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O OLHAR SOBRE DIREITO E SOCIEDADE À LUZ DE “IMPACT: HOW LAW AFFECTS

BEHAVIOR”

MARCELA ROMBOLI FARINA, N.º USP 8997021

Enquanto aluna do quinto ano, sinto ter meus interesses de pesquisa e estudo já
bastante consolidados, e, por isso, sempre volto meu olhar para a área da Criminologia.
Nesse sentido, tanto a leitura de “Impact” como a participação nas discussões em sala
foram condicionadas pelas constantes relações traçadas entre a obra e as questões
levantadas e esse campo de conhecimento.

Diante disso, as discussões em grupo, sempre centradas nas relações entre


garantias de direitos e sociedade, de fato trouxeram uma série de indagações bastante
pertinentes ao campo da Criminologia. Como não poderia ser diferente, dado o perigoso
movimento de flexibilização de garantias que vem se observando no Judiciário, muitas
das questões foram abordadas a partir das conexões com os rumos mais recentes do
sistema de justiça criminal.

Destaco, para ilustrar essa ordem de ideias, a discussão que mais me inquietou.
Sempre me interessei, no campo da Criminologia, em investigar os motivos que fazem
com que medidas ou propostas violadoras de uma série de direitos possuam respaldo
popular. É o caso, por exemplo, do apoio da sociedade a diversos atos da “Operação Lava-
Jato” que violam garantias constitucionais e do processo penal, como nos casos de
conduções coercitivas ou mesmo da possibilidade de prisão em segunda instância.

À luz dessa questão, a leitura do capítulo “The inner voice” ofereceu uma série de
novas hipóteses a partir do conceito de legitimidade elaborado por Friedman,
especialmente com base em seu vínculo ao respeito às normas não por seu conteúdo, mas
por seu amparo em procedimentos democráticos e socialmente aceitos de elaboração. De
acordo com o autor, dessa forma, sociedades que tenham democracias verdadeiramente
consolidadas tendem, também, a ter direitos mais consolidados, uma vez que as normas
possuem forte respaldo democrático e há uma consciência popular sobre seu papel
enquanto asseguradoras de garantias. Por outro lado, em regimes democráticos mais
frágeis – como é o caso do Brasil –, as leis são desvinculadas da concepção de justiça e
de garantias de direitos, o que faz com que seu desrespeito seja não só tolerado como, por
vezes, desejado.
A discussão a respeito dos muitos movimentos da sociedade brasileira atentando
contra seus próprios direitos, por tudo isso, ganhou novos contornos a partir das
considerações de Friedman.

No entanto, em um momento em que sinto estar focada somente em uma área do


direito, os debates se mostraram enriquecedores ao oferecer visões sobre o impacto do
direito na sociedade a partir dos mais diversos campos. Por mais que se tratasse de uma
consequência absolutamente natural da abordagem de Friedman, achei bastante cativante
observar como a leitura de um mesmo capítulo se materializava em questionamentos
muito distintos. A todo momento, assim, o grande tema da garantia de direitos se
desdobrava nas suas múltiplas manifestações, o que me fez relembrar questões
fundamentais que acabaram, com a restrição cada vez maior de meus objetos de estudo,
sendo cada vez menos exploradas. Vale ressaltar, nesse sentido, as discussões sobre o
papel da comunicação na criação de uma consciência sobre o direito e no acesso à justiça,
bem como sobre as possibilidades de abertura de um sistema a novas dinâmicas de
trabalho, como o Uber, e as complexas consequências para o mercado interno e os direitos
trabalhistas.

Sublinho, também, a questão que mais me provocou dificuldade em debater: como


e quais são os impactos individuais e subjetivos provocados pela norma. A conversa sobre
o cumprimento das leis através de recompensas ou punições, a título exemplificativo, me
causou uma série de estranhamentos, muito em razão da relação pouco explorada acerca
dos vínculos entre as discussões político-econômicas sobre os efeitos das normas e os
reflexos mais particulares que levam a seu cumprimento. completar

Por tudo isso, a leitura e, em especial, as muitas discussões sobre “Impact”


reviveram uma série de laços fundamentais entre a sociedade e o direito, com particular
relevância no campo da garantia de direitos. Acredito, nessa visão, que o principal
impacto do livro foi consolidar a preocupação com uma análise ca