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©Metropolitan Museum of Art, New York/Fotógrafo desconhecido

Literatura
Literatura
Vanessa de Paula Hey
Vanessa de Paula Hey

Livro do Professor

Volume 7
Volume 7
Livro de atividades
Livro de
atividades
Paula Hey Livro do Professor Volume 7 Livro de atividades ©Editora Positivo Ltda., 2017 Dados Internacionais
©Editora Positivo Ltda., 2017
©Editora Positivo Ltda., 2017

Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP) (Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil)

H615

Hey, Vanessa de Paula. Literatura : livro de atividades : Vanessa de Paula Hey. – Curitiba : Positivo, 2017. v. 7 : il.

ISBN 978-85-467-1634-0 (Livro do aluno) ISBN 978-85-467-1587-9 (Livro do professor)

1. Ensino médio. 2. Literatura – Estudo e ensino. I. Título. CDD 373.33

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem autorização da Editora.

Realismo

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Literatura realista Contexto histórico e correntes de pensamento • Revolução Industrial em seu estágio mais
Literatura realista
Contexto histórico e correntes de pensamento
• Revolução Industrial em seu estágio mais avançado (introduziu de maneira definitiva as novas tecnologias e os processos científicos).
• Consequências: êxodo rural, inchaço das cidades, lutas do proletariado (devido às condições de trabalho desumanas).
• No Brasil, o final do século XIX foi marcado por importantes acontecimentos como: a Abolição da Escravatura (1888), a Proclamação da
República (1889) e o início da República Oligárquica do Café.
Correntes de
pensamento da época
Idealizada ou
Característica
desenvolvida por
Positivismo
Augusto Comte
Fundamenta-se na ideia de que o conhecimento científico, formulado com
base na observação e nos experimentos, é o único válido.
Determinismo
Hippolyte Taine
Defende que o comportamento humano é determinado e condicionado
pelo meio, pelo contexto histórico e pela raça.
Evolucionismo
Charles Darwin
Baseia-se na seleção natural, segundo a qual apenas espécies mais aptas
são capazes de sobreviver e perpetuar-se. Essa teoria entrou em choque
com os ideais criacionistas.
Marxismo/Socialismo
Karl Marx e Friedrich Engels
Doutrina política e econômica pautada na ideia de distribuição de
riquezas, decorrente de reforma social que excluiria a divisão de classes e
a propriedade privada.
Psicanálise
Sigmund Freud
Teoria que pretende explicar o funcionamento do aparelho psíquico (mente
humana) e tornar conscientes os processos psíquicos inconscientes que
foram reprimidos ou recalcados durante as etapas do desenvolvimento do
sujeito, por meio do método de associação livre.
Nota: o contexto histórico vale para o Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo – estéticas literárias que ocorreram
praticamente na mesma época.
Principais aspectos do Realismo
racionalidade:
impessoalidade:
preocupação com a verdade;
valorização do conhecimento racional;
pesquisa e observação da realidade
distanciamento entre o autor e os temas por ele
apresentados nas obras;
separação entre os sentimentos do autor e do personagem
contemporaneidade:
crítica à burguesia:
objetividade:
não mais idealizada, a realidade é
descrita como algo concreto e palpável
o contexto histórico e social no qual o
autor está inserido é o mesmo retratado
nas obras
as obras realistas critiocam e
questionam os valores e os ideais
burgueses
2
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Volume 7

Realismo na Europa

Romantismo Realismo subjetividade objetividade idealização da realidade retrato fiel da realidade personagens mais
Romantismo
Realismo
subjetividade
objetividade
idealização da realidade
retrato fiel da realidade
personagens mais simples, estereotipados
personagens mais complexos, maior densidade psicológica
nacionalismo
universalismo
valorização do passado histórico
valorização do presente
literatura como fuga da realidade
literatura como forma de engajamento
amor: sentimento puro
amor: condicionado às conveniências sociais
proximidade emocional
distanciamento emocional

Nesse momento, o Romantismo já se encontrava desgastado. O público leitor esperava mais do que um excesso de sentimentalismo e amor à pátria. Surge, então, o Realismo, estética literária que pretende representar nas obras uma visão mais lúcida da realidade. Na Europa, a publicação do romance Madame Bovary, em 1856, do escritor francês Gustave Flaubert , foi inaugural dessa estética.

Realismo em Portugal

Principais características Tentativa de retratar a realidade de maneira fiel; foco nas questões sociais;
Principais
características
Tentativa de retratar a
realidade de maneira fiel;
foco nas questões sociais;
descrição de pessoas
comuns; representação da
vida cotidiana; crítica aos
falsos valores de conduta
moral e aos bons costumes.
poesia: temática bem variada – relatos do
cotidiano, poesia política e engajada e poesia
metafísica (questionamentos relacionados a
Deus, à vida e à morte).
prosa: crítica aos valores burgueses, à falsa
moralidade do clero; retrato dos costumes
das classes menos favorecidas; temas
considerados vulgares ou mesmo tabus no
período: adultério, exploração do homem pelo
homem, jogo de insteresses, conveniências
sociais.

Em meados do século XIX, coexistiam, em Portugal, grupos de escritores com insteresses distintos: por um lado, havia aqueles ainda apegados aos modos de escrita próprios do Romantismo e, por outro lado, um grupo de jovens escritores que se dedicavam a uma nova forma de expres- são literária. Em 1865, aconteceu um episódio dividiu opiniões: a Questão Coimbrã, que envolveu Antonio Feliciano Castilho, grande defensor da estética romântica, e Antero de Quental, um dos jovens escritores da época. Castilho criticou a literatura que estava sendo feita e imediatamente Antero de Quental reagiu, defendendo que a arte literária não poderia mais ser alienada, mas sim uma arte combativa, vinculada com a realidade, e voltada à representação dos dilemas ideológicos que caracterizavam as questões sociais da época.

Os autores mais representativos são Eça de Queirós (prosa) e Cesário Verde (poesia).

Realismo no Brasil

Depois da Independência e do surto nacionalista-ufanista, a nação ainda esperava pelo progresso social, político e econômico. Com a Guerra do Paraguai (1864 – 1870), mesmo que vencedor, o Brasil saiu com dívidas altas. Todo esse processo fortaleceu o pensamento republicano, de- sencadeando a decadência e o isolamento da monarquia. Nessa época, as ideias abolicionistas também ganharam força.

No Brasil, o Realismo teve início em 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Literatura

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Machado de Assis (1839-1908)

1.ª fase (romântica)

Produção que contempla o início de sua carreira (1850) e se estende até a década de 1870. Também conhecida como fase de amadureci- mento ou preparação, nela, sua obra apresenta traços próprios da estética romântica: moralismo burguês, sentimentalismo, subjetivismo e cumprimento do esquema romântico. Obras mais representativas do período:

Romances – Ressurreição, A mão e a luva e Helena e Iaiá Garcia.

Contos – Contos Fluminenses e Histórias da meia-noite.

Poesia – Crisálidas, Falenas e Americanas.

Teatro – Queda que as mulheres têm para os tolos, Os deuses de casaca e Tu, só tu, puro amor.

2.ª fase (realista)

Produção que fez Machado de Assis ser reconhecido como um grande escritor. Tem início em 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Obras mais representativas do período:

Romances – Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires.

Contos – Papéis avulsos, Histórias sem data e Várias Histórias.

Poesia – Ocidentais.

Teatro – Não consultes médico e Lição de botânica.

ironia:

jogo de linguagem que permite abordar temas delicados de modo crítico ou sarcástico; dá aos enredos maior profundidade e senso crítico

tempo e espaço:

os enredos têm como pano de fundo as paisagens físicas e sociais do Rio de Janeiro do final do século XIX

pessimismo: visão negativa do mundo; uso de humor e ironia para contrapor o negativismo

linguagem: acadêmica, obediente à norma culta, concisa, objetiva e com a presença Características gerais da
linguagem:
acadêmica, obediente
à
norma culta, concisa,
objetiva e com a presença
Características gerais
da obra machadiana
de metalinguagem
uso de digressões:
a narrativa é constantemente
interrompida por reflexões,
retrospectivas e comentários
do narrador ou do personagem.
As digressões diminuem a
distância entre o narrador e
crítica às situações
humanas e à burguesia:
o
leitor, transformando este
em cúmplice ou colaborador;
o
narrador conversa com o
leitor e, por vezes, sugere a ele
que pule alguns capítulos ou
interrompa a leitura
os valores sustentados
pelo Romantismo, como a
amizade, o amor, o casamento
e a religião, são, por vezes,
desacreditados ou mesmo
ridicularizados. O adultério,
a hipocrisia, as segundas
intenções e a vaidade são
os grandes corruptores dos
relacionamentos humanos.

intertextualidade:

alusão a outras obras, textos e autores; uso de citações e paródia

análise psicológica:

seus personagens, em geral, são redondos, ou seja, apresentam grande profundidade psicológica, são fortes, repletos de contradições e podem ser considerados imprevisíveis

Atividades 1. Observe a obra de arte do artista argentino Antonio Berni. d)
Atividades
1. Observe a obra de arte do artista argentino Antonio Berni.
d)
a obra de arte do artista argentino Antonio Berni. d) BERNI, Antonio. Manifestación . 1934. 1

BERNI, Antonio. Manifestación. 1934. 1 óleo sobre estopa, color., 180 cm x 249,5 cm. Museu de Arte Latinoamericano, Buenos Aires.

As pessoas retratadas na tela são personagens ideali- zados ou representam pessoas comuns? Explique.

As pessoas retratadas representam o ser humano comum. Na tela,

há a presença de vários tipos, facilmente reconhecidos em quase

( X ) Evidenciou os aspectos desagradáveis da rela- ção entre indivíduo e sociedade.

4. (UFMT) A partir da metade do século XVIII, na Europa, uma conjugação de eventos redimensionou a cúpula do poder social. A burguesia, contraposta à nobreza e clero ora decadentes, se firmou e a ciência passou a explicar racionalmente a realidade. Essa alteração na fisionomia econômico-filosófica do velho continente, com reflexos nas nações periféricas, veio acompa- nhada de um natural realinhamento das artes. A lite- ratura, sem abrir mão de proporcionar prazer estético

e cumprindo seu papel de revelar a relação entre o

homem e sua circunstância histórica, adequou-se e espelhou a nova realidade que trazia, entre outros marcos, a supracitada alternância de classes no po- der. Qual fato histórico ocorreu no Brasil durante a época do Realismo?

a) Chegada da expedição colonizadora de Martim Afonso de Sousa

todas as sociedades. Não se busca mostrar somente aquilo

que é belo, ou que se aproxima do perfeito, mas pessoas reais,

que faziam parte da sociedade da época.

2. Marque as alternativas que correspondem às manifes- tações artísticas do Realismo.

a) (

b) ( X ) A arte como forma de denúncia.

c) ( X ) A representação do real, desvinculado da idea- lização e do sentimentalismo.

d) (

3. Quanto ao Realismo, marque as proposições corretas.

) A prática da arte pela arte.

) O uso de muitos símbolos.

a) ) A literatura desenvolvida por essa estética literária se voltou, principalmente, para os problemas rurais, demonstrando como o avanço dos grandes centros urbanos corrompeu a vida no campo.

b) ) Essa estética desenvolveu o romance naciona- lista, sem se utilizar do excesso de sentimenta- lismo romântico.

c) ( X ) Buscou analisar, de maneira mais objetiva e com senso crítico, os problemas sociais, denunciando os vícios e a corrupção da sociedade burguesa da época.

(

(

X b) Proclamação da República

c) Conjuração Mineira e condenação de Tiradentes

d) Vinda de D. João VI e da família real

e) Abdicação de D. Pedro I

5. (ENEM) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de épo- ca: o Romantismo.

dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura

Não digo que já lhe coubesse a primazia da bele-

za, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson, 1957.

A frase do texto em que se percebe a crítica do narra- dor ao Romantismo está transcrita na alternativa:

o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas

X a)

Literatura

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b) era

talvez a mais atrevida criatura da nossa raça

c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno,

d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou de- zesseis anos

e) indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.

6. Leia o seguinte trecho retirado do conto “Noite de Al- mirante”, de Machado de Assis, e destaque ao menos três características realistas, transcrevendo passagens que as comprovem.

o

Deolindo Venta-Grande (era uma alcunha de bordo) saiu do arsenal de marinha e enfiou pela

rua de Bragança. Batiam três horas da tarde. Era

a fina flor dos marujos e, de mais, levava um

grande ar de felicidade nos olhos. A corveta

dele voltou de uma longa viagem de instrução,

e Deolindo veio à terra tão depressa alcançou

licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo:

– Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante

vai você passar! ceia, viola e os braços de Geno- veva. Colozinho de Genoveva

Deolindo sorriu. Era assim mesmo, uma noite de almirante, como eles dizem, uma des- sas grandes noites de almirante que o esperava em terra. Começara a paixão três meses antes de sair a corveta. Chamava-se Genoveva, ca- boclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido. Encontraram-se em casa de terceiro e ficaram morrendo um pelo outro, a tal ponto que estiveram prestes a dar uma cabeçada, ele deixaria o serviço e ela o acompanharia para a vila mais recôndita do interior.

A velha Inácia, que morava com ela, dissua-

diu-os disso; Deolindo não teve remédio senão

seguir em viagem de instrução. Eram oito ou dez meses de ausência. Como fiança recípro- ca, entenderam dever fazer um juramento de fidelidade.

ASSIS, Machado de. Volume de contos. Rio de Janeiro: Garnier, 1884. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/bv000208.pdf>. Acesso em: 5 ago. 2015.

1) objetividade: “Deolindo Venta-Grande (era uma alcunha

de bordo) saiu do arsenal de marinha e enfiou pela rua de

Bragança. Batiam três horas da tarde. Era a fina flor dos

marujos e, de mais, levava um grande ar de felicidade nos

olhos”; 2) materialização do amor: “Ah! Venta-Grande! Que

noite de almirante vai você passar! ceia, viola e os braços de

Genoveva. Colozinho de Genoveva

”; 3) representação da

pessoa comum: “Chamava-se Genoveva, caboclinha de vinte

anos, esperta, olho negro e atrevido”.

7. Relacione as colunas.

(1) Romantismo

(2) Realismo

( 1 ) Elogio aos valores burgueses e às suas institui- ções, como o casamento e a Igreja.

( 1 ) Desenvolvimento de um romance nacionalista, exaltando o modo de vida da sociedade brasileira.

( 2 ) Retrato objetivo da realidade, criticando muitos dos valores burgueses da época.

( 2 ) Presença do espírito cientificista do período, como o Darwinismo, Evolucionismo, Determinismo e Po- sitivismo.

( 1 ) Preocupação com o passado e com a história, rara- mente tratando dos problemas da época.

8. Sobre a obra machadiana da fase realista, assinale a afirmativa correta.

a) Ocupa-se da descrição minuciosa das relações amoro- sas entre personagens, que vivenciam o amor de forma incondicional.

b) Os romances da segunda fase são marcados pela crença determinista como justificativa das ações dos personagens.

c) Apresenta como constantes o vocabulário preciso, a bondade humana e a sátira.

X d) Expõe uma análise profunda dos sentimentos hu- manos, rompendo com a ordem cronológica tradi- cional.

e) Como muitos escritores que pertenceram à mesma tradição, Machado de Assis começou sua carreira es- crevendo romances realistas, e, mais tarde, passou para uma temática mais naturalista, com a publicação de ro- mances de tese.

alcunha: designação (normalmente depreciativa) que se utiliza no lugar do nome de alguém.

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corveta: tipo de embarcação. recôndita: retirada, longe.

9. Sobre a prosa de Machado de Assis, assinale a alterna- tiva INCORRETA.

a) Em contraposição à postura de conformidade ado- tada pelo escritor na década de 1870, nas décadas seguintes, observa-se um intelectual irônico, pessi- mista e crítico.

b) Um dos temas mais recorrentes na sua segunda fase foi a crítica à hipocrisia social.

c) É marcada pelas temáticas universais, que revelam, com humor e ironia, a verdadeira condição humana.

X d) Seus romances realistas abordam superficialmente os conflitos humanos, buscando o efeito imediato do problema, sem se preocupar com a profundidade dos problemas morais e sociais.

e) As fraquezas humanas são objeto de constante re- flexão.

10.(ENEM)

Capítulo III

Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bron- ze, mas o amigo Palha disse-lhe que era ma- téria de preço, e assim se explica este par de

figuras que aqui está na sala: um Mefistófeles

e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, es-

colheria a bandeja, – primor de argentaria,

execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem re- sistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que es- tava acostumado aos seus crioulos de Minas,

e não queria línguas estrangeiras em casa, o

amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da pro- víncia, nem pôde deixar na cozinha, onde

reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.

ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro:

Nova Aguilar, 1993 (fragmento).

Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside

X a) no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a es- sência.

b) no sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.

c) na referência a Fausto e Mefistófeles, que represen- tam o desejo de eternização de Rubião.

d) na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.

e) na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.

11. (UNICAMP – SP) Leia os seguintes trechos de Viagens na minha terra e de Memórias Póstumas de Brás Cubas:

Benévolo e paciente leitor, o que eu tenho de- certo ainda é consciência, um resto de consciên- cia: acabemos com estas digressões e perenais divagações minhas.

(Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1969, p.187.)

Neste despropositado e inclassificável livro das minhas Viagens, não é que se quebre, mas enreda-se o fio das histórias e das observações por tal modo, que, bem o vejo e o sinto, só com muita paciência se pode deslindar e seguir em tão embaraçada meada.

(Idem, p. 292.)

Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ín- timo, por que o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, em Romances, vol I. Rio de Janeiro: Garnier, 1993, p. 140.)

argentaria: peça trabalhada em prata. teso: tenso. pajem: jovem serviçal.
argentaria: peça trabalhada em prata.
teso: tenso.
pajem: jovem serviçal.

Literatura

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a) No que diz respeito à forma de narrar, que seme- lhanças entre os dois livros são evidenciadas pelos trechos acima?

Caráter digressivo das narrativas, redução da importância

da ação dramática, comentários irônicos do narrador e a

constante abordagem ao leitor (“Benévolo e paciente leitor"

– Garret e “o maior defeito deste livro és tu, leitor” – Machado).

b) Que tipo de leitor esta forma de narrar procura frus- trar, e de que maneira esse leitor é tratado por am- bos os narradores?

Procura frustrar o leitor impaciente e ingênuo, acostumado

a

certas convenções do gênero narrativo. Nas duas obras,

o

leitor é tratado de maneira irônica pelo narrador.

12.(UNICURITIBA – PR) Considere o texto abaixo e avalie as afirmativas a seguir.

Ao Leitor

QUE STENDHAL confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, cousa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cin- quenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra

difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessi- mismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com

a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não

é difícil antever o que poderá sair desse conú-

bio. Acresce que a gente grave achará no livro

umas aparências de puro romance, ao passo que

a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves

e do amor dos frívolos, que são as duas colunas

máximas da opinião. Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um pró- logo explícito e longo. O melhor prólogo é o que

contém menos cousas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei

na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e, aliás, desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agra- dar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agra- dar, pago-te com um piparote, e adeus.

(MACHADO DE ASSIS. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril Cultural, 1978.)

a) ( F ) O diálogo com o leitor, a narrativa em primei-

ra pessoa, marcada pela ironia, as referências

intertextuais e metalinguísticas são característi- cas inconfundíveis do Realismo e do Naturalis- mo, cujas características se misturam na obra de Machado de Assis.

b) ( F ) Quando diz “Obra de finado”, o narrador espera que o livro escrito em vida venha a ter alguns

eu ainda espero an-

leitores após sua morte: “ gariar as simpatias ”

c) ( F ) O diálogo do narrador em primeira pessoa com

o leitor é um traço vanguardista da obra de

Machado de Assis, aspecto que será posterior-

mente desenvolvido por modernistas, Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos.

d) ( F ) Característica inconfundível dos romances de Machado de Assis é a profunda análise psicológica das personagens à luz dos avanços da Sociologia

e da Psicologia do século XIX, conforme a linha aberta pelos realistas europeus.

e) ( V ) Por romper radicalmente com o novelismo idea- lizante do Romantismo e inaugurar um estilo narrativo único em nossa ficção do século XIX,

o romance Memórias póstumas de Brás Cubas

inaugurou a literatura realista no Brasil. 13.(UEM – PR) Leia os fragmentos a seguir, retirados de romances de Machado de Assis, e responda à questão abaixo.

“Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o es- tilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ”

ameaçam o céu, escorregam e caem

(Memórias Póstumas de Brás Cubas)

consterna: aflige. conúbio: relação, casamento. frívola: superficial. angariar: conquistar. nimiamente: em
consterna: aflige.
conúbio: relação, casamento.
frívola: superficial.
angariar: conquistar.
nimiamente: em demasia.
enfadonho: tedioso.
ínfimo: de pouca importância.
ébrios: embriagados.
galhofa: zombaria.
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Volume 7

“A leitora que é minha amiga e abriu este livro com o fim de descansar da cavatina de ontem para a valsa de hoje quer fechá-lo às pressas, ao ver que beiramos um abismo. Não faça isso, que- rida; eu mudo de rumo.”

(Dom Casmurro)

“Se não fora o que aconteceu e se contará por

estas páginas adiante, haveria matéria para não aca- bar mais o livro; era só dizer que sim e que não, e

o que estes pensaram e sentiram, e o que ela sentiu

e pensou, até que o editor dissesse: basta! Seria um livro de moral e de verdade, mas a história come-

çada ficaria sem fim. Não, não, não

tinuá-la e acabá-la. Comecemos por dizer o que os dois gêmeos ajustaram entre si [ ].”

Força é con-

(Esaú e Jacó)

Identifique uma característica típica da prosa macha- diana presente nos três fragmentos acima e explique- -a. A seguir, extraia dos fragmentos trechos em que essa característica pode ser observada.

Metalinguagem, ou seja, quando há, em um texto, a discussão

sobre seu próprio processo de construção e a reflexão sobre o

funcionamento da linguagem. Nos trechos em destaque, o texto

é o tema do próprio texto. No primeiro fragmento: “porque o

maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer,

e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o

estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os

ébrios”; no segundo: “A leitora que é minha amiga e abriu este

livro com o fim de descansar da cavatina de ontem para a

valsa de hoje quer fechá-lo às pressas”; no terceiro: “Se não fora

o que aconteceu e se contará por estas páginas adiante, haveria

matéria para não acabar mais o livro”.

14.(UFRGS – RS) Assinale a alternativa correta sobre a obra de Machado de Assis.

a) O primeiro romance publicado por Machado de As- sis foi Dom Casmurro (1899), totalmente integrado à estética romântica, ao pôr em evidência história de amor entre Bentinho e Capitu.

b) Brás Cubas, o protagonista do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, é um humanista oriundo da classe trabalhadora, defensor dos direitos dos escravos.

c) Quincas Borba, único romance de Machado de Assis que apresenta narrador em primeira pessoa, é nar- rado pelo próprio Quincas Borba.

X d) Várias Histórias reúne alguns dos principais contos de Machado de Assis, entre eles “A causa secreta”, que narra o prazer mórbido que sente Fortunato ao presenciar o sofrimento alheio.

e) Helena é um romance da última fase de Machado de Assis, já integrado ao realismo, na qual se desta- ca a ironia que consagrou o autor.

cujos títulos envolvem

“memórias”: as póstumas de Brás Cubas e as de um sargento de milícias. A respeito dessas obras, de gran- de importância para a literatura nacional, bem como do contexto de produção e às características das estéticas em que se enquadram, analise as afirmações que se- guem.

I. Ambas as narrativas versam acerca de eventos me- morialísticos registrados pelos narradores-persona- gem em ordem não cronológica.

II. O romance de Machado de Assis reflete as caracte- rísticas que iriam se tornar marca registrada do au- tor, como a análise psicológica, a metalinguagem, a conversa com o leitor e o sarcasmo, entre outras.

III. Embora a narrativa de Manuel Antônio de Almeida pertença à esfera de produção do Romantismo na- cional, pode-se afirmar que ela antecipa, em grande parte, a transformação que Machado de Assis pro- vocará com a produção de obras que constituirão o Realismo brasileiro.

IV. As duas obras trazem inovações significativas ao panorama literário nacional, uma vez que registram, de forma crítica, o painel social da burguesia cario- ca, que envolve os costumes, a linguagem, as diver- sões e os relacionamentos.

Analisadas as afirmações acima, assinale a opção que apresenta todas as corretas.

15.(USF – SP) Há duas obras [

]

a) I, II e IV.

c) I e II.

b) II, III e IV.

X d) II e III.

e) III e IV.

cavatina: tipo de música. Literatura 9
cavatina: tipo de música.
Literatura
9

16.Leia a seguinte passagem retirada do romance macha- diano Dom Casmurro.

– Não! exclamei de repente.

– Não quê?

Tinha havido alguns minutos de silêncio, du- rante os quais refleti muito e acabei por uma

ideia; o tom da exclamação, porém, foi tão alto que espantou a minha vizinha.

– Não há de ser assim, continuei. Dizem que

não estamos em idade de casar, que somos crianças, criançolas, – já ouvi dizer criançolas. Bem; mas dous ou três anos passam depressa. Você jura uma cousa? Jura que só há de casar comigo? Capitu não hesitou em jurar, e até lhe vi as faces

vermelhas de prazer. Jurou duas vezes e uma terceira:

– Ainda que você case com outra, cumprirei o meu juramento, não casando nunca.

– Que eu case com outra?

– Tudo pode ser, Bentinho. Você pode achar

outra moça que lhe queira, apaixonar-se por ela e casar. Quem sou eu para você lembrar-se de mim nessa ocasião?

– Mas eu também juro! Juro, Capitu, juro por

Deus Nosso Senhor que só me casarei com você.

Basta isto?

– Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a

Mas juremos por

outro modo; juremos que nos havemos de casar um com outro, haja o que houver. Compreendeis a diferença, era mais que a elei- ção do cônjuge, era a afirmação do matrimônio. A cabeça da minha amiga sabia pensar claro e depressa.

pedir mais. Sim, você jura

ASSIS, Machado. Dom Casmurro. Olinda: Livro Rápido, 2010. p. 56.

Qual é a diferença entre a forma de juramento proposta por Bentinho e a proposta por Capitu?

No trecho descrito, Bentinho apresenta dois momentos

distintos: um como um narrador que se mostra de forma

racional e outro em que se apresenta de maneira

passional. A diferença da postura entre o juramento feito por

Bentinho e o feito por Capitu está no fato de aquele se mostrar

mais emocional e esta mais racional (uma vez que faz uma

proposta bem mais inteligente que a dele).

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10

Volume 7

17. Leia o trecho retirado do último capítulo da obra Dom Cas- murro, de Machado de Assis, e responda ao que se pede.

Agora, por que é que nenhuma dessas capri- chosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-ca- valos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir- me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1: “Não te- nhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.

ASSIS, Machado. Dom Casmurro. Olinda: Livro Rápido, 2010.

p.148.

a) Qual é a conclusão do narrador sobre a personalida- de de Capitu?

O narrador acredita que a personalidade de Capitu tenha se

desenvolvido com base em sua inclinação natural, afinal: “hás

de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta

dentro da casca".

b) O

hesita

quanto à certeza de que fora traído? Por quê?

Não. Bentinho tem certeza de que fora traído. O que resta

narrador-personagem

Bentinho

ainda

saber é se a Capitu que ele acredita tê-lo traído já existia

na Capitu menina.

c) O que representa o “resto” para o narrador?

Trata-se do questionamento final proposto pelo narrador,

que, já tomando por fato certo a traição, ainda quer saber

se aquela Capitu que o enganara era a mesma

que conheceu ainda menina.

Naturalismo

14

Naturalismo 14 Naturalismo na Europa Como estética literária, o Naturalismo não corresponde à descrição ou mesmo
Naturalismo na Europa Como estética literária, o Naturalismo não corresponde à descrição ou mesmo à
Naturalismo na Europa
Como estética literária, o Naturalismo não corresponde à descrição ou mesmo à exaltação da natureza (característica do Romantismo), mas ao
retrato do ser humano e do mundo pela perspectiva das ciências naturais.
O Naturalismo surgiu com Émile Zola (1840-1902) e é considerado uma extensão da estética realista, apresentando alguns aspectos em
comum, como a aversão ao Romantismo e a maneira objetiva de representar a realidade. O que diferencia essa estética, contudo, é o enfoque
cientificista adotado pelos autores. Assim, os textos naturalistas também podem ser chamados de realistas, embora o contrário não seja válido.
Naturalismo no Brasil
publicação de
O Mulato, de Aluísio de
Azevedo (1881)
autores
Naturalismo
extensão do Realismo
Aluísio de Azevedo: maior nome do
Naturalismo brasileiro.
Principais obras:
características
– O mulato (1881)
– Casa de pensão (1884)
– O cortiço (1890), obra-prima do autor,
representa a influência do meio sobre o
comportamento social
temas prediletos: sexo,
adultério, assassinato,
miséria, desequilíbrio
psíquico, etc.
determinismo: o momento histórico, as
questões hereditárias e o meio em que
vive o ser humano são elementos que
condicionam o seu comportamento
Raul Pompeia: não se encaixa
muito bem nos moldes realista-naturalistas.
O Ateneu, por exemplo, é uma obra que
apresenta traços impressionistas.
patologismo: por ser uma vertente
cientificista, o Naturalismo preocupa-se em
estudar as distorções do comportamento,
da personalidade e dos grupos sociais
Adolfo Caminha: autor de romances que
causaram escândalo em sua época.
Obras:
romances de tese: as
obras naturalistas se
colocam a serviço das teses
cientificistas, tentando
comprová-las
amoralismo: a vertente naturalista
descreve e narra a realidade dos fatos,
sem emitir juízos de valor quanto ao
comportamento dos personagens
– O normalista
– O Bom-Crioulo
Júlio Ribeiro – A carne
Domingos Olímpio – Luzia-homem
Inglês de Sousa – O Missionário
materialismo (corrente
marxista): enfatiza o
necessário à sobrevivência do
ser humano e o que estrutura
economicamente a vida em
sociedade
animalização do ser humano: visão
do ser humano como um ser que se
move mais pelos seus instintos do que
pela razão; face a alguma situação, as
respostas são instintivas

Literatura

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11
Realismo Naturalismo influência de Flaubert influência de Émile Zola romance documental romance de tese ou
Realismo
Naturalismo
influência de Flaubert
influência de Émile Zola
romance documental
romance de tese ou experimental
ser humano como um ser racional
ser humano como um ser instintivo
interesse pela psicologia
interesse pela biologia e patologia
destaque para o individual (sem se esquecer do social)
destaque para o coletivo
retrato e crítica às classes dominantes
retrato das camadas inferiores da sociedade
denúncia social
crítica social
investigação da alma humana, acentuando-lhe o caráter perverso
investigação do ser humano em seus aspectos mais instintivos,
libidinosos e animalescos
ambiente focalizado: vida urbana da corte
ambiente focalizado: favelas, cortiços, bairros, periferia
tipos humanos tomados para análise: burguesia decadente e
hipócrita
tipos humanos tomados para análise: seres humanos movidos
pelo instinto, populações marginalizadas
preferência pela observação e análise de comportamento
preferência pela experimentação
tendência em destacar o universo interior das personagens
destaque para a realidade externa dos personagens - onde vivem,
como se comportam
narrativa descritiva e detalhista: preocupação com a fidelidade
ao real
narrativa que revela o relato de experiências que se relaciona com
hipóteses científicas
Volume 7
12
Atividades 1. Sobre o Naturalismo, complete as lacunas e faça o que se pede.
Atividades
1. Sobre o Naturalismo, complete as lacunas e faça o que se pede.

a) A obra inaugural do Naturalismo no Brasil é O Mulato

desse escritor é O cortiço

.

b) Cite quatro características naturalistas.

, de Aluísio de Azevedo, de 1881

. Já a obra-prima

Sugestão de resposta: personagem condicionada, personagem patológica, ênfase nas necessidades instintivas e animalização do

homem.

c) Cite quatro fatores comuns aos movimentos realista e naturalista.

Sugestão de resposta: os dois movimentos eram antiburgueses, antirromânticos, anticlericais e apresentavam preocupações sociais.

2. Marque a alternativa em que todas as características listadas pertencem ao Naturalismo.

a) Idealização da natureza, descrição exacerbada das paisagens rurais, gosto pelo noturno.

b) Descrição da natureza, subjetividade, ênfase na análise do indivíduo como parte de uma coletividade.

c) Passadismo, análise da sociedade da época, referência à mitologia greco-romana.

X d) Determinismo, objetividade, crítica social, cientificismo, materialismo, experimentalismo.

e) Postura escapista, religiosidade, superficialidade, verossimilhança.

3. Enumere as colunas.

1)

Personagem realista

2)

Personagem naturalista

3)

Romance realista

4)

Romance naturalista

5)

Temas realistas

6)

Temas naturalistas

a) ( 5 ) Adultério, hipocrisia, preconceito racial, retrato das injustiças sociais, ridicularização dos valores burgueses.

b) ( 2 ) Por vezes, condicionada e patológica, comparada a animais por não conter seus instintos.

c) ( 3 ) Impressão da vida real, preocupação em denunciar as injustiças sociais, detalhista e objetivista.

d) ( 6 ) Relações sexuais, pobreza, assassinatos, crítica às injustiças sociais, desequilíbrio psicológico.

e) ( 4 ) Romance de tese, apoiado na observação e experimentação científicas. Descrição de ambientes miseráveis e desequilibrados.

f) ( 1 ) Semelhante ao homem comum, apresenta os aspectos negativos da personalidade. Permite o estabelecimento de uma relação entre o texto e a realidade histórica e social na qual se insere.

4. A estética naturalista brasileira foi muito bem representada pelo autor Aluísio de Azevedo. Sua produção revela ver- dadeiras obras-primas, partidárias do espírito naturalista e que analisaram e criticaram com excelência o comporta- mento da sociedade burguesa. Sobre o autor e sua obra, pode-se afirmar que

I. recebeu, em seus romances naturalistas, a influência de autores como Machado de Assis e Eça de Queirós.

II. a obra O Mulato provocou violenta reação da sociedade maranhense da época por satirizar os vários tipos sociais, como as beatas e o clero (fazendo com que o autor retornasse ao Rio de Janeiro).

Literatura

13
13

III.

O cortiço, obra-prima do autor, se passa no Rio de Janeiro e discorre sobre o ambiente de corrupção da habitação coletiva, exemplificando a tese de que o homem é produto do meio.

IV. em suas obras, destacam-se temas como desejos carnais, corrupção, impunidade e adultérios.

V. o autor utiliza o espaço urbano e os personagens para fazer um retrato psicológico da sociedade da época.

Estão corretas:

a)

I, II e III.

X b) II, III e IV.

c)

d)

II e V. I, II e IV.

e) Todas as alternativas.

5. Leia os seguintes trechos retirados das obras Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, O Missionário, de Inglês de Souza e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Em seguida, identifique características realistas/naturalis- tas em cada uma das passagens.

a)

Macas de lona suspensas em varais de ferro, umas sobre as outras, encardidas como panos de cozi- nha, oscilavam à luz moribunda e macilenta das lanternas. Imagine-se o porão de um navio mercante carregado de miséria. No intervalo das peças, na meia escuridão dos recôncavos moviam-se corpos seminus, indistintos. Respirava-se um odor nauseabundo de cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alcatrão. Negros, de boca aberta, roncavam profundamente, contorcendo-se na inconsciência do sono. Viam-se torsos nus abraçando o convés, aspectos indecorosos que a luz eviden- ciava cruelmente. De vez em quando uma voz entrava a sonambular coisas ininteligíveis. Houve um marinheiro que se levantou, do meio dos outros, nu em pelo, os olhos arregalados, medonho, gritando que o queriam matar. No fim de contas o pobre-diabo era vítima de um pesadelo, nada mais. Tudo voltou ao silêncio.

CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000052.pdf>. Acesso em: 31 ago.

 

2015.

Descritivismo em: “Macas de lona suspensas em varais de ferro, umas sobre as outras, encardidas como panos de cozinha, oscilavam

à luz moribunda e macilenta das lanternas.”; personagem que representa o homem comum em: “No fim de contas o pobre-diabo era

vítima de um pesadelo, nada mais.”; preferência pelos ambientes miseráveis em: “Imagine-se o porão de um navio mercante carregado de

miséria. No intervalo das peças, na meia escuridão dos recôncavos moviam-se corpos seminus, indistintos. Respirava-se um odor

nauseabundo de cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alcatrão.”; objetividade em: “Houve um marinheiro que

se levantou, do meio dos outros, nu em pelo, os olhos arregalados, medonho, gritando que o queriam matar”.

b)

Alguns dias dava-lhe uma gana de satisfazer o apetite, devorando lascas de pirarucu assado, com farinha-d’água e latas de marmelada, compradas com os seus ganhos de acólito e cantor do coro. Apanhava indigestões de queijo-do-reino e de bananas-da-terra, ingeridas às dúzias, às escondidas, na latrina, para evitar a censura do confessor, a quem, logo depois, quando lhe apertavam as cólicas e a moléstia se denunciava, revelava a falta, culpando dela o demônio, pertinaz em o perseguir e tentar. E jejuava severamente, privando-se de todo alimento dias inteiros para purgar os pecados e provar o arrependimento.

SOUZA, Inglês de. O Missionário. 3. ed. São Paulo: Ática, 1992. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ bv000120.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2015.

acre: que tem muita acidez. alcatrão: substância escura e viscosa, derivada do petróleo. pirarucu: tipo
acre: que tem muita acidez.
alcatrão: substância escura e viscosa, derivada do
petróleo.
pirarucu: tipo de peixe.
acólito: clérigo que serve ao subdiácono na missa.
latrina: privada.
pertinaz: persistente.
Volume 7
14

O

trecho evidencia a presença de um personagem patológico, apresentando uma descrição objetiva e detalhista. Além disso, é

possível perceber a animalização do homem e uma ênfase nas necessidades instintivas: “dava-lhe uma gana de satisfazer o

apetite, devorando lascas de pirarucu assado, com farinha-d’água e latas de marmelada, compradas com os seus ganhos de

acólito e cantor do cor”.

c)

Sim, meu pai adorava-me. Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração,

assaz crédula, sinceramente piedosa, – caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada; temen- te às trovoadas e ao marido. O marido era na Terra o seu deus. Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha educação, que, se tinha alguma cousa boa, era no geral viciosa, incompleta, e, em partes, negativa. Meu tio cônego fazia às vezes alguns reparos ao irmão; dizia-lhe que ele me dava mais liberdade do que ensino, e mais afeição do que emenda; mas meu pai respondia que aplicava na minha educação um sistema inteiramente superior ao sistema usado; e por este modo, sem confundir o irmão,

O que importa é a expressão geral do meio doméstico, e essa aí fica indicada,

iludia-se a si próprio. [

– vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do arruído, frouxidão da vontade, domí- nio do capricho, e o mais. Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor.

]

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004. p. 47.

Personagem condicionado ao meio em: “[

]

temente às trovoadas e ao marido. O marido era na Terra o seu deus”; ambiente

desequilibrado e aspectos negativos da personalidade em: “vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do

arruído, frouxidão da vontade, domínio do capricho, e o mais. Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor”; objetividade

e detalhismo em: “Sim, meu pai adorava-me. Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração, assaz crédula,

sinceramente piedosa, – caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada”.

6. (FUVEST – SP)

E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados. Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Aluísio Azevedo, O cortiço.

Em que pese a oposição programática do Naturalismo ao Romantismo, verifica-se no excerto – e na obra a que pertence – a presença de uma linha de continuidade entre o movimento romântico e a corrente naturalista brasileira, a saber, a

a) exaltação patriótica da mistura de raças.

X b) necessidade de autodefinição nacional.

c) aversão ao cientificismo.

d) recusa dos modelos literários estrangeiros.

e) idealização das relações amorosas.

cônego: religioso. arruído: tumulto. sapoti: fruto de árvore tropical. muriçoca: tipo de inseto. centelha:
cônego: religioso.
arruído: tumulto.
sapoti: fruto de árvore tropical.
muriçoca: tipo de inseto.
centelha: faísca.
cantáridas: insetos voadores.
rutilantes: vistosas.
Literatura
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7. (FUVEST – SP) Considere o seguinte excerto de O cortiço, de Aluísio Azevedo, e responda ao que se pede.

desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranquila seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior. O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às imposições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata era o prazer, a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes.

[

]

Tendo em vista as orientações doutrinárias que predominam na composição de O cortiço, identifique e explique aquela que se manifesta no trecho a e a que se manifesta no trecho b, a seguir:

a) “o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração”.

No trecho destacado, manifestam-se duas orientações doutrinárias desenvolvidas no século XIX. A primeira é a visão de que o

comportamento humano é condicionado pelo meio (determinismo). No trecho indicado, há a presença do componente racial sobre

o indivíduo. A segunda orientação relaciona-se à postura eugenista de Rita Baiana, que prefere se relacionar com homem branco,

na nítida intenção de aprimorar a raça.

b) “cedendo às imposições mesológicas”.

A palavra mesologia refere-se à influência que o ambiente exerce sobre o ser e sobre a qual o personagem não tem controle.

Jerônimo sente desejos por Rita Baiana, o que faz com que se entedie com a esposa e seja levado a consumar a traição.

8. (UCB – RJ)

São Luís do Maranhão

A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase não se podia sair à rua;

doutro lado da praça, uma

preta velha, vergada por imenso tabuleiro de madeira, sujo, seboso, cheio de sangue e coberto por uma

nuvem de moscas, apregoava em tom muito arrastado e melancólico: ‘Fígado, rins e coração!’ Era uma

vendeira de fatos de boi. As crianças nuas [ ], a pele crestada, os ventrezinhos amarelentos e crescidos,

corriam e guinchavam, empinando papagaios de papel [ uivos que pareciam gemidos humanos.

Os cães, estendidos nas calçadas, tinham

as pedras escaldavam; [

]

a Praça da Alegria apresentava um ar fúnebre. [

]

].

AZEVEDO, Aluísio. O mulato. São Paulo: Moderna, 1999, p. 6, com adaptações.

Com base na leitura compreensiva do texto e nas questões relativas à periodização da literatura brasileira, julgue os itens a seguir.

1. ( V ) O texto apresenta uma descrição detalhista e objetiva da realidade.

2. ( V ) Ressalta-se, no texto, uma concepção determinista da existência, traço marcante da produção literária naturalista.

3. ( V ) O autor recorre ao zoomorfismo para retratar o estado de degradação do ser humano.

4. ( F ) O romance O mulato, de Aluísio Azevedo, é considerado o marco inicial do Naturalismo brasileiro, movimento literário caracterizado pela defesa implacável da abolição dos escravos.

5. ( F ) Assim como no trecho lido, a sondagem psicológica e o estudo de temas ligados à essência humana são ele- mentos basilares das principais obras de Machado de Assis e de Clarice Lispector.

propendeu: inclinou-se. cavouqueiro: aquele que cava. mesológicas: condições do meio ambiente.

enfarava: entediava.

crestada: queimada pelo sol. guinchavam: chiavam.

lascívias: luxúrias.

apregoava: anunciava.

Volume 7

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