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A População Indígena Brasileira

Em linhas geras há duas perguntas a respeito das populações indígenas


brasileiras a serem respondidas. Uma, quantos são índios e a outra quantos
eram na época da colonização. Apesar da existência de um censo no Brasil,
este está longe de realizar um estudo aprofundado para obter exatidão. Isso se
deve a diversos fatores como a falta de recursos e difícil acesso, ou isolamento
dessas populações. Existe ainda a questão daqueles que residem nas cidade
(onde podem ou não se identificarem como índios). Levanta-se a necessidade
de se realizar um censo indígena com pessoal treinado (por exemplo nas
línguas de cada povo). Estes índios em certas ocasiões não teria o
entendimento de porque de muitas das perguntas realizadas pelo censo. O
antropólogo William Crocker é exemplo em censo detalhado, este realizou um
trabalho intensivo com a aldeia canela (ramcocamecrá) no maranhão, junto
com três auxiliares e seu trabalho dedicou um dia para cada casa da aldeia.

Para responder a questão de qual era o numero de índios no Brasil


durante a chegada dos portugueses é utilizado à estimativa de três autores,
serão eles: Julian Steward, William Denevan e John Hemming. Para Julian
Steward (1946-1959) levando em conta os recursos naturais de cada área, a
tecnologia que as comunidades indígenas tinham para explorá-lo e
informações cedidas por cronistas calculou a densidade demográfica indígena
brasileira no século XVI e obteve a conjectura populacional de 1,1 milhões de
indígenas. Estes números, porem foram aumentados pelo próprio Julian
Steward em publicações posteriores devido a elevação de densidade de
algumas áreas chegando assim a um 10 190 235 da região das Antilhas,
América do Sul e Central. Dentro dessa tabela no Brasil haveria, uma divisão
territorial entre as populações tropicais, que compunham o montante de
2 188 970, e as populações do Brasil oriental com 387 440 apenas. Mas o
Brasil não é apenas a soma destes dois números e talvez sua densidade seja
maior.

Para William Denevan, que possuía uma visão muito mais abrangente
de a “grande Amazônia”, este também elevou toas ás estimativas de Julian
Steward elevando a várzea amazônica de 0,39-0,77 para 14,6 habitantes por
km²; na faixa litorânea da mata-atlantica passou de 0,77 para 9,5 por km²
chegando ao numero total de 8 547 403 habitantes indígenas da superfície do
Brasil.

John Hemming não parece levar em contas os aspectos físicos e a


relação entre os indígenas e os recursos naturais para realizar seu calculo.
Valida-se em fontes e crônicas da época da colonização, e argumenta que as
populações sofreram mutações geográficas sendo que há relatos de áreas
antes não povoadas por indígenas. Este estima um total de 2 431 000 de
índios.

Sobre a questão da atualidade o etnólogo Darcy Ribeiro calculou a


população com base na documentação disponível no Serviço de Proteção aos
Índios. Utilizou da designação neutra de “grupo tribal” devido a dificuldade de
distinção de uma tribo para outra, estimando assim uma população mínima e
máxima para cada uma delas. A soma das mínimas foi de 68,1 mil indivíduos e
a das máximas de 99,9 sendo que a verdadeira deveria estar entre estes dois
números. Alerta ainda em seus estudos a diminuição da população indígena
que em 1900 somava 230 grupos, em 1957 se reduziu a 143 (dentre estes 33
eram isolados, apesar de lembrar que isolamento não é completo e estas
populações já teriam sido afetadas pelas doenças trazidas pelos
colonizadores). Outros 23 estavam em contato intermitente com a sociedade
brasileira, sendo possível observar mudanças na língua por exemplo, outros 45
grupos se acham localizados em contato permanente com a sociedade
(comunicação direta) e por fim 38 grupos acham-se integrados e já perderam a
maior parte de seus costumes, mas mesmo assim são considerados índios.
Hoje, 50 anos após os estudos de Darcy Ribeiro, os números são bem
diferentes, tanto a população quanto os grupos aumentaram graças a
informações mais atualizadas (alguns grupos que ele jugou extintos não
estavam). Este aumento também se deve a reinvindicação da identidade
indígena por grupos que haviam abandonado (pressionados ou perseguidos)
por aqueles que queriam suas terras reformulando a ideia dos grupos. Os
estudos de Darcy no entanto serviram para mudar a visão do publico sobre a
ideia do desaparecimento do povo indígena devido mestiçagem com europeus
e africanos, mas devido a guerras, escravidão, desorganização de suas
sociedades e sobretudo a dizimação pelas doenças.

Para evidenciar de fato essa elevação seria necessário analisar caso a


caso as etnias indígenas, mas o autor para simplificar separou em grupos
conforme a distribuição geográfica. Essa diferença entre os estudos pode estar
no parco conhecimento do norte do Pará na época de Darcy. Ele havia dividido
por classificação linguística, por graus de integração a sociedade brasileira
(isolados, em contato intermitente, em contato permanente e integrados), por
confronto com as frentes econômicas (agrícola, pastoril, extrativa) e por
unidades da federação. Neste estudo mais recente Darcy não fez uma mínima
e máxima dos grupos tribais apenas uma nota no final a respeito de cada terra.
Sendo assim o autor realizou a criação de um quadro contendo as informações
“por etnias” e uma coluna “por terras” havendo uma discrepância entre os
totais. Isso basicamente se deve a três fatores: os números apresentados não
são todos do mesmo ano; é muito difícil fazer estimativa segura dos índios que
vivem nas cidades; e ainda existem índios isolados os quais não são possíveis
contabilizar com exatidão. Outro motivo é que algumas etnias estão presentes
em mais de um conjunto, tendo sido integralmente incluídas num só total.

Em relação aos mapas da população indígena no Brasil foi realizado


dois tipos, um tomando em conta as distinções étnicas e outro sem considera-
las. No mapa por etnias constam:

Em outro mapa baseado em “por terras” só estão marcados os locais


com ais de mil indivíduos oque exclui diversas zonas e estados.

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