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AGENTES PÚBLICOS

Agentes Público

Conceito: A expressão agente público é a mais ampla para designar de forma genérica e indistinta os
sujeitos que exercem funções públicas, que servem ao Poder Público como instrumentos de sua
vontade ou ação, independentemente do vínculo jurídico, podendo ser por nomeação, contratação,
designação ou convocação. Independe, ainda, de ser essa função temporária ou permanente e com
ou sem remuneração. Assim, quem quer que desempenhe funções estatais, enquanto as exercita, é
um agente público.

Espécies De Agentes Públicos:

Servidor Público E Empregado Público

Servidor Público:

São servidores públicos aqueles que mantiverem vínculo profissional permanente com a
Administração Direta, as Autarquias e Fundações de direito público, ou seja, com pessoas de direito
público.

Mantém relação com o estado em regime estatutário (Regime estatutário São servidores públicos
estatutários, que ocupam – sempre – cargos públicos e mantém uma relação de natureza
institucional).

Sujeito Ao Regime Jurídico De Direito Público

Titular De Cargo Público

Empregado público (funcionário):

Empregados públicos são pessoas físicas vinculadas com pessoas jurídicas de direito privado
pertencentes à Administração Pública Indireta, empresa pública e sociedade de economia mista e
fundações privadas. Possuem vínculo sempre contratual, pois regido pela CLT

Mantém relação com o estado em regime celetista (São servidores públicos celetistas os que
possuem um vínculo contratual com as entidades de direito público).

Sujeito ao regime jurídico de direito privado

Titular de emprego público

O agente público é um gênero

Servidor e empregado público é espécie deste gênero.

Classificação dos agentes públicos:

Agentes Políticos

São ocupantes dos primeiros e mais altos escalões do poder público, sendo investidos no cargo
através de nomeação, eleição, designação ou delegação.

São agentes políticos os chefes do executivo, os membros do Tribunal de Contas, os membros do


Poder Legislativo e Judiciário, defensores públicos e delegados da polícia.

Agentes Administrativos

São aqueles que estão sujeitos a uma hierarquia constitucional, independente de a administração
pública ser direta ou indireta.

Os servidores públicos e empregados públicos em geral são exemplos de agentes administrativos.

Agentes Delegados

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Estes recebem um encargo estatal com a finalidade de prestação de prestação de determinado


serviço.

Podemos tomar como exemplo de agentes delegados os leiloeiros e os concessionários.

Agentes Honorìficos

São aqueles requisitados para temporariamente desempenharem uma função pública.

Os mesários e os jurados são exemplos desse tipo de agente.

Agentes Credenciados

Segundo Hely Lopes Meirelles “são os que recebem a incumbência da administração para
representa-la em determinado ato ou praticar certa atividade específica, mediante remuneração do
poder público credenciante”.

São exemplos de agentes credenciados os professores substitutos e os médicos credenciados.

Poderes, Deveres E Prerrogativas

Poderes: Poder-dever: O servidor não pode se omitir. Os deveres de eficiência, de probidade e o de


prestar contas.

Deveres: Normalmente vêm previstos nas leis estatutárias, abrangendo, entre outros, os de
assiduidade, pontualidade, discrição, urbanidade, obediência, lealdade.

Prerrogativa: Privilégio atribuído a alguém por seu cargo; – Férias, licenças, vencimento ou
remuneração e demais vantagens pecuniárias (= dinheiro), assistência, direito de petição,
disponibilidade e aposentadoria.

Cargo, Emprego E Função Públicos

Os ocupantes de cargo público tem vínculo estatutário e institucional regido por um estatuto funcional
próprio, na União a Lei 8.112/90. Em sentido contrário, o ocupante de emprego público tem vínculo
trabalhista e contratual regido pela CLT. Obviamente há algumas diferenças resultantes disso, o
vínculo estatutário, por exemplo, não é cabível a entidades privadas da Administração Pública
Indireta; já o vínculo contratual ocorre em ambos os casos, logo as entidades de direito público
podem possuir servidores públicos estatutários ou celetistas.

Sobre a função pública, há as funções atreladas a cargos ou empregos e funções autônomas, como a
função temporária, exercida por servidores temporários, e a função de confiança, exercida
exclusivamente por servidores públicos titulares de cargos comissionados e se destinam apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento.

Regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição

Sugiro dar uma olhada na lei 8.1122/90 a partir do artigo 5 que dispõe sobre o regime jurídico único
dos servidores públicos

Provimento:

Conceito: É o ato administrativo por meio do qual é preenchido cargo público (efetivo ou de
confiança).

Provimento Originário Ou Autônomo

Tal provimento se materializa por nomeação. Após a nomeação, o estatuto estabelece o prazo de 30
dias até a data da posse. Caso não se concretize nesse prazo, perderá efeito a nomeação. O
nomeado só se tornará servidor após o ato da posse. Caso o agente não entre em exercício da
função após 15 dias de sua nomeação, o servidor é exonerado do cargo. É a partir da data em que
entra em exercício que começam a contar os prazos para todos os seus direitos relacionados ao
tempo de serviço.

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Provimento derivado vertical 2.2.1 Promoção Tem por escopo realizar uma elevação funcional do
servidor de um cargo de uma classe para outro de uma classe superior.

Provimento derivado horizontal 2.2.1 Readaptação Conforme preceitua o artigo 24 da lei 8.112/90, a
readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis
com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção
médica. Caso haja reconhecimento de incapacidade absoluta, será aposentado.

Provimento derivado por reingresso 2.3.1 Reversão(Art. 25) Conceito. 2.3.2 Reintegração(Art. 28)
Conceito. 2.3.3 Recondução(Art. 29) Conceito. 2.3.4 Disponibilidade e aproveitamento(Art. 30, 31, 32)
Conceito.

Vacância:

Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:

I – exoneração;

II – demissão;

III – promoção;

IV – (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

V – (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

VI – readaptação;

VII – aposentadoria;

VIII – posse em outro cargo inacumulável;

IX – falecimento.

Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício.

Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:

I – quando não satisfeitas as condições do estágio probatório;

II – quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido.

Art. 35. A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança dar-se-


á: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

I – a juízo da autoridade competente;

II – a pedido do próprio servidor.

Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

Remoção

Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro,
com ou sem mudança de sede.

Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de
remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

I – de ofício, no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

II – a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

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III – a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração: (Incluído


pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no
interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas
expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica
oficial;(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for


superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em
que aqueles estejam lotados.(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

Da Redistribuição E Substituição:

Da Redistribuição

Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito
do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação
do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de
10.12.97)

I – interesse da administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

II – equivalência de vencimentos; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

III – manutenção da essência das atribuições do cargo; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

IV – vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades; (Incluído pela Lei
nº 9.527, de 10.12.97)

V – mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional; (Incluído pela Lei nº


9.527, de 10.12.97)

VI – compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou


entidade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§ 1o A redistribuição ocorrerá ex officio para ajustamento de lotação e da força de trabalho às


necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou criação de órgão ou
entidade.(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§ 2o A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará mediante ato conjunto entre o órgão central
do SIPEC e os órgãos e entidades da Administração Pública Federal envolvidos. (Incluído pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)

§ 3o Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, extinto o cargo ou declarada


sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for redistribuído será colocado
em disponibilidade, até seu aproveitamento na forma dos arts. 30 e 31. (Parágrafo renumerado e
alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§ 4o O servidor que não for redistribuído ou colocado em disponibilidade poderá ser mantido sob
responsabilidade do órgão central do SIPEC, e ter exercício provisório, em outro órgão ou entidade,
até seu adequado aproveitamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

Da Substituição

Art. 38. Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo
de Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou, no caso de omissão,
previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade. (Redação dada pela Lei nº
9.527, de 10.12.97)

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§ 1o O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o


exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza Especial, nos afastamentos,
impedimentos legais ou regulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá
optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período. (Redação dada pela Lei nº 9.527,
de 10.12.97)

§ 2o O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de direção ou chefia ou de
cargo de Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais do titular,
superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que
excederem o referido período. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

Art. 39. O disposto no artigo anterior aplica-se aos titulares de unidades administrativas organizadas
em nível de assessoria.

Direitos E Vantagens

Vencimento E Da Remuneração

O Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei (art.
40). Nenhum servidor receberá, a título de vencimento, importância inferior ao salário-mínimo.

A Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes


estabelecidas em lei (art. 41). O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter
permanente, é irredutível (§3º,art. 41).

O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, sequestro ou penhora,


exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial (art. 48).

Formas de provimento na Administração Pública Federal

Provimento é o ato administrativo de preenchimento de cargo público, regulamentado no Brasil pela


Lei Nº 8.112, de 11 de novembro de 1990.

De acordo com a legislação, o provimento poderá se dar


mediante nomeação, promoção, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração e reconduçã
o.

Cada uma destas formas de provimento tem um significado especial na administração púb lica e
especificam a forma legal de acesso ao cargo público no Brasil.

Cada uma destas formas de provimento tem um significado especial na administração pública e
especificam a forma legal de acesso ao cargo público no Brasil.

Originária: pressupõe a inexistência de uma relação jurídica anteriormantida entre o Servidor e a


Administração.

A única forma de Provimento Originário é a nomeação, que pode ser realizada em caráter Efetivo
ou para Cargos de Provimento em Comissão.

Derivada: as formas derivadas de provimento dos cargos públicos, decorrem de um vínculo anterior
entre Servidor e Administração.

 Promoção: é a elevação de um Servidor de uma classe para outra dentro de uma mesma carreira.
Com isso, houve a vacância de um cargo inferior e conseqüentemente o provimento do cargo
superior.

 Nomeação - Cargo Efetivo: pressupõe a aprovação em concurso público de provas ou de provas


e Títulos – sabemos que a aprovação em concurso NÃO ENSEJA O DIREITO ADQUIRIDO À
NOMEAÇÃO.

 Aproveitamento: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que se encontrava em disponibilidade e


foi aproveitado – deve realizar-se em cargo semelhante àquele anteriormente ocupado. A

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Administração deve realizar o aproveitamento de forma prioritária, antes mesmo de reali zar
concurso para aquele cargo.

 Readaptação: é a passagem do Servidor para outro cargo compatível com a deficiência física que
ele venha a apresentar.

 Reversão: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor aposentado por invalidez quando


insubsistentes os motivos da aposentadoria – pode acontecer para o mesmo cargo se ele ainda
estiver vago ou para um outro semelhante. Se não houver cargo vago, o Servidor que reverter
ficará como EXCEDENTE.

 Reintegração: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que fora demitido, quando a demissão for
anulada administrativamente ou judicialmente, voltando para o mesmo cargo que ocupava
anteriormente. Dá-se com o ressarcimento de todas as vantagens que o servidor deixou de receber
durante o período em que esteve afastado.

 Recondução: é o retorno ao cargo anteriormente ocupado, do servidor que não logrou êxito no
estágio probatório de outro cargo para o qual foi nomeado decorrente de outro concurso.

O servidor poderá progredir na mesma carreira, nos diversos escalões de uma mesma c arreira.
Diante do entendimento do STF, entendeu-se que Ascensão Funcional e a Transferência SÃO
INCONSTITUCIONAIS.

 Transferência: era a passagem de um Servidor de um quadro para outro dentro de um mesmo


poder, também era uma forma de vacância e de provimento. Implicava em uma mudança de um
quadro para outro, ferindo uma norma constitucional.

 Ascensão: significava a passagem de uma carreira para outra.

A Ocupação De Cargos, Empregos E Funções Públicas No Brasil

Apanhado Histórico

A análise do histórico brasileiro na ocupação dos cargos, empregos e funções públicas deve ser
realizada levando-se em conta as circunstâncias históricas da evolução de nossa sociedade, desde a
ocupação inicial do território por parte dos descobridores até os nossos dias com sua conformação
institucional e constitucional plenamente estabelecida.

Para tanto, deve-se iniciar com uma análise retrospectiva da evolução do tema desde o
descobrimento até a outorga da Constituição Monárquica.

Efetivamente a ocupação do território brasileiro iniciou com a instituição do sistema de capitanias


hereditárias ainda no período colonial e, para que melhor se possa compreender tal sistema, há que
se ter compreensão do sentido, das circunstâncias inaugurais da colonização do Brasil.

As aventuras ultramarinas dos europeus resultaram no descobrimento de um território continental, de


enorme tamanho e povoado por nativos considerados, pelos padrões culturais europeus, pouco
evoluídos.

As circunstâncias que detonam esse processo são basicamente econômicas, como se pode apurar
consultando uma das obras fundantes da consciência nacional: Formação do Brasil Contemporâneo:
Colônia, de Caio Prado Júnior, a saber:

Tudo que se passa são incidentes da imensa empresa comercial a qual se dedicam os países da
Europa a partir do séc. XV, e que lhes alargará o horizonte pelo Oceano afora. Na tem outro caráter a
exploração da costa africana e o descobrimento e colonização das Ilhas pelos portugueses, o roteiro
das Índias, o descobrimento da América, a exploração e ocupação de seus vários setores. É este
último o capítulo que mais nos interessa aqui; mas não será, em sua essência, diferente dos outros. É
sempre como traficantes que os vários povos da Europa abordarão cada uma daquelas empresas
que lhes proporcionarão sua iniciativa, seus esforços, o acaso e as circunstâncias do momento em
que se achavam. (1999, p. 22-23)

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Com o caráter unicamente extrativista de sua empresa, o colonizador português não tinha qualquer
intenção ou possibilidade de se estabelecer com ânimo de permanência, como foi o caso da
colonização americana do norte.

Centrando seus esforços na extração de metais preciosos e exploração de madeira, especialmente


da espécie Pau-Brasil, não dispunha de população suficiente e disposta a se estabelecer no mundo
novo.

Essa a conclusão da análise histórica levada a efeito por Raimundo Faoro em sua monumental obra
Os Donos do Poder:

Na América a situação se apresenta de forma inteiramente diversa: um território primitivo habitado por
rala população indígena incapaz de fornecer qualquer coisa de realmente aproveitável. Para os fins
meramente mercantis que se tinham em vista, a ocupação não se podia fazer como nas simples
feitorias, com um reduzido pessoal incumbido apenas do negócio, sua administração e defesa
armada; era preciso ampliar estas bases, criar um povoamento capaz de abastecer e manter as
feitorias que se fundassem e organizar a produção dos gêneros que interessassem o seu comércio. A
idéia de povoar surge daí, e só daí. [...] No seu conjunto, e vista no plano mundial e internacional, a
colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, mais complexa que a
antiga feitoria, mas sempre com o mesmo caráter que ela, destinada a explorar os recursos naturais
de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização
tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no
econômico como no social, da formação e evolução históricas dos trópicos americanos. (2001, p.
135- 136)

Sendo o sentido inicial da colonização a atividade mercantil-extrativista, intentou o colonizador, ao


perceber o quanto seria difícil assentar população que desse sustento aos seus intentos,
considerando a inapetência dos indígenas nativos para o trabalho proposto, uma divisão e
distribuição do território descoberto para os portugueses que optassem por se estabelecer
definitivamente na colônia, baseando o labor na mão-de-obra africana escravizada.

Havia grande reticência da já pequena população portuguesa da época em migrar para ser
instrumento de trabalho ordinário e fastidioso, acedendo somente na hipótese de fazer-se senhor de
terras e patrão.

Essa a observação de Caio Prado Júnior em outra obra: História Econômica do Brasil:

Nas demais colônias tropicais, inclusive no Brasil, não se chegou nem a ensaiar o trabalhador branco.
Isto porque nem na Espanha, nem em Portugal, a quem pertencia a maioria delas, havia, como na
Inglaterra, braços disponíveis e dispostos a emigrar a qualquer preço. Em Portugal, a população era
tão insuficiente que a maior parte de seu território se achava ainda, em meados do séc. XVI, inculto e
abandonado; faltavam braços por toda a parte, e empregava-se em escala crescente mão-de-obra
escrava [...]. Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos
para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamantes, depois algodão, e
em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior,
voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele
comércio, que organizarão a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se disporá naquele sentido: a
estrutura social, bem como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um
negócio; inverterá os cabedais e recrutará mão-de-obra de que precisa: indígenas ou negros
importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, mercantil,
constituir-se-á a colônia brasileira. (1985, p. 21-23)

Portanto, é nesse contexto que foi estabelecido o sistema de distribuição de terras para os
colonizadores portugueses, denominado de capitanias ou capitanias hereditárias, ou seja, com a
clara intenção de ocupar o território e fixar o elemento humano e ainda desbravar o continente.

O território foi dividido em doze capitanias, irregulares, todas firmadas no sentido longitudinal à linha
do Equador e, portanto, com frente para oceano1 .

Apenas algumas capitanias prosperaram, entretanto colaboraram para a criação dos primeiros
núcleos de povoamento, que vão repercutir fundamentalmente na ocupação do território. Tal idéia é
demonstrada por José Afonso da Silva:

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A colonização do Brasil começou efetivamente pela organização das capitanias hereditárias, sistema
que consistiu na divisão do território colonial em doze porções irregulares, todas confrontando com o
oceano, e sua doação a particulares (escolhidos entre a melhor gente), que estivessem decididos a
morar no Brasil e fossem suficientemente ricos para colonizá-lo e defendê-lo.

Das doze capitanias, poucas prosperaram, mas serviram para criar núcleos de povoamento dispersos
e quase sem contato uns com os outros, contribuindo para a formação de centros de interesses
econômicos e sociais diferenciados nas várias regiões do território da colônia, o que veio a repercutir
na estruturação do futuro Estado Brasileiro. (2006, p. 69)

Os donatários, titulares de uma concessão de capitania, tinham poder absoluto dentro de seus
domínios, eram um reflexo da autoridade do Rei, exerciam jurisdição e nomeavam servidores
públicos.

Segundo César Trípoli (1936) as terras do Brasil, assim partilhadas e dadas pelo rei de Portugal a
fidalgos portugueses chamaram-se capitanias em virtude de serem atribuídas aos donatários a
denominação e funções de capitão, significando chefe superior. A expressão capitania era, portanto,
sinônimo de chefia, superintendência, governança. O adjetivo qualificativo hereditárias servia para
indicar um dos principais caracteres jurídicos da doação, pois somente poderia ser transmitida nos
moldes da sucessão. As capitanias hereditárias também foram denominadas de donatarias para
indicar que se tratava de terras em que vinha a ser exercida a jurisdição exclusiva dos donatários.

Esse sistema de povoação apresentou os primeiros registros de nomeação para o exercício de


funções públicas, ao livre arbítrio do capitão.

Em 1549 foi instituído o sistema de Governo Geral, introduzido um sistema unitário em contraposição
ao sistema das capitanias, aos diversos governos autônomos sucedeu um sistema de governo
centralizador, em coexistência com as capitanias.

Tomé de Souza foi o primeiro governador nomeado, com poderes estabelecidos em documento
denominado Regimento do Governador Geral. Francisco José Oliveira Vianna esclarece o teor do
documento:

Os regimentos dos governadores-gerais têm, de fato, a maior importância para a história


administrativa do país: antecipavam-se às cartas políticas, pelo menos na delimitação das funções e
no respeito exigido das leis, forais e privilégios, atenuando o arbítrio, fixando a ordem jurídica. [...] em
torno desse órgão central organizavam-se outros órgãos elementares e essenciais à administração: o
ouvidor-mor , encarregado geral dos negócios da justiça; o procurador da fazenda , encarregado das
questões e interesses do fisco real; o capitão-mor da costa , com a função da defesa do vasto litoral,
infestado de flibusteiros.(1956, p.199)

A esse poder também foram sendo acrescidas paulatinamente as capitanias, que, perdendo o seu
caráter feudal, pela mitigação de seus poderes onipotentes, também perderam seu caráter de
unidades autônomas e tornando-se regiões ou províncias, sujeitas diretamente ao governador geral.
Observe-se que todas as capitanias ficaram em tal situação, tanto as que já haviam perdido seu
caráter hereditário quanto as que tinham revertido, por abandono ou renúncia, à coroa.

Faoro, delimitou essa quadra fundamental na germinação das estruturas do Estado brasileiro:

Os quinze anos das donatarias, tempo muito curto para definir uma tendência ou para definir um
rumo, sofrem drástico corretivo. O governo geral, instituído em 1548, instalado na Bahia, no ano
seguinte, não extinguiu as capitanias. De imediato, as atribuições públicas dos capitães se
incorporaram no sistema do governo-geral, fiscalizados por um poder mais alto, em assuntos
militares, da fazenda e da justiça. A instituição, no seu lado particular, prolongou-se até o século
XVIII, quando a última capitania reverteu ao patrimônio real, reversão tardia, em homenagem á
outorga vitalícia e hereditária. (2001, p. 166-167)

Nesse período surgiram os primeiros municípios brasileiros. O município, como as capitanias e o


governo geral, obedecia, no molde de outorga de poder público, ao quadro da monarquia central do
século XVI, gerida pelo estamento cada vez mais burocrático . (FAORO, 2001, p. 171-172)

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O Senado da Câmara ou Câmara Municipal era o órgão do poder local, composto de oficiais , eleitos
entre os denominados homens bons da terra , ou seja, os representantes eram os grandes
proprietários rurais ou seus indicados.

A fase monárquica inicia-se com a chegada de D. João VI ao Brasil em 1808.

Conforme Silva (2006, p. 73 e ss), instalou-se a família real no Rio de Janeiro, para onde foi alocado
toda a estrutura estatal, tal como a polícia, a justiça, os órgãos administrativos, especialmente o
Conselho de Estado, a Intendência Geral de Polícia, o Conselho da Fazenda, a Mesa da Consciência
e Ordens, o Conselho Militar, o Desembargo do Paço, a Casa da Suplicação, a Academia de
Marinha, a Junta Geral do Comércio, o Juízo dos Falidos e Conservador dos Privilégios, o Banco do
Brasil, a Casa da Moeda, a Impressão Régia, etc., sendo que a atuação desses órgãos esteve fixada
e circunscrita ao Rio de Janeiro, poucos efeitos alcançando no restante do País, onde a tradição da
apropriação privada do poder público pelos mais aquinhoados permaneceu e se estende até os dias
presentes.

Com a proclamação da Independência, essa nova estrutura estatal pública e política deveria ser
fundada em um instrumento regulador do exercício do poder e que assegurasse a unidade nacional,
com um poder centralizador e uma organização nacional que fizessem frente aos diversos poderes
locais e regionais espalhados pelo interior do País.

A disseminação do constitucionalismo forjou a teoria da necessidade de um texto político, uma carta


fundamental que declarasse os direitos do homem e estabelecesse mecanismos de separação dos
poderes, em consonância com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, a qual
estabelece, em seu artigo 16, que não tem constituição a sociedade onde não é assegurada a
garantia dos direitos nem determinada a separação dos poderes.’’

O texto que nos foi ofertado foi a Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824,
que, em eu artigo 1º, declara que O império do Brasil é a associação política de todos os cidadãos
brasileiros , em seu artigo 2º que O seu território é dividido em províncias [...] e em seu artigo 4º que
A dinastia imperante é a do Senhor D. Pedro I, atual Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil .

A Constituição previu em seu artigo 4º a separação dos poderes em quatro: poder legislativo, poder
moderador poder executivo e poder judicial.

O aspecto mais característico desse texto foi a instituição do poder moderador, delegado
privativamente ao Imperador, que lhe atribuía, nos termos do artigo 98, [...] a chave de toda a
organização política é delegada privativamente ao Imperador, como chefe supremo da nação e seu
primeiro representante, para que, incessantemente vele sobre a manutenção da independência,
equilíbrio e harmonia dos demais poderes políticos.

Efetivamente o Imperador exercia o poder moderador nomeando os senadores (art. 101, § 1º),
nomeando e demitindo livremente os ministros de estado (art. 101, § 6º) e exercia o poder executivo,
pois dita o artigo 102 que O Imperador é o chefe do poder executivo, e o exercita pelos seus ministros
de Estado sendo que entre suas principais atribuições destacam- se a de nomear os magistrados (art.
102, § 3º) e prover os mais empregos civis e políticos (at. 102, § 4º).

O desenrolar dos anos e o respectivo desencadear dos acontecimentos, assim como o ideal
republicano e a necessidade de adaptação ao modelo federativo, na visão de Russomano (1984), vão
desenbocar nos acontecimentos que levarão à ruptura institucional, com a Proclamação da República
e a elaboração da primeira constituição republicana do Brasil.

Os Conceitos De Efetividade

Efetividade é a característica, particularidade ou estado do que é efetivo, ou seja, o que é real,


verdadeiro e legítimo. Pode ser também a consequência ou o efeito daquilo que é real; a realidade ou
a existência.

O significado de efetividade também está relacionado com aquilo que se consegue verificar, cuja
existência seja real e verdadeira, incontestável.

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A palavra efetividade pode fazer referência àquilo que é permanente, definitivo, estável, fixo, não
interrompido. Exemplo: a efetividade trabalhista de um funcionário público.

A efetividade na administração está ligada à particularidade daquilo que é capaz de atingir suas
metas. Já a efetividade militar é uma circunstância do serviço efetivo que é desenvolvido em um
órgão militar.

Sinônimos de efetividade

 realidade

 competência

 verdade

 legítimo

Efetividade Do Processo

A efetividade é um dos princípios do direito processual. A efetividade do processo consiste na


garantia de descobrir qual das duas partes está com a razão e entregar para cada uma o verdadeiro
e real valor que merecem.

Um processo judicial ideal, portanto, deverá ter a máxima efetividade possível, garantindo não
apenas o direito material, mas também uma resposta em tempo razoável e satisfatório.

Eficiência, Eficácia E Efetividade

Efetividade, eficiência e eficácia são palavras às vezes consideradas como sinônimos, no entanto
existem algumas diferenças entre os significados distintos de cada uma. É possível que uma ação
seja ao mesmo tempo realizada com eficiência, eficácia e efetividade, como também pode ser eficaz
sem ser eficiente.

A efetividade é a qualidade do que atinge seu objetivo, é a capacidade de funcionar regularmente,


satisfatoriamente, fazendo referência ao que é real e verdadeiro. Exemplo: “O resultado da reunião foi
bastante efetivo”.

A eficiência é a qualidade do que se faz com excelência, que dá bom resultado, que produz o efeito
desejado com competência. Exemplo: “O trabalho foi realizado com eficiência”.

Eficácia é chegar ao objetivo proposto, é cumprir a função, a meta, é executar o que foi determinado.
Exemplo: “O equipamento mostrou ser eficaz”.

Estabilidade/Disponibilidade

O servidor nomeado por concurso público nomeado para cargo efetivo será considerado estável após
3 (tres) anos de efetivo exercício cumprido em estágio probatório, posteriormente só perderá o cargo
em virtude de sentença judicial transitada em julgado mediante processo administrativo em que lhe
seja assegurada ampla defesa (C.F./88).

O servidor estável é nomeado para cargo efetivo por concurso público, com mais de três anos de
efetivo exercício e posteriormente só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em
julgado mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa (C.F./88 - Art.
41, § 1º e 4º, redação dada pelo Art. 6º da E.C. 19/98; L. 10.261/68 - Arts. 217 e 218).

O servidor estável estará em disponibilidade remunerada até seu adequado aproveitamento em outro
cargo quando o cargo ocupado for extinto por lei ou for considerado desnecessário(L. 10.261/68 - Art.
219, II).

No caso de reintegração decorrente de decisão judicial, o reintegrado poderá ficar em disponibilidade


remunerada se o cargo tiver sido extinto (L. 10.261/68 - Art. 219, I; L.C. 180/78 - Art. 32, § 2º).

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Os servidores em disponibilidade devem perceber vencimentos proporcionais ao tempo de serviço


(C.F./88 - Art. 41, § 3º, nova redação dada pelo Art. 6º, da E.C. 19/98).

O tempo em que o funcionário permanecer em disponibilidade é computado para fins de


aposentadoria (L. 10.261/68 - Art. 83).

Obs: Há também a estabilidade concedida pela Constituição Federal de 1988 a servidores


(extranumerários, temporários (Lei 500/74) e celetistas), que se encontravam em exercício na data de
sua promulgação (5/10/88) e que contavam com 5 (cinco) anos de exercício no serviço público
(C.F./88 - Art. 19 - A.D.C.T.; C.E./89 - Art. 18 - A.D.C.T.).

Estabilidade E Disponibilidade

Acórdão

Vistos, relatados e discutidos êstes autos de agravo de instrumento (art. 174, § 20, do R.I.) n" 29.369,
do Rio Grande do Norte, sendo agravante Estado do Rio Grande do Norte e agravado Adelfo de
Oliveira Melo.

Acordam os Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, à unanimidade, dar


provimento ao agravo, ut notas taquigráficas anexas.

Brasília, 15 de março de 1966. - Hahnemann Guimarães. Presidente. - Pedro Chaves. Relator.

Relatório

o Sr. Ministro Pedro Chaves - O agravado foi nomeado em 19-12-60, em caráter efetivo, para cargo
isolado criado pela Lei n~ 2.727, de 30-11-60.

Tomou posse e entrou no exercício do cargo. Entretanto, pela Lei n" 2.677, de 21-2-61, foram
anulados e declarados sem efeito as leis e atos promulgados entre 14-11-60 a 28-1-61. Com
fundamento nessa Lei n" 2.677 foi considerada sem efeito a nomeação do agravado que pediu e
obteve mandado de segurança para ser reintegrado no cargo.

o Estado do Rio Grande do Norte interpôs recurso extraordinário, denegado pelo despacho de f. 7, de
que agravou há- bil e oportunamente.

Nesta instância, opinou a Procuradoria-Geral pelo não provimento.

VOTO

o Sr. Ministro Pedro Chaves (Relator) - A questão sob julgamento é idêntica a inúmeras outras já
apreciadas por êste ego Tribunal. Em última análise o que se discute é o efeito da lei nova, anulatória
de outras consideradas inconstitucionais, sôbre os atos praticados na vigência delas, considerados
sem efeito.

No julgamento da representação 512, de que fui Relator (7-12-62) e no recurso extraordinário n9


48.655, relatado pelo eminente Ministro Luis GaIlotti (Diário da Justiça, 20-8-64) assentou o Supremo
Tribunal jurisprudência no sentido da constitucionalidade do Decreto n~ 3. 806, e da Lei n~ 2.677, de
21-2-61, na forma ainda da Lei n9 2.800, de 21-8-62, não havendo assim como apoiar a decisão
recorrida GU'~ fulminou êsses mesmos documentos legislativos.

Por essa razão, não havia como deixar de prover o agravo para a subida do recurso extraordinário
denegado. Há, no entanto. na espécie. uma circunstância de fato e de direito que merece destaqtH.'.
e que o agravado Adelfo de Oliveira r,,!elo, ao ser empossado e entrado no exercicio do cargo, já se
encontrava no gôzu da situação de estabilidade.

Se é certo que o estágio prob..lt6rio não protege o funcionário contra os efeitos da extinção do cargo,
não é menos verdade que a estabilidade encontra guarida no preceito do art. 189, 11, parágr..lfo
unico, da Constituição federal. que garante a disponibilidade remunerada até obrigatório apro_
veitamento em outro cargo de n2.tt.reza e vencimentos compatíveis.

Mas a decisão recorrida foi par" alé:m da meta constitucional e mandou reintegrar o agravado,

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criando assim uma situação jurídica, em flagrante contraste com o preceito constitucional que só o
julgamento do recurso poderá esclarecer.

Pelo exposto, dou provimento ao agravo, para mandar subir o recurso.

DECISÃO

Como consta da ata, a decisão foi a seguinte: A Turma unânime deu provimento ao agravo.

Presidência do Exmo. Sr, Mínistro Hahnemann Guimarães. Relator, o Exmo. Sr. Ministro Pedro
Chaves. Tomaram parte no julgamento os Exmos. Srs. Ministros Aliomar Baleeiro, Adalicio Nogueira,
Pedro Chaves, Vilas-Boas e Hahnemann Guimarães.

Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de
provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração;

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de


provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na
forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual
período;

IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso


público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados
para assumir cargo ou emprego, na carreira;

V - os cargos em comissão e as funções de confiança serão exercidos, preferencialmente, por


servidores ocupantes de cargo de carreira técnica ou profissional, nos casos e condições previstos
em lei;

V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e


os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e
percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;

VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei complementar;

VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

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IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público;

X - a revisão geral da remuneração dos servidores públicos, sem distinção de índices entre
servidores públicos civis e militares, far-se-á sempre na mesma data;

X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente


poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso,
assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento)

XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração dos
servidores públicos, observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos poderes, os
valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso
Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e seus correspondentes nos
Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como
remuneração, em espécie, pelo Prefeito; (Vide Lei nº 8.448, de 1992)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide Emenda Constitucional nº 20, de
1998)

XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da


administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal,
aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal,
o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados
Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal
de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este
limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser
superiores aos pagos pelo Poder Executivo;

XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de vencimentos, para o efeito de remuneração de


pessoal do serviço público, ressalvado o disposto no inciso anterior e no art. 39, § 1º ;

XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de


remuneração de pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem
acumulados, para fins de concessão de acréscimos ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico
fundamento;

XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem
acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

XV - os vencimentos dos servidores públicos são irredutíveis, e a remuneração observará o que


dispõem os arts. 37, XI e XII, 150, II, 153, III e § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
18, 1998)

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XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis,


ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, §
2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários:

a) a de dois cargos de professor;

b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;

c) a de dois cargos privativos de médico;

XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

c) a de dois cargos privativos de médico; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões


regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)

XVII a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, empresas


públicas, sociedades de economia mista e fundações mantidas pelo Poder Público;

XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações,


empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas,
direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de
competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;

XIX - somente por lei específica poderão ser criadas empresa pública , sociedade de economia mista,
autarquia ou fundação pública;

XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último
caso, definir as áreas de sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades


mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações


serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a
todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as
condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de
qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
(Regulamento)

XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas,
terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada,
inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter

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caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou
imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da
autoridade responsável, nos termos da lei.

§ 3º As reclamações relativas à prestação de serviços públicos serão disciplinadas em lei.

§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta,


regulando especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção


de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos
serviços; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,


observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
(Vide Lei nº 12.527, de 2011)

III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou


função na administração pública. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da


função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação
previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor
ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos


responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da


administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta


e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo
à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - o prazo de duração do contrato; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos


dirigentes; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

III - a remuneração do pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e


suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos


arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em
lei de livre nomeação e exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (Vide
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput
deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)

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§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao
Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica,
como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça,
limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados
Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

Art. 38. Ao servidor público em exercício de mandato eletivo aplicam- se as seguintes disposições:

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de


mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)

I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego
ou função;

II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado
optar pela sua remuneração;

III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens


de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo
compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;

IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de
serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;

V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados


como se no exercício estivesse.

SEÇÃO II
DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS
DOS SERVIDORES PÚBLICOS
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua
competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública
direta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4)

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos
Poderes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-4)

§ 1º A lei assegurará, aos servidores da administração direta, isonomia de vencimentos para cargos
de atribuições iguais ou assemelhados do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou
ao local de trabalho. (Vide Lei nº 8.448, de 1992)

§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório


observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada


carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 2º Aplica-se a esses servidores o disposto no art. 7º, IV, VI, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII,
XVIII, XIX, XX, XXII, XXIII e XXX.

§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o


aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos

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para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os
entes federados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de
admissão quando a natureza do cargo o exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários


Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única,
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou
outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação
entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o
disposto no art. 37, XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e


da remuneração dos cargos e empregos públicos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de
recursos orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia
e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade,
treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público,
inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)

§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do
§ 4º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Estabilidade e efetividade no art. 19 do ADCT/88.

A postura do Supremo Tribunal Federal na defesa da exigência do concurso público para provimento
de cargos e empregos nas Administrações Públicas dos três entes políticos, dos três Poderes, é, sob
todos os aspectos, digna de aplausos.

A Suprema Corte, em várias oportunidades, pôs termo a vários e vários abusos praticados pelas
Administrações Públicas em todos os seus níveis. São exemplos: a ADI nº. 186-8-PR (Pleno, Rel.
Min. Francisco Rezek, dec. un., DJU 15.9.1995), quando declarou-se inconstitucional o provimento
derivado de cargo de "agente fiscal do Estado" por "detentor do emprego de conferente da Secretaria
de Estado das Finanças"; o RE nº. 365.368-AgR (1a. Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julg.:
22.5.2007, DJU 29.06.2007), quando julgou-se inconstitucional a criação de 42 cargos de livre
nomeação, contra apenas 25 cargos de provimento efetivo criados, por ofensiva aos critérios de
proporcionalidade e de razoabilidade; a ADI nº. 3233- PB (Pleno, Rel. Min. Joaquim Barbosa, dec.
un., DJU 28.5.2007), oportunidade em que decidiu-se inconstitucional a criação de funções de
confiança de livre nomeação sem que tais funções demandassem habilidade profissional específica,
e nem que apresentassem características de poder de comando inerente aos cargos de direção; e a
ADI nº. 289-9-CE (Pleno, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, dec. un., DJU 16.3.2007), quando declarou-
se – longe de ser pela primeira vez, e talvez mais longe ainda de ser pela última – inconstitucional
legislação estadual que ampliava os requisitos para a aquisição da estabilidade excepcional prevista
no art. 19 do ADCT/88. Enfim, a Súmula nº. 685 é, sem dúvida, um retrato fiel dessa jurisprudência
altamente promotora dos princípios republicanos mais nobres – da igualdade de todos perante a lei, e
da igualdade de oportunidades diante do Estado segundo o mérito de cada um: isonomia e
impessoalidade.

Não obstante, a jurisprudência desenvolvida pelo Supremo Tribunal Federal a respeito da


estabilidade excepcional instituída pelo art. 19 do ADCT/88, e sua relação com o instituto da
efetividade, merece ser objeto de algumas considerações.

Em relação aos servidores celetistas, contratados há cinco anos antes da promulgação da


Constituição Federal, o art. 19, "caput", do ADCT/88 determinou, com eficácia e aplicabilidade plenas,

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que os servidores originariamente contratados para empregos públicos na Administração Federal


direta e autárquica, ou fundacional – autárquica –seriam considerados "estáveis".

Até aí, poder-se-ia admitir a continuidade do vínculo celetista, já que o instituto da estabilidade não é
exclusivo – ou, pelo menos, não era exclusivo, considerando-se as modificações introduzidas pela
Emenda nº. 19/98 – da natureza estatutária do vínculo.

Ainda hoje, existem situações de empregados de empresas privadas, regidos pela CLT, mas
protegidos pela estabilidade no emprego, ainda que provisória, como a empregada gestante, na
hipótese prevista no art. 10, II, letra "b" do ADCT/88.

Mas deve-se conjugar a "estabilidade" assegurada no "caput" do art. 19 do ADCT/88 com a


"efetividade" prevista no § 1o. deste mesmo artigo, até porque o tempo de serviço do servidor
aprovado no "concurso para fins de efetivação" seria "contado como título".

Ora, só poderia ser "contado como título", como critério para classificação nesse concurso, cujo
resultado, em havendo aprovação, seria a atribuição da qualidade de "efetivo" ao servidor que já
havia sido "estabilizado" pelo referido art. 19, "caput" do ADCT/88.

Por outro lado, é certo que não há que se falar em "efetividade" no sistema da CLT.

Ocorre que o legislador constitucional incidiu em invencível contradição quando da formulação do §


1º., citado.

É que, por definição e princípio, a "efetividade" sempre foi pressuposto para a aquisição da
"estabilidade" no cargo público, e não o inverso.

A título exemplificativo, vejam-se as palavras de LÚCIA VALLE FIGUEIREDO:

"Cargos efetivos são os que não prescindem de concurso público para a sua titularização. Como o
próprio nome diz, efetivo é qualidade inerente ao cargo. Este supõe a necessidade de permanência
de seu titular. Destarte, o cargo efetivo pode ser ocupado, temporariamente, por funcionário não
estável." (Curso de Direito Administrativo, Malheiros Editores, 1995, 2 a. ed., p. 381)

Igualmente, HELY LOPES MEIRELLES:

"A nomeação em caráter efetivo é a condição primeira para a aquisição da estabilidade. A


efetividade, embora se refira ao servidor, é apenas um atributo do cargo, concernente à sua forma de
provimento, e, como tal, deve ser declarada no decreto de nomeação e no título respectivo, porque
um servidor pode ocupar transitoriamente um cargo de provimento efetivo (casos de substituição, por
exemplo), sem que essa qualidade se transmita ao seu ocupante eventual. (...)

"Não há confundir efetividade com estabilidade, porque aquela é uma característica da nomeação, e
esta é um atributo pessoal do ocupante do cargo, adquirido após a satisfação de certas condições de
seu exercício. A efetividade é um pressuposto necessário da estabilidade. Sem efetividade não pode
ser adquirida a estabilidade." (Direito Administrativo Brasileiro, Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo,
16a. ed., 1991, p. 377) (grifei)

CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO entende que a "efetivação" "é um plus em relação à
estabilidade", pois o Texto Constitucional "mencionou os funcionários concursados, isto é, titulares de
cargo efetivo ou vitalício". Mas, em continuação, afirma que "se se estabilizaram no cargo para o qual
se concursaram, são, na verdade, efetivos ou vitalícios". (Regime Constitucional dos Servidores da
Administração Direta e Indireta, Revista dos Tribunais, São Paulo, 1991, 2 a. ed., p. 122). Ora, se
cronologicamente a estabilidade no serviço público se dá quando o funcionário já é efetivo, logo, em
momento posterior à aquisição da efetividade, como pode ser esta um plus em relação àquela?

MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, depois de reconhecer que a efetividade seja pressuposto
lógico e necessário para a aquisição da estabilidade do servidor público "stricto sensu", diz:

"O reconhecimento de estabilidade a esses servidores não implica efetividade, porque esta só existe
com relação a cargos de provimento por concurso: a conclusão se confirma pela norma do § 1 o. do
mesmo dispositivo, que permite a contagem de tempo de serviço prestado pelos servidores que

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adquiriram essa estabilidade excepcional, "como título quando se submeterem a concurso para fins
de efetivação, na forma da lei". (Direito Administrativo, Ed. Atlas, São Paulo, 1996, 7 a. ed., p. 377)

Mas a autora não explicou a contradição acima apontada.

WOLGRAN JUNQUEIRA FERREIRA defende o entendimento de que "o art. 19 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias não estabilizou os empregados no serviço público, apenas
os servidores" (Comentários ao Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União,
EDIPRO, 1993, 3a. ed., p. 250)

O argumento não convence, pelo simples fato de que, à época em que promulgada a Constituição
Federal de 1988, o termo "servidor público" era o gênero, sendo suas espécies o funcionário público e
o empregado público.

Como dito por DIÓGENES GASPARINI:

"SERVIDORES PÚBLICOS – São caracterizados pela profissionalidade (prestam serviços à


Administração pública direta e indireta, como profissionais), pela dependência do relacionamento (as
entidades a que se vinculam prescrevem seus comportamentos nos mínimos detalhes, não lhes
permitindo qualquer autonomia) e pela perenidade (não – eventualidade) da relação de trabalho que
ajustaram com as referidas entidades. Não importa, então, o regime, estatutário ou celetista, pelo
qual se vinculam à Administração Pública direta e indireta, se a relação de trabalho é marcada por
essas notas. Todos são servidores públicos. A expressão designa os que prestam serviço sob o
regime estatutário ou celetista e abarca tanto os que se ligam às entidades públicas (União, Estado –
Membro, Distrito Federal, Município, autarquias e fundações públicas) como os que se vinculam às
entidades privadas criadas pelo Poder Público, como são as sociedadesde economia mista, as
empresas públicas e as fundações privadas. Por isso, com acerto, como observa Celso Antônio
Bandeira de Mello, a expressão "não é restrita aos agentes titulares de cargos ou apenas dos que
estejam ligados a entidades de direito público" (Regime Constitucional, cit., p. 32)". (Direito
Administrativo, Ed. Saraiva, São Paulo, 1995, 4a. ed., p. 116-117)

Foi em razão dessa não-restrição que o STF, quando do julgamento do AgRRE nº. 223.426-8-MG
(2a. Turma, Rel. Min. Carlos Velloso, dec. un., DJU 21.3.2003, p. 62), reconheceu a legitimidade de
empregado celetista, "contratado pela FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO", mas "lotado na Secretaria de
Estado de Planejamento e Coordenação Geral" no período de 01.10.1980 a 31.12.1987, e de
01.01.1988 a 31.07.1990 como "contratado pela CREDIREAL SERVIÇOS GERAIS E
CONSTRUÇÕES S/A", porém, "lotado na Secretaria de Estado de Assuntos Municipais", e "em
exercício, há mais de cinco anos", sem que tivesse havido qualquer "dia de interrupção" daquele
exercício, para ser estabilizado no serviço público estadual, como servidor estatutário.

Deve-se notar, por sinal, que o Eg. STF, quando do julgamento da ADI nº. 88-8-MG (Pleno, Rel. Min.
Moreira Alves, dec. un., DJU 08.9.2000, p. 03), declarou inconstitucional lei estadual que permitia a
estabilização no serviço público, como funcionário, de "empregado público" "contratado por entidade
de direito privado sob controle direto ou indireto do Estado", e que, "mediante convênio, preste
serviços de natureza permanente à administração direta estadual".

Ou seja, em evidente contradição com a linha de pensamento adotada quando do julgamento


AgRRE nº. 223.426-8-MG...

De todo modo, e isso foi feito quando do julgamento da ADI nº. 289-CE (Pleno, Rel. Min. Sepúlveda
Pertence, dec. un., DJU 16.3.2007), é importante ressaltar que não há como se falar
em efetividadesem que se tenha em vista, exclusivamente, a figura do cargo público, "não se
compreendendo um sem o outro", como dito pelo Exmo. Sr. Ministro Relator.

O legislador constituinte podia ter alterado muita coisa, inclusive matérias antes protegidas pelos
institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito.

Porém, para tudo há limites, inclusive para o poder legiferante pleno.

Como diz o conhecido brocardo a respeito do Parlamento britânico, "o Parlamento pode tudo, menos
transformar homem em mulher, e vice-versa".

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A assertiva bem-humorada traduz a amplitude do poder exercido pelo Parlamento na Grã-Bretanha,


cujas leis são insuscetíveis de controle de constitucionalidade pelos juízes da Coroa – eles, também,
funcionários, e não membros de um Poder autônomo e independente.

"Mutatis mutandis", o mesmo pode ser dito no caso do Parlamento brasileiro, então investido da
qualidade de Poder Constituinte originário.

Podia mudar muitas coisas, quase tudo.

Menos afrontar a natureza, a lógica das coisas e os princípios sedimentados não só em longa
tradição jurídica, mas também legislativa e jurisprudencial.

O legislador constituinte brasileiro, enfim, equivocou-se quando da redação do § 1o. do art. 19, já que
no "caput" deste mesmo artigo concedeu o mais – a estabilidade no serviço público.

De que adiantaria fazer depender o menos – a efetividade – de futura participação do servidor em


concurso?

E se não for aprovado, não continuará estável, por direito adquirido?

Daí porque é correto entender-se que a norma constante no art. 19, "caput", do ADCT/88 já era
imediatamente aplicável e plenamente eficaz antes mesmo da vigência e da eficácia da Lei nº.
8.112/90, e assim, que o empregado público tornou-se, também, imediatamente ao advento daquele
artigo constitucional transitório, funcionário público.

E assim, tanto para os ativos, como para os inativos.

Neste sentido, o Pleno do STF quando do julgamento do MS nº. 21.521-CE (Rel. Min. Carlos Velloso,
dec. un., DJU 06.8.1993, p. 14.902), quanto a benefício estatutário devido a dependentes de servidor
falecido na qualidade formal de "celetista", ou seja, antes do advento da Lei nº. 8.112/90, mas após a
promulgação da CF/88:

"CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. PENSÃO POR MORTE. TOTALIDADE DOS


VENCIMENTOS OU PROVENTOS DO SERVIDOR FALECIDO. PENSAO CONCEDIDA
ANTERIORMENTE À LEI nº. 8.112/90. CF/88, art. 40, § 5o. LEI nº. 8.112/90, art. 42, art. 215, art. 248.

Pensão por morte concedida anteriormente à Lei nº. 8.112/90: passa a ser mantida pelo órgão ou
entidade de origem do servidor. Lei nº. 8.112/90, art. 248. Deverá ela corresponder ao valor da
respectiva remuneração ou provento, observado o teto inscrito no art. 37, XI da Constituição. CF, art.
40, § 5o.; Lei nº. 8.112/90, arts. 215 e 42.

Mandado de segurança deferido."

A Lei nº. 8.112/90, em seu art. 243, § 1o., determinou que "os empregos ocupados pelos servidores
incluídos no regime instituído por esta lei ficam transformados em cargo, na data de sua publicação",
mas, na verdade, os antigos servidores celetistas já eram, desde o advento do art. 19 do ADCT/88,
servidores estatutários.

Encontravam-se, como dito, regidos pelas normas estatutárias então em vigor, já que, como
corretamente observado por WOLGRAN JUNQUEIRA FERREIRA, "o regime estatutário repele o
emprego, dada a sua íntima relação com a Consolidação das Leis do Trabalho, que data de 1943"
(op. cit., p. 249)

Sem que houvessem sido efetivados, os servidores públicos celetistas foram alçados à qualidade
jurídica de servidores estáveis, já com o advento do art. 19 do ADCT/88.

Como à época inexistia previsão constitucional ou legal de estabilidade em serviço público, de duas,
uma: ou deveriam eles ter sido considerados alçados à condição de estatutários, ainda que à falta de
expresso texto legal declaratório neste sentido, ou regulamentador do respectivo Estatuto; ou ter-se-
ia que admitir uma figura esdrúxula, absolutamente inexistente à época, qual seja, o empregado
público, regido pela CLT e estável de modo permanente – estabilidade esta não prevista na CLT.

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Algo diferente deve ser o raciocínio quanto à situação dos servidores contratados antes de cinco
anos da data da promulgação da Constituição Federal de 1988, ingressos no serviço público
independentemente de concurso público.

Embora tenham passado a ocupar cargos efetivos, não adquiriram a estabilidade no serviço público,
e a ocupação daqueles cargos só poderia se dar a título precário, já que, da mesma forma como
antes do advento da CF/88 e ainda sob o regime da CLT, não possuíam garantia ao emprego,
tampouco adquiriram tal direito por força do art. 19 do ADCT/88.

Esses servidores, ainda, deixaram de ser considerados "celetistas", já que seus empregos foram
transformados, automaticamente, em razão da eficácia e da aplicabilidade imediatas do art. 19 do
ADCT/88, em cargos públicos, mas não se tornaram servidores públicos estatutários, à falta de
preenchimento dos requisitos para tal conversão estabelecidos por aquela norma constitucional
transitória.

Conclui-se, assim, que o servidor originalmente contratado sob o regime da CLT, desde que há cinco
anos da promulgação da Constituição Federal de 1988, por força da norma contida no art. 19, "caput"
do ADCT, já era regido pelas normas estatutárias então vigentes, e não mais pela CLT.

E que, a despeito do § 1o. do art. 19 do ADCT/88, não há como ele ser estável sem que, previa e
necessariamente, seja também efetivo.

Por tal motivo, apresenta-se equivocada, "data maxima venia", a assertiva de que "a estabilidade
excepcional prevista no artigo 19 do ADCT/88 não significa efetividade no cargo, para a qual é
imprescindível o concurso público", tantas vezes repetida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal,
como na ADI nº. 289-CE, acima referida.

Retribuição Pecuniária De Cargos

Na Constituição Federal de 1988 os termos vencimento e remuneração são usados com o mesmo
sentido. A Constituição limita-se a diferenciar subsídio da remuneração.

Subsídio é inovação trazida pela emenda constitucional 19/1998 (Reforma administrativa) e é termo
aplicado aos valores pagos em parcela única aos ocupantes de certos cargos na administração
pública (procuradores, juizeis, chefes dos executivos, defensores públicos, entre outros) , já a
segunda é o valor recebido pelos servidores públicos submetidos ao regime jurídico estatutário.

Outras espécie de rendimento que aplica-se aos trabalhadores das entidades públicas diretas e
indiretas é o salário que conceitua-se como aquele valor pago aos empregados públicos, ou seja,
aqueles agentes públicos admitidos no regime Jurídico Trabalhista estando sujeitos à Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT).

Apesar da constituição e diversas leis não tratarem com clareza as diferenças de vencimento e
remuneração, mas diferencia-se subsídios e salários, a Lei ordinária nº 8.112/90 tratou de abordar as
distinções entre Remuneração e Vencimento, como também trata de Proventos e Pensões, vejamos:

Vencimento – é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei. ( art.
40 da Lei 8.112/90).
Remuneração – é o vencimento do cargo efetivo, acrescido dasvantagens pecuniárias permanentes
estabelecidas em lei. (art. 41 da Lei 8.112/90).

Provento – é a retribuição pecuniária a que faz jus o aposentado.

Pensão – é o benefício pago aos dependentes do servidor falecido.

Mas o que seriam as vantagens pecuniárias que são acrescidas ao vencimento para termos a
remuneração ? Segundo Hely Lopes Meirelles elas são:

“vantagens pecuniárias são acréscimos de estipêndio do funcionário, concedidas a título definitivo ou


transitório, pela decorrência do tempo de serviço (ex facto temporis), ou pelo desempenho de funções
especiais (ex facto officii), ou em razão das condições anormais em que se realiza o serviço ( propter
laborem), ou, finalmente, em razão de condições pessoais do servidor ( propter personam). As duas

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primeiras espécies constituem os adicionais ( adicionais de vencimento e adicionais de função), as


duas últimas formam a categoria das gratificações de serviço e gratificações pessoais)”.

Remuneração E Subsídio

Remuneração é signo ambíguo na Constituição Federal, pois ora designa gênero, sendo sinônimo
de retribuição, abrangendo atotalidade das espécies possíveis de estipêndio público (v.g., arts.
37, XIII e 39, §8º da CF), ora designa espécie ou tipo de retribuição(v.g., arts. 37, X; 39, §6º da CF).
Pode-se distinguir ainda entre remuneração do cargo (vg. Art. 39, §1º) e remuneração do agente (vg,
Art. 39, §5º).

Subsídio é espécie de retribuição, prescrita a agentes públicos expressamente referidos em lei ou na


Constituição, definida em termos unitários, sem fracionamento estipendial, e submetida à reserva de
composição constitucional, pois inadmite a criação pelo legislador infraconstitucional de vantagens
acessórias ou complementares (Art. 39, § 4º da CF).

O caráter unitário do subsídio implica a vedação à fragmentação dessa espécie de retribuição em


parte fixa e parte variável, proibição ao fracionamento do subsídio em vantagens diversas ou sua
decomposição em adicionais, abonos, prêmios, ou outro acréscimo de natureza remuneratória (Art.
39, § 4º, CF, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). O caráter exclusivo do
subsídio veda a criatividade do legislador infraconstitucional na definição dessa espécie de
retribuição.

Estão sujeitos a regime retributivo de subsídio apenas os membros de poder; detentores de


mandato eletivo; ministros, secretários de estado e municípios; membros do MP Federal,
Estadual e de Contas; magistrados; advogados da União; Procuradores dos Estados e do DF,
inclusive o procuradores autárquicos; defensores públicos; servidores das carreiras de
segurança pública; Conselheiros e Ministros dos Tribunais de Contas
e, eventualmente, servidores públicos organizados em carreira por expressa definição legal
(Art. 39, §8º da CF). A relação é rebarbativa e pouco técnica, pois diversos agentes nominados
de forma isolada são membros de Poder, sendo referidos em duplicidade pelo mesmo
dispositivo.

Mas o subsídio pode ser percebido cumulativamente com vantagens paralelas de assento imediato
na Constituição Federal, sem quebra de seu caráter unitário. A meu juízo são nove vantagens, a
saber:

a) décimo terceiro salário (Art. 7º,.VIII, c/c Art. 39, §3º);

b) adicional noturno (Art. 7º, IX, c/c Art. 39, §3º);

c) salário-família (Art. 7º, XII, c/c Art. 39, §3º);

d) remuneração do serviço extraordinário (Art. 7º, XVI, c/c Art. 39, §3º);

e) adicional de férias (Art. 7º, XVII, c/c Art. 39, §3º);

f) abono de permanência (Art. 40, §19, CF);

g) adicional ou prêmio de produtividade por economia de despesa (Art. 39, §6º, CF);

h) gratificação de função (Art. 37, V, CF);

i) indenizações (Art. 37, §11, CF).

Não é possível subsídio de emprego público, por diversas razões. Primeiro, por uma questão
sistemática. Na norma definidora dos subsídios consta expressa remissão ao art. 37, X, vale dizer, à
norma que estabelece a exigência de lei específica para aumento ou fixação do subsídio. Essa
norma, como se sabe, não se aplica aos empregados públicos de empresas públicas e sociedades de
economia mista, que podem ter aumentos definidos em acordos ou dissídios coletivos. Por outro lado,
parece incompatível com o regime de emprego público a possibilidade de transformação unilateral do

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regime retributivo, em princípio contratual, para um regime de valor unitário, sem vantagens e
gratificações, unilateralmente fixado por lei pelo Estado.

Por igual, tampouco é adequado empregar o termo subsídio como substitutivo de provento ou
pensão. Não cabe, por exemplo, prever subsídio vitalício para ex-governadores, ex-presidentes, ex-
parlamentares ou situações equivalentes. As leis que preveem termos semelhantes são
inconstitucionais, porquanto ferem o art. 40, caput, e §4º e §13, da Constituição Federal, instituindo
modalidade de aposentadoria ou pensão segundo critérios especiais em hipótese não autorizada pela
lei fundamental.

Por isso, o subsídio pode ser definido como a contraprestação pecuniária regular, definida em valor
único, por lei ou por ato com eficácia de lei, como retribuição ao exercício de cargo, função ou
mandato público, incompatível com o acréscimo de vantagens complementares de matriz
exclusivamente infraconstitucional.

Todas as vantagens retributivas criadas exclusivamente com base em lei são incompatíveis com os
subsídios. Estes apenas admitem as vantagens remuneratórias estabelecidas na própria Constituição
Federal e, em termos genéricos, as vantagens indenizatórias.

A admissão das vantagens constitucionais complementares ou paralelas ao subsídio, previstas na


Constituição Federal decorre, entre outros, do disposto no art. 39, §3º, com a redação da emenda
constitucional 19, que reza:

“Art. 39, §3º. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII,
IX, XII, XIII, XV, XVI, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados
de admissão quando a natureza do cargo o exigir.”

O dispositivo referido não distingue o agente que percebe a sua retribuição em regime de subsídio ou
de remuneração para fins de assegurar o gozo de direitos sociais fundamentais, como o 13º salário
(Art. 7º,.VIII), o adicional noturno (Art. 7º, IX); o salário-família (Art. 7º, XII), a remuneração do serviço
extraordinário (Art. 7º, XVI), o adicional de férias (Art. 7º, XVII). Outros direitos constitucionais, no
entanto, seriam ineficazes se não conciliados também com a norma do art. 37, § 4º, da Constituição,
como o direito de perceber abono de permanência (Art. 40, §19, CF), adicional ou prêmio de
produtividade por economia de despesa (Art. 39, §6º, CF), gratificação de função (Art. 37, V, CF) e
indenizações (Art. 37, §11, CF).

A fixação do subsídio não pode ser fracionada, deve ser feita em valor único, mas além do subsídio
os agentes públicos titulares de cargos públicos poderão receber as vantagens indicadas, em
paralelo, com especial destaque para as indenizatórias.

Acumulação De Cargos, Empregos E Funções

Guia do Servidor

É a situação do servidor que ocupa mais de um cargo, emprego ou função pública.

Requisitos Básicos:

Conforme a Constituição Federal, é permitida a acumulação de:

1. dois cargos de professor;

2. um cargo de professor com outro técnico ou científico;

3. dois cargos de profissionais da área de saúde.

Procedimentos:

A comprovação da acumulação será feita pelo servidor, anualmente, mediante:

1. declaração de acumulação atestada pela chefia imediata e pelo diretor da unidade ou órgão;

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2. documento atualizado fornecido pelo órgão onde exerce a atividade, comprovando: cargo,
emprego ou função, data de admissão e horário semanal;

3. descrição de atividades, quando necessário.

Informações Gerais:

1. A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos ou funções em autarquias, fundações


públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos
Estados, dos Territórios e dos Municípios.

2. Não é permitida a acumulação em:

a)dois cargos de professor com soma maior que 60 horas semanais;

b) um cargo de professor com um outro técnico ou científico com soma maior que 60 horas semanais;

c) dois cargos de professor com Dedicação Exclusiva;

d) proventos de aposentadoria com vencimentos com soma maior que 60 horas semanais.

3. Deve-se verificar, sempre, a compatibilidade de horários, respeitando-se intervalos para repouso,


alimentação e distância a ser percorrida entre um emprego/cargo ou função e outro. A acumulação de
cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação de horários.

4. A acumulação de proventos e vencimentos somente é permitida quando se tratar de cargos,


funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma permitida pela Constituição.

5. São considerados cargos técnicos ou científicos os seguintes:

a) aqueles para cujo exercício seja indispensável e predominante a aplicação de conhecimentos


científicos ou artísticos, obtidos em nível superior de ensino e;

b) aqueles para cujo exercício seja exigida habilitação em curso legalmente classificado como
técnico, de grau ou nível superior de ensino; e

c) os cargos ou empregos de nível médio, cujas atribuições lhe emprestem características de


"técnico".

6. São considerados cargos ou empregos de profissionais da saúde aqueles cujas atribuições estão
voltadas, exclusivamente e no sentido estrito, para a área da saúde.

7. O docente em regime de Dedicação Exclusiva não poderá exercer outra atividade remunerada
pública ou privada, salvo as exceções, abaixo descritas, em caráter esporádico:

a) participação em extensão e pós-graduação;

b) instrução em treinamentos;

c) participação, mediante convite, em eventos e/ou em atividades técnicas relacionadas com a área
específica de especialidade do docente;

d) consultoria;

e) organização de eventos;

f) coordenação e/ou participação em convênios, desde que haja previsão orçamentária para tal fim;

g) outras, a critério do Colegiado do Departamento.

8. No caso de acumulação ilegal, comprovada a boa-fé, por meio de processo disciplinar sumário, o
servidor optará por um dos cargos, empregos ou funções.

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9. Nos casos de acumulação ilegal, comprovada a má-fé, a pena prevista é a de demissão após a
conclusão do Processo Disciplinar sumário.

10. O servidor não poderá exercer o comércio, exceto como acionista, cotista ou comandatário, nem
participar de gerência ou administração de empresa privada ou sociedade civil e, nessa condição,
transacionar com o Estado.

Fundamentos Legais:

1. Arts. 37, incisos XVI e XVII e 95, parágrafo único, inciso I da Constituição Federal de 1988.

2. Decreto nº 2.027/96, de 11/10/96 (D.O.U. 14/10/96 ).

3. Emenda Constitucional nº 34/2001 e Emenda Constitucional 47/2005.

4. Instrução Normativa MARE nº 11/96 de 17/10/1996.

5. Arts. 5º, incisos II e III e 7º da Lei nº 8.027, de 12/4/90 (D.O.U. 13/4/90).

6. Arts. 118, 119, 120, 132, inciso XII e 133 da Lei nº 8.112, de 11/12/90 (D.O.U. 12/12/90), alterados
pelo art. 10 da Lei nº 9.527/97 (D.O.U. 11/12/90).

7. Art. 133, § 7º da Lei nº 9.527/97, de 10/10/97 (D.O.U. 11/12/97).

8. Ofício nº 1387/2001-SRH de 10/08/2001.

9. Ofício n.º 381 /2002/COGLE/SRH/MP de 27/12/02.

10. Ofício Nº 13/2002-COGLE/SRH de 02/01/02.

11. Ofício Nº 75/2005/COGES/SRH/MP

12. Parecer DRH/SAF nº 346, de 27/10/91 (D.O.U. 22/11/91).

13. Parecer AGU nº GQ 145 de 30/03/1998.

14. Orientação Consultiva nº 17/97 DENOR/SRH/MARE de 12/11/97.

Portaria DRH/SAF nº 15, de 24/4/90 (D.O.U. 26/4/90) alterada pela Portaria DRH/SAF nº 162, de
17/5/90 (D.O.U. 21/5/90).

Vacância no Serviço Público Federal Conforme a Lei 8.112/90

São hipóteses de vacância:

A) por extinção de vínculo:

A.1) Exoneração – dispensa do servidor público a seu pedido ou pela Administração (ex ofício);

A.2) Demissão – é imposta ao servidor pelo cometimento de falta disciplinar e tem a natureza
sancionatória;

A.3) Anulação do ato de investidura – quando o ato de investidura for desfeito por ter sido declarado
sem validade jurídica.

A.4) Falecimento – o falecimento produz extinção automática do vínculo;

B) Por modificação do vínculo

B.1) Aposentadoria – é a transferência para inatividade remunerada, pode ser compulsória, voluntária
e por invalidez.;

B.2) Readaptação – quando ocorre a investidura do agente em cargo incompatível com a limitação
que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, fixada por inspeção médica;

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B.3) Posse em outro cargo inacumulável – a impossibilidade de acumulação de cargos impede a


posse no novo cargo.

B.4) Promoção – provimento em cargo mais elevada da carreira do servidor público.

Conforme o artigo 33 da lei 8.112 de 1990 são:

Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:

I – exoneração;
II – demissão;
III – promoção;
IV – ascensão; (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
V – transferência (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
VI – readaptação;
VII – aposentadoria;
VIII – posse em outro cargo inacumulável;
IX – falecimento.

Das Formas De Provimentos

Nomeação: a nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimentoefetivo depende de


prévia habilitação em concurso público de provas oude provas e títulos, obedecidos a ordem de
classificação e o prazo desua validade. Assim aquele que desejar ser servidor público federalterá que
se submeter a uma verdadeira maratona.

Conforme preleciona Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: “Sempre que oprovimento decorrer de
concurso público haverá nomeação e o provimentoé efetivo e originário. Se fulano ingressou num
hospital federal porconcurso como enfermeiro, mais tarde conclui o curso de medicina edeseja
exercer esta profissão no mesmo hospital, terá que fazer novoconcurso, para o cargo de médico. Se
aprovado, será nomeado no novocargo e depois tomará posse. Embora fulano de possuísse um
vínculoanterior com a mesma administração, nenhuma relação há entre oprovimento desse cargo de
médico e seu cargo anterior. Sua nomeaçãocomo médico decorre exclusivamente de sua aprovação
no novo concurso eseu provimento, portanto é originário”. Direito administrativo. Marcelo alexandrino
e Vicente Paulo -4º Ed. Rio de Janeiro: Impetus,2002 Pag. 233.Segundo Celso Ribeiro Bastos,
“provimento é o ato pelo qual oservidor público é investido no exercício de um cargo, ou
funçãopública, pode ser originário ou derivado”. “Provimento originário ou autônomo- primeira
investidura. É aforma de provimento em que o preenchimento se faz originariamente, isto é
independentemente de qualquer relação anterior entre oindivíduo e o serviço público. Esse
preenchimento só ocorre pornomeação ou contratação, dependendo do regime jurídico de que
setrate. ”

“Provimento derivado é aquele que procede de um vinculo anteriorentre o servidor e a Administração


e pode dar-se por: derivaçãovertical, reintegração, recondução e reversão ex officio”. Bastos, Celso
Ribeiro, 1938- Curso de direito administrativo 2º ed –São Paulo: saraiva,1996 pg.298. São muitas as
exigências feitas aos candidatos a cargos públicosefetivos. Os editais contemplam grande conteúdo
programático para asprovas escritas.

Há também a possibilidade de serem submetidos aprovas de títulos, além de curso de formação,


teste físico e examesmédicos. Todos preliminar a nomeação. Os demais requisitos para o ingresso e
o desenvolvimento doservidor na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela leique fixar
as diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamentos nos
termos da redação dada pelaLei nº 9.527, de 10.12.97.

O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, podendo serprorrogado uma única vez, por
igual período. É importante frisar quenão se abrirá novo concurso enquanto houver candidato
aprovado emconcurso anterior com prazo de validade não expirado. Todavia antes doefetivo
exercício deve o candidato tomar posse e antes de tomar possedeve ser nomeado. A nomeação é
um ato unilateral da administração e a posse é um ato bilateral. A posse dar-se-á pela assinatura do
respectivo termo, no qual deverãoconstar as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os
direitosinerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alteradosunilateralmente, por qualquer das
partes, ressalvados os atos deofício previstos em lei. A posse ocorrerá no prazo de trinta dias

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contados da publicação do atode provimento e poderá dar-se mediante procuração específica.


Éimportante deixar claro que só haverá posse nos casos de provimentode cargo por nomeação.

É de quinze dias o prazo para o servidorempossado em cargo público entrar em exercício, contados
da data daposse. Na lição de Hely Lopes Meirelles, “provimento é o ato pelo qual seefetua o
preenchimento do cargo público, com a designação de seutitular”. “As duas principais classificações
doutrinárias sobre o provimentodizem respeito à durabilidade e à origem. Assim, quanto
àdurabilidade, o provimento pode ser efetivo, vitalício ou em comissão; quanto à origem, originário ou
derivado.” Vejamos; Formas de provimento quanto à durabilidade. “A Constituição Federal prevê três
hipóteses de provimento doscargos públicos: efetivo, vitalício e em comissão”.

“Denomina-se provimento efetivo aquele originado de nomeação porconcurso público, assegurado o


direito à estabilidade após três anosde efetivo exercício...”112 Meirelles, Hely Lopes. Direito
administrativo brasileiro. 26. Ed. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 392. Da Promoção é a forma de
provimento pela qual o servidor passa para cargosituado em classe mais elevada, dentro da carreira
a que pertence.

Há como dito ser necessário um cargo que disponha um escalonamento decarreira. Não é possível,
como dito, um agente de polícia ser promovido adelegado, pois este é outro cargo e a promoção só
se opera naestrutura de um mesmo cargo. Assim, se um agente de polícia deseja ser delegado deve
prestarconcurso e prover o cargo por intermédio de uma nomeação. Da readaptação imaginemos que
uma pessoa logrou êxito em concurso público, foinomeado, tomou posse e entrou em exercício no
cargo de policialfederal. Ocorre que sofreu um acidente e em razão disto ficou com umalimitação
física que o impossibilitou o exercício regular de suasfunções. O que fazer com o servidor então? Se
julgado incapaz para o serviço público, será aposentado.

Todavia pode o servidor ser readaptado nos termos da lei 81112/90: readaptação é a investidura do
servidor em cargo de atribuições eresponsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido
em suacapacidade física ou mental verificada em inspeção médica. Todavia a readaptação será
efetivada em cargo de atribuiçõesafins, respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade
eequivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de cargovago, o servidor exercerá suas
atribuições como excedente, até aocorrência de vaga. É razoável, por exemplo, que o servido agente
de polícia passe a trabalhar interno, todavia é defeso que atue como um delegado, pois este é outro
cargo que deve ser provido por nomeação enão por Readaptaçã. Como bem assevera o autor José
dos Santos Carvalho Filho: ”readaptação é forma de provimento pela qual o servidor passa a
ocuparcargo diverso do que ocupava, tendo em vista a necessidade decompatibilizar o exercício da
função pública com a limitação sofridaem sua capacidade física ou psíquica. E a recondução é o
retorno doservidor que tenha estabilidade ao cargo que ocupava anteriormente, por motivo de sua
inabilitação em estágio probatório relativo a outrocargo ou pela reintegração de outro servidor ao
cargo do qual teve quese afastar”.

Manual de Direito Administrativo 20º edição revista,ampliada e atualizada até 157 2008 pg580. José
dos Santos Carvalho Filho. Da reversão imaginemos que este mesmo servidor foi aposentado e
situação superveniente fez tal servidor retornar a Administração Pública. Diz-se reversão o fenômeno
de retorno à atividade de servidoraposentado nas seguintes situações: por invalidez, quando junta
médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou no interesse da administração,
desde que:

a)tenha solicitado a reversão;


b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
c) estável quando na atividade;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores àsolicitação;
e) haja cargo vago.

É óbvio que a reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação e não
poderá reverter o aposentado quejá tiver completado 70 (setenta) anos de idade. Do aproveitamento
como dito acima se no momento da reintegração encontrar-se provido o cargo, o seu eventual
ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro
cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Assim, pode o servidor ficar em casa a disposição do
órgão recebem do proporcional ao tempo de serviço até que o órgão central do sistema de pessoal

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civil determine o imediato aproveitamento de servidor em disponibilidade em vaga que vier a ocorrer
nos órgãos ou entidades da administração pública federal.

Este retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-ámediante aproveitamento obrigatório


em cargo de atribuições evencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado. Será tornado sem
efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o servidor não entrar em exercício no prazo
legal, salvo doençacomprovada por junta médica oficial. Da reintegração imaginemos agora que este
mesmo servidor foi aposentado ou exonerado de maneira ilegal e consequentemente invalidada a
sua aposentadoria por sentença administrativa ou judicial. Chamaremos de reintegração
areinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ouno cargo resultante de sua
transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com
ressarcimento detodas as vantagens nos termos do art.28 da lei 8.112/90. Note que a lei diz servidor
estável, todavia é óbvio que mesmo oservidor não estável deve ser reintegrado caso o seu
afastamento tenha sido de maneira ilegal.

Trata-se de controle externo se declarado pelo judiciário ou aplicação do princípio da autotutela se


decidido demaneira administrativa. Se no momento da reintegração encontrar-se provido o cargo, o
seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou
aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Da recondução como dito acima se
no momento da reintegração encontrar-se provido ocargo, o seu eventual ocupante será reconduzido
ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em
disponibilidade. A recondução é, portanto, o retorno do servidor estável ao cargoanteriormente
ocupado e decorrerá em duas situações: inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
oureintegração do anterior ocupante. Em qualquer hipótese se encontrando provido o cargo de
origem, o servidor será aproveitado em outro, observado o disposto no art. 30. Da lei 8.112/90.

Há divergência doutrinária se pode ser reconduzido aquele servidor queapesar de ainda não ter sido
integralmente avaliado no novo cargodemonstra interesse em retornar ao cargo de origem por
entender quenão se adaptar as novas funções. Firmamos entendimento que é altamente possível,
mesmo antes doresultado da avaliação de desempenho reconduzir o servidor ao cargoanterior em
razão da existência da sua estabilidade no serviçopúblico.

Formas De Vacância

Exoneração: a exoneração de cargo efetivo dar-se a pedido do servidor, ou de ofício. Neste último
caso a exoneração na hipótese de não satisfeitasas condições do estágio probatório ou ainda
quando, tendo tomadoposse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido. Caso haja a
nomeação sem que exista a posse não há o que se falar em exoneração.

Nesse caso a nomeação será tida sem efeito. Na lição Celso Ribeiro Bastos “Exoneração é o
desligamento do funcionário sem caráter punitivo. Poder dar-se a pedido quando se tratar de servidor
nomeado em caráter efetivo ou ex officio quando setratar de servidor em cargo de confiança”. Curso
direito administrativo/Celso Ribeiro Bastos-2ª Ed-São Paulo: Saraiva 1996. Pág. 301.

Segundo a inteligência Art. 21 da lei 6.123/90 o servidor habilitadoem concurso público e empossado
em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anosde
efetivo exercício. Todavia com o advento da emenda constitucional19 tal prazo foi prorrogado para 3
anos. Assim, o servidor não estável poderá ser exonerado quando não satisfeitas as condições do
estágio probatório. Agora, depois de adquirida a estabilidade será possível o servidor ser exonerado?
Ou seja, a tão sonhada estabilidade do servidor público efetivo é absoluta ou relativa? Se o servidor é
ocupante de cargo em comissão já sabemos que não há estabilidade, pois como bem preleciona o
artigo 35 da lei 8.112/90, a exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de
confiançadar-se a juízo da autoridade competente ou a pedido do próprioservidor. Quanto ao servidor
efetivo a resposta é negativa. Não há estabilidade absoluta, isto é o que se abstrai do texto
constitucional no que tange a despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios que não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar.

Assim, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências


Incluídas pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998:I - redução em pelo menos vinte por cento das
despesas com cargos emcomissão e funções de confiança; (Incluído pela Emenda Constitucionalnº
19, de 1998)II - exoneração dos servidores não estáveis. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,

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de 1998) (Vide Emenda Constitucional nº 19, de1998)§ 4º Se as medidas adotadas com base no
parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei
complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder ocargo, desde que ato
normativo motivado de cada um dos poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade
administrativaobjeto da redução de pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº19, de 1998)§ 5º
O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior farájus a indenização correspondente a
um mês de remuneração por ano deserviço. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)§ 6º
O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores seráconsiderado extinto, vedada a
criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro
anos.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)§ 7º Lei federal disporá sobre as normas
gerais a serem obedecidas naefetivação do disposto no § 4º. (Incluído pela Emenda Constitucionalnº
19, de 1998). A exoneração do cargo em comissão não precisa de motivação.

Todavia se motivado deve ser a expressão da verdade. Caso contrário a exoneração pode ser
considerada nula em homenagem a teoria dos motivos determinantes. Conforme preleciona Hely
Lopes Meirelles, ”exoneração não épenalidade, não é demissão do servidor, por não convir á
administração sua permanência uma vez que seu desempenho funcional não foi satisfatório nessa
fase experimental sabiamente instituída pelaconstituição para os que almejam a estabilidade no
serviço pública”. Hely Meirelles Direito administrativo Brasileiro. 32ªediçao pág. 446 editoras
Malheiros Ltda.

Demissão: de missão é uma forma vacância em razão de cometimento de uma infração penal ou
administrativa. Honestidade, probidade e idoneidade são pressupostos da atividade administrativa.
Presume-se, portanto, que os atos administrativos praticados pelos agentes sejam legítimos. Quando
o servidor comete falta grave passa a não fazer mais por merecer estes status. Recebe, então, a
punição desde que seja precedida do devido processo legalonde se oportuniza a ampla defesa e o
contraditório que são corolários do estado democrático de direito.

Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e agravidade da infração cometida, os


danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e o
santecedentes funcionais.O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento legal
e a causa da sanção disciplinar. Segundo o ensinamento de Hely Meirelles “ A demissão ,entretanto,
como pena administrativa que é, poder ser aplicada em qualquer fase aoestável e ao instável desde
que o servidor cometa infração disciplinar ou crime funcional regularmente apurado em processo
administrativo ou judicial não há demissão ad .nutum , como não há exoneração disciplinar “. Hely
Meirelles Direito administrativo brasileiro. 32ªediçao pág. 449 editora Malheiro Ltda.

A demissão será aplicada nos seguintes casos previstos no Art. 132. dalei 8.112/90:
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo;
III – inassiduidade habitual;
IV - improbidade administrativa;
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
VI - insubordinação grave em serviço;
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de
outrem;
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos;
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
XI - corrupção;
XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117 abaixorelacionados.
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, emdetrimento da dignidade da
função públicação
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada,personificada ou não personificada,
exercer o comércio, exceto naqualidade de acionista, cotista ou comanditário; (Redação dada pelaLei
nº 11.784, de 2008;
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartiçõespúblicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ouassistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge
oucompanheiro;
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquerespécie, em razão de suas

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atribuições;
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
XV - proceder de forma desidiosa;
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição emserviços ou atividades particulares;

Promoção: a promoção é um importante instrumento motivador ela é sem dúvidas, fomentadora do


princípio da eficiência na proporção que garante aos servidores um escalonamento no mesmo cargo
público seja porantiguidade, ou seja, por merecimento.

Considerações Finais

Fica claro, portanto, que existem sete formas de provimento na lei8.112/90, a saber: nomeação;
promoção; readaptação; reversão; aproveitamento; reintegração; recondução. Todavia, só a
nomeação étida como forma de provimento originário, pois não necessita dacondição prévia de
servidor enquanto que as demais tidas comoderivadas necessitam desta condição. A transferência e
a ascensão nãomais encontram guarita no nosso ordenamento jurídico por terem sidorevogadas pela
lei 9.527/97 e por não ter sido recepcionada pelaConstituição de 1988.

Introdução

Primeiramente, é necessário tecer alguns comentários sobre a responsabilidade da autoridade


instauradora do processo e dos membros da comissão de processo.

Deve-se gizar que a autoridade administrativa, os membros da comissão, que der causa à prescrição
administrativa, bem ainda se fizer conluio para o fim de punir o servidor acusado, não respeitando o
justo processo, responderá administrativa, penal e civilmente.

Vejamos o §2º do art. 169 da lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre a responsabilidade da autoridade
que der causa à prescrição:

“Art. 169 [omissis][...]

§ 2o A autoridade julgadora que der causa à prescrição de que trata o art. 142, § 2o, será
responsabilizada na forma do Capítulo IV do Título IV.”

Nesse passo, devemos atentar que a ação disciplinar inicia-se com a instauração do processo
disciplinar e este ocorrerá com o conhecimento da autoridade de alguma prática de ilícito
administrativo na administração.

Diz o art. 143 da lei nº 8.112/1990:

“Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a
sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao
acusado ampla defesa.”

A autoridade não tem disponibilidade da ação disciplinar. Ao ter ciência de qualquer irregularidade,
ela tem o dever de iniciar a ação disciplinar, mediante sindicância investigatória, acusatória ou
processo administrativo disciplinar, se já houver materialidade e indícios de autoria.

O capítulo IV, do Título IV, trata dos ilícitos administrativos – arts. 116, 117 e 132, da lei nº 8112/1990
– sendo certo que as instâncias, penal e administrativa, são independentes (art. 121 e 125, lei nº
8112/1990).

A autoridade administrativa que não instaurar processo disciplinar em razão de irregularidade que
chegou ao seu conhecimento, pode ainda responder por improbidade administrativa, nos termos do
art. 132 da lei nº 8.112/1990, que prevê, inclusive, pena de demissão.

Igualmente, caso a autoridade não instaure sindicância ou processo administrativo disciplinar em


razão de conhecimento de irregularidade no serviço público, ela responderá pelo crime de
prevaricação ou mesmo corrupção passiva, a depender do tipo de crime que tenha praticado. Tais
crimes estão previstos no Código Penal:

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“Prevaricação

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Corrupção Passiva

Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal
vantagem:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de
12.11.2003)

§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o


funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Condescendência Criminosa

Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente:

Pena - Detenção, De Quinze Dias A Um Mês, Ou Multa.”

Outrossim, a autoridade e membros podem responder por improbidade administrativa se suas


condutas se enquadrarem na lei nº 8.429/1992, mais precisamente as condutas descritas no art. 11:

“Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e
lealdade às instituições, e notadamente:

II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;”

Embora muitos autores entendam que a improbidade administrativa não está contida na modalidade
responsabilidade civil, não se pode olvidar que ela (improbidade) tem aspectos civis, administrativos.
Assim, o servidor, além de ter de ressarcir o dano à luz do Código Civil, poderá sofrer as sanções do
art. 12 da lei nº 8.429/1992. É tanto verdade a assertiva acima que o próprio art. 12 dessa lei
preceitua que as sanções ali previstas serão aplicadas sem prejuízo das sanções penais, civis e
administrativas. Isso quer dizer que a lei de improbidade administrativa, além de prever
ressarcimento, estabelece outras sanções em razão de condutas ímprobas praticadas por agente
público e terceiros, como partícipe.

O objetivo deste livro não é discorrer sobre a essência da lei de improbidade administrativa, todavia, é
bastante que se saiba que a autoridade administrativa e membros de comissão respondem também
nos termos dessa lei.

Atente-se para a redação do art. 12 da lei nº 8.429/1990:

“Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação
específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem
ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: (Redação dada pela
Lei nº 12.120, de 2009).[...]

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III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o
valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano
causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente”.

Assim, tanto a autoridade quanto os membros podem responder administrativa, penal e civilmente
quando derem causa à prescrição ou mesmo quando usarem o processo administrativo disciplinar
para atingir fim escuso e, ainda, por atos de improbidade administrativa.

2. Responsabilidade administrativa, penal e civil do servidor público

O servidor público, indubitavelmente, responde no âmbito civil, penal e administrativo pelo exercício
irregular de suas funções. Muitas vezes, quando o servidor comete um ilícito administrativo, este
pode atingir as duas outras esferas, civil e penal.

Dizem os arts. 121 e 125 da lei nº 8.112/1990:

“Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas
atribuições.

Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre
si.”

A própria lei nº 8.112/1990 ressalva que a sanção administrativa pode cumular-se com a civil e penal.
Dentre elas, ainda há a responsabilidade por atos de improbidade administrativa, conforme previsão
da lei nº 8.429/1992.

Na verdade, o Estatuto dos servidores não é lei própria para definir responsabilidade penal e civil do
servidor público. Esse artigo apenas lembra às autoridades administrativas e à comissão de processo
que se o ilícito administrativo cometido pelo servidor corresponder a alguma conduta prevista como
crime, ou mesmo se constituir em ilícito civil, cópia do processo deve ser encaminhado para as
autoridades competentes para apurar aquela mesma conduta, sob a ótica do penal, civil, ou mesmo
do ato de improbidade administrativa, nos termos da lei nº 8.429/1992.

Nesse ponto, vale citar as digressões de Ivan Barbosa Rigolin[1]:

“Este dispositivo fixa, sem dúvida com abuso de competência, que o servidor responderá civil, penal e
administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições.

Que a L. 8.112 pode estabelecer a responsabilidade administrativa de seu servidor é lógico e de


esperar; que estabeleça responsabilidade civil e penal, só será isso admissível como lembrete ou
recordação às autoridades. Não será nunca a Administração quem apurará a responsabilidade civil
do servidor, nem muito menos penal, mas única e exclusivamente o Poder Judiciário, por suas
seções civil e criminal.

Na fixação da responsabilidade civil e criminal do servidor a L. 8.112 pretende apenas recordar às


autoridades que, quando a Administração apurar possível existência de crime ou de lesão contra seu
patrimônio, em procedimentos passíveis de ações judiciais reparatórias, deverá encaminhar à Justiça
a competente queixa, para possível instauração de ação penal, sem se omitir evidentemente o
Ministério Público nesta necessária apreciação; ou mover a competente ação civil (União versus
servidor fulano de tal), de indenização.”

De toda forma, esse artigo não é desnecessário, porquanto, é sempre bom lembrar às autoridades
administrativas de seu dever de dar ciência aos órgãos encarregados de apurar crimes, ilícito civil e
improbidade administrativa.

A responsabilidade civil do servidor público está assim definida na lei nº 8.112/1990:

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“Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que
resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.

§ 1o A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma


prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.

§ 2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em


ação regressiva.”

Por fim, impende ressaltar que o fato de ter o servidor tríplice responsabilidade não quer dizer que a
autoridade administrativa apurará os fatos imputados a ele em todas as esferas, deve-se limitar
apenas ao aspecto administrativo de sua conduta.

3. Responsabilidade penal

A responsabilidade penal do servidor público decorre de uma conduta contrária às leis penais e à lei
de contravenção penal, Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941.

Os fatos que constituem crimes estão previstos a partir do art. 121 do Código Penal, bem como em
uma gama de leis extravagantes no nosso ordenamento jurídico, que seria humanamente impossível
enumerar todas elas neste livro. Apenas consigne-se que os crimes eleitorais, previstos no Código
Eleitoral, são essencialmente crimes comuns, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal –
STF.

Os crimes cometidos por servidores públicos são apurados pelos órgãos definidos na Constituição da
República Federativa do Brasil e no Código de Processo Penal.

O art. 144 da Constituição Federal define as atribuições das polícias, e o §1º, inciso I, estabelece que
à Polícia Federal reserva-se a atribuição de apurar as infrações penais, no âmbito federal.
Colacionamos os dispositivos pertinentes abaixo:

“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para
a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se a:" (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme,
segundo se dispuser em lei;”

O art. 4º do Código de Processo Penal estabelece que a autoridade policial é que tem atribuições
para investigar crimes, in verbis:

“Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela
Lei nº 9.043, de 9.5.1995).

Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a
quem por lei seja cometida a mesma função.”

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A ressalva do parágrafo único refere-se àqueles órgãos cujas autoridades podem instaurar inquérito
administrativo, tais como a Polícia Militar e as Forças Armadas.

No caso das Polícias Militares e das Forças Armadas, o Código de Processo Penal dá competência
às autoridades administrativas desses órgãos para instaurar inquérito militar para apurar crimes
cometidos por seus integrantes.

E, ainda, as Assembleias Legislativas, a Câmara Federal e o Senado Federal instituíram a chamada


Polícia Legislativa. Pelo menos no caso do Senado, há Resolução específica que outorga à Polícia
Legislativa competência para instauração de inquérito, caso ocorra algum crime dentro de suas
dependências, busca e apreensão, etc.

A Resolução do Senado Federal nº 59/2002 disciplina as atribuições da Polícia Legislativa. Foi


ajuizada uma ação direta de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal pela Mesa do Senado,
em 2009, para confirmar a constitucionalidade dessa resolução, pois houve vários questionamentos
acerca das atribuições da chamada Polícia Legislativa de instaurar inquérito policial, busca e
apreensão, etc, pois tal atribuição, segundo a Constituição Federal, está reservada à Polícia Federal
e Civil dos Estados. Há notícias, nos jornais, que o STF declarou inconstitucional essa resolução; até
o momento não houve publicação do acórdão, portanto, deixamos de fazer qualquer comentário.
Todavia, filiamos à corrente que considera inconstitucional a criação dessas polícias legislativas.

Por sua vez, a ação penal somente pode ser iniciada pelo Ministério Público, que é
o dominus litis, nos termos do art. 129, inciso I da Constituição Federal e art. 24 do Código de
Processo Penal:

“Constituição Federal De 1988

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

Código De Processo Penal

Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo”.

Deve-se ressaltar, no entanto, que os crimes mais comuns cometidos pelo servidor público em razão
de suas atribuições, que podem constituir também ilícito administrativo, são os apresentados abaixo
(Título XI: Dos crimes contra a administração pública; capítulo I: Dos crimes praticados por
funcionário público contra a administração em geral), mas é apenas um rol enumerativo, pois existem
outros, com certeza:

“Peculato

Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público
ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:

Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor
ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Peculato Culposo

§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível,


extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.

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Peculato Mediante Erro De Outrem

Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro
de outrem:

Pena - Reclusão, De Um A Quatro Anos, E Multa.

Inserção de dados falsos em sistema de informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração
Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: (Incluído
pela Lei nº 9.983, de 2000))

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)

Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática


sem autorização ou solicitação de autoridade competente: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração
resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado.(Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)

Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento

Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo;
sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.

Emprego irregular de verbas ou rendas públicas

Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

Concussão

Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

Excesso De Exação

§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou,
quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: (Redação
dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)

§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para


recolher aos cofres públicos:

Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

Corrupção Passiva

Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da

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função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal
vantagem:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de
12.11.2003)

§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o


funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Facilitação de contrabando ou descaminho

Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art.
334):

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)

Prevaricação

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao
preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros
presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007).

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

Condescendência Criminosa

Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Advocacia Administrativa

Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública,
valendo-se da qualidade de funcionário:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:

Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.

Violência Arbitrária

Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:

Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência.

Abandono De Função

Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

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§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado

Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar
a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído
ou suspenso:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Violação De Sigilo Funcional

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou
facilitar-lhe a revelação:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra


forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da
Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: (Incluído pela Lei nº
9.983, de 2000)

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Violação Do Sigilo De Proposta De Concorrência

Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo
de devassá-lo:

Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.

Funcionário Público

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou
sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade


paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a
execução de atividade típica da Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo
forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da
administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo
poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980)”

Naturalmente, o rol apresentado acima poderia sistematicamente aumentar, todavia, é difícil exaurir
as inúmeras condutas do servidor público, que em razão de suas atribuições, pode eventualmente
cometer crimes. Deve-se atentar que qualquer crime ou contravenção cometida por servidor público
na repartição pública ou em razão de suas funções pode ensejar uma punição disciplinar, como já
asseverado sem prejuízo das sanções civis e penais.

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Tome o seguinte exemplo: um servidor público federal, dentro da repartição, inicia uma briga com um
colega de serviço e vem a assassiná-lo. O crime é de homicídio e será apurado pela Polícia Federal.
A denúncia será oferecida pelo Ministério Público Federal e o julgamento será realizado pelo Poder
Judiciário Federal. E naturalmente, a autoridade administrativa deverá instaurar processo disciplinar,
não para apurar o homicídio, que não é da sua competência, mas para apurar se a conduta do
servidor condiz com os ditames da Administração Pública. Nesse caso, muito provavelmente a
autoridade expedirá Portaria, que descreverá o fato e o enquadrará em um ou mais dos seguintes
ilícitos administrativos previstos no art. 132, da lei nº 8.112/1990:

“Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: [...]

V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;

VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de
outrem”;

Outro exemplo: o servidor subtrai bem móvel da repartição pública. Trata-se de cometimento de
suposto peculato-furto, previsto no art. 312 do Código Penal. Porém, a autoridade administrativa,
nesse caso, também, não poderá fazer juízo de valor do crime em questão. Apenas ao editar a
Portaria para abertura do processo administrativo disciplinar, deverá descrever o fato e enquadrar a
conduta nos tipos previstos na lei nº 8112/1990, mais precisamente nos artigos 116, 117 e/ou 132.

Assim, a autoridade administrativa somente instaurará o processo administrativo disciplinar, sem que
faça juízo de valor do crime. Deve apenas se ater aos aspectos administrativos da conduta, pois os
órgãos competentes acima citados devem apurar e processar o servidor por prática de crime.

4. A culpa e o dolo como pressuposto da responsabilidade disciplinar

A maioria dos autores que escrevem sobre Direito Disciplinar afirmam que não há necessidade de
perquirir o dolo do servidor, posto que basta a presença da voluntariedade do servidor público para
que seja punido. Dentre esses autores, destacamos José Armando da Costa e Antonio Caros Alencar
Carvalho.

De fato, a responsabilidade administrativa do servidor é sempre subjetiva. Ela não se satisfaz apenas
com a mera comprovação de um resultado do ilícito administrativo. A responsabilidade subjetiva
prescinde da intenção ou voluntariedade do servidor de praticar o ato lesivo, a ilicitude. Assim, deve-
se não só comprovar a ocorrência, fato enquadrável como ilícito administrativo, bem ainda que tal fato
tenha ocorrido em razão da intenção/voluntariedade do servidor, de determinado ânimo subjetivo.

Muito embora a lei nº 8.112/1990, mais precisamente o art. 124, não preveja a presença do dolo ou
culpa para a responsabilidade administrativa, não podemos cogitar de responsabilidade objetiva
administrativa do servidor público, pois, em nosso sistema jurídico, vige o princípio da culpabilidade.
O nosso sistema jurídico não acolheu a responsabilidade objetiva ou qualquer espécie de
responsabilidade pelo resultado em se tratando de prática de ilícitos por um ser humano. Não há
direito penal do autor em nosso sistema jurídico. Vige, assim, o princípio da culpabilidade, que requer
a subjetividade da responsabilidade quer administrativa, quer penal.[2]

Assim, quando a lei 8.112/1990 se refere à responsabilidade administrativa, esta será sempre a
subjetiva. Por isso, afirma-se que será sempre uma pessoa o sujeito ativo de um ilícito administrativo,
com a intenção/voluntariedade (dolo ou culpa) de praticá-lo.

Por fim, vige no Direito moderno o caráter pessoal do ilícito, o princípio da culpabilidade, o princípio
da personalidade da sanção e sua individualização, conforme a Constituição da República Federativa
do Brasil.

Acerca do conceito de dolo, tem-se que o Direito Disciplinar deve procurar auxílio no Direito Penal.
Assim está estabelecido no art. 18, inciso I do Código Penal:

“Art. 18: Diz-se o crime:

I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo.

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II - Culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como
crime, senão quando o pratica dolosamente.”

Em relação ao art. 18, II, é a doutrina que vai definir o que é imprudência, negligência e imperícia. A
doutrina define culpa como sendo “a inobservância do dever objetivo de cuidado manifestada numa
conduta produtora de um resultado não querido, objetivamente previsível.”[3]

Desse modo, para se punir um servidor público pela prática de um ilícito administrativo, é necessário
que ele tenha consciência e vontade para realizar a conduta descrita na lei nº 8.112/1990.

A primeira parte do art. 18, inciso I, “doloso, quando o agente quis o resultado”, traduz-se na vontade
do agente em realizar a conduta proibida, isto é, há um ato volitivo para cometer o crime. A segunda
parte, “ou assumiu o risco de produzi-lo”, diz que o agente não quer realizar o tipo penal, quer algo
diferente; todavia, assume o risco de produzir o resultado perpetrado pelo tipo penal. Conforme Julio
Fabbrini Mirabete, na primeira parte do art. 18, I, há dolo direto e na segunda parte, há dolo
eventual.[4]

Com salienta o penalista Cézar Roberto Bitencourt: “O dolo é constituído por dois elementos: o
cognitivo e o volitivo.”[5] Ainda afirma esse autor:[6]

“Dolo é a consciência e vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal, ou, na


expressão de Welzel, “Dolo, em sentido técnico penal, é somente a vontade de ação orientada à
realização do tipo de um delito”. O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo.
Pela definição, constata-se que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o
conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizá-la.”

As normas contidas no Código Penal em relação ao crime doloso são de observância obrigatória no
momento da adequação do fato típico. Do mesmo modo, entendemos que em se tratando do ilícito
administrativo, deve-se perquirir o dolo do servidor.

A lei nº 8.112/1990, em seus arts. 138, 140, estabelece que a responsabilidade administrativa, pelo
menos no caso de abandono de cargo, decorre do ato intencional do servidor, in verbis:

“Art. 138. Configura abandono de cargo a ausência intencional do servidor ao serviço por mais de
trinta dias consecutivos. (grifamos)

Art. 140. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, também será adotado o
procedimento sumário a que se refere o art. 133, observando-se especialmente que: (Redação dada
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)[...]

a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa do período de ausência intencional do


servidor ao serviço superior a trinta dias; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) (grifamos)

b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de falta ao serviço sem causa
justificada, por período igual ou superior a sessenta dias interpoladamente, durante o período de doze
meses; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à


responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, indicará o respectivo
dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono de cargo, sobre a intencionalidade da ausência
ao serviço superior a trinta dias e remeterá o processo à autoridade instauradora para julgamento.
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)” (grifamos)

Ora, há aí um gérmen da presença do dolo, pois a intenção do agente é exatamente o ato volitivo
para a prática do ato ilícito.

Antônio Carlos Alencar Carvalho, ao discorrer sobre a “noção de dolo no campo do direito
administrativo, afirma que “Diz-se que uma conduta é dolosa quando o servidor público deseja o
resultado (dolo direto) ou assume o risco de produzi-lo (dolo eventual).[7]

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Igualmente, Sebastião José Lessa entende que a responsabilidade disciplinar prescinde do dolo[8]:

“Percebe-se, de início, que não há no preceito do art. 124, que cuida da responsabilidade disciplinar,
menção expressa ao dolo ou à culpa, diferentemente do que ocorre na redação do art. 122, que trata
da responsabilidade civil.

Mas isso não quer dizer, a bom aviso, que o dolo e a culpa sejam irrelevantes quando se cogita da
censura disciplinar.

Em verdade, existem transgressões disciplinares que diante da intensidade danosa só se


caracterizam com a presença do dolo, como, por exemplo, o prevalecimento abusivo do cargo para
lograr proveito pessoal, bem como o recebimento de propina (art. 117, incs. IX e XII, lei nº 8.112/90).”

Finalmente, alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça consagram o princípio da culpabilidade


como pressuposto da sanção disciplinar, mais precisamente a responsabilidade administrativa terá
como exigência fulcral a presença do dolo.[9]

Assim, o princípio da culpabilidade vige também no Direito Disciplinar, devendo os membros de


comissão de processo e a autoridade administrativa perquirirem a presença do dolo/culpa quando da
apreciação da responsabilidade administrativa do servidor acusado de prática de ilícito administrativo.

Naturalmente, quando o servidor público praticar um ato por culpa, negligência, imprudência ou
imperícia, sua conduta pode merecer uma reprimenda menos severa do que quando praticar o ato
por dolo, pois havendo a presença deste, em muitos casos, poderá ser aplicada a sanção de
demissão.

Então, deve-se frisar que os ilícitos administrativos previstos no art. 132 da lei nº 8.112/1990 sempre
necessitará da presença do dolo do servidor para que possa ser apenado com a demissão. Por outro
lado, para a aplicação da sanção de advertência e suspensão (art. 116 e parte do art. 117 da lei nº
8.112/1990), apenas a presença da culpa em sentido estrito (negligência, imprudência e imperícia) é
necessária para enquadrar o servidor nos ilícitos administrativos previstos nos arts. 116 e art. 117 da
lei nº 8.112/1990.

5. Responsabilidade Civil

A responsabilidade civil pode ser contratual ou extracontratual, chamada também de “Aquiliana”. A


contratual decorre de inadimplemento contratual e depende de uma prévia relação jurídica. A
extracontratual (Aquiliana) decorre da violação do dever geral de não causar danos a outrem. É a
chamada teoria “Ulpiano”.

No Brasil, foram adotadas as teorias da responsabilidade objetiva e subjetiva, ou seja, teoria da culpa
e teoria do risco. A responsabilidade subjetiva pressupõe uma conduta culposa, dano e nexo de
causalidade. A objetiva pressupõe conduta, dano e nexo de causalidade, conforme se vê nos arts. 21,
XXIII, “d” e 225, §3º da Constituição Federal.

O Código Civil distingue duas espécies de responsabilidade: contratual e extracontratual. Os arts.


186, 187 e 927 tratam da responsabilidade extracontratual, a ver:

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente
os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar,
por sua natureza, risco para os direitos de outrem.”

Por sua vez, quanto à responsabilidade contratual, esta não interessa ao nosso estudo, entretanto,
citem-se os arts. 395 e s. e 389 que tratam da referida responsabilidade contratual, in verbis:

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AGENTES PÚBLICOS

“Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de
advogado.

Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos
valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.

Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e
exigir a satisfação das perdas e danos.”

A responsabilidade objetiva pode ser legal ou judicial. Ela é legal quando, obviamente, a lei previr que
a pessoa responderá objetiva e judicialmente quando o juiz dispensa a apreciação da culpa em
decorrência de atividade de risco que a pessoa desenvolve.

Impende ressaltar, também, que a responsabilidade da Administração Pública é, em regra, objetiva,


em decorrência do que dispõe o art. 37 da Constituição da República, in verbis:

“Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº. 19, de 1998) [...]

XXII[...]

§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos


responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”

Como se vê, o servidor público responde pelo ato ilícito somente quando houver dolo ou culpa, à luz
do art. 186 do Código Civil e inciso XXII, §6º (última parte), do art. 37 da Constituição da República.

A responsabilização civil requer que se comprove que, de alguma forma, o servidor, comissiva ou
omissivamente, agindo de forma dolosa ou culposa no exercício de seu cargo, atuou ou pelo menos
contribuiu de forma indireta para a ocorrência do fato. Nesse caso, não se tolera diluição da
responsabilização entre diversos servidores se for possível a individualização ou se a administração
não for capaz de identificar o responsável.

Em alguns casos, o servidor público não responderá pelo ilícito civil, por força do art. 188 do Código
Civil:

“Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido;

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo


iminente.

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o
tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do
perigo.”

6. Dependência do processo administrativo disciplinar em relação ao processo penal: conseqüencias


advindas da conduta do servidor pela prática de ilícito administrativo quando absolvido pelo juiz
criminal

A responsabilidade administrativa do servidor público é apurada mediante processo administrativo


disciplinar sem prejuízo da apuração pela Polícia Judiciária, caso o fato apurado também constitua,
em tese, crime.

Caso o servidor público seja processado criminalmente, é desnecessário esperar o desenlace do


processo criminal, pois as instâncias são independentes, em regra, a teor dos arts. 121 e 125 da lei nº
8.112/1990, que estabelecem o seguinte:

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“Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas
atribuições.

Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre
si.”

Não raro, as condutas ilícitas perpetradas pelo servidor público em razão de seu cargo constituem
ilícito administrativo e crime. Já discorremos que a autoridade administrativa somente apurará o ilícito
administrativo, devendo enviar cópias para o Ministério Público para requisitar à Polícia Judiciária a
instauração de inquérito policial.

Assim, o servidor público poderá sofrer a reprimenda no âmbito da Administração Pública, inclusive
com a demissão, dependendo da gravidade do ilícito praticado, bem como poderá ser condenado à
sanção de reclusão ou detenção no juízo criminal. São estanques as instâncias, como já dito.

Todavia, o art. 126 da lei nº 8.112/1990 estabelece uma regra a independências das instâncias
administrativa e penal quando o servidor é absolvido no juízo criminal em razão da existência do fato
ou comprado que o servidor acusado não é o autor do crime. Eis o teor do art. 126: “A
responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a
existência do fato ou sua autoria.”

Essa regra está disposta no art. 386 do Código de Processo Penal, in verbis:

“Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:

I - estar provada a inexistência do fato;[...]

IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690,
de 2008)”

Ora, se houver comprovação no processo penal de que o fato apontado como crime nunca existiu,
bem ainda que o servidor público não praticou o crime, é óbvio que tal decisão judicial terá reflexo no
processo administrativo disciplinar, pois o fato apurado pela Administração Pública e aquele apurado
pelo Juízo Criminal é o mesmíssimo fato. Nesse caso, a sentença penal faz coisa julgada para a
Administração Pública, que não poderá processar o servidor público; e se o servidor tiver sido
processado e sofrido alguma sanção, o processo administrativo disciplinar deverá ser revisto e extinto
em razão daquela sentença, retirando-se a sanção dos assentamentos funcionais do servidor.

Caso o servidor tenha sido demitido em regular processo administrativo, a Administração Pública
deverá reintegrá-lo em razão dessa sentença absolutória. Caso não o faça, deve o servidor ajuizar
ação na justiça com esse propósito.

Igualmente, se for reconhecido no Juízo Criminal que o servidor público praticou o fato escudado
pelas excludentes de ilicitude ou culpabilidade, tal decisão fará coisa julgada para a Administração
Pública. Vejamos o que diz o art. 386, inciso VI do CPP:

“Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:

VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e
§ 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua
existência”; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)

As causas que excluem o crime ou isentam o acusado de pena (exclusão de ilicitude e culpabilidade)
foram tratadas no item 3.3.1.Portanto, recomendamos a leitura desse item.

A respeito do tema, Nestor Távora nos ensina:[10]

“A sentença absolutória poderá reconhecer circunstância que exclua o crime, ou seja, uma situação
de excludente de criminalidade. É o Código Penal que estabelece, em seu art. 23, que “não há crime
quando o agente pratica o fato”: (1) “em estado de necessidade”; (2) “em legítima defesa”; e, (3) “em
estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito”. A incidência da coisa julgada

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criminal no cível dependerá, aqui, não só de qual hipótese se trata, mas também de quem
desencadeou a situação excludente.[...]

Diversa das hipóteses aludidas até este ponto, é a da sentença que absolve o réu por reconhecer
excludente de culpabilidade, isto é, em situações que isentam de pena, tais como: [...]”

Essa regra está estampada no art. 65 do Código de Processo Penal que afasta até o ilícito civil
quando o ato for praticado sob as excludentes de ilicitude:

“Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em
estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício
regular de direito.”

Assim, vale essa regra para o Direito Administrativo Disciplinar com todas as suas nuanças.

Igualmente, a prescrição do crime reconhecida no Juízo Criminal afastará o processo administrativo


disciplinar quando o ilícito administrativo for capitulado como crime, desde que o processo
administrativo não tenha sido julgado pela autoridade administrativa, a teor do art. 142, § da lei nº
8.112/1990, que estabelece:

“Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: [...]

§ 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capituladas


também como crime”.

O art. 397 do Código de Processo Penal preceitua que o juiz absolverá sumariamente o acusado
quando reconhecer a extinção da punibilidade:

“Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). [...]

IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).”

Deve-se ler o art. 142 da lei nº 8.112/1990 em cotejo com o art. 397, inciso IV do CPP e com os arts.
107 e 109 do Código Penal, que prevê as causas de extinção de punibilidade e prazos de prescrição,
a saber:

“Extinção da punibilidade

Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [...]

IV - pela prescrição, decadência ou perempção;[...]

Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art.
110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime,
verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).

I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;

II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze;

III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito;

IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro;

V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois;

VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234,
de 2010).”

O Superior Tribunal de Justiça explicitou bem essa regra no julgamento do MS 16075.[11]

Naturalmente, somente a hipótese de prescrição se aplica ao processo administrativo disciplinar, ou

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seja, o reconhecimento pelo juiz criminal de que houve prescrição pode obstar a abertura de
processo administrativo disciplinar ou impedir que ele seja ultimado, caso tenha sido iniciado.

Impende ressaltar que se o processo administrativo disciplinar já tiver sido julgado pela autoridade
administrativa, não há de se falar em prescrição, uma vez que o reconhecimento dessa modalidade
de extinção de punibilidade no Juízo Criminal não fará coisa julgada para a Administração Pública,
pois não se trata de apreciação de fatos pela justiça criminal, mas de questão de direito. Ademais, a
abertura de processo administrativo disciplinar independe de instauração de ação penal (art. 121 e
125 da lei nº 8.112/1990), assim, a Administração Pública poderá ser mais ágil que o Judiciário para
processar o servidor público.

De qualquer forma, sabe-se que dificilmente essa modalidade de prescrição prevista no art. 142 da lei
nº 8.112/1990 ocorrerá, pois, em geral, a Administração Pública é rápida para promover a apuração
dos ilícitos administrativos.

É de se observar que, no caso de reconhecimento da prescrição pelo Juízo Criminal, o juiz não
analisa o mérito da ação penal, pois a prescrição é preliminar de mérito. Aqui não se aprecia os fatos.
A prescrição é uma matéria de Direito apenas. É dizer que o fato existiu, mas o Estado não foi rápido
o suficiente para processar e julgar o acusado. Assim, do mesmo modo que o tempo fulmina a ação
penal, fulminará também a ação administrativa.

A responsabilidade do servidor público é bastante ampla, uma vez que responde em todas as esferas
do direito, pois, pela prática de ilícito administrativo, responde civil, penal e administrativamente.
Desse modo, é de ver que o servidor tem mais responsabilidade que a maioria dos cidadãos, pois
deve ter sempre em mente que sua finalidade é servir a sociedade com profissionalismo e cuidar dos
bens (dinheiros públicos – bens corpóreos e não corpóreos) que são colocados à sua disposição.

O cargo público deve ser exercido com zelo e se deve ter sempre como premissa básica a finalidade
pública da função que exerce.

A culpa e o dolo como pressuposto da responsabilidade disciplinar são relevantes na medida em que
dá possibilidade fática da individualização da sanção administrativa, sendo certo que até mesmo a
absolvição é possível quando se analisa tais pressupostos, como por exemplo, quando houver
alguma excludente ou atenuante.

Mire-se também que o processo administrativo disciplinar, às vezes, pode depender da conclusão do
processo penal. Essa interdependência não é a regra, é exceção à regra. Por isso, os membros de
comissões de processo devem ficar atentos para o procedimento administrativo. Ademais, não devem
se descurar dos princípios constitucionais norteadores do processo, da administração, de forma a não
causar injustiças ou, ainda, não promover uma apuração séria dos fatos.

Assim, entender as várias nuances da responsabilidade do servidor público é condição sine qua
non para que os membros de comissão possam conduzir um processo justo para a sociedade, justo
para o servidor, acusado.

Indubitavelmente, no direito disciplinar, a responsabilidade do servidor público pela prática de atos


ilícitos é tema espinhoso. Não raro, a prática de um fato considerado ilícito resvala não só na
responsabilidade administrativa, como na responsabilidade penal e civil. Os membros de processo
administrativo disciplinar devem ficar atentos a essas nuances, pois na apuração dos fatos exige-se
que a comissão faça uma análise da conduta do servidor em todas essas vertentes (administrativa,
penal e civil). As comissões e a autoridade têm o dever legal de comunicar às autoridades
competentes quando se deparar com indícios de cometimento de crimes, ilícitos cíveis, por ventura,
cometidos pelo servidor, acusado em processo disciplinar. É certo que não incumbe às comissões e
nem à autoridade fazer juízo de valor acerca de fatos que possam ser considerados crimes, mas sim
remeter cópia dos autos às autoridades competentes. Outrossim, não devem se descurar que o
servidor público responde por dolo ou culpa, portanto, deve-se fazer uma análise dos ilícitos
administrativos para que se possa definir qual dos elementos está presente, o dolo ou a culpa.

Sindicância E Processo administrativo disciplinar

A sindicância é mero procedimento investigativo, sendo incabível a apresentação de defesa, visto que

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somente pode haver defesa após a formalização de acusação, e esta somente se formaliza quando
da instauração do processo administrativo disciplinar.

No início do período colonial, o governo português, para estimular o povoamento, o cultivo e


exploração das terras brasileiras, utilizou-se do instituto das sesmarias, atribuindo aos donatários
grandes extensões territoriais, mas não submeteu os povoamentos existentes ao controle dos
donatários, sendo naqueles estabelecido governo local relativamente “autônomo”, dirigido por um
chefe municipal ou procurador e por um conselho ou câmara, composto por habitantes locais, ao qual
incumbia as questões “judiciais”, em procedimento semelhante ao adotado, à época, em Portugal.

Com o início do desenvolvimento da colônia brasileira, foi estabelecida a função jurisdicional no


Brasil, com a instituição, em meados do século XVI, de um corpo judicial composto de juízes
ordinários, com jurisdição municipal ou “de nomeação régia” (juiz-de-fora), e, a partir de 1609, dos
tribunais de apelação. Nessa época, de um modo ainda rudimentar, existia no Brasil colonial unidade
de jurisdição, posto que as decisões administrativas eram passíveis de submissão ao crivo do Poder
Judiciário.

Com a reforma decorrente da Lei de 22 de dezembro de 1761, o Marquês de Pombal instituiu os


primórdios do que posteriormente veria a ser denominado de processo administrativo, mediante
procedimentos da Administração em revisar e julgar os seus próprios atos, contudo, após a
Declaração de Independência e influenciado pelas profundas mudanças políticas e institucionais
ocorridas no mundo decorrentes do liberalismo provocado pela revolução francesa, o Imperador D.
Pedro I extinguiu, em 1827, todos os órgãos responsáveis por processos administrativos, tendo-os
recriado tão somente em 1831.

Mas em 1841, influenciado pelo recém criado contencioso administrativo francês, o Imperador, mais
que simplesmente manter a existência do contencioso administrativo, estabeleceu no Brasil a
dualidade de jurisdição, instituindo o contencioso administrativo para todas as causas relacionadas
com a atuação do Poder Executivo.

Em 1859, foi atribuída força de sentença judicial às decisões do contencioso administrativo, posto que
somente poderiam estas ser anuladas pelo Conselho de Estado, em sistema similar ao previsto na
Lei Francesa n.º 16, de 24/05/1870 que estabelecia que “As funções judiciárias são distintas e
permanecerão separadas das funções administrativas. Não poderão os juízes, sob pena de
prevaricação, perturbar, de qualquer maneira, as atividades dos corpos administrativos.”

Mas como, no sistema geral do contencioso administrativo brasileiro, não havia coordenação e
uniformidade, e devido também ao fato de o Conselho de Estado não exercer suas funções com
independência e hegemonia, o contencioso administrativo distanciou-se tanto do paradigma francês
que Visconde do Uruguay chegou a afirmar que, à exceção do contencioso do Ministério da Fazenda,
no mais, era “um verdadeiro caos”.

Com a deposição do Imperador em 1889 e sob a franca inspiração da democracia norte-americana,


foi promulgada, em 24 de fevereiro de 1891, a “Constituição da República dos Estados Unidos do
Brazil”, a qual consagrou o regime republicano e federativo bem como a separação dos poderes.
Neste momento afastou-se o Brasil do sistema de justiça francesa, adotando-se o sistema de
jurisdição única, competindo ao Poder Judiciário inclusive as situações anteriormente atribuídas ao
contencioso administrativo, à semelhança do que fora feito no sistema norte-americano, quando da
promulgação da 5ª Emenda, em 1878, que estabeleceu o due process of law.

Apesar de o contencioso administrativo ter continuado a existir no direito brasileiro, foram-lhe


retiradas as suas funções jurisdicionais e viu-se este, a partir de então, atribuído tão somente de
funções de controle interno da administração, mas, por falta de organização e sistematização,
continuou havendo grande sobreposição de procedimentos e repetição de fases processuais entre
este e o processo judicial.

Em 1969, por força dos artigos 110 e 111 da Constituição de 1969, in litteris, institucionalizou-se a
coexistência do processo administrativo disciplinar com o processo judicial.

“Art. 110. Os litígios decorrentes das relações de trabalho dos servidores com a União, inclusive as
autarquias e as empresas públicas federais, qualquer que seja o seu regime jurídico, processar-se-ão

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e julgar-se-ão perante os juízes federais, devendo ser interposto recurso, se couber, para o Tribunal
Federal de Recursos.

Art. 111. A lei poderá criar contencioso administrativo e atribuir-lhe competência para o julgamento
das causas mencionadas no artigo anterior.”

Todavia, quando da promulgação da Emenda Constitucional n.º 7, de 13/04/77, que alterou o §4º do
artigo 153 da Constituição de 1969, dando-lhes a redação abaixo transcrita, foi restabelecia, ainda
que de forma limitada, a dualidade jurisdicional, ao prever-se que o Poder Judiciário somente poderia
ser acionado após serem exauridas as instâncias administrativas

“§4º A lei não poderá excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão de direito individual. O
ingresso em juízo poderá ser condicionado a que se exauram previamente as vias administrativas,
desde que não exigida garantia de instância, nem ultrapassado o prazo de cento de oitenta dias para
a decisão sobre o pedido.”

Mas em 1988, quando da promulgação da Carta Magna ora em vigor, retornou o instituto do
contencioso administrativo a mero procedimento de controle interno da Administração, extinguindo-se
a necessidade de sua existência prévia para ingresso em juízo, e, visando extinguir os abusos por
vezes ocorrentes nos órgãos contenciosos administrativos, explicitou o direito, já pré-existente, à
ampla defesa no processo administrativo.

Por conseguinte, resta hoje o contencioso administrativo restrito a questões específicas,


especialmente no âmbito tributário, bem como no âmbito funcional da Administração Pública em
relação aos seus servidores.

No âmbito funcional, o direito brasileiro atual prevê a figura do processo administrativo disciplinar
como competente para apurar e punir faltas praticadas pelos servidores públicos, sem, contudo,
retirar ao Poder Judiciário o controle jurisdicional sobre essas questões. Entretanto, tem sido
freqüentemente confundido o processo administrativo disciplinar com a figura da sindicância,
utilizando-se a Administração desta para aplicar punições, quando somente por meio daquele
poderiam estas ser aplicadas.

Processo administrativo disciplinar não se confunde com sindicância, posto que aquele, segundo
lecionava o saudoso Prof. Hely Lopes Meirelles, “é o meio de apuração e punição de faltas graves
dos servidores públicos e demais pessoas sujeitas ao regime funcional de determinados
estabelecimentos da Administração”, e enquanto sindicância, segundo o mesmo ensinador, “é o
meio sumário de elucidação de irregularidades no serviço para subseqüente instauração de processo
e punição ao infrator,... e não tem base para punição, equiparável ao inquérito policial em relação à
ação penal. É o verdadeiro inquérito administrativo que precede o processo administrativo disciplinar.”

Por diversas vezes foram as Cortes Judiciais brasileiras chamadas a se manifestar sobre a matéria,
tendo, como nas Ementas abaixo transcritas, traduzido de forma cristalina a essência da sindicância
e a distinção desta em relação ao processo administrativo disciplinar.

“EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. Funcionário. Demissão. Procedimento


administrativo. Cerceamento de defesa. Lei 8.112/90, art. 132, XIII e art. 117, IX.

I – Sindicância e procedimento administrativo disciplinar: distinção, certo que aquele é, de regra,


medida preparatória deste (Lei 8.112/90, artigos 143, 145, 154)”

(STF Pleno, ac. un., MS n.º 21635-PE, Rel. Min. Carlos Velloso, CJ 20/04/95)”

“EMENTA: Constitucional e Administrativo – Militar – Exclusão a bem da Disciplina – Ausência de


procedimento administrativo – Devido processo legal – Aplicação dos princípios do contraditório e da
ampla defesa aos litigantes, em procedimento disciplinar militar – Art. 5º, LV, da CF/88 – Nulidade do
ato administrativo.

(TRF 1ª Região, 2ª turma, Apelação Cível n.º 100069731, Rel. Juíza Assusete Magalhães, DJ
11/03/94)”

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A sindicância possui natureza, não processual, mas de procedimento investigativo, similar ao


inquérito policial, configurando-se como mecanismo de elucidação de irregularidades no serviço,
podendo transcorrer com informalidade e sem ciência ao investigado, nesse sentido transcreve-se a
fundamentação dada pelo ilustre Ministro José Delgado, ao julgar o Agravo de Instrumento n.º
275892/RJ.

“O inquérito administrativo... constitui mera fase investigatória, assim denominada por sinonímia à
expressão sindicância administrativa, que precede ao processo administrativo e que tem por fito
apurar a ocorrência de fato ilícito que, uma vez provada a sua materialidade e autoria, propiciarão a
instauração deste último, onde se demonstrará a culpabilidade dos indiciados.

Em nada difere do inquérito policial previsto no Código de Processo Penal, tendo o mesmo caráter
inquisitório, não constituindo constrangimento ilegal a sua instauração contra qualquer cidadão.

...O inquérito administrativo precede o processo administrativo disciplinar, tal como o inquérito policial
antecede à ação penal.

...O contraditório só se instalará após a instauração do processo administrativo, instruído com o que
se apurar no inquérito administrativo.

...Dispensa defesa do sindicato e publicidade seu procedimento por se tratar de simples expediente
de verificação de irregularidade e não de base para punição, equiparável ao inquérito policial em
relação à ação penal. É o verdadeiro inquérito administrativo que precede o processo administrativo
disciplinar.

Simples investigação de fatos e da eventual responsabilidade pela sua prática, caso ilícitos,
inexistindo acusação no sentido formal não autorizam o contraditório, sob pena de tornar a apuração
de qualquer fato inviável, com a instauração de contraditório quando, sequer, exista um indiciado.”

Portanto, a sindicância é mero procedimento investigativo, sendo incabível a apresentação de defesa,


visto que somente pode haver defesa após a formalização de acusação, e esta somente se formaliza
quando da instauração do processo administrativo disciplinar, sendo afrontante ao direito brasileiro a
utilização da Sindicância como procedimento sumário para aplicação de penalidades, mesmo de
menor monta, como costuma fazer a Administração Pública no Brasil.

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