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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FÍSICA

JOSÉ ELISANDRO DE ANDRADE

SÍNTESE, CARACTERIZAÇÃO E MODIFICAÇÃO DE


NANOPARTÍCULAS DE PRATA COM
5-FLUOROURACIL SOB A INFLUÊNCIA DO PH

Cidade Universitária “Prof. José Aloísio de Campos”

São Cristóvão – Sergipe – Brasil


JOSÉ ELISANDRO DE ANDRADE

SÍNTESE, CARACTERIZAÇÃO E MODIFICAÇÃO DE


NANOPARTÍCULAS DE PRATA COM
5-FLUOROURACIL SOB A INFLUÊNCIA DO PH

Dissertação apresentada ao Núcleo


de Pós-Graduação em Física da
Universidade Federal de Sergipe, para
obtenção de título de Mestre em
Ciências (Física)

Orientador: Prof. Dr. Frederico


Guilherme de
Carvalho Cunha

São Cristóvão

2008
Dedico este trabalho às minhas irmãs

Vânia e Ledinha e ao meu sobrinho Luan.


AGRADECIMENTOS

A Deus pela oportunidade de tornar-se uma pessoa melhor a cada dia.


À minha família pelo apoio incondicional.
Ao Prof. Dr. Frederico Guilherme de Carvalho Cunha, pela orientação,
amizade e confiança sempre presente ao longo de todos estes anos.
Ao Prof. Dr. Luís Eduardo Almeida, pelas valiosas informações sobre
espectroscopia UV-Vis, e pela utilização do espectrofotômetro do Laboratório
QUIMBIOM (Química Biológica e Materiais).
Aos professores do Núcleo de Pós-Graduação em Física, pela prontidão
em esclarecer nossas dúvidas sejam elas teóricas ou experimentais, em especial
aos professores Dr. Cláudio Andrade Macêdo, Dr. Marcelo Andrade Macêdo, Dr.
Marcos Antônio Couto dos Santos, Dr. Mário Ernesto Giroldo Valério e Dra. Zélia
Soares Macêdo.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico –
CNPq – Brasil pelo suporte financeiro (bolsa).
Às redes cooperativas NANOFOTON (Rede Cooperativa de Nanofotônica)
e RENAMI (Rede de Nanotecnologia Molecular e de Interfaces) pelo suporte
financeiro.
Aos “nerds” do mestrado em Física: Adelmo, Carol, Denise, Fernanda,
João Batista, Jeânderson, Marco Buzinaro, Matheus e Sibele.
Aos amigos, Bruno, Elisângela, Francilene, Gláucia, Junior, Samuel e
Saulo, por serem amigos na hora de beber, cair e levantar...
À secretária e amiga Cláudia Conceição Vieira, exemplo de
profissionalismo e pela pessoa amável que é.
Aos amigos da Incruzible Corporation do Brasil, Márcio, André, Igor, Jorge
JJ, , ...
Aos colegas de laboratório Thamires, Ísis, Rodrigo Shpnft e Verônica
Barbie.
Aos técnicos: Adriana, Clifson, Cochiran, Demerson, Gigi, Jaqueline e
Marília pela ajuda sempre presente.
SUMÁRIO

RESUMO.................................................................................................................. i
ABSTRACT ............................................................................................................. ii
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................. iii
LISTA DE GRÁFICOS ............................................................................................ vi
LISTA DE TABELAS ............................................................................................ viii
LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS ............................................................ ix
PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................................. xi
PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS .......................................................................... xiii
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO ................................................................................ 1
1.1 – Nanociência e nanotecnologia ................................................................... 2
1.2 – Soluções coloidais de nanopartículas de prata .......................................... 3
1.2.1 – Introdução aos colóides ....................................................................... 3
1.2.2 – Histórico das nanopartículas de prata.................................................. 6
1.2.3 – Principais rotas de síntese de nanopartículas de prata ...................... 7
1.2.4 – Principais aplicações de nanopartículas de prata ............................... 8
1.3 – Modificação com moléculas orgânicas....................................................... 9
1.4 – Quimiosensores ......................................................................................... 9
1.5 – Técnicas de caracterização ..................................................................... 12
1.5.1 – Espectroscopia UV-Vis ...................................................................... 11
1.5.2 – Espalhamento dinâmico de luz – DLS ............................................... 14
1.5.3 – Potencial Zeta .................................................................................... 16
1.5.4 – Microscopia de varredura por tunelamento – STM ............................ 23
1.6 – Objetivos .................................................................................................. 25
CAPÍTULO 2: PARTE EXPERIMENTAL .............................................................. 26
2.1 – Síntese de nanopartículas de prata ......................................................... 27
2.2 – Efeito de concentração ............................................................................ 33
2.3 – Estabilidade temporal............................................................................... 35
2.4 – Efeito de modificação de pH .................................................................... 35
2.5 – Modificação com 5-fluorouracil................................................................. 37
CAPÍTULO 3: RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................. 39
3.1 – Síntese de nanopartículas de prata ......................................................... 40
3.2 – Efeito de concentração ............................................................................ 43
3.3 – Estabilidade temporal............................................................................... 55
3.4 – Efeito de modificação de pH .................................................................... 57
3.5 – Modificação com 5-fluorouracil................................................................. 61
CAPÍTULO 4: CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS .............................................. 73
CAPÍTULO 5: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................. 76
RESUMO

Sintetizamos soluções colidais de nanopartículas de prata através da redução


química de nitrato de prata (AgNO3) em borohidreto de sódio (NaBH4), com
concentrações iniciais de 1 mmol.L-1 e com temperatura de 5ºC. Realizamos
experimentos de efeito de concentração final de AgNO 3, efeito de estabilidade
temporal, efeito de modificação de pH e modificação com 5-fluorouracil
(C4H3FN2O2). Caracterizamos através de medidas de espectroscopia UV-Vis,
espalhamento dinâmico de luz (DLS), microscopia eletrônica de transmissão
(TEM), microscopia de varredura por tunelamento (STM) e medidas de potencial
Zeta. Através de medidas de DLS, STM e TEM, verificamos que nossa solução
coloidal é predominantemente composta por partículas esféricas com diâmetro
entre 5 e 10 nm, possuindo coloração amarelada e apenas um pico de absorção
óptica em torno de 390 nm, devido às oscilações ressonantes de plasmon dos
elétrons superficiais (SPR). Encontramos que a concentração final de AgNO3 está
diretamente relacionada apenas com o número final de partículas presentes no
colóide, e não com o tamanho médio e dispersão de partículas. Porém para
concentrações maiores que 15.10-5 mol.L-1 de AgNO3 começa a ocorrer
precipitação dos colóides. As nanopartículas apresentam-se estáveis ao longo de
96 horas e não sofrem grandes alterações no potencial Zeta devido à modificação
de pH. Nanopartículas com pH 4 e 5, podem ser utilizadas potencialmente como
quimiosensores, pois com a adição de 5-fluorouracil o colóide apresenta uma
alteração na sua coloração. Resultados de UV-Vis mostram o surgimento de uma
segunda banda de absorção óptica em 550 nm como resultado do surgimento de
um novo modo de oscilação de SPR. Os resultados de TEM confirmam a
modificação na forma de algumas das nanopartículas, que passam a apresentar
após a adição do 5-fluorouracil a forma de bastão.

i
ABSTRACT

Silver colloids were synthesized through chemical reduction of silver Nitrate


(AgNO3) by sodium borohydrate (NaBH4) at initial concentrations of 1mmolL-1 and
controlled temperature at 5ºC. In order to verify the colloid stability we performed
experiments where the pH, final AgNO3 concentration, surface modification
through adsorption of 5-fluorouracil and age were changed. The colloids were
characterized by UV-Vis absorption spectroscopy, dynamic light scattering (DLS),
transmission electron microscopy (TEM), scanning tunneling microscopy (STM)
and Zeta potentiometry. The DLS, TEM and STM results indicated that the colloids
were composed of almost monodisperse silver nanoparticles with an average
diameter between 5 and 10 nm. The colloids as prepared presented the typical
yellowish color corresponding to absorption peak at 390 nm, which is due to the
resonant plasmon oscillation of the surface electrons (SPR). We have established
that the final AgNO3 concentration is directly related to the final number of particles
in solution, but it does not change the average size and dispersion. Concentrations
higher than 15.10-5 mol.L-1 however lead to colloidal agglomeration. The
nanoparticles remains stable for as long as 96 hours and the pH modification does
not induce sensible variation in Zeta potential. We tested the nanoparticles as
chemisensors and those prepared in the 4-5 pH range displayed an appropriate
behavior when, upon adsorption of 5-fluorouracil, induced a color change. UV-Vis
absorption spectroscopy indicate the onset of a second absorption maximum at
550 nm, which is interpreted as a second SPR oscillation mode. TEM micrographs
indeed show that the aggregation process induced by the organic film led to the
formation of rod-like particles.

ii
LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1: Esquema de processos floculação, coagulação e 4


sedimentação que podem ocorrer com sistemas coloidais.

Figura 1.2: Os dois mecanismos fundamentais que afetam a 5


estabilidade coloidal: a repulsão estérica (esquerda) e a eletrostática
(direita).

Figura 1.3: Esquerda: Cálice de Licurgo, que visto do exterior, a figura 6


nela gravada em verde, mas iluminada do interior, a figura muda para o
avermelhado. Direita: Microscopia eletrônica de transmissão mostrando
uma nanopartícula metálica.

Figura 1.4. Ilustração de funcionamento de um quimiosensor. 10

Figura 1.5: Ilustração de funcionamento básico de um 11


espectrofotômetro.

Figura 1.6: Atenuação do feixe de radiação por uma solução absorvente. 13

Figura 1.7: Representação de resultado de DLS de distribuição de 16


intensidade, número e volume de partícula em função do diâmetro de
partícula. Considerando-se partículas de 5 e 50 nm, em igual número.

Figura 1.8: Representação da dupla camada elétrica e da variação do 17


potencial Zeta com a distância de uma partícula carregada
negativamente.

Figura 1.9: Curva de potencial Zeta em função de pH: positiva nos pHs 18
baixos e negativa nos altos.

Figura 1.10: Aproximação de Smoluchowski e de Hückel para os valores 20


de .

Figura 1.11: Cela capilar com eletrodo. Em destaque o movimento de 21


cargas na camada estacionária.

Figura 1.12: Sistema antigo de eletroforese, utilizado para medida de 22


mobilidade eletroforética, que consiste na observação individual de
partículas usando um microscópio e cronometrando o seu trânsito
através de uma grade.

Figura 1.13: Figura de interferência formada, utilizada para medida de 22


mobilidade eletroforética em sistemas mais modernos.

iii
Figura 1.14: Medida de mobilidade eletroforética em sistemas mais 23
modernos.

Figura 1.15: Princípio de funcionamento da STM (Microscopia de 24


varredura por tunelamento).

Figura 1.16: Modos de funcionamento do STM: altura constante e 25


corrente constante.

Figura 2.1: Variáveis envolvidas na síntese de nanopartículas prata por 28


redução química de AgNO3 por NaBH4 mantidas sob controle.

Figura 2.2: Esquema de gotejamento de AgNO3 em NaBH4 para síntese 29


de nanopartículas prata.

Figura 2.3: Aparato experimental utilizado para síntese de 30


nanopartículas prata. 1 – Seringa com agulha gotejando solução de
AgNO3; 2 – Solução de NaBH4 em banho gelado; 3 – Solução de AgNO3
em banho gelado; 4 – Banho gelado (água e gelo); 5 – Agitador
magnético; 6 – Termômetro; 7 – Suporte para a seringa.

Figura 2.4: Foto do espectrofotômetro UV-Vis Lambda 45, utilizado nas 32


medidas de absorção óptica.

Figura 2.5: Direita: Cubeta plástica utilizada para medidas de tamanho 34


de partícula. Esquerda: Cela capilar plástica utilizada para medidas de
potencial zeta.

Figura 2.6: Foto do equipamento de DLS Zetasizer Nano do titulador 36


automático MPT-2 (MPT-2 multi purpose titrator) da Malvern Instruments.

Figura 2.7: 1 – Titulador automático; 2 – Recipiente para amostra; 3 – 37


soluções ácidas utilizadas para titulação; 4 – agitador magnético; 5 –
Phametro; 6 – Tubos conectados do titulador para a cubeta com capilar.
Detalhe da cubeta com capilares sendo introduzida no Zeta Sizer.

Figura 3.1: Espectro de absorção no UV-Vis típico da solução de prata 40


coloidal. Destacando a banda característica dos plasmons superficiais
das nanopartículas de prata, o valor máximo de absorção óptica (Amax), o
comprimento de onda no máximo de absorção ( max) e a largura à meia-
altura (FWHH, full width at half-height).

Figura 3.2: Aspecto de solução coloidal de nanopartículas de prata. 41

Figura 3.3: Imagem de TEM de solução coloidal de nanopartículas de 52


prata.

iv
Figura 3.4: Contagem das nanopartículas presentes na solução coloidal. 53
Os números correspondem à área da nanopartícula.

Figura 3.5: Imagem de TEM de solução coloidal de nanopartículas de 56


prata que mostra uma grande quantidade de nanopartículas que se
aglomeraram em um único corpo, mas que não chegaram a coalescer.

Figura 3.6: Estrutura do 5-fluorouracil. Branco: hidrogênio; azul: 62


nitrogênio; cyan: carbono; vermelho: oxigênio; amarelo: flúor.

Figura 3.7: Imagem de TEM de solução coloidal de nanopartículas de 64


prata que modificadas com 5-fluorouracil.

Figura 3.8: Aspecto de solução coloidal de nanopartículas de prata em 66


pH 4 (esquerda)e 5 (direita) modificados com 5-FU.

Figura 3.9: Esquema de funcionamento da detecção de 5-fluorouracil 67


por nanopartículas de prata. Temos duas amostras de colóide com pH 5,
em uma foi adicionado 5-fluorouracil e em outro não. O positivo, em
preto apresenta mudança de coloração e o surgimento de um segundo
pico na banda de absorção; no negativo tal fenômeno não ocorre.

Figura 3.10: Colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs 68


modificados com 5-fluorouracil.

Figura 3.11: Colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs 69


modificados com 5-fluorouracil.

Figura 3.12: Imagem de STM das NP formando linhas. Área 71


0,037x0,037 m2; It = 0,8nA; Vp = 0,9V; velocidade de varredura 36,8
nm/s.

Figura 3.13: Imagem de STM mostrando resolução atômica HOPG. Área 72


0,015x0,015 m2; It = 2nA; Vp = 0,4V; velocidade de varredura 15 nm/s.

v
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 3.1: Espectros UV-Vis de colóides de nanopartículas de prata 43


sintetizadas com concentração final de 15.10-5 mol.L-1 de AgNO3 e 85.10-
5
mol.L-1 de NaBH4, sem qualquer tipo de diluição (linha preta), diluído na
proporção de 2 partes de água deionizada para cada parte de colóide
(linha vermelha) e resultado da curva sem diluição dividia por 3 (azul),
evidenciando a perda devido espalhamento e/ou limitação do sistema de
detecção.

Gráfico 3.2: Espectros UV-Vis de colóides de nanopartículas de prata 44


sintetizadas com diferentes concentrações finais de AgNO 3 e diluídos em
água deionizada.

Gráfico 3.3: Valores da absorbância em max de colóides de 46


nanopartículas de prata sintetizadas com diferentes concentrações finais
de AgNO3 e de NaBH4 diluídos em água deionizada.

Gráfico 3.4: Valores de max colóides de nanopartículas de prata 47


sintetizadas com diferentes concentrações finais de AgNO 3 e de NaBH4
e diluídos em água deionizada.

Gráfico 3.5: Valores de FWHH de colóides de nanopartículas de prata 48


sintetizadas com diferentes concentrações finais de AgNO3 e de NaBH4
e diluídos em água deionizada.

Gráficos 3.6 e 3.7: Distribuição de tamanho de partículas no colóide de 50


nanopartículas de prata sintetizadas com concentrações finais de AgNO 3
de 5.10-5 mol.L-1 e 95.10-5 mol.L-1 de NaBH4 (superior) e 10.10-5 mol.L-1
de AgNO3 e 90. 10-5 mol.L-1 de NaBH4 (inferior). Gráfico de intensidade
em função do tamanho.

Gráficos 3.8 e 3.9: Distribuição de tamanho de partículas no colóide de 51


nanopartículas de prata sintetizadas com concentrações finais de AgNO3
de 5.10-5 mol.L-1 e 95.10-5 mol.L-1 de NaBH4 (superior) e 10.10-5 mol.L-1
de AgNO3 e 90. 10-5 mol.L-1 de NaBH4 (inferior). Gráfico do número de
partículas em função do tamanho.

Gráfico 3.10: Histograma de distribuição de tamanhos de nanopartículas 54


de prata.
vi
Gráfico 3.11: Evolução temporal dos espectros UV-Vis de colóides de 55
nanopartículas de prata sintetizados com concentração final de AgNO3
como sendo 10.10-5 mol.L-1 e de NaBH4 como sendo 90.10-5 mol.L-1 ao
longo de 96 horas.

Gráfico 3.12: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de 57


prata em diferentes pHs.

Gráfico 3.13: Valores de max de colóides de nanopartículas de prata em 58


diferentes pHs. Em preto nossos resultados, em vermelho resultados
obtidos por Aroca et. al.

Gráfico 3.14: Valores de potencial zeta de colóides de nanopartículas de 60


prata em diferentes pHs. Em preto nossos resultados, em vermelho
resultados obtidos por Aroca et. al.

Gráfico 3.15: Valores de FWHH de colóides de nanopartículas de prata 61


em diferentes pHs.

Gráfico 3.16: Espectro de absorção no UV-Vis da molécula orgânica 5- 62


fluorouracil com comprimento de onda no máximo de absorção ( max) de
265 nm.

Gráfico 3.17: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de 63


prata em diferentes pHs modificados com 5-fluorouracil.

Gráfico 3.18: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de 65


prata não-modificadas (em vermelho) e modificados com 5-fluorouracil
em pH 5. No primeiro caso apenas um modo de oscilação de plasmons
superficiais (nanopartículas esféricas), no segundo caso dois modos de
oscilação (presença de nanopartículas em forma de bastão).

Gráfico 3.19: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de 70


prata em diferentes pHs modificados com 5-fluorouracil.

vii
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1: Volumes e concentrações finais de AgNO3 e NaBH4 para 33


síntese de nanopartículas de prata.

49
Tabela 3.1: Valores de , e de
colóides de nanopartículas de prata sintetizadas com diferentes
concentrações de finais de AgNO3 e de NaBH4 e diluídos em água
deionizada.

Tabela 3.2: Valores de , e de 56


colóides de nanopartículas de prata ao longo de 96 horas.

viii
LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

A: absorbância em espectroscopia UV-Vis

AFM: microscopia de força atômica (do inglês, atomic force microscopy)

Ag: prata

AgNO3: nitrato de prata

Amax: valor máximo de absorção óptica

Au: ouro

b: caminho óptico de uma cela de espectroscopia UV-Vis

c: concentração das espécies absorventes, medida em mol.L -1

C4H3FN2O2: 5-fluorouracil

Cu: cobre

D: coeficiente de difusão translacional (do inglês, translational diffusion


coefficient)

DH: diâmetro hidrodinâmico;

DLS: espalhamento dinâmico de luz (do inglês, dinamic light scattering)

DNA: ácido desoxirribonucléico (do inglês, deoxyribonucleic acid)

EFM: microscopia de força elétrica (do inglês, eletric force microscopy)

FWHH: largura à meia-altura (do inglês, full width at half-height)

H2SO4: ácido sulfúrico

k: constante de Boltzmann;

LDV: velocidade de laser Doppler (do inglês, laser Doppler velocimetry).

LFM: microscopia de força lateral (do inglês, lateral force microscopy)

MFM: microscopia de força magnética (do inglês, magnetic force


microscopy)

Na3C6H5O7: citrato de sódio

ix
NaBH4: borohidreto de sódio

NaOH: hidróxido de sódio

NIR: infravermelho próximo (do inglês, near infrared)

P: intensidade do feixe de radiação emergente de uma amostra

Po: intensidade do feixe de radiação incidente numa amostra

SERS: espectro Raman aumentado pela superfície (do inglês, surface


enhanced raman scattering)

SPM: microscópia de varredura por ponta de prova (do inglês, scanning


probe microscopy)

SPR: ressonância dos plasmons superficiais (do inglês, surface plasmon


resonance)

STM: microscopia de varredura por tunelamento (do inglês, scanning


tunneling microscopy)

T: temperatura absoluta;

TEM: microscopia eletrônica de transmissão (do inglês, transmission


electron microscopy)

UE: mobilidade eletroforética;

UV-Vis: Ultravioleta-visível

z: potencial Zeta;

ε: constante de proporcionalidade conhecida como absortividade molar


ou coeficiente de extinção e que varia de acordo com a substância. É
medida em L.mol-1.cm-1

ε: constante dielétrica;

η: viscosidade;

função de Henry.

max: comprimento de onda no máximo de absorção óptica

x
PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

Artigos completos publicados em periódicos:

ANDRADE, J. E.; CUNHA, F.; AGUIAR, H. B. Silver Nanoparticles Self Assembled


on HOPG: Unusual Behavior as Probed by Scanning Tunneling Microscopy.
Microscopy & Microanalysis, v. 11, p. 158-161, 2005.

Resumos publicados em anais de congressos:

ANDRADE, J. E.; CUNHA, F.; LIMA, T. A. Adsorção de 5-fluorouracil na superfície


de nanopartículas de prata sob diferentes pHs para a formação de nanocristais de
formas irregulares In: XXV Encontro de Físicos do Norte e Nordeste, 2007, Natal -
RN. CD de resumo do XXV Encontro de Físicos do Norte e Nordeste, 2007.

ANDRADE, J. E.; CUNHA, F.; LIMA, T. A. Efeito da proporção de reagente na


síntese de nanopartículas de prata In: XII Encontro Sergipano de Física, 2007,
São Cristóvão - SE. CD de resumos do XII Encontro Sergipano de Física, 2007.

ANDRADE, J. E.; CUNHA, F.; LIMA, T. A. Estudo do efeito de concentração e pH


em nanopartículas de prata via UV-Vis e DLS In: III Encontro de Pós-Graduação -
UFS, 2007, São Cristóvão - SE. Livro de resumos do III Encontro de Pós-
Graduação - UFS, 2007.

ANDRADE, J. E.; LIMA, T. A., CUNHA, F.; LOPES, M. A. G. Modificação


morfológica de nanopartículas de prata por fotoestimulação In: XII Encontro
Sergipano de Física, 2007, São Cristóvão - SE. CD de resumos do XII Encontro
Sergipano de Física, 2007.

ANDRADE, J. E.; LOPES, M. A. G.; CUNHA, F.; LIMA, T. A. Preparação de


nanopartículas metálicas de formatos geométricos através de iluminação facilitada
por moléculas orgânicas In: XII Encontro Sergipano de Física, 2007, São
Cristóvão - SE. CD de resumos do XII Encontro Sergipano de Física, 2007.
xi
ANDRADE, J. E.; LIMA, T. A.; CUNHA, F.; LOPES, M. A. G. Síntese e
caracterização de nanopartículas de prata triangulares In: XXV Encontro de
Físicos do Norte e Nordeste, 2007, Natal - RN. CD de resumos do XXV Encontro
de Físicos do Norte e Nordeste, 2007.

ANDRADE, J. E.; CUNHA, F.; LIMA, T. A. Crescimento e caracterização de


nanocristais de formas irregulares In: II Encontro de Pós-Graduação - UFS, 2006,
São Cristóvão - SE. CD de resumos do II Encontro de Pós-Graduação - UFS,
2006.

ANDRADE, J. E.; CUNHA, F.; ALMEIDA, L. E. Síntese e caracterização de


nanopartículas de prata modificadas com 5-fluorouracil: dependência do pH In:
XXIX Encontro Nacional de Física da Matéria Condensada, 2006, São Lourenço -
MG. CD de resumos do XXIX Encontro Nacional de Física da Matéria
Condensada, 2006.

xii
PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS

XXV Encontro de Físicos do Norte e Nordeste, Natal - RN, 2007.

II Workshop da Rede Cooperativa de Nanofotônica, Recife - PE, 2007.

III Encontro de Pós-Graduação - UFS, São Cristóvão - SE, 2007.

XII Encontro Sergipano de Física, São Cristóvão - SE, 2007.

XXIX Encontro Nacional de Física da Matéria Condensada, São Lourenço - MG,


2006.

II Encontro de Pós-Graduação - UFS, São Cristóvão - SE, 2006.

I Workshop de Materiais e Química Verde, São Cristóvão - SE, 2006.

XI Encontro Sergipano de Física, São Cristóvão - SE, 2006.

xiii
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO

1
1.1 – Nanociência e nanotecnologia

A natureza freqüentemente apresenta características da matéria na escala


macroscópica diferente das escalas moleculares e atômicas. Na escala
nanométrica, ou seja, na escala de bilionésimo de metro, fenômenos que não
ocorrem em outras escalas de tamanho, como tunelamento quântico, auto-
organização, etc podem ocorrer. Para abordar o estudo na escala nanométrica,
novas técnicas, teorias e equipamentos tiveram de ser desenvolvidos para
elucidação deste novo ramo da ciência, a nanociência.1-3

O objetivo da nanociência é entender as leis que regem as estruturas


nanométricas, para se obter controle molecular e utilizar este conhecimento para
o desenvolvimento de tecnologia. A esta modalidade é dado o nome de
nanotecnologia. Nanociência e nanotecnologia são, portanto ciência e tecnologia
que acontecem na escala nanométrica de maneira controlável e reprodutível.1;2

Um dos reflexos da nanociência e da nanotecnologia é o desenvolvimento


de dispositivos cada vez menores, ou seja, a miniaturização, que é mais evidente
em dispositivos eletrônicos. No entanto, até o momento, todos os métodos de
fabricação manipulam os átomos em grandes quantidades. Mesmo a fabricação
ultrafina de chips de computador trata os átomos de forma estatística. Para que
haja a manipulação de materiais em níveis atômicos, é necessário o
entendimento das leis que regem o comportamento destas nanoestruturas.1;2

Conhecendo-se estas leis, pode-se criar nanoestruturas com forma,


tamanho e funções definidas, e que estas nanoestruturas se auto-organizem (self
assembly), pois é inviável manipular átomo a átomo para a criação de
nanoestruturas. Os átomos, por exemplo, se organizam naturalmente em arranjos
periódicos (cristais) desde que algumas condições físicas sejam satisfeitas (ou
seja, não é necessário enfileirá-los um a um). Os fulerenos e os nanotubos de
carbono que são átomos de carbono auto-organizados; outro exemplo é a auto-
organização da molécula de ácido desoxirribonucléico (DNA, do inglês,
deoxyribonucleic acid).1;2;4;5
2
Existe, portanto o desafio de entender como estruturas complexas podem
se auto-ordenar e como este processo pode ser utilizado para preparar estruturas
com geometria pré-determinada. Desta forma, torna-se necessária a construção
de uma ampla base de dados experimentais para melhor entender o processo de
auto-organização. 2

Diversas aplicações da nanotecnologia podem ser encontradas nas mais


diversas áreas, como na informática (armazenamento de informações), medicina
(biosensores e quimiosensores) etc.6;7

Para o entendimento e caracterização de nanomateriais as mais variadas


técnicas têm sido criadas e utilizadas, cada uma apresentando suas
peculiaridades. Entre as técnicas de maior destaque hoje são as espectroscopias
(Raman, SERS, UV-Vis) e as microscopias (STM, AFM, TEM, MEV etc.), além de
medidas de potencial Zeta, além de tamanho de partículas através de
espalhamento dinâmico de luz (DLS). Algumas destas técnicas serão discutidas
nas seções seguintes. 2

1.2 – Soluções coloidais de nanopartículas de prata

1.2.1 – Introdução aos colóides

1.2.1.1 – Definição e classificação

A matéria se apresenta em três estados físicos: sólido, líquido e gasoso. Se


um desses três estados está finamente disperso em outro, dizemos que temos um
sistema coloidal. Este pode se apresentar de diversas formas, tais como: 8;9

Aerosol: dispersão fina de líquidos ou partículas sólidas em um gás.


Exemplos: névoa e fumaça;

Emulsão: são colóides formados por líquido disperso em outro líquido ou


sólido. Exemplos: leite, maionese, queijo e manteiga;

Emulsão inversa: dispersão de fase aquosa em uma fase não aquosa.


Exemplo: petróleo não-refinado;

3
Sol ou solução coloidal: partículas sólidas dispersas finamente em um
meio líquido. Exemplo: tintas, soluções coloidais de nanopartículas metálicas;

Gel: dispersão de macromoléculas num líquido;

Associação de colóides: Moléculas de substâncias ativas em superfície


(por exemplo, surfactantes) são associadas para formar pequenos agregados
(micelas) na água. Os agregados formados por certas substâncias podem adotar
uma estrutura ordenada e formar cristais líquidos.

1.2.1.2 – Estabilidade coloidal e teoria DVLO

Fatores externos ou a gravidade podem fazer com que partículas em


dispersão formem agregados de tamanho maior pela adesão de umas às outras
(figura 1.1). Um agregado inicialmente formado é chamado de floco e a sua
formação é conhecida como floculação. Este processo é reversível, cujo inverso é
a desfloculação. Se os agregados mudam para uma forma mais densa, dizemos
que sofreu coagulação, que é um processo irreversível. 8

Figura 1.1: Esquema de processos floculação, coagulação e sedimentação que podem ocorrer
8
com sistemas coloidais.
4
Em 1940, Derjaguin, Verway, Landau e Overbeek desenvolveram a teoria
que trata da estabilidade coloidal, que ficou conhecida como teoria DVLO (cujo
nome é formado pelas iniciais dos nomes de seus criadores). Esta teoria forneceu
à ciência dos colóides e de superfície os fundamentos de um modelo quantitativo
para as interações entre macro-partículas onde dois tipos de forças de natureza
eletromagnéticas, as forças eletrostáticas da dupla camada e as forças atrativas
de van der Waals, agem entre as partículas em função da distância entre elas. A
estabilidade de um sistema coloidal é determinada pela soma destas forças.8

A teoria DVLO propõe que uma barreira de energia, resultante das forças
repulsivas impede que duas partículas se aproximem e se juntem. Porém, se a
partícula possui energia suficiente para romper esta barreira, a força atrativa irá
puxá-las e colocá-las em contato irreversivelmente.

Existem dois mecanismos fundamentais que afetam a estabilidade coloidal:


a repulsão estérica e a repulsão eletrostática (figura 1.2).

Figura 1.2: Os dois mecanismos fundamentais que afetam a estabilidade coloidal: a repulsão
8
estérica (esquerda) e a eletrostática (direita).

A primeira envolve a adição de polímeros apropriados, por um processo


simples, que o polímero se adsorve na superfície das partículas causando
repulsão. O inconveniente nesta técnica é a dificuldade em flocular o sistema
posteriormente caso seja necessário, e a presença do polímero que pode não ser
desejada.4
5
A segunda é um efeito de interação de partículas devido à distribuição de
espécies carregadas no sistema. A estabilização ou a floculação do sistema pode
ser modificada simplesmente pela alteração da concentração de íons no sistema,
além de ser processo reversível.

1.2.2 – Histórico das nanopartículas de prata

Nanopartículas metálicas em soluções coloidais são conhecidas e


utilizadas desde a Antigüidade. Nanopartículas de prata, por exemplo, eram
utilizadas para purificar água. Outra utilização notável de nanopartículas metálicas
é o famoso Cálice de Licurgo (figura 1.3), que se encontra atualmente no Museu
Britânico. O Cálice de Licurgo é uma peça do quarto século a.C., feita de vidro e
nela incorporadas nanopartículas de prata e de ouro. Vista do exterior, o cálice
apresenta a figura mitológica de Licurgo, nela gravada em verde. Iluminada do
interior, a figura muda para o avermelhado (figura 1.3).2

A diferença de cores decorre da diferença entre reflexão e refração. A luz


refletida pela superfície do cálice filtra alguns comprimentos de onda devido à sua
própria estrutura óptica. A luz que é refratada através do vidro, no entanto, além
de ser absorvida como na superfície, também é absorvida pelas nanopartículas
metálicas em seu interior, mudando assim o espectro visível.10

Figura 1.3: Esquerda: Cálice de Licurgo, que visto do exterior, a figura nela gravada em verde,
mas iluminada do interior, a figura muda para o avermelhado. Direita: Microscopia eletrônica de
transmissão mostrando uma nanopartícula metálica.
6
Neste contexto, de entender o comportamento de estruturas nanométricas,
diversos grupos de pesquisa em todo o mundo têm voltado a sua atenção para a
síntese, caracterização, modificação e aplicação de nanopartículas metálicas,
sobretudo do grupo 11 da tabela periódica (Au, Ag e Cu). Esta é uma das áreas
de interesse em ciências de materiais, física, química, engenharia, biologia e
eletrônica.1;2;4;5;11-14

Investigações intensivas em nanopartículas metálicas suspensas em


solução (nanopartículas coloidais) têm sido feitas exaustivamente devido às suas
propriedades ópticas e eletrônicas fortemente dependentes do tamanho e da
forma.4;5;11-13

Porém estas partículas se encontram em um equilíbrio metaestável, ou


seja, tendem a se agregar com o tempo ou mesmo a partir de pequenas
perturbações. E esta é uma das dificuldades de se trabalhar com esses
sistemas.4;5;11-13

1.2.3 – Principais rotas de síntese de nanopartículas de prata

Existem diversas rotas de síntese descritas na literatura para preparar


nanopartículas de prata. Entre elas inclui-se a redução química de íons de prata
em soluções aquosas (com e sem agentes estabilizantes) e a decomposição
térmica em solventes orgânicos.5;11-13

Cada rota de síntese leva a peculiaridades nos resultados: nanopartículas


esféricas, elípticas, cúbicas, cilíndricas, diferentes tamanhos médios e dispersões
de tamanho e etc.

As rotas de síntese por redução química mais conhecidas são a redução


química de nitrato de prata (AgNO3) em borohidreto de sódio (NaBH4) e a redução
química de nitrato de prata em citrato de sódio (Na 3C6H5O7). A primeira fornece
nanopartículas menores, porém menos estáveis com o tempo. Já a segunda,
devido a uma capa protetora de citrato, fornece nanopartículas maiores, mas
estáveis ao longo do tempo. Neste trabalho utilizamos a primeira rota de síntese

7
por se tratar de um sistema mais simples conceitualmente, apesar de mais
complicado experimentalmente.1;5;11-14

A literatura descreve diversas variações desta rota de síntese por redução


química, mas geralmente não detalha todas as variáveis envolvidas na síntese,
como concentração inicial e final de reagentes, temperatura, pH, tempo de
agitação e velocidade de gotejamento de AgNO3, etc. Estas variáveis precisam
ser rigorosamente controlados para que haja a reprodutibilidade dos
experimentos.5;11-14

1.2.4 – Principais aplicações de nanopartículas de prata

Utilizações mais recentes podem ser encontradas na eletrônica molecular,


onde as nanopartículas metálicas têm sido utilizadas como pad condutor para
acoplamento da ponta de microscópios à molécula em estudo, por sua vez
adsorvida a uma superfície metálica, formando assim junções moleculares; a
formação de estruturas automontadas bidimensionais também já pôde ser
observada. O uso do DNA como ferramenta para crescimento de partículas, onde
algumas das aplicações é a utilização do reconhecimento molecular de
seqüências para formar estruturas bidimensionais e crescimento de
2;15
nanopartículas.

Devido ao seu pequeno tamanho, as nanopartículas de prata podem entrar


em contato com bactérias, penetrar nas mesmas e suprimir a sua respiração e
seu crescimento. Esta atividade antibacteriana (nanobiocida) já é amplamente
usada no mercado como aplicação em refrigeradores, celulares, roupas, etc.
Também são a base de sistemas nanobiotecnológicos com potencial para uso no
transporte e entrega de medicamentos dentro do organismo humano.14

Nanopartículas de prata são utilizadas como substrato em intensificação do


espalhamento Raman por superfície (SERS, do inglês, surface enhanced Raman
scattering), e apresenta grandes vantagens sob os demais substratos: são fáceis
de preparar, através da redução de sais de prata em soluções aquosas; as
nanopartículas estão se movendo sempre por movimento Browniano, mudando
8
assim a população de partículas atingida pelo laser; existe uma nova superfície
em cada análise e, além disso, nanopartículas podem ser facilmente
caracterizadas por espectroscopia UV-Vis.4;5;11;12;14;16

1.3 – Modificação com moléculas orgânicas

Um pré-requisito fundamental para o uso de nanopartículas para a


formação de nanoestruturas é a disponibilidade de blocos suficientemente
estáveis que devem ser bem caracterizados em forma e tamanho. 2

Em qualquer caso, seja para a manipulação individual de nanopartículas de


prata, ou em auto-organização de estruturas bi e tridimensionais, a estabilidade
das nanopartículas é crucial para evitar os processos de degradação tais como a
aglomeração indesejada. 2

Nanopartículas são muito instáveis e busca-se a sua passivação,


recobrindo-as com moléculas, entre elas a de citrato de sódio.

1.4 – Quimiosensores

Recentemente diversos grupos têm voltado sua atenção devido às


possibilidades de estabilização através da modificação de superfícies com a
adsorção de moléculas orgânicas. Essas moléculas adsorvidas podem ser
funcionais, com aplicações em sistemas quimiosensores host-guest, onde a
adsorção de uma segunda molécula (guest) mudaria determinadas propriedades
do sistema, como a freqüência de ressonância dos plasmons superficiais (SPR,
do inglês, surface plasmon resonance). Plasmons são oscilações coletivas de
elétrons na superfície dos metais. Outra aplicação é o uso como substrato para
estudo em espectroscopia vibracional molecular, como por exemplo, SERS. 2;17;18

Nanopartículas metálicas apresentam freqüência de SPR bem definida,


porém esta freqüência é alterada conforme o tipo de molécula utilizada para

9
estabilização. A observação no deslocamento do pico de absorção no UV-Vis não
está somente relacionada aos plasmons, mas também ao tamanho e formato das
nanopartículas.

Figura 1.4. Ilustração de funcionamento de um quimiosensor.

Na figura 1.4 vemos a ilustração do funcionamento de um quimiosensor,


temos nossas nanopartículas com uma freqüência de SPR associada a um
comprimento de onda (λ), com a adição da molécula na solução, e sua adsorção
na superfície da partícula, há um deslocamento do valor do máximo de absorção
óptica para λ’.

10
1.5 – Técnicas de caracterização

1.5.1 – Espectroscopia UV-Vis

A espectroscopia no ultravioleta-visível (UV-Vis), ou espectrofotometria,


utiliza fótons na faixa do ultravioleta próximo (UV: 200 < λ < 380-400 nm), do
visível (Vis: 380-400 nm < λ < 700-800 nm), e do infravermelho próximo (NIR, do
inglês, near infrared: 800 nm < λ < 3300 nm). Esses fótons (nesta faixa de
energia) interagem com as moléculas provocando transições eletrônicas
moleculares.19

O instrumento usado na espectroscopia UV-Vis é o espectrofotômetro


(figura 1.5), que basicamente é composto pelos seguintes instrumentos: uma
fonte de radiação eletromagnética (luz), um conjunto de componentes ópticos que
levam esta radiação até a amostra, um compartimento de amostra (cela ou
cubeta) e um ou mais detectores que medem a intensidade de radiação.19

Figura 1.5: Ilustração de funcionamento básico de um espectrofotômetro.

No esquema óptico (figura 1.5) vemos o funcionamento básico de um


espectrofotômetro. Nela vemos duas fontes de radiação eletromagnética, que
geralmente são lâmpadas de deutério (que emitem na região do ultravioleta) e de
11
tungstênio ou tungstênio-halogênio (que emitem na região do visível e
infravermelho próximo).

A luz emitida por essas lâmpadas é focalizada através de uma lente. O


feixe focalizado então passa pelo obturador e atinge a amostra. Desta forma
incidem sobre a amostra todos os comprimentos de onda emitidos pelas
lâmpadas. A amostra fica numa cela, que não absorve no comprimento de onda
utilizado e com largura de geralmente 10 mm. Essa largura, que será a distância
pela qual o feixe atravessa a amostra é chamada de caminho óptico. 19

Atravessando o caminho óptico, parte da radiação incidente é absorvida


pela amostra. O restante atinge uma lente que novamente focaliza a radiação
transmitida para uma fenda e atinge uma grade de difração. A grade de difração
tem por objetivo difratar a radiação, espalhando-a em seus diferentes
comprimentos de onda. A radiação atinge o sistema detector que converte o sinal
de intensidade de cada comprimento de onda em sinal elétrico que é interpretado
como absorbância. 19

Um dos termos amplamente utilizados em espectrometria UV-Vis é a


absorbância A. A figura 1.6 mostra uma solução absorvente de concentração c
dentro de uma cubeta de caminho óptico b. Através dela passa um feixe de
radiação de intensidade Po (feixe incidente) e após passar pela amostra (feixe
emergente) a intensidade passa a ser P.

Quando a radiação atravessa um material, algumas freqüências são


removidas ou atenuadas pela absorção. A energia é transferida para átomos, íons
ou moléculas que compõem a amostra. Se forem comparados os comprimentos
de onda da radiação absorvida com as correspondentes cores do espectro,
verifica-se que a cor da solução corresponde às cores complementares do
espectro absorvido. 19

12
19
Figura 1.6: Atenuação do feixe de radiação por uma solução absorvente.

A absorbância A de um meio é definida pela equação:

A absorbância cresce quando a atenuação do feixe torna-se maior.


Segundo a Lei de Beer, a absorbância A é proporcional ao caminho óptico b
através do meio, à concentração c das espécies absorventes e ε é uma constante
de proporcionalidade conhecida como absortividade molar ou coeficiente de
extinção e que varia de acordo com a substância.19

Como b é dado em centímetros e c em mol.L-1, a unidade de ε será então


L.mol-1.cm-1.

Os equipamentos modernos utilizam dois feixes, um que passa pela


amostra e outro pelo solvente, utilizado como referência (branco).

Um feixe de luz proveniente de um objeto, ao atravessar um meio com


partículas sofre absorção e espalhamento, que combinadamente é chamado de
extinção.

13
A extinção não só diminui a luz proveniente de um objeto, mas também a
"avermelha". Isto é, a extinção é dependente do comprimento de onda observado.
Na região visível do espectro eletromagnético, a parte azul é mais afetada que a
vermelha. Entre os fatores que contribuem para a extinção podemos citar
absorção por bandas moleculares (H2O, O2, OH, etc) e espalhamento por
moléculas por moléculas. 10

Para que a Lei de Beer seja totalmente satisfeita é necessário que haja
pouco espalhamento. 10;19

1.5.2 – Espalhamento dinâmico de luz - DLS

Espalhamento dinâmico de luz (DLS, do inglês, dynamic light scattering) é


uma técnica utilizada para a determinação do tamanho de partículas em soluções
coloidais. Nesta técnica a amostra é iluminada por um laser e a intensidade da luz
espalhada resultante é dependente do tamanho da partícula. Análises dessas
flutuações de intensidade dão o coeficiente de difusão e através deste pode-se
calcular o tamanho das partículas. 8

Partículas suspensas em líquido nunca estão paradas, estão se movendo


constantemente devido ao movimento Browniano e devido às colisões aleatórias
(randômicas) com as moléculas do líquido que envolvem a partícula. A
característica importante do movimento Browniano para o DLS é que partículas
pequenas movem-se mais rapidamente que as partículas maiores. Ou seja,
partículas maiores se movem mais lentamente e espalham mais o laser.
Partículas menores se movem mais rapidamente e espalham menos o laser. A
relação entre o tamanho da partícula e sua velocidade devido ao movimento
Browniano é definida pela equação de Stokes-Einstein (eq. 1.1): 8

Equação 1.1

Em que:
DH: diâmetro hidrodinâmico;

14
k: constante de Boltzmann;
T: temperatura absoluta;
η: viscosidade;
D: coeficiente de difusão translacional;

A técnica consiste na medida das flutuações dependentes do tempo da


intensidade da luz espalhada pelas partículas que estão em constante movimento
Browniano, e relaciona este com o tamanho da partícula. Isto decorre do fato que
uma partícula pequena, iluminada por uma fonte de luz espalhará luz em todas as
direções.

A velocidade do movimento Browniano é medida e é chamada de


coeficiente de difusão translacional D (do inglês, translational diffusion coefficient).
Este coeficiente de difusão pode ser convertido para diâmetro hidrodinâmico (DH)
usando a equação de Stokes-Einstein. 8

Os resultados de um experimento de DLS podem ser apresentados como


uma distribuição da intensidade de espalhamento, do número de partículas e do
volume das partículas em função do diâmetro (ou raio) das partículas. Para
esclarecer este ponto apresentamos um experimento hipotético onde colocamos
duas quantidades iguais de partículas, uma delas com um diâmetro médio de 5
nm e outra com diâmetro médio de 50 nm. Para exemplificar a diferença entre
eles considere dois grupos de partículas de 5 e 50 nm, na proporção em número
de 1:1 (figura 1.7).

Este tipo de distribuição conhecida como bi-dispersa, deverá fornecer


gráficos de estruturas bem definidas. No primeiro caso, onde se obtém o número
de partículas em função do diâmetro, devemos obter um gráfico com dois picos
de igual intensidade. 8

O segundo gráfico (figura 1.7), de volume em função de diâmetro,


apresenta um pico bem maior na banda referente às partículas de 50 nm.

Vejamos o por quê: o volume de uma esfera é dada por . Desta forma,

uma partícula de 5 nm terá um volume de 65,5 nm 3, e a de 50 nm um volume de

15
65.449,8 nm3. Ou seja, a nanopartícula de 50 nm possui volume 1.000 vezes
maior, o que se reflete no gráfico correspondente.

O terceiro gráfico (figura 1.7) mostra o resultado como função de


intensidade. Da aproximação de Rayleigh8;10, a intensidade espalhada pela
partícula é proporcional à sexta potência do seu diâmetro: I ~ D6. Então a
intensidade da partícula de 50 nm será 1.000.000 vezes maior.

Figura 1.7: Representação de resultado de DLS de distribuição de intensidade, número e volume


de partícula em função do diâmetro de partícula. Considerando-se partículas de 5 e 50 nm, em
8
igual número.
Como o equipamento mede a variação da intensidade espalhada, os
resultados de distribuição de número ou volume de partícula, são gerados a partir
da distribuição de intensidade.

1.5.3 – Potencial Zeta

A maioria das partículas em uma dispersão coloidal aquosa carrega uma


carga elétrica. Esta carga de superfície pode ter muitas origens, dependendo da
natureza da partícula e do meio ao redor. 12

Uma das origens é devido à dissociação de alguns grupos ácidos (H+) ou


básicos (OH–), que deixa a superfície da partícula carregada negativamente ou
positivamente, respectivamente. Além disso, a magnitude da carga na superfície
16
dependerá da força que ácidos e bases exercem na superfície, e do pH da
solução. 11;12

Desta forma, uma distribuição de cargas na superfície da partícula afeta a


distribuição de íons em volta da região de interface, resultando num aumento na
contagem de íons (íons de carga oposta àquela da partícula) perto da superfície.
Então uma dupla camada elétrica existirá em volta de cada partícula (figura 1.8).

Figura 1.8: Representação da dupla camada elétrica e da variação do potencial Zeta com a
8
distância de uma partícula carregada negativamente.

17
O potencial Zeta é um bom índice da magnitude da interação entre
partículas coloidais. Medidas de potencial Zeta são usadas para avaliar a
estabilidade de sistemas coloidais.

O fator mais importante que afeta o potencial Zeta é o pH. Um valor de


Zeta potencial sozinho sem um pH associado e sem a descrição do ambiente é
um número virtualmente sem sentido. Por exemplo, se temos uma partícula com
potencial Zeta negativo em solução, e adicionamos a essa suspensão uma base
(OH–) então a partícula tenderá a adquirir mais cargas negativas. Se ácido for
adicionado (H+) chegará um ponto em que a carga negativa será neutralizada.
Aumentando-se a concentração de ácido, a partícula terá carga positiva.8;12

Desta forma uma curva de potencial Zeta versus pH será positiva nos pHs
baixos e negativa nos pH altos (figura 1.9).

Figura 1.9: Curva de potencial Zeta em função de pH: positiva nos pHs baixos e negativa nos
8
altos.

18
O ponto de intersecção do pH, onde o potencial Zeta é zero, é chamado de
ponto isoelétrico, e é muito importante, pois é neste ponto que o sistema coloidal
é menos estável (figura 1.9). Ou seja, não haverá nenhuma força para impedir
que as partículas se juntem e floculem.

Na figura 1.9 vemos um caso em que entre o pH 4 e 8 as partículas estão


instáveis. Fora deste intervalo as cargas são suficientes para conferir estabilidade
às partículas. O ponto isoelétrico está em torno do pH 6.

Uma importante conseqüência da existência de cargas elétricas na superfície


20
é que as partículas serão afetadas por um campo elétrico aplicado. Estes
efeitos são coletivamente definidos como efeitos eletrocinéticos, e dependendo do
modo como o movimento é induzido são conhecidos como eletroforese e
eletrosmose.

Eletroforese: é o movimento de uma partícula carregada em relação ao


líquido no qual está suspenso, sob a influência de um campo elétrico
aplicado;
Eletrosmose: é o movimento de um líquido em relação a uma superfície
carregada estacionária, sob a influência de um campo elétrico aplicado.

1.5.3.1 – Eletroforese e eletrosmose

Quando um campo elétrico é aplicado através de eletrodos, as partículas


carregadas suspensas no eletrólito são atraídas para o eletrodo de carga oposta.
20

As partículas movem-se com uma velocidade característica que é


dependente da força do campo elétrico aplicado (medido pelo equipamento), da
viscosidade e da constante dielétrica do meio e do potencial Zeta. A velocidade
da partícula em unidade de campo elétrico é conhecida como sendo mobilidade
eletroforética. O potencial Zeta está relacionado com a mobilidade eletroforética
pela Equação de Henry (equação 1.2):8;21

19
Equação 1.2

Em que:

UE: mobilidade eletroforética;

ζ: potencial Zeta;

ε: constante dielétrica;

η: viscosidade;

função de Henry.

As unidades de são comprimento recíproco e a “espessura” da


dupla camada elétrica (o comprimento de Debye); é o raio da partícula; éa
relação do raio da partícula com a espessura da dupla camada.8

Para partículas em meios polares o valor máximo de é 1,5


(aproximação de Smoluchowski) e para em meios apolares o valor máximo de
é 1 (aproximação de Hückel) (figura 1.10).

8
Figura 1.10: Aproximação de Smoluchowski e de Hückel para os valores de .

20
Considerando as paredes do capilar da cela, que possui uma superfície
carregada, então, a aplicação de um campo elétrico no capilar leva o líquido a fluir
pelas paredes da cela, através de eletrosmose (figura 1.11).

As partículas coloidais serão sujeitas a este fluxo sobreposto à sua


mobilidade eletroforética, e este precisa ser levado em conta. Entretanto, em um
sistema fechado o fluxo ao longo das paredes pode ser compensado por um fluxo
reverso na parte central de baixo do capilar em um perfil parabólico. A posição da
camada estacionária é dependente da geometria da cela e pode ser determinada
para algum capilar da cela. 8

Neste ponto da cela no qual o fluxo eletrosmotico é zero, é medida a


velocidade da partícula devido à sua verdadeira mobilidade eletroforética. Este
ponto é chamado de camada estacionária (figura 1.11). 8

Figura 1.11: Cela capilar com eletrodo. Em destaque o movimento de cargas na camada
8
estacionária.

Um sistema de eletroforese consiste de uma cela capilar com eletrodos no


seu final, onde o potencial é aplicado (figura 1.11 e 1.12). Os métodos mais

21
antigos para medir a mobilidade eletroforética envolvem a observação individual
de partículas usando um microscópio e cronometrando o seu trânsito através de
uma grade (figura 1.12). As tecnologias atuais (figura 1.13) utilizam a medida da
velocidade de laser Doppler (LDV, do inglês, laser Doppler velocimetry). 8

Figura 1.12: Sistema antigo de eletroforese, utilizado para medida de mobilidade eletroforética,
que consiste na observação individual de partículas usando um microscópio e cronometrando o
8
seu trânsito através de uma grade.

Nesta nova técnica (figura 1.13), feixes de laser são alinhados na camada
estacionária na cela. No ponto de cruzamento dos campos, franjas devido à
interferência de Young com espaçamentos conhecidos são formados. Partículas
se movendo através das franjas sofrem a influência do campo elétrico aplicado
espalham a luz na qual a intensidade flutua com uma freqüência que é
relacionada com a velocidade da partícula. 8

Figura 1.13: Figura de interferência formada, utilizada para medida de mobilidade eletroforética
8
em sistemas mais modernos.

Os fótons detectados são enviados para um equipamento digital que faz a


correlação. Um espectro de freqüência é produzido e conseqüentemente a
mobilidade e o potencial Zeta são calculados (figura 1.14).
22
Figura 1.14: Medida de mobilidade eletroforética em sistemas mais modernos.

Partículas sem cargas (neutras) não se movem com campo elétrico


aplicado, então desta forma não podem ser detectadas. O problema é fazer as
franjas de interferência moverem-se, então se usa um dispositivo chamado
modulador. Caso o modulador se mova e a partícula não, é detectada uma
freqüência igual ao do modulador; caso as franjas e as partículas se movam é
detectada uma freqüência diferente daquela do modulador. Isto é chamado efeito
Doppler.

1.5.4 – Microscopia de varredura por tunelamento – STM

Uma ferramenta essencial para o desenvolvimento da Nanotecnologia são


os microscópios de varredura por ponta de prova (SPM, do inglês, scanning probe
microscopes). A microscopia de varredura por tunelamento (STM, do inglês,
scanning tunneling microscopy) foi a primeira técnica de SPM a ser criada. Ela
surgiu em 1981 nos Laboratórios da IBM, em Zurique, como resultado do trabalho
de Gerd Binning e Heinrich Rohrer, que foram agraciados com o Prêmio Nobel de
Física de 1986 por esta invenção. 1;19;22-24

23
O STM foi o primeiro equipamento experimental a gerar imagens em
espaço real de superfícies, com resolução atômica, contudo, essas imagens não
são triviais de serem interpretadas, exigindo experiência e conhecimento científico
do operador. As imagens de alta resolução podem fornecer informações de várias
propriedades da amostra em estudo. Depois do STM outras técnicas foram
desenvolvidas, como a microscopia de força atômica (AFM, do inglês, atomic
force microscopy), microscopia de força lateral (LFM, do inglês, lateral force
microscopy), entre outras.19;22-24

O funcionamento do STM baseia-se no fenômeno chamado tunelamento


quântico, em que elétrons podem atravessar uma região proibida classicamente.
O tunelamento ocorre entre uma ponta de prova metálica e a superfície de uma
amostra condutora (figura 1.15). A intensidade da corrente de tunelamento tem
um comportamento exponencial em função da distância entre a ponta de prova e
a amostra a ser estudada, assim o tunelamento só ocorre através do último átomo
(figura 1.15). O controle da aproximação da ponta e da varredura da amostra é
feito através de cerâmicas piezelétricas (materiais que dilatam conforme a tensão
elétrica aplicada).19;22-24

22
Figura 1.15: Princípio de funcionamento da STM (microscopia de varredura por tunelamento).

Existem dois modos de varredura no STM: corrente constante ou distância


constante (figura 1.16). No modo corrente constante a corrente de tunelamento
é fixada. Quando a ponta encontra uma região mais baixa, a corrente decai
fazendo com que a ponta se aproxime, através de um sistema de feedback
eletrônico, da amostra para manter a corrente no valor prefixado. É claro que,

24
devido às irregularidades na amostra, a corrente oscila na faixa de alguns
nanoamperes. No modo de distância constante, a ponta varre a amostra a uma
distância fixa.19;22-24

22
Figura 1.16: Modos de funcionamento do STM: altura constante e corrente constante.

A partir destas medidas, se formam imagens na tela de computador que


consistem de muitas colunas ou linhas de informação colocadas umas sobre as
outras que descrevem o tipo de interação entre ponta e amostra, no caso do STM
a corrente de tunelamento.

1.6 – Objetivos

Este trabalho tem por objetivo, sintetizar nanopartículas de prata, modificá-


las, e utilizá-las como quimiosensor de 5-fluorouracil.

25
CAPÍTULO 2: PARTE EXPERIMENTAL

26
2.1 – Síntese de nanopartículas de prata

Sintetizamos soluções coloidais de nanopartículas de prata pelo método


descrito por Creighton et al, que consiste na redução química de nitrato de prata
(AgNO3) por borohidreto de sódio (NaBH4), segundo a reação (equação 2.1)1;12;16

-
Equação 2.1

Nesta rota de síntese há a redução de íons de prata (Ag+) para prata


metálica (Ag0) seguida de uma agregação controlada resultando na formação das
nanopartículas de prata metálica, segundo a reação (equação 2.2). 12

Equação 2.2

Trata-se de uma rota de síntese bastante simples, já que não exige a


utilização de instrumentação cara, porém exige bastante cuidado, principalmente
no que se diz respeito ao controle de variáveis envolvidas na rota de síntese o
que pode levar a uma difícil reprodutibilidade.

Após investigações preliminares realizadas, iniciamos nosso trabalho com


concentração de AgNO3 e de NaBH4 (agente redutor) ambos na concentração de
0,001 mol.L-1. Usamos esta concentração, já que para concentrações maiores de
AgNO3 e de NaBH4 (por exemplo 0,005 e 0,01 mol.L-1) tivemos dificuldade em
manter o colóide estável, até mesmo com pequenas adições de AgNO3. Isto era
observado pelo enegrecimento da solução coloidal, seguido pela precipitação,
tenho como resultado uma solução cinza com material sólido no fundo do béquer.
Tal fenômeno era observado imediatamente ou em poucas horas após a síntese.

A concentração inicial dos reagentes tem um papel importante na


estabilidade e concentração final do colóide. Variáveis tais como a temperatura,
velocidade de agitação e velocidade de gotejamento, aliadas à concentração
inicial, determinam a probabilidade de colisão e agregação dos átomos de prata
metálica formados. Estas colisões levam à nucleação de nanopartículas cujo
tamanho é limitado, a priori, por estas mesmas variáveis. A presença de
impurezas e a exposição à radiação eletromagnética (luz) induzem um aumento

27
descontrolado não apenas das nanopartículas monocristalinas, mas também de
uma agregação das mesmas para proporções microscópicas, desestabilizando
totalmente o colóide12.

Mantivemos sob o nosso controle neste trabalho, para maior


reprodutibilidade, variáveis importantes como temperatura de síntese,
concentração inicial e final de reagentes, velocidade de agitação, velocidade de
gotejamento de AgNO3 (figura 2.1).12;13

Figura 2.1: Variáveis envolvidas na síntese de nanopartículas prata por redução química de
AgNO3 por NaBH4 mantidas sob controle.

No entanto, algumas variáveis não puderam ser mantidas sob controle


durante a síntese, como pH, controle de atmosfera, etc.

Neste trabalho, gotejamos a uma velocidade de 1 mL/min a solução de


AgNO3 em NaBH4 sob agitação, ambos com temperatura em torno de 5°C (figura
2.2). A temperatura foi mantida constante utilizando-se um banho gelado, com
água e gelo. Para monitorarmos a temperatura, utilizamos termômetro de
mercúrio graduado de -10 a 100ºC com precisão de 0,1ºC.

28
Figura 2.2: Esquema de gotejamento de AgNO3 em NaBH4 para síntese de nanopartículas prata.

O gotejamento, por efeito de gravidade, foi feito através de uma agulha de


aço inoxidável acoplada a uma seringa plástica descartável de 5 mL (figura 2.3).
Este dispositivo, bastante simples, mostrou-se bastante eficiente por manter a
velocidade de gotejamento praticamente constante (1 mL/min), e pela pequena
quantidade de solução de AgNO3 adicionada a cada gota (volume médio: 12,0 ±
0,4 L), facilitando o processo de redução química. Havíamos tentado outros
dispositivos para fazer este tipo de gotejamento, e que se mostraram ineficientes.
Principalmente no que se diz respeito ao volume da gota adicionada e à
velocidade que não se mantinha constante.

Após a síntese, esperou-se cerca de 15 minutos com o colóide ainda no


agitador magnético. Passado esse período retirou-se o colóide do banho gelado e
esperou-se atingir a temperatura ambiente, para dar seqüência às próximas
etapas do procedimento experimental. Muito cuidado foi necessário nesta fase,
pois até mesmo o fato de segurar o recipiente (transferir energia) pode provocar
alteração visível na coloração do colóide. Em nenhum momento da síntese foi
inserido qualquer objeto, ou artefato, para não provocar desequilíbrio
termodinâmico e/ou contaminação, e induzir à precipitação do colóide.12;13

29
Figura 2.3: Aparato experimental utilizado para síntese de nanopartículas prata. 1 – Seringa com
agulha gotejando solução de AgNO3; 2 – Solução de NaBH4 em banho gelado; 3 – Solução de
AgNO3 em banho gelado; 4 – Banho gelado (água e gelo); 5 – Agitador magnético; 6 –
Termômetro; 7 – Suporte para a seringa.
Nos casos em que houve a necessidade de utilizar os mesmos colóides em
dias seguintes (estudo de estabilidade temporal), estes foram guardados em
frascos fechados, envoltos por papel alumínio e mantidos em geladeira, para
minimizar os efeitos de contaminação, exposição à luz, e altas temperaturas,
respectivamente. Isto fez-se necessário por observarmos que em alguns casos
em que deixamos o colóide em geladeira em recipiente sem maiores isolamentos
com o meio, ocorria a precipitação do colóide. Acreditamos que isto ocorra devido
a gases existentes dentro da geladeira, liberados por substâncias de amostras de
outros pesquisadores. 12;13
30
Todos os recipientes utilizados em nossos experimentos são de vidro, e
lavados previamente com detergente neutro e, depois de enxaguados,
permaneceram imersos em solução supersaturada de permanganato de potássio
(KMnO4) por pelo menos 12 horas. Depois que é retirado o excesso de KMnO4
com água destilada os recipientes são imersos em solução diluída de peróxido de
hidrogênio (H2O2 – 30 mL, H2O deionizada – 70 mL) por pelo menos meia hora, e
em seguida enxaguados diversas vezes com água deionizada, para que não
fiquem vestígios do H2O2. Realizado esse protocolo de limpeza, os recipientes
encontram-se prontos para o uso. O mesmo procedimento de limpeza é realizado
com o termômetro e as barras magnéticas (“peixinhos”) utilizados nos
procedimentos em que é necessária a agitação.

Utilizamos como instrumentos para as medidas de volumes maiores os


balões volumétricos e/ou buretas, e para os volumes menores, pipetadores
automáticos (Digipet e Labmate com volume variável de 20-200 L e de 100-1000
L, respectivamente) com ponteiras descartáveis de polipropileno.

Toda a água utilizada nos experimentos foi deionizada com resistividade de


18 MΩ.cm, o deionizador utilizado é fabricado pela Permution. O deionisador
possui resina catiônica e aniônica, que remove os íons presentes na água,
neutralizando sua carga elétrica pela remoção ou adição de elétrons. Além disso,
remove da água os nitratos, cálcio e magnésio além de cádmio, bário, chumbo e
algumas formas de rádio.

Para a pesagem utilizamos balança de precisão (Kern 410, com precisão


de ± 0,0005 g).

Todos os reagentes utilizados foram de alto grau de pureza: o 5-fluorouracil


fabricado pela Sigma-Aldrich (pureza ≥ 99,0% HPCL), o AgNO3 e o NaBH4 pela
Quimex (P.A.).

Todos os reagentes foram armazenados em dessecador para evitar a


absorção de água. Além disso, foram usados da maneira que chegaram, sem
novos processos de purificação. Alguns deles foram envoltos por papel alumínio
para minimizar efeitos de exposição à luz, e lacrados com filme de parafina para
minimizar ainda mais os efeitos de umidade. Além disso, foram separados em
31
alíquotas e usados exclusivamente neste trabalho, para que não ocorressem
influências de contaminações externas e alheias ao nosso controle.

As medidas de absorção óptica foram feitas no Espectrofotômetro UV-Vis


Lambda 45, fabricado pela Perkin Elmer, do laboratório Quibiom (Química
Biológica e Materiais) do Departamento de Química da Universidade Federal de
Sergipe (figura 2.4). Este espectrofotômetro pode realizar medidas de absorção
óptica na faixa entre 190 e 1100 nm. Além disso, o equipamento utiliza duas
cubetas, uma de referência (contendo água deionizada) e outra para análise das
amostras (colóides de nanopartículas). Neste trabalho utilizamos duas cubetas de
quartzo, também da Perkin Elmer, de caminho óptico de 10 mm.

Figura 2.4: Foto do espectrofotômetro UV-Vis Lambda 45, utilizado nas medidas de absorção
óptica.

Em todos os experimentos de absorção óptica, a linha base foi realizada


utilizando água deionizada, por tratar-se do solvente utilizado. Desta forma, os
espectros obtidos, já são desconsiderados os efeitos da absorção da água.

32
2.2 – Efeito de concentração

Esta etapa do trabalho tem por objetivo entender o efeito da concentração


final de AgNO3 influenciaria na forma, tamanho e dispersão de tamanho das
nanopartículas de prata e até qual quantidade poderia ser adicionada.

Preparamos 5 grupos de 5 amostras de 100 mL de colóide nanopartículas,


todas preparadas sob as mesmas condições, diferindo apenas nas concentrações
finais de AgNO3 e NaBH4.

A seguir, na tabela 2.1, sumarizamos o procedimento de preparação de


todas as amostras.

Volume de Volume de Concentração final de Concentração final de


Amostra
AgNO3 (mL) NaBH4 (mL) AgNO3 (10-5 mol.L-1) NaBH4 (10-5 mol.L-1)
1 5 95 5 95
2 10 90 10 90
3 15 85 15 85
4 20 80 20 80
5 25 75 25 75
Tabela 2.1: Volumes e concentrações finais de AgNO3 e NaBH4 para síntese de nanopartículas de
prata.

Realizamos medidas de UV-Vis de todos estes colóides.

Para as medidas de estudo de efeito de concentração de AgNO3 foi feita a


diluição das nanopartículas para a proporção de 1:2 (nanopartículas:água
deionizada), ambos estavam em temperatura ambiente (entre 20 e 25ºC).

A diluição tornou-se necessária visto que, para concentrações altas, a


absorbância apresentava-se maior que 1 u.a., e a partir daí ocorre espalhamento
e compromete a própria detecção do sistema detector do espectrofotômetro. Ou
seja, teríamos dificuldade em comparar resultados de UV-Vis entre os colóides, já
que alguns apresentavam perdas por espalhamento maiores que outros.
Mostraremos na discussão este efeito de perdas.

Outro ponto observado, foi que fazendo análise da amostra ainda gelada,
ocorre a condensação de água na superfície da cubeta, interferindo fortemente

33
nos resultados de absorção óptica. Por tanto, realizamos todas as medidas a
temperatura ambiente.

Para obtermos o potencial Zeta e tamanho de partículas em cada uma das


condições supracitadas, fizemos ainda medidas de DLS. Nestas medidas, não foi
realizado nenhum processo após a síntese de nanopartículas, como por exemplo,
a centrifugação, para separarmos as nanopartículas maiores das menores, ou
mesmo a utilização de ultra-som para provocar a desaglomeração dos colóides.

Para as medidas de tamanho de partículas utilizamos cubetas de


poliestireno (modelo DTS1060), e para as medidas de potencial Zeta utilizamos
celas capilares (modelo DTS1060), que acompanham o pacote básico do
equipamento Zetasizer Nano da Malvern Instruments (figura 2.5).

Figura 2.5: Direita: Cubeta plástica utilizada para medidas de tamanho de partícula. Esquerda:
Cela capilar plástica utilizada para medidas de potencial Zeta.

34
2.3 – Estabilidade temporal

Sintetizamos 100 mL de colóides de nanopartículas na concentração final


de 10.10-5 mol.L-1 de AgNO3 e 90.10-5 mol.L-1 de NaBH4 verificamos a sua
estabilidade temporal a partir de medidas de UV-Vis ao longo de 96 h, em
intervalos de 24 h. A estabilidade foi verificada através das medidas do valor
máximo de absorção óptica (Amax), o comprimento de onda no máximo de
absorção ( max) e da largura à meia-altura (FWHH, do inglês, full width at half-
height).13

Em cada um dos dias, retiramos a alíquota necessária às medidas,


aguardamos o equilíbrio térmico da mesma com o ambiente, realizamos as
medidas, e descartamo-la em seguida.

2.4 – Efeito de modificação de pH

Sintetizamos 880 mL de colóides de nanopartículas na concentração final


de 10.10-5 mol.L-1 de AgNO3 e 90.10-5 mol.L-1 de NaBH4 e separamos em
alíquotas de 50 mL. Para realizarmos os experimentos de modificação de pH,
ajustamos o pH do colóide de nanopartículas de prata utilizando soluções de
hidróxido de sódio (NaOH) e ácido sulfúrico (H2SO4), com concentrações de 0,1 e
0,05 mol.L-1.

Com este tipo de modificação de pH, este permanece fixo por um intervalo
de tempo não muito longo, porém as medidas foram feitas imediatamente após a
modificação do pH. Em todos os procedimentos, a quantidade de ácido ou base
para modificação de pH foi sempre menor que 1 mL, ou seja, a quantidade
utilizada não é suficiente para diluir o colóide.

35
Figura 2.6: Foto do equipamento de DLS Zetasizer Nano do titulador automático MPT-2
(MPT-2 multi purpose titrator) da Malvern Instruments.

Medidas de DLS (tamanho de partículas e potencial Zeta) foram realizadas


utilizando o titulador automático MPT-2 da Malvern Instruments (MPT-2 multi
purpose titrator) (figura 2.6 e 2.7). Utilizamos as mesmas soluções utilizadas no
procedimento de modificação do pH manual para medidas de UV-Vis.

36
Figura 2.7: 1 – Titulador automático; 2 – Recipiente para amostra; 3 – soluções ácidas utilizadas
para titulação; 4 – agitador magnético; 5 – Phametro; 6 – Tubos conectados do titulador para a
8
cubeta com capilar. Detalhe da cubeta com capilares sendo introduzida no Zeta Sizer.

Não realizamos as medidas de UV-Vis utilizando o titulador automático,


pois estes se encontram em laboratórios diferentes o que inviabiliza o seu
trabalho em conjunto.

2.5 – Modificação com 5-fluorouracil

Separamos alíquotas de 20 mL de colóides de nanopartículas de prata


sintetizados com concentração final de 10.10-5 mol.L-1 de AgNO3 e 90.10-5 mol.L-1
37
de NaBH4, em diferentes pH (de 3 a 8) e adicionamos 200 L de 5-fluorouracil
com concentração de 0,006 mol.L-1. Agitamos e imediatamente realizamos
medidas de UV-Vis a temperatura ambiente. Fizemos ainda absorção óptica da
solução de 5-fluorouracil, com concentração de 0,006 mol.L-1.

38
CAPÍTULO 3: RESULTADOS E DISCUSSÕES

39
3.1 – Síntese de nanopartículas de prata

A partir do espectro de absorção no UV-Vis de uma solução de prata


coloidal podemos retirar parâmetros importantes, tais como a própria banda de
absorção óptica que é característica dos plasmons superficiais das nanopartículas
de prata, o valor máximo de absorção óptica (Amax), o comprimento de onda no
máximo de absorção ( max), e a largura à meia-altura (FWHH, full width at half-
height) (figura 3.1). Através destes parâmetros obtemos informações dos colóides
estudados, como número de partículas presentes, tamanho, dispersão de
tamanho, geometria e estrutura.3;12;13

Figura 3.1: Espectro de absorção no UV-Vis típico da solução de prata coloidal. Destacando a
banda característica dos plasmons superficiais das nanopartículas de prata, o valor máximo de
absorção óptica (Amax), o comprimento de onda no máximo de absorção ( max) e a largura à meia-
altura (FWHH, full width at half-height).

Colóides de nanopartículas de prata possuem tipicamente uma coloração


amarelada (figura 3.2), que corresponde ao espectro resultante da absorção de
fótons com comprimento de onda em torno de 400 nm, podendo variar

40
dependendo da rota de síntese usada e do tamanho das nanopartículas
presentes. 1-3;5;12;13;21;25-27

Os resultados de espectroscopia UV-Vis de nossas nanopartículas de prata


mostram que elas possuem único pico de absorção óptica em torno de 390 nm,
devido às oscilações coletivas dos plasmons superficiais, isto é, oscilações
coletivas dos elétrons da banda de condução dos átomos constituintes das
nanopartículas, induzidos pela luz incidente. O pico único indica que as
nanopartículas possuem geometria próxima à esférica, fazendo com que haja
apenas um modo de oscilação dos plasmons superficiais.4;12

Figura 3.2: Aspecto de solução coloidal de nanopartículas de prata.

O valor máximo de absorção óptica ou absorbância (Amax) é uma indicação


do número de nanopartículas presentes na solução coloidal. Colóides que
possuem um maior número de nanopartículas presentes possuem um maior valor
de absorção óptica. Aumento na absorbância no UV-Vis é resultado de um
aumento no número de partículas no colóide. Como resultado direto da Lei de
Beer, já que quanto maior a concentração, maior a absorbância do meio.12;13

Outro parâmetro importante é o comprimento de onda no máximo de


absorção ou posição do pico de absorção ( max), este valor depende fortemente
do tamanho médio da nanopartículas. Nanopartículas menores tendem a ter o
comprimento de onda do máximo de absorção deslocado para a região do
ultravioleta, enquanto um aumento do tamanho médio das nanopartículas é
seguido por um deslocamento para a região do vermelho. Ou seja, menor energia

41
média do pico de plasmon indica um maior tamanho médio das
12;28
nanopartículas.

Mas o tamanho médio das nanopartículas não é um resultado relevante se


não temos a faixa de distribuição de tamanhos. E este resultado importante
também pode ser retirado de um espectro de absorção óptica UV-Vis através da
largura à meia altura (FWHH), que está destacado em vermelho na figura acima.
Este parâmetro é obtido da seguinte forma, mede-se a largura da banda onde a
absorbância é equivalente à metade da absorção máxima (ou seja, em ½ Amax).

A FWHH é uma indicação do grau de dispersão do tamanho de


nanopartícula: quanto maior a FWHH, maior a distribuição de tamanho. Uma
diminuição no FWHH é indicação de uma distribuição mais estreita no tamanho
das partículas13. O ideal seria obtermos FWHH o estreito possível, tendendo a
uma função delta, para termos nanopartículas mais uniformes quanto ao seu
tamanho. 20;29

Para exemplificar, o que foi dito, encontramos na literatura13, por exemplo,


que o grupo de Keir et al. fizeram a comparação entre nanopartículas sintetizadas
com AgNO3 e NaBH4 (uma rota bastante parecida com a nossa diferindo-se
basicamente quanto à concentração e proporção de reagentes) e outra que utiliza
citrato de sódio (Na3C6H5O7) como agente redutor.13

Neste trabalho, de Keir et al, foram encontrados max como sendo 391 nm
(desvio padrão relativo de 3,4 %) e 420 nm (desvio padrão relativo de 0,1 %),
respectivamente. E os resultados de TEM mostram o tamanho médio das
partículas como sendo em torno de 10 nm e variando entre 30 nm e 150 nm,
respectivamente. E os valores de FWHH foram de 51,7 nm (desvio padrão
relativo de 4 %) e 110,7 nm (desvio padrão relativo de 40%), respectivamente. 13

42
3.2 – Efeito de concentração

Analisando preliminarmente os espectros de absorção óptica UV-Vis dos


colóides de nanopartículas de prata em todas as concentrações de AgNO 3,
observamos que os valores de absorbância máxima (Amax) de alguns deles
superavam o valor de 1 u.a. Nesses níveis de absorbância a Lei de Beer continua
válida, porém temos o risco dos fótons não estarem sendo coletados
corretamente, devido à limitação do sistema de detecção ou devido ao grande
espalhamento, sobretudo nos colóides mais concentrados.19

Para exemplificar, fizemos o espectro dos colóides de nanopartículas


sintetizadas com concentração final de 15.10-5 mol.L-1 de AgNO3 e 85.10-5 mol.L-1
de NaBH4, sem qualquer tipo de diluição (linha preta, gráfico 3.1). Em seguida
utilizamos uma diluição em que adicionamos 2 partes de água deionizada para
cada parte de colóide (linha vermelha, gráfico 3.1).

1,4
Colóides de nanopartículas de prata sem diluição
Colóides de nanopartículas de prata com diluição
1,2 Resultado de 1/3 de nanopartículas de prata sem
diluição

1,0
Absorbância (u.a.)

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0
350 400 450 500 550

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.1: Espectros UV-Vis de colóides de nanopartículas de prata sintetizadas com


-5 -1 -5 -1
concentração final de 15.10 mol.L de AgNO3 e 85.10 mol.L de NaBH4, sem qualquer tipo de
diluição (linha preta), diluído na proporção de 2 partes de água deionizada para cada parte de
colóide (linha vermelha) e resultado da curva sem diluição dividia por 3 (azul), evidenciando a
perda devido espalhamento e/ou limitação do sistema de detecção.
43
Se dividirmos a primeira curva por 3 (linha azul, gráfico 3.1), esta deveria
coincidir com a curva de nanopartículas com diluição. Porém isso não acontece,
há uma diferença bastante significativa que pode mascarar a comparação entre
os resultados, principalmente no que se refere aos colóides mais concentrados.
Esta diferença ocorre devido à limitação do sistema de detecção e/ou pelo
espalhamento provocado pela grande concentração de nanopartículas no colóide.

Tendo garantido a eficiência da detecção e a minimização das perdas por


espalhamento, podemos comparar os resultados de absorção óptica para todas
as concentrações em estudo.

Observamos que à medida que aumentamos a proporção de AgNO 3,


houve um aumento da intensidade de absorção óptica dos colóides. Sabemos
que na verdade o que ocorre é um aumento número de nanopartículas presentes
no colóide (gráfico 3.2).12;13

0,5
-5 -1
5.10 mol.L
-5 -1
10.10 mol.L
-5 -1
0,4 15.10 mol.L
-5 -1
20.10 mol.L
-5 -1
25.10 mol.L
Absorbância (u.a.)

0,3

0,2

0,1

0,0
350 400 450 500

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.2: Espectros UV-Vis de colóides de nanopartículas de prata sintetizadas com diferentes
concentrações finais de AgNO3 e diluídos em água deionizada.

44
O processo de redução é limitado pela quantidade de reagente, e quando a
concentração é baixa é limitado pelo menor livre caminho médio (que leva a uma
maior probabilidade de colisão e agregação) quando a concentração é mais alta.

No entanto, existe um valor limite, em que o AgNO 3 não é mais reduzido


pelo NaBH4, ou as nanopartículas formadas não conseguem manter-se estáveis
devido à alta densidade de nanopartículas presentes, levando à sua precipitação
parcial ou desestabilização. Este valor está entre 20.10-5 e 25.10-5 mol.L-1 de
concentração final de AgNO3.

Para melhor visualização e compreensão das discussões que seguem


construímos, a partir dos cincos gráficos obtidos usando esta mesma
metodologia, gráficos de valor máximo de absorção óptica ou absorbância em
max (Amax) (gráfico 3.3), comprimento de onda no máximo de absorção ( max)

(gráfico 3.4), e de largura à meia-altura (FWHH) (gráfico 3.5), todos em função


das diferentes concentrações de AgNO3.

Elevando-se a concentração de AgNO3 ocorre um aumento na extinção no


UV-Vis como conseqüência do aumento no número de partículas presentes no
colóide (gráfico 3.3). Porém este aumento não é ilimitado, pois existe um valor
limite de concentração de AgNO3 em que ocorre aglomeração ou precipitação do
colóide o que resulta numa diminuição no número de partículas no colóide e daí
uma diminuição na absorbância UV-Vis. Este valor está entre 20.10-5 e 25.10-5
mol.L-1 de concentração final de AgNO312;13.

45
0,45

0,40
(u.a.) max

0,35
Absorbância em

0,30

0,25

0,20

0,15
5 10 15 20 25
-5 -1
Concentração final de AgNO3 (10 mol.L )

Gráfico 3.3: Valores da absorbância em max de colóides de nanopartículas de prata sintetizadas


com diferentes concentrações finais de AgNO3 e de NaBH4 diluídos em água deionizada.

Observamos ainda neste resultado uma incerteza maior para as maiores


concentração, acreditamos que isto decorre do fato de existirem muitas partículas
presentes levando a um complicado equilíbrio termodinâmico e
conseqüentemente uma difícil reprodutibilidade. O simples fato de adicionar
apenas mais uma gota de solução de AgNO3 pode levar à desestabilização do
colóide com acentuada alteração de cor do mesmo. E esta fase crítica é ainda
mais acentuada para concentrações maiores de AgNO3.

A posição do pico de absorção óptica apresentou-se com valores em torno


de 390 nm, para todas as concentrações de AgNO3 indicando que não houve
variação significativa no tamanho das nossas nanopartículas de prata (gráfico
3.4).3

46
400

395
(nm)

390
max

385

380
5 10 15 20 25
-5 -1
Concentração final de AgNO3 (10 mol.L )

Gráfico 3.4: Valores de max colóides de nanopartículas de prata sintetizadas com diferentes
concentrações finais de AgNO3 e de NaBH4 e diluídos em água deionizada.

Os valores de FWHH apresentam-se bastante próximos para


-5 -5 -5 -1
concentrações finais de AgNO3 de 5.10 , 10.10 e 15.10 mol.L , e uma
diferença significativa para 20.10-5 e 25.10-5 mol.L-1 (gráfico 3.5). Como já
dissemos, para concentrações maiores, existe uma quantidade maior de
nanopartículas presente, ou seja, uma densidade média de nanopartículas maior.
Com muitas destas partículas presentes no colóide, ocorre o favorecimento da
aglomeração das maiores com as menores, levando a uma faixa de tamanho
maior, e como conseqüência uma maior distribuição de tamanhos (gráfico 3.5) . A
incerteza maior nesses dois valores pode mais uma vez ser atribuída à baixa
estabilidade termodinâmica desses colóides, ocasionado baixa reprodutibilidade.

47
75

70

65
FWHH (nm)

60

55

50

45
5 10 15 20 25
-5 -1
Concentração final de AgNO3 (10 mol.L )

Gráfico 3.5: Valores de FWHH de colóides de nanopartículas de prata sintetizadas com diferentes
concentrações finais de AgNO3 e de NaBH4 e diluídos em água deionizada.

Analisados todos esses parâmetros, escolhemos como melhor valor a


concentração final de 10.10-5 mol.L-1 de AgNO3 e 90.10-5 mol.L-1 de NaBH4, já que
mesmo sem diluição, a absorbância máxima do colóide é menor do que 1, não
comprometendo assim a detecção pelo espectrofotômetro e minimizando os
efeitos de espalhamento. Desta forma, teremos o maior numero possível de
nanopartículas sem que haja espalhamento suficientemente grande.

A seguir, na tabela 3.1, sumarizamos os resultados até aqui obtidos.

48
Concentração final de
AgNO3 (10-5 mol.L-1) (u.a.) (nm) (nm)
5 0,186 ± 0,007 391 ± 1 53 ± 3
10 0,33 ± 0,02 389,1 ± 0,5 52 ± 2
15 0,43 ± 0,01 390,3 ± 0,6 49 ± 2
20 0,29 ± 0,03 389,8 ± 0,6 64 ± 4
25 0,25 ± 0,04 392,4 ± 0,6 65 ± 7

Tabela 3.1: Valores de , e de colóides de


nanopartículas de prata sintetizadas com diferentes concentrações de finais de AgNO3 e de
NaBH4 e diluídos em água deionizada.

Os resultados de UV-Vis são muito importantes, porém faz-se necessário o


uso de outras técnicas para corroborar nossos resultados. Desta forma, os
resultados de DLS mostram dois grupos principais de nanopartículas: um com
nanopartículas pequenas, e outro de nanopartículas maiores como resultado de
agregação, ou seja, a presença de duas bandas. A terceira banda que surge
geralmente na ordem de micrometros é devido a impurezas existentes como, por
exemplo, poeira14.

Este aspecto repete-se em todas as concentrações de AgNO3, desta forma


corroboram o que já foi dito anteriormente: não há variação significativa no
tamanho de partícula com o aumento da concentração de AgNO 3. Não
conseguimos obter resultados para a concentração finais de 25.10-5 mol.L-1 de
AgNO3 e 75.10-5 mol.L-1 de NaBH4, provavelmente devido à alta concentração,
condição esta indicada pelo próprio aparelho.

49
Gráficos 3.6 e 3.7: Distribuição de tamanho de partículas no colóide de nanopartículas de prata
-5 -1 -5 -1
sintetizadas com concentrações finais de AgNO3 de 5.10 mol.L e 95.10 mol.L de NaBH4
-5 -1 -5 -1
(superior) e 10.10 mol.L de AgNO3 e 90. 10 mol.L de NaBH4 (inferior). Gráfico de intensidade
em função do tamanho.

Na maioria dos gráficos de intensidade em função de tamanho de partícula


aparece uma segunda banda (gráficos 3.6 e 3.7), referente às nanopartículas de
tamanhos maiores, e em alguns casos correspondem a uma boa parcela da
intensidade. Nanopartículas maiores, espalham mais o laser e conseqüentemente
podem gerar certa intensidade, mesmo que a quantidade deste tipo de partículas
presente no volume seja pequena.4

Para termos uma maior dimensão do que estava ocorrendo, através dos
dados já coletados pelo equipamento, podemos fazer um gráfico de tamanho de
partícula em função número de partículas (gráficos 3.8 e 3.9).

50
Gráficos 3.8 e 3.9: Distribuição de tamanho de partículas no colóide de nanopartículas de
-5 -1 -5 -1
prata sintetizadas com concentrações finais de AgNO3 de 5.10 mol.L e 95.10 mol.L de NaBH4
-5 -1 -5 -1
(superior) e 10.10 mol.L de AgNO3 e 90. 10 mol.L de NaBH4 (inferior). Gráfico do número de
partículas em função do tamanho.

Observamos então que a quantidade de nanopartículas maiores presentes


é tão pequena que não aparece no gráfico acima. Ou seja, as nanopartículas
menores são predominantes.

Além disso, nos gráficos de intensidade em função de tamanho de partícula


a banda aparece com pico em torno de 20 nm, e nos gráfico de número de
partícula em função de tamanho de partícula entre 5 e 10 nm4.

O que acontece é que nanopartículas maiores correspondem a uma


intensidade maior. Mas vendo-se o gráfico de número em função de tamanho
verificamos que o tamanho médio das nanopartículas encontra-se entre 5 e 10
nm.

Temos a seguir imagens de microscopia eletrônica de transmissão (TEM,


do inglês, transmission electron microscopy) de uma solução coloidal de
nanopartículas de prata (figura 3.3). As imagens forma obtidas com microscópio
eletrônico Philips CM200, do laboratório de Microscopia Eletrônica de
Transmissão do Instituto de Química – UNESP - Araraquara-SP, com tensão de

51
aceleração de 200 kV e uma resolução em linha de 0,144 nm. Utilizando-se um
programa adequado (figura 3.4) contou-se 389 com tamanho médio de 5 ± 4
nm.2;13

Figura 3.3: Imagem de TEM de solução coloidal de nanopartículas de prata.

52
Figura 3.4: Contagem das nanopartículas presentes na solução coloidal. Os números
correspondem à área da nanopartícula.

Dessas 389 nanopartículas, 212 possuem tamanho abaixo de 5 nm; 143


entre 5 e 10 nm; 27 entre 10 e 15; 4 entre 15 e 20 nm; 3 entre 20 e 30 (gráfico
3.10).

53
200
Número de partículas

150

100

50

0
5 10 15 20 25
Diâmetro médio das partículas (nm)
Gráfico 3.10: Histograma de distribuição de tamanhos de nanopartículas de prata.

Com isso, verificamos que mais de 70% das nanopartículas presentes


possuem tamanho menor que 15 nm, mostrando desta forma que a
predominância é de nanopartículas menores4.

54
3.3 – Estabilidade temporal

Estabelecido o protocolo básico de síntese, e observando que todas as


concentrações nos levam a tamanhos iguais de nanopartículas, porém alguns são
mais reprodutíveis do que outros e que para concentrações altas temos
problemas de detecção do espectrofotômetro, realizamos uma análise da
estabilidade temporal do colóide cuja rota de síntese foi escolhida para o nosso
trabalho, ou seja, na concentração final de AgNO3 como sendo 10.10-5 mol.L-1 e
de NaBH4 como sendo 90.10-5 mol.L-1.

A necessidade de tal estudo baseia-se na necessidade de utilizarem-se os


colóides em dias seguidos, e que estas suspensões de metais coloidais sofrem
agregação por efeito do tempo. De fato, verificamos que os colóides envelhecidos
não apresentam grandes alterações em seu espectro UV-Vis, mas que sua
estrutura apresenta a “globulização” das nanopartículas.

0,40
0h
0,35
24 h
48 h
72 h
0,30
96 h
Absorbância (u.a.)

0,25

0,20

0,15

0,10

0,05

0,00
350 400 450 500

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.11: Evolução temporal dos espectros UV-Vis de colóides de nanopartículas de prata
-5 -1
sintetizados com concentração final de AgNO3 como sendo 10.10 mol.L e de NaBH4 como
-5 -1
sendo 90.10 mol.L ao longo de 96 horas.
55
Observamos no gráfico 3.11 que a estabilidade do colóide permaneceu
constante ao longo de 4 dias. Este resultado nos leva a crer que a nossa rota de
síntese e de acondicionamento dos colóides mostrou-se eficiente.

A tabela 3.2 sumariza os resultados.

Concentração final Concentração final


de AgNO3 de NaBH4
(10-5 mol.L-1) (10-5 mol.L-1) (u.a.) (nm)
(nm)
10 90 0,341 ± 0,002 390,1 ± 0,8 62,5 ± 0,9
Tabela 3.2: Valores de , e de colóides de
nanopartículas de prata ao longo de 96 horas.

A imagem de TEM abaixo (figura 3.5) mostra que, uma grande quantidade
de nanopartículas se aglomerou em um único corpo, mas que não chegaram a
coalescer. Isto explica o não aparecimento de um segundo pico de absorção de
plasmon que seria esperado no caso de coalescência.4;30

Figura 3.5: Imagem de TEM de solução coloidal de nanopartículas de prata que mostra uma
grande quantidade de nanopartículas que se aglomeraram em um único corpo, mas que não
chegaram a coalescer.
56
Entre os problemas que ocorrem com colóides não estáveis é a diminuição
no valor de extinção, devido à diminuição do número de partículas, e em alguns
casos pelo aumento na largura à meia altura.12

Tal fenômeno ocorre quando a redução do AgNO 3 não dá-se por completo
e ao longo dos dias nanopartículas continuam a se formar e/ou a se agregar
formando nanopartículas maiores e, aumentando assim a distribuição de
tamanhos presentes no colóide.

3.4 – Efeito de modificação de pH

Nanopartículas sintetizadas pela rota de síntese aqui descrita possuem pH


entre 7 e 8, dependendo do pH da água utilizada. Com o intuito de alterar a
distribuição de cargas na solução coloidal, alteramos o pH dos colóides. Abaixo,
apresentamos um gráfico típico de efeito de pH em nanopartículas de prata
(gráfico 3.12). Obtivemos 5 destes gráficos com as mesmas características.

0,50
pH 3
0,45 pH 4
pH 5
0,40 pH 6
0,35
pH 7
Absorbância (u.a.)

pH 8
0,30 NP Pura

0,25

0,20

0,15

0,10

0,05

0,00
350 400 450 500

Comprimento de Onda (nm)

Gráfico 3.12: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs.

57
Percebemos visivelmente uma alteração na banda de absorção óptica com
a adição do H2SO4 e do NaOH, principalmente no que se refere à diminuição do
valor do máximo de absorção óptica (Amax) (gráfico 3.12). Esta não pode ser
atribuída à diluição, já que o volume utilizado era mínimo, e sim devido ao efeito
de variação de distribuição cargas na superfície das nanopartículas.

De uma forma geral o valor da absorção óptica diminui com o pH,


indicando uma diminuição no número de partículas presentes na solução (gráf
3.13). Acreditamos que isto pode ocorrer por dois motivos: um deles é a
agregação das nanopartículas, reduzindo assim o número das mesmas, ou
mesmo pela precipitação devido à presença das soluções de NaOH ou de H2SO4.

400
#1
#2
395

390
(nm)

385
max

380

375

370
3 4 5 6 7 8 9

pH

Gráfico 3.13: Valores de max de colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs. Em preto
11
nossos resultados, em vermelho resultados obtidos por Aroca et. al.

A partir do gráfico acima observamos um deslocamento de max para a


região do vermelho à medida que o pH aumenta, comparado ao trabalho de
58
outros autores. Isso indica que com o aumento do pH há uma sutil diminuição no
tamanho de nossas nanopartículas.11

Aroca et al realizou experimento bastante parecido com o nosso, porém


suas nanopartículas são sintetizados de uma forma diferente do nosso método,
diferindo-se basicamente quanto à concentração de reagentes. Suas
nanopartículas sofrem uma maior influência de pH, como podemos ver no gráfico
abaixo, e ao contrário do que ocorre com as nossas nanopartículas à medida que
o pH diminui, há um aumento no tamanho das nanopartículas. Porém a nossa
variação de tamanho é bem menor que a deles.11

A necessidade de fazer este tipo de comparação baseia-se no fato que


colóides mais homogêneos apresentam melhor resposta como substrato de
SERS, pois não haverá variação de intensidade de sinal por conta variação de
tamanho das nanopartículas. Este é um ponto fundamental para a maioria das
aplicações de nanopartículas em nanotecnologia, a sua estabilidade.

Realizando medidas de potencial Zeta (gráfico 3.14), que é a medida das


cargas superficiais na superfície das nanopartículas, observamos que o seu valor
apresenta-se não muito variável, em torno de - 41 mV, indicando a estabilidade de
nossas nanopartículas mesmo com variação de pH. Ou seja, o potencial Zeta das
nanopartículas encontram-se fora da faixa de + 30 a – 30 mV, em que partículas
são consideradas instáveis.11

59
10 #1
#2
0

-10
Potencial Zeta (mV)

-20

-30

-40

-50

-60

2 3 4 5 6 7 8 9

pH

Gráfico 3.14: Valores de potencial Zeta de colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs.
11
Em preto nossos resultados, em vermelho resultados obtidos por Aroca et. al .

Aroca et al11 realizaram medidas de potencial Zeta de colóides de


nanopartículas de prata, percebemos que as nanopartículas sintetizadas por ele
possuem uma forte variação de potencial Zeta. No nosso caso o potencial Zeta
permanece praticamente constante.

A partir de cinco gráficos obtidos de nanopartículas de pH entre 3 e 8,


obtivemos o valor médio de FWHH com suas respectivas incertezas (gráfico
3.15).

60
70

68

66

64
FWHH (nm)

62

60

58

56

54

52
3 4 5 6 7 8

pH

Gráfico 3.15: Valores de FWHH de colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs.

Percebemos que os valores de largura à meia altura (FWHH) permaneciam


os mesmos, ou seja, aumentando a concentração de prótons ou hidroxilas (H+ ou
OH-), não aumentava a dispersão no tamanho das nanopartículas.

3.5 – Modificação com 5-fluorouracil

O 5-fluorouracil (sinônimos: 5-FU, 2,4-dihidroxi-5-fluoropirimidina) é uma


pirimidina fluorinada e um antimetabólito e é estruturalmente similar ao uracil, um
dos blocos de construção necessários para a divisão e o crescimento celular.
Possui fórmula molecular C4H3FN2O2 e peso molecular de 130,1 u.m.a. (figura
3.6) Tem a função de bloquear a síntese de DNA e RNA e a tradução de
proteínas. É uma droga anticarcinogênica e é empregada principalmente no
paliativo de neoplasias inoperáveis, principalmente aqueles do tracto
gastrointestinal, mama, fígado e pâncreas. Drogas baseadas em 5-fluorouracil
também são utilizadas em tratamentos de câncer de pele. 11

61
Figura 3.6: Estrutura do 5-fluorouracil. Branco: hidrogênio; azul: nitrogênio; cyan: carbono;
vermelho: oxigênio; amarelo: flúor.

As soluções de 5-fluorouracil são estáveis em 7 dias de solução às 37ºC,


várias semanas às 25ºC, e pelo menos 4 meses entre 0 e 4ºC. É recomendado
que o armazenamento seja feito em herméticos protegidos de luz.

O 5-fluorouracil possui comprimento de onda no máximo de absorção


( max) de 265 nm, como mostra o gráfico 3.16 que foi obtido.

1,0

0,9

0,8

0,7
Absorbância (u.a.)

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0,0
250 300 350 400 450 500 550 600

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.16: Espectro de absorção no UV-Vis da molécula orgânica 5-fluorouracil com


comprimento de onda no máximo de absorção ( max) de 265 nm.

62
Já vimos que nanopartículas de prata não-modificadas possuem apenas
um pico máximo de absorção em torno de 391 nm, devido à existência de um
único modo de oscilação dos plasmons superficiais, ou seja, as nanopartículas
aproximam-se da forma esférica. Com a alteração do pH, ocorre uma pequena
variação do comprimento de onda no máximo de absorção ( max), que significa
pouca variação no tamanho das nanopartículas com o pH.11;13

Observamos que com a adição do 5-fluorouracil em alguns pH não ocorre


variação importante nos espectros UV-Vis. No entanto, nos pH 4 e 5, existe a
diminuição da banda de 390 nm e o surgimento de uma segunda em torno de 550
nm (gráfico 3.17), como resultado de um novo modo de oscilação dos plasmons
superficiais o que nos leva a crer numa alteração na forma das nanopartículas.3;13

0,50
pH3
0,45 pH4
pH5
0,40
pH6
0,35 pH7
Absorbância (u.a.)

pH8
0,30 Nanopartículas sem modificação
0,25

0,20

0,15

0,10

0,05

0,00
350 400 450 500 550 600 650 700

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.17: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs
modificados com 5-fluorouracil.

Note que este é um fenômeno diferente: quando aglutina ocorre um


deslocamento do máximo, quando coalesce, aparece uma nova banda!

63
O que observamos é que com a adição do 5-fluorouracil ocorre não só a
aglomeração, pois há o surgimento de uma segunda banda em torno de 550 nm.
Isto significa que as nanopartículas se juntaram e formaram nanopartículas
maiores.4;12

Figura 3.7: Imagem de TEM de solução coloidal de nanopartículas de prata que modificadas com
5-fluorouracil.
E temos resultados de TEM de nanopartículas modificadas com 5-
fluorouracil (figura 3.7) mostram além da presença de nanopartículas maiores
ocorrem a formação de nanocristais em forma de bastões. Por isso o surgimento
de uma segunda banda. Deste modo, existem dois modos principais de oscilação
dos plasmons superficiais, um modo longitudinal e um modo transversal (gráfico
3.18).

64
0,5

0,4
Absorbância (u.a.)

0,3

0,2

0,1

0,0
300 350 400 450 500 550 600 650

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.18: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de prata não-modificadas


(em vermelho) e modificados com 5-fluorouracil em pH 5. No primeiro caso apenas um modo de
oscilação de plasmons superficiais (nanopartículas esféricas), no segundo caso dois modos de
oscilação (presença de nanopartículas em forma de bastão)

O potencial Zeta não varia muito com o pH, mas o estado de protonação do
5-fluorouracil varia. Isto faz com que o posicionamento molecular na superfície da
nanopartícula se altere, induzindo a agregação pela exposição de grupos
funcionais moleculares, levando à formação de nanocristais de formas irregulares,
entre eles bastões. Esta abordagem será verificada através de espectroscopia
SERS.

Observando esta característica de alteração de cor do colóide (figura 3.8),


propomos a utilização de nanopartículas como quimiosensor, ou seja, um
dispositivo capaz de detectar a presença de quantidades mínimas de 5-
fluorouracil.

65
Figura 3.8: Aspecto de solução coloidal de nanopartículas de prata em pH 4 (esquerda) e 5
(direita) modificados com 5-fluorouracil.

A figura 3.9 ilustra o funcionamento da biodetecção de 5-fluorouracil por


nanopartículas de prata. Nela, temos duas amostras de colóide de nanopartículas
de prata com pH 5, em uma delas foi adicionado 5-fluorouracil e em outro não. O
quimiosensor deverá indicar positivo para a presença do 5-fluorouracil e negativo
para a sua ausência da forma que segue-se: o positivo, em preto apresenta
mudança de coloração e o surgimento de um segundo pico na banda de
absorção; no negativo tal fenômeno não ocorre.

66
Figura 3.9: Esquema de funcionamento da detecção de 5-fluorouracil por nanopartículas de prata.
Temos duas amostras de colóide com pH 5, em uma foi adicionado 5-fluorouracil e em outro não.
O positivo, em preto apresenta mudança de coloração e o surgimento de um segundo pico na
banda de absorção; no negativo tal fenômeno não ocorre.

A presença do 5-fluorouracil ser predita pela modificação de cor do colóide


(figuras 3.8 e 3.9). E ainda, com um estudo mais avançado, poderemos
determinar a concentração de 5-fluorouracil presente. Trata-se então de um
quimiosensor nano estruturado, dispensando-se análises laboratoriais. Da mesma
forma que esse efeito ocorre com o 5-fluorouracil, resultados análogos podem ser
obtidos para outras moléculas orgânicas. No entanto, devem-se estudar as
condições necessárias para que tal efeito ocorra.

Observamos ainda que, as nanopartículas com pH mais baixo, ou seja,


mais próximas de 4 tendem a perder a sua característica em pouco tempo. Já as
de pH mais próximos de 5 tendem a ser mais estáveis, e manter essa coloração
por mais tempo.

67
Fizemos também um experimento exploratório para colóides longe do
equilíbrio, ou seja, aqueles com concentração mais alta de reagentes (figura
3.10). É um sistema muito mais sensível à presença do 5-fluorouracil à variação
de pH, mas também é muito mais instável. Não tivemos sucesso em
experimentos mais controlados devido à precipitação rapidamente induzida em
várias condições experimentais. Pudemos, no entanto testar seu comportamento
em função do pH. Estes resultados não são controladamente reprodutíveis pois a
quantidade de reagentes na solução se mantém alto mesmo após a formação do
colóide.Para a modificação do pH das partículas, usamos soluções de hidróxido
de Sódio (NaOH) e Soluções de Ácido Acético Glacial (CH 3COOH). Nas figuras
3.10 e 3.11, podemos ver claramente a sensibilidade extrema do colóide à
variação de pH.

Figura 3.10: Colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs modificados com 5-


fluorouracil.

68
As nanopartículas feitas com concentração final de AgNO3 como sendo
10.10 mol.L-1 e de NaBH4 como sendo 90.10-5 mol.L-1 são muito estáveis para
-5

usar como quimiosensor, mas que nanopartículas de baixa concentração servem.

Figura 3.11: Colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs modificados com 5-


fluorouracil.

Medidas de UV-Vis deste sistema forma realizadas tanto no Laboratório de


Química Fundamental, no Departamento de Química Fundamental do Instituto de
Química da Universidade de São Paulo (espectrofotômetro Shimadzu, modelo
UV-3101PC) como no Laboratório de Química Analítica e Ambiental (LQA) do
Departamento de Química da Universidade Federal de Sergipe.

69
0,5
Nanopartículas sem modificação
pH 5
0,4 pH 6
pH 6,5
Absorbância (u.a.)

pH 7
0,3
pH 9
pH 10
0,2

0,1

0,0
300 400 500 600 700 800 900

Comprimento de onda (nm)

Gráfico 3.19: Espectros UV-Vis típicos de colóides de nanopartículas de prata em diferentes pHs
modificados com 5-fluorouracil.

Temos imagens de STM (figura 3.12), obtidas através do equipamento


ThermoMicroscopes Autoprobe CP Research (Departamento de Física da
Universidade Federal de Sergipe), mostram que as nanopartículas podiam ser
facilmente resolvida numa área de aproximadamente 1200 nm2 e apresentam um
tamanho médio de 3 nm e 0,3 nm de altura. Além disso, formam linhas
extremamente bem definidas e bastante extensas. Estas linhas seguem por uma
pequena área do grafite pirolítico altamente orientado (HOPG, do inglês, highly
ordered pyrolytic graphite) e não estão somente associadas aos degraus
monoatômicos, como pode ser visto na literatura.

70
2
Figura 3.12: Imagem de STM das nanopartículas formando linhas. Área 0,037x0,037 m ; It = 0,8
nA; Vp = 0,9V; velocidade de varredura 36,8 nm/s.

As imagens de STM indicam um comportamento pouco usual para as


nanopartículas. As nanopartículas formaram linhas que atravessavam centenas
de nanometros. Enquanto várias destas linhas acompanhavam degraus
monoatômicos entre planos consecutivos do substrato de HOPG, muitas outras
se estabilizaram independentemente de degraus de suporte. Não foram
observadas nanopartículas isoladas, o que pode decorrer de uma instabilidade
inerente às nanopartículas em si, ou o resultado da interação com a ponta de
prova. As nanopartículas observadas apresentaram uma grande homogeneidade
em forma e tamanho, tendo uma forma arredondada e um diâmetro médio de 3
nm.1

71
.

Figura 3.13: Imagem de STM mostrando resolução atômica HOPG. Área


0,015x0,015 m2; It = 2 nA; Vp = 0,4 V; velocidade de varredura 15 nm/s.

Enquanto o HOPG podia ser observado claramente com resolução atômica


(figura 3.12), não foi possível resolver os átomos das nanopartículas.
Acreditamos que os átomos de prata se encontram fracamente ligados com seus
vizinhos superficiais, possibilitando sua mobilidade e conseqüente indefinição pelo
STM1.

72
CAPÍTULO 4: CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS

73
Adaptamos o método de síntese de soluções colidais de nanopartículas de
prata descrito por Creighton et al, melhorando a sua reprodutibilidade através do
controle de variáveis importantes como temperatura de síntese, concentração
inicial e final de reagentes, velocidade de agitação, velocidade de gotejamento de
AgNO3.

Verificamos, através de medidas de DLS, STM e TEM, que nossa solução


coloidal é predominantemente composta por partículas esféricas com diâmetro
entre 5 e 10 nm, possuindo coloração amarelada e apenas um pico máximo de
absorção óptica em torno de 390 nm, devido às oscilações dos plasmons
superficiais (SPR).

A concentração final de AgNO3 está diretamente relacionada apenas com o


número final de partículas presentes no colóide, e não com o tamanho médio e
dispersão de partículas. Porém para concentrações finais de AgNO3 maiores que
15.10-5 mol.L-1, começa a ocorrer precipitação dos colóides.

As nanopartículas, mantidas resfriadas e sem exposição à luz, apresentam-


se estáveis ao longo de 96 horas, não apresentando modificação de tamanho
e/ou precipitação.

Quando sintetizadas, possuem pH entre 7 e 8, e com a adição de NaOH e


H2SO4 para modificação de pH não sofrem grandes alteração no potencial Zeta,
que mantém-se em torno de – 41 mV, fora da faixa de -30 a + 30 mV em que
colóides são considerados instáveis.

Nanopartículas com pH 4 e 5, podem ser utilizadas potencialmente como


quimosensores, pois com a adição de 5-fluorouracil o colóide apresenta uma
alteração na sua coloração.

Resultados de UV-Vis mostram o surgimento de uma segunda banda de


absorção óptica em 550 nm como resultado do surgimento de um novo modo de
oscilação de SPR. Os resultados de TEM confirmam a modificação na forma de
algumas das nanopartículas, que passam a apresentar após a adição do 5-
fluorouracil a forma de bastão.

74
Como perspectivas futuras, pretendemos estudar a
protonação/deprotonação da molécula de 5-fluorouracil e os seus diferentes
estados de adsorção na superfície dos colóides de nanopartículas de prata e,
desta forma, entender por que o fenômeno de alteração de forma dos colóides
ocorre apenas em alguns pH específicos.

Relacionar a quantidade de 5-fluorouracil presente no nosso quimiosensor


com a sua absorção óptica, além de estudar a viabilidade de utilização como
detector de outras moléculas orgânicas ou até mesmo de detecção de espécies
biológicas que possam se associar ao 5-fluorouracil.

75
CAPÍTULO 5: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

76
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11, 158-161.
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potenciais não-eletrostáticos. Escola de Química, UFRJ, 2007.
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