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Relatório da Gastronomia Mineira 2015

Coordenação
Agostinho Patrus Filho (ALMG)

Secretaria-Executiva
Anderson Rocha (BH Conventions & Visitors Bureau/CDL-BH)
Flávio Dornas (Associação Mineira de Gastronomia – AmiGa)
Marcelo Wanderley Alves (MW Negócios)
Márcia Martini (ALMG)
Marina Simião (Ícone Gestão, Treinamento e Consultoria)
Mônica Alencar (SEBRAE-MG)
Vani Pedrosa (SENAC-MG /Santuário do Caraça)

Proposta editorial: Márcia Martini

Diagramação e produção: Ana Catarina Cizilio

Revisão dos textos: Flávia Barros

Créditos das fotos utilizadas neste relatório:


Acervos da Secretaria de Estado de Turismo (Fotógrafos: Xará e
Sérgio Mourão), da Abrasel-MG e demais instituições parceiras e
apoiadoras da FGM

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Relatório da
Gastronomia
Mineira
2015

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ÍNDICE
Apresentação / Coordenador da FGM - Deputado Agostinho
Patrus Filho ............................................................................... 6

Introdução / Secretaria-Executiva da Frente da Gastronomia


Mineira ....................................................................................... 8

Trabalho Coletivo em Prol da Gastronomia / Marina Pacheco


Simião ........................................................................................ 9

EVENTOS ................................................................... 14
Festival Internacional de Araxá .................................15
Comida di Buteco ........................................................ 22
Expocachaça ................................................................ 26
Festival Fartura ............................................................ 30

INSTITUCIONAIS ....................................................... 35
BELOTUR....................................................................... 36
CDL................................................................................. 42
CODEMIG ...................................................................... 46
INDI................................................................................. 53
SEDA............................................................................... 57
SINDBUFÊ...................................................................... 61

PESQUISAS ............................................................... 70
ABRASEL....................................................................... 71
Rosilene Campolina.................................................... 86
Marcos Mercarejo Netto............................................ 92
UNA................................................................................ 98
Vani Pedrosa................................................................ 103

PROJETOS ................................................................ 111


Minas à Mesa.............................................................. 112
Vinhas Gerais.............................................................. 117

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temas básicos da constituição de uma
frente de trabalho evoluíram não só para a
necessária formação de uma identidade,
como também para a construção de um
planejamento estratégico. Elegemos a co-
ordenação, instalamos a secretaria-exe-
cutiva e criamos três grupos de trabalho
para tratar das temáticas priorizadas pelo
coletivo: a Identificação, Valorização e
Proteção dos Produtos e Modos de Fazer
Tradicionais de Minas Gerais; a Defesa da
Gastronomia Mineira, por meio da estra-
tégia Advocacy, e a Promoção da Gastro-
nomia Mineira.

Diversos eventos gastronômicos rece-


APRESENTAÇÃO beram o apoio institucional da Frente.
Em alguns deles estivemos presentes,
consolidando nossa marca e divulgando
os nossos propósitos. Entramos para as
redes sociais, vitrine compartilhada das
nossas demandas e conquistas. A divul-
A Frente da Gastronomia Mineira nasceu a gação do nosso trabalho fez com que
partir da constatação de que o setor gas- ampliássemos a quantidade de membros,
tronômico de Minas desenvolvia inúmeras recebendo, a cada reunião mensal, novas
atividades – todas de grande relevância – e qualificadas adesões.
mas, muitas vezes, de forma desconexa.
Observou-se que, ao articulá-las em um Enfim, nascemos, crescemos e amadu-
trabalho em rede, não só melhores resul- recemos. Muitas etapas foram vencidas
tados poderiam ser colhidos, como pos- nestes dois anos. Vale ressaltar que a
sibilitaria uma significativa economia de nossa configuração é de frente, rede, cole-
recursos financeiros e humanos. tivo, portanto, sem personalidade jurídica,
o que faz com que todo o trabalho desen-
Em maio de 2013, surgiu, então, a propos- volvido seja colaborativo e voluntário. São
ta de organizar um grupo que reunisse pessoas que emprestam seu tempo, sua
representantes de instituições públicas, força de trabalho, sua criatividade e deter-
privadas e do terceiro setor, formadores minação à causa da gastronomia, muitas
de opinião, empreendedores, profissio- vezes em detrimento dos seus afazeres
nais e pesquisadores do tema, enfim, to- pessoais e profissionais, e sem qualquer
dos aqueles que têm interesse ou parti- remuneração.
cipação na cadeia gastronômica. Nascia,
assim, a Frente da Gastronomia Mineira, Estamos aqui porque acreditamos no po-
com o objetivo de unir esforços em prol tencial que a gastronomia tem de unir os
da valorização, preservação e promoção mineiros e de fortalecer a nossa identi-
da culinária de Minas. dade cultural. Estamos aqui porque o es-
forço mútuo acelera a pavimentação da
São quase dois anos de trabalho árduo estrada que nos leva a consolidar Minas
e profícuo. As discussões iniciais sobre como o estado da Gastronomia.

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É com a certeza de que, embora tenha-
mos feito muito até agora – ou até mes-
mo por causa disto – nossos desafios se-
“Vale ressaltar que a
rão ainda maiores, especialmente em um nossa configuração é
cenário de crise que parece não poupar
nenhum setor. Contudo, estamos prepa- de frente, rede, coletivo,
rados para responder a eles. portanto, sem persona-
Neste cenário, já era hora de reunir o vasto lidade jurídica, o que faz
conhecimento a que a Frente tem acesso
por meio daqueles que integram o setor
com que todo o trabalho
gastronômico de Minas, para consolidá- desenvolvido seja cola-
-los num só lugar. Assim, é com desmedi-
do orgulho que entregamos aos mineiros borativo e voluntário”.
este trabalho – colaborativo, como todas
as nossas ações – que reúne uma série
de artigos, alguns de cunho institucional,
outros relacionados à pesquisa na área
da gastronomia, assim como abordagens
“Estamos aqui porque
sobre os mais importantes eventos gas- acreditamos no poten-
tronômicos desenvolvidos em nosso Es-
tado, além de projetos acadêmicos e em- cial que a gastronomia
píricos. tem de unir os mineiros
Quero agradecer aos membros da FGM e de fortalecer a nossa
e demais entidades que contribuíram na
elaboração deste relatório. Espero que o
identidade cultural”.
apreciem e que este seja apenas o primei-
ro exemplar de uma iniciativa que, tenho
certeza, em muito somará à construção
e à consolidação da memória da nos-
sa gastronomia mineira, um dos nossos
maiores bens, parte imprescindível do
nosso patrimônio e da nossa história.

Deputado Agostinho Patrus Filho


Coordenador da Frente da Gastronomia Mi-
neira

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INTRODUÇÃO

Com menos de dois anos de atividade, a Frente da Gastronomia Mineira já conta com a
participação dos mais diversos setores que compõem a cadeia produtiva da gastrono-
mia, configurando-se como uma das instâncias mais representativas do setor gastronô-
mico de Minas.

Tendo em vista a consistência das atividades que vêm sendo realizadas pelo grupo e a
oportunidade indeclinável de oferecer ao Estado e ao País, de maneira inédita, um relató-
rio temático de gastronomia, é que surgiu a proposta deste trabalho.

O Relatório da Gastronomia Mineira 2015 proporciona ao leitor uma visão do cenário atu-
al, a partir da perspectiva de pessoas e instituições que integram o setor. O objetivo, além
de servir de insumo à pesquisa e ao aperfeiçoamento de políticas públicas, é obter con-
clusões acerca das iniciativas que estão sendo desenvolvidas, visando à integração e
ampliação de resultados.

O primeiro bloco do Relatório apresenta dados de quatro importantes festivais gastronô-


micos. Neles, fica demonstrado o potencial de desenvolvimento da gastronomia minei-
ra, por meio da realização de eventos socioeconomicamente sustentáveis. Os números
mostrados são a comprovação inconteste de que os mineiros prestigiam os festivais tra-
dicionais e estão abertos à experimentação de novas iniciativas, gerando uma cadeia de
valor que movimenta o setor industrial e de serviços, além de gerar um número significa-
tivo de postos de trabalho.

A segunda parte do Relatório espelha a visão de instituições – públicas e privadas – sobre


programas, projetos, ações e políticas públicas voltadas à promoção, proteção e defesa
da gastronomia mineira, no âmbito das suas atribuições. Aqui, o desafio imposto é esta-
belecer complementaridade entre as iniciativas apresentadas, buscando pontos de con-
vergência para um maior aproveitamento dos recursos humanos e financeiros utilizados.

O terceiro bloco traz pesquisas bibliográficas e empíricas sobre diversos temas ligados
à gastronomia. Aspectos como o histórico da comensalidade mineira, o cenário atual do
setor da alimentação fora do lar, destinos e atrativos gastronômicos, consumo sustentá-
vel e soberania alimentar são abordados aqui. Essa parte é de fundamental importância
para a concretização dos objetivos do Relatório. É nela que os atores responsáveis por
planejar e executar ações que visam o desenvolvimento da gastronomia mineira vão co-
letar os insumos para a tomada de decisão.

Por fim, o Relatório apresenta três projetos em busca de suporte financeiro. Eles são
apoiados pela Frente da Gastronomia Mineira devido à relevância das temáticas e ao
grande potencial de contribuírem para promover a gastronomia de Minas. Por serem pro-
jetos autorais, o Relatório faz uma apresentação genérica, cabendo aos interessados o
contato com os proponentes para um maior detalhamento.

Secretaria-Executiva da Frente da Gastronomia Mineira

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Porém, nas últimas décadas, a humanida-
de está passando por mudanças radicais
no que diz respeito à forma de interagir
com seu semelhante, com os demais se-
res vivos e com o próprio ambiente que
nos cerca. As tecnologias trouxeram uma
nova realidade, avanços na saúde, redução
de distâncias e principalmente, a geração e
acesso à informação de forma instantânea
com o advento da internet, trazendo uma
era de conexão constante.

Em contraponto, a percepção de ter-se al-


cançado o auge em tecnologia e conhe-
cimento, trouxe uma percepção quanto a
uma espécie de esgotamento de recursos,
especialmente naturais, mas também hu-
manos e/ou financeiros, que está levando
TRABALHO COLETIVO EM a sociedade em geral a repensar atividades
e atuações.
PROL DA GASTRONOMIA
Em um mundo em que tudo está ao al-
Marina Pacheco Simião
Turismóloga, mestranda em Economia Criativa, cance de todos, em que todas as ativida-
Gestão Cultural e Desenvolvimento, membro da Se- des trazem consigo uma forte presença de
cretaria Executiva da Frente e sócia da Ícone Gestão, competitividade e disputa, a competição
Treinamento e Consultoria
torna-se algo intrínseco ao dia-a-dia de
profissionais, empresas, instituições, etc. A
“Toda força será fraca, se não estiver unida.” demanda por resultados, objetivos, metas
Jean de La Fontaine
em detrimento à uma constante escassez
“Reparta o seu conhecimento. É uma forma de de tempo, recursos sejam humanos ou fi-
alcançar a imortalidade.”
Dalai Lama nanceiros, traz uma constatação, que pa-
“Se precisas uma mão, recorda que eu tenho rece contraditória, mas verdadeira. É pre-
duas.” ciso cooperar para que de fato se logre os
Santo Agostinho
melhores resultados em torno das mais
O jargão “A união faz a força” nunca es- simples atividades até à gestão das mais
teve tão presente no dia-a-dia como tem distintas esferas de atuação, como temas
de consumo de água, alimentos, atividades
sido nas últimas décadas. O ser humano
em saúde, desenvolvimento de países e
demanda trabalho coletivo desde sempre.
territórios, etc.
Foi de maneira coletiva que foram alcan-
çadas as principais mudanças e evolu-
Desta maneira, novas formas de desen-
ções da sociedade. Afinal de contas, não volvimento, que prezam pela ação coletiva,
foi de forma isolada que o homem deixou com resultados compartilhados, tornam-
de ser nômade para fixar-se nos territó- -se cada vez mais presentes. Conceitos
rios, nem quando foram desenvolvidas como crowdfunding, crowdsourcing, de-
as primeiras cidades, realizadas as des- senvolvimento de redes, economia cola-
cobertas dos novos territórios, a revolu- borativa, co-working tornam-se cada vez
ção industrial, os avanços tecnológicos. mais constantes e passam a fazer parte
Ou seja, perceber a necessidade da ação do dicionário empresarial, governamental e
conjunta é algo intrínseco ao ser humano, também, educacional.
seja para o bem ou para o mal.
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Crowdfunding Economia Colaborativa

Crowdfunding ou financiamento coletivo, Também despertada em função da crise


trata basicamente de recorrer à socie- de 2008, a economia colaborativa ou eco-
dade para que uma proposta ou proje- nomia compartilhada, é uma forma de re-
to de interesse coletivo seja financeira- pensar negócios e atividades a fim de pro-
mente apoiado. Apesar do termo ter sido mover, em tempos de dificuldade, novas
cunhado por volta de 2006, foi a partir de formas de gestão de empreendimentos,
2008, quando a última grande crise eco- atividades e ações, trazendo novos servi-
nômica impactou diversos mercados, ços, criando novos mercados e gerando
que tornou-se mais evidente. A proposta novas cadeias de valor. Baseada princi-
consiste em apresentar, através de uma palmente no uso compartilhado de produ-
plataforma virtual, um projeto para que tos e serviços, mas também possibilitada
pessoas que se identifiquem com ele pela troca de conhecimentos, iniciativas e
possam contribuir para a sua realização. ações, gerando também novas formas de
Hoje, encontram-se iniciativas que vão relação. São exemplos de produtos que
desde edição de livros, produção de fil- seguem esta linha, os serviços ofertados
mes, passando por projetos de pesquisa por empresas que promover o comparti-
de novos produtos e materiais, iniciativas lhamento de veículos, a oferta de hospeda-
para combate à fome, defesa da fauna e gem em residências de particulares, como
flora, entre tantos outros. também a troca de serviços como, ensino
de aula de idiomas em troca de aulas de
Crowdsourcing ginástica.

Crowdsourcing é um termo que também Networking e Trabalho em Rede


foi criado por volta de 2005 e que iniciou-
-se como uma forma de compartilhar Nada mais do que trabalhar de forma con-
tarefas tediosas ou complicadas, mas junta e conectada com outras instituições,
que trasladou para ser uma forma cole- o trabalho em rede consiste na atuação
tiva de desenvolvimento de conhecimen- conjunta de diversos atores em prol de
to e produtos. Assim, designa a ação de um mesmo setor ou uma mesma causa.
um número inexato de pessoas que, de Exprime o conhecimento do setor de atu-
forma voluntária, dedicam parte de seu ação, seus gargalos e a busca por melho-
tempo à auxiliar no desenvolvimento de rias conjuntas, sem eliminar os diversos
novos produtos, sistemas e pesquisas. posicionamentos e alcance de diferenciais
Visto como uma forma de ganhar tempo frente ao mercado e clientes.
e otimizar recursos para desenvolvimen-
to de projetos diversos, é também uma De qualquer maneira, seja a linha ou for-
maneira de disseminar conhecimento e mato seguido, basicamente significa de-
promover ações de maior proximidade à senvolver atividades em coletivo, em prol
públicos de interesse. São exemplos de do coletivo. O que para tal exige novas for-
iniciativas de Crowdsourcing a platafor- mas de se relacionar e de se comprometer.
ma de informações wikipedia, o navega- O desenvolvimento destas linhas passa
dor Firefox, entre outros. por questões como, empoderamento, mo-
tivação, participação, mediação, reciproci-
dade, reflexão e claro, comprometimento.
Participar de uma experiência colaborativa
dá a oportunidade de compartilhar conhe-

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cimento e informação, fortalecer um de- ção de rede de saneamento básico, rea-
terminado setor ou atividade, otimizar lização de cursos e atividades de forma-
recursos, a partir do momento que se ção, entre outros.
dividem os esforços, e ofertar algo novo,
melhorado a partir do esforço integrado. A atividade turística em Minas Gerais é
marcada principalmente pelo turismo cul-
Minas Gerais e o Trabalho em Rede tural, sendo as cidades históricas como
Diamantina, Ouro Preto e Tiradentes al-
Minas Gerais é um estado atento à ino- guns dos destinos de maior referência.
vação e que procura se adaptar às mu- Em Belo Horizonte o turismo de negócios
danças e aos novos cenários. No que diz e eventos se destaca apresentando uma
respeito ao trabalho em rede, por exem- capital pujante e acolhedora que mescla
plo, é destaque no setor de turismo ao os benefícios de metrópole, porém, ainda
criar, em 2001, seu próprio processo de com ares de interior. Nas pesquisas reali-
regionalização do território estadual atra- zadas pela Secretaria de Estado de Turis-
vés da instituição dos Circuitos Turísti- mo a gastronomia se destaca como uma
cos Mineiros, que “abrigam um conjun- das principais imagens do estado, seja
to de municípios de uma mesma região, pelo queijo, pão de queijo, café ou cacha-
com afinidades culturais, sociais e eco- ça, o turista que vem à Minas Gerais bus-
nômicas que se unem para organizar e ca por sua gastronomia.
desenvolver a atividade turística regional
de forma sustentável, consolidando uma Desde então, a partir de 2012 o estado de
identidade regional. O trabalho destas Minas Gerais vem trabalhando em prol
entidades se dá por meio da integração do setor, buscando criar ainda mais co-
contínua dos municípios, gestores públi- nexões entre a cadeia produtiva da gas-
cos, iniciativa privada e sociedade civil, tronomia e as atividades turísticas do es-
consolidando uma identidade regional e tado que se posicionou como “O Estado
protagonizando o desenvolvimento por da Gastronomia”.
meio de alianças e parcerias.”2 O proces-
so mineiro foi uma das principais refe- Dentre as diversas iniciativas, podem ser
rências para a criação do Programa Na- citadas ações de internacionalização da
cional de Regionalização, instituído pelo gastronomia mineira através da partici-
Ministério do Turismo. pação de Minas Gerais no Madrid Fusi-
ón 2013, Gastrofestivais na Argentina e
A atuação em rede permitiu que as regi- Uruguai, participação na Feira do Livro de
ões alcançassem melhores resultados Frankfurt e na Feira do Livro de Paris com
na atividade turística, proporcionou a o apoio à edição do livro de gastronomia
aproximação de gestores públicos, em- “Le Brésil de Minas Gerais – Gastrono-
preendedores e entidades do setor para mie et tourisme.”
que o turismo fosse cada vez melhor es-
truturado. A atuação conjunta permitiu a Além disso, foi realizado o Projeto Minas
realização de melhorias de infraestrutura Criativa que abarcou estas atividades,
para os municípios que compõem as re- que culminou na criação da Superinten-
giões e que, de forma individualizada, não dência de Gastronomia de Minas Gerais,
seriam alcançadas, como por exemplo, a primeiro estado a ter um setor específico
melhoria de rodovias de acesso, instala- para tratar o tema no âmbito da gestão
ção de rede de saneamento básico, rea- pública.
2
Fonte: http://www.turismo.mg.gov.br/circuitos-turisticos/informacoes-administrativas

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Porém, para desenvolver um setor como Por ser uma cadeia produtiva extensa e
este, marcado pela diversidade de atores, bastante diversa, apresenta demandas
instituições e elos da cadeia produtiva, por vezes contrárias e por isso, a atuação
não basta apenas a intervenção de órgão conjunta e em prol de um objetivo único
público, mas sim, o entendimento de que é ainda mais importante.
gastronomia é um setor estratégico para
o desenvolvimento de Minas Gerais e de O grupo não possui uma formalidade jurí-
suas diferentes regiões. dica visto que seu maior interesse é atuar
de maneira a promover as ações de seus
Neste cenário, foi concebida e criada participantes, de maneira à evitar sobre-
a Frente da Gastronomia Mineira. Um posições e proporcionando interação de
conjunto de pessoas que representam atividades similares e/ou complementa-
as mais diversas instituições de ensino, res e todos os envolvidos participam em
empreendimentos, órgãos de governo, caráter voluntário.
associações e entidades do terceiro se-
tor vinculados direta ou indiretamente ao Composto por entidades como as Se-
setor gastronômico. cretarias de Estado de Turismo, Cultura
e Agricultura, Abrasel, CDL, Instituto Es-
A Frente da Gastronomia Mineira trada Real, Universidades, organizadores
no atual cenário de eventos entre outros, promove intera-
ções através de redes sociais e reuniões
Lançada em maio de 2014, a Frente da realizadas de forma regular.
Gastronomia Mineira está próxima de
completar seu segundo ano3 e desde seu Composto por um grupo que se dedica à
início preconizou a realização de ativida- sua secretaria executiva, com a coorde-
des no âmbito da cooperação e do traba- nação dos encontros, divulgação de in-
lho em rede. formações e ponto de referência para os
demais, promove também o debate mais
A Frente da Gastronomia Mineira se con- setorial a partir da formação de 03 gru-
figura como um coletivo de pessoas que pos temáticos.
tem como interesse comum a valoriza-
ção, promoção e fortalecimento da Gas- O primeiro deles o grupo denominado
tronomia Mineira. Inspirada em outros Identificação, Valorização e Proteção dos
exemplos encontrados no mundo, como Produtos e Modos de Fazer Tradicionais
a APEGA – Associação Peruana de Gas- de Minas Gerais. O segundo, o grupo Ad-
tronomia e a Sopexa, Agência de marke- vocacy, defesa da Gastronomia Mineira.
ting internacional para promoção de pro- E por fim, o grupo de Promoção da Gas-
dutos franceses e a Euro-toques, coletivo tronomia Mineira.
europeu para a promoção dos produtos
artesanais e sazonais dos países do blo- Apesar de não ter uma formalidade ju-
co da Comunidade Europeia. rídica, a FGM desenvolve suas ações de
maneira estruturada e regular, incenti-
Sua criação veio para sanar a crescente vando a participação coletiva e a troca de
necessidade dos atores do setor de te- experiências e conhecimentos.
rem um espaço de conhecimento, debate,
compartilhamento de ideias e informa- O grupo teve, ao final de 2014, o desen-
ções e principalmente, de aproximação. volvimento de seu primeiro plano estra-
tégico, coordenado pelo Sebrae/MG que
3
Fonte: http://www.fgmg.com.br

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culminou com a proposição de ações O grupo também se organizou para o de-
macro coordenadas pelos grupos de tra- senvolvimento do Relatório da Gastrono-
balho citados a partir de um Coordenador mia, o agrupamento de variados artigos
Geral que se tornou o porta-voz do gru- que envolvem a temática para promover
po junto à futuras iniciativas, tais como, ainda mais o setor e disseminar o conhe-
a proposição de ações e projetos para o cimento gerado por seus parceiros, do
Governo Estadual e Governo Federal. qual este artigo faz parte.

Ao final de 2014 a Frente tinha repre- Para 2016 surgem novos desafios que
sentações dos mais diversos setores e vão desde questões tributárias, passan-
entidades como: Sebrae/MG, Setur/MG, do por aspectos técnicos ao posiciona-
CDL/MG, Senac e Sistema Fecomércio, mento e promoção do setor. Porém, a
AMIGA, Abrasel/MG, produtores, chefs atuação coletiva deste grupo tem todos
de cozinha, pesquisadores e muitos em- os atributos para continuar fazendo a di-
preendedores do setor. O ano de 2015 foi ferença para o setor e para o desenvol-
marcado pelo avanço das ações e maior vimento estratégico do estado de Minas
projeção do grupo, que vem ganhando Gerais. •
cada vez mais adeptos, sejam profissio-
nais, empreendedores, pesquisadores e Referências
representantes de instituições públicas e
do terceiro setor. http://consumocolaborativo.cc/entendendo-a-economia-
-colaborativa-e-economia-compartilhada/

No ano em questão, foram realizadas http://consumocolaborativo.cc/diretorio/sites/cat/alimen-


reuniões mensais, além da participação tacao
do grupo em diversas iniciativas como http://tedxtalks.ted.com/video/TEDxULg-Lisa-Lombardi-
as comemorações referentes ao Dia da -Coworking;search%3Acoworking
Gastronomia Mineira, celebrado em 5 de
julho de 2015, como participações em http://consumocolaborativo.cc/diretorio/sites/cat/alimen-
tacao
eventos e o apoio para maior projeção e
regulamentação do setor, com a aprova- http://www.instituteforgovernment.org.uk/sites/default/
ção do Projeto de Lei 1.618/2015 que ge- files/publications/Collaborative%20working.pdf
rou a Lei Nº 21.936, de 23 de dezembro http://wiki.douglasbastien.com/images/e/e9/From_com-
de 2015 que institui a Política Estadual de petition_to_collaboration_in_public_service_delivery_-_A_
Desenvolvimento da Gastronomia4 que new_agenda_for_research.pdf
dá os primeiros passos para o desenvol- http://nynordiskmad.org/fileadmin/webmasterfiles/PDF/
vimento de políticas públicas para o se- Ny_Nordisk_Mad_Low.pdf
tor, fazendo de Minas Gerais o primeiro
estado brasileiro a ter uma política de de- http://www.culinary-tourism.com/en/site/summary
“Towards an integrated crowdsourcing definition” Journal
senvolvimento específica para o setor. of Information Science, April 2012, vol. 38 no. 2, pp. 189-
200
Com certeza essa foi uma das maiores
Open Innovation: Researching a New Paradigm. Oxford:
vitórias do grupo que apoiou diretamen- Oxford University Press, 2006. ISBN: 0-19-929072-5.
te o desenvolvimento e a divulgação da
proposta, fazendo com que o apoio das http://hbrbr.com.br/como-erguer-uma-empresa-colabora-
tiva/
diversas entidades participantes fosse
diferencial para sua aprovação e agora, http://www.aiim.org/What-is-Collaboration#sthash.c3x3p-
sua futura execução. MoX.dpuf
4
Disponível em: http://jornal.iof.mg.gov.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/156738/caderno1_2015-12-24%201.pdf?se-
quence=1
13
EVENTOS
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GASTRONOMIA DE ARAXÁ, CULINÁRIA
TÍPICA FORMADA PELOS SABERES E
SABORES DE SUA HISTÓRIA
ARMANDO DE ANGELIS zinho de Sacramento, e dos fazendeiros
Idealizador e promotor do Festival Internacional de
que chegaram e fundaram a “Freguesia
Cultura e Gastronomia de Araxá.
de São Domingos de Araxá”, atraídos pela
pastagem e pelo sal proveniente de suas
águas minerais na engorda do gado, no-
A gastronomia é uma parte muito impor- vos ingredientes foram introduzidos nas
tante nos hábitos e costumes de Araxá. receitas que caracterizaram a comida
Sua introdução na cultura local iniciou caipira, como é conhecida hoje. É dessa
há cerca de quatro séculos, quando os época a origem dos seus famosos quei-
índios que se instalaram no território jos e das sobremesas que fazem a fama
formado entre os rios das velhas (hoje de Araxá como “Cidade Doce”.
Araguari) e o Quebra Anzol, que se deno-
minaram Arachás (“aqueles que habitam Após abrigar o mito Dona Bêja, que por
lugar alto onde primeiro se avista o sol”). sua influência trouxe de volta para Mi-
Da cultura indígena foi herdado o gosto nas a jurisdição do Triângulo Mineiro e
pelos alimentos provenientes dos frutos, Alto Paranaíba, a “Vila de São Domingos
da caça e da pesca, além das técnicas de de Araxá” se tornou cidade e cresceu,
produção da farinha. atraindo inúmeras famílias de brasileiros
de outras regiões e imigrantes, especial-
Os escravos negros que formaram o mente os italianos, espanhóis e portu-
Quilombo do Tengo Tengo na vizinha gueses, árabes, sírio-libaneses e tantos
Ibiá, que mantinham convivência pacífi- outros povos que trouxeram novos hábi-
ca com os índios Arachás, ajudaram na tos alimentares, ingredientes e sabores.
construção da culinária regional com a
introdução de alguns temperos, ensopa- Após servir na engorda do gado pelas
dos, o uso do verde em suas refeições, propriedades do sal de superior qualida-
entre outras heranças gastronômicas. de encontrado junto às fontes de uma
área de abundante caça, suas águas fo-
Os homens brancos – bandeirantes pau- ram reconhecidas como curativas e reju-
listas e tropeiros –, que passaram a ca- venescedoras, atraindo visitantes de toda
minho de Goiás pelos “Sertões da Fari- espécie. No Barreiro, como era conheci-
nha Podre”, hoje Triângulo Mineiro e Alto da essa área, foram construídos balneá-
Paranaíba, na época do domínio dos ín- rio, pensões e hotéis, que mais tarde foi
dios e negros, contribuíram com a forma- revigorado com a edificação do Grande
ção da culinária regional introduzindo ali- Hotel, suas Termas e o seu Parque, con-
mentos preparados para longas viagens, siderado na época como a maior e mais
como a carne seca, o toucinho, o feijão completa estância hidromineral do con-
tropeiro e a farofa. tinente.
A partir da fixação dos mineradores de Com o advento do turismo, Araxá abrigou
ouro que fundaram o “Arraial do Tabulei- a alta gastronomia internacional, que in-
ro”, hoje Desemboque, no município vi-

15
corporou e se adaptou muito bem aos in- 15 anos, o projeto foi retomado após as
gredientes de sua típica culinária, crian- adaptações necessárias para os novos
do, assim, uma comida diferenciada pela tempos. Através de parceria e sociedade
cumplicidade da simplicidade de sua co- com Agenor Lemos Junior, viabilizamos
zinha com o requinte e a sofisticação dos em 2007 o Festival Internacional de Cul-
pratos servidos nos melhores restauran- tura e Gastronomia de Araxá.
tes do mundo.
2007 – PRIMEIRA EDIÇÃO:
Já conhecida pela qualidade do seu quei- Local: Pátio externo, galeria e salão azul
jo, pelas delícias dos seus doces e pela do Ouro Minas Grande Hotel de Araxá Pe-
mesa requintada do Grande Hotel, a di- ríodo: 20 a 23 de setembro
versidade cultural inserida na cozinha
caseira de Araxá rompeu fronteiras e se Patrocínio cultural: CBMM - Apoios e
projetou nacionalmente a partir da pu- parcerias: Ouro Minas Grande Hotel de
blicação das 3 edições de coletâneas de Araxá, Secretaria de Turismo – Governo
receitas reunidas por Fernando Braga no de Minas, Prefeitura Municipal de Araxá,
livro “Araxá Põe a Mesa”. ABRASEL – MG, SESI e SENAC.

Na década de 80, empresários, amantes Na área externa do Ouro Minas Grande


da gastronomia se reuniram e fundaram Hotel de Araxá foi montada uma grande
o Clube da Cozinha de Araxá com o obje- tenda com palco para apresentações do
tivo de resgatar receitas praticadas nas Jazz Festival, tendo ao seu entorno ten-
fazendas, romarias, nas festas religiosas das gastronômicas, espaços especiais
e cozinhas caseiras de seus conterrâ- para o Clube da Cozinha de Araxá, que
neos, algumas publicadas no livro “Me- apresentou pratos típicos regionais –
lhores Receitas do Clube da Cozinha de “Destrincho do Porco”, “Paelha Caipira” e
Araxá”. “Velório do Boi”. Os workshops e oficinas
gastronômicas em tenda especial, onde
O Festival Internacional de Cul- foram apresentados os seguintes temas:
tura e Gastronomia de Araxá “Culinárias Brasileira e Francesa” – chef
Alexandre Figo, “Culinárias Argentina e
Em 1992, tive a ideia precursora de reali- Chinesa” – chef Donisete Damasceno,
zar um festival cultural e culinário das de- “Culinárias Italiana e Mexicana”– chef
lícias de Araxá, ao qual batizei de “Trem Adriano dos Santos , “Culinária Interna-
Gostoso – Festival de Araxá”, cujo projeto cional Contemporânea” – chef Ivo Faria,
previa a montagem de uma grande praça e “Doces de Araxá” – Vó Lourdes. Houve,
entre o Grande Hotel e suas Termas, com ainda, degustações de vinhos e cacha-
estandes de artesanatos típicos, mostras ças, além de cursos de educação alimen-
de artes plásticas e degustação de sua tar pelo SESI.
famosa gastronomia, acompanhada por
espetáculos musicais com artistas locais Na galeria do Grande Hotel foram mon-
e regionais. tadas bancas para livraria, onde houve
os lançamentos dos livros “Arte Culiná-
Com importantes apoios o projeto ga- ria de Chistophe Bessse” e “Mexidos ou
nhou força, mas foi interrompido pelo Mexidinhos...?”, de Agenor Lemos Junior,
fechamento para reforma e restauração bancas de artesanatos, doces, queijos,
do Grande Hotel e suas Termas, que per- cachaças e produtos culinários. Exposi-
durou por quase uma década. Passados ções de artes plásticas – “Arte de Araxá”,

16
e fotos antigas – “História de Araxá”. No Caldos”, de minha autoria. Nas artes
Cine teatro foi realizado o lançamento do plásticas, exposição de pinturas “Sabor
filme “Expresso Araxá” e apresentação com Arte” sob curadoria de Lucia Casta-
do grupo de dança do SESI Minas. nheira e exposição comemorativa dos 50
anos da passagem da Seleção Brasileira
No palco apresentaram: Vi Voz, Bejazz por Araxá antes da conquista do primeiro
e Orquestra de Violas, Derico & Sindica- título como campeã mundial de futebol.
to do Jazz, Juarez Maciel e Grupo Muda, Os shows musicais estiveram a cargo de
Swiss College Dixie Band, Divinil, All Star Elaine Fiora, Banda Divinil, Sandra de Sá
Jazz Band e Orquestra de Câmara do e Banda Vil Metal, Grupo Vi Voz, Clube do
SESI Minas. No salão de festas do Gran- Choro, Pepeu Gomes e Banda Vil Metal,
de Hotel foi realizada uma apresentação Beja Jazz e Samba Três.
especial de Ed Mota.
Nos workshops e oficinas gastronômi-
No salão azul do Ouro Minas foram rea- cas: “Culinária Cubana – Delícias de Fi-
lizados 3 festins: “Culinária Internacional del” - chef Sula Santana, “Culinária La-
Contemporânea” – chef Ivo Faria, “Culi- tina, Sabores de México e Chile” - chef
nária Italiana” - chef italiano Luciano Bo- Marta Autran, “Tropeiros e Bandeirantes
seggia e “Culinária Francesa” - chef suí- na Formação da Gastronomia Regional”
ço Christophe Besse. No sábado, o Ouro - chef Maurício Lopes, “Culinária Interna-
Minas promoveu na orla de sua piscina cional Alemã” - chef alemão Heiko Gra-
uma feijoada especial pelo chef Marcelo bole, “Tecnologia Espanhola com Ingre-
de Paula. dientes Brasileiros” - chef Marta Autran,
“Culinária Internacional Contemporânea”
2008 – SEGUNDA EDIÇÃO: - chef francês Yves Pinard, “Coqueteis
Local: Pátio externo, galeria e salão azul – Aprendendo a Fazer” - barman Adair
do Ouro Minas Grande Hotel de Araxá Gomes das Silva, “Doces de Araxá I” - Vó
Período: 28 de maio a 1º de junho Lourdes, “Turismo Gastronômico Inte-
grado” - chefs Graziela Milanes, Marta
Patrocínio cultural: CBMM - Apoios e Autran, Sula Santana, Maurício Lopes e
parcerias: Ouro Minas Grande Hotel de Lucia Helena Soares, “Culinária Interna-
Araxá, Secretaria de Turismo – Governo cional Tailandesa” - chef Marcos Sodré,
de Minas, SENAC, SESC e Universidade “Harmonização de Vinhos Brasileiros
Anhembi Morumbi. com a Comida Regional” - chefs Marta
Autran, Sula Santana, Graziela Milanesa
Na sua segunda edição, mantendo a mes- e Lucia Helena Soares, “Doces de Araxá
ma estrutura funcional e o mesmo local, II” - Dona Joaninha, e “Culinária Italia-
o Festival de Araxá estabeleceu parceria na” - chef Ivo Faria. No mesmo espaço
cultural com o curso de gastronomia da houve ainda palestra – a “Formação da
Universidade Anhembi Morumbi e com o Culinária Regional do Sudeste Brasileiro”
consulado da Argentina em Minas Gerais, - professor Ricardo Maranhão, e degus-
que apresentou no Cine Teatro os filmes tações de cervejas artesanais, vinhos e
“Histórias Mínimas”, “El abrazo partido”, espumantes.
“Plata Quemada” e “ El Bonaerense”, e um
espetáculo do tango clássico argentino. O Clube da Cozinha de Araxá apresentou
Nessa edição foram lançados os livros o “Carneiro no Buraco”, “Destrincho do
“As 100 melhores receitas do Clube da Porco”, “Peixada do São Francisco”, “Pa-
Cozinha de Araxá” e “Sopas, Cremes e elha Caipira” e o “Velório do Boi”.

17
Nesta edição o festival inovou ao apre- rinho e Bossa Nova, Happy Feed Jazz
sentar festins duplos. Na quinta feira, Band, Nicolau Sousbeck e Seu Violino
“Culinária Internacional Contemporânea” Mágico, Banda Divinil, Samba 3 e Todos
- Chef Ivo Faria, e “Encontro de Culturas Nós, um encontro livre de músicos de
Gastronômicas” - chefs Francisco Rebe- Araxá.
lo, Sula Santana, Maurício Lopes e Marta
Autran. Na sexta feira, “Culinária Interna- Nos workshops e oficinas gastronômi-
cional Italiana” - chef Sergio Arno, e “Culi- cas foram apresentados: “Culinárias Ca-
nária Internacional Tailandesa” - chef ribenha e Portuguesa” - chef José Carlos
Marcos Sodré. No sábado, “Culinária In- Rodrigues de Souza, “Cozinha Oriental”
ternacional Francesa” - chef Yves Pinard, - chef Akira Ideriha, “Sabores de Minas”
e “Culinária Internacional Contemporâ- - chef Eduardo Avelar, “Culinária da Amé-
nea Alemã”, chef alemão Heiko Grabole. rica do Sul”, “Sobremesas” e “Cozinha
Ainda no sábado, almoço festim com o Contemporânea e Novas Tendências” -
chef Marcelo de Paula na orla da piscina chef Ronnie Peterson, “Culinária Inter-
do Ouro Minas Grande Hotel de Araxá. nacional Francesa” - chef Marc Le Cor-
nec, “Doces de Araxá” – doceira Marcia,
2009 – TERCEIRA EDIÇÃO: “Culinária Internacional Espanhola” - chef
Local: Pátio externo, galeria e salão azul Montse Estruch, “Culinária Internacional
do Ouro Minas Grande Hotel de Araxá Italiana” - chef Vittorio Cerritelli, “Doces
Período: 27 a 31 de maio de Araxá” - Dona Joaninha, e “Culinária
Contemporânea Italiana” - chef Ivo Fa-
Patrocínio cultural: CBMM - Apoios e par- ria. No mesmo espaço foram realizados
cerias: Ouro Minas Grande Hotel de Ara- 2 mesas redondas – “Produtos Brasilei-
xá, Secretaria de Turismo – Governo de ros na Culinária Internacional” e “Doces
Minas, SENAC e SESC. Artesanais”, com a participação de vários
chefs e jornalistas gastronômicos, além
Na terceira edição do Festival de Araxá das degustações de cervejas artesanais
foi realizada uma pré-abertura com um mineiras e vinhos.
workshop preparativo – “Mise em Place”,
sob o comando de professores do curso O Clube da Cozinha de Araxá novamente
técnico de hotelaria do SENAC, e um fes- marcou presença com o “Festival do Cor-
tim exclusivo para convidados especiais deiro”, “Festival Paelha Caipira” e com o
– “Reinventando a Culinária Mineira”, sob seu tradicional “Velório do Boi”.
o comando do chef Eduardo Avelar.
Os festins ocorreram sob o comando do
Nas artes plásticas, exposição das ar- chef italiano Vittorio Cerritelli – “Serata
tistas Sandra Lemos, Berenice Valverde, Italiana”, da chef espanhola Montse Es-
Regina Albergaria, Simone Mourão, Beth tuch – “Uma Noite no El Cingle”, e do chef
Fiche, Cibele Versiani e Eliane Ottoni. No francês Marc Le Cornec – “Vive la Fran-
Cine Teatro, apresentação dos filmes “A ce” . Ainda, festim almoço no Ouro Minas
Festa de Babete”, “Chocolate” e “Sabor da Grande Hotel - “Feijoada Mineira” pelo
Paixão”. chef Marco Aurélio Soares.

As apresentações musicais estiveram a


cargo de Alan Tannus e Banda, Carona
Brasil, Banda Peixe Vivo, Vi Voz, Rivers
Boat’s Jazz Band (USA), Regra 3 – Cho-

18
2010 – QUARTA EDIÇÃO Porco” e “Velório do Boi”.
Local: Pátio externo, galeria e salão azul
do Tauá Grande Hotel Termas Conven- Os festins ficaram a cargo de Ivo Faria e
tions de Araxá Eduardo Avelar – “União dos Saberes e
Período: 17 a 20 de junho Sabores de Minas”, Jefferson Rueda – “A
Patrocínio cultural: CBMM - Apoios e par- Cozinha do Pomodori” e Emmanuel Bas-
cerias: Tauá Grande Hotel Termas Con- solei – “Culinária Francesa no Brasil”.
ventions de Araxá, SENAC, SESC, IMA e
EMATER. 2012 – QUINTA EDIÇÃO:
Local: Pátio da Fundação Cultural Cal-
Sob nova direção, o Grande Hotel mais mon Barreto
uma vez foi palco do Festival Internacio- Período: 21 a 24 de junho
nal de Cultura e Gastronomia de Araxá.
Na sua galeria, feira de artesanato, pro- Patrocínio cultural: CBMM e Vale Fertili-
dutos gastronômicos, livraria, com noites zantes - Apoios e parcerias: Fundação
de autógrafos de Beatriz Rosa - “Coisas ACIA (Associação Comercial e Industrial
da Cozinha”, de Mirian Cerruti - “Coque- de Araxá), FCCB, Secretaria de Turismo –
teis com Cachaça e Delícias Brasileiras Governo de Minas, SENAC, SESC e Wäls.
com Cachaça” e livros de Emmanuel
Bassolei. Exposição de artes plásticas – Diante da não realização da edição de
“Pelos Caminhos de Minas”, das artistas 2011, em razão de divergências concei-
Sandra Lemos, Berenice Valverde, Beth tuais e operacionais com o novo arrenda-
Fichez, Regina Albergaria e Simone Mou- tário do Grande Hotel, o festival foi intei-
ra. ramente remodelado e transferido para o
pátio da Fundação Cultural Calmon Bar-
No palco: Beja Jazz, Banda do Síndico reto, antiga Estação Ferroviária de Araxá.
(ex-Vitória Regia), Alan Tannus, os Tião Nesse espaço foi montado uma grande
e Banda Divinil, Ausier Vinicius e Grupo tenda com palco, cercada por tendas
Pedacinhos do Céu, Bossa Violada, Zé da gastronômicas, além das tendas de co-
Velha e Silvério Pontes, Sargent Peppers, bertura das áreas de artesanatos e pro-
Daniela Spielmann Trio, Toninho Horta, dutos culinários, salão de workshops e
Dip Six, Vi Voz e Os Arachás. oficinas, salão de festins e cozinha com
visibilidade para o público, wine bar, Clu-
Nos workshops e oficinas gastronômi- be da Cozinha de Araxá e Praça das Mas-
cas: Donizete Damasceno - “Sabores sas.
do Salmão”, Eduardo Avelar – “Culinária
das Geraes”, Mirian Cerruti – “Delícias da Na antiga plataforma do trem, a exposi-
Cachaça”, José Carlos – “Culinária Me- ção de artes plásticas “Sagrados Sabo-
xicana”, Maria Emilia de Oliveira – “Cozi- res de Minas – Terrois Gastronômicos”
nha de Fusão 1 e 2”, Helga de Andrade das pintoras Berenice Valverde, Beth Fi-
– “Delícias do Café”, Henrique Pires – che e Sandra Lemos. No pátio, artes cê-
“Cervejas Belgas – Ingredientes e Estilo” nicas com o grupo Grüne Sdat – “Folclo-
e Vó Lourdes – “Doces de Araxá”. Ainda, re Alemão”, e Grupo Camaleão – “Dança
o concurso da EMATER e IMA “Melhor de Rua”. Foi ainda lançado o livro de Wa-
Queijo Minas – Etapa Araxá”, e degus- iner Ganzarolli Ferreira - “Receitas Minei-
tações de vinhos, cervejas artesanais e ras da Vó Cília”. No palco, apresentações
cachaça. No Clube da Cozinha de Araxá: de Jorge Vinis e seu Chorrinho, Bêjazz,
“Rebordosa do Cordeiro”, “Destrincho do Mississipi Jazz Band, Helton Silva Jazz

19
Septeto, Hermeto Pascoal, Jazz Guitar, No palco: Bêjazz, Cia do Choro, Danny
Bossa Violada, New Samba Jazz, Big Vincent, Wagner Tisso em Trio, Leonído,
Band do Palácio das Artes, Bosquinho e Bosquinho e Oswaldinho, Mississipi Jazz
Leonídio, Quarteto Romã, Orleans Street Band, Big Band Blues e Afins, Bocato,
Jazz, Donny Nichilo, Orchestra Big Time, Igor Prado & Sugaray Rayford, Nota Certa
Cezar Braga Jazz & Bossa e Chorando na Jazz Quinteto, São Paulo Ska Jazz, Or-
Janela. questra Viva, Banda Sinfônica Pe. Clóvis
e Grupo Chorando na Praça.
Nos workshops e oficinas gastronô-
micas: Daniela Narciso – “Cozinha das Os workshops e oficinas gastronômicas
américas”, Gustavo Miazzo – “Cozinha ficaram a cargo dos chefs: Paula Dughe-
Inglesa”, Thiago Moeda, Marcelo Abbon- rof – “Tendências e Receitas com Café”,
danza e Ivan Santinho – “Confit e Conser- Igor Martins, Manoela Leblon e Vinicius
vação Caipira” e “A relação entre Queijos Rojo – “Cocção de Carnes em Baixa Tem-
Mineiros e Franceses”, Cecília Rosa – peratura”, “Técnicas de Mixologia para
“Doces”, Paulo Henrique Maneira – “Co- Drinks Brasileiros”, “Queijos Brasileiros –
zinha Regional de Araxá com Técnica de Diferentes Formas de Utilização na Cozi-
Vanguarda” e Manoela Leblon – “Cozinha nha de Tendência” e “Aplicações de Téc-
Ligth’. Degustações de vinhos e cervejas nicas de Vanguarda na Cozinha Mineira”
artesanais mineiras, mais o Clube da Co- e Beto Amaral – “a Briga por uma Panna
zinha de Araxá com “Galinhada a Moda Cotta Perfeita”. Além das degustações
Dona Bêja”, “O Destrincho do Porco”, “Pa- de queijos, vinhos, cervejas artesanais
lha Caipira” e o “Velório do Boi”. e cachaça, o Clube da Cozinha de Araxá
apresentou a “Rebordosa de Cordeiro”,
Os festins ficaram a cargo dos renoma- “Leitão da Canastra com Tutu Tonto”,
dos chefs franceses residentes no Brasil: “Paelha Caipira” e o “Velório do Boi”.
Laurent Suaudeu, Erick Jacquin e Claude
Troisgros. Os festins estiveram a cargo das chefs:
Bel Coelho, Janaína Rueda e Nádia Ha-
2013 – SEXTA EDIÇÃO: ron.
Local: Pátio da Fundação Cultural Cal-
mon Barreto 2014 – SÉTIMA EDIÇÃO:
Período: 6 a 9 de junho Local: Pátio da Fundação Cultural Cal-
mon Barreto
Patrocínio cultural: CBMM e Vale Fertili- Período: 24 a 27 de julho
zantes - Apoios e parcerias: Fundação
ACIA (Associação Comercial e Industrial Patrocínio cultural: CBMM e CEMIG -
de Araxá), FCCB, Secretaria de Turismo – Apoios e parcerias: Fundação ACIA (As-
Governo de Minas, SENAC, SESC e Wäls. sociação Comercial e Industrial de Ara-
xá), FCCB, Prefeitura Municipal de Araxá,
Com a mesma infraestrutura, a sexta SENAC e Wäls.
edição do Festival de Araxá apresentou
a exposição de artes plásticas “Simples- A sétima edição do festival comemorou
mente Mulher’, de Sandra Lemos, Regina os 70 anos do Grande Hotel de Araxá e os
Albergaria, Simone Mourão e Beth Fiche, 90 anos do Copacabana Palace, que par-
e os espetáculos do Araxá Dance Club, ticipou com os seus chefs à frente dos
com seus deficientes físicos em cadeiras festins. A carreta do SENAC esteve sob
de rodas, e Comida dos Astros. o comando dos seus chefs nas oficinas

20
gastronômicas. Nas artes cênicas, espe- Vinnis, Oncalô, Marcos Paiva & Vanessa
táculos de Circus & Circus e Araxá Dan- Moreno, Corporação Musical Lira Santo
ce Company. No palco, apresentações Antonio e os Arachás.
musicais de: maestro Bruno com “Nos-
sa Música no Coreto”, Nota Certa Jazz A carreta do SENAC esteve presente nas
Quinteto, Bêjazz, Big Band Blues e Afins, oficinas gastronômicas sob o comando
Igor Prado & Willie Walker Band, Acordes do chef Donisete Damasceno. No salão
Araxá, Pablo Fagundes & Marcos Moraes, de festins foram realizadas degustações
VJ Trio & Vanessa Jackson, Paulistana de cervejas artesanais mineiras e vinhos,
Trio Jazz & Tony Gordon, Grupo Vozes, enquanto que o Clube da Cozinha de Ara-
Vi Voz, Happy Feet Jazz Band, Vil Metal xá apresentou o “Frango de Araxá com
Band, Chorando na Praça, Orquestra Viva Quiabo e Angú”, “Tropeiro do Cerrado” e
e Banda Sinfônica Pe. Clóvis. “Velório do Boi”.

Na carreta do SENAC oficinas gastronô- Os festins, com paladar italiano, estive-


micas com seus chefs instrutores - Thia- ram sob o comando dos chefs Tássia
go Ávila, Aldei Oliveira e Donisete Damas- Magalhães, Renato Carioni e Carlos Ber-
ceno, e dos chefs convidados - Manoela tolazzi.
Leblon e Luiz Fernando Gregório. No sa-
lão dos festins, degustações de cervejas O Festival Internacional de Cultura e Gas-
especiais e vinhos. O Clube da Cozinha tronomia de Araxá institucionalizou ain-
de Araxá apresentou: “Chocalhando o da mais os “Saberes e Sabores de Araxá”,
Galinheiro – Frango de Araxá”, “Velório contribuindo com a melhoria de qualida-
do Boi” e “Paelha Caipira”. de dos pratos servidos nos restaurantes
locais e influenciando a gastronomia re-
Os festins ficaram sob o comando dos gional das Gerais.
chefs do Copacabana Palace Hotel –
Paulo Henrique Maneira, Itamar Araújo e
Rafael Hidaka.

2015 – OITAVA EDIÇÃO:


“A diversidade cultural
Local: Pátio da Fundação Cultural Cal- inserida na cozinha
mon Barreto
Período: 17 a 20 de setembro caseira de Araxá
Patrocínio cultural: CBMM - Apoios e
rompeu fronteiras e se
parcerias: Fundação ACIA (Associação projetou
Comercial e Industrial de Araxá), FCCB,
Prefeitura Municipal de Araxá, SENAC e
nacionalmente”
Wäls.

A última edição do festival apresentou a


exposição fotográfica “Olhares de Araxá”
e os espetáculos de dança da Cia Valen-
tina de Teatro e Araxá Dance Company.
No palco, Bêjazz, Nota Certa Jazz Quinte-
to, Grupo Latinoamérica, Charanga Pop,
Tarcísio Moura Blues e Afins, Choro de

21
COMIDA DI BUTECO
Maria Eulália Araújo 5. Realização da sessão de fotos dos pe-
tiscos concorrentes;
6. Captação de parceiros estratégicos e
Criado em 2000, na cidade de Belo Hori- patrocinadores;
zonte, o Comida di Buteco surgiu como 7. Realização do planejamento de mídia
uma promoção da Rádio Geraes FM. Em e negociação com os veículos de comu-
sua primeira edição contava com 10 par- nicação;
ticipantes nas diferentes regiões da ci- 8. Visita aos botecos participantes com
dade, movimentando, naquele ano, um os patrocinadores e parceiros estratégi-
público de aproximadamente 20 mil pes- cos;
soas. 9. Oferecimento de cursos de capacita-
ção e treinamento de forma gratuita aos
O Comida di Buteco, que está em sua 16ª botecos participantes em parceria com
edição, inova ao ser o primeiro concurso instituições de ensino;
nacional que elege o melhor boteco da 10. Realização de reuniões de trabalho
cidade, por meio de um resgate dos va- junto aos botecos participantes, patro-
lores regionais, o que alavanca a autoes- cinadores e jurados (técnicos, gastrôno-
tima dos botecos e cumpre seu papel de mos, chefs de cozinha, nutricionistas, es-
valorizador da culinária de raiz. Ao des- pecialistas no assunto, jornalistas);
cobrir bares familiares que tem na base 11. Realização de ação de divulgação ex-
da sua cozinha ingredientes e produções clusiva voltada para imprensa;
locais e ao incentivá-los com ingredien- 12. Execução do concurso durante 31
tes regionais, o Comida di Buteco fortale- dias;
ce a valorização da regionalidade. 13. Apuração dos votos;
14. Realização de eventos de premiação;
Ano a ano o concurso foi ganhando re- 15. Entrega de resultados.
levância no contexto nacional da gastro-
nomia e entretenimento, colocando Belo Por sua abrangência e dinâmica que pro-
Horizonte no radar dos turistas apaixo- move a criação e resgate de novas recei-
nados por roteiros ligados à culinária. tas todos os anos, o concurso tornou-se
um importante estímulo do fazer culiná-
As etapas para realização do concurso rio regional, assim, natural e diretamen-
se dividem da seguinte maneira: te, pode-se dizer que o Comida di Buteco
contribui para a consolidação da cozinha
1. Visita aos botecos indicados pelo site, brasileira como patrimônio imaterial, na
redes sociais do concurso, e indicações; medida em que explicita talentos e his-
2. Realização do Comitê responsável pela tórias regionais e traz público, crítica e
definição dos botecos que serão convi- imprensa para validarem conjuntamente
dados a participar; essas performances.
3. Convite aos bares selecionados, sen-
do feita a adesão e assinatura do regula-
mento;
4. Elaboração e entrega das receitas con-
correntes por parte dos bares;

22
Potencial de comercialização
turística

Por todas as características apresenta-


das, o projeto possui enorme potencial
para roteiro turístisco a ser comerciali-
zado por operadoras e agências. As ca-
ravanas, realizadas pela produção como
contrapartida aos patrocinadores, são
exemplos bem sucedidos de como o pú-
blico tem interesse em fazer da prática
da visitação aos botecos um roteiro de
entretenimento e fruição gastronômica.
Já são incontáveis as “caravanas” rea-
lizadas pelo público em geral, fornada
tanto por belo-horizontinos, como por
pessoas de outros Estados e cidades.
Em 2015, foram apurados pelas cédulas
de votação recolhidas pela Vox Populi, a
presença de 16 mil turistas nos botecos
participantes de Belo Horizonte.

Expansão

Em 2008, o concurso foi expandido e co-


meçou a ser realizado em outras locali-
dades, além de Belo Horizonte. Em 2015
foi realizado em 20 cidades brasileiras,
gerando nas demais cidades a mesma
performance socioeconômica vivida em
sua cidade de origem. Ainda em 2015 o
Comida di Buteco inova ao chegar a todas
as regiões do Brasil, tornando-se de fato
o maior concurso nacional de cozinha de
raiz e sendo realizado com mais de 500
botecos participantes nas cidades: Mi-
nas Gerais: Belo Horizonte, Montes Cla-
ros, Uberlândia, Juiz de Fora, Poços de
Caldas; Estado de São Paulo: São Paulo
capital, São José do Rio Preto, Ribeirão
Preto, Campinas; Rio de Janeiro, Goiânia,
Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Be-
lém e Manaus.

23
Dinâmica Sua força como plataforma de de-
senvolvimento social
Ele é, em essência primária, um concur- A missão do Comida di Buteco é trans-
so que elege o melhor boteco da cidade, formar vidas através da cozinha de raiz
através da avaliação, in loco, de público – o boteco como extensão de sua casa,
e jurados, das categorias – melhor tira- assim com os resultados do novo e vo-
-gosto, higiene, temperatura da bebida, lumoso fluxo de clientes proporcionado
atendimento. O público corresponde a pelo concurso, estes acabam retornando
50% do valor da votação e jurados 50%. ao longo do ano, provocando a geração
O Instituto Vox Populi faz a apuração direta de emprego e renda e a transfor-
dos votos. A cada edição, 20% da base é mação de vidas e dos negócios.
desclassificada, gerando uma renovação
anual da mesma, o que exige que o con- Assim, ele impacta economicamente a
corrente nunca se acomode e que novos cidade como um todo, dá visibilidade na-
estabelecimentos sejam descobertos. cional e internacional aos botecos e à ci-
dade, como acontece em Belo Horizonte.
Durante o período de votação uma cam- Com aumento de público nos estabeleci-
panha de comunicação estimula o públi- mentos, faz-se necessário a contratação
co a visitar os participantes, para provar e de mais mão de obra específica, contri-
dar as notas. Esse fluxo de pessoas eleva buindo, assim, para ampliação de empre-
de 40 a 300% o faturamento dos esta- gos e envolvimento dos profissionais do
belecimentos, impactando toda a cadeia setor gastronômico na região.
produtiva, do boteco ao fornecedor.
Qualificação: antes do início do concurso
Perfil dos botecos participantes os estabelecimentos recebem, gratuita-
mente, cursos de qualificação e melho-
Os estabelecimentos convidados a par- res práticas em alimentos e bebidas, e
ticipar não pertencem à redes ou fran- atendimento. Nesse sentido, não apenas
quias. O dono está envolvido em todas os estabelecimentos são beneficiados,
as etapas do seu negócio e muitas vezes como mais profissionais ligados à área
outras pessoas de sua família também estarão envolvidos na causa.
trabalham no local. Denomina-se esse
pequeno comércio de “boteco espontâ- Valor compartilhado
neo”, que nasce sem muito planejamento
e vira plataforma de sustento de uma ou O boteco não paga para participar, me-
mais famílias. diante suas características ele é convi-
dado a compor a lista de concorrentes.
A partir da visibilidade proporcionada Visto isso, acredita-se que todos estes
pelo concurso, resultado da exposição fatores movimentam uma corrente do
gerada pela imprensa e o aumento no bem que começa pelo boteco, revelando
fluxo de clientes, os donos destes esta- histórias através das receitas, passando
belecimentos começam a se atentar para pela sociedade, que se apropria do con-
fatores que vão além da qualidade da co- curso na medida em que ressalta valores
mida, como a higiene e o atendimento, culturais da região. Inclui, ainda, patroci-
provocando uma melhoria relevante na nadores, que investem no concurso por
prestação deste serviço no setor como acreditar na força de sua causa, che-
um todo. gando aos parceiros estratégicos (mí-
dia, Instituições de ensino), que também

24
acreditam na causa e contribuem para a um dos maiores desafios é a captação
sua propagação e fortalecimento. Che- de patrocinadores e parceiros estratégi-
ga, ainda, ao poder público, que auxilia cos que acreditem e invistam no projeto.
na facilitação de processos de legaliza- Além disso, conta-se com a contratação
ção e orientação dos estabelecimentos e, de assessoria de imprensa, elaboração
por fim, o Comida di Buteco, que executa de um plano de mídia (rádio, mídia exte-
e gerencia o concurso. Essa corrente do rior, jornal e televisão) e estabelecimento
bem começa a girar a partir do momento de parcerias com os principais veículos
em que os botecos retornam à socieda- de comunicação da cidade, sendo pos-
de o que receberam através do concur- sível consolidar cada vez mais a cozinha
so: geração de emprego, mais impostos, de raiz e valorizar os botecos espontâne-
se transformando em embaixadores de os, de modo que estes se transformem
marcas patrocinadoras e de parceiros. em vetores de desenvolvimento socioe-
conômico e cultural da cidade.
Seu legado à culinária brasileira
Botecos espontâneos transformados
Conforme o regulamento, desde a pri- pelo projeto consolidam-se e se tornam
meira edição do concurso, os participan- importantes equipamentos culturais e
tes ttêm que criar novas receitas ano a turísticos da cidade, atraindo novos tu-
ano. Assim, a cada edição, o cardápio da ristas interessados em conhecer e expe-
cozinha de raiz brasileira ganha mais de rimentar os sabores da cozinha de raiz
500 novas receitas, oriundas de invenção durante e após o fim do concurso. O Co-
ou de resgate de receitas de família. Em mida di Buteco promove um circuito ur-
16 anos são mais de três mil receitas que bano de bares, fazendo com que os pró-
se tornaram vedetes e muitas inspiram prios moradores da cidade e os turistas
até mesmo os chefs da alta gastronomia descubram e redescubram bairros, ruas
que começaram a entender e enaltecer o e avenidas através dos endereços dos
valor dessa cozinha. botecos.

O Comida di Buteco, assim como o carna- Devido às transformações ocasionadas


val e os maiores eventos do país, imedia- pelo concurso, muitos estabelecimentos
tamente após o término de uma edição, que estão à beira da falência, ou que a fa-
inicia-se o planejamento para próxima. mília algumas vezes não se envolve por
Após a visita aos botecos indicados, se- não acreditar, acabam tendo uma nova
leção e convite, os bares desenvolvem e chance. Assim, o que se percebe é a ele-
entregam as receitas antes do período vação do status do dono do boteco, o que
de fotos. Os temas podem ser livres ou potencializa a permanência dos mesmos
estabelecidos de acordo com um estu- e que faz com que os botecos sejam pas-
do realizado pela organização do evento, sados de pais para filhos.
levando em conta também as sugestões
do site e redes sociais, o que permite que Realizado o planejamento de mídia e ne-
os donos dos botecos se sintam incenti- gociação com os veículos de comunica-
vados a desenvolver petiscos que resga- ção é possível trabalhar, por meio de uma
tem a cozinha de raiz, sem perder a cria- divulgação ostensiva, junto ao público,
tividade. A seleção dos botecos acontece patrocinadores e jornalistas o conceito
de que o boteco é um lugar democrático,
por meio de um processo, no qual os es- e, assim, por meio desta divulgação, con-
tabelecimentos pontuam de acordo com segue-se com que diferentes públicos
determinadas características. O Comida tenham acesso à gastronomia de quali-
di Buteco entende como um dos fatores dade. Por fim, a realização do Comida di
mais importantes o dono estar 100% à Buteco em 20 cidades simultaneamente,
frente do seu negócio, pois assim é pos- envolvendo mais de 500 bares, é a prin-
sível revelar histórias de pessoas que cipal metodologia para atingir o objetivo
fazem do boteco sua vida. Para isso, principal do projeto. •

25
Os números do evento confirmam seu
sucesso:

• 19 anos de atividades;
• 25 Edições já realizadas;
• Dois milhões de visitantes;
• R$ 80 milhões gerados em mídia es-
pontânea;
• 138 mil m2 de estrutura montada;
• 86 mil empregos gerados;
• R$ 250 milhões em negócios gerados
(Feira e pós-Feira);
• A Maior Feira do Agronegócio da Cacha-
ça do Mundo.

A importância da Expocachaça na divul-


gação e promoção da cachaça transcen-
de as fronteiras de Minas Gerais e seu
perfil setorial de referência do agronegó-
EXPOCACHAÇA: A VITRINE cio foi reconhecido pelo Governo de Mi-
nas, que a convidou para ancorar a Su-
MUNDIAL DA CACHAÇA perAgro Minas, um evento das cadeias
produtivas do agronegócio, criado em
2005 e realizado até 2013.
José Lúcio Mendes Ferreira
Diretor-presidente da Expocachaça e Brasilbier Ao longo desses anos de realização, a
Expocachaça vem cumprindo um impor-
“Nada se compara ao perfume do sucesso!” tante papel neste segmento, reunindo,
- Elizabeth Taylor anualmente, toda a cadeia produtiva do
agronegócio da cachaça e, desde 2005,
A epígrafe de Elizabeth Taylor se ajusta
uma nova cadeia produtiva: da cerveja
como uma luva ao sucesso da Expoca-
artesanal, com a incorporação da Brasil-
chaça, Feira e Festival Internacional da
Bier ao desenho do evento. Mais uma ca-
Cachaça, evento pioneiro criado em 1998,
deia produtiva de produtores artesanais
com 19 anos de atividades ininterruptas e
de bebida.
25 edições já realizadas. A Feira é consi-
derada a maior e a mais conceituada vi-
Para o diretor-presidente da Expocacha-
trine do agronegócio da cachaça, a bebi-
ça e da Brasil Bier, José Lúcio Mendes
da nacional do Brasil por Decreto Federal,
Ferreira, é muito gratificante ver a Feira
patrimônio cultural de Minas Gerais por
consolidada como evento de referência
Lei e produto turístico tangível.
do setor e que já teve duas edições anu-
ais, em Belo Horizonte, no Expominas,
A Expocachaça foi a principal responsá-
e em São Paulo, no Mercado Municipal
vel pela visibilidade atingida e pelo status
Paulistano - O Mercadão, e cumprindo
de destilado nobre e bebida de grife, reti-
seu papel de apoiar o produtor da bebida
rando a cachaça do gueto a que esteve
artesanal da cachaça e de cerveja.
relegada por muitos anos, dando promo-
ção e divulgação à bebida nos mercados
Da Expocachaça já participaram milhares
interno e externo.

26
de marcas de cachaça que hoje ocupam Expocachaça traduz a similitude entre as
vitrines no Brasil e no exterior, tendo ser- antigas feiras, dos mascates, das trocas,
vido de palco para inúmeras tomadas de da Idade Média e do Renascimento, que
decisões que ajudaram a resolver proble- sobrevive nos bazares e nas ruas de di-
mas que afetam o desenvolvimento do versos países com suas nuanças, suas
setor e contribuíram para a mudança de festas, cores e nomes que representam
conceitos e de paradigmas a respeito de toda uma cultura.
nossa bebida mundial, a cachaça.

Diversas pesquisas realizadas pela orga-


nização do evento, entre elas as de 2009
e 2010, desenvolvidas pela Empresa Mu-
nicipal de Turismo de Belo Horizonte –
Belotur –, indicaram que mais de 68% dos
turistas entrevistados na Feira vieram es-
pecificamente para participar do evento e
cerca de 30% de seu público é de turistas
de cerca de 200 municípios de Minas, de
outros estados do Brasil e do exterior e fi-
cam de 2 a 4 dias na cidade, aumentando
a estacionalidade turística do município.

No Plano de Desenvolvimento Integrado Seja no caminhar atrás da banda do Or-


do Turismo Sustentável de Belo Horizon- lando Russo, nos intervalos dos shows,
te (PDITS-BH), contratado pela Belotur à seja na grande praça gastronômica, com
Fundação João Pinheiro, na página 8 do seus 2.000 assentos e seus restaurantes
Sumário Executivo, está escrito: Dos 19 e bares, ou nas diversas manifestações
atrativos identificados como de maior culturais, a feira é uma grande festa onde
atratividade em Belo Horizonte, um con- todos ganham - consumidores, nego-
junto de 12 se configuram como mais ciantes, pesquisadores, produtores. A ci-
consolidados e que tem maiores possibi- dade que se quer internacional e que no
lidades de crescimento de forma susten- período da feira se transforma na Capital
tável, entre eles está a Expocachaça. nacional da Cachaça e na Vitrine Mundial
da Bebida Oficial do Brasil: a cachaça,
A satisfação gerada junto ao público ficou conquistando a atenção de toda a mídia
registrada em 1.265 formulários da pes- nacional e internacional.
quisa realizada pela organização da Fei-
ra em parceria com a Revista Viver Brasil E o sucesso do evento está na sua con-
e Correios, também em 2009. Opiniões cepção de Feira e Festival com uma pro-
como: “excepcional, fantástica, impecá- posta aberta a novos expositores e uma
vel, fina, elitizada, nota 1.000, imperdível, programação mais eclética e comple-
maluca, adorável, feira de negócios, a me- mentar, em que negócios, lazer, entrete-
lhor do Brasil, parabéns, extremamente nimento, gastronomia, turismo, cultura e
organizada”, entre tantas outras, indicam espetáculo interagem e convivem har-
o acerto de desenho e formato do evento. monicamente, dando o molho necessá-
rio para o encantamento do público, o
O clima de feira e festival que permeia a sucesso na comercialização de produtos
Expocachaça traduz a similitude entre as e a visibilidade junto à mídia.

27
21 de maio dia estadual da
CaChaça de Minas Gerais
13 de setembro: dia nacional da Cachaça

minas gerais
produz
230 milhões
de litros de
cachaça
por ano 7 movimento anual
da cadeia produtiva
da cachaça
bilhões de reais

Quantidade
de álcool o que essa cachaça cerveja São mais de
produção* 6,29 70 40
40%
cachaça mil
representa litros por litros por produtores

4
brasileiro brasileiro
em relação

40%
vodka à população mil

Brasileira? marcas

* Dados referentes à
1%
12%
vinho produção de 2011
do total
produzido
é exportado

99%
SE CONSIDERADA APENAS A 10,5 quase 117

5%
POPULAÇÃO DE 18 A 59 ANOS litros/brasileiro litros/brasileiro
cerveja do total de
produtores
PRODUÇÃO ANUAL POR BEBIDA 1,4 bilhão 13,3 bilhões são mircroempresas
de litros por ano de litros por ano

Os estados brasileiros que Exportada para mais de 60 países


destacam na produção: Alemanha - 30%

França - 4%
são paulo, Portugal - 8%
eua - 6%
rio de janeiro, Espanha - 4%
pernamBuco, Itália - 4%
ceará,
minas gerais, Bolívia - 10%
paraíBa Paraguai - 9%
Uruguai - 3%
Chile - 3%
o maior produtor é Argentina - 3% OutrOs países - 20%
são paulo
Exportação

14 milhões de litros
8 milhões de litros
pesquisa do centro de indústria exportados em 2011 exportados em 2012
de são paulo coloca a cachaça o setor o setor

600 240
gera mais de gera mais de
como produto que mais tem a
mil empregos mil empregos
cara Brasileira. (2010) diretos e indiretos diretos e indiretos
no Brasil em minas gerais

Linha de tempo da Cachaça


1635 1647 1659 1661 1994 2012
Uma lei proibiu o A companhia geral A coroa portuguesa A rainha regente A cachaça foi Os Estados Unidos
consumo da cachaça, do comércio passou emitiu novamente de Portugal, dona definida como reconhecem a cachaça
os portugueses te- a ter o monopólio uma ordem para Luísa de Gusmão, produto cultural como produto
miam a concorrência da venda de bebidas proibir o comércio libera a fabricação do Brasil tipicamente brasileiro,
para a bagaceira, alcoólicas da colônia de aguardente de cachaça no Brasil facilitando sua
uma aguardente exportação
produzida a partir
do bagaço de uva
Fonte: CBRC - Centro Brasileiro de Referência da Cachaça

28
Para finalizar, a importância da Cachaça
pode ser avaliada pela Pesquisa de opi-
nião encomendada pelo Centro de Indús-
tria do Estado de São Paulo, para saber
qual é o produto que tem a cara do Brasil,
que indicou em primeiro lugar o Petróleo
da Petrobrás, em segundo a CACHAÇA e
em terceiro o Café.

A cachaça é, sem dúvida, o produto que


mais tem a cara brasileira, e esse reco-
nhecimento veio através do decreto fede-
ral de dezembro de 2001 que a colocou
como a bebida oficial do Brasil, prote-
gendo o uso das expressões “Cachaça” e
“Caipirinha”.
“Ao longo desses anos de
realização, a Expocachaça
Em Minas Gerais, Lei estadual de janeiro vem cumprindo um impor-
de 2007 transformou o “Processo de Pro-
dução da Cachaça de Alambique” em Pa-
tante papel neste segmen-
trimônio Cultural Imaterial. Mais recente- to, reunindo, anualmente,
mente, a Colômbia, os Estados Unidos e toda a cadeia produtiva do
o México reconheceram a cachaça como
produto típico e genuinamente brasileiro, agronegócio da cachaça e,
abrindo espaço para o reconhecimen- desde 2005, uma nova ca-
to da cachaça em todas as aduanas do
mundo. •
deia produtiva: da cerveja
artesanal”.
Para saber mais sobre a Expocachaça, vi-
site o site: www.expocachaca.com.br e o
facebook.com.br/expocachaca

“A riqueza mineral é o fundamento dos


fortes impérios. Mas só a agricultura cria
as pátrias pacíficas, só ela fixa o homem
à terra pelo interesse e pelo amor.”
(Autor desconhecido)

29
tronomia transforma. E o Projeto Fartura,
O NEGÓCIO DA com todos os seus produtos e iniciativas,
colabora para esta transformação.
GASTRONOMIA
Um fato sobre o qual ninguém mais tem
O Festival que virou uma
dúvida: gastronomia é cultura. E, mais do plataforma de gastronomia
que isso, é também negócio, geração de
trabalho e renda e, potencialmente, de- Idealizado em 2014, por Rodrigo Ferraz,
senvolvimento territorial. com base nos resultados do Festival Cul-
tura e Gastronomia Tiradentes (do qual
Os dados provam: segundo um estudo re- é diretor desde 2009), o FARTURA é um
alizado pelo Instituto de Desenvolvimento grande projeto da gastronomia brasileira
Gerencial (INDG), em 2012, a gastrono- que envolve pesquisas, viagens, eventos
mia representava 19,9% do PIB brasileiro e canais de comunicação. Esse conteúdo
- só em Minas Gerais, onde se encontra a é a base de informações para a realização
base do Projeto Fartura, são concentra- dos demais eventos, e para a composição
das 12,4% das indústrias de alimentos e dos canais de comunicação: webséries,
bebidas do país. filmes, documentários, programa de rá-
dio, livros e conteúdo para redes sociais.
Para setor, os números são bastante oti-
mistas. Em 2013, segundo a Abia Asso- Composto pela Expedição Fartura Gas-
ciação Brasileira das Indústrias de Ali- tronomia, Festival Cultura e Gastronomia
mentação (ABIA), 32,9% do consumo Tiradentes, Festival Fartura Fortaleza,
alimentício da população foi feito fora de Festival Fartura BH, Festival Fartura Por-
casa. Para 2014, a projeção foi melhor to Alegre e Festival Fartura São Paulo, o
ainda, 38%, com boas perspectivas de Projeto Fartura é um grande projeto de
crescimento para os próximos anos, se- promoção e desenvolvimento da gastro-
gundo especialistas. nomia nacional. Com o objetivo de pro-
mover a cadeia produtiva gastronômica a
Chefs, produtores, restaurantes, ingre- partir da reunião e integração de produ-
dientes e receitas ganham espaço e vêm tos, produtores, chefs, indústria, merca-
promovendo uma revolução na gastro- dos e apreciadores da boa cozinha, o que
nomia brasileira, além de despertar, cada torna o Projeto Fartura o principal projeto
vez mais, o interesse do público. Os even- de gastronomia em desenvolvimento no
tos dedicados ao tema vêm crescendo ao país.
longo dos anos e tornam-se a vitrine des-
te setor, bem como oportunidades para
promover experiências e interação entre a
cadeia produtiva e consumidores. A gas-

30
Expedição Fartura Gastronomia gastronomia do mundo, na categoria
Culinary Travel, pelo Gourmand World
Uma viagem que busca conhecer toda a Cookbook Awards, considerado o “Os-
cadeia produtiva da gastronomia no Bra- car” da literatura gastronômica. Em 2015
sil e forma a base curatorial do Projeto o Volume II também ficou em segun-
Fartura. Durante os festivais, todo o co- do lugar no Gourmand World Cookbook
nhecimento adquirido nas viagens é dis- Awards 2015, porém, na categoria Sus-
seminado através de palestras, apresen- tentabilidade, sendo a primeira vez que
tações de chefs e produtores e amostras uma coleção brasileira é agraciada por
de ingredientes. Este conteúdo também dois anos consecutivos na premiação
é transformado em filmes, programas de referenciada como a mais importante da
rádio, livros e conteúdo para as redes so- literatura gastronômica.
ciais que podem ser acompanhados du-
rante todo o ano. O documentário também venceu o Prê-
mio de Melhor Obra de até 30 minutos, na
O documentário e o livro, ambos nome- 1ª Mostra de Ensaio de Sabores Audiovi-
ados Expedição Brasil Gastronômico, suais (MESA), durante o Evento Rio Gas-
antigo nome da Expedição Fartura Gas- tronomia 2014.
tronomia, são resultados do Projeto e
apresentam esta história. Em 2014, o Vo- Festivais
lume I do livro venceu o Prêmio Jabuti,
na categoria Gastronomia, e também foi Os Festivais são a grande vitrine de todo o
eleito o segundo melhor livro de gastro- projeto. Os eventos apresentam os resul-

31
sultados das pesquisas realizadas du- Tiradentes recebeu, no período de 21 a
rante as viagens da Expedição Fartura 30 de agosto de 2015, o Festival Cultura e
Gastronomia e possibilitam a interação Gastronomia Tiradentes, que, há 18 anos,
de produtores, chefs e empreendedores, potencializa a histórica cidade mineira. O
clientes e visitantes que, além de experi- Festival, que faz parte do Projeto Fartura,
mentar, passam a descobrir o potencial levou à cidade grande variedade de ativi-
da diversidade cultural e econômica da dades gastronômicas, permitindo aos vi-
gastronomia brasileira. sitantes desfrutar da riqueza do conteúdo
gastronômico do Brasil e movimentou a
FESTIVAL FARTURA FORTALEZA economia local.
19, 20 e 21 de junho de 2015
O Festival Cultura e Gastronomia Tira-
Fortaleza foi a primeira cidade a receber dentes se baseia na pesquisa realizada
o Fartura em 2015. Em três dias, oito mil pela Expedição Fartura Gastronomia, que
pessoas passaram pelo evento e pude- já percorreu mais de 60 mil km por 21 es-
ram conferir uma intensa programação tados e o Distrito Federal, mapeando re-
gastronômica, musical e cultural, onde os giões, produtos, produtores, chefs e tradi-
visitantes degustaram menus especiais ções culturais de cada lugar.
produzidos para o Festival e feitos com
ingredientes tipicamente brasileiros. Em 2015, o evento contou com a parti-
cipação de, aproximadamente, 350 pro-
Estiveram presentes 110 profissionais de fissionais de gastronomia, responsáveis
gastronomia que realizaram 95 atrações pela realização de mais de 200 ativida-
gastronômicas. Foram 50 apresentações des gastronômicas, entre aulas, jantares
artísticas em três palcos. e restaurantes na praça, espaços de ex-
posição e comercialização de produtos,
além de 70 atrações artísticas, contabili-
FESTIVAL CULTURA E GASTRONOMIA zando mais de 40 mil visitantes na cida-
TIRADENTES de.
21 a 30 de agosto de 2015
O Festival movimentou mais de 35 mi-
Desde a primeira edição, em 1998, o Fes- lhões de reais em negócios e reciclou
tival Cultura e Gastronomia Tiradentes mais de 10 toneladas de materiais.
transformou-se em um marco para a ci-
dade. O evento movimentou a economia Um dos principais objetivos do Festival
e a comunidade local, contribuindo para foi, a partir do conteúdo gerado pelas pes-
o crescimento nos serviços de restauran- quisas, promover a cadeia produtiva gas-
tes, pousadas, bares e lojas em mais de tronômica, resgatando o prazer de sentar
300% em 10 anos, de acordo com dados à mesa e celebrar a gastronomia. Exem-
do IBGE. E em 2009, esses serviços já re- plo disso foi a participação de produto-
presentavam 50% do PIB da cidade. Hoje, res mineiros de doces, cachaça artesanal
Tiradentes possui 7 restaurantes estrela- e café apreciados pelo grande público e
dos no Guia 4 Rodas, mais do que muitas apresentados a empresários de hotéis,
capitais do país, ocupando, junto com Re- pousadas, supermercadistas do Brasil e
cife, o quinto lugar no ranking de cidades bares e restaurantes de Tiradentes, a fim
com mais restaurantes estrelados. de gerar novos negócios.

32
A oferta de roteiros gastronômicos com- Bacco, chefs e sommeliers foram acom-
plementou novas opções para os turistas, panhados por um pequeno grupo de pes-
que puderam conhecer um pouco mais soas no preparo de pratos e harmoniza-
sobre o cenário da cidade de Tiradentes ções especiais.
e seu entorno. Fora oferecidas ativida-
des que envolvem pequenos produtores e Intercâmbio Inédito entre
empreendedores da região, beneficiando Festivais
um número maior de pessoas durante a
realização do evento. Uma das possibi- Outra novidade desta edição foi o inter-
lidades foi a visita a um dos alambiques câmbio entre as cidades de Tiradentes e
mais antigos do Brasil, localizado em Co- Mougins, na França. Cidades que com-
ronel Xavier Chaves, a 22 Km de Tiraden- partilham, além do amor pela cultura e
tes. pelas artes, a valorização da gastrono-
mia local, incentivando chefs e pequenos
Os restaurantes da cidade de Tiradentes produtores. Realizado na cidade francesa
também abriram as portas para os par- desde 2006, o Festival L’Etoile de Mou-
ticipantes do Festival ao ofertarem car- gins, evento internacional de gastrono-
dápios especiais pelo período do evento, mia, foi protagonista de uma parceria iné-
através da iniciativa do Tour Gastronômi- dita com o Festival Cultura e Gastronomia
co. A cada ano, o número de participantes Tiradentes.
aumenta, sendo um deles o Restaurante
Viradas do Largo, da chef Beth Beltrão, A presença, em Tiradentes, de uma co-
classificado com uma estrela no Guia 4 mitiva francesa, composta pelos chefs
Rodas. Xavier Burelle (Hôtel de Mougins), Lae-
la Mouhamou (La Brasserie de la Médi-
Os jantares, uma das principais atrações terranée), Emmanuel Ruz (Lou Fassum)
do Festival, foram ampliados. Esse ano, e Serge Chollet (Le Moulin de Mougins),
foram 16 jantares assinados em 4 res- marcou o início deste intercâmbio. Dentre
taurantes locais. Os chefs Rubens Bel- as diversas atividades, os chefs assina-
trão, do Via Destra, Rodolfo Mayer, do ram dois dos jantares exclusivos no res-
Angatu, Rafael Pires, do Pacco & Bacco, e taurante Pacco & Bacco, sendo dois chefs
Tanea Romão, do Kitanda Brasil, foram os por jantar: Xavier Burelle e Laela Mouha-
anfitriões de chefs como Manu Buffara, mou e Serge Chollet e Emmanuel Ruz. Os
de Curitiba, Rafa Costa e Silva, do Rio de chefs franceses também ministraram al-
Janeiro, Rolland Villard, do Rio de Janeiro, gumas aulas durante o Festival.
entre outros.
A segunda parte do intercâmbio aconte-
Com quase todos os estados brasilei- ceu em setembro quando os chefs mi-
ros já explorados pela Expedição Fartu- neiros, Fred Trindade (Trindade – Belo
ra Gastronomia, houve um rico conteú- Horizonte), Leo Paixão (Glouton – Belo
do compartilhado com os visitantes. Por Horizonte), Ivo Faria (Vecchio Sogno –
isso, em 2015, dois novos espaços foram Belo Horizonte) e Rodolfo Mayer (Anga-
apresentados ao público: o Espaço Aulas tu – Tiradentes) representaram o Festival
Senac foi duplicado, nomeado “Norte” e na 10ª edição do festival gastronômico
“Sul”, e ofereceu diversas aulas gratuitas, francês.
ministradas por chefs e profissionais de
todo o país ligados à gastronomia; no Es-
paço Experiência, no Restaurante Pacco e

33
Gastronomia combinada com arte Chefs, produtores e demais convidados
e música que vêm ao Festival são identificados
através da Expedição Fartura Gastrono-
Dentro da proposta do Festival, de valori- mia, uma viagem para o mapeamento
zar o prazer de sentar à mesa e celebrar da cadeia produtiva gastronômica brasi-
a gastronomia, o evento apresentou uma leira. Para 2015, o Festival traz produtos
rica e variada programação cultural. A de Norte a Sul do Brasil. De acordo com o
18ª edição contou com 70 atrações ar- diretor geral do evento, Rodrigo Ferraz, a
tísticas. No repertório musical, Yamandu proposta é mostrar a relevância cultural e
Costa, convidou o Jazz Cigano Quinteto econômica destes produtores e cozinhei-
para se apresentar no evento. A Orques- ros descobertos durante as viagens pelo
ta Ouro Preto, com interpretações de país.
canções da banda The Beatles, e o pre-
miado bandolinista Hamilton de Holanda Além da gastronomia, a música também
também estiveram presentes. Entre as foi celebrada no Festival Fartura BH. Nos
atrações cênicas, opções para as crian- dois dias, passaram pelo palco artistas
ças, como a interpretação da história O como a banda Mustache e os Apaches
Pequeno Príncipe, pelo Grupo Girino, e o e o bandolinista Hamilton de Holanda.
Folclore do Mestre André, pela Cia. Can- As artes cênicas também tiveram repre-
dongas, completaram a programação. sentantes, como a Cia. Calangus Circus
e o Coletivo Nopok que apresentaram o
FESTIVAL FARTURA BH espetáculo “No Pocket – Um espetáculo
03 e 04 de outubro de 2015 para todos os bolsos”, utilizando as char-
las clássicas, a música, a dança e a co-
O Fartura BH propõe a valorização da média física na criação de gags e cenas
gastronomia nacional, com a união de cômicas. •
chefs e produtores de vários estados bra-
sileiros, resgatando o prazer de sentar à
mesa e celebrar a gastronomia em um
importante complexo cultural e arquite-
tônico de Belo Horizonte, a Praça José
Mendes Júnior, no Circuito Cultural da
Praça da Liberdade.

Nos dias 3 e 4 de outubro, Belo Horizon-


te se transformou, pela segunda vez, na
capital brasileira da gastronomia. Mais
de 130 profissionais de gastronomia de
15 estados brasileiros, incluindo o Distri-
to Federal, estiveram reunidos no Festival
Fartura BH.

O evento contou com espaços dedicados


à venda de comida e bebida, cursos e de-
gustações: Foram mais de 110 atrações
gastronômicas, além de vasta programa-
ção artística, com 32 músicos de renome
e grupos de arte cênica.
34
INSTITUCIONAIS
35
A influência portuguesa, por sua vez, virá
de forma mais definitiva com a chegada
das famílias dos colonizadores, de suas
esposas, que então trazem novas recei-
tas, louças e impõem toques de requin-
tes nas mesas mineiras.
SABORES E SABERES DE
MINAS No século XVIII, os habitantes das Mi-
nas Gerais aprenderam a aproveitar ao
BELOTUR – Diretoria de Marketing – Departamento de máximo todos os recursos alimentares
Estudos Mercadológicos
Divisão de Formatação de Produtos e Roteiros disponíveis, pois com o enorme afluxo de
pessoas em busca do ouro, faltavam ali-
A gastronomia mineira é dotada de he- mentos.
ranças históricas, de simbolismos e de
rituais característicos que lhe conferem Como consequência, a comida desse pe-
um valor além do nutricional. Dentre as ríodo resultou, especialmente, da coleta,
comidas regionais do Brasil, a mineira da caça e da pesca, das roças deixadas
é uma das que mais se destaca no ce- por índios e bandeirantes e das hortas e
nário nacional. Formada por influências criações de quintal. As técnicas de con-
indígenas, portuguesas e africanas, está servação do alimento tinham grande
sempre presente nos festivais gastronô- importância e a farinha de milho ou de
micos, feiras de comidas típicas, dentre mandioca, as carnes conservadas na
outros eventos, bem como nos estabele- própria gordura, salgadas ou secas, eram
cimentos de alimentação. fundamentais para as viagens e para as
mesas no dia a dia.
Visitar Belo Horizonte significa ser sedu-
zido não só por seu exuberante cenário Os tropeiros faziam longas viagens
e oferta cultural, mas também pela culi- abastecendo as capitanias, sobretudo
nária mineira, que é um atrativo à parte. as minas. As tropas enfrentavam estra-
A diversidade gastronômica da capital das precárias, salteadores, intempéries,
mineira ultrapassou as suas fronteiras e tornando o abastecimento difícil e de
hoje agrada os paladares mais sofistica- alto custo. Daí a importância das cultu-
dos. ras de quintal, de subsistência, que fo-
ram se formando para resolver as crises
Falar da história da culinária mineira é de abastecimento e o problema da fome.
falar das próprias origens de Minas Ge- Os tropeiros carregavam sua própria co-
rais. A descoberta do ouro, entre os anos zinha, cozinhavam o feijão e comiam-no
de 1694 e 1700, faz surgir os primeiros com torresmo e farinha, seguido de rapa-
povoados que originaram as cidades de dura ou melado, chá ou café.
Mariana e Ouro Preto.
O cardápio mineiro sofreu ainda influên-
Portugueses, colonos, índios e escravos, cias dos mais variados povos imigran-
juntos, germinaram as raízes da cultura e tes que em Minas Gerais fizeram suas
da culinária de Minas, que possui sabor adaptações, substituições e misturas de
universal se feita com o saber de suas ingredientes, dando um toque especial à
tradições. Possui, é verdade, por razões comida mineira e diferindo-a das demais
históricas, uma predominância dos há- do Brasil. Assim, o apetitoso cardápio mi-
bitos e sabores afro-indígenas, sendo neiro é fruto de uma rica e diversificada

36
herança cultural dos diversos povos que, Produtos, pratos e ingredientes
ao longo da história, vieram se integrar à típicos de Minas Gerais
sociedade mineira, em diferentes regiões
do Estado. Cachaça Mineira
A relação de Minas Gerais com a cacha-
BELO HORIZONTE: A SÍNTESE DA ça vem desde o século XVIII. É sobre essa
GASTRONOMIA DE MINAS GERAIS base histórica, econômica e social que
repousa a liderança mineira na cachaça
Conhecida como a “Capital Nacional de de alambique. A bebida foi considerada
Botecos”, Belo Horizonte é considerada Patrimônio Cultural e Imaterial de Minas
um importante polo gastronômico por Gerais e é uma das mais fortes referên-
possuir, em média, 12 mil estabelecimen- cias simbólicas do Estado e importante
tos do ramo (bares, restaurantes e seme- produto de exportação e consumo.
lhantes), e é conhecida por ofertar a seus
visitantes e moradores uma noite ecléti- Em Belo Horizonte a cachaça artesanal
ca, com programação variada em todos pode ser saboreada de várias maneiras
os dias da semana, com opção para to- nos melhores bares e restaurantes da ci-
dos os gostos e bolsos. dade. Além disso, é possível adquiri-las
em lojas especializadas, principalmente
O tradicional circuito boêmio se concen- no Mercado Central, e ainda conhecer
tra no bairro Santa Tereza e no centro da seu processo de produção em um dos
capital, enquanto bairros como Savassi, alambiques turísticos. Grandes produto-
Funcionários, Anchieta, Sion, Mangabei- res estão localizados na Região Metro-
ras, Prado, São Bento, Lourdes, Serra e politana de Belo Horizonte, responsável
Santa Efigênia também oferecem exce- pelo escoamento e distribuição dessa
lentes opções gastronômicas. Outros produção e pela atração de compradores
bairros que se destacam pela noite agi- do Brasil e do exterior.
tada são o Santo Antônio, onde se loca-
lizam alguns bares tradicionais, e o São A cachaça se apresenta também como
Pedro, com cafés, restaurantes, pubs, uma forte aliada dos prazeres da mesa,
bares com pista para dança e choperias. atribuindo aos pratos típicos da cozinha
Destaque também para a região da Pam- mineira um sabor especial, garantindo no
pulha, que conta com estabelecimentos calendário anual de eventos da cidade a
de diversos tipos, inclusive com clima de tradicional Expocachaça, evento pioneiro,
fazenda. que é a maior e mais importante vitrine
do setor.
Aproveite também Belo Horizonte para
conhecer os diversos festivais gastro- Cervejas artesanais em Belo Horizonte
nômicos da cidade, ocasiões em que os A capital brasileira dos bares mostra
bares e restaurantes oferecem petiscos sua mais nova e emergente vertente: a
e pratos exclusivos a preços promocio- produção de cerveja artesanal. Uma ca-
nais. Viver a noite de Belo Horizonte é ter racterística marcante na produção em
uma experiência singular. Belo Horizonte é a grande diversidade na
oferta de estilos de cerveja. Minas Gerais
ocupa hoje o segundo lugar em volume
de produção e número de cervejarias ar-
tesanais do país. Vinte e cinco empresas
estão cadastradas no Ministério da Agri-

37
cultura em Minas Gerais, sendo 11 delas dos os mineiros. Nada melhor que um
localizadas na Grande Belo Horizonte. pão de queijo quentinho acompanhado
Dos 120 estilos existentes no mundo, 55 do café fresco e uma boa prosa à mesa.
já são reproduzidos por aqui. Todos os E Belo Horizonte é também a terra desse
meses, cerca de um milhão e cem litros maior produto de exportação da culinária
saem dos tanques mineiros. mineira. Hoje o pão de queijo é exportado
congelado para a América Latina, Esta-
Uma prova da qualidade das cervejas dos Unidos, Portugal, Itália e Japão.
produzidas em nossa região é a grande
quantidade de prêmios que as microcer- Queijo
vejarias mineiras vem recebendo recen- O queijo Minas é um dos mais importan-
temente em concursos internacionais de tes produtos da gastronomia mineira.
cerveja. Metade de todo o queijo que o brasileiro
consome – 3,4 kg per capita/ano – vem
Aliado a isto, Belo Horizonte e região têm de Minas Gerais . Portanto, o queijo de
se notabilizado pela crescente oferta de Minas integra as riquezas do estado. O
bares e restaurantes especializados em preparo artesanal insere os queijos mi-
cervejas artesanais, beersommeliers e neiros entre os melhores do país.
academias, contribuindo com a difusão
da cultura cervejeira e consequente au- Doce de Leite
mento de mercado. Uma conhecida e importante sobremesa
da nossa culinária é o doce de leite, que
Café pode ser consumido em pasta ou em ta-
Minas Gerais detém o título de maior bletes, e possui uma grande aplicação
produtor nacional de café. O Estado é nas receitas. Em Minas Gerais a tradição
responsável por aproximadamente 50% de se consumir o doce de leite é uma for-
da safra brasileira. O café é o principal ma dessa manifestação, que faz parte
produto de exportação do agronegócio da memória social e de nossa constru-
mineiro – cerca de 52% da safra brasi- ção histórica. É como uma linguagem da
leira é mineira e corresponde a 66,5% da nossa cultura.
exportação total, chegando a mais de 60
países do mundo. Seu consumo é significativo, tanto que é
produzido em escala industrial por qua-
No Brasil, como em outros países, o cos- se todas as empresas beneficiadoras de
tume de tomar café tem muitas vezes um laticínios no Brasil, e, principalmente no
cunho “ritualístico”. Mais forte, mais sua- estado de Minas Gerais, a produção ar-
ve, instantâneo, expresso, orgânico, des- tesanal é comercializada por pequenas
cafeinado, gourmet. O café é praticamen- marcas.
te uma unanimidade. Em Belo Horizonte
o grão pode ser degustado nas inúmeras São também produtos importantes: goia-
cafeterias da cidade, concentradas prin- bada, feijão tropeiro, torresmo, frango
cipalmente na região da Savassi, na Zona com quiabo, ora-pro-nobis, canjiquinha
Sul da capital. com costelinha, frango ao molho pardo,
doce de compota, leitão à pururuca, vaca
Pão de Queijo atolada, pamonha, tutu de feijão, quitan-
O cheiro de pão de queijo no assado no das, couve manteiga, linguiças artesa-
forno à lenha remete à infância na casa nais, pimenta biquinho e taioba.
da avó está presente na memória de to-

38
SUGESTÃO DE ROTEIRO tes que inspiram o gosto das fazendas
mineiras ou o Circuito Gastronômico da
UM DIA DE VIVÊNCIA GASTRONÔMICA EM Pampulha.
BELO HORIZONTE
CERVEJAS E CACHAÇAS ARTESANAIS, E
Experimentar a tradicional culinária mi- TAMBÉM DELICIOSOS TIRA-GOSTOS
neira, sintetizada por Belo Horizonte é
aproveitar a atmosfera da cidade que 1º Dia: Minas Gerais ocupa hoje o segun-
acorda cedo para passar café e assar os do lugar em volume de produção e núme-
tradicionais pães de queijo. ro de cervejarias artesanais do país com
rótulos premiados internacionalmente.
No primeiro momento do dia, o visitante Uma característica marcante na produ-
pode tomar um delicioso café da manhã ção em Belo Horizonte e seu entorno, é
com uma tradicional broa de milho ou um a grande diversidade na oferta de estilos
pão de queijo caseiro em um dos cafés de cerveja. Uma prova da qualidade das
da cidade, desfrutado com um belo “dedo cervejas produzidas em nossa região é
de prosa” comum em nossa Capital. a grande quantidade de prêmios que as
microcervejarias mineiras vêm receben-
Após o Café Tradicional, o turista poderá do recentemente, o que as credenciam
seguir sua jornada ao Mercado Central. estarem dentre as melhores cervejas em
Um lugar marcado por suas cores, aro- qualidade do mudo.
mas e cultura. Além de ser bem recep-
cionado, é comum experimentar as his- Na capital mundial dos Botecos, visite a
tórias locais nos famosos corredores do Rota das Cervejarias Artesanais para co-
Mercado. O almoço poderá ser feito no nhecer o processo de produção, as técni-
próprio Mercado, que conta com várias cas de torrefação do malte, bares e lojas
opções de comidas típicas e também as especializadas em cervejas especiais. Os
tradicionais preparadas de forma bem roteiros contam ainda com café da ma-
caseira. De sobremesa, sugerem-se os nhã cervejeiro, almoço harmonizado e, ao
famosos doces mineiros e a degustação final do passeio, é oferecido o “ajantara-
de uma cachaça da roça. do” cervejeiro.

Em continuidade ao passeio, para conhe- À noite, aproveite para conhecer os bares


cer mais da história de Belo Horizonte, o e restaurantes da cidade em um agitado
turista é convidado a mergulhar nos ca- movimento que anima todas as regiões
fés dos museus tradicionais, que abri- da cidade. Viver a noite de Belo Horizonte
gam paz e tranquilidade em um só local. é uma experiência singular.

O passeio já está chegando ao final. No 2º Dia: A relação de Minas Gerais com a


entanto, a cidade está apenas despertan- cachaça vem desde o século XVIII. Em
do para a sua vida noturna. Várias opções Belo Horizonte, a cachaça artesanal pode
de festas e muita diversão, destacando a ser saboreada de várias maneiras nos
boemia do Bairro Santa Tereza e os res- melhores bares e restaurantes da cidade.
taurantes da região Centro Sul da cidade. Além disso, é possível adquiri-las em lo-
jas especializadas e ainda conhecer seu
Para quem escolher passear no Conjunto processo de produção em um dos alam-
Arquitetônico Modernista da Pampulha, biques turísticos. A cachaça é também
uma boa opção é conhecer os restauran- uma forte aliada aos prazeres da mesa,

39
Mercado Distrital do Cruzeiro
agregando aos pratos típicos da cozinha
É considerado um dos melhores pontos
mineira um sabor especial.
de convivência de Belo Horizonte e um
ponto turístico. Além de hortifrutigran-
Reserve um dia para conhecer um alam-
jeiros, carnes, vinhos, especiarias e uti-
bique turístico no entorno de Belo Hori-
lidades domésticas, o Mercado promo-
zonte, desfrute de suas paisagens natu-
ve Feiras de Artesanato e diversificados
rais, conheça o processo de produção da
eventos culturais.
cachaça artesanal e deguste produtos
derivados da cachaça.
Feira dos Produtores
Um verdadeiro centro de compras popu-
À noite, aproveite para conhecer um tra-
lar: hortaliças, frutas, carne e até mesmo
dicional restaurante de comida típica mi-
tecidos e serviços de barbearia podem
neira.
ser encontrados na Feira dos Produtores.
ROTAS TEMÁTICAS
ALGUNS EVENTOS DE GASTRONOMIA DE
BELO HORIZONTE
Visitar BH é motivo perfeito para conhe-
cer as rotas gastronômicas temáticas, Nota Importante: Os eventos listados abaixo podem
ter suas datas e periodicidade alteradas. É importan-
como a Rota das Cachaças Artesanais; te salientar que, em razão da diversa oferta em Belo
das Cervejas Artesanais; dos Bares; dos Horizonte, novos festivais e eventos gastronômicos
Cafés; da Comida Típica; dos Mercados; poderão surgir/extinguir na cidade.

e a mais famosa, a Rota Noturna (By


night). Festival Cultural Gastronômico Cachaça
Gourmet (Janeiro/Fevereiro), Restauran-
As rotas guiadas são realizadas de forma te Week (Março e Agosto), Festival Bote-
personalizada por agentes e operadores, car (Abril), Comida di Buteco (Abril/Maio),
com guias especializados e bilíngues. Já Expocachaça e Brasil Bier (Maio), Festival
a modalidade autoguiada pode ser con- Gastronômico Brasil Sabor (Maio/Junho),
ferida através da ABRASEL. Circuito Aproxima, Beer Chef (Agosto/Se-
(www.mg.abrasel.com.br) tembro), Circuito Gastronômico da Pam-
pulha (Setembro a Novembro), Mixbeer
ATRATIVOS EM DESTAQUE – Festival de Cervejas Especiais, Gastro-
Park BH, Harmonize – Bebida, Comida e
Mercado Central Amor, Gastronomia na Praça, Mineirão
Com mais de 400 lojas - um dos pontos Gastrô, Festival Fartura, dentre outros.
comerciais mais procurados de Belo Ho-
rizonte - o Mercado Central recebe to-
dos os dias da semana um público que
consegue unir suas compras ao lazer e
à diversão, percorrendo os corredores
temáticos como o dos queijos, doce, ar-
tesanato, ervas, raízes, artigos religiosos,
e as praças, como a da feijoada e a do
abacaxi. Os bares das entradas laterais
lotam nos finais de semana, quando se
transformam em ponto de encontro para
moradores da capital mineira e turistas.

40
CURIOSIDADE BIBLIOGRAFIA

MINAS GERAIS TEM O DIA DA ABDALA, Mônica Chaves in Revista do Arquivo Público
Mineiro, Ano XLII - N º 2 - Julho-Dezembro de 2006.
GASTRONOMIA
Pela sua importância, foi instituído o dia MOREIRA, Antônio Carlos. História do Café no Brasil. São
5 de Julho como o dia da gastronomia Paulo: Panorama Rural; Magma Editora Cultural, 2007.
de Minas Gerais, através do PROJETO DE OLIVEIRA, Simão. La importancia de La Gastronomía en
LEI Nº 3.606/2012. Em todos os municí- el Turismo Inn Compilación de Gastronomia. Centro de
pios de Minas Gerais, é possível sabore- Investigaciones y Estudios en Turismo. Buenos Aires, 2007.
ar quitutes e quitandas feitos por mãos Disponível em: <http://www.cieturisticos.com.ar/downlo-

habilidosas, cujos segredos são repassa- ads/>

dos de geração em geração, por pessoas


que se revezam nos fazeres de cozinhas FICHA TÉCNICA
centenárias, transformando a culinária
Prefeitura Municipal de Belo Horizonte | Prefeito: Márcio
mineira em um diferencial para quem vi- Araujo de Lacerda, Vice-Prefeito: Délio Malheiros
sita o Estado. •
Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte S/A – Be-
lotur | Presidente: Cláudia Pedrozo, Diretora de Marketing:
Danielle Morreale | Chefe Departamento de Estudos Merca-
dológicos: Ana Gabriela Baêta | Chefe da Divisão de Forma-
tação de Produtos e Roteiros: Flávia Werneck | Responsá-
veis Técnicos: Flávia Werneck e Neuma Horta.

COLABORADORES

Belotur – Diretoria de Programas de Desenvolvimento do


Turismo, ABRASEL – Associação Brasileira de Bares e Res-
taurantes de Minas Gerais, SINDBEBIBAS – Sindicato das
Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Mi-
nas Gerais,

41
o desenvolvimento social e econômico
da cidade. Ao atuar junto com parceiros
de diversas instâncias relacionados ao
turismo, a entidade deseja ampliar o po-
tencial turístico de Belo Horizonte.

Para isso, o Conselho de Turismo da


CDL/BH tem participação expressiva em
ações, eventos e projetos do setor tu-
rístico em Belo Horizonte com objetivo
de identificar oportunidades e contribuir
para o desenvolvimento do comércio.

Além disso, a entidade se orgulha de tra-


balhar em parceria com o BH Convention
A FORÇA DO TURISMO & Visitors Bureau (BHC&VB) – instituição
PARA A ECONOMIA LOCAL não governamental, sem fins lucrativos
e referência mundial no turismo que visa
promover e valorizar a imagem de Belo
Bruno Falci Horizonte como importante destino de
Presidente da Câmara de turismo de negócios – e que atualmente
Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)
é presidido pelo vice-presidente da CDL/
BH, Anderson Rocha.
Vocação natural da cidade, os setores de
comércio e serviços são responsáveis por E é por acreditar na força do turismo
70,87% do Produto Interno Bruto (PIB) de como propulsor da economia mineira
Belo Horizonte. O turismo também é ou- que a CDL/BH apoia projetos como o “BH
tro segmento que vem se destacando na aos Olhos do Mundo”, que busca atrair
economia da capital. Sendo assim, uma mais eventos internacionais para a capi-
boa oportunidade aparece: trabalhar o tal. A entidade também se faz presente
varejo belo-horizontino para que ele se nos principais eventos que movimentam
torne um forte atrativo turístico, capaz de a economia local. Para 2016, por exem-
gerar mais empregos e renda. plo, o nosso desejo é que Belo Horizonte
aproveite ao máximo as oportunidades
Afinal, os setores de comércio e servi- de negócios que irão surgir com as Olim-
ços formam um importante elo da cadeia píadas.
produtiva do turismo, à medida que são
os responsáveis por prestar os serviços Quando a gastronomia vai bem, o
ao turista, agregando valor à economia e comércio vai bem
à sua experiência na capital mineira.
Minas Gerais é um estado único. Exala
Neste sentido, a Câmara de Dirigentes cultura, possui um rico patrimônio histó-
Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) as- rico e encanta a todos com suas monta-
sume papel de articulador e propositor de nhas e cachoeiras. Nosso potencial turís-
soluções para o setor empresarial e está tico é fortíssimo. Mas, ano após ano, um
sempre presente nos projetos que pos- atrativo vem se destacando, a gastrono-
sam contribuir não só para o comércio, mia mineira.
como também para o desenvolvimento

42
a gastronomia mineira valoriza os in- “Surpreendente e
gredientes regionais e se torna símbolo
de tradição, com seus modos de fazer
extremamente saborosa.
e sabores. O famoso queijo minas e sua Elogios são poucos para
produção artesanal, por exemplo, são descrever os encantos da
patrimônios imateriais do Estado. Nosso
café é motivo de orgulho. Se Minas Ge- gastronomia mineira.”
rais fosse um país, seria o maior produtor
mundial de café. E nossa cerveja? Somos precisa colocar em prática políticas pú-
lembrados por muitos como a “Bélgica blicas que promovam, apoiem e poten-
Brasileira”, pela qualidade da produção cializem o setor. O ambiente precisa ser
cervejeira. Impossível também não citar propício para todos. As oportunidades
a cachaça e os pratos típicos mineiros. precisam chegar até os pequenos agri-
cultores, empresários e empreendedores.
Surpreendente e extremamente saboro-
sa. Tais elogios são poucos para descre- É preciso facilitar a distribuição e comer-
ver os encantos da gastronomia mineira cialização dos produtos estaduais, valo-
que fascinam turistas brasileiros e es- rizando a produção artesanal que enal-
trangeiros. Exemplo disto é que 22% dos tece as marcas da gastronomia mineira
turistas que vêm a Minas Gerais têm na frente aos demais produtos do mercado.
gastronomia a principal imagem do Esta-
do, segundo dados de 2012 da Secretaria Ganhos importantes já foram conquista-
Estadual de Turismo. dos. Um exemplo disso é que em 2015
comemorou-se o primeiro ano da Frente
Mas a gastronomia vai além do que se da Gastronomia Mineira, que está fazen-
imagina, ela envolve muito mais do que o do valer a importância econômica, social
preparo de receitas. E os números falam e cultural do setor e tem levado para a
por si. Em 2014, Minas Gerais recebeu mesma mesa de debates diversos atores
um fluxo total de 24 milhões de turistas, da comunidade gastronômica, do poder
injetando cerca de R$ 16,7 bilhões na público e da sociedade civil em busca de
economia do Estado. Deste valor, 29,2% novas perspectivas.
foram destinados ao setor de hospeda-
gem, 20,5% para o setor de compras e Mas o setor pode ir além. E a CDL/BH
20,2% para o setor de alimentação. Tais não mede esforços, pois sabe que isso
dados representam a força da cadeia é possível. A gastronomia mineira pode
produtiva do turismo, em que a gastro- contar com a parceria da entidade para
nomia e o comércio integram. que esse nome se torne cada dia mais
forte nacional e internacionalmente. Pois
Gerador de emprego e renda, a CDL/BH quando a gastronomia e o turismo vão
sabe da importância do turismo e, prin- bem, o comércio vai bem e manter esse
cipalmente, da gastronomia para o de- norte é um dos nossos principais ideais.
senvolvimento econômico mineiro. Mas
os desafios do setor são muitos. Por isso
se faz necessário o envolvimento dos di-
versos atores para a construção de um
setor cada dia mais forte.

Mais que só idealizar, o poder público

43
Somando forças para desenvolver a Fundada em maio de 2014, a FGM con-
gastronomia mineira ta com a participação da Secretaria de
Estado de Turismo, do Sebrae Minas, da
A gastronomia mineira tem um horizonte Secretaria de Estado da Cultura, da Abra-
de oportunidades a seguir, mas para que sel, da Fecomércio Minas além do apoio
esta premissa se torne realidade é preci- de profissionais e formadores de opinião
so reunir esforços em prol da defesa, va- ligados à gastronomia mineira e institui-
lorização e promoção do setor nos mais ções de ensino. Em prol da gastronomia
diversos âmbitos. mineira, a FGM prossegue para seu se-
gundo ano. Muitas reuniões já foram rea-
Um dos desafios do setor que precisa lizadas, diversas metas foram traçadas e
ser vencido é a burocracia que inviabili- vários objetivos alcançados.
za, dificulta, paralisa e impede um maior
desenvolvimento da gastronomia mi- Unanimidade entre as entidades é que
neira. Só para se ter uma ideia disso, a a gastronomia estadual precisa ser re-
comercialização interestadual do queijo conhecida, mas antes é preciso valori-
da Serra da Canastra, um dos ícones da zar pessoas e instituições que lutam por
nossa culinária estadual, só foi liberada este objetivo. E foi isto o que a Frente da
em 2013. O que revela a falta de diálogo Gastronomia Mineira fez em 5 de julho
e de conhecimento do poder público com de 2015, na sede CDL/BH. Na ocasião,
os processos de produção artesanal. foi realizada uma reunião extraordinária
em comemoração ao primeiro ano da
É preciso também criar políticas de apoio FGM e também ao Dia da Gastronomia
aos pequenos agricultores, empresários Mineira, onde instituições e personalida-
e empreendedores além de abrir linhas des que contribuíram com a valorização
de financiamento que fomentem a pro- da cadeia gastronômica estadual foram
dução da gastronomia mineira com seus homenageadas.
produtos e modos de fazer, contribuindo
assim com o desenvolvimento econômi-
co dos pequenos, médios e grandes mu-
nicípios.

Além disso, é preciso proteger o setor


dos impactos causados por alguns pro-
jetos de leis que oneram os negócios e
sufocam a produtividade. É preciso lutar
pela garantia do tratamento diferencia-
do para os pequenos negócios. É preciso
reclamar, pedir e cobrar do governo em
suas três instâncias, municipal, estadual
e federal, condições favoráveis para o de-
senvolvimento das empresas mineiras.
Figura 1- Presidente da CDL/BH, Bruno Falci discursa na Assem-
bléia Legislativa de Minas Gerais
E foi para romper com barreiras como
essas que a CDL/BH, instituições públi-
cas e privadas se uniram para a criação
da Frente da Gastronomia Mineira (FGM).

44
E em 2015, as principais reivindicações Essas são apenas algumas das inúmeras
do setor chegaram até à Assembleia Le- conquistas que a gastronomia alcançou
gislativa de Minas Gerais (ALMG). No dia em 2015. E para 2016 as projeções são
18 de agosto, o presidente da CDL/BH, ainda mais otimistas. Pois, certamente,
Bruno Falci, debateu, junto com outros a Frente da Gastronomia Mineira vai dar
atores da mesa gastronômica, mecanis- continuidade a sua forte atuação para
mos de incentivo à gastronomia. As prin- agregar, ainda mais, valor à marca Minas
cipais ações propostas para tornar Minas Gerais. •
o melhor destino gastronômico brasileiro
foram o aperfeiçoamento da legislação
envolvendo a gastronomia, além da cria- Bibliografia
ção de políticas públicas que facilitem a
atuação dos pequenos produtores e em- - Portal Observatório do Turismo (www.minasgerais.com.
br/observatorioturismomg)
preendedores. Acessado em 29 de dezembro de 2015 às 11h15.

Outra grande conquista do setor, também - Portal da Secretaria de Turismo de Minas Gerais (www.tu-
rismo.mg.gov.br) acessado em 29 de dezembro às 10h07.
em agosto de 2015, foi o anúncio da re-
forma de um importante espaço da culi-
nária de Minas, a Casa da Gastronomia.
O prédio, localizado na Rua da Bahia, no
bairro de Lourdes, região Centro-Sul de
Belo Horizonte, integra o Circuito Cultural
Praça da Liberdade. Segundo o secretá-
rio de Estado de Turismo, Mário Henrique
Caixa, o recurso disponível para restaura-
ção do espaço é de R$ 1,2 milhão.

Figura 2 - Secretário de Estado de Tu-


rismo, Mário Henrique Caixa, anun-
ciou no dia 3 de agosto de 2015 a re-
forma da Casa da Gastronomia

45
O Edital previa que eventos gastronô-
MINAS DE TODAS AS micos com realização prevista até o
ARTES: FOMENTO DA fim de 2016 poderiam ser selecionados
para receber investimento de até R$250
CODEMIG À GASTRONOMIA mil cada. O concurso também incluiu a
INTEGRA AÇÕES DO seleção de projetos para a realização
de eventos de Food Truck em cidades
PROGRAMA DE INCENTIVO À da Estrada Real. Conforme previsto, foi
INDÚSTRIA CRIATIVA contemplado um projeto por região gas-
tronômica, com o valor total solicitado.
Marco Antônio Soares da Cunha Castello Branco Como os custos indicados não atingiram
Diretor Presidente da Codemig
o montante do investimento de R$ 1,5
milhão, disponibilizado pelo Governo de
Minas Gerais por meio da Codemig, foi
De forma pioneira e estratégica, o Gover- possível beneficiar ainda mais iniciativas.
no do Estado de Minas Gerais, por meio Foram avaliados critérios como viabilida-
da Companhia de Desenvolvimento Eco- de da execução, abrangência, inovação,
nômico de Minas Gerais (Codemig), lan- envolvimento de profissionais e produtos
çou em 22 de agosto de 2015 o Minas de da região, participação de chefs, público
Todas as Artes — Programa Codemig de estimado, estrutura física, estratégias de
Incentivo à Indústria Criativa. A ação iné- comunicação e comercialização, tradi-
dita busca fomentar o desenvolvimento ção do evento e acessibilidade.
de novos negócios que gerem empregos,
renda e riquezas para o Estado. Até o fim A seleção de projetos de fortalecimento
de 2018, serão investidos mais de R$ 20 e fomento dos festivais gastronômicos
milhões em iniciativas de valorização de tem o objetivo de potencializar a cadeia
variados segmentos, como Gastronomia, produtiva gastronômica em Minas Ge-
Audiovisual, Design, Moda, Música e No- rais e contribuir para a movimentação do
vas Mídias. fluxo turístico regional e nacional, além
de reforçar o posicionamento do Estado
Entre as primeiras iniciativas do Progra- como um destino turístico gastronômico
ma, destaca-se o lançamento do Edital de referência no País.
de incentivo à Gastronomia, com apoio
da Secretaria de Estado de Turismo de 1. Codemig ativa a cadeia produtiva da
Minas Gerais (Setur). O período de inscri- Gastronomia: apoio aos produtores para
ções foi de 27 de agosto até 19 de outu- divulgação e comercialização dos seus
bro. Ao todo, 12 projetos foram contem- produtos em eventos do segmento
plados, beneficiando todos os territórios A tradicional e celebrada culinária minei-
gastronômicos do Estado: Cerrado, Espi- ra passou a ganhar este ano mais sabor
nhaço, Rios, Central e Mantiqueira. de desenvolvimento, com a nova frente
de ação da Codemig em prol do fomento

46
à Indústria Criativa no Estado. Em junho, do que muitas capitais do País, ocupan-
a Empresa e a Secretaria de Estado de do, junto com Recife, o quinto lugar no
Turismo levaram produtores mineiros ranking de cidades com mais restau-
para a capital cearense, Fortaleza, onde rantes estrelados. O festival já recebeu,
ocorreu o Projeto Fartura, realizado pelo desde o início, chefs de 18 países, como
Festival Cultura e Gastronomia Tiraden- Espanha, França, Itália, Argentina, e via-
tes. A iniciativa, realizada de 19 a 21 de bilizou mais 160 festins e 77 mil pratos
junho, buscou promover e desenvolver a servidos nos jantares, envolvendo mais
gastronomia nacional, ao reunir e inte- de 5.500 profissionais. Além disso, rece-
grar produtos, produtores, chefs, indús- beu lançamentos de livros sobre o tema,
tria, mercados e apreciadores da boa co- exposições e exibições de vídeos. O festi-
zinha. val integra o portfólio de eventos realiza-
do pelo Projeto Fartura.
Para esse encontro, a Codemig viabilizou
a participação de cinco empreendimen- Para além dos restaurantes e das me-
tos mineiros: Cachaça Dona Beja (Araxá), sas dos grandes chefs, a cadeia produ-
Café das Amoras (Nepomuceno), Doces tiva da gastronomia envolve também
da Christy (Ponte Nova), Doces Joaninha matérias-primas, pequenos produtores,
(Araxá) e Unique Cafés (Carmo de Minas). indústrias, redes de distribuição e comér-
Segundo a diretora de Fomento à Indús- cio. Somando-se todos esses setores,
tria Criativa da Codemig, Fernanda Me- tem-se a expressiva participação de 18%
deiros Azevedo Machado, o evento tam- no PIB brasileiro. Alinhada com a Setur,
bém constituiu uma oportunidade para a Codemig passou a contribuir, então,
ampliação da rede de contatos, prospec- para a promoção da gastronomia como
ção de novos clientes e geração de negó- vetor de desenvolvimento econômico de
cios com redes de supermercados locais, Minas Gerais, além de consolidar a iden-
bares, restaurantes e até mesmo o setor tidade do povo mineiro a partir de suas
hoteleiro do Estado do Ceará. tradições e aspectos histórico-culturais.

Em agosto, no Festival Cultura e Gastro- 2. Codemig valoriza eventos gastro-


nomia Tiradentes, a Codemig novamente nômicos de Minas Gerais: patrocínio e
valorizou a cadeia produtiva da gastro- apoio a diversas iniciativas em prol do
nomia, com a apresentação de estande desenvolvimento
próprio no qual produtores mineiros fo- O apoio da Codemig a diversos eventos
ram convidados a expor seus produtos. de estímulo à Indústria Criativa integra o
O evento de Tiradentes, cuja primeira plano de ações estrategicamente estru-
edição foi em 1998, transformou-se em turado em benefício do desenvolvimento
um marco para a cidade. O encontro mo- socioeconômico de Minas Gerais. Entre
vimentou a economia e a comunidade lo- as variadas iniciativas que receberam o
cal, contribuindo para o crescimento nos suporte da Codemig em 2015, estão o
serviços de restaurantes, pousadas, ba- Festival Cultural, Gastronômico e Turísti-
res e lojas em mais de 300% em 10 anos, co Brumadinho Gourmet, o Projeto Far-
de acordo com dados do IBGE; em 2009, tura e o Mineirão Gastrô. Dessa forma, a
esses serviços já representavam 50% do Empresa promove a associação de seu
PIB da cidade. nome a ações de visibilidade, credibilida-
de e importância para o Estado.
Atualmente, Tiradentes possui 7 restau-
rantes estrelados no Guia 4 Rodas, mais

47
O Brumadinho Gourmet exerce papel A iniciativa que deu origem a essa pla-
preponderante na promoção do turismo taforma é o mencionado Festival Cultu-
em Casa Branca, distrito mineiro de Bru- ra Gastronomia Tiradentes, considerado
madinho. Seu objetivo é divulgar a culi- atualmente como um dos mais impor-
nária local, as riquezas artísticas e cultu- tantes eventos de cultura do País e um
rais, além dos pontos turísticos de Casa dos mais propulsores do desenvolvimen-
Branca. Sua sétima edição ocorreu entre to cultural, turístico e econômico de Ti-
4 e 7 de setembro, no Espaço Gourmet. O radentes e região. Ao longo de suas 18
acesso ao local, que dista 30 quilômetros edições, o Festival ofereceu mais de 4 mil
de Belo Horizonte, é fácil e bem sinaliza- atividades culturais gratuitas, alcançan-
do. do diretamente mais de meio milhão de
pessoas.
A edição 2015 contou com a participação
de músicos, artesãos, dançarinos, atores, Em 2015, o Festival Cultura Gastronomia
quitandeiras, doceiras, chefs conceitua- Tiradentes passou a se chamar Fartura
dos, apreciadores, bons produtos e gran- Tiradentes, sendo parte da grande pla-
des marcas. Constitui uma autêntica fes- taforma Fartura, que conta, ainda, com
ta da cultura e da gastronomia de raízes o Festival Fartura BH e com duas novas
mineiras. O evento atraiu participantes edições: Fartura Fortaleza (CE) e Fartu-
da região e turistas de Minas Gerais e ou- ra Porto Alegre (RS). Todos os eventos
tros estados. Entre as atividades propos- são realizados em praça pública, sendo
tas, destacaram-se: oficinas com chefs amplamente abertos à comunidade. Em
renomados; festins; oficinas de arte; feira Belo Horizonte, o evento foi realizado
de artesanato e produtos da terra, forno e nos dias 3 e 4 de outubro, na Praça José
fogão a lenha; encontro de grupos folcló- Mendes Júnior, contando com shows de
ricos e de manifestações culturais; atra- música instrumental e apresentações de
ções circenses; apresentações de artes artes cênicas.
cênicas, dança e teatro; shows musicais.
Trata-se de uma relevante iniciativa para
Para a Codemig, o evento, já consolidado a Indústria Criativa mineira. O evento
e com alto nível de visibilidade, é uma vi- aquece diversas cadeias produtivas, nos
trine de marcas e produtos, que contribui segmentos de gastronomia, música e ar-
para o fortalecimento da Indústria Criativa tes, incentivando seu desenvolvimento.
mineira. O encontro aquece diversas ca- Pela sua relevância, a Codemig apoiou a
deias produtivas, nos segmentos de gas- realização do evento na capital mineira e
tronomia, música e artes, incentivando cedeu patrocínio de R$50.000,00, subsi-
seu desenvolvimento. Pela importância diando a programação musical e gastro-
e pela tradição da iniciativa, a Codemig, nômica e as atividades de formação do
como empresa voltada para o fomento Fartura BH.
ao desenvolvimento econômico do Es-
tado, apoiou sua realização e concede à Já o Mineirão Gastrô constitui um evento
iniciativa um patrocínio de R$19.950,00. gastronômico voltado aos apreciadores
de culinária e ao público em geral, com
Por sua vez, o Projeto Fartura, realizado a presença de dezenas de restauran-
pela Arte Projeto Promoções, é uma pla- tes e food trucks. Sua sexta edição está
taforma de eventos culturais com foco programada para dezembro no estacio-
na gastronomia brasileira, na música ins- namento descoberto G1 do Estádio Mi-
trumental e nas artes cênicas. neirão, em Belo Horizonte, com entrada

48
gratuita e acessibilidade completa, espe- produção. O material também mostrará
rando alcançar 20 mil pessoas. Estarão os pratos dos food trucks e restaurantes
presentes 25 food trucks, oito food bikes participantes. Para o entretenimento do
e seis restaurantes da capital. Os pratos público, estão programados, ainda, apre-
serão comercializados a preços popula- sentações artísticas (musical e circense)
res. itinerantes; espaço kids; praça para práti-
ca de esportes e brincadeiras.
A iniciativa já é referência na gastronomia
mineira, pelo padrão de qualidade e pelo A entidade realizadora é a Pomar Cultu-
sucesso de crítica de público. Com perio- ral, atuante no mercado mineiro desde
dicidade mensal, proporciona a troca de 2003, no ramo de realização de eventos,
experiências, saberes e sabores, em um consultoria e prestação de serviços vol-
ambiente agradável, propício à sociali- tados à mobilização de incentivos fiscais.
zação e ao intercâmbio gastronômico e O Governo de Minas Gerais e a Codemig
cultural entre os participantes. acreditam que o evento fomenta a Indús-
tria Criativa mineira, ao realizar o encontro
O evento contará com a presença de dez entre ofertantes e demandantes, além de
microprodutores mineiros, que desen- contribuir para a geração de capital e ren-
volvem um importante papel para a ma- da. A iniciativa também fortalece a região
nutenção e a preservação do patrimônio da capital como polo de culinária mineira,
histórico imaterial de Minas Gerais: a possibilita a formação de plateias e pro-
tradição da produção, em menor escala, põe uma opção saudável, segura, confor-
de especiarias consideradas únicas e de tável e culturalmente enriquecedora para
grande qualidade na região. Com essa ini- os cidadãos. O patrocínio à iniciativa é da
ciativa, os produtores poderão conhecer, ordem de R$15.000,00.
comercializar e difundir produtos tradi-
cionais e especiarias mineiras. O projeto, 3. Gastronomia na ponta do dedo: Go-
além de atrair olhares para os micropro- verno de Minas Gerais e Codemig lan-
dutores, viabilizará ações em parceria çam aplicativo turístico
com o Sebrae, que oferecerá uma feira de O Governo de Minas Gerais lançou em
negócios gastronômicos, e o Senac, que outubro duas novidades que contribuem
levará ao local seu restaurante-esco- para ampliar ainda mais o potencial tu-
la. Tudo isso possibilitará o intercâmbio rístico do Estado e sua projeção como
entre os participantes, incluindo chefs e indutor do desenvolvimento: o aplicativo
estudantes de gastronomia, gerando-se Visite Minas Gerais e o novo portal Mi-
um ambiente de aprendizagem e profis- nas Gerais (www.minasgerais.com.br).
sionalização. A Codemig investiu no desenvolvimen-
to do Visite Minas Gerais, um aplicativo
Todas as ações são pensadas de forma moderno, dinâmico e interativo, repleto
a incentivar a divulgação e a comercia- de imagens, fotos, vídeos e breves tex-
lização de importantes produtos minei- tos explicativos. Pode ser acessado em
ros, colaborando para o desenvolvimento smartphones, tablets e computadores,
das cadeias produtivas gastronômicas. mostrando, por exemplo, diversas be-
Será criado o Guia Mineirão Gastrô Mo- lezas naturais, riquezas históricas e de-
vimente-se, contendo informações sobre lícias gastronômicas do Estado. Pelo
o evento, os microprodutores presentes aplicativo, o usuário pode fazer um tour
e seus produtos, especificando os ingre- virtual, percebendo a grande variedade
dientes e suas diferenciadas técnicas de de recursos minerais, a força da indús-

49
tria mineira e de seus Distritos Industriais nador Fernando Pimentel e contribuiu
e as riquezas do campo, com produção para a projeção do Estado no cenário in-
de grãos, soja, milho, arroz, feijão, cafés ternacional, divulgando seu novo modelo
de qualidade internacional, florestas de de governança e desenvolvimento. Além
eucalipto para carvão vegetal e celulose, disso, destacou relevantes iniciativas em
frutas e hortaliças e cana, bem como a variados segmentos, como gastronomia,
pecuária para a produção de carne e para design, tecnologia e moda, evidenciando
a indústria de laticínios. oportunidades de negócio e turismo e po-
sicionando Minas Gerais como referência
A seção especialmente dedicada à gas- para investimentos estratégicos, no setor
tronomia oferece harmonizações e des- da economia criativa, por exemplo.
taca queijos, doces, café, cervejas arte-
sanais, cachaças e comida mineira, além O Estado integrou o Pavilhão Brasil, or-
de águas minerais, representadas pela ganizado pela Agência Brasileira de Pro-
mundialmente premiada água Cambu- moção de Exportações e Investimentos
quira. O aplicativo está disponível no site (Apex-Brasil) sob a coordenação de uma
www.managana.org/visitminasgerais. Comissão Interministerial presidida pelo
Ministério do Desenvolvimento, Indústria
Já o portal Minas Gerais (www.minasge- e Comércio Exterior. Na semana dedicada
rais.com.br) traz, além de informações à divulgação de Minas Gerais na mostra
sobre o Estado, opções diversificadas de global, os visitantes puderam degustar a
destinos e roteiros. Na seção “O que fa- água mineral Cambuquira, mundialmen-
zer”, por exemplo, são listadas variadas te premiada, e conhecer mais sobre os
atrações para quem está interessado em diferentes tipos de café, doces, geleias,
natureza, gastronomia, bem-estar e cul- licores, cachaça, própolis, mel e pão de
tura. Eventos e galeria com belas fotos queijo. Por meio do Projeto Imagem,
também compõem o site, além de um azeites, vinhos e produtos tipicamente
ambiente que destaca os parques. Os mineiros estiveram entre as atrações, em
usuários podem, ainda, acessar o blog uma ação conjunta entre a Empresa de
existente. O novo portal é uma iniciativa Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais
do Governo estadual. (Epamig), a Exportaminas (unidade de
comércio exterior da Secretaria de Esta-
do de Desenvolvimento Econômico) e a
4. Gastronomia mineira ganha projeção Federação das Indústrias do Estado de
internacional com a Semana de Minas Minas Gerais (Fiemg). O evento também
Gerais na Expo Milão contou com a presença do coordenador
A Expo Milão 2015, grandiosa exposição do Festival Cultura e Gastronomia Tira-
universal que reuniu mais de 140 países dentes, Rodrigo Ferraz, e dos chefs Ivo
na Itália, recebeu a Semana de Minas Ge- Faria, Pablo Oazen e Frederico Trindade,
rais em Milão. Entre os dias 12 e 18 de além do chef revelação do Senac, João
outubro, diversas ações gastronômicas, Victor Moura da Costa Ribeiro.
culturais, empresariais, diplomáticas e
comerciais foram promovidas pelo Go- A Expo Milão ocorreu entre maio e ou-
verno do Estado de Minas Gerais, em par- tubro, tendo como tema “Alimentando o
ceria com a Codemig e outros parceiros. Planeta, Energia para a Vida”. Nesta edi-
ção, a previsão de público foi de 20 mi-
A missão mineira no terceiro maior even- lhões de visitantes em um espaço de 1
to mundial teve a participação do gover- milhão de metros quadrados. Além de

50
países e empresas, participam da expo- Entre as ações da Coordenadoria, inclui-
sição mundial a sociedade civil e organi- -se a proposta de criação da Casa da
zações internacionais, como a ONU e a Gastronomia. O local servirá muito mais
União Europeia. Trata-se de um evento do que ponto de divulgação desse bem
sustentável, tecnológico e temático, fo- imaterial mineiro, que é a culinária. Agre-
cado em seus visitantes, que puderam gará conhecimentos, eventos, demons-
vivenciar uma experiência única sobre o trações, receitas da alta gastronomia
tema da nutrição, em uma viagem por com os ingredientes e pratos típicos, de
alimentos e tradições de povos de todo raiz, além de difundir a difusão e a troca
o mundo. A mostra global é realizada a de experiências da arte e do saber refe-
cada cinco anos em diferentes cidades rentes a aromas e sabores.
do planeta, desde 1851, como plataforma
para o diálogo internacional sobre temas Além disso, Minas Gerais conta com o
e avanços relevantes para a humanidade. site www.gastronomiamg.com.br, que
abriga informações sobre gastronomia
5. Minas Gerais, gastronomia e turismo mineira, receitas, notícias e eventos. Nele
Em 2015, a Fundação João Pinheiro foi há um espaço para cadastro dos empre-
contratada pela Codemig visando à ela- endimentos de gastronomia, bem como
boração do Plano Estratégico para o De- apoio à tradução de cardápios. A Setur-
senvolvimento Sustentável do Turismo -MG também é membro da Frente em
em Minas Gerais. No trabalho, está sen- Defesa da Gastronomia Mineira, criada
do dado destaque para a gastronomia, em maio do ano passado e composta por
conectando a cadeia gastronômica à de- instituições públicas e privadas, especia-
manda turística. Também será elabora- listas, empresários e integrantes da so-
do um Diagnóstico da Gastronomia, para ciedade civil, constituindo uma instância
análise de informações, dados e indica- para propor, discutir, incentivar e imple-
dores a serem levantados sobre a gas- mentar ações em defesa da gastronomia
tronomia em Minas Gerais, considerando do Estado.
os diagnósticos prévios existentes, com
foco na agricultura e no turismo. A reali- Outra associação que recebe apoio da
zação do Plano está prevista para 2016 e Setur é a Associação Mineira de Gas-
possibilitará o direcionamento das ações tronomia (AMiGa), criada no segundo
para o fortalecimento da gastronomia semestre de 2014. Trata-se de uma en-
mineira, incluindo a identificação de no- tidade multidisciplinar, formada por pro-
vos produtos e a definição de estratégias fissionais, amantes e admiradores da
para inserção no mercado. culinária mineira, com a finalidade de
fomentar o turismo por meio da gastro-
Desde 2014, a gastronomia adquire sta- nomia, além de gerar renda e valorizar a
tus de Coordenadoria, dentro da estru- agricultura e o produto local.
tura da Secretaria de Estado de Turismo
de Minas Gerais. O segmento é tratado 4. A Indústria Criativa
como política pública, abrangendo ações A Indústria Criativa constitui a cadeia
articuladas nas áreas econômica, social, produtiva composta pelos ciclos de cria-
turística e cultural. Com isso, sua ges- ção, produção e distribuição de bens e
tão ganha maior autonomia, agilidade e serviços que usam criatividade e capital
intensidade, como vetor de desenvolvi- intelectual como insumos primários. As
mento. quatro grandes áreas criativas podem
ser classificadas em segmentos como:

51
Publicidade, Arquitetura, Design e Moda
(na área criativa do Consumo); Expres-
sões Culturais, Música, Artes Cênicas e
Patrimônio e Artes (na categoria Cultura);
Editorial e Audiovisual (Mídias); e Pesqui-
sa & Desenvolvimento, Tecnologias da
Informação e da Comunicação e Biotec-
nologia (Tecnologia).

Estudo da Federação das Indústrias do “Para além dos restau-


Estado do Rio de Janeiro traz um pano-
rama da Indústria Criativa no Brasil. Em rantes e das mesas dos
2013, eram 251 mil empresas, um cres- grandes chefs, a cadeia
cimento de 69,1% em relação a 2004. O
setor mostra um avanço também em re- produtiva da gastronomia
lação ao PIB: em 2013, a Indústria Cria- envolve também matérias-
tiva representou 2,6% do total de rique-
zas produzida no Brasil (R$ 126 bilhões). -primas, pequenos produ-
Estima-se que a Indústria Criativa gere tores, indústrias, redes de
mais de 890 mil empregos formais no
País. Em Minas Gerais, os empregos ge-
distribuição e comércio”
rados na Economia Criativa dividem-se
em segmentos como pesquisa de desen-
volvimento (21%), arquitetura (15%), pu-
blicidade (11%), TIC (11%), design (10%),
moda (8%), audiovisual (6%), editorial
(5%), biotecnologia (4%). O segmento
audiovisual mineiro, por exemplo, inclui
produção, editorial, música e fornecedo-
res técnicos, ao passo que as chamadas
expressões culturais abrangem artesa-
nato, gastronomia, artes cênicas, música,
produção independente e representação
comercial. •

52
ESTRADA REAL APRESENTA OS SABORES
E CAMINHOS DE MINAS GERAIS

Desde que foi criado, há 16 anos, o Instituto Para implementar a ideia, o Festival de
Estrada Real (IER) trabalha para promover Gastronomia de Carranca, funcionou
a atividade turística e gerar bons negócios como experimento para implantação da
no circuito que, na era colonial, transpor- iniciativa. O evento, que ocorreu entre os
tou riquezas de Minas - ouro e diaman- dias 16 e 19 de julho, resumiu um pouco o
tes – para os portos do Rio, de onde eram fascínio dos viajantes de todos os cantos
levados para a Europa. Hoje, três séculos pela variedade de iguarias na maior rota
depois, a demanda gerada por milhares de turística do país.
visitantes é capaz de movimentar mais de
50 setores econômicos, o que representa O festival foi o primeiro a integrar o pro-
um enorme potencial transformador para jeto e teve como atrações: shows musi-
as dezenas de cidades que compõem o cais, degustações, apresentações teatrais,
caminho. além de variados pratos da cozinha minei-
ra. E para receber os milhares de visitantes
Mas como pensar em Estrada Real e não que foram até a cidade, os restaurantes e
lembrar dos sabores e aromas da gastro- pousadas ofereceram cardápios especial-
nomia? Por isso, o Instituto Estrada Real mente elaborados para a ocasião, que fo-
apresenta uma saborosa novidade aos ram desde a culinária mineira tradicional
apreciadores da boa comida e, obviamen- até pratos inspirados na gastronomia in-
te, dos belos caminhos da maior rota tu- ternacional.
rística do país: o projeto Terroirs Estrada
Real. Segundo dados do IER, 42,5% dos turistas
que viajaram até o município neste perío-
A iniciativa do IER tem como objetivo unir do, foram motivados pelo evento gastro-
os festivais e produtos gastronômicos ao nômico.
longo da rota turística em um circuito úni-
co, além de resgatar e valorizar toda a tra- E não para por aí. O projeto também preten-
dição dos sabores da Estrada Real. de “chancelar” os produtos típicos presen-
tes ao longo da rota com o selo do Terroirs
“Todos os eventos já acontecem separa- ER. “A ideia é que licenciemos iguarias de
damente. A estratégia é agrupá-los e de- qualidade, para que possamos divulgá-las
senvolver formas de divulgação e promo- para os turistas”. Já foram identificadas
ção facilitando e incentivando o turismo pelo IER cerca 50 cidades com potenciais
vivencial nos diversos Terroirs ao longo da produtos a receberem o selo.
Estrada Real. Queremos atrair os viajantes
tendo como foco a gastronomia”, explica Atualmente, o Instituto Estrada Real já tra-
Daniele Teixeira, coordenadora do projeto. balha com oito produtos licenciados. Des-

53
se total, seis estão diretamente ligados à to Estrada Real com essas características.
gastronomia, como é o caso do Café 3 Co- Os apreciadores de boas bebidas também
rações, Pão Oratório, Goiabada da Chris- não ficam atrás. São os casos da Cerveja
ty, Cerveja Artesanal Falke Bier e Cachaça Artesanal Falke Bier Estrada Real e da Ca-
Prazer de Minas. Além, é claro, do famoso chaça Prazer de Minas Estrada Real.
Queijo do Serro.
Tudo começou no quintal de casa. Em
Muita história, muito sabor uma panela, Marco Falcone, proprietário
O Queijo do Serro resgata toda a tradi- da cervejaria artesanal Falke Bier, produziu
ção gastronômica presente ao longo da sua primeira cerveja artesanal, em 1988.
Estrada Real. Reconhecido como Patri- Nesse tempo, Falcone adquiriu técnica e
mônio Cultural do Brasil, pelo Instituto do permaneceu durante um ano fazendo a
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional bebida na panela. Sua última produção
(Iphan), em 2008, a receita tricentenária data de março de 1989, feita para a festa
faz parte da cultura e da história de Minas. de aniversário do filho. Depois, por conta
da mudança de seu fornecedor de malte
Durante o lançamento da parceria em e levedura para o exterior, Falcone fechou
agosto deste ano, entre a Cooperativa do sua “fábrica”.
Serro e o Instituto Estrada Real, o presi-
dente do Sistema FIEMG e do IER, Olavo Em 2000, Marco foi enviado à Alemanha
Machado Junior, ressaltou que o principal a trabalho. Lá, experimentou as cervejas
objetivo da ação é, através da gastrono- alemãs e se entusiasmou com o sabor,
mia, levar benefícios e bons negócios para que achou parecido com as que ele produ-
todas as comunidades da ER, por meio de zia. Durante quatro anos, Marco retornou
geração de emprego e renda. ao país todos os anos, e aproveitou para
estudar e projetar sua própria cervejaria.
“Precisamos criar oportunidades para que
o cidadão mineiro e brasileiro tenha orgu- Nessas viagens, o cervejeiro fez vários
lho daquilo que estamos fazendo no país. cursos e estágios em outros países, como
Será ainda melhor se fizermos isso com Bélgica e Dinamarca. Em 2004, com seus
que o que temos de melhor, que é a gas- irmãos Ronaldo e Juliana, Marco fundou
tronomia, aqui representada pelo Queijo a cervejaria Falk Bier. Em agosto de 2008,
do Serro”. foi firmada a parceria com a Estrada Real,
que logo deu frutos. Foram lançadas duas
Machado Junior destaca ainda que a Es- cervejas: Estrada Real IndiaPale Ale, e, em
trada Real representa um enorme po- 2010, a cerveja Weiss Estrada Real (cerve-
tencial econômico para nosso estado. ja de trigo).
“Voltamos a colocar a Estrada Real em
evidência, pois acreditamos nas possibi- A marca ainda possui mais cinco rótulos
lidades que ela oferece pra Minas Gerais, próprios, alguns alusivos às belezas per-
seja no turismo, na indústria ou gastrono- tencentes ao maior roteiro turístico do
mia”, acrescentou. país, como o Ouro Preto, Falke Diamanti-
na, Falke Villa Rica, além de FalkeVivrepour
Vivre.
Toque real
Se o Queijo do Serro prima pelo cuidado e Ainda neste ano, a fábrica planeja lançar
carinho na hora de sua produção, ele não mais dois rótulos da cerveja com a chan-
é o único produto chancelado pelo Institu- cela Estrada Real e, em 2016, há planos de

54
expansão para o exterior. Para Marco Fal- A Prazer de Minas produz vários tipos de
cone, a parceria combinou a qualidade do cachaça, e desde o início de sua produção,
seu produto à importância do destino tu- todas envelhecidas em barris de carvalho
rístico. “Por conta da Estrada Real a nossa europeu. Os produtos têm uma linha de
cerveja é bem reconhecida”, completa. envelhecimento de 2 a 10 anos.

Prazeres de Minas A marca está presente em todos os es-


tados, aeroportos, delicatessens e lojas
Viajar pela Estrada Real é um prazer quase especializadas no Brasil. Para o produtor
indescritível, pois há belas paisagens, na- Euler Chaves, a iniciativa foi positiva. “A
tureza estonteante e boa gastronomia que parceria é uma ação interessante de divul-
se misturam de maneira inigualável. E é gação, pois permite que a Prazer de Minas
com essas sensações que a Cachaça Pra- esteja atrelada a uma marca consolida-
zer de Minas Estrada Real se apresenta da em Minas Gerais que é a Estrada Real.
para os viajantes, desbravadores e apre- Além disso, permite que o roteiro aproveite
ciadores da boa cachaça. a forte presença de nossa marca no esta-
do”, garantiu.
Criada em 1999, mesmo ano de fundação
do IER, em Esmeraldas, município da Re-
gião Metropolitana de Belo Horizonte, a
bebida já se diferenciava da concorrência,
pois a produção contava com um proces-
so moderno para a época, que utilizava
fermentação com leveduras selecionadas.
Logo, a produção passou a ser envelheci-
da em barris de carvalho europeu e após
dois anos, a Prazer de Minas começou a
ser comercializada.

Desde 2009, uma parceria especial com


o Instituto Estrada Real fez com que to-
das as garrafas trouxessem a estampa da
marca Estrada Real.

55
GASTRONOMIA, MINAS
GERAIS E O TURISMO

Nathália Farah Laranjo poucas, rica, aconchegante e com uma


Coordenadora de Gastronomia
maneira única, que conta a história deste
Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais
importante Estado.

Minas Gerais respira turismo, a mesa mi-


Minas Gerais situa-se geograficamente neira, “onde sempre cabe mais um” é a
em um espaço privilegiado no território maior marca da hospitalidade do povo
brasileiro, pois é fronteira com Estados mineiro, que acolhe diferentes gostos e
de grande projeção econômica, política, interesses. Há várias possibilidades que
histórica, cultural e turística e, como es- atendem diversos tipos de turistas, aven-
ses, se destaca em atrativos turísticos tura, história, cultura, religião, gastrono-
onde a paisagem de rara beleza, a histó- mia, bem estar.
ria, a cultura de seu povo se impõem no
cenário nacional. Seus encantos se reve- Por isso, pensar o turismo é pensar no
zam entre o artesanato, a arte barroca, a lazer, vários autores consideram o lazer
arte moderna, a música, a religiosidade, o como um fenômeno característico das
folclore. Soma-se a esses a comida mi- modernas sociedades urbano- indus-
neira apreciada pelos turistas que “não triais.
a esquecem jamais” colocando o Estado
num patamar, como poucos, no quesito Um dos mais importantes estudiosos do
gastronomia. tema, Nelson Marcelino (1983) afirma que
o lazer teve início como esfera própria e
Minas Gerais abriga 80% do patrimônio concreta, a partir da Revolução Industrial,
brasileiro protegido como Patrimônio em decorrência dos avanços tecnológi-
Cultural da Humanidade, pela UNESCO, cos que acentuaram a divisão do traba-
com as cidades Ouro Preto e Mariana. lho, oportunizando numa nova situação
Não tem mar, mas os parques naturais histórica, em que o progresso tecnológi-
são inimagináveis, as manifestações cul- co permite alcançar maior produtividade
turais riquíssimas e a gastronomia como com menos tempo de trabalho. Neste
56
sentido, o lazer surge como resposta às leitoa à pururuca, à cachaça, os frutos do
reivindicações sociais pela distribuição cerrado, o pão de queijo e o café. É uma
do tempo liberado do trabalho, como se infinidade de pratos e sabores, produtos
fosse apenas para reposição de energias. e histórias.

Apesar dos estudos sobre o turismo te- Hoje, a novidade na nossa produção, são
rem duas linhas de pensamentos, uma as cervejas artesanais, mais uma moti-
relacionada ao ócio, deslocamento mo- vação para os turistas que querem co-
tivados pelas guerras, enfermidades, etc, nhecer as produções gastronômicas.
ele realmente se concretiza na Revolução Chamada da Bélgica brasileira, Minas
Industrial, visto que os deslocamentos ti- Gerais conta com 30 fábricas de cerve-
nham como intuito, o lazer, o descanso. jas, dentre elas 24 microcervejaria.

Segundo a OMT – Organização Mundial De janeiro a dezembro, festas tradicio-


de Turismo, a atividade turística relacio- nais, encontros gastronômicos e festi-
nada ao volume de negócios é igual ou vais são realizados em diversas cidades
até mesmo supera a das exportações de dos 853 municípios. Milho, pequi, vinho,
petróleo, produtos alimentícios ou au- queijo, biscoito, carne, banana, jabutica-
tomóveis. O turismo tornou-se um dos ba, ora-pró-nobis, café, cachaça: tudo é
principais agentes no comércio interna- motivo de festa e inspira uma comemo-
cional, e representa, ao mesmo tempo, ração, que atrai grande número de visi-
uma das principais fontes de rendimen- tantes.
tos para muitos países em desenvolvi-
mento. Este crescimento vai de mãos Enquanto produto turístico ou atrativo
dadas com uma crescente diversificação turístico, a gastronomia no turismo, não
e concorrência entre os destinos. só se fortalece no aspecto das necessi-
dades humanas, mas também de aproxi-
Como já dito, Minas Gerais tem tamanha mar as pessoas, as culturas de um povo,
diversidade, que a gastronomia, seguido que seja em sua religiosidade, etnia, pro-
às tendências de hoje, pode ser a grande dutos típicos, aproveitar o que solo de
chave para o desenvolvimento e aumen- cada lugar tem a oferecer, capacidade de
to de fluxo de turistas para o Estado. Já atravessar fronteiras, contribuir e influen-
se tornou referência para o turista nacio- ciar na cultura alimentar de cada região,
nal e internacional. Em todos os 853 mu- de acordo com as adaptações que dela
nicípios mineiros, existe a possibilidade ocorre.
de provar dos quitutes e quitandas feitos
por mãos habilidosas, de gerações que A gastronomia é uma arte, o qual quem
se revezam nos fazeres de cozinhas cen- executa e quem aprecia, estão em perfei-
tenárias, transformando a culinária em ta harmonia e, por isso, não é fácil com-
um diferencial para quem visita o Estado. preendê-la como apenas a oferta de um
alimento, pois nela está contido o coti-
Através dos sabores de Minas, é possível diano e a história de quem a criou.
passear por suas diversas regiões. Ta-
manha a riqueza, ao se pensar na gastro- Com a globalização temos uma modi-
nomia mineira, é impossível não fazer jus ficação da oferta turista, caracterizada
ao feijão tropeiro, ao tutu à mineira, à du- pela homogeneização e pela instabilida-
pla queijo com goiabada, ao frango com de, produzidos pela modernidade e pelo
quiabo, ao doce de leite, ao torresmo, à capitalismo, onde o demandante desta

57
segmentação é o pós-turista1. A literatu- racterizada nas localidades, sobre forte
ra mais recente já aponta uma retração demanda, no anseio de se tornar a gas-
da demanda por “pacotes padronizados”, tronomia como uma nova possibilidade
enquanto cresce a procura por destinos de mercado e oferta turística, correndo-
considerados “exóticos”, para que o tu- -se o risco de perder as reais caracterís-
rista possa vivenciar com significado e ticas, os modos de fazer, desconectan-
autenticidade o local visitado. (TRIGO, do os sentidos originais. Para Schluter
1993 apud ARAUJO e FILHO, 1999). (2003, p. 70):

Apesar de a alimentação ser algo neces- A gastronomia como patrimônio local


sário à sobrevivência, na verdade, não está sendo incorporada aos novos pro-
são tão novas e sim pouco exploradas. dutos turísticos orientados a determi-
Sem dúvida alguma, a gastronomia pode nados nichos de mercado, permitindo
ser sem duvida alguma a identificação incorporar aos agentes da própria comu-
de um povo, nela consta-se a histórias, nidade na elaboração desses produtos,
os hábitos e costume, dessa maneira, assistindo ao desenvolvimento sustentá-
Schluter (2003, p. 32) diz que: vel da atividade.

A identidade também é expressa pelas Divulgar a gastronomia e o turismo, por


pessoas através da gastronomia, que re- mais que esteja atrelados, em especial no
flete suas preferências e aversões, iden- turismo é algo praticado e a gastronomia
tificações e discriminações, e, quando algo para se usufruir representada pelos
imigram, a levam consigo, reforçando seus “donos” e valorizada enquanto fator
seu sentido de pertencimento ao lugar de de expressão cultural dos povos e sendo
origem. Dessa forma, vai-se criando uma mais uma opção de atrativo turístico.
cozinha de caráter étnico, explorada com
muita frequência no turismo para ressal- Analisar as possibilidades não é fácil,
tar as características de uma cultura em parte do princípio de se entender carac-
particular. terísticas diferentes, a história e os por-
quês de cada localidade, ou destino, as
Em contraponto, se a gastronomia é para tradições dos grupo e suas diferenças
o turista um atrativo a mais, é importante relacionadas à gastronomia, retornando
analisar com o olhar critico a oferta mas- até a satisfação alimentar do ser huma-
siva dos pratos típicos de forma desca- no, apenas como necessidade de sobre-

58
vivência e sua posterior evolução para
chegar às diferenças atuais, aos rituais
de integração e prazer que a gastronomia
nos proporciona, sendo até uma “válvula”
de escape para o stress da vida urbana.

Deve-se compreender também que a


gastronomia por si só não é capaz de se
tornar um atrativo turístico cultural, ela
deve acompanhar a tradição quanto ao “A gastronomia como
preparo de seus alimentos, para a manu-
tenção da identidade de um povo e favo- patrimônio local está
recendo a ideia de pertencimento. Para o sendo incorporada aos
turista atual, não é apenas a degustação
que o atrai para um destino, mas, tam- novos produtos
bém, a possibilidade de conhecer a ma- turísticos orientados a
téria-prima local e o modo de fazer, esse
último item é, muitas vezes, mais impor- determinados nichos de
tante e atrativo porque através dele se mercado, permitindo
tem uma demonstração e possíveis vi-
vências dos modos de fazer, degustação incorporar aos agentes
e até mesmo aquisição de algum produ-
to, agregando valor à produção.
da própria comunidade
na elaboração desses
Em nota sobre a Gastronomia, o Ministro
do Turismo, Henrique Eduardo Alves, diz:
produtos, assistindo ao
“Ela é uma das bases da estrutura do tu- desenvolvimento
rismo, com potencial para atrair viajantes
dos mais variados perfis”. Os gastos com
sustentável da
alimentação já estão entre as principais atividade”.
despesas dos turistas brasileiros, atrás
apenas do transporte, de acordo com a
última pesquisa do Ministério do Turis-
mo.

Com os fatos relacionados, a gastrono-


mia está presente e é valorizada na atu-
alidade. Em Minas Gerais, ela já faz parte
da história, aliás, conta a história do povo
mineiro. Neste cenário, é válido o desafio
de se atuar sem, de forma alguma, perder
as tradições e somá-la ao turismo como
gerador de renda e entrada de divisas
para o Estado.

59
A GASTRONOMIA COMO EIXO DE
DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO
das mais importantes do Brasil e do mun-
do.

Essa culinária nasceu não apenas da di-


versidade dos biomas, mas da estrutu-
ra social e da regionalização cultural que
cada território apresentou ao longo de sua
constituição. A miscigenação e integração
de diferentes povos e nacionalidades pre-
sentes em Minas Gerais como população
negra, tropeiros, bandeirantes, emboabas,
indígenas e povos de origem europeia traz
a cada um destes territórios uma consti-
tuição de relação com a terra, à água e por
sua vez a forma de alimentar e utilizar o
ambiente vivido.

Sem dúvidas, também por uma histórica


diversificação econômica, desde a época
do ouro, café e nas últimas décadas a ur-
banização, em especial, da região metro-
Glênio Martins
Secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário – SEDA
politana e grandes cidades como Montes
Claros, Uberlândia, Governador Valadares,
Juiz de Fora e cidades do Vale do Aço,
constituíram de uma migração interna de
Resumo
mineiros e seus costumes por estas regi-
O presente texto apresenta a gastronomia
ões, levando diferentes formas de alimen-
como eixo de desenvolvimento agrário. A
tação e valorização da culinária.
Política Estadual de Desenvolvimento da
Gastronomia Mineira tem sua consonân-
Portanto, os costumes e tradições regio-
cia com a mineiridade e suas estruturas
nais trazem também no Estado de Minas
econômicas, sociais e culturais presentes
Gerais diferentes territórios gastronômi-
na ruralidade e nas relações sociais diver-
cos com características específicas, como,
sas no território do Estado.
por exemplo, o frango com ora-pro-nóbis
na Região das Vertentes, o pequi no Norte
Introdução
de Minas e o pão da terra pela manhã no
O Estado de Minas Gerais, diferente de ou-
Mucuri.
tros estados da federação, tem uma enor-
me diversidade que tange a sua identida-
Este encontro de práticas alimentares e
de socioambiental, cultural e econômica.
esta tradição de sabores nas diferentes
Composto por três biomas – mata atlân-
regiões trouxeram para Minas Gerais duas
tica, cerrado e caatinga –, Minas possui
características fundamentais ao Estado. A
uma potencialidade na fauna e flora que,
primeira é de que a ruralidade promoveu a
historicamente, evoluiu em cores e sabo-
característica cultural e culinária dos mi-
res, fazendo da culinária do Estado uma
60
neiros, resultando em diferentes formas econômica, estabelece valores culturais
de alimentação, mas também de cuidado e sociais importantes entre os sujeitos e
e cultivo da terra. A segunda característica os alimentos, desconstruindo uma lógica
é a de que estas tradições culinárias locais de alimentação de mercado que valoriza a
e regionais constituem uma marca impor- grande escala e o alimento ultra proces-
tante (senão a mais importante) forma de sado.
perceber o Estado mineiro no Brasil.
A Política Estadual de Desenvolvimento
Marco regulatório e a gastronomia da Gastronomia, proposta pelo Deputado
O conceito da gastronomia está na re- Estadual Agostinho Patrus Filho, e sancio-
lação entre ciência e arte culinária, o de- nada pelo governador Fernando Pimentel,
safio concreto de buscar o entendimento conserva em seu entendimento de alimen-
alimentar e nutricional, mas antes destas tação e nutrição a valorização de Povos e
perspectivas a relação do sujeito com o Comunidades Tradicionais e a criatividade
alimento e sua história fazem da gastro- cotidiana de um diverso catálogo de recei-
nomia um conceito vivo e cotidiano. tas e preparo.

A recente lei estadual que institui a Políti- Dentre os planos estaduais que dialogam
ca Estadual de Desenvolvimento da Gas- diretamente com o desenvolvimento agrá-
tronomia fundamenta-se na oportunidade rio poderíamos destacar o Plano de De-
de diversificar o turismo, a sustentabili- senvolvimento Rural Sustentável (PDRS) e
dade ambiental, a garantia de segurança o Plano Estadual de Segurança Alimentar
alimentar e nutricional, a singularidade e e Nutricional Sustentável (PESANS). Este
autenticidade da gastronomia local, bem marco regulatório dialoga e fortalece, an-
como a conservação das tradições e a tes de outras questões, um Estado que
identidade do território. culturalmente se identifica com sabores e
diversidade alimentar.
de diversificar o turismo, a sustentabili-
dade ambiental, a garantia de segurança Segundo o Perfil da Agricultura Familiar
alimentar e nutricional, a singularidade e baseado nos dados do Censo Agropecu-
autenticidade da gastronomia local, bem ário de 2006, Minas Gerais, além de ter a
como a conservação das tradições e a segunda maior população rural do país,
identidade do território. tem 79% dos seus estabelecimentos ru-
rais de agricultores familiares. Estes agri-
Esta fundamentação traz princípios im- cultores representam uma diversidade de
portantes que, para além de uma relação produção desde a mandioca até laticínios

61
laticínios e hortifrutigranjeiros. O avanço da agricultura empresarial propi-
cia reflexões não apenas sobre o modo de
Os estabelecimentos da agricultura fami- produção agrícola, mas como este avan-
liar estão em todos os territórios do Esta- ço impacta na diversificação alimentar, na
do e é importante ressaltar que prezam toxicidade dos alimentos e dos rios e na
pela diversidade da produção alimentar, opressão cultural, em especial aos povos
pela preservação ambiental e pelo cuidado e comunidades tradicionais pertencentes
com a água e a mata ciliar. Este cuidado aos territórios nos quais existe a especu-
parte do princípio de que o meio ambiente lação da terra.
é uma riqueza necessária aos agricultores
familiares. Segundo o Plano Estadual de Segurança
Alimentar e Nutricional Sustentável, a di-
Os agricultores familiares estão, em sua minuição dos espaços tradicionais e de
formação cultural, integrados em suas cultura alimentar local afeta ainda mais a
crenças, valores morais e religiosos. São diversidade e a soberania alimentar.
quilombolas, indígenas, vazanteiros, ge-
raizeiros, caatingueiros, apanhadores de Entende-se por soberania alimentar o se-
flores-vivas, entre outras atividades pro- guinte conceito:
dutivas e integradas à dinâmica viva do
território. “A soberania alimentar é o direito dos
povos de decidir seu próprio sistema ali-
Outro aspecto importante é que apesar de mentar e produtivo, pautado em alimen-
serem quase 80% dos estabelecimentos, tos saudáveis e culturalmente adequados,
estes estão concentrados em menos de produzidos de forma sustentável e ecoló-
30% de área total. O gráfico abaixo exem- gica, o que coloca aqueles que produzem,
plifica a relação estabelecimento versus distribuem e consomem alimentos no co-
espaço geográfico, que traz à cena pública ração dos sistemas e políticas alimentares,
uma preocupação nas características e no acima das exigências dos mercados e das
conceito de desenvolvimento agrário que, empresas, além de defender os interesses
por sua vez, pode modificar a relação gas- e incluir as futuras gerações” (MALI, 2007
tronômica de Minas Gerais. / PESANS, 2012).

É necessário perceber que o desenvol-


vimento agrário constitui da valorização
das formas de que mulheres e homens
pensam e valorizam do espaço rural e a
cultura alimentar e nutricional.

62
Desafios do desenvolvimento da Referências
gastronomia e da agricultura
MINAS GERAIS; Lei 21.156/2014 Dispõe sobre a Política Estadual
familiar de Desenvolvimento Rural Sustentável e Agricultura Familiar e dá
outras providências. Belo Horizonte, 2014
O fortalecimento da agricultura familiar é MINAS GERAIS; Lei nº. 15.982/2006. Dispõe sobre a Política Esta-
eixo para a gastronomia mineira, assim dual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável e dá outras
providências. Belo Horizonte, 2006
como a gastronomia mineira entende a
agricultura familiar como estratégia para Perfil da Agricultura Familiar de Minas Gerais, Governo do Estado de
a consolidação de seu desenvolvimento. Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014

Para ampliar o entendimento sobre a agri-


cultura familiar, em 2015 foi criada a Secre-
taria de Estado de Desenvolvimento Agrá-
rio, também com o objetivo de fortalecer a
Política Segurança Alimentar e Nutricional
Sustentável, onde ambos contribuem para
o Desenvolvimento da Gastronomia em
Minas Gerais.

O ato de alimentar deve ser encarado


como política pública desde sua produção
até o consumo. As relações educativas e
comunicativas referente a escolha dos ali-
mentos, a valorização de produtos como
o Queijo Minas Artesanal, a cooperação
técnica com o movimento SlowFood Bra-
sil e mesmo o entendimento de ciclos de
desenvolvimento (social, produtivo e eco-
nômico) do desenvolvimento agrário pos-
sibilita trazer ao Estado de Minas Gerais
uma condição ímpar de sua história.

O avanço dos marcos regulatórios, o ali-


nhamento conceitual e o ordenamento po-
lítico e administrativo podem possibilitar à
gastronomia um eixo de desenvolvimento
agrário, sendo este o mais importante dos
eixos para o desenvolvimento da agricul-
tura familiar no Estado de Minas Gerais.

63
segue verbalizar o resultado pretendido
neste evento, sendo este o momento em
que o atendente comercial precisa tradu-
zir, através da emoção do cliente, tudo que
deve conter neste evento especial, para
que o grande sonho seja construído e con-
quistado. A partir deste momento, tudo
O PAPEL DOS BUFÊS NA fica mais fácil, porque a relação se torna
um laço de amizade. A cumplicidade entre
GASTRONOMIA MINEIRA as partes faz com que tudo dê certo por
meio de uma luz divina.
João Evangelista A. T. Filho
Presidente do SINDBUFÊ O tempo, a evolução tecnológica e a exi-
gência de um público sedento por novida-
Os bufês, em sua essência, são empre- des, fizeram com que as festas se trans-
sas criadas por mulheres visionárias, que formassem em grandes eventos, e, em
perceberam no ovo, produto básico das muitas vezes, mega eventos. Sendo assim,
receitas e um dos símbolos da vida, a pos- os bufês se adaptaram à nova realidade,
sibilidade de criar empresas, de gerar em- aprimorando, inovando, criando, evoluin-
pregos, de transformar insumos básicos do, a partir do momento em que seu clien-
em receitas de sucesso, sempre delicio- te determinou que para os sonhos não há
sas, herdadas de suas matriarcas. limites.
Com certeza, estas matriarcas orgulhosas Hoje, em qualquer tipo de evento, outros
só tinham a intenção de repassar os seus segmentos estão presentes: decorado-
conhecimentos e nem imaginavam que a res, floristas, fotógrafos, serviço de filma-
próxima geração já perceberia a possibili- gem, segurança, manobrista, DJ, audio-
dade de transformar as folhas de anota- visual, cerimoniais, animadores, garçons,
ção em edições de receitas assinadas por cumins, maitres, sommelier, etc. Todos
bufês de sucesso. trabalhando no mesmo objetivo: a cons-
trução e concretização dos sonhos em re-
As conhecidas quitandeiras dos bairros alidade, que marcará a vida das pessoas
começaram com pequenos aniversários para sempre.
de crianças e, assim, foram se revelan-
do para o mercado como a grande opção A estrutura dos bufês mudou: Comercial,
dos clientes para investirem em festas de RH, Administrativo, Financeiro, Produção,
maior porte. Em pouco tempo, estas ini- Compras, Logística de Distribuição são
ciativas individuais tomaram um formato áreas que compõem estas empresas. In-
jurídico, surgindo, assim, empresas de um dependente de um organograma, em cada
novo segmento, os bufês. Não resta dúvi- empresa observa-se a preocupação de
das de que este ramo de atividade é dos adaptação e adequação às mudanças
mais difíceis de ser administrado, tudo constantes do mercado.
tem que dar certo no dia e na hora, sem
margem de erro. Contudo, é fato que os bufês, independen-
O desejo dos clientes se tornou a fonte te da necessidade de crescerem de forma
inspiradora de excelência no trabalho. O estruturada, nunca deixaram de atender
cliente procura um bufê com o intuito de os pequenos eventos, e, até mesmo, as
comemorar mais um grande momento de pequenas encomendas que os fizeram

64
conhecidos no mercado. Os bufês têm consciência de que, há mais
de 70 anos, participam dos momentos
Os bufês, há mais de 70 anos, afirmam festivos de todos os mineiros, seja no âm-
aos seus clientes que seja qual for a ne- bito particular, bem como no corporativo, o
cessidade, o desejo, o sonho, eles sempre que os motiva, dia-a-dia, a criar, atualizar,
estarão prontos a atendê-los no dia e hora inovar e pensar com o sentido de empre-
que melhor lhes convier. endedorismo para continuarem a merecer
a confiança dos mineiros, ou de qualquer
A CRIAÇÃO DE UM SINDICATO cliente de outros Estados.
O SindBufê é uma entidade sindical, or-
ganizada sem fins lucrativos, constituída O principal objetivo do SindBufê é fortale-
para fins de coordenação, proteção e re- cer as empresas de bufê de Belo Horizon-
presentação legal da categoria econômi- te e Região Metropolitana, promovendo a
ca das empresas que prestam serviços de representatividade e a legalidade das em-
alimentação para eventos, recepções, co- presas do segmento, assessorando novos
quetéis e banquetes. associados na regulamentação de suas
empresas para que possam unir forças
Um grupo de quinze empresas, antes uni- e ideias aos nossos propósitos. Criar um
dos através de uma associação, perce- centro de desenvolvimento técnico e pro-
beram que, pela particularidade da ativi- fissional para a formação e a reciclagem
dade relativa a eventos de uma gama tão de profissionais para os bufês é um gran-
variada, seria necessário a criação de um de desafio que vai priorizar o primeiro em-
sindicato próprio, a fim de garantir sua re- prego para pessoas que demonstrarem
presentatividade direta, em órgãos públi- aptidões para atuar no nosso segmento.
cos, sejam eles municipais, estaduais ou
federais. A CRIAÇÃO DO SELO DE QUALIDADE
Este momento é extremamente especial
O SindBufê proporciona aos bufês a pos- para as empresas que se unem para bus-
sibilidade de mostrarem ao mercado a car a qualidade e o reconhecimento do
busca constante em assumirem, cada vez segmento mais importante da gastrono-
mais, o seu espaço no mundo da gastro- mia nacional, se assim nos permitem de-
nomia. A união de empresas do segmen- nominar.
to visa, prioritariamente, beneficiar toda a
sociedade. A percepção de união sempre Com o terceiro ano de lançamento do Sin-
leva à confiança dos clientes que estão em dBufê, várias vitórias foram alcançadas,
volta observando e aguardando o momen- sendo que a maior delas foi a criação do
to de serem atendidos. SELO DE QUALIDADE, movimento que
vem ao encontro direto do interesse dos
Belo Horizonte está se transformando em consumidores deste segmento, os nossos
um grande centro de turismo de negócios, clientes.
além de entretenimento, com a realização
de eventos de grande porte. Se os inves- Todos os esforços do segmento se con-
timentos na melhoria da infraestrutura da centram em buscar a melhor forma de
cidade estão sendo feitos para atrair mais atendermos os sonhos dos nossos clien-
e mais eventos, cabe aos bufês corres- tes. Para isso, é necessário alertar sobre as
ponder com atitudes que venham a dar fragilidades que são flagrantes neste setor,
sustentabilidade aos investidores e às problemas que são comuns em qualquer
empresas que precisam destes serviços. área, e que é mais uma razão para não nos

65
fecharmos em um pequeno grupo. Es- SindBufê.
tamos certos que o segmento não pode
sobreviver e ganhar destaque desta for- O Sindbufê tem desenvolvido atividades
ma. O SindBufê não discrimina nenhuma com os seus associados que alertam so-
empresa do segmento, independente do bre a importância do conhecimento da
seu porte, estamos procurando em cada origem do produto adquirido de seus for-
ação buscar a participação daqueles que necedores, o seu armazenamento na em-
ainda não fazem parte deste grupo, princi- presa, e os processos de transformação,
palmente incentivando aqueles que ainda que passam por várias etapas até che-
não fizeram a opção de buscar a legaliza- gar aos eventos, onde os sonhos vão ser
ção necessária. transformados em realidade.

O SELO DE QUALIDADE foi criado com o Para conquistar a confiança dos clientes
apoio de uma das maiores empresas de atendendo as normativas técnicas de-
alimentação do mundo, a BRF, que trata a senvolvidas para o nosso segmento, pre-
qualidade como fator fundamental para o cisamos investir em empresas prestado-
seu desenvolvimento, e que pode ser uma ras de serviço que se tornam parceiras,
forma de sensibilizar outros empresários nos apoiando na sustentação dos nossos
do nosso segmento sobre a importância princípios fundamentais que é o de chegar
deste sindicato. à excelência demonstrando o máximo de
qualidade, a exemplo: o controle de pragas,
Recebemos, no evento, uma empresa do a saúde dos colaboradores, a qualidade na
ramo no mercado de São Paulo com gran- produção, o aprimoramento da atividade
de vivência e reconhecimento profissional, de cada setor e um sistema integrado que
mantendo uma gestão que procura ven- dê credibilidade e agilidade nas operações,
der qualidade, inovação, criatividade, e um como muitos outros.
conceito diferenciado na forma de servir.
Sobretudo neste momento, ficaram refor- Para os nossos clientes, que são a razão
çadas a tendência e possibilidade de tro- maior do crescimento constante das em-
ca de ideias e experiências, reafirmando a presas deste segmento, garantimos que
visão de que o mercado está aberto para vamos sempre reforçar, com essas ações,
todos os empresários conscientes do seu a confiança que eles precisam ter para
papel na representação da gastronomia contratar seus eventos, baseado na lisu-
nacional de bufês. ra, ética, profissionalismo, transparência e
clareza nas negociações.
A participação das escolas de gastronomia
nos serviços oferecidos no evento repre- Aos órgãos para os quais compete a fis-
sentou o sucesso de algumas tentativas calização sistemática do nosso segmento,
que já fizemos, procurando buscar a apro- cobrando normas específicas para funcio-
ximação destas entidades ao nosso seg- namento e a legalização cada dia maior
mento. Precisamos mostrar aos alunos das empresas que atuam no mercado,
que trata-se de um setor muito promissor pedimos o máximo de proximidade pos-
e carente de mão de obra especializada. sível com o sindicato, fortalecendo, desta
No lançamento do SELO DE QUALIDADE forma, a concorrência leal no mercado e
ficou bem explícita nossa busca contínua o reforço da percepção de confiança que
por qualidade e excelência, fato que será cada uma destas entidades transmite aos
sempre cobrado de todos os associados, clientes, que são cada vez mais conscien-
como propósito maior de existência do tes dos seus direitos.

66
Aos nossos governantes que apostam no Dentro deste princípio fica claro que os
crescimento do turismo de negócios e en- verdadeiros donos dos nossos negócios
tretenimento no Estado de Minas Gerais, e que levam à longevidade das empresas
fica o nosso compromisso de crescermos são os nossos clientes. São eles que nos
juntos, oferecendo, através da área da mantêm no mercado, garantindo o resul-
gastronomia de bufês, a sustentabilida- tado das empresas, e que, consequente-
de necessária para atendimento de quem mente, nos permitem garantir o emprego
precisar dos nossos serviços. de cada colaborador, um dos fatores fun-
damentais para a dignidade do ser huma-
A VALORIZAÇÃO DOS COLABORADORES no.
COM A CRIAÇÃO DO PRÊMIO DE FUNCIO-
NÁRIO PADRÃO O prêmio de funcionário padrão das em-
presas associadas ao SindBufê reconhe-
Através de um critério rigoroso para a se- ce que o sucesso das empresas do nosso
leção, definido pelo sindicato, cada asso- segmento está diretamente ligado ao em-
ciado deveria criar sua forma de avaliação penho e dedicação de cada colaborador.
interna, que levaria a indicação de um fun- São eles que, verdadeiramente, conhecem
cionário denominado padrão por empresa. a empresa e seu funcionamento diário e
O sindicato anunciou que os colaborado- cabe a cada gestor a percepção de que
res de cada empresa são a verdadeira ra- devem ouvi-los sempre. Não existe quem
zão do desenvolvimento e o consequente sabe mais do que ninguém e não existe
reconhecimento dos clientes. aquele que seja melhor do que o outro, o
importante é somarmos em um conjunto
Cada associado precisa ter plena cons- de interesses comuns para levarmos es-
ciência de que não é dono de nada, eles tas empresas ao reconhecimento do mer-
representam um negócio de muita res- cado.
ponsabilidade, que os levam a viver em
um clima diário de ansiedade e tensão. As empresas contratam seus colaborado-
Vivemos em um país em que não se sabe res, mas cabe a cada um a permanência
como vamos acordar no dia seguinte, qual e manutenção no cargo, somente o com-
será a nova dificuldade que o governo vai portamento profissional é que pode levar
nos impor, justamente por sermos sempre a continuidade na empresa ou ao desliga-
penalizados pela denominação de empre- mento de cada funcionário.
sários.
Quando definimos os critérios para eleger
Mas o que nos leva a continuar nesta ca- um funcionário padrão, procuramos nos
minhada é a determinação e o dom de certificar que os itens exigidos podem ser
servir. Coube a nossa atividade participar atendidos por todos, basta que queiram
diretamente da vida das pessoas e das ser um exemplo profissional.
empresas em geral, marcando a todos
com serviços praticados com excelência, As empresas que estão dispostas a ven-
não medindo esforços para retribuí-los, der excelência precisam deixar claro para
transformando os grandes sonhos em re- cada colaborador o que elas esperam dos
alidade, fato que não aconteceria sem os seus desempenhos, sem que esqueçam
colaboradores, que somam esforços com das suas próprias responsabilidades, que
os gestores para que seja atingido este passam pela definição da meta, objetivos
propósito. e valores da empresa, até a definição cla-
ra da descrição de cada cargo, o que leva

67
os colaboradores a poderem praticar, de caminho para a legalidade é curto, trazen-
forma bem transparente, toda relação de do maior segurança para seus clientes e
itens descritos para a classificação do a igualdade de condições em relação aos
funcionário padrão. concorrentes. Estas empresas irão rece-
ber, assim, uma identidade e, desta forma,
Dessa forma, são criados os líderes, que o setor vai crescer e se tornar mais reco-
devem ser disseminadores da cultura da nhecido. O sindicato vai atuar de forma in-
empresa para cada colega de trabalho, cansável pela formalização das empresas
sabendo que vão ser cobrados, remune- do segmento. Nossos clientes merecem e
rados, premiados e, por fim, reconhecidos. precisam contar com este trabalho.

O QUE BUSCAMOS HOJE PARA A GAS- Quantos somos, quem somos, do que pre-
TRONOMIA DE BUFÊS cisamos, para onde vamos? Para estas
questões, somente a união das empresas
A gastronomia é o principal assunto do do segmento pode responder. Os proble-
momento. Exemplo disso é que mídia des- mas das empresas são comuns, mas a re-
cobriu um canal de sucesso para atrair a presentatividade não é a mesma enquanto
atenção do público em geral. A ser consi- não existir a participação de todas as em-
derado como um fator de sobrevivência, presas do segmento.
até ser tratada da forma mais sofisticada
possível, a alimentação sempre será uma É preciso anunciar ao mercado que, uma a
preocupação mundial. uma, as empresas estão assumindo o seu
lugar dizendo sim ao desenvolvimento do
O SindBufê está participando das várias segmento de bufês, acreditando na longe-
iniciativas de entidades voltadas ao de- vidade com sustentabilidade. Os exemplos
senvolvimento da gastronomia mineira, a têm demonstrado que a nova geração de
exemplo da Frente da Gastronomia Minei- cada família empreendedora tem assumi-
ra e do projeto Belo Horizonte aos Olhos do os seus negócios, desta forma, o ama-
do Mundo, que tem conseguido unir todos nhã seguro depende das ações de hoje.
os segmentos e entidades governamen-
tais ligadas à área da gastronomia, turis- A marca SindBufêDay foi criada para se
mo e entretenimento, tratando dos seus tornar o símbolo dos eventos específicos
interesses comuns e convergindo ao de- da categoria. Sua primeira versão, GES-
senvolvimento de estudos, leis e normati- TÃO E QUALIDADE, foi um grande suces-
vas que venham a resguardar, entre tantas so, somando o interesse de fornecedores
áreas, o reconhecimento da nossa gastro- e empresas do segmento de bufês com o
nomia. apoio de Sebrae-MG.

O SindBufê sempre tratou da importância Outros eventos irão acontecer e o próximo


de todas as empresas ligadas ao segmen- será o primeiro voltado à apresentação da
to. Todas começaram pequenas e quase gastronomia de bufês de Minas Gerais.
sempre em fundo de quintal, por isso, nos- Somos pioneiros no Brasil e vamos de-
so mercado, certamente, não seria aten- monstrar, a nível nacional, que praticamos
dido sem o somatório das iniciativas de a melhor e mais diversificada gastronomia
todos estes empreendedores. Não exclu- de bufês deste País, porque concentramos
ímos os que ainda não estão legalizados, em nosso sindicato empresas imbuídas
ao contrário, para estes existe uma porta do desejo de crescer de forma sólida e or-
aberta que vai procurar demonstrar que o ganizada. •

68
sificação econômica fez com que fosse
gerado um crescimento que fez o Esta-
do alcançar a terceira posição de riqueza
diante dos outros estados brasileiros.

Desde seu início, até os dias atuais, o


INDI atua no auxílio para que empresas
se instalem no Estado. O Instituto tem
ATUAÇÃO DO INDI PARA como objeto social a elaboração e execu-
ção de estudos, projetos, planos e ações
AUXÍLIO À GASTRONOMIA voltados para o desenvolvimento econô-
MINEIRA mico. Dentre os principais serviços pres-
tados sem ônus para os empreendedores
Autor: Davyson Demmer Guimarães Barbosa destacam-se: provisão de informações
Analista de Promoção de Investimentos sobre demografia, geografia, economia
e sociedade mineira; e informações es-
pecíficas para instalações de empre-
Introdução endimentos fornecidas pelas equipes
especializadas em diversos setores eco-
O Instituto de Desenvolvimento Integrado nômicos. Também oferece assistência
de Minas Gerais teve origem no ano de ao investidor para que possa entender o
1968. Naquela época o nome era Institu- funcionamento das políticas públicas e a
to de Desenvolvimento Industrial e tinha utilidade das instituições. Além disso, au-
as atividades voltadas principalmente xilia na implantação do empreendimento
para a atração de indústrias para Minas juntamente com outros parceiros, princi-
Gerais. palmente com as instituições ligadas ao
ambiente de desenvolvimento econômi-
Nos anos 60, os técnicos do Banco de De- co.
senvolvimento de Minas Gerais (BDMG)
e das Centrais Elétricas de Minas Gerais Além de apoiar indústrias, em 2005, o
(CEMIG) se uniram para criar uma ins- INDI teve sua nomenclatura alterada
tituição voltada para o atendimento às para Instituto de Desenvolvimento Inte-
empresas interessadas em instalarem grado, pois intensificou o trabalho com
unidades produtivas em Minas Gerais. outros setores, como os que estão liga-
A infraestrutura de geração elétrica pro- dos à agricultura e serviços.
piciada pela CEMIG e os financiamentos
articulados pelo BDMG foram impor- A agropecuária é importante para forne-
tantes para oferecer aos investidores o cer alimentos para a culinária e o setor
apoio necessário para instalarem seus de serviços é aquele ligado diretamente
empreendimentos no território mineiro à gastronomia como a instalação de ho-
(GARCIA; DOYLE, 2010). téis, restaurantes, recebimento de turis-
tas e desenvolvimento de eventos que,
Durante a década de 70, Minas Gerais com certeza, serão espaço para receber
recebeu investimentos em diversos seto- possíveis eventos gastronômicos em Mi-
res que diversificaram a estrutura produ- nas Gerais.
tiva do Estado. Destacam-se indústrias
de setores como metalurgia, siderurgia, O Instituto tem voltado sua atenção para
automobilística e de alimentos. A diver- o estímulo à competitividade das empre-

69
sas mineiras, para que possam produzir Estado da perspectiva cultural (PAULA,
de maneira a concorrerem com outras 2000).
organizações brasileiras ou estrangeiras.
Para que as empresas mineiras possam O Estado se especializou na produção
se tornar mais competitivas, o INDI busca de leite e ficou conhecido, junto com São
intensificar o apoio a projetos estratégi- Paulo, como a República do Café com
cos para que possam realizar inovações Leite, durante a chamada República Ve-
que proporcionem um melhor posiciona- lha. A indústria de laticínios se desenvol-
mento das empresas dentro da econo- veu e forneceu leite para diversas produ-
mia mineira e nacional. ções no Estado. Derivados do leite são
ótimos exemplos de especialização em
Nos dias atuais em que o Brasil passa por Minas Gerais, como queijo, doce de leite,
um período considerado por alguns es- requeijão e o famoso pão de queijo.
pecialistas como de desindustrialização,
é importante que o INDI trabalhe intensi- Outro grande exemplo da gastronomia
vamente para que auxilie um novo tipo de mineira é uma bebida que faz parte da
indústria, ou seja, aquelas que respeitem cultura brasileira: a cachaça. Em Minas
as novas complexidades ambientais e Gerais existem muitos produtores que fa-
sociais e que apresentem formas inova- zem uma bebida que é reconhecida como
doras de produção. de elevado padrão de qualidade, dentro e
fora do Brasil (CARVALHO, 1988).
Da gastronomia mineira
Os exemplos citados são pequenas
A culinária mineira já apresenta um re- amostras do potencial de Minas Gerais
conhecimento internacional. O que ins- diante da gastronomia. O INDI e outras
tituições como o INDI fazem é, apenas, instituições perceberam que podem
trabalhar para que seja divulgada a arte aproveitar mais desse ambiente gastro-
gastronômica mineira em mais lugares e nômico para auxiliar indústrias criativas
que possa atrair a atenção de cada vez que podem se desenvolver no Estado.
mais pessoas. Assim, os consumidores
poderão conhecer sabores produzidos Desde 2014, o INDI participa da Frente de
há séculos e que proporcionaram prazer Gastronomia Mineira (FGM), cujo objeti-
à degustação de várias gerações de mi- vo é reunir esforços em prol da defesa,
neiros, brasileiros e estrangeiros (FRIEI- valorizar e promover a gastronomia mi-
RO, 1966). neira nos mais diversos âmbitos. O INDI
participa mensalmente de reuniões que
“Das crises de fome do século XVIII sur- preparam ações, que vão desde ativida-
giu o aproveitamento dos alimentos dis- des junto aos eventos gastronômicos no
poníveis. E da busca por melhor apro- Estado, fora dele, em âmbito nacional e
veitamento, chegou-se à variada e farta, internacional, como a inserção de produ-
simples e sofisticada cozinha mineira” tos e profissionais mineiros junto aos se-
(ROCHA, s.d., p.81). As raízes da moder- tores gastronômico, turístico e cultural.
nidade de Minas Gerais carregam a tra- Esse é um trabalho conjunto de diversas
dição da culinária de uma terra que teve instituições, como Fecomércio, Belotur,
que se reinventar para introduzir novos CDL/BH, Secretaria de Estado de Cul-
sabores que são ao mesmo tempo mi- tura, Secretaria de Estado de Turismo e
neiros e brasileiros e que identificam o outros órgãos públicos e privados. Den-
tre as ações acordadas destacam-se a

70
participação da FGM em festas, encon- podem ser destacados o auxílio à Ambev,
tros gastronômicos e exposições como a Grupo Salinas e empresas fabricantes de
que ocorreu na ExpoMilão, em outubro de sucos como Bela Ischia e Tial.
2015, na Itália.
Essas empresas acabam auxiliando
Apoio do INDI como fornecedoras de produtos para en-
riquecer a gastronomia mineira. O am-
A atuação do INDI para impulsionar a biente gastronômico de Minas Gerais é
gastronomia ocorre de forma direta e in- certamente um excelente espaço para
direta, uma vez que desde seu início se desenvolver uma diversificada indústria
voltou para a atração de empreendimen- criativa em torno da tradição gastro-
tos que favoreceram o desenvolvimento nômica que o povo carrega há séculos.
industrial de Minas Gerais. Esse ambiente deve ser aproveitado de
forma que possa atrair diversos empre-
Dentre os projetos que contaram com endedores que queiram realizar investi-
auxílio do INDI para instalação em Mi- mentos no Estado. A gastronomia é um
nas Gerais podem-se destacar laticínios patrimônio cultural do Estado e faz com
como Itambé e Porto Alegre, produto- que sejam atraídas pessoas interessadas
res de cervejas artesanais, como auxílio em explorar as diversas possiblidades de
na elaboração do Decreto Estadual nº desenvolvimento oferecidas.
46.392, de 27 de dezembro de 2013, que
mudou regras de ICMS para as cerveja- O INDI, como membro da Frente de Gas-
rias. tronomia Mineira, busca incentivar as
indústrias criativas e, certamente, a gas-
Também pode ser destacado o apoio a tronomia será um diferencial competitivo
frigoríficos, como JBS e Minerva, produ- do Estado para que possa se diferenciar
tores de aves como Agrogen, fabricantes como um local que possa receber inves-
de chocolates como Barry Callebaut e timentos e buscar o desenvolvimento
Kopenhagen e diversos outros alimentos, sustentável.
como Bem Brasil, Ferrero, Forno de Minas
e Pandurata Alimentos. Além das empre- Considerações finais
sas que fornecem alimentos também de-
vem ser destacadas as empresas que de A gastronomia mineira é muito impor-
uma forma indireta acabam favorecen- tante para que possa ser utilizada como
do a expansão da gastronomia mineira, diferencial competitivo de Minas Gerais.
como os produtores de equipamentos A tradição da comida mineira, juntamen-
para cozinha. Destaca-se o apoio à fabri- te com as excelentes bebidas, apresenta
cante de fornos Prática ou de refrigera- um grande potencial para gerar mais ri-
dores como a Panasonic. queza e valor.

Dentre as empresas que desenvolvem Interessante para Minas Gerais seria


produtos relacionados à produção de café buscar uma ou mais cidades que pos-
podem ser destacados apoio à Cooxupé, sam participar da rede de Cidades Criati-
Nestlé e Três Corações. Dos produtores vas da UNESCO, no quesito gastronomia
de leite e derivados podem ser destaca- e outros da economia criativa. Isso seria
dos auxílio na implantação da Danone, importante para que elevasse a gastro-
Itambé e Porto Alegre. E entre as bebidas nomia mineira a um maior nível de re-

71
reconhecimento internacional e aumento Referências bibliográficas
da cooperação com outras cidades para
CARVALHO, Murilo. Cachaça, uma alegre história brasileira.
que possam trocar experiências e ideias. São Paulo, Caninha 51, 1988.
“Assim, é possível afirmar que a gastro-
nomia se introduz na Cidade Criativa, FRIEIRO, Eduardo. Feijão, angu e couve. Ensaio sobre a
comida dos mineiros; Centro de Estudos Mineiros, Belo
não só por ser um recurso cultural, mas
Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais, 1966.
também por poder ser um recurso eco-
nômico criativo através da reinvenção de GARCIA, João Carlos Vitor; DOYLE, Fábio Proença (Orga-
tradições” (MARTINHO, 2012, p.71). nização). INDI memória 1968-2010. Belo Horizonte, INDI,
2010.

Poderiam ser indicadas cidades que já MARTINHO, Ana Sofia Pacheco. A gastronomia como fer-
apresentam movimentos interessantes ramenta para uma Cidade Criativa: Projeto de uma Cooking
Factory. Lisboa, FAUTL, 2012.
na gastronomia como Sabará, que tem
festas de produtos típicos como jabuti- PAULA, João Antônio de. Raízes da modernidade em Minas
caba e ora-pro-nobis ou Tiradentes, que Gerais. Belo Horizonte, Autêntica, 2000.
tem um festival anual. Também poderiam
ROCHA, Tião. O sabor de Minas Gerais. Revista Textos do
ser consideradas cidades especializadas Brasil n° 13: Sabores do Brasil, Brasília, Itamaraty, s.d. Dis-
em bebidas como a cachaça em Januá- ponível em http://dc.itamaraty.gov.br/imagens-e-textos/
ria ou Salinas. Essas e outras cidades po- revista-textos-do-brasil/portugues/revista13-mat12.pdf
deriam se juntar a outros municípios bra-
sileiros da rede da UNESCO como Belém
e Florianópolis, ou internacionais como
Bergen (Noruega), Burgos (Espanha) ou
Tucson (EUA).1
“O INDI, como membro
Identificar e auxiliar na potencialização da Frente de Gastronomia
da gastronomia mineira, além de outros Mineira, busca incentivar
setores econômicos, é o trabalho do INDI
e de outras instituições que buscam o as indústrias criativas e,
desenvolvimento econômico, social e certamente, a gastronomia
ambiental de Minas Gerais, para que pos-
sa se aproveitar do excelente ambiente
será um diferencial com-
gastronômico. Isso contribui para ge- petitivo do Estado para
rar valor, riqueza, bens comercializáveis, que possa se diferenciar
aumento do turismo e acima de tudo a
elevação da matriz cultural mineira para como um local que possa
que possa ser mais conhecida diante do receber investimentos e
Brasil e outras regiões do mundo. •
buscar o desenvolvimento
sustentável”

1
A relação completa das cidades criativas da Unesco podem ser encontradas no seguinte endereço: http://www.unesco.org/
new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/belem_salvador_and_santos_become_part_of_unesco_creative_cities_ne-
twork/#.VnPrrrYrIdU

72
PESQUISAS
73
RESUMO-ANÁLISE: PESQUISA DE CONJUNTURA
ECONÔMICA DO SETOR DE ALIMENTAÇÃO FORA
DO LAR
Pesquisa realizada trimestralmente, sen-
do:
1ª rodada: Analisou o 4º trimestre de
2014 em relação ao 3º trimestre do mes-
mo ano. As respostas foram coletadas
entre 15/02 e 15/03; 500 empresários,
em todo o Brasil, participaram. (suges-
tão: frases mais curtas são mais fáceis
de serem interpretadas quando se passa
muitos dados, principalmente envolven-
do números. Substituição do “e” pelo “;”)

2ª rodada: Analisou o 1º trimestre de


2015 em relação ao 4º trimestre de 2014.
As respostas foram coletadas na primei-
ra quinzena de maio e 697 empresários,
em todo o Brasil, participaram.

Faturamento:
Enquanto no 4º trimestre de 2014, todas
as regiões do Brasil (com exceção do Su-
deste) apresentavam crescimento, o que
encontramos no 1º trimestre de 2015 é
uma queda generalizada. Importante ob-
servar que a maior parte desta queda de-
ve-se a uma sazonalidade histórica, na
qual o primeiro trimestre do ano apresen-
ta uma redução média de 6% em relação
ao último trimestre do ano anterior.

No primeiro trimestre de 2015, a mé-


dia nacional de faturamento teve uma
redução de 8,39% em relação ao últi-
mo trimestre de 2014. Considerando-se
(Considerando) o fator da sazonalidade
história, entende-se que a queda real foi
na ordem de 2,39%.

74
Vale ressaltar que o comportamento do Segurança nos estabelecimentos
setor apresenta variações quando com- Três em cada dez bares ou restaurantes
paramos diferentes regiões e estados. declarou ter sido assaltado pelo menos
O Nordeste, por exemplo, apresenta um uma vez nos últimos três anos. E a cada
quadro de estabilidade em relação ao fa- 20 estabelecimentos, um declarou ter
turamento, enquanto o Sudeste aponta sido assaltado mais de três vezes neste
queda superior à média nacional, na casa mesmo período.
dos 3%.
Previsões anuais
Quadro de pessoal: Quadro de Pessoal
A estabilidade no quadro de pessoal ob- O pessimismo em relação ao quadro de
servada no último trimestre de 2014 deu pessoal foi uma característica comum
lugar à redução deste no primeiro tri- dos dois períodos analisados. Mas é pos-
mestre de 2015. A média nacional, com- sível observar que esse sentimento vem
parando os dois períodos, é de 4,5% de perdendo força neste primeiro trimestre,
redução. pois houve redução da expectativa de
corte no quadro de pessoal. Possivel-
Ticket médio mente este empresário esteja levando
Observou-se que o ticket médio mante- em consideração que o custo de manu-
ve uma tendência de estabilidade. Ape- tenção de uma mão de obra qualificada é
sar de uma leve alta ter sido registrada menor do que a dispensa de funcionários
no último trimestre de 2014, houve redu- e sua recontratação quando necessário.
ção proporcional no 1º trimestre de 2015.
Cerca de 60% dos respondentes declara- Ambiente de Negócios e visão do pró-
ram ter mantido seu ticket médio estável prio negócio
nos primeiros três meses do ano. A previsão do ambiente de negócios so-
freu uma leve melhora ao se comparar o
Rentabilidade 4º trimestre de 2014 e o 1º trimestre de
No primeiro trimestre deste ano, sete em 2015: 31% dos empresários entrevista-
cada 10 empresas declararam ter renta- dos na 2ª rodada da pesquisa responde-
bilidade entre 0% a 10% - dentre essas, ram acreditar na estabilidade dos negó-
metade aponta rentabilidade inferior à cios este ano em relação à 2014, contra
5%. Esses dados contradizem uma ren- 23% dos que participaram na 1ª rodada.
tabilidade média histórica de 10%, verifi- Como consequência desta melhora de
cada em períodos de economia mais fa- humor, embora ainda pessimistas, os
vorável. empresários do setor reduziram as suas
previsões de queda no faturamento, de
Investimentos 8,4% para 6,38%.
Diferente do que se poderia esperar, o se-
tor de alimentação fora do lar permanece Vale destacar que a visão destes mes-
investindo. Nos períodos avaliados (últi- mos empresários sobre o próprio negó-
mo trimestre de 2014 e primeiro trimes- cio é bem mais otimista, com queda esti-
tre de 2015), quatro em cada 10 empre- mada em apenas 1%, o que pode indicar
sários declararam realizar investimentos que o mal humor apurado em relação ao
nos negócios, em ordem superior a 15% macro cenário possa mais uma influên-
do faturamento. cia do ambiente externo do que da reali-
dade vivenciada do próprio negócio.

75
PESQUISA DE CONJUNTURA ECONÔMICA
DO SETOR DE ALIMENTAÇÃO FORA DO LAR:
PARCERIA ABRASEL E FISPAL

FATURAMENTO
Como foi o seu faturamento no 4º trimestre/14
(outubro a dezembro) em relação ao 3º trimestre/14 (julho a setembro)?

A média nacional teve um crescimento de 3,33%

Como foi o seu faturamento no 1º trimestre/15 (janeiro a março) em relação ao


4º trimestre/14 (outubro a dezembro)?

A média nacional teve uma redução de 8,39%

76
FATURAMENTO POR REGIÃO
Como foi o seu faturamento no 4º trimestre/14 (outubro a dezembro) em
relação ao 3º trimestre/14 (julho a setembro)?

A média nacional teve um crescimento de 3,33%

Como foi o seu faturamento no 1º trimestre/15 (janeiro a março) em rela-


ção ao 4º trimestre/14 (outubro a dezembro)?

A média nacional teve uma redução de 8,39%

77
QUADRO DE PESSOAL
O seu quadro de pessoal no 4º trimestre/14 (outubro a dezembro) em rela-
ção ao 3º trimestre/14 (julho a setembro)?

A média nacional teve uma redução de 0,05%.

O seu quadro de pessoal no 1º trimestre/15 (janeiro a março) em relação ao


4º trimestre/14 (outubro a dezembro):

A média nacional teve uma redução de 4,50%.

78
TICKET MÉDIO

O valor do seu ticket médio por cliente no 4º trimestre/14 (outubro a dezem-


bro) em relação ao 3º trimestre/14 (julho a setembro):

A média nacional cresceu 1,04%.

O valor do seu ticket médio por cliente no 1º trimestre/15 (janeiro a março) em


relação ao 4º trimestre/14 (outubro a dezembro):

A média nacional reduziu 0,82%.

79
RENTABILIDADE
Qual foi a sua rentabilidade no 1º trimestre/15
(janeiro a março)?

80
INVESTIMENTO
Sua empresa realizou investimentos no 4º trimestre/14 (outubro a dezembro)?

A média nacional de todos que realizaram investimento em relação ao


faturamento foi de 18,19%.

Sua empresa realizou investimentos no 1º trimestre/15 (janeiro a março)?

A média nacional de todos que realizaram investimento em relação ao


faturamento foi de 15,19%

81
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
Quantas reclamações trabalhistas você teve nos últimos 12 meses? E qual o valor
médio pago ao reclamante?

4o trimestre/14

5o trimestre/15

82
SEGURANÇA NOS ESTABELECIMENTOS
Sua empresa foi assaltada nos últimos três anos? Quantas vezes?

4o trimestre/14

5o trimestre/15

83
PREVISÃO - QUADRO DE PESSOAL
Qual é a sua previsão de quadro de pessoal comparando 2015 com 2014?

4º trimestre/14

A média nacional tem previsão de


redução de 4,35%

1º trimestre/15

A média nacional tem previsão de


redução de 2,15%

84
PREVISÃO - AMBIENTE DE NEGÓCIOS
Na sua opinião, o ambiente de negócios do setor em 2015 em comparação
a 2014 será:

4º trimestre/14

A média nacional prevê uma piora de


8,40%

1º trimestre/15

A média nacional prevê uma piora de


6,38%

85
PREVISÃO - FATURAMENTO NOMINAL
Sua previsão de faturamento nominal (em reais) comparando 2015 com 2014 é de:

4º trimestre/14

A média nacional tem previsão de


crescimento de 0,14%

1º trimestre/15

A média nacional tem previsão de


redução de 1,23%

86
Caracterização do setor de Ali- Números do setor de Alimentação
mentação Fora do Lar Fora do Lar no Brasil

O setor de alimentação fora do lar - AFL, • Cerca de 1.000.000 de negócios


ou Food Service configura-se como o • 26% do dollar food1
maior canal de distribuição de alimentos • 2,7% do PIB brasileiro1
ao consumidor final, através do qual os • 6.000.000 de empregos¹
estabelecimentos distribuem os produtos • Corresponde a quase 35% do PIB do Tu-
ou preparam as refeições para o consumo rismo1
fora do lar. Segundo a ABIA (2011), o setor • Emprega 53% da mão-de-obra do setor
de alimentação fora do lar é bastante am- de turismo2
plo: abrange sub-canais de distribuição, • Um dos maiores empregadores do país,
que podem ser divididos em dois grupos. com cerca de 6 milhões de empregos

O primeiro grupo contempla toda a rede de Estes números podem ser explicados pelo
serviços públicos que engloba os canais fato desta atividade ter como principal ca-
governamentais como postos de saúde, racterística a dispersão geográfica, pois
hospitais, presídios e merenda escolar. tende a acompanhar o crescimento e a
Estes se caracterizam-se por não perse- distribuição espacial da população.
guir lucro com a atividade de distribuição
ou preparação dos alimentos. • Principal atividade geradora de ascen-
ção sócio-econômica1
O segundo grupo compreende a rede de • Setor com alto potencial de geração de
serviços privados, que também podem renda e emprego a baixo custo
ser classificadas em dois sub-grupos. • Recolhimento de impostos diretos e in-
diretos superior à participação relativa no
O primeiro sub-grupo contempla as insti- PIB
tuições privadas que auferem lucro com a
distribuição ou preparação dos alimentos, 1
ABIA - Associação Brasileira das Indús-
nos quais estão lanchonetes, bares, res- trias de Alimentação
taurantes comerciais, as cadeias de fast 2
Pesquisa Nacional por Amostra de Do-
food, delivery, rotisserias, restaurantes de micílios – PNAD 2000
hotéis, restaurantes de empresas ou refei-
ções coletivas, padarias, confeitarias, sor- A Pesquisa de Orçamentos Familiares -
veterias e chocolaterias. POF do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - IBGE analisa a composição
O outro sub-grupo de serviços privados dos gastos e do consumo das famílias
engloba as instituições que oferecem o brasileiras. Entre maio de 2008 e maio de
serviço de alimentação como parte de um 2009, segundo as classes de rendimento,
serviço mais amplo, como por exemplo aferiu que a família brasileira gasta, em
os postos de saúde e hospitais; e catering média, R$2.134,77 por mês, valor ligeira-
aéreo e de transportes. mente inferior ao seu rendimento médio
mensal, que é de R$2.641,63.

Das despesas de consumo da família bra-


sileira, a alimentação representa o segun-
do item de maior importância, com 19,8%
dos gastos totais, superada apenas pelo

87
item habitação, com 35,9%. Uma análise
mais detalhada das despesas com alimen-
tação revela que no período da pesquisa
anteriormente citada, dos R$421,72 desti-
nados pelas famílias, em média, para este
item, R$290,39 são gastos com alimenta-
ção no domicílio (68,9%) e R$131,33, com
alimentação fora do domicílio (31,1%).

Analisando as Pesquisa de Orçamentos


Familiares anteriores pode-se acompa-
nhar a evolução dos gastos da família bra-
sileira com alimentação fora do lar : 2003:
24%; 2005: 25%; 2006: 26%; 2009: 31,1%.

Números do setor de Alimentação


Fora do Lar em Minas Gerais

• 105.598 empresas.
• Mais de 630.000 empregos diretos.
• Movimentação financeira em torno de 22
bilhões de reais a cada ano. ²

Números do setor de Alimentação


Fora do Lar em Belo Horizonte

• 18.613 empresas.¹
• Mais de 112.000 empregos diretos. ²
• Movimentação financeira em torno de
4,5 bilhões a cada ano. ²

Mais informações:

www.abrasel.com.br
www.abraselmg.com.br

88
observa-se também as grandes empresas
na comercialização dos produtos, sen-
do estas responsáveis pelas relações que
permeiam a produção, o processamen-
to, a distribuição e o consumo final dos
alimentos. Em contrapartida, percebe-se
a iniciativa de pequenos produtores, que
produzem alimentos com uma perspecti-
va de rotatividade de culturas e o manejo
adequado do solo de forma a se garantir
o equilíbrio ambiental e um produto com
índices de agrotóxicos reduzidos. Em adi-
ção, nota-se que a população ingere mais
produtos industrializados e processados,
sendo que frutas e hortaliças são, muitas
vezes, desconsideradas no cardápio di-
ário. Os hábitos alimentares tradicionais
CONSUMO CONSCIENTE E têm cedido espaço para um novo paradig-
ma alimentício, o da alimentação fácil e rá-
SOBERANIA ALIMENTAR: UM pida. Este artigo, através de uma pesquisa
DIREITO, UMA CONQUISTA bibliográfica, se dedica ao estudo da sobe-
rania alimentar, enquanto direito humano
para a manutenção da vida. Procura-se
ampliar o conceito de soberania alimentar
aliado ao consumo consciente e à gastro-
nomia sustentável de forma que possam
emergir práticas inovadoras e saudáveis
Rosilene de Lima Campolina – Centro Universitário UNA
para a manutenção da qualidade de vida
Mestre em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento e para o equilíbrio alimentar da população.
Local pelo Centro Universitário UNA e professora dessa Em complementação, conscientiza-se a
Instituição. sociedade sobre a importância da preser-
vação ambiental e do desenvolvimento lo-
Resumo cal das comunidades.
Os alimentos produzem os recursos bioló-
gicos necessários à manutenção da vida, Introdução
sendo a alimentação considerada um di- De acordo com a OMS, Organização Mun-
reito humano. Na atualidade, a produção dial de Saúde (2012), o Brasil apresenta
de alimentos tem sido motivo de várias redução da desnutrição em função da me-
discussões, pois de um lado encontram-se lhoria dos indicativos de pobreza. Mas, em
grandes corporações produzindo a agricul- oposição, os índices de sobrepeso, obesi-
tura das monoculturas e do outro, os pe- dade, doenças cardiovasculares, diabetes
quenos produtores rurais, com produtos de e outras têm aumentado nos dias atuais.
subsistência. A agricultura de monocultura Isso ocorre em função da mudança dos
provoca o desequilíbrio da natureza e a re- hábitos alimentares. Neste sentido, vis-
dução da biodiversidade. Somados a isso, lumbra-se que a população brasileira tem
estão disponíveis no mercado produtos in feito escolhas nutricionais erradas para a
natura que concentram alto grau de agro- consolidação de hábitos salutares.
tóxicos e transgênicos. Neste caso, obser-

89
Diante desta crise do sistema alimentar, dações de áreas de baixo relevo, secas
é primordial garantir e promover a so- severas em regiões semiáridas, calor ex-
berania e a segurança alimentar de toda cessivo, a utilização sistemática de agro-
população. O caminho para se estudar e tóxicos e outros que comprometem a
melhorar esta crise é investir no diálogo produtividade agrícola. Em contraposição
entre os vários setores produtivos, sejam a este processo de industrialização da
grandes empresas do agronegócio, pro- agricultura emerge o conceito de sobera-
dutores rurais, conselhos de políticas pú- nia alimentar e da agroecologia. Por meio
blicas, população rural e agroextrativista de iniciativas que aplicam a ciência agro-
e outros. ecológica alicerçada em conhecimentos
indígenas e tradicionais, milhares de pes-
A proposta é conscientizar a sociedade soas estão demonstrando que é possível
para o exercício e para a garantia da so- melhorar a segurança alimentar conser-
berania alimentar. Em adição, promove- vando os recursos ambientais e manten-
-se o desenvolvimento local e a preser- do-se a biodiversidade.
vação ambiental por meio de processos
produtivos sustentáveis que respeitem os A agroecologia baseia-se na aplicação
ciclos biológicos em consonância com a de conceitos e princípios ecológicos ao
preservação da biodiversidade e da quali- manejo dos ecossistemas sustentáveis.
dade de vida. Procura-se garantir e melhorar a quali-
dade produtiva do solo, com o objetivo de
Soberania Alimentar se produzir plantas sadias, que debilitem
O sistema agrícola de produção segue a as pragas e insetos sem a utilização de
tendência de um setor orientado para a agrotóxicos. Muller (2010) argumenta:
exportação, com monoculturas que con-
tribuem para o aumento da renda do país Durante séculos as agriculturas dos paí-
para a compra de bens estrangeiros. Mas ses em via de desenvolvimento construí-
este tipo de agricultura industrial causa ram-se sobre os recursos locais de terra,
uma variedade de problemas econômi- água e outros recursos, bem como sobre
cos, ambientais, sociais, e outros. Desta- as variedades locais e o conhecimento
cam-se, também, os impactos negativos indígena, que nutriram biológica e geneti-
na saúde da população e na qualidade camente as diversas explorações campo-
dos alimentos. No lado financeiro, perce- nesas com uma solidez e uma resistência
be-se o endividamento de pequenos agri- incorporada que lhes ajudou a se adaptar
cultores. a climas que mudam rapidamente, bem
como a pragas e doenças. (MULLER, p.
A pressão industrial da agricultura é pen- 56, 2010)
sada em favor da globalização e das prá-
ticas neoliberais, estimulando a produção De acordo com o autor, a criatividade dos
de transgênicos, de agrocombustíveis que agricultores tradicionais oferece para a
modificam o processo produtivo agrícola, agricultura modelos que promovem a
causando a destruição dos ecossistemas biodiversidade e prosperam sem pro-
e provocando riscos no sistema de pro- dutos químicos, garantindo a produção
dução de alimentos. do solo durante todo o ano. Trata-se de
manejar o solo e a produtividade em di-
No que ser refere aos impactos ambien- versas formas nos campos elevados, nos
tais, são notórios os aumentos das mu- terraços, na policultura e outras técnicas
danças climáticas, que incluem inun- de plantio para se garantir a biodiversida-

90
de, as práticas agrícolas sustentáveis e o dos alimentos são uma questão de so-
desenvolvimento local das comunidades. brevivência popular e nacional. Portanto,
a soberania alimentar significa ter acesso
De acordo com Altieri (2010) a produtivi- aos alimentos e também o direito das po-
dade e a sustentabilidade das paisagens pulações de produzi-los. Confirma-se a
rurais podem ser otimizadas com mé- ideia de que a produção alimentícia é que
todos e com a ciência agroecológica, de garante a sobrevivência dos povos.
maneira que se forme a base da sobera-
nia alimentar. A soberania alimentar, neste De acordo com Altieri (2010), o concei-
contexto, é compreendida como o direito to de soberania alimentar significa que
de cada região se manter e desenvolver cada comunidade, cada município, cada
sua capacidade produtiva alimentícia. A região, cada povo tem o direito e o dever
soberania alimentar defende o acesso de produzir seus próprios alimentos. Por
dos agricultores à terra, às sementes, à mais dificuldades naturais que houver,
água, com o foco na autonomia produtiva em qualquer parte do nosso planeta, as
visando o desenvolvimento local. A partir pessoas podem sobreviver e se reprodu-
desta prática, os camponeses, os indíge- zir dignamente.
nas e a população rural permaneceriam
como guardiães da diversidade biológica Dessa forma, a produção e distribuição
e genética planetária. de alimentos fazem parte da soberania
de um povo. Esse conceito de soberania
De acordo com Silva (2009), a partir da alimentar se contrapõe à política da agri-
década de 1990 difundiu-se o conceito cultura industrial e das empresas trans-
de segurança alimentar. Esse conceito nacionais. Os governos devem adotar
foi constituído com o intuito de garantir medidas protecionistas para a agricultura
que todas as pessoas tivessem o direito familiar, preservando a economia e o de-
assegurado à alimentação. Assim sendo, senvolvimento local na medida em que
caberia aos governos a implementação mantém a qualidade produtiva do solo.
de políticas públicas que garantissem o
acesso das pessoas aos alimentos, pelo A soberania alimentar aponta uma con-
menos àqueles necessários à sobrevi- cepção fundamental para fortalecer a
vência. visão de mundo favorável a uma demo-
cratização econômica, social, ética dos
Em 1996, a Via Campesina2, no contexto setores produtivos da agricultura. Na
da Cúpula Mundial sobre a Alimentação Conferência Mundial de Soberania Ali-
(CMA) realizada em Roma pela FAO, in- mentar, realizada em Mali (2007), a partir
sere um novo debate sobre a soberania da Declaração de Nyéléni definiu-se que
alimentar. As organizações camponesas a soberania alimentar é o direito dos po-
e em especial as delegadas mulheres que vos a alimentos nutritivos e culturalmente
defendiam a ampliação do conceito de adequados, acessíveis, produzidos de for-
soberania alimentar. Elas argumentam ma sustentável e ecológica, e seu direito
que o alimento não pode ser considera- de decidir seu próprio sistema alimentar
do uma mercadoria, mas, sim, um direito e produtivo.
humano. A produção e a distribuição dos

2
A Via Campesina é um movimento social internacional de camponeses e camponesas, pequenos e médios produtores, mulhe-
res e jovens do campo, indígenas, camponeses sem terra, e trabalhadores agrícolas. É representativo, legítimo e com identidade
que vincula as lutas sociais dos cinco continentes. O movimento da Via Campesina foi fundado em 1992, e caracteriza-se como
uma organização que defende a soberania alimentar.

91
De acordo com essa declaração, a so- da terra. Outra questão é a implantação
berania alimentar dá prioridade para as dos princípios da agroecologia no siste-
economias locais e aos mercados locais ma produtivo, de forma que se mantenha
e nacionais, e legitima o poder dos cam- a produtividade local e regional em níveis
poneses como praticantes da agricultu- que garantam a oferta de produtos para a
ra familiar, da pesca artesanal e do pas- população.
toreio tradicional. A declaração legitima
a produção alimentar, a distribuição e o Do ponto de vista social, devem ser esta-
consumo sobre a base da sustentabilida- belecidos fóruns e debates públicos so-
de ambiental, social e econômica como bre a soberania alimentar, garantindo a
ponto de partida do processo produtivo. ampla participação de todos os setores
produtivos na construção de uma gestão
A partir da Via Campesina, percebe-se dos processos produtivos de alimentos
que o direito de decidir o que produzir e que possua a identidade nacional e aten-
como plantar, como organizar a distribui- da as demandas populacionais, contri-
ção e consumo de alimentos foi materiali- buindo para o pleno desenvolvimento do
zado. No caso brasileiro, diversos fatores País. Somados à estas ações, a socie-
impedem a concretização da soberania dade deve adotar práticas de consumo
alimentar. Dentre estes, destaca-se o consciente de forma que se mantenha a
modelo de produção tecnológico com a capacidade produtiva e garanta-se a bio-
prática da agro industrialização. De acor- diversidade em todas as regiões.
do com a Declaração de Brasília (2013):
Consumo consciente
A fome e a pobreza não são produtos da Dados da Organização Mundial de Saúde
casualidade, senão de um modelo que (2012) apontam que a população aumen-
viola o direito à vida digna das pessoas tou as taxas de sobrepeso. Isso significa
e dos povos, acrescentando a subordi- que existe um número crescente de pes-
nação da mulher, explorando seu traba- soas que tem acesso aos alimentos e que
lho e inviabilizando sua contribuição so- são estimuladas ao consumo excessivo.
cial, econômica e cultural. (BRASÍLIA, p.8, O resultado é o aumento da obesidade e
2013) doenças a ela associadas, como infarto,
derrame, hipertensão e alguns tipos de
Nota-se que a liberalização econômica, câncer. Em contrapartida, existem milha-
como uma estratégia para em que in- res de pessoas que não têm acesso aos
dustrializa a agricultura e retira o peque- alimentos necessários à sobrevivência.
no produtor do campo produtivo. Com as
monoculturas, os ecossistemas são afe- De acordo com a Organização Mundial de
tados, causando impactos ambientais ir- Saúde (2012), todos os países têm con-
reversíveis e o aumento da pobreza e da dições climáticas e físicas para produzir
falta de recursos no campo. alimento suficiente para as suas popula-
ções, de maneira sustentável, sem agre-
Para a promoção da soberania alimen- dir o planeta.
tar no território brasileiro é fundamental
a implementação de políticas estruturan- A produção de alimentos vem geran-
tes no meio rural e no sistema produtivo do grandes impactos ao meio ambiente,
agrícola do País. De acordo com Muller principalmente pelo uso de insumos agrí-
(2010), é primordial a execução de uma colas altamente poluentes, pela devas-
reforma que democratize a posse e o uso tação de grandes áreas naturais para o
92
plantio e pela extração desordenada de de e o bem-estar da humanidade depen-
recursos já escassos e que podem che- dem da convivência com a natureza.
gar à extinção, ações que não levam em
conta a sustentabilidade do planeta. De acordo com Freire (1989), a educa-
ção sozinha não transforma a sociedade,
De acordo com Silva (2009), adotar novas e sem ela tampouco a sociedade muda.
posturas é primordial, pois as pequenas Com isso, a formação do sujeito ecoal-
atitudes podem gerar as grandes mudan- fabetizado exige a participação de vários
ças. Desta forma, evitar o desperdício de setores sociais, elaborando e construin-
produtos dentro de casa, no trabalho e do estratégias que viabilizem o desen-
também em locais públicos já é um bom volvimento desta nova sociedade. Neste
começo. Com isso, haverá mais alimentos aspecto, destaca-se a práxis educativa
à disposição no mercado e os preços so- como fator primordial para a implemen-
frerão redução e se tornarão mais aces- tação de ideias que considerem a realida-
síveis à população. Além disso, o acesso de local respaldadas nos ideários de uma
aos alimentos permitirá uma perspectiva sociedade mais solidária e participativa.
mais digna de sobrevivência para toda a
população. Considerações finais
A prática da soberania alimentar exige a
De acordo com Petrini (2009) é fundamen- participação de vários setores, sejam es-
tal adotar algumas atitudes como fazer tes produtivos, políticos, econômicos e
uma lista prévia de compras baseada em outros. A soberania alimentar defende o
produtos sazonais e da época de acordo direito de todos à alimentação, mas tam-
com a produtividade local. É importante bém a capacidade de produção do ali-
verificar os rótulos e validade dos produ- mento respeitando-se a biodiversidade
tos, como uma forma de se informar so- planetária, o equilíbrio ambiental e as tra-
bre os valores nutricionais e condições de dições culturais das comunidades.
armazenamento destes. Outra prática é
selecionar pratos mais nutritivos utilizan- Enfim, o desafio máximo é incrementar o
do o que está disponível no mercado. investimento na agroecologia e difundir
os projetos que já demonstraram ser bem
De acordo com Capra (2006), uma pes- sucedidos para milhares de agricultores.
soa ecologicamente alfabetizada é capaz Isto gerará um impacto significativo nos
de identificar os ecossistemas e a biodi- rendimentos, na segurança alimentar e
versidade planetária, reconhecendo os no bem-estar ambiental de toda a popu-
fatores que interferem e contribuem tanto lação. Somados a isso, faz-se necessária
para a manutenção quanto para a extin- a formação da população para a adoção
ção da vida no sistema terrestre. Destes de práticas conscientes de consumo e
fatores pode-se citar: as taxas e as ten- para uma alimentação de qualidade e re-
dências do crescimento populacional, a dução do desperdício de alimentos.
extinção das espécies, a perda do solo
cultivável, o desmatamento, a desertifi-
cação, a poluição hídrica, a exaustão dos
recursos, etc. Além disso, o autor explicita
que a alfabetização ecológica pressupõe
numa compreensão de qual o lugar que
o ser humano ocupa na história evolutiva
da vida, e na compreensão de que a saú-
93
Referências bibliográficas
ALTIERI, Miguel. Agroecologia, agricultura camponesa e
soberania alimentar. REVISTA NERA, ANO 13, Nº. 16, JANEI-
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SILVA, José G. No fundo do poço da crise tem mais fome.


São Paulo, Valor Econômico, 16 de julho 2009.

94
comunidades por ela envolvidas. Numa
terra onde sempre se reverenciou o sagra-
do, o ora-pro-nóbis com nome relativo ao
religioso acabou por sagrar-se como um
ícone da cultura local.

Segundo Gratão (2012, p. 36) “o sabor é


essência impregnada de todas estas di-
mensões que envolvem a paisagem. Me-
mória que brota da Terra manifesta do e
no imaginário. Paisagem que resguarda
a memória; se guarda expressa e revela.”
Assim, partiu do conhecimento, da experi-
ência e da intuição de Dona Maria Torres
o que atualmente acontece em Pompéu,
no festival gastronômico. Gratão (2012, p.
36) salienta que “a paisagem é ela, uma
GASTRONOMIA NA SERRA DE extensão, uma relação entre o lugar e o
homem que nela habita – que está nela.”
SABARABUÇU:
O ORA-PRO-NOBIS Numa história singular, a receita de Dona
Maria foi completada com marrecos, pos-
teriormente com frangos e costelinha de
porco, sabiamente combinados ao ora-
NETTO, Marcos Mergarejo -pro-nóbis, gerando uma receita marcan-
Doutor em Geografia / UNESP/Rio Claro/SP te e por certo mais uma a contribuir para
mm.netto@yahoo.com.br a formidável culinária mineira. Esse sa-
ber vem da habitação na paisagem, com
INTRODUÇÃO a qual interage e compõe sua lembrança,
No vale do rio Sabará, na lendária Ser- seus sentidos e significados, sua “essên-
ra de Sabarabuçu, atual Serra da Pieda- cia geográfica”, no dizer de Gratão (2012),
de, encontra-se o povoado de Pompéu, encontrando também sua fonte de exis-
onde se realiza anualmente o festival de tência.
ora-pro-nóbis. No distrito de Mestre Ca-
etano, município de Sabará/MG, em meio No universo de dona Maria Torres, a pai-
à paisagem montanhosa recortada por sagem familiar, a casa, o quintal, a cozi-
seus vales, de onde delineia-se um visu- nha, as verduras, tudo isso envolvido pela
al encantador, e enigmático. A montanha montanha que decora o horizonte. No
vista do fundo do vale sempre deixará a restaurante contiguo à casa, o aroma que
imagem do desconhecido, do que há por percorre o ambiente e seduz o visitante,
detrás daquele ou do outro recorte, trans- em meio ao tilintar dos copos e pratos, o
bordante do rio, da serra e das lendas que bater dos metais, o vaivém das panelas
remontam ao período colonial. desperta e liberta o prazer de comer. As
cores dos alimentos tornam o mosaico
Assim, é a relação entre o imaginário da alimentar, ainda mais apetitoso, provo-
paisagem montanhosa e a culinária mi- cando alegria e satisfação. Oliveira (2012,
neira, marcante e reconfortante, aliando à p. 28) afirma que: “a experiência gustativa
resistência local, a oportunidade, o afeto envolve, além do sabor, o cheiro, o som e
ao lugar e à tradição, marcados pela re- a cor.” Com isso a autora salienta que se
ligiosidade, como um patrimônio imate- evoca a memória, o imaginário e a identi-
rial e cultural. Desta forma, a Geografia dade; a essência da vida.
do Sabor, por meios de valores culturais
e mesmo econômicos pode apontar para Beber e comer: alimentar-se! Segundo
formas concretas de sustentabilidade das Claval (2007, p. 255): “não há terreno de

95
análise mais fascinante para os geó- muito utilizado como cerca viva, por cau-
grafos.” Para Claval o relacionamento sa dos espinhos, e pouco explorada co-
ecológico do homem com seu ambien- mercialmente, embora se reproduza na
te, exprime-se diretamente no consumo maioria dos solos.
alimentar, com os grãos, os legumes, as
frutas, a carne e os laticínios das terras Segundo Fonseca (2011), o que se conta
cultivadas ou das pastagens, ou fruto de
é que o ora-pro-nóbis há muito era con-
colheitas; a pesca ou a caça, resultando
na apropriação efetuada na fauna e/ou da sumido pelos moradores. Como ele nas-
flora natural. cia principalmente por sobre os muros
da igreja, era “furtado” enquanto o padre
A SERRA DE SABARABUÇU rezava a ladainha do “ora-pro-nóbis” (ro-
A serra resplandecente que os indígenas gai por nós) e dele não podia tomar conta,
em sua língua chamavam Itaberabuçú, apesar de proibir sua colheita. Daí, a plan-
ou Taberabuçú, mais comumente Saba- ta ficou conhecida como a hora do “ora-
rabuçú passará a ser, por todo o século -pro-nóbis”. Depois de colhida, seria pre-
XVIII, o alvo das mais arrojadas expedi- parada para o almoço. O autor afirma que
ções sertanistas. Com o nome atual de ora pro nobis é uma frase em latim nem
Serra da Piedade, a mesma Sabarabuçu sempre facilmente assimilada. Por isso,
está indiscutivelmente ligada às lendas pode ser comum encontrar derivações
das minas de prata e ouro, que desde o dela, sendo por vezes chamada lobrobó
final do século XVI incentivaram os aven-
ou orabrobó.
tureiros mais arrojados.

A planície não foi tão vasta, a montanha O ora-pro-nóbis é protéico e muito utiliza-
não foi tão alta, mas o homem superou do na medicina popular, mas é na culinária
seus planos e sua escala e, ainda que ta- que a verdura pontifica. O frango caipira
refa extenuante, o homem venceu a mon- com ora-pro-nóbis é prato tradicional da
tanha. Pelo fato de localizar-se na região culinária mineira, servido cotidianamente
onde teve início o povoamento de Minas nas cidades históricas do Estado, como
Gerais e, estar na mais importante região Diamantina, Tiradentes, São João Del-rei
produtora de ouro, a Serra da Piedade, a e Sabará, onde anualmente há um festi-
Sabarabuçu tornou-se um importante val da hortaliça, dando valor novo ao ora-
marco para todos que por ali passavam -pro-nóbis e um sabor de novidade, não
desde o século XVII. É um marco geográ- olvidando que o aproveitamento do lugar,
fico e histórico para Minas Gerais e Brasil, por meio das atividades de coleta exige
onde, atualmente, o aspecto dominante é
um saber fazer, um conhecimento, uma
o religioso, através do santuário de Nossa
Senhora da Piedade, padroeira do Estado cultura.
de Minas Gerais, tombado pelo IPHAN em
1956. O FESTIVAL GASTRONÔMICO DE ORA-
-PRO-NÓBIS DE POMPÉU, SABARÁ/MG
O ORA-PRO-NÓBIS
O nome ora-pro-nóbis, do latim ora pro A história do festival do ora-pro-nóbis é,
nobis, resposta de uma ladainha religio- no mínimo, curiosa. Dona Maria Torres,
sa, significando “rogai por nós”. A planta moradora de Pompéu e conhecida por
apresenta-se na forma arbustiva ou tre- seus dotes culinários, um belo dia recebe
padeira, intensamente armado de acúle- uma visita inusitada, que alterou os des-
os (espinhos), e pertencente à família das tinos daquela família e do povoado. O sa-
cactáceas (Peireskia aculeata), que se ca- ber culinário de Dona Maria, sem dúvida, é
racteriza pela presença de nítidas folhas
fruto de sua memória e experiência, pela
suculentas. Com flores de cor rosada ou
branca, os frutos são pequenas bagas qual construiu sua existência, ao lado de
amarelas e insípidas. O ora-pro-nóbis é sua família. Para Tuan (1983, p. 9): “expe-

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riência é um termo que abrange as dife- A ração, quando tinha, era pouca e os
rentes maneiras através das quais uma marrecos reclamavam o dia inteiro e ema-
pessoa conhece e constrói a realidade.” greciam. Outras formas de alimentá-los
O autor salienta que essas maneiras são foram experimentadas e passaram a va-
variadas e alcançam os sentidos de forma ler moeda de troca, até para passagem de
direta ou indireta, apontando para o olfato, ônibus. Cada comadre que visitasse Dona
o paladar e o tato, sem dúvida inerente à Maria não saia sem um casal de marrecos
culinária. A grande escola de Dona Maria em cada mão. Assim, foram reduzidos à
Torres foi sua vida de trabalho para cui- metade.
dar da família e Tuan (1983, p. 10) ensina
que: “a experiência implica a capacidade Então, nas palavras de Fonseca (2011), a
de aprender a partir da própria vivência.” Providência Divina quis que dona Maria
Silas Fonseca, filho de Dona Maria, relata fosse convidada a instalar uma barraca
com riqueza de detalhes toda essa histó- de tira-gosto, na praça de Sabará, durante
ria em um livro de sua autoria. o 1º Festival da Cachaça de Sabará, em
1986. Inicialmente, desorientada sobre o
Segundo Fonseca (2011, p. 77), veio bater que fazer, quase desistiu do convite, quan-
à porta de Dona Maria Torres um cidadão do se lembrou dos marrecos e do ora-pro-
argentino de nome Hernandez, acom- -nóbis em grande fartura que havia em
panhado de sua família, solicitando que seu sítio, então concluiu: “Ora-pro-nóbis
Dona Maria lhes preparasse um almoço. com marreco!” Então, mãos à obra!
O que foi feito e, com o que se regalaram,
incluindo a sobremesa com o tradicional Segundo Claval (2007, p. 275), o ato de co-
queijo e um bom doce caseiro. Passaram zinhar é submeter um ou vários gêneros
a frequentar a casa de Dona Maria, cada alimentares a transformações químicas.
vez mais amiude e sempre traziam algum Misturar esses ingredientes depende da
“agrado”. Coisas, a título de participação habilidade e experiência de quem conduz
nas despesas do almoço e da estadia. essas modificações, em geral induzidas
Certo dia, Hernandez propôs à Dona Ma- pelo calor, pela fumaça e pelo frio, ou seja,
ria que criassem marrecos no sítio, que no conhecimento necessário para proce-
seriam consumidos ao longo do tempo, der às misturas e vigiar o cozimento.
quando frequentassem o sítio. Hernandez
acrescentou que bancaria a alimentação Para Fournier (2009, p. 161), a cozinha é
dos marrecos e, assim, seria sua contri- uma soma de técnicas, um conjunto de
buição ao almoço dominical. Meio relu- regras, uma afirmação de uma identida-
tante, Dona Maria aceitou a proposta e, na de cultural, aproveitando para nutrir-se do
semana seguinte, uma camionete abarro- que o ambiente ao redor possa oferecer,
tada de caixas de papelão com cerca de ou pelas exigências do padrão de consu-
1.500 marrequinhos foi descarregada no mo alimentar existente. Tudo isso se re-
sítio. Foi um desespero só, mas a anima- sumia no conhecimento que Dona Maria
ção de Hernandez era estupenda, compa- Torres dispunha e colocou em prática.
recendo toda semana com ração e medi- Acrescente-se a isso o fato que Fournier
camentos para os marrecos. Entretanto, (2009, p. 161) afirma que a cozinha se tor-
passado algum tempo, Hernandez não nou de tal forma complexa que: “em vão
apareceu mais e permaneceu sumido, até buscaríamos, em todo o mundo contem-
que foi encontrado em precária situação porâneo, uma cozinha que não seja fruto
financeira. Bateu o desespero! de um cruzamento de culturas.” O que, no
caso brasileiro, poderia ser chamado de

97
um sincretismo culinário, a saber, a fusão Começava a se delinear todo um pro-
das cozinhas europeia, indígena e africa- cesso de construção cultural. Segundo
na. McDowell (1996, p. 161): “cultura é um
conjunto de ideias, hábitos e crenças que
Dona Maria, talvez, não acreditando em dá forma às ações das pessoas e à sua
si própria, levou apenas trinta marrecos produção de artefatos materiais, incluindo
preparados com ora-pro-nóbis no 1º dia, a paisagem e o ambiente construído.” As-
nada sobrando. No sábado e domingo, a sim, a partir do antigo hábito do consumo
barraca de Dona Maria permaneceu lo- de ora-pro-nóbis na alimentação, estaria
tada, sendo vendidos nos dois dias cerca para iniciar uma mudança de comporta-
de quatrocentos marrecos, não havendo mento que influenciaria sobremaneira o
tempo para preparar mais. A originalidade culto gastronômico já existente em Saba-
do prato foi o ponto alto da festa e Dona rá. Para Claval (2007, p. 63), “a cultura é a
Maria recebeu muitos elogios, também soma dos comportamentos, dos saberes,
pelo sabor da iguaria. Não acreditar em si das técnicas, dos conhecimentos e dos
própria provavelmente fosse parte da in- valores acumulados pelos indivíduos”.
segurança advinda dos problemas pelos Assim o autor complementa que a cultura
quais passava para administrar as contas é transmitida por herança, por gerações
da família. sucedâneas, também não é imutável e se
transforma, principalmente sob o efeito
Para tanto era necessário arriscar, aven- das iniciativas ou inovações, que vez por
turar-se no desconhecido e experimentar outra florescem.
o incerto, assim como Tuan (1983, p. 10)
exprime: “experienciar é vencer os peri- A utilização do ora-pro-nóbis contagiou e
gos.” Todavia, arriscar costuma ser per- passou a ser prato obrigatório em todas as
feito, pois a vitória fica com melhor sabor, festividades. Com isso, Pompéu também
mais saudável. Para o autor, o indivíduo é entrou no mapa da gastronomia sabaren-
compelido a repetir o risco e enfrentar no- se e, nos fins de semana passou a haver
vamente o perigo, para se tornar um ex- um grande afluxo de famílias em busca
perto, no fundo é uma paixão, talvez possa do famoso ora-pro-nóbis com marreco. A
ser também uma necessidade, mas como família se reuniu e reformaram um cômo-
salienta Tuan, a paixão é um símbolo de do que havia ao lado do secular moinho
força mental. d’água que havia no sítio. Nascia o restau-
rante “Moinho D’Água”, onde se reunem
Dessa forma, como afirma Fonseca (2011, nos fins de semana, centenas de pesso-
p. 82), o nome da família foi honrado e as. Ali a sensorialidade gustativa aconte-
limpo, com o pagamento de todas as des- ce em sua forma mais natural, no comer.
pesas. Restando pouco mais de cem mar- Todos queriam degustar o ora-pro-nóbis
recos no quintal, os mesmos passaram a com frango ou costelinha e ouvir a histó-
ser alimentados com esmero, para aguar- ria de “Dona Maria dos Marrecos”.
dar o próximo festival, que seria o Festival
Cultural de Sabará, para o qual o prefeito Em nome do ora-pro-nóbis, outros res-
da cidade pessoalmente convidou Dona taurantes surgiram em Pompéu e a fama
Maria com seu original: “marreco com do povoado foi aumentando até que em
ora-pro-nóbis”. Entretanto, neste festival, 1997, o então prefeito de Sabará compre-
não havia marreco suficiente para atender endeu a importância desse movimento e
à demanda, apelando então para os fran- convidou Dona Maria Torres e a comu-
gos, que não fizeram menor sucesso. nidade de Pompéu para serem parceiras

98
na criação do Festival do Ora-pro-nóbis linas, bem como ao longo do leito do rio
de Sabará. Assim, no primeiro fim de se- Sabará, afluente direto do rio das Velhas.
mana de maio daquele ano, o festival foi Fonseca (2011, p. 93) afirma que: “pela
realizado, com resultados além do espe- sua localização geográfica, pela exube-
rado. Hernandez sumiu e, talvez nem so- rância do seu paisagismo e pela vocação
nhe com o que provocou com seus mar- comunitária do seu povo, Pompéu é con-
recos, ou seja, ter sido o responsável pelo siderado um dos bairros com o melhor
processo que culminou com o festival. índice de qualidade de vida em Sabará.”
O grande protagonista desta história é Para Tuan (1980, p. 111): “o apego à ter-
aquela verdura de folhas verdinhas e su- ra do pequeno agricultor ou camponês é
culentas chamadas de ora-pro-nóbis que: profundo. Conhecem a natureza porque
“desfila o seu sucesso absoluto nos pal- ganham a vida com ela.” No caso de Pom-
cos da gastronomia mineira.” (FONSECA, péu, necessariamente a população não é
2011, p. 82). camponesa, mas exerce um enorme afe-
to para com a natureza, procurando co-
Montanari (2008, p. 66) afirma que: “a cen- nhecê-la em suas particularidades locais,
tralidade das verduras é uma das caracte- pois dali retira parte de sua subsistência,
rísticas dominantes da cozinha popular.” bem como constrói o seu bem estar, o
Segundo o autor, as comidas pobres por bem viver.
excelência são as polentas e as sopas de
cereais inferiores e de legumes, sobretu- CONSIDERAÇÕES FINAIS
do pela necessidade de encher a barriga e
garantir a sobrevivência diária. Entretanto, A montanha e o vale delimitam o lugar e
se o ora-pro-nóbis não fosse uma “boa” povoa a imaginação dos viventes, pelas
comida, certamente não estaria disse- lendas de imensas riquezas em ouro e
minada como um tradicional ingrediente pedras preciosas que abrigaria a serra de
comestível, assim como a taioba, a ser- Sabarabuçu. A paisagem está constituída
ralha, a mostarda, a couve, a capiçova, o para que a cozinha simples e tradicional
cansanção, dentre outras verduras. Daí de Sabará estabeleça a ligação entre o
salientar o que Montanari (2008, p. 95) homem e a natureza, evocando a famo-
afirma: “o órgão do gosto não é a língua, sa culinária mineira. Gratão (2012, p. 34),
mas o cérebro, um órgão culturalmente afirma: “o sabor se põe à mesa em forma
(e, por isso, historicamente) determinado, de paisagem - extensão da Terra”. Assim
por meio do qual se aprendem e transmi- complementa: “não é o ato simples de
tem critérios de valoração.” comer que desperta o (nosso) interesse
pelo sabor, mas o sentido da paisagem. O
Com significativo incremento na eco- sentido de enraizamento que ela carrega
nomia do povoado, o festival, ainda que no valor à Terra.” (GRATÃO, 2012, p. 37).
ocorra uma vez ao ano, constitui a princi- Importa sim, o que a lembrança desperta,
pal fonte de renda de todas as entidades não importa qual seja o alimento.
sociorreligiosas e esportivas de Pompéu,
através de movimentos de barraquinhas Presumivelmente, o ora-pro-nóbis é en-
franqueadas por ocasião do evento. Pom- contrado em qualquer parte do país. Mas
péu foi fundado nos primeiros anos do o Festival Gastronômico do Ora-pro-nóbis
século XVIII pelo sertanista José Pompéu. de Pompéu, em Sabará/MG, lhe concedeu
Fica à margem direita do Rio Sabará e sua destaque tornando-o uma cultura, ape-
população habita corredores de casas ao lando ao imaginário que aquela verdura se
longo das estradas circundantes às co- encontra em Pompéu, não em outro lugar.

99
Esse verdadeiro culto à gastronomia do AGRADECIMENTOS
ora-pro-nóbis incrementou a economia Agradecimentos a Maria Torres e Silas
local, fazendo com que o povoado tenha Fonseca pelas entrevistas e disponibilida-
grande função em torno dos restaurantes, de.
que recebem um extraordinário público,
principalmente nos fins de semana. Ou- REFERÊNCIAS
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caba e da Cachaça, acabam por manter o CLAVAL, Paul. Geografia Cultural. Tradução de Luíz Fuga-
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Grande. Porém, se os monumentos histó- TUAN, Yi-Fu. Espaço e Lugar: a perspectiva da experiência.
Tradução de Lívia de Oliveira. São Paulo: DIFEL, 1983, 250 p.
ricos não mais convencem o turista a fre-
quentar Sabará, a oportunidade turística TUAN, Yi-Fu. Topofilia, Um Estudo da Percepção, Atitudes
gerada pelos festivais gastronômicos tem e Valores do Meio Ambiente. Tradução de Lívia de Oliveira.
sido uma boa solução econômica para São Paulo: DIFEL, 1980, 288 p.
a população sabarense, em que pese ao
segundo plano que se mantém relegada a
indústria do turismo, ainda que com esse
riquíssimo patrimônio material e imaterial.

AGRADECIMENTOS
Agradecimentos a Maria Torres e Silas
Fonseca pelas entrevistas e disponibilida-
de.

REFERÊNCIAS
CLAVAL, Paul. Geografia Cultural. Tradu-
ção de Luíz Fugazzola Pimenta e Marga-
reth de Castro Afeche Pimenta. 3ª edição.
Florianópolis: EDUFSC, 2007, 453 p.
FONSECA, Silas, O Pompéu do Ora-pro-

100
PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO E ALIMENTAR DOS CONSUMIDORES
DO MERCADO CENTRAL DE BELO HORIZONTE
Isabelle Patrícia Amaral Ferreira, Larissa Nascimento Sales, Maria Marta Amancio Amorim
Discentes do Curso de Nutrição do Centro Universitário UNA/Belo Horizonte; Docente do Curso de Nutrição e de
Gastronomia do Centro Universitário UNA/Belo Horizonte.

lios utilizados nas casas mineiras, como


Resumo panelas antigas, tachos de ferro, dentre
outros (MORAIS, 2004). Além desses pro-
O Mercado Central de Belo Horizonte dutos, encontram-se queijos, uma gran-
agrega hábitos e costumes não somente de variedade de temperos, como pimen-
dos habitantes da cidade, mas um pouco tas de várias cores e sabores diferentes,
de história e identidade do Brasil. O artigo além de verduras, frutas e mercearias que
objetivou caracterizar o perfil sociodemo- vendem diversos produtos alimentícios.
gráfico e alimentar dos consumidores do Os restaurantes procuram oferecer ali-
Mercado Central. Foram realizadas 218 mentos típicos e de tradição, porém com
entrevistas junto aos consumidores do adaptações gastronômicas para a con-
Mercado com perguntas contendo da- temporaneidade, não rompendo, assim,
dos sociodemográficos e alimentares. A tradições passadas de geração a geração
maioria das pessoas que frequenta o Mer- da culinária mineira (MORAIS, 2004).
cado é natural de BH, mulheres, classe de
renda D. Dentre os produtos alimentícios A comida típica mineira representa o pas-
mais comprados no mercado, se destaca sado e está presente no futuro, sendo for-
o queijo minas artesanal. mada por vários significados, aspectos
políticos, lembranças familiares e espe-
Palavras chave: mercado central, hábitos cíficas que facilitam compreender os há-
alimentares, queijo minas. bitos alimentares dos mineiros (NETTO,
2012). Segundo Morais (2014), a culinária
Introdução de um povo se constitui de técnicas para
definir uma origem, dada sua penetração
Um dos pontos turísticos mais populares nos diversos meios e classes sociais, sen-
de Belo Horizonte, o Mercado Central, fun- do assim uma linguagem de fácil acesso
dado em 1929, é, para os belo-horizonti- e entendimento para as pessoas. Os há-
nos, um grande marco histórico e cultural, bitos alimentares são referenciados pelos
que exerce grande influência nos hábitos valores culturais, convívio social, dados
alimentares dos mineiros (FILGUEIRAS, sociodemográficos e clínicos. Na atuali-
2006). Ele agrega hábitos e costumes não dade, as pessoas procuram por uma ali-
somente dos habitantes de Belo Horizon- mentação que seja prática, conciliando o
te, mas um pouco da história e identidade preço acessível ao fácil acesso (BRASIL,
do Brasil. 2004). Com a intenção de conhecer os
consumidores que frequentam o Mer-
Lojas evocam lembranças dos utensí- cado Central, esse trabalho objetivou-se

101
caracterizar seu perfil sociodemográfico em afazeres domésticos, como a ativi-
e alimentar. dade de fazer compras para o ato de co-
zinhar. No Mercado encontra-se grande
Material e métodos variedade de produtos alimentícios, uten-
Elaborou-se um questionário para ava- sílios como panelas e produtos de limpe-
liar o perfil sociodemográfico e alimentar za. A presença masculina, 92 (42%) pode
dos consumidores do Mercado Central de ser justificada pelo hábito de reunir-se
Belo Horizonte, que foi aplicado nos dias com os amigos após o trabalho nos ba-
11 a 14 de abril de 2015. Foram elabora- res, uma das atrações do Mercado (COS-
das perguntas contendo dados sociode- TA, 2006).
mográficos e alimentares: tipos de pro-
dutos comprados, hábitos alimentares,
como são realizadas as refeições, frequ-
ência e motivos que levam os consumi-
dores a frequentar o Mercado.

Resultados e discussão
Foram entrevistadas 218 pessoas, sendo
que 90% são naturais de Belo Horizonte
(BH), 8% são da Região Metropolitana e
2% são turistas que visitam o Mercado
para conhecer a tradição e história do lo-
cal. A grande maioria dos belo-horizonti-
nos frequenta o Mercado devido ao seu
fácil acesso, localizado no centro da ca-
pital mineira.

O Mercado evoca boas lembranças para Dos 218 entrevistados, 93% possuem en-
os belo-horizontinos ou turistas, que tre 21 e 50 anos, sendo que 74% estão
mantêm uma relação de afeto com o local entre 30 e mais de 50 anos. A baixa frequ-
(NETTO, 2012). O Mercado Central é um ência de pessoas abaixo de 20 anos pode
dos principais pontos turísticos de Belo estar relacionada à falta de atrativos pró-
Horizonte (FILGUEIRAS, 2006), um lugar prios para esta faixa etária, como jogos
que é visitado por pessoas que moram eletrônicos, aparelhos celulares, roupas e
em todos os lugares do País e do mundo, acessórios. Percebe-se com clareza que
e, principalmente, por pessoas que mo- os lojistas optaram pelo público adulto,
ram aos seus arredores que percorrem pois não há espaço atrativo para as crian-
os labirintos para as compras diárias de ças, que são levadas para um passeio fa-
casa (COSTA, 2006). miliar com os pais e se deslumbram mais
no setor dos animais (COSTA, 2006).
Na Tabela 1 são apresentadas as carac-
terísticas sociodemográficas, como faixa O maior número de entrevistados foi o
etária e renda dos consumidores do Mer- pertencente à classe D (de 01 a 03 salá-
cado Central de Belo Horizonte. rios mínimos), com 37%, e a classe C (de
03 a 05 salários mínimos), com 34%. Os
Nota-se que a superioridade da presença outros 29% foram pertencentes das clas-
feminina, 126 (58%) pode ser justificada ses E, com 18% (até 01 salário mínimo), B
pela significativa participação da mulher com 8% (de 05 a 15 salários mínimos) e

102
classe A, com 3% (mais de 15 salários A pesquisa revela, ainda, que 48% dos en-
mínimos). Independente da classe so- trevistados, independente do sexo, faixa
cial, todos frequentam o Mercado Cen- salarial, faixa etária, visitam o Mercado
tral, pois há uma grande variedade de devido à herança cultural, ligada ao lo-
produtos com qualidade e custo acessí- cal que é reconhecido como patrimônio
vel, o que dá identidade e aproximação cultural de Belo Horizonte. O ambiente
das pessoas ao Mercado, conferindo-lhe do Mercado também atrai pontos de en-
a qualidade desse espaço diversificado contros entre amigos, espaço de lazer
(NETTO, 2012). entre familiares, totalizando 13% (COS-
TA, 2006). Já outras pessoas optam em
Na Tabela 2 é ilustrada a frequência e o frequentar o local devido ao fácil acesso,
motivo da frequência, além do local das localizado no centro de Belo Horizonte.
refeições dos consumidores do Mercado A localização central e o preço acessível
Central de Belo Horizonte. Diariamente, são os fatores que mais atraem as mu-
11% de mulheres e 9% de homens visitam lheres ao mercado, que possui percentu-
o Mercado. Já para os visitantes sema- ais maiores em relação aos homens.
nais o percentual entre ambos os sexos é
de 30%, dado que poderá estar relaciona- Os dados ainda revelam que devido à cor-
do à facilidade de acesso ao mercado e reria do dia-a-dia, as pessoas realizam
à variedade de produtos encontrados em suas refeições em diversos lugares ao
um mesmo local (FILGUEIRAS, 2006). longo da semana. Há quem tem a oportu-
nidade de realizar no próprio aconchego
Para os visitantes mensais, o grupo mas- do lar, não abrindo mão de uma refeição
culino representa um total de 10%, quanto mais caseira, sendo 40% dos entrevista-
às mulheres o percentual é 20%, fator que dos; outros 36% dos entrevistados rea-
pode estar relacionado ao fato de as mu- lizam suas refeições nas ruas, devido à
lheres se responsabilizarem pelos afaze- correria do trabalho diário.
res domésticos e compras de casa (COS-
TA, 2006). O percentual de pessoas que Outras 32%, independente do sexo, reali-
visitam o mercado anualmente são 20%, zam suas refeições no próprio trabalho.
independente do sexo, provavelmente por Há pessoas que realizam suas refeições
terem um sentimento de fidelidade e tra- em faculdade, perfazendo um percentual
dição pelo Mercado (COSTA, 2006). de 3%. Há aqueles que recorrem ao Mer-
cado à procura de uma refeição “feita na
hora” e com um toque mineiro, sendo um
total de 4%, de ambos os sexos.

Dentro o diversificado e abrangente mun-


do dos sabores e de tradição do Merca-
do Central, observou-se que os produtos
mais adquiridos pelos consumidores são
os queijos, frutas, temperos e verduras,
como demonstrados na Figura 1.

103
A produção de laticínios e a fabricação do
famoso queijo Minas iniciou-se com as
grandes fomes ocorridas em 1698, 1700
e 1713, quando os mineiros voltaram aos
seus povoados de origem para caçar e
lavrar as terras, iniciando-se a agricultu-
ra voltada para gêneros de subsistência e
expandindo-se a criação de gado, princi-
palmente no Sul de Minas (FRIEIRO, 1966).
Ao final da década de 80, surgiu a primeira
marca do produto industrializado no mer-
cado mineiro, para logo em seguida ganhar
Dessa forma, 49% dos homens e 39% das o mercado nacional, e, posteriormente, o
mulheres vão ao mercado à procura de internacional (OLIVEIRA, 1999).
queijo. Segundo Netto (2012), o Mercado
Central de Belo Horizonte tem como ca- Este estudo revelou que 31% e 24% dos
racterística sua diversidade de produtos homens e 22% e 20% das mulheres fre-
e a oferta de alimentação, se tornando quentam o Mercado para comprar frutas
referência no cotidiano da população be- e verduras, respectivamente. Quanto aos
lo-horizontina. Entre os produtos dispo- temperos, os percentuais são de 20 para
nibilizados, destaque para o Queijo Minas homens e 26 para mulheres. As pimentas
Artesanal, independente de sua denomi- com suas variedades de cores enriquecem
nação, este é continuamente consumido o Mercado Central, sendo as mais procura-
por seus frequentadores. O queijo é uti- das a biquinho, dedo de moça e malagueta.
lizado para produzir o pão de queijo, que As pimentas comercializadas no mercado
está presente até mesmo durante as re- são advindas do Norte de Minas e da Re-
feições e não apenas acompanhando o gião Metropolitana (NETTO, 2012).
desjejum ou lanche.
Dos consumidores, 27% dos homens e
O Estado de Minas Gerais é reconheci- 16% das mulheres buscam doces. Segun-
do por ser o mais tradicional produtor de do Netto (2012) os doces consumidos no
queijos do País, tendo como destaque Mercado Central são de característica pas-
secular o Queijo Minas Artesanal, que é tosa, moída ou em caldas, apresentando
produzido em propriedade agrícola por diversos ingredientes como a goiaba, a ba-
meio do leite cru, em conformidade com a nana, o mamão, o limão, a laranja da terra,
tradição cultural e histórica de Minas Ge- a abóbora e o leite dentre outros.
rais, apresentando consistência firme, de
sabor e cor única, livre de conservantes e Os mineiros sempre foram apreciadores de
corantes (NETTO, 2012). doces. Estes eram preparados com rapa-
dura ou açúcar escuro tais como o de leite,
Esse queijo é considerado pelo Patrimônio envolvidos em palhas de milho, os de cidra,
Histórico e Artístico do Estado de Minas limão e laranja, a brevidade, o pé-de-mole-
Gerais patrimônio imaterial, popular e tra- que, a queijadinha, a mãe-benta e o arroz-
dicional, constituindo a identidade do Es- -doce. Nos guarda-comidas nunca faltou a
tado. É destaque em vendas e tem maior compoteira de melado, que se comia com
procura no Mercado, que possui 29 quei- farinha de milho ou queijo (FRIEIRO, 1966).
jarias (NETTO, 2012).

104
queijo (FRIEIRO, 1966). Não é um local buscado somente para
fazer compras, mas é uma fonte de lazer
Dos entrevistados, as carnes e peixes são para a população belo-horizontina e os tu-
consumidos por 14% das mulheres e 12% ristas que ali frequentam e ficam maravi-
dos homens. O hábito de comer carne lhados com a riqueza que tal ponto turís-
fresca se generalizou em Minas Gerais. tico oferece. Dentre os diversos produtos
Hoje pouco se come de carne seca, pois encontrados, o que ganha maior destaque
encareceu muito (FRIEIRO, 1966). Com as em vendas é o Queijo Minas Artesanal.
carnes se preparam os pratos típicos, ex-
postos no fogão à lenha dos restaurantes Referências
mineiros, tais como: feijão tropeiro, tutu à
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
mineira, frango com quiabo e angu, coste- Departamento de Atenção Básica. Guia Alimentar para a
linha de porco com canjiquinha, bambá de população brasileira: promovendo a alimentação saudável.
Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: <http://
couve e leitão à pururuca. portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/
Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.
pdf> Acesso em: 14 abr. 2015.
Dentre os consumidores, 14% das mulhe-
res e 3% dos homens buscam por produtos COSTA, J. E. Mercado Central de Belo Horizonte: a convivên-
cia entre iguais e diferentes. Belo Horizonte, 2006 (Disser-
integrais. As oleaginosas são consumidas tação de mestrado do. Programa de Pós-Graduação em
Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Minas
por 20% dos homens e 18% das mulheres. Gerais). Disponível em: <http://www.biblioteca.pucminas.
Somente 1% dos homens e 3% das mulhe- br/teses/CiencSociais_CostaJE_1.pdf> Acesso em: 15 mai.
2015
res que foram entrevistados frequentam o
Mercado em busca de roupas/artesana- FILGUEIRAS, B. Do Mercado popular ao espaço de vitalidade:
o Mercado Central de Belo Horizonte. UFRJ, 2006. (Disser-
to, 2% dos homens e 0,79% das mulheres tação de mestrado do Instituto de Pesquisa e Planejamen-
procuram por animais. to Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de
Janeiro). Disponível em: <http://www.ippur.ufrj.br/download/
pub/BeatrizSilveiraCastroFilgueiras.pdf> Acesso em: 26 abr.
Atualmente, os segredos da culinária mi- 2015.

neira correm rapidamente de uma região FRIEIRO, E. Feijão, angu e couve. Belo Horizonte: Imprensa da
UFMG, 1966.
para outra, eliminando fronteiras. Por isso
hoje come-se praticamente tudo em qua- LEAL, M.L. M.S. A história da gastronomia. Rio de Janeiro: Ed.
Senac Nacional, 1998.
se todos os lugares, o que vem provocan-
do uma verdadeira revolução na gastro- MORAIS, P. Culinária Típica e Identidade Regional. Uni-
versidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.
nomia. Ao mesmo tempo em que muitos Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/
chefes de cozinha buscam inspiração na dspace/bitstream/handle/1843/VGRO-65RT2R/culinaria_ti-
pica_e_identidade_regional.pdf?sequence=1> Acesso em: 25
culinária de povos diferentes, outros estão abr. 2015.
pesquisando e fortalecendo a cozinha re- NETTO, M. M. O Mercado Central de Belo Horizonte: entre
gional com valorização dos costumes, há- queijos e sabores. Revista Geograficidade, v. 2, n.1, 2012.
Disponível em: <http://www.uff.br/posarq/geograficidade/re-
bitos e sabores mineiros (LEAL, 1998). vista/index.php/geograficidade/article/view/23/pdf> Acesso
em: 15 mai. 2015.
Conclusão OLIVEIRA, F.A. Perfil do queijo minas curado destinado à
fabricação de pão de queijo. Belo Horizonte: 1999. 125 p.
(Dissertação de Mestrado em Ciências de Alimentos. Facul-
A maioria das pessoas que freqüenta o dade de Farmácia. Universidade Federal de Minas Gerais).
Mercado é natural de BH, mulheres, classe
de renda D e C. O Mercado Central atrai vi-
sitantes não somente para obter produtos,
mas em especial ao bem estar que o am-
biente proporciona às pessoas.

105
ça-Roma e a Paris das luzes. O primeiro eixo,
Florença-Roma, se encontra sobre a influên-
cia da corte papal e dos Médicis que cultu-
avam carnes pesadas, seus faisões emplu-
mados, repletos das especiarias vindas do
oriente. Paris, porém se centrava no açúcar,
nas massas delicadas, nas pequenas porções
e em alguns ingredientes exóticos do Novo
Mundo que mostravam os novos perfumes
iluministas, sementes para a grande revolu-
ção na gastronomia: a Nouvelle Cuisine.

A publicação do Cozinheiro Nacional em 1889


sofre influência da tendência da Europa na-
“CATA AQUI, CATA ACOLÁ”- quela época: o Iluminismo, com que se busca-
va o aprimoramento das técnicas e a sistema-
COMER EM MINAS GERAIS tização dos processos produtivos, mudanças
que atingiam todos os setores da sociedade.
NOS PRIMÓRDIOS DO BRASIL Naquele contexto, não seria através da Co-
roa Portuguesa ainda arraigada nos ideais do
descobrimento que o Iluminismo iria atingir
suas colônias, principalmente a que mais lhe
interessava, por ser a mais rentável: o Brasil.
Vani Maria Fonseca Pedrosa O pós-extrativismo brasileiro do início do sé-
Pesquisadora do Santuário do Caraça e Especialista
em Pesquisas Gastronômicas do SENAC-MG culo XVII vê surgir uma sociedade baseada
nas monoculturas, no mercantilismo e na ex-
Resumo ploração do trabalho escravo, como principais
No final do século XIX, o Brasil vivia a aboli- atividades geradoras de capital. Esta socieda-
ção, a república, a decadência de sua socie- de, inicialmente alheia às inovações das téc-
dade patriarcal e o surgimento de uma clas- nicas produtivas ligadas à alimentação que se
se burguesa. Inserido neste contexto social e desenvolviam na Europa, ainda se encontrava
político, a Editora Garnier publicou no Rio de atrelada aos antigos processos e costumes
Janeiro, em Portugal e na França a 3ª edição trazidos de Portugal, que muitas vezes se tor-
completa do livro Cozinheiro Nacional (1889). navam difíceis ou até impossíveis de serem
Em todo o livro, o autor apresenta receitas da usados; seja pelo clima, pelo solo, ou pela ins-
época, além de hábitos, cardápios e compor- tabilidade da vida familiar nesta sociedade. O
tamentos à mesa, conforme a moda europeia. que tornava mais fácil buscar o alimento na
natureza do que no cultivo. Sobre este mo-
O livro parte do princípio de que os insumos mento Gilberto Freyre escreve:
nativos do Brasil deveriam corresponder ao
seu insumo similar na Europa; assim, a as “O português no Brasil teve de mudar
receitas europeias poderiam ser executadas quase radicalmente seu sistema de
com os ingredientes nacionais sem perda de alimentação, cuja base se deslocou do
qualidade, garantindo seu reconhecimento e trigo para a mandioca; o seu sistema
divulgando o insumo nacional, o que favore- de lavoura, onde as condições físicas
ceria o desenvolvimento de uma culinária in- e químicas do solo, tanto quanto as
dependente, tipicamente brasileira. Mas este de temperaturas, não permitiram que
objetivo não se cumpriu, seguindo sob muitos fosse o mesmo doce trabalho das ter-
aspectos um caminho contrário a estas ex- ras portuguesas”
pectativas. (Freyre, Casa-Grande e Senzala, p.111)

Paralelo a isto, a Europa dos séculos XVIII e Sem as mesmas condições de subsistên-
XIX vive uma transição entre o eixo Floren- cia de seu país de origem, os portugueses

106
precisaram buscar soluções criativas que a mão de obra para o cultivo, a colheita e
se tornaram básicas para a alimentação o preparo, sempre tocada a chibatadas,
nos primeiros anos do Brasil. O conheci- foram eles que aprenderam com o índio a
mento do índio mesmo que rudimentar, foi encontrar alimento no mato; foi assim, ca-
uma delas; foi ele que no início da coloni- tando aqui e acolá, que foram descobertos
zação ajudou os portugueses com seus inúmeros produtos nativos comestíveis,
produtos e técnicas. principalmente verduras e frutas que, com
o passar do tempo foram sendo incorpo-
“Cultivavam os tupis o milho (abati) de pre- radas à dieta do brasileiro, como é o caso
ferência, ao qual se pode na verdade dar o remoto da beldroega, conhecida como
nome de trigo americano, porque era base “salada de negro” no Brasil colônia; os ca-
da alimentação selvagem. Além do milho, rurus, o ora-pro-nóbis e as urtigas foram
plantavam também a mandioca, o aipi, a acrescidas à alimentação do Brasil colo-
batata doce (jatyuca), o cará. Várias espé- nial.
cies de abóbora (gerimú) a banana (paco-
ba), o mandobi, que dizemos amendoim. Até o século XVIII, no Brasil, o problema era
o que comer e não como comer. E aquele,
Os alimentos eram simples, mas variados. definitivamente, não era o momento euro-
Não era usado o sal como condimento, peu em que o iluminismo dava o tom. Ao
mas, assando a carne, o peixe ou qualquer contrário, desde o século XVI, era contra a
fruto ou raiz, mostravam apreciar a cinza rusticidade de técnicas que o Iluminismo
como um succedaneo. Nenhuma caça ou e a nova cozinha europeia se opunham. As
peixe comiam cru.” (Sampaio, Thodoro, O novas receitas europeias foram difundi-
Tupi 1928, p.104, 105). das e aclamadas em banquetes de reis e
rainhas, cercadas pelos aforismos do pro-
Gilberto Freyre vai além de Theodoro fessor Brillat-Savarin e de outros teóricos
Sampaio, ao comentar, após descrever al- que tentavam transformar a glutonaria
gumas técnicas de preparo de vários pra- medieval na nova arte de comer:
tos indígenas, utilizando principalmente a
mandioca: “O destino das nações depende essen-
cialmente da maneira como elas se ali-
“A culinária nacional - seja dito de mentam.” (Savarin,Brillat, Cozinheiro Na-
passagem - ficaria empobrecida, e sua cional,1889, p. 6)
individualidade profundamente afeta-
da, se se acabasse com os quitutes de Longe do processo de renovação vivido na
origem indígena: eles dão um gosto à Europa, a comida brasileira se estabelecia
alimentação brasileira que nem os pra- com a formação de seu povo, o que acon-
tos de origem lusitana nem os manja- tecia lentamente por fatores muito mais
res africanos jamais substituiriam” profundos do que o mero encontro das
(Freyre, Casa Grande e Senzala, 1952, p. três raças que a resultaram. A formação
263) da culinária de uma nação passa por um
caminho complexo, é um processo con-
Além do índio, o negro foi outro que for- temporâneo de si mesmo, sujeito, como
neceu ao português, uma diversidade de qualquer processo evolutivo, às suas ne-
produtos e técnicas; ele foi o responsável cessidades e às diversas formas de influ-
por superar muitas, das dificuldades en- ências externas. Como ressalta a fala de
contradas pelos colonizadores, trazendo Spengler:
novos insumos da África, como o feijão
e a palmeira produtora do óleo de dendê,
dentre outras. Era deles também a mão de

107
qualquer processo evolutivo, às suas ne- Produções Brasilei- Produções Europeias
cessidades e às diversas formas de influ- ras equivalentes
ências externas. Como ressalta a fala de Abóbora D’Água e Pepinos, abóboras
Spengler: xuxu
Mangaritos, cará, Cenouras
“uma raça não se transporta de um conti- cará do ar, baratinga
nente a outro; seria preciso que se trans- Mandiocas Batatas
portasse com ela seu meio físico” (Freyre, Palmitos, talos de Alcachofra
Casa Grande e Senzala, 1952, p. 86) inhame, talos de taio-
ba, umbigo de bana-
Ignorando estes aspectos, e inserido neste neira, gariroba
momento de influência Iluminista, o Cozi- Amendoim, sapu- Amendoas, nozes e
nheiro Nacional apresenta a preocupação caias, castanhas do avelãs
em sintonizar a cozinha do Brasil com o Pará, mindubirana
que acontecia na Europa, sem se preocu- Bananas Maçãs
par em aprofundar e aperfeiçoar o conhe- Brotos de samam- Aspargos
cimento das técnicas da própria culinária baia, grelos de abó-
brasileira, bem como o melhor uso dos bora
seus produtos. Em lugar disto, publica em Jiló Beringela
seu prólogo uma lista com as correspon- Serralha Escarola
dências entre os insumos europeus e seus Beldroega Barba de bode
similares brasileiros; o que, segundo o au-
Salsa Echalote
tor, possibilitaria a utilização dos ingre-
Alho Alho porró
dientes nacionais nas receitas europeias e
vice-versa, sem perda de qualidade; com Pinhões Castanhas
isto ele esperava ter o reconhecimento do Labaça Azeda do Reino
valor da culinária do Brasil na Europa, de- Carapicus, orelha de Cogumelos
monstrando um pensamento simplista e pau
pouco aprofundado. Lobo-lobo, jurubeba, Nabos
quiabo, ora-pro-nóbis
“É tempo de que o país se emancipe da Mangaritos Tubaras
tutela europeia debaixo da qual tem vivido Mamão, croá Melão
até hoje; é tempo que ele se apresente com Jacatupé, batata Beterraba
seu caráter natural, livre e independente de doce
influências estrangeiras, guisando a seu Pimentas comarí Pimenta da Índia
modo os inúmeros produtos de sua flora Tomates Uvas verdes
e fauna” (Cozinheiro Nacional, 1889, p. 2) Laranja azeda Limão
Cebolas de cheiro Ciboullet
Nessa lista, o autor faz uma sugestão para Folhas de borragem Mostarda
substituições de verduras e legumes, onde
Conserva de pimen- Alcaparras
as espécies europeias na época, difíceis de tão
serem encontradas, ou até desconhecidas
Gengibre Raiz forte
da população brasileira, poderiam nas re-
ceitas serem substituídas pelas espécies Fonte: Cozinheiro Nacional, 1889, p. 3.
nativas, sem prejuízo em seu sabor final.

108
É interessante observar, que o acontecido lerável o sabor amargo daquelles bellíssi-
foi o contrário do que era pretendido com mos frutos amarellos.” (Sampaio, Theodo-
o Cozinheiro Nacional. Em lugar de os ha- ro, O Tupi 1928, p. 106)
bitantes do Brasil, divulgarem seus ingre-
dientes nativos e aprimorarem as formas Estas laranjas amarelas eram cidras as
de prepará-los em substituição ao seu quais Theodoro Sampaio se refere como
similar de origem europeia, passou-se a sendo descritas desde 1518.
usar no Brasil muitos dos equivalentes eu-
ropeus que no início do século XX, por fa- De 1500 até a data da terceira edição do
tores distintos, passaram a ser cultivados Cozinheiro Nacional, ainda eram os produ-
de forma comercial, superando as espé- tos encontrados na natureza os principais
cies nacionais consumidas principalmen- ingredientes da alimentação dos Brasilei-
te nos centros urbanos. ros. Vejamos como exemplo carnes, e sua
frequência nas receitas do livro. São ao
Outro objetivo pretendido pelo livro, o de todo 1096 “receitas” à base de carne. Des-
divulgar os produtos e a culinária brasilei- tas, 117 são de vacas, 96 de porcos, 89 de
ra na Europa, também não foi alcançado. frangos, 112 de aves domésticas, 104 de
Fato compreensível, visto que durante a vitelas, 109 de carneiros, 70 de peixes de
transformação de conceitos e aprimora- água doce, 96 de peixes de água salgada
mento de técnicas vividas no período ilu- e crustáceos e 303 de animais silvestres
minista, apresentar uma culinária primi- como: preás, esquilos, gambás, cotias, ira-
tiva e “verdadeiramente brasileira” como ra, onça, tamanduá, lontra, ariranha, paca,
pretendia o Cozinheiro Nacional era no queixada, caititu, caxinguelê, lagarto, tatu,
mínimo contraditório. Levar a rusticidade pombas, perdizes, araras, papagaios, peri-
de uma culinária em formação para onde quitos, veados, macaco, jacu, anu, inhuma,
se buscavam técnicas preciosas, artísti- tanajura, quati, cobras, rãs, perdizes e ca-
cas, quase arquitetônicas, que criassem a nários. No total das 850 receitas para pre-
elegância das pequenas porções, a suavi- paro de carne, em média 10% corresponde
dade adocicada dos sorvetes, chocolates a cada tipo de animal doméstico citado,
e macarrons. Seria apresentar o oposto ao contra mais de 30% de animais silvestres,
paladar refinado e a perfeita arte de bem o que demonstra baixo índice de animais
receber; premissas que pouco ou nada ti- criados para abate.
nham a ver com o Brasil colonial e escra-
vocrata, onde as escravas, as mulatas e as Vejamos uma das receitas para preparo
senhoras portuguesas à beira de fogões a de carne citada no livro “Cobras, lagartos
lenha viviam a labutar entre caças, capa- e rãs refogados”
dos, verduras e o que mais tivessem em
mãos para suprir a falta de alimentos do “Corta-se uma cobra em pedaços, refo-
Brasil colônia. Onde os nativos indígenas gam-se com duas colheres de gordura e
se alimentavam quase que exclusivamen- uma cebola picada; polvilha-se uma colher
te do que encontravam pelo caminho: de farinha de trigo, e uma xícara d’água,
sal salsa e pimentas e um pouco de nós
“Descendo o rio Paranapanema, em 1886, moscada rapada; deixa-se ferver perto do
encontrei sobre um lagedo, à margem do fogo, até cozer, tendo incorporado o mo-
rio, abundantes cascas de laranjas, as- lho, com duas gemas d’ovos, desfeitas em
sadas, despojos de uma refeição, apenas um cálice de vinho, e serve-se”. (Cozinhei-
terminada de uma família selvagem, que ro Nacional, 1889, p. 42)
assim usava o fogo para tornar mais to-

109
Como podemos ver por esta receita, as mento das técnicas indígenas, africanas
técnicas de preparo do livro se apresen- e portuguesas, que no Brasil se comple-
tam incompletas: não se fala na forma de mentavam para dar origem à verdadeira
corte nem a preparação inicial da carne, culinária brasileira.
que difere, e muito, para cada um dos ani-
mais sugeridos, que foram tratados como Naquele mesmo ano (1889), o Cozinhei-
iguais nesta preparação. Se seguirmos as ro Nacional foi publicado na França e em
receitas à risca jamais conseguiremos um Portugal, sem que isto tornasse os pro-
preparo adequado. Mesmo assim o Cozi- dutos brasileiros da referida lista, mais
nheiro Nacional tem hoje seu reconheci- conhecidos, naqueles dois países, como
mento no que foi sua grande, e verdadei- era pretendido pelo livreiro. Nesta época,
ra contribuição não foi, sem dúvida, seu a participação do Novo Mundo neste pro-
objetivo principal e sim o registro de com cesso se restringiria ao consumo de gê-
quais insumos o brasileiro se alimentava, neros exóticos como o açúcar, o cacau e
a informação de quais técnicas europeias o abacaxi, itens brasileiros, que sustenta-
ele já dominava. Além de nos fornecer ou- vam o exotismo, velha Europa.
tras informações estatísticas reveladoras
sobre este momento. Mesmo que não fosse vindo de Portugal,
mesmo que tardio, o Iluminismo chegaria
Um dos dados que chama a atenção, no ao Brasil trazido pelas mãos da burguesia.
livro se refere às receitas à “moda”, nele Seja com o rush aurífero, com a indus-
encontramos 26 receitas à francesa, 24 trialização ou com o comércio, uma nova
receitas à italiana, 22 receitas à inglesa; parcela da população detinha o capital no
as outras não passam de três de cada re- Brasil. Esta população tinha os meios e
gião, país ou cidade; no entanto, apresenta com estes meios queria as luzes e os lu-
46 receitas à mineira ou com referência a xos que brilhavam na Europa. Era essa de-
Minas Gerais. Com isto podemos concluir manda que o Cozinheiro Nacional tentou
que já em 1889 a culinária mineira já era suprir, principalmente usando a desenvol-
registrada como um expoente na culinária vida culinária de Minas Gerais, que nesta
brasileira. época já detinha características particula-
res marcadas por independência de ingre-
Na maioria das vezes o autor segue usan- dientes e completude de técnicas e produ-
do receitas europeias, apenas substituin- tos como: queijos, fermentados e receitas
do nelas algum ingrediente europeu pelo características.
similar nacional, como no caso da receita
citada acima, onde se utiliza de um ingre- Em outros pontos do Brasil a influência eu-
diente estrangeiro, a farinha de trigo, rara ropeia chegou rápido. Já em 1920, apenas
na época, no início do refogado, usando- trinta anos depois da publicação em ques-
-a como forma de encorpar antecipada- tão, produtos estrangeiros como a batata
mente o molho, além do uso do vinho no e o tomate já eram produzidos e consu-
preparo o que é uma técnica francesa de midos em uma escala muito superior à
cocção. Na verdade, o que aconteceu foi de alguns produtos nacionais. O que fica
que o Cozinheiro Nacional, acabou por claro na publicação de 1920 do Dr. Eze-
sugerir um universo de afrancesamento, quiel de Silva Brito Os Vegetaes, Sua Vida
com pouca base técnica, quando, sem os e Sua Utilidade, onde a forma de produção
esclarecimentos devidos, misturou ingre- da batata inglesa já é citada de forma dife-
dientes locais com técnicas estrangeiras, renciada a do mangarito, mandioca, bata-
deixando em segundo plano o aprimora- ta doce e dos carás dentre outras espécies

110
nacionais que o Cozinheiro nacional divul- hábitos, às técnicas e à padronização do
gava como substitutos destes produtos consumo ditado pela Europa, seguida no
em 1889. século XX pelos Estados Unidos, que ex-
portavam seu Way of life para o mundo,
“No fim de 3 a 4 meses a cultura da bata- principalmente para os chamados países
ta americana está em condições de ama- em desenvolvimento onde a sedução da
durecimento completo, prompta para a facilidade dos produtos industrializados, e
colheita, o que se reconhece pelas folhas o baixo custo dos produtos geneticamente
que murcham e seccam. Colheita, plantio modificados se tornaram mais atraentes
e lavras devem ser feitos a machinas, hoje economicamente.
muito aperfeiçoadas. Pelas análises da
batata verifica-se que a sua composição é Hoje, auxiliados por um tempo em que se
rica sobretudo em amido. buscam novos paladares, em que o pro-
gresso a todo custo passa a ser questio-
Além das tuberas, as folhas do Manga- nado como fator de detrimento da própria
rito e da Tayoba, são utilizadas como le- espécie humana, o passado do Brasil e
gume delicioso e muito nutritivo. Entre as principalmente de Minas Gerais se torna,
substância nellas contidas, sobressaem o uma terra fértil, “ouro de aluvião”, com mi-
mangará-gluten, na razão de 2,190%. se- lhares de espécies esquecidas, desconhe-
gundo a análise de Peckolt, especialmen- cidas ou pouco exploradas, prontas para
te na variedade roxa, que é mais rica em serem estudadas, cultivadas e lançadas
reservas nutritivas que branco.” (Brito, Os em um mercado mais maduro, que não se
Vegetaes, Sua Vida e Sua Utilidade, 1921, sustenta mais sem a diversidade, um mer-
p.19,108) cado que adquire um novo potencial de
consumo, onde produtos originais e exclu-
Souza Brito não descreve nenhum tipo de sivos, ou com formas produtivas sociais
produção agrícola que sugira uma escala e sustentáveis, adquirem valor e mercado
comercial quando se refere ao mangarito e diferenciado.
à taioba ou a outras produções nacionais,
a não ser a do milho, que naquela época No cenário atual, Minas Gerais continua a
já se tonara reconhecido como alimento ser um baluarte para a gastronomia bra-
industrial e já havia sofrido aprimoramen- sileira na medida em que guarda em sua
to de produtividade, principalmente pe- culinária tradicional as técnicas e ingre-
los Estados Unidos, desde que o levaram dientes originais que contam nossa his-
do México. Os produtos de uso exclusivo tória gastronômica, onde os produtos da
dos brasileiros não despertavam interes- preciosa lista do Cozinheiro Nacional, não
se para produção em escala, voltada para ficaram registrados apenas no prólogo do
a exportação e o comércio. Mesmo assim livro.
seja por tradição, seja pelas propriedades
nutritivas e curativas, muitos deles con- Um testemunho desta história é o Santu-
tinuavam a ser produzidos na agricultura ário do Caraça em Catas Altas, MG, onde
de subsistência e nos quintais, pelo Brasil muitas das espécies que foram vistas e
a fora; outros se perderiam para sempre. registradas em 1816, pelo naturalista fran-
cês Auguste de Saint-Hilaire, resistiram ao
Apesar de as análises nutricionais do Dr. tempo e ao descaso, protegidas pelo San-
Souza Brito apontarem a superioridade tuário e seus cuidadores.
nutritiva e de sabor de muitos dos nossos
vegetais nativos, eles não resistiram aos

111
No Caraça, o queijo artesanal, os fermen- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
tados os pães e quitandas, frutas, farinhas,
verduras, legumes, chás, plantas medici- BRITO, Ezequiel C. de Souza. Os Vegetaes, Sua Vida e Sua
Utilidade. Cayeiras, SP: Ed. Proprietária, 1921.182 p.(Melho-
nais, antigas técnicas de preparo e recei-
ramentos)
tas arcaicas foram preservadas já por 240
anos, por mãos de diversas gerações, e CARRATO, José Ferreira. As Minas Gerais e os Primórdios do
nunca deixaram de ser usadas diariamen- Caraça. São Paulo, SP: Ed. Nacional, 1963. 463 p (Brasiliana;
v. 17)
te, convivendo pacificamente com a mo-
dernidade. Aqui elas vivem para que não CASCUDO, Luís da Câmara. Antologia do Folclore Brasileiro.
esqueçamos qual é a verdadeira comida São Paulo, SP: Martins, 1956, v. 2.
brasileira. • COZINHEIRO NACIONAL ou coleção das melhores receitas
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Janeiro, RJ; B. L. Garnier, 1889 498 p. ilus.

DALLA BONA, Fabiano. A arte de comer no século das luzes


na Palermo de Dacia Maraini. In: CONGRESSO INTERNACIO-
NAL DA ABRALIC [11. 2008: São Paulo, SP] [ Anais...]. São
Paulo, SP: USP, 2008. p. 57.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & Senzala: formação da famí-


lia brasileira sob o regime de economia patriarcal. 7. Ed. Rio
DE Janeiro, RJ: J Olympio, 1952. 486 p. ilust. (Documentos
brasileiros: 36)

FREYRE, Gilberto. Sobrados & Mucambos: decadência do


patriarcado rural no Brasil. São Paulo, SP: ED. Nacional,
1936. 405 p. ilust. (Brasiliana, série 5ª; biblioteca pedagógi-
ca brasileira: v.64)

SAMPAIO, Theodoro. O tupi: Na Geografia Nacional. Salvador,


Bahia: Sessão Gráfica de Aprendizes de Artífice, 1928. 352 p.

112
PROJETOS
113
MINAS À MESA

A comida mineira é famosa no País inteiro. negócio: investimento, mercado, retorno;


Comida de tropeiro, de boteco, de quintal, os turistas contemporâneos — também
de vó: comida de afeto. MINAS À MESA chamados de turistas de segunda gera-
atravessa as montanhas para registrar o ção — estão dispostos a pagar pelo valor
universo da gastronomia mineira e o que que as experiências gastronômicas ofere-
existe ao seu redor. cem, pois elas são a porta de entrada para
a cultura local, e em um turismo cada vez
MINAS À MESA é um projeto em busca de mais vivencial, é fundamental proporcio-
patrocínio: através de uma série de episó- nar ao visitante os meios de conectar cul-
dios documentais exploraremos a temáti- tural local e global, criando narrativas em
ca e os desdobramentos da formação da torno do alimento.
cultura alimentar mineira. Diferentemente
do que se vê em programas relacionados Assim, a descoberta da gastronomia mi-
à gastronomia, os 13 capítulos não têm neira pode ser uma aventura inesgotável:
foco direto em receitas culinárias, mas na enquanto algumas regiões buscam atrair
síntese de aspectos culturais, filosóficos, o turista por suas cozinhas monoétnicas,
sociológicos, geográficos e econômicos Minas recepciona os visitantes com uma
que rondam a comida mineira. A proposta cozinha de múltiplas influências. Isso por-
visa aumentar a visibilidade e a percepção que a gastronomia mineira é um microcos-
de nossa cozinha, dando ímpeto ao pro- mo da brasileira, sendo o meio geográfico
duto turístico que ainda não tem o reco- e a síntese cultural das influências recebi-
nhecimento que merece. Dessa forma, a das ao longo do processo civilizatório.
premissa da série é ir ao encontro de per-
sonagens para conhecer sua história e en- Do ponto de vista social, demonstraremos
tender qual sua relação com o universo da que a gastronomia é o retrato do ethos do
gastronomia mineira. povo mineiro, e que os costumes e traços
comportamentais podem ser facilmen-
Sob o viés econômico, pretendemos de- te identificados na comensalidade local,
monstrar que gastronomia também é que supera, em muito, o naturalismo do

114
ato de comer. As refeições mineiras são com o objetivo de ampliar o conhecimento
impregnadas de sentimento de identida- de pessoas que se interessam pela temá-
de, sendo ela, talvez, o mais consistente tica, contribuir na área da pesquisa acadê-
dos ícones simbólicos do instinto de mi- mica e prática, além de trazer benefícios
neiridade. Dentro da premissa de que uma ao estado, pois a série unirá a marca da
gastronomia só é atrativa para o turista se gastronomia mineira ao desenvolvimento
for atrativa para a sua própria população, socioeconômico do Estado.
a coesão social e o orgulho cívico do mi-
neiro em relação à sua gastronomia fazem O projeto possui 12 subtemas que dão
dela o cartão de visitas para quem procura conta de toda a linha evolutiva da cultu-
vivenciar a cultura local. ra alimentar mineira: influência indígena,
portuguesa e africana na gastronomia mi-
A gastronomia mineira passa atualmente neira; gastronomia de seminário; gastro-
por um processo de expansão, com várias nomia e fé; produtos e produtores; damas;
e relevantes ações realizadas tanto por chefs; gastronomia tradicional e contem-
instituições governamentais quanto pela porânea; gastronomia e arte; territórios
iniciativa privada. Existe um interesse ge- gastronômicos; mapeamento gastronô-
neralizado em fazer da gastronomia uma mico da Estrada Real; festas e festivais e,
pauta econômica e política, na intenção para finalizar, o boteco.
de alcançar um maior desenvolvimento do
setor, ainda em processo evolutivo. Alguns A série é destinada a todos os mineiros e
avanços já aconteceram nesse sentido, não-mineiros que se interessam pela for-
como a criação da Frente da Gastronomia mação da cultura alimentar mineira, pes-
Mineira, a participação recorrente de Mi- quisadores, acadêmicos e turistas que
nas em feiras nacionais e internacionais, o queiram conhecer o nosso estado sob o
reconhecimento de novos talentos, a cria- viés da gastronomia. O repositório de re-
ção de festivais gastronômicos que, cada gistros, imagens e depoimentos propor-
vez mais, despertam o interesse de empre- cionado pela série documental servirá,
endedores, turistas e da comunidade local, também, para auxiliar as agências pú-
além da incorporação da gastronomia no blicas na tomada de decisões de novas
portfólio das políticas governamentais. A ações para o setor e no aprimoramento
iniciativa legislativa de criação de uma po- de ações em curso. A pesquisa anterior à
lítica pública específica para o desenvolvi- visitação dos locais escolhidos e elabora-
mento da gastronomia, consubstanciada ção dos roteiros será realizada a partir de
pelo Projeto de Lei Estadual no 1.618/15, literatura relacionada ao tema, disponível
em tramitação, pode fazer de Minas o pri- nas fontes bibliográficas, relatos e referên-
meiro Estado brasileiro a ter uma regula- cias visuais.
ção legal para o setor gastronômico.

Mesmo com todos os avanços, o setor


ainda apresenta um enorme déficit quan-
do se trata de registros audiovisuais, ou
seja, é extremamente raro encontrar ma-
terial fílmico que mostre ao espectador a
dimensão histórica da nossa cultura ali-
mentar, abordando aspectos que vão além
da elaboração de receitas. Nesse sentido,
a série MINAS À MESA será produzida

115
COMER EM MINAS O processo de crioulização a que foi sub-
metida à cultura alimentar mineira ao longo
Este episódio – o primeiro a ser exibido de sua formação histórica será abordado
– pretende ser a síntese da série MINAS para compreender a relação de convivên-
À MESA, por apresentar, em narrativa su- cia existente hoje entre a cozinha tradicio-
cinta, todos os subtemas que serão tra- nal e a cozinha contemporânea. As novas
balhados nos 12 capítulos. Funcionará expressões culinárias de Minas serão evi-
como um teaser, instigando o especta- denciadas e explicadas à luz da evolução
dor a acompanhar o aprofundamento das do processo civilizatório vivido pela socie-
temáticas nos capítulos subsequentes. dade mineira. Artífices da cozinha mineira
Nesse sentido, o primeiro episódio é uma contribuirão para o diálogo dialético entre
colcha de retalhos e o fio condutor da linha resistência e modernidade, mostrando o
do tempo da formação cultural alimentar impacto da crioulização também no ofício
mineira, que tem visibilidade a partir do de cozinheiro.
século XVIII (período da mineração e do
processo de povoamento de Minas Ge- Cozinheiros e cozinheiras contarão a traje-
rais), até os dias atuais, com a apresenta- tória evolutiva da praxis gastronômica mi-
ção da comida mineira contemporânea ou neira, por meio de depoimentos próprios
“novelle cuisine mineira”. ou de seus contemporâneos, e de relatos
históricos de pesquisadores.
O espectador será convidado a viajar por
um túnel do tempo, onde práticas alimen- A influência da fé no modelo alimentar mi-
tares portuguesas, africanas e ameríndias neiro será analisada por meio de manifes-
entram em processo de fusão, dando ori- tações culturais adotadas por vários rituais
gem a uma estética caipira, da qual a co- religiosos em Minas, os quais ajudaram a
zinha mineira vem para se tornar um dos preservar tradições alimentares ao longo
maiores expoentes. A contribuição de co- do tempo. Bebidas e comidas símbolos
lonizadores, escravos e nativos será retra- de cultos religiosos serão inventariadas e
tada em três aspectos distintos: explicadas à luz de sua importância na ca-
racterização da dieta alimentar do mineiro
1) a comida de seminário, símbolo da co- ao longo da história.
mensalidade europeia, com forte influên-
cia sobre a elite da sociedade mineira em Eventos gastronômicos de diferentes di-
meados do século XVIII; mensões, mas igualmente icônicos para
a formação identitária da gastronomia mi-
2) a comida de senzala, que apresentará neira, bem como para a sua projeção além
adaptações de ingredientes e uso de téc- das fronteiras do Estado, serão abordados
nicas culinárias de matriz africana, usadas com enfoque especial na movimentação
pelos cativos para reproduzir pratos típi- da cadeia produtiva local. O impacto de
cos do seu contexto cultural; festas e festivais gastronômicos na capi-
tal e no interior será esquadrinhado para
3) a culinária indígena que, por ser a nativa, caracterizar a sua relevância para o de-
tornou-se base para as transformações senvolvimento socioeconômico local.
trazidas pelas influências africana e por-
tuguesa, com destaque para a utilização A Estrada Real – maior rota turística do
de seus produtos e utensílios. Brasil, com mais de 1.600 km de extensão,
passando por 199 municípios de três es-
tados de Minas Gerais – terá a diversidade

116
da sua gastronomia mapeada, de forma a espaço de marcas comerciais. Processos
reproduzir o processo de fusão que origi- de sustentabilidade modernamente ado-
nou a cozinha caipira, ainda praticada pe- tados em alguns clusters gastronômicos
los habitantes da maioria das localidades também serão considerados, para eviden-
em suas práticas alimentares. A relação ciar a preocupação existente com a pre-
de poder estabelecida entre quem cozinha servação de ingredientes autóctones e de
e quem come permeará todo o processo métodos de plantar/colher/fazer tradicio-
de mapeamento para evidenciar as repre- nais.
sentações sociais pelas quais passou e
passa a gastronomia mineira. Por derradeiro, o episódio tratará de uma
das instituições que melhor representa o
O primeiro episódio da série MINAS À referencial gastronômico mineiro: o bo-
MESA também irá analisar a gastronomia teco. Espaço de interação por excelência,
mineira não só como manifestação cul- onde alegria, tristeza, namoro, reunião fa-
tural per se, mas também como temáti- miliar ou profissional convivem harmonio-
ca utilizada por outras modalidades, tais samente, o boteco mineiro reflete o cos-
como cinema, teatro, artes plásticas, lite- tume local de se reunir em torno de uma
ratura e música. Por ser relacional, assim mesa para compartilhar emoções. Acima
como as artes, a gastronomia também se de tudo, os botecos são locais acessíveis a
presta a diferentes interpretações, o que todos os públicos. Seu caráter democráti-
caracteriza uma referência móvel, que co permitiu a construção de uma das mais
permite abordar a mudança cultural e so- singulares representações de identidade
cial de um povo. A abordagem transversal cultural, merecendo reportagem do jornal
da gastronomia nas artes mineiras, com The New York Times, no ano de 2007. Os
sua consequente projeção no imaginário caminhos que levaram à construção so-
coletivo nacional, será explorada para ex- ciológica do boteco como locus de lazer e
plicar a construção dos arranjos culturais de tomada de decisões em Minas Gerais
específicos existentes em Minas, que se – evoluindo, inclusive, para a criação de
diferenciam de outras culinárias de matriz um neologismo local para designar a ati-
caipira. vidade tão presente na vida dos mineiros:
botecar – serão analisados à luz de ele-
As regiões mineiras e suas identidades mentos antropológicos e sociológicos da
gastronômicas serão apresentadas a par- formação cultural, encerrando a série com
tir da classificação geopolítica que lhes fo- o que o mineiro tem de mais genuíno.
ram atribuídas pelo pesquisador Eduardo
Avelar, baseada em aspectos naturais, so- O primeiro episódio da série documen-
cais e culturais. São o que se pode chamar tal MINAS À MESA vai beber da fonte do
de terroirs mineiros, estudo mais consis- que foi desenvolvido nos outros episódios,
tente encontrado em pesquisa preliminar mas também vai contar com a exclusivi-
para representar o verdadeiro estuário de dade de um fio narrativo sintético da for-
múltiplos afluentes culinários de Minas. mação cultural alimentar, conduzido por
pesquisadores e chefs. Dessa forma, CO-
Produtos e produtores mineiros serão MER EM MINAS é uma isca que traz ao es-
apresentados a partir do aspecto de dis- pectador o gosto do universo da gastrono-
sociabilidade simbiótica com que muitas mia mineira e um panorama do que será
vezes são conhecidos. A ligação do pro- apresentado nos próximos 12 capítulos da
duto ao produtor é prática costumeira em série.
Minas Gerais, ocupando muitas vezes o

117
BIBLIOGRAFIA

1- PARÉS, Luis Nicolau. O Processo de Crioulização No Re-


côncavo Baiano (1750-1800). Afro-Ásia, 33 (2005), 87-132.

2- ABDALA, Monica Chaves. Receita de mineiridade: a cozi-


nha e a construção da imagem do mineiro. Uberlância: Edufu,
1997.

3- “Sabores da tradição”. Revista do Arquivo Público Mineiro,


Belo Horizonte, n.1, jul/dez. 2006, pp.118-29.

4- BRILLAT-SAVARIN, Jean-Anthelme. A fisiologia do gosto.


São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

5- CÂMARA CASCUDO, Luís da. História da alimentação no


Brasil (1967). Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1983.

6- CHRISTO, Maria Stella Libanio. Fogão de Lenha. São Paulo:


Vozes, 1977.

7- DÓRIA, Carlos Alberto. Formação da culinária brasileira.


São Paulo: Três Estrelas, 2014.

8- FRIEIRO, Eduardo. Feijão, angu e couve. Belo Horizonte:


Centro de Estudos Mineiros, 1966.

9- MAGALHÃES, Sônia Maria de. A mesa de Mariana. São Pau-


lo: Annablume; Fapesp, 2004.

10- NUNES, Maria Lucia Clementino. História da arte da cozi-


nha mineira por Dona Lucinha. Belo Horizonte: Ed. da autora,
2001.

11- RENAULT, Delso. Chão e alma de Minas. Rio de Janeiro:


Francisco Alves, 1987.

12- www.institutoestradareal.com.br

13- www.territoriosgastronomicos.com.br

14- http://www.nytimes.com/2007/10/28/travel/28next.
html?_r=0

15- http://www.agnesfarkasvolgyi.com.br/site/

16- Série Chef’s Table, Netflix

118
VINHAS GERAIS: UMA IDENTIDADE CULTURAL E
ENOGASTRONÔMICA PARA O POLO VITICULTOR
DE MINAS GERAIS, BRASIL
Projeto FIP INSTITUCIONAL apresentado por:
Curso Superior de Tecnologia em Gestão do Turismo
Departamento de Geografia

PARTICIPANTES

COORDENAÇÃO
Dra. Flávia Magalhães Freitas Ferreira
-Deptº de Engenharia Eletrônica e de Telecomunicação

INTEGRANTES
Dra. Mariana Guedes Raggi
-Deptº de Geografia
Dr. Edmundo de Novaes Gomes
-Curso Superior de Tecnologia em Gestão do Turismo
Ms. Rosilene Martins
-Curso Superior de Tecnologia em Gestão do Turismo

INTRODUÇÃO tegrar a equipe professores e alunos da


Pontifícia Universidade Católica de Minas
O Projeto Vinhas Gerais foi idealizado Gerais, com o objetivo de se reunir, no in-
pelo sommelier Renato Costa e pela gas- terior da academia, duas pontas bastante
trônoma Slow Food Nella Cerino, ambos específicas da missão da Universidade: a
proprietários da Allegro Vivace Vinhos, pesquisa e a extensão.
em coautoria com a equipe da Culinária
para Convivência, empresa que pretende Para que isto seja alcançado, o Curso Su-
difundir a culinária como ferramenta de perior de Tecnologia em Gestão do Tu-
transformação pessoal e relacionamentos rismo, o Departamento de Geografia e a
interpessoais, em suas mais diversas nu- Vice-Reitoria juntam suas forças para, a
ances. partir do Fundo de Incentivo à Pesquisa
Institucional (FIP) da PUC-Minas, constru-
A convite dos idealizadores, passa a in- írem um programa de práticas investigati-

119
vas cujo objetivo maior é produzir, a partir
da definição das identidades culturais do
território mineiro, a divulgação e o desen-
volvimento do Turismo Enogastronômico
na região do sul de Minas Gerais.

Para isso, o projeto também quer carac-


terizar e conferir a Identidade Vinhas Ge-
rais ao polo nacional de vinhos produzidos
em Minas Gerais, a princípio, jogando seu
foco para a região Sul, a fim de classificar
produtos e marcas como vinhos finos ou
de mesa, e certificar periodicamente os
produtores e os rótulos por sua qualidade.

A este trabalho de pesquisa e certificação,


soma-se outro de igual importância: o de
divulgar a cultura do vinho no Estado, pro-
movendo-o turística, cultural e comercial-
mente. Nesse sentido, serão identificados
e catalogados os produtores sul-mineiros
de vinho, seus principais rótulos e a des-
crição das características peculiares ca-
pazes de lhes conferir identidade regional.
Finalmente, serão detalhadas estratégias
voltadas para a divulgação da Identidade
Vinhas Gerais. UM POUCO DE HISTÓRIA
Em Minas Gerais, a viticultura data de 1860.
A principal delas, que quer ser iniciada já Tradicionalmente havia dois polos produ-
com este FIP, será decisiva para que este tores: um com cultivares europeias para o
trabalho ganhe repercussão não apenas mercado de uvas finas de mesa, localizado
em Minas, mas também na mídia espe- na região de Pirapora, e outro em Andradas
cializada nacional e internacional. Trata- e Caldas, com cultivares americanas, para
-se da execução das tarefas iniciais que vinificação de vinhos comuns e elaboração
darão origem à edição de um livro sobre de suco e uva de mesa.
a cultura do vinho no Estado, abordando
a história da produção de uvas viníferas Entretanto, o manejo convencional da cultu-
e definindo um catálogo em que estejam ra em regiões de clima tropical impossibili-
relacionados os produtores e rótulos cer- tava a obtenção de uvas viníferas de quali-
tificados com a Identidade Vinhas Gerais. dade, já que ocorria a coincidência do final
de maturação e colheita com os altos índi-
Para que tais objetivos sejam melhor com- ces pluviométricos e altas temperaturas do
preendidos, é necessário conhecer, ainda verão (dezembro a fevereiro), o que levava à
que de maneira preambular, um pouco diluição de açúcares, redução da síntese de
da história da cultura da uva e do vinho polifenóis e aumento da incidência de doen-
em Minas, o que será feito logo a seguir. ças fúngicas. Aliado a isso, as temperaturas
Além disso, é indispensável informar que elevadas, junto com a baixa amplitude tér-
este FIP nasce alinhado com o Movimento mica, dificultam a concentração dos com-
Slow Food, que tem conquistado espaço postos fenólicos essenciais para dar cor,
significativo na mídia mineira, e apoiado estrutura e estabilização aos vinhos (Amo-
por instituições como os Comitês dos Ita- rim et al., 2005).
lianos no Exterior (COM.IT.ES) e a Frente
da Gastronomia Mineira. É sabido que, para a elaboração de vinhos

120
finos, a qualidade da matéria-prima utili-
zada é indispensável, sendo esta carac-
terística diretamente influenciada pelo
material genético, pelas técnicas de cul-
tivo e pela combinação dos fatores “cli-
ma-solo” durante o desenvolvimento e
maturação da uva, o chamado terroir. Um
dos maiores desafios da viticultura bra-
sileira é identificar regiões onde existam
condições climáticas ideais para o bom
desenvolvimento da Vitis vinífera, espé-
cie de videira exclusivamente utilizada na
produção de vinhos finos.
da colheita também ocorria nos meses
Na tentativa de desenvolver tal trabalho de janeiro e fevereiro, momento de maior
em Minas Gerais, a Empresa de Pesqui- precipitação pluviométrica. Entretanto,
sa Agropecuária de Minas Gerais (Epa- os estudos realizados no município de
mig), em experimento comandado pelo Três Corações, região cafeeira do Sul de
pesquisador Murillo Albuquerque Regina, Minas Gerais, mostraram que a cultivar
e o médico Marcus Arruda, proprietário Syrah apresentou boa adaptação quando
da Fazenda da Fé, em Três Corações, o ciclo foi transferido para os meses de
realizaram, em 2001, o primeiro ensaio janeiro a julho, permitindo a colheita no
experimental da dupla poda focado em período seco (Amorim et al., 2005) (Fave-
cultivares viníferas. Dois anos mais tarde, ro, 2008).
obteve-se o primeiro resultado do proje-
to: o vinho produzido na Epagri, de Santa A técnica da dupla poda consiste em im-
Catarina, uma vez que a Vinícola Experi- primir uma produção extemporânea na
mental da Epamig ainda não havia sido videira, permitindo a colheita das uvas
reformada. em julho, com melhores índices de matu-
ração, através da poda e quebra de dor-
Motivados pelo fato de que as condições mência artificial das gemas. A inversão
climáticas encontradas no inverno no Sul da colheita por meio da dupla poda vale
de Minas Gerais assemelham-se àquelas para toda a região Sudeste do País. Para
das melhores regiões produtoras de vi- o Nordeste, ela é inviável devido ao clima
nho do mundo (dias ensolarados, baixas quente. No Sul, o problema é o contrário.
temperaturas à noite e pouca chuva), a Nesse sentido, Favero et al. (2008) tratou
partir de 2004 pesquisadores da Epamig de aspectos agronômicos, juntamente
começaram a estudar a possibilidade de com algumas respostas fisiológicas, de
se trabalhar com cultivares europeias (vi- videiras, cv. Syrah, conduzidas em ciclo
tis vinífera) na região do sul de Minas Ge- de outono-inverno, entre janeiro e julho,
rais, em clima do tipo temperado quente, onde o foco das avaliações centrou-
a uma altitude entre 800 e 900 metros. -se nas indagações sobre a viabilidade
da produção extemporânea em vinhedo
Em parceira com a Fazenda da Fé, rea- não-irrigado.
lizaram uma série de experimentos com
cultivares europeias, visando validar o A pesquisa foi realizada nos anos de
manejo da dupla poda. Dentre as cultiva- 2005 e 2006 e os índices de produtivi-
res testadas, a Syrah foi a que melhor se dade e qualidade de frutos obtidos em
adaptou à mudança do ciclo da planta. duas safras permitiram afirmar que a al-
No Sul de Minas, assim como na maioria teração do ciclo de produção da videira
das regiões vitícolas do País, o período Syrah, para um ciclo de outono-inverno

121
entre janeiro e julho, onde o foco das ava- Portanto, as possibilidades enológicas
liações centrou-se nas indagações sobre para a elaboração de vinhos finos são
a viabilidade da produção extemporânea bastante variadas.
em vinhedo não-irrigado.
A Epamig desenvolve experimentos em
A pesquisa foi realizada nos anos de rede que visam avaliar o comportamen-
2005 e 2006 e os índices de produtivi- to agronômico de diversas cultivares de
dade e qualidade de frutos obtidos em videiras em diferentes regiões do Esta-
duas safras permitiram afirmar que a al- do, tais como nas cidades de Cordislân-
teração do ciclo de produção da videira dia, Caldas, João Pinheiro, Pirapora, Dia-
Syrah, para um ciclo de outono-inverno mantina e Três Corações. Em cada uma
em vinhedo não-irrigado, é viável para a dessas regiões optou-se por um elenco
região em estudo. As vantagens dessa de cultivares que poderá exprimir o po-
alteração do ciclo resumem-se, princi- tencial enológico regional, buscando-se
palmente, na possibilidade de se obterem sempre a elaboração de um determinado
uvas com teores de maturação e sanida- tipo de vinho que possa exprimir alguma
de bastante superiores àqueles obtidos identidade regional (Tonietto et al., 2006).
em uvas da mesma cultivar em ciclo de Em Minas Gerais, a viticultura voltada
verão, contribuindo positivamente para a para a elaboração de vinhos concentra-
melhoria da qualidade do vinho. -se predominantemente na região Sul do
Estado, principalmente nos municípios
Assim, com a possibilidade de se pro- de Caldas (altitude 1130 m) e Andradas
duzir uvas de qualidade pelo manejo de (altitude 920 m).
dupla poda, a vitivinicultura torna-se uma
alternativa rentável para os produtores
de café da região do Sul de Minas Gerais,
podendo ser perfeitamente encaixada
nas áreas mais baixas das fazendas, que
geralmente não são utilizadas pelo fato
de o café ser extremamente sensível às
geadas.

O potencial das uvas colhidas na região


possibilita a produção de vinhos finos
tintos de qualidade, com bom equilíbrio
entre o teor alcoólico e a acidez, encor-
pados e com possibilidade de estágio em
barricas de carvalho, agregando maior
valor ao produto final.

Minas Gerais apresenta uma gran-


de variedade de condições climáti-
cas em seu território, contrastando o
clima quente e seco da região Norte
com as condições de temperaturas
mais amenas e precipitações mais
abundantes e distribuídas das regi-
ões montanhosas do Sul.

122
A tabela a seguir apresenta os produtores mineiros de vinho identificados até o mo-
mento, com seus respectivos cultivares e a definição do ciclo da uva (vindima no verão
ou no inverno). Os projetos citados de Pirapora e João Pinheiro não existem mais, os
parreirais foram desfeitos e as propriedades vendidas. A situação atual do projeto de
Diamantina necessita ser investigada. Este FIP, como já se mencionou, pretende inves-
tigar a situação dos produtores relacionados na região do Sul de Minas.

BUSCANDO UMA IDENTIDADE

Nesse sentido, o problema motivador deste projeto é tentar entender o potencial do ter-
ritório mineiro como polo vitícola brasileiro, contrastado à falta de certificação da impor-
tância cultural, turística e enogastronômica do Estado de Minas Gerais. Muito há o que
se fazer em relação à divulgação deste território, e, por consequência, dos produtores
vitícolas e dos vinhos de alta qualidade ali produzidos.

Somado a isso, destaca-se a tendência do brasileiro em valorizar mais os produtos

123
Slow Food. A filosofia do Slow Food é ba- Além disso, é preciso salientar o compro-
seada na convicção de que a dimensão misso com a ideia de ampliar o enorme
local respeita as exigências locais. Agin- potencial do território mineiro como polo
do desta maneira, Minas pode atuar em vitícola brasileiro, contrastado à falta de
escala local, tornando-se também de- certificação da importância cultural, tu-
fensora de uma dimensão de consumo rística e enogastronômica do Estado de
que prega ideias mais coerentes com as Minas Gerais. Com já se disse aqui mes-
perspectivas necessárias para um de- mo, há bastante o que fazer em relação à
senvolvimento consciente e sustentável, divulgação deste território e, consequen-
como exige o mundo contemporâneo. temente, de seus produtores vitícolas e
dos vinhos aqui produzidos.
E atuar em escala local significa, acima
de tudo, fazer uma economia local. Isso Nesse sentido para que esse projeto pos-
é possível no âmbito da produção de ali- sa obter os resultados esperados é fun-
mentos, da sua distribuição ou das esco- damental consolidarmos a parceria en-
lhas de consumo que são feitas. O que tre o Turismo e a Geografia na Pontifícia
este projeto quer investigar são as cir- Universidade Católica de Minas Gerais.
cunstâncias que, na esfera da enogastro- A valorização do conhecimento ambien-
nomia, surgem da produção do vinho no tal atrelado às peculiaridades culturais
Sul de Minas Gerais, no sentido de fazer presentes na região potencializará e di-
com que simples ideias possam se tor- vulgará as possibilidades das atividades
nar realidade transformadora. turísticas do Estado. É esse diálogo entre
esses dois campos do saber que fomen-
JUSTIFICATIVA tará e fortalecerá o caráter interdiscipli-
nar na academia, trajetória e compromis-
Pode-se afirmar que este projeto con- so da Universidade.
centra sua principal justificativa na pro-
moção que o simples fato de investigar Finalmente, é necessário mencionar uma
a produção do vinho e da gastronomia justificativa prática para Vinhas Gerais:
a ele alinhada irá gerar no Estado de Mi- os trabalhos iniciais que este FIP fomen-
nas Gerais. Sem dúvida, tal contribuição tará no sentido de se produzir um livro
servirá para valorizar social, turística e sobre o assunto investigado.
culturalmente a ideia de “territorialidade
mineira”. OBJETIVOS

Nesse sentido, Vinhas Gerais virá tam- PRINCIPAIS


bém para resgatar, a partir da valorização • Estabelecer e descrever os elemen-
das paisagens do Sul de Minas Gerais, a tos que compõem a Identidade Vinhas
tradição cultural de sua população, fato Gerais;
de suma importância para a reafirmação • Criar a Identidade Vinhas Gerais com
da sua economia e da sua história. O tu- base nos elementos escolhidos;
rismo tem, assim, papel fundamental no • Estabelecer os mecanismos adequa-
processo de reconhecimento e valoriza- dos para a divulgação da Identidade
ção dessas tradições, ampliando e po- Vinhas Gerais.
tencializando as peculiaridades e indivi-
dualidades regionais. SECUNDÁRIOS
• Buscar apoio dos produtores vitícolas
para a construção da Identidade Vinhas

124
Gerais, principalmente para a confecção tronomia e da viticultura, a revisão de
do livro Vinhas Gerais, que contará a his- autores como Favero e Carbonneau são
tória da cultura do vinho e da produção essenciais. A geografia e suas questões
de uvas viníferas para a produção de vi- relativas ao território serão melhor com-
nhos no Estado; preendidas a partir da leitura de Fernan-
• Buscar instituições parceiras que te- da Sanches, Maria Cristina Rocha Simão,
nham interesse na divulgação da Identi- Rogério Haesbaert e, com não poderia
dade Vinhas Gerais; deixar de ser, do clássico Milton Santos.
• Estabelecer cronograma de ações a se-
rem tomadas para a criação e a divulga- METODOLOGIA
ção da Identidade Vinhas Gerais;
• Coordenar as atividades relacionadas à O desenho metodológico que se propõe a
criação e à divulgação da Identidade Vi- seguir quer ir além do próprio FIP, definin-
nhas Gerais. do ações, como se poderá perceber, que
partirão da pesquisa para a extensão, de
maneira a viabilizar a Identidade Vinhas
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Gerais em suas mais diversas perspec-
Como já foi possível perceber, este proje- tivas.
to que busca o apoio do Fundo de Incen-
tivo à Pesquisa da PUC-Minas tem como Nesse sentido, vale salientar os seguin-
uma de suas características mais decisi- tes pontos:
vas a interdisciplinaridade. As áreas en-
volvidas são, no mínimo, três: a do turis- GERAL
mo, a de estudos envolvendo a questão • Revisão bibliográfica para resgatar o
do território e, como não poderia deixar processo de ocupação do Sul de Minas;
de ser, da enogastronomia e viticultura. • Trabalho de Campo: reconhecimento
geográfico da região e construção de re-
No que se refere ao turismo, será determi- ferencial teórico de pesquisa.
nante partir de autores como Mário Car-
los Beni e Mário Petrocchi, que enfocam ESPECÍFICOS
o tema a partir de suas definições mais Metodologia para a Criação da Identida-
estruturais, e passar por pesquisadores de Vinhas Gerais
como Doris Ruschmann, que investiga
criteriosamente, dentre outras questões, • Estabelecer critérios para a seleção
a da sustentabilidade, essencial para o dos produtores vitícolas que serão con-
desenvolvimento desta pesquisa. vidados a participar da Identidade Vinhas
Gerais e, posteriormente, para a sua cer-
Outros pontos serão certamente percor- tificação periódica para inclusão no Catá-
ridos nesta área, como o de roteiros, o de logo Vinhas Gerais;
base local, o do marketing e o de planeja- • Elaboração de carta-convite aos produ-
mento interpretativo. Aqui, nomes como o tores vitícolas selecionados para adesão
de Alexandre Panosso Netto, Stela Maris à Identidade Vinhas Gerais;
Murta, Luiz Gonzaga Godói Trigo, Silvana • Edição de um livro sobre a cultura do
Pirillo Ramos, Miguel Bahl, Philip Kotler, vinho no Estado de Minas Gerais, com
Adyr Balastreri Rodrigues e Ana Fani ISBN;
Alessandri Carlos serão decisivos para o • Paralelamente, elaboração do Catálogo
entendimento das questões levantadas. Vinhas Gerais (online, periodicidade a ser
Para fazer a melhor leitura da enogas- determinada, com ISSN).

125
• Proposição de Rotas Turísticas Vinhas RESULTADOS ESPERADOS
Gerais, como experiências enogastronô-
micas (roteiro e programação nas viníco- São resultados esperados deste projeto:
las). • Promover o reconhecimento do terri-
tório mineiro como polo produtor vitícola
Metodologia para a Divulgação da Iden- no Estado de Minas Gerais, no Brasil e no
tidade Vinhas Gerais exterior, iniciando pela Itália.
• Realização de encontros com dirigen- • Certificar periodicamente os produto-
tes da Secretaria de Estado de Desenvol- res de vinhos finos de qualidade, permi-
vimento Agrário de Minas Gerais, da Se- tindo que novos rótulos passem a inte-
cretaria de Estado de Desenvolvimento grar o Catálogo Vinhas Gerais, ao mesmo
Econômico e da Secretaria Municipal Ad- tempo que descredencia rótulos que, por
junta de Relações Internacionais, visando ventura, não tenham mantido a qualidade
à divulgação do território mineiro como esperada.
produtor de vinhos no mercado regional, • Reconhecer as Rotas Vinhas Gerais
nacional e internacional, a começar pela como destinos enogastronômicos com
Itália, que tem especial interesse pela di- destaque regional, nacional e internacio-
vulgação da cultura do vinho. nal, especialmente para estudantes de
• Realização de encontros com dirigen- gastronomia e apreciadores amadores e
tes do COM.IT.ES (Comitês dos Italianos profissionais do vinho.
no Exterior), com vistas à divulgação da • Conceituar as Rotas Vinhas Gerais, e
cultura do vinho em território mineiro. os rótulos dos produtores integrantes do
• Realização de palestras em Universi- Catálogo Vinhas Gerais, como serviços e
dades e Cursos de Gastronomia no Brasil produtos diferenciados para reconhecer
e na Itália, para a divulgação do território e presentear personalidades, clientes VIP
mineiro como destino enogastronômico e funcionários de destaque.
diferenciado. • Introduzir rótulos mineiros que perten-
• Participação no Festival Tipicitá (www. çam ao Catálogo Vinhas Gerais nos prin-
tipicita.it), Itália, provavelmente em mar- cipais restaurantes e delicatessens de
ço de 2017, para a apresentação da culi- Belo Horizonte e, futuramente, incluir as
nária mineira harmonizada com rótulos principais cidades do Estado e do País.
mineiros, com ênfase na apresentação
das técnicas de cultivo de vinhas vinífe- Vale lembrar que não faz parte do esco-
ras especialmente desenvolvidas para o po deste projeto, como não poderia dei-
território de Minas Gerais. xar de ser, comercializar os rótulos dos
• Realização de roteiros enogastronômi- produtores que constituem a Identidade
cos subsidiados (Rotas Vinhas Gerais) Vinhas Gerais.
com formadores de opinião (sommeliers,
chefs, jornalistas e blogueiros), em par- EQUIPES
ceria com os produtores e as prefeituras
locais. Caracterizando sua perspectiva interdis-
• Estabelecer estratégias para a divulga- ciplinar e institucional, poder-se-ia dizer
ção do livro, do catálogo de produtores de que este FIP possui dois tipos de equipe
vinhos finos e do vídeo institucional. específicos. A primeira, de professores da
Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais. A outra de profissionais e docen-
tes de outras instituições. Vamos a am-
bas.

126
EQUIPE PUC-MINAS
• Profª Dra. Flávia Magalhães Freitas Ferreira, do Departamento de Engenharia Eletrô-
nica e de Telecomunicação e Coordenadora do Projeto: idealizadora, fundadora e Sous
Chef da Culinária para Convivência, idealizadora e coautora do Projeto Vinhas Gerais,
juntamente com a Allegro Vivace Vinhos. Responsável pela organização das atividades
da equipe, pela interlocução das diversas áreas do conhecimento relacionadas ao pro-
jeto, pela proposição de metodologias para o cumprimento das diversas etapas e pela
atualização contínua do projeto a partir de propostas de desdobramentos que venham
a ocorrer, tudo sob o rigor acadêmico esperado para a garantia da qualidade do projeto
Vinhas Gerais, graças à sua formação (mestrado/doutorado) e experiência acadêmi-
cas.

• Profª Dra. Mariana Guedes Raggi, do Departamento de Geografia: possui graduação


em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2000), graduação em Ciên-
cias Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1991), mes-
trado em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003) e Doutorado em
Geografia na Universidade de São Paulo (orientadora: professora Dra. Rita de Cássia
Ariza Cruz). Atualmente é professora de Geografia da Pontifícia Universidade Católica
de Minas Gerais. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Ensino de Geo-
grafia, Teoria da Geografia e Geografia Urbana. Coordenadora do Laboratório de Prática
de Ensino de Geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Coorde-
nadora de Pesquisa em Geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Coordenadora de Geografia do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
PIBID PUC Minas/CAPES. Coordenadora de Geografia do Projeto da Escola Integrada
(Projeto: Meio ambiente e cidadania).

• Prof. Dr. Edmundo de Novaes Gomes, Coordenador Curso Superior de Tecnologia em


Gestão do Turismo: jornalista, publicitário, mestre em Literaturas de Língua Portugue-
sa; doutor em Artes Cênicas. É também ficcionista e dramaturgo.

• Profª Ms. Rosilene Martins, integrante do Colegiado do Curso Superior de Tecnologia


em Gestão do Turismo: possui Graduação em Turismo e Especialização em Planeja-
mento Turístico pelo Centro Universitário Newton Paiva. Mestre em Turismo e Meio
Ambiente pelo Centro Universitário UNA. Professora Assistente IV no Curso de Turis-
mo - Bacharelado e Tecnólogo - da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais,
atuando nas áreas de ensino e extensão. Integrante do Núcleo Docente Estruturante
do Curso Superior de Tecnologia em Gestão em Turismo da PUC-MINAS. Integrante do
Banco de Avaliadores de Instituições e de Cursos de Graduação do Sistema Nacional
de Avaliação da Educação Superior, Sinaes, MEC/Inep. Integrante do Banco Nacional
de Itens, na elaboração de itens para o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
(Enade) para a área de Turismo. Elaboradora de provas para os cargos de Turismólogo
e Tecnólogo em Turismo em concursos públicos no Estado de Minas Gerais. Produtora
de conteúdo de cursos na área de Turismo e Educação na modalidade EAD. Membro do
Conselho Municipal de Turismo de Belo Horizonte.

• Dois estagiários a serem selecionados: um do Curso Superior de Tecnologia em Ges-


tão do Turismo e outro do Curso de Geografia.

127
EQUIPE EXTRA PUC-MINAS
É importante reiterar que os profissionais relacionados a seguir não possuem qualquer
tipo de vínculo empregatício com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e
já faziam parte deste projeto antes mesmo de que ele concorresse ao Fundo de Incen-
tivo à Pesquisa da PUC-Minas. Todos eles compõem a Equipe Allegro Vivace Vinhos e
a Equipe Culinária para Convivência, organizações regionais cujo principal trabalho é o
reconhecimento da gastronomia, da viticultura e da produção de vinhos como ativida-
des de importância relevante para a sociedade, o turismo e a cultura a local. A eles, é
bom lembrar, também se junta a Dra. Flávia Magalhães Freitas Ferreira, que coordena
este FIP.

• Renato Costa: sommelier, idealizador do Projeto Vinhas Gerais, responsável pelas de-
gustações guiadas do vinho mineiro e interlocução com profissionais dessa área, bem
como pelas palestras e workshops sobre vinhos.
• Nella Cerino: gastrônoma Slow Food, idealizadora do Projeto Vinhas Gerais, respon-
sável pela divulgação dos produtos mineiros e sua articulação com o Movimento Slow
Food, bem como por palestras e workshops relacionados à gastronomia e ao território
mineiro.
• Tatiana Magalhães Torres, idealizadora, fundadora e Chef da Culinária para Convivên-
cia, coautora do Projeto Vinhas Gerais, responsável por todas as dinâmicas (palestras /
aulas) relacionadas à culinária mineira, desde à escolha do cardápio e ingredientes, até
à forma de preparo e de servir.
• Cláudio Parreiras Reis, designer gráfico e artista plástico, PUC Minas PUC Minas, co-
autor do Projeto Vinhas Gerais, responsável pela coordenação do registro documental
das Vinhas Gerais por meio de fotografias, filmagens e desenhos, bem como pela inter-
locução com outras áreas das Artes que retratem a mineiridade, tais como a música e
a história oral.
• Ildelano Ferreira e Silva, com pós-graduação em Negócios, coautor do Projeto Vinhas
Gerais, responsável por prospectar, receber e avaliar oportunidades de negócio que sur-
jam a partir do Projeto Vinhas Gerais.

ORÇAMENTO

O orçamento para este FIP Institucional é de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Este valor
será dividido da seguinte maneira:
Pagamento de Bolsas dos 2 estagiários R$ 9.600,00
Outras rubricas RS 10.400,00

CRONOGRAMA

Fevereiro de 2016 Início dos trabalhos


Março de 2016 Primeira Visita Técnica ao polo viticultor do Sul de Minas
Julho de 2016 Segunda Visita Técnica ao polo viticultor do Sul de Minas
Outubro de 2016 Terceira Visita Técnica ao polo viticultor do Sul de Minas
Fevereiro de 2017 Apresentação dos Resultados da Pesquisa e Prestação de Contas.

128
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