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Moedas Virtuais

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

Dásio Nepomuceno Leite Júnior


DISCIPLINA: CONTABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO E FINANCIAMENTO |
PROFESSOR: VICTOR BRANCO DE HOLANDA
Sumário
INTRODUÇÃO ...........................................................
Definição ................................................................. 1
Histórico ............................................................... 2
MERCADO .................................................................
Crescimento ao longo dos anos ............................. 3
Investimentos e Investidores ................................ 5
CONCLUSÃO ........................................................... 6
INTRODUÇÃO
Definição

É possível definir uma moeda virtual de diversas maneiras, entre elas, a definição
do Banco Central Europeu, “uma forma não regulamentada de dinheiro virtual,
comumente distribuída e controlada por seus desenvolvedores, que é usada e
aceita apenas entre os membros de uma comunidade virtual específica”, ou pela
designação do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América,
“moedas digitais são moedas tradicionais sem os trâmites legais”.

As moedas de maior relevância, à nível mundial, eram convertidas, no século


XIX, em quantidades fixas de metais preciosos, por exemplo, ouro e prata. Este
processo ficou conhecido como Lastro Ouro, entre outras denominações, pode
ser considerado, a primeira tentativa de adoção de um regime cambial fixo por
parte dos grandes países comerciais da época. Após a decadência desse
modelo econômico, associado possivelmente ao fato de que a produção de
metais preciosos já não acompanhava o ritmo da economia mundial da época,
surgiu o modelo mais conhecido na atualidade a emissão de Moeda Fiduciária
cujo valor depende, basicamente, de crença pública na política econômica dos
governos, bem como, no desempenho de seus bancos centrais.

Em linhas gerais, o sistema de moedas virtuais, nada mais é do que uma nova
tentativa de modelo econômico, existente apenas em formato eletrônico, sem
representatividade associada a moedas tradicionais, que não possui
manipulação e regulação governamental, seu fluxo é regido por regras de
criptografia que são impostas por um código descentralizado.

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Histórico

Em 2008, período em que o sistema financeiro global encontrava-se na crise do


subprime, Satoshi Nakamoto publicou um artigo que descrevia o protocolo de
funcionamento da primeira moeda virtual, denominada peer-to-peer, tendo como
ideia central, ser trocada de um computador para outro sem qualquer
interferência de bancos comerciais ou centrais. Esta moeda utilizava um
programa de compartilhamento de dados chamado “BitTorrent”, desta forma, a
mesma ficou conhecida popularmente pelo nome Bitcoin (BTC).

No ano seguinte, os primeiros Bitcoins foram produzidos. Entretanto, pela baixa


divulgação, que se limitava a sites e blogs de pouco alcance, com foco no público
especializado em computação, e as incertezas sobre o seu futuro, evitaram que
a moeda se tornasse um sucesso imediato.

Com o passar dos anos, o Bitcoin foi ganhando fama e começou a ser aceito
mais e mais para compra e venda de bens e serviços reais, a maioria relacionada
à tecnologia: computadores, HDs externos, componentes eletrônicos, tocadores
de MP3, hosting de sites, etc., mas também diversos outros artigos como
alimentos, roupas, corridas de taxi, brinquedos, carros, hospedagem em certos
hotéis; sem contar o mercado negro, que se aproveitou da dificuldade de
rastreamento e relativo.

Após o avanço da moeda, esta foi chamando mais atenção, primeiro da mídia e
em seguida de diversos agentes reguladores, como o Banco Central Europeu
(ver ECB, 2011), uns temerosos em relação a seu perfil libertário e
descentralizado – que além de facilitar o comércio ilegal é frequentemente visto
como ameaça ao monopólio do poder de senhoriagem dos governos (Villasenor;
Monk; Bronk, 2011) – outros enxergando certo potencial como moeda
secundária, contanto que os estabelecimentos que a aceitem sejam bem
regulados e fiscalizados (Grinberg, 2011).

Este contexto, trouxe para o mercado diversas outras moedas virtuais, entre
elas, Litecoin, Feathercoin, Peercoin, Terracoin, Freicon, Phenixcoin, Anoncoin,
é possível encontrar mais de 80 criptomoedas diferentes, entre algumas que já
foram desativadas e outras que ainda estão em desenvolvimento.

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MERCADO
Crescimento ao longo dos anos

A crescente das moedas virtuais, a nível global, fica evidente ao analisarmos a


valorização do BTC, do período de 2009 a 2017, onde observamos um
desempenho anual, somente no ano de 2013, aproximado, de 5.494%.

*Em dólares americanos

Tal crescimento se deu, por meio, da ampliação dos mercados em que a moeda
pode ser aplicada, tais como:

 Plataformas de câmbio digital, altamente concentradas em domínios


virtuais dos EUA;

 Carteiras eletrônicas (e-wallets), sites que guardam Bitcoins na nuvem,


oferecendo segurança contra invasões de hackers e problemas de
armazenagem das moedas em hardwares;

 Companhias de processamento de pagamentos, responsáveis por grande


parte do comércio real com moedas virtuais. Elas facilitam a adoção desse
mecanismo de pagamento pelas empresas, especialmente por fazerem a
troca dos Bitcoins recebidos por moeda nacional imediatamente após
uma compra, livrando o vendedor do risco da volatilidade cambial;

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 Produtos eletrônicos, como computadores, tablets, softwares diversos,
jogos, fones de ouvido, tocadores de música e afins;

 Sites de apostas;

 Serviços de TI diversos, como hosting de sites e registro de domínio,


marketing na internet, web design, desenvolvimento de softwares,
segurança de computadores e/ ou sistemas;

 Estabelecimentos físicos, relacionados a refeições e bebidas


(restaurantes, bares e cafeterias), serviços de hospedagem (hotéis e
albergues) e em menor medida, lojas de roupas e acessórios, dentre
outros serviços.

Desta forma, o número de transações envolvendo moedas digitais, desde a sua


criação, aumenta gradativamente com o passar dos anos.

Neste gráfico, podemos notar o crescimento de transações por dia no período


de 2009 a 2017.

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Investimentos e investidores

Com a forte valorização das moedas digitais, diversas formas de investimento


surgiram, dentre elas, compra e venda, negociações cambiais em sites,
mineração de moedas, entre outros. Tantas possibilidades, estão chamando a
atenção dos grandes investidores do mundo, como a VanEck uma das maiores
empresas de investimento e gestão de ativos nos Estados Unidos. Segundo a
empresa, a capitalização do mercado do ouro é de cerca de US$ 7 Trilhões, em
comparação com o valor de mercado do Bitcoin, que é pouco mais de US$ 71
bilhões, o Bitcoin parece relativamente pequeno. Mas a VanEck acredita que
ainda há muito potencial de crescimento no mercado.

Apesar de muitos entusiastas, muitos investidores institucionais estão se


desviando do nascente mercado, por considerá-lo pouco regulado, muito volátil
e também ilíquido para arriscar investir o dinheiro de outras pessoas. O Bitcoin,
a maior e mais conhecida criptomoeda, superou todas as moedas tradicionais
do mundo a partir de 2011, exceto em 2014. Mas muitos investidores continuam
a vê-la como um instrumento pouco transparente e esotérico usado por
criminosos, como traficantes de armas e drogas na Dark Web (deep web), pelo
seu difícil rastreamento, que deve ser evitada.

A opinião dos investidores mais conservadores, pode ser descrita pelo seguinte
posicionamento de Trevor Greetham, que lidera a equipe de multi-ativos do
Royal London Asset Management, “A diversificação é uma coisa boa, mas isso
não significa investir em tudo apenas porque está lá. Nós favorecemos ativos
com um longo histórico na produção de retornos ou redução de riscos”. Pelo fato
de que a maioria dos fundos é relativamente pequena e com histórico limitado –
e que as variações dos preços da criptomoeda foram tão acentuadas – significa
que os fundos de pensão do mundo, as companhias de seguros e os grandes
fundos mútuos se mantêm afastados.

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CONCLUSÃO

As moedas virtuais ainda são, de certa forma, um fenômeno recente e de


contornos ainda indefinidos, principalmente quando tratamos de moedas recém
“chegadas”. A facilidade no surgimento de novas moedas, faz com que as
mesmas não possam ser reconduzidas a uma única realidade, é preciso analisar
bem cada peculiaridade, pois cada uma irá possuir um contexto. Por ter um
alcance global muito grandioso, as autoridades supervisoras/reguladoras da
economia possuem muita dificuldade em intervir nas moedas virtuais, isso pode
levar a certos conflitos governamentais, como na maioria dos estados na União
Europeia, que começaram a emitir alertas para os consumidores/investidores de
moeda virtual. Desta forma o futuro das moedas virtuais, está associado as
nações e suas autoridades econômicas, bem como, do comportamento da oferta
e da procura face às suas características intrínsecas e a fenómenos externos,
como por exemplo, a falha de uma grande plataforma de negociação ou a queda
de valor de uma moeda pioneira como a Bitcoin.