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DESENHO TECNICO EM
PROJETOS DE
ARQUITETURA E DE
ENGENHARIA CIVIL

OBJETIVOS
.4p(}s eSludar esre capUu.lo, o lellor devera estar apto a:
• Interpretar plantas e canas topogr�ficas e sua articulai;�o com levantamento de
perils;
• Analisar cartas e perfis geol6gicos;
• Execu1ar escudos de implanta�ao de obras;
• Interpretar desenhos em estudos e projetos de planejamento regional e urbano;

• lnterpretar, definir a respectiva articula�o e executar desenhos de projetos de


arquitetura;
• lnterpretar > definir e executar desenhos de projetos de instalat;:6es;

• lnterpretar, conceber e representar desenhos de escruturas em estudos e projetos


de engenharia civil e sua articula�ao com os desenhos de projetos de ins1ala�6es
e de proje1os de arquitetura.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 183

9.1 INTRODU<;AO E, em suma, o trabalho de representa,io grafica inerente a ci.,­


bor�.ao de 1>rojetos do domfnio da arquitetura e da enge­
A concre1iza¢.10 das disposi�s relativas aos usos do solo no rlharla civil, nos ,ennos e seqi.iCncia descritos, oomo aplica­
ambito do planejamento regional e urbano a que se refere o qlio da teoria das proje�oes geo:metricas planas, no ambito do
Capftulo 8, para alem de infra-estruturas regionais e redes vi- desenho recnico, que constitui o presente capftulo.
3.rias emre os virios aglomerados urbanos, conduz a proces­
sos de concep,ao das edifica,oes e dos espa,os livres, segun­
do criterios de e1dgencia, de funclonalidade e de estetica. 9.2 DESENHO DE ARQUITETURA
Neste 3.mbito, privilegiam-se, por sua vez (e mais uma vez!), a Na sequencia do processo global de adaptaqao do espa,o na­
representa,ao de conjuntos de PCI""' desenhadas, mais ou me­ tural, segundo criterios consensuais de ocupa93.o do solo para
nos complexas - o p.-ojeto de ar<1uitetura, relativo a cada determinados fins, impoe-se a necessidade de estudar deta­
unidade construtiva -. edifidos p6blicos, edifi'dos de infra­ lhadamente as rcla,oes volumetricas das edifica,oes entre sic
estrutura de uso coletivo, clementos de identidade local, in­ com o espa90 em que se inserem, no sentido de estabelecer
terven�Oes de preservac;ao e recupera�ao em ed1fica¢,es ex1s­ conjuntos harmoniosos e coerentes com o objetivo para o local
tentes, edifica�Oes de uso privado individual ou comum, so­ em questao.
bretudo habi1a¢es e servi\:05.
0 designado projeto de arquitetura rem coma objetivo funda·
Em concordancia com os criterios de funcionalidade estabele­ mental este tipo de estudo, no sentido de conferir fom1a as
cidas no ambito do projeto de arquitetura, est:io ainda as dis­ edifical'(ies, quer de um modo global (volumetrica), quer a nf•
posi�Oes referentes aos tijX)S e caracteri'sticas dos dispositivos vel de detalhe (detalhamento) e acabamentos.
de comando e utiliza�ao. consign.adas nos respectivos Proje·
Envolvendo um conhecimento multidisdplinar com referen­
t.os de InstaL�OCS de Abastccimcoto de Agua, Sistcn1.a d.c
da a conceitos e procedimentos de ordem hist6rica, socio16·
Drenagem e de Instal�oes Eletricas.
gica, artfstica e cecnol.6gi�, o arqulteco e por excelencia o au,or
Opcionalmente, podem ainda ser considerados os projetos de da configu ra,ao das edifica,oes e da sua articula,ao com os
redes de comunicac;Oes e redes de dimatiza�o, cujo dirnensi­ espayos em que etas se inserem, segundo uma eiica capaz de
onamento e traqado � objeto de estudo e desenho pr6prios. proporcionar a concretiza,ao dos principios fundamentais
constituindo os respectivos projetos de especialidade. enunciados. em conjuga�ao com dimensOes estabdecidas por
Pem1itir a exist�ncia real das edi.fica�Oes. isto e, dos espa�os legisla,:iO e regulamentacao tacita OU recomenda�oes que a
constnifdos inerentes aos projetos de urbanismo e de arquite­ experiencia e a vivencia tenham permitido acumular.
rura, implica recorrer a estudos de estabilidadc que envol.vcm A sinia<;ao acirna, em nosso entender n.em sempre e conse­
um oonhecimento o mais exaustivo possi'vel dos materiais e guida, dada a sobreposicao de interesses, por vezes desde 0
das suas ca.racterfst1cas. em particular dos materiais tidos como pr6prio proje10 ate a conclusao da respectiva obra ou a negli­
de construcao - o i>rojeto de estabilidade. Nele se inclui a gencia de principios que cleviam reger objerivos, nem sempre
rcpresenta�o detalhada de todas as pe� e dementos estru· correta e claramente definidos.
rurais capazes de supoxtar as a�oes a que as edifica�oes deve­
rao estar sujeitas, quer nas fases de servi�o. quer indusivamente Em todo o caso, o projeto de arquitetura nio deixa de se apre­
nas fases de construcao, no sentido de ser legivel a sua cons­ sentar como um documento oorlstin.1ldo por uma parte escrita
titui�ao e montagem durante os trabalhos de oonstru�o. e um conjunto de p�as desenhadas que constituem o cha­
mado desenho de arquiten,ra, e que inclui os seguintes gran­
Por ser atualmente o mais corrente, salientar-se-3. o caso da des grupos ou tipos de desenho, apresentados, em geral, nas
elabora�ao de projetos. de construqio em concreto am1ado na escalas indicadas:
sua componente grafica, tendo em conta os aspectos regula­
rnenta.res com irnplica�Oes diretas e, logo de infcio, nos res­ - Desenhos de localiza¢.lo:
peciivos desenhos. Esc. 1:500 ou Esc. 1:1000
- Desenhos de conjunto:
Que outro modo de definir a id<!1a e proposta de interven�o. Esc. 1:50 ou Esc. 1:10
a sua aprovac;ao pelas comunjdades interessadas e envolvidas,
- Desenhos de detalhe:
as configura�Oes arqui1etOnicas dos espa�os em que se inter•
Esc. 1:20 ou Esc. 1:10
vem e de estabelecer seqti�ncias de processos construtivos,
sem uma detalhada representa¢o previa recorrendo-se ao Os desenhos de detalhe referentes a elementos construtivos
desenho (tecnico?). OU de figacao, podcm ainda, com alg uma especificidade, ser
objeto de apresenta�ao em outras escalas. dependendo das
Paralelamcnte a execu¢.io das obras de constn,,ao, segundo
dimensC>es reais do detalhe a rcpresentar, podendo-se inclusi­
a prescriqio dos respeaivos projetos, assume ainda particular
ve utilizar a escala 1: 2 ou mesmo 1:1.
interesse todo o processo de planejamento, relativamente ao
qual rambem sio inerenres representac;oes graficas diversas.
Tradicionalmente apresentadas sob a forma de graficos de 9.2.1 Desenhos de Localiza�ao e
barras e arualmente gerados a partir de software de planeja­ Desenhos de ltnplanta�ao
mento e gestao de projetos, e tambem possfvel e desejavel
estabelecer o processo de planejamento em confonnidade com Este tipo de desenho integra qualquer projeto de arquitenira
o processo construtivo que o pr6prio projeto deren11ina, atra­ e informa o local e a posi,ao da edifica,ao a projetar, acessos,
ves da representa¢o do que neste livro se designa por mode­ Hmites do terreno e orienta�ao dominante. Deve incluir cotas
los geometricos de pL�nejamento. ahimetr1cas e cotas de localizaq-.io.
184 Capilufo !Vove

Para os desenhos de localiza�o. recorre--se freqOentemente 9.2.2 Desenhos de Conjunto: Plantas,


as plantas fundi:irias, fomecidas pelos pr6prios munidpios, na
escala 1:10.000, onde se marca a localiza,ao da obra em qucs­
Vistas e Cortes
t3.o. Estas indicaqOes podem surgir em forma de planta e/ou Os desenhos de conjunto definem a forma, as dimensoes e a
cotte, confon11e a refetencia tomada. articulaqao dos principais elementos das construqOcs. Apre­
sentam-se sob a forma de plantas, vistas e cones.
Os desenhos de 1mplanra.;;ao resultam de levamamenro to­
pografico, em geral em escalas 1:1000, 1:500 ou 1:100, con­ As plantas rcferem-se aos v;irios niveis de cduica.;;ao, ineren·
forme a necessidade de detalhe ao nivel da implanra�ao, tes a cad.a piso e tamb�m da cobertura da constru¢i.o. Nio cor­
cujo estudo se baseia nos procedimentos descritos ao Ion­ responden1 exarameme ao conceito de planta apresentado ern
go de 8.4.3. 4.4, mas a um corte horizontal na planta a uma alrura condici-

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F1GURA 9.1 Projeto de arquitetura de moradia: a) Pfantas. (oontinua)
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onada pela altura dos vaos (de portas e de janelas) de rnodo esdarecer a configura(:iio interior das edifica,oes (Figura 9.1
a indulwlos. Este corte e, em geral. supostamenre considerado b) e devem ser referendados nas plantas.
a 1 m de altura, sempre que se respeita urna implanta�o do
As plantas que, como se referiu, <::orrespondem a um corte hori­
parapeito das janelas a 0,90 m ou ainda a uma outra alt\lra,
zontal, apresentam as paredes em corte, podendo ser preen­
como, por exemplo, abai.x:o do ponto de inicio de arcos, se os
chidas em tracejado ou em preto nas supe:rffcies correspon�
houver, ou alnda passando par diferentes nfveis, se neccss3.·
dentes as se<;Oes determinadas pelo piano de corte. 0 seu
rio. para uma ma,or explicita�io de outros elementos
dirnensionarnento deve ser respe·itado e depende do material
arquitetonicos do projeto ()'igura 9-1 a).
utilizado. Se for concreto, sua dimensao e da ordem dos 0,25
As vistas corresponde,n rigorosamente ao concelto de vista m� se for de alvenar,a. esti diretamente relacionada nio s6 com
apresentado no Cap,rulo 4, identificadas pela sua orienta,ao as dimensOes dos tijolos. mas tambefn com a sua disposi�o.
geografica (Norte, Sul, Leste e Oeste) (Figura 9.1 c). Os v3.os s3.o representados de modo diferenc,ado conforme
Os cortes (ver Capirulo 5) definem os detalhes internos dos correspondam a portas ou janelas. A representa(:iio <las portas di
edi.ffcios. por e.xemplo. compartimentos e escadas. Permitem indlca<;ao do seu sentido de movimento e. tal como as janelas,

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FIGURA 9.1 Proje1o de arquttetura de moradia: b) Cortes (continua�3o).


186 Capilufo Nove

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FIGURA 9.1 Projeto de arqui'tetura de moradia: e) Vistas (continuat;:ao).

com:sponde a represenra�ocs simb6licas. 0 grau de detalhamcnto As vistas sao, como se referiu, designadas pda sua orienta�ao
e,
depende da escala <lo clesenho, mas em geral, objeto de inclu­ geografka, ou ainda pelo nome da rua ao longo da qual estao
sao no conjunto de desenhos de detaJhe. dispostos. Oevem ser em igual nUmero ao de fachadas Hvres.
Os deralhes mais rckvantes da cons1ru¢,to, que ficam acima do A sua elabora¢.io est:i sujeita a um esrudo em prindp10 com·
piano de corte. como seja um arco, uma darab6ia no teto, etc., plexo, baseado em regras de composi�ao de superficies, com
devem ser reprcscntados na planta a tra�o inrerrompido. Na planta a finalidade de elevar o seu valor estetico e conjugando v3.os,
deve estar tambem representado o equipamento sanitirio e saHencias c reentr5.ncias, varandas e sacadas, com materiais
das cozinhas e respectivas camaras para passagem de tubula­ de revestimento adcquados e indicados atraves de represen·
vOes (courettes), assi1n como o tipo de pavimemo utilizado, ta�Oes a tracejado convenc,onais.
segundo legenda apropriada.
A elabora¢o de plantas e vistas com uso de sistemas CAD es·
Os criterios do seu dimensionamento podem ser consultad05 em pedficos pode permitir a representa�o simult3.nea, garantin·
bibliografta especializada e em caralogos dos fabricantes, sendo do a coerCncia entre as plantas ,e vistas. Em gem.I, este proces·
o seu espa� de otiliza�l!o definido pelo projetista. so pressupoe a construq3.o do cespecrivo modelo georlletrico
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 187

FIGURA 9.2 Elabora�o simultanea de planta, vistas e modelagem em 30 de uma ed1ica�o em sistema CAO especifico para arquitetura. atraves
do •i•1ema Au1oCAO da A ulodesk, Inc.

em 3D, com o qual, de resto, se relaciona o desenho sucessi­ conhecidas dada a identidade que 1�m conferido a muitas
vo de plantas e vistas (Figur:t 9.2). regiOCs que as adotam de um modo conjunto e hannoniooo.
Um conjunto de telhas corretamente dispostas sobre a esrrutura
9.2.3 Desenho <le Coberturas que as suporta constitui um piano (ou "3.gua"' - dcsigna�3.o
e.xclusiva em telhados) com um dec:live apreciivel e adequado
A representa¢o de coberruras corresponde a um c:aso particu­ ao escoamento de aguas (da chuva ou do degelo <las neves).
lar do projeto de arquiterura. Com efeito, representa a planta
do nivel superior (o ultimo nivel) da edifica¢o e, oontrariamente Os pianos de uma cobertura, que rem or,enta�es de acordo
a todas as outras plantas, nao corresponde a um corte da com os !ados do poltgono que em planta definem o contorno
edifica¢o por um piano de nivel, mas sim a uma vista em planta. da edifica�o 01igura 9,4 a), determinam entre si retas de in­
terse¢.io (Figura 9.4 b) que, de resto, recebem designa¢es
A cobenura de unia edifica¢,io, alen, do aspecto funcional que a pr6prias cm termos do telhado que passam a constituir. A
pr6pria designa¢o sugere, pode apresentar diferentes tipos de con­ determina�3.o dessas 1mersec;6e:s, a luz dos conceitos de pro­
figurac;ao, bem como materiais e processos construtivos, utiltzan. j�oes cotadas (ver 8.2. I), e fundamental na representa¢o de
do-os, preferencialmente, de acordo com a localiza¢o geogri6ca uma cobertura e e resolvida geometricamente.
do edificio em quest3.o, o que infelizmente nem sempre acontece.
Neste ambito, importa desde ja notar a identifica¢o do con­
Os ca.sos mais corttntes de coberturas corr�pondem, em geral, ceito de orienta�ao de plallo acima mencionado e recordar o
a terra�os e telhados. conceito de reta de maior declive (ver 8.2.1.2) no ambito do
mt!odo das proje�ocs cotadas.
Os terra�s, embora oorrespondendo do ponto de vista estru­
rural a um pavimento do tipo dos adotados nos pisos da No1e-se tambem a identifica,ao de poligono de con1orno da
edifica9lo, incluem um acabamemo diferente, que preve fun­ edifica�ao coma plano de nlvel de referenda: os lados do
damemalmente um enchimento, de prefel'encia com materiais polfgono seriio. assim, reras de nfvel de cota o• e. como tal,
leves, de forma a criar dcdives que assegurem o escoamento tra�os horizontais dos pianos em questao. cuja interse�:3.o de�
para os tubos de queda. (ver 9.2.2) e revesrimentos com materi­ fine a configura¢io da coberrur-a, corno se referiu.
ais de isolamento termico e de imperrneabiliza¢o (Figur:t 9.3).
Assim, a de1ermina�ao ou desenho de cobern1ras constitui-se,
Os telhados silo, de acordo com a designa\iio, coberru­ fundarnentalmente, lnterse-;io de v3.rios pianos dois a dois e,
ras constituldas por uma estrutura comumente de madei­
ra ou de elementos pre-fabricados em concreto, sobre a
qua! se dispoem de forma adequada elementos pre-fabri­ �cons$dera-se, em te.b� aoobenura,que a exuemidade supe.riotda edt'�o
cados, em geral, cerfimicos - as telhas, inevltavelmente ames daquela, defl.ne a COla Oda cobetrura.
188 Capilufo !Vove

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FIGURA 9.3 Detalhe de revestimento de cobertura e arremates.

Tacanii;a

Errpcna
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FIGURA 9.4 Cobertura de uma edificaf30.

como ja citado, de acordo com o merodo das proj�oes cota­ Para cada caso devera ser procorada a inrerse�3o de pianos
das (ver 1.2.1). (3.guas). definidos pelas suas retas de maior declive. em prin•
cipio adjacentes. Pelos pontos graduados fazem-se passar pia­
Na l'igura 9.5 apresenra-se a configura�o em planra de co­ nos de nivel de igoal cota que intercepram cada uma cLv; iguas
berturas com varias aguas cujos declives, embora arbitrados, sao cuja inters�1l.o se prerende determinar, segondo ,eras de nr­
declives correntes das :igoas de cober11Jras. vel a essa mesma cota.
Para a deter,nina�ao dos segmentos de interse<;ao dos v3rios A interse�3o <las retas de nivel de igoal cota, de cada oma das
pianos (agoas da cobertura), s11.o graduadas retas de maior iguas, (Metodo Geral de lnterse�o de Pianos -ver 1.2.1.4.),
dedive que identificam cada um dos pianos constituintes das determina um ponto pertencente a ambas as 3.guas e, portan·
igoas da cobertura. to, um ponto da interse¢io pretendida.
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FIGURA 9.5 Exemplos da. determina9ao de uma cobertura oom v3rias 3guas em planta.

0 proccsso e repetido pdo menos para mais um ponto. Note­ 9.2.4.1 Escad.'lS
se que os vertices do contorno da coberrura s3.o ;a um ponro
da in1erse93-o de duas aguas adjacentes - o pon10 de cota O. A escada tern como principals elementos os degrnus e pata­
mares. 0 degrau e const1tufdo por duas parres d1stintas: o
Quando da uriliza�ao de sis1emas CAD,� possivel gerar au10- cobertor (0,25 a 0,28 m) visive! cm planta, e o espelho, obser­
maticamente configura-;0es de coberturas sendo dados os vado em vista (0,175 a 0,195 m). A rela,ao de dimensao enlre
dedives de cada uma <las virias aguas (Figu ra 9.6). coberror e espelho e, em geral, fi,xada de acordo com a ex­
pressao empfrica seguinte:
9.2.4 Comuuicafoes Verticais 2e + C = 64
H.i um elemenro construrivo comum a rodas as ediftca(:Oes com
sendo e: alrura do espelho, em centfmetros
mais de um piso, cuja importancia e tfo fondamental quanro
c, L1rgura do cobertor, em centfmetros
o ser possivel estabelecer a comunica�ao (vertical) enrre os
virios pisos: s3.o as escadas e, em �difica�0es de media e gran­ Constiruindo em geral objeto de desenhos de detalhe, e, no
de porte. tambem os elevadores. entanto, indispensivel a sua represenra,io n.'lS plantas e cor-
190 Capilufo !Vove

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FIGURA 9.6 Geracllo da c00fig.,racllo de coberturas em sistema CAO. (Reprodu�ao Autorizada Rootbuilderto-ols.com.)

tcs (ou vistas, se forem exteriores) no sentido de ser conhcd­ As dimcnSOes das escadas sao regulamcntadas, sendo comuns
da a sua localizac;fto e inser�o no conjunto da edifica<;ao. os seguintes valores para a largu ra:
As escadas sa.o. em geral, constituldas por virios lances e pata­ 0,80 m em moradias;
mares intem,ediarios. Entre os patamares, os lances de esca­ 0,90 m em habitayoes coletivas;
da, ou seja, o conjunto de degraus, vencem o desnlvel. 1,10 m em habita�o com maisde 2 pisos;-p.,tamar: 1,20 m;
1.40 m em edificios com mais de 10 pisos - patamar:
Na sua rcprescnta.-;3.o em plan ta, o sentido asccndente da cs­
1,50 m.
cada e referenciado por uma seta colocada sabre a linha de
ei.xo do lance (Figura 9.7). A distancia horizontal entre as escadas que vao para o pavimento
Sempre que e.xlstam mats de dois pisos servidos pela mesma
superior e para o pavimento inferior e,
em geral. de 0,40 m
quando nao hi elevadores entre elas.
escada, a sua representa'3,0 na planra da escada, visive! em cada
um dos piSOIS, inclui dois tra� paralelos de tipo tra�o-ponto com No caso do desenho de escad�, tambem os sistemas CAD e, em
a orient:1¢\o de 45° (Figura 9.7 b) inrerceptando a linha de ei.xo particular, os sistemas CAD especificos para arquitetura, dispoem
do lane,, no ponto pertenc<cnte ao piano de corte horizontal (pia­ de funcionalidades que desencadeiem um algoritmo para ci!cu­
no de nivel) que di on gem a essa plant\. lo e tra�do autominco de escadas com o�o de observincia
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FIGURA 9.7 V3rios tipos de escada. em planta.

da formula empfrica acima apresentada e respectiva representa­


¢\o, simultanea OU nao, em 3D.
Para o efe1to. dependendo do algoritmo implementado, sao
dados, por exemplo, as dimensOes da area de implanta�ao, o
numero de lances desejado e o desn(vel a veneer (Figura 9.8).
Claro que pode haver s.irua¢es de impossibihdade - basta que
o nUmero de lances, por exernplo. n�o seja compati'vel com
as dimensoes da area de implanta¢o, face ao desn(vel a ven­
eer - que o sistema deve necessariamente rejeitar.

9.2.4.2 Elevadores
Sempre que uma constru<;ao exceder 11,5 m a parti r da cota
de soldra. deve indui, elevador. 0 elevador, que pode ocu­
par o espa�o entre as escadas, necessita de um espa� acirna
do nlvel superior, desrinado � casa das maquinas.
As dimensbes correntes do corpo de elevadores sao da ordem
de 1 ,25 X l 135 m, devendo-se considerar ainda um acr"esdmo
de O.SO m para o contrapeso, quc podc: ser em largura ou cm
profundidade (Figura 9,9).
Para outros tipos de edificios, como edificios publicos (p. ex.
hospitais), ou ediffcios com garagens subterrincas e elevado­
res para aurmn6veis, as dimensOes dos elevadores serio obje­
to de anilise pr6pria e de acordo com disposi90es dos pr6pri­
os fabricantes.

9.2.5 Desenhos de Detalhe


0 desenho de detalhe e utilizado principalmente na apresen­
ta�ao de particularidades menos comuns na constru(;ao que
devam ficar bem defil\idas, quer em termos de configura<;3o FIGURA 9.8 Solu�3o de esc.ada gerada automaticamen1e em sistema
geomerrka1 quer em 1ermos de funcionamemo e mater1ais CAO de aoordo eom dados do usu3rio.
192 Capilufo Nove

FIGURA 9.9 Elevadores (em corte) e casa das m3quinas.

constiruintes: madeira, ferro e ligas merilicas e> mais atualmen­ As portas, sendo exteriores, devem asseniar na soleira, que deve
te, o aluminio anodizado. estar a um nlvel mi.ximo de 0,10 cm acima do n.lvel do solo, e
suas dimensoes mais correntes sao (Figura 9-12):
9.2.5.1 Jaoclas c portas Altura: 2,10 m
Sempre que exisiam diferentes tipos ou dimensoes de janelas e Larguras: 0,70 m em portas imeriores (uma folha ou um
portlS a considerar nunia constru�o e usual incluir no projeto batente)
uma outra � desenh ada: o n1.apa de v� devidamente rcfe­ 0,80 m em portas <:x"leriores (uma folha ou um
renciado nos desenhos de conjunto. batente)
0,75 m cm portas exteriores (duas folhas ou urn
O mapa de vaos estabelece as dimensoes, formas de abrir, pro­ batente)
cesso de montagem, etc. de portas e janelas (l'igura 9.10 e
Figurot 9.11), interiores e eX'teriores, constitui-se como um No ambito da utWza�o dos sistemas CAD, vale citar a possi­
desenho de detalhe. bilidade de desenho de portlS (assim como qualquer outro
dctalhe) atraves da sua insery�O no desenho em curso. Esses
Um mapa de vilos inclui, por conseguinte, a representa,l!.o, desenhos, disponfveis em bibliotecas de desenhos, por ex.cm�
em planta e em vista, das janelas e portas da edifica,io em plo de portas, de janelas, ou de qualquer outro detalhe (puxa­
escalas geralmcnte 1:20 ou 1 :25, rcfercnciadas por uma letra dores, por exemplo, se assim se entender) podem ser obtidos
ou um m1mero em rela<;3.o as re presema<;Oes nos desenhos por qualquer dos processos seguintes:
de conjunto (em geral, as plantas).
- Acumula�o de desenhos pr6prios ao longo do tempo ou pro­
No que se refere lls janelas, podem ser de dimensio variivel, positais em momentos de inspira�o de desenho de portas;
sendo as rnais fre-qi..ienres:
- Aquis,�o junto de produtores de software (na internet ha
Largura: 1,50 m mu,tas propostas de arquivos de desenhos de detalhes de
Altura: 0,50 m acima do peitoril ou 2,50 m se for de sacada. constru�o);
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CorttA. A Cot-10 a. e

COJIGC•C Co1teO·D

FIGURA '9.10 Oesenho de deto.lhe: de1alhe de j0;nela (elementode$enhado con$tituin1e de um m0;pa de v50$).

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FIGURA 9.11 Desenhode detalhe: detalhes de
por1a (Elemento con&tituin1e de um mapa de
vaoo). Cor�S-8 C0ttr;C-C
194 Capilufo Nove

2 3

Coas &olhaS

Pena vai\'em
FIGURA 9.12 Representapo dos varios tipos de portas em plantas de conjunto, incfuindo referencia numerica para representa1y-3o dos seus detalhes
em mapas de vaos.

- Solicita�o junto de alguns fabricanres de um dado tipo de


detalhes (a ideia teci come,;ado por um fabricante de lou­
�as sanit3.rias). que. no prop6sito de incrementar as suas
vendas, disponibilizam aos projetistas arquivos de desenho
dos seus produtos, no sentido de que a sua inser�il.o em
projetos de arquitctura acabari por prescreve·los.
Os exemplos da Figura 9,10 e da Figura 9,11 correspondem
a al&•um destes modes..

9.2.5.2 Chamioes
Dentre os desenhos de detalhc, vale ainda citar o caso da re­
presenta�ao de chamines (Figura 9,13).
Sao recomenda�es gerais de dimensionamento considerar um
m1mero de saidas de fuma�a igual ao dos dispositivos que
servem. Cada conduto de fuma,;a pode medir 0,30 X 0,30 m
(por cada saida de fumo), clevando-se a uma altura de 0,6o m
em rela�o 3. linha de cumeeira. A espessura das paredes e.
em geral, de 0,30 m. incluindo material isolante.

9.2.6 Cotagem em Desenho de


Arquit.etura
Embora em todas as figuras apresentadas ate aqui neste capi­
tulo se tenha seguido as normas gerais de cotagem em dese­
nho tecnico, interessa citar alguns aspectos de utiliza,\\o pra­ FIGURA 9.13 Represen1a�o de chamines.
tica bastante generalizada, resultantes da ado¢.io de normas
internacionais, em especial das normas francesas, como com­
plemento das nom,as gerais de coragem em desenho tecnico.
Podem ser consideradas coras interiores ou ex1eriores, con­
fonne se apresentem no interior ou no exterior da planta. Es­
9.2.6.1 Cotas em plaotas tas nao devem ser repetidas nem aplicadas sobre o desenho
A rotagem em planta utiliza os tipos de rotagem em serie e em de escadas, vios de portas, aparelhos sanitarios, etc.
paralelo com a origem oomum a determinado ponto de referencia. A sua representa�o deve seguir uma ordem pr6pria ()'igura 9,14):
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 195

2,00 4.00 2,00


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1.07 5,10 1,05
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2.00 2.65 � 1,00 0 0,70 1,CO
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FIGURA 9.14 Cotagem de planta-s em arquiteturo..

cotas de espessuras, representando as medidas da espes­ Como se sabe, aumentar ou reduzir as dimensoes de urn dado
sura dos pilares, paredes e pavimentos; desenho corado segundo qualquer das dire�oes perrnite a
- cotas de cixo dos v�os: que estabelecem as medidas en� mesma modificac;ao na linha de cota correspondente, po­
tre eixos de todos os vaos; dendo op tar-se pelo reajustamenro automatico do respecti­
- cotas de ittlJ>l.aot�3.o: determinam a localiza�ao para vo valor.
irnplanta�o dos pilares, das paredes e 11,veis de pavi­
memos, 9.2.6.3 Equipameoto interior e cotagem
apresentando-se o valor da cota, perpendicular a linha de cota,
A represema�ao de equipamenro em desenhos de arquiten1ra
correspondendo a disrancias medidas a partir de um pomo
envolve, fundamentabnente, os aparelhos sanitirios e os apa­
comum ate o inido das paredes e ei..x:os dos pHares. As coms
relhos das cozinhas.
resultantes correspondem a adi¢.io ou subtraq3.o das cotas
referidas. Em siruayoes de edificios de maior pone, sobretudo edificios
comerciais, pelo menos em nivel de esrudo de insralacao, e
9.2.6.2 Cotas em cortes usual a represenra9llo do pr6prio rnobiliirio. De resto, a utili­
zacao dos sistemas CAD para simular a instala¢1o de diferen­
Neste tifX) de representa¢.io, s3.o incluidas cotas de implanta· tes tipos de rnobiliario e nestes casos perfeitamente adequada
�ao relativas a um nivel considerado de referincia. e usual.
Assim, s3.o cotados todos os nlveis (pavimentos) em rela�ao a Exisrem slmbolos que permitem, quer em planta, quer em vis­
essa referfncia, devendo . se indicar tambem a cota do teto do ta, represenrar qualquer l'ipo de mobiliario no senrido de dar
Ultuno piso. maior enfase a justificacao do espa90 projetado por compa.rti­
Devem ser apresentadas indica9oes sobre as dimensoes verti­ mento e. por conseguinre. aos valores das cotas conslderados
cais entre os nlveis dos pavinientos, sua espessura, pes-direitos (}'igura 9.16).
e alturas de portas e janelas (Figura 9,15).
Quanto a utiliza9llo dos sistemas CAD, e ji conhecida a fun­ 9.2.7 Apreseotafoes Realistas
cionalldade de atribui�ao autom3.tica de cotas.
Sao j3. bem conhecidas as apresentac;:Oes e animac;Oes realistas
Mais inreressante ainda e a sua altera<;ao simultinea por ma­ de projetos de arquitetura. em tennos de fom1a. cor e te."\."tl..lra
nipula9ao e modificaf.jo dos desenhos no ambiro da produ- dos pr6prios materiais a utilizar. quer em tennos da apresen­
9llo e da conce�ao, nos termos detalhadamente descritos. ta�ao do seu exterior, do interior, da sua inseryao num con-
n
196 Capilufo !Vove

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F1GURA 9.15 Cotagem de um corte em arquite1ura.

�-\' �\ sos de utilizacao do sistema CAD como in.strumenta¢o de

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' desenho em 20, na medida em que pressupoe a modelagem
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geometrica tndimensional da edificayao.

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Todavia, esre processo e atualmente muito frequente no ambi­
to do projeto de arquiterura, na medida em que, como se refe...

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riu, pode ser simultaneo a elabor31'1lo de planras e vistas em

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20, a que se segue um processo de nmdering do modelo 30.
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ICOZINHA
12.0ltm2
o>s

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g A Figura 9,17 apresenta ilustra¢es deste ttpo, por utilizac;io

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); X '-- do sistema 30Srudio cla Autodesk, h>c. sobre modelos geo­
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X X m<!tricos. obtidos em Architecrural Desktop - sistema CAD
3,10,
.. especiftco para arquiterura, que opera sobre o sistema CAD

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generico AotoCAO.

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0.1, 9,3 DESENHO DE INSTAIA<;;:OES
JoVARTOOSl
OESPe.ro <\ \ �::,�LL A satisfa�ao dos mais variados criterios de funcionalidade das
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1,61 11'12 ,L..> edificas:oes conforme os diversos modos de uriliza�o a que
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-·-::c;_�_,,.,. ci se de-stinam implica nec<!ssariamente a exist�ncia de sistemas
,:;
' b:isicos que tomem subconsciente a satisfayao de necessida­
des elememares inerentes a pr6pria atitude de existir, numa
FIGURA 9.16 lnoer-;:3o de equipamen1o em pl�nt�.
escala de valores do arualmente designado mundo desenvol­
vido.
Dotar as edifica�Oes <las necess3.rias instalacOes que garantam
junto ucbano j3 existente, da sua inser¢o no terreno, do efei­ essa sarisfa�o foi considerada uma ai;io tao imrx>rtante como
ro de lominosidade e sombreamenros e ainda a possibilidade a conoep�o e constn,�ao das pr6prias edificayoes.
de inser,llo de "cenarios·, desde ceu com nuvens a fundo
Inserem•se neste 3.mbito a instala�ao de sistemas de abasteci·
relvado.
mentos de :igua, de drenagem, de fornecimento de energia
Mais interessante, porem, e o processo de simula�ao de um (eletricidade e nos grandes meios urbanos, tambem o gas),
transeunte, quer no interior das edifica-;oes. quer no exterior, recles de comunicayOes e , ,nais recentemente, recles de
ao longo dos espay0s de circola�llo, no sentido de poder ser clin,a1iza¢.10.
avaliada a sua intera¢.io e inserqllo no espa,o delimitado pe­
0 fornecimento destes bens e servi�s. que sc proccssa atra·
los volumes edificados, situaqao ja refcrida em 8.4.2. 0 efeito
ves de condotores, qoer sob a fom,a de n,bulas:oes (aguas)
e j3. conhecldO.
quer sob a forma de fios ou cabos (eletricidade), implica a
Constitui necessariamente um trnbalho aparentemente acres­ correta inser�o destes dementos nas constru�Oes, sob a for­
cido relativamente aos processos trad1cionals ou aos proces- ma de redes.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 197

Estooo csa llumlna�o exterior Clo �estlval Hall. projeto de


Kirkland Pann8'Ships (Toronto, ON). Ronooong oxocuta(J() IX>f
Cieada 08Sign (Tororuo, ON).

lntef'iOf' CIO Museu de AIIQ M<Xleina <le San Ff'anciSCO, projeto Prac;a ae etllr'aOa <18 M useu Entrance. RBf)dem>g 8X8::Ulacl0 poi
de Mano Bona. Sllmsuke Baba (BtOOldine. MA).

FIGURA 9.17 Rendering de modelos 30 (reprodu93.o au1orizada Light-lm�e Software),

As reeks de abastecimento de agua, de drenagem, cletrica e de 0 desenho de instala�0es. cuja maior importinda sc reporta
gas e, atualmente, cacfa vez mais, de relefones e comunica,oes ao tra'"do em planta, deve, pois, ser explicito em todos estes
em gcral, s.'io igualmente objeto de estudo e projeto. aspectos.
0 projeto de instala¢es, que envolve mais uma vez uma par­ Represenrado em geral sobre plantas de arqu1tetura 113.o coradas
te escrita de justificayio, querde tra�do querdedimensiona­ (Esc. J:100 ou 1,;0), uriliza diferenres tipos de tra� para repre­
mento, com base em conceiros e princfpios de ordem ciemffi­ senta¢io das tubula¢es (de aguas frias e de iguas quentes, por
ca e tecno16gica, com observancia de requisitos minimos (em exemplo), oodigos de indica¢io de trajetos, indicai;:ao do calibre
geral demasiado mlnimost). consignados em regulamenta\3.o das tubula¢es, modos de liga,;ao das diversas parres da rede
pr6pria (Regulamentos Gerais <las Canaliza,;:oes de Agu a e de (prumadas) e simbologia para indica¢io de acess6rios.
Esgoto e Regulamento de lnsralai;:oes Eletricas em Edificios),
Na Figura 9.18 apresenra-se o trai;:ado em plantt da rede de
e uma parte desenhacla por recurso ao desenho t<!cnico de
abasrecimento de igua referente a uma pequena edifica,;ao, e
i nstala�Oes.
na Figura 9-19 apresenram-se detalhes de instala,;ao de equipa­
menros sanitarios, de acordo com a regulamenta9!-o respectiva.
9.3.1 Redes de CanaJizafao de Nao hi normas rigidas para a indica¢io de simbologia, po­
Abastecin11eoto de Agua dendo variar de projetisra para projerisra. inclusive em nivel
instirucionat De fato, algumas c3.maras municipais, para efei­
As redes de canaliza,oes que alimentam os chamados apare­
ro de recepcao de um projeto desre tipo, impoem simbologias
lhos sanit3.rios nos locals das edificaq0es que a arquitetura
pr6prias (nem sempre com a configura,ao mais racional!).
definiu (lavar6rio, bide, chuveiro. privada. etc.). sao consritul­
a
das por parres principa;s ligadas rede geral de abasrecimenro
Nestes renmos, e indispensavel que nas pc,as desenhadas seja
inclufda uma legenda da simbologia ai adorada (Figura 9,20).
de igua da zona em que a edifica,ao se insere. Del'5 partem
as deriva�oes necessirias a cada aparelho saniririo cuja ali­ O projeto de abastecimento de igua pode ainda incluir dese­
menra�ao e comandada pelo usuario atraves do acionamenro nhos de detalhe em uma escala maior (1:20 ou 1:10), no sen­
de vilvulas. Estas valvulas, de que sao exemplo as tomeiras, lido de estabelecer disposi¢es construtivas mais rigorosas do
podem tambem. na sua conccp¢o e fabrica¢o. envolver cri· que o habitual e cortes (cm geral, a 1:100), explicitando a ins­
rerios de estetica e decora¢o. tala9!-o de equipamentos menos comuns, principalmente cis­
temas e sistemas de bom�amento.
A comple,-idade do fenomeno fisico do escoamenro em pres­
a
sllo no interior de rubula¢es obriga considera9!-o de cuida­ Por vezes) quando ha muitos pisos, muiras deriva�Oes e, em
dosos criterios de tra,ado c dimensionamento e h inclusao de geral, mais do que uma coluna de abastecimento, e ainda usual
virios accss6rios complementarcs. a inclusao de uma perspectiva isometrica da rede de abasteci·
198 Capilufo Nove

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FIGUFtA 9.18 Rede de 0:bas1ecimen1o de 3.guo. em edifica�o com indica�o de di5.metros do.s tubula90es.

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ou sistema se<:unc:,,Mo

Colt.ma asoon::hm:e


V8fvula de paasag41m

FIGURA 9.19 Oesenho de detalhe de projeto de abastecimento de agua,


V4tvuta 00 de$C8rga

memo de agua, sem escala, vulgarmente designada kit de


Chtr:eiro
montagem. lsto tem como efeito explicitar a sua configura,ao
para alem da reprcsenta�o em planta e cortes e au.x;liar a
quanttflcac;ao de dispositivos acess6rios e de liga�ao das ru. Torneira misturadcf8
bula,;oes, sobrerudo curvas e tes ()'igura 9.21).
0 tra,ado de redes de :abastecimento de igua com auxilio dos Tornaira
sistemas CAD rambem e muito facilitado em rela�a.o aos pro·
cessos tradicionais. Mesmo no ambito dos sistemas CAD ge­
nt'ricos, a pr6pria cara cterizasao geral da sua utilizasao, prin­ � Tomada de 89ua em incendio
cipalmente a utiliza¢o de camadas (layers), permite o tra�a­
fIGuRA 9.20 Simbok>giapara represen1a(?o de aceSOOriosem redesinteri·
do da rede em camadas pr6pri.as - rede de 3guas frias numa ores de abastecimento de 3gua.
carnada, rede de aguas quentes em outra, e ainda acess6rios
em outra. Estas camad:as s:i.o estabelecidas, por sua vez, sobre
a camada (ou camadas) que cont�m os varios desenhos de Caso se recorra a utiliu�ao de sistemas CAD espedficos para
arquitetura, sobre os quais se instala (descnho) a rede de abas­ redes de abastecimento de igua, nonnalmente dispoe-se, logo
tecimento de agua . de principio, de bibliotecas de desenhos de acess6rios. Se no
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 199

FIGURA 9.21 Esquema (kit) de montagem de rede de abas.tecimento de 3gua_

n,vel do projeto de a rquiterura de algum modo estiverem grifica, no nivel das pe,as desenhadas do projeto de rede de
paramerrizadas cotas altimetricas, pode-se ainda pennitir o ind:ndios, pauta-se par cntt:rios do mesmo tipo dos desc:ritos
tra�do au1oma1ico do esquema de monragem do tipo indica­ e ilusrrados para as redes de abasrecimento de igua.
do na Figura 9.21.
0 programa CAD especffico pode tarnbem, e de modo an,ilogo,
0 mais interessame ainda na uriltza9io de sistemas CAD especf� au�iliar no dimensionamento e instalal'llo ( representa'3-o) de redes
ficos para o tra\:"dO de cedes de abastecimenro de agua refere-se de incendios e, em especial, dos chamados sprinklers (Figura
rambem ao processo de dimensionamento, medi¢es e quarni­ 9-23).
dades. Com dei10, associados aos clementos graficos, incluindo
as bibliotecas de acessorios, pode haver atnoutos alfanumericos
que incluam, no nivel do dimensionamento e do esquema geral
9.3.2 Redes de Canaliza�oes de
de funcionamento da r<:<le (Figura 9.22), restri,ocs, quer de Ira· Drenagens
�do, quer de incluslo de acess6rios, e mesmo possibHidade de
A drenagem, que1 por defini�3.-0. completa um cido face ao
obGervancia e de controle de disposi�s regolamenrares ou de
fornecimento, e tambem objeto de um projeto pr6prio no
criterios de dimensionamento (por exemplo, a impossibilidade
5.mbito dos projetos de instala�0es.
de ligar dois diiimetros sem uma junta de transi¢.io).
No ambito do projeto de dren.agem interessa consiclerar as
No caso de rcdes de abastccimento de 3.gua de maior comple­
redes de drenagem de 3.guas residuais e de drenagem de :iguas
xidade, por exemplo, em ediffcios altos para os qua1s e neces­
pluviais.
sirio bombeamento e para cujo dimensionamento se requer
ca.lculo hidciulico, alem da mera observ3.nc,a de disposi�Oes Reporta-se ao tra,ado e dimensionamento clas redes de esgo­
regulamentares pode estar associado ao sistema CAD espedft­ ros e inclui as redes de esgotos domesticos (ou iguas servi­
co um mo<lelo n1atemitloo para o respectivo calculo, cujos re­ das) e a rede pluvial.
sultados se rraduzem em indica¢es q,,,mo as caractensticas de
As pe\'M desenhadas que inregra.m o projero de drenagem esrao
dimensionamento a adotar.
sujeiras ao modo de orienra,ao e seqi.iencia do projero de abas­
0 dimensionamento d e redes de mcendio obedece a especi­ tecimenro de 3.gua, multo embora uma diferenya fundamental
ficidades de dimensionamento e rra-;ado, que fogem necessa­ enrre as redes de abastecimento de agua e as redes de drena­
riamente fora do arnbito deste livro, mas coja representa,ao gem dererminem configura¢es de tra�do, de diferentes ti-
200 Capilufo !Vove

f1GuRA 9.22 Proee&so de dimensionamen10 de rede usando-se o si&1ema CAO - Pipe Network Analysis Program, a par1ir do $eu e&quema de
funcionamento (reprodUy3,o autorizada Helix delta·O).

FIGURA 9.23 Rep1ret.enta�o de rec:le de sprinklers. usando-se o sistema CAO e$peeitioo (reprodu,;ao autorizada Autodesk, Inc.).

pos. Enquanto na rede de abasrecimento de Agua o escoamento vemilasao da rede domestica, e incluem simbologia pr6pria para
e sob pressao, preenc hendo toda a se¢o da tubula,ao, nas represenra¢o de dementos e 6rg?tos acess6rios (Figura 9.24).
redes de drenagem o esooamento � em superficie livre (nfto Tambem, quanto a se recorrer aos sistemas CAD, 05 procedimen­
preenche to<la a se¢o da tubula_,,o, e o escoamento se da tos sao do tipo descnto em rela�ao ao dimens1on.amento, trat;a­
por a,ao da gravidade). do e represenia�.o de redes de abastecimento de agua.
Embora o trasado das redes de drenagem obedesa a criterios di­ Assim, enquarno na rede de abastecimemo de igua o trajeto
fere11tes, as redes de esi;,-010s domesticos e a rede de aguas plu­ das tubula,oes e qualquer, no caso das redes de drenagem tor-
viais sao, ern geral. representadas simultaneamente sobre dese­ 11a-se impossfvel a considera¢o de trajetos que obriguem "a su­
nhos de arquiterura na esca.la 1:100 ou na escala 1:50 ruio cota­ bida" do escoamerno, a me11os que se preveja (e sempre se deve
dos e utilizando diferemes tipos e espessuras de trasa, confom,e evitar) a indusao de bombas hidclulicas que elevem o lluido em
se refiram a drenagem de 3.gua servldas, pluviais ou tubas de escoamento - bombeamento de 3.guas servidas.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 201

Hdade, prindpalmente sob os tetos de garagens, por ser usual


prescindir da colocaqao de tetos falsos nessas zonas.
-- - -- Rede de e�os ph.iviilis
Os ramais de descarga dos aparelhos sanitarios sio, em geral,
ligados a cai.xas de unifo colocadas no pavimento. De cada
Caiita cl $1.io de pavimenlo
·-�. uma, parte um ramal ligado a um tubo vertical, em geral, de
maior diimetro, pois recebe v3..rios ramals - a coluna (ou co•
'0- Caixa de reun,ao, C!'e pevimenro lunas), ou rubo de queda da rede (l'igura 9.25) embutido nas
paredes do edificio ou instalado em coureues proprias.

Caixa de •Jisitn A liga�ao ao coletor implica. por ve1..es, trajetos do ramal de


liga�ao de extensio apreciavel devendo-se prever caiJrns de
Rab de pavimer.to visita ()'igura 9.26) nas virias partes retilrneas e assegurar sem­
pre um declive mlnimo para os ramais, de resto tambem devi­
damente regulamentado.
Coluna asccndc,,:c
Um outro elemento freqi.ientemente assoc1ado a rede de :iguas
servidas refere-se a incluslio de rubos de vemila,;,to. Os rubos
Coluna asccrt<fon�c·dcsoondomo de ventila,;,to sujeitos a criterios <le tra�do e dimensionamento
proprios podem satisfazer a ventilayil.o de ramais de descarga,
de rubos de queda ou ambos e carecem da respectiva repre­
Coluna desceoden1e senta¢.io em planta. No entanto, sua utiliz.�9ao e mais freqliente
em cdifica9oes de m&lio e grandc portc (Figura 9.27).

A apresentac;io em corte e tambem usual no sentido de serem


observados os rubos de queda e colunas, o modo de liga9io
dos ramais e liga9oes ao coletor geral atraves do ramal de li­
FIGURA 9.24 Simbologia possivel para representai;ao de acess6rios em
gayil.o (Figura 9.28).
redes in1eriores de drenagem. Os projctos de drcnagcm podcm tambem incluir pe9as dcsc­
nhadas com elementos de detalhe em uma escala maior, 1:20
9.3.2.1 Drenagem de ag11as residuais ou 1: 10, referente a disposi�Oes construtivas ou representa�ao
de acess6rios, com a md1ca�o de legenda nos termos das
As redes de drenagem no interior das ed1fica93es e, em parti� regras gerais do desenho tecnico sobre este assunto ()'igura
cular, as redes de iguas servidas sio constirui'das por rarnais 9.29),
de descarga dos aparelhos sanitarios com uma parte vertical e
partes horizontais alojadas (embutidas), nas lajes de pavimen­
to, ou sob cstas quando sc preve a ado¢.io de tetos falsos quc,
9.3.2.2 Drenagem de aguas pluvials
do lado inferior da laje, impe�m a visibilidade da rubula¢.io. A rede de drenagem de 3.guas pluvia1s e, do ponto de vista de
Nas constru90es atuais, sempre que se opte pela segunda hi· representa<;ao grifica no respectivo projeto, mais simples. Em
p6tese de instala¢,es das rubula93es, e freqOente a sua visibi· geral, inclui-se nas �as desenhadas que representam a rede

-
�--
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FIGURA 9.25 Uga�o de �parelhos sanit3.rios: R�mais de descarga em oorte e em pfanta (Regulomentos Gerais das Canaliz��Oes de Agua e Esgoto
- RGCAE (reprodu�o autorizada porIN/CM).
---...,
202 Capilufo !Vove

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FIGURA 9.26 Tra�ado em planta da rede de 3guas


t�rvidat �"' ��u�a �diliea�o.

FIGURA 9.27 Tra�ado em planta de parte das redes de


.iguas servidas de uma edificae;.io meaa .

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FJG.uRA 9.28 Representa�oem carte e em pfanta de pa.rte


PISOT�RREO da& redes de drenagem de uma pequena ed i1ica�o.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 203

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FIGURA 9. 29 Represen1a9ao em oorte e em planta de parte das redes de drenagem de uma pequena edi1ica9ao.

de drenagem de 3.guas servidas, sem qualquer confusao, fa­ No caso de coberroras em telhado, e frequeme a instalaqio de
zendo-se oso de simbologia e ripos de traqo pr6prios (Figura calhas ao longo dos beirais para recolhimento das aguas. Esras
9,24). calhas esrao ligadas em alguns pontos da sua extensl\o a n,­
A rede de drenagem pluvial e, em geral, constituida por tubos bos de queda) em geral desembocando em cai.xas de visira,
de queda embutidos oas paredes (em geral nos cunhais) ou colocadas ao nfvel rerreo (Figura 9-30).
in.seridos em courettes da edifica<;ao ou fixos nas paredes, por 0 ramal de liga¢lo ao coletor pluvial, em geral insralado no
vezes com efcito este"tico, sobretudo atraves de cores contras­ nfvel t<!rreo. esta sujeito ao mesmo criterio de traqado que os
tantes com as do ed.ifi'cio. ramais de liga,11.o em redes de :aguas servidas.
Os robos de qoeda recebem a agoa da chuva que cai sobre a
coberrora da edifica¢lo e em pavimentos exposros (varandas 9-3-3 Recles de Instala{:io Eletrica
ou rerra�os). No topo dos tubos, e ao nfvel da cobertura e dos
pavimentos cxpostos, cmergem ralos para onde a existencia Os projeros de redes de insrala,ao elertica sao, do ponto de
de pequenos declives nos pavimentos ou cobertura dirigem vista grafico, do ripo dos projeros de redes de canalizaqoes de
as aguas. abasrecimenros de agua.

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FIGURA 9.30 Rede de dreoagem pluvial de cobertura de ediflcacao.


204 Capilufo !Vove

Sao apresentados, mais uma vez. sobre plantas de arquitetura la) dos quadros de distribui93-o (Figura 9.32 c), que, mais uma
e definem o tra�do dos condutores e os aparelhos eletr-icos a vez, inclui slmbolos grificos adequados.
instalar reprcsentados atraves de simbologia pr6pria. em situa,oes de maior complexidade oo de iodusw de disposi­
A instala¢o eletrica e. em geral. embutida, isto C, OS conduto­ tivos e acess6rios especiais, deverao tambem ser apreseotados
res sao colocados em ,ubos-base de plastico, por soa vez in­ os respectivos desenhos de detalhe coostnotivos ou de instala¢o.
seridos no interior das paredes nas quais sio abertos canais
ainda antes do seo acabamenro (reboco e pinrura).
9-4 DESENHO DE ESTRUTURAS DE
No caso de edifica�Oes industriais, cuja instala¢o eletrica en­ EDJFICAvC>ES
volve condurores de maior diimetro (e, por vezes, com maior
numero de fios), podem ser exteriores e foms nas paredes oo Entende-se por estrorura de uma construyllo o conjunto de
tetos por meio de acess6rios adequados (tipo bra,adeiras apa­ elementos dessa constru�o cuja fun�o e assegurar boas con·
rafusadas) ou por colagem. di¢es de estabilidade e, para um dado periodo de tempo, re­
sistir aos esforyos que as a¢es a que esta submetida lhe trans­
Para este fim, nas plantas que integram o projeto de instala­
mitem.
,oes eletricas e acompanhado de simbologia adequada (Fi­
gura 9-31), deve o tra�do ser feito no exterior da parede de A configura,ao das estruturas d<:pende de varios fatorcs, con­
fonna a elocidar sobre a face em que devem ser abe-rros os fom1e o fim a que se desttnam. tendo em conta as caracteris·
respectivos canais (l'igura 9.32). ticas ILSicas do ponto de vista da resistencia dos materiais dos
virios elementos estruturais que as cons-rin1em) a luz da plena
O niimero de condutores no interior do tubo (embutido ou
satisfa,lo de estabilidade face t.s a,oes a que estarao sujeitas,
nao) em cada zona do trayado e representado por meio de
em conjuga¢o com criterios de economia e de estetica.
pequenos tray0s oblfquos, podendo-se tambem reoorrer a srm­
bolos graficos.
Quando existem circuitos independentes na instala,ao eletri­
9.4.1 Gener-.alidades. Materiais
ca de uma edifica�o, pode-s e recorrer a diferentes tipos de No que se refere aos materiais principais dos elememos cons­
tra,o para visualiza-los de modo independeme e, portanto, mais tin.,imes das estrururas resisrentes que asseguram a esrabilida­
explicito. de de uma dada edifica,ao, os mais utilizados sllo a madeira,
Em termos de desenhos de detalhe, os projetos de redes de a pedra, o a,o e o concreto a"nado.
instala,�o eletrica limiiam-se, em geral e nas situa¢es mais Cada um destes materiais tern caracterfsticas de rcsistencia pr6-
corrente-s. a apresenta�o esquematica (e. portanto, sem esca- prias e e utilizado segundo tecnicas de trabalho especificas.

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m m
C-Orrcnte Simbolo geral Eteuoduto passando Eletrodulo passando ElelrC<IVIO
aJtcrna.da c!e eleiroduto acima de uma �uperftCie abaixo de urna superfio:a oonduite

Ej) ;I ;I cf ? ©

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Cshca de ocnvac,ao EIQlrOdutO atrih'OSSMd"c Elelrodu�o EletrO<fulo
(3 e1e1roe1uk>S} wrtiCal,nentQ uma pa,acse Que sob8 QU(I (JOSOQ tlolao

p, "'ti' _;f ,l, <D r1K3

lnterruptor 1n1errvi>4or unipolar Comulador Cle Tomacta mll Lpla


unipolar para 11vm1nac;Ao dupla <Jols senlldOS Tomada sl�es (3fases)

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Tomada para
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t1Xt11.1mil.laUe
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Grul)(.)deciuw
t&'.-ecxxnunica90es Arue,la A!10.1a1:an1e d& 8181.f'OOu!O �mpadas de oo w

X' � -CJ �
Supo,to ;:ia,a L8mpada fixada Ulmpada Aparelno
lampa<fa COil\ numa ps,rede ftuoresc.ente eletrodomes:ico Campainha
inte,ruptor
FIGURA 9.31 Simbolo9a utilizada na represen1ac;ao dos acess6rios mais comuns em instala(:Qes eletricas de editica(:i5es.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 205

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FIGURA 9.32 Pa rte da planta de uma rede de instalay3o eletrica: a) Circui1o de ilumina�3.o. b) Circuito de tomadas; (oontinua)
2o6 Capilufo Nove

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FIGURA 9.32 Parte da plan1a de uma


rede ,de instala�ao eletrica: c) Ouadro
Cl eletrieo.(continua�ao)

9.4.1.1 Pedra Os esfor.os de flexiio resultam em for.as (representadas por


setas) que tendem a deformar a viga tal como indica a linha
A pedra, que foi muito utilizada na Antiguidade, sobretudo interrompida na figura.
e
pelos egfpcios, gregos e romanos, um material com elevada
resistencia a cornpressao. mas de fraca resisrenaa a tra�o. E. Qoando a viga se deforma, soas fibras superiores ficam sujei­
por istot um material de excelentes condi�0es para ser otiliza­ tas a esfor�s de compress3.o, e as inferiores, a esfor90s de
do em colunas, pilares ou paredes, desde que estejan, sujeitos tra.llo. Se a viga for de pedra, se rompe mais facilmente que
apenas a for,as de compress1lo e ccntradas. E o caso das es­ outros materiais para uma dada carga. pois resiste muito pou­
co a esfor�s de tra.1to, condicionando assim o vao.
trun,ras representadas na Figura 9.33 a e b.
Os esfor,os de compressao sobre os apoios (parede ou pilar
0 v1lo representado na. Figun 9.33 a e vencido atraves de um
sobre os qoais se ap6ia a viga), slio transmitidos a estes, consti­
elemento estrutural designado viga. que deve suportar a a¢o
tuindo-se como a�oes sobre cada um deles. Em situaq3.o de
que lhe e transmitida por uma parede que suporte qualquer outra
estabilidade, devem suscitar um esfor,o de rea,ao (resisi�n­
a.llo (e. portallto, o seu pr6prio peso) que sobre ele se ap6ia.
cia a compressao por parte dessa parede ou pilar) capaz de
Assim, sao transmitid0$ a viga esfor�os de flexao, e aos apoi­ equilibrar a a¢io sobre cada um deles. Estas a�Oes sobre cada

sol
os, esfor.os de compressao. um dos apo,os que suporram a viga. s3.o iguais, e. neste caso,

Ayao sobre a eslrulurat

Ayilo a estrnluta
Compre$5aO

... .... Compr.ssao - ,. .,


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Trayio

a) b) ---"'-­

F1GURA 9.33 Etettoo de a�eo em vigao (a) e em arcoo (b).


Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 207

metade do valor da a<;3.o exterior se esta for concentrada a meio MATERIAi.$:


·PERFI.S > 180·"9)Fo430NPEN 10025.
do vao da viga (supondo tambem que, quanto as suas carac­ ·PERFI.$ <180EChapas·AQC>Fo360NPEN 10025.
teristkas iisicas, a viga e pcrfeitamente homogenea) ou sc for .Paratusoseporcasde r()i5Q:I mefrica • Al';oc&as.5e 6.6
uma a<;3.o ex;-erior distr1buida de fom1a perfe1tamente unifor­
PAOTECAO ANTICORROSIVA
me ao longo do seu vao. ·Otleapagama g,anallladeao,oaograu SA 2 12
·Metaliza� a Mo por aplaoaoAOde p,lmeiro �de zinoo.
Se, em vez de \.Ima vtga, se recorrer a um arco de v-olta ioteira ·Plntura llnal de 8C8bamooto ern oor a detinlr.

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(Figura 9-33 b), a concep¢.io da geometria dos blocos que o cons­
ti!llem deten11ina uma orienra,;ao dos esfor<X)s de modo a arua­ Soldadura.s
rem perpendicularmente �s jui>tas, e os blocos que coi>Stituem
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o arco s11.o solicitaclos 11. compressao trai>Smitii>do esfors0s igual­ Qo,Otll M«t!,)Q!'t'fl l,fl)('"l*''T,
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mente de compressio aos pilares em que o arco se ap6ia.
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Assim, para uma mesma carga consegue-se, em geral, um vao � /
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rnaior com um arco d o que com uma viga, pt'ocesso, como se
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sabe, determirlame i>a arquiten,ra e na coi>Stru,;ao em geral
na Antiguidade.
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9.4.1.2 Madeira ft.- (fa;-. ���;� > ------ � .!�\\"���
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Quase simultaneamcnte com as estruturas de alvenaria, as es­
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rruturas de madeira tambCm foram de utiliza�o freq-Oente. ,,.,.._ � �


sendo, no entanto, util izadas em constmyOes relativa.rnente
pequenas e que i>io se prerendiam tilo duradouras como as '
de pedra. "�,, '':(,
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Muito embora seja hoje em dia possfvel um tratamenro da ¼ii�-M d.:as. sCIOO; SOICl3g8M-em 09,al

madeira para aumenrar subsranci.almeme o seu peri'odo nor­ AX l"Oc',alo6X


us
mal de dura�'\o, o problema fundamental continua a ser a sua F\'l(uh,a'60C"la
.:�.._, "'\.
vulnerabilidade a a,11.o do fogo.
ProparacAo o oxOCUCOOdas soldagons sogunCIO o Rogulamonto do
Relarivameme as suas caracreri'sticas meciimcas, a madeira su­ Estruturasdo/v:;opara EdiUcios (art(I 26 a37, 60. 65NP 1515) o cum·
pnmootociasrooomooelaQOesclO EUA.OCOOE 3sobre exoou¢Ao eoon·
porta defom,a,oes relarivamenre grandes, principalmente se trOIOde quali<W.10.
comparadas com as deformacoes a que a pedra resiste antes
Obsofv�: Satvo inelical;oos nos d900llhos do projoto, d8Vom utili·
de atingir a ruptura. zar·so corcloos com 0.7 da ospossura CIO Olomonto mais tino a soldar
nasjuntasdo Angulo, oo de ponotra� total nas juntas do IOpc>a copo.
Quai>do solicitada segundo a dire,;ao das fibras, resiste de forma
aproximadamente igu"I aos esfo,.os de tra�oes e aos esfor�os
FIGURA 9.34 Tipo de legend::i sobre especifiCO:'r5o da$ lig:J'r0e$ dos ele·
de compresslo. mentos estru1urais em estruturas me:t31icas retieuladas.
Quando solicirada normalmeme (perpend1culam1enre) 11.s fi­
bras, as resistencias a compress11.o ea rra,llo sllo diferentes entre
si e ambas coi>sideravelmente menores do que no caso de ser
sujeita a uma a,11.o longitudinal. pen11ite tambem a geraqa.o de moclelos geometricos e sua visua­
�zaCl[o tridimensional em fases ooi>Strutivas (Figura 9.35 b e c),
Esta diferen,a de caracterfsticas mecanicas segundo a direcllo
bem como Cases finais da edifica�o a execurar (Figura 9.36).
da a,ilo atuante e desigi>ada :misotropi:i.
Esta possibilidade assume ainda maior interesse no caso de
9.4.1.3 Estruturas metalicas esrruturas especiais, em geral de carater publico (Figura 9,37).
Como ja foi referido, o processo pode ser simulraneo a repre­
As estruturas metalicas sao formadas por elementos de a,o la­
mirlado, geralmente chapas ou perfis lamirlados, ligados en­ semaqio das projec;Oes ortogonais que fonnalmente con stiru­
tre si por meio de rebites, parafusos ou soldagem, segundo em o projeto> ou, confonne a renclencia arual. o processo de
especifica,oes a defini r caso a caso (Figura 9-34). desenho consiste na modela¢.!.o rridimensional, a partir da qual
sao geradas as visras desejadas - plantas e visras na conformi­
A Hga¢io dos diversos elernentos mer:il1cos - barras ou perfis dade da representaqao e apresenta,;ao formal dos projetos.
laminados, podendo ainda porcombina,1o entre si (soldagem
ou a!)<lrafusamenro) dar origem a ourros perfis, ligados uns
aos outros pelas extremidades, em pontos designados n6s da
9.4.1.4 Estruturas de concreto armado
estninira -pennite constituir esrrunuas metilicas, em geral do 0 material estruniral mais utilizado an,almenre i>a coi>Stru,10
ripo reticulado (Figu:ra 9-35 a), cujos projetos tambem se e o concreto.
aprcsentam segundo os conceitos de proje�Oes geomerricas
A argamassa de cimcnto e uma mistura de areia, cimento c 3gua
planas no imbito do desenho tcknico.
em propor(:Oes adequadas. Se atem destes elementos a m1stura
Tai como ao nivel da elabora,;ao de projeto de arquitetura, a oti­ incluir tambem pedra, com dimensOes e dosagens convenien­
liza¢.!.o de sistemas Ct\D, alem do desenho a duas dimel1S3es, tes) o material .assim obtldo passa a constituir-se concreto.
208 Capilufo !Vove

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FIGURA 9.35 a) Vista parcial da vista prin·
cipaJ deuma e$1ru1ura me131iea reticulada:
b) Modelogeometriootridimensional; c) Oe­
talhe de liga�ao (repro<l.i�o au1orizada).

FIGURA 9.36 Vi&ualiza(:3o do modelo


tridimensional de uma edificaf50 indJstri·
al (rep,odu�o autorizada).
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 209

FIGURA 9.37 VisuaJizaf,5.o 30 do modefo geometrico de uma ponte metalica (reprodJf?o autorizada).

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--
--
FIGURA 9.38 Solici1ai;Oes numa pe� de concreto armada.

O concceto, no momento em que e fabricado, e fiuido e pode ser are.1s <las se,oes das barras a considerar) confornie o numero
Ian.ado em qualquer molde ou recipieme, adaptando-se a sua de barras cos di3.metros das suas s�e>es - gradualmcnte varii·
forma. Passado oerto tempo, faz pega e endureoe, comportan­ veis em confom1idade com a varia�ao do valor dos esfor.;os a
do-se entao, do ponto de vista da resiStCncia, de rnodo anilo­ que os elemenros estrururais estario sujeitos, como tambem a
go a pedra. Porranto, res1ste bem aos esfor<;os de compres­ m3o-de-obra de corte, dobragem e coloca,ao <las barras no
sao, e mal aos de tra�o. interior <las pe,as de concreto armado, quando d a sua
moldagem, fica inquestionavelmente mals facilitado do que se
A coloca�ao de a90 nas pe.;as de concrete, nas zonas que fi.
a configura�ao dos elementos de a�o. em vez de ser 3. base de
cam sujeitas a tra¢o(Figura9.38), permite toma-las resistentes barras, fosse ourra.
tamb�m aos esfor� de tra<;3.o, obtendo-se assim um material
heterogeneo - o material concrcto annado, mas de alta resis­
tcncia, quer a tra¢o quer a compressao, bastante trabalhavel 9.4.1.5 Pe�as deseohadas em projetos de
e econ8mico relacivamente a outros materiais com id�micas estruturas de coocreto armado
fun.oes. Atualmente e frequente a utiliza�o de estrun1ras de concreto
0 as<>, a ser colocado n.as zonas que, devido ao efeito <las a�oes armado. Neste caso e necessiria a constru,lo de um molde
sobre os elementos consriruintes das estniruras de concreto (fom,a), geralmente em madeira, destinado a conter o con­
armado - normalme nte, lajes. vigas e pilarcs - ficar3.o creto e a perrnitir a correta coloca�ao da arma�ao.
traclonadas, � em geral sob a fom1a de barras. 0 conjunto de
A fOrma e poster1on11enre retirada ap6s a pega do concreto -
barras que se utiliza no concreto armado designa.se aro,�o.
rea(:io qulmica do cimemo coin a igua durante o processo de
Com a uriliza,3o de barras, nll.o s6 se permite obter sucessiva­ evapora¢o desta, que confere ao concreto o endurecimento
mente areas de arma�o - areas das se,oes de a� (soma das que lhe faz conferir a designa¢.io de pedra artificial. Assim e
210 Capilufo !Vove

necessario, para cada esrmtura de concreto am1ado, fomecer sapatas), indicando a constituiqio. a fonna e a locaHza�ao das
dois tipos de informa�[o: arma,ocs, desrinando-se a fornecer aos am1adores de ferro (�o
se denomina armadorcs de barras de a�o) indica�Ocs para o
• Os desenhos definidores da estrurura ou desenhos de mol­
corte, dobragem e montagem <±ls barras.
de, que representam a forma exterior final da estrurura e
destinam-se aos carpinteiros que constroen1 a fOrma. 0 cri­ Utilizam-se em geral, as escalas 1:20 e 1:10.
t�rio de cotagem nestes desenhos deve ter em conta este
processo construrivo. 9.4.t.6 Desenhos definidores da estrutura:
• Os desenhos consti tuintes do projeto de estrutura de con­
creto armado dever:n incluir logo no infcio um outro dese­
esquemas estruturais
nho especialmente importante - o esqucma estrutural. A Os desenhos definidores da esrnin,ra, ou desenho de molde,
cscala mais correntc e 1:100, mas tambem podem ser usa­ representam as fom1as eA"'temas dos elementos de concreto
das as escalas 1 :SO ou 1 :200. armada sem acabamento.
Autentico mapa da disposi¢,lo e liga¢o dos varios elementos Na Figura 9.39 apresenta-se a planta da estrurura do pavimento
estn.m.irais, desrina-se, pois, a apresentar o modo como todos de um edifrcio.
esses elementos estruturais deverao se ligar e a referenciar cada
A esta vista corresponde um corte em planra, feito acima do
um deles.
pavimen10, de forma que os pilares representados que esta­
E a partir dessa referenda que se idenrifica a representa�o em belecem a contmuidade para o piso superior se apresentem
detalhe, em geral contida em ourro desenho, da sua configura­ como elementos cortados, e que as arestas das vigas desse
¢0 geometrica detalhada, a disposi¢.io e configura¢.io geometn­ pavimento (isto e. imediatamente abaixo e que o suportem)
c.a das am1a�s e a respectiva cotagem, sejam convencionalmente, e no 3.mbi10 do desenho de estru­
turas, representadas a tra�o chcio (e nao a tra�o interrompi•
Os desenhos dos dementos estruturais, ou desenhos de arma•
do 1 embora se trate de aresras invislveis).
¢es, corrcspondem, do ponto de viSla do desenho tecnico, �
reprcsenta¢io de cortes longitudinais e transversais e de se�s Com efcito, nos termos das conven¢es do desenho t&:nico,
rransversais das varias � de concreto armado (Jajes, vigas os contornos das vigas deveriam ser representados a tra� in­
e pilares e/ou 1>6rticos1 OlW'OS e/ou paredes resisteotes e terrornpido, dado que sJo arestas invislveis.

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FIGURA 9.39 Refer�ncia dos elemeotos es1n.i1urais num projeto de ooncreto armado.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 211

Tal nao � adotado, pois. tornaria morosa a representa�?io - prin­ indicada escrevendo-se c = x. sendo x, a cspessura da laje
cipalmente se por processos de desenho tradicionais - e so­ em metros. aproximada ate os centfmetros.
bretudo a posterior leinura. Por outro lado, a nao nec(!ssidade Junto das designa�oes dos pilares e vigas e tambem possivel
de representa�o de outras arestas q ue induzissem a simulta­ indicar as dimensoes das suas se¢es sob a forma de um pro­
neidade de arestas vislveis permite adotar uma representa�Jo duto de dois nUmeros a x b, sendo o segundo n(1mero (no caso
com todos os tra,os a cheio, que se pode considerar corres­ das vigas) a altura total medida desde a face superior da laje.
pondente ao que seria o aspecto de uma vista por baixo do
pavimento, devendo todos os elementos ser referenciados. Por vezes, nas plantas dos desenhos e de forma a tornar a re­
presenta¢o mais explfcita. as "'Sas podem ser sombreadas.
A referenda dos elementos consiste ern arribuir designa95es
aos pilares e vigas e e i nscrita geralmente junto dos elementos Um tipo de representa<;3.o, especialmeme para o esquema es­
a que dizem respeito, utilizando-se linhas de referencia, se trutural em que o principal objetivo e explicitar o modo como
necessiirio. os varios elementos estrun,rais se ligam, atraves da sua refe­
rencia exaustiva, e a forma apresentada na Figur:, 9.40.
Os pilares pod.em ser represemados de duas formas diferen­
tes. Se os pilares tiverem continuidade para o piso superior. Esta representa¢,i.o e suficiente para localizar todos os elemen­
escurece-se toda a se,llo (l'igura 9-40). Se os pilares existi­ tos estruturais a serem detalhados nas restantes pe<;as dese­
rem apenas para baixo do pavimento representado, desenha ­ nhadas que integram o projeto estrutural de concreto armado.
se apenas o contorno da s�o comum a tra� mais grosso do A ninda¢o dos pilares e, em geral, constin,ida por sapatas de
que o correspondente ao contomo das vigas e lajes. concreto armado.
As designa¢es das lajes sao indicadas dentro de uma peque­ Para locallzar as funda�Ocs dos v3.rios pilares da estrutura e
na circunfel'encia desenhada a tra�o fino localizada no centre necess3.rio recorrer a uma plall'.ta de funda¢es, como a que
da laje. No caso de haver setas em duas dir�oes on-ogonais, se apresenta na Figura 9.41, con-espondente a estrutura do
rrara-se de uma laje annada em cruz. A espessura das lajes e piso representada na Figura 9.40.

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FIGURA 9.41 Planta de tunda9)es.

A cotagem de localiza�ao dos pilares e das respecrivas funda­ presentar nos desenhos tanto em corte transversal como lon­
�oes faz-se mediante a indica�o da distiincia entre os respec­ ginldinal.
tivos eLxos e tambem entre os pr6prios elementos estruturais,
Os ganchos na extremidade das barras, que se destinam a
que, neste CISO, sll.o as sapatas e os pilares.
aumentar a sua aderencia ao concreto, ,em as dimenSOes de
acordo com a classe do a�o e s3.o definidos no regulamento
9.4.1.7 Deseohos dos elemeotos estruturais referido. Note-se, no entanto, que sendo atualmente freq-Oente
Os desenhos dos elem:entos estmturais, que, como se refer,u,
a urilizac;ao de barras netvt1radas nas arma¢es, e dispensavel
a execu�.ao de ganchos nas e.x1:remidades, procedendo-se a sua
correspondem a rcpresentac;Oes em corte, cm geral por pia­
nos verticais, longin1dinais ou transversais, (caso das lajes) e represenrac;ao como se indtca na Figura 9.42.
se<;oes longitudinais e transversais, respectivamente por pia­ 0 modo de indica�ao dos grup,os de barras representados no
nos de frente e por pianos de perfil (caso de vigas), e por pianos ambito das pe�as de concreto armado em que se inserem (Fi­
de nivel (caso dos pilares), devem ter todas as informa9oes gur:, 9.43) e o seguinte:
sobre a geomerria do r.espectivo elemento e sobre o mlmero,
diimetro, localii.ac;ao, �spac;amentos, amarra.-;ao e dobramen­ n0dXL.A.
to das barras que constiruem as arma¢es. que signif1ca 11 barras de diftmerro d (em mm) e comprimento
A qualidade do concreto e do ac;o bem como os recobri­ L (em mm) de a�o da classe A ... indicada na legend a do res­
mentos utilizados devem ser indicados nas pe�as desenha­ peclivo desenho.
das, sendo estes valores definidos de acordo com o "Regu­ 0 comprimento Le un1 cornprimento total, incluindo ganchos
lamento de Estniniras de Concreto Armado e Pre-esfor�a­ quando houver, e indicado quando o projeto especificameme
do" vigente.
o exige. A classe do a� s6 e inscrira quando existe na mesma
As barras das arma�0es. de se¢o circular, tc?m difimetros nor­ pe�a mais do que uma qualidade de a�o. caso contdrio essa
malizados (ver Anexos) expressos em mm, devendo-se re- informa¢.io sera mclulda na legenda do desenho.
Desenbo Tecnico em. PJ·ojetos de Arqu.iletura e de Engenbana Civil 213

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FIGURA 9.42 Represen1a�5.o de armo.�es. em desenhos de projeto, de elementos de concreto armado: vigas.

Como, em geral, nao se requer a espccifica�ao do comprimen­ Quando uma arma¢.io e constitufda por virias barras iguais
to, indica•se apenas: (Figura 9,44), dispostas paralelamente, a designa,ao geral
n0d pode ser feita por uma das duas fon11as seguintes:
n 0 d p.m.l.
Os criterios de rotagem de desenhos de arma,oes em elemen­ 0 d // Ll
tos estruturais de concreto amiado e sua designa�ao e os modos
mais comuns de apresema,10 de conjuntos desses eleme1>tos sendo, no primeiro caso, no nUmero de barras por metro li­
sao ilustrados nas figuras seguimes. respectivamente para vi­ near (p.m.L) e, no segundo caso. Ll, a eqti1distincia entre
gas (Figura 9,42), pilrures (Figura 9,43) e lajes (Figura 9,44). barras.
Assim, por exemplo, na viga V3 da Figura 9.42, existe uma A indica,ao de L pode ser suprimida nas condi,oes ja referi­
arma�o de tres barras de diametro 12 mm. das. o simbolo // i1>dica a eqilidistancia enrre as barras e pode
214 Capilufo !Vove

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FIGURA 9.43 Oesenhos de detalhes de concre1o armado: mapa de pilares e muro de supor1e.

ser substirufda pelo sfr:nbolo;: quando se trata de uma malha. senha-se apenas um tipo de barra de cada camada da arma­
e,
isto barras equidistantes segundo as duas dire<;oes perpen­ �ao. indicando, atra ves de linhas de referenda ou diretamen·
diculares. te sobre a barra, o di:imetro e o correspondente afastamento,
ou entllo o numero de barras por metro (Figur:t 9.45).
Pode-se escrever"0d// Ll ou"Li XL., tratando-se, no pri­
meiro caso, de uma malha quadrada com as barras a disrancia No caso das sapatas, cujo dimensionamento se rege pela rda·
L, (frequente em malhas de arma,11.o de lajes (Figura 9.44); ,:1.0 entre a capacidade de carga do terreno e a ayllo que lhe
no segundo caso, de urna malha retangular com barras distan­ e transmitida pelos diversos elementos estrururais (em geral,
tes de um valorL. num sentido e de un, valorL, no outro. Assim: os pilares e pare<:les da estrurura) (Figura 9.46), as pe,as de•
n0d; n0d p.m.l.; 0d//L,. senhadas devem obviamente deftnir todos os aspectos de
detaU1e da sua geometria e das respectivas anna�Oes, sendo
e no caso de malhas quadradas: referenciadas em rela¢.!o a planta de funda¢es.
0d//L,x L,; OU 0d//L., seL, = I-, Por vezes, e dada a serrielhanya de geometria emre um con­
Antes des1as designa¢es, pode-se acrescentar outra designa­ junto de sapatas, e comum a apresenta�ao de uma sapata-tipo
,ao a narureza ou fun,;llo da arma,llo. Estao, neste caso, por acompanhada de um quadro q-ue inclui todas as sirua�oes.
exemplo, as designa�&es para os estribos das vigas e as cintas Nao e comum a inclusao de esquema para dobramemo das
nos pilares (Figura 9.42 e Figura 9.43). barras. Recomenda-se, conrudo, esta pratica no caso de pesas
A indica�ao do comprimento total das barras interessa para com arma¢es cuja dobragem seja menos habitual.
que o armador de ferro possa cort:1-las com comprimentos Cabe ainda refcrir que, quando se pretende executar arma¢es
adequados. No entanto, de necc:ssita tamb�m de indica�Oes longas, e geralmente necessario ac,escentar as barras, sendo
pa.ra poder dobffi.tas convenientemente. Por isso, devem ser neste caso indlspensavel prever uma sobreposi�lo e amarra·
desenhados esquemas. relativos � forma de dobrar as barras, _.o numa extenslio que esta regulamentada (ver RE6AP) em
que podem ser inclufdos nos pr6pnos desenhos de am1a�oes. fun¢.lo do diametro da barra e das classes de a�o e do concre­
conforme se apresenta. na Figura 9-45, ou faze-los constar de to, sendo tambem importante a cotagem dessas sobreposi¢es.
uma lis1a que inclua essas inforrna<;oes.
Finalmente, apresentam-se ainda exemplos de pesas desenha­
E o que acontece, em geral, quando se recorre a representa­ das integrantes de projetos de estabilidade em concreto arrnado
,llo em planta das anna,oes de lajes. Estas nom,almeme sllo que, pela configum¢o e geometria especificas da estrurura cm
constin,idas por conjuntos de barras iguais e eqUidistantes, de- questao, sao apresentados sob a fonua de um desenho de con-
216 Capílufo Nove

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FIGURA 9.45 EGquema de dobramento de armações (no âmbito da iepre&entação de uma laje em planta).

jun10, ficando explícitos os modos de ligação dos vários elemen­ vidades cuja seqüência e articulação estabelecerão o processo
tos estruturais (Figu.-a 9-47 e l'igu.ra 9.48) que os oonstituem. construtivo que oonduz à realização da respectiva obra.
Observa-se, no entanto, que, numa utilização racional e cor­
9.5 O DESENHO DE PLANIUAMENTO DE reta dos sistemas CAD, o concelto de bloco, além das suas
OBRAS DE ENGENHARIA CIVll. funcionalidades do ponto de vista da elaboraçâo do projeto,
pode ser associado a etapas ou atividades susceptíveis de se­
O bom desenvolvimento de um projeto de engenharia está ine­ rem consideradas em si mesmas autônomas quer pela sua
vitavelmente relacionado com o processo de planejamento de­ especialidade e pelos meios envolvidos, quer pela fase em que
vidamente cuidado em que cada atividade é estabelecida num surgem no desenrolar da obra.
momento exato.
Assim, do ponto de vista do plan<:jamento, as vãrias ativida­
O registro e representação de üúom1ação referente ao processo des podem equivaler aos próprios blocos estabelecidos no
de planejamento e evolução em projetos e obras de engenharia âmbito da utilização do sistema CAD na fase do projeto.
civil, constitui-se em geral de diagramas lógicos e gráficos de
Blocos, enquamo sistemas fundamentais em sistemas CAD, e
barras, gerados por software de plar,ejamer,to e gestão de obras
atividades, enquanto conceito de planejamento, podem, pois,
(Figura 9.49 e Figur:, 9.50). No entanto, esta informação cons­
relacionar-se de forma biunívoca.
titui-se de leitura especffica e de percepção não imediata.
De modo análogo. se no processo consrrutivo é possível dis•
Com efeito, a informação alfanumérica, produzida recorren­
tinguir os trabalhos da estrurura, das paredes, das redes, dos
do-se a sojlwa,·e de planejamento, se ligada a sistemas CAD,
acabamenros, etc .• e se relativamente à estrutura é possível
pode permitir a representação de sucessivos modelos geomé­
distinguir os pilares e as vigas como elementos independen­
tricos do projeto em curso. Estes modelos (em 3D e em 2D),
tes, também do ponto de vista cio planejamento cada um des­
variáveis nas suas configurações e colorações em conformi­
dade com os sucessivos estados de desenvolvimento do pro­ tes elementos pode ser identifi<:ado como uma atividade au­
jeto, são de mais fácil visualização e, por conseguinte, de lei­ tônoma.
rura mais ampla e ii'nediata. Se toda a estrutura. cada dos seus elementos - vigas, pilares,
etc. um a um - ou conjuntos de elementos afins (pilares, p.
A aferição e o controle da evolução da execução de uma obra
face a um dado planejamento previsto podem, deste modo, ex.) deve oonstiruir-se como uma atividade, depende do nível
se tomar mais eficazes., porquanto ,nais freqtientes1 e de ,nai­ de detalhe em conformidade com a dimensão do projeto para
or clareza. o qual se pretende estabelecer um dado planejamento e con­
trole. No r,ível do projeto, este aspecto deve ser logo oor,side­
rado.
9.5.1 Projeto e Planejamento
O projeto - conjunto de peças desenhadas que se articulam
A utilização de sistemas CAD como apoio ao projeto nas suas para a identificação inequívoca de uma dada configuração a
fases de criação e de produção é, em geral, considerada de ser construída-, por sua vez, em conformidade com os mate­
modo plenamente independente e autônomo das diversas ati• riais utilizados, não é mais entendido como apenas um con-
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220 Capílufo !Vove

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FIGURA 9.49 Gráfico de barras de planejamento de atividades de uma obra.

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FtGURA 9.50 Gráficos de planejamento e inácadores de decisão no âmbito da gestão de p,ojet0$.

junto de traços independentes, rnas entidades geométricas, ou Estes blocos podern (devern), assim, ser identificados como
mesmo conjuntos de entídades, constituindo blocos, susceptí· as atividades definidas pelo planejamento, atividades que são
veis de corresponder às diversas e sucessivas fases do proces• em si mesmas os sucessivos passos para controle e observân·
so construtivo. eia do processo construtivo ()'igu ra 9-Sl).

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F1GURA 9.51 O processo projeto-planejamento-obra.
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Desenho Técnico em. PJ·ojetos de Arquitetura e de Engenbana Civil 221

9.5.2 Um Modelo Geométrico, do Ponto Assim, por exemplo, se o modelo geométrico de um edifício
de Vista do Sistema CAD se constitui como uma "bela" torre de vidro de quarenta pi­
sos, para o gestor de planejamento tal modelo só existe no
Se os blocos no âmbito do projeto são identificados com a res­ último instante do processo construtivo.
pectiva atividade de planejamento, então a atribuição de um Com efeito, para o gestor do planejamento, o primeiro mode­
código, o mesmo código que identifica as atividades, pode lo geométrico pode constituir-se o conjunto das fundações do
rdacionar diretamente o bloco como um elemento do mode· edifício. Outros modelos podem corresponder às sucessivas
lo geométrico estabelecido no âmblto do projeto. Simultanea. configurações geométricas do edifício com dois, se1e ou vime
mente, a sua afinidade com uma atividade de planejamenro pisos, com ou sem paredes, com ou sem as redes de tubula·
corresponde , por sua vez, a um dado estado do processo cons­ çã.o, etc.
trutivo.
Deste modo, afigurar-se-á possível apresentar simultaneamente
Isto significa atribuir aos blocos de um modelo geométrico có­ para cada um destes modelos através de três diferentes cola­
digos alfantiméricos - os mesmos códigos atribuídos às ativi­ borações. pelo menos três estados principais referentes às ati·
dades de planejamento. Deste modo é possível estabelecer uma vidades: concluído, em ct<rso, planejado.
base de dados de códigos ligada ao modelo geométrico.
Uma seqüência de sucessivos modelos geométricos de con­
Nestes tem1os, toda a base de dados de planejamento pode fom1idade com sucessivas datas, por sua vez referenres a cada
ser associada aos blocos definidos no modelo geométrico atra­ planejamento gerado, pode constituir o que designaremos
vés de um código comum - o código de atividade, atribuído como o conceito de modelo geométrico dinâmico de pla,1eja­
ao bloco (Figura 9-52). mento.
Qualquer iruormação constante nos outros campos da base
de dados do modelo d,e planejamento, ou mesmo o resultado 9.5.4 Uma Aplicação de Software,
de quaisquer operações sobre campos da base de dados, relatt­
vamente a cada registro, pode ser refletida graficamente (por
Gerador de Modelo Geométrico
exemplo, variação de cor no modelo geométrico) nos blocos que Dinâmico de Planejamento
o constituem e que se identi.ficam com as diversas alividades.
De acordo com os procedimentos descritos, foi desenvolvido
um gerador de modelos geométricos de planejamento por
9.5.3 O Modelo, Geométrico do Ponto de integração das aplicações de software Primavera"' e AutoCAD'".
Vista do Planejamento - Um Modelo A aplicação assim desenvolvida, ern C+ + 1 consritui·se urna
Geométrico Dinâmico interface de ligação destes dois :sistemas e é suscep1ível de ser
utilizada a partir do ambiente AutoCAD.
Do ponto de vista do planejamento, o modelo geométrico
inicial (em 2D ou 3D) do projeto é apenas o óltimo instante
No nível da aplicação assim consutuída foram ainda disponi·
bilizadas funções de manipulação, possibilitando diferentes
no processo de planejamento, na medida em que o planeja­
mento se constitui como um processo dinâmico, gerador de visualizações para cada modelo geométrico de planejamento
gerado e uma preparação rápida de leiaure para impressão.
sucessivos modelos geométricos corresponden1cs às diversas
fases c, por conseguinte, diversas configurações (geométricas) No âmbito da utilização desta aplicação, interessa considerar o ar­
da obra. no tempo: quivo de planejamento em fonnai:o ASCO (arquivo '.PRN, no caso
do Primavera), gerado pelo scf/,IXITIEde planejamento (Figura 9-53).
Um modelo em cada i1>Stante (cada data date), relativamente à
dara em que o planejar:nento foi gerado (cada da1a deplaneja­ Cada registro contém o código de atividade, a sua descrição e as
me/Uo), para a data (o lime now) em que o gestor entender daras early sum I late stan e earlyftnis/J I latefinish para cada
verificar. atividade.
Cada um dos modelos gerados para os instantes assim refe­ Por sua vez. o rnodelo geométrico no âmbito da elaboração e
renciados constitui o modelo geométrico de um dado estado desenvolvimento do projeto deve constituir-se com a justapo­
do processo construtivo de uma dada obra. sição correra e adequada de sucessivos blooos,


Ativie!.l<lé Dascrição E.ARLY EARlY
START FINISH

8008601050 Fundtçé&s 90CT90 160CT90


8008602060 Pibres 5..IAR'91 8MAR91
8008603170 Vigas 5JUN91 7JUL$1
8008603270 La'.e-1 3SEP92 5SEP92

FtGUAA 9.52 Ligação de bocos


l de modelo geométrico e da base de dados de planejamento.
222 Capílufo !Vove

GABINETE 00 PORTO E OA PONTE PRIMAVERA PROJECT PtANNER NQ,,a Pon10 Macau·Tatpe


REPORT DATE 11JUN91 RUN NO. 53 START DATE 18JAN90 FIN DATE 31DEC9(l·
LISTAGEM DAS IDENTIF.'13LOCOom AO PM-TP2 DATA DATE 31DEC94 PAGE NO. 1
ACTIVnY ORIG REI.I ACTIVnY OESCAIPTION EAALY EARLY
IO DUA DUA % STAAT FINISH
80086010SO O 100 ESTACADA MACAUIE0211:STACAS -CAAVACAO 290CT90A 300CT90A
8000602000 O 100 ESTACADA 14ACAUIE02/TAAVESSA •EXECUCAO 5MAR91A 8MAA91A
8000603170 O 65 ESTACADA 14ACAUIE02JM.TAB.MACAU ·COLOCACAO SJUN91A 7JUL91A
8000603270 O O ESTACADA MACAU/E021M.TAB.LAOO HK ·EXECUCAO 3SEP92A 5SEP92A
8000701050 O 100 ESTACADA MACAUJP087/ESTACAS ·CAAVACAO 5NOV90A 6NOV90A
8000702000 O 100 ESTACADA MACAUJP087/TAAVESSA ·EXECUCAO 121.1AA91A 15MAR91A
8000703170 O 54 ESTACADA MACAUJP08711.1.TA8.14ACAU ·COLOCACAO 15JUN91A 17JUL91A
8000802060 O 98 ESTACADA MACAUJP088/TAAVESSA ·EXECUCAO 3JUN91A 14JUN9 IA

FIGURA 9.53 Exemplo·tipo de arquivo PRN.

Para cada bloco deve então ser atribuído o mesmo código da Além do mais, foi ainda considerada a poosibilidade de apresenta·
a1ividade de planejamento considerado quando do estabele­ ção de s1lhuera da configuração geométrica global do projeto, que
cimento de modelo de planejamento correspondente. é apresentada em cor cinza. Esta funcionalidade revela-se de apre­
ciável interesse quando, para a representação de um <belo mo­
A aplicação dispõe de uma interface própria para esta ação: o delo de planejamento, se pretende apenas um dado ripo de ati­
usuário seleciona um bloco através de um clique ou pelo nome vidades - qual seja, a rede de abastecimenro de água de um edi­
desse bloco. Uma janela abre-se e solicita o preenchimento fício, por sua vez referente a um dado estado de desenvolvimento
do código. - por ex:ernplo, concluído, por conseguinte com uma mesma cor.
Para cada atividade (cada registro) é definido o estado de de­ F.sta apresentação teria apenas um conjunto de traços sem qual­
senvolvimento em relação ao calendário, com base num dado quer ilustração ou indicação quanto ao seu enquadrarnento e
lime 110w escolhido. O estado da atividade será do tipo con­ localização na configu ração do edifício.
cluída, em curso ou planejada. Finalmente, a aplicação altera
o layer / e a cor do bloco confonne o estado calculado. A silhueta do edifício ou da parte do edifício, conforme o in­
teresse do utilizador por todos ou apenas alguns dos blocos
A interface da aplicação permite ainda a visualização de um, constituintes da configuração do edifício, estabelece deste
dois ou de todos os estados de desenvolvimento do modelo modo uma referência indispensávd à observação e percep­
seornétrico de planejamento, para cada lime now considera­ ção do estado de uma dada atividade, neste caso a rede de
do ou para cada data daie, de cada data de planejamento con­ abastecimento de água ()'igura 9,55).
siderada (Figura 9.54).
Sobre os modelos geométricos de planejamento, podem tam­
Além disso, foi ainda considerada a possibilidade de apresen­ bém ser gerados processos de re11deri11g para maior eficácia
ração de silhueta da confih'llração geomérrica global do proje­ de visualização dos estados da obra, segundo um dado ponto
to, que é apresentada em cor cinza. de vista, em cada momento de um dado planejamento.

FIGURA 9.54 Operação de visualização de um dado es1ado de evolução FIGURA 9.55 ObseNação da rede de águas integrada na configuração
de um proieto. do respectivo edifício.
Desenho Técnico em. PJ·ojetos de Arquitetura e de Engenbana Civil 223

F1GuRA 9.56 Visualização de um modelo geométrico


de planejamento (obra executada em cor escura. obra
em cur&o em oor clara).

REVISÃO DE C0J\"HEOMENTOS
1. Quais as escalas mais utilizadas em desenhos de projeto de 4. Quais as vantagens no projeto de arquitetura e de enge•
arquitenua e em que tipos de situações são mais comumen.te nharia civil por se recorrer aos sistemas CAD, face aos pro­
utilizadas cada uma delas? cessos tradicionais.
2. Idem em desenhos de projetos de edificações, no âmbito 5. Quais as peças desenhadas ou conjuntos de peças desenha­
da engenharia civil. das, fundamenlais no projeto de estabilidade de uma edificação.
3. Indique que particularidades gráficas caracterfaam a cotagem 6. Quais as vantagens de constitulção de modelos geométri�
em desenhos de projetos de arquiterura e de engenha.r1a ci­ cos de planejamento em complemento dos gráficos de
vil, face aos critérioo gerais de cotagem em desenho técnico. barras (cronograma de atividades) comurneme utilizados.

CONSULTAS RECOMENDADAS

• Ferreira, F. e Santos, J., P.rogramaçil-0 em • Gorewich, O. and Gurewich, N., (1994),


AutoC.4D- Ci,rs::, Compll!to, FCA (2002). Masrer Visual C++ 1.5", SAMS Publishing,
• AutoDesk, lnc. 0995), Customizing Auto­ Indianapolis, USA. �
CAD, Sausalito, California, USA. • PRIMAVERA User's Manual (1995), USA.
• Ribeiro, Carlos Tavares et til (1996) Con-
ceber e representar com AutoCAD, McGraw Hill. Lisboa.

PAIAVRAS-CHAVE
abastecimento de água fundações
ações janelas
águas lajes
concreto an11ado madeira
CAD modelo geométrico de planejamento
CAf pedra
chaminé pilares
cobern,ras planejamento
cronograma escadas portas
drenagem redes de instalações
elevadores sapatas
equipamento interior spri11kler
esquema estrntural vigas
estruturas