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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA GRANDE DOURADOS

FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE DIREITO
Disciplina de Direito Agrário

ATIVIDADE 01

01 – Realize uma pesquisa sobre:

1.1 O regime das sesmarias (surgimento; até quando


vigorou no Brasil, função desse regime) –
Explique.
No Brasil de 1536 foi instituído, pelo rei de Portugal, Dom João III,
as capitanias hereditárias. No total foram instituídos 14 distritos, que
foram partilhados em 15 lotes e repartidos entre 12 donatários,
indivíduos que receberam as terras como doação do governo
português e em contrapartida tornaram-se pessoas de confiança da
realeza portuguesa.

Os donatários, no entanto, não foram isentados de pagar impostos à


monarquia. A partir da instituição das capitanias foi inserido o
sistema de sesmarias – pedaço de terra devolvido ou abandonado,
prática comum durante o Brasil-Colônia. Cabia a estes donatários
permitirem que os colonos cultivassem estes nacos de terra e os
tornassem novamente produtivos, objetivando o progresso da
agricultura.

Em 1375 foi estabelecida, em Portugal, a Lei das Sesmarias, seu


objetivo era ajudar no avanço da agricultura que se encontrava
abandonada em virtude das batalhas internas e da peste negra. Essa
lei mais tarde foi adaptada para funcionar no Brasil.

Segundo a Lei das Sesmarias, se o proprietário não fertilizasse a


terra para a produção e a semeasse, esta seria repassada a outro
agricultor que tivesse interesse em cultivá-la.

Somente aqueles que tivessem algum laço com a classe dos nobres
portugueses em Portugal, os militares ou os que se dedicassem à
navegação e tivessem obtido honrarias que lhes garantissem o mérito
de ganhar uma sesmaria, tinham o direito de recebê-la. Cada colono
receptor de um pedaço de terra tinha um registro feito pelas
autoridades competentes, denominado cartas de sesmaria - por meio
destas, várias informações importantes a respeito desses colonos
eram checadas, tais como: o local de moradia dos indivíduos,
informações de caráter pessoal e familiar, se a propriedade adquirida
pelo colono era herdada, doada ou ocupada e seus limites, se haviam
trabalhadores e que tipo de mão-de-obra era utilizada, o local da
propriedade, entre outros dados.

As sesmarias adquiridas, sem exceção, foram validadas em registros


públicos efetivados junto às paróquias locais, unidas nesta época ao
Estado em caráter oficial. Assim sendo, quem subscrevia os registros
de terras ou certidões – nascimento, casamento, entre outras – eram
os vigários ou párocos das igrejas.

Nem tudo era perfeito, havia vários problemas a serem sanados,


entre eles pode-se citar a atitude dos sesmeiros diante da
obrigatoriedade de se cultivar a terra, isso levou muitos deles a locar
suas terras a pequenos lavradores – dando origem aos posseiros.
Estes cultivavam as terras, porém não tinham direitos sobre elas,
eram “donos” de terra adquirida de forma ilegal, muitas vezes
pagando para ficar com elas e cultivá-las, prática ilegal no sistema de
doação de sesmarias.

Em virtude das inúmeras irregularidades, em 1822 foram suspensas


as concessões de sesmarias, só permanecendo aquelas anteriormente
reconhecidas. Quem se beneficiou de tal medida foram os posseiros,
que ascenderam socialmente e se firmaram como únicos proprietários
de terras a partir de então, com escritura de propriedade registrada
em cartório.

Martim Afonso de Souza, pertencente à nobreza portuguesa, foi um


dos principais donatários que o Brasil conheceu e que deixou um
grande feito para a história do nosso país: a descoberta da Capitania
de São Vicente, local no qual semeou os alicerces da primeira
povoação do Brasil. Por aqui ficou por cerca de dois anos, somente
retornando a Portugal no final do ano de 1533 ou início de 1534, e
veio a morrer em Lisboa no ano de 1571.

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