Você está na página 1de 6

MONO – livros e citações

WF
P. 110 – cláusula de irresponsabilidade antes (fora) de contrato; afirmando que cláusulas de
diminuição de prazos prescricionais ou decadenciais, restrição de remédios ou ônus da prova não
integram a categoria
p. 130 – reparação integral não é norma de ordem pública;
p. 237-238 – cross waiver liability e alocação (transferência) de riscos do dever de indenizar por
danos à pessoa

GIULIANA BONANNO SCHUNCK


p. 3 – CDC permite cláusula de limitação frente a consumidor pessoa jurídica;
p. 11 – possibilidade de CLR com relação à obrigação principal;
p. 13 – esportes radicais; tratamentos experimentais;
p. 14 – possibilidade de CLR em contratos de adesão (art. 424 do CC)

DISSERTAÇÃO UCP
p. 23 – mesmo com a CLR, ainda resta o dto de exigir o cumprimento do contrato, execução
específica, direito de retenção, resolução e exceção de incumprimento

CONVENÇÃO DE VARSÓVIA
art. 3, §4; art. 17 e ss.; art. 21, §1 (muito interessante!!!) e ss.; art. 22, §5

OCTANNY SILVEIRA DA MOTA


- CLR como “forma de encorajar empreendimentos aventurosos”
- Código Brasileiro do Ar – art. 105
- Lei 2.681/1912, art. 12 – estradas de ferro e CLR

CLÁUDIA VIEIRA DE OLIVEIRA


- CLR como causa de exoneração da responsabilidade civil
- História da CLR
● no Direito Romano (ver Aguiar Dias): válida sempre que se tratasse de interesse privado -
sem ofensa à ordem pública;
● contratos de transporte
- vários conceitos de CLR
- Lei 2.681/1912, art. 12 – estradas de ferro e CLR; Súmula 161 STF

MARIA MARINHO
- CLR como gestão de risco, prejuízos, e fomento para atividade econômica; adequação do
equilíbrio contratual; custo do negócio.
- CLR sobre obrigações principais e outros meios de tutela do direito do credor (ex: execução
específica)
- CLR e definição da extensão da própria obrigação pela qual haverá ou não responsabilidade

AMARAL JÚNIOR
- Momento de pactuação da CLR
- Súmula 481 do STF
- condições de aplicabilidade da CLR (dolo, culpa grave, ordem pública)
- CDC arts. 25 e 51
- CLR limitativa (p. 4)
- desequilíbrio como parâmetro para invalidade de CLR no CDC
- Lei 7.565/86 (Código do Ar); Dec. 20.704/31 (Convenção de Varsóvia); Dec. 56.663/65
(Protocolo de Haia)
WALD
- princípio da reparação integral pode ser excepcionado por manifestação de vontade e por
previsão legal (vide WANDERLEY FERNANDES)
- CLR não afeta a responsabilidade e sim dever de indenizar (PINTO MONTEIRO + PRATA)
- institutos afins à CLR (cláusula penal, seguro de responsabilidade civil, transação e cláusula de
arrependimento) - pt. 14
- permissão à CLR no art. 51, ​in fine ​do CDC (fornecedor/consumidor pessoa jurídica)
- contrato de adesão: posicionamento favorável de RIPERT
- requisitos de Wald para a CLR: ordem pública, bilateralidade do consentimento, igualdade de
posição das partes, vedação a dolo/culpa grave, vedação a CLR sobre obrigação principal.
- CLR de cross-waivers liability
- vedação à CLR em responsabilidade extracontratual

SCAVONE
- Origem histórica da CLR (pt. 6.3) - Revolução Industrial
- princípio caveat emptor - let the buyer beware
- incompatibilidade da CLR com o objeto da prestação como critério de invalidade

DIEGO CARVALHO MACHADO


- Origem histórica: liberalismo burguês do século XIX (+ou- rev. industrial)
- proteção da iniciativa privada contra exacerbação da concessão de indenizações, garantindo sua
conservação e seu desenvolvimento; “equilíbrio entre proteção das vítimas e da iniciativa privada”
- modalidades da CLR identificadas por PINTO MONTEIRO
- “CLR” sobre decadência e prescrição: impossibilidade no direito brasileiro
- CLR não afeta a responsabilidade e sim dever de indenizar
- natureza jurídica da CLR (renúncia x pacto acessório/elemento acidental do negócio jurídico); no
caso de responsabilidade aquiliana, é avença (negócio jurídico principal visa justamente limitar
indenização)
- institutos afins: cláusulas limitativas do objeto do contrato, cláusula penal, transação, seguro de
responsabilidade civil.
- aplicabilidade da CLR em caso de responsabilidade objetiva
- Transporte Aéreo: Convenção de Varsóvia “possibilita a limitação convencional da indenização
desde que respeitados os parâmetros legais imposto [por ela no seu] (art. 23), no que é seguida
pelo Código Brasileiro Aeronáutico (Lei 7.565, de 19.12.1986)”.
- permissão à CLR no art. 51, ​in fine ​do CDC (fornecedor/consumidor pessoa jurídica)
- “causa” ou “interesse” na CLR: contrapartida na limitação da indenização (exoneração recíproca,
condições financeiras/negociais, redução de preço); “equivalência”, boa-fé objetiva e equilíbrio
econômic;
- (PERES) não há colisão com a ordem pública quando “se trata de ajuste acerca de interesses
particulares das partes, com repercussões na esfera patrimonial”
- CLR em responsabilidade aquiliana: previsão em relações de vizinhança
- posicionamento contra a CLR em relação a dano moral: estimula a violação da personalidade
humana; tarifamento da Lei de Imprensa rechaçado pelo STJ; CRFB é que garante integralidade
do dano moral, por isso a lei e as partes não poderiam afastá-lo;

JUNQUEIRA
- CLR cross-waiver of liability
- vantagens e desvantagens recíprocas (equilíbrio contratual/boa-fé)
- CLR é “transação sobre os riscos” (v. AGUIAR DIAS)
- diferenciação entre limitação e exoneração
- limites: dolo/culpa grave, norma cogente (não parece gostar da expressão “ordem pública”),
obrigação principal, ​vida e integridade física das pessoas naturais​ (com base na D.P.H)
- modelo da cláusula de cross-waiver of liability (ressalva “ferimento ou morte” de pessoa física)
?será que danos morais que não envolvam essa gravidade não podem ser objeto de CLR?;
?“danos pessoais” (morte e lesões à integridade física e psíquica), defendidos como limite por
JUNQUEIRA, são categoria distinta da dos danos morais?;
- a renúncia de indenização precisa ter “causa” (motivo)

LETICIA MARQUEZ (DISSERTAÇÃO USP)


- caso da escola de paraquedismo (p. 86…)
- forte semelhança e regime geral idêntico das CLR de exoneração total e de limitação parcial (p.
93)
- não admite CLR em contratos de adesão, mesmo que sejam interempresariais (p. 104)
- função social dos contratos como limite para CLR relativa a danos pessoais (p. 184)

ELVIRA COCCO
- conceito: Nos encontramos ante la existencia de cláusulas generales exonerativas o limitativas
de responsabilidad cuando el prerredactante está señalando que no responderá, o que
responderá hasta un monto determinado ante la otra parte en la contratación por los daños que
esta parte pudiera eventualmente sufrir.
- preexistência ao surgimento da responsabilidade
- distinção com o contrato de seguro de responsabilidade

EDUARDO NUNES (AUTONOMIA PRIVADA E DTOS REAIS)


- dicotomia entre “direitos existenciais” e “direitos patrimoniais”

1. DIAS, José de Aguiar. ​Cláusula de não-indenizar:


chamada cláusula de irresponsabilidade. Rio de
Janeiro: Forense, 1980
p. 14: “O princípio da liberdade das convenções encontrava consagração em várias passagens do
Digesto,​ que autorizavam especificamente o afastamento convencional do direito comum em
matéria de responsabilidade. (...)
p. 15: (DTO ROMANO) “Permitia-se a convenção de irresponsabilidade sobre faltas delituais”. (...)
Portanto, no direito romano, a cláusula de irresponsabilidade era lícita não só em matéria
contratual como também no terreno de culpa extracontratual (no que era muito útil, dada a
confusão entre os dois domínios), fazendo-se alusão à antiguidade do princípio ​Regula est iruis
antiqui omnes licentiam habere his quae pro se introducta sun renuntiare ​(Lei 29 C, ​De pactis, ​II,
3), mas restringindo-se a faculdade ao direito privado, desde que não interessa na hipótese a
ordem pública. Assim, excluíam-se da autorização os casos de dolo e de faltas de gravidade
excpecional, a ponto de interessar a ordem pública na interdição da responsabilidade, podendo
aceitar-se a conclusão de que, em face da cláusula, não havia que indagar se a obrigação
respectiva tinha origem em contrato ou na lei, se a falta geradora da responsabilidade era de ação
ou de omissão: o que se investifava era somente se as partes haviam estipulado sobre dano
puramente privado ou se a convenção ofendera o interesse superior da ordem pública”.
p. 19: conflito de interesses – necessidade de atender às obrigações do dano e preocupação em
proteger a iniciativa privada; “O princípio da reparação integral, conjugado às crescentes
restrições impostas à defesa do responsável, estabelece a obrigação de indenizar, muitas vezes,
em desproporção com a falta de que deriva”;
p. 22: distinção entre cláusula penal e cláusula de irresponsabilidade
p. 28-29: CLR e seguro de responsabilidade “Quanto, porém, aos efeitos, ao fim a que tendem,
não é possível negar: servem ao mesmo interesse jurídico de garantir o equilíbrio entre os
patrimônios que o dano põe em confronto, isto é, atendem à situação delicada que a multiplicação
dos sinistros tende a criar, ou deixando sem compensação o prejudicado ou empobrecendo o
devedor da reparação. (...) Não obstante a diversidade da fisionomia jurídica, a cláusula de
irresponsabilidade e o seguro de responsabilidade apresentam, nitidamente, identidade de fim e
de origem: derivam da mesma preocupação e atendem ao mesmo propósito”.
p. 30: semelhante da CLR para transação: “Se, com efeito, na cláusula as pessoas são
determinadas ou determináveis, e o acordo de vontades precede a eventualidade do sinistro, é,
todavia, menos acertado dizer que a transação opera necessariamente a posteriori. É preferível
notar que a cláusula é espécie do gênero transação, porque esta não repele a foma preventiva”.
(...) p. 31 “Todavia, cumpre distinguir entre a cláusula com seu caráter preventivo e o acordo
posterior entre as partes sobre a indenização, cuja validade não é objeto de controvérisa, pois é
sempre possível renunciar a indenização devida a título de reparação civl”.
p. 35: a exclusão convencional do dever de indenizar pressupõe, antes, o reconhecimento da
responsabilidade do agente;
p. 37: Definição de CLUZEL para as cláusulas de irresponsabilidade (adotada por AGUIAR DIAS
cf. p. 39): “Cláusulas de irresponsabilidades são as convenções pelas quais o devedor eventual da
obrigação de indenizar obtém do credor eventual da mesma obrigação a renúncia à ação de
perdas e danos”.
p. 40: Natureza jurídica usual de “cláusula acessória de um contrato”, podendo ser também ato
isolado ou declaração unilateral do devedor da obrigação de indenizar, de origem não contratual.;
“Intervindo no contrato para afastar efeito do inadimplemento, ou declarada, genericamente, em
face de obrigação legal, para suprimir o resultado da infração, a cláusula, em qualquer caso, é
emanação da liberdade de contratar, em cujos limites se fixa rigorosamente a sua validade”.
p. 40: âmbito de incidência restrito da CLR: “As coisas ou bens que estão fora do comércio não
podem admitir a cláusula de irresponsabilidade relativa às consequêbcias da violação do direito a
que correspondem”. + ordem pública/bons costumes.
p. 234: “Nossa opinião está dada. Não há possibilidade de admitir a impunidade para a violação
da obrigação de incolumidade. Aliás, em face do direito brasileiro, não há como tergiversar, pois o
transporte, nele, apresenta essa cláusula implícita. Embora se trate de transporte de pessoas,
nada há que se oponha à cláusula de irresponsabilidade por atrasos, paradas não previstas,
mudança de serviço ou falta de lugares”.l
p. 235-236, risco desportivo: “Não porque admitamos que seja lícito estipular a irresponsabilidade
por ofensa à pessoa humana, nem porque a aceitação de risco tenha nesse terreno o efeito
pretendido, pois, a esse propósito não vale a regra ​volenti non fit injuria,​ mas porque participando
do duela, da luta ou corrida, a pessoa se converte, ela própria, em criador do risco ou do perigo,
isto é, ela se associa aos demais, no estabelecimento da situação de que advém o dano. Não é,
pois, fenômeno da vontade ou consciência de estipular, mas resultado de iniciativa, que, quando
não configure culpa, como quase sempre acontece, pelo menos caracteriza responsabilidade”.
TODAVIA, O AUTOR AFIRMA “Ao contrário, a participação em ação ilícita, embora perigosa, não
acarreta a responsabilidade do participante se não se prova que causou o dano. Quem toma parte
em jogo realizado na praça de esportes não é o responsável pelo dano causado a terceiro pelo
jogador que atira mal a bola”.

1. PRATA, Ana. ​Cláusulas de exclusão e limitação da


responsabilidade contratual​: regime geral. Coimbra:
Livraria Almedina, 1985
p. 19: fontes romanas, contudo, com imprecisão e dificuldade em se apurar as regras gerais
relativas às cláusulas naquele contexto histórico;
p. 22-23: maior importância das “raízes históricas nas relações jurídicas decorrentes das
atividades industriais, comerciais (e instrumentais destas), características da fase industrial do
capitalismo. (...) Temporalmente reconduzidas a esta época, o surgimento no princípio do século
XIX das cláusuals de exclusão ou limitação da responsabilidade e a sua multiplicação no decurso
dele são evidentemente explicados pelo facto de a elas responderem uma necessidade do
processo de industrialização, de segurança na exploração econômica de inúmeras atividades,
criadoras de vastos riscos e de consequentes custos de responsabilidade insuportáveis pela maior
parte das empresas”.
As CLR’s aplicavam-se até mesmo para restrição da resposnabildiade por danos decorrentes de
acidentes de trabalho (p. 24)
p. 25-26: maior proliferação das cláusuals no meio dos contratos de transporte, “em que os riscos
assumidos pelo transportador se apresentavam como dificilmente suportáveis pela incipiência dos
meios técnicos usados e pela frequente desproporção entre o valor dos danos e o custo do
serviço; a possibilidade de segurar os riscos inerentes; e ​last but not least,​ o facto de os contratos
de transporte serem, desde cedo, celebrados pela forma de contratos de adesão”.

CASOS IMAGINADOS:
- Relação entre duas pessoas jurídicas (CLR afastando danos morais à(s) PJ’s) - CDC permite
isso
- Contrato para realização de intervenção médica inovadora, com CLR afastando eventual
responsabilidade por falha na operação (assinalar impedimentos das normas que regulam a
profissão; ver livro do Eduardo)
- Contrato que envolve prática de esportes/atividades de risco com CLR
- Pacto antenupcial / contrato de união estável / contrato de namoro limitando a reparação por
ofensa a deveres conjugais (adultério, infidelidade, etc.)

NOTAS:
- o risco é ao mesmo tempo fator que inspira a CLR e fator que inspira a responsabilização
(objetiva, cf. art. 927, §ú do CC)