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AULA 3 - FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO

1906
O sistema hegeliano tem dupla entrada: - fenomenologia do espírito
- ciência da lógica
Do que trata a "Fenomenologia do espírito"?
Fenomenologia: sistema de erros da consciência (Lambert)
Como a consciência se perde na dimensão de fenômenos, do que lhe aparece, de como ela
faz a experiência da incerteza da sua certeza, a experiência do erro do que lhe parece
evidente. Descreve o caminho do desespero da consciência; a consciência se desespera
das suas certezas imediatas. Ao fazer isso, produz um processo. Esse processo a leva ao
saber absoluto.
“Este sistema de erros da consciência é também [...] uma errância da consciência, uma
errância no sentido de um caminho que parece completamente contingente, parece
simplesmente resultado da insuficiência dos seus modelos de saber, de ação e de
julgamento; mas vai se mostrar na verdade como o impacto a insistência de um campo de
experiências que é maior do a consciência consegue conceitualizar”
A inadequação entre experiência e inadequação leva a consciência a formas mais gerais do
saber até o saber absoluto.
É um romance de formação que mostra como nós*, modernos, nos tornamos nós mesmos.
Como a nossa consciência se constituiu, mostra a história das ideias. *Nós: consciência
filosófica

A estratégia de Hegel é mostrar que: não é possível filosofar partindo do princípio de que,
antes de conhecer, eu preciso esclarecer as condições do conhecimento; que antes de
conhecer deva-se operar a crítica procurando esclarecer as possibilidades de
conhecimento.
Para Hegel, nós sempre começamos com representações naturais do que significa
conhecer, representações que todos nós temos; a filosofia deve desconstruir essas
representações, e é isso a que a fenomenologia se presta. A fenomenologia quer mostrar
como a consciência filosófica se forma; ela que organiza a experiência. Na “Fenomenologia
do espírito”, a consciência filosófica rememora um processo que a constituiu; a elaboração
do processo muda o seu sentido, a reconfigura, ao fazer isso, mudam os efeitos que ele
pode produzir, o que faz do simples ato de rememorar uma forma de acontecimento. Ao
rememorar o caminho traçado para tornarmos nós mesmos, há o processo de
elaboração,que o redimensiona, e, aí sim, nos tornamos nós mesmos.
“Nunca entendi essa distinção entre teoria e práxis porque o pensar age quando pensa”
Heidegger

Como esse caminho (da fenomenologia) é construído?


Três figuras de agência na fenomenologia:
● Consciência: de um objeto, relação de exterioridade
● Consciência-de-si
● Espírito (Geist)
Consciência: é sempre de um objeto, acredita que vê um objeto que ela precisa conhecer,
que consegue perceber e entender. Relação de exterioridade entre sujeito e objeto.
Consciência-de-si: Percebe que o objeto é criado por ela mesma, por meio de qual se
relaciona consigo mesma. estrutura relacional da consciência por meio da qual eu defino a
implicação entre sujeito e objeto. O objeto não é exterior, é interior; não precisa ser
descoberto ou percebido. Relação holista (o todo é maior que a simples formas de suas
partes)
Espírito: Todas as minhas práticas, minhas formas de me relacionar, minha sensibilidade,
não são constituídas naturalmente, são resultado da experiência histórica, é dependente de
como nós, historicamente, fomos constituindo a experiência da sensibilidade. A maneira
como eu vejo, sinto, tem o peso do processo histórico-social na minha estrutura sensível (a
câmera, o cinema, a organização do espaço, tudo isso foi internalizado no ato de ver).
Saber constitui recuperar todo o processo (gênese) que constitui nosso olhar. A consciência
não percebe isso, esse processo é uma espécie de pano de fundo, o seu contato com os
objetos é mediado pela estrutura sócio-histórico que a constituiu. modelo de saber em que
apreendo o objeto que apreendo o modo de apreensão do objeto, modo de apreensão esse
que é coletivo e historicamente construído; a apreensão é não solipsista e mediada. Essas
características formam o pressupostos do saber. O sujeito que atualiza esses pressupostos
a cada operação de saber; isso é o espírito:
“Espírito é a possibilidade de apreensão auto-reflexiva dos pressupostos que organizam as
condições necessárias do saber” Hegel
Hegel faz um enraizamento socio-histórico da razão, ao invés de uma determinação
transcendental, como Kant.

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