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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Faculdade de Letras
Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos

Processos de produção textual multilíngue:


uma abordagem sistêmico-funcional orientada
para os estudos da tradução

Adriana Silvina Pagano

Belo Horizonte
2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Faculdade de Letras
Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos

Processos de produção textual multilíngue:


uma abordagem sistêmico-funcional orientada
para os estudos da tradução

Tese apresentada à Faculdade de Letras


da Universidade Federal de Minas Gerais
como requisito para promoção à classe E
- Professor Titular da Carreira de
Magistério Superior.

Adriana Silvina Pagano

Belo Horizonte
2014
RESUMO
Esta tese apresenta uma proposta de caracterização de processos de produção textual
multilíngue, dentro da matriz teórica da linguística sistêmico-funcional – LSF
(HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) e no escopo das abordagens sistêmico-
funcionais da tradução (HALLIDAY, 2001; MATTHIESSEN, 2001; STEINER, 2001;
PAGANO, 2008). A proposta parte do pressuposto da produção multilíngue como
instanciação particular do potencial linguístico (MATTHIESSEN, 1993, 2001) que gera
variação linguística, investigado por Steiner (2001) e Teich (2003) e corroborado em
pesquisas do Laboratório Experimental de Tradução da FALE/UFMG (PAGANO;
SILVA, 2010b; 2011; ALVES; PAGANO; SILVA, 2011; PAGANO; ALVES; SILVA,
2013; PAGANO; SILVA; ALVES, 2013; PAGANO; ARAÚJO, 2013; ALVES;
PAGANO; SILVA, 2014a; ALVES; PAGANO; SILVA, 2014b) e é validada por meio
de um estudo exploratório de uma amostra de textos-fonte e meta-textos,
representativos das relações estabelecidas no ambiente multilíngue. A caracterização
está pautada no construto de AMBIENTE (MATTHIESSEN, 2001), entendido como
espaço de múltiplas contextualizações, o qual possibilita operacionalizar a imbricação
do processo social da tradução (META-CONTEXTO) no processo textual da tradução
(META-TEXTOS), modelados a partir de um ponto intermediário do contínuo da
instanciação (META-REGISTRO). Metodologicamente, foi implementado um RECORTE
INSTANCIAL (instantial slice) para fins exploratórios (MATTHIESSEN, 1993), com
consequente circunscrição a um corpus de textos de pequenas dimensões e à análise
semiautomática e manual do mesmo. A análise pautou-se pela VISÃO TRINOCULAR
postulada pela LSF para examinar todo fenômeno em foco sob as perspectivas
nomeadamente DE CIMA (FROM ABOVE), DE BAIXO (FROM BELOW), e AO REDOR (FROM
AROUND). Na visão DE CIMA, os significados construídos no CONTEXTO DE CULTURA, em
diferentes PROCESSOS SÓCIO-SEMIÓTICOS, apontaram, por um lado, para “tradução”
como processo de máxima abrangência, enquanto indicaram, por outro lado, o
agrupamento dos processos de produção multilíngue em três conglomerados:
“localização”, “tradução” e “adaptação”; “pré-edição” e “pós-edição”; e “produção
multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de textos”. A visão DE BAIXO
possibilitou observar o impacto das variáveis meta-contextuais na geração de variação
linguística no ambiente multilíngue. O maior impacto esteve relacionado à seleção
tradução humana / tradução automática assistida por humano, em função de aspectos
que dizem respeito à instanciação secundaria dos processos multilíngues. Foi observada
variação linguística decorrente da compreensão dos significados do texto-fonte por
parte do tradutor, sobretudo quando há implicitude de significados que demandam
desmetaforização ou descompactação deles na língua-alvo. Foi observado que a
equivalência tradutória construída está condicionada pelo processo de produção
multilíngue. Na tradução humana, no processo “localização”, foram observadas
instâncias de equivalência passíveis de serem explicadas com referência ao CONTEXTO,
sendo indicadores segmentos não alinhados, e no sistema linguístico, em relação ao
estrato SEMÂNTICO, com equivalentes evidenciando MUDANÇAS (SHIFTS). A implicitude
de significados possui impacto na meta-instanciação, resultando em desmetaforização
por parte do tradutor humano. Na “pré-edição” e “pós-edição”, observou-se
equivalência passível de ser explicada no estrato da léxico-gramática e semântica, com
segmentos não alinhados em menor número ou inexistentes. Observou-se também que a
implicitude de significados possui impacto na meta-instanciação, mas ocorrências de
desmetaforização são menores do que na tradução humana ou inexistentes. Por último,
na perspectiva AO REDOR, os processos de produção multilíngue foram caracterizados
com base na seleção de valores específicos nas variáveis META-CONTEXTUAIS de
CAMPO, SINTONIA e MODO na subespecificação dos META-REGISTROS e associados a
processos sócio-semióticos e registros típicos.

Palavras-chave: tradução – produção textual multilíngue – pré-edição – pós-edição-


modelagem – linguística sistêmico-funcional – registro -
ABSTRACT
This thesis draws on systemic functional linguistics (HALLIDAY; MATTHIESSEN,
2004) and systemic-functional approaches to translation (HALLIDAY, 2001;
MATTHIESSEN, 2001; STEINER, 2001; PAGANO, 2008) to model processes of
multilingual text production. It builds on the assumption that multilingual processes
entail meta-instantiation of the linguistic potential (MATTHIESSEN, 1993, 2001)
thereby introducing variation, as proposed by Steiner (2001) and Teich (2003) and
corroborated by research carried at the Laboratory for Experimentation in Translation at
FALE/UFMG (PAGANO; SILVA, 2010; 2011; ALVES; PAGANO; SILVA, 2011;
PAGANO; ALVES; SILVA, 2013; PAGANO; SILVA; ALVES, 2013; PAGANO;
ARAÚJO, 2013; ALVES; PAGANO; SILVA, 2014a; ALVES; PAGANO; SILVA,
2014b). The model is validated through an exploratory study of a sample of source texts
and meta-texts deemed representative of text relationships within the multilingual
environment. The thesis draws on the construct of ENVIRONMENT (MATTHIESSEN,
2001) as a locus of multiple contextualization, which allows for operationalizing the
social process of translation (META-CONTEXT) as imbricated in the textual process of
translation (META-TEXT), modelled from a mid-point along the cline of instantiation
(META-REGISTER). The methodology opted for an INSTANTIAL SLICE for exploratory
purposes, thereby requiring a small corpus to be semi-automatically and manually
analysed. The study made use of a TRINOCULAR PERSPECTIVE, as posited by systemic
functional linguistics, whereby a given phenomenon is approached FROM ABOVE, FROM
BELOW and FROM AROUND a given observation stance. Viewed FROM ABOVE, meanings
construed in the CONTEXT OF CULTURE, in different SOCIO-SEMIOTIC PROCESSES, on the
one hand pointed to “translation” as the widest encompassing process; whereas, on the
other, showed processes of multilingual text production clustering into three groups:
“localization”, “translation” and “adaptation”; “pre-editing” and “post-editing”; and
“multilingual document production” and “ multilingual text generation”. Viewed FROM
BELOW text analysis showed the impact of meta-contextual variables on linguistic
variation within the multilingual environment. Variation was found to be greatest when
the selection of human or human-assisted machine translation was selected due to the
multilingual processes metainstantiation of the potential. Translator’s understanding of
the source text was deemed to be a source of variation, especially when implicitness of
source text meanings called for demetaphorization or unpacking in the target language.
Multilingual production processes emerged as conditioning the construction of
translation equivalence. In human translation processes, specifically “localization”,
equivalence was accounted for with respect to CONTEXT, and correlated with non-
aligned segments, and at the SEMANTIC STRATUM, translation equivalents showing
SHIFTS. Implicit meanings proved to bear an impact on instantiation, demetaphorization
being likely to be performed by human translators. In the case of “pre-editing” and
“post-editing”, equivalence was accounted for at the strata of LEXICOGRAMMAR and
SEMANTICS, there being few or no non-aligned segments. Implicit meanings were also
found to have an impact on instantiation, but demetaphorization was deemed to be very
unlikely, if not unlikely at all, to take place. Finally, the perspective FROM AROUND
allowed for modelling multilingual text production processes based on the selection of
particular values in the meta-contextual variables of FIELD, TENOR and MODE accounting
for increasing discrete options of META-REGISTERS. Multilingual processes were also
associated to typical socio-semiotic processes and registers.
Keywords: translation – multilingual text production – pre-editing – post-editing -
modeling – systemic functional linguistics - register
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO  .....................................................................................................................................  10  
1   QUADRO  TEÓRICO  ....................................................................................................................  20  
A  LINGUÍSTICA  SISTÊMICO-­‐FUNCIONAL  ...........................................................................................................  21  
ABORDAGENS  SISTÊMICO-­‐FUNCIONAIS  DA  TRADUÇÃO  ................................................................................  52  
OS  ESTUDOS  MULTILÍNGUES  ..............................................................................................................................  82  
MODELAGEM  DA  TRADUÇÃO  NO  LABORATÓRIO  EXPERIMENTAL  DE  TRADUÇÃO  DA  FALE/UFMG  ..  89  
2    PERCURSO  METODOLÓGICO  ..................................................................................................  100  
FUNDAMENTAÇÃO  METODOLÓGICA  ...............................................................................................................  101  
CORPUS  E  PROCEDIMENTOS  DE  ANÁLISE  ......................................................................................................  106  
3    ESTUDO  EXPLORATÓRIO  ........................................................................................................  111  
A  VISÃO  DE  CIMA  ...............................................................................................................................................  118  
A  VISÃO  DE  BAIXO  ..............................................................................................................................................  143  
A  VISÃO  AO  REDOR  ............................................................................................................................................  182  
SÍNTESE  DOS  ACHADOS  PELA  PERSPECTIVA  TRINOCULAR  .........................................................................  188  
4    CONCLUSÕES  ...............................................................................................................................  191  
REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS  ................................................................................................  198  
APÊNDICE  .........................................................................................................................................  213  
ANEXO  A  ............................................................................................................................................  225  
ANEXO  B  ............................................................................................................................................  237  

   
LISTA DE FIGURAS
FIGURA  1  –  CONTÍNUO  DA  INSTANCIAÇÃO  COMO  DIMENSÃO  GLOBAL  DE  ORGANIZAÇÃO  DA  LINGUAGEM  E  SUA  
ARTICULAÇÃO  COM  A  HIERARQUIA  DA  ESTRATIFICAÇÃO  E  O  ESPECTRO  METAFUNCIONAL  ...................................  23  
FIGURA  2  –  TIPOLOGIA/TOPOLOGIA  DE  TEXTOS  .................................................................................................................  30  
FIGURA  3  –  LOCALIZAÇÃO  TOPOLÓGICA  DO  PROCESSO  SÓCIO-­‐SEMIÓTICO  HABILITAR  NA  TIPOLOGIA  DE  TEXTOS  .....  32  
FIGURA  4  –  A  GRAMÁTICA  DA  EXPERIÊNCIA:  TIPOS  DE  PROCESSOS  ..................................................................................  34  
FIGURA  5  –  PARADIGMA  DE  OPÇÕES  DISPONÍVEIS  NO  SISTEMA  DE  MODO  NO  PORTUGUÊS  BRASILEIRO  E  SELEÇÕES  
FEITAS  PARA  A  REALIZAÇÃO  DE  UM  COMANDO  .............................................................................................................  39  
FIGURA  6    -­‐  EXEMPLO  DE  REALIZAÇÃO  COM  NÍVEIS  VARIADOS  DE  CONGRUÊNCIA  E  METAFORICIDADE  ......................  45  
FIGURA  7  –  CONTÍNUO  DE  SIGNIFICADOS  CONGRUENTES  –  METAFÓRICOS  ......................................................................  46  
FIGURA  8  –  TRAÇOS  DE  SITUAÇÃO  RELEVANTES  EM  CADA  SISTEMA  LINGUÍSTICO  ..........................................................  60  
FIGURA  9  -­‐  DOMÍNIO  FENOMENOLÓGICO  EXPLORADO  NO  CAMPO  DOS  ESTUDOS  MULTILÍNGUES  EM  TERMOS  DE  
NÚMERO  DE  LÍNGUAS  E  AO  LONGO  DO  CONTÍNUO  DA  INSTANCIAÇÃO  .......................................................................  85  
FIGURA  10  –  SISTEMATIZAÇÃO  DA  PESQUISA  DESENVOLVIDA  NO  ÂMBITO  DO  LABORATÓRIO  EXPERIMENTAL  DE  
TRADUÇÃO  DA  FALE/UFMG  ........................................................................................................................................  91  
FIGURA  11  –  CORPORA  COMPILADOS  NO  ÂMBITO  DO  LABORATÓRIO  EXPERIMENTAL  DE  TRADUÇÃO  DA  
FALE/UFMG  ...................................................................................................................................................................  97  
FIGURA  12  –  CONTÍNUO  DA  INSTANCIAÇÃO  ......................................................................................................................  113  
FIGURA  13  DENDROGRAMA  OBTIDO  COM  BASE  NA  CONTAGEM  DE  ATRIBUTOS  DOS  PROCESSOS  MULTILÍNGUES  ...  142  
FIGURA  14  –  O  PROCESSO  HABILITAR  NA  TIPOLOGIA  DE  TEXTOS  ..................................................................................  145  
FIGURA  15  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  ORAÇÃO  ..........................................................................................................  158  
FIGURA  16  –  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DO  GRUPO  .........................................................................................................  161  
FIGURA  17  -­‐  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  .....................................................................................................  162  
FIGURA  18  –  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  DE  TEXTO  ORIGINAL  –  TEXTO  PRÉ-­‐EDITADO  POR  HUMANO175  
FIGURA  19  –  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  DE  TEXTO  PRÉ-­‐EDITADO  POR  HUMANO  –  TEXTO  TRADUZIDO  
AUTOMATICAMENTE  .....................................................................................................................................................  175  
FIGURA  20  –  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  DE  TEXTO  TRADUZIDO  AUTOMATICAMENTE  –  TEXTO  PÓS-­‐
EDITADO  POR  HUMANO  SEM  ACESSO  AO  TEXTO  ORIGINAL  (MONOLÍNGUE)  ..........................................................  176  
FIGURA  21  –  ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  DE  TEXTO  TRADUZIDO  AUTOMATICAMENTE  –  TEXTO  PÓS-­‐
EDITADO  POR  HUMANO  COM  ACESSO  AO  TEXTO  ORIGINAL  (BILÍNGUE)  ................................................................  176  
FIGURA  22  –    ALINHAMENTO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  DE  TEXTO  ORIGINAL  –  TEXTO  TRADUZIDO  PUBLICADO  .....  177  
FIGURA  23  -­‐  RELAÇÃO  RETÓRICA  NO  TEXTO  ORIGINAL  (CONDENSAÇÃO  DE  SIGNIFICADOS)  .....................................  180  
FIGURA  24 - RELAÇÃO RETÓRICA DA FORMA AGNADA DO TEXTO ORIGINAL  ....................................................  181  
FIGURA  25  RELAÇÃO RETÓRICA NO TEXTO TRADUZIDO PUBLICADO  ...................................................................  181  
FIGURA  26  - RELAÇÕES RETÓRICAS EM UMA FORMA AGNATA DO TEXTO ORIGINAL E NO TEXTO PÓS-
EDITADO  ........................................................................................................................................................................  182  
LISTA DE QUADROS
QUADRO  1  -­‐  CONTÍNUO  DA  INSTANCIAÇÃO  NO  CONTEXTO  E  NA  LINGUAGEM  .................................................................  26  
QUADRO  2  –  VARIÁVEIS  DO  CONTEXTO  DE  SITUAÇÃO  E  RESPECTIVAS  SUBDIMENSÕES  .................................................  28  
QUADRO  3  –  LOCALIZAÇÃO  TAXONÔMICA  DO  PROCESSO  SÓCIO-­‐SEMIÓTICO  HABILITAR  E  DO  SUBPROCESSO  
CAPACITAR  NA  TIPOLOGIA  DE  TEXTOS  ...........................................................................................................................  31  
QUADRO  4  –  ANÁLISE  SISTÊMICA  E  ESTRUTURAL  DE  UMA  UNIDADE  NA  ORDEM  DA  ORAÇÃO  .....................................  36  
QUADRO  5  –  ANÁLISE  DOS  CONSTITUINTES  DA  ORAÇÃO  NA  ESCALA  DE  ORDENS  ...........................................................  41  
QUADRO  6  –  EXEMPLOS  DE  AMBIGUIDADE  E  POSSÍVEIS  INDAGAÇÕES  DE  UM  LEITOR  LEIGO.  .......................................  49  
QUADRO  7  ALINHAMENTO  DOS  TEXTOS  ORIGINAL  E  TRADUZIDO  NA  ORDEM  DA  ORAÇÃO  ............................................  66  
QUADRO  8  ALINHAMENTO  DOS  TEXTOS  ORIGINAL  E  TRADUZIDO  NA  ORDEM  DO  GRUPO  ..............................................  68  
QUADRO  9  ALINHAMENTO  DOS  TEXTOS  ORIGINAL  E  TRADUZIDO  NA  ORDEM  DA  PALAVRA  ..........................................  69  
QUADRO  10  FORMAS  AGNATAS  ENTRE  TEXTO-­‐FONTE  E  META-­‐TEXTOS  ..........................................................................  70  
QUADRO  11  INDICADORES  DE  EXPLICITAÇÃO  ......................................................................................................................  77  
QUADRO  12  –  LINHAS  DE  CONCORDÂNCIA  COM  AS  PALAVRAS  “TRADUÇÃO”  E  “TRADUZIR”  .....................................  120  
QUADRO  13  –  VERBETE  “TRADUÇÃO”  ...............................................................................................................................  121  
QUADRO  14  –  VERBETE  “TRADUÇÃO”  ...............................................................................................................................  121  
QUADRO  15  –  LINHAS  COM  AS  PALAVRAS  “TRADUÇÃO”,  “TRADUZIR”,  “TRADUTOR”,  “ADAPTAÇÃO”  E  “ADAPTAR”
 ..........................................................................................................................................................................................  122  
QUADRO  16  –  VERBETE  “TRANSLATION”  ..........................................................................................................................  123  
QUADRO  17  –  DEFINIÇÃO  DE  “TRANSLATION”  .................................................................................................................  124  
QUADRO  18  –  VERBETE  “ADAPTAÇÃO”  .............................................................................................................................  125  
QUADRO  19  –  LINHAS  DE  CONCORDÂNCIA  COM  AS  PALAVRAS  “ADAPTAÇÃO”,  “ADAPTAR”  E  “ADAPTADO”  ...........  125  
QUADRO  20  –  VERBETE  “LOCALIZATION”  .........................................................................................................................  127  
QUADRO  21  PADRÕES  DE  REALIZAÇÃO  GRAMATICAL  DAS  RELAÇÕES  RETÓRICAS  NOS  TEXTOS  ORIGINAL  E  
TRADUZIDO  .....................................................................................................................................................................  157  
QUADRO  22  ALINHAMENTO  DOS  TEXTOS  ORIGINAL  E  TRADUZIDO  COM  EVIDÊNCIAS  DE  SEGMENTOS  NÃO  
EQUIVALENTES  ...............................................................................................................................................................  164  
QUADRO  23  ALINHAMENTO  DOS  TEXTOS  ORIGINAL  E  TRADUZIDO  COM  EVIDÊNCIAS  DE  SEGMENTOS  NÃO  
EQUIVALENTES  ...............................................................................................................................................................  166  
QUADRO  24-­‐  REPRODUÇÃO  DOS  20  PRIMEIROS  ITENS  DA  LISTA  DE  PALAVRAS  DOS  TEXTOS  RELATIVOS  À  RECEITA  
CULINÁRIA  3  RECEITA  E  RESPECTIVA  FREQUÊNCIA  DE  OCORRÊNCIA  ....................................................................  173  
QUADRO  25  –  SEGMENTOS  ALINHADOS  POR  ORAÇÃO  PARA    O  COMPLEXO  ORACIONAL  EM  FOCO  .............................  178  
QUADRO  26  –  VARIÁVEIS  META-­‐CONTEXTUAIS  DOS  PROCESSOS  MULTILÍNGUES  ........................................................  185  

LISTA DE TABELAS
TABELA  1  -­‐  ATRIBUTOS DOS PROCESSOS MULTILÍNGUES CONFORME DEFINIDOS NO CONTEXTO DE CULTURA
 ..........................................................................................................................................................................................  138  
  10  

INTRODUÇÃO

If it is true, as is so often proclaimed, that the balance


of people’s activities is going to shift more and more
from the material to the semiotic domain, leaving
machines and robots to do the material business, then
the demands on language and its satellite systems are
going to go on increasing and hence, inevitably, the
demands on theory of language. Our world consists of
these two grand phenomenal domains, matter and
meaning. The science of matter is physics; the science
of meaning is linguistics.

M.A.K. Halliday, A personal perspective


 
 

O
grande desafio da linguística no século vinte e um, M.A.K. Halliday observa,

não é, como se poderia pensar, aumentar seu grau de especialização ou

individualizar subáreas e interesses de pesquisa, o que poderia levar, segundo o autor, a

reforçar mais ainda a visão atomística do século anterior. Trata-se, antes, e em vista do

papel fundamental da linguagem no crescente processo de semiotização das atividades

humanas, de expandir a capacidade das teorias existentes para explicar os fenômenos

linguísticos, promovendo-se visões integrais e integradoras do processo de produção de

significados (cf. HALLIDAY, 2002, 2003, 2006).

O mundo contemporâneo pode ser caracterizado, de acordo com Halliday, como

“um mundo de aplicações linguísticas”1 (2003, p.161), em que o número de trocas de

informação supera o número de trocas de bens e serviços. Nesse contexto, dar conta da

multiplicidade e da complexidade dos significados construídos em e pela linguagem

requer, como o autor destaca, o exercício de uma “linguística com potencial de

1
Minha tradução para: “an applied linguistic world”.
  11  

aplicação”2 , especialmente projetada para que o linguista possa atender as necessidades

do ser humano em sua interação com o ambiente ecossocial (cf. HALLIDAY, 2008).

São, de fato, como Halliday argumenta, as demandas do ecossistema social as

que têm gerado um sistema linguístico que foi historicamente incrementando sua

capacidade de significar, gerando, concomitantemente, maior densidade de significados

a nosso dispor. No presente século, são demandas como essas as que colocam a

produção multilíngue no centro das atenções e sua modelagem conceitual como

necessidade premente para as trocas materiais e simbólicas que a linguagem é chamada

a encenar (cf. MATTHIESSEN et al., 2008).

Tentativas de teorizar a produção multilíngue de textos têm sido ensaiadas

nestas últimas décadas, sobretudo nos campos dos estudos da tradução, da linguística

computacional e dos estudos do interculturalismo. Estas, todavia, carecem de impacto

significativo para os estudos linguísticos, uma vez que discorrem mais sobre aspectos

econômicos ou sociológicos da produção dos textos (cf. PYM, 2004), ou apresentam

descrições que privilegiam um dos estratos linguísticos em detrimento dos outros (cf.

WIERZBICKA, 1992), ou bem enfocam aplicações orientadas para o desenvolvimento

de soluções computacionais (cf. HARTLEY; PARIS, 1997; HARTLEY, 2009). Os

processos linguísticos que operam na produção multilíngue são raramente abordados no

campo dos estudos da tradução e quando estes são tratados nos estudos interculturais

geralmente excluem a tradução. Paradoxalmente é nos campos da tradução automática e

da linguística computacional que questões de linguagem são abordadas, geralmente

diante da carência ou desconhecimento de teorias linguísticas com potencial de

aplicação para resolver os problemas inerentes à modelagem computacional da

2
Minha tradução para: “appliable linguistics”.
  12  

linguagem. Mesmo neste último caso, as reflexões ou indagações sobre a linguagem

possuem um caráter instrumental, como foi dito, pois não constituem o objeto de estudo

desses campos.

São, de fato, incipientes e muito recentes propostas de estudo sistemático da

produção multilíngue, elaboradas a partir de estudos descritivos de maior alcance e

embasadas por teorias abrangentes da linguagem. Duas dessas iniciativas se destacam

pela sua contextualização mais ampla dos fenômenos multilíngues. Uma delas (cf.

BRAUNMÜLLER; HOUSE, 2009 e KRANICH et al., 2011) afilia-se aos estudos do

contato linguístico e se propõe a indagar seu objeto de estudo sob uma perspectiva mais

ampla que aquela tradicionalmente adotada. Exemplo disso é a inclusão da tradução, e

processos correlatos, no espectro dos fenômenos associados ao contato entre línguas,

destacando-se seu impacto, numa dimensão diacrônica, sobre as normas dos sistemas

em interação. Trata-se de uma reivindicação do papel ativo da tradução na modelagem

dos contatos linguísticos, e em particular, da tradução escrita, tradicionalmente excluída

nos estudos desse campo disciplinar.

Por outro lado, no escopo da linguística sistêmico-funcional (LSF), tem surgido

uma proposta de modelagem conjunta dos estudos desenvolvidos em distintas subáreas

da linguística e da linguística aplicada, sob a égide de um novo campo disciplinar – os

estudos multilíngues – e orientada para o exercício de uma linguística com potencial de

aplicação, de modo a potencializar esforços e recursos de pesquisa e promover a

interpretação integrada dos achados das mesmas (cf. MATTHIESSEN et al., 2008).

É no escopo da agenda de propostas como estas últimas que surge a motivação

para a elaboração da presente tese e que seus objetivos foram delineados, conforme são

relacionados a seguir.
  13  

O objetivo geral do trabalho ora apresentado é contribuir para uma abordagem

integrada da tradução e da produção textual multilíngue, pautada na proposta de um

campo de estudos multilíngues, que possa integrar perspectivas de analise e achados em

campos disciplinares como os estudos da tradução, a linguística comparada, a descrição

linguística e os estudos de tipologia linguística. A integração contempla ainda pesquisas

desenvolvidas em campos correlatos como a linguística computacional, a linguística de

corpus e a tradução automática.

Constitui objetivo específico desta tese propor uma caracterização de processos

de produção textual multilíngue, dentro da matriz teórica da linguística sistêmico-

funcional (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) 3 e no escopo das abordagens

sistêmico-funcionais da tradução (HALLIDAY, 2001; MATTHIESSEN, 2001;

STEINER, 2001; PAGANO, 2008), visando contribuir para o campo disciplinar dos

estudos da tradução, em diálogo com outros campos que lidam com o fenômeno do

multilinguismo. A opção por modelar o ambiente multilíngue responde à necessidade de

se apreender e compreender o conjuntos de processos e subprocessos que nele operam e

suas inter-relações. Dada a complexidade da linguagem como sistema semiótico social e

seu caráter DIFUSO (FUZZY) (cf. HALLIDAY, 1978), a elaboração de um modelo possui

um efeito potencializador: ao nos demandar a organização hierárquica e sistêmica de

processos e subprocessos, o modelo nos leva a revisar constantemente nossos

pressupostos e fazer ajustes quando as relações postuladas não se verificam na aplicação

do mesmo. Nesse sentido, para a consecução do objetivo específico desta tese, foi

realizado um estudo exploratório com o intuito de verificar em que medida as


3
Nesta tese foram utilizados os termos teóricos e descritivos da LSF conforme traduzidos para o
português brasileiro em Figueredo (2011). Pautando-se por padrões internacionais, os mesmos
são destacados, ao longo da tese, em VERSALETE (SMALL CAPS), com indicação do termo em
inglês entre parênteses, na primeira instância de uso e sempre que necessário, de forma a
facilitar a leitura do texto.
  14  

coordenadas adotadas permitiam explicar os processos textuais que estavam sendo

descritos. O estudo utilizou uma amostra de textos-fonte e meta-textos, representativos

das relações estabelecidas no ambiente multilíngue e selecionados de acordo com

parâmetros que permitissem caracterizar os diversos processos de produção textual.

A caracterização de processos de produção multilíngue aqui apresentada está

pautada pelo construto de AMBIENTE (ENVIRONMENT) (MATTHIESSEN, 2001)

enquanto locus do processo de produção textual, definido por múltiplas

contextualizações de acordo com as dimensões de organização da linguagem postuladas

pela LSF, a saber, ESTRATIFICAÇÃO, INSTANCIAÇÃO, DIVERSIFICAÇÃO METAFUNCIONAL,

ESTRUTURA E SISTEMA (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004).

A caracterização tem como ponto de partida o ambiente mais amplo, o

PROCESSO SOCIAL da tradução (cf. MATTHIESSEN, 2001), também denominado

processo da tradução no campo dos estudos da tradução (cf. MUNDAY, 2009), que é

aqui entendido como conceito de máxima abrangência, incluindo diversos processos de

produção multilíngue, tais como “adaptação”, “localização”, “pré-edição”, “pós-

edição”, “produção multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de textos”. O

PROCESSO TEXTUAL é modelado como sendo imbricado no PROCESSO SOCIAL. Entende-

se por PROCESSO TEXTUAL (cf. HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004), o processo de

instanciação do sistema linguístico, passível de ser abordado, tanto sob um olhar

SINÓPTICO, isto é, como resultado de todas as escolhas feitas ao longo do processo de

seleção sistêmica, como sob um olhar DINÂMICO, isto é, do percurso de seleção

progressiva e sucessiva dentro dos paradigmas de opções disponíveis em cada

subsistema. A diferenciação capturada pelos olhares SINÓPTICO e DINÂMICO é

correlacionada à diferenciação estabelecida no campo disciplinar dos estudos da


  15  

tradução entre produto e processo tradutório respectivamente, este último também

denominado de processo cognitivo (cf. ALVES; HURTADO ALBIR, 2010).

O ponto de observação escolhido para caracterizar a produção multilíngue

dentro das coordenadas traçadas pela LSF é o ponto intermediário no continuo da

instanciação, isto é, o REGISTRO. Pelo fato de os processos de produção multilíngue

envolverem instanciações secundárias ou derivadas (MATTHIESSEN, 1993), isto é,

META-TEXTOS, os quais pressupõem uma instanciação anterior, a modelagem opera com

o conceito de META-REGISTRO (MATTHIESSEN, 2001). Também com base no

pressuposto da produção multilíngue como instanciação secundária que gera variação

linguística, postulado por Steiner (2001) e Teich (2003) e corroborado em pesquisas do

Laboratório Experimental de Tradução da FALE/UFMG (PAGANO; SILVA, 2010;

2011; ALVES; PAGANO; SILVA, 2011), a proposta modela o META-REGISTRO como

fator condicionante dessa variação.

A metodologia de análise adere à VISÃO TRINOCULAR postulada pela LSF (cf.

HALLIDAY, 2002, 2003; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) para examinar todo

fenômeno em foco sob as perspectivas nomeadamente DE CIMA (FROM ABOVE), DE

BAIXO (FROM BELOW), e AO REDOR (FROM AROUND).

A visão DE CIMA, isto é, do CONTEXTO DE CULTURA, implica em observar a

função do fenômeno em foco, a produção multilíngue, em um construto no estrato

superior, neste caso, o CONTEXTO; a visão DE BAIXO, ou seja, do ponto de vista do

META-TEXTO e sua construção da equivalência tradutória, examina a manifestação do

fenômeno, ou seja, sua forma; e a visão AO REDOR, isto é, do REGISTRO ou ponto de

observação escolhido, examina as relações entre os processos de produção multilíngue


  16  

entre si enquanto opções dentro do paradigma de META-REGISTROS disponíveis no

CONTEXTO DE CULTURA.

A análise dos META-REGISTROS foi feita através de um estudo de caráter

exploratório, para o qual foram compilados textos de procedimentos (manuais de

instruções e receitas culinárias), vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO HABILITAR

(ENABLING) dentro da tipologia elaborada por Matthiessen et al. (2008). A análise

buscou observar o impacto das variáveis meta-contextuais nas relações de equivalência

construídas nas diferentes produções multilíngues examinadas.

Motivou a presente proposta específica de caracterização a relativa carência,

tanto no campo disciplinar dos estudos da tradução como em campos correlatos, de

estudos que contemplem os diferentes processos de produção multilíngue de forma

integrada e com uma base teórica comum, capaz de descrever o uso da linguagem neles.

Somou-se a essa motivação a inexistência de estudos que investiguem a construção da

equivalência tradutória nesses distintos processos. Essa lacuna diz respeito, tanto aos

estudos do processo textual SINÓPTICO (produto tradutório), como também, e

principalmente, aos estudos do processo textual DINÂMICO (processo tradutório),

verdadeiro desafio para as tarefas de modelagem e objeto de estudo presente na agenda

de pesquisas inovadoras sobre os processos de geração textual no século vinte e um.

A escolha do arcabouço teórico obedeceu à necessidade de se contar com uma

teoria robusta e abrangente da linguagem, como é a LSF, e particularmente afeta aos

fenômenos multilíngues. A teoria oferece uma matriz conceitual adequada para a

comparação de sistemas linguísticos e instâncias textuais, bem como uma metodologia

de análise consistente.
  17  

A modelagem demandou subsídios dos estudos descritivos relativos aos dois

sistemas do par linguístico escolhido para o estudo exploratório realizado – o inglês e o

português brasileiro. Nesse sentido, as descrições existentes – Halliday e Matthiessen

(2004) e Figueredo (2011) -- foram de fundamental importância, dadas as coordenadas

estipuladas para a tipologia e comparação linguística no escopo da LSF, quais sejam, a

de se descrever primeiro os sistemas em tela, para depois se proceder à sua comparação

(cf. HALLIDAY; McINTOSH; STREVENS, 1964).

A larga experiência de pesquisa desenvolvida pelo Laboratório Experimental de

Tradução (LETRA), da Faculdade de Letras da UFMG, afiliada ao campo disciplinar

dos estudos da tradução e às abordagens sistêmico-funcionais da tradução, proporcionou

o conhecimento experto requerido da tarefa de modelagem. A pesquisa inovadora sobre

processo tradutório, desenvolvida no LETRA, possibilitou, ainda, a incursão em um

terreno ainda não explorado pela LSF, como é o processo textual multilíngue gerado por

meio da “pré-“ e “pós-edição”.

A proposta aqui apresentada está amparada em um percurso de consolidação de

pesquisas desenvolvidas sob minha coordenação e com participação de pesquisadores

associados no âmbito do LETRA. Nesse sentido, a práxis laboratorial adotada se pauta

pelo trabalho integrado e desenvolvido em equipe, com impacto concomitante na

produção de conhecimento e formação de recursos humanos. Informam também a

proposta interações e o trabalho conjunto com pesquisadores colaboradores em projetos

de pesquisa executados no escopo dos convênios interinstitucionais celebrados pelo

LETRA.

Os estudos relacionados ao objeto do presente trabalho estão vinculados ao

grupo de pesquisa Modelagem sistêmico-funcional da tradução e da produção textual


  18  

multilíngue, registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e por mim liderado

desde 2002. Nesse contexto, a proposta de caracterização ora apresentada possui caráter

programático no sentido de traçar metas de investigação e seus respectivos marcos de

execução para a atuação pretendida na qualidade de Professor Titular da Faculdade de

Letras da UFMG, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos.

Esta tese, submetida em atendimento aos requisitos para promoção para a classe

de Professor Titular na área de Estudos Linguísticos, está estruturada em quatro

capítulos, além desta Introdução.

O Capítulo 1 apresenta a matriz teórica, a linguística sistêmico-funcional

hallidayana, com uma exposição sucinta de seus princípios e do arcabouço teórico e

descritivo por ela desenvolvido para o estudo da linguagem como semiótica social.

Discorre, também, sobre o campo disciplinar dos estudos multilíngues, conforme

teorizado pela LSF, e aponta as múltiplas relações passiveis de serem estabelecidas

entre as subáreas e ramos da linguística nele localizadas, enfocando-se em particular

critérios de comparabilidade (correspondência, equivalência) e sua modelagem sob as

diferentes perspectivas oferecidas por um campo integrado de estudos. Nele são

situadas as abordagens da tradução pautadas pela LSF desenvolvidas no campo

disciplinar dos estudos da tradução, destacando-se sua contribuição para um estudo

sistêmico-funcional do contato linguístico. O capítulo apresenta, ainda, de forma

sucinta, o percurso das pesquisas desenvolvidas no âmbito do Laboratório Experimental

de Tradução da FALE/UFMG nesta última década, mapeando sua inserção no campo

dos estudos da tradução e dos estudos multilíngues e assinalando sua contribuição para

a proposta ora em pauta. O Capítulo 2 expõe o percurso metodológico e os

procedimentos seguidos na análise textual realizada em caráter de estudo exploratório


  19  

para validar a proposta. O Capítulo 3 apresenta o estudo exploratório desenvolvido de

forma a consubstanciar a caracterização dos processos de produção multilíngue de

acordo com as coordenadas teóricas apresentadas no Capítulo 1. No Capítulo 4 são

sintetizados os principais resultados do estudo realizado e pontuadas as principais

contribuições da tese aos campos disciplinares com os quais visa dialogar. Por último,

as Referências Bibliográficas e uma seção de Anexos e Apêndice completam o texto da

presente tese.
  20  

1 QUADRO TEÓRICO

Neste capítulo serão apresentados os principais conceitos teóricos que

fundamentam a proposta desta tese. Inicia-se com uma exposição da arquitetura da

linguística sistêmico-funcional (LSF) – base teórica da caracterização proposta –,

enfocando as dimensões de organização da linguagem postuladas pela teoria. Em

seguida, são apresentadas as abordagens da tradução desenvolvidas no escopo da LSF,

destacando-se, em particular, sua formulação do conceito de equivalência tradutória. As

abordagens sistêmico-funcionais da tradução são, posteriormente, examinadas no

escopo do incipiente campo disciplinar dos estudos multilíngues, que propicia uma

visão integradora das análises desenvolvidas no âmbito da descrição linguística, da

linguística contrastiva, da linguística comparada e dos estudos da tradução. Por último,

são apresentadas as pesquisas desenvolvidas no Laboratório Experimental de Tradução

da FALE/UFMG, as quais fornecem subsídios empíricos para o modelo conceitual

adotado nesta tese.

Em vista do caráter ainda incipiente da utilização dos termos técnicos da LSF

em português, observando-se padrões internacionais, os mesmos são destacados, ao

longo do capítulo, em VERSALETE (SMALL CAPS), indicando-se o termo em inglês entre

parênteses, na primeira instância de uso e sempre que necessário, para evitar possível

ambiguidade com termos utilizados em outras teorias ou palavras sem afiliação com

uma abordagem teórica específica. Também com esse intuito, as categorias e construtos

apresentados são, sempre que o espaço disponível o permita, ilustrados com exemplos

extraídos dos textos que compõem a amostra analisada no estudo exploratório discutido

no Capítulo 3.
  21  

A linguística sistêmico-funcional

A proposta desta tese está pautada pela teoria linguística sistêmico-funcional,

desenvolvida por M.A.K. Halliday nas décadas de 1960 - 1970 e em contínua expansão

desde então. Trata-se de uma teoria robusta e abrangente que permite modelar

fenômenos complexos como a produção de significados no ambiente multilíngue.

O principal pressuposto da linguística sistêmico-funcional, que Halliday

compartilha com os autores que ele próprio nomeia seus precursores – Sapir, Whorf,

Hjemslev e Firth –, diz respeito ao papel da linguagem na constituição da realidade

humana. A linguagem não “reflete” a realidade; ela é o próprio agente de sua construção

(HALLIDAY, 2003, p.145):

As categorias e conceitos da nossa existência material não constituem algo


“dado”, anterior à sua expressão na linguagem. São construídos pela
linguagem, na interseção do material e do simbólico [...] a gramática cria o
potencial dentro do qual podemos agir e encenar nossa existência na cultura.4

Não há para a LSF, como pode ser depreendido da citação acima, dois domínios

de cognição: dentro e fora da linguagem. Assim, o que em outras abordagens é tratado

de forma separada da linguagem, como inferências ou conhecimento extraído do

conhecimento de mundo, na LSF é subsumido num só fenômeno: o significado, que é

ativamente construído em e pela linguagem.

O caráter funcional da teoria está vinculado ao papel ativo da linguagem na

construção da realidade graças à sua capacidade de gerar significado através do

processo de SEMOGÊNESE (SEMOGENESIS). Esta se desenvolve ao longo de três escalas

temporais: ONTOGÊNESE (ONTOGENESIS) ou desenvolvimento da capacidade da

4
Minha tradução para: “The categories and concepts of our material existence are not “given”
to us prior to their expression in language. Rather, they are construed by language, at the
intersection of the material with the symbolic... grammar creates the potential within which we
act and enact our cultural being”.
  22  

linguagem para gerar significados durante o crescimento do indivíduo, de criança a

adulto; FILOGÊNESE (PHYLOGENESIS) ou desenvolvimento ao longo da evolução da

espécie humana; e LOGOGÊNESE (LOGOGENESIS) ou desenvolvimento ao longo da

instanciação de significados no texto.

No desenvolvimento ontogênico da linguagem (da criança ao adulto), macro-

funções, ou METAFUNÇÕES (METAFUNCTIONS), como Halliday as denomina, vão

delineando-se e, graças à gramática, se combinam para gerar enunciados que atendem

às necessidades primordiais do falante, quais sejam, construir sua experiência do mundo

exterior e do mundo interior da sua consciência e encenar relações sociais através das

quais pode estabelecer e afirmar sua identidade em sociedade. A gramática

consubstancia essas duas necessidades primárias, vinculadas respectivamente às

metafunções IDEACIONAL (IDEATIONAL) e INTERPESSOAL (INTERPERSONAL), através da

metafunção TEXTUAL (TEXTUAL), que contribui para a geração do DISCURSO

(DISCOURSE5) por meio da combinação dos significados ideacionais e interpessoais no

fluxo da construção dos significados.

O caráter sistêmico da teoria diz respeito à sua concepção da linguagem como

um grande sistema composto de REDES DE SISTEMAS (SYSTEM NETWORKS) e

subsistemas, nos quais se organizam PARADIGMAS (PARADIGMS) de opções disponíveis.

O objetivo da teoria é explicar como são gerados significados na linguagem. Para tanto,

prioriza o EIXO PARADIGMÁTICO (SISTEMA) sobre o SINTAGMÁTICO (ESTRUTURA): o

significado é gerado pelo contraste sistêmico, isto é, pelo contraste entre a forma

escolhida e todas as outras formas que poderiam ter sido escolhidas, mas não o foram.

5
Dados os distintos usos e significados que este termo possui no estudos linguísticos, cabe
esclarecer que na LSF o termo DISCURSO (DISCOURSE) é utilizado especificamente para se
referir à construção de significado no desenvolvimento logogenético do texto (cf. HALLIDAY;
MATTHIESSEN, 1999).
  23  

As formas que compõem o paradigma são consideradas AGNATAS (AGNATE) entre si e o

processo de AGNAÇÃO (AGNATION) é utilizado para se examinar as relações que

vinculam duas ou mais formas no escopo de um ou mais sistemas.

A linguagem é modelada pela teoria como escolhas entre OPÇÕES (CHOICE). As

escolhas não são aleatórias; antes, pressupõem SELEÇÕES (SELECTIONS) dentro de

paradigmas de opções disponíveis, os quais podem ser mapeados de acordo com as

diferentes dimensões de organização da linguagem postuladas pela teoria, descritas a

seguir.

Para a LSF, como a FIGURA 1 mostra, a linguagem está organizada de acordo

com três dimensões globais – ESTRATIFICAÇÃO (STRATIFICATION), DIVERSIFICAÇÃO

METAFUNCIONAL (METAFUNCTIONAL DIVERSIFICATION) e INSTANCIAÇÃO

(INSTANTIATION). Há ainda duas dimensões locais – ESTRUTURA (STRUCTURE) e

SISTEMA (SYSTEM).

Dimensões globais

METAFUNÇÃO
interpessoal textual lógica experiencial
contexto
ESTRATIFICAÇÃO

semântica

léxico-gramática

fonologia

fonética

potencial sistêmico registro/tipo de texto instância textual

INSTANCIAÇÃO

FIGURA 1 – Contínuo da instanciação como dimensão global de organização da linguagem e


sua articulação com a hierarquia da estratificação e o espectro metafuncional
Fonte: adaptado de Matthiessen, Teruya e Lam (2010, p.122).
  24  

ESTRATIFICAÇÃO refere-se a domínios de abstração simbólica relacionados pelo

princípio de REALIZAÇÃO (REALIZATION). A linguagem é um sistema semiótico

estratificado composto por dois planos inter-relacionados: CONTEÚDO (CONTENT) e

EXPRESSÃO (EXPRESSION). No plano do CONTEÚDO, o estrato da SEMÂNTICA é realizado

pelo estrato da LÉXICO-GRAMATICA, e no plano da EXPRESSÃO, o estrato da

FONOLOGIA/GRAFOLOGIA é realizado pelo estrato da FONÉTICA/GRAFÉTICA. Os estratos

do plano do CONTEÚDO são, por sua vez, realizados pelos estratos do plano da

EXPRESSÃO.

Diferentemente de outras teorias linguísticas, a LSF concebe a LÉXICO-

GRAMÁTICA como estrato que compreende tanto a gramática como o léxico. De acordo

com a teoria, o léxico é o polo mais DELICADO (DELICATE) da gramática, no sentido de

ser decorrente de seleções em sistemas gramaticais, os quais vão sendo

subespecificados progressivamente até opções lexicais.

Também o estrato da SEMÂNTICA é modelado de forma distinta na LSF. Trata-se

de um estrato-chave por constituir, como explica Matthiessen (1993), “o nível de

passagem (INTER-LEVEL) para o CONTEXTO (CONTEXT)” e “o ponto de acesso ao sistema

onde o CONTEXTO pode ser apreendido na SEMÂNTICA”6. Por ser um nível de passagem,

cabe à SEMÂNTICA dar conta das múltiplas demandas que fazemos da linguagem, as

quais exercem pressão sobre o sistema, o que leva ao surgimento de múltiplos sistemas

semânticos específicos para cada tipo de CONTEXTO DE SITUAÇÃO, sistemas estes que

são modelados por meio do conceito de REGISTRO (REGISTER). Para a LSF, a SEMÂNTICA

é polissistêmica. Assim, à geração do significado por parte do grande SISTEMA soma-se

o significado gerado pela variação no sistema, ou seja, em e pelos REGISTROS.

6
Minha tradução para: “Semantics is the linguistic inter-level to context; it is the way into the
linguistic system where context can be semanticized”. (MATTHIESSEN, 1993, p. 227)
  25  

A LSF possui também uma visão funcional da SEMÂNTICA. Diferentemente das

teorias da semântica formal e da semântica cognitiva, que explicam o significado em

relação a um modelo do mundo material ou a um modelo mental, a LSF, como foi dito,

explica o significado numa visão sócio-semiótica, como sendo gerado em e pela

linguagem no seu contexto de uso. Também diferentemente da semântica formal e

cognitiva, que privilegiam o significado representacional (IDEACIONAL), deixando

significados INTERPESSOAIS e TEXTUAIS por conta da pragmática, a SEMÂNTICA na LSF

contempla, de forma conjunta, os três tipos de significado –

IDEACIONAL/REPRESENTACIONAL, INTERPESSOAL e TEXTUAL –, que serão detalhados

mais adiante.

Ainda em contraste com abordagens formalistas e com outras vertentes

funcionalistas, a LSF modela a linguagem simultaneamente sob a perspectiva da

INSTÂNCIA individual (texto), a perspectiva do REGISTRO (TIPO DE TEXTO) e a do

SISTEMA como um todo, o que possibilita explicar toda e qualquer INSTÂNCIA. Não há

instâncias “agramaticais” ou “amorfas” ou “excepcionais”; toda instância de linguagem

é passível de ser explicada em termos de sua maior ou menor probabilidade de

ocorrência de acordo com os parâmetros de instanciação examinados.

INSTANCIAÇÃO é uma segunda dimensão global de organização da linguagem,

além da dimensão da ESTRATIFICAÇÃO. A LSF modela a linguagem como um sistema

semiótico de ordem superior imbricado no CONTEXTO, também modelado como sistema

semiótico de ordem superior. Ambos são mapeados e correlacionados ao longo de um

CONTÍNUO (CLINE) chamado de CONTÍNUO DA INSTANCIAÇÃO (CLINE OF INSTANTIATION),

como o QUADRO 1, reproduzido e traduzido de Matthiessen, Teruya e Lam (2010,

p.123), mostra:
  26  

QUADRO 1 - Contínuo da instanciação no contexto e na linguagem

Potencial Subpotencial Tipo de instância Instância


contexto contexto de loci institucionais tipos de situação contextos de
cultura (subculturais) situação
(potencial
cultural)
linguagem sistema registro tipos de texto textos (atos de
linguístico significado)
(potencial de
significado)
Fonte: adaptado de Matthiessen, Teruya e Lam (2010, p. 123).

Como vemos no QUADRO 1, no contínuo da instanciação, são correlacionados

pontos de generalização ao longo dos dois sistemas: INSTÂNCIAS (INSTANCES) em

particular ou textos podem ser agrupados por serem representativos de TIPOS DE TEXTO

(TEXT TYPES), cuja instanciação está pautada por REGISTROS, que constituem o SISTEMA

LINGUÍSTICO (LANGUAGE SYSTEM) como um todo. Com base em INSTÂNCIAS podemos

examinar as variáveis contextuais da SITUAÇÃO (CONTEXT OF SITUATION), as quais

caracterizam TIPOS DE SITUAÇÃO (SITUATION TYPES), que, por sua vez, estão imbricados

em INSTITUIÇÕES (INSTITUTIONS), que formam o POTENCIAL DA CULTURA (CULTURAL

POTENTIAL).

No contínuo da instanciação do sistema linguístico, REGISTRO é um ponto

intermediário entre o polo do POTENCIAL e a INSTÂNCIA. Trata-se de uma variação

linguística, uma subespecificação do sistema global. Diz respeito a frequências de

seleções em redes de sistemas linguísticos feitas para a geração de TIPOS DE TEXTOS,

cuja INSTANCIAÇÃO é determinada por valores contextuais relativos ao CAMPO (FIELD)

ou tipo de ação social; às relações entre os participantes da interação ou SINTONIA

(TENOR); e à organização simbólica da mensagem ou MODO (MODE). O REGISTRO é


  27  

correlacionado, no CONTÍNUO DO CONTEXTO, com as INSTITUIÇÕES enquanto sistemas de

significados dentro do CONTEXTO DE CULTURA. As INSTITUIÇÕES semióticas configuram

as instituições sociais.

Toda geração de linguagem (INSTANCIAÇÃO enquanto PROCESSO) envolve uma

subespecificação do sistema linguístico, um REGISTRO. Os REGISTROS podem ser

examinados em diferentes níveis de DELICADEZA, observando-se famílias de registros,

subfamílias ou bem um registro em particular. Como dissemos, os REGISTROS estão

relacionados com as INSTITUIÇÕES. Assim como os REGISTROS são modelados como

generalizações de TIPOS DE TEXTO, as INSTITUIÇÕES são modeladas como generalizações

de TIPOS DE SITUAÇÃO.

As configurações de REGISTRO, como dito acima, são definidas pelas variáveis

de CAMPO (FIELD), SINTONIA (TENOR) e MODO (MODE). CAMPO diz respeito ao PROCESSO

SÓCIO-SEMIÓTICO da interação, ao DOMÍNIO EXPERIENCIAL e à ATIVIDADE da qual

participam os interlocutores. SINTONIA é a variável que especifica o tipo de relação

social que é estabelecida pelos interlocutores, caracterizada de acordo com: o papel

institucional ou PAPEL AGENTIVO; o PAPEL SOCIAL ou relação de poder entre os falantes

em termos de idade, gênero, expertise, classe social; a DISTÂNCIA SOCIAL o grau de

proximidade entre os falantes (desconhecido, conhecido, familiar, íntimo); o AFETO ou

envolvimento do falante numa situação de fala em termos de comportamentos

cooperativos ou dissociativos; o PAPEL DISCURSIVO ou papel criado pela linguagem

através do sistema de tomada de turnos; e a VALORAÇÃO ou atribuição de avaliação.

MODO é o parâmetro que determina o papel da linguagem no contexto, caracterizado

por: DIVISÃO DE TAREFAS entre a linguagem e outros sistemas semióticos; ORIENTAÇÃO

da linguagem para o CAMPO (visando explicar um domínio experiencial) ou para a


  28  

SINTONIA (visando regular o comportamento social); TURNO ou modo da interação

(monológico ou dialógico); MEIO (escrito, falado); CANAL (fônico, gráfico, electrónico);

e MODO RETÓRICO (argumentativo, descritivo, narrativo, instrucional).

O QUADRO 2 sintetiza os principais valores das variáveis contextuais e suas

subdimensões.

QUADRO 2 – Variáveis do contexto de situação e respectivas subdimensões

Registro
• campo
• processo sócio-semiótico
• domínio experiencial
• atividade social
• sintonia
• papel  agentivo  (escritor/leitor;  falante/ouvinte)  
• papel social (autoridade, expertise, nível educacional)
• distância social (distante, próximo)
• afeto
• valoração
• papel discursivo (demandante/fornecedor de informações; demandante /
fornecedor de bens e serviços)
• modo
• divisão de tarefas (constitutivo/ancilar)
• canal (gráfico/fônico)
• meio (escrito/oral)
• turno /modo de interação (monológico/dialógico)
• modo retórico (argumentação, persuasão, descrição, narração, exposição,
instrução

Matthiessen, Teruya e Lam (2010) elaboraram uma TIPOLOGIA/TOPOLOGIA de

TIPOS DE TEXTOS baseada em Ure (1969). A proposta está pautada por parâmetros das

variáveis de CAMPO e MODO. Do ponto de vista do CAMPO, a modelagem está baseada

em oito PROCESSOS SÓCIO-SEMIÓTICOS que sintetizam os usos que a linguagem

possibilita no CONTEXTO DE CULTURA, a saber: EXPLICAR (EXPOUNDING) ou teorizar

visando a construção de conhecimento; RELATAR (REPORTING) acontecimentos; RECRIAR

(RECREATING) aspectos da vida social; COMPARTILHAR (SHARING) experiências e

valores; RECOMENDAR (RECOMMENDING) procedimentos e ações; HABILITAR (ENABLING)


  29  

a execução de procedimentos; EXPLORAR (EXPLORING) posições e valores; e FAZER ou

agir socialmente, sendo a linguagem facilitadora dessa ação. Do ponto de vista do

MODO, a modelagem é feita segundo o MEIO (escrito ou falado) e o TURNO (dialógico ou

monológico).

A FIGURA 2 a seguir, adaptada de Matthiessen, Teruya e Lam (2010),

apresenta uma representação gráfica da TIPOLOGIA/TOPOLOGIA de registros com

indicação de TIPOS DE TEXTOS que são associados a cada região da topologia. Os rótulos

são aqueles reconhecidos no uso cotidiano da linguagem e estão assim distribuídos de

forma preliminar, uma vez que, como Matthiessen (1993) e Martin (apud

MATTHIESSEN, 1993) alertam em relação a REGISTROS e TIPOS DE TEXTO, os rótulos

do cotidiano (“folk names”), bem como caracterizações existentes dos mesmos,

precisam ser problematizados, pois carecem, em geral, de rigor científico e constituem

categorias “muito rudimentares e heterogêneas” 7 (MATTHIESSEN, 1993, p. 236),

geralmente confundidas com veículos de publicação (como nas denominações

“linguagem jornalística”, “linguagem publicitária”) ou atividades (“linguagem lúdica”)

e definidas em termos de formato ou aspectos visuais.

A FIGURA 2 tem como núcleo a linguagem no CONTEXTO DE CULTURA,

representada pelos oitos PROCESSOS SÓCIO-SEMIÓTICOS acima mencionados. Os círculos

concêntricos estão organizados de forma a contemplar as variáveis de CAMPO e

SINTONIA: no quadrante superior direito, estão concentrados os TIPOS DE TEXTO

orientados para o CAMPO (FIELD ORIENTED) e no quadrante inferior esquerdo,

encontram-se os TIPOS DE TEXTO orientados para a SINTONIA (TENOR-ORIENTED). O

quadrante superior esquerdo representa a região com maior concentração de TIPOS DE

7
“Minha tradução para: “too crude and heterogeneous”.
  30  

TEXTO nos quais o uso da linguagem é ESPECIALIZADO (SPECIALIZED). Já no quadrante

inferior direito, estão concentrados os TIPOS DE TEXTO nos quais o uso da linguagem é

NÃO ESPECIALIZADO (NON-SPECIALIZED).

FIGURA 2 – Tipologia/Topologia de textos

Fonte: adaptado de Matthiessen, Teruya e Lam (2012, p. 221).

As subvariáveis de MEIO e TURNO também estão contempladas na FIGURA 2: os

dois círculos mais externos se referem ao MEIO escrito, e os dois círculos mais internos,
  31  

ao MEIO oral; os círculos nas extremidades externa e interna contemplam o MODO

monológico, estando os dois círculos entre os extremos reservados ao MODO dialógico.

A combinação das perspectivas TIPOLÓGICA e TOPOLÓGICA, princípio

fundamental na teoria sistêmico-funcional, justifica-se pela sua capacidade de apreensão

do caráter intrinsicamente DIFUSO (FUZZY) da linguagem humana. Assim, a modelagem

do SISTEMA pela subespecificação de categorias em REDES DE SISTEMAS (TIPOLOGIA)

demanda uma modelagem adicional pela analogia de sistemas, dada sua localização na

SEMÂNTICA (TOPOLOGIA).

A TIPOLOGIA organiza de forma taxonômica as relações entre os distintos tipos

de texto, numa escala crescente de especificidade ou DELICADEZA. Seu ponto de partida

é o CONTEXTO DE CULTURA, o qual é subespecificado, em nível crescente de

DELICADEZA, em PROCESSOS SÓCIO-SEMIÓTICOS, por sua vez, subespecificados em

subprocessos, e no ponto mais DELICADO da escala, TIPOS DE TEXTOS são apresentados

como exemplos representativos das variáveis contextuais nesse ponto do modelo. Por

exemplo, o processo HABILITAR, e mais especificamente o subprocesso CAPACITAR, que

será objeto da análise no Capitulo 3, está representado de forma taxonômica na

tipologia de registros da seguinte maneira:

QUADRO 3 – Localização taxonômica do processo sócio-semiótico HABILITAR e do


subprocesso CAPACITAR na TIPOLOGIA de textos

processo subprocesso tipo de texto


contexto de cultura habilitar promover anúncio publicitário
regular protocolo, lei
capacitar textos de procedimentos,
manual de instruções
  32  

Os textos analisados no Capítulo 3 – textos de procedimentos – estão associados

ao processo sócio-semiótico HABILITAR (ENABLING), mais especificamente ao

subprocesso CAPACITAR (EMPOWERING).

A TOPOLOGIA organiza as relações entre os PROCESSOS SÓCIO-SEMIÓTICOS e os

respectivos TIPOS DE TEXTO de forma espacial de acordo com o grau de inter-relação das

configurações prototípicas. O processo sócio-semiótico HABILITAR (ENABLING),

examinado acima sob a perspectiva TIPOLÓGICA, está representado de forma espacial na

TOPOLOGIA de registros da seguinte maneira:

uso especializado da linguagem

recomendar

linguagem
no contexto
de cultura

habilitar

orientação para a fazer


sintonia
uso não especializado da
linguagem

FIGURA 3 – Localização TOPOLÓGICA do processo sócio-semiótico HABILITAR na


TIPOLOGIA de textos

Como a FIGURA 3 mostra, pela sua localização TOPOLÓGICA na representação

gráfica, o processo sócio-semiótico HABILITAR (i) encontra-se num ponto intermediário

na escala de especialização no uso da linguagem, entre o uso mais especializado e o

não-especializado; (ii) é um processo orientado para a variável SINTONIA (TENOR-


  33  

ORIENTED); e (iii) encontra-se próximo dos processos RECOMENDAR e FAZER, com os

quais compartilha características semânticas.

A interseção das perspectivas tipológica e topológica no caso da amostra de

textos do estudo exploratório apresentado no Capítulo 3 nos permite caracterizar os

exemplares compilados como textos que funcionam no CONTEXTO DE CULTURA visando

que o leitor seja capaz, ao seguir instruções ou procedimentos, de executar uma

determinada atividade. Trata-se de textos de procedimentos. A sua localização

tipológica, isto é, quanto ao tipo e subtipo de PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO aos quais

estão associados fornece dados sobre sua configuração prototípica de significados

IDEACIONAIS, INTERPESSOAIS e TEXTUAIS e suas realizações léxico-gramaticais.

Realizações prototípicas desse tipo de texto na SEMÂNTICA e na LÉXICO-GRAMATICA são

os COMANDOS, realizados por IMPERATIVOS JUSSIVOS. Pela sua localização topológica,

textos de procedimentos fazem uso de linguagem relativamente especializada, são

construídos com valores específicos para a variável SINTONIA (TENOR-ORIENTED) e

compartilham algumas características semânticas com tipos de textos no processo sócio-

semiótico adjacente, tais como o uso de comandos. No caso dos textos da amostra

selecionada, eles podem ser caracterizados como textos de procedimentos ou manuais

de instruções, sendo o MEIO escrito e o TURNO monológico.

A descrição dos PROCESSOS SÓCIO-SEMIÓTICOS, REGISTROS e TIPOS DE TEXTO diz

respeito à dimensão da INSTANCIAÇÃO. Além da INSTANCIAÇÃO e da ESTRATIFICAÇÃO,

anteriormente apresentada, a terceira dimensão global da linguagem, é a METAFUNÇÃO

ou diversificação metafuncional. METAFUNÇÃO não deve ser entendido no sentido de

função ou uso da linguagem. As METAFUNÇÕES da linguagem são componentes da

linguagem, co-ocorrências de seleções sistêmicas, que codificam nossa experiência do


  34  

mundo, nossas relações sociais e a tessitura de nossas mensagens na forma de conteúdo,

especificando as opções de significação disponíveis e determinando sua realização

estrutural.

Como foi mencionado anteriormente, há três METAFUNÇÕES: IDEACIONAL,

INTERPESSOAL e TEXTUAL, sendo que na primeira há dois componentes diferenciados: o

EXPERIENCIAL (EXPERIENTIAL) e o LÓGICO (LOGICAL).

A METAFUNÇÃO IDEACIONAL constrói nossa experiência do mundo perceptível e

do mundo interior da nossa consciência. Na ORDEM da ORAÇÃO, os significados

ideacionais são realizados na LÉXICO-GRAMÁTICA pelo sistema de TRANSITIVIDADE

(subcomponente EXPERIENCIAL) e pelos sistemas de TAXE e RELAÇÕES LOGICO-

SEMÂNTICAS (subcomponente LÓGICO).

Os significados EXPERIENCIAIS são sintetizados pela FIGURA 4.

FIGURA 4 – A gramática da experiência: tipos de processos

Fonte: adaptado de Halliday e Matthiessen (2004, p. 172).


  35  

Os significados EXPERIENCIAIS são construídos na SEMÂNTICA por FIGURAS

(FIGURES), que são configurações de PROCESSOS, PARTICIPANTES e CIRCUNSTÂNCIAS.

As FIGURAS são realizadas na LÉXICO-GRAMÁTICA por ORAÇÕES (CLAUSES). O espectro

de significados contempla FIGURAS DE FAZER (FIGURES OF DOING), realizadas por

PROCESSOS MATERIAIS (MATERIAL PROCESSES); FIGURAS DE TER (FIGURES OF HAVING),

realizadas por PROCESSOS RELACIONAIS ATRIBUTIVOS (ATTRIBUTIVE RELATIONAL

PROCESSES); FIGURAS DE OCORRER (FIGURES OF HAPPENING), realizadas por PROCESSOS

EXISTENCIAIS (EXISTENTIAL PROCESSES); FIGURAS DE SER (FIGURES OF BEING), realizadas

por PROCESSOS RELACIONAIS DE IDENTIFICAÇÃO (RELATIONAL IDENTITY PROCESSES);

FIGURAS DE DIZER (FIGURES OF SAYING), realizadas por PROCESSOS VERBAIS (VERBAL

PROCESSES); e FIGURAS DE EXPERIENCIAR (FIGURES OF SENSING), realizadas por


8
PROCESSOS MENTAIS (MENTAL PROCESSES).

A METAFUNÇÃO INTERPESSOAL encena as relações que estabelecemos no

convívio social e através das quais construímos nossa identidade. Na ORDEM da

ORAÇÃO, os significados interpessoais são realizados na LÉXICO-GRAMÁTICA pelo

sistema de MODO e MODALIDADE, a qual inclui MODALIZAÇÃO (graus de probabilidade)

e MODULAÇÃO (graus de obrigatoriedade).

A METAFUNÇÃO TEXTUAL, cuja natureza é de segunda ordem, pois está orientada

para uma realidade semiótica (a linguagem), cria o fluxo do DISCURSO. Na ORDEM da

ORAÇÃO, os significados textuais são realizados na LÉXICO-GRAMÁTICA pelo sistema de

TEMA.

8
Por motivos de espaço, não são apresentados os tipos de Processo e Participante no sistema da
TRANSITIVIDADE. Para uma descrição detalhada, ver Halliday e Matthiessen (2004) e
Figueredo (2011).
  36  

O QUADRO 4 a seguir ilustra a análise metafuncional de uma das orações da

amostra de textos do estudo exploratório apresentado nesta tese.

QUADRO 4 – Análise Sistêmica e Estrutural de uma Unidade na ORDEM da ORAÇÃO

ANÁLISE ESTRUTURAL Em seguida esfregue a superfície com sapólio


SINTAGMÁTICA

ANÁLISE SISTÊMICA
PARADIGMÁTICA

TEXTUAL TEMA REMA


TEMA MÚLTIPLO TEXTUAL TÓPICO
TEMA TEXTUAL:
CONTINUATIVO
TEMA TÓPICO DEFAULT

INTERPESSOAL ADJUNTO PREDICADOR COMPLEMENTO


INDICATIVO
IMPERATIVO: JUSSIVO: MODO RESÍDUO
NEUTRO
SUJEITO: RECUPERADO:
PESSOA DA INTERAÇÃO
IDEACIONAL PROCESSO META CIRCUNSTÂNCIA
EXPERIENCIAL DE MEIO:
MATERIAL: INSTRUMENTO
TRANSITIVA
EFETIVA
TRANSFORMATIVA:
ELABORAÇÃO
PARTICIPANTE: ATOR
IDEACIONAL
LÓGICA
ORAÇÃO SIMPLES, FINITA

Como vemos acima, a METAFUNÇÃO TEXTUAL desempenha uma dupla tarefa:

ligar a mensagem desta ORAÇÃO ao DISCURSO precedente, através de um TEMA textual

continuativo (“em seguida”), e construir um ponto de partida default para a mensagem,

através de um TEMA tópico, que neste caso, em se tratando de um comando, é o

PROCESSO (“esfregue”), cujo PARTICIPANTE (ATOR) está implícito.

A METAFUNÇÃO INTERPESSOAL encena a relação estabelecida entre falante e

ouvinte através do MODO imperativo: jussivo: neutro. Neste caso, o MODO é realizado
  37  

pelo PREDICADOR (“esfregue”) e o SUJEITO, o leitor, é elíptico mas é recuperado pela

função SUJEITO default neste tipo de imperativo.

A METAFUNÇÃO IDEACIONAL, em seu componente LÓGICO, constrói uma FIGURA

na SEMÂNTICA através de uma oração simples, finita, na LÉXICO-GRAMÁTICA. Há, assim,

uma correlação um-a-um entre a sequência das ações esperadas do leitor e as orações,

numa representação icônica típica de textos de procedimentos (cf. HALLIDAY;

MATTHIESSEN, 2004, p.393).

A METAFUNÇÃO IDEACIONAL, em seu componente EXPERIENCIAL, constrói uma

FIGURA DE FAZER realizada por uma oração com PROCESSO MATERIAL. Sob a perspectiva

da TRANSITIVIDADE, isto é, do impacto da ação executada pelo PARTICIPANTE ATOR

(ACTOR) sobre PARTICIPANTES adicionais, a ORAÇÃO é transitiva e o ATOR (o executor

da tarefa de esfregar) exerce uma ação com impacto sobre o PARTICIPANTE META (GOAL)

(a superfície). Sob a perspectiva da ERGATIVIDADE, isto é, de quem ou o que provoca a

ação, o AGENTE éo PARTICIPANTE elíptico e o ATOR do PROCESSO “esfregar”, que pode

ser recuperado, em função de ser o PARTICIPANTE default de um PROCESSO no MODO

imperativo. O PROCESSO MATERIAL (“esfregar”) é do tipo transformativo, pois envolve

uma ação, na qual tanto o ATOR como a META são preexistentes e da qual se espera que

haja uma transformação com impacto na META (elaboração): a superfície será

esfregada.

O agenciamento pode ser testado explorando formas AGNATAS da ORAÇÃO no

sistemas de MODO e MODALIDADE, como ilustrado em (1a) e (1b).

(1a) Em seguida esfregue a superfície com sapólio


(1b) Você deve esfregar a superfície com sapólio
  38  

O MODO imperativo pode ser AGNADO no MODO declarativo com seleção de uma

opção no sistema de MODALIDADE, neste caso MODULAÇÃO (obrigatoriedade), “a

superfície deverá ser esfregada com sapólio (por você, pelo responsável pela limpeza).

A CIRCUNSTÂNCIA de MEIO, mais especificamente de INSTRUMENTO (“com

sapólio”), pode ser também testada através da AGNAÇÃO deste tipo de CIRCUNSTÂNCIA

em uma oração MATERIAL, tendo como META o GRUPO NOMINAL que compõe a

CIRCUNSTÂNCIA de MEIO e uma ORAÇÃO NÃO FINITA de PROPÓSITO: “Utilize sapólio para

esfregar a superfície”.

O fenômeno da AGNAÇÃO pode ser compreendido tanto na dimensão do SISTEMA

como na dimensão da ESTRUTURA, que com a INSTANCIAÇÃO, ESTRATIFICAÇÃO e

METAFUNÇÃO completam os parâmetros de organização da língua.

A dimensão do SISTEMA esta pautada pelo princípio de DELICADEZA já

mencionado: dada uma determinada CONDIÇÃO DE ENTRADA, temos OPÇÕES organizadas

em subsistemas que podem envolver, ou não, COSSELEÇÃO e que avançam em

especificidade até sua máxima distinção e associação com realizações prototípicas. No

exemplo acima, temos um escolha no sistema de MODO que pode ser localizada, ao

longo do EIXO PARADIGMÁTICO de OPÇÕES, em crescente nível de DELICADEZA, na

FIGURA 5.
  39  

EIXO
PARADIGMÁTICO “Esfregue a superfície com sapólio”
FIGURA 5 – Paradigma de opções disponíveis no sistema de MODO no português brasileiro e seleções feitas para a realização de um comando
Fonte: adaptado de Figueredo (2011, p.235). Grifo meu.
  40  

Na FIGURA 5, adaptada de Figueredo (2011, p. 235), podemos observar, para o

exemplo analisado acima (“esfregue a superfície com sapólio”), ao longo do EIXO

PARADIGMÁTICO, o processo de seleção entre OPÇÕES disponíveis em cada um dos

subsistemas, aqui destacados em vermelho, até alcançarmos o ponto mais delicado do

sistema, no qual se encontra o imperativo jussivo neutro.

A LSF teoriza quais as OPÇÕES das quais dispõe o usuário de uma língua para

gerar significados, como essas OPÇÕES estão inter-relacionadas e como são REALIZADAS.

A relação entre as OPÇÕES dentro de um mesmo PARADIGMA é chamada, como foi

exposto, de AGNAÇÃO. Para realizar um COMANDO, como vemos na FIGURA 5 acima,

o falante deve fazer ESCOLHAS no sistema de MODO, na ORDEM da ORAÇÃO, entre

utilizar um imperativo jussivo ou um imperativo sugestivo, ilustrado em (2a) e (2b). No

caso da ORAÇÃO em pauta, a escolha foi pelo primeiro.

(2a) Esfregue a superfície com sapólio – imperativo: jussivo: neutro

(2b) Vamos esfregar a superfície com sapólio – imperativo: sugestivo

Ainda em relação ao fenômeno da AGNAÇÃO, podemos introduzir a quinta e

última dimensão de organização da língua, ESTRUTURA, que opera segundo o princípio

da ORDEM (RANK).

No estrato da LÉXICO-GRAMÁTICA, na dimensão da ESTRUTURA, temos uma

escala de ORDENS, pela qual unidades num nível inferior na hierarquia dão constituição

a unidades em níveis superiores. Assim, na sequência decrescente da ESCALA DE

ORDENS da língua escrita, a ORAÇÃO (CLAUSE) é constituída por GRUPOS (GROUPS), por

sua vez constituídos por PALAVRAS (WORDS), as quais são constituídas por MORFEMAS
  41  

(MORPHEMES). Na ORAÇÃO analisada acima, temos os seguintes constituintes de acordo

com a ESCALA DE ORDENS:

QUADRO 5 – Análise dos constituintes da ORAÇÃO na ESCALA DE ORDENS

ORAÇÃO Em seguida esfregue a superfície com sapólio

GRUPO Em seguida esfregue a superfície com sapólio

PALAVRA Em seguida esfregue a superfície com sapólio

MORFEMA Em segu- part. sing. es freg 2a sing imp a super ficie com sap olio
passado fem. pessoa ular erat (sobre) (face)
ivo

A AGNAÇÃO pode se dar entre unidades, tanto da mesma ORDEM, como em

ORDENS diferentes. Assim, unidades que se encontram numa posição mais inferior na

ESCALA DE ORDENS podem ser AGNADAS em unidades numa posição superior. Por

exemplo, a frase preposicionada “com sapólio” pode ser AGNADA com a oração não

finita “utilizando sapólio” ou mesmo com uma oração finita “utilize sapólio”.

A dimensão da ESTRUTURA, como foi antecipado, é tributária da dimensão do

SISTEMA, uma vez que a LSF concebe a linguagem como REDES DE SISTEMAS (SYSTEM

NETWORKS), nas quais, dentro de um paradigma de opções disponíveis, são feitas

SELEÇÕES (SELECTIONS) no EIXO PARADIGMÁTICO. Essas SELEÇÕES estabelecem

progressivamente um ambiente para a REALIZAÇÃO SINTAGMÁTICA ou da ESTRUTURA no

EIXO SINTAGMÁTICO. O condicionamento da ESTRUTURA SINTAGMÁTICA pelo

POTENCIAL PARADIGMÁTICO constitui o princípio AXIAL da linguagem que opera em

cada estrato e seu funcionamento é fundamental para se compreender o TEXTO enquanto

unidade básica de significado.


  42  

De acordo com Halliday e Martin (1993, p. 46), todo texto pode ser abordado

sob uma perspectiva DINÂMICA, observando-se as relações entre suas partes ou

componentes, construídas progressivamente ao longo de seu desenvolvimento, ou sob

uma perspectiva SINÓPTICA, examinando-se o texto como “artefato cultural, um objeto

que pode ser isolado, interpretado, remontado e observado”9.

A abordagem DINÂMICA contempla o texto como processo em curso, processo

contingente, e enfoca “o modo como INSTANCIAÇÕES num determinado ponto do texto

condicionam aquelas que terão lugar subsequentemente”, ou, visto de um outro ângulo,

“o modo como INSTANCIAÇÕES num determinado ponto do texto foram condicionadas

por INSTANCIAÇÕES anteriores” 10 (HALLIDAY; MARTIN, 1993, p. 46). Assim,

privilegia o desenvolvimento do texto à medida que ele é produzido. Como vimos, a

LSF nomeia esse parâmetro de LOGOGÊNESE textual ou INSTANCIAÇÃO do texto no

tempo. Como Matthiessen (1995, p. 36) explica, a INSTANCIAÇÃO envolve,

simultaneamente, seleções LÉXICO-GRAMATICAIS dentro de uma variedade de REGISTRO

específica e a ATUALIZAÇÃO de diretivas de realização associadas a essas seleções. A

observação pontual das instanciações nos permite identificar padrões que caracterizam

FASES no DESENVOLVIMENTO LOGOGENÉTICO. Essas FASES podem ser interpretadas em

relação à organização em estratos superiores, como a SEMÂNTICA, e no CONTEXTO.

O DESENVOLVIMENTO LOGOGENÉTICO é geralmente estudado a partir do texto

em sua forma acabada, isto é, do texto como produto concluído (cf. MATTHIESSEN,

1995, anexo 6.1.). Todavia, pode ser examinado na produção textual em tempo real,

9
Minha tradução para: “a cultural artifact — as an object to be taken apart, interpreted,
reassembled and observed.”
10
Minha tradução para: “the way in which instantiations at one point in a text put at risk those
that ensue, or, to put this the other way round, the way in which instantiations at one point in a
text were conditioned by earlier instantiations.”
  43  

como será explicado na última seção deste capítulo, que apresenta as pesquisas

desenvolvidas no Laboratório Experimental de Tradução da FALE/UFMG.

Examinar o texto sob uma perspectiva DINÂMICA implica fazer uma análise

léxico-gramatical progressiva, de oração em oração, observando como escolhas em

determinados pontos dos subsistemas de opções condicionam escolhas posteriores. A

LSF oferece um arcabouço teórico abrangente que contempla o fenômeno da

LOGOGÊNESE, ao enfocar as escolhas pontuais como articuladas dentro de SISTEMAS

INSTANCIAIS (MATTHIESSEN, 1995).

Dentre as metafunções da linguagem, a LSF reserva à METAFUNÇÃO TEXTUAL,

através dos sistemas de TEMA (na ORDEM da ORAÇÃO) e da COESÃO, a tarefa de garantir

a LOGOGÊNESE ou o fluxo do DISCURSO pela confluência de instanciações pontuais em

nível local com articulações em nível global do texto como um todo. Também, no

componente LÓGICO da METAFUNÇÃO IDEACIONAL, os sistemas de TAXE e de RELAÇÕES

LÓGICO-SEMÂNTICAS realizam RELAÇÕES RETÓRICAS que no estrato da SEMÂNTICA

criam significado com o DESENROLAR (UNFOLDING) do texto.

Assim, no exemplo analisado anteriormente (“Em seguida, esfregue a superfície

com sapólio”), como foi apontado, a ORAÇÃO está vinculada ao DISCURSO anterior, por

meio do sistema de TEMA: há um TEMA textual continuativo “em seguida” e um TEMA

tópico default também continuativo “você”, uma vez que há uma série de comandos

dirigidos ao leitor. No sistema de COESÃO, não há conjunções, mas o sistema de

REFERÊNCIA permite interpretar “a mancha” e “a superfície” como retomando referentes

anteriores no DISCURSO. No sistema de TAXE, temos orações finitas simples, que são

interpretadas no sistema de RELAÇÕES LÓGICO-SEMÂNTICAS como INTENSIFICAÇÃO

numa sequencia temporal.


  44  

Assim como a AGNAÇÃO pode abranger distintos níveis da ESCALA DE ORDENS,

ela pode envolver, ainda, movimentos ou MANOBRAS (SHUNTING) entre ESTRATOS

distintos. Quando as relações inter-estratos envolvem realinhamentos entre LÉXICO-

GRAMÁTICA e SEMÂNTICA, esse fenômeno é categorizado como METÁFORA GRAMATICAL

(GRAMMATICAL METAPHOR). Esses realinhamentos podem estar vinculados a

significados IDEACIONAIS e a significados INTERPESSOAIS. Em cada caso, o tipo de

METÁFORA GRAMATICAL é específico.

A METÁFORA GRAMATICAL IDEACIONAL diz respeito a

um “realinhamento” entre SEQUÊNCIAS, FIGURAS e ELEMENTOS na


SEMÂNTICA e NEXOS ORACIONAIS, ORAÇÕES e GRUPOS na GRAMÁTICA. No
modo CONGRUENTE de realização (...), uma SEQUÊNCIA é realizada por um
nexo oracional e uma FIGURA é realizada por uma ORAÇÃO. No modo
METAFÓRICO, todo o conjunto de mapeamentos parece ser rebaixado na
ESCALA DE ORDENS, de modo que uma SEQUÊNCIA é realizada por uma
ORAÇÃO, uma FIGURA é realizada por um GRUPO e um ELEMENTO é realizado
por uma PALAVRA.11
(HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004, p. 639)

Esse realinhamento pode ser mais bem compreendido a partir da FIGURA .. a

seguir, elaborada com base em uma das orações extraídas dos textos analisados no

estudo exploratório realizado: “Para este procedimento recomendamos que o ato de

esfregamento seja mais intensificado”.

11
Minha tradução para: “a “re-mapping” between sequences, figures and elements in the
semantics and clause nexuses, clauses and groups in the grammar. In the congruent mode of
realizations (...), a sequence is realized by a clause nexus and a figure is realized by a clause in
the metaphorical mode, the whole set of mappings seems to be shifted “downwards”: a
sequence is realized by a clause, a figure is realized by a group, and an element is realized by a
word.”
  45  

Para este procedimento recomendamos que...

congruente metafórico

você esfregue a superfície você intensifique o ato de o ato de esfregamento


de forma mais intensa esfregamento seja mais intensificado

FIGURA 6 - Exemplo de realização com níveis variados de congruência e


metaforicidade

Na FIGURA 6, pode-se observar que, em direção ao eixo CONGRUENTE ou não

metafórico, tem-se a realização de uma FIGURA DE FAZER por meio de uma oração

MATERIAL, transitiva, na voz ativa, com ATOR e agenciamento explícito (“você”) e com

uma META também explícita (“a superfície”); ao passo que, em direção ao eixo

METAFÓRICO, temos uma FIGURA DE FAZER realizada por uma oração MATERIAL,

transitiva, abstrata, na voz passiva, com ATOR e agenciamento pressupostos e uma

META constituída por um ENTE abstrato (“o ato de esfregamento”). A implicitude dos

significados aproximam essa oração MATERIAL de uma oração RELACIONAL atributiva:

“que o ato de esfregamento seja mais intenso”. Na forma METAFÓRICA, observamos

uma condensação ou compactação do significado que na forma mais CONGRUENTE estão

descompactados.

Como a FIGURA 6 também mostra, trata-se de um contínuo entre formas mais e

menos CONGRUENTES, ou mais e menos METAFÓRICAS, e não de uma caracterização

binária. Outras formas correlatas nesse contínuo, além das duas previstas, podem ser

AGNADAS. Na FIGURA acima, temos uma forma intermediária, na qual a oração

MATERIAL é construída na voz ativa, com explicitação de agenciamento (“você”),

nominalização do verbo lexical (“esfregar”) realizador do PROCESSO MATERIAL (“o ato


  46  

de esfregamento”) e transformação da CIRCUNSTÂNCIA DE MODO (“com intensidade”)

em verbo lexical realizador do PROCESSO MATERIAL (“intensifique”).

A oração analisada ilustra os mecanismos pelos quais opera a METÁFORA

GRAMATICAL IDEACIONAL, que envolve realinhamento entre SEMÂNTICA e LÉXICO-

GRAMÁTICA com impacto nos componentes LÓGICO e EXPERIENCIAL da metafunção

IDEACIONAL. A oração ilustra, ainda, os movimentos prototípicos da METÁFORA

GRAMATICAL INTERPESSOAL. A FIGURA 7 mostra agnações relativas a significados

INTERPESSOAIS que envolvem realinhamento entre SEMÂNTICA e LÉXICO-GRAMÁTICA:

congruente Esfregue a superfície mais intensamente

Esfregue a superfície com maior intensidade

Você deve esfregar a superfície com maior intensidade

Recomendamos que você esfregue a superfície com maior intensidade

recomendamos que o ato de esfregamento seja mais intensificado

Recomenda-se que o ato de esfregamento seja mais intensificado

É recomendável que o ato de esfregamento seja mais intensificado

metafórico Recomenda-se a intensificação do esfregamento

FIGURA 7 – Contínuo de significados CONGRUENTES – METAFÓRICOS

A oração em foco – “recomendamos que o ato de esfregamento seja mais

intensificado” – foi extraída de um manual de instruções ou texto de procedimentos.

Como foi visto, o tipo de significado prototípico construído nesse tipo de texto é o

COMANDO, tipicamente realizado por uma oração no MODO IMPERATIVO: jussivo:

neutro. Quando o COMANDO seleciona MODULAÇÃO, isto é, quando ele é colocado numa
  47  

escala de obrigatoriedade (“você deve, você deveria, você pode”), o MODO IMPERATIVO

deixa de ser uma escolha que atenda a essa necessidade semântica de MODULAÇÃO e o

MODO DECLARATIVO passa a ser selecionado. No polo mais METAFÓRICO, a MODULAÇÃO

é construída de forma implícita através de uma oração RELACIONAL (“é recomendável

que...”). No manual publicado, a oração é uma oração VERBAL (“recomendamos que”),

na qual o agenciamento é explícito através do DIZENTE “nós”. Variantes mais

metafóricas em português podem construir agenciamento menos explícito através do

pronome “se” 12 (“recomenda-se”). Variantes menos metafóricas podem construir a

MODULAÇÃO de forma mais explícita, através de um verbo modal (“você deve”).

A LSF postula que há um desenvolvimento progressivo de formas congruentes a

formas mais metafóricas (cf. HALLIDAY, 2002) . Numa perspectiva FILOGENÉTICA, ou

de evolução do sistema linguístico, observa-se o aumento de formas metafóricas à

medida que a linguagem precisa atender a uma demanda por formulações de novas

construções da realidade. Numa perspectiva ONTOGENÉTICA, ou de crescimento e

maturação do ser humano, observa-se o desenvolvimento da linguagem da criança ao

adulto, com um uso progressivo de metaforização, à medida que a criança é introduzida

a novos registros, principalmente no âmbito educacional. Assim, há uma correlação

sistemática entre o grau de significados compactados em um texto e a “maturidade

semiótica” do produtor ou leitor do texto. Ainda, numa perspectiva LOGOGENÉTICA, ou

do DESENROLAR (UNFOLDING) de um texto desde o seu início à sua conclusão, a

metaforização possibilita a progressão de significados construídos ao longo do mesmo.

Essas três dimensões contribuem para o desenvolvimento SEMOGENÉTICO, ou do

potencial de significado da linguagem, uma vez que processos de metaforização

12
cf. Figueredo, 2011.
  48  

expandem o potencial (HALLIDAY, 2003), sobretudo através da METÁFORA

GRAMATICAL IDEACIONAL e do recurso da nominalização. Como Halliday (2006,

Introdução, p. XX) explica, o impacto da METÁFORA GRAMATICAL não é o de

acrescentar redes de sistemas ao sistema linguístico em evolução, mas o de conferir

maior “densidade” aos processos de significação, uma vez que permite criar “um outro

plano de realidade semiótica”, construído com base em “fenômenos virtuais que

existem apenas no plano semiótico”13.

A densidade do processo de significação tende a crescer exponencialmente e

atinge nos registros da ciência sua realização máxima. Nesse sentido, o domínio desses

registros exige, numa perspectiva ONTOGENÉTICA, a construção dos mesmos por parte

do especialista. Não se trata da aprendizagem de termos técnicos, como Halliday (2006,

p. 160) reiteradamente explica, mas de um desenvolvimento articulado de recursos

linguísticos que permitem construir e postular uma realidade virtual: “aprender ciência é

a mesma coisa que aprender a linguagem da ciência”14. Por isso, uma das características

da linguagem da ciência é precisamente sua demanda por um usuário da língua que

tenha desenvolvido sua expertise numa determinada área. Trata-se de um processo

único: o especialista se forma a partir de registros que ele próprio constrói para construir

sua percepção da realidade e que, por sua vez, constrói seu papel de experto na

sociedade.

A rescrita da linguagem da ciência para diferentes leitores requer, muitas vezes,

fazer com que formas mais metafóricas sejam reelaboradas em formas mais

congruentes, o que envolve sempre a geração de significados que não são idênticos. Na

13
Minha tradução para: “ “thickening” the processes of meaning (…) “another plane of semiotic
reality” (…) “ “virtual” phenomena which exist solely on the semiotic plane”.
14
Minha tradução para: “learning science is the same thing as learning the language of science”.
  49  

linguagem científica, as formas metafóricas sempre geram, nas palavras de Halliday e

Martin (1993, p.67), “algumas ambiguidades pontuais”. Esse é o caso, por exemplo,

quando temos GRUPOS NOMINAIS compostos por um ENTE e CLASSIFICADORES e as

relações semânticas entre eles (TRANSITIVIDADE) não são explícitas ou quando são

utilizados PROCESSOS RELACIONAIS cuja indeterminação permite leituras distintas das

relações que se estabelecem entre PARTICIPANTES. O QUADRO 6 mostra exemplos de

ambiguidade para o leitor leigo ou em formação (crianças, por exemplo), que poderia

formular, em relação aos itens destacados, perguntas como aquelas sugeridas ao lado de

cada exemplo:

QUADRO 6 – Exemplos de ambiguidade e possíveis indagações de um leitor leigo.15

EXEMPLO DE POTENCIAL AMBIGUIDADE POSSÍVEIS INDAGAÇÕES

Fixação do nitrogênio em alfafa nodulada sob supressão e O nitrogênio se fixa ele próprio? O nitrogênio é
ressuprimento de fósforo (...) fixado por algo ou alguém?

2) (...) riqueza, consumo de recursos e produção de rejeitos riqueza, consumo de recursos e produção de rejeitos
...significam máximo impacto ambiental (...) geram ou são resultado de impacto ambiental?

Claramente, para a compreensão de linguagem científica como a ilustrada

acima, é preciso conhecer as respostas a essas perguntas antes da leitura dos textos.

Como Halliday (2006) explica, há METÁFORAS IDEACIONAIS que são essencialmente

instanciais no sentido de que operam no discurso de forma a possibilitar a construção de

uma argumentação lógica. Tais metáforas podem ser descompactadas ou reformuladas

numa forma mais congruente. Já outras metáforas tornam-se “construtos sistêmicos”,

“criados para atender à formulação da teoria no longo prazo” (HALLIDAY, 2006, p.

15
Excertos 1 e 2 extraídos, respectivamente, de: GOMES, F.T. et al. Metabolismo do nitrogênio
em alfafa nodulada sob supressão e ressuprimento de fósforo. Rev. Bras. Fisiol. Veg., Lavras, v.
13, n. 3, 2001; DITTRICH, Alexandre. Sobrevivência ou colapso? B. F. Skinner, J. M.
Diamond e o destino das culturas. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 21, n. 2, 2008.
  50  

87), o que impede sua descompactação ou formulação em formas mais congruentes. É

esse o caso da terminologia de uma determinada área, como “fixação do nitrogênio”.

Em função disso, a leitura do especialista ou experto, como Halliday (2006, p. 48)

aponta, não requer a descompactação de METÁFORAS GRAMATICAIS; já para o leigo, o

texto altamente metafórico é inacessível na sua forma original, e, mesmo quando

descompactado, sua especificidade ainda guarda certa ambiguidade.

De acordo com Halliday (2006, p. 93), a operação de descompactação

assemelha-se a outras atividades metatextuais, como a paráfrase, a rescrita, a

transformação da linguagem escrita em oral, e a tradução, no sentido de que pode haver

diferentes percursos e níveis de desmetaforização ou metaforização.

No caso da tradução de textos com alta densidade metafórica, como os textos

científicos, a descompactação de informação pode ser uma forma de compreensão de

significados criados numa língua para sua formulação numa outra língua. Mas

significados metafóricos estão presentes em outros registros além daqueles da ciência e,

como veremos no Capítulo 3, eles são um fator de impacto na modelagem de

significados em contatos entre línguas. Nesse sentido, como veremos mais adiante, o

nível de metaforicidade foi relacionado por Steiner (2001; 2002) à implicitude e à

explicitude de significados, as quais podem constituir diferenças sistemáticas entre

textos-fonte e respectivas traduções.

A METÁFORA GRAMATICAL ilustra claramente a diversidade de exigências

contextuais feitas da linguagem, as quais geram variação de REGISTRO. O CONTEXTO

abrange tanto o CONTEXTO DE SITUAÇÃO como o CONTEXTO DE CULTURA. As demandas

contextuais são tipos de situação recorrentes que se tornam parte do CONTEXTO DE

CULTURA. A SEMÂNTICA deve mediar a relação entre CONTEXTO e LÉXICO-GRAMÁTICA,


  51  

para que as configurações contextuais sejam realizadas pela variação na LÉXICO-

GRAMÁTICA. No caso de contatos entre sistemas linguísticos, como os mediados pela

tradução e outros processos de produção multilíngue de significados, à variação inerente

a cada sistema soma-se, ainda, a variação gerada pelo contato entre sistemas. Essa

dinâmica é explorada pelas abordagens da tradução dentro da LSF.

A escolha da LSF como teoria abrangente para modelar a tradução e outros

processos de produção multilíngues está fundamentada, antes de mais nada, pela junção

das perspectivas sistêmica e funcional da teoria, que possibilitam, dada uma

determinada INSTÂNCIA linguística, examiná-la simultaneamente nos respectivos loci do

sistema linguístico, nos quais seleções foram feitas para gerar essa INSTÂNCIA.

Toda INSTÂNCIA pode ser examinada em relação:

• aos diferentes níveis de abstração no contínuo da INSTANCIAÇÃO (em

relação a um REGISTRO ou o SISTEMA como um todo);

• às seleções feitas nos subsistemas dos diferentes estratos do sistema

linguístico (CONTEXTO, SEMÂNTICA, LÉXICO-GRAMATICA, FONOLOGIA);

• aos significados IDEACIONAIS, INTERPESSOAIS e TEXTUAIS implicados.

Além disso, toda INSTÂNCIA pode ser estudada como:

• processo, como a SELEÇÃO progressiva de OPÇÕES PARADIGMÁTICAS

dentro de SISTEMAS e seu condicionamento sucessivo à medida que a

ESTRUTURA é realizada; e/ou

• produto, como o resultado de SELEÇÕES feitas, que em conjunto fazem

com que o texto tenha um dado significado.


  52  

Nesse sentido, toda instância da linguagem em uso pode ser examinada como

escolha passível de ser explicada dentro de uma interpretação geral do sistema

linguístico como um todo (e não como uma ocorrência aleatória ou individualizada).

Além da capacidade explanatória da teoria, destaca-se seu arcabouço, cujos

princípios e categorias são aplicáveis à descrição de qualquer sistema linguístico em

particular. É nesse sentido que a análise textual, como a demandada no caso da tradução

e outros processos de produção multilíngue, se vê potencializada pela LSF, uma vez que

descrições linguísticas pautadas por um arcabouço teórico comum possibilitam

estabelecer parâmetros de comparabilidade entre as línguas nos diferentes ambientes de

produção multilíngue, como veremos nas abordagens da tradução feitas pela LSF,

descritas a seguir.

Abordagens sistêmico-funcionais da tradução

Uma breve revisitação do movimento chamado “contextualismo britânico”, que

vincula o antropólogo polonês Bronislaw Malinowski ao linguista John Firth e, em

última instância, a M. A. K. Halliday, idealizador da LSF, nos permite compreender

como a LSF teoriza a tradução de significados em situações de contato linguístico.

Em “Ethnographic analysis and language with reference to Malinowski’s

views”, Firth (1957/2001) explica que, devido a uma necessidade concreta em sua

práxis antropológica, Malinowski recorreu à linguagem para fundamentar seu estudo

funcional da cultura, uma vez que são os processos da cultura os que, segundo ele,

deveriam ser estudados para explicar os produtos da mesma. Malinowski postulava o

texto como ponto de partida para toda análise linguística, sendo que a interpretação de

todo termo linguístico devia ser feita no âmbito da instituição no qual era utilizado.

Malinowski considerava a linguagem uma forma de agir e foi o primeiro a utilizar o


  53  

conceito de “contexto de situação” para situar o texto do ponto de vista de sua função na

cultura. A única forma de tradução de termos, passível de ser feita entre culturas

distantes, era, para Malinowski, situando-os no seu contexto, examinando suas relações

com termos correlatos, contrastando-os com seus opostos, fazendo uma análise

gramatical e trabalhando com exemplos. Assim seria possível gerar um comentário

detalhado do termo estrangeiro, sendo esse comentário denominado por ele de

“especificação contextual de significado”.

Firth (1957) retoma a questão da tradução já no escopo da linguística e de sua

proposta de modelar as “linguagens restritas” (“restricted languages”) como subsistemas

dentro de um sistema linguístico, com uma contextualização específica e um léxico,

uma gramática e um estilo circunscritos. A linguagem restrita, conceito precursor da

noção de REGISTRO na LSF, era para Firth o ambiente ideal de toda descrição linguística

e da tradução.

Halliday (1966) compartilha com Malinowski e Firth a concepção de significado

linguístico como produto de relações estabelecidas entre as opções de um sistema, a

necessidade de se estudar o texto como unidade funcional da linguagem e da cultura e o

interesse pela modelagem do sistema linguístico sob a perspectiva da subespecificação

de sistemas em operação em um dado CONTEXTO DE SITUAÇÃO, isto é, sob a perspectiva

do REGISTRO.

O conceito de significado é fundamental para se compreender a LSF e a

tradução. O significado linguístico é, segundo Halliday (1966), a soma do SIGNIFICADO

FORMAL e do SIGNIFICADO CONTEXTUAL. O SIGNIFICADO FORMAL é o significado de

todo item linguístico em decorrência das relações formais que ele estabelece com outros

itens do sistema linguístico. O SIGNIFICADO CONTEXTUAL diz respeito à SITUAÇÃO. Por


  54  

exemplo, o significado contextual da categoria de NÚMERO está relacionado com os

conceitos de REFERENTES nomeados como únicos e singulares ou plurais na SITUAÇÃO.

O SIGNIFICADO FORMAL da categoria de NÚMERO tem a ver com o SISTEMA e suas

características disponíveis: se o sistema é binário ou se possui mais de dois valores.

EQUIVALENTES TRADUTÓRIOS são, para Halliday, dois itens que podem ser

correlacionados entre um texto em uma língua e um texto em uma outra língua.

EQUIVALENTE TRADUTÓRIO não é igual a EQUIVALENTE CONTEXTUAL; um EQUIVALENTE

TRADUTÓRIO deve ser analisado tanto em termos contextuais como em termos formais.

Assim, a observação da equivalência tradutória pode ser complementada pela

comparação formal entre duas línguas.

Halliday (1966) observa que a equivalência entre dois textos geralmente

acontece na ORDEM da ORAÇÃO, que é a unidade que opera na SITUAÇÃO da linguagem

em uso. Assim, se dizemos que um determinado item numa língua pode ser comparado

a um determinado item em outra, isso significa que os dois itens podem ser

considerados como tendo o mesmo papel na SITUAÇÃO. Essa equivalência é pré-

requisito para o estabelecimento da comparabilidade entre as duas línguas e precisa ser

complementada por um estudo da comparação formal dos dois sistemas linguísticos.

Dois itens podem ser EQUIVALENTES em termos de seu SIGNIFICADO CONTEXTUAL, mas

é necessário saber se operam da mesma forma na ESTRUTURA formal das duas línguas,

isto é, se possuem o mesmo SIGNIFICADO FORMAL em relação ao SIGNIFICADO

LINGUÍSTICO como um todo. Para isso, é preciso analisar a posição de cada item em seu

respectivo sistema linguístico, em termos das categorias da GRAMÁTICA: UNIDADE,

ESTRUTURA, CLASSE e SISTEMA.


  55  

Para Halliday, nos estratos do CONTEÚDO e do CONTEXTO temos dois tipos de

evidência para a comparação de duas línguas. Uma são as probabilidades que podemos

observar entre itens que ocorrem em textos originais e respectivas traduções. Estas

podem ser INCONDICIONADAS ou CONDICIONADAS pelo CO-TEXTO. O outro tipo de

evidência são os resultados da comparação de duas línguas com base em categorias

comuns postuladas a partir da comparabilidade das mesmas.

Se bem, como foi apontado, a ORAÇÃO é a unidade que Halliday considera como

fundamental na tradução, o autor assinala reiteradas vezes a complexidade da tradução,

uma vez que ela envolve todas as unidades e sua análise requer que MANOBREMOS

(SHUNTING) de umas para outras, observando os SISTEMAS e ESTRUTURAS através dos

quais as unidades estão inter-relacionadas.

Em The linguistic sciences and language teaching, Halliday, McIntosh e

Strevens (1964) situam a teoria da tradução no escopo da linguística descritiva

comparada, a qual está pautada por dois princípios: (i) a descrição é uma etapa prévia e

imprescindível de toda comparação e (ii) a comparação deve estar circunscrita a padrões

e não a uma língua como um todo. A tradução é caracterizada pelos autores como um

fenômeno de EQUIVALÊNCIA CONTEXTUAL, isto é, trata-se de equivalência relativa à

atividade realizada pela linguagem, e seu estudo é apresentado em função de seu

potencial como ferramenta para o estabelecimento de comparabilidade entre sistemas

linguísticos: dois itens em relação de tradução permitem indagar se haveria

EQUIVALÊNCIA FORMAL entre eles, o que por sua vez informa o estudo comparado entre

línguas. A relação de tradução é apresentada como o principal ponto de partida e

recurso para a comparação linguística.


  56  

Os autores estabelecem uma diferença entre a atividade de produção da tradução

e o produto dessa atividade. A produção de uma tradução é unidirecional e situada numa

cronologia: o tradutor “observa um evento numa língua” e “constrói um evento

correlato numa outra língua”16. Como produto ou resultado, dois textos passam a existir

numa relação mútua, ou bidirecional, de tradução. Esse resultado é de inestimável valor,

uma vez que, por se encontrarem em relação de tradução, os textos possuem um duplo

potencial: podem informar a comparação dos respectivos sistemas linguísticos, bem

como contribuir, cada um deles em particular, para a descrição de seu sistema

linguístico.

No que diz respeito à atividade de produção da tradução, os autores apresentam

um modelo baseado na ESCALA DE ORDENS, no qual, dado um determinado texto numa

língua-fonte, há “uma seleção progressiva dentre categorias e itens da língua-alvo

estabelecidas de acordo com critérios contextuais como sendo equivalentes às

categorias e itens da língua-fonte”17. A progressão tem como ponto de partida a ORDEM

mais baixa, o MORFEMA, e procede, de forma ascendente, pela ORDEM da PALAVRA, do

GRUPO até a ORAÇÃO. A cada etapa a seleção é feita com base na ORDEM imediatamente

acima na ESCALA DE ORDENS. Os autores destacam que, para cada categoria ou item, há

uma série de possíveis equivalentes numa escala de probabilidade, sendo que as

probabilidades podem ser estabelecidas de forma objetiva com base nos resultados

obtidos ao se examinar textos em relação de tradução.

Os estudos inicias sobre a tradução feitos por Halliday estão mais direcionados à

exploração de modelos de tradução automática, razão pela qual sua modelagem da


16
Minha tradução para: “the translator observes an event in one language, the “source”
language, and performs a related event in another, the “target” language.”
17
Minha tradução para: “It is thus possible to view the process of translation as the progressive
selection among categories and items in the target language that are recognized on contextual
criteria as equivalent to categories and items in the source language”.
  57  

tradução é feita na ESCALA DE ORDENS (cf. HALLIDAY, 1966; HALLIDAY,

MCINTOSH, STREVENS, 1964), e aos estudos de linguística aplicada ao ensino de

língua estrangeira, os quais, o autor sugere, podem se beneficiar da tradução na

comparação de sistemas linguísticos.

Não obstante isso, a proposta de um modelo de tradução baseado na ESCALA DE

ORDENS representa um passo importante, como Matthiessen (2001) destaca, na

aplicação do princípio de contextualização em tradução, segundo o qual equivalentes

tradutórios operam sempre numa ORDEM acima na ESCALA DE ORDENS, bem como no

ESTRATO superior, como foi desenvolvido posteriormente por Matthiessen (2001).

Uma abordagem direcionada à elaboração de uma teoria de tradução e feita à

época, e em interação com Halliday, por Catford (1965), que propõe os rudimentos de

uma “teoria linguística da tradução”, situada no escopo da linguística comparada, e

servindo aos interesses da linguística aplicada, conforme concebida pelo autor. Uma

teoria linguística da tradução demanda como condição sine qua non uma teoria geral da

linguagem que lhe sirva como base de sustentação. Para tanto, Catford afilia-se à teoria

de escalas e categorias de M. A. K. Halliday, posteriormente reelaborada como

gramática sistêmico-funcional, no escopo da LSF. Catford formula definições teóricas

de TRADUÇÃO, EQUIVALENTE TEXTUAL e CORRESPONDENTE FORMAL.

EQUIVALENTE TEXTUAL é para Catford um termo técnico e envolve o mecanismo

de COMUTAÇÃO (COMMUTATION) para a obtenção de VARIAÇÃO CONCOMITANTE. Isto é,

trata-se de observar mudanças sistemáticas no texto-alvo quando se introduz uma

mudança no texto-fonte. A COMUTAÇÃO é relevante, sobretudo, em casos nos quais não

há evidência de EQUIVALENTE TEXTUAL na mesma ORDEM em duas línguas. Catford cita,

como exemplo, a COMUTAÇÃO efetuada numa oração em inglês, pela qual a porção de
  58  

texto mudada envolve o sistema de determinação realizado pelo artigo definido e

indefinido na língua inglesa. A COMUTAÇÃO revela que o contraste de significados

realizados pelos artigos definido e indefinido em inglês é realizado em russo pela

ESTRUTURA, isto é, a sequência dos componentes na oração, como ilustram (3a), (3b),

(3c) e (3d) a seguir, reproduzidos de Catford (1980, p. 30-31):

(3a) texto 1 da LF: The woman came out of the house


(= "A mulher saiu da casa“)
(3b) texto 1 na LM: Ženščina vyšla iz domu
(= «A mulher saiu da casa»)
(3c) texto 2 da LP: A woman came out of the house
(= "Uma mulher saiu da casa")
(3d) texto 2 na LM: Iz domu ženščina vyšla
(= «Da casa uma mulher saiu»)

A obtenção do EQUIVALENTE TEXTUAL pode ser feita por elicitação, isto é,

solicitando que um tradutor ou um falante bilíngue competente forneça a tradução de

um item linguístico determinado; por introspeção, isto é, de forma intuitiva com base no

conhecimento das línguas por parte do analista; ou pela observação de ocorrências em

um corpus de textos-fonte e -alvo no par linguístico em foco. Neste último caso, os

resultados podem ser quantificados e podem ser calculadas proporções para o que

Catford denomina de PROBABILIDADE INCONDICIONADA, isto é, probabilidades simples

de ocorrência um-a-um, e PROBABILIDADE CONDICIONADA, isto é, probabilidades que

levam em conta fatores CO-TEXTUAIS e CONTEXTUAIS. A PROBABILIDADE

CONDICIONADA, sensível aos aspectos CO-TEXTUAIS e CONTEXTUAIS, é de suma

importância para o tradutor, uma vez que ela pode gerar regras de tradução.

Catford lança mão ainda de um segundo conceito complementar ao de

EQUIVALÊNCIA TEXTUAL. Trata-se de CORRESPONDÊNCIA FORMAL. Diferentemente da

EQUIVALÊNCIA TEXTUAL, estabelecida entre porções dos textos-fonte e -alvo, a


  59  

CORRESPONDÊNCIA FORMAL é a relação estabelecida entre categorias da língua-fonte e

da língua-alvo. Essa relação de correspondência é postulada com base no pressuposto de

que as categorias ocupam posição semelhante na disposição das partes ou funções de

seus respectivos sistemas linguísticos. Catford ilustra essa relação observando a ESCALA

DE ORDENS entre duas línguas. Por exemplo, pode-se afirmar que tanto o inglês como o

francês possuem uma ESCALA DE ORDENS análoga: ORAÇÃO, GRUPO, PALAVRA e

MORFEMA. Partindo-se dessa CORRESPONDÊNCIA, podem ser mapeadas outras

correspondências dentro de cada ordem (e.g., da classe de palavra “artigo” dentro da

ordem do grupo no caso do grupo nominal). Se as observações de EQUIVALENTES

TEXTUAIS num corpus de originais e traduções evidenciam probabilidade alta de

EQUIVALENTES TEXTUAIS nos quais o artigo determinado numa língua é traduzido como

artigo determinado na outra, verifica-se convergência entre EQUIVALÊNCIA TEXTUAL e

CORRESPONDÊNCIA FORMAL.

Catford aborda ainda a questão do significado em tradução e descarta, pautado

pela linha teórica firthiana, qualquer possibilidade de transferência de significado entre

sistemas linguísticos. O significado é propriedade de cada sistema, pois ele é gerado

pelas relações que se estabelecem entre itens do sistema em pauta. Pautado pela teoria

hallidayana, Catford distingue, ainda, dois tipos de relações entre itens de uma língua:

RELAÇÕES FORMAIS e RELAÇÕES CONTEXTUAIS. As RELAÇÕES FORMAIS, estabelecidas

entre itens na gramática e no léxico, de forma sistêmica ou co-textual num texto, geram

SIGNIFICADOS FORMAIS. Por exemplo, o SIGNIFICADO FORMAL do gênero gramatical no

sistema inglês está pautado pelos elementos que compõem esse sistema e que são

mutuamente excludentes. As RELAÇÕES CONTEXTUAIS, estabelecidas entre itens


  60  

gramaticais ou lexicais e elementos da SITUAÇÃO, relevantes do ponto de vista

linguístico, geram SIGNIFICADOS CONTEXTUAIS.

Catford ilustra esses dois tipos de relações com uma comparação entre orações

em inglês e russo (cf. FIGURA 8) que constroem significado numa situação em que

uma pessoa do sexo feminino acaba de chegar a um local e anuncia sua chegada. A

comparação mostra que alguns traços de SITUAÇÃO são relevantes para os dois sistemas

linguísticos (o SUJEITO MODAL realizado pela primeira pessoa do discurso, o FINITO

ancorando o significado no espaço-tempo, o PROCESSO MATERIAL intransitivo), sendo

que outros são relevantes apenas para um deles (em russo, o sexo do falante realizado

na ORDEM DO MORFEMA no GRUPO VERBAL, o ASPECTO verbal, a subespecificação do

PROCESSO MATERIAL num ponto mais DELICADO e mais próximo do polo lexical):

I falante Ja
feminino
chegada
have arrived a pé prišla
fato anterior
ligado a presente
acabado

FIGURA 8 – Traços de situação relevantes em cada sistema linguístico

Fonte: Catford (1980, p. 39).

Catford postula como objetivo de toda tradução a seleção de equivalentes com a

maior imbricação possível de características da SITUAÇÃO que sejam relevantes do

ponto de vista contextual para o texto (CONTEXTO DE SITUAÇÃO).

Embora os itens de duas línguas não possuam o mesmo significado, eles podem

funcionar em situações análogas. Geralmente, a unidade na qual são estabelecidos os

equivalentes tradutórios é a ORAÇÃO, que é a unidade gramatical relacionada à função


  61  

discursiva numa dada situação. Quando a análise de um EQUIVALENTE TEXTUAL revela

uma configuração diferente daquela apontada pelo estabelecimento de

CORRESPONDÊNCIA FORMAL entre categorias de dois sistemas, estamos, segundo

Catford, diante de um caso de MUDANÇA (SHIFT), seja de NÍVEL (da gramática para o

léxico ou vice-versa) ou de CATEGORIA (estrutura, classe, ordem ou sistema). Como

Catford reitera ao longo do seu ensaio, MUDANÇAS apontam para a dificuldade de se

estabelecer CORRESPONDÊNCIA FORMAL entre sistemas linguísticos, o que reforça o

caráter meramente operacional do conceito de CORRESPONDÊNCIA FORMAL para o autor.

A retomada da teorização sobre a tradução, após a contribuição de Catford, é

feita por Halliday em 1992, sob a perspectiva das relações entre a LSF e a tradução.

Nesse trabalho, Halliday adverte que o que a linguística pode oferecer aos estudos da

tradução não é uma teoria da equivalência tradutória, mas uma teoria do contexto. Nesse

sentido, Halliday caracteriza o texto traduzido como construção de significado guiada

por um texto-fonte, configurando um META-TEXTO. Em sua teorização, Halliday aponta

como fundamental a noção de ESCOLHA (CHOICE) como resultados de seleções dentro de

paradigmas de OPÇÕES (OPTIONS) e o exame das PROBABILIDADES que condicionam as

escolhas.

Em 2001, são publicados dois textos fundamentais na teorização da tradução no

escopo da LSF. Por um lado, Halliday, em “Towards a theory of good translation”,

diferencia duas posições relativas ao estudo da tradução com impacto substancial na

abordagem dessa tarefa e principalmente sobre a questão da avaliação. O linguista,

como Halliday tinha observado desde suas primeiras reflexões sobre o tópico, vê a

tradução como um fenômeno da linguagem, passível de informar como sistemas

linguísticos podem ser comparados. A perspectiva do linguista é sistêmica, ou seja, dois


  62  

textos em relação de tradução são explicados em termos dos respectivos sistemas

linguísticos e seus subsistemas (REGISTRO).

O tradutor, diferentemente, vê a tradução como uma operação que precisa e

pode ser normatizada e avaliada.

Halliday relaciona esses dois olhares sobre a tradução com duas orientações na

análise textual. A primeira delas, e que constitui pré-requisito para a segunda, é indagar

por que um texto tem um determinado significado e por que ele é compreendido de

determinada maneira. A segunda orientação busca elucidar por que se atribui um

determinado valor a um texto, ou seja, por que ele é mais ou menos valorizado, mais ou

menos eficaz ou mais ou menos bem-sucedido. Significado, como vimos, é o resultado

de SELEÇÕES feitas em cada um dos estratos dentro das REDES DE SISTEMAS de opções.

Assim, responder à primeira pergunta envolve uma análise multidimensional que

contemple os diferentes parâmetros do estudo da linguagem. Halliday (2001) destaca

três vetores principais: ESTRATIFICAÇÃO, METAFUNÇÃO e ESTRUTURA (ORDEM). Assim,

se observarmos dois textos em duas línguas diferentes, aos quais se atribui uma relação

de tradução, a primeira pergunta que podemos fazer, segundo Halliday, é se, de fato, um

é tradução do outro e, caso constatada essa relação, se trata-se de uma boa tradução.

Para responder à primeira pergunta, precisamos analisar o texto para indagar qual é seu

significado e por que esse texto possui esse significado. Uma vez respondida essa

pergunta, podemos tentar avaliar se um dos textos é bem-sucedido enquanto tradução do

outro.

O procedimento, Halliday reitera, demanda compreender, primeiro, a produção

de significados em cada um dos sistemas linguísticos envolvidos, para que depois

possam ser feitas considerações sobre as relações entre esses significados. Para tanto, o
  63  

autor destaca a necessidade de se examinar o significado do ponto de vista das três

dimensões da linguagem – ESTRATIFICAÇÃO, METAFUNÇÃO, ESTRUTURA (ORDEM) – e,

no caso da avaliação de traduções, sugere que sejam examinadas as variáveis às quais se

atribui maior valor em cada contexto em particular.

A equivalência pode operar em diferentes ESTRATOS, em diferentes ORDENS e

em relação a um ou mais dos componentes funcionais (METAFUNÇÕES). Halliday (2001,

p. 17) ensaia uma possível correlação entre o tipo de equivalência e o valor a ela

atribuído:

Em relação à ORDEM, é geralmente às unidades léxico-gramaticais superiores


que se atribui maior valor; as unidades inferiores não estão sujeitas a
restrições (por exemplo, as PALAVRAS podem variar desde que as ORAÇÕES
sejam mantidas constantes). Em relação ao ESTRATO, também se valoriza, de
modo geral, a equivalência no estrato mais alto da linguagem, o SEMÂNTICO
(permitindo-se que haja variação nos estratos inferiores); o valor pode ser
conferido de forma explícita ao nível contextual, especialmente quando a
equivalência em estratos inferiores é problemática. Em relação à
METAFUNÇÃO, pode haver atribuição de maior valor à equivalência no
domínio INTERPESSOAL e TEXTUAL – partindo-se do pressuposto, todavia, de
que foi estabelecida equivalência IDEACIONAL.18

A equivalência tradutória pressupõe equivalência de significados IDEACIONAIS.

Isso significa que a variável CAMPO do REGISTRO precisa ser representada de forma

adequada na língua-alvo. Garantida a equivalência de significados IDEACIONAIS, a

equivalência de significados INTERPESSOAIS e TEXTUAIS ganha importância. No caso dos

significados INTERPESSOAIS, a encenação de atributos da variável SINTONIA e

determinados padrões de VALORAÇÃO no texto original pode tornar-se o principal

parâmetro na valorização de uma tradução, chegando a dispensar a equivalência

18
Minha tradução para: “In rank, it is usually at the higher lexicogrammatical units that
equivalence is most highly valued; lower units are then exempted (e.g. words can vary provided
the clauses are kept constant). In strata, likewise, equivalence is typically most valued at the
highest stratum within language itself, that of semantics (where again the lower strata may be
allowed to vary); value may also attach explicitly to the level of context, especially when
equivalence at lower strata is problematic. In metafunction, high value may be accorded to
equivalence in the interpersonal or textual realms — but usually only when the ideational
equivalence can be taken for granted”.
  64  

IDEACIONAL em casos especiais. Isso acontece quando a equivalência em termos de

ESTRATIFICAÇÃO opera no nível contextual. Nesse casos, Halliday explica, “espera-se

do tradutor a produção de um texto com função equivalente àquela do texto original em

seu CONTEXTO DE SITUAÇÃO”19.

A tradução será considerada “boa” quando os textos em relação de tradução

manifestem equivalências em termos de características linguísticas às quais se atribui

maior valor num dado contexto tradutório, tendo-se em conta o valor que se atribui ao

texto original no CONTEXTO DE CULTURA desse texto e o valor que se atribui ao texto

original no CONTEXTO DE CULTURA do texto-alvo.

As reflexões de Halliday (2001) encontram eco no ensaio de Matthiessen

(2001), The environments of translation, que constrói dois argumentos de relevância

para a modelagem proposta nesta tese. Por um lado, a necessidade de se examinar a

tradução no escopo de um espaço disciplinar amplo que integre as contribuições de

campos e subáreas que estudam a produção de significados multilíngues; e por outro, a

necessidade de se entender a tradução a partir do construto do AMBIENTE

(ENVIRONMENT) ou ecossistema, no qual se dá a interação de múltiplos sistemas de

contextualização.

Para desenvolver o construto de AMBIENTE (ENVIRONMENT), Matthiessen propõe

uma abordagem da tradução, observando-se desde a forma em que a LÉXICO-

GRAMATICA da língua constrói essa noção, passando pelo papel atribuído à tradução nas

relações entre os diferentes sistemas semióticos (linguagem, gestos, postura corporal,

pintura, escultura, música) até a consideração da tradução circunscrita ao sistema

semiótico da linguagem. Nesse percurso e com base na sua análise de “translation” e

19
Minha tradução para: “In such cases what is being expected of the translator is a text which
would have equivalent function to the original in the context of situation.”
  65  

“translate” em corpora de textos em língua inglesa, Matthiessen define a tradução como

processo semiótico que tem lugar dentro de sistemas semióticos superiores, sendo que a

linguagem é o único sistema semiótico capaz de traduzir todos os outros sistemas

semióticos humanos. Isso se deve ao seu potencial léxico-gramatical, à sua organização

metafuncional (com modos de significação simultâneos, porém diferentes) e ao seu

potencial para metaforização que lhe confere a capacidade de reconstrução da

experiência dentro de um mesmo sistema.

As diferentes dimensões de organização da linguagem de acordo com a LSF

definem AMBIENTES nos quais tem lugar a tradução. Quanto mais amplo o AMBIENTE no

qual a tradução opera, maior é o número de EQUIVALENTES que pode ser verificado.

Quando mais restrito o ambiente, maior o número de EQUIVALENTES que se distanciam

dos correspondentes formais e constituem MUDANÇAS (SHIFTS).

O tradução enquanto processo e seu produto, o texto traduzido, são estudados

com base no polo da INSTANCIAÇÃO, considerando-se TEXTOS em sua abstração para

TIPOS DE TEXTO. Do ponto de vista da ESTRATIFICAÇÃO, o AMBIENTE mais amplo no

qual equivalência pode ser estabelecida é, como Matthiessen explica, o CONTEXTO,

sendo que a tradução opera por excelência no estrato da SEMÂNTICA. Em outras

palavras, para que dois itens sejam considerados equivalentes e possam ser indagados

quanto à sua realização léxico-gramatical eles devem ser equivalentes semânticos.

Os significados gerados na SEMÂNTICA, como vimos, são realizados pela

LÉXICO-GRAMÁTICA. Uma vez estabelecida a equivalência semântica, no estrato léxico-

gramatical, pode ser mapeado o AMBIENTE em que a equivalência é estabelecida, sendo

o mais amplo deles, na ESCALA DE ORDENS, a ORAÇÃO.


  66  

Como Halliday (2001) também havia assinalado, para operacionalizar um

conceito de equivalência, precisamos postular um valor constante, sempre um nível

acima, em relação ao qual duas expressões podem ser consideradas correlatas. Em geral,

considera-se a ORAÇÃO como uma unidade de tradução teórica, pois, na ESCALA DE

ORDENS, é na oração que as ORDENS inferiores podem ser consideradas correlatas.

Contudo, como Matthiessen (2001) explica, a tradução opera na SEMÂNTICA, pois

traduzimos textos, unidades de significado em contexto, não unidades da análise

linguística. A ESCALA DE ORDENS é apenas uma das dimensões de organização da

linguagem relevante para que o analista indague os AMBIENTES da tradução.

Os equivalentes tradutórios operam sempre no nível acima na ESCALA DE

ORDENS, bem como no estrato superior na ESTRATIFICAÇÃO. Isso pode ser observado no

exemplo a seguir, retirado da amostra de textos analisados no estudo exploratório

apresentado no Capítulo 3 desta tese.

Os dois excertos (4a) e (4b) foram retirados de textos de procedimentos que se

encontram em relação de tradução num sítio web multilíngue de receitas culinárias:

(4a) To prepare the turkey for roasting, first remove the giblets (and save for gravy or stuffing). Next,
rinse the bird inside and out.

(4b) Primeiramente certifique-se de que o peru todo está descongelado. Retire os miúdos e lave a ave toda
em água corrente por dentro e por fora.

Se alinharmos os excertos tendo como parâmetro a unidade ORAÇÃO na ESCALA

DE ORDENS, obtemos os seguintes equivalentes:

QUADRO 7 Alinhamento dos textos original e traduzido na ORDEM DA ORAÇÃO

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


To prepare the turkey for roasting
Primeiramente certifique-se de que o peru todo está
descongelado.
First remove the giblets Retire os miúdos
(and save for gravy or stuffing).
  67  

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


Next, rinse the bird inside and out E lave a ave toda em água corrente por dentro e por
fora.

As células sombreadas no QUADRO 7 acima, indicam a ausência de

equivalência na ORDEM da ORAÇÃO. Dado que, uma vez atingido o ponto mais alto na

ESCALA DE ORDENS, os equivalentes tradutórios operam no estrato superior na

ESTRATIFICAÇÃO do sistema linguístico e do sistema semiótico, a equivalência dos dois

excertos acima é estabelecida no CONTEXTO, que aqui opera como constante de nível

superior. Assim, cada texto constrói significados que operam no respectivo CONTEXTO

DE CULTURA: no caso do texto em inglês, “gravy” (molho) e “stuffing” são significados

que operam no CONTEXTO DE CULTURA norte-americano, enquanto “descongelado” e

“em água corrente” operam no CONTEXTO DE CULTURA brasileiro.

Outros significados operam no CONTEXTO DE SITUAÇÃO e estão relacionados

com o REGISTRO e os SIGNIFICADOS TEXTUAIS. Assim, a série de procedimentos no

inglês começa com um TEMA tópico inicial, uma oração não finita de propósito (“To

prepare the turkey for roasting”). Já em português, a série de procedimentos começa

com um TEMA textual continuativo (“Primeiramente”), que relaciona a oração ao

DISCURSO precedente – neste caso, ao subtítulo “Dicas para assar um peru perfeito”.

A equivalência contextual obedece geralmente a variáveis do que Matthiessen

denomina META-CONTEXTO da tradução, isto é, o AMBIENTE mais amplo onde ocorre,

em última instância, a tradução. Os valores atribuídos às variáveis meta-contextuais

definem META-REGISTROS, os quais podem explicar a variação gerada pelos diferentes

processos de produção multilíngue, como veremos no Capitulo 3.


  68  

Os equivalentes no QUADRO 7 acima podem ser analisados em níveis

descendentes na ESCALA DE ORDENS. O QUADRO 8 mostra o alinhamento na ORDEM do

GRUPO:

QUADRO 8 Alinhamento dos textos original e traduzido na ORDEM DO GRUPO

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


First
remove retire
the giblets os miúdos
Next E
rinse lave
the bird a ave toda
em água corrente
inside por dentro
and e
out por fora

Observamos no QUADRO 8 que há segmentos não alinhados (destacados com

sombreamento), os quais integravam segmentos equivalentes na ORDEM da ORAÇÃO.

Isto ilustra o principio de que os equivalentes tradutórios operam sempre no nível acima

na ESCALA DE ORDENS. A FRASE PREPOSICIONADA “em agua corrente”, por exemplo, não

possui equivalente na ORDEM do GRUPO; todavia, é parte de um segmento com seu

respectivo equivalente na ORDEM da ORAÇÃO. Como a ORAÇÃO é a unidade fundamental

da LÉXICO-GRAMÁTICA e condensa significados METAFUNCIONAIS no inter-estrato da

SEMÂNTICA, “em água corrente” pode ser interpretado como um significado motivado

por alguma necessidade considerada fundamental pelo produtor do texto traduzido em

função de fatores contextuais.

O princípio da equivalência tradutória enquanto operação na ORDEM e no

ESTRATO acima da unidade analisada também pode ser observado se alinharmos os

GRUPOS na ORDEM inferior da PALAVRA.


  69  

QUADRO 9 Alinhamento dos textos original e traduzido na ORDEM DA PALAVRA

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


remove retire
the os
giblets miúdos
Next E
rinse lave
the a
bird ave
toda
inside por
dentro
and e
out por
fora

Em um dos segmentos sem equivalente (“toda”), temos um significado

INTERPESSOAL em português. Trata-se de um ADJUNTO MODAL de intensidade: grau:

completude, que acrescenta uma dimensão INTERPESSOAL e opera na ESTRUTURA do

GRUPO NOMINAL (cf. HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004, p. 329).

Segmentos sem equivalente são indicadores do que se denomina MUDANÇAS

(SHIFTS) em tradução. Matthiessen (2014) argumenta que as MUDANÇAS obedecem

princípios do sistema da língua-alvo. No exemplo, na ORDEM da PALAVRA o segmento

“inside” do texto original tem como equivalente “por” e “dentro”. Essa MUDANÇA na

ORDEM da PALAVRA, possível em vista de que a equivalência é mantida na ORDEM do

GRUPO, se deve ao fato de que em português o verbo lexical “lavar’, realizador do

PROCESSO MATERIAL da ORAÇÃO, demanda uma CIRCUNSTÂNCIA DE LOCALIZAÇÃO

realizada por uma FRASE PREPOSICIONADA “por dentro”.

MUDANÇAS claramente motivadas pelo sistema da língua-alvo são passíveis de

serem mapeadas em análises automáticas. Há, contudo, MUDANÇAS sem aparente

motivação pelo sistema da língua-alvo. Essas MUDANÇAS, de acordo com Matthiessen

(2014) precisam da análise manual e cuidadosa do linguista com vistas a identificar em


  70  

que ORDEM e ESTRATO pode ser encontrada uma motivação para as mesmas. É este o

caso do acréscimo de “toda” no segmento “a ave toda”.

Longe de representarem casos excepcionais ou amostras do comportamento de

um tradutor individual, as MUDANÇAS são abordadas na LSF como indicadores de

parâmetros de comparabilidade entre sistemas linguísticos muitas vezes ainda pouco

explorados e de enorme potencial, não apenas para os estudos da tradução, mas também

para a linguística comparada e a tipologia.

Um conceito central na LSF e de fundamental importância na tradução, como

Matthiessen assinala, é o conceito de AGNAÇÃO, que, como vimos, diz respeito ao grau

de relacionamento entre opções paradigmáticas. Qualquer expressão no texto-fonte

pode ter inúmeras expressões AGNATAS -- TEXTOS SOMBRA (SHADOW TEXTS) -- no

sistema da língua-fonte, assim como qualquer expressão no texto-alvo pode ter

inúmeras expressões AGNATAS no sistema da língua-alvo. No QUADRO 10, construído

com base na amostra de textos analisados no estudo exploratório apresentado no

Capítulo 3, uma oração de um texto-fonte em inglês foi, primeiramente, pré-editada por

um tradutor humano; logo depois traduzida por um sistema automático e posteriormente

pós-editada por tradutores humanos, com e sem acesso ao texto-fonte, gerando nesse

processo formas diferentes:

QUADRO 10 Formas agnatas entre texto-fonte e meta-textos

TEXTO-FONTE Remove any surface deposit by pressure washing or vacuum


cleaning.
TEXTO-FONTE PRÉ-EDITADO Remove any deposit on the surface: wash with pressure or
clean with a vacuum cleaner.
TEXTO TRADUZIDO Remova qualquer depósito na superfície: lavar com pressão
AUTOMATICAMENTE ou limpo com um aspirador de pó.
TEXTO PÓS-EDITADO SEM Para remover qualquer vestígio depositado na superfície:
ACESSO AO TEXTO-FONTE lavar com pressão ou limpar com um aspirador de pó.
TEXTO PÓS-EDITADO COM Para remover depósitos na superfície, lave a pressão ou use
ACESSO AO TEXTO-FONTE aspirador de pó.
  71  

TEXTO PÓS-EDITADO COM Remova os resíduos que possam ter ficado na superfície
ACESSO AO TEXTO-FONTE lavando com água à pressão ou usando um aspirador de pó.

As versões dos diferentes textos-alvo em português (META-TEXTOS) podem ser

consideradas AGNATAS entre si e também AGNATAS de formas AGNATAS, não realizadas,

do texto-fonte.

Um dos impactos que o contato linguístico tem sobre os sistemas em relação de

tradução diz respeito à propriedade de AGNAÇÃO, que, como o exemplo acima mostra,

gera variação nos sistemas linguísticos, uma vez que, com a frequência de uso, formas

com menor probabilidade numa língua, por efeito do contato linguístico via tradução,

passam a ter maior frequência em corpora dessa língua.

Afiliado à LSF, Steiner (2001) examina instâncias de variações intra- e

interlinguísticas de REGISTRO, envolvendo sistemas léxico-gramaticais diferentes

(tradução) e textos coproduzidos em diferentes línguas (produção multilíngue de

textos). O autor indaga em que medida seria possível modelar a tradução como variação

de REGISTRO e REALIZAÇÃO em diferentes sistemas linguísticos de um significado

IDEACIONAL invariante ou se a tradução se trataria de uma relação entre textos de

natureza específica e diferenciada.

Para Steiner, textos relacionados entre si evidenciam variação de REGISTRO, mas,

quando a relação é uma relação específica de tradução, os textos possuem propriedades

adicionais não encontradas na produção autônoma de textos em línguas diferentes. Isso

parece estar relacionado com o fato de que, segundo Steiner, no seu entendimento

prototípico, a tradução é uma operação singular e requer analogia de variáveis

contextuais entre texto-fonte e -alvo.


  72  

Em sua análise de versões intralinguísticas de um texto, Steiner observa

mudanças em termos das variáveis de REGISTRO, mas também analogias que permitem

considerá-las como versões de um mesmo texto. Já versões interlinguísticas são

semelhantes em REGISTRO, mas não totalmente análogas, dado que a léxico-gramática

de cada sistema linguístico gera características que têm impacto nas variáveis do

REGISTRO.

Steiner parte do pressuposto de que a correspondência entre construções léxico-

gramaticais de duas línguas não está pautada por uma relação um-a-um, mas de muitos

com muitos, como foi evidenciado pelo princípio de AGNAÇÃO. Há, assim, propriedades

específicas dos textos traduzidos que são inerentes à tradução, e não decorrentes de

decisões ad hoc de um tradutor em particular.

Steiner correlaciona variação e estratégia tradutória: se a estratégia tradutória

estiver orientada para a cultura-alvo, a tradução tenderá a evitar diferenças arbitrárias

entre o texto-fonte e o texto-alvo e “pontos fracos” do ponto de vista da tipologia da

língua-alvo. Todavia, evidenciará características de processos de compreensão textual,

típicos da tarefa de tradução. Já uma estratégia tradutória diferente procurará, no âmbito

da língua-alvo, selecionar características léxico-gramaticais o mais próximas possíveis

àquelas da língua-fonte, evidenciando os textos resultantes maior variação. Quanto mais

orientada para a cultura-alvo for a estratégia tradutória adotada, menor será a variação

de REGISTRO, se o texto-alvo for comparado com um texto não-traduzido da cultura-

alvo. Todavia, há sempre variação em função de (i) restrições nas seleções léxico-

gramaticais na língua-alvo, (ii) restrições impostas pelo texto-fonte e (iii) restrições

decorrentes do processo de compreensão textual, que como veremos no Capítulo 3,

dizem respeito a implicitude e explicitude de significados.


  73  

Dentre as pesquisas que se afiliam à perspectiva hallidayana e adotam uma

abordagem sistêmico-funcional do texto traduzido, o trabalho de Steiner (2001),

juntamente com o de Teich (2003) e Hansen (2003), destaca-se pelo desenvolvimento

de pesquisa de caráter empírico, com uma metodologia baseada em corpora de textos

originais e traduções, que, em diferentes combinações (corpora paralelos e

comparáveis), exploram a variação linguística e as propriedades do texto traduzido.

Steiner (2001) formula a hipótese de DESMETAFORIZAÇÃO, a qual se sustenta em

dados empíricos a partir de corpora e está baseada no conceito de METÁFORA

GRAMATICAL da LSF. Trata-se da atribuição de instâncias menos metafóricas,

observadas na comparação de originais e suas respectivas traduções, a três possíveis

fatores que intervêm na produção do texto traduzido: (i) especificidades dos sistemas

linguísticos envolvidos, (ii) características dos REGISTROS em pauta e (iii) o próprio

processo de compreensão do texto original e formulação do texto traduzido por parte do

tradutor.

(5a) e (5b) a seguir, extraídos do corpus analisado nesta tese, ilustram o

fenômeno de desmetaforização:

(5a) It's common to overbake cheesecakes

(5b) Muita gente deixa o cheesecake no forno por muito tempo.

No texto original em inglês, sob a perspectiva IDEACIONAL: LÓGICA, temos uma

ORAÇÃO FINITA (“It is common...”) que incorpora uma ORAÇÃO NÃO FINITA NOMINAL

ENCAIXADA (“to overbake cheesecakes). Sob a perspectiva INTERPESSOAL, o SUJEITO

funcional (“it”) é anteposto ao SUJEITO MODAL (“To overbake cheesecakes”) e permite,


  74  

do ponto de vista TEXTUAL, colocar um COMENTÁRIO (uma avaliação) em posição de

TEMA.

Formas AGNATAS em (6a) e (6b) evidenciam esse movimento de anteposição:

(6a) It's common to overbake cheesecakes

(6b) To overbake cheesecakes is common

Sob a perspectiva IDEACIONAL: EXPERIENCIAL, trata-se de uma ORAÇÃO

RELACIONAL, com um PROCESSO RELACIONAL ATRIBUTIVO, entre um PORTADOR (“to

overbake cheesecakes”) e o ATRIBUTO (“common”). A ORAÇÃO NÃO FINITA NOMINAL

ENCAIXADA também pode ser analisada sob a perspectiva EXPERIENCIAL como tendo um

PROCESSO MATERIAL (“overbake”) e uma META (“cheesecakes”). Não há especificação

de ATOR e/ou AGENTE desse PROCESSO MATERIAL, mas podemos inferir que se trata de

um ATOR realizado por um GRUPO NOMINAL cujo ENTE é animado e que provavelmente

seria, na estrutura INTERPESSOAL, um SUJEITO não responsável, passível de ser agnado

como “people” em (7a) e (7b).

(7a) It is common for people to overbake cheesecakes

(7b) People commonly overbake cheesecakes.

Em português, sob a perspectiva IDEACIONAL: LÓGICA, temos uma ORAÇÃO

SIMPLES. Contudo, do ponto de vista EXPERIENCIAL, temos dois PARTICIPANTES ATORES,

sendo que um deles exerce a função de INICIADOR (INITIATOR). Essa duplicidade pode

ser mais bem observada nas formas AGNATAS (8a), (8b) e (8c).
  75  

(8a) Muita gente deixa o cheesecake no forno por muito tempo.

(8b) Muita gente deixa o cheesecake permanecer no forno por muito tempo.

(8c) Muita gente deixa que o cheesecake permaneça no forno por muito tempo.

Sob a perspectiva INTERPESSOAL, o SUJEITO MODAL “muita gente” está realizado

na ORDEM do GRUPO por um GRUPO NOMINAL com um EPÍTETO de avaliação

interpessoal (“muita”). Sob a perspectiva TEXTUAL, o EPÍTETO que integra o GRUPO

NOMINAL que realiza o SUJEITO MODAL é colocado na posição de TEMA.

Tanto no original em inglês como no texto traduzido em português, vemos que,

do ponto de vista INTERPESSOAL, há marcadores INTERPESSOAIS e ambos se encontram

em posição de TEMA. Os textos diferem em termos da realização explícita de funções

experienciais no sistema da TRANSITIVIDADE na perspectiva IDEACIONAL: EXPERIENCIAL.

A forma mais metafórica em inglês (“it is common”), sem especificação de

PARTICIPANTE ATOR ou AGENTE, é realizada de forma menos metafórica em português,

ao estar explícita a função ATOR (“muita gente”). Ainda em relação ao segundo

PROCESSO, encaixado em inglês, “overbake”, temos em português a explicitação de um

número maior de FUNÇÕES, principalmente CIRCUNSTÂNCIAS de localização espacial e

temporal, que descompactam significados condensados no PROCESSO MATERIAL

realizado pelo verbo lexical “overbake” em inglês. (9a) e (9b) são formas agnatas do

grupo verbal em cada língua.

(9a) It's common to bake cheesecakes in the oven for too long a time

(9b) Muita gente deixa o cheesecake assar no forno por muito tempo.
  76  

O exemplo discutido ilustra a hipótese da DESMETAFORIZAÇÃO postulada por

Steiner, fenômeno atribuído pelo autor a (i) diferenças entre sistemas linguísticos, (ii)

probabilidades distintas de INSTANCIAÇÃO de subsistemas em determinados REGISTROS

ou bem (iii) ao processo de compreensão por parte do tradutor. Essa hipótese, amparada

em dados obtidos de textos traduzidos examinados por Steiner e por pesquisas do

processo tradutório realizadas por Hansen (2003), explicaria a variação adicional

vinculada ao processo de INSTANCIAÇÃO do texto traduzido. Sua investigação, além de

contribuir para os estudos da tradução per se, ilumina aspectos da INSTANCIAÇÃO no

espaço multilíngue, de sumo interesse para a LSF. No Brasil, as pesquisas

experimentais desenvolvidas pelo Laboratório Experimental de Tradução da

FALE/UFMG identificaram o fenômeno da desmetaforização no processo tradutório

capturado em tempo real com dados de registro de toques no teclado e mouse

(keylogging) e rastreamento ocular (eyetracking). Os estudos evidenciaram associação

entre instâncias de desmetaforização no processo tradutório e perfil mais experto do

sujeito tradutor (cf. ALVES, PAGANO, NEUMANN, STEINER, HANSEN-

SCHIRRA, 2010; ALVES, PAGANO, SILVA, 2009, 2011, 2014a, 2014b).

Intrinsecamente relacionado com o conceito de METÁFORA GRAMATICAL e a

hipótese de DESMETAFORIZAÇÃO está o conceito de EXPLICITAÇÃO, objeto de

investigações nos estudos da tradução (BLUM-KULKA, 1986; BAKER 1996;

LAVIOSA-BRAITHWAITE, 1998; OLOHAN 2001; KENNY 1998) e que Steiner

(2005) modela sob a perspectiva da LSF.

De fato, Steiner parte de uma problematização de “explicitude” e “explicitação”

conforme utilizados em distintas abordagens teóricas nos estudos linguísticos e nos


  77  

estudo da tradução e propõe uma definição de ambos termos pautada pela LSF e

passível de ser operacionalizada em análises textuais.

Para Steiner, EXPLICITAÇÃO é um processo mapeado entre textos, que tem como

resultado a EXPLICITUDE de significados. Verifica-se EXPLICITAÇÃO, segundo Steiner

(STEINER, 2005, p.12):

se numa tradução (ou, numa mesma língua, em textos vinculados por pertencer ao
mesmo REGISTRO) são realizados, na variante mais explícita, significados (não apenas
ideacionais, mas também interpessoais e textuais) que não foram realizados na variante
menos explícita, mas que estavam implícitos nela e cuja implicitude pode ser
demostrada do ponto de vista teórico. O resultado é um texto mais “explícito” do que o
texto contrapartida.20

Na definição acima, cabe destacar a necessidade, apontada pelo autor, de que a

maior ou menor EXPLICITUDE de significados seja demonstrada do ponto de vista

teórico, com base em critérios precisos de mensuração. Steiner situa as propriedades de

codificação explícita em relação à ORDEM da ORAÇÃO sob a perspectiva

METAFUNCIONAL e em relação ao DISCURSO, sob a perspectiva da COESÃO, e propõe os

seguintes indicadores quantitativos:

QUADRO 11 Indicadores de EXPLICITAÇÃO

IDEACIONAL: EXPERIENCIALNo. de funções explícitas : No. de funções implícitas

IDEACIONAL: LÓGICA No. de funções explícitas : No. de funções implícitas

INTERPESSOAL: MODO No. de marcadores de MODO explícitos : No. de marcadores de MODO


implícitos
INTERPESSOAL: No. de marcadores de MODALIDADE explícitos : No. de marcadores de
MODALIDADE MODALIDADE implícitos

TEXTUAL: TEMA No. de Temas lexicais : No. de temas fóricos

20
Minha tradução para: “if in a translation (or language-internally in a pair of register-related
texts) meanings (not only ideational, but including interpersonal and textual) are realized in the
more explicit variant which are not realized in the less explicit variant, but which are in some
theoretically-motivated sense implicit in the latter. The resulting text is more “explicit” than its
counterpart.”
  78  

COESÃO: REFERÊNCIA No. de referentes explícitos : No. de referentes implícitos


No. de frases fóricas : No. de frases lexicais
COESÃO: ELIPSE No. de ocorrências de elipse /substituição
/SUBSTITUIÇÃO
COESÃO: LEXICAL No. de palavras lexicais: No de palavras gramaticais

COESÃO: CONJUNÇÃO No. de relações explícitas: No. de figuras

Fonte: adaptado de Steiner (2005, p. 14)

Em (10a) e (10b), retirados do corpus analisado nesta tese, temos uma

ocorrência de EXPLICITAÇÃO, com acréscimo de funções no texto em português

(destacado em negrito):

(10a) Gently curve the floss around the base of each tooth, making sure you go beneath the gumline.
Never snap or force the floss, as this may cut or bruise delicate gum tissue.

(10b) Passe cuidadosamente o fio ao redor da base de cada dente, ultrapassando a linha de junção do
dente com a gengiva. Nunca force o fio contra a gengiva, pois ele pode cortar ou machucar o
frágil tecido gengival.

No texto original em inglês, sob a perspectiva IDEACIONAL: LÓGICA, o

COMPLEXO ORACIONAL “Never snap or force the floss” está formado por duas ORAÇÕES

PARATÁTICAS, cada uma delas constituída, sob a perspectiva IDEACIONAL:

EXPERIENCIAL, por um PROCESSO MATERIAL (“snap”, “force”), um ATOR (“you” não

realizado por se tratar do MODO IMPERATIVO) e um PARTICIPANTE META (“the floss”),

explícito na segunda oração. No texto traduzido, temos uma oração simples com um

PROCESSO MATERIAL (“force”), um ATOR (“você” não realizado por se tratar do MODO

IMPERATIVO), um PARTICIPANTE META (“o fio”) e uma CIRCUNSTÂNCIA DE LOCALIZAÇÃO

(“contra a gengiva”). Se, com base nos indicadores de Steiner no Quadro...., contarmos

o número de funções nos sistemas relativos às três METAFUNÇÕES, observamos uma


  79  

diferença no sistema da TRANSITIVIDADE. Há uma função a mais no texto em português

uma CIRCUNSTÂNCIA DE LOCALIZAÇÃO que complementa o PROCESSO MATERIAL. Esse

significado mais explícito precisa ser mapeado a um significado implícito no texto em

inglês, para poder se afirmar que houve de fato EXPLICITAÇÃO. Neste caso específico, o

sistema de COESÃO, mostra em inglês uma cadeia lexical na qual o item lexical “gum”

(gengiva) é retomado ao longo do DISCURSO por meio de repetição (destacado em

negrito):

(11) Gently curve the floss around the base of each tooth, making sure you go beneath the gumline.
Never snap or force the floss, as this may cut or bruise delicate gum tissue.

Infere-se assim que “gum” (gengiva) é o ENTE que compõe os GRUPOS NOMINAIS

que realizam PARTICIPANTES e CIRCUNSTÂNCIAS, estando os processos materiais “snap”

e “force” circunscritos a esse ambiente coesivo.

Em português, o ENTE “gengiva” é explicitado na CIRCUNSTÂNCIA que

circunscreve o PROCESSO MATERIAL “forçar”:

(12) Passe cuidadosamente o fio ao redor da base de cada dente, ultrapassando a linha de junção do dente
com a gengiva. Nunca force o fio contra a gengiva, pois ele pode cortar ou machucar o frágil
tecido gengival.

Nesse sentido, podemos afirmar que houve uma instância de EXPLICITAÇÃO na

tradução e o texto traduzido é mais explícito que o original.

Steiner (2005) faz uma revisão das interações entre a LSF e a tradução

(entendida como uma relação entre textos e uma atividade) e argumenta que esse

intercâmbio tem funcionado em grande parte de forma unidirecional. A LSF tem tido
  80  

impacto na prática e no ensino da tradução, mas a tradução não tem sido muito

explorada no âmbito da LSF.

Sob a perspectiva dos estudos da tradução, Steiner destaca o impacto que a LSF

teve nesse campo disciplinar, numa vertente de modelagem, por um lado, nos trabalhos

de Bell (1991), Newmark (1988), Munday (1998); e nos estudos de registro, coesão e

gênero, por outro, com os trabalhos de Baker (1992), Hatim e Mason (1990; 1997),

Hatim (1997), House (1977/1997), Steiner (2004), Taylor (1998) e Yallop (2001).

Steiner caracteriza esses trabalhos, na dimensão da estratificação, como

tentativas de modelar a tradução na ordem da oração e explorando a dimensão das

metafunções. Posteriormente, a incorporação metodológica da linguística de corpus e o

uso de corpora paralelos e de traduções marcou o início de uma linha de investigação

voltada para a instanciação (TEICH, 2003).

No Brasil, Pagano e Vasconcellos (2005) e Pagano (2008) traçam a trajetória da

LSF em sua interface com os estudos da tradução, a qual se remonta à década de 1980 e

avança em progressão constante até o presente, com um número significativo de

dissertações e teses defendidas nos programas de pós-graduação de diversas IFES. A

incorporação da teoria sistêmico-funcional no Brasil é impulsionada notadamente pela

UFSC21, centro no qual formaram-se pesquisadores que deram continuidade aos estudos

na UFMG, Puc-SP, Puc-Rio, UNB, UECE, entre outros, confirmando o papel destacado

das pesquisas brasileiras nessa interface, quando comparadas àquelas desenvolvidas em

outros centros internacionais, como ressaltado por Matthiessen (2014).

21
Nesse sentido, são seminais o volume Tradução: teoria e prática (COULTHARD, M.;
CALDAS-COULTHARD, C. R., 1991) e o número especial da Revista Ilha do Desterro
Studies in Translation/ Estudos de Tradução (COULTHARD, 1992).
  81  

Já sob a perspectiva da LSF, a tradução continua sendo, para Steiner, um

desafio, juntamente com o estudo do contato linguístico e seu impacto na variação e

mudança linguística. Nesse aspecto, o estudo da tradução e de outros tipos de produção

multilíngue pode contribuir significativamente.

Se o conceito de equivalência foi pivô dos debates do estudos da tradução na

década de 1980, quando a “virada cultural” ou literária enxergava nela uma noção

restrita à linguagem verbal, concebida como um código que opera num vácuo histórico

e cultural (cf. críticas de SNELL-HORNBY, 1988 e GENTZLER, 1993/2001),

curiosamente, é no âmbito da linguística sistêmico-funcional e mais especificamente por

parte de pesquisadores interessados na modelagem da produção multilíngue da

linguagem que o conceito de equivalência é retomado na década de 2000 (cf.

HALLIDAY, 2001; MATTHIESSEN, 2001; STEINER, 2001; TEICH, 2001, 2003;

YALLOP, 2001). A esse interesse somam-se as possibilidades advindas dos recursos

computacionais disponíveis em termos de compilação e armazenamento de corpora e de

ferramentas de anotação e análise automáticas e semiautomáticas, que passam a

possibilitar que a equivalência seja investigada em corpora monolíngues e multilíngues,

paralelos e comparáveis. Isso, aliado ao fato de se examinar a tradução no âmbito de

outros processos multilíngues como a geração multilíngue de textos, a pré-edição, a

pós-edição, a adaptação, a localização, amplia o escopo de discussão do conceito de

equivalência, colocando a possibilidade de se comparar as características de segmentos

equivalentes nesses diferentes tipos de texto. Nesse sentido, como veremos na próxima

seção, o embasamento numa teoria abrangente da linguagem como a LSF e sua

teorização do potencial multilíngue permitem explicar e localizar o espaço semiótico


  82  

onde têm lugar as instâncias às quais se atribui relação de equivalência em cada um

desses tipos de texto.

Os estudos multilíngues

Embora a proposta de um campo de estudos multilíngues, conforme elaborada

em Matthiessen et al. (2008), tenha surgido apenas mais recentemente no percurso da

teoria sistêmico-funcional, desde suas primeiras conceptualizações e reflexões, a LSF

tem mostrado uma orientação para os estudos de comparação linguística, por um lado,

articulados com os estudos descritivos, e para os estudos contrastivos, por outro, com

vistas a informar aplicações nos campos do ensino de língua estrangeira e a tradução

(cf. HALLIDAY; MCINTOSH; STREVENS, 1964; CATFORD, 1965). Tradução e

comparação linguística também estavam presentes nos estudos de alguns dos

precursores da teoria, como é o caso de Malinowski e Firth e dos linguistas do Círculo

de Praga.

O caráter inovador da proposta na década atual, todavia, diz respeito à

integração de campos e subáreas que foram desenvolvendo-se de forma separada, sendo

seu objeto de estudo o mesmo -- a linguagem -- , mas sob perspectivas anteriormente

tidas como díspares e irreconciliáveis.

Matthiessen (2001) tece comentários sobre a postura isolacionista das áreas,

sobretudo dos estudos da tradução. As pesquisas em tradução afiliadas a esse campo,

Matthiessen comenta, não usufruem dos estudos de tipologia, linguística comparada e

linguística contrastiva, bem como excluem em grande medida a tradução automática de

seus focos de investigação. Isso pode ser explicado, de certa forma, pelo percurso de

estabelecimento do campo disciplinar nas décadas de 1980 e 1990 e sua agenda

enfocada prioritariamente na consolidação de uma identidade autônoma, não


  83  

necessariamente afiliada aos estudos linguísticos ou literários (cf. BASSNETT, 1991).

Reivindicando um espaço acadêmico que possibilitasse estudar a tradução em suas

relações com outras esferas, o componente linguístico foi relegado a um segundo plano,

ao ponto em que uma abordagem da linguagem em tradução passou a ser rotulada como

“abordagem linguística da tradução”, como se a tradução operasse fora do sistema

semiótico da linguagem. Matthiessen também destaca certo mútuo desinteresse

existente entre as teorias da tradução e as teorias da linguagem.

Teich (2001, 2003) compartilha as reflexões de Matthiessen e destaca a

potencial contribuição do estudo da tradução para a tipologia linguística e a linguística

comparada por ele explorar o polo da instanciação e colocar em evidência aspectos que

permitem modelar os sistema linguísticos num nível maior de DELICADEZA. Embora

dois sistemas/línguas possuam recursos análogos, dependendo do REGISTRO e do

desenvolvimento do GÊNERO do texto, um sistema pode instanciar um recurso e o outro

selecionar um recurso diferente.

Tendo em vista os benefícios de uma integração de perspectivas devido ao seu

impacto potencializador de recursos e achados, Matthiessen et al. (2008) propõem uma

articulação dos distintos campos e subáreas num espaço multidimensional modelado no

escopo de uma teoria abrangente da linguagem em seu contexto de uso como é a LSF.

Pela abrangência das dimensões de organização da linguagem postuladas pela teoria e

pela sua proposta de um modelo de descrição linguística que contempla as

especificidades de cada língua, mas que está pautado por categorias teóricas

supralinguísticas, a LSF é apresentada como teoria produtiva para embasar o campo do

estudos multilíngues.
  84  

O novo campo dos estudos multilíngues é apresentado pelos autores como

espaço agregador de pesquisas dispersas nos estudos da tradução, no

ensino/aprendizagem de língua estrangeira, na tipologia linguística, descrição

linguística, na linguística contrastiva e nos estudos de bilinguismo/multilinguismo,

dentre outros.

Os autores articulam os diferentes campos e subáreas de acordo com o lugar

dentro da teoria sistêmico-funcional onde se situam o foco e interesse de cada campo.

Assim, tomando como parâmetros as dimensões da instanciação e a hierarquia da

estratificação, ordenam os campos e subáreas em escalas que abrangem:

• do SISTEMA (tipologia; linguística comparada, linguística contrastiva) à

INSTANCIAÇÃO (estudos da tradução), passando pelo REGISTRO (pragmática

intercultural);

• das línguas em plural (tipologia) a uma língua em particular (descrição); e

• do CONTEXTO (estudos da tradução) à FONÉTICA e FONOLOGIA (tipologia),

passando pela SEMÂNTICA e a LÉXICO-GRAMÁTICA (retorica contrastiva,

pragmática intercultural).

No caso da tradução, os autores localizam seu estudo a cargo do campo

disciplinar do estudos tradução, no contínuo da INSTANCIAÇÃO e na hierarquia da

ESTRATIFICAÇÃO, como concentrado no polo INSTANCIAL e majoritariamente nos

ESTRATOS do CONTEXTO e da SEMÂNTICA. A FIGURA 9, adaptada de Matthiessen et al.

(2008, p. 149), ilustra a articulação proposta pelos autores.


  85  

várias

tipologia

Generalização de algumas para múltiplas línguas


número de línguas

comparação comparação
(nova abordagem) (abordagem
tradicional)

pragmática
intercultural
estudos da análise
tradução contrastiva
(automática)

Multilinguismo
(incluindo aprendizagem de língua estrangeira)

descrição
linguística

uma

FIGURA 9 - Domínio fenomenológico explorado no campo dos estudos multilíngues


em termos de número de línguas e ao longo do contínuo da instanciação

Fonte: adaptada de Matthiessen et al. (2008, p.149).

A pertinência de se integrar campos e subáreas está na complementariedade das

perspectivas. Assim, por exemplo, a relação entre texto-fonte e texto-alvo, no caso da

tradução, pode ser abordada no polo da instância através do enfoque da equivalência

textual e no polo do sistema através do enfoque da correspondência entre sistemas.

Ambos os olhares são complementares e sua integração favorece explanações mais

robustas e abrangentes do objeto de estudo.


  86  

Preocupação análoga quanto ao relativo isolamento de diferentes campos que

examinam o multilinguismo e a necessidade de integração de estudos para a

potencialização de seus recursos e resultados é manifestada pelos organizadores do

volume Multilingual discourse production, de recente publicação (KRANICH et al.,

2011). Os autores apontam a escassez de investigações sobre o papel da tradução e de

outros tipos de produção multilíngue de discurso nos estudos de contato linguístico, os

quais parecem ter privilegiado os estudos de contatos interlinguísticos em situações de

encontros e convivência de falantes. Perguntas que os autores formulam como pontos a

serem incluídos nas futuras agendas de pesquisas dizem respeito ao tipo de variação e

mudança passível de ser observado em texto traduzidos, a uma possível tipologia de

mudanças induzidas pelo contato linguístico através da tradução e aos fatores que

influenciam esse contato.

Modelar os mecanismos pelos quais opera o contato linguístico requer uma

tomada de posição teórica a respeito dos loci de produção de significado. Matthiessen

(2001) aponta duas posições que têm prevalecido nas conceituações da tradução. Uma

posição considera que cada sistema linguístico é um sistema monolíngue, autônomo,

que pode ser relacionado com outros sistemas por meio de correspondências tradutórias

entre eles. Neste caso, a tradução e outras formas de contato podem ser modeladas

como uma operação de TRANSFERÊNCIA.

Uma outra posição já considera que os recursos das línguas podem ser

integrados em um único sistema multilíngue, essa integração existindo

independentemente de a tradução ou outros tipos de contato terem lugar ou não. Neste

caso, a tradução pode ser modelada como uma operação de INTERLÍNGUA.


  87  

Uma posição alternativa, postulada na LSF, é considerar cada língua como parte

de um sistema multilíngue integrado, tendo, porém, plena autonomia. Esta posição

permite a comparabilidade entre sistemas e, ao mesmo tempo, a observação de

diferenças nos movimentos de MANOBRA (SHUNTING) entre diferentes níveis na ESCALA

DE ORDENS, que são aqueles que envolvem o maior número de MUDANÇAS ou SHIFTS.

Para esse tipo de modelagem, a LSF propõe REDES DE SISTEMAS MULTILÍNGUES

(MULTILINGUAL SYSTEM NETWORKS), cuja CONDIÇÃO DE ENTRADA é geral para vários

sistemas linguísticos. À medida que se avança na rede e aumenta o nível de

DELICADEZA, os sistemas preveem opções exclusivas para determinados sistemas e não

outros.

As REDES DE SISTEMAS MULTILÍNGUES constituem uma forma de modelagem

econômica no sentido de que permitem mostrar o potencial que distintos sistemas

possuem em comum, destacando-se as especificidades. Assim, como Teich (1999)

mostra, duas línguas podem possuir as mesmas opções de MODO com os mesmos

valores nas suas gramáticas, como é o caso do imperativo no inglês e no alemão, porém

selecionar outras opções de MODO devido a restrições relativas ao REGISTRO.

Matthiessen et al. (2008) ilustram esse aspecto com exemplos de realizações de

recomendações em manuais de instruções em inglês, alemão e francês traduzidos e não

traduzidos. Enquanto as três línguas possuem o mesmo potencial no sistema de MODO,

com opções para MODO declarativo e imperativo, a seleção de um ou outro Modo

obedece, como os autores mostram a variações de REGISTRO. Assim, comandos

realizados no MODO imperativo na língua inglesa são realizados no MODO declarativo

no francês, caracterizando uma MUDANÇA (SHIFT). No caso do alemão, o comando é


  88  

realizado pelo MODO imperativo, porém o sistema do alemão, diferentemente do inglês,

possui uma diferenciação no imperativo num maior nível de DELICADEZA.

A comparação de sistemas linguísticos tradicionalmente realizada pela

linguística comparada, Matthiessen et al. (2008) argumentam, tende a contemplar

poucos subsídios textuais e tem ignorado a tradução como fonte que pode informar

especificidades dos sistemas. Por outro lado, os estudos da tradução também têm se

concentrado no polo textual, sem procurar vincular as observações nesse ponto da

INSTANCIAÇÃO ao SISTEMA como um todo.

A tradução opera no polo da INSTANCIAÇÃO, mas cada INSTÂNCIA textual é a

ATUALIZAÇÃO do SISTEMA da língua. Nesse sentido, os achados dos estudos da tradução

(tradicionalmente mais interessados com INSTÂNCIAS) e os da linguística comparada e

tipologia linguística (mais interessados no polo do SISTEMA) se complementam.

A comparação de dois textos – de duas INSTÂNCIAS – demanda a comparação

dos respectivos potenciais. Essa comparação, como vimos, parte do conceito de

equivalência, mas conforme Halliday antecipa, seria necessário contarmos com uma

tipologia de equivalências: tipos de equivalência aos quais se poderia atribuir valores

diferenciados de acordo com as condições específicas que se aplicam a uma instância de

tradução em particular. Na modelagem dessa tipologia, como também foi exposto,

Halliday propõe a adoção de três vetores principais: ESTRATIFICAÇÃO, METAFUNÇÃO e

ORDEM, e Matthiessen reinterpreta os conceitos de EQUIVALÊNCIA tradutória e

MUDANÇA (SHIFT) como dois polos numa escala de congruência/divergência entre

línguas. Ambas as propostas buscam promover a integração dos estudos em distintos

pontos do contínuo da instanciação.


  89  

Ainda em relação a essa proposta integradora, os autores reforçam a necessidade

de se contemplar a tradução automática nos estudos da tradução. Se bem a tradução

automática tem sempre operado em AMBIENTES mais restritos, geralmente na ORDEM da

PALAVRA e do GRUPO e mais recentemente da ORAÇÃO, longe de serem desprezíveis ou

carentes de significação para o linguista, os estudos feitos nesse subcampo têm revelado

MUDANÇAS de tradução no estrato léxico-gramatical que poderiam ser úteis aos estudos

da tradução, num modelo integrado de estudos multilíngues. Além disso, entre

INSTÂNCIA e SISTEMA, há pontos intermediários como o REGISTRO e TIPOS DE TEXTO, que

são úteis para a tradução automática.

O panorama retratado por Matthiessen (2001) e Teich (2001; 2003) vem

apresentando modificações importantes na presente década: com a consolidação do

estudos do processo tradutório, os estudos da tradução tem se aproximado da tradução

automática em virtude das tecnologias crescentemente utilizadas pelo tradutor humano,

como memórias de tradução, e sua participação em processos mediados pela tradução

automática como é o caso da pré-edição e da pós-edição. Nesse sentido, as pesquisas

executadas no Laboratório Experimental de Tradução (LETRA), da FALE-UFMG, vêm

implementando abordagens da tradução e dos estudos multilíngues que, como veremos

a seguir, respondem aos questionamentos levantados por Matthiessen e outros e

consubstanciam a proposta de caracterização do ambiente multilíngue apresentada nesta

tese.

Modelagem da tradução no Laboratório Experimental de Tradução


da FALE/UFMG

Desde sua criação em 2000, o Laboratório Experimental de Tradução (LETRA),

da FALE-UFMG, vem desenvolvendo pesquisa empírica sobre a tradução e a produção


  90  

textual multilíngue, visando investigar aspectos da expertise em tradução que possam

informar a modelagem do conhecimento experto tanto para fins de implementação

computacional como para a formação de tradutores. Os estudos integram um forte

componente tecnológico e uma visão ampla do fenômeno tradutório mapeado sob

múltiplas perspectivas que contemplam:

- o PROCESSO SOCIAL da tradução no CONTEXTO DE CULTURA

- o PROCESSO TEXTUAL da tradução numa perspectiva SINÓPTICA (produto

tradutório)

- o PROCESSO TEXTUAL da tradução numa perspectiva DINÂMICA (processo

tradutório)

Essas perspectivas estão organizadas de forma hierárquica segundo níveis de

abstração na FIGURA 10:


  91  

Processo  social  da  tradução  

Processo  textual  da  tradução-­‐    


perspectiva  sinóptica  

A   O  texto  traduzido  em  


sua  relação  com  o  texto   Processo  textual  da  tradução-­‐    
tradução   não  traduzido  

no   perspectiva  dinâmica  
contexto   O  texto  traduzido  em  
sua  relação  com  o  texto  
de  cultura   original  

Desenvolvimento  da  
Descrição  linguística  
capacidade  de  
orientada  para  a  analise  
do  texto  traduzido   Instanciação  do  texto   produção  de  
traduzido  (logogênese)    
signiOicados  
Estudo  do  ambiente  
multilíngue  de  
(ontogênese)  
produção  textual  (os  
registros  da  ciência)  

FIGURA 10 – Sistematização da pesquisa desenvolvida no âmbito do Laboratório


Experimental de Tradução da FALE/UFMG

O primeiro eixo de estudos, a análise da tradução como PROCESSO SOCIAL no

CONTEXTO DE CULTURA, tem como ponto de partida o exame da tradução no contexto

mais amplo de operacionalização, isto é, na história e na historiografia da cultura. O

Grupo de Pesquisa Modelagem sistêmico-funcional da tradução e da produção textual

multilíngue (DGP/CNPq), sob minha coordenação, surge na esteira da pesquisa de

doutoramento Percursos crítico e tradutórios da nação (PAGANO, 1996) e os estudos

que deram continuidade à mesma, financiados através do projeto A tradução nos

contatos interculturais na América Latina (FAPEMIG SHA-861/07), os quais


  92  

permitiram examinar como a tradução foi construída na cultura brasileira em contraste

com outros contextos culturais na América Latina (cf. PAGANO, 1994, 1996, 1997,

1999, 2000a, 2000b, 2000c, 2001a, 2001b, 2001c, 2002).

O segundo eixo da produção é o relativo à análise do PROCESSO TEXTUAL da

tradução numa perspectiva SINÓPTICA, isto é, do que no campo disciplinar dos estudos

da tradução se entende como produto tradutório. Este enfoca a INSTÂNCIA textual sob a

perspectiva do corpus paralelo (textos originais e suas respectivas traduções) e

comparável (textos traduzidos e textos não traduzidos). Financiados através dos projetos

Tradução e Linguística de Corpora (PROCAD/CAPES 097/01-2), Corpora, Gênero e

(re)textualização: interfaces nos estudos da tradução (CNPq 551577/2992-9), Corpora,

cognição e discurso: uma proposta interdisciplinar para os estudos da tradução a

partir de bancos eletrônicos de dados (CNPq 477873/03-0) e Organização temática e

tradução: contribuições para o estudo da competência tradutória sob uma perspectiva

cognitiva e discursiva (CNPq 303745/2002-9), os estudos possibilitaram identificar

padrões na LÉXICO-GRAMÁTICA dos textos traduzidos e sua correlação com aspectos

contextuais da tradução (cf. PAGANO, 2000, 2005, 2008; PAGANO, MAGALHÃES,

ALVES, 2004; PAGANO, FIGUEREDO, BRAGA, 2007; LACERDA, PAGANO,

2008; FIGUEREDO, PAGANO, 2009; PAGANO, JESUS, 2011).

Paralelamente aos estudos sobre o texto traduzido, foram desenvolvidas

pesquisas sobre a produção multilíngue de textos acadêmicos e outros registros da

ciência (cf. PAIVA, PAGANO, 2001; OLIVEIRA; PAGANO, 2006; MACEDO;

PAGANO, 2008; MACEDO; PAGANO, 2011).

O estudo do ambiente multilíngue de produção textual motivou também o

trabalho de descrição do português brasileiro, dentro da matriz descritiva da linguística


  93  

sistêmico-funcional, primeiramente com descrições parciais de alguns sistemas e uma

descrição completa obtida em 2011 (cf. FIGUEREDO; PAGANO, 2007; FIGUEREDO,

2011; FERREGUETTI; PAGANO; FIGUEREDO, 2011, 2012; PAGANO,

FIGUEREDO, FERREGUETTI, 2012; FIGUEREDO, PAGANO, 2012; FIGUEREDO,

PAGANO; FERREGUETTI, 2014).

O terceiro eixo de produção diz respeito ao PROCESSO TEXTUAL da tradução

numa perspectiva DINÂMICA, ou ao que o campo dos estudos da tradução denomina de

processo tradutório. Por processo tradutório, entende-se o processo de geração de um

texto em tradução, registrado em tempo real por técnicas de keylogging (registro de

toques no teclado e movimentos de mouse) e eyetracking (rastreamento dos movimentos

de fixação ocular). O processo é registrado no escopo de pesquisas de caráter

experimental, com desenho próprio para elicitar dados em função das hipóteses

formuladas (cf. ALVES, 2003; 2005).

As pesquisas executadas no LETRA/FALE têm contado e contam com apoio de

diferentes fontes de financiamento, através de projetos sob minha coordenação ou

subcoordenação: Um Enfoque cognitivo-discursivo na formação de tradutores: uma

investigação empírico-experimental do produto e do processo da tradução com a

aplicação das novas tecnologias (CAPES 046-3); Expert@ - Conhecimento experto em

tradução: modelagem do processo tradutório em altos níveis de desempenho (CNPq

479340/2006-4); Modelagem do processo tradutório para o desenho de sistemas tutores

inteligentes (FAPEMIG 502982/2007-1); Uma abordagem do texto traduzido com

vistas à modelagem computacional: o fenômeno da (des)metaforização no processo

tradutório de tradutores expertos (CAPES-DAAD PROBRAL 292/08); A

desmetaforização como hipótese produtiva para a modelagem do processo tradutório


  94  

(CNPq 309005/2007-8 e FAPEMIG PPM-00490-09); Coesão na produção textual em

tempo real (CAPES BEX4862/09-0), Relações coesivas na produção do texto

traduzido: um estudo orientado para a modelagem do desempenho experto em tradução

(CNPQ 308652/2010-0 e FAPEMIG PPM-00087-12), AuTema-Post-Editing

(University of Macau), Cognitive Analysis and Advanced Interactive Human-Machine

Translation (Copenhaguen Business School) e Modelagem da produção textual em

ambiente multilíngue: a pós-edição de textos traduzidos automaticamente (CNPq

305129/2013-9 e FAPEMIG PPM-00289-14). As pesquisas têm se caracterizado por

estudos prospectivos de aspectos da produção do texto traduzido relativos à unidade de

tradução observada em produção textual escrita em tempo real. A unidade de tradução,

identificada com base em unidades geradas entre intervalos de pausa, tem sido analisada

sob a perspectiva da ORDEM (RANK) e os padrões observados relacionados ao

desempenho mais ou menos bem-sucedido do tradutor e do texto produzido ao cabo da

tarefa tradutória. Um outro aspecto investigado tem sido a identificação de sequências

na escrita que evidenciem DESMETAFORIZAÇÃO de significados (cf. PAGANO;

MAGALHAES; ALVES, 2005; PAGANO; SILVA, 2008, 2010, 2011; SILVA;

PAGANO; ALVES, 2008; SILVA; LIMA; OLIVEIRA; PAGANO, 2009; ALVES;

PAGANO; SILVA, 2009, 2011; PAGANO; ALVES; ARAUJO, 2011; PAGANO;

ALVES; SILVA, 2013; PAGANO; SILVA; ALVES, 2013; PAGANO; ARAUJO,

2013; ALVES; PAGANO; SILVA, 2014a; ALVES; PAGANO; SILVA, 2014b).

O tipo de evidência fornecida pelo experimento refere-se à captura de

sequências de escrita e rescrita registradas em anterioridade ao produto final acabado.

Trata-se de instantâneos de momentos da produção do texto registradas pelo software de

keylogging. Cada instantânea pode ser analisada como um momento na história


  95  

LOGOGENÉTICA do texto (cf. HALLIDAY, 2002, p. 360), um produto momentâneo que

nucleia as múltiplas instanciações de cada um dos estratos da linguagem e cuja análise

aponta para um sistema instancial específico.

As pesquisas desenvolvidas no Laboratório Experimental de Tradução da

Faculdade de Letras da UFMG têm enfocado o processo tradutório sob a perspectiva do

desenvolvimento da competência tradutória (GONÇALVES, 2003; ALVES;

GONÇALVES, 2007) e do conhecimento experto em tradução (ALVES, 2005; SILVA,

2007; PAGANO; SILVA, 2008; OLIVEIRA, 2009). Como foi mencionado, com base

em dados de keylogging obtidos em condições experimentais, utilizando-se o software

Translog©, são analisadas pausas, duração das fases na execução da tarefa,

recursividade e segmentação do texto de partida. Esses dados são triangulados (cf.

ALVES, 2003) com dados obtidos de protocolos verbais retrospectivos e dados de

análise dos textos de chegada elaborados pelos tradutores. Mais recentemente, dados

obtidos por meio de tecnologia de eyetracking também são triangulados de forma a se

explorar a recursividade na escrita e sua correlação com a recursividade nos

movimentos de fixação ocular.

A LSF informa as análises textuais das pesquisas realizadas e a produção está

recolhida no referido grupo de pesquisa Modelagem sistêmico-funcional da tradução e

da produção textual multilíngue, sob minha coordenação, que investiga, por meio de

pesquisa básica e aplicada, a tradução e a produção multilíngue de textos. As pesquisas

têm caráter empírico e abordam a produção textual, tanto no seu estágio conclusivo

(textos publicados) como nos estágios intermediários em seu processo de geração

(produção textual em tempo real). O objetivo é investigar o processo de produção


  96  

textual com vistas à obtenção de subsídios para a modelagem desse processo sob a

perspectiva sistêmico-funcional.

A tradução enquanto PRODUTO textual é observada a partir de critérios de

REGISTRO e TIPO DE TEXTO e contempla processos de tradução escrita e tradução

audiovisual, como a legendagem e a áudio-descrição. A modelagem tem por objetivo

subsidiar a pesquisa sobre desenvolvimento de conhecimento experto em tradução,

tendo-se como meta a elaboração de um sistema tutorial para treinamento de tradutores.

Os trabalhos consolidam uma linha de pesquisa baseada em bancos de dados em

formato eletrônico, sendo os subsídios fornecidos pelos bancos de dados compilados no

Laboratório, com as seguintes configurações, conforme a FIGURA 11.


  97  

 
Monolíngue   Multilíngue   Multimodal  

CORPRAT  
CALIBRA  
Paralelo   Comparável   Corpus  Processual  
Catálogo  da  Língua   para  Análises  
Brasileira  
Tradutórias    

ESTRA   KLAPT!  
Corpus  para  Estudo   Corpus  de  Língua  
do  Estilo  em   Portuguesa  em  
Tradução     Tradução  

CORDIAL  
Corpus  Discursivo  
para  Análises  
Linguísticas  e  
Literárias  

CORES  
Corpus  de  
Revisão,  Rescrita  e  
Retradução  

FIGURA 11 – Corpora compilados no âmbito do Laboratório Experimental de


Tradução da FALE/UFMG

O corpus comparável (KLAPt! – Corpus de Língua Portuguesa em Tradução)

permite investigar padrões emergentes ao se comparar textos traduzidos e textos não

traduzidos pertencentes ao mesmo registro. Os corpora paralelos (CORDIALL –

Corpus Discursivo para Análises Linguísticas e Literárias; e ESTRA – Corpus para

Estudo do Estilo em Tradução) possibilitam examinar padrões nas relações de

equivalência construídas nos textos-fonte e seus respectivos textos-alvo e padrões de

estilo de tradutores. Já o corpus monolíngue (CALIBRA – Catálogo da Língua

Brasileira) é a base principal da descrição sistêmico-funcional do português brasileiro,


  98  

desenvolvida no LETRA desde 2005. Sua compilação está pautada pela tipologia

textual proposta por Matthiessen, Teruya e Lam (2010) e abrange textos prototípicos

dos oito processos sócio-semióticos que compõem a modelagem. O corpus paralelo

CORES vem sendo compilado a partir de amostras de revisão, retradução e pós-edição,

as quais são alinhadas entre si e com seus respectivos textos originais. Por último, o

corpus multimodal (CORPRAT – Corpus Processual para Análises Tradutórias)

compila dados dos experimentos do processo tradutório, cujo produto é analisado em

interação com os outros tipos de corpora. Todos os corpora encontram-se em processo

de tratamento e padronização para sua publicação online, em 2015, em portal próprio do

Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da

UFMG, financiado pelo projeto Portal Min@s: corpora de fala e escrita (CAPES

151/2013).

Como foi apontado, um dos tópicos de investigações nos experimentos do

LETRA é o fenômeno de desmetaforização, apontado por Steiner (2001) como

indicador de fatores condicionantes da produção de textos traduzidos e outros processos

de produção textual multilíngue. Estudos desenvolvidos no LETRA investigaram a

metáfora gramatical ideacional no processo tradutório registrado em tempo real e

identificaram processos de desmetaforização que apontam para o fenômeno como

gerador de variação linguística nos processos multilíngues (cf. PAGANO; SILVA,

2010, 2011; ALVES; PAGANO; NEUMANN, STEINER, HANSEN, 2010; ALVES,

PAGANO; SILVA, 2011). Isso se deve, como será detalhado e ilustrado no Capítulo 3,

a fatores inerentes à instanciação de META-TEXTOS – textos sobre textos – nos quais

operam variáveis meta-contextuais relativas aos processos de produção multilíngue

passíveis de serem mapeados no CONTEXTO DE CULTURA.


  99  

É com base na experiência acumulada do trabalho de investigação desenvolvido

no LETRA que surge a proposta de modelagem do ambiente multilíngue objeto desta

tese e cuja metodologia será detalhada no capítulo a seguir.


  100  

2 PERCURSO METODOLÓGICO

Como foi exposto na Introdução, o objetivo precípuo desta tese é apresentar o

desenho de um modelo conceitual desenvolvido com base numa teoria abrangente da

linguagem, conforme delineado no Capítulo 1, que possibilite apreender a

complexidade dos processos que operam no espaço multilíngue e que permita derivar

parâmetros cuja quantificação forneça subsídios para a tipificação das produções

multilíngues. Para tanto, foi desenvolvido um estudo visando mapear as distintas

produções textuais no ambiente multilíngue e obter, por meio de sua caracterização,

indicadores relativos às relações de equivalência tradutória estabelecidas entre textos-

fonte e -alvo nas diversas modalidades de produção multilíngue e distintas

configurações de interação humano-máquina.

A proposta de caracterização apresentada nesta tese, como também foi

assinalado no Capítulo 1, vem ao encontro das sugestões de futuros desenvolvimentos

nas abordagens sistêmico-funcionais da tradução, formuladas por Matthiessen (2001),

mais especificamente, as relativas ao estudo do AMBIENTE mais amplo da tradução, isto

é, o PROCESSO SOCIAL da tradução. Pela natureza derivada ou de instanciação secundária

(META-INSTANCIAÇÃO), inerente às operações como a tradução, a paráfrase, a

sumarização e outras, trata-se de um processo ao qual se pode atribuir um META-

CONTEXTO, uma vez que está situado num nível de abstração distinto daquele dos

contextos do texto-fonte e do texto-alvo, e seu estudo parte do pressuposto da existência

de uma metalinguagem da tradução e da possibilidade de se examinar a mesma para

identificar variáveis META-CONTEXTUAIS associadas a META-REGISTROS.


  101  

Fundamentação metodológica

A opção metodológica adotada nesta tese para consubstanciar a proposta de

caracterização está pautada em uma das duas orientações apontadas por Matthiessen

(1993) para estudos de REGISTRO, qual seja, o RECORTE INSTANCIAL (INSTANTIAL SLICE),

que consiste em selecionar uma amostra de instâncias representativas de um

determinado REGISTRO para uma análise de caráter prospectivo. Configura um estudo

exploratório, cujo objetivo é verificar em que medida a modelagem proposta permite

caracterizar as modalidades de produção textual multilíngue.

Para o estudo do fenômeno em foco – a produção textual multilíngue – , adotou-

se a VISÃO TRINOCULAR proposta pela LSF (cf. HALLIDAY, 2002, 2003), que envolve

analisar todo fenômeno sob três perspectivas complementares:

• DE CIMA (FROM ABOVE), observando sua relevância em um construto no

ESTRATO superior, isto é, sua função;

• DE BAIXO (FROM BELOW), no ESTRATO inferior, examinando a

manifestação desse fenômeno, ou seja, sua forma; e

• AO REDOR (FROM AROUND), no ESTRATO sob análise, observando as

possíveis AGNAÇÕES do fenômeno no SISTEMA do qual faz parte, ou seja,

suas relações com fenômenos semelhantes.

No estudo em pauta, o fenômeno enfocado diz respeito a META-TEXTOS

instanciados a partir de META-REGISTROS com configurações META-CONTEXTUAIS

passíveis de serem mapeadas no espaço semiótico modelado, o espaço multilíngue. O

ponto de observação escolhido pela análise é o META-REGISTRO, que como vimos pode

ser abordado sob a perspectiva do SISTEMA geral, enquanto variação no sistema, e sob a
  102  

perspectiva da INSTÂNCIA, enquanto generalização de padrões recorrentes observados

nos textos.

Para a operacionalizar a visão DE CIMA em relação a esses META-REGISTROS, isto

é, para examinar o CONTEXTO DE CULTURA, o qual pode ser modelado como uma

generalização de diferentes tipos de SITUAÇÃO (MATTHIESSEN, 1993), foram

implementados os seguintes procedimentos:

• consulta a bancos de dados de textos em língua portuguesa, isto é,

corpora disponíveis online, para extração de uma amostra aleatória de

linhas de concordância com as palavras “traduzir”, “tradução”, adaptar”,

“adaptação”, “localização”, “pré-edição”, “pós-edição” e posterior

análise dos significados experienciais construídos na léxico-gramática

do português;

• consulta a dicionários da língua portuguesa de uso geral, dirigidos ao

público leitor leigo, disponíveis online, para exame dos verbetes

“traduzir”, “tradução”, adaptar”, “adaptação”, “localização”, “pré-

edição”, “pós-edição” e posterior análise dos significados experienciais

construídos na léxico-gramática do português;

• consulta a textos que regulam a atividade da tradução e correlatas na

esfera jurídica, mais especificamente à lei de direitos autorais vigente no

contexto de cultura, neste caso, o brasileiro;

• consulta a obras de referência no campo disciplinar dos estudos da

tradução, para observar as definições de “traduzir”, “tradução”,

adaptar”, “adaptação”, “localização”, “pré-edição”, “pós-edição” ,


  103  

“produção multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de

textos” construídas no sistema de significados da instituição acadêmica;

• consulta a livros e artigos acadêmicos no campo disciplinar dos estudos

da tradução e outros campos correlatos para obtenção de definições e

caracterizações de “localização”, “pré-edição”, “pós-edição”, “produção

multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de textos”.

Com base nas informações obtidas por meio das consultas realizadas, foi

elaborado um quadro comparativo dos processos de produção multilíngue, organizados

segundo os parâmetros que foi possível depreender das definições e caracterizações

encontradas no CONTEXTO DE CULTURA. Transformado em matriz lógica, os dados

foram submetidos a análise de agrupamento (cluster analysis), computada no ambiente

computacional R (R Core Team, 2014), para descrição das modalidades de acordo com

os atributos que mais as aproximam.

A análise sob a perspectiva DE BAIXO consisitiu em identificar padrões nos

textos produzidos pelos processos multilíngues enfocados a partir de um olhar

localizado no nível do CONTEÚDO da linguagem, abrangendo os ESTRATOS SEMÂNTICO e

LÉXICO-GRAMATICAL. Foram observados padrões nas relações de EQUIVALÊNCIA

estabelecidas entre texto-fonte e texto-alvo em cada forma de produção multilíngue

estudada.

Quando lidamos com META-CONTEXTOS, META-REGISTROS e META-TEXTOS, a

análise precisa contemplar, não apenas as META-ATIVIDADES, mas também a

INSTANCIAÇÃO dos textos-fonte e respectivos REGISTROS, na qual a tradução e a

produção multilíngue se baseia para produzir META-TEXTOS.


  104  

No caso desta pesquisa, foi feito um recorte específico de objeto de análise e

corpus de forma a possibilitar o estudo exploratório tencionado.

Foi selecionado o PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO HABILITAR (ENABLING) e, dentro

dele, o subprocesso CAPACITAR (EMPOWERING), representado por textos escritos que

constroem procedimentos num MODO MONOLÓGICO, isto é, representam apenas um dos

turnos da interação.

A escolha obedeceu ao fato de se tratar de textos associados a um REGISTRO bem

delimitado, com descrições do mesmo, baseadas na LSF, existentes na literatura (cf.

MATTHIESSEN, 1993; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 1999). Também por se tratar

de textos vinculados a um REGISTRO objeto de frequente tradução e produção

multilíngue, dada sua função no CONTEXTO DE CULTURA de grande parte das sociedades

contemporâneas. Nos estudos da tradução, ainda há carência de análises sobre a

tradução deste TIPO DE TEXTO e REGISTRO, uma vez que ele têm recebido menos atenção

do que outros TIPOS DE TEXTO, tais como aqueles vinculados ao processo sócio-

semiótico RECRIAR (narrativas, romances, contos). No Brasil, todavia, há os estudos de

Teixeira (2004, 2008a, 2008b, 2009) e Teixeira e Tagnin (2008) que se revelam muito

profícuos, como será exposto mais adiante.

Ainda em relação aos textos associados ao TIPO DE TEXTO e REGISTRO

escolhidos, cumpre lembrar que eles fazem parte de processos que recrutam em maior

ou menor grau a tradução automática e processos de pré-edição e pós-edição, o que

valida seu uso no estudo exploratório.

Características do subprocesso CAPACITAR justificam, ainda, sua escolha neste

estudo exploratório. Conforme descrição de Halliday & Matthiessen (1999), textos

associados esse subprocesso constroem uma sequencia de procedimentos que visam


  105  

atingir um objetivo de forma bem sucedida. Esse objetivo pode ser montar um aparelho,

preparar um prato culinário, fazer uma compra, protocolar uma reclamação, etc. O

subprocesso CAPACITAR contempla TIPOS DE TEXTOS cujo funcionamento no CONTEXTO

DE CULTURA pode ser avaliado em termos do sucesso do texto em atingir os objetivos

que um determinado contexto de situação requer. No caso da receita culinária, como

Halliday (2003. p.279) aponta, a pergunta que podemos fazer é em que medida o texto

(receita) satisfaz as demandas do CONTEXTO DE SITUAÇÃO (cozinhar com base na

receita). Nesse sentido, ao se examinar a construção de equivalência tradutória, a análise

de textos de procedimentos permite fazer ponderações sobre em que medida o texto é

bem sucedido em capacitar o leitor a realizar o procedimento sobre o qual está sendo

instruído.

Como foi mencionado anteriormente, no campo dos estudos da tradução, existe

uma lacuna em relação à tradução de receitas culinárias e outro textos de procedimento.

No Brasil, Teixeira (2004, 2008a, 208b, 2009) se debruça sobre a tradução desse tipo de

texto e em pesquisas junto a tradutores conclui que são variados os problemas

enfrentados por eles, abrangendo desde questões terminológicas até, e demais

relevância, questões de reconhecimento da estrutura genérica e de seleções prototípicas

do registro. Mais significativamente, Teixeira (2008b) aponta a falta de conscientização

dos tradutores entrevistados sobre os problemas de tradução relativos ao REGISTRO ea

necessidade de se oferecer ao tradutor em formação uma visão mais ampla da

construção de significados em tradução, contemplando-se aspectos do texto e do

discurso e não meramente terminologias.

Uma característica adicional do subprocesso CAPACITAR que motivou sua

escolha é sua configuração do ponto de vista SEMÂNTICO e LÉXICO-GRAMATICAL, com


  106  

padrões prototípicos de INSTANCIAÇÃO. Do ponto de vista IDEACIONAL, mais

especificamente, EXPERIENCIAL, o texto de procedimentos pode ser abordado como uma

macro-operação, constituída por micro-operações, realizadas semanticamente por

FIGURAS DE FAZER (FIGURES OF DOING). Do ponto de vista INTERPESSOAL, a relação

encenada entre autor e leitor no texto de procedimentos pode ser caracterizada como

uma macro-proposta, formada por micro-propostas ou instruções dirigidas ao leitor.

Os textos de procedimentos possuem também padrões nítidos de TAXE e

RELAÇÕES LÓGICO-SEMÂNTICAS (geralmente há uma relação icônica entre ação no

mundo exterior e comando linguístico), bem como movimentos no fluxo do DISCURSO

(desenvolvimento temático), que são relevantes para seu funcionamento bem sucedido

no CONTEXTO DE CULTURA.

Os padrões prototípicos deste TIPO DE TEXTOS oferecem, assim, parâmetros

explícitos para a análise da EQUIVALÊNCIA TRADUTÓRIA.

Corpus e procedimentos de análise

Para a presente análise, foram selecionados textos escritos, no par inglês-

português, os quais se encontram em relação de tradução e funcionam num CONTEXTO

DE SITUAÇÃO análogo nos respectivos CONTEXTOS DE CULTURA.

O propósito dos textos é capacitar o leitor por meio de instruções orientadas para

um objetivo específico. Os tipos de textos selecionados correspondem aos rotulados no

CONTEXTO DE CULTURA como “receita culinária” e “manual de instruções” sobre como

fazer um determinado procedimento.

Em função da análise semiautomática e manual requerida pela proposta em

pauta, foram selecionados e extraídos, do corpus CORES (Corpus de Revisão, Rescrita

e Retradução), 4 textos de receita culinária, publicados num sítio web multilíngue de


  107  

receitas culinárias, e 4 textos de instruções sobre como fazer um determinado

procedimento, também disponíveis em sítios web online. Os procedimentos referem-se

a como operar uma panificadora ou máquina de fazer pão; como remover manchas de

uma superfície de concreto; como escovar os dentes e como utilizar o fio dental. Todos

os textos encontram-se nos ANEXOS desta tese22.

Os textos extraídos foram selecionados com base nos seguintes critérios:

- eram representativos do PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO HABILITAR, subprocesso

CAPACITAR, MEIO ESCRITO, MODO MONOLÓGICO

- estavam disponíveis em inglês e português e relacionados entre si por um processo

multilíngue correlato à tradução, mais especificamente ao processo “localização”,

conforme declarado 23 pelo sítio web ou presumido com base na descrição dessa

modalidade encontrada no CONTEXTO DE CULTURA

- tinham sido objeto de coleta em condições experimentais envolvendo os processos de

“pré-edição” e “pós-edição”.

Os textos originais e respectivos textos traduzidos foram segmentados em

períodos, alinhados por meio do software Paraconc (BARLOW, 2012)24 e o resultado

armazenado em planilha em software de edição de planilhas. Posteriormente procedeu-

se à segmentação manual em arquivo xml de acordo com unidades na ORDEM da

ORAÇÃO, GRUPO e PALAVRA e ao alinhamento manual por meio do software DTAG

(BUCH-KROMANN, 2010).

22
Os textos selecionados foram compilados dos seguintes sítios web:
http://www.allrecipes.com, http://www.colgate.com/, http://www.colgate.com.br/,
http://www.concrete.net.au/publications/pdf/RemovingStains.pdf/, www.limparpiso.com.br/ e
www.cadence.com.br/. Acesso em 15 maio de 2012.
23
Em comunicação por e-mail, os responsáveis pelo SAC do sítio web www.allrecipes.com
afirmaram que os textos publicados no sítio em português brasileiro são objeto de “localização”
por tradutores humanos, sem intervenção de tradução automática.
24
Dois dos textos da amostra, mais precisamente manuais de instruções, apresentaram
problemas de alinhamento por período, razão pela qual foram alinhados por tópico.
  108  

Dos 8 textos analisados, amostras de 6 deles foram, por sua vez, utilizadas como

insumo para a obtenção de textos pré-editados e pós-editados, no escopo dos projetos do

Laboratório Experimental de Tradução da FALE/UFMG, por meio de uma coleta de

dados piloto, realizada em 2011 na FALE/UFMG, com alunos da disciplina Estudos da

Tradução.

A coleta abrangeu as seguintes etapas:

1. O texto-fonte, em língua inglesa, foi pré-editado por um tradutor bilíngue, de

acordo com as regras de linguagem controlada da CLOUT™ (Controlled

|Language |Optimized |for |Uniform |Translation),

2. O texto-fonte pré-editado foi submetido a tradução automática pelos sistemas

Google Translate e Systran

3. Os textos-alvo obtidos por tradução automática foram contrastados e um deles

foi selecionado de acordo com o critério de menor número de erros de tradução

na ordem do grupo e da palavra

4. O texto-alvo produzido de forma automática e selecionado por apresentar menor

número de erros de tradução foi submetido a (i) pós edição por um tradutor

humano monolíngue, isto é, sem acesso ao texto-fonte em inglês e (ii) pós

edição por um tradutor humano bilíngue, isto é, com acesso ao texto-fonte em

inglês não pré-editado.

Os textos produzidos ao longo dessas etapas foram todos analisados, incluindo-

se, também, o texto original em inglês e o texto traduzido em português disponível em

publicação online. Os textos encontram-se no APÊNDICE desta tese.

Cumpre esclarecer que não foram contemplados na amostra selecionada textos

associados as modalidades “produção multilíngue de documentos” e “geração


  109  

multilíngue de textos”, por não se contar com exemplos de textos nessas modalidades

no português brasileiro.

Primeiramente, utilizando-se técnicas da linguística de corpus, foi realizada uma

análise semiautomática de frequência de ocorrência de palavras e extração de linhas de

concordância dos itens lexicais enfocados na análise por serem parte de cadeias

coesivas de co-referência e lexicais.

Num segundo momento, foi realizado o alinhamento manual dos textos, em sua

respectiva relação de fonte e alvo, tanto na ordem da oração como na ordem da palavra.

Com base em Catford (1965) e Matthiessen (2001) e adotando-se procedimentos

metodológicos detalhados em Alves, Pagano, Neumann, Steiner e Hansen (2010), foram

identificados segmentos equivalentes e segmentos não equivalentes. Os segmentos

equivalentes foram, por sua vez, analisados sob a perspectiva de CORRESPONDÊNCIA

plena de funções gramaticais e não correspondência ou MUDANÇA (SHIFT).

Para a análise dos segmentos alinhados, tendo-se em vista que a tradução opera

em todos os estratos do conteúdo, foi adotado um recorte METAFUNCIONAL (cf.

MATTHIESSEN, 1993), uma vez que a METAFUNÇÃO é a dimensão de organização da

linguagem que possibilita observar como os significados são construídos em cada um

dos ESTRATOS (análise intra-estratos) e nas conexões entre estratos (análise inter-

estratos). Esta última representa uma perspectiva essencial no caso de realizações

metafóricas, em que há realinhamentos entre a SEMÂNTICA e a LÉXICO-GRAMÁTICA.

Em relação aos procedimentos de análise textual, estes envolveram, de acordo

com a LSF, correlacionar as características da instância (texto) com o potencial do

sistema linguístico. A análise abrangeu tanto o eixo sistêmico (paradigmático) quanto o

estrutural (sintagmático).
  110  

A análise léxico-gramatical esteve pautada pelas descrições sistêmico-funcionais

existentes para a língua inglesa (MATTHIESSEN, 1995, HALLIDAY;

MATTHIESSEN, 2004) e para a língua portuguesa do Brasil (FIGUEREDO, 2011). O

percurso analítico compreendeu a identificação dos itens da instância (texto), sua

classificação dentro das categorias dos respectivos sistemas e o exame das seleções

feitas no paradigma de opções disponíveis. A análise teve como ponto de partida default

a unidade da ORAÇÃO, sendo que unidades em ordens inferiores, como a do GRUPO ea

PALAVRA, foram consideradas sempre que as mesmas eram relevantes para a

equivalência tradutória estabelecida.

A análise de padrões prototípicos do REGISTRO em foco esteve pautada pelas

descrições de textos de procedimentos em Matthiessen (1995), Halliday e Matthiessen

(1999) e Lassen (2003), para a língua inglesa, e em Figueredo (2011), para o português

brasileiro.

Por último, foi implementada análise sob a perspectiva AO REDOR, que consistiu

na identificação de traços prototípicos do META-REGISTRO para cada forma de produção

multilíngue. Para tanto, foram examinadas as configurações contextuais associadas a

cada META-REGISTRO nas variáveis de CAMPO, SINTONIA e MODO, sistematizadas com

base em Matthiessen (2001).

O estudo exploratório culminou com a correlação dos achados nas análises

implementadas em cada uma das três visões da PERSPECTIVA TRINOCULAR.


  111  

3 ESTUDO EXPLORATÓRIO

Neste capítulo, é apresentado o estudo exploratório levado a cabo para a

caracterização dos processos de produção textual multilíngue objetivada por esta tese. A

análise está pautada pelas três visões complementares propostas pela ABORDAGEM

TRINOCULAR hallidayana e visa mostrar o impacto de determinadas variáveis META-

CONTEXTUAIS nas relações de equivalência construídas nas diferentes produções

multilíngues examinadas.

A modelagem do ambiente multilíngue, como foi exposto anteriormente, é

proposta nesta tese como uma forma de localizar um processo de produção em relação a

outros e assim potencializar nossa compreensão dos fenômenos envolvidos.

Como também foi apontado, a modelagem da tradução e de outros META-

TEXTOS gerados em situação de contato linguístico demanda uma análise sensível à

complexidade dos AMBIENTES de contextualização nos quais opera a linguagem. Nesse

sentido, a arquitetura da LSF possibilita mapear esses AMBIENTES com base nas

dimensões de organização da linguagem postuladas pela teoria.

No caso da produção textual multilíngue, a dimensão da INSTANCIAÇÃO é um

fator crucial na sua modelagem e, nesse sentido, cabe iniciar esta análise retomando os

principais conceitos relativos a essa dimensão, para examinarmos mais detidamente

aspectos da INSTANCIAÇÃO multilíngue.

Conforme representado no QUADRO 1 do Capítulo 1, toda INSTANCIAÇÃO,

enquanto processo, atualiza o POTENCIAL do SISTEMA linguístico e gera uma INSTÂNCIA

ou produto. POTENCIAL, INSTANCIAÇÃO E INSTÂNCIA são ativos na variação linguística e


  112  

podem ser abordados a partir de diferentes pontos num contínuo entre dois polos, que é

a forma como a dimensão da INSTANCIAÇÃO é teorizada na LSF.

O CONTEXTO é o SISTEMA SEMIÓTICO no qual está imbricado o SISTEMA

LINGUÍSTICO. No contínuo da INSTANCIAÇÃO, são correlacionados pontos de

generalização nos dois sistemas: INSTÂNCIAS em particular, ou textos, podem ser

agrupados por serem representativos de TIPOS DE TEXTO, cuja INSTANCIAÇÃO está

pautada por REGISTROS, que constituem o SISTEMA LINGUÍSTICO como um todo. Com

base em INSTÂNCIAS podemos examinar as VARIÁVEIS CONTEXTUAIS, as quais

caracterizam tipos de SITUAÇÃO, que, por sua vez, estão imbricados em INSTITUIÇÕES

que formam o POTENCIAL DA CULTURA.

No contínuo de INSTANCIAÇÃO do SISTEMA LINGUÍSTICO, a perspectiva do

REGISTRO constitui um ponto de observação e de análise profícuo, uma vez que permite,

por um lado, fazer generalizações sobre TIPOS DE TEXTO e, por outro, subespecificar o

POTENCIAL DO SISTEMA LINGUÍSTICO.

Como vimos no Capítulo 1, REGISTRO é uma variedade linguística determinada

por valores contextuais relativos ao tipo de ação social (CAMPO), às relações entre os

participantes da interação (SINTONIA) e à organização simbólica da mensagem (MODO).

O REGISTRO é correlacionado, no contínuo do contexto, com as INSTITUIÇÕES enquanto

sistemas de significados que configuram as INSTITUIÇÕES SOCIAIS dentro da cultura,

conforme pode ser visualizado na FIGURA 12.


  113  

contexto de situação

instância

instituição – tipo de situação

contexto de cultura texto

subpotencial – tipo de instância

repertório de registros – tipo de texto


potencial

sistema (linguístico)

FIGURA 12 – Contínuo da instanciação

Fonte: adaptado de Halliday e Matthiessen (2004, p.28),

Como representado na FIGURA 12, a INSTANCIAÇÃO enquanto processo

envolve uma subespecificação do sistema linguístico, REGISTROS/TIPOS DE TEXTO, os

quais podem ser examinados em diferentes níveis de DELICADEZA, observando-se

famílias de registros, subfamílias ou bem um registro em particular. Os REGISTROS estão

relacionados com as INSTITUIÇÕES. Assim como os REGISTROS são modelados como

generalizações de TIPOS DE TEXTO, as INSTITUIÇÕES são modeladas como generalizações

de TIPOS DE SITUAÇÃO.

O TIPO DE TEXTO escolhido neste estudo exploratório – textos de procedimentos

/ manual de instruções -- possui uma configuração contextual especifica, vinculada a um


  114  

tipo de SITUAÇÃO em particular, no qual o leitor espera ser CAPACITADO para executar

de forma bem sucedida uma ação ou processo. A CAPACITAÇÃO está relacionada a

INSTITUIÇÕES (subsistemas de significados) que compõem o CONTEXTO DE CULTURA.

Neste caso específico, as INSTITUIÇÕES SEMIÓTICAS configuram as INSTITUIÇÕES SOCIAIS

que envolvem relações nas quais se fornece instruções sob o pressuposto de que o

aprendiz deseja ser instruído e aceita a relação de poder que o instrutor estabelece. Isso

explica, por exemplo, as SELEÇÕES feitas nos subsistemas relativos à variável SINTONIA,

como é o caso do MODO imperativo para realizar COMANDOS.

Do ponto de vista da linguagem, como foi antecipado no Capítulo 1, os textos

agrupados como pertencentes ao tipo TEXTOS DE PROCEDIMENTOS instanciam REGISTROS

(seleções prototípicas nos subsistemas linguísticos) associados ao PROCESSO SÓCIO-

SEMIÓTICO HABILITAR (ENABLING), que, juntamente com os processos RECOMENDAR

(RECOMMENDING), FAZER (DOING) E COMPARTILHAR (SHARING), faz parte dos processos

orientados para a variável SINTONIA, pois os significados INTERPESSOAIS são os que

estão EM JOGO (AT RISK), no sentido de que o ajuste dos valores da variável SINTONIA é

fundamental para as trocas de bens-e-serviços encenadas.

Retomando ainda o conceito de INSTANCIAÇÃO e, em particular, a instanciação

multilíngue, é relevante observar que há dois processos primários: GERAÇÃO e

COMPREENSÃO (MATTHIESSEN, 1993, p. 272), os quais são a base para outros

processos que possuem caráter secundário ou METALINGUÍSTICO. Há na produção

multilíngue uma INSTANCIAÇÃO primária, a do texto-fonte. Este, ao ser submetido a

tradução ou a algum tipo de ressignificação, gera instanciações no processo de leitura

do texto por parte do tradutor e no processo de produção na língua-alvo. Nessa

instanciação secundária opera um META-CONTEXTO que determina as seleções nos


  115  

subsistemas linguísticos (META-REGISTRO) para gerar o META-TEXTO. Dessa maneira,

por exemplo, no caso da amostra de textos analisados nesta tese, a “localização”, “pré-

edição” e “pós-edição” de um texto de procedimentos não se pautam apenas pelas

variáveis do REGISTRO nos contextos-fonte e -alvo, mas também pelas variáveis do

processo de produção multilíngue selecionado, que constitui um META-REGISTRO.

Por isso, no caso da produção textual multilíngue, como vimos no Capítulo 1, a

INSTANCIAÇÃO possui uma natureza METALINGUÍSTICA – trata-se da INSTANCIAÇÃO de

textos sobre textos -, o que demanda que sejam observadas as coordenadas da

INSTANCIAÇÃO e da META-INSTANCIAÇÃO, o que reverbera em se operar com

CONTEXTOS e META-CONTEXTOS, REGISTROS e META-REGISTROS e TEXTOS e META-

TEXTOS, numa espécie de multiplicidade que é inerente aos chamados AMBIENTES da

tradução.

Matthiessen (2001) modela a variação linguística no caso da tradução como um

fenômeno de dispersão do REGISTRO do texto-fonte. Nesta tese, analogamente e com

base nas observações de Steiner (2001) e Teich (2003) e nos achados de pesquisas

realizadas no Laboratório Experimental de Tradução (LETRA) da FALE/UFMG (cf.

PAGANO; SILVA, 2010; BRAGA, 2012; SILVA, 2012; PAGANO, ALVES, SILVA,

2013; ALVES, PAGANO, SILVA, 2014a, 2014b), a variação introduzida pela tradução

e demais processos de produção multilíngue é modelada como decorrente da re-

instanciação de acordo com os valores META-CONTEXTUAIS dos processos multilíngues.

Em outras palavras, o TIPO DE TEXTO e o tipo de processo multilíngue do qual o texto é

objeto de ressignificação são ambos fatores que introduzem variação no sistema

linguístico.
  116  

As variáveis do META-CONTEXTO (cf. MATTHIESSEN, 2001) dizem respeito

aos tipos de situação nos quais estão imbricadas a tradução e os demais processos de

produção multilíngue no escopo das INSTITUIÇÕES no CONTEXTO DE CULTURA. Nesse

sentido, no ambiente multilíngue, a constante de nível superior que possibilita a análise

de textos em relação de tradução é a analogia entre os subsistemas de significados

(INSTITUIÇÃO) de duas culturas a respeito do conceito de tradução. Em outras palavras,

para modelar a produção multilíngue deve-se partir do pressuposto de que os textos em

relação de tradução foram gerados de acordo a variáveis META-CONTEXTUAIS análogas

sobre o que cada uma das culturas entende por “tradução”, “adaptação”, “localização”,

etc. Nesta tese, parte-se desse pressuposto, que operacionalmente poderia ser visto

como um META-CONTEXTO de cultura, no qual os META-REGISTROS estão imbricados.

Para uma análise dos META-TEXTOS produzidos no ambiente multilíngue, objeto

deste estudo exploratório, de acordo com a visão TRINOCULAR da LSF (cf. HALLIDAY,

2002, 2003), a visão DE CIMA deste estudo, como veremos a seguir, examina a

imbricação da linguagem no CONTEXTO DE CULTURA e suas respectivas INSTITUIÇÕES,

partindo-se do pressuposto do CONTEXTO DE CULTURA como uma generalização de

diferentes TIPOS DE SITUAÇÃO (Matthiessen, 1993). Neste caso específico, implica

examinar como os processos de produção multilíngue são construídas nos subsistemas

de significados que configuram diferentes INSTITUIÇÕES SOCIAIS. Para isso, são

observadas as caracterizações disponíveis em textos vinculados aos PROCESSOS SÓCIO-

SEMIÓTICOS RELATAR (reportagens jornalísticas), HABILITAR (leis) e EXPLICAR (verbetes

de dicionários e enciclopédias, textos acadêmicos em campos disciplinares afins à

produção de textos multilíngues, como os estudos da tradução, a linguística

computacional, a tradução automática e o processamento de linguagem natural).


  117  

A visão DE BAIXO examina padrões identificados nos diferentes processos de

produção multilíngue a partir de um olhar localizado no nível do CONTEÚDO da

linguagem, abrangendo os ESTRATOS SEMÂNTICO e LÉXICO-GRAMATICAL. Como

estamos lidando com meta-textos no ambiente multilíngue, a opção feita neste estudo

exploratório, como foi dito, é pela observação da construção de relações de equivalência

estabelecidas entre texto-fonte e meta-textos em cada forma de produção multilíngue

estudada.

A visão AO REDOR, no ponto de observação desta análise – o META-REGISTRO –,

implica observar as diversas formas de produção multilíngue enquanto formas AGNATAS

umas das outras e observar a seleção de cada uma delas no paradigma das opções

disponíveis no ambiente multilíngue. Para tanto, são examinadas as configurações

contextuais associadas a cada META-REGISTRO.

Cumpre reiterar, que no estudo exploratório ora apresentado, a referência a

rótulos de ampla circulação no contexto de cultura, tais como “tradução”, “adaptação”,

“localização”, etc., representa um ponto de partida operacional para a investigação.

Como foi dito no Capítulo 1, os rótulos do cotidiano (“folk names”) precisam ser

problematizados, pois carecem, em geral, de rigor científico e constituem categorias

vagas, definidas em termos de formato ou aspectos visuais. Esse alerta aplica-se

também aos processos de produção multilíngue, sobre as quais, como veremos, nem

sempre se conta com caracterizações precisas nos campos disciplinares consultados e

carecemos de estudos aprofundados sobre padrões de uso da linguagem prototípicos a

cada uma delas. Pouco sabemos, senão nada, das realizações léxico-gramaticais em

textos instanciados pelos processos de “localização”, “pré-edição” e “pós-edição”.


  118  

A visão DE CIMA dos META-CONTEXTOS relativos aos META-REGISTROS no

ambiente multilíngue parte, assim, das denominações existentes, na expectativa de que

sua complementação com uma visão DE BAIXO e uma visão AO REDOR possa elucidar

essas denominações.

O estudo ora apresentado tem início com as observações dos meta-registros no

ambiente multilíngue feitas a partir de uma visão DE CIMA.

A visão DE CIMA

O ponto de partida desta análise são os rótulos atribuídos no contexto de cultura

a diferentes atividades METALINGUÍSTICAS geradoras de META-TEXTOS, resguardado o

caráter meramente operacional do uso desses rótulos, uma vez que precisam ser

problematizados quanto ao seu embasamento em características sistemáticas ou

definidas por parâmetros teóricos. No caso da produção multilíngue, contamos com

rótulos referentes a atividades metalinguísticas e aos META-TEXTOS que elas geram,

como “tradução”, “tradução livre”, “adaptação”, “adaptação livre”, “produção

multilíngue de documentos”, “geração multilíngue de textos”, “localização”, “pré-

edição” e “pós-edição”.

Para uma observação do rótulo “translation” no CONTEXTO DE CULTURA,

Matthiessen (2001) observa as ocorrências do lema “trans*” em um corpus monolíngue

da língua inglesa e chega à conclusão de que a LÉXICO-GRAMÁTICA do inglês constrói a

atividade de traduzir, por um lado, como um PROCESSO MATERIAL, isto é, alguém

“traduz” algo para alguém e, por outro, como um PROCESSO RELACIONAL, isto é, algo

“é” uma tradução de algo. Em sua descrição do perfil metafuncional do português

brasileiro orientada para o estudo da tradução, Figueredo (2011) também identifica

essas duas formas de construir o processo “traduzir” e o produto decorrente dele no


  119  

português brasileiro. Essas duas formas constroem duas representações da tradução no

CONTEXTO DE CULTURA -- MATERIAL, da atividade, e RELACIONAL, do estado ou estatuto

entre textos -- que guardam analogia, como veremos, a seguir, com a representação de

tradução nos textos consultados.

No CONTEXTO DE CULTURA, nas linhas de concordância geradas pela busca num

banco online de dados de textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO RELATAR

(CTENFOLHA25), o rótulo “tradução” aparece circunscrito a diferentes ambientes, os

quais abrangem da ressignificação que opera entre sistemas semióticos diferentes àquela

que tem lugar no ambiente monolíngue, sendo a operação entre línguas apenas uma das

representações observadas no QUADRO 12, as linhas de concordância extraídas

automaticamente do corpus de forma aleatória ilustram ocorrências típicas do item

“traduzir” e “tradução”:

25
O CETENFolha (Corpus de Extratos de Textos Electrónicos NILC/Folha de S. Paulo) é um
corpus de palavras em português brasileiro, criado com base nos textos do jornal Folha de São
Paulo que fazem parte do corpus NILC/São Carlos, compilado pelo Núcleo Interinstitucional de
Linguística Computacional (NILC).
  120  

QUADRO 12 – Linhas de concordância com as palavras “tradução” e “traduzir”

Knopfler demonstra uma habilidade ímpar para traduzir imagens em sons .


Ninguém, dizia Wagner a seus adeptos, havia como Nietzsche conseguido traduzir em palavras
aquilo que ele sentia ao compor seus dramas musicais .
Para mim a tensão opressor-oprimido não se pode traduzir apenas em luta de classe e no fator
econômico .
Aquecimento de vendas pode se traduzir em elevação de preços .
O resultado disso foi que o Brasil passeou em campo no primeiro tempo, diante de um adversário
incapaz de assustar – o problema é que não conseguia traduzir essa superioridade em jogadas que
levassem perigo ao gol de Nicola .
Você não pode traduzir Guimarães Rosa para uma história realista .
Quando a testemunha não conhecer a língua nacional, será nomeado intérprete para traduzir as
perguntas e respostas ..
Quem quiser vender ou comprar franquias no mercado internacional precisa saber que se trata de
muito mais do que simplesmente traduzir ou verter os manuais para outra língua .
Também fabricado pela Virgin, «Hand of Fate» (em tradução livre, «A Mão do Destino») é outro
game de aventura .
Apenas a Antares nos enviou uma carta, em russo, com tradução oficial, confirmando o acerto da
turnê com o diretor do Mairiinsky, Yuri Schwartkopf, e o diretor de balé, Makhal Vaziev, datada de
12 de fevereiro», afirma Kalil .
A tradução desse fato é que as principais causas de morte, entre as camadas mais pobres, são as
doenças infecciosas potencializadas pela desnutrição .

Fonte: CTENFOLHA26

Esses significados podem ser relacionados aos três tipos de tradução,

reconhecidos consistentemente no campo disciplinar dos estudos da tradução (cf.

BAKER; SALDANHA, 2009; MUNDAY, 2009), e apontados inicialmente por

Jakobson (1959): tradução intersemiótica (“traduzir imagens em sons”), tradução

interlingual (“traduzir ou verter os manuais para outra língua “) e tradução intralingual

(“traduzir Guimarães Rosa para uma história realista”). Há também a representação de

“traduzir” como interpretar ou explicar (“A tradução desse fato é que...”).

26
Disponível em:< http://www.linguateca.pt/cetenfolha/>. Acesso em: 26 de outubro de 2014.
  121  

Essas mesmas representações podem ser observadas em textos vinculados ao

PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO EXPLICAR, como é o caso de dicionários da língua

portuguesa orientados para o público em geral:

QUADRO 13 – Verbete “tradução”

sf (lat traductione) 1 Ato ou efeito de traduzir. 2 Ato de transladar palavras,


frases ou obras escritas de uma língua para outra. 3 Obra assim transladada. 4
Imagem, reflexo, repercussão. 5 Explicação, interpretação. T. interlinear:
tradução literal, para o estudo de línguas, em que, abaixo de cada linha do
texto original, se coloca, em tipo menor, a respectiva linha de tradução. T.
justalinear: tradução em que o texto de cada linha vai traduzido ao lado ou na
linha imediata. T. literal: a que segue quase palavra por palavra o texto
original. T. livre: aquela em que se translada para outra língua o pensamento
e idéias do original sem se cingir às palavras textuais. T. paralela: sistema de
tradução justalinear, no qual o texto traduzido forma coluna ao lado do texto
original, correspondendo-lhe linha a linha. T. simultânea: diz-se, nos
congressos internacionais, do sistema de tradução, por meio de fones, de cada
discurso que esteja sendo feito. T. sucessiva: diz-se, nos mesmos congressos,
da tradução oral imediata, de cada discurso, por pessoa habilitada.

Fonte: Dicionário Michaelis online27

QUADRO 14 – Verbete “tradução”

1. Ação de traduzir, de transpor para outra língua: a tradução de um


discurso.
2. Obra traduzida: ler uma tradução de Homero.
3. Interpretação: tradução do pensamento de alguém.
4. Tradução automática, tradução de um texto por meio de máquinas
eletrônicas.

Fonte: Dicionário on-line de português28

Os verbetes nos dois dicionários disponíveis on-line, acima reproduzidos,

contemplam os significados construídos pela léxico-gramática do português, conforme

evidenciado pelas linhas de ocorrência geradas pela consulta ao banco de dados

CTENFOLHA. No verbete do dicionário Michaelis online, observa-se ainda uma

tipologia de traduções.

27
Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/ >. Acesso em: 26 de outubro de 2014.
28
Disponível em: <http://www.dicio.com.br/traducao/>. Acesso em: 26 de outubro de 2014.
  122  

Do ponto de vista jurídico, em textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO

HABILITAR (ENABLING): REGULAR (REGULATING), a tradução é definida como texto

pertencente ao PROCESSO RECRIAR e regulada por normas e leis, notadamente pela

legislação relativa a direitos autorais. No texto da Lei no 9.610, de 19 fevereiro de 1998,

que regula os direitos autorais no Brasil, como as linhas no QUADRO 15 a seguir

mostram, as palavras “tradução”, “traduzir” e ”tradutor” co-ocorrem com as palavras

“adaptar”, “adaptação”, “adaptador”, “transformação”, “reordenação” e “modificação”.

QUADRO 15 – Linhas com as palavras “tradução”, “traduzir”, “tradutor”, “adaptação”


e “adaptar”

as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação


intelectual nova;
é titular de direitos de autor quem adapta, traduz, arranja ou orquestra obra caída no domínio público, não
podendo opor-se a outra adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da sua.
a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações;
a tradução para qualquer idioma;
O autor de obra teatral, ao autorizar a sua tradução ou adaptação, poderá fixar prazo para utilização dela
em representações públicas.
não poderá opor-se o tradutor ou adaptador à utilização de outra tradução ou adaptação autorizada, salvo
se for cópia da sua.
sua tradução, adaptação, reordenação ou qualquer outra modificação;

Fonte: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, sobre direitos autorais.29

No texto da lei destaca-se a relativa circunscrição do termo “tradução” a uma

operação interlingual e “adaptação” a uma operação intersemiótica, sobretudo no que

diz respeito a obras teatrais. A co-ocorrência dos termos “tradução” e “adaptação” no

texto da lei, que por sua vez regula uma atividade do PROCESSO RECRIAR, pode explicar

o uso recorrente da colocação “traduzido e adaptado” em obras literárias estrangeiras

publicadas em português no Brasil, quando esses textos são produzidos com a

29
Linhas extraídas de: BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e
consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial da União,
Brasília, 20 fev. 1998, p. 3 Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 26 de outubro de 2014.
  123  

determinação de uma variável específica, geralmente relativa ao público-alvo (crianças,

jovens).

No que diz respeito à construção de significados no PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO

EXPLICAR, em textos acadêmicos do campo disciplinar dos estudos da tradução, Munday

(2009) revisa obras de referência e aponta, ou bem a não existência de definição de

“translation”, como é o caso da Routledge encyclopedia of translation studies (BAKER;

SALDANHA, 2009), ou definições abrangentes, que, como veremos, guardam analogia

com aquelas encontradas em dicionários da língua dirigidos para um público leitor

leigo.

Numa obra de referência estabelecida no campo disciplinar, como o Dictionary

of translation studies (SHUTTLEWORTH; COWIE, 1997, p.181), “translation” é

apresentado como um termo amplo, utilizado para se falar de perspectivas (processo ou

produto), tipos de texto e modos de produção textual (escrito ou oral):

QUADRO 16 – Verbete “translation”

Translation An incredibly broad notion which can be understood in many different ways.
For example, one may talk of translation as a process or a product, and identify such sub-types as
literary translation, technical translation, subtitling and machine translation; moreover, while more
typically it just refers to the transfer of written texts, the term sometimes also includes interpreting.

Fonte: Shuttleworth; Cowie (1997, p.181).

Uma caracterização mais precisa, citada por Munday, é aquela dada por Hatim e

Munday (2004, p.6), na qual “translation” é circunscrita ao modo escrito, mas suas

perspectivas de estudo são ampliadas de forma a contemplar outros fenômenos

correlatos que dizem respeito a interfaces do campo disciplinar estudos da tradução om

outros campos e áreas (análise do discurso, estudos da cognição, multimodalidade):


  124  

QUADRO 17 – Definição de “translation”

1. The process of transferring a written text from SL to TL, conducted by a translator, or


translators, in a specific socio-cultural context.
2. The written product, or TT, which results from that process and which functions in the
socio-cultural context of the TL.
3. The cognitive, linguistic, visual, cultural and ideological phenomena which are an integral
part of 1 and 2.

Fonte: Hatim e Munday (2004, p.6)

Pela sua abrangência, a definição acima, como veremos na seção seguinte, nos

permite postular a atividade “tradução” como tipo de situação associado a valores

default na configuração contextual do META-CONTEXTO, os quais são passíveis de

subespecificação em maior nível de DELICADEZA. Os valores contemplados são aqueles

definidos pelo campo disciplinar dos estudos da tradução. A visão AO REDOR, ao final

deste capítulo, mostrará como essa configuração é interpretada quando os outros

processos de produção multilíngue são contrastados àquele rotulado como “tradução.

No que diz respeito à denominação “adaptação”, em textos vinculados ao

PROCESSO EXPLICAR, mais precisamente, obras de referência como dicionários, essa

atividade é construída como uma subespecificação, num nível de maior DELICADEZA de

“tradução”. Na LÉXICO-GRAMÁTICA, a subespecificação do PROCESSO realizado pelo

verbo lexicl “adaptar” se da em termos de um PARTICIPANTE na TRANSITIVIDADE da

oração, um CLIENTE (CLIENT), geralmente um público-alvo (“adaptação para crianças”),

ou de uma CIRCUNSTÂNCIA de localização (“adaptação para cinema, teatro”).

Dicionários da língua portuguesa que recolhem o uso de termos do cotidiano

oferecem a seguinte definição:


  125  

QUADRO 18 – Verbete “adaptação”

Transposição de uma obra literária para o teatro, televisão, cinema etc.: este filme é adaptação de um
romance antigo. / Arranjo, adequação de uma obra estrangeira que, além da tradução, implica
modificações do texto original.

Fonte: Dicionário Aurélio on-line30

As linhas de concordância geradas pela busca num banco on-line de dados de

textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO RELATAR (CTENFOLHA) evidenciam

a co-ocorrência de “adaptar”, “adaptação” e “adaptado” com obras teatrais, literárias e

cinematográficas, envolvendo, assim como em “traduzir” e “tradução”, os três modos

apontados por Jakobsen (1959). Em termos da LÉXICO-GRAMÁTICA da língua

portuguesa, diferentemente de “traduzir”, o item “adaptar” não ocorre como PROCESSO

RELACIONAL, configurando sempre um PROCESSO MATERIAL (i.e. alguém adapta algo).

QUADRO 19 – Linhas de concordância com as palavras “adaptação”, “adaptar” e


“adaptado”

Teatralizou a literatura clássica do país ao adaptar as obras de Mário de Andrade e João Guimarães
Rosa .
O senhor gostou da adaptação cinematográfica do livro ?
Dias Gomes anda mergulhado na adaptação do romance Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge
Amado, para a televisão .
O interesse pela adaptação / encenação de textos brasileiros e a admiração por Antunes Fiho fazem
David George situar o encenador no contexto da atual vanguarda .
violação à estrutura da obra, afetando sua integridade: modificação ou alteração não autorizada em
adaptação, tradução etc ;
A adaptação foi horrível (até pulou a primeira parte do livro)
Autoria: adaptação livre de Haroldo de Campos da fábula japonesa de Motokiyo Zeami
Montagem da adaptação do clássico grego “ As Troianas “, de Eurípedes mostra a alma feminina
diante das perdas.
«A Suitable Boy», de Vikram Seth, considerado o maior romance jamais “crito, será adaptado para a
televisão em uma minissérie de 13 capítulos, financiada pelo britânico Channel 4 .
Lucélia Santos e Francisco Cuoco protagonizam o especial «Menino de Engenho», adaptado da obra
homônima de José Lins do Rego por Geraldo Carneiro .

Fonte: CTENFOLHA31

30
Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/>. Acesso em: 26 de outubro de 2014.
31
Disponível em: < http://www.linguateca.pt/cetenfolha/>. Acesso em: 26 de outubro de 2014.
  126  

Em relação à construção de significados no PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO

EXPLICAR, em textos acadêmicos do campo disciplinar dos estudos da tradução,

“adaptação” também é construído como nominalização do PROCESSO MATERIAL

“adaptar”, o qual é uma subespecificação do PROCESSO MATERIAL “traduzir”. Isso pode

ser observado também na língua inglesa no verbete da Routledge encyclopedia of

translation studies (BAKER; SALDANHA, 2009, p.3), que define “adaptation” como

“um conjunto de procedimentos de tradução que resultam na produção de um texto que,

se bem não terá o estatuto de ‘tradução’, será reconhecido como representação de um

texto-fonte” 32 . A definição, envolve um contraste com o conceito de ‘tradução’:

“adaptar” como subespecificação de “traduzir” num maior nível de DELICADEZA: uma

tradução é uma não-adaptação, e uma “adaptação” é uma “tradução” com alguma

característica adicional.

Shuttleworth e Cowie (1997, p.3) definem “adaptation” como um texto alvo no

qual foi adotada uma estratégia de tradução “livre”, motivada por uma adequação a uma

audiência especifica ou a um propósito específico. Esses significados vêm ao encontro

dos significados construídos pelos dicionários para o público em geral, tanto na língua

inglesa como no português. Ainda, sob a perspectiva do registro, como veremos na

análise AO REDOR, a construção do significado de “adaptar” aponta para uma seleção

específica numa das variáveis da configuração meta-contextual, qual seja, a SINTONIA,

uma vez que envolve a seleção de uma subdimensão específica de PAPEL AGENTIVO e

PAPEL SOCIAL.

32
Minha tradução para: “Adaptation may be understood as a set of translative interventions
which result in a text that is not generally accepted as a translation but is nevertheless
recognized as representing a source text.”
  127  

Ainda em relação a textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO EXPLICAR

(textos acadêmicos), textos na área da medicina, tanto em língua inglesa como em

português, constroem o significado “adaptar” como uma subespecificação de “traduzir”.

Trata-se de documentar e validar a tradução e “adaptação”, para uma segunda língua ou

língua estrangeira, de questionários e outros instrumentos de coleta de dados

disponíveis em línguas estrangeiras (cf. GUILLEMIN, 1995; BEATON et al, 2000;

TAVARES et al., 2010). Esse significado em particular será retomado quando da

análise sob a perspectiva AO REDOR

No que diz respeito ao próximo processo estudado -- “localizar” --,

diferentemente de “tradução” e “adaptação”, as linhas de concordância geradas pela

busca no banco on-line de dados de textos vinculados ao processo sócio-semiótico

relatar (CTENFOLHA) não revelam ocorrências de “localizar” e “localização” como

operação semiótica, no sentido de produção multilíngue.

Em relação à construção de significados no PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO

EXPLICAR, em textos acadêmicos do campo disciplinar dos estudos da tradução, na

segunda edição da Routledge encyclopedia of translation studies (BAKER;

SALDANHA, 2009, p.157), o significado de “localization” é construído como

subespecificação, em maior nível de DELICADEZA, de “adaptation”:

QUADRO 20 – Verbete “localization”

the linguistic and cultural adaptation of digital content to the requirements and locale of a foreign
market, and the provision of services and technologies for the management of multilingualism across
the digital global information
Fonte: BAKER; SALDANHA (2009, p.157)
  128  

Diferentemente de “adaptar”, o PROCESSO MATERIAL “localizar” possui como

META (GOAL) um ENTE abstrato (“conteúdo digital”) e um PARTICIPANTE (“locale”) que

pode ser classificado como CLIENTE (CLIENT) ou ESCOPO (SCOPE) do PROCESSO. A

interpretação desse PARTICIPANTE como ESCOPO explica a nomeação da

subespecificação de “adaptar” como “localizar”.

O textos vinculados ao PROCESSO HABILITAR: REGULAR constroem o significado

de “localizar” de forma análoga à dos textos acadêmicos. Pym (2004, p.29), por

exemplo, cita a definição dada pela Associação de Normas de Localização Industrial

(Localization Industry Standards Association - LISA), segundo a qual “localizar” um

produto envolve torná-lo apropriado do ponto de vista linguístico e cultural ao local-

alvo (país/região e língua) onde será consumido e vendido. Segundo Sandrini (2008),

“localizar” significa adaptar as especificidades linguísticas e culturais de um conteúdo

para um “local” (“locale”) geográfico ou demográfico determinado. Por “local”,

entende-se os parâmetros utilizados para identificar a língua, o país e preferências do

usuário. A localização envolve o uso de convenções locais de data, formato de horários,

moedas, código de cores, sistema numérico, língua, preferências culturais e sistemas de

escrita.

Como vimos na análise LÉXICO-GRAMATICAL do processo “localizar”, a

atividade “localização” é associada principalmente a softwares e sites da Internet e tanto

na literatura da ciência da computação como na dos estudos da tradução (cf. PYM,

2004). Nos estudos da tradução, a atividade e o produto por ela gerado são considerados

como diferentes da atividade de “tradução” e o produto gerado pela mesma (cf.

TIRKKONEN-CONDIT, 2010). Schubert e Link (2008) apontam como uma das

principais dificuldades técnicas da tarefa de localização, e que diz respeito à linguagem,


  129  

a separação entre segmentos de texto e códigos computacionais e a necessidade

frequente de se traduzir segmentos de texto sem co-texto, uma vez que o tradutor recebe

apenas segmentos que serão posteriormente integrados a uma página em estrutura de

hipertexto. Essa explicação confirma o significado construído pela LÉXICO-GRAMATICA:

a META (GOAL) do PROCESSO MATERIAL “localizar” é um ENTE abstrato: “conteúdo

digital”.

No que diz respeito aos processos de “pré-edição” e “pós-edição”,

analogamente a “localização”, as linhas de concordância geradas pela busca no banco

online de dados de textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO RELATAR

(CTENFOLHA) não revelam ocorrências desses lemas como operação semiótica, no

sentido de produção multilíngue.

Em textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO EXPLICAR, mais

especificamente na Routledge encyclopedia of translation studies (BAKER;

SALDANHA, 2009), não há uma definição propriamente dita de “pré-“ e “pós-edição”.

Há referências a esses termos no verbete “Tradução automática” (“machine

translation”) , uma vez que a produção desses META-TEXTOS está vinculada a um

processo que envolve tradução automática de textos.

Diferentemente de “localizar” e “adaptar”, os PROCESSOS MATERIAIS “pré-editar”

e “pós-editar” não são construídos como subespecificação de “traduzir”. Trata-se de

subprocessos de “editar” e sua especificação em nível de DELICADEZA está relacionada a

uma CIRCUNSTÂNCIA DE PROPÓSITO (pré-editar para submissão a tradução automática)

ou a uma META (GOAL) específica (pós-editar o texto traduzido automaticamente). Esses

significados construídos pela LÉXICO-GRAMÁTICA são corroborados pelas definições do

campo disciplinar.
  130  

São escassos os estudos que buscam caracterizar o texto produzido pela “pós-

edição” (cf. VASCONCELLOS, 1986a, 1986b). Allen (2003) descreve “pós-edição”

como um termo associado à tradução automática, destacando a participação de um

tradutor ou revisor humano na execução dessa atividade. A tarefa é definida por Allen

(2003) como consistindo na correção, edição ou modificação de um texto produzido por

tradução automática. A pós-edição, segundo Allen, é um componente de um processo

maior que envolve pré-edição de um texto-fonte de acordo com normas de linguagem

controlada e a tradução automática desse texto pré-editado. Allen (2003, p.307) cita

como regras da pós-edição as estipuladas pela Normativa J2450 da General Motors, as

quais determinam uma hierarquia de prioridades nas modificações linguísticas, a saber:

A. Erro de terminologia
B. Erro de sintaxe
C. Omissão
D. Erro de estruturação de palavras ou concordância
E. Erro de ortografia
F. Erro de pontuação
G. Outros33

Allen também menciona as orientações dadas a pós-editores pela European

Comission Translation Service, as quais preconizam a limitação da tarefa do pós-editor

àquelas modificações julgadas como estritamente necessárias para garantir a adequação

e evitar ambiguidade (cf. WAGNER, 1985). Corroborando as apreciações de Wagner

(1985), Allen (2003) vincula o crescente interesse pela pós-edição às mudanças nas

expectativas dos leitores em relação a determinados tipos de textos, como é o caso dos

manuais de instruções, os quais são aceitos na forma gerada pelo sistema de tradução

automática com uma pós-edição mínima. Esse produto atende a demanda de um leitor

33
Minha tradução de: “A. Wrong term, B. Syntactic error, C. Omission, D. Word-structure or
agreement error, E. Misspelling, F. Punctuation error, G. Miscellaneous error”.
  131  

interessado pelo conteúdo principal (“gist”) de um documento ou informações

específicas.

Um outro aspecto observado em textos do PROCESSO EXPLICAR do campo de

processamento de linguagem natural e tradução automática é a subespecificação do

PARTICIPANTE “pós-editor” em “pós-editor monolíngue” (denominado “tradutor

monolíngue”), que não domina a língua do texto-fonte ou não possui acesso ao mesmo,

e “pós-editor bilíngue”. Um perfil de tradutor monolíngue em particular tem sido objeto

de pesquisas recentes (cf. KOEHN, 2010). Trata-se daquele que possui conhecimento

do domínio ou área do texto e cujo desempenho em um processo envolvendo pós-edição

de textos traduzidos automaticamente se mostra superior ao do tradutor bilíngue que

não possui conhecimento de domínio.

Estreitamente relacionada com a atividade de “pós-edição”, a atividade de “pré-

edição”, como vimos acima, também está vinculada a um processo que envolve

tradução automática. Assim como “pós-edição”, “pré-edição” é somente definida por

textos acadêmicos do campo disciplinar.

“Pré-edição” envolve a adoção de uma linguagem controlada, definida por

Hartley (2009, p.115) como “uma versão de uma língua natural que incorpora restrições

explícitas de vocabulário, gramática e estilo para a geração (authoring) de

documentação técnica”34. No caso da língua inglesa, a normativa mais utilizada é aquela

elaborada pela AECMA (European Association of Aerospace Industries). Há também

linguagens controladas com o objetivo de simplificação para fins de acessibilidade,

como é o caso do Simplified English. No Brasil, o Manual de simplificação sintática do

34
Minha tradução de: “A controlled language (CL) is a version of a human language that
embodies explicit restrictions on vocabulary, grammar and style for the purpose of authoring
technical documentation”.
  132  

português (SPECIA et al., 2008) representa uma proposta de linguagem controlada

visando à acessibilidade de documentos por parte de leitores com variados grau de

escolaridade.

Linguagens controladas como a da AECMA prescrevem, em nível lexical, o uso

de vocabulário e léxico predefinido, no qual cada termo possui uma referência única e

são eliminados homógrafos e polissemia. Isso se aplica a itens lexicais e gramaticais.

Por exemplo, na língua inglesa, a preposição “about”, que pode construir significados

de assunto e ou indicar inexatidão de uma quantidade, deve ser utilizada apenas para o

primeiro significado. Uma outra norma diz respeito ao uso de grupos nominais, os quais

devem possuir três constituintes no máximo.

No que diz respeito a orações, períodos e parágrafos, as normas prescrevem a

limitação de cada oração e parágrafo a um único assunto e a não omissão de palavras

necessárias (entendendo-se aqui que se deve evitar o uso de referência pronominal

anafórica ou catafórica; e o uso de conectivos para orações relacionadas entre si). No

que diz respeito à redação de instruções e procedimentos, prescrevem o uso de orações

curtas (máximo de 20 palavras ou tokens) e a limitação de cada oração a um único

comando ou instrução, sendo que o uso de mais de um comando por oração é permitido

em casos em que mais de uma ação deve ser desempenhada simultaneamente. O Modo

para realizar comandos deve ser o imperativo. Em descrições, prescrevem-se o uso de

vírgula para separar orações hipotáticas de orações principais e a limitação do número

total de palavras ou tokens a 25 por período.

Nyberg et al. (2003) caracterizam as linguagens controladas em termos do alvo

das mesmas. Assim, separam a linguagem controlada orientada para seres humanos

daquela orientada para processos computadorizados. Os autores destacam diferenças


  133  

entre ambas, sendo que algumas normas favorecem um ou outro tipo de linguagem,

como é o caso da restrição ao uso de referência pronominal no caso da linguagem

controlada orientada para uso computacional e o posicionamento de orações

condicionais precedendo orações principais que favorecem a compreensão de usuários

humanos.

Nyberg et al. (2003) citam as normas da empresa Perkins Engines Ltd. para

traduções e publicações dirigidas a usuários falantes de inglês como segunda língua ou

língua estrangeira. Elas incluem o uso de períodos curtos; a omissão de palavras

redundantes; a preferência pelo ordenamento lógico das orações; a explicitação de

relações lógicas através do uso de conjunções e conectivos; o não uso de construções

elípticas; a precisão no uso das conjunções “and” e “or”; o não uso de palavras

terminadas em “ing”; a adoção do vocabulário controlado predefinido e não uso de

grupos nominais longos.

Hartley e Paris (2001) examinam as regras de linguagem controlada da AECMA

do ponto de vista linguístico e apontam redundância entre elas e a necessidade de se

elaborar regras apoiadas em princípios fundamentados numa teoria da linguagem. Os

autores citam o estudo de Lux (1998), que aponta para uma maior especificação das

normas de linguagem controlada de acordo com o tipo de texto. De particular interesse

para a análise que será apresentada neste capítulo é a investigação de Delin et al. (1994)

sobre as relações retóricas estabelecidas nos textos de instruções, as quais podem ser

correlacionadas com opções preferenciais em cada sistema linguístico. Assim, por

exemplo, numa comparação de manuais de instrução redigidos em inglês, francês e

português brasileiro, os autores identificam padrões preferenciais de realização léxico-

gramatical de comandos em cada uma das línguas, o que implicaria que normas de
  134  

linguagem controlada generalizadas para diferentes sistemas linguísticos podem gerar

realizações léxico-gramatical com correlações diferentes na semântica de cada sistema

linguístico e assim potencial insucesso dos comandos nos manuais de instruções

traduzidos ou gerados de forma multilíngue. Esse ponto será retomado mais adiante

quando da análise da amostra de textos deste estudo, juntamente com outros fatores que

têm impacto na pré-edição e pós-edição de textos traduzidos de forma automática.

Sob a perspectiva do REGISTRO, podemos observar que tanto a “pré-edição”

como a “pós-edição” envolvem uma definição de parâmetros META-CONTEXTUAIS,

sobretudo no que diz respeito à variável de MODO. Esse ponto será retomado

oportunamente na próxima seção.

Ainda, em relação à “pré-edição e à pós-edição, cumpre esclarecer que pela sua

integração a um processo em série e pelo caráter não peremptório dos META-TEXTOS

produzidos, poder-se-ia argumentar que são processos subordinados a um processo

principal, que seria a tradução automática. Todavia, no escopo da modelagem do

ambiente multilíngue tencionada nesta tese, ambos são considerados enquanto

processos autónomos em si próprios relevantes, pelo potencial do processo de

instanciação secundária por eles envolvido, o qual, como a análise da amostra

evidenciará, gera variação nos significados construídos nos META-TEXTOS.

Há, ainda, no campo da tradução automática e da produção de linguagem

natural, dois processos de produção multilíngue de textos que têm sido objeto de

aplicações desenvolvidas no escopo da linguística sistêmico-funcional, embora seu

tratamento no campo dos estudos da tradução tenha sido tangencial. Trata-se da

“produção multilíngue de documentos” (“multilingual document production”) e da

“geração multilíngue de textos” (“multilingual text generation”).


  135  

As linhas de concordância geradas pela busca no banco on-line de dados de

textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO RELATAR (CTENFOLHA) não

revelam ocorrências desses lemas como parte dos respectivos grupos nominais. No que

diz respeito à construção de significados NO PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO EXPLICAR, são

escassas as ocorrências em textos acadêmicos do campo disciplinar dos estudos da

tradução, estando as mesmas restritas a textos acadêmicos do campo da tradução

automática.

Diferentemente dos processos acima examinados, os quais são nomeados

enquanto nominalizações de PROCESSOS MATERIAIS abstratos (“tradução/traduzir”;

“adaptação/adaptar”; “localização/localizar”), as nominalizações construídas pelos

GRUPOS NOMINAIS “produção multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de

textos” não mostram ocorrências como PROCESSOS. Sua descompactação também se

torna ambígua, tanto na língua inglesa como em sua tradução para o português. No caso

de “produção multilíngue de documentos”, poder-se-ia perguntar se trata-se de

“produzir documentos que são multilíngues” ou “produzir documentos de forma

multilíngue”. Igualmente, “geração multilíngue de textos” diria respeito a “gerar textos

que são multilíngues” ou “gerar textos de forma multilíngue”?

Uma análise dos dois GRUPOS NOMINAIS – “produção multilíngue de

documentos” e “geração multilíngue de textos” – aponta para uma diferenciação

estabelecida entre os dois ENTES – “produção” e “geração” –, que, como veremos nos

significados construídos pelos textos acadêmicos, diz respeito a dois PROCESSOS

MATERIAIS diferenciados, não sendo um deles subespecificação do outro. Todavia, os

dois ENTES possuem o mesmo CLASSIFICADOR (“multilíngue”). Apenas os significados


  136  

construídos pelos textos acadêmicos do PROCESSO EXPLICAR nos permitem dirimir a

ambiguidade apontada em relação a essas nominalizações.

A “produção multilíngue de documentos” é caracterizada por Hartley e Paris

(1997) como a produção em paralelo, e não sequencial, de textos com base em bancos

de dados de fragmentos equivalentes em diferentes línguas. Essa produção pode ser

feita por um ou vários autores e é geralmente auxiliada por ferramentas computacionais.

Já a “geração multilíngue de textos” (cf. HARTLEY; PARIS, 1997; MATTHIESSEN,

2001; TEICH, 2003) envolve a produção de textos que expressam o mesmo conteúdo

em mais de uma língua, os quais são gerados, não a partir de um texto prévio, mas

através de uma BASE DE CONHECIMENTO (KNOWLEDGE BASE) que pressupõe um modelo

conceitual. Dentre os sistemas de geração multilíngue de textos cuja arquitetura se

ampara na LSF podemos citar o MULTEX (MATTHIESSEN et al., 1998) e o

DRAFTER (PARIS et al., 2005).

Das diferenças encontradas no contexto de cultura entre os processos indagados

– “tradução”, “adaptação”, “localização”, pré-edição”, “pós-edição”, “produção

multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de textos” -- , podemos abstrair

características que permitam sistematizar tais distinções.

Em termos da forma como a LÉXICO-GRAMÁTICA constrói os diferentes

PROCESSOS vinculados às nominalizações examinadas, observamos as seguintes

relações:

• Somente “traduzir” funciona tanto como PROCESSO MATERIAL como

PROCESSO RELACIONAL, característica que o diferencia e justifica seu

estatuto de processo multilíngue que abrange todos os outros e da nome

ao próprio campo disciplinar dos estudos da tradução


  137  

• O PROCESSO MATERIAL “localizar” é uma subespecificação do PROCESSO

MATERIAL “adaptar”, o qual é, por sua vez, uma subespecificação do

PROCESSO MATERIAL “traduzir”

• Os PROCESSOS MATERIAIS “pré-editar” e “pós-editar” não são

subespecificações do processo “traduzir”. Trata-se de subespecificações

do PROCESSO “editar” juntamente com uma META (GOAL) determinada:

“texto traduzido automaticamente”.

• Os PROCESSOS MATERIAIS “produzir documentos de forma multilíngue” e

“gerar textos de forma multilíngue” são cada um deles subespecificações

de PROCESSOS diferentes.

A TABELA 1 apresenta uma matriz para categorizar os processos multilíngues

de acordo com a aplicação ou não de atributos derivados das caracterizações

encontradas nos corpora e fontes bibliográficas consultadas.


  138  

TABELA 1 - Atributos dos processos multilíngues conforme definidos no CONTEXTO DE CULTURA

Geração_ Geração_ Produção Produção Sem_relação_c Derivado_ Interde- Ressignifi- Ressignifi- Ressignifi- Orientação_para_variáv
Modalidade monolíng mul- _sincrôni- _diacrôni- om_texto_font texto_font pendente_text cação_interse- cação_inter- cação_in- el_contextual_específi-
ue tilíngue ca ca e e o_fonte miótica lingual tralingual ca
Tradução TRUE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE FALSE TRUE TRUE TRUE FALSE
Adaptação TRUE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE FALSE TRUE TRUE TRUE TRUE
Localização TRUE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE
Produção_mul-
tilíngue_ TRUE FALSE TRUE FALSE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE FALSE TRUE
documentos
Geração_mul-
FALSE TRUE TRUE FALSE TRUE FALSE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE
tilíngue_textos
Pré-edição TRUE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE FALSE FALSE FALSE TRUE TRUE
Pós-edição TRUE FALSE FALSE TRUE FALSE TRUE FALSE FALSE FALSE TRUE TRUE
  139  

Na TABELA 1 acima, os atributos dizem respeito a critérios encontrados para

categorizar os processos multilíngues. Em termos do critério geração dos textos, isto é,

da caracterização do produto alcançado ao final da atividade meta, vemos que, com

exceção da “geração multilíngue de textos”, os demais processos geram META-TEXTOS

que, por assim dizer, visam ser monolíngues no CONTEXTO DE CULTURA. Isto é, eles são

gerados para serem lidos por leitores monolíngues e sob o pressuposto de que as

SELEÇÕES nos subsistemas linguísticos feitas são aquelas disponíveis na língua-alvo.

Uma ressalva precisa ser feita nesse sentido. O fato de um META-TEXTO ser gerado para

funcionar como texto monolíngue não significa que os recursos linguísticos utilizados

sejam exclusivos de um único sistema linguístico. Como Figueredo (2011) mostra, nos

diversos textos que se localizam no ambiente multilíngue pode haver seleções em

sistemas que, se bem são parte da língua-alvo, não ocupam no sistema-alvo o mesmo

lugar que ocupam no sistema-fonte. Isso leva a escolhas com baixa frequência de

ocorrência ou nula e, no caso específico da tradução interlingual, geralmente motiva a

avaliação do texto traduzido como “parecendo tradução, má tradução”. De fato,

Figueredo (2011) observa, a tradução tende a ser mais bem avaliada quanto mais

próximo se encontrar o texto traduzido do polo monolíngue do contínuo do ambiente

multilíngue.

No caso da “geração multilíngue de textos”, como seu nome indica, há uma base

de conhecimentos comum (não há texto-fonte) e regras de geração integradas (cf. REDES

DE SISTEMAS MULTILÍNGUES em MATTHIESSEN, 2001) para que um determinado

conteúdo seja “expresso na linguagem” em diferentes línguas.

No que diz respeito ao critério temporalidade, com exceção da “geração

multilíngue de textos” e a “produção multilíngue de documentos”, nos quais os META-


  140  

TEXTOS são produzidos sincronicamente ou em paralelo, os demais processos envolvem

diacronia, sendo o texto-fonte anterior ao META-TEXTO.

Postulado operacionalmente o critério relação com texto-fonte, observamos que

a relação passível de ser estabelecida entre o texto-fonte e os META-TEXTOS pode ser

nula, no caso da “geração multilíngue de textos”, que se vale desse contraste para sua

definição; derivada, quando os META-TEXTOS dependem do texto-fonte para serem

gerados; ou interdependente, no caso da “produção multilíngue de documentos”, na qual

o texto-fonte ou de referência é produzido conjuntamente com os demais META-TEXTOS.

Quanto ao critério ressignificação, vimos que no CONTEXTO DE CULTURA apenas

“tradução” e “adaptação” operam entre sistemas semióticos, entre línguas ou numa

mesma língua. No caso da chamada “tradução intralingual” e “adaptação na mesma

língua”, esses rótulos precisam ser problematizados do ponto de vista teórico para

verificar se não se trataria de uma mesma operação, que geralmente diz respeito a uma

mudança numa das subdimensiones da configuração META-CONTEXTUAL (o leitor alvo).

Sob a perspectiva da LSF, a rescrita intralingual é geralmente uma relação ilusória

estabelecida entre TIPOS DE TEXTO vinculados a REGISTROS ou subregistros diferentes,

com significado diferente do ponto de vista semântico (cf. compactação e

descompactação de significados através da METÁFORA GRAMATICAL). Assim, a rescrita

da ciência para leigos envolve mudança de REGISTRO ou subregistro se a linguagem da

ciência for considerada um grande registro (cf. HALLIDAY; MARTIN, 1993).

Na “localização”, na “produção multilíngue de documentos” e na “geração

multilíngue de textos”, a ressignificação é entre línguas. No caso da “pré-edição” e da

“pós-edição”, a ressignificação é feita na mesma língua.


  141  

O critério orientação para variável contextual específica discrimina processos

em cuja produção uma variável da configuração meta-contextual é dominante e

determina o produto. A variável, como vimos nos significados construídos no contexto

de cultura, é geralmente a de MODO, no caso da “pré-edição” e da “pós-edição”, e

SINTONIA, na “localização e a “adaptação”.

Se correlacionarmos as informações organizadas na TABELA 1 acima com as

observações acerca de como esses significados são construídos pela LÉXICO-

GRAMÁTICA, vemos que, de fato, há convergência. “Tradução”, “adaptação” e

“localização” compartilham o maior número de características comuns entre si. O

mesmo se aplica a “pré-edição” e “pós-edição”. Em contrapartida, “produção

multilíngue de documentação” e “geração multilíngue de textos” compartilham algumas

características; porém, são definidos como processos diferenciados entre si e em relação

aos outros processos.

Se a presença dos atributos na TABELA 1 é contabilizada e a maior semelhança

dos processos é computada por meio de análise de agrupamento (cluster analysis),

obtemos o seguinte dendrograma na FIGURA 13:


  142  

Cluster Dendrogram

4
3
2
Height

Localização
Produção_multilíngue_documentos

Geração_multilíngue_textos
1

Tradução

Adaptação
0

Pré-edição

Pós-edição

euclid
hclust (*, "ward.D")

FIGURA 13 Dendrograma obtido com base na contagem de atributos dos processos


multilíngues35

No dendrograma acima, numa leitura de baixo para cima, observamos que os

dois processos mais semelhantes entre si e diferentes dos outros, são primeiramente

“pré-edição” e “pós-edição”; a seguir, “tradução” e “adaptação”, por sua vez agrupados

com “localização”; e por fim, todos os cinco são organizados num ramo do diagrama.

Num ramo separado, encontra-se o agrupamento “produção multilíngue de

documentos” e “geração multilíngue de textos”. Os agrupamentos confirmam a análise

feita com base nas caracterizações do CONTEXTO DE CULTURA e na LÉXICO-GRAMÁTICA

da língua, no sentido de que os processos “traduzir” e “adaptar” são mais próximos

35
Dendrograma obtido com base em matriz numérica pela técnica de agrupamentos (cluster
analysis), método Ward, no ambiente computacional R (R Core Team, 2014).
  143  

entre si do que de “localizar”, estando distanciados de “pré-editar” e “pós-editar” e

“geração multilíngue de textos” e “produção multilíngue de documentos”, que

constituem dois grupos distintos.

Todavia, o agrupamento evidenciado no dendrograma aponta para “localização”,

em vez de “tradução”, como sendo o processo multilíngue mais amplo (que abrange

“tradução” e “adaptação”), quando os critérios de proximidade são computados na

companhia dos outros processos multilíngues (“pré-edição”, “pós-edição”, “produção

multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de textos”). Essa configuração

revela-se, sem dúvida, inédita e de suma importância no mapeamento dos processos

multilíngues, que, como vimos é ainda incipiente, inclusive no campo disciplinar dos

estudos da tradução.

Os atributos que subjazem esse agrupamento serão explorados com mais

detalhes na seção seguinte, na qual a organização da produção multilíngue de acordo

com categorias construídas no CONTEXTO DE CULTURA será reexaminada, na visão DE

BAIXO da PERSPECTIVA TRINOCULAR adotada. O estudo abrange uma amostra de textos,

produto dos processos “localizar”, “pré-editar” e pós-editar”, representando os ramos

principais do dendrograma gerado pelo agrupamento obtido na visão DE CIMA.

A visão DE BAIXO

A visão DE BAIXO no estudo ora apresentado examina a construção das relações

de equivalência estabelecidas entre META-TEXTOS e TEXTOS-FONTE nas INSTÂNCIAS

selecionadas para os processos “localizar”, “pré-editar” e pós-editar”.

No caso desta pesquisa, como foi dito e reiterado nos capítulos anteriores, foi

feito um recorte específico do objeto de análise de forma a possibilitar o estudo

exploratório dos diferentes processos de produção multilíngue. Foi selecionado o


  144  

PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO HABILITAR (ENABLING) e, dentro dele, o subprocesso

CAPACITAR (EMPOWERING), representado por textos escritos que constroem

procedimentos ou instruções. A escolha se deveu ao fato de se tratar de um REGISTRO,

frequente nas produções multilíngues, objeto de processos “localização”, “pré-edição” e

pós-edição”, bem delimitado, com descrições baseadas na LSF existentes na literatura,

tanto em inglês (cf. MATTHIESSEN, 1993; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 1999)

como em português (FIGUEREDO, 2011) e de ser um tipo de texto incipiente nos

estudos da tradução, sobre o qual pesquisas (TEIXEIRA, 2008a, 2008b) mostram a

necessidade de uma maior compreensão do REGISTRO envolvido de forma a subsidiar a

formação de tradutores.

Na FIGURA 14, traduzida de Matthiessen, Teruya e Lam (2010, p.221), são

destacados os tipos de texto selecionados no âmbito do processo SÓCIO-SEMIÓTICO

HABILITAR .
  145  

FIGURA 14 – O processo habilitar na Tipologia de Textos

Fonte: adaptado de Matthiessen, Teruya e Lam (2010, p.221),

A análise DE BAIXO contemplou, primeiramente, a descrição dos textos

selecionados em termos de SELEÇÕES mais frequentes no escopo das METAFUNÇÕES

IDEACIONAL (EXPERIENCIAL e LÓGICA) e INTERPESSOAL e sua comparação com as

descrições já existentes na literatura. A seguir, foram analisadas as relações de

equivalência entre os textos originais e traduzidos publicados online (classificados

como decorrentes do processo “localização”) que compõem a amostra. Por último,


  146  

foram analisadas as relações de equivalência entre textos-fonte e -alvo na sequencia de

dados coletados, incluindo-se os processos “pré-edição e “pós-edição”.36

Primeiramente, será apresentada a descrição do tipo de texto objeto deste estudo

conforme estudos disponíveis na literatura para proceder-se, depois, à apresentação dos

padrões encontrados na amostra analisada e sua discussão.

Caracterização do REGISTRO

De acordo com Matthiessen et al. (2008), os textos de procedimentos ou

instruções instanciam REGISTROS associados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO HABILITAR,

que, juntamente com os PROCESSOS EXPLORAR, RECOMENDAR E FAZER, constituem

processos de trocas de bens-e-serviços. Esse TIPO DE TEXTO está vinculado a tipos de

SITUAÇÃO em que se espera que o falante dê um COMANDO ao seu interlocutor, o qual,

por sua vez, está disposto a acatá-lo, uma vez que espera com isso receber a capacitação

necessária para executar uma ação dentro de uma sequência de ações orientadas para a

consecução bem sucedida de algum objetivo de seu interesse. Esse objetivo pode ser

montar um aparelho, preparar um prato culinário, fazer uma compra, protocolar uma

reclamação, dentre muitos outros.

Como foi exposto, na tipologia de REGISTROS proposta por Matthiessen, Teruya

e Lam (2010), o PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO HABILITAR (ENABLING) pode ser

subdividido em três subprocessos: PROMOVER (PROMOTING), representado por textos de

anúncios publicitários; REGULAR (REGULATING), representado por textos que regulam o

36
Ao longo deste capítulo, foram adotados os termos “texto original” e “texto traduzido” para se
fazer referência aos textos disponíveis em sítios web compilados no corpus; e “texto-fonte” e
“texto-alvo” para os textos que serviram de insumo para uma operação multilíngue e o resultado
da mesma.
  147  

comportamento tais como protocolos, leis, regulamentos, e CAPACITAR (EMPOWERING),

por textos que ditam procedimentos a serem seguidos para a consecução de um

objetivo.

Neste estudo, foi selecionado o subprocesso CAPACITAR, representado por uma

amostra de textos escritos que constroem procedimentos em MODO MONOLÓGICO, ou

seja, trata-se de uma troca de informações e bens-e-serviços num único turno de fala –

do autor para o leitor. Como a FIGURA 14 mostra, no espectro da tipologia de

registros, o PROCESSO HABILITAR forma parte dos processos sócio-semióticos

caracterizados pela sua orientação para a SINTONIA, isto é, para as relações que se

estabelecem entre os falantes num dado contexto. Como vimos, as relações podem ser

caracterizadas de acordo com o PAPEL AGENTIVO; o PAPEL SOCIAL (relação de poder

entre os falantes em termos de idade, gênero, expertise, classe social); a DISTÂNCIA

SOCIAL ou o grau de proximidade entre os falantes (desconhecido, conhecido, familiar,

íntimo); o AFETO ou o envolvimento do falante numa situação de fala em termos de

comportamentos cooperativos ou dissociativos; o PAPEL DISCURSIVO ou papel criado

pela linguagem através do sistema de tomada de turnos; e a VALORAÇÃO ou atribuição

de avaliação.

Se aplicadas essas dimensões à situação prototípica de textos escritos de

procedimentos ou instruções, observamos que neles se estabelece uma relação de autor-

leitor (PAPEL AGENTIVO); há assimetria em termos de expertise e o autor se encontra

numa posição de instrutor, sendo o leitor aprendiz ou executor das instruções. O autor

detém o conhecimento e o leitor depende dele para ter acesso a esse conhecimento

(PAPEL SOCIAL). Não há proximidade (DISTÂNCIA SOCIAL) e o autor estabelece uma

relação de cooperação para a consecução bem sucedida (AFETO). A linguagem pode ser
  148  

considerada técnica no sentido de que um dos interlocutores não só domina processos e

terminologia específica, como também possui conhecimento sobre por que

determinados procedimentos devem ser prescritos ou proscritos. Nesse sentido, há

geralmente implicitude de significados, pois muitas das explicações para a prescrição e

a proscrição de ações não fará parte do texto. Isso está também relacionado à

implicitude em muitas das relações lógico-semânticas construídas no texto, de forma

paratática e sem nexos explícitos. Dada a implicitude na situação e a relação de

dependência entre leitor e autor, espera-se um certo grau de solidariedade entre os

participantes, embora a relação de poder entre ambos seja desigual em virtude da

expertise de um deles. Dado o objetivo de capacitar o leitor para o sucesso da execução

de uma tarefa, pode se esperar significados de avaliação de procedimentos

(VALORAÇÃO). Em termos do PAPEL DISCURSIVO, por se tratar de um monólogo, no

sentido de que não há movimentos de resposta por parte do leitor, o autor assume o

papel de FORNECEDOR DE INFORMAÇÕES e DEMANDANTE DE BENS-E-SERVIÇOS.

Os textos que constroem procedimentos ou instruções geralmente apresentam

uma estrutura genérica de uma a três fases, sintetizada por Lassen (2003, p.51) como :

1. Estabelecimento de contato e orientação do leitor para o texto e o produto;


2. Indução de ação; e
3. Antecipação e resolução de problemas (Manutenção do contato)37

Dessas três fases, a segunda delas é obrigatória, no sentido de que deve ser

realizada para o texto funcionar como texto de procedimentos. As três fases são

detalhadas a seguir e ilustradas com um dos textos pertencentes à amostra analisada

nesta tese, em sua versão original em inglês e texto publicado em português.

37
Minha tradução de: “Establishing contact and orienting the reader towards the text and the
product, inducing action, anticipating and solving problems (continuing contact)”
  149  

Na fase 1 ou fase informativa e/ou avaliativa, há TROCA DE INFORMAÇÕES,

predominando orações DECLARATIVAS realizadas pelo MODO INDICATIVO:

DECLARATIVO:

(13a) Proper brushing takes at least two minutes — that’s right, 120 seconds! Most adults do not come
close to brushing that long.

(13b) Uma escovação adequada deve durar, no mínimo, dois minutos, isto é, 120 segundos! A maioria
dos adultos não chegam nem próximos a este tempo.

Na segunda fase ou fase procedimental, na qual se estabelece majoritariamente a

TROCA DE BENS-E-SERVIÇOS, predominam COMANDOS, realizados de forma congruente

pelo MODO IMPERATIVO e, em menor grau, de forma metafórica, pelo MODO INDICATIVO.

com seleções no SISTEMA DE MODALIDADE, ambos grifados em negrito em (14a) e

(14b).

(14a) To Use the Delay Timer:


1 Figure out how many hours and minutes there are between now and when you want final baked
bread.
When using the Delay Timer during times of hot weather, you may wish to reduce the liquid in
your recipe by 1 or 2 tablespoons. This is to prevent the dough from rising too much. You may
also reduce the salt by 1/8 or ¼ teaspoons and try cutting the amount of sugar you use by ¼
teaspoon at a time.

(14b) 1 Coloque todos os ingredientes na fôrma de assar


Quando você utilizar o Timer é fundamental respeitar a ordem da receita:
• Primeiro, os líquidos
• Segundo, os ingredientes secos
• Por último, o fermento

A fase 3 é tipicamente associada à seção de resolução de problemas ou

“troubleshooting” e são realizações prototípicas: (i) ORAÇÕES DECLARATIVAS no tempo

presente para o problema ou ORAÇÕES MENORES como item numa lista; (ii) ORAÇÕES

DECLARATIVAS no tempo passado para a causa; e (iii) ORAÇÕES IMPERATIVAS para o

COMANDO relativo à ação corretiva que deve ser tomada, grifados em negrito em (15a) e

(15b).

(15a) The sides of the bread collapse and the bottom of the bread is damp. The bread may have been left
in the bread pan too long after baking. Remove the bread from the pan sooner and allow it to cool.
  150  

(15b) Fumaça e cheiro de queimado. Provavelmente algum ingrediente derramou sobre a resistência.
O cheiro deverá desaparecer em alguns minutos após o consumo desse ingrediente pelo calor do
forno. Depois de terminado o preparo limpe o forno conforme instruções do manual.

Lassen (2003) e Matthiessen et al. (2008) examinam COMANDOS realizados pelo

MODO IMPERATIVO em textos de procedimentos e classificam os mesmos como sendo

predominantemente COMANDOS DE INSTRUÇÃO (INSTRUCTING COMMANDS). Todavia,

pode haver em manuais de instruções COMANDOS realizados pelo MODO DECLARATIVO

para recomendações, mais especificamente ACONSELHAMENTO (CONSULTATIVE

COMMANDS). Em ambos os casos, diferentemente de textos que regulam o

comportamento, tais como leis e regras, o COMANDO nos textos de instruções envolve

uma ação proposta a ser aceita, ou não, de forma voluntária pelo leitor.

Conforme descrição de Matthiessen (1993) e Halliday e Matthiessen (1999,

p.356-371), do ponto de vista IDEACIONAL, o texto de procedimentos ou instruções pode

ser abordado como uma MACRO-OPERAÇÃO, constituída por micro-operações, realizadas

semanticamente por FIGURAS DE FAZER (FIGURES OF DOING). Do ponto de vista

INTERPESSOAL, a relação entre autor e leitor pode ser caracterizada como uma MACRO-

PROPOSTA, formada por micro-propostas ou instruções dirigidas a este último.

Matthiessen (1995) e Halliday e Matthiessen (1999) apresentam uma descrição

detalhada do subregistro procedimental receita culinária, um dos tipos de texto

prototípicos associados ao subprocesso CAPACITAR. Os autores destacam, como

veremos a seguir, as analogias da receita culinária com outros tipos de textos associado

ao subprocesso CAPACITAR em termos de seleções típicas na léxico-gramática para

realizar as funções semânticas.

No domínio EXPERIENCIAL, os textos de procedimentos se caracterizam por

relações retóricas na forma de sequências, realizadas na léxico-gramática por PARATAXE


  151  

e RELAÇÕES LÓGICO-SEMÂNTICAS em sua maioria implícitas ou sem nexos conjuntivos.

Os COMPLEXOS ORACIONAIS em PARATAXE realizam sequências de operações, as quais

constituem subprocedimentos dentro de um procedimento global. Não há PROJEÇÕES e

as EXPANSÕES são em grande parte de INTENSIFICAÇÃO TEMPORAL e CONDICIONAL. Estas

são realizadas por ORAÇÕES HIPOTÁTICAS INTENSIFICADORAS (ENHANCING). Quando

ocorrem conjunções, como é o caso de “and”, esta é geralmente utilizada como

INTENSIFICAÇÃO (e não EXTENSÃO), no sentido temporal:

(16a) Open the lid and remove the baking pan. To do this, simply grasp the handle of the pan and pull
straight up.
Use a gentle, non-abrasive soap and wash, rinse, and dry the pan thoroughly.

(16b) Retire a fôrma de assar de dentro da Panificadora e adicione todos os ingredientes na ordem acima.
Recoloque a fôrma de assar na Panificadora.
Feche a tampa e selecione o ciclo Amassar. Pressione o botão Liga/Desliga.

Do ponto de vista EXPERIENCIAL, geralmente, a fase procedimental é

caracterizada por FIGURAS DE FAZER (FIGURES OF DOING), construídas na léxico-

gramática por ORAÇÕES MATERIAIS que envolvem um PARTICIPANTE AGENTIVO principal

(o leitor) e participantes secundários, tais como um equipamento ou ingredientes

culinários, dependendo do subtipo de texto. CIRCUNSTÂNCIAS DE MODO tendem a ser

tematizadas em inglês, sobretudo na fase procedimental, enquanto que em português o

Processo tende a ser Tema da oração:

(17a) Repeatedly press the “Crust Color” button to select the kind of crust you want.
Carefully measure 1 and 1/3 cups water.

(17b) coloque cuidadosamente a farofa sobre a massa pincelada.

FIGURAS DE SER (FIGURES OF BEING) ocorrem com menor frequência, sendo em

sua maioria relações de ATRIBUIÇÃO, nas quais o PORTADOR (CARRIER) do ATRIBUTO é o

equipamento ou o ingrediente culinário:


  152  

(18a) The breadmaker has an automatic “keep warm” setting that will keep your bread warm for up to one
hour.

(18b) O display contém todas as informações para você programar sua Panificadora.

Algumas FIGURAS DE EXPERIENCIAR (FIGURES OF SENSING) também ocorrem,

geralmente em realizações metafóricas de modalidade. As orações não-materiais

possuem funções específicas, como qualificar, dentro da fase procedimental, ou

fornecer informações na fase não procedimental:

(19a) We recommend however to remove the bread from the breadmaker right away to preserve its
freshness.

(19b) Nós recomendamos que você retire o pão logo depois de ouvir o bip final para obter um pão mais
saboroso, crocante e fresquinho.

FIGURAS DE OCORRER (FIGURES OF HAPPENING) também podem ter lugar, mas

sua frequência é baixa:

(20a) There are two settings

(20b) São duas opções de tamanho: 600 ou 900g.

(20c) São 12 ciclos que você escolhe conforme a necessidade de cada receita.

Diferentemente de outros tipos de texto, nos quais os AGENTES de PROCESSOS

podem ser seres animados, coisas, meta-coisas ou abstrações, na receita culinária e

outros textos de procedimento, a agenciamento está circunscrito a uma pessoa, o

executor (da montagem, da receita), sendo que outros PARTICIPANTES como máquinas

ou utensílios, por exemplo, não possuem agenciamento, sendo construídos como MEIOS

que habilitam o acontecimento de um dado procedimento.

No caso da receita culinária em especial, o executor da ação, em seu papel de

AGENTE, é sempre ATOR. Os alimentos são MEIO. Utensílios são construídos em


  153  

CIRCUNSTÂNCIAS DE MEIO e não como PARTICIPANTES e as unidades de tempo em

CIRCUNSTÂNCIAS DE DURAÇÃO.

As FIGURAS DE FAZER possuem impacto nos tipos de PROCESSO e

PARTICIPANTES. As ações materiais possuem agenciamento volitivo ou intencional. O

interlocutor a quem são dirigidas as instruções é construído como AGENTE voluntário,

responsável pela execução das ações. Como foi dito, não há FIGURAS DE DIZER e há

algumas FIGURAS DE EXPERIENCIAR, embora sua frequência seja relativamente baixa, se

comparada à de FIGURAS DE FAZER ou mesmo FIGURAS DE SER. No caso das FIGURAS DE

EXPERIENCIAR, estas são do tipo desiderativo, sendo o executor o EXPERIENCIADOR e o

objetivo o FENÔMENO. São realizadas por ORAÇÕES INTENSIFICADORAS CONDICIONAIS

(“if you wish...”) ou por METÁFORAS INTERPESSOAIS (“.... you may want...”).

Do ponto de vista INTERPESSOAL, a interação, como foi dito, contempla TROCA

DE INFORMAÇÕES e de BENS-E-SERVIÇOS, também distribuídas segundo as fases

genéricas. A TROCA DE BENS-E-SERVIÇOS é realizada por COMANDOS, por sua vez

realizados por orações no MODO IMPERATIVO, do tipo jussivo, sendo seu SUJEITO

implícito a segunda pessoa, em inglês realizado por “you”.

Em comparação com outros REGISTROS, na receita culinária e em outros textos

de procedimentos as relações entre SEMÂNTICA e GRAMÁTICA são congruentes em sua

grande maioria. Isto é, o número de METÁFORAS GRAMATICAIS é menor.

Em sua análise do tipo de texto receita culinária num corpus monolíngue de

português brasileiro, Figueredo (2011) aponta algumas características prototípicas do

REGISTRO. No estrato da SEMÂNTICA, analogamente ao apontado por Matthiessen

(1995), predominam instâncias de TROCA DE BENS-E-SERVIÇOS, sendo COMANDO a

função discursiva dominante, realizada no MODO IMPERATIVO jussivo neutro. As


  154  

ORAÇÕES MATERIAIS possuem PROCESSOS MATERIAIS de fazer e do ponto de vista textual

tematizam o PROCESSO, que é o TEMA DEFAULT nas orações no MODO IMPERATIVO em

português.

A análise dos textos de instrução selecionados na amostra analisada confirma os

padrões apontados nas descrições de Matthiessen (1993, 1995), Matthiessen e Halliday

(1999) e Figueredo (2011), para o inglês e o português brasileiro respectivamente, sobre

as seleções prototípicas nos sistemas semânticos e léxico-gramaticais.

Em termos do significados IDEACIONAIS (LÓGICOS e EXPERIENCIAIS), observam-

se:

1. Sequências de FIGURAS DE FAZER em PARATAXE e RELAÇÃO LÓGICO-

SEMÂNTICA de EXPANSÃO: INTENSIFICAÇÃO:

(21a) Dissolve ½ cup kosher salt (or ¼ cup table salt) in two quarts of water. Immerse the chicken
completely in the solution and place in the refrigerator.

(21b) Dissolva ¼ xícara de sal comum em 2 litros de água, ponha o frango na salmoura e leve à geladeira
por no mínimo 1 hora e no máximo 6 horas.

2. Sequências de FIGURAS DE FAZER em HIPOTAXE e RELAÇÃO LÓGICO-

SEMÂNTICA DE EXPANSÃO: INTENSIFICAÇÃO: TEMPO OU CONDIÇÃO:

(22a) If you’re not brining, still rinse the chicken under cool water

(22b) Se você quiser que a pele fique bem sequinha e crocante, retorne o frango à geladeira

3. FIGURAS DE SER

(23) One secret to really flavorful, juicy roast chicken is brining

4. FIGURAS DE EXPERIENCIAR

(24) Se você não quiser fazer a salmoura, simplesmente lave o frango em água corrente
  155  

Em termos dos significados INTERPESSOAIS, há:

1. TROCA DE INFORMAÇÕES: DECLARATIVAS

(25a) a salmoura é a melhor maneira de garantir que o frango tempere por igual.

(25b) Proper brushing takes at least two minutes

2. TROCAS DE BENS E SERVIÇOS: COMANDOS

(26a) Insert a meat thermometer into the thickest part of the thigh.

(26b) Retire os miúdos e lave a ave toda em água corrente por dentro e por fora.

No que diz respeito ao processo multilingue pelo qual os textos traduzidos foram

gerados, as amostras analisadas são passíves de serem classificadas como textos

instanciados por meio do processo “localização”, isto é, textos associados

principalmente a softwares e sites eletrønicos de venda e promoçao de serviços (cf.

PYM, 2004), que requerem textos adaptados às especificidades linguísticas e culturais

um “local” (“locale”) geográfico ou demográfico pré-definido.

Confirmadas as descrições disponíveis para cada sistema linguístico com as

observações da amostra de textos selecionados, a comparabilidade do REGISTRO nas

duas línguas nos permite proceder à análise da equivalência com vistas a caracterizar os

META-TEXTOS. Em outras palavras, partindo-se do pressuposto de que o REGISTRO de

textos que constroem procedimentos ou instruções, visando capacitar uma ação do

interlocutor, guarda analogias entre os sistemas da língua inglesa e da língua portuguesa

do Brasil, ao menos num nível de menor DELICADEZA, podemos indagar como os

ESTRATOS de um e outro sistema se relacionam em situações de contato linguístico


  156  

como as representadas pelos diferentes processos de produção multilíngue, o que será

feito a seguir.

Relações de equivalência entre textos originais e traduzidos

Como vimos no Capítulo 1, de acordo com Matthiessen (2001), toda análise de

equivalência deve partir do AMBIENTE mais amplo para progressivamente reduzir seu

escopo e enfocar AMBIENTES mais circunscritos. Esse é o direcionamento dado à

presente análise, que define cada AMBIENTE pelas coordenadas nas quais podem ser

mapeados os equivalentes, sendo estas pautadas pelas dimensões de organização da

língua anteriormente apresentadas: INSTANCIAÇÃO, ESTRATIFICAÇÃO, METAFUNÇÃO,

ESTRUTURA E SISTEMA.

Como foi dito, a análise da equivalência tradutória realizada situa-se numa

coordenada específica da dimensão da instanciação, qual seja, a do REGISTRO e TIPO DE

TEXTO, utilizado como critério objeto de estudo e seleção de amostras. Estabelecida essa

coordenada, o AMBIENTE em que a equivalência é estabelecida e é passível de ser

explicada pode ser o mais amplo na dimensão da ESTRATIFICAÇÃO – o CONTEXTO.

No caso da amostra de textos analisada, no estrato do CONTEXTO, verificamos

equivalência, no sentido de que os textos em inglês e português funcionam como

manual de instruções em seus respectivos contextos.

No ambiente do ESTRATO SEMÂNTICO, como foi exposto, operam RELAÇÕES

RETÓRICAS cuja realização LÉXICO-GRAMATICAL pode ser correlacionada com opções

preferenciais em cada sistema linguístico. Nos textos de procedimentos, determinadas

relações retóricas prototípicas tais como CAPACITAÇÃO (ENABLEMENT) e GERAÇÃO


  157  

(GENERATION) – são realizadas de forma diferenciada em inglês e português. Nas

amostras analisadas, em particular as relações de GERAÇÃO apresentaram realizações

distintas em inglês e português, confirmando os achados de Delin et al. (1994) e

apontando para uma característica do processo multilíngue “localização”, no que diz

respeito à seleção de relações retóricas mais prototípicas na língua-alvo.

Nos originais em inglês, foi observado que os COMANDOS são realizados por um

COMPLEXO ORACIONAL com uma ORAÇÃO FINITA e ORAÇÃO NÃO FINITA DE MEIO

(MEANS). Em português, os COMANDOS são realizados por um COMPLEXO ORACIONAL

formado por um ORAÇÃO FINITA e uma ORAÇÃO NÃO FINITA DE PROPÓSITO (PURPOSE). O

QUADRO 21 ilustra esses padrões:

QUADRO 21 Padrões de realização gramatical das relações retóricas nos textos original
e traduzido

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


ORAÇÃO FINITA + ORAÇÃO NÃO FINITA DE MEIO ORAÇÃO FINITA + ORAÇÃO NÃO FINITA DE PROPÓSITO
Select your program number by pressing the Pressione para selecionar o modo de assar.
Menu button
Select your crust color (light, medium or dark) by Pressione repetidamente para selecionar a cor da crosta
pressing the Crust Color button desejada – clara, média ou escura.

Select your loaf size (1, 11/2 or 2lbs) by pressing Pressione para alternar entre pão médio (600 g) ou
the Loaf Size button grande (900 g)

MUDANÇAS nas RELAÇÕES RETÓRICAS, como as acima ilustradas, têm como

contrapartida MUDANÇAS no estrato da LÉXICO-GRAMATICA, implicando sistemas

prototipicamente associados às distintas METAFUNÇÕES. Nos exemplos acima, as

MUDANÇAS nas relações retóricas têm como contrapartida mudanças na metafunção

IDEACIONAL em seu componente LÓGICO, responsável pelas configurações de TAXE e

RELAÇÕES LÓGICO-SEMÂNTICAS, mais especificamente no tipo de oração não finita

intensificadora (de MEIO ou de PROPÓSITO).


  158  

Como também foi exposto no Capítulo 1, o AMBIENTE enfocado por excelência

para o estudo da equivalência é aquele definido pelo estrato da LÉXICO-GRAMÁTICA ea

dimensão METAFUNCIONAL, que aponta para a ORAÇÃO como unidade plena de

confluência de SIGNIFICADOS IDEACIONAIS, INTERPESSOAIS e TEXTUAIS.

Se partirmos de um alinhamento de segmentos dos textos originais e traduzidos

mapeáveis na ORDEM da ORAÇÃO, verificamos segmentos equivalentes, como podemos

observar na FIGURA 15 obtida como resultado do alinhamento manual de um dos

textos analisados.

FIGURA 15 Alinhamento na ORDEM DA ORAÇÃO

As linhas retas indicam simetria plena entre as orações e corroboram o postulado

da linguística sistêmico-funcional relativo à ORAÇÃO como a unidade no qual opera a

equivalência tradutória na interfase do estrato da LÉXICO-GRAMÁTICA com a

SEMÂNTICA. As linhas indicam a existência de equivalentes, os quais precisam ser

examinados em termos de CORRESPONDÊNCIA ou MUDANÇA. Já a ausência de linhas

indica segmentos não equivalentes.

Na FIGURA 15, há somente uma ORAÇÃO no texto traduzido sem alinhamento e

que não possui equivalente no texto-fonte. Trata-se de uma ORAÇÃO HIPOTÁTICA FINITA

INTENSIFICADORA DE LOCALIZAÇÃO TEMPORAL, destacada em negrito a seguir:

(27a) To get a feel for the time involved, try using a stopwatch.
  159  

(27b) Para ter uma idéia do tempo necessário para uma boa escovação, use um relógio na próxima vez
que escovar os dentes.

Orações sem equivalente, como a ilustrada acima, são geralmente explicadas no

AMBIENTE mais amplo, nos estratos da SEMÂNTICA e do CONTEXTO, uma vez que

envolvem explicitações de significados que o produtor do texto julga necessários para o

leitor do texto traduzido. Neste exemplo específico, podemos afirmar que não há

motivação aparente para a realização, do ponto de vista EXPERIENCIAL, desse

significado em termos do sistema da língua-alvo. A motivação precisa ser examinada

em outros sistemas das outras metafunções ou pode estar vinculada a variáveis META-

CONTEXTUAIS da SINTONIA ou papel que o tradutor assume enquanto autor do meta-

texto, aspecto que será retomado na análise AO REDOR ao final deste capítulo.

Como vimos no Capítulo 1, quando incorporamos à análise a dimensão

METAFUNCIONAL, podemos observar significados realizados por sistemas análogos nas

duas línguas (CORRESPONDÊNCIA) e significados nos quais os sistemas implicados são

divergentes (MUDANÇA ou SHIFT). Um dos pares alinhados na FIGURA 15 ilustra um

caso de MUDANÇA.

(28a) Proper brushing takes at least two minutes


(28b) Uma escovação adequada deve durar, no mínimo, dois minutos

Há neste caso sistemas análogos de TRANSITIVIDADE (METAFUNÇÃO

EXPERIENCIAL), TEMA (METAFUNÇÃO TEXTUAL) e MODO (METAFUNÇÃO INTERPESSOAL),

com exceção do sistema de MODALIDADE, uma vez que na oração em português há um

verbo modal com significado de MODULAÇÃO (“deve”).

Uma análise das possíveis formas AGNATAS em inglês (em negrito a seguir)

evidência significado modal e aproxima essa forma daquela realizada em português:


  160  

(29a) Proper brushing takes at least two minutes


(29b) Proper brushing requires at least two minutes
(29c) You need at least two minutes to brush properly
(29d) You must brush for two minutes to do it properly

Geralmente, as MUDANÇAS implicam sistemas não apenas da ORAÇÃO mas

também da ORDEM do GRUPO, como é o caso a seguir:

(20a) try using a stopwatch


(20b) use um relógio

Neste caso, há no GRUPO VERBAL em inglês um significado do sistema de

CONAÇÃO que não está realizado em português. Constatada a inexistência de restrições

no sistema da língua portuguesa para realizar um significado de CONAÇÃO (por

exemplo, “experimente usar”), essa MUDANÇA precisa ser explicada no estrato do

CONTEXTO ou ainda em alguma das variáveis META-CONTEXTUAIS relativas à SINTONIA e

à expertise do tradutor.

Em linhas gerais, a simetria verificada nos equivalentes na ORDEM da ORAÇÃO

diminui à medida que descemos na ESCALA DE ORDENS. O alinhamento na ORDEM do

GRUPO para os textos em pauta evidencia pares com um número considerável de não

alinhamentos:
  161  

FIGURA 16 – Alinhamento na ORDEM DO GRUPO

O mesmo pode ser verificado no alinhamento na ORDEM da PALAVRA:


  162  

FIGURA 17 - Alinhamento na ORDEM DA PALAVRA


  163  

Cabe reiterar que MUDANÇAS podem ser observadas tanto em segmentos

alinhados equivalentes, quanto em segmentos não alinhados e sem equivalentes. Estes

últimos, como veremos a seguir, geralmente envolvem fenômenos que demandam para

sua explicação uma análise na ORDEM e/ou no ESTRATO superior.

De acordo com Matthiessen, algumas MUDANÇAS podem ter impacto local ou

circunscrito a um sistema enquanto outras têm impacto global, envolvendo mais de um

sistema. As MUDANÇAS podem ser motivadas por princípios do sistema da língua-alvo

ou podem ser escolhas do tradutor sem aparente motivação do sistema linguístico. Cabe

ao analista procurar o que poderia ter motivado tal MUDANÇA e em que ESTRATO,

METAFUNÇÃO, ORDEM ou SISTEMA ela pode ser explicada.

No alinhamento na FIGURA 17, a primeira oração apresenta uma MUDANÇA

circunscrita ao sistema da TRANSITIVIDADE no escopo da METAFUNÇÃO IDEACIONAL -

EXPERIENCIAL:

(21a) How to Brush?


(21b) Como escovar os dentes?

Trata-se de uma ORAÇÃO MENOR, típica de manchetes e títulos, na qual, do ponto

de vista EXPERIENCIAL, temos um PROCESSO MATERIAL (“brush”, “escovar”). Tanto em

inglês como em português, não há um PARTICIPANTE ATOR explícito, mas pode-se

atribuir a esse PROCESSO um PARTICIPANTE: interpessoalmente, um SUJEITO não

responsável modalmente, de primeira (“we”, “nós”, “a gente”), segunda (“you”, “você”)

ou terceira pessoa do discurso (“one”, “people”, “as pessoas”, “se”). No inglês, não há

PARTICIPANTE META explícito, mas pode-se atribuir ao PROCESSO o PARTICIPANTE

“teeth” (dentes). No português, o PARTICIPANTE META (“os dentes”) encontra-se

explícito. Adotando-se o parâmetro definido por Steiner (2005) de número de funções

realizadas, temos um caso de EXPLICITAÇÃO. Se bem este tipo de MUDANÇA não possui
  164  

impacto global, no sentido de ser promotora de outras MUDANÇAS no decorrer do

DISCURSO, ela pode ser interpretada juntamente com MUDANÇAS subsequentes com

tendo um efeito cumulativo de maior nível de explicitação no texto em português. No

texto em pauta, segmentos do texto traduzido sem equivalentes no texto original,

sombreados no QUADRO 22, evidenciam EXPLICITAÇÃO, tendo em vista o critério de

que os significados explicitados em português podem ser considerados evidenciados por

AGNAÇÃO nas formas em inglês:

QUADRO 22 Alinhamento dos textos original e traduzido com evidências de


segmentos não equivalentes

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


How to Brush Como escovar
os dentes
To get a feel for the time involved Para ter uma ideia do tempo necessário
para uma boa escovação
try using a stopwatch use um relógio
na próxima vez que escovar os dentes

Como vimos no Capítulo 1, EXPLICITAÇÃO é um processo entre textos e sua

ocorrência deve ser verificada por critérios quantitativos sobre o número de funções

presente sem cada texto. A explicitação enquanto processo pode ser detectada em ambas

as direções tradutórias, isto é, do texto original para o traduzido, conforme ilustrado

pelos exemplos acima, bem como do texto traduzido em relação ao respectivo original.

As mudanças implicadas em casos de explicitação geralmente evidenciam movimentos

simultâneos de explicitação e implicitação nos diferentes sistemas que operam na

geração dos significados metafuncionais. Assim, no exemplo a seguir obtido na análise

de uma das receitas culinárias em inglês incluídas na amostra, temos maior explicitude

de significados no texto original em inglês e implicitação em português:


  165  

(22a) Learn a few simple techniques and you can avoid lumps, cracks, and sunken middles
(22b) Aprenda aqui alguns truques para aperfeiçoar os seus cheescakes

Há maior explicitude do ponto de vista IDEACIONAL: LOGICO no original em

inglês, uma vez que se trata de um COMPLEXO ORACIONAL formado por duas ORAÇÕES

SIMPLES em RELAÇÃO PARATÁTICA DE INTENSIFICAÇÃO, passível de ser AGNADAS como:

(23a) Learn a few simple techniques and you can avoid lumps, cracks, and sunken middles
(23b) Learn a few simple techniques and then you can avoid lumps, cracks, and sunken middles
(23c) If you learn a few simple techniques, you can avoid lumps, cracks, and sunken middles
(23d) Learn a few simple techniques to avoid lumps, cracks, and sunken middles

Em português temos um COMPLEXO ORACIONAL formado por uma ORAÇÃO

FINITA e uma oração HIPOTÁTICA NÃO FINITA DE INTENSIFICAÇÃO, passível de ser

AGNADA como:

(24a) Aprenda aqui alguns truques para aperfeiçoar os seus cheesecakes


(24b)Aprenda aqui alguns truques para você aperfeiçoar os seus cheesecakes
(24c) Aprenda aqui alguns truques e aperfeiçoe os seus cheesecakes

Do ponto de vista de número de funções, o original em inglês é mais explicito

que o texto traduzido.

Sob a perspectiva IDEACIONAL: EXPERIENCIAL, as diferenças parecem estar no

nível de DELICADEZA no polo lexical. Agnações dos dois textos nos permitem observar

essas diferenças. Em inglês, o significado negativo lexicalizado em “avoid” (“evitar”)

pode ser agnado da seguinte maneira:

(25a) you can avoid lumps, cracks, and sunken middles


(25b) you can avoid having lumps, cracks, and sunken middles in your cheesecakes
(25c) you can bake your cheesecakes without having lumps, cracks, and sunken middles
  166  

Em português temos uma MUDANÇA envolvendo um significado positivo

lexicalizado em “aperfeiçoar” e passível de ser AGNADO da seguinte forma:

(26a) para aperfeiçoar os seus cheesecakes


(26b) para fazer os seus cheesecakes mais perfeitos
(26c) para fazer os seus cheesecakes com menos imperfeições

As FUNÇÕES no sistema de TRANSITIVIDADE no inglês -- PARTICIPANTES META

(“lumps”, “cracks” “sunken middles”) – indicam quantitativamente um número maior

de FUNÇÕES nessa língua e, portanto, maior explicitude nela do que no texto traduzido

em português.

Diferentemente do exemplo acima, em que, apesar da complexidade em se

definir grau de implicitude e explicitude, é ainda possível quantificar esses atributos, há

casos na amostra analisada nos quais significados realizados numa língua, e não na

outra, não são passiveis de quantificação e, portanto, extrapolam o conceito de

EXPLICITAÇÃO conforme operacionalizado com base na proposta de Steiner.

Assim, no QUADRO 23, significados sobre alimentos kosher no texto original

em inglês, não realizados no texto-alvo em português (indicados com sombreado cinza),

e significados relativos à salmoura realizados em português, e não em inglês,

representam mudanças que demandam uma interpretação no estrato do CONTEXTO e

dizem respeito a aspectos do CONTEXTO DE CULTURA de cada público alvo:

QUADRO 23 Alinhamento dos textos original e traduzido com evidências de


segmentos não equivalentes

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


One secret to really flavorful, juicy roast chicken is Um dos truques para um frango assado saboroso e
brining: molhadinho é deixá-lo na salmoura
antes de assá-lo.
soaking in salt water.
If your chicken is kosher,
you're in luck:
it's already brined.
  167  

TEXTO ORIGINAL TEXTO TRADUZIDO


Além disso, a salmoura é a melhor maneira de garantir
que o frango tempere por igual.
Se você não quiser fazer a salmoura,
simplesmente lave o frango em água corrente
e seque bem com papel toalha.
To brine , Para fazer a salmoura:
a non-kosher chicken
Dissolve 1/2 cup kosher salt (or 1/4 cup table salt) in Dissolva 1/4 xícara de sal comum em 2 litros de água,
two quarts of water.

Como vimos no Capítulo 1, um dos conceitos chave que a LSF disponibiliza

para os estudos da tradução e que está fortemente vinculado à explicitação é o de

METÁFORA GRAMATICAL, conceito sobre o qual Steiner baseia sua hipótese de

DESMETAFORIZAÇÃO.

Na amostra analisada, foram observadas MUDANÇAS na ESCALA de ORDENS que

confirmam o movimento de MANOBRA (SHUNTING) apontado por Halliday (1965) e de

forte associação com o fenômeno da METÁFORA GRAMATICAL, também confirmando a

hipótese de DESMETAFORIZAÇÃO postulada por Steiner. Em particular, um padrão

encontrado com frequência na amostra analisada diz respeito a FRASES

PREPOSICIONADAS em inglês traduzidas por ORAÇÕES HIPOTÁTICAS INTENSIFICADORES

FINITAS ou NÃO FINITAS, ilustradas pelos respectivos exemplos a seguir:

(27a) For extra-crispy skin


(27b) Se você quiser que a pele fique bem sequinha e crocante

(28a) During the last 45 minutes of baking


(28b) Faltando 45 minutos para o final do cozimento

Alguns segmentos de difícil alinhamento ou sem alinhamento entre textos

podem ser explicados pelo grau de implicitação de significados em um dos sistemas


  168  

linguísticos, implicitação esta que opera devido a processos de METAFORIZAÇÃO. É este

o caso da declarativa a seguir numa das receitas culinárias em inglês.

A instância de desmetaforização em foco diz respeito a um COMPLEXO

ORACIONAL do texto original, reproduzido a seguir (em negrito) com seu respectivo co-

texto:

(29) Remove cheesecake from the oven to cool on a rack, or simply leave the door of the oven closed,
turn off the heat and let the cheesecake cool for at least an hour.
This helps prevent the cheesecake from sinking in the center.
After chilling, the once-wiggly center should firm up just fine.

Sob a perspectiva IDEACIONAL: LÓGICA, o COMPLEXO ORACIONAL em inglês está

formado por uma ORAÇÃO FINITA e uma ORAÇÃO REDUZIDA, NÃO FINITA, HIPOTÁTICA de

INTENSIFICAÇÃO, em posição de TEMA (“After chilling”). Toda oração reduzida envolve

significados implícitos, uma vez que sua estrutura de MODO (SUJEITO e FINITO) não está

explícita. Na oração em pauta, temos, simultaneamente, uma instanciação de METÁFORA

GRAMATICAL IDEACIONAL e INTERPESSOAL.

Sob a perspectiva IDEACIONAL, há significados LÓGICOS e EXPERIENCIAIS

compactados. Do ponto de vista LÓGICO, pode ser AGNADA por uma oração finita, com

SUJEITO responsável e PREDICADOR com DÊIXIS TEMPORAL. A definição desse SUJEITO

depende da interpretação dada do ponto de vista EXPERIENCIAL para o agenciamento do

PROCESSO MATERIAL “chill”.

Sob a perspectiva da ERGATIVIDADE, “chill” implica agenciamento volitivo, isto

é, um AGENTE que é responsável por uma ação que afetará um segundo PARTICIPANTE.

No caso da receita culinária, podemos interpretar esse AGENTE como sendo o leitor, que

é o PARTICIPANTE ATOR e AGENTE e o SUJEITO MODAL RESPONSÁVEL, e “cheesecake”

passa a ser PARTICIPANTE META. A ORAÇÃO NÃO FINITA seria AGNADA como ORAÇÃO

FINITA da seguinte maneira:


  169  

(30a) After chilling


(30b) After you chill the cheesecake

Sob a perspectiva da TRANSITIVIDADE, o PARTICIPANTE ATOR pode ser

“cheesecake”, lembrando que nesse caso ATOR e AGENTE não são o mesmo

PARTICIPANTE. Em outras palavras, o AGENTE estaria implícito e a ORAÇÃO NÃO FINITA

poderia ser AGNADA como ORAÇÃO FINITA da seguinte forma:

(31a) After chilling


(31b) After the cheesecake chills

Sob a perspectiva INTERPESSOAL, uma vez que no REGISTRO em pauta –

HABILITAR: CAPACITAR: texto de instruções: receita culinária –, procedimentos são

realizados na forma de COMANDO no MODO IMPERATIVO, podemos agnar a oração em

pauta como:

(32a) After chilling


(32b) Chill the cake and then, when the cake has chilled, ...

Como resultado da análise vemos que há um COMANDO implícito na receita

culinária, relevante para a coerência do texto e para os propósitos do REGISTRO

(capacitar alguém para realizar algo de forma bem sucedida). Esse comando está

explícito na tradução publicado online (destacado em negrito):

(33) Quando o cheesecake estiver esfriado completamente, leve-o à geladeira e qualquer parte que ainda
esteja molenga irá se firmar depois de gelado.

O exemplo acima ilustra o fenômeno da desmetaforização apontado por Steiner

(2001) e explorado em Pagano e Silva (2008, 2010) e Alves, Pagano e Silva (2011;

2012, 2013; 2014a, 2014b). Como veremos a seguir em relação à “pré-edição” e à “pós-
  170  

edição”, instâncias de realizações metafóricas são um fator de geração de variação no

ambiente multilíngue.

Meta-textos: pré-edição – tradução automática – pós-edição

A construção da equivalência, como vimos na seção anterior, opera em

diferentes AMBIENTES que o analista pode mapear de acordo com coordenadas na

ESTRATIFICAÇÃO, na METAFUNÇÃO, na ESTRUTURA (ESCALA DE ORDENS) e no SISTEMA

(nível de DELICADEZA).

Como foi dito, para operacionalizar um conceito de equivalência, precisamos

postular uma constante em um nível acima em relação ao qual duas expressões podem

ser consideradas correlatas. Em geral, considera-se a ORAÇÃO como uma unidade de

tradução teórica, pois na ESCALA DE ORDENS é na ORAÇÃO que as ordens inferiores

podem ser consideradas correlatas. Mas, como Matthiessen (2001) explica, a tradução

opera no ESTRATO da SEMÂNTICA, pois traduzimos textos, unidades de significado em

contexto, não unidades da análise linguística. A ESCALA de ORDENS é apenas uma

dimensão de organização da linguagem relevante, junta as outras dimensões, para o

analista mapear os ambientes da tradução.

Como vimos no capítulo metodológico, neste estudo exploratório, foi utilizada

uma amostra extraída do corpus CORES, composta por textos produzidos em condições

experimentais numa sequência que envolveu:

1. a seleção de 6 textos em língua inglesa, classificados como textos de

procedimentos (receita culinária e manual de instruções), vinculados ao processo


  171  

sócio-semiótico habilitar, subprocesso capacitar, disponíveis em sítios web

multilíngues, junto com seus respectivos textos traduzidos em português;

2. a pré-edição de excertos dos 6 textos-fonte, feita por um tradutor bilíngue, de

acordo com as regras CLOUT™ (Controlled |Language |Optimized |for

|Uniform |Translation);

3. a utilização dos textos-fonte pré-editados para a obtenção de textos traduzidos

automaticamente pelo Google Translate e pelo Systran;

4. a pós-edição dos textos-alvo gerado pelo Google Translate, com insumo do

texto-fonte pré-editado, feita por tradutor humano monolíngue, isto é, sem

acesso ao texto-fonte em inglês e

5. a pós-edição dos textos-alvo gerados pelo Google Translate, com insumo do

texto-fonte pré-editado, feita por tradutor humano bilíngue, isto é, com acesso ao

texto-fonte em inglês não pré-editado.

6. a extração dos excertos correspondentes aos textos-fonte em inglês utilizados

dos 6 textos traduzidos publicados nos sítios web

A amostra completa consistiu, ao todo, de 36 textos. Os textos compilados

foram considerados representativos dos processos “localização” (texto original em

inglês e texto traduzido publicado), “pré-edição” e “pós-edição”.

O objetivo, como exposto, foi observar as relações de equivalência

estabelecidas entre os textos e o que elas revelam sobre os processos de produção

multilíngue em termos de: (i) os ambientes nos quais são estabelecidas (coordenadas de

ESTRATIFICAÇÃO, METAFUNÇÃO, ESTRUTURA (ORDEM) e SISTEMA (NÍVEL DE


  172  

DELICADEZA); (ii) os tipos de mudança encontrados e as possíveis evidências de

desmetaforização e explicitação.

Para a comparação dos distintos textos produzidos na sequencia implementada, a

lista de palavras mais frequentes forneceu dados quantitativos relevantes. Nas três

receitas culinárias incluídas na amostra, foi observado o impacto, de certa forma

esperado, da “pré-edição” sobre o texto traduzido automaticamente e os dois textos pós-

editados, uma vez que, como foi exposto no Capítulo 1, as regras pelas quais se pauta o

processo de “pré-edição” incluem a explicitação de referentes (GRUPOS NOMINAIS) para

as formas pronominais anafóricas e catafóricas nas cadeias coesivas. Assim, dentre as

20 palavras mais frequentes em cada uma das receitas culinárias, foi observado o

aumento na frequência com que determinados itens lexicais são repetidos, sobretudo

aqueles que fazem parte das principais cadeias coesivas dos textos.

A   título   de   exemplo,   na   receita   culinária   3   (vide   Anexo),   o   item   lexical   que  

faz  parte  da  principal  cadeia  coesiva  do  texto  e  que  da  nome  a  receita  é  “chicken”.  

O   QUADRO   24 apresenta as 20 palavras mais frequentes em cada um dos textos

produzidos a partir da receita culinária 3.


  173  

QUADRO 24- Reprodução dos 20 primeiros itens da lista de palavras dos textos relativos à receita culinária 3 receita e respectiva
frequência de ocorrência

texto  original   texto  fonte  pré-­‐editado   texto  traduzido  automaticamente   pós-­‐edição  monolíngue   pós-­‐edição  bilíngue   texto  traduzido  publicado  

#                                    
1   10   the   1   22   the   1   14   frango   1   11   frango   1   12   o   1   7   a  
2   7   chicken   2   21   chicken   2   13   o   2   10   o   2   11   frango   2   6   e  
3   6   and   3   6   you   3   10   a   3   9   de   3   8   de   3   6   frango  
4   5   in   4   5   and   4   7   de   4   6   com   4   8   para   4   6   salmoura  
5   5   it   5   5   in   5   7   galinha   5   6   e   5   7   e   5   5   o  
6   4   water   6   5   to   6   5   e   6   4   a   6   6   em   6   4   de  
7   3   dry   7   4   dry   7   5   para   7   4   em   7   5   a   7   3   em  
8   3   for   8   4   is   8   5   uma   8   4   para   8   5   salmoura   8   3   para  
9   3   is   9   4   water   9   4   em   9   4   um   9   5   uma   9   3   por  
10   3   kosher   10   3   a   10   4   se   10   4   uma   10   4   lo   10   3   um  
11   3   or   11   3   brine   11   4   você   11   4   água   11   4   um   11   3   água  
12   3   salt   12   3   for   12   4   água   12   3   kosher   12   4   você   12   2   bem  
13   3   to   13   3   kosher   13   3   com   13   3   mais   13   4   água   13   2   com  
14   3   you   14   3   of   14   3   kosher   14   3   não   14   3   com   14   2   corrente  
15   2   brine   15   3   or   15   3   não   15   3   ou   15   3   kosher   15   2   fazer  
16   2   brining   16   3   rinse   16   3   ou   16   3   papel   16   3   não   16   2   geladeira  
17   2   cup   17   3   salt   17   3   salmoura   17   3   por   17   3   ou   17   2   hora  
18   2   hour   18   3   soak   18   3   é   18   3   salmoura   18   3   por   18   2   lave  
19   2   if   19   2   brined   19   2   brined   19   3   toalha   19   2   deixe   19   2   lo  
20   2   let   20   2   cup   20   2   deixe   20   2   da   20   2   está   20   2   na  
  174  

O QUADRO 24 mostra a frequência crescente de itens das principais cadeias

coesivas, como “chicken”, na “pré-edição”, com impacto na tradução automática, e a

frequência decrescente resultante dos processos de “pós-edição”. Evidencia também o

impacto da tradução automática em relação ao item lexical “chicken”, uma vez que a

máquina utiliza dois termos para traduzir o mesmo referente: “frango” e “galinha”. Em

relação ao item lexical “kosher”, observamos sua ocorrência em todos os textos exceto

no texto traduzido publicado, que, como foi apontado anteriormente, não realiza esse

significado, MUDANÇA que pode ser atribuída a variáveis do CONTEXTO DE CULTURA e

que caracterizam o processo multilíngue “localização”.

No que diz respeito aos equivalentes observados entres os textos produzidos

pelos distintos processos multilíngues, o alinhamento, na ordem da palavra, de um dos

excertos da receita culinária 3 é apresentado para ilustrar as diferentes configurações

encontradas entre os textos-fonte e -alvo à medida que avançamos na sequência dos

textos compilados.
  175  

FIGURA 18 – Alinhamento na ORDEM DA PALAVRA de texto original – FIGURA 19 – Alinhamento na ORDEM DA PALAVRA de texto pré-
texto pré-editado por humano editado por humano – texto traduzido automaticamente
  176  

FIGURA 20 – Alinhamento na ORDEM DA PALAVRA de texto traduzido FIGURA 21 – Alinhamento na ORDEM DA PALAVRA de texto traduzido
automaticamente – texto pós-editado por humano sem acesso ao texto automaticamente – texto pós-editado por humano com acesso ao texto
original (monolíngue) original (bilíngue)
  177  

FIGURA 22 – Alinhamento na ORDEM DA PALAVRA de texto original – texto traduzido


publicado

A FIGURA 18 mostra o impacto da “pré-edição”, no sentido de aumentar o

número de palavras que, como foi apontado, diz respeito a explicitar referentes das

cadeias coesivas e COMANDOS. A FIGURA 19 mostra o tipo de alinhamento que opera

na tradução automática, com escassas MUDANÇAS na ORDEM DO GRUPO relativas aos

padrões mais frequentes nos GRUPOS NOMINAIS em cada língua (realização de ENTE e

CLASSIFICADORES): “roast chicken” – “frango assado” e “salt water” – “água salgada”.

As FIGURAS 20 e 21 mostram alterações feitas na “pós-edição”, também com

MUDANÇAS nos GRUPOS NOMINAIS no que diz respeito à estrutura e posição de ENTE e

EPÍTETOS): “um realmente saboroso suculento frango assado” – “um frango assado

realmente saboroso e suculento”. Revelam uma configuração análoga entre si e escasso

impacto de acesso por parte do tradutor ao texto original.


  178  

Por último, a FIGURA 22 evidencia um número significativo de não

equivalentes e MUDANÇAS, que confirmam a configuração que emerge dos resultados

como prototípica do processo “localização”

Como foi apontado anteriormente, a análise dos textos originais e suas

respectivas traduções publicadas evidenciou MUDANÇAS categorizadas como instancias

de DESMETAFORIZAÇÃO gramatical, cuja motivação foi procurada no AMBIENTE mais

amplo no qual eram verificadas. Para as amostras analisadas nesta seção, as instâncias

de desmetaforização detectadas na primeira análise foram mapeadas ao longo da

sequencia de textos, com vistas a observar em que medida os processo de “pré-edição” e

“pós-edição” eram sensíveis à mudanças necessárias no nível de metaforicidade em

virtude das diferenças nos dois sistemas linguísticos.

A instância de desmetaforização identificada nos segmentos alinhados do texto

original e sua tradução publicada (receita culinária 1 no ANEXO) e analisada na seção

anterior foi reexaminada nesta etapa à luz dos meta-textos gerados pela “pré-edição” e

“pós-edição”.

O QUADRO 25 apresenta o segmento em destaque e seus respectivos

equivalentes em cada um dos textos examinados.

QUADRO 25 – Segmentos alinhados por ORAÇÃO para o COMPLEXO ORACIONAL em


foco

ORIGINAL PRÉ-EDIÇÃO TRADUÇÃO PÓS-EDIÇÃO PÓS-EDIÇÃO TRADUÇÃO


PUBLICADO POR AUTOMÁTICA MONOLÍNGUE BILÍNGUE POR PUBLICADA
HUMANO POR HUMANO HUMANO
After After you Depois de Depois de Depois de Quando o
chilling, chill the esfriar o esfriar, esfriar, cheesecake
cheesecake, cheesecake estiver esfriado
completamente
leve-o à
geladeira
  179  

the once- its wiggly o seu centro o centro deve o miolo do e qualquer parte
wiggly center wiggly deve ficar bem cheesecake que ainda esteja
center should firm firmar bem firme fica bem molenga irá se
should firm up just fine. firme firmar
up just fine.
depois de
gelado

Como vimos na análise da seção anterior, há um COMANDO implícito na receita

culinária em inglês (“chill the cake”), relevante para a coerência do texto e para os

propósitos do TIPO DE TEXTO (capacitar alguém para realizar algo de forma bem

sucedida). A “pré-edição” do texto original de acordo com as regras CLOUT gerou uma

das formas agnatas com agenciamento explícito: “After you chill the cheesecake”.

Todavia, a forma gerada pela tradução automática tornou o agenciamento implícito

(“Depois de esfriar o cheesecake”).

Na “pós-edição”, com e sem acesso ao texto original, “esfriar” foi interpretado

como tendo o PARTICIPANTE “cheesecake” como ATOR, passível de ser agnado como:

(34) Depois de o cheesecake esfriar

Relações coesivas contribuem para essa interpretação, uma vez que a oração

principal possui um PROCESSO RELACIONAL e um PARTICIPANTE PORTADOR

(“miolo/centro do cheesecake”) que retoma o item anterior (“cheesecake”):

(35a) Depois de esfriar, o centro deve ficar bem firme

(35b) Depois de esfriar, o miolo do cheesecake fica bem firme.


  180  

A tradução publicada online, representativa do processo multilíngue “localizar”,

desmetaforiza a oração reduzida e explicita o comando implícito no original:

(36) Quando o cheesecake estiver esfriado completamente, leve-o à geladeira

Essa explicitação potencializa as chances de o texto, enquanto representante do

processo CAPACITAR, funcionar de forma bem sucedida no contexto de cultura-alvo. No

estrato SEMÂNTICO, uma representação das relações retóricas nas FIGURAS 23 e 24 nos

permite visualizar claramente a condensação de significados no texto original e a

descompactação dos mesmos numa forma agnada:

FIGURA 23 - Relação retórica no texto original (condensação de significados)

No texto original em inglês, a relação retórica que se estabelece entre as duas orações é

de CIRCUNSTÂNCIA. Devido a condensação de significados, o leitor deverá interpretar o

tipo de relação que está implícita nessa CIRCUNSTÂNCIA. Se a mesma for interpretada

como de fato acontece no texto traduzido publicado, trata-se de RESULTADO

VOLICIONAL, isto é, “After chilling” é um ação volicional que gera “the once-wiggly

center...”, passível de ser agnada como “After you chill the cheesecake”.
  181  

FIGURA 24 - Relação retórica da forma agnada do texto original

Como foi exposto, no texto traduzido publicado, há explicitação de um comando (“chill

the cheesecake”) e em virtude disso temos, como a FIGURA 25 mostra, uma relação de

volição, desta vez de causa volicional, isto é, ação de levar o bolo à geladeira é causa

volicional para que o mesmo tenha a consistência firme desejada.

FIGURA 25 Relação retórica no texto traduzido publicado

Já a FIGURA 26 a seguir mostra as relações retóricas estabelecidas na forma

agnata em inglês que pode ser associada à forma que os pós-editores escolhem para seus

textos em português:
  182  

FIGURA 26 - Relações retóricas em uma forma agnata do texto original e no texto pós-
editado

Como vemos acima, os textos gerados na “pós-edição” apresentam uma relação

de sequencia, na qual está implícita uma relação de causa não-volicional. Isto é, a ação

do esfriamento não é vinculada a uma ação volicional.

As formas AGNATAS se encontram no paradigma de opções potenciais e podem

ser atribuídas a um movimento de descompactação ou desmetaforização de significados,

que opera no processo de compreensão por parte do tradutor humano (STEINER, 2001;

PAGANO; SILVA, 2010) na instanciação secundária inerente aos processos de

produção multilíngue. A intervenção da máquina no processo de tradução, mesmo com

pós-edição humana, com e sem acesso ao texto original, não se mostra bem sucedida,

uma vez que DESMETAFORIZAÇÃO ou descompactação de significados é um processo de

compreensão humana que ainda precisa ser modelado para sua implementação

computacional. É nesse sentido, que as relações de equivalência observadas ao longo

da análise DE BAIXO apontam para o impacto de determinadas variáveis META-

CONTEXTUAIS que serão examinadas na seção a seguir na análise AO REDOR.

A visão AO REDOR

A terceira visão adotada na perspectiva trinocular de análise – a visão AO REDOR

– possibilita observar o “valor sistêmico” de um determinado fenômeno, isto é, o valor


  183  

atribuído ao se selecionar uma determinada opção num paradigma de opções existentes.

No caso dos META-REGISTROS enfocados, trata-se de observar características de um

dado processo em contraste com os outros processos disponíveis no ambiente

multilíngue.

Sendo o ponto analítico adotado o do REGISTRO, para examinar os META-

REGISTROS numa visão AO REDOR, é necessário precisar as variáveis META-

CONTEXTUAIS associadas aos mesmos.

A análise sob a perspectiva da LSF das caracterizações e /ou definições dos

rótulos examinados na visão DE CIMA, do CONTEXTO DE CULTURA, apontou para a

“localização” como processo amplo que abrange os processos “traduzir” e “adaptar” e

permite vincula-los aos outros processos em foco. Esse agrupamento, como vimos,

organiza os processos multilíngues de acordo com atributos que contemplam

modalidades que recrutam a tradução automática como “pré-edição” e “pós-edição” e

que implicam configurações mais específicas de produção o multilíngue, tais como

“produção multilíngue de documentos” e “geração multilíngue de textos”. Assim, os

principais atributos de cada modalidade de produção multilíngue apontam para a

“localização” como sendo um processo que mais aproxima a “tradução” e a “adaptação”

dos outros processos – “pré-edição”, “pós-edição”, “produção multilíngue de

documentos” e “geração multilíngue de textos”.

Na análise DE BAIXO, enfocados apenas os processos “localização”, “pré-

edição”, “pós-edição”, vimos que o tipo de equivalência observado aponta para o

fenômeno da DESMETAFORIZAÇÃO e possível EXPLICITAÇÃO como tendo lugar no

processo que recruta participação plena do tradutor humano, a “localização”. Numa


  184  

análise AO REDOR, a comparação dos processos se pauta pelas variáveis META-

CONTEXTUAIS que delimitam cada um deles.

O QUADRO 26, baseado em Matthiessen (2001), sintetiza os valores gerais

atribuídos às variáveis META-CONTEXTUAIS que discriminam produções multilíngues

distintas.
  185  

QUADRO 26 – Variáveis meta-contextuais dos processos multilíngues

• CAMPO
• integração com outros processos multilíngues
• plena
• parcial
• inexistente
• SINTONIA
• Papel do tradutor
• autor
• não-autor
• revisor
• Expertise do tradutor
• não especialista
• especialista
• Papel do leitor
• avaliador/crítico
• especialista
• não especialista
• Agenciamento
• texto por encomenda
• exercício
• Percepção do receptor
• espontânea
• convencional
• MODO
• Canal
• escrito
• oral
• eletrônico
• não eletrônico
• Meio
• tradução humana
• tradução automática
• tradução humana assistida por computador
• tradução automática assistida por humano
• Papel na cultura-alvo
• ancilar
• constitutivo
• Orientação
• cultura-fonte
• cultura-alvo
• Modo retórico
• catálogo
• obra de referencia
• fonte de informação

No QUADRO 26 são apresentadas subvariáveis e respectivos valores para as

três variáveis do CONTEXTO: CAMPO, SINTONIA e MODO.


  186  

Seleções dentre os valores das subvariáveis permitem caracterizar processos

multilíngues distintos. No caso do estudo realizado nesta tese, tendo-se em vista os

achados da análise sob a perspectivas DE CIMA e DE BAIXO, podemos sistematizar a

seguinte caracterização.

O processo “localizar” seleciona na variável CAMPO, integração parcial com os

processos “tradução” e “adaptação”. Na variável SINTONIA, o papel do tradutor é de

autor, sua expertise é assumida como de especialista numa relação com um leitor não

especialista. Trata-se de um texto por encomenda que será recebido pelo receptor como

uma tradução mais espontânea do que uma tradução convencional. As subvariáveis da

variável MODO selecionadas na “localização” são canal eletrônico, tradução humana de

um texto que terá papel constitutivo na cultura-alvo (será o substituto de um texto em

outra língua) estará orientada para esta, com a finalidade de ser fonte de informação.

Os processos “pré-edição” e “pós-edição” selecionam na variável CAMPO,

INTEGRAÇÃO PLENA com os processos “TRADUÇÃO”, “ADAPTAÇÃO” E “LOCALIZAÇÃO” .

Na variável SINTONIA, o papel do tradutor é de revisor; não é estabelecida uma relação

de especialista em relação ao leitor e o agenciamento da tarefa é por encomenda. O

receptor terá uma percepção mais convencional do que se espera de sua tarefa. No que

diz respeito à variável MODO, o canal é escrito, podendo ser ou não eletrônico. O meio é

tradução automática assistida por humano. O texto produzido terá papel ancilar no caso

da “pré-edição”, uma vez que esse texto será insumo de um a tradução automática, e

constitutivo no caso da pós-edição, já que o textos pós-editado será substituto de um

texto demandado por uma cultura-alvo. Em ambos os casos, os textos produzidos são

fonte de informação.
  187  

Para termos uma visão ainda mais precisa de como os valores atribuídos às

variáveis geram, por assim dizer, “sub-meta-registros”, é relevante neste momento

analítico vincular as variáveis META-CONTEXTUAIS dos META-REGISTROS às variáveis

CONTEXTUAIS de diversos REGISTROS e TIPOS DE TEXTO no CONTEXTO DE CULTURA. Isso

nos permite observar possíveis correlações entre TIPOS DE TEXTO candidatos a serem

textos-fonte de META-TEXTOS no ambiente multilíngue.

A visão de cima fornece alguns indicativos nesse sentido. As linhas de

concordância do banco CTENFOLHA mostraram co-ocorrências de “tradução” e

“adaptação” de textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO RECRIAR (estórias,

romances, narrativas). A observação feita sobre a tradução de questionários médicos,

apresentados como “adaptações culturais”, também aponta uma correlação entre

“adaptar” e textos vinculados ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO RELATAR (REPORTING),

sendo que a posição desse processo sócio-semiótico na topologia de registros, adjacente

ao PROCESSO SÓCIO-SEMIÓTICO EXPLICAR (EXPOUNDING), pode ser instrumental numa

análise desse tipo de “adaptação cultural” de questionários na área das ciências da

saúde, o qual envolve um processo com variáveis de SINTONIA específicas – o processo

RELATAR (aplicador, representante da instituição medicina, interpela o paciente ou

leigo) dentro de um outro processo – EXPLICAR (o cientista expande o conhecimento por

meio da pesquisa científica).

No que diz respeito a “localização”, as caracterizações vinculam esse processo

com páginas web de serviços e produtos comerciais, onde encontramos textos

associados aos diversos processos sócio-semióticos, sendo os processos RECOMENDAR

(RECOMMENDING), HABILITAR (ENABLING), RECRIAR (RECREATING) E COMPARTILHAR

(SHARING) os mais frequentes. No caso da “pré-edição” e da “pós-edição”, assim como


  188  

a “produção multilíngue de documentação” e “geração multilíngue de textos”, as

caracterizações existentes no CONTEXTO DE CULTURA apontam para o processo SÓCIO-

SEMIÓTICO HABILITAR, mais especificamente CAPACITAR, representado por textos de

procedimentos.

Essa convergência dos diferentes processos de produção multilíngue em relação

ao processo sócio-semiótico HABILITAR e mais especificamente CAPACITAR, confirmam

mais uma vez a escolha bem sucedida do mesmo como processo que possibilita testar a

modelagem pretendida nesta tese.

Na Seção a seguir, será feita uma correlação das observações feitas sob a

perspectiva dos três olhares adotados e suas implicações para a modelagem do ambiente

multilíngue.

Síntese dos achados pela perspectiva trinocular

Para concluir este estudo exploratório, podemos estabelecer uma correlação

entre as observações feitas nas três visões adotadas.

A visão DE CIMA permitiu desenhar agrupamentos dos processos de produção

multilíngue de acordo com atributos definidos com base em (i) a forma como a léxico-

gramática constrói os significados de cada processo; e (ii) as definições construídas em

textos pertencentes aos processos sócio-semióticos EXPLICAR (obras de referência geral,

textos acadêmicos), HABILITAR (leis e normas) e RELATAR (textos jornalísticos).

Foi obtida uma representação das relações de proximidade entre os processos a

partir do seu agrupamento, representação esta inédita e inexistente nos textos

acadêmicos, como foi apontado ao longo da análise, uma vez que destaca o processo

“localização” como processo que abrange “tradução” e “adaptação” e as vincula aos

processos que recrutam maior participação da tradução automática.


  189  

A visão de baixo procedeu pela análise dos significados construídos nos textos-

fonte e nos meta-textos de acordo com um RECORTE METAFUNCIONAL, abrangendo

significados IDEACIONAIS, INTERPESSOAIS e TEXTUAIS, e os dois estratos do conteúdo da

linguagem: SEMÂNTICA e LÉXICO-GRAMÁTICA. A análise dos textos de instrução

selecionados confirmou os padrões apontados nas descrições de Matthiessen (1993,

1995), Matthiessen e Halliday (1999), Lassen (2003) e Figueredo (2011), para o inglês e

o português brasileiro respectivamente, sobre as seleções prototípicas nos sistemas

semânticos e léxico-gramaticais. Foi possível concluir que tanto os textos-fonte como os

meta-textos da amostra analisada fazem seleções prototípicas do REGISTRO de textos de

procedimentos. Portanto, foi possível afirmar que os textos funcionam como textos de

procedimentos em seus respectivos CONTEXTOS DE CULTURA.

Foi implementada, também, uma comparação baseada nas relações de

equivalência estabelecidas entre texto-fonte e meta-textos nos distintos processos de

produção multilíngue. A comparação possibilitou observar o impacto das variáveis

META-CONTEXTUAIS na geração de variação linguística no ambiente multilíngue. O

maior impacto esteve relacionado à seleção tradução humana / tradução automática, em

função de aspectos que dizem respeito a instanciação secundaria das atividades

metalinguísticas. Na tradução humana relativa ao processo “localizar”, a variação

linguística é gerada devido à compreensão dos significados do texto-fonte por parte do

tradutor, sobretudo quando há implicitude de significados e tem lugar

DESMETAFORIZAÇÃO ou descompactação deles na língua-alvo.

Foi observado que a equivalência tradutória construída está condicionada pelo

processo de produção multilíngue. Na “localização”, a equivalência opera nos estratos

CONTEXTUAL e SEMÂNTICO, sendo indicadores dela segmentos não alinhados e


  190  

MUDANÇAS. A implicitude de significados possui impacto na metainstanciação, tendo

lugar, como foi apontado, METAFORIZAÇÃO e DESMETAFORIZAÇÃO.

Na “pré-edição” e “pós-edição”, a equivalência está mais circunscrita aos

estratos SEMÂNTICO e LÉXICO-GRAMATICAL. Isso significa que o número de segmentos

não alinhados é menor. A implicitude de significados possui impacto na instanciação

secundária, mas a ocorrência de DESMETAFORIZAÇÃO é menor do que na tradução

humana ou inexistente.

A visão AO REDOR permitiu vincular os processos com TIPOS DE

TEXTO/REGISTROS em função dos valores selecionados em cada uma das variáveis

META-CONTEXTUAIS. Possibilitou também mapear co-seleções entre as três variáveis, as

quais podem ser correlacionadas com o agrupamento obtido na visão DE CIMA.

No Capítulo 4 a seguir serão traçadas as conclusões da modelagem testada com

este estudo exploratório e tecidas considerações finais sobre as contribuições da

proposta de modelagem para os campos disciplinares em diálogo nos estudos

multilíngues.
  191  

4 CONCLUSÕES

The value of a theory lies in the use that can be made of it.

M.A.K. Halliday, Systemic background

E sta tese teve por objetivo apresentar uma proposta de caracterização de

processos de produção textual multilíngue, dentro da matriz teórica da

linguística sistêmico-funcional e no escopo das abordagens sistêmico-funcionais da

tradução. A proposta foi desenvolvida e validada por meio de um estudo exploratório de

uma amostra de textos-fonte e meta-textos, representativos das relações estabelecidas no

ambiente multilíngue e selecionados de acordo com parâmetros que contemplaram os

distintos processos de produção textual.

A modelagem contemplou o processo social da tradução, como conceito de

máxima abrangência que inclui os diversos processos de produção multilíngue

(“adaptação”, “localização”, “pré-edição”, “pós-edição”, “produção multilíngue de

documentos” e “geração multilíngue de textos”), em sua imbricação no processo textual

ou de instanciação do sistema linguístico. O ponto de observação escolhido para

modelar a produção multilíngue, pautado nas coordenadas traçadas pela LSF, foi o

ponto intermediário no continuo da instanciação, isto é, o REGISTRO, o qual,

fundamentado no princípio de instanciação secundária ou derivada, foi operacionalizado

como META-REGISTRO.

A modelagem da tradução e da produção multilíngue se pautou pelo construto

de AMBIENTE (MATTHIESSEN, 2001), entendido como espaço de múltiplas


  192  

contextualizações, o qual possibilitou operacionalizar a imbricação do PROCESSO SOCIAL

da tradução (meta-contexto) no PROCESSO TEXTUAL da tradução (meta-textos),

modelados a partir de um ponto intermediário do contínuo da instanciação (meta-

registro).

A variação introduzida pelos processos de produção multilíngue foi modelada

como acoplada à reinstanciação textual pautada pelos valores meta-contextuais das

modalidades. Essa decisão se amparou nos achados de Steiner (2001) e Teich (2003) e

nos achados de pesquisas realizadas no Laboratório Experimental de Tradução (cf.

PAGANO; SILVA, 2010; BRAGA, 2012; SILVA, 2012), as quais identificaram

fenômenos de DESMETAFORIZAÇÃO na reinstanciação multilíngue. Essa opção na

modelagem foi validada pela análise dos textos da amostra do estudo exploratório.

Assim, um texto de procedimentos traduzido, ou re-instanciado por algum processo de

produção multilíngue, responde a variáveis do REGISTRO no contexto-alvo, com impacto

das variáveis do contexto-fonte, mas também a variáveis do processo de tradução ou

produção multilíngue selecionado (META-CONTEXTO). Este, por sua vez, dependendo da

configuração meta-contextual, poderá envolver seleções em subsistemas léxico-

gramaticais e semânticos, motivadas pelo AMBIENTE no qual tem lugar a equivalência

tradutória, ou ainda variações no nível de metaforicidade dos significados e,

consequentemente, maior ou menor grau de implicitude ou explicitude dos mesmos.

Metodologicamente, foi implementado um RECORTE INSTANCIAL para fins

exploratórios, com consequente circunscrição a uma amostra de pequenas dimensões e à

análise manual da mesma. A análise pautou-se pela visão trinocular postulada pela LSF

(cf. HALLIDAY, 2002, 2003; HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) para examinar

todo fenômeno em foco sob as perspectivas nomeadamente DE CIMA (FROM ABOVE), DE


  193  

BAIXO (FROM BELOW), e AO REDOR (FROM AROUND). Tomando como fio condutor a

visão trinocular, os resultados do estudo exploratório podem ser assim sintetizados.

A visão DE CIMA em relação aos distintos processos no ambiente multilíngue

partiu de rótulos existentes no CONTEXTO DE CULTURA e indagou diferentes sistemas de

significados (INSTITUIÇÕES) para abstrair parâmetros que pudessem agrupar os

processos multilíngues.

Os significados construídos no CONTEXTO DE CULTURA, desde o ambiente mais

amplo – o da LÉXICO-GRAMÁTICA da língua (vinculado ao processo sócio-semiótico

RELATAR e o REGISTRO reportagem jornalística), o dos dicionários gerais da língua

(vinculado ao processo sócio-semiótico EXPLICAR) e da lei (vinculado ao processo

sócio-semiótico HABILITAR: REGULAMENTAR) – , ao mais restrito – o dos textos

especializados dos campos disciplinares consultados (vinculado ao processo sócio-

semiótico EXPLICAR) –, permitiram agrupar os processos de produção textual

multilíngue de acordo com graus de proximidade. Foram definidos três grupos

compostos pelos processos “localizar”, “traduzir” e “adaptar”; “pré-edição” e “pós-

edição”; e “produção multilíngue de documentos e “geração multilíngue de textos”.

Embora “tradução” esteja representado como processo mais genérico no CONTEXTO DE

CULTURA e na forma como é construída pela LÉXICO-GRAMÁTICA (“traduzir” pode ser

PROCESSO MATERIAL e PROCESSO RELACIONAL), os processos multilíngues que operam

no século vinte e um, nos distintos graus de incorporação da tradução automática,

reorganizam os significados no CONTEXTO DE CULTURA. Nesse sentido, esta tese mostra

que, para o TIPO DE TEXTO selecionado, o processo multilíngue de maior abrangência,

que opera com participação plena do tradutor humano mas que se vincula com
  194  

processos que recrutam a tradução automática, é o que se denomina no CONTEXTO DE

CULTURA “localização”.

A visão de baixo evidenciou uma caracterização de padrões de uso da linguagem

e relações de equivalência prototípicas que separam a “localização” dos outros

processos multilíngues. No escopo da equivalência no estrato da SEMÂNTICA, foram

verificadas MUDANÇAS (SHIFTS) vinculadas a RELAÇÕES RETÓRICAS cuja realização

léxico-gramatical é diferente em diferentes sistemas linguísticos. O impacto dessas

realizações em processos multilíngues que preveem a tradução automática, como foi

verificado, é considerável e seu estudo poderia aprimorar normas ou orientações de

“pré-edição” e “pós-edição”.

No escopo da equivalência no estrato da LÉXICO-GRAMÁTICA, a “localização”

mostrou diferenças dos outros processos multilíngues, sobretudo em virtude do

fenômeno de desmetaforização e consequente explicitação. Este fenômeno distingue a

tradução humana da tradução automática e permite aventar a possibilidade de se utilizar

o segmento não alinhado como indicador de MANOBRAS (SHUNTING) nos processos de

contextualização nos ambientes da tradução humana. Evidências de MANOBRAS

iluminam o fenômeno da compreensão na tradução humana e podem fornecer dados

valiosos para a tradução automática. Este pode ser apontado como um dos grandes

desafios na implementação da tradução automática, razão pela qual os estudos de

processos de desmetaforização são fundamentais para o avanço nesse campo.

A organização da produção multilíngue de acordo com categorias construídas no

CONTEXTO DE CULTURA foi reexaminada à luz da análise das variáveis meta-contextuais

associadas aos meta-registros, na visão AO REDOR da perspectiva trinocular adotada. As


  195  

observações feitas sob essa perspectiva confirmaram os achados na visão DE CIMA e DE

BAIXO para “localização”, “pré-edição” e “pós-edição”.

Os resultados obtidos no estudo exploratório, conduzido pela visão trinocular

hallidayana, validaram a proposta de caracterização pretendida e, consequentemente, a

tese ora apresentada. Nesse sentido, a tese alcançou plenamente os objetivos gerais e

específicos inicialmente delineados. Configura-se assim como proposta inédita, cujo

impacto pode ser aferido em termos de suas contribuições para os campos disciplinares

e áreas com os quais visa dialogar, conforme sintetizadas a seguir.

Em relação aos estudos da tradução, a tese oferece uma representação de

processos que se encontram descritos de forma dispersa ou fragmentada nesse campo

disciplinar. Esses processos são geralmente abordados nos estudos da tradução

privilegiando-se apenas uma ótica, geralmente a visão DE CIMA, sem problematização de

que em medida as definições e descrições conceituais podem ser verificadas nas

instâncias textuais desses processos multilíngues. A caracterização ora apresentada

tenciona contribuir para a futura elaboração de uma tipologia de processos multilíngues

pautada pelas inter-relações observadas DE CIMA, DE BAIXO, e principalmente AO REDOR,

uma das perspectivas menos privilegiadas nos estudos e a qual se reveste de

fundamental importância, pois é nessa perspectiva que os processos se organizam num

paradigma de opções disponíveis no sistema e adquirem valor enquanto seleções dentro

do paradigma.

No que diz respeito à LSF e aos estudos sistêmico-funcionais da tradução, por

estar fundamentada na teoria sistêmico-funcional, a proposta contribui para a mesma ao

valida-la enquanto teoria robusta e abrangente o suficiente para permitir explicar os

processos de produção textual multilíngue. Ao se afiliar as abordagens sistêmico-


  196  

funcionais da tradução, a caracterização se ampara nos achados das pesquisas já feitas e

corrobora os mesmos ao ser capaz de explicar a variação linguística em tradução como

fenômeno DISCRETO do contato linguístico.

A modelagem se afilia ao recentemente proposto campo dos estudos

multilíngues por se pautar pela LSF como teoria geral e por integrar as perspectivas

adotadas pelo campo da descrição linguística, da linguística contrativa e dos estudos da

tradução, no sentido de realizar comparações com base em descrições dos sistema

linguísticos e examinar as instancias textuais em sua relação com os sistemas

envolvidos.

Por último, a proposta contribui para campos disciplinares correlatos como o da

tradução automática ao integrar, num modelo, processos geralmente separados entre

esse campo e o dos estudos da tradução. Isso possibilita a reaproximação dos dois

campos de modo a potencializar seus estudos diante de processos multilíngues que cada

vez mais dependem da divisão de tarefas entre humanos e máquinas.

No âmbito de sua inserção institucional – o Laboratório Experimental de

Tradução da FALE/UFMG –, a caracterização proposta nesta tese representa a

consolidação de uma década de pesquisas empíricas desenvolvidas, como a produção

técnica, bibliográfica e de formação de recursos humanos demostra, na forma de

trabalho conjunto entre os pesquisadores membros e de colaboração interinstitucional

em nível nacional e internacional. Representa também uma base de sustentação para o

projetos de pesquisa ora em andamento e futuros, os quais envolvem os processos de

produção textual multilíngue, sobretudo na interface homem-maquina.

E nesse sentido que esta tese apresenta, num espectro mais amplo, uma

contribuição para o exercício do que M.A.K Halliday batizou, transcendendo a


  197  

dicotomia linguística – linguística aplicada, de linguística com potencial de aplicação

(appliable linguistics), isto é, uma forma de se teorizar que atenda as necessidades dos

profissionais que lidam com a linguagem em seus mais diversos ambientes e contextos

de aplicação.
  198  

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229-48.
.
  213  

APÊNDICE

TEXTOS OBTIDOS EM COLETA DE PRÉ-EDIÇÃO E PÓS-EDIÇÃO DE


TRADUÇÃO AUTOMÁTICA
  214  

Texto 1 – Receita culinária 1

Texto fonte Texto fonte Texto traduzido Texto pós Texto pós Texto traduzido
pré-editado automaticamente editado sem editado com publicado
acesso ao acesso ao texto
texto fonte fonte
Remove Remove the Remover o bolo Remova o Remova o bolo Você pode tirar
cheesecake cheesecake de queijo a partir cheesecake de queijo o cheesecake
from the from the do forno arrefecer do forno e (cheesecake) do forno e o deixar
oven to cool oven to cool sobre uma grelha. deixe esfriar forno e deixe-o esfriar dentro
on a rack, or on a rack. Or Ou fechar a porta sobre uma esfriar sobre uma da forma sobre
simply leave close the do forno, desligue grelha, ou tábua. Ou então, uma grade. A
the door of door of the o fogo e deixe o feche a porta mantenha a porta melhor forma
the oven oven, turn cheesecake esfriar do forno, do forno fechada, de esfriar o
closed, turn off the heat por pelo menos desligue-o e desligue o forno cheseecake,
off the heat and let the uma hora. Isso deixe o e deixe o porém, é dentro
and let the cheesecake ajuda a evitar o cheesecake cheesecake do forno
cheesecake cool for at cheesecake de esfriar por esfriar por pelo mesmo.
cool for at least an hour. afundar no centro. pelo menos menos uma hora. Simplesmente
least an This helps Depois de esfriar uma hora. Isso ajuda a desligue o forno
hour. This prevent the o cheesecake, o Isso ajuda a evitar que o e deixe o
helps cheesecake seu centro wiggly evitar que o cheesecake cheesecake
prevent the from sinking deve firmar bem. cheesecake murche (afunde dentro dele por
cheesecake in the center. afunde no no centro). no mínimo uma
from sinking After you centro. Depois de esfriar, hora. O melhor
in the center. chill the Depois de o miolo do é deixá-lo até
After cheesecake, esfriar, o cheesecake fica que ele esfrie
chilling, the its wiggly centro deve bem firme. por completo.
once-wiggly center should ficar bem Você pode
center firm up just firme. deixar o forno
should firm fine. entreaberto,
up just fine. colocando uma
colher de pau
na porta.
Quando o
cheesecake
estiver esfriado
completamente,
leve-o à
geladeira e
qualquer parte
que ainda esteja
molenga irá se
firmar depois
de gelado.
  215  

Texto 2 – Receita culinária 2

Texto fonte Texto fonte Texto traduzido Texto pós Texto pós Texto traduzido
pré-editado automaticamente editado sem editado com publicado
acesso ao acesso ao texto
texto fonte fonte
How to How to roast Como assar o seu Como assar o Como assar o Dicas para assar
Roast Your your turkey peru seu peru peru um peru perfeito
Turkey Before you Antes de assar o Antes de Antes de assar Primeiramente
To prepare roast the peru, retire os assar o peru, o peru, retire certifique-se de
the turkey turkey, miúdos do peru e retire os os miúdos (e que o peru todo
for roasting, remove the salvar os miúdos miúdos e guarde-os para está
first remove giblets of the de molho ou reserve para o o molho ou descongelado.
the giblets turkey and recheio. Em molho ou o recheio). Em Retire os miúdos
(and save save the seguida, lavar o recheio. Em seguida, lave o e lave a ave toda
for gravy or giblets for peru por dentro e seguida, lave peru por dentro em água corrente
stuffing). gravy or por fora, e pat o o peru por e por fora e por dentro e por
Next, rinse stuffing. peru seco com dentro e por seque-o com fora. Se a sua
the bird Next, rinse papel toalha. fora, e seque papel toalha. receita deixa o
inside and the turkey Se você está com papel Se for rechear peru de molho
out and pat inside and enchendo o peru, toalha. o peru, não use em temperos
dry with out, and pat rechear o peru Se for rechear recheio em (marinando),
paper the turkey vagamente. Deixe não use muito excesso. Use faça-o agora.
towels. dry with cerca de ½ a ¾ recheio. Use cerca de ½ a ¾ Seque todo o
If you are paper towels. xícara de recheio cerca de ½ a de xícara de peru por fora e
stuffing the If you are por quilo de peru. ¾ xícara de recheio para por dentro com
bird, stuff it stuffing the Escovar a pele recheio por cada meio toalhas de papel.
loosely, turkey, stuff com manteiga ou quilo de peru. quilo de peru. Tempere o peru
allowing the turkey óleo. Amarre as Pincele a pele Pincele a pele todo com sal e
about ½ to loosely. coxas com com manteiga com manteiga pimenta-do-reino
¾ cup Allow about barbante (para ou óleo. derretida ou por fora e dentro
stuffing per ½ to ¾ cup aves empalhadas Amarre as óleo. Caso o da cavidade e
pound of of stuffing apenas). coxas com peru esteja siga esses passos:
turkey. per pound of Insira um barbante recheado, Se você for
Brush the turkey. termômetro de (apenas para amarre as rechear o peru,
skin with Brush the carne para a parte aves coxas com faça-o agora.
melted skin with mais grossa da recheadas barbante. Lembre-se de
butter or oil. melted butter coxa. O (?)). Insira um calcular cerca de
Tie or oil. Tie termómetro Insira um termostato na 300 g de recheio
drumsticks the devem apontar em termômetro parte mais (farofa) para
together drumsticks direcção ao corpo, de carne na grossa da coxa. cada quilo de
with string together with e não deve tocar o parte mais O termostato peru, sem deixar
(for stuffed string (for osso. grossa da deve apontar a cavidade da
birds only). stuffed birds Coloque o peru coxa. O em direção ao ave muito
Insert a meat only). em uma prateleira termômetro corpo do peru, apertada, pois a
thermometer Insert a meat em uma assadeira. deve apontar e não pode farofa vai se
into the thermometer Em seguida, na direção do tocar o osso. expandir com o
thickest part into the coloque o peru em corpo, e não Coloque o peru calor e a
of the thigh. thickest part um forno que é deve tocar o sobre uma umidade. Confira
The of the thigh. pré-aquecido a osso. grelha em uma essas receitas de
thermometer The 350 graus F (175 º Coloque o assadeira e, em farofa.
should point thermometer C). Use o quadro peru em uma seguida, leve Amarre as assas
towards the should point que se segue para assadeira com ao forno do peru e/ou
body, and towards the estimar o tempo grelha. Em preaquecido a costure a
should not body, and necessário para a seguida, 175 º C. Use a abertura da
touch the should not cozedura. coloque em tabela a seguir cavidade (esse
bone. touch the Asse até que a um forno pré- para estimar o passo é
Place the bone. pele é uma cor aquecido a tempo necessário
  216  

bird on a Place the dourada clara, e 175 º C. Use necessário para somente para
rack in a turkey on a em seguida, cubra o quadro assar o peru. aves recheadas).
roasting pan, rack in a o peru vagamente abaixo para Asse até que a Besunte o peru
and into a roasting pan. com uma barraca estimar o pele fique com com bastante
preheated Then place de alumínio. tempo uma coloração manteiga
350 degree the turkey Remover a tenda necessário de dourada clara amolecida
F (175 into a oven folha durante os cozimento. e, em seguida, misturada com
degrees C) that is últimos 45 Asse até que a cubra o peru colorau. Isso irá
oven. Use preheated minutos de pele fique com papel deixar o peru
the 350 degrees cozedura, para com uma cor alumínio. com uma cor
following F (175 castanho da pele. dourada clara, Remova o bronzeada.
chart to degrees C). Você não precisa e em seguida, papel alumínio Asse o peru no
estimate the Use the liberianas o peru, cubra o peru nos 45 minutos forno
time following mas para com uma finais para que preaquecido
required for chart to liberianas o peru folha de a pele fique médio (180°C),
baking. estimate the ajuda a promover alumínio. com uma primeiramente
Bake until time required um escurecimento Remova a coloração coberto com
the skin is a for baking. ainda. folha durante dourada papel alumínio
light golden Bake until os últimos 45 escura. Não é (2/3 do tempo) e
color, and the skin is a minutos de preciso regar o depois
then cover light golden cozimento, peru com descoberto para
loosely with color, and para dourar a molho ou dourar a pele.
a foil tent. then cover pele. Você gordura Use a tabela
During the the turkey não precisa durante a abaixo para
last 45 loosely with liberianas o assadura, mas calcular o tempo
minutes of a foil tent. peru, mas isso ajuda a de forno.
baking, Remove the para deixar a pele De vez em
remove the foil tent liberianas o mais quando, regue o
foil tent to during the peru ajuda a escurinha. peru com o
brown the last 45 promover um líquido que se
skin. minutes of escurecimento forma na
Basting is baking to ainda. assadeira para
not brown the evitar que ele
necessary, skin. You resseque.
but helps don’t need to Faltando 45
promote bast the minutos para o
even turkey, but to final do
browning. bast the cozimento, retire
turkey helps o papel alumínio,
promote an besunte mais
even manteiga com
browning. colorau e retorne
ao forno,
descoberto, para
a pele dourar
bem.
  217  

Texto 3 – Receita culinária 3

Texto fonte Texto fonte Texto traduzido Texto pós Texto pós Texto
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acesso ao texto acesso ao texto publicado
fonte fonte
One secret to One secret to Um segredo para Um segredo Um segredo Um dos
really have a really ter um realmente para ter um para um frango truques para
flavorful, flavorful, saboroso, frango assado assado um frango
juicy roast juicy roast suculento frango realmente realmente assado
chicken is chicken is to assado é a saboroso e saboroso e saboroso e
brining: brine the salmoura o suculento é a suculento é a molhadinho é
soaking in chicken: frango: molhe o salmoura: salmoura: deixá-lo na
salt water. If soak the frango em água molhar o frango coloque o salmoura antes
your chicken chicken in salgada. Se o em água frango em água de assá-lo.
is kosher, salt water. If frango é kosher, salgada. Se o salgada. Se o Além disso, a
you're in your chicken você está com frango é kosher, frango é kosher, salmoura é a
luck: it's is kosher, sorte: o frango já você está com você está com melhor
already you’re in está brined. sorte: o frango sorte: o frango maneira de
brined. To luck: the Para salmoura já está salgado. já está garantir que o
brine a non- chicken is uma galinha não- Para a salmoura conservado em frango
kosher already kosher, dissolver de um frango salmoura. tempere por
chicken, brined. ½ xícara de sal não-kosher, Para preparar a igual.
dissolve ½ To brine a kosher (ou ¼ de dissolva ½ salmoura para Se você não
cup kosher non-kosher xícara de sal de xícara de sal uma galinha quiser fazer a
salt (or ¼ chicken, mesa) em dois kosher (ou ¼ de não kosher, salmoura,
cup table dissolve ½ trimestres de xícara de sal de dissolva ½ simplesmente
salt) in two cup of água. Mergulha- cozinha) em xícara de sal lave o frango
quarts of kosher salt se o frango dois terços (?) kosher (ou ¼ de em água
water. (or ¼ cup of completamente de água. xícara de sal de corrente e
Immerse the table salt) in na solução e Mergulhe o mesa) em ½ seque bem
chicken two quarters colocar o frango frango litro de água. com papel
completely of water. no frigorífico. completamente Mergulhe o toalha.
in the Immerse the Deixe a galinha na solução e frango Para fazer a
solution and chicken molho por pelo coloque na completamente salmoura:
place in the completely menos uma hora, geladeira. Deixe na solução e Dissolva ¼
refrigerator. in the mas não se o frango de leve para a xícara de sal
You should solution and embebe o frango molho por pelo geladeira. Deixe comum em 2
let it soak for place the mais do que menos uma o frango de litros de água,
at least one chicken in cinco ou seis hora, mas não molho por pelo ponha o
hour, but no the horas. mais do que menos uma frango na
longer than refrigerator. Despeje a cinco ou seis hora, mas não salmoura e
five or six Let the salmoura fora, horas. mais do que leve à
hours. chicken soak lave o frango em Retire o frango cinco ou seis geladeira por
Pour off the for at least água fria da salmoura, horas. no mínimo 1
brine, rinse one hour, but corrente, e pat a lave em água Retire a hora e no
the chicken do not soak galinha seca com fria corrente, e salmoura, lave máximo 6
under cold the chicken papel toalha. Para seque com o frango em horas.
running longer than uma pele extra- papel toalha. água fria Descarte a
water, and five or six crocante, volte o Para uma pele corrente e salmoura, lave
pat it dry hours. frango para a extra-crocante, seque-o com o frango em
with paper Pour the geladeira e deixe leve o frango de papel toalha. água corrente
towels. For brine off, o frango de ar volta para a Para obter uma e seque com
extra-crispy rinse the seco por mais geladeira por pele papel toalha.
skin, return chicken uma hora, ou mais uma hora, supercrocante, Dica: Se você
the bird to under cold durante a noite, ou por uma volte o frango quiser que a
the running antes de assar o noite, antes de para a geladeira pele fique bem
  218  

refrigerator water, and frango. assar. e deixe-o secar sequinha e


and let it air- pat the Se a galinha não Se o frango não por exposição crocante,
dry for chicken dry é brined, ainda for salgado, ao ar por mais retorne o
another hour, with paper enxaguar a ainda assim, uma hora, ou de frango à
or overnight, towels. For galinha em água enxague em um dia para o geladeira para
before an extra- fria e pat a água fria e outro, antes de secar por uma
roasting. crispy skin, galinha seca com seque com levar para o hora ou
If you're not return the papel toalha. papel toalha. forno. durante a
brining, still chicken to Quando você Quando você Se você não noite.
rinse the the lavar o frango, lava o frango, quiser imergir o
chicken refrigerator você remover os remove os frango em
under cool and let the resíduos e resíduos e salmoura, ainda
water and chicken air- algumas bactérias algumas assim lave-o em
pat it dry dry for da superfície. bactérias da água fria e
with paper another hour, Quando secar a superfície. E seque-o com
towels. or overnight, galinha, você quando seca papel toalha.
Rinsing before you ajuda o frango (com o papel Lavando o
removes roast the para obter uma toalha), faz com frango, você
residue and chicken. pele marrom. que ele fique remove os
some surface If the com a pele mais resíduos e
bacteria, and chicken is dourada. algumas
drying off not brined, bactérias da
the chicken still rinse the superfície; e
helps the chicken secando o
skin brown. under cool frango, você
water and consegue obter
pat the uma pele
chicken dry douradinha.
with paper
towels.
When you
rinse the
chicken, you
remove
residue and
some surface
bacteria.
When you
dry off the
chicken, you
help the
chicken to
get a skin
brown.
  219  

Texto 1 – Manual de instruções 1

Texto fonte Texto fonte Texto traduzido Texto pós Texto pós Texto traduzido
pré-editado automaticamente editado sem editado com publicado
acesso ao texto acesso ao texto
fonte fonte
What Is the What Is the Qual a maneira Qual a Qual a Qual a maneira
Right Way to Right Way to certa de escovar? maneira certa maneira certa certa de
Brush? Brush? Você leva pelo de escovar? de escovar os escovar?
Proper You take at menos dois Você leva pelo dentes? Uma escovação
brushing least two minutos para menos dois São adequada deve
takes at least minutes to escovar os dentes minutos para necessários durar, no
two minutes brush your corretamente - escovar os pelo menos mínimo, dois
— that's teeth isso mesmo, 120 dentes dois minutos minutos, isto é,
right, 120 properly – segundos! A corretamente - para escovar 120 segundos!
seconds! that’s right, maioria dos isso mesmo, os dentes A maioria dos
Most adults 120 seconds! adultos não 120 segundos! corretamente – adultos não
do not come Most adults chegam nem A maioria dos isso mesmo, chegam nem
close to do not come perto de escovar adultos não 120 segundos! próximos a este
brushing that close to os dentes por não gasta nem A maioria dos tempo. Para ter
long. To get brush the muito tempo. isso. Tente adultos não uma idéia do
a feel for the teeth that Tente usar um usar um chega nem tempo
time long. Try to cronômetro para cronômetro perto de necessário para
involved, try use a você ter uma para ter uma escovar os uma boa
using a stopwatch for idéia de o tempo idéia do tempo dentes por esse escovação, use
stopwatch. you to get a envolvido. Use gasto. Para tempo. Tente um relógio na
To properly feel for the movimentos escovar os usar um próxima vez que
brush your time curtos e suaves dentes cronômetro escovar os
teeth, use involved. para escovar os corretamente, para ter uma dentes. Escove-
short, gentle Use short, dentes faça ideia do tempo os com
strokes, gentle corretamente. movimentos ideal. Para movimentos
paying extra strokes to Preste atenção curtos e escovar os suaves e curtos,
attention to brush your extra para a suaves. Preste dentes com especial
the gumline, teeth gengiva, para o muita atenção corretamente, atenção para a
hard-to-reach properly. Pay hard-to-remontam na gengiva, use margem
back teeth extra dentes e áreas ao dentes de movimentos gengival, para
and areas attention to redor, para as difícil acesso curtos e os dentes
around the gumline, coroas ou para a (?) e áreas ao suaves. Preste posteriores,
fillings, to the hard- outra restauração. redor, coroas atenção extra à difíceis de
crowns or to-reach back Concentre-se ou outros tipos gengiva, aos alcançar e para
other teeth and totalmente de restauração. dentes de trás as áreas situadas
restoration. areas around, limpeza de cada Concentre-se que são mais ao redor de
Concentrate to the crowns seção da seguinte na limpeza de difíceis de restaurações e
on or to the forma: cada seção da alcançar e coroas.
thoroughly other . Limpe as seguinte áreas ao redor, Concentre-se na
cleaning each restoration. superfícies forma: às coroas e limpeza de cada
section as Concentrate externas dos . Limpe as outras setor da boca,
follows: on dentes superiores, superfícies restaurações. da seguinte
• Clean the thoroughly em seguida, externas dos Busque maneira:
outer cleaning each limpar os dentes dentes escovar bem • Escove
surfaces of section as inferiores; superiores, em cada seção da as superfícies
your upper follows: . Limpe as seguida, faça o seguinte voltadas para a
teeth, then . Clean the superfícies mesmo nos forma: bochecha dos
your lower outer internas dos dentes . Escove as dentes
teeth surfaces of dentes superiores, inferiores; superfícies superiores e,
• Clean the your upper em seguida, . Limpe as externas dos depois, dos
inner teeth, then limpar os dentes superfícies dentes inferiores.
surfaces of clean your inferiores; internas dos superiores e, • Escove
  220  

your upper lower teeth; . Limpe as dentes em seguida, as as superfícies


teeth, then . Clean the superfícies de superiores, em dos dentes internas dos
your lower inner mastigação dos seguida, faça o inferiores; dentes
teeth surfaces of seus dentes; mesmo nos . Escove as superiores e,
• Clean the your upper . Certifique-se de dentes superfícies depois, dos
chewing teeth, then escovar a língua inferiores; internas dos inferiores.
surfaces clean your para um hálito . Limpe as dentes • Em
• For lower teeth; fresco. superfícies de superiores e, seguida, escove
fresher . Clean the mastigação em seguida, as as superfícies de
breath, be chewing dos seus dos dentes mastigação.
sure to brush surfaces of dentes; inferiores; • Para
your tongue, your teeth; . Certifique-se . Limpe as ter hálito puro,
too . Be sure to de escovar a demais escove também
brush your língua para um superfícies a língua, local
tongue for a hálito fresco. envolvidas na onde muitas
fresher mastigação; bactérias ficam
breath. . Para um alojadas.
hálito fresco,
certifique-se
de também
escovar a
língua .
  221  

Texto 2 – Manual de instruções 3

Texto fonte Texto fonte Texto traduzido Texto pós Texto pós Texto
pré-editado automaticamente editado sem editado com traduzido
acesso ao texto acesso ao publicado
fonte texto fonte
Smoke stains Smoke stains manchas de fumo Manchas de Manchas de Para remover
Remove any Remove any Remova qualquer fumo fumaça aquelas
surface deposit on depósito na Para remover Para remover manchas
deposit by the surface: superfície: lavar qualquer vestígio depósitos na escuras
pressure wash with com pressão ou depositado na superfície, provocadas
washing or pressure or limpo com um superfície: lavar lave a pressão pelo fumo do
vacuum clean with a aspirador de pó. com pressão ou ou use cigarro, você
cleaning. vacuum Tratar qualquer limpar com um aspirador de precisa fazer
Treat any cleaner. coloração aspirador de pó. pó. uma solução
residual Treat any residual: misturar Para remover Para tratar com água e
staining by residual sabão em pó qualquer colorações amoníaco, na
mixing sugar staining: mix açúcar com água coloração residuais, proporção de
soap powder sugar soap quente residual: misturar misture pó de 1 para 1 (por
with hot water powder with (normalmente sabão em pó na tira-gorduras exemplo:
(typically 100 hot water 100g para 4 água quente com água 0.5L de água
g to 4 litres (typically litros, mas pode (normalmente quente para 0.5L de
but may need 100g to 4 precisar de ser 100g de sabão (normalmente detergente
to be stronger) litres, but mais forte) ou em pó para 4 100g para 4 com
or diluting may need to diluir sabonete litros de água, litros, mas amoníaco) e
sugar soap be stronger) líquido de açúcar mas a mistura talvez tenha de humedecer
liquid (can be or dilute (pode ser usado pode precisar ser ser mais forte) um pano
used neat) and sugar soap puro) e aplique o mais ou dilua tira- para esfregar
applying it to liquid (can be sabonete para a concentrada) ou gorduras na parede.
the surface used neat) superfície com diluir sabonete líquido (pode Novamente
with a brush, and apply the uma escova. Em líquido (pode ser ser usado após essa
followed by soap to the seguida, esfregue usado puro). puro) e lavagem terá
scrubbing surface with a superfície com Aplique o aplique na que passar
with a a brush. um limpador de sabonete na superfície com um pano
scouring Then, scrub limpeza. superfície com uma escova. seco para
cleanser. the surface Alternativamente uma escova. Em Em seguida, remover o
Alternatively, with a , bicarbonato de seguida, esfregue a excedente da
bicarbonate of scouring sódio e água esfregue-a com superfície com parede. Este
soda and cleanser. sanitária também um limpador de um detergente. é mesmo
household Alternatively, são produtos limpeza. Outras procediment
bleach are bicarbonate eficazes para Alternativamente alternativas o para retirar
also effective of soda and remover manchas , bicarbonato de eficazes para manchas de
products for household de fumo. sódio e água remover gordura. Se
removing bleach are Se houver sanitária também manchas de essas
smoke stains. also effective quaisquer são produtos fumaça são manchas
If there are products for manchas eficazes na bicarbonato de forem muito
any removing concentradas, remoção de sódio e água teimosas e
concentrated smoke stains. recomenda-se um manchas de sanitária. não querem
stains, a If there are emplastro fumo. Se houver largar a sua
poultice any impregnado com Se houver manchas parede,
impregnated concentrated lixívia doméstica quaisquer concentradas, coloque
with stains, it is (essencialmente manchas recomenda-se apenas o
household recommende de hipoclorito de concentradas, um emplastro amoníaco
bleach d a poultice sódio). O passo recomenda-se o impregnado num pano e
(essentially impregnated final é a uso de um com água esfregue
sodium with enxaguar a emplastro de sanitária diretamente
hypochlorite) household superfície lixívia doméstica (basicamente na parede.
  222  

is bleach completa com (a base de de hipoclorito No final não


recommended (essentially água fresca. hipoclorito de de sódio). O se esqueça
. sodium sódio). O passo passo final é a sempre de
A thorough hypochlorite) final é enxaguar enxaguar a passar um
rinsing with . The final a superfície com superfície pano seco.
fresh water is step is to água fria. completament
the final step. rinse the e com água
surface fresca.
thorough
with fresh
water.
  223  

Texto 3 – Manual de instruções 4


Texto fonte Texto fonte Texto traduzido Texto pós Texto pós Texto traduzido
pré-editado automaticamente editado sem editado com publicado
acesso ao acesso ao
texto fonte texto fonte
Programming Programming programação Programação Programação TAMANHO
1. Select your 1. Select the 1. Selecione o 1. Selecione 1. Para Pressionando este
loaf size (1, size of the tamanho do pão o tamanho do selecionar o botão você pode
11/2 or 2lbs) loaf (1, 11/2 (1, 11/2 ou 2 pão (1lb tamanho do selecionar 2
by pressing or 2 lbs): libras): pressione (450g), 1 ½ pão de forma tamanhos: para
the Loaf Size press the Loaf o botão Tamanho lb (675g) ou (1, 1 ½ ou 2 preparar uma
button until Size button Pão até que você 2 lb (900g)): libras, o pequena (600g) ou
your desired until you selecione o pressione o equivalente a grande (900g)
size is select the size tamanho que botão cerca de 500 quantidade de pão,
selected. that you você deseja. O TAMANHO g, 750 g e 1 de acordo com sua
Your current desire. The painel LCD vai DO PÃO até kg), receita. A
selection will LCD panel exibir a seleção chegar ao pressione o indicação
be displayed will display atual. tamanho que botão mostrada de 600g
on the LCD the current 2. Selecione a você deseja. “Tamanho do e 900g, no painel,
panel. selection. cor da crosta O painel de Pão” até representam
2. Select your 2. Select the (leve, médio ou LCD exibe a chegar à valores
crust color crust color escuro): seleção atual. opção aproximados da
(light, (light, pressione o botão 2. Selecione desejada. O quantidade
medium or medium or de cor da casca a cor da painel LCD produzida nestas
dark) by dark): press até que você crosta (clara, exibirá a opções.
pressing the the Crust selecione a cor média ou seleção atual. COR
Crust Color Color button que você deseja. escura): 2. Para Para escolher a
button until until you O painel LCD pressione o selecionar a cor da casca do
your desired select the vai exibir a botão COR cor da casca pão assado, entre
color is color you seleção atual. DA do pão (leve, CLARO, MÉDIO
selected. desire. The 3. Selecione o CROSTA até média ou ou ESCURO.
Your current LCD panel número do chegar à cor escura):
selection will will display programa: que você pressione o CICLOS
be displayed the current pressione o botão deseja. O botão “Cor Pressione para
on the LCD selection. Menu até que o painel de da Casca” até selecionar o modo
panel. 3. Select the programa que LCD exibe a chegar à de assar. Cada vez
3. Select your program você deseja é seleção atual. opção que você
program number: press exibida. (O 3. Selecione desejada. O pressiona a tecla,
number by the Menu painel de o número do painel LCD o aparelho emite
pressing the button until controle lista as programa: exibirá a um ‘bip’ e o
Menu button the program seleções pré- pressione o seleção atual. número do
until your you desire is programados de botão MENU 3. Para programa muda.
desired displayed. menu para fácil até que o selecionar o Veja página 5.
program is (The control referência.) programa número do CORES
displayed. panel lists the Pressione o que você programa, Pressione
(The pre- pre- botão Bake deseja seja pressione o repetidamente
programmed programmed rápido para exibido. (O botão Menu para selecionar a
menu menu Rapid Bake. painel de até exibir o cor da crosta
selections are selections for Veja páginas 5-6 controle lista programa desejada – clara,
listed on the easy para obter mais as seleções desejado. (O média ou escura.
control panel reference.) informações de menu pré- painel de TAMANHO
for easy Press the sobre cada programadas controle lista Pressione para
reference.) Rapid Bake programa. para facilitar as seleções alternar entre pão
For Rapid for Rapid a referência.) pré- médio (600 g) ou
Bake, press Bake. See Pressione o programadas grande (900 g),
the Rapid pages 5-6 for botão do menu para dependendo da
Bake button. more ASSAR fácil receita que
  224  

For more information RÁPIDO referência.) utilizar.


information on each para assar o Caso queira, INICIAR/PARAR
on each program. pão mais pressione o Pressione para
program, see rápido. Veja botão “Assar iniciar ou parar o
pages 5-6. as páginas 5- Rápido”. programa
6 para obter Veja páginas selecionado
mais 5-6 para
informações obter mais
sobre cada informações
programa. sobre cada
programa.
  225  

ANEXO A

AMOSTRA DE TEXTOS DE PROCEDIMENTOS

RECEITAS CULINÁRIAS
  226  

Receita culinária 1 – Texto original - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com/>

Perfect Cheesecakes

Cheesecake is always elegant, yet deceptively easy to make.


Learn a few simple techniques and you can avoid lumps, cracks, and sunken middles.
Baking in a Water Bath

Cheesecake is a custard at heart. It's delicate, so you want to bake it slowly and evenly without browning
the top.

The most effective way to do this is to bake it in a water bath. Since water evaporates at the boiling point,
the water bath will never get hotter than 212 degrees F (100 degrees C), no matter what the oven
temperature. This means that the outer edge of your cheesecake won't bake faster than the center, which
can cause it to soufflé, sink, and crack.

Baking Cheesecake

It's common to overbake cheesecakes because, while they might look underdone, they are actually done
when the center is still wobbly. At this stage, residual heat will "carry over" and the center will continue
to cook.

Remove cheesecake from the oven to cool on a rack, or simply leave the door of the oven closed, turn off
the heat and let the cheesecake cool for at least an hour. This helps prevent the cheesecake from sinking
in the center.

After chilling, the once-wiggly center should firm up just fine.

Mixing Matters

The cream cheese should be at room temperature before you begin mixing, or you'll end up with lumps in
your cheesecake.
Using cold cream cheese also leads to overbeating--whipping too much air into the batter--which forms
unattractive air bubbles on the surface of the cake.
Unless the recipe instructions specifically note otherwise, you should beat the cream cheese by itself until
it's smooth and light, before adding any other ingredients.
If you end up with lumps in your batter, run the mixture through a sieve or give it a quick spin in the food
processor and you'll have silky smooth results.

Putting the Cheese in Cheesecake

Whether you're making an Italian-style cheesecake with ricotta cheese or a classic New York cheesecake
with cream cheese, don't skimp on the fat content. Reduced fat and nonfat cream cheeses contain fillers
that might prevent the cheesecake from setting properly. Never substitute whipped cream cheese for the
solid block.

All About Texture

Eating cheesecake is a very sensual experience: texture is everything. Some recipes contain a small
amount of starch, such as flour or cornstarch. These cheesecakes have a more cake-like texture.
Cheesecake recipes that do not contain flour are intended to be luxuriously smooth and dense.
  227  

Receita culinária 1 – Texto traduzido– português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com.br/>

Como fazer um cheesecake perfeito

Cheesecake é uma sobremesa elegante e que sempre agrada. Servido frio, é especialmente agradável nos
meses de calor, fazendo uma ótima contribuição para as festas de fim de ano.
Cheesecake básico:
A fórmula básica de cheesecake é uma base de bolacha moída e o recheio feito com queijo e ovos e
adoçado com bastante açúcar.

Aprenda aqui alguns truques para aperfeiçoar os seus cheescakes e deixar todo mundo querendo mais!

Banho-maria

A melhor maneira de assar o cheescake é em banho-maria no forno. A água quente evapora quando chega
ao ponto de ebulição (100 graus), independente da temperatura interna do forno. Isso significa que a
borda do seu cheesecake não vai assar mais rápido do que o centro, evitando assim que o cheesecake
afunde e quebre.

Muita gente deixa o cheesecake no forno por muito tempo. Se você assar o cheesecake mais do que o
necessário ele irá ficar seco e rachado.
Para saber quando parar de assar, dê uma leve mexida na forma. Quando o meio do cheesecake estiver
ainda um pouco molenga e trêmulo, como gelatina, ele está pronto. O calor interno do cheesecake irá
terminar de cozinhá-lo e o centro ficará firme.

Você pode tirar o cheesecake forno e o deixar esfriar dentro da forma sobre uma grade. A melhor forma
de esfriar o cheseecake, porém, é dentro do forno mesmo. Simplesmente desligue o forno e deixe o
cheesecake dentro dele por no mínimo uma hora. O melhor é deixá-lo até que ele esfrie por completo.
Você pode deixar o forno entreaberto, colocando uma colher de pau na porta.
Quando o cheesecake estiver esfriado completamente, leve-o à geladeira e qualquer parte que ainda esteja
molenga irá se firmar depois de gelado.

Dica:
Pra evitar que o cheesecakes se quebre na hora de desenformar, unte as laterais da forma antes de assá-lo.
Conforme for esfriando, irá se desprender facilmente das laterais, facilitado o desenforme.

Massa

Para um melhor resultado, os ingredientes do cheesecake devem estar em temperatura ambiente. Isso
inclui o queijo usado (geralmente cream cheese), os ovos e o leite ou creme de leite.
A não ser que a receita diga outra coisa, o cream cheese deve ser batido primeiro sozinho, até ficar leve e
fofo, antes de acrescentar os outros ingredientes.
Se depois de bater a massa ela não estiver bem lisa, passe-a por uma peneira ou bata rapidamente no
processador ou liquidificador. Isso irá garantir uma massa lisa e sem pedaços.
Dica:
Algumas receitas de cheesecake usam um pouco de farinha ou amido de milho. Esses cheesecakes ficam
mais parecidos com bolos, enquanto cheesecakes feitos sem nenhuma farinha ou amido ficam com uma
textura mais macia.
  228  

Receita culinária 2 – Texto original - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com/>

How to Cook a Turkey


Get tips for roasting the perfect turkey.

How to Roast Your Turkey


To prepare the turkey for roasting, first remove the giblets (and save for gravy or stuffing). Next, rinse the
bird inside and out and pat dry with paper towels.
If you are stuffing the bird, stuff it loosely, allowing about ½ to ¾ cup stuffing per pound of turkey.
Brush the skin with melted butter or oil. Tie drumsticks together with string (for stuffed birds only).
Insert a meat thermometer into the thickest part of the thigh. The thermometer should point towards the
body, and should not touch the bone.
Place the bird on a rack in a roasting pan, and into a preheated 350 degree F (175 degrees C) oven. Use
the following chart to estimate the time required for baking.
Bake until the skin is a light golden color, and then cover loosely with a foil tent. During the last 45
minutes of baking, remove the foil tent to brown the skin. Basting is not necessary, but helps promote
even browning.

Weight of Bird Roasting Time


(Unstuffed) Roasting Time
(Stuffed)
10-18 lbs 3-3.5 hours 3.75-4.5 hours
18-22 lbs 3.5-4 hours 4.5-5 hours
22-24 lbs 4-4.5 hours 5-5.5 hours
24-29 lbs 4.5-5 hours 5.5-6.25 hours
The turkey is done when the internal temperature reaches 165 degrees F (75 degrees C) at the thigh.
  229  

Receita culinária 2 – Texto traduzido– português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com.br/>

Como fazer um peru assado perfeito


Dicas para assar um peru perfeito
Primeiramente certifique-se de que o peru todo está descongelado. Retire os miúdos e lave a ave toda em
água corrente por dentro e por fora. Se a sua receita deixa o peru de molho em temperos (marinando),
faça-o agora.
Seque todo o peru por fora e por dentro com toalhas de papel. Tempere o peru todo com sal e pimenta-do-
reino por fora e dentro da cavidade e siga esses passos:
Se você for rechear o peru, faça-o agora. Lembre-se de calcular cerca de 300 g de recheio (farofa) para
cada quilo de peru, sem deixar a cavidade da ave muito apertada, pois a farofa vai se expandir com o
calor e a umidade. Confira essas receitas de farofa.
Amarre as assas do peru e/ou costure a abertura da cavidade (esse passo é necessário somente para aves
recheadas).

Besunte o peru com bastante manteiga amolecida misturada com colorau. Isso irá deixar o peru com uma
cor bronzeada.
Asse o peru no forno preaquecido médio (180°C), primeiramente coberto com papel alumínio (2/3 do
tempo) e depois descoberto para dourar a pele. Use a tabela abaixo para calcular o tempo de forno.
De vez em quando, regue o peru com o líquido que se forma na assadeira para evitar que ele resseque.
Faltando 45 minutos para o final do cozimento, retire o papel alumínio, besunte mais manteiga com
colorau e retorne ao forno, descoberto, para a pele dourar bem.

2 Tempo de cozimento do peru


Como regra geral, calcule aproximadamente 40 minutos de forno médio (180°C) para cada quilo da ave
(peru sem recheio).
Use a tabela abaixo apenas como referência, o tempo de cozimento pode variar conforme o tipo de forno
e tamanho da ave.
Todos os tempos abaixo são referentes ao cozimento em forno médio (180°C).
Para fazer um peru recheado, aumente em 30 minutos os tempos de cozimentos abaixo.
Tempo de cozimento do peru (sem recheio)em forno médio (180°C)
Peso aproximado Tempo de forno
4 kg 2hs45m
5 kg 3hs20m
6 kg 4hs

3 Como saber se o peru já está pronto?


A melhor maneira de verificar se o peru está pronto é usando um termômetro culinário que você encontra
em casas de artigos de cozinha. Insira o termômetro na parte mais grossa da coxa do peru, sem tocar o
osso. A temperatura deve entre 80-85°C.

Não tem termômetro?


Sem problemas. Outro método simples mas eficaz é fazer um corte na parte mais grossa da ave,
geralmente a coxa. O líquido que escorrer deve ser claro, sem nenhum traço de sangue ou cor escura.
4 Como fazer o molho para o peru
Retire o líquido que se formou na assadeira durante o cozimento do peru e passe-o por uma peneira
coberta por um pano de prato limpo. Isso irá separar parte da gordura. Coloque o caldo numa panela e
leve ao fogo médio, retirando sempre a gordura que se forma na superfície.
Depois que a maioria do gordura tiver sido retirada, aumente o fogo, acrescente aproximadamente uma
xícara de caldo de legumes ou de galinha e deixe o líquido reduzir e engrossar. Se desejar, misture um
pouco de amido de milho (maisena) para engrossar mais ainda o caldo.
Você pode incrementar esse caldo de várias maneiras, como por exemplo:
  230  

Adicionar castanhas portuguesas cozidas e picadas


Usar creme de leite no lugar do caldo de legumes ou galinha
Adicionar uma cálice de vinho do Porto durante o cozimento do caldo
Acrescentar frutas secas como passas, figos secos e tâmaras ao cozimento do caldo

Dica:
Deixe o peru descansar por 20 minutos antes de trinchá-lo, isso evita que a carne resseque depois de
cortada.
  231  

Receita culinária 3 – Texto original - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com/>

How to Roast Chicken

You can make the perfect roast chicken! We'll tell you the kitchen tools, spices, and cooking tips you'll
need.
Roasting Tools

All you need is a roasting pan (or a baking sheet in a pinch) and an instant-read thermometer.

Using a roasting rack set over the pan will help the chicken cook more evenly, since air can circulate
freely. With a roasting rack, the chicken won't be resting in its own drippings, which will give you
crispier skin. For easier cleanup, you can line the pan with aluminum foil.

Divine Brine

One secret to really flavorful, juicy roast chicken is brining: soaking in salt water. If your chicken is
kosher, you're in luck: it's already brined. To brine a non-kosher chicken,

Dissolve ½ cup kosher salt (or ¼ cup table salt) in two quarts of water. Immerse the chicken completely
in the solution and place in the refrigerator.
You should let it soak for at least one hour, but no longer than five or six hours.
Pour off the brine, rinse the chicken under cold running water, and pat it dry with paper towels. For extra-
crispy skin, return the bird to the refrigerator and let it air-dry for another hour, or overnight, before
roasting.

If you're not brining, still rinse the chicken under cool water and pat it dry with paper towels. Rinsing
removes residue and some surface bacteria, and drying off the chicken helps the skin brown.

Dress It Up

A chicken roasted with nothing but salt, pepper, and butter is very tasty indeed. But it's also easy to build
on these basic flavors. Chop up fresh herbs and tuck them under the chicken's skin along with a few pats
of butter, or stuff sprigs into the chicken cavity along with quartered onions and cloves of garlic. Wedges
of aromatic fruit such as lemons or oranges will perfume the bird as it roasts, infusing the meat with extra
flavor.

Rub It Down

Many cooks use a dry rub: a blend of dried and ground spices, rubbing them under the chicken's skin and
inside the cavity. Since they're under the skin, the flavorings won't burn; plus they'll infuse the meat. This
is a great way to add some spice if you'll be discarding the skin.

For a Southwestern flavor, try chile powder or pureed fresh chiles, cumin, and sage.
For an Indian-inspired bird, mix together equal parts ground coriander and cumin, plus turmeric and a
pinch or two of cardamom or garam masala.
To give the chicken a Thai flair, try a paste of ginger, lemon grass, green chilies, cilantro and lime juice.

A Bird You Can Truss


If you like, truss the bird before roasting it--that is, tie it with butcher's twine to keep the legs close to the
body. This is not an essential step, but it does make the chicken slightly easier to handle, and it helps hold
the stuffing in if you've stuffed the chicken.
To truss a chicken, cut about a 3-foot length of heatproof butcher's twine.
  232  

Lay the chicken on a clean surface with the breast facing up.
Hold one end of the string in each hand, and loop the center of the string underneath the chicken's tail.
Catch the ends of the legs inside the string, then cross the string over the chicken's breast, making an X.
Loop the string under and around the wings, then tie the string snugly in a knot across the middle of the
breast. Make sure that the ends of the wings are tucked in.
  233  

Receita culinária 3 – Texto traduzido – português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com.br/>

Frango assado é testemunho de que comida boa não precisa ser complicada. Este
prato simples e delicioso agrada a todos.

Receitas de frango assado.

Material necessário:
Há várias maneiras de se preparar um frango para ser assado e ingredientes como
temperos e ervas mudam de acordo com cada receita. Porém, alguns itens são
básicos e você certamente irá precisar deles, independente da receita. Por isso,
tenha sempre a mão:
Uma assadeira ou refratário grande que caiba o frango todo
Papel alumínio, se necessário
Sal e pimenta-do-reino moída
Manteiga ou óleo
Barbante de cozinha
Tesoura de cozinha

1 Asse o frango com a pele


Há quem diga que a pele é a parte mais saborosa do frango e há quem
acredite que por ser muito gordurosa ela deve ser descartada. Seja qual for a
sua opinião, sempre asse o frango com a pele, isso evitará que a carne
resseque. Na hora de comer, cada um pode escolher se deseja remover ou não
a pele.
2 Salmoura
Um dos truques para um frango assado saboroso e molhadinho é deixá-lo na
salmoura antes de assá-lo. Além disso, a salmoura é a melhor maneira de
garantir que o frango tempere por igual.
Se você não quiser fazer a salmoura, simplesmente lave o frango em água
corrente e seque bem com papel toalha.
Para fazer a salmoura:
Dissolva ¼ xícara de sal comum em 2 litros de água, ponha o frango na
salmoura e leve à geladeira por no mínimo 1 hora e no máximo 6 horas.
Descarte a salmoura, lave o frango em água corrente e seque com papel
toalha.
Dica: Se você quiser que a pele fique bem sequinha e crocante, retorne o
frango à geladeira para secar por uma hora ou durante a noite.
3 Temperos
Um frango assado somente com manteiga, sal e pimenta fica muito saboroso,
mas você pode experimentar outras combinações de temperos para sair da
rotina.
Misture ervas frescas picadas com manteiga e passe embaixo da pele do
frango, ou coloque raminhos inteiros de ervas frescas na cavidade do frango
junto com uma cebola em quartos e alguns dentes de alho.
Você também pode usar frutas cítricas aromáticas como laranja e limão, basta
colocar algumas fatias dentro da cavidade do frango.
Outra dica é usar uma combinação de temperos secos e ervas aromáticas para
dar um sabor diferenciado ao frango assado. Passe os temperos dentro do
frango e embaixo da pele, assim você evita que eles queimem e o frango
adquire o sabor dos temperos mesmo que você não use a pele depois de
assada.
Algumas ideias de temperos diferentes:
Misture pimenta-chilli em pó, cominho em pó e sálvia picada e você tem
  234  

um frango com um toque mexicano.


Para um sabor indiano, misture partes iguais de sementes de coentro em
pó, cominho em pó, mais uma pitada de açafrão-da-terra (cúrcuma) e
garam masala.
Para uma refeição inspirada na culinária tailandesa, experimente socar
num pilão gengibre fresco, capim limão fresco, pimenta verde, coentro e
suco de limão.

4 Amarre bem o frango


Você pode assar o frango sem amarrá-lo, mas essa dica evita que as asas
queimem demais por ficarem muito expostas, além de ser uma boa ideia nos
casos de frangos recheados com farofa. Para amarrar o frango, siga estes
passos:
Corte um pedaço de barbante de cozinha de aproximadamente 90 centímetros.
Com o frango de peito para cima, passe o barbante por debaixo das assas e de
dê um nó simples. Repita agora passando o barbante pelas coxas e
juntando-as.
Dê outro nó simples e siga com o barbante pelas laterais do corpo do frango
até a outra extremidade, passando por debaixo das asas.
Vire o frango e amarre as pontas do barbante.
Dica econômica:
Você pode fazer dois frangos de uma vez só, economizando gás e tempo. As
sobras do frango podem ser usadas em sopas, panquecas, massas e saladas
tipo salpicão. A carcaça pode ser utilizada para fazer caldo de frango
caseiro. Assar o frango inteiro também sai mais em conta do que comprar
as partes separadas como coxas, peitos, e sobrecoxas.
  235  

Receita culinária 4 – Texto original - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com/>

Spiderweb Cheesecake
By: Jan White
"The trick to this tempting treat is pulling a toothpick through rings of melted chocolate to create the web
effect. 'This no-bake cream cheese pie goes together quickly and tastes delicious,' assures Jan White,
Plainview, Nebraska. 'It's fun to serve, too, because it never fails to draw comments.'"

Ingredients
1 (.25 ounce) envelope unflavored gelatin
1/4 cup cold water
2 (8 ounce) packages cream cheese, softened
1/2 cup sugar
1/2 cup whipping cream
1 teaspoon vanilla extract
1 (9 inch) prepared chocolate crumb crust
2 tablespoons semisweet chocolate chips
1 tablespoon butter or margarine
Directions
In a small saucepan, sprinkle gelatin over water; let stand for 1 minute. Heat gelatin; stir until dissolved.
Remove from the heat; cool slightly. In a mixing bowl, beat the cream cheese and sugar until smooth.
Gradually beat in cream, vanilla and gelatin mixture until smooth. Pour into crust.
In a microwave, melt chocolate chips and butter; stir until smooth. Transfer to a heavy-duty resealable
bag; cut a small hole in a corner of bag. Pipe a circle of chocolate in center of cheesecake. Pipe evenly
spaced thin concentric circles about 1/2 in. apart over filling. Beginning with the center circle, gently pull
a toothpick through circles toward outer edge. Wipe toothpicks clean. Repeat to complete web pattern.
Cover and refrigerate for at least 2 hours before cutting.
  236  

Receita culinária 4 – Texto traduzido– português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://allrecipes.com.br/>

Cheesecake teia de aranha

Receita: Jan White


O truque para fazer essa torta é usar um palito para traçar as linhas com o chocolate quente. Elas
começam no meio e vão até a borda da torta. Assim você consegue deixar a torta parecendo uma teia.
Essa é uma cheesecake deliciosa, que não vai ao forno, e é preparada rapidamente.

Ingredientes
Serve: 8

7 g de gelatina sem sabor


4 colheres (sopa) de água gelada
450 g de cream cheese, amolecido
1/2 xícara (100 g) de açúcar
1/2 xícara (120 ml) de creme de leite fresco
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 massa para torta feita com biscoito tipo maizena que meça 23 cm
2 colheres (sopa) (20 g) de chocolate ao leite ou gotas de chocolate
1 colher (sopa) de manteiga

Modo de preparo
Prep: 30 min | Cozimento: 1 min
1.
Em uma panela pequena, polvilhe a gelatina sobre a água e deixe-a durante 1 minuto. Leve ao fogo e
mexa até que a gelatina tenha dissolvido. Tire do fogo e espere esfriar um pouco.
2.
Em uma tigela, bata o cream cheese e o açúcar até formar um creme. Aos poucos acrescente o creme de
leite, a baunilha e a gelatina. Misture até que todos os ingredientes estejam bem incorporados. Despeje
sobre a massa da torta.
3.
No micro-ondas, derreta o chocolate em intervalos de 15 segundos, até que esteja cremoso. Coloque o
chocolate em um saco plástico e corte a ponta, formando um bico. No centro da torta faça um círculo com
o chocolate derretido do tamanho de uma moeda grande. Ainda com o chocolate, faça círculos
concêntricos separados pela distância de 1 cm, cobrindo toda a torta. Com um palito de dente, trace vária
linhas de chocolate perpendiculares aos círculos. As linhas devem sair do meio da torta e devem chegar
até a borda. Limpe o palito cada vez que for fazer uma nova linha. Quando a cheesecake estiver pronta,
cubra e deixe-a na geladeira por pelo menos 2 horas antes de servir.
  237  

ANEXO B

AMOSTRA DE TEXTOS DE PROCEDIMENTOS

MANUAL DE INSTRUÇÕES
  238  

Como fazer 1 – Texto original - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://www.colgate.com/>

How to Brush
What Is the Right Way to Brush?
Proper brushing takes at least two minutes — that's right, 120 seconds! Most adults do not come close to
brushing that long. To get a feel for the time involved, try using a stopwatch. To properly brush your
teeth, use short, gentle strokes, paying extra attention to the gumline, hard-to-reach back teeth and areas
around fillings, crowns or other restoration. Concentrate on thoroughly cleaning each section as follows:
Clean the outer surfaces of your upper teeth, then your lower teeth
Clean the inner surfaces of your upper teeth, then your lower teeth
Clean the chewing surfaces
For fresher breath, be sure to brush your tongue, too

Tilt the brush at a 45° angle against the gumline and sweep or roll the brush away from the gumline.
Gently brush the outside, inside and chewing surface of each tooth using short back-and-forth strokes.
Gently brush your tongue to remove bacteria and freshen breath.
  239  

Como fazer 1 – Texto traduzido – português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://www.colgate.com.br/>

Como escovar os dentes?

Qual a maneira certa de escovar?


Uma escovação adequada deve durar, no mínimo, dois minutos, isto é, 120 segundos! A maioria dos
adultos não chegam nem próximos a este tempo. Para ter uma idéia do tempo necessário para uma boa
escovação, use um relógio na próxima vez que escovar os dentes. Escove-os com movimentos suaves e
curtos, com especial atenção para a margem gengival, para os dentes posteriores, difíceis de alcançar e
para as áreas situadas ao redor de restaurações e coroas. Concentre-se na limpeza de cada setor da boca,
da seguinte maneira:
Escove as superfícies voltadas para a bochecha dos dentes superiores e, depois, dos inferiores.
Escove as superfícies internas dos dentes superiores e, depois, dos inferiores.
Em seguida, escove as superfícies de mastigação.
Para ter hálito puro, escove também a língua, local onde muitas bactérias ficam alojadas.

Segure a escova em um ângulo de 45 graus e escove com movimentos que vão da gengiva à ponta dos
dentes.
Com suaves movimentos circulares, escove a face voltada para a bochecha e a face interna dos dentes, e a
superfície usada para mastigar.
Com movimentos suaves, escove também a língua para remover bactérias e purificar o hálito.
  240  

Como fazer 2 – Texto original - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://www.colgate.com/>

How to Floss
What is the Right Way to Floss?
Proper flossing removes plaque and food particles in places where a toothbrush cannot easily reach —
under the gumline and between your teeth. Because plaque build-up can lead to tooth decay and gum
disease, daily flossing is highly recommended.
To receive maximum benefits from flossing, use the following proper technique:
Starting with about 18 inches of floss, wind most of the floss around each middle finger, leaving an inch
or two of floss to work with
Holding the floss tautly between your thumbs and index fingers, slide it gently up-and-down between
your teeth
Gently curve the floss around the base of each tooth, making sure you go beneath the gumline. Never
snap or force the floss, as this may cut or bruise delicate gum tissue
Use clean sections of floss as you move from tooth to tooth
To remove the floss, use the same back-and-forth motion to bring the floss up and away from the teeth
What Type of Floss Should I Use?
There are two types of floss from which to choose:
Nylon (or multifilament) floss
PTFE (monofilament) floss
Nylon floss is available waxed and unwaxed, and in a variety of flavors. Because this type of floss is
composed of many strands of nylon, it may sometimes tear or shred, especially between teeth with tight
contact points. While more expensive, single filament (PTFE) floss slides easily between teeth, even
those with tight spaces between teeth, and is virtually shred-resistant. When used properly, both types of
floss are excellent at removing plaque and debris.

Use about 18" of floss, leaving an inch or two to work with.


Gently follow the curves of your teeth.
Be sure to clean beneath the gumline, but avoid snapping the floss on the gums.
  241  

Como fazer 2 – Texto traduzido – português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
<http://www.colgate.com.br/>

Como usar fio dental

O uso correto do fio dental remove a placa bacteriana e os alimentos nos lugares onde a escova não
consegue chegar facilmente - sob a gengiva e entre os dentes. Como o acúmulo de placa pode provocar
cárie e gengivite, usar fio dental diariamente é altamente recomendável.
Para aproveitar ao máximo o uso do fio dental, uso a seguinte técnica:
Enrole aproximadamente 40 centímetros do fio ao redor de cada dedo médio, deixando uns dez
centímetros entre os dedos.
Segurando o fio dental entre o polegar e indicador das duas mãos, deslize-o levemente para cima e para
baixo entre os dentes.
Passe cuidadosamente o fio ao redor da base de cada dente, ultrapassando a linha de junção do dente com
a gengiva. Nunca force o fio contra a gengiva, pois ele pode cortar ou machucar o frágil tecido gengival.
Utilize uma parte nova do pedaço de fio dental para cada dente a ser limpo.
Para remover o fio, use movimentos de trás para frente, retirando-o do meio dos dentes.
Que tipo de fio dental devo usar?
Fio de nylon (ou multifilamento)
Fio PTFE (monofilamento)
Existem no mercado fios dentais de nylon, encerados ou não, com uma grande variedade de sabores.
Como esse tipo de fio é composto de muitas fibras de nylon, ele pode, às vezes, rasgar-se ou desfiar,
especialmente se os dentes estiverem muito juntos. Embora mais caro, o fio de filamento único (PTFE)
desliza facilmente entre os dentes, mesmo com pouco espaço, e não se rompe. Usados de maneira
adequada os dois tipos de fio removem a placa bacteriana e os resíduos de alimentos.

Use aproximadamente 40 centímetros de fio, deixando um pedaço livre entre os dedos.


Siga, com cuidado, as curvas dos dentes. Assegure-se de limpar além da linha da gengiva, mas não
force demasiado o fio contra a gengiva.
  242  

Como fazer 3 – Texto - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
< http://www.concrete.net.au/publications/pdf/RemovingStains.pdf/>

Smoke stains
Remove any surface deposit by pressure washing or vacuum cleaning.
Treat any residual staining by mixing sugar soap powder with hot water (typically 100 g to 4 litres.
but may need to be stronger) or diluting sugar soap liquid (can be used neat) and applying it to the surface
with a brush, followed by
scrubbing with a scouring cleanser. Alternatively, bicarbonate of soda and household bleach are
also effective products for removing smoke stains.
If there are any concentrated stains, a poultice
impregnated with household bleach (essentially
sodium hypochlorite) is recommended.
A thorough rinsing with fresh water is the final step.
  243  

Como fazer 3 – texto – português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
< www.limparpiso.com.br/>

Limpar Piso de Porcelanato, Cerâmica e Similares

Manutenção quinzenal: Limpeza com Limpeza Diária LP diluído em vinte partes de água.
Pano mais molhado com a solução. Para este procedimento recomendamos que o ato de
esfregamento seja mais intensificado. Enxágue com água pura em pano torcido.

Sempre atentar para líquidos potencialmente manchadores acomodados sobre a


superfície (óleo, dejetos de animais, plantas, café, vinho, maquiagem, etc.). Logo
proceder a sua remoção, evitando assim o manchamento do revestimento. Em caso de
manchamentos, consultar o produto apropriado para a sua imediata remoção.

O uso de produtos abrasivos pode danificar as superfícies polidas.

Misture uma solução de carbonato de sódio ou detergente em água. Esfregue a mancha delicadamente
(use uma escova de cerdas duras para remover delicadamente manchas e sujeiras secas). Lave com água
corrente e deixe secar.

Como remover manchas em: pedra calcárea, tijolo, concreto, ladrilho, granito,
calcáreo, tijolo de concreto, ardósia e mosaico.

Misture uma solução de carbonato de sódio e água. Escove levemente a mancha com uma escova de
cerdas macias. Enxágüe com água limpa e deixe secar.
  244  

Como fazer 4 – Texto - inglês

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
< http://useandcaremanuals.com/>

Using the Delay Timer


You can delay the time your breadmaker starts to have fresh bread ready when you get up in the morning
or when you come from work.
We recommend that before you use the Delay Timer, you try out a few recipes. Use recipes that have
produced good results for you in the past.
Important: You cannot use the Delay Timer for EXPRESSBAKE™ settings.
Before using the Delay Timer:
1 Add all of the ingredients of the recipe.
2 Select the correct setting for the kind of bread you are making (French, Sweet, etc.).
3 Select the crust color.
Caution: Do not use recipes with ingredients that can spoil like eggs or milk.
To Use the Delay Timer:
1 Figure out how many hours and minutes there are between now and when you want final baked bread.
For example, if it is 8:00 AM and you want bread ready for dinner at 6:00 PM, that is 10 hours.
Use the “Timer Up” button to advance the time In 10 minute increments. In our example, you will do this
until the timer reads “10:00”. If necessary, use the “Timer Down” button to decrease the time.
To advance the time quickly. simply press and hold down the “Timer Up/Down” buttons.)
Important: if you make a mistake or wish to start over, press and hold down the “Start/Stop” button until
you hear a beep. The display will show the original setting and cycle time. The Delay Timer is canceled
and you can start again.
When the Delay Timer is set where you want it, make sure to press the “Start/Stop” button. The colon “:”
will flash and your bread will be ready when you planned.
Important: When using the Delay Timer during times of hot weather, you may wish to reduce the liquid
in your recipe by 1 or 2 tablespoons. This is to prevent the dough from rising too much. You may also
reduce the salt by 1/8 or ¼ teaspoons and try cutting the amount of sugar you use by ¼ teaspoon at a time.

Setting Up
Remove bread pan by grasping the handle, turning the pan to the left and pulling up. Attach kneading
paddle. (see figures 1a and 1b).
Put ingredients in bread pan – refer to the measuring and loading ingredients section (pages 6-7) for
detailed instructions.
Note: Always put liquid ingredients into the pan first, followed by dry ingredients.
Be sure to put yeast last, as yeast must not touch wet ingredients, to avoid activation before kneading.
Insert the bread pan back into the baking chamber, turning the pan to the right. Be sure it locks in place.
Close the lid and plug in the bread maker.

Programming
Select your 3 size (1, 11/2 or 2lbs) by pressing the Loaf Size button until your desired size is selected.
Your current selection will be displayed on the LCD panel.
Select your crust color (light, medium or dark) by pressing the Crust Color button until your desired color
is selected. Your current selection will be displayed on the LCD panel.
Select your program number by pressing the Menu button until your desired program is displayed. (The
pre-programmed menu selections are listed on the control panel for easy reference.) For Rapid Bake,
press the Rapid Bake button. For more information on each program, see pages 5-6.
  245  

Como fazer 4 – texto – português

< Capacitar>
<Escrito, monólogo>
< www.cadence.com.br/>

PROGRAMANDO COM O TIMER


Com o Timer você programa a hora em que o seu pão estará pronto, retardando o preparo em até 13
horas. É ideal para você ter pão quentinho ao acordar ou voltar do trabalho. Para calcular o tempo, não se
preocupe com a hora em que a Panificadora começará a funcionar e, sim, com o horário em que deseja
que o seu pão fique pronto. O display mostrará sempre quantas horas faltam para o pão ficar pronto.
Importante Não utilize o Timer para preparar receitas que contenham ingredientes que possam estragar,
como leite e ovos, em dias quentes.
Siga os passos
1 Coloque todos os ingredientes na fôrma de assar
Quando você utilizar o Timer é fundamental respeitar a ordem da receita:
Primeiro, os líquidos
Segundo, os ingredientes secos
Por último, o fermento
Atenção
O fermento NÃO PODE entrar em contato com a água ou o sal até a hora em que a sua Panificadora
começar a misturar os ingredientes (faça uma pequena cova na farinha e coloque o fermento dentro dele).
2 Selecione o ciclo indicado para sua receita (básico, francês, sanduíche, etc.).
3 Selecione a cor e o tamanho do pão
4 Calcule quantas horas faltam até a hora em que você deseja ter o seu pão pronto. Por exemplo, se agora
são 22 horas e você quer o seu pão para às 7 horas, faltam 9 horas. Utilizando as setas do Timer, selecione
9:00 no display.
5 Depois de programar o retardamento, não esqueça de apertar o botão Liga/Desliga para ligar a sua
Panificadora. Os dois pontos do display começarão a piscar e a Panifificadora começará a fazer a
contagem regressiva. O seu pão ficará pronto quando o display chegar a 0:00.
6 O display mostra sempre quantas horas faltam até o término do processo. Não se preocupe, com a hora
que a Panificadora deve começar o preparo, ela o fará automaticamente..

Teclas ... e .. do temporizador


Você pode programar a sua panificadora para que ela termine de assar o pão numa hora específica. Esta
função é ideal para você ter pão fresco
na hora em que acordar ou quando voltar para casa à noite.
1 Pressione a tecla_ou_do temporizador para aumentar ou diminuir o
tempo em parcelas de 10 minutos.
2 Quando o display mostrar o tempo desejado, pressione a tecla «INICIAR/
PARAR». Começará a piscar no display dois pontos [:], indicando que o
seu pão ficará pronto após transcorrido o tempo indicado.
EXEMPLO. São 20h30 e você quer que o seu pão fique pronto às 7h00 da manhã seguinte, ou seja, daqui
a 10 horas e 30 minutos. Para isso, pressione a tecla _ até que o display mostre 10:30.
❏ Ao usar o temporizador, evite usar ingredientes altamente perecíveis.
❏ O retardo máximo que o aparelho permite é de 13 horas.

Colocando e removendo a fôrma de pão


Inserção: colocar a fôrma de pão pressionando-a ligeiramente e girando-a no sentido horário até que ela
fique na posição correta.
Remoção: remover a fôrma de pão pressionando-a ligeiramente e girando-a no sentido anti-horário, até
que seja possível retirá-la.

CICLOS
Pressione para selecionar o modo de assar. Cada vez que você pressiona a tecla, o aparelho emite um
‘bip’ e o número do programa muda. Veja página 5.
CORES
  246  

Pressione repetidamente para selecionar a cor da crosta desejada – clara, média ou escura.
TAMANHO
Pressione para alternar entre pão médio (600 g) ou grande (900 g), dependendo da receita que utilizar.
INICIAR/PARAR
Pressione para iniciar ou parar o programa selecionado.

Colocando e removendo a fôrma de pão


Inserção: colocar a fôrma de pão pressionando-a ligeiramente e girando-a no sentido horário até que ela
fique na posição correta.
Remoção: remover a fôrma de pão pressionando-a ligeiramente e girando-a no sentido anti-horário, até
que seja possível retirá-la.

INICIAR / PARAR
Para iniciar um programa, pressione o botão “INICIAR/PARAR” durante cerca de 1 segundo. Um breve
sinal sonoro é ouvido, os dois pontos no visor de tempo começam a piscar e o programa é iniciado.
Para encerrar um programa, pressione o botão “INICIAR/PARAR” por aproximadamente 2 segundos até
que um sinal sonoro confirme que o programa foi encerrado.
TAMANHO
Pressionando este botão você pode selecionar 2 tamanhos: para preparar uma pequena (600g) ou grande
(900g) quantidade de pão, de acordo com sua receita. A indicação mostrada de 600g e 900g, no painel,
representam valores aproximados da quantidade produzida nestas opções.
COR
Para escolher a cor da casca do pão assado, entre CLARO, MÉDIO ou ESCURO.