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ATO ADMINISTRATIVO

Ato Administrativo

Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da administração pública que,


agindo nesta qualidade, tenha por fim imediato resguardar, adquirir, modificar, extinguir e
declarar direitos ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. Somente o agente
público competente pode praticá-lo, sendo prerrogrativa exclusiva deste.

Brasil

1. Na Administração pública brasileira, um ato administrativo é o ato jurídico que concretiza o


exercício da função administrativa do Estado. Como todo ato jurídico, constitui, modifica, suspende,
revoga situações jurídicas. Em geral, os autores adotam o conceito restrito de ato administrativo,
restringindo o uso do conceito aos atos jurídicos individuais e concretos que realizam a função
administrativa do Estado. O ato administrativo é a forma jurídica básica estudada pelo direito
administrativo.

Para José dos Santos Carvalho Filho, o ato administrativo é a exteriorização da vontade de agentes
da Administração Pública ou de seus delegatários que, sob regime de direito público, visa à produção
[2][3]
de efeitos jurídicos, com o fim de atender ao interesse público.

Segundo o Professor Hely Lopes Meirelles, " o ato administrativo é toda manifestação unilateral de
vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir,
resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos seus
[4]
administrados ou a si própria."

Já para Celso Antônio Bandeira de Mello, o Ato administrativo é a "declaração do Estado (ou de
quem lhe faça as vezes - como, por exemplo, um concessionário de serviço público), no exercício de
prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurídicas complementares da lei a título de
lhe dar cumprimento, sujeitas a controle de legitimidade por órgão judicial."

Condições De Existência

 A administração pública deve usar de sua supremacia de poder público para a execução do ato
administrativo. Todo ato administrativo é ato jurídico de direito público. Há atos da Administração que
não são atos administrativos em sentido estrito, pois a Administração também pode praticar atos
de direito privado. Os atos de direito privado praticados pela Administração estão na categoria
dos atos da administração, mas não na categoria dos atos administrativos.

 Mantenha manifestação de vontade apta;

 Provenha de agente competente, com finalidade pública e revestido na forma legal;

Elementos ou Requisitos dos atos administrativos

Dizem respeito aos requisitos para a validade de um ato administrativo:

 Competência: Conjunto de poderes que a lei confere aos agentes públicos para que exerçam suas
funções com eficiência e assim assegurem o interesse público. A competência é um poder-dever, é
uma série de poderes, que o ordenamento outorga aos agentes públicos para que eles possam
cumprir a contento seu dever de atingir da melhor forma possível o interesse público. Nenhum ato
será válido se não for executado por autoridade legalmente competente. É requisito de ordem
pública, ou seja, não pode ser derrogado pelos interessados nem pela administração. Pode, no
entanto, ser delegada (transferência de funções de um sujeito, normalmente para outro
hierarquicamente inferior) e avocada (órgão superior atrai para si a competência para cumprir
determinado ato atribuído a outro inferior). Se a competência for, legalmente, exclusiva de certo
órgão ou agente, não poderá ser delegada ou avocada.

Características Da Competência:

1. A mais importante de todas as característica desse requisito é a irrenunciabilidade, que tem


caráter relativo, e o que a relativiza são os institutos da delegação e avocação.

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2. Inderrogabilidade: A competência não pode ser derrogada, isto é, a modificação de seu conteúdo
ou titularidade não pode ser operada por mero acordo de vontades entre particulares e/ou agentes
públicos. Trata-se de uma característica de caráter absoluto.

3. Improrrogabilidade: Veda-se aos agentes públicos que atuem além da lei, ou seja, além das
competências previstas em lei. Tem caráter relativo, pois se refere ao exercício da competência
(passível de transferência através delegação e avocação) e não à sua titularidade.

4. Imprescritibilidade: As competências devem ser exercidas a qualquer tempo. O agente público é


obrigado a exercer suas competências a qualquer tempo, salvo nas hipóteses a que a lei estabelece
prazos da administração.

 Finalidade: Deve sempre ser o interesse público. É o objetivo que a administração pretende
alcançar com a prática do ato administrativo, sendo aquela que a lei institui explícita ou
implicitamente, não sendo cabível que o administrador a substitua por outra. A finalidade deve ser
sempre o interesse público e a finalidade específica prevista em lei para aquele ato da administração.
É nulo qualquer ato praticado visando exclusivamente ao interesse privado, no entanto é válido o ato
visando ao interesse privado (desde que, cumulativamente, ele vise também ao interesse público).

 Forma: É o revestimento exteriorizador do ato administrativo. Todo ato administrativo é, em


princípio, formal. Em sentido amplo, a forma é o procedimento previsto em lei para a prática do ato
administrativo. Em sentido estrito, refere-se ao conjunto de requisitos formais que devem estar
presentes no ato administrativo.

 Motivo: É a situação de direito ou de fato que autoriza ou determina a realização do ato


administrativo, podendo ser expresso em lei (atos vinculados) ou advir do critério do administrador
[5]
(ato discricionário) . Difere da motivação, que é a exposição dos motivos.

 Objeto ou conteúdo: É o efeito jurídico imediato que o ato deve produzir. Por exemplo, o ato
administrativo de demissão produz o desligamento do servidor público.

Teoria Dos Motivos Determinantes

Segundo essa teoria, o motivo do ato administrativo deve sempre guardar compatibilidade
com a situação de fato que gerou a manifestação de vontade. Assim sendo, se o interessado
comprovar que inexiste a realidade fática mencionada no ato como determinante da vontade,
estará ele irremediavelmente inquinado de vício de legalidade. É de ressaltar que sempre que o
motivo for discricionário o objeto também será.

Mérito

O conceito de mérito do ato administrativo — empregado entre os administrativistas brasileiros por


[6]
influência da doutrina italiana — traduz-se na valoração dos motivos e na escolha do objeto desse
ato, tarefas que podem ser expressamente atribuídas pela lei ao agente que realizar determinados
atos nela previstos. A conveniência, oportunidade e justiça do ato administrativo somente podem ser
objeto de juízo da Administração Pública quando o ato a ser praticado for caracterizado em lei como
discricionário.

Os atos administrativos podem ser classificados em discricionários ou vinculados. Os atos


discricionários são atos realizados mediante critérios de oportunidade, conveniência, justiça e
equidade, implicando maior liberdade de atuação da Administração. Em análise, sob o ângulo dos
requisitos do ato administrativo, competência, finalidade e forma sempre vinculam o administrador,
mesmo nos atos discricionários. Assim, apenas motivo e objeto tornam-se mais abertos para a livre
[5]
decisão do administrador no caso de um ato discricionário.

Os atos administrativos vinculados, ao seu turno, possuem todos os seus requisitos definidos em lei,
de modo que não está presente nesses atos o conceito de mérito. Nos atos vinculados, o
administrador não tem liberdade de atuação e está rigidamente atrelado ao que dispõe a lei.

A doutrina jurídica brasileira frisa a diferença entre discricionariedade e arbitrariedade. Mesmo nos
atos discricionários, a liberdade de decisão da Administração Pública fica limitada pelas balizas da

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legislação. Se a apreciação subjetiva do administrador não se ativer aos limites permitidos em lei,
[7]
tornar-se-á um juízo arbitrário e passível de questionamento.

Atributos

 Presunção de legitimidade: Decorrente do princípio da legalidade da administração, o que faz esta


presunção ser inerente ao nascimento do ato administrativo, ou seja, todos os atos nascem com ela.
Tal pressuposto faz com que o ônus da prova em questão de invalidade do ato administrativo se
transfira para quem a invoca, fazendo que o ato seja de imediata execução, mesmo arguido de vícios
que o invalidem.

 Autoexecutoriedade: torna possível que a administração execute de imediato o ato administrativo,


independentemente de ordem judicial.Existem duas exceções para a não auto-executoriedade, sendo
que umas delas é que tem que haver o processo de execução.

 Imperatividade ou Coercibilidade: impõe a coercibilidade para o cumprimento ou execução do ato


administrativo, decorrendo da própria existência do ato, independentemente da declaração de
validade ou invalidade daquele.

 Exigibilidade: coerção indireta, no Direito administrativo corresponde à multa.

 Tipicidade: O ato administrativo deve corresponder a tipos previamente definidos pela lei para
produzir os efeitos desejados. Assim, para cada caso, há a previsão de uso de certo tipo de ato em
espécie. A esse atributo denomina-se tipicidade. A lei deve sempre estabelecer os tipos de atos e
suas consequências, garantindo ao particular que a Administração Pública não fará uso de atos
inominados, impondo obrigações da forma não prevista na lei. Por igual motivo, busca impedir a
existência de atos totalmente discricionários, pois eles sempre deverão obediência aos contornos
estipulados em lei, contudo a tipicidade está presente somente nos atos administrativos unilaterais.

Procedimento Administrativo

É a sucessão ordenada de operações que propiciam a formação de um ato final objetivado


pela administração pública. Constitui-se de atos intermediários, preparatórios e autônomos,
porém, sempre interligados, de maneira tal que a sua conjugação dá conteúdo e forma ao ato
principal.

Classificação

 Quanto à supremacia do poder público

 Atos de império: atos pelos quais o poder público age de forma imperativa sobre os administrados,
impondo-lhes obrigações, por exemplo. Exemplos de atos de império: a desapropriação e a interdição
de atividades.

 Atos de expediente: são aqueles destinados a dar andamento aos processos e papéis que
tramitam no interior das repartições.

 Atos de gestão: (praticados sob o regime de direito privado. Ex: contratos de locação em que a
Administração é locatária) não são atos administrativos, mas são atos da Administração. Para os
autores que consideram o ato administrativo de forma ampla(qualquer ato que seja da administração
como sendo administrativo), os atos de gestão são atos administrativos.

 Quanto à natureza do ato

 Atos-regra: traçam regras gerais (regulamentos).

 Atos subjetivos: referem-se a situações concretas, de sujeito determinado.

 Atos-condição: são os que permitem que o administrado escolha se irá submeter-se à


regulamentação do poder público, ou seja, somente surte efeitos caso determinada condição se
cumpra.

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 Quanto aos destinatários

 Gerais: atingem todas as pessoas que se encontram na mesma situação.

 Individuais: produzem efeito jurídico no caso concreto. Ato com sujeito identificável.

 Quanto ao regramento

 Atos vinculados: possuem todos seus elementos determinados em lei, não existindo possibilidade
de apreciação por parte do administrador quanto à oportunidade ou à conveniência. Cabe ao
administrador apenas a verificação da existência de todos os elementos expressos em lei para a
prática do ato. Caso todos os elementos estejam presentes, o administrador é obrigado a praticar o
ato administrativo; caso contrário, ele estará proibido da prática do ato.

 Atos discricionários: o administrador pode decidir sobre o motivo e sobre o objeto do ato, devendo
[5]
pautar suas escolhas de acordo com as razões de oportunidade e conveniência. A
discricionariedade é sempre concedida por lei e deve sempre estar em acordo com o princípio da
finalidade pública. O poder judiciário não pode avaliar as razões de conveniência e oportunidade
(mérito), apenas a legalidade, a competência e a forma (exteriorização) do ato.

 Quanto à formação

 Atos simples: resultam da manifestação de apenas uma vontade dentro de um órgão público.

 Atos compostos: resultam da manifestação de um órgão, com aprovação de outro órgão. Dois
atos; um primário e outro secundário, sendo que este ratificará aquele.

 Atos complexos: um só ato, com manifestação de vontade de dois ou mais órgãos (vários órgãos).

 Quanto aos efeitos

 Constitutivo: gera uma nova situação jurídica aos destinatários. Pode ser outorgado um novo
direito, como permissão de uso de bem público, ou impondo uma obrigação, como cumprir um
período de suspensão.

 Declaratório: simplesmente afirma ou declara uma situação já existente, seja de fato ou de direito.
Não cria, transfere ou extingue a situação existente, apenas a reconhece. Também é dito enunciativo.
É o caso da expedição de uma certidão de tempo de serviço.

 Modificativo: altera a situação já existente, sem que seja extinta, não retirando direitos ou
obrigações. A alteração do horário de atendimento da repartição é exemplo desse tipo de ato.

 Extintivo: pode também ser chamado desconstitutivo, que é o ato que põe termo a um direito ou
dever existentes. Cite-se a demissão do servidor público.

 Quanto à abrangência dos efeitos

 Internos: destinados a produzir seus efeitos no âmbito interno da Administração Pública, não
atingindo terceiros, como as circulares e pareceres.

 Externos: tem como destinatárias pessoas além da Administração Pública, e, portanto, necessitam
de publicidade para que produzam adequadamente seus efeitos. São exemplos, a fixação do horário
de atendimento e a ocupação de bem privado pela Administração Pública.

 Quanto à validade

 Válido: é o que atende a todos os requisitos legais: competência, finalidade, forma, motivo e objeto.
Pode estar perfeito, pronto para produzir seus efeitos ou estar pendente de evento futuro.

 Nulo: é o que nasce com vício insanável, ou seja, um defeito que não pode ser corrigido. Não
produz qualquer efeito entre as partes. No entanto, em face dos atributos dos atos administrativos,
ele deve ser observado até que haja decisão, seja administrativa, seja judicial, declarando sua

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nulidade, que terá efeito retroativo, desde o início, entre as partes. Por outro lado, deverão ser
respeitados os direitos de terceiros de boa-fé que tenham sido atingidos pelo ato nulo. Cite-se a
nomeação de um candidato que não tenha nível superior para um cargo que o exija. A partir do
reconhecimento do erro, o ato é anulado desde sua origem. Porém, as ações legais eventualmente
praticadas por ele durante o período em que atuou permanecerão válidas.

 Anulável: é o ato que contém defeitos, porém, que podem ser sanados, convalidados. Ressalte-se
que, se mantido o defeito, o ato será nulo; se corrigido, poderá ser "salvo" e passar a válido. Atente-
se que nem todos os defeitos são sanáveis, mas sim aqueles expressamente previstos em lei e
analisados no item seguinte.

 Inexistente: é aquele que apenas aparenta ser um ato administrativo, manifestação de vontade da
Administração Pública. São produzidos por alguém que se faz passar por agente público, sem sê-lo,
ou que contém um objeto juridicamente impossível. Exemplo do primeiro caso é a multa emitida por
falso policial; do segundo, a ordem para matar alguém.

 Quanto à executabilidade

 Perfeito: é aquele que completou seu processo de formação, estando apto a produzir seus efeitos.
Perfeição não se confunde com validade. Esta é a adequação do ato à lei; a perfeição refere-se às
etapas de sua formação.

 Imperfeito: não completou seu processo de formação, portanto, não está apto a produzir seus
efeitos, faltando, por exemplo, a homologação, publicação, ou outro requisito apontado pela lei.

 Pendente: para produzir seus efeitos, sujeita-se a condição ou termo, mas já completou seu ciclo
de formação, estando apenas aguardando o implemento desse acessório, por isso não se confunde
com o imperfeito. Condição é evento futuro e incerto, como o casamento. Termo é evento futuro e
certo, como uma data específica.

 Consumado: é o ato que já produziu todos os seus efeitos, nada mais havendo para realizar.
Exemplifique-se com a exoneração ou a concessão de licença para doar sangue.

Espécies De Ato Administrativo

Segundo Hely Lopes Meirelles, podemos agrupar os atos administrativos em 5 cinco tipos:

 Atos normativos: são aqueles que contém um comando geral do Executivo visando ao
cumprimento de uma lei. Podem apresentar-se com a característica de generalidade e abstração
(decreto geral que regulamenta uma lei), ou individualidade e concreção (decreto de nomeação de
um servidor). Segundo Márcio Fernando Elias Rosa são exemplos: regulamento, decreto, regimento e
resolução.

 Atos ordinatórios: são os que visam a disciplinar o funcionamento da Administração e a conduta


funcional de seus agentes. Emanam do poder hierárquico, isto é, podem ser expedidos por chefes de
serviços aos seus subordinados. Logo, não obrigam aos particulares. Segundo Rosa, são exemplos:
instruções, avisos, ofícios, portarias, ordens de serviço ou memorandos.

 Atos negociais: são todos aqueles que contêm uma declaração de vontade da Administração, apta
a concretizar determinado negócio jurídico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas condições
impostas ou consentidas pelo Poder Público. De acordo com Rosa, são exemplos: licença,
autorização e permissão.

 Atos enunciativos: são todos aqueles em que a Administração se limita a certificar ou a atestar um
fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, constantes de registros, processos e arquivos
públicos, sendo sempre, por isso, vinculados quanto ao motivo e ao conteúdo. Segundo Rosa, são
exemplos: certidões, atestados e pareceres.

 Atos punitivos: são aqueles que contêm uma sanção imposta pela lei e aplicada pela
Administração, visando punir as infrações administrativas e condutas irregulares de servidores ou de
particulares perante a Administração. Segundo Rosa, são exemplos: multa administrativa, interdição
administrativa, destruição de coisas e afastamento temporário de cargo ou função pública.

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Extinção Dos Atos Administrativos

 Extinção natural (extingue-se pelo natural cumprimento do ato) ou por retirada do ato na
classificação abaixo.

 Revogação: em virtude de a administração não mais julgar oportuno e conveniente o ato


administrativo, pode aquela revogá-lo motivadamente e garantindo a ampla defesa dos interessados,
fazendo cessar seus efeitos a partir do momento da revogação. Assim, todos os efeitos surgidos
enquanto o ato permaneceu válido também o são. A revogação é prerrogativa da administração, não
podendo ser invocada por meio judicial.

 Anulação ou invalidação: se um ato administrativo possuir vícios insanáveis, deve a administração


anulá-lo de ofício ou por provocação de terceiro. Também o judiciário pode anular tal ato. A anulação
age retroativamente, ou seja, todos os efeitos provocados pelo ato anulado também são nulos.

 Cassação: extingue-se o ato administrativo quando seu beneficiário descumpre as condições que
permitiam a manutenção do ato e seus efeitos.

 Caducidade ou decaimento: ocorre a retirada de um ato administrativo se advir legislação que


impeça a permanência da situação anteriormente consentida, ou seja, o ato perde seus efeitos
jurídicos em virtude de norma superveniente contrária àquela que respaldava a prática do ato. Quanto
à nomenclatura desta extinção em razão de proibição da atividade antes permitida, os juristas utilizam
[8]
os termos caducidade (Celso Antônio Bandeira de Mello ) ou decaimento (Antônio Carlos Cintra do
[9] [10] [11] [12]
Amaral , Fábio Mauro de Medeiros , Márcio Camarosano , Régis de Oliveira e Silvio Luiz
[13]
Ferreira da Rocha ).

 Contraposição: emissão de ato administrativo, com fundamento em competência diversa da que


[14]
gerou o ato anterior, mas cujos efeitos são contrapostos ao dele )

 Convalidação: não é espécie de extinção, mas sim o processo de que se vale a administração para
aproveitar atos administrativos com vícios sanáveis, de modo a confirmá-los no todo ou em parte.
Convalidam-se tais atos pelos seguintes modos:

1. Retificação: a autoridade que praticou o ato ou seu superior hierárquico decide sanar o ato inválido
anteriormente praticado, suprindo a ilegalidade que o vicia;

2. Reforma ou conversão: o novo ato suprime a parte inválida do anterior, mantendo sua parte válida.

Observações

Os temas fundamentais envolvidos nos estudos dos atos administrativos são:

 anulação, convalidação e revogação dos atos administrativos

 discricionariedade e vinculação na edição de atos

 pressupostos e elementos administrativos.

Os atos administrativos são estudados no direito administrativo, que se encarta também na


disciplina direito do estado.

Portugal

O ato administrativo em Portugal é a expressão da Administração Pública em sentido formal,


ou seja, trata-se de um ato através do qual se manifesta a actividade da Administração Pública.
Trata-se de uma actuação pela via unilateral, para o caso concreto e representa uma segunda
forma de desempenho da função administrativa, por salomao jorge bush

Definição Jurídica

Quanto à noção de ato administrativo, segundo o artº 120º do Código do Procedimento Administrativo
―(...) actos administrativos [são] as decisões dos órgãos da administração que ao abrigo de normas

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de direito público visem produzir efeitos jurídicos numa situação individual e concreta‖.
Segundo Freitas do Amaral, é uma ato jurídico unilateral.
[15]
Segundo Rogério Soares , é "uma estatuição autoritária, relativa a um caso concreto, praticado por
um sujeito de direito administrativo, no uso de poderes de direito administrativo, destinado a produzir
[16]
efeitos jurídicos externos, positivos ou negativos" .
[17]
A Administração Pública exerce direitos e deveres, e procura satisfazer interesses de forma
autoritária ("ius imperium"). Fá-lo de forma vinculativa, imperativa e unilateral, uma vez que se
impõem independentemente da vontade do destinatário. É relativa a um caso concreto, o que o
distingue, desta forma, das normas jurídicas, já que estas são gerais e abstractas. É praticado por um
sujeito de direito administrativo, pois podem ser praticados pela Administração Pública Directa,
Administração Pública Indirecta ou Administração Autónoma. O poder de exercer um ato
administrativo (ou seja, de emitir decisões) é conferido ao órgão da administração pública pelos órgão
de soberania por delegação temporária ou permanente de competências, via diplomas legais como o
decreto-lei emitido pelo Governo ou lei emitida pela Assembleia da República. O órgão competente
então definirá como executará o ato administrativo.

Destinado a produzir efeitos jurídicos externos, repercute-se na esfera jurídica dos particulares. Tem
aspectos positivos, onde a Administração manifesta a sua vontade de forma favorável ou
desfavorável; e negativos, em que a Administração não manifesta a sua vontade, negando-se a
produzir efeitos jurídicos externos (este é o chamado "silêncio da Administração", sob a forma de
indeferimento tácito ou deferimento tácito)

Conceito De Atos Administrativos

Segundo Hely Lopes Meirelles: "Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da
Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar,
transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si
própria".

J. Cretella Junior apresenta uma definição partindo do conceito de ato jurídico. Segundo ele, ato
administrativo é "a manifestação de vontade do Estado, por seus representantes, no exercício regular
de suas funções, ou por qualquer pessoa que detenha, nas mãos, fração de poder reconhecido pelo
Estado, que tem por finalidade imediata criar, reconhecer, modificar, resguardar ou extinguir
situações jurídicas subjetivas, em matéria administrativa".

Para Celso Antonio Bandeira de Mello é a "declaração do Estado (ou de quem lhe faça as vezes -
como, por exemplo, um concessionário de serviço público) no exercício de prerrogativas públicas,
manifestada mediante providências jurídicas complementares da lei, a título de lhe dar

cumprimento, e sujeitos a controle de legitimidade por órgão jurisdicional".

Tal conceito abrange os atos gerais e abstratos, como os regulamentos e instruções, e atos
convencionais, como os contratos administrativos.

Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, ato administrativo é "a declaração do Estado ou de quem o
represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de
direito público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário".

Nesse último conceito só se incluem os atos que produzem efeitos imediatos, excluindo do conceito o
regulamento, que, quanto ao conteúdo, se aproxima mais da lei, afastando, também, os atos não
produtores de efeitos jurídicos diretos, como os atos materiais e os enunciativos.

Traços Característicos do Ato Administrativo:

A) posição de supremacia da Administração;

B) sua finalidade pública (bem comum);

C) vontade unilateral da Administração.

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ATO ADMINISTRATIVO

eLEMENTOS DO aTO aDMINISTRATIVO

Define-se ato administrativo como a declaração do Estado ou de quem o represente, que produz
efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob o regime jurídico de direito público e sujeito
ao controle do Poder Público, segundo a doutrinadora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. O ato
administrativo é espécie de ato jurídico, se distinguindo dos demais pela presença de finalidade
pública

Diferencia-se do fato administrativo (também conhecidos como atos materiais) por estes não serem
dotados de manifestação de vontade, sendo meramente de natureza executória.

Atributos

São atributos do ato administrativo: a) presunção de veracidade dos atos administrativos; b)


autoexecutividade; c) tipicidade; e d) imperatividade.

a) Presunção de Veracidade

Os atos administrativos são presumidos como verdadeiros e legais até que seja provado o
contrário. Deste modo, a Administração não é incumbida do ônus de provar a legalidade de seus
atos e a existência da necessidade de sua prática. Este encargo cairia sobre destinatário do ato
que tenha interesse em provar que a administração pública agiu de forma ilegítima. Este atributo
tem por objetivo garantir a rapidez e agilidade na execução dos atos administrativos.

b) Autoexecutividade

Os atos administrativos podem ser executados pela própria Administração Pública diretamente,
sendo desnecessária a autorização de outros poderes. Este atributo não está presente em todos os
atos administrativos, segundo a doutrina majoritária, mas somente: Quando lei estabelecer; Em
casos de urgência.

c) Tipicidade

O ato administrativo deve corresponder a figuras previamente definidas pela lei como aptas a
produzir determinado efeito. Este atributo existe como forma de garantia ao particular, pois impede
a Administração de agir de forma absolutamente discricionária. Somente está presente nos atos
unilaterais.

d) Imperatividade

Os atos administrativos são impostos a todos, independendo d vontade de seus des tinatários. Por
meio do ato administrativo a Administração pode, unilateralmente, criar obrigações para os
administrados, ou impor-lhes restrições.

Elementos

São elementos do ato administrativo: a) Sujeito competente ou Competência; b) Forma; c)


Finalidade; d) Motivo; e e) Objeto ou conteúdo.

a) Sujeito competente ou Competência

É o poder que decorre da lei conferida ao agente administrativo para o desempenho regular de
suas atribuições. Existe a necessidade de que o agente do ato administrativo e steja investido de
competência para realiza-lo, caso contrário poder-se-á incorrer-lhe pena por abuso de poder, sob a
espécie excesso de poder.

b) Forma

Os atos devem respeitar a forma exigida para sua prática, a sua materialização. A regra na
Administração Pública é que todos os atos devem ser formados, contrapondo-se ao direito privado,
onde aplica-se a liberdade das formas. Segundo a doutrina majoritária, é um elemento sempre
vinculado. Por via de regra todos os atos devem ser escritos e motivados. Excep cionalmente

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podem existir atos verbais ou até por gestos, como por exemplo um sinal de trânsito ou uma
instrução momentânea.

c) Finalidade

A finalidade é o resultado que a Administração pretende alcançar com a prática do ato. É o seu
objetivo. De acordo com o princípio da finalidade, é dever da Administração Pública sempre buscar
o interesse público, isto é, em uma análise mais restrita, a finalidade determinada pela lei, explícita
ou implicitamente. É um elemento sempre vinculado. São nulos os atos que des coincidam com sua
finalidade.

d) Motivo

É a situação de fato e de direito que gera a necessidade da Administração em praticar o ato


administrativo. Tem-se como pressuposto de direito a lei que embasa o ato administrativo,
enquanto o pressuposto de fato representa as circunstâncias, situações ou acontecimentos que
levam a Administração a praticar o ato. Não se deve confundir motivo com motivação. Esta é a
demonstração dos motivos, isto é, a justificativa por escrito da existência dos pressupostos de fato.

e) Objeto ou Conteúdo

É a modificação fática realiada pelo ato no mundo jurídico, as inovações trazidas pelo ato na vida
de seu destinatário. Segundo Fernanda Marinela, o objeto é o efeito jurídico imediato do ato, isto é,
o resultado prático causado em uma esfera de direitos, seja a criação, modificação ou
comprovação de situações concernentes a pessoas, coisas ou atividades sujeitas à ação do Poder
Público.

Anulação Revogação E Convalidação

É nulo o ato administrativo quando afronta a lei, isto é, quando do momento de sua produção existe
alguma ilegalidade. Pode ser declarada a nulidade pela própria administração pública, no exercício
de sua auto tutela, ou pelo judiciário. Opera efeitos retroativos ("ex tunc"), deixando de existir desde
seus primórdio, não gerando direitos ou obrigações entre as partes. Também não admite
convalidação.

A Revogação é o mecanismo do qual se vale a Administração para desfazer o ato válido, legítimo,
mas que não é mais conveniente, útil ou oportuno. Como se trata de um ato perfei to, que não mais
interessa à Administração Pública, apenas esta poderá revoga-lo, não cabendo ao Judiciário fazê-
lo. Se a revogação é total, nomeia-se ab-rogação. Se parcial, chama-se derrogação.

Porém nem todos os atos podem ser revogados, em decorrência de seus efeitos praticados. Não
podem ser revogados os atos vinculados, os já consumados ou os que geram direitos adquiridos,
por exemplo. Em determinados casos, a revogação de um ato administrativo afeta a relação que o
Estado detinha com um particular, podendo incorrer no direito de indenização para este segundo.
Entretanto, em princípio, não existe esse direito de indenização.

Convalidar o ato é torná-lo válido, efetuando correções, de forma que ele se torne perfeito,
atendendo às exigências legais. Nos termos da lei 9.784, de 29.01.1999, o ato jurídico que tenha
defeitos sanáveis pode ser corrigido, com o fim do melhor atendimento ao interesse público.

Ressalta-se que, como regra geral, os atos que contenham vícios devem ser anulados. A utilização
do mecanismo da convalidação tem caráter excepcional. A convalidação tem efeitos "ex tunc".

A finalidade, o motivo e o objeto nunca podem ser convalidados, por sua própria essência. Só
existe uma finalidade de todo ato público, que é atender ao interesse público . Se é praticado para
atender interesse privado, não se pode corrigir tamanha falha. Quanto ao motivo, ou este existe, e
a ato pode ser válido, ou não existe, e não pode ser sanado

A forma pode sim ser convalidada, desde que não seja fundamental à validade do ato. Se a lei
estabelecia uma forma determinada, não há como convalidar-se.

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ATO ADMINISTRATIVO

Com relação à competência, é possível a convalidação dos atos que não sejam exclusivos de uma
autoridade, quando não pode haver delegação ou avocação. Assim, desde que não se t rate de
matéria exclusiva, pode o superior ratificar o ato praticado por subordinado incompetente.

Atributos Dos Atos Administrativos

Vamos que vamos, porque nossa luta não pode parar, pois já temos alguns editais saindo por aí e a
realização de nosso sonho em ser aprovado em um concurso público está cada vez mais próxima.

A nossa dica de hoje é sobre um tema que vem sendo sempre cobrado nas provas de Direito
Administrativo, tratando-se, especificamente, dos atributos dos Atos Administrativos. Vamos saber
mais?

Tentando ser bem objetivo, podemos responder aos seguintes questionamentos acerca dos atributos
do ato administrativo:

1 – O que são os atributos de um ato administrativo?

São as qualidades do ato administrativo.

2 – Quantos e quais são esses atributos?

São quatro: Presunção de legitimidade/ Autoexecutoriedade/ Imperatividade e Tipicidade:

Presunção de Legitimidade, Legalidade e Veracidade.

- Presume-se que o ato é legal, legítimo (regras morais) e verdadeiro (realidade posta).

- Trata-se de presunção relativa, admitindo, portanto, prova em contrário.

Tais atributos fundamentam-se no Princípio da Legalidade, do qual extrai-se que ao administrador


público só é dado fazer aquilo que a lei autoriza e permite.

Autoexecutoriedade

- A Administração Pública pode impor suas decisões, independentemente de provimento judicial.

- A Autoexecutoriedade traz uma peculiaridade, que é a sua conceituação a partir da junção de duas
outras características dos atos, que é a Exigibilidade + Executoriedade:

· Exigibilidade: meios indiretos de coerção.

Exemplo: Só consegue obter licenciamento, carro que não tenha multas pendentes.

· Executoriedade: meios diretos de coerção.

Exemplo: apreensão de mercadorias.

Imperatividade

- A Administração impõe suas decisões, independentemente da vontade ou concordância do


particular afetado.

Tipicidade

- Por tipicidade entende que a atuação da Administração Pública somente se dá nos termos do tipo
legal, como decorrência do anteriormente mencionado Princípio da Legalidade.

Pressuposto Dos Atos Administrativos

A Administração Pública desempenha a sua função executiva por meio de atos jurídicos aos quais se
denomina atos administrativos, conceituados como sendo as manifestações de vontade do Estado
(Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo) e daqueles que o representa (permissionárias e

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ATO ADMINISTRATIVO

concessionárias) que tem a finalidade imediata de criar, modificar, declarar, transferir ou extinguir
direitos.

Em que pese o fato de serem praticados geralmente pelo Poder Executivo, na medida em que é o
exercício da atividade administrativa que o caracteriza, quando o Judiciário e o Legislativo estão
administrando, também o fazem por intermédio dos atos administrativos.

O ilustre doutrinador Celso Antônio Bandeira de Melo, conceitua ato administrativo como sendo:

―declaração do Estado (ou de quem lhe faça às vezes – como, por exemplo, um concessionário de
serviço público), no exercício de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurídicas
complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por órgão
jurisdicional.‖[1]

Para Hely Lopes de Meireles Ato Administrativo é:

―toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade,
tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor
obrigações aos administrados ou a si própria‖[2]

Apesar de não existir uma uniformidade na doutrina no que toca aos requisitos para a existência e
validade do ato administrativo, o mais utilizado é o rol elencado pela Lei 4.717/65, que estabelece
como elementos do ato a competência, o objeto, a forma o motivo e a finalidade. Na hipótese de não
estar presente qualquer deles o ato restará viciado.

Os doutrinadores do Direito Administrativo entendem em sua maioria que pressupostos, requisitos e


elementos do ato administrativo são sinônimos, entendimento este que será o adotado no presente
trabalho, embora alguns, como é o caso de Celso Antônio Bandeira de Mello[3] preferem diferenciá-
los, separando os elementos dos pressupostos do ato.

A professoraMaria Sylvia Zanella Di Pietroconsidera que os elementos do ato administrativo são o


sujeito, a forma, o objeto, o motivo e a finalidade. A autora prefere elencar como elemento do ato
administrativo o sujeito e não a competência apresentando a seguinte lição:

―Apenas com relação à competência é preferível fazer referência ao sujeito, já que a competência é
apenas um dos atributos que ele deve ter para validade do ato; além de competente, deve ser capaz,
nos termos do Código Civil.‖ [4]

E segue lecionando: ―Sujeito é aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato‖.[5]Todo
e qualquer ato, seja ele vinculado ou discricionário, só pode ser validamente praticado pelo agente
que dispuser do poder conferido por lei para a sua prática.

A competência no Direito Administrativo é entendida como sendo o poder legalmente conferido ao


agente da Administração Pública para desempenhar especificamentesuas atribuições. A competência
emana da lei que a estabelece etambém a delimita. Todo ato praticado por agente incompetente,
bem como o perpetrado fora do limite das atribuições que a lei rigorosamente prevê para o agente
carece de validade ante a falta de um de seus elementos fundamentais.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro entende que:

―(...) no direito brasileiro, quem tem capacidade para a prática de atos administrativos são as pessoa
públicas políticas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal).

Ocorre que as funções que competem a esses entes são distribuídas entre órgãos administrativos
(como os Ministérios, Secretarias e suas subdivisões) e, dentro destes, entre seus agentes, pessoas
físicas.

Assim, a competência tem que ser considerada nesses três aspectos; em relação às pessoas
jurídicas políticas, a distribuição de competência consta da Constituição Federal; em relação aos
órgãos e servidores, encontra-se nas leis.‖[6]

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ATO ADMINISTRATIVO

A forma é outro elemento do ato administrativo. A doutrina possui duas acepções diferentes para a
forma enquanto elemento do ato administrativo, uma mais restritiva, que trata a forma apenas como o
formato pelo qual o ato exterioriza-se (forma verbal, escrita, de portaria, etc). Há, ainda, aqueles que
conferem um sentido mais amplo ao conceito de forma, a exemplo da lição de Maria Sylvia, segundo
a qual:

―uma concepção ampla inclui no conceito de forma, não só a exteriorização do ato, mas também
todas as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da
Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato.‖ [7]

A forma que a lei impõe para os atos administrativosgeralemnte é a escrita, o que visa possibilitar que
seja mais facilmente comprovada a licitude e validadedos mesmos. O particular pode manifestar a
sua vontade de maneira livre, enquanto que a Administração Pública tem o dever de observar à forma
legal e aos procedimentos especiais,sob pena de não ser válida a sua manifestação. Neste contexto,
tem-se que enquanto que no Direito Privado a regra que impera é a liberdade de forma do ato
jurídico, no direito público tal liberalidade é exceção. Os atos administrativos são em regra formal.

O terceiro elemento do ato administrativo é o objeto, que para Celso Antônio Bandeira de Mello: ―(...)
é aquilo sobre que o ato dispõe, isto é, o que o ato decide, certifica, opina ou modifica na ordem
jurídica. É, em suma, a própria medida que produz a alteração na ordem jurídica‖[8].Para Maria
Sylvia[9] o objeto se confunde com o conteúdo do ato, que consiste no efeito imediato que o ato
produz.

Saliente-se, por oportuno, que o objeto tem características similares às definidas para o direito
privado, como bemleciona a professora Maria Sylvia:

―o objeto deve ser lícito (conforme à lei), possível (realizável no mundo dos fatos e do direito), certo
(definido quanto ao destinatário, aos efeitos, ao tempo e ao lugar), e moral (em consonância com os
padrões comuns de comportamento, aceitos como corretos, justos, éticos).‖[10]

O motivo ou a causa é o quarto elemento do ato administrativo, que consiste na situação fática e de
direito que autorizam e fundamentam a sua prática. Regis Fernandes de Oliveiraensina que motivo é:

―o pressuposto de fato, as circunstâncias objetivas que autorizam a prática do ato. (...) Qualquer
acontecimento do mundo dos fatos pode ser trazido para o campo do direito.‖[11]

Na lição do mestre Hely Lopes Meirelles:

―O motivo, como elemento integrante da perfeição do ato, pode vir expresso em lei, como pode ser
deixado ao critério do administrador. No primeiro caso será um elemento vinculado; no segundo,
discricionário, quanto à sua existência e valoração.‖[12]

O motivo não se confunde com a motivação, já que esta é a explanação daquele. Neste sentido
segue lecionado o Autor:

―(...) a motivação é em regra obrigatória. Só não o será quando a lei a dispensar ou se a natureza do
ato for com ela incompatível. Portanto, na atuação vinculada ou na discricionária, o agente da
Administração, ao praticar o ato, fica na obrigação de justificar a existência do motivo, sem o quê o
ato será inválido ou, pelo menos, invalidável, por ausência da motivação. Quando, porém, o motivo
não for exigido para a perfeição do ato fica o agente com a faculdade discricionária de praticá-lo sem
motivação, mas, se o fizer, vincula-se aos motivos aduzidos, sujeitando-se à obrigação de demonstrar
sua efetiva ocorrência.‖[13]

Em assim sendo, o administrador tem a faculdade de deixar de motivar os atos administrativos


discricionários, mas se apresentar as motivações para a prática do ato fica vinculado a demonstrar
que estas ocorreram, é o que a doutrina intitulou de teoria dos motivos determinantes, segundo a
qual se a Administração motiva o ato, ainda que não seja obrigada a fazê-lo, este só será válido se os
motivos forem verdadeiros. A este respeito já se posicionou o STJ:

"Consoante a teoria dos motivos determinantes, o administradorvincula-se aos motivos elencados


para a prática do atoadministrativo. Nesse contexto, há vício de legalidade não apenasquando

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ATO ADMINISTRATIVO

inexistentes ou inverídicos os motivos suscitados pelaadministração, mas também quando verificada


a falta de congruênciaentre as razões explicitadas no ato e o resultado nele contido".[14]

O último elemento do ato administrativo é a finalidade, que para Maria Sylvia Zanella Di Pietro: ―é o
resultado que a Administração quer alcançar com a prática do ato.‖[15]

Regis Fernandes de Oliveira estabelece uma distinção entre o fim e a finalidade do ato, ao entender
que o fim é:

―o resultado prático a ser alcançado mediante a realização do ato. (...) Existe, pois, a finalidade (fim
mediato) e o fim, que é sempre imediato. Este é o que se objetiva na realização prática da atividade
administrativa. O primeiro é o determinado no contexto normativo como de interesse do Estado.‖[16]

A finalidade é elemento vinculado em qualquer espécie de ato administrativo e sempre tem que ser o
interesse público a ser perseguido com a prática deste. Como bem leciona Hely Lopes:

―Outro requisito necessário ao ato administrativo é a finalidade, ou seja, o objetivo de interesse


público a atingir. Não se compreende ato administrativo sem fim público. A finalidade é, assim,
elemento vinculado de todo ato administrativo – discricionário ou regrado – porque o Direito Positivo
não admite ato administrativo sem finalidade pública ou desviado de sua finalidade específica.‖

―(...) A finalidade do ato administrativo é aquela que a lei indica explícita ou implicitamente. Não cabe
ao administrador escolher outra, ou substituir a indicada na norma administrativa, ainda que ambas
colimem fins públicos. Neste particular, nada resta para escolha do administrador, que fica vinculado
integralmente à vontade legislativa.‖ [17](p. 149-150)

Classificação Dos Atos Administrativos

Quanto aos Atos Descrição Exemplos

Destinatários Gerais Destinam-se a uma parcela grande de Edital;


sujeitos indeterminados e todos aqueles que Regulamentos;
se vêem abrangidos pelos seus preceitos; Instruções.

Individuais Destina-se a uma pessoa em particular ou a Demissão;


um grupo de pessoas determinadas . Exoneração;
Outorga de Licença

Alcance Internos Os destinatários são os órgãos e agentes da Circulares;


Administração; não se dirigem a terceiros Portarias;
Instruções;

Externos Alcançam os administrados de modo geral Admissão;


(só entram em vigor depois de publicados). Licença.

Objeto Império Aquele que a administração pratica no gozo Desapropriação;


de suas prerrogativas; em posição de Interdição;
supremacia perante o administrado; Requisição.

Gestão São os praticados pela Administração em Alienação e


situação de igualdade com os particulares, Aquisição de bens;
SEM USAR SUA SUPREMACIA; Certidões

Expediente Aqueles praticados por agentes subalternos; Protocolo


atos de rotina interna;

Regramento Vinculado Quando não há, para o agente, liberdade de Licença;


escolha, devendo se sujeitar às Pedido de
determinações da Lei; Aposentadoria

Discricionário Quando há liberdade de escolha (na LEI) Autorização


para o agente, no que diz respeito ao mérito

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ATO ADMINISTRATIVO

( CONVENIÊNCIA e OPORTUNIDADE ).

Formação do Simples Produzido por um único órgão; podem ser Despacho


ATO simples singulares ou simples colegiais.

Composto Produzido por um órgão, mas dependente da Dispensa de licitação


ratificação de outro órgão para se tornar
exeqüível.

Complexo Resultam da soma de vontade de 2 ou mais Escolha em lista


órgãos. Não deve ser confundido com tríplice
procedimento administrativo (Concorrência
Pública).

Relação Entre Motivo, Motivação E Teoria Dos Motivos Determinantes

1 – Considerações iniciais

O motivo e a motivação são institutos correlatos aos atos administrativos, mais especificamente aos
seus elementos de composição.

Em razão da identidade de radical, são confundidos ou tratados como sinônimos. Como se verá,
motivo e motivação integram o ato administrativo, mas se diferenciam, haja vista que um é elemento
do ato, propriamente dito, e, o outro, subelemento do requisito forma.

Após a definição dos institutos, será possível compreender a concepção e a aplicação da teoria dos
motivos determinantes, criação doutrinária que estabelece consequências quando os motivos,
expressamente dispostos no ato administrativo (motivação), estão incongruentes com a realidade.

É o que veremos a seguir.

2 – Relação entre motivo, motivação e Teoria dos Motivos Determinantes.

O motivo é a situação de fato e de direito que é anterior à prática do ato administrativo e que
determina ou autoriza que seja praticado. Segundo Rafael Maffini[1]:

O motivo do ato administrativo corresponde à situação de fato e de direito que é anterior à sua prática
e que o determina. Pode-se afirmar, portanto, que o motivo do ato administrativo é base fático-jurídica
sobre a qual o ato administrativo se vê alicerçado.

Entende-se como situação de fato o conjunto de circunstâncias que levam o Poder Público a praticar
o ato; já a situação de direito, a norma em que se baseia a prática do ato administrativo.

Segundo Hely Lopes Meirelles[2], os motivos ―determinam e justificam a realização do ato, e, por isso
mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade‖.

O motivo pode estar expresso em lei ou ficar a critério do administrador. Admite-se uma margem de
discricionariedade do Administrador Público, limitada pelos termos da lei.

Essa margem de discricionariedade ocorrerá, caso inexista motivo legalmente estabelecido para
fundamentar o ato e na hipótese de a lei estabelecer o motivo, mas utilizar conceitos jurídicos
indeterminados.

Em que pese a similaridade dos termos, o motivo não se confunde com a motivação. A motivação é
a apresentação expressa dos motivos pontuados para a prática de um ato, é a indicação escrita dos
seus fundamentos. Trata-se de um requisito de forma, representado, muitas vezes, sob a forma de
―considerandos‖.

A diferença entre os institutos é bem delineada por Maffini[3]:

(...) embora relacionados, deve-se diferenciar ―motivo‖ e ―motivação‖ dos atos administrativos. Motivo,
como dito, são as situações de fato e de direito que, sendo anteriores à sua prática, lhe dão causa. Já
a motivação, que, aliás, é subelemento da forma, consiste na justificação da prática do ato

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ATO ADMINISTRATIVO

administrativo através da exposição dos motivos que o determinaram. Aí reside a relação havida
entre motivo e motivação, qual seja, motivo é a situação de fato que leva à prática do ato, ao passo
que a motivação é a explicação da prática do ato administrativo, que se dá através da exposição dos
motivos de fato e de direito que lhe são determinantes.

Outra diferença está na obrigatoriedade da sua presença em todos os atos administrativos. Nessa
linha, parte da doutrina, à qual me filio, entende que a motivação não é obrigatória, ao contrário do
motivo. A Lei n.º 9.784/99, no seu art. 50, e a Constituição Federal, no seu art. 93, inciso X, indicam
as hipóteses em que a motivação é obrigatória, do que se conclui que ela não é indispensável para
todo e qualquer ato do Poder Público. Nesse sentido[4]:

Embora seja a regra geral, não é correto afirmar que absolutamente todos os atos administrativos
devam ser motivados. Há exceções que devem ser consideradas. Por exemplo, atos meramente
ordinatórios não merecem de motivação, uma vez ausente o cunho decisório. Além disso, e esta é a
exceção mais relevante, não é necessária a motivação quando a Constituição Federal ou a lei
dispensar o dever de motivação, como ocorre com a nomeação e exoneração de servidores para
cargos em comissão, consoante a parte final do art. 37, II, da CF. Cumpre enfatizar que não se trata
de motivação proibida, mas de motivação não obrigatória. Em tais casos, a fundamentação pode ser
feita, embora não seja necessária.

Cabe ressaltar, todavia, outras duas correntes doutrinárias sobre o tema: a primeira representa uma
posição mais clássica, segundo a qual somente os atos vinculados deveriam ser motivados; e a
segunda, de acordo com a qual a motivação será sempre obrigatória, forte nos arts. 5º, incisos XXXV
e LV, e 37, caput, da Constituição Federal. Odete Medauar[5] defende esse entendimento:

A ausência de previsão expressa, na Constituição Federal ou em qualquer outro texto, não elide a
exigência de motivar, pois esta encontra respaldo na característica democrática do Estado brasileiro
(art. 1º da CF), no princípio da publicidade (art. 37, caput) e, tratando-se de atuações
processualizadas, na garantia do contraditório (inc. LV do art. 5º).

Teoria Dos Motivos Determinantes

Teoria dos motivos determinantes. Trata-se da teoria preconizada por Gaston Jèze a partir das
construções jurisprudenciais do Conselho de Estado francês, que trata do controle do motivo (ilícito
ou imoral) do ato administrativo.

O motivo determinante significa, para o autor, as condições de fato e de direito que impelem um
indivíduo a realizar um ato.

Segundo Jèze, a atividade dos agentes administrativos, no exercício da competência, somente pode
ter por motivo determinante o bom funcionamento do serviço público. Essa construção teórica
alcançou bastante influência no campo jurídico.

No Brasil, a teoria dos motivos determinantes é utilizada para a situação em que os fundamentos de
fato de um ato administrativo são indicados pela motivação, hipótese na qual a validade do ato
depende da veracidade dos motivos alegados.

O exemplo clássico de seu uso é a exoneração ad nutum. Se a Administração praticar o ato alegando
falta de verba e, em seguida, contratar um novo funcionário para a mesma vaga, ele será nulo por
vício de motivo, pois o fundamento alegado não se mostrou verdadeiro. Assim, a partir da motivação,
vincula-se a Administração ao alegado, isto é, ao motivo que acaba sendo determinante.

Por enquanto, a consagrada exceção ao uso da teoria se aplica no campo da desapropriação,


porquanto os tribunais entendem que mesmo que haja modificação do fim indicado no decreto
expropriatório, ainda assim se houver o uso para outro fim lícito (ius variandi dos interesses públicos),
previsto na legislação da desapropriação, não restará caracterizada a retrocessão (isto, é, o desvio
de finalidade na desapropriação).

Ato Administrativo: Discricionariedade X Vinculação

Várias são as classificações dos atos administrativos, porém iremos tecer algumas considerações
apenas quanto ao grau de sua subordinação a uma determinada norma. Vejamos:

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ATO ADMINISTRATIVO

Na concepção de HELY LOPES MEIRELLES “Atos vinculados ou regrados são aqueles para os
quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização‖ 1, ao passo que ―discricionários
são os que a Administração pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu
destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e de seu modo de realização‖ 2.

Os atos vinculados são aqueles que tem o procedimento quase que plenamente delineados em lei,
enquanto os discricionários são aqueles em que o dispositivo normativo permite certa margem de
liberdade para a atividade pessoal do agente público, especialmente no que tange à conveniência e
oportunidade, elementos do chamado mérito administrativo.

A discricionariedade como poder da Administração deve ser exercida consoante determinados


limites, não se constituindo em opção arbitrária para o gestor público, razão porque, desde há muito,
doutrina e jurisprudência repetem que os atos de tal espécie são vinculados em vários de seus
aspectos, tais como a competência, forma e fim.

Segundo DIOMAR ACKEL FILHO: ―Em sendo assim, torna-se visível a evolução dinâmica do Direito,
contemplando a discricionariedade na sua devida posição, não como potestas impenetrável do titular
do poder, mas como dever jurídico orientado pela legalidade e princípios basilares que direcionam
toda a atividade administrativa no rumo das exigências éticas dos administrados, traduzidos em
obrigações de moralidade, racionalidade, justiça e plena adequação da conduta pública ao bem
comum.‖ 3.Não se pode obstar, sob uma restrição intransponível, o poder jurisdicional, sobre o juízo
da administração quando não se reconhece os valores da vida capitulados na Constituição Federal
de 1988.

Distinção Entre Arbítrio E Ato Discricionário

O ato administrativo discricionário não deve ser confundido com o arbítrio, vez que, este implica numa
atuação administrativa além dos limites legais, sendo, portanto, sempre ilegítimo e inválido. Agride,
ainda, os próprios princípios traçados para a Administração Pública.

Aquele, como já foi dito, é a certa liberdade - que na verdade, passa-se como um dever vinculado à
observância do objetivo traçado pela lei àquela política pública -, que a própria lei confere ao
administrador para praticar atos, mas sempre nos limites que ela traça. Portanto, o ato discricionário
corretamente praticado, deve se adequar também ao respeito da lei e dos princípios da administração
pública. Neste caso, se desrespeitados tais limites e princípios, o ato administrativo, passa de
discricionário para arbitrário.

Com muita felicidade e precisão, bem discerniu o arbítrio da discrição, o Prof. CELSO ANTONIO
BANDEIRA DE MELLO

―Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade.Ao agir arbitrariamente o agente estará


agredindo a ordem jurídica, pois estará se comportando fora do que lhe permite a lei.Seu ato, em
conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente.‖4.

Conceito De Discricionariedade Administrativa

Pode-se conceituar a discricionariedade administrativa como sendo o dever de o Administrador


Público, optar pela solução, razoável, proporcional e dentro dos limites da norma, que mais se
compatibilize com o interesse público, ou seja, com a eficiente realização do objetivo colimado, tudo
ditado pela Constituição Federal, pelas normas de inferior hierarquia e pelos valores dominantes ao
tempo da consecução do ato.

Sem maiores pretensões, o conceito busca realçar a idéia de um "DEVER" discricionário.

Compromete-se com a necessidade de o Administrador estar sempre vinculado à legalidade,


enquanto conceito amplo, hoje integrado também por outras fontes de Direito distintas da lei "stricto
sensu".

Ressalte-se, ainda, a indiscutível sobrevalência do interesse público sobre todas as condutas


administrativas.

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