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Serra – ciclos e mudanças estruturais na economia do pós guerra – Serra vê o crescimento e

queda da substituição de importações como um fator cíclico da economia.

Auge e declínio do crescimento industrial (1947-1962)

Fatores que contribuíram pra industrialização acentuada no período:


- Base relativamente ampla do mercado interno após principalmente na década de 30;
- Políticas protecionistas e apoio a substituição de importações
- Investimentos estatais, tanto na infra-estrutura como na produção de insumos;
- Entrada maciça de capital estrangeiro, principalmente após 1950 via IED;
- Fortes incentivos e subsídios a industria;
- Crescimento da oferta agrícola

De 1945 até os anos 50: Importante pela operação de grandes empreendimentos que
surgiram ainda na guerra, como a vale do rio doce e a CSN. Proteção ao mercado interno em
favor da produção industrial, que também contaram com políticas de defesa ao interesse do
café que indiretamente favoreceram a industria por conta de restrições especiais à importação
e a valorização cambial nos últimos anos da década de 40 (governo Dutra, política de
valorização + restrição às importações, a ideia era manter o cambio valorizado pra sustentar o
preço do café). Guerra na Coréia em 1951 elevou importações de máquinas e equipamentos
(afrouzamento das restrições às importações). O resultado do processo de substituição de
importações no período foi a redução do coeficiente importado de bens duráveis, de capital e
intermediários. Nesse período foram tomadas algumas decições que foram cruciais pro salto
industrial futuro: Instrução 70 da sumoc, que disciplinada a importação pelo leilão de divisas e
passou a ser uma importante fonte de receitas pro estado por meio dos ágios e bonificações; a
criação do BNDE, que viria a ser central pro financiamento público e privado; a Petrobrás; a
instrução 113 da sumoc que permitia a importação de máquinas e equipamentos sem
cobertura cambial a empresas estrangeiras (durante o interregno de café filho).

Boom do Plano de Metas: Diferenciação industrial articulada diretamente pelo Estado.


Instalação da industria automobilística, de construção naval, material elétrico pesado,
permitindo ampliação do setor de bens de capital. Expandiram-se também industrias básicas
como siderúrgica metalúrgica petróleo. Os seguintes pontos foram decisivos: A ação estatal
em infraestrutura e produção direta de insumos; a instrução 70 e o aumento da carga
tributária e do déficit fiscal como fontes de financiamento; instrução 113 p atrais capital
estrangeiro; o crédito subsidiado pra aumentar acumulação de setores privados prioritários;
criação de grupos executivos pra organizar e incentivar a implementação de metas setoriais.
Articulação importante entre o Estado, as empresas públicas, o capital privado nacional e o
capital estrangeiro. Capital privano nacional mais frágil do tripé, necessitando de incentivos.
Impacto da ação do estado na produção de aço, na ampliação da CSN, na ampliação da
Petrobrás. Aumento do investimento governamental

Característica do ciclo expansivo:

- A liderança do crescimento coube as atividades produtoras de bens de capital e de bens


duráveis. Todavia, não se chegou a completar a internacionalização do departamento 1 na
economia. Crescimento da produção de bens intermediários. Havia insuficiência na capacidade
instalada de industrias de produção intermediarias como metalurgia, química básica, borracha
e papel. O salto industrial do período foi feito a margem de um sistema financeiro adequado, e
o gasto publico foi financiado por déficits crescentes. Houve alto grau de complementariedade
dos investimentos feitos durante o Plano de Metas, de forma com que os projetos de bens de
capital e de insumos básicos se adiantaram a demanda, não vieram pra satisfazer uma
demanda preexistente, como por exemplo a industria automobilística.

Aumento considerável do grau de endogeneidade da expansão econômica e dos ciclos, pois: i)


desempenho significativo do setor de bens de capital, mesmo que incompleto, permitiu
internalizar movimentos cíclicos da economia; ii) a expansão da capacidade produtiva
ccontribuiu pra instabilidade ciclica por exigir investimentos mais volumosos, de longa
maturação; iii) certos setores aqui desenvolvidos guardavam uma distancia com a renda média
da população, como o setor automobilístico, o que aumentou a instabilidade no setor e sua
dependência do crédito ao consumidor.

A desaceleração em 1963

Redução da taxa de crescimento do PIB, da produção manufatureira. A desaceleração


decorreu dos fatores de natureza cíclica diante da conclusão do volumoso pacote de
investimentos públicos e privados durante o Plano de Metas. As políticas de estabilização
durante o período por conta da inflação, com o plano trienal de Goulart e as medidas de
Castello branco contribuíram pra aprofundar a desaceleração cíclica.

Após a conclusão do pacote de investimentos, era de esperar um declínio do ritmo de


crescimento da formação de capital da economia, com efeitos adversos na industria de capital
e dps de consumo. No caso dos bens de consumo duráveis, pode-se dizer que a demanda
existente também já estava esgotada. Assim, observou-se um declínio da taxa de crescimento
de fbcf a partir de 1962, com redução dos investimentos públicos e privados. A redução no
investimento começou antes do Plano Trienal de Goulart. Havia um excesso de capacidade e
um desenvolvimento de capacidade ociosa. Havia perspectiva de um elevado crescimento da
demanda, e outras fatores como escala mínima de produção, concorrência com empresas
nacionais e busca por garantir mercado, levaram a superdimensionamento dos investimentos.
Dificuldade de elevar os gastos públicos por conta do processo inflacionário, o que pressionava
por uma reforma tributária. O desenvolvimento da indústria tornada necessário um maior
financiamento e um sistema financeiro mais robusto do que o existente. A inflação foi
estimulada pela desaceleração econômica, por reajustes salariais. Também houveram
questões climáticas como a seca em 1963.

De 1962-1967

Pior fase do pós guerra. Notável redução da produção manufatureira. O setor mais afetado na
industria foi o bens de capital. A compressão dos salários de base fizeram com que a produção
de bens de consumo não duráveis se contraísse mais que a de duráveis. O desempenho
melhor dos duráveis esteve relacionado a concentração de renda e o crédito ao consumidor.
PAEG em 64, redução salarial, reforma tributária, criação do BACEN, do BNH, da ORTNs. As
medidas contracionistas da política econômica aliadas as reformas permitiram a redução do
déficit fiscal e certo declínio da inflação, ainda que menor que a meta.
O milagre econômico – 1967-73

Segundo governo militar com política econômica mais folgada, em 1967 começa a recuperação
econômica. Principais características do milagre com o ciclo expansivo do plano de metas:

1) do mesmo modo que no plano de metas a liderança do ciclo expansivo característico do


milagre se deu pela industria manufatureira. Todavia no milagre, a expansão de bens duráveis
esteve bem a frente da de bens de capital, houve maior elevação na produção de bens de
consumo que de capital, já no plano de metas a elevação foi maior no bem de capital. As
modificações estruturais da economia foram maiores no milagre.

2) No milagre houve uma acentuada abertura pro exterior, com crescimento das importações
como participação do PIB, que se fez possível pelo rápido crescimento das exportações e
também de sua diversificação, contrastando com o governo de JK. “As exportações brasileiras
recuaram cerca de 2% a.a, em média, durante o Governo JK (em função da queda signi􀙼cativa
do valor das exportações cafeeiras – que dominavam a pauta até então), no período do
Milagre as vendas do Brasil no exterior cresceram cerca de 25% a.a., em média, em um
processo de diversi􀙼cação que levou ao surgimento de novos produtos (agrícolas e
manufaturados) na pauta. Tal processo, inclusive, levou alguns autores a designarem esta fase
como sendo uma de “substituição de exportações” no Brasil (em contraste, portanto, com a
industrialização substitutiva de importações ocorrida durante o Plano de Metas).”

3) expansão agrícola modesta em ambos os ciclos, mas houve aumento da exportação agrícola
no milagre comparativamente ao plano de metas.

4) a taxa de inflação apresentou uma variância menor e com tendência declinante no milagre,
ao contrario do ciclo anterior.

A recuperação veio do dinamismo da demanda de bens de consumo duráveis por conta da


maior concentração de renda e do endividamento permitido pela intermediação financeira.

O que permitiu o bom desempenho da economia:


i) a capacidade ociosa herdada dos anos 1963-67
ii) a ampla disponibilidade de dividas proporcionada pelo crscimento das exportações e pela
facilidade em recorrer ao endividamento externo. Nesse sentido contribuiu a política de
minidesvalorizações cambiais e os incentivos e subsídios às exportações.
iii) expansão da liquidez real na economia pela expansão do crédito bancário ao setor pivado e
na multiplicação dos ativos financeiros não-monetários, bem como o financiamento do déficit
por títulos da dívida.

- desproporções inter e intrasetoriais do crescimento: atrasado da produção de bens de


produção relativamente aos bens de consumo foi viabilizada pelo aumento das importações
de bens intermediários e de capital.
A desproporção do crescimento industrual e o atraso da produção agrícola relativamente a
industrial trouxe focos de tensão inflacionária. Pressão inflacionária reforçada pelo aumento
do custo relativo da produção de alimentos pro mercado interno que decorreu dos menores
subsídios a estes comparativamente aos exportáveis. Ainda, a pressão inflacionária a partir de
1973 decorreu do auemnto de preço a nível mundial antes mesmo do choque do petróleo,
com peso nas importações. O choque externo causado pelo preço do petróleo incidiu sobre
uma situação vulnerável.
A inflexão do crescimento e a desaceleração (1973-80)

A partir de 1974 o crescimento da inflação foi acompanhado de queda no crescimento


econômico, de forma com que o PIB crescia a 14% em 1973 e passou pra 9,8% em 1974 e 5,6%
em 1975. A retração do produto industrial foi ainda maior: 15,8% em 1973 pra 8,4% em 1974 e
4,5 em 1975. Ao mesmo tempo, nesse período houve elevação da taxa de investimentos na
economia, e as importaçlões aumentaram em 35% em 1974 com relação a 1973. Ou seja, não
foi problema de falta de demanda por investimentos nem restrição de importações. As
dificuldades se deram pelo lado da demanda de bens de consumo não duráveis e duráveis.
Não duráveis a redução se deu pela política de contenção dos salários de base, que também
comprometeu a disposição ao endividamento e também a demanda por duráveis. Também
afetou negativamente uma reversão das expectativas pelo declínio na produção e pelo
encarecimento do crédito pra conter a inflação. Assim a inflexão cíclica parece ter sido
determinada fundamentalmente pela inflação e seus efeitos sobre o salário sobre a política
de crédito.A inflação por sua vez teve como importante componente endógeno as
desproporções no crescimento econômico. Ainda, tal desaceleração esteve longe de configurar
uma depressão, visto que o PIB cresceu a mais ou menos 7% a.a.

O II PND

O mais importante e concentrado esforço estatal de promover modificações estruturais na


economia desde o plano de metas. Foi formulado e parcialmente inplementado em 1974
quando a economia brasileira esgotava sua fase expansiva e a economia mundial entrava em
severa recessão.
De acordo com o II PND, as causas do arrefecimento foram: atraso no setor de bens de
produção e de alimentos, forte dependência do petróleo e tendência a desequilíbrio externo.
Esperava-se enfrentar esses problemas com grande expansão do produto.

Metas:
i) crescimento do PIB entre 1974 e 1979 a 10% a.a., industria a 12%, agricultura em 7% e
exportações em 2,5x em volume em todo período;
ii) substituir aceleradamente as importações no setor de bens de capital e insumos básicos;
iii) desenvolver projetos de exportação de matérias-primas;
iv) elevara produção de petróleo e capacidade de geração de energia elétrica

Instrumentos:
i) transferir parte da poupança privada então destinadas pro financiamento de bens de
consumo duráveis pra sustentar novos investimentos;
ii) recorrer a financiamento externo e atrair investimento estrangeiro;
iii) redirecionamento da poupança compulsória (PIS/PASEP) pro sistema BNDE, pra fortalecer
seu papel no fomento a produção de bens de capital;
iv) mobilizar empresas estatais pra cumprir programas de investimento.

O II PND foi parcialmente desativado em 1976 devido a adoção de política pra conter a
inflação. Não houve canalização de poupança privada pros investimentos, ficando o
financiamento pro setor externo. Ainda assim, teve êxito na substituição de importações de
produtos intermediários e no impulso a produção de bens de capital graças ao forte apoio do
BNDE e do CDI ao setor privado.

Características do período:
i) setores líderes da expansão: construção civil e serviços de utilidade pública, sob impulso das
estatais e do governo;
ii) industria manufatureira cresceu a taxa próxima do PIB, liderando osbens de consumo
duráveis (9,3% a.a., mas foi o setor que sofreu maior desaceleração. Já o setor de bens de
capital esteve a frente até 1976 e cresceu em média mais que a média do setor manufatureiro;
iii) novo ciclo de fechamento da economia, redução do coeficiente de importações com
relação ao PIB;
iv) nível das exportações foi razoável e houve aumento da diversificação;
v) agricultura cresceu mais que no milagre mas persistiu o atraso da produção pro mercado
interno, com implicações inflacionárias.

Foi o investimento que impediu um aprofundamento da desaceleração. O sustentáculo dos


investimentos foi o governo atpe 1976 e as estatais até 1979.

Serra defende qye o agravamento do setor externo nãose deveu apenas ao choque do
petróleo, mas também por i) as desproporções durante o ciclo expansivo que fizeram elevara
demanda por importações de bens de capital e assim criar uma tendência estrutural ao déficit
e ii) a não-adoção de controles de importações no biênio posterior a deflagração da crise do
petróleo.

Assim, em função da dívida externa líquida anterior a 1973 e das importações explicava mais
da metade da dívida em 1978 (ano que há um novo choque externo). Ainda assim, até 1980
não chegou a haver restrições

Salto inflacionário de 20% em 1973 pra 40% em 1978. Causas da inflação:


i) contenção artificial dos preços em 1973 que se projetou em maior inflação em 1974;
ii) aumento da inflação mundial;
iii) insatisfatória evolução dos alimentos por habitante;
iv) crescimento da taxa de juros.

Fatores que permitiram a recuperação em 1967-1970 pra Tavares:


i) reforma fiscal e financeira que melhora as condições de financiamento do gasto publico
ii) verdade tarifária, ou seja, a elevação dos preços de serviço de utilidade opublica
deslancham Oe reanimam o setor de material elétrico
iii) sistema financeiro de habitação anima o setor de construção civil
iv) sistema de crédito ao consumidor e sistema de correção monetária reanima industria de
bens duráveis como automobilística
v) incentivos as exportações impulsionam produção têxtil e de calçado p exportação
vi) política de salários e de financiamento favorecem a concentração de renda que alimenta o
consumo da classe média alta

1970-1971 esgota-se a capacidade ociosa herdada do período anterior e nesse período há


forte crescimento da produção de bens de capital