Você está na página 1de 67

UNIVERSIDADE DE ITAÚNA

Faculdade de Farmácia

DOENÇAS PARASITÁRIAS COMO FATORES DE RISCO PARA O

DESENVOLVIMENTO DE CÂNCER

Brayan Jonas Mano Sousa

Letícia Maria Silva Gomes

Itaúna - MG

2017
Brayan Jonas Mano Sousa
Leticia Maria Silva Gomes

DOENÇAS PARASITÁRIAS COMO FATORES DE RISCO PARA O

DESENVOLVIMENTO DE CÂNCER

Trabalho de conclusão de curso

apresentado à Universidade de

Itaúna, como requisito parcial para a

obtenção do título de Bacharel em

Farmácia.

Área de Concentração: Parasitologia

Orientador: Prof. Dr. Haendel

Gonçalves Nogueira Oliveira Busatti

Itaúna - MG

2017
DEDICATÓRIA

A minha formação como profissional não poderia ter sido concretizada sem a ajuda

de meus amáveis e eternos pais, Mário Lúcio de Sousa e Adelaide Elaine de Oliveira Mano

Sousa que, no decorrer da minha vida, proporcionaram-me, além de extenso carinho e amor, os

conhecimentos da integridade, da perseverança e de procurar em Deus à força maior para o meu

desenvolvimento como ser humano. Por essa razão, gostaria de dedicar e reconhecer a vocês,

minha intensa gratidão e sempre amor.

Aos amigos, familiares, professores e todos aqueles que cruzaram em minha vida,

participando de alguma forma na construção e realização deste tão desejado sonho.

Brayan Jonas Mano Sousa

Realizar um sonho somente é possível com a presença e apoio daqueles que nos

amam.

A Deus, dedico essa conquista, o primeiro passo de uma grande jornada.

Aos meus pais, Lourival José Gomes e Tânia Maria da Silva Gomes, que sempre

me impulsionaram a seguir meus objetivos e não mediram esforços para que eu chegasse até

esta etapa de minha vida. À minha irmã Larissa Maria e meu namorado Weslei Souza, pela

cumplicidade, amor e carinho sempre presentes.

Aos professores pelo conhecimento transmitido e aos amigos e familiares que

estiveram presente em minha caminhada, pelo incentivo e apoio constantes.

Letícia Maria Silva Gomes


AGRADECIMENTO

Agradecemos a Universidade de Itaúna e a todo o seu corpo docente, além da

direção e a administração, que realizam seu trabalho com tanto amor e dedicação, trabalhando

incansavelmente para que nós, alunos, possamos contar com um ensino de extrema qualidade.

Agradecemos ao nosso orientador e coordenador Haendel Busatti pela paciência,

dedicação e ensinamentos que possibilitaram que realizássemos este trabalho.

Agradecemos a professora Farah Chequer por toda a orientação e ajuda que foram

dadas.

Agradecemos a secretária Vanusa Marques pela amizade, por tudo que fez por nós

e também por ter a paciência de nos ouvir reclamar. Melhor secretária!

Agradecemos a todos os professores do curso que foram tão importantes em nossa

vida acadêmica, nos transmitindo conhecimentos e experiências fazendo com que

desenvolvêssemos uma enorme bagagem para a vida profissional.


Epigrafe

“No Egito, as bibliotecas eram chamadas de

tesouro dos remédios da alma. De fato, é nelas que

se cura a ignorância, a mais perigosa das

enfermidades e a origem de todas as outras”.

(Jacques Bossuet)
RESUMO

O câncer é um importante problema de saúde pública com distribuição mundial. Embora pouco

se saiba sobre a causa específica dos tumores, os fatores de risco são bem conhecidos, entre

eles se destacam as doenças parasitárias. Este trabalho teve como objetivo compreender a

relação das doenças parasitárias e o câncer. Realizou-se um estudo qualitativo, centrado em

artigos publicados em periódicos indexados nos bancos de dados do Scielo, Lilacs, PubMed,

CellPress e Google Acadêmico, utilizando-se diversas combinações de palavra-chave e de

preferência artigos publicados entre 2000 e 2017. Os dados epidemiológicos foram obtidos nos

sites do DATASUS e World Health Organization (WHO), e os dados populacionais no Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A esquistossomose tem sido associada a câncer

de bexiga, cólon retal, renal, útero, parede vaginal e próstata. A leishmaniose está associada a

diversos tipos de neoplasias, como linfomas, câncer epidermoide, tumores na laringe e

síndrome mielodisplásica. A malária está correlacionada principalmente com Linfoma de

Burkitt. A teníase e toxoplasmose estão associadas com câncer cerebral. A análise de autopsias

e os estudos de casos reportados e controles, patológicos e epidemiológicos têm confirmado a

hipótese de que as doenças parasitárias são carcinogênicas e, portanto, são fatores de risco para

o desenvolvimento de câncer.

Palavras-Chave: Esquistossomose. Leishmaniose. Malária. Teníase. Toxoplasmose.


ABSTRACT

Cancer is an important public health problem worldwide. Although little is known about the

specific cause of tumors, the risk factors are well known, among them are parasitic diseases.

This work aimed to understand the relationship between parasitic diseases and cancer. The

qualitative study was centered on articles published in periodicals indexed in the databases of

Scielo, Lilacs, PubMed, CellPress and Google Scholar, using several combinations of keywords

and, using preference, articles published between 2000 and 2017. Epidemiological data were

obtained from the DATASUS and World Health Organization (WHO) websites, and the

population data from Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Schistosomiasis

has been associated with bladder cancer, rectal colon, renal, uterus, vaginal wall, and prostate.

Leishmaniasis is associated with several types of neoplasms, such as lymphomas, squamous

cell cancer, laryngeal tumors and myelodysplastic syndrome. Malaria is mainly correlated with

Burkett’s Lymphoma. Taenia infection and toxoplasmosis is associated with brain cancer. The

analysis of autopsies and the reported case studies and controls, pathological and

epidemiological have confirmed the hypothesis that parasitic diseases are carcinogenic and,

therefore, are risk factors for the development of cancer.

Keyword: Schistosomiasis. Leishmaniasis. Malaria. Taeniasis. Toxoplasmosis.


LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Casos de esquistossomose mansônica no Brasil nos anos de 2010 a 2015.............. 18

Tabela 2. Casos de Leishmaniose Visceral no Brasil nos anos de 2010 a 2015.. ....................30

Tabela 3. Casos de Leishmaniose Tegumentar Americana no Brasil nos anos de 2010 a

2015.................... ...................................................................................................................... 32

Tabela 4. Casos de Malária no Brasil nos anos de 2010 a 2015. ............................................. 39


LISTAS DE ABREVIATURAS

AIDS Síndrome da Imunodeficiência adquirida

DNA Ácido desoxirribonucleico

FGFR3 Receptor 3 dos fatores de crescimento dos fibroblastos

FGFRs Tirosina-quinase transmembranares

HIV Vírus da Imunodeficiência humana

IARC International Agency for Research on Cancer

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

LNCS Lista de Notificação Compulsória em Unidades Sentinelas

LTA Leishmaniose Tegumentar Americana

LV Leishmaniose Visceral

MS Ministério da Saúde Brasileiro

Sinan Sistema de Informação de Agravos de Notificação

OMS Organização Mundial de Saúde

OPAS Organização Pan-Americana de Saúde

ONU Organização das Nações Unidas

PNCM Programa Nacional de Controle da Malária

RAVREDA Rede Amazônica de Vigilância da Resistência aos Antimaláricos

SNC Sistema Nervoso Central

WHO World Health Organization


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 9

2. METODOLOGIA ............................................................................................................. 11

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................................................... 12

3.1. Esquistossomose ........................................................................................................ 16

3.1.2. Schistosoma haematobium ................................................................................. 20

3.1.3. Schistosoma japonicum ...................................................................................... 22

3.1.4. Schistosoma mansoni.......................................................................................... 23

3.2. Leishmaniose ............................................................................................................. 28

3.3. Malária ....................................................................................................................... 37

3.4. Teníase e cisticercose................................................................................................. 42

3.5 Toxoplasmose ............................................................................................................ 45

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 52

5. REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 53
9

1. INTRODUÇÃO

As doenças sempre estiveram presentes na evolução humana, ora ligado ao

misticismo, ora relacionado com o ambiente e o organismo. Com o avanço do conhecimento,

ficou evidenciado que as doenças podem ser desencadeadas devido ao ambiente social,

econômico e político, defeitos genéticos e biológicos e, também, por micro-organismos e

parasitas (Cotta et al., 2013).

Após a revolução industrial, houve um processo de grande modificação nos padrões

de vida e, principalmente, no processo de saúde-doença no mundo. Tal modificação, foi

denominada por Omran, em 1971, como transição epidemiológica. A transição epidemiológica

foi caracterizada pela mudança no perfil de mortalidade com diminuição da taxa de doenças

infecciosas e aumento concomitante da taxa de doenças crônico-degenerativas, especialmente

o câncer. Compreender o perfil epidemiológico está se tornando cada vez mais difícil e de

complexo entendimento, em função do aparecimento de novas doenças e o ressurgimento de

antigos agravos à saúde, como as doenças parasitárias (Albala, Vio & Yanez, 1997; Prata, 1992;

Laurenti, 1990).

O câncer é um importante problema de saúde pública, tanto em países emergentes,

como em países desenvolvidos, sendo responsável por 8,8 milhões de óbitos em 2015,

representando cerca de 16% de todas as causas de morte no mundo (WHO, 2017a). Embora as

maiores taxas de incidência de câncer sejam encontradas nos países desenvolvidos, mais da

metade dos casos são diagnosticados nos países emergentes. Apesar do grande avanço do

conhecimento, ainda pouco se sabe sobre as causas específicas dos tumores, mas os fatores de

risco que contribuem para o seu desenvolvimento são bastante conhecidos (Guerra, Moura Galo

& Mendonça, 2005; Herrera et al., 1998; Del Brutto et al., 1997).

Uma variedade de fatores tem sido identificada como carcinogênicos. Entre eles,

muitos agentes biológicos são considerados e estudados como fatores de desencadeamento e


10

causas de câncer em humanos (Parkin, 2006). De acordo com a Organização Mundial de Saúde

(OMS), 25% dos diagnósticos de câncer são atribuídos às doenças infecciosas (WHO, 2017b).

Dessa forma, alguns autores têm associado e destacado os parasitas como a patogênese do

câncer humano (Costa, 2012; Parkin, 2006; Del Brutto et al., 1997).

As doenças parasitárias apresentam uma extensa distribuição geográfica e ocorrem

com maior intensidade nos países emergentes, em virtude das precárias condições sanitárias, de

moradia e das deficiências alimentares. A OMS estima que 14% da população mundial está

infectada por doenças parasitárias (WHO, 2017c). No Brasil, a prevalência de doenças

parasitárias é considerada alta, observando-se um maior índice nas populações de baixo nível

socioeconômico (Amorim et al., 2013; Santos, Santos & Soares, 2007; Mascarini & Donalísio,

2006).

Os recentes avanços em biologia e bioquímica molecular têm tido papel crucial e

significativo para elucidar a relação entre os agentes infecciosos e o câncer, além de fornecer a

base molecular do processo de carcinogênese. Os processos infecciosos podem, em geral,

iniciar ou promover a carcinogênese por três mecanismos: (1) inflamação crônica: devido a

prolongar a persistência do agente infeccioso no hospedeiro com produção de radicais reativos

oxigenados e radicais reativos nitrogenados que possuem potencial de danificar o genoma; (2)

o adicionamento de ativos oncogênicos nos genomas do hospedeiro, esse mecanismo está

particularmente com vírus oncogênicos, como o vírus de Hepatite B e C e; (3) a capacidade de

reduzir a immunosurveillance1 como resultado de uma imunossupressão (Palumbo, 2007).

Nesse contexto, o objetivo desse trabalho é compreender as doenças parasitárias

esquistossomose, leishmaniose, malária, teníase e cisticercose, e toxoplasmose como fatores de

risco para o desenvolvimento de câncer.

1
A immunosurveillance ou Vigilância Imunológica é um processo pelo qual o sistema imunológico é capaz de
procurar e reconhecer patógenos ou células pré-cancerosas e cancerosas no organismo.
11

2. METODOLOGIA

O trabalho trata-se de um estudo qualitativo, de revisão narrativa, em que se

realizou um levantamento bibliográfico centrado em artigos publicados em periódicos

científicos indexados nos bancos de dados CellPress, Lilacs, Google Acadêmico, PubMed e o

Scielo. Foram utilizados, preferencialmente, artigos publicados entre 2000 e 2017. Para a busca

dos artigos foram utilizadas, em diversas combinações, as seguintes palavras-chave: câncer,

cancer, epidemiologia, epidemiology, neoplasia, infecção parasitária, parasitic infection,

parasitas, parasite, malária, malaria, Plasmodium, toxoplasmose, toxoplasmosis, teníase,

cisticercose, Taenia solium, neurocesticercose, neurocysticercosis, esquistossomose,

schistosomiasis, S. mansoni, leishmaniose, Leishmania, leishmaniasis, linfoma, lymphoma,

carcinoma hepatocelular, hepatocellular carcinoma, ciclo biológico e life cycle.

Adicionalmente, foi realizado um levantamento epidemiológico de casos

confirmados e calculado a incidência, no período de 2010 a 2015, baseando-se no site do

DATASUS e World Health Organization (WHO) para as doenças: esquistossomose,

leishmaniose visceral e tegumentar, e a malária. O site do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE) foi utilizado para o levantamento populacional brasileiro no mesmo período.

O cálculo de incidência, por 100.000 habitantes, para as doenças parasitárias

esquistossomose e leishmaniose foi feito com a seguinte fórmula:

𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜𝑠


𝑖𝑛𝑐𝑖𝑑ê𝑛𝑐𝑖𝑎 = × 100.000
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑛𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑎𝑛𝑜

Para a Malária, o cálculo de incidência, por 10.000 habitantes, e foi realizado pela

fórmula:

𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜𝑠


𝑖𝑛𝑐𝑖𝑑ê𝑛𝑐𝑖𝑎 = × 10.000
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑛𝑜 𝑚𝑒𝑠𝑚𝑜 𝑎𝑛𝑜
12

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O câncer é uma manifestação caracterizada como uma proliferação anormal e

descontrolada das células do organismo, sendo considerada a segunda maior causa de morte no

mundo. Estima-se que o câncer gere um custo mundial econômico total de 1,16 trilhões de

dólares ao ano (WHO, 2017d). De acordo com as evidências atuais, entre 30 a 50% das mortes

de câncer podem ser prevenidas, apenas modificando e evitando a exposição significativa a

fatores carcinogênicos, que incluem o hábito de fumar, o consumo de álcool, produtos

químicos, radiação e o tratamento aos agentes infecciosos (WHO, 2017d; Plottel & Blaser,

2011).

Foram diagnosticados 14,1 milhões de novos casos de câncer no mundo, cerca de

3,52 milhões estão correlacionados com as doenças infecciosas em 2012. Atualmente mais de

32,6 milhões de pessoas convivem com a doença no mundo, sendo a maior parte nos países em

desenvolvimento, pois estima-se que cerca de 65% das mortes e 48% da prevalência de câncer

encontram-se nessas regiões. A incidência de câncer é 25% maior em homens do que no sexo

feminino. Em termos de mortalidade, as taxas são 15% mais altas nas regiões mais

desenvolvidas do que nos países emergentes nos homens e 8% mais altas nas mulheres (WHO,

2012).

Ao contrário do observado nos países desenvolvidos, a transição epidemiológica

ainda não está totalmente completa nos países subdesenvolvidos, pois observa-se aumento das

doenças crônico-degenerativas, enquanto a frequência de doenças infecciosas e de doenças

transmissíveis por vetores biológicos ainda permanecem elevadas (Guerra, Moura Gallo &

Mendonça, 2005; Prata, 1992; Laurenti, 1990).

A clássica tríade epidemiológica é indispensável para ocorrer a infecção parasitária:

as condições do hospedeiro, o parasito e o meio ambiente. Em relação ao hospedeiro os fatores

interferentes são idade, estado nutricional, imunológico, fatores genéticos, culturais,


13

comportamentais e profissionais. Para o lado do parasito, a resistência ao sistema imune do

indivíduo, os mecanismos de escape vinculados às transformações imunológicas e bioquímicas

são verificados ao longo do ciclo de cada parasito e os vetores. As condições ambientais

associadas a esses fatores irão definir a ocorrência dessas infecções. É interessante ressaltar que

as interações observadas nas doenças infecciosas também estão presentes em doenças não

infecciosas. Ainda que as doenças não infecciosas sejam de origem genética, o seu

desenvolvimento é resultante de interações genéticas e fatores ambientais (OPAS/OMS, 2010;

Frei, Juncansen & Ribeiro-Paes, 2008).

A OMS propôs recentemente a denominação “doenças negligenciadas”, referindo-

se àquelas enfermidades que apresentam maior ocorrência e são mais negligenciadas nos países

em desenvolvimento. Essa denominação representa uma evolução ao determinismo geográfico

relacionado ao termo “doenças tropicais”, pois contempla as dimensões de desenvolvimento

social, político e econômico do país (Morel, 2006).

As doenças negligenciadas têm características em comum como: endemicidade

elevada nas áreas rurais e urbanas menos favorecidas, além do baixo investimento em pesquisas

para o desenvolvimento de novos fármacos. Nesse sentido, essas doenças não apenas ocorrem

com mais frequência em regiões empobrecidas, como também são condições promotoras de

pobreza. Isso sinaliza que o combate a essas enfermidades é essencial para o cumprimento dos

objetivos de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) para o milênio

(Garcia et al., 2011).

As doenças negligenciadas representam um grande problema de saúde pública,

particularmente, nos países subdesenvolvidos onde se apresentam bastante disseminadas e com

alta prevalência (Araújo, Moreira & Aguiar, 2013). O Ministério da Saúde Brasileiro (MS)

define que as doenças negligenciadas são as que não só prevalecem em condições de pobreza,
14

como também contribuem para a manutenção do quadro de desigualdade, já que representam

forte entrave ao desenvolvimento dos países (Brasil, 2010a).

Segundo a OMS, mais de um bilhão de pessoas estão infectadas por alguma doença

parasitária e mais milhões de pessoas irão sofrer de alguma infecção (WHO, 2017c). Segundo

Morel (2006), as doenças negligenciadas persistem por três tipos de falhas: a da ciência

(conhecimento insuficiente), de mercado (custo elevado) ou de saúde pública (planejamento

deficiente), podendo estar em conjunto ou não (Morel, 2006).

Nos países emergentes, a ausência ou as péssimas condições de saneamento básico

associada a horríveis práticas de higiene e o pouco investimento em educação sanitária e

atendimento médico favorecem os principais mecanismos de transmissão das enteroparasitoses

e, ainda, produzem uma incidência significativa nesses países (Amorim et al., 2013; Santos,

Santos & Soares, 2007). De acordo com a OMS, 42% da população mundial não teve acesso a

instalações sanitárias adequadas em 2015 (WHO, 2017f).

Na literatura, encontram-se evidências para a associação entre as doenças

infecciosas, doenças parasitárias e neoplasias (Tong et al., 2017; Oikonomopoulou et al., 2016;

Bello et al., 2013; Cavellani et al., 2013; Mohamad et al., 2012; Santos et al., 2002).

Existem evidências substanciais de que a inflamação pode ter um papel direto na

carcinogênese. A indução da inflamação crônica é proposta como o mecanismo de ação pelo

qual os parasitas aumentam o risco de desenvolver o câncer. Durante a inflamação crônica pode

ocorrer danos ao ácido desoxirribonucleico (DNA) podendo resultar em uma interação de

radicais livres com moléculas intracelulares e, assim, propiciando a formação endógena de

carcinogênicos (Herrera et al., 1999; Ishii et al., 1994; Ohsima & Bartsch, 1994).

No local da inflamação, os neutrófilos, monócitos e macrófagos geram uma

variedade de espécies reativas, incluindo os ânions superóxidos, peróxido de hidrogênio e o

ácido nítrico. Os radicais reativos oxigenados e nitrogenados podem quebrar, diretamente, as


15

cadeias simples ou duplas de DNA, modificar os ácidos nucleicos, lipídeos e proteínas, modular

o crescimento celular e desenvolver tumores por ativação de vias de transdução de sinais

(Michaud, 2007).

Tem sido sugerido que os mosquitos como vetores biológicos podem ter um papel

importante para favorecer o desenvolvimento de neoplasias. Segundo Ward, Ward e Johansson

(2016), é conhecida a associação entre os mosquitos e o Linfoma de Burkitt. Também já foi

demonstrado 33 agentes infecciosos que possuem associação com o câncer, sendo que 27

possuem vetores no ciclo de transmissão (Ward, Ward & Johansson, 2016). A saliva do

mosquito pode causar a imunossupressão e a transmissão de agentes infecciosos, podendo ser

carcinogênicos. Algumas substâncias presentes na saliva do mosquito têm a capacidade de

ativar mastócitos dérmicos e induzir a resposta inflamatória local (Johansson & Ward, 2017).

De forma geral, as doenças parasitárias são frequentemente associadas à eosinofilia.

As infecções por malária e piroplasmose podem ocasionar anemia hemolítica, e a infecção por

Plasmodium falciparum pode ocasionar coagulação intravascular disseminada. A malária é

considerada como um fator etiológico para o Linfoma de Burkitt do tipo endêmico. As

infecções parasitárias intestinais causam deficiência de ferro e a leishmaniose pode causar

pancitopenia (Bain, 2017).

O Linfoma de Burkitt é um linfoma do tipo não Hodgkin de células B, no qual é

dita como a neoplasia maligna com o crescimento mais rápido que afeta os seres humanos,

podendo até duplicar de tamanho no período de 24 horas. Existem três tipos de Linfoma de

Burkitt: esporádico, endêmico e associado à imunodeficiência. Os tipos variam segundo a

localização geográfica e o local do corpo afetado (Afanas et al., 2011).

O Linfoma de Burkitt do tipo esporádico ocorre fora da África, porém é raro em

países desenvolvidos, tende a afetar a parte inferior do abdome, no final do intestino delgado.

O Linfoma de Burkitt do tipo endêmico é visto com maior frequência na África equatorial, onde
16

está associado à malária e à infecção por vírus Epstein-Barr. Nesse caso, o osso facial e o

maxilar são afetados com maior frequência, mas o intestino delgado, os rins, os ovários e os

seios podem também estar envolvidos. E por último, pode estar relacionado à imunodeficiência

está associado ao uso de medicamentos imunossupressores, como os usados para evitar a

rejeição em transplantes e no tratamento do vírus da imunodeficiência humana (HIV)/Síndrome

de Imunodeficiência adquirida (AIDS) (Afanas et al., 2011).

3.1. Esquistossomose

A família Schistosomatidae apresenta sexos separados e são parasitos de vasos

sanguíneos de aves e mamíferos. Nessa família distingue-se as subfamílias Bilharzielinae e

Schistosomatinae, cujo o principal gênero é o causador da esquistossomose. O gênero

Schistosoma é composto por platelmintos trematódeos dioicos, possuem diferentes estágios de

desenvolvimento, no qual cada um deles possuem características peculiares (Casella et al.,

2009).

A esquistossomose é uma doença endêmica, de veiculação hídrica, cuja a

transmissão está diretamente ligada a forma de viver das populações e às condições de

saneamento. Dessa forma, é considerada como uma doença negligenciada e que afeta

principalmente as zonas em desenvolvimento. As infecções com Schistosomas nem sempre são

diagnosticadas precocemente, pois muitos casos são assintomáticos ou manifestam

complicações clínicas graves anos após a serem infectados (Botelho et al., 2011; Nunes, 2000;

Mostafa, Sheweita & Connor, 1999).

A esquistossomose conserva-se como um grave problema de saúde pública no

Brasil e no mundo, sendo considerada a segunda infecção parasitária mais comum. Atualmente,

estima-se 250 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo, principalmente em regiões

tropicais e subtropicais, como África, Ásia e América do Sul. Todo ano morre mais de 200 mil
17

infectados (Berry et al., 2017). Infelizmente, apenas 20,7% dos infectados conseguem realizar

o tratamento (WHO, 2016a).

Há diversas áreas que ainda são endêmicas para a moléstia, constituindo uma

importante causa de morbidade e mortalidade da população. A patogênese é dependente da

interação entre o hospedeiro e o helminto, no qual pode acometer diferentes órgãos e sistemas

do organismo. É importante salientar que as características das formas crônicas possuem sérias

implicações para o indivíduo (Souza et al., 2011).

No Brasil, foram confirmados 65.371 casos de esquistossomose durante o período

de 2010 a 2015. Apenas em 2015 foram notificados 4.356 casos confirmados. Os números de

casos confirmados por ano, durante o período de 2010 a 2015, podem ser vistos na Tabela 1

(DATASUS, 2017a).

Através da tabela observa-se que houve diminuição da incidência no país. Essa

diminuição se explica pelo fato do maior grau de escolaridade da população, da melhoria das

condições sanitárias e também pelo programa de controle desenvolvido nas regiões endêmicas.

O programa de controle de esquistossomose nas áreas endêmicas tem papel central na

diminuição de incidência no país, pois favorece o diagnóstico precoce e o fornecimento do

tratamento farmacológico aos infectados. Além disso, houve também projetos de sinalização

em rios e lagos de risco de contaminação, aumento da infraestrutura e desenvolvimento de água

encanada (Katz & Almeida, 2003).


18

Tabela 1. Casos de esquistossomose mansônica no Brasil nos anos de 2010 a 2015.


Ano Casos novos População Total Incidência (100.000
confirmados¹ Estimada² habitantes)
2015 4356 204450649 2,130587514
2014 6512 202768562 3,211543217
2013 6448 201032714 3,207438168
2012 8367 193946886 4,314067719
2011 15474 192379287 8,043485471
2010 24214 190732694³ 12,69525402
Total 65371
Fonte: ¹ Ministério da Saúde/SVS – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan Net
(DATASUS, 2017a). ² IBGE. Diretoria de Pesquisas – DPE – Coordenação de População e Indicadores
Sociais (IBGE, 2017). ³ IBGE, Censo demográfico 2010 (IBGE, 2010).

Vários mecanismos têm sido sugeridos para explicar como a infecção

esquistossomótica pode favorecer o surgimento de neoplasias, tais como: a irritação, a

inflamação e a infecção crônica bacteriana concomitante. O aumento da redução de nitrato por

bactérias na urina e o aumento da nitrosamina na saliva são observadas em pacientes infectados

por Schistosomas em comparação com os pacientes controle, no qual fornece uma hipótese para

o papel das nitrosaminas na inicialização dos eventos de esquistossomose associada ao câncer

(Salem et al., 2010; Michaud, 2007).

A maioria dos processos patogênicos estão associados aos ovos e não aos vermes

adultos vivendo na corrente sanguínea. Nem sempre todos os ovos serão excretados para fora

do corpo e podem migrar para outras áreas do organismo, produzindo uma reação imune e

formação granulomatosa. Os granulomas associados a esquistossomose podem se formar com

a maturação do miracídio (Botelho et al., 2011). Os ovos no intestino causam danos a

membranas mucosas e podem formar granulomas. No fígado, os ovos granulomatosos podem

induzir a formação de fibrose, levando o órgão a cirrose hepática (Ishii et al., 1993).

A esquistossomose tem sido associada com carcinoma colorretal, câncer renal,

câncer de bexiga, câncer de útero, câncer na parede vaginal e câncer de próstata (Bacelar et al.,

2007; Cohen, Edgar & Cooper, 1995).


19

Acredita-se que a esquistossomose possa causar câncer de bexiga através da

irritação e inflamação. A reação crônica da inflamação decorrente da deposição de vermes e/ou

ovos no tecido consistem em macrófagos e neutrófilos que produzem radicais livres endógenos.

Esses radicais livres podem formar inúmeras substâncias responsáveis por induzir mutações,

como a troca de cromátide irmã e quebras no DNA. Além disso, as células inflamatórias

contribuem para ativação de hidrocarbonetos policíclicos e aminas aromáticas que podem

produzir específicos metabólicos carcinogênicos (Khaled, 2013).

Os fatores de crescimento dos fibroblastos orquestram uma variedade de funções

celulares cruciais no processo fisiológico, como a embriogênese, o desenvolvimento corporal,

a cicatrização e condições patológicas, através de ligações aos seus receptores de tirosina-

quinase transmembranares (FGFRs). A sinalização do receptor 3 dos fatores de crescimento

dos fibroblastos (FGFR3) é alterada em altas proporções nos tumores de bexiga. A expressão

dessa proteína está presente no câncer urotelial primário e metastático, no qual a maioria está

correlacionada com metástases. Atualmente, a proteína FGFR3 é como um fator controlador do

crescimento dos tumores. A presença de FGFR3 está relacionada com a intensidade e o grau de

malignidade do carcinoma (Guancial et al., 2014; Martino, Tomlinson & Knowles, 2012).

De acordo com Hammam et al. (2017), as lesões uroteliais são mais predominantes

nos homens do que nas mulheres. O aumento da sintetização da proteína FGFR3 é indicativo

de malignidade do câncer. Também foi observado amplificação da expressão gênica de FGFR3

em todos os casos associados a infecção por Schistosoma. Em suas conclusões, foi sugerido que

os tumores invasivos podem se desenvolver a partir de carcinomas, tendo múltiplas alterações

genéticas em conjunto, incluindo o aumento provocado por Schistosoma (Hammam et al.,

2017).
20

3.1.2. Schistosoma haematobium

A espécie Schistosoma haematobium é o agente etiológico da esquistossomose

vesical ou hematúria do Egito, sendo encontrado em grande parte da África e no Oriente Médio.

Essa espécie apresenta uma diferença morfológica nos ovos: são elipsoides com esporão

terminal. Diferentemente do S. mansoni, os ovos são eliminados pela urina, pois os vermes

adultos de S. haematobium permanecem nas vênulas e capilares do sistema urinário,

principalmente na bexiga. A sua primeira identificação foi realizada por Theodor Billharz em

1851, sendo inicialmente sugerido como desencadeador de câncer de bexiga por Fergusson em

1911 (Khaled, 2013; Botelho et al., 2011; Parkin, 2006; Nash et al., 1982).

A associação de S. haematobium com câncer de bexiga em pacientes de regiões

endêmicas é frequente e bem evidenciado (Bacelar et al., 2007). Nas mulheres, a infecção pode

atingir o colo do útero e o útero podendo causar infertilidade e dores durante a relação sexual

(Botelho, Alves & Richter, 2017).

Desde 1994, o Schistosoma haematobium é classificado como carcinogênico para

os seres humanos pelo International Agency for Research on Cancer (IARC). Em 2012, foi

comprovado cientificamente que é um agente carcinogênico e foi classificado para o Grupo 12.

Nos estudos desenvolvidos pelo instituto, também é demonstrado que a incidência

de câncer de bexiga urinária é maior em áreas com alta prevalência de esquistossomose vesical

em comparação com as regiões com a baixa prevalência. Um grande número de casos

reportados e estudados têm enfatizado repetitivamente a prevalência de células escamosas de

tumores da bexiga urinária em pacientes com evidência de infecção esquistossomótica (IARC,

2012; Mayer & Fried, 2007; Mostafa, Sheweita & Connor, 1999; Badawi, 1996).

2
O IARC possui quatro grupos para os agentes cancerígenos: o Grupo 1 são os agentes comprovadamente
cancerígenos; o Grupo 2A são prováveis carcinogênicos; o Grupo 2B são possíveis carcinogênicos; o Grupo 3 é
composto por agentes que não são carcinogênicos e o Grupo 4 são os agentes que provavelmente não são
carcinogênicos (IARC, 2014).
21

Em 1996, foi descrito a presença de ovos de S. haematobium em 85% dos pacientes

com células escamosas tumorais e em 10% das células transitórias tumorais (Groeneveld,

Marszalek & Heyns, 1996).

Em um estudo hormonal para infecção por Schistosomas urogenitais foi observado

uma elevação nos níveis de estradiol, sem elevação na testosterona ou hormônio luteinizante

nos soros de humanos infectados em comparação com os indivíduos não infectados. Foi

sugerido e, posteriormente, confirmado que duas espécies, S. haematobium e S. mansoni, são

capazes de sintetizar o estradiol (Botelho et al., 2009).

O metabolismo e a síntese de estrogênio podem estar implicados em uma via

subjacente ao S. haematobium produzindo dano ao DNA do hospedeiro, propiciando

eventualmente uma transformação celular. Inicialmente, o câncer e a infertilidade feminina

observada em indivíduos com esquistossomose foi assumido como resultado exclusivo do

processo de apoptose tecidual causado pela resposta imune aos ovos e vermes. Entretanto, após

dez anos, esse paradigma foi mudado (Botelho, Alves & Richter, 2017). A mudança veio após

a descoberta e identificação de moléculas de estrogênio circulando em pacientes infectados por

Schistosomas que potencialmente tinham causado câncer (Botelho et al., 2013; Botelho et al.,

2010). Recentemente, foi observado que essas moléculas não apenas circulavam no sangue

como também na urina dos pacientes infectados. No caso das mulheres, essas moléculas

também estão correlacionadas à infertilidade (Santos et al., 2014).

Observa-se nas zonas endêmicas de esquistossomose, uma proporção

significativamente maior de carcinomas escamosos correlacionados com a exposição ao

parasita. O câncer de bexiga associado ao S. haematobium pode estar diretamente ligado a

fisiopatologia do local onde o ovo do parasita se encontra (Berry et al., 2017).

Durante a infecção por S. haematobium, os ovos são depositados na mucosa da

bexiga e nos ureteres inferiores. Os granulomas podem formar lesões poliplodais intraluminais,
22

que irão causar hidronefrose. Essas lesões tendem a necrosar, ulcerar e sangrar. Com o avanço

da idade, as lesões tendem a fibrosar e calcificar. Esse processo pode levar a deformação e/ou

obstrução da bexiga, infecção secundária, pielonefrite crônica e insuficiência renal. O

carcinoma de bexiga é a sequela de longo prazo mais grave de infecções crônicas (Botelho et

al., 2011).

Estudos de casos e estudos epidemiológicos têm demonstrado e confirmado a

associação entre a esquistossomose e o câncer. Os estudos epidemiológicos mostram maior

incidência de câncer de bexiga em regiões com alto risco de contaminação. Os casos reportados

mostram que indivíduos com esquistossomose podem desenvolver câncer de bexiga mais

facilmente que as pessoas não infectadas (Herrera et al., 2005).

Os carcinomas com células escamosas de câncer de bexiga são bastante associados

com S. haematobium. A associação epidemiológica é baseada em estudos de casos controles e

conclui a correlação de incidência de câncer de bexiga com a prevalência de infecção em

diferentes regiões do mundo. Estima-se de 3 a 4 casos a cada 100.000 pessoas. A conexão

tumor-parasita foi sugerida pela predominância de morfologia de células escamosas vista em

áreas endêmicas de infecção e pela frequente associação de tumores com ovos do parasita que

induz a patologia granulomatosa nos tecidos da bexiga (Shiff et al., 2006).

3.1.3. Schistosoma japonicum

A espécie Schistosoma japonicum é o causador da moléstia de Katayama ou

esquistossomose japônica. A esquistossomose japônica é uma zoonose que afeta não apenas os

humanos como também outros mamíferos. Apresenta-se distribuída geograficamente na China,

Ilhas Filipinas, Indonésia e Japão. Os parasitas vivem nas veias mesentéricas, especificamente

na veia porta, local rico em nutrientes para o parasita. Em relação a sua morfologia, os vermes

adultos não possuem papilas em seu tegumento e os ovos são subesféricos, com um rudimentar
23

espinho lateral. Eles vivem no sistema porta e os ovos são eliminados pelas fezes. Os

hospedeiros intermediários são os moluscos do gênero Oncomelania (Ishii et al., 1994).

A esquistossomose japônica é conhecida por produzir os problemas mais graves

entre as infecções por Schistosoma nos humanos. Os ovos de S. japonicum podem provocar

granulomas nas paredes do intestino e/ou fluir para trás, através da veia porta, e provocar

embolismo no fígado ou no SNC. A infecção por S. japonicum foi associada a uma maior

incidência de câncer de fígado, hepatocarcinomas e câncer colo retal (Berry et al., 2017; Parkin,

2006).

A conexão entre a infecção por S. japonicum e neoplasias colorretais é discutida a

décadas (Peterson & Weidner, 2011). De acordo com Ishii e colaboradores (1994), a primeira

descrição de Schistosoma japonicum associada a câncer de intestino apareceu em 1936 no

Japão. Já em 1944, foi descrito o câncer de fígado por infecção de esquistossomose japônica.

A incidência de carcinoma hepatocelular é cerca de 11% maior em casos com esquistossomose

japônica (Ishii et al., 1994).

De acordo com Peterson e Weidner (2011), uma série de estudos epidemiológicos

na China e no Japão analisaram a correlação entre a mortalidade decorrente de carcinomas

colorretais e esquistossomose. A correlação encontrada foi positiva e confirmou que as

infecções por Schistosomas favorecem o aparecimento de neoplasias. Estima-se que 24% dos

casos de câncer de cólon estejam atribuídos a infecção por esquistossomose japônica (Peterson

e Weidner, 2011).

3.1.4. Schistosoma mansoni

O Schistosoma mansoni é o agente etiológico da esquistossomose mansoni. A

infecção por Schistosoma mansoni é uma doença endêmica no Brasil e o problema

gastrointestinal mais comum (Casella et al., 2009).


24

O S. mansoni é a única espécie existente no Brasil, em virtude da inexistência de

moluscos suscetíveis aos demais helmintos. A doença é popularmente conhecida como

“xistose”, “barriga-d’água” ou “mal do caramujo”. Os hospedeiros intermediários do S.

mansoni são os invertebrados da família Planorbidae e do gênero Biomphalaria (Katz &

Almeida, 2003).

O ciclo biológico pode ser descrito da seguinte forma: após o Schistosoma atingir a

fase adulta, alcança as veias mesentéricas inferiores, as fêmeas realizam a postura ao nível da

mucosa. Da mucosa chegam à luz intestinal. Os ovos podem ficar presos na mucosa intestinal

ou serem arrastados para o fígado. Alcançando a água, os ovos liberam o miracídio. O contato

com o tegumento do molusco gênero Biomphalaria faz com que adquira a forma de ventosa,

ocorrendo quase que simultaneamente, a descarga do conteúdo das glândulas de penetração. A

ação combinada dos intensos movimentos do miracídio e da ação enzimática constitui o

elemento que permite a introdução do miracídio nos tecidos do molusco (Vitorino et al., 2012;

Katz & Almeida, 2003).

Ao atingirem o estágio de cercárias, essas estarão prontas para infectar humanos

através da água. Os moluscos eliminam as cercárias principalmente entre 11 e 17 horas, horário

eu que o sol está mais quente. Antes das 9 horas, o risco de infecção é muito baixo. Ao serem

liberadas na água, as cercárias irão penetrar na pele do indivíduo, perdendo a cauda durante a

penetração e transformam-se em esquitossômulos (Vitorino et al., 2012).

Após a infecção, o parasita inicia-se a multiplicar-se no hospedeiro intermediário.

Através da circulação dirigem-se aos pulmões para se desenvolverem e adaptar-se a vida

parasitária. Cerca de 21 dias após a infecção, chegam ao fígado, onde completam seu

desenvolvimento e, posteriormente, transformam-se em vermes adultos. O verme adulto tem

seu habitat nas vênulas do plexo hemorroidário superior e nas ramificações mais finas das veias
25

mesentéricas, principalmente na mesentérica inferior. Às vezes são encontrados em outras

localizações, como pulmões, baço, pâncreas e bexiga (Souza et al., 2011; Palumbo, 2007).

A patogênese do câncer pode ser apresentada por formas tumorais ou

pseudotumorais, por exemplo, o adenocarcinoma de cólon. Podem apresentar-se como pólipos

únicos ou múltiplos, estenoses ou vegetações tumorais, podendo ocorrer o crescimento na luz

intestinal. Os sintomas clínicos nesses casos incluem a dor abdominal intensa e difusa e a

enterorragia, além de obstrução intestinal, anorexia, emagrecimento, distensão abdominal e

tumoração palpável. Para melhor elucidação de diagnóstico é recomendado realizar a

colonoscopia com biópsia (Sousa et al., 2011). A primeira descrição de presença de massa

tumoral extensa associada a infecção por Schistosoma mansoni foi descrito em 1953 no Cairo

(Mallah & Hashem, 1953).

Segundo Alexis e Domingo, pessoas infectadas por Schistosoma mansoni em

órgãos urinários são bem documentados, embora raros e mais frequentes no Egito por sua alta

endemicidade de infecções esquistossomóticas (Alexis & Domingo, 1986). Estudos já

demonstraram a presença de ovos na parede da bexiga e na próstata em pacientes com câncer.

E na maioria das vezes favorece o desenvolvimento de neoplasias (Lambertucci, Voieta &

Barbosa, 2006; Cohen, Edgar & Cooper, 1995; Godec, Grunberger & George, 1992; Alexis &

Domingo, 1986; Radstake & Collenteur, 1973).

Lopes, Santos e Martins (2006) relataram um caso de pseudoneoplasia em um

paciente masculino, 36 anos, residente em Irajá, Bahia. O paciente foi admitido após apresentar

um quadro de hematúria macroscópica total associada a disúria terminal. Através do exame de

ultrassonografia vesical foi sugerido diagnóstico de neoplasia vesical. A citoscopia revelou a

presença de tumor exofítico localizado na parede anterior da bexiga, recoberto por coágulos,

sendo assim bastante sugestivo de neoplasia. Entretanto, com a biópsia da lesão foi

diagnosticado esquistossomose mansônica e confirmado por exame anatomopatológico.


26

Posteriormente, o procedimento de ressecção transuretral profunda da lesão foi realizado que

confirmou presença de granulomas esquistossomóticos com ovos viáveis de S. mansoni. O

paciente obteve tratamento farmacológico com oxamniquine e não apresentou novas alterações

vesicais e prossegue assintomático (Lopes, Santos & Martins, 2006).

Casella et al. (2009) relataram um caso de uma paciente de 48 anos de idade oriunda

de uma área endêmica de esquistossomose no Brasil. A paciente deu entrada no hospital com

dores abdominais, hematúria macroscópica, poliúria e disúria. Nos exames físicos foi

identificado uma massa palpável na região pélvica. O ultrassom mostrou uma lesão percorrendo

quase toda a bexiga. A citoscopia e biópsia revelou uma massa de 8 cm de diâmetro na qual foi

observado cistite crônica por ovos viáveis de S. mansoni. Através de uma avaliação

microscópica da lesão foi comprovado um processo inflamatório granulomatoso crônico com

ovos de S. mansoni (Casella et al., 2009).

O quinto caso de associação de adenocarcinoma e esquistossomose foi encontrado

no Brasil em 2002. Basílio-de-Oliveira e colaboradores (2002) relataram um paciente carioca

branco de 68 anos diagnosticado com adenocarcinoma prostático durante o exame retal de

rotina. O exame apresentou um pequeno nódulo bem definido no lóbulo esquerdo superior. O

exame laboratorial mostrou valores de PSA de 9,2 mg/dL. A biópsia transretal completou o

diagnóstico de adenocarcinoma prostático e infecção esquistossomótica mansoni. Foi

necessário realizar prostatectomia total. Após o exame histopatológico, foi comprovado a

presença de ovos de Schistosoma mansoni (Basílio-de-Oliveira et al., 2002).

Os pulmões podem ser acometidos pela migração anormal de ovos do sistema porta

para o sistema arterial pulmonar e, ainda, mas menos comum, por migrações ectópicas de

vermes adultos. O comprometimento do parênquima pulmonar é caracterizado principalmente

pela formação de reação inflamatória granulomatosa aos ovos do S. mansoni. Embora raras, as

lesões desenvolvidas por vermes mortos são caracterizadas por zonas de necrose circundadas
27

por exsudato intenso, que são usualmente reabsorvidos e envolvidos por tecido cicatricial

(Oliveira et al., 2009).

Os autores Oliveira et al. (2009) realizaram um relato de caso, em que a paciente

tinha esquistossomose ectópica pulmonar simulando neoplasia: Paciente feminino de 25 anos,

moradora de região endêmica de esquistossomose foi encaminhada para cirurgia torácica com

disfagia, emagrecimento e dispneia a esforços maiores que habituais. O exame histopatológico

apresentava pleura espessada e fibrosada, parênquima pulmonar com fibrose e presença de

vários granulomas com ovos de S. mansoni e ausência de lesões sugestivas de neoplasia. Ainda

é destacado a presença de ovos cercados de reação celular constituída por histiócitos,

eosinófilos e fibroblastos. As formas pseudoneoplásicas da esquistossomose representam uma

resposta anormal e incomum aos ovos do parasita. Nesses casos, ocorre formações hiperplásicas

do tecido conjuntivo e se desenvolvem ao redor das formações granulomatosas como forma de

reação do hospedeiro (Oliveira et al., 2009).

O carcinoma hepatocelular é uma das causas mais comuns de câncer no mundo.

Acredita-se que seja a causa de cerca de 90% de todos os tumores hepáticos primários. Os

estudos recentes demonstram que 70 a 90% dos indivíduos com cirrose hepática e hepatite

crônica apresentam infecção de esquistossomose ou hepatite C (Strickland, 2006). A

esquistossomose mansônica pode iniciar ou propiciar a neoplasia hepática por reação

inflamatória granulomatosa crônica que pode bloquear as veias, aumentar a divisão celular e

promover a produção de radicais livres ou através de mutação no gene P53 (Liu et al., 2002).

El-Tonsy e colaboradores (2013) realizaram um estudo que demonstrava a

esquistossomose mansônica como fator de risco para o desenvolvimento de neoplasia e

concluíram que o Schistosoma mansoni acelera as alterações displásicas hepáticas, fazendo com

que o câncer apareça precocemente e com uma natureza mais agressiva em comparação com

indivíduos sadios (El-Tonsy et al., 2013).


28

3.2. Leishmaniose

As leishmanioses são um grupo de doenças causadas por protozoários flagelados

do gênero Leishmania transmitidas pela picada de flebotomíneos, na qual podem variar de

úlceras localizadas a doença sistêmica. O gênero Leishmania agrupa mais de 20 espécies de

protozoários unicelulares, digenéticos, encontradas nas formas promastígotas e amastigotas

(Blum-Domínguez et al., 2017).

A leishmaniose pode se apresentar de duas formas principais: visceral (a forma mais

séria da doença) e tegumentar (na forma cutânea ou mucocutânea). A doença afeta com mais

frequência, as pessoas mais pobres e está associada à desnutrição, moradia, sistema

imunológico do indivíduo e a condições sociais e econômicas. A leishmaniose também está

associada a mudanças ambientais como o desmatamento, construção de barragens, sistemas de

irrigação e a urbanização. Estima-se que sejam diagnosticados 1 milhão de novos casos de

leishmanioses no mundo por ano (WHO, 2017f).

A principal forma de transmissão do parasita para o homem e outros hospedeiros

mamíferos é através da picada de fêmeas de dípteros da família Psychodidae, Gênero

Lutzomyia, conhecidos popularmente como mosquito palha (Gontijo & Melo, 2004). Os cães

são os principais reservatórios domésticos de Leishmania, sendo o principal responsável pela

manutenção desse agente na área urbana. Os cães infectados, especialmente os assintomáticos,

são potenciais fontes de infecções para o vetor (Almeida, Mendonça & Sousa, 2010).

O entendimento da epidemiologia canina é essencial para o planejamento do

controle de infecção humana e canina. Para isso, é importante saber a intensidade de

transmissão entre os cães, a proporção dos cães em áreas de risco e a diferenciação entre os

cães infectados e sadios para permitir o controle dos animais infectados (Quinnell & Courtenay,

2009).
29

O ciclo biológico pode ser descrito da seguinte forma: A partir da ingestão da forma

amastigota pelas fêmeas do mosquito durante o repasto sanguíneo. Esses insetos possuem o

aparelho bucal curto e rígido que é capaz de dilacerar tecidos e vasos sanguíneos do hospedeiro,

o que proporciona um misto de sangue, linfa e restos celulares durante a telmatofagia, que são

importantes para a ingestão das formas infectantes. No hospedeiro invertebrado, o parasito se

prolifera por fissão binária no intestino do inseto e se transforma em flagelado-promastígota

metacíclica e que será introduzido através da picada. Ao ser introduzido no hospedeiro

vertebrado, a forma promastígota é englobada por histiócitos: dentro deles, os protozoários

perdem o flagelo e sofrem fissão binária, originando formas amastigotas nos fagolisossomos da

célula hospedeira, onde alguns são liberados para infectar outras células, e outros juntamente

com os histiócitos são ingeridos por insetos através da picada (Silva, 2007; Pocai et al., 1998).

A leishmaniose constitui-se um grave problema de saúde pública no mundo e

também um importante problema veterinário (Quinnell & Courtenay, 2009). De acordo com a

OMS, mais de um bilhão de pessoas estão vivendo em áreas endêmicas de risco de infecção.

Estima-se que ocorra de 700.000 a 1.000.000 de novos casos por ano e que 20.000 a 30.000

casos irão ao óbito anualmente. A leishmaniose é frequentemente encontrada em pacientes em

estados imunossuprimidos por HIV, transplantes de órgãos, tumores e pacientes que fazem

quimioterapia (WHO, 2017f).

A Leishmaniose Visceral (LV) é popularmente chamada de calazar, é uma zoonose

que acomete os humanos, canídeos domésticos e animais silvestre, cuja a apresentação clínica

varia de formas assintomáticas até o quadro clássico da parasitose. Se deixada sem tratamento,

a doença é fatal em 95% dos casos dentro de 2 anos após o início da doença. O quadro clássico

da parasitose é evidenciado pela presença de febre, anemia, hepatoesplenomegalia, tosse seca,

leucopenia e hipergamaglobulinemia. Com a progressão da doença, outras manifestações

clinicas se desenvolvem, em especial a diarreia, icterícia, vômito e o edema periférico. Esses


30

sintomas dificultam o diagnóstico diferencial com outras patologias, retardando sua

identificação (Oliveira et al., 2010). As espécies causadoras são pertencentes ao complexo

Leishmania donovani. No Brasil, o agente etiológico encontrado é a Leishmania chagasi,

espécie semelhante a L. infantum encontrada no Mediterrâneo e da Ásia (Gontijo & Melo,

2004).

A LV é uma doença de preocupação mundial, pois é uma doença crônica grave que

afeta mais de 300.000 pessoas anualmente, sendo responsável por 20 mil mortes anualmente.

Estima-se que sejam diagnosticados 50 a 90 mil casos por ano em todo o mundo. A OMS afirma

que 90% dos novos casos reportados em 2015 estão localizados em 7 países: Brasil, Etiópia,

Índia, Quênia, Somália, Sudão e no Sudão do Sul (WHO, 2017f).

No Brasil, a LV apresenta ampla distribuição geográfica, além de possuir alta

letalidade, quando não iniciado o tratamento adequado em tempo hábil (Dantas-Torres &

Brandao-Filho, 2006). Como pode ser visto na Tabela 2, o período de 2010 a 2015 houve 22.044

casos novos confirmados no país, sendo 3.770 de casos apenas em 2015 (DATASUS, 2017b).

A pouca iniciativa de campanhas de combate ao vetor e medidas de profilaxia, a escassez de

recursos e a atual falta de infraestrutura dos serviços de saúde, em especial no que concerne ao

diagnóstico da infecção por Leishmania, na população canina e humana, tornam as atuais

medidas de controle pouco efetivas.

Tabela 2. Casos de Leishmaniose Visceral no Brasil nos anos de 2010 a 2015.


Ano Casos novos População Total Incidência (100.000
confirmados Estimada² habitantes)
(Visceral) ¹
2015 3770 204450649 1,843965778
2014 3731 202768562 1,840028831
2013 3470 201032714 1,726087228
2012 3267 193946886 1,684481802
2011 4105 192379287 2,1338056
2010 3701 190732694³ 1,940411957
Total 22044
Fonte: ¹ Ministério da Saúde/SVS – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan Net
(DATASUS, 2017b). ² IBGE. Diretoria de Pesquisas – DPE – Coordenação de População e Indicadores
Sociais (IBGE, 2017). ³ IBGE, Censo demográfico 2010 (IBGE, 2010).
31

A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma enfermidade infecciosa, não

contagiosa, que acomete pele e mucosas e apresenta uma cadeia complexa de transmissão,

estando sujeita em uma mesma região a diversos determinantes tais como: desequilíbrio

ecológico produzido pela invasão do homem aos nichos naturais da doença, variações sazonais

e a susceptibilidade da população (Dourado et al., 1989).

Na América, são reconhecidas onze espécies dermotrópicas de Leishmania

causadoras de doença humana e oito espécies somente em animais. No Brasil já foram

identificadas 7 espécies, sendo seis do subgênero Viannia e uma do subgênero Leishmania. As

três principais são L. braziliensis, L. guyanensis, L. amazonensis, e mais recentemente as

espécies L. lainsoni, L. naiffi, L. lindenberg, L. shawi foram identificadas em estados da região

Norte e Nordeste (Brasil, 2007).

A LTA no Brasil até a 1940 estava intimamente relacionada com a penetração do

homem em zonas de florestas em desbravamento, pois a derrubada de mata para o plantio, a

construção de estradas, ferrovias, hidrelétricas e a implantação de povoados favoreciam o

contato do homem com os reservatórios e vetores. Na região amazônica, ainda hoje observa-se

o padrão epidemiológico de transmissão no ciclo silvestre (Lima et al., 2002).

A leishmaniose cutânea é a forma mais comum de leishmaniose e provoca lesões

na pele, principalmente úlceras, em locais exposto do corpo, nas quais deixam cicatrizes

permanentes e deficiências graves. Cerca de 95% dos casos ocorrem na América, no

mediterrâneo, Oriente Médio e na Ásia, sendo a maior parte nos países Afeganistão, Argélia,

Brasil, Colômbia, Irã e Síria. Estima-se que um milhão de novos casos ocorram mundialmente

por ano. A leishmaniose mucocutânea é compreendida como a destruição parcial ou total da

membrana da mucosa do nariz, boca e garganta. Cerca de 90% dos casos ocorrem no Brasil,

Bolívia, Etiópia e Peru (WHO, 2017f).


32

A LTA é uma doença endêmica em vários estados brasileiros, somando 134.571 de

casos confirmados entre 2010 e 2015. A incidência e o número de casos por ano no Brasil

podem ser vistos através da Tabela 3 (DATASUS, 2017c). A LTA é uma doença que preocupa

os órgãos responsáveis pela saúde, principalmente pela possibilidade do desenvolvimento de

lesões mutilantes envolvendo a mucosa nasal, bucal e faríngea. Em áreas endêmicas, o

diagnóstico de LTA na maioria das vezes é clinico e sujeito a erros que podem ser reduzidos

com auxílio de métodos parasitológicos e imunológicos (Silveira et al., 1999). Atualmente, é

adotado um programa de controle da leishmaniose centrado nas seguintes medidas: diminuir a

densidade populacional do vetor, identificação e o sacrifício dos cães infectados, e o tratamento

das pessoas doentes (Alves & Bevilacqua, 2004).

Tabela 3. Casos de Leishmaniose Tegumentar Americana no Brasil nos anos de 2010 a 2015.
Ano Casos confirmados População Total Incidência Americana (100.000
(Americana) ¹ Estimada² habitantes)
2015 21161 204450649 10,35017502
2014 21959 202768562 10,82958807
2013 19652 201032714 9,775523401
2012 25252 193946886 13,02005952
2011 23054 192379287 11,98361859
2010 23493 190732694³ 12,31723807
Total 134571
Fonte: ¹ Ministério da Saúde/SVS – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan Net
(DATASUS, 2017c). ² IBGE. Diretoria de Pesquisas – DPE – Coordenação de População e Indicadores
Sociais (IBGE, 2017). ³ IBGE, Censo demográfico 2010 (IBGE, 2010).

Foi encontrado quatro tipos de associação entre a leishmaniose e as doenças

malignas: leishmaniose manifestando como neoplasias, leishmaniose desenvolvendo como

difícil diagnóstico e tratamento de infecção entre pacientes recebendo quimioterapia para

neoplasias, diagnostico simultâneo de câncer e leishmaniose no mesmo tecido, e o

envolvimento direto de Leishmania com a patogenia da neoplasia. Na literatura, já se encontram

relatos de leishmaniose desenvolvendo diversos tipos de neoplasias, como linfomas, tumores

na laringe e a síndrome mielodisplásica. Também tem sido encontrado a associação entre

Leishmaniose cutânea e carcinomas, no qual vem sendo avaliado como fator de risco para o
33

câncer (Kopterides et al., 2007; Friedman, Hanson & Goldberg, 2003; Kargi et al., 2001;

Morsy, Mangoud & al Seghayer, 1992; Suster & Ronnen, 1988).

Já foi observado em pacientes infectados com leishmaniose que a quantidade de

lesões endógenas do DNA leucocitário mononuclear e os níveis de plasma de dialdeído

malônico e peróxido total são maiores do que nos pacientes saudáveis. O dano oxidativo ao

DNA é de grande importância devido ao reconhecimento de que tais danos podem iniciar e

promover a carcinogênese. Os reativos nitrogenados e oxidativos produzidos pelo organismo

como uma estratégia de defesa podem aumentar as atividades dos antimoniais. Contudo, esses

intermédios não apenas causam a morte do parasita, como também provocam danos ao DNA

das células adjacentes, propiciando o desenvolvimento de câncer (Kocyigit et al., 2005).

Somente onze relatos de leishmaniose canina associada a tumores de diferentes

origens histogenéticas foram encontrados, sendo quatro casos de associação com linfomas, três

com tumor venéreo transmissível, três com hemangiossarcomas, um com carcinoma

epidermoide e um com adenoma adrenocortical. A associação de leishmaniose e câncer em

humanos também é bem evidenciada na literatura (Foglia Manzillo et al., 2008; Ferro et al.,

2013; Peixoto et al., 2016).

Em 1979, foi relatado um caso de um estudante de engenharia de 22 anos que foi

admitido no hospital para investigar febre de cinco meses de duração. Após dificuldade de

diagnóstico e entre altas do paciente, foi confirmado o diagnóstico de LV. Também foi

encontrado histiocitose maligna, confirmada por exame histológico do baço e dos linfonodos.

Na aspiração de medula óssea foi encontrado culturas de formas flageladas do parasita (Matzner

et al., 1979).

O carcinoma de células basais se desenvolvendo em uma cicatriz de Leishmania já

foi documentado (Suster & Ronnen, 1988), contudo, Friedman e colaboradores (2003)

relataram o primeiro caso relatado de carcinoma celular escamoso surgindo em uma cicatriz de
34

lesão de leishmaniose após 59 anos. A paciente de 62 anos de idade apresentava uma lesão

cariótica de 1 cm na bochecha direita decorrente de uma cicatriz de leishmaniose cutânea

contraída aos três anos de idade. A biópsia da área revelou envolvimento epidérmico de

espessura total por queratinócitos pleomórficos que mostram uma perda de maturação normal

e polaridade consistente com carcinoma de células escamosas. O carcinoma foi excisado por

procedimento cirúrgico. Os autores descrevem que a ocorrência não é frequente, mas é bem

conhecida. As complicações da leishmaniose cutânea são raras, mas podem incluir a linfadenite,

neurites e lesões irreversíveis quando a espécie invade a mucosa (Friedman, Hanson &

Goldberg, 2003).

As lesões auriculares por Leishmania são raras e pouco descritas no mundo. Sabri

e colaboradores (2009), relataram um caso de leishmaniose na região auricular que se

apresentava como um carcinoma. Um paciente de 73 anos de idade apresentava uma lesão com

ulcera e eritematosa na aurícula esquerda há dois meses de duração. No exame físico foi

observado um nódulo linfático submandibular duro e palpável. A primeira impressão era que

se tratava de um processo neoplásico ou infeccioso. Ao realizar a biópsia, o resultado

apresentou patologia consistente com processo granulomatoso crônico com presença de formas

de Leishmania (Sabri et al., 2009).

Em junho de 2005, um paciente de 15 anos de idade apresentava perda de peso,

febre e linfadenopatias cervical e axilar. Realizou-se a biópsia de um linfonodo cervical que

mostrou evidência de Linfoma de Hodgkin do tipo linfócito predominante. Não havia

evidências de envolvimento linfomatoso na medula óssea. O paciente recebeu tratamento

quimioterapêutico e após um ano houve a recaída em um linfonodo cervical. O paciente foi

novamente tratado e encaminhado para transplantes de células tronco. Ao realizar o exame

físico foi detectado um linfonodo submandibular de 3 cm. O exame de sangue mostrou

pancitopenia. Na biópsia do linfonodo submandibular foi encontrado evidências consistentes


35

com o diagnóstico de Linfoma de Hodgkin do tipo linfócito predominante, além de ser

observado a presença de numerosas formas infectantes de Leishmania donovani. A biópsia

mostrou hipocelularidade e múltiplos corpos de L. donovani, e sem infiltração linfomatosa

(Domingues & Menezes, 2009).

Um paciente diabético e hipertenso de 42 anos de idade com histórico de um mês

com uma lesão ulcerada, purulenta na aurícula esquerda. Na admissão no hospital foi notado

múltiplas lesões com crostas, dolorosas e duras nas margens e, algumas estavam ulceradas. No

exame de ouvido, houve assimetria significativa e infiltração no ouvido, cujo aparência sugeria

processo neoplásico. Através da biópsia foi diagnosticado carcinoma de células escamosas. A

presença de leishmaniose nas lesões foi confirmada pelo exame de esfregaço direto (Khorsandi-

Ashtiani et al., 2009).

O carcinoma de células basais desenvolvido em uma cicatriz de Leishmania tem

sido documentado. Em 2011 foi relatado o único e, assim, atualmente considerado primeiro

caso de Leishmania donovani chagasi identificado em uma biópsia de carcinoma de células

escamosas na conjuntiva bulbar em um paciente HIV positivo. O paciente de 39 anos, HIV

positivo estava com perda de visão, epífora, e dor no olho direito por 18 meses, não tinha febre,

suor ou sintomas de gripe. Através de uma biópsia excisional, foi confirmado a presença de

Leishmaniose donovani chagasi. A tomografia de emissão de pósitron mostrou aumento da

conjuntiva lateral direita, fígado, baço, axilas, mediastino, mesentérico pelve e linfonodos

cervicais. A tomografia computadorizada do abdome, revelou hepatomegalia (Bielory et al.,

2011).

Peixoto et al. (2016), descreveram pela primeira vez uma neoplasia cardíaca

associada à infecção por Leishmania sp., em um caso raro de linfoma cardíaco primário de

células T em cão (Peixoto et al., 2016).


36

Rodrigues e colaboradores (2016) relataram um caso canino de linfoma nasal

associado à leishmaniose. O animal foi submetido a diversos exames, no qual a avaliação

citológica dos gânglios linfáticos evidenciou a presença de formas amastigotas de Leishmania

spp. A citologia da tumoração nasal exibiu padrões morfológicos indicativo de linfomas.

Embora exista relatos que associam a infecção com a neoplasia, o autor acredita que o linfoma

deixou o paciente mais susceptível a infecção pela leishmaniose em virtude da imunodepressão

induzida pelo linfoma (Rodrigues et al., 2016).

Kumar et al. (2016) realizaram um relato de uma rara associação entre LV e a

doença de Hodgkin. O paciente de 18 anos entrou com história de febre, inchaços múltiplos no

lado esquerdo do pescoço nos últimos oito meses. A febre era moderada a alta, intermitente e

estava associada com inchaço sem quaisquer calafrios ou rigidez. Além disso, o paciente afirma

o aumento dos inchaços no lado esquerdo do pescoço, sem dor e também sem alterações na

pele. Através da aspiração na medula óssea e do teste sorológico, foi confirmado infecção por

Leishmania. Também foi confirmado, através da biopsia, o diagnóstico de doença de Hodgkin.

Os autores denominaram a associação como coexistência patológica excepcional (Kumar et al.,

2016).

No México foi relatado neoplasia maligna epidermoide associada a infecção por

Leishmania. O paciente de 52 anos de idade acusou, ao Hospital de Especialidades, possuir

diagnóstico de câncer epidermoide em uma lesão ulcerada no rosto, referindo que foi tratada há

3 anos como herpes. No tratamento, o paciente não apresentava sinais de melhora, pois

observou-se crescimento e ulceração da lesão. Há três meses apresentou lesões nodulares

dermatológicas disseminadas. Ao realizar uma biópsia de um nódulo na região periumbilical

foi revelado a presença de abundantes macrófagos invadidos por numerosos amastigotas.

Também foi obtido a biópsia da lesão ulcerada, onde se confirmou o diagnóstico de neoplasia

maligna epidermoide com invasão dérmica e do tecido subcutâneo, coexistindo com células
37

parasitadas. Nos exames complementares foi observado: linfomegalias, hepatomegalia,

trombocitopenia e leucopenia. Posteriormente foi coletado a biópsia do gânglio linfático

retroauricular e da medula óssea, cujas amostras apresentaram micro-organismos redondos ou

ovoides com núcleo central e cinetoplasto (amastigotas), confirmando o diagnóstico de

Leishmaniose mexicana. Os autores enfatizaram que esse era o primeiro caso de Leishmaniose

cutânea e visceral concomitante associada a câncer epidermoide (Blum-Domínguez, 2017).

3.3. Malária

Os parasitos causadores de malária pertencem ao gênero Plasmodium. Atualmente

são conhecidas cerca de 150 espécies causadoras de malária em diferentes hospedeiros.

Entretanto, apenas quatro parasitam exclusivamente os humanos: P. falciparum, P. vivax, P.

malariae e P. ovale. No Brasil, existem três espécies de Plasmodium causadores: P. falciparum,

P. vivax e P. malariae, sendo o P. falciparum o mais perigoso por provocar a forma mais grave

da doença (forma cerebral) que quase sempre leva o indivíduo à morte. Essa forma da doença

é caracterizada por provocar febre intermitentes, dores de cabeça, dores no corpo, icterícia,

anemia e inchaço do baço e fígado (França, Santos & Figueroa-Villar, 2007; Brasil, 2003).

O Plasmodium apresenta ciclo heteróxeno, pois o parasita necessita de um

hospedeiro vertebrado e outro hospedeiro invertebrado para se desenvolver. O mosquito fêmea

do gênero Anopheles é o agente transmissor. A fêmea necessita de sangue para desenvolver os

ovos, conseguindo seu alimento através de diversos hospedeiros vertebrados. O ciclo biológico

da malária pode ser dividido em duas etapas: o ciclo assexuado, no qual ocorre no hospedeiro

vertebrado, e o ciclo sexuado, que se processa no organismo do mosquito. Os mosquitos

ingerem os gametócitos do Plasmodium durante o repasto sanguíneo em um hospedeiro

vertebrado infectado e os gametócitos, através do ciclo sexuado, irão evoluir para a sua forma

infectante ao homem (esporozoítos), onde serão disseminados pelo corpo do mosquito até
38

atingirem as glândulas salivares (George et al., 2014; Nogueira & Rosário, 2010; Paraense,

1944).

O ciclo assexuado inicia-se com a inoculação de formas esporozoítas no sangue do

hospedeiro através da picada do mosquito do gênero Anopheles. Em um curto intervalo de

tempo, o parasita é capaz de entrar em diversas células sem se desenvolver, e dessa forma migra

pelo organismo até a sua chegada ao fígado, onde irá infectar os hepatócitos. Ao infectar o

hepatócito irá ocorrer a formação de um vacúolo parasitóforo. Ao invadirem os hepatócitos, os

esporozoítos se diferenciam em trofozoítos e entram na fase exoeritrocítica, nessa fase ocorre

diferenciação e intensa multiplicação assexuada, que dará origem a numerosos merozoítos após

a ruptura do hepatócito. Cada merozoíto irá invadir um eritrócito e passarão por mais uma etapa

de multiplicação produzindo de 12 a 16 merozoítos. Após algumas gerações de merozoítos,

ocorre a diferenciação para macrogametócitos e microgametócitos, que não mais se dividem e

que seguirão o seu desenvolvimento no mosquito vetor, após a fêmea do mosquito se alimentar

de um hospedeiro infectado (George et al., 2014; Nogueira & Rosário, 2010; França, Santos &

Figueroa-Villar, 2008; Paraense, 1944).

Mesmo com os avanços no tratamento, na profilaxia e no controle, a malária ainda

representa um grave problema de saúde pública para o mundo, permanecendo como a parasitose

de maior impacto no planeta, figurando como a quinta maior causa de morte no mundo. A

evolução clínica possui diferentes possibilidades, podendo ser caracterizada por distúrbios em

múltiplos órgãos e sistemas – tais como a acidose metabólica, o acometimento do sistema

nervoso central, anemia grave, choque, coagulação intravascular disseminada, distúrbio

hepático, hipoglicemia e insuficiência renal (Siqueira-Batista et al., 2012). Atualmente,

observa-se que o parasita e o mosquito estão desenvolvendo resistência as drogas e repelentes,

podendo gerar dificuldade no controle da doença (Limudomporn et al., 2016).


39

Estima-se que 3,2 bilhões de pessoas estão em zonas de risco de transmissão

(Limudomporn et al., 2016). De acordo com a OMS, a malária está presente em 91 países, onde

foram diagnosticados 212 milhões de novos casos em 2015, sendo responsável por cerca de

429.000 mortes no mundo. Quase todos os diagnósticos e mortes ocorrem na região Africana.

A malária pode ser prevenida e tratada, e os maiores esforços estão reduzindo dramaticamente

a carga da malária em muitos lugares. Entre 2010 e 2015, a incidência mundial caiu 21% e a

mortalidade mundial diminuiu em 29% (WHO, 2017g).

No Brasil, foram notificados 4.789 casos confirmados no período de 2010 a 2015.

Desde 2010, o número de casos diminuiu cerca de 75% e concentra-se na região norte,

principalmente no estado do Amazonas. Como pode ser observado na Tabela 4, observa-se

também que ocorreu a diminuição da incidência no Brasil. A diminuição de casos está

relacionada com o maior grau de escolaridade, combate ao vetor e o ingresso e criação de

programas para o combate e erradicação da malária (DATASUS, 2017d).

Tabela 4. Casos de Malária no Brasil nos anos de 2010 a 2015.


Ano Casos novos População Total Incidência (1.000.000
confirmados¹ Estimada² habitantes)
2015 313 204450649 1,5309318
2014 539 202768562 2,658203001
2013 787 201032714 3,91478573
2012 911 193946886 4,697162294
2011 1007 192379287 5,234451254
2010 1232 190732694³ 6,459301623
Total 4789
Fonte: ¹ Ministério da Saúde/SVS – Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan Net
(DATASUS, 2017a). ² IBGE. Diretoria de Pesquisas – DPE – Coordenação de População e Indicadores
Sociais (IBGE, 2017). ³ IBGE, Censo demográfico 2010 (IBGE, 2010).

Em 2003, a Fundação Nacional de Saúde implantou o programa Nacional de

Controle da Malária (PNCM), o programa tem como objetivo reduzir a incidência e gravidade

da malária e, consequentemente, o número de internações e óbitos resultantes, e manter a

ausência da transmissão nos municípios onde ela já tiver sido interrompida. O PNCM é

alicerçado no apoio à estruturação dos serviços locais de saúde, diagnóstico e tratamento,


40

fortalecimento da vigilância da malária, capacitação de recursos humanos, educação em saúde,

comunicação e mobilização social, controle seletivo de vetores, monitoramento e a

sustentabilidade política. Além disso, o Brasil é integrante da Rede Amazônica de Vigilância

da Resistência aos Antimaláricos (RAVREDA). A rede foi formada com o objetivo de

monitorar a resistência dos plasmódios aos antimaláricos e promover a mudança de política dos

medicamentos quando necessário. Com o passar dos anos, foi incluído a melhoria do acesso ao

diagnóstico e tratamento e melhoria da vigilância entomológica e manejo de vetores (Brasil,

2017).

Para enfrentar os desafios remanescentes da doença, foi desenvolvido o programa

de Estratégia Técnica Global para a Malária. O programa fornece um quadro técnico para todos

os países endêmicos enquanto trabalham no sentido do controle e da eliminação da

enfermidade. A estratégia estabelece metas ambiciosas para serem atingidas para 2030. Os

marcos incluem reduzir a incidência de casos e mortalidade em 40%, eliminar a malária em

pelo menos 10 países e impedir um ressurgimento da malária em todos os países livres. O

progresso em direção a eliminação do país está no bom caminho: 10 países e áreas endêmicas

relataram menos de 150 casos de malária adquiridos localmente. Outros 9 países relataram entre

150 a 1.000 casos de malária. No entanto, o progresso dessa estratégia deve ser acelerado, pois

menos da metade dos países estão conseguindo cumprir os objetivos (WHO, 2016b).

Em abril de 2017 foi anunciado que os países Gana, Quénia e Malawi irão participar

do programa piloto de implementação coordenado pela OMS que disponibilizará a primeira

vacina contra a malária no mundo a partir de 2018. A vacina injetável foi desenvolvida para

proteger as crianças pequenas contra a forma mais mortal de malária causada pela espécie

Plasmodium falciparum. A vacina será avaliada no programa piloto como uma ferramenta

complementar de controle da malária que poderia potencialmente ser adicionada ao pacote

básico de medidas recomendadas pela OMS para a prevenção de infecção por Plasmodium. O
41

programa piloto irá avaliar se o efeito protetor da vacina em crianças de 5 a 17 meses de idade

durante os testes da Fase Ⅲ pode ser replicado na vida real. Especificamente, irá avaliar a

viabilidade de se fornecer as quatro doses necessárias para fornecer o papel potencial da vacina

na redução de mortes na infância e a sua segurança terapêutica (WHO, 2017h).

A maioria dos estudos que buscam uma conexão entre o câncer e a malária focam

na espécie P. falciparum, pois é a que causa as formas mais graves. Devido a esses estudos, o

Plasmodium falciparum já é considerado pelo IARC como carcinogênico do grupo 2A, pois

ainda não existem evidências suficientes para classifica-lo como agente carcinogênico (IARC,

2014).

Na literatura, encontram-se estudos que demonstram a malária associada ao

surgimento de linfomas (Tavani et al., 2000; Vineis et al., 2000; Ross et al., 1982),

principalmente o Linfoma de Burkitt (Mutalima et al., 2008), sarcoma de Kaposi (Nascimento,

2014; Cottoni et al., 2006; Serraino et al., 2003; Ascoli et al., 2001), câncer de próstata (Elson

et al., 2011; Thomas, 2005), câncer de fígado (Lu et al., 1988), câncer de colo de útero (Odida,

Schmauz & Lwanga, 2002) e carcinoma nasofaríngeo ( Chen et al., 1990).

A malária pode provocar um estado de imunossupressão crônica, mas também pode

aumentar a formação de reativos oxigenados, causando danos as moléculas de DNA (Vineis et

al., 2000).

Rainey e colaboradores (2007) examinaram dados coletados de casos de Linfoma

de Burkitt no Quênia de 1988 a 1997 relacionado com zonas endêmicas e não endêmicas de

malária. No estudo foi observado que as regiões endêmicas apresentaram maior incidência para

o Linfoma de Burkitt. O estudo demonstrou odds radio de 3,47 para o Linfoma de Burkitt em

regiões com transmissão de malária crônica e intensa em comparação com regiões com

transmissão não esporádica (Rainey et al., 2007).


42

Johnston et al. (2014) estudaram 303 casos de Linfoma de Burkitt do tipo endêmico

e 274 cânceres não relacionados a ele (controles), em Malawi. Foi revelado que os doentes com

Linfoma de Burkitt do tipo endêmico tinham uma maior prevalência e maior diversidade

genética de P. falciparum se comparados com os controles, 64,7% e 45,3%, respectivamente

(Johnston et al., 2014).

3.4. Teníase e cisticercose

Os cestoides encontrados parasitando seres humanos são pertencentes à família

Taenidae, na qual são destacadas as espécies Taenia Solium (encontrada nos suínos) e Taenia

saginata (encontrada nos bovinos). O complexo teníase-cisticercose constitui-se um grave

problema de saúde pública em locais que existam precárias condições sanitárias,

socioeconômicas e culturais que favorecem a transmissão (Falavigna-Guilherme et al., 2006;

Barbosa et al., 2000).

Além disso, causam prejuízos econômicos em áreas de produção de gado, pois as

carcaças infectadas são condenadas após o abate (Santos & Barros, 2009). Em 1990, foi

evidenciado que porcos naturalmente infectados com Taenia solium tem maior frequência de

alterações cromossômicas nos linfócitos (Flisser et al., 1990). Foi sugerido um possível papel

da cisticercose na indução de alterações no DNA das células hospedeiras (Herrera et al., 1999).

Mais tarde, foi encontrado uma maior frequência de mutações nos linfócitos em pacientes

diagnosticados com neurocesticercose (Montero et al., 1994).

A infecção humana ocorre pela ingestão de carne crua ou mal cozida de porco ou

boi infectado. Essa parasitose é frequentemente assintomática, levando quase sempre para uma

infecção crônica. O cisticerco ingerido sofre a ação do suco gástrico, invagina-se e se fixa, por

meio do escólex, na mucosa do intestino delgado, transformando-se em uma tênia adulta, que

pode atingir até oito metros em alguns meses. Após três meses da ingestão dos cisticercos,
43

inicia-se a eliminação das proglotes. Os seres humanos infectados, durante a defecação,

eliminam as proglotes grávidas cheias de ovos para o ambiente. Em um ambiente úmido e

protegido de luz intensa, os ovos possuem grande longevidade mantendo-se infectante por

meses. Um hospedeiro intermediário próprio ingere os ovos, que irão se desenvolver para

cisticercos em qualquer tecido mole, mas ocorre com maior frequência nos músculos de maior

oxigenação e movimentação, por exemplo, masseter, língua, coração e cérebro (Lam et al.,

2016; Takayanagui & Leite, 2001; Herrera et al., 1999).

A cisticercose humana é responsável por graves alterações nos tecidos e por grande

variedade de manifestações. É uma doença pleomórfica pela possibilidade de o cisticerco

alojar-se em diversos locais do organismo, como tecidos musculares ou subcutâneos; glândulas

mamárias; bulbo ocular e com maior incidência no SNC (Leal Filho et al., 2002).

A neurocesticercose é a doença parasitária mais comum no SNC e continua sendo

a causa mais comum de convulsões nos países em desenvolvimento (Paiva et al., 2015). Estima-

se que 75 milhões de pessoas na América Latina estejam em locais de risco de transmissão

(Kimura-Hayama et al, 2010). A prevalência em áreas endêmicas chega a 3% da população em

geral, possuindo incidência baixa no nordeste brasileiro e sendo mais frequente nas regiões sul,

sudeste e centro-oeste do país (Leal Filho et al., 2002). Além disso, ela tem sido associada com

maior prevalência de tumores intracranianos. A neurocesticercose consiste na migração

anormal e desenvolvimento de larvas para o cérebro ou tecido extraparenquimatoso. Embora

possa ser assintomática, as manifestações mais comuns são convulsões, dores de cabeça e

aumento da pressão intracraniana (Lam et al., 2016; Herrera, 1999; Del Brutto et al., 1997).

Em 1997, Del Brutto e colaboradores realizaram um estudo que determinava a

relação entre a infecção e o desenvolvimento de gliomas cerebrais. Nesse estudo, foram

escolhidos 43 pacientes com gliomas cerebrais, sendo que oito apresentam evidências de

neurocesticercose caracterizada por calcificações cerebrais parenquimatosas, e apresentando-


44

se de infecções antigas. Dos oito pacientes, seis apresentaram o tumor em volta das

calcificações. Os autores concluíram que a neurocesticercose é um fator de risco para o

aparecimento de tumores. Também foi sugerido que a reação inflamatória estimulada pelos

parasitas, podem induzir algumas células do hospedeiro a aumentar sua proliferação

provocando mutações (Del Brutto et al., 1997).

Em 1988, Villagran e Olvera realizaram uma revisão de 18 dados de autopsia com

crianças diagnosticadas com neurocesticercose do Instituto Nacional de Pediatria na cidade do

México, em que 22% dos casos estudados, os pacientes desenvolveram leucemia ou linfoma

(Villagrán & Olvera, 1988).

Também houve um grande estudo clinico e patológico, no Hospital Geral do

México, em 481 autopsias associadas a neurocesticercose. Nesse estudo foi encontrado,

neurocesticercose associado com neoplasmas malignos em 21% dos casos. A diferença

encontrada é bastante significativa entre os casos controle e pacientes com doenças

hematológicas malignas. As estatísticas analisadas pelos autores, indicaram uma associação

positiva entre ambos, pois as doenças hematológicas malignas foram mais frequentes nos casos

neurocesticercose. Os autores realizaram estudo clínico e histopatológico, no qual sugeriram

que todos os casos de cisticercose foram antes do diagnóstico de neoplasma e ainda

evidenciaram casos de infecção antiga de neurocesticercose, pois em todos os casos havia

calcificação ou hialinizado (Herrera et al., 1999).

Cavellani et al. (2013) realizaram um estudo descritivo de revisão de 2012 autopsias

feitas entre 1970 a 2006 no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triangulo Mineiro

em Uberaba, Brasil. Como resultado, observaram que o grupo de autopsias com neoplasia e

cisticercose, todas as neoplasias eram malignas. Enquanto que o grupo de neurocesticercose e

neoplasia, as neoplasias eram benignas. Através do cálculo de odds ratio, evidenciou-se que o

risco de desenvolver neoplasia por possuir ou ter tido cisticercose é 0,748. Na análise das
45

autopsias, 0,4% apresentaram ter cisticercose e um tipo de neoplasia e, 3,7% de pacientes vivem

com neurocesticercose e gliomas (Cavellani, 2013).

Em 2015, Paiva et al. realizaram um relato de caso de um homem de 59 anos com

massa cerebral tumoral composta por cisticercos. O homem relatava intensa dor de cabeça a

seis meses antes e paralisia branda duas semanas antes da consulta. Na entrada apresentou

disfasia e piramidalíssimos com signo de Babinski. A ressonância nuclear magnética do crânio

diagnosticou uma lesão heterogênea fronto-temporal. Baseando-se no diagnóstico de imagem,

concluíram ser neoplasia primaria cerebral. Ao retirarem o tumor cirurgicamente, observaram

ser uma lesão composta de cisticercos, no qual foi confirmado com exame histopatológico

(Paiva et al., 2015).

3.5 Toxoplasmose

A toxoplasmose foi descoberta há mais de 100 anos, quase ao mesmo tempo por

Nicolle e Manceux, na Tunísia, e por Splendore, no Brasil, em 1908. O parasita Toxoplasma

gondii foi encontrado primeiramente em animais, sendo que sua importância médica veio

apenas em 1939, quando o parasita foi identificado em tecidos de uma criança infectada

congenitamente em Nova York, EUA (Dubey & Jones, 2008; Kompallc-Cristo, Britto &

Fernandes, 2005; Dubey & Beattie, 1988; Wolf, Cowen & Paige, 1939).

A toxoplasmose é considerada uma zoonose de distribuição universal e a infecção

é muito frequente em várias espécies de animais, em mamíferos e aves. O gato e outros felídeos

são os hospedeiros definitivos e o ser humano e outros animais são hospedeiros intermediários.

Infelizmente, é de difícil diagnóstico, pois a maioria dos casos são assintomáticos nos diversos

hospedeiros (Dubey & Jones, 2008; Millar et al., 2008; Dubey & Beattie, 1988; Wolf, Cowen

& Paige, 1939).


46

Um dos maiores problemas da toxoplasmose é o desconhecimento das pessoas e,

principalmente, dos profissionais da saúde em relação aos verdadeiros mecanismos de

transmissão dessa doença. O ciclo biológico é bem compreendido desde os finais da década de

1960 e foi completado pela descoberta da fase sexual do parasita no intestino delgado do gato.

O T. gondii apresenta um ciclo heteróxeno, em que se desenvolve em duas fases distintas: (1)

fase assexuada: ocorre em vários tecidos de diversos hospedeiros e; (2) fase coccidiana: fase

que ocorre nas células do epitélio intestinal de gatos e outros felídeos (Dubey, 2008).

Na fase assexuada, o hospedeiro adquire o parasita após a ingestão de oocistos

maduros encontrados em alimentos ou água contaminada, bradizoitos ou taquizoitos

encontrados na carne crua ou entra em contato com taquizoitos eliminados na urina, leite ou

esperma, perdigotos e outros. As formas que chegarem ao estômago serão destruídas, mas as

que penetrarem na mucosa oral ou forem inaladas poderão evoluir. Cada bradizoito ou

taquizoito entrará em uma célula e se reproduzirá intensamente (fase proliferativa). Ao entrarem

nas células dos hospedeiros terá a formação dos vacúolos parasitóforos. Ao formar o vacúolo

parasitóforo, os taquizoitos irão realizar divisões sucessivas por endodiogenia, formando novos

taquizoitos que irão romper a célula hospedeira e liberar novos taquizoitos. Essa disseminação

do parasito no organismo se dá por taquizoitos livres na linfa, no sangue circulando, ou mesmo,

por taquizoitos parasitando leucócitos (Zhou et al., 2011).

A fase coccidiana, que ocorre exclusivamente no tecido intestinal de felídeos

(principalmente nos gatos) jovens não imunes. No início dessa fase, acontece uma fase

assexuada prévia por merogonia seguida por outra sexuada do parasito, sendo essa a

característica desses animais se tornarem os hospedeiros definitivos. Após a ingestão de cistos,

oocistos ou taquizoitos, os parasitas liberados no estômago, penetram nas células do epitélio

intestinal do gato, no qual irão sofrer um processo de multiplicação por merogonia, dando

origem a vários merozoítos. O rompimento da célula infectada libera novos merozoítos que
47

penetrarão em novas células e ocorrerá a diferenciação em masculino e feminino. A fecundação

do macrogameta pelo microgameta irá provocar a formação do ovo ou zigoto. O ovo evoluirá

dentro do epitélio, formando uma parede externa dupla que dará origem ao oocisto. A célula

hospedeira sofrerá rompimento, após alguns dias, liberando o oocisto ainda imaturo. Essa forma

irá alcançar o meio ambiente através das fezes. A sua maturação irá ser caracterizada por um

processo chamado de esporogonia, durante um a cinco dias. Os ovos imaturos são capazes de

se manter em viáveis sob condições adequadas por 18 meses. O gato jovem irá eliminar oocisto

por cerca de um mês (Dubey, 1998).

A infecção crônica por Toxoplasma gondii é uma das doenças parasitárias mais

prevalentes na população mundial, e aproximadamente um terço da população está

contaminada (Thirugnam et al., 2013). A toxoplasmose acomete milhões de pessoas no mundo.

Em diversos países, têm sido descritas soro-prevalências que variam de 15 a 85% na população

humana. Em crianças, a soro-prevalência é considerada baixa, aumentando com a idade e,

principalmente, com a exposição a mais fatores de risco durante o decorrer da vida. No Brasil,

estima-se que a soro-prevalência entre 50 a 80% (Kompallc-Cristo, Britto & Fernandes, 2005).

A Toxoplasmose gestacional e congênita foi incluída na Lista de Notificação

Compulsória em Unidades Sentinelas (LNCS) pelo MS, através da Portaria Nº 2472, Art. 6º,

de 2010 (Brasil, 2010b). A falta de um modelo de ficha de notificação específica para

toxoplasmose, padronizado pelo Ministério da Saúde, pode ter contribuído para sua não

inclusão, na Portaria Nº 1.984 (Brasil, 2014a) e Portaria Nº 1.271 (Brasil, 2014b) de 2014

(Capobiango et al., 2016). Em 2016, a Portaria Nº 204 tornou a notificação de toxoplasmose

gestacional e congênita obrigatória, sendo sua periodicidade de notificação semanal. Acredita-

se que é complicado determinar a soro-prevalência e valores epidemiológicos para a

toxoplasmose, pois esse agravo já esteve fora da lista de doenças de notificação compulsória.
48

Embora tenha retornado, o número de subnotificações possivelmente ainda é bastante elevado

(Brasil, 2016).

Em 2005 foi investigado a notificação de um caso de toxoplasmose adquirida em

uma bebê de dois meses de idade, ainda foi relatado familiares com sintomas compatíveis com

a doença. Durante a investigação foi encontrado dez pessoas infectadas por toxoplasmose

adquirida. Foi concluído que houve um surto intrafamiliar de toxoplasmose adquirida

sintomática com dez pessoas acometidas. Entre os adultos, foi observado que o consumo do

alimento embutido do tipo copa comercial3 esteve associado ao adoecimento por Toxoplasma.

Já entre as crianças lactentes afetadas pela doença, permitem sugerir que tenha havido

transmissão via leite materno, embora não tenha sido possível comprovar o fato (Brasil, 2006).

Nos últimos cinco anos, foram 2.435 casos confirmados de toxoplasmose em

Anápolis, dos quais 2.326 eram de toxoplasmose antiga. Em 2006 foi notificado a suspeita de

um surto de toxoplasmose em Anápolis, no qual foi identificado 26 pacientes que apresentavam

enfartamento ganglionar, mal-estar geral e febre, com sorologia positiva para a toxoplasmose.

Todos os pacientes diagnosticados no início da investigação participaram de uma festa de

confraternização de Natal na cidade em 2005, que reuniu cerca de mil convidados. Acreditou-

se que a provável forma de transmissão foi a ingestão de alimentos e bebidas servidos no evento.

As principais fontes de contaminação servidos na festa foram: quibe cru, boi no rolete e

vinagrete. Na busca ativa de prontuários foram encontrados 40 casos suspeitos de toxoplasmose

com vínculo epidemiológico relacionado à festa (Brasil, 2007).

O resultado divulgado no boletim epidemiológico de Anápolis, foi que nos

laboratórios públicos foram realizados 127 exames, com 29% (37 casos) de positividade, sendo

que todos esses indivíduos participaram da festa. Nos laboratórios particulares, foram

encontrados 26% dos exames feitos foram positivos para Toxoplasma, mas nenhum participou

3
A copa ou capocollo é um tipo de comida italiana fria preparado com carne suína. A copa é obtida de um corte
chamado sobrepaleta, é curada e deixada para defumar.
49

da confraternização. Foram avaliados os locais que forneceram alimentos para a festa, mas

apenas o local que vendeu o quibe cru possuía irregularidades. Foi concluído que ocorreu um

surto de toxoplasmose por fonte comum, com 61 casos confirmados laboratorialmente, sendo

duas gestantes. Os doentes se infectaram em uma festa e o fator de risco de adoecimento foi a

ingestão de quibe cru (Brasil, 2007).

Em 2012 foi divulgado um boletim epidemiológico informando a notificação e

investigação de oito casos agudos de toxoplasmose em Angra dos Reis. Em Angra dos Reis, a

toxoplasmose é de notificação compulsória desde o ano de 2002. Para verificar a existência do

surto, foram verificadas as notificações registradas no Sistema de informação de Agravos de

Notificação (Sinan) do município de Angra dos Reis no período de 2002 a 2009. Foram

identificados 25 casos na busca retrospectiva realizada em clínicas e laboratórios privados,

Sinan e Núcleo Descentralizado de Vigilância em Saúde, no período de 30 de março a 18 de

agosto de 2010 foram confirmados 31 casos de toxoplasmose (Brasil, 2012).

A investigação do boletim, apresentou que o total de 31 casos, 30 apresentaram

sinais clínicos mais comuns, sendo um com lesões irreversíveis. No boletim foi concluído que

houve um surto de toxoplasmose em Angra dos Reis, cujos sinais e sintomas clínicos

observados são semelhantes aos relatados, no qual as lesões oculares foram mais frequentes.

Poucos indivíduos amostrados relataram possuir felinos, porém a maioria relatou visualizar

gatos ou suas fezes no seu quintal, indicando uma dispersão de felinos não domiciliados na

região (Brasil, 2012).

Vários tipos de câncer têm como fator de risco infecções recorrentes, pois as

respostas defensivas de longo prazo do hospedeiro induzem inflamação, o que aumenta as taxas

de mutação (Fitzpatrick, 2011).

Segundo Thomas e colaboradores (2011), a incidência de câncer cerebral em adultos é

maior em locais onde há o Toxoplasma gondii. Como variante para a pesquisa, os autores
50

consideraram possíveis efeitos de gênero, riqueza e meio ambiente, incluindo sexo, uso do

celular e a latitude. Como resultado, observou-se que a variação na incidência de cânceres

cerebrais, entre as nações, aumentou com o PIB. Afirmando a hipótese de que as taxas de

detecção aumentam com a riqueza e/ou que o risco de tumor cerebral é maior de acordo com o

status socioeconômico (Laffertyn, 2006). A prevalência de toxoplasmose explicou 19% da

variância residual na incidência de câncer cerebral após controlar os efeitos positivos do

produto interno bruto e latitude entre as nações. A infecção por T. gondii foi associada a um

aumento de 1,8 vezes no risco de câncer de cérebro em toda a faixa de prevalência no conjunto

de dados (4-67%), indicando a possibilidade da correlação entre o parasita e o câncer cerebral

(Thomas et al., 2011).

Benson, Green e Beral (2012) associaram a posse de gatos com os casos de tumores

cerebrais, em mulheres britânicas, entre 2006 e 2007. Foram analisadas um total de 626.454

mulheres, onde 114.614 (18%) possuíam ao menos um gato. Como resultado, as mulheres que

viviam com gatos não tiveram uma incidência maior de câncer cerebral se comparado com as

que não possuíam gatos. Além disso, foram analisados outros tumores do sistema nervoso

central, levando também a resultados negativos. Porém, como conclusão, não descartaram a

possibilidade de que uma infecção por T. gondii, mesmo que por outra fonte de contágio, possa

estar associada à maior incidência de câncer cerebral (Benson, Green & Beral, 2012).

Em 2012, Vittecoq e colaboradores pesquisaram a relação entre a exposição ao parasita

T. gondii e as taxas de mortalidade por câncer cerebral na França, entre os anos de 1979 a 2007.

Para o estudo, levaram em consideração que, com o tempo, a exposição ao parasita tende a

aumentar, aumentando o risco do contágio. Verificou-se que houve uma correlação positiva em

pacientes com 55 anos e mais velhos, sendo assim uma evidência de um risco para o

desenvolvimento de neoplasias (Vittecoq et al., 2012)


51

Ao entrar na célula hospedeira, o T. gondii inicia rapidamente a transformação e

replicação de taquizoitos e irá infectar diversos órgãos do organismo, incluindo SNC. Para

evitar a resposta imune, alguns taquizoitos diferenciam-se em bradizoitos, que apresentam

crescimento lento e formam cistos nos tecidos cerebrais. Durante a infecção crônica, o cisto do

parasita persiste por muito tempo sem acionar qualquer resposta imune. A invasão à célula

hospedeira é um processo ativo essencial para a sobrevivência do parasita. Enquanto o

Toxoplasma invade a célula, é capaz de liberar proteínas de organelas secretoras, que são

capazes de modular os sinais celulares e a expressão gênica (Zeiner et al., 2010; Laliberté &

Carruthers, 2008; Weiss & Kim, 2000; Bohne, Holpert & Gross, 1999; Dubey, Lindsay &

Speer, 1998)

O Toxoplasma é um importante patógeno que está sendo associado com maiores

ocorrências de tumores cerebrais. As investigações anteriores demonstraram que o parasita

pode causar gliomas em experimentos com animais (Wrensch et al., 1993). Os estudos

desenvolvidos por Ryan et al. (1993), mostraram que anticorpos positivos para toxoplasmose

estão associados com meningioma (Ryan et al., 1993). Estudos epidemiológicos demonstram

que as pessoas infectadas apresentam duas vezes mais risco de desenvolver câncer cerebral

(Thomas et al., 2012).

O toxoplasma possui habilidade para manipular as vias e processo de sinalização

celular por interferir na expressão gênica global das células infectadas. Análises tem

apresentado que após a infecção, o parasita é capaz de envolver em vários processos, incluindo

a inflamação, apoptose, metabolismo, crescimento e diferenciação celular (Laliberté &

Carruthers, 2008; Lüder, Gross & Lopes, 2001).

Thirugnanam e colaboradores (2013) sugeriram que a infecção por Toxoplasma tem

habilidade para modular os microRNAs do hospedeiro e promover o desenvolvimento de câncer

cerebral. Os autores afirmaram que o microRNAs modificado do Toxoplasma pode ter um papel
52

critico na iniciação e progressão da carcinogênese cerebral, embora o resultado dependa do

modo de infecção, da virulência, do tipo de célula parasitada, da proteína sintetizada pelo

parasita e os padrões de expressão realizada pelo microRNA. Os autores concluíram que se a

hipótese estiver correta, os microRNAs que estão criticamente envolvidos nos processos

neoplásicos causados pelo T. gondii poderiam ser identificados e utilizados como novos alvos

nos diagnósticos e tratamento (Thirugnanam et al., 2013).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise de autopsias e os estudos de casos reportados e controles, patológicos e

epidemiológicos têm confirmado a hipótese de que as doenças parasitárias são carcinogênicas

e, portanto, são fatores de risco para o desenvolvimento de câncer.

Apenas a esquistossomose e a malária são classificadas como carcinogênicas pelo

IARC, isso se confirmou através de vários trabalhos que apresentaram casos clínicos e a relação

epidemiológica do câncer com as doenças parasitárias.

Para melhor compreender a associação das doenças parasitárias com o

desenvolvimento de câncer, é necessário que sejam realizados maiores estudos de casos

clínicos, estudos epidemiológicos e principalmente autopsias.

Apesar dos esforços globais em reduzir a incidência das doenças parasitárias,

milhões de pessoas estão infectadas e mais ainda vão infectar-se em algum momento. Os dados

apresentados mostram que as doenças parasitárias podem induzir a formação de neoplasias, que

podem dificultar o diagnóstico da parasitose e/ou o diagnóstico de câncer, principalmente nos

países em desenvolvimento. A elucidação da associação pode ajudar a entender o processo de

carcinogênese e a encontrar novas formas de tratamento para o câncer.


53

5. REFERÊNCIAS

Albala C, Vio F & Yanez M. Transición epidemiológica en América Latina: comparación de


cuatro países. Rev. Med. Chil. 125(6): 719 – 727, 1997. Apud Guerra MR, Moura Gallo CV &
Mendonça GAS. Risco de câncer no Brasil: tendências e estudos epidemiológicos mais
recentes. Rev. Bras. cancerol. 51(3): 227 – 234, 2005.

Alexis R & Domingo J. Schistosomiasis and adenocarcinoma of prostate: a morphologic study.


Human Pathol. 17(7): 757 – 760, 1986.

Afanas N, Carvalho M, Almeida M, Costa V, Silva I & Oliva T. Linfoma de Burkitt. Acta. Med.
Port. 24(5): 735 – 738, 2011.

Almeida ABPF, Mendonça AJ & Sousa VRF. Prevalência e epidemiologia da leishmaniose


visceral em cães e humanos, na cidade de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil. Cienc. Rural. 40(7):
1610 – 1615, 2010.

Alves WA & Bevilacqua PD. Reflexões sobre a qualidade do diagnóstico da leishmaniose


visceral canina em inquéritos epidemiológicos: o caso da epidemia de Belo Horizonte, Minas
Gerais, Brasil, 1993 – 1997. Cad. Saúde Pública. 20(1): 259 – 265, 2004.

Amorim MM, Tomazi L, Silva RAA, Gestinari RS & Figueiredo TB. Avaliação das condições
habitacionais e de saúde da comunidade quilombola boqueirão, Bahia, Brasil. Biosci. J. 29(4):
1049 – 1057, 2013.

Araujo IS, Moreira AL & Aguiar R. Doenças negligenciadas, comunicação negligenciada.


Apontamentos para uma pauta política e de pesquisa. R. eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde. 6(4):
2013.

Ascoli V, Belli S, Benedetti M, Trinca S, Ricci P & Comba P. Br. J. Cancer. 85(3): 379 – 382,
2001.

Bacelar A, Castro LGMC, Queiroz AC & Café E. Association Between Prostate cancer and
schistosomiasis in Young patients: a case report and literature review. BJID. 11(5): 520 – 522,
2007.

Badawi AF. Molecular and genetic events in schistosomiasis-associated human bladder cancer:
role of oncogenes and tumor suppressor genes. Cancer Lett. 105(2): 123 – 138, 1996.

Bain B. The blood in systemic disease. Medicine. 45(5): 336 – 340, 2017.

Barbosa AP, Costa-Cruz JM, Silva AS & Campos DMB. Cisticercose: fatores relacionados à
interação parasito-hospedeiro, diagnóstico e soroprevalência. Rev. Patol. Trop. 29(1): 17 – 34,
2000.

Basílio-de-Oliveira CA, Aquino A, Simon EF & Eyer-Silva WA. Concomitant prostatic


schistosomiasis and adenocarcinoma: case report and review. BJID. 6(1): 45 – 49, 2002.
54

Bello AGD, Severo CB, Hochlegger B, Oliveira FM & Severo LC. Infecções que mimetizam
o câncer: avaliação retrospectiva e prospectiva de micoses e actinomicetoses. Rev. Patol. Trop.
42(4): 395 – 401, 2013.

Benson VS, Green J & Beral V. The relationship between owning a cat and the risk of
developing a brain cancer in a prospective study of UK women: comment on Thomas et al.
Biol. Lett. 8(6): 1040 – 1041, 2012.

Berry A, Iriart X, Fillaux J & Magnaval JF. Schistosomose urogénitale et cancer. Bull. Soc.
Pathol. Exot. 110(1): 68 – 75, 2017.

Bielory BP, Lari HB, Mirani N, Kapila R, Fitzhugh VA & Turbin RE. Conjunctival squamous
cell carcinoma harboring Leishmania amastigotes in a human immunodeficiency virus-positive
patient. Arch Ophthalmol. 129(9): 1230 – 1231, 2011.

Blum-Domínguez SC, Martínez-Vásquez A, Núñez-Oreza LA, Martínez-Hernández F,


Villalobos G & Tamay-Segovia P. Leishmaniasis cutánea difusa (LCD) y visceral (LV)
concurrentes con cancer: presentación de un caso. Gac. Méd. Mex. 153(1): 121 – 124, 2017.

Bohne W, Holpert M & Gross U. Stage differentiation of the protozoan parasite toxoplasma
gondii. Immunobiology. 201(2): 248 – 254, 1999.

Botelho MC, Alves H & Richter J. Estrogen catechols detection as biomarkers in


schistosomiasis induced cancer and infertility. Lett. Drug. Des. Discov. 14(2): 135 – 138, 2017.

Botelho MC, Crespo M, Almeida A, Vieira P, Delgado ML, Araujo L, Machado JC & Costa
JMC. Schistosoma haematobium and Schistosomiasis mansoni: production of an estradiol-
related compound detected by elisa. Exp. Parasitol. 122(3): 250 – 253, 2009.

Botelho MC, Machado JC, Brindley PJ & Costa JMC. Targeting molecular signaling pathways
of Schistosoma haematobium infection in bladder cancer. Virulence. 2(4): 267 – 279, 2011.

Botelho MC, Soares R, Vale N, Ribeiro R, Camilo V, Almeida R, Medeiros R, Gomes P,


Machado JC & Costa JMC. Schistosoma haematobium: identification of new estrogenic
molecules with estradiol antagonistic activity and ability to inactivate estrogen receptor in
mammalian cells. Exp. Parasitol. 126(4): 526 – 535, 2010.

Botelho MC, Vale N, Gouveia MJ, Rinaldi G, Santos J, Santos LL, Gomes P, Brindley PJ &
Costa JMC. Tumour-like phenotypes in urothelial cells after exposure to antigens from eggs of
Schistosoma haematobium: an oestrogen-DNA adducts mediated pathways? Int. J. Parasitol.
43(1): 17 – 26, 2013.

Brasil. Ministério da Saúde. Ações do Programa de Malária. Disponível em:


<http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/662-
secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/malaria/11344-orientacoes>. Acesso em maio de 2017.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 204, de 17 de fevereiro de 2016. Disponível em:


<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0204_17_02_2016.html>.
55

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 1.984, de 12 de setembro de 2014a. Disponível em:


<http://saude.am.gov.br/cerest/docs/Port_gm_ms_2014_1984.pdf>.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 1.271, de 06 de junho de 2014b. Disponível em:


<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt1271_06_06_2014.html>.

Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico Investigação de casos de toxoplasmose


aguda em Paraty e Angra dos Reis – Rio de Janeiro, agosto de 2010. Volume 43, número 2,
2012.

Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Ciência e Tecnologia. Secretaria de Ciência,


Tecnologia e Insumos Estratégicos. Doenças negligenciadas: estratégias do Ministério da
Saúde. Revista de Saúde Pública, São Paulo, 44(1): 200 – 202, 2010a.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Nº 2.472, de 31 de agosto de 2010b. Disponível em:


<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt2472_31_08_2010.html>.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretária de Vigilância em Saúde. Manual de Vigilância da


Leishmaniose Tegumentar Americana. Brasília, DF, 2007. 182p.

Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Eletrônico Epidemiológico Surto de toxoplasmose


adquirida, Anápolis – GO, fevereiro de 2006. Ano 07. Número 8, 2007.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de


Prevenção e Controle da Malária PNCM. Brasília, DF, 2003. 132p.

Capobiango JD, Breganó RM, Mori FMRL, Navarro IT, Campos JSA, Tatakihara LT, Talizin
TB, Santos M, Pereira TRG, Narciso SG & Reich EMV. Toxoplasmose gondii adquirida na
gestação e toxoplasmose congênita: uma abordagem prática na notificação da doença.
Epidemiol. Serv. Saúde. 25(1): 187 – 194, 2016.

Casella ML, Fanni VSS, Verndl DO, Basso MC, Mello LF & Glina S. Schistosomiasis mansoni
of the bladder simulating bladder cancer: a case report. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 42(5): 581
– 583, 2009.

Cavellani CL, Silva ACS, Ribeiro GKNA, Oliveira LF, Ferraz MLF & Teixeira VPA.
Association between cysticercosis and neoplasia: a study based on autopsy findings. Scientific
World J. 2013: 1 – 4, 2013.

Chen CJ, Liang KY, Chang YS, Wang YF, Hsieh T, Hsu MM, Chen JY & Liu MY. Multiple
risk factors of nasopharyngeal carcinoma: Epstein-Barr virus, malarial infection, cigarette
smoking and familial tendency. Anticancer Res. 10(2B): 547 – 553, 1990.

Cohen RJ, Edgar SG & Cooper K. Schistosomiasis and prostate cancer. Pathology. 27(2): 115
– 116, 1995.

Costa RMP. Between parasitic theory and experimental oncology: a proposal for systematizing
oncological Science in Portugal, 1889-1945. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 19(2): 409 – 429,
2012.
56

Cottoni F, Masala MV, Pattaro C, Pirodda C, Montesu MA, Satta R, Cerimele D & Marco R.
Classic kaposi sarcoma in northern Sardinia: a prospective epidemiologic overview (1977 –
2003) correlated with malária prevalence (1934). J. Am. Acad. Dermatol. 55(6): 990 – 995,
2006.

Cotta RMM; Campos AAO; Mendonça, ET; Costa GD; Machado JC; Silva LS; Siqueira RL;
Leão RT & Reis RS. Prática Sanitária, processo saúde-doença-adoecimento e paradigmas de
saúde. In: . Políticas de saúde: Desenhos, modelos e paradigmas. Viçosa: UFV, 2013.
Cap. 1, p. 15 – 42.

Dantas-Torres F & Brandão-Filho SP. Expansão geográfica da leishmaniose visceral no estado


de Pernambuco. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 39(4): 352 – 356, 2006.

DATASUS. Ministério da Saúde/SVS – Sistema de informação de Agravos de notificação –


Sinan Net. Esquistossomose mansônica. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi
/deftohtm.exe?sinannet/cnv/esquistobr.def>. Acesso em 2 de maio. 2017a.

DATASUS. Ministério da Saúde/SVS – Sistema de informação de Agravos de notificação –


Sinan Net. Leishmaniose Visceral. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/defto
htm.exe?sinannet/cnv/leishvbr.def>. Acesso em 2 de maio. 2017b.

DATASUS. Ministério da Saúde/SVS – Sistema de informação de Agravos de notificação –


Sinan Net. Leishmaniose Tegumentar americana. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br
/cgi/deftohtm.exe?sinannet/cnv/ltabr.def>. Acesso em 2 de maio. 2017c.

DATASUS. Ministério da Saúde/SVS – Sistema de informação de Agravos de notificação –


Sinan Net. Malária. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe
?sinannet/cnv/malabr.def>. Acesso em 2 de maio. 2017d.

Del Brutto OH, Castillo PR, Mena IX & Freire AX. Neurocysticercosis among patients with
cerebral gliomas. Arch neurol. 54(9): 1125 – 1128, 1997.

Domingues M & Menezes Y. Coexistence of Leishmaniasis and Hodgkin’s Lymphoma in a


Lymph Node. J. Clin. Oncol. 27(32): 184 – 185, 2009.

Dourado MIC, Noronha CV, Alcantara N, Ichihara MYT & Loureiro S. Epidemiologia da
leishmaniose tegumentar americana e suas relações com a lavoura e o garimpo, em localidade
do estado da Bahia (Brasil). Rev. Saúde públ. 23(1): 2 – 8, 1989.

Dubey JP & Jones JL. Toxoplasma gondii infection in humans and animals in the United States.
Int. J. Parasitol. 38(11): 1257 – 1278, 2006.

Dubey JP, Lindsay DS & Speer CA. Structures of Toxoplasma gondii tachyzoites, bradyzoites,
and sporozoites and biology and development of tissue cysts. Clin. Microbiol. Rev. 11(2): 267
– 299, 1998.

Dubey JP. The history of Toxoplasma gondii – The first 100 years. J. Eukaryot. Microbiol.
55(6): 467 – 475, 2008.
57

Elson JK, Beebe-Dimmer JL, Morgenstern H, Chilkuri M, Blanchard J & Lentsch AB. The
Duffy antigen/receptor for chemokines (DARC) and prostate-cancer risk among Jamaican men.
J. Immigr. Minor Health. 13(1): 36 – 41, 2011.

El-Tonsy MM, Hussein HM, Helal TES, Tawfik RA, Koriem KM & Hussein HM. Schistosoma
mansoni infection: Is it a risk factor for development of hepatocellular carcinoma? Acta.
Tropica. 128(3): 542 – 547, 2013.

Falavigna-Guilherme AL, Silva K, Araújo SM, Tobias Ml & Falavigna DLM. Cisticercose em
animais abatidos em sabáudia, Estado do Paraná. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. 58(5): 950 –
951, 2006.

Ferro S, Palmieri C, Cavicchioli L, De Zan G, Aresu L & Benali SL. Leishmania amastigotes
in neoplastic cells of 3 nonhistiocytic canine tumors. Vet. Pathol. 50(5): 749 – 752, 2013.

Fitzpatrick FA. Inflammation, carcinogenesis and cancer. Int. Immunopharmacol. 1(9-10):


1651 – 1667, 2001.

Flisser A, Gonzalez D, Plancarte A, Ostrosky P, Montero R, Stephano A & Correa D.


Praziquantel treatment of brain and muscle porcine Taenia solium cysticercosis. Parasitol. Res.
76: 640, 1990.

Foglia Manzillo V, Pagano A, Guglielmino R, Gradoni L, Restucci B & Oliva G. Extranodal


gammadelta-T-cell lymphoma in a dog with leishmaniasis. Rev. Clin. Pathol. 37(3): 298 – 301,
2008.

França TCC, Santos MG & Figueroa-Villar JD. Malária: Aspectos históricos e quimioterapia.
Quim. Nova. 31(5): 1271 – 1278, 2008.

Friedman R, Hanson S & Goldberg LH. Squamous Cell Carcinoma Arising in a Leishmania
scar. Dermatol. Surg. 29(11): 1148 – 1149, 2003.

Garcia LP, de Magalhães LCG, Aurea AP, dos Santos CF & de Almeida RF. Epidemiologia
das doenças negligenciadas no Brasil e gastos federais com medicamentos. Texto para
discussão. IPEA. 1607: 1 – 62, 2011.

George J, Blanford S, Thomas M & Baker TC. Malaria mosquitoes host-locate and feed upon
caterpillars. PLoS One. 9(11): e108894, 2014.

Godec CJ, Grunberger I & Carr GA. Simultaneous presence of schistosomiasis and advanced
cancer in prostate. Urology. 34(6): 547 – 549, 1992.

Gontijo CMF & Melo MN. Leishmaniose Visceral no Brasil: Quadro atual, desafios e
perspectivas. Rev. Bras. Epidemiol. 7(3): 338 – 349, 2004.

Groeneveld AE, Marszalek WW & Heyns CF. Bladder cancer in various population groups in
the greater Durban area of KwaZulu-Natal, South Africa. Br. J. Urol. 78(2) 205 – 208, 1996.

Guancial EA, Werner L, Bellmunt J, Bamias A, Choueiri TK, Ross R, Schutz FA, Park RS,
O’Brien RJ, Hirsch MS, Barletta JA, Berman DM, Lis R, Loda M, Stack EC, Garraway LA,
58

Riester M, Michor F, Kantoff PW & Rosenberg JE. FGFR3 expression in primary and
metastatic urotelial carcinoma of the bladder. Cancer Med. 3(4): 835 – 844, 2014.

Guerra MR, Moura Galo CV & Mendonça GAS. Risco de câncer no Brasil: tendências e
estudos epidemiológicos mais recentes. Rev. Bras. cancerol. 51(3): 227 – 234, 2005.

Hamman O, Aboushousha T, El-Hindawi A, Kamel A, Akl M, Abdel-Hady A, Magdy M,


Badawy M, Kholy AE, Osili KA, Kamel N, Anis S & Leithy TE. Expression of FGFR3 protein
and gene amplification in urinary bladder lesions in relation to schistosomiasis. J. Med. Sci.
5(2): 160 – 166, 2017.

Herrera LA, Benita-Bordes A, Sotelo J, Chávez L, Olvera J, Rascón A, López & Wegman PO.
Possible relationship between neurocysticercosis and hematological Malignancies. Arch. Med.
Res. 30(2): 154 – 158, 1999.

Herrera LA, Benítez-Bribiesca L, Mohar A & Ostrosky-Wegman P. Role of infectious Diseases


in Human Carcinogenesis. Environ. Mol. Mutagen. 45(2-3): 284 – 303, 2005.

IBGE. Estimativas populacionais. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/


população/estimativa2016/default.shtm>. Acesso em 03 de maio de 2017.

IBGE. Censo Demográfico 2010. Disponível em: <<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/


população/censo2010/default.shtm>. Acesso em 03 de maio de 2017

International Agency for Research on Cancer (IARC). IARC monographs on the evaluation of
carcinogenic risks to humans, v. 100B. Biological Agents. Lyon, França: IARC, 2012.
Disponível em <http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol100B/mono100B.pdf>.

International Agency for Research on Cancer (IARC). IARC monographs on the evaluation of
carcinogenic risks to humans, v. 104. Biological Agents. Lyon, França: IARC, 2014. Disponível
em <http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol104/mono104.pdf>.

Ishii A, Matsuoka H, Aji T, Ohta N, Arimoto S, Wataya Y & Hayatsu H. Parasite infection and
cancer: with special emphasis on Schistosoma japonicum infections (Trematoda). A review.
Mutat. Res. 305(2): 273 – 281, 1994.

Johansson O & Ward M. The human immune system’s response to carcinogenic and other
infectious agents transmitted by mosquito vectors. Parasitol. Res. 116(1): 1 – 9, 2017.

Johnston WT, Mutalima N, Sun D, Emmanuel B, Bhatia K, Aka P, Wu X, Borgstein E, Liomba


GN, Kamiza S, Mkandawire N, Batumba M, Carpenter LM, Jaffe H, Molyneux EM, Goedert
JJ, Soppet D, Newton R & Mbulaiteye SM. Relationship between Plasmodium falciparum
malaria prevalence, genetic diversity and endemic Burkitt Lymphoma in Malawi. Sci Rep.
4(3741): 1 – 5, 2014.

Kargi E, Güngör E, Aslan G & Erdogan B. Epidermoid carcinoma in cutaneous leishmaniasis


scar. Ann. Plast. Surg. 46(6): 657 – 658, 2001.

Katz N & Almeida K. Esquistossomose, xistose, barriga d’água. Cienc. Cult. 55(1): 38 – 41,
2003.
59

Khaled H. Schistosomiasis and Cancer in Egypt: Review. JAR. 4(5): 461 – 466, 2013.

Khorsandi-Ashtiani MT, Hasibi M, Yazdani N, Paydarfar Ja, Sadri F, Mirashrafi F & Kouhi A.
Auricular leishmaniasis mimicking squamous cell carcinoma. J. Laryngol. Otol. 123(8): 915 –
918, 2009.
Kimura-Hayama ET, Higuera JA, Cedillo RC, Macías LC, Perochena A, Rojas LYQ, Carbajal
JR & Criales JL. Neurocysticercosis: radiologic-pathologic correlation. RadioGraphics. 30(6):
1705 – 1719, 2010.

Kompallc-Cristo A, Britto C & Fernandes O. Molecular diagnosis of toxoplasmosis: a review.


Bras. Patol. Med. Lab. 4(4): 229 – 235, 2005.

Kocyigit A, Keles H, Selek S, Guzel S, Celik H & Erel O. Increased DNA damage and oxidative
stress in patients with cutaneous leishmaniasis. Mutat. Res. 585(1-2): 71 – 78, 2005.

Kopterides P, Mourtzoukou EG, Skopelitis H, Tsavaris N & Falagas M. Aspects of the


association between leishmaniasis and malignant disorders. TRSTMH. 101(12): 1181 – 1189,
2007.

Kumar R, Daga MK, Kamble NL, Sothwal A, Singh T, Nayak HK & Raizada N. Rare
association of visceral leishmaniasis with Hodgkin’s disease: a case report. Infect. Agents
Cancer. 6(17): 1 – 3, 2016.

Lafferty KD. Can the common brain parasite, Toxoplasma gondii, influence human culture?
Proc. R. Soc. B. 273(1602): 2749 – 2755, 2006.

Laliberté J & Carruthers VB. Host cell manipulation by the human pathogen Toxoplasma
gondii. Cell. Mol Life Sci. 65(12): 1900 – 1915, 2008.

Lam JC, Robinson SR, Schell A & Vaughan S. Pulmonary neuroendocrine carcinoma
mimicking neurocysticercosis: a case report. J. Med. Case Rep. 10(144): 1 – 4, 2016.

Lambertucci JR, Voieta I & Barbosa AJA. Schistosomiasis mansoni of the prostate. Rev. Soc.
Bras. Med. Trop. 39(2): 233 – 234, 2006.

Laurenti R. Transição demográfica e transição epidemiológica. Anais do 1º Congresso


Brasileira de Epidemiologia, 1, p. 143 – 165, Campinas, Brasil, 1990. Apud Guerra MR, Moura
Gallo CV & Mendonça GAS. Risco de câncer no Brasil: tendências e estudos epidemiológicos
mais recentes. Rev. Bras. Cancerol. 51(3): 227 – 234, 2005.

Lea l Filho MB, Castro JAF, Vieira MACS, Xavier AA, Almeida BR, Morais RKP & Dantas
KS. Forma tumoral de neurocesticercose. Arq. Neuropsiquiatr. 60(3-B): 844 – 846, 2002.

Lima AP, Comunello E, Minelli L & Teodoro U. Tegumentary leishmaniasis distribution by


satellite remote sensing imagery, in Paraná State, Brazil. An. Bras. Dermatol. 77(7): 681 – 692,
2002.
60

Limudomporn P, Moonsom S, Leartsakulpanich U, Suntornthiticharoen P, Petmitr S, Weinfeld


M & Chavalitshewinkoon-Petmitr P. Characterization of Plasmodium falciparum ATP-
dependent DNA helicase RuvB3. Malar J. 15: 526, 2016.

Liu H, Wang Y, Zhou Q, Gui SY & Li X. The point mutation of p53 gene exon7 in
hepatocellular carcinoma from Anhui Province, a non-HCC prevalent area in China. World J.
Gastroenterol. 8(3): 480 – 482, 2002.

Lopes EJA, Santos TC & Martins V. Esquistossomose mansônica simulando neoplasia da


bexiga. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 39(3): 287 – 288, 2006.

Lu SN, Lin TM, Chen CJ, Chen JS, Liaw YF, Chang WY & Hsu ST. A case-control study of
primary hepatocellular carcinoma in Taiwan. Cancer. 62(9): 2051 – 2055, 1988.

Lüder CG, Gross U & Lopes MF. Intracellular protozoan parasites and apoptosis: diverse
strategies to modulate parasite-host interactions. Trends Parasitol. 17(10): 480 – 486, 2001.

Mallah SHE & Hashem M. Localized bilharzial granuloma of the lung simulating a tumor.
Thorax. 8(2): 148 – 151, 1953.

Martino E, Tomlinson DC & Knowles MA. A decade of FGF receptor Research in bladder
cancer: past, presente, and future challenges. Adv. Urol. 2012, Artigo ID 429213, 2012.

Mascarini LM & Donalísio MR. Giardiasis and cryptosporidiosis in children institutionalized


at daycare centers in the state of São Paulo. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 39(6): 577 – 579, 2006.

Matzner Y, Behar A, Beeri E, Gunders AE & Hershko C. Systemic leishmaniasis mimicking


malignant histiocytosis. Cancer. 43(1): 398 – 402, 1979.

Mayer DA & Fried B. The role of helminth infections in carcinogenesis. Adv. Parasitol. 65:
239 – 296, 2007.

Michaud DS. Chronic inflammation and bladder cancer. Urol. Oncol. 25(3): 260 -–268, 2007.

Millar PR, Daquer H, Vicente RT, Costa T, Sobreiro LG & Amendoeira MRR. Toxoplasma
gondii: estudo soro-epidemiológico de suínos da região Sudoeste do Estado do Paraná. Pesq.
Vet. Bras. 28(1): 15 – 18, 2008.

Mohamad N, Zueter A, Noordin R, Nasir A, Ariffn N, Basuni M & Mohamed Z. Symptomatic


chronic strongyloidiasis in children following treatment for solid organ malignancies: case
reports and literature review. Trop. Biomed. 29(3): 479 – 488, 2012.

Montero R, Flisser A, Madrazo I, Cuevas C & Wegman PO. Mutation at the HPRT locus in
patients with neurocysticercosis treated with praziquantel. Mutat. Res. 305 (2): 181 – 188, 1994.

Morel CM. Inovação em saúde e doenças negligenciadas. Cad. Saúde Pública. 22(8): 1522 –
1523, 2006.

Morsy TA, Mangoud AM & al Seghayer SM. Cutaneous leishmaniasis and basal cell carcinoma
in a patient from Al Baha, Saudi Arabia. J. Egypt Soc. Parasitol. 22(1): 167 – 70, 1992.
61

Mostafa MH, Sheweita SA & Connor PJO. Relationship between Schistosomiasis and bladder
cancer. Clin. Microbiol. Rev. 12(1): 97 – 111, 1999.

Mutalima N, Molyneux E, Jaffe H, Kamiza S, Borgstein E, Mkandawire N, Liomba G, Batumba


M, Lagos D, Gratrix F, Boshoff C, Casabonne D, Carpenter LM & Newton R. Associations
between Burkitt Lymphoma among children in Malawi and infection with HIV, EBV and
Malaria: Results from a case-control study. PLoS One. 3(6): e2505, 2008.

Nascimento, MC. Malaria may influence the transmission of Kaposi sarcoma associated
herpesvirus in endemic areas. JAIDS. 67(1): e41 – e43, 2014.

Nash TE, Cheever AW, Ottesen EA & Cook JA. Schistosome infections in humans:
perspectives and recent findings. Ann Intern. Med. 97(5): 740 – 754, 1982.

Nogueira F & Rosário VE. Métodos para avaliação da atividade antimalárica nas diferentes
fases do ciclo de vida do Plasmodium. Rev. Pan-Amaz. Saude. 1(3): 109 – 124, 2010.

Nunes AL. Plano de intervenção: implantação de medidas educativas para o controle da


esquistossomose: estudo de caso no município do cabo de Santo Agostinho. 2012. Recife. Plano
de intervenção (Especialização em Gestão de sistemas e serviços de saúde), Centro de Pesquisas
Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz.

Odida M, Schmauz R & Lwanga SK. Grade of Malignancy of cervical câncer in regions of
Uganda with varying malarial endemicity. Int. J. Cancer. 99(5): 737 – 41, 2002.

Ohsima H & Bartsch H. Chronic infection and inflammatory processes as cancer risk factors:
possible role of nitric oxide in carcinogenesis. Mutat. Res. 305(2): 253 – 264, 1994.

Oikonomopoulou K, Yu H, Wang Z, Vasiliou SK, Brinc D, Christofi G, Theodorou M, Pavlou


P, Hadjisavvas A, Demetriou CA, Kyriacou K & Diamandis EP. Association between
Echinococcus granulosus infection and câncer risk – a pilot study in Cyprus. Clin. Chem. Lab.
Med. 54(12): 1955 – 1961, 2016.

Oliveira JM. Fernandes AC, Dorval MEC, Alves TP, Fernandes TD, Oshiro ET & Oliveira
ALL. Mortalidade por leishmaniose visceral: aspectos clínicos e laboratoriais. Rev. Soc. Bras.
Med. Trop. 43(2): 188 – 193, 2010.

Oliveira CD, Nangino GO, Correia PC, Salomão CV, Resende MA, Peixoto LC & Nunes MB.
Massa tumoral secundária a infecção por Schistosoma mansoni simulando neoplasia de pulmão:
relato de caso. Rev. Bras. Ter. Intensiva 21(4): 461 – 464, 2009.

Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS). Módulo


de Princípios de Epidemiologia para o Controle de Enfermidades (MOPECE): Saúde e doença
na população. Brasília, DF. 2010. 48p.

Paiva ALC, Veiga JCE, Silva JMA, Souza AH & Aguiar GB. Forma tumoral de la
neurocisticercosis. Medicina (B. Aires). 75(2): 103, 2015.
62

Palumbo E. Association between schistosomiasis and cancer: a review. Infect. Dis. Clin. Pract.
15(3): 145 – 148, 2007.

Paraense WL. O ciclo exoeritrocitário dos parasitos da malária. Mem. Inst. Oswaldo Cruz.
41(3): 469 – 493, 1944.

Parkin DM. The global health burden of infection-associated cancers in the year 2002. Int. J.
Cancer. 118(2): 3030 – 3044, 2006.

Peterson MR & Weidner N. Gastrointestinal neoplasia associated with bowel parasitosis: real
or imaginary? J. Trop. Med. 2011, Artigo ID 234254, 2011.

Peixoto TC, Freitas JL, Farias SS, Vieira Filho H, Larangeira DF, Mascarenhas MB, Nogueira
VA & Barrouin-Melo SM. Linfoma primário cardíaco associado à leishmaniose visceral em
cão – Relato de caso. Rev. Bras. Med. Vet. 38(1): 47 – 54, 2016.

Plotel CS & Blaser MJ. Microbiome and malignancy. Cell Host Microbe. 10(4): 324 – 335,
2011.

Pocai EA, Frozza L, Headley SA & Graça DL. Leishmaniose Visceral (calazar). Cinco casos
em cães de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. Cienc. Rural. 28(3): 501 – 505, 1998.

Prata PR. The epidemiologic transition in Brazil. Cad. Saúde Públ. 8(2): 168 – 175, 1992.

Quinnell RJ & Courtenay O. Transmission, reservoir hosts and control of zoonotic visceral
leishmaniasis. Parasitology. 136(14): 1915 – 1934, 2009.

Rainey J, Mwanda WO, Wairiumu P, Moormann AM, Wilson ML & Rochford R. Spatial
distribution of Burkitt’s lymphoma in Kenya and association with malaria risk. Trop. Med.
Internat. Health. 12(8): 936 – 943, 2007.

Rodrigues RTGA, Medeiros VB, Borges IL, Oliveira ZCR, Batista JS & Filgueira KD. Linfoma
intranasal em cão: aspectos clínico-patológicos e imunoistoquímicos. Acta Veterinaria
Basilica. 10(1): 84 – 91,2011.

Ross R, Nichols P, Wright W, Lukes R, Dworksy R, Paganini-Hill A, Koss M & Henderson B.


Asbestos exposure and lymphomas of the gastrointestinal tract and oral cavity. Lancet. 2(8308):
1118-1120, 1982.

Ryan P, Hurley SF, Johnson AM, Salzberg M, Lee MW, North JB, McNeil JJ & McMichael
AJ. Tumours of the brain and presence of antibodies to toxoplasma gondii. Int. J. Epidemiol.
22(3): 412 – 419, 1993.

Sabri A, Khatib L, Kanj-Sharara S, Husseini ST, Nuwayri-Salti N, Semaan R & Rameh C.


Leishmaniasis of the auricle mimicking carcinoma. Am. J. Otolaryngol. 30(4): 285 – 287, 2009.

Salem S, Mitchell RE, El-Dorey AEA, Smith JA & Barocas DA. Successful control of
schistosomiasis and the changing epidemiology of bladder cancer in Egypt. BJU. Int. 107(2):
206 – 211, 2010.
63

Santos J, Gouveia MJ, Vale N, Delgado ML, Gonçalves A, Silva JMT, Oliveira C, Xavier P,
Gomes P, Santos LL, Lopes C, Barros A, Rinaldi G, Brindley PJ, Costa JMC, Sousa M &
Botelho MC. Urinary estrogen metabolites and self-reported infertility in women infected with
Schistosoma haematobium. PLoS One. 9(5): e96774, 2014.

Santos JMG & Barros MCRB. Cysticercus bovis e cysticercus cellulosae. RAMA. 2(1): 21 –
39, 2009.

Santos LP, Santos FLN & Soares NM. Prevalência de parasitoses intestinais em pacientes
atendidos no hospital universitário professor Edgar Santos, Salvador – Bahia. Rev. Patol. Trop.
36(3): 237 – 246, 2007.

Santos VM, Silva MBO, Bernardes JMG & Lima MA. Nódulo granulomatoso com Enterobius
vermicularis em epíploon simulando metástase de câncer de ovário. Rev. Soc. Bras. Med. Trop.
35(2): 191 – 193, 2002.

Serraino D, Corona RM, Giuliani M, Farchi F, Sarmati L, Uccella I, Andreoni M & Rezza G.
Infection with human herpesvirus type 8 and kaposi’s sarcoma in a central italian área formerly
endemic for malária. Infection. 31(1): 47 – 50, 2003.

Shiff C, Veltri R, Naples J, Quartey J, Otchere J, Anyan W, Marlow C, Wiredu E, Adjei A,


Brakohiapa E & Bosompem K. Ultrasound verification of bladder damage is associated with
known biomarkers of bladder cancer in adults chronically infected with Schistosoma
haematobium in Ghana. Trans. R. Soc. Trop. Med. Hyg. 100(9): 847 – 854, 2006.

Silva FS. Patologia e Patogênese da leishmaniose visceral canina. R. Tróp.: Ci. Agr. Biol. 1(1):
20 – 31, 2007.

Silveira THV, Arraes SMAA, Bertolini DA, Teodoro U, Lonardoni MVC, Roberto ACBS,
Ramos M, Sobrinho AN, Ishikawa E & Shaw J. Observações sobre o diagnóstico laboratorial
e a epidemiologia da leishmaniose tegumentar no Estado do Paraná, sul do Brasil. Rev. Soc.
Bras. Med. Trop. 32(4): 413 – 423, 1999.

Siqueira-Batista R, Gomes AP, Mendonça EG, Vitorino RR, Azevedo SFM, Freitas RB,
Santana LA & Oliveira MGA. Plasmodium falciparum malária: proteomic studies. Rev. Bras.
Ter. Intensiva. 24(4): 394 – 400, 2012.

Souza FPC, Vitorino RR, Costa AP, Faria Júnior FC, Santana LA & Gomes AP.
Esquistossomose mansônica: aspectos gerais, imunologia, patogênese e história natural. Rev.
Bras. Clin. Med. 9(4): 300 – 307, 2011.

Strickland GT. Liver Disease in Egypt: Hepatitis C Superseded Schistosomiasis as a Result of


latrogenic and Biological Factors. Hepatology. 43(5): 915 – 922, 2006.

Suster & Ronnen. Basal cell carcinoma arising in a Leishmania scar. Int. J. Dermatol. 27(3):
175 – 176, 1988.

Takayanagui OM & Leite JP. Neurocesticercose. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 34(3): 283 – 290,
2001.
64

Tavani A, La Vecchia C, Franceschi S, Serraino D & Carbone A. Medical history and risk of
Hodgkin’s and non-Hodgkin’s lymphomas. Eur. J. Cancer Prev. 9(1): 59 – 64, 2000.

Thirugnanam S, Rout N & Gnanasekar M. Possible role of Toxoplasma gondii in brain cancer
through modulation of host microRNAs. Infect. Agent. Cancer. 8(1): 8, 2013.

Thomas F, Lafferty KD, Brodeur J, Elguero E, Gauthier-Clerc M & Missé D. Incidence of adult
brain cancers is higher in countries where the protozoan parasite Toxoplasma gondii is common.
Biol. Lett. 8(1): 101 – 103, 2012.

Thomas L. Malaria gene linked to prostate-cancer incidence. Lancet. Oncol. 6(5): 266, 2005.

Tong HV, Brindley PJ, Meyer CG & Velavan TP. Parasite infection, carcinogenesis and human
malignancy. EBioMedicine. 15: 12 – 23, 2017.

Villagrán J & Olvera JE. Cisticercosis humana, estudio clínico y patológico de 481 casos de
autopsia. Patologia. 26: 149 – 156, 1988.

Vineis P, Crosignani P, Sacerdote C, Fontana A, Masala G, Miligi L, Nanni O, Ramazzoti V,


Rodella S, Stagnaro E, Tumino R, Viganò C, Vindigni C & Costantini AS. Haematopoietic
câncer and medical history: a multicentre case control study. J. Epidemiol. Community Health.
54(6): 431 – 436, 2000.

Vittecoq M, Elguero E, Lafferty KD, Roche B, Brodeur J, Gauthier-Clerc M, Missé D &


Thomas F. Brain câncer mortality rates increase with Toxoplasma gondii seroprevalence in
france. Infect. Genet. Evol. 12(2): 496 – 498, 2012.

Vitorino RR, Souza FPC, Costa AP, Faria Júnior FC, Santana LA & Gomes AP.
Esquistossomose mansônica: diagnóstico, tratamento, epidemiologia, profilaxia e controle.
Rev. Bras. Clin. Med. 10(1): 39 – 45, 2012.

Ward M, Ward A & Johansson O. Does the mosquito have more of a role in certain cancers
than is currently appreciated? – The mosquito cocktail hypothesis. Med. Hypotheses. 86: 85 –
91, 2016.

Weiss LM & Kim K. The development and biology of bradyzoites of Toxoplasma gondii.
Front. Biosci. 5: D391-405, 2000.

WHO World Cancer Day 2017. Disponível em: <http://www.who.int/cancer/world-cancer-


day/2017/en/>. Acesso em abril de 2017a.

WHO Cancer fact sheet. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets


/fs297/en/>. Acesso em abril de 2017b.

WHO Neglected tropical diseases. Disponível em: <http://www.who.int/gho


/neglected_diseases/en/>. Acesso em abril de 2017c.

WHO Cancer. Disponível em: <http://www.who.int/cancer/en/>. Acesso em abril de 2017d.


65

WHO Water sanitation hygiene. Disponível em: <http://www.who.int/water_sanitation_health


/sanitation-waste/en/>. Acesso em abril de 2017e.

WHO Leishmaniasis. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs375/en/>.


Acesso em abril de 2017f.

WHO Malaria. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs094/en/>.


Acesso em maio de 2017g.

WHO Ghana, Kenya and Malawi to take part in WHO malária vaccine pilot programme.
Disponível em: <http://www.afro.who.int/pt/centro-media/communicados-de-imprensa/item
/9533-ghana-kenya-and-malawi-to-take-part-in-who-malaria-vaccine-pilot-programme/9533-
ghana-kenya-and-malawi-to-take-part-in-who-malaria-vaccine-pilot-programme.html>.
Acesso em maio de 2017h.

WHO All cancers (excluding non-melanoma skin cancer) Estimated Incidence, Mortality and
Prevalence Worldwide in 2012. Disponível em: <http://globocan.iarc.fr/Pages
/fact_sheets_cancer.aspx>. Acesso em abril de 2017.

WHO. Schistosomiasis: number of people treated world in 2014. Wkly. Epidemiol. Rec. 91(5):
53 – 60, 2016a.

WHO Fact Sheet: World Malaria Report 2016b. Disponível em:


<http://www.who.int/malaria/media/world-malaria-report-2016/en/>. Acesso em maio de
2017.

Wolf A, Cowen D & Paige B. Human toxoplasmosis: occurrence in infants as an


encephalomyelitis verification by transmission to animals. Science. 89 (2306): 226 – 227, 1939.

Wrensch M, Bondy ML, Wiencke J & Yost M. Environmental risk factors for primary
malignant brain tumors: a review. J. Neurooncol. 17(1): 47 – 64, 1993.

Zeiner GM, Normal KL, Thomson JM, Hammond SM & Boothroyd JC. Toxoplasma gondii
infection specifficaly increases the levels of key host microRNAs. PloS One. 5(1): e8742, 2010.

Zhou P, Chen Z, Li HL, Zheng H, He S, Lin RQ & Zhu XQ. Toxoplasma gondii infection in
humans in China. Parasit. Vectors. 4(165): 1 – 9, 2011.

Você também pode gostar