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Disciplina

Introdução ao Cálculo

Coordenador da Disciplina

Prof. Gabriel Paillard

9ª Edição
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados desta edição ao Instituto UFC Virtual. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida,
transmitida e gravada por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, dos autores.

Créditos desta disciplina

Realização

Autor

Prof. Jayro Fonseca da Silva


Sumário
Aula 01: Conjunto dos Números Reais ................................................................................................... 01
Tópico 01: O conjunto dos números reais ............................................................................................. 01
Tópico 02: Axiomas, definições e propriedades dos números reais ...................................................... 08

Aula 02: Operações com Números Reais ................................................................................................ 12


Tópico 01: Valor Absoluto .................................................................................................................... 12
Tópico 02: Potenciação .......................................................................................................................... 16
Tópico 03: Notação científica ................................................................................................................ 18
Tópico 04: Radiciação ........................................................................................................................... 21

Aula 03: Álgebra Elementar .................................................................................................................... 26


Tópico 01: Expressões Algébricas ......................................................................................................... 26
Tópico 02: Fatoração ............................................................................................................................. 30

Aula 04: Equações, Inequações e Sistemas de Equações....................................................................... 35


Tópico 01: Equações de uma ou duas variáveis do 1º grau ................................................................... 35
Tópico 02: Sistema de equações do 1º grau ........................................................................................... 39
Tópico 03: Equações do 2º grau (quadráticas)....................................................................................... 43
Tópico 04: Equações do 4º grau (biquadráticas) ................................................................................... 48
Tópico 05: Equações irracionais ............................................................................................................ 52

Aula 05: Geometria Analítica .................................................................................................................. 55


Tópico 01: Coordenadas no plano ......................................................................................................... 55
Tópico 02: Ponto médio e simetria ........................................................................................................ 57
Tópico 03: Distância entre dois pontos .................................................................................................. 60
Tópico 04: Equação da reta.................................................................................................................... 62

Aula 06: As Cônicas .................................................................................................................................. 71


Tópico 01: Lugar geométrico e a circunferência ................................................................................... 71
Tópico 02: A elipse ................................................................................................................................ 75
Tópico 03: A Hipérbole ......................................................................................................................... 78
Tópico 04: A parábola ........................................................................................................................... 82

Aula 07: Funções ....................................................................................................................................... 88


Tópico 01: Conceito, propriedades e álgebra das funções ..................................................................... 88
Tópico 02: Funções elementares ............................................................................................................ 98
Tópico 03: Funções transcendentais.......................................................................................................108
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 01: CONJUNTO DOS NÚMEROS REAIS

TÓPICO 01: O CONJUNTO DOS NÚMEROS REAIS

Para conhecer o conjunto dos números reais, que será denotado pelo
símbolo R, precisamos fazer uma revisão da sua construção, seus axiomas
e propriedades fundamentais, iniciando pelo estudo de seus principais
subconjuntos. Esses subconjuntos foram surgindo na medida em que o
homem ia necessitando fazer contagem, comparação, resolver problemas
do cotidiano da vida prática e as necessidades da matemática em cada
momento de seu desenvolvimento.

1. CONJUNTO DE NÚMEROS NATURAIS

O primeiro destes subconjuntos será o conjunto dos números naturais


{1,2,3,4,5,...}, representado pelo símbolo , que surgiu a partir da
necessidade do homem em fazer contagem.Esse contagem era realizada
através de uma correspondência entre objetos ou coisas e os números
naturais, ou seja, contar objetos de uma coleção significa estabelecer
correspondência, um a um, entre os objetos e sucessão dos números
naturais.

1.1 PROPRIEDADES DOS NÚMEROS NATURAIS

Em são definidas as operações de adição e de multiplicação, isto é,


tem a propriedade de fechamento em relação à adição e à multiplicação:
Dados dois números naturais a e b, então a + b e a.b também são números
naturais.

PROPRIEDADE ADTIVA DOS NÚMEROS NATURAIS.

A1 Comutativa a + b = b + a ∀ a,b e ∈

A2 Associativa a+(b + c) = (a + b)+ c ∀ a,b,c ∈

PROPRIEDADE MULTIPLICATIVA DOS NÚMEROS NATURAIS.

M1 Comutativa a . b = b . a ∀ a,b e ∈

M2 Associativa a.(b . c) = (a . b). c ∀ a,b,c ∈

PROPRIEDADE DISTRIBUITIVA DOS NÚMEROS NATURAIS.

D1 Distribuitiva a.(b + c) = a.b + a.c ∀ a,b,c ∈

1.2 OBSERVAÇÕES SOBRE OS NÚMEROS NATURAIS

Na sucessão dos números naturais, pode-se passar de um número para o


seguinte (seu consecutivo) adicionando uma unidade a este, isto é, dado um
número n qualquer, o seguinte será n +1. Como consequência dessa
propriedade, pode-se afirmar que:

1
a) Dados números natural qualquer, sempre vai existir um
número maior que este;

b) O conjunto dos números naturais é ilimitadamente, ou


seja, nele existe um número infinito de N números.

1.3 SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DO CONJUNTO DOS NÚMEROS NATURAIS

(1)Conjunto dos Números pares

(2)Conjunto dos Números ímpares

(3)Conjunto dos Números primos

2. O CONJUNTO DOS NÚMEROS INTEIROS


A criação do conjunto dos números inteiros foi consequência de outras
descobertas no campo da Matemática no momento em que o conjunto dos
números naturais já não permitia determinadas operações como a subtração,
por exemplo. Unindo-se a essa realidade veio a necessidade do homem
precisar fazer transcrição de números. Daí nasceu um sistema de numeração
posicional e também o zero que tinha a função de preenchendo classes
vazias, posições com ausência de número, o zero ainda não era considerado
um número. A importância do seu aparecimento foi permitir a criação dos
números inteiros.

O conjunto dos números inteiros {..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, ... }, denotado
pelo símbolo , foi assim concebido incluindo no conjunto dos números
naturais , o zero e os números negativos.

Sendo um subconjunto de , as operações e propriedades de


também passam a valer em . Além disso, em , passou a valer a
propriedade simétrica da adição, isto é, dado um número a ∈ , existe-a ∈
tal que a + (-a) = 0. A partir dessa propriedade, foi possível definir a
operação de subtração em , ou seja, dados a, b ∈ , definimos a diferença
entre a e b como sendo a – b = a + (-b).

2.1 SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DO CONJUNTO DOS NÚMEROS INTEIROS

1. Conjunto dos números inteiros não nulos

2. Conjunto dos números inteiros não positivos

2
3. Conjunto dos números inteiros não negativos

4. Conjunto dos números inteiros positivos

5. Conjunto dos números inteiros negativos

A operação de divisão entre dois números em nem sempre era


possível realizar, apenas em alguns casos. Este fato passou a representar o
próximo obstáculo que precisava ser superado e resolvido com a ampliação
do conjunto dos números inteiros.

OLHANDO DE PERTO

A questão seguinte, portanto, era como medir (comparar grandezas),


ou seja, como estabelecer uma unidade fixa de uma dada grandeza de
modo a determinar quantas dessas unidades seriam necessárias para obter
a quantidade da grandeza dada. Como estabelecer padrões de comparação
entre grandezas de mesma espécie? Essa tarefa nem sempre era possível,
pois nem todas as grandezas tinham quantidades inteiras de unidades.
Havia necessidade de se criar uma forma de representação de partes da
unidade. Inicialmente a questão foi contornada através do emprego de
razões entre grandezas de mesma espécie o que, por certo, deu origem aos
números racionais ou mesmo às frações.

3. O CONJUNTO DOS NÚMEROS RACIONAIS


O conjunto dos números racionais, representado pelo símbolo , é
constituído por todos os números escritos na forma , onde p e q são
números inteiros, com q diferente de zero, ou seja:

OLHANDO DE PERTO

1. Sendo o conjunto dos números racionais uma ampliação do


conjunto dos números inteiros :

a) é um subconjunto de , pois todo p inteiro pode ser escrito na


forma .

b) Todas as operações e propriedades de valem também em .

3
2. Em , vale a propriedade do inverso multiplicativo, isto é, dado o
número , com 0, existe o número tal que
.

3.1 SUBCONJUNTOS ESPECIAIS DO CONJUNTO DOS NÚMEROS RACIONAIS

a) ( conjunto dos números racionais não negativos)

b) ( conjunto dos números racionais não positivos)

c) ( conjunto dos números racionais não nulos)

OLHANDO DE PERTO

Todo número racional pode ser escrito como um número decimal


finito ou uma dízima periódica.

Exemplos:

a) (decimal finito) b) (dízima periódica)

3.2 OPERAÇÕES COM OS NÚMEROS RACIONAIS


ADIÇÃO

MULTIPLICAÇÃO

DIVISÃO

DICA

Na prática: Dividir uma fração por outra significa multiplicar a


primeira fração pelo inverso multiplicativo da segunda fração.

4
4. O CONJUNTO DOS NÚMEROS IRRACIONAIS
A crença dos gregos de que os números racionais eram o suficiente para
resolver todos os problemas envolvendo grandezas comensuráveis cessou no
momento em que descobriram a existência dos segmentos não
comensuráveis. Tais segmentos passaram a ser chamados de os
incomensuráveis. Acredita-se que este fato representou um momento crítico
para os pitagóricos, pois na concepção deles, até então, toda medida
correspondia a um número racional. Parece que esta descoberta ocorreu
quando tentaram medir a diagonal de um quadrado de uma unidade de lado
e concluíram que essa medida não correspondia a nenhum número racional.

O que eles conseguiram provar é que nenhum número cujo quadrado é


2, pode ser escrito como quociente de dois números inteiros.

Em outras palavras: provaram que √2 não é um número racional.

De modo análogo ao que eles fizeram podemos provar que √3 não é um


número racional. Enfim, para p primo, não é um número racional.

Tradicionalmente chamamos um número que não pode ser escrito como


quociente de dois inteiros, de número irracional.

EXEMPLO
Exemplos de alguns números irracionais

(1) √2 = 1,414213....

(2) π = 3.141529...

(3) e = 2,718281...

(4) 3 √7 = 1,912....

OLHANDO DE PERTO

Existem números irracionais diferentes dos apresentados aqui. Na


verdade o conjunto dos números irracionais é infinito. Isso será assunto
em outra Disciplina.
5
5. A RETA NUMÉRICA
O conjunto dos números reais é a união dos conjuntos dos números
racionais com o conjunto dos números irracionais.

Uma representação geométrica do conjunto dos números reais pode ser


construída a partir do estabelecendo de uma correspondência biunívoca
entre o conjunto dos números reais e o conjunto dos pontos de uma reta, ou
seja, é possível associar cada número real a um, e apenas um ponto da reta.

A construção da reta numérica deve ser iniciada marcando um ponto


arbitrário O, sobre a reta, que será chamado origem do sistema de
coordenadas e estará associado ao número real 0 (zero).

Adotando uma unidade de comprimento u é possível construir uma


representação geométrica do conjunto dos números inteiros .

Cada número real r associado a um ponto P da reta é chamado


coordenada do ponto: P(r)

Exemplificando: Representar no sistema de coordenadas da reta os


seguintes pontos:

P1(-2), P2(1/2), P3(π), P4(-3/2) , P5(√2) e P6(e).

Observe que para cada ponto da reta existe um, e somente um número
real correspondente a esse ponto e vice-versa.

EXERCITANDO

Resolva as atividades proposta a seguir

ATIVIDADES PROPOSTAS

Exercitando 1

Na figura abaixo, composta de seis quadradinhos, quantos deles


devemos destacar de modo que representem ¾ do total de
quadradinhos?

Exercitando 2

Escreva V ou F, conforme a afirmação seja verdadeira ou falsa:

1) ( ) 3,999... é inteiro.

6
2) ( ) 2,01001000100001... é irracional ( )

3)( ) 0,31333... é racional ( )

4) ( ) 0,333.../0,1333 é racional

Exercitando 3

Se a for um número racional e b for um número irracional, use V ou


F de acordo com a afirmação ser verdadeira ou falsa:

1) 3√2 + a + b é irracional ( )

2) AB é racional ( )

3) A/B é racional ( )

4) A + B é irracional ( )

Exercitando 4

Na reta numérica abaixo, considere os pontos P1 e P10


representando os números -3,9 e 7,8, respectivamente. Qual a medida da
unidade u escolhida e em que ponto está localizada a origem?

FÓRUM 1
Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os
exercícios ou sobre a matéria da Aula 1.

FONTES DAS IMAGENS


1. http://www.denso-wave.com/en/

Responsável: Professor Gabriel Paillard


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INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 01: CONJUNTO DOS NÚMEROS REAIS

TÓPICO 02: AXIOMAS, DEFINIÇÕES E PROPRIEDADES DOS NÚMEROS REAIS

1. AXIOMAS
No conjunto dos números reais ℜ, estão definidas as operações de
adição (+) e de multiplicação (.) e ℜ é fechado em relação à adição e à
multiplicação, ié, dados a, b ∈ ℜ , então a + b, a.b ∈ ℜ. Clique nas linhas da
tabela:

A1 - Comutatividade: Dados a, b ∈ ℜ, então: a+b=b+a

(a + b) + c = a + (b +
A2 - Associatividade: Dados a, b, c ∈ ℜ, então:
c)

A3 - Existência do elemento neutro aditivo:


a+0=0+a
Existe o número real 0, tal que para todo a ∈ ℜ,

A4 - Existência do elemento oposto: Para todo a


a + (-a) = 0
∈ ℜ, existe -a , tal que

M1 - Comutatividade: Dados a, b ∈ ℜ, então: ab=ba

M2 - Associatividade: Dados a, b, c ∈ ℜ, então: (a b) c = a (b c)

M3 - Existência do elemento neutro


multiplicativo: Existe o número real 1, tal que 1.a = a
para todo a ∈ ℜ,

M4 - Existência do elemento inverso: Para todo


.a=1
a & ∈ ℜ*, existe ∈ ℜ, tal que:

D - Distributividade: Dados a, b, c ∈ ℜ, então: a (b + c) = a b + a c

2. DEFINIÇÕES

Se a e b são números reais quaisquer, então a diferença entre a e b,


indicada por a –b, é definida por a - b = a + (-b). Observe que -b é o
oposto de b.

Um número real qualquer a é negativo se, e somente se, -a for positivo.

Dados a e b reais, dizemos que a é menor que b, em símbolo a < b, se b –


a for positivo. De maneira análoga, dizemos que a é maior que b, em
símbolo a > b, se a – b for positivo.

Dados a e b reais, os símbolos (menor ou igual a) e (maior ou igual a) são


definidos como segue:

(1) a ≤ b se e somente se ou a < b ou a = b.

(2) a ≥ b se e somente se a > b ou a = b.

3. PROPRIEDADES

8
SE E, B, C, D SÃO NÚMEROS REAIS QUAISQUER, PODE-SE DEMONSTRAR QUE:

P1 Se a ≤ b, então a + c ≤ b + c

P2 Se a ≤ b e c > 0, então a.c ≤ b.c

P3 Se a ≤ b e c < 0, então a.c ≥ b.c

P4 Se a ≤ b e b ≤ c, então a ≤ c

P5 Se 0 < a < b e 0 < c < d, então a.c < b.d

P6 Se a for um número real qualquer e se:

i) a > 0 a é positivo

ii) a < 0 a é negativo

iii) a > 0 -a < 0

iv) a < 0 -a > 0

P7 0 < a < b, então

P8 a ≤ b e b ≤ a, então a = b

P9 a ≤ b e c ≤ d, então a + c ≤ b + d

Axioma de ordem: Para quaisquer a e b reais, exatamente uma das três


condições é válida:

a < b ou a = b ou a > b

ou equivalentemente, b – a é positivo ou b – a é zero ou -(b – a) é


positivo.

EXERCITANDO 1

Complete, aplicando o axioma indicado:

a) 1.5 = ...... (Comutativa)

b) (5+3) +2 = .... (Associativa)

c) 4.(16+2) = .... (Distributiva)

d) 0 + 7 = .... (Elemento Neutro)

4. INTERVALOS NOS REAIS


Suponha que a e b são números reais quaisquer tais que a < b. Um
intervalo na reta é um subconjunto convexo de ∈ ℜ que possui uma das
seguintes formas:

8.1 Intervalo aberto (a , b) = { x ∈ ℜ; a < x < b }

8.2 Intervalo fechado


9
[a , b] = { x ∈ ℜ; a ≤ x ≤ b}

8.3 Intervalo semi-aberto à direita (a , b] = { x ∈ ∈ ℜ; a < x ≤ b }

8.4 Intervalo semi-aberto à esquerda [a , b) = { x ∈ ℜ; a ≤ x <


esquerda b}

Observe que os colchetes "[" e "]" estão indicando que um dos extremos
pertence ao intervalo, e que os parênteses "(" e ")" indicam que um dos
extremos não pertence ao intervalo.

4.1 REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DOS INTERVALOS

Para representar um intervalo na reta utilizam-se dois tipos de bolinhas,


a cheia para indicar que o extremo pertence ao intervalo e a vazia, para
indicar que o extremo não pertence ao intervalo.

Representaremos na reta real os seguintes intervalos: (i) (1 , 3); (ii) [1 ,


3]; (iii) [1 , 3); (iv) (1 , 3]

Pode-se ainda definir outros intervalos utilizando os símbolos + (lê-se:


mais infinito) para indicar a ideia de números positivos infinitamente
grandes e - (lê-se: menos infinito) para indicar a ideia de números negativos
infinitamente pequenos, como segue:

(a , + ∞) = { x ∈ ℜ; x > a }

(-∞ , b) = { x ∈ ℜ; x < b }

[a , +∞) = { x ∈ ℜ; a ≤ x }

(-∞ , b] = { x ∈ ℜ; x ≤ b}

(-∞ , +∞) = ℜ

EXERCITANDO 2

Faça uma representação geométrica na reta dos seguintes conjuntos:

a) [-5,3]

b)(-4, +∞)

c) (-∞, 7] ∩ [-5, +∞)

d) (-7,2) ∪ [0, 6]

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EXERCITANDO 3

Ache e mostre na reta numérica, o conjunto solução da desigualdade:

a)

b)

ATIVIDADE DE PORTFÓLIO

Resolver os exercitandos 2 e 4 do tópico 01, os exercitandos 1, 2 e 3 do


tópico 02 e enviar as soluções através do seu portfólio da Aula 1.

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INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 02: OPERAÇÕES COM NÚMEROS REAIS

TÓPICO 01: VALOR ABSOLUTO

1. VALOR ABSOLUTO
1.1 DISTÂNCIA ENTRE DOIS NÚMEROS REAIS
DEFINIÇÃO 1

Dados dois números reais a e b tais que a ≤ b, então a distância entre a


e b é o número real não negativo b – a.

Exemplo: A distância entre os números -2 e 7, pode ser obtida pela


diferença:

7 - (-2) = 7 + 2 = 9.

Para representar a distância de um número real qualquer x à origem


do sistema de coordenadas, utiliza-se a notação | x |, chamada valor
absoluto de x ou módulo de x.

Considerando a definição de distância entre dois números e a notação


de distância entre 0, origem, e um número real qualquer x, indicada por | x
|; temos:

i) Se x < 0, então a distância entre x e 0 é | x | = 0 – x = - x.

ii) Se x = 0, então a distância entre x e 0 é | x | = 0 – x = 0 = x.

iii) Se x > 0, então a distância entre x e 0 é | x | = x – 0 = x.

DEFINIÇÃO 2

Assim, com base nessa interpretação geométrica, podemos definir o


valor absoluto de um número real x, como segue:

Definição 2: O valor absoluto ou módulo de um número real x,


denotado por | x |, é definido por:

Exemplos: | 2 | = 2 ; | -3 | = - ( -3 ) = 3 ; |- Π| = Π .

Teorema 1: Se a e b são números reais quaisquer, então | a – b |


representa a distância entre a e b.

Dem.: Pela lei da tricotomia, se a e b são reais quaisquer, pode ocorrer


uma das três situações:

a < b ou a = b ou a > b.

12
1ª) Se a < b ⇔ a – b < 0, pela def2 , | a – b | = - (a – b) = -a + b = b – a.
Mas, pela def 1, b – a é a distância entre a e b.

2ª) Se a = b ⇔ a – b = 0, pela def2 , | a – b | = a – b = 0. Mas, pela


def 1, 0 é a distância entre a e b.

3ª) Se a > b ⇔ a – b > 0, pela def2 , | a – b | = a – b. Mas, pela def 1, a


- b é a distância entre a e b.

Logo, dados quaisquer a e b reais, | a – b | representa a distância entre


a e b.

1.2 PROPRIEDADES DO VALOR ABSOLUTO

Se x é um número real qualquer, podemos demonstrar que:

DEMONSTRAÇÃO

Demonstrações das propriedades. Seja x um número real qualquer.


Então:

(V1) daí pode-se concluir que


Mas,

Conclusão: Para todo x,

(V2) A igualdade ocorre quando


Mas observe que –x é positivo. Logo, como
todo número positivo é maior que qualquer número negativo, - x > x.
Então, | x | = - x. > x. Assim, a desigualdade ocorre quando x < 0.

Conclusão: Para todo

(V3)
x<0 -x > 0. Mas, pois x < 0.

Conclusão: Para todo

(V4) Temos, por V3, que para todo x.


Mas, sendo

Conclusão: Para todo x, | x | = | -x |.

13
(V5) Para tudo
Por definição,
mas Então

Conclusão: Para todo

(V6) Para todo x, em V2,


Mas, para todo

Logo, para todo x.

(V7)

A primeira condição é impossível ( ).


Então a segunda condição é válida, ou seja,

(V8) Por def. ,


Daí ou

Teorema 2: Se x e y são números reais quaisquer, então:

DEMONSTRAÇÃO

i)

ii)

iii) Por V6 , somando membro a


membro, temos que,

iv) Por (iii),

v) Por (iii), Então, | x – y |

vi)

Extraindo a raiz quadrada de ambos os membros, fica;

Pela propriedade V3, temos: | x - y | ou

14
EXERCITANDO 1

Encontrar os valores de x que satisfazem as igualdades ou


desigualdades abaixo:

a) |x - 3| = |4x - 1|
b) |x - 1|+|x + 6| = 13
c) |2x - 6|> x- 4

EXERCITANDO 2
Determine o menor valor de M, tal que

|2x3 +3x2 + 2x| ≤ M para todo x no intervalo fechado [ -2, 2].

FÓRUM 2

Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os


exercícios ou sobre a matéria da Aula 2.

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INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 02: OPERAÇÕES COM NÚMEROS REAIS

TÓPICO 02: POTENCIAÇÃO

1. POTENCIAÇÃO

1.1 DEFINIÇÃO E PROPRIEDADES

A potenciação é a operação que permite abreviar números que podem


ser expressos como produto de fatores iguais e simplificar cálculos
envolvendo esses números sejam eles grandes ou pequenos.

DEFINIÇÃO

Sejam a e n dois números naturais, A potência de base a e


n
expoente n é o número denotado por a tal que:

para todo n maior ou igual que 1.

A partir da lei de recorrência, podemos afirmar que:

n
Logo, para todo n natural, n > 1, podemos expressar a como
produto de n fatores iguais a a.

Assim:

EXEMPLOS

4 0
i) 3 = 3 . 3 . 3 . 3 = 81. ii) 5 = 1. iii)
1
10 = 10.

PROPRIEDADES

Sejam a e b números reais, m e n números naturais, então:


m n m+n
P 1 :a .a =a

m n m-n
P 2 :a :a =a , a ≠ 0 e m > 0.

m n m n
P 3 : (a .b )=a .b .

m n m n
P 4 : (a :b )=a :b .

m n m.n m.n m+m+m+...+m+m


P 5 : (a ) =a , onde a =a

16
( expoente com n parcelas iguais a m)

.( expoente com n fatores iguais a m )

1.2 POTÊNCIA COM EXPOENTE INTEIRO

Seja a um número real qualquer diferente de zero e n um número inteiro


qualquer. Então:

Com base nessa definição, todas as propriedades de potência sobre os


naturais são válidas para os inteiros, além disso, a propriedade P2 passa a
ser válida para todo m e n inteiros:

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INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 02: OPERAÇÕES COM NÚMEROS REAIS

TÓPICO 03: NOTAÇÃO CIENTÍFICA

1. NOTAÇÃO CIENTÍFICA
1.1 O QUE É NOTAÇÃO CIENTÍFICA

A notação científica é uma forma de representação de números, sejam


eles grandes ou pequenos, muito útil na área das ciências exatas, tais como
Astronomia, Biologia, Física etc.

Forma padrão: N . 10n , onde n é inteiro e O número N é


chamado de mantissa e n a ordem de grandeza.

EXEMPLO

a) 3,1 . 105 (mantissa 3,1 e ordem de grandeza 5)

b) 1,2003 . 103 ( mantissa 1,2003 e ordem de grandeza 3)

c) 2 . 10-7 ( mantissa 2 e ordem de grandeza -7 )

Para registrar um número grande, desloca-se a vírgula para a esquerda


até posicioná-la antes do primeiro algarismo significativo e o expoente de 10
é determinado pelo número de algarismos que estão compreendidos entre as
duas posições da vírgula, anterior e atual.

Transcrever o número 5386002,31 para notação científica.

1 PASSO
Mover a vírgula para esquerda e posiciona-la antes do último
algarismo: 5,38600231

2 PASSO
Para determinar a potência de 10, basta contar o número de
algarismos compreendidos entre as duas posições da vírgula, inicial e final,
e concluir que a grandeza é 6.

CONCLUSÃO

A notação científica do número 5386002,31 é 5,38600231 . 106

Exemplo: 2 A massa do sol em quilograma (1983 000 000 000 000 000
000 000 000 000):

18
Para registrar um número decimal pequeno, desloca-se a vírgula para a
direita até que ultrapasse o primeiro algarismo significativo e o expoente de
10 é o número inteiro negativo determinado pela quantidade de algarismos
compreendidos entre as duas posições da vírgula, atual e anterior.

Exemplo: 1 Uma das partículas do átomo da massa de um próton, em grama


(0,00000000000000000000000165):

EXERCITANDO 1

Transcreva os números para notação científica.

a) 0,00000000000305
b) 38951,23

1.2 OPERAÇÕES NA NOTAÇÃO CIENTÍFICA

ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO

Para somar ou subtrair dois números em notação cientifica é


nescessário que os números tenham a mesma ordem de grandeza e mesmo
expontes.

Exemplo 1

2.103 + 4.103 = ( 2 + 3).103 = 6 .103

Exemplo 2

7.103 + 4.102 = 70.102 + 4 .102 = (70 + 4) .102 = 74.102 = 7,4.103

MULTIPLICAÇÃO

Para multiplicar dois números em notação científica, multiplicam-se


as mantissas e soma os expoentes.

Exemplo

(1,5 .103) . (2 .103) = (1,5 . 3).103+4 = 3.107

DIVISÃO

Para dividir dois números em notação científica, dividem-se as


mantissas e substraem-se os expoentes.

Exemplo

(6 . 103) : (2 . 105) = (6 : 2 ) .10-2 = 3. 10-2

EXERCITANDO 2

Dados os números a = 22,7 e b = 0,0036:

a) Escreva a e b em notação científica


19
b) Considerando as formas de a e b do item (a), calcule a.b e a/b

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20
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 02: OPERAÇÕES COM NÚMEROS REAIS

TÓPICO 04: RADICIAÇÃO

1. RADICIAÇÃO
1.1 DEFINIÇÃO E NOMENCLATURA

VERSÃO TEXTUAL

Definição: Radiciação é a operação através da qual dado um


número real a, a > 0, pode-se encontrar um número real b, tal que b
elevado a um número natural n, n >1, seja igual a a, isto é, bn = a.

A operação de radiciação é representada por uma expressão do tipo


denominada de raiz enésima ( ou n-ésima ) de um número real a, em que o
número a é chamado de radicando e o número natural n de índice do radical.

1.2 RAÍZES COM ÍNDICE PAR

Seja a é um número real e n um número natural par, diferente de zero,


ou seja, n = 2.k, onde k é um número natural com k ≠ 0:

i ) se a > 0, então é igual ao número real b positivo, tal que bn = a.

ii) se a < 0, então não existe no conjunto dos números reais .

Exemplos:

1.3 RAÍZES COM ÍNDICE ÍMPAR

Seja a é um número real e n um número natural ímpar, n > 1, ou seja, n


= 2.k - 1, onde k é um número natural diferente de zero maior do que um,
então é igual ao único número real b, tal que bn = a.

Exemplos:

PROPRIEDADES

Sejam a e b números reais positivos e m, n, p números naturais


maiores que 1. Então:

21
Radicais semelhantes: São aqueles que têm mesmo índice e
mesmo radicando.

Exemplo 1: são semelhantes.

Exemplo 2: não são semelhantes.

Coeficiente de radicais: É o número ou variável ou mesmo um


termo que precede um radical.

Exemplo: coeficiente do radical é 3.

Exemplo: - O coeficiente do radical

1.4 OPERAÇÕES COM RADICAIS

Para adicionar ou subtrair radicais é necessário que eles sejam


semelhantes. Assim sendo, para adicionar ou subtrair radicais semelhantes
mantém-se o radical comum e soma-se ou subtrai-se os seus coeficientes.

Exemplos:

Para multiplicar ou dividir radicais é necessário apenas que eles tenham


os mesmos índices. Assim sendo, para multiplicar ou dividir radicais
mantém-se o radical comum e multiplica-se ou divide-se tanto os radicandos
como os seus coeficientes.

Exemplo:

Exemplo:

1.5 RACIONALIZAÇÃO:

Racionalizar o denominador (ou o numerador) de uma fração significa


transformar o número irracional que ali aparece no denominador (ou
numerador) da fração em um número racional.

Exemplo: Racionalizando o denominador da fração temos:

Exemplo: Racionalizando o numerador da fração temos:

1.6 POTÊNCIA COM EXPOENTE RACIONAL

22
Seja a um número real positivo qualquer e n um número da forma

onde p e q são números inteiros, Então:

EXEMPLOS

PROPRIEDADES

Sejam a e b números reais positivos quaisquer, m e n números da


forma m = e onde p, q, r, s são números inteiros, q > 0,

Então:

1.7 RADICAIS DUPLOS

Dados a e b, inteiros positivos, chamamos de radical duplo todo radical


da forma onde b não é um quadrado perfeito em . Os radicais

duplos em geral aparecem na resolução de equações biquadradas. Esses


radicais, em alguns casos, podem ser expresso como soma de radicais
simples, isto é:

Para verificar a possibilidade de existência de x e y, elevam-se ambos os


membros da equação ao quadrado:

23
Comparando a primeira expressão com a última, teremos:

É fácil observar que as duas equações anteriores dão origem à equação


do segundo grau de raízes x e y. Assim sendo,
Se for não negativo, teremos
e as raízes da equação podem ser expressas em termos de a e c:

Daí:

Exemplo 1: Expressar o radical como soma de radicais simples:

SOLUÇÃO

Se a = 2 e b = 3, então Logo:

Exemplo 2: Transforme o radical em soma de radicais

simples:

SOLUÇÃO

Inicialmente, escrever o radical dado na forma padrão:

Assim: a = 4 e b = 12, então

Logo:

EXERCITANDO

Abaixo temos uma lista de exercícios a ser resolvidos. Clique aqui


para visualizar

Exercitando 01

Identificar, na seqüência de igualdades i1, i2, i3, i4 e i5, qual delas


gerou o absurdo? Justifique sua resposta.

Exercitando 2

Racionalize os denominadores das seguintes frações:

24
Exercitando 3

Racionalize os numeradores das seguintes frações:

Exercício 4

Transforme o radical duplo em soma de radicais simples


por dois métodos: (1º) o que foi apresentado nos exemplos 1 e 2;
(2º ) utilizando produto notável.

ATIVIDADE DE PORTFÓLIO

Resolver os exercitandos 1 e 2 do tópico 01, o exercitando 1 e 2 do


tópico 03 e o exercitando 4 do tópico 04 e enviar as soluções através do
seu portfólio da Aula 2.

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25
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 03: ÁLGEBRA ELEMENTAR

TÓPICO 01: EXPRESSÕES ALGÉBRICAS

1. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS

1.1 CONCEITOS BÁSICOS DA ÁLGEBRA ELEMENTAR


CONSTANTE

Uma constante é uma letra ou símbolo que utilizamos para


representar um valor especificado.

Exemplos:

VARIÁVEL

Em matemática, variáveis são letras ou símbolos que são utilizados


para representar números reais ou elementos de um conjunto qualquer,
ainda não especificados.

Exemplos:

EXPRESSÕES ALGÉBRICAS

São todas as expressões matemáticas que apresentam uma


combinação de variáveis e constantes envolvendo as seis operações
elementares adição, subtração, multiplicação, divisão, potenciação e
radiciação. As constantes são chamadas de coeficientes numéricos e as
variáveis de parte literal.

Exemplo:

TERMO

É qualquer constante ou variável, ou mesmo uma constante


multiplicada por potências não negativas das variáveis.

Exemplo:

TERMOS SEMELHANTES

Dizemos que dois ou mais termos são semelhantes quando eles


diferem apenas pelos seus coeficientes numéricos.

Exemplos:

1.2 CLASSIFICAÇÃO DAS EXPRESSÕES ALGÉBRICAS

As expressões algébricas são classificadas de acordo com o número de


termos:

MONÔMIO
BINÔMIO
TRINÔMIO
POLINÔMIO

26
GRAU DE UM POLINÔMIO

MONÔMIO

Quando a expressão algébrica é formada por apenas um termo:

Exemplos: 10 x2y,x3,2x etc

BINÔMIO

Quando a expressão algébrica é formada por dois termos:

Exemplos: 10 x2y + y ,x3 + 2x , x - a etc

TRINÔMIO

Quando a expressão algébrica é formada por três termos:

Exemplos: x2 + 2x - 3 , x3 + 2y3 - xy etc

POLINÔMIO

E qualquer expressão algébrica envolvendo apenas potências não


negativas de uma ou mais variáveis e que não constem frações com variáveis
no denominador.

Exemplos: 10x2y + 5x3y + 2 é um polinômio.

Não é um polinômio.

GRAU DE UM POLINÔMIO

O grau de um polinômio de uma variável é determinado pelo maior


expoente da variável. No caso do polinômio ter duas ou mais variáveis, o
grau de cada termo é determinado pela soma dos expoentes das variáveis.

Exemplo:

O grau do polinômio 10x2y + 5x3y + 2 é 4.

1.3 CONVENÇÕES ADOTADAS NAS OPERAÇÕES COM EXPRESSÕES ALGÉBRICAS:

Por ordem de prioridade:

(1) NAS OPERAÇÕES COM EXPRESSÕES ALGÉBRICAS

(2) SÍMBOLOS DE AGRUPAMENTO DE OPERAÇÕES

(3) REMOÇÃO DE PARÊNTESES OU OUTROS SÍMBOLOS

27
1.4 ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE POLINÔMIOS:

Para efetuar a soma ou a subtração de polinômios, basta somar ou


subtrair os termos semelhantes.

1.5 MULTIPLICAÇÃO E DIVISÃO DE POLINÔMIOS

Para efetuar a multiplicação, basta utilizar a propriedade distributiva e,


para a divisão, o algoritmo da divisão.

Exemplo 1: Sejam os polinômios P = 2xy2 e Q = 3x2y3 + 2xy2 + x3y ,


calcular P x Q.
P x Q = 2xy2 ( 3x2y3 + 2xy2 + x3y ) = 6 x3 y5 + 4 x2y4 + 2 x4 y3

Exemplo 2 : Sejam os polinômios P = x3 + 2x2 + x + 2 e Q = x +1,


calcular P : Q

EXERCITANDO 1

Determine o resto de cada uma das divisões:

a) (3x5 - 2x3 + x2 + 7x + 1 ) : (3x + 5)

b) (8x4-2x3-x2-9x -18) : (2x2 -x -3)

EXERCITANDO 2

Simplifique a expressão:

28
FÓRUM 3

Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os


exercícios ou sobre a matéria da Aula 3.

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29
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 03: ÁLGEBRA ELEMENTAR

TÓPICO 02: FATORAÇÃO

1. FATORAÇÃO DE EXPRESSÕES ALGÉBRICAS


Fatorar uma expressão algébrica significa escrever a mesma como
produto duas ou mais expressões algébricas, onde cada uma delas tenha grau
menor.

De acordo com o tipo de expressão algébrica existe um processo de


fatoração próprio. Em seguida, comentaremos sobre cada um desses
processos:

1.1 FATOR COMUM EM EVIDÊNCIA

Considerando a expressão da forma ax +ay, seu fator comum em


evidência é a. Aplicando a propriedade distributiva, teremos:

Se a for igual a zero, pela propriedade distributiva, 0.x + 0.y = 0 (x+y).

EXEMPLO

1.2 FATORAR POR AGRUPAMENTO

Esse processo consiste em aplicar duas vezes o caso do fator comum em


evidência em expressões algébricas especiais, como por exemplo: ax + ay +
bx+ by. Agrupando os dois primeiros termos, o fator comum é a, agrupando
os dois últimos termos, o fator comum é b. Logo, podemos escrever: ax + ay
+ bx + by = a(x+y) + b(x+y) , onde x +y é fator comum em evidência.

a(x+y) + b(x+y) = (x+y)(a+b), Então pode-se dizer que:

EXEMPLO

Exemplo¹: 4x2 + 2xy – 6x – 3y = 2x (2x +y) -3(2x+y) = (2x+y)(2x-3)

Exemplo²: 3x2 – 7x + 2. Nesse trinômio dissocie inicialmente o termo


do primeiro grau em dois outros, de modo que agrupando duas a duas
expressões obtenha um fator comum: -7x pode ser escrito como -6x –x.
Então, 3x2 – 6x – x + 2 = 3x(x - 2) -1(x – 2) = (x-2)(3x-1).

1.3 TRINÔMIO DO 2º GRAU

Dado um trinômio da forma x2 – Sx + P, encontrar dois números tais


que a soma seja S e o produto P. Se x1 e x2 são esses números, ou seja, x1 + x2
= S e x1x2 = P, então o trinômio dado pode ser escrito na forma:

30
EXEMPLO

Considere o trinômio de 2º grau, x2 - 2x - 3, onde S = 2 e P = -3.

Temos que: x1 + x2= 2 e x1x2 = -3.

Por tentativa, conclui-se que x1= -1 e x2= 3. Logo: x2-2x–3=(x –(-1))(x


– 3)=(x + 1)(x – 3).

Observação 1

Se no trinômio do 2º grau, o coeficiente de x2 for diferente de 1, Pode-


se usar o seguinte artifício: Considere o trinômio ax2 + bx + c , com a 0 e
a 1, supondo que a expressão se anule para os valores x1 e x2. É possível
construir um novo trinômio noutra variável, z por exemplo, a partir deste,
removendo o coeficiente a de x2 e multiplicando ele por c, obtendo assim o
trinômio z2 + bz + ac. Observe que o = b2 – 4ac dos dois trinômios
permanecem inalterados e o novo trinômio é da forma z2 – Sz + P, onde o
coeficiente de z2 é igual a 1, e que o mesmo se anula para os valores z1 = ax1

e z2 = ax2, onde x1 e x2 são os zeros do primeiro trinômio, ax2 + bx + c. Daí,


x1 = z1/a e x2 = z2/a. Então podemos escrever:

ax2+bx+c=a(x – x1)(x – x2)=a(x- z1/a )(x z2/a)

Exemplo: Considere o trinômio 2x2 – 5x + 2. Inicialmente obtenha o


novo trinômio: É fácil concluir que z1 = 1 e z2 = 4.

Logo, x1 = 1/2 e x2 = 4/2 = 2. Então: 2x2 – 5x + 2=2(x–1/2)(x – 2) ou

2x2–5x+2=(2x – 1)(x – 2).

Observação 2

Todo trinômio do 2º grau fatorável, ou seja, trinômio que pode ser


expressar como produto de fatores de grau 1, pode ser reduzido ao caso da
fatoração por agrupamento. O método consiste em dissociar o termo do
primeiro grau, de forma conveniente, em dois outros de modo a obter os
quatro termos exigidos no processo de agrupamento, lembrando que deve
haver um fator comum em evidência em cada grupo de dois termos.

31
Os casos seguintes são chamados produtos notáveis:

1.4 DIFERENÇA DE QUADRADOS

Esse processo consiste em transformar a expressão da diferença entre os


quadrados de dois números no produto da soma pela diferença dos dois
números.

EXEMPLO

Exemplo¹: (x+y)2 – (x-y)2 = (x+y+x-y)(x+y-(x-y))=2x.2y=4xy

Exemplo²: A diferença de quadrados é muito útil no cálculo do


quadrado de números.

a2 – b2 = (a+b)(a –b) a2 = (a+b)(a –b) + b2 (*)

Calcular o quadrado dos números 18, 97 e 13, aplicando mentalmente


a fórmula (*).

1º - Faça a = 18 e b é o valor que falta para completar o múltiplo de 10


que estiver mais próximo do valor de a. Nesse caso, tome b = 2.
Substituindo em (*), teremos:

1.5 TRINÔMIO QUADRADO PERFEITO

Um Trinômio quadrado perfeito é aquele obtido quando se eleva um


binômio ao quadrado. Seja que por definição:

Portanto, o quadrado da soma de números a e b é o quadrado do


primeiro (a2), mais duas vezes o produto do primeiro pelo segundo (2ab),
mais o quadrado do segundo (b2). Logo:

Observe que tanto o trinômio a2 + 2ab + b2 como o trinômio a2 - 2ab +


b2 são quadrados perfeitos: a2 + 2ab + b2 = (a + b)2 e a2 - 2ab + b2 = (a - b)2.

1.6 O CUBO DA SOMA (A + B)3

32
1.7 O CUBO DA DIFERENÇA (A - B)3

A expressão do cubo de diferença pode ser obtida utilizando os mesmos


procedimentos aplicados no caso da soma do cubo ou através da simples
substituição de b por –b em ambos os membros da expressão (a + b)3 = a3 +
3a2b + 3ab2 + b3. Assim:

1.8 A DIFERENÇA DE CUBOS A3 – B3

Subtraindo-se e, ao mesmo tempo, adicionando-se o mesmo termo na


expressão da diferença dos cubos para que a expressão não seja alterada e,
em seguida, agrupar-se os termos dois a dois e aplicar o fator comum em
evidência, obtemos:

1.9 A SOMA DE CUBOS A3 + B3

A expressão da soma dos cubos pode ser obtida utilizando os mesmos


procedimentos aplicados no caso da diferença dos cubos ou mediante a
substituição de b por –b em ambos os membros da expressão a3 – b3 = (a –
b)(a2 + ab + b2). Assim:

1.10 OUTROS PRODUTOS NOTÁVEIS

33
EXERCITANDO 1

Fatore:

a)x2 - 7yx + 12y2

b) x4 + y4

c) xn - yn , com n um inteiro positivo.

d) xn + yn para n ímpar positivo.

EXERCITANDO 2

Sabendo que a+b=4, encontre o valor de

EXERCITANDO 3

Mostre que

a)Se a + b + c = 0 então
a3 + b3 + c = 3abc3

b) Qual o valor de

EXERCITANDO 4

Simplifique

ATIVIDADE DE PORTFÓLIO

Resolver os exercitandos 1 e 2 do tópico 01 e os exercitandos 1, 2 e 3


do tópico 02 e enviar as soluções através do seu portfólio da Aula 3.

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34
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 04: EQUAÇÕES, INEQUAÇÕES E SISTEMAS DE EQUAÇÕES

TÓPICO 01: EQUAÇÕES DE UMA OU DUAS VARIÁVEIS DO 1º GRAU

1. EQUAÇÕES E INEQUAÇÕES DE 1º GRAU

1.1 EQUAÇÃO E INEQUAÇÃO: DEFINIÇÕES


DEFINIÇÃO 1

Uma equação e uma sentença matemática, representada por uma


igualdade entre duas expressões algébricas, em que as letras ou símbolos,
chamados de incógnitas, são utilizados para representar números
desconhecidos dessa sentença. A expressão localizada à esquerda é
chamada o 1º membro da equação e a expressão à direita, o segundo
membro da equação.

Sejam P(x) e Q(x) são duas expressões algébricas relacionadas por


uma igualdade (=). P(x) representa o primeiro membro da equação e Q(x)
o segundo membro da equação.

DEFINIÇÃO 2

Toda expressão algébrica que apresenta algum sinal de desigualdade,


tais como >, , <, , é denominada uma inequação.

DEFINIÇÃO 3

Conjunto-universo (U) é formado por todos os números que a variável


ou símbolo de uma equação pode assumir.

Dada uma equação, em geral, é dito qual o conjunto-universo a ser


considerado.

Exemplo 1: Pode-se considerar o conjunto-universo da equação x + 3 =


-2x como sendo U = .

Exemplo 2: O conjunto-universo da equação

DEFINIÇÃO 4

Conjunto-solução de uma equação (S) é formado por todos os


números do conjunto-universo dado que tornam verdadeira a equação.

Exemplo: Seja U = . O conjunto-solução da equação x + 3 = -2x é S =


{ -1}.

Exemplo: Seja U = . O conjunto-solução da equação x + 3 = -2x é S =


.

1.2 EQUAÇÃO DO 1º GRAU

35
Definição: Uma equação do primeiro grau com uma incógnita é toda
equação que pode ser reduzida à forma ax = b, em que a variável x é a
incógnita, a e b são números reais, com a 0.

EXEMPLO
Seja a equação 2x + 1 = 5. Usando as propriedades dos números reais,
podem-se chegar as seguintes equivalências 2x + 1 = 5 ⇔ 2x + 1 + (-1) = 5
+ (-1) ⇔ 2x + 0 = 4 ⇔ 2x = 4. Assim, conclui-se que a equação dada pode
ser reduzida à forma

ax = b, em que a = 2 e b = 4.

1.3 DISCUSSÃO SOBRE AS POSSÍVEIS SOLUÇÕES DA EQUAÇÃO DA FORMA AX = B

Se a 0, por definição, a equação ax = b é do 1º grau com uma incógnita


e admite uma única solução:

Sendo a 0, existe o inverso multiplicativo 1/a tal que a .1/a = 1. Assim,


multiplicando ambos os membros por 1/a, fica: 1/a ( ax) = 1/a .b ⇔ (1/a. a)x
= b/a ⇔ 1.x = b/a ⇔ x = b/a. A equação é dita possível e determinada.

Se a = 0, então 0.x = b, onde b é um número real qualquer. Observe que


o 1º membro da equação é sempre zero:

i) caso ocorra do segundo membro da equação não ser zero,


isto é, se b ≠ 0, a equação não admite solução, nesse caso, ela é
dita impossível.

ii) 0u se ocorrer do segundo membro da equação ser igual a


zero, isto é, b = 0, a equação 0.x = 0 tem como conjunto-solução
todos os números reais. Nesse caso, dizemos que ela é possível e
indeterminada.

EXERCITANDO 1
Se U = encontre o conjunto verdade de cada equação:

DEFINIÇÃO

Toda expressão do primeiro grau que apresentar algum sinal de


desigualdade, tais como , >, , <, é denominada uma inequação do 1º
grau. Existem quatro formas possíveis para tais inequações: ax + b 0 , ax
+ b > 0 , ax + b 0 e ax + b < 0, com a 0 e b qualquer real.

O conjunto-solução de uma inequação de 1º grau pode ser encontrado


a partir da determinação dos valores de x que tornam verdadeira a
desigualdade: ax + b 0, ax + b > 0, ax + b 0 ou ax + b < 0. É fácil
observar que a expressão ax + b se anula apenas para x = -b/a; para os
demais valores de x ou ax+b, é sempre positivo ou ax + b é sempre
negativo. Veja o esquema abaixo

36
EXEMPLO

Encontrar o cunjunto-solução da inequação do 1º grau 3x + 2 x – 3.

SOLUÇÃO

Dada a inequação 3x + 2 x–3 3x-x+2+3 0 2x+5 0

Inicialmente, observar que o primeiro membro da inequação, 2x+5, se


anula para x = -5/2. Em seguida, determinar os valores de x que tornam a
expressão positiva e os valores que a torna negativa:

Como 2x+5 0, basta considerar x menor ou igual a -2/5 , isto é:

S={x R; x -2,5 }

1.5 EQUAÇÃO DO 1º GRAU COM DUAS INCÓGNITAS

VERSÃO TEXTUAL

Definição: Uma equação de primeiro grau com duas incógnitas é


toda equação que pode ser reduzida à forma ax + by = c, onde a 0, b 0
e c um número real qualquer.

O conjunto-solução de uma equação desse tipo é formada por infinitos


pares ordenados em que o primeiro representa o valor de x e o segundo, é o
valor de y. Denotamos cada elemento do conjunto-solução por (x , y).

EXEMPLO

Dada 2x + 3y = 5. É fácil verificar por substituição que os pares


ordenados (1,1), (2,1/3),(0,5/3) e (10,-5) são soluções da equação dada.

OBSERVAÇÃO
Algumas soluções de uma equação de 1º grau com duas incógnitas
podem ser determinadas atribuindo-se valores arbitrários a uma das
incógnitas para obtenção da outra.

EXEMPLO
Seja 2x – y = 3 ⇔ y = 2x – 3 . Atribuindo valores a x, obtém-se o y
correspondente:

x = 1 → y = -1 ∴ (1 , -1)

37
x = -1 → y = -5 ∴ (-1 , -5)

x = 2 → y = 1 ∴ (2 , 1)

x = 1/2 → y = -2 ∴ (1/2 , -2)

São algumas soluções da equação dada.

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38
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 04: EQUAÇÕES, INEQUAÇÕES E SISTEMAS DE EQUAÇÕES

TÓPICO 02: SISTEMA DE EQUAÇÕES DO 1º GRAU

1. SISTEMA DE EQUAÇÕES DO PRIMEIRO GRAU COM DUAS


INCÓGNITAS

1.1 Definição: Um sistema de equações do primeiro grau com duas


incógnitas é o um conjunto formado por duas equações do primeiro grau
com duas incógnitas da forma:

Onde x e y são suas incógnitas, a1 e a2 são os coeficientes de x, b1 e b2 são


os coeficientes de y e c1 e c2 são os termos independentes. A solução do
sistema será única se .

Resolver um sistema de equações do primeiro grau significa encontrar


os valores das incógnitas x e y que satisfaz, simultaneamente, as duas
equações.

É fácil verificar, por substituição, que x = -1 e y = 2 é solução do sistema.

1ª equação: 2x + 3y = 2(-1) + 3(2) = -2 + 6 = 4

2ª equação: x + 4y = (-1) + 4(2) = -1 + 8 = 7

1.2 MÉTODOS DE RESOLUÇÃO DE UM SISTEMA

Os três principais métodos da álgebra elementar para resolução de um


sistema de equações do 1º grau são os métodos de substituição, adição e
comparação. Cada um destes métodos tem por objetivo eliminar uma das
incógnitas do sistema, de modo a transformar o mesmo numa única equação
do 1º grau com uma variável. Uma vez encontrado o valor de uma das
incógnitas, o valor da outra incógnita pode ser obtido através da substituição
do valor conhecido em uma das equação do sistema.

MÉTODO DE SUBSTITUIÇÃO
MÉTODO DE ADIÇÃO
MÉTODO DE COMPARAÇÃO

MÉTODO DE SUBSTITUIÇÃO

O método consiste em eliminar uma das incógnitas de uma das


equações. Tira-se em uma das equações o valor da incógnita a ser eliminada
e, em seguida, substitui-se o valor da incógnita eliminada na outra equação,
obtendo assim uma equação do 1º grau.

Dado o sistema:

2x – y = 3
3x + 2y = 1

39
Eliminando a incógnita y e tirando seu valor, na primeira equação, em
termos de x:

- y = 3 – 2x ⇔y = -3 + 2x ⇔y = 2x - 3

Substituindo esse valor na segunda equação, temos:

3x + 2(2x - 3) = 1 ⇔3x + 4x – 6 = 1 ⇔7x = 7 ⇔x = 1

Substituindo x = 1 na expressão y = 2x -3, Obtém-se:

y = 2(1) – 3 = 2 -3 = -1
Assim: x = 1 e y = -1 é a solução do sistema.

Obs.: Caso o sistema seja constituído de três equações e três incógnitas


o modo operante é quase idêntico. Substitui-se o valor da incógnita a ser
eliminada nas duas outras equações, obtendo assim um sistema de duas
equações com duas incógnitas.

Exemplo:

2x + 3y + z = 1
x + 2y – z = -3
x+y+z=2

Eliminar z na primeira equação: z = 1 – 2x – 3y

Substituir o valor de z nas duas outras equações:

x + 2y – (1 – 2x – 3y) = -3
x + y + (1 – 2x – 3y) = 2

Agrupando os termos semelhantes, obtém-se um sistema com duas


equações e duas incógnitas:

3x + 5y = -2
-x – 2y = 1

Aplicando o método da substituição, conclui-se que x = 1 e y = - 1.


Substituindo os valores de x e y na expressão de z, temos: z = 1 – 2(1) – 3(-1)
= 1 – 2 + 3 = 2. Logo, a solução do sistema é o terno (1, -1, 2).

MÉTODO DE ADIÇÃO

O método consiste em multiplicar as duas equações por um número real


conveniente escolhido de modo que os coeficientes da incógnita a ser
eliminada fiquem reduzidos a números simétricos. Em seguida, somam-se
membro a membro das equações, obtendo uma equação do 1º grau com uma
incógnita.

Exemplo:

2x – y = 3⇔4x – 2y = 6

(multiplicando ambos os membros por 2)

3x + 2y = 1⇔3x + 2y = 1

40
(multiplicando ambos os membros por 1 )

7x = 7

x=1

Substituindo o valor de x na primeira equação:

2(1) – y = 3 ⇔2 – y = 3 ⇔y = 2 – 3 = -1.

Solução do sistema é x = 1 e y = -1

MÉTODO DE COMPARAÇÃO

O método consiste em isolar uma mesma variável nas duas equações e


comparar os resultados, obtendo assim, uma equação do 1º grau com uma
incógnita que é a outra variável.

Considerando o sistema formado por duas equações do primeiro grau


com duas incógnitas:

Escolher uma das variáveis para isolar x, por exemplo:

Teremos uma equação do 1º grau na variável y


Dái : a2c1 - a2b1y = a1c2 - a1b2y ⇔ a1b2 y - a2b1y = a 1c2 - a1c1 ⇔ y ( a1b2 - a2b1) = a 1c2 - a1c1 ⇔ y = a
1c2 - a1c1 / a1b2 - a2b1

Substituindo o valor de y em uma das equações iniciais, obtém se o valor


de x correspondente.

1.3 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS

Os sistemas podem ser classificados como:

A) DETERMINADO

quando admite uma única solução.

Exemplo:

O sistema tem uma única solução (1 , 1).

B) IMPOSSÍVEL

quando recai numa equação impossível.

Exemplo:

41
O sistema não admite solução.

C) INDETERMINADO

quando recai numa identidade.

Exemplo:

O sistema tem infinitas soluções.

EXERCITANDO 1

Resolva o sistema de equação:

Classifique os sistemas, caso seja determinado, indeterminado e


impossível.

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42
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 04: EQUAÇÕES, INEQUAÇÕES E SISTEMAS DE EQUAÇÕES

TÓPICO 03: EQUAÇÕES DO 2º GRAU (QUADRÁTICAS)

1. EQUAÇÃO E INEQUAÇÃO DO 2º GRAU


1.2 EQUAÇÃO DO 2º GRAU

Definição: Uma equação do 2º grau na variável x é toda equação que


pode ser reduzida à forma ax2 + bx + c = 0, onde a, b e c são números reais
quaisquer, com a ≠ 0.

Dada a equação do 2º grau ax2 + bx + c = 0, onde a 0, dizemos que ela


é incompleta se b = 0 ou c = 0 e que ela é completa se b 0 e c 0.

1.3 RESOLUÇÃO DA EQUAÇÃO DO 2º GRAU

i) equação incompleta da forma ax2 = 0, com a 0.

Sendo a 0, x2 = 0 x = 0 ( multiplicidade 2 ! ) e a solução da equação.

ii) equação incompleta da forma ax2 + c = 0, com a 0 e c 0 .

Isolando x2 no primeiro membro da equação, vem: x2 = -c/a .

Se -c/a 0, as raízes da equação são x = ou x =

Se -c/a < 0, a equação não admite solução.

iii) equação incompleta da forma ax2 + bx = 0, com a 0 e b 0.

Colocando o fator comum x em evidência, teremos: x(ax + b) = 0 x=


0 ou ax + b = 0, logo as raízes da equação são x = 0 ou x = -b/a.

iv) A equação completa ax2 + bx + c = 0, com a 0, b 0 e c 0.

Existem vários métodos para dedução da fórmula geral de uma equação


completa do segundo grau na incógnita x, mais daremos prioridade ao
método desenvolvido pelos hindus que passou a ser conhecido como
Método de Bhaskara ou Fórmula de Bhaskara. Esse método consiste
em transformar o primeiro membro da equação em um quadrado perfeito,
depois de passar o termo c para o segundo membro da equação.

Passando o termo c para o segundo membro,

ax2 + bx + c = 0 ax2 + bx = -c .

Em seguida, multiplicar ambos os membros da equação por 4a,

4a2x2 + 4abx = -4ac .

Para tornar o primeiro membro um quadrado perfeito, basta adicionar


b2 em ambos os membros da equação.

43
4a2x2 + 4abx + b2 = b2 - 4ac

(2ax + b)2 = b2 - 4ac 2ax + b = 2ax = -b

Dai, as duas soluções da equação do 2º grau, denotadas por x' e x'' , são
dadas por:

EXEMPLO

Encontrar a solução da equação 2x2 – 5x + 2 = 0.

Solução: a = 2 e b = -5, logo devemos passar o termo 2 para o segundo


membro e depois multiplicar ambos os membros da equação por 8:

2x2 – 5x + 2 = 0 2x2 – 5x = -2 16x2 – 40x = -16

Adicionar em ambos os membros da equação b2, onde b2 = 25,

16x2 – 40x + 25 = 25 -16 (4x – 5)2 = 9 4x – 5 = 4x = 5


3 x= . Temos . As raízes são: x' = 2 e x'' = 1/2 .

O DISCRIMINANTE DE UMA EQUAÇÃO DO 2º GRAU

A existência, ou não, das raízes de uma equação do 2º grau depende


do valor da expressão b2 – 4ac que será representada pela letra grega delta
" " , isto é, = b2 – 4ac. O delta " " é também chamado de discriminante
da equação. Existem três casos a considerar:

i) Se < 0 , a equação não admite soluções. Não existem raízes reais.

S= .

ii) Se > 0, a equação admite duas soluções distintas. Existem duas


raízes reais distintas.

iii) Se = 0, a equação admite duas soluções iguais. Existem duas


raízes reais iguais.

1.4 RELAÇÕES ENTRE OS COEFICIENTES E AS RAÍZES DE UMA EQUAÇÃO DO 2º GRAU

44
Se x' e x'' são raízes de uma equação do 2º grau da equação da forma ax2
+ bx + c = 0, onde a 0, então

Considerando x'= e x'' = , teremos:

x' + x''= + =

x' x'' = =

Dividindo ambos os membros da equação do 2º grau ax2 + bx + c = 0


por a, teremos

Se S = x' + x'' = e P = x' x'' = , podemos escrever a equação do 2º

grau em termos da soma (S) e do produto (P).

x2- Sx + P = 0

EXEMPLO

Escrever a equação do 2º grau sabendo que as raízes são x' = 3 e x'' =


-1.

Temos, S = x' + x'' = 3 + (-1) = 2 e P = x' x'' = (3)(-1) = -3, logo, x2 -2x –
3 = 0 é a equação procurada.

Só lembrando: Se o coeficiente a for diferente de um, utilize o


artifício apresentado na aula 03, na fatoração do trinômio do 2º grau.

1.5 INEQUAÇÃO DO 2º GRAU

Toda expressão algébrica da forma ax2 + bx + c , onde a, b e c são


números reais quaisquer, com a 0, que apresenta algum sinal de
desigualdade , >, , <, é denominada uma inequação do 2º grau.

Para encontrar o conjunto-solução de uma inequação do 2º grau é


necessário conhecer inicialmente o sinal do coeficiente a, de x2, e do
discriminante . Em seguida, verificar a existência ou não dos zeros ou as
raízes da expressão ax2 + bx + c.
45
Se 0, sejam x' e x'' os zeros da expressão. De posse desses dados,
existem quatro possibilidades.

EXEMPLO

Achar o conjunto-solução da inequação x2 - 3x + 2 0.

Temos: a = 1 e = (-3)2 -4(1)(2) = 9 – 8 = 1 ( 1º caso)

a > 0 e >0 x2- 3x + 2

Se x2 -3x + 2 0, então 1 x 2. Logo, S = { x R; 1 x 2 }.

Se < 0, a expressão ax2 + bx + c não se anula para nenhum valor de x,


ela não admite zeros. Nesse caso, se a > 0 ela será sempre positiva, e se a < 0,
ela será sempre negativa.

EXEMPLO

a) Resolver a inequação x2 + 3x – 5 0.

a=1e = 32 – 4.1.(-5) = -11. A expressão não tem zeros, logo:

x2 + 3x – 5 0:

Significa que a expressão nunca será menor ou igual que zero.


Portanto, o conjunto solução será S = { }

b) Resolver a inequação x2 + 3x – 5 > 0.

46
Como item (a), temos: a = 1 e = 32 – 4.1.(-5) = -11. A expressão não
tem zeros, logo:

x2 + 3x – 5 :

Significa que a expressão será sempre positiva para todo x. Portanto,


o conjunto solução será S = R

EXERCITANDO 1

Sem resolver a equação ax2 + bx + c = 0, com a 0, calcule a:

1) soma das raízes da equação;

2) diferença das raízes da equação;

3) soma dos quadrados das raízes;

4) soma dos inversos das raízes.

EXERCITANDO 2

Resolva as seguintes inequações:

a)

b)

EXERCITANDO 3
Resolver o sistema

FÓRUM 4
Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os
exercícios ou sobre a matéria da Aula 4.

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47
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 04: EQUAÇÕES, INEQUAÇÕES E SISTEMAS DE EQUAÇÕES

TÓPICO 04: EQUAÇÕES DO 4º GRAU (BIQUADRÁTICAS)

1. EQUAÇÃO BIQUADRADA

1.1. ABORDAGEM CONCEITUAL

Definição

Uma equação biquadrada é uma equação do 4º grau que só contém


potências pares na incógnita x e que pode ser reduzida a forma ax4 + bx2 +
c = 0, chamada forma geral, onde a, b, e c são números reais quaisquer,
com a ≠ 0.

Sendo a 0, pode-se dividir todos os termos da equação por a, ficando

Fazendo resulta na equação x4 + px2 + q = 0 que é outra

forma geral da equação biquadrada.

EXEMPLO

(1) as equações x4 – 5x2 + 4 = 0, x4 – x2 = 0 e x4 + 2x2 + 1 = 0 são


biquadradas;

(2) as equações x4 + x3 + 2x2 + 1 = 0 e 2x4 – x2 + x = 0 não são


biquadradas.

1.2 RESOLUÇÃO DE UMA EQUAÇÃO BIQUADRADA

Para resolver uma equação biquadrada na sua forma completa, faz-se


uma mudança de variável (incógnita auxiliar), u = x2, por exemplo, que é
chamada de relação de redução à equação do 2º grau.

A relação de redução permite que a equação ax4 + bx2 + c = 0 dê origem


a uma nova equação au2 + bu + c = 0 que é chamada reduzida da equação
biquadrada. Observe que os discriminantes das duas equações são os
mesmos.

Pela fórmula de Bháskara, teremos

Fazendo uso da relação de redução u = x2, fica

48
Daí, vem

Desde que a equação reduzida não apresente nenhuma solução negativa,


as fórmulas acima passam a conter quatro valores que representarão as
quatro raízes da equação biquadrada x1, x2 , x3 e x4, ou seja,

As raízes da equação biquadrada formam um ou dois pares de números


simétricos

EXEMPLO 1

Resolver a equação biquadrada x4 – 5x2 + 4 = 0.

Solução:

Fazendo u = x2 ⇒ u2 = x4, teremos: u2 – 5u + 4 = 0.

Resolvendo essa equação pela fórmula de Bháskara, encontraremos:


u' = 1 ou u" = 4.

Substituindo os valores de u na relação de redução u = x2, obteremos:

se u' = 1, então

se u" = 4, então

EXEMPLO 2

Encontre a solução da equação biquadrada x4 – 8x2 - 9 = 0.

Solução:

Fazendo u = x2 u2 = x4. Substituindo na equação, fica u2 – 8u – 9 =


0.

Resolvendo, encontramos: u' = -1 ou u" = 9, portanto:

se u' = -1, então x2 = -1 que não admite solução;

se u" = 9, então

Logo, a solução da equação será x' = 3 ou x" = -3.

1.3 RAÍZES RACIONAIS DE UMA EQUAÇÃO POLINOMIAL DE GRAU N

49
Teorema:

Se o número racional , sendo p e q são números inteiros e primos

entre si, for uma raiz da equação polinomial de grau n,


, onde os ai's , com i = 0,1,2,3,... , n,
são coeficientes inteiros, então p é divisor de a0 e q é divisor de an.

Demonstração:

Se é uma raiz da equação polinomial de grau n, então

Multiplicando ambos os membros da equação por qn , obtém-se:

Transferindo para 2º membro o termo a0qn da equação (*), fica

Note que todos os termos do 1º membro são divisíveis por p, logo o


termo do 2º membro -a0qn também é divisível por p. Mas sendo p e q primos

entre si, p não divide qn, então p divide a0.

De maneira análoga, transferindo para 2º membro o termo anpn da


equação (*), fica

Observe agora que todos os termos do 1º membro são divisíveis por q,


logo o termo do 2º membro -anpn também é divisível por q. Mas sendo p e q

primos entre si, q não divide pn, então q divide an.

EXEMPLO

Se a equação do 2º grau 2x2 – 3x + 1 = 0 tiver raízes racionais da


forma , então p divide 1 e q divide 2. Assim, os valores possíveis de p

são 1 e -1, e de q são 1, -1, 2 e -2. Logo, as raízes racionais da equação, se


existirem, pertence ao conjunto { 1, -1, 1/2, -1/2 } e podem ser
identificadas por substituição direta.

x = 1 → 2(1)2 - 3(1) + 1 = 2 - 3 + 1 = 0 → x = 1 é raiz da equação.

x = -1 → 2(-1)2 - 3(-1) + 1 = 2 + 3 + 1 ≠ 0 → x = - 1 não é raiz da


equação.

50
x = 1/2 → 2(1/2)2 - 3(1/2) + 1 = 1/2 - 3/2 + 1 = 0 → x = 1/2 é raiz da
equação.

x = -1/2 → 2(-1/2)2 - 3(-1/2) + 1 = 1/2 + 3/2 + 1 ≠ 0 → x = -1/2 não é


raiz da equação.

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INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 04: EQUAÇÕES, INEQUAÇÕES E SISTEMAS DE EQUAÇÕES

TÓPICO 05: EQUAÇÕES IRRACIONAIS

EQUAÇÕES IRRACIONAIS
Definição: Equação irracional é aquela que tem incógnita sob um ou
mais radicais.

EXEMPLO

etc

Resolução

A resolução de uma equação irracional passa por três momentos:

1º) racionalização da equação

2º) solução da equação racional

3º) verificação das raízes

Momentos da resolução

RACIONALIZAÇÃO

Isolar um radical em um dos membros da equação, em seguida, elevar


ambos os membros a um expoente conveniente para eliminar o radical que
foi isolado. Se, mesmo assim, ainda houver radical na nova equação, deve-
se repetir o processo tantas vezes seja necessário.

RACIONALIZAÇÃO

Uma vez sem a presença de radicais na equação, encontrar as raízes da


equação racional.

TERCEIRO MOMENTO

Verificar se as raízes encontradas satisfazem à equação inicial dada


para detectar a existência ou não raízes estranhas a equação.

Encontrar o conjunto-verdade S da equação .

SOLUÇÃO

1º momento: a equação já está com o radical isolado, só precisamos


elevar ao quadrado ambos os membros da equação.

2º momento: resolver a equação: x2 + 1 = x2 -2x + 1 2x = 0 x = 0.

3º momento: fazer a verificação da raiz x = 0, por substituição direta


na equação dada.

1 = - 1 (Falso), x = o é uma raiz estranha.

52
Logo: S = ou S = { }

EXEMPLO

Exemplo 1: Encontre o conjunto-solução S da equação


.

SOLUÇÃO

Cada membro da equação tem um radical de índice diferente.


Assim, vamos escolher um expoente adequado que possa eliminar os
dois radicais, no caso, o expoente é 6 :

1º ) racionalizando:

2º) resolvendo a equação:


x = 0 ou x = 3.

3º ) verificação das raízes:

Fazendo x = 0, fica

Fazendo x = 3, fica

Logo, S = { 3 }

EXERCITANDO 1

Encontre a solução da equação biquadrada:

y4 - 2y2 - 15 = 0

EXERCITANDO 2

Resolva a seguinte inequação irracional em ℜ:

EXERCITANDO 3

Determine os valores possíveis de x que satisfaça a equação

ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Resolver o exercitando 1 do tópico 01, o exercitando 1 do tópico 02, o
exercitando 3 do tópico 03, o exercitando 2 e 3 do tópico 5 e enviar as
soluções através do seu portfólio da aula 4.

53
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54
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 05: GEOMETRIA ANALÍTICA

TÓPICO 01: COORDENADAS NO PLANO

1. PLANO CARTESIANO
1.1 COORDENADAS NO PLANO

Entre todos os sistemas de coordenadas no plano que são vistos num


curso de cálculo, o mais importante deles é o sistema de coordenadas
retangulares ou sistema de coordenadas cartesianas. Tal sistema pode ser
construído a partir de duas retas orientadas, mutuamente perpendiculares
em um ponto O (à origem), denominadas de eixos coordenados, conforme
figura abaixo.

Fig. 1

Um ponto qualquer em uma das retas orientadas está associado a um


número real, com origem em O. No eixo das abscissas (Eixo das abscissas --
reta posicionada horizontalmente é denominada eixo dos x ou eixo-x ou
mesmo eixo das abscissas) , se o número for positivo estará posicionado à
direita de O, e se o número for negativo estará posicionado à esquerda de O.
No eixo das ordenadas (Eixo das ordenadas -- na posição vertical, eixo dos y
ou eixo-y ou mesmo eixo das ordenados) , adota-se o mesmo procedimento,
orientação positiva para cima e orientação negativa para baixo. Fig. 2

Os eixos coordenados dividem o plano em quatro regiões chamadas


quadrantes: o primeiro quadrante, denotado por I, é limitado pelos dois
semieixos com orientação positiva; o segundo quadrante, II, é limitado pelo
semieixo dos x com orientação negativa e o semieixo dos y com orientação
positiva; o terceiro quadrante, III, pelos dois semieixos com orientação
negativa e o quarto quadrante, IV, pelo semieixo dos x com orientação
positiva e pelo semieixo dos y com orientação negativa, conforme fig. 3.

Dado um ponto P qualquer no plano, podemos traçar por P duas retas


paralelas aos eixos coordenados, uma interceptando o eixo-x no ponto P1 de
coordenada x1, P1( x1), e a outra interceptando o eixo-y no ponto Q1 de
coordenada y1, Q1(y1), dessa forma, as duas retas determinam de maneira

55
única um par ordenado (x1 , y1) de números reais, chamados de coordenadas
do ponto P, onde x1 é a abscissa do ponto P e y1 é a ordenada do ponto P.

De maneira análoga, se traçar uma reta perpendicular ao eixo-x,


passando por P1(x1), e outra reta perpendicular ao eixo-y, passando por Q1
(y1), a interseção entre elas determinarão um único ponto P do plano que
será representado por P(x1, y1). Veja figura 4.

Fig. 4

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56
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 05: GEOMETRIA ANALÍTICA

TÓPICO 02: PONTO MÉDIO E SIMETRIA

1. PONTO MÉDIO E SIMETRIA

1.1 COORDENADAS DO PONTO MÉDIO

Seja o ponto médio do segmento de reta que os pontos P1(x1,y1) e


P2(x2,y2).

Conforme representação gráfica ao lado, os triângulos retângulos


ΔP1NM e ΔMOP2 são congruentes. Por hipótese, os segmentos P1M e MP2
têm a mesma medida. Como consequência:

ou seja,

Logo, o ponto médio terá as seguintes as coordenadas

EXEMPLO

O ponto médio do segmento determinado pelos pontos P1(2, 3) e P2(-


4, 5) é

1.2 SIMETRIA

O estudo da simetria, entre pontos e curvas no plano cartesiano, ou em


coordenadas polares, em relação a uma dada reta ou a um determinado
ponto, no mesmo plano, é importante na medida em que pode facilitar a
construção gráfica de algumas curvas especiais que aparecem no curso de
cálculo que diferenciam das demais por apresentarem certos padrões de
regularidades. É o caso da representação gráfica de curvas como parábola,
elipse, hipérbole, circunferência, a rosácea, a lemniscata, o cardióide etc .

O conceito de simetria também aparece quando se esboça o gráfico da


inversa de uma dada função. Os gráficos da função e de sua inversa são
simétricos em relação a 1ª bissetriz. Assim sendo, o gráfico da inversa pode
ser obtido a partir do gráfico da função dada simplesmente por simetria.

57
Os quatro tipos mais comuns de simetrias no plano serão definidos
como segue:

SIMETRIAS NO PLANO
TIPO 01

Simetria de dois pontos em relação a uma reta

Dois pontos distintos no plano são simétricos em relação a uma reta


se, e somente se o segmento de reta que une os dois pontos é perpendicular
à reta, tendo seu ponto médio sobre a mesma.

Na representação gráfica ao lado,e Méo


ponto médio de PQ, logo P e Q são simétricos em
relação à reta r.

Um exemplo bastante simples:


Considerando os dois pontos P(a, b) e Q(b,
a), conforme ilustração ao lado, eles são
simétricos em relação à primeira bissetriz.

TIPO 02

Simetria de dois pontos em relação a um ponto

Dois pontos distintos de um plano são simétricos em relação a um


ponto se, e somente se este ponto for ponto médio do segmento de reta
que une os dois pontos dados.

Se M for o ponto médio do segmento de reta


PQ, então P e Q são simétricos em relação ao Ponto
M.

Exemplo: Os pontos P(2,3) e Q(-2, -3) são


simétricos em relação à origem.

TIPO 03

Simetria de uma curva em relação a uma reta

58
Uma curva é dita simétrica em relação a uma reta se, e somente se
para cada ponto da curva existir outro correspondente que seja seu
simétrico em relação à reta dada.

Exemplo: A curva ao lado, a parábola, é


simétrica em relação ao eixo-y.

TIPO 04

Simetria de uma curva em relação a um ponto

Uma curva é dita simétrica em relação a um ponto se, e somente se


para cada ponto da curva existir outro sobre a curva de modo que sejam
simétricos em relação a esse ponto.

Exemplo: A elipse é um exemplo de curva que


tem simetria em relação ao seu centro O, seu eixo
maior A 1A 2 e seu eixo menor B 1B 2.

Os pontos P e Q sobre a curva, na figura ao lado,


são simétricos em relação ao centro O, da curva.

EXERCITANDO 1

Dado o ponto P(a, b), onde a e b são números distintos não nulos,
encontre as coordenadas do ponto Q sabendo-se que P e Q são simétricos
em relação: i) à origem; ii) a primeira bissetriz; iii) a segunda bissetriz; iv)
ao eixo dos y.

EXERCITANDO 2

Se um extremo de um segmento de reta for o ponto ( 8, -7 ) e o ponto


médio for ( 5, -3 ), ache as coordenadas do outro extremo.

FÓRUM 5
Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os
exercícios ou sobre a matéria da Aula 5.

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59
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 05: GEOMETRIA ANALÍTICA

TÓPICO 03: DISTÂNCIA ENTRE DOIS PONTOS

1. DISTÂNCIA ENTRE DOIS PONTOS

Dados dois pontos quaisquer P1(x1,y1) e P2(x2,y2), no plano. Seja d =|P1,


P2| a distância entre P1 e P2.

Para determinar a distância entre P1 e P2, três casos particulares podem


ser considerados:

1º CASO

Se a reta que passa por P 1 eP 2 for paralela


ao eixo-y. Nesse caso, Veja a
figura ao lado.

2º CASO

Se a reta que passa por P 1 eP 2 for paralela


ao eixo-x. Nesse caso, .

3º CASO

Se a reta que passa por P 1

eP 2 não for paralela a nenhum


dos eixos coordenados, ele
forma com os mesmos um
triângulo retângulo. Por
conseguinte, na figura ao lado, o
triângulo P 1RP 2 é retângulo,
pois seus catetos são paralelos
aos eixos coordenados.

Logo, pelo teorema de


Pitágoras:

Os três casos particulares podem ser resumidos num único teorema,


com segue:

60
Teorema: Dados dois pontos quaisquer a distância d
entre eles é dada pela fórmula

EXEMPLO

Achar a distância entre os pontos P1(-1,2) e P2(3,2).

Solução:

EXERCITANDO 1

Classifique quanto aos lados e aos ângulos o triângulo cujos vértices


são os pontos
A(1, 2), B(-1,0) e C(3, -2)?

EXERCITANDO 2

Dados A (-2, 4) e B(3, -1) vértices consecutivos de um quadrado.


Determinar os outros dois vértices.

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61
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 05: GEOMETRIA ANALÍTICA

TÓPICO 04: EQUAÇÃO DA RETA

1. EQUAÇÃO DA RETA
1.1 CONCEITOS BÁSICOS

Inicialmente, precisam-se definir os conceitos de inclinação e coeficiente


angular de uma reta:

CLIQUE AQUI PARA ABRIR

Definição 1: O ângulo de inclinação de uma reta r é o ângulo que r


forma com o eixo-x, medido do eixo-x para r no sentido anti-horário.

Definição 2: Coeficiente angular ou declividade de uma reta r é o


número real m determinado pela tangente de sua inclinação

Observação: Se , então m 0, e se então m


0.

Teorema: Se são dois pontos distintos quaisquer


sobre uma reta r, então sua declividade m é dada por

Demonstração

Seja r a reta que passa pelos pontos P1 e P2, com e seja o


ângulo de inclinação de r.

Se

O triângulo P1R P2 é retângulo,

então

Se

62
Sendo o triângulo P1R P2 retângulo,

teremos;

Ex. 1: Encontrar a declividade da reta que passa pelos pontos P1(1, 2) e


P2(-1, 3).

Se , isto é, 1 -1 por definição:

Coeficiente linear de uma reta

Definição: O coeficiente linear de uma


reta r é a ordenada b do ponto (0,b)
intercepto da reta com o eixo das
ordenadas.

1.2 EQUAÇÃO DA RETA

Retas especiais:

1) Reta vertical – É aquela que não possui


coeficiente angular e nem coeficiente linear e
pode ser representada pela equação x = x1,
onde x1 é o ponto de interseção do gráfico da
reta com o eixo dos x.

Todo ponto da reta r é da forma (x1, y),


onde y é qualquer número real.

2) Reta horizontal – è aquela que possui


coeficiente angular nulo e tem equação da
forma y = b, onde b é a ordenada do ponto (0,
b).

3) Retas oblíquas

As retas oblíquas têm várias formas de representação de sua equação,


destacaremos algumas delas. Seja r a reta determinada pelos pontos
onde .

FORMA PONTO-INCLINAÇÃO

A partir da definição de coeficiente angular, temos que com

Sendo P(x,y) um ponto qualquer sobre a reta r, distinto de P 1( x 1,

y 1), então com , ou seja,

63
Essa forma deve ser aplicada quando se conhece um ponto fixo da reta
e seu coeficiente angular.

FORMA DOIS PONTOS

Seja r a reta determinada pelos


pontos . Seja P(x,y)
um ponto qualquer sobre r distinto do
ponto P 1( x 1, y 1). A ilustração ao
lado, mostra que a declividade da reta
pode ser obtida de dois modos:

Logo

Nesse caso, a equação é determinada a partir de dois pontos


conhecidos da reta.

FORMA REDUZIDA

Substituindo o ponto ( x 1, y 1) por (0,b) na equação da reta na forma


ponto-inclinação, isto é, transformar a equação y – y 1 =m(x–x 1) em y
– b = m ( x – 0). Assim, passando b para o segundo membro dessa nova
equação, obtemos outra da forma da equação da reta, chamada forma
reduzida.

y = mx + b

Observar nessa equação que m é o coeficiente angular e b o coeficiente


linear da reta.

FORMA SEGMENTÁRIA

Se a reta não passa pela origem ela forma com


os eixos coordenados um triângulo retângulo. Veja
a figura. Mas para que isso ocorra, basta os
coeficientes angular e linear serem diferentes de
zero, isto é, na forma reduzida significa

Sendo b 0 podemos dividir ambos os


membros da equação, na forma reduzida, por b:

Seja o ponto (a,0) interseção da reta com o eixo dos x. Fazendo x = a e


y = 0 na forma reduzida, obtém-se a = -b/m ou -a = b/m. Substituindo na
equação (*), fica:

FORMA PARAMÉTRICA

64
Seja r a reta que passa pelo ponto P 1( x 1, y 1), com declividade
dada por m = a/b, onde a 0 e b 0. A equação de r na forma ponto-
inclinação fica:

Para cada ponto P(x.y) sobre r, existe um número real t tal que:

Essas equações são chamadas equações paramétricas da reta no plano,


onde t é o parâmetro.

Exemplo: 1 Dada a equação da reta r na forma paramétrica ,

onde

(a) Esboçar o gráfico da reta r. (b) Escrever a equação da reta r na


forma reduzida.

Solução: (a)

Para esboçar o gráfico de r, precisamos apenas de dois pontos distin


sobre r. Assim, basta atribuir dois valores para o parâmetro t.

Considerando t = 0 e t = 1, teremos:

Para t = 0, obtém-se o ponto P 1 (1,2)

Para t = 1, obtém-se o ponto P 2 (3,5)

Solução: (b)

Inicialmente, isolar o parâmetro t em cada uma das equações:

que é a forma reduzida da reta r.

Exemplo: 2 Escrever a equação da reta y = 3x + 2 na forma


paramétrica.

Solução: Se a declividade m = 3 e então basta considerar a = 3

b = 1 na forma paramétrica.

65
Para obter um ponto particular P 1 da reta, atribua um valor para x e
encontre o y correspondente, ou seja:

Tomando x = 1, obtém-se y = 5. Assim,

Logo, substituindo esses valores na forma paramétrica padrão


, teremos .

1.3 EQUAÇÃO GERAL DA RETA

De uma maneira geral, toda equação da forma Ax + By + C = 0, onde A


ou B deve ser diferente de zero e C uma constante qualquer, representa a
equação de uma reta.

Para comprovar essa afirmação, podemos considerar dois casos:

1º caso: Se B = 0, então A equação fica

que representa a equação de uma reta vertical.

2º caso: Se b 0, nesse caso, pode-se dividir todos os termos da equação


por B, ficando: que

representa equação de uma reta qualquer, não vertical, escrita na forma


reduzida.

Por outro lado, toda reta pode ser escrita na forma Ax + By + C = 0,


onde ou A ou B deve ser diferente de zero e C uma constante qualquer.

Sabemos que toda reta, em qualquer posição no


plano, pode ser definida como mediatriz de algum
segmento de reta dado. Seja r a mediatriz do
segmento RQ, onde R(a,c) e Q(b,d).
Sendo P(x,y) um ponto qualquer de r, então
Assim:

. Fazendo
e teremos: Ax + By
+ C = 0, com as constantes A e B não ambas nulas.

1.4 POSIÇÕES RELATIVAS DE DUAS RETAS

Sejam r1 e r2 duas retas com ângulos


de inclinações , respectivamente.

Com relação à dois casos


precisam ser considerados:

1º caso: , as retas paralelas


e não verticais.

Assim, r1 e r2 podem ser expressas na forma reduzida, ou seja,

66
Dái,

Obs: (1) No caso em que , as retas serão paralelas e


verticais.

(2) Se r1 e r2 forem coincidentes, elas serão paralelas, ié,

2º caso: as retas serão concorrentes.

Se nenhuma das retas for vertical, elas podem ser escritas na forma:
e

Em qualquer triângulo, um ângulo externo é igual à soma dos ângulos


internos não adjacentes. Assim sendo: . Se for um ângulo reto,
, as retas serão perpendiculares. Nesse caso, o triângulo ABC será
retângulo e

Daí, Por definição, . Logo

Conclusão: As retas r1 e r2 serão perpendiculares se, e somente


se m1. m2 = -1.

OLHANDO DE PERTO

No caso em que uma reta seja vertical e a outra horizontal elas serão
também perpendiculares.

Verificação da identidade trigonométrica (*)

EXEMPLO

Considerando as três retas l: y = 2x – 3, r: y = -1/2 x + 2 e s: y = 2x


+ 1 , observe que:

a) l e s têm mesmo coeficiente angular, portanto são paralelas.

b) o produto do coeficiente angular da reta r por cada um dos


coeficientes angulares das retas l e s é igual -1, logo a reta r é perpendicular
a reta l e também a reta s.

67
1.5 DISTÂNCIA DE UM PONTO A UMA RETA

A distância entre um ponto P e uma reta r é a medida do segmento PQ


perpendicular à reta r.

Teorema: Dados os pontos P (xp,yp) e uma reta r de equação ax + by +


c = 0, então a distância entre o ponto P e a reta r é obtida pela fórmula

DEMONSTRAÇÃO

Dada uma reta r: ax + by + c = 0 e


um ponto P(xp, yp), onde o segmento
PQ é perpendicular à reta r e o ponto B
(-c/a,0) é a interseção da reta com o
eixo x, como mostra a figura ao lado.

Temos que os triângulos e


são semelhantes, logo:

, ou seja

Se o triângulo é retângulo,
então pelo teorema de Pitágoras,

Sendo R é um ponto da reta r, teremos:


, daí

68
Exemplo: A distância do ponto P(-1,2) à reta de equação 2x- 3y +5 = 0.

EXERCITANDO 1
Encontre a equação da reta que passa pelo ponto (2, 3) e é:

a) perpendicular à reta 2x + y + 2 = 0

b) paralela à reta .

EXERCITANDO 2

Determine a distância entre as duas retas paralelas:

- 4x - 2y + 2 = 0 e 2x + y + 10 = 0

EXERCITANDO 3

Sejam A = (1 , 2) e r a reta x - 2y = 3. Ache o ponto simétrico de A em


relação à reta r.

EXERCITANDO 4
Entre os triângulos OAB com O vértice O na origem e os outros dois
vértices A e B, respectivamente, nas retas y = 1 e y = 3 e alinhados com o
ponto P(7,0) determinar aquele para o qual é mínima a soma dos
quadrados dos lados.

69
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO

Resolver o exercitando 1 do tópico 02, o exercitando 1 e 2 do tópico 03


e os exercitandos 1 e 4 do tópico 04 e enviar as soluções através do seu
portfólio da Aula 5.

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70
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 06: AS CÔNICAS

TÓPICO 01: LUGAR GEOMÉTRICO E A CIRCUNFERÊNCIA

1. LUGAR GEOMÉTRICO E A CIRCUNFERÊNCIA


1.1 LUGAR GEOMÉTRICO

Definição: Um lugar geométrico consiste de um conjunto de pontos, no


plano ou no espaço, que satisfazem a uma determinada propriedade
matemática.

Exemplos

EXEMPLO 01

Uma reta r pode ser definida como o lugar geométrico dos pontos
equidistantes das extremidades de um segmento AB dado. De outra
forma, uma reta pode ser definida como mediatriz de um segmento de
reta dado.

EXEMPLO 02

O lugar geométrico dos pontos que se movem no plano de modo


que a ordenada é sempre igual ao quadrado do recíproco da abscissa.

Se (x,y) é um ponto qualquer do lugar geométrico, então y = (1/x)


2 2
= 1/x

1.2 A CIRCUNFERÊNCIA

Definição: Uma circunferência é o lugar geométrico de todos os pontos


de um plano equidistantes de um ponto fixo no referido plano.

O ponto fixo é denominado centro da circunferência que será


representado pela letra C. A e B são dois pontos quaisquer sobre a curva e r é
o raio da circunferência, isto é, r = |AC| = |BC|.

71
1.3 EQUAÇÃO DA CIRCUNFERÊNCIA

Seja P(x,y) um ponto qualquer da circunferência de centro C(a,b) e raio


r. Por definição |PC| = r para todo ponto P. Assim: ou (x -

a)2 + (y - b)2 = r2, também chamada forma reduzida da circunferência.

No caso em que o centro da circunferência coincide com a origem do


sistema de coordenadas a equação se reduz a x2 + y2 = r2.

Exemplo 1

Determinar a equação da circunferência com centro no ponto C(1,2) e


que passa pelo ponto A(2, -3).

SOLUÇÃO

O raio é determinado pela distância entre A a C, assim sendo, r = |AC|


=

A equação da circunferência na forma reduzida será (x - 1)2 + (y - 2)2 =


26

Exemplo 2

Determinar a equação da circunferência que passa por três pontos P


(1,2), Q(3,4) e R(5,0).

SOLUÇÃO

Inicialmente, precisa-se determinar as mediatrizes e dos segmentos


PQ e QR, respectivamente, pois as mesmas se interceptam no centro da
circunferência.

Deve-se iniciar pela determinação dos pontos médios dos segmentos


PQ e QR:

72
Sendo r1 perpendicular à PQ e a declividade de então a

declividade de r1 = -1

Sendo r2 perpendicular à QR e a declividade de então a

declividade de .

As equações das mediatrizes são, respectivamente:

Resolvendo o sistema determinado pelas duas equações das retas r1 e


r2, obtemos as coordenadas do centro da circunferência C (10/3,5/3).

O raio pode ser determinado pela distância entre um dos três pontos
dados e o centro. Assim:

Logo, a equação procurada será:

Posições relativas entre uma reta e uma circunferência:

(1) reta secante: distância do centro da circunferência à reta é menor que


o raio

(2) reta tangente: distância do centro da circunferência à reta é igual ao


raio

(3) reta externa: distância do centro da circunferência à reta é maior que


o raio

Exemplo 3

Determinar a posição relativa da reta de equação 2x + 6y + 3 = 0 em


relação à circunferência de equação x2 + 4x + y2 - 2y + 4 = 0.

SOLUÇÃO

Completando os quadrados para encontrar a forma reduzida da


circunferência:

Daí: r = 1 e C(-2,1)

73
A distância do centro à reta dada será:

Conclusão: d < r, logo a reta é secante a circunferência.

EXERCITANDO 1

Encontre o lugar geométrico dos pontos do plano cartesiano


equidistantes uma unidade da reta de equação x - 2y + 3 = 0.

EXERCITANDO 2

Determine a equação da tangente à circunferência x2 + y2 – 4y – 1 = 0


no ponto (-2, 3).

EXERCITANDO 3

A reta 2x + y = 0 contém o diâmetro de uma circunferência. Uma reta,


que forma ângulo de 45° com a primeira e tem declive positivo, corta a
circunferência no ponto (1, 1) e determina sobre a mesma uma corda de
comprimento √10 unidades. Estabelecer as equações da segunda reta e da
circunferência.

FÓRUM 6

Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os


exercícios ou sobre a matéria da Aula 6.

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74
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 06: AS CÔNICAS

TÓPICO 02: A ELIPSE

1. A ELIPSE

1.1 DEFINIÇÃO

A elipse é o lugar geométrico dos pontos do plano cuja soma das


distâncias a dois pontos fixos é constante e maior que a distância entre
eles.

Os pontos fixos são os focos da elipse e a distância entre eles é chamada


distância focal.

Dada a elipse com focos sobre o eixo-x e centro na origem:

1.2 ELEMENTOS DA ELIPSE

(1) Centro – O(0,0)

(2) Eixo maior - |AA'| = 2a

(3) Eixo menor – |BB'| = 2b

(4) Eixo focal - AA'

(5) Vértices – A, A', B e B'

(6) Focos - F1 e F2

(7) Distância focal - |F1F2| = 2c

1.3 EQUAÇÃO DA ELIPSE

Da definição, temos: |PF1| + |PF2| = 2a, onde a é uma constante


positiva, a > c e P(x,y) um ponto qualquer sobre a elipse, vem:

Elevando ambos os membros da equação ao quadrado, teremos:

x2 +2cx + c2 + y2 = 4a2 – 4a + x2 - 2cx + c2 + y2 .


Simplificando:

2cx = 4a2 – 4a + - 2cx ⇔ = a2 – cx

Elevando ambos os membros da última equação ao quadrado, fica:


75
a2 (x2 - 2cx + c2 + y2) = a4 -2a2cx +c2x2 ⇔ a2x2 – a2cx + a2c2 + a2y2 = a4
-2a2cx +c2x2 ⇔ a2x2 - c2x2 + a2y2 = a4 - a2c2 ⇔ ( a2 - c2 )x2 + a2y2 = a2 (a2 - c2 )

Temos que a2 - c2 > 0, pois a > c. Sendo o triângulo F2OB retângulo,


então pelo teorema de Pitágoras:

a2 = c2 + b2 ⇔ a2 - c2 = b2.

Substituindo essa relação na equação anterior, fica: b2 x2 + a2y2 = a2b2.

Finalmente dividindo ambos membros por a2b2, fica:

1.4 CASOS PARTICULARES


CASO PARTICULAR A

a) No caso dos focos da elipse estarem sobre o eixo-y, a equação toma


a forma:

CASO PARTICULAR B

b) Se o centro da elipse for o ponto C(h ,k) e o eixo focal paralelo ao


eixo-x, então a equação toma a forma: .

CASO PARTICULAR C

c) Se o centro da elipse for o ponto C(h ,k) e o eixo focal paralelo ao


eixo-y, então a equação toma a forma:

Exemplo 1

Achar a equação da elipse de focos F1(0 , -2) e F2(0 , 2), sabendo-se que
o comprimento do eixo maior é 6.

SOLUÇÃO

Temos que

76
Então a equação pedida é .

Exemplo 2

Escreva a elipse x2 – 2x + 4y2 – 8y + 1 = 0 na forma reduzida e


determine as coordenadas dos focos.

SOLUÇÃO

A ideia é completar os quadrados perfeitos em termos de x e em


termos de y.

EXERCITANDO 1

Encontre a equação da elipse satisfazendo as seguintes condições:

a) (0,4) e (4,4) são os focos e o eixo maior é igual a 6.

b) Os quatro vértices são os pontos (0,1), (6,1) , (3,7) e (3,-5).

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77
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 06: AS CÔNICAS

TÓPICO 03: A HIPÉRBOLE

1. A HIPÉRBOLE

1.1 DEFINIÇÃO

Hipérbole é o lugar geométrico dos pontos do plano tais que o módulo


da diferença das distâncias a dois pontos fixos é sempre igual a uma
constante positiva e é menor que a distância entre esses pontos fixos. Os
pontos fixos são os focos da hipérbole e a distância entre eles é chamada
distância focal.

Dada a hipérbole com focos sobre o eixo-x e centro na origem:

1.2 ELEMENTOS DA HIPÉRBOLE

(1) Centro – Ponto médio do segmento F1 e F2 ; O(0,0)

(2) Eixo real ou transverso – o segmento AA', onde |AA'| = 2a

(3) Eixo imaginário ou não transverso – o segmento BB', onde |BB'| =


2b

(4) Vértices – A(a,0) e A'(-a,0)

(5) Focos - F1(-c,0) e F2(c,0)

(7) Distância focal - |F1 F2| = 2c

(8) As assíntotas – são as retas

1.3 EQUAÇÃO DA HIPÉRBOLE

Da definição, temos:

Elevando ambos os membros ao quadrado, teremos:

Elevando ambos membros da última equação ao quadrado, fica:

78
Da definição, vem que: 2c > 2a → c2 – a2 > 0. Além disso, pelo teorema
de Pitágoras: c2 = b2 + a2 ⇔ .c2 – a2 = b2.

Assim, a equação da hipérbole toma a forma x2 b2 - a2y2 = a2 b2 ou


que é a forma reduzida da hipérbole.

OBSERVAÇÃO

No caso em que as medidas dos eixos real e imaginário forem iguais, a


= b, a hipérbole passa a ser chamada de hipérbole equilátera.

1.4 CASOS PARTICULARES

CASO PARTICULAR A

a) Se o centro da hipérbole for o ponto C(h,k), então a nova equação da


hipérbole será:

CASO PARTICULAR B

No caso em que os focos estejam sobre o eixo-y, a equação da


hipérbole toma a forma:

CASO PARTICULAR C

Se o centro da hipérbole for o ponto C(h, k) e o eixo focak paralelo ao


eixo - y, então a nova equação da hipérbole será:

79
Exemplo1

Dadas a equação da hipérbole 16x2 – 25y2 = 400, determine as


coordenadas dos focos, dos vértices, as equações das assíntotas e fazer um
esboço do gráfico:

SOLUÇÃO

(a) 16x2 – 25y2 = 400 ⇔ Pela equação obtida, temos: a2 =

25 e b2 = 16.

Daí segue que: a = 5 e b = 4. Como c2 = a2 + b2 , c2 = 25 + 16 = 41 → c =


± √41

1) os focos estão sobre o eixo-x e suas coordenadas são F1 ( -√41, 0) e


F2(√41, 0)

2) as coordenadas dos vértices são A'(-5,0), A(5,0), B(0, 4) e B(0, -4).

3)

4) Um esboço do gráfico da hipérbole:

Exemplo 2

Encontre a equação da hipérbole sabendo-se os vértices são os pontos


A'(-1,4) e A(-1,6) e cujos os focos são os pontos F1(-1,3) e F2(-1,7).

SOLUÇÃO

Distancia focal 2c = 4 ↔ c = 2

Eixo real 2a = 2 ↔ a=1

Sendo c2 = b2 + a2 ↔ .c2 – a2 = b2 ↔ b2 = 22 - 12 = 3.

O centro da hipérbole é o ponto médio do segmento A'A

Sendo o eixo real paralelo ao eixo-y, a equação é

80
EXERCITANDO 1
Achar as coordenadas do centro, dos vértices e dos focos da hipérbole
de equação x2 + 2x - 2y2 + 4y - 5 = 0.

EXERCITANDO 2
Determinar a equação da hipérbole que tem as seguintes
propriedades:

a) Seu centro é a origem


b) Um de seus focos é o ponto (0, -2)
c) Um de seus pontos é (1, √3 )

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81
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 06: AS CÔNICAS

TÓPICO 04: A PARÁBOLA

1.1 DEFINIÇÃO

A parábola é o lugar geométrica dos pontos do plano equidistantes de


uma reta fixa e de um ponto fixo não pertencente a reta.

A reta fixa é chamada diretriz e o ponto fixo é denominado foco da


parábola.

1.2 ELEMENTOS DA PARÁBOLA

(1) Eixo de simetria: a reta s

(2) Reta diretriz: a reta d

(3) Vértice da parábola (V):


ponto médio do segmento FG

(4) Foco da parábola: o ponto


F

1.3 EQUAÇÃO DA PARÁBOLA

As formas mais simplificadas da equação de uma parábola têm duas


características básicas:

A primeira – O vértice na origem das coordenadas e o eixo de simetria


sobre o eixo-x.

CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR

Considere a parábola com foco F(p, 0) e diretriz x = -p: Se p for


positivo, o gráfico se apresenta com a concavidade voltada para direita,
conforme figura 1.

Por definição: |PF| = |PQ| , logo:

Elevando ambos os membros da equação ao quadrado e simplificando


o resultado, fica:

São as equações da parábola mostrada na figura 1.

82
Se p for negativo, o gráfico se apresenta, conforme a figura 2, com a
concavidade voltada para esquerda.

As equações são as mesmas:

A segunda – O vértice na origem das coordenadas e o eixo de simetria


sobre o eixo-y.

CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR

Considere a parábola com foco F(0, p) e diretriz y = -p: Se p for


positivo, o gráfico se apresenta com a concavidade voltada para cima,
conforme figura 3.

Elevando ambos os membros da equação ao quadrado e simplificando


o resultado, teremos:

x2+ y2 - 2py + p2 = y2 + 2py + p2 ⇔ x2 = 4py ou , as equações

da parábola mostrada na figura 3.

Se p for negativo, o gráfico se apresenta com a concavidade voltada


para baixo, conforme figura 4.

Nesse caso, as equações da parábola são:

83
1.4 EIXO DE SIMETRIA PARALELO A UM DOS EIXOS COORDENADOS

1º caso – Considerar a parábola com vértice V(h,k) e eixo de simetria


paralelo ao eixo-x

Clique aqui para visualizar

A)

Se p for um número positivo, a equação da parábola tem a forma:

2
(y-k) = 4p(x-h),

onde a equação da diretriz é x = h-p, as coordenadas do vértice é


V(h, k) e as coordenadas do foco é F(h+p, k).

B)

Se p for um número negativo a equação da parábola tem a forma:

2
(y-k) = 4p(x-h),

onde a equação da diretriz é x = h-p, as coordenadas do vértice é


V(h, k) e as coordenadas do foco é F(h-p, k), conforme figura 6.

84
2º caso – Considerar a parábola com vértice V(h,k) e eixo de simetria
paralelo ao eixo-y

Clique aqui para visualizar

A)

Se p for um número positivo, a equação da parábola tem a forma:

Se p for um número positivo, a equação da parábola tem a forma:

2
(x-h) = 4p(y-k)

onde a equação da diretriz é y = k-p, o vértice tem coordenadas V


(h,k) e o foco tem coordenadas F(h, k+p). Veja figura 7.

B)

Se p for um número negativo, a parábola tem concavidade


voltada para baixo.

2
(x-h) = 4p(y-k),

onde a equação da diretriz é y = k+p, o vértice tem coordenadas V


(h,k) e o foco tem coordenadas F(h, k-p). Veja figura 8.

85
Exemplo 1

Dada a parábola de equação y2 = 8x, encontre: (a) as coordenadas do


foco; (b) a equação da diretriz.

SOLUÇÃO

Se y2 = 8x e y2 = 4px, então p = 2, portanto p > 0. Daí o eixo de


simetria é o eixo-x, então o foco tem coordenadas F(2, 0) e equação da
diretriz é x = -2.

Exemplo 2

Achar o vértice, o foco e diretriz da parábola de equação y2 + 2y – 8x – 3


= 0. Esboçar o gráfico da parábola.

SOLUÇÃO

Mantendo a variável y no primeiro membro da equação dada e


formando nesse lado um quadrado perfeito, teremos: y2 + 2y – 8x – 3 = 0
y2 + 2y + 1 – 8x – 3 = 0 + 1 y2 + 2y + 1 = 8x + 3 + 1 y2 + 2y + 1 = 8x
+ 4 (y+1)2 = 8(x + ½). Daí pode-se concluir que o eixo de simetria é
paralelo ao eixo-x e que 4p = 8 p = 2. Sendo p positivo, a concavidade da
parábola é voltada para direita Logo: a) V(-1/2, -1) é o vértice. b) F(3/2, -1)
é o foco. c) y = -5/2 é a equação da diretriz.

Exemplo 3

Achar a equação da circunferência com centro no foco da parábola de


equação e intercepta a mesma no ponto (2, 1).

SOLUÇÃO

A equação é da forma e a equação dada é , então .

Foco da elipse F(0, 1). O raio da circunferência pode ser determinado pela
distância entre o foco e o ponto de interseção dado.

e o centro é C(0, 1). Conclusão: (x-0)2 +


(y-1)2 =4 ou x2 + (y-2)2 = 5 é a equação da circunferência.

EXERCITANDO 1

Ache a equação da parábola cuja diretriz é a reta y = 2 e seu foco o


ponto (4, -3).

86
EXERCITANDO 2
Obter a equação da mediatriz do segmento cujas extremidades são os
vértices da parábola y = x2 + 4x + 6 e y = x2 + 4x + 2.

ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Resolver o exercitandos 3 do tópico 01, o exercitando 1 do tópico 02, o
exercitando 2 do tópico 03, e o exercitando 1 e 2 do tópico 04 e enviar as
soluções através do seu portfólio da Aula 6.

FONTES DAS IMAGENS


1. http://www.denso-wave.com/en/

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87
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 07: FUNÇÕES

TÓPICO 01: CONCEITO, PROPRIEDADES E ÁLGEBRA DAS FUNÇÕES

1. CONCEITO DE FUNÇÃO
1.1 DEFINIÇÃO

Dados dois conjuntos não vazios A e B, uma função f de A em B é uma


regra que associa cada elemento x de A a exatamente um elemento y de B, o
qual é chamado de imagem de x e será representado por y = f(x). O conjunto
A é chamado domínio da função, indicado por Dom(f) = A, e o conjunto B é o
contradomínio da função que será representado por Cd(f) =B.

A imagem da função f, indicada por Im(f), é constituída de todos os


elementos y de B, tal que y = f(x) para todo x em A.

EXEMPLOS

EXEMPLO 01

Seja f a função dada por f(x) = x 2 + 1 e definida no intervalo


fechado [-1, 1], ou seja, para cada x em [-1,1] podemos associar a
2
um único elemento y = x + 1. Por exemplo:

2
f(-1) = (-1) +1=1+1=2

2
f(0) = 0 +1=0+1=1

2
f(1) = 1 +1=1+1=2

2
f(-1/3) = (-1/3) + 1 = 1/9 + 1 = 10/9

2
f(1/2) = (1/2) + 1 = 1/4 + 1 = 5/4

e Im(f) = [1, 2].

EXEMPLO 02

Dados os conjuntos A = {-1,0 ,1, 2} e B = {-1, 0, 1 ,2,8}, seja f a


3
função de A em B definida por f(x) = x. Fazendo um diagrama e
determinando o contradomínio e a imagem da função f.

Podemos concluir que:

(1) o contradomínio de f: Cd(f) = {-1, 0 ,1,2, 8}

(2) a imagem de f: Im(f) = { -1. 0, 1 , 8}

88
1.2 OPERAÇÕES COM FUNÇÕES

Dadas duas funções f e g, e uma constante real c, definimos:

i) a sua soma f + g por (f + g)(x) = f(x) + g(x)

ii) a sua diferença f – g por (f – g)(x) = f(x) – g(x)

iii) o produto f .g por (f.g)(x) = f(x) . g(x)

iv) o quociente f/g por (f/g)(x) = f(x) / g(x).

v) o produto c.f por (c.f)(x) = c. f(x)

Em cada caso, o domínio da função resultante é o mesmo das funções f e


g, exceto no caso da função f/g, onde g(x) ≠ 0.

Exemplificando: Dadas as funções f (x) = x2 + 1 e g(x) = x , cujos


domínios são o conjunto dos números reais, todavia, o domínio da função
quociente f/g , definida por , não é o conjunto dos números reais,

mas ℜ -{0}.

1.3 GRÁFICO DE UMA FUNÇÃO


DEFINIÇÃO

O gráfico de uma função f, definida por y = f(x), é o conjunto de todos


os pontos (x,f(x)), no plano, tal que x pertence ao domínio de f . Esse
conjunto será denotado por gr(f). Assim, gr(f) ={ (x, f(x)); y=f(x) e x Dom
(f) }.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

De acordo com a função, sua representação gráfica pode ser uma curva
contínua, sem interrupção, figura 1, ou uma curva com várias interrupções
ou saltos, como na figura 2. A reta vertical, que aparece na figura 3,
intercepta a curva em mais de um ponto, logo a curva não representa o
gráfico de uma função. O teste da reta vertical pode comprovar que f e g
são funções (figuras 1 e 2).

89
1.4 ZEROS DE UMA FUNÇÃO
DEFINIÇÃO

Denominam-se zeros ou raízes de uma função y = f(x) todos os valores


x que anulam a função, ou seja, tornam f(x) = 0.

EXEMPLO

Dada a função f : A B, conforme diagrama abaixo, observe que f


(-1) = 0 e f(1) = 0. Logo, -1 e 1 são os zeros ou as raízes da função f

1.5 FUNÇÕES PARES E FUNÇÕES ÍMPARES

Definição:

Seja f uma função definida no intervalo I ⊂ ℜ de centro na origem, ou


seja, se x ∈ < I, então -x I:

i) A função f é denominada de função par, se para todo x em I, f(-x) = f


(x).

ii) A função f é denominada de função ímpar, se para todo x em I, f(-x) =


-f(x).

EXEMPLO 1

2
Seja f(x) = x + 1, onde I = [-2, 2], é uma função par.

2 2
Temos que: f(-x) = (-x) +1=x + 1 = f(x), para todo x em [-2, 2].
Logo, f é par.

90
O gráfico de uma função par é simétrico em relação ao eixo dos y.

2
Temos y = x +1

EXEMPLO 2

3
f(x) = x , onde I = [-2, 2] , é uma função ímpar.

3 3 3 3
Temos que: f(-x) = (-x) = (-1.x) = (-1) . (x) =

3
= -1 . x = -1 . f(x) = - f(x)

3
Temos y = x

O gráfico de uma função ímpar é simétrico em relação à origem.

1.6 FUNÇÕES COMPOSTAS

DEFINIÇÃO

Seja f uma função definida de A em B e g uma função definida de B em


C. A composta de f com g, denotada por g o f, lê-se: g bola f, é a função
definida por (gof)(x) = g(f(x)).

91
Observe que para a composição se tornar possível, é necessário que a
imagem de f esteja contida no domínio de g. Veja o esquema abaixo.

EXEMPLO 1

Dados os conjuntos A = {0,1,2}, B = {0,3, 5, 7} e C = {2, 4, 6}. Sejam as


funções f de A em B, definida por f(x) = 2x + 3 e g de B em C, definida por g
(x) = x – 1.

Temos: gof(0) = g(3) = 2, gof(1) = g(5) = 4 e gof(2) = g(7) = 6

EXEMPLO 2

Determinar fof(x) , se f : R R é definida por .

SOLUÇÃO

fof(x) = f(f(x)) = f(x) – [f(x)]2 = 1 – x2 – [ 1 - x2]2 = 1 – x2 – [ 1 - 2x2 +


x4] =

= 1 – x2 – 1 + 2x2 – x4 = x2 – x4.

1.7 FUNÇÕES CRESCENTES E FUNÇÕES DECRESCENTES


FUNÇÕES CRESCENTES

Uma função f é crescente, se dados x 1 ex 2 no domínio de f , com


x 1 <x 2 , então f(x 1) < f(x 2).

A função f(x) = 2x + 3 é crescente no conjunto dos números reais.

Dados x 1 e x 2 reais quaisquer, se

FUNÇÕES DECRESCENTES

Uma função f é decrescente, se dados x 1 ex 2 no domínio de f , com


x 1 <x 2 , então f(x 1) > f(x 2).

A função f(x) = é decrescente para todo x diferente de zero.

Dados x 1 ex 2 reais quaisquer diferentes de zero, se x 1 <x 2

f(x 1) > f(x 2).

1.8 FUNÇÕES SOBREJETORA, INJETORA E BIJETORA


FUNÇÕES SOBREJETORA

Definição

92
Uma função f é sobrejetora se, e somente se sua imagem for igual
ao seu contradomínio

Exemplo 1

Seja a função f: { 1, 2, 3 } { 3, 6, 9 }, tal que f(x) = 3x.

Observe que o contradomínio e a imagem são iguais: Cd(f) = { 3, 6, 9}


e Im(f) = { 3, 6, 9 }. Portanto, f é sobrejetiva.

Exemplo 2

Seja a função g: { 1, 2, 3 } { 0, 3, 6, 9 }, definida por g(x) = 3x.

Nesse caso, o contradomínio e a imagem são diferentes: Cd(f) = { 0, 3,


6, 9} e Im(f) = { 3, 6, 9 }. Logo, f não é sobrejetiva.

FUNÇÕES INJETORA

Definição

Dizemos que uma função f é injetora ou injetiva se, e somente se


para quaisquer x 1 e x 2 do domínio da função f, se x 1 x 2, então f(x 1)
f(x 2) ou, equivalentemente, se f(x 1) = f(x 2) , então x 1 =x 2.

Exemplo 1

A função f(x) = 2x + 3 é injetiva ?

Sejam x 1 ex 2 do domínio da função f. Se f(x 1) = f(x 2), teremos:


2x 1 + 3 = 2x 2 +3 2x 1 = 2x 2 x 1 =x 2. Logo, por definição f é
injetora.

Exemplo 2

2
Verificar se a função definida por g(x) = x é injetiva.

Sejam x 1 ex 2 do domínio da função g. Se g(x 1) = g(x 2), teremos:


x 1 =x 2 ou x 1 = -x 2. Como a

equação resultante admite mais de uma possibilidade, g não é injetora.

Exemplo 3

2
A função g : [0, + ) , tal que g(x) = x é injetiva ?

Como no exemplo anterior, considere x 1 ex 2 no domínio da função


2 2
g. Se g(x 1) = g(x 2), teremos: √x 1 = √x 2 |x 1| =
|x 2| x 1=x 2 ,x 1 ex 2 são números positivos. Assim, por definição, g
é injetora.

FUNÇÕES BIJETIVA OU BIUNÍVOCA

Definição

Uma função f é bijetiva ou biunívoca se, e somente se ela for


sobrejetora e injetora.

Exemplo 1

93
2
A função g : [0, + ) [0, + ), tal que g(x) = x é bijetora.

È fácil concluir que:

(1) - Como Cd(g) = Im(g), g é sobrejetora.

(2) - Pelo exemplo 3, anterior, g é injetora.

De (1) e (2): g é bijetora.

Teorema

Se uma função f for crescente ou decrescente em um intervalo I, então


f é biunívoca no intervalo I.

Demonstração

Para efeito de demonstração, suponha que f seja crescente no intervalo


I. Sejam x 1 e x 2 no intervalo I, com x 1 x 2, então x 1 < x 2 ou x 2 <
x 1 .

Se x 1 <x 2, então f(x 1) < f(x 2), por conseguinte, f(x 1) f(x 2).

Se x 2 <x 1, então f(x 2) < f(x 1), por conseguinte, f(x 2) f(x 1).

Exemplo

Analisando a função f(x) = . Sejam x 1 ex 2 no domínio de f,. Se

x 1 < x 2 , então f(x 2) < f(x 1) f(x 1)>f(x 2). Logo, f é

decrescente em seu domínio.

Pelo teorema anterior, f é biunívoca.

1.9 FUNÇÕES INVERSAS

Definição: Se uma função f for bijetora, então existirá uma função f-1,
chamada de inversa de f, tal que

x = f-1(y) se, e somente se y = f(x),

onde o domínio de f-1 é igual à imagem de f e a imagem de f-1 é domínio


de f.

Im(f-1) = Dom(f) A B dom(f-1) = im(f)

Da definição, substituindo uma relação na outra, obtém-se:

x = (f-1(y)) = (f-1(f(x)) e y = f(x) = f(f-1(y)) , ou seja,

94
f-1(f(x)) = x , para todo x do domínio de f

f(f-1(y)) = y, para todo y do domínio de f-1 ou f(f-1(x)) = x, para todo x do


domínio de f-1.

EXEMPLOS:

OBSERVAÇÃO
(1) Se uma função f tem inversa, dizemos que f é invertível.

(2) Se f-1 é a inversa de f, então f é a inversa de f-1.

DETERMINAÇÃO DA INVERSA DE UMA FUNÇÃO

Em geral não é possível explicitar a inversa de uma função. Entretanto,


uma tentativa para explicitá-la pode ser feita com os procedimentos descritos
abaixo. Dada uma função y = f(x).

1º - Verificar se a função é bijetora (sobrejetora e injetora).

2º - Trocar a variável x por y e y por x na equação y = f(x).

3° - Isolar a variável y no primeiro membro da equação para obter a


inversa f-1.

EXEMPLO
Dada a função f de - {-1} em - {1}definida por :

a) verificar se f tem inversa;

b) em caso afirmativo, determinar sua inversa.

SOLUÇÃO

a) Basta mostrar que f é injetiva, pois f é sobrejetiva.

Sejam x1 e x2 no domínio de f. Se f(x1) = f(x2)

x1(x2 + 1) = x2(x1+1) x1x2 + x1 = x2x1 + x2 , como x1x2 = x2x1, segue


que x1 = x2. Portanto, f é bijetora.

b) Trocar a variável x por y e y por x na equação , fica:

x(y+1) = y xy +x = y . Isolando o y no 1º membro da equação,


teremos: xy – y = -x (x-1)y = -x

, ou seja, , Dom(f–1) = - {1}.

95
Observe que:

GRÁFICOS DAS FUNÇÕES F E F-1

Para esboçar os gráficos das funções f e f-1, num mesmo sistema de


coordenadas cartesianas, três condições precisam ser satisfeitas:

i) Se um ponto P(a,b) está no gráfico da função f, então o ponto Q(b,a)


está no gráfico da função f-1;

ii) O ponto médio M do segmento PQ está na 1ª bissetriz (y = x);

iii) A reta PQ é perpendicular à 1ª bissetriz (y = x).

EXEMPLO 2

Achar a inversa da função f(x) = 2x +1 e, no mesmo plano cartesiano,


esboçar o gráfico da função e de sua inversa.

SOLUÇÃO

Temos y = 2x+1. Trocando as variáveis x e y, fica: x = 2y +1 2y = x –


1

96
EXERCITANDO 1

Identificar o domínio das funções:

EXERCITANDO 2

Se , ache uma expressão para onde h é

uma constante positiva.

EXERCITANDO 3

Esboce o gráfico de cada uma das funções, abaixo, para determinar


qual delas tem inversa ou não. Se a resposta for afirmativa, determine a
inversa f-1 e faça um esboço do seu gráfico no mesmo sistema de
coordenadas que a função f:

FÓRUM 7
Discuta com os colegas ou com o professor tutor, as dúvidas sobre os
exercícios ou sobre a matéria da Aula 7.

FONTES DAS IMAGENS


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97
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 07: FUNÇÕES

TÓPICO 02: FUNÇÕES ELEMENTARES

1. FUNÇÕES ELEMENTARES
1.1 FUNÇÃO CONSTANTE

Dado um número real k, chama-se função constante, a função f de R em


R, definida por f(x) = k, para todo x. O dom(f) = R e a Im(f) = {k}. O gráfico
de f é uma reta paralela ao eixo-x, interceptando o eixo-y no ponto (0, k).

1.2 FUNÇÃO AFIM

Dados a e b números reais quaisquer, com a ≠ 0. Chama-se função afim


a função f de R em R, tal que f(x) = ax + b. O dom(f) = R e a Im(f) = R. O
número a é chamado de coeficiente angular e o número b é chamado de
coeficiente linear.

O gráfico e uma função afim é uma reta oblíqua, ela não é paralela a
nenhum dos eixos.

1.3 FUNÇÃO LINEAR

Chama-se função linear a função f de R em R, tal que f(x) = ax, com a ≠


0.

A função linear é um caso particular da função afim, basta considerar b


= 0. Seu gráfico é uma reta oblíqua passando pela origem. Observe que toda
função linear gaza da seguinte propriedade: f(k1x1 + k2x2) = k1f(x1) + k2f(x2)
para todo x1, x2 reais e k1, k2 constantes reais quaisquer.

Se tomar k1 = k2 = 0, na relação anterior, fica f(0) = 0.

1.4 FUNÇÃO IDENTIDADE

98
Chama-se função identidade a função f de R em R, tal que f(x) = x.

A função identidade é um caso particular da função linear, basta fazer a


= 1. Seu gráfico é uma reta que passa pela origem das coordenadas e forma
um ângulo de 45o com o eixo-x.

1.5 FUNÇÃO RECÍPROCA

Chama-se função recíproca a função que a cada x real, x ≠ 0, associa a


.

O dom(f) = R-{0} e a im(f) = R-{0}. Sua representação gráfica é uma


hipérbole com focos na primeira bissetriz (y = x).

1.6 FUNÇÃO MAIOR INTEIRO

Chama-se função maior inteiro a função f de R em R, definida por f(x) =


, onde o símbolo denota o maior inteiro que é menor ou igual que x,
ou seja, se =i i x < i + 1, para x R e i .

O dom(f) = R e Im(f) = .

1.7 FUNÇÃO VALOR ABSOLUTO

A função valor absoluto é a função f : R R, dada por f(x) = | x |,


onde | x | denota o valor absoluto ou módulo de x. O dom(f) = R e Im(f) =
R+, conjunto dos números reais não-negativos.

99
1.8 FUNÇÃO POTÊNCIA

Chama-se função potência a todo grupo de funções que pode ser


expressa na forma f(x) = xn , onde r é um número real. Posteriormente, em
Cálculo Diferencial, veremos a definição precisa dessa classe de funções. Por
enquanto, veremos alguns exemplos particulares, principalmente quando o
expoente é um inteiro ou um racional. O domínio de cada uma delas depende
do expoente.

Observe que para n = -1, 0, 1, 2 as funções potências coincidem com as


funções elementares recíproca, constante, identidade e quadrática,
respectivamente.

Função potência para outros valores particulares de n

FUNÇÃO 01

i) Se n for um número par maior que 2, a função f será definida de R


em R, com Im(f) = R+.

EXEMPLOS

4
f(x) = x

6
f(x) = x

8
f(x) = x etc

Para cada valor de n, o gráfico de f será uma curva simétrica em


relação ao eixo-y, passando pelos pontos (-1,1), (0, 0) e (1, 1).

FUNÇÃO 02

ii) Se n for um número ímpar maior que 1, a função f será definida de


R em R, com Im(f) = R.

100
EXEMPLOS

3
f(x) = x

5
f(x) = x

7
f(x) = x etc

Para cada valor de n, o gráfico de f será uma curva simétrica em


relação a origem, passando pelos pontos (-1,-1), (0, 0) e (1, 1).

FUNÇÃO 03

iii) Se n for múltiplo de -2, negativo, a função f será definida de R *

+
em R, com Im(f) = R .

EXEMPLOS

Para cada valor de n, o gráfico de f será uma curva simétrica em


relação ao eixo-y, passando pelos pontos (-1,1) e (1, 1).

FUNÇÃO 04

+
iv) Se n for igual a 1/2, a função f será definida de R em R, com Im
+
(f) = R .

FUNÇÃO 05

101
v) Se n for igual a 1/3 a função f será definida de R em R, com Im(f) =
R.

f(x) =

FUNÇÃO 06

vi) Se n for igual a 2/3, a função f será definida de R em R, com Im(f) =


+
R .

1.9 FUNÇÃO QUADRÁTICA

Denomina-se de função quadrática a função f de R em R, definida por f


(x) = ax2 + bx + c, onde os coeficientes a, b e c são números reais, com a ≠ 0.

A representação gráfica de uma função quadrática é uma curva


denominada parábola. De conformidade com os valores dos coeficientes a, b
e c, o gráfico assume uma das seis posições como mostra o desenho abaixo. O
discriminante delta " Δ" é dado por Δ = b2 – 4ac.

1.9.1 Os zeros de uma função quadrática

Os zeros ou raízes de uma função quadrática f(x) = ax2 + bx + c, quando


existem, são os mesmos que os das raízes da equação do 2º grau ax2 + bx + c
= 0. Daí, pode-se concluir que:

a) Se 0 e se x1 e x2 são as raízes da equação do 2º grau ax2 + bx + c =

0, então x1 e x2 são os zeros da função quadrática f(x) = ax2 + bx + c, onde


e . Em termo geométrico, x1 e x2 são os pontos onde o

gráfico da função quadrática intercepta o eixo-x.

102
b) Se < 0, a equação do 2º grau não tem raízes reais e, portanto, a
função quadrática não tem zeros e seu gráfico não intercepta o eixo-x.

1.9.2 Vértice da parábola

Sendo uma parábola a representação gráfica da função quadrática f(x) =


2
ax + bx + c, seu vértice é o ponto onde y = f(x) atinge o seu valor
máximo (se a < 0) ou o seu valor mínimo (se a > 0).

As coordenadas do vértice da parábola são:

Observe que colocando o coeficiente a em evidência na expressão ax2 +


bx + c e completando o quadrado, fica:

Se . Fazendo , em (*), teremos:

(Valor mínimo da função quadrática).

De maneira análoga, toma-se , em (**), ficando

(Valor máximo da função quadrática).

Observe que a reta vertical é o eixo de simetria da parábola.

Pontos equidistantes do eixo de simetria no eixo dos x têm mesma imagem,


ou seja, se x1 e x2 são equidistantes do eixo de simetria, então f(x1) = f(x2).
Essa propriedade facilita a construção do gráfico de uma parábola.

1.9.3 Esboço do gráfico da função quadrática

103
A construção do gráfico da função quadrática pode se tornar mais
prática tomando como referência o eixo de simetria da parábola,

usando o fato de que dois pontos quaisquer da parábola, equidistantes do


eixo de simetria, têm a mesma imagem. Na figura ao lado considerar os
pares x1, x2 e x3 , x4 equidistantes do eixo de simetria.

EXEMPLO

Esboçar o gráfico da função quadrática f(x) = x2 + 2x + 3.

Solução: Inicialmente achar as coordenadas do vértice da parábola:

Temos que a = 1, b = 2 e c = 3. Logo,

Sendo -2 e 0 pontos equidistantes do eixo de simetria x = -1, e como f(0)


= 3, então f(-2) = 3.

1.9.4 Conjunto imagem da função quadrática

A imagem da função quadrática pode ser determinada a partir da


ordenada do vértice da parábola

104
EXEMPLO

Achar a imagem da função f(x) = 2x2 – 4x +1

SOLUÇÃO

Sendo a = 2, b = -4 e c = 1, teremos

Logo, como a > 0, Im(f) = [-1, + )

1.10 FUNÇÃO POLINOMIAL

Denominamos de função polinomial de grau n, n inteiro não-negativo, a


função f de R em R, definida por , onde
são números inteiros quaisquer, com an ≠ 0.

Exemplos

EXEMPLO 01

A função constante f(x) = 2 é uma função polinomial de grau 0.


Nesse caso, a 0 = 2.

EXEMPLO 02

A função linear f(x) = 2x + 3 é uma função polinomial de grau 1.


Temos, a 1 = 2 e a 0 = 3.

EXEMPLO 03

2
A função quadrática f(x) = 2x – 3x + 1 é uma função
polinomial de grau 2. Os coeficientes a 2 = 2, a 1 = -3 e a 0 = 1.

EXEMPLO 04

105
3
A função cúbica f(x) = x é uma função polinomial de grau 3,
onde a 3 = 1 e a 2 = a 1 = a 0 = 0.

1.11 FUNÇÃO RACIONAL

Chama-se função racional a função f de R em R definida por ,

onde p(x) e q(x) são funções polinomiais e q(x) ≠0 para todo x no domínio de
f.

EXEMPLO

é racional e definida para todo x; onde p(x) = x e q(x) = x2

+1

1.12 FUNÇÃO ALGÉBRICA

A função algébrica é a função f que se pode obter através de um número


finito de operações elementares, por adição, subtração, multiplicação,
divisão, potenciação e radiciação, sobre as funções identidade e constante.

São exemplos de funções algébricas as seguintes funções:

EXERCITANDO 1

Dada a função quadrática f(x) = 2x2 - 3x + 1,

a) determine os zeros da função;

b) faça um esboço do gráfico da função;

c) determine a imagem da função;

d) para que valores de x, f(x) ≤ 0.

EXERCITANDO 2

Determine todos os números racionais que podem ser zeros das


seguintes funções:

a) p(x) = 2x3 – 3x2 – 3x + 2

b) q(x) = 2x4 + 3x2 – 2x - 1

106
EXERCITANDO 3

Faça um esboço do gráfico de cada uma das funções:

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107
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO
AULA 07: FUNÇÕES

TÓPICO 03: FUNÇÕES TRANSCENDENTAIS

1. FUNÇÕES TRANSCENDENTAIS
Diz-se que uma função f é transcendental quando ela não é algébrica.
São exemplos de funções transcendentais as funções trigonométricas,
exponenciais, logarítmicas, hiperbólicas, trigonométricas inversas etc.
Destacaremos aqui apenas as três primeiras:

1.1 FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Para cada número real , podemos associá-lo a um ponto sobre a


circunferência do circulo unitário. Assim sendo, passa a representar a
medida do comprimento do arco , como mostra a figura ao lado.

Se (x, y) for as coordenadas do ponto , definem-se as funções seno, co-


seno e tangente como segue:

1.2 A FUNÇÃO SENO

Definição:1 Chamamos de função seno, denotada por sen, a função f de


R em R tal que f(x) = senx. Seu domínio é o conjunto dos números reais e sua
imagem o intervalo fechado [-1, 1].

Observe, na figura 1, que logo a função seno é ímpar, pois


f(-x) = - f(x). Além disso, f é periódica de período 2 , pois para
todo x.

O gráfico da função seno é chamado senóide:

1.3 A FUNÇÃO CO-SENO

108
Definição: 2 Chamamos de função co-seno, denotada por cos, a função f
de R em R tal que f(x) = cosx. Seu domínio é o conjunto dos números reais e
sua imagem o intervalo fechado [-1, 1].

Na figura 1, pode-se constatar que logo a função co-seno é


par, pois f(-x) = f(x). A função co-seno é periódica de período 2 , pois
para todo x.

1.4 A FUNÇÃO TANGENTE

Definição:3 Chamamos de função tangente, denotada por tg, a função f


de I ⊂ R em R tal que f(x) = tgx. O domínio de f é conjunto
e sua imagem o conjunto R.

Pela definição da função tangente, pode-se concluir que tg(- ) = - tg ,


logo a função tangente é ímpar, pois f(-x) = - f(x). A função tangente é
periódica de período , ié, f(x + ) = f(x) para todo x em I.

O gráfico da função tangente:

1.5 AS OUTRAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS-SECANTE, COSECANTE E COTANGENTE

São definidas a partir das três funções apresentadas:

Funções secantes, cossecante, cotangente (Clique aqui para abrir)

FUNÇÃO SECANTE: F(X) = SECX

109
FUNÇÃO COSSECANTE: F(X) = COSECX

COTANGENTE

. É fácil concluir que


, logo a função cotangente é ímpar, pois e
ela é periódica de período .

O gráfico da função cotangente:

EXEMPLO

Calcule o valor exato de:

SOLUÇÃO

110
EXERCITANDO 1

Considere a função f(x) = 2senx.

a) Calcule os valores:

b) Faça um esboço gráfico da função f.

EXERCITANDO 2

Dados determinem:

a) seny b) cosx c) cos(x+y) d) sen(x+y)

1.6 FUNÇÃO EXPONENCIAL


DEFINIÇÃO

Chama-se função exponencial a função f : , tal que f(x) =


a x, onde 0 < a ≠ 1. O domínio de f é o conjunto dos números reais e sua
imagem o conjunto dos números reais positivos.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

1.7 FUNÇÃO LOGARÍTMICA


DEFINIÇÃO

Chama-se função logarítmica de base a função f: , tal que f


(x) = log ax, onde 0 < a ≠ 1. O domínio de f é conjunto de todos os
números reais positivos e a imagem o conjunto dos números reais.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

111
A função exponencial na base a, f(x) = ax , é crescente se a > 1 e
decrescente se 0 < a < 1, e a função logarítmica na base a, f(x) = logax, é
crescente se a > 1 e decrescente se 0 < a < 1. Assim, a função logarítmica na
base a é a inversa da função exponencial na base a, e vice versa. Seus gráficos
são simétricos em relação à primeira bissetriz, se traçados no mesmo sistema
de coordenadas cartesianas, como mostra a figura abaixo.

OBSERVAÇÃO

Se a base a for igual a "e",o logaritmo passa a ser chamado de


"logaritmo natural de x" ou " logaritmo neperiano de x" e será designado
por "lnx", e a função exponencial passa ser chamada de função
exponencial natural. O número e = 2,718281... é um número irracional
conhecido como número de Neper (fazendo referência ao criador dos
logaritmos John Neper).

EXERCITANDO 1
Determine o domínio das seguintes funções:

EXERCITANDO 2

Esboce o gráfico de cada uma das funções:

a)

b)

112
EXERCITANDO 3

Encontre a função inversa das seguintes funções:

EXERCITANDO 4

Dadas as funções f(x) = ex + 1 e g(x) = ln2x, para todo x positivo:

Ache as inversas das funções f, g e fog;

ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Resolver os exercitandos 1 e 3 do tópico 01, os exercitandos 2 e 3 do
tópico 02 e o exercitandos 4 do tópico 03 e enviar as soluções através do
seu portfólio da Aula 7.

FONTES DAS IMAGENS


1. http://www.denso-wave.com/en/

Responsável: Professor Gabriel Paillard


Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual

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