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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de


resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exce-
to, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequa-
da. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais
adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por
isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não
ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra
1. COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS alternativa mais completa.
LITERÁRIOS E/OU INFORMATIVOS, EXTRAÍDOS DE Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
LIVROS, REVISTAS E JORNAIS. do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
2. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS VERBAIS, NÃO- texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontex-
tualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
VERBAIS E MISTOS: QUADRINHOS, TIRAS, OU- para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para
TDOORS, PROPAGANDAS, ANÚNCIOS, ETC. ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta
será mais consciente e segura.
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali-
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve
texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de
necessitar de um bom léxico internalizado. 01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto
até o fim, ininterruptamente;
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
confronto entre todas as partes que compõem o texto. 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
umas três vezes ou mais;
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica- 05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor 06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
diante de uma temática qualquer. 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
ensão;
Denotação e Conotação
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres-
respondente;
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con-
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante + signi- 09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
ficado) que se constroem as noções de denotação e conotação. 10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários, aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a perguntou e o que se pediu;
atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada exata ou a mais completa;
construção frasal, uma nova relação entre significante e significado. 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota- lógica objetiva;
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
diferenciadas em seus leitores. 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis- 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do resposta;
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste definindo o tema e a mensagem;
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e
esclareçam o sentido. 18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
simos na interpretação do texto.
Como Ler e Entender Bem um Texto Ex.: Ele morreu de fome.
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira do fato (= morte de "ele").
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra- Ex.: Ele morreu faminto.
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar
quando morreu.;
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
a memória visual, favorecendo o entendimento. as estão coordenadas entre si;
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva, de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim Cunegundes
de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto TEXTO NARRATIVO
com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da  As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen- ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui dos fatos.
não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
da fonte e na identificação do autor. heroína, personagem principal da história.

Língua Portuguesa 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota- sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra-
gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.
contracena em primeiro plano.  Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de
As personagens secundárias, que são chamadas também de compar- apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do
sas, são os figurantes de influência menor, indireta, não decisiva na narra- qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é
ção. feita em 1a pessoa ou 3a pessoa.
O narrador que está a contar a história também é uma personagem, Formas de apresentação da fala das personagens
pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor- Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há
tância, ou ainda uma pessoa estranha à história. três maneiras de comunicar as falas das personagens.
Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não  Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
vés do diálogo.
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e
Exemplo:
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen-
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
perante os acontecimentos.
val a cidade é do povo e de ninguém mais”.
 Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a
No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po-
dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios
travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o
os verbos de locução podem ser omitidos.
desenlace ou desfecho.

Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,  Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens.
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a Exemplo:
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
resses entre as personagens. que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
nos sombrios por vir”.
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten-
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,  Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
 Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- Exemplo:
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
cionados ao principal. no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
 Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- (José Lins do Rego)
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve- TEXTO DESCRITIVO
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
narrativo.
 Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, unificada.
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa-
to que aconteceu depois. Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo pouco.
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc-
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu  Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
espírito. transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
 Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis- através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje-
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên-
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri- que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti-
zado por : vo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às  Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon- personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen-
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra- to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so-
tiva que é feito em 1a pessoa. cial e econômico .
- visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê,  Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o
aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per- observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama,
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para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o simples e decisivo
partes mais típicas desse todo. intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o convencimento
 Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos do ponto de vista de algo/alguém.
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
típicos. desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
 Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada, todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de
que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio. deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência é de
 Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge- relevada importância para a produção textual, pois nela se dará uma se-
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu- quência das ideias e da progressão de argumentos a serem explanadas.
lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a
predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus objeti-
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- vos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os mecanismos
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade da for-
mação textual.
TEXTO DISSERTATIVO
Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons- Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques- verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.
com clareza, coerência e objetividade.
Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é a
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que ocorre
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e outro
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumentos
com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, estes
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da comunica-
do o contexto. ção ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e Persua-
são).
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em :
 Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda- Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em sua
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
jetiva da definição do ponto de vista do autor. propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
 Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo- relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan- alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias dão tornem esta produção altamente evocativa.
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de- A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a um
sencadeia a conclusão. texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, a
 Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se algo
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in- espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfrase não
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argu-
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer mentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes dife-
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese rentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
e opinião. junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
a obra ou ação que realmente se praticou. bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so- uma relação interdiscursiva e intertextual.
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido.
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem, en-
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje- tram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capa-
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a zes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito
respeito de algo. utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é
que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias, valores da
O TEXTO ARGUMENTATIVO oposição, tudo isto em forma de piada.
Baseado em Adilson Citelli
A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte- Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir
rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito,
discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto de conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e
referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerível,
tipo de texto solicitado. capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...
Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo”
Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário São Paulo SP, Editora ..Scipione, 1994 - 6ª edição.
que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de
um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a sua TIPOLOGIA TEXTUAL
análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do
conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discursi- A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles
va é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmitir, verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia
ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito, suas intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os
análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que fazemos é interlocutores.
soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o indivíduo

Língua Portuguesa 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um artigo indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo definido, por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita entrou
falamos sozinhos. apressadamente na sala de embarque e olhou à volta, procurando alguém
impacientemente. A mulher parecia ter fugido de um filme romântico dos
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais anos 40."
travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que
existem tipos textuais e gêneros textuais. O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos que
constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta voz
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os fatos
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto, na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira pessoa
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um que não intervém nem como ator nem como testemunha.
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver.
Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes pon-
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os tos de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o que
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e as personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que fa-
Dissertação. zem, pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que lhes
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo acontecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados oniscientes.
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado A Novela
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em
prosa. É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de
complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois se personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
conceituam como gêneros textuais as diversas situações rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por
sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes.
exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma
monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-se- A Obra Teatral
iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico), texto
do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico. Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas,
tragédias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvol-
Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é vendo diversos conflitos, mediante a interação linguística das personagens,
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir esta quer dizer, através das conversações que têm lugar entre os participantes
gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos aperfeiçoando nas situações comunicativas registradas no mundo de ficção construído
mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia Duarte pelo texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos,
mas um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos
O Conto das personagens.
É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos per- Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível encon-
feitamente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de equilí- trar neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem espon-
brio; segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um conflito, tânea das personagens, através de numerosas interjeições, de alterações
que dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução desse da sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de lugar e
conflito que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio perdido. tempo. Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares servem
Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem para moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, estabelecem
entre si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de os turnos de palavras.
recheio (secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense. As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da repre-
Tanto os núcleos como as ações secundárias colocam em cena persona- sentação cênica: elas são construídas para serem representadas. O diretor
gens que as cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresen- e os atores orientam sua interpretação.
tação das características destes personagens, assim como para as indica-
ções de lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos. Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão
temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada conta-
Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo das to apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, determi-
personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes (os nadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferentes qua-
travessões, para indicar a mudança de interlocutor). dros, que correspondem a mudanças de cenografias.
A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as
linha temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na chamadas notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos
apresentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao atores sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes
futuro). cenografias que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação.
A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os Estas notações apresentam com frequência orações unimembres e/ou
contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de bimembres de predicado não verbal.
temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...". O Poema
Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição es-
e na interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predo- pacial muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão
minam na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descri- relevância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com
ções e nos diálogos. uma silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos miste-
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência riosos labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz alta, para
chega ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu preten- captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem que pre-
dente, enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a histó- tende extrair a significação dos recursos estilísticos empregados pelo
ria familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas no poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, sua
passado: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro, olhou versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo,
sua filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na sala". relatar epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apre-
sentar ensinamentos morais (como nas fábulas).
A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibilida-
de: são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor sono-
ro das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte
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essencial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma série jornais trazem as informações que se quer destacar. Esta localização
métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras que antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao conteúdo desses
compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a musicali- textos.
dade depende desta distribuição.
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre
Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à a posição adotada pela redação.
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as chama- A Notícia
das licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em suas Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não constitu- pessoas.
em um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final de uma
palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com vogal ou As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que
h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos finais também contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a infor-
incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última palavra é paro- mação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por exemplo,
xítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona, soma-se uma não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá-la), ou de
sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma. ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações
similares.
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos,
pois existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequen- É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa
te na poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou parcial dos pelo fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três
últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coin- partes claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimento.
cidência total de vogais e consoante a partir da última vogal acentuada) e a O título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a
assonante (coincidência unicamente das vogais a partir da última vogal atenção do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal
acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai desde duas até de- El País, 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze
zesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem, já que, pelo acento, palavras. A introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser
são considerados dissílabos. um resumo de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes
que não aparecem na introdução.
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas dife-
rentes combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à
progressão temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade margem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da
informativa vinculada ao tema central. primeira pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir
o eu ou o nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo,
Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos meca- não se referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como
nismos de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com a nosso país ou minha cidade).
criação de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de vocábu-
los, metonímias, jogo de significados, associações livres e outros recursos Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veracida-
estilísticos que dão ambiguidade ao poema. de: somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue com-
provar de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a
TEXTOS JORNALÍSTICOS certas fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está descar-
Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu por- tado que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte,
tador ( jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da recorre ao discurso direto, como, por exemplo:
função informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no mo- O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara
mento em que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da dos Deputados durante a próxima semana .
atualidade, condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as
novidades produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais varia- O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal.
dos temas. Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações
De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções: enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar das
informação nacional, informação internacional, informação local, sociedade, notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também é
economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos. frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela
polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita
A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o por um patrulheiro.
tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes tanto
da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema abor- A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o quê?
dado. quem? como? quando? por quê e para quê?.

Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais comuns O Artigo de Opinião


são as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reportagens, as Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atua-
crônicas, as resenhas de espetáculos. lidade que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já é
A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à considerado, ou merece ser, objeto de debate.
medida que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos publi- Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pesqui-
citários aparecem não só nos periódicos como também em outros meios sa e as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expressam a
amplamente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso, nos posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua ideologia,
referiremos a eles em outro momento. enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as opiniões de
Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas vezes, opiniões
suas seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os divergentes e até antagônicas em uma mesma página.
quais destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se
cuidada, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informa- organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifica-
ção linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as expli- ção do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcance, e
cações do texto. que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de uma
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na pu- tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a justificar
blicação para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fundamentalmente, esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição adotada no
a primeira página, as páginas ímpares e o extremo superior das folhas dos início do texto.

Língua Portuguesa 5 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos de quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usadas de propostas e de réplicas.
para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as
seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações,
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetividade
e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - deta- Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ci-
lhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa ências em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam-
estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes da se tanto nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
informação. Todos eles são recursos que servem para fundamentar os Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa destas
argumentos usados na validade da tese. ciências, os textos têm algumas características que são comuns a todas
A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de suas variedades: neles predominam, como em todos os textos informativos,
temas derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se a ordem
respectivos comentários. sintática canônica (sujeito-verbo-predicado).

Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apresen- Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou semân-
tam uma preeminência de orações enunciativas, embora também incluam, tica, e levam em consideração o significado mais conhecido, mais difundido
com frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua trama das palavras.
argumentativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o valor O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocábu-
da informação de base, o assunto em questão; as últimas, para convencer los a que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto é,
o leitor a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decorrer destes evitam os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabelecem
artigos, opta-se por orações complexas que incluem proposições causais mediante definições operatórias o significado que deve ser atribuído ao
para as fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos efeitos, con- termo polissêmico nesse contexto.
cessivas e condicionais.
A Definição
Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura
ideológica do autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob que Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, que
circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação exposta. determina de forma clara e precisa as características genéricas e diferenci-
Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos utilizar ais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma configuração
estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica dos dados de elementos que se relacionam semanticamente com o termo a definir
do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta das através de um processo de sinonímia.
entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito.
Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo por
Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias excelência da definição lógica, uma das construções mais generalizadas
mencionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expansão do
texto de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que pertence,
aceite ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas, "animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o traço que
cenas e opiniões como positivas ou negativas. nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero animal.
A Reportagem Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores
mais qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se
É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que, referem: Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou
para informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma parte do Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente
figura-chave para o conhecimento deste tópico. antes de terminar o inverno.
A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a pu- Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La
blicação e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a Real Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou
atenção dos leitores. introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus
A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, reali- traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações
zada com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo. As unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso exem-
perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para plo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um subs-
divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador. tantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte do
Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação medi-
A Entrevista ante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparentemen-
Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente medi- te antes de terminar o inverno".
ante uma trama conversacional, mas combina com frequência este tecido As definições contêm, também, informações complementares relacio-
com fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior liberdade, nadas, por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se
uma vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-resposta, mas inclui o termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo
detém-se em comentários e descrições sobre o entrevistado e transcreve ("do lat. piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc.
somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com travessões a mu-
dança de interlocutor. É permitido apresentar uma introdução extensa com Essas informações complementares contêm frequentemente
os aspectos mais significativos da conversação mantida, e as perguntas abreviaturas, cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário:
podem ser acompanhadas de comentários, confirmações ou refutações Lat., Latim; Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc.
sobre as declarações do entrevistado. O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias bási-
Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessa- cas da estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, nos
riamente incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a quais diferentes informações costumam ser codificadas através de tipogra-
conversação possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas fias diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as etimologi-
destas entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a temas as, etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em bloco median-
derivados. te barras paralelas e /ou números.

Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender uma
uma garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. Fazer
continuar em exercício; adiar o término de.

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A Nota de Enciclopédia observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa,
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de trama do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela ampli-
tude desta expansão. A Monografia
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre um
temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constituem- determinado tema é recolhida em diferentes fontes.
se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por subtítu-
los. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar os Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados
temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeografia, com base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como
população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura, etc. fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemunhos
qualificados ou de especialistas no tema.
Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos, nos
quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coe-
exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra- rente dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas varie- como indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por
dades: terrestres e aquáticos. exemplo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que os
aspectos positivos da gestão governamental de um determinado persona-
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da lin- gem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos negativos,
guagem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica, que teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal forma que
responde às exigências de concisão e de precisão. esta valorização fique explícita.
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem atra- Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o
vés de adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com manchas tema a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que,
pretas no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica, olhos muito conjugando seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará
juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a base informativa as primeiras antecipações sobre a informação que espera encontrar e
dos substantivos e, como é possível observar em nosso exemplo, agregam formulará as hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o
qualidades próprias daquilo a que se referem. tema, estes textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o
que cada uma das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo tecido estarão listadas nas referências bibliográficas, de acordo com as normas
predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os de que regem a apresentação da bibliografia.
ligação - ser, estar, parecer, etc.
O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do
O Relato de Experimentos
texto que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de
Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em construções de discurso direto ou de discurso indireto.
manipular o ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modifica-
que descrevem experimentos. ções, tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da econo-
O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber, mia dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de toda
mas que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é tramitação referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que prenunciam
necessário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações a palavra de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os traços que
para concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para consta- incluem o nome do autor do texto citado, 'o processo da economia dirigida -
tar o que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições declara Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') são alguns dos
uma planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se sinais que distinguem frequentemente o discurso direto.
colocar suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por ou-
de luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes tro, em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos
fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que subordinadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações,
circunstâncias obtém-se um melhor crescimento. pronomes pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, sinais
A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas cate- auxiliares, etc.
gorias: uma corresponde às condições em que o experimento se realiza, Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría -
isto é, ao registro da situação de experimentação; a outra, ao processo nutrem-se do liberalismo’
observado.
Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu
Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que co- pensamento nutriam -se do liberalismo'
meçam com se (condicionais) e com quando (condicional temporal):
Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos discendi
Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a (dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir os
planta crescerá mais rápido. enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões do
Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a emissor.
mostrar manchas marrons devido ao excesso de umidade. Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o au-
Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável tor recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de classi-
tempo aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é ficação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo de fonte
possível observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente entre os
...; de advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no dados apresentados e o princípio de classificação adotado.
mesmo momento que, etc., dado que a variável temporal é um componente Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipóte-
essencial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos, apre- se, sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das
senta as características dos elementos, os traços distintivos de cada uma fontes consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência
das etapas do processo. estabelecida entre os fatos e a conclusão.
O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo
em um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primeira problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos.
pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser-
vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo

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Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas linguís- to, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho, etc.),
ticas relevantes para analisar as distintas relações que se estabelecem a outra, desenvolve as instruções.
entre os dados e para avaliar sua coerência.
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habitu-
A Biografia almente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos acom-
panhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) pessoa(s).
Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma autobiografia. As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres,
com verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou
Estes textos são empregados com frequência na escola, para apresen- orações unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo
tar ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de personagens (misturar a farinha com o açúcar).
cuja ação foi qualificada como relevante na história.
Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como as
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, dado construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo aparecem
que a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias, em acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais que
sua construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a conec- expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações (sepa-
tividade temporal: advérbios, construções de valor semântico adverbial re cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito cuidado as
(Seus cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de sua claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem estruturados
cidade natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposições visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteúdo do pacote
temporais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos caminhos em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com as claras até
da novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se na realida- que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui-se, com fre-
de), etc. quência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar e de tempo:
A veracidade que exigem os textos de informação científica manifesta- Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer novamente. Neste
se nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados apre- momento, terá que correr rapidamente até o lado oposto da cancha. Aqui
sentados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo de pode intervir outro membro da equipe.
apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumulação TEXTOS EPISTOLARES
simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes dados
pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo com a Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por es-
importância que a eles atribui. crito com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeça-
lho. Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não - uma empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos
autorizadas" de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma carac- designados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora).
terística que parece ser comum nestas biografias é a intencionalidade de
revelar a personagem através de uma profusa acumulação de aspectos Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, de
negativos, especialmente aqueles que se relacionam a defeitos ou a vícios forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, dependendo
altamente reprovados pela opinião pública. das características contidas no texto.
TEXTOS INSTRUCIONAIS Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organiza-
ção espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que estabe-
Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais di- lece o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a forma de
versas atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte do texto
animais domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc. em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a saudação
Dentro desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas culi- e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O grau de
nárias até os complexos manuais de instrução para montar o motor de um familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio que orienta
avião. Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um amigo, opta-
receitas e manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instruções, se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é desconhecido
etc. Mas todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica (empregador em
função apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a trama relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), impõe-se o estilo
descritiva para representar o processo a ser seguido na tarefa empreendi- formal.
da.
A Carta
A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencio-
nais cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade, As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e ar-
estão amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co- gumentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informativa,
propriedade; então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um expressiva e apelativa).
texto deste tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identifica-
ção para introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, isto
direitos e deveres das partes envolvidas. é, aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a um
amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm acontecimen-
Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instru- tos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que percebe o
cionais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário comprometido
alimentos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a seguir afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz de extrair a
uma dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio destes dimensão expressiva da mensagem.
textos incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu emprego
frequente e sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de aborda- Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor co-
gem e de produção de algumas de suas variedades, como as receitas e as nhecido, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transpare-
instruções. cer marcas da oraljdade: frases inconclusas, nas quais as reticências
habilitam múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las;
As Receitas e as Instruções perguntas que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que
encerram em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de
Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções exclamação que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas
para organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato, expressões que refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
fabricar um móvel, consertar um objeto, etc.
Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As enun-
Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir da ciativas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se com as
especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados (lista dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para manifestar a
de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no experimen-
Língua Portuguesa 8 A Opção Certa Para a Sua Realização
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subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também o uso de Para isso, foi preciso determinar muito bem o sentido de progresso. Do
diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos qualificati- ponto de vista material, considera-se ganho humano apenas aquilo que
vos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjeições. concorre para equilibrar a ação transformadora do homem sobre a natureza e
a integridade da vida natural. Desenvolvimento, sim, mas sustentável: o
A Solicitação adjetivo exprime uma condição, para cercear as iniciativas predatórias. Cada
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabelecida novidade tecnológica há de ser investigada quanto a seus efeitos sobre o
pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou tem a homem e o meio em que vive. Cada intervenção na natureza há de adequar-
possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo emissor: um se a um planejamento que considere a qualidade e a extensão dos efeitos.
emprego, uma vaga em uma escola, etc. Em suma: já está ocorrendo, há algum tempo, uma avaliação ética e
Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ce- política de todas as formas de progresso que afetam nossa relação com o
der ou não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal, que mundo e, portanto, a qualidade da nossa vida. Não é pouco, mas ainda não
recorre ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas convencionalmente é suficiente. Aos cientistas, aos administradores, aos empresários, aos
para a abertura e encerramento (atenciosamente ..com votos de estima e industriais e a todos nós – cidadãos comuns – cabe a tarefa cotidiana de
consideração . . . / despeço-me de vós respeitosamente . ../ Saúdo-vos com zelarmos por nossas ações que inflectem sobre qualquer aspecto da quali-
o maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam e encerram-se dade de vida. A tarefa começa em nossa casa, em nossa cozinha e banhei-
estes textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O abaixo-assinado, ro, em nosso quintal e jardim – e se estende à preocupação com a rua, com
Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor Diretor do Instituto o bairro, com a cidade.
Politécnico a fim de solicitar-lhe...)
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do “Meu coração não é maior do que o mundo”, dizia o poeta. Mas um
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor mundo que merece a atenção do nosso coração e da nossa inteligência é,
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa identi- certamente, melhor do que este em que estamos vivendo.
ficam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez, dirige- Não custa interrogar, a cada vez que alguém diz progresso, o sentido
se a...). preciso – talvez oculto - da palavra mágica empregada. (Alaor Adauto de
A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o Mello)
primeiro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições
que reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados 1. Centraliza-se, no texto, uma concepção de progresso, segundo a
por frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos qual este deve ser
em algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condi- (A)) equacionado como uma forma de equilíbrio entre as atividades
ções; por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à sua humanas e o respeito ao mundo natural.
apelação. (B) identificado como aprimoramento tecnológico que resulte em ativida-
de economicamente viável.
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram (C) caracterizado como uma atividade que redunde em maiores lucros
um amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão para todos os indivíduos de uma comunidade.
tanto de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem (D) definido como um atributo da natureza que induz os homens a apro-
desenvolver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar, como veitarem apenas o que é oferecido em sua forma natural.
de construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa posição, o (E) aceito como um processo civilizatório que implique melhor distribui-
solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infinitivo salienta ção de renda entre todos os agentes dos setores produtivos.
os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o gerúndio
enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido). 2. Considere as seguintes afirmações:
I. A banalização do uso da palavra progresso é uma consequência do
A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal ma-
fato de que a Ecologia deixou de ser um assunto acadêmico.
neira que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de
II. A expressão desenvolvimento sustentável pressupõe que haja
solicitação de bolsas de estudo, etc.
formas de desenvolvimento nocivas e predatórias.
Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana Maria III. Entende o autor do texto que a magia da palavra progresso advém
Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS. do uso consciente e responsável que a maioria das pessoas vem fa-
zendo dela.
Em relação ao texto está correto APENAS que se afirmar em
EXERCÍCIOS – INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS (A) I. (B))II.
(C) III. (D) I e II. (E) II e III.
Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto que se- 3. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente uma frase do
gue. texto em:
(A) Mas quero chegar logo ao ponto = devo me antecipar a qualquer
No coração do progresso conclusão.
Há séculos a civilização ocidental vem correndo atrás de tudo o que (B) continuamos a usar indiscriminadamente a palavrinha mágica =
classifica como progresso. Essa palavra mágica aplica-se tanto à invenção seguimos chamando de mágico tudo o que julgamos sem preconcei-
do aeroplano ou à descoberta do DNA como à promoção do papai no novo to.
emprego. “Estou fazendo progressos”, diz a titia, quando enfim acerta a (C) para cercear as iniciativas predatórias = para ir ao encontro das
mão numa velha receita. Mas quero chegar logo ao ponto, e convidar o ações voluntariosas.
leitor a refletir sobre o sentido dessa palavra, que sempre pareceu abrir (D) ações que inflectem sobre qualquer aspecto da qualidade da vida =
todas as portas para uma vida melhor. práticas alheias ao que diz respeito às condições de vida.
(E)) há de adequar-se a um planejamento = deve ir ao encontro do que
Quando, muitos anos atrás, num daqueles documentários de cinema, está planificado.
via-se uma floresta sendo derrubada para dar lugar a algum empreendi-
mento, ninguém tinha dúvida em dizer ou pensar: é o progresso. Uma 4. Cada intervenção na natureza há de adequar-se a um planejamento
represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um pelo qual se garanta que a qualidade da vida seja preservada.
progresso. As coisas não mudaram tanto: continuamos a usar indiscrimina- Os tempos e os modos verbais da frase acima continuarão correta-
damente a palavrinha mágica. Mas não deixaram de mudar um pouco: mente articulados caso se substituam as formas sublinhadas, na or-
desde que a Ecologia saiu das academias, divulgou-se, popularizou-se e dem em que surgem, por
tornou-se, efetivamente, um conjunto de iniciativas em favor da preserva- (A) houve - garantiria – é (B) haveria - garantiu - teria sido
ção ambiental e da melhoria das condições da vida em nosso pequenino (C) haveria - garantisse – fosse (D) haverá - garantisse - e
planeta. (E) havia - garantiu – é
5. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na

Língua Portuguesa 9 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
frase: (A) Toda vez que é pronunciada, a palavra progresso, parece abrir a
(A)) Já faz muitos séculos que se vêm atribuindo à palavra progresso porta para um mundo, mágico de prosperidade garantida.
algumas conotações mágicas. (B)) Por mínimas que pareçam, há providências inadiáveis, ações apa-
(B) Deve-se ao fato de usamos muitas palavras sem conhecer seu rentemente irrisórias, cuja execução cotidiana é, no entanto, impor-
sentido real muitos equívocos ideológicos. tantíssima.
(C) Muitas coisas a que associamos o sentido de progresso não chega a (C) O prestígio da palavra progresso, deve-se em grande parte ao modo
representarem, de fato, qualquer avanço significativo. irrefletido, com que usamos e abusamos, dessa palavrinha mágica.
(D) Se muitas novidades tecnológicas houvesse de ser investigadas a (D) Ainda que traga muitos benefícios, a construção de enormes repre-
fundo, veríamos que são irrelevantes para a melhoria da vida. sas, costuma trazer também uma série de consequências ambientais
(E) Começam pelas preocupações com nossa casa, com nossa rua, com que, nem sempre, foram avaliadas.
nossa cidade a tarefa de zelarmos por uma boa qualidade da vida. (E) Não há dúvida, de que o autor do texto aderiu a teses ambientalistas
segundo as quais, o conceito de progresso está sujeito a uma per-
6. Está correto o emprego de ambas as expressões sublinhadas na manente avaliação.
frase:
(A) De tudo aquilo que classificamos como progresso costumamos Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 24.
atribuir o sentido de um tipo de ganho ao qual não queremos abrir
mão. De um lado estão os prejuízos e a restrição de direitos causados pelos
(B) É preferível deixar intacta a mata selvagem do que destruí-la em protestos que param as ruas de São Paulo. De outro está o direito à livre
nome de um benefício em que quase ninguém desfrutará. manifestação, assegurado pela Carta de 1988. Como não há fórmula
(C) A titia, cuja a mão enfim acertou numa velha receita, não hesitou em perfeita de arbitrar esse choque entre garantias democráticas fundamen-
ver como progresso a operação à qual foi bem sucedida. tais, cabe lançar mão de medidas pontuais – e sobretudo de bom senso.
(D) A precisão da qual se pretende identificar o sentido de uma palavra
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima em R$ 3 milhões
depende muito do valor de contexto a que lhe atribuímos.
o custo para a população dos protestos ocorridos nos últimos três anos na
(E)) As inovações tecnológicas de cujo benefício todos se aproveitam
representam, efetivamente, o avanço a que se costuma chamar pro- capital paulista. O cálculo leva em conta o combustível consumido e as
gresso. horas perdidas de trabalho durante os engarrafamentos causados por
protestos. Os carros enfileirados por conta de manifestações nesses três
anos praticamente cobririam os 231 km que separam São Paulo de São
7. Considere as seguintes afirmações, relativas a aspectos da constru- Carlos.
ção ou da expressividade do texto:
I. No contexto do segundo parágrafo, a forma plural não mudaram A Justiça é o meio mais promissor, em longo prazo, para desestimular
tanto atende à concordância com academias. os protestos abusivos que param o trânsito nos horários mais inconvenien-
II. No contexto do terceiro parágrafo, a expressão há de adequar-se tes e acarretam variados transtornos a milhões de pessoas. É adequada a
exprime um dever imperioso, uma necessidade premente. atitude da CET de enviar sistematicamente ao Ministério Público relatórios
III. A expressão Em suma, tal como empregada no quarto parágrafo, com os prejuízos causados em cada manifestação feita fora de horários e
anuncia a abertura de uma linha de argumentação ainda inexplorada locais sugeridos pela agência ou sem comunicação prévia.
no texto.
Está correto APENAS o que se afirmar em Com base num documento da CET, por exemplo, a Procuradoria acio-
(A) I. nou um líder de sindicato, o qual foi condenado em primeira instância a
(B)) II. pagar R$ 3,3 milhões aos cofres públicos, a título de reparação. O direito à
(C) III. livre manifestação está previsto na Constituição. No entanto, tal direito não
(D) I e II. anula a responsabilização civil e criminal em caso de danos provocados
(E) II e III. pelos protestos.

8. A palavra progresso frequenta todas as bocas, todas pronunciam a O poder público deveria definir, de preferência em negociação com as
palavra progresso, todas atribuem a essa palavra sentidos mágicos categorias que costumam realizar protestos na capital, horários e locais
que elevam essa palavra ao patamar dos nomes miraculosos. vedados às passeatas. Práticas corriqueiras, como a paralisia de avenidas
Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se os essenciais para o tráfego na capital nos horários de maior fluxo, deveriam
elementos sublinhados, na ordem dada, por: ser abolidas.
(A)) a pronunciam - lhe atribuem - a elevam (Folha de S.Paulo, 29.09.07. Adaptado)
(B) a pronunciam - atribuem-na - elevam-na
(C) lhe pronunciam - lhe atribuem - elevam-lhe 11. De acordo com o texto, é correto afirmar que
(D) a ela pronunciam - a ela atribuem - lhe elevam (A) a Companhia de Engenharia de Tráfego não sabe mensurar o custo
(E) pronunciam-na - atribuem-na - a elevam dos protestos ocorridos nos últimos anos.
(B) os prejuízos da ordem de R$ 3 milhões em razão dos engarrafamen-
9. Está clara e correta a redação da seguinte frase: tos já foram pagos pelos manifestantes.
(A) Caso não se determine bem o sentido da palavra progresso, pois que (C) os protestos de rua fazem parte de uma sociedade democrática e
é usada indiscriminadamente, ainda assim se faria necessário que são permitidos pela Carta de 1988.
reflitamos sobre seu verdadeiro sentido. (D) após a multa, os líderes de sindicato resolveram organizar protestos
(B) Ao dizer o poeta que seu coração não é maior do que o mundo, de rua em horários e locais predeterminados.
devemos nos inspirar para que se estabeleça entre este e o nosso (E) o Ministério Público envia com frequência estudos sobre os custos
coração os compromissos que se reflitam numa vida melhor. das manifestações feitas de forma abusiva.
(C) Nada é desprezível no espaço do mundo, que não mereça nossa
atenção quanto ao fato de que sejamos responsáveis por sua melho- 12. No primeiro parágrafo, afirma-se que não há fórmula perfeita para
ria, seja o nosso quintal, nossa rua, enfim, onde se esteja. solucionar o conflito entre manifestantes e os prejuízos causados ao
(D)) Todo desenvolvimento definido como sustentável exige, para fazer restante da população. A saída estaria principalmente na
jus a esse adjetivo, cuidados especiais com o meio ambiente, para (A) sensatez.
que não venham a ser nocivos seus efeitos imediatos ou futuros. (B) Carta de 1998.
(E) Tem muita ciência que, se saísse das limitações acadêmicas, acaba- (C) Justiça.
riam por se revelarem mais úteis e mais populares, em vista da Eco- (D) Companhia de Engenharia de Tráfego.
logia, cujas consequências se sente mesmo no âmbito da vida práti- (E) na adoção de medidas amplas e profundas.
ca. 13. De acordo com o segundo parágrafo do texto, os protestos que
10. Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período:

Língua Portuguesa 10 A Opção Certa Para a Sua Realização


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param as ruas de São Paulo representam um custo para a população e criminal em caso de danos provocados pelos protestos –, a locução
da cidade. O cálculo desses custos é feito a partir conjuntiva no entanto indica uma relação de
(A) das multas aplicadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (A) causa e efeito. (B) oposição.
(CET). (C) comparação. (D) condição. (E) explicação.
(B) dos gastos de combustível e das horas de trabalho desperdiçadas
em engarrafamentos. 21. “Não há fórmula perfeita de arbitrar esse choque.” Nessa frase, a
(C) da distância a ser percorrida entre as cidades de São Paulo e São palavra arbitrar é um sinônimo de
Carlos. (A) julgar. (B) almejar.
(D) da quantidade de carros existentes entre a capital de São Paulo e (C) condenar. (D) corroborar. (E) descriminar.
São Carlos.
(E) do número de usuários de automóveis particulares da cidade de São 22. No trecho – A Justiça é o meio mais promissor para desestimular os
Paulo. protestos abusivos – a preposição para estabelece entre os termos
uma relação de
14. A quantidade de carros parados nos engarrafamentos, em razão das (A) tempo. (B) posse.
manifestações na cidade de São Paulo nos últimos três anos, é equi- (C) causa. (D) origem. (E) finalidade.
parada, no texto,
(A) a R$ 3,3 milhões. 23. Na frase – O poder público deveria definir horários e locais –, substi-
(B) ao total de usuários da cidade de São Carlos. tuindo-se o verbo definir por obedecer, obtém-se, segundo as regras
(C) ao total de usuários da cidade de São Paulo. de regência verbal, a seguinte frase:
(D) ao total de combustível economizado. (A) O poder público deveria obedecer para horários e locais.
(E) a uma distância de 231 km. (B) O poder público deveria obedecer a horários e locais.
(C) O poder público deveria obedecer horários e locais.
15. No terceiro parágrafo, a respeito do poder da Justiça em coibir os (D) O poder público deveria obedecer com horários e locais.
protestos abusivos, o texto assume um posicionamento de (E) O poder público deveria obedecer os horários e locais.
(A) indiferença, porque diz que a decisão não cabe à Justiça.
(B) entusiasmo, porque acredita que o órgão já tem poder para impedir 24. Transpondo para a voz passiva a frase – A Procuradoria acionou um
protestos abusivos. líder de sindicato – obtém-se:
(C) decepção, porque não vê nenhum exemplo concreto do órgão para (A) Um líder de sindicato foi acionado pela Procuradoria.
impedir protestos em horários de pico. (B) Acionaram um líder de sindicato pela Procuradoria.
(D) confiança, porque acredita que, no futuro, será uma forma bem- (C) Acionaram-se um líder de sindicato pela Procuradoria.
sucedida de desestimular protestos abusivos. (D) Um líder de sindicato será acionado pela Procuradoria.
(E) satisfação, porque cita casos em que a Justiça já teve êxito em (E) A Procuradoria foi acionada por um líder de sindicato.
impedir protestos em horários inconvenientes e em avenidas movi-
mentadas. Leia o texto para responder às questões de números 25 a 34.
DIPLOMA E MONOPÓLIO
16. De acordo com o texto, a atitude da Companhia de Engenharia de Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e medi-
Tráfego de enviar periodicamente relatórios sobre os prejuízos cau- cina no Brasil. É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvidos os
sados em cada manifestação é enguiços entre diplomas e carreiras. Falta-nos descobrir que a concorrência
(A) pertinente. (B) indiferente. (sob um bom marco regulatório) promove o interesse da sociedade e que o
(C) irrelevante. (D) onerosa. (E) inofensiva. monopólio só é bom para quem o detém. Não fora essa ignorância, como
explicar a avalanche de leis que protegem monopólios espúrios para o
17. No quarto parágrafo, o fato de a Procuradoria condenar um líder exercício profissional?
sindical Desde a criação dos primeiros cursos de direito, os graduados apenas
(A) é ilegal e fere os preceitos da Carta de 1998. ocasionalmente exercem a profissão. Em sua maioria, sempre ocuparam
(B) deve ser comemorada, ainda que viole a Constituição. postos de destaque na política e no mundo dos negócios. Nos dias de hoje,
(C) é legal, porque o direito à livre manifestação não isenta o manifestan- nem 20% advogam.
te da responsabilidade pelos danos causados. Mas continua havendo boas razões para estudar direito, pois esse é
(D) é nula, porque, segundo o direito à livre manifestação, o acusado um curso no qual se exercita lógica rigorosa, se lê e se escreve bastante.
poderá entrar com recurso. Torna os graduados mais cultos e socialmente mais produtivos do que se
(E) é inédita, porque, pela primeira vez, apesar dos direitos assegurados, não houvessem feito o curso. Se aprendem pouco, paciência, a culpa é
um manifestante será punido. mais da fragilidade do ensino básico do que das faculdades. Diante dessa
polivalência do curso de direito, os exames da OAB são uma solução
18. Dentre as soluções apontadas, no último parágrafo, para resolver o brilhante. Aqueles que defenderão clientes nos tribunais devem demonstrar
conflito, destaca-se nessa prova um mínimo de conhecimento. Mas, como os cursos são tam-
(A) multa a líderes sindicais. bém úteis para quem não fez o exame da Ordem ou não foi bem sucedido
(B) fiscalização mais rígida por parte da Companhia de Engenharia de na prova, abrir ou fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC,
Tráfego. não da OAB. A interferência das corporações não passa de uma prática
(C) o fim dos protestos em qualquer via pública. monopolista e ilegal em outros ramos da economia. Questionamos também
(D) fixar horários e locais proibidos para os protestos de rua. se uma corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a
(E) negociar com diferentes categorias para que não façam mais mani- dificuldade das provas, pois essa é também uma forma de limitar a concor-
festações. rência – mas trata-se aí de uma questão secundária. (...)
19. No trecho – É adequada a atitude da CET de enviar relatórios –, (Veja, 07.03.2007. Adaptado)
substituindo-se o termo atitude por comportamentos, obtém-se, de
acordo com as regras gramaticais, a seguinte frase: 25. Assinale a alternativa que reescreve, com correção gramatical, as
(A) É adequada comportamentos da CET de enviar relatórios. frases: Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direi-
(B) É adequado comportamentos da CET de enviar relatórios. to e medicina no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não foram
(C) São adequado os comportamentos da CET de enviar relatórios. resolvidos os enguiços entre diplomas e carreiras.
(D) São adequadas os comportamentos da CET de enviar relatórios. (A) Faz quase dois séculos que se fundou escolas de direito e medicina
(E) São adequados os comportamentos da CET de enviar relatórios. no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os en-
guiços entre diplomas e carreiras.
20. No trecho – No entanto, tal direito não anula a responsabilização civil (B) Faz quase dois séculos que se fundava escolas de direito e medicina

Língua Portuguesa 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram os preciso mencionar os cursos de administração. / É preciso mencio-
enguiços entre diplomas e carreiras. nar-lhes.
(C) Faz quase dois séculos que se fundaria escolas de direito e medicina (D) I. Os advogados devem demonstrar muitos conhecimentos. Os
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os en- advogados devem demonstrá-los. II. As associações mostram à so-
guiços entre diplomas e carreiras. ciedade o seu papel. / As associações mostram-lhe o seu papel.
(D) Faz quase dois séculos que se fundara escolas de direito e medicina (E) I. As leis protegem os monopólios espúrios. / As leis protegem-os. II.
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolvera os en- As corporações deviam fiscalizar a prática profissional. / As corpora-
guiços entre diplomas e carreiras. ções deviam fiscalizá-la.
(E) Faz quase dois séculos que se fundaram escolas de direito e medici- 31. Assinale a alternativa em que as palavras em destaque exercem,
na no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram respectivamente, a mesma função sintática das expressões assinala-
os enguiços entre diplomas e carreiras. das em: Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão.
26. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, de (A) Se aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do ensino básico.
acordo com a norma culta, as frases: O monopólio só é bom para (B) A interferência das corporações não passa de uma prática monopolista.
aqueles que ____________. / Nos dias de hoje, nem 20% advogam, (C) Abrir e fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC.
e apenas 1% ____________. / Em sua maioria, os advogados sem- (D) O estudante de direito exercita preferencialmente uma lógica rigorosa.
pre ____________. (E) Boas razões existirão sempre para o advogado buscar conhecimento.
(A) o retêem / obtem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na
política e no mundo dos negócios 32. Assinale a alternativa que reescreve a frase de acordo com a norma
(B) o retém / obtém sucesso / se apropriaram aos postos de destaque na culta.
política e no mundo dos negócios (A) Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão. / Os
(C) o retém / obtêem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na graduados apenas ocasionalmente se dedicam a profissão.
política e no mundo dos negócios (B) Os advogados devem demonstrar nessa prova um mínimo de conhe-
(D) o retêm / obtém sucesso / sempre se apropriaram de postos de cimento. / Os advogados devem primar nessa prova por um mínimo
destaque na política e no mundo dos negócios de conhecimento.
(E) o retem / obtêem sucesso / se apropriaram de postos de destaque na (C) Ele não fez o exame da OAB. / Ele não procedeu o exame da OAB.
política e no mundo dos negócios (D) As corporações deviam promover o interesse da sociedade. / As
corporações deviam almejar do interesse da sociedade.
27. Assinale a alternativa em que se repete o tipo de oração introduzida (E) Essa é uma forma de limitar a concorrência. / Essa é uma forma de
pela conjunção se, empregado na frase – Questionamos também se restringir à concorrência.
uma corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a
dificuldade das provas, ... 33. Assinale a alternativa em que o período formado com as frases I, II e III
(A) A sociedade não chega a saber se os advogados são muito corpora- estabelece as relações de condição entre I e II e de adição entre I e III.
tivos. I. O advogado é aprovado na OAB.
(B) Se os advogados aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do II. O advogado raciocina com lógica.
ensino básico. III. O advogado defende o cliente no tribunal.
(C) O advogado afirma que se trata de uma questão secundária. (A) Se o advogado raciocinar com lógica, ele será aprovado na OAB e
(D) É um curso no qual se exercita lógica rigorosa. defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
(E) No curso de direito, lê-se bastante. (B) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso, mas terá
de raciocinar com lógica e ser aprovado na OAB.
28. Assinale a alternativa em que se admite a concordância verbal tanto (C) Como raciocinou com lógica, o advogado será aprovado na OAB e
no singular como no plural como em: A maioria dos advogados ocu- defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
pam postos de destaque na política e no mundo dos negócios. (D) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso porque
(A) Como o direito, a medicina é uma carreira estritamente profissional. raciocinou com lógica e foi aprovado na OAB.
(B) Os Estados Unidos e a Alemanha não oferecem cursos de adminis- (E) Uma vez que o advogado raciocinou com lógica e foi aprovado na
tração em nível de bacharelado. OAB, ele poderá defender o cliente no tribunal com sucesso.
(C) Metade dos cursos superiores carecem de boa qualificação.
(D) As melhores universidades do país abastecem o mercado de traba- 34. Na frase – Se aprendem pouco, paciência, a culpa é mais da fragili-
lho com bons profissionais. dade do ensino básico do que das faculdades. – a palavra paciência
(E) A abertura de novos cursos tem de ser controlada por órgãos oficiais. vem entre vírgulas para, no contexto,
(A) garantir a atenção do leitor.
29. Assinale a alternativa que apresenta correta correlação de tempo
(B) separar o sujeito do predicado.
verbal entre as orações.
(C) intercalar uma reflexão do autor.
(A) Se os advogados demonstrarem um mínimo de conhecimento,
(D) corrigir uma afirmação indevida.
poderiam defender bem seus clientes.
(E) retificar a ordem dos termos.
(B) Embora tivessem cursado uma faculdade, não se desenvolveram
intelectualmente.
(C) É possível que os novos cursos passam a ter fiscalização mais Atenção: As questões de números 35 a 42 referem-se ao texto abaixo.
severa.
(D) Se não fosse tanto desconhecimento, o desempenho poderá ser SOBRE ÉTICA
melhor. A palavra Ética é empregada nos meios acadêmicos em três acepções.
(E) Seria desejável que os enguiços entre diplomas e carreiras se resol- Numa, faz-se referência a teorias que têm como objeto de estudo o com-
vem brevemente. portamento moral, ou seja, como entende Adolfo Sanchez Vasquez, “a
teoria que pretende explicar a natureza, fundamentos e condições da moral,
30. A substituição das expressões em destaque por um pronome pessoal relacionando-a com necessidades sociais humanas.” Teríamos, assim,
está correta, nas duas frases, de acordo com a norma culta, em: nessa acepção, o entendimento de que o fenômeno moral pode ser estu-
(A) I. A concorrência promove o interesse da sociedade. / A concorrência dado racional e cientificamente por uma disciplina que se propõe a descre-
promove-o. II. Aqueles que defenderão clientes. / Aqueles que lhes ver as normas morais ou mesmo, com o auxílio de outras ciências, ser
defenderão. capaz de explicar valorações comportamentais.
(B) I. O governo fundou escolas de direito e de medicina. / O governo
fundou elas. II. Os graduados apenas ocasionalmente exercem a Um segundo emprego dessa palavra é considerá-la uma categoria filo-
profissão. / Os graduados apenas ocasionalmente exercem-la. sófica e mesmo parte da Filosofia, da qual se constituiria em núcleo espe-
(C) I. Torna os graduados mais cultos. / Torna-os mais cultos. II. É culativo e reflexivo sobre a complexa fenomenologia da moral na convivên-
Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização
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cia humana. A Ética, como parte da Filosofia, teria por objeto refletir sobre sobre o texto:
os fundamentos da moral na busca de explicação dos fatos morais. (A) Dentre as três acepções de Ética que se menciona no texto, uma
apenas diz respeito à uma área em que conflui com o Direito.
Numa terceira acepção, a Ética já não é entendida como objeto descri- (B) O balizamento da conduta humana é uma atividade em que, cada um
tível de uma Ciência, tampouco como fenômeno especulativo. Trata-se em seu campo, se empenham o jurista e o filósofo.
agora da conduta esperada pela aplicação de regras morais no comporta-
mento social, o que se pode resumir como qualificação do comportamento (C) Costuma ocorrer muitas vezes não ser fácil distinguir Ética ou Moral,
do homem como ser em situação. É esse caráter normativo de Ética que a haja vista que tanto uma quanto outra pretendem ajuizar à situação
colocará em íntima conexão com o Direito. Nesta visão, os valores morais do homem.
dariam o balizamento do agir e a Ética seria assim a moral em realização, (D) Ainda que se torne por consenso um valor do comportamento huma-
pelo reconhecimento do outro como ser de direito, especialmente de digni- no, a Ética varia conforme a perspectiva de atribuição do mesmo.
dade. Como se vê, a compreensão do fenômeno Ética não mais surgiria (E) Os saberes humanos aplicados, do conhecimento da Ética, costu-
metodologicamente dos resultados de uma descrição ou reflexão, mas sim, mam apresentar divergências de enfoques, em que pese a metodo-
objetivamente, de um agir, de um comportamento consequencial, capaz de logia usada.
tornar possível e correta a convivência. (Adaptado do site Doutrina Jus
Navigandi) 42. Transpondo-se para a voz passiva a frase Nesta visão, os valores
morais dariam o balizamento do agir, a forma verbal resultante deve-
35. As diferentes acepções de Ética devem-se, conforme se depreende rá ser:
da leitura do texto, (A) seria dado.
(A) aos usos informais que o senso comum faz desse termo. (B) teriam dado.
(B) às considerações sobre a etimologia dessa palavra. (C) seriam dados.
(C) aos métodos com que as ciências sociais a analisam. (D) teriam sido dados.
(D) às íntimas conexões que ela mantém com o Direito. (E) fora dado.
(E) às perspectivas em que é considerada pelos acadêmicos.
Atenção: As questões de números 43 a 48 referem-se ao texto abaixo.
36. A concepção de ética atribuída a Adolfo Sanchez Vasquez é retoma-
da na seguinte expressão do texto: O HOMEM MORAL E O MORALIZADOR
(A) núcleo especulativo e reflexivo. Depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, esta-
(B) objeto descritível de uma Ciência. mos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se
(C) explicação dos fatos morais. não opostas. O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respei-
(D) parte da Filosofia. tá-los; o moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele
(E) comportamento consequencial. não consegue respeitar.
37. No texto, a terceira acepção da palavra ética deve ser entendida A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes.
como aquela em que se considera, sobretudo, Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respei-
(A) o valor desejável da ação humana. tar o padrão moral que ele impõe, ele não precisaria punir suas imperfei-
(B) o fundamento filosófico da moral. ções nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem
(C) o rigor do método de análise. moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a
(D) a lucidez de quem investiga o fato moral. adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um
(E) o rigoroso legado da jurisprudência. padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de
38. Dá-se uma íntima conexão entre a Ética e o Direito quando ambos um moralizador. Em geral, as sociedades em que as normas morais ga-
revelam, em relação aos valores morais da conduta, uma preocupa- nham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regra-
ção das por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos
(A) filosófica. homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas pró-
(B) descritiva. prias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os
(C) prescritiva. outros. A pior barbárie do mundo é isto: um mundo em que todos pagam
(D) contestatária. pelos pecados de hipócritas que não se aguentam. (Contardo Calligaris,
(E) tradicionalista. Folha de S. Paulo, 20/03/2008)

39. Considerando-se o contexto do último parágrafo, o elemento subli- 43. Atente para as afirmações abaixo.
nhado pode ser corretamente substituído pelo que está entre parên- I. Diferentemente do homem moral, o homem moralizador não se
teses, sem prejuízo para o sentido, no seguinte caso: preocupa com os padrões morais de conduta.
(A) (...) a colocará em íntima conexão com o Direito. (inclusão) II. Pelo fato de impor a si mesmo um rígido padrão de conduta, o ho-
(B) (...) os valores morais dariam o balizamento do agir (...) (arremate) mem moral acaba por impô-lo à conduta alheia.
(C) (...) qualificação do comportamento do homem como ser em situa- III. O moralizador, hipocritamente, age como se de fato respeitasse os
ção. (provisório) padrões de conduta que ele cobra dos outros.
(D) (...) nem tampouco como fenômeno especulativo. (nem, ainda)
(E) (...) de um agir, de um comportamento consequencial... (concessi- Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
vo) (A) I.
(B) II.
40. As normas de concordância estão plenamente observadas na frase: (C) III.
(A) Costumam-se especular, nos meios acadêmicos, em torno de três (D) I e II.
acepções de Ética. (E) II e III.
(B) As referências que se faz à natureza da ética consideram-na, com
muita frequência, associada aos valores morais. 44. No contexto do primeiro parágrafo, a afirmação de que já decorreu
(C) Não coubessem aos juristas aproximar-se da ética, as leis deixariam um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas indica um fator
de ter a dignidade humana como balizamento. determinante para que
(D) Não derivam das teorias, mas das práticas humanas, o efetivo valor (A) concluamos que o homem moderno já não dispõe de rigorosos
de que se impregna a conduta dos indivíduos. padrões morais para avaliar sua conduta.
(E) Convém aos filósofos e juristas, quaisquer que sejam as circunstân- (B) consideremos cada vez mais difícil a discriminação entre o homem
cias, atentar para a observância dos valores éticos. moral e o homem moralizador.
(C) reconheçamos como bastante remota a possibilidade de se caracte-
41. Está clara, correta e coerente a redação do seguinte comentário
Língua Portuguesa 13 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
rizar um homem moralizador. cionários da prefeitura varrem e lavam tudo, entre risos e gritos. O trânsito é
(D) identifiquemos divergências profundas entre o comportamento de um liberado, os carros atravancam a rua e, não fosse o persistente cheiro de
homem moral e o de um moralizador. peixe, a ninguém ocorreria que ali houve uma feira, frequentada por tão
(E) divisemos as contradições internas que costumam ocorrer nas atitu- diversas espécies de seres humanos. (Joel Rubinato, inédito)
des tomadas pelo homem moral.
49. Nas frases parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos
45. O autor do texto refere-se aos Estados confessionais para exemplifi- refugos e não admitem ser acusados de egoístas, o narrador do texto
car uma sociedade na qual (A) mostra-se imparcial diante de atitudes opostas dos feirantes.
(A) normas morais não têm qualquer peso na conduta dos cidadãos. (B) revela uma perspectiva crítica diante da atitude de certos feirantes.
(B) hipócritas exercem rigoroso controle sobre a conduta de todos. (C) demonstra não reconhecer qualquer proveito nesse tipo de coleta.
(C) a fé religiosa é decisiva para o respeito aos valores de uma moral (D) assume-se como um cronista a quem não cabe emitir julgamentos.
comum. (E) insinua sua indignação contra o lucro excessivo dos feirantes.
(D) a situação de barbárie impede a formulação de qualquer regra moral.
(E) eventuais falhas de conduta são atribuídas à fraqueza das leis. 50. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de um
segmento do texto em:
46. Na frase A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes, (A) serviu de chamariz
o sentido da expressão sublinhada está corretamente traduzido em: (B) alguma suspeita sardinha
(A) significativos desdobramentos dela. (C) teimoso aproveitamento
(B) determinados antecedentes dela. (D) o princípio mesmo do comércio comercial.
(C) reconhecidos fatores que a causam. (E) Agem para salvaguardar
(D) consequentes aspectos que a relativizam.
(E) valores comuns que ela propicia. 51. Atente para as afirmações abaixo.
I. Os riscos do consumo de uma sardinha suspeita ou da ponta de um
47. Está correta a articulação entre os tempos e os modos verbais na cação que foi desprezada justificam o emprego de se aventuram, no
frase: primeiro parágrafo.
(A) Se o moralizador vier a respeitar o padrão moral que ele impusera, já II. O emprego de alegam, no segundo parágrafo, deixa entrever que o
não podia ser considerado um hipócrita. autor não compactua com a justificativa dos feirantes.
(B) Os moralizadores sempre haveriam de desrespeitar os valores III. No último parágrafo, o autor faz ver que o fim da feira traz a supera-
morais que eles imporão aos outros. ção de tudo o que determina a existência de diversas espécies de
(C) A pior barbárie terá sido aquela em que o rigor dos hipócritas servis- seres humanos.
se de controle dos demais cidadãos. Em relação ao texto, é correto o que se afirmar APENAS em
(D) Desde que haja a imposição forçada de um padrão moral, caracteri- (A) I. (B) II.
zava-se um ato típico do moralizador. (C) III. (D) I e II. (E) II e III.
(E) Não é justo que os hipócritas sempre venham a impor padrões
morais que eles próprios não respeitam. 52. Está INCORRETA a seguinte afirmação sobre um recurso de cons-
trução do texto: no contexto do
48. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na (A) primeiro parágrafo, a forma ou mesmo nada faz subentender a
frase: expressão verbal querem pagar.
(A) O moralizador está carregado de imperfeições de que ele não cos- (B) primeiro parágrafo, a expressão fregueses compradores faz suben-
tuma acusar em si mesmo. tender a existência de “fregueses” que não compram nada.
(B) Um homem moral empenha-se numa conduta cujo o padrão moral (C) segundo parágrafo, a expressão de qualquer modo está empregada
ele não costuma impingir na dos outros. com o sentido de de toda maneira.
(C) Os pecados aos quais insiste reincidir o moralizador são os mesmos (D) segundo parágrafo, a expressão para salvaguardar está empregada
em que ele acusa seus semelhantes. com o sentido de a fim de resguardar.
(D) Respeitar um padrão moral das ações é uma qualidade da qual não (E) terceiro parágrafo, a expressão não fosse tem sentido equivalente ao
abrem mão os homens a quem não se pode acusar de hipócritas. de mesmo não sendo.
(E) Quando um moralizador julga os outros segundo um padrão moral de
cujo ele próprio não respeita, demonstra toda a hipocrisia em que é 53. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no plural para
capaz. preencher de modo correto a lacuna da frase:
(A) Frutas e verduras, mesmo quando desprezadas, não ...... (deixar) de
Atenção: As questões de números 49 a 54 referem-se ao texto abaixo. as recolher quem não pode pagar pelas boas e bonitas.
(B) ......-se (dever) aos ruidosos funcionários da limpeza pública a provi-
FIM DE FEIRA dência que fará esquecer que ali funcionou uma feira.
Quando os feirantes já se dispõem a desarmar as barracas, começam (C) Não ...... (aludir) aos feirantes mais generosos, que oferecem as
a chegar os que querem pagar pouco pelo que restou nas bancadas, ou sobras de seus produtos, a observação do autor sobre o egoísmo
mesmo nada, pelo que ameaça estragar. Chegam com suas sacolas cheias humano.
de esperança. Alguns não perdem tempo e passam a recolher o que está (D) A pouca gente ...... (deixar) de sensibilizar os penosos detalhes da
pelo chão: um mamãozinho amolecido, umas folhas de couve amarelas, a coleta, a que o narrador deu ênfase em seu texto.
metade de um abacaxi, que serviu de chamariz para os fregueses compra- (E) Não ...... (caber) aos leitores, por força do texto, criticar o lucro
dores. Há uns que se aventuram até mesmo nas cercanias da barraca de razoável de alguns feirantes, mas sim, a inaceitável impiedade de ou-
pescados, onde pode haver alguma suspeita sardinha oculta entre jornais, tros.
ou uma ponta de cação obviamente desprezada.
54. A supressão da vírgula altera o sentido da seguinte frase:
Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pessoas: oferecem-lhes o (A) Fica-se indignado com os feirantes, que não compreendem a carên-
que, de qualquer modo, eles iriam jogar fora. cia dos mais pobres.
(B) No texto, ocorre uma descrição o mais fiel possível da tradicional
Mas outros parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos refu-
coleta de um fim de feira.
gos, e chegam a recolhê-los para não os verem coletados. Agem para
(C) A todo momento, dá-se o triste espetáculo de pobreza centralizado
salvaguardar não o lucro possível, mas o princípio mesmo do comércio.
nessa narrativa.
Parecem temer que a fome seja debelada sem que alguém pague por isso.
(D) Certamente, o leitor não deixará de observar a preocupação do autor
E não admitem ser acusados de egoístas: somos comerciantes, não assis-
em distinguir os diferentes caracteres humanos.
tentes sociais, alegam.
(E) Em qualquer lugar onde ocorra uma feira, ocorrerá também a humil-
Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão da limpeza e os fun- de coleta de que trata a crônica.

Língua Portuguesa 14 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
RESPOSTAS 15. PONTUAÇÃO
1. A 11. C 21. A 31. E 41. B 51. D
2. B 12. A 22. E 32. B 42. A 52. E
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as
3. E 13. B 23. B 33. A 43. C 53. D
pausas da linguagem oral.
4. C 14. E 24. A 34. C 44. D 54. A
5. A 15. D 25. E 35. E 45. B
6. E 16. A 26. D 36. B 46. A PONTO
7. B 17. C 27. A 37. A 47. E O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla-
8. A 18. D 28. C 38. C 48. D rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
9. D 19. E 29. B 39. D 49. B comuns ele é chamado de simples.
10. B 20. B 30. D 40. E 50. C
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).

14. SEMÂNTICA: SINÔNIMOS E ANTÔNIMOS PONTO DE INTERROGAÇÃO


É usado para indicar pergunta direta.
Quanto à significação, as palavras podem ser: Onde está seu irmão?
1. Sinônimas - quando apresentam sentidos semelhantes: falecer e Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
morrer, belo e bonito; longe e distante, etc. A mim ?! Que idéia!

2. Antônimas - quando têm significação oposta: triste e alegre, bondade PONTO DE EXCLAMAÇÃO
e maldade, riqueza e pobreza. É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
3. Homônimas - quando são escritas ou pronunciadas de modo idêntico Ó jovens! Lutemos!
mas são diferentes quanto ao significado.
Os homônimos podem ser:
a) perfeitos - quando possuem a mesma grafia (homógrafos) e a VÍRGULA
mesma pronúncia (homófonos): A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
cura (padre) - cura (do v. curar) sa na fala. Emprega-se a vírgula:
verão (estação) - verão (verbo ver) • Nas datas e nos endereços:
são (sadio) - são (verbo ser) São Paulo, 17 de setembro de 1989.
b) imperfeitos - quando têm a mesma grafia mas pronúncia diferente Largo do Paissandu, 128.
(homógrafos) ou a mesma pronúncia mas grafia diferente (homó- • No vocativo e no aposto:
fonos). Exemplos: selo (substantivo) - selo (verbo selar) / ele (pro- Meninos, prestem atenção!
nome) - ele (letra) Termópilas, o meu amigo, é escritor.
• Nos termos independentes entre si:
4. Parônimas - quando se assemelham na forma mas têm significados O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
diferentes.
Exemplos: descriminar (inocentar) - discriminar (distinguir) / discente • Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
(relativo a alunos) - docente (relativo a professores) caso é usado o duplo emprego da vírgula:
Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
droeira.
15. CONOTAÇÃO E DENOTAÇÃO. • Após alguns adjuntos adverbiais:
No dia seguinte, viajamos para o litoral.
A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a
seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original. • Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego
da vírgula:
A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se no Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias
interpretações. • Após a primeira parte de um provérbio.
O que os olhos não veem, o coração não sente.
Observe os exemplos:
Denotação • Em alguns casos de termos oclusos:
As estrelas do céu. Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.
Vesti-me de verde.
O fogo do isqueiro. RETICÊNCIAS
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
Conotação Não me disseste que era teu pai que ...
As estrelas do cinema.
O jardim vestiu-se de flores. • Para realçar uma palavra ou expressão.
O fogo da paixão. Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome...

SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO • Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento.
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também...
figurado:
Construí um muro de pedra - sentido próprio PONTO E VÍRGULA
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
Maria tem um coração de pedra – sentido figurado. alguma simetria entre si.
A água pingava lentamente – sentido próprio. "Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhe-
cido, guardando consigo a ponta farpada. "

Língua Portuguesa 15 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu • Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
interior. "Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais fora das órbitas. Amália se volta)".
calmo, resolveu o problema sozinho. (G. Figueiredo)

DOIS PONTOS • Quando se intercala num texto uma idéia ou indicação acessória:
• Enunciar a fala dos personagens: "E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
Ele retrucou: Não vês por onde pisas? fome."
(C. Lispector)
• Para indicar uma citação alheia:
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de • Para isolar orações intercaladas:
passageiros do vôo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar- "Estou certo que eu (se lhe ponho
que". Minha mão na testa alçada)
Sou eu para ela."
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri- (M. Bandeira)
or:
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente. COLCHETES [ ]
Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido. ASTERISCO
O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
TRAVESSÃO alguma nota (observação).
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar
palavras ou frases BARRA
– "Quais são os símbolos da pátria? A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
– Que pátria? abreviaturas.
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos).
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra
vez.
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma 6. CRASE
coisa". (M. Palmério).
• Usa-se para separar orações do tipo: Crase é a fusão da preposição A com outro A.
– Avante!- Gritou o general. Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta.
EMPREGO DA CRASE
• em locuções adverbiais:
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam
à vezes, às pressas, à toa...
uma cadeia de frase:
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• em locuções prepositivas:
em frente à, à procura de...
• A ponte Rio – Niterói.
• em locuções conjuntivas:
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre.
à medida que, à proporção que...

ASPAS • pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,


São usadas para: as
• Indicar citações textuais de outra autoria. Fui ontem àquele restaurante.
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles) Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
Refiro-me àquilo e não a isto.
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares: A CRASE É FACULTATIVA
Há quem goste de “jazz-band”. • diante de pronomes possessivos femininos:
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês. Entreguei o livro a(à) sua secretária .
• diante de substantivos próprios femininos:
• Para enfatizar palavras ou expressões: Dei o livro à(a) Sônia.
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite.
CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc.
• Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
A:
Viajaremos à Colômbia.
• Em casos de ironia:
(Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão. • Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,
Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve-
PARÊNTESES neza, etc.
Empregamos os parênteses: Viajaremos a Curitiba.
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
• Nas indicações bibliográficas.
"Sede assim qualquer coisa. • Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
serena, isenta, fiel". modifique.
(Meireles, Cecília, "Flor de Poemas"). Ela se referiu à saudosa Lisboa.
Vou à Curitiba dos meus sonhos.

Língua Portuguesa 16 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida: São, portanto, substantivos.
Às 8 e 15 o despertador soou. a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra,
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado.
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo- b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba-
da” ou "maneira": lho, corrida, tristeza beleza altura.
Aos domingos, trajava-se à inglesa.
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo. CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie:
• Antes da palavra casa, se estiver determinada: rio, cidade, pais, menino, aluno
Referia-se à Casa Gebara.
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento.
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar. Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To-
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa). cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair.

• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo. c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro-
Voltou à terra onde nascera. priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi-
Chegamos à terra dos nossos ancestrais. que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con-
Mas: creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta,
Os marinheiros vieram a terra. fada, bruxa, saci.
O comandante desceu a terra.
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo,
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente: pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão,
Vou até a (á ) chácara. portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres:
Cheguei até a(à) muralha trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza.
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje-
• A QUE - À QUE tivos
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino trabalhar - trabalho
ocorrerá crase: correr - corrida
Houve um palpite anterior ao que você deu. alto - altura
Houve uma sugestão anterior à que você deu. belo - beleza
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não
ocorrerá crase. FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
Não gostei do filme a que você se referia. a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
Não gostei da peça a que você se referia. portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
de:
Meu palpite é igual ao de todos c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
Minha opinião é igual à de todos. tempo, sol.

NÃO OCORRE CRASE d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
• antes de nomes masculinos: colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
Andei a pé.
Andamos a cavalo. COLETIVOS
Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo
• antes de verbos:
Ela começa a chorar. de seres da mesma espécie.
Cheguei a escrever um poema.
Veja alguns coletivos que merecem destaque:
• em expressões formadas por palavras repetidas: alavão - de ovelhas leiteiras
Estamos cara a cara. alcateia - de lobos
álbum - de fotografias, de selos
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona:
antologia - de trechos literários escolhidos
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza. armada - de navios de guerra
Escrevi a Vossa Excelência. armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
Dirigiu-se gentilmente à senhora.
arquipélago - de ilhas
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: assembleia - de parlamentares, de membros de associações
Não falo a pessoas estranhas. atilho - de espigas de milho
Jamais vamos a festas. atlas - de cartas geográficas, de mapas
banca - de examinadores
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
bando - de aves, de pessoal em geral
7. PRONOMES: EMPREGO, FORMAS DE TRATAMENTO cabido - de cônegos
E COLOCAÇÃO. 8. MORFOSSINTAXE: CLASSES DE cacho - de uvas, de bananas
PALAVRAS: ESTRUTURA, FORMAÇÃO, FLEXÃO E EM- cáfila - de camelos
PREGO NO CONTEXTO DA ENUNCIAÇÃO. cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
cancioneiro - de poemas, de canções
caravana - de viajantes
SUBSTANTIVOS cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no-
colmeia - de abelhas
me aos seres em geral.
concílio - de bispos
Língua Portuguesa 17 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa 2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que
congregação - de professores, de religiosos designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-
congresso - de parlamentares, de cientistas go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a
conselho - de ministros estudante, este dentista.
consistório - de cardeais sob a presidência do papa
constelação - de estrelas 3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
corja - de vadios pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
elenco - de artistas tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn-
enxame - de abelhas juge, a pessoa, a criatura.
enxoval - de roupas Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
esquadra - de navios de guerra uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
esquadrilha - de aviões AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:
falange - de soldados, de anjos São masculinos São femininos
o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
farândola - de maltrapilhos o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata
fato - de cabras o teorema o ágape a análise a usucapião
fauna - de animais de uma região o trema o caudal a cal a bacanal
feixe - de lenha, de raios luminosos o edema o champanha a cataplasma a líbido
o eclipse o alvará a dinamite a sentinela
flora - de vegetais de uma região o lança-perfume o formicida a comichão a hélice
frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus o fibroma o guaraná a aguardente
girândola - de fogos de artifício o estratagema o plasma
o proclama o clã
horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
junta - de bois, médicos, de examinadores
Mudança de Gênero com mudança de sentido
júri - de jurados
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
legião - de anjos, de soldados, de demônios
Veja alguns exemplos:
malta - de desordeiros o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
manada - de bois, de elefantes o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal)
matilha - de cães de caça o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora)
ninhada - de pintos o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão)
nuvem - de gafanhotos, de fumaça o lotação (veículo) a lotação (capacidade)
panapaná - de borboletas o lente (o professor) a lente (vidro de aumento)
pelotão - de soldados
penca - de bananas, de chaves Plural dos Nomes Simples
pinacoteca - de pinturas 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
plantel - de animais de raça, de atletas casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
quadrilha - de ladrões, de bandidos 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
ramalhete - de flores a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
réstia - de alhos, de cebolas corações; grandalhão, grandalhões.
récua - de animais de carga b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
romanceiro - de poesias populares guardiães.
resma - de papel c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
revoada - de pássaros cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.
súcia - de pessoas desonestas Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma
vara - de porcos de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães;
vocabulário - de palavras ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS 3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,


Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
grau.
4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
Gênero lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini- fens (ou hífenes).
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta. Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.

Podemos classificar os substantivos em: 5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
para o masculino, outra para o feminino: Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
aluno/aluna homem/mulher
menino /menina carneiro/ovelha 6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
fósseis; réptil, répteis.
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo: ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
padrinho/madrinha bode/cabra
cavaleiro/amazona pai/mãe 7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
em: São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix,
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca. os ônix.
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve-
mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê- 8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs-
mea tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo pri-

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mitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezi- Graus do substantivo
tos. Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais
podem ser: sintéticos ou analíticos.
Substantivos só usados no plural
afazeres anais Analítico
arredores belas-artes Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama-
cãs condolências nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande.
confins exéquias
férias fezes Sintético
núpcias óculos Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados.
olheiras pêsames
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes) Principais sufixos aumentativos
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO,
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão,
Plural dos Nomes Compostos povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu-
1. Somente o último elemento varia: ça.
a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns; Principais Sufixos Diminutivos
b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão- ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO,
mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres; ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho,
c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim,
ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda- pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo,
comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem- homúncula, apícula, velhusco.
pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela-
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques) Observações:
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui-
2. Somente o primeiro elemento é flexionado: rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc.
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite; Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc.
pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem- • É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe-
rabo, burros-sem-rabo; tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos- • Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for-
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada; mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
banana-maçã, bananas-maçã. ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos- • Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc. minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
zinho, pequenito.
3. Ambos os elementos são flexionados:
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves- Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas- gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
compromissos. diferentes para designar o sexo:
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor- bode - cabra genro - nora
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida, burro - besta padre - madre
caras-pálidas. carneiro - ovelha padrasto - madrasta
cão - cadela padrinho - madrinha
São invariáveis: cavalheiro - dama pai - mãe
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi- compadre - comadre veado - cerva
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo; frade - freira zangão - abelha
frei – soror etc.
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem-
ADJETIVOS
desocupa-o-copo;

c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o FLEXÃO DOS ADJETIVOS


perde-ganha, os perde-ganha. Gênero
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa- ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate. b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino,
outra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / ho-
Adjetivos Compostos mem alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona.
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
americanos; cívico-militar, cívico-militares. melhante a dos substantivos.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o Número
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos a) Adjetivo simples
amarelo-ouro, paredes azul-piscina. Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
substantivos simples:
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur-
pessoa honesta pessoas honestas
dos-mudos > surdas-mudas.
regra fácil regras fáceis
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho.
homem feliz homens felizes

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Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in- Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara-
variáveis: tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais:
blusa vinho blusas vinho NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO
camisa rosa camisas rosa ABSOLUTO
RELATIVO
b) Adjetivos compostos bom melhor ótimo
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele- melhor
mento varia, tanto em gênero quanto em número: mau pior péssimo
acordos sócio-político-econômico acordos sócio-político-econômicos pior
causa sócio-político-econômica causas sócio-político-econômicas grande maior máximo
acordo luso-franco-brasileiro acordo luso-franco-brasileiros maior
lente côncavo-convexa lentes côncavo-convexas
pequeno menor mínimo
camisa verde-clara camisas verde-claras
sapato marrom-escuro sapatos marrom-escuros menor

Observações: Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos:


1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável: acre - acérrimo ágil - agílimo
camisa verde-abacate camisas verde-abacate agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo
sapato marrom-café sapatos marrom-café amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis: audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo
blusa azul-marinho blusas azul-marinho
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo
camisa azul-celeste camisas azul-celeste
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo
variam: eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
menina surda-muda meninas surdas-mudas frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
Graus do Adjetivo íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex- livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo
pressas em dois graus: magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo
- o comparativo manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo
- o superlativo negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
Comparativo possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual, público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo: sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
- Comparativo de igualdade: simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral. terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente. velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
- Comparativo de superioridade:
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro. Adjetivos Gentílicos e Pátrios
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico. Argélia – argelino Bagdá - bagdali
Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
- Comparativo de inferioridade: Bóston - bostoniano Braga - bracarense
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro. Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável. Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
bucarestense Campos - campista
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi- Cairo - cairota Caracas - caraquenho
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo: Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
Catalunha - catalão Chipre - cipriota
- Superlativo absoluto Chicago - chicaguense Córdova - cordovês
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser: Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense
Esta cidade é poluidíssima. bricense Cuiabá - cuiabano
Esta cidade é muito poluída. Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho
Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense,
- Superlativo relativo Egito - egípcio capixaba
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a Equador - equatoriano Évora - eborense
outros seres: Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
Este rio é o mais poluído de todos. Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
Este rio é o menos poluído de todos. Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
Gabão - gabonês Galiza - galego
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico: Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade - Goiânia - goianense Granada - granadino
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc. Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti- Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc. Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita

Língua Portuguesa 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


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João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense Os pronomes pessoais são os seguintes:
La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO
Macapá - macapaense Macau - macaense singular 1ª eu me, mim, comigo
Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe 2ª tu te, ti, contigo
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe
Madri - madrileno Manaus - manauense
plural 1ª nós nós, conosco
Marajó - marajoara Minho - minhoto 2ª vós vós, convosco
Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco 3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes
Montevidéu - montevideano Natal - natalense
Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano PRONOMES DE TRATAMENTO
Pequim - pequinês Pisa - pisano Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra-
Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a
Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso.
São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar Veja, a seguir, alguns desses pronomes:
São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano PRONOME ABREV. EMPREGO
Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho Vossa Eminência V .Ema cardeais
Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral Vossa
Veneza - veneziano Vitória - vitoriense Magnificência V. Mag a reitores de universidades
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral
Vossa Santidade V.S. papas
Locuções Adjetivas Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados
As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs- Vossa Majestade V.M. reis, imperadores
tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
ser substituídas por um adjetivo correspondente. São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo-
cês.

PRONOMES EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS


1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre- ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso. Considera-se errado seu emprego como complemento:
Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pronome Convidaram ELE para a festa (errado)
substantivo. Receberam NÓS com atenção (errado)
• Ele chegou. (ele) EU cheguei atrasado (certo)
• Convidei-o. (o) ELE compareceu à festa (certo)

Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex- 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. pronomes retos:
• Esta casa é antiga. (esta) Convidei ELE (errado)
• Meu livro é antigo. (meu) Chamaram NÓS (errado)
Convidei-o. (certo)
Classificação dos Pronomes Chamaram-NOS. (certo)
Há, em Português, seis espécies de pronomes:
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
de tratamento: ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; reto seu emprego como complemento:
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; Informaram a ELE os reais motivos.
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Emprestaram a NÓS os livros.
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá- Eles gostam muito de NÓS.
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou-
trem, nada, cada, algo. 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- errado seu emprego como complemento:
terrogativas. Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
curso: preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas
1ª pessoa: quem fala, o emissor. MIM e TI:
Eu sai (eu) Ninguém irá sem EU. (errado)
Nós saímos (nós) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Convidaram-me (me) Ninguém irá sem MIM. (certo)
Convidaram-nos (nós) Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Tu saíste (tu) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Vós saístes (vós) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
Convidaram-te (te) como sujeito de um verbo no infinitivo.
Convidaram-vos (vós) Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente. Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
Ele saiu (ele)
Eles sairam (eles) Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri-
Convidei-o (o) gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
Convidei-os (os) sujeito.

Língua Portuguesa 21 A Opção Certa Para a Sua Realização


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5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados 11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo,
somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em exercendo função sintática de adjunto adnominal:
que os referidos pronomes não sejam reflexivos: Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro.
Querida, gosto muito de SI. (errado) Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos.
Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
Querida, gosto muito de você. (certo) 12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar
Preciso muito falar com você. (certo) uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo-
déstia:
Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes.
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos: Vós sois minha salvação, meu Deus!
Ele feriu-se
Cada um faça por si mesmo a redação 13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando
O professor trouxe as provas consigo nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando
falamos dessa pessoa:
6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais Vossa Excelência já aprovou os projetos?
pronomes devem ser substituídos pela forma analítica: Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração.
Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios. 14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE,
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª
7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com- pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como
binações possíveis são as seguintes: pronomes de terceira pessoa:
me+o=mo me + os = mos Você trouxe seus documentos?
te+o=to te + os = tos Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
lhe+o=lho lhe + os = lhos
nos + o = no-lo nos + os = no-los COLOCAÇÃO DE PRONOMES
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
lhes + o = lho lhes + os = lhos NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
1. Antes do verbo - próclise
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos Eu te observo há dias.
a, as.
me+a=ma me + as = mas 2. Depois do verbo - ênclise
te+a=ta te + as = tas Observo-te há dias.
- Você pagou o livro ao livreiro?
- Sim, paguei-LHO. 3. No interior do verbo - mesóclise
Observar-te-ei sempre.
Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que
representa o livreiro) com O (que representa o livro). Ênclise
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas direto ou indireto.
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos
O pai esperava-o na estação agitada.
indiretos:
Expliquei-lhe o motivo das férias.
O menino convidou-a. (V.T.D )
O filho obedece-lhe. (V.T. l ) Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões) 1. Quando o verbo iniciar a oração:
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as
Voltei-me em seguida para o céu límpido.
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de
verbos transitivos diretos: 2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
Eu lhe vi ontem. (errado) Como eu achasse muito breve, explicou-se.
Nunca o obedeci. (errado)
Eu o vi ontem. (certo) 3. Com o imperativo afirmativo:
Nunca lhe obedeci. (certo) Companheiros, escutai-me.
9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar
4. Com o infinitivo impessoal:
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar,
A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in- destino na mesa.
finitivo:
Deixei-o sair.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
Vi-o chegar.
E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
Sofia deixou-se estar à janela.
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol-
A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio
vendo as orações reduzidas de infinitivo: franco.
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse.
Próclise
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos:
Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
A mim, ninguém me engana.
A ti tocou-te a máquina mercante. 1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas-
interrogativos e conjunções.
mo vicioso e sim ênfase. As crianças que me serviram durante anos eram bichos.

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Tudo me parecia que ia ser comida de avião. Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa
Quem lhe ensinou esses modos? (seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de
Quem os ouvia, não os amou. você).
Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez. Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui-
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s).
2. Nas orações optativas (que exprimem desejo): Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele.
Papai do céu o abençoe. A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles.
A terra lhes seja leve. Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio.

3. Com o gerúndio precedido da preposição EM: Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro-
Em se animando, começa a contagiar-nos. nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse. Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as
suas mãos).
4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja Não me respeitava a adolescência.
pausa entre eles. A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face.
Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova. O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos.
Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir:
Mesóclise 1. Cálculo aproximado, estimativa:
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos
e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
precedidos de palavras que reclamem a próclise. 2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história
Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris. O nosso homem não se deu por vencido.
Dir-se-ia vir do oco da terra. Chama-se Falcão o meu homem

Mas: 3. O mesmo que os indefinidos certo, algum


Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris. Eu cá tenho minhas dúvidas
Jamais se diria vir do oco da terra. Cornélio teve suas horas amargas
Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
Lembrarei-me (!?) 4. Afetividade, cortesia
Diria-se (!?) Como vai, meu menino?
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo
O Pronome Átono nas Locuções Verbais No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren-
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou tes de família.
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
Podemos contar-lhe o ocorrido.
Podemos-lhe contar o ocorrido. Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida-
Não lhes podemos contar o ocorrido. de.
O menino foi-se descontraindo. Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
O menino foi descontraindo-se. não sabia o que dizer.
O menino não se foi descontraindo.

2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico PRONOMES DEMONSTRATIVOS
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des- coisa designada em relação à pessoa gramatical.
cartes ."
Tenho-me levantado cedo. Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto
Não me tenho levantado cedo. de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está
longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o
O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o livro está longe de ambas as pessoas.
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta.
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da Os pronomes demonstrativos são estes:
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua- ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
gem escrita. ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
AQUELE (e variações), próprio (e variações)
MESMO (e variações), próprio (e variações)
PRONOMES POSSESSIVOS SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu-
indo-lhes a posse de alguma coisa. Emprego dos Demonstrativos
1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
livro pertence a 1ª pessoa (eu) fala).
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Eis as formas dos pronomes possessivos: Isto que carregamos pesa 5 kg.
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS.
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS. b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS. Este coração não pode me trair.
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS. Esta alma não traz pecados.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS. Tudo se fez por este país..
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS.

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c) Para indicar o momento em que falamos: 5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE,
Neste instante estou tranquilo. pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural:
Deste minuto em diante vou modificar-me. Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose?
Com um frio destes não se pode sair de casa.
d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do Nunca vi uma coisa daquelas.
momento em que falamos:
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile. 6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter
Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem. reforçativo:
Um dia destes estive em Porto Alegre. Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
qual se inclui o momento em que falamos: 7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
Nesta semana não choveu. ISSO ou AQUELE (e variações).
Neste mês a inflação foi maior. Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro.
Este ano será bom para nós. O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres.
Este século terminará breve. Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames.
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os
f) Para indicar aquilo de que estamos tratando: homens superiores.
Este assunto já foi discutido ontem.
Tudo isto que estou dizendo já é velho. 8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante:
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou
g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Só posso lhe dizer isto: nada somos. 9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE,
Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos. ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO.
Tal era a situação do país.
2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se: Não disse tal.
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com Tal não pôde comparecer.
quem se fala):
Esse documento que tens na mão é teu? Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu-
Isso que carregas pesa 5 kg. des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como
b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente: Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL
Esse teu coração me traiu. ou OUTRO TAL:
Essa alma traz inúmeros pecados.
Quantos vivem nesse pais? Suas manias eram tais quais as minhas.
A mãe era tal quais as filhas.
c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese- Os filhos são tais qual o pai.
jamos distância: Tal pai, tal filho.
O povo já não confia nesses políticos.
Não quero mais pensar nisso. É pronome substantivo em frases como:
Não encontrarei tal (= tal coisa).
d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa: Não creio em tal (= tal coisa)
Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
O que você quer dizer com isso?
PRONOMES RELATIVOS
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que Veja este exemplo:
falamos: Armando comprou a casa QUE lhe convinha.
Um dia desses estive em Porto Alegre.
Comi naquele restaurante dia desses. A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo
casa é um pronome relativo.
f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio. PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re-
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan- feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos.
te. A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente.
No exemplo dado, o antecedente é casa.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se:
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á Outros exemplos de pronomes relativos:
3ª. Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos.
Aquele documento que lá está é teu? O lugar onde paramos era deserto.
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg. Traga tudo quanto lhe pertence.
Leve tantos ingressos quantos quiser.
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante. Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso?
Naquele instante estava preocupado.
Daquele instante em diante modifiquei-me. Eis o quadro dos pronomes relativos:
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
século, para exprimir que o tempo já decorreu.
Masculino Feminino
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, o qual a qual quem
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou os quais as quais
variações) para a primeira: cujo cujos cuja cujas que
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso quanto quanta quantas onde
e aquela tranquila. quantos

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Observações: c) Fenômeno:
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente, Chove. O céu dorme.
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL. VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
O médico de quem falo é meu conterrâneo. estado e fenômeno, situando-se no tempo.
2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
sempre um substantivo sem artigo. FLEXÕES
Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar? O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em
3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica:
de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas. • a ação de cantar.
Tenho tudo quanto quero. • a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós).
Leve tantos quantos precisar. • o número gramatical (plural).
Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou. • o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito).
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no
4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a passado (indicativo).
EM QUE. • que o sujeito pratica a ação (voz ativa).
A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz.
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural:
PRONOMES INDEFINIDOS O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular).
Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural).
modo vago, impreciso, indeterminado.
1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO, 2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais:
SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser
Exemplos:
Algo o incomoda? a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço.
Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve. b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme-
Não faças a outrem o que não queres que te façam.
cemos.
Quem avisa amigo é.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser
Encontrei quem me pode ajudar.
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces.
Ele gosta de quem o elogia.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis.
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser
2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela
CERTAS.
adormece.
Cada povo tem seus costumes.
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles
Certas pessoas exercem várias profissões. adormecem.
Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
PRONOMES INTERROGATIVOS 3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante
Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de em relação ao fato que comunica. Há três modos em português.
modo impreciso à 3ª pessoa do discurso. a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
Exemplos: A cachorra Baleia corria na frente.
Que há? b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato.
Que dia é hoje? Talvez a cachorra Baleia corra na frente .
Reagir contra quê? c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um
Por que motivo não veio? pedido
Quem foi? Corra na frente, Baleia.
Qual será?
Quantos vêm? 4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo,
Quantas irmãs tens? em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são:
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala:
VERBO Fecho os olhos, agito a cabeça.
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele
em que se fala:
CONCEITO Fechei os olhos, agitei a cabeça.
“As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando- c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala:
as no tempo. Fecharei os olhos, agitarei a cabeça.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o
Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re- presente.
ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e Veja o esquema dos tempos simples em português:
gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas. Presente (falo)
Assim fiz. Morreram.” INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei)
(Clarice Lispector) Imperfeito (falava)
Mais- que-perfeito (falara)
Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir: Futuro do presente (falarei)
a) Estado: do pretérito (falaria)
Não sou alegre nem sou triste. Presente (fale)
Sou poeta. SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse)
Futuro (falar)
b) Mudança de estado:
Meu avô foi buscar ouro. Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que
Mas o ouro virou terra. se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema
dos tempos simples.

Língua Portuguesa 25 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Infinitivo impessoal (falar) O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.) O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
3ª pessoa do singular - quando significa:
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando) 1) EXISTIR
Particípio (falado) Há pessoas que nos querem bem.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser: Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
a) agente do fato expresso. Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
O carroceiro disse um palavrão.
(sujeito agente) 2) ACONTECER, SUCEDER
O verbo está na voz ativa. Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Não haja desavenças entre vós.
b) paciente do fato expresso: Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
Um palavrão foi dito pelo carroceiro.
(sujeito paciente) 3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
O verbo está na voz passiva. Há meses que não o vejo.
Haverá nove dias que ele nos visitou.
c) agente e paciente do fato expresso: Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
O carroceiro machucou-se. O fato aconteceu há cerca de oito meses.
(sujeito agente e paciente) Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
O verbo está na voz reflexiva. pretérito imperfeito, e não no presente:
Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical. Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
Falo - Estudam. Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
fora do radical. 4) REALIZAR-SE
Falamos - Estudarei. Houve festas e jogos.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em: Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.
a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto - 5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e
cantei - cantarei – cantava - cantasse. seguido de infinitivo):
Em pontos de ciência não há transigir.
b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou Não há contê-lo, então, no ímpeto.
nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse. Não havia descrer na sinceridade de ambos.
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas.
c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa, E não houve convencê-lo do contrário.
como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe- Não havia por que ficar ali a recriminar-se.
nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de
d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o há muito (= desde muito tempo, há muito tempo):
mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma- De há muito que esta árvore não dá frutos.
tado - morto - enxugado - enxuto. De há muito não o vejo.

e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju- O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com
gação. ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª
verbo ser: sou - fui pessoa do singular:
verbo ir: vou - ia Vai haver eleições em outubro.
Começou a haver reclamações.
QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO Não pode haver umas sem as outras.
1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou Parecia haver mais curiosos do que interessados.
explícito. Quase todos os verbos são pessoais. Mas haveria outros defeitos, devia haver outros.
O Nino apareceu na porta. A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser
construída de três modos:
2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci- Hajam vista os livros desse autor.
to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais: Haja vista os livros desse autor.
a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar, Haja vista aos livros desse autor.
etc.
Garoava na madrugada roxa. CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer: sentido da frase.
Houve um espetáculo ontem. Exemplo:
Há alunos na sala. Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
claros.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa
c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico. passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser-
Fazia dois anos que eu estava casado. vando o mesmo tempo.
Faz muito frio nesta região?
Outros exemplos:
Os calores intensos provocam as chuvas.
Língua Portuguesa 26 A Opção Certa Para a Sua Realização
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As chuvas são provocadas pelos calores intensos. Talvez eles estudem... não sei.
Eu o acompanharei. - um desejo, uma vontade:
Ele será acompanhado por mim. Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
Todos te louvariam.
Serias louvado por todos. b) Pretérito Imperfeito
Prejudicaram-me. Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
Fui prejudicado. hipótese, uma condição.
Condenar-te-iam. Se eu estudasse, a história seria outra.
Serias condenado. Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.

EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS c) Pretérito Perfeito


a) Presente Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar: um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
- um fato que ocorre no momento em que se fala. características do modo subjuntivo).
Eles estudam silenciosamente. Que tenha estudado bastante é o que espero.
Eles estão estudando silenciosamente.
- uma ação habitual. d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito
Corra todas as manhãs. do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato
- uma verdade universal (ou tida como tal): passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo:
O homem é mortal. Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa. lamente.
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
maior realce à narrativa. e) Futuro
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis". Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu-
É o chamado presente histórico ou narrativo. ído em relação a outro fato futuro.
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos: Quando eu voltar, saberei o que fazer.
Amanhã vou à escola.
Qualquer dia eu te telefono.
VERBOS IRREGULARES
b) Pretérito Imperfeito DAR
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar: Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
- um fato passado contínuo, habitual, permanente: Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
Ele andava à toa. Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
Nós vendíamos sempre fiado.
Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
- um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Era uma vez... MOBILIAR
- um fato presente em relação a outro fato passado. Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
Eu lia quando ele chegou. Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem
c) Pretérito Perfeito
AGUAR
Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam
ocorrido, concluído. Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram
Estudei a noite inteira. Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem
Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
momento presente. MAGOAR
Tenho estudado todas as noites. Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, magoa-
d) Pretérito mais-que-perfeito ram
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem
Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar
relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou. APIEDAR-SE
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais-
e) Futuro do Presente vos, apiadam-se
Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei-
futuro em relação ao momento em que se fala. vos, apiedem-se
Irei à escola. Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A

MOSCAR
f) Futuro do Pretérito Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam
Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar: Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus-
- um fato futuro, em relação a outro fato passado. quem
- Eu jogaria se não tivesse chovido. Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U
- um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
- Seria realmente agradável ter de sair? RESFOLEGAR
Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais,
resfolgam
vezes, ironia.
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis,
- Daria para fazer silêncio?! resfolguem
Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece
Modo Subjuntivo
a) Presente NOMEAR
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar: Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam
- um fato presente, mas duvidoso, incerto. Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis,
nomeavam

Língua Portuguesa 27 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, nomea- Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
ram Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem Gerúndio podendo
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem Particípio podido
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
imperativo negativo
COPIAR
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam PROVER
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá- Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam
reis, copiaram Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê-
Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem reis, proveram
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão
ODIAR Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, prove-
Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam riam
Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais, provejam
Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis,
odiaram Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis,
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem provessem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem
Gerúndio provendo
CABER Particípio provido
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam QUERER
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos, Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
coubéreis, couberam Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé-
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis, reis, quiseram
coubessem Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no quisessem
imperativo negativo Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem

CRER REQUERER
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis, requerem
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste,
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam requereram
Conjugam-se como crer, ler e descrer Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requereramos,
requerereis, requereram
DIZER Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requerereis,
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem requererão
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere-
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis, ríeis, requereriam
disseram Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais,
Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam requeiram
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos,
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis, requerêsseis, requeressem,
dissesse Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes,
Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem requerem
Particípio dito Gerúndio requerendo Particípio requerido
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer O verbo REQUERER não se conjuga como querer.
FAZER REAVER
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem Presente do indicativo reavemos, reaveis
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve-
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram ram
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvé-
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam reis, reouveram
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvésse-
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam mos, reouvésseis, reouvessem
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis, Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
fizessem reouverem
Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apresen-
Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer ta a letra v

PERDER SABER
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos,
soubéreis, souberam
PODER Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam soubessem
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
puderam VALER
Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis, Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham
pudessem Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham

Língua Portuguesa 28 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
TRAZER Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.
Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos, FUGIR
trouxéreis, trouxeram Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam
Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam IR
Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis, Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
trouxessem Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxerem Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
Gerúndio trazendo Particípio trazido Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
VER Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem Gerúndio indo
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem Particípio ido
Particípio visto
OUVIR
ABOLIR Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram Particípio ouvido
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis,
aboliram PEDIR
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
Presente do subjuntivo não há Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis, Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam
abolissem Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir
Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Imperativo afirmativo abole, aboli POLIR
Imperativo negativo não há Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Infinitivo impessoal abolir Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam
Gerúndio abolindo
Particípio abolido REMIR
O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou I. Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam
AGREDIR
Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem RIR
Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I. Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
COBRIR Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão
Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Particípio coberto Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
FALIR Gerúndio rindo
Presente do indicativo falimos, falis Particípio rido
Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam Conjuga-se como rir: sorrir
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
VIR
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Presente do subjuntivo não há
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Imperativo afirmativo fali (vós)
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Imperativo negativo não há
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham
Gerúndio falindo
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Particípio falido
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem
FERIR Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem Gerúndio vindo
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam Particípio vindo
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados. Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir

MENTIR SUMIR
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem

Língua Portuguesa 29 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
NUMERAL
Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir
Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.

ADVÉRBIO O numeral classifica-se em:


- cardinal - quando indica quantidade.
Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad- - ordinal - quando indica ordem.
vérbio, exprimindo uma circunstância. - multiplicativo - quando indica multiplicação.
Os advérbios dividem-se em: - fracionário - quando indica fracionamento.
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures, Exemplos:
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan- Silvia comprou dois livros.
te, através, defronte, aonde, etc. Antônio marcou o primeiro gol.
Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre, O galinheiro ocupava um quarto da quintal.
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve,
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc. QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS
Algarismos Numerais
Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior, nos cos tivos
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc. I 1 um primeiro simples -
II 2 dois segundo duplo meio
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema- dobro
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem, III 3 três terceiro tríplice terço
mal, quase, apenas, etc. IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc. VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
6) NEGAÇÃO: não. IX 9 nove nono nônuplo nono
X 10 dez décimo décuplo décimo
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto,
XI 11 onze décimo onze avos
provavelmente, etc.
primeiro
XII 12 doze décimo doze avos
Há Muitas Locuções Adverbiais
segundo
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra-
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc. XIII 13 treze décimo treze avos
terceiro
2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite, XIV 14 quatorze décimo quatorze
às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de quarto avos
repente, de vez em quando, de longe em longe, etc. XV 15 quinze décimo quinze avos
quinto
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom XVI 16 dezesseis décimo dezesseis
grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge- sexto avos
ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis- XVII 17 dezessete décimo dezessete
tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc. sétimo avos
XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos
4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui- oitavo
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc. XIX 19 dezenove décimo nono dezenove
avos
5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc. XX 20 vinte vigésimo vinte avos
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma, XL 40 quarenta quadragé- quarenta
etc. simo avos
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc. L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta
simo avos
Advérbios Interrogativos LX 60 sessenta sexagésimo sessenta
Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como? avos
LXX 70 setenta septuagési- setenta avos
Palavras Denotativas mo
Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te- LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos
rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão, XC 90 noventa nonagésimo noventa
situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc. avos
1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc. C 100 cem centésimo centésimo
2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc. CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo
4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen-
5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
tos tésimo tésimo
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
D 500 quinhen- quingenté- quingenté-
Você lá sabe o que está dizendo, homem...
tos simo simo
Mas que olhos lindos!
Veja só que maravilha! DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési-
mo mo

Língua Portuguesa 30 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
DCC 700 setecen- septingenté- septingenté- 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
tos simo simo
3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté-
simo simo 4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
CM 900 novecen- nongentési- nongentési-
tos mo mo 5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
etc.
M 1000 mil milésimo milésimo
6) INTEGRANTES: que, se, etc.
Emprego do Numeral
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc. 7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais. 8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro) forma que, de modo que, etc.
Luis X (décimo) ano I (primeiro)
Pio lX (nono) século lV (quarto) 9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
etc.
De 11 em diante, empregam-se os cardinais: 10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze)
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte) VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES
Examinemos estes exemplos:
Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal. 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
XX Salão do Automóvel (vigésimo) 2º) Os livros ensinam e divertem.
VI Festival da Canção (sexto) 3º) Saímos de casa quando amanhecia.
lV Bienal do Livro (quarta) No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto) uma conjunção.
No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando
Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao orações: são também conjunções.
emprego do ordinal.
Hoje é primeiro de setembro Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
Não é aconselhável iniciar período com algarismos mesma oração.
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia
No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa
A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi- da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a
nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois conjunção E é coordenativa.
(= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse
caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um, No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à
página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção
folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o QUANDO é subordinativa.
numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas.
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
ARTIGO As conjunções coordenativas podem ser:
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas
Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná- também, mas ainda, senão também, como também, bem como.
los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número. O agricultor colheu o trigo e o vendeu.
Dividem-se em Não aprovo nem permitirei essas coisas.
• definidos: O, A, OS, AS Os livros não só instruem mas também divertem.
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS. As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam
Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular. as flores.
Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).
Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso, 2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com-
geral. pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape-
Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde- sar disso, em todo caso.
terminado). Querem ter dinheiro, mas não trabalham.
lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido. Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele.
CONJUNÇÃO O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado.
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações. Você já sabe bastante, porém deve estudar mais.
Conjunções Coordenativas Eu sou pobre, ao passo que ele é rico.
1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc. Hoje não atendo, em todo caso, entre.
2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no
entanto, etc. 3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou,
3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer, etc. ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc.
4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por consequência. Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos.
5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque, pois, etc. Ou você estuda ou arruma um emprego.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo.
Conjunções Subordinativas Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando.
"Já chora, já se ri, já se enfurece."
1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc. (Luís de Camões)

Língua Portuguesa 31 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con- "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. (Machado de Assis)
As árvores balançam, logo está ventando.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável. 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
forma que, de maneira que, sem que, que (não).
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por- Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo). Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
causar incêndios. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.

Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa- 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
tivo: Afastou-se depressa para que não o víssemos.
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." Fiz-lhe sinal que se calasse.
(Jorge Amado)
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
Conjunções subordinativas mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que À medida que se vive, mais se aprende.
traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo). Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
Abrangem as seguintes classes: Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já Observação:
que, uma vez que, desde que. São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa: que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
efeito). "À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
Como estivesse de luto, não nos recebeu. (Maria José de Queirós)
Desde que é impossível, não insistirei.
9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre
2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que,
ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) etc.
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que Venha quando você quiser.
(= como). Não fale enquanto come.
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento. Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa. Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias." Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
(Paulo Mendes Campos) "Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval-
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa." cânti)
(Antônio Olavo Pereira)
"E pia tal a qual a caça procurada." 10) Integrantes: que, se.
(Amadeu de Queirós) Sabemos que a vida é breve.
"Por que ficou me olhando assim feito boba?" Veja se falta alguma coisa.
(Carlos Drummond de Andrade)
Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas. Observação:
Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero. Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
Os governantes realizam menos do que prometem. chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
porém, não consigna esta espécie de conjunção.
3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.
(= embora não).
Célia vestia-se bem, embora fosse pobre. Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por-
A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer. tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex-
Beba, nem que seja um pouco. to. Assim, a conjunção que pode ser:
Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo. 1) Aditiva (= e):
Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse. Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai.
Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas A nós que não a eles, compete fazê-lo.
afirmações.
Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite. 2) Explicativa (= pois, porque):
Apressemo-nos, que chove.
4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que 3) Integrante:
(= se não), a não ser que, a menos que, dado que. Diga-lhe que não irei.
Ficaremos sentidos, se você não vier.
Comprarei o quadro, desde que não seja caro. 4) Consecutiva:
Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo. Tanto se esforçou que conseguiu vencer.
"Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos Não vão a uma festa que não voltem cansados.
que os mosquitos se opusessem." Onde estavas, que não te vi?
(Ferreira de Castro) 5) Comparativa (= do que, como):
5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não A luz é mais veloz que o som.
são como (ou conforme) dizem. Ficou vermelho que nem brasa.

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6) Concessiva (= embora, ainda que): 13. SINTAXE DE CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA.
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo.
Beba, um pouco que seja.
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
7) Temporal (= depois que, logo que): Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel. se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões.

8) Final (= pare que): Principais Casos de Concordância Nominal


Vendo-me à janela, fez sinal que descesse. 1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
gênero e número com o substantivo.
9) Causal (= porque, visto que): As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico.
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo
Coaraci) 2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
normalmente para o plural.
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase: Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe-
disse. (sem que = embora não) 3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
para o masculino plural.
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito. Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
(sem que = se não,caso não)
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados. próximo:
(sem que = que não) Trouxe livros e revista especializada.

4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não) 5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi-
mo.
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações. Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.

6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o


sujeito.
PREPOSIÇÃO
Meus amigos estão atrapalhados.
Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter-
mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o 7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica-
segundo, um subordinado ou consequente. tivo no gênero da pessoa a quem se refere.
Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.
Exemplos:
Chegaram a Porto Alegre. 8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
Discorda de você. vão para o singular ou para o plural.
Fui até a esquina. Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
Casa de Paulo.
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
Preposições Essenciais e Acidentais precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA, Já estudei o primeiro e segundo livros.
DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e
ATRÁS. 10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou-
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora, 11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
que se referem.
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo,
segundo, senão, tirante, visto, etc. Ela mesma veio até aqui.
Eles chegaram sós.
Eles próprios escreveram.
INTERJEIÇÃO
12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem Muito obrigado. (masculino singular)
ser: Muito obrigada. (feminino singular).
- alegria: ahl oh! oba! eh!
- animação: coragem! avante! eia! 13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
invariável quando é advérbio.
- admiração: puxa! ih! oh! nossa! Quero meio quilo de café.
- aplauso: bravo! viva! bis! Minha mãe está meio exausta.
- desejo: tomara! oxalá! É meio-dia e meia. (hora)
- dor: aí! ui! 14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan-
- silêncio: psiu! silêncio! tivo a que se referem.
- suspensão: alto! basta! Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
A expressão em anexo é invariável.
Trouxe em anexo estas fotos.
LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
valor de uma interjeição. 15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu-
Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam! em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim! Vocês falaram alto demais.

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O combustível custava barato. 13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é
Você leu confuso. um pronome relativo.
Ela jura falso. Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
Fui eu que fiz a lição
16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos, Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí-
sofrem variação normalmente. veis.
Esses pneus custam caro. • que: Fui eu que fiz a lição.
Conversei bastante com eles. • quem: Fui eu quem fez a lição.
Conversei com bastantes pessoas. • o que: Fui eu o que fez a lição.
Estas crianças moram longe.
Conheci longes terras. 14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a
CONCORDÂNCIA VERBAL este sua impessoalidade.
CASOS GERAIS Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.
O menino chegou. Os meninos chegaram.
CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER
2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular. 1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
O pessoal ainda não chegou. pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA-
A turma não gostou disso. RECER concordam com o predicativo.
Um bando de pássaros pousou na árvore. Tudo são esperanças.
Aquilo parecem ilusões.
3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao Aquilo é ilusão.
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
Os Estados Unidos são um grande país. 2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con-
Os Lusíadas imortalizaram Camões. corda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
Os Alpes vivem cobertos de neve. Que são florestas equatoriais?
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular.
Quem eram aqueles homens?
Flores já não leva acento.
O Amazonas deságua no Atlântico.
3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica.
a expressão numérica.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome São oito horas.
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen- Hoje são 19 de setembro.
temente. De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram). 4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
fica no singular.
5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o Três batalhões é muito pouco.
sujeito paciente. Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
Vende-se um apartamento.
Vendem-se alguns apartamentos. 5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
Maria era as flores da casa.
6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o O homem é cinzas.
verbo para a 3ª pessoa do singular.
Precisa-se de funcionários. 6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
concorda com o predicativo.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no Dançar e cantar é a sua atividade.
singular e o verbo no singular ou no plural. Estudar e trabalhar são as minhas atividades.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem)
7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural.
concorda com o pronome.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.
A ciência, mestres, sois vós.
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular. Em minha turma, o líder sou eu.
Mais de um jurado fez justiça à minha música.
8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo,
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando apenas um deles deve ser flexionado.
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
no singular. Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o REGÊNCIA
sujeito.
Deu uma hora.
Deram três horas. Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
Bateram cinco horas. calmente do outro.
Naquele relógio já soaram duas horas. A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e
adjetivos).
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da Exemplos:
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito. - acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
Ela é que faz as bolas. EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
Eu é que escrevo os programas. PARA = passagem
A regência verbal trata dos complementos do verbo.

Língua Portuguesa 34 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA 15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa.
1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto) • perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos.
• pretender (transitivo indireto)
No sítio, aspiro o ar puro da montanha. • pagar - Pago o 13° aos professores.
Nossa equipe aspira ao troféu de campeã. • dar - Daremos esmolas ao pobre.
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega.
2. OBEDECER - transitivo indireto
Devemos obedecer aos sinais de trânsito. • ensinar - Ensino a tabuada aos alunos.
• agradecer - Agradeço as graças a Deus.
3. PAGAR - transitivo direto e indireto
Já paguei um jantar a você. • pedir - Pedi um favor ao colega.

4. PERDOAR - transitivo direto e indireto. 16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas. O amor implica renúncia.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição
5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto COM:
Prefiro Comunicação à Matemática. O professor implicava com os alunos

6. INFORMAR - transitivo direto e indireto. • no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi-
Informei-lhe o problema. ção EM:
Implicou-se na briga e saiu ferido
7. ASSISTIR - morar, residir:
Assisto em Porto Alegre. 17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A:
• amparar, socorrer, objeto direto Ele foi a São Paulo para resolver negócios.
O médico assistiu o doente. quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA:
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso.
Assistimos a um belo espetáculo.
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto 18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
Assiste-lhe o direito. como sujeito:
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
8. ATENDER - dar atenção pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente di-
Atendi ao pedido do aluno. ficuldade, será objeto indireto.
• CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto Custou-me confiar nele novamente.
Atenderam o freguês com simpatia. Custar-te-á aceitá-la como nora.

9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto


A moça queria um vestido novo. 3. NOVA ORTOGRAFIA
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
O professor queria muito a seus alunos. As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas
que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de
10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua.
Todos visamos a um futuro melhor. Eis algumas observações úteis:
• APONTAR, MIRAR - objeto direto DISTINÇÃO ENTRE J E G
O artilheiro visou a meta quando fez o gol. 1. Escrevem-se com J:
• pör o sinal de visto - objeto direto a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajeste,
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia. canjerê, pajé, etc.
11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije-
Devemos obedecer aos superiores. cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc.
Desobedeceram às leis do trânsito. c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei,
despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis.
12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc.
• exigem na sua regência a preposição EM
O armazém está situado na Farrapos.
Ele estabeleceu-se na Avenida São João.
e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais
mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija.
13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo.
Essas tuas justificativas não procedem.
2. Escrevem-se com G:
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se
a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem,
com a preposição DE.
ferrugem, etc.
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani
b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO:
estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc.
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A.
c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir.
O secretário procedeu à leitura da carta.

14. ESQUECER E LEMBRAR DISTINÇÃO ENTRE S E Z


• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto: 1. Escrevem-se com S:
Esqueci o nome desta aluna. a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc.
Lembrei o recado, assim que o vi.
b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto: ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu-
Esqueceram-se da reunião de hoje. guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa,
Lembrei-me da sua fisionomia. burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc.

Língua Portuguesa 35 A Opção Certa Para a Sua Realização


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c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc. DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C
Observe o quadro das correlações:
d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for Correlações Exemplos
erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exege- t-c ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial
se análise, trombose, etc. ter-tenção abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter
- detenção; reter - retenção
e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa, rg - rs aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submer-
causa. rt - rs são;
pel - puls inverter - inversão; divertir - diversão
f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical termina corr - curs impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão
em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso), etc. sent - sens correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão
ced - cess sentir - senso, sensível, consenso
ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - inter-
g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão; preten- gred - gress cessão.
der: pretensão; repreender: repreensão, etc. exceder - excessivo (exceto exceção)
prim - press agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão -
2. Escrevem-se em Z. progresso - progressivo
tir - ssão
a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repres-
são.
mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização,
admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão.
organizado; realizar: realização, realizado, etc.
(re)percutir - (re)percussão
b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados
de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc. PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES

c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro, ONDE-AONDE


chapeuzinho, cãozito, etc. Emprega-se AONDE com os verbos que dão ideia de movimento. Equi-
vale sempre a PARA ONDE.
DISTINÇÃO ENTRE X E CH: AONDE você vai?
1. Escrevem-se com X AONDE nos leva com tal rapidez?

a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote, Naturalmente, com os verbos que não dão ideia de “movimento” empre-
feixe, etc. ga-se ONDE
c) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica, etc. ONDE estão os livros?
Não sei ONDE te encontrar.
d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de
árvore que produz o látex). MAU - MAL
MAU é adjetivo (seu antônimo é bom).
e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar, en- Escolheu um MAU momento.
chapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são grafa- Era um MAU aluno.
das com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou seja,
pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchente, en- MAL pode ser:
cher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar: en + a) advérbio de modo (antônimo de bem).
radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; enchapelar: Ele se comportou MAL.
en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço). Seu argumento está MAL estruturado
b) conjunção temporal (equivale a assim que).
2. Escrevem-se com CH: MAL chegou, saiu
a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre- c) substantivo:
buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal- O MAL não tem remédio,
sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, cachim- Ela foi atacada por um MAL incurável.
bo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar, mochi-
la, piche, pichar, tchau. CESÃO/SESSÃO/SECÇÃO/SEÇÃO
CESSÃO significa o ato de ceder.
b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que Ele fez a CESSÃO dos seus direitos autorais.
possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia se A CESSÃO do terreno para a construção do estádio agradou a todos os
distingue pelo contraste entre o x e o ch. torcedores.
Exemplos:
SESSÃO é o intervalo de tempo que dura uma reunião:
• brocha (pequeno prego)
Assistimos a uma SESSÃO de cinema.
• broxa (pincel para caiação de paredes) Reuniram-se em SESSÃO extraordinária.
• chá (planta para preparo de bebida)
• xá (título do antigo soberano do Irã) SECÇÃO (ou SEÇÃO) significa parte de um todo, subdivisão:
Lemos a noticia na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de esportes.
• chalé (casa campestre de estilo suíço) Compramos os presentes na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de brinquedos.
• xale (cobertura para os ombros)
• chácara (propriedade rural) HÁ / A
Na indicação de tempo, emprega-se:
• xácara (narrativa popular em versos)
HÁ para indicar tempo passado (equivale a faz):
• cheque (ordem de pagamento) HÁ dois meses que ele não aparece.
• xeque (jogada do xadrez) Ele chegou da Europa HÁ um ano.
• cocho (vasilha para alimentar animais) A para indicar tempo futuro:
Daqui A dois meses ele aparecerá.
• coxo (capenga, imperfeito) Ela voltará daqui A um ano.

Língua Portuguesa 36 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
FORMAS VARIANTES
Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer 3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio
uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos. Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc.
aluguel ou aluguer hem? ou hein?
4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta:
alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia
"Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis)
amídala ou amígdala infarto ou enfarte "Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso,
assobiar ou assoviar laje ou lajem mirra." (Manuel Bandeira)
assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula
azaléa ou azaleia nenê ou nenen
4. ACENTUAÇÃO GRÁFICA
bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu
bílis ou bile quatorze ou catorze ORTOGRAFIA OFICIAL
cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar Por Paula Perin dos Santos
carroçaria ou carroceria taramela ou tramela
O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas da
chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear
Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário
debulhar ou desbulhar ou relampar internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâmetros:
fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem 2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação completa
dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigência obrigató-
ria em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo Acordo
EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países que
falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que teve
Escrevem-se com letra inicial maiúscula: sua implementação.
1) a primeira palavra de período ou citação.
Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que
letra maiúscula. uma língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar
que a ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e que
2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes as diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos
sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil, subsistirão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática.
Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via- Uma língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por meio de
Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc. Leis ou Acordos.
O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, de-
3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas pois de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência uma dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra, o
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc. ideal é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou, na
melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra.
4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República,
etc. Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação, descomplicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em diante
Estado, Pátria, União, República, etc. a Ortografia Oficial do Português falado no Brasil.
6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações,
órgãos públicos, etc.: Alfabeto
Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo
do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc. as letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhuma
novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios e
7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e palavras importadas do idioma inglês, como:
científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os km – quilômetro,
Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da kg – quilograma
Manhã, Manchete, etc. Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros.

8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, Trema


Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc. Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita muito
textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus
Oriente, o falar do Norte. derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bündchen não vai
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste. deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste caso,
o “ü” lê-se “i”)
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o
Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc. QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA
1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas ou
Escrevem-se com letra inicial minúscula: não de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas de “LO(s)” ou
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, “LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas em ditongos
nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval, abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
ingleses, ave-maria, um havana, etc. Ex.
Chá Mês nós
2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando Gás Sapé cipó
empregados em sentido geral: Dará Café avós
São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.

Língua Portuguesa 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Pará Vocês compôs DIVISÃO SILÁBICA
vatapá pontapés só
Aliás português robô Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU,
dá-lo vê-lo avó GU.
1- chave: cha-ve
recuperá-los Conhecê-los pô-los
aquele: a-que-le
guardá-la Fé compô-los palha: pa-lha
réis (moeda) Véu dói manhã: ma-nhã
méis céu mói guizo: gui-zo
pastéis Chapéus anzóis Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresentam
ninguém parabéns Jerusalém a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço
Resumindo: reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar
Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma
seja um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e “atraí- globo: glo-bo fraco: fra-co
lo” são acentuadas porque as semivogais “i” e “u” estão tônicas nestas implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do
palavras. atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so
2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em: prato: pra-to
 L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
 N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen. Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC.
 R – câncer, caráter, néctar, repórter. 3- correr: cor-rer desçam: des-çam
 X – tórax, látex, ônix, fênix. passar: pas-sar exceto: ex-ce-to
fascinar: fas-ci-nar
 PS – fórceps, Quéops, bíceps.
 Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs. Não se separam as letras que representam um ditongo.
 ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão. 4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro
 I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis. cárie: cá-rie
 ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
Separam-se as letras que representam um hiato.
 UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el
 US – ânus, bônus, vírus, Vênus. rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o
Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos crescen-
tes (semivogal+vogal): Não se separam as letras que representam um tritongo.
Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio. 6- Paraguai: Pa-ra-guai
saguão: sa-guão
3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba
Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisân-
que a antecede.
temo, público, pároco, proparoxítona.
7- torna: tor-na núpcias: núp-cias
técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter
QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS
absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz
4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
 Formarem sílabas sozinhos ou com “S” Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à sílaba
Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta. que a segue
8- pneumático: pneu-má-ti-co
IMPORTANTE gnomo: gno-mo
Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”, psicologia: psi-co-lo-gia
se todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?
Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tônicos No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamente,
de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectivamente. mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam em
Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando naturalmente a sílabas separadas.
sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.
9- sublingual: sub-lin-gual
5. Trema sublinhar: sub-li-nhar
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só vai sublocar: sub-lo-car
permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estrangeira,
como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “ü” lê-se “i”) Preste atenção nas seguintes palavras:
trei-no so-cie-da-de
6. Acento Diferencial gai-o-la ba-lei-a
O acento diferencial permanece nas palavras: des-mai-a-do im-bui-a
pôde (passado), pode (presente) ra-diou-vin-te ca-o-lho
pôr (verbo), por (preposição) te-a-tro co-e-lho
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do du-e-lo ví-a-mos
verbo está no singular ou plural: a-mné-sia gno-mo
co-lhei-ta quei-jo
SINGULAR PLURAL pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co
dig-no e-nig-ma
Ele tem Eles têm
e-clip-se Is-ra-el
Ele vem Eles vêm mag-nó-lia
Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, como:
conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.

Língua Portuguesa 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS Nota 2: Em alguns idiomas como o alemão, para cada vogal anterior
existe uma posterior correspondente. As vogais posteriores derivadas de
vogais anteriores são representadas pelo trema (ä, ö, u).
Morfologia - Estrutura e formação de palavras.
Em linguística, um fonema é a menor unidade sonora (fonética) de uma
SEMIVOGAIS
língua que estabelece contraste de significado para diferenciar palavras.
Por exemplo, a diferença entre as palavras prato e trato, quando faladas, As semivogais são fonemas que não ocupam a posição de núcleo da
está apenas no primeiro fonema: P na primeira e T na segunda. sílaba, devendo, portanto, associam-se a uma vogal para formarem uma
sílaba. Em português, somente os fonemas representados pelas letras “i” e
“u” em ditongos e tritongos são considerados semi-vogais. Um ditongo é
Classificação dos Fonemas
sempre formado por uma vogal mais uma semivogal. Quando a semivogal
Os fonemas são classificados em vogais, semivogais e consoantes. vem antes da vogal, o ditongo é dito “crescente” (como em “jaguar”). Quan-
do a semivogal vem depois, o ditongo é dito “decrescente” (como em “de-
VOGAIS mais”). Nos ditongos “ui” e “iu”, uma das letras é sempre considerada vogal
Vogal é o fonema produzido pelo ar que, expelido dos pulmões, faz vi- e a outra é semivogal. No caso dos tritongos, todos eles são formados por
brar as cordas vocais e não encontra nenhum obstáculo na sua passagem uma vogal intercalada entre duas semivogais.
pelo aparelho fonador. Classificam-se em:
Quanto à intensidade CONSOANTES
- Vogal tônica: é a vogal onde se encontra o acento prosódico prin- Consoantes são fonemas assilábicos que se produzem após ultrapas-
cipal da palavra. sar um obstáculo que se opõe à corrente de ar no aparelho fonador. Estes
- Vogal subtônica: é a vogal onde se encontra o acento prosódico obstáculos incluem os lábios, os dentes, a língua, o palato, o véu palatino e
secundário da palavra. a úvula. Classificam-se da seguinte maneira:
- Vogal átona: é uma vogal onde não existe qualquer acento prosó-
dico. Quanto ao papel das cordas vocais
Exemplo: Na palavra automaticamente, o primeiro “e” é a vogal tônica, - Consoantes surdas: São as consoantes pronunciadas sem que
o segundo “a” é a vogal subtônica, e as demais vogais são átonas. as cordas vocais sejam postas em vibração. São surdas as seguintes
consoantes em português: f, k, p, s, t, ch.
Nota 1: Em alguns idiomas como o chinês não existe o conceito de in-
tensidade da vogal. Em seu lugar, existe o conceito de tom, em que as - Consoantes sonoras: São as consoantes pronunciadas com a
sílabas são distinguidas pela maneira como são entonadas. Em português, vibração das cordas vocais. São sonoras as seguintes consoantes em
o conceito de “tom” existe quando se diferencia uma pergunta de uma português: b, d, g, j, l, lh, m, n, nh, r, v, z.
afirmação (ex.: “o açúcar é branco.”; “o açúcar é branco?”) ou em uma frase
exclamativa: “(ex.: “como o açúcar é branco!”). Quanto ao modo de articulação
Nota 2: Em nenhuma palavra de até três sílabas existem vogais subtô- - Consoantes oclusivas: São as consoantes pronunciadas fechan-
nicas em português. E em algumas preposições, artigos, pronomes e do-se totalmente o aparelho fonador, sem dar espaço para o ar sair. São
conjunções com uma ou duas sílabas (ex.: por, em, para, um, o, pelo), não oclusivas as seguintes consoantes: p, t, k, b, d, g.
existem vogais tônicas. - Consoantes fricativas: São as consoantes pronunciadas através
Quanto ao timbre de uma corrente de ar que se fricciona em um obstáculo. São fricativas as
- Vogais abertas: São as vogais articuladas ao se abrir o máximo seguintes consoantes em português: f, j, s, ch, v, z.
a boca. Por exemplo: nas palavras “amora” e “café”, todas as vogais são - Consoantes laterais: São as consoantes pronunciadas ao fazer
abertas. passar a corrente de ar nos dois cantos da boca ao lado da língua. Em
- Vogais fechadas: São as vogais articuladas ao se abrir o mínimo português, são laterais apenas as consoantes “l” e “lh”.
a boca. Por exemplo: nas palavras “êxodo” e “fôlego”, todas as vogais são - Consoantes vibrantes: São as consoantes pronunciadas através
fechadas. da vibração de algum elemento do aparelho fonador, em geral a língua ou o
Alguns gramáticos da língua portuguesa ainda classificam as vogais “e” véu palatino. Em português, são vibrantes apenas as duas variedades do
e “o” na categoria de vogais reduzidas quando são átonas no fim de uma “r”, como em “carro” e em “caro”.
palavra, que em geral são pronunciadas como “i” e “u”. Por exemplo, nas - Consoantes nasais: São as consoantes em que o ar sai pelas
palavras “análise” e “camelo”. fossas nasais, em vez da boca. Em português, são nasais as consoantes
Quanto ao modo de articulação “m”, “n” e “nh”.
- Vogais orais: São as vogais pronunciadas completamente atra-
vés da cavidade oral. Em português, existem sete vogais orais, a saber: “a”, Quanto ao ponto de articulação
“ê”, “é”, “i”, “ô”, “ó” e “u”. - Consoantes bilabiais: São as consoantes pronunciadas com o
- Vogais nasais: São as vogais pronunciadas em que uma parte contato dos dois lábios. Em português, são bilabiais as consoantes: p, b, m.
do ar usado para a pronúncia escapa pela cavidade nasal. Em português, - Consoantes dentais: São as consoantes pronunciadas com a
existem seis vogais nasais. Nas palavras: “maçã”, “armazém”, “capim”, língua entre os dentes. Não existem consoantes dentais em português. Em
“garçom”, “compra” e “fundo”, os grafemas assinalados em negrito repre- outros idiomas, pode ser citado como exemplo o “th” do inglês.
sentam vogais nasais. Também são nasais os ditongos “ão”, “ãe”, “õe”, - Consoantes alveolares: São as consoantes pronunciadas com o
“âim” (como em “câimbra”) e o ditongo “ui” da palavra “muito”. contato da língua nos alvéolos dos dentes. Em português, são alveolares as
Quanto ao ponto de articulação consoantes: t, d, n, s, z, l e o “r” fraco.
- Vogais anteriores: São as vogais pronunciadas com a parte tra- - Consoantes labiodentais: São as consoantes pronunciadas com
seira da língua curvada para baixo. Em português, são anteriores as vogais o contato dos lábios na arcada superior dos dentes. Em português, são
“a”, “â”, “o”, “ó” e “u”. labiodentais as consoantes “f” e “v”.
- Vogais posteriores: São as vogais pronunciadas com a parte tra- - Consoantes palatais: São as consoantes pronunciadas com o
seira da língua curvada para cima. Em português, são posteriores as vogais contato da língua com o palato. Em português, são palatais as seguintes
“e”, “é” e “i”. consoantes: j, ch, lh e nh.
Nota 1: Alguns gramáticos da língua portuguesa consideram as vogais - Consoantes retroflexivas: São as consoantes pronunciadas com
“a” e “â” como vogais médias ou vogais centrais, porque nessas vogais, em a língua curvada. Em português, somente em alguns dialetos do Brasil têm
português, não há curvatura da língua. uma consoante retroflexiva, o chamado “r” caipira.

Língua Portuguesa 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
- Consoantes velares: São as consoantes pronunciadas com a VOGAIS
parte traseira da língua no véu palatino. Em português, são velares as aeiou
consoantes: k, g e rr (na maioria dos dialetos). As vogais são sons musicais produzidos pela vibração das cordas vo-
- Consoantes uvulares: São as consoantes pronunciadas através cais. São chamados fonemas silábicos, pois constituem o fonema central
da vibração da úvula. Em português, somente o dialeto fluminense tem uma de toda sílaba.
consoante uvular; no caso, o “r” forte. Também é considerado uvular o “h” AS VOGAIS SÃO CLASSIFICADAS CONFORME:
aspirado de idiomas como o inglês.
Função Das Cavidades Bucal E Nasal
- Consoantes glotais: São as consoantes pronunciadas através da Orais - a, e, i, o, u
vibração da glote. Não há consoantes glotais em português e em pratica-
mente nenhum dos idiomas ocidentais. Exemplos de idiomas com consoan- Nasais - ã, ê, î, õ, û.
tes glotais são o hebraico e o árabe. Zona De Articulação
Nota: No Brasil, é perceptível a diferença de pronúncia da palavra tia Média - a
entre pessoas do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, por exemplo. De Anteriores - e, i
modo geral, para os primeiros, a letra “t” é um fonema palatal (pronunciado Posteriores - o, u
mais ou menos como “txia”, enquanto para os segundos representa um
fonema alveolar. Ainda que — assim como em prato e trato — os sons Timbre
correspondentes à letra t de tia sejam diferentes (isto é, letras iguais e sons Abertas - á, é, ó
diferentes), o fonema é um só, visto que, na língua, não se estabelece Fechadas - ê, ô
distinção de significado ao pronunciar-se /tia/ ou /txia/.
Reduzidas - fale, hino.
Fonética
Intensidade
Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo-
nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os Tônicas - saci, óvulo, peru
quais caracterizam a oposição entre os vocábulos. Por exemplo, em ‘pato’ e Átonas - moço, uva, vida.
‘bato’ é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe entre si as duas Semivogais - I U
palavras. Tal som recebe a denominação de Fonema. Pelo visto, pode-se
Só há duas semivogais: I e U, quando se incorporam à vogal numa
dizer que cada letra do nosso alfabeto representa um fonema, mas fica a
mesma sílaba da palavra, formando-se um ditongo ou tritongo. Por exem-
advertência de que num estudo mais profundo a teoria mostra outra reali-
plo: cai-ça-ra, te-sou-ro, Pa-ra-guai.
dade, que não convém inserir nas noções elementares de que estamos
tratando. A Letra é a representação gráfica, isto é, uma representação Características Das Semivogais:
escrita de um determinado som. Ficam sempre ao lado de outra vogal na mesma sílaba da palavra.
São átonas.
LETRAS FONEMAS EXEMPLOS CONSOANTES
A Ã (AM, AN) - A ANTA DO CAMPO - ÁRVORE As consoantes são fonemas que soam com alguma vogal. Portanto,
B BÊ BOI BRAVO - BALEIA são fonemas assilábicos, isto é, sozinhos não formam sílaba.
BCDFGHJLMNPQRSTVXZ
C SÊ - KÊ CERVO – COBRA
ENCONTROS VOCÁLICOS
D DÊ DROMEDÁRIO - DINOSSAURO
À sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
E Ê – EM, EN - E ELEFANTE – ENTE – ÉGUA encontro vocálico. Por exemplo, cooperativa.
F FÊ FOCA - FLAMINGO TRÊS SÃO OS ENCONTROS VOCÁLICOS: DITONGO
É a reunião de uma vogal junto a uma semivogal, ou a reunião de uma
G JÊ - GUÊ GIRAFA – GATO
semivogal junto a uma vogal em uma só sílaba. Por exemplo, rei-na-do.
H Ø HIPOPÓTAMO - HOMEM
I IM - I ÍNDIO - IGREJA OS DITONGOS CLASSIFICAM-SE EM:
J JÊ JIBÓIA - JACARÉ Crescentes
L LÊ - U LEÃO - SOL A semivogal antecede a vogal. Ex: quadro.
Decrescentes
M MÊ – (~) MACACO – CAMBUÍ
A vogal antecede a semivogal. Ex: rei.
N NÊ – (~) NATUREZA – PONTE
Observações:
O Õ (OM, ON) – O – Ô ONÇA – AVÓ – AVÔ Sendo aberta a vogal do ditongo, diz-se que ele é oral aberto. Ex: céu.
P PÊ PORCO - PATO Sendo fechada, diz-se que é oral fechado. Ex: ouro.
Q KÊ QUERO-QUERO - QUEIJO Sendo nasal, diz-se que é nasal. Ex: pão.
R RRÊ – RÊ RATO BURRO – ARARA Após a vogal, as letras E e O, que se reduzem, respectivamente, a I e
U, têm valor de semivogal. Ex: mãe; anão.
S SÊ – ZÊ – Ø SAPO – CASA – NASCER
TRITONGO
T TÊ TATU - TUBARÃO É o encontro, na mesma sílaba, de uma vogal tônica ladeada de duas
U U – UM, UN URUBU – ATUM semivogais. Ex: sa-guão; U-ru-guai.
V U – UM, UN VACA - VEADO Pelos exemplos dados, conclui-se que os tritongos podem ser nasais
XARÉU – EXEMPLO – MÁXIMO ou orais.
X XÊ – ZÊ – SÊ – Ø - KSÊ – EXCETO - TÁXI HIATO
Z ZÊ ZEBRA - ZORRO É o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em
duas diferentes emissões de voz. Por exemplo, mi-ú-do, bo-a-to, hi-a-to.
Tradicionalmente, costuma-se classificar os fonemas em vogais, semi- O hiato forma um encontro vocálico disjunto, isto é, na separação da
vogais e consoantes, com algumas divergências entre os autores. palavra em sílabas, cada vogal fica em uma sílaba diferente.

Língua Portuguesa 40 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
SÍLABA As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, encer-
Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados rando a sílaba por em uma palavra. Por exemplo, pomba, campo, onde,
numa só emissão de voz. Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classi- canto, manto.
fica-se em: Não há como confundir encontro consonantal com dígrafo por uma ra-
Monossílabo zão muito simples: os dígrafos são consoantes que se combinam, mas não
formam um encontro consonantal por constituírem um só fonema.
Possui uma só sílaba. (fé, sol)
Dissílabo
Possui duas sílabas. (casa, pombo) 9. FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO. 10. TERMOS DA
Trissílabo ORAÇÃO E SUAS FUNÇÕES MORFOSSINTÁTICAS.
Possui três sílabas. (cidade, atleta) 11. RELAÇÕES SINTÁTICO-SEMÂNTICAS ENTRE AS
Polissílabo ORAÇÕES DE UM PERÍODO. 12. PROCESSO DE
Possui mais de três sílabas. (escolaridade, reservatório). COORDENAÇÃO E DE SUBORDINAÇÃO
TONICIDADE FRASE
Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
se pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica. Por exem- O tempo está nublado.
plo, em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá, pá. Socorro!
Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras Que calor!
em:
Oxítonas ORAÇÃO
Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
Quando a tônica é a última sílaba. (sabor, dominó) A fanfarra desfilou na avenida.
Paroxítonas As festas juninas estão chegando.
Quando a tônica é a penúltima. (quadro, mártir)
Proparoxítonas PERÍODO
Período é a frase estruturada em oração ou orações.
Quando a tônica é a antepenúltima. (úmido, cálice) O período pode ser:
Obs: A maioria das palavras de nossa língua é paroxítona. • simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
Fui à livraria ontem.
MONOSSÍLABOS • composto - quando constituído por mais de uma oração.
Átonos Fui à livraria ontem e comprei um livro.
São os de pronúncia branda, os que têm a vogal fraca, inacentuada.
TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
Também são chamados clíticos. Incluem-se na lista dos monossílabos
São dois os termos essenciais da oração:
átonos, os artigos, as preposições, as conjunções, os pronomes pessoais
oblíquos, as combinações pronominais e o pronome relativo ‘que’. Por
exemplo, a, de, nem, lhe, no, me, se. SUJEITO
Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.
Tônicos
Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes)
São os de pronúncia forte, independentemente de sinal gráfico sobre a O sujeito pode ser:
sílaba. Por exemplo, pé, gás, foz, dor. - simples: quando tem um só núcleo
Rizotônicas As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas;
São as palavras cujo acento tônico incide no radical. Por exemplo, des- núcleo: rosas)
crevo, descreves, descreve. - composto: quando tem mais de um núcleo
O burro e o cavalo saíram em disparada.
Arrizotônicas (suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo)
São as palavras cujo acento tônico fica fora do radical. Por exemplo, - oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal
descreverei, descreverás, descreverá. Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu)
Obs: As denominações rizotônico e arrizotônico dizem respeito especi- - indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal
almente às formas verbais. Come-se bem naquele restaurante.
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito
ENCONTROS CONSONANTAIS
Choveu ontem.
O agrupamento de duas ou mais consoantes numa mesma palavra de- Há plantas venenosas.
nomina-se encontro consonantal. Os encontros consonantais podem ser:
Conjuntos ou inseparáveis, terminados em L ou R. Por exemplo, ple- PREDICADO
beu e crô-ni-ca. Exceto: sub-li-nhar. Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito.
O predicado classifica-se em:
Disjuntos ou separáveis por vogal não representada na escrita, mas
1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais predicativo
que é percebida, na pronúncia, entre as duas consoantes. Por exemplo, rit-
do sujeito.
mo, ad-mi-rar, ob-je-ti-vo.
Nosso colega está doente.
DÍGRAFOS Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER,
São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia PERMANECER, etc.
composta para um som simples. Há os seguintes dígrafos: Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a
Os terminados em H, representados pelos grupos ch, lh, nh. Por exem- comunicar estado ou qualidade do sujeito.
plo, chave, malha, ninho. Nosso colega está doente.
A moça permaneceu sentada.
Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e ss.
Por exemplo, carro, pássaro. 2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou
Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs. Por exemplo, guerra, quilo, nascer, transitivo.
cresça, exceto. O avião sobrevoou a praia.
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Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento. 2. ADJUNTO ADVERBIAL
O sabiá voou alto. Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de tempo,
Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento. lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
• Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio Cheguei cedo.
de proposição. José reside em São Paulo.
Minha equipe venceu a partida.
• Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com 3. APOSTO
auxílio de preposição. Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
Ele precisa de um esparadrapo. desenvolve ou resume outro termo da oração.
• Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao Dr. João, cirurgião-dentista,
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
complemento com auxilio de preposição. O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
Damos uma simples colaboração a vocês.

3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo


4. VOCATIVO
Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais
predicativo do sujeito. interpelar alguém ou alguma coisa.
Os rapazes voltaram vitoriosos. Tem compaixão de nós, ó Cristo.
• Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal, Professor, o sinal tocou.
Rapazes, a prova é na próxima semana.
ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Ele morreu rico.
• Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal, PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES
ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto
direto ou indireto. No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
Elegemos o nosso candidato vereador. Fui ao cinema.
O pássaro voou.
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
Chama-se termos integrantes da oração os que completam a PERÍODO COMPOSTO
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à No período composto há mais de uma oração.
compreensão do enunciado. (Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
folgam.)
1. OBJETO DIRETO
Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Período composto por coordenação
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE. Apresenta orações independentes.
(Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)
2. OBJETO INDIRETO
Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Período composto por subordinação
transitivo indireto. Apresenta orações dependentes.
As crianças precisam de CARINHO. (É bom) (que você estude.)

3. COMPLEMENTO NOMINAL Período composto por coordenação e subordinação


Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este
um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado por período é também conhecido como misto.
um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio. (Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.)
Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo)
O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo) ORAÇÃO COORDENADA
Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE Oração coordenada é aquela que é independente.
(advérbio). As orações coordenadas podem ser:
- Sindética:
4. AGENTE DA PASSIVA Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo na coordenativa.
voz passiva. Viajo amanhã, mas volto logo.
A mãe é amada PELO FILHO.
O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO. - Assindética:
Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO. Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou
ponto e vírgula.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO Chegou, olhou, partiu.
TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma A oração coordenada sindética pode ser:
função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo 1. ADITIVA:
alguma circunstância. Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas,
São termos acessórios da oração: também:
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO.
1. ADJUNTO ADNOMINAL Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ.
substantivos. Pode ser expresso:
• pelos adjetivos: água fresca, 2. ADVERSATIVA:
• pelos artigos: o mundo, as ruas Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de contraste
• pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, etc).
• pelos numerais: três garotos; sexto ano A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
• pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO.

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3. ALTERNATIVAS: 6) APOSITIVAS (servem de aposto)
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a outra Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
(ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc). Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.
Mudou o natal OU MUDEI EU?
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel, 7) AGENTE DA PASSIVA
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!” O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
(C. Meireles) A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.

4. CONCLUSIVAS: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS


Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS, Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE, um adjetivo.
etc). Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas:
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO.
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ.
1) EXPLICATIVAS:
Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente,
5. EXPLICATIVAS: atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe uma
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que
informação.
a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.)
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR. Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS.
2) RESTRITIVAS:
ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração.
indispensáveis ao sentido da frase:
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido. Pedra QUE ROLA não cria limo.
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos: As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.
Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.

ORAÇÃO PRINCIPAL ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS


Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
por um conectivo. um advérbio.
ELES DISSERAM que voltarão logo. As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
ELE AFIRMOU que não virá. 1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma) Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
O tambor soa PORQUE É OCO.
ORAÇÃO SUBORDINADA
Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é 2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal comparação.
nem sempre é a primeira do período. O som é menos veloz QUE A LUZ.
Quando ele voltar, eu saio de férias. Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.
Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS
Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR 3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite:
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.
de um substantivo.
Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas 4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese:
substantivas classificam-se em: SE O CONHECESSES, não o condenarias.
1) SUBJETIVA (sujeito) Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO?
Convém que você estude mais.
Importa que saibas isso bem. . 5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato
É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é necessária. com outro:
Fiz tudo COMO ME DISSERAM.
2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto) Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.
Desejo QUE VENHAM TODOS.
6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado:
Pergunto QUEM ESTÁ AI.
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA!
3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto) Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE. 7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto:
Daremos o prêmio A QUEM O MERECER. Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE.
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.
4) COMPLETIVA NOMINAL
Complemento nominal. 8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade:
Ser grato A QUEM TE ENSINA. À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende.
Sou favorável A QUE O PRENDAM. QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo.

5) PREDICATIVA (predicativo) 9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na


Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA) oração principal:
Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE. ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam.
Não sou QUEM VOCÊ PENSA. QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam.

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10) MODAIS: exprimem modo, maneira: Nesse caso, a coesão gramatical dá lugar à coesão significativa. Os pro-
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE. cessos que ocorrem nessas particularidades de construção da frase cha-
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE. mam-se figuras de sintaxe. As mais empregadas são a elipse, o zeugma, o
anacoluto, o pleonasmo e o hipérbato.
ORAÇÕES REDUZIDAS
Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais: Na elipse ocorre a omissão de termos, facilmente depreendidos do con-
gerúndio, infinitivo e particípio. texto geral ou da situação ("Sei que [tu] me compreendes."). Zeugma é uma
forma de elipse que consiste em fazer participar de dois ou mais enuncia-
Exemplos: dos um termo expresso em apenas um deles ("Eu vou de carro, você [vai]
de bicicleta."). O anacoluto consiste na quebra da estrutura regular da frase,
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU PREPARADO. interrompida por outra estrutura, geralmente depois de uma pausa ("Quem
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ. o feio ama, bonito lhe parece."). O pleonasmo é a repetição do conteúdo
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM, significativo de um termo, para realçar a ideia ou evitar ambiguidade ("Vi
conseguirás. com estes olhos!"). Hipérbato é a inversão da ordem normal das palavras
na oração, ou das orações no período, com finalidade expressiva, como na
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS abertura do Hino Nacional Brasileiro: "Ouviram do Ipiranga as margens
ATENTOS. plácidas / de um povo heróico o brado retumbante. ("As margens plácidas
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO, do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.") ©En-
entristeceu-se. cyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
• É interesse ESTUDARES MAIS. = É interessante QUE ESTUDES
MAIS.
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure- Metaplasmo
me. As palavras, tanto no tempo quanto no espaço, estão sujeitas a altera-
ções fonéticas, que chegam por vezes a desfigurá-las. Só se admite que a
palavra "cheio" era, em sua origem latina, o vocábulo plenus, porque leis
fonéticas e documentos provam essa identidade.
16. FIGURAS DE LINGUAGEM. Metaplasmo é a alteração fonética que ocorre na evolução dos fone-
mas, dos vocábulos e até das frases. Os metaplasmos que dizem respeito
Consideradas pelos autores clássicos gregos e romanos como inte- aos fonemas são vários. Na transformação do latim em português alguns
grantes da arte da retórica, de grande importância literária, as figuras de foram frequentíssimos, como o abrandamento, a queda, a simplificação e a
linguagem contribuem também para a evolução da língua. vocalização.
Figuras de linguagem são maneiras de falar diferentes do cotidiano No caso do abrandamento, as consoantes fortes (proferidas sem voz)
comum, com o fim de chamar a atenção por meio de expressões mais tendem a ser proferidas com voz, quando intervocálicas (lupus > lobo,
vivas. Visa também dar relevo ao valor autônomo do signo linguístico, o que defensa > defesa). Na queda, as consoantes brandas tendem a desaparer
é característica própria da linguagem literária. As figuras podem ser de na mesma posição (luna > lua, gelare > gear). Excetuam-se m, r, e por
dicção (ou metaplasmos), quando dizem respeito à própria articulação dos vezes g (amare > amar, legere > ler, regere > reger). O b, excetuando-se
vocábulos; de palavra (ou tropos), quando envolvem a significação dos também, muda-se em v (debere > dever).
termos empregados; de pensamento, que ocorre todas as vezes que se Ocorre a simplificação quando as consoantes geminadas reduzem-se a
apresenta caprichosamente a linguagem espiritual; ou de construção, singelas (bucca > boca, caballus > cavalo). O atual digrama ss não constitui
quando é conseguida por meios sintáticos. exceção, porque pronunciado simplesmente como ç (passus > passo).
Metaplasmos. Todas as figuras que acrescentam, suprimem, permutam Quanto ao rr, para muitos conserva a geminação, na pronúncia trilada,
ou transpõem fonemas nas palavras são metaplasmos. Assim, por exem- como no castelhano (terra > terra); para outros os dois erres se simplificam
plo, mui em vez de muito; enamorado, em vez de namorado; cuidoso, em num r uvular, muito próximo do r grasseyé francês.
vez de cuidadoso; desvario, em vez de desvairo. Consiste a vocalização na troca das consoantes finais de sílabas interi-
ores em i, ou u: (acceptus > aceito, absente > ausente). Muitos brasileiros
Figuras de palavras. As principais figuras de palavras são a metáfora,
estendem isso ao l, como em "sol", que proferem "çóu", criando um ditongo
a metonímia e o eufemismo. Recurso essencial na poesia, a metáfora é a
que não existe em português.
transferência de um termo para outro campo semântico, por uma compara-
ção subentendida (como por exemplo quando se chama uma pessoa astuta Os vocábulos revelam, em sua evolução, metaplasmos que se classifi-
de "águia"). A metonímia consiste em designar um objeto por meio de um cam como de aumento, de diminuição, e de troca. Como exemplos de
termo designativo de outro objeto, que tem com o primeiro uma dentre acréscimos anotam-se os fonemas que se agregam às antigas formas. Em
várias relações: (1) de causa e efeito (trabalho, por obra); (2) de continente "estrela" há um e inicial, e mais um r, que não havia no originário stella.
e conteúdo (garrafa, por bebida); (3) lugar e produto (porto, por vinho do Observem-se essas evoluções: foresta > floresta, ante > antes. "Brata",
Porto); (4) matéria e objeto (cobre, por moeda de cobre); (5) concreto e oriundo de blatta, diz-se atualmente "barata". Decréscimos são supressões
abstrato (bandeira, por pátria); (6) autor e obra (um Portinari, por um quadro como as observadas na transformação de episcopus em "bispo". Ou em
pintado por Portinari); (7) a parte pelo todo (vela, por embarcação). O amat > ama, polypus > polvo, enamorar > namorar.
eufemismo é a expressão que suaviza o significado inconveniente de outra, Apontam-se trocas em certas transformações. Note-se a posição do r
como chamar uma pessoa estúpida de "pouco inteligente", ou "descuida- em: pigritia > preguiça, crepare > quebrar, rabia > raiva. Os acentos tam-
do", ao invés de "grosseiro". bém se deslocam às vezes, deslizando para a frente (produção), como em
júdice > juiz, ou antecipando-se (correpção), como em amassémus >
Figuras de construção e de pensamento. Tanto as figuras de constru-
amássemos. A crase (ou fusão) é um caso particular de diminuição, carac-
ção quanto as de pensamento são às vezes englobadas como "figuras
terístico aliás da língua portuguesa, e consiste em se reduzirem duas ou
literárias". As primeiras são: assindetismo (falta de conectivos), sindetismo
três vogais consecutivas a uma só: avoo > avô, avoa > avó, aa > à, maior >
(abuso de conectivos), redundância (ou pleonasmo), reticência (ou interrup-
mor, põer > pôr. A crase é também normal em casos como "casa amarela"
ção), transposição (ou anástrofe, isto é, a subversão da ordem habitual dos
(káz ãmáréla).
termos). As principais figuras de pensamento são a comparação (ou ima-
gem), a antítese (ou realce de pensamentos contraditórios), a gradação, a Os metaplasmos são, em literatura, principalmente na poesia, figuras
hipérbole (ou exagero, como na frase: "Já lhe disse milhares de vezes"), a de dicção. Os poetas apelam para as supressões, para as crases, para os
lítotes (ou diminuição, por humildade ou escárnio, como quando se diz que hiatos, como para recursos de valor estilístico. A um poeta é lícito dizer no
alguém "não é nada tolo", para indicar que é esperto). Brasil: "E o rosto of'rece a ósculos vendidos" (Gonçalves Dias). Quando
Bilac versifica: "Brenha rude, o luar beija à noite uma ossada" dá ao encon-
Figuras de sintaxe. Quando se busca maior expressividade, muitas ve- tro u-a um tratamento diferente daquele que lhe notamos adiante em:
zes usam-se lacunas, superabundâncias e desvios nas estruturas da frase.
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"Contra esse adarve bruto em vão rodavam "no ar". No ar reduzido a um subsídio da linguagem afetiva. Por exemplo: Os sinos bimbalhavam ruido-
ditongo constitui uma sinérese. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publi- samente.
cações Ltda.
RETICÊNCIA = consiste na proposital suspensão do pensamento,
quando se julga o silêncio mais expressivo que as palavras. Por exemplo:
FIGURAS DE ESTILO Nós dois … e, entre nós dois, implacável e forte.
METÁFORA = significa transposição. Consiste no uso de uma palavra
ou expressão em outro sentido que não o próprio, fundamentando-se na SILEPSE = concordância ideológica. A concordância não é feita com o
íntima relação de semelhança entre coisas e fatos. A metáfora é sempre elemento gramatical expresso, mas sim com a ideia, com o sentido real.
uma imagem, isto é, representação mental de uma realidade sensível. É A silepse pode ser: de gênero = Vossa Majestade mostrou-se genero-
uma espécie de comparação latente ou abreviada. Por exemplo: Paulo é so. (V.Majestade = feminino e generoso = masculino); de número = O povo
um touro. lhe pediram que ficasse. (o povo = singular e pediram = plural); de pessoa =
COMPARAÇÃO = consiste em comparar dois termos, em que vêm ex- Os brasileiros somos nós.(os brasileiros = 3ª pessoa e somos = 1ª pessoa).
pressos termos comparativos, constituindo-se em intermediário entre o
sentido próprio e o figurado. Por exemplo: Paulo é forte como um touro. ANTÍTESE = consiste na exposição de uma ideia através de conceitos
ou pensamentos opostos, quer fazendo confrontos, quer associando-os.
METONÍMIA = significa mudança de nome. Consiste na troca de um Por exemplo: Buscas a vida, e eu a morte; procuras a luz, e eu as trevas.
nome por outro com o qual esteja em íntima relação por uma circunstância, IRONIA = consiste no uso de uma expressão, pela qual dizemos o con-
de modo que um implique o outro. Há metonímia quando se emprega: trário do que pensamos com intenção sarcástica e entonação apropriada.
 o efeito pela causa = Sócrates tomou a morte(= o veneno). Por exemplo: A excelente D. Celeste era mestra na arte de judiar dos
 a causa pelo efeito = Vivo do meu trabalho(= do produto de meu alunos.
trabalho).
 o autor pela obra = Eu li Castro Alves(= a obra de Castro Alves). EUFEMISMO = consiste no uso de uma expressão em sentido figurado
 o continente pelo conteúdo = Traga-me um copo d’água(= a água para suavizar, atenuar uma expressão rude ou desagradável. Por exemplo:
do copo). Ficou rico por meios ilícitos (= roubou).
 a marca pelo produto = Comprei um gol(= carro). HIPÉRBOLE = consiste em exagerar a realidade, a fim de impressionar
 o conteúdo pelo continente = As ondas fustigavam a areia(= a o espírito de quem ouve. Por exemplo: Ele se afogava num dilúvio de
praia). cartas.
 o instrumento pela pessoa = Ele é um bom garfo(= comilão). PROSOPOPEIA = consiste na personificação de coisas e evocação de
 o sinal pela coisa significada = A cruz dominará o Oriente(= Cristi- deuses ou de mortos. Por exemplo: As estrelas disseram-me: aqui esta-
anismo). mos.
 o lugar pelo produto = Ele só fuma Havana(= cigarro da cidade de
Havana). ANTONOMÁSIA = substituição de um nome próprio por um nome co-
mum, por uma apelido ou por um título que tornou a pessoa conhecida. Por
exemplo: O Mártir da Inconfidência (para Tiradentes).
SINÉDOQUE = consiste em alcançar ou restringir a significação própria
de uma palavra. É o emprego do mais pelo menos ou vice-versa, isto é, a PERÍFRASE = rodeio de palavras, circunlóquio: por exemplo: A mais
troca de um nome pelo outro de modo que um contenha o outro. antiga das profissões (a prostituição).
 a parte pelo todo = No horizonte surgia uma vela(= um navio).
SINESTESIA = figura que se baseia na soma de sensações percebidas
 o todo pela parte = O mundo é egoísta(= os homens). por diferentes órgãos dos sentidos. Por exemplo: A ondulação sonora e
 o singular pelo plural = O homem é mortal(= os homens). táctil entrava pelos meus ouvidos.
 a espécie pelo gênero = Ganhei o pão com o suor do rosto(= ali-
mento). PARADOXO = expressão contraditória. Por exemplo: Ia divina, num
 o indivíduo pela classe = Ele é um Atenas(= cidade culta). simples vestido roxo, que a vestia como se a despisse (Raul Pompéia).
 a espécie pelo indivíduo = No entender do Apóstolo…(São Paulo). APÓSTROFE = é uma invocação, um chamado emotivo. Por exemplo:
 a matéria pelo instrumento = Ela possui lindos bronzes(= objetos). Deuses impassíveis… Por que é que nos criastes? (Antero de Quental).
 o abstrato pelo concreto = A audácia vencerá(= os audaciosos).
GRADAÇÃO = é a disposição das ideias numa ordem gradativa. Por
CATACRESE = é o desvio da significação de uma palavra por outra, exemplo: Homens simples, fortes, bravos… hoje míseros escravos sem ar,
ante a inexistência de vocábulo apropriado. Origina-se da semelhança sem luz, sem razão… (Castro Alves).
formal entre dois objetos, dois seres. É uma metáfora estereotipada. Por
ASSÍNDETO = é a ausência de conectivos numa sequência de frases.
exemplo: Dente de alho; pernas da mesa.
Por exemplo: Destrançou os cabelos, soltou-os, trançou-os de novo (Pedro
ELIPSE = é a omissão de um termo da frase facilmente subentendido. Rabelo).
Por exemplo: "Na terra tanta guerra, tanto engano, tanta necessidade HIPÉRBATO = é uma inversão dos termos da frase, uma alteração na
aborrecida, no mar tanta tormenta e tanto engano"(Camões). Os casos ordem direta. Por exemplo: Já da morte o palor me cobre o rosto (Álvares
mais comuns são de verbos (ser e haver), a conjunção integrante(que), a de Azevedo).
preposição(de) das orações subordinadas substantivas indiretas e comple-
tivas nominais, sujeito oculto. ANÁFORA = é a repetição de um termo no início das frases ou versos.
Por exemplo: Tem mais sombra no encontro que na espera. Tem mais
ZEUGMA = é a omissão de um termo já expresso anteriormente na fra- samba a maldade que a ferida (Chico Buarque de Holanda).
se. Por exemplo: Nem ele entende a nós, nem nós a ele.
ALITERAÇÃO = é a repetição de sons consonantais iguais ou seme-
PLEONASMO = consiste na repetição de uma mesma ideia por meio lhantes. Por exemplo: E as cantilenas de serenos sons amenos fogem
de vocábulos ou expressões diferentes. Por exemplo: Resta-me a mim fluidas, fluindo à fina flor dos fenos (Eugênio de Castro).
somente uma esperança.
ASSONÂNCIA = é a repetição de sons vocálicos iguais ou semelhan-
POLISSÍNDETO = é a repetição de uma conjunção. Por exemplo: E ro- tes. Por exemplo: Até amanhã, sou Ana da cama, da cana, fulana, sacana
la, e rebola, como uma bola. (Chico Buarque de Holanda).
ANACOLUTO = consiste na interrupção do esquema sintático inicial da PARANOMÁSIA = é o encontro de duas palavras muito semelhantes
frase, que termina por outro esquema sintático. Por exemplo: Este, o rei quanto à forma. Por exemplo: Ser capaz, como um rio, (…) de lavar do
que têm não foi nascido príncipe(Camões). límpido a mágoa da mancha (Thiago de Mello).
ONOMATOPEIA = consiste no uso de palavras que imitam o som ou a Fonte: http://www.micropic.com.br/noronha/grama_fig.htm
voz natural dos seres. Graças a seu valor descritivo, é também excelente

Língua Portuguesa 45 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
17. REDAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS. O uso repetitivo de palavras e expressões empobrece a escrita e, para
evitá-lo, devem ser escolhidos termos equivalentes.
A linguagem escrita tem identidade própria e não pretende ser mera
A obediência ao padrão culto da língua, regido por normas gramaticais,
reprodução da linguagem oral. Ao redigir, o indivíduo conta unicamente
linguísticas e de grafia, garante a eficácia da comunicação. Uma frase
com o significado e a sonoridade das palavras para transmitir conteúdos
gramaticalmente incorreta, sintaticamente mal estruturada e grafada com
complexos, estimular a imaginação do leitor, promover associação de ideias
erros é, antes de tudo, uma mensagem ininteligível, que não atinge o
e ativar registros lógicos, sensoriais e emocionais da memória.
objetivo de transmitir as opiniões e ideias de seu autor.
Redação é o ato de exprimir ideias, por escrito, de forma clara e orga-
Tipos de redação. Todas as formas de expressão escrita podem ser
nizada. O ponto de partida para redigir bem é o conhecimento da gramática
classificadas em formas literárias -- como as descrições e narrações, e
do idioma e do tema sobre o qual se escreve. Um bom roteiro de redação
nelas o poema, a fábula, o conto e o romance, entre outros -- e não-
deve contemplar os seguintes passos: escolha da forma que se pretende
literárias, como as dissertações e redações técnicas.
dar à composição, organização das ideias sobre o tema, escolha do voca-
bulário adequado e concatenação das ideias segundo as regras linguísticas
Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa,
e gramaticais.
lugar, coisa etc.) por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação das
características do objeto descrito deve explorar os cinco sentidos humanos
Para adquirir um estilo próprio e eficaz é conveniente ler e estudar os
-- visão, audição, tato, olfato e paladar --, já que é por intermédio deles que
grandes mestres do idioma, clássicos e contemporâneos; redigir frequen-
o ser humano toma contato com o ambiente.
temente, para familiarizar-se com o processo e adquirir facilidade de ex-
pressão; e ser escrupuloso na correção da composição, retificando o que
A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de
não saiu bem na primeira tentativa. É importante também realizar um
perceber o mundo que o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais
exame atento da realidade a ser retratada e dos eventos a que o texto se
rica será a descrição. Por meio da percepção sensorial, o autor registra
refere, sejam eles concretos, emocionais ou filosóficos. O romancista, o
suas impressões sobre os objetos, quanto ao aroma, cor, sabor, textura ou
cientista, o burocrata, o legislador, o educador, o jornalista, o biógrafo,
sonoridade, e as transmite para o leitor.
todos pretendem comunicar por escrito, a um público real, um conteúdo que
quase sempre demanda pesquisa, leitura e observação minuciosa de fatos
Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado narra-
empíricos. A capacidade de observar os dados e apresentá-los de maneira
ção. Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de sucessão
própria e individual determina o grau de criatividade do escritor.
dos acontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privilegiam alguns
eventos para atrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, ou ponto de
Para que haja eficácia na transmissão da mensagem, é preciso ter em
vista, pode recair sobre o protagonista da história, um observador neutro,
mente o perfil do leitor a quem o texto se dirige, quanto a faixa etária, nível
alguém que participou do acontecimento de forma secundária ou ainda um
cultural e escolar e interesse específico pelo assunto. Assim, um mesmo
espectador onisciente, que supostamente esteve presente em todos os
tema deverá ser apresentado diferentemente ao público infantil, juvenil ou
lugares, conhece todos os personagens, suas ideias e sentimentos.
adulto; com formação universitária ou de nível técnico; leigo ou especializa-
do. As diferenças hão de determinar o vocabulário empregado, a extensão
A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quando
do texto, o nível de complexidade das informações, o enfoque e a condução
é chamada de direta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste,
do tema principal a assuntos correlatos.
quando é dita indireta. As falas também podem ser apresentadas de três
formas: (1) discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a
Organização das ideias. O texto artístico é em geral construído a partir
fala do personagem; (2) discurso indireto, no qual o narrador conta o que o
de regras e técnicas particulares, definidas de acordo com o gosto e a
personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de
habilidade do autor. Já o texto objetivo, que pretende antes de mais nada
elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo "dis-
transmitir informação, deve fazê-lo o mais claramente possível, evitando
se", "perguntou", "afirmou" etc.; e (3) discurso indireto livre, em que se
palavras e construções de sentido ambíguo.
misturam os dois tipos anteriores.
Para escrever bem, é preciso ter ideias e saber concatená-las. Entre-
O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem
vistas com especialistas ou a leitura de textos a respeito do tema abordado
chama-se enredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos
são bons recursos para obter informações e formar juízos a respeito do
fatos, ou não-linear, quando há cortes na sequência dos acontecimentos. É
assunto sobre o qual se pretende escrever. A observação dos fatos, a
comumente dividido em exposição, complicação, clímax e desfecho.
experiência e a reflexão sobre seu conteúdo podem produzir conhecimento
suficiente para a formação de ideias e valores a respeito do mundo circun-
Dissertação. A exposição de ideias a respeito de um tema, com base
dante.
em raciocínios e argumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo
do autor é discutir um tema e defender sua posição a respeito dele. Por
É importante evitar, no entanto, que a massa de informações se dis-
essa razão, a coerência entre as ideias e a clareza na forma de expressão
perse, o que esvaziaria de conteúdo a redação. Para solucionar esse
são elementos fundamentais.
problema, pode-se fazer um roteiro de itens com o que se pretende escre-
ver sobre o tema, tomando nota livremente das ideias que ele suscita. O
A organização lógica da dissertação determina sua divisão em introdu-
passo seguinte consiste em organizar essas ideias e encadeá-las segundo
ção, parte em que se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimento,
a relação que se estabelece entre elas.
em que se expõem os argumentos e ideias sobre o assunto, fundamentan-
do-se com fatos, exemplos, testemunhos e provas o que se quer demons-
Vocabulário e estilo. Embora quase todas as palavras tenham sinôni-
trar; e conclusão, na qual se faz o desfecho da redação, com a finalidade
mos, dois termos quase nunca têm exatamente o mesmo significado. Há
de reforçar a ideia inicial.
sutilezas que recomendam o emprego de uma ou outra palavra, de acordo
com o que se pretende comunicar. Quanto maior o vocabulário que o
Texto jornalístico e publicitário. O texto jornalístico apresenta a peculia-
indivíduo domina para redigir um texto, mais fácil será a tarefa de comuni-
ridade de poder transitar por todos os tipos de linguagem, da mais formal,
car a vasta gama de sentimentos e percepções que determinado tema ou
empregada, por exemplo, nos periódicos especializados sobre ciência e
objeto lhe sugere.
política, até aquela extremamente coloquial, utilizada em publicações
voltadas para o público juvenil. Apesar dessa aparente liberdade de estilo, o
Como regras gerais, consagradas pelo uso, deve-se evitar arcaísmos e
redator deve obedecer ao propósito específico da publicação para a qual
neologismos e dar preferência ao vocabulário corrente, além de evitar
escreve e seguir regras que costumam ser bastante rígidas e definidas,
cacofonias (junção de vocábulos que produz sentido estranho à ideia
tanto quanto à extensão do texto como em relação à escolha do assunto,
original, como em "boca dela") e rimas involuntárias (como na frase, "a
ao tratamento que lhe é dado e ao vocabulário empregado.
audição e a compreensão são fatores indissociáveis na educação infantil").

Língua Portuguesa 46 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
O texto publicitário é produzido em condições análogas a essas e ainda Exemplos:
mais estritas, pois sua intenção, mais do que informar, é convencer o - Desde os primórdios da Antiguidade...
público a consumir determinado produto ou apoiar determinada ideia. Para - Não é fácil a respeito de...
isso, a resposta desse mesmo público é periodicamente analisada, com o - Bem, eu acho que...
intuito de avaliar a eficácia do texto. - Um dos problemas mais discutidos na atualidade...

Redação técnica. Há diversos tipos de redação não-literária, como os B. DESENVOLVIMENTO (meio, corpo)
textos de manuais, relatórios administrativos, de experiências, artigos A parte substancial e decisória de uma redação é o seu desenvolvi-
científicos, teses, monografias, cartas comerciais e muitos outros exemplos mento. É nela que o aluno tem a oportunidade de colocar um conteúdo
de redação técnica e científica. razoável, lógico. Se o desenvolvimento da redação é sua parte mais impor-
tante, deverá ocupar o maior número de linhas. Supondo-se uma redação
Embora se deva reger pelos mesmos princípios de objetividade, coe- de trinta linhas, a redação deverá destinar de catorze (14) a dezoito (18)
rência e clareza que pautam qualquer outro tipo de composição, a redação linhas para o corpo ou desenvolvimento da mesma.
técnica apresenta estrutura e estilo próprios, com forte predominância da
linguagem denotativa. Essa distinção é basicamente produzida pelo objeti- DEFEITOS A EVITAR
vo que a redação técnica persegue: o de esclarecer e não o de impressio-  Pormenores, divagações, repetições, exemplos excessivos de tal
nar. sorte a não sobrar espaço para a conclusão.

As dissertações científicas, elaboradas segundo métodos rigorosos e C. CONCLUSÃO (fecho, final)


fundamentadas geralmente em extensa bibliografia, obedecem a padrões Assim como a introdução, o fim deverá ocupar uma pequena parte do
de estruturação do texto criados e divulgados pela Associação Brasileira de texto. Se a redação está planejada para trinta linhas, a parte da conclusão
Normas Técnicas (ABNT). A apresentação dos trabalhos científicos deve deve ter quatro a seis linhas.
incluir, nessa ordem: capa; folha de rosto; agradecimentos, se houver;
sumário; sinopse ou resumo; listas (de ilustrações, tabelas, gráficos etc.); o Na conclusão, nossas ideias propõem uma solução. O ponto de vista
texto do trabalho propriamente dito, dividido em introdução, método, resul- do escritor, apesar de ter aparecido nas outras partes, adquire maior desta-
tados, discussão e conclusão; apêndices e anexos; bibliografia; e índice. que na conclusão.

A preparação dos originais também obedece a algumas normas defini- Se alguém introduz um assunto, desenvolve-o brilhantemente, mas não
das pela ABNT e pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação coloca uma conclusão: o leitor sentir-se-á perdido, estupefato.
(IBBD) para garantia de uniformidade. Essas normas dizem respeito às
dimensões do papel, ao tamanho das margens, ao número de linhas por DEFEITOS A EVITAR
página e de caracteres ou espaços por linha, à entrelinha e à numeração I. Não finalizar (é o principal defeito)
das páginas, entre outras características. ©Encyclopaedia Britannica do II. Avisar que vai concluir, utilizando expressões como "Em resumo"
Brasil Publicações Ltda. ou "Concluindo"

COMO ESCREVER BEM UMA REDAÇÃO ERROS COMUNS


Paulo Sergio Rodrigues O Estado de S. Paulo também nos premia com o título Os cem erros
Os grandes escritores possuem tal convívio e domínio da linguagem mais comuns, e que igualmente merecem ser lido e guardados, pois a
escrita como maneira de manifestação que não se preocupam mais em gente os comete no dia a dia. São erros gramaticais e ortográficos que
determinar as partes do texto que estão produzindo. A lógica da estrutura- devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com
ção do texto vai determinando, simultaneamente, a distribuição das partes maior frequência, merecem atenção redobrada. Veja quais são e analise o
do texto, que deve conter começo, meio e fim. roteiro para fugir deles.
O aluno, todavia, não possui muito domínio das palavras ou orações; 1 - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom.
portanto, torna-se fundamental um cuidado especial para compor a redação Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igual-
em partes fundamentais. Alguns professores costumam determinar em mente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.
seus manuais de redação outra nomenclatura para as três partes vitais de 2 - "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal:
um texto escrito. Ao invés de começo, meio e fim, elas recebem os nomes Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
de introdução, desenvolvimento e conclusão ou, ainda, início, desenvolvi- 3 - "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invari-
mento e fecho. Todos esses nomes referem-se aos mesmos elementos. ável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos
Parece-nos que irrelevante o nome que cada pessoa atribui. O importante é casos iguais.
que as pessoas saibam que elas devem existir em sua redação. 4 - "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar
admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam
Vejamos, sucintamente, cada uma delas. dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam
A. INTRODUÇÃO (início, começo) ideias.
Podemos começar uma redação fazendo uma afirmação, uma declara- 5 - Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim:
ção, uma descrição, uma pergunta, e de muitas outras maneiras. O que se Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
deve guardar é que uma introdução serve para lançar o assunto, delimitar o 6 - Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre
assunto, chamar a atenção do leitor para o assunto que vamos desenvol- mim e você. / Entre eles e ti.
ver. 7 - "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use
Uma introdução não deve ser muito longa para não desmotivar o leitor. apenas há dez anos ou dez anos atrás.
Se a redação dever ter trinta linhas, aconselha-se a que o aluno use de 8 - "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair
quatro a seis para a parte introdutória. fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais,
ganhar grátis, viúva do falecido.
DEFEITOS A EVITAR 9 - "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a
I. Iniciar uma ideia geral, mas que não se relaciona com a segunda menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís
parte da redação. XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.
II. Iniciar com digressões (o início dever ser curto). 10 - "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra
III. Iniciar com as mesmas palavras do título. razão, use "por que" separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que
IV. Iniciar aproveitando o título, com se este fosse um elemento d (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado
primeira frase. nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.
V. Iniciar com chavões 11 - Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai as-
sistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não

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agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) 33 - "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obri-
aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu gada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.
à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes. 34 - O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O gover-
12 - Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: no interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram.
Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse,
morrer sem glória. predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.
13 - O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o 35 - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio
sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: esperta, meio amiga.
O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado 36 - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª
e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias. pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você tam-
14 - Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras gra- bém. / Chegue aqui.
fias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), 37 - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade,
"beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultu- não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com
oso" (vultoso), "cincoenta" (cinquenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), você.
"calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "as- 38 - A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida
cenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" custa 5 reais.
(invólucro). 39 - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por emprés-
15 - Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os óculos, meus ócu- timo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao
los. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.
nossas férias, felizes núpcias. 40 - Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi ta-
16 - Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem chado de ladrão. / Foi tachado de leviano.
ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, 41 - Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância
mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me. no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele
17 - Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.
isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A 42 - "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredonda-
mulher o deixou. / Ela o ama. mento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o
18 - "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se ca- saudaram.
sas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram- 43 - Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo,
se terrenos. / Procuram-se empregados. assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador
19 - "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. /
casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.
Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos. 44 - Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chega-
20 - Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não do atrasado.
em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao 45 - Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por
circo. substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas
21 - Atraso implicará "em" punição. Implicar é direto no sentido de acar- creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas
retar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabili- pretas, fitas amarelas.
dade. 46 - Lute pelo "meio-ambiente". Meio ambiente não tem hífen, nem ho-
22 - Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também ra extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece,
em via de, e não "em vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infraestrutura, primeira-dama, vale-
via de conclusão. refeição, meio-de-campo, etc.
23 - Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja ou- 47 - Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar
tros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângs- o colega.
teres. 48 - O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no
24 - O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. /
circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não "junto aos") leitores. /
mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo. Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A reclamação foi
25 - A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e apresentada ao (e não "junto ao") Procon.
sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção 49 - As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou
de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pesso-
sessão do Congresso. as esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.
26 - Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: 50 - Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te,
um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito
são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc. (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam)
27 - "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de. um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os
28 - Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se em- amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e
prega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez ne- nunca tendo "formado-me").
nhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão. 51 - Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indi-
29 - A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira ca passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro
inicia-se (inaugura-se) amanhã. (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá
30 - Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco
que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.
as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga 52 - Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de
nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no as- que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de
sunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / prata, estátua de madeira.
Depois o procuro. 53 - A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A
31 - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras con- artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.
fusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (gemina- 54 - Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos qua-
da), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho). tro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.
32 - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele es- 55 - Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-
tava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao
quer chegar. / Aonde vamos? piano, à máquina, ao computador.

Língua Portuguesa 48 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
56 - Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, 78 - Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confi-
a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu. ança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra
57 - O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem "reavejo",
por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate "reavê", etc.
por. 79 - Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de
58 - À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse,
que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em puseram, puséssemos.
vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem. 80 - O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos
59 - Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em
queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.
enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que prece- 81 - A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde
de a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam). ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use
60 - Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa
forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, em que ele canta... / Na entrevista em que...
eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem. 82 - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas
61 - A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientifi-
Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue cado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os
ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão
meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais- aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.
que-perfeito do indicativo.) 83 - Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr
62 - Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros:
Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc. fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou
63 - Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o últi- verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto:
mo elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandei- Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.
ras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social- 84 - "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infrin-
democratas. giu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria
64 - Fique "tranquilo". O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i punição ao réu.
exige trema: Tranquilo, consequência, linguiça, aguentar, Birigui. 85 - A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa
65 - Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a aconte-
por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) cer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).
foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada 86 - Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha
homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos. viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite
66 - "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode
amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto. resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido
67 - Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: (extenso) e cumprido (concretizado).
Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores. 87 - O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa:
68 - Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quando equivale a próprio, é O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu
variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorre- sem sequer nos avisar.
ram à polícia. 88 - Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em
69 - Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão
mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / em cores, desenho em cores.
Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a 89 - "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me
decisão dos servidores (e não "dos mesmos"). estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância
70 - Vou sair "essa" noite. Este designa o tempo no qual se está ou o quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas
objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).
dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20). 90 - A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxi-
71 - A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: ma ao verbo não deve influir na concordância. Por isso: A realidade das
Zero grau, zero-quilômetro, zero hora. pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi
72 - A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. Ao encontro de punida (e não "foram punidas").
é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos 91 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou desper-
seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível cebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.
dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria. 92 - "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia:
73 - Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críti-
Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: cas.
Ao invés de entrar, saiu. 93 - A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que
74 - Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não
mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.
ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós disser- 94 - É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição
mos (de dizer), predissermos. com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele
75 - Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos
como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e terem ocorrido...
incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, 95 - Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo
incendeio. mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com
76 - Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeque", você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").
etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, 96 - Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo va-
adequou, adequasse, etc. riam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-
77 - Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que noite.
depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem 97 - A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico deci-
fale "exploda" ou "expluda", substituindo essas formas por rebente, por mal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.
exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. 98 - "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Da-
Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém", "preca- dos os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas idei-
venho", "precavenha", "precaveja", etc. as...

Língua Portuguesa 49 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
99 - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: ficar doente" (a notícia falava de greve em hospitais), "Cachorro faz mal à
Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale moça" (a personagem teve indigestão ao comer um cachorro quente com
a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a salsicha estragada), "Comeu a mãe e foi parar no hospital" (um menino
inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da colocou na boca um animal de nome 'mãe d'água', que provoca queimadu-
mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás. ras graves se ingerido), "Vendem-se cobertores para casal de lã (ambigui-
100 - "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a dade provocada por troca da ordem das palavras), "Estamos liquidando
seu ver, a nosso ver. pijamas para homens brancos" (má disposição das palavras na frase), "A
ordem do ministro que vai de Brasília..." (ambiguidade do pronome relativo
ERROS GRAVES 'que'), "Subindo a serra, avistei vários animais" (ambiguidade provocada
"Os dez erros mais graves" é um dos títulos com os quais O Estado de pelo gerúndio. Quem subia a serra?), "Eu noivaria com você, Verinha, se
S. Paulo nos homenageia com dicas sobre como errar pouco ao escrever. tivesse um pouco de dinheiro" (ambiguidade ocasionada por omissão de
Vale a pena ler isso e guardar para não cometer erros tão crassos. E olhem termos; eu ou você?), "Ele pensava no antigo amor e julgava que a sua
que eles são muito mais comuns do que a gente imagina. Vamos à lista dos agressividade teria contribuído para o término do romance" (ambiguidade
"dez mais": ocasionada pelo emprego de um pronome que é válido tanto para 'ele'
Alguns erros revelam maior desconhecimento da língua que outros. Os como para 'ela'; dele ou dela?)
dez abaixo estão nessa situação.
1 - Quando "estiver" voltado da Europa. Nunca confunda tiver e ti- APÓSTROFO
vesse com estiver e estivesse. Assim: Quanto tiver voltado da Sinal que indica supressão de letras e seu uso é restrito a poucos ca-
Europa. / Quando estiver satisfeito. / Se tivesse saído mais cedo. sos. 1 - supressão de letra em versos por exigência de métrica: co'este,
/ Se estivesse em condições. esp'rança, etc. 2 - pronúncias populares: tá, teve aqui, etc. 3 - apócope da
2 - Que "seje" feliz. O subjuntivo de ser e estar é seja e esteja: Que vogal e, em palavras compostas ligadas de preposição: estrela-d'alva, olho-
seja feliz. / Que esteja (e nunca "esteje") alerta. d'água, pau-d'arco, mãe-d'água e poucas mais.
3 - Ele é "de menor". O de não existe: Ele é menor. Não se usa apóstrofo em combinações pronominais, combinações das
4 - A gente "fomos" embora. Concordância normal: A gente foi em- preposições, formas aglutinadas e antes de maiúsculas. Neste último caso,
bora. E também: O pessoal chegou (e nunca "chegaram"). / A para não prejudicar títulos: "O jornalista da Gazeta é Pedro."
turma falou (e nunca "falaram". ASPAS
5 - De "formas" que. Locuções desse tipo não têm s: De forma que, Estes sinais, também chamados de vírgulas-dobradas, têm alguns em-
de maneira que, de modo que, etc. pregos específicos.
6 - Fiquei fora de "si". Os pronomes combinam entre si: Fiquei fora 1 - assinalam as transcrições textuais: Caxias disse: "Sigam-me os
de mim. / Ele ficou fora de si. / Ficamos fora de nós. / Ficaram fo- que forem brasileiros!"
ra de si. 2 - realçam os nomes das obras de arte ou de publicações, sejam elas
7 - Acredito "de" que. Não use o de antes de qualquer que: Acredito livros, revistas ou outras. No caso de jornais, usamos o itálico: A
que, penso que, julgo que, disse que, revelou que, creio que, es- notícia do escândalo foi publicada por "O Globo", do Rio de Janei-
pero que, etc. ro.
8 - Fale alto porque ele "houve" mal. A confusão está-se tornando 3 - caracterizam nomes, títulos honoríficos, apelidos e outros: Eles
muito comum. O certo é: Fale alto porque ele ouve mal. Houve é passaram as férias no navio de turismo "Princesa Isabel".
forma de haver: Houve muita chuva esta semana. 4 - marcam as expressões, palavras, vocábulos, letras, etc., exemplifi-
9 - Ela veio, "mais" você, não. É mas, conjunção, que indica ressal- cadas no contexto de uma frase: Encerrou as despedidas com um
va, restrição: Ela veio, mas você, não. "até breve" cheio de esperanças.
10 - Fale sem "exitar". Escreva certo: hesitar. Veja outros erros de 5 - separam os chamados estrangeirismos, neologismos ou quaisquer
grafia e entre parênteses a forma correta: "areoporto" (aeropor- palavras que soem estranhas ao contexto: O ideal é substituir o
to), "metereologia" (meteorologia), "deiche" (deixe), enchergar "petit pois" pelo brasileiríssimo ervilha.
(enxergar), "exiga" (exija). E nunca troque menos por "menas",
verdadeiro absurdo linguístico. CARGOS
Escreva sempre em letras minúsculas: presidente, secretário, ministro,
ESTRANGEIRISMOS diretor, prefeito, professor, vereador, etc. Mas tome cuidado com isso, pois
Há um bom número de palavras estrangeiras empregadas em nosso às vezes as regras da língua portuguesa consagram algumas formas como
idioma, as quais ainda não foram devidamente assimiladas, i. é, aportugue- nomes próprios. Em caso de dúvida, consulte sempre o dicionário. Ou
sadas. Devem guardar a sua grafia originária. então o manual de normas de redação da Folha de S. Paulo, e trata muito
bem da questão.
PALAVRAS DERIVADAS DE NOMES ESTRANGEIROS
Escrevem-se em tudo pela grafia original, exceto na terminação, que DATAS E ENDEREÇOS
deve ser vernácula. Ex..- bachiano (bakl), beethoveniano, byronismo, Usamos sempre os dois recursos em nossos textos, para ajudar o leitor
comtiano, treudiano, treudismo, garrettiano, goethiano, hegelianismo [gue], que lê o Vitória On Line, o Diário de Vitória ou nossos impressos destinados
hoftmânnico, kantiano, neokantismo, littreano, littreísta, malherbiano, malpl- à imprensa. Tanto datas (terça-feira (15) quanto endereços corretos e
ghia, maithusiano, oftenbachiano (bak), pasteurizar, rabeiaísiano, shakes- completos de locais de solenidades, intervenções da Prefeitura, etc., têm
peariano, spengleria-no, taylorismo, voltairiano, wertheriano, zwingliano, que ser citados obrigatoriamente. Somos prestadores de serviços.
etc.
NORMAS GERAIS - ADMINISTRAÇÃO DECLARAÇÃO TEXTUAL
Esta palavra nunca é nome próprio. Portanto, a gente só se refere à Há um velho princípio jornalístico que diz o seguinte: quanto menos se
administração de fulano, sicrano ou beltrano, colocando o termo em letras usa esse tipo de recurso, mais valor ele tem. Portanto, declarações textuais
minúsculas. devem ser usadas quando o que a pessoa diz tem muito impacto. Eviden-
temente, em casos de transcrição de documentos, discursos, etc., o princí-
AMBIGUIDADE pio não se aplica.
Tente ao máximo não usar textos ou formas ambíguas. Isso é um de-
feito grave, pois induz o leitor ao erro. Ambiguidades ocorrem quando: há DINHEIRO
ausência de vírgulas, o adjunto adverbial foi colocado no lugar errado, há Sempre que a gente fala de moeda estrangeira, é preciso converter o
sucessão inadequada de termos, o 'que' foi colocado em outra posição que valor para o Real pela cotação do dia. No caso do dólar é mais fácil. Nos
não logo depois do nome que substitui e, finalmente, quando se abusa da casos das demais moedas é mais difícil, mas os sites de jornais e bancos
preposição 'de'. Ambíguo quer dizer, literalmente, "que se pode tomar em nos informam com precisão. Basta escrever, por exemplo: "A venda foi feita
mais de um sentido". Alguns exemplos: "Gols de bandeja" (o jornal queria por US$ 200 mil (R$ 397 mil)."
se referir a um torneio de futebol disputado por garçons), "Hoje é proibido

Língua Portuguesa 50 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
DIVISÃO SILÁBICA  CONFIDENCIA - Deve ser evitado ao máximo, porque se assim
Para escansão silábica ou no fim da linha, deve ser feita pelas sílabas fosse não estaria no jornal. Pode-se usar apenas da seguinte
pronunciadas, e não por elementos morfológicos. Por princípio geral, sepa- forma: "Segundo Paulo Maluf confidenciou a Celso Pitta, era
ram-se as letras pelas sílabas e nunca partindo o que se pronuncia no preciso ter jogado fora os computadores da prefeitura.";
mesmo impulso da voz. Como normas particulares, a língua portuguesa  INFORMA - Deve ser usado quando a pessoa estiver tornando
registra as seguintes: 1) nunca se partem ditongos nem tritongos: flui-do, pública uma informação ainda não conhecida e referente a um fato
herói-co, sa-guôes. 2) encontros de duas consoantes que não sejam iniciais de interesse público;
ou isoladas: as-sar, con-vic-ção, ter-ra. 3) encontros de mais de duas  EXPLICA - Só quando o entrevistado estiver explicando dados
consoantes são partidos antes da última ou antes de encontro consonantal relacionados com alguma coisa;
perfeito: ist-mo, cir-cuns-cre-ver, com-prar. 4) consoantes iniciais e isola-  ESCLARECE - Fica nas proximidades do "informa", com a
das, encontros consonantais iniciais e perfeitos terminados em i ou r, ch, ih, diferença de que só deve ser usado quando houver alguma dúvida
nh, gu, qu, formam sílaba com a vogal seguinte: ba-se, a-guar-dar, cin- relacionada a algo;
quen-ta. As exceções são bl, br, dl. Como orientações finais, nunca parta o  ENFATIZA - Usa-se quando alguém destaca um ou mais pontos
vocábulo de tal forma que no final ou no início da linha apareça uma pala- ligados a uma informação, destacando-os;
vra obscena ou ridícula e, caso coincida um hífen com a repartição da  DESTACA - O mesmo que o anterior:
palavra, não será preciso repetir aquele que sai no início da linha seguinte.  LEMBRA - Melhor usar quando o entrevistado estiver falando de
fato ocorrido há muito tempo;
DOIS PONTOS
 RESSALTA - Este, é melhor usar este verbo quando o entrevistado
Usam-se dois pontos em cinco hipóteses: antes de citação, de enume-
estiver destacando algum fato, ponto ou detalhe do todo;
ração, de explicação, de complementação e de conclusão. Antes de citação
 AVALIA - No caso deste verbo, usa-se corretamente quando o
a pontuação vem seguida de letra maiúscula. Em todas as outras quatro
entrevistado estiver fazendo algum julgamento, sobretudo juízo de
hipóteses, o que a segue é letra minúscula. Exemplos:
valor;
Antes de citação: "E o homem disse:
 SEGUNDO FULANO - Recurso que torna o uso livre;
- Não atire, por favor!"
 SEGUNDO INFORMA FULANO - O mesmo que o anterior. O
Antes de enumeração: "Comprou diversas bebidas no supermercado: melhor é desprezar o 'informa', pois há restrições a seu uso";
Uísque, licor, cerveja e até refrigerante."  DE ACORDO COM - Também de uso livre.
Antes de explicação: "Fiquei feliz quando a vi: sabia que ela ia se recu-
perar." FOLCLORE
Antes de complementação: "O fígado só tem uma ideologia: cuidado A gente jamais usa com sentido de ridículo. No nosso caso, folclore é
com as imitações." (esta é de Luís Fernando Veríssimo. tudo o que faz parte da cultura popular de nossa cidade, do Espírito Santo,
Antes de conclusão: "O lugar é lindo e as praias, paradisíacas: vamos do Brasil. Ou que tenha relação com o conceito.
de qualquer maneira."
FRASE/ORAÇÃO/PERÍODO/PARÁGRAFO
DOUTOR Como a gente erra muito nas construções de textos, vamos transcrever
Desnecessário dizer que jornalisticamente usa-se sempre a profissão o que o manual da Folha fala sobre isso. É o melhor manual para explicar o
da pessoa. "O gastroenterologista Fulano de Tal vai dirigir o programa da item: "Frase designa qualquer enunciado capaz de comunicar alguma coisa
Semus...", e vai por aí. Pode-se fazer citação deste termo apenas quando a alguém. Pode ser desde uma simples palavra ('Obrigado!') ao mais com-
for necessário dizer que uma determinada pessoa fez doutorado. O mesmo plexo período proustiano. Quando a frase afirma ou nega alguma coisa, ou
princípio aplica-se a "mestre" e "mestrado". seja, quando apresenta estrutura sintática, pode ser chamada de oração:
'Deus é luz.' Toda oração tem verbo ou locução verbal, mesmo que às
ECOLOGIA vezes um deles não esteja expresso. Período é o nome que se dá a frases
Como usamos muito este termo, aqui vai um recado: ninguém comete constituídas de uma ou mais orações. É simples (uma única oração) ou
crime contra a ecologia, mas apenas contra o ambiente, a natureza, etc. composto (com mais de uma oração): 'Padre Teófilo disse que Deus é luz.'
Ecologia estuda a relação homem-ambiente. Já o ambientalismo é um Em textos noticiosos, evite períodos muito longos." Portanto, basta seguir a
movimento. receita que dá tudo certo. Ela mostra de forma clara como se dá o encade-
amento das palavras que acabam formando o que a gente escreve. Já o
ESTE, ESSE, AQUELE parágrafo deve conter pensamento completo. Uma ideia pronta e acabada.
Este é algo que está próximo, ao nosso lado. "Este lápis é meu", você Ele se liga a um outro, com outra ideia ou pensamento, e assim por diante.
diria, segurando seu próprio lápis. Esse está ao largo da pessoa, não perto Um texto completo é uma série de elos, como os de uma corrente. De
mas não muito longe. "Esse lápis é seu?", você perguntaria à pessoa da parágrafos que se ligam.
mesa ao lado. Aquele está longe: "Aquele lápis é de alguém aqui?", qual-
quer um de nós perguntaria, apontando o final da sala. Esta mesma regra GÍRIA
serve para "neste", "nesse" e "naquele". Evite-a ao máximo. Ela banaliza e pode até confundir o texto. Normal-
mente, usam-se gírias somente em transcrições de declarações de tercei-
ETC. ros. Mesmo assim, é sempre bom usar o bom senso.
Este termo, etecétera, quer dizer "e mais outros". Deve ser usado ho-
meopaticamente e jamais em títulos. GOLEADOR
Esta é para quem escreve sobre esporte: não se deve usar este termo
FALA DO ENTREVISTADO para quem marca apenas um gol numa partida. De dois para cima, tudo
Para abrir aspas e deixar o entrevistado falar, é preciso tomar cuidado bem. E quem faz mais gols em um campeonato deve ser chamado de
com o verbo ou outro termo a ser usado. Os que normalmente antecedem 'artilheiro'.
as vírgulas são estes:
 DIZ - Pode ser usado em quaisquer circunstâncias; GORDO
 AFIRMA - Igualmente. Só que, para este, recomenda-se utilização Evite. Quando for absolutamente necessário dar esta informação, ou
quando a afirmação for enfática: '"Não sou corrupto", afirmou o use o peso exato da pessoa ou o termo 'obeso'.
prefeito Celso Pitta';
GOVERNO
 CONTA - Significa o mesmo que "relata". Pode ser usado em Escreva sempre com minúsculas: governo federal, governo estadual,
quaisquer circunstâncias, principalmente quando se trata de relato etc.
de algum fato que a fonte esteja fazendo ao jornalista;
 RELATA - Acima. O mesmo que "conta"; HORÁRIO
 REVELA - Só quando a pessoa estiver dizendo uma coisa que Vamos uniformizar nosso texto. O dia começa à 0 hora e termina às 24
ninguém ainda sabia; horas. A madrugada vai de 0 hora às 6 horas; a manhã, das 6 horas às 12

Língua Portuguesa 51 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
horas (também podemos dizer meio-dia); a tarde, das 12 horas às 18 horas;
a noite, das 18 horas às 24 horas. Em horas quebradas, a gente usa 12h45 MÍDIA
ou então 15h24, e daí por diante. Tempos marcados são indicados assim: Designa os meios de comunicação, sendo palavra que o português ti-
2h10min36s356. Conferências e congêneres duram sempre "quatro horas e rou do inglês. Mídia eletrônica identifica os meios de comunicação eletrôni-
35 minutos". Finalmente, quando houver diferença de fuso horário, diga "às cos como o Diário de Vitória. Mídia impressa são os meios de comunicação
21 horas de Paris (16 horas de Brasília)". impressos.

IDADE MINORIA
Quando for necessário informar, escreva; "Maria do Socorro, de14 Este conceito não é usado apenas por critério quantitativo, mas tam-
anos, esteve ontem..." Quando isso constranger a pessoa, evite. Pessoas bém político. Minorias étnicas, raciais, religiosas, sexuais, políticas, ideoló-
idosas, sobretudo mulheres, às vezes não gostam de revelar suas idades. gicas ou de qualquer outro tipo devem ser tratadas sem preconceitos.
IDENTIFICAÇÃO MORTE
Pessoas devem ser identificadas pelo cargo, função, condição ou pro- Não use falecimento, passamento, trespasse ou outro tipo de eufemis-
fissão. Quando se tratar de servidor municipal, primeiramente pelo cargo. mo. Pessoas, bichos e plantas morrem mesmo.
Aliás, citar o cargo da pessoa é indispensável. E sempre que possível esse
cargo deve anteceder o nome, até porque as pessoas costumam ser notícia MULHERES
em função de suas atividades. Exemplo: "O prefeito de Vitória, Luiz Paulo Trate mulheres que são personagens de notícia da mesma forma que
Vellozo Lucas, esteve ontem..." os homens. Informe profissão, cargo e, quando possível, idade. Na segun-
da menção à pessoa em um mesmo texto, identifique-a pelo sobrenome ou
IMPRENSA então pela designação com a qual ela é mais conhecida.
Imprensa é meio de comunicação escrita. Portanto, usa-se para desig-
nar jornal, revista e outros impressos. Não existe "imprensa escrita" porque NARIZ-DE-CERA
é pleonasmo. Nem "imprensa falada" porque é errado. Quando a designa- Parágrafo introdutório que retarda a entrada no assunto específico do
ção abranger a todos, devemos dizer "meios de comunicação". texto. É sinal de prolixidade incompatível com o jornalismo.

INICIAIS NEGRO
O ideal é evitar abreviar nomes próprios. Quando não houver alternati- Significa raça. As pessoas desta raça jamais devem ser chamadas de
va, não coloque espaço entre as iniciais: (B.J.L.). pretas ou de qualquer outra designação preconceituosa. Preto, por sinal, é
uma cor. Assim como amarelo, vermelho, azul, etc.
INTERTÍTULOS
Devemos usar um por lauda, para tornar mais leve o texto. O ideal é NOMES CIENTÍFICOS
que o primeiro venha logo após o segundo parágrafo. Daí para a frente, um Escreva em itálico, com o gênero em maiúscula e a espécie em minús-
a cada 25/30 linhas. E o intertítulo deve ter uma única palavra. cula. Da seguinte forma: Homo sapiens (espécie humana).

IRONIA NOMES ESTRANGEIROS


Evite sempre. Nós fazemos notícia, não fazemos editoriais. Respeite a grafia original, mas ignore toda a espécie de sinais que não
tenham correspondentes em português. Em casos de nomes próprios
JORNAIS E OUTROS provenientes de línguas com outros alfabetos, o ideal é transliterar de
Sempre que a gente tiver que escrever nomes de jornais, usemos o re- acordo com a pronúncia aproximada. Quando o nome tiver um correspon-
curso do itálico. A Gazeta, TV Tribuna, Notícia Agora, etc. dente consagrado em língua portuguesa, use-o em lugar da grafia original
(Nova York em lugar de New York).
LEAD
Em inglês, esta palavra quer dizer "conduzir", "liderar". Atualmente, há NOMES PRÓPRIOS
muita gente que contesta o princípio do uso do "o quê, que, quando, como, Escreva de acordo com o registro original ou com a forma usada profis-
onde e por quê?" na redação das aberturas de matérias jornalísticas. Ainda sionalmente pela pessoa. Nomes próprios não seguem regras ortográficas.
assim, responder a essas questões na abertura da notícia é o melhor Em caso de dúvida, peça à pessoa para soletrar seu nome. Ninguém gosta
caminho para produzir um bom texto. Como na Prefeitura de Vitória nós de ver o nome escrito errado.
lidamos quase sempre com informações de natureza fatual, noticiosas, é NUMERAIS
imperioso usar o recurso para introduzir o leitor no texto e prender sua
A maioria dos jornais escreve por extenso números inteiros de zero a
atenção. O primeiro parágrafo deve ser, sempre que possível, uma síntese dez, além de cem e mil, sejam cardinais ou ordinais. Depois do dez, escre-
da notícia. Deve dar ao leitor informações suficientes para que ele se sinta vemos os algarismos. Evite, quando não for obrigatório, o uso de algaris-
informado. O ideal é que tenha cinco linhas. Mas pode ter seis e, em situa-
mos romanos.
ções extremas, sete. Nunca mais do que isso. Também é preciso que seja
escrito em ordem direta (sujeito, verbo e predicado), sempre respeitadas as OPINIÃO
normais que obrigam a citação do nome da Prefeitura, secretarias ou outros Jornalistas devem se abster de opinar ou emitir juízo de valor ao redigir
organismos, quando for o caso. uma notícia. Jornalismo crítico não depende da opinião de quem escreve;
um registro, confronto de dados, informações e opiniões alheias podem ser
MEIO AMBIENTE muito mais contundentes do que a opinião de um jornalista.
Não usemos como sinônimo de ecologia, que é uma disciplina, um ra-
mo da biologia. O PREFEITO
O prefeito deve ser sempre citado, nas aberturas de texto, por seu no-
MENOR me completo: "Luiz Paulo Vellozo Lucas". Nas sequências das matérias,
Evite o termo para se referir a criança ou adolescente. A legislação com o nome pelo qual é chamado normalmente: "Luiz Paulo". Deve-se usar
brasileira vigente proíbe a publicação de nome de criança ou adolescente a tal princípio para citar todas as autoridades da Prefeitura: secretários,
que se atribuam infrações. Use as iniciais como explicado em "INICIAIS". prefeitinhos, etc. E para não haver erros ou reclamações, sempre que uma
autoridade nova ingressar no serviço municipal, ela deve ser consultada
METÁFORA sobre como gosta de ser chamada. Evidentemente, não devemos usar
Figura de linguagem na qual o significado imediato de uma palavra é apelidos, a não ser que sejam consagrados no lugar do nome.
substituído por outro. Pode ajudar a tornar o texto didático. Mas evitemos
as já desgastadas pelo excesso de uso: aurora da vida, luz no fim do túnel, ÓRGÃOS SUBORDINADOS
silêncio sepulcral, página virada e outras. Valente soldado do fogo, por Em muitos textos, citamos os órgãos que são subordinados à Prefeitu-
exemplo, é o fim da picada. ra. Secretarias, administrações regionais, etc. Nestes casos, devemos unir

Língua Portuguesa 52 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
os dois na citação da procedência. Exemplo: "A Prefeitura de Vitória, por PLURAL DE PALAVRAS COMPOSTAS
intermédio da Secretaria da Saúde (Semus), anuncia hoje..." Ou então: "A A regra prática é esta: flexione os elementos variáveis (substantivos e
Secretaria da Saúde (Semus) da Prefeitura de Vitória anuncia hoje..." adjetivos) e não flexione os que não forem (verbos, advérbios e prefixos).
Exemplos: dois termos variáveis - cirurgiões-dentistas, curtas-metragens; o
PAÍS segundo variável - sempre-vivas, mal-educados; o primeiro variável - pés-
Com maiúscula, principalmente quando se referir ao Brasil. de-moleque, canetas-tinteiro; nenhum varia - os leva-e-traz, os bota-fora;
casos especiais - os louva-a-deus, os diz-que-diz, os bem-te-vis, os bem-
PALÁCIO me-queres e os malmequeres. Outros casos: adjetivos. Quando há dois
Este sempre vem em letras maiúsculas, pois designa sede de poder. adjetivos, só o segundo vai para o plural - político-sociais, castanho-claros.
Palácio da Alvorada, Palácio Anchieta, Palácio Domingos Martins, Palácio As exceções são três: surdos-mudos, azul-marinho e azul-celeste, os dois
do Governo, etc. O termo Paço Municipal também deve ser grafado com últimos invariáveis. Quando a primeira palavra é um adjetivo e a segunda
maiúsculas. um substantivo, o adjetivo composto não tem forma especial de plural:
PALAVRÃO vestidos verde-musgo, salas cor-de-rosa.
Nem pensar. O nível do jornalismo deve ser sempre preservado. O uso
de expressões chulas vulgariza o trabalho jornalístico. Mesmo quando o POR OUTRO LADO E VIA DE REGRA
vulgar é usado pelo entrevistado, deve ser suprimido. A menos que a Evite ao máximo esse cacoete de linguagem. "Via de regra", então,
notícia só exista em unção disso. E, mesmo assim, dependendo do pala- nem pensar. Este último teve um destino trágico. Conta-se que em um
vrão, ele deve ser escrito só com a primeira letra seguida de três pontinhos. jornal do Rio de Janeiro, determinado repórter tinha o hábito de usá-lo. O
diretor de redação já havia implorado ao moço para parar de escrever
PALAVRAS COMPOSTAS assim, mas sem sucesso. Um dia, ele não suportou mais. Pegou o jornal,
As palavras compostas podem ser estruturadas destas maneiras: subs- destacou em vermelho o cacoete e escreveu ao lado: "Meu filho, via de
tantivo + substantivo: navio-fantasma; substantivo + de + substantivo: água- regra é b...".
de-colônia; substantivo + adjetivo: amor-perfeito; adjetivo + substantivo:
belas-artes; forma verbal + substantivo: porta-estandarte; adjetivo + adjeti- POR QUE/PORQUE
vo: amarelo-escuro; forma verbal + forma verbal: corre-corre; advérbio + Usa-se por que (separado) em frases interrogativas; Por que ela não
advérbio: menos-mal; advérbio + adjetivo: meio-morto; advérbio + particípio: chegou? Também se usa separado em frases afirmativas quando signifi-
bem-feito. Há, ainda, outras combinações bem mais complexas: deus-nos- cam a razão pela qual: Ele não disse por que não veio. Usa-se porque
acuda, chove-não-molha. (junto) quando se dá explicação ou causa: Ele não veio porque não quis.
Também se usa o porque (junto) nas interrogativas em que a resposta já é
PALAVRAS ESTRANGEIRAS sugerida: Você não veio porque estava viajando? Há, finalmente, formas
Só use se não houver correspondente em português. Ervilha todo por quê e porquê. Usa-se por quê (acentuado) em final de frase ou quando
mundo sabe o que é. Petit pois, só os professores de francês. Há exceções. se quer enfatizar ainda mais uma pausa forte, marcada por vírgula: Ela não
Aqui no Brasil, soutien, que a gente escreve como sutiã, é mais comum que chegou ainda por quê?; Não sei por quê, mas acho.." . Já o porquê (junto) é
"porta-seios". Trata-se de uma palavra que foi aportuguesada. substantivo: "Não entendo o porquê de sua indiferença".
PARLAMENTO/CONGRESSO POVO
Não são sinônimos, embora pareça. Parlamento é conceito mais geral, Deve-se evitar o termo em sociedades nacionais organizadas em estru-
mas há uma tendência da língua de reservar o termo para assembleias de turas complexas como a nossa. Não temos problemas étnicos. O ideal é
países com regime parlamentarista. Congresso é a palavra mais comum usar população ou sociedade.
para designar a reunião de duas câmaras em regimes presidencialistas.
Nós somos um país que tem regime bicameral e, portanto, Congresso. PREÇO
PASTA É praxe dizer que o preço está caro ou barato. Mas é errado. Preços só
Quando este termo significar o cargo que a pessoa exerce, o "P" tem podem ser altos ou baixos. Caras e baratas são as mercadorias: "Eu ia
que vir maiúsculo pois está substituindo o cargo: "o titular da Pasta (ministro comprar aquela camisa, mas ela está muito cara."
da Fazenda) viajou ontem para Brasília".
PREFEITURA
PIEGUICE Nós trabalhamos para a Prefeitura de Vitória. Portanto, em todos os
A função do jornalismo é informar e não comover. Emoção, em jorna- textos em que falamos de realizações dela, ou de atos dos quais ela parti-
lismo, é resultado de fatos narrados e não de estilo. A propósito, vale a cipe direta ou indiretamente, temos que citá-la logo no lead. Se for impossí-
pena lembrar um texto publicado por um grande jornal de São Paulo, na vel, no máximo no sub-lead. E citá-la como "Prefeitura de Vitória". Não é
década de 30, e que se referia a uma garota que cometera suicídio: "Tinha preciso dizer "Prefeitura Municipal de Vitória". E nunca devemos dizer
17 anos, na flor da mocidade, virgem e bela, Oh!, destino implacável. "PMV". No geral, escreva com maiúscula quando fizer parte de nome
Morreu como morrem as flores nas campinas...", e foi embora o poeta de completo: Prefeitura de Vitória. Sempre que for ser feita uma segunda
redação com seus lamentos infindáveis... menção, use minúscula: os servidores da prefeitura estão fazendo vários
cursos de aperfeiçoamento. Quando usarmos apenas Prefeitura, devemos
PIRÂMIDE INVERTIDA fazê-lo também em caixa alta. Há menos que estejamos falando de forma
Técnica de redação jornalística que remete as informações mais impor- genérica: "Há prefeitura que não acaba mais no Brasil!"
tantes para o início do texto e as demais, em hierarquização decrescente,
em seguida. Isso servia aos interesses dos jornais, que às vezes precisa- PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
vam cortar as matérias pelo "pé". Por isso, era costume dizer que pé de Sempre em maiúsculas. Mesmo quando o termo vier simplificado: "o
matéria e pé de galinha tinham sido feitos para cortar. Não temos este candidato à Presidência."
problema no Diário de Vitória, mas a técnica é a ideal, pois ajuda o leitor.
Ele tem o principal logo no início da leitura e, se quiser parar antes do final, PRESIDENTE
não perderá nada de muito importante. Usar sempre como substantivo comum-de-dois: o presidente, a presi-
dente.
PLANALTO
Nome do palácio que serve como sede do governo brasileiro, em Brasí- PRESIDENTE E OUTROS
lia. Deve ser sempre escrito em maiúscula. Deve-se usar o cargo em letras maiúsculas quanto ele substitui o no-
PLEONASMO me. Em minúsculas quando não acontece isso. Exemplos: "O Presidente da
República viajou ontem..." Ou então: "O presidente Fernando Henrique
É a redundância de termos. Em texto jornalístico, como vício, é intole-
rável: "O alpinista João da Cruz subiu para cima da montanha". "O marido Cardoso esteve ontem..." Isso se aplica a governador, prefeito e aos nomes
das unidades da federação (estados). A palavra "município" segue a mes-
de Joana entrou para dentro do quarto".
ma regra. Não há uma norma absoluta para tal procedimento, mas é assim
Língua Portuguesa 53 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
que acontece na maioria dos casos e é recomendado por professores da exige emissão de opinião. Como os nossos textos são todos assinados,
língua portuguesa. problema nenhum. De qualquer forma, as críticas jamais devem ser agres-
sivas.
PRIMEIRO MUNDO
Escrever com maiúsculas. Assim como Terceiro e Quarto Mundo. REVISTA
Escreva os nomes por extenso, sem aspas: Manchete, Isto É, Caras,
PROFISSÕES
Veja, Época.
Escreva sempre com minúsculas: jornalista, médico, escritor, sanitaris-
ta... SALTO
PROGRAMA DE TV Salto com vara, salto ornamental, salto-mortal. Cuidado, pois alguns
Escreva sempre os nomes dos programas sem aspas e com maiúscu- têm hífen e outros, não. O mesmo acontece com salva: salva de palmas,
las no início de cada palavra: Jornal Nacional, Fantástico, Jornal da Man- salva-vidas.
chete.
SÃO/SANTO
PROPAGANDA Informação aos agnósticos e protestantes de maneira geral: são, para
Definição de mestre Aurélio Buarque de Holanda: "atividade que visa a os nomes começados com consoante; santo, para os começados com
influenciar o homem com objetivo religioso, político ou cívico". Tendo finali- vogal: "são Tomás de Aquino", "santo André".
dade comercial, deve-se usar publicidade.
SE
PROVÍNCIA É preciso ter cuidado aqui. Ele pode ter nove funções diferentes, mas
Jamais usar com conotação preconceituosa. O termo refere-se a Esta- jamais será sujeito. Portanto, é errado dizer: aluga-se casas; não se podia
do, mas só é usado em alguns países da Europa, como a Áustria. evitar os aumentos". Nos dois casos, os sujeitos são casas e aumentos.
Então, os verbos têm que concordar com eles: alugam-se casas; não se
QUE podiam evitar os aumentos. O termo também costuma causar problemas
Evite o excesso, para tornar o texto mais leve. Se for necessário o uso em mais dois tipos de construção; a) - partícula apassivadora (voz passiva):
de muito "que", utilize ponto e divida o período em dois ou três. O "quê" alugam-se casas (casas são alugadas). b) - índice de indeterminação do
acentuado existe da mesma forma que o "por quê" com acento: "Ela tem sujeito (sujeito indeterminado): aqui passeia-se muito. Tomem cuidado
um quê de Sônia Braga". Neste caso, ele se transforma em substantivo. também com construções onde o se é perfeitamente dispensável e até
absurdo: É possível se dizer que a língua é difícil; Por se falar nisso; A
REGÊNCIA confusão tornou difícil se perceber quem estava por perto. Nestes casos,
Eis um dos mais extensos e difíceis capítulos da sintaxe. E que provo- basta tirar a partícula e os textos ficam corretos.
ca muitos erros. Como a maioria das gramáticas aborda só em parte o
tema, dúvidas têm que ser tiradas caso a caso, com o uso do dicionário ou SEÇÃO/SESSÃO/CESSÃO
livros à disposição. "Português Instrumental", (veja bibliografia) tem bom Eis nova fonte de erros: seção quer dizer parte, divisão: seção de pes-
capítulo sobre o assunto. Vamos dar só três regras básicas: a) - não ligue soal; sessão significa tempo de duração de alguma coisa: sessão de cine-
duas ou mais palavras com regimes diferentes a um mesmo complemento. ma; finalmente, cessão quer dizer o ato de ceder: fazer cessão de seus
Não escreva: Gostei e recitei o poema; o correto é: Gostei do poema e o direitos.
recitei. B) - evite construções com infinitivo precedido das contrações do e
da. Não escreva: Já é hora do ministro se demitir. O certo é: Já é hora de o SE NÃO/SENÃO
ministro se demitir. C) - não omita preposições necessárias, embora alguns Se não deve ser usado quando a expressão puder ser substituída por
puristas façam isso: Ambos concordaram (em) que essas ideias não tinham caso não ou quando não. Ou então quando introduzir oração como conjun-
senso comum (Machado de Assis). ção integrante: Perguntou se não era tarde demais. Senão deve ser usado
nos demais casos: Corre, senão a polícia te pega.
REGIÕES GEOGRÁFICAS
Com maiúsculas, se forem oficiais: Triângulo Mineiro, Vale do Canaã. SIGLA
Este mesmo princípio se aplica a regiões geográficas, quando referentes a Geralmente elas criam dificuldades para o leitor. Portanto, a não ser
partes de um território: Região Sul do Espírito Santo, Região Norte, Sul do que seja uma sigla consagrada (PMDB, por exemplo), a gente deve colocá-
País, Norte do Estado. OBS: note que, no penúltimo exemplo, país entrou la logo adiante do nome completo: Secretaria Municipal de Esportes (Se-
com "P" maiúsculo porque substitui o nome "Brasil". mesp). Sigla em título, somente se for consagrada. Além disso, quando se
tratar de termos não pronunciáveis como palavras, todas as letras devem
REGIONALISMO vir em caixa alta. Se formar uma palavra, alto e baixo. Esta regra tem uma
O mesmo que bairrismo. Pode levar as pessoas a não entenderem o única exceção: ONU. É que a sigla foi assim registrada pela organização.
que se está querendo dizer. A menos que o texto seja sobre isso, evite
chamar, por exemplo, um camelô de marreteiro. Ou abóbora com carne TACHAR/TAXAR
seca de jerimum com jabá. Até porque "jabá", em jornalismo, é pecado Tacha é um tipo de prego. O termo também significa mancha, nódoa,
mortal. defeito. O vereador foi tachado de corrupto. Já taxa é uma e espécie de
imposto.
REIS E DEMAIS SOBERANOS
Sempre com minúscula: O rei da Espanha, Catarina foi imperatriz da TEMPOS VERBAIS
Rússia, etc. O mesmo se aplica a outras classificações, como reitor, por É preciso tomar cuidado com o uso correto dos tempos verbais. Muitas
exemplo. vezes a gente tenta escrever uma coisa e escreve outra, por não ter este
cuidado. Note o exemplo: O desfalque foi grande. O desfalque teria sido
REPETIÇÃO DE PALAVRAS grande. No primeiro caso a gente está fazendo uma afirmação. No segun-
É sumamente necessário evitar sempre. O emprego de vocabulário do, praticamente duvidando da informação. Portanto, é preciso não esque-
amplo enriquece o texto jornalístico. Mas cuidado com uma armadilha: o cer que os tempos verbais obedecem a regras de correlação. E consultar
uso de muitos sinônimos pode levar à imprecisão. Não podemos ficar livros sobre o assunto sempre que houver dúvidas a esse respeito.
chamando o advogado de jurista, doutor ou causídico. Neste caso, é melhor
repetir o termo. TÍTULOS DE OBRAS
Escrevam os nomes das obras e espetáculos sem aspas e com maiús-
RESENHA culas no início de cada palavra: E o Vento Levou, Mulheres à Beira de um
A gente faz muito, sobretudo em artes e espetáculos. Deve ser bem in- Ataque de Nervos, O Inspetor Geral.
formativa, para que o leitor tenha ideia do conteúdo da obra, autor, etc. Mas

Língua Portuguesa 54 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
TODO DIA/TODO O DIA Má colocação do Adjunto Adverbial
Sem artigo significa diariamente. Com o artigo, durante o dia inteiro. Exemplos: Crianças que recebem leite materno frequentemente são
Coisa parecida acontece com todo mundo e todo o mundo. Sem o artigo mais sadias.
significa todos. Com ele, o mundo inteiro.
As crianças são mais sadias porque recebem leite frequentemente ou
TRANSCRIÇÃO são frequentemente mais sadias porque recebem leite?
Transcrições literais de trechos de obras devem ser feitas sempre entre
aspas. E usadas homeopaticamente, como já foi dito. Eliminando a ambiguidade: Crianças que recebem frequentemente leite
materno são mais sadias.
TRATAMENTO DE PESSOA
Depois de identificado pela primeira vez na matéria, o personagem da Crianças que recebem leite materno são frequentemente mais sadias.
notícia deve ser citado apenas pelo sobrenome ou nome pelo qual é mais
conhecido. "Luiz Paulo", e nunca "Vellozo Lucas". Quando se tratar de Uso Incorreto do Pronome Relativo
político, é necessário dizer o cargo, o partido e o Estado. Da segunda Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava
menção em diante, o tratamento deve ser igual ao das demais pessoas. sobre a cama.

TRATAMENTO DO LEITOR O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes?
Sempre no singular: Leia matéria no site da Secretaria de Cultura. Não
devemos escrever "Leiam..." Eliminando a ambiguidade: Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de
diamantes a qual estava sobre a cama.
VÁLIDO
Vamos usar apenas no sentido de ter validade ou vigência. Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava
sobre a cama.
VELHO
Como isso geralmente significa deteriorado pelo tempo, não vamos Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e
usar para designar pessoa. O ideal é dizer a idade. Não sendo possível, aliança pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema
pode-se usar idoso. E idosas são pessoas com mais de 60 anos. substituindo os substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo
VIAS E LOGRADOUROS gênero, haveria necessidade de uma reestruturação diferente.
Escreva sempre com minúsculas: avenida Beira Mar, rua General Osó-
rio. Mas isso não é regra geral. Praia da Costa, Praça do Índio, Bairro da Má Colocação de Pronomes, Termos, Orações ou Frases
Penha, Praia de Camburi e outras formam um nome composto. Tudo Aquela velha senhora encontrou o garotinho em seu quarto.
abrindo com letras maiúsculas. Da mesma forma, Região da Grande São
Pedro cabe na explicação que fala das regiões geográficas. O garotinho estava no quarto dele ou da senhora?

VISAR, ALMEJAR, ASPIRAR Eliminando a ambiguidade: Aquela velha senhora encontrou o


Há normas específicas para as transições direta e indireta de verbo, no garotinho no quarto dela.
caso de "visar". Exemplo: "Com o projeto, a Prefeitura de Vitória visa a
devolver a Vitória a paisagem urbana que a caracteriza como uma das mais Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dele.
antigas cidades do Brasil." O certo/errado é feito da seguinte maneira:
Ex.: Sentado na varanda, o menino avistou um mendigo.
Em projeto de deputada está no senado e visa combater a evasão es-
colar. O texto não está correto. É que o verbo visar pode ter as seguintes Quem estava sentado na varanda: o menino ou o mendigo?
predicações verbais:
 Verbo transitivo direto, ou seja, verbo sem preposição alguma, Eliminando a ambiguidade: O menino avistou um mendigo que estava
quando significar dirigir a vista ou o olhar a algo, apontar arma sentado na varanda.
de fogo contra alguém ou pôr o sinal de visto em algo. Veja
alguns exemplos: O menino que estava sentado na varanda avistou o mendigo.
- A professora visou o garoto mais peralta da turma com um olhar
de censura. Dissertação
- O atirador visou o alvo demoradamente. A todo instante nos deparamos com situações que exigem a exposição
- A professora visou todos os trabalhos dos alunos. de ideias, argumentos e pontos de vista, muitas vezes precisamos expor
02) Verbo transitivo indireto, com a preposição a, quando significar aquilo que pensamos sobre determinado assunto.
ter por fim ou objetivo, almejar, mesmo que o elemento que sur-
gir à frente do verbo seja outro verbo no infinitivo. Veja alguns Em muitas situações somos induzidos a organizar nossos
exemplos: pensamentos e ideias e utilizar a linguagem para dissertar.
- Ele visa a uma vaga em Medicina.
- Sempre visou a ter muito dinheiro. Mas o que é dissertar?
- Quando o verbo aspirar for transitivo indireto, não admitirá o uso Dissertar é, através da organização de palavras, frases e textos,
do pronome lhe como objeto indireto. Deveremos usar as formas apresentar ideias, desenvolver raciocínio, analisar contextos, dados e fatos.
analíticas a ele, a ela, a eles, a elas. Por exemplo: Ao cargo de Neste momento temos a oportunidade de discutir, argumentar e defender o
diretor, aspiro a ele, sim. que pensamos através da fundamentação, justificação, explicação,
- A frase apresentada deve, então, ser assim escrita: persuasão e de provas.
- Projeto de deputada está no Senado e visa a combater a evasão
escolar. A elaboração de textos dissertativos requer domínio da modalidade
escrita da língua, desde a questão ortográfica ao uso de um vocabulário
VOZ PASSIVA preciso e de construções sintáticas organizadas, além de conhecimento do
Evite. Tira a ênfase do noticiário jornalístico. Prefira sempre a voz ativa assunto que se vai abordar e posição crítica (pessoal) diante desse
Fonte: http://www.vitoria.es.gov.br/manual/norgerais.htm assunto.

AMBIGUIDADE A atividade dissertadora desenvolve o gosto de pensar e escrever o


A duplicidade de sentido, seja de uma palavra ou de uma expressão, que pensa, de questionar o mundo, de procurar entender e transformar a
dá-se o nome de ambiguidade. Ocorre geralmente, nos seguintes casos: realidade.

Língua Portuguesa 55 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Passos para escrever o texto dissertativo do Censo Educacional do Ministério da Educação, mostra o número de
O texto deve ser produzido de forma a satisfazer os objetivos que o crianças de sete a catorze anos que estão fora das escolas em cada
escritor se propôs a alcançar. Estado.
Há uma estrutura consagrada para a organização desse tipo de texto.
Consiste em organizar o material obtido em três partes: a introdução, o Segundo o mapa, no Brasil, 1,4 milhão de crianças, ou 5,5 % da
desenvolvimento e a conclusão. população nessa faixa etária (sete a catorze anos), para a qual o ensino é
 Introdução: A introdução deve apresentar de maneira clara o obrigatório, não frequentam as salas de aula.
assunto que será tratado e delimitar as questões, referentes ao
assunto, que serão abordadas. O pior índice é do Amazonas: 16,8% das crianças do estado, ou 92,8
mil, estão fora da escola. O melhor, o Distrito Federal, com apenas 2,3% (7
Neste momento pode-se formular uma tese, que deverá ser 200) de crianças excluídas, seguido por Rio Grande do Sul, com 2,7% (39
discutida e provada no texto, propor uma pergunta, cuja resposta mil) e São Paulo, com 3,2% (168,7 mil).
deverá constar no desenvolvimento e explicitada na conclusão.
- Desenvolvimento: É a parte do texto em que as ideias, pontos de Nesse tipo de citação o autor precisa de dados que demonstre sua
vista, conceitos, informações de que dispõe serão desenvolvidas; tese.
desenroladas e avaliadas progressivamente.
- Conclusão: É o momento final do texto, este deverá apresentar um Argumentação por raciocínio lógico
resumo forte de tudo o que já foi dito. A conclusão deve expor uma A criação de relações de causa e efeito é um recurso utilizado para
avaliação final do assunto discutido. demonstrar que uma conclusão (afirmada no texto) é necessária, e não
fruto de uma interpretação pessoal que pode ser contestada.
Cada uma dessa partes se relaciona umas com as outras, seja
preparando-as ou retomando-as, portanto, não são isoladas. Para a construção de um bom texto argumentativo se faz necessário o
conhecimento sobre a questão proposta, fundamentação para serem
A produção de textos dissertativos está ligada à capacidade realizados com sucesso.
argumentativa daquele que se dispõe a essa construção. Narração
É importante destacar que a obtenção de informações, referentes aos A narração consiste em arranjar uma sequência de fatos na qual os
diversos assuntos seja através da leitura, de conversas, de viagens, de personagens se movimentam num determinado espaço à medida que o
experiências do dia-a-dia e dos mais variados veículos de informação tempo passa.
podem sanar a carência de informações e consequentemente darem
suporte ao produzir um texto. O texto narrativo é baseado na ação que envolve personagens, tempo,
Por Marina Cabral espaço e conflito. Seus elementos são: narrador, enredo, personagens,
espaço e tempo.
A Argumentação
A argumentação é um recurso que tem como propósito convencer Dessa forma, o texto narrativo apresenta uma determinada estrutura:
alguém, para que esse tenha a opinião ou o comportamento alterado. Esquematizando temos:
- Apresentação;
Sempre que argumentamos, temos o intuito de convencer alguém a - Complicação ou desenvolvimento;
pensar como nós. - Clímax;
- Desfecho.
No momento da construção textual, os argumentos são essenciais,
esses serão as provas que apresentaremos, com o propósito de defender Protagonistas e Antagonistas
nossa ideia e convencer o leitor de que essa é a correta. A narrativa é centrada num conflito vivido pelos personagens. Diante
disso, a importância dos personagens na construção do texto é evidente.
Há diferentes tipos de argumentos, a escolha certa consolida o texto.
Podemos dizer que existe um protagonista (personagem principal) e
Argumentação por citação um antagonista (personagem que atua contra o protagonista, impedindo-o
Sempre que queremos defender uma ideia, procuramos pessoa de alcançar seus objetivos). Há também os adjuvantes ou coadjuvantes,
‘consagradas’, que pensam como nós acerca do tema em evidência. esses são personagens secundários que também exercem papéis
fundamentais na história.
Apresentamos no corpo de nosso texto a menção de uma informação
extraída de outra fonte. Narração e Narratividade
Em nosso cotidiano encontramos textos narrativos; contamos e/ou
A citação pode ser apresentada assim: ouvimos histórias o tempo todo.
Assim parece ser porque, para Piaget, “toda moral consiste num
sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no Mas os textos que não pertencem ao campo da ficção não são
respeito que o indivíduo adquire por essas regras” (Piaget, 1994, p.11). A considerados narração, pois essas não têm como objetivo envolver o leitor
essência da moral é o respeito às regras. A capacidade intelectual de pela trama, pelo conflito.
compreender que a regra expressa uma racionalidade em si mesma Podemos dizer que nesses relatos há narratividade, que quer dizer, o
equilibrada. modo de ser da narração.

O trecho citado deve estar de acordo com as ideias do texto, assim tal Os Elementos da Narrativa
estratégia poderá funcionar bem. Os elementos que compõem a narrativa são:
- Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
Argumentação por comprovação - Personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante);
A sustentação da argumentação se dará a partir das informações - Narrador (narrador-personagem, narrador-observador).
apresentadas (dados, estatísticas, percentuais) que o acompanham. - Tempo (cronológico e psicológico);
- Espaço.
Esse recurso é explorado quando o objetivo é contestar um ponto de
vista equivocado. Narrador e o Foco Narrativo
Veja: O narrador é elemento fundamental para o sucesso do texto, pois esse
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, lança hoje o Mapa da é o dono da voz, o que conta os fatos e seu desenvolvimento. Atua como
Exclusão Educacional. O estudo do Inep, feito a partir de dados do IBGE e intermediário entre a ação narrada e o leitor.

Língua Portuguesa 56 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
O narrador assume uma posição em relação ao fato narrado (foco podemos utilizar a linguagem não-verbal, como no caso das fotos, pinturas
narrativo), o seu ponto de vista constitui a perspectiva a partir da qual o e gravuras, ou a linguagem verbal (oral ou escrita). A utilização de uma
narrador conta a história. dessas linguagens não exclui necessariamente a outra: pense, por
exemplo, nas fotos ou ilustrações com legendas, em que a linguagem
O foco narrativo em 1ª pessoa verbal é utilizada como complemento da linguagem não-verbal. Pense
Na narração em 1ª pessoa o narrador é um dos personagens, também num anúncio de animal de estimação perdido em que, ao lado da
protagonista ou secundário. Nesse caso ele apresenta aquilo que presencia descrição verbal, também seja apresentada, como complemento àquela
ao participar dos acontecimentos. Dessa forma, nem tudo aquilo que o informação, a sua foto.
narrador afirma refere-se à “verdade”, pois ele tem sua própria visão acerca
dos fatos; sendo assim expressa sua opinião. A Descrição Verbal
A descrição verbal também trabalha com imagens, representadas por
Foco narrativo em 3ª pessoa palavras devidamente organizadas em frases. Essas imagens podem ou
Na narração em 3ª pessoa o narrador é onisciente. Nos oferece uma não vir associadas a informações.
visão distanciada da narrativa; além de dispor de inúmeras informações que
o narrador em 1ª pessoa não oferece. Pode-se entender a descrição como um tipo de texto em que, por meio
Nesse tipo de narrativa os sentimentos, as ideias, os pensamentos, as da enumeração de detalhes e da relação de informações, dados e
intenções, os desejos dos personagens são informados graças à características, vai-se construindo a imagem verbal daquilo que se pretende
onisciência do narrador que é chamado de narrador observador. descrever. Observe que, no texto de Arthur Nestrovski, o autor enumera
elementos constantes do trabalho de Sebastião Salgado, associando a eles
O ENREDO informações que não estão presentes na foto.
O enredo é a estrutura da narrativa, o desenrolar dos acontecimentos
gera um conflito que por sua vez é o responsável pela tensão da narrativa. A descrição, entretanto, não se resume a uma enumeração pura e
simples. Se assim fosse, a descrição de Arthur Nestrovski faz da foto de
OS PERSONAGENS Sebastião Salgado nada nos esclareceria além daquilo da própria foto nos
Os personagens são aqueles que participam da narrativa, podem ser diz. É essencial revelar também traços distintivos, ou seja, aquilo que
reais ou imaginários, ou a personificação de elementos da natureza, ideias, distingue o objeto descrito dos demais. Observe que, ao descrever a foto, o
etc. autor nos revela características que, talvez, não tivéssemos percebido
quando a olhamos pela primeira vez, além das impressões que ela lhe
Dependendo de sua importância na trama os personagens podem ser causou.
principais ou secundários.
Uma observação
Há personagem que apresenta personalidade e/ou comportamento de Dificilmente você encontrará um texto exclusivamente descrito (isso
forma evidente, comuns em novelas e filmes, tornando-se personagem ocorre em catálogos, manuais e demais textos instrucionais). O mais
caricatural. comum é haver trechos descritivos inseridos em textos narrativos e
dissertativos. Em romances, por exemplo, que são textos narrativos por
O ESPAÇO excelência, você pode perceber várias passagens descritivas, tanto de
O espaço onde transcorrem as ações, onde os personagens se personagens como de ambientes.
movimentam auxilia na caracterização dos personagens, pois pode interagir
com eles ou por eles ser transformado. O Ponto de Vista
O Ponto de vista é a posição que escolhemos para melhor observar o
O TEMPO ser ou o objeto que vamos descrever. No entanto, nas descrições, além da
A duração das ações apresentadas numa narrativa caracteriza o tempo posição física, é fundamental a atitude, ou seja, a predisposição psicológica
(horas, dias, anos, assim como a noção de passado, presente e futuro). que temos com relação àquilo que vamos descrever. o ponto de vista (físico
e psicológico) que adotarmos acabará determinando os recursos
O tempo pode ser cronológico, fatos apresentados na ordem dos expressivos (vocabulário, figuras, tipo de frase) que utilizaremos na
acontecimentos, ou psicológico, tempo pertencente ao mundo interior do descrição.
personagem.
O ponto de vista físico vai determinar a ordem da apresentação dos
Quando lidamos com o tempo psicológico a técnica do flashback é detalhes, que devem ser apresentados progressivamente. Observe o que
bastante explorada, uma vez que a narrativa volta no tempo por meio das diz Othon M. Garcia, em sua obra Comunicação em prosa moderna p. 217:
recordações do narrador.
Nunca é, por exemplo, boa norma apresentar todos os detalhes
Concluindo acumulados em um só período. Deve-se, ao contrário, oferecê-los ao leitor
Ao produzir uma narração o escritor deve estar atento à todas as pouco a pouco, verificando as partes focalizadas e associando-as ou
etapas. Dando ênfase ao elemento que se quer destacar. Uma boa dica é: interligando-as.
observar os bons romancistas e contistas, voltando a atenção para seus
roteiros, na forma como trabalham os elementos em suas narrativas. Na descrição de uma pessoa, por exemplo, podemos, inicialmente,
passar uma visão geral e depois, aproximando-se dela, a visão dos
A Gramática na Narração detalhes: como são seus olhos, seu nariz, sua boca, seu sorriso, o que
A narração pressupõe mudanças, pois há o desenrolar dos fatos e esse sorriso revela (inquietação, ironia, desprezo, desespero...), etc.
acontecimentos, dessa forma os verbos de ação predominam nos textos
narrativos. Na descrição de objetos, é importante que, além da imagem visual,
sejam transmitidas ao leitor outras referências sensoriais, como as táteis (o
objeto é liso ou áspero?), as auditivas (o som que ele emite é grave ou
Descrição
Na descrição não há sucessão de acontecimentos no tempo, de sorte agudo?), as olfativas (o objeto exala algum cheiro?).
que não haverá transformações de estado da pessoa, coisa ou ambiente
que está sendo descrito diferentemente da narração, mas sim a A descrição de paisagens (uma planície, uma praia, por exemplo) ou
de ambientes (como uma sala, um escritório) -- as cenas -- também não
apresentação pura e simples do estado do ser descrito em um determinado
devem se limitar a uma visão geral. É preciso ressaltar seus detalhes, e
momento.
isso não é percebido apenas pela visão. Certamente, numa paisagem ou
A descrição se caracteriza por ser o retrato de pessoas, objetos ou ambiente haverá ruídos, sensações térmicas, cheiros, que deverão ser
cenas. Para produzir o retrato de um ser, de um objeto ou de uma cena, transmitidos ao leitor, evitando que a descrição se transforme numa fria e

Língua Portuguesa 57 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
pouco expressiva fotografia. Também poderão integrar a cena pessoas, Coerência Textual
vultos, animais ou coisas, que lhe dão vida. É, portanto, fundamental Um texto pode ser incoerente em ou para determinada situação se seu
destocar esses elementos. autor não consegue inferir um sentido ou uma ideia através da articulação
de suas frases e parágrafos e por meio de recursos linguísticos (pontuação,
A finalidade da descrição, como você sabe, é apresentar-nos o retrato vocabulário, etc.).
de um ser (uma pessoa, uma coisa, um lugar, uma paisagem, etc.) por
meio dos traços que o tornam singular, característico, a ponto de ele não A coerência textual é a relação lógica entre as ideias, pois essas
ser confundido com nenhum outro. devem se complementar, é o resultado da não-contradição entre as partes
do texto.
O fato de o narrador apresentar sua visão pessoal da personagem por
meio de juízos de valor (daí o caráter subjetivo da descrição) não deve ser A coerência de um texto inclui fatores como o conhecimento que o
considerado um defeito; na descrição não devemos nos limitar a fornecer produtor e o receptor têm do assunto abordado no texto, conhecimento de
ao leitor um retrato frio e sem vida. Ao contrário das fotografias e pinturas, a mundo, o conhecimento que esses têm da língua que usam e
descrição deve apresentar o ser retratado progressivamente, de modo que intertextualidade.
os detalhes convirjam para uma imagem unificada daquilo que está sendo
descrito. Pode-se concluir que texto coerente é aquele do qual é possível
estabelecer sentido, é entendido como um princípio de interpretabilidade.
A descrição deve, pois, ir além do simples retrato: deve transmitir ao
leitor uma visão pessoal ou uma interpretação do autor acerca daquilo que Veja o exemplo: “As crianças estão morrendo de fome por causa da
descreve, de modo a, por meio dos sentidos, nos transmitir uma imagem riqueza do país.”
singular, original e criativa. Mesmo que, salvo a técnica ou científica, toda “Adoro sanduíche porque engorda.”
descrição revela, em maior ou menor grau, a impressão do autor sobre
aquilo que descreve. As frases acima são contraditórias, não apresentam informações
Convém lembrar o que já dissemos anteriormente: excetuando as claras, portanto, são incoerentes.
descrições técnicas ou científicas, dificilmente você encontrará uma
descrição absolutamente objetiva, já que sempre haverá alguma Coesão
interferência do autor com relação àquilo que está sendo descrito. É o grau Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os elementos de um
dessa interferência que vai distinguir a descrição objetiva da subjetiva: texto. Percebemos tal definição quando lemos um texto e verificamos que
nesta, a interferência do autor é sempre maior e costuma se caracterizar as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, um dando
pela emissão de juízos de valor; naquela, o autor interfere menos, evita os continuidade ao outro.
juízos de valor e tento nos passar uma imagem mais próxima do real.
Os elementos de coesão determinam a transição de ideias entre as
Como você pôde perceber, os bons escritores, ao descreverem um frases e os parágrafos.
personagem, valorizam detalhes, às vezes pequenos e aparentemente
insignificantes, que o individualizam: é o tipo de bigode ou de sobrancelha, Observe a coesão presente no texto a seguir: “Os sem-terra fizeram um
o tipo de olho ou o modo de olhar, o vocabulário e o modo de falar, algum protesto em Brasília contra a política agrária do país, porque consideram
tique nervoso, etc. Também não apreendem a realidade apenas por meio injusta a atual distribuição de terras. Porém o ministro da Agricultura
da visão; apesar de se falar em "retrato verbal", uma boa descrição não considerou a manifestação um ato de rebeldia, uma vez que o projeto de
pode prescindir das outras sensações. A percepção da realidade se dá por Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra.”
meio de visão, da audição, do olfato, do tato, da gustação. Por isso mesmo JORDÃO, R., BELLEZI C. Linguagens. São Paulo: Escala Educacional, 2007, 566 p.
é comum encontrarmos sinestesias em textos descritivos.
As palavras destacadas no texto têm o papel de ligar as partes do
Descrição técnica texto, podemos dizer que elas são responsáveis pela coesão do texto.
Um tipo especial de descrição objetiva é a descrição técnica, que
procura transmitir a imagem do objeto por meio de uma linguagem técnica, Há vários recursos que respondem pela coesão do texto, os principais
com vocabulário preciso, normalmente ligado a uma área da ciência. É o são:
caso da descrição de peças e aparelhos, de experiências e fenômenos, do - Palavras de transição: são palavras responsáveis pela coesão do
funcionamento de mecanismos, da redação de manuais de instrução e de texto, estabelecem a inter-relação entre os enunciados (orações,
artigos científicos. frases, parágrafos), são preposições, conjunções, alguns advérbios
e locuções adverbiais.
Nas descrições técnicas devem-se buscar a clareza e a precisão para
que se alcance uma comunicação eficaz, objetiva e convincente, que não Veja algumas palavras e expressões de transição e seus respectivos
dê margem a interpretações variadas. Por isso, nestes textos, a linguagem sentidos:
deve ser denotativa. - inicialmente (começo, introdução)
- primeiramente (começo, introdução)
A Gramática da Descrição - primeiramente (começo, introdução)
A descrição apresenta uma gramática muito particular: predominam as - antes de tudo (começo, introdução)
frases nominais, as orações centradas em predicados nominais (afinal, - desde já (começo, introdução)
estamos descrevendo o " mundo das coisas"; falamos como as coisas são); - além disso (continuação)
os adjetivos ganham expressividade tanto na função de adjunto adnominal - do mesmo modo (continuação)
quanto na de predicativo; os períodos são curtos e prevalece a - acresce que (continuação)
coordenação; quando há subordinação, predominam as orações adjetivas - ainda por cima (continuação)
(adjuntos adnominais de um substantivo). Um recurso comum às - bem como (continuação)
descrições é a comparação (para que o interlocutor tenha mais elementos - outrossim (continuação)
para montar a imagem do ser descrito); daí o emprego constante do - enfim (conclusão)
conectivo como. - dessa forma (conclusão)
- em suma (conclusão)
Por não trabalhar com a sucessão temporal (como faz a narração), os - nesse sentido (conclusão)
verbos aparecem no presente (como as coisas são no momento da fala) ou - portanto (conclusão)
no pretérito, com predomínio do imperfeito (como as coisas eram quando o - afinal (conclusão)
observador as percebeu); quando há um marco temporal no passado, é - logo após (tempo)
possível o emprego do mais-que-perfeito. - ocasionalmente (tempo)

Língua Portuguesa 58 A Opção Certa Para a Sua Realização


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- posteriormente (tempo) b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal,
- atualmente (tempo) com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou
- enquanto isso (tempo) esclarecem;
- imediatamente (tempo) c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos
- não raro (tempo) mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia central, levando
- concomitantemente (tempo) em consideração os diversos aspectos selecionados no
- igualmente (semelhança, conformidade) desenvolvimento.
- segundo (semelhança, conformidade) Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma ideia
- conforme (semelhança, conformidade) que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e
- assim também (semelhança, conformidade) reforçada por uma conclusão.
- de acordo com (semelhança, conformidade)
- daí (causa e consequência) Os Parágrafos na Dissertação Escolar
- por isso (causa e consequência) As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas
- de fato (causa e consequência) em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou
- em virtude de (causa e consequência) três para o desenvolvimento e um para a conclusão).
- assim (causa e consequência)
- naturalmente (causa e consequência) É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema
- então (exemplificação, esclarecimento) proposto e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas
- por exemplo (exemplificação, esclarecimento) é fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em
- isto é (exemplificação, esclarecimento) parágrafos (cada um correspondendo a uma determinada ideia que nele se
- a saber (exemplificação, esclarecimento) desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação
- em outras palavras (exemplificação, esclarecimento) coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do
- ou seja (exemplificação, esclarecimento) texto em sua totalidade.
- quer dizer (exemplificação, esclarecimento)
- rigorosamente falando(exemplificação, esclarecimento). Parágrafo Narrativo
Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um
- Coesão por referência: existem palavras que têm a função de fazer episódio curto.
referência, são elas:
- pronomes pessoais: eu, tu, ele, me, te, os... Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se
- pronomes possessivos: meu, teu, seu, nosso... referem a personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao
- pronomes demonstrativos: este, esse, aquele... fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc.
- pronomes indefinidos: algum, nenhum, todo...
O que falamos acima aplica-se ao parágrafo narrativo propriamente
- pronomes relativos: que, o qual, onde...
- advérbios de lugar: aqui, aí, lá... dito, ou seja, aquele que relata um fato (lembrando que podemos ter, em
um texto narrativo, parágrafos descritivos e dissertativos).
- Coesão por substituição: substituição de um nome (pessoa, objeto, Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir
lugar etc.), verbos, períodos ou trechos do texto por uma palavra ou as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido
expressão que tenha sentido próximo, evitando a repetição no corpo do por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem
texto. deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda com
Ex: Porto Alegre pode ser substituída por “a capital gaúcha”; a do narrador ou com a de outro personagem.
Castro Alves pode ser substituído por “O Poeta dos Escravos”;
João Paulo II: Sua Santidade; Parágrafo Descritivo
Vênus: A Deusa da Beleza. A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um
Assim, a coesão confere textualidade aos enunciados agrupados em fragmento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem,
conjuntos. um ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado
Por Marina Cabral momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.

Parágrafo O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da


Os textos em prosa, sejam eles narrativos, descritivos ou dissertativos, descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que
são estruturados geralmente em unidades menores, os parágrafos, caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas
identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à ou coordenadas.
Fonte: http://www.brasilescola.com/redacao/paragrafo.htm
margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há parágrafos
longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a unidade
temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a um
parágrafo. PROVA SIMULADA
"O parágrafo é uma unidade de composição, constituída por um ou
mais de um período em que desenvolve determinada ideia central, ou 01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras.
nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas (A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer.
pelo sentido e logicamente decorrentes dela." (B) O chefe deferia da opinião dos subordinados.
[GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 7.ed. Rio de (C) O processo foi julgado em segunda estância.
Janeiro: FGV, 1978, p. 203.] (D) O problema passou despercebido na votação.
(E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio.
Essa definição não se aplica a todo o tipo de parágrafo: trata-se de um
modelo - denominado parágrafo-padrão - que, por ser cultivado por bons 02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é:
escritores modernos, o aluno poderá (e até deverá) imitar: (A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz.
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido.
Muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com (C) A colega não se contera diante da situação.
ideias e exigem maior rigor e objetividade na composição, o parágrafo- (D) Se ele ver você na rua, não ficará contente.
padrão apresente a seguinte estrutura: (E) Quando você vir estudar, traga seus livros.
a) introdução - também denominada tópico fasal, é constituída de
uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a 03. O particípio verbal está corretamente empregado em:
ideia principal do parágrafo, definindo seu objetivo; (A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos.

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(B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas. sentadas pelos economistas.
(C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime. (E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no
(D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos. litoral ou aproveitam férias ali.
(E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda.
11. A frase correta de acordo com o padrão culto é:
04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em (A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido às
conformidade com a norma culta. chuvas.
Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do (B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos recla-
interior da concha de moluscos reúne outras características interes- mações.
santes, como resistência e flexibilidade. (C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à
(A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de cultura.
componentes para a indústria. (D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da
(B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de culpa.
componentes para a indústria. (E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria.
(C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de compo-
nentes para a indústria. 12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os negó-
(D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de cios das empresas de franquia pelo contato direto com os possíveis
componentes para a indústria. investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins de sele-
(E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de ção não só permite às empresas avaliar os investidores com relação
componentes para a indústria. aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos investido-
res.
05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema (Texto adaptado)
para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substituir
ele está empregado conforme o padrão culto. as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os investi-
(A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem. dores e dos investidores, no texto, são, respectivamente:
(B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje. (A) seus ... lhes ... los ... lhes
(C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha. (B) delas ... a elas ... lhes ... deles
(D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro. (C) seus ... nas ... los ... deles
(E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa. (D) delas ... a elas ... lhes ... seu
(E) seus ... lhes ... eles ... neles
06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está 13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo
correta em: com o padrão culto.
(A) As características do solo são as mais variadas possível. (A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações.
(B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente. (B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente.
(C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada. (C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido.
(D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações. (D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada.
(E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo. (E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris.

07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de 14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto
flexão de grau. direto e indireto em:
(A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo. (A) Apresentou-se agora uma boa ocasião.
(B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá duran- (B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo.
te as férias. (C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa.
(C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos. (D) A conta, deixamo-la para ser revisada.
(D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que ruim. (E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder.
(E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualidade.
15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo.
Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pala- Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos
vras completam, correta e respectivamente, as frases dadas. respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é:
(A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção.
08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento (B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo.
estatal ciência e tecnologia. (C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção.
(A) à ... sobre o ... do ... para (D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção.
(B) a ... ao ... do ... para (E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo.
(C) à ... do ... sobre o ... a
(D) à ... ao ... sobre o ... à 16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação
(E) a ... do ... sobre o ... à do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inauguração
de nosso Teatro Educativo, por ordem de, Doutor XXX, Digníssimo
09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a máxima
franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para o Ex-
eles devem estar aptos comercializar seus produtos. celentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o Reve-
(A) ao ... a ... à (B) àquele ... à ... à rendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reitores das
(C) àquele...à ... a (D) ao ... à ... à (E) àquele ... a ... a Universidades Paulistas, para que essas autoridades possam se
programar e participar do referido evento.
10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a Atenciosamente,
norma culta. ZZZ
(A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso Assistente de Gabinete.
trarão grandes benefícios às pesquisas.
(B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaborando De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas são
com o meio ambiente. correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por
(C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desenvol- (A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos
vendo projetos na área médica. (B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos
(D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes apre-

Língua Portuguesa 60 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos 23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraqueci-
(D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos dos galhos da velha árvore.
(E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, sobre
o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar.
17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se (A) Quem podou? e Quando podou?
respeitam as regras de pontuação. (B) Qual jardineiro? e Galhos de quê?
(A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, revelou, (C) Que jardineiro? e Podou o quê?
que temos uma arrecadação bem maior que a prevista. (D) Que vizinho? e Que galhos?
(B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma (E) Quando podou? e Podou o quê?
sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada.
(C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade 24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia.
Policial, confessou sua participação no referido furto.
Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili-
(D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimento
funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia.
correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pontua-
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões ção em:
negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados.
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas.
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas.
18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
predicado que formam um período simples, se aplica, adequadamen- (C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia.
te, apenas a: (D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas.
(A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral. (E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas.
(B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período.
(C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas. 25. Felizmente, ninguém se machucou.
(D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo. Lentamente, o navio foi se afastando da costa.
(E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames. Considere:
Leia o período para responder às questões de números 19 e 20. I. felizmente completa o sentido do verbo machucar;
II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais de
O livro de registro do processo que você procurava era o que estava modo;
sobre o balcão. III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do fato;
19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem a IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar;
(A) processo e livro.
V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos.
(B) livro do processo.
Está correto o contido apenas em
(C) processos e processo.
(D) livro de registro. (A) I, II e III. (B) I, II e IV.
(E) registro e processo. (C) I, III e IV. (D) II, III e IV. (E) III, IV e V.

20. Analise as proposições de números I a IV com base no período 26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o carro...,
acima: indicando concessão, é:
I. há, no período, duas orações; (A) para poder trabalhar fora.
II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal; (B) como havia programado.
III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais; (C) assim que recebeu o prêmio.
IV. de registro é um adjunto adnominal de livro. (D) porque conseguiu um desconto.
Está correto o contido apenas em (E) apesar do preço muito elevado.
(A) II e IV.
(B) III e IV.
27. É importante que todos participem da reunião.
(C) I, II e III.
(D) I, II e IV. O segmento que todos participem da reunião, em relação a
(E) I, III e IV. É importante, é uma oração subordinada
(A) adjetiva com valor restritivo.
21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do (B) substantiva com a função de sujeito.
acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho: (C) substantiva com a função de objeto direto.
I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas; (D) adverbial com valor condicional.
II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura (E) substantiva com a função de predicativo.
pelo Juiz;
III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equivalen- 28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação estabe-
te ao da palavra mas; lecida pelo termo como é de
IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do acór- (A) comparatividade. (B) adição.
dão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar. (C) conformidade. (D) explicação. (E) consequência.
Está correto o contido apenas em
(A) II e IV. (B) III e IV. 29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de
(C) I, II e III. (D) I, III e IV. (E) II, III e IV. franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão
contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos di-
22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais. versificados de acordo com as possibilidades de investimento dos
Ao transformar os dois períodos simples num único período compos- possíveis franqueados.
to, a alternativa correta é: A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e
(A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis. relaciona corretamente as ideias do texto, é:
(B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis. (A) digo ... portanto ... mas
(C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais. (B) como ... pois ... mas
(D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais. (C) ou seja ... embora ... pois
(E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis. (D) ou seja ... mas ... portanto
(E) isto é ... mas ... como

Língua Portuguesa 61 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos _______________________________________________________
investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulgados.
A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí- _______________________________________________________
rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi- _______________________________________________________
da, sem alterar o sentido da frase, é:
(A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ... _______________________________________________________
(B) Concluído o processo de seleção dos investidores ... _______________________________________________________
(C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ...
(D) Se concluído do processo de seleção dos investidores...
_______________________________________________________
(E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores ... _______________________________________________________

RESPOSTAS _______________________________________________________
_______________________________________________________
01. D 11. B 21. B
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02. A 12. A 22. A _______________________________________________________
03. C 13. C 23. C _______________________________________________________
04. E 14. E 24. E
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05. A 15. C 25. D
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06. B 16. A 26. E
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07. D 17. B 27. B
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08. E 18. E 28. C
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09. C 19. D 29. D
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10. D 20. A 30. B
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Língua Portuguesa 62 A Opção Certa Para a Sua Realização