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LAUDO PSICOLÓGICO

SOLICITANTE: Dra. Monilly Ramos Araujo Melo.


RELATORA: Ana Catarina da Silva Nóbrega CRP Nº132710.
ASSUNTO: Psicodiagnóstico.
SUJEITO AVALIADO: J.W.S.
SEXO: Feminino.
IDADE: 21 anos.

Descrição da demanda
Em virtude das queixas de irritabilidade, ansiedade e desmotivação constante, a avaliada
foi encaminhada pela psicóloga Dra. Monilly Ramos Araújo Melo, para a realização do
psicodiagnóstico de J.W.S. Na entrevista clínica constatou-se as queixas citadas, assim como o
relato do aparecimento de manchas de tonalidade escura pelo corpo e de coceira nos momentos
de estresse, onde esta última teria promovido uma ferida na região interna da perna. Desta
forma, objetivando mais informações acerca do caso, optou-se pelo uso do Teste de Apercepção
Temática –TAT.

Procedimento
Realizou-se ao todo três encontros, cada um com a média de uma hora de duração. O
primeiro encontro destinou-se ao preenchimento da anamnese, ocorrendo na casa de J.W.S em
20 de fevereiro de 2018, às 09 horas A.M., o segundo foi destinado à aplicação do Teste de
Apercepção Temática- TAT, em 27 de fevereiro de 2018, às 10 horas A.M., e o terceiro
objetivou-se para a entrevista devolutiva, em 07/03/2018, às 11 horas A.M.. Salienta-se que os
dois últimos encontros desenvolveram-se na residência da relatora.

Análise
No momento da entrevista clínica e da elaboração da anamnese, ambas realizadas em
conjunto, a avaliada demostrou-se nervosa, ansiosa e com traços de irritabilidade durante sua
fala, porém, mostrou-se receptiva a entrevista e as questões levantadas, respondendo-as de
forma clara e sem esquiva. Durante tal instante, pôde-se verificar na examinada uma baixa
tolerância a frustração, tendência ao pessimismo, dificuldade na tomada de decisão e
insegurança, podendo se considerar a coceira enquanto um sintoma ansioso.
O Teste de Apercepção Temática pode ser compreendido como um teste projetivo
criado por Herry A. Murray, com o objetivo de obter um conhecimento aprofundado da
personalidade do examinado (SCADUTO, 2016). Nesse tocante, a partir da aplicação deste
teste, percebeu-se os mesmos pontos apresentados na entrevista clínica e anamnese,
acrescendo-se sobre estes a baixa autoestima, sentimento de culpa e arrependimento
provavelmente associados para com a tendência ao pessimismo. Detectou-se também uma
provável dependência, irritabilidade e passividade nas relações familiares e amorosas, estando
estas possivelmente interligadas a insegurança e a baixa tolerância a frustração.
Portanto, tendo em vista os aspectos observados durante o psicodiagnóstico, indica-se
um possível quadro depressivo patológico, considerando-se os sintomas e as queixas
percebidas, em conjunto com o tempo de ocorrência, o qual foi dito pela a avaliada como há
cerca de um ano.
Neste sentido, o Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais – DSM V (2014), ressalta
que os transtornos depressivos, também conceituados como transtornos de humor, apresentam
características similares as relatadas pela examinada, sendo cinco dos nove sintomas dispostos
pelo manual supracitado, a saber: humor triste, sem esperança, vazio ou irritável a maior parte
do dia, acentuação diminuída do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades,
ambas de forma recorrente e superior a quinze dias, agitação ou retardo psicomotor quase todos
os dias, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva/inapropriada e pensamentos recorrentes
de morte, porém não própria.
Os transtornos depressivos também podem estar associados aos sintomas ansiosos, onde
estes últimos são caracterizados na examinada enquanto medo, ansiedade excessiva e
inquietação, nervosismo e/ou tensão, e sentimento de que possa perder o controle de si,
promovendo perturbações no comportamento (DSM-V, 2014). Segundo Judith Beck, sob a
perspectiva da Terapia Cognitivo Comportamental, o comportamento se dá a partir dos
pensamentos dos indivíduos em reação a uma emoção ou situação. Consequentemente, um
pensamento automático disfuncional, ou seja, que apresenta uma crença limitadora ou negativa
acerca da pessoa ou do meio em que esta encontra-se inserida, gera um comportamento
disfuncional (BECK, 1997).
De acordo com Aaron Beck (1982), o modelo cognitivo da depressão demonstra três
conceitos específicos para explanar o psicológico desta patologia, sendo estes: a tríade
cognitiva, onde o indivíduo demonstra uma visão negativista sobre si e sobre as situações,
interpretando os acontecimentos de forma negativa, assim como um futuro negativo; os
esquemas ativados e associados aos pensamentos distorcidos da pessoa em situações
específicas; e os erros cognitivos e sistemáticos, onde os pensamentos do indivíduo deprimido
preservam a crença em conceitos negativistas, gerando pensamentos disfuncionais e um
processamento falho de informações.

Conclusão
Com base no que foi apresentado e analisado durante o psicodiagnóstico, aponta-se que
J.W.S. apresenta um possível Transtorno Depressivo Maior, grau leve, com sintomas ansiosos
moderada-grave (296.21), ou Episódio Depressivo Leve (F32.0).
Por conseguinte, encaminha-se a examinada para o atendimento psicológico, em
conjunto com intervenção médica psiquiatra, onde este último profissional deverá averiguar a
necessidade de uso psicotrópico.
Solicita-se também encaminhamento para um dermatologista, com o objetivo de
investigar e tratar a ferida relatada, assim como as manchas de tonalidade roxa ressaltadas.

Considerações éticas
Observa-se pela necessidade de sigilo do presente documento, tendo em vista a
legislação e o Código de Ética do Psicólogo; assim, faz-se necessário que resguarde a
confidencialidade e preserve o sigilo dos conteúdos deste Laudo Psicológico.

Campina Grande-PB, 14 de março de 2018

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Ana Catarina da Silva Nóbrega
CRP N.º13271
REFERÊNCIAS

BECK, Judith S. Terapia Cognitiva: teoria e prática. 1ª edição. Porto Alegre: Editora Artmed,
1997.

BECK, Aaron T; Rush, A. John; Shaw, Brian F.; Emery, Gary. Terapia Cognitiva da
Depressão. Rio de Janeiro, RJ: Editora Zahar, 1982.

DSM-V-TRTM - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. trad. Maria Inês


Corrêa Nascimento, Paulo Henrique Machado, Regina Machado Garcez, Régis Pizzato e
Sandra Maria Mallmann da Rosa; - 5.ed. rev. - Porto Alegre: Artmed,2014.

PRETO, Cássia Regina de Souza. Laudo Psicológico. Curitiba, Paraná: Editora Juruá, 2016.

SCADUTO, Alessandro Antonio. O Teste de Apercepção Temática (TAT) em adultos:


Dados normativos para o sistema morvaliano. 2016. 213f, il. Tese (Doutorado em Ciências),
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto-SP, 2016.