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IPSEM – Instituto de Psicanálise e Estudos da Mente

Curso Livre de Formação em Psicanálise Aula-2 Módulo I

João Alberto Ricard de Cordes Jr

2018
IPSEM – Instituto de Psicanálise e Estudos da Mente

Esta apostila tem por objetivo ser um pequeno guia, um resumo das aulas, para auxiliar os
alunos do curso livre de formação em psicanálise do IPSEM a complementarem seus estudos.
Todos os temas aqui abordados poderão ser estudados com mais profundidade nas obras
indicadas como bibliografia recomendada ao final de cada aula.

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Sumário

O Caso Ana. O...........................................................................................................3

Primeira Tópica - Teoria Topográfica do Aparelho Psíquico ...................................6

Segunda Tópica - Teoria Estrutural do Aparelho Psíquico......................................11

Processos Primários e Secundários do Pensamento..................................................16

Bibliografia recomendada e estudos complementares...............................................17

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O Caso Anna O.

Se formos parar para analisar, o caso Anna O (Bertha Pappenheim) foi o ponto de partida para o
desenvolvimento da Psicanálise, e também um divisor de águas na história da psicopatologia. “Talvez o
caso em si não tenha tanta singularidade que justifique tamanha repercussão acadêmica, afinal Anna O
sofria de “histeria”, com os sintomas e conversões comuns aos inúmeros pacientes que estavam
espalhados pela Europa do Sec. XIX. Porém o que foi surpreendente nesta circunstância, em primeiro
lugar, foi a abordagem que o Dr Josef Breuer deu ao caso, e em segundo lugar a continuação do
tratamento efetuada Pelo Dr Sigmund Freud, e suas futuras descobertas.

Anna O chegou ao consultório do Dr Breuer no Outono de 1880, reclamando de diversos


sintomas como: Tosse intensa, distúrbios de audição, visão e fala, paralisia e anestesia dos membros
inferiores do corpo, incapacidade de ingerir alimentos, incapacidade de ingerir água (apenas conseguia
tomar o suco das frutas), alucinações e lapsos. Dr Breuer (Médico Fisiologista) após um longo exame
percebeu que não existia nenhuma causa orgânica para estes males, tendo então a diagnosticado com
Histeria.

Depois de algum tempo de tratamento Breuer começou a notar que a paciente parecia ter dois
tipos de personalidade. As vezes Anna se apresentava como alguém coerente com sua idade, uma jovem
de 21 anos recém completado, com boas capacidades intelectuais e culturais apesar de sua pouca idade,
muito inteligente e com uma educação tipicamente Vitoriana, reflexo de sua época. Porém, ele também
observava que em determinados momentos do tratamento a paciente era tomada pelo que parecia ser a
personalidade de uma criança totalmente mimada, problemática, teimosa, frágil, arredia e irascível.

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Percebeu que quando estes aspectos tomavam conta da personalidade, Anna também passava a
apresentar os sintomas físicos histéricos. Breuer observou que existia uma relação entre estes sintomas e
o estado de consciência da paciente, e que existia também uma alternância entre estes estados. Quando
os surtos ocorriam a paciente parecia ficar em certo torpor, algo muito parecido com o estado hipnótico.
Seguindo este raciocínio Breuer pensou em se utilizar da hipnose para tratar diretamente desta paciente,
tentando através da técnica, eliminar os sintomas. Breuer obteve muito sucesso em manejar e alternar
estes dois “estados de consciência”. Através da hipnose conseguia evocar e banir as “duas
personalidades” conseguindo também com muita facilidade alcançar uma transição entre estes “estados
de consciência”. Durante o tratamento da paciente, Breuer descobriu como eliminar os sintomas. Breuer
ficou extremamente surpreso ao descobrir que em estados de hipnose a paciente tinha acesso aos seus
conteúdos inconscientes, e que quando os acessava, com a descarga daquelas lembranças carregadas de
emoção os sintomas simplesmente desapareciam, e o estado de consciência “normal” “personalidade 1”
da paciente voltava. Esta Técnica desenvolvida por Breuer (Hipnose, acesso aos conteúdos, catarse) Foi
batizado por ele como Método Catártico. Segundo Freud e Breuer, o método catártico, aplicado
sistematicamente a cada um dos sintomas de Anna O resultou na cura completa da histeria da paciente.

“Breuer disse ter concluído que a maneira de curar um sintoma particular de “histeria” era recriando
a memória do incidente que o havia provocado originalmente, desencadeando assim uma catarse emocional e
induzindo o paciente a expressar todo sentimento associado ao fato.”

Porém em decorrência de problemas pessoais com sua esposa, causados pelos cuidados e a
atenção despendida por Breuer a paciente, ele decidiu por interromper o tratamento com Anna O, fato
este que culminou em um surto e uma gravidez histérica na paciente que refletia um forte desejo de
Anna O por Breuer. Diante deste fenômeno de Transferência, o qual Freud viria conceituar
posteriormente, Breuer abandona definitivamente o caso deixando para Freud a responsabilidade pelo
tratamento de Anna O. Freud prosseguiu com o tratamento da paciente, usando o método Catártico
desenvolvido por Breuer, e também assumiu o tratamento de novos pacientes, porém descobriu algum

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tempo depois que muitos pacientes eram refratários a Hipnose, adversidade esta que colocava em risco
todo o método, e a ciência que estava nascendo. Até que um dia, em seu consultório, Freud acaba por
ser interrompido pela paciente Anna O durante a sessão. Ela pediu a ele que a deixasse falar. Freud cede
ao desejo da paciente e percebe que quando ela falava de forma livre e desimpedida conseguia alcançar
aqueles mesmos conteúdos inconscientes que alcançava com o método hipnótico, conseguindo assim
uma catarse e o alivio do sintoma e da tensão. Graças a este episódio inusitado, Feud abandona a
hipnose e passa a usar o método de livre associação de ideias com seus pacientes. Este foi um grande
marco da psicanálise, e esta é uma das técnicas fundamentais Freudiana, técnica esta que é usada até os
dias de hoje para análise e acesso aos conteúdos inconsciente.

Treze anos após o ocorrido (1893), Freud e Breuer resolveriam tornar o caso Anna O público
com a Edição de “Comunicação Preliminar.” Neste artigo, eles comentam sobre a ligação causal
(Causa e efeito) entre traumas psíquicos e sintomas histéricos.

Todas as referências a respeito deste assunto, inclusive o texto original “Comunicação Preliminar” e o
Caso Anna O poderão ser encontrados na Área do Aluno para um estudo mais aprofundado.

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Primeira Tópica –Modelo Topográfico do Aparelho Psíquico

Em 1900 no livro a interpretação dos sonhos, mais precisamente no capitulo 7, Freud inicia a
elaboração teórica do Modelo Topográfico ou Topológico do aparelho psíquico, citando pela primeira
vez o termo Inconsciente. Em grego o termo “Topos” significa lugar, local. Esta designação não foi
arbitrária visto que Freud em princípio concebeu o conceito de aparelho psíquico como sendo
instâncias que ocupavam certo lugar na mente.

No modelo topográfico, o aparelho psíquico se apresenta dividido em 3 instâncias, que são elas:

1. Consciente
2. Pré-Consciente
3. Inconsciente

Consciente

O Consciente é uma das 3 instâncias psíquicas elaboradas no modelo topográfico. O sistema consciente,
ou campo de percepção, é uma área psíquica que abrange tudo o que é percebido pelo Ego. O consciente
como o próprio termo indica significa nosso campo de consciência, tudo que nós (ego) percebemos do
mundo interior e exterior, através dos sentidos internos (auto cognição) e externos (5 sentidos). Para
simplificarmos o entendimento, poderíamos imaginar uma figura geométrica simples, um ponto com
uma circunferência em sua volta. O ponto representa o Ego, e os limites da circunferência é o alcance
da consciência, e a circunferência é a própria consciência.

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Pré-Consciente

O Pré Consciente é outra instância do modelo Topográfico, sendo responsáveis por armazenar
informações, impressões, sentimentos, lembranças, emoções, que quando invocados pelo Ego, traz seus
conteúdos de forma muito fácil e rápido à consciência. Segundo Freud o pré-consciente localiza-se um
pouco acima da barreira do Recalque. O Pré Consciente seria uma instância que estaria virtualmente
localizada entre a consciência e o inconsciente.

O Inconsciente

O Inconsciente é sem sombra de dúvidas a “área” mais vasta da vida psíquica do sujeito. A Instância
Inconsciente, segundo alguns teóricos e pesquisadores, ocupa mais de 90% do aparelho psíquico, da
vida psíquica de cada um de nós, (segundo as ultimas pesquisas na vanguarda das Neurociências até
mais do que isto...).

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Para representar a dimensão do inconsciente na vida psíquica, Freud usou como exemplo a já
consagrada imagem do Iceberg criada pelo Psicofísico Fechner (1801-1887) que muito o impressionou.

Proporção Consciente x Inconsciente

Segundo a Psicanálise, e por definição própria do termo, o Inconsciente é totalmente incapaz de


consciência. O que pode ser conscientizado através de técnicas especifica são os conteúdos do
inconsciente. Para Freud, dentro da teoria Topográfica o inconsciente é uma coisa que possuímos, é
uma área, um local onde os conteúdos reprimidos estão armazenados dotados de certo dinamismo. Mas

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a concepção de Feud sobre o Inconsciente muda a partir de 1923 com a Segunda Tópica – Modelo
Estrutural do Aparelho Psíquico. Assunto que será tratado no próximo capitulo.

O Conceito de Inconsciente é um dos mais importantes conceitos da construção teórica


psicanalítica. Sem ele não existiria a psicanálise. O Inconsciente é o objeto do estudo e da pesquisa
Psicanalítica. A Importância do Inconsciente na Psicanálise, como em muitas outras áreas do saber, foi
tão grande, de impacto tão profundo no saber humano que levou Freud a comparar sua descoberta a
terceira grande ferida Narcísica da Humanidade. Para Freud a humanidade no decorrer de sua História
sofreu Três grandes desilusões. A primeira foi a derrubada do Geocentrismo por Nicolau Copérnico. A
segunda foi a queda da ideia de Antropocentrismo superada por Charles Darwin. E a terceira a
descoberta do Inconsciente. Com o primeiro impacto a Humanidade reconheceu que a Terra não era o
centro do Universo. Com o segundo, que o Homem não é o centro da evolução e nem um produto
“acabado final“ da natureza e da evolução. E com o terceiro (descoberta do inconsciente) o Homem
percebe que nem da sua própria mente consegue o domínio o controle e o entendimento. Para Freud o
consciente não é o centro da atividade psíquica, mas sim as motivações inconscientes, estas tem
predomínio sobre a vida Psíquica.

Pensamos que a teoria só tem valor se tiver ressonância na prática, e que a prática por sua vez
determinará e ajustará a teoria. Vamos raciocinar e tentar presumir o conceito de inconsciente da forma
mais didática possível, longe das polêmicas acadêmicas. Partindo do realismo prático, e da simples
auto-observação pessoal. Então podemos concluir que:

1. Sonhamos – Algo em nós cria situações e roteiros incríveis muitas vezes inusitados onde somos
protagonistas, quer gostemos (sonhos) ou não (pesadelos). Este algo segue suas próprias leis, guiado por
seus próprios objetivos internos. Através de mecanismos desconhecidos para nós, cria seu espetáculo de
imagens sem que ao menos tenhamos a mínima noção de como será o desfecho da aventura onírica em
questão, e nem a noção de que aquilo seja de fato uma aventura onírica.

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2. Memória – Eu posso lembrar-me de muitas coisas, mas não posso ficar consciente de tudo a todo
tempo. Não tenho consciência de tudo que vi, ouvi, senti, pensei e vivi, do dia em que nasci até o dia de
hoje. Mas é amplamente conhecido o fato de que através da Hipnose e também da livre associação de
ideias e também outras técnicas, estes conteúdos poderão ser acessados. Então podemos deduzir que
estão armazenados em algum lugar.

3. Imaginação – Muitas vezes com uma intenção consciente imaginamos algo com o intuito de contar
uma história, compor uma música, fazer um desenho, desenvolver um projeto etc... Mas também muitas
vezes nos pegamos reféns de pensamentos que não aceitamos e nem solicitamos, e que aparentemente
vem de algum lugar.

4. Instintos – Eles se manifestam não por intervenção consciente da nossa vontade, mas surgem de
“algum lugar” ondem encontram-se em estado de latência.

5. Estados de ânimo (humor) – Muitas vezes algo dentro de nós controla nosso estado de espirito, não
podemos de forma direta, apenas com um ímpeto de vontade consciente mudar nosso próprio estado de
humor depois que ele se instala.

6. Reações automáticas – reações automáticas como: corar de vergonha, empalidecer de medo, ficar
arrepiado de emoção, enrubescer de raiva, e toda a enorme gama de micro expressões faciais estão
sendo dirigidos por algo que na imensa maioria das vezes sequer percebemos.

Na verdade poderíamos citar uma enorme quantidade de exemplos, mas para fins didáticos creio
que estes já sejam suficientes para demonstrar de forma prática e comum a todos, a existência do
inconsciente.

“Denominamos Inconsciente um processo psíquico cuja a existência somos obrigados a supor, devido a
algum motivo tal que o inferimos a partir da observação de seus efeitos, mas do qual nada sabemos em si.”
S. Freud – O Inconsciente 1915

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Segunda Tópica – Modelo Estrutural do Aparelho Psíquico

No decorrer do desenvolvimento da Psicanálise Freud entendeu a necessidade de ajustar sua


teoria sobre o aparelho psíquico. Apesar de ser precisa, a primeira tópica era insuficiente para explicar
as relações do sujeito e o mundo a sua volta e também a relação Narcísica entre sujeito e objeto, as
relações objetais, e o Narcisismo primário. Então em 1920 Freud lança seu estudo Além do Princípio
do Prazer onde indica alterações na Teoria Topográfica. Em 1923 com O Ego e o Id, lança de vez as
bases do que seria a Segunda Tópica ou A Teoria Estrutural do Aparelho Psíquico.

As instâncias do aparelho psíquico para Freud deixaram de ser apenas um Topos (Local) e
passaram a ser entendida também como estruturas que se relacionavam umas com as outras de forma
dinâmica. Para Freud a divisão entre Consciente, Pré Consciente e Inconsciente passou a ser menos
associadas a locais psíquicos e mais associadas a noção de estruturas psíquicas dinâmicas que se
relacionam de forma mais ou menos independente. A Segunda Tópica não exclui a Primeira, mas sim a
complementa de forma dialética.

Novo esquema do Iceberg de Fechner – Teoria Estrutural

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Outro referencial gráfico das instâncias psíquicas.

No Modelo Estrutural, o aparelho psíquico se apresenta dividido em 3 elementos, que são:

1. Id
2. Ego ou Eu
3. Super Ego

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ID

O Id é a instância Psíquica denominada por Freud como sendo o núcleo instintivo pulsional do
aparelho psíquico. É a estrutura original da personalidade. O Ser Humano quando nasce, nasce Id,
apenas Id, que no decorrer do seu desenvolvimento, e no sistemático choque com a realidade exterior
passa a originar a próxima estrutura designado por ele como Ego ou Eu. O Id é totalmente inconsciente,
não passível de consciência, seus elementos são instintivos, primitivos naturais e hereditários. O Id é a
fonte somática de toda a energia psíquica do individuo sendo o principal componente da personalidade.
A natureza do Id é o desejo e a necessidade, ele é regido pelo princípio do Prazer, e sua formar de
“pensar”, (neste caso leia-se Simbolizar) esta estruturada no processo primário de pensamento
(Representação de uma imagem mental como sendo objeto da pulsão) e não envolve os mecanismos
racionais e conscientes. O Id é a parte mais profunda do Iceberg de Fechner. O Id é a Criança
pequena, a qual ainda não obteve consciência nem valores morais e sociais. Ele é pré-lógico e
irracional. A Lógica não se aplica ao Id.

Segundo o poeta inglês William Wordsworth (1770-1850) A Criança é o Pai do Homem. O psiquismo
do adulto vem da infância. Todas as experiências vivenciadas na infância ficam registradas, e moldam
de certa forma, toda a personalidade na vida adulta. E, além disto, a “Criança” continua Vital dentro de
todos. O Id é a fonte da vida em si.

Para terminar este tópico deixo para reflexão parte de um soneto de Fernando Pessoa onde ele exprime a
necessidade de autoconhecimento como de vital importância para a satisfação da vida. Em termos
Psicanalíticos: “O Ego em busca de um resgate mais profundo dos conteúdos da Infância, tentando
assim se encontrar com aspectos mais profundos do psiquismo para dar significado a existência”...

A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim a ser quem sou; Mas hoje, vendo que o que
sou é nada, Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Fernado Pessoa.

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O Ego ou Eu

O Ego é a instância psíquica que virtualmente encontra-se no centro da consciência, mesmo tendo suas
raízes no inconsciente. No Princípio quando nasce, o recém-nascido não diferencia sujeito e objeto,
podemos dizer que ele ainda não tem “Ego”. Para ele não existe uma separação ou diferenciação entre
ele e o mundo em que vive, e nem entre ele e a mãe, que de certa forma também é a representante
simbólica imediata deste mundo. Para a criança, o mundo exterior, a mãe, e ela mesma fazem parte de
uma unidade indiferenciada a qual o Psicanalista C.G Jung nomeou de participação Mistique (iremos
entrar neste tema no modulo 2 do curso). Porém, como a mãe não esta disponível todo o tempo, a
criança passa a experimentar frustrações sistemáticas de suas necessidades e desejos imediatos, sendo
obrigada a adiar estas gratificações e se adaptar, não sem sofrimentos, a esta nova condição. Desta
forma a criança pequena passa no decorrer do tempo a perceber que ela, a mãe, e posteriormente o
mundo, são coisas diferentes, passando assim a tomar consciência, percebendo-se como sujeito, e o
mundo como objeto. Deste constante choque do Ser com a realidade exterior e da percepção da
dualidade entre ele (Sujeito) e o Mundo Exterior, Mãe (Objeto) nasce a consciência, o Ego, e também a
consciência do Eu (Autoconsciência).

No Adulto integrado o Ego é o centro da Consciência. O Ego é o nosso Eu. O Ego tem a função de ser
um intermediário entre as necessidades do Id e a realidade exterior. Na estrutura do Ego temos a
capacidade de pensar, sentir, imaginar, ter autoconsciência e percepção do mundo externo e interno.
Através do Ego decidimos, planejamos, controlamos o corpo de forma intencional, e quando dotado de
catexia (energia concentrada) suficiente, podemos dizer que o Ego possui força de vontade. O Ego é
regido pelo princípio da Realidade e se utiliza do processo secundário de pensamento. O ego tem a
seu serviço a razão, a lógica, ideia de causalidade e consequências.

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O Super Ego

O Super Ego é a terceira e última instância do Modelo Estrutural desenvolvido por S. Freud. O Super
Ego é a introjeção dos valores morais e da autoridade no Sujeito. Segundo a teoria psicanalítica o Super
Ego se forma a partir das proibições e inibições que a criança sofre no meio familiar, principalmente
referente a função paterna, a qual é o “responsável pela castração” A constituição do Super ego
acontece com a resolução dos conflitos edípicos da fase fálica, a partir de aproximadamente, cinco anos.
Grosso modo, poderíamos identificar esta instância psíquica como algo do tipo “A voz da Consciência”.
Apesar de grande parte da atuação do Super Ego ser inconsciente, temos uma pequena percepção do seu
funcionamento através do nossos sistemas de valor, tradição e crenças. O Super Ego é o sensor do Id, e
muitas vezes também do Ego, pois um dos aspectos do Super Ego é o Ideal do EU. (Lembrando que
todo este assunto será explicado de forma aprofundada e detalhada durante as aulas).

“Consideramos que o superego é herdeiro do conflito edípico e que se forma quando a criança
renuncia ao progenitor do sexo oposto, como objeto de amor, e ao do mesmo sexo, como objeto de ódio,
identifica-se com os pais idealizados como modelos a serem imitados e busca em outras pessoas reforços para
manter esses ideais.”
Flávio D Andrea – Desenvolvimento da personalidade (1987)

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Processo Primário e Secundário do Pensamento.

O Processo Primário e Secundário de pensamento é o modo de funcionamento predominante de


determinadas instâncias psíquicas. Sigmund Freud faz sua primeira referência a respeito no seu artigo
“Projeto para uma psicologia científica” (1895), mas aprofundou-se no tema em seu Livro” A
interpretação dos sonhos” (1900). Neste livro Freud demonstra a compreensão de duas formas
diferentes de funcionamento do pensamento, e também do processo onírico. Um é caracterizado pela
racionalidade, pela forma comum de pesar no dia a dia, pela linearidade e coerência, o outro totalmente
irracional e desconcertante, altamente simbólico e ilógico. A estas duas formas de “pensar” Freud
denominou na respectiva ordem Processo Primário e Processo Secundário de pensamento.

Na Teoria Topográfica o processo primário caracteriza-se pela forma de simbolizar do sistema


inconsciente e o processo secundário por sua vez é característica da forma de pensar dos sistemas pré-
consciente e consciente. Na Teoria estrutural o processo primário esta associado ao Id e o Processo
secundário associado ao Ego, isto na prática analítica é muito importante, pois auxilia o analista a
perceber se esta ou não no caminho certo da análise.

(Lembrando novamente que todos estes conceitos serão detalhados e estudados com profundidade no
decorrer das aulas).

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BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA E ESTUDOS COMPLEMENTARES*

 Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos Histéricos: Comunicação Preliminar (1893)


 O Ego e o Id, e outros trabalhos - Volume XIX – Obras completas Ed Imago.
 Cinco lições de Psicanálise (1910) - Volume XI – Ed Imago. ( Apenas o artigo até pag 37 )
 Estudos sobre a Histeria. Vol II (Capítulo II, Casos Clínicos) Obras Completas Ed Imago.

Documentários

 Freud Além da Alma.

*Todo material sugerido poderá ser encontrado na área do aluno.

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