Você está na página 1de 5

A Revolta de Trombas e Formoso

Publicado em fevereiro 24, 2009 | 5 Comentários

A Revolta de Trombas e Formoso ocorreu na região norte do estado de Goiás, de 1950 a


1957. A luta tinha de um lado camponeses sem terra e, do outro, grileiros. Os combates
desenvolveram-se tanto no terreno da luta política institucional, quanto da luta armada
propriamente dita.
A Revolta foi uma das poucas lutas camponesas vitoriosas no Brasil republicano. Após a
vitória do movimento, o camponês José Porfírio foi eleito deputado estadual. A região de
Trombas e Formoso desenvolveu-se. Muitas outras conquistas no que tangem à produção
e organização política foram alcançadas pelos camponeses.
Com o golpe militar, em 1964, os camponeses da região foram torturados e perseguidos.
Até hoje muitos temem falar sobre a Revolta. José Porfírio foi caçado e preso pelos
militares e está desaparecido, desde a década de 70.Atualmente, muito pouco se sabe
sobre a Revolta de Trombas e Formoso.
O material bibliográfico é escasso, existindo apenas quatro trabalhos escritos sobre o
tema, dois livros do jornalista Sebastião Salgado e duas teses de Mestrado, uma
daUniversidade Federal de Goiás e outra da Universidade Estadual de Campinas. O
material audiovisual também é pequeno. Existe apenas o documentário Cadê Profiro?, do
diretor Hélio Brito, feito em parceria com a TV Cultura.
Muitas das pessoas que participaram da Revolta ainda estão vivas, mas dispersas pelo
estado. Esta luta foi um dos movimentos mais importantes que já ocorreram no estado de
Goiás, mas não está nos livros de história e corre o risco de perder sua memória com o
tempo.
O Projeto de Cultura “Trombas e Formoso: a Vitória dos Camponeses”, desenvolvido
pelo Coletivo Magnífica Mundi, na Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da
Universidade Federal de Goiás, procurará reconstruir a história da Revolta, através dos
depoimentos dos sobreviventes e de materiais existentes em arquivos públicos e na
imprensa local e nacional. Os depoimentos serão todos filmados e posteriormente
editados sob a forma de um documentário.

Reforma Religiosa
A Reforma Religiosa
Foi o movimento que rompeu a unidade do Cristianismo centrado pela Igreja de Roma. Esse movimento é
parte das grandes transformações econômicas, sociais, culturais e políticas ocorridas na Europa nos
séculos XV e XVI, que enfraqueceram a Igreja permitindo o surgimento de novas doutrinas religiosas. A
Igreja estava em crise, a burguesia crescia em importância, o nacionalismo desenvolvia-se nos Estados
modernos e o Renascimento Cultural despertava a liberdade de Crítica. O aumento populacional somado
às transformações que vêm junto com esse aumento acarreta em um baque entre a Igreja e essas
transformações. Os intelectuais das cidades pensam hipóteses, passam a ter idéias, problemas que antes
não existiam. O termo “Igreja Católica” é posterior ao Concílio de Trento, uma forma de diferenciação
perante os protestantes. Antes só existia a Cristandade.

A esse movimento de divisão no cristianismo e surgimento das novas doutrinas dá-se o nome de REFORMA
e à reação da Igreja, realizando modificações internas e externas, de CONTRA-REFORMA. Contudo, esse
movimento foi precedido por várias manifestações nos séculos anteriores, mas nenhuma delas conseguiu
o rompimento definitivo com a Igreja Romana. Dentre elas, vemos:

- Heresias Medievais (Arianismo, Valdenses, Albigenses);

- Querela de Investiduras (disputas entre os papas e os imperadores da Alemanha a partir de 1074,


pelo direito de nomear bispos e abades. Só se resolve no século XII);

- Cisma do Ocidente – (Ocorrido em 1378, em que a Igreja passa a ser governada por TRÊS papas
– ela se unifica em 1417);

- Movimentos Reformadores – John Wiclif (1320? -1384) e Jonh Huss (1369-1415).

Os primeiros questionamentos são referentes à questão das Indulgências (documentos assinados pelo
papa, que absolviam o comprador de alguns pecados cometidos, diminuindo o tempo de sua pena no
purgatório, era um comércio em vista da salvação), Simonia {comercialização de coisas sagradas (Cargos
eclesiásticos, cobrança por sacramentos, objetos...)}, celibato, culto às imagens, excesso de sacramentos,
atitude mundana do Alto Clero, dentre outras. Havia um abismo muito grande entre o que a Igreja pregava
e o que fazia.

PRINCIPAIS REFORMADORES

REFORMA LUTERANA -
A Alemanha não está centralizada, é agrária e feudal. A Igreja possui um terço das terras. Há
descontentamento geral. Vendo tantos abusos por parte do Clero, o monge agostiniano Martinho Lutero
não se calou. Elaborou 95 teses e afixou-as na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 1517. A maioria
era contra as indulgências. Principalmente as indulgências visando à construção da Basílica de São Pedro.
Apoiado pela nobreza alemã, Lutero pôde divulgar suas idéias, calcada em dois princípios que se
constituiriam no núcleo de sua doutrina: A Salvação somente pela fé e não pelas práticas religiosas e a
Inutilidade dos Mediadores (Clero). Lutero foi excomungado em 1520. Ele queima publicamente a carta do
papa (Bula papal), traduz a Bíblia para o Alemão, casa-se com uma ex-freira, fica abrigado na Saxônia. Eis
suas reivindicações e críticas principais:

Substituição do Latim pelo idioma alemão nos cultos religiosos; Questiona a grande quantidade de
sacramentos (Preserva dois sacramentos: batismo e eucaristia); Livre interpretação da Bíblia; Contra o
Celibato; Rejeita a Hierarquia Religiosa da Igreja de Roma; pregava a Salvação pela fé; Negava a
Transubstanciação – afirmava a Consubstanciação (misturados); Pecado Original: Marca do gênero
Humano (nem Cristo, nem o Batismo o retiram);
O Luteranismo expandiu-se basicamente no Sacro Império Romano-Germânico e nos países escandinavos
(Suécia, Noruega e Dinamarca), regiões essencialmente rurais, pouco desenvolvidas em termos
comerciais. Através de suas idéias, eles desapropriam as terras da Igreja.

REFORMA CALVINISTA – J. Calvino (1509-1564) era francês, que inicia sua ruptura em Genebra, Suíça,
por volta de 1536. Lá começa a publicar estudos sistemáticos sobre a nova religião. Funda uma nova
doutrina que expande a Reforma. A burguesia dessa cidade havia adotado os princípios da reforma para
lutar contra seu governante, o católico Duque de Savóia, o que favoreceu a atuação do reformador. Ele
divergia de Lutero em alguns pontos, principalmente na questão da Salvação. Diferente de Lutero (salvação
pela fé), ele defendia a idéia de que a fé não era suficiente, uma vez que o homem já nasce predestinado,
ou seja, escolhido por Deus para a vida eterna ou para a sua condenação. Calvino tornou-se todo-poderoso,
conseguindo impor sua doutrina, interferir nos costumes, nas crenças e na própria organização político-
administrativa da cidade. O Calvinismo propagou-se rapidamente atingindo a França, a Holanda, a
Inglaterra e a Escócia.

Eis algumas de suas teorias e questionamentos:

- A riqueza material era um sinal da graça divina sobre o indivíduo. Essa teoria é assimilada pela burguesia
local, que justificava não só seu comércio, como também as atividades financeiras e o lucro a elas
associado. Ele justifica as atividades econômicas até então condenadas pela Igreja romana.
- Grande rigidez na moral
- Questiona a Liturgia da Missa (simplifica com o Sermão, a oração e a leitura da Bíblia).
- Questiona o uso das Imagens (houve quebra-quebra nas paróquias locais)
- Acaba com os jogos, dança ida ao teatro...
- “O homem que não quer trabalhar, não merece comer.” afirma.
- Livre Interpretação da Bíblia;
- Nega o culto aos santos e a Virgem;
- Questiona a autoridade do Papa;
- Defende a separação entre a Igreja e o Estado;
- Questiona o Celibato do clero;
- Questiona a Transubstanciação (propõe uma presença material, o Cristo está presente, mas não
materialmente).
- Ele cria um conselho para reger a vida religiosa em Genebra de “12 anciãos”. Eles julgavam, ditavam
regras. Consistório de Genebra.
- A doutrina afirma que não há certeza da salvação;

REFORMA ANGLICANA – Os ingleses, durante a época dos Tudor, também criticavam os abusos da Igreja
Romana, a ineficiência dos tribunais eclesiásticos e o favoritismo na distribuição de cargos públicos para
membros do Clero, além de queixar-se do pagamento e do envio de dízimos para Roma. Durante o governo
de Henrique VIII (1509-1547), a burguesia fazia pressão para o aumento do poder do parlamento. O rei,
necessitando aumentar as riquezas do Estado, confisca as terras da Igreja, o que gera desentendimentos
com o Papa. Isso se agrava quando o monarca solicita a anulação do casamento com Catarina de Aragão.
Ele não tinha sucessores masculinos, temia que seu trono caísse em mãos espanholas. Toda a nação, com
medo deste fato, apóia esse pedido. O Papa Clemente VII nega o pedido. O Rei rompe com o papado e faz
uma reforma na Igreja Inglesa. Obriga seus membros a reconhecê-lo como chefe supremo e a jurar-lhe
fidelidade e obediência. Obtém do clero inglês o divórcio e se casa com uma dama da corte, Ana Bolena.
O Papa tenta intimidá-lo excomungando-o, mas não adianta.

Em 1534, Henrique VIII decreta o Ato de Supremacia, que consolida a separação entre a Inglaterra e o
papa. Torna-se o chefe da Igreja de seu país. A Reforma anglicana, na prática, apresenta poucas
modificações com a Igreja romana: Questiona o Culto aos santos; A autoridade máxima é o Rei e não
o papa; Questiona o culto às relíquias; Prega a popularização da leitura da Bíblia. A Reforma anglicana
resolveu, na prática, dois problemas para a monarquia: a questão da herança do trono e com a venda das
terras da Igreja para a burguesia e nobreza, dá um suporte financeiro para a Coroa. O Anglicanismo se
consolida no reinado de Elizabeth I, filha de Henrique VIII, que renova seu direito de soberania real sobre a
Igreja, além de fixar os fundamentos da doutrina e do culto anglicano na Lei dos 39 Artigos, em 1563.

OBSERVAÇÃO - O Calvinismo também criou raízes na Inglaterra. Seus adeptos, os puritanos, iriam entrar
em choque com os anglicanos, gerando inúmeros conflitos no século XVII, que levaram às imigrações
maciças para a região da Nova Inglaterra, na América do Norte.

THOMAS MÜNTZER – Liderou uma revolta em 1524 com camponeses da região do Reno. Além de atacar
a Igreja pela cobrança de dízimos, passam a reivindicar a reforma agrária e a abolição dos privilégios
feudais. Ele afirmava ser Luterano. O movimento se espalhou por várias regiões alemãs com assaltos a
castelos, queima dos mosteiros e roubo de colheitas. A essas manifestações, seguiu-se uma repressão
violenta, apoiada por Lutero em prol da Nobreza alemã. Müntzer foi preso e decapitado e houve o massacre
de milhares de camponeses. Ele foi um dos grandes pregadores do ANABATISMO (os convertidos são
batizados na idade adulta, mesmo já sendo batizados quando criança). Tinham a necessidade de rebatizar
os indivíduos, de separar a Igreja e o Estado, de abolir as imagens e o culto dos santos, queriam uma
igualdade absoluta entre os homens, viver com simplicidade, pois todos eram inspirados pelo Espírito
Santo. Foram fortemente reprimidos seja nos Estados Católicos, Luteranos ou Calvinistas.

CONTRA-REFORMA

O avanço do Protestantismo, não só neste momento, levou a Igreja Romana a se reorganizar. Foi um
movimento de reação ao protestantismo. A Igreja precisava auto-reformar-se ou não sobreviveria, pois
precisava, ainda, evitar que outras regiões virassem protestantes. Esse movimento de reforma interna já
existia, mas é nesse momento que ele é aprofundado. Entre 1545 e 1563, foi convocado o CONCÍLIO DE
TRENTO, onde houve reafirmações e mudanças. Dentre elas:

- Esclarece a Doutrina;
- Conserva os sete Sacramentos e confirma os Dogmas;
- Afirma a presença real de Cristo na Eucaristia;
- Inicia a redação de um Catecismo;
- Criação de Seminários para a formação de sacerdotes;
- Reafirma o Celibato, a veneração aos Santos e a Virgem;
- Aprova os Estatutos da Companhia de Jesus, criada antes do Concílio por Inácio de Loyola;
- Mantém o Latim como língua do Culto e tradução oficial das Sagradas Escrituras;
- Confirma como texto autêntico, a tradução de São Jerônimo, no século IV;
- Fortalece a Hierarquia e, portanto a unidade da Igreja Católica, ao afirmar a supremacia do Papa como
“Pastor Universal de toda a Igreja”
- Reorganizou o tribunal da Inquisição ou Santo Ofício, que fica encarregado de combater a Reforma;
- Criação do “Índex” (índice), encarregada da censura de obras impressas, lista de livros cuja leitura era
proibida aos fiéis;

As orientações do Concílio de Trento guiaram os católicos de todo o mundo durante 400 anos. Houve o
Concílio Vaticano I (08/12/1869 - 20/10/1870), convocado pelo Papa PIO IX (1846-1878), mas que foi
interrompido devido à Guerra Franco-Alemã que havia iniciado. As maiores mudanças começariam a
acontecer apenas em 1962, quando o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II (11/10/1962 a
07/12/1965), para redefinir as posições da Igreja e adequá-la às necessidades e desafios do mundo
contemporâneo.

Juberto de O. Santos é professor de História, bacharel e licenciado pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro, lecionando atualmente em cursos pré-vestibulares e preparatórios. Quaisquer
dúvidas: historiador_ufrj@yahoo.com.br

Tratado de Santo Ildefonso foi o acordo assinado em 1 de outubro de 1777 na cidade


espanhola de San Ildefonso, na província espanhola de Segóvia, na Comunidade
Autónoma de Castela e Leão, com o objetivo de encerrar a disputa
entre Portugal e Espanha pela posse da colônia sul-americana do Sacramento, situação
que se prolongava desde a Paz de Utrecht e a guerra de 1735-1737. O tratado foi
intermediado pela Inglaterra e pela França, que tinham interesses políticos internacionais
na pacificação das relações entre Portugal e Espanha.
Com a assinatura do tratado, a rainha de Portugal, D. Maria I, e o rei da Espanha, Carlos
III, praticamente revalidaram o Tratado de Madrid (1750) e concederam fundamento
jurídico a uma situação de fato: os espanhóis mantiveram a colônia e a região dos Sete
Povos das Missões, que depois passou a compor grande parte do estado do Rio Grande
do Sul e do Uruguai; em troca, reconheceram a soberania dos portugueses sobre a
margem esquerda do rio da Prata, cederam pequenas faixas fronteiriças para compensar
as vantagens obtidas no sul e devolveram a ilha de Santa Catarina, ocupada poucos
meses antes.