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O que fazer para impulsionar a inovação?

Fatores que a identificam (A


Aventura de Inovar- Jaume Carbonell)

A principal força impulsora da mudança são os professores e professoras


que trabalham de forma coordenada e cooperativa nas escolas e que se
comprometem a fortalecer a democracia escolar. Um compromisso que,
seguindo um movimento de baixo para cima, orienta-se para a obtenção de
uma educação integral que articula as experiências dos alunos e os problemas
sociais reais com a cultura escolar, superando a visão estreita, tecnicista e
academicista do rendimento escolar. Nesse sentido, é importante que as
administrações sejam mais sensíveis ao reconhecimento e apoio das
experiências de base e criem um clima mais favorável para a liberdade de ação
docente e a renovação pedagógica.

Costuma-se dizer que na educação falta sentido comum e sobra


irracionalidade. Totalmente de acordo. É preciso armar a razão para fazer
frente a muitas atitudes e medidas arbitrárias e desprovidas de sentido. Com
isso, põe-se em relevo que há muitas maneiras de propiciar a mudança, mas
também que nem todos os caminhos da inovação levam ao mesmo tipo de
mudança ou têm a mesma sorte. Depende, é claro, dos objetivos fixados e do
aparato de que se dispõe.

Outro dos paradoxos é a tensão vivida pelos professores entre a mudança e


a continuidade, mediatizada por crenças e pressões externas comumente
pouco favoráveis à cultura da inovação, às relações mutáveis de poder no
interior das escolas e aos ritmos de implantação das inovações. Estas, em
alguns momentos, requerem fases de certa continuidade para sua própria
sobrevivência e em outros momentos fases de convulsão, agitação e
movimento para propiciar a mudança.

Na continuação, e sem querermos ser exaustivos, assinalamos alguns dos


fatores que nos parecem básicos para promover a inovação.

1. Equipes docentes sólidas e comunidade educativa receptiva. A


inovação, de maneira geral, enraíza-se onde existe uma equipe docente
forte e estável com uma atitude aberta à mudança e com a vontade de
compartilhar objetivos para a melhoria ou a transformação da escola;
e/ou, complementarmente, pessoas especialmente ativas dentro da
equipe que dinamizam o processo inovador.
2. Redes de intercâmbio e cooperação, assessores e colaboradores
críticos e outros apoios externos. A inovação se enriquece com o
intercâmbio e a cooperação com outros professores e professoras,
mediante a criação de redes presenciais- insubstituíveis sempre que
possível- e virtuais, aproveitando as possibilidades que oferecem as
novas tecnologias da informação e da comunicação, para facilitar o
intercâmbio de experiências e a reflexão crítica em torno delas.
3. A proposta da inovação e a mudança dentro de um contexto
territorial. A tese é a seguinte: uma escola tem mais possibilidades de
melhorar se existir um movimento de mudança em uma zona urbana ou
rural determinada que lhe dê cobertura institucional e pedagógica. Por
isso, é importante não limitar as iniciativas inovadoras em cada escola.
Nesse caso, cria-se a vantagem adicional de que os projetos coletivos
territoriais reforçam a solidariedade e diminuem a competitividade entre
as escolas.
4. O clima ecológico e os rituais simbólicos. A inovação requer um
ambiente de bem-estar e confiança, uma comunicação intensa nas
relações interpessoais.
5. Institucionalização da inovação. As inovações e as mudanças não
devem limitar-se a algumas atividades isoladas e esporádicas, mas sim
fazer parte da vida da classe e da dinâmica e funcionamento da escola.
6. A inovação, quando não avança, retrocede. Às vezes, a única maneira
de livrar-se das imposições burocráticas desnecessárias, de responder
racionalmente à irracionalidade é uma certa atitude de transgressão ou
insubmissão escolar.
7. Vivência, reflexão e avaliação. Como medir o êxito. É preciso criar
oportunidades e possibilidades para que as inovações possam ser vividas
com intensidade, refletidas em profundidade e avaliadas com rigor.

Questões
1. Qual o principal motivo da inovação em educação?
2. Por que é importante compartilhar as atividades de uma escola com
outras escolas?
3. Dê um exemplo de inovação para o Ensino Médio.
4. Explique a sentença: “Às vezes, a única maneira de livrar-se das
imposições burocráticas desnecessárias, de responder racionalmente
à irracionalidade é uma certa atitude de transgressão ou insubmissão
escolar”.
5. Quais os objetivos da reflexão e da avaliação quando estamos
inovando?
6. Pela observação em estágios e pelo trabalho em escolas, é possível
perceber inovações? Qual o motivo de existir ou não inovações?
7. O diretor de escola tem um papel importante para a inovação? Por
quê?
8. Como seria a escola de seus sonhos? O que fazer para atingir alguns
de seus objetivos?