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Montanhas ao mar

Percival Puggina
9 de abril de 2011 - 20:28:45

Como católico, chego a invejar o tamanho dessa confiança. Veja, por


exemplo, leitor, a mística expressão de fé incondicional contida na carta
que D. Paulo Evaristo Arns mandou a seu “queridíssimo Fidel” em 6 de
janeiro de 1989, por ocasião dos 30 anos da revolução cubana. Lá pelas
tantas, o paparicado e purpurino cardeal arcebispo de São Paulo lascou
assim: ”
A fé cristã descobre, nas conquistas da Revolução, os sinais do Reino de
Deus, que se manifesta em nossos corações e nas estruturas que
permitem fazer da convivência política uma obra de amor“. E mais
adiante: ”
Tenho-o presente diariamente em minhas orações, e peço ao Pai que lhe
conceda sempre a graça de conduzir os destinos de sua pátria“. Grandes
defensores da democracia D. Paulo Evaristo e seus admiradores!
Note-se que no mês anterior, em dezembro de 1988, uma delegação de
bispos alemães havia estado em Cuba. Em matéria sobre a visita,
publicada na revista
30 Giorni de jan/89, eles contaram que a Igreja cubana não tinha acesso
à Educação, que todos os religiosos estrangeiros haviam sido expulsos,
que o contingente de sacerdotes e religiosos reduzira-se a 15% do que já
fora, que quem se proclamasse cristão ficara excluído da possibilidade de
ascensão funcional e que, como consequência, apenas 1% dos cubanos
frequentava a igreja.
D. Paulo escreveu a Fidel em cima de tal fato. E foi acalentar no sono dos
que são capazes de arder todo e qualquer bem na fogueira dessa ideologia
malsã, a irresponsabilidade do que escrevera. Referia-se, então, ao mesmo
regime que, vinte anos depois, como prova de benevolência, ainda liberta
às pencas dissidentes políticos! Alguns bispos cubanos, felizmente,
responderam a D. Paulo. A longa carta que lhe mandaram, entre outras
coisas, relata esta grande novidade: “Cuba sofre, já há trinta anos, uma
cruel e repressiva ditadura militar, num estado policial que viola,
constante e institucionalmente os direitos fundamentais da pessoa
humana“. Ao fim da dissertação, os três bispos que a assinam concluem:
“Deus queira que seu país nunca tenha que passar pela trágica
experiência que nós estamos atravessando“. Esse deve ter sido o trecho
que mais desagradou D. Paulo, subtraindo-lhe, por instantes, o melífluo
sorriso que adorna de falsidade suas manifestações. Afinal, reproduzir no
Brasil a experiência cubana era tudo que ele mais desejava. Oh, raios!
Como é que os bispos cubanos lhe esfregavam no rosto o fato de estarem
rezando contra seus mais caros anseios pastorais?
É provável que o leitor esteja duvidando. “Não é razoável. Nada disso
pode ser verdade. Um cardeal católico não poderia dirigir tal louvação a
uma ditadura que tanto perseguia a Igreja e que já durava 30 anos”. Pois é
tudo exato e veraz, letra por letra, meu caro. Tenho em mãos cópia das
correspondências, que à época li nos jornais. As duas foram transcritas na
imprensa brasileira e a de D. Paulo foi reproduzida em espanhol
no Granma, com grande destaque. Aliás, eu mesmo escrevi para o
Correio do Povo, em 26 de janeiro de 1989, um artigo intitulado “A
epístola de Paulo, (o Evaristo)“, tecendo ironias sobre a falta de juízo do
cardeal paulista, cujos olhos, ao reverso do apóstolo dos gentios, cada vez
mais se revestiam de escamas. E acrescentei que a mesma carta a Fidel
poderia ter sido enviada em circular, por D. Paulo, para os governos da
Alemanha Oriental, Bulgária, Polônia, Hungria, Albânia e tantos outros.
Afortunadamente vivíamos, então, os primeiros dias do ano da Graça
(poderíamos dizer, sem exagero, o ano da Grande Graça) de 1989, quando
começariam a desabar os regimes do Leste Europeu.
Contados vinte e dois anos sobre aqueles episódios, seguiram para a
Espanha, dia 7 deste mês de abril de 2011, mais 37 prisioneiros de
consciência do regime cubano! Totalizam-se, assim, 126 libertações
negociadas pelo Vaticano. O total remanescente nas masmorras, contudo,
permanece desconhecido das organizações de Direitos Humanos e da
opinião pública mundial. Duas perguntas se recusam ao silêncio: 1ª) se
todos esses prisioneiros podiam ser libertados, por que estavam presos? e
2ª) se estavam presos porque era assim que deviam estar, em vista do
bom Direito e da boa Justiça, por que foram libertados?
A brutal malignidade do regime que D. Paulo reverencia e que tantos
brasileiros cultuam evidencia-se muito mais nessas duas perguntas do
que nas improváveis respostas que a elas sejam dadas. Não lhes falta,
sequer, o despudor de apresentar o regime cubano como símbolo da
autodeterminação, apesar de ser conduzido a grades de ferro pela
determinação unipessoal de um tirano que aplaudiu o massacre da
Tchecoslováquia pelas tropas russas e que interveio militarmente, com
soldados de seu povo, em revoluções comunistas pelo mundo afora. Esse
tirano que D. Paulo, Lula, Dilma, Zé Dirceu, Frei Betto, Chico Buarque e
muitos outros veneram montou uma ordem social tão esquizofrênica e tão
canalha que produziu este resultado sem igual na história do operariado
mundial: quando, no ano passado, foi anunciada a demissão de uma
quinta parte da força de trabalho cubana, mediante pagamento de um
mês de salário por cada dez anos de atividade, a Central dos
Trabalhadores de Cuba aplaudiu a providência!
E eles continuam crendo. Continuam sonhando com jogar montanhas ao
mar. E gostando do que veem em Cuba. São óbvias as tendências sádicas e
a falta de caráter de quem louva e apoia um regime assim.
Dia desses, por acaso, dei de cara com uma entrevista de Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo
emérito (aposentado) de São Paulo. Não pude conter o riso ao ler este trecho:
EC - O que o senhor acha de afirmações que sustentam que a ação política da Teologia da
Libertação acabou afastando muitos fiéis da Igreja Católica?
Dom Paulo - Em parte isso é verdade. Cada vez que eu, por exemplo, tornava conhecida uma
ação negativa do governo, no tempo da ditadura, a igreja se esvaziava. Nos domingos
posteriores vinha menos gente, porque as pessoas tinham medo (...). No fundo, elas próprias
queriam isso. Queriam lutar pela libertação, só que tinham medo de serem presas ou
consideradas subversivas, ou serem consideradas minhas amigas.
Fonte: Extra Classe (publicação do SINPRO/RS)
Medo, eminência? TÉDIO agora mudou de nome? Convenhamos: o discurso da TL é um
grande pé no saco!

O crescimento das igrejas evangélicas se deu, em grande parte, graças ao bla-bla-blá marxista
dos padres da Teologia da Libertação. O fiel ia pra paróquia querendo ouvir palavras de vida
eterna, e, em vez disso, tinha que aturar um sermão enfadonho contra o "capetalismo", sobre
os oprimidos etc. (tudo muito teórico e distante da realidade do povo, pra variar). Um belo dia,
cedendo ao convite de um amigo crente, o sujeito resolvia dar uma passadinha no culto, e o
que ele via? Um pastor falando das coisas de Deus, falando de Cristo, explicando as coisas
da Bíblia... Opa, finalmente!
E aí, entre uma paróquia transformada em filial do partido comunista e uma igrejola cheia de
gente histérica, mas que, ao menos, ainda lembra que Jesus existe, com quem vocês acham
que o povo simples fechava?
Incoerência pouca é bobagem

Enquanto esteve à frente da Arquidiocese de São Paulo, Dom Paulo Evaristo travou uma dura
luta contra as práticas de tortura na época da ditadura militar. Além disso, estimulou a sua
falecida irmã, Dra. Zilda Arns, a lançar as atividades da Pastoral da Criança. Que o Senhor o
recompense por estas obras.
Porém, por algum motivo incompreensível, seu notável empenho em combater os abusos da
ditadura de direita não se repetiu em relação ao sangue derramado pelas ditaduras de
esquerda. Diante da negação das liberdades essenciais e das milhares de vidas inocentes
ceifadas pelo socialismo em Cuba, Dom Arns fez vista grossa.