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CONTRATOS FINANCEIROS

O Contrato de Depósito
Neste contexto convém salientar antes de mais que o art. 362º do
Código Comercial qualifica como mercantis “todas as operações de
banco tendentes a realizar lucros sobre numerário, fundos públicos ou
títulos negociáveis, e em especial as de câmbio, os arbítrios,
empréstimos, descontos, cobranças, aberturas de crédito, emissão e
circulação de notas ou outros títulos fiduciários pagáveis à vista e ao
portador”.
Contrato de depósito – artigo 1185 Código Civil “Depósito é o contrato
pelo qual uma das partes entrega à outra uma coisa móvel ou imóvel
para que a guarde e a restitua quando lhe for exigida.”

Contrato de depósito mercantil – artigo 403 Código Comercial “Para


que o depósito seja considerado mercantil é necessário que seja de
géneros ou mercadorias destinados a qualquer acto de comércio”.
Depósitos Bancários - São depósitos feitos em bancos que devem
regular-se pela lei comercial e, em tudo o nela não se achar regulado,
pelo que disposto nos Estatutos dos próprios bancos.
Os depósitos bancários podem comportar dois diferentes sentidos: um
amplo e um estrito. No primeiro caso, o depósito bancário é o
contrato pelo qual uma pessoa entrega a um banco uma soma de
dinheiro ou bens móveis de valor, para que este os guarde e restitua
quando o depositante o solicitar. Em sentido estrito, deposito
bancário tem que ver apenas com a entrega de numerário. Numa visão
mais abrangente, o depósito bancário envolve, além do depósito em
dinheiro, o depósito de títulos e de outros valores em cofre – forte.
O depósito em dinheiro apresenta algumas notas comuns com o
contrato de mutuo. Assim, ao depositar dinheiro num banco mais não
fazemos do que lhe emprestar dinheiro, razão pela qual o banco nos
remunera mediante o pagamento de um juro. De igual modo, a
propriedade deste dinheiro transfere-se para o banco que, com ele, vai
poder realizar todas as operações que entender. Os depósitos
bancários deverão entender-se assim como uma forma fácil de captar
recursos financeiros, por parte dos bancos, a um custo mais baixo do
que outro tipo de fontes a que, no caso concreto, se pudesse recorrer.
Nos depósitos em numerário, o objecto do contrato assume uma dupla
disponibilidade: por uma lado, a partir do momento em que é
depositado o dinheiro, o banco assume a sua titularidade podendo usa-
lo como entender, todavia, o depositante adquire o direito de poder
exigir a restituição do montante depositado a qualquer momento.

O Contrato de Mútuo

Contrato de mútuo – artigo 1142 a 1151 Código Civil: “É o contrato


pelo qual uma das partes empresta à outra dinheiro ou outra coisa
fungível, ficando a segunda obrigada a restituir outro tanto do mesmo
género e qualidade.
Para que o mútuo seja comercial é necessário que o objecto do contrato
tenha utilidade no exercício do comércio – art. 396 Código Comercial.
Entre outras especificidades de regime, o contrato de mutuo não é um
contrato essencialmente formal. Embora algumas exigências de forma
devam ser observadas.

Art. 1143º C. Civil


Mutuo

Valor superior a
Valor superior a
10.000 kzs –
20.000 kzs –
documento escrito
celebração de
assinado pelo
escritura publica.
mutuário.
Mutuo

Mercantil – art.
Bancário
396º C. Com

Pode provar-se por


O mútuo entre
escrito particular
comerciantes admite
desde concedido por
qualquer meio de
estabelecimentos
prova.
bancários.

O contrato de locação Financeira


O leasing é uma forma contratual importada dos Estados Unidos da
América que começa a ser usada na Europa sobretudo a partir da
década de 60 do século passado.
Trata-se fundamentalmente da aplicação do contrato de locação a fins
empresariais.

“é o contrato pelo qual uma das partes se obriga, mediante


retribuição, a ceder à outra o gozo temporário de uma coisa móvel ou
imóvel, adquirida ou construída por indicação desta, e que o locatário
poderá comprar, decorrido o período acordado, por um preço nele
determinado ou determinável, mediante simples aplicação dos critérios
nele fixados”

 Em princípio, o contrato de locação financeira, incide sobre bens


de equipamento que poderão ser quer bens móveis, quer bens
imóveis;
 Em lugar de comprar um bem determinado, o titular de uma
determinada empresa convenciona com outro sujeito, que este o
adquira ou mande construir, por sua indicação, com o
compromisso de lhe ceder a utilização desse mesmo bem, por
um certo prazo, e contra uma renda que permita a amortização
do investimento feito pelo adquirente e a cobertura do seu lucro,
com a faculdade de o utilizador do bem poder optar pela compra
no final do contrato.
 O fim último da locação financeira não se reduz porém, como na
locação, a concessão do gozo do bem; antes se visa, mediante
este tipo contratual a prossecução de fina mais amplos, como é
o caso do financiamento.
 A locação financeira surge como um novo tipo financeiro, através
de um novo tipo de financiador.
 A cedência do gozo é apenas um instrumento de concretização
desse financiamento.
Características
1. Um sujeito obriga-se a adquirir e a ceder o gozo de um bem;
2. Este bem é um bem concreto que é indicado pelo próprio
interessado;
3. O locador financeiro obriga-se a celebrar um negócio que é
condição de efectivação da cedência do gozo. Este negócio é
celebrado com um terceiro e é normalmente um contrato de
compra e venda ou d empreitada.
4. Com esta configuração o contrato de leasing apresenta uma
característica de trilateralidade.
5. O utilizador obriga-se a pagar uma renda que garantirá ao
financiador o reembolso do investimento feito;
6. O contrato tem um prazo determinado normalmente em
função do período de vida económica previsível do bem, sendo
que não pode ter duração superior a trinta anos,
considerando-se reduzido a este limite quando for celebrado
por prazo superior. Não havendo estipulação de prazo, o
contrato considera-se celebrado por 18 meses ou 7 anos,
consoante se trate de bens móveis ou de bens imóveis.
7. O contrato pode ser celebrado por escrito particular. Só no
caso de bens imóveis e de bens móveis sujeitos a registo é
que o contrato fica também sujeito a registo.
8. Por força do contrato opera-se uma transferência do risco – o
locador financeiro não responde pelos vícios ou pela aptidão
da coisa para os fins visados pelo utilizador. (É que o locador
só instrumentalmente assume a qualidade de proprietário do
bem; ele adquire o bem pela indicação expressa do
utilizador).
9. A propriedade sobre o bem assumida pelo locador mas não é
do que uma garantia do investimento realizado (garantia que,
em algumas situações, é muito precária, se atentarmos p.ex.
em bens sujeitos a rápida obsolescência).
10. No final do contrato, o locador é obrigado a
vender o bem ao locatário, mediante uma declaração nesse
sentido e por um preço residual. O contrato deve assim prever
a opção de compra pelo locatário. Todavia a aquisição não é
automática com o pagamento da última renda ou com o termo
do contrato, sendo necessária uma declaração do locatário
nesse sentido
11. O contrato de leasing é um contrato de
empresa; é um instrumento de financiamento utilizado por
um financeiro especializado.

Vantagens na utilização deste tipo contratual:


1. No que respeita ao financiador, a vantagem encontra-se no
facto de o leasing permitir um sistema fácil e operacional de
garantia forte pela atribuição da propriedade sobre o bem ao
locador.
2. Do lado do utilizador, o contrato de leasing é um mecanismo
financeiro que lhe aumenta o potencial de crédito; é no
entanto, uma forma de crédito mais cara do que o recurso à
banca porquanto o locatário não só terá de pagar o preço do
bem como também remunerar o capital imobilizado pelo
locador, bem como pagar o lucro do financiador (este elevado
preço será no entanto sopesado com as vantagens fiscais que
gera o recurso a este instrumento financeiro; é que o locatário
terá a possibilidade de dedução total ou parcial das rendas
como despesas de exercício.

O Contrato de Factoring

A actividade de factoring ou cessão financeira consiste na


aquisição de créditos a curto prazo, derivados da venda de produtos
ou da prestação de serviços, nos mercados interno e externo.
Poder-se-ão compreender ainda na actividade de factoring acções
complementares de colaboração entre as sociedades de factoring e os
bancos e os seus clientes, designadamente estudos dos riscos de
crédito e de apoio jurídico, comercial e contabilístico à boa gestão dos
créditos transaccionados.

Factor Aderente

Devedore
s

O factoring consiste fundamentalmente na aquisição pelo factor de


créditos de curto prazo ao aderente. Créditos estes sobre terceiros
devedores dos mesmos.
Só as sociedades de factoring e os bancos podem celebrar, de forma
habitual, como cessionários, contratos de factoring.
O contrato deverá ser sempre realizado por escrito e dele devem
constar o conjunto de relações do factor com o respectivo aderente.
A transmissão dos créditos deve ser acompanhada dos respectivos
documentos que suportam os mesmos, como facturas ou suporte
documental equivalente, nomeadamente informático ou título
cambiário.
Em regra, a empresa aderente que pretende dispor de um serviço de
factoring deverá formular ao factor uma proposta de adesão,
acompanhada de elementos históricos e contabilísticos sobre a sua vida
e situação financeira e económica.
Simultaneamente, submete à aprovação do factor a sua carteira de
clientes, indicando para cada um a sua identificação, o volume normal
de compras anuais, as condições habituais de pagamento e o limite de
crédito que lhe pretende atribuir, de modo a que o factor possa definir
o valor dentro do qual assume o risco de insolvência de cada cliente.
Após o estudo destas informações e definido este limite, em caso de
mutuo consenso, será celebrado um contrato entre o aderente e o
factor, nele se especificando:
 A duração (em regra, não inferior a 6 meses);
 A comissão de factoring = remuneração dos serviços prestados
pelo factor;
 A taxa de juro (dos adiantamentos eventualmente efectuados);
 A provisão financeira = percentagem a deduzir nos
adiantamentos dos créditos cedidos, prevenindo eventuais
ocorrências comerciais;
 Os contratos aprovados, as suas condições, limites e crédito;
 A periodicidade da remessa ao factor pelo aderente das cópias
das facturas por este emitidas;
Simultaneamente, os devedores deverão ter conhecimento deste
contrato, o que será feito por carta registada com A.R.
Posteriormente, o aderente passa a enviar as facturas para os
devedores, com a indicação de que devem ser pagas ao factor, no seu
vencimento e nas condições habituais.
A gestão e a cobrança de créditos pode ser feita nas seguintes
modalidades:
a) sem recurso – o factor não reclamará junto do aderente, em
caso de não pagamento do devedor, sendo, por isso, o risco de
crédito por conta daquele;
b) com recurso – o factor tem direito de regresso sobre o
aderente, nos casos em que os créditos se tornem incobráveis.

A opção pelo factoring dependerá, naturalmente, da comparação entre


custo e eficácia dos serviços prestados pelo factor e o custo e a eficácia
dos mesmos quando efectuados directamente pela empresa, tendo
ainda em atenção as vantagens proporcionadas pelo crédito de
tesouraria obtido.
As empresas aderentes ao factoring podem beneficiar de serviços
específicos, como a gestão de clientes e operações de cobrança,
financiamento a curto prazo, cobertura dos riscos de crédito,
acompanhamento, vigilância, controlo e análise do risco de cada um
dos devedores.
Em contrapartida, o custo do factoring (a remuneração do factor)
poderá comportar uma comissão de factoring, juros sobre o
financiamento concedido (calculados sobre o prazo de cobrança de
cada credito a uma taxa previamente fixada) e o prémio de seguro de
crédito.