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Veja e leia a íntegra do debate em SP

Encontro na noite de terça, 28, foi transmitido ao vivo


na TV Globo e no G1.
Participaram Alckmin, Mercadante, Russomanno,
Skaf, Feldmann e Bufalo.
Do G1, em São Paulo

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Seis candidatos ao governo de São Paulo participaram na noite de terça-feira (28) de


debate promovido pela TV Globo nos estúdios da emissora na zona sul da capital
paulista. O encontro durou cerca de duas horas. A mediação foi do jornalista Chico
Pinheiro. Veja abaixo a transcrição das perguntas e respostas e veja os vídeos.

1º bloco
Chico Pinheiro: Olá, muito boa noite. A Rede Globo e suas afiliadas em todo o Brasil
começam a partir de agora os debates com os candidatos a governador. É uma
oportunidade de conhecer melhor as propostas de quem pretende governar o nosso
estado nos próximos quatro anos. Aqui nos estúdios da Rede Globo em São Paulo estão
Aloizio Mercadante, do PT, Paulo Skaf, do PSB, Fabio Feldmann, do PV, Paulo Bufalo,
do PSOL, Celso Russomanno, do PP, e Geraldo Alckmin, do PSDB. O posicionamento
dos candidatos no estúdio foi decidido por sorteio. Mas antes de começarmos o debate
vamos conhecer as regras. Elas foram elaboradas pelo matemático Oswald de Sousa de
modo que todos os candidatos perguntem e respondam ao menos uma vez por bloco.
Serão cinco blocos, sendo que nos quatro primeiros os candidatos farão perguntas entre
si e no último farão suas considerações finais.

No primeiro e no terceiro blocos, os temas para as perguntas vão ser definidos por
sorteio. No segundo e no quarto blocos, os temas serão livres. No início de cada bloco,
um sorteio escolherá o candidato que fará a primeira pergunta. Ele fará a pergunta a um
candidato de sua livre escolha. O candidato que respondeu faz a próxima pergunta a um
candidato que ainda não tenha falado, e assim por diante. O último candidato fará a
pergunta ao candidato que abriu a rodada. Aqueles que já foram sorteados para iniciar
blocos anteriores não participarão do sorteio que definirá quem vai abrir o bloco
seguinte. Assim, cada bloco será sempre aberto por um candidato diferente.

Os tempos ficam assim. Trinta segundos para a pergunta, um minuto e meio para a
resposta, quarenta segundos para a réplica e quarenta segundos para a tréplica. Se um
candidato se sentir ofendido ou caluniado durante o debate poderá pedir o direito de
resposta que será analisado por mim com ajuda da nossa equipe de produção. O
candidato ofendido terá um minuto para sua defesa, se for o caso. Os candidatos não
poderão exibir para as câmeras nenhum tipo de documento, panfleto ou texto, ainda que
manuscrito. Para controle dos candidatos, um cronômetro marcará de forma regressiva o
tempo disponível para as perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. Peço a todos os
convidados que se mantenham em silêncio aqui no estúdio durante o debate para não
prejudicar os candidatos nem aqueles que nos acompanham nessa transmissão pela TV
Globo.

À exceção deste momento em que eu peço a todos uma salva de palmas para os
candidatos aqui presentes.

Vamos, então, começar o debate. Neste bloco, os candidatos farão perguntas sobre
temas determinados que eu vou sortear agora. Vamos ver, então, qual será o primeiro
tema. O primeiro tema é funcionalismo. E agora vou sortear o candidato que vai fazer a
pergunta, a primeira pergunta. É o candidato Paulo Bufalo, do PSOL. Candidato, o
senhor tem 30 segundos para formular a sua pergunta. A quem o senhor dirige a sua
pergunta?

Paulo Bufalo: Eu dirijo ao candidato Alckmin. Bem, boa noite a todos e todas. Quero
saudar a Globo, boa noite a você em casa. Candidato Alckmin, o funcionalismo público
é obrigado, e esse ano não foi diferente, a paralisar e fazer um conjunto de greves pra
defender os seus direitos ao salário digno nas suas data bases aqui no estado de São
Paulo. Como o senhor enfrentará essa questão num eventual governo?

Geraldo Alckmin: Olha, quero ... Muito boa noite ao Chico Pinheiro, boa noite aos
candidatos, boa a noite a você que está nos assistindo. Em relação ao funcionalismo
público, no meu período de governo nós praticamente não tivemos greve, especialmente
na área do magistério. O que eu vou fazer é valorizar ainda mais o funcionalismo
público de São Paulo. Sou filho, aliás, de funcionário público, meu pai foi veterinário
quase 40 anos da Secretaria da Agricultura. O Estado tem valorizado, nós saímos,
Bufalo, de R$ 381 milhões de folha de salários para R$ 2,1 bilhão de folha de salários
no estado de São Paulo. Valorização salarial, carreira para o funcionalismo público,
projeto habitacional, pretendo fazer um grande programa habitacional no centro de São
Paulo, para ajudar a revitalizar o centro de São Paulo, e oferecendo financiamento para
os nossos funcionários civis e também para os policiais, e capacitação, condição de
trabalho, capacitação permanente, continuada. Aliás, no caso até dos professores foi
criada uma escola de formação de professores, onde o mesmo professor concursado, ele
antes de começar a dar aulas, ele faz a escola quatro meses. Então, toda a valorização
salarial, capacitação e programas habitacionais.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo, o senhor tem 40 segundos para réplica.

Paulo Bufalo: Veja você que está em casa. Sou professor e servidor público. E
confesso que queria ter esses benefícios. Gostaria muito de ter esses benefícios. Agora
essa não é a realidade do conjunto dos 16 anos. Porque nós acumulamos perdas
salariais. Os trabalhadores quando vão negociar são tratados, quando se negocia, com
cassetete na mão. Então nós tivemos greve dos servidores da Justiça aqui no estado de
São Paulo, estado de greve de trabalhadores da Saúde, greve dos trabalhadores da
educação que foram agredidos pela polícia. Então, essa não é a realidade que nós
vemos. É preciso analisar o conjunto da obra do partido que governa o estado.

Chico Pinheiro: Candidato Geraldo Alckmin, tem 40 segundos para a sua tréplica.

Geraldo Alckmin: Olha, o meu compromisso é a valorização dos nossos recursos


humanos. Nós temos excelentes funcionários, gente dedicada. Aliás, os serviços
públicos de São Paulo vêm melhorando ano a ano, e nós vamos valorizar ainda mais.
Um diálogo permanente, canal totalmente aberto, e quero aqui assumir um
compromisso: nós vamos ter sempre aumento acima da inflação, ou seja, ganhos reais
para os nossos funcionários. Vamos estabelecer a carreira, e estabelecer também mérito,
estímulos ao bom funcionário que é mais do que justo, e aumento que também seja
levado aos aposentados e pensionistas.

Chico Pinheiro: Candidato Geraldo Alckmin, o senhor agora vai fazer uma pergunta a
um dos candidatos. Vamos saber qual é o tema para essa segunda pergunta. O tema é
habitação. A quem o senhor dirige a pergunta? O senhor tem 30 segundos para fazê-la.

Geraldo Alckmin: Olha, eu dirijo a pergunta ao candidato Paulo Skaf sobre a questão
habitacional. Nós temos em São Paulo o único estado brasileiro que investe 1% do
ICMS em habitação. Isso dá em torno de R$ 1 bilhão, R$ 1,1 bilhão por ano. Fizemos
310 mil moradias, e quase 90% delas para as famílias de menor renda, até três salários
mínimos. A minha pergunta: qual o projeto, qual a proposta do candidato Skaf para
habitação.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Skaf, quarenta segundos... Um minuto e meio para a
sua resposta.

Paulo Skaf: Boa noite Chico, boa noite plateia, companheiros candidatos, você que nos
acompanha de casa. Geraldo, foram construídas 310 mil moradias em 16 anos, porque o
ritmo da construção são 18, 20 moradias por ano. E por isso que acumulou hoje um
déficit de mais do que um milhão de moradias. Hoje, São Paulo, para a faixa de zero a
três salários mínimos tem um déficit de um, mais que um milhão de moradias. Então, o
que é necessário fazer? É resolver esse déficit que está aí. Você que não tem sua casa
não é... É você e mais um milhão de famílias, e o crescimento das novas famílias, o
crescimento que é em torno de 250 mil residências. Quer dizer, nós precisamos, se
formos resolver esse déficit em dez anos, precisamos construir cento e poucas mil
moradias para acabar com um déficit, e mais 250 mil para as novas demandas. A forma
de resolver isso? Metade, 200 mil, iniciativa privada resolve. As outras 200 mil, como
governador de São Paulo vou juntar as iniciativas do governo federal, do governo
estadual, os governos municipais, todas juntas, para facilitar a escolha de terrenos,
projetos, aprovação de projetos, agilizar na aprovação de um projeto, financiamento
para dar condição de nós resolvermos esse problema gravíssimo habitacional e todos
terem a possibilidade de uma casa própria.

Chico Pinheiro: O candidato Gerlado Alckmin tem 40 segundos para sua réplica.

Geraldo Alckmin: Olha, para poder potencializar mais esse 1% do ICMS que só São
Paulo tem investindo em habitação dos governos estaduais nós vamos usar esse dinheiro
para o fundo paulista de habitação de interesse social para cobrir o subsídio para as
famílias de menor renda e o fundo garantidor. Com isso nós vamos trazer dinheiro do
FGTS para poder fazer duas, três vezes mais moradias para a nossa população. E para
os idosos também, a chamada Vila Dignidade, uma experiência do Serra muito bem
sucedida que eu pretendo levar para 100 projetos habitacionais para os idosos, com
atendimento também aos idosos, e regularização de imóveis.
Chico Pinheiro: Candidato Paulo Skaf tem 40 segundos para a sua tréplica.

Paulo Skaf: Olha, a questão da Vila Dignidade, Geraldo, que eu achei muito estranho, é
que foi feita uma grande publicidade para 40 casas. Certamente o que se gastou de
publicidade foi maior do que o valor das 40 casas que foram entregues aos idosos, ao
pessoal da terceira idade. Eu gastaria menos em publicidade. Que não havia necessidade
de fazer publicidade nenhuma. O que precisaria era fazer mais casas, e é isso que eu
pretendo fazer como governador. E não adianta nós dobrarmos. O dobro de 20 mil é 40,
é muito pouco. Nós precisamos resolver 200 mil casas unindo os esforços de todos os
governos: federal, estadual e municipal.

Chico Pinheiro: Vamos sortear mais um tema. O tema da pergunta agora é emprego.
Candidato Paulo Skaf escolha quem deve responder a sua pergunta sobre emprego, e o
senhor tem 30 segundos para formulá-la.

Paulo Skaf: Eu vou perguntar para o Mercadante. Bom, eu sempre como presidente da
Fiesp, representando os setores produtivos, que são mais que 100 mil empresas em São
Paulo, que empregam 3 milhões de trabalhadores, sempre lutei pelo desenvolvimento
econômico, pelo crescimento, pela geração de empregos, e bons empregos, mas a
realidade é que o Brasil nos último dez anos cresceu 84% na geração de empregos e São
Paulo só 54%. O que você vai fazer para mudar essa realidade, Mercadante?

Chico Pinheiro: O candidato Mercadante tem um minuto e meio para sua resposta.

Aloizio Mercadante: Boa noite a todos, a vocês ouvintes, é um prazer muito grande
podermos estar debatendo com mais profundidade esses temas. No governo Lula, nós
criamos 14 milhões de novos empregos. Nesse ano, mais de dois milhões de empregos.
Nós estamos batendo o recorde histórico de geração de empregos. Se nós tivermos um
governo em São Paulo que trabalhe junto com o governo federal e não contra, que
trabalhe em parceria, por exemplo na habitação popular, por exemplo recuperando o
salário do funcionalismo, que em São Paulo é uma indecência. A situação que nós
chegamos com os policiais, com os professores, com os servidores públicos. Nós
podemos alterar essa situação, não só tendo empregos mas pagando direito as pessoas
para que prestem bons serviços públicos. Agora o mais importante para o emprego é a
gente investir em educação. Não dá pra continuar com a política educacional de
aprovação automática. Que esses jovens ficam 16 anos na escola pública e depois não
têm oportunidade no mercado de trabalho. Dezesseis anos que eles poderiam ter no
ensino médio um ensino técnico profissionalizante. Sair preparado para a vida, com
condições de participar, de ter uma boa profissão. E agora, o candidato Alckmin disse
que vai fazer a via rápida, quer dizer, em 16 anos eles não fizeram uma escola de
qualidade para maioria dos cinco milhões de alunos que estão na escola pública de São
Paulo, e insistem nessa aprovação automática em que o aluno passa sem saber. Nós
vamos mudar a educação e fazer um ensino técnico profissionalizante.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Skaf tem 40 segundos para a réplica.

Paulo Skaf: Nos últimos dez anos o Brasil cresceu 84% na geração de emprego e São
Paulo 54. Essa diferença dá dois milhões e 600 mil empregos, que é o desemprego que
tem em São Paulo. Nós temos um desemprego entre 2,5 milhões e três milhões. Mas,
Mercadante, eu não entendo, por exemplo, as refinarias da Petrobrás, que foram para
outros estados, nós poderíamos ter aumentado a refinaria de São José dos Campos, de
Paulínia, com pouco investimento e alimentaria matérias primas para muitas cadeias
produtivas que gerariam um milhão de novos empregos de qualidade, com salários
médios de R$ 5 mil. Então, você como senador não lutou para que essas refinarias
ficassem em São Paulo, nem o governador Alckmin, ninguém lutou pelos interesses de
São Paulo nesta questão.

Chico Pinheiro: Candidato Mercadante tem 40 segundos para a sua tréplica.

Aloizio Mercadante: Skaf, a refinaria do Vale do Paraíba, a Revap, teve investimentos


de R$ 6,7 bilhões de reais. Foram criados 15 mil empregos diretos. E eu participei
desses investimentos junto ao governo federal. Trouxe pra São Paulo a unidade de
gestão do pré-sal. São sete mil empregos que vão coordenar todo o pré-sal no Brasil,
que estão localizados na Bacia de Santos. Fizemos ali também um centro de estudos de
ciências do mar e pré-sal. O que falta em São Paulo não é a participação do governo
federal, é um governo do estado que olhe para essa economia do gás e petróleo e traga,
por exemplo, um estaleiro que nunca foi criado por falta de iniciativa do governo do
PSDB.

Chico Pinheiro: Bom, agora o candidato Aloizio Mercadante tem 30 segundos para
fazer sua pergunta pelas normas do debate, acertada com os representantes dos senhores
candidatos, deve formular essa pergunta obrigatoriamente ao deputado Fábio Feldman.

Aloizio Mercadante: Não...

Chico Pinheiro: Ao candidato Fabio Feldmann.

Aloizio Mercadante: O Russomanno não foi perguntado, nem o Paulo Bufalo.

Chico Pinheiro: É verdade. O senhor tem razão. O senhor pode perguntar ao


Russomanno ou ao Fabio Feldman, porque o candidato Bufalo deve ser o último a ser
inquirido.

Aloizio Mercadante: Qualquer questão?

Chico Pinheiro: Não. Nós vamos sortear agora. O tema é desenvolvimento econômico.
O senhor escolha então entre Fabio Feldmann e Celso Russomanno.

Aloizio Mercadante: Celso Russomanno. Durante esses 16 anos do PSDB, com o


abuso dos pedágios no interior, a privatização que Geraldo Alckmin coordenou do
Banespa e depois a venda da Nossa Caixa, o aumento dos impostos na crise que eles
fizeram com a submissão tributária, falta de incentivo para manter os investimentos em
São Paulo, o que levou a perda de muitas empresas. O que é que você vai fazer para
mudar essa política econômica e São Paulo verdadeiramente liderar o desenvolvimento
do Brasil?

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno tem um minuto e meio para a resposta.

Celso Russomanno: Quero em primeiro lugar cumprimentar você Chico, a todos que
estão nos assistindo, os candidatos aqui, muito boa noite. Olha, São Paulo há 15 anos
atrás era 50% do Produto Interno Bruto, ou seja, 50% da economia nacional. Hoje é
30%. Isso porque as empresas, Mercadante, saíram daqui fugidas por causa do ICMS. O
ICMS de São Paulo é um dos mais caros, na verdade é o mais caro do país, não é um
dos mais caros. Nós temos um problema sério aqui com a fuga das empresas por dois
motivos: pelo ICMS e por causa dos pedágios. Não dá pra escoar a produção com o
pedágio mais caro do país, um dos mais caros do mundo. Diga-se de passagem, a cada
40 dias durante o governo que esta aí se construiu uma praça de pedágio, ou seja, de 40
em 40 dias uma praça nova. O que nós vamos fazer para resolver? Baixar o ICMS,
trazer de volta as empresas para o estado de São Paulo, porque se o Mato Grosso, o
Paraná, Minas Gerais, o Rio de Janeiro, fazem divisa com São Paulo cresceram
baixando imposto, São Paulo vai voltar a crescer, vai voltar a ser 50% do Produto
Interno Bruto, e assim, baixando o pedágio e baixando os impostos que nós vamos fazer
São Paulo crescer de novo.

Chico Pinheiro: Candidato Aloizio Mercadante tem 40 segundos para a sua réplica.

Aloizio Mercadante: Russomanno, nós, ao longo desses 16 anos de PSDB assistimos a


uma política de um novo pedágio a cada 40 dias. (...) 443 municípios só têm 5% do PIB
do estado. Nós temos que reduzir o pedágio, voltar a investir em ferrovias que eles
sucatearam e privatizaram. Fazer um banco de financiamento para ajudar o investimento
no interior, que é o BNDES paulista, que no meu governo eu vou fazer, recuperar o
financiamento público, e dar incentivo fiscal para as empresas investirem especialmente
nas áreas mais abandonadas do nosso interior.

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno, 40 segundos para a sua tréplica.

Celso Russomanno: Olha, nós temos de fato o pedágio mais caro do Brasil. E como
nós poderemos resolver esse problema? Revendo os contratos. A lei 8.666 ela autoriza a
revisão do contrato a qualquer momento. Então nós vamos rever o contrato e baixar a
taxa de administração que chega a 22%. Imagina você pegando o seu dinheiro e
colocando na poupança você ganha 1%, nem chega a 1% ao mês. Eles conseguem pagar
22% para administrar as estradas. Então vamos tirar o imposto, baixar a taxa de
administração, e aí nós vamos, sem dúvida nenhuma, melhorar a qualidade de vida das
pessoas com estradas boas e pedágios mais baratos.

Chico Pinheiro: Vamos agora sortear o tema da próxima pergunta. O tema é segurança.
E o candidato Celso Russomanno deve fazer, agora, sim ao candidato Fabio Feldman.

Celso Russomanno: Fabio. A questão da segurança é uma questão gravíssima. Diga-se


de passagem, eu fiz um levantamento e na Guerra do Iraque, ao longo de oito anos,
morreram 4.741 soldados. Aqui em São Paulo, no ano de 2008, que é o último dado que
nós temos registrado no site da CEAD, morreram 5.866 pessoas. Em um ano apenas
morreu o que morreu em oito anos no Iraque. Quero saber o que você vai fazer para
resolver esse problema?

Chico Pinheiro: Candidato Fábio Feldmann, quarenta segundos... É, minuto e meio


para a sua resposta.

Fabio Feldmann: Boa noite. Queria agradecer a oportunidade de estar aqui neste
debate, que é o último debate e que dá oportunidade ao eleitor de saber o que pensam os
candidatos, o que pensam os partidos. Bom, Russomanno, eu quero dizer que eu acho
que segurança pública é fundamental e que nós temos na verdade que melhorar a
segurança pública, para diminuir a percepção que é real da sociedade dos problemas da
segurança pública. Mas no meu modo de entender o que nós temos que fazer é combater
o crime organizado, tráfico de drogas, tráfico de armas, com inteligência, e entender um
pouco a economia da criminalidade. Quem são os empreendedores do mal? Como é que
funciona a cadeia produtiva do mal? Se alguém rouba celular, se alguém furta um
automóvel, esse automóvel é desmanchado ou esse celular é receptado por alguém.
Portanto, nós temos que entender como funciona a economia do mal. (...) Sem isso eu
acho que nós vamos perder essa guerra contra a violência, que ela se manifesta, que
mantém índices multo altos. Portanto, a nossa proposta é tolerância zero com o crime
organizado e entender a economia do mal, entender o empreendedorismo do mal e para
isso tornar São Paulo mais seguro para todos os seus cidadãos.

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno tem 40 segundos para a sua réplica.

Celso Russomanno: Fábio, eu vou pagar bem a polícia, vou fazer valer o que eles
querem, que é a PEC 300, salários bons. As pessoas vão podem fazer hora extra dentro
da polícia em vez de ficar morrendo, foram 200 policiais que morreram no ano passado
fazendo bico nas ruas. Agora, eu quero saber de você: nós temos segurança pública com
esse nível de homicídios, de 5.866 por ano, que é o único dado que nós temos? Se nós
temos segurança pública considerando a Guerra do Iraque que em oito matou 4.741
spessoas?

Chico Pinheiro: Candidato Fábio Feldmann, 40 segundos para sua tréplica.

Fabio Feldmann: Olha Russomanno, eu acho que todos nós aqui queremos melhorar as
condições da polícia. Queremos o melhor atendimento. Mas eu acho pensar apenas nas
soluções que todos colocam não é suficiente. Eu quero insistir, eu acho que nós temos
que pensar como combater a economia do crime, que que ela significa, quer dizer, como
que ela se organiza? Sem isso, na verdade, vamos estar enxugando gelo. Portanto, acho
que temos que melhorar a condição do policial, seja ele militar ou policial civil, mas eu
acho que sem inteligência nós não vamos conseguir compreender e combater a
criminalidade, quero insistir, a economia do mal, o empreendedorismo do mal, a cadeia
produtiva do mal. É isso que nós precisamos fazer aqui em São Paulo.

Chico Pinheiro: Tudo bem, vamos a mais... Sortear mais um tema, que será o tema da
pergunta do candidato Fábio Feldmann. O tema é saúde, e, candidato, pelas normas
acertadas para esse debate o senhor dever formular essa pergunta ao candidato Paulo
Bufalo.

Fabio Feldmann: Bom, Paulo, eu, hoje, no jornal, saiu uma matéria no "O Estado de S.
Paulo", falando que a Nestlé vai investir em alimentos saudáveis porque doenças
crônicas aqui no Brasil significarão uma despesa de R$ 135 bilhões. Portanto a minha
pergunta é muito clara: que política de prevenção você pensa em relação para a saúde
para nós possamos realmente combater a doença antes que ela surja?

Paulo Bufalo: Bom, primeiro...


Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo, um minuto e meio para a sua resposta.

Paulo Bufalo: Primeiro, Fabio, eu quero registrar que investimento da Nestlé em


alimento saudável é temerário, até porque o que eles querem é desestimular o
aleitamento materno, que é exatamente o que nós precisamos estimular, para evitar,
inclusive, que as pessoas fiquem doentes quando elas chegam já na terceira idade.
Porque há pesquisas que indicam isso. Agora o que vem acontecendo com a nossa saúde
é o total abandono do SUS como o sistema público. E a sua saúde, o seu direito à saúde,
vem sendo transformado numa mercadoria, alimentando quase que como uma linha de
produção, onde o que vale é a quantidade de atendimentos realizados e não a qualidade
dos serviços prestados, e não o cuidado com a sua vida. Aí o Estado e o conjunto da
federação abandona esse direito pra poder alimentar esse mercado. Abandona a saúde
preventiva e tem-se as epidemias de dengue, nós temos as epidemias de leptospirose,
leishmaniose. Essa é a realidade que nós estamos vivendo. Então é preciso e o PSOL
fará isso, fará investimentos para que o SUS seja garantido como 100% público,
comprando da iniciativa privada somente a saúde complementar que o SUS prevê. Essa
é a política que o PSOL desenvolverá.

Chico Pinheiro: Muito bem, candidato Fábio Feldmann, o senhor tem 40 segundos
para a sua réplica.

Fabio Feldmann: Olha, eu quero insistir que nós temos que trabalhar muito na
prevenção e não apenas trabalhar na doença. Prevenção significa alimentos saudáveis,
educação para uma alimentação saudável, alimentos sem sal, alimentos sem açúcar,
alimentos sem pesticidas. Significa um ar limpo, um diesel de décima quinta categoria
significa na época do inverno que as mães têm que levar as crianças para os prontos-
socorros para resolver os problemas de asma, problemas respiratórios. Portanto, eu acho
que nós temos que discutir nesse debate políticas de prevenção. Caso contrário nós
vamos estar discutindo a doença e não a saúde. Acho que esse é o ponto a se assinalado.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo o senhor tem 40 segundos para a sua tréplica.

Paulo Bufalo: Concordo plenamente com o candidato no que diz a saúde preventiva.
Aliás, reafirmo isso. É necessário que o Estado volte a fazer saúde preventiva. No
entanto, é preciso também que quando a pessoa seja acometida por uma doença ela não
entre numa fila como quem entra numa linha de produção, um carro que vai se
montado, uma mercadoria que vai ser montada. Ela precisa ter o cuidado com a sua
vida, com sua saúde. É para isso que o Estado tem que assumir a responsabilidade.
Saúde é dever do Estado e direito do cidadão. Por isso, o PSOL se compromete com
essa política.

Chico Pinheiro: Ok, muito bem. E assim nós encerramos esse primeiro bloco do nosso
debate para governador de São Paulo. A seguir, os candidatos vão escolher os temas das
perguntas. Até já, aguarde.

2º bloco
Chico Pinheiro: Estamos de volta. Este é o debate dos candidatos ao governo do estado
de São Paulo. Neste bloco os temas serão livres. Os candidatos fazem perguntas sobre o
assunto que quiserem. Vamos sortear apenas o candidato que vai abrir esta rodada. O
candidato que abre essa rodada é Fábio Feldmann. O senhor escolha o tema e o
candidato que deverá responder à sua pergunta.

Fabio Feldmann: Eu vou perguntar para o Geraldo Alckmin.

Chico Pinheiro: O senhor tem 30 segundos para fazer a sua pergunta, então.

Fabio Feldmann: Candidato Geraldo, nós estamos enfrentando no Congresso Nacional


o grave problema do Código Florestal. Quer dizer, uma maioria de bancada ruralista
está fazendo um grande retrocesso no Brasil. Eu gostaria de saber se o senhor,
governador, enviaria e apoiaria uma proposta de manter o que o Código Florestal tem
hoje. Ou seja, a reserva legal de 20% e as áreas de preservação permanentes. E gostaria
que todos os candidatos assumissem esse compromisso se fossem eleitos aqui em São
Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Geraldo Alckmin, a sua resposta.

Geraldo Alckmin: Olha, Fabio Feldmann, todo o nosso empenho na questão do Código
Florestal. Aliás, São Paulo dá um exemplo para o Brasil porque São Paulo tem o
segundo projeto já de microbacias financiado pelo Banco Mundial para repor as áreas
ciliares dos nossos córregos. E eu sou daqueles que entendem que o desenvolvimento
econômico, seja agrícola, seja industrial ou de serviços, ele pode ser compatibilizado
com o meio ambiente. Por exemplo, eu vi aqui uma séria de informações erradas para os
nossos telespectadores, nossos eleitores. São Paulo, desde 2004, cresce acima do Brasil.
O PIB do Brasil cresce 3, São Paulo, 3,5. PIB do Brasil 4, São Paulo 5. O PIB do Brasil
5, São Paulo 6. Nós lideramos o crescimento. Só para pegar um setor, que é indústria
automobilística, o Grupo Fiat Case New Holland acabou de inaugurar uma fábrica em
Sorocaba. Hyundai, um novo pólo automotivo, Piracicaba. Toyota, o governador
Goldman acabou de participar do início da Pedra Fundamental, uma grande empresa,
Sorocaba. Assinou esta semana o novo grupo chinês, Chery, em Jacareí. Nós lideramos
o desenvolvimento no Brasil, e eu sou daqueles que entendem que é possível ter
desenvolvimento econômico com preservação ambiental e defendendo o Código
Florestal, os 20% de reserva.

Chico Pinheiro: Candidato Fabio Feldmann, a sua réplica.

Fabio Feldmann: Olha, eu queria dizer que nós precisamos do compromisso dos
partidos políticos para enfrentar o retrocesso que nós estamos enfrentando na Câmara
dos Deputados em relação ao Código Florestal. Existem apenas dois partidos políticos,
o Partido Verde e o PSOL, que estão defendendo o Código Florestal. Portanto, nós
precisamos de um compromisso dos candidatos a governador, dos candidatos à
Presidência da República, que eles assumam um compromisso para que o retrocesso não
seja grande, que é muito grave quando nós estamos enfrentando o aquecimento global.
Portanto, eu insisto, nós temos que, aqui em São Paulo, ter uma legislação que avance
em relação ao Código Florestal e garantir um compromisso político em relação a isso.

Chico Pinheiro: Candidato Geraldo Alckmin, sua tréplica.

Geraldo Alckmin: Olha, nosso compromisso com o meio ambiente, aliás, São Paulo
foi o primeiro estado do hemisfério sul a aprovar uma lei moderna de mudanças
climáticas, um compromisso de redução de 20% dos gases de efeito estufa. Aliás, uma
lei elogiada internacionalmente. Então, nosso compromisso com o meio ambiente. E
falando do meio ambiente e da vida, me permitam aqui fazer uma outra correção: São
Paulo tem um dos menores índices de homicídio. É 10 por 100 mil habitantes. O Brasil
é 26. Nós reduzimos de 33 para 10. Aqui, a polícia trabalhou.

Chico Pinheiro: Muito bem. Candidato Geraldo Alckmin, agora, escolha um candidato
para fazer a sua pergunta. O tema é livre, o senhor tem 30 segundos.

Geraldo Alckmin: Eu vou perguntar ao Paulo Skaf. E a minha pergunta se refere à


agricultura. Nós somos grandes produtores agrícolas, São Paulo é um estado forte,
grande produtor de açúcar e álcool, grande produtor de suco de laranja, de laranja, de
frutas, de flores, carne bovina. Nós avançamos muitos aqui com melhor caminho,
estradas vicinais, assistência técnica, seguro rural, crédito através do Codeagro. E eu
pergunto ao candidato a sua proposta para a agricultura paulista.

Chico Pinheiro: Candidato Skaf, um minuto e meio para a sua resposta.

Paulo Skaf: A primeira proposta como governador de São Paulo é fortalecer a


Secretaria da Agricultura do Estado, que é muito fraquinha. Ela tem 1% de orçamento, e
os nossos seis institutos de pesquisa, que fazem parte da Secretaria de Agricultura,
investem 0,01% em pesquisa no estado. Então, é muito pouco. Nós temos, sim, que
prestigiar o agronegócio, nós temos que ter uma importância, dar uma importância à
altura do agronegócio paulista que nós não damos. Todo o crédito que é a questão do
seguro... Perdão, toda essa parte do seguro ao agricultor existe muito pouco, nem 10%
dos agricultores têm o seguro rural. Nos Estados Unidos, 100% dos agricultores têm o
seguro. Então, nós temos que trabalhar em baratear o custo do seguro para que possa
todo agricultor ter um seguro, como tem em outras partes do mundo. Também o crédito.
Todo crédito que tem para a agricultura de São Paulo vem do governo federal. O crédito
do governo estadual é mínimo, tem que haver uma participação maior de crédito para os
agricultores aqui de São Paulo. E outro detalhe é a questão de invasões. Eu digo aos
agricultores de São Paulo: Skaf governador, invasão não vai ter. Porque eu não aceito
nenhum tipo de ilegalidade. Invadiu, vai “desinvadir”. Decisão judicial vai ser
cumprida. Nós vamos prestigiar os produtores agrícolas do nosso Estado de São Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Alckmin, 40 segundos para a sua réplica.

Geraldo Alckmin: Olha, talvez o candidato Skaf não saiba, mas São Paulo, através da
Fapesp, nós investimos 1% do ICMS em pesquisa e desenvolvimento. Isso dá perto de
700 milhões de reais em pesquisa. Alías, 45% dos doutores do Brasil são formados aqui
em São Paulo, e estamos avançando. Crédito agrícola através do Feap, nós temos um
fundo de expansão para agricultura, apoio total à agricultura familiar, estradas vicinais,
12 mil quilômetros recuperadas, assistência técnica aos nossos produtores. E eu
pergunto ao candidato Skaf sua proposta para os parques tecnológicos na agricultura.

Chico Pinheiro: Candidato.

Paulo Skaf: A questão dos investimentos da Fapesp, Geraldo, eles vão para as
universidades, não para os institutos de pesquisa da Secretaria da Agricultura. Os
investimentos em pesquisa na Secretaria de Agricultura são muito pequenos, é 0,01%
do orçamento, é muito pequeno. Aliás, falando da Fapesp, a Fapesp investiu mais que
600 milhões, realmente, em pesquisa, principalmente direcionada às universidades.
Mas, investimentos em empresas inovadoras no nosso estado foi só 9%, é muito
pouquinho. O investimento da Fapesp nas empresas de ciência e tecnologia e de
inovação. Precisa melhorar muito isso daí.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Skaf, o senhor tem 30 segundos para formular uma
pergunta. O tema é de livre escolha. A quem o senhor dirige a sua pergunta?

Paulo Skaf: Olha, eu vou dirigir ao Mercadante, e a minha pergunta vai ser sobre o pré-
sal. Mercadante, o pré-sal é uma grande oportunidade para São Paulo e para o Brasil. As
reservas estão estimadas em 50 bilhões de barris por dia. Perdão, reserva de 50 bilhões
de barris, o que daria uma produção média, isso é uma reserva para ser explorada em 60
anos, de 2 milhões de barris por dia, o que é igual a produção nacional, uma grande
oportunidade para São Paulo. Como é que você vê para que São Paulo aproveite ao
máximo a oportunidade que o pré-sal reserva para o nosso estado?

Chico Pinheiro: Candidato Mercadante, um minuto e meio para a sua resposta.

Aloizio Mercadante: Eu só queria registrar, primeiro, que Geraldo Alckmin teve duas
oportunidades para perguntar para mim, em outros debates ele teve várias, e nunca
pergunta. No entanto, o programa dele passou o tempo inteiro me atacando, chega aqui
em vez de discutir frente a frente, olho no olho, eu não tenho a possibilidade do debate.
O pré-sal é uma grande conquista do Brasil. Sexta-feira, nós tivemos a maior
capitalização que uma empresa brasileira teve na história. E eu me lembro que no
governo do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, eles venderam um terço da
Petrobras por 5 bilhões de dólares. Queriam mudar o nome da Petrobras para Petrobrax.
A capitalização de sexta-feira são 120 bilhões de reais, e não só isso. Nós aumentamos a
participação do governo na gestão da Petrobras. O pré-sal, se nós soubermos usar com
inteligência essa riqueza, nós devemos aplicar em educação, ciência, tecnologia e meio
ambiente. Especialmente educação, ciência, tecnologia e meio ambiente porque é isso
que vai criar a sociedade do futuro, a sociedade do conhecimento. Usar esses recursos
para ter uma escola de qualidade. A coisa mais importante para os pais é a formação dos
seus filhos. Eu não consigo aceitar o estado mais rico do Brasil que essas crianças saiam
da escola como estão saindo. Fizeram uma escola para os pobres, que não é igual a
escola dos ricos. Porque quem pode pagar, tem uma boa formação em São Paulo, mas a
maioria do povo está comprometendo o seu futuro. E o pré-sal é a grande chance de nós
mudarmos decisivamente isto.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Skaf, o senhor tem 40 segundos para a réplica.

Paulo Skaf: Mercadante, tudo isso o que você falou, essas vantagens do pré-sal,
lamentavelmente, se continuar a coisa como está, não vai ser para São Paulo. São Paulo,
que não tinha petróleo, refinava 40% do nosso petróleo aqui, no nosso estado de São
Paulo. Com o pré-sal, nós vamos passar a refinar 20. Os royalties, os royalties são taxas
que o município produtor, o estado produtor tem direito. Todos os estados produtores
tiveram vantagem. Agora tem uma lei que foi aprovada no Senado, e está na Câmara,
prejudicando São Paulo. Você, que representa o estado como Senador não defendeu São
Paulo, como também o nosso governador Geraldo Alckmin não defendeu São Paulo.
Lamentavelmente a vantagem está indo para outros estados.
Chico Pinheiro: Agora, o candidato Aloizio Mercadante tem 40 segundos para a sua
tréplica.

Aloizio Mercadante: Eu queira só adendar a outra questão do Paulo Skaf. Paulo Skaf,
eu ajudei a trazer 427 milhões de reais para a Petroquímica de Paulínia, que vai
aumentar o refino. 1bilhão e duzentos milhões para a Replan, planalto paulista. 677
milhões, eu falei 6 bilhões e 700, para a Revap. E mais de 175 milhões para a Refinaria
Presidente Bernardes de Cubatão. Fizemos 456 milhões de investimentos no Campo de
Merluza, Lagosta. E, além disso, investimos na ampliação dos gasodutos. E nesta lei, eu
votei para aplicar em educação, ciência e tecnologia. Infelizmente, PSDB e o DEM
foram contra e pulverizaram os recursos demagogicamente.
Chico Pinheiro: Candidato Aloizio Mercadante, o senhor, agora, escolha entre Paulo
Bufalo e Celso Russomanno, quem deve responder a pergunta. O tema é de sua livre
escolha, 30 segundos para formulá-la.

Aloizio Mercadante: Eu quero voltar ao tema da segurança pública, Russomanno.

Chico Pinheiro: A pergunta é para?

Aloizio Mercadante: O Russomanno.

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno.

Aloizio Mercadante: Porque eu não consigo aceitar a situação que está a polícia de São
Paulo. Nós não podemos ter no estado mais rico do Brasil o 19º salário. Quer dizer, um
policial em São Paulo está recebendo pouco mais da metade do que recebe um policial
do Piauí, ou um policial de Sergipe. Como é que a gente vai ter um policiamento de
qualidade com esses salários, como é que você vê o futuro da polícia de São Paulo?

Celso Russomanno: Mercadante, o futuro da polícia de São Paulo é triste. Só na capital


de São Paulo, nós temos 29 delegacias de polícia que fecham nos finais de semana, que
fecham nos feriados, e ninguém tem policiamento. Nós estamos vendo aí 30% das
delegacias do estado de São Paulo sem... Eu estou falando no estado todo, Mercadante,
sem delegado de polícia. Nós temos 3 mil delegados de polícia e não conseguimos dar
conta de 645 municípios. Ou a gente paga, e São Paulo tem a obrigação de pagar melhor
a sua polícia, porque é o estado mais rico do país. O sonho dos policiais em São Paulo é
ganhar o que ganham os policias de Brasília, e trabalhar um pouco mais, porque o
policial quer trabalhar. E é isso que a gente vai fazer, a gente vai dar condição para o
policial trabalhar. Condições para a Polícia Civil investigar. Eu não quero ver, e não vou
ver mais, uma polícia enfrentando a outra como a gente viu no governo que aí está. Em
vez de estar fazendo proteção às pessoas, as polícias se enfrentando por causa de salário.
Isso é o fim do mundo. É o estado que não consegue gerir a sua segurança pública. Só
nos últimos anos, morreram 170, no governo do PSDB, 170 mil pessoas no estado de
São Paulo. 170 mil pessoas. Aí eu te pergunto, Mercadante, nós temos segurança
pública? Será que a gente pode contar com a nossa polícia, quando 95% dos crimes não
são apurados em São Paulo?

Chico Pinheiro: Candidato Mercadante, 40 segundos.


Aloizio Mercadante: E a população sabe a insegurança que tem quando o filho sai de
casa, sequestro, roubo, assalto, furto. Nós temos que reverter isso, e começa por
valorizar a polícia. Tem que fortalecer a polícia, tem que pagar direito, e tem que cobrar
resultado. Nós vamos fazer um batalhão de proteção escolar para combater o tráfico e
colocar câmeras de vigilância nas portas das escolas. Investir na integração da Polícia
Civil, da Polícia Militar, da Polícia Federal, que hoje é um exemplo de eficiência. E nós
vamos, junto com essas medidas, investir muito, muito mesmo no policiamento
comunitário para que aproxime mais a polícia da sociedade e a gente previna os crimes
que estão acontecendo.

Chico Pinheiro: Ok. Candidato Russomanno, a sua tréplica.

Celso Russomanno: Policial bem pago, polícia eficiente. Policial mal pago, polícia
ineficiente. É o que nós estamos vendo no estado de São Paulo, as pessoas sem
policiamento. A integração de comunicação da polícia é extremamente importante para
que você receba retorno quando você denuncia, quando você precisa da polícia presente
na sua vida. E é isso o que nós vamos fazer, a integração das duas polícias com bons
salários e o policial podendo trabalhar das 12 horas que... Das 36 que ele folga,
trabalhar pelo menos 12 fazendo hora extra, e dobrando o seu salário. É assim que nós
vamos tratar a polícia para dar segurança para você.

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno, pelas regras acertadas com os


representantes dos senhores, o senhor deve, agora, formular a sua pergunta,
obrigatoriamente, ao candidato do PSOL, Paulo Bufalo.

Celso Russomanno: É... Bufalo...

Chico Pinheiro: O tema?

Celso Russomanno: O tema é saúde. A gente está vendo aí as pessoas esperando 60


dias, 70, 80 dias para conseguir uma consulta. Onze meses para conseguir um exame.
Um ano e sete meses para fazer uma cirurgia. O que é que você vai fazer para mudar
esse quadro de horror que é a saúde em São Paulo?

Paulo Bufalo: Bem, Russomanno, primeiro eu vou me tornar um especialista em saúde,


porque as questões vêm... Eu também gostaria de discutir educação, mas me parece que
tem as coisas bem boladas aqui, um bate-bola entre aliados, enfim, né, que cada vez vão
tornando-se mais evidentes aqui nos projetos que defendem. Mas na saúde, como eu já
falei, o grande problema é que a saúde pública vem sendo transformada nessa
mercadoria. O que ocorre aqui no estado de São Paulo, e em particular na Grande São
Paulo, é que centro de especialidades como lá no Belém recebem um anúncio de uma
hora para outra que serão fechados. Quer dizer, 4,5 mil prontuários de pessoas que são
atendidas naquele serviço público com qualidade e dedicação de trabalhadores, são
transferidos para uma unidade já sob gestão de... Daquilo que aqui no estado de São
Paulo se chama de OSS, e que o governo federal chama de fundação pública de direito
privado. Tanto uma, quanto outra, depois terceirizam, “quarteirizam” serviços. Depois
tratam o cidadão no ritmo de uma linha de produção, porque quanto mais atendimento,
mais recebem do estado. É justamente por isso que nós estamos denunciando. Ou se
reverte a política de privatização, ou não tem saída para o atendimento de qualidade em
São Paulo.
Chico Pinheiro: Ok. Candidato Russomanno, 40 segundos para a sua réplica.

Celso Russomanno: Pois é, Paulo. O governo está dizendo aí que construiu 30


hospitais para 42 milhões de pessoas. É nada, é nada. 32 AMEs para 42 milhões de
pessoas, o que significa 1 milhão e 312 mil pessoas para cada AME. Ou a gente faz
programa de saúde da família, paga bem o médico para tratar as pessoas em casa, os
idosos, os doentes crônicos, e postos de saúde 24 horas, ou a gente não vai resolver o
problema da saúde definitivamente. A gente precisa pagar bem o funcionário público
para que ele dê a resposta para gente, e a gente pode exigir dele.

Chico Pinheiro: Candidato Bufalo, 40 segundos para a sua tréplica.

Celso Russomanno: Eu reafirmo: a bandeira do SUS 100% pública, que é defendida


pelo PSOL, é a bandeira dos movimentos sociais, ela foi abandonada, começou aqui na
cidade de São Paulo no governo Marta. Depois, se expandiu e generalizou-se pelo país
todo. Agora, tanto no governo do PSDB se adota esse critério e transferir recursos
públicos da saúde para a gestão e para a iniciativa privada, como agora tem uma
mirabolante ideia de um tal de Pro-Uni da saúde para continuar transferindo esses
recursos. Não é possível, dessa maneira não se cuida da saúde das pessoas, que é um
direito constitucional de cada cidadão.

Chico Pinheiro: Ok. Candidato Paulo Bufalo, o senhor, agora, deve formular uma
pergunta ao candidato Fabio Feldmann, do PV. O senhor tem 30 segundos. Qual é o
tema?

Paulo Bufalo: O tema é meio ambiente, Feldmann. De fato, nós temos acordos em
determinadas posições, inclusive na defesa do Código Florestal, do antigo código. Eu
gostaria de sabe de vossa excelência, como o senhor avalia o aprimoramento de
legislações para se adaptar para que empresas que desmatam, continuem ampliando
áreas em setores de preservação ambiental no nosso país?

Chico Pinheiro: Candidato Feldmann, um minuto e meio para a sua resposta.

Fabio Feldmann: Bom, eu acho que no tempo do aquecimento global, quer dizer, no
tempo em que nós estamos perdendo a biodiversidade e, agora, em Nagoya, em outubro,
nós vamos discutir esse tema, ou seja, a vida no planeta, Paulo, eu acho muito
importante que nós tenhamos legislações contemporâneas, legislações modernas que,
inclusive, estimulem as boas práticas empresarias e punam as más práticas empresariais.
Eu, de certa maneira, participei de praticamente toda a elaboração da legislação
ambiental brasileira desde a Constituição de 1988, a Constituinte. E acho que chegou o
momento em que nós temos que elaborar nova legislação para complementar a
legislação que está aí. Uma legislação inovadora que tenha como objetivo, quer dizer,
criar novos instrumentos. Eu defendo, por exemplo, licitação sustentável. Quer dizer,
que o poder público compre bens e serviços que sejam amigáveis ao meio ambiente. Eu
defendo reforma tributária ecológica. Uma lâmpada eficiente, ela tem que custar menos
do que uma lâmpada que não, que gaste muita energia. Uma máquina de lavar que gaste
muita água tem que pagar um tributo maior em relação àquela que não gasta. Ou seja,
eu defendo uma mudança radical para inovar na legislação ambiental do Brasil e de São
Paulo.
Chico Pinheiro: Candidato Bufalo, a sua réplica.

Paulo Bufalo: Bem, nós concordamos com essas inovações, por isso os deputados do
PSOL, entre eles o deputado Ivan Valente, votou contra a medida provisória 458 que
amplia para empresas desmatadoras poderem disputar áreas legais na Amazônia. Áreas
públicas legais, se tornarem donas dessas áreas. Os deputados do PV e dos demais
partidos representados nesse plenário, votaram todos favoráveis. É uma contradição,
dizem uma coisa e fazem outra. Então, é preciso que esse debate venha à tona e que a
coerência seja respeitada em todos os temas.

Chico Pinheiro: Ok, candidato. Candidato Feldmann, tréplica.

Fabio Feldmann: Olha, eu queria dizer que eu sou uma pessoa que na minha vida
pública fui coerente sempre. Quer dizer, em alguns momentos, inclusive, adotei
medidas que foram, digamos assim, pouco populares, como o caso do rodízio, que está
aí, está legitimado e não tem problema nenhum. O Partido Verde tem a candidata à
Presidência da República, Marina Silva, que teve coragem de discordar do Partido dos
Trabalhadores, sair e vir para o PV. Portanto, coerência faz parte das práticas políticas
do PV, da candidata Marina Silva, e a minha vida pública demonstra absoluta coerência.
Eu acho que nós temos uma agenda inovadora para o Brasil de desenvolvimento
sustentável, e é o que nós defendemos.

Chico Pinheiro: Ok. Vamos fazer mais um intervalo e voltamos já, já com mais uma
rodada de perguntas. Aguarde.

3º bloco
Chico Pinheiro: Estamos de volta, este é o terceiro bloco do último debate dos
candidatos a governador de São Paulo nas eleições de 2010. Agora, com mais um bloco
com tema sorteado, com tema determinado. O tema que eu sorteio agora é
Desenvolvimento do Interior. Tema importante para você que acompanha essa
transmissão da Globo para todo o estado. E vamos sortear agora o candidato que fará a
pergunta sobre este tema, e ele vai escolher. O candidato é Celso Russomanno.
Candidato, o senhor tem 30 segundos para formular sua pergunta. A quem o senhor
dirige?

Celso Russomanno: Minha pergunta é ao candidato Geraldo Alckmin. E a minha


pergunta é clara, a respeito da fuga dos jovens do interior de estado de São Paulo por
falta de opção, por falta de trabalho. Das pessoas com mais de 40 anos de idade que não
têm trabalho no interior, porque as empresas estão indo embora. Só a indústria
farmacêutica levou todas as distribuidoras para o estado de Goiás. Nós não geramos
mais empregos por causa dos impostos e o ICMS de São Paulo é o mais caro do país.
Eu quero saber dele o que ele vai fazer para resolver isso.

Chico Pinheiro: Candidato Alckmin, um minuto e meio para a sua resposta.

Geraldo Alckmin: Engraçado, essa semana acabou de ser publicado um documento


dizendo que dos 15 municípios mais desenvolvidos do Brasil, 14 estão no estado de São
Paulo e 80% deles no interior. A cidade que mais se desenvolve no Brasil é Araraquara,
é a primeira do país. Então, não tem o menor fundamento isso, o interior do São Paulo
tem economia do tamanho de países latino-americanos, cresce fortemente. E nós vamos
ajudar ainda mais. Eu fiz três primaveras tributárias, São Paulo tem os menores
impostos do Brasil. Se pegar o álcool, o setor de cana-de-açúcar, no Brasil inteiro é
25%, São Paulo é 12%. Não tem nenhum outro estado que tenha o ICMS tão mais
barato. Reduzimos para a indústria do vestuário para 12%, o Serra reduziu, depois, para
7%. Reduzi para a indústria do calçado. Franca, hoje, é a cidade que mais gera emprego
no país, primeiro lugar em geração de emprego é Franca. Nós vamos apoiar ainda mais
o nosso interior. Com o crédito através da agência de fomento, que é a agência do
desenvolvimento. Vou fazer as primaveras tributárias para reduzir ainda mais os
impostos, ampliar a boa infra-estrutura de São Paulo e capacitação dos nossos
trabalhadores, via rápida para o emprego, cursos rápidos para os trabalhadores.

Chico Pinheiro: Candidato Russomano, réplica.

Celso Russomanno: O seu estado é o estado da Alice do País das Maravilhas. Sabe por
quê? Franca, hoje, na Francal, é a que menos tem representação. Franca perdeu seus
empregos, é só andar por Franca. Agora, o senhor não anda pelas cidades pequenas, o
senhor só anda pelas cidades grandes. Nas cidades pequenas nós não temos geração de
emprego nenhum. Os pais dos jovens do interior sabem o que é deixar seus filhos irem
para a capital, vir para a capital ou para outras capitais, para tentar emprego porque aqui
não consegue. Não consegue porque não se gera emprego. Os seus números são
números fantasiosos, o senhor conhece número pra chuchu, é isso o que o senhor
conhece.

Chico Pinheiro: Candidato Alckmin.

Geraldo Alckmin: Respeito é bom. Respeito. E depois não faltar a verdade. Tem gente
que gosta de falar mal de São Paulo, é impressionante. Mas não é possível ter
inverdades, São Paulo cresce acima do PIB brasileiro. São Paulo tem 34% do PIB. O
segundo estado tem 11% do PIB. Um estado com esse tamanho, com tamanho de país,
do tamanho da Argentina, a gente precisa pensar grande. Franca falta emprego, os
carros saem na rua pedindo para as pessoas se apresentarem na região. Por isso vou
investir fortemente na questão da qualificação da mão-de-obra.

Chico Pinheiro: Ok. Vamos, agora, a mais uma pergunta. O tema do nosso sorteio é
Agricultura. Candidato Celso Russomanno, a quem você dirige a pergunta sobre
agricultura? Aliás, candidato Alckmin, me desculpe. Candidato Alckmin.

Geraldo Alckmin: Agricultura. Eu vou perguntar ao Fabio Feldmann, até porque


agricultura e meio ambiente caminham juntas. Nós temos uma agricultura desenvolvida
aqui em São Paulo, somos grandes exportadores, agricultura distribui renda, irriga a
nossa economia. Agricultura familiar, ela é muito importante para distribuir renda e
agregar valor. E a minha pergunta ao Fabio Feldmann é qual a sua proposta para a
agricultura de São Paulo compatibilizando com o meio ambiente.

Fabio Feldmann: Eu acho que nós temos que praticar em São Paulo agricultura
sustentável. Quer dizer, não há incompatibilidade entre agricultura e meio ambiente.
Quer dizer, conservar recursos naturais a médio e longo prazo é garantia da
sustentabilidade da atividade agrícola. Conservar água é absolutamente fundamental.
Portanto, nós temos uma política de agricultura sustentável , mas nós queremos ir além,
nós queremos que os produtos agrícolas atendam requisitos de certificação, porque o
consumidor de hoje é um consumidor exigente. O consumidor de hoje quem saber se o
produto respeita o meio ambiente, se o produto gera desmatamento ou não gera
desmatamento, quer saber da qualidade do produto. Quer dizer, quer saber se aquele
produto tem ou não tem pesticida. Portanto, nós queremos estimular a agricultura, mas
nós queremos valorizar a agricultura contemporânea, aquela que atende aos requisitos
relativos ao meio ambiente e requisitos sociais. Quer dizer, nós não podemos ter uma
agricultura que use mão-de-obra escrava. Portanto, nós vamos estimular, inclusive, a
certificação dos produtos agrícolas para que a agricultura de São Paulo possa atender
aos requisitos desse consumidor de hoje, que é o consumidor que está me ouvindo, que
ele quer ir na prateleira do supermercado e ter certeza do produto agrícola, ter certeza
que aquela carne que ele está consumindo é uma carne que não destrói a Amazônia ,
que é uma carne que é saudável para o consumo.

Chico Pinheiro: Candidato Alckmin, a sua réplica.

Geraldo Alckmin: Olha, nós reduzimos o ICMS do trigo, da farinha de trigo, do pão,
do macarrão, do biscoito sem recheio para 0% em São Paulo. Carne também. No
próximo governo, se Deus quiser, eu vou reduzir arroz, feijão e óleo, que é o último da
cesta básica que está com 7%, para 0%. Além da redução de impostos, crédito para a
pequena agricultura, o pró-trator e o pró-implemento, que a gente compra trator e
implemento 20% mais barato e juro zero. Cinco anos para pagar e um ano de carência.
Assistência técnica, melhor caminho, e as estradas vicinais.

Chico Pinheiro: Ok, agora, tréplica do candidato Feldmann.

Fabio Feldmann: Eu quero insistir que a agricultura de São Paulo seja uma agricultura
que caminhe na direção correta. Isto é, uma agricultura que permita que o produto seja
sustentável. E para que o produto seja sustentável, o poder público tem que apoiar o
agricultor, o pequeno agricultor, da agricultura familiar. Mas nós temos que estar
sintonizados com as exigências do consumidor moderno, e praticar uma agricultura que
conserve o meio ambiente, que conserve a biodiversidade e, com isso, nós teremos a
garantia de que as futuras gerações poderão usufruir dos recursos naturais como nós
usufruímos hoje.

Chico Pinheiro: Muito bem. Candidato Feldmann, agora, deve fazer a sua pergunta. O
tema é Ação Social. E o senhor pode dirigir a sua pergunta para Aloizio Mercadante,
Paulo Bufalo ou Paulo Skaf.

Fabio Feldmann: Bom, eu vou fazer a minha pergunta para o Aloizio Mercadante.
Aloizio, quer dizer, eu acho que nós temos que reconhecer a importância dos programas
sociais que existem do governo Lula, o Bolsa Família. Mas a minha pergunta é: esses
programas na verdade preveem a possibilidade dessas famílias que são assistidas hoje,
num determinado momento, saírem do Bolsa Família? Isso é, serem auto sustentáveis,
serem empreendedoras? Qual é a sua visão e qual é o seu programa de governo para que
essas famílias possam, num determinado momento, sair do Bolsa Família ou de
programas assistencialistas?
Aloizio Mercadante: Fabio, só antes disso, o Geraldo Alckmin teve a terceira
oportunidade nesse debate de perguntar para mim. Não perguntou neste, nem em
nenhum outro debate, mas no segundo turno não vai ter como ele fugir, vai ser frente a
frente, olho no olho, nós vamos poder debater aquilo que ele fez no programa. Por que
eu levanto essa questão? Porque falar no programa mal de mim é fácil. Eu quero ver ele
chegar aqui e sustentar o debate para a gente poder discutir com profundidade as coisas.
Agora, em relação à ação social Bolsa Família, foi um programa extraordinário. Doze
milhões de pessoas pobres estão tendo uma complementação de renda para manter o
filho na escola. Agora, qual é a saída? A saída é uma escola de qualidade. Eu não
consigo aceitar que no estado mais rico da Federação só tenha a oportunidade de ter
uma boa escola quem pode pagar. Porque a maioria do povo paga os seus impostos e
quer uma escola com qualidade para o seu filho, que é a coisa mais importante da vida
da gente. Como é que a gente pode aceitar, Fabio, num estado como São Paulo, as
crianças chegaram na quinta série, na sexta série e não saber ler e escrever? Como é que
a gente pode aceitar que num estado como São Paulo um jovem terminar o ensino
médio e a melhor escola do estado de São Paulo para o Enem, que é a chance de ele ter
um ProUni, de ele entrar numa faculdade, ficar no número 2.583? Tem que ter escola de
qualidade, o Bolsa Família veio para preparar o pobre para ter as mesmas
oportunidades. E isso vai ser a prioridade do meu governo.

Chico Pinheiro: Candidato Feldmann, a sua réplica.

Fabio Feldmann: Nós reconhecemos avanços sociais do PT e do PSDB. Mas, nós


achamos que nós devemos ir além disso, nós devemos discutir como nós podemos, por
exemplo, gerar para as pessoas assistidas pelo Bolsa Família o empreendedorismo de
alto impacto. Ou seja, como nós podemos fazer com que essas famílias num
determinado momento possam sair desses programas e se tornarem sustentáveis.
Capacitar essas famílias, saber como que elas poderão, efetivamente, sem dependerem
desses programas, que na minha opinião são fundamentais, têm sido fundamentais, mas
eles não resolvem a médio prazo o problema de pobreza do Brasil.

Chico Pinheiro: Candidato Aloizio Mercadante, a sua tréplica.

Aloizio Mercadante: Fabio, a porta de saída é a educação, é a porta de saída para o


futuro. É a única oportunidade que o filho de um trabalhador pobre pode ter de crescer
na vida. É ter uma carteira de trabalho, é ter uma carreira. Nós abrimos o ProUni, tem
jovens pobres que estão virando médicos nesse país, que nunca poderiam ser médicos se
não tivesse um programa como o ProUni. Agora, em São Paulo, não dá para continuar
com essa aprovação automática. Eu quero saber se tem alguma escola particular no
estado que tenha aprovação automática, escola boa. Não tem. Tem que ter avaliação,
tem que ter reforço, tem que ter carreira para 100 mil professores que não tem carreira.
A porta de saída é a educação, essa é a porta do futuro.

Chico Pinheiro: Muito bem. Candidato Aloizio Mercadante, agora, faz a sua pergunta.
O tema sorteado é Saneamento. O senhor deve dirigir essa pergunta ao candidato Paulo
Bufalo ou ao candidato Paulo Skaf.

Aloizio Mercadante: Paulo Skaf. Nós tivemos no governo do PSDB, nos últimos oito
anos, foram retirados R$ 1,3 bilhão de recurso da Sabesp para o Tesouro do Estado. E a
visão privatizante da Sabesp, ela perdeu seu caráter público de priorizar o saneamento,
que é um dos grandes desafios para a gente poder ter qualidade na água e saúde no
nosso estado. Qual é a sua política para o saneamento básico?

Paulo Skaf: Bom, quando se fala pela lei de saneamento, quando se fala de
saneamento, pode estar se referindo a água, esgoto, lixo ou drenagem. Certamente, o
que o Mercadante me pergunta sobre a Sabesp se refere a água e a esgoto. É verdade, a
Sabesp fornece, hoje, a quase 100%, 99% das moradias de 366 municípios que ela cobre
com exclusividade, e isso representa 70% da população de São Paulo, o fornecimento
de água. Mas, a captação de esgoto só 80%. Vinte por cento do esgoto vai direto para os
rios, e desse esgoto que capta, 50% só que é tratado. Isso é um absurdo mesmo. Como
governador de São Paulo vou exigir no meu mandato que 100% do esgoto seja captado
e tratado. E a Sabesp fala muitas vezes de recurso, falta de recurso para acelerar os
investimentos, mas tem um desperdício oficial, dito por ela, de 36% na água. Enquanto
empresas privadas como Águas de Limeira, por exemplo, que tem só 16%. Vinte por
cento que se desperdiça de água, isso representaria quase o valor igual àquele que ela
investe. Poderia investir o dobro. Então, há necessidade realmente de uma gestão e de
falta de desperdícios. E também, para quê fazer publicidade uma empresa que tem um
monopólio? Eu vi uma campanha em televisões no Brasil todo que custou uma fortuna.
Deveria ter investido isso em saneamento básico, em tratamento de esgoto, e não em
propaganda.

Chico Pinheiro: Candidato Aloizio Mercadante, a sua réplica.

Aloizio Mercadante: Eu acho que você tem toda razão, tanto na publicidade como no
desperdício da água. No Japão, por exemplo, o padrão de desperdício de água é de 3%.
Então nós não podemos aceitar esse desperdício, especialmente um recurso tão
estratégico, tão importante. Agora, uma das gravidades, das coisas mais inaceitáveis da
Sabesp, foi o projeto que prometeram que iriam despoluir o rio Tietê, Geraldo Alckmin
investiu US$ 3 bilhões, o rio Tietê está do jeito que está, faltou investimento em
saneamento, não fez parceria com as prefeituras da região. Dezesseis cidades jogam o
esgoto in natura no rio Tietê, 33 bairros da nossa capital continuam jogando. E nós
precisamos de parceria do governo federal, estados e municípios para reverter essa
situação.

Chico Pinheiro: Ok, candidato. Candidato Paulo Skaf, a sua tréplica.

Paulo Skaf: Essa questão do rio Tietê é muito interessante. Se fala da recuperação do
rio Tietê, mas e esses 20% que vão direto, vão direto sem tratamento e sem ser captado
para o rio Tietê. E aquilo que capta não trata vai pro rio Tietê. O município de
Guarulhos, que tem uma empresa municipal, que não é da Sabesp, são cinco municípios
da região Metropolitana de São Paulo que têm empresas municipais, ele despejava
100%, até há pouco tempo, do esgoto, até há pouco tempo, 100% do esgoto sem
tratamento no rio Tietê. Realmente, o que nós precisamos é ter tratamento de esgoto e
proibir despejo no rio de esgoto sem ser tratado.

Chico Pinheiro: Ok, candidato. Candidato Paulo Skaf, vamos sortear o tema da sua
pergunta neste momento. E o tema é Transporte. O senhor deve formular a pergunta,
pelas regras do debate, ao candidato Paulo Bufalo.
Paulo Skaf: Paulo, no que diz respeito a estradas, existem muitas promessas, muitos
projetos, e coisas que ficam se falando, principalmente na época de campanhas. Mas, ou
demoram, ou não saem do papel. Eu queria que você comentasse sobre isso e falasse,
comentasse de algumas prioridades que você vê em relação a estradas, investimentos
que devem ser feitos em estradas no estado de São Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo, um minuto e meio.

Paulo Bufalo: Bem, é preciso considerar que, para o PSOL, estradas, transportes, são
estratégicos. Portanto, para nós, o estado precisa reassumir gradativamente a gestão das
nossas estradas. E só dessa maneira é que nós vamos combater os altos custos dos
pedágios. Reverter, inclusive, essas tarifas, para que as pessoas tenham acesso a um
transporte de qualidade, mas não tenham que deixar ali, praticamente, o seu salário.
Agora, é preciso dizer que o transporte ferroviário é fundamental. E esse tema é um
tema tratado em todas as candidaturas aqui, dizem que priorizam o transporte
ferroviário. Hoje, pela manhã, eu vinha para cá de metrô. Lembrei do que ocorreu na
semana passada, quase que uma tragédia com a população que se deslocava da Zona
Leste. E aí nós temos que saber que todos falam nas necessidades de se investir no
metrô. Agora, o que vem acontecendo na cidade de São Paulo é que não há
investimento para garantir a segurança do cidadão. Ali, se choveu, é preciso reduzir a
velocidade em mais de 20%, justamente porque a tecnologia está ultrapassada, não há
equipamento, investimento, inclusive, em software livre para poder garantir a gestão
daqueles trens e garantir mais trens na linha. Então é essa a lógica, falta investimento
em tecnologia.

Chico Pinheiro: Candidato Skaf, a sua réplica.

Paulo Skaf: Olha, esse trecho do Rodoanel, o trecho Oeste, que foi... perdão, o trecho
Sul, que foi inaugurado recentemente, esse projeto é de 1992, 18 anos, e ainda falta o
Leste e o Norte. Além disso, o Ferroanel, que poderia ter caminhado junto com o
Rodoanel, por desentendimento do governo estadual e governo federal, falta de gestão
compartilhada, não saiu do papel. A Rodovia dos Tamoios, a duplicação dela, é também
da década de 90, quase 20 anos para viabilizar o porto de São Sebastião, o porto do pré-
sal. Nós temos que fazer, tirar do papel, e fazer funcionar. O que eu sei fazer.

Chico Pinheiro: Candidato Bufalo, a sua tréplica.

Paulo Bufalo: Você que está em casa deve estranhar, assim como eu. O problema é que
ele cita dois governos que não se entendem, dois governos apoiados pelo partido do
Paulo Skaf. Então, essa é a contradição que as pessoas não entendem. Aí, diz que vai
priorizar transporte ferroviário, e o governo de São Paulo e a União entregam cada um
R$ 4 bilhões para montadoras de automóveis. Diz que investe em ferrovia, mas entrega
dinheiro público para salvar montadoras de automóveis. E as mesmas montadoras
remetem R$ 12 bilhões para fora. É o dinheiro público brasileiro financiando o
transporte rodoviário e remetendo dinheiro para as suas matrizes. É um absurdo.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo, o senhor, agora, formula a sua pergunta.
Vamos sortear o tema, que é meio ambiente. E o senhor faz essa pergunta ao candidato
Celso Russomanno.
Paulo Bufalo: Candidato Russomanno, o estado de São Paulo vem se transformando
num verdadeiro deserto verde pela ampliação das monoculturas que praticamente
dobraram sua área no estado. Essas monoculturas trazem um conjunto de problemas
com a queimada das canas, destruição dos mananciais importantes. Eu gostaria de saber
qual é a política que vossa excelência vai desenvolver para combater as monoculturas
no estado.

Celso Russomanno: Pois é, Paulo, essa é uma situação grave. E eu quero dizer aqui
para você que no ano de 2008 era para ter acabado com essas queimadas no estado de
São Paulo. Mas no governo Alckmin, ele prolongou isso para 2021 e para 2031.
Significa que nós vamos continuar respirando no interior do estado de São Paulo um ar
de péssima qualidade por conta das queimadas, queimadas essas que deveriam ter
acabado em 2008. Então, a única forma de se resolver o problema da monocultura é
investimento na agricultura, que hoje, tem um orçamento que é menos de 1%. Menos de
1% é o orçamento para agricultura. Nós temos que aumentar isso dando ao agricultor,
ao pequeno e médio agricultor, seguro, investimento. O estado tem que comprar do
pequeno e médio agricultor nas escolas, nos hospitais para promover esse pequeno e
fazer com que esse pequeno cresça e gere emprego. É assim que a gente tem que fazer,
senão a gente vai virar uma monocultura, que é a monocultura da cana, que tomou conta
do estado de São Paulo porque não existe outra opção. Veja os citricultores, acabaram
derrubando seus pés de laranja porque não se paga o que se deveria pagar. E o estado de
São Paulo não fiscaliza. Nós vamos ter uma secretaria do direito do consumidor e
defesa da concorrência para resolver esses problemas e evitar o abuso que é cometido
no estado de São Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo, a sua réplica.

Paulo Bufalo: Veja, candidato, essas críticas que são coerentes, eu até concordo com o
conjunto delas. No entanto, vossa excelência faz num contexto em que seu partido apoia
o governo do estado de São Paulo, apoia o PSDB, que está a frente dessas políticas de
estímulo da monocultura, da não realização da reforma agrária e, justamente por isso, da
destruição ambiental causada por essas monoculturas. Então, não faz a reforma agrária,
não investe na agricultura familiar, não protege o pequeno agricultor e as destruições
ambientais elas vão tomando conta do estado.

Chico Pinheiro: Ok. Candidato Russomanno, a sua tréplica.

Celso Russomanno: Paulo, no meu plano de governo está investimento ao pequeno e


ao médio agricultor. É assim que a gente vai fazer crescer outros tipos de cultura no
estado de São Paulo. Privilegiando os pequenos, investindo nas estradas para que essas
pessoas consigam chegar aonde é preciso chegar para escoar a sua produção. Nós não
podemos aceitar que uma caixa de laranja custe R$ 5 no pé, e custe R$ 20 para o
feirante, que acaba vendendo a laranja e custando R$ 5, às vezes R$ 5 dependendo do
restaurante, um copo de suco de laranja. Nós vamos combater isso com eficiência para
evitar o atravessador.

Chico Pinheiro: Ok, candidato, o seu tempo está terminado. E nós, assim, encerramos
mais um bloco de tema sorteado, determinado. Depois dos comerciais, o tema para
debate entre os candidatos é livre. Aguarde.
4º bloco
Chico Pinheiro: Este é o debate dos candidatos a governador do estado de São Paulo e
último debate. É um bloco de perguntas de tema livre e, juntamente com essas
perguntas, logo depois, vamos também colher as considerações finais dos candidatos.
Portanto, é nosso último bloco. Eu vou sortear o candidato que abre este bloco. O
candidato que abre este bloco é Paulo Skaf. O tema é livre. A quem o senhor dirige a
sua pergunta?

Paulo Skaf: Ao Geraldo Alckmin, sobre educação. Geraldo, eu como presidente do


Sesi e do Senai, tenho uma vivência nos último seis anos na área da educação e acredito
que a única forma de dar oportunidades iguais às pessoas é através da educação, é a
forma de construir uma nova sociedade. E eu queria saber de você porque que as mães,
as famílias, os alunos que estão nas escolas municipais do Ensino Fundamental, quando
chegam no 5º ano, que tem no 6º ano que ir para uma escola do Estado, ficam
apavoradas? Por que razão?

Geraldo Alckmin: Olha, primeiro eu queria dizer que a educação de São Paulo tem
avançado. Eu vi aqui uma série de desinformações que não fazem justiça aos nossos
professores, não fazem justiça aos nossos alunos, não fazem justiça à escola pública, e
prestam um desserviço à educação. São Paulo não tem progressão continuada. Alguns
querem fazer expulsar o aluno da escola, fazer a repetência continuada com o filho do
pobre. As escolas particulares do primeiro ciclo, todas elas têm a progressão continuada.
Os países desenvolvidos. Aliás, eu queria dizer pra você que está nos ouvindo que o
governo federal avalia as escolas do Brasil. O seu filho é avaliado, na quarta, na oitava e
no terceiro ano do Ensino Médio. Chama-se Ideb [Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica]. Todos os alunos são avaliados. Quais são os três melhores sistemas
do Brasil? São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais. Os três têm progressão
continuada. Quais são os três piores do Brasil? Nenhum dos três tem progressão
continuada. Isso aqui é uma discussão eleitoreira, de véspera de eleição. Aliás, já
podiam ter mudado a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional se quisessem,
mas não mudaram. Esse não é o caminho. Eu vou investir no professor. Capacitação
permanente, valorização dos professores e escola de tempo integral, o que eu fiz quando
governador.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Skaf, a sua réplica.

Paulo Skaf: Geraldo, sinceramente, eu te digo que fico preocupado. Eu preferia que
você dissesse que realmente temos um grave problema em São Paulo, que são as escolas
públicas estaduais. Eu ficaria mais tranquilo. Porque, caso você vá ao governo
novamente, com esta visão de que a educação está boa, que não há progressão
continuada, é uma visão errada. Pergunte para os pais, pergunte para as famílias, se
estão satisfeitos. Os alunos não aprendem, passam de ano. Olha, como governador de
São Paulo, vou fazer o governo nas escolas públicas estaduais o que fiz nas escolas do
Sesi e do Senai: ensino em tempo integral de qualidade, Ensino Médio com curso
técnico, e tudo isso junto com os professores, prestigiando os educadores de São Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Alckmin, sua tréplica.


Geraldo Alckmin: Olha, 93% dos nossos alunos, ao final da segunda série, já estão
alfabetizados. No mundo inteiro, uma pequena percentagem de alunos tem dificuldade.
No mundo inteiro é assim. O que nós temos que fazer? Dar a mãos para esses alunos,
ajudar esses alunos, reforço escolar. É isso que eu vou fazer. Aliás, é isso que vem
sendo feito. O Serra colocou dois professores, um professor e um auxiliar, no 1º ano.
Deu ótimo resultado. Nós vamos avançar com a capacitação permanente do professor,
valorização do professor e as 500 escolas de tempo integral que eu fiz nós vamos
ampliar.

Chico Pinheiro: Candidato Geraldo Alckmin, o senhor agora formula a pergunta, o


tema é de sua livre escolha. A quem o senhor se dirige?

(Em função de um problema técnico, o último bloco foi interrompido e retomado após
intervalo.)

5º bloco
Chico Pinheiro: Eu quero pedir desculpa a você, tivemos um pequeno problema na
captação do áudio. Já está resolvido esse problema, o cronômetro já está funcionando. O
candidato Geraldo Alckmin escolhe o tema. E a quem mesmo o senhor ia perguntar,
qual é o tema?

Geraldo Alckmin: Eu pergunto ao Paulo Bufalo, e meu tema é meio ambiente. Mas eu
queria antes dizer o seguinte: O PT, que quer fazer o controle sobre a imprensa,
restringir o direito de imprensa, agora quer restringir o meu direito de perguntar. Aqui,
todos nós somos iguais. E a minha pergunta é para o candidato Paulo Bufalo, sobre a
questão ambiental. O destino final dos resíduos sólidos nas regiões metropolitanas,
Campinas, São Paulo, Santos, no estado inteiro é um grande problema. Qual a sua
proposta para o meio ambiente e para os resíduos sólidos?

Paulo Bufalo: Vocês perceberam que o problema que ocorreu há pouco é oportuno para
dizer que essa questão, PSOL e o PSDB, é que define aqui a real polarização de
projetos. Os demais convergem para um mesmo projeto. O PSOL, até agora, tinha sido
o último a ser perguntado, porque há polarização real. Em relação a resíduos sólidos, o
que eu tenho a dizer é que o estado de São Paulo não tem um planejamento para
saneamento ambiental, justamente onde se encontra a política de resíduos sólidos. O
governo do estado tem se omitido em fazer o fomento, em fazer a indução e
compartilhar com os municípios essa destinação. Então, municípios pequenos têm
sofrido, inclusive com seus pequenos lixões, que contaminam inclusive o meio
ambiente. Mas o Estado tem feito pouco para poder estender as suas ações, e, com
responsabilidade com os municípios, trilhar por um caminho que pudesse modificar
essa situação. É evidente que isso tem a ver com uma política de prioridades. A
prioridade é dada à canalização para o pagamento das bolsas-banqueiros e não para o
pagamento de políticas públicas, de políticas de indução para o nosso interior e as
regiões metropolitanas.

Chico Pinheiro: Candidato Alckmin, a sua réplica.

Geraldo Alckmin: Olha, nós entendemos essa uma questão absolutamente relevante.
São Paulo avançou muito. Hoje nós temos poucos municípios que ainda têm problema
do destino final do lixo. É muito importante esse trabalho que a Cetesb está fazendo, de
orientação e fiscalização, porque nós preservamos o meio ambiente, o nosso lençol
freático, as nossas águas. Através da coleta seletiva, geramos empregos, renda, energia
através de biomassa. Enfim, um grande caminho. E também a nossa contribuição na
questão da qualidade do ar. As queimadas em São Paulo encerram em 2014. Grande
parte já está mecanizada.

Chico Pinheiro: Candidato Bufalo, sua tréplica.

Paulo Bufalo: Aqui, fica preciso. Se repete aqui informações que as pessoas não vêem
efetivamente acontecendo. Essa tem sido a realidade. O problema é que os governos, os
demais candidatos olham para um canavial e, preocupado com o meio ambiente,
pensam o que fazer com o bagaço da cana, para poder dar mais lucro para os
canavieiros. Nós olhamos para o mesmo canavial, e a nossa prioridade é saber o que
fazer com o bagaço humano gerado por esse canavial. Essa que é a ideia. É a destinação
desse recurso para as pessoas, para cuidar das pessoas, para cuidar das suas vidas.

Chico Pinheiro: Candidato Bufalo, o senhor agora formula a pergunta de sua escolha.
Qual é o tema? E a quem o senhor dirige a pergunta?

Paulo Bufalo: Pergunta é dirigida ao candidato Mercadante, para que não haja
lamentações. O tema é coerência. Mercadante, as pessoas estão desacreditadas na
política. Nos escândalos do Senado, dos atos secretos, o PSOL e o senhor caminharam
juntos pedindo “fora, Sarney”. O senhor recuou dessa posição. Por quê?

Aloizio Mercadante: Eu queria primeiro registrar que o Alckmin teve a quarta


oportunidade de perguntar para mim e fugiu. E fez um ataque ao PT, mais uma vez
pelas costas, porque deveria fazer para mim, para eu poder responder para ele que eu
faço de uma geração, como a maioria dos militares do meu partido, como Dilma
Rousseff, que colocou a vida, a história, em defesa da democracia, da liberdade de
expressão, da liberdade de manifestação. Figuras como Paulo Freire, como Florestan
Fernandes, como Chico Mendes, ajudaram a construir a democracia desse país.
Portanto, nós fazemos parte dessa história, quando muita gente se escondeu e não fez o
mesmo enfrentamento e não teve a mesma determinação para gente ter a mais ampla
liberdade no país. Bufalo, se você olhar a minha presença no Senado, você jamais me
viu envolvido com qualquer ato secreto, com qualquer tipo de benefício, qualquer tipo
de irregularidade indevida. E, de fato, eu achava que os atos secretos tinham que ser
apurados dentro do Senado. O resto, não. O Ministério Público, a Polícia Federal está
apurando, está investigando, tem independência, tem competência e tem rigor. Eu
sempre mantive essa posição, antes, durante e depois do processo. A questão a que você
se refere é a liderança do PT ou não naquele episódio. Eu não deixei. Eu não deixei,
porque o presidente Lula falou “Mercadante, você é imprescindível ao nosso projeto. O
que está em jogo, em 200 milhões de pessoas, é mais importante. E você sair da
liderança não vai resolver a crise no Senado. Se você ficar, você pode ajudar a resolver
os problemas do Senado. E você vai continuar defendendo e sustentando o nosso
projeto”.

Chico Pinheiro: Candidato Bufalo, sua réplica.


Paulo Bufalo: O PSOL não esqueceu antigas bandeiras nossas, Mercadante. A
coerência, a ética e o combate a corrupção são valores irrevogáveis para o PSOL.
Agora, esse vale tudo para estar no poder envolve José Sarney no Maranhão, Collor em
Alagoas, e aqui em São Paulo, se escorar inclusive em Tiririca, Mulher Pera, que podem
até ter seus méritos como artistas, mas, para a política da esquerda, é desmoralizante, e
por trás desses virão outros, que se elegerão com seus votos.

Chico Pinheiro: Candidato Mercadante, a sua tréplica.

Aloizio Mercadante: Eu tenho um candidato a vice-governador, que é um homem,


professor titular da USP, com uma história muito bonita. Eu não tive vice condenado
pelo ficha limpa. Eu tenho um vice que tem história. É fácil a gente fazer esse tipo de
ilação. Não ajuda no debate. Acho que vocês fizeram uma escolha, uma escolha de
sonhar com o futuro e deixar a direita governar. Nós fizemos outra escolha histórica: de
fazer o governo do presidente Lula, um governo que distribuiu renda, que tirou 28
milhões de pessoas da pobreza, que 36 milhões de pessoas ascenderam à classe média.
Esse é o governo que eu liderei, que eu tenho orgulho de ter feito. Esse governo vai
continuar com Dilma. Esse é nosso projeto.

Chico Pinheiro: Candidato Mercadante, o senhor agora formula a pergunta. Qual é o


tema e a quem o senhor dirige?

Aloizio Mercadante: Vou perguntar ao Fabio Feldman. Fábio, eu não acho,


sinceramente, que educação é um tema eleitoreiro. Acho que educação é um tema
fundamental no futuro do Brasil, na sociedade do conhecimento, e fundamental para 5
milhões de jovens que estão nas escolas públicas estaduais. Eu, verdadeiramente, queria
saber o que você pensa de como melhorar essa escola pública. Não é possível dizer que
ela está boa, porque ela não está. Quais são as suas propostas? Como é que a gente faz
uma escola de qualidade em São Paulo?

Fabio Feldmann: Olha, Mercadante, para nós, educação é absolutamente prioritário.


Inclusive, a candidata Marina Silva foi a primeira a assumir um compromisso de
investir 7% do PIB em educação. Isso demonstra claramente que nós achamos que
educação é o principal instrumento de combate à desigualdade social e de garantir
igualdade e oportunidades. O problema desse debate é, quando nós discutimos educação
aqui, ela fica eleitoreira mesmo, porque ela se discute progressão continuada, aprovação
automática. Acho que a grande discussão é como nós podemos fazer os nossos alunos
terem um bom desempenho na escola. Nós temos que discutir qual deve ser o currículo
das escolas do século 21. Nós temos muitos desafios, e eu acho que temos que focar o
debate político sobre como nós podermos efetivamente melhorar a educação, como nós
podemos, eu quero insistir, ter uma educação do século 21. Eu acho que a educação
passa, necessariamente, por professores bem pagos, professores motivados, que tenham
a capacidade inclusive de motivar os alunos. Mas eu quero insistir, quero a discussão
aqui, uma discussão sobre a educação do século 21. Qual é o melhor conteúdo, qual é o
melhor currículo que nós devemos ter nas escolas públicas? Como nós podemos
preparar os alunos para se realizarem existencialmente, e também, ao mesmo tempo,
poderem se inserir no mercado de trabalho? Acho que essa é a grande discussão da
educação. Educação é prioridade para todos, mas o debate tem que ser mais profundo.

Chico Pinheiro: Candidato Mercadante, a sua réplica.


Aloizio Mercadante: Fabio, primeiro nós temos que fazer o projeto Primeira Escola:
creche, educação infantil, para preparar para alfabetização. Os filhos dos pobres não
podem chegar direto no Ensino Fundamental. Eles têm que chegar com condições de
preparação do aprendizado. Segundo: tem que ter concurso para 100 mil professores,
eles não têm carreira, eles não têm salário, eles não têm perspectiva em relação ao seu
futuro profissional. Terceiro: tem que ter avaliação. Avaliar o esforço do aluno e avaliar
o que ele aprendeu. E reforço escolar. Mas ele tem que evoluir aprendendo. Não pode
fechar os olhos e deixar um jovem chegar, com 17 e 18 anos, e não tem mais como
voltar atrás, e ele não tem mais oportunidade no mercado de trabalho. E tem que ter
ensino profissionalizante no Ensino Médio.

Chico Pinheiro: Candidato Feldmann, a sua tréplica.

Fabio Feldmann: Quero insistir, acho que educação é fundamental. Todos nós
discutimos educação, mas acho que nós temos que aprofundar o debate sobre educação.
Eu quero insistir. Acho que a perguntar aqui é como deve ser a educação do século 21?
Se falou aqui em capacitação profissional. Quero insistir no que eu já falei
anteriormente. Além de formar torneios mecânicos, nós temos que formar jovens
capazes de atender as novas economias, ser um desenhista de animação, ser um
produtor de videogame. Acho que temos que pensar numa educação do século 21. Sem
isso, esse debate, na minha opinião, fica raso, estéril, e não ajuda o eleitor a escolher
melhor.

Chico Pinheiro: Candidato Feldmann deve formular a sua pergunta a Celso


Russomanno. Qual é o tema?

Fabio Feldmann: O tema é saúde. Celso, aqui em São Paulo, aqui no Brasil, nós
praticamos um diesel de 15ª categoria. Eu vi que você está apoiando a candidata Dilma.
Quero dizer que quando a Dilma foi presidente do Conselho da Petrobras, e nós
notificamos a Dilma, a Petrobras descumpriu um programa que é o principal programa
de controle de poluição veicular, chamado Proconve. Você governador, você vai exigir
um diesel de qualidade ou não?

Celso Russomanno: Fabio, todo mundo conhece a minha história e você trabalhou
comigo na Câmara dos Deputados, na comissão de meio ambiente. E você sabe a
importância que eu dou para o meio ambiente. Inclusive, é pauta do meu governo a
questão do lixo, que hoje infelizmente está nos aterros, contaminado o lençol freático.
Eu sou favorável a todo projeto que diga respeito a cuidar do meio ambiente, porque
nós vivemos um problema sério no meio ambiente. Eu deixei isso muito claro quando
eu fiz o Código Latino-Americano de Defesa do Consumidor, que já foi internado em
12 países. Um brasileiro fez o trabalho. E foi internado em 12 países da América do Sul,
América Latina. Esse código estabelece a obrigatoriedade do desenvolvimento
sustentável, ou seja, a colocação de produtos no mercado de consumo que não agridam
o meio ambiente. E é dessa forma que a gente deve construir a política de meio
ambiente do governo do estado de São Paulo. Você pode ter certeza absoluta que o meu
projeto é cuidar do meio ambiente, porque nós temos que cuidar dos nosso filhos, dos
nossos netos, bisnetos, ou seja, das próximas gerações que vem aí, que têm um
problema seríssimo voltado ao meio ambiente. Nós vamos começar na companhia de
água de São Paulo, que é a Sabesp, que não cuida do meio ambiente e que não tem lei
que obrigue ela a cuidar do esgoto. Ela só precisa colher o esgoto, não precisa tratar o
esgoto. E aí temos esse caos que estamos vendo, com todos os nossos rios poluídos,
inclusive o Rio Tietê.

Chico Pinheiro: Candidato Feldmann, a réplica.

Fabio Feldmann: Olha, amor ao meio ambiente todo mundo declara. Eu quero provas
de amor ao meio ambiente. A questão do diesel eu coloquei não com um tema
ambiental, eu coloquei como um tema de saúde, porque realmente no Brasil nós
estamos comercializando um diesel que afeta a saúde das pessoas. A mãe tem que levar
os filhos nos pronto-socorros durante o inverno. Quem mora em São Paulo vai ter uma
menor expectativa de vida ou, em outras palavras, vive menos. Portanto, Celso, eu acho
que nós temos que ter provas de amor ao meio ambiente do que declarações que, na
minha opinião, são vazias.

Russomanno: Fabio, você fez parte do governo do PSDB e deixou passar a lei que
estabeleceu que não era mais 2008 o limite para as queimadas da cana no estado de São
Paulo. E passou para o ano de 2021 e 2031. Aqui, o candidato do governo falou em
2014, mas isso não está no texto da lei. No texto da lei, está que você vai pagar o preço
que o diabo amassou no meio ambiente nos termos do que foi acordado no governo em
que o Alckmin era o governador. Então, não estamos fazendo declaração de amor.
Estamos efetivamente dizendo o que nós vamos fazer no meio ambiente.

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno, faça sua pergunta, por gentileza, a
Paulo Skaf, para encerrarmos este bloco. O tema?

Celso Russomanno: O tema é segurança pública. Paulo Skaf, nós temos aí 30% das
delegacias do estado de São Paulo sem delegado de polícia. A polícia sem condição
nenhuma de fazer policiamento. A polícia mais mal paga do país, no estado mais rico da
federação. Policiais fazendo bico pra sobreviver. A corrupção à solta na polícia por falta
de condições, e o que leva a isso é o mau salário. O que você vai fazer para resolver o
problema?

Paulo Skaf: Celso, a questão da segurança pública, eu quando ouço falar que reduziram
os assassinatos. Eu tenho andado muito por aí, e a conclusão que eu cheguei é que está
tendo menos assassinatos, porque, em certas comunidades, o crime organizado não está
deixando matar, porque atrapalha o negócio das drogas. Não é a autoridade policial, é o
crime que fala para não matar. Por isso, reduziram homicídios em São Paulo, além da
lei do desarmamento. Se você perguntar, você que nos acompanha em casa, para um
grupo de amigos, se tiverem dez pessoas, quantos já foram assaltos, metade já foi
assaltado uma vez, a outra metade mais do que uma. É necessário realmente passarmos
a ter segurança pública. Existem projetos modernos, Celso. Esse negócio de pôr mais
contingente, polícia na rua, isso é discurso de eleição, eleitoreiro. O que deu certo em
Bogotá, na Colômbia, o que deu certo em Nova York, eu vou implantar aqui. É controle
comando, a segurança pública vem para mão do governo, não na mão de um policial ou
de outro policial. Você tendo o controle e o comando, você sabe de irregularidades,
você pune irregularidades. Você precisa ter uma tropa bem paga. Eu defendo a PEC
300, o piso de R$ 3,5 mil para as polícias, e defendo que a gente tenha, como temos na
Polícia Federal, são ações com eficiência, porque tem boa informação, boa inteligência,
bom treinamento e bom equipamento.
Chico Pinheiro: Candidato Russomanno, réplica.

Celso Russomanno: A gente pode aproveitar esse espaço, Skaf, para fazer o seguinte:
pedir para as pessoas entrarem nos sites sociais e começar a dizer quem já foi assaltado,
quem teve um parente assaltado e quem conhece uma pessoa que foi assaltada. Contem
suas histórias. Vamos ver o mundo dos assaltos, o mundo da insegurança que nós
estamos vivendo. E só tem uma forma de resolver o problema: fazer prevenção.
Prevenção se faz primeiro investindo no jovem, na cultura e na educação. E depois,
fazendo segurança pública com eficiência. Esse é um assunto que eu conheço
profundamente e eu vou fazer segurança pública para você que está me assistindo agora.

Chico Pinheiro: Candidato Skaf, sua tréplica.

Paulo Skaf: Só um detalhe sobre educação. Quando eu ouço algumas colocações, a


conclusão que eu chego é que os políticos, quando discutem educação, pensam na
próxima eleição. Eu penso na próxima geração, porque a educação é que vai construir
uma nova sociedade. Em relação à segurança pública, eu estava dizendo, a Polícia
Federal tem 1,5 mil homens em São Paulo e tem eficiência. A Polícia Civil e Militar são
130 mil homens. O que nós precisamos é aproveitar esse grande exército que nós temos
e termos bons salários, bom treinamento, bom equipamento, enfim, e, principalmente,
um bom serviço de inteligência e de informação, para buscar eficiência e passar a
termos segurança e as pessoas se sentirem seguras.

Chico Pinheiro: Agora, cada candidato tem um minuto para suas considerações finais,
a mensagem aos eleitores. Essa ordem de apresentação foi escolhida por sorteio. E
Paulo Skaf, do PSB, inicia esta parte fazendo suas considerações finais. Um minuto,
candidato.

Paulo Skaf: Muito obrigado. Eu, há quatro meses, me afastei da presidência da Fiesp e
do Ciesp, que representam mais de 100 mil empresas no estado de São Paulo, que
empregam 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. E da presidência do Sesi e
do Senai, que nós fizemos uma revolução na educação básica e na formação
profissional, atingindo 1,2 milhão de matrículas no ano passado. Presidi essas entidades
nos últimos seis anos. E aceitei o desafio de ser candidato a governador de São Paulo.
Tenho recebido muitos elogios e muitos carinhos pelas ruas por onde ando e me falam
“Skaf, você seria um bom governador. Skaf, eu vou votar em você. Eu confio em você,
você é preparado”. E, muitas vezes, com todo respeito aos demais candidatos, os
demais, o Alckmin, o Mercadante, estão há 30 anos na política. O Alckmin que teve 14
anos de governo, por que que não fez? O Mercadante não tem experiência
administrativa. Mas pessoal, gente, se querem renovação, o que eu preciso é o seu voto
no domingo, Skaf 40. Me apoie, me dê uma oportunidade que eu farei, eu mudarei São
Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Aloísio Mercadante, do PT, suas considerações finais.

Aloizio Mercadante: Esse foi o último debate. Eu agradeço a atenção e o carinho que
eu recebi nessa campanha. Eu sei que o povo brasileiro, e você sabe também, demorou
muito tempo para perder o medo e confiar no Lula. E o dia que confiou e votou, o Brasil
mudou para melhor. Nós tiramos 28 milhões de pessoas da pobreza, distribuímos renda,
mantivemos a estabilidade, a democracia, e é essa experiência de governo que eu quero
trazer para São Paulo. Eu acredito que dá para reduzir o abuso do pedágio, retomar o
transporte ferroviário, fazer 30 quilômetros de metrô, dobrar a capacidade da CPTM. Eu
acredito que dá para reduzir as filas nos exames e nos diagnósticos, humanizar a saúde
pública, tratar com mais carinho o nosso povo. Eu acredito, sobretudo, que dá para
mudar muito a educação para melhor. Dar a mesma oportunidade do filho do rico, que
está numa escola particular, do filho do pobre, que está na escola pública que aí está.
Dando dignidade ao servidor publico, aos professores, aos policiais, aos profissionais da
saúde, mudarmos com responsabilidade São Paulo.

Chico Pinheiro: Candidato Celso Russomanno, do PP, a sua mensagem.

Celso Russomanno: A minha mensagem começa perguntando para você: está bom do
jeito que está? Sinceramente, você que vive na periferia, nos bairros mais afastados, no
interior, está bom do jeito está? Você tem segurança pública? Você tem educação de
qualidade? O seu filho sai da escola pública e consegue disputar uma vaga na faculdade
pública? Você tem saúde de fato? Ou você fica esperando nas filas para conseguir um
médico, para conseguir um exame, para conseguir uma cirurgia? O transporte coletivo é
bom? O Estado fiscaliza o transporte coletivo? Ou você vive amontoado? Eu sou você.
Eu sou aquele que vai para as ruas, que vai fiscalizar, que sempre fez isso ao longo de
20 anos, e que vai continuar fazendo. Porque eu sinto o que você está sentindo. Eu sou
opção de mudança: Celso Russomanno, meu número é 11.

Chico Pinheiro: Candidato Fabio Feldman, do PV, o senhor tem um minuto para as
suas considerações.

Fabio Feldmann: O candidato Russomanno diz que eu fiz parte do PSDB. Eu tenho
muito orgulho de ter feito parte do PSDB, de ter sido um dos fundadores. A minha
candidata à presidência da República, Marina Silva, veio do PT e também tem muito
orgulho de ter vindo do PT. Nós achamos que chegou o momento de criar uma terceira
força política no Brasil, que é uma força política inovadora, que traga a política e faça
política com “p” maiúsculo. Eu quero dizer que a candidata Marina Silva está
garantindo o segundo turno nessas eleições, quer dizer, nós temos aí a chamada onda
verde. Alguns meses atrás, ninguém acreditaria que o Partido Verde, a candidata Marina
Silva, teria chances de chegar ao segundo turno. Ela tem chance e eu peço a você eleitor
que vote na terceira via, vote na Marina Silva, vote 43 e vote aqui para o governo de
São Paulo 43 também. Partido Verde, a terceira via nessas eleições. Muito obrigado.

Chico Pinheiro: Candidato Paulo Bufalo, do PSOL, suas considerações finais.

Paulo Bufalo: Quero cumprimentar você, que nos acompanhou até agora. Como vocês
puderam perceber, os projetos de meus adversários convergem para os mesmos
interesses. Passadas as eleições, compartilharão apoios e governos. O PSOL, não. O
PSOL vai continuar com independência e coerência, defendo um projeto que combata
as desigualdades sociais e toda a forma de preconceito. Foi essa qualidade que fez do
PSOL o melhor partido, a melhor bancada na Câmara Federal, e nos deu independência,
aqui em São Paulo, para criticar os desmandos do PSDB. Precisamos de mais de 300
mil votos para manter a nossa bancada e muito mais para poder ampliá-la em defesa de
seus direitos. Por isso, eu quero dizer, domingo venha com a gente. Domingo, você tem
opção. Você tem o PSOL, Vote 50 de ponta a ponta e 500 no Senado.
Chico Pinheiro: Candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, o senhor tem um minuto para
suas considerações finais.

Geraldo Alckmin: Agradeço a sua audiência até agora, agradeço o carinho, a confiança
que recebi por esta campanha em todo o estado de São Paulo. E quero dizer que o nosso
estado de São Paulo, de gente trabalhadora, independente, é um estado que ajuda o
Brasil e um estado que tem uma tradição de votar com caráter e com vontade própria. A
característica de São Paulo é essa independência e essa generosidade, que recebeu
imigrantes do mundo inteiro e brasileiros de todo o país. É a você que eu quero oferecer
a minha vida de luta e de trabalho, para servir ao estado de São Paulo. Peço o seu voto,
o seu apoio, para que a gente possa continuar lutando, trabalhando, com honestidade,
com ética, com eficiência, com muito trabalho por São Paulo e pelo Brasil, com Serra
presidente. Muito obrigado.

Chico Pinheiro: E assim encerramos o debate com os candidatos ao governo do estado


de São Paulo. Eu quero agradecer aos candidatos, aos convidados aqui presentes e,
principalmente, a você eleitor, pela sua audiência. Nós continuaremos a acompanhar os
últimos dias de campanha. E domingo, 3 de outubro, você terá aqui na Globo a
cobertura completa de todo o processo de votação e a apuração das eleições 2010. Uma
boa noite para você.