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GRAMATICAL, ARCÁDIA, LÍNGUA E PURISMO (Ficha-resumo)

CASTRO, J. A. (1986) Formação e desenvolvimento da língua nacional brasileira. In:


COUTINHO, A. (org.). A literatura no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olímpio, EDUFF, v. 1,
p. 258-385.

Em 30 de setembro de 1770, o marquês de Pombal baixa um decreto que instaura, por


absoluto, o ensino do português como idioma nacional. Essa medida, que oficializa o estudo dos
clássicos, eleva a língua a um status purista, sobretudo, na Arcádia, onde seus devotos a
policiavam aplicando legislações sobre o que era certo e o que era errado. Encarregavam-se da
sinonímia e homonínia, dos galicismos, dos arcaísmos e, por fim, das expressões retóricas.
Faziam parte do grupo autores portugueses e brasileiros abastados que procuravam solidificar
suas bases linguísticas.
Relata o padre Francisco de Nossa Senhora que no início do séc. XIX, no Brasil, a
língua a circular no país é a portuguesa, que por sinal, é muito bem falada. Contudo, entre os
menos instruídos ainda perpassa um dialeto que, em sua opinião “é o resultado da mistura das
línguas das diversas nações (...)”. (incluir citação abaixo) (p. 325)
Com muita nitidez, percebe-se um misto de língua escrita e língua falada. As
características da fala, em contraste às do registro, mostram o tom regional com maior
vivacidade. Não obstante, essas peculiaridades eram destacadas em muitas outras partes do país,
o que configuravam outros regionalismos, uma vez que grande parte da população estava alheia
aos processos educacionais formais da capital. O regionalismo, nesse caso, simbolizava
metonimicamente a expressão oral brasileira, que se afastava significativamente da oralidade
portuguesa.
A chegada da família real em 1808 muda o panorama linguístico do Rio de Janeiro. Os
portugueses, em grande número e com seu alto padrão social, passam a influenciar
culturalmente o carioca por intermédio do contato imediato com a corte. Afirma o autor que
“gradativamente começaram a mudar alguns hábitos dos cariocas, o principal aos quais foi uma
tendência à palatização das oclusivas dentais e das constritivas alveolares. O resultado foi a
africação do [t] e [d], antes de [i] e a palatização do [s] no final da dicção”(Fazer uma
explicação sobre os fonemas e citar aqui).
No intuito de transformar a colônia em sede para a corte portuguesa, o príncipe Dom
João encomenda um plano de educação a Francisco de Borja Garção, o tenente-general
Stockler. Vindo a público somente em 16 de junho de 1826, o plano procura unificar o ensino
na capital e estabelecer uma unidade linguística, de acordo com a língua falada entre os
cortesãos. Embora o plano não tenha sido aprovado, ele foi de suma importância no que condiz
ao empenho de unificar a língua da nação, baseado na língua escrita influenciada pelo purismo
gramatical dos árcades. Do mesmo modo, sua função passou a ser um modelo do ensino
secundário no Brasil, principalmente no Colégio Pedro II.
A fim de descrever a ideologia da cultura cortesão de portugal, José da Silva Lisboa,
conhecido como o Visconde de Cairu vê, a partir da proclamação da independência, o anseio da
elite de intelectuais da corte em fazer do português de Portugal o idioma nacional do Brasil. No
entanto, admite ser isso quase impossível em razão de dialetos que se encontravam em cada
província. (p. 327)
Em suma, a problemática em torno da língua do Brasil era o afastamento da lingua oral
em relação à escrita. Ainda com a chegada da família real, haverá uma tentativa de submeter a
língua escrita ao arquétipo prescrito pelos puristas da metrópole, que será comprovada pelas atas
da Câmara dos Deputados, a datar de 1826. (p. 326)
Naturalmente, um grande número de brasileiros, como um sentimento igualmente
brasileiro, opuseram-se na intenção de ver um Brasil livre das garras lusitanas. Inicia-se então
uma polêmica discussão na Câmara dos Deputados, em 1826, dentre os quais José Pereira
Clemente e Bernardo Pereira de Vasconcelos (incluir nota de quem são essas pessoas) debatiam
com José Lino Pereira, um representante da elite portuguesa que ajudou a organizar a educação
formal nos moldes do purismo gramatical essencialmente lusitano e com base nos clássicos do
latim antigo.