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Wright: Arquitetura é criação

Frank Lloyd Wright (1869-1959) / Arquitetura é criação


O problema é diferenciar a arquitetura americana da arquitetura européia, não há dificuldade
em ser um artista gênio, em fazer a obra prima.
A América é para Wright, um imenso espaço disponível para o exercício da criação. O
arquiteto é um pioneiro, com a missão de construir a feição original de um país balizada por
esses princípios. Propõe a arquitetura orgânica, termo que sintetiza uma analogia geral e
poética que aproxima fatos sociais da lógica da biologia. A vitalidade das conquistas
científicas iluminaria as teorias do crescimento da sociedade. A arquitetura interessa as
relações entre organismo, função e o princípio da vitalidade. A arquitetura guiada pelo
princípio orgânico cresce de dentro para fora, em harmonia com o meio, integra interior e
exterior rompendo os limites da caixa mediante do jogo livre de paredes. Wright propõe que
a arquitetura não depende da história nasce da relação com o entorno, não se interessa pela
história, mas, pelo atemporal. O princípio fundamental da arquitetura orgânica é de que o
processo da construção deve ser natural como o crescimento. O termo orgânico forma um
sistema de concepção do espaço como um campo de forças, não como uma relação de
grandezas, a arte forma um sistema entre realidade natural e humana. Para Argan a inovação
de Wright está em situar a arquitetura como resultado da ação do sujeito e não na produção
de objetos.
Wright estabelece uma polêmica contra as megalópolis, que se coloca no seio da escolha do
modelo econômico para a América. Esta emerge desde a divisão entre a centralização
econômica nas cidades: indústria e urbanização, cidades ligadas à Europa e às idéias
republicanas (leste); do outro lado os farmers e pequenos negociantes do sul e meio oeste,
geralmente democratas (situação que se inverteu no mundo contemporâneo). Os democratas
lançam a discussão de descentralização industrial e novo equilíbrio entre cidade e campo,
Roosevelt eleito presidente várias vezes foi o grande incentivador desta proposta.
A proposta é de unir o centro e o sul, defender a estabilidade de vida o uso do tempo livre
contra o inimigo “natural” que é o sistema industrial. A descentralização econômica é
opositora da Wall Street de Nova Iorque. Wright nos anos 20 pensa numa democracia baseada
na agricultura na pequena propriedade, na descentralização da indústria. Apostava em
configurações territoriais anti-urbanas.
Ocatillo Camp anos 20, na Califórnia; Taliessin, anos 30, no Arizona. A proposta da Broadacre
city aposta no self-made-man, na atuação individual e no intercâmbio desta.

A fase da Pradaria - 1890-1916


Casa Winslow 1893 obra de transição
• Fachada Pública - simétrica centrada eixo
• Fachada dos Fundos - assimétrica entrada lateral
Richardson - Arquiteto precursor, influencia Wright nos dos telhados da pradaria
Casa pradaria 1901 - a beleza é ressaltada por formas e elementos construtivos, por telhados
leves, prolongados (em balanço) e terraços como fizeram L. Sullivan e M Richardson. Utiliza o
estilo assimétrico para ambientes domésticos (inspirados em N. B. Shaw, arquiteto inglês,
seguidor de W. Morris) e estilo simétrico para instituições públicas. As Massas que constituem
o volume são demarcadas nas arestas (cloisionismo).
Em todo o período de atuação Wright expressa a crença no novo mundo, no self made man,
mas também o rechaço do romantismo. Então, busca um estilo para América. Seu projeto é
bem diferente de justapor colonizar – como fez Thomas Jefferson – que recorria ao ecletismo
com estilos importados da Europa.
Obras primas:
Casa da Cascata, 1936
Complexo do Laboratório Johnson, 1936/39
Taliensin West, 1938
Museu Guggeinhein, 1959, Nova York

Problema Habitação pode ser considerada uma tradução entre as culturas americana e inglesa
no final do Século XIX e no início do XX.
• Planta conforme as necessidades e condicionantes do contexto – planta livre - flexível
• Espaço interior a marca central da chaminé - fogo purificador
• Interpenetração de volumes e Superfícies planas descontínuas
• Emprego de materiais naturais
• Superfícies lisas - trabalhadas Acabamentos de interiores / ornamento = Sulivan
• Espaço interior em relação com o terreno
• Atração ao orgânico: quer dizer vida / desenvolvimento / dinamismo
• Linha horizontal: linha da vida doméstica, verticalidade (monumentalidade rejeitada por
Wright),
• Linguagem linear - Linha para demarcar ângulos, decompor os volumes não em planos, mas,
em superfícies, nós focais, a utilização dos materiais, dinâmica espacial.
• Wright - conjunto orgânico x abstração

Pontos que caracterizam as casas da pradaria, Chicago:


• Interior e exterior com senso de unidade: reduz as partes necessárias ao mínimo (salas e
cômodos). Faz estes em conjunto subdividindo-os por meio de artifícios de luz, permeadas
por vistas abertas para a paisagem.
• Associação da construção com o sítio, ênfase com os planos paralelos do terreno, as paredes
são paralelas ao melhor lado do terreno, conexão com a vida doméstica.
• Caixa eliminada e alargamento do espaço interno, uso de proporções humanas como base.
Recorria a harmonização entre exterior e interior. “O cômodo fechado não é a expressão
essencial da arquitetura”.
• Construção sobre uma base elevada, fundação visível.
• Redução da quantidade de materiais, utilizar os ornamentos dentro da natureza dos
materiais, este uso expressa claramente a concepção do edifício.
• Incorporação dos equipamentos hidráulicos-sanitários, aquecimento, eletricidade atendendo
aos princípios da arquitetura orgânica.
• Incorporar os maquinismos se possível, evitar linhas retas diretas (volumetria cúbica
quebrada).
• Eliminar o decorador.
Wright, todavia, insistia na autoridade dos materiais e métodos tradicionais na fase das casas
da pradaria.

Anos 30 e 40: casas usonianas


Wright acredita que uma cultura igualitária surgiria espontaneamente nos EUA. Enfatizava o
individualismo necessário para realização de uma forma dispersa e nova. Segundo o arquiteto
americano, a horizontalidade é a linha de força da terra, da ação da vida humana e do
repouso. Na arquitetura que preconizava a horizontalidade domina o exterior é realçada pela
ausência de delimitações no interior. O estilo horizontal de viver promove a interação e livre
mobilidade. Por sua vez, Wright coloca que a verticalidade acentua a hierarquia, o
isolamento e a ambição.
Para Wright a casa não deve ser um espaço rígido que condiciona a existência, mas um meio
de contato com a realidade. O espaço tem que possibilitar a sua definição pelo indivíduo que
o usufrui.
Conseqüências lógicas dessas conceituações são:
• Eliminação da caixa espacial
• Redução das determinantes formais às horizontais e verticais e ao cruzamento de planos,
planta livremente articulada.
• Anulação de separações rígidas entre interior e exterior.
• Integração entre edifício e paisagem.
• Interesse pelos processos tecnológicos mais modernos, Wright os considera não como
aspectos exteriores a realidade e sim segundo seus ritmos internos de agregação de
desenvolvimento: a arquitetura orgânica.
• Contraposição à megalópis O museu Guggenhein (1958) é um organismo plástico dinâmico
que se opõe ao alinhamento das ruas frontais ao Central Park (NY), contrária violência da
regularidade e uniformidade da cidade.

Desenho da arquitetura orgânica


Os desenhos de Wright e Aalto contém a imagem do edifício e do entorno com sua
configuração geográfica e “biodiversidade”.
Os desenhos de Gropius e Mies são gráficos explicativos para a construção, arquitetos de linha
mais racionalista.

Obras, procedimentos de projeto e viagens:


Wright faz uma viagem ao Japão em 1893, verificação dos espaços do Japão, flexíveis,
contínuos entre ambiente e em relação ao exterior, espaços modulados (tatame 90X180 cm).
Realiza um projeto no Japão, o edifício do Hotel Imperial, (destruído). Wright aprendeu um
método de ensino que aplicou em Taliesin, no deserto do Arizona, oposto ao da Bauhaus (fase
formalista e da nova objetividade), voltado para vida cotidiana, centrado na relação mestre e
discípulo, experiência superior, comunhão com a natureza, nos materiais e processos
formativos.
As atividades de ensino e de pesquisa desenvolvidas em Taliesin, onde os alunos aprendem
não só a projetar e construir, mas a compreender o espírito dos materiais e a espacialidade
concreta do local.

Repercussão na Europa
Em 1910 um de um prof. Estética faz uma exposição na Holanda sobre Frank Lloyd Wright que
difunde suas idéias. Estas idéias são apropriadas por movimentos como neoplasticismo ou The
Stijl, Grupo G, Mies Van der Rohe, entre outros. Na Europa, as conseqüências são a rejeição
do art nouveau, com a substituição das linhas que expressavam forças semelhantes às
naturais, pela utilização dos planos. A força expressiva dos novos edifícios é dada pela
definição no espaço e pelo dinamismo dos volumes que determinam.

Analogia com a biologia relação com a forma arquitetônica


Arquitetura orgânica: partido é resultado de uma relação de forças num campo de força, da
relação com o entorno, não é uma relação de grandezas e medidas.
Para Wright arquitetura é resultado de ação do sujeito
Arquitetura Orgânica - termo que sintetiza uma analogia geral e poética que aproxima os
fatos sociais da lógica biológica. Interessam as relações entre organismo como função e o
principio de vitalidade.
A concepção da arquitetura orgânica baseia-se na individualidade da solução, que cresce de
dentro para fora em harmonia com as necessidades do homem (visando seu bem estar
psicológico-físico) e em harmonia com o meio. É um intercâmbio entre espaço interior e
exterior. Resulta na desmontagem da caixa, dos volumes fechados, enclausurados. Para a
linha orgânica, a arquitetura não depende da história nasce com relação ao entorno.

Polêmica contra as megalópolis - propõe construir no subúrbio (casas das pradarias) ou no


meio da natureza Taliensin , casas da pradaria e as casas usonianas.
• Projeto de cidade - ver no livro de Françoise Choay, O Urbanismo. Editora
Perspectiva..Broadacre city, proposta de cidade de Wright.

Característica da arquitetura recapitulando


Relação com a paisagem e senso de unidade interna. O espaço interior contínuo entre
diversos ambientes, a horizontalidade.
Planta aberta, caixa quebrada (volume externo) que possibilita ótima relação entre interior e
exterior da construção. Recurso a estratégias construtivas, luz, sombra, ventilação, claridade.
Materiais: pedra, tijolo, madeira, utilizados de acordo com suas propriedades e aparência,
uso das cores naturais
O partido do concreto recorre a possibilidade de flexibilidade e de maleabilidade.

Referencias bibliográficas principais:


ZEVI, Bruno. Frank Lloyd Wright. Barcelona, GG, 1985
Françoise Choay, O Urbanismo. Editora Perspectiva
CURTIS, William J.R. Modern Arquitecture Since 1900. PHAIDON PRESS