Você está na página 1de 2

A CONSTELAÇÃO SISTÊMICA COMO FERRAMENTA DA JUSTIÇA

RESTAURATIVA

Por Pedro Costa Barbosa (7º período)

Na tentativa de trazer um novo olhar a forma de se fazer justiça, o presente


trabalho traça um paralelo entre o processo penal comum, a justiça restaurativa e a
constelação sistêmica.

Essa análise comparativa partirá dos três princípios básicos da constelação, quais
sejam eles:a ordem, o equilíbrio e o pertencimento. Esta seria a ferramenta utilizada na
aplicação da justiça restaurativa, sendo então o escopo do trabalho. Fazendo a ligação
com o processo de restauração, serão observados pontos como a responsabilidade social,
o diálogo e a inclusão. Esses dados serão colocados em confronto à perspectiva retributiva
da justiça comum que seriam a jurisdição do conflito, o caráter punitivista da pena e a
“ressocialização”.
É sabido o potencial traumatizante dentro de uma relação processual e que por
vezes acaba agindo penalizando tanto a parte autora, quanto a ré. O direito que deveria
agir como um freio às abitrariedades do estado, que de forma monopolizada exerce a
jurisdição, tem agido de forma a fortalecer o se poder de punir. Além de desprotagonizar
as pessoas do seus próprios conflitos, que abrem mão desta decisão para um terceiro que
está a parte da relação de onde partiu a contenda e que figura como sujeito capacitado
para solucionar tais casos pelo fato do sistema ainda estar preso ao modus operandi
cartesiano e mecanicista já secularizado.

De maneira a obter o maior número de possibilidades para uma melhor análise da


aplicação da ferramenta, é necessário o acompanhamento das constelações como
ferramenta dentro do próprio processo, ou ainda, como forma d eevitar a judicialização
do conflito. A observação e estudo de campo se faz imprecindível pelo caráter
fenomenológico da constelação, que foge aos métodos tecnicistas comuns e muitas vezes
entimemáticos como forma de fundamentar o modo seletista de se fazer justiça. Também
serão levantados dados das constelações feitas para avaliar sua eficácia resolutiva.

Mesmo ainda não havendo uma definição exata do que seja justiça restaurativa,
se é uma forma alternativa ou substitutiva da justiça comum, é certo que está em tempo
de haver outra forma de resolver conflitos. A violência gerada pela forma retributiva de
agir do estado, o caos dentro e fora dos carcéres, o desrespeito a princípios fundamentais
e a ineficácia quanto a resposabilização social pelos atos cometidos são fatores suficientes
para se ir em busca de maneiras outras de tratar as relações.

Palavras-chave: Constelação, justiça restaurativa, justiça retributiva.


Referências: Justiça Restaurativa: caminhos da pacificação social. Pelizzoli, M.L. (Org.).
Caxias do Sul: Ed. da UCS / Recife: Ed. da UFPE, 2016.

Um olhar crítico sobre o papel da comunidade nos processos restaurativos- Fernanda


Fonseca Rosenblatt- Sistema Penal & Violência. Revista Eletrônica da Faculdade de
Direito. Porto Alegre • Volume 6 – Número 1 – p. 43-61 – janeiro-junho 2014