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EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE

XXXXXXX - XX.

XXXXXXXX, brasileiro, casado, motociclista, portador do RG


XXXXXXXX, inscrito no CPF sob o nº XXXXXX, e-mail:
XXXXXXX@hotmail.com e XXXXXXXXX, brasileira, casada, vendedora,
portadora do RG XXXXXXXX, inscrita no CPF sob o nº XXXXXXXXXXX,
e-mail: XXXXXXXX@hotmail.com, ambos residentes e domiciliados
na Rua XXXXXXX 97B, XXXXXX, XXXXXXX – XX, CEP: XX.XXX-XXX, por
meio de seus procuradores XXXXXXX , brasileiro, solteiro,
advogado inscrito na OAB/BA sob o nº XX.XXX, XXXXX XXXX XXXX,
brasileiro, solteiro, advogado inscrito na OAB/BA sob o nº
XXX.XXX e XXXXXX XXXXX XXXXX, brasileiro, solteiro, advogado
inscrito na OAB/BA sob o nº XX.XXX, todos com escritório
estabelecido na com endereço profissional na Rua Julgado
Totalmente Procedente, cs 03, BACENJUND, BAIRRO Espessa-Se
Alvará, CIDADE XXXXXXX – XX, CEP: XX.XXX-XXX, e-mail:
XXXXXXXXX.XX@gmail.com, vem a este MM. Juízo propor a presente

AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE CC OBRIGAÇÃO DE FAZER, PERDAS E


DANOS E ANULAÇÃO CONTRATUAL COM TUTELA DE EVIDÊNCIA
Em face de XXXXXXXX, brasileiro, casado, funcionário público,
RG desconhecido, inscrito no CPF nº. XXXXXXXXXX, e-mail
desconhecido, telefone/WhatsApp (XX) XXXXXXXX, e em face de
XXXXXXXXXXXX, brasileira, casada, autônoma, portadora do RG
XXXXXXXXXXXX, ambos residentes e domiciliados na XXXXXXXX, Edf.
XXXXXX, bloco XX, apto XXX, XXXXXX, CEP XX.XXX-XXX, pelos
motivos abaixo.

I - PRELIMINARMENTE

DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

O requerente não possuindo condições financeiras para arcar com


as custas processuais e honorários advocatícios, sem prejuízo
do seu sustento e de sua família. Nesse sentido, junta-se a
declaração de hipossuficiência, Cartão do Benefício Bolsa
Família (Doc.01), Carteira de Trabalho (Doc.02 e 03), Contratos
de Aluguel (Doc.04 a DOC.09). Por tais razões, pleiteiam-se os
benefício da Justiça Gratuita, assegurados pela Constituição
Federal, artigo 5º, LXXIV e pela Lei 13.105/2015, artigo 98 e
seguintes.

DO PEDIDO DE TUTELA DE EVIDÊNCIA

A - Requer como tutela de Evidência a certidão de Casamento dos


réus e a assinatura no Contrato de Compromisso de Compra e Venda
do Imóvel, com anuência Uxória da Cônjuge do Vendedor do Imóvel.

B - Requer também nesta exordial o Recibo de Pagamento realizado


pelo autor.

DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Informa o autor ter interesse na autocomposição, nos moldes do


art. 319, VII do CPC/2015, e desta forma requer seja realizada
audiência UNA, optando pela realização de audiência de
conciliação prévia.

1. O autor tem como proposta de acordo ter o valor de R$


22.000,00 (vinte e dois mil reais) pagos de volta, com a
incidência de multa mora, juros, atualização e correção
monetária, mais 10% (dez por cento) de honorários
advocatícios, conforme art. 82 CPC, fica o valor de R$
46.716,85 (quarenta e seis mil e setecentos e dezesseis
reais e oitenta e cinco centavos) vide (Doc.14).

DA TUTELA PROVISORIA DE URGÊNCIA

Com base nos artigos 294 e 300 do CPC, atendida a exigência do


artigo 9°, p.ú., I do CPC, corroborando para tal pleito imagens
do imóvel a Notificação e Laudos técnicos da CODESAL/DEFESA CIVIL
(Doc.10, 11, 12), documentos estes que gozam de fé pública; para
que seja determinado sob pena de multa de R$ 200,00 (duzentos
reais) por dia a DEMOLIÇÃO e RECONTRUÇÃO DO IMÓVEL objeto da
lide, ou a RECUPERAÇÃO e REFORÇO IMEDIATO de toda a ESTRUTURA DO
IMOVEL do mesmo, para que este não desmorone sobre o imóvel
térreo e adjacentes que são habitados.

A fumaça do bom direito está no contrato de compra e venda


(Doc.09) em posse dos autores e o perigo da demora demostra-se
nos pereceres técnicos exarados nos Laudos da CODESAL/DEFESA
CIVIL (Doc.11 e 12) sobre o objeto da lide, ou seja, a demora
poderá causar a destruição do objeto da lide, o qual já estar
para desabar a qualquer momento.

Sendo assim, não sendo deferida a tutela que se espera,


postergando tal decisão para o final do processo, e está
determinado a reintegração de posse, poderá não existir mais
imóvel para se cumprir a sentença de reintegrado de posse.

II – DOS FATOS

No dia 31 de dezembro de 2014 firmou-se o contrato de


Compromisso de Compra e Venda (Doc.09) entre os autores e os
réus. O referido contrato tem como objeto um imóvel situado a
Rua Real, Lote 11Q 14N, 21E Alto do Luso, bairro de Plataforma,
CEP 40.710-770. O imóvel é descrito com uma suíte, duas salas,
um banheiro, uma varanda, medindo oito metros de frente e doze
metros de fundo, totalizando noventa e seis metros quadrados.

Inicialmente os vendedores (réus) queriam comercializar o


imóvel de 160m² (cento e sessenta metros quadrados) no valor de
R$ 30.000,00 (trinta mil reais), tendo sido acordado o pagamento
de uma entrada no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) e o
restante, no caso R$ 10.000,00 (dez mil reais) a ser pago em
momento posterior.

Ocorre que os autores não tiveram o valor de R$ 10.000 (dez mil


reais) para quitar o débito, portanto buscaram os réus e
entraram no acordo para diminuir a metragem quadrada a ser
comprada do imóvel. Desta forma, a área da frente do imóvel,
totalizando 96m² (noventa e seis metros quadrados), pelo
montante já pago de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais), (vide
DOC.09), seria repassada para os compradores, ficando a área do
fundo, com 64m² (sessenta e quatro metros quadrados) com os
vendedores.

Após um mês de assinado o contrato de compra e venda do imóvel,


os requerentes tentaram comparar o restante do imóvel, a área
do fundo com 64m² (sessenta e quatro metros quadrados), porem
os Réus exorbitaram o valor, cobrando R$ 16.000,00 (dezesseis
mil) e posteriormente, ainda cobrou mais caro, vide áudio 01 em
Pen Drive depositado em cartório.

Como parte do acordo o autor iria fazer/construir uma parede na


passagem (vide imagens abaixo) que daria para o fundo do imóvel,
realizando assim a divisão do imóvel na proporção de 96 m²
(noventa e seis metros quadrados) de frente pertencente ao Autor
e 64m² de fundo pertencente aos Réus. E ainda como parte do
acordo os réus iriam fazer a cobertura da laje (pois esta não
foi alienada aos autores).

A falta da cobertura prejudicou e comprometeu toda a estrutura


o imóvel, bem como causou a depreciação do valor do imóvel dos
autores conforme, conforme demonstra a imagem em anexo (Doc.10),
pois até o presente momento o acordo dos Réus fazerem a
cobertura da laje não foi adimplido pelos réus o que causou o
comprometimento da estrutura do imóvel (Doc.10)

Após este acordo, os réus deixaram um pedreiro na área do imóvel


que lhes pertence, para permitir que o mesmo realizasse serviços
na área do fundo da propriedade, e contaram com a BOA-FÉ do
autor em permitir após o peito dos réus, que o profissional
tivesse passagem pelo seu imóvel para realizar tais reformas.

Não obstante, o autor não contava com a sagacidade e Má-fé dos


réus em engana-los afim de empossar no imóvel o pedreiro,
conhecido como Valdemir Alves, logo um mês após a compra do bem
realizada em 31 de dezembro de 2014. De forma indiscriminada e
abusando da confiança dos autores os réus empossaram a Valdemir
Conceição Alves Invenção, vide (Doc.16) bem como vídeo 01(a
partir do tempo 02min e 40seg) e vídeo 02 em Pen Drive depositado
neste cartório.

Tais vídeos demonstra que até a presente data sob a ordem e


tutela dos requeridos, XXXXXXXXXXXXX na posse do imóvel, bem
como demostra a confissão de XXXXX do quanto aqui alegado.

Assevera-se, porém, em desfavor dos réus, que estes impediram


a entrada dos autores no imóvel, trocando a fechadura da porta
de entrada, bem como o cadeado do portão, de forma que estes
não podem mais usar, dispor ou reivindicar do bem.

Se observa que os réus buscam, de forma vil, forçosa e


arbitraria, apropriar-se de todo o imóvel, e inclusive, conforme
áudio em Pen Drive, onde é possível ouvir os réus dizendo ao
autor que este deveria tomar as providências que achasse
necessárias para retirá-los do imóvel.

Ainda em diálogo entre os contratantes, os réus afirmaram que


somente iriam ordenar a saída do pedreiro do imóvel quando o
autor permitisse que eles construíssem uma passagem, que seria
um corredor de passagem pelo interior do imóvel comprado pelo
autor, o qual serviria supostamente para dar acesso a outra
propriedade dos réus localizada no fundo do bem em discussão.
O autor não concordou com a construção da passagem, pois entende
que se a escada que dá acesso a laje pertencente aos réus fosse
removida ou relocada mais para o fundo do imóvel, já
possibilitaria que os réus tivessem acesso à sua propriedade.

Os réus não aceitaram recuar a escada de acesso à laje sob


alegação de teriam gastos excessivos. Perceba que mesmo os
autores de boa-fé tendo se oferecido para custear os gastos
para a relocação da escada, os réus não aceitaram, por fim
coagindo o autor para não mais utilizar a escada.

Se observa ainda que no contrato de compra e venda em anexo


(Doc.09), constam como vendedores, XXXXXXXXX e sua cônjuge
XXXXXXXXXXXX. Porém, no campo reservado às assinaturas do
contrato de compromisso de compra e venda não consta a
assinatura do cônjuge, a saber, a Sr.ª ANA LÚCIA ADORNO
CERQUEIRA, presumindo desta forma que não houve a outorga uxória
para que concretizasse o negócio entre as partes. Os autores
prezam que este contrato seja autorizado, com a devida
assinatura do cônjuge.

O pleito inicial dos autores é que o contrato seja anulado, com


o ressarcimento avista do valor de R$ 46.716,85 (quarenta e seis
mil e setecentos e dezesseis reais e oitenta e cinco centavos)
(Doc.14) pagos pela aquisição do imóvel, VALOR já com a
incidência de multa mora, juros, correção monetária e
atualizações com acréscimos de 10% (dez por cento) de honorários
advocatícios. Declara ainda ter interesse em ser indenizado por
danos morais.

Não havendo possibilidade ou vontade dos réus para que o valor


pago seja devolvido, desejam os autores A REINTEGRAÇÃO DA POSSE
DO IMÓVEL em seu favor, cominada com a determinação judicial
para que réus promovam a DEMOLIÇÃO e RECONTRUÇÃO DO IMÓVEL objeto
da lide ou a RECUPERAÇÃO e REFORÇO IMEDIATO DE TODA ESTRUTURA DO
IMOVEL e construir a COBERTURA DA LAJE, já que a ausência desta
proteção comprometeu a estrutura do imóvel vide LAUDOS em anexo
(Doc.11 e 12). Pleiteiam ainda que não seja utilizado o espaço
interno do imóvel para construção da passagem para o imóvel dos
réus, que se localiza na parte do fundo do prédio.
Ressaltasse que os autores são donos legítimos do imóvel, objeto
desta lide, e estes estão sendo obrigados a morarem de aluguel
desde o ano de realização da comprar do imóvel, vide contratos
de alugueres (Doc.04 a Doc.09).

II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

2. DA REINTEGRAÇÃO DE POSSE

O legislador Pátrio, ao disciplinar a organização social


brasileira, entendeu por bem assegurar a todo aquele que tiver
sido privado de sua posse, injustamente, por violência,
clandestinidade ou precariedade, o direito de nela ser
restituído, nos termos do Código Civil, nos artigos 1.196:

O Código de Processo Civil, por sua vez, confirma a vontade do


legislador conferindo ao possuidor esbulhado o direito de ser
reintegrado na posse perdida injustamente, in verbis:

“Art.926. O possuidor tem direito a ser


mantido na posse em caso de turbação e
reintegrado no de esbulho”.

“Art. 927 – Incumbe ao autor provar: I – a


sua posse; II – a turbação ou o esbulho
praticado pelo réu; III – a data da turbação
ou do esbulho; IV – a continuação da posse,
embora turbada, na ação de manutenção a
perda da posse na ação de reintegração”.

A posse do requerente está mais do que comprovada mediante os


documentos que acompanham a inicial (Doc.09).

Nesse passo, resta comprovada mediante (Doc.16) bem como vídeos


01 e 02 em Pen Drive depositado neste cartório, que os autores
tiveram sua posse, que é legítima, porém restou prejudicada pela
ação sorrateira dos réus.

2.1 DA NULIDADE CONTRATUAL.


O Código Civil de 2002 prevê a necessidade de outorga conjugal
para que se dê validade a determinados atos e negócios
jurídicos, sendo anulável o ato que a outorga faltar e não for
suprida judicialmente.

A outorga conjugal existe no ordenamento jurídico com a


finalidade de controle patrimonial, a fim de evitar prejuízo
pela disposição imobiliária por um dos cônjuges ao outro que
não é titular do bem. Tal preocupação se dá considerando que em
eventual dissolução da sociedade conjugal, terá que ser
preservada a meação do cônjuge.

Assim, em conformidade com o artigo 1.647 do Código Civil de 2002,


nenhum dos cônjuges pode alienar imóvel sem autorização do outro,
exceto no regime de separação total de bens.

Assim, necessário se faz abordar as consequências da ausência da


outorga quando imprescindível para o ato.

TJ-SP - Embargos de Declaração ED


990093214717 SP (TJ-SP)
Data de publicação: 05/07/2010
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS -
REINTEGRAÇÃO DE POSSE - CASAL SEPARADO -
PARTILHA NÃO ULTIMADA
- VENDA PELO CÔNJUGE SEM OUTORGA UXÓRIA -
NULIDADE ABSOLUTA - OCUPAÇÃO PRECÁRIA E
CLANDESTINA PELO COMPROMISSÁRIO - INTERESSE
INEQUÍVOCO DA CONSORTE - SENTENÇA DE
PROCEDÊNCIA - APELO IMPROVIDO -EMBARGOS
DECLARATÓRIOS - NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 535
DO CPC -DIFERENÇA DE JUÍZO POSSESSÓRIO E
PETITÓRIO - RECURSO INFUNDADO - MULTA DE 1%
SOBRE O VALOR CORRIGIDO DA CAUSA -FINALIDADE
PROTELATÓRIA - EMBARGOS REJEITADOS
TJ-CE - Apelação APL 00006781720008060052 CE
0000678-17.2000.8.06.0052 (TJ-CE)

Data de publicação: 04/08/2015


Ementa: APELAÇÕES CÍVEIS. DIREITO CIVIL E
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE NEGÓCIO
JURÍDICO. INEXISTÊNCIA DE OUTORGA
UXÓRIA À VENDA DE IMÓVEL POR CÔNJUGE CASADO
NO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL. NULIDADE.
EXISTÊNCIA DE ERRO CARTORÁRIO NA ESCRITURA
PÚBLICA DE COMPRA E VENDA QUANTO AO REGIME
DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES. BOA-FÉ DO
COMPRADOR/RÉU. DENUNCIAÇÃO DA LIDE PELO RÉU.
ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO
PEDIDO PELO DENUNCIADO. INOCORRÊNCIA. 1 – A
denunciação à lide é uma forma de
intervenção de terceiros insculpida no art.
70 do Código de Processo Civil e é cabível
ser arguida feita pelo réu. Rejeição da
preliminar. 2 – Verifica-se que a sentença
julgou parcialmente procedente a ação,
havendo sucumbência recíproca entre a autora
e o réu, o que impõe o rateio das custas
processuais nos termos do art. 21 do Código
de Processo Civil. 3 – Apelos conhecidos e
improvidos. Sentença mantida integralmente.
ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos
estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os desembargadores
integrantes da Sétima Câmara Cível do
Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, por
unanimidade de votos, em conhecer dos
recursos para negar-lhes provimento, nos
termos do relatório e do voto da relatora
que passam a fazer parte integrante do
presente acórdão. Fortaleza (Ce), 04 de
agosto de 2015. FRANCISCO BEZERRA CAVALCANTE
Presidente do Órgão Julgador em Exercício
MARIA GLADYS LIMA VIEIRA Desembargadora
Relatora Procurador(a) de Justiça

3 DA OBRIGAÇÃO DE FAZER

A compra do imóvel, objeto da lide, se transformou em um péssimo


investimento para os adquirentes, pois, a negligência dos réus
fez com que os Requerentes se encontrassem diante de um imóvel
que vem sofrendo crescente desvalorização em virtude do péssimo
estado atual em que se encontra, bem como a Condenação do imóvel
pela Defesa Civil, tudo causado pela não construção da cobertura
na laje, além de todas as falhas e defeitos causados na
estrutura da construção, está comprometerem "esteticamente" o
imóvel. Vide imagem em anexos (Doc.10) e vídeos em Pen Drive.

Nobre Julgador, a situação é calamitosa, como demonstram as


fotografias e vídeos que são oportunamente juntadas. Trata-se de
NEGLIGÊNCIA no mais alto grau, visto que há mais de 04 (quatro)
anos vêm sendo os Réus interpelados amigavelmente para
solucionar a questão e quedam-se inertes. O teto da área de todo
o imóvel da sala, do banheiro e da cozinha estão definitivamente
prejudicados e jamais foi dito algo no sentido de promover
reparação.

O autor somente deseja que os réus cumpram com sua obrigação de


fazer, a saber, a DEMOLIÇÃO e RECONSTRUÇÃO DO IMÓVEL ou a
RECUPERAÇÃO e REFORÇO IMEDIATO DE TODA ESTRUTURA DO IMOVEL e por
fim construir a COBERTURA da LAJE, para fazer cessar as
infiltrações que tem gerado prejuízos estéticos, e pior ainda,
estrutural. Vide fotos em anexo (DOC.10) e vídeos em Pen Drive.

A Responsabilidade pela ruína de edifício e construção, segundo


o Art. 937 Código Civil é do proprietário e este responde pelos
danos que resultarem da ruína. O dono do edifício é responsável
por sua solidez e segurança, respondendo pelos danos causados
que resultarem de sua ruína, total ou parcial, desde que a esta
tenha sido causada por falta de reparos em que a necessidade
fosse manifesta.

Assim, o legislador apenas afirmou que haverá reponsabilidade


caso a ruína tenha decorrido de ausência de reparos cuja
necessidade fosse manifesta. Os reparos, cuja necessidade não
possa ser percebida por um leigo, não darão ensejo a
responsabilidade, o que aqui no caso prático não se aplica, pois
é visível e perceptível por qualquer leigo, através das FOTOS
(DOC.10), NOTIFICAÇÃO e LAUDOS DA CODESAL/DEFESA CIVIL (DOC.11
e 12) colacionadas nos autos que o imóvel precisa URGENTIMENTE
de RECUPERAÇÃO e REFORÇO IMEDIATA de toda a ESTRUTURA DO IMOVEL
e para tal faz-se necessário que seja feita a COBERTURA DA LAJE.

Requer que sejam os réus obrigados a fazerem CONFORME LAUDO da


DEFESA CIVIL a DEMOLIÇÃO e RECONTRUÇÃO DO IMÓVEL ou a RECUPERAÇÃO
e REFORÇO IMEDIATO de toda a ESTRUTURA DO IMOVEL e
consequentemente promova a construção da COBERTURA da sua
própria LAJE, para que assim cessem os riscos de DESABAMENTO e
os vazamentos e infrações no imóvel do autor.

4 DA DESNECESSIDADE DA PASSAGEM FORÇOSA

Os réus impuseram aos autores que, para ordenar ao pedreiro que


saísse do imóvel esbulhado, estes teriam que aceitar de forma
gratuita e sem qualquer indenização a passagem aos mesmos,
através de um corredor a ser construído por dentro do imóvel
alienado ao autor para dar acesso ao imóvel ao fundo. Vide FOTOS
(DOC. 13) e VÍDEO em Pen Drive.

O autor não concordou alegando que se a escada que dá acesso a


laje (pertencente aos réus) fosse removida/relocada um pouco a
mais ao fundo, daria assim para que os réus tivessem acesso ao
seu imóvel vide (doc.13) e VÍDEO em Pen Drive. Os réus alegaram
que não iria fazer isto pois teria gastos.

Vossa excelência o encravamento deve ser natural e absoluto.


Natural, porque não pode ser provocado.

O caso em tela é daqueles em que o vendedor aliena parte do seu


terreno onde se encontrava a passagem, ficando sem saída. É
vedado a ele reclamar passagem a seus vizinhos, devendo a questão
ser resolvida entre comprador e vendedor.
A doutrina exige, ainda, que seja absoluto o encravamento, sem
nenhum tipo de saída. Assim, consignou o art. 1.285 do CC
claramente que apenas o dono de prédio que não tiver acesso à
via pública, nascente ou porto poderá, mediante o pagamento de
uma indenização cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem,
cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário, regra que
não se aplica na hipótese de a passagem apenas se mostrar mais
prática e rápida, como é o caso em tela.

Reque os autores que os réus sejam compelidos a recuar a sua


própria escada de acesso a Laje pertencente também aos réus,
para assim estes terem acesso ao seu imóvel ao fundo.

DA IDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR – DANO MORAL

Como se pode extrair de todos os diplomas legais vigentes no


ordenamento jurídico pátrio, é notório que todo aquele que
violar direito alheio, agindo, deixando de agir ou se excedendo
em seu direito, acarreta para si a obrigação de indenizar o
ofendido, ainda que moralmente, nos termos dos artigos 5º, V e
X da CF, 186, 187 e 927 do Código Civil.

No caso do dano moral, este é normalmente entendido de forma


subjetiva, avaliando o estado psicológico do ofendido e sua
repercussão na vida cotidiana do ofendido. Não obstante, a
legislação deixa claro que a obrigação de reparar o dano causado
nasce com a violação do direito alheio, e não com sua
repercussão em âmbitos abstratos, mas se trata de uma condição
objetiva de estabelecimento do dever de indenizar.

Sendo assim, a reparação civil não surge apenas como meio de


reparar o dano causado, mas também de coibir o ofensor de forma
que este modifique sua conduta, por uma metanoia, e este se
porte de forma que os direitos alheios sejam respeitados.

No caso in loco, tendo a requerida praticado condutas de caráter


ofensivo à honra e à condição humana, deve esta arcar com sua
responsabilidade quanto à reparação do dano sofrido pelo autor.

Como se pode verificar na documentação anexada, os requerentes


foram submetidos a uma situação deveras vexatória. Primeiramente
por não poderem morar em sua casa (comprada de forma justa e
legal) em decorrência de terem sofrido esbulho, causado de má-
fé pelos Réus, logo após estes terem entregado as chaves do
imóvel aos autores, como transcrito nos fatos. Só por estes
motivos já caberiam DANOS MORAIS.

Não bastasse tal violação do direito dos autores, com a


Notificação e Laudos da DEFESA CIVIL, (DOC.11 e 12) mais
sofrimento, angustia e depressão passarão os autores por saberem
que seu imóvel comprado a justo título e de forma sofrida não
poderá ser habitado, por causa de RISCO DE DESABAMENTO, este
causados também pela negligencia dos Réus em não construir uma
cobertura para a Lage, que é de propriedade dos mesmos.

Sendo assim, não pode ser considerado como mero aborrecimento,


tais sofrimentos experimentados pelos autores tendo em vista que
este despendeu ligações e mensagens que já se estendem por
aproximadamente mais de 4 (quatro) anos, ou seja, todas as
tentativas amigáveis de ver suas solicitações atendidas, a
obrigação de fazer que estava incumbida aos Requerido, sendo
ignorado e por diversas vezes e sofrendo o descaso deste, quando
o mesmo sequer retornou o contato do Whatsapp, não respondendo
as mensagens dos autores.
É lógico que não se pode mensurar o dano moral, pois cada
indivíduo, com suas particularidades, reagirá de forma
diferenciada. Porém, o que não se pode admitir no ato da
reparação, é que o dano moral seja aviltado, sob pena de
incentivo à prática abusiva por parte de atos e condutas
ilícitas, reputando o dano sofrido pelo ofendido a mero
aborrecimento.

Assim, faz jus o autor a ser indenizado pelos damos morais


sofridos no importe de R$ 46.000,00 (quarenta e seis mil)por
danos morais, tendo em vista que esse valor não enriquece os
Requerentes, além de ter cunho pedagógico para que o Requerido
não proceda da Mesma maneira em outras ocasiões com outros
promitentes compradores."

Dos Danos Materiais

Dos Alugueis

Consoante já mencionado na presente inicial, diversos foram os


problemas sofridos pelos autores, por culpa exclusiva da empresa
ré.

Conforme se verifica nos documentos em anexo (Doc.04 a 09 e Pen


Drive) a esta inicial, os autores tiveram, estão e terão que
suportar enormes prejuízos referente ao aluguel que estão
pagando desde o período da compra do imóvel até o presente
momento por sagacidade e culpa exclusiva dos réus.

Nosso ordenamento pátrio, Código Civil, no artigo 159, assim


dispõe:
"Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imperícia, violar direito ou causar prejuízo a outrem, fica
obrigado a reparar o dano". (Grifo nosso).

Assim, tendo em vista que a culpa pelo esbulho e deterioração


do imóvel (VIDE vídeo 01(ATENÇÃO P/ 02min e 40seg), vídeo 02 e
demais em Pen Drive) foi única e exclusiva dos réus, estes têm
que reparar os valores pelos autores suportados em virtude do
esbulho e deterioração do imóvel o qual deverá ser reformado e
reforçado a estrutura urgentemente, e isto demandara mais tempo
ainda para conclusão da obra de reforma e reforço. Não devendo
recair sobre ou autores, que cumpriram sua parte no contrato.

Para demarcar o início e o fim dos danos materiais, junta-se


aos autos, cópia do contrato de compra do imóvel (DOC 09), onde
consta a entrega do empreendimento no ato da comprar, bem cópia
dos efetivos contratos de alugueis (Doc.04 a 08). Este período
totaliza até o presente momento (21/08/2018) 44 meses, prazo
que devem ser ressarcidos por não terem como usufruir do imóvel.

Diante destes documentos pode-se verificar que os 44 meses de


esbulho na sofrido pelos autores, estes deixaram de economizar
uma quantia pecuniária devido aos valores despendidos com
pagamentos de aluguel, que estão sendo obrigados a pagarem;
pois poderia não ter este gasto com aluguel caso o imóvel não
fosse esbulho. Conforme demonstrado dos documentos em anexo, um
mês de aluguel atualmente custa aos autores R$ 350,00 do qual
faz jus ao ressarcimento de tais valor num total de R$29.941,61
(vinte e nove mil e novecentos e quarenta e um reais e sessenta
e um centavos) (DOC. 15)

Cumpre salientar ainda que o esbulho foi realizado de forma


ardilosa e desleal pelos réus, fato este que vem causando
inúmeros prejuízos aos autores, conforme amplamente demonstrado
acima. Esse esbulho, bem como a deterioração do imóvel, não
havendo justificativa legítima ou técnica, para tal esbulho e
deterioração do bem, tal conduta dos réus acarreta danos para
os autores.

Eis o posicionamento do Egrégio TJBA:

APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE


POSSE – POSSE JUSTA, CONSENTIDA E SÓLIDA –
INDENIZAÇÃO EM PERDAS E DANOS -
IRRESIGNAÇÃO EXTEMPORÂNEA -PRECLUSÃO
CONSUMATIVA – SENTENÇA MANTIDA. 1.As provas
produzidas ao longo da instrução
processual, evidenciam a ocorrência de
posse justa, consentida e sólida, pelo que
procedente o pedido de reintegração.
2.Compete ao réu alegar, quando do
oferecimento da peça contestatória, toda a
matéria de defesa, acompanhada de suas
razões de fato e de direito. 3.Já praticado
o ato processual respectivo,
desinteressando se bem ou mal, não se admite
a sua correção, melhora ou repetição, eis
que operada a preclusão consumativa.
Pretensão indenizatória mantida. 4. Apelo
improvido, sentença mantida (Classe:
Apelação, Numero do Processo: 0009261-
93.2008.8.05.0001, da Relator: Mauricio
Kertzman Szporer, Segunda Câmara Cível,
Publicada em 21/05/2016)
(TJ – BA – APL: 000926-19320088050001,
Relator: Mauricio Kertzman Szporer Segunda
Câmara Cível, Publicada em 21/05/2016)

Eis o posicionamento do Egrégio STJ:

AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº


1.060.684–MG(2017/0040882-2) RELATORA:
MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI AGRAVANTE:
ANA CLÁUDIA DE PAIVA DE SIQUEIRA AGRAVANTE:
WAGNER VITAL DE SIQUEIRA ADVOGADO: DANIELA
LEONARDI ZANATA - SP204412 AGRAVADO: JOAO
MENDES DE PAIVA – ESPÓLIO REPR. POR: LUIS
OTAVIO VIEIRA DE PAIVA – INVENTARIANTE
ADVOGADO: SEBASTIÃO ASTÉZIO DE OLIVEIRA-
MG033479 DECISÃO Trata-se de agravo interno
interposto por ANA CLÁUDIA DE PAIVA
SIQUEIRA, contra decisão de e-STJ fls.
400/401, proferida pela Presidência do STJ,
que não conheceu do recurso especial em
virtude de sua intempestividade. Em suas
razões, sustenta que o Tribunal de origem
determinou a suspensão do expediente
forense de 8 a 11.12.2016. Não houve
apresentação de impugnação. Passo a
decidir. Na vigência do CPC/73, a
jurisprudência desta Corte consolidou o
entendimento de que era possível permitir a
comprovação de feriados ou de recesso
forense no âmbito dos Tribunais locais em
agravo regimental ou interno, desde que por
documento hábil para tal ato. A propósito:
AgRg no AREsp 545.936/SP, Rel. Ministro
MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,
julgado aos 14/10/2014, DJe de 20/10/2014 e
AgRg no AREsp 538.306/SP, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado
aos 4/9/2014, DJe de 11/9/2014. O recurso
especial em questão foi protocolado
14.3.2016, portanto, na vigência do antigo
CPC, sendo permitida, portanto, a
comprovação da ocorrência de feriado local
em momento posterior, já que estabeleceu
ser necessária a demonstração quando
interposto o recurso. Assim, reconsidero a
decisão de e-STJ fls. 400/401, proferida
pela Presidência do STJ, e passo a nova
análise do agravo contra decisão que negou
seguimento a recurso especial fundamentado
na alínea "a" do inciso III do artigo 105
da Constituição Federal, interposto em face
de acórdão proferido pelo Tribunal de
Justiça do Estado de Minas Gerais, assim
ementado: "REINTEGRAÇÃO DE POSSE.
ELEMENTOS. TEORIAS DA POSSE. ÔNUS DA PROVA.
PERDAS E DANOS. Nos termos do art. 927, do
CPC, na ação de reintegração de posse,
cumpre ao autor provar a posse do bem, a
sua perda e o esbulho praticado pelo réu.
No contrato de locação, o locador tem a
posse indireta do bem locado. A posse tem
como principal elemento constitutivo o
corpus, que se traduz no reconhecimento de
que o possuidor utiliza-se do bem e lhe dá
destinação econômica, tornando evidente a
relação fática entre a pessoa e o imóvel.
Constatada a prática do esbulho, incumbe
aos réus indenizar o autor pelos lucros
cessantes decorrentes da desistência do
contrato de locação, porém, inexistindo nos
autos prova da devolução dos aluguéis
adiantados pelo locatário, o valor da
indenização deve se cingir aos pagamentos
que deixaram de receber". Opostos embargos
de declaração, foram rejeitados. Alega
violação dos artigos 460 e 515, do Código
de Processo Civil de 1973, 186, 927, 944 e
1.228, do Código Civil e 20 da Lei 8.245/91.
Sustentam que o agravado não cumpriu com
suas obrigações decorrentes do contrato
pactuado entre as partes, o que,
obviamente, fez com que os agravantes não
cumprissem com os seus deveres. Nesse
sentido, "com efeito da relação jurídica de
propriedade dos recorrentes, plenamente
comprovada pelas escrituras públicas de
venda e compra devidamente registradas
(...), deve ser reconhecido aos recorrentes
o direito à posse dos imóveis objeto da
lide" (e-STJ fl. 302). Defendem a
ocorrência de julgamento ultra petita, onde
o princípio do tantum devolutum quantum
apelatum foi violado, pois os agravantes
foram condenados ao pagamento de
indenização ao agravado em valor líquido e
certo, a título de lucros cessantes, sem
que a matéria, contudo, tivesse sido
devolvida ao conhecimento do Tribunal de
origem. Requerem o afastamento da
condenação ao pagamento de danos materiais
no valor de R$ 42.000,00 (quarenta e dois
mil reais), porque não houve o
preenchimento dos requisitos necessários à
configuração da responsabilidade civil.
Afirmam ser descabida a devolução de R$
30.000,00 (trinta mil reais) a título de
adiantamento de alugueres, visto que tal
prática é vedada pela legislação regente.
Por fim, pleiteiam a redução da quantia
indenizatória, fixada em R$ 42.000,00
(quarenta e dois mil reais), por considerá-
la exorbitante. Passo a decidir. Registre-
se, de logo, que o acórdão recorrido foi
publicado na vigência do CPC/73; por isso,
no exame dos pressupostos de
admissibilidade do recurso, será observada
a diretriz contida no Enunciado
Administrativo n. 2/STJ, aprovado pelo
Plenário do STJ na Sessão de 9 de março de
2016 (Aos recursos interpostos com
fundamento no CPC/73 (relativos a decisões
publicadas até 17 de março de 2016) devem
ser exigidos os requisitos de
admissibilidade na forma nele prevista, com
as interpretações dadas, até então, pela
jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça). Narram os autos que o agravado
ingressou com ação de reintegração de posse
contra os agravantes, alegando que o de
cujus adquiriu dos réus as propriedades
rurais indicadas, conforme os contratos
juntados. Afirmou que, em 3.6.2014,
referidas glebas foram arrendadas a José
Inácio de Souza; entretanto, em 10.7.2014,
os requeridos lá compareceram com a polícia
e, sob a alegação de propriedade, tomaram
posse das glebas, causando prejuízos ao
autor. A simples indicação dos dispositivos
legais tidos por violados (arts. 460 e 515,
do CPC/73 e 20, da Lei 8.245/91), sem que o
tema tenha sido enfrentado pelo acórdão
recorrido, obsta o conhecimento do recurso
especial, por falta de prequestionamento,
conforme a Súmula 282 e 356 do Supremo
Tribunal Federal. No tocante às ações
possessórias, o art. 927, do CPC/73, dispõe
que: "Incumbe ao autor provar: I - a sua
posse; II - a turbação ou o esbulho
praticado pelo réu; III - a data da turbação
ou do esbulho; IV - a continuação da posse,
embora turbada, na ação de manutenção; a
perda da posse, na ação de reintegração."
Diante do texto legal, fácil é concluir que,
para a procedência da ação possessível,
deve a parte requerente comprovar sua posse
anterior ao esbulho praticado pela parte
requerida, assim como sua data e a perda da
posse. Importa esclarecer que a ação de
reintegração de posse consubstancia
interdito passível de ser ajuizado por
aquele que foi desapossado da coisa,
injustamente, com o fim de reavê-la e
restaurar a posse perdida. Dispunha o art.
493 do CC/16 que se adquire a posse "pela
apreensão da coisa ou pelo exercício do
direito". Nesse mesmo sentido, dispõe o
art. 1.204, do novo Código Civil, que
"adquire-se a posse desde o momento em que
se torna possível o exercício, em nome
próprio, de qualquer dos poderes inerentes
à propriedade". Como se vê, em uma ação
possessória, o que se verifica é a
existência, ou não, do efetivo exercício de
atos de uso e gozo - posse -, tendo a parte
requerente o dever de provar a sua posse
anterior e a perda, por violência, por ação
oculta, ou por abuso de confiança. Pois bem.
O Tribunal de origem assim se manifestou
sobre a controvérsia (e-STJ fls. 247/248):
"Ao contrário do que alegam os Apelantes
principais, estão configurados os
requisitos da ação de reintegração de
posse, haja vista que, no contrato de
locação, o locador tem a posse indireta do
bem locado. Verifica-se que, em 03 de junho
de 2014, o Apelante adesivo alugou o imóvel
rural objeto da lide para José Inácio, pelo
período de 36 meses, conforme o contrato de
locação de f. 31/32. Ademais, o imóvel rural
foi adquirido pelo Apelante adesivo, em 07
de março de 2014, conforme se depreende do
contrato particular de promessa de compra e
venda do imóvel firmado pelas partes, f.
29/30. Ressalte-se que a cláusula quarta do
contrato prevê que “O promitente comprador,
após a assinatura do contrato, entra na
posse do bem objetivado, podendo no mesmo
edificar as benfeitorias e melhoramentos
que entender conveniente.” (...). Neste
caso, incumbe ao autor à prova dos fatos
constitutivos de seu direito, nos termos do
art. 333, I, do CPC". Verifica-se que rever
o entendimento do acórdão recorrido
ensejaria o reexame do conjunto fático-
probatório da demanda, providência vedada
em sede de recurso especial, ante a Súmula
7 do STJ. Quanto aos danos materiais, o
acórdão recorrido concluiu que (e-STJ fl.
250): "Assim, constata-se que, além de ter
devolvido o valor de R$30.000,00,
correspondente ao adiantamento de 15 meses
de aluguel, o Apelante adesivo deixou de
receber 21 meses de aluguel, perfazendo a
importância de R$42.000,00, pois o valor
anual da locação era de R$24.000,00, e,
logo, o valor mensal era de R$2.000,00.
Restando, portanto, configurado o prejuízo
sofrido pelo Apelante adesivo em
decorrência do esbulho no imóvel praticado
pelos Apelantes principais, deve ser
parcialmente reformada a r. decisão,
condenando-os ao pagamento de indenização
por perdas e danos no valor de R$72.000,00,
correspondente à importância que o autor
deixou de auferir pela locação". Alterar o
decidido no acórdão impugnado exige o
reexame de fatos e provas, vedado em recurso
especial pela Súmula 7 do STJ. Em face do
exposto, nego provimento ao agravo.
Intimem-se. Brasília (DF), 28 de novembro
de 2017.MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI
Relatora
(STJ – AgInt no AREsp: 1.060.684 – MG
2017/0040882-2 RELATOR: Ministra MARIA
ISABEL GALLOTTI, Data de Publicação: DJ
06/12/2017)

Isto posto, é devido o pedido de ressarcimento dos valores


gastos com pagamento de alugueis, posto que se o possuidor
legitimo do bem, pode cobrar lucro cessantes de possível
alugueis que ganharia com a posse do bem em seu poder,
logicamente e humanamente, este também poderá pleitear perdas
e danos por ter sido OBRIGADO a pagar alugueis para ter uma
moradia, sendo que, não precisaria ter tal gastos caso não
sofresse o esbulho, não havendo que se permitir que os autores
arque com custos superiores aos do próprio imóvel adquirido e
tenha ainda este prejuízo de não poder ter RESSACIDO os valores
despendidos com os pagamentos dos alugueis.

Assim, requerer seja condenada os réus a pagarem os valores que


os autores despenderam com aluguel, fazendo assim com que eles
não tenham tanto prejuízo com o esbulho. Os valores pagos com
aluguel até 08/2018, incidido multa mora, juros, correção
monetária e atualizações e honorários advocatícios está no valor
de R$29.941,61 (vinte e nove mil e novecentos e quarenta e um
reais e sessenta e um centavos) (DOC. 15)

IV – Dos Pedidos

Ante o exposto, requer:

1. Que seja concedido aos autores o benefício da Gratuidade da


Justiça;
2. Que seja concedida a TUTELA DE URGENCIA DETERMINANDO que os
Réus promovam a DEMOLIÇÃO e RECONTRUÇÃO DO IMÓVEL objeto da
lide, ou a RECUPERAÇÃO e REFORÇO IMEDIATO de toda a ESTRUTURA
DO IMOVEL, para que este não desmorone sobre o imóvel térreo
e adjacentes que são habitados, sob pena de multa de R$
200,00;
3. A citação dos réus para a apresentação de documentos e de
defesa, sob pena de revelia e confissão ficta;

4. Seja determinada em sentença, à REINTEGRAÇÃO DE POSSE


definitiva do imóvel em favor dos autores;

5. Sendo determinada a REINTEGRAÇÃO, que sejam os réus condenados


na Obrigação de Fazer a execução da DEMOLIÇÃO e RECONTRUÇÃO
DO IMÓVEL ou a RECUPERAÇÃO e REFORÇO IMEDIATO de toda a
ESTRUTURA DO IMOVEL e conseguintemente promova a construção
da COBERTURA da sua própria LAJE e ainda seja fixada multa
para a hipótese de descumprimento de cada obrigação de fazer
na forma do artigo 537, seus incisos e parágrafos do Código
de Processo Civil em valor não inferior a R$ 200,00 (duzentos
reais) por dia, como forma de elidir o eventual descumprimento
da ordem judicial;

6. Sendo determinada a reintegração, que sejam os réus condenados


na Obrigação de Fazer a execução do RECUO DA ESCADA de acesso
a Laje dos réus, para que estes tenham acesso ao seu imóvel
ao fundo, para evitar que no futuro seja novamente provocada
a justiça para discutir tal assunto, e ainda, seja fixada
multa para a hipótese de descumprimento da obrigação de fazer
na forma do artigo 537, seus incisos e parágrafos do Código
de Processo Civil em valor não inferior a R$ 50,00 (cinquenta
reais) por dia, como forma de elidir o eventual descumprimento
da ordem judicial;

7. Seja os réus condenados solidariamente ao pagamento de R$


46.000,00 (quarenta e seis mil) a título de danos morais;

8. Sendo o Contrato de Compra e Venda em sentença anulado;


devido a nulidade do contrato por falta da outorga uxória, que
seja de imediato compelido os Réus a restituir os autores no
valor do contrato pago a saber de R$ 22.000,00 (vinte e dois
mil reais) com a incidência de multa mora, juros, atualização
e correção monetária;

9. Seja os réus condenados a ressair os autores por perdas e


danos pelos pagamentos até o presente momento despendidos com
aluguel no importe de R$29.941,61 (vinte e nove mil e novecentos
e quarenta e um reais e sessenta e um centavos), bem como com
os aluguéis vincendos até a efetiva reintegração de posse e
conclusão da Obra de reforma e reforço estrutural.

10. Seja condenado o réu, ainda, a arcar com as custas


processuais e honorários advocatícios sucumbenciais, no
importe de 20%(vinte por cento);

11. Protesta por todos os meios de provas no direito admitidos


para comprovar os fatos alegados, especialmente prova
testemunhal, depoimento pessoal da parte e inspeção judicial;
12. Pretende os autores participar da audiência de
conciliação/mediação a ser designada por V. Exa.

Dar-se à causa o valor de R$ 122.658,46 (cento e vinte e dois


mil seiscentos e cinquenta e oito reais e quarenta e seis
centavos).
Nestes termos, pede deferimento.

XXXXXXXXX, XXX de XXXXXXXX de 2018.

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XXXXXX XXXX XXXXXXXXXX XXXX XXXXX XX XXXXX
OAB/BA 57.285 OAB/BA XX.XXXX

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XXXXXX XXXXXXXX
OAB/BA XX.XXX