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Este livro vem sendo muito elogiado e citado por propor uma forma

simples e descomplicada de falar sobre arte moderna,pós-moderna e até


mesmo sobre a arte… Pós-pós-moderna!

E não é sem razão: o livro é muito bom mesmo e consegue nos arrastar pela
história da arte de forma exemplar e direta, nos colocando em contato
direto com os artistas, não como gênios inalcançáveis, mas como pessoas
reais. É uma abordagem inclusive divertida e, a meu ver, mais realista, pois
quebra a visão de que os artistas são sempre sérios, conscientes e coerentes;
ao contrário, mostra como muitas vezes eles são picaretas, manipuladores e
incoerentes, dentre outras características pouco elogiosas.

A pergunta título é provocativa, e normalmente vem acompanhada da


clássica “meu filho de cinco anos faria isso”, e Gompertz consegue mostrar
bem porque na maioria das vezes aquilo é sim arte e porque seu filho de
cinco anos, mesmo pondendo fazer, nunca efetivamente faz aquilo.

Mas na minha opinião, não é um livro para leigos ou desinteressados,


especialmente no Brasil, que tem uma formação visual sofrível no tocante
às artes plásticas formais. Este público talvez fique perdido e ache
desinteressante. Não é, de forma alguma, um “manual”, um livro do tipo
“entendendo arte em dez passos”. Mas para quem se interessa pelo assunto
e tem alguma familiaridade com artes plásticas, é um prato cheio. Não é um
texto acadêmico.

A capa anuncia que o livro vai do impressionismo “até hoje”, o que para
mim é algo horrível e inaceitável de ser dizer, pois o “hoje” é relativo, tanto
que as últimas obras citadas são de algo em torno de 2010. Fica parecendo
chamariz barato para atrair leitores do momento, e não uma informação
para catalogar uma obra perene.

Outras escorregadas da editora: poucas imagens, sendo as coloridas no


incômodo sistema de dois cadernos avulsos (no meu exemplar os cadernos
vieram embaralhados, ou seja, estão fora de ordem), com as
monocromáticas próximas à citação do texto, o que é mais confortável. As
imagens coloridas são bem reproduzidas, as monocromáticas são vítimas
do off-set, não tem como escapar de ficarem com qualidade bem baixa.
Outra coisa que me incomoda: na legenda das figuras, fica faltando o
tamanho, o que se torna ainda mais incômodo a partir do período moderno,
onde a escala é fundamental.
Isso é arte?

Essa é uma pergunta que não quer calar. E, além de pergunta, virou o título do livro de
Will Gompertz, na versão em português, Isso é arte? 150 anos de arte moderna do
impressionismo até hoje. Na versão original a brincadeira se dá em torno da frase What
are you looking at? Algo como, ‘o que você está vendo?’.

Os questionamentos acerca do que é a arte remontam a antiguidade. Desde Platão,


Aristóteles, chegando na filosofia moderna e contemporânea, este tema continua sendo
central em muitos estudos e pesquisas, e ainda muita viva no nosso tempo. Quantas
vezes ouvimos ‘isso é arte?’, ‘meu filho de 5 anos faz melhor’, ‘por que o cubismo não
tem cubos?’, ‘Pollock não foi um artista’, ‘arte moderna é uma farsa’ e por aí adiante.

Sobre a pintura Full Fathom Five de Jackson Pollock, Gompertz diz em seu livro: “Os
críticos não se impressionaram, rejeitando a obra como aleatória, irreconhecível e sem
sentido. Eles estavam errados em todos os aspectos. Dê uma boa olhada em Full Fathom
Five e você verá que ela não é aleatória em absoluto, possuindo equilíbrio, forma e
movimento. Tampouco é irreconhecível ou sem sentido. Poucas obras de arte são mais
verdadeiras ou reveladoras, expressando tanta emoção humana incontida: a pintura
explode de frustração, ansiedade e força. Está tão próxima da força da vida quanto um
quadro, livro, filme ou música pode estar: sem sentimentalismo nem remorso. “ (Página
290). Pollock foi um “action man”, e seu reconhecimento veio a partir das fotografias
que Hans Namuth fez de seu processo criativo, que chegou a virar um documentário na
época, revelando ao mundo como as drip paintings eram feitas. Seus gestos foram
referência para as artes performáticas, e Pollock se consolidou como o exemplo do
expressionismo abstrato.

Will Gompertz, homem de currículo extenso, editor de artes da BBC, ex-diretor de


comunicação da Tate Gallery, assinou colunas de arte para o Times e Guardian por mais
de vinte anos, resolveu escrever um livro sobre história da arte sem a pretensão de ser
uma obra acadêmica.

O grande pulo do gato é que Will parte do princípio de que a arte moderna e
contemporânea não são coisas fáceis de se compreender, e sim, milhares de pessoas têm
dúvidas sobre arte e outras tantas ficam envergonhadas por simplesmente não
compreenderem se ‘isso ou aquilo é realmente uma obra de arte’, ou, levando em
consideração o tíltulo original, nem sempre as pessoas conseguem realmente ‘ver’
aquilo que está na obra de arte. Partindo disso, o autor apresenta a história da arte, com
todo o seu contexto social e cultural, de um modo peculiar: como um contador de
histórias, revelando curiosidades e fatos, e às vezes imaginando acontecimentos dos
artistas e de sua época. Com isso, o leitor se aproxima e muitas vezes, até se identifica
com os acontecimentos narrados. Nada melhor do que a imaginação para nos transportar
à um determinado momento histórico.

No livro, as gerações de artistas e seus movimentos vão surgindo de maneira simples,


gradual e muito clara, diferentemente de livros que seguem a corrente historicista, onde
os movimentos artísticos parecem ter data exata para começar e terminar sem muita
relação uns com os outros. Em Isso é arte? a linha do tempo faz sentido, e as relações
sociais e culturais são o grande pano de fundo. Para aqueles que são repletos de dúvidas
sobre a arte moderna e contemporânea, o livro é uma boa alternativa.

Diz o autor no prefácio: “Estive em casas de artistas e examinei as coleções particulares


de ricos, percorri ateliês de conservação e assisti a leilões multimilionários. Mergulhei
na arte moderna. Comecei não sabendo nada e saí sabendo alguma coisa. Há muito mais
para aprender, mas espero que o pouco que consegui absorver e reter seja útil ao leitor
em algum grau, ampliando sua apreciação e conhecimento da arte moderna. Ela é, como
descobri, um dos grandes prazeres da vida.”
Will Gompertz gives the game away with the title. As he writes in the
introduction, his book is aimed at people who suspect that modern and
contemporary art is a sham, "but, now that fashions have changed, find that
it is not socially acceptable to say so". If you are one of these people, you
might love this book. But if you don't think the art of the last 150 years is a
sham, you might slowly lose patience with the BBC's arts editor.

Gompertz has written an energetic and comprehensive romp through


modern art, starting unusually early in the 19th century and continuing
right up to Ai Weiwei. He's got them all in, from Courbet to Rothko to
Hirst. Although his book is short on illustrations for a beginner's guide, it's
a well-balanced history. He gives the right amount of space to the European
postwar avant garde including Lucio Fontana, Yves Klein and Joseph
Beuys. At the end there is an appropriate page or two about the
dealer Larry Gagosian, who with 11 galleries dotted around the world's
capital cities embodies the hyper-commerciality of art today.

It's refreshingly up-to-the minute, as you might expect from an arts


correspondent – there's a vivid description of MoMA's 2010 blockbuster
exhibition with performance artist Marina Abramovic. There's a good
section on female modernists, who were not treated seriously enough by
their fellow male artists or, until recently, by curators and historians. And
Gompertz doesn't make the mistake of many more analytical critics,
including Robert Hughes andRosalind Krauss, of finding all modern art
totally brilliant until they get to the last 10 years.

He reorients modern art, as other recent art historians have done, away
from cubism and painting and towards Duchamp and the readymade. This
is the fashionable thing to do because it helps make sense of Warhol and
Hirst, but it's not the be-all and end-all. You could argue that the real
source from which modern art flows is neither Picasso's Les
Demoiselles nor Duchamp's urinal, but something by the Greek-Italian
surrealist Georgio De Chirico – or even Gustave Moreau, a 19th-century
French artist who embraced traditional history painting, symbolism, dreams
and abstraction (in the sense of not finishing all his pictures).

Gompertz makes some nice connections: he finds the roots of Richard


Long'swalks-as-art in Bruce Nauman's studio practice, and then links that
forward to the art-walks of Mexico-based Francis Alÿs. Best of all, he
comes up with a new "ism" to describe the art of Hirst, Murakami and
Koons. He says postmodernism has been replaced by "entrepreneurialism",
though to my mind cynicism would be a better word.

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Yet this is a patchy book, its language often formulaic. Duchamp, we're
told, enjoyed the "sensuous charms" of New York and "the sun's warm
embrace". The descriptions of artists and their milieus are frequently
cartoon-like. Gompertz's portraits of the alcoholic genius Jackson Pollock
and the libidinous, bargain-hunting collector Peggy Guggenheim do not
feel insightful. In the final chapter, after enthusing about Banksy, he writes:
"If Marcel Duchamp were alive today he would be a street artist." Really?
The ultra-theoretical cool-headed conceptualist who spent much of his life
living off the super-rich? I don't think so.

Gompertz's criticism is zesty, resolutely non-theoretical and often ends in


dubious hyperbole. Sol LeWitt's sculptures of cubes apparently relate to the
space age because they were "exploring the same principles at the same
time as scientists were designing rockets to put man on the moon". He
indulges in that common failing of art criticism: the deployment of phrases
that could be applied to a thousand artists. Pollock's drip paintings express
"unfettered emotion". Gauguin has "the ability to communicate ideas and
feelings universal to us all in a unique way". Still, he does wittily describe
Marc Quinn's Blood Head as a "sorbet".

The real problem with this book is not the art history but the reader that it
constructs. It's not surprising that Gompertz – BBC arts editor since 2009 –
should have adopted the approach he does because TV executives today all
make the same mistake of imagining that their "audience" don't know
anything about, and don't much like, contemporary art. But most people I
meet are pretty clued-up about it, and I've hardly ever met anyone under 70
who thinks that Duchamp's urinal or Carl Andre's bricks shouldn't be
considered art. Gompertz writes that anAnthony Caro sculpture "at first
glance appears to be the sort of twisted configurations a young child might
make out of pipe-cleaners and cardboard". It doesn't to me, and never did.
Gompertz is contradictory, because at the same time he is always
reminding the reader – correctly – that we live in an age where art is more
popular and visible than ever before.

Reading this book made me feel like an old fogey who worries that life and
culture are leaving them behind and they'd better make an effort to catch
up. I felt better remembering myself as the 14-year-old I once was, falling
in love with art but knowing little about it, daunted by thick, complicated
volumes of history. For such a person, this book would work well – but
you'd need to follow it up quickly with Art Since 1900 by Hal Foster,
Rosalind Krauss and others, which is at the serious but still digestible end
of the modern art history spectrum.