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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM

ENGENHARIA DE PROCESSOS

INTRODUÇÃO À MECÂNICA DOS


FLUIDOS

Autor: Sérgio Bello Neves

Março/2018
Introdução à Mecânica dos Fluidos

Todos os direitos reservados. Material de estudo fornecido pela Techbios


Engenharia e Treinamento Ltda ao curso de Especialização em Engenharia de
Processos da Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Nenhuma parte
desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por
qualquer meio eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou
qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação,
sem prévia autorização, por escrito, da Techbios Engenharia e Treinamento
Ltda.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 1

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 2
2. CONCEITOS DE MECÂNICA .......................................................................... 4
2.1. AS LEIS DO MOVIMENTO DE NEWTON ........................................................... 5
2.2. A SEGUNDA LEI DE NEWTON............................................................................ 6
2.3. TRABALHO E O TEOREMA TRABALHO-ENERGIA ......................................... 6
2.4. O TEOREMA DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA ............................................. 7
3. CONCEITOS E PROPRIEDADES DOS FLUIDOS ........................................ 10
3.1. LEI DE NEWTON DA VISCOSIDADE .................................................................. 11
3.2. PROPRIEDADES DOS FLUIDOS ........................................................................ 17
3.3. CONCEITOS DE ESCOAMENTOS DE FLUIDOS .............................................. 20
4. ESTÁTICA DOS FLUIDOS ............................................................................................ 26
4.1 CONCEITO DE PRESSÃO ................................................................................... 26
4.2 EQUAÇÃO BÁSICA DA ESTÁTICA .................................................................. 31
4.3 EMPUXO .............................................................................................................. 33
5. DINÂMICA DOS FLUIDOS ........................................................................................... 35
5.1 EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE ....................................................................... 35
5.2 EQUAÇÃO DE BERNOULLI ............................................................................... 37
5.3 EQUAÇÃO DA ENERGIA ................................................................................... 38
5.4 PERDA DE CARGA ............................................................................................. 39
5.5 APLICAÇÕES ....................................................................................................... 41
6. TUBULAÇÕES ............................................................................................................... 51
REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 56
Introdução à Mecânica dos Fluidos 2

1. INTRODUÇÃO

O conhecimento e a compreensão dos princípios básicos e dos conceitos da


mecânica dos fluidos são essenciais na análise, projeto e operação de qualquer sistema no
qual um fluido é o meio operante. O projeto de, virtualmente, todos os meios de transporte
requer, sem dúvida, um conhecimento destes princípios. Aí se incluem aeronaves para
vôos subsônico e supersônico, máquinas terrestres, hovercraft. aeronaves de decolagem e
aterrissagem verticais que requerem pistas de comprimento mínimo, navios, submarinos e
automóveis. Nos últimos anos, os fabricantes de automóveis têm dado maior importância
ao projeto aerodinâmico. Isto já era aplicado tempos atrás pelos projetistas de carros e de
barcos de competição. O projeto de sistemas de propulsão para vôos espaciais, assim como
para foguetes de brinquedo, baseia-se nos princípios da mecânica dos fluidos. O colapso da
ponte de Tacoma Narrows, em 1940, é uma evidência do que pode acontecer ao se negli-
genciarem os princípios básicos da mecânica dos fluidos. É comum, hoje em dia,
realizarem-se estudos com modelos a fim de determinar as forças aerodinâmicas que atuam
sobre edifícios e estruturas e os campos de escoamento em torno deles. Isso inclui o estudo
de arranha-céus, estádios desportivos, chaminés e grandes shoppings.

O projeto de todos os tipos de máquinas de fluxo, incluindo bombas, ventiladores,


compressores e turbinas, requer claramente o conhecimento dos princípios básicos da
mecânica dos fluidos. A lubrificação é uma aplicação de considerável importância da
mecânica dos fluidos. Os sistemas de aquecimento e ventilação de residências, de
grandes edifícios comerciais, de túneis subterrâneos, assim como o projeto de sistemas
de tubulações, são exemplos adicionais de áreas técnicas específicas que exigem o
conhecimento da mecânica dos fluidos. O sistema circulatório do corpo humano é,
basicamente, um sistema fluido. Não causa surpresa que os projetos de substitutos do
sangue, de corações e pulmões artificiais, de auxiliares mecânicos da respiração e de
outros dispositivos do gênero baseiem-se nos princípios da mecânica dos fluidos.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 3

A lista de aplicações dos princípios da mecânica dos fluidos poderia ser


consideravelmente ampliada. O nosso objetivo principal é chamar a atenção para o fato
de a mecânica dos fluidos não ser estudada por interesse puramente acadêmico; ao
contrário, é um assunto de larga importância tanto nas nossas experiências diárias
quanto na moderna tecnologia.
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2. CONCEITOS DE MECÂNICA

A natureza é intrinsecamente movimento, e este movimento tende a se


perpetuar no nível dos átomos que a constituem. O mistério da natureza, que ao
mesmo tempo e paradoxalmente, se constitui na sua glória e na sua desgraça, é
existirem posições no espaço com movimentos diferentes de outras. Se assim não
fosse, todo o espaço seria uniforme e, apesar do movimento, imutável. Com isso não
faria nenhuma diferença estar em um lugar ou em outro, e o conceito de espaço
perderia o sentido. Da mesma forma, nenhuma mudança aconteceria e o conceito de
tempo não faria sentido.

O fato de existirem posições no espaço com movimentos diferentes faz nascer


o conceito de tempo e espaço. Regiões com movimentos mais intensos tendem a
transferir este movimento para outras regiões menos movimentadas, dando lugar a
mudanças que, em última instância, denominamos vida. Esta é a grande glória e o
apogeu da natureza. Sua desgraça é que este movimento tende a se uniformizar,
destruindo a própria vida. Esta é a verdade que está por trás do segundo princípio da
termodinâmica, de acordo com o qual um sistema fechado tende a aumentar seu grau
de desordem, ou entropia.

O grande mistério é o porque de existirem posições com movimentos


diferentes, e este mistério nos remete a uma pergunta final: será que as leis da
natureza que ora observamos, que apontam para uma uniformização final, valerão
para sempre? Ou estas leis são dinâmicas e nos reservam surpresas que podem,
inclusive, explicar o mistério do princípio? A inteligência humana ainda não tem
respostas a estas questões.

A tentativa humana de traduzir o movimento da natureza em leis e equações


matemáticas teve seu apogeu no século XVII, com Isaac Newton. Nas suas palavras,
conseguiu seu feito por estar sobre ombros de gigantes. A seguir veremos,
simplificadamente, algumas destas leis, que serão de grande importância na
compreensão dos conceitos de mecânica dos fluidos.
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2.1. AS LEIS DO MOVIMENTO DE NEWTON

De posse dos conceitos de tempo e espaço pode-se descrever a velocidade


média de um corpo como sendo a variação de sua posição com o tempo, isto é:

vm 
s  s o  (2.1)
t

Analogamente define-se aceleração média como sendo a variação de sua


velocidade com o tempo:

am 
v  vo  (2.2)
t

Se a aceleração de um corpo é constante, o que acontece quando a força


resultante sobre o mesmo é constante, podemos afirmar também que sua velocidade
média em um intervalo de tempo é a média aritmética de suas velocidades inicial e
final neste intervalo, ou seja:

vm 
v  vo  (2.3)
2

Observe que a partir destas definições, um algebrismo envolvendo as equações


2.1 a 2.3 conduz ao seguinte resultado, chamado de equação horária do movimento,
que traduz a posição do corpo em cada instante quando sua aceleração é constante:

at 2
s  so  vo t  (2.4)
2

E ainda, eliminando o tempo nas equações 2.2 e 2.4, chega-se à equação de


Torricelli:
2
v 2  vo  2as (2.5)

Esta última equação vai se mostrar extremamente interessante, pois já sinaliza


para uma dependência do movimento com o termo da velocidade elevada ao
quadrado, o que dará origem, como veremos, à definição de energia cinética e ao
teorema da conservação da energia. O matemático inglês Liebnitz, também no século
XVII, foi quem primeiro chamou a atenção para a importância deste termo.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 6

2.2. A SEGUNDA LEI DE NEWTON

Para descrever as causas das mudanças de movimento de um corpo Isaac


Newton criou o conceito de força. Um corpo terá sua velocidade alterada, isto é, terá
aceleração não nula, se sobre ele atuar uma força resultante não nula. A força
resultante é definida como o somatório das forças que atuam sobre o corpo. Para uma
dada força resultante, sua aceleração será tanto maior quanto menor for a sua massa.
Assim, uma das formas de se escrever a segunda lei de Newton é:

FR   F  ma (2.6)

Em última instância as forças da natureza reduzem-se a dois tipos: forças


gravitacionais e forças elétricas. Quaisquer outras forças podem ser explicadas em
termos destas duas. Grandes esforços têm sido feitos pelos cientistas na busca de uma
teoria que unifique estas duas forças em uma única estrutura, mas ainda não se obteve
sucesso. Uma descoberta deste porte poderá causar uma revolução nas tecnologias
que hoje conhecemos.

2.3. TRABALHO E O TEOREMA TRABALHO-ENERGIA

O conceito de trabalho, definido como o produto do deslocamento de um corpo


pela componente de uma força na direção do deslocamento:

W  F .s. cos  (2.7)

mostra-se uma criação bastante engenhosa. Numa abordagem simplificada,


considerando um corpo em movimento sob ação de uma força resultante constante
na direção de seu deslocamento, podemos calcular seu trabalho resultante como:

WR  FR .s (2.8)

Observe agora que um algebrismo simples envolvendo as equações 2.5, 2.6 e


2.8 conduz à seguinte equação:
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2
mv 2 mvo
WR   (2.9)
2 2

A equação 2.9 é chamada de teorema do trabalho-energia, e o termo mv2/2 é


chamado de energia cinética, um conceito que irá se mostrar extremamente útil e que
dará origem ao teorema da conservação da energia. Observe que o agrupamento
mv2/2 surge naturalmente a partir das equações que descrevem o movimento, da
segunda lei de Newton, e do conceito de trabalho. Isto é, o conceito de energia já está
contido nestes três conceitos fundamentais.

2.4. O TEOREMA DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA

Conforme discussão no início deste capítulo, a natureza é movimento, ou o


potencial de gerar movimento. As forças gravitacional e elétrica apresentam, por suas
próprias características de atração e atração/repulsão, o potencial de gerar ou alterar
movimentos existentes em uma dada configuração espacial de massas ou cargas
elétricas. Definindo-se o trabalho realizado por estas forças como sendo a variação de
uma nova forma de energia, chamada de energia potencial (U), chega-se ao teorema
da conservação da energia mecânica, a partir da equação 2.9. Assim:

WR  U (2.10)
2
mv 2 mvo
 U   (2.11)
2 2

Sendo U=U2-U1 a variação de energias potenciais gravitacional e/ou elétrica.


A energia potencial gravitacional pode ser calculada como Ug=m.g.h. Observe que
por efeito da força elétrica, outros fenômenos observáveis podem apresentar energias
potenciais acumuladas. O termo “potencial” deve ser aqui interpretado como
potencial para gerar movimento, e o termo “energia mecânica” como a energia que é
associada ao movimento macroscópico de um corpo (energia cinética), ou ao
potencial de gerar este movimento (energia potencial). Desta forma, uma mola ou um
elástico comprimidos têm energia potencial acumulada, que pode gerar movimento se
liberada. Esta energia é, em última instância, de origem elétrica. Uma massa de gás
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ou líquido comprimida também tem este potencial de gerar movimento, e pressão


pode ser associada a uma forma de energia potencial. Mesmo na estrutura
microscópica das ligações químicas há energia potencial elétrica acumulada, como é
o caso dos combustíveis. As ligações carbono-hidrogênio têm grande energia
acumulada e, se liberada, irá causar aumento do movimento das moléculas
resultantes, que se traduz macroscopicamente em aumento de temperatura.
Considerando todas estas formas de energias potenciais, o teorema da conservação da
energia mecânica pode ser escrito na forma da equação 2.12:
2 2
mv1 mv
 U 1, grav  U 1,elétrica  U 1,mola  U 1,outros  2  U 2, grav  U 2,elétrica  U 2,mola  U 2,outros (2.12)
2 2

Para completar o teorema da conservação geral da energia devemos lembrar


que, apesar de a natureza conservar seu movimento, este movimento não é sempre
preservado do ponto de vista macroscópico, isto é, na forma de energia mecânica.
Muitas vezes este movimento é transferido para um movimento microscópico
aleatório das moléculas, que irá se traduzir em um aumento de temperatura. A esta
energia chamamos de energia interna. Os processos reais com atrito sempre dão lugar
a uma transformação de parte da energia mecânica em energia interna. O atrito tem
sua origem na força elétrica, e sem ele todo o universo seria uma massa uniforme (ou
disforme). Mas o preço a pagar é que ele degrada a energia mecânica em uma forma
menos nobre de energia, que é a energia interna. Esta é uma outra forma de se falar
do paradoxo discutido na introdução deste capítulo.

Finalmente, denominando de “E” as energias interna e outras formas de energia


(sonora, luminosa, etc.), podemos escrever o teorema da conservação geral da energia
como:
2 2
mv1 mv
 U 1  E1,int erna   E1,outras  2  U 2  E 2,int erna   E2,outras (2.13)
2 2

Este teorema estabelece que a energia total de um sistema sempre se conserva,


embora possa mudar de uma forma para outra. É uma lei natural que tem sido sempre
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verificada e confirmada, e é extremamente importante pois, com ela, pode-se fazer


predições do comportamento de sistemas físicos a partir de um estado inicial
conhecido. Ou por outro lado, estabelecer as condições originais de um sistema que
levaram ao seu estado atual. Observe que o conceito de energia não é algo “palpável”
como tempo, espaço ou força. Energia é antes o resultado de um conjunto de cálculos
cujo grande mérito é que a soma de seus possíveis termos se conserva ao longo do
tempo nos processos. Este conceito é brilhantemente exposto por Feynman (1999), a
seguir:

“Existe um fato ou, se você preferir, uma lei que governa todos os fenômenos
naturais conhecidos até agora. Não se conhece nenhuma exceção a essa lei - ela é
exata, pelo que sabemos. A lei chama-se conservação da energia. Segundo ela, há
certa quantidade, que denominamos energia, que não se modifica nas múltiplas
modificações pelas quais passa a natureza. Trata-se de uma idéia extremamente
abstrata, por ser um princípio matemático; diz que há uma quantidade numérica que
não se altera quando algo acontece. Não é a descrição de um mecanismo ou de algo
concreto; é apenas o fato estranho de que podemos calcular certo número e, quando
terminamos de observar a natureza em suas peripécias e calculamos o número de
novo, ele é o mesmo. (Algo como o bispo na casa branca que, após um número de
lances - cujos detalhes ignoramos -, continua na casa branca. É uma lei desta
natureza.).”

No início do século passado esta Lei da Conservação da Energia recebeu uma


emenda importante, através da Teoria da Relatividade de Einstein. De acordo com
esta teoria, massa e energia são grandezas relacionadas e interconversíveis, através da
famosa fórmula E=mc2. Com isso, a Lei da Conservação da Massa e a Lei da
Conservação da Energia fundiram-se em uma única Lei da Conservação da Massa e
Energia. No entanto, na ausência de reações nucleares e de efeitos relativísticos, as
duas leis continuam sendo aplicadas individualmente.
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3. CONCEITOS E PROPRIEDADES DOS FLUIDOS


A mecânica dos fluidos lida com o comportamento dos fluidos em repouso e
em movimento. É lógico começar com uma definição de fluido: um fluido é uma
substância que se deforma continuamente sob a aplicação de uma tensão de
cisalhamento (tangencial), não importa quão pequena ela possa ser.
Assim, os fluidos compreendem as fases líquida e gasosa (ou de vapor) das
formas físicas nas quais a matéria existe. A distinção entre um fluido e o estado
sólido da matéria é clara quando você compara os seus comportamentos. Um sólido
deforma-se quando uma tensão de cisalhamento lhe é aplicada, mas não con-
tinuamente.
Na Fig. 3.l, os comportamentos de um sólido (Fig. 3.l a) e de um fluido (Fig
3.1 b), sob a ação de uma força de cisalhamento constante, são comparados. Na Fig.
3.l a, a força de cisalhamento é aplicada sobre o sólido através da placa superior à
qual ele está ligado. Quando a força cisalhante é aplicada na placa superior, o bloco
deforma-se conforme mostrado. Do estudo da mecânica dos sólidos, sabemos que,
desde que o limite elástico do material sólido não seja ultrapassado, a deformação é
proporcional à tensão de cisalhamento aplicada, τ = F/A, onde A é a área da
superfície em contato com a placa.
Para repetir a experiência com um fluido entre as placas, delimitaremos um
elemento fluido, conforme mostrado pelas linhas cheias na Fig. 3.1 b. Enquanto a
força F estiver aplicada na placa superior, a deformação do elemento fluido aumenta
continuamente. O fluido em contato direto com a fronteira sólida tem a velocidade da
própria fronteira; não há deslizamento. Este é um fato experimental baseado em
numerosas observações do comportamento dos fluidos. A forma do elemento fluido
em instantes sucessivos to < t1 < t2, é mostrada (Fig. 3.1 b) pelas linhas tracejadas.
Como o movimento do fluido continua sob a aplicação de uma tensão cisalhante,
podemos, alternativamente, definir um fluido como uma substância incapaz de
suportar tensão de cisalhamento quando em repouso.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 11

Fig. 3.1a. Sólido Fig. 3.1b. Fluido

3.1. LEI DE NEWTON DA VISCOSIDADE


Definimos um fluido como sendo uma substância que se deforma
continuamente sob a ação de uma tensão de cisalhamento. Na ausência desta, não
haverá deformação. Os fluidos podem ser classificados, de modo geral, de acordo
com a relação entre a tensão de cisalhamento aplicada e a taxa de deformação,
podendo esta deformação ser expressa como a relação entre a variação de velocidade
do fluido ao longo de uma distância, ou gradiente de velocidade.
Os fluidos nos quais a tensão de cisalhamento é diretamente proporcional à
taxa de deformação são chamados fluidos newtonianos. Matematicamente, para
fluidos newtonianos, temos:
dv x dv x
 yx    yx   (3.1)
dy dy

Onde a constante de proporcionalidade  é chamada de viscosidade absoluta


(ou dinâmica). Um experimento que permite visualizar o gradiente de velocidade de
um fluido pode ser construído fazendo um cilindro girar no interior de outro cilindro
oco, contendo um fluido no espaço entre os cilindros. Como o cilindro interno está
em movimento e o externo está parado, e como o fluido acompanha o movimento da
superfície com a qual está em contato, estabelece-se uma variação da velocidade do
fluido ao longo do espaço entre os cilindros. Para um mesmo gradiente de velocidade
(velocidade de rotação do cilindro interno), fluidos diferentes irão requerer diferentes
forças necessárias para girar o cilindro interno (tensões cisalhantes). De acordo com a
equação 3.1, podemos dizer que fluidos diferentes têm diferentes viscosidades, e que
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a viscosidade é tanto maior quanto maior a força requerida para girar o cilindro a uma
determinada velocidade. Deste experimento conclui-se que a viscosidade é uma
grandeza associada ao maior ou menor atrito das as moléculas do fluido (entre si e
com a superfície de contato). O experimento descrito é a base de um equipamento
para medição da viscosidade conhecido como viscosímetro Brookfield, mostrado na
Figura 3.2.
Os fluidos mais comuns, como a água, o ar e a gasolina, são newtonianos em
condições normais. Para fluidos newtonianos, a viscosidade a uma dada temperatura
e pressão é constante e independente de outros fatores como velocidade e tempo de
escoamento. Para velocidades maiores, por exemplo, a tensão cisalhante é aumentada
proporcionalmente de acordo com a viscosidade constante característica do fluido.
No Sistema Métrico Absoluto, a unidade básica de viscosidade é chamada
poise [1 poise = l g/(cm-s)], sendo o centipoise (cp) um submúltiplo bastante usado
(100 cp = 1 poise); no SI, as unidades de viscosidade são kg/(m.s) ou Pa.s (l Pa.s = l
N.s/m2). Na mecânica dos fluidos, a razão entre a viscosidade absoluta, , e a massa

Figura 3.2. Viscosímetro Brookfield


Introdução à Mecânica dos Fluidos 13

específica, , surge com frequência. Esta toma o nome de viscosidade cinemática e é


representada pelo símbolo . Como a massa específica tem unidades de g/cm3 no
Sistema Métrico Absoluto, a unidade de  nesse sistema é o cm2/s, denominado de
stoke (l00 centistoke = l cm2/s).
Outro princípio usado para a medição da viscosidade é a medição do tempo de
escoamento do fluido por um orifício de um dispositivo padronizado. Este é o
princípio do viscosímetro Saybolt. Neste caso a medição de viscosidade não é direta
como no viscosímetro Brookfield, sendo necessário o uso de equações ou tabelas
empíricas para converter este tempo de escoamento em unidades de viscosidade
absoluta. No entanto, apesar da menor precisão, estes viscosímetros têm a
simplicidade do equipamento e da determinação como pontos fortes.
A Figura 3.3 apresenta dados de viscosidade para diversos fluidos newtonianos
comuns. A viscosidade da água é 1 cp (0,001 kg/m.s) a 20oC e a do ar é cerca de
0,018 cp nesta mesma temperatura. Note que a viscosidade dos líquidos diminui com
o aumento da temperatura, devido a uma diminuição das forças de coesão entre as
moléculas. Para gases a viscosidade aumenta com a temperatura, devido a uma maior
frequência e velocidade as colisões das moléculas. A influência da pressão sobre a
viscosidade é desprezível nos líquidos e nos gases a pressões baixas e moderadas.
Para altas pressões as moléculas dos gases tornam-se muito próximas e sua
viscosidade tende a aumentar. A Figura 3.4 apresenta este efeito para o CO2.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 14

Figura 3.3. Viscosidades de Fluidos Newtonianos


Introdução à Mecânica dos Fluidos 15

Figura 3.4. Efeito da Temperatura e da Pressão sobre a viscosidade


do CO2

Apesar de, para algumas classes de líquidos, como os derivados de petróleo, a


viscosidade ser uma função da massa específica, isto não é válido para todos os
líquidos. A água, por exemplo, é mais densa que o petróleo e muitos óleos
lubrificantes seus derivados, mas apresenta menor viscosidade.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 16

Os fluidos nos quais a tensão de cisalhamento não é diretamente proporcional à


taxa de deformação são chamados fluidos não-newtonianos. Muitos fluidos comuns
apresentam comportamento não-newtoniano. Dois exemplos familiares são pasta
dental e tinta Lucite. Esta última é muito "espessa" quando na lata, mas torna-se "fina"
quando trabalhada pelo pincel. A pasta dental se comporta como um "fluido" quando
espremida do tubo. Contudo, ela não escorre por si só quando a tampa é removida. Há
uma demarcação ou tensão limítrofe abaixo da qual a pasta dental se comporta como
um sólido. Os fluidos não-newtonianos são geralmente classificados como tendo
comportamento independente ou dependente do tempo. Exemplos de comportamento
independente do tempo são apresentados na Figura 3.5, onde se observa que a
viscosidade muda seu valor nos fluidos não-newtonianos para diferentes gradientes de
velocidade (dvx/dy), o que não acontece com os fluidos newtonianos. Este fato torna o
cálculo do escoamento de fluidos não-newtonianos bastante mais complexo.

Figura 3.5. Tensão de Cisalhamento e Viscosidade para Fluidos Newtonianos e


Não-Newtonianos
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3.2. PROPRIEDADES DOS FLUIDOS

Os fluidos apresentam propriedades físicas bem definidas, pelas quais podemos


caracterizá-los e identificá-los de forma analítica. As principais propriedades de
interesse no escoamento de fluidos são a massa específica (densidade) e a
viscosidade. Também importantes são a tensão superficial e a pressão de vapor.

3.2.1. MASSA ESPECÍFICA, PESO ESPECÍFICO E DENSIDADE

Geralmente falamos que Isopor é leve, pedra é pesada e que chumbo é muito
pesado. Esta é uma classificação geral do peso para estes 3 materiais. Peso específico
é simplesmente o peso de um determinado material que é requerido para encher um
certo volume ou, mais precisamente, peso por unidade de volume. Analogamente,
massa específica é a massa por unidade de volume. As unidades mais comuns de
massa específica são: g/cm3, kg/m3 e lb/ft3. A Figura 3.6 ilustra a massa específica de
alguns materiais, onde cada esfera tem o volume de 1 cm3.

Figura 3.6. Massa Específica de Materiais Selecionados

Densidade é o número de vezes que um material é mais pesado do que outro


usado como padrão. Líquidos e sólidos são geralmente comparados com a água a
4C, cuja massa específica é 1,000 g/cm3. Gases e vapores são geralmente
comparados com o ar. Por exemplo, na figura anterior vimos que o peso específico
do chumbo é de 11,43 g/cm3, logo densidade do chumbo 11,43 (adimensional).

As Figuras 3.7 e 3.8 apresenta dados de densidade da água e do mercúrio


líquidos em função da temperatura. A densidade, em geral, tende a diminuir com o
Introdução à Mecânica dos Fluidos 18

aumento da temperatura, devido ao maior afastamento entre as moléculas. A


influência da pressão na densidade de líquidos é desprezível.

A massa específica () dos gases a baixas e moderadas pressões pode ser
calculada, com boa aproximação, através da equação do gás ideal, apresentada na
Equação 3.1. Desta deriva a Equação 3.2, onde a massa específica está em kg/m3, P
em atm absoluta, MM é a massa molecular em g/gmol, T é a temperatura absoluta em
K e R é a constante universal dos gases (R=0,08205 l.atm/gmol.K). No caso de gases
o aumento da pressão aumenta proporcionalmente a sua massa específica, como pode
ser visto na Equação 3.2..

m
P.V  nRT  RT (3.1)
MM

P.MM
 (3.2)
RT

Figura 3.7. Densidade da Água Líquida em Função da Temperatura


Introdução à Mecânica dos Fluidos 19

Figura 3.8. Densidade do Mercúrio Líquido em Função da Temperatura

3.2.2. PRESSÃO DE VAPOR

De acordo com a teoria cinética, as moléculas de um líquido estão em


movimento contínuo e tendem a passar ao estado vapor. Esta tendência é
tanto maior quanto maior a temperatura do liquido.

Considerando-se um vaso fechado por um pistão, cuja pressão pode ser


controlada, contendo um líquido em seu interior. A pressão exercida pelas
moléculas do liquido tendendo a passar para a fase vapor nestas condições é
chamada de pressão de vapor do líquido. Se a pressão de vapor for maior ou
igual à do meio, haverá formação de uma fase vapor cuja pressão será igual à
pressão de vapor do líquido naquela temperatura.

Sob temperatura constante o número de moléculas que passam para a


fase vapor é igual ao número de moléculas que passam para a fase liquida,
estabelecendo-se um equilíbrio dinâmico, e a pressão também é constante. Se
a temperatura do líquido for aumentada, durante o aquecimento, o número de
moléculas que passam para a fase vapor é maior que o número de moléculas
que passam a fase liquida, e a pressão aumenta. O contrário ocorre quando a
temperatura do liquido sofre uma diminuição.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 20

Em geral a pressão de vapor será menor quanto maior for o tamanho


(peso molecular) e a complexidade da molécula. As forças de atração entre as
moléculas na fase líquida, que dependem da natureza química das moléculas, também
exercem grande influência sobre a pressão de vapor. A água, por exemplo, tem
praticamente o mesmo peso molecular que o metano, mas sua pressão de vapor é
extremamente menor devido à grande polaridade de suas moléculas, gerando forças
de atração elétrica chamadas de pontes de hidrogênio.

Nos fluidos puros a pressão de vapor depende apenas de sua natureza e


temperatura. Em misturas de componentes, a tendência à vaporização depende
também da composição. Neste caso, a pressão na qual a mistura começa a vaporizar a
uma dada temperatura é chamada de pressão de bolha. O conhecimento e
interpretação da pressão de vapor ou de bolha de uma corrente é de fundamental
importância no escoamento de líquidos através de bombas e válvulas, de modo a
prevenir (ou tomar medidas para conviver) a vaporização destes fluidos nos
equipamentos. Esta vaporização é comumente chamada de cavitação, e acontece
quando a pressão do escoamento é igual ou inferior à pressão de vapor (ou de bolha)
do fluido.

Dados de pressão de vapor de fluidos puros podem ser obtidos de tabelas de


vapor saturado ou de equações como a Equação de Antoine. A pressão de bolha de
misturas deve ser obtida de cálculos geralmente feitos usando um simulador de
processos.

3.3. CONCEITOS DE ESCOAMENTOS DE FLUIDOS

Os escoamentos podem ser classificados de acordo com critérios como:


natureza da movimentação das camadas de fluido, variação pontual das propriedades
no tempo, número de fases e compressibilidade do fluido.

3.3.1. ESCOAMENTO LAMINAR E TURBULENTO


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Quanto à natureza da movimentação das camadas de fluido, estes escoam


basicamente de duas formas: escoamento laminar e escoamento turbulento. No
escoamento laminar o fluido se move em camadas (lâminas) sem que haja mistura de
camadas. As partículas se movem de maneira ordenada, mantendo sempre a mesma
posição relativa.

O escoamento laminar pode ser obtido através de uma tubulação longa e de


diâmetro uniforme, quando é mantida uma velocidade baixa e constante de
escoamento. Dessa forma, notam-se camadas laminares em escoamento, todas elas
paralelas ao eixo central da tubulação. Não há deslocamento transversal de partículas
de fluido e as camadas não se misturam. O escoamento laminar é característico de
fluidos muito viscosos e a baixas velocidades.

Figura 3.9. Escoamento Laminar

No escoamento turbulento as partículas se movimentam desordenadamente,


ocupando diferentes posições relativas em sucessivas seções transversais da
tubulação. Este tipo de escoamento é caracterizado pelo movimento das partículas
entrecruzando-se umas com as outras, e com velocidade irregular. O escoamento
turbulento apresenta as seguintes vantagens: permite uma maior homogeneização de
produtos na tubulação e facilitar troca de calor nos permutadores e fornos.

Figura 3.10. Escoamento Turbulento

O aumento da velocidade de escoamento leva o escoamento laminar a se


transformar em turbulento. O escoamento da água e soluções aquosas nas indústrias é
quase sempre turbulento devido às velocidades e diâmetros normalmente utilizados.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 22

A natureza de um escoamento, turbulento ou laminar, e a sua posição relativa numa


escala de turbulência é indicada pelo número de Reynolds (Re), definido pela
Equação 3.3 em função do diâmetro (D, em m), velocidade (v, em m/s), massa
específica (, em kg/m3) e viscosidade (, em kg/m.s). Observe que o número de
Reynolds é adimensional, sendo essencial o uso de unidades consistentes no seu
cálculo. Para escoamento em tubos, números de Reynolds menores ou iguais a 2100
caracterizam escoamento laminar, enquanto que maiores que 4000 o escoamento é
turbulento.

D.v.
Re  (Eq. 3.3)

3.3.2. ESCOAMENTO PERMANENTE E TRANSIENTE

Quanto à variação pontual das propriedades no tempo, o escoamento pode ser


permanente ou transiente.

Escoamento permanente (ou em regime estacionário) é quando as propriedades


em cada ponto não variam em função do tempo, podendo variar de um ponto para
outro. Escoamento transiente é quando as propriedades em cada ponto variam com o
tempo.

Como exemplo, tomemos uma situação em que um gás escoa por uma
tubulação, de um vaso a alta pressão até um ponto à pressão atmosférica. A pressão
no vaso de origem vai caindo com o tempo até atingir também a pressão atmosférica,
quando o escoamento cessa. Trata-se de um escoamento em regime transiente, pois a
pressão no vaso, e em cada ponto do escoamento, cai continuamente com o tempo.
Caso a pressão no vaso fosse mantida constante por um controle de pressão, teríamos
um escoamento permanente, ainda que a pressão mude ao longo do escoamento (do
vaso até a saída da tubulação).

O regime transiente acontece em geral em partidas e paradas de unidades, ou


quando há variação das condições operacionais com o tempo. O escoamento em
regime aproximadamente permanente ocorre em operação normal de unidades de
Introdução à Mecânica dos Fluidos 23

processamento contínuo. É importante operar-se uma unidade o mais próximo


possível do regime permanente. Dados para ajustes dos parâmetros de desempenho
de equipamentos, como colunas de separação e trocadores de calor, precisam
frequentemente ser obtidos em regime permanente. Caso contrário os balanços de
massa e energia não irão fechar. Uma das funções do controle de processos é
justamente conduzir a unidade a uma operação aceitável, evitando mudanças
indesejáveis que estas variações das condições operacionais acarretam.

3.3.3. ESCOAMENTO MONOFÁSICO E BIFÁSICO

Escoamento monofásico é quando o fluido escoa apenas em uma única fase,


líquida, gás ou vapor.

Escoamento bifásico é quando o fluido está em duas fases. Na maior parte das
vezes as fases são líquido e vapor. Como exemplo de escoamento bifásico temos a
geração de vapor em uma caldeira tubular, onde a água é alimentada em estado
líquido e através de aquecimento é transformada em vapor. A Figura 3.11 representa
este escoamento. Os trechos A e C, representam escoamento monofásico. O trecho B
representa escoamento bifásico.

Figura 3.11. Escoamento Bifásico em uma Linha de Condensado para Caldeira

O escoamento bifásico em linhas de vapor, onde líquido pode condensar


devido à perda de calor para o ambiente, pode gerar golpes de aríete nas tubulações
(martelo), com ruído e vibração. Por esta razão, purgadores são instalados em pontos
baixos destas tubulações, de modo a remover este condensado. Linhas de retorno de
refervedores tipo termossifão também apresentam escoamento bifásico.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 24

Figura 3.12. Escoamentos Bifásicos Horizontais

Figura 3.13. Escoamentos Bifásicos Verticais


Introdução à Mecânica dos Fluidos 25

Os escoamentos bifásicos em linhas horizontais e verticais são classificados,


conforme as quantidades relativas de líquido e vapor, de acordo com as Figuras 3.12
e 3.13. Cuidados especiais devem ser tomados em casos de escoamento tipo “slug”
ou “plug”, devido à maior ocorrência de golpes de aríete nas linhas.

3.3.4. ESCOAMENTO COMPRESSÍVEL E INCOMPRESSÍVEL

De um modo geral, o escoamento de líquidos é incompressível, por que não há


variação de volume no sistema e a massa específica é constante. O escoamento de
gases e vapores é, em geral, compressível, por que há variação do volume e da massa
específica. O escoamento de gases pode ser considerado como incompressível
quando não há praticamente variação de pressão ao longo do escoamento. Nestes
casos a massa específica não varia e o cálculo fica simplificado.

No caso do escoamento compressível, atenção especial deve ser dada para a


chamada velocidade crítica do escoamento, que é a velocidade de propagação do som
no gás nas condições de escoamento. Esta velocidade crítica pode ser calculada pela
Equação 3.4. Nesta equação, vc é calculada em m/s, sendo k=cp/cv igual a 1,4 para
gases diatômicos (ar, H2, O2, N2, CO, NO e HCl), e 1,3 para gases poliatômicos (CO2,
SO2, H2O, H2S, NH3, N2O, Cl2 e hidrocarbonetos). Mais uma vez, MM é a massa
molecular em g/gmol, T é a temperatura absoluta em K e R é a constante universal
dos gases (R=0,08205 l.atm/gmol.K).

kRT
vc  318,28 (3.4)
MM

Um escoamento compressível em uma linha de diâmetro constante só pode ter


sua vazão aumentada por aumento da pressão a montante até o limite da velocidade
crítica. A partir desta velocidade não adianta aumentar a pressão a montante que a
vazão não aumenta. O resultado do aumento da pressão é um escoamento à
velocidade crítica, e um grande ruído e vibração na saída do escoamento. Por esta
mesma razão é que bocais de ejetores são divergentes na saída, de modo a permitir
velocidades acima da crítica no escoamento.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 26

4. ESTÁTICA DOS FLUIDOS

Por definição, um fluido deve deformar-se continuamente quando uma tensão


tangencial de qualquer magnitude lhe é aplicada. A ausência de movimento relativo
implica a ausência de tensões de cisalhamento. Portanto os fluidos em repouso são
capazes de suportar apenas tensões normais. A análise de casos hidrostáticos é, dessa
forma, apreciavelmente mais simples do que a de fluidos em escoamento.

As forças transmitidas por fluidos são importantes em muitas práticas. Usando


os princípios da hidrostática, podemos calcular as forças sobre objetos submersos,
desenvolver instrumentos para a medição de pressão e deduzir propriedades da
atmosfera e dos oceanos. Os princípios da hidrostática também podem ser
empregados para determinar as forças desenvolvidas pelos sistemas hidráulicos em
aplicações como prensas industriais ou freios de automóveis.

Veremos neste capítulo um conceito mais amplo de pressão e algumas


aplicações importantes da estática dos fluidos.

4.1 CONCEITO DE PRESSÃO

A pressão é definida a partir de uma força atuando perpendicularmente sobre


uma superfície, como sendo a relação entre o módulo da força e o valor da área da
superfície.

F
P (4.1)
A

A pressão pode ser exercida por gases, líquido e também por sólidos.

Um gás contido em um recipiente exerce uma força sobre a superfície das


paredes deste recipiente, devido às milhões de colisões das moléculas do gás com
estas superfícies. A intensidade desta força depende da concentração das moléculas
do gás e da sua energia cinética, ou seja, sua temperatura. Esta dependência está
expressa na equação do gás ideal (Equação 3.1), de onde se pode deduzir a Equação
4.2 a seguir:
Introdução à Mecânica dos Fluidos 27

nRT
P  CRT (4.2)
V

Onde C é a concentração molar do gás, em gmol/l.

Um fluido, gás ou líquido, tende a propagar as forças exercidas sobre ele em


todas as direções, gerando pressões sobre as superfícies em contato. Estas forças
podem ser de diversas naturezas, inclusive forças gravitacionais devidas ao peso das
moléculas acima.

Um exemplo de pressão exercida por um sólido é quando a água congela


dentro de um tubo fechado, e quebra-o devido a pressão exercida pela expansão
térmica da água e a contração do tubo.

A referência à pressão está presente em diversas situações de nosso cotidiano.


Normalmente falamos em pressão de pneus ou de óleo de motor, que são vitais para o
uso dos automóveis. Ou então em pressão arterial, tão importante para a nossa saúde.
Sabemos também que a pressão atmosférica é menor nas maiores altitudes, devido ao
menor peso da coluna de ar acima.

O ar tem peso, embora geralmente não pensamos nisso. Por exemplo, um tonel
aberto e vazio de aproximadamente 208 l, contém cerca de 227 g de ar. Por mais leve
quanto possa parecer, a espessura da camada de ar que envolve a terra, que é de
vários quilômetros, desenvolve uma pressão considerável. Sob condições normais,
uma coluna de ar de 1 cm2 de área, e com altura que se estende por vários
quilômetros, pesa cerca l Kgf. Por este motivo, esta coluna de ar exerce a pressão de
aproximadamente 1 Kg/cm2 sobre a superfície da terra ao nível do mar. Assim,
pressão atmosférica pode ser definida como a força exercida pela atmosfera sobre a
superfície da Terra.

A pressão é uma grandeza comum e muito importante no controle e operação


de muitos equipamentos em unidades industriais. Projetos são feitos para evitar
pressões muito elevadas nos equipamentos, pela instalação de malhas de controle de
pressão e válvulas de segurança. Estas últimas devem abrir e aliviar a pressão antes
Introdução à Mecânica dos Fluidos 28

que o equipamento venha a falhar e romper. Durante a operação e manutenção de


unidades industriais, atenção especial deve ser dada a equipamentos e instrumentos
que operam sob pressão.

A unidade de força do SI é o Newton (N) e, assim, a unidade de pressão do SI é


o N/m2, que é denominado de Pascal (Pa). No sistema métrico de engenharia a
unidade usada é o kgf/cm2. A pressão exercida pelo ar atmosférico ao nível do mar,
em condições padronizadas, é chamada de atmosfera padrão, e corresponde à pressão
de 1 atm. Muitas outras unidades existem para pressão, as mais comuns encontram-se
listadas a seguir com as respectivas conversões.

1atm = 101325 Pa

= 1,033 kgf/cm2

= 14,696 lbf/in2 ( psi)

= 1,013 bar

= 760 mmHg

= 10,33 mca

= 406,8 inH2O

Independentemente da unidade de pressão empregada, pode-se referir à pressão


em duas escalas distintas: a escala absoluta e a manométrica (ou efetiva, ou relativa,
ou ainda “gauge”).

A escala absoluta toma como referência para pressão nula a ausência completa
de matéria, isto é, o vácuo absoluto. Esta referência faz sentido pois, se não há
matéria, não há colisões nem forças oriundas destas colisões. Desta forma, a pressão
não pode ser negativa na escala absoluta, pois não se pode conceber uma força menor
que a ausência total de forças (e moléculas). O próprio vácuo absoluto tem se
mostrado uma impossibilidade prática, tendo se conseguido pressões tão baixas
quanto 10-18 atm abs, mas não o vácuo absoluto.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 29

A escala manométrica toma como referência para pressão nula a pressão


atmosférica local. Desta forma sua medida representa a diferença de pressão entre o
ponto medido e o meio externo (atmosfera). A Figura 4.1 apresenta a relação entre as
escalas absoluta e manométrica (efetiva) de pressão. Podemos assim escrever a
relação:

Pressão absoluta = Pressão manométrica + Pressão atmosférica local

Figura 4.1. Unidades e Escalas de Pressão

Tomando como base a Figura 4.1, vamos supor que P1=0,6 kgf/cm2 abs e
P2=1,4 kgf/cm2 abs. Poderia se dizer que P2=0,4 kgf/cm2 man, ou 0,4 kgf/cm2 g
(g=“gauge”=termo inglês para instrumento de medição).

Quanto a P1, pode-se observar que é menor que a pressão atmosférica, o que
significa dizer que é um vácuo. Quando se menciona a expressão "vácuo", não
significa dizer que se tem zero de pressão absoluta, ou vácuo perfeito, mas apenas
uma pressão menor que a atmosférica. Neste caso poderia se dizer que P1= - 0,4
kgf/cm2 man, ou um vácuo de 0,4 kgf/cm2.

Deve-se lembrar ainda que, em instrumentos indicadores de pressão da


indústria e em linguagem de engenharia, só se faz referência a pressões
manométricas. Além disto, é bastante comum ouvir dizer na industria que "o vapor é
Introdução à Mecânica dos Fluidos 30

de 42 kg" ou que "a descarga da bomba está com 3 kg de pressão", o que em


linguagem acadêmica quer dizer 42 kgf/cm2g e 3 kgf/cm2g.

Quanto às pressões absolutas, são largamente usadas para medir pressões muito
baixas (vácuo), pressão atmosférica, e em trabalhos científicos. Pressão absoluta é de
uso obrigatório em muitos cálculos de engenharia, como os que usam as equações do
gás ideal e da termodinâmica. A pressão de vapor, por exemplo, é uma pressão
absoluta. Por esta razão, cuidado especial deve ser tomado para converter leituras
feitas no campo, na escala manométrica, para a escala absoluta, antes de usar estes
dados para cálculos.

O instrumento que mede a pressão atmosférica é o barômetro, por isso a


pressão atmosférica é também chamada de pressão barométrica. As medições
barométricas são pressões absolutas. A Figura 4.2 mostra um barômetro de mercúrio,
enquanto a Figura 4.3 mostra um barômetro aneróide. Observe que ambos precisam
de uma câmara de vácuo como referência, para poderem indicar pressões absolutas.

Figura 4.2. Barômetro de Mercúrio


Introdução à Mecânica dos Fluidos 31

Figura 4.3. Barômetro Aneróide

4.2 EQUAÇÃO BÁSICA DA ESTÁTICA

Pode ser mostrado que a diferença de pressão entre dois pontos (P e P0) de uma
coluna de um fluido de massa específica constante é dada pela Equação 4.3, que é a
equação básica da estática dos fluidos. Esta equação aplica-se a líquidos, mas
também é boa aproximação para gases, quando a pressão não varia muito com a
elevação.

P  P0  gh (4.3)

A aplicação formal da Equação 4.3, sem o uso de fatores de conversão na


equação, requer o uso de unidades consistentes, como as do SI. Desta forma, usando
 em kg/m3, g=9,81 m/s2 e h em m, chega-se a valores de pressão em Pa, que podem
ser convertidos posteriormente em outras unidades. De uma maneira aproximada, a
Equação 4.4 pode ser usada para calcular pressões em kgf/cm2, sendo d a densidade
(adimensional, d=1 para a água a 4oC) e h em m.

dh
P  P0  (4.4)
10
Introdução à Mecânica dos Fluidos 32

O uso destas equações requer ainda atenção especial para o referencial de


elevações usado. A equação aplica-se para dois pontos de um mesmo líquido, em
diferentes elevações. Deve-se adotar o ponto mais alto como referencial zero, no qual
a pressão é P0. O ponto mais baixo tem pressão P, sendo h a diferença de elevações,
que é positiva caso se adote o referencial recomendado acima. Quanto à escala de
pressões usada, pode-se usar tanto a escala absoluta quanto a manométrica, desde que
a mesma escala seja empregada para as pressões P e P0.

A partir da Equação 4.3 podemos chegar ao enunciado de um princípio,


conhecido como Princípio de Stevin, que diz que dois pontos em mesma elevação,
interligados pelo mesmo fluido estático, têm a mesma pressão.

Como exercício, calcule a altura de coluna de mercúrio que a pressão


atmosférica consegue sustentar, em um barômetro de mercúrio. Você deve encontrar
um valor em torno de 760 mm. Daí porque a pressão de 1 atm corresponder à pressão
de 760 mmHg.

O experimento a seguir pode ser empregado para a determinação da diferença


de pressão no escoamento em um tubo. Água escoa no interior do tubo conforme
mostrado na Figura 4.4. Um manômetro de duplo tubo em “U” invertido é usado para
medir a diferença de pressão entre os pontos A e B. Para uma certa condição de
operação, as leituras são h1= 11 cm, h2 = 5 cm, h3 = 10 cm e h4 = 7 cm. Calcule a
diferença de pressões.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 33

ar

água

h1 h3 h4
h2
.
A
.B

Figura 4.4. Manômetro de tubo em “U”

4.3 EMPUXO

A força de empuxo é uma força para cima que um fluido exerce sobre um
corpo nele submerso, seja este corpo no estado sólido, líquido ou gás. Esta força é
uma decorrência direta do fato de a pressão em um fluido ser maior para pontos mais
baixos, devido ao peso da coluna de fluido. Com isso, a força que um fluido exerce
na face inferior de um corpo é maior que na face superior, e a força resultante da ação
do fluido sobre o corpo é para cima. Esta força também pode ser vista como uma
conseqüência da força gravitacional devida ao peso do fluido que foi deslocado pelo
corpo ao ficar submerso. Pode ser mostrado que a força de empuxo é dada pela
Equação 4.5.

E   FLUIDO gVSUBMERSO (4.5)

Mais uma vez, a aplicação formal da Equação 4.5, sem o uso de fatores de
conversão na equação, requer o uso de unidades consistentes, como as do SI. Desta
forma, usando  em kg/m3, g=9,81 m/s2 e V em m3, chega-se a valores de força em
N, que podem ser convertidos posteriormente em outras unidades. A Equação 4.6
pode ser usada para calcular forças de empuxo em kgf, sendo d a densidade
(adimensional, d=1 para a água a 4oC) e V em litros.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 34

E  d FLUIDOVSUBMERSO (4.6)

A força de empuxo é muito importante, sendo a responsável pela flutuação dos


balões, navios e submarinos. De uma maneira geral, se a densidade do corpo é menor
que a do fluido onde o mesmo se encontra, o empuxo é maior que o seu peso e o
corpo tende a subir. Caso contrário, o corpo tende a descer. Na indústria, a força de
empuxo deve ser calculada para o projeto de flutuadores (bóias) de indicadores de
nível, projeto de rotâmetros, densímetros, dentre outros. Ela também é responsável
pela formação de correntes de convecção de fluidos, quando há aquecimento ou
resfriamento do mesmo.

Como exercício, calcule o peso aparente de 1 kg de ferro, d=7,9, totalmente


submerso na água.

Calcular também o peso que um balão de 10 m3, cheio de Hélio (MM=4


g/gmol) pode levantar.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 35

5. DINÂMICA DOS FLUIDOS

Nosso estudo do escoamento de fluidos será feito a partir a descrição de duas


leis fundamentais da natureza, que são as Leis de Conservação da Massa e da
Energia. No estudo de fluidos a Lei de Conservação da Massa recebe o nome de
Equação da Continuidade, e a Lei de Conservação da Energia Mecânica é chamada
de Equação de Bernoulli. Vamos apresentar a seguir a forma destas duas equações.

5.1 EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE

Um conceito importante no estudo do escoamento de fluidos, e da aplicação da


conservação de massa a este escoamento, são as definições de vazão mássica e
volumétrica.

Vazão é a quantidade de fluido que passa por uma tubulação ou equipamento


por unidade de tempo. A vazão é volumétrica (Q) quando a quantidade de fluido é
expressa em unidades de volume. Suas unidades típicas são m3/h, l/min, gpm (galões
por minuto), etc. A vazão é mássica (m) quando a quantidade de fluido é expressa em
unidades de massa. Suas unidades típicas são Kg/h, t/h, g/s, lb/h, etc.

Tomando um escoamento de um fluido de um ponto 1 para um ponto 2, de


acordo com a Figura 5.1. Em regime permanente a vazão mássica que entra no
volume de controle através da seção 1 deve ser da mesma magnitude da que sai do
volume de controle através da seção 2. Caso não fosse assim, estaria havendo um
acúmulo de massa dentro do volume de controle, logo as propriedades (a massa
específica, por exemplo) estariam mudando com o tempo, e o regime de escoamento
não seria permanente.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 36

Figura 5.1. Escoamento de um Fluido através de um Volume de Controle

A partir deste raciocínio podemos escrever as Equações 5.1 e 5.2, válidas para
o regime permanente. Nestas equações, m é a vazão mássica em kg/s,  é a massa
específica em kg/m3, v é a velocidade média na seção reta do escoamento, em m/s, e
A é a área da seção reta do escoamento, em m2. Para um tubo de seção circular a área
A=D2/4.

 
m1  m2 (5.1)

1 v1 A1   2 v2 A2 (5.2)

Se o escoamento é incompressível, 1=2, e neste caso podemos afirmar


também que, em regime permanente, a vazão volumétrica que entra no volume de
controle através da seção 1 deve ser da mesma magnitude da que sai do volume de
controle através da seção 2. As Equações 5.3 e 5.4 são então válidas, onde Q é a
vazão volumétrica em m3/s.

Q1  Q2 (5.3)

v1 A1  v2 A2 (5.4)
Introdução à Mecânica dos Fluidos 37

O escoamento de um líquido através de um bocal de redução, por exemplo, tem


sua velocidade aumentada na seção 2, devido à redução da área de seção reta de
escoamento, de modo a manter a igualdade de vazões volumétricas estabelecidas
pelas Equações 5.3 e 5.4. Esta observação pode ser feita em uma situação comum de
estrangulamento de uma mangueira de água de um jardim.

5.2 EQUAÇÃO DE BERNOULLI

A Equação de Bernoulli é uma aplicação da conservação da energia mecânica à


situação descrita na Figura 5.1. A rigor, todo escoamento acontece com algum atrito
e, logo, há alguma dissipação da energia mecânica. Há situações, porém, onde esta
dissipação de energia é mínima, como no escoamento através de trechos curtos de
tubulação ou equipamentos.

A Equação de Bernoulli é apresentada nas Equações 5.5 e 5.6, sendo válida


para escoamento incompressível. A Equação 5.5 apresenta os termos da energia
mecânica na forma de energia por unidade de massa de fluido escoada na seção, que
tem unidade de J/kg no SI. A Equação 5.6 apresenta os termos da energia mecânica
na forma de energia por unidade de peso de fluido, que tem unidade de m no SI.

P1 v12 P v2
  gh1  2  2  gh2 (5.5)
 2  2

P1 v12 P v2
  h1  2  2  h2 (5.6)
 2g  2g

Onde =g é o peso específico do fluido. Mais uma vez a aplicação formal das
Equações 5.5 e 5.6, sem o uso de fatores de conversão nas equações, requer o uso de
unidades consistentes, como as do SI. Desta forma, deve ser usado  em kg/m3,
g=9,81 m/s2, h em m, pressão em Pa, e velocidades em m/s. De uma maneira
aproximada, a Equação 5.7 pode ser usada, que usa pressões em kgf/cm2, sendo d a
densidade (adimensional, d=1 para a água a 4oC) e h em m.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 38

10.P1 v12 10.P2 v22


  h1    h2 (5.7)
d 20 d 20

Mais uma vez, o uso destas equações requer ainda atenção especial para o
referencial de elevações usado. A equação aplica-se para dois pontos de um fluido
escoando. A altura h refere-se à elevação da linha de centro do escoamento em cada
seção. Deve-se adotar o ponto mais baixo como referencial zero, o que conduz a uma
elevação h positiva no ponto mais alto. Quanto à escala de pressões usada, pode-se
usar tanto a escala absoluta quanto a manométrica, desde que a mesma escala seja
empregada para as pressões P1 e P2.

Uma observação interessante é que a Equação de Bernoulli se reduz à Equação


Básica da Estática (Eq. 4.3) no caso de ausência de escoamento, isto é, velocidades
iguais a zero.

5.3 EQUAÇÃO DA ENERGIA

A Equação de Bernoulli pode ser ampliada para considerar o termo de


dissipação de energia por atrito, comumente chamado de perda de carga (hL ou HL).
Esta dissipação em geral irá acarretar pequeno aumento na energia interna do fluido
(temperatura), que eventualmente pode até ser perdida para o ambiente. Outro termo
incluído em uma Equação da Energia é o trabalho (w ou W) realizado sobre o fluido,
ou pelo fluido, durante o escoamento. Este trabalho será positivo quando é fornecida
energia ao fluido por intermédio de uma bomba ou compressor, e é negativo quando
o fluido fornece energia para o ambiente, como no caso de uma turbina. As
correspondentes Equações da Energia estão apresentadas nas Equações 5.8 e 5.9,
onde os termos da Equação 5.8 estão em J/kg, enquanto os da Equação 5.9 estão em
m.

Para se obter a potência de acionamento a partir da energia w calculada pela


Equação 5.8, deve-se multiplicar w pela vazão mássica do escoamento, conforme
Equação 5.10.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 39

P1 v12 P v2
  gh1  w1  2  2  gh2  hL (5.8)
 2  2

P1 v12 P v2
  h1  W1  2  2  h2  H L (5.9)
 2g  2g


Pot  w. m (5.10)

5.4 PERDA DE CARGA

A perda de carga é a perda de energia mecânica que um fluido sofre durante o


escoamento em uma tubulação ou equipamento, devido ao atrito das moléculas do
fluido entre si e com a superfície da tubulação ou equipamento. Na Figura 5.2, o
manômetro P1 indica maior pressão estática que P2, podendo-se determinar uma
certa perda de carga (P ou variação de pressão) referente ao comprimento L da
tubulação. Neste caso a altura h permanece constante, e a velocidade também é
constante de acordo com a equação da continuidade, uma vez que o diâmetro da
tubulação é uniforme. Logo, de acordo com a Equação da energia, a perda de carga
irá influenciar em uma diminuição da pressão.

Figura 5.2. Perda de Carga em um Escoamento Horizontal

A perda de carga em tubulações é determinada pelos seguintes fatores:

a) comprimento, rugosidade, diâmetro e acidentes de tubulação;

b) viscosidade e densidade do fluido;

c) vazão.

As Equações 5.11 e 5.12 calculam estas perdas de carga para uso nas Equações
5.8 e 5.9, respectivamente. O f é o fator de atrito de Darcy, que é uma função do
número de Reynolds e da rugosidade relativa da tubulação, definida como a relação
Introdução à Mecânica dos Fluidos 40

entre a rugosidade absoluta  e o diâmetro interno (/D). Esta função para o cálculo
do fator de atrito é fornecida, em geral, através do Diagrama de Moody, apresentado
na Figura 5.3.

L v22
hL  f  (5.11)
D 2

L v22
HL  f  (5.12)
D 2g

A rugosidade  é o grau de aspereza interna da tubulação. Na realidade, não


existe superfície de tubulação perfeitamente lisa pois qualquer superfície apresenta
rugosidade. Materiais como cobre, alumínio, vidro e plásticos permitem a
manufatura de tubos bastante lisos, ou seja, pouco rugosos. A rugosidade de uma
tubulação aumenta com o uso, devido à corrosão, a incrustação e sedimentação.
Quanto maior a rugosidade, maior será o atrito e logo, maior será a perda de carga.

Figura 5.3. Diagrama de Moody


Introdução à Mecânica dos Fluidos 41

Acidentes são válvulas, joelhos, conexões e outros acessórios que se encontram


na tubulação. Cada acidente provoca uma perda de carga determinada. Por exemplo:
uma válvula globo provoca uma perda de carga cerca de 50 vezes maior que uma
válvula gaveta, e 11 vezes maior que um cotovelo comum.

A Tabela 5.1 mostra o que ocorre com a perda de carga ao se dobrar o valor
dos fatores que a influenciam, mantendo constantes os demais.

Tabela 5.1. Variação da Perda de carga ao dobrar os Fatores influentes

Fatores Variação da perda de carga


Vazão 4 vezes maior
comprimento 2 vezes maior
rugosidade 25% maior
Diâmetro 32 vezes menor
Viscosidade 2 vezes maior (típico de escoamento turbulento)
Densidade 2 vezes maior

De acordo com a tabela, o fator de maior influencia é o diâmetro uma vez que
ao se dobrar o diâmetro mantendo constante os demais fatores, a perda de carga
diminui cerca de 32 vezes.

A perda de carga em equipamentos é influenciada pelos mesmos fatores que a


perda em tubulações. Um trocador de calor precisa de turbulência para melhorar a
sua troca de calor, implicando altas perdas de carga. Filtros, por terem pequena área
para escoamento, também provocam altas perdas de carga. De forma geral, numa
indústria, as maiores perdas de carga são devidas aos equipamentos e válvulas de
controle automático do que às tubulações.

5.5 APLICAÇÕES

Usaremos, neste item, as equações apresentadas para a análise de situações


práticas de interesse.

5.5.1. MEDIDOR VENTURI


Introdução à Mecânica dos Fluidos 42

Um medidor tipo venturi é um medidor de vazão de boa precisão, que tem seu
princípio de funcionamento baseado na queda de pressão decorrente da diminuição da
área de seção transversal de um escoamento, conforme mostrado nas Figura 5.4 e 5.5.
Construtivamente um venturi é um bocal convergente-divergente cuidadosamente
construído para minimizar a turbulência e a dissipação de energia por atrito. Para isto
as variações de área são graduais e a superfície interna é polida, de modo que pode-se
considerar a perda de carga desprezível para uma análise preliminar.

De acordo com a equação da continuidade, uma redução da área de seção


transversal de um escoamento acarreta aumento da velocidade. Usando a Equação 5.5
para h1=h2, temos que um aumento de v2 implica em diminuição de P2, conforme
mostrado na Figura 5.4. Assim, uma medição da pressão diferencial (P1-P2) permite
um cálculo da vazão do escoamento, através da determinação das velocidades v1 e v2
nas Equações 5.4 e 5.5.

Figura 5.4. Diagrama Esquemático de um Medidor Venturi


Introdução à Mecânica dos Fluidos 43

Figura 5.5. Medidor Venturi

A equação final para o cálculo da vazão mássica de um medidor venturi é


mostrada na Equação 5.6, onde =d/D e At=.d2/4. O fator C é o coeficiente de
descarga, que leva em conta a dissipação de energia e, no caso do venturi, está entre
0,98 e 0,995. Observe que a queda de pressão no medidor é proporcional ao quadrado
da vazão mássica e, analogamente, é necessário extrair a raiz quadrada da queda de
pressão para se calcular a vazão. Esta é uma prática conhecida em instrumentos de
medição de área variável, e decorre do termo quadrático da velocidade na equação da
energia.

(5.6)

5.5.2. EDUTORES E EJETORES

O princípio de um edutor é o mesmo de um venturi, sendo que a queda de


pressão da redução de área é usada para promover um vácuo, que pode ser
empregado no transporte de fluidos e no estabelecimento de condições operacionais
desejadas. Um fluido motriz é usado no escoamento principal do equipamento para
promover o vácuo, que é transferido a um sistema através da tomada próxima da
garganta. Quando o fluido motriz é um líquido o equipamento é chamado edutor,
enquanto que para um gás ou vapor é chamado de ejetor. A Figura 5.6 mostra
algumas aplicações destes equipamentos.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 44

5.5.3. PLACAS DE ORIFÍCIO

Uma placa de orifício é um medidor de vazão que consiste em um orifício


instalado na linha de escoamento, com medição da pressão diferencial através do
orifício, conforme mostra a Figura 5.7. O princípio da medição neste caso é,
filosoficamente, o mesmo do venturi, que é o de promover uma restrição de área de
escoamento e, com isso, uma redução da pressão devido ao aumento da velocidade. O
cálculo de uma placa de orifício, porém, é bastante mais complicado que o de um
venturi, devido ao turbilhonamento das linhas de corrente que decorrem da restrição
brusca causada pela placa.

A equação final para o cálculo da vazão mássica de um medidor de placa é a


mesma Equação 5.6, sendo o coeficiente de descarga (C) bastante mais complicado.
Para orifícios concêntricos e tomadas de canto, por exemplo, o valor de C depende de
, que é a relação entre o diâmetro do orifífio e o do tubo, sendo dado pela Equação
5.7.

(5.7)

Figura 5.6. Aplicações de Edutor e Ejetor


Introdução à Mecânica dos Fluidos 45

Figura 5.7. Placa de Orifício

5.5.4. DETERMINAÇÃO DO SENTIDO DO ESCOAMENTO

Um escoamento real acontece sempre com alguma perda de carga, por mínima
que seja, devido à dissipação de energia por atrito. A energia mecânica, assim, não se
conserva, sendo maior no ponto de origem e menor no ponto final do volume de
controle analisado. Um escoamento onde não há energia externa sendo adicionada
pode ter seu sentido determinado, assim, calculando-se sua energia mecânica, na
forma apresentada na Equação 5.5. O ponto de maior energia mecânica é a origem do
escoamento.

Como exercício, tomemos o tubo inclinado de diâmetro uniforme mostrado na


Figura 5.8. Água está escoando neste tubo e as pressões nos pontos A e B são 1,7
kgf/cm2 man e 1,3 kgf/cm2 man, respectivamente. Qual o sentido do escoamento?
Introdução à Mecânica dos Fluidos 46

PI

.
B

7m

PI

.
A

Figura 5.8. Escoamento em um tubo inclinado

Uma análise do problema à luz da equação da energia mostra que o escoamento


é de B para A. Neste caso, de um ponto de menor pressão para um de maior pressão,
o que não deve causar nenhuma surpresa. Escoamentos não acontecem de uma maior
altura para uma menor, ou de maior pressão para menor, necessariamente.

5.5.5. TUBO PITOT

Um tubo de Pitot é um instrumento usado para medir a velocidade de


escoamento de um fluido, sendo bastante usado para o ar em aplicações de
aeronáutica. Todas as aeronaves têm tubos Pitot instalados na fuselagem para medir a
velocidade de vôo. O esquema típico de um Pitot é mostrado na Figura 5.9.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 47

Figura 5.9. Tubo de Pitot Estático

A aplicação da Equação 5.4 para calcular a velocidade do fluido é bastante


simples, analisando o escoamento na sua linha de centro, ao verificar-se que as
velocidades nos pontos A e B são nulas devido ao contato com o tubo estagnado.
Assim, a velocidade do fluxo livre do fluido pode ser calculada através da Equação
5.8.

2( P2  P1 )
v1  (5.8)

A pressão P2 é chamada de pressão de estagnação, e a diferença de pressão (P2-


P1) de pressão dinâmica. Observe que a estagnação do fluxo converte a energia
cinética do fluido em energia de pressão, e com isso a pressão sobe de P1 para P2.

5.5.6. CARNEIRO HIDRÁULICO E MARTELO HIDRÁULICO

São muitas as situações onde a energia cinética é convertida em energia de


pressão no escoamento de fluidos. Um jato de água de uma mangueira de incêndio
sobre um homem causa uma força que pode derrubá-lo. Um dispositivo chamado de
carneiro hidráulico pode ser instalado em um rio para aproveitar a energia cinética da
corrente e tranformá-la em energia de pressão e energia potencial gravitacional,
elevando a água acima do nível do rio. Este dispositivo está apresentado na Figura
5.10.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 48

Figura 5.10. Carneiro Hidráulico

Outra situação similar surge quando o fluxo de um líquido é interrompido de


forma brusca através de qualquer obstáculo na tubulação, como por exemplo o
fechamento rápido de uma válvula. Neste caso ocorre uma série de ondas de choque
cujo som correspondente lembra batidas de martelo. Estas ondas de choque são
provocadas pela transformação de energia cinética do líquido em pressão, gerando
um esforço adicional contra as paredes internas da tubulação. Este fenômeno é
chamado de martelo hidráulico. Também recebe este nome a mudança brusca do
estado de vapor para líquido nas tubulações de vapor d'água, quando este passa por
trechos frios na tubulação, sendo acompanhado de som característico.

5.5.7. SIFÃO E ESCOAMENTO POR UM ORIFÍCIO

O escoamento por um sifão ou um orifício em um vaso podem ser tratados de


forma aproximada através da Equação 5.4. Na Figura 5.11, a velocidade de saída do
líquido é associada à variação de energia potencial gravitacional através da Equação
5.9. Pode-se verificar também que a pressão no ponto A é um vácuo.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 49

v1  2gh1 (5.9)

h2

h1
1

Figura 5.11. Sifão

5.5.8. POTÊNCIA DE BOMBEAMENTO

A potência requerida para bombeamento de um fluido, em um sistema qualquer


como o apresentado na Figura 5.12, pode ser determinada através do cálculo do termo
w e da Potência, através das Equações 5.8 a 5.12. Esta discussão será concluída
apropriadamente no Módulo de Bombas.

5.5.9. ANÁLISE DA CAVITAÇÃO

A análise das condições de sucção de uma bomba deve ser feita empregando as
Equações 5.8 e 5.10, por exemplo, de modo a determinar a pressão na sucção da
bomba e, finalmente, se há risco de vaporização na bomba (cavitação). Esta discussão
será concluída apropriadamente no Módulo de Bombas.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 50

Figura 5.12. Sistema de Bombeamento


Introdução à Mecânica dos Fluidos 51

6. TUBULAÇÕES

Tubulações são condutos fechados, usados no escoamento de fluidos. As


tubulações são geralmente de seção circular, com espessura variável de acordo com a
pressão de trabalho. O termo tubulação engloba os tubos e seus acessórios.

A maioria dos tubos são metálicos, principalmente ferrosos, como aço carbono,
aço ligas, aço inox, ferro fundido e ferro forjado.

Os tubos metálicos não ferrosos são de: cobre, bronze, latão, níquel, chumbo,
alumínio, titânio, etc.Há ainda tubos de vidro, plástico, cimento-amianto, cerâmica,
borracha, concreto etc.

Os tubos podem ser feitos também de parede dupla, em que uma das paredes
serve como revestimento protetor como por exemplo tubos de aço ou de ferro fundido
revestidos de chumbo, estanho, borracha, plásticos, etc, de acordo com a resistência à
corrosão desejada.

Outra característica importante dos tubos é a presença ou não de costura


decorrente do processo de fabricação.

6.1. Bitolas e espessuras


Bitola é a referência às dimensões do tubo. Coincide com o diâmetro externo
com mais de 14", e aproxima-se do diâmetro interno para menores que 12". As
bitolas comerciais em polegadas são: 1/8, 1/4, 3/8, 1/2, 3/4, 1, l 1/4, l 1/2, 2, 3, 4, 6, 8,
10, 12... 30. Tubos acima de 30" só são fabricados por encomenda, e normalmente
são costurados.

Os tubos de aço são manufaturados com diâmetro de 1/8" até 30", sendo que os
de aço inox só até 12". A espessura das paredes dos tubos são padronizadas de duas
formas. Uma das formas classifica os tubos em números denominados Schedule.
Quanto maior o Schedule, maior é a espessura da parede, permitindo uma
especificação mais rigorosa. Esta padronização tem os seguintes números: 10, 20, 30,
Introdução à Mecânica dos Fluidos 52

40, 60, 80, 100, 120, 140 e 160 o Schedule 40 corresponde a tubos padrões, sendo o
mais utilizado.

A segunda forma de padronização de espessura é usada nos tubos de metais


não ferrosos e outros, e utiliza as letras K, L e M. As maiores espessuras são do tipo
K.

9.2. Material vs Aplicação


Os tubos de aço carbono são os mais utilizados na indústria. Só não são usados
para produtos corrosivos, altas e baixas temperaturas. Nestes casos especiais usam-se
os tubos de aço-liga da seguinte forma: ligas de Cr e Mo para altas temperaturas e Ni
para baixas temperaturas.

O aço inoxidável é ainda mais resistente à corrosão que o aço-liga.

Os tubos de ferro-fundido são usados em água doce e salgada, esgotos e outros


serviços de baixa pressão e sem grandes esforços mecânicos. O cobre e suas ligas
como o latão (Cu-Zn), bronze (Cu-Sn), Monel (Ni-Cu), Admiralty (Cu-Zn-Sn) são
usados para aquecimento de linhas, ar comprimido, tubos de pequenos diâmetros, alta
corrosividade etc.

O chumbo é utilizado em instalações auxiliares de água, esgoto e ácidos, álcalis


e outros meios corrosivos. Os plásticos permitem a manufatura de tubos flexíveis, e
independente da flexibilidade, estes tubos apresentam alta resistência à corrosão.
Porém, apresentam baixa resistência mecânica e ao calor. A maioria só pode ser
usada abaixo de 100C.

9.3 Acessórios de Tubulação


Cada tipo de acessório tem sua finalidade conforme descriminado abaixo:

a) Curvas e joelhos mudam o sentido do escoamento. As curvas podem ser de raio


curto ou longo, e com ângulos de 45, 90 e 180o. Os joelhos são fabricados com 45 e
90o.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 53

b) T’s, peças em Y, cruzetas, selas e anéis de reforço, fazem derivação no


escoamento. Além dos tês normais, encontram-se os de 45o e os de redução,
conforme ilustrado abaixo.

c) Buchas e reduções mudam o diâmetro do tubo. As reduções podem ser


concêntricas ou
excêntricas como mostrado na próxima figura.

d) As Uniões de tubos podem ser na forma de luvas, uniões, niples e flanges. As


ligações também conectam os tubos a válvulas, acessórios e equipamentos. As
ligações podem ser feitas por vários meios, assim tem-se ligações rosqueadas,
flangeadas, soldadas, ponta e bolsa, e de compressão. O tipo de ligação é função do
material do tubo, pressão, temperatura, fluido, diâmetro, segurança, custo,
manutenção e localização.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 54

e) Caps, bujões e flanges cegos fecham extremidades de tubos.


Introdução à Mecânica dos Fluidos 55

f) Raquetes e figura-8 isolam trechos de tubulação e equipamentos conforme


ilustrado abaixo.

g) Drenos e respiros - são pequenas derivações com válvula instaladas nos pontos
baixos das linhas, para a drenagem dos tubos (drenos), como mostra a figura da
página 16. Analogamente, em todos os pontos altos deve também haver uma
pequena derivação com válvula, que são os respiros (vents). Chama-se ponto baixo,
um trecho de linha situada em cota de nível inferior aos trechos adjacentes. Da
mesma forma, ponto alto é um trecho de linha em nível superior aos adjacentes.
Os drenos são usados também para esvaziar as linhas após serviços de manutenção
ou modificação, etc. Os vents têm duas funções: 1) admitir o ar, quando se esvazia a
linha, evitando a formação de vácuo, e; 2) expelir o ar quando se enche a linha.
Portanto, os drenos e os vents são obrigatórios em todas as tubulações, para líquidos
ou para gases, quaisquer que sejam o seu diâmetro, material ou finalidade.
A válvula pode ser de gaveta (para líquidos em geral), macho (para gases), ou de
esfera (para serviços corrosivos). Geralmente um bujão rosqueado é instalado na
extremidade livre da válvula, para evitar possíveis vazamentos bem como a entrada
de poeira e detritos na válvula.
Nas linhas de gases liqüefeitos, os drenos e vents são providos de duplo bloqueio,
com um trecho entre as duas válvulas, para permitir o fechamento no caso de
congelamento da válvula da extremidade, devido a descompressão súbita do gás para
a atmosfera. O duplo bloqueio pode também é usado, como medida de segurança, em
linhas de fluidos perigosos.
Além disso, os drenos também são instalados acima de válvulas de retenção situadas
em linhas verticais, para permitir esvaziamento.
O diâmetro mínimo dos drenos e respiros é de 3/4”

h) Suportes
São os dispositivos destinados a suportar os pesos e os demais esforços exercidos
pelos tubos ou sobre os tubos, transmitindo esses esforços diretamente ao solo, às
estruturas vizinhas, a equipamentos ou, ainda, a outros tubos próximos.
Introdução à Mecânica dos Fluidos 56

REFERÊNCIAS

1. Luiz Alberto Falcon de Castro. Apostila de Escoamento de Fluidos

2. Fox, Robert W.; Mcdonald, Alan T. Introduçao à Mecanica dos Fluidos. 4a Ed. ,
LTC Editora, 1998.

3. Feynman, Richard P. Física em Seis Lições, 1999

4. Halliday and Resnick, Fundamentos da Física. 1. Mecânica. 1994

5. Ingrid Alexandra Zech, Apostila Dimensionamento de Tubulações. Petroquisa,


1983.