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Redes sem fio para Automação Industrial: Estudo e Aplicação.

Hugo Viana Magalhães Seabra e Alexandre Baratella Lugli


Engenharia de Controle e Automação - Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL)

Introdução seria utilizado controle de equipamentos eletroeletrônicos


(segmento residencial). Este padrão se enquadra no grupo
Este segmento de aplicação de produtos que utilizam WLAN (Wireless Local Area Networking) na qual
ondas de rádio (RF) para se comunicarem tem atraído muitos corresponde ao padrão IEEE 802.15.4. [1][2][3]
investimentos de pesquisa e desenvolvimento tanto para É baseado no padrão IEEE 802.15.4, na qual todos os
fabricantes de produtos de automação quanto para a área dispositivos que utilizam o Padrão ZigBee operam na faixa
acadêmica. de frequência ISM (Insdustrial, Scientific and Medical) em
A introdução da comunicação sem fio (wireless) no 2,4GHz na qual não necessita de licença para
segmento industrial vem trazendo grandes benefícios ao funcionamento. Para fazer a transmissão dos dados, faz o
processo produtivo, tais como: redução no tempo de uso da técnica DSSS (Direct Sequency Spread Spectrum)
instalação, facilidade de instalação, não há necessidade de tendo uma taxa de 250 kbps. A faixa de frequência que o
criar infraestrutura para instalação, economia para padrão ZigBee opera é divida em 16 canais. O protocolo de
montagem em campo, possibilidade de instalação em locais acesso ao meio (canal) é o CSMA/CA (Carrier Sense
de difícil acesso, entre outros. Multiple Acess / Collision Avoidance). [4][5][7][27]
Com um aumento significativo da produção As topologias encontradas para a rede Zigbee são:
industrial, grandes demandas de novas implantações, novos Estrela (Star), Árvore (Tree) e Malha (Mesh). Já a estrutura
Layouts industriais, grandes plantas industriais com imensas da rede é dividida em dois tipos de dispositivos, o FFD (Full
áreas produtivas e novas infraestruturas nos diversos Function Device), que funciona como coordenador de rede,
segmentos industriais, estão sendo demandadas. Houve um podendo funcionar em qualquer topologia e ter acesso a
grande interesse por parte das indústrias em utilizar qualquer dispositivo da rede, e o RFD (Reduced Function
instrumentos de campo que não demandam cabos para ser Device) que são dispositivos mais simples que podem operar
alimentados e nem para se comunicarem com a planta de somente na topologia Estrela. [1][2][3][4]
controle. A figura 1 ilustra a topologia de uma rede Zigbee. [4]
Com o passar do tempo, estas novas tecnologias de
comunicação sem fio, voltado para o segmento industrial, foi
ganhando espaço perante o mercado consumidor. O que
antes muitos consumidores tinham dúvidas quanto à questão
de confiabilidade das informações vindas do processo,
capacidade de tráfego de informações (uma vez que as redes
de sensores sem fio não demandam altas taxas de
transmissão), seguranças das informações trafegadas,
robustez, qualidade do serviço implantado e capacidade de
interação com a rede cabeada já existente, não são mais
empecilhos para a escolha da tecnologia, pois, neste cenário,
surgiram padrões (protocolos) específicos para a utilização
da comunicação sem fio na indústria.

Desenvolvimento e metodologia
Figura 1 - Topologias de redes Zigbee [4]
A. ZigBee
B. Bluetooth
O ZigBee é um padrão de tecnologia para
comunicação sem fio que foi desenvolvido pela O Bluetooth é uma tecnologia desenvolvida pela
ZigBee Alliance, junto ao IEEE, com um objetivo de empresa Ericsson (1994) com o objetivo de criar uma
se obter uma nova tecnologia que oferecesse produtos de solução de transmissão sem fio (Wireless) segura, robusta,
baixo custo, com baixo consumo de energia, que não de baixo custo e com pequeno alcance para conectar seus
necessitasse de altas taxas de transferência de dados (na periféricos. Esse desenvolvimento ganhou força com as
faixa de 250 kbps) e de aplicação não complexas, na qual empresas Nokia, IBM, Toshiba, Intel entre outras e que
posteriormente foi padronizada pelo IEEE originando o e no método ACL já é permitido à retransmissão dos dados
padrão IEEE 802.15.1 obtendo uma solução totalmente perdidos. [10][11][12]
aberta e padronizada. [8][9]
Uma rede de dispositivo Bluetooth opera na faixa de C. ISA SP100
frequência ISM, utilizando a FHSS (Frenquency Hopping
Spread Spectrum) para transmissão de dados. Esta faixa é O ISA-100 é um conjunto de padrões de comunicação
dividida em 79 Frequências diferentes para comunicação sem fio desenvolvido pela Sociedade Internacional de
entre mestre e escravo, espaçadas de 1MHz entre elas. A Automação (ISA). [13][14][22][23][24]
cada 1 segundo são feitos 1600 saltos de frequência de forma Exclusivamente para o ambiente industrial, a norma
pseudo-aleatória. Esta sequência de salto é ditada pelo pretende atender todas as áreas possíveis do segmento
mestre no início da comunicação. [9][10][11][12] industrial, sendo a primeira baseada nas reais necessidades
Uma rede Bluetooth é chamada de Piconet na qual dos desenvolvedores, fabricantes e do próprio usuário final.
um Mestre (Master) tem capacidade de controlar até sete Com isso, se trata de um padrão totalmente transparente
Escravos (Slaves) ativos, sendo que há possibilidade de perante aos diversos dispositivos de campo (HART,
haver até 255 escravos inativos (08 bits) esperando PROFIBUS, FIELDBUS e DEVICENET) existentes hoje no
comunicação. Assim, eles podem se tornar um dispositivo mercado. A rede (o protocolo de comunicação ISA SP100)
ativo em apenas 2ms. Um mestre de uma Piconet pode suportará os diversos padrões de protocolos de comunicação
pertencer à outra rede de forma simultânea, mas não acima citados, provendo a comunicação segura e confiável
exercendo o papel de mestre em ambas as redes. Esta entre os dispositivos de campo e a rede de
topologia de rede é conhecida como Scarttnet. controle/supervisão. [13][14][15][16] [22][23][24]
A figura 2 ilustra a topologia de uma rede sem fio O comitê ISA-SP100 foi criado exclusivamente para
Bluetooth. [9] o desenvolvimento deste novo padrão de comunicação sem
fio. Como se trata de um padrão que tende atender uma
grande faixa de aplicação dentro da indústria, tais como,
controle de processos, identificação e rastreamento de
pessoas e equipamentos, convergência entre diferentes
padrões e aplicações de longa distância, e por estas áreas
possuírem diferentes aspectos ambientais, o padrão foi
dividido em seis Classes de acordo com o nível de restrição
temporal (latência). Estas classes ainda são subdivididas em
03 Categorias: Segurança (Safety), Controle e
Monitoramento. A Tabela I ilustra as características e suas
aplicações. [13][14][21][24]

Figura 2 - Topologias de redes Bluetooth. [9] Tabela 1 - Categorias do ISA SP100 [13][21][24] –
Adaptado pelo Autor
Para diferenciar os tipos de dispositivo Bluetooth,
foram criadas três classes que os diferenciam quanto ao
Categoria Classe Aplicação Descrição
alcance: [10][11][12]

• Classe 01: alcance de até 100 metros. Restrição


Segurança 0 Ação Emergencial temporal sempre
crítica
• Classe 02: alcance de até 10 metros.

• Classe 03: alcance de até 1 metro. Sistema de


Restrição
temporal
1 Controle de Malha
normalmente
Fechada
É possível transmitir sinal de Dados e Voz através crítica
Bluetooth em dois diferentes tipos de conexão: o SCO
(Synchronous Connection-Oriented) e o ACL
Sistema de Restrição
(Asynchronous Conneection-Less). O primeiro refere-se a Controle
2 Controle de Malha temporal não
uma conexão síncrona ponto-a-ponto entre mestre e escravo Fechada crítica
sendo utilizada principalmente para transmissão contínua de
dados, por exemplo, a voz. A taxa de transmissão, neste
Sistema de Restrição
modo, é de 432kbps, sendo que 64kbps é pra voz. Já o 3 Controle de Malha temporal quase
segundo é uma comunicação ponto-multiponto realizada Aberta desprezível
entre o mestre e os demais dispositivos da rede. É utilizada
para transferência de dados com taxa de 721kbps. No
método SCO não é permitido o reenvio de pacotes perdidos Monitoramento
4 Alerta
Aplicações com
consequências
operacionais de
curto prazo Wireless ligado ao processo, sendo assim, estes não servem
para rotear mensagens, não criando rotas alternativas para
Eventos menos trafegar informações, uma característica marcante das redes
5 Registo que utilizam topologia Mesh. Os roteadores de Backbone
urgentes
fazem o direcionamento das informações vindas da rede ou
sub-redes de campo em direção à rede de automação
Para o desenvolvimento deste novo padrão, foram principal. Já os Gateways têm uma função muito importante,
criados três frentes de trabalhos (grupos) específicos, o ISA- que é fazer a interface (tradução entre protocolos) entre
SP100.11, o ISA-SP100.14 e o ISA-SP100.21. Cada um todos os dispositivos de campo, sejam eles HART,
destes grupos tem a responsabilidade de estabelecer um PROFIBUS, FIELDBUS e DEVICENET e a rede principal
padrão que definirá como será a implementação da da planta em questão. [15][16]
tecnologia wireless em diferentes tipos de aplicações Baseado do então padrão de referência OSI (Open
industriais. [13][21][24] System Interconnect), o padrão ISA-SP100.11a é composto
pelas camadas física, enlace, rede, transporte e aplicação.
• ISA-SP100.11: o objetivo do grupo é padronizar a [21][22][23]
comunicação sem fio dos dispositivos voltados para A camada física segue especificações do padrão
controle e medição na qual atuarão nas classes da IEEE-802.15.4 operando na faixa ISM em 2,4GHz, faixa que
categoria Controle. é dividida em dezesseis canais fazendo o uso da tecnologia
FHSS e o DSSS (Direct Sequency Spread Spectrum) para
• ISA-SP100.14: o objetivo do grupo é padronizar a transmissão dos dados, tendo uma taxa bruta de 250kbps. O
comunicação sem fio dos dispositivos na qual atuarão acesso ao meio é feito utilizando a técnica TDMA, na qual
nas classes da categoria Monitoramento. estipula um tempo de 10 a 14ms (configurável) para a
realização de comunicação com os demais dispositivos da
• ISA-SP100.21: o objetivo do grupo é padronizar a rede em qualquer um dos dezesseis canais. Exclusivamente
comunicação sem fio dos dispositivos destinado ao para o padrão ISA-SP100.11a, os saltos de frequências
rastreamento de objetos e pessoas em ambientes (Channel Hopping) acontecem em três modos diferentes
industriais. (Slotted, Lento e Híbrido). Esta peculiaridade traz ao
protocolo uma maior segurança e robustez na comunicação.
O primeiro padrão de fato do ISA-100 saiu quando os [15][16][18][19]
grupos ISA-SP100.11 e ISA-SP100.14 se uniram, reunindo Para a realização do endereçamento, a camada de
as características de ambos, e, resultando no grupo ISA- rede é baseada na IETF RFC 494 (6LoWPAN) que permite a
SP100.11a. [13][21][24] implementação do protocolo IPv6 sobre redes
Este grupo definiu toda a estrutura/arquitetura desta IEEE.802.15.4, na qual permite endereçamento IPv6 nos
nova tecnologia como mostra a figura 3. [13][22] dispositivos de campo, trazendo grandes benefícios para a
rede, como por exemplo, podendo ter um grande número de
dispositivos de campo. Como o MTU (Maxumum
transmission Unit) do IPv6 é de 1280 bytes, é de
responsabilidade da camada de rede fazer a
desfragmentação/fragmentação dos pacotes IPv6 sendo que a
MTU dos frames (conjuntos de time-slots) é de 127 bytes.
[17][20][27]
A camada de aplicação é responsável por gerar,
interpretar e responder a comandos trocados entre os
dispositivos (entre instrumentos de campo e/ou instrumentos
de campo e Backbone) bem como reportar o estado de
funcionamento do dispositivo. É por onde o Host
(dispositivo remoto – Mestre da Rede) irá acessar o
instrumento de campo. Ela tem que suportar todos os
dispositivos (diferentes protocolos - HART, PROFIBUS,
FIELDBUS e DEVICENET) propostos pelo padrão ISA-
Figura 3 - Rede ISA-SP100.11a. [13][22] SP100.11a (Tunelamento). Uma característica muito
importante da camada de aplicação é o uso consciente do
dispositivo (Eficiência Energética), ou seja, o protocolo
Utilizando a topologia Mesh para arquitetar sua rede,
desta camada tem que ter a capacidade de extrair a
ela pode ser composta de Dispositivos Finais (Instrumentos
informação o mais rápido possível para aumentar a vida útil
de Campo – HART, PROFIBUS, FIELDBUS e
das baterias. [15][16][18][19][20]
DEVICENET), Roteadores de Backbone e Gateways.
[15][16][21][22][23][24]
Os dispositivos finais podem ter a função roteador de D. WirelessHART
mensagens ou simplesmente ser um Instrumento de Campo
O WirelessHART é uma tecnologia de transmissão de ser dispositivos WirelessHART puro ou dispositivos
dados sem fio para redes de automação industrial, no qual de campo HART simples que possua um adaptador
foi originado do então padrão de comunicação HART WirelessHART acoplado.
(Highway Addressable Remote Transducer). Criado pela
HCF (HART Communication Foundation), o protocolo A figura 4 ilustra uma arquitetura típica para uma
WirelessHART foi totalmente desenvolvido como intuito de rede WirelessHART. [38]
manter total compatibilidade com padrão HART, já existente
e instalado em milhares de dispositivos inteligentes.
[24][26][32][33][34][36]
Uma das motivações que levou o desenvolvimento
deste novo padrão de transmissão sem fio com aplicação
direta no segmento industrial foi de tornar uma aplicação
antes totalmente inviável, seja na impossibilidade de
infraestrutura (acesso) e/ou inviabilidade econômica para
instalação do equipamento em campo; em uma aplicação
totalmente viável, segura, econômica e compatível com os
dispositivos de campo cabeados. [33][34][36]
O propósito deste novo padrão de comunicação sem
fio, totalmente voltado para o segmento industrial, é de
complementar os dispositivos cabeados já instalados em
campo e não em fazer uma substituição de tecnologia, uma
vez que este padrão se mantém totalmente compatível com o
padrão HART. Isto faz com que novas ampliações na planta
industrial se tornarem economicamente viáveis. [33][34][36] Figura 4 - Rede WirelessHART [38]
O padrão WirelessHART atua na faixa de frequência
ISM em 2,4GHz, na qual utiliza a tecnologia FHSS Como características da rede Mesh, os equipamentos
(Frenquency Hopping Spread Spectrum) e o DSSS (Direct de campo funcionam também como roteadores de
Sequency Spread Spectrum) para transmissão dos dados. A informações advindas de outros equipamentos de campo,
taxa de comunicação é de 250kbps. Para acessar os dados criando, assim, rotas redundantes administradas pelo
transmitidos faz o uso da tecnologia TDMA (Time Division gerenciador de rede. Isto faz com que a rede tenha grandes
Multiple Access). Esta tecnologia divide o canal de extensões, podendo atender grandes plantas industriais. São
frequência em intervalos de tempo (slots) em 10ms, equipamentos totalmente inteligentes, pois tem a capacidade
permitindo que cada instrumento de campo (equipamento de de reconhecer e analisar dispositivos vizinhos (dentro do
rede) se comunique em um intervalo de tempo específico alcance do raio) e fazer análise da rede e da potência do sinal
estando este totalmente sincronizado com os demais para criação de rotas. Exige-se no mínimo que um
instrumentos da rede. Isso garante a inexistência de colisões equipamento esteja no raio de alcance de três outros
no tráfego de informações, uma vez que todos os instrumentos (aplicação das boas práticas) para realizar uma
dispositivos se comunicarão no momento exato, estando em comunicação segura e sem qualquer possibilidade de perda
modo de espera (standby) até que seja feito o pedido para tal. de informação. Caso algum obstáculo interrompa a
[25][26][27][32][33][34][35][36] comunicação entre dois dispositivos, automaticamente a rede
A topologia utilizada pelo WirelessHART é a Malha direciona o tráfego para as rotas alternativas, já conhecidas
(Mesh), onde, basicamente, é composto por três tipos de pelo gerenciador da rede. A inclusão de um novo nó na rede
dispositivos: [24][26][36] é de forma simples e automática. O novo equipamento de
campo envia um pacote de dados de pedido de junção à rede.
• Gerente de Rede: é o mestre de toda a comunicação Caso autenticado, o instrumento é autorizado a conectar-se à
na rede WirelessHART. Ele é responsável por rede. A distância máxima entre os instrumentos de campo
gerenciar (coordenar, configurar e programar as em visada direta é de 250 metros (alcance máximo da
comunicações) dos dispositivos da rede, analisar o topologia – indeterminado). [25][27][28][29][30]
desempenho da rede e gerenciar as rotas das O protocolo WirelessHART é baseado no modelo de
informações. referência OSI (Open System Interconnect) na qual é
composto por apenas cinco das sete camadas existentes no
• Gateway: conecta a rede WirelessHART com a rede modelo de referência. As camadas deste protocolo são:
de automação da planta instalada. Ele fornece o aplicação, transporte, rede, enlace e física. [32][35][36]
acesso dos dispositivos de campo com o gerenciador Neste novo protocolo de comunicação
da rede. Também possui a função de fazer a WirelessHART, a camada física agora se baseia no padrão
interpretação de protocolos de diferentes redes. IEEE 802.15.4, na qual utiliza a técnica FHSS ou DSSS para
transmissão dos dados. A camada de enlace é divida em duas
• Instrumentos de Campo: são os instrumentos que subcamadas: a de Controle de Enlace Lógico – LLC
estão ligados ao processo. Estes instrumentos podem (Logical Link Control), responsável por efetuar verificações
de erros nos pacotes transmitidos e a de Controle de Acesso Resultados
ao Meio – MAC (Medium Access Control), responsável por
receber e entregar os dados ao meio na qual faz o uso da Para o desenvolvimento deste estudo de caso
técnica TDMA. A camada de rede foi incorporada neste (Aplicação Real) foi escolhido a rede WirelessHart devido à
novo padrão para dar suporte à topologia de rede Mesh. Sua disponibilidade de equipamentos do laboratório de
principal função é de fornecer um perfeito roteamento dos desenvolvimento utilizado.
pacotes que trafegam na rede. A camada de rede deve ter o Para esta aplicação, a rede WirelessHart foi
conhecimento de todos os equipamentos de campo estruturada com um Gateway DF100 (controlador da rede),
(roteadores) para escolher perfeitamente os caminhos em um transmissor de temperatura WirelessHart TT400, um
que as informações irão percorrer não sobrecarregando notebook e um osciloscópio, conforme mostra a figura 5.
algumas rotas e deixando outras totalmente ociosas. Para
isso, esta camada requer um ótimo algoritmo de roteamento,
que tem a função de definir todo o caminho (roteamento) dos
pacotes. Escolha do melhor caminho, simplicidade, robustez,
rapidez na convergência para o caminho ótimo,
flexibilidade, aceitar parâmetros de qualidade de serviços
(QoS) e ser independente da tecnologia de rede são as
principais características dos algoritmos de roteamento,
sendo que a robustez é a mais importante dentro delas.
[25][31][35][36]

E. Comparativos entre os padrões

A Tabela II ilustra um comparativo entre


características comuns aos padrões ilustrados nesse trabalho,
evidenciando cada protocolo. É importante notar que o
padrão ISA-SP100 ainda não está totalmente normalizado e
algumas informações ainda não estão disponibilizadas.

Tabela 2 - Comparativo entre os padrões. Figura 5 - Equipamentos WirelessHART

O objetivo desta aplicação é realizar a demonstração


de alguns equipamentos da rede WirelessHart, juntamente
com o tráfego de informações entre tais equipamentos.
O notebook está conectado à porta Ethernet do
controlador de rede, na qual faz uso da ferramenta FBView,
um analisador de linha da rede WirelessHart (que permite
visualizar todo o tráfego de informações na rede). Com o uso
de um osciloscópio foi possível visualizar o momento exato
em que o Transmissor de Temperatura WirelessHart TT400
envia suas informações à rede. A figura 6 ilustra o sinal
transmitido pelo equipamento.
Figura 6 - Sinal WirelessHART Transmitido. Figura 8 - Tela do Controlador de rede, mostrando a
configuração do transmissor de temperatura.
Os transmissores de uma maneira geral trabalham sob
o regime de exceção, ou seja, de tempos em tempos, caso A figura 9 detalha uma parte do histórico de
nenhum evento ocorra (envio de uma informação contendo comunicação entre o instrumento de campo (sensor de
mudança no processo) o instrumento envia sinais ao temperatura) e o controlador de rede, contida na Ferramenta
controlador de rede para informar seu estado (Modo Burst). FBView. Verifica-se que há três mensagens de Burst
Nas redes WirelessHart é altamente recomendado que todos ocorrendo a cada oito segundos.
os instrumentos de campo trabalhem em Modo Burst. O
intervalo de envio das informações neste modo é
configurado no momento em que tal instrumento está sendo
adicionado e configurado no controlador. Para esta
aplicação, este tempo é de oito segundos. A figura 7 mostra
o intervalo entre as transmissões.

Figura 9 - Mensagens de Burst enviada do instrumento de


campo.

Conclusão

O cenário da aplicação de tecnologia de comunicação


sem fio no segmento industrial está mudando de forma
gradual. Este tipo de comunicação voltado para este
segmento está em um patamar muito avançado quanto à
tecnologia empregada.
O Wireless Industrial foi baseado em padrões de
comunicação sem fio totalmente estruturado no mercado das
comunicações, e fundido com questões técnicas e
Figura 7: Intervalo entre os sinais de Burst.
particularidades, juntamente com as reais necessidades da
indústria, surgiram então, padrões específicos para atender
A figura 8 mostra a inserção do Transmissor de esta fatia de mercado.
Temperatura na rede WirelessHart e sua configuração. Estes novos padrões (não todos) já foram totalmente
Verifica-se que o instrumento foi configurado no Modo testados e aprovados por órgãos específicos que
Burst e com um intervalo de oito segundos entre cada envio comprovaram a eficácia dos mesmos.
de mensagens (Menssage Burst). A aplicação direta destas tecnologias no campo ainda
possui certa resistência. Mesmo sabendo que as questões
apresentadas no início deste trabalho já não são mais
empecilhos, muitos consumidores ainda ficam com certo [15] COSTA, Márcio S. e AMARAL, Jorge L. M. Análises de Redes Sem
receio em fazer o uso desta tecnologia. Fio Industriais – ISA100xWIRELESSHART. Intech, São Paulo, n. 140, p
61-67, maio 2012.
A implantação desta tecnologia no segmento
industrial ocorre nas ampliações fabris e nas modernizações [16] SILVA, Ivanovitch, et al. Tecnologias Emergentes para Redes
das plantas industriais já existentes. Industrias sem Fio: WirelssHart vs ISA100.11A. In: VII Congresso Rio
Automação. Rio de Janeiro. 2013.
É possível verificar na aplicação prática a operação e
funcionamento de um protocolo de rede industrial sem fio [17] CHRISTIN Delphine, MORGE, Parag S., HOLLICK Mathias. Survey
para automação industrial e suas funcionalidades, on Wireless Sensor Network Technologies for Industrial Automation:
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WirelessHART (Parte 2). Disponível em:
http://www.automacaoindustrial.info/o-protocolo-wirelesshart-parte-2/.
Acessado em Novembro de 2013.

[39] GINATTO, Alex. RAPHALOSKI, Evandro. O Protocolo


WirelessHART (Parte 3). Disponível em:
http://www.automacaoindustrial.info/protocolo-wirelesshart-3/. Acessado
em Novembro de 2013.

[40] GINATTO, Alex. RAPHALOSKI, Evandro. O Protocolo


WirelessHART (Parte 4). Disponível em:
http://www.automacaoindustrial.info/protocolo-wirelesshart-parte-4/.
Acessado em Novembro de 2013.

Contatos

Hugo Viana Magalhães Seabra - Instituto Nacional de


Telecomunicações (INATEL). Av. João de Camargo, 510,
Santa Rita do Sapucaí – MG.
hugoviana85@yahoo.com.br – (19) 9 8834 4501.

Alexandre Baratella Lugli - Instituto Nacional de


Telecomunicações
(INATEL). Av. João de Camargo, 510, Santa Rita do
Sapucaí – MG.
baratella@inatel.br - (35) 9969 9571.