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Supremo Tribunal Federal

AÇÃO ORIGINÁRIA 2.367 DISTRITO FEDERAL

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


AUTOR(A/S)(ES) : ASSOCIACAO DOS JUIZES FEDERAIS DO RIO DE
JANEIRO E ESPIRITO SANTO - AJUFERJES
ADV.(A/S) : JOSE ROBERTO DE CASTRO NEVES
RÉU(É)(S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : ADVOGADO -GERAL DA UNIÃO

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL.


RESOLUÇÕES N.ºs 151/2012 e 215/2015,
DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA.
DIVULGAÇÃO DE REMUNERAÇÃO.
1. Não há violação à intimidade ou à vida
privada na divulgação nominal e
pormenorizada da remuneração de
magistrados, pois os dados são de interesse
público e a transparência se impõe.
Precedentes.
2. A jurisprudência do STF entende
prevalecer, no caso, o princípio da
publicidade administrativa, que concretiza
a República como forma de governo.
3. Pedido julgado improcedente.

1. Trata-se de ação originária, com pedido de antecipação dos


efeitos da tutela, proposta pela Associação dos Juízes Federais do Rio de
Janeiro e Espírito Santo – AJUFERJES em face da União, para afastar a
aplicabilidade da Resolução n° 151/2012 do Conselho Nacional de Justiça,
na parte em que determina a divulgação nominal de vencimentos e
lotação, de modo a determinar ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região
que se abstenha de efetuar tal divulgação dos vencimentos dos
magistrados.

2. A AJUFERJES alega, em síntese, que (i) a previsão de

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divulgação nominal, acompanhada da lotação do magistrado, inutiliza a


ressalva do respeito à intimidade, vida privada e imagem da pessoa
contida no art. 31 da Lei 12.527/2011; (ii) nessa esteira, o CNJ,
administrativamente, estaria ultrapassando o âmbito regulamentar; (iii)
tal divulgação vai de encontro à garantia constitucional da intimidade e
da vida privada, devendo o caso em tela ser ponderado à luz do princípio
da proporcionalidade; (iv) os proventos de um cidadão são
costumeiramente entendidos como aspectos de sua intimidade, podendo
constranger, e até mesmo por em risco, o exercício da função dos
magistrados.

3. A antecipação de tutela foi indeferida por decisão do então


Min. Rel. Joaquim Barbosa, em 14.08.2012. Contra tal pronunciamento, a
AJUFERJES interpôs agravo interno, no qual pleiteou sua reconsideração
ou a submissão do recurso ao Plenário dessa Corte.

4. Em sede de contestação, alega a União que (i) a pretensão


da autora acaba, em verdade, por impedir a concretização de importante
política pública de sede constitucional, que objetiva dar efetiva
publicidade aos gastos públicos do Poder Judiciário; (ii) a divulgação dos
nomes e da lotação dos magistrados não viola a intimidade, a vida
privada, a honra ou imagem da pessoa, porquanto as remunerações
pagas pelo Poder Público constituiriam informação de caráter estatal,
decorrente da natureza pública do cargo e a respeito da qual toda a
coletividade deve ter acesso; (iii) há direito constitucional ao acesso à
informação.

5. Destaca, por fim, que a Constituição consagrou, entre os


diversos princípios que devem orientar a atuação dos Poderes, o da
publicidade, sendo obrigação da Administração Pública a garantia da
transparência de seus atos (art. 37, caput).

6. Parecer da Procuradoria-Geral da República pela ausência

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de competência do Supremo Tribunal Federal para processar e julgar o


feito, opinando pela remessa dos autos ao juízo competente para exame
do pedido.

7. Por despacho, intimei a AJUFERJES a se manifestar sobre


possível prejudicialidade da ação por superveniente alteração normativa.
A parte autora requereu a extinção da ação, sem julgamento do mérito.

8. A União, todavia, requereu o prosseguimento do feito,


com o julgamento de improcedência da demanda, sob o argumento de
que a Resolução n.º 215/2015, ora em vigor, manteve a determinação
impugnada nesta ação.

9. É o relatório.

10. Cumpre assinalar, preliminarmente, a competência deste


Tribunal para julgar a presente lide, na forma do art. 102, I, “n”, da
Constituição Federal. A presente controvérsia transcende o interesse dos
magistrados atuantes no Tribunal Regional Federal da 2ª Região,
revelando questão jurídica de interesse geral da magistratura.

11. Assentada a competência da Corte, passo a analisar a


preliminar e o mérito.

12. Inicialmente, não houve perda superveniente do interesse


de agir. A publicação da Resolução CNJ n° 215/2015 não implicou perda
de objeto da presente demanda, já que seu art. 6º, VII, “d”, ampliou a
determinação prevista na Resolução CNJ n° 151/2012, no sentido de que
devem ser publicados nos sítios eletrônicos do Poder Judiciário “a
remuneração e proventos percebidos por todos os membros e servidores
ativos, inativos, pensionistas e colaboradores do órgão, incluindo-se as
indenizações e outros valores pagos a qualquer título, bem como os
descontos legais, com identificação individualizada e nominal do

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beneficiário e da unidade na qual efetivamente presta serviços, com


detalhamento individual de cada uma das vergas pagas sob as rubricas
‘Remuneração Paradigma’, ‘Vantagens Pessoais’, ‘Indenizações’,
‘Vantagens Eventuais’ e ‘Gratificações’, conforme quadro descrito no
anexo desta Resolução”.

13. Como a própria AJUFERJES destacou em suas razões


finais, “permanece vigente a regra que determina a divulgação do nome e
da lotação dos magistrados junto com sua respectiva remuneração”. A
Resolução CNJ n.º 215/2015 contém a norma da Resolução CNJ n.º
151/2012.

14. No mérito, destaco que a jurisprudência desta Corte


firmou-se no sentido de que, sendo o agente remunerado pelo Poder
Público, seus vencimentos, acompanhados de nome e de lotação,
representam informação de caráter estatal, decorrente da natureza
pública do cargo:

MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO.


ATO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. ACESSO À
INFORMAÇÃO. EFEITOS CONCRETOS DA RESOLUÇÃO
151/2012 DO CNJ. DIVULGAÇÃO NOMINAL DA
REMUNERAÇÃO DOS MAGISTRADOS NA INTERNET.
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO DIREITO À INTIMIDADE E
À PRIVACIDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTE: SS 3.902-
AgR, Rel. Min. Vice-Presidente, Pleno. DENEGAÇÃO DA
SEGURANÇA. Decisão: Trata-se de mandado de segurança
coletivo repressivo, com pedido de liminar, impetrado pela
Associação Nacional dos Magistrados Estaduais -
ANAMAGES contra ato praticado pelo Conselho Nacional de
Justiça. A impetrante se insurge contra os efeitos concretos da
Resolução 151, de 05 de julho de 2012, expedida pelo Conselho
Nacional de Justiça, em razão de suposta não correspondência
com a Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação) e
de alegado malferimento ao princípio constitucional da

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legalidade, por tratar-se de matéria de reserva de lei formal (art.


37, caput, art. 5º, II, e art. 2º da CRFB), e aos princípios da
inviolabilidade da intimidade, da privacidade e do sigilo dos
dados. [...] O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no
julgamento da SS 3.902-AgR, Rel. Ministro Vice-Presidente,
DJe 3/10/2011, decidiu que a divulgação nominal da
remuneração dos servidores públicos na internet não viola o
direito à intimidade e à privacidade. (…) (MS 31580, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 30/09/2014, grifo acrescentado),

MANDADO DE SEGURANÇA. CONSELHO NACIONAL DE


JUSTIÇA. RESOLUÇÃO Nº 151/2012. PUBLICAÇÃO DE
REMUNERAÇÃO DE SERVIDORES E MEMBROS DO PODER
JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. ALEGADO
CONFRONTO ENTRE A RESOLUÇÃO E A LEI ESTADUAL Nº
13.507/2010. IMPETRAÇÃO VOLTADA CONTRA ATO NORMATIVO EM
TESE. SÚMULA Nº 266/STF. POSTERIOR ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO
ESTADUAL, TORNANDO-A CONSONANTE COM A RESOLUÇÃO DO
CNJ. JULGAMENTO DO TEMA DE FUNDO EM REPERCUSSÃO GERAL.
TEMA 483. LEGITIMIDADE DA PUBLICAÇÃO, INCLUSIVE EM SÍTIO
ELETRÔNICO MANTIDO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DOS
NOMES DOS SEUS SERVIDORES E DO VALOR DOS CORRESPONDENTES
VENCIMENTOS E VANTAGENS PECUNIÁRIAS. ORDEM DENEGADA
(ART. 205 DO RISTF). Vistos etc. 1. Trata-se de mandado de
segurança coletivo, com pedido de liminar, impetrado pela
Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul – AJURIS contra
ato praticado pelo Conselho Nacional de Justiça no julgamento
do Pedido de Providências 0004258-63.2012.2.00.0000. […] 3. No
mais, conforme já esboçado pela decisão liminar, a
jurisprudência desta Suprema Corte está consolidada no
sentido de que a publicação de dados remuneratórios do
serviço público deve ser ampla, incluída identificação
nominal. O assunto foi objeto do Tema 483 de repercussão
geral, sendo julgado, no mérito, por acórdão prolatado no ARE
nº 652777/SP, Pleno, Relator Ministro Teori Zavascki, DJe de
1º.7.2015 (…). Tal acórdão manteve, para efeito de fixação de

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tese de repercussão geral, entendimento delineado no


julgamento da SS 3902 AgR-segundo/SP, Pleno, Relator Ministro
Ayres Britto, DJe de 03.10.2011: (…) 4. Ressalto que o art. 205 do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal autoriza o
julgamento monocrático de mandados de segurança quando,
respeitados os trâmites da Lei 12.016/09 (ou seja, após pedido
de informações e parecer do Ministério Público Federal),
concluir o Relator que “a matéria [é] objeto de jurisprudência
consolidada do Tribunal”. Essa prerrogativa, acrescentada pela
Emenda Regimental nº 28, de 2009, vem sendo reiteradamente
exercida por diversos Ministros desta Corte (MS 28.958/DF,
Ministra Cármen Lúcia, DJe de 11.02.2014; MS 27.147/DF,
Ministro Celso de Mello, DJe de 16.11.2013; MS 32.537/DF,
Ministro Dias Toffoli, DJe de 06.12.2013; MS 30.792/DF, Ministro
Luiz Fux, DJe de 03.02.2014, dentre outras). Denego a ordem,
portanto, com apoio no art. 205 do Regimento Interno do
Supremo Tribunal Federal. Comunique-se ao Conselho
Nacional de Justiça e ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio
Grande do Sul. Publique-se. Brasília, 13 de março de 2017.
Ministra Rosa Weber Relatora. (MS 32020, Rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 13/03/2017, grifo acrescentado).

15. Portanto, não havendo violação à intimidade e à vida


privada, não existe conflito de normas, nem desrespeito ao princípio da
legalidade. Nesse sentido:

Embargos de declaração em ação cível originária. 2.


Decisão monocrática. Embargos de declaração recebidos como
agravo interno. 3. Constitucional. 4. Divulgação nominal de
remuneração de servidores do Poder Judiciário do Estado do
Rio Grande do Sul. 5. Resolução 151/2012 e Lei de Acesso à
Informação. 6. Conflito aparente de normas. 7. Atuação do
CNJ em cumprimento à interpretação constitucional conferida
por esta Corte. 8. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
reafirmada no RE-RG 652.777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki,
Pleno, DJe 1º.7.2015. 9. Agravo a que se nega provimento. (ACO

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2143 ED, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em


25/08/2017, grifo acrescentado).

16. O entendimento foi firmado pelo Plenário do Supremo


Tribunal Federal no julgamento da SS 3.902-AgR, Rel. Min. Ayres Britto,
ocasião em que se estabeleceu que a divulgação nominal da remuneração
dos servidores públicos na internet não viola o direito à intimidade e à
privacidade, conforme a ementa abaixo:

Ementa: SUSPENSÃO DE SEGURANÇA. ACÓRDÃOS


QUE IMPEDIAM A DIVULGAÇÃO, EM SÍTIO ELETRÔNICO
OFICIAL, DE INFORMAÇÕES FUNCIONAIS DE
SERVIDORES PÚBLICOS, INCLUSIVE A RESPECTIVA
REMUNERAÇÃO. DEFERIMENTO DA MEDIDA DE
SUSPENSÃO PELO PRESIDENTE DO STF. AGRAVO
REGIMENTAL. CONFLITO APARENTE DE NORMAS
CONSTITUCIONAIS. DIREITO À INFORMAÇÃO DE ATOS
ESTATAIS, NELES EMBUTIDA A FOLHA DE PAGAMENTO
DE ÓRGÃOS E ENTIDADES PÚBLICAS. PRINCÍPIO DA
PUBLICIDADE ADMINISTRATIVA. NÃO
RECONHECIMENTO DE VIOLAÇÃO À PRIVACIDADE,
INTIMIDADE E SEGURANÇA DE SERVIDOR PÚBLICO.
AGRAVOS DESPROVIDOS. 1. Caso em que a situação
específica dos servidores públicos é regida pela 1ª parte do
inciso XXXIII do art. 5º da Constituição. Sua remuneração
bruta, cargos e funções por eles titularizados, órgãos de sua
formal lotação, tudo é constitutivo de informação de interesse
coletivo ou geral. Expondo-se, portanto, a divulgação oficial.
Sem que a intimidade deles, vida privada e segurança pessoal
e familiar se encaixem nas exceções de que trata a parte
derradeira do mesmo dispositivo constitucional (inciso
XXXIII do art. 5º), pois o fato é que não estão em jogo nem a
segurança do Estado nem do conjunto da sociedade. 2. Não
cabe, no caso, falar de intimidade ou de vida privada, pois os
dados objeto da divulgação em causa dizem respeito a agentes
públicos enquanto agentes públicos mesmos; ou, na

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linguagem da própria Constituição, agentes estatais agindo


“nessa qualidade” (§6º do art. 37). E quanto à segurança física
ou corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente,
claro que ela resultará um tanto ou quanto fragilizada com a
divulgação nominalizada dos dados em debate, mas é um tipo
de risco pessoal e familiar que se atenua com a proibição de se
revelar o endereço residencial, o CPF e a CI de cada servidor.
No mais, é o preço que se paga pela opção por uma carreira
pública no seio de um Estado republicano. 3. A prevalência do
princípio da publicidade administrativa outra coisa não é senão
um dos mais altaneiros modos de concretizar a República
enquanto forma de governo. Se, por um lado, há um necessário
modo republicano de administrar o Estado brasileiro, de outra
parte é a cidadania mesma que tem o direito de ver o seu
Estado republicanamente administrado. O “como” se
administra a coisa pública a preponderar sobre o “quem”
administra – falaria Norberto Bobbio -, e o fato é que esse modo
público de gerir a máquina estatal é elemento conceitual da
nossa República. O olho e a pálpebra da nossa fisionomia
constitucional republicana. 4. A negativa de prevalência do
princípio da publicidade administrativa implicaria, no caso,
inadmissível situação de grave lesão à ordem pública. 5.
Agravos Regimentais desprovidos. (SS 3902 AgR-segundo, Rel.
Min. Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 09/06/2011, grifo
acrescentado).

17. O precedente acima foi ratificado no julgamento do tema


483 da Repercussão Geral, em que o STF, por unanimidade, deu
provimento ao recurso extraordinário para fixar a tese de que é legítima a
publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração
Pública, dos nomes dos seus servidores e do valor correspondente aos
vencimentos e demais vantagens pecuniárias. Eis a ementa do ARE
652777, Rel. Min. Teori Zavascki:

CONSTITUCIONAL. PUBLICAÇÃO, EM SÍTIO


ELETRÔNICO MANTIDO PELO MUNICÍPIO DE SÃO

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PAULO, DO NOME DE SEUS SERVIDORES E DO VALOR


DOS CORRESPONDENTES VENCIMENTOS.
LEGITIMIDADE.
1. É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico
mantido pela Administração Pública, dos nomes dos seus
servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e
vantagens pecuniárias.
2. Recurso extraordinário conhecido e provido. (ARE
652777, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em
23/04/2015)

18. Não há dúvidas de que o entendimento reiterado do STF


se aplica aos magistrados federais, seja porque são agentes públicos, seja
porque as informações são de interesse coletivo e geral, o que atrai a
aplicação da regra do art. 5º, XXXIII, da CF, sem que a eles se aplique a
exceção prevista na parte final do mesmo dispositivo (“todos têm direito a
receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança
da sociedade e do Estado”).

19. Os atos do Conselho Nacional de Justiça não apenas


densificam a interpretação constitucional conferida pelo Supremo
Tribunal Federal, como promovem a transparência. Como venho
afirmando nesta Corte, a transparência se impõe porque decorre (i) do
princípio democrático (CF/1988, art. 1º, caput), (ii) do sistema
representativo (CF/1988, art. 1º, parágrafo único), (iii) do regime
republicano (CF/1988, art. 1º,caput), e (iv) do princípio da publicidade
(CF/1988, art 37, caput). Ao especificar o conteúdo desses princípios no
exercício de suas competências constitucionais, o ato do CNJ não exorbita
do poder regulamentar, mas antes confere efetividade ao disposto na
Constituição Federal.

20. Por todo o exposto, julgo improcedente o pedido

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formulado na inicial, e prejudicado o agravo interno interposto,


declarando legítima a determinação do Conselho Nacional de Justiça de
que devem ser publicados nos sítios eletrônicos do Poder Judiciário a
remuneração e proventos percebidos por todos os membros e servidores
ativos, inativos, pensionistas e colaboradores do órgão, incluindo-se as
indenizações e outros valores pagos a qualquer título, bem como os
descontos legais, com identificação individualizada e nominal do
beneficiário e da unidade na qual efetivamente presta serviços, com
detalhamento individual de cada uma das vergas pagas sob as rubricas
‘Remuneração Paradigma’, ‘Vantagens Pessoais’, ‘Indenizações’,
‘Vantagens Eventuais’ e ‘Gratificações’, conforme quadro descrito no
anexo da Resolução CNJ n.º 215/2015.

21. Sem custas. Fixo os honorários em R$ 5.000,00 (cinco mil


reais), na forma do art. 85, §8º, do CPC.

Publique-se. Intimem-se.
Brasília, 23 de agosto de 2018.

Ministro LUÍS ROBERTO BARROSO


Relator

10

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