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Desvio de produtividade do consumidor: o prejuízo

do tempo desperdiçado
Por Daniela Hollanda

O “desvio de produtividade do consumidor” é uma tese


desenvolvida pelo advogado Marcos Dessaune, que vem sendo reconhecida
e aplicada pelos Tribunais brasileiros, desde 2013.

Segundo o próprio autor da tese:

o desvio produtivo caracteriza-se quando o


consumidor, diante de uma situação de mau atendimento,
precisa desperdiçar o seu tempo e desviar as suas competências
— de uma atividade necessária ou por ele preferida — para
tentar resolver um problema criado pelo fornecedor, a um custo
de oportunidade indesejado, de natureza irrecuperável.

Diante disso, a espera por tempo excessivo, em filas de banco,


por exemplo – situação essa que causa extremo aborrecimento e estresse ao
consumidor –, é passível de gerar direito à dano moral subjetivo.

Nas palavras de Maria Helena Diniz (2002, p. 83), o dano moral:

consiste na lesão a um interesse que visa a


satisfação ou gozo de um bem jurídico extrapatrimonial contido
nos direitos de personalidade (como a vida, a integridade
corporal, a liberdade, a honra, o decoro, a intimidade, os
sentimentos afetivos, a própria imagem) ou nos atributos da
pessoa (como o nome, a capacidade, o estado de família).
Configurado o dano, portanto, há a possibilidade de este ser
reparado mediante indenização.

E quanto ao argumento de que essa tese sobrepesaria o


judiciário, Dessaune defende que, "se os fornecedores não cumprem a lei
espontaneamente, só resta aos consumidores lesados fazerem valer seus
direitos por intermédio dos Procons e do Poder Judiciário". Dessa forma,
com a devida condenação dos fornecedores quando da prática de dano moral,
haveria a prevenção de sua continuidade, diminuindo, assim, as demandas
judiciárias.
REFERÊNCIAS

DIAS, Luana Cristina Ferreira. Teoria do desvio produtivo do


consumidor: contra longa espera em bancos, telefonias e consultórios.
Disponível em: http://www.amodireito.com.br/2018/01/direito-oab-
concursos-teoria-desvio-produtivo-consumidor.html. (Acesso em
01.04.18).

DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, v. 7: direito das


coisas/Maria Helena Diniz. – 16. ed. atual de acordo com o novo Código
Civil (Lei n. 10.406 de 10-1-2002). – São Paulo: saraiva, 2002.

GUGLINSKI, Vitor. Você sabe o que é “desvio produtivo do


consumidor”? Disponível em:
https://vitorgug.jusbrasil.com.br/artigos/114536742/voce-sabe-o-que-e-
desvio-produtivo-do-consumidor. (Acesso em 01.04.18).

LELLIS, Leonardo. Tempo gasto em problema de consumo deve ser


indenizado. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2014-mar-
26/tempo-gasto-problema-consumo-indenizado-apontam-decisoes. (Acesso
em 01.04.18).