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14/04/2017 Sem terra fértil, o Japão procura metal no mar ­ PÚBLICO

Sem terra fértil, o Japão procura metal no
mar
Cientistas identificaram trilhos marítimos com pepitas herdadas da
actividade vulcânica. Tecnologia está agora a facilitar a sua extracção.
ICHIRO SUZUKI e MASUMI SUGA
5 de Setembro de 2016, 18:20

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PARTILHAS

A uma

Questões políticas, como as águas reclamadas por China e Japão, têm causado
dificuldades REUTERS/KYODO

profundidade de 1600 metros e a 1500 quilómetros de Tóquio,
começaram os trabalhos num novo solo para procurar metal no Japão,
um país tão desprovido de recursos naturais que a maioria do que
necessita tem de ser importado.

Como o país esgotou a maior parte dos minerais existentes em terra no
boom económico que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, os
cientistas identificaram trilhos no solo marítimo, cheios de pepitas
contendo desde cobre a ouro deixadas pela actividade vulcânica que
criou o arquipélago há milhões de anos. A astúcia está em extraí­los

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14/04/2017 Sem terra fértil, o Japão procura metal no mar ­ PÚBLICO

com lucro, algo que um consórcio governamental vai começar a testar
no próximo ano.

A mineração no oceano não é uma coisa nova – o Japão começou essa
exploração nos anos 1970. Mas existem agora novas tecnologias que
tornam mais fácil para empresas como a Nautilus Minerals Inc., do
Canadá, recolherem do mar rochas ricas em minerais. Calcula­se
existirem em águas japonesas mais de 50 milhões de toneladas
métricas de minério e o Governo pretende ressuscitar o
aprovisionamento interno e reduzir a dependência de importações.
Quando Tóquio receber os Jogos Olímpicos de 2020, o precioso metal
para as medalhas de ouro poderá vir já das profundezas do oceano.

"A ruptura no aprovisionamento de metais poderá ocorrer num futuro
próximo", disse Tetsuro Urabe, geólogo director do programa
governamental Tecnologia da Próxima Geração para Exploração de
Recursos Oceânicos. "Não queremos entrar em pânico ao sermos
confrontados com uma crise de cobre. A menos que desenvolvamos
antes várias espécies de novas tecnologias, não vamos estar prontos
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para o arranque quando precisarmos."

Não é de admirar que os recursos minerais se encontrem intocáveis nas
águas profundas que circundam o Japão. O país situa­se na Baía do
Pacífico, ao longo de uma linha de vulcões e falhas conhecida como
Anel de Fogo – uma região sujeita a tremores de terra e erupções
vulcânicas. Quando ocorre actividade vulcânica no mar, o magma é
impulsionado da crosta terrestre. Depois de arrefecer, os depósitos
contêm minerais numa concentração muito maior do que a extraída da
terra. Na escuridão das profundezas do oceano, os engenheiros usaram
robôs controlados remotamente e sensores especiais para perscrutar o
fundo do mar em busca dos depósitos mais promissores.

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14/04/2017 Sem terra fértil, o Japão procura metal no mar ­ PÚBLICO

Sendo a terceira maior economia do mundo e um grande importador de
tudo, desde minério de ferro até petróleo, o país pretende usar dos seus
direitos para aceder aos minérios que se encontram no oceano e que
um grupo industrial nacional calcula poderem valer 80 biliões de ienes
(784 mil milhões de dólares). Ao abrigo da legislação marítima
internacional, o Japão mantém uma área de 200 milhas náuticas (230
milhas) da sua costa, constituindo a sexta maior zona económica
exclusiva do mundo.

Existem outras empresas a tentar também extrair minérios do leito do
mar em águas perto da China, da Coreia do Sul e da América do Norte.
Até ao momento, não existe nenhuma produção comercial, embora a
Nautilus, com sede em Toronto, tenha em vista um projecto ao largo de
Papua Nova Guiné, onde a companhia tenciona começar a mineração
de ouro e cobre no primeiro trimestre de 2018.

Um consórcio japonês, liderado pela Mitsubishi Heavy Industries e pela
unidade de engenharia da Nippon Steel & Sumitomo Metal Corp., vai
levar a cabo a extracção e levantamento de minério nas profundezas de
Izena, na área da ilha de Okinawa, no próximo exercício financeiro que
começa em Abril. O Japão confirmou que o depósito tem cerca de 7,4
milhões de toneladas de minério, o dobro do que foi detectado há
apenas três anos.

"Começaram a ser descobertos novos depósitos, uns a seguir aos
outros", disse Mitsuya Hirokawa, director­geral adjunto do
departamento tecnológico de extracção de metais da Japan Oil, Gas &
Metals National Corp. (Jogmec), a empresa pública que ajuda a
garantir o fornecimento de energia e metais e que está a apoiar este
empreendimento no leito do mar. A área ao largo de Okinawa
apresenta um dos "maiores potenciais", disse Hirokawa.

Extrair minério está a ficar mais barato. A Nautilus Minerals, num
estudo efectuado em 2010, calculava que custaria cerca de 480 milhões
de dólares construir um sistema de produção no solo marítimo no seu
projecto Solwara 1 em 1600 metros de água ao largo da Papua Nova

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Guiné. Comparado com cerca de 1,5 a 2 mil milhões de dólares por um
projecto semelhante em terra, declarou a empresa. Custaria cerca de 70
dólares por tonelada extrair o minério, que conteria uma média de 7%
de cobre e seis gramas de ouro, revelou John Elias, um porta­voz da
empresa numa mensagem de correio electrónico.

Mesmo com custos mais elevados associados ao facto de se trabalhar na
água e ter de transportar o minério para terra para fusão, o gasto vale a
pena devido a uma concentração de metal utilizável mais elevada do
que a encontrada em terra, disse Yoshio Akiyama, investigador­chefe
do departamento de tecnologia para extracção de metais na Jogmec.
Recorrendo ao relatório da Nautilus, avalia os custos em 0,75 dólares
por quilo para o cobre em comparação com 3,50 dólares numa mina em
terra.

Estes empreendimentos comportam algum risco. O preço dos metais
caiu abruptamente no ano passado, levando as empresas mineiras a
cortar nos gastos e a fechar minas. Segundo Urabe, os projectos no
fundo do mar levantam questões ambientais que têm de ser resolvidas.
Existem também questões políticas. A zona ao largo de Okinawa fica
junto de águas reclamadas, quer pelo Japão, quer pela China, que
disputam as ilhas chamadas Senkaku em japonês e Diaoyu em chinês. A
China está a pressionar o Japão com centenas de barcos de pesca e mais
de uma dúzia de navios da guarda costeira espalhados pela área,
enquanto o Japão responde com queixas formais de incursões na zona
ao embaixador da China em Tóquio.

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