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Juizados Especiais Criminais
Leis 9.099/95 e 10.259/2001

As partes NÃO aceitaram a composição dos danos civis

Próximo passo?

Condições para a transação penal:


1. Haver representação
2. Ser caso de ação penal pública incondicionada
3. Não ser caso de arquivamento

Requisitos (art. 76, §2º)


“Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença defini-
tiva;”

Doutrina: reincidência em crime doloso

“III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida.”

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Requisitos subjetivos

Aceitação da transação
Segue o procedimento do art. 76, §§ 3º ao 6º (leitura)

Consequências da realização da transação penal


1. Mitigação do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública
2. Não implica assunção de culpa (não se discute se há ou não crime/autoria)

4. Não gera reincidência


Apenas fica registrado para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.

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STF
Informativo 748
Transação penal e efeitos próprios de sentença penal condenatória - 2
(...) A lei 9.099/1995 introduziu no sistema penal brasileiro o instituto da transação penal, que permite a dispensa
da persecução penal pelo magistrado em crimes de menor potencial ofensivo, ... desde que o suspeito da prática
do delito concorde em se submeter, sem qualquer resistência, ao cumprimento de uma pena restritiva de direito
ou multa que lhe tenha sido oferecida por representante do Ministério Público em audiência (art. 76).
Assim, a lei relativizara, de um lado, o princípio da obrigatoriedade da instauração da persecução penal em crimes
de ação penal pública de menor ofensividade, e, de outro, autorizara o investigado a dispor das garantias proces-
suais penais que o ordenamento lhe confere...

O relator aduziu que as consequências geradas pela transação penal seriam apenas as definidas no instrumento
do acordo.
Além delas, enfatizou que o único efeito acessório gerado pela homologação do ato estaria previsto no § 4º do art.
76 da Lei 9.099/1995 (“... registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos”).
Observou que os demais efeitos penais e civis decorrentes das condenações penais não seriam constituídos (art.
76, § 6º)...

Asseverou, ainda, que a sanção imposta com o acolhimento da transação não decorreria de qualquer juízo estatal
a respeito da culpabilidade do investigado. Tendo isso em conta, reputou que se trataria de um ato judicial homo-
logatório. Salientou, também, que o juiz, em caso de descumprimento dos termos do acordo, não poderia substitu-
ir a medida restritiva de direito consensualmente fixada por uma pena privativa de liberdade compulsoriamente
aplicada. RE 795567/PR, rel. Min. Teori Zavascki, 29.5.2014.

O autor do fato cumpriu a transação penal: ok


E se ele descumprir a pena imposta na transação?
A homologação faz coisa julgada material?

STF. Súmula Vinculante 35


“A homologação de transação penal prevista no art. 76 da Lei 9.099/ 1995 não faz coisa julgada material e, des-
cumpridas suas cláusulas, retoma-se o status quo ante, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da
persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.”

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Questão
No caso de encaminhamento ao Juízo Comum por impossibilidade de oferecimento da denúncia pela
complexidade ou circunstâncias do caso concreto, o MP oferece a denúncia no JECRIM ou a denúncia
deve ser oferecida no Juízo comum?

STJ. Informativo 474


TERCEIRA SEÇÃO AUDIÊNCIA PRELIMINAR. NÃO COMPARECIMENTO. AUTOR. DELITO.
Noticiam os autos que fora lavrado termo circunstanciado pela prática, em tese, do delito tipificado no art. 28 da
Lei n. 11.343/2006 (usuário de droga/pequena quantia) e, sendo designada audiência preliminar para oferecimen-
to de transação penal, ela não se realizou em razão do não comparecimento do acusado...

Então, o juízo suscitado acolheu manifestação do MP estadual e determinou a remessa dos autos ao juízo da
vara criminal, com fundamento no art. 66, parágrafo único, da Lei n. 9.099/1995 e, por sua vez, o juízo da vara de
inquéritos policiais suscitou o conflito de competência, alegando que não foi cumprido o art. 77, caput e § 1º, da
Lei n. 9.099/1995, pois o MP deveria ter oferecido denúncia oral ao juízo suscitado...

Explica o Min. Relator que, não comparecendo o acusado à audiência preliminar designada para oferecimento de
transação penal e não havendo a necessidade de diligências imprescindíveis, o MP deve oferecer de imediato a
denúncia oral nos termos do art. 77 da Lei n. 9.099/1995 e, somente após a apresentação dessa exordial acusató-
ria, é que poderiam ser remetidos os autos ao juízo comum para proceder à citação editalícia, ... conforme dispõe
expressamente o art. 78, § 1º, da referida lei. Diante do exposto, a Seção conheceu do conflito e declarou a com-
petência do juízo suscitado. Precedente citado: CC 102.240-PB, DJe 30/4/2009.
CC 104.225-PR. Rel. Min. Haroldo Rodrigues (Desembargador convocado do TJ-CE), julgado em 25/5/2011.

6. Oferecida a denúncia ou queixa (art. 78)


Reduzida a termo

Entrega-se cópia ao acusado, que com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora
para a audiência

Se o acusado não estiver presente, será citado na forma dos arts. 66 e 68 (§1º)
Se o ofendido e o responsável civil não estiverem presentes, serão intimados nos termos do art. 67 da lei para
comparecerem à audiência de instrução e julgamento (§2º)

7. Audiência de Instrução e Julgamento (Art. 79)


Nova possibilidade de composição dos danos civis (art. 79)
Pode haver a condução coercitiva nessa fase
(art .80)

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8. Na AIJ (art. 81)
Defensor faz Resposta à Acusação oral
(Até agora o juiz ainda não recebeu a denúncia)

Se receber a denúncia?
1. Oitiva da vítima
2. Oitiva das testemunhas (acusação e defesa)
3. Interrogatório do réu
4. Debates orais
5. Sentença

Recursos
1. Apelação (art. 82)
Prazo: 10 dias

2. Embargos de declaração (art. 83)


Prazo: 5 dias
Influência no prazo para outros recursos?
Interrupção (lei 13.105/2015 - NCPC)

Execução da pena de multa (arts. 84 a 86)


Aplicação só da multa. Agente pode:
1. Pagar -> Extinção da punibilidade
2. Não pagar

Se não pagar?
Conversão em pena privativa da liberdade, ou restritiva de direitos (art. 85)
Tacitamente revogado pelo art. 51, CP.

Natureza jurídica da multa


Antes do trânsito julgado: pena criminal
Após o trânsito julgado: dívida de valor

STJ. Informativo 568


Recurso Repetitivo
Nos casos em que haja condenação a pena privativa de liberdade e multa, cumprida a primeira (ou a restritiva de
direitos que eventualmente a tenha substituído), o inadimplemento da sanção pecuniária não obsta o reconheci-
mento da extinção da punibilidade. REsp 1.519.777-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, julga-
do em 26/8/2015)

Execução da pena de multa não paga


Súmula 521 do STJ:
“A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é
exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública.”

Súmula 693 do STF


“Não cabe "habeas corpus" contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por
infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.”

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Representação (art. 88)
(3ª medida despenalizadora)
Lesão corporal leve
Lesão corporal culposa
Ver art. 91

Suspensão condicional do Processo (art. 89)


(4ª medida despenalizadora)
Sursis processsual

Requisitos
1. Pena mínima igual ou inferior a 1 ano (Cabível também para infrações que não são de MPO)
2. Acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime
3. Presença dos requisitos do art. 77, do CP

Requisito 1:
Pena mínima igual ou inferior a 1 ano
Concurso de crimes?

Súmula 243 do STJ


“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso
material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja
pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.”

Súmula 723 do STF


“Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da infra-
ção mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.”

Natureza jurídica da SCP

STF
“(...) Suspensão condicional do processo (...) Natureza de transação processual da suspensão condicional do
processo. Inexistência de direito público subjetivo à aplicação do art. 89 da Lei 9.099/95(...) (HC 129346, Rela-
tor(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 05/04/2016)”

STJ. 5ª Turma
“ (...) 1. A suspensão condicional do processo é um direito público subjetivo do réu, cumprindo ao magis-
trado, desde que presentes as condições objetivas e subjetivas, instar o representante do Ministério Público
para fazer a oferta ou aplicar, por analogia, o disposto no art. 28 do Código de Processo Penal (RHC 60.936/RO,
Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 13/12/2016, DJe 19/12/2016)”

STJ. 6ª Turma
“(...) Este Superior Tribunal tem decidido que a suspensão condicional do processo não é direito subjetivo do
acusado, mas sim um poder-dever do Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusivi-
dade, analisar a possibilidade de aplicação do referido instituto, desde que o faça de forma fundamentada (...)
(AgRg no RHC 74.464/PR, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 02/02/2017, DJe
09/02/2017).

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Súmula 696 do STF
“Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se recusando o pro-
motor de justiça a propô-la, o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao procurador-geral, aplicando-se por analogia
o art. 28 do Código de Processo Penal.”

Súmula 337 do STJ


“É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da preten-
são punitiva.”

Acusado pode aceitar ou não a proposta


Se não aceitar: Juiz recebe a denúncia e o processo segue normalmente (§7º)
Se aceitar: Juiz recebe a denúncia e suspende o processo

STJ. Informativo 574.


Recurso Repetitivo
(...) Não há óbice a que se estabeleçam, no prudente uso da faculdade judicial disposta no art. 89, § 2º, da Lei n.
9.099/1995, obrigações equivalentes, do ponto de vista prático, a sanções penais (tais como a prestação de servi-
ços comunitários ou a prestação pecuniária), mas que, para os fins do sursis processual, se apresentam tão so-
mente como condições para sua incidência. REsp 1.498.034-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção,
julgado em 25/11/2015, DJe 2/12/2015.

STF
“(...) o benefício da suspensão condicional do processo pode ser revogado após o período de prova, desde que os
fatos que ensejaram a revogação tenham ocorrido antes do término deste período. (...) Sobrevindo o descumpri-
mento das condições impostas, durante o período de suspensão , deve ser revogado o benefício, mesmo após o
término do prazo fixado pelo juiz. (HC 95683, Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski, Primeira Turma, 13-08-
2010)”

STJ
(...) O descumprimento de condição estabelecida na suspensão condicional do processo (...) é causa de
revogação do benefício, que pode ocorrer, inclusive, após expirado o período de prova e extinta a punibilidade,
desde que referente a fato ocorrido durante a vigência do lapso probatório. (...)(HC 379.650/RS, Rel. Ministra Ma-
ria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 13/12/2016, DJe 19/12/2016)

Consequências da SCP
1. Extinção a punibilidade: Expiração do prazo sem revogação (§5º)

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2. Suspensão da prescrição (§6º)

“Art. 90. As disposições desta Lei não se aplicam aos processos penais cuja instrução já estiver iniciada.”

Questão
Isso viola o princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica (art. 5º, LX, CF)?

STF
“(...) PENAL E PROCESSO PENAL. JUIZADOS ESPECIAIS. ART. 90 DA LEI 9.099/1995. APLICABILIDADE.
INTERPRETAÇÃO CONFORME PARA EXCLUIR AS NORMAS DE DIREITO PENAL MAIS FAVORÁVEIS AO
RÉU. O art. 90 da lei 9.099/1995 determina que as disposições da lei dos Juizados Especiais não são aplicáveis
aos processos penais nos quais a fase de instrução já tenha sido iniciada...

Em se tratando de normas de natureza processual, a exceção estabelecida por lei à regra geral contida no art. 2º
do CPP não padece de vício de inconstitucionalidade. Contudo, as normas de direito penal que tenham conteúdo
mais benéfico aos réus devem retroagir para beneficiá-los, à luz do que determina o art. 5º, XL da Constituição
federal. Interpretação conforme ao art. 90 da Lei 9.099/1995 para excluir de sua abrangência as normas de direito
penal mais favoráveis ao réus contidas nessa lei . (ADI 1719, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Ple-
no, julgado em 18/06/2007).”

Vamos em frente!
TODO ESFORÇO SERÁ BEM RECOMPENSADO!

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