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[GAMES] Senran Kagura vende a erotização feminina em forma de jogo

Mesmo sendo minoria no cenário gamer (46,4%), segundo a Pesquisa Game Brasil, o público
masculino continua sendo contemplado na produção de jogos, principalmente em um nicho de
erotização feminina. Senran Kagura: Estival Versus é uma prova segura disso. O game animê
traz a continuação da história da série, dessa vez com a abdução das estudantes das escolas
Gessen, Hanzou e Hebijou para uma ilha onde acontece o Festival Milenar Kagura.

Para quem não conhece, a saga Senran Kagura começou no Nintendo 3DS, mas hoje já está
disponível em mídia física e digital para PlayStation e PS Vita. O game narra a luta entre as
escolas Hanzo e Hebijo, que treinam secretamente suas estudantes na arte do ninjutso. Sendo
a primeira formadora de ninjas do bem e a segunda, ninjas do mal. Durante o passar dos jogos
da série, são adicionadas novas escolas, Gessen e Hebijo.

Os jogadores podem além de jogar no modo história, podem escolher o single player Shinobi
Girls Heart, que conta a história paralela de cada personagem, ou o modo Challenge, com
episódios especiais. Há também a opção multiplayer, mas com poucos jogadores online
deixando as batalhas praticamente desertas.

Parece sarcástico dizer que Senran Kagura traz alguma história além de garotas seminuas
lutando entre si até terem suas roupas tiradas. Cada parte do enredo não perde a
oportunidade de sensualizar e, mesmo, ridicularizar as personagens femininas. São cutscenes
com garotas de quatro levando tapas na bunda até várias jovens com seios enormes correndo
e dançando de biquíni na praia.

As personagens não têm nenhum elemento relevante no desenvolvimento de suas


personalidades e constantemente são colocadas em situações irreverentes. Apesar de serem
grandes ninjas, o caráter cômico dos acontecimentos reforça a ideia de estupidez das
protagonistas e das demais mulheres que aparecem no decorrer da história. Elas representam
o famoso estereótipo de "burra gostosa", existindo no jogo para nada mais que entreter o
jogador de maneira erótica e boba.

Em cada uma das jogáveis é possível desbloquear novos movimentos de combate e sequencias
de combos, o que parece ser feito para deixar o jogo menos monótono já que os combates no
modo história são repetitivos e cansativos. Outra estratégia dos desenvolvedores foram os
Creative Finishers, movimentos desbloqueados ao derrotar um boss ou sendo derrotada por
eles. Neles, as personagens aparecem nuas sendo lançadas para longe e sendo colocadas em
situações e posições desconcertantes até mesmo para quem está só assistindo.

Entre as 50 cenas dos Creative Finishers temos garotas escorregando, perdendo a roupa e
caindo em cercas que as prendem, também podemos ver as personagens sendo lançadas e
caindo nuas nos mais diversos cenários. Ao final das ações, elas sempre estão cobrindo os
seios e a virilha com o rosto envergonhado. Essas situações colocadas propositalmente no jogo
juntamente com a estética, fazem com que muitas vezes o jogador se sinta dentro de um
hentai.

A quantidade de problemas relacionados a jogabilidade e inteligência artificial comprovam o


lapso dos produtores com o jogo em si. São bugs em elementos do cenário e personagens
presos ou correndo contra a parede, além de lutas extremamente rasas e que exigem pouco
ou nenhum empenho do jogador para vencê-la, resumindo-se a clicar insistentemente em
botões até que a batalha termine.

Em contrapartida houve um grande empenho no desenvolvimento da qualidade gráfica e da


animação para garantir cenas improváveis e extremamente provocativas. Para garantir o
interesse durante as lutas, os danos e transformações das personagens faz com que existam
trocas de roupas bem detalhadas ou então nudez completa daquelas que se tornam mais
fortes durante a ação.

Apesar de se configurar como um game de luta com mais de 15 horas de jogo e 28


personagens jogáveis, é facilmente notável que o foco não está no desenvolvimento da
jogabilidade ou na dificuldade entre as missões. O grande chamariz de Estival Versus é o
chamado fan service, ou seja, os serviços oferecidos aos fãs de elementos supérfluos para
divertir ou atrair a audiência, incluindo principalmente situações de conotação sexual.

Um dos diferenciais que também garante a atenção do público masculino para o jogo é o
Dressing Room que além de permitir ao jogador trocar a roupa da personagem, escolher
acessórios e mudar a cor do cabelo disponibiliza a possibilidade de interações entre as
personagens que podem se tocar, apalpar ou agarrar.

No Steam, software de compra virtual de jogos, a maioria das avaliações do jogo são de
homens ressaltando sempre as animações e os atributos físico das personagens e o fanservice.
São quase 2 mil avaliações que classificadas como extremamente positivas, entre os
comentários algumas das palavras mais recorrentes são "peitos" e "humor".

Jogos como Senran Kagura: Estival Versus não são exceção dentro da indústria de games. A
produção de conteúdos voltados apenas para os homens com erotização feminina propaga o
consumo do símbolo da mulher como objeto até mesmo em seu suposto protagonismo. O
corpo feminino continua sendo utilizado como venda dentro do mercado dos jogos.

Isabela Domingues é jornalista, gamer e feminista. Estuda principalmente adaptações de jogos,


cinema, quadrinho e literatura. Fã de cultura pop e pole dancer nas horas vagas.

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