Ernesto Bozzano
Cinco excepcionais casos de
identificação de Espíritos
Título Original em Italiano
Ernesto Bozzano - Dei casi d'identificazione spiritica
A. Donath, Genova 1909
Giotto di Bondone - Lamentação
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Conteúdo resumido
Ernesto Bozzano foi um dos mais argutos e persistentes pes-
quisadores da fenomenologia espírita. Autor de cerca de 100
obras sobre os fenômenos supranormais, fundou em Gênova, sua
cidade natal, um dos mais importantes grupos de pesquisa meta-
psíquica da Europa, integrado por intelectuais, doutores, profes-
sores universitários.
Na busca permanente da verdade, Bozzano trabalhou com
mais de 70 médiuns. Incansável, acompanhava de perto a litera-
tura e o movimento espírita de sua época, interessado como
a presente obra reúne provas da vida post mortem. São cinco casos especialmente selecio- nados de identificação de espíritos. impossível a negação dos fatos demonstrados.poucos na apuração de fenômenos significativos que forneces- sem provas da sobrevivência do espírito humano e do inter- relacionamento entre vivos e mortos. tornando. através de variadas manifestações de espíritos desencarnados. . com isto. com uma grande riqueza de revelações e rigorosa apuração de cada detalhe. Fruto desse trabalho incansável. nos quais se observam inú- meros detalhes de informações pessoais. nomes de pessoas e localidades.
............... 64 V – O retorno de Oscar Wilde .................... 36 IV – Um defunto que se recorda de tudo .......................................................Sumário Ao leitor ........ 5 I – Interessante caso de identificação espírita .......... 4 Prefácio ................... 82 ...................................... 24 III – Outro importante caso de identificação espírita ....................................................................................... 6 II – Importante caso de identificação espírita .....................................................................
cada nome revelado foi apurado. Compõe-se o presente volume de cinco monografias do autor. Ernesto Bozzano procedeu à análise de cada caso com o mesmo espírito do cientista em seu laboratório. mas como comprovar. de maneira decisiva. Cada detalhe. reforçado pela sua formação positivista. Ao leitor Esta obra clássica da literatura espírita trata de um dos pro- blemas mais inquietantes da vida humana: o da sobrevivência do espírito. Mensagens do além há muitas. Senhor de um raciocínio lógico implacável. que determi- nada manifestação provém realmente de uma personalidade desencarnada e não do subconsciente do médium? Aqui estão reunidos cinco casos de espíritos que se identifica- ram. fornecendo subsídios irrefutáveis sobre a sua passagem pela Terra. na seguinte ordem: I Di un caso interessante di identificazione spiritica (Um interessante caso de identificação espírita) II Di un caso importante d'identificazione spiritica (Um importante caso de identificação espírita) III Di un altro caso importante d'identificazione spiritica (Outro importante caso de identificação espírita) IV Un décédé qui se souvient de tout (Um defunto que se recorda de tudo) V Il ritorno di Oscar Wilde (O retorno de Oscar Wilde) . após o fenômeno da morte. três traduzidas do francês e duas do italiano. comprovando-se dessa forma a realidade das revelações.
Ernesto Bozzano representou um papel muito importante. Francisco Klörs Werneck. SP. A Federação Espírita Brasileira há muitos anos mantém per- manentemente em sua lista editorial os títulos de algumas das excelentes obras de Bozzano. A presente reedição representa um feliz acontecimento. bem como a presença dos imigrantes italianos nos estados do Sul. A semelhança entre os idiomas italiano e português. Bauru. Cinco excepcionais casos de identificação de espíritos.. que está lançando a segunda edição ampliada da presente obra. Entretanto. a menção e análise detalha- da dos casos relatados nas célebres monografias do eminente metapsiquista italiano faziam parte indispensável das conferên- cias e dos artigos e livros que então se publicavam. Hernani Guimarães Andrade . Para os espíritas brasileiros mais antigos. em primorosa tradução do nosso querido e magnífico companheiro Dr. Entre elas figura a Publicações Lachâtre Editora Ltda. verão de 1998. em que se assinala uma coincidência notável. um tradutor perfeito e uma editora excelente. há algumas outras editoras que estão se interessando em traduzir e publicar em português os demais trabalhos desse autor. constituíram o motivo que talvez houvesse propiciado a divulgação aqui em nosso país das obras daquele investigador da fenomenologia espirítica. a conjugação de três fatores da mais alta qualidade: um autor notabilíssimo. Prefácio Na consolidação do Movimento Espírita no Brasil. cujos lançamentos têm contribuído notavelmente para o engrandecimento da Doutrina Espírita.
Garland. a fim de se consagrar pessoalmente às experiências com cinco ou seis médiuns particu- lares que. no seu livro. nunca se esqueceu de que os instrumentos de trabalho nesse campo são pessoas humanas dotadas de extrema sensibilidade. porém. não obstante. pelas manifestações extraordinárias a que assistiu seu autor e pelo rigor dos controles aplicados. aplicar os mais rigorosos controles. eram. portanto. A obra do Sr. rigorosamente científico. bastante poderosos para se tornarem célebres se não houvessem considerado seus poderes como algo sagrado e religioso. com pleno consentimento das vítimas que a ele se entregavam com emocio- nante espiritualidade. isto é. I Interessante caso de identificação espírita O caso que vou resumir foi narrado por um investigador que procede a suas pesquisas por meio de métodos rigorosamente científicos e que continua irredutivelmente cético com referência à interpretação espírita das extraordinárias manifestações mediú- nicas por ele próprio obtidas. os mais desapiedados. Isto significa que. O bem conhecido escritor norte-americano. é uma . O livro do qual resumo o caso em questão tem o título Forty Years of Psychic Research e é de autoria de Hamlin Garland. embora permanecendo desconhecidos. além de tudo. Trata-se de um investigador oficial. Tendo realizado sessões com numerosos médiuns profissionais. que não era conveniente profanar buscando notorieda- de e interesse de qualquer forma. que. Em todos os momentos e antes de tudo. ao contrário dos outros research officers. por tal meio. teve o maior cuidado em atrair a simpatia e a confiança dos médiuns com quem ia trabalhar. resolveu publicar os importantes relatos das pesquisas psíquicas por ele próprio dirigidas como research officer das duas socie- dades americanas de pesquisas psíquicas que se sucederam nos Estados Unidos da América. somente cita alguns fenômenos excepcionais por ele obtidos. aos 75 anos de idade. a fim de poder. sabia experimentar.
cheios de arrogância. um tema de reflexão instrutiva para os leitores do livro. Hyslop. Ora. Hodgson. Crookes.das mais importantes e edificantes que tem aparecido à luz do mundo inteiro. não conseguiu convencê-lo da origem extrínseca ou espírita dos casos desta natureza. Barrett. tanto mais por serem empregadas em termos de pena e de superioridade. Hamlin Gar- land respeita totalmente as opiniões dos que divergem de sua maneira de pensar e vai mesmo a ponto de declarar que se esfor- ça. seja ele qual for. escrupulosamente. Publiquei. Du Prel. Lombroso. Luciani. Geley. Misérias e erros da vaidade humana. ardorosamente. é injusto. deva ser. lamen- tando seu próprio critério que a isto o impede. visto que não se poderá censurar um autor que sinceramente expõe o seu estado d’alma. o que. as convicções dos outros. proponho-me a resumir o acontecimento. dentre os defensores dos casos em questão. isto é. Cada um tem o direito de pensar por si mesmo. Nada mais há além de imoderações de linguagem que. sempre que as suas convicções sejam a expressão sincera de sua alma e sob a condição indispensável de que cada um respeite também. nada mais que imoderações injustificáveis e irritantes que devem ser superadas por um raciocínio enérgico. porém. A tal propósito. há célebres homens de ciência como Wallace. pelo contrá- rio. bem freqüentemente. conforme a minha opinião pessoal. extensa análise que foi comentada na Itália. Aqui. saliento que o irredutível ceticismo do autor ante a eloqüência das provas obtidas foi severamente exprobrado por certos críticos. baseado em considerações gra- tuitas de filósofo estranho à metapsíquica. advertindo que meu resumo só pode dar uma . pelos que se esquecem de que. quero somente narrar a estudar um caso complexo e pouco comum de identificação espírita que apresenta modalidades excepcionais de desenvolvimento. por participar daquelas convicções. depois de muitos anos. Myers. ainda que tenha tido a mesma sorte de todos os outros casos do gênero. são empre- gadas pelos adversários contra os defensores da hipótese espírita. a respeito dela. Brofferio. Que mais se lhe poderá exigir? Parece-me que seu ceticismo. Depois desta longa introdução.
em seguida.” Finalmente. entregou à médium. na residência de um amigo. colocou-as em cima da mesa. O sr. Hartley era de voz direta e de escrita direta. que lhe foi apresentada como médium escrevente. músico e com- positor de talento. convidando o experimentador a conservá-las a seu lado. para em seguida confessar: “Sois escritor e eu não quero expor-me a ser assunto de ar- tigos sensacionalistas. com as seguintes palavras escritas: “Querido Edward. Naturalmente expressou o desejo de realizar com ela algumas sessões. A escrita se efetuava entre duas ardósias unidas e dispostas de modo a deixar um espaço suficiente para permitir que um pequeno lápis escre- vesse entre elas.” Referia-se a seu amigo Edward Mac Dowell. com uma senhora de sobre- nome Hartley.pálida idéia da impressão altamente sugestiva. que se obtém dos informes deste caso. queira reproduzir aqui alguns compassos de seu manuscrito musical inédito. que ocupam nada menos do que uma centena de páginas do supracitado livro. Ele próprio quis fechar as ardósias que. por sua vez. Achando-se em Chicago. Hamlin fez a seguinte observação: “Percebi o ruído de um lápis que escrevia no interior das ardósias. casual- mente. bem como o fenômeno produzido pelas vibrações . conseguiu vencer seus escrúpulos e. realizou a primeira sessão. mas a referida senhora se recusou sob o pretexto de que não era médium profissional. A mediunidade da sra. com alguns amigos comuns. do ponto de vista espírita. Hamlin Garland levara suas ardósias consigo e entre elas introduzira uma folha de papel dobrada. A médium não caía em transe e as sessões se realizavam a plena luz do dia. O sr. Viúva e mãe de um menino de doze anos. para servir de prova de identidade. o autor do livro deparou. o nosso autor. falecido há poucos meses. rodeando-a de atenções e fazendo- lhe promessas. Esta. devo ser prudente.
Mc Do- well. já não sou o mesmo. quando a médium igualmente as se- gurava por um lado com a mão direita.” Abaixo da mensagem. à esquerda. Quando as abri. tendo o falecido amigo escrito esta mensagem: “Estou extenuado. Terminada a escrita. eu ouvia o lápis correr em seu interior. estas palavras. quando a médium mantinha as ardósias sobre a mesa. que assim observa: “Enquanto estas (as ardósias) se achavam sobre os meus joelhos. mas as iniciais que o precediam e que eu não havia escrito no papel eram exatas. Em uma podia-se ler uma mensagem do espírito-guia e na outra. delas ao mesmo tempo. Agora sinto-me reviver em um ambiente de progresso infinito. A. Hamlin Garland respondeu em voz alta: “Ela está bem. bem significativas para mim: “Desejaria que me pudesses ver transformado tal qual estou. elas escaparam-lhe das mãos e foram cair em cima dos joelhos do autor. notei que o pentagrama tivesse sido retocado. O autor observa: “O nome escrito era Mc Dowell em vez de Mac Dowell. estavam traçadas quatro linhas sobre as quais se podiam ler três notas musicais. Durante uma das repetições do fenômeno.” O mesmo fenômeno se reproduziu numa das sessões seguin- tes. Como está a minha mulher? Alguém a auxilia?” A esta última pergunta. as linhas . Não é infeliz e alguém a protege. o sr. estando a esquerda pousada sobre a mesa.” A mensagem tinha um elevado significado probatório. sempre absor- vido pelo trabalho e feliz por ser assim! (a) E. verificando que ambas haviam sido utilizadas. a médium retirou as ardósias e as abriu. pois o espírito comunicante havia sofrido grave enfermidade mental que o impedira de trabalhar até a sua morte.
observa o autor: “Devo reconhecer que todas as observações do amigo de- funto eram feitas de modo impressionante. em tal momento. Além disso. parecia ansioso. Note-se ainda que fui eu mesmo quem abriu as ardósias. – É uma composição. em minha ca- sa. senti a im- pressão de achar-me em contato com o meu falecido amigo. – Onde se encontra ele? – Entre meus manuscritos em Nova Iorque. e mesmo assim eu sen- tia as vibrações do fenômeno. Devo confessar ainda que. respondendo diretamente as perguntas do expe- rimentador em lugar de fazê-lo por meio da escrita nas ardósias.. À medida que esses sussurros se tornavam mais interessan- tes. são notas à margem de uma composição? – É um pequeno trecho de música. – Sim. perguntei-lhe: – Estas notas são talvez extraídas de alguma composição inédita. Logo se su- cederam outras notas. absolutamente de acordo com o seu caráter. Note-se que esta nova música apareceu nas ardósias quan- do estas estavam debaixo de meu pé.. sem intervenção da mé- dium. ao mesmo tempo em que um fraco murmúrio começou a fazer-se ouvir. pro- fundamente ansioso. estavam mais bem marcadas e numerosas notas tinham sido acrescentadas. Falando com o invisível. Simultaneamente. eu vigiava com redobrada atenção os lábios da médium. pela escrita direta.. como anteriormente. por obter notícias de sua esposa e de seu estado de saúde. ou melhor.” Outras notas musicais continuavam a alinhar-se a cada nova repetição. .. mas encimadas de um título: Húngara ou Hungria. A este respeito. outras notas se alinhavam e eram mais cuidadosamente tra- çadas. O murmúrio informou que essas notas eram extraídas do terceiro movimento de sua Sonata Trágica.
é claro que a hipótese de ventriloquia não poderia explicar o fenômeno das notas musicais traçadas nas ardósias. em ne- nhuma circunstância. você foi além de minhas capacidades de expe- rimentador. – Vou convidá-lo para vir às nossas reuniões. nasceu no músico do além a esperança de chegar a transcrever totalmente a sua composição musical. estarei em condições de pôr em ordem as três mensa- gens. em minhas mãos e. cheias como estão de interessantes episódios. apesar da desagradá- vel e inevitável interrupção das sessões que se seguiu. dirigi- me ao invisível para lhe dizer: – Edward. pois. sem conseguir perceber sequer um sinal de movimento deles ou mesmo da garganta. Durante essas sé- ries de sessões.” Foi então que começaram as sessões mais importantes desta extensa série de experiências. Ele tem prá- tica de escrita musical e é um excelente pianista. de Chicago? – Sim – respondeu ele. Não posso transcrever estas notas de música e muito menos identificá-las. debaixo de um dos meus pés. tal como fora seu temperamento quando vivo. Seus sussurros tornaram-se agudos. Eu falava como se realmente me achasse na presença de meu amigo Mac Dowell ressuscitado. Preciso de alguém que me ajude. a princí- pio. Como as notas musicais continuassem a aparecer. Como quer que seja. porém não é possível resumir aqui as outras cinqüenta páginas dedicadas ao caso em questão. O invisível deu o seu consentimento. limitar-me a citar breves passagens destacadas e tentar fazê-lo de uma forma coerente e lógica. Devo. Graças a ele. Conta o autor o seguinte: “Apenas presente o músico Fuller. a médium nunca tocou as ardósias. Lembra-se de Henry Fuller. seguras. Mesmo que se concedesse a possibili- . em seguida. produzindo a impressão da presença de uma personalidade poderosa e resoluta.
Fuller transcrevia. Dir-se-ia estar vigiando o ditado. Quando Fuller tocava. como mais adiante veremos. que se produziu sobre os meus joe- lhos ou nas mãos de Fuller. onde vo- cê está? Respondi-lhe: . revelaram-se progressivamente os característicos de Mac Dowell. colocado por detrás dos ombros de Fuller. De quando em quando. diante de mim. imperati- va. deixei-me cair na cadeira. Logo ouvimos a voz do defunto perguntar com ansiedade: – Onde está Garland? Não o vejo mais! Garland. e Fuller foi ao piano. Em um dado momento. rápida. Assim foi composta uma suave melodia. vinha do alto. em seguida. de tom místico. Fuller sentiu dificuldade de trans- crever um compasso e a voz do defunto aconselhou-o a ex- perimentá-lo ao piano. as executava ao piano. mas sua voz. a ponto de causar espanto – concisa. Um fato notável: quando ele mesmo queria corrigir o ditado. Foi quando se produziu um incidente assombroso. sem intervenção da médium. restaria insolúvel o mistério da escrita entre as ardósias. À medida que os murmúrios se tornavam mais distinguí- veis.. Agora eu acrescento o acompanhamento.dade de uma ventriloquia. em um dado momento. sob ditado.. di- tava as correções. Coloquei-me a seu lado e assim permanecemos por duas horas. não po- dia fazê-lo se de antemão as ardósias não tivessem sido fe- chadas! Quando Edward voltou a tomar o controle. as notas musicais dadas pelo defunto e. retirando a mão que havia posto em cima da mesa. Então a médium sentou-se numa am- pla poltrona. Sentin- do-me fatigado. pareceu-me per- ceber Mac Dowell suspenso no ar. A maneira de falar era incontestavelmente a dele. disse a Fuller: – Agora toque tudo o que lhe ditei! Fuller executou oito compassos e o defunto exclamou: – Muito bem. ao contrário. meu corpo sentia-se sacudido por vi- brações estranhas e. como uma simples observadora. indicava os erros do copista.
não me recordo mais. poderia ter conhecimento do tal . o invisível fez esta observação: – Agora vejo-o novamente. Como ousar pretender que semelhantes indicações pudes- sem provir do subconsciente da médium? Mesmo admitindo que ela fosse ventríloqua. Com um grande suspiro de satisfação. com precisão. o espírito comunicante observou que. ao qual éramos forçados a descer por uma escada apertada.. Interrogando... durante certo momento.. Fuller e eu nos encaramos. – Exatamente – confirmou Fuller. Em certa ocasião. por minha vez. Não se retire mais. Pode dizer-me quais eram os demais convidados? O timbre de sua voz mudou.. eu estive afastado da estreita zona de ectoplasma por onde se estabelecia o contato entre os dois mundos. você. declarou: – Não estou certo dos demais. Era evidente que o fato de eu ter retirado a mão de sobre a mesa me colocara fora de sua zona de visão. os lugares? – Da primeira vez foi em um almoço realizado na Quinta Avenida.. não se encontrara com Fuller mais do que duas vezes. John Lane. Este perguntou: – Pode dizer-me onde já nos encontramos? – Sim. titubeava: – Eis aqui! Estavam presentes minha Maria. durante sua vida. disse: – Também é verdade. mas o almoço foi servido no subsolo de um edifício. estupefatos. durante um almoço em casa de amigos. com um suspiro. Fuller e. em Nova Iorque e. Dir-se-ia que. Sua voz se apagava e. Pode indicar-me. nas duas circunstâncias. Não posso indicar exatamente o lugar onde nos reunimos pela segunda vez. – Estou aqui! – E coloquei de novo a mão sobre a mesa.
provocando o mesmo calafrio que me assal- tara durante a última sessão. referindo-se ainda à compo- sição ditada. mas o contrário foi o que aconteceu. almoço servido no subsolo de um edifício da Quinta Aveni- da? Houve. ademais. o espírito-guia Coulter inter- veio para nos informar: – A peça de música que lhes foi ditada não é a reprodução de um manuscrito do espírito comunicante. pare- ceu-me sentir a mão de Mac Dowell apoiar-se sobre os meus ombros. percebi vacilar a razão de meu pobre amigo Mac Dowell. o comunicante. com certa ansiedade. Quando Fuller executou a composição ficou impressiona- do pela melodia de pensamento místico. pois foi precisamente nesse ban- quete que. algo de emocionante e de convincente no doloroso suspiro com o qual o defunto confessou sua falta de memória. mas a fusão de vários arranjos musicais. Negou também que o editor musical Schubert possuís- . Terminado o ditado musical. em seus manuscritos. quando. pela primeira vez. Depois disso. completamente di- ferente de qualquer classe de música ouvida e ela penetrou em minha alma. Era o começo de sua decrepitude mental. Ela sorriu com ar piedoso e apenas divertiu-se ao ouvir contar tais coisas.” Devo suspender aqui o resumo das sessões para narrar os do- lorosos fatos que se sucederam. De início negou que existissem entre os manuscritos de seu falecido marido fragmentos de uma composição intitulada Hungria. O narrador do caso foi à casa da viúva de Mac Dowell te- mendo. empregou a palavra misturamos e assim nos fez compreender que havia juntado nela notas musicais espa- lhadas em folhas volantes. vê-la sofrer alguma comoção ao relatar-lhe o sucedido. motivados pela mencionada identificação das duas composições musicais obtidas de tão maravilhosa maneira. o que teve para mim uma significação bem maior do que para Fuller. ao despedir-me.
Naquela época ele não assi- nava de outro modo e desenhava estes arabescos infantis de- baixo de seu nome. Ele assinava exatamente assim quando pela primeira vez o encontrei em Leipzig.se um manuscrito do defunto que devesse devolver. não dou muita importância a esta assinatura. estremeceu subita- mente e. o que ele nunca fez. que a assinatura está incompleta? Ele assinava Edward A. – Mas a senhora não percebe. Ao vê-las. não obstante. Finalmente fez notar ao sr. A assinatura é verdadeira!” Dizendo isto. Mac Dowell. examinando a firma do defunto. que. perguntou com vivaci- dade: “– Como o senhor obteve esta assinatura? – Obtive-as ao mesmo tempo que as mensagens que a se- nhora leu nas ardósias colocadas sobre os meus joelhos. finalmente. que não deve ser a de Edward. Aqui está a assinatura autêntica. A médium estava sentada do outro lado da mesa. Garland insistia para que a viúva tomasse informa- ções com o referido editor e ela. se dignara a olhar com completa indiferença as ardósias que traziam as comunicações ditadas por seu falecido esposo. Garland que ele fora vítima de uma miserável mistificação. tirou da parede um quadro com um manuscrito e disse: “– Pode ver. entre outras coisas. produziu-se inesperadamente um notável incidente de identificação e este por meio da própria viúva. enquanto aqui está Edward Mac Dowell. acabou por ceder – ou dar mostras de que cedera –. que nada havia sido encontrado na residência do editor. – Mas sim. informando. é a firma de Edward.” E continua o redator: . a mesma que está reproduzida na ardósia. – Não! Não! Tudo está certo. Contudo. com o acréscimo de um “florejo” em ziguezague debaixo da firma. Apesar de tudo e a despeito de tantas negativas. em seguida.
ao contrário. nem tampouco quis controlar a autenticidade dos compassos que o espírito comunicante assegurava haver tomado de empréstimo de sua Sonata Trágica. o que me causou. com os mes- mos arabescos debaixo do nome. mas. Mac Dowell por nossa mensagem musical permaneceu sem mudança alguma. Nem ao menos quis tocar ao piano essa composição. Persistiam esses fatos indubitavelmente supranormais – se não mesmo maravilhosos – que deram lugar à pretensa mistifica- ção simbólica. O amigo Edward com certeza espera a nossa volta. tudo fora um produto de sua mente. “O tal manuscrito era um certificado que atestava ser a srta.” . combinada com a de Fuller. Em tais con- dições. Apesar disto a indiferença da sra. ao contrá- rio.” Tal foi o objetivo da investigação levada a cabo por nosso Research Officer. Mary Nevins (nome da viúva em solteira) exímia pia- nista e estava assinado Edward Mac Dowell. Havia algo em mim que me impedia. Eles não podiam ser refutados e o seu relator o reconhece e o afirma pessoalmente. eles adquiriram valor em vez de perdê-lo. não o fiz. Desejava sair conven- cido. certamen- te teria prosseguido as minhas investigações. mas esse desejo nunca foi suficientemente forte para determinar a ação. senti um princípio de arrependimento e certo dia eu disse a Fuller: – Sinto que devia perseverar nas minhas investigações. que julgou que esses resultados equivaliam a uma anulação da identificação pessoal de seu falecido amigo Mac Dowell e que. criando uma insuperável barreira psicológica. Se eu tivesse sido um pouco menos desconfiado sobre a verdadeira natureza das conversações-murmúrios. terminando com estas refle- xões: “Quando analisei os fatos à luz de minha nova experiên- cia. confesso-o. o efeito de uma ducha fria.
Daí a possibilidade de uma confusão de recordações. manifestando-se por médiuns de incorpora- ção ou por formação ectoplásmica. mas teria mesmo conseguido sua devolução? Minha mente já estava então conturbada e não sei. me autoriza a crer que as suas negativas não expri- miam a verdade inteira. Desejava recuperá-lo para remetê-lo a Sch- midt. ela se recusou a controlar duas das circunstâncias fundamentais relati- vas a esse complexo caso de identificação. há um estudo musical meu que confiei ao editor Schubert. não sei realmente se o recuperei. que a morte de Mac Dowell ocorreu depois de uma grave enfermidade mental (paralisia progressiva) que. desde logo compreendi que a má vontade da viúva de Mac Dowell. Por outro lado. lhe havia alterado a memória e a razão. o comunicante. Nada mais natural. Acrescentamos que esta incerteza do defunto confirma-se mais ainda pela outra circunstância de ter o espírito-guia inter- vindo certa vez para retificar uma afirmação errada do defunto. evidentemente hostil ao espiritismo. isto é.” O próprio comunicante duvidava. Minha esposa deve sabê-lo. Sem pensar que. . quer dizer. porém. No que me diz respeito. Ao caso em questão corresponde a época da perda da memória sofrida durante sua enfermidade. quando o defunto pretende ter remetido seu manuscrito ao editor Schubert.” Depois disso. comunicando-se mediunica- mente. além do mais. Foi desta maneira que o autor do livro terminou o seu relato do caso. portanto. que. voltando a entrar em contato com a vida terrestre graças aos fluidos vitais exteriorizados pela médium. que. nos últi- mos anos de sua vida. com ar de incerteza e de tristeza acrescentou: “Tive intenção de fazê-lo. pois de sua afirmativa. recuperam parcialmente as condições mentais em que se achavam durante a vida terrena. como se lê na seguinte passa- gem de um diálogo entre o defunto e o narrador: “Caro Garland. é preciso considerar esta outra circuns- tância. tenha-se produzido o bem conhecido fenômeno dos espíritos comunicantes.
Voltarei a este ponto nas minhas conclusões. a título de pro- va de identidade havia extraído de sua composição Sonata Trágica. surgiram das mes- mas conversações com o velho amigo. amiga da família e dotada da faculdade de voz direta. Quanto ao outro episódio dos compassos que. mas antes con- vém que me dedique a esclarecer a natureza do ceticismo irredu- tível do autor do livro. Esclarecido isto. Em outra vasta série de experiências em que era médium uma senhora idosa. devido à sua imersão na aura da médium. um após outro. com o seu estilo característico. através da voz direta. desde que a viúva se recusou a controlar o fato. sem serem provocados. voltara a cair novamente nas condi- ções de amnésia cerebral que sofrera durante a sua última enfer- midade. O . narrando alguns incidentes eloqüentes da mesma categoria. terminada a sessão. que então já havia falecido. numerosos amigos que lhe eram muito queridos e. tornou a encontrar suas firmas autênticas. traçadas no caderno. parece-me que o muito interessante caso de identificação espírita do qual viemos tratando deve adquirir todo o valor demonstrado que incontestavelmente possui. que o comunicante. Fuller se lhe manifestara em várias sessões. Outro amigo do relator – o poeta Walt Whitman – manifes- tou-se. pois. fornecendo-lhe uma série particularmente sugestiva de pequenos incidentes de identi- ficação pessoal que. pouco desenvolvida mas realmente mediúnica no verda- deiro sentido do termo. e fê-lo exclamar: “Esta frase de Walt Whitman seria para mim mais que surpreendente se eu pudesse crer em sua presença real neste lugar.com relação à composição musical que ele próprio havia ditado.” Certa tarde se lhe manifestaram. nada se pode garantir. O espírito-guia sabia. obteve Garland um considerável número de provas de identificação espírita em várias sessões que se relacionavam com o músico Fuller. malgrado a decepção desalentadora que produziu nos que o testemunharam.
sem sig- nificação alguma. aqui em meu escritório. Esta encenação é ridícula e não posso levá-la a sério. manifestou-se deixando uma firma tão perfeita que o mais perito caixa de banco teria aceitado como autêntica. com toda a serenidade. Conan Doyle e a sua.” Finalmente se lhe manifestaram o pai e a mãe.” Outro amigo. que podem manter-se independentemente de um re- cinto? Assim penso devido ao modo pelo qual vocês se comportam. mas é verdade que nenhum de nós a pedira e nem mesmo pensara nela.” Foi quando William James tomou a palavra para explicar ao insolente cético. com esta declaração: “Estas sessões são absurdas! Não posso acreditar na pre- sença. traçando sua própria firma pela escrita direta. Suas atitudes são inexplicáveis. não conse- . a chiarem através de uma corneta de lata!” Um dos espíritos comunicantes replicou com indignação: “– Mas quem lhe disse que nos arrastamos a quatro pés em seu estúdio? Ao que lhe respondeu então o relator: – Pode-se então acreditar que vocês podem viver em um “plano”. a razão da presença deles em seu escritório e o nosso autor assim retorquiu: “Apesar de tudo.autor não deixou de responder à tentativa de convencê-lo. Gostaria de acreditar mas não posso. Moody. chamado William V. de Fuller. inaceitáveis. William James. Apesar disto. A este respeito observou o autor: “Essa firma era perfeita em suas mais insignificantes gara- tujas. infe- lizmente. Roosevelt e os demais amigos estejam aqui. porém. não posso chegar a crer que Walt Whit- man. caminhando de quatro pés. manifestou-se em seguida. para minha própria satisfação e a de minha família. malogrados todos os esforços que fizeram. combina- dos.
mas continuaram impotentes para pronunciar as palavras. Acrescentei então: – Mamãe. Foi então que escaparam de mim estas pala- vras: Ah! se eu pudesse acreditar neste murmúrio! Este instante fugitivo seria o maior acontecimento de minha vida! O murmúrio deste nome assumiria para mim um significado incomparavelmente superior ao de todas as pesquisas de Millikan sobre os raios cósmicos. Os esforços se renovaram com dificuldade. Perguntei-lhe: – Será talvez novamente a minha mãe? O visitante respondeu afirmativamente.” Esta última exclamação do nosso autor. lenta e docemente. dirija-se de preferência a Isabel (minha filha) e tente falar-lhe. mas se achava em completa impossibi- lidade de consegui-lo devido à sua mentalidade literalmente . mamãe! Pronuncia o nome de Isabel! e da corneta escapou um sussurro bem claro: Isabel! E. quase a tocar-lhe na orelha. tão sincera e tão cheia de pesar.guiram convencê-lo. É nos seguintes termos que ele descreve uma dessas piedosas tentativas: “Depois disso a corneta acústica. como já o fizera em outra ocasi- ão. pois ela compreenderá melhor suas palavras tão dolorosas! A corneta se levantou. basta por si mesma para tornar patente o estado d’alma de quem a expressou. aproximando-se de minha filha. veio aninhar-se em meus braços. e tive a impressão real da presença de meu visitante tí- mido e afetivo. por todos os meios possíveis. como se minha mãe houvesse cho- rado de alegria. quando exclamei: Também o ouvi!. vamos. convencer-se. um suspiro entrecortado de lágrimas re- primidas saiu da corneta. Desejava. Eu a animava: – Vamos. por meio de fracas pancadas na corneta.
somente três episódios. se tivermos em conta as explicações dadas a propósito de ligeiros erros de memória cometidos pelo defunto. ingê- nuas ou absurdas. com relação à gênese e elaboração das convicções. estudado a fundo o problema em questão. abstenho-me de citá-las para não perder tempo. antes de tudo. Não é menos edificante sob o ponto de vista psicológico. repito o que disse no começo: o autor achava-se em seu pleno direito de exteriorizar. noto que. entre muitos outros. . são elas tão pouco numerosas e tão fúteis que nem ao menos podem surpreender. tanto mais que as abstrações filosóficas e a presunção pseudocientífica nada podem contra fatos reais. volta a todas as perplexidades de ordem experimental sobre as razões científicas e as especulações filosóficas que o levam à descrença. são suficientes. suas dúvidas. Observo. Quanto ao caso de identificação pessoal supracitado. contrariam toda possibilidade de existência e de sobrevi- vência da alma humana. E mais direito lhe assiste ainda por ter sempre demonstrado respeito pelas opiniões alheias. Como não são novas e são completamente indignas de discussão. também são fúteis. Estas. consideradas em suas relações com a influência perturbadora das prevenções sobre o correto exercí- cio do raciocínio humano. No capítulo das conclusões. suas perplexidades e seu ceticismo sobre a gênese dos fenômenos mediúnicos propriamente ditos – e muito mais por ter. para provar a presença real do defunto comunicante in loco. no ser humano.fechada à idéia da existência. Quanto às perplexidades de ordem experimental que apresenta diante das provas de identifi- cação pessoal dos defuntos. Mais numerosas são as objeções de caráter científico e filosófico que. que o livro. segundo o autor. por outro lado. em consciência. não deixa de ser bastante impressionante e eficaz sob o ponto de vista fenomênico e também espírita. de um espírito que sobrevivesse à morte de seu corpo. De qualquer modo. visto que. precisamente devido ao irredutível ceticismo teórico do autor. teremos de reconhecer que esses erros não apresentam nenhum valor teórico suscetível de neutralizar a interpretação espírita dos fatos. porém.
no lugar. não o identifi- caria. é evidente a todos. Mas se – hipoteti- camente – essa efêmera personalidade o tivesse sabido. Se. que seria conceder-lhe um tal conheci- mento da mediunidade que ela não ignoraria absolutamente o fato de que a retirada da mão de sobre a mesa provocaria o desaparecimento do experimentador da zona perceptível por um autêntico espírito. retirando a mão que havia colocado em cima da mesa. que por si sós bastariam para indicar quem era o espírito comunicante. pois. Convém. inédita e original. Pois bem. sentindo-se fatigado. citados anteriormente. que chame a atenção do leitor para dois fatos importantes. Começo pelo relato em que o experimentador. teria ela deixado escapar uma ótima ocasião de perpetuar uma bela misti- ficação à custa de pobres imbecis? É isto verossímil? Não creio que a credulidade dos incrédulos possa chegar a estes caprichos extremos! Apresso-me. não percebendo mais o amigo encarnado e não atinando com o motivo. onde você está?” Este respondeu: “Estou aqui” e tornou a colocar a mão sobre a mesa. todavia. por outro lado. O primeiro diz respeito ao fenômeno complexo e maravilhoso da transcrição. por um gesto insig- nificante. em si. penetrando assim mais uma vez na zona mediúnica perceptível para o espíri- to. abandona-se sobre uma cadeira. pediu ansiosamente explicações a respeito. não obstante. de uma magnífica composição musical. neste caso. por si só. Não se retire mais”. A esse gesto rápido seguiu-se a voz ansiosa do defunto. Considero que o desenvolvimento espontâneo e autêntico do incidente provocado de maneira inesperada. por escrita direta. . de um autêntico espírito de desencarnado que. se o incidente exposto prova indiscutivelmente a presença espiritual de um defunto. através de uma médium completa- mente desprovida de qualquer cultura musical e na presença. Esse incidente assombroso e não provocado revela a presença. que exclamou: “Agora vejo-o novamente. que perguntou: “Onde está Garland? Não o vejo mais! Garland. o conhecimento disto só o possui um muito limitado número de investigadores. alguém quiser atribuir o incidente a um embuste da personalidade mediúnica. farei notar. a conceder aos adversários o direi- to de dizer que.
não a que ele usava durante o período em que o relator o havia conhe- cido. para ser breve. apesar da opinião contrária do relator. não obstante haver uma dúzia deles nos relatos em questão. O espírito comunicante acreditava. que. porém. . de um só experimentador que se achava – ele também – nas mesmas condições de ignorância de música. o caso exposto merece ser classificado entre os melhores fatos de identificação pessoal de defuntos comunicantes. O segundo é a perfeita reprodução da firma do defunto.desde o início da sessão. ter fornecido uma prova de identificação pessoal. Abstenho-me. Parece-me que os três supracitados incidentes são suficientes para provar a minha afirmativa. mas sim uma firma da época de sua juventude. Termino afirmando que. não foi aceita pela interpre- tação sofística baseada na leitura do subconsciente das pessoas presentes. de citar outros. evidentemente.
Ferdinando de Rio é a seguinte: “O fenômeno mediúnico em apreço verificou-se a 3 de março de 1901. Giuseppe Borgazzi viajara da América do Sul a Paris em minha companhia. . atingira uma rara perfei- ção sob a forma de escrita mecânica. A narrativa do sr. Trata-se de um acontecimento relatado pelo sr. Finalmente. na América Meridional. em alguns meses. pouco escru- puloso. não só em virtude da situação eminente da pessoa que foi seu protagonista. contribuiu involuntariamente para atrair sobre este caso a atenção pública. de onde extraio o relato que se segue. Ele já incluíra uma narrativa do caso em questão em seu livro Il ciclo progressivo delle esistenze. de Bue- nos Aires. Achava-me em Paris há um ano aproxima- damente. com maior número de pormenores. autor de notáveis obras sobre o ocultismo filosófico e diretor da revista de estudos psíquicos e espíritas Il Mistero. em estado de transe completo. um padre jesuíta. se manifestara nele de repente e. no número de setembro de 1933 daquela revista. provocando assim uma polêmica que se voltou contra ele próprio. O sr. publicada em Milão. uma faculdade mediúnica. Ali fora por ocasião da Exposição Internacional de 1900. porém voltou ao assunto. como pela evidência incontestável da documenta- ção que o confirma. Ferdinando de Rio. na qualidade de correspondente de El Fígaro. Isso me auxiliava a continuação de meus estudos metapsíquicos de natureza experimental. que eu começara já há muitos anos. Na minha casa e sob a minha direção. até então ignorada. tentando destruí-lo pela arma pouco evangélica das insinuações caluniosas. II Importante caso de identificação espírita O caso que me disponho a narrar é muito conhecido na Itália. Consagrava-me mais especialmente às pesquisas de penetração científica e filosófica.
ódios e cóleras da vida terrena. Ora. devo omitir aqui. Escrevei-lhe. de natureza familiar. ele foi expresso à única pessoa presente. arcebispo de Gênova. na noite de 1º de março de 1901. De tempos em tempos.” Seguia-se a indicação de sua última vontade não executa- da. o médium escreveu: “Em face de minha nova existência. É-me permitido comunicar-me convosco e deveis encarre- gar-vos do cumprimento de uma vontade que manifestei ainda na vida terrena mas que meus herdeiros desprezaram. a qual. por motivos delicados. suplico-vos que não me abandoneis no meu de- sejo de reabilitação. Sois as únicas pessoas com as quais pude relacionar-me após meu falecimento. às 6:30 da manhã. Penosamente impressionado por meu novo estado. tudo desaparece: ran- cores. sob uma forma diferente. interrompendo subi- tamente as respostas às habituais perguntas de natureza teó- rica. mas eu não me servia delas senão para formar um arquivo de documentos preciosos. falecido em Gênova a 27 de outubro de 1900. para meu próprio uso. eu espontaneamente recebia mensagens. Como eu o convidasse a precisar os nomes e os dados ne- cessários. Meu irmão é Tommazo Reggio. a entidade acrescentou: – Sou Vicenzo Reggio. Abandono tudo e limi- to-me a invocar a clemência de Deus para meus inimigos e para todos aqueles que me tornaram amarga a vida na Terra. Adeus! . Meu domicílio estava situado em corso Paganini nº 16. como para reforçar a minha pro- funda convicção na continuação individual da vida após a morte terrena. Perguntei-lhe: – Vosso desejo ficou expresso em testamento? Foi-me respondido: – Não. de natureza a provar a identidade das personalidades mediúnicas que se comunicavam. Tais pro- vas nunca foram falsas. ex-presidente da Corte de Apela- ção.
irmão de Tommazo Reggio. Monsenhor Tommazo Reggio. por enquanto. após a morte do cor- po. em Corso Paganini nº 16. . por uma individualidade que afirmou ser Vicenzo Reggio. Exa. Silencio. a fornecer a V. Desejo passar tudo pelo crivo da verdade. foi a única pessoa presente no momento de sua morte e que então lhe manifestara uma vontade imposta pela consci- ência mas não indicada em seu testamento. que lhe transmitirei quando V. pedidos de comunicações destinadas a pessoas vivas que me são igualmente desconhecidas. Minha fé não é cega. Um desses pedidos me foi feito na noite de 2 de março corrente. Exa. mas sim de verdades positivas. arcebispo de Gênova. pois que minha alma não se alimenta de ilusões em suas pesquisas. Exa. ou melhor. um interesse extraordinário. 3 de março de 1901. depen- dente como ele está da confirmação de uma personalidade eminente e especial como V. por este fato. Exa. aconteceu- me muitas vezes receber. arcebispo de Gênova. Eis o que me leva à sua presença: Cultivo seriamente e com ponderação a ciência que se propõe a examinar os mistérios da continuação da vida da alma individual em outras existências. ex-presidente da Corte de Apelação. Limito-me. Ela acrescenta que V. Exa. que me perdoe a liberdade de escrever-lhe. Ora. Tenho. de personalidades desconhecidas. me houver declarado que os dados por mim fornecidos são exatos e que deseja conhecer o resto da mensagem. Entre as minas experiências de penetração no invisível. com relação ao resto da co- municação. Rogo a V. às 6:30 da manhã. queixa-se ela agora de que esta sua vontade extrema não foi executada. por prudência e por uma reserva facilmente compreensível. Escrevi ao arcebispo a seguinte carta: “Paris. depois da destruição do corpo terreno. Essa entidade diz ter falecido em Gênova a 27 de outubro de 1900. as primeiras indicações do fato.
como bem disse V. Com todo gosto receberei a outra carta que me foi pro- metida e que deve conter importantes palavras ditadas por meu pobre irmão. Sa. reconhecendo sua falta ou inspirado pelo vosso espírito protetor. “Tomazzo. Exa. Exa. mas. co- municando-me todas as outras informações que possui a esse respeito. me escreveu. me enviou. mo permitir. em sua carta. Sa. Faço empenho em acrescentar que me comprometo sob palavra de honra a jamais revelar a quem quer que seja o ob- jeto da dita comunicação. Sua carta me causou um sentimento de surpresa e de curi- osidade ao mesmo tempo. Em Il Mistero. Queira V. remediou o mal que causou.” O arcebispo Tommazo Reggio respondeu imediatamente. re- cebi do espírito de Vicenzo Reggio mais a seguinte comuni- cação: “Meu irmão. Quanto ao fenômeno probante. co- mo o espírito foi evocado ou como ele se manifestou sem ser evocado. mês e ano. Sinto- . se possível. me interessa vivamente. transmitindo-lhe a comuni- cação de seu falecido irmão. com dia. Agradeço-lhe vivamente a comu- nicação que V. com uma carta registrada e datada de 7 de março de 1901. em compensação. Agradecendo-lhe antecipadamente etc. Desejaria também saber. as- sim como o envelope. Sa. não o farei conhecer senão quando V. reproduzi em fotografia a carta autógrafa. Arcebispo” Respondi à carta do arcebispo. Não recebi outras cartas suas. Eis a carta do arcebispo Reggio: “Senhor. aceitar etc. Os dados indicados são exa- tos. rogo-lhe complete o que foi iniciado. Eis uma coisa que. Assim como de tão boa vontade V. com os selos da época e o carimbo da agência postal de Gênova.
Vivi longamente no meio judiciário. do conjunto dos dados .” Tais são os fatos. Deste modo tranqüi- lizado. Conheço atualmente a diferença existente entre a justiça do mundo em que me acho e aquela à qual estamos sujeitos quando na Terra. de uma forma qualquer. Chegamos à análise das comunicações positivas que eles comportam. a hipercrítica poderia objetar que o médium ou mesmo eu podíamos ter tido co- nhecimento. Nós admitíamos esta doutrina em seu conjunto. posso prosseguir em meu caminho para o aperfeiço- amento espiritual. Gostaria agora de empreender a reforma que se impõe para a legalidade e a justiça. de um modo seguro. Tive discussões sobre o espiritismo com esse meu irmão sacerdote. 2) O morto vem comunicar-nos um fato que não consta de qualquer documento público.me feliz com esta intervenção superior. A legislação e o clero: eis as instituições que é preciso re- formar. Se ele me aten- desse. respeitei profunda- mente a moralidade que me era imposta pelas leis. além de seu irmão. de seu irmão ar- cebispo. mas pre- sentemente reconheço os seus defeitos. não tenho nenhum conhecimento da existência terrena do comunicante. Relativamente ao primeiro ponto. eu o encaminharia agora. isto é. para o verdadeiro caminho religioso e assim poderia abrir no meio católico um debate interessante. 3) O morto nos revela um segredo que ele era o único a co- nhecer. Os três pontos principais do problema são os seguintes: 1) Assim como o médium. que seu irmão era a única pessoa presente no momento de sua morte. Conheço agora os numerosos erros nos quais caímos sob a égide do código penal. porém jamais quisemos estudá-la a fundo. nem dos dados precisos relativos à morte da personalidade que se comunica.
arrastado pela natureza ex- traordinária da revelação. Esse fato secreto é indiscutivelmente confirmado pelo precioso documento que constitui a carta do arcebispo de Gênova. fei- to no momento da morte e não executado. para libertar a sua consciência como por um ato de contrição: “É verdade!” Que prova mais decisiva da sobrevivência do eu pode ser imaginada?” Aqui termina o relato do sr. Se eu assinalo esta circunstância é para observar. No que diz respeito ao segundo ponto. mas que ela é praticamente insustentável. por minha vez. Tinha. levar em considera- ção a possibilidade em questão. observarei inicialmente que o narrador. imparcialmente. referentes ou às duas personalidades em apreço ou ao fale- cimento da pessoa que se comunicava. inclusive o pormenor muito particular de o arcebispo ter sido a única pessoa presente à cabeceira do moribundo. pedido ao sr. pois esta última notí- cia fora publicada nos jornais. pode-se objetar que o arcebispo de Gênova. escreve que os dois primeiros pontos principais do caso em questão se prestam a uma objeção legítima. Este. Ferdinando de Rio. Ele reconhece que o médium e o experimentador podiam conhecer o conjunto dos informes fornecidos mediunicamente a respeito dos irmãos Reggio. O terceiro ponto. com um fito de severa investigação científica. De Rio quis. é levado a responder de um modo fulminante. a única pessoa presente à morte de seu irmão. A propósito das considerações que o acompanham. era conhecido do público. sobretudo tendo em vista esclarecimentos suple- mentares que eu pude obter a respeito. Trata-se aí de um segredo encerrado no círculo de um morto e de um vivo. De Rio que me fornecesse informes mais minuciosos sobre . que o sr. porém. Há o simples fato de um pedido que. é formidável: ele não apresenta nenhum lado fraco aos ataques da crítica. desprezando todas as conveniências que lhe impunha a sua situação delicada. o defunto vem re- cordar. com efeito.
dificilmente poderia interessar-lhes a crônica demográfica de uma cidade onde nunca vivera. em Paris. Creio que o sr. Diante da eloqüência cumulativa destes dados. De Rio: “Não sou genovês. Depois de alguns meses. de Buenos Aires. após al- gumas tentativas de sessões. Se eles se encon- travam em Buenos Aires há seis ou sete anos. Ali encontrei o sr. . a faculdade mediúnica apareceu repentinamente nele. durante a sua permanência em Paris. Nossas re- lações se tornaram então mais assíduas e vivíamos muito li- gados um ao outro. Ele é de Fer- rara. Nenhum de nós deixou Paris.” Resulta destes informes que. se residiam há muito em Buenos Aires (Argentina) e se. Vim para Buenos Aires em 1894. bem como o sr. durante a sua permanência em Paris (França) e antes do acontecimento que relata. ao passo que sou do Piemonte. como correspondente do jornal El Fígaro. Eis a resposta do sr. De Rio e Borgazzi terem sido informados. mas as nossas re- lações foram então inteiramente superficiais. Estive em Paris em 1900. esta suposição se torna cada vez mais insustentável. e me deu resultados de primeira ordem. a mais convincente. deve-se elimi- nar toda possibilidade de os srs. fazendo-me saber se pelo menos um dentre eles era genovês. Por outro lado. sem ter sido provo- cada. Borgazzi era totalmente materialista). Borgazzi já se encontrava aqui. no decurso dos quais nossas con- versas sobre o espiritismo e a mediunidade se haviam torna- do freqüentes (o sr. eles nunca foram à Itália. que quase na mesma época chegara da Argentina. Borgazzi. se os protagonistas do caso não eram genoveses. das particularidades da morte e dos negó- cios pessoais de um velho magistrado genovês aposentado. Conheci-o em 1898. Borgazzi. Cultivei-a regular e metodica- mente todas as noites e ela surgiu sob a forma da escrita me- cânica. A comunicação de Vi- cenzo Reggio produziu-se subitamente. um ou outro teriam vindo à Itália e ficado certo tempo em Gênova.a sua pessoa e a do médium.
sob o ponto de vista espiritualista. o caso em questão. entre outras coisas: . por causa da carta assinada e reproduzida em clichê pelo sr. Há o simples fato de um pedido que. não podendo contestar a autenticidade do caso em questão. O sr. muito particular. observando. De Rio respondeu vigorosamente à baixa insinuação do padre Petazzi. por um louvável escrúpu- lo de imparcialidade científica.falecido havia cinco meses e que lhes era desconhecido. De Rio a formula nos seguintes ter- mos: “O terceiro ponto. De qualquer modo. Trata-se aí de um segredo encerrado no círculo de um morto e de um vivo. uma terceira que basta. trata-se de duas proposições que não são indispensáveis para encarecer. muito importante. De Rio. O fato. o narrador se empenha- ra em um estratagema destinado a favorecer algum herdeiro descontente. Há. com efeito. para demonstrar forte- mente a origem espiritual do caso. De Rio não faz grande caso. Como se pôde ver. o sr. Ora. mas decidido. não obstante.” Este último ponto. além disto. fingindo defender a causa do espiritismo. Nenhuma dúvida há de que estas considerações bastam para conferir um idêntico valor probatório às duas proposições das quais o sr. é formidável: ele não apresenta nenhum lado fraco aos ataques da crítica. mas somente por intermédio de alguma pessoa da família do defunto. Este. de o arcebispo ter permanecido só à cabeceira de seu irmão moribundo era. por si só. o defunto vem re- cordar. porém. foi posteriormente es- clarecido – tanto quanto possível – devido a uma polêmica com um jesuíta muito conhecido na Itália – o padre Petazzi. de tal natureza que eles não podiam conhecê-lo por documentos públicos. eles ignoravam até a existência deste. nada de melhor achou para fazê-lo do que lançar esta insinuação: que. fei- to no momento da morte e não executado. a demoli-lo apesar de tudo.
e herético. Mas. mas que serve. O sr. devido à promes- sa que fiz a monsenhor Reggio. ao contrá- rio. Não que se relacionasse com uma extorsão de dinheiro.. Pobre sofisma o vosso.” Sobre este último ponto da questão. assistidas pelos professores Enrico Morselli. conheci pessoalmente o arcebispo Reggio. graças ao qual toda a imprensa genovesa – e em parte também a de toda a Itália – fora confundida pelas impressionantes experiências que ali se desenrolavam com a médium Eusápia Paladino. “(. e pelo autor deste trabalho. Em certo momento.” Eis. Luigi Arnaldo Vassalo. destinado a aliviar o morto de uma res- ponsabilidade de consciência de que se sobrecarregara du- rante a sua vida terrena. Ferdinando de Rio. que se interessava vivamente por nossas . Francesco Porro.) que a revelação dizia respeito unicamente a um ato de justiça e piedade. Não posso acrescentar outra coisa. recebi dessa alma excelente que foi monsenhor Reggio um comovido agradecimento e isto me bastou.. escreve: “Em lugar de louvar minha delicadeza com relação a um prelado a quem minha revelação teria comprometido grave- mente aos olhos do mundo católico. De Rio. quereis fazer disto uma arma contra a autenticidade do fenômeno. para revelar o substrato de vossa caridade evangélica.. aliás. Ora. Eu nem teria dito o que aca- bo de dizer se não tivesse sido forçado a isto pelo pouco cor- tês padre Petazzi. dirigindo-se ao padre Petazzi. uma outra passagem da polêmica em questão que permite compreender quão sério era o ato de justiça e de consci- ência que o irmão arcebispo desdenhara cumprir. naquela ocasião. minha posição é confir- mar a asserção do sr. que de modo algum em- pana a realidade grandiosa do fato.. pelo sr. havia em Gênova o Círculo Científico Minerva. pelo doutor Giuseppe Venzano. que não hesita em homenagear seu augus- to superior com o título de ingênuo. monsenhor Reggio era um crente sincero do espiritismo. diretor do Século XIX. Com efeito. provocando um escân- dalo. na época em que se produziu o fato que relata. diga ele o que quiser.
Conseqüentemente. do que precede verifica-se que um segredo de consciência. nem por carta. não era conhecido senão por uma pessoa.1 Inútil é insistir em uma verdade que. Segue-se que o episódio em questão acrescenta-se a outros casos de identificação espírita. se não houve primeiro uma sintonização de comprimento das ondas. depositário do segredo. Em suma. de agora em diante. Efetivamente.experiências e desejava conhecê-las um pouco mais do que narravam os jornais. bastaria para resolver afirmativamente o problema da sobrevivência humana. revelado durante uma sessão mediúnica em Paris por uma pessoa falecida em Gênova. Por . já as discuti longamente e de um modo decisivo em um trabalho anterior. existia entre o arcebispo e o médium ou entre o expe- rimentador e o arcebispo. do mesmo modo que na telegrafia sem fio não pode haver comunicações entre a estação agente e a receptora. quando ficam isolados em suas últimas posições. na falta da relação psíquica indispensável. sendo que cada um deles. Acontece que essa amplificação desnecessária da hipótese te- lepática – tão absurda em si mesma que se torna impossível aceitá-la – não pode ser aplicada ao caso do qual nos ocupamos. a subconsciência do médium teria captado o segredo na subconsci- ência do arcebispo e disto ter-se-ia utilizado para mistificar o próximo. pois serve até para eliminar uma hipótese fantástica a que recorrem os nossos irredutíveis adversários. eram ignorados pelo médium e pelo experimentador. por si só. nenhuma relação de conhecimento pessoal. Segundo esta hipótese. não poderia haver uma permuta de comunicações entre duas subconsciências que se ignoravam mutuamente. assim como o vivo. sem exceção no domínio das pesquisas psíquicas. Relativamente às causas que determinam essa lei psicofísica. pode ser considerada como adquirida em metapsíquica e que é reco- nhecida por todos os que possuem uma cultura suficiente sobre o assunto. que se acumulam em grande número nos arquivos da nova ciência da alma. cientificamente inatacáveis. Esta última circunstância é teoricamente muito importante. O morto que se comunicara.
cientí- ficos e filosóficos orientados em certa direção. Eles continuam. passando de um caso a outro. na coletividade. demonstradas experimentalmente graças às investigações cientí- ficas. recaem infalivelmente na perplexidade anterior. Basta considerar que há pesquisadores que conhecem. apresentam-se as coisas de um modo muito diferente do ponto de vista prático. entretanto. Ela impede que estas. Eis porque no domínio das pesquisas psíquicas se renova o que sempre acontece em qualquer outro ramo do saber. impondo-se muito rapidamente na sociedade humana. a maior parte dos casos relatados e que. assiste-se ao triste espetáculo de um grande número de pesquisa- dores que. não estão mais em situação de assimilar as novas verdades que se opõem ao que se acha solidamente organizado em suas circunvoluções cere- brais. possam causar desordens profundas ou cataclismos econômicos e morais. de uma prova a . entregues à dúvida. lei nor- mal e benéfica porque regula a evolução das grandes idéias. se isto é teorica- mente verdadeiro. a comportar-se da mesma maneira.conseqüência. esta solução afirmativa do grande problema deveria tomar lugar entre as verdades cósmicas mais sólidas. mesmo quando estão favoravelmente dispostos a aceitar a interpretação espírita dos fenômenos mediúnicos de uma categoria superior e embora atravessando fases de convic- ção sincera neste sentido. isto é. não tiveram ocasião de experimentar pressões demasiadamente fortes e prolongadas neste sentido são capazes de se desembaraçar do misoneísmo que os domina. muito perigosos no conjunto das institui- ções sociais da época atual. Nestas condições. quando se desen- volveram longamente em um meio de ensinos religiosos. ou conheceram. durante toda a sua vida. apenas as mentalidades de primeira ordem e aqueles que. Isto é incontestável e depende de uma lei psicológica de alcance universal. permanecem negadores irredu- tíveis ou eternos céticos. Esta lei consiste no fato de que tanto a mentalidade de um in- divíduo como a de uma coletividade humana. Poder-se-ia indubitavelmente observar que.
tornados intransponíveis para as verdades contrárias. Segue-se que a eficácia irresistível das provas cumulativas é deploravel- mente suprimida. sucessiva e rapidamente todos os episódios que ele não pode assimilar. um dia. se tudo isto é em suma providencial e necessário. preconcebidas mas solidamente organizadas mesmo nos espíritos mais cultos e mais inteligentes da humani- dade civilizada. caminhando sempre no vácuo. embora tendo sua razão de existir e. . passando de uma pseudoconclusão a outra que não o é menos. Presente- mente. uma tal uniformidade. frente à consciência. Infelizmente esse fenômeno psicológico não se dá só em lei- tores apressados e superficiais. sendo útil à evolução ordenada do progresso humano. porque. científi- cas e religiosas. mas também em toda classe de leitores e investigadores. deve entretanto ser encarada como uma imperfeição inata da razão humana: imper- feição das faculdades de síntese. esta verdade é combatida por idéias filosóficas. pelo contrário. não há outro remédio senão a resignação ao inelutável. Essa lei. desprovidos de senso filosófico. Conserva-se. Ele ocorre com uma tal freqüência. para a pessoa em questão. mas revestem-se. por conseguinte. todos os elementos que.outra. embora conhe- cidos do indivíduo. Nestas condições. refletindo que. de aspectos mons- truosos. que é preciso concluir que se trata de uma lei psicológica inerente à mentalidade humana. Com efeito. forçam o pensador a esquecer cons- tante. a recordação de todas as perplexidades de um interesse secundário. a obra do tempo amadurecerá na coletividade humana a disposição psíquica especial que deve tornar assimilável esta última grande verdade nova. se relacionam com um assunto contrário àquelas idéias preconcebidas que nele predominavam. perpetuamente. Os que se acham nestas condições mentais quase sempre fazem induções e deduções muito parciais. sem entesourar coisa alguma e. não consegue mais man- ter. mesmo entre os mais eminentes metapsiquistas. fatalmente. no fundo. quando a inteligência está saturada de idéias preconcebidas. esquecendo tudo. os caminhos cerebrais.
porque. os maiores críticos dessas associações não lhes deram crédito ou desvencilharam-se deles com uma simples meia página de prosa inconcludente. preciosos para a pesquisa das causas determinantes das manifestações supranormais. pois ninguém os levou em considera- ção. embora irrefutáveis. que acabava de publicar alguns casos menos importantes. deve- mos presumir que eles tivessem. Conseqüentemente. Observa ele: “Talvez fossem muitos solidamente constituídos para se- rem triturados pelos críticos sistemáticos. especialmente entre os dirigentes das grandes associações metapsíquicas. Assim sendo. no que diz respeito ao gênero examinado. Muito ao contrário. que. mas que também caíram no esquecimento. conseqüentemente. acabam sendo sepultados nos arquivos de nos- sas sociedades metapsíquicas. curioso observar que somente os casos que se aproximam do criti- cismo adversário é que adquirem proeminência aos olhos dos leitores das grandes revistas metapsíquicas. Perfeitos. Como explicar-se tão curiosa inversão dos métodos científi- cos? Por quais estranhas idiossincrasias do raciocínio se verifi- cou semelhante fato? Responderei com palavras de um membro da American Society for Psychical Research. com grande aprovei- tamento da nova ciência da alma. III Outro importante caso de identificação espírita Nestes últimos anos verificaram-se alguns casos de identifi- cação de mortos que de tal modo se mostraram excepcionais por suas complexidades que não encontram exemplos que se lhes igualem em toda a casuística metapsíquica. e tivessem dado lugar a profundos e fecundos trabalhos analíticos. A consulta a esses arquivos é . os maiorais da crítica ci- entífica se desinteressam dos casos de tal natureza. causado um legítimo e vivíssimo interesse. eles excluem qualquer controvérsia. re- gularmente. diluindo-se à vista de todos. De fato. a sombra do esquecimento envolveu os documentos. sobretudo. porém.
passou-se à memorável prova da identificação caligrá- fica. Enfim. Colocando as coisas nestes termos. sempre difícil e rara.” Precisamente assim. mais conclusiva do que qualquer outra. com todas as qualidades e defeitos . antes de referir o novo ca- so congênere. mas foi impecavelmente confirmada por centenas e centenas de páginas. ignorados por todos os presentes e comprovadamente verídicos. este é o melancólico destino que aguar- dam os casos de identificação espírita que ousam parecer invul- neráveis. da personalidade intelectual e moral do falecido em cada uma das modalidades de seu caráter. Nele foram fornecidas todas as provas cumulativas que razoavelmente temos o direito de exigir. salvo por poucos tenazes e perseveran- tes pesquisadores (Psychic Research. dos dois estilos que caracterizavam a personalidade do falecido. caso esse que se deu por intermédio da notável médium Esther Dowden. ou melhor. o que se deve aos motivos psicológicos já indicados. seguiu-se o reconhecimento das características do estilo. Depois. Em continuação a esta última. onde refulgem todas as suas qualidades de burilador de frases e de artista enamorado das palavras e também. 493). onde está refletido seu tempera- mento de escritor dramático. que consistiu em ditar à médium uma comédia inteira. Inicio com o notável caso do falecido escritor inglês Oscar Wilde. descoberto recentemente. pág. 1930. original e inimitável. Deduz-se que não poderia deixar de acontecer o mesmo àqueles aqui considerados. passou-se a outra prova ainda mais impor- tante: a da identificação do estilo. sobretudo. por mim longamente analisado nos números de outubro e novembro de 1925 de Luce e Ombra. visto ser ele um indivíduo complexo. que não se limitou à transcrição de uma simples assinatura (o que sempre poder-se-ia atribuir a um fenômeno de criptomné- sia).2 Começou-se pelo conhecimento de numerosos incidentes pes- soais. resolvi lembrar aos leitores alguns outros que o precederam e sobre os quais nada ou bem pouco se disse nas revistas metapsíquicas mais categoriza- das. chegou-se à grande prova final.
tanto pela roupa usada . também por mim largamente analisado nos números de fevereiro e março de 1927 da Revue Spirite. de Lon- dres. quando em vida. vestido de maneira original como costumava fazer em vida. clarividência no passado e no presente. Do ponto de vista científico. Essas discordâncias se transformaram em provas eloqüentes e eficazes na demonstração da presença espiritual do falecido. foram controlados. vale para excluir qualquer forma de telepatia. na maior parte. O espírito comunicante. Hacking. pelas circunstâncias afetivamente piedosas em que se desenvolveu. integrante da Society for Psychical Research. O caso. sobre o qual a srta. que tinha falecido há quarenta anos. narrou a sua própria história e também fez comentários a respeito de numerosíssimas pessoas por ele conhecidas em vida. a identificação pessoal do falecido. Lembro um segundo caso idêntico. de Paris. vem a ser demasiadamente interessante e comovente. assim como a cenografia antiquada de há meio século. desenvolveu-se através de diversos médiuns e os numerosos informes verídicos fornecidos assumem um valor cumulativo irresistível. são teoricamente notáveis algu- mas discordâncias em que falha a entidade comunicante quanto a particularidades secundárias com respeito a descrições de ambi- ente e lembranças afetivas. sobretudo. cripteste- sia. Essa visão tornou-se admiravelmente verídica. fornecendo minuciosos detalhes que. mais extraordinário ainda – se tal se pode afirmar na presença de outros casos excepcionais – .3 O caso se desenrolou em uma longa série de experiências com rigorosos métodos de controle. e isto. escreveu um grosso volume intitulado The bridge: a case for survival. alcançando a enorme cifra de mais de trezentas provas consideradas verídicas. com o título The spirit return of mr. ao passo que se mostram naturais e também racionais desde que o comunicante tenha sido o morto. Nele. Recordo ainda um terceiro caso. criptomnésia.que lhe são próprios. Nea Walker. Acrescente-se que ele chegou a se manifestar à médium pela clarividência. que se esforçava em provar sua presença espiritual à mulher amada.
vale a pena abrir um parên- tesis com o fim de notar com que desenvoltura os adversários da hipótese espírita se afastaram e se desinteressaram dele. a simples visita de um ministro wesleyano à cidade de Bury e. Como o caso do falecido sr. forne- cidos pela entidade comunicante. o simples fato de uma pessoa pertencente a esse grupo ser levada à cidade de Bury bastou para provocar um derrame de informações verídicas. pág. um manancial inesgotável de informações verídicas sobre comerciantes e outros cida- dãos há muito falecidos. pouco tempo depois. incluindo-se aqui o detalhe de uma perna notavelmente arqueada e o de um carac- terístico guarda-chuva que levava constantemente com ele. antes de tudo. o vínculo entre o grupo experimental e a assim chamada inte- ligência comunicante parece ter sido dos mais estreitos: na verdade. vol. Nesta última circunstância.” Assim falou o prof. acontecido há alguns anos atrás. 358). já mortos. Observo. em se querendo atribuir um tal prodígio de perfeitas rememorações das vivências pessoais e do ambiente em que estivera um obscu- . mas todos residentes no distrito em que vivera o sr. parece terem sido a causa que origi- nou. Soal e com isto pensa candidamente ter elucidado o mistério. estabelece um confronto com o caso Hacking e assim escreve: “O caso de que me ocupo teve um curioso precedente no caso Hacking. Como o prof. Isto posto. Soal teve a oportunidade de tratar de um outro caso análogo (Proceedings of the Society for Psychical Rese- arch. Neste caso. a sua participação em uma sessão mediúnica. não os constituídos de infor- mações desconexas em relação ao antigo ambiente e aos habitan- tes da cidade de Bury. observo que. XXXVII. Hacking meio século antes. mas sem aqueles incidentes e recordações que se reuniam e se organizavam em torno da exis- tência terrena do morto comunicante. que ele deveria reunir uma enorme quantidade de detalhes variadíssimos.pelo fantasma quanto por seu aspecto pessoal. Hacking reveste-se de um valor teórico literalmente resolutivo para aqueles que não têm a mente ofuscada por preconceitos de escola. em uma médium em transe.
Hacking. observo que o caso que me proponho relatar é. Essas informações. a entidade comunicante transmitia pela médium. Isso. mas também à de pessoas suas conhecidas em vida. alguns dias depois. total- mente mudado após meio século de transformações arquitetôni- cas). interpoladas inextricavelmente entre os informes pessoais e verídicos atinentes à existência terrena da . é o mesmo que querer-se atribuir tudo isto a um indivíduo que pela primeira vez havia estado numa certa cidade e assistira. entre uma comunicação e outra. a uma sessão mediúnica. Além disso. junto às quais melhor poderia conseguir a desejada intenção de provar à irmã a própria presença espiritual no local. Hacking. a irmã defunta facilitava as pesquisas. Em tais contingên- cias. represen- ta uma prova edificante e altamente instrutiva em testemunho das pseudo-explicações totalmente sem sentido a que se apegam beatamente os opositores das hipóteses espíritas. comportando-se assim. porém. já que se compreende que. neste último caso – como já no de Oscar Wilde –. de modo que pudesse controlar a maior parte das infor- mações fornecidas. Não é que não veja como a circunstância das chamadas revelações transcendentais. à guisa daquelas fornecidas pelo finado sr. É preciso convir que este engenhoso expediente concorre de forma admirável para outor- gar eficácia irresistível ao sentido espiritualista desta série de experiências. em grande parte.ro personagem desconhecido de todos (e esse ambiente. não provinham sempre das recordações pessoais da própria entidade. transmitia informações a respeito de sua própria existência espiritual que concordavam plenamente com as transmitidas por um grande número de personalidades já mortas. já que esta última recorria às vezes a outras entidades de mortos seus conhecidos em vida. aliás. indicando as pessoas às quais deveria dirigir-se a irmã viva para encontrar a solução. infor- mações que a irmã viva desconhecia. revela-se o detalhe de que a morta. às vezes. deixando-a em grandes dificuldades para apurar sua autenticidade. uma vez que a entidade comunicante se referiu a mais de trezen- tas informações verídicas pertencentes não só à própria existên- cia terrena. Assim argumentando. observo que. semelhante ao caso do sr.
noto que o material dos fatos é de tal maneira abundante que foi necessário um livro para reuni-lo. expõe os notáveis resultados obtidos consigo e com sua progenitora graças à mediunidade escrevente que. Querer manter uma por supranormal e outra por subconsciente seria ilógico. Obtiveram. mostra que as duas séries complementares de informações não podem ser separadas e. se obtinha mediante um pequeno instrumento chama- do aditor. Mas isto discutiremos oportunamente. Mas. não possuem características que os distingam de numerosos outros do gênero. no caso deles. Voltando ao caso aqui considerado. em conseqüência. porém. em línguas russa. então. intitulado Psychical experiences of a musician. conquanto os casos em questão se mostrem por si sós importantes. não se pode fazer tal afirmação. onde relata uma longa série de experiências pessoais com diversos médiuns e onde. considerados cumu- . turca e persa. polaca. ou ambas devem conter mistifica- ções do subconsciente. sobretudo. a origem também espírita das informações fornecidas pela mesma entida- de. e mesmo absurdo. Havia publicado antes um grosso volu- me. com ponteiro móvel. Deve-se reconhecer. que nada mais é do que uma variedade aperfeiçoada do quadro alfabético. no que se refere ao ambiente espiritual que as acolhia. Em outras palavras: ou deve-se reconhecer a origem supranormal de ambas as séries em questão. com nume- rosos incidentes de xenoglossia. juntamente com sua mãe. quanto pela excelência das provas de identificação que dele derivam. pois ele está entre os de ordem excep- cional. entre outros. de autoria do músico Florizel von Reuter. Ele. casos de identificação espírita notabilíssimos. Esses casos.entidade comunicante. tanto pelo número de informações verídicas fornecidas pela entidade comunicante. ocupa-se há muitos anos das pesquisas psíquicas e ambos são médiuns escreventes comparáveis com os melhores que existem atualmente. Trata-se de The consoling angel (The case of Hattie Jordan). deve-se logicamente concluir que as informações pessoais forne- cidas devem ser acolhidas como boas provas em favor da inter- pretação espírita dos fatos. Para este último. célebre no mundo das artes como violinista virtuose.
as mensagens da falecida se mostraram ainda mais importantes. Quando da morte de Hattie. mas havia mais de trinta anos que mantinha bem poucas relações com elas e praticamente nada sabia a respeito dos seus fami- liares. na Califórnia. mas . Sir Conan Doyle fez um breve prefácio para o livro e dele ex- traio as seguintes informações. a médium.lativamente. visto que. onde vivia com a sua irmã Florence. aqui considerado. assumem um valor teórico resolutivo para a ciência espiritualista. sendo a maior parte delas absolutamente ignorada pelos dois von Reuter. sra. Mas. Esse memorável caso pode ser citado como desafio aos céticos. Nem uma nem outra haviam ja- mais se ocupado de espiritualismo e não possuíam conheci- mento algum sobre a matéria. da parte da defunta. os von Reuter se encontravam na Europa e não tardaram a obter.. pela difusão de luz que espalharam sobre a vida de além-túmulo. sra. não se chegaria nunca a prova tão concludente. A médium. Hattie Jordan havia falecido em Pasadena. com a hipótese telepática e subconsciente. von Reuter. Um grande e recíproco afeto ligava as duas irmãs. enquanto esse acúmulo imponente de in- formes mostrava-se importante para a demonstração científi- ca da sobrevivência da alma. variadas e verídicas na demonstração da sobrevivência de um defunto comunicante. indispensáveis ao conhecimento do tema: “Para o caso.. Tais cartas forneciam muitas informações para a sua própria identificação pessoal e se acumularam de tal forma que ultrapassaram a elevada cifra de trezentas. conheceu-as na infância. deve-se reconhecer que na história das pesquisas psíquicas se inclu- em bem poucos casos em que existem tantas informações pessoais minuciosas. informa que havia conhecido as duas irmãs na sua primeira mocidade. men- sagens que se transformaram em cartas que a irmã morta en- viava à irmã viva. de Hattie Jordan.” Por sua parte. Grace von Reuter. amigos e conhecidos.
salvo se se considerar a habitu- al e notabilíssima concordância entre aquilo que a entidade comunicante narra de si e aquilo que. que um episódio semelhante não pode ser revestido de valor probatório. a propósito. narram nume- rosas outras entidades de defuntos. Infelizmente impossibilitada a prática de fazer emergir o va- lor cumulativo de tão imponente massa de informes pessoais. Esclarecido também este ponto. partira com o filho para a Europa. e. começando por uma mensagem em que a morta narra as vicissitudes por que passou depois da crise da morte. era-lhe muito rara a ocasião de encontrá-las e que. O inconveniente. quando de uma viagem à sua terra natal. somos levados a considerar a ineficácia teórica do caso aqui considerado. e onde são citados todos os familiares. .que. fornecidos com o propósito declarado de provar a própria presença espiritual no local. pas- so a relatar um certo número de episódios a título de exemplos. é inevitável quando se trata de retomar experiências cujo valor teórico é de ordem cumulativa e acentua-se. dizendo-se presente. Informa também que ela e o filho nada sabiam a respeito da vida das duas irmãs em Pasadena. depois de seu casamento. Estabelecido isto para uma precisa valorização dos fatos. afirma ter coexistido em vida. viu-as uma única vez. Compreende-se. os amigos e os conhecidos com os quais a morta. após alguns anos. Resulta daí que os leitores desejosos de formarem um conceito claro sobre o valor teórico dos dois acontecimentos deveriam estudá-los na narração original. os parentes. que haviam sabido da morte de Hattie quatro meses após o acontecimento. passo a enumerar alguns epi- sódios do caso. finalmente. uma vez que quem escreve já teve oportunidade de realizar a experiência por ocasião de outro caso análogo e mais importante – o do morto sr. visto que se trata de mais de trezentos informes. onde. localidade para onde se mudaram nos últimos anos. Eis porque cito o episódio. Advirto não ser possível citá-los em quantidade suficiente para fazer aparecer o valor cumulativo. porém. desde já. durante vinte e oito anos. Hacking.
Então. Não é possível que lhe escreve nesta primeira carta tudo o que vi e aprendi desde o dia em que despertei no mundo es- piritual. dormir. as idéias se me aclara- ram e lembrei-me de certas discussões que tivemos com os nossos amigos Grace e Florizel. Foi quando decidi. mas tinha a intuição certa de poder consegui-lo. Recordo-me de ter ficado muito ligada a você. Tenho uma recordação muito vaga do que me aconteceu no dia seguinte ao transitar pelo mundo espiritual. ao lado de meu velho corpo inanimado. Adormeci logo depois que os meus velhos despojos foram sepultados. Coisa es- tranha! Via-me ali. eu lia em sua alma como em um livro aberto e percebia a imensidade de seu desespero. . no entanto. fiquei desorientada ao achar- me repentinamente livre de qualquer sofrimento. Caríssima Florence. De início. continuar a ser eu mesma. Isto deu-me a idéia de me aproximar de você por intermédio deles. Só havia uma solução: manifestar-me a você o mais breve possível. mas não tardei a perceber que me achava bastante cansada. “Minha cara Florence. Subitamente me dei conta de que podia ler seu pensamento e notei que vácuo terrível o acontecimento havia deixado em seu cora- ção. mais viva do que nunca. não sabia como realizar o meu propósito. fazê- la sentir. a qualquer preço. próxima de mim mesma. Ma- mãe conduziu-me a um lugar onde deveria repousar. Não poderia dizer-lhe que dormi. tocá-la com a mão para que você compreendesse que eu havia sobrevivido à crise da morte. Tinha experimentado a sensação de evadir-me de mim mesma e de. entre os quais um que se revelou o meu espírito-guia. fazê-la saber. mas devia achar-me em condições espirituais muito confusas. Teria que escrever muito para dar-lhe uma pálida idéia. mas o tempo passou sem que o soubesse. Naquela memorável manhã em que ouvi dizer que tinha morrido. acompanhada de outros espíritos. ao invés. encontrava-me. Eis que vem ao meu encontro a nossa mãe. mas livre de qualquer fadiga ao respirar. Quando a minha velha carcaça foi sepultada.
Logo que revigorada pelas correntes de energia espiritual. e o consegui. foram tão bons em ensinar-me e aju- dar-me a comunicar! Estou plenamente feliz por tê-lo conse- guido. Termino porque percebo que os bons amigos. mas. Ao que ela me respondeu: – Sei por que mo pergunta. Por ora você deve dormir. Noto. Mas não lhe parece que.revigorar-me enfim. corretamente. porém. perguntei a mamãe: – Dizei-me se é possível comunicar-me com Grace e Flo- rizel. Para nós. mamãe disse que se havia transportado até os nos- sos amigos no momento em que eles usavam uma curiosa mesinha através da qual os espíritos transmitiam aos vivos os seus pensamentos. é a coisa mais natural do mundo. mas que. com o auxílio de flora e outros espíritos amigos. absorvendo energia espiritual. pensei em você. querida Florence. Todos eles. Tentarei e verei o que se pode fazer. necessitam de repouso. ao con- trário. que os meus amigos que aqui vieram para as comunicações com o mundo dos vivos afirmam que eu possuo uma especial aptidão para transmitir. querida Florence. e vendo-a sempre presa ao mais triste desespero. porém. Na verdade existem muitos dentre eles que não chegam a transmitir mais do que poucas palavras fragmentadas. Este é o princípio de nossa nova união. Não sei quantos dias durou o meu sono. que para você parece uma maravilha imperscrutável. consegui desempenhar-me a contento? . lamentavelmente abandonada e pri- vada de forças. nada de maravilhoso existe em tudo isto. por ser esta a primeira carta que lhe envio do mundo espiritual. através dos quais escrevo. Antes de me deitar. provas de identificação pessoal. Senti que ela também havia escrito pe- la mesinha e soube que havia conseguido transmitir estas poucas palavras: “Florence precisa de ajuda”. quis de repente entrar em contato com Grace e Florizel. quando acordei.
. Na carta em questão deve-se notar a passagem em que a mor- ta comunicante informa que.. de Hattie Jordan. não obstante. ainda que. tendo perguntado à mãe se podia transmitir uma mensagem à irmã viva por intermédio dos amigos von Reuter. absolutamente nova em tais experiências. Boa noite. Pediram explicações a respeito. do sr. já que se mostra como a única explicação racional tanto do caso aqui considerado. Ora. não imaginaram que a mensagem se referia à sua irmã. po- rém.” Esta é a primeira carta-mensagem da falecida Hattie Jordan à sua irmã Florence. O que mais surpreende nesses casos é a excepcional esponta- neidade com que um e outro espíritos conseguem transmitir nomes próprios e nomes comuns. Esta última dificuldade é quase . Deve-se notar ainda a observação da personalidade mediúni- ca: “. corretamente. disci- plinando os teus sonhos. o que vale dizer que a entidade comunicante. Voltarei a visitá-la no sono. é verdade que os von Reuter receberam a mensagem. porém o instrumento mediúnico não se moveu mais. quando os espíritos comunicantes se mostraram capa- zes de entrar em contato com os vivos com a mesma facilidade de uma conversa telefônica. provas de identificação pessoal”. não estava em condições de transmitir outras palavras. esta encarregou-se de tentar a prova e. quanto do outro. ignorando a morte de Hattie Jordan. conseguiu transmitir as palavras: “Florence precisa de ajuda”. mais extraordinário ainda. tenha sido precedida de outras numerosas e breves mensagens fornecidas aos von Reuter para que as transmitissem à irmã. minha irmã. Tal observação repete-se várias vezes nessas mensa- gens e é sem dúvida razoável. Hacking. os meus amigos que aqui vieram para as comunicações com o mundo dos vivos afirmam que eu possuo uma especial aptidão para transmitir. Os leitores terão observado que a narrativa da entidade co- municante. em relação ao que lhe sucedeu depois da crise da morte. de fato. concorda admiravelmente com as narrativas semelhantes por mim recolhidas e comentadas no meu livro A crise da morte.
Se assim é. que os dois comu- nicantes em questão constituem uma exceção que presumivel- mente se deve atribuir a uma feliz e perfeita atividade vibratória . uma exceção para aqueles nomes aos quais se pode dar uma idéia de uma imagem simbólica. do ponto de vista teórico. não há pesquisador experiente que não esteja plenamente informado sobre as reais causas que determi- nam tão lamentável mas compreensível imperfeição das comuni- cações mediúnicas. integralmente. Essa enorme e especial dificuldade a que se submetem as personalidades medi- únicas comunicantes foi revelada desde o início do movimento espiritualista. essa imperfeição não é motivo de perplexidade.insuperável para os mortos comunicantes. de fato. porém. deve-se ter em mente. amigos e conhecidos. portanto. porém. Faça-se. as recorda- ções de suas existências terrenas. E. nos dois magníficos casos aqui considerados. pois parecia impossível que um desencarnado. assumindo aspectos de formidável perplexidade. em que as personalidades comunicantes não encontram dificul- dade alguma para transmitir correta e prontamente centenas e centenas de nomes de parentes. quando as condições necessárias às comunicações entre os dois mundos se verificam de modo adequado. Seja como for. não podem ser transmitidos telepaticamente aos centros cerebrais da imaginação dos médiuns. Atualmente. conseguidos mediunicamente (especialmente através dos médiuns Piper e Thompson). fazendo-se surgir diante da visão subjetiva do médium uma flor margarida. está de- monstrado – se ainda for preciso – que. por exemplo. digamos que. é notório que uma boa parte dos nomes próprios e comuns. Isto impediu que muitos aceitassem as interpretações espíritas dos fatos. que é suscetível de transmissão simbólica. porém. como seria o caso. não pudesse esforçar-se um pouco mais para transmitir corretamente o nome dos próprios familiares e só conseguisse. os desencarnados ficam em condições de demonstrar aos vivos que conservam. pois os nomes pró- prios não são idéias nem imagens e. transmitir apenas as suas iniciais. que fornecia maravilhosas provas de identificação pessoal. foi transmitida de forma simbólica. no máximo. do nome Margarida.
“Sessão de 5 de abril. obrigando-os a transmitir provas de identi- ficação pessoal. Florence Jordan comenta. citarei os trechos principais de duas sessões sucessivas que a sra. Agora devo enviar a Florence uma mensagem de saudação por parte de uma certa sra. Devo apres- sar-me porque há uma solicitação de espíritos que há muito esperam a oportunidade de transmitirem as suas mensagens. em quaisquer circunstâncias.] 4 Estou felicíssima por saber que Florence confirma as informações de identificação que lhe transmiti. mas mu- dou de residência quando eu ainda era mocinha. nomes próprios e nomes comuns pelos meios inadequados da telepatia. por meio de sua mãe. que vivia com uma irmã e a avó (ou tia. o termo inveja é impró- prio. Muitos dentre eles me invejam porque consegui facilmente entrar em contato com vocês. reunindo-os em uma só das suas missivas. comunicando-se sem se submeterem a outro inconve- niente mais grave ainda. [Florizel havia viajado por dez dias. A título de exemplo típico. Em data de 5 de abril de 1928. enquanto Florizel von Reu- ter. Não. Ela tomava aulas de piano com mamãe. como o de ter a memória confusa e restrita. Hattie manifestou-se observando: – Compreendo que sou indiscreta. mas sinto que não posso deixar Florence tanto tempo sem as minhas mensagens. com relação às observações pre- cedentes. na esquina das ruas Twelfth e Perry. tais modalidades de comunicação entre os dois mundos. em razão da transitória e parcial “encarnação” de suas individualidades em um cérebro alheio. e considerando a facilidade com que Hattie transmitia nomes próprios e nomes comuns. Isto permite aos primeiros entrarem diretamente em contato com os centros cerebrais dos segundos. conversava mediunicamente com a própria tia falecida. mas eles desejam ser como eu. Love. não me recordo bem).entre a mente dos dois desencarnados e os órgãos cerebrais dos médiuns pelos quais se manifestaram. . São esses inconvenientes que impedem a grande maioria dos desencarnados de utilizarem. intrometendo-me deste modo.
Mas não diga nada a ela porque não acreditaria nisto.] Estão aqui também o pai. Também devo enviar outra mensagem de saudação da parte de Lily.] . Florizel – Este último nome está correto? Hattie – Sim. uma afetuosa saudação à sua ex-noiva. Florizel – Trata-se de Lucy Strickleberger? [Esta era uma nossa amiga particular da América e. [Hattie. o qual envia. pode perguntar-lhe também se sua avó pa- terna não viajava freqüentemente a Rouen. Chamava-se Drake. não. porém. observando que tempos atrás você tinha ouvido falar dele. Também Lucy e Clara enviam saudações. dirige-se diretamente à irmã. Ela está aqui e deseja enviar uma saudação a Florence. Isto aconteceu antes de nos conhecer- mos. Grace – Morreu há muito tempo? Hattie – Não. na França. foi com o intuito de controlar. Sra. Grace – Qual é a mensagem a ser enviada? Hattie – Sempre saudações afetuosas do mundo espiritual. Não lhe diga. e esta é uma boa prova. Procure somente informar-se. há pouco tempo. ela não lhe daria crédito. De resto. Pergunte-lhe se tinha um tio que morreu ou foi assassinado quando era criança. Está aqui presente o noivo de Miranda. a entidade comu- nicante. Mais uma vez. repito que.. querida Florence. Grace – Tio de Judith? Hattie – Sim. em sua men- sagem. a mãe e as duas avós de Judith e todos lhe enviam sau- dações e beijos.? Hattie – Não. eu não tenho outro objetivo senão o de convencê-la a respeito de minha identidade pessoal. por sua vez. Pergun- te-lhe casualmente. Grace – Trata-se talvez de Lily R. se assim procedi. É uma outra. ao enviar-lhe estes informes. não. por minha vez. como você veio a sabê-lo. se você lho dissesse. Grace von Reuter – Eu a conhecia? Hattie – Não..
não. mas agora devo parar. Estou firmemente decidida a provar minha identidade pessoal. enquanto eu me abstinha de seguir. Nesse ponto a comunicação foi bruscamente interrompida e uma outra entidade – talvez o espírito-guia – escreveu em alemão: “Ela foi embora. O relator – Florizel von Reuter – informa: “Coloquei a mão sobre o instrumento mediúnico e ele começou imedia- tamente a escrever. Vocês não podem imaginar que multidão de desencarnados. por mim transmi- tidas no outro dia. a escrita. [Florizel comenta: “Lembro-me vagamente de que minha tia efetiva- mente falava algumas vezes em Hattie. Vocês vêem com que firmeza persevero em minha tarefa. que se valem de mim como intermediária entre eles e minha irmã Florence. E isto é o que . Todos me dizem aqui que pos- suo faculdades fora do comum para transmitir diretamente informes pessoais. Transmito nomes seguidamente com o fim de provar a minha identidade. (Diri- ge-se agora diretamente a Florence.” Sessão de 7 de abril.] Florizel – Quem é? Hattie – Flora me chamava sempre de Harriet. Como vê. que tomava lições com mamãe? Ela es- tá no mundo espiritual há muito tempo. volteiam aqui ao redor. pois Florence e os outros ainda têm necessidade disso. E é por isso que eu me preocupo tanto em transmi- tir longas relações de nomes desconhecidos.. vinculados ao mundo do amor.. Minha mãe seguiu-a e leu: “Flora diz que posso começar a escrever”. com os olhos.. a fim de não gastar mais forças. sem necessidade de recorrer a espíritos intermediários.) Lembra-se de uma me- nina de nome Lollie. as antigas alunas de mamãe têm ainda as vibrações de suas individua- lidades e mantêm-se em contato com ela. ansiosos por tentar a comunicação e fazerem-se re- conhecer. Hattie – Não. quero juntar algumas particularidades com relação a outros desencarnados.”] Às saudações do mundo espiritual. [Flora era uma tia já falecida de Florizel. Walter. chamando-a de Har- riet..
Era uma amizade feita na igreja. Hattie – Não. Love e a sua irmã Rose Erwin viveram algum tem- po com uma tia na localidade das ruas Twelfth e Perry. Chamo a atenção sobre ela porque se trata de uma boa prova. era um outro. não é muito elevado no mundo espiritual. talvez se lembre. Ainda o nome de Will. Refiro-me desta vez a um amigo de nosso pai. Mensagem de 5 de abril Primeira prova A sra. sem demora. a comentá-las.. mas você. o qual vem muitas vezes aqui para en- contrá-lo. Passo.. Para ser sincera. não me lembrava mais de- la. que. porém todos a chamavam de Lollie. não têm importância. Comentários da sra. que vem muitas vezes conver- sar com mamãe. Florence Jordan sobre o conteúdo das duas sessões precedentes: Caro Florizel. afinal. quis acrescentar estes outros informes. por si sós. certamente. Boa noite. Trata-se apenas de uma prova a mais para a minha identificação. Florence. Florizel – Deseja naturalmente enviar saudações a Floren- ce? Hattie – Não. Antes que seja enviada a carta a Florence.acontece também com Lollie. na . caros amigos. e por ora basta. Florizel – Florence o conheceu? Hattie – Sim. Era uma menina morena com um rostinho afilado. Ele. As duas mães de Miranda estão desgos- tosas por não poderem enviar uma mensagem à filha. Florizel – Você já se referiu uma vez a este Will. E por ora basta. Estas duas últimas mensagens de Hattie são as mais mara- vilhosas que recebi até agora do mundo espiritual. Seu verdadeiro nome era Laura. Florizel – Não tem nada a comunicar? Hattie – Não.
uma jovem senhora que convivia com Miranda. Segunda prova Lily era uma prima nossa.. e há trinta a quarenta anos que não temos notícias delas. [A propósito da afirmativa de Florence – que o tio de Ju- dith falecera no estrangeiro –. Digam para ela verificar também isto.”] Terceira prova Miranda era uma nossa amiga. filha do tio Palmer Lumb. Realmente. [Florizel comenta: “Note-se que Hattie tinha avisado que Miranda era avessa às práticas espí- ritas. No mais. Isto depende do . Sabia que ela era boa e lho disse. Convencer-se-á mais do que nunca que eu sei o que digo. Grace provavelmente lembrar-se-á dele. Trata-se de Judith G. Naquela noite as transmissões das provas vinham fá- ceis e espontâneas e nem sempre é assim. pois o tio de Judith não faleceu no estrangeiro: morreu de uma queda de cavalo. Não tive ainda a oportunidade de perguntar a Miranda se a mãe de seu pai ia muitas vezes a Rouen.. Hattie observa: “Digam a Flo- rence que ela se engana. Quinta prova Seu pai e as duas avós encontram-se no mundo espiritual. Previno-os para não citá-la publica- mente pelas razões acima. Também o tio encontra-se lá. esse seu tio faleceu quando criança e a morte ocorreu no exterior. mas nada sabia a respeito de sua filha. Não lhe cito o nome com- pleto porque poder-se-ia melindrar ao ver-se relacionada em pesquisas desta natureza.esquina sudeste. A sra. [Florizel comenta: “Minha mãe recorda-se de ter visto esse tio das Jordan.”] Quarta prova Judith. ela agora está quase certa de que quem lhe fala sou eu mesma.. A última mensagem foi muito produtiva em tal sentido.
ela re- tifica o erro em que incorreu. pergunte-o à mãe dela. tio de Miranda. Florence pode per- guntar a Judith e. vivia em Denver. não consigo trans- mitir corretamente minhas provas. se esta não se lembrar. Foi a falecida avó de Judith que o contou a mim.” Observa-se assim que a memória da irmã morta era melhor do que a da irmã viva.”] Sexta prova Tenho uma vaga lembrança de que o nome do menino. Hattie havia informado: “Há uma fotografia do tio de Judith: é uma criança delicada. não se chegou a verificá-lo. Trata-se de Walter French.estado de vocês dois. é notabilíssimo o fato de Hattie ter acrescentado um detalhe importante. Vocês compreenderão que se trata de uma prova muito importante. inclusive dela própria. . des- conhecido de todos. era precisamente Drake. Se estão cansados. com longos e anelados cabelos louros.] [Sempre a propósito do menino Drake. Além disso. Oitava prova Walter. no Estado de New York. porque nenhuma de nós nunca soube do fato. Também nesta noite as condições estão boas. devido à má vontade de quem podia fornecer a informação pedida. escrevendo aos von Reuter nestes termos: “É realmente verdade que o menino Drake fa- leceu de uma queda de cavalo. No entanto. deduz-se que Florence chega a admitir que o nome da criança era efetivamente Drake. a menos que Lucy seja a mãe dos Craddock.”] Sétima prova Não consegui lembrar-me de Lucy e Clara. enteado de nossa filha Ruth. [A seguir. uma vez que ob- tivera a informação da falecida avó de Judith.
entretan- to. Décima primeira prova Will. é muito apropriada a expressão duas mães. a reconfirmar o seu firme propósito de fazer-se identificar. Mamãe teve sempre muitas alunas e conseqüentemente não posso recordar-me de todas. é notável a insistência com que a morta co- municante volta. Décima segunda prova É verdade que Will pertencia à nossa igreja. outro fim não tenho que o de convencê-la da minha identidade pesso- al. e ela é a única mãe da qual conserva recordações. Tal nome. Mensagem de 7 de abril Nona prova Lollie.”]” A tal propósito. [Florizel comenta: “Mais tarde Florence conseguiu identificar também Lollie. Trata-se de Will Thompson. Morreu há muito tempo.” Pouco mais adiante. desperta em mim uma vaga sensação de já tê-lo ouvido. em qualquer tarefa que empreendesse. muito segura. ao enviar-lhe estes informes. o que combi- na com esta observação de Florence: “Harriet sempre foi muito perseverante. Nas duas mensagens acima.”] Décima prova Miranda tinha uma madrinha que era irmã de sua mãe. Assim sen- do. ela começa ponderando: “Cara Florence. Lembro-me dele. sob várias formas. Também é verdade que era amigo de nosso pai. Não consigo lembrar-me dela. retoma dizendo: . [Viu-se finalmente que a entidade comunicante refere-se à firme vontade de chegar a fazer-se identificar. embo- ra fosse um simples conhecido.
finalmente. pois Florence e os outros ainda têm necessidade disso. Transmito nomes seguidamente com o fim de provar a minha identidade. Hattie respondeu: “Não. reafirma: “Estou firmemente decidida a provar minha identidade pessoal.” E. De fato. passando por um período de alternativas entre a convicção e a dúvida de que era possuída.. Acabou por sentir abalada a sua incredulida- de e. não podia deixar de atingir o alvo. declarou-se irrevogavelmente certa de estar conversando com o espírito da irmã morta. Afinal. mostrava-se de princípio avessa em acolher como real a notícia.” E. acabou sendo vencida pela força persuasiva e irresistível das provas cumulativas apresentadas pela morta comunicante.” Voltando depois. Florence. Trata-se apenas de uma prova a mais para a minha identificação..” Tão admirável segurança de propósitos.” Depois.. na mensagem seguinte. quando lhe foi perguntado se o espírito de Will tinha algo a comunicar. “Não. sendo totalmente ignorante em experiên- cias mediúnicas. logo em seguida. no mesmo parágrafo: “Vocês vêem com que firmeza persevero em minha tare- fa. afirma: “Chamo a atenção sobre ela [a menina] porque se trata de uma boa prova.” Termina esse parágrafo com a frase: “E é por isso que eu me preocupo tanto em transmitir lon- gas relações de nomes desconhecidos. . não. indicando uma têm- pera de caráter fora do comum. com referência a uma pergunta que lhe foi feita a propósito do nome de uma menina por ela transmitido..
. tendo conseguido o seu in- tento. Quero que ela me diga quem era John T. residente na Califórnia. Já lhes disse na última carta. logo após o seu casamen- to. que a irmã viva erradamente havia interpretado por John Thompson. que vive na Califór- nia.. mas agora eu me divirto fornecendo-lhe nomes que são enigmas. de ros- to afilado. Hattie observa a propósito. com o fim de completar o controle das provas. Agora lhes par- ticipo que cheguei a lembrar-me de Lollie ou Laura Atkin- son. digam-lhe que já não necessito de mais provas: estou con- vencida.. Escreve ela: “Não sei se vocês chegaram a formar um conceito claro daquilo que as mensagens de Hattie representam para mim. Hattie – Finalmente Florence ficou convencida. Ela era precisamente uma menina morena. Florence indica.” É neste ponto que a irmã morta. tio de Judith. a quem me referi certa . Cedendo às insistências de Florizel. submetendo a irmã viva a um interrogatório com a intenção. de que me fala Hattie. A prova relacionada com o menino. juntou a inicial T.. já na carta seguinte àquela citada. a sua pró- pria convicção e nela comenta as sessões precedentes.. Na verdade. Quanto a John T. diverte-se invertendo as partes. dos sofrimentos terrenos. diz ela.. de por à prova a agudeza de sua memória. já é uma das ditas interroga- ções de controle.. não posso pen- sar em outro a não ser John Thompson. do sobrenome. Foi então que a irmã respondeu que não podia pensar em outro a não ser John Thompson. Digam-lhe. Há muitos anos. Renasci para uma nova vida e gozo de uma felicidade sem limites. pois. Hattie mostra-se sempre a mesma. porém. oh!. Foram estabelecer-se em Dakota há muitos anos e lá ela morreu. Na décima oitava sessão. não me sinto e não me sentirei mais só nem desolada. Depois de recebê-las. li- vre. pretendendo que a irmã adivinhasse a qual John ela aludia. seu pai teve relações comerciais com o nosso pai. é para mim resolutiva. Hattie transmitira certa vez apenas o nome John. se bem me recordo... A identidade de John T.
por breve tempo. embora puramente indutiva e gratuita.. Ele tinha grande habilidade em fazer jogos de prestidigitação e com eles encantava as crianças. com as quais Hattie quis magnanimamente agraci- ar-me. Tal objeção consiste em se presumir que.] Prova- velmente eu nunca pensaria nele se não fosse a alusão de Hattie. Paro por aqui.. presumivelmente pretendendo dizer prestidigitação. pois já indiquei mais do que devia. Pois bem. que se torna mais saboroso sabendo-se que a segunda letra de seu sobrenome é realmente “h”. Florizel – Não quer fornecer outras letras do seu nome? Hattie – Em não revelar está o sabor do brinquedo. quando uma personalidade mediúnica afirma conhecer um certo nome mas não quer ou não pode transmiti-lo. recorre com isto a uma das ... um gracioso rapaz de dezenove anos. Não acrescento mais nada. consegui identificar também o famoso John T.: “Hattie diverte-se infligindo-me provas a fim de testar mi- nha memória.. Compreendi que ela se referia a John Thackeray. a propósito do enigma de John Tha.” A irmã viva escreve nestes termos. sempre teve poder de neutralizar a eficácia demonstrativa de numerosos incidentes do gênero. aluno de nossa mãe e meu aluno também. conforme nos escreve Florence? Hattie – Claro que aceito. Ele tinha um amigo cantor. como que Florence forneceu. depois de semanas de esforços mnemônicos. Disse que ele havia emigrado para o este e não para o oeste. o que devo realmente às letras “h” e “a”. Florizel – Quer dizer que você não aceita o nome de John Thompson. com resultados formidáveis. [Hattie havia falado de uma sua força sugestiva. vez.” Observo que o incidente exposto elimina uma objeção que. mas ele não é o John que emi- grou para o este. Florizel – Não quer acrescentar pelo menos uma letra? Hattie – A terceira letra é “a”.
Isso comprova que. juntou em seguida a letra maiúscula “T”.” Assim informada. visto que Hattie transmitiu uma primeira vez o simples nome John. Não acrescento mais nada. e agora chego a Fanny. Era de uma família de bem. mas evidenciam também um sistema inverso de interrogatório que se mostra novo na casuística metapsíquica e que é muito importante . Com isso. ditando aos von Reuter: “Digam a Florence que me refiro a Fanny Danvers. que conhecia o nome Thackeray. e.” Apesar de tais indicações. Seu sobrenome come- çava com D. inicial do sobrenome do personagem a que aludia. O nome de seu irmão era Fred.. Acentuo que os episódios análogos aos citados não são sufi- cientemente eficazes para eliminar a hipótese das mistificações subconscientes compreendidas no sentido supracitado. do subconsciente do médium que ignora o citado nome e não con- segue captá-lo do subconsciente dos presentes. Parece-me que se formou em medicina depois da partida de Grace. as letras “h” e “a”. desta vez. pois trata-se. efetivamente. finalmente. esta última decide revelá-lo integralmente. Ao reforçar as minhas afirmativas. a revelar o sobrenome da pessoa indicada. Florence reconheceu subitamente a pessoa. então. em realidade. a irmã viva não seria ca- paz de acertar e se decidiu. cujo irmão era médico. Morava em Brady Street. por razões próprias. de uma forma segura. porém.chamadas desculpas magras.” Hattie convenceu-se que. então. a pessoa era do conhecimento da morta. demonstrou. mas que não queria transmiti-lo. Eis o episódio: “Hattie – . Florence não conseguiu identificar a pessoa em questão e escreveu aos von Reuter: “Estou na mais completa escuridão a respeito de Fanny D.. quando a irmã viva não consegue descobrir o nome sobre o qual era inquirida pela irmã morta e. acrescento uma outra cir- cunstância.. Felizmente tal objeção não se aplica ao incidente exposto...
quando a morta voltou a ele com insistência e repetidas vezes. com o fito de identificar-se. foram fornecidos mais de tre- zentos informes pessoais a título de prova de identificação.como contribuição para a demonstração da presença espiritual. Acrescente-se que não se deve levar a débito da entidade comunicante a tênue porcentagem de informes não-identificados. Além disso. cuja autenticidade foi confirmada na razão de noventa e cin- co por cento. de modo especial.” Assim conclui o relator. Neste ponto sou levado a dirigir-me. O relator – sr. àque- les que já reconhecem tal verdade. da própria morta (que as pedia a outros defuntos por ela conhecidos em vida). no lugar. os quais assumem valor de prova cumulativa logicamente irresistível no sentido espiritualista. visto que os já citados são suficientes para fornecer uma clara idéia acerca das características especiais das informações pessoais transmitidas pela morta. porquanto eram desconhecidas de todos os experimentadores e. com grande evidência demonstrativa. dos mortos comunicantes. exortando a se fazer o possível para identi- ficá-lo). algumas vezes. reside no número extraordinário de informes transmitidos pela morta. Abstenho-me de citar outros episódios para não me prolongar muito. Florizel von Reuter – resume os fatos nos se- guintes termos: “No caso aqui considerado. com o intuito de chamar sua atenção sobre o fato de que o caso em questão se presta para fazer emergir. a grande importância teórica do caso em exame. uma vez que o fato é unicamente devido à má vontade e à hostilidade das pessoas que possuíam o ma- terial das provas: elas não quiseram fornecer as referências pedidas ou não quiseram incumbir-se das indispensáveis in- dagações probatórias (lembro o incidente da fotografia do menino Drake. em confronto com outros episódios iguais de identificação espírita. a solução . entre as informações pessoais fornecidas. Por minha conta lembrarei que. várias encontram-se revesti- das de grande valor teórico.
transmitiu informações precisas a respeito da própria existência espiritual e das condições do ambiente em que se encontra. uma vez que. admitem a existência de autênticos casos de identificação espírita. E isto é o que se verifica em grau superlativo no caso aqui considerado. fornecendo informações acerca da própria vida espiritual. em pouco tempo. ao contrário. fornecendo mais de trezentas informações verídi- cas sobre a sua existência terrena e que. entre uma informação e outra. mas que transformava instantaneamente em efêmera personalidade sonambúlica não apenas entre um informe e outro. os metapsiquis- tas em questão exigem uma escolha rigorosa das muito numero- sas coleções de revelações transcendentais – muitas das quais se mostram divagações onírico-subconscientes facilmente reconhe- cíveis como tais. Com base nas conclusões acima e relativamente ao caso aqui considerado. segundo alguns metapsiquistas que não negam. Achamo-nos frente ao caso de uma morta que conseguiu identificar-se. vez por outra. como genuinamente supranormais. deve-se considerar provada a identificação pessoal da falecida Hattie Jordan. Se assim procedem. de modo que também deverão ser aceitos. que me apresso a expor. ou melhor. Em outras palavras: baseando-se nos trezentos informes for- necidos. Deve-se perguntar se um tal modo de argumentar está de acordo com a lógica. as mensagens mediúnicas em que se descrevem as condições de ambiente espiritual – não importa se concordam admiravelmente entre si – devem ser relegadas em massa entre as mistificações da subconsciência. acrescentando que o primordial critério de escolha deveria ser o de recolher apenas as mensagens transmiti- das por personalidades de defuntos que hajam provado a sua identidade pessoal. os contemporaneamente . eu me declaro plenamente de acordo com eles. E note-se que esses informes concordam plenamente com os fornecidos por numerosos outros mortos comunicantes. trans- mitia informações verídicas em torno da própria existência terrena. Pois bem.logicamente inevitável de um outro quesito muito controvertido. devemos deduzir que a entidade comunicante era um autêntico espírito de pessoa morta que.
chegará um dia em que as relações entre os dois mundos serão mais fáceis. os seis casos acima deveriam logicamente ser suficientes. por necessidade lógica. Começa-se. informações pessoais de identificação. Aqueles que negassem a ambos estariam errados. Por conseguinte. enquanto que o mesmo não se pode afirmar em relação àqueles que acolhessem o primeiro fator e negassem o segundo. Além disso. na base dos fatos. o complexo e magnífico caso de Oscar Wilde. mas pelo menos argumenta- riam com um fio de lógica. Ninguém pretenderá. com abundância. a sobrevi- vência do espírito humano. muito raros. negar também o primeiro. é racional concluir que. como não muito distante. o relatado pela srta. Lea Walker em um grosso volume intitulado The bridge: a case for survival e o publicado em um opúsculo sob o título de The spirit return of mr. temos depois. concluindo que o caso de identificação es- pírita da falecida Hattie Jordan deve ser classificado entre os mais importantes do gênero. no entanto. que as comunicações com o além sejam fáceis como as comunicações telefônicas e. dever-se-ia reconhecer que já foi conseguido o suficiente para se sentir autorizado a vaticinar. para provar a tese da sobrevivência. tem-se ao todo seis do mesmo gênero e. Por agora.fornecidos sobre as modalidades da existência espiritual. com o progresso da nova ciência metapsíquica. fundados nos informes pessoais fornecidos . porém. jun- tando estes ao caso em exame. Hacking. pelos casos de George Pelham e de Bennie Junnot com a sra. na verdade. Vale dizer que. arquitetando hipóteses mnemônico- cósmicas equivalentes à onisciência divina. de fato. já que é patente que o primeiro fator da proposição subentende o segun- do. quem não admite o segundo deve. Com isto finalizo. Importa recordar. que os casos do gênero da iden- tificação espírita. entretanto. já em nossos dias. levando-se em conta que são extre- mamente raros os casos em que as personalidades dos mortos conseguem transmitir. visto que não existem hipóteses naturalistas capazes de dar-lhes inteira razão a menos que não queiram dar freios à fantasia. Piper. o dia em que será cientificamente demonstrado.
Note-se que. argumentando com base no erro apontado. com a aparição de espíritos desconhecidos de todos e a seguir identificados. embora desco- nhecida de todos. na casuística metapsíquica. Parece-me que agora basta. seria inte- . alguns exemplos impressionantes de elo- qüentes fenômenos de telecinesia pouco depois de acontecido um caso de morte. Cran- don. Recordo ainda nume- rosos casos de fotografia transcendental. era o chinês. Limito-me a recordar os das aparições de defuntos no leito de morte – quando são percebidos coletiva ou sucessivamente pelo moribundo e pelos presentes – e os casos complementares das aparições de defuntos no ambiente em que viveram – levando em conta. além disso. Recordo. finalmente. na experiência a que aludo. ainda desta vez. dirigiam exclusivamente as suas críticas aos casos de identificação espírita fundados nas informações pessoais forne- cidas pelos defuntos. consegue identificar-se. não existisse. como se fora de tal forma. à enorme distância. Remeto os leitores às minhas vinte e cinco monografias onde são enumeradas todas as categorias de fenômenos supranormais. não representam senão uma das numerosas categorias de manifestações supranormais que con- vergem para um único ponto: a demonstração da existência e sobrevivência do espírito humano. a qual. uma vez que os opositores. algumas recentíssimas experiências de tríplice correspondência cruzada. ou também alguns episódios de obsessão com visão clarividente da entidade obsessora. em que espíritos de pessoas desconhecidas chegam a se identificar.pelos mortos comunicantes. as apari- ções percebidas coletiva ou sucessivamente por várias pessoas. nenhuma outra que se mostrasse a favor da hipótese espírita. Também foram feitas algumas experiências proveitosas quando. alguns episódios extraordinários de fenômenos de assombração. confronta- ram-se estas com as tiradas em vida (experiências do dr. Era preciso recordar tudo isso. em Boston). e. de qualquer modo. Nelas se incluem centenas de casos variadíssimos e ainda mais eficazes no sentido espiritualista. com manifestação quase simultânea em línguas ignoradas pelos médiuns ou pelos presentes – e a língua. obtendo-se as impressões digitais de dois defuntos.
bastaria também. porquanto provam a existência. do ponto de vista aqui considerado – o da identificação dos defuntos com base nas informações pessoais por eles transmitidas –. Ou. se é possí- vel explicar algumas das informações transmitidas invocando a telepatia. no homem. quando se considera o elemento cumulativo. mais do que nunca. que. a criptestesia. deverão infalivelmen- te constranger até os mais recalcitrantes homens de ciência a admitir a interpretação espiritualista da própria casuística. a criptomnesia. Esse significado evidencia-se.ressante lembrar aos adversários que mesmo a classe dos fenô- menos anímicos. . a convergência admirável de todas as manifestações supranormais – anímicas e espíritas – na demons- tração da existência e sobrevivência do espírito humano não faz mais do que aprovar indireta. por sua vez inabalavelmente espírita. seu valor teórico. provida de faculdades supranor- mais maravilhosas que se mostram independentes da lei da evolução biológica. por si só. de uma persona- lidade integral subconsciente. Noto finalmente que. de todas as manifestações supranormais. Patenteia-se. Isso porque. os fenôme- nos anímicos se mostram complementares dos fenômenos espíri- tas. cedo ou tarde. em outros termos: provam que o homem é um espírito. mas prodigiosamente. para demonstrar a sobrevivência do espírito humano. por estes invocada para combater nossa hipó- tese. uma tal possibilidade parece contudo literalmente descabida frente ao significado cumulativo de todos os informes. assim. subconscientes e extrínsecas. também quando encarnado. por si só. mais do que nunca. Estas são as condições de fato que se tornam patentes na ca- suística metapsíquica e que. clara e inabalavelmente espírita e como tal se mostra. em última análise.
É um caso pertencente à categoria das provas de identificação espírita por meio da vidência e da incorporação mediúnica. Mais tarde. para impedir que logo seja esquecido. H. É sobretudo por seu intermédio que se desenrolou o caso de que nos vamos ocupar. com grande número de episódios muito interessantes deste gênero. Barwell: “No decurso da quinta sessão de nosso grupo. De outra parte. as indicações fornecidas pelo espíri- to comunicante. com personificações mediúnicas. na cidade de Sheffield. são de tal modo abundantes e precisas que se pode colocar este episódio entre os melhores que se conhecem na categoria das provas obtidas por meio dessas faculdades mediúnicas que acabo de indicar. Brown era dotado de faculdades de clarividência e clariaudiência bem notáveis. em 1922. então. não tardando a se descobrir que o sr. que começa observando que o grupo de experimentação. Hacking. em seguida. sociedade cujo presidente atual é o rev. e da sra. de que ele também fazia parte. tornar este caso mais conhecido. primeiramente. F. na sede da Society for Psychical Research. W. mas observam-se nele formas de desenvolvimento características e importantes. F. desconhecido de todos os experimentadores. numa brochura de cinqüenta pági- nas sob o título de The spirit return of mr. o grupo foi aumentando com a inclusão do sr. Brown. Os fatos foram expostos pelo sr. como acontece. IV Um defunto que se recorda de tudo O caso que vou resumir e comentar apareceu. . Escreve o sr. Desenvolveu-se este caso em uma série de sessões que tive- ram lugar. É necessário. Harrison Barwell. infeliz- mente. empreendera as pesquisas com uma sensitiva e médium escrevente da sociedade. Ballard. que eram logo seguidas de sonho mediúnico. em vários números da revista espírita inglesa The Two Worlds e foi reproduzido. W. manifestou- se uma entidade que se dizia ser o espírito de um rev.
abrindo-as e fe- chando-as.Calder. e com o resto do queixo e os lábios superiores raspados. obteve a manifestação. Os que seguem o movimento espírita se recordarão de que um bispo anglicano bem conhecido censurou o rev. Este. que abriu em certo . instituidor princi- pal da igreja de Chesterfield e. durante 21 anos. assim sendo. Vestia um sobretudo preto. Ele manteve a palavra. Brown – anunciou que percebia um senhor alto. provas de identificação de mortos que fossem de natureza irreprovável e. Vale Owen por ter permitido que sir Arthur Conan Doyle fizesse uma conferência na igreja de Oxford. in- teiramente calvo. por in- termédio de nosso grupo. Assim será enquanto conti- nuardes a ocupar-vos destas questões. reitor em Wingerwort. esse bispo tinha sido aluno do falecido rev. Afirmou ter sido. William Sagar – um espírito familiar ao grupo – anunciou a presença de alguém que ele não conhecia e que desejava manifestar- se. Acrescentou que seu nome era John Hacking. Continuou di- zendo: – Vejo que formais um grupo de severos investigadores da verdade. durante 31 anos. com os mesmos fins elevados. às 7 horas da noite. de um espírito desconhe- cido de todos. Ponho-me à vossa disposição para afastar do grupo os elementos indesejáveis e para ajudar-vos com meus con- selhos em vossas investigações. em seguida. A 26 de fevereiro de 1922. em nossas sessões. Respondemos-lhe que estávamos bem felizes por acolher o recém-chegado e logo o vidente – sr. perto de Chesterfield. já de certa idade. Calder. com barba dos dois lados do rosto e debai- xo do queixo. regulando as suas durações. não deixando nunca de se manifes- tar nas sessões. a fim de aclarar a mente de seu antigo discípulo relativamente às verdades es- pirituais. não podendo fornecer a respeito dados bem precisos. que per- tencera à congregação dos wesleyanos e que desencarnara há uns 45 anos. achou-se no dever de fornecer ao mundo. Ora.
O espírito comuni- cante. A sessão terminou assim. então. Brown. em seguida.. mormente uma delas. B.. falando pela boca do sr. onde fora instituidor principal na escola wesleyana de Clerk Street. fora substi- tuído por um instituidor chamado Marsden. uma ata do caso. pediu e obteve de todos os assis- tentes uma declaração assinada a respeito. disse que havia duas portas de entrada. Entre os membros do grupo achava-se o rev.momento. com exceção do rev. B.. Falou de uma capela da rua Union e mencionou uma rua Clerk. nunca tivera conhecimento da existência de um obscuro mestre-escola de sobrenome Hacking. . B. acrescentando que.. Explicou ao rev.. que cortava perpendicularmente a rua Union. convidou-o para fazer um inquérito a fim de controlar as indicações que dava. Logo em seguida. uma para os rapazes. B. o que o rev. que ob- servou já ter estado na cidade de Bury.. jamais havia estado em Bury e que nenhum de- les. Calder manifes- tou-se a seguir. Terminou dizendo que estava feliz por voltar ao meio terrestre para nos auxiliar em nossas pesquisas. Na sessão seguinte. B. que o rev. Descrevendo os locais da escola. pois... Pôs-se em seguida a descrever de maneira detalhada o que estava encarregado de fazer naquela escola.... O rev. a fim de mostrar ao vidente que tinha as pernas arqueadas. que também já falecera. O rev. o comunicante Hacking explicou que se propusera a manifestar-se a conselho do espírito-guia Calder e com fins bem determinados. Dese- java. É preciso notar que nenhum dos assistentes. outra para as meninas... B. se encarregasse de levar a termo o inquérito e publicasse. em transe. nem mesmo o reverendo. prometeu fazer. depois de sua morte.. que vivera há 45 anos passados. que era um pesquisador sério. esse mesmo espírito disse ter vivido na cidade de Bury (Lancashire).. depois de se virar à esquerda. que havia levado ao grupo o instituidor Hacking para que ele fornecesse provas de identificação pessoal capazes de chamar a atenção.
se manifestava o espírito de um desconhecido que fora instituidor em Bury. residente em Bury – foram reconhecidas como rigorosamente verídicas. onde vivera por muito tempo.. O major P. O comu- nicante.. que se ocupasse das pesqui- sas relativas às novas indicações que ele se dispunha a lhe dar.. Durante a reunião do dia 24 de fevereiro. Disse.. a quem ele manifestava seu pesar por não ter encontrado nenhuma pessoa natural de Bury que pudesse ajudá-lo a controlar. Quando eles assim falavam. estava na rua com a sua esposa.. O sr. sr. in- formou ao espírito comunicante que doze entre as principais informações que ele havia fornecido – a respeito das quais se informara com um de seus amigos. o caso do espírito de John Hacking. a tomarem parte nas sessões. abandonando numerosas indicações verídicas fornecidas pelo comunicante.. Harrison Barwell. e sua esposa. vejo- me na necessidade de interromper neste ponto o encadeamento ulterior dos incidentes que se desenrolaram no decurso de várias sessões. .” Tal é o resumo das primeiras manifestações do espírito de John Hacking. Barwell convidou o sr. e a sra. Para não alongar muito a minha narrativa. Resultou daí que entre o espírito comunicante Hacking e a esposa do major P.. nas sessões que freqüentava presentemente. pois não tinham nenhuma ligação com qualquer pessoa conhecida naquela cida- de.. entabulou-se uma série de conversações que apresentam um valor teórico considerável e que reservo para expor mais adiante. o rev. Saudou-os e começou a conversar com eles.. pois sua esposa era justamente de Bury. B. para chegar sem mais tardança à parte nova e excepcionalmente probante do caso em questão. pediu ao rev.. de modo satisfatório. que. esbarra- ram com um casal que vinha em sentido contrário. No dia 8 de julho de 1922. entre outras coisas. então. B. mas que estava sendo muito difícil controlar suas afirmativas. respondeu que ele a conhecia muito bem. com os quais havia estado em uma sessão espírita. o narrador.. Esse encontro fortuito parecia então verdadeiramente providen- cial e o sr.. P. Barwell reconheceu no casal o major P.
. enquanto isso. Desde que Brown caiu em transe. lembrar-se muito bem de que ao lado do vendedor de legumes havia uma loja de móveis e descreveu-a minuciosamente. P.. P. A sra. tomava nota do que eles diziam. e o li- vreiro Wardleworth. Eu. então. O comunicante. mas acrescentou que há muito tempo as suas casas de negócio não estavam na mesma rua. Acrescentou. na qual. relojoeiro da rua Agar. P.. isto é. O comunicante disse que ia pro- curar recordar-se de outros negociantes estabelecidos.. o major P. se ela recordava-se da escola da rua Clerk e ela lhe respondeu que morara ali perto. O narrador prossegue assim: “Apresentei-lhe os novos assistentes e Hacking mostrou- se contente por estar na presença de uma pessoa natural de Bury. o espírito de Hacking se manifestou. permu- tavam com entusiástica emoção suas recordações de um pas- sado longínquo. Hall. O comunicante citou pri- meiramente uma loja que ficava defronte e que vendia má- quina para lavanderias. a senhora o conhe- ceu? A sra. entretanto.. Acrescentou que ia citar algumas pessoas que ela prova- velmente conhecera: – Por exemplo. o vendedor de legumes. se Hacking sabia lhe dizer qual negócio se achava ao lado do da pessoa chamada Hall. assentados um defronte do outro. o sr. P.. Nelson. No dia seguinte ao encontro... naquela mesma rua.. O comunicante observou: – Com efeito. em seu tempo. e continuou: – E o sr.. declarou que essa descrição era absolutamente certa e que tal loja pertencera ao pai dela. O comunicante perguntou à sra. a rua Agar não é senão um prolongamento da rua Clerk. na rua Agar. A sra. respondeu afirmativamente e perguntou. . Logo começou entre eles uma conversa espontânea e animada. e sua senhora não deixaram de participar da sessão da noite. por sua vez. respondeu tê-los conhecido com efeito.
perguntou ao comunicante. que a desta tarde fora bem mais interessante. mas que não era a elas a que se referia. X. acrescentou que tais escolas existiram com efeito. de gente forte e corpulenta...observou que na loja fronteira. da loja de um alfaiate que estava ali perto e cujo proprietário fora prefeito da cidade. .. P. se se recordava de uma certa escola para moças. o major P. Ele refletiu um instante e depois disse lembrar-se de duas escolas de moças situadas no bulevar do Belvedere. ao que aquela respondeu-lhe negativamente. havia o de sedas. B. A sra. com o que concordou. Watson. Hewart era pai do atual Supremo Magistrado da Corte de Justiça. do negó- cio do sr..... Nesse momento. cuja família. Hall. P. via-se uma grande cabeça humana esculpida ao natural. Ashworth. porém. Falou do sr. de um sr. o cozinheiro. A sra. se ela não era parenta do sr. O comunicante perguntou então: – A senhora conheceu o coronel Hutchinson. P. um homem gordo e rechonchudo.. O comunicante pareceu sonhar um momento e depois exclamou: – Agora eu me recordo delas! Trata-se das escolas do sr. pertencente a Giles Hewart. Ele acrescentou: – Defronte de seu negócio.. tomou a palavra para obser- var que o sr. Joseph Burrows.. onde havia uma exposição de fazendas.. morava em frente ao Atheneum. nesse momento. acrescentando... perguntou à sra. o vendedor de chapéus da rua Silver. que morava na esquina da rua Mosslane e saía sempre a cavalo? Ela respondeu que se lembrava perfeitamente e o comuni- cante observou: – Como é bom a gente conversar com quem conheceu as mesmas pessoas com as quais tive relacionamento há muitos anos! Eu lhe fiz notar que ele já tivera conversas muito interes- santes com o rev. Em seguida.
– Ele tinha uma filha chamada Cissie. perguntou em seguida ao comunicante se se lembrava da data da inauguração da capela da rua Union. havia o Restaurante Britânico.. Ele respondeu que preferia não indicar nenhuma data. se conhecera o sr. da escola da rua Clerk? Ao que ela respondeu: – Parece-me que. ao lado. mestra na escola da Trindade. P. para rapazes. P. Ele perguntou à sra. Probert. O comunicante replicou: – Não. que não era na rea- lidade senão uma pequena cervejaria. A senhora conheceu Billy Witan. agente do correio local. um senhor rico... Conheceu Ashton Hine. e o sr. Clarkson Hay. usava óculos. – E Balliwell. ela informou ao espírito co- municante que já havia identificado o rapaz que ele tomara por irmão dela: era Harry Hall. que morava ao lado da igreja e mandava seu filho à minha escola.] Ele perguntou ainda: – A senhora se recorda do que se achava ao lado da porta de entrada. que se fazia notar por um grande chapéu que usava sempre? – Sim. [Durante uma outra sessão.. P. recordo-me. conheceu-a também? Ela era cos- . o açouguei- ro? – Sim – foi a resposta.. mas recordou que a data da construção estava inscrita na fachada da dita capela. que. por- que não estava certo da que tinha na mente. que tinha cinco irmãos. havia uma loja. – Não o confunda com Billy Witton. precisamente. a senhora o conheceu? Não tinha a senhora um irmão que usava óculos? – Não – respondeu a sra. Ela respondeu que ouvira citar os nomes deles. o gordo negociante de carvão. mantido por um certo Tom Diggle. E a srta. Shaw... A sra.
pelo número extraordinário de detalhes minuciosos que elas contêm sobre pessoas.. Essas indicações foram. para as atas das sessões su- cessivas.. – E Thomas Blunt e sua estrebaria. Essa publicação provocou a remessa. era muitas vezes chamado para transportar os móveis de seu pai. na rua Heywood. Limito-me a citar um episódio que aconteceu depois da publicação do caso na revista The Two Worlds. eu me recordo. P. antes de se retirar. um ve- ículo com um pequeno cavalo com o qual transportava pia- nos. na maior parte. lojas. filho de William. – A senhora conheceu a livraria do Atheneum? – Sim. ruas e episódios de há 40 anos. P. o comunicante desejou boa noite e. de diferentes cartas de pessoas que. – Sim. Nesse momento. ignoradas por ela.. que tirava retra- tos e também era confeiteiro. monumentos. disse que esperava rever ain- da a sra. P.. porém. um grande número delas. que pegou fogo e os cavalos pereceram no desastre? – Certamente que me recordo! Ele falou em seguida de William Weldon. tureira na rua Mosses. sim. Este último grupo de detalhes ignorados por todos os assistentes aumenta consideravelmente o valor teórico do caso de que nos ocupamos.. – E o velho Fontiman. reconhecidas como rigorosamente verídi- cas pela consultante sra. Ele possuía. além disto. foram reconhecidas como verídicas depois de inquéritos rigorosos. instituições. sem mais demora. tendo na maior .” Dei um amplo resumo da primeira sessão e não mais a reto- marei. para não alongar muito a narração e para citar outras que são análogas àquela. mas perdeu as pernas e saía numa pe- quena carruagem que dirigia sozinha. ao narrador. que ocupam uma trintena de páginas. observou que Joyn Weldon. A sra.. como já era tarde. Passo agora. o sapateiro? – Sim..
Dizia ter freqüentado a escola do sr. Esses animais eram levados a pastar em um prado de Buckley Wells. Hodson tinha uma amiga in- separável chamada Clara Hay. Era a primeira loja de- pois do banco. que eu via pela manhã quando abriam a loja. Hacking. mais velha do que ela dez ou doze anos. [Nesse momento.] Eles possuíam uma pequena égua que guardavam em uma estrebaria situada na Broad Street. P. havia morado na cidade de Bury e conhecera a sra. me recordo de ter conhecido também a sua irmã Harriett.. Tinham uma outra filha. Conheci o pai da sra. da mesma idade de Harriett Count. Hodson e me recordo muito bem de seus dois irmãos. no entanto. de Handsworth (Birmingham). perto do Bank of Commerce. Lembro-me de que a sra.. permitiu-me tirar cópia dessa carta. que. ele fez aparecer diante da médium a visão de um animalzinho atrelado a uma charrete. Brown. cha- mada Alice. . Hewitt [citada pelo espírito co- municante].parte conhecido o sr. Entrando-se nela. em transe. é preciso assinalar uma carta escrita à sra. P. observou: – Muito tempo se passou. estavam em condi- ções de atestar a exatidão das indicações que não tinham sido ainda confirmadas. mas eu. Hacking com os seus dois irmãozinhos. A loja tinha vinte metros de comprimento. O narrador escreve: “Na copiosa correspondência a que deu lugar a publicação do caso Hacking. durante a sua infância. Hacking durante a sessão de 5 de dezembro de 1924. defronte da agência do Correio e que (quando a sra. que eu li ao comunicante sr. Hacking quando vivo.. Hodson. A sra. via- se à direita uma urna de cristal que continha anéis de ouro para homens. pela boca do sr.. acrescentando que tinha por instrutora a srta. primogênita. pela sra. e dois fi- lhos: Johnny Hay e Joseph Walton Hay. P. Os pais de Clara possuíam um armazém de produtos alimentícios defronte do dos Count.. com móveis enfileirados de ambos os lados e a passagem no meio.. Hodson era ainda criança) teve um lindo potro.
Pergunte à sra. imediatamente. talvez chegue a acrescentar alguns outros detalhes relativamente à minha época. Boa noite. a padeira. pois que está aí o melhor modo de divul- gar uma grande verdade. Hodson e trans- mita-lhe o que acabo de dizer. mas a terceira. Hodson se recorde de minha pessoa. A título de ulte- rior identificação. defronte da agência do Correio. Usava barba aos dois lados do rosto e sob o queixo. Minha ir- mã Harriett não era a primogênita. eu tinha sete anos. se se lembra da pequena égua e do potro: são pequenos detalhes que ficam gravados nas mentes infantis. mais do que todas as provas de meu conhe- cimento e todos os artigos que eu li sobre as questões espíri- tas. ela fazia bons negócios. Pergunte-lhe se ela não conheceu a velha Sarah do Café Royal. Eis o que tenho a dizer acerca das indicações fornecidas: É verdade que minha irmã primogênita é doze anos mais velha do que eu. Nos dias de sema- na usava um chapéu de feltro semelhante ao dos ministros anglicanos. ele me respondeu: – Duvido que a sra. sobretudo. mas não se chama Harriett e sim Mary Eli- sabeth (Polly). pois ela era muito jovem ainda. Pedi ao sr. Hodson. bem em fren- te ao armazém deles. que me respondeu no dia 18 de dezembro de 1924. para me convencer. Quando ela teve o potro. Também é verdade que tínhamos uma pequena égua chamada Black Vess. Hadman. à sra. como às minhas irmãs. e que o . É verdade que a estrebaria era na Broad Street. sozinha. minha barba estava então grisalha. Queira escrever já à sra. Nos dias de festa usava o chapéu de seda. nos seguintes termos: – Sua carta contribuiu. no entanto. Hodson se ela se lembra de Polly Ingham. Éramos cinco irmãs e dois irmãos. Eu vestia habitualmente um casaco comprido e muitas vezes levava um guarda-chuva. Parece-me que ela tinha um irmãozinho chamado Herbert. Escrevi. Sua pequena loja parecia uma caixa e. Pergunte-lhe. Ela deverá também se recordar da sra. uma mulherzinha de cabelos louros. que atrelávamos a uma pequena charrete. Hacking indicações sobre seu modo de vestir naquela época.
chaves e reló- gios de bolso. no centro. O se- nhor. continha outros objetos em ouro. Basta dizer-lhe que ele nunca se de- dicou a essa espécie de negócio. No que concerne ao detalhe da urna de cristal contendo anéis de ouro para homens.prado. Além dos anéis. Com efeito. é absolutamente correta. A descrição da loja. trago em meu pescoço um medalhão pendente formado. Acho inútil ex- plicar-lhe por quais razões meu pai tornou-se possuidor des- se sortimento de anéis. contendo anéis de ouro de minhas irmãs. como se acreditar nessa coisa inad- missível de um sortimento de anéis de ouro à venda em uma loja de móveis? Entretanto. Neste momento em que lhe escrevo. assim como o espírito comunicante. Experimento grande satisfação íntima ao pensar que nunca quis me desfazer desses objetos. É verdade que a minha companheira de brinquedos cha- mava-se Clara Hay e que éramos inseparáveis. constitui a prova de identifi- cação mais extraordinária e mais convincente que o espírito do sr. quando o sr. tanto mais se se considera a improbabilida- de da indicação de uma urna com jóias em uma casa de mó- veis. estava situado em Buckley Wells. suponho que. medalhões. que havíamos alugado. Hacking fez alusão a ela o senhor teve dificuldade em acre- ditar nisso. pois ela era realmente comprida: tinha 20 metros de exten- são e ocupava quase todo o lado da construção. de um grande brinco em filigrana que se achava na urna. talvez se interes- sem em saber que os restos do conteúdo da urna estão ainda guardados por mim no cofre de meu quarto de dormir. Ob- servo que a alusão precisa a essa urna de cristal. É verdade que sua irmã primogênita chamava-se Mary Alice e . É verdade que o armazém de produtos alimentícios de seus parentes fi- cava em frente ao nosso e ao lado do Bank of Commerce. com a passagem no meio e o mobiliá- rio enfileirado de ambos os lados. era bem assim. como argolas. Hacking pôde transmitir para provar a sua presença real nas sessões. A urna de cristal tinha a dimensão de 22 polegadas quadradas mais ou menos e 3 po- legadas de profundidade.
há 45 anos. de todos os casos de identificação espírita obtidos por vidência e incorporação mediúnica. isto é. são precisamente esses detalhes. Hardman. Em resumo: tudo que o espírito comunicante disse é ma- ravilhosamente verdadeiro. Ora. Sua figura me era famili- ar e eu conservo muito viva a impressão que ele me causou. Sam Hay). com sua bengala (ou seu guarda-chuva). assim como a loja da sra. Hacking e à sua maneira de vestir. quando. ameaçou.” Tal é o resumo substancial do admirável caso de identificação pessoal de um espírito que foi um obscuro mestre-escola – desconhecido do médium e dos assistentes – e morto. Ainda uma observação importante: Joseph Walton Hay era conhecido de todos pelo apelido de Joe ou Joey. É igualmente verdade que conheci muito bem Polly In- gham (sra. Meu irmão mais velho se chamava realmente Herbert. e pelas modalidades nas quais se realizaram os fatos. Não posso deixar de reconhecer que se está frente a um caso que. que apresentam o maior valor no senti- do espírita. que partiu para a América pouco tempo depois de ter acabado os seus estudos. numa localidade muito afastada daquela em que se manifestou. do Royal. duas crianças que brigavam. pela verdade absoluta desses detalhes. dos quais nenhum foi de natureza fantástica. na rua Agar. Hacking devia conhecê-lo pelos registros de sua escola. que seus irmãos chamavam-se John Joseph Hay (Johnny) e Joseph Walton Hay (Joey). Wil- lie. inexplicáveis por todas as teorias. Eu a revi há apenas um ano e tivemos uma longa conversa. Tinha ela um outro irmão. . Tudo é verdadeiro no que se refere ao aspecto do sr. Também conheci muito bem a velha Sarah. Eu sabia seu verdadeiro nome devido a minha intimidade com a famí- lia e o sr. é teoricamente o mais extraordinário e o mais importante de todos desse gênero conhecidos até hoje. pela seqüência da imensa quantidade de detalhes fornecidos pelo espírito comunicante.
começando por discutir sua autenticidade como episódio realmente supranormal. durante uma sessão. isto exclui. sem falsas deferências pelas pessoas. E os opositores indiscutivel- mente têm razão: não há dúvida de que esse truque é relativa- mente fácil. Eles observam. O método mais seguro para triunfar dessa perplexidade neutralizan- te consiste em somente acolher os casos em que as modalidades de manifestação. Primeiramente. não os conheciam e que. iria participar das sessões. como se elas proviessem do defunto em pessoa. P. uma conversa animada e apaixonada a respeito de recordações do passado comuns aos dois interlocutores. com efeito. Os oposito- res mostram-se bem exigentes com relação a episódios de identi- ficação espírita obtidos pelas formas de mediunidade que servi- ram no caso. É o que se verifica no presente caso. Ora. desconhecido de todos. além de ser desconhecida do médium e dos assistentes. inesperadamente. que é muito fácil um médium mistificador conseguir recolher. para divulgá-las em seguida. Resulta daí que se deve agir com a maior prudência nos episódios obtidos por meio dessas formas de mediunidade. recolhendo informações a respeito de uma pessoa desconhecida que. exceção do narrador. clandestinamente. e da sra. apesar disso. a maneira como os fatos se produziram é mais concludente ainda.. no outro episódio da sra. houve entre o primeiro e a sra. por sua natureza. de modo absoluto. são a melhor prova da origem supranormal dos fatos. Este último fato não impediu o espírito comunicante de fornecer. pois que elas mostram a impossibilidade material da fraude. Nessas condições.. .. é preciso observar que a intervenção do sr. informações sobre um morto qualquer. temos que o médium e todos os experimenta- dores. Hodson. Observe-se também que. não será inútil analisá-lo sistematicamente. não assistia às sessões e estava afas- tada a dezenas de milhas.. toda possibilidade de o médium ter tido tempo de se preparar para a árdua prova. Além disso. informações abundan- tes relativas a um passado remoto que se relacionava com ambos e que foram maravilhosas por sua qualidade e precisão. P. nas sessões verificou-se de modo totalmente inespe- rado. Isto porque os detalhes fornecidos pelo espírito comunicante se referem a uma outra pessoa que. imediatamente.
que se recordava do homem. mormente uma de- las. Hodson. na qual ele se mostrava tal qual era em vida. recordando-me . quando. Passando à análise dos fatos.” A sra. de uma visão clarividente do morto comunicante.. o espírito completa os detalhes a respeito de sua própria pessoa. Ora. há al- guns dias encontrei uma de minhas amigas e. Hacking e à sua maneira de se vestir. Sua figura me era fa- miliar e eu conservo muito viva a impressão que ele me cau- sou. ameaçou com sua bengala (ou seu guarda-chuva) duas crianças que brigavam. inteiramente calvo. a fim de mostrar ao vidente que tinha as pernas arqueadas. Usava barba aos dois lados do rosto e sob o queixo. Pareceu-me recordar muito bem dele. com barba dos dois lados do rosto e debaixo do queixo. Nestas condições e como os argumentos que acabo de expor são mais do que suficientes para excluir a hipótese de fraude. e com o resto do queixo e os lábios superiores raspados. Vestia um sobre- tudo preto que abriu em certo momento. Hacking. observa: “Tudo é verdadeiro no que se refere ao aspecto do sr. minha barba estava então grisalha. Nos dias de semana usava um chapéu de fel- tro semelhante ao dos ministros anglicanos.” Um pouco mais adiante. O narrador escreve: “. mencionarei primeiramente o fenômeno da aparição. na rua Agar. mas não estava bastante segura de minha memória. escreve ao narrador: “Procurei informações a respeito do raquitismo das pernas do sr.” Uma outra senhora. residente na cidade de Bury.. acrescentando: “Eu vestia habitualmente um casaco comprido e muitas vezes levava um guarda-chuva. julgo inútil insistir no assunto. já de certa idade. Nos dias de festa usava o chapéu de seda. o vidente – sr. Brown – anunciou que percebia um se- nhor alto. ao médium.
não pode haver fenômenos de psicometria. pois. pois. certamente. Note-se que eu não havia sugerido nada à minha amiga. Hodson. na ausência de pessoas ou de coisas com as quais se possa estabelecer a relação psíquica. dirigi a con- versa para a pessoa dele.” Está. é mais decisivo ainda – se assim pode-se exprimir relativamente aos episódios próprios para atingir um fim. seja nas subconsciências dos assistentes (clarividência telepática). pois nesta a pessoa representada era totalmente desconhecida do médium e dos assistentes. as persona- lidades dos mortos e recolhendo indicações verídicas a esse respeito. Desafio quem quer que seja a me demonstrar o contrário. Não se poderia também invocar a hipótese da criptestesia sob a forma de psicometria. era-lhe inteiramente desconhe- cida assim como dos assistentes? Poder-se-ia. Com efeito. porém. como também não havia entre os assistentes pessoa alguma que o tivesse conhecido. invocar a famosa hipótese naturalista da prosopopese-metagnomia. Essa explicação. Perguntei-lhe somente que homem era o sr. Ela adquire assim um valor teórico enorme e decisivo no sentido espírita. quando o médium teve a visão. ele próprio. de que ela freqüentara a escola do sr. Hacking é por si só uma prova admirável e irrefutável de identi- ficação espírita. segundo a qual o médium conse- gue mistificar o próximo. Trata-se aqui de uma pessoa ignorada do . Hacking. Hacking. Eis identificado o homem da visão. falecida há 45 anos. porém. não apenas ele não manipulava objetos pertencentes ao morto desco- nhecido. Segue-se daí que a visão clarividente da pessoa do falecido sr. Ora. representando. como consi- derar o fato de o médium ter tido uma visão verídica de uma pessoa que. quando me disse espontaneamente: “Era um homem que tinha as pernas bizarramente deforma- das”. demonstrado que a visão aparecida ao médium era absolutamente verídica. não tem nada em comum com a visão aqui referida. seja na sua própria subconsciência (criptomnesia). sabe-se que. O episódio da sra.
dá numerosos e maravi- lhosos detalhes sobre as relações de conhecimento com a senho- ra e sobre o meio em que ambos viveram. chega sob a forma vibratória aos centros cerebrais de ideação do médium e se transforma lá no pensamento originário – sendo tudo mais ou menos expresso na linguagem do médium. O espírito do sr. Somente ocorre isto quando os nomes contêm algo que pode ser traduzido em fórmulas simbóli- cas. como considerar o fato de que essas dificulda- des não existiam no caso em questão? Provavelmente a solução do problema deva ser buscada na circunstância de as comunica- . não reves- tindo uma significação concreta. Assim sendo. Como se sabe. que. transmitidos constantemente e com uma facili- dade jamais encontrada nas experiências dessa natureza. a qual. Pelo menos. pois. não se pode realizar quando se trata de nomes próprios. assim deve ser para toda pessoa que não tem o espírito obscurecido por preconceitos irredutíveis. não se podem transformar em uma representação qualquer quando chegam aos centros cere- brais de ideação do médium. assiste-se então ao fenômeno da transmissão de um nome a partir de sua conversão em uma representação simbólica. os nomes próprios constituem a maior dificuldade de transmissão nas comunicações mediúnicas obtidas pela psicogra- fia ou a clarividência telepática. Um dos traços característicos mais extraordinários dessa série de comunicações mediúnicas já em si extraordinárias é o dos nomes próprios. Hacking. É preciso convir que a grande verdade da existência e sobrevivência da alma ele assim a demonstrou de uma maneira irrefutável. Com a telepatia. com efeito.grupo experimentador. o que confirma ulteriormente o que já disse a respeito das dificuldades inerentes à transmissão dos nomes próprios nas comunicações mediúnicas. Não se esqueceu de salientar que se prestava a fornecer esses detalhes porque estava aí “o melhor modo de divulgar uma grande verdade”. tendo escrito para confirmar por seu testemunho os fatos publicados pelo narrador. porém. é citada por este ao espírito comunicante. Isto. revestindo uma significação concreta. depois de ter observado que se lembrava dela. pode-se transmitir facilmente a substância de uma idéia ou de uma frase.
Essa circunstância apresenta analogias muito notáveis com os fenô- menos de recordações que se obtêm nas experiências hipnóticas (regressão da memória). Esta explicação. relegando. bem detalhadas. então. evocadas pelo espírito comunicante. em grande parte. obtidos por psicografia. verifica-se que. Isto também aconteceria com a memória espiritual. e de um modo excepcionalmente perfeito. Dever-se-ia. no caso do sr. Hacking. Observo então que o caso do sr. se os mortos comunicantes se recordam muitas vezes de bastan- tes coisas. raramente isso se realiza sem grandes e repetidos esforços mnemônicos e sem lacunas e erros consideráveis. concluir que o espírito comunicante não transmitia telepaticamente seu pensa- mento.ções do espírito de Hacking realizarem-se em condições de incorporação mediúnica. considerando-se a quantidade excepcional de lembranças longín- quas. ainda que a memória fisiológica terrestre não guarde senão as lembranças úteis à existência encarnada. clarividência telepática e possessão mediúnica. nos refolhos da subconsciência humana. do caso em questão é o de um morto lembrar-se de tudo. que normalmente guarda apenas as recordações dos aconteci- mentos terrestres em suas grandes linhas construtivas. em certas circunstâncias especiais. do órgão cerebral do médium (fenô- meno da possessão mediúnica). . Na grande maioria dos casos de identificação espírita. não dissipa totalmente o mistério. característico e extraordinário. então. graças às quais ficou demonstrado que a memória fisiológica não é senão uma fração insignificante da memória integral que existe. nem erros. porque o fenômeno da possessão mediúnica foi mais perfeito do que habitualmente. mas apoderava-se temporariamente. concluir que. Dever-se-ia. Sem dúvida. Isto é. Hacking leva a supor algo semelhante para as recordações dos acontecimentos humanos no meio espiritual. nem esforços penosos de recordações. esses inconvenientes são determinados. não se observam nem lacunas. estas emergem com toda a sua perfeição maravilhosa. todavia. em estado latente. por condições imperfeitas de transmissão ou de possessão medi- única. entretanto. relegando na subconsciência as recordações integrais praticamente inúteis. Um outro fato.
logicamente irresistível. resta-me pedir a atenção dos leitores para o muito eloqüente parágrafo do narrador que diz respeito à quantidade extraordinária de infor- mações verídicas fornecidas pelo comunicante. . com base em fatos. Assim como acontece na exis- tência encarnada. mas inteira- mente exuberante. de uma prova como esta? Duvido que tal aconteça com alguns deles. dobrar-se-ão perante a evidência. até aqui. considerando que. que criou uma forma sui generis de cegueira lógica propriamente dita. a memória integral dos acontecimentos em questão. Hacking e por seus amigos mortos que colaboram com ele do lado espiritual. a força dos preconceitos é de tal modo avassaladora e todo-poderosa. A propósito das considerações que acabo de expor. conseguimos controlar. graças à sua feliz idiossincrasia nesse sentido. em certos casos. haveria também na existência desencarnada entidades espirituais mais capazes que outras de utilizar essas reservas mnemônicas. Hacking que. trata-se de um caso de identificação espíri- ta onde os detalhes necessários a esse fim foram fornecidos não apenas em uma medida cientificamente satisfatória.” Como se pode ver. Mas o que poderão imaginar esses opositores da verdade espírita em apoio ao seu ponto de vista? É o que estou curioso por saber. Ei-lo: “Graças ao concurso de diferentes pessoas. teria sido escolhido pelo espírito-guia Calder para provar aos vivos.em uma espécie de subconsciência espiritual. a sobrevivência pessoal do espírito humano desencarnado. desta vez. Os opositores. entrando voluntariamente em condições psíquicas especiais. Seria o caso do espírito do defunto sr. a verdade de mais de trezentos detalhes fornecidos pelo espírito do sr.
seria a do poeta e dramaturgo inglês Oscar Wilde. com um prefácio de sir William Barret. importa fornecer. quer por causa da eficácia cumulativa das provas de identificação pessoal fornecidas pelo desencarnado que se manifestava. de quem tanto se tem falado. alguns dados sobre a personalidade da médium. O professor Dowden deu à sua filha uma profunda educação literária e a sra. Travers-Smith é filha de sr. de que. o que. quer por causa do espírito sereno e penetrante com o qual a sra. V O retorno de Oscar Wilde Há várias décadas. A obra oferece um alto valor metapsíquico. primeiramente. Travers-Smith. médium inglesa bem conhecida. Para que se fique bem a par do assunto. antes de se consagrar às experiências mediúnicas. volume contendo a exposição e a crítica de uma longa série de mensagens obtidas por ela própria. Edward Dowden. Relativamente às convicções religiosas e filosó- ficas da médium. uma escritora classicamente excêntrica. há muitos anos. pelos tribunais ingleses. escreveu um volume sob o título de Psychic messages from Oscar Wilde (Mensagens psíquicas de Oscar Wilde). Wilde foi condenado. é de se notar que. professor de literatura inglesa na Universidade de Dublin e autor de obras de crítica literária tornadas clássicas. A sra. A entidade espiritual. Travers-Smith analisa as mensagens obtidas e as impressões subjetivas experi- mentadas por ela ao receber as ditas mensagens. Esse volume tem o título de Voices from the Void (Vozes do vazio) e contém alguns casos bem notáveis de identifi- cação espirítica. já publicou um livro referente às suas próprias experiências psicográficas feitas em conjunto com o professor William Barrett. Com relação à metapsíquica. a sra. o fundador da Society for Psychical Research. em outros .5 Alguns dentre os leitores deste caso se recordarão. por sua vez. ela se dizia agnóstica. sem dúvi- da. a dois anos de prisão por atos inomináveis de inversão sexual. Travers-Smith tornou-se. que lhe teria transmitido tais mensagens.
o sr. a tinha levado a renunciar a qualquer forma de confis- são religiosa. . uma das provas de identi- ficação pessoal fornecida pela personalidade comunicante – a da perfeita identidade da caligrafia existente entre as mensagens mediúnicas e os manuscritos do morto – não podia ser obtida senão graças às duas mediunidades combinadas. Travers-Smith é de natureza exclusi- vamente intelectual. mas. não se verificava nenhuma diferença na forma e na substância das mensagens. quando a sra. em tais circuns- tâncias. A mediunidade da sra. as falhas inevitáveis. por exemplo.. que não obtinha nada sozinho. rigorosamente racional. quer significar que a sua mentalidade. considerando que. menciono des- de já o fato de que o texto das mensagens em questão constituía uma admirável reprodução da forma e da substância dos escritos que Oscar Wilde publicava quando vivo. E o que se produziu no caso das mensagens de Oscar Wilde. obtendo-se. em tais circunstâncias. Travers-Smith operava sozinha. que são próprias em toda mediuni- dade. em que uma parte importante se produziu com a participação complementar de outro médium. com uma rapidez vertiginosa. Assim. de maneira a obter muitas vezes o fenômeno tão raro de duas mediunidades que se fundem com a conseqüência de pro- duzir os melhores resultados. Sob o ponto de vista da identificação pessoal. podem se compensar reciprocamente. V. que em ambos os casos eram invariavelmente as mesmas. Travers-Smith operava sozinha. resultados tecni- camente mais completos do que quando a sra. Ela se manifesta pela escrita mediúnica e pelo aparelho chamado oui-já (quadro alfabético munido de uma agulha móvel) e apresenta o traço característico pouco comum de se harmonizar facilmente com outras formas vizinhas da mediu- nidade.termos. Ao contrário. então ele escrevia automaticamente. mesmo quando a sra. Travers-Smith colocava a sua própria mão sobre a dele. Esse estado de alma da médium é interessante de se conhecer e explica a imparcialidade admirável que ela empre- ga na discussão das hipóteses metapsíquicas aplicáveis ao caso de Oscar Wilde.
Travers-Smith a primeira manifestação de seu espírito: “O sr. explicou ele que vagava. a sra. colocava. O que acabo de expor basta para ilustrar a natureza mediúni- ca. como na sessão an- terior. através dos olhos de outrem. finalmente. por saltos repetidos. apenas lhe fornecia o exercício do braço que lhe era indispensável para a reprodução de sua caligrafia. repetidamente. à procura de “luzes” (médiuns). perguntou-me ele se eu podia fechar os olhos. Travers- Smith lhe permitia utilizar-se de seu cérebro e o sr. *** Oscar Wilde manifestou-se. pois tenho notado. de modo ines- perado e repentino. Travers- Smith nem o sr. já há alguns anos. interrompendo o curso de outra comunica- ção. os dedos sobre a costa de sua mão. no meio terrestre. mediunicamente. as belezas da natureza que ele tanto amara em vida. O lápis pôs-se a bater. Mais tarde. escrever o nome de um dos meus fa- . Antes que a mão se pusesse em movimento. V. Breve voltarei a tratar deste fenômeno. para o duro mister de se comunicar com os vivos. pela qual eram transmitidas as comunicações de Oscar Wilde. que é um matemático. pergunta esta que me agra- dou. O poeta foi interrogado acerca das diferenciações pouco co- muns com que se produziam as comunicações e explicou que. com outros comunicantes.. que surgiu neles espontaneamente. teoricamente impor- tante. há cerca de 20 anos atrás. V. V. depois do que en- trou em movimento. que o de- sejo de fechar os olhos. de que haviam lido somente pequena parte. tiveram alguma predileção pela obra literária de Wilde. sempre foi o começo de resultados interessantes. para. sentada ao seu lado. Desejo observar ainda que nem a sra. desejando entrar em comunicação com o mundo dos vivos e tornar a ver. especial. levemente. Assim descreve a sra. segurava o lápis entre os dedos e eu. no papel.
a letra “a” escrita à maneira do alfa grego. pequenas pancadas no papel. En- fim. a pontuação era irrepreensível. nem eu tínhamos visto uma só assinatura de Oscar Wilde ou. Notei também singulares soluções de continuidade entre as letras de certas palavras. qualquer assinatura desse escritor. como d-eath. não tínhamos a menor lembrança de ter- mos visto. percebi uma interrupção na mensagem e compreendi. Perguntei então: “Qual é o espírito que está presente?” Aí o lápis escreveu imediatamente “Os- car Wilde” e começou a ditar a sua mensagem com vertigi- nosa rapidez. nervosamente. se despediu. o contato de minha mão e o lápis parou imediatamente. Examinando o ditado. vin-tage. Refletindo sobre o meio mais rápido de fazê- lo. os “i” com os seus pingos. Assim que o sr. as citações assinaladas por meio de aspas. pensei que seria interes- sante comparar a mensagem obtida com uma assinatura de Oscar Wilde. instintivamente. tive a sorte de dirigir-me ao depósito de livros de Chel- sea. Olhei para o sr. Fiquei pasma: a letra da . fiquei surpresa ao ver a nitidez e a exatidão da caligrafia. V.lecidos amigos que ditou a seguinte frase: “Desejo conversar com a minha adorada filha. mas. começando de novo a bater. Suspendi. algum dia. Lendo a mensagem. os “t” com os seus cortes. As palavras estavam bem separadas umas das outras. Nem o sr. notei que se encontrava. de quando em quando. etc. A assinatura de Oscar Wilde chamou logo a minha aten- ção pela sua feição particular. V. que o espírito comunicante fo- ra substituído por outro. todavia o lápis estava seria- mente governado a tal ponto que me oferecia alguma difi- culdade para conduzi-lo do fim de uma linha ao começo da outra. assim que ele ditou o nome de Lily. então. minha querida Lily. V.” O espírito tencionava continuar. e ele estava com os olhos fechados e parecia adormecido. onde encontrei uma carta assinada por ele e que ali fora depositada a fim de ser vendida. se o leitor preferir.
carta era igual à da comunicação mediúnica, afora ligeiras
diferenças que deviam fatalmente existir entre uma letra que
se fez carregando com força no lápis e uma carta escrita com
pena. Observei também que, de vez em quando, se encontra-
va na carta uma letra “a” escrita à maneira grega. Vi ainda
esquisitas soluções de continuidade entre as letras de uma
mesma palavra.”
O texto dessa primeira mensagem era longo e interessante.
Ele começava assim:
“Piedade para Oscar Wilde, piedade para aquele que foi na
Terra o Rei da Vida... Já há vários anos que escrevi que “na
cela de minha prisão reinava um crepúsculo perpétuo, do
mesmo modo que um crepúsculo perpétuo ocupava meu co-
ração”, mas, presentemente, um crepúsculo perpétuo invadiu
também a minha alma.”
A frase a que o poeta faz alusão ele a escreveu, quando na
Terra, no seu famoso livro De profundis, composto na prisão. A
propósito desta frase e de outras ainda, citadas pelo comunicante,
a sra. Travers-Smith observa:
“Esta primeira comunicação sugere considerações interes-
santes, pois, estando todas elas nas obras de Oscar Wilde,
fazem primeiramente pensar na possibilidade de um plágio
subconsciente por parte dos médiuns, todavia contra a hipó-
tese do subconsciente apresenta-se o fato de que, em algu-
mas das minhas perguntas ele as respondeu de maneira a
mostrar, ao contrário, que o comunicante não extraía, de
forma alguma, noções da mente do sr. V. e da médium. As-
sim, por exemplo, perguntei-lhe qual o endereço domiciliar,
em Dublin, de sir William Wilde, pai de Oscar, endereço
que eu conhecia muito bem, assim como a localidade onde
estava essa casa, e ele me respondeu: “No subúrbio de Du-
blin. Meu pai era médico. Tenho alguma dificuldade de re-
cordar-me de nomes.” Fiquei um pouco decepcionada, cren-
do perceber, nesta resposta, as tergiversações habituais e
suspeitas das personificações subconscientes... Observei en-
tão: “Isto não vos deve ser difícil se sois realmente Oscar
Wilde.” O lápis pôs-se novamente em movimento e escre-
veu: “Eu morava bem perto daqui, na Tite Street.” Retirei
momentaneamente o contato de minha mão e perguntei ao
sr. V.: “Há, com efeito, perto daqui, uma Tite Street, nome
que ele escreveu corretamente. Eu nunca soube onde residira
em Londres e o sr. sabia?” O sr. V. me respondeu: “É a pri-
meira vez que venho a Chelsea e nunca ouvi falar nessa Tite
Street.”
Restabeleci o contato da mão e perguntei ao comunicante:
“Dizei-me o nome de vosso irmão”. “William” foi a resposta
dele e acrescentou o diminutivo do mesmo nome “Willie”.
Perguntei-lhe ainda qual era o pseudônimo usado pela mãe
de Oscar para assinar os seus escritos e a resposta foi “Spe-
ranza”. Era verdade.
Agora reflitamos um instante. Assim como o sr. V., eu não
conhecia o endereço de Oscar Wilde em Londres e ele me
foi fornecido sem que o pedíssemos. Ao contrário, eu co-
nhecia o seu endereço em Dublin e, apesar disto, ele não me
chegou a fornecê-lo. Quanto ao pseudônimo da mãe de Os-
car, eu o conhecia, mas o sr. V. o ignorava. Tendo em vista
esse conjunto de circunstâncias, não se pode certamente su-
por que as indicações fornecidas pela entidade comunicante
fossem extraídas das subconsciências dos médiuns...”
Diante das considerações da sra. Travers-Smith que acabaram
de se ler, sou levado a considerar o conjunto de provas de identi-
ficação espirítica baseado nas informações fornecidas pelo
espírito comunicante relativamente à sua existência terrestre e
esgotar o assunto, citando e examinando outras informações do
mesmo gênero.
No decurso da sessão de 19 de julho de 1924 o comunicante
escreveu:
“Permiti-me, por uma vez, que eu desça aos enfadonhos
labirintos das informações pessoais.
É bem incômodo para mim extrair das profundezas obscu-
ras da memória recordações do passado. Uma das minhas
primeiras recordações da infância é constituída pela visão de
uma pequena granja irlandesa na aldeia de Mc Cree...
Cree... Não, o nome não é precisamente este. Glencree (?).
Nós ali morávamos com Willie e Iso... Era lá que um velho e
bom mestre ia dar-nos as primeiras lições. Era um padre, o
padre Prid... Prideau (?). Corria perto da granja um límpido
regato. Outras recordações... um jantar com Arnold e Pater,
perto do Hyde Park... Um almoço com a sra. Margot Ten-
nant, sra. Fox Blunt e outros, em Londres. Asquith era um
dos presentes, mas não me parecia estar verdadeiramente no
seu ambiente. Paguei as despesas e depois do almoço contei
pequenas histórias à sra. Margot.”
A sra. Travers-Smith assim comenta esta comunicação de
Oscar Wilde:
“Todas estas informações, que a nossa investigação mos-
trou serem verídicas, eram absolutamente ignoradas dos mé-
diuns e dos assistentes.
Nelas verificou-se apenas um único erro, evidentemente
de uma confusão na transmissão: não compareceu nenhuma
sra. Fox ao almoço de que fala Wilde. Esse erro é devido
talvez a uma inversão de nomes, visto que o episódio que as
segue se refere ao padre Prideau Fox.”
Oscar Wilde prossegue assim na sua mensagem:
“Um dos momentos mais felizes de minha vida terrena foi
quando, depois de sair da prisão, dei aula às criancinhas de
uma aldeia perto de Bernaval (?). Chamava-me então Sebas-
tian Melnotte... Melmoth, como recordação de um dos meus
antepassados. Sebastian em recordação das setas terríveis
que me abateram. Jean Dupré, eu o conheci em um Café de
Paris... Estou muito confuso e receio ter colocado mal, no
tempo, algum acontecimento de minha vida.”
Eis os comentários feitos a respeito pela sra. Travers-Smith:
“É digna de nota a lembrança de uma pequena granja em
Glencree. Wilde fez duas tentativas para escrever o nome:
tanto quanto eu mesma. que falecera com a idade de oito anos e à qual fora muito afeiçoado. Sei que existe a umas doze milhas de Dublin uma aldeia perdida nas monta- nhas. que Wilde havia lá estado ao sair da prisão. o sr. é absolutamente certo que esse deta- lhe não podia ser extraído da minha subconsciência ou da do sr. soube que realmente tinha tido uma irmã chamada Isola. bem que compreendi ser Willie o seu irmão William. que teve a paciência de dar buscas a respeito do caso e de me informar. que lhe havia dado as pri- meiras lições. Wilde fala. o padre Folley. pois nem eu nem ele podíamos imaginar que Wilde . em seguida. além disto.Mc Cree. Escrevi então ao atual professor da escola de Glencree. e a minha filha. Tais são os fatos. Isto foi aproveitado pelos crí- ticos e citado como uma prova incontestável da derivação subconsciente desta informação. ignoravam. Ora. Todavia uma feliz coincidência fez-me saber ainda outra coisa. Ora. com o nome de Glencree. Já o sr. Finalmente. Explicava-se no dito anúncio que algumas cartas expostas à venda esta- vam assinadas com o nome de Sebastian Melmoth e que uma dentre elas pedia que a resposta fosse dirigida a Sebas- tian “Melnotte”. Quanto à referência a uma aldeia de nome Bernaval. Quando se le- vantou esta objeção. o padre Prideau. Cree. publicou o jornal Times o anúncio de uma das suas vendas habituais de autógrafos em leilão: eram de Oscar Wilde. em um velho sacerdote. nada sabia disto. Wilde disse ter morado nessa aldeia “com Willie e Iso”. então presente. Algumas semanas depois. Tomando infor- mações posteriormente. V. mas quem seria Iso? Eu ignora- va completamente que ele tivera uma irmã. o nome é Glencree. V. notemos que Wilde acrescentara: “Chamava- me então Sebastian Melnotte. Não. sendo uma Melnot- te e outra Melmoth. reli a mensagem e verifiquei que ele fornecera duas versões deste sobrenome. V. que há 60 anos era diretor da referida escola o padre Prideau-Fox. pois nunca estivera na Irlanda. visto que o sobrenome to- mado por Wilde era Melmoth e não Melnotte.. acrescentando que ele se reservava para ex- plicar ao destinatário o motivo da mudança de sobrenome.
esse detalhe e dela extraído o detalhe da variante do pseudônimo. apelo para o bom senso dos leitores no sentido de que tenham a bondade de julgar se a explicação dos fatos por essas duas hipóteses é preferível à outra. dos últimos anos do poeta e. a faculdade da clarividência. bastando por si só para triunfar de quaisquer hipóteses naturalistas. Convém notar ainda que. na sua subconsciência. sob o ponto de vista teórico. que sobressai do conjunto das circunstâncias. Estas são as hipóteses natu- ralistas que podem ser aplicadas ao caso em exame. principalmente aquele em que o espírito comunicante fala de uma falecida irmãzinha. apesar da abundância das . isto é. portanto. explicá-lo pela hipótese de criptomnesia 6 e tampouco pela da criptestesia. para que pudesse ser aplicada a este difícil caso. todos igualmente importan- tes. Como nenhuma outra é conhecida. seria preciso supor que. um detalhe. um ou outro desses dois médiuns tenha descoberto o rastro do destinatário da carta de Oscar Wilde e captado. da criptestesia. esses detalhes não têm senão um valor subsidiário depois das provas de identi- ficação pessoal fornecidas pelo espírito de Wilde. absolutamente íntimo. dentre as quais devemos assinalar as seguintes: as mensagens mediúnicas foram escritas com caligrafia peculiar ao comunicante. que é. embora de grande importância. cuja exis- tência era desconhecida dos experimentadores. observo que.7 A hipótese da criptomnesia não podia ser levada em conta. Para não me alongar demasiadamente. pois de modo algum se podia conceber que os médiuns tenham podido conhecer. Quanto à outra hipótese. com efeito. Não se podia.” Este último verdadeiro detalhe sobre o nome então usado por Oscar Wilde reveste-se de um interesse teórico que a ninguém escapara. quando vivo. para esquecer em seguida. tão sim- ples e natural. classicamente impecável. em suma. graças às suas faculdades supranormais. e nos dois estilos que constituíam a sua personalidade literária bem nítida: um. não me deterei em ou- tros detalhes verídicos supracitados. autêntico pela sua meticulosi- dade. tivesse uma vez ou algumas vezes empregado uma variante do seu pseudônimo. quem fez conhecer esse detalhe foi o espírito daquele que o conhecia pessoalmente.
como os mais salientes da sua letra. modalidades que sugerem considerações teóricas muito importantes e opostas a quaisquer explicações naturalistas. primeiramente. Começando pela prova de identidade pela caligrafia. se os partidários da hipótese espírita não pos- suem uma arma com que possam combater contra o vácuo. de forma a tornar praticamente nulas as hipóteses contrárias que para ele convergiram. mostraram um fac-simile admirável da letra do morto que se dizia presente. convém indagar. pura e simples. de tal maneira que os traços característicos mais insignificantes. da assinatura de uma pessoa morta. pois elas encerram argumentos substanciais. Não é demais lembrar aqui que. da reprodução. por exemplo. aditando que. no caso em questão. foram ali reproduzidos. as hipóteses que se opõem a esses detalhes. com razão. a letra “a” escrita à maneira do alfa e o fato de destacar um grupo de letras de outras numa mesma palavra. Travers-Smith e do sr. Seja como for. São estas as modalidades complexas e extraordinárias em que se produziu o fenômeno durante vários meses. o médium escrevia com os olhos fechados e uma rapidez vertiginosa. lembro o que já disse: que todas as mensagens transmitidas pelas mediu- nidades combinadas da sra. outro. sendo. Tudo isto se pode verificar se confrontarmos os fac-similes publicados na obra da sra. mais impor- tância à eficácia demonstrativa destas duas últimas provas do que aos detalhes verídicos fornecidos pelo comunicante sobre a sua vida terrena.imagens e da exuberância dos adjetivos. A sra. cáustico e inimitável. V. como. não podem ser praticamente refutadas. sob o ponto de vista teórico. embora inteira- mente absurdas e insustentáveis na extensão arbitrária que lhes é atribuída. até que ponto se poderia legitimamente levar a hipótese naturalista das manifestações desse gênero. então a hipótese da . visto não serem demonstráveis. capazes de conduzir a este resultado. por exemplo. Se se tratasse. Travers-Smith. Para melhor demonstração do caso. mordaz. Travers-Smith dá. em tais circunstâncias. muitas vezes lhes acontece aprisionar o próprio vácuo e. não é difícil cercá-lo por todos os lados. É isto que se consegue empregando as duas supra- citadas hipóteses.
pela criptomnesia e pela criptestesia. possa escrever automaticamente. isto é. que uma pessoa. seja qual for a sua situação psíquica. em compensação. de forma absoluta. o clichê da assinatura teria emergido da subconsciência do médium com o auxílio do automatismo psicográfico. não há senão uma única interpretação racional para os fatos. Esse fenômeno redunda em coisa inteiramente diversa. mas o que se deveria. de modo algum. a assinatura de Oscar Wilde em algum livro ou documento. com a própria letra do defunto que se diz presente. resulta daí que é impossível a qualquer pessoa. Tudo isto se pode legitimamente sustentar (não quero dizer. segundo a qual as faculdades clarividentes dos médiuns teriam visto. a que se refere ao fato de serem as mensagens de Oscar Wilde ditadas nos dois estilos que constituíam a sua personalidade literária tão nítida. Outro tanto se pode dizer com relação à hipótese da criptestesia. para começar. É isto tão impossível como o é a qualquer pessoa. visto que não se poderia excluir. conversar corretamente numa língua que ele ignorar por completo. Prosseguindo. a pessoa de exprimir os seus próprios pensamentos. Transcrevo. a possibilidade de que essa assinatura tivesse sido vista um dia por um dos médiuns. que é a de admitir a intervenção do espírito que afirma estar presente. quando essas manifesta- ções se produzem nas sessões mediúnicas. dire- tamente. pois não se trataria mais de copiar de um modelo à vista ou de evocar um clichê subconsciente e sim. escrever corretamente na própria letra de outro. à distância. passo a discutir a segunda das provas em apre- ço. que ditas hipóteses sejam racionais em todos os casos). de maneira absoluta – e isto ninguém ainda se lembrou de sustentar – é a possibilidade de se conseguir compreender. peculiar ao seu sistema neuromuscular. corretamente e com grande rapidez. reproduzindo-a psicograficamente como se a copiassem de um modelo. ou seja. excluir. com os olhos fechados. Travers-Smith escreveu a . empregando a letra de outro. em qualquer condição em que se encontre. Segue-se que.criptomnesia poderia ser legitimamente admitida. Nesse caso. algumas considerações que a sra. E como a letra própria de um indivíduo é a ex- pressão simbólico-específica do seu sistema neuromuscular.
na identidade do seu pensamento ou. no sentido acabado de indicar. Se tivéssemos obtido unicamente a identidade da letra. e a terceira. E mesmo se à letra individual se juntasse uma vaga semelhança no estilo. se tivessem obtido apenas is- to. a sua intelectualidade. ou melhor. teria ainda e sempre pensado que o fato não tinha importância como prova da sobrevivência espiritual de Oscar Wilde. que se mostra sempre pronta a concordar com os partidários da interpretação naturalista. sobressair neles a estima. eu não hesitaria em encarar o fenômeno como um inci- dente de reminiscência do subconsciente. Nota-se nestes últimos o timbre que tinha no seu temperamento de homem e escritor. A primeira consiste na identidade da letra. mais exatamente. indo além do que parece legítimo. se tivesse tam- bém verificado. podem ser conside- radas completas. nestas mensagens. dos dois estilos que lhe são próprios. para se alcançar essa prova. nas referidas mensagens. Escreve ela: “Observam-se. portanto. sem limites. da sua intelectualidade. havia de ser preciso que. correntemente com a letra do defunto. Vê- se. que por detrás do seu estilo surgisse. a segunda. se encontram os traços característicos e incontestáveis da letra de Oscar Wilde. se as mensagens forem analisadas com o espírito livre de qualquer idéia preconcebida. três séries principais de provas relativas à identificação pessoal do espírito comuni- cante. longe de ser uma letra vulgar e. forçoso é reconhecer que se está diante de um dos raros casos em que as provas de iden- tificação. esse fato nos pare- ceria. efetivamente. todas as regularidades e flexibilida- des de mão de artista. por sua vez. revela.” Nas mensagens em apreço. o verdadeiro. facilmente imitá- vel. que. muito estranho e muito interessante. indubitavelmente. ao contrário. A meu ver. todavia. a intelectualidade de Oscar Wilde ressurge de um modo literalmente completo. com todas as suas qualidades e todos os seus defeitos. Ora. na identidade de estilo. considerações claras e imparciais como costumam ser as dessa escritora. o próprio esti- lo de Oscar Wilde e. que .respeito. visto que. nas mensagens. nitidamente. sobretudo.
Travers-Smith refere-se a esta objeção no seguinte tre- cho de sua obra: “Nota-se. nas mensagens. inalteráveis. como também se nota nelas o culto extraordinário. agora. que ele rendia às belezas da natureza e da arte. na leitura das mensagens. É que. muito exigente. quase mórbido. é bem digna de registro uma outra circunstância interessante do ponto de vista capital da identidade de pensamento e de intelec- tualidade entre o autor das mensagens e o finado Oscar Wilde. entre os homens de letras que têm analisado as mensagens. que o espírito comu- nicante não cessa de se referir ao estado de perturbação ao . Faço notar. bem como a sua estranha sensibili- dade afetiva pelas “palavras” em si mesmas. quando vivo. o desprezo injustificado pelas produções literárias dos outros e a maneira cáustica. zombeteira e impenitente com a qual os desbancou. Foi graças a essa identidade que as suas mensagens tiveram larga aceitação nos meios literários ingleses e. mas de um Oscar Wilde que não estivesse mais na pleni- tude dos seus meios. que a parte crítico-literária das mensagens dele foi precisamente a que maior impressão causou na Inglater- ra com relação à identidade pessoal do espírito comunicante. Pode-se dizer outro tanto das suas boas e raras qualidades que se encontram. como autor. nenhum houve que pensasse em levantar dúvidas sobre elas. para se apreciar os traços de espírito e de ironia com que Oscar Wilde fustigava os autores de seu tempo e para compará-los com tudo o que há de semelhante nas suas obras seria preciso conhecer a fundo a produção literária de Wilde e a literatura inglesa da época. observou que algumas se pareciam muito com a prosa de Oscar Wilde. com um ardor e cores inimitáveis. a esse respeito. Com efeito. Estes sentimentos ele os exprime nas mensagens como o fazia. o que mostra até que ponto essa identidade pareceu a todos eviden- te e incontestável.votava a si mesmo. Apenas um crítico sutil. A sra. Não nos seria possível citar trechos dessas mensagens literá- rias sem diminuir o seu brilho.
” De outra feita. a esse respeito. que o gênio de Oscar Wilde se mostre deprimido e que a lâmina da sua ironia pareça menos afiada que outrora. durante a sua existência terrena. não fazem nenhuma idéia das dificul- dades em meio das quais se produzem as comunicações me- diúnicas. por vezes. ou seja. das clarabóias de sol que lhe foram permitidas descortinar por meu intermédio e que o salvam de ficar completamente mofado no meio em que se acha. da pertur- bação que sofreram os seus sentidos e da falta de luz e de cor. Ora. a quem quer que seja. rangendo e estalando. acho que os críticos. mas lastima. não nos devemos esquecer de que Wilde aca- bou os seus dias em completa ruína. que exigem do defunto Os- car Wilde um estilo improvisado. Bem parece que Oscar Wilde não perdeu nada do seu or- gulho e do seu egoísmo. penso que mesmo que devamos aceitar a opinião de certos críticos. com desafogo. podemos razoavelmente exigir que os seus mais brilhantes momentos de escritor. ele se encontrava em condições muito precárias. Além disso. no além. Pode-se acrescentar que. mesmo no além. que impõe. ele fala. relacionadas com a existência que aqui teve. com grandes decepções e amarguras. alguma coisa de tão semelhante ao estilo de Oscar wilde. Observo. o . que houve críticos que objetaram que essas mensagens mediúnicas não revelam to- da a perfeição que se encontra nas melhores prosas de Oscar Wilde. mediunicamente.” Mais tarde. observa: “Minha inteligência não é mais tão ágil e tão ativa como o era na vida terrena. mantendo-se à altura das suas melhores obras. tudo isso em na- da diminuirá a enorme importância do fato de se ter produ- zido. possam manter-se ainda inalterados e que aquela sua ponta de ironia deva mostrar-se tão fina co- mo pelo ano de 1890? Seja como for.qual estão sujeitas. as vítimas das convenções soci- ais. Considerando tudo isso. Diz ele: “Minha intelectualidade atual pode ser compa- rada a uma fechadura enferrujada em que a chave gira com dificuldade.
Enfim. dever de apreciar e discutir este caso. ignorados pelos médiuns. incidentes. distrai- damente. circunstância que apresenta grande eficácia demonstrativa em favor da hi- pótese segundo a qual nos achamos. tão cerradas e completas. Travers-Smith. é preciso um grande esforço de imaginação para crer que a teoria de subconsciente do mesmo médium. mais ou menos. no caso em questão. A experiência mostra que. é o que admira. efetivamente. não será certamente inútil recordar também o valor teórico que a mesma dá à outra prova adicional dos nume- rosos incidentes verídicos fornecidos pela entidade comunicante a respeito da sua vida terrena. não nos deve- mos esquecer de que a produção. em resultado de um eventual e rápido olhar lançado. como demonstração adicional. em grande parte. a prova da identidade da caligrafia. não penso que seja preciso acrescentar outras considerações às que fez a sra. É oportuno insistir neste ponto porque o fato de terem sido essas enormes dificuldades superadas com sucesso. pela personalidade consciente do mesmo médium.” A sra. Na verdade. na pre- sença do caso de uma entidade espiritual que sobrevive à morte do corpo físico. sobremaneira. as pessoas competentes na matéria. por intermédio do cérebro de outro. sobre um escrito de Wilde. Travers-Smith frisou bem o grande valor teórico que traz. Do mesmo modo. em favor da interpretação espirítica dos fatos. consiga ditar centenas e cen- tenas de páginas nas quais não se encontre uma só palavra que não esteja escrita na caligrafia do morto. além da observação de que seria talvez oportuno insistir mais a respeito das dificuldades psicofisiológicas inevitáveis que se apresentam à personalidade de um defunto que pretenda transmitir o seu pensamento aos vivos da Terra. se geralmente uma entidade espiri- tual se acha. em condições de fornecer boas . é dupla pela reprodução caligráfica do mesmo. Quanto à objeção a que se responde no citado trecho. no estilo pessoal do morto. pois não ignoram quanto é raro a personalidade de um morto conseguir triunfar delas.
dos recursos da linguagem e do estilo de que eles dispõem. Ora.provas de identificação pessoal. Travers-Smith faz notar que. o seu pensamento aos centros cerebrais de ideação dos médiuns. Na página 90 de sua obra. Travers- Smith recebeu de seu pai. em tais circunstâncias. ao contrário. a sua caligrafia e. é claro que. principalmente. revestir o pensamento do seu estilo especial e fazer emergir. observar que tudo contribui para demonstrar que o comunicante utilizava unica- . É coisa que parece inevitável pois. só esta pôde desenvolver-se livremente pela mediunidade que lhe era própria quando operava sozinha. com mais ou menos idoneidade. parece. Estas considerações demonstram a grande importância que tem a cultura geral dos médiuns. que não podem deixar de revesti-los. a sua pró- pria personalidade intelectual. subconscientemente. em geral. a sra. se é certo que Oscar Wilde foi o mesmo ao manifestar-se por diferen- tes médiuns. porque os outros médiuns não lhe pude- ram fornecer o material bruto da língua literária e da cultura especializada de que precisava um espírito comunicante que pretendia revestir o seu pensamento de certa forma literária e discutir questões literárias. com nenhum procurou ele fazer crítica literária. através do estilo. a entidade mani- festante não poderia aproveitar senão o que pode encontrar nessas reservas. exatamen- te. em qual- quer caso. Já vimos que a sra. referindo-se a episódios de sua existência terrena. em outras palavras. professor de literatura inglesa na Universidade de Dublin. para se tornarem bons instrumentos transmissores ao serviço dos espíritos que desejam comunicar-se. em outros casos menos freqüentes. o material da linguagem e do estilo que se acham disponíveis nas reservas mnemônicas do cérebro dos médiuns. contudo. telepaticamente. porém. diretamente. que as personalidades que se manifestam utilizam. É verda- de que. é claro que isto aconteceu porque o comunicante só en- contrara nela o instrumento cerebral apto para esta difícil tarefa ou. uma profunda educação literária e é por isso que ela mostrou ser um excelente instrumento mediúnico para a transmissão do pensamento de um homem de letras. Devo. as entidades espirituais transmitem. bem raro é que consiga reproduzir.
Isto está provado pelos “ensaios críticos” do comunicante. Tenho necessidade de um órgão cerebral que permita filtrar por meio dele o meu pen- samento como a areia finíssima de uma ampulheta se escoa através do pequeno orifício desse aparelho. relativos. muitas vezes. repetidamente. Procurei. Travers-Smith teve de assistir à derrocada impiedosa dos escritores que ela mais apreciava. transmitir o meu pensamento a alguém da Terra que estivesse apto a compreender uma mentalidade idêntica à minha: imaginati- va. por várias vezes. fantástica. Já vos disse que tinha olhado para o vosso mundo. Durante uma sessão em que a sra. quando se refere a obras lidas pelos médiuns. Compreende-se que. que Wilde designa constan- temente por este nome). dia até quando nunca havia encon- trado o cérebro de que eu precisava. a coisa não é tão fácil de explicar. a personalidade do poeta se manifesta. um “frasqui- nho” capaz de conter a essência das minhas idéias. então os julgamentos do comunicante são opostos às opiniões pessoais dos mesmos. A médium dirige- lhe então esta pergunta: “Por que me escolhestes para médium?” e ele lhe respondeu assim: “Cara senhora. Eis como Oscar Wilde explica a maneira pela qual transmitia o seu pensamento à médium. Travers-Smith estudava sozinha e experimentava com o aparelho oui-ja. através dos olhos de médiuns de vários países e isto pa- ra me encantar ainda com a glória do vosso sol. se querem que eu fale aos vivos na forma que me era pessoal em vida. é indispensável que eu encontre um cérebro lite- ralmente capaz para nele atuar. a obras que os dois médiuns haviam lido e. por diversas ve- zes. A sra. desejosa até de sentir e de concentrar toda a beleza em palavras. mas até o dia em que consegui arrebatar o lápis da mão de um espírito que se esforçava para se comunicar por intermédio do ins- trumento (isto é. Deste meio sombrio onde me acho já desejei.mente o material bruto existente nas reservas mnemônicas da médium e bem assim o senso do estilo literário finamente educa- do nela e não os seus conhecimentos e opiniões pessoais. e não apenas se torna necessário que esse cérebro seja límpido como também . do médium V.
romanticamente. Oscar Wilde observou: “Encontrei-vos menos sensitiva às minhas idéias do que de costume. começado a falar da lua. Va- mos começar de novo. um curioso trecho no qual o comunicante tinha. Posso empregar a mão do “instrumento” (isto é. V. no cérebro da mé- dium. o que já de há muito se conhece. A mão da médium escreveu o seguinte: “Breve a lua se erguerá no horizonte do vosso mundo e ali aparecerá suspensa no ar como uma grande forma de queijo dourada. confirmam. É por isto que me servis muito bem para revestir o meu pobre pensamento de uma forma adequada. Colho as palavras no vosso cérebro tais como nele as encontro. Parai! Parai! Parai! Esta comparação é intolerável. Esta comparação é me- lhor.” E mais adiante: “Vós possuís o senso do estilo. de modo a fixar no papel a minha caligrafia. de encontrar. como muitos outros contidos nas mensagens.” Os supracitados episódios. a propósito. Como um grande melão dourado sus- penso no azul profundo da noite. Se eu tentasse servir-me dele as minhas idéias ficariam ali presas como as moscas em um papel gomado. do sr. que eu ache nele o material necessário para exprimir as mi- nhas idéias.” Ele queixa-se. Em suma. ela pode passar porque adoro a vida rústica.).. por vezes. mas o seu cérebro não me serve de forma alguma. palavras e imagens vulgares. sois sempre uma perfeita “harpa eólica”. acolhendo maravilhosamente as vibrações do meu pensamento. sobremodo. De qualquer maneira.” Em certa ocasião em que a médium se sentia muito cansada.. embora seja muito rústica. mesmo quando estais cansada. Eis. Escrevei como um taverneiro pretensioso e rico que tivesse passado da venda de toucinho a escrever versos. isto é. que bastas vezes os espíritos dos desencarnados utilizam-se do cérebro de um médium como o teclado de uma .
não conhecera. em condições de contemplar. através do véu escuro das trevas que me rodeiam. por vezes. que nada compreendendo do que se produzia. De onde extraía. Se é certo que isto pode ser compreendido pela imaginação até certo ponto. num vapor de viagem de recreio a Saint Cloud. A sra. quase sempre. Ah! Como são preciosos esses minutos de visão! Eles constituem as estrelas . Observam-se.máquina de escrever com inúmeras teclas. o que. aconche- gava-se à sua mãe. de resto. outras formas de percepção espiritual. Pelo rosto tisnado de uma moça tamala contemplei longamente as plantações da ilha de Cei- lão. pelos olhos de um curdo nômade vi o monte Ararat e a tribo dos lêzedas que adora ao mesmo tempo Deus e Satã e apenas amam as cobras e os pavões. assim. é de presumir mesmo a priori. e o enigma se complicava ainda mais pelo fato de que. os médiuns também não haviam lido as tais obras que o comunicante criticara. vou errando pelo mundo à procura de olhos para ver e chego a ver mesmo. vi as verdes águas do Sena e o panorama de Paris. Tenho tido “janelas” de visão renovada nas mais di- ferentes regiões da Terra. que. esses conhecimen- tos o espírito de Oscar Wilde? Eis como ele explicou à médium esse mistério: “Tal como o cego Homero. ainda uma vez. este pelos olhos de uma meni- na. nas mensagens de Oscar Wilde. o vosso belo mundo. chorando amedrontada. pois. não obstante. Certa vez. pois que modalidades totalmente diferentes de atividade psíquica devem forçosamente corresponder a uma modalidade de existência qualitativamente diferente. sendo vizinhas da que se discute. Tudo isto com o auxílio dos olhos de vivos que ignoraram sempre o mistério de minha intrusão na sua existência e fico. não se pode penetrar neste assunto de modo inteligível para nós. Travers-Smith havia observado que Oscar Wilde criti- cara não somente os autores de sua época como também os que surgiram depois da sua morte e que ele. por assim dizer “sintéti- cas”. auxiliam um pouco a compreendê-la. portanto.
um processo curioso. da minha pobre noite. a maneira pela qual as personalida- des espirituais tomam conhecimento das obras dos autores terrestres seria uma forma de percepção coletiva ou “sintética” do conteúdo delas. colhendo as impressões que desejo e que são geralmente de natureza coletiva. do mesmo modo. certa vez em que a médium lhe perguntou: “Que pen- sais dos versos de Sitwells? Leste-os?” Ele respondeu: “Não os conheço. pois não quero desperdiçar meu precioso tempo a apanhar rãs. Naturalmente não tomo conhecimento de toda a colheita. coletivamente e de modo fulminante.” Enfim. de modo indelével. em uma monografia minha. conteúdo registrado. sem dúvida. as jóias faiscantes do meu escrínio de trevas. limitando-me a apreciar o melhor da vindima. esperando uma boa ocasião e.” A respeito do assunto em questão. pois. Mergulho-me exclusivamente no intelecto dos que têm certo mérito e não desço abaixo de certo nível. o que mere- ce ser observado nas suas obras.” Em outro lugar das suas mensagens. consagrada aos fenômenos de “visão panorâmica” propus-me justamente a fazer notar que tudo con- corre para mostrar que as percepções psíquicas. Isto é interessante. são o néctar sonhado da minha alma sequiosa e eu daria bem todo o meu renome para a obtenção desse tesouro incalculável. segundo as explicações fornecidas por Oscar Wilde. É. Eis como opero: vigio. nos centros mnemônicos dos autores. ele acrescenta o que se segue: “Estou apto a esquadrinhar nos cérebros dos autores e apreender. To- dos vós ainda tendes muito que aprender a nosso respeito. contrariamente às percepções . assim que ela se me apresenta. apresentam a particularidade de se manifestarem em termos de “simultaneidade”. aproveito o momento oportuno e mergulho-me na mentali- dade do escritor. em um meio espiritual. Olhos! Olhos! Que pode fazer um homem ao perder os olhos? Que não daria eu para recuperá-los? Fica- reis talvez surpresa sabendo que. pude mergulhar-me profundamente nas obras dos autores do vos- so tempo.
por sua vez. não me es- tendo sobre o assunto. em termos de simultaneidade. por sua vez. sonambúlico ou extático. a este respeito. a sucessão inteira de acontecimentos das suas existências. com a rapidez vertiginosa com que são produzidos geralmente os ditados mediúnicos é.análogas no meio terrestre. após a crise do nascimento. esperando também o momento de funcionar no meio terrestre. Esta suposição torna inteligível que a cir- cunstância de poder o comunicante utilizá-lo. para funcionar no meio espiritual. em geral. com muita verossimilhança. no além. formados. uma idéia precisa aos meus leitores que não estão a par do assunto. limitando-me a completar esta curta notícia e a observar que a simultaneidade própria das percepções psíquicas manifesta-se também nas faculdades supranormais subconscientes. em termos de simultanei- dade. depois da crise da morte. fenômeno esse que é bem conhecido dos psicólogos. observo que. referindo-se à maneira com que Oscar Wilde se utili- zava das reservas de palavras e do esquisito estilo existente no cérebro da médium. Para não me afastar do tema de que ora me ocupo. subjetivamente. e a esse respeito não se pode senão assinalar o considerável valor teórico deste fato: que essas modalidades espirituais de percepção sintética se realizam excepcionalmente e também na existência terrestre. Para dar. no sono fisiológico. em estado latente. tudo isto se produzia. no embrião. Do mesmo gênero é o fenômeno conhecido da visão panorâmica nos mori- bundos que percebem. na subconsciência humana. efetivamente. a sucessão da coordena- ção de todas as notas que constituíam uma peça inteira de música e de onde ele extraía o melhor das suas composições. formados. os sentidos da vida espiritual que preexistem. em estado latente. algumas vezes nos momentos supre- mos de inspiração dos gênios ou no período pré-agônico dos moribundos. um indício de que. subjeti- vamente. como os sentidos da vida terrena preexistem. também a . Agora. Isto contribui para mostrar que essas faculdades constituem. onde se manifestam em condições de “sucessão”. graças a um fenômeno análo- go de percepção simultânea de todo o material bruto disponível no mesmo cérebro. que percebia. lembrarei o fenô- meno curioso a que estava sujeito Mozart.
É o meio reservado aos que foram vítimas das convenções sociais e elas me levaram a uma situação que não é nada favorável à minha elevação espiritual. ágil e rápido. essa distração foi posta de lado. como outrora. o meu espírito podia afastar-se do corpo e vagar à vontade. se preferirem. o que o seu cérebro recebe em termos de simultaneidade. Oscar Wilde expri- miu-se deste modo: “Minha atual tarefa não é muito melhor do que a que me era imposta na prisão. é oportuno dizer algo sobre as condições espirituais em que se encontrava o comunicante. pelo menos.concepção de uma mensagem longa se produz em termos de simultaneidade: a mão do médium corre pelo papel porque ela traduz. O pensamento não mais se desprende. sem corpo físico. Aqui onde me encontro. a idéia de nos sentirmos simples espírito. uma espécie de fechadura enferrujada. mesmo inteiramente o contrário. em trechos de comunicações citados cima. Numa das suas primeiras comunicações. A minha mente é. condições a que ele faz referência. Podemos perceber. Lá. na qual a chave gira com dificuldade. mas. . isto é. em termos de sucessão. Aqui não tenho mais corpo para sair dele e a ausência de corpo torna-me impossível uma das mais agradáveis distra- ções da Terra. reciprocamente. Não é. os nossos pensamen- tos como vós podeis ver uns nos outros as manchas das vos- sas roupas. Esse era um instrumento que nos fazia parece atraentes ou. conhecemos até muito bem as idéias mais secretas dos outros. bastas vezes. Eu vos disse que em torno de mim só há trevas. no momento. rangendo. Acontece que as idéias dos outros acabam por não mais nos interessar e o tédio nos invade a existência es- piritual. Antes de concluir. de modo algum de satisfazer. onde eu cardava lã. em com- pensação.
não aconteceria que numero- sos médiuns. uma “punição”. se imaginar- mos que elas concordam. esta concordância constitui uma boa prova em favor de sua autenticidade. admiravelmente. bastas vezes. O espírito humano está destinado a conhecer o bem e o mal até às suas raízes mais profundas. durante as suas existências terrenas. É assim que estou presentemente encerrado em um véu de trevas. . se as revelações em apreço só fossem uma misti- ficação da subconsciência humana. abso- lutamente. Com efeito. Estas revelações acerca da situação espiritual em que se en- contrava o poeta Oscar Wilde são interessantes e. um dia. mas bem sei que. Seja como for. para os altos cumes da perfeição espiritual. estranhos e inesperados. Estiolo-me neste crepúsculo eterno. absolutamente novos. com o que se afirma em outras mensagens análogas relativamente a conseqüências inevitáveis. pertencentes às nacionalidades mais diferentes. no presente caso. co- nhecimento a que não pode alcançar a justiça humana que sempre torturou a pobre humanidade terrena desde que ela existe. isto é. no mundo espiritual. mas estas contribuem para me orientar. é uma fase indis- pensável de minha experiência espiritual. como credes. fornecendo todas as provas que se podem racionalmente exigir em tais circunstâncias.. possuo a faculdade do conhecimento. no fato de o comunicante Oscar Wilde ter conseguido demonstrar a sua própria identidade. das faltas cometidas pelos homens. a mim próprio. porque o al- vo que devo atingir me parece ainda mais distante. Seja como for. sem o que ele nunca atingirá a perfeição. pen- samento de esperança que nos é concedido para nos ajudar a suportar. a presunção a respeito da auten- ticidade dessas revelações está baseada em coisa bem diversa. o estado em que me encontro não é.. ignorando uns as mensagens obtidas pelos outros. que são. E. no entanto. Sou. se pudessem encontrar na descrição de um grande número de detalhes. elevar-me-ei até os fastígios do êxtase espiritual. Sofre neste meio de trevas.
ou melhor. para os opositores. e. por detrás do estilo. recentemente. está afastada qualquer possibilidade de justificar. Travers-Smith observa que nenhum dos casos de iden- tificação pessoal. ignorados de todos os assistentes. casos de misti- ficação subconsciente e se tudo o que ele afirmou acerca dos episódios verificáveis foi reconhecido como escrupulosamente verdadeiro.pois. a outra prova. enfim. deixar de acreditar no que ele afirmou a respeito de sua vida espiritual. devo afirmar que não haverá oposito- res capazes de sustentar que o caso. acrescentar uma outra: a de ditar uma obra póstuma pela sua médium. resulta daí que. Oscar Wilde prometeu. o seu ponto de vista. no decorrer de centenas e centenas de páginas. em segui- da a prova memorável de identidade. Em outras palavras. ainda. ou seja. devem ser consideradas como cientificamente legítimas. racionalmente. da sua complexa. é susceptível de ser explicado pelas hipóteses da criptomnesia ou da criptestesia e. . a do ressurgimento. acham-se reunidas. sobre a sua pessoa. Observo. não se saberia por quais misteriosas argumentações lógicas. se na série inteira das manifestações não houve. Com efeito. todas as provas cumulativas que. mais importante ainda. Primeiramente. fica provado que as conclusões a que se chegou. se tem o direito de exigir em tais circunstâncias. que além das provas fornecidas. como não conheço outras. para levá-la a acolher a explicação espírita dos fatos. levado logicamente a concluir que. a transmissão de vários incidentes pessoais. Nestas condições. com base nos fatos. A sra. finalmente. que acabo de expor com um conjunto admirável de provas cumulativas. dos dois estilos que caracterizavam a personalidade do espírito comunicante. a mais concludente de todas as outras. pois dificilmente se encontrará um exemplo tão completo e circunstanciado em favor da tese da sobrevivência da alma. teve. desta vez. neste caso. uma influência tão eficaz como o de Oscar Wilde. continuada sem parar. em favor da hipótese espírita. da identidade de estilo. estranha e inimitável personalidade. irrefutáveis e decisivas. de que ela tem conhecimento. que se reconhecessem.
então teriam alcançado a respeito esta certeza prática. a teoria da prova absoluta. que é contestada por uma escola de filósofos idealis- tas. que todos convenham que os filósofos idealistas não têm razão. a partir de nossa própria existência. Segue-se daí que exigir a prova absoluta. filosófica e científica. o que prova a cegueira com que os partidários do aniquilamento final lutam em defesa das suas idéias. o último a pedi-la foi o dr. mesmo nessas circunstâncias. neste mundo inferior dos fenôme- nos. em resumo. absolutamente. Seja como for. tudo é “relativo”. ou simplesmente senso comum. hipóteses naturalistas a opor à hipótese espírita e não é menos verdade que. Poder-se-ia dizer. Isto não impede. em seu auxílio. nos casos análogos. contestar que tais filósofos tenham as suas boas razões a fazer valer. Não vai nisto uma grande descoberta: também não é menos verdade e fora de dúvida que todos os que forem dotados de senso filosófico. na extensão do sentido filosófico. que não há. repelirão essa objeção insensata. a propósito de uma hipótese qual- quer. tivessem examinado as inúmeras provas relativas. então. que a idéia ridícula de negar a existência de nós próprios não lhes é favorável justamen- te por causa da impossibilidade de fornecer a prova absoluta da existência do universo. William Mackenzie. pois se. porém. é estranho e inexplicável que esta prova seja agora exigida tantas vezes e de modo tão peremptório. demonstrar insuficiência filosófica. . ou. que basta e deve bastar em face da razão. entregando- se a especulações metafísicas. A propósito da hipótese espíri- ta. ao invés de contestarem a existência do universo. pelas quais se demonstra que algo existe. que para o opositor sistemático é sempre possível apelar para o recurso extremo a que se agarram todos os vencidos nestas questões: o de chamar. observo que. como ninguém ainda pensou em pedir a prova absoluta relativamente a qualquer outra hipótese científica. antes. Não ignoro. relativamente à sobrevivência do espírito huma- no. Não se pode. o que faz com que nunca se possa obter a prova absoluta do que quer que seja. significa ter prazer em fazer ironia descabida ou. não se consegue a prova absoluta. científica e lógica. absolutamente. pois que.
a existência e a sobrevivência da alma. perten- cente a qualquer outro ramo do saber humano. que se ilude em empre- gar os fenômenos anímicos para combater os fenômenos espíri- tas. apesar das pretensões absurdas do misoneísmo humano. da análise comparada de toda a fenomenologia metapsíquica e esta feliz solução experimental do formidável problema do ser pareceu tão evidente e imponente ao professor James Hislop que ele não vacilou em escrever a respeito o se- guinte: “As provas cumulativas convergentes em favor da hipóte- se espírita parecem de tal modo inabaláveis que eu não hesi- to em declarar que elas são absolutamente equivalentes e . o espiritismo perderia a sua base. sem animismo. Concluindo. de uma personalidade integral subconsciente. Eis aí a síntese conclusiva que ressalta. em conseqüência da análise comparada dos fatos. é certo que. resulta claramente que os fatos em questão convergem todos para a demonstração da validade da hipótese a examinar. Em outras palavras: ressalta da análise comparada dos fatos que os fenômenos anímicos e os espíritas são comple- mentares uns dos outros e isto até o ponto que. Os fenômenos anímicos para aí convergem. espontaneamente e inabalável. pois que provam a existência. Os fenômenos espíritas para aí convergem da mesma maneira. demonstrando. a sobrevivência dessa personalidade integral subconsciente que os fenômenos revelaram. por isto. Ora. o que é preciso para demonstrar. bem superior à personalidade consciente. Vê-se. independentes da lei da evolução biológica. toda a inanidade e a superficialidade da lógica adversária. no ho- mem. O que aconte- ce no exame dos fenômenos mediúnicos – tanto anímicos quanto espíritas – é que convergem todos para a demonstração da exis- tência e sobrevivência da alma. dotada de memória perfeita e de faculdades supranormais maravilhosas. com efeito. pelos fatos. deve ser absolutamente análogo ao que se pede para se chegar à demonstração científica de uma outra hipótese qualquer. pelo método científico. sabe-se que o que se exige a este respeito consiste nisto: que.
3 Este caso é o tema do capítulo IV da presente obra: Um defun- to que se recorda de tudo. Tudo isto de um modo geral. desta vez. Hester Dowden. admitir que. 4 Os comentários do narrador inseridos nos diálogos serão delimitados por colchetes. na mente dos presentes. observo que os nossos próprios contraditores não pode- rão deixar de reconhecer que todas as provas racionalmente exigíveis de um morto. foram fornecidas. pois nasceu em Dublin.” (Contacts with the other world. mesmo superiores às sobre as quais se baseia a teoria da evolução. então. Deve-se. 5 Wilde era irlandês de nascimento. a favor de uma dada hipótese.T. afirmando que o caso de Oscar Wilde traz uma outra jóia esplêndida para o colar precioso de provas experimentais. se um caso análogo de “convergência de provas”. pág. da existência e da sobrevivên- cia da alma. não se poderá deixar de proclamar logo a validade inabalável da hipóte- se discutida. se verificou em outro ramo do saber humano. em solteira. de fatos ou coisas . Travers-Smith chamava-se. telemnesia e a lei da relação psíquica (N.) 6 Criptomnesia – Hipótese segundo a qual o sensitivo teria a faculdade da leitura. e a sra. FIM Notas: 1 Trata-se de Telepatia. 2 Este caso será mais profundamente analisado no capítulo V desta obra.). (N.T. 328). que se propõe provar a sua identidade. o que equivale a reconhecer o nosso pleno direito científico de concluir no mesmo sentido. com o título O retorno de Oscar Wilde. Voltando ao caso de que me ocupei.
conhecidos deles em qualquer época. . e não pelos órgãos normais. 7 Criptestesia – Hipótese que consiste no conhecimento de fatos ou coisas que o médium tem pela percepção espiritual. mas esquecidos no mo- mento da experiência.