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APOSTILA DE

DIDÁTICA
APOSTILA DE DIDÁTICA

DIDÁTICA
SUMÁRIO
EDUCAÇÃO BRASILEIRA .................................................................................................... 02
A DIDÁTICA E O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ........................................ 11
PRINCIPAIS TEORIAS DA APRENDIZAGEM ..................................................................... 20
TEORIAS DO CURRÍCULO ................................................................................................... 33
ASPECTOS LEGAIS E POLÍTICOS DA ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA .. 42
POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA ............................................. 51

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 EDUCAÇÃO BRASILEIRA Entretanto, desde 1915 já vinha se configurando um quadro bem


TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS: pouco favorável à sobrevivência do ensino racionalista tal como fora
(Breve) história do pensamento pedagógico brasileiro. proposto por Ferrer. O nacionalismo e a consequente decisão do
governo de imprimir novas diretrizes no campo da educação foram
A educação brasileira começa a ter autonomia com o outros fatores que contribuíram para o encerramento da mais
desenvolvimento das teorias da Escola Nova, no final do século XIX, avançada experiência libertária no país.
pois nosso pensamento pedagógico reproduzia o religioso medieval. O pensamento pedagógico libertário teve como principal difusora
Graças ao pensamento iluminista trazido da Europa por a educadora Maria Lacerda de Moura (18871944), combatendo
intelectuais e estudantes de formação laica, positivista, liberal, a teoria principalmente o analfabetismo.
da educação brasileira pôde dar alguns passos. Em Lições de Pedagogia (1925), Moura propôs uma educação
A criação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em que incluísse educação física, educação dos sentidos e o estudo do
1924, foi fruto do projeto liberal da educação que tinha, entre outros crescimento físico. Amparando-se em Binet, Claparede e Montessori,
componentes, um grande otimismo pedagógico: reconstruir a afirmava que, além das noções de cálculo, leitura, língua, pátria e
sociedade através da educação. Reformas importantes, realizadas por história, seria preciso estimular associações e despertar a vida interior
intelectuais na década de 20, impulsionaram o debate educacional, da criança para que houvesse uma autoeducação.
superando gradativamente a educação jesuítica tradicional, Dizia ela que era preciso declarar guerra ao analfabetismo, mas
conservadora, que dominava o pensamento pedagógico brasileiro também à ignorância presumida, ao orgulho tolo, à vaidade vulgar, à
desde os primórdios. O domínio dos jesuítas havia sofrido um pretensão, à ambição, ao egoísmo, à intolerância e aos preconceitos,
retrocesso durante apenas um curto espaço de tempo, entre 1759 e em suma: guerra à mediocridade, à vulgaridade e à prepotência
1772. O obscurantismo português sobre a colônia era tanto que, em asseguradas pela autoridade do diploma e do bacharelado
1720, a metrópole proibiu a imprensa em todo o Brasil, na tentativa de incompetente.
mantê-la isolada de influências externas. Em 1930, a burguesia urbano industrial chega ao poder e
Os jesuítas nos deixaram um ensino de caráter livresco e apresenta um novo projeto educacional. A educação, principalmente a
repetitivo, que estimulava a competição por meio de prêmios e educação pública, passou a ter espaço nas preocupações do poder.
castigos. Discriminatórios e preconceituosos, os jesuítas dedicaram-se O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, assinado por 27
à formação das elites coloniais e difundiram nas classes populares a educadores em 1932, seria o primeiro grande resultado político e
religião da obediência, da dependência e do paternalismo, doutrinário de 10 anos de luta da ABE em favor de um Plano Nacional
características marcantes de nossa cultura ainda hoje. Uma educação de Educação.
que reproduzia uma sociedade perversa, dividida entre analfabetos e Outro grande acontecimento da década de 30 para a teoria
doutores. educacional foi a fundação, em 1938, do Instituto Nacional de Estudos
Um balanço da educação até o final do Império está em dois Pedagógicos (INEP), realizando um antigo sonho de Benjamin
pareceres de Rui Barbosa (18491923): o primeiro sobre o ensino Constant que havia criado em 1890 o Pedagogium. Em 1944, o INEP
secundário e superior, e o segundo sobre o ensino primário, inicia a publicação da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos , que
apresentados ao Parlamento, respectivamente, em 1882 e 1883. se constitui, desde então, num precioso testemunho da história da
Neles Rui Barbosa prega a liberdade de ensino, e a instrução educação no Brasil, fonte de informação e formação para os
obrigatória. A reforma sugerida por ele inspirava-se nos sistemas educadores brasileiros até hoje.
educacionais da Inglaterra, da Alemanha e dos Estados Unidos. Os grandes teóricos deste período foram, sem dúvida, Fernando
O balanço mostrava o nosso atraso educacional, a fragmentação de Azevedo (18941974), Lourenço Filho (18971970), Anísio Spínola
do ensino e o descaso pela educação popular, que predominaram até Teixeira (19001971) e Roque Spencer Maciel de Barros (19271989). O
o Império. A República prometia levar a questão educacional a sério. pensamento pedagógico liberal teve grandes contribuições no Brasil,
Em 1890, os republicanos criaram o Ministério da Instrução junto com entre elas as de Roque Spencer Maciel de Barros, João Eduardo. R.
os Correios e Telégrafos. Em 1931, o Ministério da Justiça seria Villalobos, Antonio de Almeida Junior, Laete Ramos de Carvalho
associado à Saúde Pública. (19221972), Moysés Brejon (19231991) e Paul Eugene Charbonneau
A educação foi interesse constante também do movimento (19251987).
anarquista no Brasil no início do século XX. Para os anarquistas, a Os católicos e os liberais representam grupos diferentes,
educação não era o único nem o principal agente desencadeador do correntes históricas opostas, porém não antagônicas. Os primeiros
processo revolucionário. Entretanto, se não ocorressem mudanças desejavam imprimir à educação um conteúdo espiritual e os segundos,
profundas na mentalidade das pessoas, em grande parte promovidas um cunho mais democrático. Contudo, os dois grupos tinham pontos
pela educação, a revolução social desejada jamais teria êxito. Este em comum.
posicionamento dos anarquistas em relação à educação derivava do Representavam apenas facções da classe dominante e,
princípio da liberdade: os libertários eram contra a opressão e a portanto, não questionavam o sistema econômico que dava origem
coerção. aos privilégios e à falta de uma escola para a povo. A mudança
O movimento anarquista no Brasil era profundamente empregada pelos dois grupos estava centrada mais nos métodos do
influenciado pelo europeu através de livros, revistas e jornais. Essa que no sentido da educação. A análise da saciedade de classes com
influência é claramente percebida quando se comparam duas poucas exceções estava ausente da reflexão dos dois grupos. Só o
iniciativas educacionais promovidas em São Paulo: a Escola Libertária pensamento pedagógico progressista, a partir das reflexões de
Germinal, que não foi em frente, e a Escola Moderna, destinada à Paschoal Lemme, Álvaro Vieira Pinto e Paulo Freire, é que coloca a
educação de crianças da classe operária, inspirada na obra de questão da transformação radical da saciedade e o papel da educação
Francisco Ferrer. nessa transformação.
O ensino libertário ministrado pelas escolas modernas encerrou- Em 1948, a ministro Clemente Mariani enviou ao Congresso um
se, pelo menos na capital de São Paulo e em São Caetano, em 1919. projeto de lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que só
Aquele ano foi marcado por fortes tensões entre os anarquistas e as seria sancionado depois de muitas disputas e alterações, em 1961,
autoridades, especialmente porque circulavam informações de que constituindo-se na primeira lei geral da educação brasileira em vigor
estava sendo promovida no Rio de Janeiro, com a participação de até a Constituição em 1988.
anarquistas, uma conspiração visando à derrubada do governo.

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Depois da ditadura de Getúlio Vargas (19371945), abre-se um À medida que se alargam os problemas comuns, mais vivamente
período de redemocratização no país que é brutalmente interrompido sentidos, será a falta de uma filosofia que nos dê um programa de
com o golpe militar de 1964. Nesse curto espaço de tempo, em que as ação e de conduta, isto é, uma interpretação harmoniosa da vida e das
liberdades democráticas foram respeitadas, o movimento educacional suas perplexidades.
teve novo impulso, distinguindo-se por dois grandes movimentos: o Está aí a grande intimidade entre a filosofia e a educação. Se
movimento por uma educação popular e o movimento em defesa da educação é o processo pelo qual se formam as disposições essenciais
educação pública, o primeiro predominante no setor da educação do homem, emocionais e intelectuais, para com a natureza e para com
informal e na educação de jovens e adultos, e a segunda mais os demais homens, filosofia pode ser definida como a teoria geral da
concentrada na educação escolar formal. educação, conforme o pensamento de Dewey. Filosofia se traduz,
O primeiro teve seu ponto alto em 1958, com o segundo assim, em educação, e educação só é digna desse nome quando está
Congresso Nacional de Educação de Adultos, e no início de 1964, com percorrida de uma larga visão filosófica. Filosofia da educação não é,
a Campanha Nacional de Educação de Adultos, dirigido por Paulo pois, senão o estudo dos problemas que se referem à formação dos
Freire, defendendo uma concepção libertadora da educação. O melhores hábitos mentais e morais em relação às dificuldades da vida
segundo teve um momento importante com os debates em torno da social contemporânea.
Lei de Diretrizes e Bases (LDB), principalmente em 1960 com a Considerada, assim, a filosofia como a investigadora dos valores
realização, em São Paulo, da primeira Convenção Estadual de Defesa mentais e morais mais compreensivos, mais harmoniosos e mais ricos
da Escola Pública e da Convenção Operária em Defesa da Escola que possam existir na vida social contemporânea, está claro que a
Pública. filosofia dependerá, como a educação, do tipo de sociedade que se
Mas encarar esses dois movimentos como antagônicos seria um tiver em vista. Admitindo que nos achamos em uma sociedade
equívoco já que em ambos existem posições conservadoras e democrática servida pelos conhecimentos da ciência moderna e
progressistas. O ideal seria unir os defensores da educação popular agitada, em princípio, pela revolução industrial iniciada no século XVIII,
que se encontram nos dois movimentos: aqueles que defendem uma a filosofia deve procurar definir os problemas mais palpitantes dessa
escola com uma nova função social, formando a solidariedade de nova ordem de coisas e armá-los para as soluções mais prováveis.
classe e lutando por um Sistema Nacional Unificado de Educação Nenhuma das soluções pode ser definitiva ou dogmática. A
Pública. filosofia de uma sociedade em permanente transformação, que aceita
Essa unidade passou a ser mais concreta a partir de 1988, com essa transformação e deseja torna-la um instrumento do próprio
o movimento da educação pública popular, sustentado pelos partidos progresso, é uma filosofia de hipóteses e soluções provisórias.
políticos mais engajados na luta pela educação do povo. Esse novo O método filosófico será, assim, experimental, no sentido de que
movimento acredita que só o Estado pode dar conta do nosso atraso as soluções propostas serão hipóteses sujeitas à confirmação das
educacional, mas sem dispensar o engajamento da sociedade consequências.
organizada. Preconiza uma reorganização político administrativa Os ideais e aspirações contidos no sistema social democrático
embasada num projeto ético político progressista, a partir da envolvem a igualdade rigorosa de oportunidades entre todos os
participação ativa e deliberativa da sociedade civil. indivíduos, o virtual desaparecimento das desigualdades econômicas,
e uma sociedade em que a felicidade dos homens seja amparada e
As idéias de Anísio Teixeira (19001971) influenciaram todos os facilitada pelas formas mais lúcidas e mais ordenadas. Essas
setores da educação no Brasil e mesmo o sistema educacional da aspirações e esses ideais serão, porém, uma farsa, se não os fizermos
América Latina. Entre suas contribuições, pode-se citar o Centro dominar profundamente o sistema público de educação. A escola tem
Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador (BA), primeira experiência que dar ouvidos a todos, e a todos servir. Será o teste de sua
no Brasil de promover a educação cultural e profissional de jovens. flexibilidade, da inteligência de sua organização e da inteligência dos
Anísio Teixeira nasceu em Caieté (BA). Foi inspetor geral de seus servidores.
ensino e diretor geral da Instrução Pública da Secretaria do Interior, Esses têm de honrar as responsabilidades que as circunstâncias
Justiça e Instrução Pública da Bahia. Esteve nos EUA pesquisando a lhes confiam, e só o poderão fazer transformando-se a si mesmos e
organização escolar desse país e formou-se em educação na transformando a escola.
Universidade de Colúmbia, tornando-se discípulo e amigo do filósofo e O professor de hoje tem que usar a legenda do filósofo: nada
educador norte americano John Dewey. Em 1935, tornou-se secretário que é humano me é estranho. Tem de ser um estudioso dos mais
da Educação e Cultura do Distrito Federal, embaraçosos problemas modernos, tem que ser estudioso da
lançando um sistema de educação global do primário à civilização, tem que ser estudioso da sociedade e tem que ser
universidade. Foi ainda membro do Conselho Federal de Educação, estudioso do homem, tem que ser, enfim, filósofo.
reitor da Universidade de Brasília, e recebeu o título de professor A simples indicação desses problemas demonstra que o
emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Morreu no Rio de educador não pode ser equiparado a nenhum técnico, no sentido usual
Janeiro. e restrito da palavra. Ao lado da informação e da técnica, deve possuir
Suas principais obras foram: Educação pública: organização e uma clara filosofia da vida humana e uma visão delicada e aguda da
administração (1935), Educação não é privilégio (1956), A educação é natureza do homem.
um direito (1967) e pequena introdução à filosofia da educação (1978). Um dos poucos pensadores anarquistas atuais preocupados
Nos dias de hoje, quando a ciência vai refazendo o mundo e a com a escola, Maurício Tragtenberg representa hoje uma importante
onda de transformação alcança as peças mais delicadas da existência corrente de pensamento e ação político pedagógica cujas raízes estão
humana, só quem vive à margem da vida, sem interesses e sem em Bakunin, Kropotkin, Malatesta e Lobrot.
paixões, sem amores e sem ódios, pode julgar que dispensa uma O pensamento de Tragtenberg na educação mostra os limites da
filosofia. A filosofia de um grupo que luta corajosamente para viver não escola como instituição disciplinadora e burocrática, e as
é a mesma de outro cujas facilidades transcorrem em uma tranquila e possibilidades da autogestão pedagógica, como iniciação à autogestão
rica abundância, pois conforme o tipo de experiência de cada um, será social. A burocracia escolar é poder, repressão e controle. Critica tanto
a filosofia de cada um. A vida vai, porém, assumindo aspectos mais os países capitalistas quanto os socialistas, que desencantaram a
gerais, dia a dia, e os predicamentos da filosofia irão também, assim, beleza e a riqueza do mundo e introduziram a racionalização sem
dia a dia, se aproximando. sentido humano. A burocracia perverte as relações humanas, gerando
o conformismo e a alienação.

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As propostas de Tragtenberg mostram as possibilidades de dissimulam, na escola, a eliminação dos pobres, que se dá sem
organização das lutas das classes subalternas e de participação exame. Muitos deles não chegam a fazê-la, são excluídos pelo
política do trabalhador na empresa e na escola visando à reeducação aparelho escolar muito cedo, veja-se o nível de evasão escolar na 1ª
dos próprios trabalhadores em geral e dos trabalhadores em série do 1º grau e nas últimas séries do 1º e 2º graus. Qualquer escola
educação, em particular. Suas principais obras são: Administração, se estrutura em função de uma quantidade de saber, medido em
Poder e Ideologia (1980), Sobre Educação, Política e Ideologia (1982) doses, administrado homeopaticamente. Os exames sancionam uma
e Burocracia e Ideologia (1974). Professores, alunos, funcionários, apropriação do conhecimento, um mau desempenho ocasional, um
diretores e orientadores. As relações entre todos estes personagens certo retardo que prova a incapacidade do aluno de apropriar-se do
no espaço da escola reproduzem, em escala menor, a rede de saber.
relações que existe na sociedade. Em face de um saber imobilizado, como nas Tábuas da Lei, só
As áreas do saber se formam a partir de práticas políticas há espaço para humildade e mortificação. Na penitência religiosa só o
disciplinares, fundadas em vigilância. Isso significa manter o aluno sob trabalho salva, é redentor; portanto, o trabalho pedagógico só pode ser
um olhar permanente, registrar, contabilizar todas as observações e sacrificado. Para não desencorajar os mais fracos de vontade, surgem
anotações sobre os alunos, através de boletins individuais de os métodos ativos em educação. A dinâmica de grupo aplicada à
avaliação, ou uniformes/ modelo, por exemplo, perceber aptidões, educação alienou-se quando colocou em primeiro plano o grupo em
estabelecendo classificações rigorosas. detrimento da formação. A utilização do pequeno grupo como técnica
A prática de ensino em sua essência reduz-se à vigilância. Não é de formação deve ser vista como uma possibilidade entre outras. Tal
mais necessário o recurso à força para obrigar o aluno a ser aplicado. técnica não questiona radicalmente a essência da pedagogia
É essencial que o aluno, como o detento, saiba que é vigiado. Porém educacional. O fato é que os grupos se acham diante de um monitor,
há um acréscimo: o aluno nunca deve saber que está sendo aqueles caracterizam o não saber e este representa o saber. Ao invés
observado, mas deve ter a certeza de que poderá sempre sê-lo. de colocar como tarefa pedagógica dar um curso e o aluno recebe-lo,
Dessa forma, a escola se constitui num observatório político, um por que não colocá-lo em outros termos: em que medida o saber
aparelho que permite o conhecimento e o controle perpétuo de sua acumulado e formulado pelo professor tem chance de tornar se o
população através da burocracia escolar, do orientador educacional, saber do aluno? Por tudo isso a escola é um espaço contraditório: nela
do psicólogo educacional, do professor ou até dos próprios alunos. É o professor se insere como reprodutor e pressiona como questionador
necessário situar ainda que a presença obrigatória com o diário de do sistema, quando reivindica. Essa é a ambiguidade da função
classe nas mãos do professor, marcando ausências e presenças, professoral.
atribuindo meia falta ao aluno que atrasou uns minutos ou saiu mais A possibilidade de desvincular saber de poder, no plano escolar,
cedo da aula, é a técnica de controle pedagógico burocrático por reside na criação de estruturas de organização horizontais em que
excelência herdada do presídio. professores, alunos e funcionários formem uma comunidade real. É
No seu processo de trabalho, o professor é submetido a uma um resultado que só pode vir de muitas lutas, de vitórias setoriais e
situação idêntica à do proletário, na medida em que a classe derrotas também. Mas sem dúvida a autogestão da escola pelos
dominante procura associar educação e trabalho, acentuando a trabalhadores da educação, incluindo os alunos, é a condição de
responsabilidade social do professor e de seu papel como guardião do democratização escolar. Sem escola democrática não há regime
sistema. democrático, portanto a democratização da escola é fundamental e
Nesse processo, o professor contratado ou precário, sem urgente, pois ela forma o homem, o futuro cidadão.
contrato e sem estabilidade, substitui o efetivo ou estável, conforme as
determinações do mercado, colocando-o numa situação idêntica à do  TEORIA DA EDUCAÇÃO, DIFERENTES CORRENTES DO
proletário. Na unidade escolar básica é o professor que julga o aluno PENSAMENTO PEDAGÓGICO BRASILEIRO.
mediante a nota, participa dos conselhos de classe, nos quais o
destino do aluno é julgado, define o programa de curso nos limites A TENDÊNCIA LIBERAL TRADICIONAL
prescritos e prepara o sistema de provas ou exames.
Para cumprir essa função, ele é inspecionado, é pago por esse A tendência tradicional está no Brasil, desde os jesuítas. O
papel de instrumento de reprodução e exclusão. A própria disposição principal objetivo da escola era preparar os alunos para assumir papéis
das carteiras na sala de aula reproduz relações de poder: o estrado na sociedade, já que quem tinha acesso às escolas eram os filhos dos
que o professor burgueses e a escola tomava como seu papel principal, fazer o
utiliza acima dos ouvintes, estes sentados em cadeiras repasse do conhecimento moral e intelectual porque através deste
linearmente definidas próximas a uma linha de montagem industrial, estaria garantida a ascensão dos burgueses e, consequentemente, a
configura a relação saber/ poder e dominante/ dominado. O poder manutenção do modelo social e político vigente. Para tanto, a proposta
professoral manifesta-se através do sistema de provas ou exames em de educação era absolutamente centrada no professor, figura
que ele pretende avaliar o aluno. Na realidade, está selecionando, pois incontestável, único detentor do saber que deveria ser repassado para
uma avaliação de uma classe pressupõe um contato diário demorado os alunos.
com a mesma, prática impossível no atual sistema de ensino. O papel do professor estava focado em vigiar os alunos,
A disciplinamento do aluno tem no sistema de exame um aconselhar, ensinar a matéria ou conteúdo, que deveria ser denso e
excelente instrumento: o pretexto de avaliar o sistema de exames. livresco, e corrigir. Suas aulas deveriam ser expositivas, organizada de
Assim, a avaliação deixa de ser um instrumento e torna-se um fim em acordo com uma sequência fixa, baseada na repetição e na
si mesmo. O fim, que deveria ser a produção e transmissão de memorização. Aulas de memorização de conteúdos (retirados dos
conhecimentos, acaba sendo esquecido. O aluno submete-se aos livros), em que os alunos eram considerados como um papel em
exames e provas. O que prova a prova? Prova que o aluno sabe como branco, nos quais era impresso o conhecimento, cabendo a eles
fazê-la, não prova seu saber. concordar com tudo sem questionar.
O fato é que, na relação professor/ aluno, enfrentam-se dois Eram formados para ser sujeitos a-críticos e passivos. Nessa
tipos de saber: o inacabado do professor e a ignorância do aluno. Não concepção de ensino o processo de avaliação carregava em seu bojo
há saber absoluto nem ignorância absoluta. No fundo, os exames o caráter de punição, muitas vezes, de redução de notas em função do

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comportamento do aluno em sala de aula. Essa tendência pedagógica A TENDÊNCIA LIBERAL TECNICISTA
foi/é muito forte em nosso modelo de educação, ainda hoje, tanto no
ensino fundamental e médio como no ensino superior, que vive uma A Tendência Liberal Tecnicista começa a se destacar no final
salada de concepções pedagógicas. Sabemos que os professores são dos anos 60, quando do desprestígio da Escola Renovada, momento
fruto da sua formação escolar, social e política, que esta se reflete na em que mais uma vez, sob a força do regime militar no país, as elites
sua prática pedagógica, quando esta não é pensada/refletida dão destaque a um outro tipo de educação direcionada às grandes
cotidianamente, nesse caso, temos um ciclo vicioso: formado sem massas, a fim de se manterem na posição de dominação. Tendo como
reflexão –formo alunos sem reflexão, também. principal objetivo atender aos interesses da sociedade capitalista,
Ao longo da história da educação, a tendência liberal tradicional, inspirada especialmente na teoria behaviorista, corrente
sofreu/sofre várias críticas, a saber: os conhecimentos adquiridos fora comportamentalista organizada por Skinner que traz como verdade
da escola não eram considerados como primeiro passo para a inquestionável a neutralidade científica e a transposição dos
construção de novos conhecimentos, como um caminho importante acontecimentos naturais à sociedade.
para a construção de saberes dotados de significado; era O chamado “tecnicismo educacional”, inspirado nas teorias da
extremamente burocratizado (conteúdos, memorização, provas) com aprendizagem e da abordagem do ensino de forma sistêmica,
normas rígidas. Dentre todas, a maior crítica advém da ausência de constituiu-se numa prática pedagógica fortemente controladora das
sentido, já que o conhecimento repassado não possuía/possui relação ações dos alunos e, até, dos professores, direcionadas por atividades
com a vida dos alunos. repetitivas, sem reflexão e absolutamente programadas, com riqueza
de detalhes. O tecnicismo defendia, além do princípio da neutralidade,
A TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA já citada, à racionalidade, a eficiência e a produtividade.
A educação, a escola passa a ter seu trabalho fragmentado com
Novos ventos mudaram o mundo, no que diz respeito às o objetivo de produzir os “produtos” sonhados e demandados pela
concepções filosóficas e sociológicas da educação. Por volta dos anos sociedade capitalista e industrial. Tais como: o micro-ensino, o
20 e 30, o pensamento liberal democrático chega ao Brasil e à Escola tele-ensino, a instrução programada, entre outras. Subordina a
Nova chega defendendo a escola pública para todas as camadas da educação à sociedade capitalista, tendo como tarefa principal à
sociedade. produção de mão de obra qualificada para atender ao mercado,
Para Saviani, apud Gasparin (2005), a Escola Nova acaba por trazendo para os alunos e para as escolas consequências perversas, a
aprimorar o ensino das elites, rebaixando o das classes populares. saber:
Mas, mesmo recebendo esse tipo de crítica, podemos considerá-la
como o mais forte movimento “renovador” da educação brasileira. 1. A sociedade passou a atribuir a escola e a sua tecnologia toda a
A tendência liberal renovada manifesta-se por várias versões: a responsabilidade do processo de aprendizagem, negando os
renovada progressista ou pragmática, que tem em Jonh Dewey e saberes trazidos pelos alunos e pelos professores;
Anísio Teixeira, seus representantes mais significativos; a renovada 2. Incutiu a ideia errada de que aprender não é algo inerente ao ser
não-diretiva, fortemente inspirada em Carl Rogers, o qual enfatiza humano e sim um processo que ocorre apenas a partir de técnicas
também a igualdade e o sentimento de cultura como desenvolvimento específicas e pré-definidas por especialistas;
de aptidões individuais; a culturalistas; a piagetiana; a montessoriana; 3. O professor passou a ser refém da técnica, repassada pelo
todos relacionadas com os fundamentos da Escola Nova ou Escola manuais e o aluno a ser um mero reprodutor de respostas pré-
Ativa. estabelecidas pela escola. Assim, se o aluno quisesse lograr
Por educação nova entendemos a corrente que trata de mudar o sucesso na vida e na escola, precisava apenas responder ao que
rumo da educação tradicional, intelectualista e livresca, dando-lhe lhe foi ensinado e reproduzir, sem questionar e/ou criar algo novo;
sentido vivo e ativo. Por isso se deu também a esse movimento o 4. O bom professor deveria observar o desempenho do aluno,
nome de `escola ativa´” (LUZURIAGA, 1980, p. 227). Enfim, apenas com o intuito de ajustar seu processo de aprendizagem ao
considerando suas especificidades e propostas de práticas programa vivenciado;
pedagógicas diferentes, as versões da pedagogia liberal renovada têm 5. Cada atividade didática passou a ter momento e local próprios
em comum a defesa da formação do indivíduo como ser livre, ativo e para ser realizada, dentre outras.
social. “Do ponto de vista da Escola Nova, os conhecimentos já
obtidos pela ciência e acumulados pela humanidade não precisariam Naturalmente que este modelo, que defende a fragmentação do
ser transmitidos aos alunos, pois acreditava-se que, passando por conhecimento, calcado na crescente especialização da ciência
esses métodos, eles seriam naturalmente encontrados e organizados” compromete a construção de uma visão global por parte dos
(FUSARI e FERRAZ, 1992, p. 28). educadores, impossibilitando ou dificultando, muitíssimo, o
Essa tendência retira o professor e os conteúdos desenvolvimento de um ser humano mais integrado interiormente e
disciplinares do centro do processo pedagógico e coloca o aluno como participante socialmente.
fundamental, que deve ter sua curiosidade, criatividade, inventividade, Vele salientar, que essa tendência pedagógica marcou
estimulados pelo professor, que deve ter o papel de facilitador do fortemente as décadas de 70 e 80 e tem influência ainda hoje.
ensino. Defende uma escola que possibilite a aprendizagem pela
descoberta, focada no interesse do aluno, garantindo momentos para A TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTADORA
a experimentação e a construção do conhecimento, que devem partir
do interesse do aluno. Essa concepção pedagógica sofreu e sofre No final dos anos 70 e início dos 80, a abertura política
distorções fortes por parte de alguns educadores. Muitos defendiam decorrente do final do regime militar coincidiu com a intensa
essa tendência, mas na prática, abriam mão de um trabalho planejado, mobilização dos educadores para buscar uma educação crítica, tendo
deixando de organizar o que deveria ser ensinado e aprendido com a em vista a superação das desigualdades existentes no interior da
falsa desculpa de que o aluno é o condutor do processo. sociedade. Surge, então a “pedagogia libertadora” que é oriunda dos
movimentos de educação popular que se confrontavam com o
autoritarismo e a dominação social e política.

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Nesta tendência pedagógica, a atividade escolar deveria centrar- a consciência crítica para fazer frete à realidade social injusta e
se em discussões de temas sociais e políticos e em ações concretas desigual. Busca instrumentalizar os sujeitos históricos, aptos a
sobre a realidade social imediata. O professor deveria agir como um transformar a sociedade e a si próprio. Sua metodologia defende que o
coordenador de atividades, aquele que organiza e atua conjuntamente ponto de partida no processo formativo do aluno seja a reflexão da
com os alunos. Seus defensores, dentre eles o educador prática social, ponto de partida e de chegada, porém, embasada
pernambucano Paulo Freire, lutavam por uma escola conscientizadora, teoricamente.
que problematizasse a realidade e trabalhasse pela transformação Entende que não basta repassar conteúdo escolar que aborde
radical da sociedade capitalista. às questões sociais. Complementa que se faz necessário, que os
Os seguidores da tendência progressista libertadora não tiveram alunos tenham o domínio dos conhecimentos, das habilidades e
a preocupação de consolidar uma proposta pedagógica explícita, havia capacidades para interpretar suas experiências de vida e defender
opção didática já aplicada nos chamados “círculos de cultura”. seus interesses de classe.
Devido às suas características de movimento popular, essa
tendência esteve muito mais presente em escolas públicas de vários  PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO.
níveis e em universidades, do que em escolas privadas.
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) deve se constituir na
A TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA referência norteadora de todos os âmbitos da ação educativa da
escola. Por isso, sua elaboração requer, para ser expressão viva de
Essa tendência teve como fundamento principal realizar um projeto coletivo, a participação de todos aqueles que compõem a
modificações institucionais, acreditando que a partir dos níveis comunidade escolar.
menores (subalternos), iriam modificando, “contaminando”, todo o Todavia, articular e construir espaços participativos, produzir no
sistema, sem definir modelos a priori e negando-se a respeitar coletivo um projeto que diga não apenas o que a escola é hoje, mas
qualquer forma autoridade ou poder. também aponte para o que pretende ser, exige método, organização e
Suas ideias surgem como fruto da abertura democrática, que vai sistematização.
se consolidando lentamente a partir do início dos anos 80, com o Queremos dizer que não é apenas com “boas intenções” ou
retorno ao Brasil do exilados políticos e com a conquista paulatina da voluntarismo que se constrói um projeto dessa natureza; é preciso
liberdade de expressão, através dos veículos de comunicação de muito trabalho organizado se quisermos, de fato, que o projeto
massa, dos meios acadêmicos, políticos e culturais do país. proposto desencadeie mudanças na direção de uma formação
Cresce o interesse por escolas verdadeiramente democráticas e educativa e cultural, de qualidade, para todas as crianças e jovens que
inclusivas e solidifica- se o projeto de escola que corresponda aos frequentam a escola pública. Vazquez (1977), ao discutir a questão da
anseios da classe trabalhadora, respeitando as diferenças e os práxis, compreendida como prática transformadora, já chamava a
interesses locais e regionais, objetivando uma educação de qualidade atenção para a necessidade de ações intencionalmente organizadas,
e garantida a todos os cidadãos. planejadas, sistematizadas para a realização de práticas
Esse pensamento defende, apoia e estimula a participação em transformadoras. Como ressalta o autor: Discutir as dimensões político
grupos e movimentos sociais: sindicatos, grupos de mães, e pedagógica dos projetos de escola pode parecer um assunto já
comunitários, associações de moradores etc.., para além dos muros esgotado. Também não são poucos os que acreditam que a proposta
escolares e, ao mesmo tempo, trazendo para dentro dela essa de construção de PPP nas e pelas escolas também já se esgotou,
realidade pulsante da sociedade. A necessidade premente era preferindo aderir a novas linguagens, quase sempre oriundas do
concretizar a democracia, recém criada, através de eleições para universo gerencial, consideradas mais “modernas”, “eficientes”,
conselhos, direção da escola, grêmios estudantis e outras formas de “técnicas”, para se resolver os problemas das instituições.
gestão participativa. Infelizmente,
No Brasil, os educadores chamados de libertários têm inspiração A teoria em si [...] não transforma o mundo. Pode contribuir para
no pensamento de Celestin Freinet. Buscam a aplicação concreta de sua transformação, mas para isso tem que sair de si mesma, e, em
suas técnicas, na qual os próprios alunos organizavam seu trabalho primeiro lugar, tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com
escolar. A metodologia vivenciada é a própria autogestão, tornando o seus atos reais, efetivos, tal transformação. Entre a teoria e a atividade
interesse pedagógico intrínseco às necessidades e interesses do prática transformadora se insere um trabalho de educação das
grupo. consciências, de organização dos meios materiais e planos concretos
de ação: tudo isso como passagem indispensável para desenvolver
A TENDÊNCIA PROGRESSISTA CRÍTICO SOCIAL DOS ações reais, efetivas. Nesse sentido, uma teoria é prática na medida
CONTEÚDOS OU HISTÓRICO-CRÍTICA em que materializa, através de uma série de mediações, o que antes
só existia idealmente, como conhecimento da realidade ou
Essa tendência se constitui no final da década de 70 e início dos antecipação ideal de sua transformação (VAZQUEZ, 1977, p. 207)
80 com o propósito de ser contrária à “pedagogia libertadora”, por O termo projeto tem origem no latim projectu, que, por sua vez, é
entender que essa tendência não dá o verdadeiro e merecido valor ao particípio passado do verbo projicere, que significa “lançar para
aprendizado do chamado “saber científico”, historicamente acumulado, diante”. Plano, intento, desígnio. (VEIGA, 2000) adesões pouco
e que constitui nosso identidade e acervo cultural, críticas a “conceitos midiáticos”, ou a fácil penetração dos modismos
A “pedagogia crítico-social dos conteúdos” defende que a função no campo da educação têm levado muitos educadores a descartar
social e política da escola deve ser assegurar, através do trabalho com conceitos e propostas, vinculados muitas vezes ao ideário crítico, em
conhecimentos sistematizado, a inserção nas escolas, com qualidade, favor de uma suposta eficiência técnica. Acreditamos, como nos
das classes populares garantindo as condições para uma efetiva lembra Gimeno Sacristan (2001, p. 11) que: Procurando, então,
participação nas lutas sociais. problematizar o óbvio, propomos começar nossa discussão pelos
Esta tendência prioriza, na sua concepção pedagógica, o termos que compõem o conceito de “Projeto Político-Pedagógico” e
domínio dos conteúdos científicos, a prática de métodos de estudo, a nos perguntarmos:
construção de habilidades e raciocínio científico, como modo de formar • O que nos diz a palavra “projeto”?

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APOSTILA DE DIDÁTICA

• Qual sua relação com a dimensão política e com a • Como possibilitará a apropriação dos saberes cultural e
pedagógica? historicamente construídos, por seus alunos? • Que espaços
• O que há de político no PPP? E de pedagógico? participativos criará?
Compreender o caráter político e pedagógico do PPP nos leva a • Como estimulará, apoiará e efetivará a participação do coletivo
considerar dois outros aspectos: da escola?
Na construção do PPP, Veiga (2003) parte do princípio de que a
1) A função social da educação e da escola em uma sociedade cada inovação emancipatória não pode ser confundida com reforma,
vez mais excludente, compreendendo que a educação, como invenção ou mudança; ela se constitui, de fato, em processos de
campo de mediações sociais, define-se sempre por seu caráter ruptura com aquilo que está instituído, cristalizado. A inovação
intencional e político. Pode, assim, contraditoriamente, tanto emancipatória é resultante da reflexão sobre a realidade da escola,
reforçar, manter, reproduzir formas de dominação e de exclusão tomando-se sempre como referência as articulações entre essa
como constituir-se em espaço emancipatório, de construção de um “realidade da escola” e o contexto social mais amplo. Baseia-se em
novo projeto social, que atenda às necessidades da grande processos dialógicos e não impositivos, na comunicação e na
maioria da população argumentação, e não na imposição de idéias, valorizando os diferentes
2) A necessária organicidade entre o PPP e os anseios da tipos de saberes.
comunidade escolar, implicando a efetiva participação de todos em Sob essa ótica, o projeto é um meio de engajamento coletivo
todos os seus momentos (elaboração, implementação, para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar
acompanhamento, avaliação). Dessa perspectiva, o projeto se soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho
expressa como uma totalidade (presente-futuro), englobando todas pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de pertença,
as dimensões da vida escolar; não se reduz a uma somatória de mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns
planos ou de sugestões, não é transposição ou cópia de projetos definindo o norte das ações a serem desencadeadas, fortalecer a
elaborados em outras realidades escolares; não é documento construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a
“esquecido em gavetas”. ação coletiva produza seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275).
É esse compromisso do PPP com os interesses reais e coletivos Numa perspectiva emancipatória, o PPP apresenta as
da escola que materializa seu caráter político e pedagógico, posto que seguintes características:
essas duas dimensões são indissociáveis, como destaca Saviani  É um movimento de luta em prol da democracia da escola;
(1983, p. 93), ao afirmar que a “dimensão política se cumpre na  Não esconde as dificuldades, os pessimismos da realidade
medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente educacional, mas não se deixa imobilizar por estes,
pedagógica”. Assim, é na ação pedagógica da escola que se torna procurando assumir novos compromissos em direção a um
possível a efetivação de práticas sociais emancipatórias, da formação futuro melhor orienta a reflexão e ação da escola.
de um sujeito social crítico, solidário, compromissado, criativo,  Está voltado para a inclusão: observa diversidade de alunos,
participativo. É nessa ação que se cumpre, se realiza, a suas origens culturais, suas necessidades e expectativas
intencionalidade orientadora do projeto construído. educacionais.
Compreender essa dialética entre o político e o pedagógico  Por ser coletivo e integrador, é necessário, para sua
torna-se imprescindível para que o PPP não se torne um documento elaboração, execução e avaliação, o estabelecimento de um
pleno de intenções e vazio de ações; de pouco adianta declarar que a clima de diálogo, de cooperação, de negociação,
finalidade da escola é “formar um sujeito crítico, criativo, participativo”, assegurando-se o direito de as pessoas intervirem e se
ou anunciar sua vinculação às teorias críticas se, nas suas práticas comprometerem na tomada de decisões de todos os
pedagógicas cotidianas, perduram estruturas de poder autoritárias, aspectos que afetam a vida da escola (VEIGA, 2003).
currículos engessados, experiências culturais empobrecidas. Ao  Há vínculo muito estreito entre autonomia escolar e PPP.
contrário, é desvelando essas condições, afirmando seu caráter  Sua legitimidade reside no grau e tipo de participação de
político, que a escola, por meio de seu Projeto Político-Pedagógico, todos os envolvidos com o ambiente educativo; supõe
pode mobilizar forças para mudanças qualitativas. É nessa perspectiva continuidade de ações apresenta uma unicidade entre a
que fazem sentido problematizações como: Problematizações dessa dimensão técnica e política; preocupa-se com trabalho
natureza possibilitam dois movimentos: por um lado, conhecer, pedagógico, porém não deixa de articulá-lo com o contexto
explicitar e discutir concepções e valores nem sempre revelados, mas social (articulação da escola com a família e comunidade).
sempre presentes como orientações imiscuídas em nossas práticas
cotidianas e, por outro, reconstruir essas concepções, reorientar A educação pública é, ao mesmo tempo, condição e resultado
ações, a partir do desvelamento das contradições que estão em suas das sociedades modernas; e acesso ao conhecimento não é apenas
origens. Se mudanças, inovações, transformações são possibilidades condição para a autonomia e participação efetiva dos sujeitos, mas
que o PPP da escola traz consigo, elas não se realizam de modo também condição para sua própria constituição como tal. Os sujeitos
“automático”; é preciso “educar as consciências”, como nos diz são dotados de infinitas possibilidades, cabendo à educação propiciar
Vazquez (1977), posto que nem toda inovação tem caráter as melhores condições para seu desenvolvimento; auxiliar em sua
emancipatório. Discutindo essa relação – PPP e inovação, Veiga inserção no mundo, capacitando-os para bem intervir, para participar
(2003), apoiando-se nas contribuições de Boaventura Santos, faz uma ativamente na vida produtiva e social, dando-lhes condições de
interessante distinção entre “inovação regulatória” e “inovação intercâmbios sócio-culturais, de compreender o mundo em que vivem
emancipatória”. em condições de respeito e dignidade e o PPP deve dar cabo a todas
• Qual a finalidade da escola? essas instâncias, sem perder de vista o caráter principal de sua
• Que sujeitos, cidadãos queremos formar? existência, que é a democracia.
• Que sociedade queremos construir?
• Que conhecimentos, saberes a escola irá trabalhar?

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 EXERCÍCIOS 04. As tendências pedagógicas podem ser divididas também em


críticas e não críticas. Da perspectiva de Saviani (1987), as críticas
01. As teorias pedagógicas estão intimamente relacionadas às
compreendem a educação como algo determinado socialmente.
concepções de homem e sociedade, portanto modificam-se
conforme o contexto histórico em que se apresentam. A respeito Desse modo, marque a opção que não se refere a uma tendência
do pensamento pedagógico brasileiro, assinale a alternativa pedagógica crítica.
correta. a) Pedagogia da escola libertadora
a) Na tendência tradicional, os conteúdos são privilegiados, o b) Pedagogia da escola libertária
professor é detentor do conhecimento, e as relações c) Pedagogia da escola crítico-social dos conteúdos
pedagógicas são horizontais.
b) Na tendência libertadora, os conteúdos são trabalhados de d) Pedagogia da escola tecnicista.
forma sistematizada, o professor mantém uma relação e) Nenhuma das opções anteriores.
próxima ao aluno, que por ser analfabeto, é um ser passivo.
c) Na tendência escolanovista, há uma centralização nos 05. É a pedagogia que sustenta a ideia de que a escola tem por
conteúdos, de as relações entre professor e aluno são função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis
marcadas pelo diálogo de pelo afeto.
sociais, de acordo com aptidões individuais, por isso os indivíduos
d) A tendência libertária é marcada pela biopsicologização dos
alunos, que são considerados em suas particularidades de precisam aprender a se adaptar aos valores e às normas vigentes
origem. na sociedade de classes por meio do desenvolvimento da cultura
e) A tendência crítico-social dos conteúdos percebe o aluno individual. Trata-se da pedagogia
como sujeito ativo em seu processo de conhecimento e a) Libertadora.
trabalha os conteúdos relacionando-os ao contexto. b) Liberal.
02. Assinale a opção correta acerca da concepção progressista c) Libertária.
libertária. d) Progressista.
a) A relação entre professor e aluno ocorre de forma horizontal, o e) Iluminista.
que possibilita o desenvolvimento, no aluno, da consciência
da realidade em que vive com vistas à busca da 06. O trabalho docente que relaciona a prática vivida pelos alunos com
transformação social.
os conteúdos propostos pelo professor, momento em que se dá a
b) Segundo essa concepção, cujo principal representante foi
Celestin Freinet, a estratégia pedagógica deve ser não ruptura em relação à experiência pouco elaborada, deve ser
diretiva, ou seja, o professor é orientador e os alunos são classificado, segundo as tendências pedagógicas, como tendência
livres. a) Progressista libertadora.
c) A proposta pedagógica da escola de Summerhill, idealizada b) Liberal tecnicista.
por Alexander Neill, que propôs utilizar a escola para construir c) Progressista libertária.
um mundo melhor, fundamenta-se nessa concepção.
d) A principal representante dessa concepção foi Maria d) Liberal tradicional.
Montessori, para quem o professor era um auxiliador no e) Crítico-social dos conteúdos.
desenvolvimento livre da criança.
e) A exposição e demonstração verbal da matéria e a utilização 07. O termo “aprender a aprender”, inicialmente vinculado a aspectos
de modelos são as principais estratégias pedagógicas dessa como o deslocamento do eixo do processo educativo do lógico
concepção.
para o psicológico, de conteúdos para métodos, em que o papel do
03. Maria da Graça Nicoletti Mizukami, no livro Ensino: a abordagem professor deixa de ser o daquele que ensina para transformar
do processo, publicado no ano de 1986, apresenta cinco naquele que auxilia a aprendizagem e o foco está em aprender a
concepções/abordagens a respeito do processo de ensino- estudar, a buscar conhecimentos. Segundo Saviani (2008)
aprendizagem. A respeito desse tema, assinale a alternativa “aprender a aprender significa adquirir a capacidade de buscar
incorreta. conhecimentos por si mesmo, de se adaptar a uma sociedade que
a) Na abordagem comportamentalista, os elementos mínimos a
serem considerados num processo de ensino são: o aluno, era entendida como um organismo em que cada indivíduo tinha
um objetivo de aprendizagem e um plano para alcançar o um lugar e cumpria um papel determinado em benefício de todo o
objetivo proposto. Aprendizagem será garantida pelo corpo social”. No curso das ideias pedagógicas, o termo “aprender
programa estabelecido. a aprender” ganha hoje ainda um novo sentido voltado para a
b) Na concepção cognitivista, o ensino é baseado no ensaio e necessidade constante de atualização e habilidade de adaptação
erro, na pesquisa, na investigação, na solução de problemas
com o objetivo de aumentar as chances de empregabilidade do
por parte do aluno e não na aprendizagem de fórmulas,
nomenclaturas, definições etc. sujeito. Essa ressignificação do termo “aprender a aprender” pode
c) Na abordagem tradicional, a ênfase é dada às situações de ser classificada como
sala de aula, onde os alunos são instruídos, ensinados pelo a) Tecnicismo
professor. b) Neoconstrutivismo
d) Na abordagem sociocultural, a atitude básica a ser c) Neoescolanovismo
desenvolvida é a de confiança e de respeito ao aluno.
e) Na abordagem humanista, o conteúdo advém das próprias d) Neotecnicismo
experiências do aluno, o professor não ensina; apenas cria e) Escolanovismo
condições para que os alunos aprendam.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

08. Os teóricos da pedagogia histórico-crítica afirmam que a dialética é II. O PPP é um caminho que resulta do envolvimento dos seus
a essência dessa proposta didática. Acerca desse tema, assinale a participantes e da compreensão sobre a necessidade de
alternativa correta. construir uma escola a partir de novas perspectivas.
a) Nessa concepção didática, há um entendimento idealista da III. O Projeto Político-Pedagógico resulta da construção diária e
dialética, que se resume no ato de transformar as questões da ampliação da participação de todos no processo.
sociais em diálogo, no qual todos têm espaço para expor suas IV. A estruturação do Projeto Político-Pedagógico apresenta
ideias, sem haver uma reordenação teórica destas. perspectivas para a melhoria do trabalho educativo.
b) Não é possível a emancipação do sujeito sem que ele se V. A estruturação do Projeto Político-Pedagógico segue um
aproprie de conhecimentos historicamente construídos e padrão rígido de desenvolvimento, devendo evoluir, conforme
sistematizados socialmente, tendo como ponto de partida e as regras impostas pela direção da escola.
de chegada a prática social vivida pelo educando, respeitando
as três fases do método dialético prática, teoria e prática. Estão corretas apenas as afirmativas:
c) A ideia de práxis, defendia pelos marxistas, não se aplica aqui a) I, II e V.
pelo fato de transformar a educação em um ato político. Essa b) I, II, IV e V.
concepção está mais preocupada com as questões histórico- c) II, III e IV.
críticas que com as políticas. d) I, II e V.
d) Essa concepção defende a emancipação do educando por e) I, II, III e IV.
meio da retrospectiva histórico-crítica. Por isso, tem como
13. Ao adotar a avaliação mediadora, presente no PPP, construído
fundamento psicológico as teorias de aprendizagem focadas
coletivamente, o professor Marcos passou a estudar estratégias
no estímulo e na resposta. para operacionalização da mesma, por compreender que favorece
e) A emancipação do sujeito ocorre de diferentes formas: a ao aluno:
educação é importante instrumento; mas, sem ela, é possível a) O senso comum, fundamental função da escola pública.
se apropriar dos conhecimentos historicamente construídos e b) Informações generalistas sobre o rendimento de cada aluno e
socialmente sistematizados. a homogeneização da turma.
c) O alcance de um saber competente e a aproximação com os
09. Determinada abordagem pedagógica que se fundamenta no conceitos científicos.
positivismo e defende a tese de que a ação pedagógica deve ser d) A uniformidade na aprendizagem da turma e a facilidade no
balizada nos princípios da racionalidade, da eficiência, da eficácia ensino por garantir a promoção automática.
e da produtividade é a abordagem e) A classificação e distribuição dos alunos em turmas
a) Tecnicista. homogêneas contribuindo para a evolução dos mais
b) Progressista. capacitados.
c) Tradicional ou estática.
d) Dialética. 14. A professora Eliane busca desenvolver a avaliação mediadora,
e) Histórico-cultural. definida coletivamente no PPP escolar, ouvindo todas as
perguntas dos alunos, fazendo-lhes novas e desafiadoras
10. Considere o seguinte texto: “uma forma intermediária de questões “implicantes”, na busca de alternativas para uma ação
castigo, entre o físico e o moral, era deixar o aluno em pé, durante voltada para a autonomia moral e intelectual dos mesmos.
a aula, enquanto os colegas permaneciam sentados. Nesse caso, Autonomia, no sentido de ser capaz de se situar consciente e
era castigado fisicamente, pela posição, e moralmente, pelo fato competentemente na rede dos diversos pontos de vista e conflitos
de tornar-se visível a todos os colegas sua fragilidade. Era a presentes numa sociedade. Nesse sentido, a professora deve
exposição pública do erro”. (Cipriano Luckesi) O controle de objetivar:
disciplina, descrito por Luckesi, faz referência a procedimentos a) A formação integral dos alunos e a contribuição na construção
adotados na de uma escola de qualidade para todos.
a) Escola Tradicional. b) Que o ensino de qualidade seja oferecido para quem
b) Pedagógica Tecnicista. demonstra interesse e para isso ela necessita priorizar o
c) Escola Nova. desenvolvimento de aptidões e valores.
d) Pedagogia Anarquista. c) O fortalecimento de uma escola inclusiva, no sentido de
e) Escola Libertária. priorizar a participação dos alunos deficientes.
d) Atender especialmente os alunos que ainda não sabem e
11. Em uma escola que se propõe, por meio de seu PPP, a transferir os que já sabem para turmas, nivelando-os.
desenvolver uma postura inclusiva, seus professores orientam e) O desenvolvimento de atitudes e valores desejáveis que
suas práticas no sentido de: garantem a transformação da sociedade brasileira.
a) Separar os alunos que têm necessidades dos demais.
15. A falta de coerência entre o discurso e a prática é um dos fatores
b) Ensinar a todos os alunos da mesma forma e com os mesmos
que promove o fracasso do trabalho escolar, relativo à formação
recursos.
de valores. Nesse sentido, é fundamental:
c) Estabelecer propostas de trabalhos diversificadas, a) Um discurso desvinculado da prática que circule no interior da
considerando as necessidades de cada aluno. escola e favoreça que o proclamado torne-se real.
d) Realizar a avaliação sob um mesmo parâmetro. b) A utopia que garante o sucesso escolar de crianças e jovens
das classes mais favorecidas da população.
12. Projeto Político-Pedagógico representa a proposta de organização c) O discurso e a repetição frequente no cotidiano escolar que
do trabalho educativo definido por ações intencionais não é possível uma aprendizagem bem sucedida para os
estabelecidas coletivamente. Partindo deste princípio, analise as alunos de baixo poder aquisitivo.
afirmativas a seguir: d) A dicotomia teoria e prática na formação de valores.
I. A estruturação do Projeto Político-Pedagógico estabelece e) O exemplo, demonstrado na ação docente, conforme os
uma trajetória que não pode ser imposta. princípios postos na LDB 9.394/96 e no PPP da escola.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

BIBLIOGRAFIA PARA ESSE CAPÍTULO: Anotações


ARANHA, Maria Lucia De Arruda. História da Educação.- 2. ed. rev. e
atual.-São Paulo: Moderna, 1996.
BARRETO, Maribel Oliveira. A escola 1, 2, 3: Um caminho lúdico para
o ensino-aprendizagem. Dissertação (Mestrado em Educação) -
Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Bahia,1999.
FAVERO, Maria de L. de Almeida. Universidade e Utopia Curricular:
Subsídios e Utopia Curricular In: ALVES, Nilda (Org). Formação de
professores pensar e fazer. São Paulo: Cortez,1992, p. 53-71.
GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artes
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GASPARIN, João Luiz. Uma Didática para a Pedagogia Histórico-
Crítica. 2ª ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.
GIMENO SACRISTAN, J. A educação obrigatória: seu sentido
educativo e social. Porto Alegre: Artmed, 2001.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública: a
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______. Inovações e projeto-pedagógico: uma relação regulatória ou
emancipatória? Caderno Cedes, v. 23, nº 61, Campinas, Dez, 2003.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 A DIDÁTICA E O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM Por isso, a escola mostra-se tão inoperante, defasada, incapaz
de acompanhar as novas exigências da sociedade. O professor não foi
Podemos conceituar Didática sob duas perspectivas: preparado durante sua formação para refletir sobre a sua própria
- Um saber, um ramo do conhecimento e, portanto, uma ciência prática à luz dos resultados obtidos, nem sobre o processo de
com seu próprio objeto. aprendizagem dos alunos (ALONSO, 1999). Ele necessita realmente
- Uma disciplina dos cursos de formação de professores. refletir sobre sua prática, que inclui a preocupação com o aluno mais
Ela é uma disciplina integradora que faz a ligação entre a teoria e a
do que com o conhecimento a ser ensinado, com as reações frente a
prática. Ordena e estrutura teorias e práticas em função do ensino. Um
professor que pretende realizar com sucesso o seu trabalho, vendo esses conhecimentos, com os seus objetivos de ensino e
acontecer justamente o objetivo do ensino, que é proporcionar a aprendizagem e estar consciente do seu papel.
aprendizagem ao seu aluno, certamente não dispensará o conhecimento Os assuntos postos nos currículos escolares devem ser alvo de
de toda a teoria que dá suporte ao fazer pedagógico consciente. descoberta do sentido daquilo que foi considerado importante num
A Didática tem seu corpo teórico fundamentado nas contribuições da determinado tempo, suas variações em outras épocas, estabelecer
Psicologia, da Filosofia e da Sociologia que são áreas do conhecimento relações entre o que veio antes e o que virá depois, transformando a
que lançam luz sobre a complexidade da prática pedagógica. escola num espaço de trocas de informações e conhecimentos com
Os objetivos da Didática são: refletir sobre o papel sóciopolítico outras pessoas, instituições diferenciadas no país e fora dele, através
da educação, da escola e do ensino; compreender o processo de de contatos pessoais, a distância e virtuais.
ensino e suas múltiplas determinações; instrumentalizar teórica e Outro aspecto mencionado, é o papel do professor de influenciar
praticamente, o futuro professor para captar e resolver os problemas os comportamentos e atitudes dos alunos, argumentando-se que ele é
postos pela prática pedagógica; redimensionar a prática pedagógica um comunicador, um formador de opiniões, hábitos e atitudes que se
através da elaboração da proposta de ensino numa perspectiva crítica
de educação (OLIVEIRA, 1995). exteriorizam na forma como ele ensina, quer seja no restrito espaço da
sala de aula, quer num ambiente de aula virtual, locais onde a
ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DIDÁTICO: PLANEJAMENTO, definição de regras de convivência, formas de ação, atitudes e
ESTRATÉGIAS E METODOLOGIAS, AVALIAÇÃO. comportamentos afloração na interação com os alunos e entre eles.
A forma como o professor ensina, sua maneira de se relacionar
O momento histórico em que nos encontramos, nos exige outro com os alunos, sua postura como pessoa e como profissional, refletem
modo de pensar e agir, porque transmitir conhecimentos não é mais o nas reações e comportamentos dos alunos, marcando-os com
seu papel. A tendência atual dos sistemas de ensino, é admitir que a aprendizagens mais significativas do que os próprios conteúdos
qualidade de ensino está atrelada à competência do professor. Ele se trabalhados na disciplina.
vê diante de uma situação totalmente nova e, embora reconhecendo a Vale mencionar que o papel do professor é o de auxiliar na
necessidade de redimensionar o seu trabalho e buscar novas bases compreensão, utilização, aplicação e avaliação das inovações que
para o ensino, reconhece, também, que se encontra despreparado, surgem para o aluno num espaço muitas vezes que não é o escolar.
mal informado e sem condições de solucionar os problemas que estão
a surgir na sua sala de aula. Os conhecimentos encontram-se disponíveis em ambientes virtuais
Nós somos cobrados de diversas formas: pelos pais, por não acessíveis, via redes. São conhecimentos disponíveis para quem os
compreenderem exatamente o que está acontecendo e pela buscar e o professor, diante dessa situação, não será aquele que
sociedade, que o responsabiliza por todos os males sociais. Junte-se a estará passando informação, mas aquele que orientará, promoverá
esta cobrança, o fato dos baixos salários e o desprestígio social da discussão, estimulará a reflexão crítica do material colhido nas
profissão. Por outro lado, os sistemas de ensino modificam-se através diversas fontes. Esse é o verdadeiro papel do professor na atualidade.
de reformas de sua estrutura organizacional, de sua estrutura
curricular, com o propósito de se adaptar aos novos tempos, com o PLANEJAMENTO DO ENSINO
aceite do professor. Só que essas modificações pouco têm a ver com
o dia a dia da escola e do trabalho docente, tornando-se, muitas De forma resumida, podemos conceituar planejamento como um
vezes, em propostas que não saem do papel. processo que visa racionalizar qualquer atividade que se pretenda realizar.
A escola básica de hoje não é, pois, um retrocesso com relação Na educação, podemos acrescentar que esta racionalização encontra-se
à escola de ontem. É outra escola, principalmente por ser altamente
restrita à atividade escolar sem esquecer que ela reflete as influências
expandida, e suas alegadas deficiências precisam ser enfrentadas por
um esforço permanente de investigação e busca. econômicas, políticas e sociais que caracterizam a sociedade.
A única certeza é que não há certezas. O professor é o elemento É sempre bom entender que o planejamento é associativo e
chave para qualquer mudança, pois só se estiver convencido da coletivo e deve estar em sintonia e consonância com outros
necessidade de mudar é que as reformas acontecerão. A natureza do planejamentos que perpassam a escola (Vide o quadro abaixo):
trabalho educativo é única e peculiar, porque envolve diretamente o
professor e o aluno e todas as suas ações são direcionadas a uma TIPO EXECUTOR MOMENTO
relação de apoio e confiança e por isso qualquer mudança não pode ANTES DO INICIO DO
se dar a partir de decisões externas a essa realidade. REDE SISTEMA DE ENSINO
ANO ESCOLAR
Além do mais, a educação sempre esteve atrelada a modelos SEMANA
organizacionais inadequados, privando os professores de tomar ESCOLAR COMUNIDADE ESCOLAR
PEDAGÓGICA
qualquer decisão em relação aos conteúdos e formas de agir, ficando
uma separação entre o pensar e o agir da atividade docente, PROFESSORES DA
acarretando supervalorização do trabalho dos gestores e supervisores TURMA / PCA´S SEMANA
CURSO
escolares e redução do fazer didático, se restringindo a aplicar normas /COORDENADOR PEDAGÓGICA
muitas vezes com pouca clareza, como é o caso dos documentos: ESCOLAR
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Parâmetros PROFESSORES DA ÁREA BIMESTRAL
Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, Parâmetros ÁREA /PCA´S/ COORDENADOR
Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, Diretrizes Curriculares ESCOLAR
para a Educação de Jovens e Adultos e Diretrizes Curriculares DENTRO DO 1/3 DE
Nacionais para o Ensino Superior. AULA PROFESSOR
PLANEJAMENTO

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APOSTILA DE DIDÁTICA

No Brasil, nos ano 60, o planejamento passou a ser obrigatório É provável o professor ter, na sala de aula, alunos que não
nas escolas e como os professores não receberam capacitação para apresentam os conhecimentos necessários para a aprendizagem dos
tal, estruturou-se um quadro com colunas que até hoje perdura na novos conteúdos que já estão previstos. Daí, é imprescindível corrigir
maioria das escolas. É um modelo-padrão com os seguintes itens: esta situação na medida do possível, com atividades específicas, por
objetivos, conteúdos, procedimentos, recursos e avaliação. Este exemplo. De nada adiantará o professor esforçar-se por dar uma boa
modelo buscava criar uma camisa de força imposta pelo regime militar. aula, se o aluno não estiver preparado para aprender e, aqui, nós
Com o passar do tempo, em contraposição a esta concepção, acrescentamos que muitas vezes uma sala torna-se indisciplinada por
surgiram durante o processo de redemocratização do país, novas conta desses alunos que não conseguem se desenvolver a contento.
concepções de planejamento, ampliando a participação na sua Quando alguém pretende aprender e consegue, a experiência
elaboração que culminou com a implantação do Projeto Político- vivida para tal proporciona bem-estar, lhe oferece uma imagem
Pedagógico (Já debatido anteriormente) positiva de si mesmo, eleva sua autoestima e o impulsiona para novas
O planejamento de ensino também é um elemento integrador da aprendizagens. Há estudos que apontam para o fato de que existe
escola e o contexto social, e o trabalho didático consiste na definição uma relação entre a autoestima e o rendimento escolar, de maneira
dos objetivos, na organização dos conteúdos, na seleção dos que alunos que apresentam um alto nível de autoestima obtêm
procedimentos e no estabelecimento dos critérios de avaliação. melhores resultados de aprendizagem.
Ao preparar-se para entrar numa sala de aula, o professor deve O professor que tem a visão de que seu ensino pode contribuir
sempre ter em mente o que irá ministrar para aquela turma. Ele deve para um desenvolvimento integral do aluno, sua função vai além da
estar bem seguro do conteúdo que vai ser trabalhado com os alunos, introdução de saberes culturalmente organizados que privilegiem o
de que maneira vai abordar o assunto, quais os recursos de ensino desenvolvimento da capacidade cognitiva, organizando procedimentos
necessários para aquela aula, e como vai avaliar a aprendizagem. de ensino e conteúdos de aprendizagem que conduzam ao alcance o
Todo esse preparo deve estar registrado num documento que tem um maior desenvolvimento possível de todas as capacidades.
nome específico e chama-se Plano de Aula. Um Plano de Aula é um Os Parâmetros Curriculares Nacionais se configuram como um
instrumento de trabalho do professor onde, nele, o docente especifica documento oficial elaborado com a finalidade de apoiar as discussões
o que será realizado dentro da sala, buscando com isso aprimorar a pedagógicas na escola e contribuir para a atualização profissional do
sua prática pedagógica, bem como melhorar o aprendizado dos professor, em especial.
alunos. Este documento foi elaborado para os anos iniciais do Ensino
Como o trabalho do professor é intencional, o Plano de Aula Fundamental, vindo em seguida os que incorporavam o restante dos
funciona como um instrumento no qual o professor aborda de forma anos escolares. Depois surgiram os Parâmetros para o Ensino Médio e
detalhada as atividades que pretende executar dentro da sala de aula, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e só
assim como a relação dos meios que ele utilizará para realização das recentemente, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
mesmas. De maneira bem sintetizada, pode-se dizer que o Plano de de Jovens e Adultos.
Aula é uma previsão de tudo o que será feito dentro de classe em um Em todos eles os objetivos são propostos em termos de
período determinado. É importante lembrar ao professor que a sua desenvolvimento das capacidades cognitivas, físicas, afetivas, de
elaboração não o isenta de preparar as aulas a serem ministradas, relação interpessoal, de inserção social, ética e estética, visando uma
pelo contrário, ele deve sempre preparar uma boa aula, apresentando formação integral. É conveniente, pois, os professores e toda a equipe
um esquema e uma sequência lógica dos temas trabalhados. escolar definir o que se deve entender por cada um destes aspectos,
Portanto, um Plano de Aula tem como principal objetivo fazer a porque só assim poderá determinar qualquer ação que venha
distribuição dos Objetivos Específicos, do Conteúdo a ser trabalhado colaborar para a potencialização destas capacidades.
na aula, dos Procedimentos a serem efetivados tanto pelo professor Resumidamente, os Parâmetros apresentam o que seria cada
como pelos alunos, dos Recursos que deverão ser disponibilizados uma destas capacidades: a cognitiva refere-se ao uso de formas de
para ajudar na compreensão do tema e do instrumento de avaliação representação e de comunicação, envolvendo a resolução de
que será utilizado para, através dele, fornecer dados ao professor. É problemas; a física refere-se ao autoconhecimento e uso do corpo na
importante ressaltar que o Plano de Aula deve ser encarado como uma expressão das emoções, nos jogos; a afetiva refere-se às motivações,
necessidade e não como exigência ou obrigação imposta pela à autoestima, à sensibilidade e à adequação de atitudes no convívio
coordenação da escola. social; a de relação interpessoal refere-se à compreensão e
Apesar de ser uma ferramenta que descreve detalhadamente os convivência com os outros, a partir da percepção das diferenças entre
elementos necessários para o desenvolvimento do processo ensino- as pessoas; a de inserção social refere-se à percepção de perceber-se
aprendizagem, o professor não deve ficar preso a ele, mas pode se como parte de uma comunidade, de uma classe, de um grupo e
afastar do Plano de Aula sempre que os alunos tiverem necessidade. comprometer-se com questões que considere importante para a
Por exemplo, se o professor está ministrando a matéria de que estava coletividade; a ética refere-se à possibilidade de reger as próprias
planejada no Plano de Aula e sente a necessidade de fazer uma ações, através da construção interna, pessoal, de princípios
demonstração experimental para melhor fixação de conteúdo nos considerados válidos para si e para os outros; e a capacidade estética
alunos, ele pode fazer sem medo, pois mais importante é a refere-se à produção de arte e apreciação de diferentes produções
aprendizagem do que o cumprimento do Plano. artísticas.
Os estudos atuais da psicologia apontam para o entrelaçamento
ESTRATÉGIAS DE ENSINO que há nas diferentes áreas do desenvolvimento, a saber: no ser
humano a ação é influenciada pela emoção, as relações sociais
No processo de ensino e aprendizagem, é importante o influenciam a maneira de pensar, as sensações de bem-estar ou mal-
professor conhecer quem são os alunos e quais os conhecimentos estar afloram no comportamento, enfim, as capacidades estão
prévios que possuem, a fim de estabelecer o que é necessário para relacionadas, ao ponto de exigir do professor que ele saiba encontrar o
pensar num planejamento de ensino com possibilidade de ajudá-los a ponto de equilíbrio entre os diferentes tipos de capacidades. Isto vai
desenvolver suas capacidades a partir do que eles já sabem e do que refletir nas atividades de ensino e de aprendizagem realizadas na sala
eles são. de aula.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

É bem verdade que é muito complexo planejar para atender às MÉTODOS DE ENSINO
orientações dos documentos oficiais, uma vez que o peso da tradição
continua desequilibrando o que o professor pensa em fazer para Nos Parâmetros Curriculares Nacionais encontramos os
melhorar a situação atual da educação escolar. Esses documentos procedimentos de ensino como a intervenção do professor na criação
oficiais são construídos de maneira muito ampla, sem detalhamentos, de situações de aprendizagem que indicam como determinado
sendo necessário um esforço direcionado para o estudo e conteúdo poderá ser ensinado. É um momento de escolha das
compreensão do material com a ajuda de outros profissionais que técnicas de ensino mais apropriadas para envolver o aluno na
possam contribuir para a sua efetivação. construção do conhecimento. É um momento, também, de reflexão
Na construção dos objetivos de ensino, há de se analisar sobre a forma como o conteúdo deve ser tratado porque é através do
primeiramente o que dizem os objetivos gerais de cada nível de desenvolvimento da aula que os objetivos vão sendo alcançados.
escolaridade: infantil, fundamental, médio e do ensino de jovens e Se o professor pretende possibilitar ao aluno oportunidade para
adultos. Em seguida, interpretar para compreender o elenco de desenvolver a autonomia, a aula deve ser ministrada envolvendo-o
objetivos gerais propostos para cada disciplina, também de acordo para que construa seu próprio conhecimento, valorizando suas
com os citados níveis e, só depois, elaborar os objetivos gerais da experiências e conhecimentos prévios, com momentos para agir com
disciplina para o ano letivo. Só assim o professor saberá o que deve independência e com iniciativa. Para isto, o professor deve ter um
propor para o aluno desenvolver certo tipo de capacidade que se olhar amplo no sentido e contemplar o desenvolvimento da capacidade
espera como resultado da aprendizagem no cotidiano escolar. ética e afetiva, porque a autonomia em relação à aquisição do
Os documentos oficiais, mudam o foco tradicional em relação conhecimento envolve também o autorrespeito, o respeito mútuo, a
aos conteúdos que são vistos como um fim em si mesmo, para um sensibilidade, a autoestima.
meio de fazer com que os alunos desenvolvam as capacidades que Então, para aprender conteúdos procedimentais e atitudinais que
lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e levem ao desenvolvimento da autonomia, a aula tem que ser
econômicos. Nesta proposta de mudança de foco, os conteúdos planejada para este fim e os procedimentos de ensino seriam, por
ultrapassam os fatos e conceitos incluindo procedimentos e atitudes. exemplo: planejamento de uma tarefa escolar, identificação de formas
Por conteúdos conceituais entende-se o conjunto de fatos, para resolver um problema, formulação de boas perguntas e boas
objetos ou símbolos que tem características comuns e sua respostas, levantamento de hipóteses, resolução de conflitos e outros
aprendizagem necessita de compreensão. Não se pode dizer que um mais que contemplem o trabalho tanto individual, quanto coletivo.
aluno aprendeu algo se ele não sabe o significado, se ele não sabe Para acompanhar o desenvolvimento de capacidades no âmbito
utilizar o conhecimento em qualquer atividade que o requeira. da individualidade, é necessário um olhar atento para identificar
A aprendizagem de conteúdos conceituais permite atribuir aqueles que precisam ser acompanhados mais de perto, quer porque
significados aos conteúdos aprendidos e relacioná-los a outros. É uma apresentam déficit sensorial, motor ou psíquico, ou porque apresentam
aprendizagem que implica uma compreensão que vai muito além da superdotação intelectual. As diferenças não devem impedir que o
reprodução literal de enunciados. As atividades postas para o aluno professor exerça bem o seu papel, pelo contrário, é por meio delas que
desenvolvê-las devem ser complexas que provoquem um processo e se colabora para o cumprimento de um princípio constitucional que é o
construção pessoal do conceito; atividades que favoreçam o direito de todos à educação.
relacionamento dos novos conteúdos com os conhecimentos prévios. Decidir pela forma de trabalhar um conteúdo é um momento de
Por conteúdos procedimentais entende-se um conjunto de ações reflexão, de análise sobre a classe que vai receber o ensino, sobre a
ordenadas dirigidas para a realização de um objetivo. Inclui regras, sala de aula (tamanho do espaço físico, número de alunos, faixa
técnicas, métodos, destrezas, procedimentos. A aprendizagem de um etária), sobre o tema da aula, sobre o tempo da aula, enfim, é um
procedimento implica na realização das ações que formam esse momento decisivo para incrementar aquilo que foi previsto nos
procedimento. Assim, aprende-se fazendo. E exercitando este fazer objetivos.
para o domínio competente. Mas não é suficiente a repetição do Quando a decisão recai sobre o aspecto de crescimento social,
exercício. Faz-se necessário uma reflexão sobre a própria atividade não se pode deixar de trabalhar em grupo para que haja oportunidade
para que se tome consciência da atuação de maneira a realizá-la com de falar, de dialogar, de ouvir o outro, de compreender, de explicar. É
as melhores condições de uso. Por fim, a aplicação em contextos aqui que aflora o aspecto afetivo, o grau de aceitação ou de rejeição, a
diferenciados do conteúdo procedimental vai favorecer a sua utilização competitividade, tudo isto interfere na produção do trabalho.
em qualquer ocasião. Por fim, os procedimentos de ensino vão ajudar, ou não, a
Por conteúdos atitudinais entende-se uma série de conteúdos construção do conhecimento, qualquer que seja a situação em que a
que permeiam todo o conhecimento escolar, pois agrupa valores, aula for ministrada. O professor planejará com antecedência, levando
atitudes e normas. Os valores são princípios que permitem as pessoas em consideração que não importa o tema da aula em si, mas a ligação
emitir um juízo sobre o comportamento, como a solidariedade, o do que se aprende ao que já se sabe e para que serve. Tudo isto
respeito, a responsabilidade etc. As atitudes são tendências para se voltado para aquele que é o foco principal do processo educacional: o
comportar de determinada maneira, como cooperação em um trabalho aluno.
de grupo, ajuda aos colegas, respeito ao meio ambiente etc. As Os recursos de ensino são os meios que o professor utiliza como
normas são padrões de comportamento que são seguidos em suporte para a transmissão de informações, para propor atividades e
determinadas situações que obrigam a fazer ou deixar de fazer algo. para a construção do conhecimento. Quando o professor dá uma aula
Aprende-se uma atitude quando o aluno pensa, sente e atua de forma expositiva, os recursos de ensino são aqueles materiais que
mais ou menos constante diante do objeto a quem dirige essa atitude. contribuem para a explicação, para a demonstração, para a
Ensinar e aprender atitudes requer um posicionamento claro experimentação, para a incorporação da aprendizagem de conteúdos
(NOVAMENTE) partindo dos objetivos do Projeto Político Pedagógico conceituais. Os recursos não podem se limitar ao livro didático, mas
da escola. cadernos de exercícios convencionais ou eletrônicos, textos extraídos
de outras fontes, imagens, blocos de anotações, computador. Com
estes recursos os alunos terão a oportunidade de estabelecer
relações, de ampliar a percepção sobre o conteúdo aprendido.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

O texto escrito dá essa condição, mas ele não é suficiente para consulta, porque para a construção do conhecimento ele não é
promover a atividade mental para a compreensão dos conceitos. O suficiente. Há necessidade de outros recursos, que ofereçam
professor deve provocar a consulta fora do livro didático adotado, a atividades apropriadas para elaboração de conceitos e a utilização de
pesquisa em outras fontes, e usar imagens em movimento, atividades conteúdos procedimentais de diferentes naturezas, como observação,
de laboratório, tudo isto associado com diálogos e debates para o trabalho em equipe etc.
facilitar a compreensão além estimular a participação de todos os Outro recurso que, se bem utilizado, é um suporte para as aulas
alunos. expositivas: é a projeção de imagens através de retroprojetor, data
Para aprendizagem de conteúdos procedimentais, por exigir a show ou qualquer outro equipamento que possibilite os
exercitação concreta do objeto de estudo, haja vista que há esclarecimentos que as palavras não conseguem comunicar. Sua
necessidade da repetição de ações ordenadas para que a utilização motiva os alunos, mas não os fazem aprender se há muitas
aprendizagem seja assegurada, os recursos devem ser bem informações e não são apresentadas de forma pausada, quer as
adequados para cumprir perfeitamente a sua função. imagens sejam de esquemas, mapas conceituais, gráficos, tabelas ou
O material impresso e o virtual são úteis na medida em que de acidentes geográficos, corpo humano, meio ambiente etc.
informam, explicam, demonstram, mas não capacitam à realização da Quanto ao uso de filmes e gravações de vídeo, cd, dvd ou outro,
atividade proposta. Isto quer dizer que não se aprende a pesquisar que são recursos também auxiliares como fonte de informação, não
apenas memorizando todos os passos de uma pesquisa, assim como podem fazer o papel de professor substituto, porque o contato
não se aprender a redigir um texto conhecendo as regras gramaticais professor-aluno, assim como aluno-aluno, é um forte aliado no
da língua portuguesa. processo de ensino e de aprendizagem porquanto, durante a projeção,
Ressaltamos que a aprendizagem de conteúdos procedimentais haverá necessidade de paradas em momentos para explicações
é a junção do conhecimento de seu uso com a realização das complementares, para estabelecimento de diálogo e indicação de
atividades, que quanto mais analíticas, exigirão também atividades aspectos relevantes.
mais complexas, contextualizadoras, com situações em que o aluno Modernamente, a informática como recurso de ensino tem
terá que avaliar a pertinência do uso dos procedimentos e traçar atendido aos ritmos e às características individuais dos alunos, além
formas próprias de utilização. Por isso, um único recurso de ensino de possibilitar o diálogo entre programa e aluno. É um recurso que
não favorecerá a aprendizagem desse tipo de conteúdo, mas vai ser a pode substituir ou completar atividades de exercícios sequenciados,
sua variedade que possibilitará a construção do conhecimento com a melhorá-los e ainda fazer autocorreção. No entanto, não podemos
motivação, com o envolvimento e com o fazer próprio necessários ao deixar de lembrar que a aprendizagem exige um contexto de
seu completo domínio. afetividade e isto só se consegue plenamente com contatos pessoais.
Com relação à aprendizagem de conteúdos atitudinais, por ser E, por fim, os avanços tecnológicos permitiram a combinação da
um campo com determinadas características, e pela complexidade de informática e do vídeo com os armazenadores de dados, que abrem
sua concretização por envolver disposições para adquiri-los, os muitas possibilidades, além de ser um valioso suporte para a complexa
recursos podem ser utilizados na aprendizagem de conceitos. Mas não tarefa de ensinar. Através da virtualidade, também, se aprende de fato,
bastam para fazer o aluno se dispor a comportar-se adequadamente, desde que o professor possa acompanhar o andamento do estudo e
amoldado a certos valores. da construção do conhecimento de forma mais frequente possível.
O que os recursos de ensino podem colaborar é na motivação
para a discussão e os debates advindos de uma situação ou um AVALIAÇÕES DE ENSINO
comportamento conflitante. É preciso que haja uma ação vigilante por
parte do professor em propor atividades nas suas aulas que envolvam Encontramos vários conceitos de avaliação na literatura
os valores que ele ou a escola querem transmitir. especializada desde o seu aparecimento ocupando o centro do
Os recursos de ensino são apenas meios auxiliares para a processo de ensino até os dias atuais quando ela passa a ser o
facilitação da construção do conhecimento. No surgimento da escola, acompanhamento do processo de aprendizagem, deixando de apoiar-
encontramos o livro didático como o único recurso para informar ao se em provas, quer escritas ou orais, para apoiar-se em desafios
aluno sobre conteúdos de qualquer área do conhecimento até uns propostos pelo professor durante a aula. O conceito vigente é o de
cinquenta anos atrás, quando era exigido dele que apenas os Luckesi (1986), que diz ser uma apreciação qualitativa sobre dados
memorizasse. Com o passar do tempo, com a introdução de relevantes do processo de ensino e de aprendizagem que auxilia o
conteúdos que exigiam interpretações mais adequadas a sua professor a tomar decisões sobre o seu trabalho.
compreensão, colocou os livros didáticos numa situação precária por Também é a concepção que se encontra nos Parâmetros
não favorecer a construção do conhecimento abordando o porquê dos Curriculares Nacionais: uma avaliação contínua que se apresenta em
fatos, as relações que se estabelecem entre eles, as razões que os todas as oportunidades e que espera que cada aluno possa perceber
explicam e o usufruto dos seus benefícios na vida de cada um. que pode progredir independente de progressos conquistados pelos
Mesmo com a tentativa de adequação à nova proposta de como colegas. Esta perspectiva da avaliação induz o professor a que,
ensinar usando menos a aula expositiva, oferecendo fórmulas prontas sistematicamente, durante todo o processo esteja coletando dados
e mais aulas com fórmulas que promovam e desencadeiem processos sobre o progresso do aluno e não após a conclusão de etapas
em que o aluno possa por si só aprender, os livros didáticos mensais ou bimestrais, como o é de costume. Assim,
procuraram adequar-se a esse novo modelo de prática escolar, e progressivamente, faz-se ajuste (chamado indevidamente de
passam a oferecer livros que pretendem dirigir o processo construtivo recuperação) do que ainda não foi alcançado, contribuindo para que o
do aluno combinando textos explicativos com as propostas de ato educativo tenha sucesso através da aprendizagem plena.
atividades. Surgiram, então, os livros descartáveis, que por serem tão
criticados pelos pais, deram origem aos cadernos de exercícios Vale ressaltar que quando olhamos para o cotidiano escolar,
descartáveis, como forma de superar o problema da sua reutilização devemos entender a existência de dois tipos de avaliações:
pelos outros filhos. INTERNAS e EXTERNAS.
Enfim, o livro didático é um recurso de ensino que contém os
conhecimentos que resumidos ou ampliados serve como material de

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 A Avaliação Interna praticada pelo Professor em sala de aula com ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes é, ao lado
o intuito de verificar a aprendizagem dos seus alunos, podendo, da análise dos cursos e das instituições, um dos meios de avaliação
por este motivo, ser muitas vezes definida como Avaliação da da qualidade da educação superior no Brasil. Criado em 2004, o
Aprendizagem. Vale salientar que esta concorre também para a Enade substituiu o Exame Nacional de Cursos (também conhecido
definição dos tempos pedagógicos necessários para organizar os como Provão).
conteúdos a serem trabalhados em cada etapa de ensino, sendo
seus resultados utilizados como uma forma de promoção do Portanto, o sistema avaliativo apropriado para um novo conceito
estudante. de escola e de aprendizagem, requer uma avaliação significativa e
centrada na aprendizagem que respeita a individualidade do aluno. Ela
 As avaliações externas permitem o diagnóstico, o monitoramento
deverá aparecer desde o momento da sondagem, do diagnóstico,
do sistema educacional, e também, podem subsidiar o trabalho quando instrumentalizará o professor com dados iniciais para que
dos profissionais da educação, tornando-se mais uma ferramenta possa planejar as aulas de forma adequada. Este é o momento do
para o acompanhamento e melhoria do processo ensino- levantamento dos conhecimentos prévios em termos de conteúdos
aprendizagem, uma vez que são aplicadas de modo a mensurar o para estruturar sua programação e deverá acontecer durante todo o
conhecimento dos alunos, estabelecendo uma comparação entre o ano letivo sempre que for iniciar conteúdo novo. A avaliação inicial é
desempenho esperado e o apresentado, por este motivo, um elemento que direciona a ação didática.
denominada também de Avaliação de Desempenho. Durante o decorrer do processo, mediante o acompanhamento
É sempre bom estarmos ligados nas avaliações, do tipo do avanço e da qualidade da aprendizagem alcançada no final de
externas, que perpassam a educação brasileira. cada etapa, seja esta determinada pelo fim de um bimestre ou de um
ano, ou mesmo no final de um conteúdo ministrado, coloca a avaliação
Índice de desenvolvimento da educação básica – IDEB: O Ideb foi contínua como um mecanismo que irá subsidiar a avaliação final,
criado INEP em 2007, em uma escala de zero a dez. Sintetiza dois indicando passo a passo o que o aluno já aprendeu, impedindo que
conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: ele prossiga sem que lacunas sejam preenchidas a tempo.
aprovação e média de desempenho dos estudantes em língua De acordo com os Parâmetros, é salutar usar uma diversidade
portuguesa e matemática. O indicador é calculado a partir dos dados de instrumentos e situações para avaliar as diferentes capacidades e
sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e das médias de conteúdos de aprendizagem curriculares, através de diferentes
desempenho nas avaliações do Inep, o Saeb e a Prova Brasil. códigos como o oral, o escrito, o gráfico, o numérico, através de
Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB: composto por desenhos, em situações distintas: pela observação sistemática cujo
três processos: acompanhamento é registrado criteriosamente, pela análise das
1. Avaliação Nacional da Educação Básica – A Aneb é realizada por produções (e não reproduções) dos alunos, e pelas atividades
amostragem das Redes de Ensino, em cada unidade da específicas para a avaliação, deixando claro para eles o que pretende
avaliar, pois só assim ficarão atentos para vencer as dificuldades que
Federação e tem foco nas gestões dos sistemas educacionais. Por
porventura surjam no decorrer da aprendizagem daquele conteúdo a
manter as mesmas características, a Aneb recebe o nome do
ser cobrado.
Saeb em suas divulgações.
2. Avaliação Nacional do Rendimento Escolar – A Anresc é mais A SALA DE AULA COMO ESPAÇO DE APRENDIZAGEM E INTERAÇÃO.
extensa e detalhada que a Aneb e tem foco em cada unidade
escolar. Por seu caráter universal, recebe o nome de Prova Brasil O conhecimento resulta de uma motivação dos seres humanos
em suas divulgações. para explicar o mundo e a si mesmos, bem como para responder aos
3. Avaliação Nacional de Alfabetização – ANA. Esta avaliação, é desafios que o ambiente lhes propõe. Desde que nascemos temos por
aplicada anualmente, com caráter censitário e avalia a qualidade, característica universal o desejo de conhecer, de explicar o que é
equidade e eficiência do ciclo de alfabetização das redes públicas. percebido. Foi esse desejo que impulsionou, e continua a impulsionar,
as grandes descobertas da humanidade, as belas produções
Prova Brasil – O público-alvo do sistema de avaliação são os artísticas, literárias e os avanços da ciência e da tecnologia.
estudantes dos quinto e nono anos do ensino fundamental das escolas Antes mesmo de ter acesso a conhecimentos considerados
públicas, urbanas e rurais, e do terceiro ano do ensino médio. O oficiais ou formais, cada um de nós cria, pela própria experiência
sistema também coleta informações amostrais de escolas concreta, explicações para os fenômenos naturais, sociais e culturais.
particulares. A Prova Brasil oferece resultados por escola, município, Nossas teorias particulares são, inclusive, a porta de acesso a outros
Unidade da Federação e país que são utilizados no cálculo do Ideb. A novos conhecimentos.
avaliação diagnostica os rendimentos para os componentes Sendo assim, cada aluno é um sujeito repleto de saberes.
curriculares de Português e Matemática. Saberes particulares, diversos, nascidos da interação com o meio
físico, familiar, da experiência com o trabalho, do fazer e dos papéis
Provinha Brasil – Avaliação diagnóstica do nível de alfabetização das sociais que cada um de nós desempenha em cada fase da vida.
crianças matriculadas no segundo ano de escolarização das escolas Visto dessa forma, entendemos o conhecimento como resultado
públicas brasileiras. Essa avaliação acontece em duas etapas, uma no de uma interação entre o sujeito e o meio externo: aprendemos com as
início e a outra ao término do ano letivo. A aplicação em períodos pessoas com as quais convivemos, com o que fazemos e com o que
acontece ao nosso redor. Trata-se de um constante ir e vir da
distintos possibilita aos professores e gestores educacionais a
informação externa com os conhecimentos de que já dispomos.
realização de um diagnóstico mais preciso que permite conhecer o que
O(a) aluno(a) chega à sala de aula repleto de teorias,
foi agregado na aprendizagem das crianças, em termos de habilidades explicações e hipóteses. Sua família, a comunidade onde vive, seu
de leitura dentro do período avaliado. trabalho e sua religiosidade permitiram-lhe construir um sem-número
de saberes. Cabe ao(à) professor(a) descobrir qual é esse corpo de
ENEM – Exame nacional do Ensino médio, a partir de 2017, torna-se conhecimentos, feito de pura experiência e percepção, para a partir
exclusivamente propedêutico (apenas para aferir os conteúdos básicos dele convidar seus alunos a acederem outras formas de pensar,
e necessários para promoção a outro nível de escolaridade) para explicar, fazer e agir. Essa visão de conhecimento pressupõe, então,
entrada no SISU. um aprendiz ativo e pensante, capaz de elaborar conhecimentos.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Transformar a sala de aula num espaço de reflexão, de Dentre as concepções de ensino encontradas pela pedagogia ao
pensamento, nem sempre é uma tarefa fácil. Numa sociedade tão longo da atividade de ensinar pelo homem, destacam-se três: na
hierarquizada como a brasileira, nossos alunos e alunas, geralmente, primeira, o ensino é concebido como aquilo que vem de fora para
desenvolvem as ocupações mais subalternas, nas quais o que mais se dentro, através da ação dos professores no ato de transmitir o
tem a fazer é obedecer a uma série de chefes, patrões, conhecimento; na segunda, o ensino é concebido como aquilo que
gerentes...Treinados a seguir orientações, não é de estranhar que ao vem de dentro para fora, o que se manifestaria pela ajuda do professor
chegarem à escola desejem encontrar atividades em que predominem a em aflorar as ideias que os alunos já possuíam a respeito do conteúdo
cópia, a repetição do que disse o(a) professor(a) e outras situações do a ser aprendido; e na terceira, o ensino é concebido como uma
mesmo tipo. Pensar e tomar decisões é bem diferente e dá muito trabalho, construção de instrumentos para conhecer e a possibilidade do aluno,
principalmente para quem tem pouco exercício dessa prática. Entretanto, reagindo às perturbações do meio ou as suas inquietações internas,
como queremos formar cidadãos críticos e atuantes, não podemos
assimilar o que foi ensinado.
esquecer que, provavelmente, a escola é o único espaço na vida desses
Nos dias atuais, considera-se o ensino como uma prática social
alunos onde a prática de pensar de forma organizada tem lugar.
Os jovens caracterizam-se como um grupo heterogêneo, do ponto específica que se dá de uma forma intencional, sistemática e
de vista da faixa etária, da cultura, da visão de mundo e dos organizada. Seria, pois, uma ação que se desenvolve na escola a
conhecimentos prévios. A imersão, por vezes precoce, no mundo do partir da definição de objetivos, da organização dos conteúdos já pré-
trabalho e a experiência social fizeram com que esses alunos estabelecidos, da opção por uma forma de ministrar estes conteúdos,
acumulassem uma bagagem rica e diversa de conhecimentos e formas de auxiliada por materiais adequados e da proposição de uma avaliação,
atuar no mundo em que vivem. A escola representa para eles um espaço tanto do ensino como da aprendizagem.
ao mesmo tempo de recolocação social, de sociabilidade, de formalização Esta concepção de ensino leva-nos a ver o professor como
do saber e de desenvolvimento pessoal. Nesse sentido, os alunos diferem, aquele que, através da mediação do ato de ensinar, proporciona a
em muitos aspectos, das crianças, e isto deve ser sempre considerado. seus alunos a oportunidade de olhar ao seu redor e verificar que a
Esses alunos precisam ver na escola um espaço que atenda suas possibilidade de compreender a realidade e intervir sobre ela,
necessidades como pessoas, cidadãos e aprendizes em potencial. De sua modificando-a se necessário.
parte, vão para as salas de aula ávidos por aprender. Acrescentamos, aqui, que o ensino se caracteriza como uma
A escola é o lugar especialmente estruturado para potencializar ação vinculada à aprendizagem e não uma mera transmissão de
a aprendizagem dos alunos. A escola, poderíamos afirmar, é o cenário conhecimentos, mas a criação de possibilidades de sua produção ou
no qual alunos e professores, juntos, vão construindo uma história que de sua construção. O professor aprende no processo de ensinar, mas
modifica, amplia, transforma e interfere em diferentes âmbitos: o da é um aprendizado diferente daquele realizado pelo aluno porque há
pessoa, o da comunidade na qual está inserida e o da sociedade, uma especificidade no seu trabalho. E é para este trabalho que a
numa perspectiva mais ampla. Didática surge como elemento para subsidiar e contribuir com a prática
No lugar de um espaço fechado, com muros altos e portões pedagógica do professor. Ela é a disciplina que ordena e estrutura
trancados, defendemos uma escola com muros transponíveis, de teorias e práticas em função do ensino.
portas abertas tanto à cultura popular quanto à cultura erudita. Os Hoje, o processo de ensino requer do professor um olhar
horários e a rigidez da grade curricular são, muitas vezes, obstáculos à
abrangente na busca de compreender a complexidade do mundo
permanência do(a) aluno(a) jovem e adulto na escola.
atual, com suas demandas, impulsionando-o a procurar em outras
Assim, torna-se necessário que a escola proponha uma forma de
áreas do conhecimento, a saber, das ciências da educação, o suporte
organização adequada ao seu público. É preciso repensar horários de
entrada e saída, os tipos de tarefas extraescolares, as exigências em para atualizar o diálogo com o fazer pedagógico cotidiano. É nesta
torno da frequência, as propostas feitas que não conseguem manter perspectiva que surge a necessidade de pensar criticamente os
os alunos motivados e atuantes, de tal modo que estar na escola a conteúdos, métodos e avaliação para ensinar bem, conectado com
despeito do cansaço, do adiamento de outros compromissos e da outras práticas sociais para melhor colaborar na formação dos alunos.
ausência na família seja realmente importante e indispensável. Tanto o ato de ensinar quanto o de aprender, exige que o
Defendemos, nesse sentido, uma escola voltada, de fato, para seus professor seja flexível em termos de espaço, de tempo, de forma de
alunos, no conteúdo e na forma em que se propõe a ensinar. ministrar a aula, de selecionar os conteúdos, de usar mais
procedimentos que envolvam a participação ativa dos alunos.
A DIDÁTICA COMO FUNDAMENTO EPISTEMOLÓGICO DO FAZER Qualquer que seja a compreensão que se tem do que seja o
DOCENTE. ensino, a Didática dá suporte possível para a organização de
processos de ensino eficientes de maneira a favorecer a
Epistemologia significa ciência, conhecimento, estudo científico aprendizagem.
que trata dos problemas relacionados com a crença e o conhecimento, Ser professor nos dias atuais implica na ampliação da visão do
sua natureza e limitações. Como principal, mas não único, objeto de papel que representa no desenvolvimento dos alunos, partindo da
estudo da Didática, o ensino categoriza-se como um dos mais compreensão do que seja o objetivo do ensino. Para tanto, requer do
complexos, por conta das infraestruturas e supraestruturas que o profissional uma atualização permanente na área das ciências em
tangenciam. educação, da tecnologia, da psicologia, do currículo, dos conteúdos
Se você, já é professor, certamente tem uma visão pessoal que leciona e uma reflexão sobre a sua prática pedagógica. Está
sobre o que é ensinar, para que ensinar, como ensinar e o que vendo, caro aluno, que ser professor não é fazer seu trabalho de
ensinar, não é verdade? Sua prática pedagógica reflete justamente o qualquer jeito?
que você pensa disso. E você, graduado ou graduando que ainda não Ao se considerar o ensino dentro do processo educacional como
atua em sala, também tem uma visão pessoal peculiar de quem não se
uma prática social específica, ele pode ocorrer de maneira informal e
envolve diretamente com a profissão. É uma visão distorcida? Não! É
espontânea ou pode ocorrer de maneira formal, sistemática,
uma visão de quem ainda não teve oportunidade de pensar sobre o
fazer pedagógico, que tem uma teoria com aportes históricos, intencional e organizada. Para tanto, o professor ao exercer a
filosóficos, sociológicos e psicológicos capazes de subsidiar o futuro atividade de ensino não pode desvinculá-lo da aprendizagem, pois ela
professor, dando-lhe respostas para todos os desafios postos no seu é a única resposta ao seu trabalho didático pedagógico.
caminhar.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

As teorias modernas da aprendizagem dizem que aprender não  QUESTÕES


é conseguir se lembrar dos ensinamentos transmitidos em sala de
aula, mas é dispor de esquemas de pensamento que permitam 16. Analise as seguintes afirmativas concernentes ao planejamento e
resolver problemas quando percebidos num encontro com a realidade, à organização do ensino.
considerando o saber que os alunos já possuem e procurando articulá- I. O planejamento do ensino centrado em aulas expositivas
lo a novos saberes e práticas. potencializa a criação de estratégias que favorecem a
A ação de ensinar, pois, é intencional e a intencionalidade está interação dos alunos com os objetos do conhecimento (os
presente no conhecimento prévio que o professor deve ter dos seus tópicos do currículo).
alunos. É bem verdade que o professor terá que dedicar mais tempo II. Para exercer seu papel de mediador entre o livro didático e os
para executar atividades antes e depois da aula, a fim de garantir que alunos, o professor deve realizar uma avaliação crítica do livro
seja atingido o objetivo a que ele se propôs. e definir o ritmo e as maneiras de seu uso segundo os
O primeiro passo a ser dado pelo professor na sua atividade de conhecimentos prévios de seus alunos e suas possibilidades
ensino, é estabelecer objetivos cujo alcance ultrapasse a carga horária cognitivas.
da disciplina, pois a formação do aluno não termina com a última prova III. Um planejamento pedagógico cuidadoso deve começar pela
do ano e, sim, os objetivos devem favorecer a que ele tenha o desejo clarificação dos objetivos educacionais passando pela seleção
de aprender, de procurar sempre respostas para os seus anseios e das ideias importantes do conteúdo e das habilidades a serem
curiosidades. desenvolvidas.
Estes objetivos devem favorecer o desenvolvimento de
capacidades mais complexas e mais necessárias nos dias de hoje, A partir dessa análise, pode-se concluir que estão CORRETAS
como a capacidade de lidar com a informação e de resolver a) Apenas as afirmativas I e II.
problemas, de usar a criatividade, de planejar, executar e avaliar seus b) Apenas as afirmativas I e III.
propósitos, de incorporar as novas tecnologias como recurso de c) Apenas as afirmativas II e III.
aprendizagem de maneira a utilizá-las independente da influência de d) Todas as afirmativas.
alguém.
17. O trabalho pedagógico resulta:
Bibliografia para esse capítulo: a) Da relação entre os professores.
COLL, C. Aprendizagem escolar e construção do pensamento. Porto b) Exclusivamente do planejamento feito ao início de cada ano
Alegre: Artes Médicas, 1994. letivo.
LEI DE DIRETRIZES BÁSICAS DA EDUCAÇÃO NACIONAL, 1996. c) Da interação do professor com seus alunos, em sala de aula
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2008. FREIRE, P. convencional e outros espaços.
Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. d) Exclusivamente da interação do professor com a gestão da
30ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004. escola, por meio do planejamento e das reuniões pedagógicas.
MARTINS, P. L. O. A didática e as contradições da prática. São Paulo: e) Exclusivamente da interação do professor com o seu conteúdo
Papirus, 1998. programático e possibilidades metodológicas para desenvolvê-
NEVO, D. Avaliação por diálogos: uma contribuição possível para o lo.
aprimoramento escolar. In: TIANA, A. (Coord.). Anais do Seminário
Internacional de Avaliação Educacional, 1 a 3 de dezembro de 1997. 18. Sobre o planejamento escolar, NÃO podemos afirmar que
Tradução de John Stephen Morris. Brasília: Instituto Nacional de a) É processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre
Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 1998. p. 89-97. recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de
OLIVEIRA, M. R. N. S. (org.). Didática: Ruptura, compromisso e empresas, instituições, setores de trabalho, organizações
pesquisa. 2ª ed. Campinas/SP: Papirus,1995. grupais e outras atividades humanas.
OLIVEIRA, A. P. de M.A Prova Brasil como política de regulação da b) As ideias que envolvem o planejamento são amplamente
rede pública do Distrito Federal. 276 f. Dissertação (Mestrado) – discutidas nos dias atuais, assim a compreensão de conceitos
Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de Brasília, e o uso adequado dos mesmos não são complicadores para o
Brasília, 2011. exercício da prática de planejar.
VEIGA, I. P. A. Repensando a Didática. São Paulo: Papirus,1988. c) É sempre processo de reflexão, de tomada de decisão sobre a
ZABALA, A. A prática educativa: Como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, ação; processo de previsão de necessidades e racionalização
1998. de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos)
OLIVEIRA, A. P. de M.A Prova Brasil como política de regulação da disponíveis, visando à concretização de objetivos, em prazos
rede pública do Distrito Federal. 276 f. Dissertação (Mestrado) – determinados e etapas definidas, a partir dos resultados das
Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de Brasília, avaliações.
Brasília, 2011. d) Processo contínuo que se preocupa com o ―para onde ir‖ e
―quais as maneiras adequadas para chegar lá‖, tendo em
vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o
desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades
da sociedade, quanto as do indivíduo.
e) Faz parte da história do ser humano, pois o desejo de
transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação
marcante de toda pessoa.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

19. Sobre a importância do planejamento escolar, Libâneo coloca que 23. O professor utiliza estratégias de ensino para que seus alunos as
o mesmo não é algo neutro, é político, uma vez que envolve utilizem ativamente e realizem a construção do conhecimento. Em
opções e ações. Destaca as seguintes funções: síntese, estratégias de ensino é(são)
I. Explicitar princípios, diretrizes e procedimentos do trabalho a) Um reforço da aprendizagem realizada, tendo como referência o
docente. socio construtivismo.
II. Assegurar a racionalização, organização e coordenação do b) Meios para que o aprendiz escolha sua profissão.
trabalho docente evitando a improvisação e a rotina. c) Caminhos a serem seguidos pelo professor e os meios de que
III. Assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente, para ele dispõe para atingir os objetivos determinados pelo seu
que todos trabalhem da mesma forma. plano de trabalho.
IV. Facilitar a preparação das aulas indicando as ações de d) Concepções teóricas de por que e para que se aprende, na
professores e alunos e possibilitando o replanejamento do perspectiva da escola ativa.
trabalho frente a novas situações. e) Formas de impor o conhecimento didático-pedagógico do
professor, demonstrando sua competência para ensinar
Estão corretos apenas os itens: conhecimentos prontos e acabados.
a) I, III e IV.
b) II, III e IV. 24. Para avaliar o processo ensino-aprendizagem, o professor utiliza
c) I, II e IV. diversas estratégias. Na sequência abaixo, existe uma alternativa
d) I, II e III. que não se configura como uma estratégia de avaliação.
Identifique-a.
20. Para que o professor possa atingir efetivamente os objetivos, é a) Registro de pesquisas.
necessário que realize um conjunto de operações didáticas b) Postura quanto ao conteúdo curricular.
coordenadas entre si, ou seja, o planejamento, a direção do ensino c) Relatos orais e escritos.
e da aprendizagem e a avaliação (LIBÂNEO, 1994). No que diz d) Provas individuais.
respeito ao planejamento escolar, o professor deve: e) Autoavaliação do aluno e do professor.
a) As alternativas B, C, D, E se encontram corretas;
b) Possuir conhecimento das características sociais, culturais e 25. A proposta de avaliação escolar, convencionalmente e
individuais dos alunos, bem como o nível de preparo escolar secularmente concretizada em nossas escolas, tem sido alvo de
em que se encontram; muitas críticas, pois:
c) Conhecer os vários métodos de ensino e procedimentos I. Cumpre funções pedagógico-didáticas e de diagnóstico em
didáticos, a fim de poder escolhê-los conforme os temas a relação às quais recorre a instrumentos de verificação e
serem tratados, características dos alunos, etc.; acompanhamento do rendimento escolar.
d) Compreender as relações entre a educação escolar e os II. Alimentou-se de instrumentos avaliativos preocupados apenas
objetivos sociopolíticos e pedagógicos, ligando-os aos em atribuir notas e classificar estudantes.
objetivos de ensino; III. Objetiva uma função prioritariamente burocrática, em que fixa
e) Prever atividades didáticas em termos da sua organização e critérios de desempenho dos estudantes, isentos de fatores
coordenação em face aos objetivos propostos, quanto a sua externos e internos de aprendizagem.
revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. IV. É visualizada apenas como medida e diagnóstico do
quantitativo de saber do estudante.
21. O Processo de ensino-aprendizagem compreende, EXCETO:
a) A organização do ambiente educativo, a motivação dos Está (ao) correta (s):
participantes. a) III.
b) A definição do plano de formação. b) II, III e IV.
c) Um conjunto de ações e estratégias que o sujeito/educando, c) I, II e III.
considerado apenas o individual de cada um. d) II e III.
d) O desenvolvimento das atividades de aprendizagem e a e) III e IV.
avaliação do processo e do produto.
26. A didática, como área de estudo da Pedagogia, tem como objeto
22. A concepção de avaliação que um professor tem determina a nuclear:
escolha dos instrumentos e procedimentos utilizados no processo a) O como ensinar, prática isenta de valores e projetos político-
avaliativo. Uma avaliação de caráter democrático se caracteriza sociais.
por atividades e estratégias de ensino que respeita a participação b) Ensinar como ensinar, numa perspectiva meramente técnica.
do estudante, sua cultura e a realidade sociocultural. Uma c) Ensinar por meio de regras a como dar aula.
estratégia de ensino relacionada a esse perfil pode ser assim d) O ensino em situação, compreendido como uma prática
descrita: educativa intencional, estruturada e dirigida a outros.
a) Ênfase na aplicação de testes escritos, de natureza objetiva e e) O ensino em situação, compreendido como uma prática
extensa, a fim de testar os conhecimentos dos estudantes e educativa sem objetivos, dirigida a outros.
classifica-los segundo o desempenho apresentado.
b) Realização de exames orais e individuais a fim de medir e 27. São considerados elementos essenciais no trabalho dos conteúdos
comparar o grau de expressividade e de memorização do escolares com os alunos, tendo a função de mediar às relações
conteúdo trabalhado em sala de aula. didáticas que ocorrem na sala de aula:
c) Sequência de atividades estruturadas, repetidas, com níveis de a) Sistema de Avaliação;
dificuldades progressivos e com ênfase na memorização. b) Recursos Didáticos;
d) Atividades de auto avaliação pelo aluno, com atribuição de c) Processo Ensino-Aprendizagem;
notas a aspectos do seu próprio desempenho. d) Aulas de Campo;
e) Sucessiva aplicação de exercícios individuais sobre o mesmo e) Aulas Teóricas e Práticas.
assunto a fim de garantir a fixação do conteúdo estudado.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

28. Sobre a Didática e Democratização do Ensino, NÃO podemos Anotações


afirmar que
a) A participação ativa na vida social é o objetivo da escola pública
e o ensino é colocado como ações indispensáveis para ocorrer
à instrução.
b) A escola pública deve assegurar a transmissão e assimilação
dos conhecimentos e habilidades.
c) O primeiro compromisso da atividade profissional de ser
professor (o trabalho docente) é certamente de preparar os
alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na
família, no trabalho e na vida cultural e política.
d) As práticas educativas é que verdadeiramente podem
determinar as ações da escola e seu comprometimento social
com a transformação social.
e) O magistério não é um ato político porque se realiza no contexto
das relações sociais delimitadas no âmbito restrito da sala de
aula e da escola.

29. A categoria didática “conteúdos” sofreu um desdobramento no


contexto da teoria construtivista, isto é, além dos conteúdos
conceituais e dos factuais, outros tipos passaram a ser
considerados conteúdos, para o planejamento de ensino: os
procedimentais e os atitudinais. Os chamados procedimentais
dizem respeito:
a) Às habilidades cognitivas, psicomotoras e socioafetiva
objetivadas no planejamento.
b) Aos procedimentos do professor para desempenhar seu
trabalho didático-pedagógico.
c) Aos procedimentos administrativos necessários à transmissão
dos conteúdos planejados.
d) Aos procedimentos necessários para o aluno matricular-se e
passar a frequentar a escola.

30. Sobre o objeto da Didática e sua importância na formação do


docente, marque o item incorreto:
a) A Didática é uma disciplina que estuda o processo de ensino no
seu conjunto, no qual os objetivos, conteúdos, métodos e
formas organizativas de aula se relacionam entre si de modo a
criar condições de garantir aos alunos uma aprendizagem
significativa;
b) A Didática ajuda o professor na direção e orientação das tarefas
do ensino e aprendizagem, fornecendo-lhe segurança
profissional;
c) A Didática trata dos objetivos, condições e meios de realização
do processo de ensino, ligando meios pedagógicos-didáticos a
objetivos sociopolíticos;
d) A Didática tem como objeto de estudo somente o ensino, os
métodos e os conteúdos são assimilados, desconsiderando o
cognitismo dos educandos;
e) A Didática tem como objeto de estudo o processo de ensino e
aprendizagem, especificamente os nexos e relações entre o
ato de ensinar e o ato de aprender.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 PRINCIPAIS TEORIAS DA APRENDIZAGEM. Segundo Moura, Azevedo e Mehlecke (2006), o inatismo opõe-
se à experimentação por considerar que o indivíduo ao nascer já traz
Nos próximos tópicos (que também compreenderá as bases determinadas as condições do conhecimento e da aprendizagem que
empíricas, metodológicas e epistemológicas das diversas teorias se manifestarão ou imediatamente, ou progressivamente durante o
da aprendizagem) apresentaremos alguns pontos interessantes sobre processo de seu desenvolvimento biológico. Assim, toda a atividade
a questão da aprendizagem e o processo de aprender, procurando de conhecimento passa a ser exclusiva do sujeito que aprende, sem
introduzir os conceitos e teorias que serão discutidos ao longo do participação do meio.
certame. São muitas as questões em torno da aprendizagem e muitas Podemos classificar como teorias inatistas da aprendizagem, por
são também as dificuldades encontradas pelos profissionais dessa exemplo, as que falam sobre a aquisição da linguagem, como a
área. proposta por Chomsky. É o que costumamos chamar de aprendizagem
A cada dia vemos surgir novas hipóteses e novos conceitos que de dentro para fora.
procuram explicar por que aprendemos de determinada maneira ou
mesmo de que maneira funciona o cérebro de quem aprende mais e Principais Características:
de quem aprende menos. Mas, quais devem ser as preocupações de  Assegura que as capacidades básicas do ser humano são inatas.
um professor em relação à aprendizagem de seus alunos? O que um  Enfatiza fatores maturacionais e hereditários como definidores da
professor deve saber para poder conduzir sua disciplina de maneira a constituição do ser humano e do processo de conhecimento
facilitar a compreensão de todos? Para chegar a essas discussões, (biologismo).
precisamos primeiro passear pelo universo das teorias. Quais são  Considera que o desenvolvimento (biológico, maturativo) é pré-
elas? E de que maneira auxiliam os profissionais da Educação? Mais requisito para a aprendizagem.
ainda: o que vem a ser aprendizagem? Como ela ocorre?  A educação em nada contribui para esse desenvolvimento, já que
É bom lembrarmos que para cada teórico ou conjunto de teorias, tudo está determinado biologicamente segundo a programação
a aprendizagem é definida de uma maneira diferente e a explicação genética.
sobre como ela ocorre também se diferencia. Portanto, não devemos  Confia nas práticas educacionais espontaneistas, pouco
nos expressar de forma a validar uma e negar a outra, ou seja, não desafiadoras: primeiro esperar para depois fazer.
devemos dizer que uma está certa e outra errada. O que ocorre é que  Assevera que o desempenho das crianças na escola não é
todas têm validade, pois lançam um olhar sobre maneiras específicas responsabilidade do sistema educacional: as capacidades básicas
de aprender. para aprender não se criam, ou seja, se nasce com elas e elas é
Por exemplo, vocês já aprenderam alguma coisa memorizando? que permitem aprender.
Já foram capazes de aprender a partir da experimentação do objeto
(experiência)? Notam alguma habilidade maior em alguma matéria ou TEORIAS AMBIENTALISTAS
atividade? Costumam aprender mais facilmente quando ensinados a
partir de conhecimentos que vocês já possuem? Pois então, todos Já as teorias ambientalistas levam em consideração o meio no
vocês já foram apresentados a algumas das principais teorias da qual a criança está inserida. O ambiente passa a ser o grande
aprendizagem e todas elas trouxeram contribuições para a vida de responsável pelo que a criança aprende. Para esse conjunto de
aprendiz de vocês. teorias, a criança aparece como uma folha em branco, na qual serão
Além disso, as respostas sobre a aprendizagem geralmente são inscritos hábitos, comportamentos e demais aprendizagens a partir do
procuradas na infância. Isto ocorre justamente porque podemos meio no qual a criança está inserida. Nesse caso, a aprendizagem
considerar que o cérebro ainda está em desenvolvimento e que, é a efetua-se de fora para dentro. É o caso, por exemplo, da teoria
partir do nascimento que a criança vai sendo apresentada ao mundo, comportamentalista ou behaviorista da aprendizagem, que considera a
fazendo uso de seus sentidos para explorá-lo, internalizando nomes, aprendizagem um processo relativo às respostas que o indivíduo dá
cores, sensações, sentimentos, percepções, gostos, cheiros, fazendo aos estímulos gerados pelo meio.
associações entre as informações que recebe. Tanto no caso das teorias inatistas quanto no caso das
A arrumação ou disposição dessas informações recebidas pela ambientalistas, não se fala em interação entre o dentro e o fora, ou
criança é chamada de aprendizagem, mas o que intriga a todos nós e seja, entre a criança e suas estruturas internas e o meio no qual ela
aos especialistas é justamente de que maneira essa “arrumação” vai está inserida. Essa relação passa a ser encontrada no conjunto de
sendo feita e o que leva a criança a associar uma informação a outra. teorias conhecido como interacionistas, da qual fazem parte as teorias
construtivistas, que têm como principal teórico Jean Piaget.
INATISMO, COMPORTAMENTALISMO, BEHAVIORISMO, Principais características
INTERACIONISMO, COGNITIVISMO.  Atribui ao ambiente à constituição das características humanas.
 Privilegia a experiência como fonte de conhecimento e de
TEORIAS INATISTAS
formação de hábitos de comportamento (empirismo). Diz que as
características individuais são determinadas por fatores externos
Voltando às teorias, iniciemos pelo primeiro grande conjunto de
ao indivíduo e não necessariamente pelas condições biológicas.
teorias que tentou explicar a aprendizagem, as teorias inatistas. Para
 Suas práticas pedagógicas estão baseadas no assistencialismo,
começar: vocês sabem o que significa a palavra inato? De acordo com
conservadorismo, direcionismo, tecnicismo: o ensino bom,
Ferreira (1986, p. 929), significa [aquilo] “que nasce com o indivíduo;
aprendizagem boa.
congênito; conato; que pertence à natureza de um ser”. Assim, as
teorias inatistas são aquelas que acreditam na existência de idéias ou  A escola é supervalorizada já que o aluno é um receptáculo vazio,
princípios, independente da experiência, ou seja, para tal corrente uma “tábula rasa”:deve aprender o que se lhe ensina.
teórica, a aprendizagem independe daquilo que é vivido pelo sujeito,  Há predominância da palavra do professor, regras e transmissão
independe de suas experiências no mundo, estando a aprendizagem verbal do conhecimento, o professor é o centro do processo de
relacionada à capacidade congênita do sujeito de desempenhar as ensino-aprendizagem: o professor um ente ativo... o aluno um ente
tarefas que lhes são propostas. passivo.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

TEORIAS INTERACIONISTAS No entanto, para que este fosse compreendido, Skinner fez uma
distinção entre dois tipos de comportamento: o “reflexo” e o “operante”.
As teorias interacionistas percebem a aprendizagem como um O comportamento reflexo é o tipo de resposta não voluntária do
processo de inter-relação entre o sujeito e o objeto. Segundo este organismo a um estímulo do ambiente como, por exemplo, o arrepio
conjunto de teorias, é a partir da ação do sujeito sobre o objeto, ou da pele ao ser atingida por um ar frio. Nesse caso, ar frio seria um
melhor, da interação do sujeito e do objeto que o aprendiz extrai “estímulo incondicionado” que ocasiona o “comportamento reflexo”.
daquilo que quer conhecer as informações necessárias para seu uso, Por outro lado, temos determinados estímulos do ambiente que atuam
caracterizando um tipo de aprendizagem ativa. É por isso que como reforçadores de um tipo de comportamento operante e estes são
incluímos nesse conjunto de teorias o construtivismo, pois além de ver responsáveis pelas nossas ações; sendo assim, agimos e operamos
a aprendizagem como um processo de interação entre o sujeito e o sobre o mundo em função das respostas (consequências) que nossas
objeto, também considera o aprendiz um sujeito ativo, construtor (daí a ações criam.
origem do termo construtivismo) de seu próprio conhecimento. A preocupação dos estudos skinnerianos centra-se nesse tipo de
Principais características condicionamento. Conforme Keller (apud MOREIRA, 1999, p. 33) O
 Parte de que o biológico e o social interagem (unidade dialética), comportamento operante “inclui todos os movimentos de um
sendo que o biológico (cérebro principalmente) constitui a base da organismo dos quais se possa dizer que, em algum momento, têm um
aprendizagem social. efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor.
 Considera o interno (biológico e psicológico) em interação com o O comportamento opera sobre o mundo, por assim dizer, quer
externo (meio, ambiente natural e social). direta, quer indiretamente”. A partir desse viés, Skinner desenvolveu o
 Defende o desenvolvimento da complexa estrutura humana como conceito de reforço, relacionando ao comportamento. Podemos
um processo de apropriação pelo homem da experiência histórica distinguir dois tipos de reforço – o “positivo” e o “negativo” – que têm
e cultural. em comum a manutenção de um determinado comportamento. A
 Assegura que nessa interação o homem transforma seu meio e é diferença está no fato do reforço positivo fortalecer um comportamento
transformado nas suas relações culturais. Valoriza o papel da que ocasiona um estímulo agradável e, no caso do reforço negativo,
escola, em particular, e da sociedade, em geral, do ponto de vista um comportamento é instalado com o intuito de evitar um estímulo
individual (para o desenvolvimento pessoal) e do ponto de vista desagradável.
social (para o desenvolvimento da própria sociedade). Contrapondo-se ao reforço positivo e negativo, Skinner também
 Assegura que a aprendizagem se produz pela interação do sujeito trabalhou com um condicionamento operante que pudesse extinguir
que aprende (mediado) e do sujeito que ensina (mediador), porém, um tipo de 100 comportamento. Essa experiência foi desenvolvida a
quem aprende auto constrói seu próprio conhecimento. partir da “ausência” de um reforço, por ser este o mantenedor de uma
determinada resposta. Todavia será nos conceitos de “generalização”
TEORIAS COMPORTAMENTALISTA e “discriminação” que a Teoria do Reforço de Skinner será
compreendida como uma Teoria da Aprendizagem.
A abordagem comportamentalista analisa o processo de A generalização é a capacidade de darmos respostas
aprendizagem, desconsiderando os aspectos internos que ocorrem na semelhantes a situações semelhantes. Já a discriminação consiste na
mente do agente social, centrando-se no comportamento observável. capacidade de percebemos diferenças entre estímulos, dando
Essa abordagem teve como grande precursor o norte-americano John respostas diferentes a cada um deles. No caso da aprendizagem
B. Watson, sendo difundida e mais conhecida pelo termo escolar, ambos os conceitos são fundamentais, pois em algumas
Behaviorismo. A grande efervescência dessa teoria se deu pelo fato situações o educando precisa generalizar, ou seja, transferir uma
de ter caracterizado o comportamento como um objeto de análise que aprendizagem a diversas situações; ou discriminar, dar uma resposta
apresentava a consistência que a Psicologia científica exigia na época específica a um determinado estímulo. A
– caráter observável e mensurável – em função da predominância Teoria Behaviorista de Skinner teve uma grande aplicabilidade
cientificista do Positivismo. Esta última sendo uma corrente de na educação, sendo consubstanciada pela “tendência tecnicista”
pensamento que triunfou soberana no século XIX, e que tinha como traduzida pelos métodos de ensino programado, o controle e
princípio fundamental à utilização do método experimental, tanto para organização das situações de aprendizagem e da tecnologia de
as Ciências da Natureza quanto para as Ciências Sociais. ensino. No Brasil, principalmente na década de 1970, a tendência
Desse modo, o Behaviorismo desenvolveu-se num contexto em tecnicista influenciou as abordagens do processo de
que a Psicologia buscava sua identidade como ciência, enfatizando o ensino/aprendizagem, a partir da inserção do conceito de uma
comportamento em sua relação com o meio. Com isso, se estabeleceu aprendizagem por condicionamento, sendo ratificada pelos novos
como unidades básicas para uma análise descritiva nesta ciência os modelos de currículo, pelas políticas educacionais que valorizavam a
conceitos de “Estímulo” e “Resposta”. A partir da definição dessa base formação técnica do educador e a inserção de recursos didáticos que
conceitual o ser humano passou a ser estudado como produto das estimulassem a aprendizagem nas escolas.
associações estabelecidas durante sua vida entre os estímulos do
meio e as respostas que são manifestadas pelo comportamento. Teorias Cognitivista
Apesar de Watson ter sido o grande precursor do Behaviorismo,
B. F. Skinner foi um dos psicólogos behavioristas que teve seus Contrapondo-se ao behaviorismo que centra a sua atenção no
estudos amplamente divulgados, inclusive no Brasil, havendo um grau comportamento humano, o cognitivismo propõe analisar a mente, o ato
de aplicabilidade muito forte na educação. de conhecer; como o homem desenvolve seu conhecimento acerca do
B. F. Skinner nasceu em Susquehanna, Estados Unidos e, em mundo, analisando os aspectos que intervém no processo
suas pesquisas, ele tinha como ponto fundamental o estudo das “estímulo/resposta”. Seguindo esse modo de compreensão Moreira
relações funcionais entre o estímulo e a resposta na modificação, (1982, p. 3) ratifica que “a psicologia cognitiva preocupa-se com o
permanência ou extinção de um comportamento. A base de sua teoria processo de compreensão, transformação, armazenamento e
está no conceito de “condicionamento operante”. utilização das informações, envolvida no plano da cognição.”

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APOSTILA DE DIDÁTICA

A cognição é o processo por meio do qual o mundo de Essa exploração e experimentação constantes que a criança faz
significados tem origem. Os significados não são entidades estáticas, sobre os objetos, no decorrer dos dois primeiros anos de vida,
mas pontos de partida para a atribuição de outras significações que proporcionam-lhe um conhecimento de mundo que a envolve: as
possibilitam a origem da estrutura cognitiva sendo as primeiras características dos objetos (os que tem gosto, os que fazem ruído, os
equivalências utilizadas como uma ponte para a aquisição de novos que se movem etc), as relações que podem ser estabelecidas entre os
significados. A abordagem cognitivista, apesar de ter surgido quase no objetos e as situações (se puxar a porta ela se abre, se pedir água a
mesmo período que o behaviorismo, teve grande efervescência nos mãe aparece etc).
anos de 1990, resgatando estudos teóricos da Psicologia Cognitiva Por meio desses processos, Piaget chama de assimilação a
como aqueles desenvolvidos por Piaget e Vigotsky. aplicação do mesmo esquema a diferentes objetos e situações e
Estes teóricos não desenvolveram propriamente uma teoria da acomodação a pequenas mudanças que a criança introduz nos
aprendizagem, mas seus estudos serviram de pressuposto para esquemas para adaptar-se a situações diferentes. Durante toda a
teóricos do campo educacional, que se apropriando desse referencial infância a atividade sobre os objetos será muito importante, até que ao
elaboraram e desenvolveram a teoria da aprendizagem denominada conseguir se comunicar pela linguagem, haverá uma variação no tipo
de Construtivismo. Com sua transposição para o contexto das práticas de atividade que a criança fará para conhecer o mundo: ela passará a
escolares, esta teoria, já foi equivocadamente, concebida por alguns fazer operações mentais não visíveis, utilizando a linguagem como
(mas) professores e professoras como método de ensino. instrumento de pensamento.
Atualmente, outro mito que gira em seu entorno está associado A acomodação, no sentido formulado por Jean Piaget, pode ser
ao pensamento que a converte numa espécie de “Deusa Atenas” do entendida como um dos mecanismos da adaptação que estrutura e
ensino/aprendizagem ou o “papado da teoria pedagógica”, isto é, a impulsiona o desenvolvimento cognitivo. É o processo pelo qual os
denominação de que o Construtivismo é a teoria mais adequada ou esquemas mentais existentes modificam-se em função das
mais eficiente para o bom desenvolvimento do ensino/aprendizagem experiências e relações com o meio. É o movimento que o organismo
dentro das escolas, como bem analisa Silva (1996, p. 213). realiza para se submeter às exigências exteriores, adequando-se ao
Esse mito que paira sobre o discurso oficial pode ser confirmado meio. O outro mecanismo da adaptação é a assimilação, que consiste
por intermédio da seguinte afirmação extraída dos Parâmetros no processo mental pelo qual os dados das experiências se
Curriculares Nacionais (PCN) de 5ª a 8ª séries: incorporam aos esquemas de ação e aos esquemas operatórios
existentes, num movimento de integração do meio no organismo. O
“Os fracassos escolares decorrentes da aprendizagem, das
processo de regulação entre a assimilação e a acomodação é a
pesquisas que buscam apontar como o sujeito que conhece, das
equilibração. Em algumas atividades mentais predomina a assimilação
teorias que provocam reflexão sobre os aspectos que interferem no
(jogo simbólico) e em outras predomina a acomodação (reprodução).
ensinar e aprender, indicam que é necessário dar novo significado à
unidade entre aprendizagem e ensino, uma vez que, em última Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo do indivíduo está
instância, sem aprendizagem não há ensino. (BRASIL, 1998, p.71)”. sempre passando por equilíbrios e desequilíbrios. Isso se dá com a
mínima interferência, seja ela orgânica ou ambiental. Para que passe
O núcleo central da integração de todas estas contribuições do desequilíbrio para o equilíbrio são acionados dois mecanismos: o
refere-se ao reconhecimento da importância da atividade mental de assimilação e o de acomodação. Por exemplo, a inteligência seria
construtiva nos processos de aquisição do conhecimento (grifo nosso). uma assimilação, pois incorpora dados da experiência no indivíduo.
Daí o termo construtivismo, denominando esta convergência. (Idem). Assim, uma vez que ele assimilou intelectualmente uma nova
Procurando fugir desses equívocos teóricos e na tentativa de experiência, vai formar um novo esquema ou modificar o esquema
(des)construir a versão “religiosa” do construtivismo apresentar-se-á antes vigente. Então, na medida em que ele compreende aquele novo
na sequência dois de seus principais precursores, seus conceitos conhecimento, ele se apropria dele e se acomoda, aquilo passa a ser
fundamentais e a influência de tais conceitos na política educacional normal. Então, volta novamente ao equilíbrio. Esse período que a
brasileira nos anos de 1990, principalmente, em relação à reforma pessoa assimila e se acomoda ao novo é chamado de adaptação.
curricular promovida na década. Pode-se dizer, que dessa forma, se dá o processo de evolução do
desenvolvimento humano.
Contribuições de Piaget, Vygotsky e Wallon para a
psicologia e pedagogia. VYGOTSKY
Teoria das inteligências múltiplas de Gardner.
Outro aspecto a ser levado em consideração é que muitas vezes
PIAGET a aprendizagem se dá por imitação daquilo que as crianças veem no
seu ambiente. O psicólogo russo Lev Semenovich Vygotsky trata desta
As crianças aprendem comportamentos, hábitos e questão dando uma nova dimensão ao papel da imitação na
conhecimentos de diversas maneiras e, tanto a psicologia quanto a aprendizagem, pois não via o lado puramente mecânico da repetição,
pedagogia, explicam como esta aprendizagem se dá. São diversas mas como uma oportunidade de reconstrução daquilo que a criança
maneiras de aprender, cada uma destacada por teóricos das mais observa ao seu redor. Assim, pela imitação ela é capaz de realizar
variadas tendências. A criança inicia seu processo de conhecimento ações que ultrapassam o limite de suas capacidades.
explorando os objetos que estão ao seu alcance, quando ela atua Na educação formal, há a compreensão de que, por intermédio
sobre eles. É o que acontece com um bebê de quatro meses ao da imitação, a criança aprende, e o professor e demais profissionais
segurar com as mãos um objeto: ele aplica o esquema de ação, que que atuam em creches e pré-escolas, necessitam promover situações
no momento se limita a segurar o objeto, puxá-lo, movê-lo, levá-lo à que permitam o desencadeamento do processo de aprendizagem, sem
boca. correr o risco de propor atividades descontextualizadas, visando
De acordo com suas pesquisas, o suíço Jean Piaget explica que exclusivamente a repetição, sem sentido, de um modelo observado.
à medida que se tem experiências com os objetos, esses esquemas Para Vygotsky, a criança não se limita a responder aos estímulos, mas
serão ampliados, diversificando-se e coordenando-se até chegar a atua sobre eles, transformando-os. Por isso, ele enfatiza a importância
condutas complexas diante das coisas que são próprias das crianças da mediação de instrumentos que se interpõem entre o estímulo e a
de um ano e meio: trata-se de uma verdadeira experimentação na qual resposta.
faz uma análise do objeto, age sobre ele e tira conclusões sobre as
suas características.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Para Vygotsky, os instrumentos mediadores, inclusive os sinais, quais os objetivos mais importantes e as prioridades adaptativas da
são proporcionados pelo meio social, através da cultura. O professor criança naquela idade.
que decide atuar nessa ótica, tem que bem compreender como deve Wallon elaborou sua própria concepção de meio. Ele admitiu que
intervir pedagogicamente para não ocorrer que ele vá tomar posturas a relação homem-meio deve ser colocada, de um lado, sob a influência
diretivas, tradicionais. das relações materiais entre natureza e sociedade humana e de outro,
Ele ainda enfatiza o papel da intervenção no desenvolvimento, no contexto histórico das aquisições feitas e das mudanças que elas
cujo objetivo é trabalhar com a importância do meio cultural, e das determinam. O meio tem para este teórico um sentido diferente do que
relações entre indivíduos na definição de um percurso de tem para Piaget, pois seu conceito de meio inclui o meio físico, o meio
desenvolvimento da pessoa humana, e não propor uma pedagogia social e mais as condições materiais e o contexto histórico-social. Em
autoritária, haja vista que o educando, para o teórico, é uma receptor cada uma das diferentes etapas do desenvolvimento, o indivíduo
ativo que está sempre reconstruindo, reelaborando a partir dos dispõe de um modo particular de se relacionar com este meio e
significados que lhe são transmitidos pelo grupo social. construir o seu conhecimento.
As obras de Vygotsky incluem alguns conceitos que se tornaram A obra de Henri Wallon é perpassada pela ideia de que o
incontornáveis na área do desenvolvimento da aprendizagem. Um dos processo de aprendizagem é dialético: não é adequado postular
conceitos mais importantes é o de Zona de Desenvolvimento Proximal verdades absolutas mas, sim, revitalizar direções e possibilidades.
(ZDP), que se relaciona com a diferença entre o que a criança Wallon reconhece que o fator orgânico é a primeira condição
consegue realizar sozinha e aquilo que, embora não consiga realizar para o desenvolvimento do pensamento; ressalta, porém, a
sozinha, é capaz de aprender e fazer com a ajuda de uma pessoa importância das influências do meio. O homem, para Wallon, seria o
mais experiente (um adulto, uma criança mais velha ou com um colega resultado de influências sociais e fisiológicas, de modo que o estudo
que possui maior facilidade de aprendizado etc.). A Zona de do psiquismo não pode desconsiderar nem um nem outro aspecto do
Desenvolvimento Proximal é, portanto, tudo o que a criança pode desenvolvimento humano. Por outro lado, para Wallon as
adquirir em termos intelectuais quando lhe é dado o suporte potencialidades psicológicas dependem especialmente do contexto
educacional devido. Este conceito foi posteriormente desenvolvido por sócio-cultural.
Jerome Bruner, sendo hoje vulgarmente designado por etapa de O desenvolvimento do sistema nervoso, então, não seria
desenvolvimento. suficiente para o pleno desenvolvimento das habilidades cognitivas.
A imitação é, em geral, uma das vias fundamentais no Uma das consequências desta postura é a crítica às concepções
desenvolvimento cognitivo e cultural da criança. O próprio processo de reducionistas: Wallon propõe o estudo da pessoa completa, tanto em
imitação pressupõe uma determinada compreensão do significado da relação a seu caráter cognitivo quanto ao caráter afetivo e motor. Para
ação do outro. Neste sentido, o processo imitativo também se coloca Wallon, a cognição é importante, mas não mais importante que a
como campo possibilitador de criação de ZDP, porque a criança afetividade ou a motricidade.
poderá, por imitação, realizar ações que vão além de sua capacidade
atual. GARDNER E A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Para Vygotsky, enquanto imita, a criança apreende a atividade Você já leu alguma coisa referente à Teoria das Inteligências
do outro e realiza aprendizagem. Ela não faz uma mera cópia da ação Múltiplas? Se não, você vai conhecer uma das mais instigantes teorias
do outro, como um ato mecânico, mas se envolve na atividade sobre o ensinar e o aprender numa perspectiva de atender às
intelectualmente, o que implica representá-la e avaliar a adequação de tendências e aptidões humanas.
sua imitação. O pesquisador norte-americano Howard Gardner, autor da
Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolveu seus estudos a partir
WALLON da constatação de que existe um número desconhecido de
Médico, psicólogo, pedagogo e ativista político, Henri Wallon capacidades humanas diferenciadas, em contraste com a teoria de
construiu uma psicologia genética e uma proposta pedagógica que, Piaget, que via todo pensamento humano como lutando pelo ideal do
pelas suas características, podem ser consideradas construtivistas. pensamento científico e com a concepção de inteligência vigente, a
A obra de Wallon, contemporânea da de Piaget, aproxima-se em qual se restringia à capacidade de dar respostas breves, rapidamente,
alguns aspectos do trabalho do suíço e em outros aspectos se a problemas envolvendo o uso das habilidades lógico-matemáticas e
distancia dele de modo significativo. Ambos ofereceram grande linguísticas.
contribuição ao estudo do desenvolvimento humano, mas, para Piaget,
cujo interesse é epistemológico, o objeto de estudo é o conhecimento
e ele só abordou o desenvolvimento da criança como recurso para
atingir seu objeto de estudo, enquanto para Wallon, cujo interesse é
psicológico, o objeto de estudo é mesmo o desenvolvimento da
criança e
o aspecto mais valorizado se sua obra continua sendo seu
modelo psicogenético.
A orientação walloniana, põe em evidência a importância do
conhecimento das necessidades primordiais e das mudanças de
objeto de seus comportamentos em idades e situações diferentes. No
decorrer do desenvolvimento nota-se em cada idade a predominância
de certos comportamentos e modalidades de adaptação que
constituem a melhor forma de utilização dos meios comportamentais
naquele momento. A descoberta da atividade predominante permite
reconstituir quais as necessidades primordiais num dado momento,

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Sua concepção de inteligência se ampliou, na medida em que INTELIGÊNCIA MUSICAL


tinha uma visão pluralista da mente e definiu inteligência como a
capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são A inteligência musical é a inteligência que se manifesta na
importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. Além organização dos sons criativamente, discriminando desde cedo os
disto, Gardner se dedicou também a explorar as implicações tons, timbres e temas, independente de ter que adquirir conhecimento
educacionais da sua teoria com um trabalho voltado, não somente formal sobre música. As crianças-prodígio atestam que existe um
para o desenvolvimento de currículo e da formação dos professores, vínculo biológico a uma determinada inteligência. A área do cérebro
mas, também, para a criação de novas fórmulas de avaliação. responsável pela percepção e produção da música está localizada no
Sua pesquisa colheu dados de várias fontes: a primeira, hemisfério direito.
referente ao desenvolvimento de diferentes tipos de capacidades nas
crianças normais; a segunda, referente à informação sobre o modo INTELIGÊNCIA ESPACIAL
pelo qual estas capacidades falham sob condição de dano cerebral; e
a terceira, referente à observação de crianças prodígios, idiotas sábios A Inteligência espacial é a inteligência que se manifesta na
(aqueles que são deficientes mentais com um talento altamente capacidade de formar um modelo mental preciso de uma situação
especializado em determinada área: música, memória, espaço etc.), espacial e utilizá-lo na orientação entre objetos ou transformar as
crianças autistas e crianças com dificuldade de aprendizagem. características de um determinado espaço.
A Teoria das Inteligências Múltiplas está concentrada nas Como exemplo: os arquitetos, navegadores, pilotos, cirurgiões,
origens biológicas de cada capacidade de resolver problemas restritos engenheiros, escultores. A parte do cérebro responsável pelo
apenas à espécie humana, sem deixar de vincular o aspecto biológico processamento espacial é o hemisfério direito, pois ao ocorrer um
ao estímulo cultural nessa área. Exemplo, a capacidade de dano nas regiões posteriores da direita, provoca prejuízo na
comunicação é universal e pode manifestar-se particularmente como capacidade de encontrar o próprio caminho em torno de um lugar, de
escrita em uma cultura e como oral em outra. reconhecer rostos, ou cenas, ou observar pequenos detalhes.
Assim, Gardner estabeleceu vários critérios para que
manifestações sejam consideradas como inteligência desde que as INTELIGÊNCIA CORPORAL CINESTÉSICA
mesmas fossem levadas em consideração por todos os grupos sociais
e, além do mais, que áreas do cérebro fossem localizadas como A inteligência corporal cinestésica é a inteligência que se
responsáveis por elas. manifesta na capacidade para utilizar todo o corpo de diversas
maneiras. Cinestesia quer dizer sentido pelo qual percebem os
INTELIGÊNCIA LINGUÍSTICA movimentos musculares, o peso e a posição dos membros. Como
exemplo: atletas, dançarinos, malabaristas, atores, cirurgiões.
A inteligência linguística manifesta-se na habilidade para lidar
criativamente com as palavras, nos diferentes níveis da linguagem, INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL
tanto na forma oral como na escrita. Gardner divide a linguagem em
quatro capacidades ou operações: Inteligência interpessoal é a inteligência que se manifesta na
1°: as propriedades do som e tonalidade da linguagem; capacidade de uma pessoa dar-se bem com as outras,
2°: a gramática ou sintaxe; compreendendo-as, percebendo suas motivações ou inibições. Como
3°: os significados da palavra os aspectos lógicos e os usos exemplo: professores, terapeutas, líderes políticos, atores,
pragmáticos da linguagem; apresentadores de TV.
4°: as formas orais e escritas da linguagem. Nas crianças pequenas, isto se manifesta quando elas negociam
Como exemplo: os escritores, oradores, jornalistas, advogados, com os colegas, assumem liderança, se preocupam com os outros. A
poetas, publicitários, vendedores etc. Em crianças pequenas, isto se parte do cérebro responsável corresponde aos lobos frontais, pois um
manifesta naquelas que gostam de brincar com palavras, fazer rimas, dano nessa área pode provocar profundas mudanças de
inventar histórias. personalidade, ao mesmo tempo em que não altera outras formas de
A parte do cérebro responsável pela produção de sentenças resolução de problemas.
gramaticais, é a chamada “Centro de Broca” no hemisfério esquerdo
que, ao sofrer algum dano, pode compreender palavras e frases INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL
bastante bem, mas ter dificuldade em juntar palavras em algo além
das frases mais simples. A inteligência intrapessoal é a inteligência que se manifesta na
capacidade de fazer analogias. Significa conhecer-se e estar bem
INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMATICA consigo mesmo, administrando seus sentimentos e emoções a favor
de seus projetos. O maior exemplo são os terapeutas, pois são
A inteligência lógico-matemática é a inteligência que se capazes de refletir sobre suas emoções e depois transmiti-las para os
manifesta na habilidade para o raciocínio dedutivo, para a outros. A parte do cérebro responsável também são os lobos frontais.
compreensão de cadeias de raciocínios, para solucionar problemas Um dano na parte inferior provocará irritabilidade ou euforia, ao passo
envolvendo números. É a competência mais diretamente associada ao que um dano nas regiões mais altas produzirá indiferença,
pensamento científico. desatenção, lentidão e apatia.
Certas áreas do cérebro são mais importantes do que outras no A criança autista exemplifica bem uma pessoa com a inteligência
cálculo matemático. Há idiotas sábios que realizam grandes façanhas intrapessoal prejudicada, pois ela nunca se referirá a si própria, no
de cálculos, mesmo que continuem sendo tragicamente deficientes na entanto ela apresenta notáveis capacidades musicais, computacionais,
maioria das outras áreas. espaciais ou mecânicas.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

INTELIGÊNCIA NATURALISTA Reforçamos lembrando que as pessoas desenvolvem suas


capacidades inatas de acordo com a educação e as oportunidades
A inteligência naturalista é a inteligência que se manifesta na que encontram. Para Gardner, todos nascem com um vasto potencial
capacidade de compreender e organizar os fenômenos e padrões da de aptidões ainda não moldado pela cultura, o que só começa a
natureza. Como exemplo: arquitetos, paisagistas, designs. ocorrer por volta dos cinco anos de idade. A educação se equivoca
quando não leva em consideração os vários potenciais de cada um.
INTELIGÊNCIA PICTÓRICA Além do mais, é comum as escolas não levarem em conta as
individualidades, pelo hábito de nivelar como se todos pudessem ter o
A inteligência pictórica é a inteligência que se manifesta na mesmo nível de desenvolvimento e, portanto, passassem pelo mesmo
capacidade de reproduzir, pelo desenho, objetos e situações, quer processo de aprendizagem.
reais, quer imaginárias. Também aqui se inclui os que sabem
organizar elementos visuais de forma harmônica, estética. Como TEMAS CONTEMPORÂNEOS:
exemplo: pintores, artistas plásticos, desenhistas, ilustradores e BULLYING
chargistas.
Seja direto ou indireto, o bullying se caracteriza por três critérios:
INTELIGÊNCIA EXISTENCIAL 1. comportamento agressivo e intencionalmente nocivo;
2. comportamento repetitivo (perseguição repetida);
A inteligência existencial é a inteligência que se manifesta na 3. comportamento que se estabelece em uma relação
capacidade de refletir sobre questões fundamentais da existência, interpessoal assimétrica, caracterizada por uma dominação.
aguçada em vários segmentos diferentes da sociedade. Os Além de adotar esses três critérios, alguns pesquisadores
profissionais da área de educação ao decidirem optar pela concepção enfatizam o fato de a vítima se sentir impotente, incapaz de se
das inteligências múltiplas têm que pensar numa escola que tenha defender (Cerezo, 1997) e de perceber a si mesma como vítima (Field,
como objetivo desenvolver as inteligências e auxiliar os alunos a 1999). Outros acrescentam que a agressão ocorre sem que tenha
atingirem seus objetivos de ocupação e diversão adequadas ao seu havido uma provocação (Pereira, 2008) ou sem motivação evidente,
potencial de inteligência, haja vista que a visão pluralista da mente como se verifica na publicação da Associação Brasileira
reconhece muitas facetas da cognição. Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia,
2000: 5), que caracteriza o bullying como: todas as formas de atitudes
Reconhece, também, que as pessoas têm forças cognitivas agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação
diferenciadas e estilos de aprendizagem contrastantes, reconhece que evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s),
as crianças de diferentes idades têm necessidades diferentes, causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação
percebem as informações culturais de modo diverso e assimilam desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais
noções e conceitos a partir de diferentes estruturas motivacionais e (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características
cognitivas. essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
O trabalho docente, pois, alicerçado nos princípios da Teoria Em síntese, considerando o que é consensual nas várias
das Inteligências Múltiplas deverá se basear em que: definições, podemos reconhecer o bullying escolar nas situações em
a) nem todas as pessoas têm os mesmos interesses e as que um aluno, ou um grupo de alunos, causa intencionalmente e
mesmas habilidades, nem aprendem da mesma maneira; assim, o repetidamente danos a outro(s) com menor poder físico ou psicológico.
aluno poderá demonstrar de diversas maneiras o seu crescimento, sua Esta assimetria de poder se faz presente mesmo quando só existe na
aprendizagem, não apenas em língua e matemática, mas no seu modo percepção da vítima, que se sente incapaz de reagir à agressão.
de movimentar seu corpo seguindo uma música ou mesmo uma batida As pesquisas feitas em escolas de vários países (Portugal,
repetida de mãos, pelo modo de desenhar ou produzir uma escultura Espanha, Noruega, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Japão e
ou pela maneira de relacionar-se com os colegas; vários outros) mostram que as ações que os alunos usam no bullying
b) toda criança tem potencial para desenvolver-se escolar são bastante semelhantes, e que envolvem tanto o bullying
intensamente em uma ou várias áreas e isto pode ser observado direto (físico ou verbal) quanto o indireto.
facilitando uma interferência na escola, no desenvolvimento e o Uma modalidade mais recente do fenômeno vem se
exercício das competências, possibilitando a verificação dos resultados desenvolvendo rapidamente, acompanhando o progresso tecnológico:
da reflexão da prática pedagógica e, consequentemente, reflexão o cyberbullying, que se utiliza basicamente de telefones celulares,
sobre ela; especialmente os dotados de inúmeras funções, e de computadores
c) há necessidade de uma nova visão de avaliação escolar, ligados à Internet.
pois essa teoria abre a possibilidade do professor analisar as Meninas são filmadas ou fotografadas em cenas sexuais,
competências que o aluno tem mais desenvolvidas e refletir sobre elas meninos são provocados para brigar e são fotografados no momento
para melhorar outras nas quais o aluno tenha menos desenvolvimento, em que estão apanhando, cenas são forjadas com os recursos da
levando o professor a conhecê-lo mais ampla e profundamente, a fim informática, tudo com o objetivo de divulgá-las na Internet, de forma a
de que possa selecionar variados procedimentos de trabalho expor os colegas a situações humilhantes e vexatórias.
diferenciados para atender às especificidades da classe; A literatura apresenta poucos estudos sobre o cyberbullying. A
d) a escola deve oferecer uma educação que combine os pesquisa de Campbell (2007) com meninas mostra uma porcentagem
perfis, objetivos e interesses dos alunos a determinados currículos e expressiva de vítimas entre 11 e 15 anos, com maior incidência nos 13
determinados estilos de aprendizagem. anos.
A Teoria das Inteligências Múltiplas se configura como um Outra informação interessante desse estudo foi que metade das
avanço importante ao conseguir ultrapassar a ideia de uma inteligência estudantes também era vítima das outras modalidades de bullying,
única, fechada. Por isso, é importante o professor se aprofundar nos que não o cyber. De acordo com Campbell (2007), o cyberbullying se
fundamentos basilares desta teoria para perceber no aluno a torna mais grave por não ter limites geográficos, além de envolver o
capacidade que mais lhe sobressai. Os resultados seriam melhores, poder da palavra escrita. Nesse sentido, pode adentrar as casas,
pois a independência entre as inteligências não existe e, portanto, ao ampliando o seu raio de ação. Considera-se, ainda, o agravante de
desenvolver uma estará, em consequência, afetando as outras. sua permanência, já que é praticamente impossível sua total
eliminação.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Há um consenso sobre as consequências adversas do bullying  Formação dos profissionais da escola (diretores, coordenadores,
para as vítimas, para os agressores, como também para as professores e funcionários). Esse conhecimento é fundamental
testemunhas, embora a preocupação maior seja com os danos para direcionar as ações;
observados nas vítimas. Os problemas vão desde a queda do  Formação dos pais. O conhecimento dos pais sobre os danos e as
rendimento escolar até ao desenvolvimento de depressão e suicídio. características do bullying e dos papéis que seu filho pode
Muitas são as dificuldades imediatas; outras, em médio e longo desempenhar no bullying ajuda-os na identificação e os mobiliza
prazos. Além de poder comprometer o rendimento escolar, as vítimas para a busca de ações com vistas a soluções;
tendem a se isolar, a apresentar baixa autoestima e a se recusar a ir à  Formação dos alunos. Ressalta-se aqui a importância de não se
escola, alegando dores de cabeça, estômago ou abdominais. Em cair na armadilha dos discursos moralistas e paternalistas. Além
longo prazo, ressaltam-se dificuldades de relacionamento e sintomas dos conhecimentos específicos sobre o bullying, como os
apontados para os pais, é preciso enfatizar uma formação voltada
de depressão que podem seguir a pessoa pela vida.
para a promoção de valores que são incompatíveis com as
Para os agressores, também se coloca a questão do baixo
práticas de violência; Instituição de um canal claro e eficiente de
rendimento escolar, em função de seu distanciamento dos objetivos da fala e de escuta, que promova o relato de vítimas sobre suas
escola, e a supervalorização da violência como forma de obter poder experiências de bullying; Melhorias e diversificação dos espaços
(Fante, 2005). Ainda com referência aos agressores, vários estudos físicos;
confirmam a ideia de que é de se prever que os jovens que são  Atuação nos locais de recreio (com chuva, sem chuva) e nas
agressivos com os seus pares (os bullies) correm um risco claramente atividades extraclasse (ludoteca, informática, esportes etc.),
maior de mais tarde se envolverem em outros problemas, tais como a trabalhando as preferências dos alunos;
criminalidade, o uso de drogas ou o comportamento agressivo em  Promoção da melhoria da qualidade do ensino e das avaliações;
família. Trata-se, portanto, de um problema social grave que extravasa Promoção de atividades que exijam cooperação; Atendimento aos
o âmbito escolar e pessoal. As testemunhas do bullying que, como já alunos envolvidos em bullying, se necessário. Para os ‘alunos-
dissemos, embora não estejam diretamente envolvidas, também alvos’, é importante planejar atividades capazes de promover:
sofrem danos, especialmente pela convivência em um clima escolar elevação da autoestima, desenvolvimento da comunicação e das
em que as relações interpessoais se deterioram e em que a tensão é habilidades sociais, assertividade e comportamentos adequados
constante. ao enfrentamento da situação. Para os autores, são importantes as
Estudos recentes (Fortinos, 2006; Debarbieux, 2001) sobre o atividades que promovam controle das emoções, respeito aos
meio ou o ambiente escolar mostram a relação entre bullying e ‘clima colegas, aceitação das diferenças e dos diferentes e análise das
escolar’, de modo a descartar a possibilidade de isenção da escola no consequências dos atos de violência;
que diz respeito à participação na produção e na manutenção da  Construção partilhada do Projeto Político Pedagógico. Garantir a
violência. De acordo com Freire, Simão e Ferreira (2006), nas últimas participação de toda a comunidade escolar;
décadas, a investigação tem-se centrado cada vez mais em fatores  Construção partilhada de normas que devem reger a escola, em
ligados à escola no sentido de se compreender como é que o todos os níveis, de forma a conduzir o estabelecimento de pactos
ambiente escolar pode interferir na maior ou menor prevalência da de convivência na escola; desenvolvimento de conteúdo que trate
dos direitos das crianças e dos adolescentes para incrementar
violência dos estudantes entre si.
valores que se oponham à violência (lei n. 11.525/07).
Em muitos países, especialmente da Europa e da América do
Norte, o programa proposto por Olweus tem sido aplicado, total ou
O PAPEL DA ESCOLA,
parcialmente, ou com algumas modificações, nas escolas. Este
programa propõe ações em três níveis: no nível da escola, no nível da Ao discutirmos a função social da educação e da escola,
classe e no nível individual, e seus resultados têm sido relatados como estamos entendendo a educação no seu sentido ampliado, ou seja,
satisfatórios (Pereira, 2008). enquanto prática social que se dá nas relações sociais que os homens
A implementação de programas requer sempre a fundamentação estabelecem entre si, nas diversas instituições e movimentos sociais,
em um claro conhecimento do fenômeno no contexto escolar em que sendo, portanto, constituinte e constitutiva dessas relações.
se pretende intervir. Só assim, poderão ser focalizados os problemas O homem, no processo de transformação da natureza, instaura
reais da instituição e promovidas as estratégias mais adequadas para leis que regem a sua convivência com os demais grupos, cria
o seu enfrentamento (Freire, Simão & Ferreira, 2006), dentre as quais estruturas sociais básicas que se estabelecem e se solidificam à
se destaca a educação em direitos humanos. Tais intervenções podem medida que se vai constituindo em locus de formação humana. Nesse
ser feitas na sala de aula, no recreio, na relação da escola com os sentido, a escola, enquanto criação do homem, só se justifica e se
pais, nas relações interpessoais nos mais diversos níveis, nos legitima diante da sociedade, ao cumprir a finalidade para a qual foi
regulamentos e nas formas de divulgação e de aplicação dos mesmos criada.
e no desenvolvimento do clima social ou ethos da escola (Pereira, Assim, a escola, no desempenho de sua função social de
2008). formadora de sujeitos históricos, precisa ser um espaço de
Para se obter esse conhecimento, torna-se necessário realizar, sociabilidade que possibilite a construção e a socialização do
na escola, um levantamento diagnóstico de como o processo se conhecimento produzido, tendo em vista que esse conhecimento não é
instala e ocorre e a partir daí adotar propostas como as sugeridas dado a priori. Trata-se de conhecimento vivo e que se caracteriza
abaixo: como processo em construção. A educação, como prática social que
se desenvolve nas relações estabelecidas entre os grupos, seja na
 levantamento diagnóstico da situação de bullying na escola. Nesse
escola ou em outras esferas da vida social, se caracteriza como
levantamento, o bullying deve ser abordado em perspectiva
campo social de disputa hegemônica, disputa essa que se dá "na
contextual, que exige, inclusive, o conhecimento das perspectiva de articular as concepções, a organização dos processos
características da população atendida pela escola; e dos conteúdos educativos na escola e, Políticas e Gestão na
 Conscientização e sensibilização de toda a comunidade escolar, Educação 3 mais amplamente, nas diferentes esferas da vida social,
incluindo os pais, sobre o problema. Os dados do levantamento aos interesses de classes" (FRIGOTTO, 1999, p. 25).
diagnóstico são de grande valia para isso;

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Assim, a educação se constitui numa atividade humana e É certo que vários fatores influenciam na construção de um
histórica que se define na totalidade das relações sociais. Nessa ótica, projeto de futuro. Porém a escola, pelo fato de ser o lugar onde o
as relações sociais desenvolvidas nas diferentes esferas da vida adolescente passa grande parte do seu tempo, constitui-se como um
social, inclusive no trabalho, constituem-se em processos educativos, meio de forte influência tanto no seu desenvolvimento vocacional
assim como os processos educativos desenvolvidos na escola (Patton e McMahon, 1999), como na sua socialização e na formação
consistem em processos de trabalho, desde que este seja entendido da sua personalidade (Groisman e Kusnetzoff, 1984), aspectos que
como ação e criação humanas. contribuem de forma fundamental na construção do projeto de vida.
Contudo, na forma como se opera o modo de produção Neste sentido, Bohoslavsky concorda ao postular que: Receber a
capitalista, a sociedade não se apresenta enquanto totalidade, mas é instrumentação, a formação e o enriquecimento necessários para
compreendida a partir de diversos fatores que interagem entre si e se exercer uma ocupação produtiva dentro da comunidade, e deixar de
ocupar um papel fundamentalmente receptivo, é a função primordial –
sobrepõem de forma isolada. Nessa perspectiva, "a educação e a
nem sempre assumida – da educação sistemática (1998, p. 27).
formação humana terão como sujeito definidor as necessidades, as
Assim, mais do que um meio de reprodução social que prepara o
demandas do processo de acumulação de capital sob as diferentes estudante apenas para seguir determinados papéis, a instituição
formas históricas de sociabilidade que assumem" (FRIGOTTO, 1999, escolar tem por dever proporcionar a reflexão acerca dos papéis que o
p. 30), e não o desenvolvimento de potencialidades e a apropriação indivíduo exerce na vida e das diversas influências externas que
dos conhecimentos culturais, políticos, filosóficos, historicamente interferem na elaboração de um projeto. “Nenhum projecto é elaborado
produzidos pelos homens. Segundo Frigotto (1999), a escola é uma no vazio”, assegura Fonseca (1994, p. 58), o que significa que todo o
instituição social que, mediante sua prática no campo do mundo à volta, todo o contexto ao qual o adolesente pertence precisa
conhecimento, dos valores, atitudes e, mesmo por sua ser observado. Nas sociedades contemporâneas os jovens enfrentam
desqualificação, articula determinados interesses e desarticula outros. uma dilemática na construção de seus projetos: por um lado
Nessa contradição existente no seu interior, está a possibilidade multiplicam-se as oportunidades existentes, por outro, a
da mudança, haja vista as lutas que aí são travadas. Portanto, pensar competitividade e a concorrência entre essas oportunidades tornam-se
a função social da escola implica repensar o seu próprio papel, sua cada vez mais acirradas.
organização e os atores que a compõem. Para Petitat (1994), a escola Neste contexto, importa que os projetos sejam realistas e
contribui para a reprodução da ordem social. No entanto, ela também flexíveis. Segundo Gama (2003), realistas porque implicam
participa de sua transformação, às vezes intencionalmente. Outras maturidade, assim como o conhecimento de si e do mundo; flexíveis
vezes, as mudanças se dão, apesar da escola. Nesse contexto, o porque devem adaptar-se às mudanças, por vezes bem rápidas, que o
dirigente escolar, o professor, os pais de alunos e a comunidade em mundo de hoje impõe: Não é invulgar encontrar alunos que alimentam
geral precisam entender que a escola é um espaço contraditório e, aspirações que um bom observador externo classifica rapidamente de
portanto, se torna fundamental que ela construa seu Projeto Político- irrealistas, uma vez que são de concretização muito difícil ou se
Pedagógico. encontram acima das reais possibilidades dos jovens.
Cabe ressaltar, nessa direção, que qualquer ato pedagógico é Daí a necessidade de se construírem projectos que sejam
um ato dotado de sentido e se vincula a determinadas concepções adequados às características dos alunos, elas próprias em processo
de evolução, e às oportunidades que o meio proporciona,
(autoritárias ou democráticas), que podem estar explícitas ou não.
oportunidades estas, que os indivíduos não têm que aceitar de forma
Assim, pensar a função social da educação e da escola implica
acrítica e que podem tentar transformar (Gama, 2003, p. 41).
problematizar a escola que temos na tentativa de construirmos a
É importante que o jovem tenha em mente que há uma realidade
escola que queremos. Nesse processo, a articulação entre os diversos que envolve a emergência do projeto e que esta nem sempre levará
segmentos que compõem a escola e a criação de espaços e apenas ao prazer, pois as vontades têm limites, o que, muitas vezes,
mecanismos de participação são prerrogativas fundamentais para o pode gerar frustrações (Fonseca, 1994). Daí a importância da
exercício do jogo democrático, na construção de um processo de construção de um projeto flexível. A orientação vocacional, inserida no
gestão democrática. contexto escolar, permite a reflexão acerca das escolhas que se deve
fazer, contribuindo não só para a elaboração do projeto de vida do
A ESCOLHA DA PROFISSÃO adolescente, mas também para clarificar o sentido da escola e o valor
dos estudos. Conforme Fonseca (1994), é através da percepção clara
Quando ao adolescente é solicitado que faça uma escolha do sentido e da utilidade dos estudos e da aprendizagem escolar que
profissional, isto é, que eleja uma determinada profissão para exercer, se torna possível construir um projeto de vida. Podem colaborar neste
esta escolha não é feita isoladamente, ela é determinada por uma sentido, em âmbito escolar, tanto os professores – através da
série de fatores. Ao escolher um caminho profissional a seguir, o educação para a carreira – como os profissionais de orientação.
sujeito elege não só o que quer fazer, mas também quem ele quer ser. O movimento da educação para a carreira surge, primeiramente,
A escolha profissional está intimamente ligada ao projeto pessoal. nos Estados Unidos na década de setenta, em meio a um período de
Assim, é importante que o jovem esteja consciente de quem ele é e do recessão, devido ao forte aumento do desemprego ocorrido a partir da
que deseja para si ao elaborar o seu projeto de vida. década de sessenta. O que se apresentava era um número cada vez
O termo “projeto” vem do latim “projectare”, que significa “lançar maior de indivíduos deixando o sistema educativo sem as
à frente”, e remete a um sentido de ação, ou de um propósito de competências necessárias requeridas para adaptarem- 40 se ao
realizar algo no futuro (Rodríguez-Moreno, 2005). De acordo com mercado de trabalho e um sistema educacional não ajustado às
Guichard (1993), o projeto está inserido em uma perspectiva temporal, mudanças. Logo, formavam-se indivíduos com baixas qualificações
em que o futuro é a parte essencial. Entretanto, é a relação entre o para o mercado laboral e estudantes que não compreendiam a relação
entre aquilo que aprendiam e o que utilizariam fora da escola (Montané
passado, o presente e o futuro desejado que caracterizam o projeto.
e Martinez, 1994).
Ou seja, é através de uma releitura e reinterpretação dos fatos
Diante destas condições, uniram-se esforços para adotar
passados e das atualidades do presente que se pode determinar um modelos de intervenção a fim de solucionar a “desarmonia” existente
futuro, o futuro que o indivíduo deseja alcançar para si. entre o sistema escolar e o mundo do trabalho, bem como de resolver
a falta de motivação dos jovens em aprender e o seu
desconhecimento do mundo profissional.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

A educação para a carreira trata-se, então, de um programa que Na maioria dos casos o indivíduo tem consciência do problema
visa estimular o desenvolvimento da identidade ocupacional dos que adquiriu, por ser muito aparente, mas sofre preconceitos e
estudantes, desde o início da escolarização, através de estratégias piadinhas, o que dificulta a sua ida a um médico. É uma doença
educacionais. Segundo a definição de Hoyt (1995, citado por Pérez, perigosa e que tem atingido uma grande quantidade de pessoas, na
2005), a educação para a carreira seria o esforço total da educação maioria dos casos por falta de balanceamento na alimentação e de
pública e da comunidade em auxiliar o estudante a familiarizarse com atividades físicas.
os valores ocupacionais, implementando-os em suas vidas, de forma O paciente anoréxico tem uma distorção grave do seu corpo
que o trabalho seja significativo e satisfatório para o indivíduo. sempre se achando mais gordo do que realmente é e, por isso, para
Os principais objetivos da educação para a carreira são, de comer ou come muito pouco. Já os bulímicos não possuem uma
segundo Rodríguez e Figuera (1995), que o aluno possa: distorção tão grave da imagem corporal; gostam de comer muito, mas
I. alcançar uma consciência realista de si mesmo. não querem engordar. Dessa maneira, procuram aliviar a culpa de um
II. estar ciente das oportunidades oferecidas pelo mundo laboral. ataque compulsivo provocando vômitos ou tomando laxantes e
III. compreender o momento econômico em que vive, estando diuréticos.
preparado para as transformações aceleradas do mundo do A ortorexia é a obsessão por alimentos biologicamente puros,
trabalho e da sociedade por uma alimentação saudável, enquanto a vigorexia é a obsessão por
IV. aprender a escolher e a tomar decisões um corpo perfeito. Esta última tem atingido mais aos jovens do sexo
V. adquirir as competências necessárias para conseguir um trabalho. masculino, os quais, para atingir tal objetivo, acabam por
Uma forma de intervir em educação para a carreira é através da utilizar suplementos alimentares e esteróides, associados a uma
“infusão curricular”, ou seja, incorporar às atividades diárias de atividade física intensa.
todas as disciplinas a ênfase no desenvolvimento de carreira A ortorexia, apesar de ainda pouco conhecida, é preocupante,
(Pérez, 2005). pois ameaça a saúde do corpo e a saúde mental e emocional das
Para este fim, cabe aos professores abordar em suas disciplinas pessoas. A preocupação exagerada com o que irá comer desvia a
as relações entre os conteúdos que ensinam, sua utilidade e aplicação maior preocupação, que deveria ser com a saúde do corpo.
prática no mundo do trabalho (Pérez, 2005; Rodríguez, 1988; Apesar da OMS só considerar esses transtornos, é sabido que o
Rodríguez e Figuera, 1995), desenvolvendo competências ligadas ao universo de desvios de comportamento envolvendo os hábitos
trabalho, assim como o conhecimento das oportunidades educativas e alimentares é enorme e geralmente atingem os adolescentes e jovens.
profissionais e atribuindo significado aos conteúdos a serem Por isso importante e a conscientização, bem como o trabalho
relacionados à vida cotidiana presente e futura dos aluno. preventivo e diagnóstico da comunidade escolar sobre esses
O professor pode aproveitar as possibilidades oferecidas pelos transtornos e os encaminhamentos necessários, caso sejam
diversos temas incluídos no conteúdo programático da sua disciplina identificados grupos de risco.
para pôr em prática atividades que justifiquem a aplicabilidade desses
conteúdos, como por exemplo através de discussões a respeito das FAMÍLIA
profissões relacionadas à matéria que leciona.
É importante que o professor tenha consciência do seu papel no No mundo familiar as crianças são filhos; no mundo escolar elas
desenvolvimento e na formação dos seus alunos, de modo que ele se são alunos. A passagem de filho a aluno não é uma operação
mostre aberto a colaborar nesse processo. Entretanto, para que o automática e, dependendo da distância entre o universo familiar e o
professor se sinta apto a atuar na educação para a carreira, não se escolar, ela pode ser traumática. Dentro da escola, o responsável
pode deixar de lado a formação que ele deve ter, de forma a capacitá- direto pela condução dos alunos é o professor, um adulto que também
lo para este tipo de trabalho. passou por um processo de formação para alcançar a condição de
profissional da educação.
TRANSTORNOS ALIMENTARES NA ADOLESCÊNCIA As crianças que chegam à escola são membros-dependentes de
um núcleo familiar que lhes dá um nome e um lugar no mundo. Os
Os transtornos alimentares são caracterizados quando os professores, conectados ou não com o lugar social deste aluno, têm
hábitos alimentares interferem na saúde física e mental de uma como principal função garantir o direito educacional de cada menino e
pessoa, dificultando suas relações pessoais e até profissionais. menina, guiando-se pelas diretrizes do sistema/estabelecimento de
As causas desses transtornos são diversas e difíceis de serem ensino com o qual tem vínculo de trabalho. O conjunto de professores,
mensuradas. Pode ser uma predisposição genética ou até mesmo uma funcionários, coordenadores pedagógicos, diretores escolares e
vontade muito grande de se encaixar nos padrões estéticos do mundo familiares configura uma comunidade escolar, que tem funções
da moda ou de pessoas famosas. deliberativas sobre vários aspectos do projeto da escola.
A Organização Mundial de Saúde só considera como transtornos As famílias estão inseridas em uma comunidade, localizada em
alimentares a anorexia e a bulimia, uma vez que é extremamente difícil determinado território, com seus costumes, valores e histórias a que
concluir a causa de transtornos como esses. A anorexia, bulimia, chamaremos de contexto social. As escolas fazem parte de um
obesidade, vigorexia e ortorexia, foram descritas desde o antigo Egito sistema ou rede de ensino, sob coordenação da Secretaria Municipal
e se tornam cada mais comuns na nossa sociedade atual. Apesar de de Educação, que compartilha um mesmo marco regulatório (leis,
serem distúrbios da imagem, elas possuem algumas diferenças. decretos, atos normativos do Conselho Nacional de Educação etc.)
Obesidade, é um distúrbio caracterizado pelo excesso de peso com as Secretarias de Estado e o Ministério da Educação. A essas
no indivíduo. Este, alimentando-se indiscriminadamente, adquire um relações denominaremos contexto institucional.
peso muito acima do previsto para a sua altura, idade e sexo e A comunidade local se organiza como sociedade civil para
desenvolve, a partir daí, outras complicações na sua saúde física e exercer direitos e deveres, enquanto o sistema de ensino representa o
mental como: altas taxas de colesterol e glicose no sangue, problemas poder público que, em um Estado democrático de direito, tem
de circulação, cardíacos e respiratórios, baixa auto-estima, depressão, obrigação de cobrar deveres e garantir o exercício da cidadania
etc. também pela oferta de serviços sociais a toda a população.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

No mundo globalizado e complexo em que vivemos, as relações O fato de a família ter valores conservadores, liberais ou
entre setores, instituições e atores sociais estão muito imbricadas. Fica progressistas, professar alguma crença religiosa ou não e a forma
cada vez mais difícil entender os problemas educacionais apontando como o faz determina em grande parte a educação das crianças.
apenas para as dificuldades originadas fora da escola ou somente Pode-se afirmar que é no espaço privado, portanto, que a criança
pelos processos internos a ela. Se, por um lado, não podemos recebe com maior intensidade as noções a partir das quais construirá
desconsiderar a influência da situação socioeconômica, da violência, sua sexualidade na infância.
das mudanças de costumes sobre o comportamento e desempenho A criança também sofre influências de muitas outras fontes: de
dos alunos, por outro, não podemos admitir que a escola se transforme livros, da escola, de pessoas que não pertencem à sua família e,
numa agência de assistência social e negligencie sua função principalmente, nos dias de hoje, da mídia. Essas fontes atuam de
específica de zelar pela aprendizagem escolar. maneira decisiva na formação sexual de crianças, jovens e adultos. A
É recomendável optar por uma abordagem relacional entre TV veicula propaganda, filmes e novelas intensamente erotizados. Isso
educação e contexto social. Sempre com foco nos processos de gera excitação e um incremento na ansiedade relacionada às
ensino-aprendizagem, enxergamos as relações professor-aluno em curiosidades e fantasias sexuais da criança. Há programas
uma perspectiva ampliada que considera a cadeia de relações que jornalísticos/científicos e campanhas de prevenção à AIDS que
está por trás e entre esses dois atores, conforme sugere o esquema enfocam a sexualidade, veiculando informações dirigidas a um público
da página seguinte. adulto. As crianças também os assistem, mas não podem
Podemos dizer que a relação entre escola e família está compreender por completo o significado dessas mensagens e muitas
presente, de forma compulsória, desde o momento em que a criança é vezes constroem conceitos e explicações errôneas e fantasiosas sobre
matriculada no estabelecimento de ensino. De maneira direta ou a sexualidade.
indireta, essa relação continua viva e atuante na intimidade da sala de Todas essas questões são trazidas pelos alunos para dentro da
aula. Assim, sempre que a escola se perguntar o que fazer para apoiar escola. Cabe a ela desenvolver ação crítica, reflexiva e educativa.
os professores na relação com os alunos, provavelmente surgirá a Se a escola que se deseja deve ter uma visão integrada das
necessidade de alguma interação com as famílias. experiências vividas pelos alunos, buscando desenvolver o prazer pelo
conhecimento, é necessário que ela reconheça que desempenha um
ESCOLHAS SEXUAIS papel importante na educação para uma sexualidade ligada à vida, à
saúde, ao prazer e ao bemestar, que integra as diversas dimensões do
A discussão sobre a inclusão da temática da sexualidade no ser humano envolvidas nesse aspecto. O trabalho sistemático e
currículo das escolas de primeiro e segundo graus tem se intensificado sistematizado de Orientação Sexual dentro da escola articula-se,
a partir da década de 70, por ser considerada importante na formação portanto, com a promoção da saúde das crianças e dos adolescentes.
global do indivíduo. Com diferentes enfoques e ênfases há registros de A existência desse trabalho possibilita também a realização de
discussões e de trabalhos em escolas desde a década de 20. A ações preventivas às doenças sexualmente transmissíveis/AIDS de
retomada contemporânea dessa questão deu-se juntamente com os forma mais eficaz. Diversos estudos já demonstraram os parcos
movimentos sociais que se propunham, com a abertura política, a resultados obtidos por trabalhos esporádicos sobre a questão.
repensar sobre o papel da escola e dos conteúdos por ela trabalhados. Inúmeras pesquisas apontam também que apenas a informação não é
Mesmo assim não foram muitas as iniciativas tanto na rede pública suficiente para possibilitar a adoção de comportamentos preventivos.
como na rede privada de ensino.
A partir de meados dos anos 80, a demanda por trabalhos na Bibliografia para esse capítulo:
área da sexualidade nas escolas aumentou devido à preocupação dos BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
educadores com o grande crescimento da gravidez indesejada entre Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental:
as adolescentes e com o risco da contaminação pelo HIV (vírus da introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF,
AIDS1 ) entre os jovens. A princípio, acreditava-se que as famílias 1998.
apresentavam resistência à abordagem dessas questões no âmbito CASTRO, Jane Margareth Castro e Marilza Regattieri (org.).Interação
escolar, mas atualmente sabe-se que os pais reivindicam a orientação escola-família: subsídios para práticas escolares.. – Brasília :
sexual nas escolas, pois reconhecem não só a sua importância para UNESCO, MEC, 2009. 104 p.
crianças e jovens, como também a dificuldade de falar abertamente LA TAILLE, Yves de, OLIVEIRA, Marta Kohl de, DANTAS, Heloysa.
sobre esse assunto em casa. Uma pesquisa do Instituto DataFolha, 1992. Piaget, Vygotsky, Wallon – teorias psicogenéticas em discussão.
realizada em dez capitais brasileiras e divulgada em junho de 1993, São Paulo: Summus.
constatou que 86% das pessoas ouvidas eram favoráveis à inclusão SILVA, T. T. Identidades terminais: as transformações na política da
de Orientação Sexual nos currículos escola- res. pedagogia e na pedagogia da política. Petrópolis: Vozes, 1996.
As manifestações de sexualidade afloram em todas as faixas
etárias. Ignorar, ocultar ou reprimir são as respostas mais habituais
dadas pelos profissionais da escola. Essas práticas se fundamentam
na idéia de que o tema deva ser tratado exclusivamente pela família.
De fato, toda família realiza a educação sexual de suas crianças e
jovens, mesmo aquelas que nunca falam abertamente sobre isso. O
comportamento dos pais entre si, na relação com os filhos, no tipo de
“cuidados” recomendados, nas expressões, gestos e proibições que
estabelecem são carregados de determinados valores associados à
sexualidade que a criança apreende.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 QUESTÕES 36. Analise o texto abaixo:


Os estudos epistemológicos de________ demonstravam que tanto
31. Quanto ao behaviorismo não é correto afirmar: as ações externas, quanto os processos de pensamento implicam
a) Um importante estudioso da teoria behaviorista, John B. uma organização lógica. Ele buscava conjugar duas variáveis - o
Watson, postulava o comportamento como o objeto de estudo lógico e o biológico – numa única teoria e, com isso, apresentar
da Psicologia. uma solução ao problema do conhecimento humano.
b) A tendência Funcionalista constitui o estudo do comportamento
como função de certas variáveis do meio, de acordo com o Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna do
behaviorismo. texto.
c) O comportamento, na abordagem behaviorista, só pode ser a) Wallon
estudado enquanto processo psicológico observável e
mensurável. 37. Os conceitos de Assimilação e Acomodação foram contribuições
d) O processo de aprendizagem ocorre por meio de insights. de qual teórico?
e) O reforço positivo imediato é colocado por Skiner como um dos a) Jean Piaget.
principais elementos do processo de aprendizagem. b) Jean Jaques Rousseau.
c) Sigmund Freud.
32. Conforme Barbosa, o ___________ representado pelas ideias de d) Karl Marx.
H. Wallon e de Vygostky afirma que o conhecimento é construído e) Adam Smith.
socialmente, a partir das possibilidades de interações entre os
sujeitos e o ambiente físico e social onde estão inseridos. 38. De acordo com Piaget, a criança age sobre os objetos do ambiente
para conhecê-los por meio de alguma base de conhecimento que
A alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima é: já possua. A esse processo de utilizar um esquema que já existe e
a) construtivismo aplicá-lo a uma nova situação, Piaget chama de:
b) behaviorismo a) Equilibração
c) cognitivismo b) Assimilação
d) humanismo c) Acomodação
e) socioconstrutivismo d) Esquematização

33. A teoria da aprendizagem que se refere à hereditariedade do 39. Segundo Piaget, o pensamento infantil passa por quatro estágios,
sujeito e afirma que suas características são determinadas desde desde o nascimento até o início da adolescência, quando a
o seu nascimento, é a denominada capacidade plena de raciocínio é atingida. Segundo ele:
a) cognitivismo. a) A criança constrói conhecimento somente na interação com
b) empirismo. outras crianças.
c) inatismo. b) O aprendizado da criança não está relacionado com a interação
d) behaviorismo. da criança com o meio.
e) interacionismo. c) O ensino só se efetiva mediante a avaliação.
d) A criança constrói o conhecimento a partir de suas descobertas
34. É uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a quando em contato com o mundo e com os objetos.
inteligência humana se desenvolve, partindo do princípio de que o e) O processo de ensino/aprendizagem deve ser um processo
desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações rigoroso, centrado no professor.
mútuas entre o indivíduo e o meio, ou seja, é uma concepção que
entende o homem como um ser que não nasce inteligente, mas 40. O modelo piagetiano do desenvolvimento humano propõe períodos
também não é passivo sob a influência do meio, tendo em vista que são caracterizados pelo aparecimento de novas qualidades do
que este mesmo homem responde aos estímulos externos para pensamento, interferindo no desenvolvimento global. O período de
posteriormente agir sobre eles, justamente para construir e operações concretas se dá dos
organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais a) 9 aos 14 anos, com o desenvolvimento de um egocentrismo
elaborada. intelectual e social.
b) 7 aos 11 ou 12 anos com o início da construção lógica, ou seja,
Este conceito se refere ao: a capacidade da criança estabelecer relações que permitam a
a) Behaviorismo. coordenação de pontos de vista diferentes.
b) Cognitivismo. c) 6 aos 10 anos, quando deixa de ter dificuldade para realizar as
c) Humanismo. operações no plano das ideias sem necessitar de manipulação
d) Marxismo. ou referências concretas.
e) Construtivismo. d) 10 aos 14 anos, quando é capaz de abstrair e generalizar,
criando teorias sobre o mundo, principalmente sobre aspectos
35. Uma teoria de aprendizagem é uma tentativa de interpretar e que gostaria de modificar.
sistematizar a área do conhecimento da aprendizagem e e) 4 aos 7 anos, com o aparecimento da linguagem,
representa o ponto de vista de um pesquisador que, ao construir incrementando a comunicação e a interação com os demais.
sua teoria, indica o que é e como funciona o processo de
construção da aprendizagem. Nesse contexto, assinale a 41. A distância entre o que a criança já se sabe e o que se pode saber
alternativa que APRESENTA teorias de aprendizagem. com alguma assistência é denominada por Vygotsky de:
a) Comportamentalismo, Cognitivismo e Humanismo. a) Zona de desenvolvimento real.
b) Humanismo, Cognitivismo e Construtivismo. b) Zona de desenvolvimento potencial.
c) Behaviorismo, Comportamentalismo e Cognitivismo. c) Zona de desenvolvimento exponencial.
d) Construtivismo, Behaviorismo e Liberalismo. d) Zona de desenvolvimento proximal.
e) Comportamentalismo, Behaviorismo e Associacionismo.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

42. Dentre as teorias abaixo, marque a opção que corresponde à 46. Conforme ANTUNES, a teoria das inteligências múltiplas,
teoria de aprendizagem segundo Lev Vygotsky. desenvolvida por Gardner, possui atualmente milhares de adeptos
a) A aprendizagem é uma experiência social, a qual é mediada no mundo inteiro. Em relação a essa teoria, é CORRETO afirmar
pela interação entre a linguagem e a ação.
que:
b) A criança responde às impressões que as coisas lhe causam
com gestos dirigidos a elas. a) Atua de forma a integrar as diferentes inteligências, porém não
c) Equilibração é o processo da passagem de uma situação de é possível direcionar estratégias e jogos para aguça-las.
menor equilíbrio para uma de maior equilíbrio. b) Engloba apenas oito inteligências, dentre elas: linguística,
d) Os comportamentos são obtidos punindo o comportamento não lógico-matemática, espacial, sonora, cinestésico-corporal,
desejado e reforçando ou incentivando o comportamento naturalista, intra e interpessoal.
desejado com um estímulo, repetido até que ele se torne c) Consiste em um método pedagógico com a adoção de práticas
automático.
restritas, como jogos e exercícios com função instrucional.
43. “Vygotsky deu início a uma discussão inteiramente nova não só em d) É um novo paradigma de compreensão do ser humano que
relação à aprendizagem, mas também no que se refere ao abandona sua avaliação através de sistemas limitados e
desenvolvimento e às funções do ensino”. Assinale a alternativa percebe-o com acentuada amplitude.
INCORRETA:
a) Vygotsky defende que não existe um único nível de 47. Muito embora o discurso pedagógico use a caracterização de
desenvolvimento, mas sim dois: o nível de desenvolvimento “indivíduos inteligentes ou pouco inteligentes”, já se afasta o
potencial e a zona de desenvolvimento proximal. conceito de uma inteligência única e geral e ganha espaço a
b) Vygotsky estabeleceu as bases para uma nova compreensão da
convicção de Howard Gardner, e de uma grande equipe da
relação entre o sujeito psicológico e o contexto histórico, que
resgata o sentido subjetivo e pessoal do homem. Universidade de Harvard, de que o ser humano é dotado de
c) Vygotsky considerava que os processos psicológicos inferiores inteligências múltiplas. Assim sendo, com base em Gardner (1995)
e superiores humanos constituem-se em atividades mediadas e sua teoria sobre as inteligências múltiplas, o que é
pela linguagem, estruturadas em sistemas funcionais, aprendizagem?
dinâmicos e historicamente imutáveis. a) É a modificação sistemática do comportamento, em caso de
d) Vygotsky não nega a existência de uma relação entre repetição da mesma situação estimulante ou na dependência
determinado nível de desenvolvimento e capacidade potencial
da experiência anterior com dada situação.
de aprendizagem dos alunos, o que significa obviamente que a
aprendizagem deve se dar de forma coerente com o nível de b) É composta por automotivação, empatia e habilidade de
desenvolvimento do aluno. socialização que influenciam na tomada de decisão. c) É a
transformação de um esquema de ação, de natureza sensório-
44. Na psicogenética de Henri Walon, a dimensão afetiva ocupa lugar motora ou cognitivo-relacional, cuja tendência compensatória
central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do de acomodação aos objetos – quando estes resistem à
conhecimento. Ambos se iniciam num período que se estende ao assimilação – se dá após o êxito da ação.
longo do primeiro ano de vida e que o autor denomina de d) É o desenvolvimento do controle emocional, do domínio dos
a) cognitivo-emocional.
impulsos, tolerando frustrações com otimismo, auto-estima e
b) afetivo-compulsivo.
c) impulsivo-cognitivo. de modo empático e eficaz. e. É uma mudança relativamente
d) impulsivo-emocional. permanente no comportamento, pois a criança nasce com a
e) afetivo-cognitivo. habilidade para aprender, mas a aprendizagem, em si, ocorre
com a experiência, através de estímulos.
45. De acordo com Heloysa Dantas in La Taille (1992), a afetividade
não é apenas uma das dimensões da pessoa, ela prepondera em 48. Gardner (1995) afirma que, no desenvolvimento das múltiplas
uma fase do desenvolvimento. Para Wallon, em qual momento do
inteligências, nenhuma criança é uma esponja passiva que
desenvolvimento humano a afetividade prevalece em relação à
absorve o que lhe é apresentado. Portanto, com base nessa teoria,
razão?
a) Na fase adulta, quando a pessoa necessita usar a afetividade qual dos tipos de inteligências defendidas pelo autor corresponde
para tomar decisões sobre seu futuro e suas relações. à seguinte descrição: revela-se através do poder do
b) No seu momento inicial, logo que o indivíduo sai da vida relacionamento com os outros e na sensibilidade para a
puramente orgânica, e que suas ações são puramente identificação de suas intenções, suas motivações e sua auto-
emocionais. estima.
c) No início da adolescência, quando o sujeito utiliza a afetividade a) Espacial
como instrumento para lidar com as diferenças.
b) Interpessoal
d) Na etapa em que, já idoso, o indivíduo passa a usar mais
afetividade recordando fatos do assado. c) Cinestésica-corporal
e) Na fase final da infância, quando a criança usa da afetividade d) Naturalística ou biológica
para conseguir atenção de pais e professores. e) Intrapessoal

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APOSTILA DE DIDÁTICA

49. A escola pública de antigamente era seletiva e organizada para Anotações


receber os filhos das famílias estruturadas e das camadas média e
alta da sociedade. As escolas públicas de hoje são inclusivas por
receber um grande contingente de crianças de baixo poder
aquisitivo e uma clientela bastante diversificada. Esta realidade
impõe às escolas e aos professores a exigência de repensar os
objetivos e conteúdos de ensino no sentido de proporcionar:
a) a transmissão do conhecimento que fortalece o senso comum e
os conhecimentos prévios, como resultado do ensino.
b) a transformação da sociedade brasileira, função social da
educação escolar.
c) a manutenção dos valores que circulam na sociedade burguesa.
d) uma educação que tenha significado na vida dessa população
de modo a prepará-la para participar da vida social que permita
o exercício ativo da cidadania.
e) o acesso de todas as camadas da população, sem preocupar-se
com objetivos educacionais.

50. O projeto educativo docente precisa ter, também, a dimensão do


presente, em função de planejar/projetar o sucesso escolar de sua
turma. Daí a importância do professor procurar conhecer tão
profundamente quanto possível:
a) Quem são os seus alunos, como vivem e o que fazem.
b) Os alunos indisciplinados por meio do docente da turma
anterior, a fim de desenvolver ações com os estudantes
interessados.
c) Os pais que não acompanham os seus filhos para evitar a
renovação da matrícula.
d) Os alunos bem sucedidos e investir em seus processos
evolutivos.
e) Os alunos com problemas familiares, exclusivamente, criando
estratégias para evoluírem cognitivamente.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 TEORIAS DO CURRÍCULO. ACESSO, PERMANÊNCIA E SUCESSO DO ALUNO NA ESCOLA.

Nunca se constatou na história da educação uma tamanha A história da educação pública, enquanto demanda social, está
importância atribuída às políticas e propostas curriculares, diria associada à luta pela construção dos direitos sociais e humanos,
mesmo, um tamanho empoderamento do currículo enquanto definidor consubstanciada na luta pela construção do Estado de Direito ou
dos processos formativos e educacionais e suas concepções. No Estado Social.
A educação pública vem sendo produzida historicamente nos
Brasil não é diferente.
embates político sociais, a partir da luta em prol da ampliação, da
Parâmetros, Parâmetros em ação, Diretrizes Curriculares, leis laicidade, da gratuidade, da obrigatoriedade, da universalização do
específicas sobre conteúdos curriculares, fazem parte do cenário acesso, da gestão democrática, da ampliação da jornada escolar, da
contemporâneo de decisões educacionais em nosso país. educação de tempo integral, da garantia de padrão de qualidade.
Se levarmos em conta o contexto de importância que o currículo Esses aspectos vinculam-se à criação de condições para a oferta de
assume no mundo, em termos da concepção e da construção educação pública, envolvendo a educação básica e superior, tendo por
contemporânea das formações, o seu empoderamento político- base a concepção de educação de qualidade como direito social.
pedagógico, assim como a complexidade que emerge dessas No Brasil, a luta pela democratização da educação tem sido uma
configurações, a explicitação reflexiva do campo curricular e da noção bandeira dos movimentos sociais, de longa data. Pode-se identificar
de currículo, no sentido de distinguir histórica e conceitualmente as em nossa história inúmeros movimentos, gerados pela sociedade civil,
perspectivas e as práticas, se torna uma responsabilidade formativa que exigiam (e exigem) a ampliação do atendimento educacional a
social e pedagógica incontestável. Junto com esse compromisso, faz- parcelas cada vez mais amplas da sociedade. O Estado, de sua parte,
se necessário trazer para esse cenário discursivo e elucidativo o lugar vem atendendo a essas reivindicações de forma muito tímida, longe da
do debate e da diversidade das concepções, sem com isso aceitar os universalização esperada.
Nas diversas instâncias do poder público – União, estados,
prejuízos conceituais e político-pedagógicos causados pelas
Distrito Federal e municípios – pode-se perceber o esforço em atender
perspectivas que acolhem posições do tipo: “você deve dominar e às demandas sociais por educação básica, porém de forma focalizada
aplicar essa concepção de currículo porque é científica”, ou mesmo, e restritiva. A focalização se deu na ampliação significativa do acesso
“não é preciso conceituar algo que é extremamente complexo”. a apenas um dos segmentos da educação básica: o ensino
Diríamos que as práticas curriculares e suas urgentes demandas fundamental, com o atendimento a 32.086.188 estudantes (Inep,
de compreensão e interferência político-pedagógica, bem como a 2007).
necessidade do argumento competente sobre o instituído e o Porém, mesmo nesse segmento, há uma restrição evidente, pois
instituinte desse campo, não mais legitimam reduções, pulverizações e somente às crianças de seis a quatorze anos é garantida a oferta
concepções a-críticas. É urgente, avaliamos, neste contexto da história obrigatória do ensino fundamental. Com isso, parcelas dos jovens e
das perspectivas e práticas curriculares, que os educadores entrem no adultos ficam à margem do atendimento no ensino fundamental, bem
mérito do que se configura como currículo e saibam lidar com suas como parte das crianças de zero a seis anos, demanda da educação
complexas e interessadas dinâmicas de ação, sob pena de deixarem infantil, e dos jovens, clientela do ensino médio, tem atendimento
que os burocratas da educação continuem tomando de assalto um ainda insuficiente pelo Estado. O que assume dimensão ainda mais
âmbito das políticas e práticas educacionais que hoje define, em crítica, quando se consideram os enormes desafios para garantir
acesso com qualidade à educação superior.
muito, a qualidade e a natureza das opções formativas, na medida em
É importante destacar que a democratização da educação não
que trabalha, fundamentalmente, nas organizações educacionais, com se limita ao acesso à instituição educativa. O acesso é, certamente, a
o conjunto dos conhecimentos e atividades eleitas como formativas. porta inicial para a democratização mas torna-se necessário, também,
Este é o campo do currículo, que desejamos refletir profunda e garantir que todos os que ingressam na escola tenham condições de
democraticamente. nela permanecer, com sucesso. Assim, a democratização da educação
Os tecnocratas do currículo, em geral, não sabem e pouco se faz-se com acesso e permanência de todos no processo educativo,
sensibilizam por aquilo que podemos denominar de um currículo dentro do qual o sucesso escolar é reflexo da qualidade. Mas somente
educativo, formativo. Ou seja, um currículo em que as intenções essas três características ainda não completam o sentido amplo da
formativas sejam explicitadas e se desenvolva, elucidando e democratização da educação.
compromissando-se com uma educação cidadã. “Pensam” sempre na Se, de um lado, acesso, permanência e sucesso caracterizam-se
arquitetura curricular, no seu desenho expresso nas antigas “grades”, como aspectos fundamentais da democratização e do direito à
hoje matrizes curriculares, fixadas num documento. educação, de outro, o modo pelo qual essa prática social é
É preciso, portanto, que a sociedade, seus grupos de fato e os internamente desenvolvida pelos sistemas de ensino e escolas torna-
movimentos sociais implicados nos cenários e ações educacionais se a chave mestra para o seu entendimento. Esta última faceta da
democratização da educação indica a necessidade de que o processo
tenham a oportunidade de compreender e debater bem o currículo,
educativo seja um espaço para o exercício democrático. E, para que
num processo de democratização radical da sua discussão conceitual isso aconteça, surge nova forma de conceber a gestão da educação: a
e da elucidação das práticas e, a partir daí, se apropriem e construam gestão democrática.
percepções e ações de descolonização nos âmbitos das propostas É importante observar, também, que a concepção de sucesso
Numa primeira aproximação ao conceito de currículo, podemos dizer escolar de uma proposta democrática de educação não se limita ao
que o currículo se caracteriza nas organizações educacionais como o desempenho do aluno. Antes, significa a garantia do direito à
conjunto de conhecimentos escolhidos como formativos. educação, que implica, dentre outras coisas, uma trajetória escolar
A centralidade está, portanto, no conhecimento legitimado como sem interrupções, o respeito ao desenvolvimento humano, à
formativo. Aqui começa a importância e complexidade política e diversidade e ao conhecimento. Além disso, implica a consolidação de
pedagógica do currículo. condições dignas de trabalho, formação e valorização dos profissionais
da educação e a construção de PPP e PDI articulados com a
comunidade e demandas dos movimentos sociais. Significa, também,
reconhecer o peso das desigualdades sociais nos processos de
acesso e permanência à educação e a necessidade da construção de
políticas e práticas de superação desse quadro.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Assim, a gestão democrática pode ser considerada como meio Cada docente devera realizar em sala o acordado e pactuado
pela qual todos os segmentos que compõem o processo educativo pela escola, em vista os documentos norteadores (DCN´s, PCN´s e
participam da definição dos rumos que as instituições de educação PPP), gerando indicadores de aprendizagem (não limitados a médias e
básica e superior devem imprimir à educação, e da maneira de reprovações) que permitam à escola prestar contas à sociedade se o
implementar essas decisões, em um processo contínuo de avaliação ensino que se comprometeu a entregar produziu os efeitos almejados.
das ações. São pontos que envolvem uma gestão de aprendizagem
Como elementos constitutivos dessa forma de gestão podem ser eficiente:
apontados: participação, autonomia, transparência e pluralidade. E, 1. Definição de objetivos de aprendizagem para os programas de
como instrumentos de sua ação, surgem as instâncias diretas e ensino.
indiretas de deliberação, tais como conselhos escolares ou 2. Tradução dos objetivos de aprendizagem dos programas em
equivalentes, órgãos colegiados superiores e similares, que propiciem comportamentos e conhecimentos observáveis e mensuráveis. Por
espaços de participação e de criação da identidade do sistema de exemplo, “pensamento crítico” foi traduzido em habilidades tais
ensino e da instituição de educação básica e superior. como: construção de hipóteses, argumentação e uso da lógica e
avaliação de evidências. A estas habilidades são conferidos quatro
GESTÃO DA APRENDIZAGEM. graus de expressão de maturidade (grau 1 corresponde à
inexistência ou inconsistência e grau 4 a pleno domínio).
Os programas de ensino indicam requisitos para o respectivo 3. Elaboração de avaliações com perguntas estruturadas que nos
corpo docente quanto à qualificação acadêmica e/ou profissional e permitam capturar os conhecimentos e habilidades almejados.
práticas pedagógicas. Na perspectiva institucional, qualidade está 4. Estabelecimento de fóruns com diretores, professores e
relacionada ao grau de aquisição, pelo aluno formado, dos coordenadores para discussão dos resultados desse processo e
conhecimentos específicos e competências definidas nos objetivos de reflexões sobre ações de cunho pedagógico e institucional com
aprendizagem dos programas. Em outras palavras, o indicador de vistas à melhoria contínua do processo de ensino e aprendizagem.
qualidade de uma escola é o nível de aprendizado dos alunos.
Ao posicionarmos aprendizagem como variável fim, atributos e Utilizamos o termo “gestão da aprendizagem” por este englobar
comportamentos de professores e alunos ou mesmo métodos de aspectos como mensuração, identificação de lacunas, desenho de
ações, estabelecimento de metas e subsequente esforço de
ensino que tendem a ser foco de discussões pedagógicas, assumidos
mobilização de pessoas para o alcance das metas.
como fatores determinantes de sucesso, passam a se tornar variáveis
A gestão da aprendizagem envolve o exercício de
de ajuste de um processo construído e monitorado para aferir a
comprometimento, aprimoramento, planejamento e circulação de
eficácia dos seus vários componentes em promover aprendizado.
informações para o empoderamento de todos e todas para uma gestão
Esse processo se denomina gestão da aprendizagem e parte de participativa, democrática e de qualidade na escola pública.
objetivos descritos em termos de fundamentos e habilidades, desenho
de avaliações adequadas para mensuração de tais objetivos e critérios PLANEJAMENTO E GESTÃO EDUCACIONAL.
que vão além de certo/meio certo/errado, mas que apontam níveis de
desenvolvimento dos alunos, bem como lacunas de aprendizagem, A ação do gestor escolar será tão ampla ou limitada, quão ampla
frente aos objetivos estabelecidos. ou limitada for sua concepção sobre a educação, sobre a gestão
Na grande maioria das escolas, o planejamento da disciplina escolar e o seu papel profissional na liderança e organização da
parte do conteúdo que necessita ser coberto no período. Reflexões escola. No entanto, essa concepção, por mais consistente, coerente e
sobre como deve ser o desenho das avaliações surgem alguns dias ampla que seja, de pouco valerá, caso não seja colocada em prática
antes das datas no calendário. Critérios de correção são elaborados mediante uma ação sistemática, de sentido global, organizada,
pouco antes da correção (muitas vezes ficam na cabeça do professor) seguramente direcionada e adequadamente especificada em seus
e notas são dadas em termos quantitativos. aspectos operacionais. E essas condições somente são garantidas
O aluno entende um 5,0 em termos de “passei”, enquanto o mediante a adoção de uma sistemática de planejamento das ações
professor o entende em termos de “lá vai um aluno que terá educacionais em todos os segmentos de trabalho da escola.
dificuldades”. Essa lógica é oposta à gestão da aprendizagem, na qual Isso porque sem planejamento, que organize e dê sentido e
primeiro se planeja fundamentos/habilidades e quais serão as formas unidade ao trabalho, as ações tendem a ser improvisadas, aleatórias,
de aferir níveis de aprendizado (ou seja, instrumentos de avaliação, espontaneístas, imediatistas e notadamente orientadas pelo ensaio e
valendo ou não nota). O desenho das atividades, ênfase dos erro, condições que tantos prejuízos causam à educação. Sem
conteúdos, a forma de avaliação, materiais, etc., são consequência planejar, trabalha-se, mas sem direção clara e sem consistência entre
dos objetivos de aprendizagem da disciplina. Nessa lógica, critérios de as ações. Dá-se aula, mas não se promove aprendizagens efetivas;
avaliação são documentados em formato de escala de proficiência, de realizam-se reuniões, mas não se promove convergência de
maneira que o aluno entenda um “5,0” exatamente em termos do que propósitos em torno das questões debatidas; realiza-se avaliações,
foi aprendido adequadamente e o que ainda necessita maior mas seus resultados não são utilizados para melhorar os processos
dedicação. educacionais; enfrenta-se os problemas, mas de forma inconsistente,
Do ponto de vista amplo, um processo de ensino pautado em reativa e sem visão de conjunto, pela falta de análise objetiva da sua
gestão da aprendizagem é considerado “centrado no aluno”, não em expressão e da organização das condições para superá-las.
virtude do método de ensino em destaque, mas por permitir, a partir do Planejar constitui-se em um processo imprescindível em todos
momento que desempenho acadêmico seja descrito em termos de os setores da atividade educacional. É uma decorrência das condições
lacunas e pontos fortes, que o aluno seja ativo na busca de associadas à complexidade da educação e da necessidade de sua
aprimoramento. organização, assim como das intenções de promover mudança de
Do ponto de vista do professor, a gestão da aprendizagem em condições existentes e de produção de novas situações, de forma
sala de aula, ao mesmo tempo em que confere liberdade na escolha consistente. O planejamento educacional surgiu como uma
de ênfases, formatos e estilos em função do contexto, realidade social, necessidade e um método da administração para o enfrentamento
anamneses e diagnósticos, permite maior sintonia com as demandas organizado dos desafios que demandam a intervenção humana. Cabe
institucionais e harmonização de discursos. destacar também que, assim como o conceito de administração
evoluiu para gestão, também o planejamento como formalidade
evoluiu para instrumento dinâmico de trabalho.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Planejar a educação e a sua gestão implica em delinear e tornar  uma superação da tendência à ação reativa, improvisada, rotineira
clara e entendida em seus desdobramentos, a sua intenção, os seus e orientada pelo ensaio e erro;
rumos, os seus objetivos, a sua abrangência e as perspectivas de sua  um controle e redução das hesitações, ações aleatórias e de
atuação, além de organizar, de forma articulada, todos os aspectos ensaio e erro;
necessários para a sua efetivação. Para tanto, o planejamento  a formação de acordos e integração de ações;
envolve, antes de tudo, uma visão global e abrangente sobre a  a definição de responsabilidades pelas ações e seus resultados;
natureza da Educação, da gestão escolar e suas possibilidades de  o estabelecimento de unidade e continuidade entre operações e
ação. ações, superando-se a fragmentação e mera justaposição destas.
Vale dizer que as finalidades, princípios e diretrizes da educação
somente são promovidos, na medida em que sejam traduzidos por Quem planeja, examina e analisa dados, comparando-os
ações integradas, sistemáticas, organizadas e orientadas por objetivos criteriosamente, coteja-os com uma visão de conjunto, estuda
detalhados, responsabilidades e competências estabelecidas, tempo e limitações, dificuldades e identifica possibilidades de superação das
recursos previstos e especificados. Esse processo de planejamento mesmas. Esse processo de análise, cotejamento, dentre outros
resulta em um plano de ação, cujo papel é o de servir como mapa processos mentais, define o planejamento como um processo de
norteador da ação educacional, em vista do que deve estar reflexão diagnóstica e prospectiva mediante o qual se pondera a
continuamente sobre a mesa de trabalho. Planos nas gavetas e que realidade educacional em seus desdobramentos e se propõe
não são cotidianamente consultados para a orientação das ações a intervenções necessárias.
serem realizadas e para o monitoramento e avaliação das já
realizadas, têm valor meramente formal (Luck, 2008). AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL, DE DESEMPENHO E DE
Como vimos, o planejamento é inerente ao processo de gestão, APRENDIZAGEM.
constituindo-se na sua primeira fase. É considerado como a mais
básica, essencial e comum de suas dimensões, uma vez que é Verifica-se que o monitoramento e avaliação em educação,
inerente a todas as outras, já que sem planejamento não há a embora constituam-se em processos essenciais da sua gestão, não
possibilidade de promover os vários desdobramentos da gestão são práticas comuns em escolas e apenas recentemente estão sendo
escolar, de forma articulada. adotados como práticas na gestão de sistemas de ensino. Aliás,
Apesar da importância do planejamento, no entanto, há fortes estranhamente, apesar de seu caráter de “ feedback” necessário ao
indícios de que as ações educacionais carecem de um processo de trabalho educacional, a referência à sua possível instituição nas
planejamento competente e apropriado para produzir planos ou escolas provoca entre seus profissionais fortes reações e até mesmo
projetos com capacidade clara de orientar todos e cada momento das resistência. Talvez porque sejam atribuídos significados inadequados a
ações necessárias. Observa-se haver em várias circunstâncias do eles: o monitoramento é visto como um controle cerceador e limitador,
contexto educacional a desconsideração em relação à importância do portanto, negativo, e a avaliação como uma estratégia de encontrar
planejamento para a determinação da qualidade do ensino, pela erros e causar reprovações. Sugerimos a proposta que esse
organização do seu trabalho com esse foco. Essa desconsideração é entendimento pode ter mais a ver com o modo como a avaliação é
demonstrada quando os planos são delineados com uma orientação praticada nas escolas do que como seu real significado pedagógico.
formal, de que resulta, por exemplo, que o Projeto Político-Pedagógico Prestemos atenção à nossa linguagem a respeito: “vou corrigir
da Escola e o seu Plano de Desenvolvimento fiquem guardados em trabalhos”, “agora não adianta mais avaliar, os alunos não podem ser
gavetas ou armários, em vez de estarem na mesa do diretor, dos reprovados” (afirmação de professores de sistemas de ensino que
coordenadores ou supervisores pedagógicos e dos professores; que adotaram o ciclo escolar). Esses depoimentos, por certo, expressam
até mesmo sejam desconhecidos por profissionais que trabalham na um sentido punitivo atribuído à avaliação que se difunde acriticamente
escola; que os planos de aula sejam cópias daqueles realizados em para outras práticas de monitoramento e avaliação.
outras turmas e outros anos letivos, isto é, “planeja-se”, mas não se Percepções de tal ordem revelam, portanto, um entendimento
usa o plano resultante para orientar o cotidiano do trabalho escolar inadequado e até mesmo prejudicial sobre o monitoramento e
(ou, na pior das hipóteses, que esses planos nem existem, por falta de avaliação, que atribui impressões com resultados negativos, dentre os
acompanhamento e reforço por parte do diretor escolar); que os planos quais se destacam a cultura de estudar para a prova, a prática da cola,
sejam considerados como meros instrumentos burocráticos e não o alerta dado pelos professores aos seus alunos − “prestem atenção,
como mapas orientadores do trabalho. que pode cair na prova”− que resultam na desvalorização da
Ao planejar e liderar o processo de planejamento, cabe ao diretor aprendizagem como modo de ser e de fazer do cotidiano escolar. Os
escolar promover as condições para que o processo seja realizado de índices de reprovação e distorção idade/série, presentes em nossas
modo a contribuir, como é o sentido do planejamento, para que se escolas são indicadores de uma prática inadequada de avaliação da
promova: aprendizagem escolar e de falta de monitoramento contínuo dos
 o desenvolvimento de maior compreensão dos fundamentos e dos processos pedagógicos (Luck e Parente, 2005; Luck, 2006). Mediante
desdobramentos Dimensões da gestão escolar e suas a associação entre monitoramento e avaliação pelos próprios
competências 35 das ações educacionais; profissionais que atuam na escola, com uma perspectiva reflexiva e
 a construção de um quadro abrangente e com maior clareza sobre crítica de estudo sobre suas práticas e seus resultados, seria possível
o conjunto dos elementos envolvidos em relação à situação sobre agir pedagogicamente sobre situações como essas e superá-las.
a qual se vai agir e sua relação com interfaces; A desconsideração ao monitoramento de processos de avaliação
 uma maior consistência e coerência entre as ações educacionais; dos resultados das práticas educacionais como estratégia de gestão
 uma preparação prévia para a realização das ações; educacional ocorreu a partir da interpretação dada pelas concepções
 um melhor aproveitamento do tempo e dos recursos disponíveis; denominadas críticas da educação que, ao valorizarem as dimensões
 uma concentração de esforço na direção dos resultados sociopolíticas, inadequadamente, desvalorizaram as dimensões
desejados; técnicas, mediante a rotulação ligeira de “tecnicismo” dentre as quais a
medida e a avaliação, que em muitas instituições formadoras de
profissionais da educação desapareceram dos seus currículos, em

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APOSTILA DE DIDÁTICA

prejuízo de uma formação voltada para as necessidades concretas do aprendizagem. Neste seguimento, a escola de tendência tecnicista,
trabalho educacional. Cabe destacar que essa tendência resultou na inserida no final dos anos 60 no Brasil, objetivava adequar e inserir o
mera aplicação de instrumentos e rotinização desse processo, sistema educacional e o ensino com métodos educacionais norte
aplicado, sem a consequente reflexão e retroalimentação das práticas americanos, ou seja, nos moldes do sistema de produção capitalista e
educacionais, incluindo a reflexão sobre o significado por trás das racional, o que tolhia a criatividade do professor.
mesmas, em detrimento da sua orientação como práxis pedagógica. Assim, por meio de métodos de ensino meramente técnico
A grande escassez de referências bibliográficas sobre utiliza-se material sistematizado como manuais, módulos de ensino,
monitoramento e avaliação em relação à educação brasileira é um livros didáticos, dispositivos audiovisuais, visando com isso a imediata
indicador da desconsideração dessa fundamental dimensão da gestão produção de sujeitos competentes para atender o mercado de
educacional. O que existe diz respeito a sistemas educacionais, trabalho, com uma transmissão de informações rápidas, objetivas e
Dimensões da gestão escolar e suas competências 45 sobretudo em sem subjetividade. Passa a ser irrelevante o relacionamento
relação ao SAEB, nada havendo de substancial sobre o processo nas interpessoal. Debates, discussão e questionamento não existem e tão
escolas ou mesmo na gestão de sistemas. Fato curioso é que a pouco importam as relações afetivas e pessoais dos sujeitos
expressão da língua inglesa accountability que implica na prática de envolvidos no processo de ensino. O relacionamento professor aluno é
monitoramento e avaliação, não tem correspondente em português. puramente técnico, o objetivo é o aluno calado recebendo, aprendendo
Ela representa responsabilidade e prestação de contas, combinados. e fixando informações e o professor administrando e transmitindo
O termo é traduzido ou como responsabilidade ou como prestação de eficientemente a matéria visando a garantia na eficácia nos resultados
contas, desconectando ambos os significados, daí porque ser da aprendizagem.
preferível adotar o termo inglês accountability, assim como já O surgimento da Escola Crítica em 1993 possibilitou ao
utilizamos feedback, pelo mesmo motivo. professor um novo direcionamento. A sua atuação passou a ter
A avaliação constitui-se no processo de medida e julgamento enfoque na construção e reconstrução do saber, de interação e
dos resultados parciais obtidos durante a realização de um plano ou articulação e participação na aprendizagem do aluno. Assim, percebe-
projeto e os integrados ao seu final. Esses dois estágios da avaliação se que a formação do professor acompanha a evolução educacional
apresentam características diferentes constituindo a avaliação que ocorreu no Brasil e cada vez mais se acentua a necessidade de
formativa e a somativa². Conforme Rios (2006) indica, a avaliação profissionalização do docente.
formativa é processual (Rios, 2006) e nesse sentido acompanha o Ao vivenciar o século XXI, observa-se que a construção dos
monitoramento, realizando um julgamento a respeito da eficácia das saberes passa a ser dominada por novas tecnologias, no espaço e no
ações implementadas passo a passo, permitindo a correção tempo, e a formação do profissional professor torna-se efetivamente,
necessária de rumos, ritmos e recursos processuais, de modo que no cada vez mais importante no processo educacional. O Professor do
final, mediante avaliação formativa e de caráter globalizador, se possa século XXI precisa, então, ser um profissional da educação com
julgar os resultados obtidos pelo conjunto das ações. Mediante a espírito aguçado e muita vontade para aprender, razão pela qual o
avaliação de planos e projetos pode-se conhecer: processo de formação torna-se mais e mais veemente para responder
 em que medida estão sendo realizados os objetivos propostos e às demandas do mundo contemporâneo com competência e
esperados; profissionalismo.
 que outros objetivos eventuais estariam também sendo Afinal, o que vem a ser a formação de professores? O que vem a
promovidos; ser a profissionalização? Quais são as características que envolvem a
 que fatores mais contribuem para explicar os resultados formação e a profissionalização?
observados; A palavra professor, proveniente do latim “professore”, significa
 que perspectivas existiriam para promover melhores resultados; aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, o saber, o
 que decisões devem ser tomadas para a maximização e reforço conhecimento. Portanto, para poder ensinar, o professor precisa estar
dos resultados obtidos e realização de outros. imbuído do conhecimento que lhe advém por meio da formação que se
vai profissionalizando pela prática cotidiana. A capacitação do
Sendo a eficácia e a eficiência intimamente interligadas, o indivíduo para o trabalho docente se constitui em um ato educativo de
monitoramento e a avaliação são duas ações inter-relacionadas. criatividade e inovação. Mais que isso, segundo Libanio (2001), em
Acrescente-se que não é possível fazer monitoramento sem um seu livro a “Arte de formar-se”, é um investimento pessoal de busca de
julgamento (avaliação) da propriedade das ações, seu ritmo, sua conhecimento.
intensidade, etc. Por outro lado, uma avaliação de resultados, para ser Desse modo, o investimento na formação torna-se ponto de
adequada, envolve uma análise e interpretação dos resultados à luz partida para as possibilidades de melhoria da profissionalidade e para
das condições que os criaram, o que pressupõe a realização de a ressignificação de sua prática. Entende-se que a formação contribui
avaliação. para uma reflexão permanente voltada para a construção de uma
educação orgânica (MONTEIRO JÚNIOR, 2001, p. 88) que religa os
O PROFESSOR: FORMAÇÃO E PROFISSÃO. saberes e vai ao encontro da dinâmica de desenvolvimento do ser
humano.
Num olhar retrospectivo na esteira da história Hamze (2011) Ressalte-se que o processo de formação do professor é um
afirma que se podem contemplar etapas que marcaram o ensino e crescente e um continuum. Como indivíduo, ele é formado a cada dia,
também exerceram influência no modo de atuação do professor. em momentos que fazem o seu cotidiano, e, como educador, molda-se
Resumidamente, do ensino tradicional aos dias atuais é possível no compromisso que consegue estabelecer com os alunos e demais
perceber que a educação, no Brasil, sofreu mudanças. atores que formam a comunidade escolar. E que escola são todos os
O ensino tradicional, enciclopédico, perdurou por longos que nela convivem e aprendem: professores, alunos, funcionários,
trezentos e oitenta e três anos e foi marcado pelos padres da famílias, membros da comunidade e gestores. Por isso, espera-se que
Companhia de Jesus que trazem o professor como transmissor de o profissional da área de educação tenha uma visão sistêmica do
conhecimentos. A partir da Escola Nova, em torno de 1932, o papel de sua organização junto à sociedade e do seu papel junto à
professor torna-se apenas um facilitador do processo de ensino e de instituição para que possa trabalhar novas formas de construção do

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APOSTILA DE DIDÁTICA

conhecimento, visando à melhoria contínua da educação, bem como A PESQUISA NA PRÁTICA DOCENTE.
do ambiente escolar. A escola precisa ser um ambiente de prazer,
aconchegante onde o aluno goste de estar por conta do No que diz respeito à pesquisa escolar, entendemos que ela
profissionalismo do professor. pode servir como um elemento significativo na construção e
Perrenoud, define profissionalização sob dois pontos de vista. O apropriação do conhecimento. Todavia, com o crescimento acelerado
primeiro denominado estático como sendo o grau em que um ofício da tecnologia, as informações chegam aos nossos estudantes de uma
manifesta as características de uma profissão; e o segundo seria um forma muito fácil e rápida, o que gera certo desconforto por parte das
movimento dinâmico porque expressa o grau de avanço da instituições de ensino, uma vez que elas não conseguem acompanhar
transformação estrutural de um ofício, no sentido de uma profissão. o mesmo ritmo.
Outra definição trazida por Nóvoa (1992), complementa a intenção que Segundo Abreu e Almeida (2008), essa realidade pode ser
se busca por meio desse texto: “A profissionalização é um processo, explicada, em um primeiro momento, pela compreensão equivocada
através do qual os trabalhadores melhoram o seu estatuto, elevam os que os professores do ensino superior têm do conceito de pesquisa e,
seus rendimentos e aumentam o seu poder, a sua autonomia (p. 23). consequentemente, da pesquisa escolar. Em seguida, pelo despreparo
Assim o profissional professor pode ser considerado como um na orientação das pesquisas em sala de aula. O fato de esses
teórico-prático que adquiriu por meio de muito estudo e pelo professores terem uma visão questionável da pesquisa escolar e a
desenvolvimento de suas vivências em sala de aula, o status e a dificuldade de encaminhar os estudantes para a pesquisa
capacidade para realizar com autonomia, responsabilidade e ousadia comprometem a efetivação da investigação e, consequentemente, da
sua função. Além disso, o profissional professor é também uma aprendizagem sobre o como fazer pesquisa.
pessoa em relação e evolução em que o saber da experiência lhe A pesquisa deve ser entendida não como mera cópia de trechos
pode conferir maior autonomia profissional, juntamente com outras de livros, artigos, entre outros, mas como atividade importante no
competências que viabilizam a sua profissão. Torna-se claro que os processo de apropriação do conhecimento, já que é por meio dela que
vocábulos “formação e profissionalização” estão intimamente se pode apreender o conhecimento historicamente acumulado e
imbricados e se complementam na relação que perfaz todo o trabalho avançar no conhecimento dos problemas que afligem o campo da
do professor. O professor é um profissional do sentido. educação. Ademais, ela favorece o trabalho pedagógico, uma vez que
Podemos sinalizar ainda que para a formação de professores, é o professor pode trabalhar, ao mesmo tempo, com diversas áreas do
indispensável que a formação tenha como eixo de referência o conhecimento. No entanto, para que a pesquisa esteja presente no
desenvolvimento profissional, na dupla perspectiva do professor cotidiano da sala de aula, é imprescindível que o professor tenha
individual e do coletivo docente. Além disso, que o trabalho possibilite clareza na elaboração do seu planejamento.
e favoreça espaço de interação entre as dimensões pessoais e Para Abreu e Almeida (2008), o conceito de pesquisa deve ser
profissionais, promova os seus saberes e seja um componente de desmistificado e repensado levando-se em conta a prática educativa.
mudança. Isto exige estudo e abertura para os desafios e persistência O processo de pesquisa requer um conjunto de atividades que devem
na busca do conhecimento. A profissão docente é um renovar-se ser orientadas pelo professor, visando buscar, descobrir e criar um
todos os dias. determinado conhecimento acerca de um objeto investigado. Dessa
Relacionar os dois temas a partir da legislação e dos autores, forma, a curiosidade estimulada no aluno deve levá-lo a duvidar, a
demonstra a necessidade de a formação integrar-se à formular hipóteses, a confirmar suas certezas, tomando consciência de
profissionalização de forma consciente e humanizada. Por isso, a si mesmo enquanto pesquisador e do seu objeto de estudo.
educação continuada pode ocorrer além de escolas e universidades, Em relação à pesquisa da prática pedagógica, conforme adverte
em qualquer outro ambiente que traga um aprendizado. Pode ser em Oliveira (2000, p. 148) em A pesquisa em didática no Brasil – da
casa, no trabalho, no lazer. Proporcionar que os professores se tecnologia do ensino à pesquisa pedagógica, mais do que ensinar,
atualizem e desenvolvam seus saberes, permitem-lhes articular teoria planejar, orientar e avaliar a aprendizagem a partir de modelos que se
e prática, ou seja, unem conhecimentos científicos adquiridos na constituem a priori, é preciso preocupar-se com a reflexão dos alunos,
Universidade aliados à prática diária em sala de aula. futuros professores, sobre a realidade do ensino, compreendendo-a e
Entende-se, assim, que ser educador é educar-se problematizando-a. Todavia, essa reflexão deve ser proporcionada nos
constantemente por meio de aprendizado em que o conhecimento cursos de Pedagogia, já que ele se constitui, em grande medida, o
construído resulta em novas relações com outros conhecimentos que, campo de conhecimento responsável por investigar a natureza e as
por sua vez, geram novas construções. Desse modo, a profissão finalidades da educação na sociedade.
docente renova-se todos os dias e é uma das pedras angulares Em Educação: Pedagogia e Didática – o campo investigativo da
imprescindíveis a qualquer intento de renovação do sistema educativo. pedagogia e da didática, Libâneo (2000) reconhece a Pedagogia como
Discutir, então, sobre a formação do professor é discutir como manter uma ciência prática que explicita objetivos e formas de intervenção
o domínio e a qualidade do conhecimento e das técnicas que metodológica e organizativa que ocorrem no contexto da atividade
envolvem a profissão docente, a competência e a eficácia profissional. educativa, preocupando-se com a transmissão e assimilação ativa dos
A preocupação com o desenvolvimento de uma ação educativa capaz conteúdos, ou seja, ela contribui com a investigação da própria prática
de preparar alunos para a compreensão e transformação da educativa oferecendo os suportes teóricos advindos das demais
sociedade, constitui um compromisso com o processo. ciências da educação.
Assim, acredita-se na importância de uma aprendizagem
participativa, significativa e autonomizante, capaz de proporcionar ao
aluno novos conhecimentos, novas ações e, portanto, condições de
intervir e mudar o contexto em que vive e convive. É nesse sentido
que em Contribuição da didática para a formação de professores –
reflexões sobre o seu ensino, Alarcão (2000, p. 181) afirma que o
aluno surge como pesquisador e o professor, como coordenador da
aprendizagem na pesquisa.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Em sua prática pedagógica, o professor pode atuar em É inegável a contribuição da pesquisa nos processos formativos,
diferentes situações: na sala de aula em relação ao processo ensino e uma vez que a prática investigativa pressupõe a articulação de
aprendizagem, nas questões relacionadas ao conteúdo e currículo, na processos cognitivos, linguísticos, criativos, dialógicos e outros mais. A
relação professor aluno, nas questões relacionadas à gestão escolar, pesquisa, portanto, interfere positivamente na constituição dos saberes
enfim, em diferentes situações que podem gerar problemas na sua docentes e na compreensão de sua própria prática profissional.
prática pedagógica. Daí a necessidade do professor estar assegurado Favorece a tessitura de uma escola em que o conhecimento produzido
por atividades investigativas. passa a ser sistematizado, discutido, socializado – uma escola em que
Para Libâneo (2005), está por traz do conceito de professor a as proposições externas se misturam às proposições internas. Por fim,
ideia de alguém que ajuda os outros a desabrochar suas capacidades do ponto de vista político, a pesquisa na prática docente também pode
mediante atividades socialmente estabelecidas por um currículo. ser vista como um movimento contra-hegemônico que contribui para a
Desse modo, cabe ao professor, pela via da pesquisa, se revestir de ruptura de uma determinada forma de saber e poder (DINIZ-PEREIRA,
uma ferramenta favorável ao desenvolvimento do educando. 2002). Socializando os saberes oriundos da prática, e tomando a
Na mesma perspectiva, Abreu e Almeida (2008) afirmam que a teoria como texto cuja serventia é a interlocução com esses saberes, a
pesquisa sobre a prática pedagógica é um processo fundamental na prática investigativa na escola favorece o esfacelamento de uma
construção do conhecimento sobre a própria prática, trazendo relação endurecida, em que tradicionalmente a teoria era tomada
contribuições tanto para o desenvolvimento profissional dos como texto a ser transformado em método e aplicado na prática
professores como também para as instituições educativas a que eles (DINIZ-PEREIRA; LACERDA, 2009, p. 1234).
pertencem. Segundo Imbernón (2002, p. 112-113), “[...] o
conhecimento pedagógico gerado pelo professor é um conhecimento A DIMENSÃO ÉTICA DA PROFISSÃO.
ligado à ação prática, não podendo estar desvinculado da relação
teoria e prática”. Há uma confusão na compreensão dos termos ética e moral,
Há quatro grandes razões para que os professores façam inclusive levando a crer que ambos têm o mesmo significado. Deixo
pesquisa sobre a sua própria prática, a saber: para saber atuar claro que isto não está correto. Vamos compreender o conceito de
efetivamente em relação às questões relacionadas ao currículo e à ética para depois diferenciá-lo de moral.
sua atuação profissional, buscando meios para enfrentar os problemas Quando falamos sobre ética, parece que as coisas estão indo
que podem emergir de sua prática; para contribuir na construção de mal. Parece que há uma crise e logo nos reportamos a escândalos
um patrimônio de cultura e conhecimento dos professores como grupo envolvendo a administração pública. "Ora, cada um de nós tem sua
profissional; e para contribuir nas discussões em torno dos problemas própria ética baseada nas regras impostas pelo grupo do qual fazemos
educativos (ABREU; ALMEIDA, 2008). parte cujas ações se fundamentam na cultura transmitida de geração a
Todavia, embora reconheçamos o papel da pesquisa na geração e que nos diz o que é certo ou errado".
formação e na prática docente e a sua importância para a aproximação “A ética, como ciência do ethos, é um saber elaborado segundo
e o conhecimento da realidade educacional e da relação teoria e regras ou segundo uma lógica peculiar” segundo o ensinamento de
prática, concordamos com Diniz-Pereira e Lacerda (2009) quando Patrus-Penas e Castro (2010, p. 32). É a ética, conforme Srour (2011,
afirmam que o desenvolvimento de pesquisas na prática docente é p.21), que esclarece o motivo que leva os agentes sociais a tomarem
algo ainda polêmico no meio acadêmico. esta ou aquela decisão, orientados por este ou aquele valor,
Na concepção desses autores, a possibilidade ou não de haver condicionados por estes ou aqueles interesses. Portanto, ser ético,
pesquisas na prática pedagógica está relacionada a questões de significa ser um agente social cujas decisões são fundamentadas na
poder, pois ainda há pesquisadores que encaram a pesquisa na moral do grupo ao qual pertence e são tomadas com base em valores
prática docente como algo que possa competir com a pesquisa e interesses que busquem o bem comum.
acadêmica e abalar sua legitimidade. Muitos acadêmicos consideram a Cada sociedade tem sua ética própria, assim, não podemos
pesquisa científica como modelo para a investigação do professor. Aí dizer que há certo ou errado quando se compara o papel que se atribui
parece residir a razão da discórdia, pois, para alguns teóricos, essa à mulher no ocidente com aquele preconizado no Oriente Médio ou na
investigação pode se configurar como qualquer outra coisa exceto cultura muçulmana.
como pesquisa científica. O comportamento moral é legislado pela ética que irá definir o
Para Diniz-Pereira e Lacerda (2009), a pesquisa do professor da que é bom e investigar princípios da moralidade de uma sociedade.
educação básica sobre a prática docente favorece a discussão Ela fundamenta e justifica certos comportamentos, mas não cria a
permanente acerca do currículo escolar, da prática e da problemática moral.
social, possibilitando que os professores se firmem enquanto sujeitos A moral de um povo é o conjunto de normas vigentes
responsáveis por sua própria formação, apoiados pelo conhecimento consideradas como critérios que orientam o modo de agir dos
teórico e consigam refletir sobre seu cotidiano escolar. indivíduos daquela sociedade. “Quando se qualifica um
Da mesma forma, a pesquisa pode favorecer a emancipação comportamento como bom ou mau, tem-se um critério que é definido
docente, trazendo autonomia aos professores, que deixam de ser no espaço da moralidade” ensina Rios (2011) e isso interessa à ética
meros executores de ideias pensadas por outros para atuarem e no sentido de procurar o fundamento dos valores que oferecem
contribuírem na construção e sistematização do conhecimento sustentação para este comportamento bom ou mau.
produzido por eles, livres das pressões externas. Por conhecerem as As escolhas que estes agentes fazem considerando suas
teorias presentes na prática pedagógica, dialogam com o avaliações sobre o bem e o mal; o mal e o bem (quando se admite que
conhecimento teórico produzido fora do contexto escolar. Ademais, a há um mal necessário para que um bem maior seja atingido); o bem e
prática das pesquisas docentes pode fortalecer na escola o trabalho o bem (quando só é possível beneficiar uma das partes); e o mal e o
coletivo entre professores, potencializando suas ações investigativas e mal (quando se admite que “entre os males, o menor”) é o que
contribuindo efetivamente para o seu desenvolvimento profissional. diferencia fatos morais (estudados pela ética) de fatos sociais (do
cotidiano).

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APOSTILA DE DIDÁTICA

O “exercício habitual de uma tarefa, a serviço de outras pessoas” Bibliografia para esse capítulo
é o conceito que Sá (2009) atribui à profissão. Os benefícios, tanto ABREU, Roberta Melo de Andrade; ALMEIDA, Danilo Di Manno de.
para quem desempenha esta tarefa como para quem é beneficiado por Refletindo sobre a pesquisa e sua importância na formação e na
sua execução também integram este conceito. prática do professor do ensino fundamental. Revista Entreideias:
No exercício de nossa profissão, nos deparamos frequentemente Educação, Cultura e Sociedade, n. 14, p. 73-85, jul./dez. 2008.
com dilemas éticos que exigem reflexão. Por exemplo, o que dizer de LUCK Heloísa. Dimensões de gestão escolar e suas competências.
um advogado que deve defender um criminoso? Ou de um contador Curitiba: Editora Positivo, 2009.
que, mesmo sabendo das atividades ilícitas de seu cliente, tenha que NÓVOA, António. "Concepções e práticas de formação contínua de
lhe prestar serviço? Ou de um da obrigatoriedade de se reportar um professores". In Formação Contínua de Professores - Realidades e
acidente ocorrido no trabalho ainda que isto cause impactos negativos Perspectivas. Aveiro: Universidade de Aveiro, 1991.
para a empresa junto à sociedade? Documento de Referência da CONAE 2010. BRASIL, MEC. Plano de
Por outro lado, há uma situação interessante a ser observada. Desenvolvimento da Educação. Brasília: MEC, 2007 Disponível em
Os trabalhadores muitas vezes se queixam da pressão sofrida no http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/conae/documento_referencia.pdf
ambiente de trabalho, mas quando são chamados a revelar a causa do DEMO, P. Educação pelo avesso: assistência como direito e como
estresse, não apontam suas verdadeiras causas acreditando que problema. São Paulo: Cortez, 2000. FREIDSON, E. O renascimento do
colocarão em risco sua competência profissional. profissionalismo. São Paulo: EDUSP, 1998.
A ética, permeia o exercício da profissão na medida em que a DINIZ-PEREIRA, Julio Emílio; LACERDA, Mitsi Pinheiro de. Possíveis
conduta profissional condizente com a moral e a regulação feita pela significados da pesquisa na prática docente: ideias para fomentar o
lei garante benefícios para os profissionais, a categoria à qual debate. Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 30, n. 109, p.
pertencem e para a sociedade. Vale aqui ressaltar que a conduta ética 1229- 1242, set./dez. 2009.
universal independe das culturas cujos costumes são diferenciados, ou FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
seja, o zelo, a honestidade, e a competência são virtudes desejadas educativa. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
em qualquer exercício profissional independente da área de atuação GUIMARÃES, Valter Soares. Formação de professores: saberes,
ou cultura em que for desenvolvido. Sendo assim, a profissão não identidade e profissão. Campinas, SP: Papirus, 2004. HAMZE, Amélia.
deve ser um meio, apenas de ganhar a vida, mas de ganhar pela vida Governabilidade e Governança. Disponível em: < Acesso em 20 de
que ela proporciona, representando um propósito de verdade. ago. 2011.
Para um professor, o seu patrimônio profissional é constituído HELATCZUK, Vitorio. Ser professor hoje. Disponível em:
também da percepção que se tem dele, de suas decisões na vida www.ufpi.br/subsiteFiles/ppged/arquivos/files/Revista/.../artigo3.pdf .
pessoal e de sua conduta na organização com os colegas e na sua Acesso em 25 OUTUBRO. 2017.
relação com os alunos. Devemos entender e reforçar o valor do código IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional: formar-se
de ética da profissão de educador no sentido de preservar o nome para a mudança e a incerteza. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
profissional que causa impactos em toda categoria. LIBANIO, João Batista. A arte de formar-se. 2 ed. São Paulo: Edições
Ao tratar as condutas antiéticas de um educador, reforçamos a Loyola, 2001.
importância de se preservar a imagem pessoal e profissional que faz MASETTO, Marcos Tarciso. Pós-Graduação e formação de
por merecer a confiança da sociedade e das organizações. O que se Professores para o 3° Grau. São Paulo: 1994 (mimeo).
faz durante toda uma vida, em poucos dias pode desmoronar, diante SÁ, A. L. de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
dos efeitos malévolos da ação dos caluniadores, traidores,
difamadores, chantagistas e intrigantes” diz Sá (2010). Energia e
inteligência são necessárias para que possamos nos contrapor aos
resultados das ações que buscam destruir uma imagem positiva,
principalmente da tão maltratada carreira educacional.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 QUESTÕES 53. Para Libâneo, existe uma relação direta entre as várias
concepções de gestão escolar e as diferentes visões dos
51. Devemos inferir que a educação de qualidade é aquela mediante a educadores sobre as finalidades da educação, no que se refere à
qual a escola promove, para todos, o domínio dos conhecimentos formação dos alunos e ao atendimento à sociedade. A concepção
e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas de organização e gestão escolar que defende a forma coletiva de
indispensáveis ao atendimento de necessidades individuais e tomada de decisão, dando ênfase tanto às ações pedagógicas
sociais dos alunos.‖ (Libâneo, 2005, pág. 117). quanto às relações intra e extraescolar, é a:
a) Tecnocrática burocratizante.
Considerando que “a função social da escola é favorecer acesso b) Demagógica liberal.
ao conhecimento de forma profícua” assinale a alternativa que c) Democrático-participativa.
d) Liberal reformista.
melhor se relaciona ao pensamento de Libâneo:
a) A escola pública brasileira, mediante a forma como organiza seu
54. Libâneo chama atenção para o fato de que o projeto pedagógico
trabalho pedagógico e estabelece seus regulamentos, ritmos e curricular não pode ser confundido com a organização escolar e
rituais, ainda não é capaz de produzir o sucesso escolar e de também não substitui a gestão. São duas coisas diferentes. Dentro
alcançar os fins educacionais assegurados deste princípio, marque a afirmativa que melhor condiz com a
constitucionalmente. ideia.
b) É a condição de classe social dos alunos que determina sua a) A gestão põe em prática o processo organizacional para atender
entrada ou não no sistema de ensino, bem como sua os interesses do corpo docente e da Direção.
permanência por um tempo determinado. b) O projeto é um instrumento da gestão e dá direção política e
c) São os alunos das camadas menos favorecidas pedagógica ao trabalho escolar.
economicamente da população brasileira que engrossam as c) A gestão dá direção política e pedagógica para o trabalho
estatísticas da repetência, da evasão e do abandono escolar, escolar, independente do projeto pedagógico.
constituindo-se numa faceta do fracasso escolar. d) A gestão não põe em prática o processo organizacional, isto é
d) A análise da função social da escola está intrinsicamente função do projeto pedagógico.
relacionada com o conceito de fracasso escolar diretamente e) A gestão é um instrumento do projeto e institui procedimentos e
relacionado com o conceito de avaliação, pois a forma como instrumentos de ação para a escola.
esta tem sido concebida e praticada tem contribuído para
sedimentar tal fracasso. 55. Em relação a avaliação institucional, assinale a alternativa correta:
e) A escola é uma instituição social com o objetivo explícito: o a) Não faz parte do conceito de avaliação a tomada de decisões
desenvolvimento das potencialidades, físicas, cognitivas e com julgamentos e resultados.
afetivas dos alunos, por meio da aprendizagem dos conteúdos b) Visa à identificação de critérios, procedimentos e resultados
(conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes e para melhorias na educação, com participação individual e
valores), desenvolvendo nos alunos a capacidade de se coletiva.
c) A avaliação deve ser concebida como um processo sistemático
tornarem cidadãos participativos na sociedade em que vivem.
e quantitativo de análise.
d) Deve impulsionar o processo criativo e de autocrítica como um
52. Considerando o sucesso/fracasso escolar, analise: princípio e procedimento teórico.
I. As crianças entram para a escola com possibilidades de e) Consolida as relações entre as esferas pública e privada, a
sucesso e de fracasso escolar e as relações construídas partir de modelos que propõem a divisão do trabalho.
dentro da sala de aula podem funcionar como includentes ou
excludentes desses estudantes, tendo em vista grupos 56. Quanto às discussões sobre currículo e seus pressupostos
socioculturais aos que pertencem. sociológicos, assinale a alternativa correta:
II. Para se conseguir o sucesso escolar de nossos estudantes, a) Currículo, na atualidade, está envolvido com os critérios de
precisa-se aliar as informações pedagógicas, pessoais, seleção e poder, ou seja, com as questões identidade e
sociais, culturais, que temos sobre eles, com as metodologias subjetividade.
e propostas pedagógicas que levem em conta seus processos b) Para a discussão curricular, selecionar não é uma operação de
de construção dos conhecimentos e que rompam com a poder.
ossatura rígida da cultura escolar. c) É precisamente a questão de poder que vai articular as teorias
curriculares tradicionais, críticas e pós-críticas.
III. A origem de classe influi no rendimento dos alunos, de forma d) As teorias críticas e pós-críticas de currículo não estão preocupadas
exclusiva e absoluta. com as conexões entre saber, identidade e poder.
IV. São muitos os fatores que interferem na construção do e) As teorias tradicionais se concentram nas questões
sucesso-fracasso escolar, o pertencimento ético, a trajetória comportamentais.
escolar e de vida, o gênero, a idade dos alunos.
57. É um tipo de avaliação que tem por função básica a classificação
Está (ao) correta (s) apenas a (s) afirmativa (s): dos alunos, sendo realizada no final de um curso ou unidade de
a) I, II, III e IV. ensino, classificando os alunos de acordo com os níveis de
aproveitamento previamente estabelecidos. O texto acima
b) I, II e IV.
descreve uma:
c) I e IV.
a) Avaliação formativa.
d) II e IV.
b) Avaliação somativa.
e) I. c) Avaliação diagnostica.
d) Avaliação personalizada.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

58. A respeito da Avaliação Formativa, é INCORRETO afirmar: 62. Segundo o mestre Paulo Freire (1996) o educador progressista
a) A avaliação formativa não tem como objetivo classificar ou não pode prescindir de conteúdos obrigatórios à organização
selecionar. programática e a formação docente. Assim, adverte-nos para a
b) Fundamenta-se nos processos de aprendizagem em seus necessidade de assumirmos uma postura ética e a dimensão
aspectos cognitivos, afetivos e relacionais. estética na prática docente, movida para o desejo e movida com
c) Uma avaliação não precisa conformar-se a nenhum padrão alegria, a qual não deve:
metodológico para ser formativa. a) Ser rigorosa, neutra e radical.
d) O sentido e a finalidade da avaliação formativa deve ser o de b) Conduzir ao espaço de reafirmação, criação e amorosidade o
conhecer melhor o professor, suas competências e suas aluno desinteressado.
técnicas de trabalho. c) Abrir mão do sonho, do rigor, da seriedade e simplicidade
inerente ao saber-da-competência.
59. Na relação professor-aluno envolve interesses e intenções, sendo d) Contribuir para uma postura vigilante contra todas as práticas de
esta interação o expoente das consequências, pois a educação é desumanização.
uma das fontes mais importantes do desenvolvimento e) Contribuir para a leitura crítica das verdadeiras causas da
comportamental e agregação de valores nos membros da espécie degradação humana.
humana. Logo, a relação entre professor e aluno depende,
fundamentalmente: 63. Com base nas considerações de José Carlos Libâneo em
I. Do clima estabelecido pelo aluno. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática, o estudo da
II. Da relação empática com seus alunos. organização e gestão da escola tem como objetivos de
III. Da sua capacidade de ouvir, refletir e discutir. aprendizagem:
IV. Da criação das pontes entre seu conhecimento e os deles. I. O conhecimento da organização escolar – a sua cultura, as
relações de poder, o seu modo de funcionamento, os seus
Assinale a alternativa correta. problemas – bem como das formas de organização e gestão,
a) Somente I, II e III estão corretas. das competências e dos procedimentos necessários para a
b) Somente I, II e IV estão corretas atuação, de forma eficiente e participativa, nas decisões e
c) Somente II, III e IV estão corretas ações dirigidas ao atendimento dos objetivos educacionais.
d) Somente I, III e IV estão corretas II. A compreensão das relações entre as orientações gerais do
sistema escolar e as escolas e o trabalho do professor, de
60. A interação professor-aluno é um aspecto fundamental da modo a desenvolver capacidade crítica para avalia-las em
organização da situação didática. Segundo Libâneo, podem-se função das realidades da escola e das necessidades
ressaltar dois aspectos para a realização do trabalho docente: individuais e sociais dos alunos.
a) o aspecto social, que se refere à integração de cada aluno ao III. O desenvolvimento de saberes e competências para fazer
seu meio social e o aspecto atitudinal, que se refere à análises de contextos de trabalho, identificar e solucionar
aquisição de conhecimentos acadêmicos a serem utilizados na problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas
vida pessoal de cada aluno; diante de situações novas ou inesperadas, na organização
b) o aspecto técnico e emocional, que se refere ao escolar e na sala de aula.
desenvolvimento da autonomia e das qualidades morais e o IV. A capacitação para participação no planejamento, organização
aspecto intelectual, que se refere a aprendizagem com vistas a e gestão da escola, especialmente na viabilização das ações
orientação de trabalhos independente dos alunos; de realização do projeto pedagógico curricular, com
c) o aspecto psicopedagógico clínico, que diz respeito ao sujeito competência técnico-científica, sensibilidade ética e
aprendente e ao aspecto acadêmico, que diz respeito aos compromisso com a democratização das relações sociais na
objetivos do processo de ensino, a transmissão de instituição escolar e fora dela.
conhecimentos, hábitos e atitudes; V. O enfrentamento dos problemas da organização escolar, como
d) o aspecto cognoscitivo, que diz respeito a formas de educadores responsáveis pela formação intelectual, afetiva,
comunicação dos conteúdos escolares e o aspecto ética, sob o enfoque de estratégias de gestão democrática,
sócioemocional que diz respeito às relações pessoais entre pautada nos princípios de ordem econômica e financeira e nos
professor e alunos e às normas disciplinares indispensáveis ao interesses do Banco Mundial regidos pelo mercado
trabalho educativo; internacional, propiciando uma orientação prática de como lidar
com as situações cotidianas no contexto escolar.
61. Em se tratando da relação professor-aluno na sala de aula,
assinale a alternativa incorreta. Estão corretas:
a) O trabalho docente nunca é unidirecional. a) Somente II, III, IV e V.
b) A relação maternal ou paternal deve ser evitada, porque a b) Somente I, II, IV e V.
escola não é um lar. c) Somente I, II, III e IV.
c) O professor autoritário exerce a autoridade a serviço da d) Somente I e V.
autonomia e independência dos alunos. e) I, II, III, IV e V.
d) A disciplina da classe está diretamente ligada ao estilo da
prática docente, ou seja, à autoridade profissional.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

64. Assinale a alternativa que, de acordo com Edgar Morin (Os sete Anotações
saberes necessários à educação do futuro), apresenta
corretamente um aspecto constitutivo da educação comprometida
com a ética do gênero humano.
a) A ética do gênero humano tem como uma de suas dimensões
fundamentais a relação entre indivíduo singular e espécie
humana efetivada por meio da comunidade de destino
planetário.
b) A ética deve ser ensinada por meio de lições de moral, com
base na consciência de que o ser humano é, ao mesmo
tempo, indivíduo, parte da sociedade e da espécie humana.
c) Configuram-se como finalidades ético-políticas do novo milênio:
conceber a humanidade como uma comunidade planetária e
evitar qualquer controle mútuo entre a sociedade e os
indivíduos.
d) O desenvolvimento humano compreende a conquista das
autonomias individuais e das participações comunitárias, com
predominância das primeiras, que fortalecem as liberdades
democráticas.

65. Nas últimas décadas vem crescendo um movimento entre os


estudiosos da formação do professor. Esse movimento defende a
concepção do professor pesquisador ou reflexivo, como aquele
que:
I. Se propõe a solucionar os problemas da realidade escolar
mediante a aplicação de um conhecimento teórico e técnico,
previamente disponível, que procede da pesquisa cientifica.
II. Mobiliza saberes teóricos e práticos para investigar sua própria
atividade e, a partir dela, construir novos saberes num
processo contínuo.
III. Em sala de aula, se revela pesquisador da sua própria prática,
propondo-se a registrá-la e discuti-la com seus colegas, num
sentido de superação e tomada de decisões.

É CORRETO o que se propõe em:


a) I, II e III.
b) II e III, apenas.
c) III, apenas.
d) II, apenas.
e) I e III, apenas

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 ASPECTOS LEGAIS E POLÍTICOS DA ORGANIZAÇÃO DA A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, publicada em
EDUCAÇÃO BRASILEIRA 1996, além de anunciar os princípios constitucionais, ampliou-os,
incorporando o respeito à liberdade e o apreço à tolerância, a
Para iniciarmos algum entendimento sobre a implementação de coexistência das instituições públicas e privadas de ensino, a
políticas educacionais, uma das questões centrais a ser abordada é a valorização da experiência extraescolar e a vinculação entre a
análise das posturas/ações/intervenções do Estado, inclusive, educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
contemplando diferentes períodos históricos, pois como indica Bobbio
(2007), em termos de bem-estar social, sempre se supõe que seja o ESTRUTURA DO ATUAL SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO
Estado o agente principal na implementação de políticas.
A radical mudança do papel do Estado quanto ao provimento dos A estrutura do atual Sistema Educacional Brasileiro é resultado de uma
direitos fundamentais de cidadania vem ocorrendo, em nível mundial, série de mudanças ao longo da história da educação no Brasil. Os
desde os anos 80, mas é a partir dos anos 90 que ela se acirra. primeiros Sistemas Educacionais Brasileiro, que vigorou durante vários
Embora o Brasil tenha ingressado com atraso neste processo, os anos, teve um caráter excludente desfavorecendo a grande massa
dirigentes, segundo Sousa Junior (2001), resolveram compensar o popular e garantindo o acesso à educação somente à elite brasileira.
tempo perdido implementando um conjunto de medidas em diversos Segundo Ribeiro, ao referir-se a esse longo período afirma que
setores da economia e das políticas públicas, sendo a área éramos um país de Doutores e Analfabetos, pois tínhamos cursos
educacional atingida em todos os níveis e modalidades de ensino, em superiores para poucos, nenhum incentivo à formação de professores
um curto espaço de tempo. e escassos recursos para a escola pública. Com a Lei nº 9.394/96
O que podemos observar nesse sentido, é que temos um Estado (LDB) buscou-se, levando em consideração a realidade educacional
que age, de forma significativa, atendendo ora as necessidades acima descrito, normatizar o sistema educacional e garantir acesso à
provenientes da sociedade civil, ora atendendo as demandas educação de igual modo a todos. Essa lei traz um conjunto de
mercadológicas e/ou da globalização, para estabelecer as diretrizes e definições políticas que orientam o sistema educacional e introduz
leis que irão normatizar as relações que são estabelecidas no contexto mudanças significativas na educação básica do Brasil.
educacional, no que se refere ao financiamento, como na gestão e Para compreender a evolução e dimensão do atual Sistema
administração escolar. Educacional Brasileiro, enquanto parte do processo de
desenvolvimento social, foram levadas em consideração algumas
EDUCAÇÃO COMO POLÍTICA PÚBLICA premissas:
- A compreensão do sistema educacional brasileiro exige que
Como conceito de políticas públicas encontra-se a de ações e não se perca de vista a totalidade social da qual o sistema educativo
intenções com os quais os poderes ou instituições públicas respondem faz parte.
às necessidades de diversos grupos sociais. - O sistema escolar é um dos elementos da superestrutura que
Para a educação as políticas possibilitam ações que atendam às forma, em unidade com o seu contrário – a infraestrutura - estrutura
necessidades da comunidade escolar, onde por meio dessas, é social.
possível que haja: Entende-se infraestrutura como os modos e os meios do homem
• valorização dos funcionários da escola; produzir sua existência. Neste sentido as transformações, desses
• formação de Professores; processos, devem ser compreendidas como alavancas que
• educação: infantil, Ensino Médio, EJA, a distância, especial, pressionam a ocorrência de mudanças na superestrutura que, por sua
ambiental, profissional, no campo e superior indígena; vez se movimenta entre dois elementos: as instituições e as ideias.
• avaliação da educação; A relação entre a infraestrutura e a superestrutura é uma relação
• educação para todos; determinante que não se dá de fora linear, direta ou absoluta, haja
• expansão e Reestruturação do Ensino . vista que a superestrutura tem refletido em si a contradição
fundamental da infraestrutura – conservação X transformação. Cada
A Constituição de 1988 refere-se à educação como «direito de uma e ambas, enquanto unidades de contrários reagem e agem
todos e dever do Estado e da família [...] promovida e incentivada com combinada e contraditoriamente, via processos de resistências,
a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da aceleramentos e recuos, intermediados por normas, regulamentos,
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação concepções filosóficas e políticas, recursos e instituições, entre tantos
para o trabalho» (art. 205). outros.
O seu Art. 206 determina que o ensino deve ser ministrado com Tomando como referências estas concepções iniciais, o
base nos seguintes princípios: conteúdo do texto toma forma, privilegiando dois mediadores da
I. Igualdade de condições para o acesso e permanência na organização educacional brasileira, que complementam-se:
escola. • As concepções de educação – seus postulados e expressões na
II. Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o organização da escola brasileira;
pensamento, a arte e o saber. • A organização, propriamente dita, do sistema educacional – onde
III. Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e a formação educacional (básica e superior) é determinante do
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. desenvolvimento social do país.
IV. Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.
I. Valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma Desta maneira será demonstrado que a nova proposta
da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial educacional brasileira objetiva a democratização e universalização do
profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas conhecimento básico, proporcionando educação e cuidado com a
e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições escolarização, assumindo um caráter intencional e sistemático, que dá
mantidas pela União. especial relevo ao desenvolvimento intelectual, sem, contudo
II. Gestão democrática do ensino público, na forma da lei. descuidar de outros aspectos, tais como o físico, o emocional, o moral
III. Garantia de padrão de qualidade. e o social (Lei nº 9394/96).

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Os princípios balizadores e asseguradores das políticas para a e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições
educação encontra-se depositados na Constituição Federal (C.F.), mantidas pela União;
promulgada em 1988, onde traz em seu Capítulo III - da Educação, da VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
Cultura e do Desporto, no Artigo 205: “A educação, direito de todos e VII - garantia de padrão de qualidade às comunidades indígenas
dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da aprendizagem.
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
para o trabalho.” organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
No Art. 206 da Constituição, garante-se que o ensino será § 1º A União organizará e financiará o sistema federal de ensino
ministrado com base nos seguintes princípios: e o dos Territórios, e prestará assistência técnica e financeira aos
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento
escola; de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o obrigatória.
pensamento, a arte e o saber; § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e fundamental e pré-escola.
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito,
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por
V - valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a
da lei, plano de carreira para o magistério público, com piso salarial proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do
profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas ensino.
e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela
mantidas pela União; União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do
VII - garantia de padrão de qualidade públicas e privadas de cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
ensino; § 2º Para efeito do cumprimento do disposto no caput deste
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e
mediante à garantia de: municipal e os recursos aplicados na forma do art. 213.
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os § 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade
que a ele não tiveram acesso na idade própria; ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, nos termos
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao do plano nacional de educação.
ensino médio; Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas
III - atendimento educacional especializado aos portadores de públicas, podendo ser dirigidos às escolas comunitárias, confessionais
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; ou filantrópicas, definidas em lei, que:
IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a I - comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus
seis anos de idade; excedentes financeiros em educação;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola
criação artística, segundo a capacidade de cada um; comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao poder público, no caso
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do de encerramento de suas atividades.
educando; § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados
VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da
de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando
alimentação e assistência à saúde. houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público da residência do educando, ficando o poder público obrigado a investir
subjetivo. prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo poder Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de
público, duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do
ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do poder
competente. público que conduzam à:
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no I - erradicação do analfabetismo;
ensino fundamental, fazer¬-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou II - universalização do atendimento escolar;
responsáveis, pela frequência à escola. III - melhoria da qualidade do ensino;
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino IV - formação para o trabalho;
fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e V - promoção humanística, científica e tecnológica do país.
respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá
disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino
fundamental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua
portuguesa, assegurada
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma
da lei, plano de carreira para o magistério público, com piso salarial
profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas

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APOSTILA DE DIDÁTICA

PROJETO EDUCACIONAL BRASILEIRO Educação Infantil:

O Plano Nacional de Educação (PNE) representa as diretrizes e A especificidade atribuída a essa etapa da escolarização opõe-
as metas a serem alcançadas a longo prazo. É o mapa da caminhada se a visão da pré-escola com base na noção de privação ou carência
pela elevação do desempenho das instituições educacionais. “Ali estão cultural, tão expressivo no passado, segundo o qual o papel da pré-
as mudanças e os objetivos para que todo o sistema educacional se escola seria o de suprir as deficiências das crianças, especialmente as
programe e busque alcançar alvos que permitam alcançar uma de origens populares.
educação com qualidade” (NEY, 2008). A manutenção da educação infantil como primeira etapa da
A Lei de Diretrizes e Bases Nacional (LDB) tem o papel de educação básica representa uma vitória e a dimensão
regulamentar, disciplinar e estabelecer os sistemas, as estruturas, os pedagógica do atendimento de crianças de 0 a 5 anos tem por
recursos para o desenvolvimento da educação, de acordo com a objetivo o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos
necessidade do país. físico, psicológico intelectual e social (artigo 29 daLDB).
Somente com a Constituição Federal de 1988, que começou a
Lembre-se que as Diretrizes correspondem às modalidades da
alargar os horizontes do ensino infantil no Brasil, pois, em seu artigo
organização da educação, aos ordenamentos de oferta, aos sistemas
208, inciso IV, afirma que é o dever do Estado com a educação será
de conferência de resultados e procedimentos para articulação de efetivado mediante a garantia de “atendimento em creches e pré-
interestrutura e infraestrutura. Nas diretrizes encontramos o conteúdo escolas a crianças de 0 a 5 anos”.
de formulação operativa. As Bases correspondem às vigas de Isso significa que o Estado é obrigado pela Constituição Federal
sustentação que o sistema educacional é fundamentado. Aqui estão a disponibilizar vagas para este nível de ensino, pois, a família que
os princípios axiológicos e os contornos de direitos. achar-se lesada por não conseguir matrícula na rede pública para o
Um ponto positivo da LDB, é o reconhecimento de que uma ensino infantil, pode recorrer à promotoria pública que por sua vez
pessoa não aprende apenas no âmbito escolar, ou na educação acionará judicialmente os órgãos competentes. Direitos estes
formal, aprende-se no cotidiano em função da família, na qual a conquistados com a Constituição Federal de 1988, principalmente
criança recebe seus primeiros ensinamentos e aprende na convivência devido à enorme procura de vagas para crianças de 0 a 5 anos, uma
diária os seus primeiros passos da vida. No ambiente, por meio do vez que cada vez mais as mulheres conquistavam de maneira
relacionamento com outras crianças, e o ambiente em que se vive significativa posto no mercado de trabalho não dispondo mais do
gera aprendizagem. No trabalho, que é por essência um princípio tempo que outrora tinha para cuidar de suas crianças.
educativo, pois os programas educacionais devem ser processos para É importante ressaltar que hoje este nível de ensino por força da
formar para o trabalho e não pelo trabalho. Nas Instituições de ensino Emenda Constitucional nº 53 de 2006, corresponde as crianças de 0 a
ou pesquisa, que são locais de educação formal e de formação 5 anos de idade.
humana. Nas associações e organizações civis, que permitem as A respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei
trocas de experiências em grupos similares ou díspares. Nos Federal Nº 8.069, de 1990, que é mais uma conquista da sociedade
movimentos sociais, cuja leitura que a pessoa faz, possibilita a civil em defesa dos direitos da criança, principalmente das de 0 a 5
obtenção de um novo conhecimento e, por fim, na Arte, lazer e cultura, anos de idade. Pois, em seu artigo Nº 4 afirma:
que são elementos que contribuem para o desenvolvimento humano. É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do
Ou seja, as bases das teorias psicogenéticas de Piaget, Vygotsky e poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos
Wallon, estão bastante presentes no contexto da LDB. Você consegue direitos referente à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
perceber isso? esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
Outro componente importante no projeto legal para educação é o respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Plano Nacioanal de educação que historicamente, teve seu primeiro Ainda em seu artigo nº 53 o Estatuto da Criança e do
Adolescente (E.C.A), afirma que a criança tem o direito de ser
estabelecido pelo Ministério da Educação e Cultura em 1962, sob a
respeitada por seus, educadores em razão de suas limitações de
aprovação do antigo Conselho Federal de Educação, nasceu, mas não
autodefesa por serem de pouca idade. Pois, são comuns muitas
com força de lei. A ideia reapareceu com a Constituição de 1988 por instituições de ensino infantil praticar castigos de toda natureza
meio do artigo 214. Na Lei Nº 9.394/96 (LDBEN), em seus artigos 9 e inclusive físicos, além do espaço ser inadequado e a falta de formação
87 a União recebeu a responsabilidade de elaborar tal plano. Assim, a própria dos profissionais para este nível de ensino. Tanto a
Lei Nº 10.172/2001 aprovou o Plano Nacional de Educação. Constituição Federal quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente
Em 2000, efetiva-se o PNE que, apresenta-se dividido em: (E.C.A), buscam a proteção e a garantia dos direitos das crianças,
diagnóstico, diretrizes e metas/ objetivos, entra então em vigor com garantindo o acesso das mesmas em instituições de ensino de 0 a 5
suas metas e passa a ter vigência no período de 2001 a 2011. anos. Pois no artigo nº 54 da (E.C. A) reafirma o dever do Estado em
Entretanto mostrando as contradições e prioridades em que a assegurar o atendimento em creches e pré-escolas.
educação encontra-se amparada no nosso pais, o congresso nacional, Para reforçar o que acima foi descrito a Lei de Diretrizes e Bases
com atraso de 4 anos, aprova em 25 de junho de 2014 o Plano da Educação Nacional (L.D.B) lei Federal nº 9394 de 1996, afirma em
Nacional de Educação para o decênio 2011-2020. seu artigo nº 29 “que a educação infantil é a primeira etapa da
educação básica e tem como finalidade o seu desenvolvimento físico,
A LEI Nº 9.394/96 (LDB) E A REALIDADE EDUCACIONAL psicológico, intelectual e social”. Já no artigo 31 diz que na educação
infantil a avaliação não terá o objetivo de promoção, mesmo para o
A tramitação no Congresso Nacional para aprovação e acesso ao ensino fundamental. Vale ressaltar que em seu artigo nº 30
implementação desta Lei foi longo e conflituoso, mas apesar das a LDB, subdividem a educação infantil em creches para crianças de
inúmeras tentativas de eliminar as conquistas obtidas, ao final, a Lei até 3 anos e pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos deidade. Em
promulgada, oferece novas oportunidades educacionais a todo o povo virtude dos acontecimentos já mencionados chegamos à conclusão
brasileiro, trazendo um conjunto de definições políticas que visam que apesar dos enormes esforços por parte do governo federal e
orientar o sistema educacional e introduz mudanças significativas na sociedade civil em prol da melhoria na qualidade do ensino infantil,
educação básica do país. ainda tem muito que se fazer, principalmente na formação dos
Após a retrospectiva histórica da educação brasileira a cima educadores que atuam neste nível de ensino. Não precisamos de mais
descrito, atentemos as mudanças ocorridas na estrutura educacional leis que assegure os direitos das crianças e sim cumprir as que já
no Brasil, após a atual LDB, vigorando em todo o território nacional existem.
brasileiro.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Ensino fundamental adquiridos, visando uma maior compreensão do significado das


Ciências, arte, letras e de outras manifestações culturais.
Relembrando o histórico desta modalidade, no Brasil a educação Outra função delegada a esta fase final do ensino básico é de
obrigatória e gratuita foi introduzida com a Constituição Federal em possibilitar que os jovens possam ter acesso à educação
1934 e era composto de apenas cinco anos, somente por força da Lei profissionalizante, aprofundando sua compreensão sobre os
Nº 5.692/71 esse ensino obrigatório estendeu-se para oito anos com a fundamentos científicos e tecnológicos.
nomenclatura de primeiro grau. Mas foi com a Constituição de 1988 Assim a Lei objetiva-se em possibilitar o aprimoramento do
que esta nomenclatura foi alterada para Ensino Fundamental. educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o
Segundo Romualdo o ensino fundamental é uma etapa da desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.
educação básica destinada a crianças e adolescentes com duração Por fim destaca-se à ampliação da carga horária mínima anual
mínima de nove anos, obrigatório e gratuito a partir dos seis anos de de 200 dias letivos de efetivo trabalho escolar, no nível fundamental e
idade, de acordo a Lei Nº 11.114/05 e conforme a LDB em seu artigo médio, segundo o artigo 24 incisos I. E também a progressão
Nº 32 afirma que o Ensino Fundamental terá como objetivo a formação continuada, uma inovação que viabilizou procedimentos que
básica do cidadão mediante inciso III: “o desenvolvimento da contribuíram para minimizar os problemas de evasão e repetência,
capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de bem como o tratamento dado com relação a educação indígena e a
conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores”. educação especial.
É importante observar que esse artigo, mediante a eliminação do
limite de idade para o direto ao ensino fundamental obrigatório, A educação de Jovens e Adultos (EJA):
significa a possibilidade de todos os brasileiros, de qualquer faixa
etária acima de sete anos de idade ter acesso a esta etapa da Segundo Kruppa, em 1990 (ano internacional da Alfabetização)
escolarização, podendo exigi-la legalmente do poder público, pois com Paulo Freire à frente da Secretaria de Educação do Município de
antes a obrigação do Estado na oferta dessa escolarização excluía os São Paulo, organizava-se a Primeira Conferência Brasileira de
que ultrapassassem a faixa dos quatorze anos. Alfabetização, no qual representantes do Ministério da Educação
Essa alteração na LDB do ensino fundamental de 8 anos para 9 (MEC) se comprometeram em priorizar a alfabetização de adultos. Em
anos é devida da necessidade da melhoria no ensino obrigatório, 1997 o governo Federal desvincula a EJA do MEC e cria o Programa
sendo assim, o Presidente da República da época, sancionou no dia Alfabetização Solidária, com o objetivo de reduzir as altas taxas de
06/02/2006 a Lei Nº 11.274 que regulamenta o ensino fundamental de analfabetismo que ainda vigorava em algumas regiões do país.
nove anos, alterando os artigos 29, 30, 32 e 87 da LDB, que Programa este presidido pela primeira dama do país e atendendo 1,5
estabelece as diretrizes da educação nacional. milhão e meio de brasileiros em 1200 municípios brasileiros de 15
No entanto, devemos estar atentos para o fato de que a inclusão Estados, trabalhando em parcerias com empresas, instituições
de crianças de seis anos de idade não deverá significar a antecipação universitárias, pessoas
dos conteúdos e atividades que tradicionalmente foram físicas, prefeituras e o Mistério da Educação (MEC).
compreendidos como adequados à primeira série. Faz necessário, Além das turmas tradicionais da (EJA), em 2003 o governo do
portanto, que se construa uma nova estrutura e organização dos presidente LULA, criou o Programa Brasil Alfabetizado, que priorizou
conteúdos em um ensino fundamental, agora de nove anos. de início as instituições filantrópicas, somente a partir do segundo ano
Outra inovação da LBD em seu artigo 26 é a obrigatoriedade do as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação que receberam
ensino de Artes na grade curricular do ensino fundamental, porém, o mais recursos do programa, chegando em 2007 com quase 50 % de
ensino da educação física compõe a proposta pedagógica do todos os recursos destinados ao Brasil Alfabetizado.
estabelecimento de ensino, más, torna-se facultativa aos cursos Em consonância com a Constituição, a LDB, estabelece que “O
noturnos. Todas essas mudanças que ocorreram na estrutura do dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado
ensino fundamental têm melhorado de maneira significativa a mediante a garantia de ensino, obrigatório e gratuito, inclusive para os
qualidade neste nível de ensino, no entanto ainda não é o suficiente. que a ele não tiveram acesso idade própria”.
Ensino médio No seu artigo 37, refere-se à educação de jovens e adultos
Segundo os artigos 35 e 36 da LDB, esta fase do ensino é a determinando que “A educação de jovens e adultos será destinada
etapa final da educação básica, e observamos que ela vem buscando àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino
sua identidade. Ora lhe é delegada a função de preparatório para a fundamental e médio na idade própria”. No inciso I, deixa clara a
universidade, ora sua finalidade é atender ou preparar para o mercado intenção de assegurar educação gratuita e de qualidade a esse
de trabalho. segmento da população, respeitando a diversidade que nele se
Segundo Pinto, o governo Vargas em 1937, implantou um apresenta.
sistema de ensino profissionalizante para atender as camadas O desafio imposto para a EJA na atualidade se constitui em
populares com objetivo de preparar “Mão de obra para o mercado de reconhecer o direito do jovem/adulto de ser sujeito; mudar
trabalho”, porém, somente o ensino médio propedêutico permitia radicalmente a maneira como a EJA é concebida e praticada;
acesso ao ensino superior. Mas foi no governo do regime militar em buscar novas metodologias, considerando os interesses dos
que o ensino médio teve grandes alterações, pois o presidente Médici jovens e adultos; pensar novas formas de EJA articuladas com o
através da Lei nº 5692/71, determinou que todas as escolas do país mundo do trabalho; investir seriamente na formação de educadores; e
ministrassem um ensino médio de 3 anos estritamente de caráter renovar o currículo de forma interdisciplinar e transversal, entre outras
profissionalizante, tudo indica que era uma tentativa de diminuir a ações, de modo que este passe a constituir um direito, e não um favor
demanda de vagas nas universidades públicas e barrar as prestado em função da disposição dos governos, da sociedade ou dos
manifestações estudantis que ocorria pelo país. empresários.
No atual texto da LDB (artigo 35, inciso III), o ensino médio,
objetiva preservar o caráter unitário, partindo da proposta de educação
geral. Este nível de ensino desempenha a função de contribuir para
que os jovens consolidem e aprofundem conhecimentos anteriormente

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Educação Inclusiva: escolas e instituições especializadas. E que eles disponham de tudo o


que for necessário para o seu desenvolvimento cognitivo.
A educação inclusiva é uma educação onde os ditos “normais” e
os portadores de algum tipo de deficiência poderão aprender uns com A educação profissional no Brasil
os outros. Uma depende da outra para que realmente exista uma A Lei 9.394/96, constitui-se num marco para a educação
educação de qualidade. A educação inclusiva no Brasil é um desafio a profissional, pois as leis de diretrizes e bases anteriores ou as leis
todos os profissionais de educação. orgânicas para os níveis e modalidades de ensino, sempre trataram da
Diante deste desafio é importante esclarecer que a Educação educação profissional com parcialidade. Legislavam sobre a
Inclusiva é: vinculação da formação para o trabalho a determinados níveis de
• atender aos estudantes portadores de necessidades especiais na ensino, como a educação formal, quer na época dos ginásios
vizinhança da sua residência; comerciais e industriais, quer posteriormente através da Lei 5.692/71,
• propiciar a ampliação do acesso destes alunos às classes regular; com o segundo grau profissionalizante.
• propiciar aos professores da classe regular um suporte técnico; Na atual lei, o Capítulo III do Título V (Dos níveis e das
• perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo modalidades de educação e ensino) é totalmente dedicado à
objetivos e processos diferentes; educação profissional, tratando-a na sua inteira dimensão, como parte
• levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação do sistema educacional. Neste novo enfoque a educação profissional
com as crianças portadoras de deficiência; tem como objetivos não só a formação de técnicos de nível médio,
• propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum mas a qualificação, a requalificação, a reprofissionalização de
do ensino regular. trabalhadores de qualquer nível de escolaridade, a atualização
tecnológica permanente e a habilitação nos níveis médio e superior.
E que a Educação inclusiva não é: Enfim, regulamenta a educação profissional como um todo,
• levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do contemplando as formas de ensino que habilitam e estão referidas a
professor especializado; níveis da educação escolar no conjunto da qualificação permanente
• ignorar as necessidades específicas da criança; para as atividades produtivas.
• fazer as crianças seguirem um processo único de Mais uma vez aparece na Lei de Diretrizes e Bases, no Art. 39, a
desenvolvimento, ao mesmo tempo e para todas as idades; referência ao conceito de “aprendizagem permanente”. A educação
• extinguir o atendimento de educação especial antes do tempo; profissional deve levar ao permanente desenvolvimento de aptidões
• esperar que os professores de classe regular ensinem as crianças para a vida produtiva. E mais uma vez, também, destaca a relação
portadoras de necessidades especiais sem um suporte técnico. entre educação escolar e processos formativos, quando faz referência
Percebe-se ao longo da história e, também na atualidade, que a à integração entre a educação profissional e as “diferentes formas de
maioria dos profissionais envolvidos na educação não sabe ou educação”, o trabalho, a ciência e a tecnologia. O parágrafo único
desconhece a importância e a diferença da educação especial e deste artigo e os artigos 40 e 42 introduzem o caráter complementar
educação inclusiva. Por essa razão, veio à realização deste item para da educação profissional e ampliam sua atuação para além da
o esclarecimento das pessoas envolvidas na educação e interessados. escolaridade formal e seus lócus para além da escola.
Finalmente, estabelece a forma de reconhecimento e certificação
Educação especial: das competências adquiridas fora do ambiente escolar, quer para
prosseguimento de estudos, quer para titulação, de forma
A Carta Magna é a lei maior de uma sociedade política, como o absolutamente inovadora em relação à legislação preexistente.
próprio nome nos sugere. Em 1988, a Constituição Federal, de cunho
liberal, prescrevia, no seu artigo 208, inciso III, entre as atribuições do BIBLIOGRAFIA PARA ESSE CAPÍTULO:
Estado, isto é, do Poder Público, o “atendimento educacional ABREU, Mariza. Organização da Educação Nacional na Constituição e
especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na na L.D.B. Ijuí: Editora Unijuí, 1998.
rede regular de ensino”. No entanto, muito se tem falado sobre as AFONSO, Almerindo Janela. Reforma do Estado e Políticas
carências do Sistema Educacional Brasileiro, mas, poucas às vezes é Educacionais: Entre a Crise do Estado-Nação e a Emergência da
mencionado o seu primo pobre – a Educação Especial. Muito menos Regulação Supranacional. Educação & Sociedade, ano XXII, n. 75,
são reivindicadas melhores condições para esse segmento que, ao agosto/2001.
contrário do que parece à primeira vista abrange um número ARTIGOS 7, 23, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao
significativo de brasileiros. artigo 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Diário
Segundo os últimos dados oficiais disponíveis do censo Oficial da União, Brasília, 20 dez. 2006.
escolar, promovido pelo Ministério da Educação, existem ALVES, J. R.M. A Educação a Distância no Brasil. Instituto de
milhões de crianças e jovens em idade escolar com algum tipo de Pesquisas Avançadas em Educação, Brasil, 2007.
deficiência. Boa parte deles não tem atendimento especializado, CUNHA, Luiz Antônio. Educação, Estado e Democracia no Brasil. São
estando matriculados em escolas regulares ou pior, não estudam. Paulo: Ed. Cortez 1991.
A Educação Especial Brasileira atinge somente pequena parcela CURY, Carlos Roberto Jamil. A Educação Básica No Brasil. Educ.
dos deficientes, quase a metade deles através de escolas particulares Soc., Campinas, vol. 23, n. 80, setembro/2002, pp. 168-200.
e as demais são federais, estaduais e municipais. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 24 fev.
A educação especial trata-se de uma educação voltada para os 2012.
portadores de deficiências como: auditivas, visuais, DAVIES, N. FUNDEB: a redenção da educação básica? Campinas:
intelectual, física, sensorial, surdocegueira e as múltiplas Autores Associados, 2008.
deficiências. OLIVEIRA, Dalila Andrade. Educação Básica: gestão do trabalho e da
Para que esses educandos tão especiais possam ser educados pobreza. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2000.
e reabilitados, é de extrema importância a participação deles em SAVIANI, Dermeval. Política e Educação no Brasil. São Paulo: Cortez
Autores Associados, 1988.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 QUESTÕES 69. Em uma determinada escola, no início do ano, professores se


organizavam para planejar a proposta pedagógica para o ano
66. A mudança para o Ensino Fundamental de Nove Anos, no qual as letivo. Um grupo de professores entregou à Coordenação
crianças ingressam com seis anos no primeiro ano e não mais com Pedagógica sua listagem de conteúdos que seriam desenvolvidos
sete anos na primeira série, faz com que se repense o trabalho a ao longo do ano e preparava-se para ir embora. A direção da
ser realizado, considerando-se as suas características. escola solicitou que permanecessem para a reunião de
RAPOPORT, Andrea; FERRARI, Andrea; SILVA, João Alberto da. planejamento com todo o corpo docente. A diretora tomou essa
A criança de seis anos e o primeiro ano do ensino fundamental. In: iniciativa baseada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº
RAPOPORT, A; SARMENTO, D.; NÖMBERG, M.; PACHECO, S. 9394, de 20 de novembro de 1996, que anuncia em seu Art. 13,
(Orgs.). A criança de seis anos: no ensino fundamental. Porto que docentes incumbir-se-ão de:
a) ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de
Alegre: Mediação, 2009, p. 9. A mudança na Lei descrita no
participar integralmente dos períodos dedicados ao
enunciado permitiu aos professores do ensino infantil
planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional.
a) modificar os procedimentos de avaliação. b) ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de
b) ampliar as oportunidades de qualificação. participar facultativamente dos períodos dedicados ao
c) descartar a obrigatoriedade de alfabetizar. planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional.
d) repensar as estratégias de curricularização. c) elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo sua proposta
e) alterar a permanência dos alunos na escola. pedagógica, garantindo assim a autonomia pedagógica do
docente.
67. O Parecer da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional d) elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta
de Educação Nº 04 de 1998 esclarece que os sistemas de ensino pedagógica do estabelecimento de ensino.
possuem autonomia para desenvolver suas áreas curriculares.
Contudo, deixa claro que as propostas pedagógicas das escolas 70. O Título IV da Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
devem integrar bases teóricas que favoreçam a organização dos estabelece a “Organização da Educação Nacional”, definindo
conteúdos do paradigma curricular da Base Nacional Comum e incumbências aos entes federativos (União, Estados, Distrito
sua Parte Diversificada, visando ser coerente: Federal e Municípios). Acerca das incumbências relativas à União,
a) na legislação, no controle e no monitoramento. assinale a alternativa correta.
b) na programação, na execução e no monitoramento. a) Exercer função redistributiva e supletiva para que os demais
c) no currículo oculto, no currículo formal e no currículo real. entes da federação consigam atingir o atendimento prioritário à
d) no planejamento, desenvolvimento e avaliação das práticas escolaridade obrigatória.
pedagógicas b) Normatizar acerca do funcionamento, extinção e outros
aspectos relativos aos cursos de graduação e pós-graduação
68. Na primeira reunião do ano, a diretora de uma escola municipal nas instituições públicas e privadas de ensino.
planejou com sua equipe o trabalho a ser desenvolvido com as c) Apresentar um Plano Nacional de Educação elaborado por seu
corpo de técnicos, que servirá de referência aos Estados,
turmas de Educação Infantil, discutindo especialmente as formas
Distrito Federal e Municípios na elaboração de seus próprios
de avaliação das crianças e a distribuição de carga horária pelos
planos.
dias de trabalho educacional. Nessa reunião, eles verificaram que,
d) Financiar os entes federativos para que montem seus próprios
conforme o disposto na Lei nº 9.394/1996 e suas alterações processos de avaliação do rendimento escolar no ensino
posteriores, a avaliação deve ser feita mediante médio e superior, objetivando a definição de diretrizes para a
a) realização de provas subjetivas, com o objetivo de promoção melhoria do ensino.
para o acesso ao Ensino Fundamental, e carga horária mínima e) Fiscalizar a elaboração e implementação de um sistema de
anual de 700 horas, distribuídas por um mínimo de 200 dias de avaliação das instituições de ensino superior estaduais e
trabalho educacional. municipais, garantindo que aqueles entes encaminhem uma
b) realização de provas objetivas visando à promoção para o contínua prática avaliativa.
acesso ao Ensino Fundamental e Médio, e carga horária
mínima anual de 900 horas, distribuídas por um mínimo de 250 71. A avaliação escolar tem três funções possíveis: somativa,
dias de trabalho educacional. diagnóstica e formativa. A ênfase dada pela pedagogia tradicional
c) acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, à avaliação somativa deu lugar, nas últimas décadas, à avaliação
sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino formativa, por ser mais compatível com as concep- ções
Fundamental, e carga horária mínima anual de 800 horas, contemporâneas do educando como agente da sua aprendizagem,
distribuídas por um mínimo de 200 dias de trabalho bem como com a busca de um desenvolvimento autônomo e
educacional. preservação da autoestima. Em toda a educação básica e,
d) acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, e particularmente, na educação infantil, a avaliação formativa deve
provas objetivas, com a finalidade de promoção para o acesso ser priorizada. Pode-se considerar uma boa prática de avaliação
ao Ensino Fundamental, e carga horária anual de, no mínimo, formativa
850 horas, distribuídas por um mínimo de 200 dias de trabalho a) o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
educacional. b) esta prova de concurso que você está respondendo.
e) acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, c) a Provinha Brasil, que afere o desempenho da leitura no 1º ano
do EF.
sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino
d) portfólio ou os registros dos trabalhos sobre a vida escolar de
Fundamental, e carga horária mínima anual de 700 horas,
cada aluno.
distribuídas por um mínimo de 180 dias de trabalho e) os testes aplicados na seleção de candidatos a emprego pelos
educacional. setores de RH.
72. Sobre o Plano Nacional de Educação – PNE, aprovado pela Lei
Nº 13.005/2014, é incorreto afirmar que:

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APOSTILA DE DIDÁTICA

a) Uma de suas diretrizes é a promoção dos princípios do respeito 75. A Lei Nº 13.005, de 25 de Junho de 2014, que aprova o Plano
aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade Nacional de Educação (PNE) e dá outras providências, garante o
socioambiental. atendimento das necessidades específicas na educação especial,
b) Caberá unicamente aos municípios a elaboração de seus assegurando o sistema educacional inclusivo para:
correspondentes planos de educação ou adequar os planos já a) Somente para a Educação Básica.
aprovados em lei, em consonância com as diretrizes, metas e b) Todos os níveis, etapas e modalidades.
estratégias previstas nesse PNE, no prazo de 1 (um) ano, c) Somente para o Ensino Fundamental.
contado da publicação desta Lei. d) Para o Ensino Fundamental e Ensino Médio.
c) O Fórum Nacional de Educação tem também a atribuição de e) Para a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
acompanhar a execução do PNE e o cumprimento de suas
metas.
76. Indique a opção que completa corretamente a lacuna da assertiva
d) Caberá aos gestores federais, estaduais, municipais e do
a seguir.
Distrito Federal a adoção das medidas governamentais
necessárias ao alcance das metas previstas nesse PNE.
Ao processo de análise ou julgamento da prática denomina-se
73. A respeito das metas e estratégias relativas à educação superior como ______ ; constitui a instância crítica da operacionalização ou
no Plano Nacional de Educação (PNE – Lei Nº 13.005/2014), da melhoria de uma linha de ação ou execução de um plano. Ao
analise as afirmativas. processo de coordenação da execução de uma linha de ação
I – Elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para denominação de _______ . Ambos, em conjunto com ______ e
50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos. ______, percebe-se a prática profissional da supervisão: 1. como
II – Promover a formação inicial e continuada dos profissionais trabalho de coordenação e controle da prática educativa que visa
técnico-administrativos da educação superior. assegurar os princípios e as finalidades da educação na prática
III – Extinguir progressivamente as matrículas custeadas por meio pedagógica; 2. como interprete do significado das políticas e das
do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e ampliar a práticas no duplo movimento que possa realmente comprometer-
oferta de vagas por meio da rede de universidades federais, da se com os princípios e as finalidades da educação.
Rede Federal de Educação Profissional Científica e a) Gestão / política / avaliação / planejamento.
Tecnológica e do Sistema Universidade Aberta do Brasil. b) Política / avaliação / planejamento / gestão.
IV – Substituir o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes c) Planejamento / aprendizagem / política / avaliação.
(ENADE) aplicado ao final do primeiro ano do curso de d) Aprendizagem / gestão / organização / política.
graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e) Avaliação / gestão / política / planejamento.
com a finalidade de apurar o valor agregado dos cursos de
graduação. 77. Segundo a LDB, a classificação em qualquer série ou etapa,
exceto para a primeira do ensino fundamental, pode ser feita por
Está correto o que se afirma em: a) promoção, para alunos que cursaram, sem aproveitamento, a
a) I, II e IV, apenas.
série anterior, em outra escola.
b) I, II e III, apenas.
b) transferência, para candidatos procedentes de outras escolas.
c) II e IV, apenas.
c) avaliação quantitativa baseada em instrumento de ano ou etapa
d) I e III, apenas.
posterior.
74. Sobre as estratégias, definidas pelo Plano Nacional de Educação d) prova objetiva realizada pelo conselho escolar.
(PNE), que visam assegurar que todos os professores da
educação básica possuam formação específica de nível superior, 78. Um dos critérios a serem observados na verificação do rendimento
obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que escolar é o(a)
atuam, assinale a afirmativa incorreta: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com
a) Ampliar programa permanente de iniciação à docência a prevalência dos aspectos quantitativos sobre os qualitativos.
estudantes matriculados em cursos de licenciatura, a fim de b) diminuição do ritmo de ensino/aprendizagem para alunos com
aprimorar a formação de profissionais para atuar no magistério atraso escolar.
da educação básica. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante
b) Promover, exclusivamente, a formação continuada em nível de verificação do aprendizado.
pós-graduação Lato Sensu dos Técnicos Administrativos e d) aproveitamento de estudos, mesmo dos não concluídos com
Técnicos em Assuntos Educacionais nas instituições de ensino êxito.
superior, tendo em vista que os mesmos não desenvolvem
ações de pesquisa. 79. A expedição de histórico escolar, declaração de conclusão de
c) Implementar programas específicos para formação de série/ano, diplomas ou certificados de conclusão de cursos é de
profissionais da educação para as escolas do campo e de responsabilidade do(da)
comunidades indígenas e quilombolas e para a educação a) Secretaria Municipal de Educação.
especial. b) Conselho Escolar e de Classe.
d) Implementar cursos e programas especiais para assegurar c) Conselho Municipal de Educação.
formação específica na educação superior, nas respectivas d ) Instituição de Ensino.
áreas de atuação, aos docentes com formação de nível médio
na modalidade normal, não licenciados ou licenciados em área
diversa da de atuação docente, em efetivo exercício.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

80. Conforme disposto no regimento escolar e nas normas do sistema Anotações


de ensino, o controle de frequência fica a cargo da escola, exigida
a frequência mínima de
a) vinte e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação.
b) setenta e cinco por cento do total de horas letivas para
aprovação.
c) oitenta e cinco por cento do total de horas letivas para
aprovação.
d) noventa e cinco por cento do total de horas letivas para
aprovação.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 Políticas educacionais para a educação básica. da educação básica e que assuma formas diversas e
contextualizadas, tendo em vista a realidade brasileira. Busca-se uma
Ensino Médio escola que não se limite ao interesse imediato, pragmático e utilitário.
Entender a necessidade de uma formação com base unitária
O Ensino Médio, no Brasil, tem se constituído, ao longo da implica em perceber as diversidades do mundo moderno, no sentido
história da educação brasileira, como o nível de maior complexidade de se promover à capacidade de pensar, refletir, compreender e agir
na estruturação de políticas públicas de enfrentamento aos desafios sobre as determinações da vida social e produtiva – que articule
estabelecidos pela sociedade moderna, em decorrência de sua própria trabalho, ciência e cultura na perspectiva da emancipação humana, de
natureza enquanto etapa intermediária entre o Ensino Fundamental e forma igualitária a todos os cidadãos.
a Educação Superior e a particularidade de atender a adolescentes, Por esta concepção, o ensino médio deverá se estruturar em
jovens e adultos em suas diferentes expectativas frente à consonância com o avanço do conhecimento científico e tecnológico,
escolarização, levando-se em consideração que estes conceitos são fazendo da cultura um componente da formação geral, articulada com
estabelecidos por uma construção social e como estes sujeitos se o trabalho produtivo. Isso pressupõe a vinculação dos conceitos
vêem neste processo, que está intimamente ligado com a científicos com a prática relacionada à contextualização dos
representação social que lhes é atribuída. fenômenos físicos, químicos e biológicos, bem como a superação das
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Lei dicotomias entre humanismo e tecnologia e entre a formação teórica
9394-96), ao situar o Ensino Médio como etapa final da Educação geral e técnica-instrumental.
Básica, define-a como a conclusão de um período de escolarização de Entre os esforços atuais para se alcançar as expectativas de
caráter geral. Trata-se de reconhecê-lo como parte de uma etapa da uma educação pública, gratuita com qualidade para essa etapa nasce
escolarização que tem por finalidade o desenvolvimento do indivíduo, o Programa Ensino Médio Inovador buscando os seguintes impactos e
assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da transformações:
cidadania, fornecendo-lhe os meios para progredir no trabalho e em  Superação das desigualdades de oportunidades educacionais;
estudos posteriores (art. 22).  Universalização do acesso e permanência dos adolescentes de 15
As disposições legais sobre o ensino médio deixam clara a a 17 anos no ensino médio;
importância da educação geral como meio de preparar para o trabalho  Consolidação da identidade desta etapa educacional,
e formar pessoas capacitadas à sua inserção social cidadã, de se
considerando a diversidade de sujeitos;
perceberem como sujeitos de intervenção de seu próprio processo
histórico, atentos às transformações da sociedade, compreendendo os  Oferta de aprendizagem significativa para jovens e adultos,
fenômenos sociais e científicos que permeiam o seu cotidiano, reconhecimento e priorização da interlocução com as culturas
possibilitando, ainda, a continuação de seus estudos. juvenis;
Paralelamente à expansão do atendimento, as políticas públicas
educacionais se concentraram também em aspectos relacionados à Diretrizes, Parâmetros Curriculares, currículo e avaliação.
permanência do aluno na escola e à qualidade dos serviços
oferecidos. Questões como as condições de funcionamento das SINTESE DAS DIRETRIZES CURRICULARES PARA O ENSINO MÉDIO
escolas, a formação e a capacitação dos professores, a qualidade do
material didático, a leitura no trabalho escolar, a participação dos pais Identidade e finalidades do Ensino Médio
na escola e a qualidade da merenda escolar foram priorizadas para
compensar os efeitos da maior incorporação de alunos provenientes A identidade do Ensino Médio se configura quando afirmamos
de famílias de menor escolaridade. que ele é a última etapa da Educação Básica e como tal é um direito
O governo federal estabelece como prioridade o de todos que deve ser garantido pelo Estado e incentivado pela
desenvolvimento de programas e 3 projetos, em regime de sociedade. Nos moldes do art. 3 o da Resolução CNE/CEB nº 2/2012,
colaboração com Municípios, Distrito Federal e Estados, que visam à o Ensino Médio é um direito social de cada pessoa e dever do Estado
melhoria da qualidade da educação básica, dentro do que dispõe o na sua oferta pública e gratuita.
Plano de Metas, Decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007. A Resolução CNE/CEB nº 2/2012 reforça essa identidade
No contexto histórico da educação brasileira cabe destacar que o quando lista, no seu art. 5º, os princípios que devem nortear o Ensino
ensino fundamental e o educação superior sempre tiveram seus Médio na sua oferta e organização:
objetivos e finalidades claramente delineadas nas legislações Art. 5o O Ensino Médio em todas as suas formas de oferta e
educacionais, sendo que, só a partir da aprovação da Lei de Diretrizes organização, baseia-se em:
e Bases da Educação Nacional, em 1996, o ensino médio passou a I – Formação integral do estudante.
ser visto como etapa da educação básica, com diretrizes e finalidades II – Trabalho e pesquisa como princípios educativos e
expressas nos Artigos 35 e 36 da LDB. pedagógicos, respectivamente.
A ênfase da lei, que situa o ensino médio como etapa final da III – Educação em Direitos Humanos como princípio nacional
educação básica, implica compreender a necessidade de adotar norteador.
diferentes formas de organização curricular, e, sobretudo, estabelecer IV – Sustentabilidade ambiental como meta universal.
princípios orientadores para a garantia de uma formação eficaz dos V – Indissociabilidade entre educação e prática social,
jovens brasileiros, capaz de atender os diferentes anseios dos jovens considerando-se a historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos do
que se encontram na faixa etária de escolarização, que possam processo educativo, bem como entre teoria e prática no processo de
participar do processo de construção de uma sociedade mais solidária, ensino-aprendizagem.
reconhecendo suas potencialidades e os desafios para inserção no VI – Integração de conhecimentos gerais e, quando for o caso,
mundo competitivo do trabalho. técnico-profissionais realizada na perspectiva da interdisciplinaridade e
A identidade do ensino médio se define na superação do da contextualização.
dualismo entre propedêutico e profissionalizante. Importa, ainda, que
se configure um modelo que ganhe identidade unitária para esta etapa

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APOSTILA DE DIDÁTICA

VII – Reconhecimento e aceitação da diversidade e da realidade Além disso, é importante verificar se a experiência escolar
concreta dos sujeitos do processo educativo, das formas de produção, oferecida guarda alguma relação com os interesses pessoais e os
dos processos de trabalho e das culturas a eles subjacentes. projetos de vida dos estudantes; identificar em que medida as
VIII – Integração entre educação e as dimensões do trabalho, da atividades desenvolvidas na escola podem contribuir para que os
ciência, da tecnologia e da cultura como base da proposta e do estudantes elaborem seus projetos de futuro; e verificar se há
desenvolvimento curricular. aspectos que necessitam ser modificados no sentido de favorecer a
§ 1º O trabalho é conceituado na sua perspectiva ontológica de permanência dos estudantes, com sucesso, na escola.
transformação da natureza, como realização inerente ao ser humano e Esses temas devem pautar as discussões de professores e
como mediação no processo de produção da sua existência; gestores ao decidir a organização dos estabelecimentos escolares.
§ 2º A ciência é conceituada como o conjunto de conhecimentos Essas discussões devem ser realizadas com particular atenção
sistematizados, produzidos socialmente ao longo da história, na busca quando do atendimento aos estudantes do Ensino Médio noturno,
da compreensão e transformação da natureza e da sociedade. estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), estudantes
§ 3º A tecnologia é conceituada como a transformação da indígenas, do campo, quilombolas e estudantes da Educação
ciência em força produtiva ou mediação do conhecimento científico e a Especial.
produção, marcada, desde sua origem, pelas relações sociais que a
levaram a ser produzida. O currículo do Ensino Médio
§ 4º A cultura é conceituada como o processo de produção de
expressões materiais, símbolos, representações e significados que Nessas Diretrizes Curriculares Nacionais, o currículo é entendido
correspondem a valores éticos, políticos e estéticos que orientam as como a seleção de conhecimentos historicamente acumulados,
normas de conduta de uma sociedade. considerados relevantes e pertinentes em um dado contexto histórico,
No mesmo diapasão, a Resolução traz no art. 4º as finalidades e definidos tendo por base o projeto de sociedade e de formação
do Ensino Médio, onde lê-se as finalidades para essa etapa: humana que a ele se articula. O currículo se expressa por meio de
I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos uma proposta pela qual se explicitam as intenções da formação e se
adquiridos no Ensino Fundamental, possibilitando o prosseguimento concretiza por meio das práticas escolares realizadas com vistas a dar
de estudos; materialidade a essa proposta.
II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do Os conhecimentos escolares são reconhecidos como aqueles
educando para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se produzidos pelos homens no processo histórico de produção de sua
adaptar a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento existência material e imaterial, valorizados e selecionados pela
posteriores; sociedade e pelas escolas que os organizam a fim de que possam ser
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana, ensinados e aprendidos, tornando-se elementos do desenvolvimento
incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia cognitivo do estudante, bem como de sua formação ética, estética e
intelectual e do pensamento crítico; política.
IV – a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos No atendimento ao que estabelece a LDB, o currículo do Ensino
processos produtivos, relacionando a teoria com a prática. Médio tem uma base comum, complementada em cada sistema de
ensino e em cada estabelecimento escolar por uma parte diversificada.
Os sujeitos/estudantes do Ensino Médio A base nacional comum e a parte diversificada constituem um todo 38
integrado e não podem ser consideradas como dois blocos distintos. A
A decisão sobre a oferta e organização do Ensino Médio deve ser articulação entre ambas possibilita a sintonia dos interesses mais
precedida de uma análise dos destinatários e sujeitos dessa etapa amplos da formação básica do cidadão com a realidade local e dos
educacional que são, predominantemente, adolescentes e jovens. estudantes, perpassando todo o currículo.
Estas Diretrizes Curriculares concebem a juventude como Em atendimento ao que determina a LDB, o currículo é
condição sócio-histórico cultural de uma categoria de sujeitos que organizado em quatro áreas do conhecimento:
necessita ser considerada em suas múltiplas dimensões, com  Linguagens
especificidades próprias que não estão restritas às dimensões  Matemática
biológica e etária, mas que se encontram articuladas com uma  Ciências naturais
multiplicidade de atravessamentos sociais e culturais, produzindo
 Ciências sociais.
múltiplas culturas juvenis ou muitas juventudes. Entender o jovem do
Ensino Médio dessa forma significa superar uma noção
Destaca-se que o currículo deve contemplar as quatro áreas de
homogeneizante e naturalizada desse estudante, passando a percebê-
conhecimento, com tratamento metodológico que evidencie a
lo como sujeito com valores, comportamentos, visões de mundo,
contextualização e a interdisciplinaridade ou outras formas de
interesses e necessidades singulares. Além disso, deve-se aceitar a
interação e articulação entre diferentes campos de saberes
existência de pontos em comum que permitam tratá-lo como uma
específicos.
categoria social.
A legislação nacional determina os componentes obrigatórios
Nesse sentido, sugere-se que, para viabilizar o atendimento a
que constituem a base nacional comum e que devem ser tratados em
todos os estudantes do Ensino Médio, faz-se necessário discutir as
uma ou mais áreas de conhecimento na composição do currículo. São
características sócio-econômico-culturais dos jovens que o
eles:
frequentam; entender as representações que a escola, seus
a) o estudo da Língua Portuguesa e da Matemática, o
professores e dirigentes fazem dos estudantes; saber quais sentidos e
conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e
significados os jovens atribuem à experiência escolar; conhecer como
política, especialmente do Brasil;
os jovens interagem com a diversidade e em que medida a cultura
escolar instituída se aproxima ou se distancia das expectativas dos
jovens estudantes.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

b) o ensino da Arte, especialmente em suas expressões c) a Língua Portuguesa como instrumento de comunicação,
regionais, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos acesso ao conhecimento e exercício da cidadania.
estudantes, com a Música como seu conteúdo obrigatório, mas não Desse modo, os conteúdos, as metodologias e a avaliação
exclusivo; devem ser organizados de maneira que, no final do Ensino Médio, o
c) a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da estudante demonstre domínio dos princípios científicos e tecnológicos
instituição de ensino, sendo sua prática facultativa ao estudante nos que presidem a produção moderna e conhecimentos das formas
casos previstos em lei; contemporâneas de linguagem. Para além das capacidades cognitivas
d) o ensino da História do Brasil, que leva em conta as listadas no art. 12, o Ensino Médio deve, em atendimento ao que
contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo determina o art. 32 da LDB, propiciar o desenvolvimento da
brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia; capacidade de aprender e a compreensão do ambiente natural e
e) o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, no social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em
âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de que se fundamenta a sociedade.
Educação Artística e de Literatura e História brasileiras;
f) a Filosofia e a Sociologia em todos os anos do curso; O papel dos estabelecimentos escolares e dos sistemas de ensino.
g) uma língua estrangeira moderna na parte diversificada,
escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter Ainda na busca da garantia do direito dos estudantes, as
optativo, dentro das disponibilidades da instituição. Diretrizes apostam na capacidade e no compromisso dos
estabelecimentos escolares e dos sistemas de ensino. Por isso,
Formas de organização do Ensino Médio afirmam que cabe a cada unidade de ensino a elaboração do seu
projeto político pedagógico, com a proposição de alternativas para a
As Diretrizes Curriculares Nacionais orientam e estimulam que, formação integral e acesso aos conhecimentos e saberes necessários,
guardadas as cargas horárias definidas pela LDB, o Ensino Médio definindo a partir de aprofundado processo de diagnóstico, análise e
possa ser organizado nos diferentes formatos conforme a necessidade estabelecimento de prioridades, delimitação de formas de
local. Pode ser organizado em séries anuais, períodos semestrais, implementação e sistemática de seu acompanhamento e avaliação.
ciclos, módulos, alternância regular de períodos de estudos, grupos O projeto político-pedagógico, na sua concepção e
não seriados, com base na idade, na competência e em outros implementação, deve considerar os estudantes e os professores como
critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse sujeitos históricos de direitos, participantes ativos e protagonistas na
do processo de aprendizagem assim o recomendar. sua diversidade e singularidade.
Os componentes curriculares devem propiciar a apropriação de A instituição de ensino deve atualizar, periodicamente, seu
conceitos e categorias básicas, e não o acúmulo de informações e projeto político pedagógico e dar-lhe publicidade à comunidade escolar
conhecimentos, estabelecendo um conjunto necessário de saberes e às famílias.
integrados e significativos. Além de seleção criteriosa de saberes, em Os sistemas de ensino, de acordo com a legislação e a
termos de quantidade, pertinência e relevância, deve ser equilibrada normatização nacional e estadual, e na busca da melhor adequação
sua distribuição ao longo do curso, para evitar fragmentação e possível às necessidades dos estudantes e do meio social, devem
congestionamento com número excessivo de componentes em cada criar mecanismos que garantam liberdade, autonomia e
tempo da organização escolar. A organização curricular do Ensino responsabilidade às unidades escolares, fortalecendo sua capacidade
Médio deve oferecer tempos e espaços próprios para estudos e de concepção, formulação e execução de suas propostas
atividades que permitam itinerários formativos opcionais diversificados, pedagógicas; fomentar alternativas de diversificação e flexibilização
a fim de melhor responder à heterogeneidade e pluralidade de pelas unidades escolares, de formatos, componentes curriculares ou
condições, múltiplos interesses e aspirações dos estudantes, com formas de estudo e atividades, estimulando a construção de itinerários
suas especificidades etárias, sociais e culturais, bem como sua fase de formativos que atendam às características, interesses e necessidades
desenvolvimento. Formas diversificadas de itinerários podem ser dos estudantes e às demandas do meio social, privilegiando propostas
organizadas, desde que garantida a simultaneidade entre as com opções pelos estudantes.
dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura, e Cabe, ainda, aos sistemas prover os recursos financeiros e
definidas pelo projeto político-pedagógico, atendendo necessidades, materiais necessários à ampliação dos tempos e espaços dedicados
anseios e aspirações dos sujeitos e a realidade da escola e do seu ao trabalho educativo nas unidades escolares; garantir professores
meio. A interdisciplinaridade e a contextualização devem assegurar a com jornada de trabalho e formação adequadas para o
transversalidade do conhecimento de diferentes componentes desenvolvimento do currículo, bem como dos gestores e demais
curriculares, propiciando a interlocução entre os saberes e os profissionais das unidades escolares; acompanhamento e avaliação
diferentes campos do conhecimento. Direitos e objetivos de dos programas e ações educativas nas respectivas redes e unidades
aprendizagem dos estudantes do Ensino Médio. escolares.
As Diretrizes Curriculares Nacionais partem do princípio de que o
Ensino Médio é um direito de todos e que o direito para ser efetivado O papel do Ministério da Educação.
deve ser explicitamente enunciado. Nesse sentido, as Diretrizes
enunciam, no art. 12 da Resolução CNE/CEB nº 2/2012, o que deve Ao Ministério da Educação, como representante da União, cabe
ser garantido aos estudantes do Ensino Médio. oferecer subsídios e apoio para implementação das Diretrizes
Artigo 12 O currículo do Ensino Médio deve garantir ações que Curriculares Nacionais e a elaboração de proposta que explicite os
promovam: direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dos
a) a educação tecnológica básica, a compreensão do significado estudantes, que orientem e subsidiem os estabelecimentos escolares
da ciência, das letras e das artes; e os sistemas de ensino na busca da garantia de educação de
b) o processo histórico de transformação da sociedade e da qualidade. Cabe ainda ao MEC instituir uma política de formação de
cultura; professores e organizar as avaliações externas em concordância com
estas Diretrizes.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

A avaliação e o Papel Social da Educação Escolar assim. Para que é feita a avaliação na escola? Qual o lugar da
avaliação no processo de ensino e aprendizagem? Tradicionalmente,
Até que ponto, nós, professores, refletimos sobre nossas ações nossas experiências em avaliação são marcadas por uma concepção
cotidianas na escola, nossas práticas em sala de aula, sobre a que classifica as aprendizagens em certas ou erradas e, dessa forma,
linguagem que utilizamos, sobre aquilo que pré-julgamos ou outras termina por separar aqueles estudantes que aprenderam os conteúdos
situações do cotidiano? Muitas vezes, nosso discurso expressa aquilo programados para a série em que se encontram daqueles que não
que entendemos como adequado em educação e aquilo que aprenderam. Essa perspectiva de avaliação classificatória e seletiva,
almejamos. Isso tem seu mérito! Contudo, nossas práticas, imbuídas muitas vezes, torna-se um fator de exclusão escolar.
de concepções, representações e sentidos, ou seja, repletas de ações
que fazem parte de nossa cultura, de nossas crenças, expressam um Entretanto, é possível concebermos uma perspectiva de
avaliação cuja vivência seja marcada pela lógica da inclusão, do
“certo modo” de ver o mundo. Esse “certo modo” de ver o mundo, que
diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da participação,
está imbricado na ação do professor, traz para nossas ações reflexos
da construção da responsabilidade com o coletivo. Tal perspectiva de
de nossa cultura e de nossas práticas vividas, que ainda estão muito avaliação alinha-se com a proposta de uma escola mais democrática,
impregnados pela lógica da classificação e da seleção, no que tange à inclusiva, que considera as infindáveis possibilidades de realização de
avaliação escolar. aprendizagens por parte dos estudantes. Essa concepção de
Um exemplo diz respeito ao uso das notas escolares que avaliação parte do princípio de que todas as pessoas são capazes de
colocam os avaliados em uma situação classificatória. Nossa cultura aprender e de que as ações educativas, as estratégias de ensino, os
meritocrática naturaliza o uso das notas a fim de classificar os conteúdos das disciplinas devem ser planejados a partir dessas
melhores e os piores avaliados. Em termos de educação escolar, os infinitas possibilidades de aprender dos estudantes.
melhores seguirão em frente, os piores voltarão para o início da fila, Pode-se perceber, portanto, que as intenções e usos da
refazendo todo o caminho percorrido ao longo de um período de avaliação estão fortemente influenciados pelas concepções de
estudos. Essa concepção é naturalmente incorporada em nossas educação que orientam a sua aplicação. Hoje, é voz corrente afirmar-
práticas e nos esquecemos de pensar sobre o que, de fato, está oculto se que a avaliação não deve ser usada com o objetivo de punir, de
e encoberto por ela. classificar ou excluir. Usualmente, associa-se mais a avaliação
Em nossa sociedade, de um modo geral, ainda é bastante somativa a estes objetivos excludentes. Entretanto, tanto a avaliação
comum as pessoas entenderem que não se pode avaliar sem que os somativa quanto a formativa podem levar a processos de exclusão e
estudantes recebam uma nota pela sua produção. Avaliar, para o classificação, na dependência das concepções que norteiem o
senso comum, aparece como sinônimo de medida, de atribuição de processo educativo. A prática da avaliação pode acontecer de
um valor em forma de nota ou conceito. Porém, nós, professores, diferentes maneiras. Deve estar relacionada com a perspectiva para
temos o compromisso de ir além do senso comum e não confundir nós coerente com os princípios de aprendizagem que adotamos e com
avaliar com medir. Avaliar é um processo em que realizar provas e o entendimento da função que a educação escolar deve ter na
testes, atribuir notas ou conceitos é apenas parte do todo. A avaliação sociedade.
é uma atividade orientada para o futuro. Avalia-se para tentar manter Se entendermos que os estudantes aprendem de variadas
formas, em tempos nem sempre tão homogêneos, a partir de
ou melhorar nossa atuação futura. Essa é a base da distinção entre
diferentes vivências pessoais e experiências anteriores e, junto a isso,
medir e avaliar. Medir refere-se ao presente e ao passado e visa obter
se entendermos que o papel da escola deva ser o de incluir, de
informações a respeito do progresso efetuado pelos estudantes.
promover crescimento, de desenvolver possibilidades para que os
Avaliar refere-se à reflexão sobre as informações obtidas com sujeitos realizem aprendizagens vida afora, de socializar experiências,
vistas a planejar o futuro. Portanto, medir não é avaliar, ainda que o de perpetuar e construir cultura, devemos entender a avaliação como
medir faça parte do processo de avaliação. Avaliar a aprendizagem do promotora desses princípios, portanto, seu papel não deve ser o de
estudante não começa e muito menos termina quando atribuímos uma classificar e selecionar os estudantes, mas sim o de auxiliar
nota à aprendizagem. professores e estudantes a compreenderem de forma mais organizada
A educação escolar é cheia de intenções, visa a atingir seus processos de ensinar e aprender. Essa perspectiva exige uma
determinados objetivos educacionais, sejam estes relativos a valores, prática avaliativa que não deve ser concebida como algo distinto do
atitudes ou aos conteúdos escolares. processo de aprendizagem.
A avaliação é uma das atividades que ocorre dentro de um Entender e realizar uma prática avaliativa ao longo do processo
processo pedagógico. Este processo inclui outras ações que implicam é pautar o planejamento dessa avaliação, bem como construir seus
na própria formulação dos objetivos da ação educativa, na definição de instrumentos, partindo das interações que vão se construindo no
seus conteúdos e métodos, entre outros. A avaliação, portanto, sendo interior da sala de aula com os estudantes e suas possibilidades de
parte de um processo maior, deve ser usada tanto no sentido de um entendimentos dos conteúdos que estão sendo trabalhados. A
acompanhamento do desenvolvimento do estudante, como no sentido avaliação tem como foco fornecer informações acerca das ações de
de uma apreciação final sobre o que este estudante pôde obter em um aprendizagem e, portanto, não pode ser realizada apenas ao final do
determinado período, sempre com vistas a planejar ações educativas processo, sob pena de perder seu propósito. Podemos chamar essa
futuras. Quando a avaliação acontece ao longo do processo, com o perspectiva de avaliação formativa. Segundo Allal (1986, p.176), “os
objetivo de reorientá-lo, recebe o nome de avaliação formativa e processos de avaliação formativa são concebidos para permitir
quando ocorre ao final do processo, com a finalidade de apreciar o ajustamentos sucessivos durante o desenvolvimento e a
resultado deste, recebe o nome de avaliação somativa. Uma não é experimentação do curriculum”. Perrenoud (1999, p.143) define a
nem pior, nem melhor que a outra, elas apenas têm objetivos avaliação formativa como “um dos componentes de um dispositivo de
individualização dos percursos de formação e de diferenciação das
diferenciados.
intervenções e dos enquadramentos pedagógicos”. Tanto a avaliação
A concepção de educação e a avaliação Para se instaurar um
somativa quanto a formativa podem levar a processos de exclusão e
debate no interior da escola, sobre as práticas correntes de avaliação,
classificação, na dependência das concepções que norteiem o
é necessário que explicitemos nosso conceito de avaliação. Qual a
processo educativo.
função da avaliação, a partir do papel da educação escolar na
sociedade atual? Às vezes, aquilo que parece óbvio não o é tanto

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Outro aspecto fundamental de uma avaliação formativa diz interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial
respeito à construção da autonomia por parte do estudante, na medida de que todo conhecimento mantém um diálogo permanente com
em que lhe é solicitado um papel ativo em seu processo de aprender. outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de
Ou seja, a avaliação formativa, tendo como foco o processo de confirmação, de complementação, de negação, de ampliação, de
aprendizagem, numa perspectiva de interação e de diálogo, coloca iluminação de aspectos não distinguidos. Tendo presente esse fato, é
também no estudante, e não apenas no professor, a responsabilidade fácil constatar que algumas disciplinas se identificam e aproximam,
por seus avanços e suas necessidades. outras se diferenciam e distanciam, em vários aspectos: pelos
Para tal, é necessário que o estudante conheça os conteúdos métodos e procedimentos que envolvem, pelo objeto que pretendem
que irá aprender, os objetivos que deverá alcançar, bem como os conhecer, ou ainda pelo tipo de habilidades que mobilizam naquele
critérios que serão utilizados para verificar e analisar seus avanços de que a investiga, conhece, ensina ou aprende.
A interdisciplinaridade também está envolvida quando os sujeitos
aprendizagem. Nessa perspectiva, a auto-avaliação torna-se uma
que conhecem, ensinam e aprendem sentem necessidade de
ferramenta importante, capaz de propiciar maior responsabilidade aos
procedimentos que, numa única visão disciplinar, podem parecer
estudantes acerca de seu próprio processo de aprendizagem e de heterodoxos, mas fazem sentido quando chamados a dar conta de
construção da autonomia. A avaliação formativa é aquela em que o temas complexos. Se alguns procedimentos artísticos podem parecer
professor está atento aos processos e às aprendizagens de seus profecias na perspectiva científica, também é verdade que a foto do
estudantes. cogumelo resultante da explosão nuclear também explica, de um modo
O professor não avalia com o propósito de dar uma nota, pois dentro diferente da Física, o significado da bomba atômica.
de uma lógica formativa, a nota é uma decorrência do processo e não Nesta multiplicidade de interações e negações recíprocas, a
o seu fim último. O professor entende que a avaliação é essencial para relação entre as disciplinas tradicionais pode ir da simples
dar prosseguimento aos percursos de aprendizagem. Continuamente, comunicação de idéias até a integração mútua de conceitos diretores,
ela faz parte do cotidiano das tarefas propostas, das observações da epistemologia, da terminologia, da metodologia e dos
atentas do professor, das práticas de sala de aula. Por fim, podemos procedimentos de coleta e análise de dados. Ou pode efetuar-se, mais
dizer que avaliação formativa é aquela que orienta os estudantes para singelamente, pela constatação de como são 76 diversas as várias
a realização de seus trabalhos e de suas aprendizagens, ajudando-os formas de conhecer. Pois até mesmo essa “interdisciplinaridade
a localizar suas dificuldades e suas potencialidades, redirecionando-os singela” é importante para que os alunos aprendam a olhar o mesmo
em seus percursos. objeto sob perspectivas diferentes.
A avaliação formativa, assim, favorece os processos de auto- É importante enfatizar que a interdisciplinaridade supõe um eixo
avaliação, prática ainda não incorporada de maneira formal em nossas integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de
escolas. Instaurar uma cultura avaliativa, no sentido de uma avaliação investigação, um plano de intervenção. Nesse sentido, ela deve partir
entendida como parte inerente do processo e não marcada apenas por da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos de
uma atribuição de nota, não é tarefa muito fácil. Uma pergunta, explicar, compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma
portanto, que o coletivo escolar necessita responder diz respeito às disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários.
concepções de educação que orientam sua prática pedagógica, Explicação, compreensão, intervenção são processos que requerem
um conhecimento que vai além da descrição da realidade e mobiliza
incluindo o processo de avaliação. Qual o entendimento que a escola
competências cognitivas para deduzir, tirar inferências ou fazer
construiu sobre sua concepção de educação e de avaliação? Há pelos
previsões a partir do fato observado.
menos dois aspectos sobre os quais a escola precisa refletir, como
A partir do problema gerador do projeto, que pode ser um
parte de sua concepção de educação. Um diz respeito à exclusão que experimento, um plano de ação para intervir na realidade ou uma
ela pode realizar, caso afaste os estudantes da cultura, do atividade, são identificados os conceitos de cada disciplina que podem
conhecimento escolar e da própria escola, pela indução da evasão por contribuir para descrevê-lo, explicá-lo e prever soluções. Dessa forma,
meio de reprovação, como já foi abordado no texto sobre currículo e o projeto é interdisciplinar na sua concepção, execução e avaliação, e
cultura. ... A auto-avaliação tornase uma ferramenta importante, capaz os conceitos utilizados podem ser formalizados, sistematizados e
de propiciar maior responsabilidade aos estudantes acerca de seu registrados no âmbito das disciplinas que contribuem para o seu
próprio processo de aprendizagem e de construção da autonomia. desenvolvimento.
Aqui os processos de avaliação podem atuar para legitimar a exclusão, O exemplo do projeto é interessante para mostrar que a
dando uma aparência científica à avaliação e transferindo a interdisciplinaridade não dilui as disciplinas, ao contrário, mantém sua
responsabilidade da exclusão para o próprio estudante. individualidade. Mas integra as disciplinas a partir da compreensão das
1. É fundamental transformar a prática avaliativa em prática de múltiplas causas ou fatores que intervêm sobre a realidade e trabalha
aprendizagem. todas as linguagens necessárias para a constituição de
2. É necessário avaliar como condição para a mudança de prática e conhecimentos, comunicação e negociação de significados e registro
para o redimensionamento do processo de ensino/aprendizagem. sistemático de resultados. Essa integração entre as disciplinas para
3. Avaliar faz parte do processo de ensino e de aprendizagem: não buscar compreender, prever e transformar a realidade aproxima-se
ensinamos sem avaliar, não aprendemos sem avaliar. daquilo que Piaget chama de estruturas subjacentes. O autor destaca
Dessa forma, rompe-se com a falsa dicotomia entre ensino e um aspecto importante nesse caso: a compreensão dessas estruturas
avaliação, como se esta fosse apenas o final de um processo. subjacentes não dispensa o conhecimento especializado, ao contrário.
Somente o domínio de uma dada área permite superar o
Interdisciplinaridade e contextualização no Ensino Médio. conhecimento meramente descritivo para captar suas conexões com
outras áreas do saber na busca de explicações.
As múltiplas formas de interação que se podem prever entre as
A interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de
disciplinas tal como tradicionalmente arroladas nas “grades
disciplinas33 e, ao mesmo tempo, evitar a diluição delas em
curriculares”, fazem com que toda proposição de áreas ou
generalidades. De fato, será principalmente na possibilidade de
agrupamento das mesmas seja resultado de um corte que carrega
relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo, pesquisa
certo grau de arbitrariedade. Não há paradigma curricular capaz de
e ação, que a interdisciplinaridade poderá ser uma prática pedagógica
abarcar a todas. Nesse sentido, seria desastroso entender uma
e didática adequada aos objetivos do Ensino Médio. O conceito de
proposta de organização por áreas como fechada ou definitiva.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Mais ainda seria submeter uma área interdisciplinar ao mesmo A aprendizagem significativa pressupõe a existência de um
amordaçamento estanque a que hoje estão sujeitas as disciplinas referencial que permita aos alunos identificar e se identificar com as
tradicionais isoladamente, quando o importante é ampliar as questões propostas. Essa postura não implica permanecer apenas no
possibilidades de interação não apenas entre as disciplinas nucleadas nível de conhecimento que é dado pelo contexto mais imediato, nem
em uma área como entre as próprias áreas de nucleação. A muito menos pelo senso comum, mas visa a gerar a capacidade de
contextualização pode ser um recurso para conseguir esse objetivo. compreender e intervir na realidade, numa perspectiva autônoma e
Contextualizar o conteúdo que se quer aprendido significa, em primeiro desalienante. Ao propor uma nova forma de organizar o currículo,
lugar, assumir que todo conhecimento envolve uma relação entre trabalhado na perspectiva interdisciplinar e contextualizada, parte-se
sujeito e objeto. Na escola fundamental ou média, o conhecimento é do pressuposto de que toda aprendizagem significativa implica uma
quase sempre reproduzido das situações originais nas quais acontece relação sujeito-objeto e que, para que esta se concretize, é necessário
sua produção. oferecer as condições para que os dois pólos do processo interajam.
Por esta razão, quase sempre o conhecimento escolar se vale
de uma transposição didática, na qual a linguagem joga papel Ensino Médio Integrado: fundamentação legal e curricular.
decisivo. O tratamento contextualizado do conhecimento é o recurso
que a escola tem para retirar o aluno da condição de espectador A proposta de integração do curso médio e do curso técnico de
passivo. Se bem trabalhado permite que, ao longo da transposição nível médio, alternativa constante do Decreto n. 5.154/04, possui um
didática, o conteúdo do ensino provoque aprendizagens significativas significado e um desafio para além da prática disciplinar,
que mobilizem o aluno e estabeleçam entre ele e o objeto do interdisciplinar ou transdisciplinar, pois implica um compromisso de
conhecimento uma relação de reciprocidade. construir uma articulação e uma integração orgânica entre o trabalho
A contextualização evoca por isso áreas, âmbitos ou dimensões como princípio educativo, a ciência como criação e recriação pela
presentes na vida pessoal, social e cultural, e mobiliza competências humanidade de sua natureza e cultura, como síntese de toda
cognitivas já adquiridas. As dimensões de vida ou contextos produção e relação dos seres humanos com seu meio. Portanto,
valorizados explicitamente pela LDB são o trabalho e a cidadania. As ensino integrado implica um conjunto de categorias e práticas
competências estão indicadas quando a lei prevê um ensino que educativas no espaço escolar que desenvolvam uma formação integral
facilite a ponte entre a teoria e a prática. do sujeito trabalhador.
A tendência atual, em todos os níveis de ensino, é analisar a O trabalho pode ser considerado como princípio educativo para
realidade segmentada, sem desenvolver a compreensão dos múltiplos SAVIANI (1989) em três sentidos diversos, mas articulados e
conhecimentos que se interpenetram e conformam determinados integrados entre si. Em primeiro lugar, o trabalho é princípio educativo
fenômenos. Para essa visão segmentada contribui o enfoque na medida em que determina, pelo grau de desenvolvimento social
meramente disciplinar que, na nova proposta de reforma curricular, atingido na história, o modo de ser da educação na sua totalidade
pretendemos superado pela perspectiva interdisciplinar e pela (conjunto). Em segundo lugar, quando coloca exigências próprias que
contextualização dos conhecimentos. o processo educativo deve preencher em vista da participação efetiva
Na perspectiva escolar, a interdisciplinaridade não tem a dos membros da sociedade no trabalho socialmente produtivo e, em
pretensão de criar novas disciplinas ou saberes, mas de utilizar os terceiro lugar, o trabalho é princípio educativo na medida que
conhecimentos de várias disciplinas para resolver um problema determinar a educação como uma modalidade específica e
concreto ou compreender um determinado fenômeno sob diferentes diferenciada de trabalho: o trabalho pedagógico (SAVIANI, 1989, p. 1-
pontos de vista. Em suma, a interdisciplinaridade tem uma função 2).
instrumental. Trata-se de recorrer a um saber diretamente útil e A educação tecnológica ou a politécnica está identificada no
utilizável para responder às questões e aos problemas sociais segundo sentido, no qual a educação básica necessita explicitar o
contemporâneos. modo como o conhecimento se relaciona com o trabalho. Portanto, a
Na proposta de reforma curricular do Ensino Médio, a categoria que assegura a integração entre os diferentes níveis e
interdisciplinaridade deve ser compreendida a partir de uma modalidades é a educação básica, formação mínima necessária a todo
abordagem relacional, em que se propõe que, por meio da prática e qualquer cidadão. É com esta perspectiva que a União chama para
escolar, sejam estabelecidas interconexões e passagens entre os si a coordenação da política nacional de educação com a finalidade de
conhecimentos através de relações de complementaridade, assegurar a articulação dos diferentes níveis, modalidades e sistemas
convergência ou divergência. de ensino (Art. 8, parágrafo único).
A integração dos diferentes conhecimentos pode criar as Trabalhar com a concepção mais ampla de educação, de modo
condições necessárias para uma aprendizagem motivadora, na a incorporar todas as dimensões educativas que ocorrem no âmbito
medida em que ofereça maior liberdade aos professores e alunos para das relações sociais que objetivam a formação humana nas
a seleção de conteúdos mais diretamente relacionados aos assuntos dimensões social, política e produtiva, implica reconhecer que cada
ou problemas que dizem respeito à vida da comunidade. Todo sociedade, em cada modo de produção e regimes de acumulação,
conhecimento é socialmente comprometido e não há conhecimento dispõe de formas próprias de educação que correspondem às
que possa ser aprendido e recriado se não se parte das preocupações demandas de cada grupo e das funções que lhes cabe desempenhar
que as pessoas detêm. O distanciamento entre os conteúdos na divisão social e técnica do trabalho.
programáticos e a experiência dos alunos certamente responde pelo O exercício destas funções não se restringe ao caráter produtivo,
desinteresse e até mesmo pela deserção que constatamos em nossas mas abrange todas as dimensões comportamentais, ideológicas e
escolas. Conhecimentos selecionados a priori tendem a se perpetuar normativas que lhes são próprias, elaborando a escola sua proposta
nos rituais escolares, sem passar pela crítica e reflexão dos docentes, pedagógica a partir das demandas sociais. Assim é que a dualidade
tornando-se, desta forma, um acervo de conhecimentos quase sempre estrutural se manifestava inequivocamente nos modos de organização
esquecidos ou que não se consegue aplicar, por se desconhecer suas da produção, em que a distinção entre dirigentes e trabalhadores era
relações com o real. bem definida, a partir das formas de divisão social e técnica do
trabalho.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

À velha escola humanista tradicional correspondia a necessidade proposta burguesa de educação que potencialize a transformação
socialmente determinada de formar os grupos dirigentes, que não estrutural da realidade.
exerciam funções instrumentais. A proposta pedagógica da escola, O Ensino Médio integrado é aquele possível e necessário em
portanto, não tinha por objetivo a formação técnico-profissional uma realidade conjunturalmente desfavorável – em que os filhos dos
vinculada a necessidades imediatas, e sim a formação geral da trabalhadores precisam obter uma profissão ainda no nível médio, não
personalidade e o desenvolvimento do caráter através da aquisição de podendo adiar este projeto para o nível superior de ensino – mas que
hábitos de estudo, disciplina, exatidão e compostura. Já no âmbito das potencialize mudanças para, superando-se essa conjuntura, constituir-
formas tayloristas/fordistas de organizar o trabalho capitalista no se em uma educação que contenha elementos de uma sociedade
século XX, desenvolveu-se uma rede de escolas de formação justa.
profissional em diferentes níveis, paralela à rede de escolas Entende-se que, a despeito do afastamento a que foram
destinadas à formação propedêutica, com a finalidade de atender às compelidos, os educadores que atuam no Ensino Médio e no ensino
funções instrumentais inerentes às atividades práticas que decorriam técnico de nível médio partilham dos mesmos anseios de fornecer uma
da crescente diferenciação dos ramos profissionais. sólida e atualizada formação científica, tecnológica, cultural e ética aos
É essa diferenciação de escolas e redes, que atende às seus alunos; de promover as oportunidades que levem ao
demandas de formação a partir do lugar que cada classe social vai desenvolvimento da criatividade e do pensamento autônomo e crítico;
ocupar na divisão do trabalho, que determina o caráter antidemocrático de fomentar o gosto pela aprendizagem e hábitos de
do desdobramento entre escolas propedêuticas e profissionais, e não autoaprendizagem; de formar, enfim, pessoas abertas, interessadas,
propriamente os seus conteúdos. Assim é que o conhecimento curiosas, críticas, solidárias e de iniciativa.
tecnológico de ponta, embora organicamente vinculado ao trabalho, Diante, porém, do desafio de conceber e levar a efeito um curso
não tem sido democratizado, porque se destina à formação dos capaz de atender simultaneamente às duas valias, a de servir à
dirigentes e por longo tempo tem estado restrito à formação de nível conclusão da educação básica e a de levar a uma formação técnica
superior. especializada, estes educadores, e não somente eles, manifestam
Da mesma forma, a versão geral do Ensino Médio disponibilizou dúvidas e receios quanto à possibilidade de realizar tais propósitos.
conhecimento propedêutico à classe trabalhadora, em decorrência das Haveria uma sobrecarga dos programas? Dever-se-ia prolongar o
funções que ela teoricamente passaria a ocupar a partir da base tempo de escolaridade? O ensino geral teria sua identidade modificada
microeletrônica, e nem por isso se alterou sua posição de classe. O em favor de uma formação mais especializada? Ou, ao contrário, seria
desenvolvimento das forças produtivas, à medida que vai avançando a o ensino técnico a se re-configurar, tendo em vista a formação de um
partir das mudanças na base técnica, vai trazendo novas demandas perfil profissional mais amplo e genérico? Não são, porém, estas as
para a educação dos trabalhadores, o que no modo de produção questões que serão abordadas neste texto.
capitalista responde às necessidades decorrentes da valorização do Sabe-se que a modalidade do “integrado” teria a duração de
capital. quatro anos. Crê-se que, neste tempo, é possível atender à legislação
O debate travado na década de 1980, sobre a possibilidade de quanto à carga horária mínima exigida para ambos os cursos.
uma formação básica que superasse a dualidade entre cultura geral e Pretende-se, então, tomar como foco a discussão da concepção e
cultura técnica, introduziu na história da educação brasileira o conceito organização curricular, particularizando-a pela referência privilegiada à
de politecnia. Ainda hoje, Saviani (2003) alerta que esse conceito não modalidade do integrado. Para tanto, faz-se necessário deixar claro
pode ser compreendido a partir de seu significado literal. que currículo está sendo, aqui, considerado como hipóteses de
Se a preparação profissional no Ensino Médio é uma imposição trabalho e de propostas de ação didática, que são definidas para
da realidade, admitir legalmente essa necessidade é um problema serem desenvolvidas na prática educativa; experiências que devem
ético29 . Não obstante, se o que se persegue não é somente atender a ser investigadas e analisadas.
essa necessidade mas mudar as condições em que ela se constitui, é Entende-se, também, que estas hipóteses ou propostas
também uma obrigação ética e política garantir que o Ensino Médio se representam sempre opções escolhidas e/ou combinadas a partir da
desenvolva sobre uma base unitária para todos. Portanto, o Ensino análise de situações dadas, do que se quer e do que se calcula poder
Médio integrado ao ensino técnico, sob uma base unitária de formação alcançar, tendo em vista implementar práticas com efetividade
geral, é uma condição necessária para se fazer a “travessia” para uma educacional.
nova realidade. Sabemos que foi essa travessia que o Decreto n. Em quaisquer circunstâncias, será sempre uma construção
2.208/97 interrompeu, ao forçar a adequação da realidade à lei, dinâmica, concretizada nas relações pedagógicas, cujo sucesso
proibindo que o Ensino Médio propiciasse também a formação técnica. depende da participação e da capacidade de auto-avaliação destas
O restabelecimento dessa garantia, por meio do Decreto n. práticas pelos sujeitos que as tecem. No caso de currículos integrados,
5.154/2004, pretende reinstaurar um novo ponto de partida para essa o objetivo é a concepção e a experimentação de hipóteses de trabalho
travessia, de tal forma que o horizonte do Ensino Médio seja a e de propostas de ação didática que tenham, como eixo, a abordagem
consolidação da formação básica unitária e politécnica, centrada no relacional de conteúdos tipificados estruturalmente como diferentes,
trabalho, na ciência e na cultura, numa relação mediata com a considerando que esta diferenciação não pode, a rigor, ser tomada
formação profissional específica que se consolida em outros níveis e como absoluta ainda que haja especificidades que devem ser
modalidades de ensino. reconhecidas. Com relação ao objeto deste texto, são os conteúdos
O Ensino Médio integrado ao ensino técnico, conquanto seja classificados como gerais ou básicos e os conteúdos nomeados como
uma condição social e historicamente necessária para construção do profissionais ou tecnológicos.
Ensino Médio unitário e politécnico, não se confunde totalmente com
ele porque a conjuntura do real assim não o permite. Não obstante,
por conter os elementos de uma educação politécnica, contém
também os gérmens de sua construção (Saviani, 1997). Entenda-se,
entretanto, que a educação politécnica não é aquela que só é possível
em outra realidade, mas uma concepção de educação que busca, a
partir do desenvolvimento do capitalismo e de sua crítica, superar a

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Educação Inclusiva. Para que a igualdade seja real, ela tem que ser relativa. Isto
significa que as pessoas são diferentes, têm necessidades diversas e
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) uniu os o cumprimento da lei exige que a elas sejam garantidas as condições
povos do mundo todo, no reconhecimento de que "todos os seres apropriadas de atendimento às peculiaridades individuais, de forma
humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados que todos possam usufruir as oportunidades existentes. Há que se
de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em enfatizar aqui, que tratamento diferenciado não se refere à instituição
espírito de fraternidade" (Art. 1°). de privilégios, e sim, a disponibilização das condições exigidas, na
garantia da igualdade.
A concepção contemporânea de Direitos Humanos, introduzida
pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), se A escola inclusiva é espaço de construção de cidadania
fundamenta no reconhecimento da dignidade de todas as pessoas e
na universalidade e indivisibilidade desses direitos; universalidade, A família é o primeiro espaço social da criança, no qual ela
porque a condição de pessoa é requisito único para a titularidade de constrói referências e valores e a comunidade é o espaço mais amplo,
direitos e indivisibilidade, porque os direitos civis e políticos são onde novas referências e valores se desenvolvem. A participação da
conjugados aos direitos econômicos, sociais e culturais. família e da comunidade traz para a escola informações, críticas,
A Declaração conjuga o valor de liberdade ao valor de igualdade, sugestões, solicitações, desvelando necessidades e sinalizando
já que assume que não há liberdade sem igualdade, nem tampouco rumos. Este processo, ressignifica os agentes e a prática educacional,
igualdade sem liberdade. Neste contexto, o valor da diversidade se aproximando a escola da realidade social na qual seus alunos vivem.
impõe como condição para o alcance da universalidade e a A escola é um dos principais espaços de convivência social do ser
indivisibilidade dos Direitos Humanos. humano, durante as primeiras fases de seu desenvolvimento. Ela tem
Num primeiro momento, a atenção aos Direitos Humanos foi papel primordial no desenvolvimento da consciência de cidadania e de
marcada pela tônica da proteção geral e abstrata, com base na direitos, já que é na escola que a criança e ao adolescente começam a
igualdade formal; mais recentemente, passou-se a explicitar a pessoa conviver num coletivo diversificado, fora do contexto familiar.
como sujeito de direito, respeitado em suas peculiaridades e
particularidades. O respeito à diversidade, efetivado no respeito às Exercício da cidadania e a promoção da paz
diferenças, impulsiona ações de cidadania voltadas ao
reconhecimento de sujeitos de direitos, simplesmente por serem seres O conceito de cidadania em sua plena abrangência engloba
humanos. Suas especificidades não devem ser elemento para a direitos políticos, civis, econômicos, culturais e sociais. A exclusão ou
construção de desigualdades, discriminações ou exclusões, mas sim, limitação em qualquer uma dessas esferas fragiliza a cidadania, não
devem ser norteadoras de políticas afirmativas de respeito à promove a justiça social e impõe situações de opressão e violência.
diversidade, voltadas para a construção de contextos sociais Exercer a cidadania é conhecer direitos e deveres no exercício
inclusivos. da convivência coletiva, realizar a análise crítica da
realidade, reconhecer as dinâmicas sociais, participar do debate
Princípios permanente sobre causas coletivas e manifesta-se com autonomia e
liberdade respeitando seus pares. Tais práticas se contrapõem à
A ideia de uma sociedade inclusiva se fundamenta numa filosofia violência, na medida que não admitem a anulação de um sujeito pelo
que reconhece e valoriza a diversidade, como característica inerente à outro, mas fortalecem cada um, na defesa de uma vida melhor para
constituição de qualquer sociedade. Partindo desse princípio e tendo todos.
como horizonte o cenário ético dos Direitos Humanos, sinaliza a Uma proposta de educação para a paz deve sensibilizar os
necessidade de se garantir o acesso e a participação de todos, a todas educandos para novas formas de convivência baseadas na
as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada solidariedade e no respeito às diferenças, valores essenciais na
indivíduo e/ou grupo social. formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres e
sensíveis para rejeitarem toda a forma de opressão e violência.
A identidade pessoal e social e a Construção da igualdade na diversidade
Para saber mais: Legislação brasileira - marcos legais
A identidade pessoal e social é essencial para o
desenvolvimento de todo indivíduo, enquanto ser humano e enquanto - A política educacional no âmbito da Educação Especial;
cidadão. A identidade pessoal é construída na trama das relações - Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação
sociais que permeiam sua existência cotidiana. Básica - Parecer 17/2001;
Assim, há que se esforçar para que as relações entre os - Fontes de Recursos e Mecanismos de Financiamentos da
indivíduos se caracterizem por atitudes de respeito mútuo, Educação Especial;
representadas pela valorização de cada pessoa em sua singularidade, - Evolução Estatística da Educação Especial. Marcos Legais
ou seja, nas características que a constituem. "A consciência do direito Trata do Ordenamento Jurídico, contendo as leis que regem a
de constituir uma identidade própria e do reconhecimento da educação nacional e os direitos das pessoas com deficiência,
identidade do outro traduz-se no direito à igualdade e no respeito às constituindo importantes subsídios para embasamento legal a gestão
diferenças, assegurando oportunidades diferenciadas (equidade), dos sistemas de ensino.
tantas quantas forem necessárias, com vistas à busca da igualdade." Inclui a seguinte legislação:
(MEC/SEESP, 2001). A Constituição Federal do Brasil assume o - Constituição da República Federativa do Brasil /88
princípio da igualdade como pilar fundamental de uma sociedade - Lei 7853/89 - Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de
democrática e justa, quando reza no caput do seu Art. 5° que "todos deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE, institui
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros, residentes no país, a a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes e dá
e à propriedade" (CF - Brasil, 1988). outra providências. (Alterada pelaLei 8.028/90)

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APOSTILA DE DIDÁTICA

- Lei 8069/90 - Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do profissional de nível médio ou de educação especial, vinculados à
Adolescente e dá outras providências - ECA estrutura do ensino público e particular.
- Lei 8859/94 - Modifica dispositivos da Lei nº 6.494, de 07 de Resoluções:
dezembro de 1977, estendendo aos alunos de ensino especial o - Resolução 09/78 - Conselho Federal de Educação - Autoriza,
direito à participação em atividades de estágio. excepcionalmente, a matrícula do aluno classificado como
- Lei 9394/96 - Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação superdotado nos cursos superiores sem que tenha concluído o curso
Nacional - LDBEN. de 2º grau.
- Lei 9424/96 - Dispõe sobre o Fundo de Manutenção e - Resolução 02/81 - Conselho Federal de Educação - Autoriza a
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério concessão de dilatação de prazo de conclusão do curso de graduação
- FUNDEF. aos alunos portadores de deficiência física, afecções congênitas ou
- Lei 10098/00 - Estabelece normas gerais e critérios básicos adquiridas.
para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de - Resolução 02/01 - Conselho Nacional de Educação -Institui
deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
- Lei 10172/2001 - Aprova o Plano Nacional de Educação e dá - Resolução 01 e 02/02 - Conselho Nacional de Educação -
outras providências. Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores da Educação
- Lei 10216/2001 - Dispõe sobre a proteção e os direitos das Básica, em nível superior, graduação plena.
pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo
assistencial em saúde mental. Educação, trabalho, formação profissional e as transformações
- Lei 10436/02 - Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais do Ensino Médio.
- Libras e dá outras providências.
- Lei 10845/2004 - Institui o Programa de Complementação ao Primeiramente, o Brasil foi a última sociedade no continente a
Atendimento Educacional Especializado às pessoas portadoras de abolir a escravidão. Foram séculos de trabalho escravo, cujas marcas
deficiência, e dá outras providências são ainda profundamente visíveis na sociedade. A mentalidade
- PAED. Decretos: Decreto 2.264/97 - Regulamenta a Lei empresarial e das elites dominantes tem a marca cultural da relação
9424/96 -FUNDEF, no âmbito federal, e determina outras providências; escravocrata. O segundo aspecto é a visão moralizante do trabalho,
Decreto 3.298/99 - Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de trazida pela perspectiva de diferentes religiões. Trabalho como castigo,
1989, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da sofrimento e/ ou remissão do pecado. Ou, ainda, trabalho como forma
Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção e de disciplinar e frear as paixões, os desejos ou os vícios da “carne”.
dá outras providências. Um dos critérios de contratação de trabalhadores, não raro, é a
- Decreto 3030/99 - Dá nova redação ao art.2º do Decreto religião. Por fim, muito frequente é a perspectiva de se reduzir a
1.680/95 que dispõe sobre a competência, a composição e o dimensão educativa do trabalho à sua função instrumental didático-
funcionamento do Conselho Consultivo da Coordenadoria Nacional pedagógica, aprender fazendo.
para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. (CORDE) Sem desconhecer essas dimensões, particularmente a dimensão
- Decreto 3076/99 - Cria no âmbito do Ministério da Justiça o didático-pedagógica que o trabalho possa vir a ter, o que demarca a
Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência. dimensão mais profunda da concepção do trabalho como princípio
(CONADE). educativo, como veremos num dos itens abaixo, é de ordem ontológica
- Decreto 3631/00 - Regulamenta a Lei 8899/94, que dispõe (inerente ao ser humano) e, consequentemente, ético-política (trabalho
sobre o transporte de pessoas portadoras de deficiência no sistema de como direito e como dever).
transporte coletivo interestadual. O trabalho como princípio educativo vincula-se, então, à própria
- Decreto 3.952/01 - Dispõe sobre o Conselho Nacional de forma de ser dos seres humanos. Somos parte da natureza e
Combate à Discriminação (CNCD). dependemos dela para reproduzir a nossa vida. E é pela ação vital do
- Decreto 3956/01 -Promulga a Convenção Interamericana para trabalho que os seres humanos transformam a natureza em meios de
a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas vida. Se essa é uma condição imperativa, socializar o princípio do
Portadoras de Deficiência. (Convenção da Guatemala) Portarias - trabalho como produtor de valores de uso, para manter e reproduzir a
MEC vida, é crucial e “educativo”. Trata-se, como enfatiza Gramsci, de não
- Portaria 1793/94 -Recomenda a inclusão da disciplina Aspectos socializar seres humanos como “mamíferos de luxo”. É dentro desta
Ético - Político - Educacionais na normalização e integração da pessoa perspectiva que Marx sinaliza a dimensão educativa do trabalho,
portadora de necessidades especiais, prioritariamente, nos cursos de mesmo quando o trabalho se dá sob a negatividade das relações de
Pedagogia, Psicologia e em todas as Licenciaturas. classe existentes no capitalismo. A própria forma de trabalho
- Portaria 319/99 - Institui no Ministério da Educação, vinculada à capitalista não é natural, mas produzida pelos seres humanos.
Secretaria de Educação Especial/SEESP a Comissão Brasileira do No decênio de 1980, para a elaboração do texto dedicado à
Braille, de caráter permanente. educação na nova Constituição, aprovada em 1988, e para a nova
- Portaria 554/00 - Aprova o Regulamento Interno da Comissão LDB - Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/1996), discutiu-se muito a
Brasileira do Braille - Portaria 3.284/03 - Dispõe sobre requisitos de questão da educação politécnica, da escola unitária e do trabalho
acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os como princípio educativo. Fazer a crítica da profissionalização
processos de autorização e de reconhecimento de cursos e de compulsória (segundo a Lei nº 5.692/1971) e defender a introdução do
credenciamento de instituições. trabalho na educação levava à questão de pensar o trabalho como
- Portaria do Ministério do Planejamento 08/2001 - Atualiza e princípio educativo. O filósofo húngaro Georg Lukács desenvolveu
consolida os procedimentos operacionais adotados pelas unidades de algumas idéias que foram particularmente úteis para essa reflexão, ao
recursos humanos para a aceitação, como estagiários, de alunos tratar da ontologia do ser social. A questão da ontologia tem uma
regularmente matriculados e que venham frequentando, efetivamente, história antiga na metafísica clássica e está ligada à identidade do ser
cursos de educação superior, de ensino médio, de educação (o ser é e o não ser não é).

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APOSTILA DE DIDÁTICA

A ontologia do ser social desenvolvida por Lukács (1978) No caso brasileiro, isto tende a ocorrer no ensino médio por dois
permite-nos pensar a questão do trabalho e suas propriedades motivos. O primeiro, porque nesse momento, os(as) jovens estão
educativas, positivas ou negativas. As questões principais que ele configurando seus horizontes em termos de cidadania e de vida
apresenta estão em um de seus últimos escritos, uma conferência que economicamente ativa (dimensões também indissociáveis). A
é uma síntese magistral de suas principais idéias. experiência educativa, nessa etapa, então, deve proporcionar o
O trabalho é parte fundamental da ontologia do ser social. A desenvolvimento intelectual e a apreensão de elementos culturais que
aquisição da consciência se dá pelo trabalho, pela ação sobre a possibilitem a configuração desses horizontes. Dentre esses
natureza. O trabalho, neste sentido, não é emprego, não é apenas elementos, estão as características do mundo do trabalho, incluindo
uma forma histórica do trabalho em sociedade, ele é a atividade aquelas que contribuem para a realização de escolhas profissionais. O
fundamental pela qual o ser humano se humaniza, se cria, se expande segundo motivo pelo qual a relação entre mundo do trabalho e
em conhecimento, se aperfeiçoa. O trabalho é a base estruturante de conhecimento tende a se aproximar mais no ensino médio é o fato de,
um novo tipo de ser, de uma nova concepção de história. nesta etapa, ser possível compreender o processo histórico de
É a consciência moldada por esse agir prático, teórico, poético transformação da ciência em força produtiva por meio do
ou político que vai impulsionar o ser humano em sua luta para desenvolvimento tecnológico. Nesse momento, então, o acesso ao
modificar a natureza (ou para dominá-la, como se dizia no passado, conhecimento sistematizado proporciona a formação cultural e
antes que se tomasse consciência da destruição que o homem vem intelectual do estudante, permitindo “a compreensão do significado da
operando sobre o planeta). A consciência é a capacidade de ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação
representar o ser de modo ideal, de colocar finalidades às ações, de da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de
transformar perguntas em necessidades e de dar respostas a essas comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania” (Lei
necessidades. Diferente dos animais que agem guiados pelo instinto, nº 9.394/96, art. 36, inciso I). Mas, aqui, se pode levar também à
de forma quase imediata, o ser humano age por meio de mediações, preparação para o exercício profissional (idem, art. 36, parágrafo 2º).
de recursos materiais e espirituais que ele implementa para alcançar Desse modo, a formação integrada é uma formação que
os fins desejados. possibilita o desenvolvimento do cidadão para ser crítico e reflexivo, de
Nessa relação com a natureza, estabelece-se uma relação entre modo que possibilita a sua autonomia. Essa formação também
a satisfação das necessidades biológicas e a parcela de liberdade possibilita que o trabalhador compreenda o processo político do
implícita em todos os atos humanos para satisfazê-la, porque colocam- trabalho, de modo que a sua formação lhe permita atuar politicamente
se objetivos, finalidades alternativas a serem atingidas com a ação na sociedade.
empreendida. O mundo da liberdade versus o mundo da necessidade A integração no ensino médio integrado não pode ser pautada
é uma das idéias mais fecundas do filósofo. “Toda práxis social, se pela justaposição de disciplinas, em que se cursa o ensino médio
considerarmos o trabalho como seu modelo, contém em si esse propedêutico em três anos e acrescenta-se mais um ano na formação
caráter contraditório. Por um lado a práxis é uma decisão entre com a formação específica, e sim, que haja um diálogo, constante
alternativas, já que todo indivíduo singular, se faz algo, deve decidir se entre formação geral e formação específica, de modo que trabalho e
faz ou não. Todo ato social, portanto, surge de uma decisão entre educação estejam engendrados em uma concepção única de
alternativas acerca de posições teleológicas [finalidades, objetivos] educação. A justaposição de disciplinas apenas perpetua a concepção
futuras” (LUKÁCS, ibid., p. 6). dualista e fragmentária da educação e departamentaliza e fragmenta o
É a ampliação e a reelaboração desta liberdade, pelo saber e o conhecimento, dissociando o trabalho e a educação.
aperfeiçoamento do agir humano, que vai provocar a divisão do A formação integrada pressupõe um projeto de educação que
trabalho, as formas desiguais de apropriação da riqueza social contemple trabalho, ciência, tecnologia e cultura, ou seja, uma
produzida. E são as apropriações ideológicas que mistificam essas formação politécnica, em que o conhecimento dos fundamentos da
ações, que constituem determinada divisão social do trabalho, gerando técnica sejam apreendidos e articulados com as vivências e
as classes sociais. experiências de cada um, e por uma educação omnilateral, que
Para Saviani (1989) o trabalho pode ser considerado como contemple o ser humano como centro do processo de educação.
princípio educativo em três sentidos diversos, mas articulados entre si.
Num primeiro sentido, o trabalho é princípio educativo na medida em Protagonismo Juvenil e Cidadania.
que determina, pelo grau de desenvolvimento social atingido
historicamente, o modo de ser da educação em seu conjunto. Nesse No teatro grego, protagonista era aquele que desempenhava o
sentido, aos modos de produção correspondem modos distintos de papel de “personagem principal”, “ator principal” num espetáculo
educar com uma correspondente forma dominante de educação. E um trágico ou cômico. Já numa perspectiva sociológica, a expressão
segundo sentido, o trabalho é princípio educativo na medida em que “protagonismo” vem sendo utilizada em referência ao “ator social” de
coloca exigências específicas que o processo educativo deve uma “ação” voltada para mudanças sociais. Mas na esfera do ensino,
preencher, em vista da participação direta dos membros da sociedade o que implica ser um jovem protagonista?
no trabalho socialmente produtivo. Finalmente, o trabalho é princípio Delors (1996) em relatório internacional sobre a educação para o
educativo num terceiro sentido, à medida que determina a educação século XXI destaca que a escola básica passou a desempenhar um
como uma modalidade específica e diferenciada de trabalho: o papel fundamental na preparação de cidadãos para uma participação
trabalho pedagógico (SAVIANI, 1989, pp. 1-2). O conceito de ativa, uma vez que os princípios democráticos expandiram-se por todo
politecnia ou de educação tecnológica estaria no segundo nível de o mundo. Assim, para ele, a experimentação de práticas escolares
compreensão do trabalho como princípio educativo: a educação pelos alunos, como jornais da escola, criação de parlamentos dos
básica, em suas diferentes etapas, deve explicitar o modo como o alunos, elaboração de regulamentos da comunidade escolar,
saber se relaciona com o processo de trabalho, convertendo-se em simulação do funcionamento de instituições democráticas, exercício de
força produtiva. Para as pessoas que constroem suas trajetórias resoluções não-violentas de conflitos, tendem a reforçar a
formativas em tempos lineares e considerados “regulares” – isto é, por aprendizagem da democracia. No entanto, “sendo a educação para a
um processo de escolarização que acompanha seu desenvolvimento cidadania e democracia, por excelência, uma educação que não se
etário –, a relação entre conhecimento e atividade produtiva ocorre de limita ao espaço e tempo da educação formal, é preciso implicar
forma mais imediata a partir de uma determinada etapa educacional. diretamente nela as famílias e outros membros da comunidade.”
(DELORS, 1996, p. 60).

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APOSTILA DE DIDÁTICA

Na defesa de uma educação cívica que contemple, solidariedade, responsabilidade e reciprocidade como norteadores de
simultaneamente, a adesão a valores, a aquisição de conhecimentos e suas ações na vida profissional, social, civil e pessoal. (Resolução
a aprendizagem de práticas de participação na vida pública, Delors CEB/CNE, 1998, p.2). Uma segunda referência ao
(1996) recomenda que a educação, desde a infância e ao longo de “protagonismo” presente nestas diretrizes remete à necessidade da
toda a vida, desenvolva no aluno a capacidade crítica que lhe permita constituição de “competências” e “habilidades” no âmbito das ciências
ter um pensamento livre e uma ação autônoma. Trata-se, portanto, da humanas e suas tecnologias.
exigência de um ensino que seja um processo de construção da Para Ferretti, Zibas e Tarturce (2004, p.412) o conceito de
capacidade de discernimento, capaz de propiciar ao aluno a “protagonismo dos jovens/alunos” tal como proposto pelas Diretrizes
conciliação entre o exercício dos direitos individuais, fundados na Curriculares Nacionais (1998), ao enfocar a necessidade do
liberdade pública, e a prática dos deveres e da responsabilidade em desenvolvimento de certas “competências” e “habilidades” entre os
relação aos outros e às comunidades a que pertencem. (DELORS, et jovens, não está dissociado de questões mais amplas como as
al, 1996, p.61). próprias transformações sociais e culturais das sociedades
No contexto brasileiro, a reformulação do ensino médio instituída contemporâneas, denominadas pós-modernas. Tais transformações
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), de configuram-se, sobretudo, por profundas mudanças no campo do
1996, e posteriormente regulamentada pelas Diretrizes do Conselho trabalho estruturado sob o capital, bem como por avanços
Nacional de Educação e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ao significativos nos campos científico e tecnológico. Essas
deixar de ter como foco a educação para o ensino superior ou transformações, em maior ou menor grau, manifestam-se no cotidiano
profissionalizante, acentua, especificamente, a necessidade e dos jovens através do desemprego, ou ainda, através da exigência de
responsabilidade de complementação da educação básica. Isto novas formas de socialibidade engendradas pela informática. Os
significa “preparar para a vida”, “qualificar para a cidadania” e autores interpretam o “protagonismo juvenil”, como uma via promissora
“capacitar para o aprendizado permanente”, seja em relação ao de construção de subjetividades, pautadas em valores e atitudes
prosseguimento dos estudos, seja em relação ao mundo do trabalho. cidadãs, em face de contextos sociais adversos , caracterizados por
Mais do que reproduzir dados, denominar classificações ou rápidas mudanças, incertezas e instabilidades daí decorrentes.
identificar símbolos, está formando para a vida, num mundo como o Esse conjunto de circunstâncias indicaria, segundo diversos
atual, de tão rápidas transformações e de tão difícieis contradições, autores, uma urgente necessidade social de promover, de maneira
significa saber se informar, se comunicar, argumentar, compreender e sistemática, a formação de valores e atitudes cidadãs que permitam a
agir, enfrentar problemas de qualquer natureza, participar socialmente, esses sujeitos conviver de forma autônoma com o mundo
de forma prática e solidária, ser capaz de elaborar críticas ou contemporâneo. Essa formação para a chamada “moderna cidadania”,
propostas e, especialmente, adquirir uma atitude de permanente além de atender uma exigência social, viria a responder às angústias
aprendizado. (PCNEM, 2002, p.09). de adolescentes e jovens diante da efemeridade, dos desafios e das
Ora, tal formação exige um método de ensino no qual o aluno exigências das sociedades pós-modernas e, também, perante as
tenha condições efetivas de comunicação, argumentação, resolução novas configurações do trabalho. O protagonismo é encarado, nesse
de problemas, participação social e cidadã, de modo a saber propor e sentido, como via promissora para dar conta tanto de uma urgência
fazer escolhas, tomar gosto pelo conhecimento, 'aprender a social quanto das angústias pessoais dos adolescentes e jovens.
aprender'. Mas não seriam esses alguns dos preceitos do (FERRETTI, ZIBAS, TARTUCE, 2004, p. 413).
“protagonismo juvenil”? Nessa direção, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o
Na resolução que institui as Diretrizes Curriculares e Nacionais Ensino Médio (PCNEM) é um outro documento cujo conteúdo permite
para o Ensino Médio no Brasil-DCNEM há um registro da palavra aproximações com o tema do protagonismo. Aqui, a referência é ao
“protagonismo”, não explicitamente o juvenil, mas o protagonismo de protagonismo do aluno, que é o público jovem, e do professor em sua
professores e alunos. Tal resolução consiste num conjunto de atividade. O papel do aluno como protagonista, deve ser o de
princípios e procedimentos a serem observados na prática pedagógica “constituir” ou “reconstruir” o conhecimento por meio da atividade, e
e curricular das escolas, no sentido de consolidar a preparação para “o não o de ser um mero assimilador de conteúdos. Assim, os
exercício da cidadania” e para o mundo do trabalho. O termo Parâmetros propõem uma organização curricular na qual seja possível
“protagonismo” pode ser encontrado neste documento em referência “estimular todos os procedimentos e atividades que permitam ao aluno
ao “princípio político da igualdade” como um dos princípios que devem reconstruir ou 'reinventar' o conhecimento didaticamente transposto
nortear as práticas pedagógicas do ensino médio brasileiro; os outros para sala de aula, entre eles a experimentação, a execução de
princípios seriam os “estéticos”, “éticos”, o “da identidade”, “da projetos, o protagonismo em situações sociais”, bem como “tratar os
diversidade” e “autonomia”, “interdisciplinaridade” e conteúdos de ensino de modo contextualizado” (…) no sentido
“contextualização”. Especificamente sobre a observância de uma de estimular o aluno a ter autonomia intelectual. (PCN'S, 2000, p.75)
política da igualdade nos estabelecimentos de ensino, o documento Tais parâmetros, ao enfatizar a atividade do aluno no processo
aponta como ponto de partida: de aprendizagem, supõem que a escola contribua na constituição de
O reconhecimento dos direitos humanos e dos deveres de uma “cidadania de qualidade nova”, “cujo exercício reúna
cidadania, visando a constituição de identidades que busquem e conhecimentos e informações a um protagonismo responsável, para
pratiquem a igualdade no acesso aos bens sociais e culturais, o exercer direitos que vão muito além da representação política
respeito ao bem comum, o protagonismo e a responsabilidade no tradicional (...)”. (PCN'S, 2000, p. 59). Neste sentido, é válido
âmbito público e privado, o combate a todas as formas discriminatórias ressaltar, como exemplo ilustrativo, experiências de estudantes do
e o respeito aos princípios do Estado de Direito na forma do sistema ensino médio em espaços como o “Parlamento Juvenil do Mercosul.”
federativo e do regime democrático e republicano. (Resolução Trata-se aqui de um espaço de participação no qual jovens
CEB/CNE, 1998, p.1-2) brasileiros, argentinos, paraguaios, uruguaios, bolivianos e
A propósito, o documento destaca a “Ética da identidade” como colombianos, discutem sobre a educação. A primeira reunião do
um princípio norteador na superação de dicotomias entre as esferas Parlamento Juvenil do Mercosul ocorreu na cidade de Montevidéu,
pública e privada, de modo a constituir identidades que sejam capazes capital do Uruguai, em outubro de 2010, congregando cerca de 126
de reconhecer, respeitar e acolher o outro, incorporando valores como adolescentes, visando a apresentação de propostas para a educação,

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APOSTILA DE DIDÁTICA

especialmente o ensino médio, no contexto latino-americano. A criação educação formal, como a escola e a universidade, o “protagonismo
de equipes multidisciplinares nas escolas; garantia do ensino médio juvenil” admite interpretações heterogêneas, agregando a palavra
público obrigatório, laico e gratuito; melhoria no transporte e “protagonismo” ideias como “participação”, “cidadania”, “autonomia”,
alimentação nas escolas e a criação de projetos para preservação do “responsabilidades”, “ação individual e/ou coletiva”, “empoderamento”,
meio ambiente foram algumas das propostas apresentadas pelos “resiliência”, além de outras. Palavras não necessariamente
alunos no referido parlamento. Cabe ressaltar que, nesta experiência, sinônimas, mas que convergem para um significado comum, que é o
dos cinco jovens brasileiros selecionados para representarem o país, reconhecimento dos jovens como sujeitos. Assim, possíveis de
uma é estudante de uma escola pública do município de Iracema, no ocuparem, a partir da experimentação de um processo de construção
Ceará. social, que inclui uma relação dialógica, um lugar relevante em
Fontes: http://parlamentojuvenil.educ.ar/pt-br ; http://portal.mec.gov.br. Acessos: 19/10/2010. espaços de tomada de decisões sobre questões que repercutem em
Jornal O Povo de 11 de Outubro de 2010. pág. 12. suas próprias vidas.

Em face de uma pedagogia focalizada na atividade do aluno, BIBLIOGRAFIA PARA ESSE CAPÍTULO
qual seria, então, o papel do professor? Conforme os referidos BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de
parâmetros curriculares a “proposta pedagógica [da escola] não existe Educação. Resolução CNE/CEB nº 6, de 20 de Setembro de 2012.
sem um forte protagonismo do professor e sem que este dela se Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
aproprie.” (PCN'S, 2000, p.70). Desta forma: Profissional Técnica de Nível Médio. Diário Oficial da União: Brasília,
O exercício pleno da autonomia se manifesta na formulação de 21 de setembro de 2012, Seção 1, p. 22
uma proposta pedagógica própria, direito de toda instituição escolar.
CIAVATTA, Maria. A formação integrada: a escola e o trabalho como
Essa vinculação deve ser permanentemente reforçada, buscando
lugares de memória e identidade. In: Ensino Médio integrado:
evitar que as instâncias centrais do sistema educacional burocratizem
e ritualizem aquilo que no espírito da lei, deve ser, antes de mais nada, Concepções e mudanças. FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria;
expressão de liberdade e iniciativa, e que por essa razão não pode RAMOS, Marise. (Orgs.) São Paulo: Cortez, 2005. Pág. 83 – 105.
prescindir do protagonismo de todos os elementos da escola, em DELORS, Jacques, et al. Da coesão social à participação democrática.
especial dos professores. (PCN'S, 2000, p. 72). In: Educação um tesouro a descobrir: relatório para UNESCO da
No que se refere a proposição de uma “cidadania de qualidade comissão internacional sobre educação para o século XXI. Cortez,
nova”, os Parâmetros Curriculares Nacionais ao apresentarem UNESCO, MEC.
definições de “conceitos estruturadores” no ensino de disciplinas das FERRETTI, Celso, ZIBAS, Dagmar, et al. Protagonismo juvenil na
Ciências Humanas, dentre as quais, a Sociologia, destaca a literatura especializada e na reforma do ensino médio. In: Cadernos de
“cidadania”, o “trabalho” e a “cultura” como aqueles fundamentais para Pesquisa, v. 34, n° 122, p.411-423, Maio/Agos. 2004. Disponível
o ensino desta discliplina na atualidade. em: http://www.scielo.br/pdf/cp/v34n122/22511paf. Acesso:
Assim, a elaboração de tais conceitos, particularmente o de 01/01/2010
“cidadania”, suscita pesquisar sobre as relações indivíduo e sociedade; FRIGOTTO, Gaudêncio. Concepções e mudanças no mundo do
as instituições sociais e o processo de socialização; a definição de trabalho e o ensino médio. In: Ensino Médio integrado: Concepções e
sistemas sociais; a participação política de indivíduos e grupos; os mudanças. FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria; RAMOS,
sistemas de poder e os regimes políticos; as formas de Estado; a Marise. (Orgs.) São Paulo: Cortez, 2005. Pág. 57 – 82.
democracia; os direitos dos cidadãos; os movimentos sociais, etc. RAMOS, Marise. Possibilidades e desafios na organização do currículo
(PCNEM, p.88). Com efeito, tais questões são compatíveis com a integrado. In: Ensino Médio integrado: Concepções e mudanças.
discussão do protagonismo, especificamente, quando se reflete sobre FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria; RAMOS, Marise. (Orgs.)
este conceito a partir da ação de atores sociais. São Paulo: Cortez, 2005. Pág. 106 – 127.
Importante destacar que, em 2006, foram elaboradas as SOUZA, Regina Magalhães. O discurso do protagonismo juvenil. São
Orientações Curriculares Nacionais (OCN's) de modo a esclarecer Paulo: Paulus, 2008. (Coleção Ciências Sociais).
alguns pontos dos Parâmetros Curriculares Nacionais, como, por
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/ensino_medioinovador.pdf.
exemplo, o desenvolvimento de alternativas didático-pedagógicos no
Acessado em 12/10/2017.
trabalho escolar. Embora este documento consista num conjunto de
reflexões voltadas para orientação de práticas docentes, também aqui
é ressaltado o desafio da aprendizagem autônoma e contínua ao longo
da vida de modo a preparar o jovem para participação nas sociedades
contemporâneas. (OCN's, 2006, p.06).
Do ponto de vista pedagógico, a proposta do “protagonismo juvenil”,
como método de trabalho em espaços de educação formal e não-formal,
está fundamentada na chamada pedagogia ativa, cujo foco é a “criação
de espaços e condições que propiciem ao adolescente empreender ele
próprio a construção de seu ser em termos pessoais e sociais” (COSTA,
2001, p.9). Aqui o professor, mais do que alguém que repassa conteúdos,
assume um papel de mediador, “situando o aluno no centro do processo
educativo, deslocando o eixo desse processo para a aprendizagem, de
modo a minimizar, assim, a dimensão do ensino.” (FERRETTI, et al, 2004,
p. 414-415).
Na análise do conceito de “protagonismo juvenil”, e com base
nos discursos de organismos internacionais, organizações
governamentais e não -governamentais, constato que esta é uma
expressão carregada de significado político, sociológico e
pedagógico. Como um conceito orientador de práticas sociais com
adolescentes e jovens, seja em espaços de educação não-formal
(ong's, igrejas, movimentos populares, conselhos), ou em espaços de

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APOSTILA DE DIDÁTICA

 QUESTÕES II. Os Princípios Políticos dos Direitos e Deveres de Cidadania,


do exercício da Criticidade e do respeito à Ordem
81. As Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA (CNE,2000) Democrática;
preconizam princípios norteadores da ação pedagógica da escola:
III. Os Princípios Estéticos da Sensibilidade, da Criatividade, e da
a) éticos, políticos e estéticos;
b) políticos, educacionais e filosóficos; Diversidade de Manifestações Artísticas e Culturais.
c) educacionais, pedagógicos e didáticos;
d) educacionais, políticos e sociais; Marque as afirmativas corretas.
e) políticos, pedagógicos e sócio-educativos. a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
82. Conforme o Parecer CNE/CEB 11/2010, as Diretrizes Curriculares c) I e III, apenas.
definidas em norma nacional pelo Conselho Nacional de Educação
d) II e III, apenas.
são orientações que devem ser necessariamente observadas na
elaboração dos currículos e dos projetos político-pedagógicos das e) I, II e III.
escolas. Essa elaboração é de responsabilidade
a) das escolas, seus professores, dirigentes e funcionários, com a 85. De acordo com a Lei Nº 10.639/2003 - História e Cultura Afro –
indispensável participação das famílias e dos estudantes. Brasileira e Africana, julgue as afirmações a seguir, como
b) do gestor escolar e sua equipe técnica pedagógica. Verdadeiro (V) ou Falso (F):
c) dos órgãos centrais da secretaria da educação, da escola e do ( ) É obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira
gestor escolar. nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio oficiais,
d) dos técnicos e dos especialistas do Ministério da Educação e
exceto os particulares.
Cultura.
e) dos professores, do gestor e da comunidade escolar. ( ) É obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira
nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais
83. A Escola Santo Agostinho percebeu a necessidade de estruturar e particulares.
melhor o seu projeto pedagógico com vistas a atender as ( ) O conteúdo programático sobre História e Cultura Afro-
orientações estabelecidas na Resolução CNE/CEB n.º 03/98, que Brasileira incluirá o estudo de História da África e dos
instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira
Os princípios pedagógicos da Identidade, Diversidade e
e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a
Autonomia, da Interdisciplinaridade e da Contextualização serão
adotados como seus estruturadores curriculares. Diante do contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e
exposto, no que se refere à Contextualização, os professores política pertinentes à História do Brasil.
dessa escola precisam
a) desenvolver estratégias de ensino e aprendizagem que A sequência CORRETA é:
permitam ao aluno reproduzir o conteúdo da mesma forma a) F, F, V.
como foi criado, inventado ou produzido, dando a esse b) F, V, V.
conteúdo um maior significado. c) V, F, F.
b) utilizar a transposição didática a fim de apresentar ao aluno o
d) V, V, V.
conteúdo da forma como foi concebido, dando-lhe uma visão
ampla e global do que foi estudado. e) F, V, F.
c) proporcionar aos alunos aprendizagens significativas através de
estratégias práticas que lhes permitam aplicar os conteúdos da 86. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental
mesma forma como foram criados, inventados ou produzidos e (Resolução CEB/CNE no 2, de 7/4/98) indicam que, na definição
m situações de trabalho e vida diária. de suas propostas pedagógicas, as escolas devem:
d) desenvolver estratégias de ensino e aprendizagem que a) contar com a participação de todos os profissionais da
permitam ao aluno pesquisar como o conteúdo foi criado, educação na sua elaboração e execução e com a participação
inventado ou produzido nas situações da vida cotidiana de
da comunidade local em conselhos escolares.
onde surgiram.
e) adotar a transposição didática do conhecimento, como um b) explicitar o reconhecimento da identidade pessoal de alunos e
mecanismo de o aluno estabelecer relação entre a teoria e a outros profissionais e da identidade de cada unidade escolar e
prática, dando significado ao conhecimento aprendido. de seus respectivos sistemas de ensino.
c) assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aulas
84. Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições estabelecidas e velar pelo cumprimento do plano de trabalho
doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos na de cada docente.
Educação Básica, expressas pela Câmara de Educação Básica do
d) articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos
Conselho Nacional de Educação, e orientam as escolas brasileiras
dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no de integração da sociedade com a escola e informando aos
desenvolvimento e na avaliação de suas propostas pedagógicas. pais e responsáveis sobre a execução da proposta.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e) organizar-se na forma de ciclos, com base na idade, na
dizem que as escolas deverão competência e em outros critérios, sempre que o interesse do
estabelecer, como norteadoras de suas ações pedagógicas: processo de aprendizagem assim o recomendar.
I. Os Princípios Éticos da Autonomia, da Responsabilidade, da
Solidariedade e do Respeito ao Bem Comum;

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APOSTILA DE DIDÁTICA

87. Uma escola de Ensino Médio está interessada em ofertar, também, 90. Imagine uma situação hipotética:
cursos técnicos. Para que possa concretizar essa intenção,
seguindo o que está expresso no Parecer CNE/CEB n° 17/97, que Em uma escola pública da rede municipal, a direção propôs que
estabelece as diretrizes operacionais para a educação profissional fosse realizada uma reformulação no currículo para atender às
em nível nacional, a equipe gestora dessa escola propostas das Diretrizes Curriculares. Os professores
a) deverá optar por oferecer somente cursos técnicos, pois a questionaram quais textos deveriam reger suas escolhas, tendo o
legislação pertinente separou essa modalidade do Ensino diretor afirmado que as Diretrizes Curriculares estavam disponíveis
Médio, devido a suas especificidades. no portal do MEC e que cada um deveria ler o texto das DCNs
b) precisará de aprovação de Proposta Pedagógica expedida pelo para poder debater em uma reunião a ser marcada. Durante a
Ministério da Educação para implantar as novas habilitações reunião, com o debate, algumas falas ficaram marcadas:
I. O professor Fábio insistia que os PCNs deveriam
técnicas.
obrigatoriamente ser alvo de consulta, pois eles constituem um
c) necessitará manter exclusivamente a oferta do Ensino Médio,
documento de Diretrizes Curriculares de âmbito nacional.
visto que a legislação não permite que haja mudanças na II. A professora Vera não se conformava que as Diretrizes
natureza da oferta de modalidades de ensino. Curriculares Nacionais não definissem os conteúdos da Base
d) terá o direito de implantar cursos técnicos no currículo do Nacional comum.
Ensino Médio por meio da substituição de disciplinas da área III. A professora Regina defendia a ideia de que os professores têm a
de humanidades por módulos da área tecnológica. autonomia para consultar qualquer proposta curricular e, a partir
e) poderá oferecer componentes curriculares de caráter dessa análise, propor uma proposta pedagógica da escola.
profissionalizante na parte diversificada, até o limite de 25% do IV. O professor Marcelo insistia em adotar o planejamento proposto
total da carga horária mínima do Ensino Médio. pelo livro da sua disciplina, uma vez que seria ele o documento
didático que pautaria o trabalho durante o ano letivo.
88. Constitui forma de flexibilização do atendimento aos alunos com
necessidades educacionais especiais, prevista explicitamente Considerando o texto das DCNs, estão corretos apenas:
como tal nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na a) as professoras Vera e Regina.
Educação Básica, b) os professores Fábio e Vera.
a) a distribuição desses alunos pelas várias classes, dentro do c) os professores Regina e Marcelo.
princípio de educar para a diversidade. d) os professores Fábio e Marcelo.
b) a existência de serviços de apoio pedagógico especializado, e) os professores Fábio, Vera e Regina.
realizados nas classes comuns, mediante a atuação
colaborativa de professor especializado. 91. A educação inclusiva tem como objetivo que as crianças
c) a disponibilização de apoio à locomoção, à comunicação e à portadoras de necessidades especiais atinjam o máximo de suas
aprendizagem dos alunos com dificuldades maiores do que a potencialidades, o que implica em mudanças significativas na
dos demais estudantes. estruturação das escolas:
Sobre a educação inclusiva, assinale a alternativa incorreta.
d) a temporalidade diferenciada do ano letivo para os alunos com
a) A implementação de escolas inclusivas deve ser acompanhada
deficiência mental, de modo a concluir em tempo maior o
por políticas de suporte técnico às escolas.
currículo previsto.
b) Os benefícios da educação inclusiva não se limitam aos alunos
e) a garantia de acessibilidade aos conteúdos curriculares, portadores de necessidades especiais, mas permitem que
mediante a utilização da Libras, ainda que com prejuízo parcial todos os alunos tenham uma ampliação de seus potenciais.
do aprendizado da língua portuguesa. c) Para o sucesso da educação inclusiva é fundamental que os
pais acompanhem o processo.
89. Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de d) Cabe ao professor ter uma atitude protetora com as crianças
Docentes da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino portadoras de necessidades especiais, a fim de que elas não
Fundamental em nível médio é correto afirmar: sejam aliadas do processo educacional.
a) O curso normal em nível médio, conforme prevê o artigo 62 da
atual LDB está aberto somente aos jovens e adolescentes que 92. “Escola inclusiva”
concluíram a Educação Básica. I. É aquela que educa todos os alunos em salas de aula regulares.
b) A duração do curso normal médio nos diferentes II. É aquela na qual todos os alunos recebem oportunidades
estabelecimentos, considerando o conjunto de núcleos educacionais adequadas que são desafiadoras, porém,
curriculares, será de 2400 horas distribuídas em 3 anos letivos. ajustadas às suas habilidades e necessidades.
c) Considerando as diversidades regionais, cabe aos III. É aquela que coloca os limites da diversidade apenas e tão
estabelecimentos de ensino definirem normas complementares somente, além dos quais o comportamento é inaceitável.
para a implementação dessas Diretrizes. IV. É aquela onde todos os alunos recebem todo o apoio e ajuda
d) Há possibilidade de o curso normal médio cumprir a carga de que eles ou seus professores, possam, da mesma forma,
horária mínima em 3 (três) anos, condicionada ao necessitar para alcançar sucesso nas principais atividades.
desenvolvimento do curso com jornada diária em tempo V. É aquela, principalmente, que é um lugar do qual todos fazem
integral. parte, em que todos são aceitos, onde todos ajudam e são
e) O curso não terá preocupação em preparar professores para o ajudados pelos colegas, por outros membros da comunidade
escolar, para que suas necessidades educacionais sejam
ensino fundamental tendo em vista que esta etapa da
satisfeitas. Marque:
escolarização só poderá ser assumida por profissionais
graduados em Pedagogia. a) Se todos os significados estiverem corretamente colocados.
b) Se apenas os significados II, III e IV estiverem corretos.
c) Se estiverem corretos os significados I, II, IV e V apenas.
d) Se apenas os significados I, II e III – V estiverem corretos.

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APOSTILA DE DIDÁTICA

93. Em uma gestão democrática da educação que visa a melhoria da Anotações


qualidade social e inclusiva da escola, é fundamental:
a) Envolver apenas mudanças significativas na estrutura
organizacional da escola e investir apenas em quem
demonstra interesse em aprender.
b) Otimizar paradigmas emergentes da nova sociedade do
conhecimento, objetivando assegurar a evolução dos alunos
interessados.
c) Promover mudanças de paradigmas que fundamentem a
construção de uma proposta educacional comprometida com a
ampliação de processos participativos na tomada de decisões,
nas dimensões administrativa, pedagógica e financeira.
d) Aumentar, tão somente, a participação efetiva do segmento
pedagógico no Conselho Escolar e a eleição direta para
gestores.
e) Uma prática constituinte das relações sociais mais amplas que
assegurem parcerias para a manutenção da escola e que
visem o ingresso dos jovens no mercado de trabalho.

94. A proposta da educação inclusiva como remoção de barreiras para


a aprendizagem e para a participação tem como pressuposto que
todos são capazes de aprender. Isso implica que os professores:
a) Assimilem a inclusão como um valor e como um princípio,
tratando todos os alunos de forma igualitária, para que todos
tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem.
b) Compreendam a inclusão como um valor e como um princípio e
em vez de ficarem indiferentes à diferença, tratem de
reconhece-la e de identificar as necessidades de todos e de
cada um para ajustar sua prática pedagógica centrando-a na
aprendizagem e não no ensino.
c) Conheçam as necessidades educacionais de seus alunos e
organizem projetos individuais de aprendizagem que levem em
conta essas necessidades e, quando for o caso, solicitem à
equipe pedagógica o encaminhamento do aluno aos serviços
especializados.
d) Compreendam que o princípio da educação inclusiva envolve a
integração do aluno na sala de aula, cabendo ao professor GABARITO
tratar o aluno com deficiência da mesma forma que trata os
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
demais.
e) Assimilem a inclusão como um princípio e reconhecendo as E B D D B E C B A A
necessidades do aluno com deficiência, procurem ajustar sua 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
prática pedagógica centrando-a no ensino. C E C A E C C B C A
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
95. Um dos grandes desafios da educação inclusiva é desenvolver na
C D C B B D B C A D
escola a prática de currículos adaptados que possam atender às
diferenças na aprendizagem significativa, à qual se chega pela 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
interação (sistematizada e dirigida) do sujeito com o objeto. A D E C E A E A B D B
aprendizagem significativa supõe 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
a) valorização dos conhecimentos prévios dos alunos e adequado B A C D B D E B D A
trabalho de incorporação dos novos conhecimentos.
51 52 54 54 55 56 57 58 59 60
b) seleção de livros didáticos e confecção de materiais ilustrativos
dos temas. E B C B B A B D C D
c) exclusividade no uso da memorização e da repetição dos temas. 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
d) avaliação única com análise e comentários do professor. C C C A B C D C A A
e) análise dos resultados obtidos e reforço nos temas que 71 72 73 74 74 76 77 78 79 80
apresentem maior dificuldade.
D B A E B E A C D B
81 82 83 84 85 86 87 88 89 90
A A E E B B E D D A
91 92 93 94 95
-
D C C B A

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APOSTILA DE DIDÁTICA

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