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Conteúdos: como se aprende

Geralmente utilizamos o termo “conteúdos” quando tratamos dos


conhecimentos específicos das disciplinas ou matérias escolares. Mas, se
nos atermos a uma concepção educativa integral, os “conteúdos” não estão
condicionados unicamente às disciplinas ou matérias tradicionalmente
conhecidas, mas abrange além das capacidades cognitivas, as motoras,
afetivas, de relação interpessoal e de inserção social.
César Coll (1986) propôs um agrupamento de “novos conteúdos”, que
seriam: conceituais, procedimentais e atitudinais. Esta divisão
corresponderia as seguintes questões:

- O que devemos saber;


- Como devemos fazer?
- Como devemos ser?

Os conteúdos conceituais estão relacionados com conceitos


propriamente ditos e dele ramifica-se os conteúdos factuais, ou seja, os
conhecimentos relacionados aos fatos, acontecimentos, dados, nomes e
códigos.
Os conteúdos conceituais são mais abstratos, eles demandam
compreensão, reflexão, analise comparação. As condições necessárias
para a aprendizagem dos conteúdos conceituais demandam atividades que
desencadeiem um processo de construção pessoal, que privilegie
atividades experimentais que acionem os conhecimentos prévios dos alunos
promovendo atividade mental. Para tanto, as aulas meramente expositivas
que lance mão apenas da memorização, não darão conta.
Já, os conteúdos procedimentais envolvem ações ordenadas com um
fim, ou seja, direcionadas para realização de um objetivo, aquilo que se
aprende a fazer, fazendo, como: saltar, escrever com letra cursiva,
desenhar, cozinhar, dirigir-podem ser chamados de regras, técnicas
métodos, destrezas ou habilidades.
Os conteúdos atitudinais podem ser agrupados em: valores, atitudes
ou normas. Dentre esses conteúdos podemos destacar a título de exemplo:
a cooperação, solidariedade, trabalho em grupo, gosto pela leitura, respeito,
ética. Vale ainda salientar que esses conteúdos estão impregnados nas
relações afetivas e de conivência que de forma alguma podem ser
desconsiderados pela escola como conteúdos importantes de serem
trabalhados.

Assim, Coll (1997) propõe que os conteúdos:


 Factuais e Conceituais - que correspondem ao compromisso
científico da escola: transmitir o conhecimento socialmente
produzido.
 Atitudinais - (normas e valores)- que correspondem ao
compromisso filosófico da escola: promover aspectos que nos
completam como seres humanos, que dão uma dimensão
maior, que dão razão e sentido para o conhecimento científico.
 Procedimentais - que são os objetivos, resultados e meios para
alcançá-los, articulados por ações, passos ou procedimentos a
serem implementados e aprendidos.

A escola deve, portanto, coordenar (Filosofia) e conhecimento


científico ( Ciência) para instrumentalizar-se teórica e praticamente.

Texto elaborado a partir do livro de Antoni Zabala: A prática educativa – Ed.


Artmed, de 1998.

Para refletir...

Re-significar a compreensão dos professores acerca dos conteúdos é


fundamental quando se pretende empreender práticas pedagógicas que
favoreçam a aprendizagem dos alunos. Se diferentes conteúdos se
aprendem de diferentes formas, não podemos organizar uma rotina
pedagógica que desconsidere tal diferenciação.
O planejamento das rotinas de sala de aula devem considerar as
exigências sociais do contexto atual e suas demandas como também
promover um ensino significativo para os alunos articulando os conteúdos
factuais, procedimentais, conceituais e atitudinais de maneira eficiente
abandonando a dimensão informativa, a fim de alcançar um espaço
verdadeiramente formativo.
Não poderemos tornar uma atividade significativa se não
considerarmos os conteúdos que pretendemos ensinar, para que a prática
educativa seja realmente significativa para os alunos caberá ao professor
conhecer respeitar os saberes que os alunos já tem, ter clareza do que se
pretende ensinar, considerar a diversidade de saberes existentes na sala de
aula, conhecer diferentes estratégias de ensino com planejamento de
intervenções pontuais para que seus alunos avancem em suas
aprendizagens , como apontava Vygotsky (1979) caberá ao professor atuar
na zona de desenvolvimento proximal, contribuindo para que o aluno supere
os desafios propostos, avançando sempre.
Tudo isso passa por um processo que se inicia mesmo antes da
seleção dos conteúdos, tem início nas “Expectativas de Aprendizagem”
temos para cada novo ano letivo.
Conforme afirma Coll (2006): “a aprendizagem é uma construção pessoal
que o aluno realiza com ajuda que recebe de outras pessoas”. O autor exprimiu os
diferentes tipos de conteúdos da seguinte apresentando o seguinte esquema:

Conteúdos Atividades de aprendizagem


factuais repetições verbais
conceituais experiências
procedimentais aplicações e exercícios
atitudinais experiências com componentes
afetivos
Livro: O construtivismo na sala de aula de César Coll – Editora Ática

A AVALIAÇÃO E OS CONTEÚDOS CONCEITUAIS, PROCEDIMENTAIS


E ATITUDINAIS.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, ao se efetivar uma


avaliação, deve-se considerar os Conteúdos Conceituais, Procedimentais e
Atitudinais como componentes que promovem as capacidades motoras, de
equilíbrio, de autonomia, de relação interpessoal e de inserção social.

O professor, em sua prática pedagógica, deve ter consciência de que


essas dimensões são objetos de aprendizagem que estão presentes em
todas as atividades e contribuem para o desenvolvimento da capacidade
dos alunos para uma participação ativa e transformadora, sendo necessário,
portanto, observar-se o tratamento, a seleção e a organização que são
dados a esses componentes essenciais no processo avaliativo.

1 .Avaliação dos Conteúdos Conceituais

A aprendizagem dos Conteúdos Conceituais envolve a abordagem de


conceitos, fatos e princípios que possam conduzir o aluno à representação
da realidade, operando através de símbolos, idéias, signos e imagens. Para
isso, o aluno precisa adquirir informações e vivenciar situações-problema
que lhe permitam a aproximação de novos conhecimentos, que o conduzam
à construção de generalizações parciais e que, ao longo de suas
experiências, possibilitar-lhe-ão a elaboração de conceitos mais
abrangentes.
2 -Avaliação dos Conteúdos Procedimentais

Os Conteúdos Procedimentais devem proporcionar aos alunos autonomia


para analisar e criticar os resultados obtidos e os processos colocados em
ação para atingir as metas a que se propõem nas atividades escolares.

A consideração dos Conteúdos Procedimentais no processo de ensino é de


fundamental importância, uma vez que permite incluir conhecimentos que
têm sido tradicionalmente excluídos do ensino, como documentação,
organização, comparação dos dados, argumentação, verificação, revisão de
textos escritos, dentre outros tantos e inumeráveis fatores.

3. Avaliação dos Conteúdos Atitudinais

Os Conteúdos Atitudinais desenvolvem normas e valores que permeiam


todas as ações educativas. A não compreensão desses valores pelos
educadores conduz os educandos à aquisição de conhecimentos que não
favorecem a formação de boas atitudes, restringindo o conhecimento
apenas ao âmbito puramente conceitual. Nesses conteúdos é possível e
necessário identificar as dimensões procedimentais, atitudinais e
conceituais, com a finalidade de que o processo de ensino e aprendizagem
não se restrinja ao módico processo de reprodução das coisas.

Não se pode aqui tratar dessas questões sem que se traga à luz da
discussão exemplificações, de modo que todos os conteúdos devem ser
trabalhados de forma integrada e o professor deve ter esta intencionalidade
mediante qualquer tema ou assunto trabalhado em sala de aula, levando-se
em consideração os critérios que deverão ser avaliados dentro destas três
dimensões acima citadas.

Para se desenvolver a temática de poluição ambiental, deve-se levar em


conta, por exemplo:

A. Conteúdos Conceituais:

- Detectar os tipos de poluição que prejudicam o meio ambiente;

- Identificar as causas que provocam a poluição;

- Identificar o tempo de desgaste dos materiais poluentes;

- Analisar as conseqüências.
B. Conteúdos Procedimentais:

- Desenvolver pesquisas sobre o tema e compartilhar as informações


coletivamente;

- Observar às causas e interferir nos efeitos da poluição;

- Aprender formas de aproximar-se de informação para verificar hipótese.

C. Conteúdos Atitudinais:

- Conscientizar-se da importância de se preservar o meio ambiente;

- Utilizar diferentes fontes de informações, como forma de combate à


poluição;

- Sentir-se parte integrante e ser responsável pela qualidade do meio em


que vive.

Não basta que se vincule as ações desses conteúdos, mas que se


proponha à dinamização da integração dessas ações, de maneira que se
distribua, canalize e tenha resultados que possam estar interligados aos
fatores de conservação da idéia natural de educar, de mediar os
conhecimentos através de uma metodologia didática de conhecimento e de
informação, para que não se faça do sistema de avaliação uma ‘arma’
metodológica de punição, como se tem feito até muito pouco tempo atrás.
O nobre e inglório copidesque

Depois de uma coluna dupla sobre tradução, Cindy Leopoldo segue mostrando como funciona um
departamento editorial e fala agora sobre o copidesque

Cindy Leopoldo

MAKING OF 14/09/2010

Em primeiríssimo lugar, quero aproveitar o tema para agradecer muitíssimo à profissional que
copidesca todas as minhas colunas, Letícia Féres.

Após isso, seguindo, dentro de uma editora, o trajeto do texto que busca se tornar o que outrora
chamou-se livro (e que agora tende a aplicativo), chegamos na tarefa que considero mais inglória:
o copidesque ou preparação. Digo inglória, porque é um trabalho que não raramente é bastante
exaustivo e quanto melhor você o fizer, mais elogios receberão outras pessoas (o autor, o tradutor,
o editor). É um daqueles trabalhos que são valorizados por sua invisibilidade, como o design, por
exemplo.

Diferentemente do tradutor, que tem seu nome na página de rosto ou até mesmo na capa, ganha
aproximadamente entre R$ 15 e R$ 40 por lauda, tem associações de apoio (como Sintra ou
Abrates), prêmios (como o Jabuti), graduação voltada para a área e diversas pesquisas
acadêmicas, o profissional de copidesque (chamado de “copidesque” ou “copy”) tem seu nome, na
melhor das hipóteses, em letras minúsculas na página 4 (ou “de créditos”), ganha
aproximadamente entre R$ 3 e R$ 8 por lauda, não tem associações de apoio e, no geral, os
cursos não ultrapassam o nível de “extensão”.

E pode piorar: o trabalho do copy tem um escopo variável e subjetivo. Varia de editora para editora
ou mesmo de texto para texto dentro de uma mesma editora. Pode ser chamado “preparação de
originais”, “revisão de tradução”, “edição de texto” ou até genericamente “revisão”, cada editora
define se considera cada uma dessas como tarefas diferentes ou não. (Aí entramos em uma
questão que eu considero extremamente importante na indústria editorial, que é o altíssimo grau de
subjetividade no estabelecimento de terminologias. Afinal, se cada editora chama um profissional
ou uma tarefa de maneira diferente, fica muito difícil estabelecer treinamentos, plano de carreiras e
salários, certificações de qualidade, premiações etc. Mas, ok, isso é outra coluna.) E as definições
de cada uma sempre esbarram na outra, por exemplo:

- A preparação, frequentemente utilizada para livros nacionais, pode consistir em “deixar o texto
com cara de livro” (por exemplo, dividir em capítulos, retirar ou criar notas, colocar o texto com
vocabulário e estrutura mais próximos do jornal do que do texto acadêmico ou do post de blogue
etc.);

- A revisão de tradução costuma ser “uma melhorada na tradução” (por exemplo, cotejar linha por
linha o texto em português com o original, traduzir novamente os trechos sem sentido ou distantes
da estrutura do português, traduzir o que o tradutor não traduziu etc.);

- A edição de texto pode ser para “focalizar o texto” (por exemplo, definir uma ou mais gramáticas e
acordar o texto a elas, esclarecer ambiguidades etc.);
- A revisão geralmente significa “não mexer muito no texto, dar uma olhada geral pra ver se passou
algum erro de digitação” (por exemplo, buscar pastéis, padronizar disposição do texto, conferir
peso dos títulos, rever cabeços etc.). Dentro deste item, surgiu recentemente a “revisão de
reforma”, que é “exclusivamente” para adequar o texto à reforma ortográfica atual.

Na minha experiência prática fazendo frilas de copidesque, porém, o que eu vejo é que quem te
passa o trabalho está esperando que você faça tudo o que está enumerado acima. Deixe um
pastel passar em uma revisão de reforma ou um salto de tradução em uma edição de texto, ou não
esclareça ambiguidades em uma preparação, ou deixe de colocar na nova ortografia o texto de
uma revisão de tradução e você poderá confirmar (ou não) o que estou dizendo. No geral, esses
termos servem apenas como dicas sobre o que esperam do profissional que vai trabalhar o texto:

- Preparação: Não necessariamente você precisa ter níveis avançados de conhecimento de


qualquer outro idioma que não o português, pois o texto está ainda em um nível anterior ao que a
editora considera como um “original” a ser trabalhado. Como é uma tarefa inicial, quase pré-
cronograma, o prazo costuma ser bastante flexível. Mas, claro, sem deixar passar nenhum erro.

- Revisão de tradução: Obrigatoriamente, você precisa ser fluente no idioma do original e tem que
ter boas noções de tradução. O prazo não será tão flexível quanto o da preparação, porque é uma
tarefa que não foi planejada quando da definição do cronograma de publicação. Mas também não
será um prazo tão apertado, porque quem está te passando o trabalho leu o texto e sabe bem
quais são os problemas dele. Ah, e, claro, você não pode deixar passar nenhum erro.

- Edição de texto: Você precisa ter níveis avançados de conhecimento do idioma original para
resolver qualquer ambiguidade, traduzir pequenos trechos ou ao menos indicar os saltos ou
traduções inadequadas. Essa tarefa costuma ter um prazo bem definido e não muito negociável,
pois, diferentemente das duas anteriores, está com seu tempo definido no cronograma, e quem te
passou o trabalho entendeu que o texto ou é um original adequado, ou teve uma tradução
adequada. Mais do que nunca, você não deve passar nenhum erro.

- Revisão: Chamar copy de revisão é mau sinal. Costuma significar que desejam pouca alteração,
pois a prova já está diagramada, em pouco prazo, por aproximadamente metade do valor do copy.
Costuma acontecer por supervalorização do texto original, mas há casos de má-fé mesmo. Não é
raro o texto precisar de uma edição, e a editora acreditar que “o autor escreve muito bem” e sobrar
para o “revisor” fazer a tal edição recebendo como revisão tipográfica. Dificilmente o texto fica bom,
e cabe ao revisor topar ou não esse tipo de trabalho – ou colocar ou não seu nome nos créditos da
obra. Assim como a revisão de reforma, não é necessário ter conhecimentos avançados de
nenhum idioma que não o português, afinal espera-se que seja um trabalho simples e superficial
quando comparado ao copy.

Infelizmente, a coluna de hoje é baseada apenas na minha experiência e nas conversas com
colegas. Tudo que sei a respeito de copidesque vem da prática de analisar copidesques alheios e
de fazer meus próprios frilas. Pensei em fazer entrevistas sobre o assunto com outros
profissionais, mas teria que ser uma escolha parcial, pois não há um banco de dados central com
seus nomes, titulações e prêmios. Geralmente são indicações por razões subjetivas e com aferição
“de boca” e “por alto” da qualidade, como muita coisa em nossa indústria...

Sem dúvida, nossa indústria editorial precisa de uma grande reforma em sua maneira de trabalhar
seus departamentos de produção e acredito que os e-readers farão uma parte dela acontecer logo.
Mas não toda. E assim volto a minha querida ENQUETE: Se você pudesse alterar ainda que
detalhes da indústria editorial ao que se refere à produção de livros (não falo de vendas ou
marketing), o que você acha que deveria ser diferente? Respostas para
enquete@publishnews.com.br

, A coluna Making of trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais
especificamente, dentro de seus departamentos editoriais.