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Vejamos a seguir um caso de uma organização do Terceiro Setor que conseguiu identificar uma

oportunidade de atuação sustentável.

SUSTENTABILIDADE NA PRÁTICA NUMA ORGANIZAÇÃO DO TERCEIRO SETOR

Esse é um caso interessante de uma organização do Terceiro Setor, com atuação a mais de 14 anos
na cidade de Ouro Preto. A entidade presta assistência odontológica a crianças carentes da periferia da
cidade e já foi premiada pelo seu relevante serviço prestado à comunidade, conforme descrito a seguir.
Dentre os parceiros da organização estava a Prefeitura da cidade que por alguma razão estava sem cumprir
o convênio há pelo menos seis meses e na oportunidade estava alegando a possibilidade de romper o
acordo de ajuda financeira. Diante disto, a entidade estava acumulando dívidas e correndo o risco de fechar
as portas por não conseguir honrar os compromissos.
O presidente da entidade procurou um profissional para conversar sobre o assunto, e ele lhe falou
sobre a possibilidade de criar uma forma de sustentar a organização sem ficar na dependência quase total
de algumas pessoas. Foi solicitado então um estudo sobre o assunto para identificar as possibilidades de
autossustentabilidade.
A partir de uma pesquisa para identificar quanto um turista gasta em média na cidade, a organização
chegou ao valor de algum produto que poderia ser vendido com facilidade. Avaliou a possibilidade de
revender ou de fabricá-lo e optou pela fabricação própria. Em seguida pesquisou o que poderia fabricar
que estivesse dentro da expertise de alguém que lhe pudesse ajudar.
Foi identificada a oportunidade de fabricação de sabonetes e cosméticos em geral, por ser de fácil
fabricação e fácil comercialização, uma vez que estava dentro do valor que o turista, mesmo o mais simples,
poderia comprar. Além dos turistas, os Hotéis da cidade e outras empresas poderiam também adquirir todo
o mix de produtos fabricados. Outro fator que favoreceu essa escolha foi a parceria com o Curso de
Cosmetologia da Faculdade de Farmácia, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o mais antigo da
cidade.
De posse dessas informações mercadológicas a organização elaborou o projeto, apresentou-o aos
parceiros tradicionais, que foi devidamente aprovado por todos. Uma grande empresa parceira cedeu o
local, a empreiteira de obras de construção civil ajudou na reforma, os comerciantes doaram ou venderam
os materiais a preço de custo. Os pesquisadores da Universidade, juntamente com os alunos, envolveram-
se na pesquisa, que oportunizou a realização de estágios e envolvimento direto com uma prática de
produção real de cosméticos.
A organização identificou os fornecedores de matéria-prima, adquiriu alguns equipamentos e
recebeu doação de outros, iniciou a produção dos produtos e após os testes de aprimoramento, chegou-se
ao nível de qualidade desejado. A partir daí o próximo passo foi buscar um ponto comercial em local
estratégico para montar a primeira loja e recorrer a uma empresa de publicidade local com preço especial
para criação dos rótulos e embalagens e iniciar as atividades de comercialização dos produtos
Percebe-se, portanto, que é possível criar possibilidades de autossustentabilidade para organizações
do Terceiro Setor, que convivem com oscilações econômicas e incerteza de recursos, uma vez que não
adianta ser apenas abnegado socialmente para fazer uma organização dar certo, é preciso entender as
entidades do Terceiro Setor como elas realmente são, especiais no seu objetivo único de contribuir com o
bem comum, mas sem esquecer que elas precisam de boa gestão como qualquer outro tipo de empresa e
muitos profissionais competentes podem contribuir com sua inteligência e experiência para a boa gestão
no Terceiro Setor.
Depois de ter entendido como é desafiador gerir organizações cujo negócio é o bem social, eu
proponho que você realize uma análise da organização que você deseja criar e identifique oportunidades
e parceiros para atuar de maneira sustentável.