Por outro lado, por terem recursos
financeiros escassos, seria essencial a
implementação de um processo orçamentário
para o planejamento e o controle das finanças.
Reflita como esses dados contraditórios são
frequentemente encontrados na realidade da
maioria das empresas brasileiras.
A resposta a essa reflexão forma parte de sua
aprendizagem e é individual, não precisando ser
comunicada ou enviada aos tutores.

28.3 Vantagens e limitações do orçamento


O processo orçamentário apresenta inúmeras vantagens na sua
implementação e execução. Entre elas, Sanvicente (2000, apud
LUNKES, 2011, p. 46-47) elenca algumas:

• A existência e a utilização do sistema para que sejam concretamente fixados


objetivos e políticas para a empresa e suas unidades;
• Por meio de uma integração de diversos orçamentos parciais num orçamento global,
este sistema de planejamento força todos os membros da administração a fazerem
planos de acordo com os planos de outras unidades da empresa;
• Obriga os gestores a quantificarem e datarem as atividades pelas quais serão
responsáveis, em lugar de se limitarem a compromissos com metas ou alvos vagos e
imprecisos;
• Reduz o envolvimento dos altos administradores com as operações diárias, por
meio de delegação de poderes e de autoridade que se refletem nos orçamentos de
diferentes unidades operacionais;

www.esab.edu.br 162
• Identifica os pontos de eficiência ou ineficiência no desempenho das unidades
da empresa e permite acompanhar em que termos está havendo progresso para a
consecução dos objetivos gerais e parciais da empresa; e
• A preparação de um orçamento para toda a empresa tende a melhorar a utilização
dos recursos a ela disponíveis, bem como ajustá-los às atividades consideradas
prioritárias, para que sejam alcançados seus objetivos.
Apesar das inúmeras vantagens que o orçamento traz para a empresa, ele
também pode apresentar algumas limitações, conforme apresenta Lunkes
(2011):

• os dados contidos nos orçamento são estimativas e estão sujeitos a


eventos internos e externos à empresa como, por exemplo, mudança
dos hábitos do consumidor;
• alguns dados são difíceis de serem estimados: movimento da
clientela, patamar de juros, nível de aceitação dos sindicados, entre
outros; e
• o processo orçamentário leva um tempo extraordinariamente longo
para ser implementado, requerendo a contribuição de todos.
Essas limitações devem ser analisadas cuidadosamente pelos responsáveis
pelo processo orçamentário, uma vez que o sucesso ou o fracasso dependem,
consideravelmente, da previsão correta e das estimativas acertadas.

Saiba mais
O artigo “As 10 maiores armadilhas do orçamento”,
da Revista HSM, traz um elenco de elementos com
os quais o gestor financeiro deve ter atenção no
processo orçamentário. Você pode ler o artigo na
íntegra clicando aqui.

Nesta unidade, continuamos nossos estudos sobre o orçamento e


conhecemos a estrutura básica do instrumento, sua implementação
e algumas de suas vantagens e desvantagens. Na unidade 29 vamos
aprofundar nossos estudos adentrando em uma das principais etapas do
processo orçamentário: o orçamento das vendas. Vamos lá?

www.esab.edu.br 163
29 Orçamento de vendas

Objetivo
Elaborar o orçamento para as vendas.

Nas unidades 27 e 28 introduzimos o tema do processo orçamentário


nos nossos estudos. Vimos alguns conceitos, objetivos, características,
etapas e a implementação do orçamento global. Nesta unidade, vamos
desdobrar esse orçamento global em suborçamentos e o primeiro deles
é o orçamento de vendas, que dará todo o suporte para o restante do
processo. Para estudar o orçamento de vendas vamos utilizar Gitman
(2010) e Lunkes (2011).

29.1 Conceito do orçamento de vendas


O ponto de partida para qualquer orçamento empresarial é a elaboração
do orçamento de vendas. Gitman (2010) corrobora afirmando que a
previsão das vendas é a principal informação de base para o processo
orçamentário e que essa previsão de vendas, ao longo de um dado
período, costuma ser elaborada pelo departamento de marketing.

É com base no orçamento de vendas que o administrador financeiro


irá programar todos os outros suborçamentos que envolvem produção,
venda e fluxos de caixa estimados, além do nível de ativo imobilizado
necessário e o montante de financiamento para sustentar o nível de
vendas (GITMAN, 2010).

Sanvicente e Santos (2000 apud LUNKES, 2011) afirmam que o


orçamento de vendas constitui um plano de vendas futuras da empresa
para determinado período de tempo. O orçamento de vendas estima
as quantidades de cada produto que a empresa planeja vender, além do
preço de cada um deles, com base nos custos da empresa, o praticado

www.esab.edu.br 164
no mercado e a margem de lucro objetivada. O orçamento de vendas
também determina os valores da receita total que será obtida, as
condições dessa venda (termos de crédito, estudados na unidade 14), se
será à vista ou a prazo, como também desencadeia os dados seguintes
para elaboração do orçamento dos custos de fabricação, das despesas de
venda, da distribuição dos produtos e das despesas administrativas.

A projeção de vendas, segundo Gitman (2010), pode se basear em uma


análise de dados externos, de dados internos ou uma combinação de
ambos. A previsão externa contempla

[...] as relações observadas entre as vendas da empresa e determinados indicadores


econômicos externos fundamentais, como produto interno bruto (PIB), construção
de novos imóveis residenciais, confiança do consumidor e renda pessoal disponível.
(GITMAN, 2010, p. 108)

Já a previsão interna está relacionada às

[...] previsões consensuais de vendas dos canais da própria empresa. Normalmente,


pede-se aos vendedores que estimem quantas unidades de cada tipo de produto
esperam vender no ano vindouro. Essas previsões são coletadas e totalizadas pelo
gerente de vendas, que pode ajustá-las com base no conhecimento que tem de
mercados específicos ou da capacidade de precisão dos vendedores. Finalmente,
alguns ajustes podem ser feitos com base em fatores internos, como capacidade de
produção (GITMAN, 2010, p. 108).

A Figura 10 traz alguns exemplos adicionais em termos de fatores


internos e externos, necessários para a projeção das vendas.

Fatores internos Fatores externos


• Produção • Mercado
• Vendas e marketing • Competitivos
• P&D e engenharia • Econômicos e
• Gestão e finanças governamentais
• Outros • Tecnológico
• Sociais e culturais
Figura 10 – Fatores internos e externos para a projeção das vendas.
Fonte: Lunkes (2011, p. 54).

www.esab.edu.br 165
Uma combinação de variáveis internas e externas completa a análise para
projetar as vendas para um período futuro. Quanto maior a quantidade
de informações e, claro, a qualidade dessas informações, mais acertada
será a previsão das vendas. Porém, alguns fatores limitam a elaboração do
orçamento de vendas; vamos estudá-los a seguir.

29.2 Fatores limitadores do orçamento de vendas


O orçamento de vendas baseia-se, basicamente, em estimativas, uma
vez que é uma tentativa de projetar o futuro. Quantas unidades serão
vendidas e a que preço? Essas são as questões primordiais que antecipam
o orçamento de vendas. Por se tratar de futuro, não há garantias em
relação a essas projeções. O que há é uma estimativa ou uma tentativa de
se cumprir metas em termos de vendas.

Além das limitações em termos de estimativas, Wood e Sangster (1996


apud LUNKES, 2011), citando algumas ações ou reações indesejáveis
das pessoas em relação ao orçamento, mencionam que o gerente de
vendas pode recusar o pedido de despesas extras, o que ocorre quando se
deseja atender a um pedido urgente e inesperado por não estar previsto
no orçamento.

O orçamento não pode limitar a empresa em relação às tendências do


mercado. Dito isso, vamos estudar, a seguir, os principais componentes
do orçamento de vendas.

29.3 Principais componentes do orçamento de vendas


Antes de elaborar o orçamento de vendas, alguns componentes
importantes devem ser analisados. A projeção das vendas é feita
considerando: as condições econômicas que se aplicam aos produtos
ou serviços os quais serão ofertados e o que se sabe sobre a ação da
concorrência, além de informações internas da empresa, como seu
histórico de vendas e sua capacidade de produzir. Na Figura 11 podemos
observar, de forma sistematizada, tais componentes que formam o
orçamento de vendas.

www.esab.edu.br 166
Projeção Projeção
quantitativa qualitativa
do mercado do mercado

Projeção histórica Desenho do


e correlações produto

Medidas de Embalagem
tendências

Demanda Promoção e
por zonas publicidade

Embalagem

Projeção de mercado
(Quantitativa e financeira)

Orçamento
operacional de vendas

Orçamento Orçamento Orçamento Orçamento Orçamento Orçamento


capital salários publicidade promoção propaganda distribuição

Plano geral de
operações de vendas
Figura 11 – Orçamento das vendas e seus principais componentes.
Fonte: Zdanowicz (1983, p. 63 apud LUNKES, 2011, p. 56).

Como você pode notar, para se chegar ao orçamento das vendas há


inúmeros componentes que servem de base para essa estimativa: projeção
quantitativa do mercado, projeção histórica das vendas e suas correlações,
medidas de tendências de consumo por parte dos consumidores,
demandas por zonas, projeção qualitativa do mercado, desenho do
produto, embalagem, promoção, publicidade e distribuição. Com a
análise desses dados chega-se à projeção do mercado, a qual serve de base
para a construção do orçamento operacional de vendas.

www.esab.edu.br 167
O orçamento operacional de vendas desdobra-se para a construção
de outros suborçamentos: orçamento de capital (ativos imobilizados
como máquinas, equipamentos, imóveis, móveis etc.), orçamento dos
salários, orçamento da publicidade do produto, orçamento da promoção,
orçamento da propaganda e orçamento da distribuição.

Vimos, nesta unidade, o primeiro passo no processo orçamentário: o


orçamento de vendas. Depois de a quantidade a ser vendida em um
período futuro ser projetada, passamos para o orçamento da produção
dos produtos que pretendem ser vendidos. Esse tema é tratado na
unidade 30.

www.esab.edu.br 168
30 Orçamento de produção

Objetivo
Identificar os elementos que compõem o orçamento de produção.

Depois de elaborar o orçamento de vendas, estudado na unidade 29,


e definir a quantidade a ser vendida no período que se está orçando,
passamos, agora, ao orçamento de produção, o qual busca responder
ao seguinte questionamento: quanto deverá ser produzido no período
orçado? Você poderá conferir nesta unidade, que a resposta a esse
questionamento depende, diretamente, da política de estoque da
empresa. Vamos estudar o orçamento de produção com base em Lunkes
(2011). Preparado?

30.1 Conceito do orçamento de produção


Assim que o orçamento de vendas estiver preparado e o administrador
financeiro já tiver estimado quantas unidades de cada produto pretende
vender, é hora de elaborar o orçamento de produção. De acordo com
Lunkes (2011), o objetivo do orçamento de produção é assegurar um
nível de fabricação suficiente para atender à demanda estimada no
orçamento de vendas.

O plano de produção, segundo Lunkes (2011), envolve: a programação


de uso da capacidade instalada da empresa; a sua política de estoques
(produtos acabados, produtos em elaboração e matérias-primas); o
alinhamento com a projeção das necessidades de investimento para
atender ao orçamento de vendas; a projeção dos custos variáveis e
dos custos fixos, eventuais equipamentos ociosos e seu destino; os
objetivos da produtividade considerada no orçamento; e outros aspectos
possivelmente necessários.

www.esab.edu.br 169
Antes de, efetivamente, elaborar o orçamento de produção, é
necessário colher algumas informações que influenciam no processo
de planejamento. A seguir, vamos conhecer esses requisitos para o
orçamento de produção.

30.2 Requisitos fundamentais para o orçamento de


produção
Wood e Sangster (1996 apud LUNKES, 2011) descrevem que, nas
estimativas de produção, deve-se levar em conta fatores como:

• espaço de armazenamento dos estoques de materiais, produtos em


processo e produtos acabados;
• disponibilidade de mão de obra para elaboração dos produtos;
• prazo de entrega dos materiais por parte dos fornecedores; e
• capacidade de fabricação das máquinas e dos equipamentos e sua
tecnologia.
Zdanowicz (1983 apud LUNKES, 2011) completa esses fatores, dizendo
também ser necessário considerar para a elaboração do orçamento de
produção: o volume total de vendas, a política de estoque da empresa, a
capacidade de produção, a adequação das instalações, a disponibilidade
de matéria-prima e de mão de obra e a determinação das escalas ou
lotes de produção. Podemos completar esses fatores alertando para a
necessidade da capacidade de financiamento da empresa em capital de
giro para a fabricação dos produtos.

Todos esses fatores podem ser limitadores da produção da empresa. Ou


seja, havendo demanda suficiente por parte do mercado, a organização
produzirá somente até a sua capacidade de fabricação, a qual pode
limitar-se à capacidade das máquinas, à disponibilidade de mão de obra,
materiais, fornecedores, entre outros.

Segundo Welsch (1983 apud LINKES, 2011), a elaboração de um


orçamento global exige que as necessidades estabelecidas pelo orçamento
de vendas sejam convertidas em termos das atividades auxiliares das

www.esab.edu.br 170
outras funções principais da empresa. Devemos atentar-nos para o
fato que a produção não segue, necessariamente, o volume de vendas.
As vendas podem ser sazonais e a fabricação constante ou, ainda, as
vendas podem ser constantes e a fabricação sazonal. O quanto deverá
ser fabricado depende, basicamente, de duas informações: o quanto será
vendido e qual é o nível de estoque desejado pela empresa.

Segundo Sanvicente e Santos (2000 apud LUNKES, 2011), no


orçamento de produção podem ser observadas diferentes alternativas de
produção:

• fabricação constante – a vantagem da fabricação constante


é estabelecer maior constância nas atividades da empresa,
principalmente em termos de mão de obra. A desvantagem é que,
com essa alternativa, os níveis de estoques podem aumentar caso as
vendas não acompanhem a fabricação;
• fabricação ao nível das vendas – a principal vantagem quando
a fabricação acompanha o nível de vendas é que os estoques
da empresa diminuem e, consequentemente, os seus custos de
armazenagem também diminuem; por outro lado, as atividades
normais da empresa tornam-se inconstantes se as vendas forem
sazonais, acarretando mão de obra ociosa ou até demissões em certos
períodos de recesso do mercado;
• fabricação por ciclos – na fabricação por ciclos, a fabricação é
sazonal e programada;
• política de estoques – quando a empresa define uma política de
estoques, a fabricação acompanha o nível de vendas em conjunto
com a quantidade a ser mantida como estoque.
Sobanski (2000 apud LUNKES, 2011) afirma que, para se elaborar o
orçamento de fabricação, são necessários alguns requisitos:

• plano de vendas;
• características relativas à armazenagem dos materiais;
• escala econômica de fabricação;

www.esab.edu.br 171
• capacidade máxima de fabricação da empresa;
• duração e etapas do processo industrial;
• lotes econômicos de fabricação;
• utilização de mão de obra direta, em face da variação da fabricação; e
• arranjos entre os programas de fabricação de produtos de diferentes
sazonalidades.
A definição do volume de produção, aliado à política de estoque, é o que
veremos a seguir.

30.3 Cálculo do orçamento de produção


Basicamente, o cálculo do volume de produção deve levar em consideração:

• a quantidade a ser vendida;


• o estoque inicial de produtos acabados; e
• o estoque final de produtos acabados.
Com base nisso, podemos definir que:

Unidade a produzir = Vendas + Estoques - Estoque inicial.

O total a ser produzido deve ser o total das vendas e o que a empresa
deseja manter como estoque final, menos o estoque inicial, que já existe e
não precisa ser fabricado.

Exemplo

Supondo que a empresa Alfa esteja programando um orçamento global


para o ano de 2015. Ao elaborar o orçamento de vendas, com base nos
dados do mercado e dados internos da empresa, estimou-se que o total a
ser vendido no ano era de 500.000 unidades do seu único produto. Ao
verificar o Balanço Patrimonial do dia 01/01/2015, conta que existem
50.000 unidades no estoque (estoque inicial) e, quando 2015 terminar,
a empresa deseja manter 100.000 unidades no estoque (estoque final).
Qual deverá ser o volume a ser fabricado em 2015?

www.esab.edu.br 172
Aplicando a nossa fórmula temos:

Unidades a produzir = Vendas + Estoque final - Estoque inicial.

Unidades a produzir = 500.000 + 100.000 - 50.000 + 550.000 unidades.

Ou seja, a empresa Alfa deverá estar preparada para a fabricação de 550.000


unidades no ano de 2015. Note que o volume a produzir é diferente do
volume de vendas em função da política de estoque da empresa.

Nesta unidade, estudamos o orçamento de produção, o seu conceito e os


componentes que devem ser levados em consideração para a determinação
da produção, além do cálculo do volume que deverá ser produzido. Na
unidade 31 vamos calcular o custo da fabricação desses itens.

www.esab.edu.br 173
Resumo

Na unidade 25 falamos sobre a política de dividendos da empresa,


relevante informação para a programação das finanças, principalmente
do fluxo de caixa. Vimos que, na política de estoques, há duas
importantes alternativas para a tomada de decisão: reter os lucros para
novos investimentos – dessa forma, os lucros passam a ser uma fonte de
financiamento para empresa –; e distribuir os lucros aos proprietários, o
que gera uma saída de caixa da empresa.

Na unidade 26 iniciamos nossos estudos sobre o planejamento e o


controle financeiro, identificando o planejamento no curto e no longo
prazo, além de discutir o controle como forma de acompanhar o que foi
planejado em comparação ao que está sendo realizado. Com base nos
conceitos de planejamento e controle financeiro, partimos, na unidade
27, para um instrumento muito utilizado nas finanças para realização
desse plano: o orçamento. Conceituamos o orçamento como um plano
administrativo que abrange todas as fases das operações para um período
futuro definido.

Na unidade 28 falamos sobre a estrutura e a implementação do processo


orçamentário, além de discutir algumas vantagens e desvantagens que a
sua implementação traz para o ambiente organizacional.

Na unidade 29 iniciou-se o desdobramento das etapas do processo


orçamentário com o orçamento de vendas. Falamos que o orçamento de
vendas é o ponto de partida de todo o processo e leva em consideração
variáveis internas e externas para a sua definição. Com base no
orçamento de vendas é que a empresa irá programar todo o restante das
suas atividades.

www.esab.edu.br 174
Enfim, na unidade 30, estudamos o orçamento de produção, calculando
o quanto deverá ser produzido, levando em consideração o volume de
vendas e a política de estoques da empresa.

www.esab.edu.br 175
31 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Na unidade 29 estudamos o orçamento de vendas e vimos que ele


baseia-se em uma análise do mercado e dos fatores internos à empresa,
como a disponibilidade de mão de obra e a capacidade produtiva. Em
seguida, na unidade 30, falamos sobre o orçamento de produção, o
qual é derivado do orçamento de vendas e influenciado pela política de
estoques da empresa. No orçamento de produção define-se o quanto será
produzido em cada período para atender às vendas e às necessidades de
manter estoques na empresa. A informação de quanto será produzido é
levada para inúmeras áreas da empresa, por exemplo, o setor de recursos
humanos, que precisa contratar e capacitar as pessoas para desenvolver
a atividade; a área de compras, que precisa comprar todos os materiais
necessários para produção; a área financeira, que precisa prever as
entradas e saídas de caixa, garantindo a solidez financeira da empresa e
assim por diante.

Nesta unidade, vamos aplicar os conceitos aprendidos do orçamento de


vendas e produção para o caso da empresa Global, com base em Lunkes
(2011). Vamos considerar que a empresa Global produz e vende dois
tipos de produtos para todo o território nacional:

• Café Global Premium; e


• Café Global Standard.
Conforme destacou Lunkes (2011), uma das etapas do processo
orçamentário consiste em elaborar o orçamento de vendas, ou seja, qual
a estimativa das vendas para o período orçado. Essa previsão terá como
base fatores internos e externos à organização.

www.esab.edu.br 176
Com o objetivo de elaborar um orçamento para a empresa Global para
os meses de janeiro, fevereiro e março de 2015, a área de marketing
realizou um estudo de mercado para estimar as vendas da organização
para o primeiro trimestre de 2015, além de analisar fatores internos à
empresa. A seguir serão fornecidos os dados colhidos pelo departamento
de marketing para estimar as vendas da Global.

31.1 Apresentar os dados de uma empresa quanto ao


seu orçamento de vendas
Com o objetivo de elaborar um orçamento para os meses de janeiro,
fevereiro e março de 2015, foi solicitado ao departamento de marketing
que fossem levantadas informações de mercado para estimar as vendas
para o período futuro. Após algumas análises, constatou-se que:

• o café de maior qualidade consumido no país é importado, o que faz


com que os preços sejam bastante elevados, limitando a parcela da
população que tem acesso a ele;
• a região Sudeste é a maior consumidora de café, com um mercado
bastante aquecido;
• há inúmeras políticas públicas que estimulam a produção e o consumo
do café nacional, como benefícios fiscais para essas empresas;
• cada vez mais a medicina estimula o consumo do café para
benefícios da saúde.
A empresa Global está bastante animada com as informações que vieram
do mercado. Dessa forma, decide-se trabalhar “a plena carga”, ou seja,
produzir a capacidade máxima. Assim, são avaliados alguns fatores
internos de produção e constata-se que:

• a empresa dispõe de 1.000 hectares para cultivo do grão de café;


• as máquinas e equipamentos têm capacidade de processar 100
toneladas de grão por mês; e
• a mão de obra necessária para cultivo, produção e comercialização
do café é disponível no mercado.

www.esab.edu.br 177
Com base nesses dados, a Global elaborou seu orçamento de vendas
para o primeiro trimestre de 2015, considerando a produção máxima,
conforme a Tabela 16.

Tabela 16 – Orçamento de vendas da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015


Janeiro
Produtos
Quantidade Preço Unitário Faturamento Total
Café Global Premium 10.000 latas R$ 12,00 R$ 120.000,00
Café Global Standard 30.000 latas R$ 5,00 R$ 150.000,00
Total 40.000 latas R$ 270.000,00
Fevereiro
Produtos
Quantidade Preço Unitário Faturamento Total
Café Global Premium 15.000 latas R$ 12,00 R$ 180.000,00
Café Global Standard 40.000 latas R$ 5,00 R$ 200.000,00
Total 55.000 latas R$ 380.000,00
Março
Produtos
Quantidade Preço Unitário Faturamento Total
Café Global Premium 20.000 latas R$ 12,00 R$ 240.000,00
Café Global Standard 50.000 latas R$ 5,00 R$ 250.000,00
Total 70.000 latas R$ 490.000,00
Total do Trimestre
Produtos
Quantidade Preço Unitário Faturamento Total
Café Global Premium 45.000 latas R$ 12,00 R$ 540.000,00
Café Global Standard 120.000 latas R$ 5,00 R$ 600.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

A Tabela 16 é divida em produtos, quantidade a ser vendida, preço


unitário que será praticado no mercado e faturamento total da empresa,
quando todas as unidades serão vendidas pelo preço estipulado.

Feito o orçamento de vendas, o próximo passo é decidir sobre a política de


estoques da empresa para, em seguida, elaborar o orçamento de produção.

www.esab.edu.br 178
31.2 Definir uma política de estoques
A empresa Global está bastante otimista com as informações de mercado e,
por isso, quer manter estoques altos para o caso de a demanda ser maior.

Quando o mês de janeiro se iniciar, a empresa terá o seguinte volume de


estoque:

• Café Global Premium: 2.000 latas


• Café Global Standard: 5.000 latas
Note que essas informações referem-se ao estoque inicial do mês de janeiro.

A política de estoques da empresa Global para os próximos períodos será de:

• Café Global Premium


• Estoque final de janeiro – 4.000 latas
• Estoque final de fevereiro – 6.000 latas
• Estoque final de março – 8.000 latas

• Café Global Standard


• Estoque final de janeiro – 7.000 latas
• Estoque final de fevereiro – 10.000 latas
• Estoque final de março – 15.000 latas

Com base nessas informações, qual será o volume de produção de cada


um dos meses do trimestre? É o que veremos a seguir.

31.3 Calcular a produção do período


Agora que já temos a estimativa de vendas de cada um dos meses do primeiro
trimestre de 2015 e a política de estoques da empresa, vamos calcular qual
deverá ser a produção em cada período. Para isso, vamos relembrar a fórmula
do cálculo da produção do período, visto na unidade 30:

Unidade a produzir = Vendas + Estoque final - Estoque inicial.

www.esab.edu.br 179
Com essa fórmula, vamos calcular as unidades a serem produzidas em
janeiro, fevereiro e março. Acompanhe a Tabela 17.

Tabela 17 – Orçamento da produção do primeiro trimestre de 2015


Janeiro
Produtos
Vendas Estoque Final Estoque Inicial* Produção
Café Global Premium 10.000 latas 4.000 latas 2.000 latas 12.000 latas
Café Global Standard 30.000 latas 7.000 latas 5.000 latas 32.000 latas
* Estoque inicial é dado no enunciado do caso
Fevereiro
Produtos
Vendas Estoque Final Estoque Inicial* Produção
Café Global Premium 15.000 latas 6.000 latas 4.000 latas 17.000 latas
Café Global Standard 40.000 latas 10.000 latas 7.000 latas 43.000 latas
* Note que o estoque inicial de feveiro é o mesmo que o estoque final de janeiro
Março
Produtos
Vendas Estoque Final Estoque Inicial* Produção
Café Global Premium 20.000 latas 8.000 latas 6.000 latas 22.000 latas
Café Global Standard 50.000 latas 15.000 latas 10.000 latas 55.000 latas
* Note que o estoque inicial de março é o mesmo que o estoque final de fevereiro

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Conforme destacado na Tabela 17, o estoque inicial de um período é o


mesmo que o estoque final do período anterior. Portanto, se fevereiro
termina com 6.000 latas de Café Global Premium, março começará com
a mesma quantidade.

Com a quantidade total a ser produzida em cada período, o passo


seguinte é estimar os custos dessa produção. É o que estudaremos na
unidade 32.

www.esab.edu.br 180
Fórum
Caro estudante, dirija-se ao Ambiente Virtual de
Aprendizagem da instituição e participe do nosso
Fórum de discussão. Lá você poderá interagir com
seus colegas e com seu tutor de forma a ampliar,
por meio da interação, a construção do seu
conhecimento. Vamos lá?

www.esab.edu.br 181
32 Orçamento dos custos dos produtos

Objetivo
Orçar os custos dos produtos.

Na unidade 29 estudamos que o orçamento de vendas é o primeiro


orçamento a ser elaborado. A partir dele, junto com a política de
estoques da empresa, pudemos construir o orçamento de produção na
unidade 30, ou seja, informar quanto será produzido. Agora, vamos
elaborar o orçamento dos custos dos produtos que serão vendidos com
base em Lunkes (2011). Em um primeiro momento, os gestores estimam
os materiais que serão necessários para atender à demanda de fabricação,
para, em seguida, definir os custos relacionados à fabricação: matéria-
prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. Vamos ver?

32.1 Orçamento da matéria-prima


Na elaboração do orçamento de produção, o qual nos informa o quanto
será produzido, podemos calcular as necessidades de materiais para a
elaboração dos produtos. Esses materiais referem-se às matérias-primas
que formam os produtos ou, até mesmo, as suas embalagens. Assim, o
departamento de compras é o responsável por providenciar esses itens na
quantidade certa, a preço desejável e no tempo adequado para que seja
iniciado o processo de fabricação.

Podemos ver um modelo de orçamento de matérias-primas da empresa


Móveis S/A, que fabrica e vende mobília doméstica, na Tabela 18.

Tabela 18 – Orçamento de matéria-prima da empresa Móveis S/A para janeiro e fevereiro de 2014

www.esab.edu.br 182
Janeiro

Matéria-prima Quantidade
necessária para a Preço Unitário Preço Total
produção
Madeira A 500 metros R$ 50,00 / metro R$ 25.000,00
Madeira B 900 metros R$ 25,00 / metro R$ 22.500,00
Alumínio 200 Kilogramas R$ 5,00 / Kg R$ 1.000,00
Parafusos 1.000 unidades R$ 0,10 / unidade R$ 100,00
Total R$ 48.600,00
Fevereiro

Matéria-prima Quantidade
necessária para a Preço Unitário Preço Total
produção
Madeira A 600 metros R$ 50,00 / metro R$ 30.000,00
Madeira B 1.300 metros R$ 25,00 / metro R$ 32.500,00
Alumínio 300 Kilogramas R$ 5,00 / Kg R$ 1.500,00
Parafusos 2.000 unidades R$ 0,10 / unidade R$ 200,00
Total R$ 64.200,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Note que a Tabela 18 traz uma lista das matérias-primas, a quantidade


que será necessária no período para concretizar a produção, o preço
unitário e o preço total que deverá ser pago ao fornecedor (quando
estudarmos o orçamento de caixa é importante prever esses valores como
saídas de caixa).

De acordo com Sobanski (2000 apud LUNKES, 2011, p. 60), as


matérias-primas são bens adquiridos que se integram nos produtos
acabados; além disso, a elaboração do seu orçamento requer o
cumprimento das seguintes fases:

• determinação das quantidades de matérias-primas exigidas para atendimento da


fabricação e fornecimento das informações à área de compras;
• estabelecimento de estocagem de matérias-primas;
• elaboração do programa de suprimentos, além de informações sobre qualidade,
desperdício, entre outros;

www.esab.edu.br 183
• determinação do custo estimado das matérias-primas necessárias à fabricação,
incluindo o plano de investimentos e informações à área financeira.
Agora que já sabemos como elaborar o orçamento das matérias-primas,
vamos ao segundo elemento que compõe o custo dos produtos: a mão de
obra direta.

32.2 Orçamento da mão de obra direta


De acordo com Lunkes (2011, p. 61), “[...] o orçamento de mão de obra
direta é de responsabilidade dos gerentes dos respectivos departamentos
que compõem a fase de fabricação[...]” dos produtos. Para a elaboração
desse orçamento, são determinadas as horas necessárias de mão de obra
para atender à fabricação estimada (LUNKES, 2011). Lembrando que
mão de obra direta refere-se ao pessoal que participa diretamente das
atividades de fabricação dos produtos.

O objetivo macro do orçamento de mão de obra direta é estimar a necessidade de


recursos humanos, recrutamento, treinamento, avaliação e especificação de tarefas,
avaliação de desempenho, negociação com sindicatos e administração salarial.
(LUNKES, 2011, p. 61)

Como você pode notar, a elaboração de um orçamento de mão de obra


direta ultrapassa os interesses financeiros da empresa. Além disso, é
um orçamento importante por, normalmente, absorver uma parcela
substancial dos custos totais. Segundo Sanvicente (2000 apud LUNKES,
2011), sua elaboração envolve dois passos básicos:

• determinação do número de horas necessárias de mão de obra direta


para atender ao volume de fabricação; e
• determinação do valor da hora dessa mão de obra.
Vamos ver o modelo de orçamento de mão de obra direta da empresa
Móveis S/A? Temos que a elaboração de cada móvel, em média, dura
aproximadamente 12 horas, e que o valor da mão de obra direta é de R$
11,00 por hora. Acompanhe na Tabela 19.

Tabela 19 – Orçamento de mão de obra direta da empresa Móveis S/A para janeiro e fevereiro de 2014

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Janeiro Fevereiro
Unidades a produzir 500 unidades 600 unidades
Tempo de fabricação - Uni./Hora 12 horas/unidade 12 horas/unidade
Total de horas necessárias 6.000 horas 7.200 horas
Valor/Hora Mão-de-Obra direta R$ 11,00 R$ 11,00
Total R$ 66.000,00 R$ 79.200,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Na Tabela 19 podemos notar o cálculo do custo da mão de obra direta,


multiplicando o total de horas necessárias para atender à demanda de
fabricação pelo valor da hora da mão de obra direta. Esse custo também
deverá ser previsto como uma saída no orçamento de caixa, o qual
veremos em unidades seguintes.

Após a construção de um orçamento de matéria-prima e de mão de obra


direta, vamos ao último elemento que compõe o custo do produto: os
custos indiretos.

32.3 Orçamento dos custos indiretos de produção.


Os custos indiretos de fabricação compõem o terceiro grupo de custos
que formam o custo de fabricação. Sanvicente e Santos (2000 apud
LUNKES, 2011) dizem que os custos indiretos de fabricação envolvem
todos os custos fabris que não podem ser classificados como mão de
obra direta e matéria-prima. São custos como o salário do supervisor
de fabricação (mão de obra indireta, ou seja, não está relacionada
diretamente ao produto), depreciação das máquinas e equipamentos,
seguros, aluguéis, serviços de terceiros, energia elétrica, entre outros.

É importante lembrar que o termo custo está relacionado somente aos


gastos gerados na fabricação dos produtos. Portanto, os custos indiretos
são aqueles que não estão envolvidos diretamente com o produto, mas
são necessários para a sua fabricação.

www.esab.edu.br 185
Para exemplificar, acompanhe um modelo de orçamento de custos
indiretos de fabricação da empresa Móveis S/A para os meses de janeiro e
fevereiro. Vamos ver?

Tabela 20 – Orçamento dos custos indiretos de fabricação da empresa Móveis S/A para janeiro e fevereiro de 2014
Custos indiretos de fabricação Janeiro Fevereiro
Salário do supervisor R$ 5.000,00 R$ 5.000,00
Aluguel da fábrica R$ 8.000,00 R$ 8.000,00
Energia elétrica da fábrica R$ 2.500,00 R$ 3.000,00
Depreciação das máquinas R$ 1.000,00 R$ 1.200,00
Total R$ 16.500,00 R$ 17.200,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Note, na Tabela 20, que todos os custos indiretos listados estão


envolvidos na fabricação dos produtos (se não estiverem, são chamados
de despesas, como veremos na unidade 34). Os valores orçados para os
custos indiretos também devem ser previstos como saídas de caixa no
orçamento de caixa.

Diferentemente dos custos de matérias-primas primas e de mão de obra


direta, que são facilmente identificados e atribuídos a cada produto, os
custos indiretos, ao serem distribuídos para cada item fabricado, precisam
de um critério de rateio. Por exemplo, se a empresa Móveis S/A fabrica
dois produtos (mesas e cadeiras), quanto cada produto ganhará do custo
da energia elétrica ou da depreciação das máquinas? O critério de rateio
adotado pela empresa determinará essa distribuição.

Nesta unidade, conhecemos os três elementos que fazem parte do custo


de produção e da elaboração do seu orçamento: matéria-prima, mão de
obra direta e custo indireto de fabricação. Na unidade 33 vamos resolver
o caso da empresa Móveis S/A e definir quanto custa cada um dos
produtos que ela vende.

www.esab.edu.br 186
33 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Na unidade 31 vimos o caso da empresa Global e elaboramos um


orçamento de vendas e produção. Na unidade 32 estudamos sobre o
custo dos produtos vendidos e, agora, vamos dar continuidade ao caso da
Global calculando esses custos.

Vamos resgatar o caso da empresa Global? Lembrando que a Global


produz e vende dois tipos de produtos para todo o território nacional:

• Café Global Premium; e


• Café Global Standard.
Na unidade 31 elaboramos o orçamento de vendas, a política de estoques
da empresa e calculamos o volume de produção para os meses de janeiro,
fevereiro e março de 2015. Assim, chegamos aos seguintes valores,
conforme a Tabela 21.

Tabela 21 – Volume de produção da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015


Janeiro Fevereiro Maço
Produtos Total
Produção Produção Produção
Café Global Premium 12.000 latas 17.000 latas 22.000 latas 51.000 latas
Café Global Standard 32.000 latas 43.000 latas 55.000 latas 130.000 latas
Total 44.000 latas 60.000 latas 77.000 latas 181.000 latas

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Agora, com base no volume de produção de cada mês, vamos calcular as


necessidades de matérias-primas, mão de obra direta e custos indiretos de
fabricação. Os conceitos desses três elementos foram vistos na unidade
32 com base no livro de Lunkes (2011). Vamos lá?

www.esab.edu.br 187
33.1 A partir do problema anterior, orçar as matérias-
primas, mão de obra direta e custos indiretos de
produção
Iniciaremos nossos cálculos a partir das necessidades de matérias-primas
para atender à demanda da produção dos dois produtos da empresa
Global: Café Global Premium e Café Global Standard.

Para se produzir uma unidade de Café Global Premium precisamos dos


seguintes materiais:

• 100 gramas de café selecionado – cada 100 gramas custa R$ 5,00.


• 1 embalagem – cada embalagem custa R$ 1,00.
• Total dos custos de matéria-prima por unidade – R$ 6,00.
Para se produzir uma unidade de Café Global Standard precisamos dos
seguintes materiais:

• 100 gramas de café comum – cada 100 gramas custa R$ 2,00.


• 1 embalagem – cada embalagem custa R$ 1,00.
• Total dos custos de matéria-prima por unidade – R$ 3,00.
Assim, temos três matérias-primas necessárias: café selecionado, café
comum e embalagem (comum aos dois produtos). Já podemos elaborar
um orçamento para o montante de matérias-primas necessárias para o
trimestre, conforme a Tabela 22.

Tabela 22 – Orçamento de matéria-prima da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015


Café selecionado Produção Custo 100 g Custo total
Janeiro 12.000 latas R$ 5,00 R$ 60.000,00
Fevereiro 17.000 latas R$ 5,00 R$ 85.000,00
Março 22.000 latas R$ 5,00 R$ 110.000,00
Total 51.000 latas R$ 5,00 R$ 255.000,00
Café comum Produção Custo 100 g Custo total
Janeiro 32.000 latas R$ 2,00 R$ 64.000,00
Fevereiro 43.000 latas R$ 2,00 R$ 86.000,00
Março 55.000 latas R$ 2,00 R$ 110.000,00

www.esab.edu.br 188
Total 130.000 latas R$ 2,00 R$ 260.000,00
Embalagem Produção Custo unitário Custo total
Janeiro 44.000 latas R$ 1,00 R$ 44.000,00
Fevereiro 60.000 latas R$ 1,00 R$ 60.000,00
Março 77.000 latas R$ 1,00 R$ 77.000,00
Total 181.000 latas R$ 1,00 R$ 181.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

As informações relacionadas ao custo total da matéria-prima devem estar


previstas como uma saída de recursos financeiros no orçamento de caixa,
conforme veremos na unidade 35. Agora, vamos elaborar um orçamento
para mão de obra direta.

Com base nas informações colhidas na empresa, chegamos aos seguintes


tempos em relação à produção de um dos produtos:

• 1 unidade de Café Global Premium leva 0,2 hora para ser fabricada; e
• 1 unidade de Café Global Standard leva 0,1 hora para ser fabricada.
Sabendo que o custo da mão de obra para cada hora trabalhada vale R$
10,00, temos:

• 1 Unidade Café Global Premium – 0,2 hora de fabricação – custa


R$ 2,00 por unidade (R$ 10,00 x 0,2 hora); e

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• 1 Unidade Café Global Standard – 0,1 hora de fabricação – custa
R$ 1,00 por unidade (R$ 10,00 x 0,1 hora).
O orçamento da mão de obra direta ficaria conforme a Tabela 23.

Tabela 23 – Orçamento de mão de obra direta da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015
Tempo de Tempo de
Café Global Custo
Produção produção produção Custo total
Premium da hora
unitário total
Janeiro 12.000 latas 0,2 hora 2.400 horas R$ 10,00 R$ 24.000,00
Fevereiro 17.000 latas 0,2 hora 3.400 horas R$ 10,00 R$ 34.000,00
Março 22.000 latas 0,2 hora 4.400 horas R$ 10,00 R$ 44.000,00
Total 51.000 latas 0,2 hora 10.200 horas R$ 10,00 R$ 102.000,00
Tempo de Tempo de
Café Global Custo
Produção produção produção Custo total
Standard da hora
unitário total
Janeiro 32.000 latas 0,1 hora 3.200 horas R$ 10,00 R$ 32.000,00
Fevereiro 43.000 latas 0,1 hora 4.300 horas R$ 10,00 R$ 43.000,00
Março 55.000 latas 0,1 hora 5.500 horas R$ 10,00 R$ 55.000,00
Total 130.000 latas 0,1 hora 13.000 horas R$ 10,00 R$ 130.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

As informações relacionadas ao custo total da mão de obra direta devem


estar previstas como uma saída de recursos financeiros no orçamento
de caixa, conforme veremos na unidade 35. Agora, vamos identificar os
custos indiretos de fabricação.

A Tabela 24 apresenta os custos indiretos de fabricação da empresa


Global para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2015. Vamos ver.

Tabela 24 – Orçamento de custos indiretos de fabricação da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015
Custos
indiretos de Janeiro Fevereiro Março Total
fabricação
Salário do
supervisor da R$ 2.500,00 R$ 2.500,00 R$ 2.500,00 R$ 7.500,00
fábrica

www.esab.edu.br 190
Aluguel da
R$ 1.200,00 R$ 1.200,00 R$ 1.200,00 R$ 3.600,00
fábrica
Depreciação das
R$ 800,00 R$ 800,00 R$ 900,00 R$ 2.500,00
máquinas
Energia elétrica
R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 R$ 4.500,00
da fábrica
Total R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.100,00 R$ 18.100,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Para sua reflexão


Como você pode notar, a Tabela 24 traz os gastos
dos custos indiretos de fabricação por período, não
é mesmo?
Agora perguntamos: e como vamos atribuir esses
custos aos produtos?
Não se preocupe, veremos a resposta para essa
pergunta no tópico a seguir.
A resposta a essa reflexão forma parte de sua
aprendizagem e é individual, não precisando ser
comunicada ou enviada aos tutores.

www.esab.edu.br 191
33.2 Definir um critério de rateio para custear os
produtos
Os custos indiretos, por não estarem diretamente relacionados aos
produtos, precisam de um critério de rateio, conforme estudamos na
unidade 32, para serem atribuídos aos produtos. Por exemplo, se um
produto ocupa um espaço muito maior da fábrica para ser elaborado,
podemos utilizar esse espaço para atribuir uma parte maior do custo do
aluguel a ele. Ou, se um produto não utiliza uma máquina específica,
a depreciação desta máquina não deve ser atribuída como custo desse
produto, e assim por diante.

No caso da empresa Global, a fabricação dos dois produtos é bastante


similar, não gerando diferenças significativas na concepção dos custos.
Assim, nosso critério de rateio será uma média simples.

Conforme nos mostrou o orçamento de produção, no primeiro trimestre


de 2015 serão fabricadas 181.000 latas, incluindo Café Global Premium
e Café Global Standard. Além disso, sabemos que, nesse trimestre, os
custos indiretos totais somam R$ 18.100 (ver Tabela 24). Assim:

R$ 18.100,00
Custo indireto unitário = R$ 0,10 / lata
181.000 latas

Ou seja, cada lata de café produzida gasta R$ 0,10 em custos indiretos


de fabricação. Agora já podemos saber quanto custa fabricar cada lata,
somando matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de
fabricação. Veja a Tabela 25.

Tabela 25 – Custo total unitário de cada produto da empresa Global


Custos indiretos
Matéria-prima Mão de obra Custo total
Produtos de fabricação
unitária direta unitária unitário
unitário
Café Global Premium R$ 6,00 R$ 2,00 R$ 0,10 R$ 8,10
Café Global Standard R$ 3,00 R$ 1,00 R$ 0,10 R$ 4,10

www.esab.edu.br 192
Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Agora já sabemos que fabricar uma lata de Café Global Premium custa
R$ 8,10 e fabricar uma lata de Café Global Standard custa R$ 4,10.

33.3 Diferenciar o custo dos produtos fabricados e dos


produtos vendidos
Há uma diferença básica entre o custo dos produtos fabricados e o custo
dos produtos vendidos. O custo dos produtos fabricados refere-se aos
gastos que a empresa tem em cada período em função da demanda pela
produção. Normalmente esses valores devem ir para o fluxo de caixa para
futuros pagamentos dos fornecedores, salários etc. O custo dos produtos
vendidos é a informação que consta na Demonstração do Resultado do
Exercício, ou seja, evidencia quanto custaram os produtos que a empresa
vendeu. Como você já notou na elaboração do orçamento, a quantidade
de venda não é, necessariamente, a mesma da produção, pois os estoques
influenciam nesse processo.

Nesta unidade, calculamos o custo dos produtos com base no custo das
matérias-primas, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação.
Todos esses elementos referem-se a gastos que a organização gera na
elaboração dos seus produtos. A seguir veremos outros gastos da empresa
que estão fora do âmbito da produção: as despesas.

www.esab.edu.br 193
Orçamento das despesas de vendas
34 e administrativas
Objetivo
Orçar as despesas de vendas e despesas administrativas

Nas unidades 32 e 33 estudamos o custo dos produtos de uma empresa


no processo de elaboração do processo orçamentário. Como você viu,
os custos referem-se às matérias-primas, mão de obra direta e custos
indiretos de fabricação, ou seja, todos os gastos envolvidos no processo
de transformação dos produtos. Nesta unidade, dando continuidade
ao orçamento, vamos estudar as despesas de uma empresa. Você sabe
a diferença entre um custo e uma despesa? É o que vamos descobrir a
seguir com base em Lunkes (2011) e Camargo (2007).

34.1 Definição de despesas


Quando um gasto está relacionado diretamente à fabricação de produtos
para venda, ele é definido como um custo. E quando um gasto é definido
como uma despesa? Segundo Camargo (2007), as despesas representam
gastos indiretamente relacionados ao processo produtivo, porém, necessários
para o desenvolvimento das atividades normais de uma empresa.

Ou seja, a despesa representa o gasto despendido, basicamente, para a


administração da empresa e a venda dos produtos. Camargo (2007, p.
173) classifica as despesas em:

www.esab.edu.br 194
• Despesas gerais e administrativas: são gastos que sustentam as atividades
administrativas da empresa, incluindo dispêndio com pessoal, aluguel e material de
escritório, cobrança, entre outros.
• Despesas financeiras: são contas que representam os pagamentos de encargos (juros
e correções) sobre operações financeiras.
• Despesas com vendas: são despesas incorridas com o intuito de comercializar os
produtos no mercado. Por exemplo: salários e comissão de vendedores, publicidade e
propaganda, despesas com viagens e representações comerciais.
• Outras despesas ou receitas operacionais: este item abriga outras despesas
operacionais não classificadas como administrativas, financeiras e de vendas. Por
exemplo: gastos para venda de sucatas da empresa.
Como você pôde notar, nenhuma das despesas classificadas anteriormente
são necessárias para a elaboração dos produtos, mas sim para que a
empresa tenha um funcionamento mínimo. Por exemplo, o salário do
administrador não é necessário para que o produto seja fabricado, no
entanto, é importante para que a organização seja gerida; a comissão do
vendedor não está relacionada à fabricação dos produtos, mas é importante
para que o produto seja vendido, e assim sucessivamente.

www.esab.edu.br 195
Dica
Sempre que o gasto está relacionado à elaboração
do produto é denominado custo. Sempre que
o gasto está relacionado à administração e à
venda dos produtos, é denominado despesa. Em
algumas situações práticas, essa diferença não é
tão clara como parece ser. Por exemplo: o salário
da administradora de recursos humanos, que
elabora também a folha de pagamento do pessoal
da produção, é custo ou despesa? Se um rateio
desse salário em custo ou despesa for irrelevante
para os resultados finais, deve-se optar, conforme
orientação da contabilidade, pela classificação
como uma despesa.

34.2 Orçamento das despesas de vendas,


administrativas e financeiras
As despesas administrativas, de vendas, financeiras, de acordo com
Lunkes (2011, p. 64),

[...] incluem todos os gastos necessários para a gestão das operações de uma empresa e
também os itens relativos a pessoal, viagens, telefone, correio, fax, material de escritório,
depreciação dos bens de escritório, seguros, taxas, energia elétrica, entre outros.

Conforme Zdanowicz (1983 apud LUNKES, 2011, p. 64),

[...] essas despesas estão relacionadas à alta administração da empresa, ao pessoal


burocrático e aos gastos de expediente, incluindo custos comerciais, marketing, custos
financeiros e custos tributários.

Para Lunkes (2011), na elaboração do orçamento das despesas, diferentes


gestores são envolvidos no processo. Por exemplo, o gerente de vendas
prepara o orçamento das despesas das vendas, o gerente financeiro

www.esab.edu.br 196
prepara o orçamento das despesas financeiras e o gerente administrativo
prepara o orçamento das despesas gerais da empresa.

Na elaboração do orçamento das despesas, deve-se listar todos os gastos


que a organização irá ter com a finalidade de cumprir com as suas
atividades normais. Na Tabela 26 podemos visualizar um exemplo de
orçamento de despesas da empresa Móveis S/A. Vamos ver?

Tabela 26 – Orçamento de despesas da empresa Móveis S/A para janeiro e fevereiro de 2014
Despesas administrativas Janeiro Fevereiro
Salário do administrador R$ 3.000,00 R$ 3.000,00
Aluguel do escritório R$ 1.500,00 R$ 1.500,00
Depreciação dos móveis e equipamentos da
R$ 1.000,00 R$ 1.000,00
administração
Energia elétrica do escritório R$ 500,00 R$ 600,00
Despesas com vendas
Salário dos vendedores R$ 2.000,00 R$ 2.000,00
Comissão dos vendedores R$ 2.000,00 R$ 2.500,00
Propaganda e publicidade dos produtos R$ 1.000,00 R$ 1.000,00
Frete para entrega dos produtos R$ 500,00 R$ 700,00
Viagens de negócio R$ 800,00 R$ 1.000,00
Material de representação comercial R$ 900,00 R$ 1.200,00
Despesas financeiras
Encargos bancários R$ 700,00 R$ 600,00
Juros de empréstimos R$ 1.600,00 R$ 1.800,00
Total R$ 15.500,00 R$ 16.900,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

No exemplo citado da empresa Móveis S/A foram elencadas todas as


despesas necessárias para a empresa executar as suas atividades normais
em janeiro e fevereiro de 2014. Após orçar todos esses gastos, tais
informações terão, basicamente, dois destinos:

• Inserção na Demonstração do Resultado do Exercício: você deve


estar lembrado que, na unidade 4, estudamos esse demonstrativo
financeiro. Resumidamente, a Demonstração do Resultado do

www.esab.edu.br 197
Exercício desconta das Receitas (vendas) todos os Custos dos
Produtos Vendidos e as Despesas para se chegar ao resultado, ou seja,
o lucro ou o prejuízo do período; e
• Inserção no Orçamento de Caixa: você percebeu que, ao longo de
todo o processo orçamentário ,há informações sobre a previsão dos
gastos no caixa? Com as despesas não pode ser diferente. Após identificá-
las, a previsão de pagamento do orçamento de caixa é importante para
analisar a liquidez que a empresa terá em pagar essas contas.
Depois de ter estudado o orçamento de vendas, de custos e de despesas,
nossa próxima etapa no processo orçamentário consiste em projetar
todos esses gastos no fluxo de caixa. Essa projeção permite verificar
quando o recebimento das vendas ocorrerá e se a empresa terá capacidade
financeira para saldar os seus gastos (sejam eles custos ou despesas) nas
datas previstas.

www.esab.edu.br 198
35 Orçamento de caixa

Objetivo
Orçar as entradas e saídas de caixa.

Nos nossos estudos sobre o processo orçamentário já vimos o orçamento


de vendas, o orçamento da produção, o orçamento do custo dos
produtos (o qual inclui orçamento de matérias-primas, mão de obra
direta e custos indiretos de fabricação) e o orçamento das despesas.
Como você deve ter notado, cada um desses orçamentos remetia as
informações ao orçamento de caixa, isso porque todas as previsões
do planejamento devem estar programadas no caixa da empresa. O
orçamento de caixa responderá: a empresa terá capacidade financeira
para desenvolver as atividades programadas no orçamento? O conflito
entre entradas e saídas de caixa será o objetivo principal do orçamento
de caixa. Vamos estudar esse tema com base em Lunkes (2011), Gitman
(2010) e Groppelli e Nikbakht (2010).

35.1 Definição do orçamento de caixa


A principal parte do processo orçamentário é a administração da
liquidez. Em termos simples, o propósito da administração da liquidez,
de acordo com Groppelli e Nikbakht (2010), é assegurar que a empresa
nunca tenha falta de caixa e problemas com os pagamentos devidos. A
técnica do orçamento de caixa é normalmente utilizada para tal objetivo.

Vamos começar com uma definição breve do que é o orçamento de caixa.


Gitman (2010, p. 108) diz que

[...] o orçamento de caixa, ou projeção de caixa, é uma demonstração das entradas e


saídas de caixa previstas da empresa. Serve para estimar as necessidades de caixa no
curto prazo, dando especial atenção ao planejamento de superávits e déficits de caixa.

www.esab.edu.br 199
Com a técnica do orçamento de caixa, o administrador financeiro
compara as entradas de caixa futuras com as saídas de caixa futuras em
um determinado período de tempo (pode ser uma semana, um mês, um
bimestre etc.) e determina se há excesso (superávit) ou falta (déficit) de caixa.

O objetivo do orçamento de caixa é assegurar recursos financeiros


suficientes para atender às operações da empresa estabelecidas nos outros
suborçamentos (vendas, produção, custos dos produtos e despesas). Para
Lunkes (2011, p. 71), “[...] o orçamento de caixa está sujeito a incertezas
e falhas; é necessário ter uma margem de segurança que permite assim
atender a um eventual erro da previsão”. Tal afirmação é compartilhada
por Zdanowicz (1983 apud LUNKES, 2011, p. 71), quando o autor
descreve que

[...] o objetivo do orçamento de caixa é proporcionar o levantamento dos recursos


financeiros necessários para a execução do plano geral de operações e, também, da
realização das transações monetárias da empresa.

Padoveze (1997 apud LUNKES, 2011) argumenta que o orçamento


de caixa é a etapa do orçamento que reúne todos os suborçamentos que
apresentam previsões de entradas e saídas de caixa, com um resumo de
todo o orçamento operacional.

O orçamento de caixa pode ajudar a empresa a equilibrar o caixa, identificando


deficiências de recursos monetários com antecedência, o que pode levar a empresa a
buscar empréstimos a juros menores, como também a estimar os excessos de recursos,
permitindo projetar investimentos com certa antecedência. (LUNKES, 2011, p. 72)

Vamos estudar agora como ele é elaborado.

35.2 Elaboração do orçamento de caixa


O orçamento de caixa, segundo Lunkes (2011), pode ser preparado por
meio do fluxo de caixa, no qual são relacionadas as entradas e as saídas
de caixa previstas para o período orçamentário. Para Welsch e Zdanowicz
(1983 apud LUNKES, 2011, p. 72), as principais finalidades do
orçamento de caixa podem ser assim esquematizadas:

www.esab.edu.br 200
• indicar a posição financeira provável em resultado das operações planejadas;
• indicar o excesso ou a insuficiência de disponibilidades;
• indicar a necessidade de empréstimos ou a disponibilidade de fundos para
investimento temporário;
• permitir a coordenação dos recursos financeiros em relação a: (1) capital de giro
total; (2) vendas; (3) investimentos; e 4 (capital de terceiros);
• estabelecer bases sólidas para a política de crédito;
• estabelecer bases sólidas para o controle corrente da posição financeira.
Para Lunkes (2011), a elaboração do orçamento de caixa envolve a
projeção das movimentações de entradas e saídas previstas de caixa, o
que permite ao administrador financeiro avaliar sua provável situação
financeira futura. Essa análise das finanças no futuro é útil para indicar
excessos ou necessidades de fundos, antecipando a tomada de decisão em
relação à obtenção e à alocação dos recursos financeiros.

Na Tabela 27 podemos visualizar um exemplo de orçamento de caixa da


empresa Móveis S/A, no qual ocorre o conflito entre as entradas e saídas
de caixa. Veja.

Tabela 27 – Orçamento de caixa da empresa Móveis S/A para janeiro e fevereiro de 2014
Janeiro Fevereiro
Saldo Inicial R$ 12.000,00 R$ 500,00
Recebimento R$ 230.500,00 R$ 270.000,00
R$ 242.500,00 R$ 270.500,00
Pagamentos
Fornecedores R$ 120.000,00 R$ 120.000,00
Salários R$ 98.000,00 R$ 98.000,00
Outros custos e despesas R$ 24.000,00 R$ 26.000,00
R$ 242.000,00 R$ 244.000,00
Saldo Final R$ 500,00 R$ 26.500,00

Fonte: Adaptada de Lunkes (2011, p. 72).

www.esab.edu.br 201
O saldo inicial refere-se ao valor contido no caixa quando o período
projetado teve início; soma-se a ele todas as previsões de recebimento do
período – normalmente esses recebimentos estão relacionados às vendas
dos produtos da empresa. A partir daí, desconta-se todas as saídas de
caixa previstas. No caso da empresa Móveis S/A temos fornecedores,
salários e outros custos e despesas. O saldo final é a diferença entre o
saldo inicial mais os recebimentos e as saídas de caixa. Note que o saldo
inicial de fevereiro é o mesmo que o saldo final de janeiro.

No caso da Móveis S/A, contata-se que, no mês de fevereiro, há uma


grande sobra de caixa. Dessa forma, a organização deve decidir sobre o
destino desses recursos financeiros, já que mantê-los no caixa não traz
rentabilidade para as operações da empresa.

Após a definição do orçamento de caixa e sua elaboração, um tema


bastante importante em relação a esse instrumento diz respeito à sua
avaliação, ou seja, ao acompanhamento dos valores previstos em termos
de caixa.

35.3 Avaliação do orçamento de caixa


A avaliação do orçamento de caixa baseia-se na premissa de que a
empresa necessita saldar com suas obrigações na data do vencimento
para manter uma boa relação com o mercado, além dos aspectos éticos
envolvidos. Groppelli e Nikbakht (2010) dizem que a empresa torna-se
inadimplente quando não tem capacidade financeira de saldar obrigações
como despesas com pessoal, despesas operacionais, custos do processo de
fabricação ou despesas de juros sobre empréstimos, por exemplo. Assim,
a falta da elaboração de um orçamento de caixa pode causar falta de
liquidez e, como consequência, a falência de algumas organizações.

Porém, garantir o sucesso e a solvência de uma empresa somente por


projetos rentáveis e pela ampliação das vendas não é, necessariamente,
uma tarefa fácil. A “crise de liquidez”, apontada por Groppelli e
Nikbakht (2010), isto é, a incapacidade de saldar as obrigações
financeiras, sempre põe em perigo uma organização. E o problema
torna-se mais crítico quando o crédito é limitado; portanto, as pequenas
e médias empresas correm maior perigo de deficiências de caixa do

www.esab.edu.br 202
que as grandes empresas, que, geralmente, possuem um amplo leque
de alternativas de financiamento. No entanto, isso não significa que as
grandes empresas nunca tenham problemas de liquidez (GROPPELLI;
NIKBAKHT, 2010).

Segundo Gitman (2010), o orçamento de caixa permite que o


administrador financeiro analise o fluxo de recursos financeiros da
empresa em termos de entradas e saídas de caixa. O administrador,
para Gitman (2010), deve dedicar atenção especial tanto às principais
categorias de fluxo de caixa (operacional, de investimento ou
financiamento) quanto a cada item específico de entradas e saídas de
caixa, para saber se a política financeira da organização está refletida no
demonstrativo ou apresenta variações que precisam ser investigadas a
fundo. Além disso, a demonstração pode ser usada, ainda, para avaliar
o progresso em direção a metas projetadas ou para isolar pontos de
ineficiência (GITMAN, 2010).

Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a
tarefa dissertativa.

www.esab.edu.br 203
36 Problema resolvido
Objetivo
Resolver um problema a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Baseando-se em todos os suborçamentos elaborados que previram


entradas ou saídas de caixa (orçamento de vendas, de matérias-primas,
de mão de obra direta e de despesas), vamos elaborar um orçamento
de caixa da empresa Global. Para tanto, vamos utilizar nossos
conhecimentos adquiridos a partir de Lunkes (2011), Gitman (2010) e
Groppelli e Nikbakht (2010) na unidade 35.

36.1 Elaborar um orçamento das entradas de caixa,


considerando a política de crédito
O primeiro passo para a elaboração do orçamento de caixa é projetar
as entradas de caixa. As entradas de caixa da empresa Global advêm
das vendas de seus dois produtos: Café Global Premium e Café Global
Standard. É importante que você resgate o orçamento de vendas da Global
elaborado na unidade 31. Segundo a Tabela 16, as vendas seriam de:

• Janeiro = R$ 270.000,00, sendo:


• Café Global Premium = R$ 120.000,00
• Café Global Standard = R$ 150.000,00

• Fevereiro = R$ 380.000,00, sendo:


• Café Global Premium = R$ 180.000,00
• Café Global Standard = R$ 200.000,00

• Março = R$ 490.000,00, sendo:


• Café Global Premium = R$ 240.000,00
• Café Global Standard = R$ 250.000,00

www.esab.edu.br 204
Sendo essas as vendas previstas pela empresa, qual é a sua política de
crédito, ou seja, quais os termos de recebimento em relação aos seus
clientes? Na política de crédito da empresa Global, todas as vendas são
recebidas da seguinte forma:

• 50% a vista; e
• 50% em 30 dias.
Dessa forma, seu orçamento de caixa em relação às entradas ficaria da
seguinte forma:

Tabela 28 – Orçamento das entradas de caixa da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015
Entradas de caixa
Janeiro Fevereiro Março
Vendas de janeiro R$ 135.000,00 R$ 135.000,00
Vendas de fevereiro R$ 190.000,00 R$ 190.000,00
Vendas de março R$ 245.000,00
Total R$ 135.000,00 R$ 325.000,00 R$ 435.000,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Como você pode verificar na Tabela 28, as vendas de janeiro (R$


270.000,00) serão recebidas: 50% em janeiro, ou seja, à vista; e 50% em
fevereiro, ou seja, em 30 dias. As vendas de fevereiro (R$ 380.000,00)
serão recebidas: 50% em fevereiro, ou seja, à vista; e 50% em março, ou
seja, em 30 dias. As vendas de março (R$ 490.000,00) serão recebidas:
50% em março, ou seja, à vista; e 50% em abril, ou seja, em 30 dias.
Como abril está fora do nosso período orçamentário, excluímos essa
informação. O passo seguinte é elaborar um orçamento das saídas de caixa.

36.2 Elaborar um orçamento das saídas de caixa,


considerando a política de pagamentos
Vamos resgatar, dos problemas resolvidos nas unidades anteriores, todos
os desembolsos previstos para a empresa Global. Nessa organização,
todos os gastos gerados são pagos no próprio mês. Veja a Tabela 29.

www.esab.edu.br 205
Tabela 29 – Orçamento das saídas de caixa da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015
Saídas de caixa
Janeiro Fevereiro Março
Matérias primas
Café selecionado R$ 60.000,00 R$ 85.000,00 R$ 110.000,00
Café comum R$ 64.000,00 R$ 84.000,00 R$ 110.000,00
Embalagem R$ 44.000,00 R$ 60.000,00 R$ 77.000,00
Mão de obra direta
Café Global Premium R$ 24.000,00 R$ 34.000,00 R$ 44.000,00
Standard R$ 32.000,00 R$ 43.000,00 R$ 55.000,00
Custos indiretos de fabricação
Salário do supervisor da
R$ 2.500,00 R$ 2.500,00 R$ 2.500,00
fábrica
Aluguel da fábrica R$ 1.200,00 R$ 1.200,00 R$ 1.200,00
Depreciação das máquinas R$ 800,00 R$ 800,00 R$ 900,00
Energia elétrica da fábrica R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00
Despesas
Administrativas R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00
Vendas R$ 4.000,00 R$ 4.000,00 R$ 4.000,00
Financeiras R$ 3.000,00 R$ 3.000,00 R$ 3.000,00
Total R$ 243.000,00 R$ 325.000,00 R$ 415.100,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Agora que já temos as previsões de entradas e saídas de caixa da empresa


Global para o primeiro trimestre de 2015, vamos avaliar o seu caixa e
verificar se há excesso ou falta de caixa. Havendo falta de caixa, a empresa
deverá captar empréstimos bancários para saldar as dívidas.

36.3 Avaliar o orçamento de caixa


Nos itens anteriores fizemos um levantamento de todas as entradas
e saídas de caixa da empresa Global. Agora chegou o momento de
confrontar essas informações para avaliar a situação financeira da
organização em relação à sua capacidade de saldar as obrigações em dia.
Para, isso precisamos das seguintes informações:

www.esab.edu.br 206
• o saldo inicial de caixa de janeiro era de R$ 50.000,00;
• havendo falta de caixa, a empresa necessitará de empréstimos
bancários para cobrir o déficit. O empréstimo deve cobrir o déficit e
deixar, no mínimo, R$ 5.000,00 no caixa; e
• havendo excesso de caixa, esse montante permanecerá no caixa da
empresa.
O confronto das entradas e saídas de caixa pode ser visualizado na Tabela 30.

Tabela 30 – Orçamento de caixa da empresa Global para o primeiro trimestre de 2015


Janeiro Fevereiro Março
Saldo Inicial R$ 50.000,00 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00
Recebimento R$ 135.000,00 R$ 325.000,00 R$ 435.000,00
Total R$ 185.000,00 R$ 330.000,00 R$ 440.000,00

Saídas R$ 243.000,00 R$ 325.000,00 R$ 415.100,00

Diferença (3 - 4) -R$ 58.000,00 R$ 5.000,00 R$ 24.900,00


Empréstimos a captar R$ 63.000,00

Saldo final R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 24.900,00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

Como você pode acompanhar na Tabela 30, no primeiro mês, a empresa


Global necessitou de um empréstimo de R$ 63.000,00 para saldar as
suas dívidas e deixar R$ 5.000,00 no caixa como prevenção. No mês de
fevereiro, as contas foram pagas e sobraram os R$ 5.000,00 no caixa. Já
no mês de março, há uma sobra no valor R$ 24.900,00. Esse é o objetivo
de elaborar o orçamento de caixa: o gestor financeiro saberá quando a
empresa terá necessidades de financiamento, tendo tempo hábil para
procurar empréstimos com juros mais baixos; e também quando haverá
sobras de caixa, as quais poderão ser destinadas a um investimento que
renda juros.

www.esab.edu.br 207
Nesta unidade, tivemos a oportunidade de gerar o orçamento de caixa
da empresa Global a partir de todos os suborçamentos já elaborados
anteriormente. Vimos que a Global terá falta de caixa no primeiro mês,
mas excesso de caixa no último mês do período orçado.

Na unidade 37 vamos falar da projeção das demonstrações financeiras,


definindo qual será o lucro da organização com base no orçamento e
como ficará o seu Balanço Patrimonial.

Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos
em relação às unidades 28 a 36. Para isso, dirija-se ao
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda
às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará
se preparando para a prova. Bom trabalho!

www.esab.edu.br 208
Resumo

Depois de termos iniciado nossos estudos sobre o processo orçamentário,


na unidade 31 resolvemos o problema da empresa Global, elaborando
um orçamento de vendas e definindo a política de estoques da
organização, bem como calculando o seu volume de produção para o
primeiro trimestre de 2015, ou seja, o período no qual serão projetadas
as finanças da empresa.

Na unidade 32 estudamos o custo dos produtos e a elaboração do seu


orçamento. Vimos que no orçamento do custo dos produtos há três
suborçamentos: orçamento de matéria-prima, orçamento de mão de obra
direta e orçamento dos custos indiretos de produção. Dessa forma, na
unidade 33 pudemos aplicar os conceitos aprendidos no caso da empresa
Global, quando elaboramos esses três orçamentos e definimos o custo
dos produtos. Além disso, diferenciamos o custo dos produtos fabricados
do custo dos produtos vendidos.

Na unidade 34 estudamos o orçamento das despesas. Vimos que elas


representam gastos indiretamente relacionados ao processo produtivo,
porém, necessários para o desenvolvimento das atividades normais
de uma organização. Elas podem ser classificadas como despesas
administrativas, de vendas e financeiras.

Na unidade 35 estudamos o orçamento de caixa e vimos que ele está


relacionado à administração da liquidez da empresa. O orçamento de
caixa confronta todas as entradas e saídas de caixa da empresa no período
orçado para visualizar a falta ou o excesso de dinheiro disponível na
organização.

Na unidade 36 elaboramos o orçamento de caixa da empresa Global para


o primeiro trimestre de 2015 e pudemos verificar os períodos nos quais
haverá falta de caixa, o momento em que fizemos empréstimos bancários
e quando haverá excesso de caixa.

www.esab.edu.br 209
Projeção dos Demonstrativos
37 Contábeis
Objetivo
Projetar os demonstrativos contábeis a partir do orçamento
elaborado.

Desde a unidade 27 estamos estudando e discutindo o processo


orçamentário em organizações empresariais. Ao resgatar esse processo,
vimos que o orçamento refere-se ao componente final do planejamento
estratégico das empresas, sendo um instrumento utilizado para a
elaboração do planejamento e do controle financeiro.

O seu processo de elaboração envolve a construção do orçamento das


vendas, de produção, do custo dos produtos vendidos, das despesas
administrativas, de vendas e financeiras, bem como o orçamento
de caixa. Ao finalizar todos esses suborçamentos, é hora de projetar
as demonstrações contábeis com o objetivo de averiguar se o plano
elaborado gera resultados positivos para a empresa, solvência em termos
de caixa e também analisar como ficará a situação financeira da empresa
ao final do período orçado.

Três demonstrativos contábeis são utilizados na finalização do


processo orçamentário: a Demonstração do Resultado do Exercício,
a Demonstração do Fluxo de Caixa e o Balanço Patrimonial. Vamos
resgatar cada um desses demonstrativos, relacionando a sua projeção
com os dados colhidos no orçamento empresarial. Veremos esse tema
balizados em Seleme (2010), Camargo (2007) e Gitman (2010).

www.esab.edu.br 210
37.1 Projeção da Demonstração do Resultado do
Exercício
Para iniciar os estudos desta unidade, vamos resgatar a Demonstração
do Resultado do Exercício (DRE), estudada na unidade 4. Você deve
estar lembrado de que a DRE é um método de apuração do resultado,
ou seja, confere se a empresa apresentou lucro ou prejuízo ao final de um
período. Dessa forma, ao final do período orçado, é importante organizar
as informações financeiras na estrutura de uma DRE para conferir se as
vendas estimadas são capazes de gerar lucro para a empresa. Vamos rever,
no Quadro 22, a estrutura básica apresentada pela DRE.

Receita Bruta Valores


(-) Deduções da receita __________
= Receita líquida __________
(-) Custo das vendas __________
= Lucro bruto __________
(-) Despesas operacionais __________
= Lucro operacional __________
(-) Despesas não operacionais __________
+ Receitas não operacionais __________
= Lucro antes do Imposto de Renda (LAIR) __________
(-) Provisão para Imposto de Renda __________
= Lucro depois do Imposto de Renda __________

Quadro 22 – Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício.


Fonte: Seleme (2010, p. 149).

Podemos observar, a partir do Quadro 22, que para a DRE apurar o


lucro ou o prejuízo de um período precisa deduzir das suas receitas os
custos e as despesas incorridos na atividade operacional.

Relacionando ao orçamento, as receitas referem-se à estimativa de


vendas realizada para o período orçado, que estudamos na unidade 29.
Da receita bruta, podemos realizar algumas deduções como descontos,
devoluções ou impostos que incidem sobre o preço de venda dos
produtos. Dessa dedução temos a receita líquida.

www.esab.edu.br 211
A partir da receita líquida vamos diminuir os custos das vendas, ou
seja, o custo dos produtos vendidos. Esse foi um dos orçamentos que
elaboramos na unidade 32. Ao descontar os custos das vendas da receita,
temos o lucro bruto.

Do lucro bruto vamos descontar as despesas operacionais. Essas


despesas foram vistas e orçadas na unidade 34 e são despesas
administrativas, despesas com vendas e despesas financeiras. O resultado
dessa equação é o lucro operacional.

Podemos, a seguir, descontar algumas despesas não operacionais ou


somar receitas não operacionais, lembrando que despesas e receitas não
operacionais referem-se às contas que não têm relação com a atividade
principal da empresa. Em algumas empresas essas contas simplesmente
não existem.

Dessa forma, temos o lucro antes do imposto de renda (LAIR),


que servirá de base para o cálculo do imposto de renda da empresa.
E, finalmente, teremos o lucro depois do imposto de renda. Esse é
o resultado da empresa a partir do orçamento elaborado. A segunda
demonstração contábil que podemos projetar é a Demonstração do
Fluxo de Caixa, que veremos a seguir.

37.2 Projeção da Demonstração do Fluxo de Caixa


A Demonstração do Fluxo de Caixa é bastante similar ao Orçamento de
Caixa, visto na unidade 35. Esse demonstrativo responderá se a empresa
terá capacidade financeira para desenvolver as atividades programadas no
orçamento.

Sobre a definição do que é o orçamento de caixa, Gitman (2010, p. 108)


diz que

[...] o orçamento de caixa, ou projeção de caixa, é uma demonstração das entradas e


saídas de caixa previstas da empresa. Serve para estimar as necessidades de caixa no
curto prazo, dando especial atenção ao planejamento de superávits e déficits de caixa.

www.esab.edu.br 212
Assim, todas as contas geradas na Demonstração do Resultado do Exercício
do período orçado ou todas as contas que já existiam antes do período
orçado devem estar previstas na Demonstração do Fluxo de Caixa. Essas
contas podem ser entradas de caixa a partir dos recebimentos das vendas;
ou podem ser saídas de caixa para pagamento do custo dos produtos
vendidos, das despesas e impostos. Por fim, o Balanço Patrimonial compõe
o conjunto de demonstrações contábeis para a projeção ao término do
processo orçamentários. Vamos vê-lo em seguida.

37.3 Projeção do Balanço Patrimonial


Agora vamos relembrar o Balanço Patrimonial que, ao ser projetado ao final
do período orçamentário, informará ao administrador financeiro como
ficará a situação financeira da empresa. Vimos, na unidade 4, que o Balanço
Patrimonial é um relatório que apresenta, de forma equilibrada, toda a
estrutura de patrimônio de uma organização, sendo este composto por seus
bens (representa tudo o que a empresa possui), direitos (tudo o que ela tem a
receber) e obrigações (tudo o que ela deve) (CAMARGO, 2007).

www.esab.edu.br 213
O Balanço Patrimonial das empresas brasileiras apresenta a seguinte
estrutura:

Balanço patrimonial
Ativos Passivo e PL
Circulante Circulante
Disponível Ativos que serão Fornecedores Dívidas com terceiros
Duplicatas a receber transformados em Salários que serão pagas no
Estoque caixa no curto prazo. Impostos curto prazo
Não circulante Não circulante
Ativos que serão
tranformados em
caixa no longo Dívidas com terceiros
Realizável a Exigível a
prazo. Exemplo: que serão pagas no
longo prazo longo prazo
empréstimos que a longo prazo
empresa concedeu
as suas coligadas.
Investimento que
não tem relaçãi
com a atividade da
Investimentos Patrimônio líquido
empresa. Exemplo:
Ações de outras
companhias.
Investimentos
relacionados
Recurso aplicados
diretamente com
diretamente pelos
Imobilizado a atividade da Capital Social
proprietários da
empresa. Exemplo:
empresa.
Máquinas e
equipamentos.
Recurso aplicados
Seu objetivo é
pelos proprietários
Intangível incorpóreo. Exemplo: Lucros acumulativos
da empresa por meio
Marcas e patentes.
da geração de lucro.

Quadro 23 – Estrutura do Balanço Patrimonial.


Fonte: Adaptado de Camargo (2007).

Do lado esquerdo do Balanço Patrimonial, o administrador financeiro


poderá conferir como ficará a estrutura de ativos (bens e direitos)
da empresa ao final do orçamento. Do lado direito (obrigações), o
administrador financeiro poderá conferir a estrutura de dívidas da
empresa, bem como a evolução do seu Patrimônio Líquido.

www.esab.edu.br 214
Nesta unidade, podemos resgatar os demonstrativos financeiros que
servirão de base para o processo orçamentário. A projeção de cada um
deles ao final do orçamento permitirá ao administrador financeiro ter uma
visão clara da situação financeira da empresa caso o plano se concretize.
Além disso, poderá realizar algumas mudanças antes que o orçamento seja
efetivado. Na unidade 38 vamos elaborar um exemplo de projeção das
demonstrações financeiras a partir do exemplo da empresa Global.

www.esab.edu.br 215
Exemplo de projeção das
38 demonstrações financeiras
Objetivo
Simular uma projeção para as demonstrações financeiras.

Na unidade 37 resgatamos três importantes demonstrativos que serão


projetados ao final do processo orçamentário, com o objetivo de
avaliar o plano financeiro: a Demonstração do Resultado do Exercício,
a Demonstração do Fluxo de Caixa e o Balanço Patrimonial. Nesta
unidade, vamos projetar essas três demonstrações financeiras com base
no orçamento desenvolvido para a empresa Global nas unidades 31, 33 e
36. Vamos lá?

38.1 Apresentar dados para um orçamento de uma


empresa
Você se lembra da empresa Global? A Global produz e vende dois tipos
de produtos para todo o território nacional: Café Global Premium e
Café Global Standard. No início do seu período orçamentário, a empresa
apresentava a seguinte situação financeira, demonstrada no Balanço
Patrimonial (Tabela 31):

www.esab.edu.br 216
Tabela 31 – Balanço Patrimonial da empresa Global em 01/01/2015
Balanço Patrimonial da empresa Global em 01/01/2015
Ativo Passivo
Ativo circulante Passivo circulante
Caixa R$ 50,000.00 Empréstimos R$ 26,000.00
Contas a receber R$ 115,000.00 a pagar
Estoques Café Global Premium R$ 16,200.00
Estoques Café Global Standard R$ 20,500.00
Não circulante Não circulante
Máquinas R$ 55,000.00 Capital Social R$ 245,700.00
Equipamentos R$ 10,000.00
Móveis R$ 5,000.00
Total do ativo R$ 271,700.00 Total do passivo R$ 271,700.00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

A Tabela 31 apresenta como a empresa Global estava quando o


período orçamentário se inicia. A partir disso, vamos projetar as outras
demonstrações contábeis para verificar a situação na qual a Global se
encontrará caso o plano seja implementado.

38.2 Projetar as demonstrações financeiras


Agora, vamos projetar as demonstrações financeiras com base em todas
as informações do processo orçamentário da empresa Global. Vamos
começar pela Demonstração do Resultado do Exercício com base no
orçamento de vendas, no orçamento do custo dos produtos vendidos e
no orçamento das despesas. Essa demonstração ficaria conforme a Tabela
32 para o primeiro trimestre de 2015.

www.esab.edu.br 217
Tabela 32 – Demonstração do Resultado do Exercício projetado para o primeiro trimestre de 2015
Café Global Café Global
DRE 1 tri. 2015 Total
Premium Standard
Receita R$ 540,000.00 R$ 600,000.00 R$ 1,140,000.00
(-) Custo do produtos vendidos -R$ 364,500.00 -R$ 492,000.00 -R$ 856,500.00
(=) Lucro bruto R$ 175,500.00 R$ 108,000.00 R$ 283,500.00
(-) Despesas administrativas -R$ 18,000.00
(-) Despesas de vendas -R$ 12,000.00
(-) Despesas financeiras -R$ 9,000.00
(=) Lucro antes do Imposto de Renda R$ 244,500.00
(-) IR 20% do LAIR -R$ 48,900.00
(=) Lucro operacional depois do IR R$ 195,600.00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

A partir da receita descontamos o custo dos produtos vendidos. Lembre-se: o


custo de cada lata do Café Global Premium era de R$ 8,10 e seriam vendidas
45.000 latas no trimestre; e o custo de cada lata do Café Global Standard era
de R$ 4,10 e seriam vendidas 120.000 latas no trimestre. Do Lucro Bruto
deduziu-se todas as despesas administrativas, de vendas e financeiras para se
chegar ao lucro antes do imposto de renda de R$ 244.500,00. Considerando
que o imposto de renda da empresa Global é de 20%, ela ficará devendo, ao
final do período, R$ 48.900,00 desse imposto.

Seu lucro operacional depois do imposto de renda será de R$


195.600,00.

Agora, vamos projetar a Demonstração do Fluxo de Caixa, conforme a


Tabela 33.

Tabela 33 – Demonstração do Fluxo de Caixa projetado para o primeiro trimestre de 2015


Saldo inicial R$ 50,000.00
Entradas de caixa
Vendas R$ 895,000.00
Contas a receber 01/01/2015 R$ 115,000.00
Empréstimo feito em janeiro R$ 63,000.00
Saídas de caixa
Gastos operacionais -R$ 983,100.00
Pagamento de empréstimos -R$ 10,000.00
Saldo final R$ 129,900.00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

www.esab.edu.br 218
Podemos resgatar as informações da Tabela 31, que indicavam que a
empresa Global iniciou o trimestre com R$ 50.000,00 no caixa. Suas
entradas de caixa correspondem:

• às vendas efetuadas no trimestre: do total de R$ 1.140.000,00 de


vendas do trimestre, a empresa receberá R$ 895.000,00 durante o
período e R$ 245.000,00 será recebido somente em abril;
• durante o trimestre, a empresa receberá seu contas a receber contido
no Balanço Patrimonial de 01/01/2015; e
• durante o trimestre, a empresa fez um empréstimo no valor de R$
63.000,00, que entrará no caixa.
As saídas de caixa correspondem a todos os gastos operacionais gerados
pela empresa durante o período orçado (você pode ver o orçamento
de caixa da unidade 36), além de R$ 10.000,00 dos R$ 26.000,00 de
empréstimos contidos no Balanço Patrimonial de 01/01/2015.

Dessa forma, a empresa Global terminará seu trimestre com um saldo de


caixa de R$ 129.900,00.

Com base nessas informações, podemos agora projetar a Demonstração


do Resultado do Exercício no final do período orçado. Veja na Tabela 34:

Tabela 34 – Balanço Patrimonial projetado para o final do trimestre


Balanço patrimonial da empresa Global em 31/03/2015
Ativo Passivo
Ativo circulante Passivo circulante
Caixa R$ 129,900.00 Empréstimos a pagar R$ 16,000.00
Contas a receber R$ 245,000.00 Empréstimos a pagar R$ 63,000.00
Estoques Café Global Premium R$ 63,800.00 Imposto de renda R$ 48,900.00
Estoques Café Global Standard R$ 60,500.00
Não circulante Não circulante
Máquinas R$ 55,000.00 Capital Social R$ 245,700.00
Equipamentos R$ 10,000.00 Lucros acumulados R$ 195,600.00
Móveis R$ 5,000.00
Total do ativo R$ 569,200.00 Total do passivo R$ 569,200.00

Fonte: Elaborada pela autora (2014).

www.esab.edu.br 219
Vamos destacar algumas contas que sofreram modificações ao longo do
trimestre orçado:

• Caixa: conforme a demonstração de fluxo de caixa, a empresa


terminará o trimestre com um caixa de R$ 129.900,00 depois de
todas as entradas e saídas de caixa.
• Contas a receber: do total de vendas de R$ 1.140.000,00, quando
o trimestre terminar, a empresa ainda não terá recebido R$
245.000,00 dos seus clientes.
• Estoques: conforme a política de estoques da Global, vista na
unidade 31, ao final do trimestre a empresa deve manter 8.000 latas
de Café Global Premium a um custo de R$ 8,10 cada (8.000 latas
x R$ 8,10 = R$ 64.800,00); além disso, a empresa deve manter
15.000 latas de Café Global Standard a um custo de R$ 4,10
cada (15.000 latas x R$ 4,10 = R$ 61.500,00). Cabe ressaltar que
descontamos R$ 1.000,00 de cada estoque em função da inflação na
qual o país se encontra.
• Empréstimo a pagar: note que em 01/01/2015 a empresa Global
tinha um empréstimo de R$ 26.000,00. Durante o trimestre ela
pagou R$ 10.000,00. Dessa forma, a sua dívida é de R$ 16.000,00.
Além disso, durante o trimestre, a empresa contraiu mais um
empréstimo de R$ 63.000,00, que ainda não foi pago.
• Lucros acumulados: durante o trimestre, conforme a DRE
apresentada, a empresa Global gerou R$ 195.600,00 de lucro. Todo
o lucro foi reinvestido na empresa.
Com base nas três Demonstrações projetadas, a seguir, faremos uma
avaliação dos resultados encontrados com o processo orçamentário da
empresa Global.

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38.3 Avaliar os resultados
Como podemos notar nos resultados da empresa Global, com base
no plano orçamentário ela terá um lucro de R$ 195.600,00 em um
trimestre. Considerando o investimento inicial de R$ 271.700,00,
poderíamos calcular a sua rentabilidade. Conforme estudamos na
unidade 8, a rentabilidade pode ser conhecida a partir da seguinte
fórmula:

Lucro líquido do exercício


Retorno sobre o ativo (RSA) =
Ativo total
Assim,
R$ 195.600,00
Retorno sobre o ativo (RSA) = =
R$ 271.700,00
0,7199 ou 71,99% ao trimestre

Além de apresentar uma rentabilidade bastante atrativa, podemos verificar,


a partir da Demonstração do Fluxo de Caixa, que a empresa também
preservará sua liquidez, apresentando um saldo positivo de R$ 129.900,00,
com o qual poderá saldar os empréstimos nos próximos períodos.

A projeção das demonstrações financeiras é o último passo no processo


orçamentário. Na unidade 39 vamos apresentar e discutir outros métodos de
elaboração de orçamentos que também podem ser utilizados pelas empresas.

www.esab.edu.br 221
39 Outras formas orçamentárias

Objetivo
Conhecer as diversas modalidades do orçamento.

Desde a unidade 27 temos estudando o orçamento empresarial com


base na estimativa de vendas, produção, custo dos produtos vendidos,
despesas, orçamento de caixa e projeção das demonstrações contábeis.
Nesta unidade, vamos conhecer outras formas orçamentárias: orçamento
contínuo, orçamento de base zero, orçamento flexível, orçamento por
atividades e orçamento perpétuo. Vamos conceituá-las e apresentar as
principais vantagens de cada modalidade de orçamento com base em
Lunkes (2011).

39.1 Conceituar outras modalidades de orçamentos


(contínuo, de base zero, flexível, por atividades e
perpétuos)
Não é somente o orçamento empresarial clássico que os gestores
financeiros utilizam para a elaboração do planejamento e do controle
financeiro. Outras modalidades são estudadas e desenvolvidas por
teóricos das finanças. Vamos estudar aqui cinco outros tipos de
orçamento que possibilitam planejar as finanças empresariais.

Orçamento contínuo

De acordo com Lunkes (2011, p. 83), “[...] o orçamento contínuo é


baseado em um prazo movente que se estende em função de um período
fixo [...]”, ou seja, quando um período terminar, outro é acrescentado do
final do ciclo orçamentário.

www.esab.edu.br 222
Por exemplo, ao elaborarmos um orçamento para um prazo de 12 meses
indo de 1 de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2015, esse prazo é
alterado quando se termina o primeiro mês: o período orçamentário
passa para 1 de fevereiro de 2015 a 31 de janeiro de 2016 e assim
sucessivamente, acrescentando um período cada vez que outro se finaliza.
Normalmente o período será de 12 meses e o orçamento contínuo, não
tendo uma data final.

Orçamento de base zero (OBZ)

Conforme destacam Warren, Reeve e Fess (2001 apud LUNKES, 2011),


o orçamento de base zero exige que os administradores financeiros
estimem as vendas, a fabricação dos produtos e outros suborçamentos
como se as operações estivessem começando da estaca zero. O orçamento
de base zero, segundo Lunkes (2011, p. 94), “[...] propõe reexaminar
todas as atividades empresariais e prioridades, recursos financeiros a
partir da estaca ‘zero’” ao se projetar um novo período orçamentário.
No OBZ os administradores devem apresentar justificativas para
apropriações dos recursos, levando em consideração o custo/benefício ou
a análise evolutiva dos acontecimentos.

Orçamento flexível

Sabemos que alguns custos variam com a mudança no volume de


atividades da empresa. Portanto, de acordo com Lunkes (2011), é
essencial, quando se elabora um orçamento, informar aos centros de
custo para que considerarem essa variabilidade. Por exemplo, se o volume
real de atividades é maior que o seu volume estimado, então esses custos
que variam com a atividade são maiores que os custos orçados. Para
Garrisson e Norren (1996 apud LUNKES, 2011), o orçamento flexível
tem suas diferenças básicas face ao orçamento empresarial: (1) não limita
a projeção a um único volume de atividades, mas para uma gama de
opções; e (2) os resultados atuais não são comparados com os custos no
volume de atividade do orçamento original, ou seja, os custos incorridos
são comparados com os necessários para esse volume de atividade.

www.esab.edu.br 223
Orçamento por atividades

McLemore (1997 apud LUNKES, 2011) conceitua o orçamento por


atividade como a expressão quantitativa das atividades esperadas pela
empresa. Ele reflete a capacidade necessária para produzir o volume
desejado e os recursos financeiros e não financeiros, de acordo com as
metas estratégicas e as mudanças planejadas para melhorar o desempenho
empresarial. “A análise de atividades identifica atividades significativas
de uma empresa para estabelecer uma base que descreva com precisão as
operações do negócio e determinar seu custo e desempenho.” (LUNKES,
2011, p. 122).

Orçamento perpétuo

“O orçamento perpétuo é um sistema de planejamento que prevê custos


e uso de recursos fundamentado nas relações de causa e efeito entre os
processos correntes.” (BRIMSON, 2000 apud LUNKES, 2011, p. 142).
Segundo Lunkes (2011), seus atributos-chaves são os seguintes:

• atualiza os planos quando ocorrem eventos-chave;


• modela relatório de dados de numerosas fontes; e
• usa dados atualizados para validar os processos.

O orçamento perpétuo permite a identificação das inter-relações entre


as atividades da empresa e de como essas relações influenciam no
desempenho individual e no resultado global da organização.

Com base nessas cinco modalidades de orçamento vamos, a seguir,


identificar as principais vantagens que cada uma delas proporciona para o
planejamento financeiro.

www.esab.edu.br 224
39.2 Vantagens na utilização de cada tipo de
orçamento
Dependendo da situação na qual a empresa se encontra, cada modalidade
orçamentária traz algumas vantagens quando da sua utilização. Vamos
pontuar algumas delas para cada tipo de orçamento.

• Orçamento contínuo:
• Facilidade em orçar períodos menores, de forma contínua e no menor tempo;
• Incorporação de novas variáveis;
• Resulta em um orçamento mais preciso e detalhado. (LUNKES, 2011, p. 90)

• Orçamento de base zero:


• Força os gestores a refletir sobre as operações e procurar oportunidades de
melhorias;
• Fornece informações detalhadas relativas a recursos necessários para se realizarem
os fins desejados;
• Chama a atenção para os excessos e duplicidade entre as atividades ou
departamentos;
• Concentra-se nas reais necessidades e não nas variações do ano anterior;
• Proporciona melhor acompanhamento do planejado versus realizado. (LUNKES,
2011, p. 103)

• Orçamento flexível:
• Pode ser usado para preparar a empresa antes que algum evento
aconteça, orçando para vários volumes de atividades esperados;
• Possibilita identificar de onde vêm as diferenças entre o orçado e
o realizado, se elas foram causadas pela variação do preço, volume
etc., ou se foram causadas por eficiência ou ineficiência no uso
dos materiais, mão de obra, entre outros; e
• A simulação do orçamento flexível por meio de softwares
gera grande riqueza de detalhes, flexibilidade e facilidade na
construção de cenários. (LUNKES, 2011, p. 136)

www.esab.edu.br 225
• Orçamento por atividades
• Capacidade de elaborar orçamentos mais realistas;
• Melhor identificação dos recursos necessários;
• Associação dos custos à produção;
• Vinculação mais clara dos custos com as responsabilidades do quadro funcional; e
• Identificação das folgas orçamentárias. (LUNKES, 2011, p. 136)

• Orçamento perpétuo
• Alterações e atualização do processo orçamento quando da
mudança de evento-chave;
• Maior aproveitamento das oportunidades;
• Melhor gerenciamento do excesso ou da falta de capacidade da
empresa;
• Diminuição dos custos;
• Aumento da produtividade;
• Maior flexibilidade nas metas orçamentárias;
• Aumento na participação do mercado; e
• Permanência no negócio. (LUNKES, 2011, p. 90)

A enumeração dessas vantagens permite ao administrador financeiro escolher


o tipo de orçamento que mais se encaixa à sua realidade, levando em
consideração, também, o nível de informação que ele está disposto a obter.
Quanto maior o detalhamento e a precisão do orçamento, mais recursos
financeiros, humanos e tecnológicos serão dispendidos nessa atividade.

Nesta unidade, pudemos conhecer outras modalidades orçamentárias. A


seguir, vamos extrapolar o nosso tema de orçamento estudando aspectos
não vistos até então: o orçamento de capital, ou seja, o orçamento dos
investimentos que a empresa está disposta a realizar, seja para abrir novos
mercados, seja para ampliar mercados existentes ou, até mesmo, para
adquirir máquinas e equipamentos modernos. Vamos lá?

www.esab.edu.br 226
Estudo complementar
Na administração pública muito se fala em
Orçamento Participativo, que é outra modalidade
de elaboração de orçamento. Para saber mais
sobre o assunto, acesse o texto “Construção e
consolidação de instituições democráticas: papel
do orçamento participativo” de Celina Souza
clicando aqui.

www.esab.edu.br 227
40 Orçamento de capital
Objetivo
Compreender o conceito de orçamento de capital e os principais
motivos para a realização de investimento de capital.

O orçamento empresarial que estudamos até aqui diz respeito,


basicamente, às atividades operacionais de uma organização empresarial,
como a estimativa de vendas, quanto vão custar os produtos que serão
fabricados, quais serão as despesas que irão dar suporte às atividades de
produção e os lucros gerados a partir de tais vendas. A esse orçamento
podemos denominar operacional, isto é, se refere ao planejamento e ao
controle das atividades operacionais da empresa. Por exemplo, ao decidir
sobre a projeção das vendas, sobre os custos e as despesas de uma empresa,
essas definições levam em consideração o curto prazo, normalmente de
um ano. Qualquer erro nesse processo é facilmente convertido ou não
compromete definitivamente a saúde financeira da empresa. A partir desta
unidade vamos dar ênfase ao orçamento de capital.

Esse orçamento, ao contrário do orçamento operacional, está relacionado


aos investimentos de longo prazo que as empresas fazem em seus
negócios. Será que a compra de novas máquinas ou a abertura de
novas lojas trarão rentabilidade para a empresa? Essa é uma pergunta
que o orçamento de capital poderá responder. Ao tomar decisões não
acertadas em termos de capital, dificilmente o administrador financeiro
terá condições de reverter a situação, ou o fará com sérios prejuízos.
Dessa forma, o orçamento de capital é importante uma vez que leva em
consideração o futuro da empresa. Vamos estudar o orçamento de capital
com base nos livros de Gitman (2010) e Lunkes (2011). Preparados?

www.esab.edu.br 228
40.1 Conceito de orçamento de capital
Já construímos uma clara ideia do significado do orçamento. Welsch
(1973 apud LUNKES, 2011) conceitua o orçamento como um
planejamento que abrange um período futuro.

Quando nos referirmos ao termo capital estamos nos referindo aos bens
que geram rentabilidade à empresa, como máquinas, equipamentos e o
imóvel no qual ela está localizada. Assim, Gitman (2010, p. 326) diz que

Orçamento de capital é o processo de avaliação e seleção de investimento de


longo prazo condizentes com o objetivo empresarial de maximizar a riqueza dos
proprietários. As empresas costumam fazer muitos tipos de investimento de longo
prazo, mas os mais comuns entre as indústrias são em ativos imobilizados, que
abrangem terrenos, instalações e equipamentos. Esses ativos, às vezes chamados de
ativos geradores de lucros, costumam dar base à rentabilidade e ao valor do negócio.

Agora que conhecemos o significado do orçamento de capital, vamos discutir


os motivos que levam ao investimento de capital por parte das empresas.

40.2 Motivos para realizar investimentos de capital


Ao abrir um negócio, uma das primeiras etapas desse processo é a
realização de um investimento de capital. O proprietário escolherá
um local para investir seus recursos financeiros, comprará máquinas
e equipamentos para o processo produtivo, irá adquirir móveis para
adequação do espaço físico, entre outros. Gitman (2010, p. 326) diz que
um investimento de capital é um “[...] desembolso de fundos que uma
empresa faz na expectativa de produzir benefícios ao longo de um prazo
superior a um ano”.

Assim, desembolsos em ativos imobilizados, os quais encontramos no


Balanço Patrimonial das empresas, constituem investimento de capital.
Adquirir uma máquina nova com vida útil de 10 anos é um exemplo de
investimento de capital que seria registrado no Balanço Patrimonial na
conta Ativo Imobilizado.

www.esab.edu.br 229
Segundo Gitman (2010), as empresas fazem investimentos de capital por
inúmeros motivos, entre os quais:

• Expansão das operações: seja no que diz respeito à abertura de


novos mercados, seja no âmbito de diversificação dos produtos.
Normalmente aumentar a capacidade produtiva para atender à
demanda que existe no mercado carece de um investimento de capital.
• Substituição dos ativos imobilizados: isso acontece quando os
ativos imobilizados existentes estão completamente depreciados. O
motivo também pode ser relacionado à modernização das máquinas
e equipamentos por outras que tenham um desempenho melhor.
Esse exemplo é bastante comum em empresas que necessitam
constantemente de novas tecnologias.
Independente do motivo pelo qual a empresa necessita realizar um
investimento de capital, este deve seguir algumas etapas, com o objetivo
de que seja tomada uma decisão acertada em termos de resultados
financeiros. Essas etapas do processo de orçamento de capital é o que
vamos estudar a seguir.

40.3 Etapas do processo de orçamento de capital


Um investimento de capital costuma ser uma decisão bastante
importante nas organizações, isso porque envolve o longo prazo da
empresa e seu futuro no mercado. Uma vez tomada, essa decisão
dificilmente pode ser revertida sem sérios prejuízos para o resultado da
empresa. Dessa forma, Gitman (2010, p. 327) elenca cinco etapas do
processo de orçamento de capital compreende:

• Geração da proposta. Propostas são feitas em todos os níveis organizacionais


e revistas pelo pessoal financeiro. Aquelas que exijam grandes desembolsos são
submetidas a um escrutínio maior do que as mais modestas.
• Revisão e análise. Realizam-se revisões e análises mais detidas para avaliar a
adequação e a viabilidade econômica das propostas. Uma vez concluída a análise, um
relatório resumido é submetido aos tomadores de decisão.

www.esab.edu.br 230
• Tomada de decisão. As empresas costumam delegar a tomada de decisões em
investimentos de capital com base em tetos de valor. De modo geral, é necessário
obter autorização do conselho de administração para dispêndios além de um
determinado valor. Muitas vezes, os diretores de unidades produtivas recebem
delegação para tomar as decisões necessárias para manter a linha em funcionamento.
• Implementação. Depois da aprovação, os investimento são realizados e os projetos,
implementados. Os dispêndios em projetos de grande porte muitas vezes ocorrem em
etapas.
• Acompanhamento. Os resultados são monitorados e os custos e benefícios efetivos,
comparados com as expectativas. Poderá ser necessário tomar algumas providências,
se os resultados efetivos forem diferentes dos projetados.
Gitman (2010) ressalta que todas as etapas do processo de orçamento de
capital são importantes, mas a revisão e análise e a tomada de decisões
normalmente consomem a maior parte dos esforços para a realização do
investimento.

Estudo complementar
Você quer ver uma aplicação prática dos
conceitos de orçamento de capital? Acesse o
trabalho intitulado “Uma análise exploratória do
processo de orçamento de capital em empresas
algodoeiras”, de autoria de Afonso Carneiro
Lima, José Augusto Giesbrecht da Silveira, Mário
Tanabe; Fábio Lotti Oliva e Celso Cláudio de
Hildebrand. Nesse trabalho os autores analisam
o orçamento de capital voltado a investimentos
em ativos de capital (máquinas e equipamentos),
desempenhado por gestores de empresas
algodoeiras. Acesse o link clicando aqui.

www.esab.edu.br 231
41 Fluxo de caixa relevante
Objetivo
Discutir os fluxos de caixa relevantes, a diferença entre decisões
de expansão e substituição, os custos irrecuperáveis e os custos de
oportunidade.

Na unidade 40 iniciamos os nossos estudos sobre o orçamento de capital.


O orçamento de capital é o tema que trata do planejamento financeiro
em termos de investimento de bens de longo prazo, por exemplo,
máquinas, edifícios e tecnologias. Além disso, é elaborado e avaliado em
função do incremento de caixa que o projeto de investimento consegue
gerar para a empresa ao longo do tempo. Dessa forma, o fluxo de caixa é
o instrumento que fornecerá os insumos para a tomada de decisão acerca
do investimento. Mais precisamente, a construção de um fluxo de caixa
relevante é a base do orçamento de capital. Quer saber como elaborar um
fluxo de caixa relevante para a tomada de decisão de investimento? É o
que vamos estudar nesta unidade com base no livro do Gitman (2010).

De acordo om Gitman (2010), na avaliação de alternativas de


investimento o administrador financeiro deve determinar os fluxos de
caixa relevantes. Os fluxos de caixa relevantes representam a saída de
caixa do investimento realizado e o confronto com as entradas de caixa
que o investimento irá proporcionar.

Por exemplo, ao adquirir uma nova máquina, as vendas adicionais que essa
nova máquina proporciona são consideradas para o fluxo de caixa relevante.
As vendas que já existiam antes dessa nova aquisição são irrelevantes para a
tomada de decisão em relação à compra da nova máquina.

Vamos agora identificar os componentes que constituem no fluxo de


caixa relevante.

www.esab.edu.br 232
41.1 Componentes do fluxo de caixa
Os fluxos de caixa relevantes de um projeto de investimento de capital
incluem, segundo Gitman (2010), três componentes básicos:

1. Um investimento inicial – refere-se ao desembolso para aquisição


do bem de capital;
2. Entradas de caixa operacionais – as entradas de caixa operacionais
estão relacionadas ao benefício que o investimento irá proporcionar; e
3. Fluxo de caixa terminal – representa o valor residual do
investimento após o término do projeto.
Na Figura 12 você pode acompanhar um exemplo de um fluxo de caixa
relevante em uma linha de tempo. Nessa linha do tempo há os três
componentes descritos anteriormente.
Fluxo de
caixa terminal
R$ 25.000
Entradas de
caixa operacionais

R$ 5.000 R$ 7.000 R$ 8.000 R$ 8.000 R$ 10.000


R$ 4.000 R$ 6.000 R$ 7.000 R$ 8.000 R$ 9.000

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Final do ano
R$ 50.000
Investimento
inicial
Figura 12 – Componentes do fluxo de caixa.
Fonte: Gitman (2010, p. 331).

A Figura 12 representa os fluxos de caixa de um projeto de investimento


ao longo de uma linha do tempo. O investimento inicial do projeto é de
R$ 50.000,00, que representa um desembolso (saída de caixa) relevante
na data zero. As entradas de caixa operacionais, ocasionadas pelo

www.esab.edu.br 233
investimento, vão de R$ 4.000,00 no primeiro período até R$ 10.000,00
no último período. O fluxo de caixa terminal foi de R$ 25.000,00 e
representa o valor que o investimento inicial tem após os 10 anos.

Para dar continuidade ao processo de tomada de decisão de investimento


de capital vamos discutir sobre as decisões de expansão ou substituições e
suas principais diferenças.

41.2 Decisões de expansão e de substituição


Gitman (2010) afirma que estimar o fluxo de caixa relevante em
decisões de expansão é um processo mais simples. Nesse caso, os três
componentes do fluxo de caixa (investimento inicial, entradas de caixa
operacionais e o fluxo de caixa terminal) estão diretamente associados à
proposta de investimento de capital. É o caso, por exemplo, da compra
de novas máquinas para aumento da produção: as entradas das novas
vendas e os custos que elas causam são mais facilmente isoladas para a
construção do fluxo de caixa relevante.

Já a construção do fluxo de caixa relevante para decisões de substituição


é um processo mais complexo porque a empresa precisa identificar as
entradas e saídas incrementais que resultariam da troca do investimento
(GITMAN, 2010). O investimento inicial, nos casos de substituição, é
representado pela diferença entre o investimento inicial necessário para
adquirir um novo ativo e as entradas de caixa providas pela liquidação
do ativo antigo. Além disso, as entradas de caixa operacionais resultam
da diferença entre as entradas de caixa operacionais do novo antigo e as
do antigo ativo (GITMAN, 2010). Por exemplo, se a máquina antiga
vendia R$ 100,00 e a máquina nova passará a vender R$ 150,00, será
considerado como entradas de caixa operacionais somente o incremento,
ou seja, os R$ 50,00 (os outros R$ 100,00 já existiam antes do
investimento de capital, assim, são irrelevantes para a tomada de decisão).

Outra variável importante na avaliação de propostas de investimento são os


custos irrecuperáveis e os custos de oportunidade. Vamos estudá-los a seguir.

www.esab.edu.br 234
41.3 Custos irrecuperáveis e custos de oportunidade
Ao avaliar uma proposta de investimento de capital, a empresa deve
conhecer os custos irrecuperáveis e os custos de oportunidade desse
projeto. Gitman (2010) alerta que é fácil lidar incorretamente com esses
custos e, até mesmo, ignorá-los, sobretudo ao determinar os fluxos de
caixa relevantes e incrementais de um projeto. Gitman (2010, p. 331)
explica cada um desses custos:

Custos irrecuperáveis são desembolsos de caixa já realizados (desembolsos passados)


e que, portanto, não exercem efeito sobre os fluxos de caixa relevantes para a decisão
em questão. Assim, os custos irrecuperáveis não devem ser incluídos nos fluxos de
caixa incrementais de um projeto.

Dessa forma, todos os custos passados são irrelevantes para o a avaliação


da proposta de investimento, uma vez que não podem ser alterados. Por
exemplo, o valor pago pela máquina que será substituída é irrelevante para
a tomada de decisão sobre o futuro da empresa. É um custo irrecuperável.

Custos de oportunidade são fluxos de caixa que poderiam ser realizados por meio do
melhor uso alternativo de um ativo pertencente à empresa. Representam, portanto, fluxos
de caixa que não serão realizados por causa do emprego do ativo no projeto proposto. Por
isso, quaisquer custos de oportunidade devem ser incluídos como saídas de caixa para
determinar os fluxos de caixa incrementais de um projeto. (GITMAN, 2010, p. 331)

Supondo que, ao optar por expandir a produção e comprar uma nova


máquina, o administrador financeiro deixe de ganhar os juros que o recurso
financeiro estava rendendo em uma aplicação. Esse “deixar de ganhar” é um
custo de oportunidade, caso a compra da máquina seja efetivada.

Nesta unidade, estudamos o instrumento utilizado nas avaliações de


propostas de investimento de capital: o fluxo de caixa relevante. Na
unidade 42 aprenderemos a calcular um dos componentes que formam
esse fluxo de caixa: o investimento inicial.

www.esab.edu.br 235
Estudo complementar
O custo de oportunidade é um valor normalmente
ignorado em avaliações de investimento. Ao
comprar uma casa ou um novo carro, você conhece
o custo de oportunidade, ou seja, o que você está
deixando de ganhar por ter feito essa escolha?
Esse é um conceito importante para as finanças,
principalmente quando o objetivo é maximizar os
resultados. Para saber mais sobre esse conceito,
acesse o texto “Custo de oportunidade: conceitos
e contabilização”, de Anísio Cândido Pereira,
Benedito Felipe de Souza, Dauro Rodrigues
Redaelli e Joshua Onome Imoniana clicando aqui.

www.esab.edu.br 236
42 Investimento inicial
Objetivo
Calcular o investimento inicial associado a uma proposta de
investimento de capital.

Na unidade 41 estudamos sobre o fluxo de caixa relevante, instrumento


utilizado para avaliar as decisões em relação aos investimentos de
capital. Um dos componentes estudados no fluxo de caixa relevante é o
investimento inicial. Esse investimento representa um desembolso gerado
pela proposta de investimento. Nesta unidade, iremos estudar e aprender a
calcular o montante do investimento inicial com base em Gitman (2010).

42.1 Custo de aquisição de novos ativos


O investimento inicial refere-se aos desembolsos de caixa relevante
a serem considerados na avaliação de uma proposta de investimento
de capital. Esse investimento inicial ocorre na data zero, ou seja, no
momento da realização do investimento. Calculamos o montante do
investimento inicial subtraindo todos os ingressos de caixa que ocorrem
em função da aquisição do novo ativo (como a venda do ativo antigo)
de todos os desembolsos de caixa que ocorrem também em função da
aquisição do novo bem.

Gitman (2010, p. 334) mostra um formato básico para a determinação


do investimento inicial, como você pode ver em destaque:

www.esab.edu.br 237
Custo ativo total novo =
Custo de aquisição do ativo novo
+ Custo de instalação
- Recebimentos pela venda do ativo antigo, após o imposto de renda =
Recebimentos pela venda do ativo antigo
± Imposto de renda sobre a venda do ativo antigo
± Variação do capital de giro líquido
= Investimento inicial

Segundo Gitman (2010), o custo do ativo novo representa o desembolso


líquido necessário à aquisição do novo bem. Já os custos de instalação
consistem em quaisquer custos adicionais necessários para que o novo
ative esteja em perfeito funcionamento. O custo ativo total novo é a
soma do custo de aquisição com os custos de instalação.

O próximo passo é descontar os recebimentos pela venda dos ativos


antigos, ou seja, os que serão substituídos. É o que veremos a seguir.

42.2 Recebimentos pela venda de ativos antigos


No quadro de destaque no tópico anterior você pôde ver o desconto
dos recebimentos pela venda do ativo antigo após o imposto de renda.
Esses recebimentos, de acordo com Gitman (2010, p. 334), “[...] são a
diferença entre o que se recebeu com a venda do ativo antigo e quaisquer
impostos incidentes ou abatimentos de impostos a ela relacionadas”.
Isso significa que o valor da venda do ativo antigo deve ser líquido. Os
recebimentos pela venda de um ativo antigo (como mostrado no
quadro-destaque anterior) “[...] são as entradas de caixa líquidas por ele
proporcionadas” (GITMAN, 2010, p. 334). Também pode haver custos
de remoção dos ativos antigos.

www.esab.edu.br 238
O último item a ser considerado no cálculo do investimento inicial é a
variação do capital de giro líquido, que veremos a seguir.

42.3 Variação do capital de giro líquido


O capital de giro líquido é a parcela pela qual o ativo circulante de
uma empresa supera o passivo circulante, conforme estudamos na
unidade 11 com o Balanço Patrimonial. As variações do capital de
giro líquido, segundo Gitman (2010), por vezes acompanham as
decisões de investimento de capital. Por exemplo, se uma empresa
adquirir novas máquinas para aumentar o nível de suas atividades
produtivas, necessitará de um aumento em níveis de caixa, contas a
receber, estoques, fornecedores e contas a pagar, ou seja, das contas do
circulante da empresa. Esses aumentos resultam da necessidade de mais
recurso financeiro disponível para sustentar o novo nível operacional de
atividades, mais contas a receber e estoques para sustentar o aumento
das vendas e mais fornecedores e contas a pagar para sustentar os
maiores desembolsos feitos para atender à maior demanda por produtos
(GITMAN, 2010).

A diferença entre a variação do ativo circulante (caixa, contas a receber


e estoques) e a variação do passivo circulante (fornecedores a pagar,
contas a pagar, impostos a pagar) é a variação do capital de giro líquido
(GITMAN, 2010). Geralmente, na aquisição de novos bens de capital,
o ativo circulante sofre um aumento maior do que o passivo circulante,
resultando em maior investimento em capital de giro líquido. Esse
maior investimento é tratado como uma saída inicial, ou seja, incluído
no montante do investimento inicial da proposta de investimento. Se
a variação do capital de giro líquido for negativa, ou seja, se o passivo
circulante aumentar mais que o ativo circulante, será apresentada como
uma entrada inicial. A variação do capital de giro líquido – seja ela um
aumento ou uma redução – não é tributável, porque envolve apenas
um acúmulo líquido ou uma redução líquida de contas circulantes
(GITMAN, 2010).

www.esab.edu.br 239
No que se refere à variação do capital de giro líquido, vamos acompanhar
o exemplo da empresa Alfa, que está considerando expandir as operações,
aumentando o volume de produção e vendas. Os administradores
financeiros esperam que a variação das contas circulantes apresentadas na
Tabela 35 ocorra e se mantenha ao longo da expansão.

Tabela 35 – Cálculo da variação do capital de giro líquido da empresa Alfa


Conta circulante Variação do saldo
Caixa + R$ 4.000
Contas a receber + R$ 10.000
Estoques + R$ 8.000
(1) Ativo circulante + R$ 22.000
Fornecedores + R$ 7.000
Contas a pagar + R$ 2.000
(2) Passivo circulante + R$ 9.000
Variação do capital de giro líquido [(1) - (2)] + R$ 13.000

Fonte: Gitman (2010, p. 337).

Espera-se que o ativo circulante aumente em R$ 22.000,00 e o passivo


circulante em R$ 9.000,00, resultando em um crescimento de R$
13.000,00 (R$ 22.000,00 - R$ 9.000,00) do capital de giro líquido.
Nesse caso, a variação representará maior investimento em capital de
giro líquido e será tratada como um desembolso adicional no cálculo do
investimento inicial.

Saiba mais
O Sebrae disponibiliza uma cartilha para o cálculo
do Investimento Inicial de uma empresa, chamado
“Como calcular o investimento inicial”. Você pode
acessá-lo clicando aqui.

www.esab.edu.br 240
Resumo

Na unidade 37 estudamos uma das últimas etapas de um processo


operacional com a projeção das demonstrações contábeis e revisitamos
o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício e a
Demonstração do Fluxo de Caixa. Essas demonstrações servem de base
para reunir as informações do orçamento e mostrar a situação financeira
da empresa ao término do plano. Em seguida, na unidade 38, projetamos
as demonstrações financeiras da empresa Global e avaliamos os resultados
proporcionados pelo orçamento realizado.

Finalizado o estudo do orçamento empresarial, na unidade 39


conhecemos outras formas orçamentárias disponíveis na literatura
de finanças, entre elas orçamento contínuo, base zero, flexível, por
atividades e perpétuos. Conceituamos cada um desses orçamentos e
identificamos as principais vantagens da utilização de cada um deles.

Na unidade 40 iniciamos os nossos estudos sobre o orçamento de capital,


que está relacionado aos investimentos de longo prazo da empresa.
Vimos que o orçamento de capital é o processo de avaliação e seleção de
investimento de longo prazo condizente com o objetivo empresarial de
maximizar a riqueza dos proprietários e identificamos os motivos pelos
quais as empresas realizam orçamentos de capital e suas etapas.

Em seguida, já na unidade 41, iniciamos a discussão do fluxo de caixa


relevante. O fluxo de caixa relevante é o instrumento utilizado para
projetar e avaliar os resultados de cada alternativa de investimento para
a tomada de decisão. Vimos que os componentes do fluxo de caixa
relevante são o investimento inicial, as entradas de caixa operacionais
e o fluxo de caixa terminal. Na unidade 42 desdobramos o cálculo do
investimento inicial para projetos de investimento. Nesse cálculo estão
inclusos o custo do novo ativo, os recebimentos pela venda do antigo
ativo e as variações do capital de giro líquido.

www.esab.edu.br 241
43 Exercício resolvido
Objetivo
Resolver um exercício a fim de contextualizar os conceitos
apresentados.

Na unidade 41, estudamos o fluxo de caixa relevante e vimos que trata-


se de uma ferramenta importante na análise dos projetos de orçamento
de capital. O fluxo de caixa relevante representa a saída de caixa do
investimento realizado e o confronto com as entradas de caixa que o
investimento proporcionará. Além disso, vimos que o fluxo de caixa
relevante é composto por três elementos: um investimento inicial,
entradas de caixa operacionais e um fluxo de caixa terminal. Depois
disso, na unidade 42, falamos exclusivamente do cálculo do investimento
inicial. Agora que já estamos familiarizados com os conceitos
apresentados, vamos resolver o caso da empresa Aquarela, calculando
o investimento inicial e elaborando um fluxo de caixa relevante.
Utilizaremos a metodologia apresentada por Gitman (2010). Vamos lá?

43.1 Apresentar uma empresa e suas informações


acerca da substituição de ativos
A empresa Aquarela, uma grande fabricante de tintas para a construção
civil, está buscando determinar o investimento inicial necessário para
substituir uma máquina em uso por um modelo novo e mais sofisticado.
A expectativa é de que as vendas da empresa Aquarela aumentem, já que
há demanda no mercado para isso. O preço proposto dessa aquisição é de
R$ 380.000,00, e serão necessários mais R$ 20.000,00 para instalações
do novo equipamento. A nova máquina será depreciada ao longo dos
próximos cinco anos.

www.esab.edu.br 242
A máquina antiga foi comprada há três anos, a um custo de R$
240.000,00 e também depreciava em um período de cinco anos, ou seja,
a cada ano de uso, a máquina perdia R$ 48.000,00 do seu valor pelo uso
(R$ 240.000,00 / 5 anos de vida útil = R$ 48.000,00 por ano). Hoje, o
valor contábil dessa máquina antiga é de R$ 96.000,00 ([R$ 240.000,00
– (R$ 48.000,00 x 3 anos de uso)] = R$ 96.000,00). Porém, encontrou-
se um comprador disposto a pagar R$ 180.000,00 por ela. Dessa forma,
a empresa Aquarela lucrará R$ 84.000,00 pela venda da máquina antiga
(R$ 180.000,00 da venda – R$ 96.000,00 do valor contábil = R$
84.000,00). Na empresa Aquarela, qualquer tipo de lucro é tributado
pelo imposto de renda a uma taxa de 30%, ou seja, a empresa Aquarela
pagará R$ 25.200,00 (R$ 84.000,00 x 30%) de imposto de renda pela
venda da máquina antiga.

Além disso, para que a produção de tintas e, consequentemente, as


vendas da empresa Aquarela aumentem, ela precisará realizar um
investimento adicional em capital de giro, como caixa, contas a receber
e estoques, no valor de R$ 80.000,00. Percebe-se também que, com
o aumento do volume de atividades, o passivo circulante da empresa
também aumentará em contas, como salários a pagar, fornecedores a
pagar e impostos a pagar, no montante de R$ 30.000,00. Isso significa
que, ao substituir a máquina, a empresa Aquarela terá uma variação
positiva, ou seja, um aumento no capital de giro líquido de R$
50.000,00, acompanhe:

Capital de giro líquido = Ativo Circulante – Passivo Circulante

Capital de giro líquido = R$ 80.000,00 – R$ 30.000,00 = R$ 50.000,00

Com base nos dados apresentados, vamos calcular o investimento inicial


que a empresa Aquarela realizará ao substituir o seu ativo.

www.esab.edu.br 243
43.2 Calcular o investimento inicial
Antes de iniciar o cálculo do investimento inicial da empresa Aquarela,
ao substituir um dos seus antigos por outro mais moderno, vamos
resgatar o método apresentado por Gitman (2010) para calcular o
investimento inicial.

Custo ativo total novo =


Custo de aquisição do ativo novo
+
Custo de instalação
- Recebimentos pela venda do ativo antigo, após o imposto de renda =
Recebimentos pela venda do ativo antigo
±
Imposto de renda sobre a venda do ativo antigo
± Variação do capital de giro líquido
Investimento inicial

Quadro 24 – Formato básico para determinação do investimento inicial.


Fonte: Gitman (2010, p. 334).

Com base no Quadro 24, que apresenta a sequência dos dados para o
cálculo do investimento inicial, vamos inserir as informações da empresa
Aquarela para conhecer qual será o montante final que ela desembolsará
ao substituir um dos seus ativos. Podemos acompanhar o cálculo no
Quadro 25.

Custo de aquisição da nova máquina R$ 380.000,00


+ Custo de instalação R$ 20.000,00
= Custo total R$ 400.000,00
– Recebimentos com a venda da máquina
antiga, após o Imposto de Renda
Recebimentos com a venda da máquina antiga R$ 180.000,00
– Imposto de renda -R$ 25.200,00
= Recebimento total, após o imposto de renda R$ 154.800,00
+ Variação do capital de giro líquido R$ 50.000,00
Investimento inicial R$ 295.200,00

Quadro 25 – Cálculo do investimento inicial da empresa Aquarela.


Fonte: Elaborado pela autora (2014).

www.esab.edu.br 244
O valor de R$ 295.200,00 representa o total que será desembolsado
pela empresa Aquarela ao substituir seu ativo. Ao custo de aquisição
da nova máquina somou-se R$ 400.000,00. Daí desconta-se o total de
recebimentos pela venda do ativo antigo, após o imposto de renda, de
R$ 154.800,00. Por fim, soma-se a variação positiva que o capital de giro
líquido sofreu pela mudança no volume de atividades de R$ 50.000,00. A
seguir, vamos definir como ficará o fluxo de caixa relevante dessa empresa.

43.3 Elaborar um fluxo de caixa relevante


Conforme estudamos na unidade 41, o fluxo de caixa relevante
representa a saída de caixa do investimento realizado e o confronto
com as movimentações de caixa que o investimento irá proporcionar.
Também vimos que a construção de um fluxo de caixa relevante para
decisões de substituição é um processo mais complexo, porque a empresa
precisa identificar as entradas e saídas incrementais que resultariam da
troca do investimento (GITMAN, 2010). As entradas e saídas de caixa
incrementais referem-se somente às movimentações de caixa ocasionadas,
exclusivamente em função da nova aquisição. As movimentações que já
existiam anteriormente não fazem parte desse fluxo de caixa, pois não
servem para avaliar o investimento realizado. Vamos verificar como fica o
caso da empresa Aquarela em relação ao seu fluxo de caixa relevante.

O Quadro 26 mostra os resultados operacionais apurados da empresa


Aquarela antes e após a substituição da nova máquina. Conforme
apontou-se anteriormente, o novo ativo tem vida útil de cinco anos.
Além disso, a alíquota de imposto de renda da empresa é de 30%.

Custos e
Receitas Fluxo
despesas
operacionais operacional
operacionais
Resultados antes do novo investimento (R$) R$ 300.000,00 - R$ 200.000,00 R$ 100.000,00
Ano 1 R$ 370.000,00 - R$ 220.000,00 R$ 150.000,00
Ano 2 R$ 430.000,00 - R$ 250.000,00 R$ 180.000,00
Resultados esperados
Ano 3 R$ 490.000,00 - R$ 280.000,00 R$ 210.000,00
considerando o novo investimento
Ano 4 R$ 550.000,00 - R$ 300.000,00 R$ 250.000,00
Ano 5 R$ 590.000,00 - R$ 320.000,00 R$ 270.000,00

Quadro 26 – Resultados do projeto de investimento.


Fonte: Elaborado pelo autora (2014).

www.esab.edu.br 245
Como você pode notar, o Quadro 26 traz os resultados que a empresa
tinha antes de realizar o novo investimento e os resultados projetados,
caso ela realmente faça a aquisição da nova máquina, que proporcionará
um maior volume de atividades. Note que as vendas crescem ao longo
dos cinco anos comparando-se com a situação que se encontrava antes
do novo investimento. Além disso, alguns custos e despesas também
modificam-se em função do maior número de produção e vendas. Com
base no Quadro 26, vamos elaborar nosso fluxo de caixa relevante em
termos incrementais, ou seja, isolando somente as modificações ocorridas
antes e depois da nova aquisição. Acompanhe o Quadro 27.

*∆ significa variação
Quadro 27 – Fluxo de caixa relevante em termos incrementais.
Fonte: Elaborado pelo autora (2014).

Como você pode notar, ao construir o fluxo relevante em termos


incrementais, utilizamos somente as variações que aconteceram nas
receitas, nos custos e nas despesas, em relação aos resultados antes
da nova aquisição. Por exemplo, a receita operacional antes do
novo investimento era de R$ 300.000,00, no ano 1 passou a ser R$
370.000,00. Entretanto, utilizamos no fluxo de caixa relevante somente a
variação, ou seja, aumentou R$ 70.000,00, e assim sucessivamente.

www.esab.edu.br 246
Assim, já temos as seguintes informações:

• Investimento inicial = R$ 295.200,00


• Fluxo operacional líquido Ano 1 = R$ 35.000,00
• Fluxo operacional líquido Ano 2 = R$ 56.000,00
• Fluxo operacional líquido Ano 3 = R$ 77.000,00
• Fluxo operacional líquido Ano 4 = R$ 105.000,00
• Fluxo operacional líquido Ano 5 = R$ 119.000,00
O fluxo operacional líquido representa o valor que o investimento
proporcionou aos resultados da empresa. Com base nisso, vamos estudar
algumas técnicas de avaliação para saber se o investimento realizado, em
função da contribuição que gerou par ao fluxo de caixa, é rentável para a
empresa. Nas próximas unidades, estudaremos três técnicas de avaliação:
payback, Valor Presente Líquido e a Taxa Interna de Retorno.

www.esab.edu.br 247
44 Payback

Objetivo
Calcular, interpretar e avaliar o período de payback.

Na elaboração de orçamento de capital, que estamos estudando desde a


unidade 40, ressaltamos que o fluxo de caixa relevante é o instrumento
utilizado para gerar as informações necessárias para o processo de
avaliação das propostas de investimento. Na unidade 43, exemplificamos
um fluxo de caixa relevante e chegamos ao fluxo operacional líquido,
ou seja, ao resultado que o investimento proporcionou à empresa
em termos de caixa. Nesta unidade, vamos estudar uma das técnicas
de avaliação de proposta de investimento: o payback. Essa técnica de
avaliação será apresentada com base em Groppelli e Nickbaht (2010) e
Gitman (2010).

44.1 Conceitualizar o payback


Em uma tradução literal, payback significa retorno. Nas finanças, de
acordo com Groppelli e Nickbaht (2010, p. 134), “[...] o número de anos
necessários para recuperar o investimento inicial é chamado de período
de recuperação do investimento (payback)”. Ou seja, o payback é uma
medida de avaliação de investimento que mede o tempo que o investimento
realizado será recuperado, isto é, voltará para o caixa da empresa.

Na comparação de dois ou mais projetos de investimento, os que


apresentam um menor período de amortização são os preferidos, segundo
os critérios financeiros. Isso significa que os investimentos com menores
paybacks serão os que voltarão mais rapidamente para o caixa da empresa.

Dessa forma, o payback é uma medida temporal. A seguir, vamos


conhecer a formulação do cálculo do payback, para, em seguida,
interpretá-lo.

www.esab.edu.br 248
44.2 Expor a formulação do payback
O payback é o método mais simples de elaboração do cálculo e de fácil
compreensão. Para compreendermos o payback, vamos considerar os
fluxos operacionais líquidos de caixa de um projeto de investimento que
possui uma vida útil de cinco anos. Acompanhe, no Quadro 28, um
exemplo de um Fluxo Operacional Líquido de Caixa, resultante de um
investimento de R$ 300,00. Com base nele, vamos calcular o payback.

Fluxo operacional líquido


Investimento Inicial - R$ 300,00
Ano 1 R$ 120,00
Ano 2 R$ 110,00
Ano 3 R$ 130,00
Ano 4 R$ 150,00
Ano 5 R$ 100,00

Quadro 28 – Resultado do fluxo de caixa relevante.


Fonte: Elaborado pela autora (2014).

Como o período de payback é o tempo necessário para se recuperar o


investimento inicial (R$ 300,00), nota-se que se deve trazer de volta ao
caixa da empresa cada uma das entradas previstas para cada ano. Dessa
forma, temos no Ano 1:

Ano 1: Investimento inicial + FOL Ano1 = -300,00 + 120,00 = -180,00

Em que:

FOL = Fluxo operacional líquido

Podemos observar que, ao realizar um investimento inicial de R$ 300,00


e obter um fluxo operacional líquido de caixa no Ano 1 de R$ 120,00,
o projeto ainda não se recuperou, faltando, ainda. 180,00 para “zerar” o
dispêndio de capital feito. Assim, vamos para o Ano 2:

Ano 2: Resultado do Ano 1 + FOL2 = -180,00 + 110,00 = -70,00

www.esab.edu.br 249
Com o fluxo operacional líquido de caixa de R$ 110,00, o investimento
inicial ainda não se recuperou, faltando, ainda, 70,00 para pagar o
investimento realizado. Dessa forma, passamos para o Ano 3:

Ano 3: Resultado do Ano 2 + FOL3 = -70,00 + 130,00 = 60,00

Durante o terceiro ano o projeto pagou-se. Porém, qual foi exatamente


esse tempo? Sabemos que o projeto completou dois anos, mas não
sabemos quantos meses foram demandados do terceiro ano. Para maior
precisão, elaboramos o seguinte cálculo:
70,00
= 0,54
130,00

O terceiro ano se iniciou com um déficit de 70,00 e, nesse mesmo ano,


teríamos um acréscimo de 130,00 do fluxo operacional líquido do Ano
3. Basta dividir um pelo outro, obtendo-se o resultado de 0,54. Em
seguida, multiplicamos o resultado encontrado (0,54) pelos meses do ano
(12 meses):

0,54 x 12 meses = 6,46 meses

Temos, então, um payback de, aproximadamente, dois anos e seis meses.

Um dos maiores problemas encontrados no payback é que ele não


leva em consideração o valor do dinheiro ao longo do tempo. Ou
seja, compara todas as entradas de caixa futuras com um investimento
desembolsado hoje, na data zero. Sabemos que o valor do dinheiro muda
ao longo do tempo. Nesses casos, o ideal é trazer todos os valores futuros
a valores presentes para comparar com o investimento inicial.

O valor do dinheiro no tempo é um dos conceitos mais importantes da Teoria


Financeira. Isso porque o dinheiro que a empresa tem em mãos hoje tem mais valor
do que o dinheiro no futuro, pois, hoje, pode ser investido e render retornos positivos
(GITMAN, 2010), além de que o dinheiro no futuro perde seu valor em função de
inflação, risco e preferência pela liquidez.

www.esab.edu.br 250
A seguir, vamos abordar os critérios para análise do payback.

44.3 Interpretar os resultados do payback


De acordo com Gitman (2010, p. 366, grifo do autor), quando
utilizamos a metodologia do payback para a tomada de decisão em
relação à seleção de projetos de investimento, aplica-se os seguintes
critérios de decisão:

• Se o período de payback for menor do que o período máximo aceitável de payback,


aceitar o projeto.
• Se o período de payback for maior do que o período máximo aceitável de payback,
rejeitar o projeto.
Lembrando que a duração do período máximo aceitável de payback é
definida pelos gestores da empresa. Segundo Gitman (2010, p. 366),
“[...] esse valor é fixado subjetivamente, com base em uma série de
fatores, inclusive tipo de projeto (expansão, substituição, renovação
ou outros), percepção do risco do projeto e relação percebida entre o
período de payback e o valor da ação”.

Segundo Groppelli e Nickbakht (2010), o método do payback tem


vantagens e desvantagens. Para os autores, a principal vantagem é que
esse método é de fácil cálculo, utilização e entendimento, uma vez que
não é necessário fazer cálculos complicados para encontrar o tempo que
um investimento demora para recuperar seu investimento inicial.

Nesta unidade, conhecemos a técnica mais simples de avaliação de


investimentos. A seguir, estudaremos o Valor Presente Líquido, que
se apresenta como uma metodologia mais sofisticada na análise dos
investimentos.

www.esab.edu.br 251
45 Valor presente líquido

Objetivo
Calcular, interpretar e avaliar o valor presente líquido.

Na unidade 44, estudamos a primeira técnica de análise de projetos


de investimentos: o payback. Vimos que o payback calcula o tempo de
retorno que o investimento proporciona à empresa em termos de caixa.
Agora, vamos à segunda técnica que é bastante complementar à anterior,
denominada Valor Presente Líquido (VPL). Essa técnica, ao contrário do
payback, visto anteriormente, leva em consideração o valor do dinheiro
ao longo do tempo. Vamos estudá-la a partir de Gitman (2010) e
Groppelli e Nikbakht (2010).

45.1 Conceitualizar o Valor Presente Líquido


O Valor Presente Líquido é uma técnica de análise de orçamento de
capital que leva em consideração o valor do dinheiro no tempo e exige
a escolha de uma taxa mínima desejada para fins de desconto. Essa taxa
representa o percentual mínimo que os investidores desejam obter de
retorno no investimento realizado. Os valores futuros do fluxo de caixa
relevante projetado são descontados considerando essa taxa mínima de
retorno para os períodos envolvidos. Dessa forma, podemos comparar
o desembolso inicial com os fluxos operacionais líquidos de caixa na
mesma data.

Segundo Gitman (2010), essa taxa é o retorno mínimo que os


investidores esperam de um projeto para que o valor de mercado da
empresa fique inalterado. No próximo tópico, veremos qual o cálculo
para identificar o VPL do investimento.

www.esab.edu.br 252
45.2 Expor a formulação do Valor Presente Líquido
Para calcular o Valor Presente Líquido de um projeto de investimento,
utilizamos a seguinte fórmula de cálculo:
n
FCt
VLP = ∑ − I0
t =1 (1 + K )t

Em que:

FCt = fluxo operacional líquido de caixa de cada período.

K = taxa de desconto do projeto, representada pela rentabilidade mínima


exigida pelos proprietários.

I0 = investimento inicial.

Ou seja, o cálculo do VPL representa a soma dos valores atuais das


entradas de caixa descontada do valor do investimento inicial. Vamos
exemplificar.

Suponha que uma empresa está realizando um investimento qualquer e


definiu que a taxa mínima de retorno desse investimento seja de 20% ao
ano e que o investimento seja desembolsado integralmente no momento
inicial. Assim, temos o resultado do seu fluxo de caixa relevante,
conforme o Quadro 29.

Fluxo operacional líquido


Investimento inicial - R$ 300,00
Ano 1 R$ 120,00
Ano 2 R$ 110,00
Ano 3 R$ 130,00
Ano 4 R$ 150,00
Ano 5 R$ 100,00

Quadro 29 – Resultado do fluxo de caixa relevante.


Fonte: Elaborado pela autora (2014).

www.esab.edu.br 253
Vamos calcular o Valor Presente Líquido desse investimento, veja:
120 110 130 150 100
VLP = + + + + − 300
(1 + 0,20 )1
(1 + 0,20 ) 2
(1 + 0,20 ) 3
(1 + 0,20 ) 4
(1 + 0,20 )5
VLP =(100 + 76,39 + 75,23 + 72,34 + 40,18 ) − 300

VLP = 64,14

Ao se descontar os fluxos operacionais líquidos de caixa futuros pela taxa


anual de 20% (taxa de retorno mínima exigida pelos proprietários do
investimento), o VPL foi de R$ 64,14. Mas, como podemos interpretar
esse valor do VPL? É o que veremos a seguir.

45.3 Interpretar os resultados do Valor Presente


Líquido
Quando o VPL é usado para tomar decisões do tipo “aceitar-rejeitar”
uma proposta de investimento, adota-se os seguintes critérios, segundo
Gitman (2010):

• se o resultado do VPL for maior que zero, o investimento é aceito;


• se o resultado do VPL for menor que zero, o investimento é rejeitado; e
• se o resultado do VPL for igual a zero, o investimento que não cria valor econômico,
ou seja, apenas remunera a taxa de retorno mínima exigida pelos proprietários.
Se o VPL for maior que zero, a empresa obterá um retorno maior do que
seu retorno mínimo exigido do projeto. Com isto, estaria aumentando
o valor de mercado da empresa e, consequentemente, a riqueza dos seus
proprietários.

No caso do nosso exemplo, o VPL foi de R$ 64,14, mostrando que, além


de conferir o retorno mínimo exigido (20% ao ano), gera R$ 64,14 de
riqueza aos acionistas.

A taxa mínima de retorno que os proprietários do investimento definem


depende, diretamente, do risco da implantação de um negócio. Quanto
maior o risco do investimento, maior será essa taxa exigida pelo

www.esab.edu.br 254
investidor. Para exemplificar, vamos admitir que a exigência mínima
nesse investimento passa a ser de 40% ao ano. Vamos calcular novamente
o VPL?
120 110 130 150 100
VLP = + + + + − 300
(1 + 0, 40 ) (1 + 0, 40 ) (1 + 0, 40 ) (1 + 0, 40 ) (1 + 0, 40 )5
1 2 3 4

VLP = ( 85,71 + 56,12 + 47,38 + 39,05 + 18,60 ) − 300

VLP = −53,14

Nesse caso, por exigir um retorno mínimo de 40% ao ano, o VPL foi
negativo. Isso significa que esse investimento não tem capacidade de
pagar a exigência mínima do investidor.

Para calcular o VPL na calculadora HP12c, utilize os seguintes comandos:

Comandos Significado
f REG Limpa os registros armazenados
300 CHS g CF0 Investimento inicial
120 g CFj Fluxo operacional Líquido Ano 1
110 g CFj Fluxo operacional Líquido Ano 2
130 g CFj Fluxo operacional Líquido Ano 3
150 g CFj Fluxo operacional Líquido Ano 4
100 g CFj Fluxo operacional Líquido Ano 5
20i Taxa de desconto de 20%
f NPV VPL para taxa de desconto de 20% = R$ 64,14
40i Taxa de desconto de 40%
f NPV VPL para taxa de desconto de 40% = R$ -53,14

* VPL em inglês – Net Present Value (NPV).


Quadro 30 – Cálculo do VPL na calculadora HP12c.
Fonte: Elaborado pela autora (2014).

www.esab.edu.br 255
Dica
Você também poderá calcular o VPL com a
Calculadora Financeira; Disponível clicando aqui
material de estudo dos fundamentos de manuseio
da calculadora HP 12C.

Nesta unidade, conhecemos o cálculo do Valor Presente Líquido e


identificamos qual a interpretação dos seus resultados. A terceira técnica
a ser estudada diz respeito à Taxa Interna de Retorno, outra forma de
avaliar investimentos.

www.esab.edu.br 256
46 Taxa interna de retorno

Objetivo
Calcular, interpretar e avaliar a taxa interna de retorno.

Nas unidades anteriores, pudemos conhecer duas técnicas de avaliação


de orçamento de capital: o payback, que indica o tempo de retorno que
o investimento proporcionará em termos de caixa, e o Valor Presente
Líquido, que informa se o investimento irá gerar a rentabilidade esperada
pelos investidores. Nesta unidade, vamos estudar a terceira técnica de
avaliação: a Taxa Interna de Retorno ou, simplesmente, TIR. Essa é uma
das técnicas mais utilizadas na avaliação de propostas de investimento de
capital e indica o retorno gerado por cada uma delas. Vamos conhecer a
TIR com base em Gitman (2010) e Groppelli e Nikbakht (2010).

46.1 Conceitualizar a Taxa Interna de Retorno


Ao contrário do Valor Presente Líquido, a Taxa Interna de Retorno (TIR)
calcula a taxa de retorno gerada pelo investimento. Isso significa dizer
que não é preciso determinar uma taxa mínima de retorno esperado,
como fizemos no VPL. O objetivo da TIR é justamente calcular qual a
taxa de retorno que o investimento a ser avaliado é capaz de gerar.

Por exemplo, ao calcular o VPL precisávamos definir uma taxa mínima


de rentabilidade que o investidor pretendia com o seu investimento. Ao
inserir essa taxa mínima no cálculo, o VPL informava se o investimento
conseguia gerar tal rentabilidade. Porém, o que o VPL não diz é qual
é, exatamente, a taxa de retorno do investimento. Quem nos dá essa
informação é a Taxa Interna de Retorno.

A TIR é uma medida de desempenho muito utilizada na avaliação de


orçamento de capital. Ela é uma medida de taxa de rentabilidade.

www.esab.edu.br 257
Por definição, a TIR é uma taxa de desconto que iguala o valor presente dos fluxos de
caixa futuros ao investimento inicial. Ou seja, a TIR é uma taxa de desconto que torna
o VPL igual a zero. A taxa abaixo da qual os projetos são rejeitados chama-se taxa
de corte, a taxa-meta, a taxa mínima de retorno, ou taxa requerida de retorno. As
empresas determinam suas taxas de corte pelo custo do financiamento e pelo risco do
projeto. (GROPPELLI; NIKBAKHT, 2010, p.139-140)

A seguir, veremos como calcular o indicador da Taxa Interna de Retorno.


Acompanhe!

46.2 Expor a formulação da Taxa Interna de Retorno


Agora que já sabemos que a Taxa Interna de Retorno nos informa sobre
o retorno exato que o investimento é capaz de gerar em termos de caixa,
vamos aprender a fórmula de cálculo desse indicador financeiro. Veja:
n
FCt
I0 = ∑ (1 + K )
t =1
t

Em que:

I0 = investimento inicial.

FCt = fluxo operacional líquido de caixa de cada período.

K = taxa de retorno do projeto, ou a TIR

Vamos aplicar essa fórmula ao nosso exemplo? Resgatando o fluxo


relevante de caixa, temos o Quadro 31:

www.esab.edu.br 258
Fluxo operacional líquido
Investimento inicial - R$ 300,00
Ano 1 R$ 120,00
Ano 2 R$ 110,00
Ano 3 R$ 130,00
Ano 4 R$ 150,00
Ano 5 R$ 100,00

Quadro 31 – Resultado do fluxo de caixa relevante.


Fonte: Elaborado pela autora (2014).

Sendo o investimento inicial de R$ 300,00 e subsequentes resultados do


fluxo operacional líquido de caixa, qual a Taxa Interna de Retorno desse
investimento? O cálculo da TIR é desenvolvido da seguinte maneira:

120 110 130 150 100


300 = + + + +
(1 + K ) (1 + K ) (1 + K ) (1 + K ) (1 + K )4
1 2 3 4

TIR (K) = 29,31% ao ano

De acordo com Gitman (2010), a taxa interna de retorno, apesar de ser


consideravelmente mais difícil de calcular, à mão, quando comparada ao
VPL, é, possivelmente, a técnica sofisticada mais usada para a avaliação
de alternativas de investimentos. Assim, precisaremos do auxílio de uma
calculadora financeira HP 12C. Vamos chegar à Taxa Interna de Retorno
através dos seguintes comandos:

Comandos Significado
f REG Limpa os registradores de armazenamento
300 CHS g CF0 Fluxo de caixa inicial
120 g CFj Fluxo de caixa do Ano 1
110 g CFj Fluxo de caixa do Ano 2
130 g CFj Fluxo de caixa do Ano 3
150 g CFj Fluxo de caixa do Ano 4
100 g CFj Fluxo de caixa do Ano 5
f IRR TIR do projeto = 29,31% ao ano

TIR em inglês – Internal Rate of Return (IRR)


Quadro 32 – Comandos da calculadora HP para cálculo da TIR.
Fonte: Elaborado pela autora (2014).

www.esab.edu.br 259
Agora que já sabemos como calcular a TIR, vamos discutir um pouco
sobre a interpretação dos seus resultados.

46.3 Interpretar os resultados da Taxa Interna de


Retorno
Segundo o método da TIR, um investimento é aceito quando a taxa
interna de retorno calculada for igual ou maior ao retorno exigido pelos
investidores. No caso de o investimento apresentar uma taxa de retorno
menor que o retorno exigido pelos investidores, ele precisa ser rejeitado.

Se resgatarmos o exemplo quando calculamos o VPL, podemos concluir


que ele foi aceito quando os investidores exigiam dele 20% ao ano. Isso
porque a TIR desse investimento é de 29,31% ao ano, ou seja, supera a
expectativa dos proprietários do capital. Podemos relembrar, também,
que o investimento foi rejeitado quando os investidores passaram a exigir
40% ao ano.

Esse comportamento da TIR em relação ao VPL é explicado porque a


TIR de um investimento é o retorno exigido, que resulta em VPL nulo
quando usado como taxa de desconto, ou seja, se utilizarmos, nesse
exemplo, uma taxa de retorno mínima do VPL em 29,31% ao ano,
encontraremos um VPL igual a zero.

Vimos as três ultimas unidades técnicas de avaliação de orçamento de


capital: payback, Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno.
Na unidade 47 vamos resolver um exercício envolvendo essas três
metodologias de avaliação para aplicarmos os conceitos estudados. Agora
que já estudamos três técnicas de análise de investimentos (payback, Valor
Presente Líquido e, nesta unidade, a Taxa Interna de Retorno) vamos, a
seguir, resolver o caso da empresa Grandiosa em relação à escolha de um
investimento e sua rentabilidade. Preparados?

www.esab.edu.br 260
Análise prática das técnicas de
47 avaliação de investimento
Objetivo
Analisar as técnicas de avaliação de investimento na prática.

Desde a unidade 40, viemos estudando o tema orçamento de capital.


Vimos que o orçamento de capital é avaliado com base em fluxos de caixa
relevantes, ou seja, os fluxos de caixa que são provocados diretamente pelos
investimentos realizados. Também estudamos que, a partir do fluxo de
caixa relevante, podemos aplicar três técnicas de avaliação das propostas de
investimento: payback, Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno.
Essas três técnicas auxiliam na tomada de decisão quanto à aceitação ou
rejeição do investimento. Nesta unidade, vamos aplicar esses conceitos a
um caso: da empresa Grandiosa. Utilizaremos a metodologia apresentada
por Gitman (2010) e Groppelli e Nikbakht (2010).

47.1 Apresentar o investimento inicial e o fluxo de


caixa relevante de uma proposta de investimento
A empresa Grandiosa produz e vende bebidas enlatadas para todo o
território nacional. Dentre os produtos da empresa Grandiosa, podemos
encontrar água, refrigerantes e sucos enlatados. Com o objetivo de
aumentar sua produção e vendas, a empresa Grandiosa está analisando
algumas propostas de novos investimentos a partir da compra de mais
uma máquina para produção. Dentre as alternativas disponíveis, temos a
Máquina A, a Máquina B e a Máquina C, sendo que todas apresentam
um vida útil de cinco anos. Isso significa dizer que, ao final desse período,
as máquinas não terão mais nenhum valor econômico. Cada uma delas
possui algumas vantagens em termos de quantidade e qualidade do
produto fabricado. Considerando que as três máquinas são mutuamente
excludentes, ou seja, a escolha de um implica a rejeição das outras duas,
e analisando as três alternativas de investimento, a empresa Grandiosa
projetou o seguinte fluxo de caixa relevante para as três máquinas:

www.esab.edu.br 261
Propostas Máquina A Máquina B Máquina C
Investimento inicial -R$ 200.000,00 -R$ 300.000,00 -R$ 400.000,00
Fluxo operacional líquido Ano 1 R$ 50.000,00 R$ 80.000,00 R$ 100.000,00
Fluxo operacional líquido Ano 2 R$ 60.000,00 R$ 90.000,00 R$ 120.000,00
Fluxo operacional líquido Ano 3 R$ 70.000,00 R$ 110.000,00 R$ 120.000,00
Fluxo operacional líquido Ano 4 R$ 80.000,00 R$ 110.000,00 R$ 120.000,00
Fluxo operacional líquido Ano 5 R$ 90.000,00 R$ 110.000,00 R$ 120.000,00

Quadro 33 – Resultado do fluxo de caixa relevante da empresa Grandiosa para a Máquina A, B e C.


Fonte: Elaborado pela autora (2014).

Com base no Quadro 33, que apresenta o fluxo de caixa relevante para
as três máquinas, ou seja, o benefício que cada máquina irá proporcionar
para o fluxo de caixa da empresa nos cinco anos, vamos calcular o
payback, Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno de cada uma
das propostas de investimento.

47.2 Calcular o payback, VPL e TIR


Agora que temos as informações relacionadas ao investimento inicial
e aos fluxos operacionais líquidos de caixa que cada proposta de
investimento irá proporcionar, vamos iniciar a nossa avaliação calculando
o payback.

• Payback
Máquina A – Investimento inicial de R$ 200.000,00

Ano 1: Investimento inicial + FOL Ano1 = -R$ 200.000,00 + R$


50.000,00 = -R$ 150.000,00

Ano 2: Resultado do Ano 1 + FOL2 = -R$ 150.000,00 + R$ 60.000,00


= -R$ 90.000,00

Ano 3: Resultado do Ano 2 + FOL3 = -R$ 90.000,00 + R$ 70.000,00 =


-R$ 20.000,00

www.esab.edu.br 262
Ano 4: Resultado do Ano 3 + FOL4 = -R$ 20.000,00 + R$ 80.000,00 =
R$ 60.000,00

Durante o quarto ano o projeto pagou-se. Porém, qual foi exatamente


esse tempo? Sabemos que o projeto completou três anos, mas não
sabemos quantos meses necessitou do quarto ano. Para maior precisão,
elaboramos o seguinte cálculo:
R$ 20.000,00
≅ 0,25
R$ 80.000,00

O quarto ano iniciou com um déficit de -R$ 20.000,00 e, nesse mesmo


ano, teríamos um acréscimo de R$ 80.000,00 do fluxo operacional
líquido do Ano 4. Basta dividir um pelo outro, obtendo-se o resultado
de 0,25. Em seguida, multiplicamos o resultado encontrado (0,25) pelos
meses do ano (12 meses):

0,25 x 12 meses = 3 meses

Temos, então, um payback de três anos e três meses.

Máquina B – Investimento inicial de R$ 300.000,00

Ano 1: Investimento inicial + FOL Ano1 = -R$ 300.000,00 + R$


80.000,00 = -R$ 220.000,00

Ano 2: Resultado do Ano 1 + FOL2 = -R$ 220.000,00 + R$ 90.000,00


= -R$ 130.000,00

Ano 3: Resultado do Ano 2 + FOL3 = -R$ 130.000,00 + R$ 110.000,00


= -R$ 20.000,00

Ano 4: Resultado do Ano 3 + FOL4 = -R$ 20.000,00 + R$ 110.000,00


= R$ 90.000,00

www.esab.edu.br 263
Durante o quarto ano o projeto pagou-se. Porém, qual foi exatamente
esse tempo? Sabemos que o projeto completou três anos, mas não
sabemos quantos meses necessitou do terceiro ano. Para maior precisão,
elaboramos o seguinte cálculo:
R$ 20.000,00
≅ 0,18
R$ 110.000,00

O quarto ano iniciou com um déficit de -R$ 20.000,00 e, nesse mesmo


ano, teríamos um acréscimo de R$ 110.000,00 do fluxo operacional
líquido do Ano 4. Basta dividir um pelo outro, obtendo-se o resultado
de 0,18. Em seguida, multiplicamos o resultado encontrado (0,18) pelos
meses do ano (12 meses):
0,18 × 12 meses ≅ 2,2 meses

Temos então, um payback de, aproximadamente, três anos e 2,2 meses.

Máquina C – Investimento inicial de R$ 400.000,00

Ano 1: Investimento inicial + FOL Ano1 = -R$ 400.000,00 + R$


100.000,00 = -R$ 300.000,00

Ano 2: Resultado do Ano 1 + FOL2 = -R$ 300.000,00 + R$ 120.000,00


= -R$ 180.000,00

Ano 3: Resultado do Ano 2 + FOL3 = -R$ 180.000,00 + R$ 120.000,00


= -R$ 60.000,00

Ano 4: Resultado do Ano 3 + FOL4 = -R$ 60.000,00 + R$ 120.000,00


= R$ 60.000,00

Durante o quarto ano o projeto pagou-se. Porém, qual foi exatamente


esse tempo? Sabemos que o projeto completou três anos, mas não
sabemos quantos meses necessitou do terceiro ano. Para maior precisão,
elaboramos o seguinte cálculo:
R$ 60.000,00
≅ 0,5
R$ 120.000,00

www.esab.edu.br 264
O quarto ano iniciou com um déficit de -R$ 60.000,00 e, nesse mesmo
ano, teríamos um acréscimo de R$ 120.000,00 do fluxo operacional
líquido do Ano 4. Basta dividir um pelo outro, obtendo-se o resultado de
0,5. Em seguida, multiplicamos o resultado encontrado (0,5) pelos meses
do ano (12 meses):

0,5 x 12 meses = 6 meses

Temos então, um payback de três anos e seis meses.

• Valor Presente Líquido – para calcularmos o VPL, vamos supor


que a taxa mínima de retorno exigida pelos proprietários da empresa
Grandiosa seja de 10% ao ano. Utilizando a fórmula a seguir, vamos
calcular o VPL das três máquinas.
n
FCt
VLP = ∑ − I0
t =1 (1 + K )t

Máquina A
R$50.000,00 R$60.000,00 R$70.000,00
VLP = + + +
(1 + 0,10 )1 (1 + 0,10 )2 (1 + 0,10 )3
R$80.000,00 R$90.000,00
+ − R$200.00,00
(1 + 0,10 )4 (1 + 0,10 )5
 R$45.454,55 + R$49.586,78 + R$52.592,04 + 
VLP   − R$200.000,00
 R$54.641,08 + R$55.882,92 
VLP = R$58.157,37

Máquina B
R$80.000,00 R$90.000,00 R$110.000,00 R$110.000,00
VLP = + + + +
(1 + 0,10 )1 (1 + 0,10 )2 (1 + 0,10 )3 (1 + 0,10 )4
R$110.000,00
− R$300.00,00
(1 + 0,10 )5
 R$72.727,27 + R$74.380,17 + R$82.664,63 + 
VLP 
R$75.131, 48 + R$68.301,35  − R$300.000,00
 
VLP = R$73.204,90

www.esab.edu.br 265
Máquina C
R$100.000,00 R$120.000,00 R$120.000,00 R$120.000,00
VLP = + + + +
(1 + 0,10 ) 1
(1 + 0,10 ) 2
(1 + 0,10 ) 3
(1 + 0,10 )4
R$120.000,00
− R$400.00,00
(1 + 0,10 )5
 R$90.909,09 + R$99.173,55 + R$90.157,78 + 
VLP 
R$81.961,61 + R$74.510,56  − R$400.000,00
 
VLP = R$36.712,59

• Taxa Interna de Retorno – para calcularmos TIR, vamos precisar da


ajuda de uma calculadora financeira HP 12C.

Máquina A Máquina B Máquina C


f REG f REG f REG
200000 CHS g CF0 300000 CHS g CF0 400000 CHS g CF0
50000 g CFj 80000 g CFj 100000 g CFj
60000 g CFj 90000 g CFj 120000 g CFj
70000 g CFj 110000 g CFj 120000 g CFj
80000 g CFj 110000 g CFj 120000 g CFj
90000 g CFj 110000 g CFj 120000 g CFj
f IRR f IRR f IRR
TIR = 13,43% a.a TIR = 18,58% a.a TIR = 19,71% a.a

Quadro 34 – Cálculo da TIR na HP12C.


Fonte: Elaborado pela autora (2014).

Com base nos resultados a seguir, vamos relatar como seria feita a escolha
da melhor máquina para a empresa Grandiosa.

www.esab.edu.br 266
47.3 Analisar os resultados
A máquina A teve um payback de três anos e três meses, a máquina B de
três anos e 2,2 meses e a máquina C de três anos e seis meses. Conforme
o critério apresentado por Gitman (2010), a escolha seria pela máquina
B, que apresentou o menor tempo de retorno. Porém, sabendo-se que essa
não é uma metodologia tão sofisticada, por não levar em consideração o
valor do dinheiro ao longo do tempo, vamos para a próxima.

No cálculo do VPL, a máquina A gerou R$ 58.157,37 depois de pagar


os 10% ao ano exigido pelos investidores. A máquina B, nas mesmas
condições, gerou R$ 73.204,90, e a máquina C gerou R$ 36.712,59.
Conforme critério apresentado por Groppelli e Nikbakht (2010),
escolheríamos a máquina B, que pagou os 10% anuais exigidos pelos
proprietários e ainda gerou um caixa maior.

Já a taxa interna de retorno, o método mais sofisticado dos três,


apresentou a rentabilidade de 13,43% ao ano para a máquina A, 18,58%
ao ano para a máquina B e 19,71% ao ano para a máquina C. Dessa
forma, a escolha se daria pela maior rentabilidade, que foi da máquina C.

Finalizamos aqui o estudo de orçamento de capital com técnicas de


avaliação. Na unidade 48 vamos discutir o tema com a abordagem do
risco promovido por tais investimentos.

Tarefa dissertativa
Caro estudante, convidamos você a acessar o
Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a
tarefa dissertativa.

www.esab.edu.br 267
48 Orçamento de capital com risco
Objetivo
Compreender a importância de reconhecer o risco na análise de
orçamento de capital.

Ao tratar do tema orçamento de capital visto até aqui, pouco falamos do


conceito de risco. Qualquer tipo de investimento de capital apresenta,
em maior ou menor grau, uma taxa de risco associada à sua execução. As
técnicas de avaliação de investimento que vimos nas unidades 44, 45 e
46 foram aplicadas a um ambiente de certeza. Na verdade, isso raramente
acontece, já que os fluxos de caixa de cada projeto de investimento
costumam apresentar níveis de risco, afetando, de uma maneira geral,
toda a empresa. Dessa forma, vamos discutir o orçamento de capital com
risco com base em Gitman (2010) e Groppelli e Nikbakht (2010).

48.1 Introdução ao risco em orçamento de capital


Primeiro, vamos relembrar o conceito de risco de uma maneira geral.
Gitman (2010, p. 203) diz que, “[...] em sua acepção mais simples,
risco é a chance de perda financeira”. O autor fala que os investimentos
que “´[...] apresentam maior chance de perda são considerados mais
arriscados do que os que trazem uma chance menor” (GITMAN,
2010, p. 203). Complementa, ainda, que “[...] em termos mais formais,
risco é usado de forma intercambiável com incerteza em referência
à variabilidade dos retornos associados a um determinado ativo”
(GITMAN, 2010, p. 203). Assim, o risco tem relação com a incerteza
futura dos fluxos de caixa esperados por um projeto de investimento.
Groppelli e Nikbakht (2010) dizem que risco é sinônimo de incerteza ou
instabilidade futura. Um investimento é chamado livre de risco se o seu
retorno é estável, confiável e de fácil conhecimento.

www.esab.edu.br 268
Em orçamento de capital, dificilmente encontramos um investimento livre
de risco. Isso porque os fluxos de caixa futuros do investimento podem
aumentar ou diminuir seu volume em determinado período de tempo.
Além disso, Groppelli e Nikbakht (2010) alertam para o fato de que a taxa
de retorno pela qual os futuros fluxos de caixa foram investidos pode não
permanecer a mesma, dependendo de inúmeros fatores.

Existem muitos fatores que podem alterar para mais ou para menos
os fluxos de caixa futuros de um projeto de investimento: perda de
participação no mercado por parte da empresa, aumento no custo dos
produtos vendidos, novas regulamentações do governo, aumento no custo
do financiamento, entre outras (GROPPELLI; NIKBAKHT, 2010).

Gitman (2010) apresenta um quadro que pode nos dar uma visão clara
de quais os riscos que podem influenciar diretamente nos investimentos
feito, de forma bastante detalhada. Acompanhe.

Fonte de risco Descrição


Riscos específicos da empresa
A possibilidade de que a empresa não seja capaz de cobrir
seus custos operacionais. Seu nível é determinado pela
Risco operacional
estabilidade das receitas da empresa e pela estrutura de
seus custos operacionais (fixos versus variáveis).
A possibilidade de que a empresa não seja capaz de
fazer frente a suas obrigações financeiras. Seu nível é
Risco financeiro determinado pela previsibilidade dos fluxos de caixa
operacionais da empresa e por suas obrigações financeiras
de custo fixo.
Riscos específicos do acionista
A possibilidade de que mudanças nas taxas de juros afetem
negativamente o valor de um investimento. A maioria dos
Risco de taxa de juros
investimentos perde valor quando a taxa de juros aumenta
e ganha valor quando a taxa cai.
A possibilidade de que um investimento não possa ser
facilmente liquidado a um preço razoável. A liquidez
Risco de liquidez é afetada de modo significativo pela extensão e
profundidade do mercado em que um investimento
costuma ser negociado.

www.esab.edu.br 269
A possibilidade de que o valor de um investimento
caia devido a fatores de mercado que independem do
investimento em si (como acontecimentos econômicos,
Risco de mercado
políticos e sociais). De modo geral, quanto mais o valor
de um investimento reage ao mercado, maior seu risco; e
quanto menos reage, menor o risco.
Riscos da empresa e do acionista
A possibilidade de que algum evento inteiramente
imprevisto exerça efeito significativo sobre o valor de
uma empresa ou de um investimento específico. Esses
Risco de evento acontecimentos raros, como uma ordem governamental
para a retirada do mercado de um medicamento popular,
costumam afetar grupos pequenos de empresas ou
investimentos.
A exposição dos fluxos de caixa esperados futuros a
flutuações da taxa de câmbio. Quanto maior a chance de
Risco de câmbio flutuações indesejadas da taxa de câmbio, maior o risco
dos fluxos de caixa, portanto, menor o valor da empresa ou
do investimento.
A possibilidade de que uma mudança nos níveis de
preços causada pela inflação ou deflação possa afetar
negativamente os fluxos de caixa e o valor da empresa ou
investimento. Normalmente, empresas ou investimentos
Risco de poder aquisitivo cujos fluxos de caixa se movam de maneira semelhante
aos níveis gerais de preços apresentam baixo risco de
poder aquisitivo, enquanto aquelas cujos fluxos de caixa
não acompanhem os níveis gerais de preço apresentam
elevado risco de poder aquisitivo.
A possibilidade de que sobrevenham mudanças
desfavoráveis na legislação tributária. Empresas e
Risco tributário
investimentos cujo valor seja sensível a mudanças da
legislação tributária são mais arriscados.

Quadro 35 – Principais fontes de risco.


Fonte: Gitman (2010, p. 204).

No Quadro 35 você pode notar que os riscos são das mais variadas
naturezas: seja o risco apresentado pela empresa, seja do acionista ou de
ambos. Algumas metodologias são apresentadas para abordar o tema de
orçamento de capital com foco do risco, vamos conhecê-las a seguir.

www.esab.edu.br 270
48.2 Abordagens comportamentais para lidar com o
risco
De acordo com Gitman (2010), as abordagens comportamentais podem
ser usadas para se ter uma ideia do nível de risco do investimento. Iremos
apresentar algumas abordagens comportamentais para lidar com o risco
em orçamento de capital: risco e entrada de caixa, análise de cenários e
simulação. Vamos lá?

• Risco e entradas de caixa


Quando estudamos o orçamento de capital, o risco representa,
basicamente, o grau de variabilidade dos fluxos de caixa (GITMAN,
2010). Isso significa que, ao realizar um projeto de investimento, o
investimento inicial é bastante previsível, recaindo sobre as entradas
futuras de caixa o principal risco do investimento. Essas entradas
derivam, segundo Gitman (2010), de diversas variáveis relacionadas às
receitas de vendas dos produtos, dos custos, despesas e impostos pagos
pela empresa.

• Análise de cenários
A análise de cenários, segundo Gitman (2010), serve para lidar com o
risco do investimento e captar as variações das entradas e de caixa. Ainda
de acordo com o autor, a análise de cenários é uma abordagem que utiliza
diversos resultados alternativos possíveis (cenários), como as entradas
futuras de caixa, para se ter ideia da variabilidade dos retornos, tanto pela
TIR quanto pelo VPL. Na avaliação de um orçamento de capital, uma
abordagem bastante comum é utilizar cenários pessimistas, esperados e
otimistas, alterando as entradas de caixa e calculando os retornos que o
investimento pode gerar.

www.esab.edu.br 271
• Simulação
A simulação, segundo Gitman (2010, p. 397), “[...] é uma abordagem
comportamental estatística que aplica distribuições de probabilidades
predeterminadas e valores aleatórios para estimar resultados de risco”. Ao
associar diversos elementos do fluxo de caixa a um modelo matemático e
repetir o processo inúmeras vezes, o administrador financeiro desenvolve
uma distribuição de probabilidades do retorno dos investimentos
(GITMAN, 2010). O uso de computadores possibilitou e sofisticou a
utilização de simulações no orçamento de capital.

O resultado de um processo de simulação de dados de investimento fornece


excelentes bases para o administrador tomar decisões acerca das escolhas
financeiras, pois permite enxergar uma série continua de compensações
entre risco e retorno, em vez de uma só ou limitadas estimativas.

Chegamos ao fim dos nossos estudos de Administração Financeira e


Orçamentária I, discutindo o risco em decisões de orçamento de capital.
Esperamos que você tenha aprendido bastante durante todo esse tempo
e esteja apto a utilizar o ferramental teórico da disciplina de finanças para
planejar e controlar os recursos financeiros de qualquer tipo de organização.

Atividade
Chegou a hora de você testar seus conhecimentos
em relação às unidades 37 a 48. Para isso, dirija-se ao
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda
às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará
se preparando para a prova. Bom trabalho!

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Resumo

Na unidade 43, resolvemos o caso da empresa Aquarela em relação ao seu


fluxo de caixa relevante, calculando o custo do novo ativo, o recebimento
pela venda dos ativos antigos e a variação do capital de giro líquido
necessário para o novo investimento realizado.

A partir da unidade 44, conhecemos algumas técnicas de avaliação


do orçamento de capital, nesse caso, o payback. Vimos que o payback
indica o tempo necessário para a recuperação do investimento inicial e
concluímos que os investimentos com menores paybacks serão os que
voltarão mais rapidamente para o caixa da empresa, sendo os preferidos.

Na unidade 45, estudamos que o Valor Presente Líquido é uma técnica


de análise de orçamento de capital que leva em consideração o valor do
dinheiro no tempo e que exige a escolha de uma taxa mínima desejada
para fins de desconto. Essa taxa representa o percentual mínimo que os
investidores desejam obter de retorno no investimento realizado. Os valores
futuros do fluxo de caixa relevante projetado são descontados considerando
essa taxa mínima de retorno para os períodos envolvidos. Se o VPL for
maior que zero, a empresa obterá um retorno maior do que o retorno
mínimo exigido do projeto. Com isso, estaria aumentando o valor de
mercado da empresa e, consequentemente, a riqueza dos seus proprietários.

Em seguida, na unidade 46, estudamos a Taxa Interna de Retorno que


calcula a taxa de retorno gerada pelo investimento, ou seja, a TIR é uma
medida de rentabilidade do investimento. Depois disso, aplicamos os
conceitos aprendidos no caso da empresa Grandiosa, na unidade 47.

Por fim, na unidade 48, discutimos o orçamento de capital em condições


de risco conceitualizando três abordagens comportamentais para lidar
com o risco: risco e entrada de caixa, análise de cenários e simulação.

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Glossário

Ação
A menor parte do capital social de uma empresa. R

Acepção
É a palvra no sentido total, literal, que a plavra expressa. R

Alavancagem
Aumento dos lucros. R

Amortização
Perda do valor do bem ao longo do tempo pela sua utilização. R

Binômio
Expressão que consiste em dois termos ligados por sinais contrários. R

Carteira
Uma coleção ou grupo de ativos. R

Conselho de administração
É um corpo de membros eleitos ou designados que, juntos, tomam as
decisões estratégicas de uma empresa. R

Crédito
Troca de bens presentes por bens futuros. R

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Crédito mercantil
Crédito realizado pelas compras a prazo. R

Curto prazo
Normalmente compreende o período de um ano ou um exercício social.
R

Custo de oportunidade
Expressão que indica o custo de algo em termos de uma oportunidade
renunciada. É o que se renunciou por se ter realizado um investimento.
R

Custo explícito
Custo de fácil identificação. R

Déficit
Resultado negativo, falta de caixa. R

Depreciação
Desgaste pelo uso ao longo do tempo, desvalorização de um bem. R

Depreciados
A vida útil do bem chegou ao fim e ele não tem mais valor de mercado
pela sua inutilização. R

Deságio
Diminuição do valor do título. R

Dispêndio
Gasto. R

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Empréstimo auto liquidável
Empréstimo para cobrir necessidades para capital de giro e que é pago
conforme as vendas são recebidas. R

Escala econômica
Quantidade de produtos a serem produzidos. R

Escrutínio
Refere-se a uma avaliação minuciosa da proposta de investimento por
requerer grandes desembolsos. R

Estrutura de capital
Composição das fontes de financiamento. R

Exercício
Período de tempo que gerou os lucros. R

Exercício social
É o período de tempo (normalmente um ano) no qual as empresas
apuram o resultado. R

Feedback
Retorno, resposta a uma dada informação ou decisão. R

Financiamento sazonal
Necessidades esporádicas de financiamento, que não são permanentes.R

Float
Dinheiro em circulação que ainda não foi compensado. R

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Giro
Rotação, renovação, circulação. R

Imposto de renda
Valor cobrado pelo estado sobre os ganhos da empresa. R

Inadimplência
Refere-se ao não pagamento de uma dívida assumida. R

Incremento
Aumento, adição. R

Insolvência
Estado em que não se pode pagar as dívidas. R

Liquidez
Capacidade de um ativo (investimento) ser convertido em moeda. R

Longo prazo
Ultrapassa o período de um ano ou o exercício social. R

Lote econômico
Quantidade produzida que minimiza o custo de fabricação. R

Obrigações
Dívidas, compromissos financeiros assumidos. R

Oneroso
Aquilo que possui um custo. R

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Operacionais
Que têm relação direta com a atividade principal da empresa. R

Pró-forma
Uma demonstração financeira que mostra como seria o resultado ou a
situação financeira da empresa caso as vendas, os custos e as despesas
projetadas se realizassem. R

Rateio
Método utilizado para distribuir o custo para cada produto fabricado.
R

Regime de competência
Método utilizado na Contabilidade para apuração do lucro. O regime
por competência reconhece as receitas, os custos e as despesas no
momento da venda dos produtos. R

Restritivos
Que restringe, limita. R

Resultado
Lucro ou prejuízo de um determinado período. R

Risco
A probabilidade de perda financeira ou, mais formalmente, a viabilidade
dos retornos associados a um dado ativo. R

Superávit
Resultado positivo, sobras de caixa. R

Substituição
Nas decisões de substituição há a troca de antigos ativos por novos. R

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Valores futuros
Representa o valor do dinheiro em um período futuro, dada uma taxa de
desconto. R

Valores presentes
Representa o valor do dinheiro no tempo presente, dada uma taxa de
desconto. R

Valor residual
Representa o valor de um bem após o término da sua vida útil. R

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Referências

CAMARGO, C. Análise de investimentos e demonstrativos financeiros.


Curitiba: Ibpex, 2007.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo:


Pearson, 2010.

GITMAN, L. J.; MADURA J. Administração financeira: uma abordagem


gerencial. São Paulo: Pearson Addson Welsley, 2003.

GROPPELLI, A. A.; NIKBAKHT, E. Administração financeira. 3. ed. São


Paulo: Saraiva, 2010.

LUNKES, R. J. Manual de orçamento. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

SELEME, R. B. Diretrizes e práticas da gestão financeira e orientações


tributárias. Curitiba: Ibpex, 2010.

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