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DIREITO EMPRESARIAL

O direito brasileiro segue o conceito tradicional de sociedade como sendo a união de duas ou mais pessoas, físicas ou
jurídicas para praticarem uma atividade econômica, que busque precipuamente o lucro e que esse resultado auferido seja
partilhado entre os sócios.
CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES: 1) Quanto à natureza do ato constitutivo: contrato social ou estatuto social.
Não obstante terem diferenças formais, o entendimento prevalente no Brasil é que a relação entre os sócios terá natureza
contratual. 2) Quanto à natureza da atividade praticada: A atividade que irá classificar as sociedades é a atividade
empresária. O CC abandonou a teoria dos atos de comércio. Assim, as sociedades serão empresárias quando no seu objeto
se encontrar a prática de uma atividade empresária e simples quando não encontrar com a prática de atividade empresária.
ART. 982, CC, PU: Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações e simples a
cooperativa. Assim, a sociedade anônima será sempre empresária. 3) Quanto à importância dos sócios ou do capital
investido: há sociedade em que o intuito principal é a reunião daqueles sócios especificamente, no qual sua participação
na sociedade terá importância fundamental. Assim, nesse não importa o que se investe, mas quem investe. Classifica-se
como sociedade de pessoas. Em outros tipos societários, não haverá essa importância tão grande da pessoa dos sócios,
sendo muito mais relevante o capital investido. Trata-se da sociedade de capitais. 4) Quanto à responsabilidade dos sócios
pelas obrigações sociais: Nas sociedades em que os sócios respondem ilimitadamente, se o patrimônio social não for
suficiente para arcar com as obrigações assumidas, os credores poderão buscar o patrimônio dos sócios, ainda que já tenha
havido a total integralização. 5) Quanto à aquisição de personalidade jurídica: há as sociedades não personificadas e as
personificadas.

SOCIEDADE EM COMUM: O CC previu duas sociedades que não terão personalidade jurídica: a SOCIEDADE
EM COMUM e a SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. A Sociedade em Comum seria aquela sociedade
em que (i) inexistem contratos sociais (sociedades de fato) ou (ii) se existem não foram registrados (sociedade irregulares).
ART. 986. OBS: Também haverá sociedade em comum quando houver atraso no pedido de registro do ato constitutivo.
O prazo normal para se requerer o registro é de 30 dias e se esse prazo não for observado, os efeitos do registro só irão
ocorrer quando este for efetivado. Caso o contrato ou estatuto de uma sociedade seja levado a registro no órgão errado,
ela também será considerada uma sociedade em comum. Nesta sociedade, já que não existe uma pessoa jurídica, sujeitos
de direitos, que poderia assumir os direitos e obrigações, nessa sociedade, cada sócio irá assumi-lo em seu próprio nome.
Porém, as dívidas e o patrimônio adquirido com a exploração da atividade constituirão patrimônio especial que os sócios
irão partilhar. Assim, caso a dívida esteja em nome de apenas um sócio, provando-se que a obrigação que foi assumida
para a sociedade, esse sócio poderá requerer que tal débito seja partilhado com os demais sócios. Em relação a terceiros,
credores desse tipo de sociedade, a responsabilidade entre os sócios será solidária. Quer dizer que, se o credor provar que
a dívida era da sociedade, poderá demandar todos os sócios e não apenas em cujo nome a obrigação estiver formalizada.
Caso o sócio seja demandado por uma dívida que pertence a sociedade, terá direito ao benefício de ordem, com exceção
daquele que emprestou seu nome para a sociedade.

SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO: Não possui personalidade jurídica. A falta de registro se dá devido
à sua natureza e não pela falta de registro. É uma sociedade formada por dois tipos de sócios: sócio ostensivo e sócio
participante (sócio oculto). A atividade é desenvolvida apenas pelo sócio, em seu nome e sob sua exclusiva
responsabilidade, cabendo aos sócios ocultos a participação nos resultados correspondentes. ART. 991. O sócio ostensivo
terá responsabilidade ilimitada pelos negócios, até porque as obrigações foram contraídas em seu nome, enquanto o sócio
participante só tem responsabilidade perante o ostensivo e nos limites do contrato. O sócio participante também terá riscos
no negócio, pois se este não vier a dar lucros, ele poderá perder o investimento que realizou, mas seu risco ficará limitado
apenas ao que ficou estabelecido no contrato. O contrato não precisa de qualquer formalidade, não precisando nem mesmo
da forma escrita. Não pode ter o contrato registrado na Junta Comercial. A falência do sócio ostensivo ocasiona a
dissolução da sociedade, bem como, a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário, ou seja,
ausência de garantia real ou especial.

SOCIEDADE SIMPLES: Se há a prática de atividade empresária será sociedade empresária e se não praticar tal
atividade será sociedade simples. Conceito: a sociedade simples é aquela em que a atividade desenvolvida é uma atividade
não empresária, isto é, atividades intelectuais de natureza artística, científica ou literária. A constituição se dá por meio
de contrato social que deverá conter no mínimo os requisitos do art. 997/CC e deve ser registrado no Cartório de Registro
Civil de Pessoas Jurídicas. O contrato social deve ser escrito e pode ser feito por instrumento particular ou por instrumento
público em cartório. Art. 1155, CC: Equipara-se ao nome empresarial, para os feitos da proteção da lei, a denominação
das sociedades simples, associações e fundações”. Assim, a denominação da sociedade simples terá proteção no território
estadual e será de uso exclusivo de quem o registra. Na sociedade simples é permitido que o sócio integralize o capital
social através da prestação de serviços. O ato constitutivo terá que detalhar qual será esse serviço que representará a
integralização. O administrador da sociedade, nomeado por instrumento em separado, averbá-lo à margem da inscrição
da sociedade, e, pelos atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e solidariamente com a sociedade.
Assim, há permissão para que o administrador seja nomeado posteriormente. A divisão dos lucros e das perdas na
proporção do capital social não é obrigatória, podendo ser estipulado de forma diferente no contrato social. De acordo
com o interesse dos sócios, outras cláusulas poderão ser colocadas no contrato, que deverá ser levado à registro no Cartório
do Registro Civil das Pessoas Jurídicas dentro de um prazo de 30 dias. Se o registro for requerido dentro deste prazo os
efeitos retroagem e a sociedade terá adquirido personalidade jurídica desde o momento da assinatura do contrato. Se não
for requerido nos 30 dias, o efeito do registro somente será observado após a sua efetivação e durante esse período a
sociedade será uma sociedade em comum. Art. 983: A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos
regulados nos arts. 1.039 a 1092; a sociedade simples, pode constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o
fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias. OBS: A sociedade empresária não pode adotar o tipo de sociedade
simples. A sociedade não empresária (simples em sentido amplo) configura gênero, sendo a sociedade simples em sentido
estrito, regulada nos artigos 997 a 1038 do CC, uma espécie, mas não a única. A sociedade não empresaria (simples em
sentido amplo) não poderá adotar a forma de sociedade por ações, mas poderá adotar a forma de sociedade em nome
coletivo, em comandita simples e limitada, mas caso não adote um desses tipos, pois é faculdade, será considerada
sociedade simples em sentido estrito, sendo regulada pelos artigos 997 a 1038. Portanto, as sociedades por ações são
sempre sociedade empresarias por determinação legal, porém as sociedades em nome coletivo, em comandita simples e
limitada, poderão ser consideradas empresárias ou não empresárias (simples em sentido amplo), dependendo da forma
pela qual o objeto for explorado, ou seja, se o mesmo pode ser considerado ou não empresa. Mesmo que a sociedade
simples adote uma das formas possíveis de sociedade empresária, seu registro de constituição continuará ocorrendo no
Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Sociedades entre cônjuges: Os cônjuges que sejam casados sob regime
da comunhão universal de bens, ou do da separação obrigatória não poderão criar sociedade entre si. O STJ entende que
essa vedação se aplica tanto a sociedades empresárias quanto a sociedades simples. Responsabilidade dos sócios pelas
obrigações sociais: Art. 997, VIII: “se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais”. A
doutrina mais tradicional aponta um erro de técnica da elaboração do inciso VIII do 997, afirmando que ao invés da
expressão “subsidiariamente”, deveria ter sido usada a expressão “solidariamente”. Enunciado 61 I Jornada de Direito
Civil: “O termo “subsidiariamente” constante do inciso VIII do art. 997 do CC deverá ser substituído por “solidariamente”
a fim de compatibilizar esse dispositivo com o art. 1023/CC”. 1023/CC: “Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as
dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de
responsabilidade solidária”. Segundo o STJ, entende-se que a responsabilidade dos sócios é ilimitada, não se fazendo
necessária a desconsideração da personalidade jurídica. O que é permitido em termos de limitação de responsabilidade
dos sócios na sociedade simples é que ela ocorra ENTRE OS SÓCIOS. Enunciado 10, I Jornada de Direito Civil: “Nas
sociedades simples, os sócios podem limitar suas responsabilidades entre si, à proporção da participação no capital social,
ressalvadas as disposições específicas”. 1008/CC: É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar
dos lucros e das perdas. Obrigações e direitos dos sócios: A principal obrigação dos sócios da sociedade simples é
integralizar o capital social. O sócio que não integraliza é chamado de sócio remisso e poderá nos termos do art. 1004/CC:
a) os sócios optarem por realizar a cobrança judicial do sócio remisso; b) exclui-lo, devolvendo-lhe o que ele houver pago
e fazendo a consequente redução no capital social; c) no caso de já ter integralizado alguma parte, reduzir sua participação
ao montante já realizado, fazendo a redução do capital social. Para que seja constituído em mora, terá que notifica-lo para
fazer a integralização do capital social em 30 dias, sendo que somente após esse fato é que as alternativas acima poderão
ser tomadas. Se o sócio for integralizar com serviços, terá que fazer com exclusividade, salvo disposição em contrário,
sob pena de ser privado dos lucros e dela excluído. A participação nos lucros é um direito que não pode ser retirado nem
por votação, muito menos pelo contrato social. É nula a cláusula que exclua o sócio de participar dos lucros e das perdas.
Ao sócio deve ser dado o direito de sair da sociedade. Há duas formas diferentes em que o sócio poderá sair: a) cessão
das suas cotas; b) exercício do direito de retirada. OBS: Em razão da sociedade simples ser considerada de pessoas, a
cessão de quotas depende do consentimento de todos os sócios (1003/CC) e no caso de ocorrer a venda, o sócio que sair
da sociedade permanecerá por até 02 anos co-responsável pelas dívidas sociais. Em virtude da affectio societatis, não se
pode obrigar o sócio da sociedade simples estar em sociedade com alguém que ele não queira, dessa forma para alterar o
quadro societário é preciso da autorização de TODOS OS SÓCIOS, mesmo que ele tenha uma participação pequena na
sociedade. Mesmo que seja para transferir a quota para OUTRO SÓCIO essa autorização será necessária. Como a saíde
do sócio através da cessão de quotas se dá de forma restrita, o direito de retirada, nas sociedades de prazo indeterminado,
se dá de forma livre, com a simples notificação do sócio retirante os demais sócios, com antecedência mínima de 60 dias.
No direito de retirada haverá a liquidação da quota do sócio retirante, isto é, ele sairá e levará com ele o correspondente
patrimonial da suas quotas. Para tanto, deverá ser feito um balanço patrimonial para aferir o patrimônio líquido do
momento da retirada. Os sócios tem direito de participar das deliberações sociais. Para a alteração do contrato social nas
matérias previstas no art. 997/CC, EXIGE-SE APROVAÇÃO UNÂNIME. As demais deliberações serão aprovadas se
houver MAIORIA ABSOLUTA DO CAPITAL (proporção de capital que o sócio detenha, não sendo apurado o voto per
capita). Administração: A administração da sociedade simples pode competir a PESSOAS FÍSICAS ou JURÍDICAS.
OBS: Caso a administração seja de competência de todos os sócios, a regra geral é que está se dará separadamente. OBS:
Os sócios administradores nomeados no contrato social NÃO PODERÃO ser DESTITUÍDOS, salvo justa causa
reconhecida judicialmente, a pedido de QUALQUER DOS SÓCIOS (1009/CC). O contrato social pode organizar o poder
de administração, dividindo as atribuições entre diversas pessoas, definindo a competência de cada um, ou exigindo que
os atos sejam praticados em conjunto. Nesse último caso, há que se obedecer ao estipulado no contrato social, salvo casos
de urgência, nos quais o sócio poderá praticar os atos isoladamente a fim de evitar danos à própria sociedade. O CC
inovou quanto à responsabilidade do administrador quando atua fora de seus poderes: art. 1015/CC: “No silêncio do
contrato, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto
social, a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. PU: O excesso por parte dos
administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: i) se a limitação
de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade; ii) provando-se que era conhecida do terceiro;
iiii) tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. O PU do art. 1015/CC filiou-se, assim, à
Teoria dos Atos Ultra Vires e responsabiliza apenas o administrador pelos atos praticados fora dos seus limites de poder.
A sociedade não é responsabilizada. Enunciado 11, I Jornada de Direito Civil: “A regra do 1015, PU/CC, deve ser aplicada
à luz da teoria da aparência e do primado da boa-fé objetiva, de modo a prestigiar a segurança do tráfego negocial. As
sociedades se obrigam perante terceiros de boa-fé. Dissolução: O encerramento é dividido em três etapas: 1) dissolução;
2) liquidação e; 3) baixa definitiva do registro. A dissolução da sociedade simples ocorre nos casos previstos nos arts.
1033 (dissolução de pleno direito) e 1034 (dissolução judicial). 1033 (dissolução de pleno direito): consentimento
unânime dos sócios; a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo indeterminado; a falta de
pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de 180 dias; a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.
Art. 1034/CC: A sociedade pode ser dissolvida JUDICIALMENTE, a requerimento de qualquer dos sócios, quando: I)
anulada a sua constituição e; II) exaurido o fim social, ou verificada a sua inexequibilidade. A ação pode ser proposta por
QUALQUER SÓCIO, independente de qual a participação que ele possuí no capital social. Após a dissolução, a sociedade
entrará em liquidação, cujo procedimento é o mesmo para todas as sociedades contratuais.155