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Universidade de Brasília

Instituto de Ciência Política


Estado e Desenvolvimento no Brasil
Prof. Antônio Brussi
185604
2/2013

PROGRAMA

A disciplina pretende analisar os diversos períodos e procedimentos


intervencionistas do Estado brasileiro, notadamente os orientados para expandir e
diversificar as atividades produtivas bem como aqueles preocupados com a
ampliação do mercado nacional. Para se abordar as relações entre estado e
economia faz-se necessário a utilização de aportes teórico-metodológicos fornecidos
pelos estudos de História Mundial e de teoria social que ultrapassam perspectivas
mais vinculadas aos temas imediatamente em causa, como a Política e a Economia
Brasileiras stricto sensu.
Após breve revisão crítica do conceito de Desenvolvimento, abordaremos as
trajetórias da economia e da política percorridas pelo Brasil em seu período
republicano, sempre balizadas, em última instância, por direções sistêmicas que
direcionam os limites da ação e das expectativas dos agentes nacionais. Ao lado
dessa orientação mais abrangente da análise, especial ênfase será dirigida às
tensões entre o que permanecia e o que mudava durante o século XX, apontando
para as sobrevivências que acompanharam as descontinuidades, fenômenos que
frequentemente se tenta esquecer. Ou, pior, esconder...

Procedimentos Didáticos e Avaliativos

Processos: O trabalho em sala será organizado basicamente a partir de aulas


expositivas e, sempre que oportuno, de seminários apresentados por um grupo de
alunos, sobre temas previamente divulgados pelo professor.
As leituras solicitadas para cada aula serão exigidas de todos os alunos
presentes em sala, mesmo daqueles que não estiverem envolvidos na apresentação
de seminários. Comprovação de leitura será cobrada.

Avaliação: Duas ou três provas individuais e sem consulta a respeito do conteúdo


das unidades abaixo discriminadas.
A menção final será a média aritmética dos conceitos atribuídos durante o
curso, considerando eventuais mudanças. A participação nas discussões em sala de
aula e a assiduidade contribuirão para a menção final (10%).
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BIBLIOGRAFIA BÁSICA RECOMENDADA

I - Estado, Economia e Sociedade: Breve e Necessária Recapitulação.

WALLERSTEIN, Immanuel. (2001). Unthinking Social Science – The Limits of


Nineteenth-Century Paradigms, Parte II The Concept of Development, p.41-124,
Philadelphia, Temple University Press.

ARRIGHI, G. (1996). O Longo Século XX: Dinheiro, Poder e as Origens do Nosso


Tempo, SP, Ed. Contraponto, Unesp., Introdução e cap. I.

SCHUMPETER, Joseph A. (1’997). Teoria do Desenvolvimento Econômico, SP Ed.


Nova Cultural, capts. 1,2 e 6.

ARRIGHI, G. (1997). “A Ilusão Desenvolvimentista: Uma reconceituação da


Semiperiferia”, in: Arrighi, G. A Ilusão do Desenvolvimento, Petrópolis, R. J., Ed.
Vozes, 207.

CHANG, Ha-Joon (2004). Chutando a Escada – A Estratégia do Desenvolvimento


em Perspectiva Histórica, São Paulo, Ed. Unesp.

II - A Economia Mundial, a América Latina e o Brasil: 1870-1930.

ARRIGHI, G. (1996). O Longo Século XX: Dinheiro, Poder e as Origens do Nosso


Tempo, SP, Ed. Contraponto, Unesp, cap. 3.

LUZ, LICIA, V. A Luta pela Industrialização do Brasil, São Paulo, Editora Alfa-
Ômega, 1975.

DEAN, W. “A Industrialização Durante a República Velha”, in: FAUSTO, B. org.


(1977). História Geral da Civilização Brasileira: O Brasil Republicano, vol. III-1, São
Paulo, Difel, cap. II, p. 251.

VERSIANI, M.T.R. & VERSIANI, F.R. “Industrialização durante a República Velha”,


in: VERSIANI, M.T.R. & MENDONÇA de BARROS, José Roberto orgs. (1977).
Formação Econômica do Brasil: A Experiência da Industrialização, São Paulo, Ed.
Saraiva, p.121.

III- 1930: Descontinuidades

ARRIGHI, G. (1996). O Longo Século XX: Dinheiro, Poder e as Origens do Nosso


Tempo, SP, Ed. Contraponto, Unesp., cap. 4.

CORSI, F. “Política Econômica e Nacionalismo no Estado Novo”, in: Tamás


Szmrecsányi e Wilson Suzigan, orgs (1997). História Econômica do Brasil
Contemporâneo, Ed. Hucitec, São Paulo, p. 3.
3

IANNI, O. (várias edições). Estado e Planejamento Econômico no Brasil (1930-


1970), Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, Introdução e capts. 2, 3, 4, 5 e 6.

DINIZ, Eli (1996) “O Estado Novo – Estrutura de Poder e Relações de Classe”, in:
Fausto, B. (org) História Geral da Civilização Brasileira – Sociedade e Política (1930-
1964), vol. 10, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira.

SARETTA, F. “O Governo Dutra na Transição Capitalista no Brasil”, in: Tamás


Szmrecsányi e Wilson Suzigan, orgs (1997) op. cit. P. 99.

O Estado Reafirma a Dianteira: Novos Rumos?

COLISTETE, Renato, P. “A Força das Idéias: a CEPAL e o Industrialismo no Brasil


dos anos 1950”, in: Tamás Szmrecsányi e Wilson Suzigan, orgs (1997) op. cit. p.
121.

LAFER, C. “O Conceito de Planejamento”, in: Beth M. Lafer, org. (1975). O


Planejamento no Brasil, São Paulo, Ed. Perspectiva, Introdução.

CARDOSO, F.H.:- “Aspectos Políticos do Planejamento”, in: Beth M. Lafer, org


(1975), op.cit.

BENEVIDES, M. V. (1976). O Governo Kubitschek: Desenvolvimento Econômico e


Estabilidade Política, cap. 5.

LAFER, C. - “O Planejamento no Brasil: Observações sobre o Plano de Metas (1956-


1961)”, in: Beth M. Lafer, org (1975), op.cit.

LESSA, C. (1981). Quinze anos de Política Econômica, São Paulo, Ed. Brasiliense,
cap. 2, 3, 4, e 5.

TOLEDO, C.N. (1977) I.S.E.B.: Fábrica de Ideologias, São Paulo, Ed. Ática, Primeira
e terceira partes.

LELAND, R. (1969). Estratégias e Estilo do Planejamento Brasileiro, Rio de Janeiro,


Ed. Lidador, cap. 5.

1964: Ruptura Institucional, “Milagre” e Crise.

SERRA, J. “Ciclos e Mudanças Estruturais na Economia Brasileira do Após-Guerra”,


in: Revista de Economia Política, vol 2/2 no. 6, abril-junho/1982.

FISHLOW, A. “Algumas Reflexões sobre a Política Econômica Brasileira após 1964",


in: Estudos Cebrap no. 7, janeiro/março, 1974.

MARTONE, C. “Análise do Plano de Ação Econômica do Governo PAEG: 1964-


1966”, in: Beth M. Lafer, org (1975), op.cit
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IANNI, O. Estado e Planejamento Econômico no Brasil: 1930- 1970, op. cit., cap. 7.

FURTADO, C. (várias edições) Análise do Modelo Brasileiro, Rio de Janeiro, Ed.


Civilização Brasileira, cap. 1.

EVANS, P.(1980). A Tríplice Aliança: As Multinacionais, as Estatais e o Capital


Nacional no Desenvolvimento Dependente Brasileiro, Rio de Janeiro, Zahar Ed.,
capts.5 e 6.

CARDOSO, F.H. “Estatização e Autoritarismo Esclarecido: Tendências e Limites”, in:


Estudos Cebrap no. 15, janeiro-março, 1976.

CASTRO, A.B. (1985). A Economia Brasileira em Marcha Forçada, Rio de Janeiro,


Ed. Paz e Terra, cap. I.

TAVARES, M.C. e DAVID, M.D. (1982). A Economia Política da Crise: Problemas e


Impasses da Política Econômica Brasileira, Rio de Janeiro, Ed. Vozes/Achiamé,
p.119.

A Transição Democrática e o Fundamentalismo de Mercado

ARRIGHI, g. & SILVER, B. (1999) Chaos and Governance in the Modern World
System, Minneapolis, University of Minnesota Press, cap. 1 e conclusão.

BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos (2006). “O Novo Desenvolvimentismo e a


Ortodoxia Convencional”, 30º Encontro Anual da Anpocs, mimeo.

CARNEIRO, Ricardo (2002). Desenvolvimento em Crise – A Economia Brasileira no


Último Quarto do Século XX, São Paulo, Ed. Unesp, cap. 7 (Globalização financeira
e inserção periférica), p. 227.

WILLIAMSON, John, “What Washington Means by Policy Reform, in: Latin American
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for International Economics, 1990.

, “Depois do Consenso de Washington: Uma agenda para


Reforma Econômica na América Latina”, palestra apresentada na FAAP, São Paulo,
25/8/2003.

LONGO, Carlos A (1993). Políticas de Estabilização e Reforma Estrutural no Brasil,


Fundação Konrad Adenauer-Stiftung, Série Pesquisas, São Paulo

DINIZ, E. e BOSCHI, R. “Reformas Econômicas e Perspectivas do Capitalismo no


Brasil dos anos 90: Empresário, Democracia e Equidade”, 3° Encontro Nacional da
ABCP - Associação Brasileira de Ciência Política, 28 a 31 de julho de 2002, UFF,
Niterói (mimeo.).

CERVO, Amado L. “Relações Internacionais do Brasil: Um Balanço da Era Cardoso”,


in: Revista Brasileira de Política Internacional, 2002, n° 45 (1), p.5-35.