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Direito Direito Civil I

Professor: Esdras Peixoto

ESTUDO DOS ARTIGOS 1º AO 78 DO CÓDIGO CIVIL

ARTIGO 1º - Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

Interpretação:

Quando ele fala toda pessoa, quer dizer criança, adolescente, recém-nascido, idoso, ou seja, todo ser humano
nascido vivo. Mas também pode ser uma pessoa jurídica.

Quando o artigo fala é capaz ele trata da personalidade onde todos nascidos com vida tem a possibilidade e aptidão
de contrair direitos e deveres na ordem civil. Capacidade de direito ou de gozo.

CAPAZ = CAPACIDADE DE DIREITO OU DE GOZO

Exemplo:
 Uma criança de 3 anos que recebe um imóvel em doação, ela adquire direitos e contrai obrigações em
relação ao imóvel.
Direito: de propriedade.
Dever: obrigação de pagar o IPTU.

Obs: Não especifica no artigo que toda pessoa será capaz de exercer esses direitos e deveres. Uma criança de 3
anos não tem a capacidade de exercer.

Obs: Capacidade de FATO OU DE EXERCÍCIO = somente têm aqueles que podem exercer pessoalmente seus
direitos e deveres. Ex.: um jovem de 18 anos.

CAPACIDADE DE DIREITO OU DE GOZO + CAPACIDADE DE EXERCÍCIO OU DE FATO = CAPACIDADE


PLENA.

ARTIGO 2º - A personalidade civil da pessoa começa no nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção do nascituro.

Interpretação:

Personalidade = aptidão que toda pessoa tem para adquirir direitos e deveres, pelo simples fato de existir e ser
pessoa.

O código civil adotou a Teoria Natalista = Nasceu = respirou = adquiriu personalidade.

Concepção = Fecundação, quando o espermatozoide fecunda o óvulo.

Nascituro = O ser que está no ventre materno.

O nascituro não tem personalidade, mas têm alguns direitos assegurados pela legislação, ou seja, o ordenamento
jurídico:

 Direito à vida;
 Direito ao pré-natal;
 Direito aos alimentos gravídicos;
 Direito a uma gestação saudável;
 Ser contemplado em doações;
 Integridade física, etc.

Obs.: Nascituro não é considerado pessoa por não ter ainda nascido com vida. E Também não tem personalidade.
O nascituro possui alguns direitos que ficam sob condição suspensiva?

R: Sim. Como o nascituro não é pessoa e não possui personalidade, alguns direitos, sobretudo, os direitos
patrimoniais, ficam sob condição suspensiva aguardando o seu nascimento com vida.

Exemplo:

 Receber doação;
 Receber herança;
 Receber bens deixados em testamento;
 Direito a um nome;
 Etc.

ARTIGO 3º - São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16
(dezesseis) anos.

Interpretação:

A pessoa absolutamente incapaz (não pode exercer pessoalmente os atos da vida civil) = Precisa de um
representante que realize os atos da vida civil por ela. O representante realiza os atos da vida civil por ele.

INCAPACIDADE ABSOLUTA

O absolutamente incapaz somente tem a Capacidade de Direito, mas não tem a capacidade de exercício.

QUEM SÃO OS REPRESENTANTES?

Pais = Assistem os filhos. (Art. 1634 do CC)

Tutores = Assistem os menores relativamente incapazes que não possuem pais, ou de pais que perderam o poder
familiar. (Art. 1728 e ss do CC).

Obs.: O Art 3º do CC teve sua redação alterada pela Lei nº 13.146/2015, Estatuto da Pessoa com Deficiência. (fez
algumas alterações como as pessoas que não podem exprimir a sua vontade seja por causa permanente ou causa
temporária serão consideradas relativamente incapazes mediante processo de interdição).

ARTIGO 4º - São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer:


I – Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II – Os ébrios habituais e os viciados e tóxicos;
III – Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderam exprimir sua vontade;
IV – Os pródigos.

Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial.
A pessoa relativamente capaz = precisa de um assistente que a auxilie nos atos da vida civil. O assistente realiza
os atos da vida civil com ele.

INCAPACIDADE RELATIVA

Exemplo de atos que o relativamente incapaz poderá realizar pessoalmente sem auxílio de outra pessoa
(assistente):

 Testamento;
 Celebrar contrato de trabalho;
 Votar;
 Outros que estejam previstos em lei.

I – Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;


(Serão assistidos pelos seus pais ou tutores)

QUEM SÃO OS ASSISTENTES?

Pais = Assistem os filhos. (Art. 1634 do CC)

Tutores = Assistem os menores relativamente incapazes que não possuem pais, ou de pais que perderam o poder
familiar. (Art. 1728 e ss do CC).

Curadores = Assistem os maiores relativamente incapazes. Art. 1767 e ss CC)

II – Os ébrios habituais e os viciados e tóxicos;


(Serão assistidos por seus curadores)

Ébrios habituais = São os alcoólatras, viciados em bebida alcoólica.


Viciado em tóxicos = São os toxicômanos, viciados nas mais diversas espécies de tóxicos, como: cocaína, heroína,
crack, etc.
Obs.: Tanto os alcoólatras quanto os toxicômanos somente serão interditados e só serão relativamente incapazes
caso o uso do álcool ou do toxico seja habitual e interfira no seu discernimento para os atos da vida civil.

III – Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderam exprimir sua vontade;
(Serão assistidos por seus curadores)

Exemplo: Deficiência mental; estado de coma (podendo ser transitória ou permanente); perda de memória (podendo
ser transitória ou permanente), etc.

Obs.: O Art 3º do CC teve sua redação alterada pela Lei nº 13.146/2015, Estatuto da Pessoa com Deficiência. (fez
algumas alterações como as pessoas que não podem exprimir a sua vontade seja por causa permanente ou causa
temporária serão consideradas relativamente incapazes mediante processo de interdição).

IV – Os pródigos.
(Serão assistidos por seus curadores)

Pródigos = São aquelas pessoas que delapidam seu patrimônio, fazem dívidas de jogos, fazem financiamentos e
não dão conta de pagar, vendem o imóvel da família e deixa a família sem moradia, em resumo é a pessoa que não
tem o controle do dinheiro. Essa pessoa precisa de um assistente (com um processo de interdição onde o juiz
determinará um curador que irá auxilia-la nos atos da vida civil).

ARTIGO 5º - A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos
os atos da vida civil.

Parágrafo Único. Cessará, para os menores a incapacidade:

I – Pela concessão dos pais, ou de um deles na falta de outro, mediante instrumento público, independentemente
de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
II – Pelo casamento;
III – Pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – Pela colação de grau em curso superior;
V – Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles,
o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.

ARTIGO 6º - A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos
em que a lei autoriza a abertura de sua cessão definitiva.

Morte = Judicialmente se dá pela certidão de óbito.

Morte real = Quando há a existência de um corpo.

Morte presumida = Não possui um corpo, temos que presumir.

Existem dois tipos:

1. Morte presumida com decretação de ausência (Art. 6º segunda parte com Art. 37 do CC);

Quando a pessoa desaparece e não deixa notícias, é aberto um processo judicial de Ausência, que possui 3 fases:

a) Curadoria (um cargo exercido por um curador, ou seja, uma pessoa responsável por organizar e administrar
os bens);
b) Sucessão provisória (É aquela que se abre, regra geral, um ano após a arrecadação de bens do ausente e
da correspondente nomeação de um curador, mediante pedido formulado pelos interessados (artigo 27 do
Código Civil);
c) Sucessão Definitiva (Nesta etapa os interesses privilegiados são os de sucessores, herdeiros ou legatários).

Obs.: Somente após aberta a sucessão definitiva vai ser presumida a morte da pessoa.

Poderá a sucessão provisória converte-se em definitiva se satisfeitas as seguintes condições:

a) Quando houver certeza da morte do ausente;


b) A requerimento dos interessados, dez (10) anos depois de passada em julgado a sentença de abertura
da sucessão provisória, com o levantamento das cauções prestadas;
c) Provando-se que o ausente conta 80 (oitenta) anos de nascido, e que de 5 (cinco) datam as últimas
notícias suas, note-se que a disposição não tem natureza alternativa, de modo que as duas exigências — o ausente
contabilizar 80 (oitenta) anos e suas últimas notícias datarem de cinco anos — devem figurar simultaneamente para
a incidência do comando legal.
Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes
ou ascendentes, aquele ou estes haverão somente os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-
rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados
depois daquele tempo.

Se, entretanto, o ausente não regressar nesses dez anos, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva,
os bens arrecadados passarão ao domínio do município ou do Distrito Federal, a depender de sua localização,
incorporando-se ao domínio da União, quando situados em território federal.

2. Morte presumida sem decretação de ausência (Art 7º do CC).

Ausência: São aquelas pessoas que desapareceram e nunca mais se teve notícias; estão desaparecidas.

Exemplo: A pessoa saiu para trabalhar e nunca mais foi vista.