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Fazendo gênero e rompendo fronteiras: gênero, idade média e interdisciplinaridade.

ST 50
Carolina Coelho Fortes
UFRJ/UGF
Palavras-chave: História Medieval – Gênero – Hagiografia

É Possível Uma História Medieval de Gênero?


Considerações a Respeito da Aplicação do Conceito Gênero em História Medieval

Um dos principais elementos do conceito gênero é seu caráter relacional, ou seja, a


necessidade de uma análise baseada ao mesmo tempo nos aspectos femininos e masculinos
estudados. Mas como esse caráter relacional pode se estabelecer quando o período no qual se aplica
o conceito é a Idade Média, que dá ao homem o monopólio quase absoluto sobre a escrita?
Responder essa pergunta é o nosso objetivo neste trabalho.

O Conceito Gênero
Gênero é o termo, utilizado desde a década de 70, para teorizar a questão da diferença sexual.
Primeiramente utilizado pelas feministas para acentuar o caráter social das distinções baseadas no
sexo, rejeitava o determinismo biológico implícito em palavras como "sexo", por exemplo. O
gênero prioriza o caráter relacional entre mulheres e homens, e pode ser entendido como a
organização social da relação entre os sexos. Desta forma, a compreensão dos sexos não se dá pelo
estudo dos dois separadamente, ou seja, mulheres e homens são definidos em termos recíprocos e
nenhuma compreensão destes seria possível se fossem estudados em separado.
Para Scott, gênero como categoria de análise, se baseia na relação entre duas proposições:
“gênero tanto é um elemento constitutivo das relações sociais fundadas sobre as diferenças
percebidas entre os sexos, quanto uma maneira primária de significar relações de poder”.1 Enquanto
a primeira proposição se refere ao “processo de construção das relações de gênero” e sublinha a
importância “dos procedimentos de diferenciação pelos quais, em cada contexto histórico, são
formuladas e reformuladas, em termos dicotômicos, os conteúdos aparentemente fixos e coerentes
do masculino e do feminino”,2 a segunda proposição se refere à pertinência do gênero como
categoria de compreensão e explicação histórica de outras relações de poder. O aspecto essencial do
gênero formulado por Scott é expor as estratégias de dominação que sustentam a construção binária
da diferença entre os dois sexos.
Gênero também é o “saber a respeito das diferenças sexuais”.3 Scott entende saber como foi
definido por Foucault, ou seja, como compreensão produzida pelas culturas e sociedades sobre as

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relações humanas, nesse caso, sobre as relações entre homens e mulheres. Tal saber é sempre
relativo. Seus usos e significados nascem de uma disputa política, e são os meios pelos quais as
relações de poder (de dominação e subordinação) são construídas. “O saber é uma forma de
organizar o mundo e, como tal, não antecede a organização social, mas é inseparável dela.”4
Dessa afirmação segue-se que gênero é a “organização social da diferença sexual”. O que não
quer dizer que gênero se baseie nas diferenças fixas e "naturais" entre homens e mulheres, mas que
este é o “saber que estabelece significados para as diferenças corporais”.5 Esses significados variam
de acordo com as culturas, os grupos sociais e o tempo, já que o corpo não determina univocamente
como a divisão social será definida. Nosso saber sobre o corpo se reflete nas diferenças sexuais.
Logo, a organização social não se baseia unicamente na diferença sexual - a diferença sexual não é
o único motor da organização social - mas esta se vale de outros fatores.
Um dos questionamentos da história de gênero se refere a como as hierarquias são construídas
e legitimadas. Esta forma de abordar a história indica um estudo que se preocupa com processos,
postos em movimento por causas múltiplas, e que se evidenciam através da retórica e dos discursos.
Voltando-se, assim, contra o estudo das origens, as explicações baseadas em causas únicas, e nas
ideologias.
Em se tratando de gênero, é importante lembrar que não existe masculino e feminino, mas
masculinos e femininos, homens e mulheres, com suas diferenças de classes, etnia, cultura, religião
etc. O historiador deve se desvencilhar de "mulher" e "homem" - de gênero - como uma noção
abstrata, devem, outrossim, ser pensados como diferenciados no âmbito da historicidade de suas
relações. A história de gênero preocupa-se em mostrar que as referências culturais são sexualmente
produzidas, e tenta evitar as posições fixas e naturalizadas. Para o caso do estudo da Idade Média
não será diferente. A visão que aquela sociedade produziu em relação aos sexos constrói-se de
acordo com seu próprio entendimento do que é ser homem e mulher, calcando-se, para isso, em
uma série de fatores determinados por seu ambiente cultural específico. Entender que a realidade
histórica é social e culturalmente constituída é um pressuposto central para o pesquisador que usa
gênero como categoria analítica.
Uma crítica que Rachel Sohiet faz à teoria de Scott é que esta não dá espaço para que venha à
tona as particularidades das relações entre os sexos, das quais não podemos excluir a alianças e
consentimentos por parte das mulheres. Em relação a esta questão Chartier afirma que é arriscado
investir a diferença entre os sexos de uma força explicativa universal, “o que torna essencial dirigir
a atenção para os usos diferenciados de modelos culturais comuns aos dois sexos.”6
Gênero é um aspecto geral da organização social. Assim, o saber social e cultural a respeito
da diferença sexual é produzido no decorrer da maior parte dos eventos e processos estudados. Para

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encontrar gênero na história, entretanto, é necessária uma exegese diferente da que a história está
acostumada. Para Scott o trabalho dos críticos literários pós-estruturalistas é de extrema
importância, pois valorizam tanto a textualidade (a forma como os argumentos são estruturados e
apresentados), quanto do que é literalmente dito.
A análise não deve ser baseada em posições fixas, mesmo quando esta se apresenta, pois
costumam mascarar a heterogeneidade dos termos. A "desconstrução", conceituada por Derrida,
torna possível estudar os processos conflitivos que produzem o significados como história.7 Perrot
afirma que “posto que a diferença entre os sexos é uma construção, pode-se, assim, desconstruí-la,
em todos os níveis (teorias e práticas, representações e fatos materiais, palavras e coisas)”.8
O pós-estruturalismo dá à história de gênero ferramentas fundamentais para a
problematização de conceitos como identidade e experiência, apresentando interpretações
dinâmicas do gênero que enfatizam a luta, a contradição ideológica e as complexidades das relações
de poder em transformação.9
A história, segundo essa abordagem, será o registro das mudanças da organização social do
sexo e, além disso, figura como participante da produção do saber sobre a diferença sexual.
Tentamos descartar a tendência que há de relegar gênero à instituição da família, já que gênero, de
fato, é um aspecto geral da organização social. E será encontrado em muitas partes, pois os
significados da diferença sexual são utilizados em muitos tipos de luta pelo poder. Como fez a
Igreja ao delegar à mulher um certo local na sociedade, estipulando-lhe modelos, para que assim
pudesse exercer maior poder sobre ela.

É possível uma história medieval de gênero?


Propomo-nos, em nossa pesquisa, a fazer uma história de gênero, na medida em que nossos
objetos são textos de homens que escrevem também sobre mulheres, como é o caso de tantas outras
fontes do período medieval, e a elas atribui características que lhes garantem o título de perfeição de
comportamento.10 Assim realiza-se o caráter relacional da história de gênero. Fiéis ao objetivo desta
história, procuramos marcar que as construções dos perfis dos dois sexos se dá um em função do
outro, já que se constituem social, cultural e historicamente.
Contudo, perguntamo-nos se é possível fazer uma história de gênero voltada para a visão de
um sexo sobre o outro, e não suas inter-relações? Temos em mãos uma fonte que nos permite
avaliar o que um homem acredita ser uma mulher perfeita. Mas dessa mulher temos somente a
imagem, o ideal imaginado por um homem. Logo ela não está em relação direta com ele.
Para responder a essa pergunta valemo-nos, sobretudo, da abordagem historista. Tal método
aponta para a escolha do lugar, da situação, da posição relativa ao grupo social ou mulheres a serem

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estudadas no conjunto de uma sociedade. A partir daí deve-se assumir a temporalidade do tema e
problematizar até mesmo o próprio conceito de mulher ou a categoria mulheres. A historicidade
empregada em uma sociedade em processo de transformação seria o primeiro passo para estabelecer
um método para os estudos de gênero. A partir de um viés historista é possível partir de um "ponto
de inserção" do objeto de análise para, a partir daí, construir as baliza do seu conhecimento.
Os estudos de gênero não devem ser trabalhados com métodos funcionalistas, utilizados nos
estudos de organismos supostamente estáveis. Estudos sobre, por exemplo, a construção das normas
culturais da Igreja podem cair neste "equívoco", ou seja, podem aceitar a funcionalidade desta,
incorporando as premissas universais em que se baseiam.
Para que seja possível uma história medieval de gênero é necessário que se temporalize este
conceito, e que este seja inserido no contexto histórico do Ocidente cristão. Assim, gênero pode
servir como uma referência instável, mas crítica, pois é uma postura teórica que se constrói como
“processo de conhecimento movediço num mundo transitório”.11 É imprescindível que se rompa
com os conceitos preexistentes e que se adapte conceitos já existentes, temporalizado-os. Devemos
ter referências nos conceitos já formulados para criar nossos próprios conceitos, que se baseiem e se
adequem a nossa produção. Os conceitos preexistentes são ponto de partida para a formulação de
outros, relativizados. A sociedade é transitória, logo não se pode trabalhar com conceitos estáticos.
Deve-se conectar o objeto com o mundo, com o seu contexto.
O método historista faz-se útil justamente porque admite as transformações, aceita a
transitoriedade do conhecimento e dos valores culturais em processo de mudança no tempo. Como
bem notou Silva Dias, “as próprias relações de gênero a que se pretendem de imediato os estudos
feministas permitem antever no futuro a transcendência desta dualidade cultural por um pluralismo
de nuanças e diferenças multiplicadas.”12 Afinal, a essência da história é recriar permanentemente,
ser dinâmica como a própria sociedade que estuda.
O direcionamento teórico-metodológico dos estudos de gênero pode ser adequado ao estudo
de qualquer época da história, inclusive ao período medieval. A própria Joan Scott, de certa forma,
concorda com a utilização do gênero em momentos históricos diferentes, pois acredita que as
“representações históricas do passado ajudam a constituir gênero no presente.”13
Para fundamentar a resposta afirmativa à questão colocada, buscou-se respaldo na obra,
controversa, mas referencial, História das Mulheres, especificamente em seu segundo volume, que
trata do período medieval. Na Introdução, escrita por Christiane Kaplisch-Zuber,14 esta autora se
utiliza do conceito gênero, para aplicá-lo ao medievo, mas não se preocupa em justificar sua
escolha. Daí depreendemos que a autora não entendeu como necessária uma justificativa, pois trata-
se, para ela, de algo incontestável.

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Contudo, a autora ressalta o caráter paradoxal de dar a palavra a homens – já que ao homem, e
ao homem do clero, prioritariamente, cabia a escrita na sociedade medieval – numa história que se
pretende das mulheres. Os discursos são proferidos, em sua quase totalidade, por aqueles
representantes do pensamento aparentemente mais fechado às experiências femininas, os membros
da alta cultura clerical. Kaplisch-Zuber se pergunta se agir de tal maneira não seria dar o melhor
lugar ao domínio e à autoridade masculina por excelência? Não seria, também, dar a predominância
aos sistemas de representações sobre os constrangimentos materiais e sociais? E ela responde que o
estado atual das investigações não permite que seja diferente. Mas, ela aponta, a obra se preocupa
em dar aos leitores instrumentos para considerar uma das características mais marcantes das
relações entre os sexos na Idade Média: a presença, em todos os níveis das relações sociais, de
modelos de interpretação e, para as mulheres, de comportamento.15
Em nossa dissertação de mestrado utilizamo-nos de um documento que pertence a um gênero
literário muito particular: a hagiografia. Em relação à pertinência da utilização de tal registro
podemos argumentar que boa parte dos historiadores de gênero apontam para uma utilização mais
criativa das fontes já tradicionais, como os próprios documentos da Igreja. Maria Izilda Matos,16 por
exemplo, não despreza a literatura e as fontes eclesiásticas como documentos propícios a dar
margem a abordagem de gênero.
No tocante à metodologia, Scott se posiciona favoravelmente em relação ao estudo da
história através de uma metodologia associada a textos. "Os textos de ficção, quando entram no
domínio do historiador, são freqüentemente examinados como fonte de material temático que
documenta melhor os processos sociais ou eventos políticos que são o foco primário da pesquisa”.17
Em síntese, é possível que um objeto de estudo que tenha como corte temporal a Idade Média
- um período no qual quase a totalidade de textos foi escrita por homens - se utilize do conceito
gênero como categoria analítica? Em nossa pesquisa tratamos de uma fonte, escrita por um homem
pertencente à ordem dominicana e que, muito provavelmente, teve pouco contato com mulheres
antes de escrevê-la. Ingressou em um mosteiro por volta dos 14 anos de idade,18 e ainda estava em
um mosteiro quando escreveu sua Legenda Aurea. Logo, é difícil imaginarmos que Jacopo de
Varazze pudesse falar sobre mulheres por experiência própria. Além disso, sua obra fala sobre
santos, criaturas virtuosas, preferidas da graça divina, idealizadas. O autor não falava da mulher
real, mas da mulher imaginada e reconhecida como exemplo de virtude pela tradição cristã
ocidental. Ele sequer tinha em mente a mulher real como seu público direto. Contudo, escrever
sobre ela – e aqui ele fala sobre a Mulher, e não as mulheres - não seria também uma forma de se
relacionar com ela? Entendia-a como outra, como diferente, como feminina. E, atribuindo-lhe
características, discorrendo sobre ela e sobre suas virtudes, de certa forma, entreva em contato com

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ela. É claro que este relacionamento assume a forma unilateral, porque lidamos com uma fonte
literária, na qual a voz masculina abafa a feminina, mas nem por isso a exclui. Marcantemente as
identidades de gênero constroem-se com relação uma a outra, dado a mentalidade diacrônica
própria da sociedade medieval. E, sem dúvida, gênero pode ser utilizado para o período medieval
também como uma forma de significar as relações de poder, sendo o masculino - pelo menos nas
fontes eclesiásticas - sempre entendido como superior ao feminino.

Referências:
CHARTIER, Roger. Diferenças entre sexos e dominação simbólica. Cadernos Pagu, 4, 1995.
KAPLISCH-ZUBER, Christiane. “Introdução.” DUBY, Georges & PERROT, Michelle.(dir.)
História das Mulheres – A Idade Média. Porto - São Paulo; Afrontamento - EBRADIL, 1990.
MATOS, Maria Izilda S. de. Por uma História da Mulher. Bauru, SP: EDUSC, 2000.
PERROT, Michelle. Escrever uma história das mulheres: relato de experiência. Cadernos Pagu, 4,
1995.
SCOTT, Joan W. “El Género: una categoria util para el analisis histórico”. In: AMELANG, James
et NASH, Mary (eds.) História y Género. La Mujeres en la Europa Moderna y Contemporanea.
Valencia: Edicions Alfons el Magnanim, 1990.
_________. Preafácio à Gender and Politics of History. Cadernos Pagu, 3, 1994.
_________. “História das mulheres”. In: BURKE, Peter (org.) A Escrita da História: novas
respectivas. São Paulo:UNESP, 1992.
SILVA DIAS, Maria Odila Leite da. Novas subjetividades na pesquisa histórica feminista: uma
hermenêutica das diferenças. Estudos Feministas, 2, 1994.
SOIHET, Rachel. “História, Mulheres, Gênero: contribuições para um debate”. In: AGUIAR,
Neuma (org.). Gênero e Ciências Humanas: desafio às ciências desde a perspectiva das mulheres.
Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997.
VARIKAS, Eleni. Gênero, experiência e subjetividade: a propósito do desacordo Tilly-Scott.
Cadernos Pagu, 3, 1994.

1
Cf. VARIKAS, Eleni. Gênero, experiência e subjetividade: a propósito do desacordo Tilly-Scott. Cadernos Pagu, 3,
1994, p. 67, e SCOTT, Joan W. “El Género: una categoria util para el analisis histórico”. In: AMELANG, James et
NASH, Mary (eds.) História y Género. La Mujeres en la Europa Moderna y Contemporanea. Valencia: Edicions
Alfons el Magnanim, 1990.
2
VARIKAS, Eleni. Op.cit.

6
3
SCOTT, Joan W. Preafácio à Gender and Politics of History. Cadernos Pagu, 3, 1994, p. 12.
4
Idem, p.13.
5
Ibidem.
6
SOIHET, Rachel. “História, Mulheres, Gênero: contribuições para um debate”. In: AGUIAR, Neuma (org.). Gênero e
Ciências Humanas: desafio às ciências desde a perspectiva das mulheres. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997,
p.106.
7
SCOTT, Joan W. Preafácio à Gender and Politics of History., p.20.
8
Idem, p.24.
9
SCOTT, Joan. “História das mulheres”. In: BURKE, Peter (org.) A Escrita da História: novas respectivas. São
Paulo:UNESP, 1992. p.91
10
Em nossa dissertação de mestrado, defendida em meados de 2003 pelo Programa de Pós-Graduação em História
Social da UFRJ, e orientada pela Profa. Dra. Leila Rodrigues da Silva, tínhamos como fonte principal a Legenda Áurea,
uma coletânea de hagiografias organizada pelo frei dominicano Jacopo de Varazze, na segunda metade do século XIII.
FORTES, Carolina Coelho. Os Atributos Masculinos das Santas na Legenda Áurea: os casos de Maria e Madalena.
Dissertação, PPGHIS/UFRJ, 2003. Além de fazer uso dessa mesma fonte, em nossa pesquisa subseqüente nos
utilizamos de cinco outros documentos do mesmo período escritos por dominicanos. Apenas dois deles foram escritos
conjuntamente por mulheres e homens: a Vida dos Frades e as cartas entre Jordão da saxônia e Ângela de Andaló.
11
SILVA DIAS, Maria Odila Leite da. Novas subjetividades na pesquisa histórica feminista: uma hermenêutica das
diferenças. Estudos Feministas, 2, 1994, p. 376.
12
Idem.
13
SCOTT, Joan W. Preafácio à Gender and Politics of History, p. 13.
14
KAPLISCH-ZUBER, Christiane. “Introdução.” DUBY, Georges & PERROT, Michelle.(dir.) História das Mulheres
– A Idade Média. Porto - São Paulo; Afrontamento - EBRADIL, 1990, p.22.
15
Chartier também poderia responder à questão levantada por Kaplisch-Zuber de forma bastante adequada, ao afirmar
que um objeto importante da história das mulheres é o estudo dos discursos e das práticas manifestas nos vários
registros, que garantem que as mulheres de fato sigam as representações dominantes da diferença entre sexos. “Longe
de afastar do real, as representações da inferioridade feminina (...) Se inscrevem nos pensamentos e nos corpos de umas
e de outros.” (CHARTIER, Roger. Op.cit., p 40.) A diferença sexual é sempre construída pelo discurso que a funda e
legitima.
16
MATOS, Maria Izilda S. de. Por uma História da Mulher. Bauru, SP: EDUSC, 2000, p.22.
17
SCOTT, Joan W. Preafácio à Gender and Politics of History, p. 22.
18
REAMES, Sherry. The Legenda Aurea: A reexaminat of its paradoxical History. Wisconsin: University Press, 1 1985
p. 64.